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Numero do processo: 12883.007203/2009-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1997
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
Numero da decisão: 2403-002.491
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art.150 § 4º do CTN
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art.150 § 4º do CTN AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 88 3. 00 72 03 /2 00 9- 64 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12883.007203/200964 Acórdão n.º 2403002.491 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Recife, DecisãoNotificação nº 15.401.4/0244/2006, que julgou o lançamento procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: 1. De acordo com o relatório fiscal, fls. 87/92, os discriminativos de fls. 4/36, e o anexo de fundamentos legais do débito, fls. 37/42, esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD apura contribuições devidas à seguridade social (parte dos segurados e patronal, incluindo SAT) e terceiros (INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período de 03/1996 a 13/1997. 2. As bases de cálculo foram obtidas nas guias de . Recolhimento do SalárioEducação em virtude de ter havido recusa a apresentação de documentos, e, ainda, a contabilidade do contribuinte autuado não demonstrar sua real movimentação, pois que: a) não se conseguiu identificar na contabilidade, no período indicado no relatório fiscal: processos trabalhistas; rescisões de contrato de trabalho; férias gozadas; pagamentos de prólabore aos sóciosgerentes; pagamentos a titulo de honorários do contador; documentos e arrecadação do salárioeducação; salário de José Gestosa Ferreira; pagamento ao jardineiro; b) não comprovação dos seguintes lançamentos contábeis: pagamento realizado, em 31/12/1996, a crédito da conta "caixa", no valor de R$ 295.066,00 (duzentos e noventa e cinco mil e sessenta e seis reais); pagamento efetuado, em 31/12/1996 a débito da conta "adiantamentos funcionários", no valor de R$ 113.260,00 (cento e treze mil, duzentos e sessenta reais), sem a identificação do beneficiário; pagamento efetuado na conta "contas a receber", no valor de R$ 154.600,00 (cento e cinqüenta e quatro mil e seiscentos reais); c) constatação de saldo credor na conta "caixa", nos meses de 04/1999 a 11/1999, e na conta "Banco Sudameris Brasil", nos meses de 02/1999 a 08/1999. 3. Diante destes fatos, o auditor notificante concluiu que, estando os balanços encerrados, com igualdade de valores a débito e a crédito e havendo comprovação de que os pagamentos (item 2, "a") foram realmente efetuados, não transitaram pela contabilidade regular os numerários necessários a fazer frente aos mesmos. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 4. O notificado apresentou, a fls. 130/145, tempestivamente, defesa, na qual, em síntese, argüiu: a) que o prazo decadencial para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias é o previsto no art. 173, do CTN, e não o do art. 45, da Lei 8.212/91, conforme mandamentos constitucionais; b) que o prazo previsto no art. 32, § 11, da Lei 8.212/91, tem de corresponder ao decadencial para a constituição do crédito respectivo, que é de 5 (cinco) anos; c) que seria necessário a identificação da relação de empregados cujo salário serviu de base para o lançamento, implicando.em cerceamento.de defesa essa omissão; d) que anexou parte da documentação supostamente não apresentada aos autos do Autode Infração 35.861.4074, bem como foram exíguos os prazos para a total apresentação dos documentos; e) que ao mesmo tempo em que tenta desqualificar a contabilidade, utiliza dados extraídos da mesma; f) que o pagamento de salário está devidamente registrado na conta "ordenados e salários"; g) que as hipóteses constantes do art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91, fogem às particularidades do caso concreto; tiTque, tomando o valor do SalárioEducação registrado na conta 4.1.1.01.0065, resulta em bases inferiores às utilizadas na NFLD; i) que, na competência 11/1997, as contribuições exigidas no campo diferença, não correspondem As alíquotas aplicadas ao saláriodecontribuição de R$ 35.444,47 (trinta e cinco mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e quarenta e sete centavos); j) que a taxa SELIC fere a norma constitucional do art. 192, § 3°, bem como utiliza metodologia incompatível com a matéria tributária, pois que deveriam ser regulados, os juros, por lei complementar. 5. In fine, requereu a improcedência da NFLD. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese, o mesmo que apresentou na impugnação. O recurso apresentado não foi encaminhado para o CRPS por falta do depósito recursal. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12883.007203/200964 Acórdão n.º 2403002.491 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 346DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário e com a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, deste CARF. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial Fl. 347DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12883.007203/200964 Acórdão n.º 2403002.491 S2C4T3 Fl. 5 7 para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP nº 973.733 – SC, submetido ao regime do art. 543 – C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.( Recurso 140.076, Acórdão 9101 da 1ª Turma da CSRF) Portanto, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o I, art. 173 ou o § 4°, art. 150, ambos do CTN devemos identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim poderemos declarar os efeitos da decadência no lançamento. Os relatórios RDA – Relatório de Documentos Apresentados e RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados registram a existência de recolhimentos. Aplico a regra do § 4°, art. 150. O período do lançamento é de 03/1996 a 12/1997. A ciência do lançamento ocorreu em 14/02/2006. Entendo atingido pela decadência todo o lançamento. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 348DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15586.000908/2007-31
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
PER/DCOMP. CONDIÇÃO.
O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. PER/DCOMP. CONDIÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. PER/DCOMP. CONDIÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 08 /2 00 7- 31 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 381 2 MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 135141, com a exigência do crédito tributário no valor de R$68.173,92 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos quatro trimestres do ano calendário de 2003. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 0540, no Livro Caixa, fls. 66103, no Livro de Apuração de ICMS, fls. 104129 e nos recolhimentos efetuados, fls. 4449, bem como pela não confissão de dívida desses valores em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 4449, já que houve opção pelo regime de tributação com base no lucro Fl. 381DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 382 3 presumido, em conformidade com o Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 130 134. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: Lei nº 9779, de 19 de janeiro de 1999, art. 224 e art. 518 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 142149 com a exigência do crédito tributário no valor de R$37.200,38 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970 e alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 150157 com a exigência do crédito tributário no valor de R$171.694,93 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 158164 a exigência do crédito tributário no valor de R$61.356,50 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 168175, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: O presente Auto de Infração em análise, em hipótese alguma poderá prosperar contra a impugnante, assim vejamos, a Contribuição Social s/ Lucro Liquido (do item 1), referese ao 1º trimestre 03/2003 no valor de R$ 6.467,68; 2º trimestre 06/2003 no valor de R$ 6.073,80; 3º trimestre 09/2003 no valor de R$ 6.501,15 e do 4º trimestre 12/2003 no valor de R$ 6.846,23 , portanto, faz prova neste ato, que todos os valores foram pagos, conforme DARF's em anexos. Quanto ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (do item 2), referese ao 1º trimestre 03/2003 no valor de R$ 7.186,31; 2º trimestre 06/2003 no valor de R$ 6.748,67; 3º trimestre 09/2003 no valor de R$ 7.223,50 e do 4º trimestre 12/2003 no valor de R$ 7.606,93, todos foram quitados, conforme DARF's em anexos. Em se tratando da Contribuição PIS/PASEP (do item 3), referese ao fato gerador de 31/01/2003 à 31/12/2003, sendo que foram pagos parte dos valores, conforme DARF's, e o restante compensado, através de créditos tributários (planilha em anexo), conforme processo judicial n.° 2001.50.02.0014818 (decisão em Fl. 382DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 383 4 anexo), transitado em julgado em 17/11/2005, e retificado na DCTF, conforme documentos em anexos. Da mesma forma, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (do item referese ao fato gerador de 31/01/2003 à 31/12/2003, sendo parte pagos conforme DARF's, e o restante compensado, através de créditos tributários (planilha em anexos), conforme processo judicial n.° 2001.50.02.0014818, transitado em julgado em 17/11/2005, e retificado na DCTF, conforme documentos em anexos. Todavia, se outro for o entendimento de V. Exa., o que se admite apenas a título de argumentação, também quanto ao mérito não merece melhor sorte a pretensão fiscal. Apresenta argumentos em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e requer a realização de diligência. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Diante das razões expostas, REQUER de V.Sa, se digne determinar que seja realizada diligência fiscal com o objetivo de ser sanada todas as dúvidas que por ventura existirem, quanto ao AUTO DE INFRAÇÃO em análise, para que o contribuinte não venha a ser penalizado de forma inteiramente absurda. Por fim, REQUER também, que o AUTO DE INFRAÇÃO seja julgado insubsistente, em face da improcedência do lançamento fiscal, quanto à multa aplicada pela ilustre autuante, agindo desta forma V. S.a, pode estar certa de que estará contribuindo, para que uma empresa continue no mercado, trabalhando, gerando riquezas e mais empregos para o País, ser medida da mais lídima JUSTIÇA. Está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1226.844, de 23.10.2009, fls. 314328: “Impugnação Procedente em Parte” para: Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto: Não conhecer da Impugnação no que se refere aos valores já recolhidos, conforme parágrafos 7 a 11 do voto, mas cancelar a multa de ofício a eles relacionados (ver alínea seguinte), tornando definitivamente constituído o crédito tributário de IRPJ, no valor de R$27.687,50, de CSLL, no valor de R$23.012,34, de PIS, no valor de R$1.558,14, e de Cofins, no valor de R$7.191,36, sem acréscimo da multa de ofício e dos juros moratórios; Considerar procedente em parte a Impugnação, para exonerar apenas a multa de ofício relacionada aos valores já pagos (ver alínea anterior), conforme parágrafos 15, 22 e 28 do voto, e manter o crédito tributário constituído de IRPJ, no valor de R$1.077,93, de PIS, no valor de R$14.023,08, de Cofins, no valor de R$64.722,17 e de CSLL, no valor de R$2.876,52, acrescidos de multa de ofício e dos encargos moratórios calculados até a data do efetivo pagamento ; e Indeferir o pedido de diligência. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 384 5 Intimese a Interessada para, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência deste acórdão, recolher o Crédito Tributário Mantido, sob pena de cobrança executiva, ressalvada, para as matérias impugnadas e conhecidas, a interposição de recurso voluntário, em igual prazo, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. À unidade competente para cientificar a interessada e demais providências de estilo, principalmente quanto à alocação dos pagamentos existentes aos créditos tributários correspondentes. Restou ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 DILIGÊNCIA Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelase prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 VALORES PAGOS ESPONTANEAMENTE E NÃO DECLARADOS. Os valores pagos, espontaneamente, relativos a débitos não declarados em DCTF nem informados em outro instrumento de confissão de dívida devem ser objeto de auto de infração, podendo, em sede de julgamento, ser cancelada a multa de ofício quando espontâneos os pagamentos, mantendose os valores principais lançados para que neles sejam alocados, vinculados ou aproveitados os pagamentos existentes. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2003 REGRAS SOBRE COMPENSAÇÃO. A compensação de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, efetuase nos termos do art.74 da Lei n° 9.430/96. LANÇAMENTOS DECORRENTES DO DE IRPJ: CSLL, PIS E COFINS. Ressalvados os casos especiais, os lançamentos decorrentes colhem a sorte daquele que lhe deu origem, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Notificada em 30.04.2012, fls. 346 e 376, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.05.2012, fls. 347350, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de Fl. 384DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 385 6 admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Faz um relato sobre a ação fiscal, que o recurso voluntário é apresentado tempestivamente e acrescenta que: Em que pese os argumentos dos eméritos julgadores, no sentido de considerar procedente em parte a impugnação, para exonerar apenas a multa de oficio relacionada aos valore já pagos, e manter o crédito tributário constituído de IRPJ, no valor de R$1.077,93, de PIS, no valor de R$14.023,08, de Cofins, no valor de R$64.722, 17 e de CSLL, no valor de R$87,52, acrescidos de multa de oficio e dos encargos moratórios calculados até a data do efetivo pagamento, conforme consta do Acórdão, no caso onde fala no acórdão em manter o crédito tributário, não podem prosperar, pelos seguintes motivos: Conforme já demonstrado na impugnação de fls. 03, a impugnante pagou a contribuição social s/lucro liquido, referente ao 1º trimestre 03/2003 no valor de R$6.4 67,68, 2º trimestre 06/2003, no valor de R$6.073,80; 3º trimestre 09/2003, no valor de R$6.501,15 e do 4º trimestre 12/2003, no valor de R$6.846,23, como já fez prova através dos Darfs juntados em sua impugnação. Quanto à cobrança do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, referente ao 1º trimestre 03/2003, no valor de R$7.186,31; 2º trimestre 06/2003, no valor de R$6.748,67; 3º trimestre 09/2003, no valor de R$7.223,50 e do 4º trimestre 12/2003, no valor de R$7.606,93, sendo todos quitados, conforme Darfs já juntados a impugnação. Com relação à Contribuição para o PIS/PASEP, referente ao fato gerador de 31/01/2003 à 31/12/2003, foram pagos parte dos valores através de Darfs e o restante compensado com créditos tributários, conforme processo judicial n° 2001.50.02.0014818, transitado em julgado em 17/11/2005 e retificado na DCTF, como consta dos documentos já mencionados as fls. 03 da impugnação. Em se tratando da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, referente ao fato gerador de 31/01/2003 à 31/12/2003, foram pagos parte dos valores através de Darf’s, e o restante compensado com créditos tributários, conforme processo judicial n° 2001.50.02.0014818, transitado em julgado em 17/11/2005 e retificado na DCTF, conforme consta dos documentos juntados as fls. 4 da impugnação (cópia anexa). Portanto, não há que se falar em ausência de apresentação de declaração de Compensação, como tenta justificar a Receita Federal para ver seus créditos constituídos, pois, a recorrente compensou seus créditos com débitos, com respaldo em Sentença Judicial. Conclui que: Isto posto, a recorrente requer: a) seja os créditos da autora reconhecidos, por estarem amparados por decisão judicial transitada em julgado, bem como, aceitos para compensação de débitos junto a Receita Federal do Brasil. b) seja, finalmente, dado provimento ao recurso, com o deferimento da IMPUGNAÇÃO, em todos os seus termos, concedendo a compensação efetuada na Fl. 385DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 386 7 forma com foi feita, requerendo, ainda, pela produção de todas as provas em direito admitidas. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Por essa razão não restaram caracterizas o abuso de autoridade tampouco excesso de exação. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 387 8 Não restam dúvidas de que o lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 0540, no Livro Caixa, fls. 66103, no Livro de Apuração de ICMS, fls. 104129 e nos recolhimentos efetuados, fls. 4449, bem como pela não confissão de dívida desses valores em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 4449, já que houve opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido, em conformidade com o Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 130134. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Ainda sobre os pagamentos, tendo em vista que a Recorrente efetuou recolhimentos os mesmos foram considerados pela autoridade julgadora de primeira instância. Não constam nos registros internos na RFB quaisquer outros pagamentos a serem considerados. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 388 9 que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente3. No que se refere à DCTF, o Ministro da Fazenda, podendo eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, delegou esta competência ao Secretário da Receita Federal. O documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência da referida exigência4. A Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) foi instituída por atos administrativos emitidos pelo Secretário da Receita Federal que vigoraram até 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 389 10 1º.11.19985, de cujos teores podese inferir que o débito ali informado e não pago nos prazos legais deve ser objeto de comunicação à Procuradoria da Fazenda Nacional pois este documento formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União e posterior cobrança executiva. Neste sentido, a constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício representa ônus desnecessário para o sujeito passivo e para a Administração Pública6. Posteriormente foi instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) a partir de 02.11.1998, disciplinada por atos normativos supervenientes, em que o saldo a pagar relativo ao tributo ali informado, bem como o valor da diferença apurada em procedimento de auditoria interna atinente às informações indevidas ou não comprovadas sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, deve ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidado, enviado para inscrição em Dívida Ativa da União. Logo, a DCTF é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício7. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 8, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF9. Ademais, o art. 47 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fixa com condição para que a pessoa jurídica submetida a ação fiscal possa pagar, até o vigésimo dia subsequente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo somente se estivessem já declarados com o efeito de confissão de dívida. