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Numero do processo: 15578.000811/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
No caso julgado, há omissão a reclamar a correção do acórdão embargado.
Numero da decisão: 3201-004.913
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamente ao crédito presumido, o disposto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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OMISSÃO. Embargante TRISTÃO COMPANHIA DE COMÉRCIO EXTERIOR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No caso julgado, há omissão a reclamar a correção do acórdão embargado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamente ao crédito presumido, o disposto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3201003.433, de 26/02/2018, assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 08 11 /2 00 9- 90 Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 15578.000811/200990 Acórdão n.º 3201004.913 S3C2T1 Fl. 3 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁFÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA. Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontravase ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a má fé e tornando legítima a glosa dos créditos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido. Recurso Voluntário Negado No exame de admissibilidade dos embargos admitiuse omitidas as seguintes matérias: a) apropriação indevida de crédito sobre nota fiscal emitida sem incidência de PIS/Cofins – fim específico de exportação; e b) possibilidade de aproveitamento de crédito presumido apurado pela fiscalização nos presentes autos, em conformidade com o que dispõe a Lei nº 12.995, de 20 de julho de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.895, de 25/02/2019, proferido no julgamento do processo 15578.000790/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.895): "Com efeito, o acórdão embargado incorreu na segunda omissão – a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido apurado pela fiscalização, em conformidade com o que dispõe a Lei nº 12.995, de 20 de julho de 2014 –, mas não quanto à primeira –a apropriação indevida de crédito sobre nota fiscal emitida sem incidência de PIS/Cofins, com o fim específico de exportação –, o que autoriza o manejo dos aclaratórios, em conformidade com o que dispõe o art. 65 do Anexo II do atual RICARF/2015. Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 15578.000811/200990 Acórdão n.º 3201004.913 S3C2T1 Fl. 4 3 E isso porque a primeira não foi enfrentada na manifestação de inconformidade (portanto, não caberia apreciála no julgamento do recurso voluntário), como devidamente registrado no voto condutor do acórdão proferido pela 1ª instância e ressaltado no acórdão embargado: Decisão da DRJ: "Itens não contestados: A interessada não contesta, em sua Manifestação de Inconformidade, a glosa de crédito promovida pela autoridade fiscal em relação a aquisições efetuadas com o fim específico de exportação (item II.7.3 do Parecer Fiscal). Também não contesta o ajuste efetuado no saldo de crédito de meses anteriores sobre aquisições no mercado interno vinculado à receita de exportação (item II.7.4 (H) do Parecer Fiscal)." Acórdão embargado: "DA INOCORRÊNCIA DA PRECLUSÃO APONTADA PELA DECISÃO RECORRIDA. DO RESTABELECIMENTO INTEGRAL DOS CRÉDITOS INFORMADOS PELA RECORRENTE" Nesse tópico aduz a Recorrente que a decisão recorrida teria declarado uma preclusão inexistente. Contudo, nesse mesmo tópico, reconhece que deixou de impugnar determinadas glosas visando dar celeridade ao procedimento. Desse modo, não vejo como prover qualquer alteração no acórdão recorrido nesse sentido. A segunda omissão, porém, reclama melhor apreciação. Realmente, a Embargante apresentou petição, em 20/03/2014, não em 23/02/2015 (fls. 1793 e ss.), por meio da qual informa ter tomado conhecimento da Solução de Consulta CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) n° 65, de 10/03/2014 (não se falou da Lei nº 12.995, de 2014), que consolidara o seguinte entendimento: 3. Para aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições junto a cooperativas devese observar as mesmas normas vigentes para a apuração de créditos em relação a aquisições junto a pessoas jurídicas em geral; somente existindo, portanto, vedação à apuração de créditos nas aquisições não sujeitas ao pagamento das referidas contribuições; e 4. Até dezembro de 2011, as pessoas jurídicas exportadoras de café submetidas ao regime de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS tinham direito a apropriação de créditos integrais nas aquisições de café de cooperativas, quando submetido ao processo previsto nos §§ 6° e 7° do art. 8° da Lei n° 10.925 de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a este processo de produção não se aplicaria a suspensão das referidas contribuições prevista no art. 9°, § 1°, II, da Lei n° 10.295 de 2004. Daí requereu a sua juntada aos autos e a sua observância por ocasião do julgamento do recurso voluntário que interpôs. O acórdão embargado, contudo, não se pronunciou a respeito. A mesma matéria já foi enfrentada nos autos do processo administrativo nº 15578.000142/201090 (Acórdão nº 3301003.099, de 28/09/2016, da relatoria do il. conselheiro Valcir Gassen; citado nos Embargos), em que a Embargante figura como Fl. 1714DF CARF MF Processo nº 15578.000811/200990 Acórdão n.