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Numero do processo: 15374.901761/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2000
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA.
Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas.
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte.
PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO.
A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior.
VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.
PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
Numero da decisão: 2202-005.118
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas. IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte. PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazêlo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior. VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 17 61 /2 00 8- 75 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 15374.901761/200875 Acórdão n.º 2202005.118 S2C2T2 Fl. 3 2 PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 15374.901804/200812, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2202005.099 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não homologou o pedido de compensação. Do Pedido de Compensação Fl. 181DF CARF MF Processo nº 15374.901761/200875 Acórdão n.º 2202005.118 S2C2T2 Fl. 4 3 O pedido de compensação tratase de processo referente ao PER/DCOMP eletrônico no qual a Soft Consultoria Ltda pretende aproveitar o crédito de IRRF que teria sido recolhido indevidamente. Da Análise do PER/DCOMP De acordo com o Despacho Decisório eletrônico, a compensação não foi homologada, pois o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, uma vez que o recolhimento realizado pelo DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos declarados pela contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito requerido no pedido de compensação (PER/DCOMP): A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP Regularmente intimada do Despacho Decisório com a não homologação da compensação declarada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: Do direito ao crédito de imposto de renda retido na fonte sobre royalties remessa ao exterior. Logo, diante dos fundamentos apresentados, entende a Manifestante que os valores referentes ao IRRF pagos por ela sobre remessas para pagamento de importações de "softwares" de prateleira são passíveis de pedido de indébito e por isso a impossibilidade de se manter o indeferimento em tela. Por fim, outro argumento deve ser realçado pela ora Manifestante, é a necessidade expressa de se realizar perícia a fim de se apurar o tipo de software comercializado pela empresa no presente processo. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou a Manifestação de Inconformidade, proferiu o Acórdão negandolhe provimento, mantendo o Despacho Decisório e não homologando o PER/DCOMP. Do Recurso Voluntário A Soft Consultoria, devidamente intimada da decisão da DRJ, conforme aviso de recebimento, apresentou recurso voluntário. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, alegando que: Concessa maxima venia, cabe ao Contribuinte eleger o meio de prova que julga adequado à demonstração dos fatos. Na espécie, dada a natureza da matéria sub examine, entendeu ser a prova pericial. A própria norma reguladora da matéria é clara ao determinar tal possibilidade. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 15374.901761/200875 Acórdão n.º 2202005.118 S2C2T2 Fl. 5 4 Nos termos postos, a defesa do Contribuinte fica inviabilizada, vez que não carreou aos autos a prova apontada pelo nobre relator, a saber, embalagens dos softwares "de prateleira" e respectivos documentos de importação. Paralelamente, além de indeferir o pedido formulado, o julgador administrativo também não oportunizou ao contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas. Alegou também a necessidade de se observar o Princípio da Verdade Material, afirmou que em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material e que a referida verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil, bem como alegou ainda que: Nesse diapasão, a produção de prova documental no processo administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação. É que em nome dos princípios da ampla defesa, legalidade, oficialidade e verdade material, dentre outros, não se pode negar ao Administrado a produção de prova em outra fase. Não poderia ser de outra forma, vez que, o órgão judicante, ao afastar a prova pretendida pelo Contribuinte, não poderia negarlhe a possibilidade de apresentar, em outra oportunidade, a prova que ele mesmo julgou conveniente. Ademais, pelo Princípio da Informalidade Moderada, que é a mais adequado ao autocontrole da legalidade pela Administração Pública e mais aberta à busca da verdade material (base de todo sistema), poderia, sem qualquer violação, o julgador administrativo ter determinado exofício a juntada dos documentos que julgou conveniente. Do Pedido Ao final, a Recorrente requer que seja reformado o acórdão e analisados os documentos acostados junto ao recurso: 1 A reforma do v. acórdão fustigado, com o conseqüente deferimento do pedido de produção de prova pericial; conforme formulado da Manifestação de Inconformidade, ou, caso assim não entendam Vs.Sas., 2 Seja, com base nos princípios apontados e na economia processual, analisada a documentação ora acostada, a qual corresponde aos meios de prova apontados pelos julgadores a quo, com o conseqüente deferimento do PER/DCOMP versado na aludida Manifestação de Inconformidade. É o relatório." Fl. 183DF CARF MF Processo nº 15374.901761/200875 Acórdão n.º 2202005.118 S2C2T2 Fl. 6 5 Voto Ronnie Soares Anderson Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 15374.901804/200812, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202005.0992 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Da Apresentação De Provas e Da Verdade Material A Recorrente questionou, invocando a necessidade de observância ao Princípio da Verdade Material, que a produção de prova documental no processo administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação. No mesmo sentido, a Recorrente ainda questionou a decisão de primeira instância alegando que o julgador administrativo poderia ter determinado exofício a juntada dos documentos que julgou conveniente. Além disso, a Recorrente, quando da apresentação do recurso voluntário, solicitou a juntada de diversos documentos com o objetivo de comprovar suas alegações. No que diz respeito ao pedido da recorrente, entendo que não merece acolhimento, uma vez que, a partir da Manifestação de Inconformidade, início da fase litigiosa, era dever da contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas no seu pedido de compensação. Neste contexto, cabe registrar que a fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a contribuinte deveria, sob pena de preclusão, instruir sua Manifestação de Inconformidade apresentando junto com os motivos de fato e de direito que fundamentaram sua pretensão, os documentos que respaldassem suas afirmações, conforme disciplina os dispositivos legais pertinentes à matéria, os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 184DF CARF MF Processo nº 15374.901761/200875 Acórdão n.º 2202005.118 S2C2T2 Fl. 7 6 (...) Assim, como não apresentou elementos necessárias para comprovar suas alegações, apenas requereu a realização de perícia, a autoridade julgadora de primeira instância apreciou a Manifestação de Inconformidade, negandolhe provimento, pois verificou a inexistência de elementos probantes, dessa forma indeferiu o pedido de perícia e não homologou a compensação declarada, confirmando as razões do despacho decisório. No tocante as novas provas apresentadas, entendo que, além de extemporâneas, estão ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Do mesmo modo, observo não há fato ou razão renovada trazida aos autos pela DRJ, porquanto o voto proferido pelos julgadores daquela DRJ, apresentou considerações no sentido de que tais provas independem de perícia, pois poderiam ter sido produzidas por meio de documentos. Todavia, ao fazer estas considerações, entendo que a DRJ estava demonstrando que a contribuinte perdeu a oportunidade legal de apresentar os documentos que, em tese, poderiam comprovar o seu pleito. Inclusive, no que diz respeito a apresentação de prova apenas em sede de recurso voluntário, compartilho o entendimento apresentado no Acórdão nº 3201 004.710, sessão de 29 de janeiro de 2019, proferido pela 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, que em situação semelhante negou provimento ao recurso do contribuinte. Com base no citado Acórdão, observo o entendimento de que a jurisprudência apresenta certo grau de atenuação dos rigores das normas processuais acerca da preclusão, afastandoa em alguns casos referentes a fatos notórios ou incontroversos que podem permitir o pronto convencimento do julgador. No mesmo sentido, entendo que o direito da parte produzir provas posteriores, até o momento da decisão administrativa, comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fundamento em seu juízo de valor, acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que no caso é de responsabilidade da contribuinte. No caso dos autos, notase que a Recorrente não produziu oportunamente os documentos que poderiam justificar as suas alegações, responsabilidade esta que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Decreto nº 70.235/72 e, de forma subsidiária, pela Lei nº 13.105/2015 (CPC). Neste contexto, observase que o princípio da verdade material confere ao julgador administrativo maior liberdade na apreciação das provas, podendo coletar provas ou determinar a produção de provas não produzidas pelas partes, se assim for necessário para o seu convencimento diante das provas já apresentadas. Contudo, não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Desse modo, não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a compensação para extinção de crédito tributário, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também, em sede de julgamento se oportunize tais demonstração e comprovação, pois a busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia da contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas Fl. 185DF CARF MF Processo nº 15374.901761/200875 Acórdão n.º 2202005.118 S2C2T2 Fl. 8 7 necessárias a possível comprovação do crédito alegado, bem como não permite a supressão de instância. Isto posto, rejeito, preliminarmente, o pedido para acatar os documentos apresentados após a decisão de primeira instância administrativa. Da Perícia Na peça de defesa inicial, a contribuinte requereu a realização de perícia com o objetivo de comprovar os seus argumentos, todavia, quando apreciou a Manifestação de Inconformidade, a DRJ indeferiu o pedido de realização de perícia, porque entendeu desnecessária, uma vez que a pretensão da contribuinte poderia ser comprovada por meio de prova documental. Dessa forma, percebese que a contribuinte optou por não apresentar documentos que pudessem comprovar suas alegações, pois, no seu entendimento, poderia eleger o meio de prova que julgasse adequado e neste caso, devido a natureza da matéria em exame, a empresa optou pelo pedido de prova pericial, que a seu ver seria a mais adequada. Neste aspecto, observo que não podem prosperar os argumentos e os questionamentos apresentados, pois entendo que a Recorrente ao invés de apresentar oportunamente os documentos que, em tese, poderiam comprovar suas alegações, optou por substituir sua incumbência probatória com providências a cargo do Fisco ou do perito técnico, por meio de realização de perícia. Ademais, a prova pericial, além do caráter específico, não depende exclusivamente da vontade das partes, mas sim de circunstâncias que justifiquem a necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos, para quando o julgador, diante de indícios ou elementos incipientes de prova, pudesse melhor elucidar os fatos para formar sua convicção. À vista disso, entendo que seja prescindível a realização da perícia, tendo em vista que a mesma se destinava a suprir prova que poderia ser produzida pela contribuinte com a juntada de documentos carreados aos autos no momento oportuno. Esclarecendo ainda que a contribuinte tem a obrigação jurídica de manter os meios probatório de seu interesse. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia, por considerálo desnecessário à produção das provas pretendidas pela empresa Soft Consultoria Ltda, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, que permite a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formar livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Da Defesa Inviabilizada No tocante a alegação da Recorrente de que a sua defesa ficou inviabilizada, porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas, também não merece acolhida, pois a recorrente teve oportunidade de apresentar tempestivamente a documentação pertinente relativo aos fatos, mas não o fez. Além do mais, cabe registrar que nos pedidos de compensação/restituição o ônus da prova cabe ao sujeito passivo, como pode ser observado no disposto do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, disciplinando que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto Fl. 186DF CARF MF Processo nº 15374.901761/200875 Acórdão n.º 2202005.118 S2C2T2 Fl. 9 8 que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. No mesmo sentido, dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que as impugnações administrativas já devem trazer os elementos de prova: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Dessa forma, entendo que não caberia ao julgador de primeira instância oportunizar ao contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas, pois as provas já deveriam ser apresentadas no momento da contestação por meio da Manifestação de Inconformidade, conforme disciplina o art. 15 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que caberia à contribuinte, ao ofertar a sua defesa, produzir a prova em contrário, por meio de documentação hábil e idônea. Como não o fez, o seu pedido de compensação não foi homologado, conforme decisão proferida no Acórdão de primeira instância que manteve o Despacho Decisório. Por tudo aqui exposto, rejeito o argumento da contribuinte de que a sua defesa ficou inviabilizada, porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas. Da Ausência de Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito De acordo com os autos, percebese que a Recorrente alegou que houve recolhimento indevido de tributo e por este motivo requereu, mediante apresentação de PER/DCOMP, compensação destes valores. No entanto, quando da análise do seu pedido de compensação, o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, pois o crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos, motivo pelo qual se fundamentou a não homologação da compensação declarada, conforme o Despacho Decisório. Além disso, quando apresentou a sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte não apresentou documentos que pudessem comprovar que houve recolhimento indevido bem como se o valor pleiteado estaria disponível, demonstrando a existência da liquidez e certeza do crédito. Isto posto, cabe esclarecer que o ponto chave para atender pedido de compensação diz respeito a necessidade de comprovar que o crédito aludido estivesse disponível para ser utilizado na quitação do débito indicado no PER/DCOMP. Dessa forma, caberia a contribuinte demonstrar a existência da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, para um análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido, o montante e comparálo ao pagamento efetuado, nos termos do art. 1701 do CTN, que estabelece as condições para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 15374.901761/200875 Acórdão n.º 2202005.118 S2C2T2 Fl. 10 9 Por fim, percebese que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a liquidez e certeza do crédito e, dessa forma, entendo como correto o resultado exarado no Despacho Decisório eletrônico bem com na decisão proferida pelo Acórdão de primeira instância administrativa que negou provimento à Manifestação de Inconformidade e não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o crédito indicado na DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos declarados pela contribuinte. Destarte, com base em tudo que foi exposto, entendo que não há espaço para reanálise do despacho decisório e nem qualquer reforma na decisão recorrida. No tocante ao pedido de realização de perícia, entendo desnecessária. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia" Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.905387/2015-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.523
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 53 87 /2 01 5- 76 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13839.905387/201576 Acórdão n.º 3402006.523 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação de COFINS paga indevidamente a maior. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em resumo: Preliminarmente, a violação ao principio da ampla defesa e ao princípio do devido processo legal. Afirma que a decisão originária se apresenta genérica, lacônica, beira as raias da inépcia e torna difícil a contra argumentação da recorrente. Afirma também que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, e que esta decisão (do Despacho Decisório) deve ser anulada. No mérito, afirma possuir direito a crédito a ser utilizado e homologado, pois pagou indevidamente ou a maior as contribuições para o PIS e a COFINS ao não excluir de suas bases de cálculo os valores ali embutidos referentes ao ICMS. O valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por não integrar conceito de "faturamento", pois esse valor de ICMS é mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. A este respeito cita o voto proferido pelo Min. Luiz Gallotti no Recurso Extraordinário nº 71.758 no STF e o Recurso Extraordinário nº 240785 no STF que tem por relator o Ministro Marco Auréio. Requer, que fique sobrestada qualquer eventual cobrança para o pagamento de impostos atinentes ao caso vertente até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer também PROVIMENTO TOTAL à Manifestação de Inconformidade, para ser acatada a matéria preliminar e anulada a decisão, ou, que seja reformada a decisão para HOMOLOGAÇÃO da compensação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo DRJ, nos termos do Acórdão nº 12091.528. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa em prejuízo do recorrente, bem como defendeu a juridicidade do seu crédito, decorrente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.905387/201576 Acórdão n.º 3402006.523 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.481, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13839.905347/201524, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.481): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. A título de preliminar de mérito, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que implicou a denegação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Acontece que, apesar de sucinto, o citado despacho é claro ao expor o motivo da denegação aqui combatida: o contribuinte compensou o pretenso crédito com outro débito, sendo este o teor do referido despacho: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.905387/201576 Acórdão n.º 3402006.523 S3C4T2 Fl. 5 4 utilizado para o pagamento de n. 43687704232, com código n. 2172, referente a processo administrativo de compensação de 30/04/2015. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, tal ato atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação efetuada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator: Min. GILMAR MENDES, j. em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 1308 2010) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste CARF, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.905387/201576 Acórdão n.º 3402006.523 S3C4T2 Fl. 6 5 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, 4a T., j. em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.905387/201576 Acórdão n.º 3402006.523 S3C4T2 Fl. 7 6 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. Convém lembrar, todavia, que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 11. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. II. Mérito (i) A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e a ausência de prova 12. Quanto ao mérito, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 13. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13839.905387/201576 Acórdão n.º 3402006.523 S3C4T2 Fl. 8 7 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 14. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722816/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
OMISSÃO DE RECEITAS. CONFRONTO ENTRE OS VALORES DECLARADOS AO FISCO FEDERAL E AO FISCO ESTADUAL.
Comprovado que os valores de receitas declarados ao Fisco Estadual são superiores àqueles declarados e oferecidos à tributação em relação aos tributos federais, e na ausência de explicações por parte do contribuinte sobre o porquê de tal divergência, mantém-se a imputação de omissão de receitas.
LUCRO ARBITRADO. FALTA DE CONTABILIDADE.
É cabível o arbitramento do lucro quando o sujeito passivo, devidamente intmado, deixa de apresentar os livros contábeis/fiscais e a documentação correspondente.
MULTA AGRAVADA. CABIMENTO.
O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de ofício se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE JURÍDICO COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPOSSIBILIDADE.
Ausente comprovação de que os coobrigados possuíam interesse jurídico, e não meramente econômico, na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, impõe-se retirá-los do polo passivo da exigência.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE ADMINISTRADORES DO CONTRIBUINTE.
Somente se mantém a responsabilidade atribuída com base no art. 135, III, do CTN àqueles que, comprovadamente, exerciam a administração da pessoa jurídica à época dos fatos gerados da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1301-003.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte e da coobrigada Silmara Aparecida Barbosa dos Santos Siqueira, e (ii) dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda e Europarts Consultoria e Participações Ltda, e também das pessoas físicas Roberto Costilas Junior, Nívea dos Santos Costilas e Mario Decio Baravelli, excluindo-os do polo passivo da obrigação tributária..