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 0540, no Livro Caixa, fls. 66103, no Livro de 5 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 129, de 19 de novembro de 1986, Instrução Normativa SRF nº 89, de 28 de agosto de 1984 e a na Instrução Normativa SRF nº 79, de 27 de junho de 1986. 6 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro Torres, Segunda Turma, Brasília, DF, 4 de julho de 2005. Disponível em: <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:200507 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 9 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 390 11 Apuração de ICMS, fls. 104129 e nos recolhimentos efetuados, fls. 4449, bem como pela não confissão de dívida desses valores em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 4449, já que houve opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido, em conformidade com o Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 130 134, e com os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2003 Períodos (A) Valores Informados nas DIPJ R$ (B) Valores Não Informados nas DCTF Omissão de Receita R$ (C) 1º Trimestre de 2003 598.860,00 598.860,00 2º Trimestre de 2003 569.389,73 569.389,73 3º Trimestre de 2003 601.958,45 601.958,45 4º Trimestre de 2003 633.911,09 633.911,09 Está registrado no Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 130 134, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Em 25 de setembro de 2007 a fiscalizada tomou ciência do Termo de Inicio da Ação Fiscal (doc. de fls. 48 a 50) por via postal AR (aviso de recebimento), através do qual foi intimada a apresentar dentre outros elementos, os livros fiscais e contábeis do anocalendário 2003 e posteriormente, os cupons fiscais e mapas resumo ECF MRE de alguns meses, para amostragem. Para o anocalendário 2003, foi apresentada a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) n° 1173589 (doc. de fls. 03 a 38), com opção pelo LUCRO PRESUMIDO, na qual constam como faturamento mensal os valores expressos na tabela abaixo, conforme fichas 14A (Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido), 18 A ( Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, 19A (Cálculo do PIS), e 20A (Cálculo da COFINS):[...] Os valores contabilizados mensalmente; em seu Livro Caixa a título de "Vendas de Mercadorias" (doc. de fls. 62 a 99), são iguais aos valores declarados na DIPJ do anocalendário de 2003 (doc. de fls. 03 a 38). O mesmo se verificou no Livro Fiscal de Registro de Apuração de ICMS (doc. de fls. 100 a 125), quando os valores contábeis registrados nas saldas do período são exatamente iguais aos contabilizados no Livro Caixa e os declarados na DIPJ do respectivo período. Constatei, no entanto, que a fiscalizada encontravase omissa de apresentação da DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais referente ao ano calendário de 2003. Procedi então à lavratura do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (doc. de fls. 51 a 53), datado de 24 de outubro de 2007, intimando a fiscalizada a se manifestar em relação ao fato. Em 26 de outubro de 2007, em carta resposta (doc. de fls. 61), a fiscalizada informa que: "...consulta a agência da Receita Federal do Brasil em Cachoeiro de IrapemerimES , não localizada o recebimento da DCTF ano calendário 2003, outrossim a empresa estava dispensada pois seus impostos, eram de valores inferiores, conforme legislação em vigor.. e continua . . o faturamento anual apresentado, estaria enquadrada como ME/EPP ...". Fl. 390DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 391 12 O teor da cartaresposta (doc. de fls. 61), acima transcrito, não procede, tendo em vista que o disposto na Instrução Normativa SRF 255/02, vigente para 2003, no seu artigo 3º, I, estabelece: "estão" dispensadas da , apresentação da Declaração de Débitos e Créditos .Tributários Federais DCTF as microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) enquadradas no SIMPLES" e a empresa fiscalizada, CALVI Produtos Alimentícios Ltda, não atende ao dispositivo aqui.expresso,conforme relato a seguir: Das condições de enquadramento como ME e EPP para efeito do SIMPLES: De acordo com a Lei 9.317/96" 'e suas"., alterações, aplicáveis ao ano calendário em questão, o valor da receita bruta anual deveria ser igual ou inferior a R$120.000,00 para enquadrar a empresa como ME e, o valor da receita bruta anual superior a R$ 120.000,00 e igual ou inferior a R$1.200.000,00 para enquadrar a empresa como EPP. No entanto, a empresa fiscalizada apresenta em sua DIPJ 2004/anocalendário 2003, corroborada com seus Livros Fiscais e Contábeis do mesmo período, receita bruta anual no valor de R$2.397.119,27 (dois milhões trezentos e noventa e sete mil cento e dezenove reais e vinte e sete centavos). Depreendese, portanto, que a fiscalizada não atende as exigências legais vigentes à época. Da opção pela forma de tributação: A fiscalizada apresentou sua DIPJ 2004/anocalendário 2003 (doc. de fls. 03), tempestivamente e optou pela forma de tributação com base no Lucro Presumido.Portanto, não está enquadrada como empresa do SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). Diante do exposto, constatei que a fiscalizada estava obrigada à apresentação da DCTF e procedi à lavratura do Termo de Intimação Fiscal (doe. de fls. 54 e 55), intimandoa a apresentar a DCTF Declaração dos Débitos e Créditos Tributários Federais, do período de 2003 (período omisso), por meio da Internet, conforme determina a Nota Conjunta Cofis/Cosar n° 2001/00003, de 30 de Julho de 2001. Com a publicação da IN SRF 126/88 que instituiu a DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, a partir do anocalendário de 1999, esta declaração deve conter informações que sejam a expressão da verdade, pois a DCTF se constitui em CONFISSÃO de dívida o que equivale a um titulo executivo extrajudicial, passível de inscrição na Divida Ativa da União. A partir de então, a DIPJ (Declaração de, Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) deixa de ser instrumento de confissão de dívida. Assim, apesar dos recolhimentos efetuados pela fiscalizada, os débitos de impostos e contribuições apurados pela mesma em seus registros contábeis, não foram declarados em DCTF, sendo esta obrigatória, o que ensejará a formalização da exigência do crédito tributário abrangendo todos os tributos devidos, inclusive quanto aos valores constantes da DCTF entregue sob procedimento fiscal. Tendo em vista o exposto, procedi à apuração da receita bruta com base nos registros contábeis, ratificada pela fiscalizada, através da DIPJ 2004/anocalendário 2003 [...]. As diferenças apuradas na tabela acima correspondem ao faturamento mensal, base de cálculo do PIS e da COFINS e, trimestralmente correspondem à receita Fl. 391DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 392 13 bruta auferida, sobre a qual incidirá o percentual de presunção de Lucro e o percentual para a apuração da base de cálculo da CSLL PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO Diante dos fatos acima apresentados, procedi ao lançamento do Crédito Tributário, mantendo para tanto a opção da fiscalizada pela tributação com base no Lucro Presumido. A infração apurada enquadrarseá como ."Receita da Atividade", gerando tributação reflexa para a CSLL, PIS e COFINS, por falta de recolhimento, conforme discriminado no Auto de Infração de fls. 131 a 160. Em relação aos valores então pagos, está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1226.844, de 23.10.2009, fls. 314328: “Impugnação Procedente em Parte” para: Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto: Não conhecer da Impugnação no que se refere aos valores já recolhidos, conforme parágrafos 7 a 11 do voto, mas cancelar a multa de ofício a eles relacionados (ver alínea seguinte), tornando definitivamente constituído o crédito tributário de IRPJ, no valor de R$27.687,50, de CSLL, no valor de R$23.012,34, de PIS, no valor de R$1.558,14, e de Cofins, no valor de R$7.191,36, sem acréscimo da multa de ofício e dos juros moratórios; Considerar procedente em parte a Impugnação, para exonerar apenas a multa de ofício relacionada aos valores já pagos (ver alínea anterior), conforme parágrafos 15, 22 e 28 do voto, e manter o crédito tributário constituído de IRPJ, no valor de R$1.077,93, de PIS, no valor de R$14.023,08, de Cofins, no valor de R$64.722,17 e de CSLL, no valor de R$2.876,52, acrescidos de multa de ofício e dos encargos moratórios calculados até a data do efetivo pagamento; Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto, não restando caracterizada a falta de comprovação do ilícito fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente diz que tem em seu favor provimento jurisdicional com trânsito em julgado sobre a exigência de PIS com fundamento no DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988 e no DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o Fl. 392DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 393 14 procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 10. A Per/DComp é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício111213. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 14, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF15 Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial a apresentação do Per/DComp e a verificação da precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O Acórdão proferido pelo TRF da 2a Região na Apelação Civil nº 2001.50.02.0014818, já transitada em julgado, reconhece a inconstitucionalidade DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988 e no DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988 e a possibilidade de compensação do PIS recolhido até 17.12.1991 com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, fls. 210219: Tratase de apelações cíveis interpostas por ENCOPEL COMERCIO DE EMBALAGENS LTDA (fls. 117/122) e CALVI PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA (fls. 142/151), contra a sentença de fls. 106/114, que julgou extinto o processo sem julgamento do mérito, por ausência de interesse de agir, em relação ao pedido de declaração de inexistência de relação jurídica tributária tendo por objeto a exigibilidade do PIS nos termos dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 com fundamento no art.267 VI CPC e extinguiu o processo com julgamento de mérito por ocorrência da prescrição, em relação ao pedido de compensação com 10 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 11 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. 12 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro Torres, Segunda Turma, Brasília, DF, 4 de julho de 2005. Disponível em: <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:200507 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012. 13 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 14 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 15 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 394 15 fundamento no art. 269 — IV CPC. Honorários fixados em 10% sobre o valor da causa. Custas ex lege. Nas suas razões recursais, ENCOPEL COMÉRCIO de EMBALAGENS LTDA sustenta a adequação da ação declaratória, pois, sua pretensão é a declaração de inexistência jurídica da cobrança do PIS, nos termos dos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.445/88, face a inconstitucionalidade dos mesmos, bem como, o reconhecimento do direito da autora à compensação das importâncias pagas indevidamente, nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91. Alega, que a prescrição ainda não ocorreu, por se tratar de contribuição sujeita a homologação e, inexistindo esta, o prazo decadencial começa a fluir após o decurso de cinco anos dá ocorrência do fato gerador, somados mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. Nas suas razões recursais, CALVI PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA sustenta que ainda não ocorreu a prescrição do direito de compensar as parcelas indevidamente recolhidas a título de PIS, nos termos do art. 168 do CTN, pois, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, a prescrição do direito de repetir ou compensar o indébito só ocorre em 10 anos. Argumenta ainda, que as ações declaratórias são imprescritíveis, razão pela qual, mesmo se já estivesse prescrito o direito da apelante em proceder à compensação dos valores pagos indevidamente à título de PIS, ainda assim, não poderia ser declarada a prescrição da ação. Contrarazões da União Federal às fls.156/170 e fls. 172/186. Parecer do Ministério Público Federal às fls.190/194, entendendo ser desnecessária, sua intervenção. E o relatório. Passo a decidir. O eg. Supremo Tribunal Federal decidiu que a contribuição destinada ao custeio do Programa de Integração Social (PIS) foi recepcionada pela Constituição de 1988 nos termos da Lei Complementar n° 7/70, sendo, porém, inconstitucionais os DecretosLeis n°s. 2.445/88 e 2.449/88 Cegamente do RE 148.7542/RJ DJ de 04/03/94). O Senado Federal, por sua vez, suspendeu a execução dos DecretosLeis em questão, através da resolução n° 49/95, pub,:caaa no DJ de 10/10/95. No que se refere à prescrição, o eg. Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do EREsp 435.835/SC, pela Primeira Seção, em 24.03.2004, onde foi Relator o Exmo. Ministro José Delgado, adotou novamente o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo prescricional para haver a restituição e/ou compensação é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos contados da data em que se deu a homologação expressa ou tácita, não mais acolhendo a tese da prescrição contada da data da declaração de inconstitucionalidade da exação em controle difuso (Resolução do Senado suspendendo a execução da norma) ou concentrado (ADIN) de constitucionalidade. Verifico, portanto que, de acordo com o novo entendimento da eg. Corte Superior, ao qual me inclino, no que se refere aos indébitos decorrentes da sistemática dos DecretosLeis n°s. 2.445/88 e 2.449/88, a prescrição atingiu apenas os valores referentes ao decênio anterior à propositura da ação, que foi ajuizada em 17 de dezembro de 2001. Não há que se falar em ausência de interesse de agir, uma vez que a inconstitucionalidade dos referidos decretos foi reconhecida, não estando prescrito o direito do autor em pleitear o ressarcimento de possível indébito fiscal. Ainda, em Fl. 394DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 395 16 face do princípio constitucional do amplo acesso à justiça, no processo sub judice fazse necessária a intervenção do Poder Judiciário para resolver o conflito de interesses existente entre as partes processuais e que transparece de modo inconteste nos autos, como também para compor a pretensão resistida. Instituise, por instrução normativa, a livre compensação entre quaisquer tributos OU contribuições, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Contudo, não garantiu, como aliás não se poderia fazer, o direito a essa compensação. No tocante à compensação, em que pese o entendimento anteriormente firmado no sentido de que somente poderiam ser compensáveis entre si tributos que fossem da mesma espécie e que possuíssem a mesma destinação constitucional, com a nova redação do art. 74, da Lei n° 9.430/96 (alterada pela Lei n° 10.637/2000), esse entendimento foi alterado, uma vez que, o referido artigo permite a compensação de tributos cuja arrecadação esteja a cargo da Secretaria da Receita Federal, independentemente de serem de espécies diferentes ou de destinação diversa. Disciplinado o citado dispositivo, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 210/2002, em que o artigo 21 deixa claro esse entendimento. Portanto, não há mais que se impor limites à compensação, uma vez que a legislação que rege a matéria permite a compensação entre quaisquer tributos que sejam administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os valores a serem compensados deverão ser corrigidos monetariamente, aplicandose os mesmos índices utilizados pela Fazenda Nacional para a correção de seus débitos fiscais. [...] Em face do exposto, dou provimento à apelação, com fundamento no art.557, § Io A do CPC c/c art. 43, § Io, VII do RI desta corte. Publiquese. Intimese. Decorrido o prazo legal, baixem os autos à Vara de Origem. Rio de Janeiro, 01 de abril de 2005. Nesse sentido a compensação no âmbito dos tributos administrados pela RFB têm rito próprio previsto no art. 170 e no art. 170A do Código Tributário Nacional e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Esse procedimento não se confunde com a constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim, a Recorrente deve apresentar o Per/Dcomp como condição essencial para o exercício do direito previsto no provimento jurisdicional, nos termos da legislação que rege a matéria. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada nos presentes autos. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou Fl. 395DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 396 17 recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos16. Vale reiterar que sobre a multa incidente sobre os valores então pagos, está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1226.844, de 23.10.2009, fls. 314328: “Impugnação Procedente em Parte” para: Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto: Não conhecer da Impugnação no que se refere aos valores já recolhidos, conforme parágrafos 7 a 11 do voto, mas cancelar a multa de ofício a eles relacionados (ver alínea seguinte), tornando definitivamente constituído o crédito tributário de IRPJ, no valor de R$27.687,50, de CSLL, no valor de R$23.012,34, de PIS, no valor de R$1.558,14, e de Cofins, no valor de R$7.191,36, sem acréscimo da multa de ofício e dos juros moratórios; Considerar procedente em parte a Impugnação, para exonerar apenas a multa de ofício relacionada aos valores já pagos (ver alínea anterior), conforme parágrafos 15, 22 e 28 do voto, e manter o crédito tributário constituído de IRPJ, no valor de R$1.077,93, de PIS, no valor de R$14.023,08, de Cofins, no valor de R$64.722,17 e de CSLL, no valor de R$2.876,52, acrescidos de multa de ofício e dos encargos moratórios calculados até a data do efetivo pagamento ; No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso17. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade18. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da 16 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. 17 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 18 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 397 18 Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 19. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 19 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720060/2013-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2013
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3803-005.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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score : 1.0
Numero do processo: 11128.010014/2008-87
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
EXPORTAÇÃO. DADOS DE EMBARQUE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. MULTA ADMINISTRATIVA. FALTA DE PRAZO CERTO E DETERMINADO. NÃO APLICAÇÃO.