º 3201004.913 S3C2T1 Fl. 5 4 interessada. Por concordarmos com o entendimento nele exposto, passamos a reproduzilo, apenas na parte que se refere ao tema, e adotálo como razão de decidir: 1) Da aquisição de café cru em grão de sociedades cooperativas A respeito das aquisições de café cru em grão de sociedades cooperativas, o Contribuinte alega que “a glosa referese à atividade de comercialização e exportação do produto café e de rebeneficiamento do mesmo” (fl. 17.657), ou seja, o Contribuinte adquire os grãos crus do café de sociedades cooperativas de produção agroindustrial e beneficia os grãos por meio de diversas técnicas de aperfeiçoamento. Porém, destaca que este beneficiamento dos grãos não é a atividade preponderante do Contribuinte, mas sim a atividade de comércio. E aduz que (fl. 17.658): Em se tratando de compras de insumos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil para posterior revenda, a Recorrente apurou créditos fiscais integrais da contribuição para a COFINS, na forma do artigo 3º, inciso I e II, da Lei nº 10.833, de 2003. Alega o Contribuinte em seu Recurso Voluntário que (fls. 17.651) Ademais, para a manutenção das glosas dos créditos integrais apurados pelo contribuinte oriundos da aquisição de sociedades cooperativas, a fiscalização alegou, em síntese, que: (a) o produto adquirido pela Recorrente está descrito nas notas fiscais de venda como “café cru em grão” ou “café beneficiado”, o que não evidencia a venda de produto já submetido a processo industrial; (b) afirmou ainda que o “café cru” é a semente beneficiada, e somente o exercício cumulativo das atividades citadas no § 6º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 caracterizam a atividade agroindustrial; (c) entendeu que o processo de beneficiamento do café, executado de forma isolada pela cooperativa, não a descaracteriza como cooperativa de produção agropecuária; (d) destacou a Recorrente atende aos três requisitos da IN nº 660/2006 para que a venda se dê com a suspensão da incidência; e (e) afirmou por se tratar de aquisições de cooperativa de produção agropecuária, a Recorrente não provou que o café adquirido foi destinado a revenda, e não utilizado como insumo. O Acórdão ora recorrido se posicionou de forma que se deve respeitar os requisitos necessários para que se aplique os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, conforme se verifica neste trecho (fl. 17.629): A interpretação sistemática dos dispositivos legais que disciplinam a aplicação do regime de incidência não cumulativa para o setor agroindustrial permite concluir que, para fins de determinação de crédito presumido relativo à aquisição de insumo, devem ser observadas as condições estabelecidas nos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, conjuntamente. Em outras palavras, somente a aquisição de insumos, efetuada de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária, com suspensão de exigibilidade das contribuições, assegura o direito à dedução do crédito presumido previsto no artigo 8º. E para a aplicação da suspensão, devem ser observados três requisitos quanto à pessoa jurídica adquirente, conforme previsto no artigo 4º da IN/SRF 660/2006. São eles: a) que o adquirente declare o imposto de renda pelo Lucro Real; b) que exerça atividade agroindustrial, conforme definição dada pelo artigo 6º da mesma Instrução Normativa e; c) que utilize o produto adquirido como insumo. Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 15578.000811/200990 Acórdão n.º 3201004.913 S3C2T1 Fl. 6 5 Portanto, tratandose de venda efetuada por cooperativa de produção agropecuária, a pessoa jurídica que atenda os requisitos legais citados, aplicase obrigatoriamente a suspensão do PIS e da Cofins, independentemente de se tratar de venda de produto recebido pela cooperativa de seus associados ou de produto adquirido de produtores rurais não cooperados. Por outro lado, na hipótese de a cooperativa exercer atividade agroindustrial, na forma do § 6º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, ou seja, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, esta terá direito ao crédito presumido de PIS e Cofins calculado sobre os insumos utilizados em seu processo industrial e em relação a suas vendas não se aplicará a suspensão. Neste sentido o Contribuinte alega que houve, por parte da Fiscalização, a aplicação equivocada dos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, nos seguintes termos: Segundo o Acórdão recorrido, uma interpretação sistemática dos referidos dispositivos legais em conjunto com os arts. 2º, IV, 3º, III e § 1º, III, e 4º a 8º da IN SRF 660/2006, leva à conclusão de que a tributação da contribuição para a COFINS, na saída do “café cru em grão”, das sociedades cooperativas fornecedoras, deveria ser obrigatoriamente suspensa. Assim, as aquisições pela Recorrente, de insumos “café cru em grão” das sociedades cooperativas fornecedoras, estariam sujeitas ao aproveitamento do crédito presumido (conforme artigos 5º, 7º e 8º IN SRF 660/2006) e não crédito fiscal integral (fls. 17.624 e SS. dos autos). O Contribuinte traz a conclusão deste tópico de forma detalhada o que pretende comprovar por meio do Recurso Voluntário, faço a citação visando a elucidação dos argumentos trazidos aos autos (fls. 17.680 e 17.681) ∙ As vendas de produto in natura pelas cerealistas e sociedades cooperativas de produção agropecuária (fornecedoras da 1ª etapa) saem com suspensão da incidência da contribuição para a COFINS/PIS, pois as sociedades cooperativas fornecedoras da Recorrente (adquirentes da 1ª etapa) apuram o Imposto de Renda com base no lucro real, exercem atividade agroindustrial na forma do §6º do artigo 8º, caput, da lei nº 10.925, de 2004, bem como utilizam os mesmos como insumos na produção de mercadoria classificada no Capitulo 9 da NCM (ou seja, o café deixa de ser in natura); ∙ As Sociedades Cooperativas que exercem atividade agroindustrial na forma do § 6º do artigo 8º, caput, da lei nº 10.925/2004, na 1ª ETAPA, adquirentes, na 2ª, fornecedoras – aproveitam o crédito presumido da contribuição para a COFINS/PIS, visto que exercem cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. Nesta fase. O café in natura, adquiridos de pessoas físicas e jurídicas, é transformado em “café cru em grão”; ∙ Na 2ª ETAPA, não havendo suspensão, a receita bruta proveniente da venda de “café cru em grão” pelas sociedades cooperativas que exercem atividade agroindustrial na forma do § 6º do artigo 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004 (fornecedoras na 2ª etapa), quando decorrente de ato não cooperativo, é tributada nessa saída a alíquota global de 9,25% da contribuição para o PIS e da COFINS. Nesse caso, a Recorrente (adquirente na 2ª ETAPA) tem direito ao aproveitamento do crédito integral da contribuição para a COFINS, a alíquota de 7,6% e de 1,65 Fl. 1716DF CARF MF Processo nº 15578.000811/200990 Acórdão n.º 3201004.913 S3C2T1 Fl. 7 6 de PIS; ∙ Na 2ª ETAPA, não havendo suspensão, a receita bruta proveniente da venda de “café cru em grão” pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária e agroindustrial (fornecedoras na 2ª etapa), quando decorrente de ato cooperativo, também há o direito ao aproveitamento do crédito fiscal integral da contribuição para a COFINS/pis, à alíquota de 7,6% e 1,65, respectivamente. Isso porque, já a incidência dessas contribuições, ainda que a base de cálculo seja ajustada diante das hipóteses do artigo 11 da IN SRF nº. 635/2006. Hipóteses de exclusão de base de cálculo é instituto distinto de isenção, nãoincidência e alíquota zero. Tanto é verdade que as sociedades cooperativas não têm direito à manutenção e, consequentemente, à compensação e/ou ressarcimento em espécie dos créditos ordinários da contribuição à COFINS/PIS, previsto no artigo 16 da Lei nº 11.116, de 2005; ∙ Portanto, a sociedade cooperativa que exerce atividade agroindustrial na forma do §6º do artigo 8º caput, da Lei nº 10.925/2004, quando comercializar o produto “café cru em grão” no mercado interno para a Adquirente, ora Recorrente, transfere, na nota fiscal, o total do crédito fiscal da contribuição para a COFINS/PIS que não foi possível compensar e ressarcir em espécie nesta etapa da cadeia produtiva, em atendimento ao princípio constitucional da não cumulatividade previsto no art. 195, §12 da CF/88; ∙ O Acórdão recorrido desconsiderou completamente as etapas do processo produtivo do café, mais especificamente a 2ª ETAPA; ∙ Com fundamento na própria legislação tributária, não se pode admitir a hipótese de aproveitamento do crédito presumido da contribuição para a COFINS/PIS em duas etapas da cadeia produtiva do café. Em resposta ao pedido do Contribuinte a questão foi analisada pela CoordenaçãoGeral de tributação da Receita Federal que apresentou a Solução de Consulta nº 65 – Cosit (fls. 17.770 a 17.773), em 10 de março de 2014, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei n. 10.637/2002, art. 32 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições 'previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei n. 10.833/2003, art. 3°. Assim ficou ementado e cabe apresentar a conclusão expressa na Solução de Consulta nº 65 para melhor compreensão do objeto da lide: 13. Pelo exposto, concluise que: Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 15578.000811/200990 Acórdão n.