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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EXIGÊNCIA REFLEXA. Recorrente COBRENET COMERCIAL E DISTRIBUIDORA DE METAIS E ELETROELETRONICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 OMISSÃO DE RECEITAS. CONFRONTO ENTRE OS VALORES DECLARADOS AO FISCO FEDERAL E AO FISCO ESTADUAL. Comprovado que os valores de receitas declarados ao Fisco Estadual são superiores àqueles declarados e oferecidos à tributação em relação aos tributos federais, e na ausência de explicações por parte do contribuinte sobre o porquê de tal divergência, mantémse a imputação de omissão de receitas. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE CONTABILIDADE. É cabível o arbitramento do lucro quando o sujeito passivo, devidamente intmado, deixa de apresentar os livros contábeis/fiscais e a documentação correspondente. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de ofício se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 16 /2 01 3- 49 Fl. 5083DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.084 2 Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE JURÍDICO COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPOSSIBILIDADE. Ausente comprovação de que os coobrigados possuíam interesse jurídico, e não meramente econômico, na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, impõese retirálos do polo passivo da exigência. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE ADMINISTRADORES DO CONTRIBUINTE. Somente se mantém a responsabilidade atribuída com base no art. 135, III, do CTN àqueles que, comprovadamente, exerciam a administração da pessoa jurídica à época dos fatos gerados da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte e da coobrigada Silmara Aparecida Barbosa dos Santos Siqueira, e (ii) dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda e Europarts Consultoria e Participações Ltda, e também das pessoas físicas Roberto Costilas Junior, Nívea dos Santos Costilas e Mario Decio Baravelli, excluindoos do polo passivo da obrigação tributária.. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 5084DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.085 3 Relatório COBRENET COMERCIAL E DISTRIBUIDORA DE METAIS E ELETROELETRONICOS LTDA e coobrigados recorrem a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância (Acórdão 1457.414) que julgou improcedentes as impugnações apresentadas, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o presente processo de auto de infração de IPI, no valor de R$ 4.219.323,58, em virtude de o sujeito passivo ter omitido receitas decorrentes de vendas com incidência do IPI, constatada mediante o confronto das informações prestadas pela impugnante na GIA entregue à Secretaria de Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo e aquela fornecida à Receita Federal, as quais apresentaram a divergência que é o objeto da tributação. Em virtude das circunstâncias materiais do caso a autoridade fiscal lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária em face das seguintes pessoas: ROBERTO COSTILAS JUNIOR CPFº 056.931.13817; NÍVEA DOS SANTOS COSTILAS CPF 087.883.48857; MÁRIO DÉCIO BARAVELLI CPF Nº 320.059.70891; EUROCON BRASIL CONSULTORIA E NEGÓCIOS LTDA, CNPJ Nº 03.430.508/000118; EUROPARTS ADMINISTRAÇÃO DE BRNS LTDA, CNPJ Nº 03.920.391/000150; SILMARA APARECIDA BARBOSA DOS SANTOS SIQUEIRA CPF Nº 136.073.49886; LEANDRO DO CARMO DANTAS CPF Nº 090.024.92774 Após tomarem ciência do auto de infração, apresentaram suas impugnações alegando em síntese os seguintes argumentos de defesa: Preliminarmente, alega desrespeito ao direito de defesa administrativa bem como possibilidade da apresentação dos documentos requeridos quando do início do procedimento fiscal; Que estando a impugnante com as atividades encerradas por liquidação voluntária não poderia ser localizada; Que o auditor não confirmou objetivamente eventual crédito, emitindo auto de infração por arbitramento e que intimou a sócia da COBRENET por Edital; Que o arbitramento baseouse exclusivamente no cruzamento de informações com outros fiscos e órgãos congêneres, considerando, apenas, as informações relativas as vendas brutas; Fl. 5085DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.086 4 Que há cobrança em BIS IN IDEN; Que as alegações do fisco são somente notícias e alegações contrárias à impugnante; Que o capital social é ínfimo, pois, é fato notório que o capital social é meramente representativo, não correspondendo ao patrimônio dos sócios; Que não constitui desmerecimento os sócios residirem em locais muito humildes; Que a autoridade fiscal presumiu a inexistência do local da sede da impugnante, causando estranheza que a casa do sócio foi fotografada, e que por estes motivos restou caracterizado o embaraço; Que a autoridade fiscal não diligenciou junto ao endereço da impugnante a fim de bem caracterizar o embaraço, sendo incabível, também, a multa agravada. Que a GIA é informação prestada ao fisco do Estado de São Paulo e não pode prestarse a fundamentar, por si, a autuação; Que a autoridade fiscal não advertiu ao sócio residente em outro estado da federação, que lhe era facultado entregar documentos em repartição em seu domicílio; Que o dolo não pode ser presumido. A divergência das informações prestadas aos fiscos não podem caracterizar o dolo; Que não foram especificadas as operações sobre as quais incidiriam o IPI e que a equiparação à estabelecimento industrial também se deu por presunção; Que em sede de lucro arbitrado não cabe a tributação reflexa de PIS e COFINS; Defendem, ainda, os sujeitos passivos solidários a inconsistência da imputação. Analisando as impugnações apresentadas, a decisão recorrida julgouas improcedentes. Contribuinte e coobrigados foram cientificados da decisão de primeira instância e apresentaram recursos voluntários, conforme discriminado a seguir: Contribuinte / Coobrigado Data Ciência Data de Interposição de Recurso Voluntário Fls. do Recurso Voluntário COBRENET COMERCIAL E DISTRIBUIDORA DE METAIS E ELETROELETRONICOS LTDA. 07/08/2015 (fl. 5062) 13/08/2017 (fl. 5050) 50515061 Roberto Costilas Junior 27/07/2015 (fl. 4314) 10/08/2015 (fl. 4654) 46554675 Nívea dos Santos Costilas 27/07/2015 (fl. 4315) 10/08/2015 (fl. 4811) 48124820 Silmara Aparecida Barbosa dos Santos Siqueira 28/07/2015 (fl. 4317) 13/08/2015 (fl. 5050) 50515061 Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda 27/07/2015 (fl. 4318) 10/08/2015 (fl. 4321) 43224347 Fl. 5086DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.087 5 Europarts Consultoria e Participações Ltda 27/07/2015 (fl. 4319) 10/08/215 (fl. 4321) 43224347 Mario Decio Baravelli 12/08/2015 (fl. 5008) 10/08/215 (fl. 4896) 48974911 Leandro do Carmo Dantas 27/07/2017 (fl. 4316) Em resumo, reafirmaram os termos de suas impugnações. É o relatório. Fl. 5087DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.088 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Os recursos voluntários são todos tempestivos e dotados dos demais pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deles conheço. 2 PRELIMINARES Os Recorrentes alegam que o lançamento estaria eivado de nulidades, rebatendo o Termo de Embaraço lavrado e questões atinentes à declaração da inaptidão do contribuinte e da ausência de respostas e apresentação de documentos ao longo do procedimento fiscal. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. [grifo nosso] Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. No caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo aos contribuintes e coobrigados, tanto que, conseguiram defenderse plenamente. Fl. 5088DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.089 7 No que diz respeito à declaração de inaptidão, ao contrário do alegado pelo contribuinte, essa se deu não somente com base na informação dos Correios de que a empresa não se encontrava em seu endereço cadastral, mas também em diligência realizada pela autoridade fiscal responsável pelo procedimento junto a tal endereço. Ainda em relação à sai situação cadastral, não procedem os argumentos de que a autuada teria encerrado voluntariamente suas atividades, pois teve sua situação cadastral considerada como "não habilitada", de ofício, pelo Fisco Estadual e declarada "inapta" pela Receita Federal por não ter sido localizada em seu endereço cadastral. No que concerne à alegação de que o sócio da autuada que teria a posse dos documentos solicitados no curso da fiscalização era residente em outro estado da federação, não tendo como apresentar os documentos solicitados e a suposta ausência de informação sobre como teria que proceder para atender à intimação não procede, pois, se houvesse alguma dificuldade operacional para tanto, deveria o sócio ter respondido às intimações e solicitado maiores esclarecimentos sobre como melhor atender aos pedidos do Fisco, mas, ao contrário disso, permaneceu esse inerte durante todo o procedimento fiscal, não anexando também qualquer documentação em sede de impugnação e também em seu recurso voluntário. Não há, assim, que se falar em cancelamento de Termo de Embaraço, restando nitidamente caracterizada a falta de colaboração total do contribuinte e de seus sócios durante o procedimento fiscal. No que diz respeito às intimações encaminhadas à residência da sócia Silmara Aparecida Barbosa dos Santos Siqueira e à utilização de edital, é importante salientar que a autoridade fiscal agiu não só com base em previsão legal, mas também buscando propiciar amplificar, de todos os modos, o pleno exercício de defesa e manifestação do contribuinte. Isso porque o § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 determina a utilização do edital quando resultar improfícuo um dos outros meios de intimação previstos no caput daquele artigo (pessoal, por meio postal ou por meio eletrônico) deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, exatamente a situação tratada nos autos. Portanto, as intimações encaminhadas aos sócios do contribuinte para que pudessem se manifestar durante o procedimento fiscal denotam extremo zelo por parte da autoridade fiscal propiciando o mais amplo direito de defesa ao contribuinte, e não nulidade do lançamento. Aduzem ainda os Recorrentes que não tiveram acesso ao Termo de Verificação Fiscal referente ao lançamento realizado em face do contribuinte Metallica Industrial Ltda e também junto à pessoa jurídica Distribuidora de Metais Stillo Ltda, cerceandolhes o direito de defesa. Ocorre que o procedimento fiscal que culminou com a presente exigência não possui qualquer tipo de dependência com as fiscalizações realizadas junto àquelas pessoas jurídicas. Naqueles procedimentos, detectouse que recursos da Metallica Industrial Ltda eram depositados nas contas de COBRENET (METALLICA foi autuada com base em glosa de despesas) referente a compras realizadas, e a partir daí, identificaramse indícios de que COBRENET não declarava as receitas auferidas. Contudo, o lançamento baseouse na divergência entre as receitas brutas informadas ao Fisco Estadual e aquelas efetivamente declaradas e oferecidas à tributação no âmbito federal, ou seja, não possuindo qualquer Fl. 5089DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.090 8 correlação de provas quanto à ocorrência dos fatos geradores em questão colhidos no procedimento fiscal junto a METALLICA e STILLO. Por fim, convém ainda salientar que a questão levantada pelos Recorrentes a respeito do cancelamento da exigência do lançamento realizado em face de METALLICA em nada possui correlação com o presente, pois o cancelamento daquela exigência se deu em razão de suposto equívoco na formalização do lançamento, entendo a turma ordinária do CARF (Acórdão 1401001.727 – processo 19515.720865/201347) que o lançamento deveria ter sido realizado com base no lucro arbitrado, e não no lucro real (em consulta ao andamento desse processo nesta data encontrase em exame o recurso especial interposto pela PGFN). Relativamente ao suposto bis in idem, o argumento não prospera: o lançamento realizado em face de METALLICA, repitase, não possui correlação com o presente, e a exigência de IRPJ e seus reflexos (incluindo IPI) lá realizado em razão de glosa de despesas não se interfere na presente exigência, que diz respeito à omissão de rendimentos de COBRANET. Isso posto, preenchidos também todos os requisitos elencados pelo art. 142 do CTN e art. 9º do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Desse modo, voto por rejeitar as preliminares suscitadas. 3 MÉRITO Tratase de exigência reflexa referente ao lançamento de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS tratado no processo nº 19515.722816/201349, julgado nesta mesma assentada. Ausentes argumentos específicos dos recorrentes sobre o IPI, repito os fundamentos utilizados no voto condutor do processo principal. A infração imputada ao contribuinte diz respeito à divergência de valores de receitas oferecidas à tributação para o Fisco Federal e para o Fisco Estadual. Quanto a esses fatos, não há contestação que infirme as conclusões do Fisco, baseandose nas receitas brutas mensais informadas ao Fisco Estadual, excluindose as devoluções de vendas, foram identificadas receitas de venda de produtos de fabricação própria, receitas de revenda de produtos e de industrialização por encomenda não oferecidas à tributação no que diz respeito ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IPI (esse último tratado exclusivamente nos presentes autos). Tratase, pois, de fatos incontroversos nos autos. No que tange ao arbitramento de lucros, o contribuinte, devidamente intimado (inclusive com intimações encaminhadas também aos domicílios tributários de seus sócios), deixou de apresentar os documentos e livros comerciais e fiscais solicitados. Nesse cenário, a autoridade lançadora considerou como receita bruta o valor de receitas omitidas apurado durante o procedimento fiscal, procedendo ao arbitramento de lucros. Não há reparos a fazer ao lançamento e à decisão recorrida, isso porque o art. 530, III, do RIR/1999 assim determina: Fl. 5090DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.091 9 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º) [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifou se) Esclarecese, contudo, que o arbitramento de lucros em nada impacta a exigência de IPI, uma vez que o critério fiscal adotado para esse tributo independe da forma de tributação adotada no lançamento de IRPJ. Quanto aos demais pontos abordados nos recursos, mantenho a decisão de primeira instância pelos seus próprios fundamentos, a seguir reproduzidos: Não merece melhor sorte a alegação de "bitributação". Consulta aos sistemas de controle da RFB acusa que de fato há um lançamento de ofício para a empresa STILLO; porém, tratase de autuação sobre depósitos bancários da referida empresa cuja origem não foi comprovada, não sendo portanto os mesmos valores que aqui estão sendo considerados nos autos do presente processo. De igual modo, não prevalece a afirmação de que a imputação fiscal é uma mera presunção. Há provas contundentes nos autos que mostram e confirmam a situação relatada pela autoridade fiscal que não presumiu, absolutamente, nenhuma situação. A alegação da impugnante de que "o capital social é ínfimo, pois, é fato notório que o capital social é meramente representativo, não correspondendo ao patrimônio dos sócios", não encontra amparo na doutrina contábil. A boa técnica contábil reconhece que a conta "capital social" corresponde como o próprio nome indica à conta dos sócios, e não é crível que a boa contabilidade reconheça qualquer conta contábil como sendo "meramente representativa", até porque, sua escrituração deve estar alicerçada em documentação de suporte que comprove existência e valor do fato contábil. Representa a contrapartida do titular, sócios ou acionistas de um empreendimento, para o início ou a manutenção dos negócios. A autuada se indignou com a fotografia acostada aos autos da residência de um dos sócios dizendo que não desmerece ninguém residir em local humilde. Ressaltese que a autoridade fiscal não infringiu norma alguma a instruir o seu procedimento de fiscalização, mostrando a realidade financeira da pessoa tida como sócio da autuada, que conforme o relato da autoridade fiscal, configura interposta pessoa. Fl. 5091DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.092 10 A liberdade possibilita que o cidadão faça suas escolhas quanto tudo que lhe afeta, responsabilizandose por elas. E, no presente caso, não há que se falar em embaraço. A autoridade fiscal ao incluir nos autos informações sobre o "sócio" da autuada, o fez para demonstrar, dentre outras razões, tratarse de interposta pessoa e não para fundamentar o agravamento de penalidade. 4 MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA A multa aplicada no lançamento foi de 225% (agravada e qualificada). Pois bem, a multa de 150% (qualificada) sobre o imposto de renda e contribuições apuradas com base com base em provas diretas, prevista no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, foi aplicada tendo em vista a intenção dolosa do contribuinte de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador (multa qualificada). Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 5092DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.093 11 I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. [...] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. Fl. 5093DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.094 12 Relembremos a infração detectada pela autoridade: omissão de receitas baseadas em provas diretas (declarações transmitidas ao Fisco Estadual). A meu ver, com base nos elementos constantes dos autos, concluise que o contribuinte realizou inúmeras operações de vendas de produtos de fabricação própria, revendas de mercadorias e industrialização para terceiros, em todos os meses do ano calendário, deixando de oferecer os valores à tributação. Esse procedimento configura, sem dúvida, a intenção dolosa na sua conduta com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, enquadrando se na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação). Esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciado e demonstrado nos autos, não podendo ser considerado mero erro de ordem material, sem a caracterização de qualquer intuito doloso, posto que não se trata de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em todos os meses dos anocalendário de 2008, e em relação a inúmeras operações realizadas no mesmo período. Em tais circunstâncias, não há como se presumir não haver dolo. A intenção de sonegar, ocultando o fato gerador, é conclusão imediata e inequívoca. Portanto, em relação a tal infração, correta a posição do Fisco em exasperar a penalidade. Já a multa agravada se deu, no caso concreto, pela ausência de resposta aos inúmeros termos de intimação encaminhados, inclusive, aos domicílios tributários dos sócios do contribuinte. Dessa forma, nos termos do inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, restando evidente que o contribuinte deixou, reiteradamente, de atender a intimações para prestar esclarecimentos, correta a exasperação da penalidade em 50%, implicando, no caso concreto, em uma penalidade qualificada e agravada no percentual de 225%. Tal conclusão encontra amparo na jurisprudência desta Corte Administrativa, como pode se observar, por exemplo, no Acórdão 1101001.226, de relatoria da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa: MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. DESÍDIA. MÁFÉ. Mantémse o agravamento da penalidade quando configurada a desídia ou o descaso com a investigação levada a efeito pelos agentes fiscais, tendo em conta que as reiteradas intimações da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB foram completamente ignoradas pelos envolvidos no esquema fraudulento, não tendo nenhum deles se dado ao trabalho, sequer de justificar as supostas dificuldades encontradas na apresentação da documentação solicitada. ARBITRAMENTO. COMPATIBILIDADE. Se as intimações exigem outros esclarecimentos para além dos livros e documentos cuja falta enseja o arbitramento dos lucros, o agravamento subsiste. Assim sendo, mantenho a penalidade aplicada. Fl. 5094DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.095 13 5 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Os coobrigados Roberto Costilas Junior, Nívea dos Santos Costilas, Silmara Aparecida Barbosa dos Santos Siqueira, Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda, Europarts Consultoria e Participações Ltda, e Mario Decio Baravelli apresentaram recursos voluntários contestando a manutenção das responsabilidades tributárias que lhes foram atribuídas. A esse respeito, assim decidiu a turma julgadora de primeira instância: No tocante às atribuições de solidariedade passiva aduzem os impugnantes Sr. Mario Decio Baravelli, Sr. Roberto Costilas Júnior, Sra. Nívea dos Santos Costillas, e as empresas Europarts Administração de Bens Ltda e Eurocon Brasil Consultoria e Negócios, representadas pelos sócios Roberto Costilas Júnior e Mario Decio Baravelli, respectivamente, não terem auferido nenhuma vantagem financeira em relação à empresa Cobrenet razão pela qual não poderiam responder solidariamente pelo crédito tributário em análise. Ora, conforme extensamente demonstrado no TVF da análise dos extratos bancários obtidos após a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentações Financeiras (RMF) endereçadas às instituições financeiras ficou comprovado que grandes volumes de recursos depositados na conta corrente da empresa autuada tiveram como origem a empresa Metallica. Foi demonstrado ainda que apesar da Cobrenet ter movimentado milhões de reais no ano calendário de 2008, estas riquezas não foram repassadas aos sócios constantes nos contratos sociais da empresa, que não possuíam sequer qualquer capacidade econômica ou mesmo empresarial, sendo certo que eles apresentam todas as características de laranjas. Nos extratos bancários da autuada, obtidos através das Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras (RMF) já citadas, foi verificado que os valores financeiros que eram creditados pela METALLICA eram, posteriormente, utilizados para a aquisição de bens em nome do Sr. Roberto Costilas Júnior, da Sra. Nívea dos Santos Costilas, do Sr. Mário Décio Baravelli e das empresas Europarts Administração de Bens Ltda e Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda, das quais eram os sócios. No presente caso, verificouse o cometimento de infração fiscal por meio de conduta dolosa do contribuinte, tendo inclusive ensejado a qualificação da multa de ofício aplicada, não havendo como negar a ocorrência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, nos termos do art. 135, caput, do CTN. Significa que os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica são pessoalmente responsáveis pelas obrigações tributárias. Além disso, pelo que foi apurado pela fiscalização, os sócios de direito eram pessoas que tinham baixa capacidade econômica, Fl. 5095DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.096 14 não possuindo bens para garantir eventual crédito tributário em futura execução fiscal. Nos casos de fraude, quando a pessoa jurídica funciona de maneira a ocultar o verdadeiro realizador do fato imponível, a solução é direcionar o lançamento contra o administrador oculto, ou o sócio de fato, que também é sujeito passivo. Prevendo tais situações, o Código Tributário Nacional, em seu art. 124, assim dispôs: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único: A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Apesar da vagueza do termo interesse comum, é uníssono na jurisprudência pátria que para configuração da responsabilidade tributária solidária, é imprescindível que as pessoas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador. A aplicação do art. 124, I, do CTN em casos de interposição de pessoas é pacífica na jurisprudência administrativa: “RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal”. (Acórdão n° 1301001.525, de 08/05/2014.) ”RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Comprovado nos autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal.” (Acórdão nº 10809.617) “RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para Fl. 5096DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.097 15 gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Esse interesse comum inexistia nas empresas que com eles apenas realizavam operações comerciais normais, não se podendo, "ipso facto", responsabilizálas solidariamente pelo crédito tributário da fiscalizada.” (Acórdão nº 10708692, de 16/08/2006) No caso presente, os sócios de direito, bem assim a sócia de fato Silmara Aparecida Barbosa dos Santos Siqueira, que atuou como administradora da autuada, agiram de forma a ocultar a verdadeira constituição social por via da interposição de pessoas, bem como a perpetrar sistemática e reiteradamente a infração fiscal ora autuada. Portanto, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, e art. 135, III, do CTN, para todos os acima arrolados. Assim, por todo exposto, voto pela improcedência das impugnações. Pois bem, sobre o tema, assim já decidiu a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no acórdão 9101002.349, na sessão de 14 de junho de 2016: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicandose, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN. (Acórdão 9101002.349, Relatora Conselheira Adriana Gomes Rêgo) [...] Nesse mesmo sentido, tenho me posicionado que, nos casos em que há atividade negocial conjunta de empresas administradas pelas mesmas pessoas, e até mesmo certo grau de confusão patrimonial, há de se aplicar o art. 124, I, do CTN a fim de incluir todas essas pessoas jurídicas no polo passivo da obrigação. Fl. 5097DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.098 16 Do mesmo modo, havendo comprovação de que as pessoas jurídicas estão em nome de interpostas pessoas, identificandose os reais administradores e sócios dessas empresas, esses também devem ser incluídos como coobrigados no respectivo lançamento. Além disso, no que diz respeito aos debates sobre individualização de conduta para fins de qualificação da multa, há de se ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça vem entendo, de fato, ser necessária identificação da conduta dos acusados dos chamados “crimes societários”. Contudo, há reiteradas decisões no sentido de que se mostra suficiente para tal individualização de conduta a comprovação de que o acusado detinha poderes de administração da pessoa jurídica. Vejase, por exemplo, o decidido no AgRg no REsp 1.551.783/SP: [...] Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, não há como reconhecer a inépcia da denúncia se a descrição da pretensa conduta delituosa foi feita de forma suficiente ao exercício do direito de defesa, com a narrativa de todas as circunstâncias relevantes, permitindo a leitura da peça acusatória a compreensão da acusação, com base no artigo 41 do Código de Processo Penal (RHC 46.570/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, julgado em 20/11/2014, DJe 12/12/2014). Não se desconhece que esta Corte Superior tem reiteradamente decidido ser inepta a denúncia que, mesmo em crimes societários e de autoria coletiva, atribui responsabilidade penal à pessoa física, levando em consideração apenas a qualidade dela dentro da empresa, deixando de demonstrar o vínculo desta com a conduta delituosa, por configurar, além de ofensa à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal, responsabilidade penal objetiva, repudiada pelo ordenamento jurídico pátrio (RHC 35.687/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 18/09/2014, DJe 07/10/2014). Assim, nos chamados crimes societários, embora a vestibular acusatória não possa ser de todo genérica, é válida quando, apesar de não descrever minuciosamente as atuações individuais dos acusados, demonstra um liame entre o seu agir e a suposta prática delituosa, estabelecendo a plausibilidade da imputação e possibilitando o exercício da ampla defesa, caso em que se consideram preenchidos os requisitos do artigo 41 do Código de Processo Penal (RHC 77.050/PE, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 06/12/2016, DJe 01/02/2017). Nessa linha, os seguintes julgados: PROCESSO PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA A ECONOMIA POPULAR. ADULTERAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXCEPCIONALIDADE. CARÊNCIA DE JUSTA CAUSA NÃO EVIDENCIADA. INDEPENDÊNCIA DAS ESFERAS PENAL E ADMINISTRATIVA. INÉPCIA DA DENÚNCIA. REQUISITOS DO ART. 41 DO CPP ATENDIDOS. RECURSO DESPROVIDO. Fl. 5098DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.099 17 [...] 4. A alegação de inépcia da denúncia deve ser analisada de acordo com os requisitos exigidos pelos arts. 41 do CPP e 5º, LV, da CF/1988. Portanto, a peça acusatória deve conter a exposição do fato delituoso em toda a sua essência e com todas as suas circunstâncias, de maneira a individualizar, o quanto possível, a conduta imputada, bem como sua tipificação, com vistas a viabilizar a persecução penal e o exercício da ampla defesa e do contraditório pelo réu. Na hipótese em apreço, por certo, a inicial acusatória preenche os requisitos exigidos pelo art. 41 do CPP, porquanto descreve a conduta atribuída ao ora recorrente, permitindolhe rechaçar os fundamentos acusatórios. 5. Malgrado seja imprescindível explicitar o liame do fato descrito com a pessoa do denunciado, importa reconhecer a desnecessidade da pormenorização das condutas, até pelas comuns limitações de elementos de informações angariados nos crimes societários, por ocasião do oferecimento da denúncia, sob pena de inviabilizar a persecução penal. A acusação deve correlacionar com o mínimo de concretude os fatos delituosos com a atividade do acusado, não sendo suficiente a condição de sócio da sociedade, sob pena de responsabilização objetiva. 6. Narra a denúncia que o recorrente seria o administrador da empresa varejista e responsável imediato por todos os contratos de compra e venda celebrados, não podendo tal conclusão, lastreada em elementos probatórios amealhados aos autos, ser infirmada em sede de writ. 7. Recurso desprovido. (RHC 34.684/MG, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 01/12/2016, DJe 07/12/2016). RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXCEPCIONALIDADE. INÉPCIA DA DENÚNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. PEÇA EM CONFORMIDADE COM O DISPOSTO NO ART. 41 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL CPP. CRIME SOCIETÁRIO. POSSIBILIDADE DE DENÚNCIA GERAL. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE PENAL OBJETIVA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. RECURSO DESPROVIDO. [...] 3. Nos crimes societários, não se exige a descrição individualizada das condutas de cada acusado, bastando para se assegurar o direito à ampla defesa a descrição do fato delituoso e a indicação da participação de cada autor na empreitada criminosa. Assim, no caso dos autos, não há falar em responsabilidade penal objetiva, tendo em vista que ficou demonstrado na denúncia o liame subjetivo na conduta imputada ao recorrente, que, como sócio e administrador da pessoa jurídica, supostamente teria sonegado tributo mediante a omissão de informação às autoridades fazendárias e fraude na fiscalização tributária. Recurso ordinário em habeas corpus desprovido. (RHC 70.805/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 09/08/2016, DJe 19/08/2016) [grifos nossos] RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. DELITO SOCIETÁRIO. FALTA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA DOS RECORRENTES. PEÇA INAUGURAL QUE ATENDE AOS REQUISITOS LEGAIS EXIGIDOS Fl. 5099DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.100 18 E DESCREVE CRIME EM TESE. AMPLA DEFESA GARANTIDA. INÉPCIA NÃO EVIDENCIADA. CONSTRANGIMENTO AFASTADO. [...] 4. Não pode ser acoimada de inepta a denúncia formulada em obediência aos requisitos traçados no artigo 41 do Código de Processo Penal, descrevendo perfeitamente a conduta típica, cuja autoria é atribuída aos recorrentes devidamente qualificados, circunstâncias que permitem o exercício da ampla defesa no seio da persecução penal, na qual se observará o devido processo legal. 5. Nos chamados crimes societários, embora a vestibular acusatória não possa ser de todo genérica, é válida quando, apesar de não descrever minuciosamente as atuações individuais dos acusados, demonstra um liame entre o seu agir e a suposta prática delituosa, estabelecendo a plausibilidade da imputação e possibilitando o exercício da ampla defesa, caso em que se consideram preenchidos os requisitos do artigo 41 do Código de Processo Penal. 6. No caso dos autos, de acordo com a peça vestibular, os recorrentes, na qualidade de administradores da Drogaria Principal do Bairro Ltda., teriam fraudado a fiscalização tributária, omitindo receita relativa a saídas de mercadorias tributadas em documento exigido pela lei fiscal, creditandose, indevidamente, do ICMS incidente sobre tais operações, o que teria resultado em prejuízo à Fazenda Estadual superior a 2 (dois) milhões de reais, descrição que atende de forma satisfatória as exigências legais para que se garanta ao réu o exercício da ampla defesa e do contraditório. [...] 2. Recurso desprovido. (RHC 67.183/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 9/8/2016, DJe 24/08/2016). PROCESSO PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME SOCIETÁRIO. LEI 8.137/90, ART. 1º, II E V. IMPOSSIBILIDADE DA SUSPENSÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA ESTATAL SE A ADESÃO AO PROGRAMA DE PARCELAMENTO OCORRE APÓS O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. COAÇÃO INEXISTENTE. PEÇA INAUGURAL QUE ATENDE AOS REQUISITOS DO ART. 41 DO CPP. AMPLA DEFESA GARANTIDA. INÉPCIA NÃO EVIDENCIADA. RECURSO DESPROVIDO. [...] II A exordial acusatória cumpriu todos os requisitos previstos no art. 41 do Código de Processo Penal, sem que a peça incorresse em qualquer violação do que disposto no art. 395 do mesmo diploma legal. Cuidase, in casu, de denúncia geral, aceita pela jurisprudência pátria. (Precedentes). III Nos delitos societários, a peça acusatória (ainda que não possa ser de toda genérica) é válida quando demonstra um liame entre a atuação dos denunciados e a conduta delituosa (mesmo que não individualize as condutas de cada um), a revelar a plausibilidade da imputação deduzida e permitindo o exercício da ampla defesa com todos os recursos a ela inerentes. IV Na hipótese em análise, a peça inaugural da acusação revela que os denunciados, por meio da empresa CPI Engenharia Ltda, teriam suprimido valores realtivos ao ICMS, através da inserção de elementos Fl. 5100DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.101 19 inexatos em documentos fiscais e utilização de documentos inexatos, conforme auto de infração e outros documentos do processo criminal. V Quanto à autoria, o liame entre o agir do denunciado e o crime imputado está estabelecido em face da condição de responsável que ostenta perante a sociedade. Por isso, no caso, ao contrário do que se alega na peça recursal, verificase a possibilidade de plena defesa do acusado a partir da imputação do Ministério Público. Recurso ordinário desprovido. (RHC 67.089/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 04/08/2016, DJe 17/08/2016) Com efeito, se tal interpretação é dada pelo próprio STJ no julgamento de recursos no âmbito criminal derivados de procedimentos fiscais, não há como se distanciar, em relação aos mesmos fatos, no que diz respeito à individualização de conduta para fins de apuração de responsabilidade tributária. Ocorre que, no caso concreto, embora tenha elaborado um brilhante trabalho no que diz respeito à identificação dos beneficiários de recursos de inúmeros pagamentos realizados por COBRENET, a autoridade fiscal não comprovou qualquer espécie de atividade negocial conjunta entre COBRENET, METALLICA, STILO, e, em especial, envolvendo Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda e Europarts Consultoria e Participações Ltda, ambas incluídas no polo passivo da obrigação tributária, e também das pessoas físicas incluídas no rol de coobrigados, de modo a poder imputálas interesse comum jurídico (e não econômico), na situação que constitua o fato gerador que deu ensejo ao lançamento em debate nestes autos, não subsistindo, assim, a imputação de responsabilidade que lhes foi atribuída com base no art. 124, I, do CTN. De igual modo, embora haja farta demonstração de que os sócios administradores das empresas Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda e Europarts Consultoria e Participações Ltda tenham se beneficiado de recursos advindos de COBRANET, não há um único documento que comprove que essas pessoas físicas administraram a autuada, de modo que se torna inviável responsabilizálos com base no art. 135, III, do CTN que exige a demonstração, no mínimo, que os coobrigados sejam diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, uma vez que esses teriam que ter com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos que deram ensejo à obrigação tributária correspondente. Alguns indícios convergentes foram colhidos a respeito da suposta administração de METALLICA pelo senhor Roberto Costilas Junior, contudo, no que diz respeito a COBRENET, não identifiquei nos autos elementos que pudessem concluir que esse mesmo senhor fosse seu administrador. Desse modo, há também de se excluir do polo passivo da obrigação tributária, além de Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda e Europarts Consultoria e Participações Ltda, as pessoas físicas Roberto Costilas Junior, Nívea dos Santos Costilas e Mario Decio Baravelli. Ressalvo, aqui, que as operações tratadas envolvendo METALLICA e COBRENET parecem muito mais tentativas de blindagem patrimonial, transferência de recursos e redução de tributos devidos por METALLICA (mediante dedução de despesas supostamente inexistentes) do que propriamente para não recolhimento de tributos por COBRENET. Fl. 5101DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.102 20 Tanto é assim, que a própria autoridade fiscal autuante, à fl. 3828 (p. 3 do Termo de Verificação Fiscal TVF), imputa a COBRENET a condição de “interposta pessoa”, conforme a seguir reproduzido: Por outro lado, as provas coligidas pelo Fisco a respeito dos beneficiários dos recursos de COBRENET pode vir a ser útil caso a exigência cobrada de METALLICA no processo 19515.720865/201347 seja mantida, ou seja, a RFB e a PGFN, se assim entenderem, poderão se utilizar das provas coligidas nestes autos para cobrança dos tributos de Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda e Europarts Consultoria e Participações Ltda, e também das pessoas físicas Roberto Costilas Junior, Nívea dos Santos Costilas e Mario Decio Baravelli. A fim de se evitarem embargos por suposta contradição, esclareço que a questão da omissão de receita imputada a COBRENET foi praticamente ignorada nos recursos apresentados, de modo que, na ausência de maiores argumentos rebatendo os fatos, há que se manter a exigência baseada em notas fiscais emitidas (contabilizadas em METALLICA) e informações prestadas pela própria COBRENET em suas declarações transmitidas ao Fisco Estadual. No que diz respeito ao recurso apresentado por Silmara Aparecida Barbosa dos Santos Siqueira, suposta sócia gerente, não houve contestação de sua parte sobre sua condição, embora a Fiscalização afirme taxativamente de que se tratava de uma pessoa utilizada como “operacional da fraude” (informação extraída do quadro do TVF reproduzido alhures). Às fls. 38303831 (TVF), analisando a situação de COBRANET consta que: [...] o quadro societário, o histórico da empresa nas bases da RFB e fontes externas, constatamos que se trata de empresa "laranja" ou, se constatada alguma atividade, de possuir ao menos sócios interpostos. A COBRENET, conforme Breve Relato obtida em 01/03/2012, em consulta à Junta Comercial do Estado de São Paulo — JUCESP, foi constituída em 19/05/2006, com capital registrado de R$30.000,00, com valor de participação na sociedade da sócia Silmara de R$ 28.500,00 e o sócio Leandro com valor de participação na sociedade de R$ 1.500,00. Fl. 5102DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.103 21 Dentre várias pesquisas efetuadas na busca por indícios, chamounos a atenção: a) A COBRENET, no anocalendário 2008, movimentou muitos milhões de reais, porém só possuiu, conforme dados extraídos da GFIP, apenas um (1) funcionário, o que é totalmente incompatível com o faturamento do contribuinte. [...] b) Quadro Societário: b.1 Silmara Aparecida Barbosa dos Santos Siqueira, CPF 136.073.49886, sócia e administradora, assinando pela empresa. O endereço da sócia Silmara, conforme consulta ao sitio da SRFB, é Rua Paschoal Malatesta, n° 52, casa 2 — Canindé — São Paulo — SP CEP: 03029070. Trata se de um imóvel residencial, de origem humilde, composto por duas casas. [...] Segue abaixo um quadro da evolução patrimonial da sócia Silmara, desde 2005 a 2011: Pelas consultas efetuadas e anexadas a este termo, a sócia SILMARA não possui casa própria ou automóvel. Está evidente que, apesar da empresa COBRENET ter movimentado milhões de reais no anocalendário 2008, o seu sócio Leandro também não teve riqueza gerada por esta grande movimentação de recursos pela empresa. Embora todos os indícios apontem que a senhora Silmara Aparecida Barbosa dos Santos Siqueira fosse somente uma interposta pessoa, a impugnação e o recurso voluntário por ela apresentados negam tal afirmação, e não contradizem que seria ela quem estava à frente dos negócios. A Fiscalização aponta ainda que foi ela quem assinou todos os cheques dos pagamentos realizados por COBRENET, e consta ainda como autorizadora de todos as TEDS realizadas por essa empresa. Desse modo, mantenho a responsabilidade a ela atribuída, negando provimento a seu recurso. Fl. 5103DF CARF MF Processo nº 19515.722816/201349 Acórdão n.º 1301003.823 S1C3T1 Fl. 5.104 22 6 CONCLUSÃO Isso posto, voto por: (i) rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte e da coobrigada Silmara Aparecida Barbosa dos Santos Siqueira, e (ii) dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda e Europarts Consultoria e Participações Ltda, e também das pessoas físicas Roberto Costilas Junior, Nívea dos Santos Costilas e Mario Decio Baravelli, excluindoos do polo passivo da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 5104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902391/2014-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 23 91 /2 01 4- 82 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10580.902391/201482 Acórdão n.º 3401005.825 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10580.902391/201482 Acórdão n.º 3401005.825 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.499. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10580.902391/201482 Acórdão n.º 3401005.825 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10580.902391/201482 Acórdão n.º 3401005.825 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10580.902391/201482 Acórdão n.º 3401005.825 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10580.902391/201482 Acórdão n.º 3401005.825 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10580.902391/201482 Acórdão n.º 3401005.825 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10580.902391/201482 Acórdão n.º 3401005.825 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 210DF CARF MF
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Numero do processo: 11131.000163/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 23/05/2003 a 23/12/2005
LEGITIMIDADE-PASSIVA. SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO.
Constatado que importador e adquirente tinham interesses comuns na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ou seja, a importação de mercadorias, ambas, de forma solidária, devem compor o pólo passivo de lançamento de oficio.
VINCULAÇÃO ENTRE ADQUIRENTE E FORNECEDOR.
A constatação de vinculação entre as empresas fornecedoras internacionais e a adquirente das mercadorias importadas, inclusive com o seu controle financeiro e administrativo, existente de modo informal, implica em indicio de falsidade nas informações constantes nas faturas emitidas, subfaturamento, conluio, simulação e fraude nas operações de importação diretas e por conta e ordem realizadas.
OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE.
Restando claro que o real adquirente das mercadorias importadas foi pessoa diversa da do importador, a ausência desta informação na declaração de importação registrada, permite que se conclua pela ocultação daquela e faz presumir a interposição fraudulenta de terceiros.
PREÇO. ARBITRAMENTO. MP 2.158-35/2001, ART. 88. CRITÉRIO NÃO JUSTIFICADO. IMPROCEDÊNCIA.
Ao arbitrar o preço das mercadorias, para fins de determinação da base de cálculo dos tributos aduaneiros, com fundamento no art. 88 da MP 2.158-35/2001, a autoridade aduaneira deve seguir o roteiro ali estabelecido. Indicando adotar os procedimentos estabelecidos no AVA-GATT, deve o autuante observar a sequência de métodos estabelecida em tal acordo, assim como o conteúdo e as restrições à sua utilização.
Numero da decisão: 3401-005.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento para afastar o arbitramento, e os valores dele decorrentes (diferenças de tributos e multas sobre tal diferença), mantendo a autuação apenas no que se refere à ocultação (multa substitutiva do perdimento), e com o valor aduaneiro declarado pelo importador, vencida a Conselheira Mara Cristina Sifuentes (relatora), que votou por negar provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Redator
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 23/05/2003 a 23/12/2005 LEGITIMIDADE-PASSIVA. SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO. Constatado que importador e adquirente tinham interesses comuns na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ou seja, a importação de mercadorias, ambas, de forma solidária, devem compor o pólo passivo de lançamento de oficio. VINCULAÇÃO ENTRE ADQUIRENTE E FORNECEDOR. A constatação de vinculação entre as empresas fornecedoras internacionais e a adquirente das mercadorias importadas, inclusive com o seu controle financeiro e administrativo, existente de modo informal, implica em indicio de falsidade nas informações constantes nas faturas emitidas, subfaturamento, conluio, simulação e fraude nas operações de importação diretas e por conta e ordem realizadas. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Restando claro que o real adquirente das mercadorias importadas foi pessoa diversa da do importador, a ausência desta informação na declaração de importação registrada, permite que se conclua pela ocultação daquela e faz presumir a interposição fraudulenta de terceiros. PREÇO. ARBITRAMENTO. MP 2.158-35/2001, ART. 88. CRITÉRIO NÃO JUSTIFICADO. IMPROCEDÊNCIA. Ao arbitrar o preço das mercadorias, para fins de determinação da base de cálculo dos tributos aduaneiros, com fundamento no art. 88 da MP 2.158-35/2001, a autoridade aduaneira deve seguir o roteiro ali estabelecido. Indicando adotar os procedimentos estabelecidos no AVA-GATT, deve o autuante observar a sequência de métodos estabelecida em tal acordo, assim como o conteúdo e as restrições à sua utilização.
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SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO. Constatado que importador e adquirente tinham interesses comuns na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ou seja, a importação de mercadorias, ambas, de forma solidária, devem compor o pólo passivo de lançamento de oficio. VINCULAÇÃO ENTRE ADQUIRENTE E FORNECEDOR. A constatação de vinculação entre as empresas fornecedoras internacionais e a adquirente das mercadorias importadas, inclusive com o seu controle financeiro e administrativo, existente de modo informal, implica em indicio de falsidade nas informações constantes nas faturas emitidas, subfaturamento, conluio, simulação e fraude nas operações de importação diretas e por conta e ordem realizadas. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Restando claro que o real adquirente das mercadorias importadas foi pessoa diversa da do importador, a ausência desta informação na declaração de importação registrada, permite que se conclua pela ocultação daquela e faz presumir a interposição fraudulenta de terceiros. PREÇO. ARBITRAMENTO. MP 2.15835/2001, ART. 88. CRITÉRIO NÃO JUSTIFICADO. IMPROCEDÊNCIA. Ao arbitrar o preço das mercadorias, para fins de determinação da base de cálculo dos tributos aduaneiros, com fundamento no art. 88 da MP 2.158 35/2001, a autoridade aduaneira deve seguir o roteiro ali estabelecido. Indicando adotar os procedimentos estabelecidos no AVAGATT, deve o autuante observar a sequência de métodos estabelecida em tal acordo, assim como o conteúdo e as restrições à sua utilização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 01 63 /2 00 7- 06 Fl. 2643DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.644 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento para afastar o arbitramento, e os valores dele decorrentes (diferenças de tributos e multas sobre tal diferença), mantendo a autuação apenas no que se refere à ocultação (multa substitutiva do perdimento), e com o valor aduaneiro declarado pelo importador, vencida a Conselheira Mara Cristina Sifuentes (relatora), que votou por negar provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Rosaldo Trevisan Presidente e Redator (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela ALFÂNDEGA DO PORTO DE FORTALEZA, de forma solidária, em face de SPIN COMERCIAL LTDA (SPIN), real adquirente, e COLUMBIA TRADING S.A. (COLUMBIA), importadora. A exigência tributária se deu por meio dos autos de infração: (1) de fls. 04 — 77, inerente ao Imposto de Importação, à multa por declaração a menor do valor de transação da mercadoria (subfaturamento) e à multa pela conversão da pena de perdimento (ocultação do real adquirente dos bens importados); (2) de fls. 78 — 91, do IPIimportação; (3) de fls. 92 —113, do COFINSimportação; e (4) de fls. 114134, do PIS/PASEPimportação. Como acréscimos legais, exigiuse multa de oficio de 150% e juros de mora, perfazendo na data dos lançamentos o montante de R$ 15.468.512,01. A ação fiscal decorreu da iniciativa da ALFÂNDEGA DO PORTO DE VITÓRIA, que, após analisar petição da importadora COLUMBIA, detectou indícios de que a empresa SPIN, com sede em Fortaleza/CE e filiais em Manaus/AM e Barueri/SP, era a real adquirente de operações de importação, pelo que, encaminhou esta informação à ALFÂNDEGA DO PORTO DE FORTALEZA para adoção dos procedimentos cabíveis. Esta iniciou procedimento especial de fiscalização nos termos da IN SRF 228/2002 (verificação da Fl. 2644DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.645 3 origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate a interposição fraudulenta de pessoas) contra a empresa SPIN, cujo resultado culminou com a formalização de diversos lançamentos. Por meio do Termo de Constatação n° 01/2007 (fls. 136 — 156) e demais esclarecimentos, inclusive a informação fiscal de fls. 1592 — 1601, a fiscalização aduziu como razões de lançar: 1. Ocultação do efetivo adquirente das mercadorias (fls. 136 — 143) Quarenta e três (43) importações registradas diretamente pela COLUMBIA (fls. 1152 — 1153) ocorreram mediante a ocultação da SPIN da condição de efetiva adquirente das mercadorias importadas, em função de: • Vinculação entre SPIN e os fornecedores estrangeiros MI INTERNATIONAL e IWEB GROCER (fls. 137— 138); • Exclusividade de fornecimento A. SPIN no mercado nacional pelo exportador estrangeiro MI INTERNATIONAL (fls. 137); • Identificação pela SPIN dessas DI's registradas diretamente pela COLUMBIA como sendo importações feitas por sua conta e ordem, apresentando inclusive documentos instrutivos —faturas e conhecimentos de transporte — BL (fls. 138 e 422 — 429). Constando mesmo em algumas dessas faturas que o comprador/buyer seria a SPIN (fls. 441, 442, 445 —451 e 459) e em alguns desses BL que a SPIN ou terceiro seria o agente consignado, conforme identificado no quadro 2.1 de fls. 139; • Elementos de inidoneidade de faturas: divergências entre assinaturas de mesmo signatário (quadro 2.2 — fls. 139 — 140 e 531 — 532); numeração de faturas sem sequência numérica e cronológica (fls. 612 —618, 480 — 485 e 794— 753); utilização de formato de data utilizado no Brasil e não nos EUA, local de emissão das faturas (fls. 445 — 449); • Repasse integral das mercadorias importadas ao amparo dessas DI's à SPIN (fls.140 — 143), inclusive com apresentação de notas fiscais de transferência de posse de mercadorias importadas ao amparo de duas DI's registradas como importação direta pela COLUMBIA (fls. 196, 379, 380 e 401); • Ocultação da condição de estabelecimento equiparado a industrial (fls. 149 — 150). 