Não havendo prazo certo e determinado para cumprimento da obrigação acessória não há que se falar em penalidade decorrente do seu não cumprimento. Somente após a vigência da IN SRF nº 510/2005 é que o prazo para o cumprimento do registro de embarque tornou-se certo e determinado.
Numero da decisão: 3803-005.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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DADOS DE EMBARQUE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. MULTA ADMINISTRATIVA. FALTA DE PRAZO CERTO E DETERMINADO. NÃO APLICAÇÃO. Não havendo prazo certo e determinado para cumprimento da obrigação acessória não há que se falar em penalidade decorrente do seu não cumprimento. Somente após a vigência da IN SRF nº 510/2005 é que o prazo para o cumprimento do registro de embarque tornouse certo e determinado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 01 00 14 /2 00 8- 87 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de auto de infração com valor total de R$ 80.000,00, em decorrência do cumprimento intempestivo de obrigação tributária acessória de informar os dados de embarques de mercadorias no Siscomex. Irresignado, o sujeito passivo apresentou impugnação onde alega: a) inepta da inicial, pois a fiscalização não anexou documento que comprove a infração apontada b) decadência de parte dos lançamentos, pois na data da ciência já haviam decorridos cinco anos da data da ocorrência da infração; c) tempestividade na entrega dos documentos, pois, segundo documentação comprobatória anexa, protocolou as informações pertinente dentro do prazo d) ilegitimidade para figurar no pólo passivo da autuação por não se tratar de transportador marítimo ou representante deste, mas de agente marítimo; e) não causou embaraço e impedimento à fiscalização e o atraso não tipifica infração f) a multa não pode ser aplicada ao agente marítimo por falta de previsão legal e que, por não se tratar de responsabilidade pelo recolhimento do imposto de importação, não há solidariedade, g) realizou denúncia espontânea, visto que informou os dados no sistema antes da lavratura do Auto de Infração; h) a penalidade deveria ser aplicada uma única vez para punir uma só infração praticada de forma continuada, i) não houve atraso na prestação da informação, mas retificação, a qual independe de sua vontade por depender de informações prestadas pelos exportadores, desta feita, a presunção de sua boafé exclui a ilicitude diante da total ausência de qualquer dano ou prejuízo ao erário. Ao final, requer o apensamento dos processos administrativos fiscal 11128.009341/200896 com fulcro no § 1º do art. 9° do Decreto n.° 70.235, de 1972, e solicita o cancelamento do Auto de Infração hostilizado. A 24ª Turma da DRJ/SPI julgou a Impugnação parcialmente procedente e manteve o crédito tributário em parte, acatou a decadência de parte dos lançamentos e desconsiderou as demais alegações do contribuinte. Ementou como se segue: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/08/2003 a 15/02/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11128.010014/200887 Acórdão n.º 3803005.288 S3TE03 Fl. 11 3 No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo de 7 (sete) dias, é devida a multa regulamentar por falta do respectivo registro, aplicada sobre cada viagem. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não caracteriza denúncia espontânea a informação extemporânea dos registros dos dados de embarque, pois este fato, por si, caracteriza conduta infracional cominada por multa regulamentar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/08/2003 a 15/02/2004 AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. DECADÊNCIA. INFRAÇÕES AO REGULAMENTO ADUANEIRO. O direito de impor penalidade por infrações ao Regulamento Aduaneiro extinguese em cinco anos a contar da data da infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual alega: a) há denúncia espontânea, uma vez que as informações retificadas pelo Requerente, foram inseridas no Siscomex antes da lavratura do auto de infração, prejudicando totalmente o auto de infração, à vista disso há exclusão da punibilidade; Fl. 211DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 b) por não ser uma empresa de transporte internacional ou uma prestadora de serviços de transporte internacional, nem tampouco um agente de carga, não há tipicidade legal para o seu enquadramento, de modo que a autuação não merece prosperar. c) a multa não pode ser aplicada ao agente marítimo por falta de previsão legal e que, por não se tratar de responsabilidade pelo recolhimento do imposto de importação, não há solidariedade; d) a penalidade deveria ser aplicada uma única vez para punir uma só infração praticada de forma continuada, Ao final requer que seja reformada a decisão recorrida, julgandose totalmente improcedente o lançamento fiscal e arquivese o presente processo. É o relatório Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Depreendese do processo que a questão principal se encontra na intempestividade de prestação de obrigação autônoma. Porém à época dos fatos ainda não vigorava a Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, que instituiu o prazo de 7 dias para se efetuar o registro no sistema de dados por meio de alteração do artigo 37 da Instrução Normativa SRF nº 28 de 27 de abril de 1994. Até então o artigo 37 da IN SRF nº 28/1994, em sua redação original, assim versava: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. A conduta típica descrita na norma em evidência não se restringe simplesmente à omissão na prestação da informação exigida, abrangendo, também, a forma e o prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, isso em relação às informações sobre a carga transportada em veículo de transporte de carga internacional, é o que se extrai da redação do artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, abaixo reproduzido: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas:[...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):[...] Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11128.010014/200887 Acórdão n.º 3803005.288 S3TE03 Fl. 12 5 e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e” (Negritamos) Dessa forma, patente está que a conduta praticada pela recorrente apenas se subsume a hipótese da infração descrita no referido preceito legal caso seja incontroverso o fato de que a prestação das informações sobre a carga embarcada se deu depois do prazo definido à época pela Administração TributárioAduaneira. Isto posto, devese interpretar o artigo 37 da IN SRF nº 28/94 sem as alterações posteriores à data dos fatos, de forma a esclarecer qual era o prazo estabelecido para que se registrassem os dados no SISCOMEX. Percebese que o artigo contém a expressão “imediatamente após” para regulamentar o tempo de que o contribuinte dispunha para informar os dados do embarque. Sobre tal assunto colaciono entendimento da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento na sessão de 26 de novembro de 2013 por meio do Acórdão nº 3202000.997: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (IN/SRF nºs. 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF n.º 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF n.º 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário provido. Tal acórdão utilizouse do raciocínio do então Conselheiro José Luiz Novo Rossari, relator do processo administrativo nº. 10715.004710/200952 (Acórdão CARF/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária nº. 320200.359), citase: Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Com efeito, não é próprio dos diplomas pátrios norma semelhante que tenha fixado prazo não revestido de certeza e não expresso em quantidade certa. A respeito, vêse que o Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002) refere a prazos em horas, dias, meses e anos (arts. 132 et alia), o que traduz quantificação em números certos e induvidosos. Também a Lei nº 9.784, de 1999, que dispõe sobre o processo administrativo, expressa prazos em dias, meses e anos (art. 66), revelando quantificação certa. O Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece todos os seus prazos em dias, também com quantificação certa. A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que “imediatamente após” não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF nº 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão “imediatamente após” não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex nº 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria” não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. De outra parte, também cumpre acrescentar que o art. 37 da IN SRF nº 28/1994 foi objeto de nova alteração pela IN RFB nº 1.096, de 13/12/2010, que aumentou o prazo para a apresentação de dados pertinentes ao embarque para 7 (sete) dias. Ressaltese que esse ato normativo continua fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como de embaraço, o que bem demonstra a falta de atenção à legislação Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11128.010014/200887 Acórdão n.º 3803005.288 S3TE03 Fl. 13 7 vigente, que desde a Medida Provisória nº 135/2003 tem tipificação legal distinta. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei nº 37/1966, na redação que lhe deu a Lei nº 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF nº 510, de 14/2/2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Como os fatos que originaram este processo ocorreram entre 3/8 e 15/8/2004, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, “a”, da Constituição Federal e pelo art. 2º, parágrafo único, XIII, da Lei nº 9.784, de 1999, que rege o processo administrativo. Em face dos elementos constantes dos autos e da legislação aplicável à espécie, entendo que não se vislumbram os elementos básicos tendentes à caracterização de infração, resultando desnecessária a apreciação das demais alegações da recorrente. Conclusão Em concordância com o todo o exposto, concebese que na data em que foram realizados os embarques não havia prazo para registro dos dados no Siscomex, de forma que não se fundamenta a punição por entrega intempestiva destes. Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e pela IMPROCEDÊNCIA de todo o lançamento fiscal. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 13855.901515/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO.
ESTIMATIVAS COMPENSADAS. Confirmadas as antecipações e o direito creditório utilizado nas compensações, devem ser elas homologadas.