º 3201004.913 S3C2T1 Fl. 8 7 14. A aquisição de produtos junto a cooperativas não impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, observados os limites e condições previstos na legislação. 15. Até dezembro de 2011, a pessoa jurídica exportadora de café submetida ao regime de apuração não cumulativa tinha direito ao cálculo de créditos em relação às aquisições de café de cooperativas, observados os limites e condições legais. Não havia direito à apuração de créditos nas aquisições com suspensão previstas no art. 92, I e III, da Lei nº 10.925, de 2004, nem nas aquisições feitas por empresa comercial exportadora que tenha adquirido o produto com o fim especifico de exportação. 16. A partir de 2012, não é possível a apuração de créditos em relação às aquisições de café, tendo em vista a suspensão prevista no art. 42 da Lei nº 12.599, de 2012, e, posteriormente, a redução da alíquota a 0 (zero) prevista no art. 12, inciso XXI, da Lei n2 10.925, de 2004. Ressalvese as hipóteses de crédito presumido previstas nos arts. 52 e 62 da Lei n2 12.599, de 2012. Cito aqui o voto vencedor do Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, proferido no Acórdão nº 3102002.344, da 2ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção, de 27 de janeiro de 2015, como fundamento para as razões de decidir: O ponto fundamental para a solução da lide é a configuração da aquisição de café de cooperativa, já submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Nesses casos, sobre a receita de venda do café submetido a esta operação, não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, importanos avaliar se a operação anterior, realizada pela cooperativa, estava submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Caso positivo, seria reconhecido o direito ao creditamento nas aquisições de café. Caso negativo, não seria possível o direito ao crédito, sendo aplicável a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art.9º da Lei nº10.925/2004. O i.Relator entendeu que, embora exista nos autos fartos argumentos no sentido de justificar que as cooperativas fornecedoras do “café cru em grão” exerciam a atividade agroindustrial definida no preceito legal em destaque, a recorrente não teria trazido aos autos elementos de prova adequados e suficientes que confirmassem que as cooperativas vendedoras exerciam a atividade agroindustrial definida no citado preceito legal. Não é o nosso entendimento. Foram colacionadas aos autos, pela recorrente, ainda que por amostragem, notas fiscais de aquisição do produto “café em grão cru” ou “café beneficiado”, com a indicação da incidência da contribuição para o PIS e a COFINS. Segundo o entendimento da recorrente, a incidência das contribuições teria sido obrigatória, devido a submissão dos cafés adquiridos pelas cooperativas ao processo produtivo previsto no §6º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, fato esse impeditivo para a saída posterior suspensa na forma do art. 9º do inciso II da mesma lei. Entendo que o registro das referidas expressões nas notas fiscais, informando que operação estava sujeita a tributação normal das citadas contribuições, traz uma presunção de licitude das operações de Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 15578.000811/200990 Acórdão n.º 3201004.913 S3C2T1 Fl. 9 8 aquisição de café de cooperativa, sujeitas ao recolhimento regular das contribuições. Afirmar que a operação devidamente escriturada teria, na verdade, forma diversa daquela exposta nos registros fiscais, conferindo efeito diverso daquele indicado, demandaria uma prova oposta por parte do fisco, inexistente no presente processo. A comprovação do fato jurídico tributário depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter sob guarda, ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. Uma vez que essa particularidade seja compreendida, há que se sublinhar que nada dispensa a Administração de laborar em busca das provas de que o fato ocorreu e de instruir o processo administrativo com elas. Como consta, a desconsideração das provas se deu porque, no entendimento do Fisco, a interessada limitouse a apresentar as notas fiscais de aquisição das mercadorias. Peço vênia para discordar dessas conclusões. Não me parece que a acusação de que a operação praticada pela recorrente não foi aquela por ela declarada e escriturada. Ainda que passível de dúvidas acerca da veracidade das operações, tais dúvidas deveriam ter sido esclarecidas durante o procedimento fiscal, de forma a contraproduzir elementos probantes para desconsiderar aquelas notas fiscais apresentada. Nada disso ocorreu. A comprovação de que as operações foram tributadas, ensejando o crédito à adquirente, foi feita pela recorrente. Caberia ao fisco comprovar que tais cooperativas não exerciam a atividade agroindustrial, o que não foi feito. Em suma, mediante as provas que constam nos autos, concluise que o “café cru em grão” ou “café