2. Subfaturamento do valor declarado (fls. 143 — 149) — Diz respeito as quarenta e três (43) importações registradas diretamente pela COLUMBIA (fls. 1152 .— 1153) e as oitenta e uma (81) importações registradas pela COLUMBIA, formalmente por conta e ordem da SPIN (fls. 1162 — 1164), em razão de: Fl. 2645DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.646 4 • Vinculação entre a SPIN e os fornecedores estrangeiros MI INTERNATIONAL, IWEB GROCERS e MAG CORPORATION (fls. 137— 138); • Exclusividade de fornecimento A. SPIN no mercado nacional pelo exportador estrangeiro MI INTERNATIONAL (fls. 137); • Diferenças de preços de produtos idênticos em importações distintas do mesmo importador e exportador (fls. 143 — 149); • Elementos de inidoneidade de faturas, que caracterizariam a falsidade das mesmas: Apresentação de via de fatura de mesma numeração, diversa a da utilizada para instruir a DI; divergências entre assinaturas de mesmo signatário (quadro 2.2— fls. 139 — 140, 557 — 558, 749 — 753 e 913 918); numeração de faturas sem sequência numérica e cronológica (fls. 454 — 459, 461, 645 e 648— 652,); utilização de formato de data utilizado no Brasil e não nos EUA, local de emissão das faturas (fls. 437 — 440 e 446 — 449); No procedimento especial sobre a autuada SPIN também restaria provada a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior: • Constatação de saldo credor('estouro de caixa") na conta Caixa dos Livros Razão apresentados pela empresa; • Não comprovação da origem.no recebimento de vendas; • Vendas realizadas pelo preço de custo; • Irregularidades na contabilização de pagamentos efetuados a fornecedores; • Evidências de existência de interposta pessoa no quadro societário da SPIN. Para fins de constituição do crédito tributário e tendo em vista a hipótese de fraude, a fiscalização definiu os valores aduaneiros das mercadorias com base em arbitramento, conforme artigo 84 do Regulamento Aduaneiro (mercadorias idênticas ou similares), cuja matriz legal é o artigo 88 da MP 215835, de 2001. Assim, expõe os valores arbitrados conforme os Demonstrativos de Arbitramento de Preços de Produtos Importados (fls. 1117 1122 e 11251132) e Demonstrativos de Valor Aduaneiro de Produtos Importados (fls. 1123 1124 e 11331135). Com base no art. 9 do Decreto n° 4.544, de 2002, a autuada SPIN é equiparada a industrial, o que a obriga a escriturar Livro Registro de Apuração do IPI, emitir nota fiscal de venda com destaque do IPI, bem como as demais obrigações, inclusive o recolhimento do IPI, o que não ocorreu conforme explica às fls. 149 — 150. Conclui o Termo de Constatação com a apresentação de um quadro do crédito tributário apurado e com a observação de ciência do sujeito passivo solidário, no caso, a COLUMBIA. Fl. 2646DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.647 5 As conclusões da fiscalização de configuração da presunção legal de interposição fraudulenta pela não comprovação da origem dos recursos empregados em operações de comércio exterior ensejou o encaminhamento de representação fiscal propondo a declaração de inaptidão de inscrição no CNPJ da SPIN, fato que ocorreu em 09/11/2007, com efeitos a partir de 05/06/2002 (fls. 1603). A SPIN impetrou mandado de segurança contra o referido procedimento especial em face de suposta ilegalidade e abuso, demanda esta negada em 1ª e 2 instância (fls. 1994 — 1999). As empresas apresentaram impugnação que foram analisados pela DRJ que converteu o julgamento em diligência para: • que fosse explicitado o resultado do procedimento especial de fiscalização citado na descrição dos fatos dos autos e no Termo de Constatação n° 01/2007, notadamente quanto à verificação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importações, inclusive que fosse anexado ao processo o respectivo relatório final, e se fosse o caso, que se procedesse ao lançamento complementar; • que fosse respondido se o procedimento especial de fiscalização ocorreu apenas sobre a SPIN COMERCIAL LTDA ou se também ocorreu sobre a COLUMBIA TRADING S/A, e neste caso, que fosse informado o resultado, anexando ao processo o relatório final; • que fossem apontadas as vias das faturas que apresentaram divergências (as que instruíram as DI's e as que foram apresentadas A. fiscalização), e ainda, as DI's a que se referem, inclusive com a indicação da folha onde as mesmas se encontram no processo; • a localização no processo das vias da fatura 743452 e das DI's 04/02887438 e 04/00716156, bem como das demais faturas as quais a fiscalização entende que houve "apresentação de vias diversas de faturas de mesma numeração, contendo informações diferentes, e instruindo importações diferentes"; • se, de fato, ocorreu exame de valoração aduaneira em face das DI's 03/07168683, 03/10392726, 03/10392947, 03/10393110, 03/10393129, 03/10393633, 03/10393641, 03/10394435, 03/10396489 e 03/10396616; e se positivo, que fosse anexado o processo ou o relatório inerente ao exame de valoração aduaneira, de modo que fosse informado quando ocorreu e qual unidade foi responsável pelo referido exame; qual o resultado, que, se positivo, qual o montante da exigência tributária, se houve pagamento integral, e se foi deduzido do lançamento em apreço o crédito tributário eventualmente recolhido à época. O resultado da diligência foi transcrito na informação fiscal onde: Anexou as fls. 1605 — 1625 os itens 6.1 6.6 e 7.1 do Relatório Final de Procedimento Especial de Fiscalização e informou que não houve lançamento complementar. Fl. 2647DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.648 6 Aduziu que (fls. 1594): No presente caso I irrelevante que a empresa COLUMBIA tenha sido ou não sido submetida a procedimento especial para comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos utilizados nessas operações de comércio exterior. Embora a escrituração contábil da SPIN não permita identificar a operação a que os recursos repassados a COLUMBIA se destinem (fls. 1809/38), a mesma revela que a SPIN foi efetivamente supridora dos recursos empregados nas operações de importação registradas diretamente pela COLUMBIA dos fornecedores estrangeiros MI INTERNATIONAL e IWEB GROCERS. Uma vez que os recursos empregados nas importações aqui tratadas foram supridos pela SPIN, conforme detalhado a seguir, e em face dessa empresa foi realizado procedimento especial de fiscalização. Foram apontadas das faturas que apresentam divergências (fls. 951, 953 e 056) e as DI's a que se referem, conforme indicações de fls. 1594— 1598. Sobre a localização no processo das vias da fatura 743452, das DI's 04/02887438 e 04/00716156, bem como das demais faturas as quais a fiscalização entende que houve "apresentação de vias diversas de faturas de mesma numeração, contendo informações diferentes, e instruindo importações diferentes", a autuante admitiu ter havido equivoco na localização mencionada no termo de constatação as fls. 144, pelo que, indicou as localizações corretas conforme fls. 1598. Quanto à possível ocorrência de exame de valoração aduaneira em face das DI's 03/07168683, 03/10392726, 03/10392947, 03/10393110, 03/10393129, 03/10393633, 03/10393641, 03/10394435, 03/10396489 e 03/10396616, com base na informação fiscal da Alfândega do Porto de Vitória (fls. 2000), foi informado (fls. 1598) que tal exame se deu apenas sobre a DI 03/07168683, sendo que o importador retificou a DI e informou valores superiores em 150% aos valores originalmente declarados, recolhendo espontaneamente as diferenças tributárias. Ao processo foi anexado o despacho de fls. 2052, sendo que as explicações quanto a data do exame de valoração, a unidade responsável pelo exame; o resultado, o montante da exigência tributária, se houve pagamento integral, e se foi deduzido do lançamento em apreço o crédito tributário eventualmente recolhido a época, tudo consta nas fls. 1598 1588. Além das explicações ora expostas, a autuante afirmou ainda que a falsidade nas assinaturas de BRIAN POESCHEL ficou evidenciada pelas divergências entre elas e pelo fato de o mesmo ser "notário público", função que, ao ser responsável pela autenticação de documentos da empresa, é eticamente incompatível com a gerencia dessa mesma empresa. Também reafirma que as assinaturas de GINA PEREZ são divergentes. Fl. 2648DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.649 7 Em relação as planilhas de análise de preços dos produtos vendidos, elaboradas e apresentadas pela SPIN (fls. 1535 — 1543), afirma que estão equivocadas ou o modo de cálculo não foi suficientemente explicitado. Justifica seu raciocínio nos termos das fls. 1600 —1601. A DRJ Fortaleza, julgou o processo, Acórdão nº 0815.787, em 29/06/2009, julgando improcedente a impugnação e mantendo o crédito tributário exigido. A empresa SPIN foi cientificada do resultado do julgamento e apresentou Recurso Voluntário. A empresa Columbia apresenta petição, fl. 2514 e sgs., onde alega que não houve intimação e abertura de prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Por isso, o julgamento foi convertido em diligência, Resolução nº 3401000.626, de 28/11/2012, para que a empresa fosse cientificada e aberto prazo para apresentação de Recurso. Após, a empresa Columbia, vem aos autos apresentar seu Recurso Voluntário, fls. 2554 e sgs. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Os Recursos Voluntários são tempestivos e preenchem as demais condições de admissibilidade por isso deles tomo conhecimento. 1. Preliminar de ilegitimidade passiva e cerceamento direito de defesa Alega a SPIN não ser parte legítima nas importações realizadas diretamente pela COLUMBIA, e que o interesse comum previsto no art. 124, I, do CTN deve ser analisado sob o aspecto jurídico, e não sob o ponto de vista econômico. Continua afirmando que não ocorreu importação por conta e ordem, mas sim importação direta da COLUMBIA, sob encomenda da recorrente. A responsabilização solidária do encomendante só passou a existir com a Lei nº 11.281/2006, posteriormente às operações realizadas. Pugna pelo cerceamento do direito de defesa, já que não tinha gerência ou acesso aos documentos necessários às importações. Esclarece que ao contrário do que afirma a decisão recorrida o acesso aos autos não lhe dá possibilidade de ampla defesa. A análise das importações realizadas, se elas teriam sido efetuadas diretamente, por conta e ordem, ou por encomenda estão ligadas ao mérito da lide, por isso deverão ser analisadas adiante. A responsabilidade solidária teve como fundamento legal o art. 124, inciso I, do CTN: Art. 124. são solidariamente obrigados: Fl. 2649DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.650 8 I As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; No que tange ao direito tributário a regra é que somente haverá a solidariedade passiva, ou seja, entre os devedores. Nela o credor tem a prerrogativa de poder cobrar a obrigação principal de qualquer devedor, ou de todos. Outra particularidade da responsabilidade solidária dentro do direito tributário é que ela não comporta o benefício de ordem, distintamente do que ocorre em algumas situações no direito civil. O art. 124 do CTN enuncia dentro de seus incisos dois tipos de devedores solidários, a saber: “I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; e II as pessoas expressamente designadas por lei.” A solidariedade de que trata o inciso I é também considerada como “solidariedade natural”, que decorre do vínculo de pessoas relacionadas ao fato gerador, com base em um interesse comum. O inciso II traz a “solidariedade legal”, a qual emana diretamente da lei, estabelecendo quem deverá responder pela obrigação tributária. O interesse da recorrente SPIN está demonstrado na farta documentação juntada aos autos em que consta o nome da mesma (faturas, conhecimento de carga) e ademais a empresa declara que as mercadorias eram importadas para ela, havendo inclusive contrato de prestação de serviços, juntado aos autos, entre a SPIN e a Columbia . A respeito do alegado cerceamento do direito de defesa, por não ter a recorrente acesso a documentos que poderiam balizar suas argumentações, entendo que carece de amparo. Todos os documentos utilizados na autuação constam nos autos, que está amplamente calçado com declarações de importação, notas fiscais, e intimações para prestar esclarecimentos e fornecer documentos. Outros documentos que poderiam servir de amparo às suas pretensões, caso existissem deveriam ter sido enumerados pela recorrente e objeto de pleito específico de juntada aos autos, na fase pertinente do processo. Não consta no processo que a mesma tenha especificado que documentos seriam esses. Segundo o Regulamento Aduaneiro, são documentos obrigatórios para instrução do despacho de importação o conhecimento de carga, a fatura comercial, e comprovante de pagamentos de tributos. O comprovante de pagamentos dos tributos há muito não é exigido, já que o pagamento é efetuado por meio de débito automático, na maioria dos casos. Art.553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º): I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. Fl. 2650DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.651 9 Parágrafo único. Poderão ser exigidos outros documentos instrutivos da declaração aduaneira em decorrência de acordos internacionais ou por força de lei, de regulamento ou de outro ato normativo. Consta também no RA a possibilidade de se exigir outros documentos que sejam decorrentes de acordos internacionais ou leis, regulamentos ou atos normativos. Por isso, quando a fiscalização solicita documentos para efetuar a análise das transações realizadas ela parte necessariamente da solicitação de documentos que estejam previstos em normas legais. Assim é que solicita livros e documentos fiscais. Assim sendo, não há de se acatar a alegação de cerceamento de direito de defesa. Quanto a aplicação da Lei nº 11.281, de 20/02/2006, que seria posterior aos fatos ocorridos e trata da importação por encomenda, deverá ser analisado adiante. 2. Preliminares apresentadas pela Columbia A recorrente Columbia apresenta inicialmente em seu Recurso Voluntário algumas questões preliminares e pugna pela nulidade do auto. Alega que o auto de infração foi lavrado contra a empresa Spin onde não consta formalmente o nome da Columbia, e que há necessidade de autos distintos para cada contribuinte e para cada infração, conforme disposto no art. 9º, §1º, Decreto 70.235/72. Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) No caso estamos diante de infração aduaneira onde os elementos de prova para comprovar os ilícitos são os mesmos, e formam um todo, sendo por isso a autuação efetuada em um único processo. Não há ilegalidade nessa prática que é a adotada em todas as imputações do gênero. E a solidariedade entre os contribuintes exige que seja efetuada a autuação conjunta já que assim é possível a defesa e o conhecimento de ambos das razões de defesa respectivas. Constam no Auto de Infração, fl. 6, a imputação da solidariedade das empresas e o enquadramento legal: Em Procedimento Especial de Fiscalização referente a verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comercio exterior e combate A interposição fraudulenta de Fl. 2651DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.652 10 pessoas, instituído pela Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal IN SRF 228/2002, com fulcro no art. 53 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 2° do DecretoLei n° 2.472/88 e art. 1° da Portaria MF n° 350/2002, em face da empresa SPIN COMERCIAL LTDA., CNPJ: 86.938.453/000189, restou configurada não somente a ocultação dessa última como efetiva adquirente de mercadorias importadas no nome da empresa COLUMBIA TRADING S.A, CNPJ: 46.548.574/000108, mas também a declaração inexata do valor de mercadorias nessas importações e em outras formalmente por conta e ordem da SPIN COMERCIAL LTDA., conforme circunstanciado no Termo de Constatação n° 01/2007. Assim sendo, nos termos do inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional, adiante transcrito, respondem solidariamente pela infração aqui autuada as empresas, SPIN COMERCIAL LTDA., efetiva adquirente das mercadorias importadas e COLUMBIA TRADING S.A., que registrou as importações em seu nome como direta ou por conta e ordem formal da SPIN COMERCIAL. (grifos nossos) A necessidade de autos distintos também foi rechaçada pela DRJ: Diferentemente do que alega a impugnante COLUMBIA, os autos de infração foram lavrados, formalmente, tanto contra a SPIN, como contra a COLUMBIA. O fato de a identificação da COLUMBIA não constar no rosto, e sim em outro local nos autos, não invalida sua inclusão no pólo passivo, não provoca a necessidade de lavratura em autos distintos, e tampouco motiva a nulidade dos autos. Ademais, quando o § 1° do, artigo 9° do Decreto 70.235/72 diz que "os autos de infração (...) formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova não está dizendo que para cada sujeito passivo solidário na obrigação tributária deverão ser lavrados autos de infração distintos. A hipótese prevista no referido parágrafo se refere à possibilidade de consolidação num mesmo processo de vários autos de infração inerentes a um mesmo sujeito passivo, não sendo necessário formalizar para cada auto de infração um processo distinto. Evidentemente que, ao dispor "(...) ao mesmo sujeito passivo" não está se referindo à hipótese de solidariedade, e sim à hipótese de formalização de processo referente a autos de infração distintos de mais de um sujeito passivo. Isto posto, bem como levando em conta os artigos 32, alínea "c", e 95, do DecretoLei n° 37/66, e artigos 103 e 105 do Decreto n° 4.543/2002, ora transcritos, não se verifica a necessidade de lavratura de autos de infração distintos quando se tratar de solidariedade, cuja característica, de modo contrário, pressup6e a formalização de lançamento comum em face dos autuados solidários. Fl. 2652DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.653 11 A alegação de que havia rasuras no auto de infração onde foi inserido manualmente o nome da Columbia e no campo observações, em afronta ao art. 2º Decreto 70.235/72, não foi acompanhada de provas, e a reprodução que se encontra no início do processo não apresenta os defeitos informados. Diversamente, em impugnação a recorrente alega haver rasuras na capa do processo e não no auto de infração, o que foi analisado pela DRJ : Outro argumento da COLUMBIA foi o de haver rasura na capa, mais precisamente no campo "MOVIMENTAÇÕES", o que implicaria em nulidade dos autos. De fato, constatase rasura na capa do processo, porém, a esse respeito, diz o artigo 2° do PAF que: "os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas" De relevo destacar que a norma em evidência se refere a "atos e termos processuais". Buscandose o conceito de "ato processual", nos deparamos com a doutrina da consagrada professora Ada Pellegrini (URINO VER, Ada Pellegrini. CINTRA, Antônio Carlos de Araújo. DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 21 ed. São Paulo: Malheiros, 2005.), a qual nos ensina que ato processual é toda conduta dos sujeitos do processo que tenha por efeito a criação, modificação ou extinção de situações jurídicas processuais. Por sua vez, termo processual é a redução a escrito de certos atos processuais praticados nos autos de um processo, ou simplesmente, é a exteriorização do ato processual. Logo, a simples informação da movimentação (tramitação) do processo não tem o condão de configurar qualquer conduta dos sujeitos do processo que tenha por efeito a criação, modificação ou extinção de situações jurídicas processuais, e tampouco representa a redução a escrito de atos processuais praticados nos autos de um processo, portanto, não é ato e nem termo processual. E uma simples informação, cuja rasura não se encaixa na hipótese tratada no artigo 2° do PAF, sendo incapaz, pois, de motivar a nulidade dos autos. Informa também que não foi formalmente intimada a impugnar o auto de infração, tendo recebido apenas cópia simples do auto para mera ciência, art. 23, Decreto 70235/72. Entretanto à fl. 1178 do processo consta o aviso de recebimento dos correios, datado de 16/03/2007, onde consta que foi entregue o auto de infração, o termo de constatação e os documentos referentes ao termo de constatação. A autuação foi efetuada pela unidade da RFB em Fortaleza por ser jurisdicionante à empresa real adquirente das mercadorias, e a recorrente foi enquadrada no escopo da solidariedade. Não existe imposição legal que obrigue a fiscalização da empresa por uma ou outra unidade da RFB. O que existe são normas administrativas que determinam uma divisão interna de atribuições dentro da estrutura da RFB para efeitos administrativos e alcance de maior eficiência e eficácia nos trabalhos de fiscalização. Da mesma forma, conforme já Fl. 2653DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.654 12 decidido por diversas vezes no CARF, o MPF é instrumento administrativo de controle, sendo que a atividade de lançamento é atribuição do AuditorFiscal, que está vinculado por lei à sua execução, portanto não há que se falar que se infringiu a Portaria SRF nº 6.087/05. A questão da intimação efetuada pela unidade da RFB em Fortaleza também foi analisada pela DRJ nos seguintes termos, e rechaçada: A COLUMBIA arguiu a nulidade dos autos em razão de haver sido intimada pela unidade aduaneira de Fortaleza, e não pela de Vitória, onde tem sede. Destarte, a sede da COLUMBIA é em VitóriaES, porém a sede da SPIN é em FortalezaCE. O artigo 24 do PAF, ao tratar de competência, prevê que o preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo. No caso, a ação fiscal ocorreu por conta de unidade aduaneira responsável pela jurisdição de Fortaleza, sede da SPIN, apontada nos autos como adquirente das mercadorias importadas e autuada de forma solidária com a COLUMBIA. Assim, em se tratando de uma autuação de forma solidária, que conforme já visto, se respalda nos artigos 32, alínea "c", e 95, do DecretoLei n° 37/66, e artigos 103 e 105 do Decreto n° 4.543/2002, a autoridade autuante de FortalezaCE, no caso a Alfândega do Porto de Fortaleza, é competente para proceder ao lançamento e intimar os sujeitos passivos solidários, não havendo a necessidade de que a intimação se dê por conta da unidade de VitóriaES. Como tal, afastase a alegação de nulidade. Quanto à alegação de que ocorreu prescrição intercorrente, pois ela apresentou impugnação em 13/04/2007 e só foi intimada da decisão de primeira instância em 02/04/2014, e por isso deve ser aplicado por analogia o CTN e a Lei de Execuções Fiscais, temos que o CARF já sumulou a questão: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. 3. Ocultação do adquirente das mercadorias O recorrente SPIN afirma que as importações foram efetuadas por conta própria pela COLUMBIA, sendo ela simples adquirente no mercado interno. A própria Columbia reconheceu que ela seria a verdadeira importadora das mercadorias objeto dos autos. Existem, conforme já informado, importações da COLUMBIA que foram declaradas como próprias (43) e outras declaradas por conta e ordem (81). Suas alegações de refutando a ocultação são a respeito das importações efetuadas diretamente pela Columbia com posterior revenda à recorrente (as 43 declarações). Fl. 2654DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.655 13 Apresenta a base legal para a caracterização da importação por conta e ordem de terceiros, qual seja o art. 80 da MP nº 2.15835/2001 e Instrução Normativa SRF nº 225/2002, que corrobora seu entendimento que houve importação direta: Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio liquido do importador ou do adquirente. Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de pregos e a intermediação comercial. (grifos nossos) Na sua interpretação os dispositivos legais citados informam que o importador promove o desembaraço aduaneiro de mercadorias adquiridas por outrem, em razão de contrato previamente firmado, e que em momento algum o dispositivo impõe que o importador seja o proprietário das mercadorias. Ou seja, poderia haver uma importação por conta e ordem de terceiros em que o importador não é o proprietário das mercadorias, porque ele tem contrato firmado, e nesse caso o importador apenas promove o desembaraço das mercadorias em seu nome. Agrega o esclarecimento contido na Nota Cosit nº 163/2001, referendada pelo Parecer PGFN/CAT nº 1.316/2001 que afirmou: Nestes termos, temos que a trading company, ao promover a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro, figurando como consignatária do conhecimento de carga, poderá encontrarse em duas situações distintas, a saber: a) como importador e proprietário da mercadoria: neste caso a trading é o adquirente e o importador, pois promoveu a entrada da mercadoria. Tanto o conhecimento de carga estará a ela consignado, como a Fatura Comercial será emitida em seu nome (a empresa detém a posse e a propriedade da mercadoria); b) somente como importador: nesta hipótese a trading figura como prestadora de serviços, sendo contratada para realizar a operação de importação por conta e ordem de terceiros. 