Numero da decisão: 1101-001.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. Confirmadas as antecipações e o direito creditório utilizado nas compensações, devem ser elas homologadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1476; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.901515/200885 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101001.111 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2014 Matéria DCOMP Saldo Negativo CSLL Recorrente ACEF S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. Confirmadas as antecipações e o direito creditório utilizado nas compensações, devem ser elas homologadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 15 15 /2 00 8- 85 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13855.901515/200885 Acórdão n.º 1101001.111 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório O presente processo retorna depois de promovida diligência requerida por esta Turma Ordinária por meio da Resolução nº 1101000.100, da qual constou o seguinte relatório: ACEF S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou as compensações vinculadas ao saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2001, no valor original de R$ 70.316,71. O despacho decisório de fl. 43 indica que, do total de antecipações consideradas na apuração do saldo negativo (R$ 459.181,44), apenas a parcela de R$ 347.580,34 foi confirmada. Como a CSLL devida no período representava R$ 388.864,73, não foi apurado crédito a ser reconhecido, restando integralmente não homologadas as compensações veiculadas nas DCOMP nº 42211.05054.270307.1.7.035040 e 37470.90489.250604.1.3.037808. Cientificada em 04/10/2008, a interessada manifestou sua inconformidade asseverando que por equívoco do departamento contábil do contribuinte ora impugnante não constou que o saldo remanescente aqui compensado foram os mencionados em DCOMP apresentadas em 27/02/2004, conforme os pagamentos que realizou no exercício 2001 e demonstrados através da planilha (documento 04) e através da integralidade do mencionado na PERDCOMP não homologada (documento 05). Acrescentou que tendo em vista os recolhimentos feitos a maior, fora do prazo, o impugnante não recuperou os valores referentes aos juros e multa referente ao código 2484 nos períodos de apuração compreendidos entre 31.03.2001 a 30.04.2001. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: 8. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil RFB, cujas respectivas telas juntei às fls. 135/139, constatei que a interessada teria arrolado todos os 9 (nove) pagamentos de estimativas mencionados no demonstrativo de fls. 103/104 em Dcomps apresentadas em datas anteriores às da apresentação das Dcomps analisadas no presente processo. O extrato que juntei à fl. 140 traz ainda a utilização de dois pagamentos tidos como não localizados segundo o demonstrativo de fls. 103/104. Todos os pagamentos foram arrolados como créditos nas compensações declaradas pela interessada e teriam sido utilizados, não restando valor remanescente para compor o saldo negativo do anocalendário de 2001, sob pena de se estar aproveitando os pagamentos em dobro, tanto nas compensações com crédito de pagamento indevido como nas compensações que utilizam o saldo negativo da CSLL. Cientificada da decisão de primeira instância em 15/09/2010 (fl. 148), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/10/2010 (fls. 150/155). Assevera que a compensação é correta e possível quando realizado pagamento a maior do que ao devido através da sistemática de estimativa de IRPJ/CSLL e questiona a aplicação retroativa da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13855.901515/200885 Acórdão n.º 1101001.111 S1C1T1 Fl. 4 3 Afirma estar provada a efetividade dos pagamentos feitos por estimativa, e que houve recolhimento a maior conforme DIPJ apresentada. Cita dispositivos normativos e ementa de decisão administrativa em favor de seu entendimento. Finaliza juntando planilha explicativa do direito creditório do recorrente (documento 02), demonstrando a efetividade dos recolhimentos a maior feitos através do regime de estimativa, bem como o direito de compensar do recorrente. Esta Conselheira propôs a conversão do julgamento em diligência pelos motivos assim expostos no voto condutor da Resolução: O demonstrativo de fl. 164, juntado ao recurso voluntário, evidencia que o saldo negativo de CSLL no anocalendário 2001, no valor de R$ 70.316,71 decorreria do confronto entre antecipações no valor total de R$ 459.181,44 com a CSLL devida de R$ 388.864,73. O despacho decisório de nãohomologação das compensações aponta a confirmação, apenas, de estimativas no valor de R$ 347.580,34, insuficientes para liquidar a CSLL devida de R$ 388.864,73. Segundo demonstrativo de Informações Complementares da Análise de Crédito (fls. 103/104), as estimativas de janeiro, fevereiro, abril e julho/2001 foram integralmente confirmadas. Já a estimativa de dezembro/2001 não foi confirmada. Por sua vez, as estimativas de março, maio, junho, agosto, setembro, outubro e novembro/2001 foram parcialmente confirmadas porque o DARF indicado foi suficiente para quitar parcialmente débito de estimativa. Referido demonstrativo enuncia sob o título Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas, além dos recolhimentos vinculados à estimativa de dezembro/2001 que não foram localizados, os recolhimentos promovidos para as demais estimativas, relativamente aos quais indica qual parcela foi confirmada, e qual o valor não confirmado. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte apresentou DCOMP que teria se prestado a liquidar débitos de estimativas de CSLL ao longo do ano calendário 2001, valendose de crédito de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário 1999. Além disso, apresentou outras DCOMP por meio das quais utilizou outras parcelas de recolhimentos de CSLL do anocalendário 2001 para compensações, dentre elas compensações com débitos de estimativas de CSLL do próprio anocalendário 2001. Assim, a contribuinte compreendeu a razão de os recolhimentos de estimativas terem sido parcialmente confirmados, e juntou provas para demonstrar que elas não foram, de fato, integralmente recolhidas, mas sim, em alguns períodos, compensadas com outros créditos, ou mesmo destinadas a compensações de outros débitos de estimativas do mesmo anocalendário. A título de exemplo, vêse que o recolhimento de R$ 41.686,52 realizado em 31/01/2002 e referente à estimativa de CSLL devida em dezembro/2001 (fl. 140) foi parcialmente vinculada à DCOMP nº 36929.59041.270204.1.3.048654 (fls. 93/98) para liquidação de débito de CSLL de julho/2001 no valor de R$ 19.376,91 e acréscimos. Aquele recolhimento, porém, não foi admitido como antecipação na apuração do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001, nem em dezembro/2001, nem parcialmente em julho/2001. De forma semelhante, do recolhimento de estimativa de CSLL no valor R$ 74.472,97, promovido em 28/09/2001, após o vencimento de 30/04/2001, somente foi admitida a dedução, na apuração do saldo negativo de 2001, da parcela principal de R$ 73.731,65, porque a parcela remanescente de R$ 741,32 foi utilizada na DCOMP nº 28013.56412.270204.1.3.041194 (fls. 51/56). Todavia, esta utilização destinouse a liquidar outra parcela da CSLL devida em fevereiro/2001 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13855.901515/200885 Acórdão n.º 1101001.111 S1C1T1 Fl. 5 4 (R$ 650,84 e acréscimos), cujo cômputo no saldo negativo ficou limitado à sua apuração original de R$ 41.748,20, recolhida em atraso em 31/07/2001. A autoridade julgadora de 1a instância entendeu que todos os pagamentos foram arrolados como créditos nas compensações declaradas pela interessada e teriam sido utilizados, não restando valor remanescente para compor o saldo negativo do ano calendário de 2001, sob pena de se estar aproveitando os pagamentos em dobro, tanto nas compensações com crédito de pagamento indevido como nas compensações que utilizam o saldo negativo da CSLL. Não atentou, porém, que a utilização se deu com débitos do próprio período de apuração de formação do crédito. Esta Turma de Julgamento já apreciou, na sessão de 07 de agosto de 2013, procedimento semelhante realizado pela contribuinte relativamente às antecipações de IRPJ devidas no anocalendário 2004. Esta Relatora assim abordou a questão no Acórdão nº 1101000.923: A contribuinte fez uso de indébito no valor original de R$ 1.450,69, apurado em recolhimento da estimativa de IRPJ devida em setembro/2004, para quitação de estimativa de IRPJ devida no mês subseqüente (outubro/2004), no valor de R$ 1.465,20. Considerando que crédito e débito integram a apuração do mesmo ano calendário, a vantagem obtida pela contribuinte pode se restringir aos juros incorridos sobre o indébito, equivalente a 1% (R$ 14,51), a qual não se verificaria caso todo o recolhimento de estimativa pertinente a setembro/2004 fosse considerado devido, reduzindo o IRPJ acumulado até outubro/2004, ou no ajuste anual. Ocorre que a jurisprudência administrativa já está consolidada em favor do procedimento adotado pela contribuinte, consoante recente Súmula aprovada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 10 de dezembro de 2012: Súmula CARF nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, cabe aqui afastar a nãohomologação da compensação, que teve por fundamento a impossibilidade de a contribuinte utilizar indébitos formados a partir de recolhimentos de estimativas. Porém, para afirmar a homologação da compensação, é necessária a prova da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. De fato, a desconstituição do único fundamento da decisão – impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos de estimativas – é insuficiente para concluir pela integridade da formação do crédito, dado que as análises da autoridade administrativa foram interrompidas em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido. Superada esta preliminar, necessária se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido na apuração da estimativa de setembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 1.450,69, e a correspondente disponibilidade no momento da compensação. Enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da Fl. 303DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13855.901515/200885 Acórdão n.º 1101001.111 S1C1T1 Fl. 6 5 contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Também aqui devem ser admitidas as compensações de pagamentos de estimativas, que a interessada reputa indevidos, com outros débitos. E, quando esta compensação se verifica com débitos de estimativas do mesmo anocalendário, embora seja válido rejeitar parcialmente o pagamento original na formação do saldo negativo, de outro lado devese computar neste saldo negativo a estimativa quitada com a sua compensação. Definidas estas premissas, necessário se faz que a autoridade administrativa local, frente ao erro de preenchimento da DCOMP nº 42211.05054.270307.1.7.035040 alegado pela recorrente, identifique quais estimativas de CSLL devidas no ano calendário 2001 foram liquidadas por meio das demais compensações apresentadas, confirmando nos sistemas informatizados da Receita Federal quais DCOMP foram efetivamente apresentadas e qual valor das estimativas foi alcançado pela compensação, de modo a determinar qual parcela suplementar do saldo negativo pode ser reconhecida à interessada. Por tais razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade administrativa local identifique, na forma proposta, qual parcela suplementar do saldo negativo pode se reconhecida à interessada. Ao final dos trabalhos deverá ser elaborado relatório circunstanciado das verificações promovidas e do resultado alcançado, cientificandoo à interessada e reabrindolhe prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa, após o qual os autos deverão retornar a este Conselho. Por meio da Informação Fiscal de fls. 189/190 a autoridade fiscal consigna que estimativas de CSLL compensadas com DARF ao longo do anocalendário 2001 foram validadas no sistema SIEF em montante equivalente a R$ 79.447,80, assim como foram validadas estimativas de CSLL compensadas sem DARF no valor total de R$ 60.067,50. Considerando as estimativas de CSLL recolhidas e já validadas na análise preliminar da compensação, no valor total de R$ 347.560,34, informa que as estimativas de CSLL confirmadas no período seriam elevadas para R$ 487.075,64, mas observa que a contribuinte somente deduziu em sua apuração o montante de R$ 459.181,44, de modo a constituir o saldo negativo utilizado de R$ 70.316,71. Cientificada do resultado dos trabalhos fiscais em 13/02/2014 (fl. 245/246), a contribuinte manifestouse às fls. 248/280 para juntar outros elementos e elevar para R$ 103.213,31 o saldo negativo de CSLL apurado em 2001. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13855.901515/200885 Acórdão n.º 1101001.111 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consta destes autos apenas duas compensações declaradas pelo sujeito passivo e vinculadas ao saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2001: · DCOMP nº 42211.05054.270307.1.7.035040, por meio da qual a contribuinte retificou a DCOMP nº 05404.24698.300404.1.3.03 6703, valendose do crédito original de R$ 70.316,71, acrescido de juros calculados à taxa SELIC no percentual de 42,02%, totalizando o montante de R$ 99.863,79, destinouo à liquidação de débitos de CSLL devidos em janeiro/2002 (vencimento 28/02/2002), no valor total de R$ 16.934,48 (principal de R$ 10.533,36, acrescido de multa de mora de R$ 2.106,67 e juros de mora de R$ 4.294,45); e · DCOMP nº 37470.90489.250604.1.3.037808, por meio da qual a contribuinte, valendose do crédito indicado na DCOMP inicial nº 05404.24698.300404.1.3.036703, mas agora acrescido de juros calculados à taxa SELIC no percentual de 44,43%, destinouo à liquidação de débitos de CSLL devidos em julho/2002 (vencimento 30/08/2002), no valor total de R$ 73.664,63 (principal de R$ 47.645,45, acrescido de multa de mora de R$ 9.529,09 e juros de mora de R$ 16.490,09), e em agosto/2002 (vencimento 30/09/2002), no valor total de R$ 10.671,95 (principal de R$ 6.964,66, acrescido de multa de mora de R$ 1.392,93 e juros de mora de R$ 2.314,36). Os débitos assim extintos foram cobrados em razão da nãohomologação das compensações como se vê às fls. 105/106. Por sua vez, o trabalho fiscal realizado por ocasião da diligência requerida por este Colegiado confirmou as antecipações informadas na DCOMP e autorizou o reconhecimento do direito creditório no valor original ali indicado, de R$ 70.316,71. As taxas de juros aplicadas ao indébito, apontadas na DCOMP, correspondem à variação verificada entre fevereiro/2002 e o mês anterior à compensação, acrescidas de 1% no mês da compensação. E, considerando o indébito assim atualizado, temse que: · Em 30/04/2004 o indébito original de R$ 70.316,71 corresponderia ao valor atualizado de R$ 99.863,79, e liquidaria integralmente o débito de R$ 16.934,48, consumindo a parcela de R$ 11.924,01 do crédito original; · Em 25/06/2004 o indébito remanescente de R$ 58.392,70 (R$ 70.316,71 diminuído de R$ 11.924,01) corresponderia ao valor Fl. 305DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13855.901515/200885 Acórdão n.º 1101001.111 S1C1T1 Fl. 8 7 atualizado de R$ 84.336,58, montante idêntico à soma dos débitos compensados de R$ 73.664,63 e R$ 10.671,95. Os débitos compensados, por sua vez, foram acrescidos de multa de mora no percentual máximo de 20%, bem como de juros calculados com base na variação da taxa SELIC entre o mês subseqüente ao de vencimento até o mês anterior ao da compensação, somada ao percentual de 1% no mês da compensação. Assim, confirmado o indébito indicado na DCOMP pelo valor original de R$ 70.316,71, e sendo ele suficiente para liquidar os débitos compensados, regularmente adicionados dos acréscimos moratórios devidos pela compensação em atraso, as compensações declaradas restam homologadas, e a contribuinte não tem mais qualquer pretensão resistida nestes autos que imponha a apreciação dos documentos apresentados às fls. 248/280, com vistas ao reconhecimento de direito creditório superior ao utilizado nas compensações. Suas alegações devem ser apresentadas frente a outro questionamento que eventualmente venha a se formar em face da utilização ou pedido de restituição de outra parcela do saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2001. Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para homologar as compensações declaradas por meio das DCOMP nº 42211.05054.270307.1.7.035040 e 37470.90489.250604.1.3.037808. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 15771.720565/2013-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/03/2012
IMPORTAÇÃO. RECURSOS DE TERCEIROS. CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO.
A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste.
IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS À OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. CONTRATOS PARTICULARES. INOPONIBILIDADE. PENALIDADE.
Contrato de pactuação de sociedade em conta de participação não pode ser oposto ao controle aduaneiro das operações de comércio exterior com o fito de ocultar os reais intervenientes na operação.
A ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mediante a cessão do nome da pessoa jurídica importadora, enseja a aplicação de penalidade de 10% sobre o valor da operação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/03/2012 IMPORTAÇÃO. RECURSOS DE TERCEIROS. CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste. IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS À OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. CONTRATOS PARTICULARES. INOPONIBILIDADE. PENALIDADE. Contrato de pactuação de sociedade em conta de participação não pode ser oposto ao controle aduaneiro das operações de comércio exterior com o fito de ocultar os reais intervenientes na operação. A ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mediante a cessão do nome da pessoa jurídica importadora, enseja a aplicação de penalidade de 10% sobre o valor da operação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 266 1 265 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15771.720565/201386 Recurso nº 15.771.720565201386 Voluntário Acórdão nº 3403003.109 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria COMÉRCIO EXTERIOR CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS À OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE PENALIDADE PECUNIÁRIA Recorrente NOVOMÉDICA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/03/2012 IMPORTAÇÃO. RECURSOS DE TERCEIROS. CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS À OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. CONTRATOS PARTICULARES. INOPONIBILIDADE. PENALIDADE. Contrato de pactuação de sociedade em conta de participação não pode ser oposto ao controle aduaneiro das operações de comércio exterior com o fito de ocultar os reais intervenientes na operação. A ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mediante a cessão do nome da pessoa jurídica importadora, enseja a aplicação de penalidade de 10% sobre o valor da operação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 05 65 /2 01 3- 86 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Novomédica Comércio Importação e Exportação Ltda. teve contra si lavrado o Auto de Infração em decorrência de procedimento de controle aduaneiro da Declaração de Importação (DI) nº 12/05176367, registrada em 20 de março de 2012., em que se constatou que houve cessão de seu nome para ocultar o real adquirente das mercadorias importadas Medstar Importação e Exportação Ltda. CNPJ nº 03.580.620/000135, com aplicação da multa equivalente a 10% do valor da operação, cominada no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, c/c o art. 727 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 – RA/2009. A exação montou a R$ 5.695,49. A Fiscalização narra que Novomédica registrou na data de 20/03/2012, junto à Alfândega da Receita Federal em São Paulo ALF/SPO, a referida DI, visando à nacionalização de aparelho dermatológico a laser proveniente dos Estados Unidos, declarando como valor da mercadoria no local do embarque VMLE no valor de USD 30.700,00 na condição de importadora e adquirente do bem em causa. Registrou ainda que, mediante pesquisas realizadas na internet, foi encontrado produto idêntico ao importado no valor de US$138.271,98 (novo) e usado por US$115.000,00 valores muito superiores àquele declarado pelo importador, evidenciando indício de subfaturamento da operação. Prosseguiu aduzindo que a operação de revenda do bem em questão para a citada empresa Medstar registrou margem de lucro muito reduzida. A partir desses indícios, iniciouse Procedimento Especial de Controle Aduaneiro para aquela Declaração de Importação, previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.169, de 29 de junho de 2011, e a consequente retenção do bem. No curso do procedimento, após sucessivas reintimações realizadas, a Fiscalização coletou diversos documentos e informações de interesse fiscal, dentre os quais destacamse: a) que em 23/02/2012, consta de seu livro Diário de Novomédica um ingresso de R$53.111,00, relativo a um adiantamento de MEDSTAR e que, na mesma data, há o registro do contrato de câmbio relativo à DI n 12/05176367 no valor de R$52.282,10; b) que, na mesma data, o extrato de uma de suas contascorrentes registra o ingresso de R$53.111,00 e, logo após, a saída de R$52.282,10 pela contratação do referido contrato de câmbio; c) que a importação foi realizada por meio da comissária Advance Assessoria e Consultoria de Comércio Exterior Ltda, cuja remuneração foi custeada com recursos igualmente originários da MEDSTAR; d) que verificou que, em data de 20/03/2012 (data do registro da DI), MEDSTAR creditou nessa conta os recursos requeridos para o pagamento do despacho de importação, destacando que, ato contínuo, esses cabedais foram transferidos pela NOVOMÉDICA para a comissária de despachos ADVANCE para que esta última efetuasse o despacho aduaneiro; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15771.720565/201386 Acórdão n.º 3403003.109 S3C4T3 Fl. 267 3 e) que a análise das movimentações financeiras realizadas, bem como o registro dos lançamentos efetuados no seu livro Diário, identifica correlação de datas e de valores que revela que os recursos utilizados para o financiamento da importação em questão foram provenientes da MEDSTAR, que até então permanecia oculta do Fisco Federal. Em impugnação de fls. 125 a 139, a autuada contraditou a exação com os seguintes argumentos: a) que, sendo importadora de aparelhos e de materiais médico hospitalares, aparelhos eletroeletrônicos e componentes eletrônicos, realizou, no período de 2012, a importação de equipamento (aparelho dermatológico a laser da marca Fotona Inc.), a fim de realizar transação comercial conjunta com MEDSTAR IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LIDA; b) que é importadora e comercializadora do bem em questão em virtude de ter firmado Instrumento Particular de Formação de Sociedade em Conta de Participação com MEDSTAR IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (colacionou cópia do contrato), estando assim autorizada a efetivar a importação do referido aparelho dermatológico; c) que dessa forma a propriedade do bem para fins de despacho aduaneiro é da NOVOMÉDICA, mas que realizou a importação em virtude de Contrato anteriormente firmado com a MEDSTAR; d) que o contrato de formação de Sociedade em Conta de Participação é veículo mais eficaz e conveniente para implementação de sua relação no Brasil; e) que este tipo de Sociedade está estruturada quando duas ou mais pessoas se reúnem, sem firma social, para lucro comum, em uma ou mais operações de comércio determinadas, trabalhando em nome individual para o fim social, e que tal sociedade não está sujeita às formalidades prescritas para a formação de outras; f) que o artigo 992 do Código Civil prescreve que "a constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provarse por todos os meios de direito"; g) que, ...na relação comercial firmada entre MEDSTAR e NOVOMÉDICA, não houve ocultação da identidade do terceiro, pelo contrário, foi realizada a Sociedade em Conta de Participação a fim de regular esta situação e evitar possíveis sanções e alegações de fraude e simulação, sendo que todos os documentos solicitados pela autoridade fiscal para a regular identificação da operação foram apresentados ; h) que “...não houve afronta ao dispositivo legal descrito no artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76, pois em nenhum momento da transação comercial houve a ocultação intencional do sujeito passivo, vez que estava acobertado por uma sociedade dita como secreta e, como visto, Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 anteriormente, não tinha a necessidade de possuir os seus atos registrados na Junta Comercial”; i) que ... ato tendente a diminuir a eficácia do Instituto Civil da Sociedade em Conta de participação não apenas irá apresentar afronta ao Código Civil, mas também ao Código Tributário Nacional, de onde emanam as normas de cunho tributário, devendo todas as demais legislações infra legais se subordinarem aos ditames prescritos nesta Legislação Complementar ; j) que a Autoridade Fiscal em momento algum comprovou que realmente realizou as pesquisas nas Internet que alegou ter feito e que meras alegações sem a real comprovação dos fatos não podem gerar presunção de que houve subfaturamento; k) que o princípio da boafé e da função social dos contratos está disciplinado nos artigos 421 e 422 do Código Civil, os quais prescrevem que os contratantes são obrigados a guardar, seja na conclusão do contrato, seja na sua execução, os princípios de probidade e boafé; l) que a operação realizada foi totalmente legal, não dando margem alguma para a alegação de ilicitude do ato; m) que se insurge contra a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. Ad cautelam, protestou pelo prazo suplementar de dez dias para juntada de cópia autenticada de seu contrato social. A impugnação foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/REC. O Acórdão nº 1142.292, de 23 de agosto de 2013, fls. 174 a 187, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do Fato Gerador: 20/03/2012 Imposto sobre a Importação II IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS À OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. A lei prevê a penalidade de multa equivalente a 10% do valor da operação para as operações de importação realizadas com a ocultação do real adquirente ou beneficiário, mediante a cessão do nome da pessoa jurídica importadora. Base Legal: Art. 33 da Lei nº 11.488/2007 c/c Art. 727 do Decreto nº 6.759/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 6ª Turma da DRJ/REC. O arrazoado de fls. 174 a 187, após síntese dos fatos relacionados com a lide, em preliminar, argúi a nulidade da decisão recorrida, que se omitiu em analisar diversos pontos Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15771.720565/201386 Acórdão n.º 3403003.109 S3C4T3 Fl. 268 5 controvertidos pelo impugnante, cerceando seu direito de defesa. No mérito, aduz que a decisão de primeira instância é equivocada, pois a operação foi realizada sob o pálio de uma Sociedade em Conta de Participação, o que caracteriza o ato como operação totalmente amparada pelas normas legais, principalmente no que diz respeito aos limites de interpretação do aplicador da lei, o qual deverá fazêlo conforme os ditames da lei civil, nos termos do art. 110 do CTN. Insiste em ter promovido a correta importação do produto, imiscuída de boafé, sem intenção ou dolo de causar dano ao erário, nem ao menos de fraudar a ordem tributária. Retoma a alegação de boafé na realização da operação entre Medstar e Novomédica, que deve ser presumida com todos os seus efeitos legais. Rechaça a aplicação da multa de ofício de 10%, tendo em vista que realizou ação totalmente legal, amparada pelo ordenamento jurídico sob o a celebração de Sociedade em conta de participação. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 192 a 213 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJREC6ª Turma nº 1142.292, de 23 de agosto de 2013. Preliminar O recorrente tacha a decisão recorrida de carente de fundamentação naquilo que se refere aos fatos, provas e documentos apresentados pela impugnante e que não foram enfrentados pela autoridade julgadora. Nesse sentido, pede que seja decretada a asua nulidade por cerceamento do direito de defesa. É recorrente, nos recursos da espécie, a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, de decisão de primeira instância que vai de encontro aos interesses do recorrente. A decisão da ínclita 6ª Turma da DRJ em Recife é hígida e enfrentou a impugnação sob o ponto de vista que lhe pareceu mais apropriado. Aqui, cabe ressaltar que o livre convencimento do julgador permite seja uma decisão amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. Não está o órgão julgador obrigado a apreciar, de per si, todas alegações levantadas. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. E esse deslize a decisão recorrida não cometeu. No sentido de que o julgador não está obrigado a analisar todas as questões suscitadas, cabe mencionar a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Min. do STJ Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497. Observese: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Neste sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: "RECURSO ESPECIAL. IMÓVEL FUNCIONAL ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA SAF. OCUPAÇÃO POR SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE. ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STF E STJ. 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. 2. É passível de alienação o imóvel funcional que, à época de edição da Lei 8.025/90, era administrado pela Secretaria da Administração Federal da Presidência da República – SAF, ainda que ocupado fosse por servidores militares, não se aplicando ao caso a vedação inscrita no art. 1º, § 2º, I, desta norma. 3. Precedentes: REsp 61.999/DF, REsp 155.259/DF, REsp 76.493/DF, REsp 59.119/DF, RMS 21.769/DF (STF). 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido" (REsp nº 394.768/DF, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 01/07/2002, pág. 00247). "RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL ART. 535, I E II, DO CPC EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO. 1 Inexiste violação ao art. 535, I e II, do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. 2 Agravo improvido" (AGREsp n.º 109.122/PR, Relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 08/09/2003, p. 00263). Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao presente recurso especial, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil. Rejeito a preliminar. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15771.720565/201386 Acórdão n.º 3403003.109 S3C4T3 Fl. 269 7 Mérito A partir de indícios de subfaturamento detectados na importação documentada pela Declaração de Importação (DI) nº 12/05176367, a Fiscalização da ALF/SPO iniciou ação fiscal junto ao declarante Novomédica Comércio Importação e Exportação Ltda., ora recorrente, no curso da qual analisou as movimentações financeiras realizadas, bem como o registro dos lançamentos efetuados no livro Diário da Novomédica e identifica correlação de datas e de valores entre o aporte de recursos e os desembolsos realizados, concluindo que os recursos utilizados para o financiamento da importação em questão foram fornecidos por Medstar. Essa conclusão não foi contestada, nem pela impugnante, nem pela recorrente. Incide assim a presunção legal inscrita no art. 27 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. Quedou incontroverso também o fato de que, nem Novomédica, nem Medstar preencheram os requisitos legais para a realização da modalidade de importação por conta e ordem, pois: a. não apresentaram previamente cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz b. não indicaram em campo próprio da Declaração de Importação, do número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) c. o conhecimento de carga correspondente não foi consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado d. a fatura comercial não identificou o real adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias importadas. Opõem, entanto, a alegação de que a importadora Novomédica e a real adquirente Medstar pactuaram a formação de uma sociedade em conta de participação, em que a apenas a primeira atua ostensivamente, estando assim legitimada para efetivar a importação do referido aparelho dermatológico. Desde já, há de se sublinhar o disposto no art. 123 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para Fl. 272DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 8 modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Obviamente, se se permitir que o real adquirente da mercadoria importada se oculte, por exemplo, escudandose numa obscura sociedade em conta de participação, todo o arcabouço legal do controle aduaneiro, construído ao longo de 50 anos, corre o risco de ser desarticulado. A interpretação dos fatos e a aplicação do direito não podem admitir que o infrator se locuplete da simulação por ele próprio orquestrada, inquinando a própria legislação da mácula de prestarse à função de acobertar fraudes, que assim permaneçam alheias aos incontáveis dispositivos legais inseridos na legislação no intento de coibir tais práticas. Não bastasse a inoponibilidade dessa avença particular – e oculta – ao controle aduaneiro, o que se constata é que, fosse realmente negócio jurídico celebrado para a consecução do escopo da alegada SCP, o bem importado deveria remanescer registrado em nome do sócio ostensivo. A transferência do bem importado com uso do fundo social para o sócio participante acaba por desnaturar a participação, fato que lança por terra a já frágil tergiversação recursal. A alegação de boafé ou de ausência de dolo é irrelevante para a caracterização da infração tributária, como pertinentemente enfatizado na decisão recorrida, que, aliás, se sustenta por suas próprias e jurídicas razões. A ocultação dos reais intervenientes na operação de importação caracteriza, de per si, a infração tipificada como dano ao Erário, sendo absolutamente desnecessário que a Fiscalização se esforce em provar a efetiva ocorrência de prejuízo aos cofres públicos, na medida em que a própria conduta do administrado constitui uma ação não autorizada, inquinada pela presunção de ato abusivo da pessoa jurídica, em detrimento do interesse coletivo. Conclusão Provado que os recursos empregados para a realização da operação de comércio exterior foram supridos por terceiro, que permaneceu oculto às autoridades aduaneiras, aplicase a penalidade cominada no cominada no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, contra o importadorocultante, que cedeu seu nome. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 23 de julho de 2014 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 36378.004487/2006-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2302-003.135
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, pela falta de ciência da diligência realizada no decorrer do procedimento administrativo.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 272 1 271 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36378.004487/200662 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.135 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2014 Matéria Seguro de Acidentes do Trabalho – SAT/GILRAT/ADICIONAL Recorrente MUNICÍPIO DE ITABIRITO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, pela falta de ciência da diligência realizada no decorrer do procedimento administrativo. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 37 8. 00 44 87 /2 00 6- 62 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi lavrada em 30/04/2001 e cientificada ao sujeito passivo em 04/05/2001, referindose ao adicional SAT/RAT, em razão da exposição de segurados a agentes nocivos, no período de 04/1999 a 02/2001. O Relatório Fiscal de fls. 26 e seguintes, diz que o crédito foi lançado por arbitramento sobre o valor total da folha de pagamento, porque o sujeito passivo não apresentou os documentos solicitados, como o Laudo Técnico, capazes de identificar os segurados expostos aos riscos ambientais do trabalho. Após a apresentação da impugnação, os autos foram baixados em diligência, conforme despachos de fls. 190 e 192, para que o lançamento do adicional de SAT fosse feito de forma discriminada, por segurado exposto a agente nocivo. Informação Fiscal de fls. 193/198, procedeu como proposto, anexando às fls. 199/202, planilha apenas dos segurados expostos aos agentes nocivos e retificando o valor lançado. Ato contínuo foi exarada a DecisãoNotificação de fls. 209/215, pugnando pela procedência parcial da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, frente à retificação proposta. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: a) que procedeu ao parcelamento dos valores lançados; b) que a aferição indireta não pode subsistir até porque o Fisco fez um minucioso levantamento dos segurados expostos a riscos, e c) argúi que a decisão não pode ser mantida, devendo prevalecer a apuração realizada pelo auditor. Foram oferecidas as contrarrazões pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36378.004487/200662 Acórdão n.º 2302003.135 S2C3T2 Fl. 273 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Das Questões Preliminares ao Mérito Analisando os autos verifiquei que não há provas de que a notificada tenha sido cientificada do resultado da diligência de fls. 193/198, 199/202, que propôs a retificação do crédito lançado. A DecisãoNotificação pugnou pela procedência parcial do lançamento, sem a possibilidade do contraditório em relação à diligência fiscal. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pelo Auditor Fiscal ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contrarrazões aos fatos apontados pela fiscalização ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado o procedimento, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que prolatada sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de se manifestar, regularmente, em relação à informação fiscal carreada aos autos pelo fisco. Pelo princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Nesse sentido, entendo que a decisão proferida é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 31, II, da Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito. Art. 31. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por todo o exposto, voto pela anulação da decisão de primeira instância. devendo ser conferida ciência ao recorrente do resultado da diligências fiscal de fls. 193/198, 199/202, abrindolhe prazo para manifestação e posterior emissão de novo decisório, se for o caso. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36378.004487/200662 Acórdão n.º 2302003.135 S2C3T2 Fl. 274 5 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10073.902037/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3802-003.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 37 /2 00 9- 11 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902037/200911 Acórdão n.º 3802003.095 S3TE02 Fl. 124 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902037/200911 Acórdão n.º 3802003.095 S3TE02 Fl. 125 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15374.001833/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2002
SIMPLES. CASA DE REPOUSO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO.