beneficiado” foram adquiridos de cooperativa agropecuária de produção, e que a sociedade cooperativa vendedora realizou as operações descritas no do art. 8o, § 6o, da Lei 10.925/2004. Tendo em vista as informações trazidas aos autos entendo que neste ponto assiste razão ao Contribuinte, voto, portanto, em dar provimento ao Recuso Voluntário cancelando as glosas referente à aquisição de café cru em grão de sociedade cooperativas exceto os casos de notas fiscais com suspensão. No longo PARECER FISCAL GAB903/DRF/VIT/ES nº 001/2013, especificamente à fls. 1334/1336, concluise pela glosa dos "créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004", ao fundamento de que: "..., a TRISTÃO preenche os requisitos estabelecidos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas, a saber: a) apura IRPJ com base no lucro real; b) exerce atividade agroindustrial definida no art. 6°, II; e c) utiliza o café adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que trata o inciso I do art. 5°. Notese que, aqui, nada mais dispôs o Parecer supra. Vale dizer, não se desqualificaram as vendas das cooperativas, porque de algum modo fraudadas ou coisa Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 15578.000811/200990 Acórdão n.º 3201004.913 S3C2T1 Fl. 10 9 parecida, mas apenas se disse que, em suas saídas com suspensão, não caberia o crédito glosado, mas tão só o presumido. Contudo, não sendo aplicável a suspensão, entendemos que, em consonância com a Solução de Consulta Cosit nº 65, de 2014, referida, como se viu, no voto condutor do Acórdão nº 3301003.099, de 28/09/2016, a Embargante faz jus ao crédito integral (aquisições das cooperativas), não ao crédito presumido. Todavia, sobre tais aquisições, a unidade preparadora deverá glosar o crédito presumido que já lhes atribuiu. Por fim, a Embargante trouxe nova petição aos autos, desta feita requerendo a aplicação da retroatividade benigna quanto ao disposto na Lei nº 12.995, de 2014: Art. 23. A Lei no12.599, de 23 de março de 2012, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 7oA: “Art. 7oA.O saldo do crédito presumido de que trata oart. 8oda Lei no10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1ode janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos.” A questão disciplinada pela norma trazida diz respeito à forma de ressarcimento do crédito, se por compensação com as próprias contribuições, ou se em espécie ou compensação com outros tributos. Embora tal questão não tenha sido tratada nos autos, em havendo compensações de crédito presumido com tributos de natureza distintas, deverão seguir o regramento da Lei nº 12.995/2014. Tais créditos presumidos, na hipótese dos autos, são aqueles decorrentes das aquisições realizadas de Pessoas Jurídicas tidas como fictícias e, por essa razão, foram convertidos em aquisições de Pessoas Físicas, da forma presumida (sobre tais operações, a fiscalização já conferiu o crédito presumido). Ante o exposto, acolho os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante apenas o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamenmte ao crédito presumido, o dispósoto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014. As ementas do acórdão embargado ficam acrescidas da seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. As aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, são passíveis de crédito integral quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial." Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 15578.000811/200990 Acórdão n.º 3201004.913 S3C2T1 Fl. 11 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado acolheu os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante apenas o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamente ao crédito presumido, o disposto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014. As ementas do acórdão embargado ficam acrescidas da seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. As aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, são passíveis de crédito integral quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1721DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.001479/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2014
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não havendo qualquer questionamento quanto ao decidido pela DRJ e, consequentemente, não tendo a contribuinte qualquer interesse recursal no caso, não dever ser conhecido o recurso voluntário encaminhado ao CARF.