0 adquirente da mercadoria estrangeira é pessoa diversa do importador. A trading company continuará, destarte, sendo o importador, pois é ela quem promove a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro e em nome de quem é Fl. 2655DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.656 14 consignada: a mercadoria no conhecimento de carga. Contudo, a Fatura Comercial é emitida em nome do adquirente, à ordem de quem a trading company promoveu a importação (a empresa detém somente a posse da mercadoria)." (pp. 3 e 4 grifos nossos) Ademais informa que a própria RFB reconheceu a distinção acima, com a publicação do Ato Declaratório Interpretativo nº 7/2002: Art. 1° As disposições das Instruções Normativas n° 75, de 2001, e n° 98, de 2001, aplicamse somente às operações em que a pessoa jurídica comercial importadora empresa comercial importadora atue apenas como prestadora de serviços. Parágrafo único. A empresa comercial importadora atua como prestadora de serviços somente na hipótese em que ela não adquira a propriedade das mercadorias importadas. Art. 2° Para que se caracterize a aquisição, pela empresa comercial importadora, da propriedade das mercadorias importadas, é suficiente que ocorra uma das seguintes hipóteses em que a referida empresa: I conste como adquirente no contrato de câmbio; II conste como adquirente na fatura internacional (invoice); III emita nota fiscal de entrada ou de saída a titulo de compra ou venda; ou IV contabilize a entrada ou a saída da mercadoria importada como compra ou venda. Parágrafo único. Na hipótese de a empresa não ter escrituração comercial regular, o aferimento da condição prevista no inciso IV farseá com base na natureza da operação efetivada, constante de notas fiscais. "(grifos nossos) E conclui a recorrente: Em suma, a distinção fundamental entre as importações por conta própria e por conta e ordem de terceiro é a seguinte: se o importador exclusivamente presta serviços ao adquirente das mercadorias importadas, apenas desembaraçandoas, mas sem adquirilas, temse a figura da importação por conta e ordem de terceiro; por outro lado, na hipótese de ocorrer operação de compra e venda pelo importador, se o importador compra a mercadoria importada para depois revendêla a terceiro, terse á a importação por conta própria do importador. E traz parte da decisão recorrida em que afirma que a COLUMBIA adquiriu as mercadorias em seu nome e com recursos próprios, sendo a real adquirente das mercadorias, visando revendêlas no mercado interno: "(...) Resta claro da análise da documentação anexada ao presente processo administrativo (faturas fiscais, Declaração de Fl. 2656DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.657 15 Importação, documentos relacionados a contratação de câmbio, seguro, transporte), que a Impugnante (Columbia) promoveu a importação em nome e com recursos próprios, sendo a real adquirente das mercadorias, visando revendêlas no mercado interno a um proponente comprador, a empresa Spin Comercial Ltda. (fl. 1219) Já através do extrato de Declaração de Importação, notase que a Impugnante também promoveu, com recursos próprios, o pagamento de todos os tributos exigidos na operação de importação (II, IPI, PIS, Cofins e ICMS). Somese a tudo isso, o fato de todas as despesas de nacionalização da mercadoria, até a presente fase, estarem sendo acobertadas através de recursos da Impugnante." Importante frisar que apesar de defenderse alegando que as importações foram efetuadas diretamente pela COLUMBIA, a recorrente afirma que de fato foram importações por encomenda, isso em diversos pontos do Recurso Voluntário, exemplificativamente: Como visto, em face de todo o exposto, as importações foram feitas por conta da Columbia e encomenda da Recorrente, e não por conta e ordem desta, não sendo as afirmações da decisão recorrida, que se limitaram a reafirmar a acusação fiscal, capazes de infirmar tal fato. É certo que toda a documentação trazida aos autos faz crer que ocorreu importação por conta própria por parte da COLUMBIA, entretanto a fiscalização dispende esforços para provar que todos os fatos e documentos foram construídos para dissimular a realidade, ou seja, que a COLUMBIA, apesar de declarar a importação como direta e emitir ou receber todos os documentos amparando essa situação, na verdade importava por conta e ordem da empresa SPIN, real adquirente das mercadorias. A documentação apresentada pela fiscalização para dar suporte a sua argumentação indica com clareza que, não obstante as operações tenham sido indicadas como importações próprias, essas operações foram na verdade importações por conta e ordem da recorrente SPIN. A fiscalização baseia sua convicção nos seguintes argumentos: • Vinculação entre SPIN e os fornecedores estrangeiros MI INTERNATIONAL e IWEB GROCER (fls. 137— 138); • Exclusividade de fornecimento a SPIN no mercado nacional pelo exportador estrangeiro MI INTERNATIONAL (fls. 137); • Identificação pela SPIN dessas DI's registradas diretamente pela COLUMBIA como sendo importações feitas por sua conta e ordem, apresentando inclusive documentos instrutivos —faturas e conhecimentos de transporte — BL (fls. 138 e 422 — 429). Constando mesmo em algumas dessas faturas que o comprador/buyer seria a SPIN (fls. 441, 442, 445 —451 e 459) e em alguns desses BL que a SPIN ou terceiro seria o agente consignado, conforme identificado no quadro 2.1 de fls. 139; Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.658 16 • Elementos de inidoneidade de faturas: divergências entre assinaturas de mesmo signatário (quadro 2.2 — fls. 139 — 140 e 531 — 532); numeração de faturas sem sequência numérica e cronológica (fls. 612 —618, 480 — 485 e 794— 753); utilização de formato de data utilizado no Brasil e não nos EUA, local de emissão das faturas (fls. 445 — 449); • Repasse integral das mercadorias importadas ao amparo dessas DI's à SPIN (fls.140 — 143), inclusive com apresentação de notas fiscais de transferência de posse de mercadorias importadas ao amparo de duas DI's registradas como importação direta pela COLUMBIA (fls. 196, 379, 380 e 401). Foram apresentações pela fiscalização contratos de exclusividade entre o fornecedor estrangeiro MI International e a recorrente SPIN, assinado em 01/01/2004, e depois durante a diligência foi apresentado outro contrato de 01/01/2005 nos mesmos termos, em que ficou demonstrado a vinculação entre eles, fls. 172 e sgs.: PREAMBLE • MI INTERNATIONAL and its parent, The MI INTERNATIONAL Company, are marketers of premium quality consumer products distributed under various trademarks in the United States of America and around the world. MI INTERNATIONAL has develOked 'and applied marketing know how in the sale of consumer products. • WHEREAS, the DISTRIBUTOR has the expertise and the appropriate distribution structure to adequately distribute the Products in Brazil (hereinafter "the Territory"); • The execution and delivery of this Agreement has been duly authorized in accordance with the Article, By Laws or other similar organizational documents of the DISTRIBUTOR and as such it constitutes a valid and binding act of the DISTRIBUTOR and does not conflict with or violate the terms of any other agreement between the DISTRIBUTOR and any third party. • The DISTRIBUTOR desires to be appointed MI INTERNATIONAL's exclusive distributor for the Territory and MI INTERNATIONAL wishes to make such appointment. 1 (grifos nossos) Também consta no contrato que ele será renovado a cada ano até que alguma das partes resolva rescindilo. E que a MI International não venderá seus produtos para ninguém no Brasil além da Spin: 1.3. MI INTERNATIONAL shall not sell the Product to anyone in the Territory other than the DISTRIBUTOR except as otherwise specifically provided in, this Agreement: provided, however, that MI INTERNATIONAL shall incur no liability for sales of the Product in the Territory by nonaffiliated third parties. (MI International não venderá os produtos para ninguém no território além do Distribuidor, exceto nos casos especificamente designados nesse acordo, desde que, no entanto, a MI 1 O distribuidor deseja ser indicado como distribuidor exclusivo da MI International para o território (Brasil) e a MI International deseja fazer essa indicação. (tradução livre) Fl. 2658DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.659 17 INTERNATIONAL não incorra em responsabilidade pelas vendas do Produto no Território por terceiros não afiliados) Continua o contrato indicando que somente a Spin poderá comprar produtos da MI International: 2.3. DISTRIBUTOR shall fulfill all its Product requirements by ordering only from MI INTERNATIONAL or its designee.( O DISTRIBUIDOR deverá cumprir todos os requisitos do Produto, solicitando apenas à MI INTERNATIONAL ou ao seu representante) Além disso, consta que a Spin arcará com todos os custos, incluindo os custos de manuseio e armazenagem, transporte, comissões, custos de venda, custos administrativos, faturamento e cobrança, taxas de financiamento, e todas as taxas governamentais, incluindo impostos e tarifas: DISTRIBUTOR shall bear all costs incurred in its distribution of the Product, including, but not limited to, the cost of handling, warehousing, transportation, commissions and selling costs, administrative costs, invoicing and collecting, financing charges, cash discounts, bad debts and reserves, and all taxes and governmental charges, including duties and tariffs. (O DISTRIBUIDOR arcará com todos os custos incorridos na distribuição do Produto, incluindo, mas não limitado ao custo de manuseio, armazenamento, transporte, comissões e custos de venda, custos administrativos, faturamento e cobrança, encargos de financiamento, descontos à vista, devedores duvidosos e reservas, e todos os impostos e encargos governamentais, incluindo direitos e tarifas.) Da análise do contrato de distribuição exclusivo podemos concluir que somente a Spin poderia comprar e revender os produtos da MI International no território nacional. A Columbia então somente poderia atuar como importador por conta e ordem e nunca como importador direto. Corrobora esse entendimento o teor do contrato "Acordo Comercial" entre a Eximtrading, antiga denominação da Columbia, e a Spin, fls. 186 e sgs: 2.1 Declara a SPIN que, pretendendo adquirir e importar produtos diversos. (doravante denominada(s) simplesmente mercadoria(s))., com cobertura cambial, adotou as seguintes providências: 2.1.1 Apurou o correto enquadramento das referidas mercadorias na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). 2.1.2 Ajustou diretamente WM o exportador, no exterior, o prego de aquisição em moeda estrangeira, a forma. condições de pagamento e programação de entrega, bem como todos os demais requisitos para a concretização do negócio, tais como a fixação de viés e meio de transporte desde o fornecedor ate o porto ou aeroporto brasileiro de destino. Fl. 2659DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.660 18 2.2 Declare a EXIMTRADING que, sendo uma empresa voltada para as atividades de comércio exterior, devidamente registrada nos competentes órgãos governamentais e regularmente art cadastrada no Sistema FUNDAP. junto ao Banco de Desenvolvimento do Espirito Santo, cujas normas declare a SPIN ter plena e inequívoca ciência, encontrase apta a realizar as operações d importação e nacionalização de mercadorias a pedido da SPIN, respeitadas as condições deste Acordo e as normas legais pertinentes. 2.3 Considerando o disposto acima, a SPIN declare sua concordância em que a EXIMTRADING figure nas Declarações de Importação na condição de importador e/ou "consignatário', nas operações decorrentes deste instrumento. 3.1 Por este instrumento, fica ajustado entre as partes que a EXIMTRADING promoverá a importação de mercadorias, sem caráter de exclusividade, de acordo com os pedidos de importação que aceitar da SPIN, providenciando seu desembaraço aduaneiro e sua nacionalização para, em seguida, vendêlas à SPIN nos termos e condições estabelecidos no presente Acordo. ... o câmbio, cartas de crédito ou financiamentos, poderão ser contratados pelo importador ou pela SPIN, nos termos das normas editadas pelo Bacen. ... 4.4 A EXIMTRADING será a consignatária no conhecimento de transporte (bill of lading ou air way bill) e importadora nas faturas comerciais e proformas. Na hipótese de a SPIN figurar como consignatária nos conhecimentos de transporte, estes deverão: (i) ser endossados à EXIMTRADING, comprometendo se a SPIN a fazer constar em referidos documentos o nome legível e a assinatura da(s) pessoa(s) autorizada(s) a realizar o seu endosso EXIMTRADING: e (ii) apresentar a seguinte expressão: Endossado à Eximtrading. ... 4.7 Após a nacionalização das mercadorias importadas, estas deverão ser faturadas pela EXIMTRADING contra a SPIN. O teor dos contratos e sua validade não foram em momento nenhum contestados pelas recorrentes. O Acordo Comercial deixa claro que se trata de um contrato de prestação de serviços e que a real adquirente das mercadorias é a Spin, o que não ensejaria o enquadramento na figura de interposição fraudulenta, por si só. É preciso aprofundar na análise. Fl. 2660DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.661 19 Foi expressada a possibilidade de ter sido uma importação sob encomenda, que à época dos fatos não estava disciplinada, o que só ocorreu com a edição da Lei nº 11.281/2006. É importante fazer a distinção entre as modalidades de importação: (i) na importação direta, o importador é o próprio adquirente dos bens importados, realizando a importação com recursos próprios e por seu próprio risco; (ii) na importação por conta e ordem de terceiros, o importador presta apenas serviços (de logística, aduaneiros, cotação de preços, intermediação) para o adquirente, que é a pessoa de onde provém os recursos para a realização da importação; e (iii) na importação para a revenda a encomendante predeterminado, o importador estabelece uma relação de comissão com adquirente, disciplinada pelo artigo 696 e seguintes do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), pela qual o importador é comissário e o adquirente é o comitente, entrando o importador na operação de importação com recursos próprios e se comprometendo a revender os bens importados ao adquirente. Nessas modalidades existe autorização legislativa para que a Receita Federal detenha a competência para estabelecer requisitos e condições para a qualificação de determinada operação, para fins de reconhecimento do tratamento tributário próprio, além de definição de atribuição de responsabilidade tributária: Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; e (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 2014) ... Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo"; (Lei nº 11.281/2006) Com relação à modalidade de importação por conta e ordem, o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 prevê que "a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste", vide também a Instrução Normativa nº 225/2002, que traz os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica em operações por conta e ordem de terceiros. No que diz respeito à "importação para revenda a encomendante predeterminado", merece destaque o parágrafo 3º, art. 11 da Lei nº 11.281/2006: § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das Fl. 2661DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.662 20 operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. É pertinente agregar o esclarecimento efetuado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, Acórdão nº 3401003.908, de 27/07/2017, acerca desse dispositivo incluído pela Lei nº 11.452: O referido artigo 11 da Lei recebeu um §3o, em 2007, acrescentado pela Lei no 11.452, de modo a “pacificar a interpretação dada pela administração tributária federal às operações de importação de que trata o art. 11” (conforme parecer do relator, Deputado Neucimar Fraga/PLES, na conversão da MP no 328/2006 na Lei no 11.452, disponível em (...): [segue transcrição do dispositivo] Por certo que tal dispositivo foi inserido pelo parlamentar capixaba em prol das empresas daquela região que atuam com os benefícios do FUNDAP, para aclarar que as importações por encomenda não se descaracterizam pelo simples fato de haver participação do encomendante nas operações comerciais, mitigando autuações frequentes da RFB, à época, com entendimento diverso. Assim, é irrelevante, por si, a ligação entre a exportadora e a encomendante, ou a participação desta ou daquela na fixação de preços. Aliás, o artigo 14 da Lei no 11.281/2011, em sua redação original, afirma que são aplicáveis ao importador e ao encomendante as regras sobre preços de transferência, já prevendo eventual vinculação entre partes, e que esta não descaracterizaria, por si, a modalidade de importação por encomenda Merece destaque o voto do Conselheiro Augusto Fiel Jorge D´Oliveira, Acórdão nº 3401003.986, de 26/09/2017, quando compunha essa turma, julgado por unanimidade de votos, com a participação de alguns dos atuais membros do colegiado, inclusive essa relatora: Dessa maneira, não se exige para a caracterização de uma "importação para revenda a encomendante predeterminado" que o importador seja o responsável exclusivo pelas tratativas e ajustes com o exportador e, de outro lado, a participação do encomendante predeterminado nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior não afasta a caracterização da operação nessa modalidade, o que, inclusive, acabou por rechaçar alguns conceitos de "importação para revenda a encomendante predeterminado" antes defendidos na doutrina e por parte dos operadores de direito. Com isso, como já afirmado, o conceito de "importação para revenda a encomendante predeterminado" deve ser buscado e é aquele definido pela Lei. Nesse sentido, uma vez que a Lei deixou claro o papel do importador por encomenda na operação de aquisição do produto do exterior e outorgou à Receita Federal a competência para estabelecer os requisitos e condições para a atuação da pessoa jurídica importadora nessa modalidade de importação, verifica se que o que é importante para a qualificação nessa modalidade Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.663 21 é que o importador utilize recursos próprios, pois, como determina a Instrução Normativa nº 634/2006: "Artigo 1º (...) Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente". Assim, na hipótese em que a importadora não utiliza recursos próprios, a operação passaria ser considerada como operação por conta e ordem de terceiros, por força do disposto no artigo 11, parágrafo 2º, da Lei nº 11.281/2006, in verbis: ... Como se vê, apesar de existir um conjunto de elementos para se verificar a ocorrência de interposição fraudulenta, pela leitura da legislação que instituiu a infração e considerando o histórico na qual está inserida, de medidas que visam combater a lavagem de dinheiro, através do combate à fraude e à simulação, o ponto sensível e que merece atenção é a origem dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior, o que, a meu ver, até conduz a uma preponderância desse elemento frente a outros, que se traduz em uma importante baliza para a qualificação de determinada operação em uma ou outra modalidade. (grifos nossos) Portanto, um ponto crucial a ser verificado, se foi importação própria, mas para encomendante determinado ou importação por conta e ordem de terceiros, está em analisar quem de fato supriu os recursos para pagamento da importação como um todo. Apesar de haver um contrato de distribuição exclusiva entre o exportador e a recorrente SPIN, que é um argumento importante para embasar a afirmação de que a importação era de fato para a SPIN, o que já foi confirmado, esse argumento não invalida a possibilidade de ter ocorrido uma importação sob encomenda, que como não estava vigente à época das importações, teria sido registrado como importação própria pela COLUMBIA. No Termo de constatação consta que: A própria SPIN COMERCIAL atendendo ao item H do Termo de Intimação n° 02 para apresentar documentos instrutivos e comprovantes de pagamento das importações diretas por sua conta e ordem, relacionou como importações feita por sua conta e ordem; entregou documentos instrutivos e informou dados da liquidação cambial dessas importações diretas registradas pela COLUMBIA TRADING (fls. 422/429). No processo nas fls. 422 a 429 consta relação de importações entregue pela SPIN em que ela intitula como "Relação de Importações feita por conta e ordem". Nessa relação não consta informações sobre a liquidação cambial. Reproduzo parte da relação para melhor entendimento. Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.664 22 Em resposta à diligência determinada pela DRJ, Resolução nº 1.168, de 20/12/2017, fls. 1609 e sgs., a fiscalização esclareceu: No acima mencionado procedimento fiscal em face da SPIN COMERCIAL LTDA também restou evidenciada a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior da SPIN COMERCIAL pela constatação de saldo credor ("estouro de caixa") na conta Caixa dos Livros Razão apresentados pela empresa, pela não comprovação da origem no recebimento de vendas, por vendas realizadas pelo preço de custo, por irregularidades na contabilização de pagamentos efetuados a fornecedores, além das evidências de existência de interposta pessoa no quadro societário da SPIN COMERCIAL. A fiscalização afirma nesse ponto do relatório que a SPIN não tinha condições de arcar com os custos das importações realizadas, apesar de a empresa ter apresentado declaração de que dispunha de linha de crédito em várias instituições financeiras. Entretanto não foi investigado se a COLUMBIA poderia ter pago pelas importações diretas, já que para a fiscalização restou claro que quem arcava com os pagamento era a SPIN: No presente caso é irrelevante que a empresa COLUMBIA tenha ou não sido submetida a procedimento especial para comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos utilizados nessas operações de comércio exterior. Embora a escrituração contábil da SPIN não permita identificar a operação a que os recursos repassados A COLUMBIA se destinem (fls. 1.809/38), a mesma revela que a SPIN foi efetivamente supridora dos recursos empregados nas operações de importação registradas diretamente pela COLUMBIA dos fornecedores estrangeiros MI INTERNATIONAL e IWEB GROCERS. Uma vez que os recursos empregados nas importações aqui tratadas foram supridos pela SPIN, conforme detalhado a seguir, e em face dessa empresa foi realizado procedimento especial de fiscalização. Em que pese a aparente contradição entre as duas afirmações da fiscalização, o que se pode extrair é que apesar da SPIN não conseguir demonstrar a origem dos recursos ela de alguma forma tinha acesso a esses recursos financeiros e os repassava para a COLUMBIA como pagamento das importações diretas. Segundo planilhas apresentadas pela SPIN, para identificar pagamentos de mercadorias importadas pela COLUMBIA Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.665 23 designada pela SPIN de "Contratos de Câmbio —Importações por Conta e Ordem — jan/2004 a jun/2006" (fls. 1.726/37), e, para identificar a motivação de TED feitas A COLUMBIA (fls. 1.738/1.740), em atendimento aos itens "H" e "J" do Termo de Intimação n° 02 (fls. 1.686/88), a SPIN repassou recursos à COLUMBIA a titulo de adiantamento para fechamento de contrato de câmbio de importações registradas diretamente pela COLUMBIA TRADING, objeto de autuação pela ocultação do sujeito passivo (fls. 1.152/1.153). No termo de intimação fiscal nº 02, fls. 17043 e sgs, a fiscalização solicita informações sobre as transferências eletrônicas de numerário TED efetuadas para a COLUMBIA, conforme consta nos extratos bancários, exemplicativamente: Em resposta a empresa SPIN apresenta uma relação vinculando os contratos de câmbio às DI´s, exemplificativamente: E outra tabela justificando os pagamentos efetuados, alguns valores se referem a adiantamento para fechamento de contrato de câmbio e outros para pagamento de duplicatas: Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.666 24 A fiscalização afirma, a partir das declarações e documentos apresentados pela SPIN, que as importações foram efetuadas com recursos da SPIN, apesar de serem declaradas como importações diretas pela COLUMBIA. Essa afirmação derruba a suposição de ter havido importações sob encomenda. É farto o relatório da fiscalização em apontar inconsistências entre a documentação apresentada pelas empresas responsabilizadas, e também a inconsistência entre a documentação apresentada por ocasião do despacho aduaneiro e depois documentação complementar apresentada quando da intimação durante a fiscalização. Interessante notar que a SPIN quando intimada a apresentar documentos de importações por conta e ordem, entrega documentos e relaciona importações que foram declaradas importações próprias pela COLUMBIA. Outro fato que chama a atenção é que nos conhecimentos de transporte o embarcador informa que a SPIN deverá ser notificada dessa carga (fls 430/619), (vide quadro 2.1 fl. 139). Mais adiante noticia o relatório fiscal que algumas faturas apresentadas informam que o comprador das mercadorias seria a SPIN: 2.2. Faturas instrutivas de DI apresentadas a