Estabelecimentos prestadores de serviços de "casa de repouso" não estão impedidas de optar pelo Simples. O escopo principal desta espécie de estabelecimento é o serviço de hotelaria, cuja clientela necessariamente não é feita de pessoas doentes. O concurso dos serviços médicos, de enfermagem e outros visa a amparar os assistidos, propiciando-lhes a possibilidade de pronto atendimento e/ou encaminhamento hospitalar.
Numero da decisão: 1101-001.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Callijuri, Cristiane Silva Costa e Joselaine Boeira Zatorre.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Exercício: 2002 SIMPLES. CASA DE REPOUSO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO. Estabelecimentos prestadores de serviços de "casa de repouso" não estão impedidas de optar pelo Simples. O escopo principal desta espécie de estabelecimento é o serviço de hotelaria, cuja clientela necessariamente não é feita de pessoas doentes. O concurso dos serviços médicos, de enfermagem e outros visa a amparar os assistidos, propiciando-lhes a possibilidade de pronto atendimento e/ou encaminhamento hospitalar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Callijuri, Cristiane Silva Costa e Joselaine Boeira Zatorre.
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CASA DE REPOUSO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO. Estabelecimentos prestadores de serviços de "casa de repouso" não estão impedidas de optar pelo Simples. O escopo principal desta espécie de estabelecimento é o serviço de hotelaria, cuja clientela necessariamente não é feita de pessoas doentes. O concurso dos serviços médicos, de enfermagem e outros visa a amparar os assistidos, propiciandolhes a possibilidade de pronto atendimento e/ou encaminhamento hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 18 33 /2 00 8- 82 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Callijuri, Cristiane Silva Costa e Joselaine Boeira Zatorre. Relatório Tratase do Ato Declaratório de Exclusão n° 85, de 30/07/2008, que excluiu a interessada do Simples Federal, com efeitos a partir de 01º/01/2002, em razão de exercício de atividade supostamente vedada à fruição dos benefícios do regime do Simples. Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alega, em síntese, que: a) é uma empresa puramente comercial, que hospeda pessoas idosas; b) o mero acompanhamento médico é opcional e pode ser fornecido pelo ente hospedado – como usualmente acontece –, já que muitos hóspedes tem seu próprio médico e/ou plano de saúde, assim como toda medicação e exames são por eles indicados e fornecidos; c) a contratação de profissional médico não é essencial à atividade funcional da empresa, sendo essa opção oferecida aos hóspedes adicionalmente. A DRJ (fl. 26/30) negou provimento à Manifestação de Inconformidade, mantendo, pois, a exclusão da Contribuinte do Simples por entender que a ora Recorrente desempenha atividade vedada à sistemática daquele regime especial. A Contribuinte apresenta Recurso Voluntário (fl. 33/34) contra a decisão da DRJ, em que argui que é uma casa de repouso para idosos e que a oferta de serviços de profissionais de saúde é exigência legal, conforme obriga o Estatuto do Idoso – Lei n° 10.741/03, arts. 49 e 51 –, a Legislação da Agência Nacional da Vigilância Sanitária, RDC n° 283/05 e a Resolução n° 192/03 do CREMERJ. Ainda defende que as atividades prestadas pelos profissionais destacados não geram receita à Recorrente e são complementares a atividade fim da empresa. Questiona, então, o entendimento de que bastaria a oferta de serviços dos profissionais para caracterizar a exclusão. É o relatório. Voto BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator O Recurso é tempestivo, conforme se verifica do contraste das folhas 32 e 33. Dele conheço. Ao negar provimento à Manifestação de Inconformidade, a autoridade de 1ª instância fundamentou sua decisão por entender que a contribuinte desempenhava atividade vedada à fruição do regime do Simples. A DRJ se manifestou em sua decisão da seguinte forma: “O que importa no presente caso é analisar a natureza dos serviços prestados pela interessada para verificar se tais serviços estão enquadrados no âmbito das vedações estabelecidas através do dispositivo legal em questão. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.001833/200882 Acórdão n.º 1101001.056 S1C1T1 Fl. 3 3 A interessada, em sua manifestação de inconformidade, argumenta que a contratação de profissional médico não é essencial à atividade funcional da empresa e que essa opção é oferecida aos hóspedes, adicionalmente.” (fl. 29) Ao analisar a natureza dos serviços prestados pela ora Recorrente, como fez a DRJ, chego, porém, a conclusão oposta àquela exarada pela autoridade julgadora de primeira instância. Certo é que a interessada desempenha atividade de hospedagem de pessoas idosas. Para cumprir as exigências legais, a ora Recorrente é obrigada a oferecer/disponibilizar serviços de atenção à saúde. A prestação de serviço médico não se confunde com a atividade prestada pela interessada, que é o acolhimento e a hospadagem de pessoas idosas. Este Conselho já se pronunciou noutras oportunidades pela compatibilidade das entidades que oferecem serviço de hospedagem e de repouso com a sistemática do Simples. Haver a disponibilização de atendimento à saúde não desnatura a atividade das casas de repouso. A atividade médica disponibilizada é acessória à atividade da contribuinte e decorre de obrigação legal. Sua atividade fim não consta da rol de atividades vedadas ao regime do Simples. O concurso dos serviços médicos, de enfermagem e outros eventuais visa a amparar os assistidos, propiciandolhes a possibilidade de pronto atendimento e/ou encaminhamento hospitalar. No ponto, insta salientar que, em casos que poderiam ser entendidos como mais grave – no qual a prestação de serviços médicos não era apenas acessória, mas indissociável da atividade da empresa –, o Eg. Superior Tribunal de Justiça já se manifestou quanto à possibilidade de manutenção da Contribuinte no Simples, in verbis: “RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. ACÓRDÃO PROFERIDO PRO MAIORIA EM MANDADO DE SEGURANÇA. SÚMULA N.º 169/STJ. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. HOSPITAL. OPÇÃO PELO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES (SIMPLES). VEDAÇÃO LEGAL. LEI 9.317/96. ART. 9º, XIII. ASSEMELHAÇÃO A MÉDICO E ENFERMEIRO. RATIO LEGIS. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA LEI, QUE VISOU CONCEDER TRATAMENTO DIFERENCIADO EM ATENDIMENTO À REGRA DO ART. 179 DA CF/88. LISTA EXEMPLIFICATIVA DO REFERIDO INCISO, ACRESCIDA DA NORMA DE ENCERRAMENTO PELA ADIÇÃO DA EXPRESSÃO "ASSEMELHADOS" NO AFÃ DE EXCLUIR PESSOAS JURÍDICAS QUE DESEMPENHAM ATIVIDADES QUE NÃO JUSTIFICAM A DIFERENCIAÇÃO DO REGIME. 1. Revelamse inadmissíveis os embargos infringentes opostos contra acórdão proferido por maioria em sede de ação mandamental. 2. Entendimento cristalizado na súmula 169, do STJ, que privilegiou o princípio da celeridade exigido pela ação mandamental em detrimento da sistemática ordinária dos recursos no CPC (" São inadmissíveis embargos infringentes no Fl. 38DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 processo de mandado de segurança, " ) 3. O escopo da Lei 9.317/96, em consonância com o art. 179 da CF, foi o de estimular as pessoas jurídicas mencionadas em seus incisos, com a previsão de carga tributária mais adequada, simplificação dos procedimentos burocráticos, protegendo as microempresas e retirandoas do mercado informal, por isso das ressalvas do inciso XIII do art. 9º do mencionado diploma, cuja constitucionalidade foi assentada na ADIn 1.643/DF, excludentes dos profissionais liberais e das empresas prestadoras dos serviços correspectivos e que, pelo cenário atual, dispensam essa tutela especial do Estado. 4. Detectada essa ratio essendi, interpretação teleológica que afere o motivo pelo qual foi elaborado o regime SIMPLES indica que os hospitais podem optar pelo SIMPLES, tendo em vista que eles não são prestadores de serviços médicos e de enfermagem, mas, ao contrário, dedicamse a atividades que dependem de profissionais que prestem referidos serviços, uma vez que há diferença entre a empresa que presta serviços médicos e aquela que contrata profissionais para a consecução de sua finalidade. 5. Em verdade, nos hospitais, os médicos e enfermeiros não atuam como profissionais liberais, mas como parte de um sistema voltado à prestação de serviço público de assistência à saúde, motivo pelo qual não se pode afirmar que os hospitais são constituídos de prestadores de serviços médicos e de enfermagem, porquanto estes prestadores têm com a entidade hospitalar relação empregatícia e não societária. 6. Detectado o motivo pelo qual foi elaborado o regime do SIMPLES, inequívoco se revela que o mesmo é extensível aos hospitais de pequeno porte mormente tendo em vista a prevalência do aspecto humanitário e o do interesse social sobre o interesse econômico das atividades desempenhadas. 7. Alteração do entendimento anterior desta relatoria. 8. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido.” (REsp 653149/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, 1ª Turma, julgado em 17/11/2005, DJ 28/11/2005, p. 199) Por óbvio, se afastase a exclusão mesmo quando o serviço médico é necessário à consecução da atividade da empresa, tanto mais razoável que se proceda da mesma forma quando sua participação é meramente acessória! Especificamente quanto ao tema em apreço, leiamos precedentes exemplificativos deste Conselho, o qual já se manifestou a esse respeito em diversas ocasiões de forma favorável aos Contribuintes, in verbis: “SIMPLES — EXCLUSÃO — CASA DE REPOUSO — SERVIÇOS DE HOTELARIA. O escopo principal das casas de repouso é o serviço de hotelaria, cuja clientela necessariamente não é feita de pessoas doentes. O concurso dos serviços médicos, de enfermagem e outros visa a amparar os assistidos, propiciandolhes a possibilidade de pronto atendimento e/ou encaminhamento hospitalar. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (Processo n. 13839.001462/9900. Acórdão Fl. 39DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.001833/200882 Acórdão n.º 1101001.056 S1C1T1 Fl. 4 5 unânime n. 30330.638. 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Sessão de 21/03/2003. Cons. Rel. Irineu Bianchi.) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. Exercício: 2002. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Regimento Interno dos Conselhos veda que se afaste a aplicação ou se deixe de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ATIVIDADES VEDADAS. INOCORRÊNCIA NO CASO CONCRETO. A prestação de serviços de asilo ou casa de repouso não se assemelha a serviços profissionais de médico ou enfermeiro. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Processo n. 13839.000972/200425. Acórdão unânime n. 302 39.609. 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Sessão de 20 de junho de 2008. Cons. Relator Ricardo Paulo Rosa.) Entendo, portanto, que não há óbice para a fruição do regime do Simples às casas de repouso, como é o caso da ora Recorrente. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, deferindo a solicitação da interessada e tornando sem efeito o Ato Declaratório Executivo que a excluiu do Simples. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 40DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 19311.720419/2011-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO.
Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídico-tributário, o recurso de ofício será negado.
CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES.