Numero da decisão: 3301-006.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Não havendo qualquer questionamento quanto ao decidido pela DRJ e, consequentemente, não tendo a contribuinte qualquer interesse recursal no caso, não dever ser conhecido o recurso voluntário encaminhado ao CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever o caso a ser apreciado, adoto o relatório desenvolvido pelo órgão julgador de primeira instância, ao qual farei os devidos acréscimos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 14 79 /2 00 7- 83 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13811.001479/200783 Acórdão n.º 3301006.038 S3C3T1 Fl. 167 2 Em auditoria fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi constatada "Multa paga a menor" da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS do fato gerador ocorrido no período de 10/2004 e declarado na DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 16 e 17 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário de multa perfazendo o total de R$ 143.712,52 (cento e quarenta e três mil, setecentos e doze reais e cinquenta e dois centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 160 L 5172/66; Arts. 43 e 61 e par 1 e 2 L 9430/96; Art 9 e Par Un L 10426/02. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 09/04/2007 (AR à. fl. 74) a contribuinte protocolizou, em 03/05/2007 a impugnação de fls. 01 a 15 acompanhada dos documentos de fls. 1671, na qual alega: II — Do Direito. II.1 — Impossibilidade de Exigir Tributo que está Suspenso por Medida Judicial. 2.1. Conforme depreendemos do artigo 62 do Decreto n° 70.235/72 conforme transcrito, estará suspensa a cobrança que teve consentimento para tal em âmbito judicial. 2.1.1. Vedase a instauração de procedimento fiscal em relação A. matéria que versar sobre a ordem de suspensão; porém, é de conhecimento notório que a praxe não é essa, uma vez que a interpretação desse artigo não é feita estritivamente; e ao Fisco reservase o direito de efetuar o lançamento para constituir o crédito tributário para evitar a decadência, já que também está adstrito ao artigo 142 do CTN § único. 2.1.2. Porém, a ação de cobrança do Fisco fica suspensa por força do supramencionado artigo 62, do Decreto n° 70.235/72, do artigo 63 da Lei 9430/96, bem como pelos entendimentos jurisprudenciais conforme reproduzidos. 2.1.3. Além disso, com a finalidade de dirimir as dúvidas quanto a possibilidade de constituir de oficio o crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por medida judicial, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional aprovou, no dia 10 de novembro de 1993, o parecer PGFN/CRJN nº 1.064/93, distribuído para divulgação às DIFIS/SRRF, conforme transcrito. 2.1.4. Diante do exposto, notase que o processo administrativo fiscal terá o seu prosseguimento obstado até o final da lide judicial. Sendo assim, deve constar expressamente no referido Auto de Infração a suspensão da exigibilidade do débito em discussão, até o término da ação judicial. 11.2 — Da Denúncia Espontânea. 2.2. Conforme expusemos anteriormente, o presente Auto de Infração refere se à. cobrança de multa sobre um débito de COFINS que está sendo discutido na via judicial, uma vez que o pagamento espontâneo do débito afasta a exigência da mesma. 2.2.1. Fundamentase o instituto da denúncia espontânea com o disposto no artigo 5°. Inciso II, da CF e o artigo138, caput, e parágrafo único, do CTN, transcritos. 2.2.2. Da simples leitura dos textos normativos transcritos, é possível dizer que a denúncia espontânea tem o condão de extinguir as penalidades aplicadas aos Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13811.001479/200783 Acórdão n.º 3301006.038 S3C3T1 Fl. 168 3 contribuintes se estes pagarem seus tributos antes do inicio de um procedimento fiscal que vise a apuração e cobrança do débito. Reproduz doutrina e jurisprudência. 11.3 — Do lançamento por Homologação — Adequação ao Instituto da Denúncia Espontânea. 2.3. A declaração em DCTF da obrigação tributária não constitui o crédito tributário. Ademais, é de bom alvitre que se esclareça como ocorreu a denúncia espontânea no presente caso: por um equivoco, a ora Impugnante deixou de recolher o tributo como devido. Assim que verificou o ocorrido, quitou o mesmo e declarou através de DCTF. Ou seja, a declaração ocorreu concomitantemente com a denúncia espontânea (pagamento sem a incidência de multa). 2.3.1. Importante ressaltar que a denúncia espontânea foi realizada em 28 de janeiro de 2005, ou seja, muito antes de qualquer fiscalização ou procedimento administrativo, como o presente Auto de Infração. 2.3.2. 0 pagamento antecipado nada mais caracteriza que a extinção de forma resolutória da obrigação tributária. Não há direito liquido e certo sem que haja homologação do lançamento pela autoridade administrativa. III — Do Pedido. 2.4. Diante do exposto, protestando provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial pela juntada de todo e qualquer documento comprobat6rio; requer seja julgado IMPROCEDENTE o presente Auto de Infração, no sentido de anular a autuação em tela e, se a autoridade entender necessário pela lavratura de outro, que não se deixe de especificar expressamente que o débito está suspenso por medida judicial, declarando ainda suspensos seus efeitos até findar a lide. Por fim, no que tange o mérito, requer seja julgado improcedente o Auto de Infração, extinguindose o crédito tributário que ora lhe é exigido, em face do art. 138, do CTN, como medida de JUSTIÇA. Regularmente processada a Impugnação apresentada, a 9ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou o recurso improcedente e manteve o crédito tributário, conforme Acórdão nº 1625.474, datado de 28/05/2010, cuja ementa reproduzo a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA COMPATIBILIDADE. Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, fazse necessária sua prévia constituição. Assim, o provimento judicial suspensivo da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA A propositura de ação judicial na qual são deduzidas as mesmas razões trazidas na impugnação afasta a apreciação desta. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13811.001479/200783 Acórdão n.º 3301006.038 S3C3T1 Fl. 169 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do julgamento, a contribuinte apresentou petição direcionada ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, esclarecendo e requerendo o que segue: O Acórdão proferido pela 9ª Turma da DRJ/SP1 afirma, em breve síntese, que as razões da impugnação oferecida pela Requerente não devem ser apreciadas, uma vez que o objeto do presente auto de infração, qual seja, a multa decorrente do recolhimento em atraso da COFINS referente a outubro de 2004, foi objeto do Mandado de Segurança n° 2005.61.00.0015324. Afirma, ainda, que em face A. decisão desfavorável Impetrante obtida nos autos do Mandado de Segurança, foi requerida a conversão em renda do valor depositado nos autos, a qual foi deferida pelo juizo da 26° Vara Cível Federal, e realizada pela Caixa Econômica Federal, em 26.06.2009, conforme documentação anexa. Diante disso, o ilustre Auditor Fiscal votou por julgar IMPROCEDENTE a impugnação e MANTER o crédito tributário exigido, determinando que o valor do depósito convertido em renda à União fosse alocado à cobrança da multa, de acordo com Demonstrativo do Crédito Tributário que constituiu parte do Acórdão. Vejase: "DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM REAL: Exigido e Mantido. PA MULTA DE MORA EXIGIDA E MANTIDA 10/2004 143.712,52 Obs: Acréscimos legais de acordo com a legislação vigente. Quanto a cobrança, ALOCAR 0 VALOR DO DEPÓSITO JUDICIAL CONVERTIDO EM RENDA DA UNIÃO conforme decisão do TRF no Mandado de Segurança n° 2005.61.000015324 transitada em julgado em 06/04/2009 (fl. 84)." No entanto, no momento da Intimação Fiscal recebida pela Requerente, bem como na emissão do DARF de cobrança, não foi realizada a alocação do valor do depósito ao montante devido a titulo de multa, razão pela qual a Requerente está sendo cobrada do valor integral do débito, no montante de R$ 189.743,64. Desta forma, requer que o valor do depósito convertido em renda nos autos do Mandado de Segurança n° 2005.61.00.0015324 seja alocado ao débito objeto do presente Auto de Infração, conforme determinou o Acórdão n° 1625474, proferido pela 9ª Turma da DRJ/SP1. Sendo o que nos cabia no presente momento, nos colocamos A. disposição para quaisquer esclarecimentos ou apresentação de documentos adicionais que se fizerem necessários. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13811.001479/200783 Acórdão n.º 3301006.038 S3C3T1 Fl. 170 5 Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. Não se trata de Recurso Voluntário, mas de simples petição da contribuinte para que seja observado o que foi decidido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, a saber: Quanto a cobrança, ALOCAR 0 VALOR DO DEPÓSITO JUDICIAL CONVERTIDO EM RENDA DA UNIÃO conforme decisão do TRF no Mandado de Segurança n° 2005.61.000015324 transitada em julgado em 06/04/2009. Está exposto nos autos que a cobrança realizada pela unidade de origem, após o julgamento de primeiro grau, não considerou a determinação do órgão julgador para alocar ao débito destes autos o valor do depósito judicial convertido em renda da União efetuado no bojo do Mandado de Segurança nº 2005.61.000015324/SP. Observado tal fato após ser intimada a recolher o valor integral do débito, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 455/2010, a contribuinte apresentou petição para que a determinação da DRJ fosse devidamente cumprida. No entanto, a unidade de origem, por intermédio do Despacho à fl. 165, erroneamente recepcionou a petição da contribuinte como Recurso Voluntário e encaminhou os autos a este Conselho. Vêse, portanto, que não há questionamento quanto ao decidido pela DRJ, não tendo a contribuinte qualquer interesse recursal no caso, mas, sim, interesse em ver cumprido adequadamente o julgado por aquele órgão. E assim sendo, concluise que o assunto foge à competência deste Colegiado, a qual se encontra bem delineada no art. 1º do Anexo II da Portaria nº 343, de 9 de junho de 2015 (RICARF). Por tais razões, entendo que outra medida não há a ser adotada no presente caso senão devolver os autos à unidade de origem para cumprir integralmente o decidido no julgamento da impugnação da contribuinte: alocar o valor do depósito judicial convertido em renda da União ao débito do AUTO DE INFRAÇÃO N° 1008043. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.729939/2014-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento.