esta Fiscalização indicando o comprador / buyer SPIN COMERCIAL LTDA. Das invoices n° 31002, 74785,11160, 11165, 11437 e 11431, instrutivas das DI no 03/02722054, 03/02943611, 03/0360799 2, 03/04751159 e 03/07082320 registradas diretamente pela COLUMBIA TRADING constam que o comprador das mercadorias teria sido a SPIN COMERCIAL LTDA (fls. 441, 443, 449/450, 453, 467/468). Em sua defesa a recorrente COLUMBIA argumenta que restou claro na análise da documentação anexada ao processo (faturas, DI´s, documentos relacionados a contratação de câmbio, seguro e transporte), que ela promoveu a importação em nome e com recursos próprios, sendo a real adquirente das mercadorias. E também da análise das DI´s nota se que ela promoveu com recursos próprios o pagamento dos tributos. Que por sua inegável Fl. 2666DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.667 25 capacidade financeira é comum os fornecedores estrangeiros concederem prazo de pagamento, não havendo vedação para receber a vista de seus clientes e pagar a prazo para os fornecedores. As formulações da recorrente não estão acompanhadas de provas quanto ao dispêndio dos recursos para arcar com os pagamentos. Não foram apresentados documentos contábeis e extratos bancários que comprovassem o alegado. O que se tem são os documentos da importação e que conforme já esclarecido nos contratos apresentados poderiam ser emitidos no nome da SPIN ou da COLUMBIA. Concluo que pelos requisitos e características para as importações por conta e ordem e as sob encomenda, a vinculação entre fornecedor MI International e a SPIN, bem como o contrato firmado entre COLUMBIA e SPIN, constatase ter havido uma relação de prestação de serviços, o que afasta a hipótese de importação sob encomenda nos termos da IN SRF n° 634, de 2006. Estamos, portanto diante de importação por conta e ordem de terceiros que não foi registrada como tal perante RFB. Mesmo raciocínio pode ser aplicado para as importações efetuadas dos outros fornecedores estrangeiros, MAGTEC e IWEB Grocers, apesar de não ter sido apresentado contrato de distribuição exclusiva, existe vinculação entre as partes, o que foi esclarecido pela fiscalização e também no acórdão DRJ, que estava acompanhado de diagrama explicando a relação entre as partes: Diretamente com a MAGTEC CORPORATION, nos termos dos incisos VIII do art. 23 da Lei n° 9.430/96, in verbis, em decorrência do já citado parentesco entre o presidente dessa, Sr. ANTONIO JOSÉ COSTA LIMA GIOIA, e o sócio majoritário formal da SPIN, Sr. LUIZ ALBERTO DA FONSECA FILHO (fls. 1088/1100). Indiretamente com a IWEB GROCERS, pois o Sr. WISSAN AMOUDI, presidente/diretor da IWEB GROCERS é também presidente da MI INTERNATIONAL, com a qual a SPIN mantém vinculação direta. Além disso, essas duas empresas informaram o mesmo endereço quando da apresentação da Declaração anual em 2006 ao Departamento Corporações de Estado da Flórida EUA (fls. 1088/1092) e têm funcionários comuns, pois faturas emitidas em nome dessas empresas são assinadas pelos mesmos funcionários, GINA PEREZ e BRIAN POESCHEL (fls. 430/1019). Resta convencido esse julgador, a partir de todo o arcabouço das provas e argumentações apresentadas que estamos diante de importações por conta e ordem de terceiros que foram indevidamente declaradas como importações próprias pela COLUMBIA. Em tempo, resta acrescer uma análise quanto à manifestação da COLUMBIA que não ficou demonstrada a vinculação dos contratos de câmbio pagos pela SPIN com as DI´s. A COLUMBIA expõe que a SPIN somente apresenta 3 (três) contratos de câmbio vinculados. Analisando detidamente os autos pude comprovar que: Fl. 2667DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.668 26 em resposta à diligência para apresentar informações relativas aos contratos de câmbio (item H da diligência) a fiscalização exemplifica com 3 contratos: ao comparar, item a item, as tabelas constantes das fls. 1164 e sgs. (relação DI registradas diretamente pela Columbia Trading SA com ocultação do efetivo adquirente das mercadorias – Spin Comercial Ltda, realizada pela fiscalização) e fls. 1747 e sgs. (Item H letra b documentação comprobatória do pagamento importação conta e ordem, apresentada pela SPIN), pude constatar que 3 (três) DIs não estão vinculadas a contrato de câmbio na lista (03/02336243, 03/02722054, e 04/09361504), sendo que as duas primeiras estão fora do período de apuração enviado pela empresa (jan/04 a jun/06) restando portanto uma DI não vinculada. Fl. 2668DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.669 27 Fl. 2669DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.670 28 Fl. 2670DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.671 29 Fl. 2671DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.672 30 Creio que a partir do universo apurado e das informações enviadas pela SPIN, relacionando DI a contrato de câmbio, que ela pagou por todas as importações ditas diretas pela COLUMBIA, comprovando quem de fato foi o real adquirente das mercadorias. Uma DI que não foi relacionada não serve para macular um universo de 40 DIs comprovadas (extraindo das 43 DI´s imputadas as 2 DI´s não relacionadas, e 1 DI não encontrada na lista). Além disso, devese reprisar que: a fiscalização foi efetuada na empresa SPIN; a falta de recursos e não comprovação de origem de recursos foi constatada para a empresa SPIN; Fl. 2672DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.673 31 conforme reiterou a fiscalização em resposta à diligência: No presente caso é irrelevante que a empresa COLUMBIA tenha ou não sido submetida a procedimento especial para comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos utilizados nessas operações de comércio exterior. Embora a escrituração contábil da SPIN não permita identificar a operação a que os recursos repassados A COLUMBIA se destinem (fls. 1.809/38), a mesma revela que a SPIN foi efetivamente supridora dos recursos empregados nas operações de importação registradas diretamente pela COLUMBIA dos fornecedores estrangeiros MI INTERNATIONAL e IWEB GROCERS. Uma vez que os recursos empregados nas importações aqui tratadas foram supridos pela SPIN, conforme detalhado a seguir, e em face dessa empresa foi realizado procedimento especial de fiscalização. e a fiscalização também reitera que os fatos que foram a base para a autuação foram os seguintes, não estando a não comprovação sobre a origem dos recursos da Columbia enumerados entre eles: O que temos de concreto é que a SPIN relaciona os contratos de câmbio com que arcou com os custos das importações e a COLUMBIA apenas afirma que ela é uma empresa com grande capacidade financeira, mas não demonstra que pagou pelas importações, seja com a apresentação de documentos comprobatórios. Restou então a afirmação de uma empresa amparada por documentação contra a afirmação de outra empresa amparada em argumentações. Isso nos leva a tipificação da conduta aplicada de ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, conforme art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76, vigente à época dos fatos, que prevê a aplicação da pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, no caso de ocultação do real comprador: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.674 32 ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1oO dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Todos os argumentos trazidos pela Columbia já foram debatidos e apesar de a empresa insistir na tese de importação sob encomenda, cujo tipo legal não existiria à época das importações realizadas, ela não explica como poderia importar e depois revender mercadorias cujos contratos de exclusividade eram com a empresa Spin. Também não explica todos os documentos, faturas e conhecimentos, que constavam em nome da Spin. Comprovada a ocultação do real adquirente das mercadorias resta perseguir a aplicação do dispositivo legal como um todo. É o que se fará adiante. 4. Da desconsideração das operações por identificação de fraude ou simulação A recorrente SPIN não reconhece a vinculação com os fornecedores, e mesmo que houvesse tal vinculação não é suficiente para macular os preços praticados. Entretanto não faz nenhum comentário a respeito dos contratos de exclusividade por ela apresentados quando intimada, acompanhados de listas de preços. Se restringe a fazer a afirmação de que não é vinculada aos fornecedores e que mesmo que fosse isso não teria afetado os preços praticados. Sua alegação não vem acompanhada de nenhuma prova. Alega a recorrente SPIN que os pagamentos efetuados à COLUMBIA nada tem de irregular, pois adquiriu mercadorias da empresa. Novamente restringese a fazer afirmação sem estar acompanhada de provas. Sua defesa é apenas argumentativa. Defendese da imputação de apresentação de faturas comerciais com assinaturas diferentes do mesmo funcionário da fornecedora. Sua argumentação restringese a refutar somente duas das faturas, as outras faturas apresentadas pela fiscalização, que continham discrepâncias e erros, não foram refutadas. Para essas faturas, emitidas pela Iweb Groces Internacional, informa que a fiscalização solicitou esclarecimentos ao exportador que confirmou a emissão delas e que de fato o Sr. Brian Poeschel, que assinou as mesmas, era funcionário da empresa à época. Diferentemente do alegado pela recorrente a vinculação entre as empresas foi demonstrada pela fiscalização, com apresentação de contratos de exclusividade, acompanhados Fl. 2674DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.675 33 de tradução juramentada onde fica claro, que as empresas possuíam uma estreita ligação de negócios. Fato esse já demonstrado acima. Aplicandose o inciso VII, art. 23 da Lei nº 9430/96, que considera vinculada à pessoa jurídica domiciliada no Brasil a pessoa física residente no exterior que for parente de qualquer de seus diretores ou sócio. Art. 23. Para efeito dos arts. 18 a 22, será considerada vinculada. à, pessoa jurídica domiciliado no Brasil: VIII a pessoa física residente no exterior que for parente ou afim até o terceiro grau, cônjuge ou companheiro de qualquer de seus diretores ou de seu sócio ou acionista controlador em 'participação ' direta ou indireta; IX pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que goze de exclusividade, como seu agente, distribuidor ou concessionário, para a compra e venda, de bens, serviços ou direitos; No resultado da diligência, fls. 1622 e sgs., há a reprodução do item 6 do relatório fiscal em que são apresentadas evidências de interpostas pessoas no quadro societário da SPIN. Primeiro é levantada a incompatibilidade financeira do sócio formal da SPIN, Sr. Luiz Alberto Fonseca Filho, que não demonstrou ter recursos financeiros suficientes para fazer o aporte de capital na empresa, conforme confirmado em sua declaração para o Imposto de Renda. Depois é confirmado pelo próprio Sr. Luiz seu parentesco, sobrinho e tio, com o Sr. Antonio Gioia, que de alguma forma esta ligado às empresas Magtec Corporation, Iweb Grocers, MI international. Algumas vezes como diretor, outras como proprietário, conforme atestado pelo Departamento de Estado Americano e ainda em consulta ao sítio na internet do Departamento de Corporações do Estado da Flórida EUA. As empresas que aparecem nas faturas como fornecedoras das mercadorias, e que possuem contratos de exclusividade com a SPIN, também possuem endereços comuns nos Estados Unidos, além de funcionários comuns. Ficou provado no relatório fiscal que o Sr. Antônio Gioia é o real proprietário da empresa SPIN, com utilização de cartão de crédito corporativo da empresa por ele, inclusive para cobrir despesas pessoais. Também foram identificados na contabilidade da Spin pagamentos efetuados ao Sr. Antônio. A empresa Marcas Internacionais LTDA, que aparece em alguns documentos instrutivos do despacho, como destinatária das mercadorias importadas também faz parte do conglomerado envolvendo o Srs. Luiz Alberto e Sr. Antônio Gioia. Reproduzo a análise da situação das empresas que foi relatada pela DRJ no acórdão recorrido e que bem esclarece os fatos. O voto da DRJ esta inclusive acompanhado de diagrama que demonstra a ligação entre as empresas e pessoas físicas, fl. 2401: Do referido Relatório e do conjunto de material probante, em relação à empresa Spin Comercial Ltda, ficou demonstrado, com base nas informações contratuais, comerciais e financeiras, que em 02/2006 a sua composição societária era de 999.998 cotas do sócio Marcas Internacionais Participações Ltda, 1 cota do sócio Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.676 34 Luiz Alberto Façanha Fonseca Filho e 1 cota do sócio Marco Antonio Spindola de Melo, sendo que o valor de cada cota era R$ 1,00, o que soma um capital de R$ 1.000.000,00; em 02/2006 a composição societária da empresa Marcas Internacionais Participações Ltda era de 1.049.198 cotas do sócio Luiz Alberto Façanha Fonseca Filho e 10.799 cotas do sócio Marco Antonio Spindola de Melo, sendo que o valor de cada cota era R$ 1,00, o que perfaz um capital de R$ 1.059.997,00; a SPIN elevou o volume de suas importações de R$ 91.913,57 em 2002, para R$ 3.567.805,57 em 2003, para R$ 8.048.733,10 em 2004, para R$ 13.591.221,30 em 2005 e para R$ 7.943.713,87 até julho de 2006, considerando importações com ocultação do real comprador; a movimentação financeira conforme a CPMF e IRPJ saltou de R$ 1.979.915,77 em 2002 para um total de R$ 58.779.489,96 em 2005. Com base em auditoria realizada na referida empresa foi constatado um saldo credor ("estouro de caixa") na conta Caixa dos Livros Razão apresentados pela empresa; indícios de irregularidades nas vendas de mercadorias importadas no mercado interno, das exportações de mercadorias, das devoluções ao exterior de mercadorias importadas por terceiros, em razão de vendas não reconhecidas pelo comprador, divergências entre informações prestadas pela SPIN e pelo comprador, vendas sem margem de lucro, devoluções ao exterior de mercadorias importadas por terceiros com valor inferior ao de entrada; Somamse ainda robustas evidências de interposta pessoa no quadro societário da SPIN, ou seja, de Antonio José Costa Lima Gioia, em face da incompatibilidade constatada entre a situação econômicofinanceira do sócio Luiz Alberto Fonseca Filho com o volume transacionado por essa no comércio exterior, pelo parentesco entre Antonio Gioia e Luiz Alberto (tio e sobrinho) e pelo volume crescente de importações com o fornecedor estrangeiro MI International, onde Antonio Gioia era vice presidente. Em suma, as evidencias indicam que Antonio Gioia é o verdadeiro proprietário da SPIN. Não menos robustas e vigorosas são as evidências da ligação entre a SPIN e os fornecedores internacionais ao considerarmos que as empresas Magtec Corporation e Iweb Grocer concederam empréstimos à SPIN sem cobrança de juros; que o sócio minoritário da SPIN, Marcos Spindola, assina como diretor da MI International; que Antonio Gioia, além de sócio da MI, também é sócio da MAGTEC; que além de Antonio Gioia, a MI tem ainda como sócio Wissan Amondi que também é sócio e presidente da IWEB; que a MI e a IWEB possuem o mesmo endereço e têm gerentes em comum, no caso, Brian Poeschel e Gina Perez, os quais assinam faturas para a SPIN, que Antonio Gioia possui cartão de crédito em comum com a SPIN, cuja amortização é feita por esta. irregularidades na comprovação de pagamento a fornecedores de mercadorias importadas tendo em vista falhas e deficiências na escrituração; sendo que tais irregularidades colocam em relevo a não comprovação da Fl. 2676DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.677 35 origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior. No relatório fiscal, fls. 1113 e sgs, é apresentada uma planilha construída pela fiscalização com o detalhamento da negociação de cada DI. Na planilha, além dos dados da DI, para cada movimentação é vinculada a nota fiscal de entrada, as notas fiscais de saída e o preço médio calculado por item. Essa planilha deixa claro o intenso trabalho a que se submeteu a fiscalização para identificar cada uma das importações e as inconsistências em cada um dos documentos apresentados. Constato que não existe margem para questionar o trabalho da fiscalização nesse aspecto porque todas as transações comerciais foram identificadas o que possibilitou às recorrentes sua ampla defesa e o perfeito entendimento sobre a imputação que lhe foi atribuída, e em que medida foi autuada. Outro ponto que merece ser mencionado, e consta no item 7.1.1 do relatório fiscal é a apresentação pela empresa SPIN de documentos instrutivos do despacho, BL, Faturas, informes quanto a liquidação dos contratos de câmbio, em atendimento ao termo de intimação, sobre importações efetuadas pela COLUMBIA e relacionados pela SPIN como se fossem importações por conta e ordem. Conforme pode ser verificado nos autos, a partir das fls. 1113, muitas das faturas e BL´s estão consignados à SPIN apesar de serem relativos a importações efetuadas pela COLUMBIA. A fiscalização identifica faturas com assinaturas discordantes, sendo que existem documentos registrados por notários dos Estados Unidos que atestam a assinatura oficial desses emitentes. Ora era de se esperar que já que existe uma assinatura oficial que esta estivesse aposta em todos os documentos, entretanto o que se verifica é que os documentos são assinados de maneira diferente. A fiscalização não deixa de informar que o Sr. Brian Poeschel, que assina alguns desses documentos com assinaturas diferentes é o notário público, situação que põe em dúvida a autenticidade dos documentos, já que a mesma pessoa que assina atesta sua autenticidade, fl. 1617. Muito se poderia discorrer ainda sobre os elementos encontrados pela fiscalização, que foi ampla, entretanto por todo o apresentado nos autos encontrome convicta que houve sim simulação, e por vezes fraude, nas operações de importação de mercadorias, estando assim concluído o tipo legal aplicado: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Entendo que o tipo encontrase satisfeito quando identificado que houve a ocultação, que pode ser do sujeito passivo ou do real vendedor ou do comprador ou do responsável pela operação; e que essa ocultação seja efetuada mediante fraude ou simulação ou interposição fraudulenta. Fl. 2677DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.678 36 No caso identificamos a ocultação do real comprador mediante simulação e por vezes mediante fraude. O que é suficiente para se aplicar o tipo insculpido no art. 23 e concluir pelo dano ao erário. 5. Do arbitramento dos preços por subfaturamento As recorrentes apresentam esclarecimentos sobre não ter sido demonstrada a prática de subfaturamento que justificasse o arbitramento dos preços. Informam que em momento algum se comprovou que as transações ocorreram por valores diferentes daqueles declarados nas DIs e constantes dos documentos que as instruíram. Acrescentam que a autoridade lançadora adotou procedimento de valoração aduaneira em desrespeito às normas do GATT, adicionando que é possível a aplicação do art. 17 do GATT, nos casos em que há suspeita sobre a veracidade dos valores informados, mas no seu entender não há provas aptas a sustentar a acusação fiscal de que os valores não são verdadeiros. Empenhamse em afirmar que segundo o art. 146 do CTN o critério de valoração adotado no passado pelas autoridades fiscais não poderia ser posteriormente alterado, não se tratando esse argumento de se negar a possibilidade de revisão fiscal prevista no art. 570 do RA, que é possível. Todo o quadro delineado pela fiscalização e confirmado pelo acórdão DRJ é no sentido de ficar demonstrado que as operações foram instruídas com falsidade documental, ocultação do real adquirente, e fuga do enquadramento legal da empresa SPIN como equiparada a industrial, o que levou ao não pagamento de diversos tributos. A recorrente Columbia alega que as revendas eram realizadas por valores muito próximos ao custo da operação já que a vantagem econômica advinha do regime Fundap, e quanto maior o valor da operação de saída para seus clientes maior seria o benefício financeiro obtido. O subfaturamento foi constatado nos demonstrativos apresentados pela fiscalização, em que salta aos olhos a evidência de que as mercadorias eram repassadas da COLUMBIA para a SPIN pelo preço muito próximo ao de aquisição no mercado externo, sendo que a diferença irrisória no preço não era suficiente para justificar o pagamento das despesas aduaneiras e tributos. Não sendo possível que a COLUMBIA, como alegado, importar por conta própria, para posteriormente revender no mercado interno para a SPIN com prejuízo, e no caso de importação por conta e ordem de terceiros, conforme foi demonstrado, a empresa não apresenta documentos que comprovem o pagamento dos serviços prestados. Quanto a alegação de vantagem econômica com o regime Fundap, essa vantagem não foi demonstrada de maneira a justificar os preços praticados na importação e repasse ao adquirente. A recorrente afirma que deveria ser aplicado o AVA/GATT para a valoração dessas mercadorias, entretanto incorre em erro com tal afirmação. Estando diante de subfaturamento deve ser aplicado o art. 88 da MP nº 215835/2001, que é a legislação nacional específica aplicada para os casos de subfaturamento. Tal legislação inclusive esta de acordo com o previsto no AVA/GATT e IN SRF 318/2003 que prevê a aplicação, e todas são no sentido de aplicação da legislação nacional no caso de fraude no valor aduaneiro declarado: Fl. 2678DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.679 37 Art. 1º Na apuração do valor aduaneiro serão observadas as Decisões 3.1, 4.1 e 6.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Comércio (OMC); o parágrafo 8.3 das Questões e Interesses Relacionados à Implementação do Artigo VII do GATT de 1994, emanado da IV Conferência Ministerial da OMC; e as Notas Explicativas, Comentários, Opiniões Consultivas, Estudos e Estudos de Caso, emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA), constantes do Anexo a esta Instrução Normativa. A polêmica quanto ao cálculo efetuado em algumas DIs foi esclarecido na informação fiscal que resultou da diligência, fls. 1598 a 1599, a qual informou nas DI's 03/07168683, 03/10392726, 03/10392947, 03/10393110, 03/10393129, 03/10393633, 03/10393641, 03/10394435, 03/10396489 e 03/10396616, a partir da manifestação da Alfândega do Porto de Vitória (fls. 2000 e 2052), que o exame foi apenas sobre a DI 03/07168683, e quanto às demais DI's foi declarado no campo "Dados Complementares" que o acréscimos na base de cálculo dos impostos estava "em conformidade com o parâmetro de valor aduaneiro apurado pela Alf. Porto de Vitória na DI 03/07168683”. Essa DI foi retificada pelo importador, que recolheu a diferença de tributos. A partir dessa retificação o importador passou a informar essa diferença nas outras DI´s. Porém a fiscalização desconsiderou esses valores informados para efetuar o cálculo dos tributos devidos, não tendo ocorrido a dupla tributação como alegado. A DRJ analisou o assunto que reproduzo por entender bem esclarecelo: A principio, digo, parece ter havido uma repetição de tributação (bis in idem) a medida que o lançamento se refere a despachos de importação, que, de fato, já foram objeto de retificação quanto ao seu valor. Ocorre que, como bem frisou a autuante, "...tendo sido evidenciada no procedimento fiscal em face da SPIN já mencionando a fraude nessa operação, efetuamos o arbitramento do valor declarado retificado das mercadorias importadas ao amparo dessa DI, lançamos a multa de 100% da diferença entre o valor arbitrado e o valor aduaneiro retificado, em razão da inexatidão do valor declarado retificado, e a diferença, e a diferença do II e IPI incidentes sobre essa diferença", ou seja, tratamse de parcelas tributadas distintas, onde Aquela objeto do primeiro procedimento se refere à diferença entre o valor original e o retificado, e do presente, A. diferença entre o valor retificado e o arbitrado. Em termos, o artigo 54 do Decretolei n° 37/66, ao se referir à conclusão do despacho aduaneiro, assim se pronuncia: Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do beneficio fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. (Redação dada pelo DecretoLei n° 2.472, de 01/09/1988) Fl. 2679DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.680 38 Ou seja, desde que dentro do prazo decadencial, é perfeitamente possível a realização de revisão aduaneira e lançamento de oficio, conforme o artigo 149 do Código Tributário Nacional, sendo que, não há que se falar em bis in idem no caso, posto que no lançamento em apreço, baseado no valor arbitrado, foi deduzido o valor objeto de retificação anterior (DI 03/0716868 3), bem como os valores totais declarados, incluindo a parcela do "acréscimo de valor", no caso das demais DI's. Dessa forma, opino por manter na base de cálculo as DI em tela, por não vislumbrar qualquer mácula no que concerne a suposto bis in idem. 5. Impossibilidade da aplicação da pena de perdimento Afirma a recorrente SPIN que não foi seguido o comando normativo, já que não foi buscada pela fiscalização a prova de que a mercadoria foi entregue a consumo. Deveria ter a fiscalização antes de aplicado a pena de conversão em multa, buscado formas de localizar a mercadoria para aplicação da pena de perdimento, já que se trata de pena alternativa. Quanto a alegação da não tentativa de localização das mercadorias entendo que a alegação não merece prosperar já que a empresa forneceu à fiscalização as notas fiscais de venda das mercadorias, que são objeto de análise pela fiscalização conforme consta no termo de constatação. A recorrente Columbia acrescenta que a revisão aduaneira tem por finalidade apurar a regularidade no pagamento de tributos e demais gravames e não aplicar pena de perdimento em mercadoria já desembaraçada. O artigo 54 do Decretolei n° 37/66, ao se referir à possibilidade de revisão aduaneira, assim se pronuncia: Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do beneficio fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. (Redação dada pelo DecretoLei n° 2.472, de 01/09/1988) Ou seja, desde que dentro do prazo decadencial, é perfeitamente possível a realização de revisão aduaneira e lançamento de oficio, conforme o artigo 149 do Código Tributário Nacional. Quanto a alegação da recorrente Columbia sobre ser aplicada a multa do art. 33 da Lei 11.488/07, de 10% do valor aduaneiro, que revogou tacitamente a multa de 100% aplicada ao caso. Art. 33. pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação Fl. 2680DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.681 39 acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). A tese de que a multa de 10% de cessão do nome teria revogado a multa de 100% já foi amplamente debatida nesse colegiado, e tem prevalecido a posição de que não ocorreu a revogação já que se tratam de situações diferentes. Inclusive sendo possível a aplicação da multa de cessão do nome em outro processo já que diz respeito apenas aquele que cede o nome nas operações de comércio exterior. No caso estamos diante, conforme já identificado, de ocultação do real adquirente da mercadoria, por isso correta a aplicação da conversão em multa da pena de perdimento. 