O Fisco tem o ônus-dever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cooperativa de trabalho, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da ocorrência da prestação de serviços mediante cooperativa de trabalho, o que não aconteceu.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-003.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. O conselheiro Carlos Henrique de Oliveira apresentará declaração de voto.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídico-tributário, o recurso de ofício será negado. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES. O Fisco tem o ônus-dever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cooperativa de trabalho, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da ocorrência da prestação de serviços mediante cooperativa de trabalho, o que não aconteceu. Recurso de Ofício Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. O conselheiro Carlos Henrique de Oliveira apresentará declaração de voto. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício será negado. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES. O Fisco tem o ônusdever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cooperativa de trabalho, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da ocorrência da prestação de serviços mediante cooperativa de trabalho, o que não aconteceu. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 19 /2 01 1- 67 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. O conselheiro Carlos Henrique de Oliveira apresentará declaração de voto. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720419/201167 Acórdão n.º 2402003.887 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999, para as competências 01/2009 a 12/2010. O Relatório Fiscal informa que os valores apurados decorrem de ação fiscal realizada junto ao Município de São Paulo (Secretaria Municipal de Transportes). Esclarece que a constituição do crédito equivale a 15% dos valores pagos à empresa Consórcio Aliança Cooperpeople, pela prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema estrutural da ÁREA 5, no município de São Paulo. Esse Relatório informa ainda que a Prefeitura do Município de São Paulo, por intermédio da Secretaria Municipal de Transportes, representada neste ato pelo Secretário Municipal de Transportes, senhor Jilmar Augustinho Tatto, firmou TERMO DE PERMISSÃO PARA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO DE OPERAÇÃO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS, NA ÁREA 05 DO SUBSISTEMA LOCAL, NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, em 18 de julho de 2003, com o Consórcio Aliança Cooperpeople, pessoa jurídica constituída sob a forma de Consórcio, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 05.753.508/000184 (ANEXO VII). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. a incidência da contribuição social prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/91 é sobre o valor pago pelo tomador quanto aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, de modo que, para a incidência da contribuição lançada no auto de infração ora impugnado, seria necessária a contratação das cooperativas de trabalho para a prestação de serviços à Administração e que o custo de tais serviços fosse ônus da própria Administração. Porém, no caso em tela, a contratação das cooperativas teve como intuito a prestação de serviço público de transporte à população por meio de permissionários, os quais recebem como contrapartida as tarifas pagas pelos usuários, nos termos do artigo 175 da CF, o qual estabelece que incumbe ao Poder Público diretamente ou sob regime de concessão ou permissão a prestação dos serviços públicos; 2. é certo que o serviço de transporte público municipal, de titularidade do Poder Público não se desnatura quando sua execução é delegada aos permissionários, pelo que não se está diante de terceirização mediante contrato de prestação de serviço, mas sim de delegação de serviço público, por meio de permissão, decorrente de licitação, no qual é o usuário o verdadeiro tomador do serviço público, custeando o. É fato notório que o Sistema de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros do Município de São Paulo e sua política tarifária adotada Fl. 774DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 para manutenção, é calcada em um complexo Sistema de Bilhetagem Eletrônica, o "Bilhete Único", no qual o beneficiário pode antecipar o custo da utilização. Todavia, a possibilidade do usuário poder se dirigir a um dos postos de venda do "Bilhete Único" e com seu cartão creditarse, pagando a tarifa antecipadamente, que será descontada quando for registrada na catraca do coletivo a efetiva utilização do serviço de transporte, não descaracteriza a permissão do serviço público. Ocorre que é esse repasse dos custos (valores antecipados pelos usuários) aos permissionários que está servindo de hipótese de incidência e base de cálculo, por isso, a ilegalidade e inconstitucionalidade da tributação. Assim, verificase que na situação acima transcrita não há que se falar em contribuição social prevista no artigo 22, inciso IV da Lei Federal 8.212/91, pois o referido tributo não incide sobre os valores repassados aos permissionários do serviço de transporte coletivo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão 05039.659 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 707/735) – considerou o lançamento fiscal improcedente, eis que exonerou os valores lançados, e interpôs o reexame necessário (recurso de ofício). A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de Administração Tributária em São Paulo/SP encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720419/201167 Acórdão n.º 2402003.887 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DO RECURSO DE OFÍCIO: O processamento de recurso de ofício está condicionado ao requisito consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro da Fazenda. O limite foi estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008, publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em questão, tratase de lançamento superior ao valor da alçada, razão pela qual o recurso de oficio deve ser conhecido. Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendese que a decisão recorrida não merece reparo. O Fisco afirma que o Interessado (Prefeitura do Município de São Paulo, por intermédio da Secretaria Municipal de Transportes) firmou termo de contrato de permissão do serviço de transporte coletivo urbano de passageiros, na cidade de São Paulo, com o Consórcio Aliança Cooperpeople, pessoa jurídica constituída sob a forma de Consórcio, designada de permissionária de serviço público (itens 4 a 6 do Relatório Fiscal). A partir disso e da leitura isolada do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, o Fisco entende que a execução desses serviços de transporte coletivo urbano de passageiros seria realizada por meio de cooperados, mediante cooperativas de trabalho, e executados diretamente pelo Município de São Paulo/SP. Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de Fl. 776DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 trabalho. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) (g.n.) Ocorre, contudo, que compete ao Fisco demonstrar a caracterização de que o serviço foi prestado por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, diretamente ao sujeito passivo, pois este tem que se defender dos fatos que lhe são imputados e não da tipificação jurídica que lhe é dada, no presente caso a regra estampada no inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991. Constatase, por meio dos elementos probatórios juntados aos autos, que o Interessado (Município de São Paulo/SP) contratou a empresa privada para a execução dos serviços de transporte coletivo urbano da cidade de São Paulo, mediante a permissão de serviços públicos, prevista no inciso IV do art. 2º da Lei 8.987/1995, que consiste numa forma de transferência para a prestação de serviços públicos, denominada delegação. Tal transferência é realizada pelo poder concedente (Município de São Paulo/SP) à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. Lei 8.987/1995: Art. 2º (...) II concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado; (...) IV permissão de serviço publico: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. Com relação à colocação de segurados para a prestação de serviço ao contratante (Município de São Paulo/SP), um dos pressupostos da caracterização do serviço executado mediante cooperativa de trabalho, o Fisco afirma: “[...] CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR 5.1. Tratase o presente procedimento fiscal de apuração e levantamento das contribuições devidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, destinadas à Previdência Social, a cargo da empresa, correspondentes a 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação dos serviços de transporte coletivo público de passageiros do município de São Paulo, que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, relativos à permissão delegada para prestação de serviços na ÁREA 5 do Subsistema Local, prestados pelo CONSÓRCIO ALIANÇA COOPERPEOPLE, inscrito no CNPJ/MF sob o n° 05.753.508/000184, pelas quais o sujeito passivo fica obrigado, conforme previsto no art.22, da Lei nº 8.212/91, em seu inciso IV, incluído pela Lei nº9.876/99. [...]” (g.n.) Fl. 777DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720419/201167 Acórdão n.º 2402003.887 S2C4T2 Fl. 5 7 Depreendese que o simples fato da empresa contratada não fazer uso de sua força laboral enquanto o serviço de transporte urbano coletivo é executado, isso, por si só, não tem o condão de caracterizar que os trabalhadores estavam a disposição do Interessado (Município de São Paulo/SP), prestandolhe serviços diretamente com o seu poder de comando. Dentro desse contexto fático, a previsão contratual dos percursos e dos horários a serem respeitados retira a necessidade de orientação do contratante, já que o comportamento do trabalhador decorrerá de ordens emanadas pelo seu empregador, visando cumprir as cláusulas contratuais fixadas pelo Poder Público. Como bem explicado na decisão de primeira instância, também não há que se confundir o poder que a Administração Pública tem de fiscalizar o bom cumprimento do serviço delegado com o instituto da cessão de mão de obra, pois a obrigação contratual da empresa delegatária de prestar as informações acerca da realização do serviço público não equivale a colocar seus empregados à disposição do Poder Público. No contrato de concessão ou permissão, haverá a transferência da prestação do serviço público para uma pessoa jurídica ou consórcio de empresas, passando a desempenhar a execução do serviço público por sua conta e risco. Nesse tipo de contrato administrativo, não há a transferência da titularidade do serviço para o concessionário ou permissionário, já que esta permanecerá com o poder público concedente em razão de previsão constitucional ou legal. Assim, no presente caso, o fato de a concessionária ou permissionária prestar o serviço de transporte coletivo urbano de passageiros em seu próprio nome, conforme inciso IV do art. 2º da Lei 8.987/1995, isso representa um ponto diferenciador dos contratos de prestação de serviços propriamente ditos, em que a contratada presta o serviço em nome do poder público concedente, contratante (Município de São Paulo/SP), esta última hipótese configura os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Ademais, deixo consignado que, no contrato de prestação de serviço executado por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, o prestador desse serviço é um mero executor material contratado pelo Poder Público que continua diretamente relacionado com os usuários do serviço de transporte urbano coletivo, não havendo transferência da titularidade da prestação do serviço, e os trabalhadores ficam submetidos ao poder de comando da própria contratante (no caso em tela o interessado, Município de São Paulo) – tais como o comando técnico, gerencial ou qualquer outro poder de comando que materialize a intermediação de mão de obra entre a contratada e a contratante. Nesse contrato, o Poder Público concedente será o responsável direto pela prestação do serviço de transporte urbano coletivo, assim, o prestador não mantém relação jurídica alguma com os usuários desse serviço e recebe a sua remuneração do valor avençado com o contratante governamental, já que o serviço de transporte urbano coletivo continua sendo prestado pela entidade pública. Esse entendimento não está consubstanciado nos autos, portanto, não há que se falar em execução de serviços de transporte urbano coletivo executados por cooperados de cooperativas de trabalho diretamente ao Poder Público. Esse fato de que a prestação do serviço executado por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, não se deu como um mero executor material contratado pelo Poder Público (Município de São Paulo), fora do campo da intermediação de mão de obra (terceirização), também foi evidenciado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), no julgamento dos Embargos em Recurso de Revista ERR 29100023.2005.5.02.0073 (julgado em 25/10/2013), que responsabilizou subsidiariamente a São Paulo Transporte (SPTrans) – Fl. 778DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 empresa que gerencia o sistema de transporte na capital paulista – a pagar débitos trabalhistas do Consórcio Trolebus Aricanduva, em virtude de expressa disposição nesse sentido, constante em acordo coletivo, nos seguintes termos: “[...] II – MÉRITO Discutese, no caso, a responsabilidade da São Paulo Transportes – SPTrans nos débitos trabalhistas do reclamante, contratado pela primeira reclamada. A despeito de a jurisprudência desta Corte, consubstanciada na Orientação Jurisprudencial nº 66 da SBDI1 do TST, posicionar se no sentido de que a SPTrans não responde pelos direitos trabalhistas dos empregados contratados pela primeira reclamada, a Turma reconheceu a responsabilidade da SPTrans pelo pagamento das verbas trabalhistas postuladas em face do acordo coletivo firmado entre as partes, prevendo a sua responsabilidade subsidiária, cuja observância se torna obrigatória, consoante o disposto no artigo 7º, inciso XXVI, da Constituição Federal. Vale ressaltar que não se trata, aqui, de hipótese de terceirização de serviços, mas de obediência à previsão normativa. (g.n.) Esse entendimento já foi adotado reiteradas vezes por esta Corte, conforme se extrai dos precedentes a seguir transcritos: "RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 11.496/2007. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. SPTRANS. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO. Consignando expressamente o Tribunal Regional que a responsabilidade subsidiária da SPTrans decorreu de previsão expressa em norma coletiva, e não da aplicação da Súmula n.º 331, IV, desta Corte superior, subsiste fundamento para a manutenção da sua condenação, na qualidade de devedora subsidiária. Precedentes da Corte. Recurso de embargos conhecido e não provido." (ERR 10980003.2005.5.02.0035, Relator Ministro: Lelio Bentes Corrêa, data de julgamento: 29/4/2010, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, data de publicação: 7/5/2010) "AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. Havendo previsão em norma coletiva de que a concessionária de serviços públicos será responsabilizada pelo adimplemento das verbas trabalhistas não pagas pela prestadora de serviços, não há como afastar tal responsabilidade, em respeito ao disposto no art. 7º, XXVI, da Carta Magna. Agravo de instrumento desprovido." (AIRR 285340 72.2005.5.02.0065, Relator Ministro: Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, data de julgamento: 15/9/2010, 1ª Turma, data de publicação: 24/9/2010) Fl. 779DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720419/201167 Acórdão n.º 2402003.887 S2C4T2 Fl. 6 9 "RECURSO DE REVISTA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. SPTRANS. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO. No caso em exame, a Corte Regional reconheceu ser a segunda reclamada SPTRANS mera fiscalizadora dos serviços de Transporte Coletivo do Município de São Paulo, mas, ainda assim, condenoua subsidiariamente pelas verbas deferidas, em virtude de expressa disposição nesse sentido, constante em acordo coletivo. Logo, percebese que a decisão regional foi proferida levando se em conta o disposto no artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal, que reconhece plena validade às convenções e acordos coletivos de trabalho, e não teve como fundamento a Súmula nº 331, IV, de forma a ser inaplicável ao caso o teor da Orientação Jurisprudencial Transitória nº 66 da SBDI1, a qual permanece incólume. Recurso de revista não conhecido." (RR 22000 73.2006.5.02.0043, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, data de julgamento: 29/9/2010, 2ª Turma, data de publicação: 8/10/2010) [...]” (g.n.) (TST, ERR29100023.2005.5.02.0073, julgado em 25/10/2013) Extraise dessa decisão do TST (ERR29100023.2005.5.02.0073) que a responsabilidade subsidiária imputada à empresa São Paulo Transporte (SPTrans), vinculada ao Município de São Paulo, a pagar débitos trabalhistas das empresas concessionárias ou permissionárias do serviço público de transporte de passageiros – incluído os consórcios de empresas –, decorre de cláusula constante em convenção ou acordo coletivo de trabalho, com fundamento no artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal. Por outro lado, em matéria tributária não se pode imputar responsabilidade tributária oriunda exclusivamente de convenção ou acordo coletivo de trabalho (convenção particular), já que a contribuição previdenciária é compulsória, configurada como tributo, sendo necessário que haja explícita previsão legal ou constitucional determinando a sua responsabilidade, conforme preconiza o art. 97, inciso III (parte final), c/c o art. 123, ambos do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; ......................................................................................................... Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para Fl. 780DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. (g.n.) No que tange ao aspecto dos pagamentos efetuados aos concessionários ou permissionários, constatase que a empresa São Paulo Transportes S/A (SPTrans), entidade da Administração Pública indireta municipal, era a responsável pela gestão financeira das receitas e despesas do serviço de transporte coletivo de passageiros – conforme o art. 39 da Lei 13.241/2001 (lei municipal – São Paulo) –, já que ela assumia os pagamentos concedidos às concessionárias/permissionárias que operavam no sistema de transporte coletivo. Isso poderia sinalizar (suspeitar) que a empresa SPTrans teria assumido diretamente a prestação do serviço de transporte coletivo no Município de São Paulo e, para realizar tal intento, teria contratado as empresas privadas (ou consórcios), sendo que estas, por sua vez, não assumiriam risco no desenvolvimento dessa atividade e somente colocariam os cooperados à disposição da empresa SPTrans. Ocorre, entretanto, que o lançamento foi realizado em face do Município de São Paulo (Secretaria Municipal de Transportes SMT), que tem personalidade jurídica distinta da empresa SPTrans. Diante desse fato, a análise da incidência ou não da contribuição Previdenciária, oriunda dos serviços realizados por cooperados e por intermédio de cooperativas de trabalho, foi realizada perante Município de São Paulo, apontado pelo Fisco como o suposto sujeito passivo da relação obrigacional tributária ora lançada. Esse entendimento é extraído dos seguintes fatos evidenciados no Relatório Fiscal: “[...] 