6. Da multa aplicada Combate a aplicação da multa de 150% já que o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 foi alterado pela MP nº 351, de 22/01/07, que não prevê a multa. A DRJ analisou a questão e manteve a multa qualificada, no que eu acompanho: De fato a autuação se deu em 13/03/2007 com a ciência do sujeito passivo, enquanto que a Medida Provisória n° 251 de 22/01/2007, convertida em 15/06/2007 na Lei n° 11.488, previa em seu artigo 14 a alteração do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, conforme se transcreve: Art. 14. o art: 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, 11 e "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa fisica; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § lo O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.682 40 Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ... § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § lo deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei." (NR) Ocorre que, por força do artigo 105 do Código Tributário Nacional, a legislação tributária aplicase aos fatos geradores futuros e aos pendentes, como os fatos geradores objeto da lide ocorreram em datas anteriores ao evento da MP 251 de 22/01/2007, inaplicável será o referido escopo legal. A MP 251/07 somente seria aplicável aos fatos geradores pretéritos nas hipóteses listadas no artigo 106 do CTN, dentre os quais (alínea "c", inciso II) quando a lei lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (retroatividade benigna), o que não foi o caso, posto que a nova norma manteve o mesmo percentual de 150%, tal como se vê na redação alterada do parágrafo 1º do artigo 44, ora transcrita. Portanto, insubsistente a razão apresentada, devendo ser mantida a exigência da penalidade no percentual de 150%. Por todo o exposto voto por conhecer os recursos interpostos e negarlhes provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 2682DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.683 41 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Designado, Registro aqui minhas razões de divergência em relação ao voto da relatora, que acabaram por prevalecer no seio do colegiado, e se limitam à questão referente ao arbitramento de preços (e suas consequências no montante lançado). Apesar de concordar que a fiscalização reúne elementos aptos a afastar o preço praticado nas operações (e, consequentemente, o valor de transação primeiro método delineado no AVAGATT), seja pelas diversas anomalias detectadas em faturas comerciais, ou pelo contexto da vinculação oculta entre partes da operação, bem demonstrada, tenho que a fiscalização encontra dificuldades em, a partir desse cenário, determinar o efetivo valor das mercadorias, seja pelo próprio AVAGATT ou pelo arbitramento previsto no art. 88 da MP n. 2.15835/2001. No Relatório Fiscal, após evidenciar os elementos referidos no voto da relatora, que apontam para a existência de subfaturamento, a fiscalização conclui (fls. 154/155): “Diante da impossibilidade de apuração dos preços efetivamente praticados, nos termos do que determina o caput do art. 84 do Regulamento Aduaneiro, instituído com redação dada pelo Decreto n° 4.543/2002, in verbis, no caso concreto, o preço da mercadoria teria que ser arbitrado com base no inciso I do referido artigo, ou seja, com base em preço de mercadoria idêntica ou similar, exportada para o país, acrescido do custo de transporte da mercadoria importada até o porto de descarga, conforme o inciso I do art. 77 do Regulamento Aduaneiro/2002. Art. 84. Em caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do prego efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos ou contribuições e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do prego da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüência (Medida Provisória No. 2.18535/2001, art. 88): I. preço de exportação para o Pais, de mercadoria idêntica ou similar. Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafo 2, aprovado pelo Decreto Legislativo n. 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto n. 1.355, de 30 de dezembro de 1994): I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.684 42 de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos a carga, a descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II. Embora efetuando o arbitramento do valor aduaneiro das importações, utilizaremos os conceitos do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT). O Decreto Legislativo 30/94 aprovou e o Decreto 1.355/94 promulgou a Ata Final que incorpora a Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, que no item 2 do artigo 15, traz os seguintes conceitos: 2. a Neste Acordo, entendese por "mercadorias idênticas" as mercadorias que são iguais em tudo, inclusive nas características físicas, qualidade e reputação comercial. Pequenas diferenças na aparência não impedirão que sejam consideradas idênticas mercadorias que em tudo o mais se enquadram na definição; b neste Acordo, entendese por "mercadorias similares" as que, embora não se assemelhem em todos os aspectos, têm características e composição material semelhantes, o que lhes permite cumprir as mesmas funções e serem permutáveis comercialmente. Entre os fatores a serem considerados para determinar se as mercadorias são similares incluemse a sua qualidade, reputação comercial e a existência de uma marca comercial; A apuração do arbitramento do Valor Aduaneiro das mercadorias objeto de autuação por ocultação do sujeito passivo nas operações de importação ou por declaração inexata do preço declarado das mercadorias em operações de importação são apresentados nos Demonstrativos de Arbitramento de Preços de Produtos Importados (fls. 1117/1122 e 1125/1132)e nos Demonstrativos de Valor Aduaneiro de Produtos Importados (fls. 1123/1124 e 1133/1135).” (sic) (grifo nosso) Ou seja, a fiscalização aponta que se baseou em preços de mercadorias idênticas ou similares. Nesse caso, incumbiria à fiscalização o ônus de demonstrar que as mercadorias eram efetivamente idênticas ou similares, ou invocar a presunção de identidade estabelecida pelo art. 68 da Lei n. 10.833/2003: Art. 68. As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Fl. 2684DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.685 43 Parágrafo único. Para efeito do disposto no caput, a identificação das mercadorias poderá ser realizada no curso do despacho aduaneiro ou em outro momento, com base em informações coligidas em documentos, obtidos inclusive junto a clientes ou a fornecedores, ou no processo produtivo em que tenham sido ou venham a ser utilizadas. Se invocada a presunção, possibilitarseia às recorrentes o exercício do direito de fazer a “prova em contrário” a que se refere o caput. Mas, para isso, deveria a fiscalização demonstrar que as mercadorias foram descritas de forma semelhante. No entanto, não vejo tal demonstração nestes autos, onde sequer consta a íntegra das descrições das mercadorias na totalidade das DI autuadas (há apenas cópias de documentos instrutivos faturas e conhecimentos de carga, limitandose o extrato das declarações às 10 DI para as quais a diligência verificou não haver procedimento anterior oficial de valoração aduaneira, mas simples exigência no curso do despacho, em uma DI, e sua influência sobre outras nove). Compulsando as folhas onde a fiscalização afirma estarem os “demonstrativos de arbitramento”, não encontro efetivamente demonstrativos, mas planilhas que arbitram valores sem qualquer justificativa plausível, ou prova de identidade/semelhança. Ademais, ainda que superada essa deficiência, entendendose que a descrição da mercadoria importada presente nas planilhas poderia ser cotejada entre DI autuada e DI paradigma de mercadoria idêntica ou semelhante, não existe nenhuma prova de que seja correto o preço da DI paradigma adotada, que sequer foi submetida a valoração aduaneira (mesmo as 10 DI que foram retificadas antes do desembaraço). Parece a fiscalização eleger duas DI sobre a mesma mercadoria, nenhuma delas verificada, e simplesmente adotar o maior preço. Esse é exatamente o sentimento que tenho ao ler o seguinte excerto do Relatório Fiscal, que trata das 10 DI que haviam sido retificadas antes do desembaraço (fl. 146): Fl. 2685DF CARF MF Processo nº 11131.000163/200706 Acórdão n.º 3401005.999 S3C4T1 Fl. 2.686 44 Em síntese, entendo que a fiscalização desempenhou suficientemente o papel de convencer este julgador da ocorrência de subfaturamento, mas não andou bem ao arbitrar preços sem demonstração de que tenha adotado um critério razoável, e não, somente, o maior entre dois preços sequer verificados. Pelo exposto, voto por afastar o arbitramento, e os valores dele decorrentes (diferenças de tributos e multas sobre tal diferença), mantendo a autuação apenas no que se refere à ocultação (multa substitutiva do perdimento), e com o valor aduaneiro declarado pelo importador. Rosaldo Trevisan (assinado digitalmente) Fl. 2686DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900722/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Pedido de Restituição de crédito de contribuição não cumulativa, relativamente a alegado pagamento, transmitido através do PER/Dcomp. O referido pleito foi indeferido por despacho decisório eletrônico, sob o seguinte fundamento: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório no fato de que as receitas auferidas pela contribuinte seriam referentes a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 72 2/ 20 12 -0 1 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.900722/201201 Resolução nº 3402001.957 S3C4T2 Fl. 3 2 serviços prestados para empresa residente no exterior, e, portanto, estariam fora do campo de incidência do PIS e da Cofins, nos termos do inciso I, §1º do art. 149 da Constituição Federal ou do inciso II do art. 6º da lei nº 10.833/2003. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: A nota fiscal juntada não comprova uma transação internacional, já que nas operações comerciais com partes domiciliadas no exterior, o documento comprobatório é a fatura/invoice. Nos contratos de câmbio apresentados, não há qualquer referência a fatura ou nota fiscal. A interessada não retificou a DCTF, e mesmo que o tivesse feito, a mera retificação não poderia ser aceita como prova. A fim de comprovar a efetiva prestação de serviços para o exterior, ela deveria ter apresentado: fatura de prestação de serviços no exterior (commercial invoice), contrato de prestação de serviços firmado entre ele e a empresa, livros fiscais e contábeis que discriminassem as receitas auferidas pelo contribuinte e os pagamentos recebidos. Cientificada dessa decisão, a interessada apresentou recurso voluntário, repisando que o pagamento foi indevido eis que se trataria de efetiva exportação de serviços, sujeita à imunidade/não incidência das contribuições ao PIS e da Cofins. A fim de esclarecer qualquer dúvida acerca da contratação envolvida, a recorrente acostou o contrato de prestação de serviço, bem como todos os extratos bancários dos períodos objeto dos pedidos de restituição. Subsidiariamente, requereu a recorrente a conversão do julgamento em diligência para que fossem apresentados os documentos julgados necessários à comprovação da prestação do serviço e pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.939, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900705/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.939): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Não obstante a recorrente não tenha retificado a DCTF relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido, este CARF tem entendido que: "Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.900722/201201 Resolução nº 3402001.957 S3C4T2 Fl. 4 3 por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado" (Acórdão nº 3301005.595, de 13 de dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior). Nos termos do art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/761, a recorrente apresentou o contrato de prestação de serviço com a empresa estrangeira reclamado na decisão recorrida e comprovantes dos pagamentos correspondentes. Esses documentos, juntamente com outros que constam nos autos, podem representar um indício de que as receitas tributadas seriam decorrentes de "serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas"; e, consequentemente, estariam beneficiadas pela isenção das contribuições de PIS/Cofins, nos termos do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835 ou do art. 6º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 e do art. 5º, inciso II da Lei nº 10.637/2002. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do CARF tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da documentação acostada. Ademais, a fiscalização pode, caso entenda necessário, proceder ao exame de livros de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes de lançamentos neles efetuados, bem como efetuar intimações à recorrente para apresentação de esclarecimentos e documentos, no intuito de apurar se efetivamente houve erro na DCTF transmitida para o período e o alegado pagamento indevido decorrente da isenção das receitas tributadas. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.900722/201201 Resolução nº 3402001.957 S3C4T2 Fl. 5 4 comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911411/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1402-003.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.911414/2009-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.911414/2009-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
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ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.911414/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 14 11 /2 00 9- 49 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10580.911411/200949 Acórdão n.º 1402003.772 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório SOLL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de não confirmado na medida em que o recolhimento correspondente teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do despacho decisório antes do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da entrega da Declaração de Compensação DCOMP, a contribuinte alegou que teria prestado informação equivocada em DCTF, fato evidenciado depois que foi apresentada a Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) pertinente àquele ano. Assim, não assistiria razão para a não homologação da compensação, mesmo existindo erro na DCTF, em razão da Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) que fora feita e inteiramente acatada pela Receita Federal. Entendeu que a Receita Federal poderia promover tal correção, na medida em que emite notificações para cobrança quando constatadas divergências, e assim deveria observar o mesmo critério na compensação. Acrescentou que a DCTF foi retificada e pleiteou prazo complementar para trazer aos autos maiores informações e documentos. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos observando que a DCTF é confissão de dívida, e assim sua retificação somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se fundo, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo. Neste contexto, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado no pedido de restituição é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, mormente tendo em conta o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. Assim, como o erro não foi provado documentalmente por ocasião da manifestação de inconformidade, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Afirmou, ainda, o cabimento de encargos moratórios sobre débitos não pagos no vencimento, e observou que o prazo solicitado para anexação de novos documentos já havia se esgotado, sem que nada fosse apresentado. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10580.911411/200949 Acórdão n.º 1402003.772 S1C4T2 Fl. 4 3 acrescenta que, para sanear o processo, a Recorrente, além da DIPJ apresentada, traz outros documentos que sustentam o pleito, a saber: Demonstrativo do Lucro Real e Demonstração do Resultado transcrito no Livro Diário, correspondente ao trimestre in casu, bem como, os Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário contemporaneamente registrado na Junta Comercial. Observa que as normas que tratam da matéria não elencam documento obrigatório que seja prova suficiente da existência de direito de crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido, e reportandose ao art. 18 do Decreto nº 70.235/72, defende que o Julgador ao considerar a DIPJ como prova insuficiente para sua convicção, deveria, então, requerer em diligências a produção de provas ou mera confirmação dos créditos. Pede, assim, frente às provas apresentadas, que seja reconhecido o direito creditório e determinados os procedimentos necessários para a homologação dos débitos fiscais apresentados na PER/DCOMP in casu. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.767, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10580.911414/2009 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.767): O recurso voluntário é dotado dos pressupostos de admissibilidade e assim deve ser conhecido. O exame da DCOMP sob análise evidencia que o indébito utilizado em compensação, apesar de integrar pagamento totalmente vinculado a débito declarado em DCTF à época da edição do despacho decisório, é inferior à diferença entre o recolhimento indicado e o débito correspondente informado em DIPJ apresentada antes da edição do despacho decisório e contemporaneamente à transmissão da DCOMP. Confirmase, assim, a alegação da recorrente de que o indébito foi constatado por ocasião da apresentação da DIPJ, devendo apenas se ressalvar que tal se deu por ocasião da retificação da DIPJ original, mas ainda assim apresentada quase dois anos antes da análise pela autoridade fiscal que resultou no despacho decisório de não homologação sob debate. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10580.911411/200949 Acórdão n.º 1402003.772 S1C4T2 Fl. 5 4 A autoridade julgadora de 1ª instância expressou o entendimento de que, nos termos dos arts. 26 e 27 do Decreto nº 7.574/20111, faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, e que, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Observou que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, e que, na forma do art. 147, §1º do Código Tributário Nacional, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante depende da comprovação do erro em que se funde, e deve ser promovida antes da notificação do ato fiscal. Sob esta ótica, entendeu imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Em recurso voluntário, a contribuinte apresenta cópia do Livro Diário no qual está reproduzida a demonstração de resultado do período, bem como os ajustes correspondentes no LALUR, dos quais resulta o lucro real que, informado na DIPJ retificadora, origina os tributos devidos em valor inferior aos recolhidos e informados em DCTF. Contudo, desnecessária se mostra a confirmação da regularidade da escrituração fiscal e contábil assim apresentada, dado que esta Conselheira já apreciou litígio semelhante, assim decidindo nos termos do voto condutor do Acórdão nº 110100.536: Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10580.911411/200949 Acórdão n.º 1402003.772 S1C4T2 Fl. 6 5 nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.911411/200949 Acórdão n.º 1402003.772 S1C4T2 Fl. 7 6 declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.911411/200949 Acórdão n.º 1402003.772 S1C4T2 Fl. 8 7 § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.911411/200949 Acórdão n.º 1402003.772 S1C4T2 Fl. 9 8 § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.911411/200949 Acórdão n.º 1402003.772 S1C4T2 Fl. 10 9 Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.911411/200949 Acórdão n.º 1402003.772 S1C4T2 Fl. 11 10 período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. É certo que o entendimento assim exposto foi reformado pela 1ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9101002.766, que deu provimento a recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, consolidando seu entendimento na seguinte ementa: DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Todavia, o fato é que, embora não retificada a DCTF antes do procedimento de análise da compensação, a DIPJ retificada contemporaneamente à apresentação da DCOMP evidenciava débito inferior ao recolhido, em medida suficiente para justificar o indébito utilizado em compensação, conduta esta que o Fisco não poderia alegar desconhecimento, e que assim se presta a exigir verificação antes de se negar a existência do indébito correspondente a tributo sujeito a demonstração em DIPJ. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.911411/200949 Acórdão n.º 1402003.772 S1C4T2 Fl. 12 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 15469.000539/2008-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. Inteligência da Súmula nº 68 deste Colendo CARF.
Numero da decisão: 2002-001.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. Inteligência da Súmula nº 68 deste Colendo CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 9. 00 05 39 /2 00 8- 02 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 15469.000539/200802 Acórdão n.º 2002001.048 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 58) contra decisão de primeira instância (fls. 48/52), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Tratase de crédito tributário lançado em face do Contribuinte acima identificado em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) do Exercício de 2004, no valor de R$ 329,15, referente ao Imposto Suplementar, já acrescido de multa de ofício e juros de mora. No procedimento de revisão da DAA foi apurada a omissão de rendimentos recebidos do COMANDO DA MARINHA, CNPJ 00.394.502/043897, no valor de R$ 19.411,94. Cientificado do lançamento e não se conformando, o Interessado apresentou impugnação, alegando, em síntese, que entende ser improcedente o lançamento, conforme já se manifestou na Solicitação de Retificação de LançamentoSRL que foi indeferida (fl. 8). Acrescenta que a DAA retificadora visou a devolução do tributo já pago no exercício 2004. Na referida SRL verificase que o Interessado focou primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual enumeraria hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deveria rever o lançamento. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, apresentando os mesmos documentos anexados à impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Fl. 76DF CARF MF Processo nº 15469.000539/200802 Acórdão n.º 2002001.048 S2C0T2 Fl. 4 3 Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 22/07/2011 (fl. 57); Recurso Voluntário protocolado em 12/08/2011 (fl. 58), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Relata o Sr. AFRF que: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirt), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 19.411,94. Em julgamento, a r. decisão manteve o crédito tributário lançado, entendendo que: “havendo previsão legal para que seja efetuado o lançamento nos casos de falta de declaração ou de declaração inexata, este deve ser mantido (art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999 — RIR/1999 e art. 149, inc. II e IV, do CTN)”. Em sua irresignação o recorrente, alega que as notificações de lançamento estão incorretas, face não haver nenhuma omissão, tendo em vista que os valores recebidos da fonte pagadora foram integralmente lançados como rendimentos tributáveis. O recorrente alegou em sede de impugnação, que quando fez a Declaração Retificadora usou tão somente a devolução de tributo já pago no exercício respectivo. Ocorre que o entendimento do recorrente não está correto, senão vejamos: O adicional por tempo de serviço tem natureza salarial e não indenizatória, portanto não isenta do pagamento do tributo. Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Nesta quadra de entendimento a r. decisão oriunda deve ser mantida por seus próprios e doutos fundamentos. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903790/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO JUDICIAL E O ADMINISTRATIVO. NÃO OCORRÊNCIA.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, implica renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto, desde que ocorra identidade de objetos entre a demanda judicial e administrativa.
Numero da decisão: 2202-005.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, e determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão com análise do mérito, vencidos os conselheiros Ricardo Chiavegatto de Lima (relator) e Rorildo Barbosa Correia, que negaram conhecimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO JUDICIAL E O ADMINISTRATIVO. NÃO OCORRÊNCIA. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, implica renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto, desde que ocorra identidade de objetos entre a demanda judicial e administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, e determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão com análise do mérito, vencidos os conselheiros Ricardo Chiavegatto de Lima (relator) e Rorildo Barbosa Correia, que negaram conhecimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 37 90 /2 01 1- 03 Fl. 173DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 87/97), acompanhado de documentos comprobatórios (efls. 98/120) interposto contra o Acórdão no. 1266.453 da 9a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ – DRJ/RJ1 (efls. 79/81), que não conheceu de Manifestação de Inconformidade e declarou definitiva Decisão que não homologou o PER/DCOMP 26996.71235.161007.1.3.042948. 2. Adoto o Relatório do referido Acórdão da DRJ/RJ1, por bem esclarecer os fatos Relatório O presente processo trata do PER/DCOMP (PD)(...), transmitido em 16/10/2007, pelo qual a Interessada pretende aproveitar um suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 8468 (Daytrade Operações em bolsa), efetuado em 23/08/2007. O valor declarado do crédito original na data de transmissão era de R$ 4.552,30. 2. O Despacho Decisório (DD) da fl. 24 não homologou a compensação declarada porque o pagamento foi integralmente aproveitado para quitação de débitos próprios (...) (DARF à fl. 25, R$ 11.189,14, arrecadado em 23/08/2007) A Interessada tomou ciência da decisão em 18/07/2011 (fl. 23) e, em 17/08/2011 (termo, carimbos e anotação de fls. 48, 49 e 66, respectivamente), interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 49/55, alegando, em síntese, que: 3.1 Após recalcular o IRRF do 2° decêndio de agosto de 2007, verificou que o valor a ser recolhido era de R$ 6.636,84, logo houve um recolhimento em excesso de R$ 4.552,30 (=R$ 11.189,14 R$ 6.636,84). 3.2 O recálculo se deveu ao fato de que a Interessada, na qualidade de responsável tributária do IR sobre ganho de capital de clientes estrangeiros, reteve indevidamente valores da empresa HSBC Global Investement Funds, CVM 990000000022802, que é isenta da cobrança. 3.3 Planilhas anexadas (doc. 06) demonstram a origem do recolhimento indevido. 3.4 Identificado o equívoco, retificou a respectiva DCTF, para excluir o pagamento em questão; Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16327.903790/201103 Acórdão n.º 2202005.035 S2C2T2 Fl. 173 3 3.5 Mero erro material já sanado pela retificação da DCTF não pode culminar na negativa do direito creditório da Interessada; 4. É o relatório. 3. O Voto da 9a. Turma, no sentido não conhecimento da Impugnação, é transcrito a seguir: Voto 5. A Manifestação de Inconformidade é tempestiva, (...) 6. Para tentar aproveitar o mesmo direito creditório de que trata o presente processo, a Interessada apresentou também o PD 36166.10421.061107.1.3.047467 (consulta da fl. 73), que foi nãohomologado pelo DD da fl. 74. Esta última decisão não foi impugnada (histórico da fl. 73), mas no extrato do respectivo processo consta que o débito está suspenso pela medida judicial 0075711620124036100 (fl. 75). 7. Por meio de consulta ao site da Justiça Federal de São Paulo, apurouse que no referido processo judicial: Tratase de ação anulatória, proposta por HSBC CORRETORA DE TITULOS E VALORES MOBILIARIOS S/A em face da UNIÃO FEDERAL, visando a extinção de débito tributário por compensação, nos termos do art. 156, II, do CTN. 8. Uma das condições da ação é o interesse de agir, que, no caso da ação administrativa, consiste na utilidade que o postulante poderá obter caso seja dado provimento ao seu pedido. Daí porque não se admite a discussão na esfera administrativa de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário: se a decisão administrativa coincidir com a judicial, não terá qualquer utilidade; e, se for contrária, também será inútil, pois a sentença tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas (CPC, art. 468). 9. Assim, como a Interessada optou pela via judicial para discutir o suposto crédito de pagamento indevido ou a maior, devese nãoconhecer de sua Manifestação de Inconformidade, por falta de interesse processual e em observância ao disposto no ADN Cosit n° 3, de 14 de fevereiro de 1996. (...) 4. Cientificada da decisão a quo, a contribuinte apresenta através de seu procurador os seguintes argumentos recursais, transcritos em síntese: esclarece que o objeto da ação anulatória n.° 000757116.2012.4.03.6100 é distinto e limitado ao crédito informado na PER/DCOMP n.° 36166.10421.061107.1.3.04 7467: R$ 5.213,26, e que diz respeito ao PAF n.° 16327907816/201184 processo de cobrança n.° 16327908.117/201151. busca confirmar o fato acima através da apresentação do pedido formulado na petição inicial da ação anulatória referida, item 36, "a" e "d" (anexo I, efls. 111/112), não se podendo falar em identidade de objeto, capaz de afastar a pertinência no julgamento da presente controvérsia. Fl. 175DF CARF MF 4 sustenta que o despacho decisório proferido no PAF n.° 16327 907816/201184 expressamente reconhece a existência do crédito de R$ 4.552,30 deste processo em pauta, aspecto então incontroverso; acredita portanto ser nula a referida decisão, a fim de que a manifestação de inconformidade seja conhecida e apreciada pela DRJ; para o recursante tal fato tornase ainda mais evidente, justamente ao se observar o despacho decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP n.° 36166.10421.061107.1.3.047467 (efl. 74), onde verificaria que parte do crédito com origem no DARF de R$ 11.189,14 já teria sido aproveitada justamente neste PAF 16327.903790/201103; adentrando no mérito da discussão reforça os argumentos acerca de ter direito ao crédito, já apresentados na Manifestação de Inconformidade; salienta que o CARF tem se manifestado no sentido homologar as compensações cujo crédito esteja devidamente demonstrado em DCTF, transcrevendo ementas de Acórdãos;. sustenta novamente que seu equívoco quando do preenchimento da DCTF, é erro material que já foi sanado pela retificação da referida declaração e que meros erros materiais não podem culminar na negativa do direito creditório da Empresa; e aduz que a não homologação da compensação revela rigor formal extremado da administração, citando Ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes no sentido de prevalecer a verdade material; 5. Após apresentar seus argumentos, pede o provimento do recurso e a nulidade do acórdão recorrido, a fim de que a manifestação de inconformidade seja conhecida e apreciada pela Delegacia de Julgamento, ou por economia processual, seja acolhido o mérito e homologada a compensação para extinção do crédito tributário. 6. Apresentou junto ao seu Recurso cópia da petição inicial da ação anulatória n.° 000757116.2012.4.03.6100 (Anexo I efls 101/112), da PER/DCOMP n.° 36166.10421.061107.1.3.047467 (Anexo II, efls. 114/118) e do Despacho Decisório que não homologou a compensação (ANEXO III efls. 120). 7. Foi apresentado ainda Memorial da Recorrente, onde foi ressaltado pela mesma que a questão não envolveria concomitância entre as esferas Judicial e Administrativa, e pleiteando a nulidade do acórdão recorrido, a fim de que a manifestação de inconformidade seja conhecida e apreciada pela instância de origem; ou subsidiariamente e por economia processual, que se examine o mérito do litígio, com reconhecimento do direito creditório pleiteado e determinação da homologação da compensação. 8. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima 9. O Recurso Voluntário apresentase tempestivo. 10. A Recursante apresentou, apenas em fase recursal, cópias de documentos que vem esclarecer aspectos essenciais da lide em pauta. Dessa forma, deles tomo conhecimento, com fulcro no Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16327.903790/201103 Acórdão n.º 2202005.035 S2C2T2 Fl. 174 5 11. Eivado de razão está o Acórdão da DRJ/RJ1 ao sustentar que a contribuinte optou pela via judicial para discutir o suposto crédito de pagamento, uma vez que uma das questões essenciais da lide judicial 00757116.2012.4.03.6100 é justamente a existência do recolhimento do DARF de R$ 11.189,14, que a Recursante pretende utilizar como crédito para compensar os valores de tributos devidos tanto pela PER/DCOMP 36166.10421.061107.1.3.047467 (PAF n.° 16327907.816/201184, o qual gerou o processo administrativo de cobrança 16327.908117/201151, presente na ação judicial) quanto pela 26996.71235.161007.1.3.042948 (presente nestes autos, o qual gerou o processo administrativo de cobrança 16327.904260/201174). 12. Senão vejamos: verificase na petição inicial da ação anulatória n.° 000757116.2012.4.03.6100 (Anexo I, efls 101/112), a referência à existência do citado DARF já no item 1, e a peticionante utiliza a demonstração do Despacho Decisório relativo ao PER/DCOMP 36166.10421.061107.1.3.047467 no item 3, e onde foi citado o presente processo administrativo como o destino do restante do crédito pretendido. 13. Já no item 4, a contribuinte referencia à Justiça que a parte do valor relativa a estes autos já foi utilizada para compensação. Mas observese: estes autos encontram se ainda em esfera administrativa para solução de tal questão, não seria cabível, naquele momento, tal afirmação. Nos itens 5 a 12 da sua petição inicial à Justiça a ora recursante expõe os argumentos de mérito do seu pretenso direito ao crédito, justamente com as mesmas alegações presentes em sua impugnação e no seu recurso destes presentes autos. 14. Novamente, no item 14 da mesma petição, aduz ao judiciário que já utilizou parte do valor recolhido para compensação do valor de R$ 4.552,30, objeto dos presentes autos, e no item 15, alega que o que restou do mesmo DARF pago após a extinção do crédito relativo aos presentes autos deveria ser destinado à quitação do débito relativo à PER/DCOMP 36166.10421.061107.1.3.047467, processo administrativo 16327907816/2011 84, no montante de R$ 5.074,72, débito que findou suspenso pela Decisão Judicial no Processo Judicial 00757116.2012.4.03.6100. 15. E mais, no item 16 da mesma petição, afirma que a origem da cobrança é o fato de não ter sido considerada informação contida em DCTF retificadora, a qual envolve os débitos tributários de ambos os processos administrativos citados. 16. Ressaltando datas, a cobrança do débito do presente processo constava suspensa administrativamente desde a interposição da Manifestação de Inconformidade apresentada em agosto de 2011. Já o processo judicial que objetivou a suspensão do crédito tributário de R$ 5.074,72, correlato ao presente e relativo ao processo administrativo 16327 907816/201184, é de abril de 2012. Mas o Despacho Decisório relativo a tal crédito não fora impugnado. Assim, a cobrança do total do crédito tributário que seria pretendido compensar pelo mesmo DARF restou suspensa por dois caminhos: este processo pelo veio Administrativo e o outro pela medida Judicial. 17. Confirmado que o cerne desta lide foi levado à análise do Poder Judiciário, aplicase então a Súmula Carf no 1, Vinculante, conforme portaria MF no 277, de 07/06/2018: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o Fl. 177DF CARF MF 6 mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONCLUSÃO 18. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, Redator Designado 19. Congratulo o i. Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, pelas bem fundamentadas razões dispostas em seu voto. Entretanto, peço licença para divergir de seu posicionamento, quanto à sua conclusão de ter ocorrido concomitância entre o presente processo administrativo e o processo judicial n. 00757116.2012.4.03.6100. 20. O PER/DCOMP n. 26996.71235.161007.1.3.042948 (objeto do presente feito Processo Administrativo n. 16327.903790/201103, o qual gerou o processo administrativo de cobrança 16327.904260/201174) não integra as causas de pedir da medida judicial, constante às efls.98/99, vejamos: a) seja deferido o pedido de antecipação de tutela ora pleiteada, inaudita altera parte, para que seja suspensa a exigibilidade do suposto crédito tributário objeto do processo administrativo de cobrança n. 16327.908117/201151, até o julgamento final da presente ação, nos termos do art. 151, V, do Código Tributário Nacional, determinando à Ré que se abstenha da prática de qualquer ato relacionado à sua cobrança; b) após o deferimento do referido pedido, seja determinado a urgente expedição de ofício à Ré, na pessoa do seu representante legal, determinandose à mesma que cumpra a determinação constante do item "a" acima, até o trânsito em julgado da presente ação; c) seja determinada a citação da Ré, na pessoa do seu representante legal, para, querendo contestar a demanda, sob pena de revelia; d) seja, ao final, julgado procedente o pedido para que seja declarada a extinção, por compensação, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário, do débito objeto do processo administrativo de cobrança n. n. 16327.908117/201151. e) seja a Ré condenada ao pagamento das custas processuais e de honorários advocatícios, esses fixados em valor equivalente a 20% do valor da causa. (grifos nosso) Fl. 178DF CARF MF Processo nº 16327.903790/201103 Acórdão n.º 2202005.035 S2C2T2 Fl. 175 7 21. Salvo melhor juízo, não vislumbro então a concomitância entre o presente processo administrativo n. 16327.903790/201103, o qual gerou o processo administrativo de cobrança 16327.904260/201174 (PER/DCOMP n. 26996.71235.161007.1.3.042948), com o objeto da lide judicial, que trata do processo administrativo de cobrança n. 16327.908117/201151, gerado pelo processo administrativo 16327.907816/201184 (PER/DCOMP n. 36166.10421.061107.1.3.047467). Conclusão 22. Ante o exposto, voto em dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, e determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão com análise do mérito. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 179DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.008749/2002-32
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/1989 a 30/09/1991
Anistia Fiscal e competência da 3a seção de julgamento do CARF.
Competência não se presume. A sua atribuição se dá por meio dos atos normativos competentes. Não cabe à esta 3ª Seção o julgamento de litígios envolvendo anistia geral de tributos. A competência residual pertence à 1ª seção do CARF, de acordo com o RICARF.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-000.886
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, declinando a competência de julgamento para a Primeira Seção de Julgamento
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1989 a 30/09/1991 Anistia Fiscal e competência da 3 a seção de julgamento do CARF. Competência não se presume. A sua atribuição se dá por meio dos atos normativos competentes. Não cabe à esta Y' seção o julgamento de litígios envolvendo anistia geral de tributos. A competência residual pertence à P seção do CARP, de acordo com o RICARF. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, declinando a competência de julgamento para a Primeira Seção de Julgamento. Caic‘ Marcos CandicL‘-„Ecesidente Substituto d g Costa Pôssas - Relator EDITADO EM: 17/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Peissas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Pelo seu nível de detaihamento adotaremos o relatório da lavra do relator da DRJ de Curitiba, com os acréscimos necessários Trata o processo ao documento de fl. 01, referente ao pedido de fruição do beneficio fiscal previsto no art. 11 da Medida Provisória n.° 38, de 14 de maio de 2002, relativamente a contribuições para o Finsocial, objeto de questionamento judicial no processo n.° 89.00.02869-3 (10a Vara da Seção Judiciária da Justiça Federal em Curitiba/PR). Instruem o pedido os documentos de fls. 02/55, dos quais se destacam: (a) A fl. 02, declaração de ter requerido a desistência das ações judiciais cujos débitos serão pagos ou parcelados na forma do diploma legal citado, bem como de renuncia a qualquer alegação de direito em que se funda o referido processo (fls. 16/17); (b) As fls. 13/14, cópias de procuração de representação da interessada; (c) As tls. 18/19, cópia de documento, encaminhado ao TRF/4a, em que esclarece que o pagamento do "tributo controvertido" ocorrerá por meio de conversão de renda dos depósitos judiciais realizados nos autos, corn posterior levantamento da parcela excedente, nos termos do art. 5 0 e parágrafos da Portaria Conjunta SRF/PGFN n.° 900, de 19 de julho de 2002. (d) As fls. 20/48, cópias de guias de depósito A ordem da Justiça Federal; (e) A. fl. 51, informação da interessada de que "o pedido de desistência do Agravo de Instrumento n.° 2001.04.01.030107-4/PR, em trâmite perante o Tribunal Regional Federal da 4" Regido, única pendência que ainda existia na ação, foi homologado por despacho publicado em 26-09-2002, conforme anexa copia autenticada"; A. fl. 52, cópia do despacho decisório no precitado agravo de instrumento; (f) a fl. 53, cópia de Acórdão do STF no Recurso Extraordinário n.° 202.198- 9, que o julgou não conhecido, e que transitou em julgado em 07/06/1999 (fl. 54). Às fls. 56/57, cópia de informação fiscal, emitida no processo administrativo fiscal n.° 10980.005931/89-30. 0 chefe da Seort da DRF em Curitiba/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 60, decidiu indeferir o pleito da interessada, ante o contido no parecer de fls. 58/59; tal parecer e decisão tem a seguinte redação: "Volta et carga a interessada para buscar, agora, o pagamento de débitos relativos a contribuição para o Fundo de Investimento Social — Finsocial decorrentes déNfatos geradores ocorridos a partir do mês de junho do ano-c\alendârio de 1989 com o beneficio previsto no art. 11 da 1J.ç1da Provisória n." 38, de 14 2 Processo n° 10980.008749/2002-32 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.886 Fl. 162 de maio de 2002. Declarou 'ter requerido a desistência das ações judiciais cujos débitos serão pagos ou parcelados na forma do diploma legal citado' e qug renunciou 'a qualquer alegação de direito sobre as quais se fundam referidos processos' judiciais (ti. 02). Juntou, ainda, cópia de petições de desistência do Agravo de Instrumento n.° 2001.04.01.030107- 4/Paraná (Iis. 16 e 17) e de pedido de conversão em renda da Unido dos depósitos efetuados em conta vinculada ao Juizo pelo qual tramitou a ação ordinária (fls. 18 e 19), devidamente protocoladas no Tribunal Regional Federal da 4" Regido em 31 de julho e em 29 de agosto de 2002, respectivamente. A desistência do recurso foi homologada pela Relatora (Ii. 52), no uso da competência prevista no art. 37, inciso VII, do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal da 4"Regitio." 2. A devida análise da questão passa, necessariamente, por pequeno escorço histórico que se levará a cabo a partir deste momento. 3. Inconformada com a base de cálculo do Finsocial instituída pela Medida Provisória n.° 38, de 3 de fevereiro de 1989 — posteriormente convertida na Lei n.° 7.738, de 9 de março de 1989 — a interessada ingressou, inicialmente, com Ação Cautelar para depositar, judicialmente, o quanto acreditava ter de pagar a titulo de Finsocial. Posteriormente, ingressou com a necessária Ação Ordinária, cujo objeto conseguiu levar ao Supremo Tribunal Federal por meio do Recurso Extraordinário n.° 202.198-9 Paraná (tI. 53), que transitou em julgado em 7 de junho de 1999 (fi. 54), tudo muito bem documentado nos autos do processo administrativo 10980.005931/89-30. Julgado definitivamente o mérito da causa, a interessada, em 27 de julho de 1999, apresentou petição, em juizo, requerendo 'o pagamento do tributo controvertido na ação (Finsocial), na forma do artigo 17, § 1°, inciso III, da Lei n.° 9.779/99, com a redação da Medida Provisória n.° 1.858-6, de 29.06.99 (DOU 30.06.99), bem como na Instrução Normativa n." 26, de 25.02.99 (DOU 26.02.99)', que mereceu parecer contrário por parte do então Serviço de Tributação desta Delegacia (11s. 55 a 57), instado a se manifestar pela Procuradoria da Fazenda Nacional. 4. Cotejando-se o disposto no art. 17, § 1 0, inciso III, da Lei n." 9.779, de 19 de janeiro de 1999, acrescentado pela Medida Provisória n.° 1.858-6, de 29 de junho de 1999 (que, depois de várias reedições, deságua na Medida Provisória n." 2.158-35, de 24 de agosto de 2001), com o disposto no art. 11 da Medida Provisória n.° 38/02 (que, inclusive, remete àquele dispositivo), verifica-se que a única alteração que se promoveu foi permitir a concessão do favor para débitos discutidos em ações judiciais protocoladas até 30 de abril de 2002, quando o inciso III do § 1" do art. 17 da Lei n.° 9.779/99 fixava o termo final em 31 de dezembro de 1998. 5. Sendo assim, como não houve al eração de fundo na legislação de regência da matéria ,há »/l a provocar igual alteração na compreensão da qçãoJ adota-se o parecer N 3 anteriormente proferido pelo então Serviço de Tributação desta Delegacia (lis. 56 e 57) nos autos do processo administrativo 10980.005931/89-30 para propor-se, s.mj., o indeferimento do pedido. Este o parecer, que submeto a consideração superior. De acordo com o parecer retro, que aprovo, no uso da competência prevista no art. 2", inciso II, da Portaria DRF/CTA 77. 0 169, de 25 de setembro de 2001, DECIDO pelo indeferimento do pleito objeto do presente processo. Cientifique-se a interessada, facultando-lhe manifestagdo de inconformidade perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, dentro no prazo de 30 (trinta) dias.". Conforme despacho de fl. 61, a intimação foi encaminhada pela via postal, e, de acordo com o AR de fl. 62, a interessada foi cientificada em 13/08/2004. Inconfonnada com a decisão proferida, a interessada, por intermédio de procurador habilitado (procuração, ás fls. 13/14), interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 63/67, considerada tempestiva pela DRF/CTA (despacho de fl. 68, datado de 13/09/2004), e cujo teor é sintetizado a seguir. Diz que propôs, em litisconsórcio com outras empresas, a medida cautelar de depósitos n.° 89.0002869-3, seguida da ação ordinária n.° 89.0002226-1, objetivando questionar a cobrança do Finsocial, na qual teve julgamento do mérito, que lhe foi desfavorável, decisão do STF que transitou em julgado em 07/06/1999. Afirma que, sobrevindo a MP n.° 1.858-6, de 29/06/1999, que deu nova redação ao disposto no art. 17 da Lei n.° 9.779, de 1999, apresentou, em 27/07/1999, sua opção de pagamento do tributo controvertido (Finsocial) com base nos beneficios ali previstos, mediante utilização parcial dos depósitos judiciais realizados no âmbito da medida cautelar, e levantamento do remanescente. A DRF/CTA, entendendo que a legislação exigia, para fins de concessão do beneficio, a existência de ação judicial em curso, indeferiu seu pedido, o que foi ratificado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (nos autos da ação judicial n.° 89.0002226-1), o que motivou a interposição de agravo de instrumento perante o TRF/4a (AI n.° 2001.04.01.030107- 4). Argumenta que na pendência do julgamento desse recurso, apresentou pedido de desistência, com renúncia ao direito ern que ele se fundava, a fim de que pudesse se valer do pagamento mediante os benefícios da Medida Provisória n.° 38, de 2002, regulamentada pela Portaria Conjunta SRF/PGFN 11. 0 900 , de 2002. Sustenta que o mesmo fundamento utilizado no indeferimento de seu pedido primitivo (trânsito em julgado da decisão de mérito anterior ao protocolo do pedido), levou ao indeferimento do pedido atual, PRaldado na MP n.° 38, de 2002, uma vez que a única alteração promovida foi "permitir a loncessão do favor fiscal para débitos discutidos em ações judiciais protocoladas até 30 de zrbpje 2002, quando o inciso III, do § 1°, do art. 17 da Lei n.° 9.779/99". 4 Processo n° 10980.008749/2002-32 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.886 Fl. 163 Diz ser relevante que a decisão judicial que deu origem à discussão sobre o direito de aplicação do beneficio da MP n.° 1.858-6, de 1999 (AI n.° 2001.04.01.030107-4), não havia recusado, sob esse aspecto, seu direito, transcrevendo o seguinte despacho, objeto do agravo: "Peticionam os autores requerendo a concessão dos beneficios da Lei n." 9.779/99. Independentemente da manifestação da Procuradoria ás fls. 427/427, indefiro o pedido. Justifico tal posicionamento pelo fato de a sentença ter transitado em julgado em 07.06.99. Assim, o aproveitamento fiscal de que pretendem de (sic) beneficiar está a critério da autoridade administrativa, não se subordinando a esfera jurisdicional. 0 pedido deverá ser dirigido a Secretaria da Receita Federal que poderá deferi-lo apesar do trânsito em julgado da sentença.". Por discordar tanto do despacho transcrito, como dos demais, a interposição do agravo de instrumento parecia-lhe a única alternativa de que dispunha para evitar o encerramento definitivo do feito e a conversão em renda integral dos depósitos judiciais. Alega que ao ser instaurado litígio entre as partes, no âmbito da ação judicial que propôs para discutir o tributo, passou a haver recurso passível de desistência e direito passível de ser renunciado, fato que teria sido detectado no despacho que homologou a desistência do agravo de instrumento, transcrito a fl. 65. Fala que sobrevindo nova legislação contendo a possibilidade de pagamento com beneficios legais (inclusive com utilização de depósitos judiciais), há que se verificar se preenche os requisitos legais necessários a adesão nesse momento, em face da situação então existente. Argúi, em primeiro lugar, que não concorda com a afirmação de que a legislação exigia a existência de processo judicial ern curso para fins de aplicação do beneficio, o que teria sido destacado pelo juiz da causa, quando a remeteu ao pedido administrativo; prossegue, dizendo que tanto na redação original do art. 17, § 1 0, III, da Lei n.° 9.779, de 1999, como naquela do art. 11 da MP n.° 2.158-35, de 2001, ou ainda naquela descrita no art. 11 da MP n.° 38, de 2002, o requisito diz respeito ao periodo limite para o ajuizamento da ação judicial, e não para a opção de pagamento, que não se vincularia ao trânsito em julgado do processo. Lembra, ainda, que "a existência de processo em curso", para fins de indeferimento ao beneficio, no âmbito da decisão proferida no PAF n.° 10980.005931/89-30 (adotada como fundamento da decisão ora recorrida), foi estribada no art. 10 da IN SRF n.° 26, de 1999; assim, prossegue, ao se buscar suporte na Portaria Conjunta SRF/PGFN n.° 900, de 2002, que regulamentou a MP n.° 38, de 2002 (da qual transcreve, à fl. 66, os arts. 1° e 2°), nela não se encontra exigência alguma de processo em curso para fins de aplicação do beneficio, o que demonstraria, ao menos quanto a situação nela tratada, ser possível a sua adoção em processo com trânsito em julgado. Entende que é a própria administração que interpretou de modo diferente as legislações, o que deve ser respeitado no caso concreto, reconhecendo-se o direito ao beneficio; fala que em situações análogas, o Judiciário vem decidindo ser direito dos contribuintes o levantamento do depósito judicial, mesmo em se tratando de processo já transitado em julgado, transcrevendo ementas de julgados do TRF/4a as fls. 66/67, que julga serem pertinentes. A titulo de argumentação, sustenta qu-s exigência de "processo em curso" fosse plausível, é fato que, entre os dois textos legais (MP .° 1.858-6, de 1999, e MP n.° 38, de 2002), sua situação processual não é a mesma, p4ijio momento do segundo mantinha 5 controvérsia jurídica em torno do tributo, passível de desistência e de renuncia — o que foi reconhecido pela Relatora do recurso no TRF/4a, que somente veio a transitar em julgado posteriormente, preenchendo, deste modo, também esse requisito. Por fim, requer a reforma do despacho decisório de fls. 58/60, a fim de se reconhecer o direito A aplicação do beneficio, na forma originalmente requerida. Pelo despacho desta DRJ/CTA de fl. 69, o processo foi devolvido ao Seort da DRF/CTA, para que esse órgão prestasse informaç5es. A fl. 69-verso, consta despacho da DRF/CTA comunicando a juntada dos documentos de fls. 70-72, relativos A reiteração, pela interessada dos termos de sua manifestação de inconformidade, bem como fazendo menção a decisão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n.° 665.928/PR, que entende pertinente, e cuja ementa transcreve As fls. 70/71; reitera, ainda, a reforma do despacho decisório de fls. 58/60. As fls. 73/78, informação fiscal da DRF/CTA. A Manifestação de inconformidade foi indeferida pela DRJ/CTA, fls. 79/86. 0 contribuinte apresentou recurso voluntário, que foi provido por maioria de votos É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator 0 recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. Porém não há como conhecê-lo por faltar competência A. 3a seção de julgamento do CARF para julgar os processos de anistia geral de tributos. A Competência para as matérias residuais é da l a seção de julgamento do CARF, conforme se depreende do art. 2°, VII do Regimento Interno do CARF. (Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009). Conclusão Assim, voto para que seja negado o conhecimento do Recurso especial interposto pela PGFN por ser esta Seção incompetente para a sua apreciação e julgamento. Rodn lk g oqta Pôssas 6
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