4.22. Permanece a cargo da São Paulo Transportes S/A – SPTrans – a gestão financeira das receitas e despesas do Serviço de Transporte Coletivo Público de Passageiros, com base no art. 39 da Lei nº13.241/2001, devendo a empresa manter contas bancárias específicas, destinadas exclusivamente a este fim. Também são firmados contratos entre a Prefeitura do Município de São Paulo, representada pela Secretaria Municipal de Transportes – SMT e a SPTrans, para prestação de serviços especializados de gerenciamento, fiscalização, administração e engenharia de transporte, compreendendo a manutenção do sistema de pagamento aos operadores do sistema de transporte coletivo urbano de passageiros (ANEXO IX). 4.23. A SPTrans é responsável pelo pagamento das remunerações das concessionárias que operam no sistema de transporte coletivo, sendo que os valores são publicados mensalmente nos “Relatórios das Receitas e Despesas – Sistema de Transporte Coletivo” , em obediência à Lei nº11.379, de 17/06/93, e podem ser consultados no sítio da SPTrans na internet. 4.24. Os pagamentos aos operadores do transporte são registrados na contabilidade da SPTrans em uma conta própria (“Conta Sistema”), que não afeta seu resultado, ou seja, não gera receita, nem despesa para a empresa. 4.25. Basicamente, temos a entrada de recursos representada pela venda dos bilhetes de passagem (atualmente venda de créditos do Bilhete Único), mais os valores repassados pela Prefeitura (gratuidades e compensação tarifária) e as saídas quando do pagamento aos operadores que prestam serviços no sistema de transporte coletivo. 4.26. Os pagamentos às Concessionárias que prestam os serviços de transporte coletivo público de passageiros no município de São Paulo eram lançados na contabilidade da Fl. 781DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720419/201167 Acórdão n.º 2402003.887 S2C4T2 Fl. 7 11 SPTrans, na conta “Sistema Municipal de Transportes Coletivos”, identificada pelo código 2.1.52.01. À partir de 10/2006, tais pagamentos passaram a ser lançados na conta “STCUP Sistema de Transportes Coletivo Urbano de Passageiros”, identificada pelo código 2.1.53.01. O valor de cada consorciada, a ser depositado nas respectivas contas bancárias, está discriminado nos “Demonstrativos de Valores Remunerados por Serviços Prestados”, juntados, por amostragem, no ANEXO XII. 4.27. Também foram apresentados os arquivos digitais (planilhas) demonstrando o valor das remunerações pagas mensalmente a cada um dos consórcios (ANEXO X), devidamente autenticados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais – SVA, conforme recibo de 20/09/2011 (recibos no ANEXO XI). As planilhas serão tratadas no próximo item, referente à apuração do crédito. 4.28. A forma de remuneração das concessionárias foi distinta em etapas ou períodos determinados, em função da vigência dos dispositivos contratuais, que foram sendo alterados ao longo do tempo, conforme disposto na Cláusula SÉTIMA do Contrato de Concessão e Termos de Aditamento subseqüentes, que tratam da remuneração (Contrato nº 701/03 – SMT.GAB, assinado em 21/07/2003 e aditivos – ANEXO VI): 4.28.1. O valor da remuneração nos serviços regulares corresponde ao produto de dois fatores: a) o valor da remuneração ofertada em sua proposta comercial; b) o número de passageiros registrados. Tais valores são ajustados, nos termos do contrato e seus aditivos, considerando o Índice de Integração e o Índice de Gratuidade, dentre outros critérios contratualmente e legalmente previstos. 4.28.2. O número de passageiros transportados deve ser registrado em sistema de controle das permissionárias, aferido pela SPTrans (validadores e catracas eletrônicas nos veículos e sistemas de transmissão dos dados). 4.28.3. Os Termos de Aditamento determinam, dentre outras coisas, a instalação de equipamentos de monitoramento embarcado – AVL, em toda a frota. Definem, também, o atendimento às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, bem como plano para obtenção da certificação de qualidade. 4.28.4. As operações são remuneradas considerando, além da remuneração por passageiro, um complemento em função da renovação de frota com idade superior ao limite contratual. Em relação à quantidade de passageiros, além dos pagantes registrados, considerouse, também, na fórmula da remuneração, os passageiros integrados e os gratuitos registrados. Assim sendo, passaram a ser considerados, para a obtenção do valor total da remuneração, o “Fator de Integração – FI” e o “Fator de Gratuidade – FG”. [...]” Fl. 782DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Neste particular referente aos pagamentos realizados pela empresa São Paulo Transportes S/A (SPTrans), evidenciase ainda que faltou o requisito material da hipótese de incidência da contribuição previdenciária, incidente sobre a prestação dos serviços realizados por meio de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, já que o Município de São Paulo (Recorrente) não realizou diretamente os pagamentos aos prestadores de serviços, visto que ele não estava obrigado a realizar tal intento. Logo, não estão materializados os elementos (requisitos) suficientes para caracterizar o instituto da prestação de serviços por cooperados ao Interessado (Município de São Paulo/SP), prevista no inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, eis que não ficou comprovado nos autos que os trabalhadores estariam submetidos a execução direta de serviços do próprio Interessado (Município de São Paulo/SP), e não do cedente (empresa privada ou consórcio de empresas, designados de permissionários). Ou de outra maneira, não houve a materialização de que os trabalhadores foram colocados à disposição do poder público contratante (Município de São Paulo/SP), para a prestação do serviço público de transporte urbano coletivo, previsto no contrato administrativo de permissão, diretamente pelo Município de São Paulo. Por sua vez, a meu ver, nem mesmo a simples indicação de que o serviço está relacionado como prestado por intermédio de cooperativa de trabalho, seja pela Lei, seja pelo Decreto (no caso em tela o inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991), retira a necessidade de o Fisco agir em conformidade com o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), demonstrando a efetiva ocorrência do fato gerador da contribuição, mediante a caracterização clara e precisa da presença da cessão de mão de obra na prestação dos serviços de transporte urbano coletivo. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Com isso, percebese que o Fisco deixou de fundamentar a execução de serviços por meio de cooperados no Relatório Fiscal, eis que neste documento não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo o que deve se defender. Logo, não vejo outra solução, senão concorda com a decisão de primeira instância, pois não restou devidamente configurada a ocorrência do fato gerador, conforme ficou consignado no Voto do Relator. Diante do exposto, no que tange ao reexame necessário (recurso de ofício), a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo, eis que ela está em conformidade com a legislação jurídicotributária de regência. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720419/201167 Acórdão n.º 2402003.887 S2C4T2 Fl. 8 13 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso de ofício para NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Tratase de auto de infração com base no disposto no artigo 22, inciso IV, da Lei de Custeio da Previdência Social, que determina que o contratante de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve recolher 15% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação desses serviços. No caso, discutese a obrigatoriedade da Secretaria Municipal de Transporte do Município de São Paulo em efetuar o recolhimento da contribuição substitutiva da quota patronal das cooperativas, representada pelos 15% sobre os valores por ela, contratante, pagos às cooperativas de trabalho que prestam serviço público de transporte coletivo de passageiros, tudo conforme o relatório elaborado pelo ilustre Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. Do exame do auto de infração, do acórdão da impugnação ao lançamento e do recurso de ofício acostado aos presentes autos, entendemos que o cerne da questão a ser debatido se desdobra em um ponto principal: o cabimento da prestação de serviços por meio de cooperados de trabalho na concessão ou permissão de serviços públicos, transporte coletivo de passageiros no caso em concreto do presente processo administrativo tributário. Diante dessa premissa, e partilhando da opinião que o Direito Tributário é um direito de superposição, encaminharemos o presente voto com a preliminar análise jurídica do contrato de concessão de serviços públicos e sua compatibilidade com o instituto da prestação de serviços terceirizados. Na seqüência, partindo da cópia de instrumento da concessão acostado aos autos, analisaremos se as premissas jurídicas que embasam o contrato de concessão de serviços públicos compatibilizam com as disposições do artigo 22, inciso IV, da Lei de Custeio da Previdência Social e se aplicam ao contrato em apreço. Em caso positivo, avançaremos na verificação fática, para, enfim, concluir ou não pela procedência do lançamento, consoante as provas acostadas pelo Fisco aos autos. A concessão e a permissão de serviços públicos, previstas no artigo 175 da Constituição Federal, foi regulamentada pela Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, que em seu artigo 2º, apresenta os conceitos legais sobre os institutos: Art. 2o Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: I poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão ou permissão; II concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado; III concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegada pelo poder concedente, mediante Fl. 785DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720419/201167 Acórdão n.º 2402003.887 S2C4T2 Fl. 9 15 licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado; IV permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. (sublinhamos) Depreendese, do texto legal, que a concessão e a permissão de serviço público são a transmissão para que o particular preste esse serviço, por sua conta e risco, durante prazo determinado. Tal outorga deve se dar sempre por contrato (artigo 4º da Lei nº 8.987), e ser precedida de licitação. O contrato de concessão de serviço público deve conter as cláusulas essenciais arroladas no artigo 23, dentre as quais destacamos: o objeto e a área da prestação; o prazo da concessão; a forma e condições de prestação do serviço; os critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da qualidade do serviço; o valor e os critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; os direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização, aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações; etc. Importa ressaltar que, por força do artigo 40 da mesma Lei nº 8.987/95, tais disposições igualmente se aplicam ao contrato de permissão. As cláusulas essenciais mencionadas, dentre tantas outras, são exemplos dos poderes reservados pela lei à Administração Pública quando da concessão de serviços que por ela poderiam, ou deveriam, ser prestados por serem “necessidade de interesse geral dos administrados”1, em face de seu caráter de serviço público. Maria Sylvia Zanella Di Pietro2 ensina que “é o Estado, por meio da lei, que escolhe quais as atividades que, em determinado momento, são consideradas serviços públicos” e que, no caso brasileiro, por vezes a própria Carta escolhe, como o faz quanto ao transporte coletivo (CF, artigo 30, V). Assim, podemos afirmar que decorre do interesse geral na fruição dos serviços e do fato de ser prestado pela Administração Pública, que os contratos de concessão, ou de permissão, dos serviços públicos ao particular possuam cláusulas e condições que exorbitam àqueles firmados no âmbito privado, entre particulares. Essas condições e cláusulas são chamadas de exorbitantes. Tratando das cláusulas exorbitantes Maria Sylvia Di Pietro explicita que estas “conferem ao concedente os poderes de alterar e rescindir unilateralmente o contrato, fiscalizar a sua execução, aplicar penalidades...”3, isto é, caracteriza o poder contratual exorbitante a unilateralidade das decisões, no limite da lei e do contrato referente à concessão. 1 Serviço público, segundo Diógenes Gasparini, no sentido material é “uma função, uma tarefa uma atividade da Administração Pública, destinada a satisfazer as necessidades de interesse geral dos administrados” (GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 12ª ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 293) 2 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 20 ed. São Paulo: Ed. Atlas, 2007. p.89. 3 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. ob. cit. p. 273. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Apoiados nos conceitos acima expostos, podemos dizer que o contrato de concessão de serviço público é aquele que enseja a delegação da prestação de determinado serviço – previsto na lei como público – ao particular, para que este o execute, por sua conta e risco , durante todo o prazo contratualmente previsto, mediante retribuição por meio de tarifa (paga pelo usuário do serviço público). Os contratos administrativos de concessão e o de permissão, outorgam à Administração Pública poderes para – unilateralmente – alterar ou rescindir o contrato e ainda fiscalizar sua execução, aplicando, ela própria, penalidades quando for o caso. Perquirindo os pontos essenciais da definição acima, encontramos a questão da execução e a assunção dos riscos pelo concessionário/permissionário dos serviços públicos, e a forma de remuneração (tarifa paga diretamente pelo usuário). Dito de maneira diversa: cabe ao concessionário/permissionário a execução do serviço público, assumindo ele, todos os riscos desta execução e sendo remunerado por tarifa, que lhe é paga diretamente pelo usuário do serviço que ele presta em nome da Administração. Completa nossa identificação dos pontos essenciais, o entendimento de Lucas Rocha Furtado4 sobre os requisitos necessário à prestação de serviços públicos sob regime de concessão, que transcrevemos pela clareza: “1. deve tratarse de serviço privativo do Estado, definido na Constituição Federal ou em lei como serviço público 2. o serviço a ser delegado deve admitir a sua exploração em caráter empresarial, em que as receitas auferidas pelo concessionário sejam suficientes para cobrir as despesas necessárias à prestação; 3.o serviço deve ser prestado à população, sendo o concessionário remunerado pelo usuário por meio de tarifa; 4. devese tratar de serviço ‘uti singuli”; e 5.a existência de lei ou dispositivo constitucional que autorize a delegação do serviço à concessionária.” (negritamos) Cotejando as características do contrato de concessão, ou de permissão, de serviços públicos com os requisitos essenciais para a concessão/permissão, encontramos a execução dos serviços pelo concessionário/permissionário (assim entendida a prestação por sua conta e risco), e a remuneração por tarifa, paga diretamente pelo usuário. Ao se analisarmos a concessão, ou a permissão, de serviços de transporte público municipal, veremos que, em tese, tal concessão atende aos requisitos essenciais, extraídos da lei, acima observados. Observase que há disposição constitucional (CF, art. 30, V) que definindo o transporte público urbano com serviço público, permite que ele seja prestado por meio de contrato de concessão ou de permissão. O concessionário/permissionário teria condições de prestar o serviço sob sua conta e risco, sendo remunerado por tarifa. Mas, será que é isso que ocorre no caso em apreço? Vejamos. O termo de permissão, acostado aos autos, dispõe em sua cláusula QUARTA que os serviços serão prestados pelos operadores autônomos, indicados pelo licitante. Após descrever as obrigações ordinárias de um típico contrato de permissão, determina que o 4 FURTADO, Lucas Rocha. Curso de Direito Administrativo. Belo Horizonte: Editora Fórum, 2007. p.553. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720419/201167 Acórdão n.º 2402003.887 S2C4T2 Fl. 10 17 permissionário deverá se compor com o concessionário da mesma área para garantir a integração operacional entre as linhas estruturais e as locais, estas de responsabilidade de operação dos permissionários. A leitura atenta desta cláusula nos comprova que a operação do sistema de transporte público local se desenvolve sob a responsabilidade do permissionário, cabendo à Administração Pública, por meio da SPTrans, gerenciadora dos serviços por delegação da SMT. Com essa verificação, nos resta analisar a forma de remuneração, uma vez que, segundo visto acima, a execução dos serviços na permissão ou concessão de transporte público deverá ocorrer por conta e risco do permissionário ou concessionário, conforme o caso. A forma da remuneração está estabelecida na cláusula quinta do termo de permissão (fls 130 do DOCC 1 do processo digitalizado), e é calculada somente pela quantidade de passageiros catracados multiplicada pelo valor da tarifa estipulada. Ora, tal forma de remuneração demonstra que o risco da prestação de serviços de transporte público é imputado ao permissionário, uma vez que ele está adstrito ao cumprimento da prestação do serviço de transporte de passageiros dentro da área da cidade denominada área local, nas condições constantes do termo de permissão, percebendo por esses serviços tarifa, determinada em contrato, por passageiro efetivamente transportado. Importa, para firmarmos nossa convicção, a existência do risco inerente ao serviço público delegado ao particular no contrato de concessão ou permissão especificamente quanto à relação entre o poder concedente e o permissionário, uma vez que este está substituindo aquele, no sentido da efetiva (total e completa) prestação do serviço ao particular, ao usuário. Nessa hipótese, o que ocorre de fato é que a Administração Pública se socorre do particular para a realização do serviço, restando à Administração Pública o gerenciamento, fiscalização e organização do serviço. É isso o que se verificou no termo de permissão acostado. Por meio da Secretaria Municipal de Transportes, houve a contratação de cooperados para a prestação de serviços do transporte coletivo, por intermédio de uma cooperativa de trabalho, porém seguindo as determinações do poder público, que gerencia, fiscaliza, administra. Agora, por todo o exposto, e pelo que se observa e se comprova pelos documentos acostados ao presente processo administrativo tributário, é que – no caso em apreço –há a efetiva substituição do Poder Público Municipal na prestação de serviços de transporte público de ônibus em São Paulo. Logo, verificado que na presente permissão de serviços públicos o permissionário substitui o concedente, ou seja, presta o serviço assumindo o risco e sendo remunerado diretamente pelo usuário, por tarifa, tornase incabível, a substituição tributária incidente na contratação de serviços por meio de trabalho cooperado, uma vez que a efetiva prestação, no caso em concreto, foi realizada para o usuário. Por todo o exposto, e pelas provas acostadas ao Auto de Infração, concluise que a Administração Pública contratou, por meio de permissão de serviço público, Fl. 788DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 cooperativas de trabalho para que estas prestassem diretamente aos usuários os serviços especificados no termo de permissão. Em conclusão, entendo ser indevida a contribuição de 15% sobre os valores da nota fiscal/fatura de serviços prestados por meio de cooperativa de trabalho no caso da contratação, por meio do contrato de permissão anexado, de empresa prestadora de serviços de transporte público de passageiros. Por fim, em conclusão, voto no sentido de CONHECER o recurso de ofício para negarlhe provimento. Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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