Numero da decisão: 1402-003.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone e Edeli Pereira Bessa (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone e Edeli Pereira Bessa (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 99 39 /2 01 4- 37 Fl. 7498DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a Recorrente e os responsáveis solidários Luiz Adriano Vargas Burchor e Cristiano Vargas Burchor, nos quais foram efetuados lançamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no montante de R$ 7.013.900,91, relativo aos anoscalendários de 2009 à 2012. De acordo com Relatório Fiscal de fls. 5954/5971, a ação fiscal que culminou nos lançamentos integrantes do presente processo teve origem em informações obtidas nas ações criminais movidas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, nas quais os senhores Luis Adriano Vargas Buchor e o Cristiano Vargas Buchor figuram como denunciados, juntamente com outras pessoas, “pela associação em quadrilha para a execução de diversos crimes, tais como falsidade ideológica, falsidade documental, e lavagem de dinheiro” bem como crimes tributários contra a Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul. Antes do oferecimento da denúncia, foram cumpridos Mandados de Busca e Apreensão, que ensejaram o acesso a diversos documentos, computadores, carimbos e extratos bancários. Além disso, foram encontradas “diversas folhas contendo instruções detalhadas a respeito dos procedimentos a serem adotados pelos clientes da ECONOMIA para operacionalizar as supostas fraudes, tais como o modo de preenchimento de notas fiscais, livros e declarações para a Fazenda Pública, instruções para contabilização, etc.”. Todavia, nos locais diligenciados, não foi encontrada a escrituração contábil da contribuinte fiscalizada. Além das ações criminais os Auditores Fiscais descrevem elementos obtidos nos autos da ação judicial proposta pela Recorrente e a empresa ADR contra a empresa Global e as senhoras Diovana Garcia Martins e Cíntia Maria Dias de Macedo Buchor (exesposa do sócio Luis Adriando). Ressalta o relatório fiscal que “dentre os diversos elementos acostados aos autos desse processo cível, foi encontrado, nas páginas 1842 a 1861, o denominado ‘Livro Diário Global Fomentos Ltda’ (folhas 2594 a 2613), elaborado pelo contador Marcos Berwig Hanna. Tratase de uma relação contendo os valores cobrados dos clientes da ECONOMIA no período de janeiro/2009 a maio/2012. Esses registros foram de significativa importância para a apuração do efetivo faturamento da ora fiscalizada”. Diante dos documentos levantados nas ações criminais e cível foi possível identificar os clientes da Recorrente, os valores recebidos e os bens adquiridos. Estes clientes foram intimados a apresentar os contratos celebrados com a Recorrente, bem como as notas fiscais por ela emitida e os respectivos comprovantes de pagamento. Paralelamente a colheita de dados junto às autoridades judiciais a autoridade fiscal iniciou o procedimento fiscal que deu origem ao presente processo com a lavratura do Termo de fls. 4828, conforme relato abaixo transcrito: O termo foi enviado, por via postal, para o endereço constante no banco de dados da Receita Federal do Brasil (Rua Quintino Bocaiúva n° 27, sala 313), mas a correspondência não foi entregue, tendo sido aposto pelo funcionário dos Correios o aviso de “Mudouse” (folhas 4829 a 4832). Posteriormente, esta fiscalização se dirigiu pessoalmente a esse endereço, e constatou que a ECONOMIA não exercia suas atividades naquele local, e sim um outro escritório de advocacia (...). Após acesso ao material proveniente do processo criminal já mencionado, apurouse que de fato o contribuinte ora fiscalizado estaria exercendo suas atividades em um outro endereço. Foi enviado, então, para esse local e por via postal um novo termo, o qual Fl. 7499DF CARF MF Processo nº 11080.729939/201437 Acórdão n.º 1402003.801 S1C4T2 Fl. 7.499 3 também não foi entregue, com a aposição pelo funcionário dos Correios do aviso de “Ausente” (folha 4834 a 4837), após 3 tentativas sem sucesso de entrega da correspondência. Depois, a fiscalização compareceu pessoalmente, no dia 25/06/2013 por volta das 16:00, ao prédio da Rua Florêncio Ygartua n° 288, onde verificou estarem fechadas as salas 801, 802 e 803, sem qualquer indício da prática de atividades naquele local (folha 4840). Em conversa com o porteiro, foi relatado que a dita sala estava lacrada desde o cumprimento do mandado de busca, e que desde então ninguém havia comparecido ao local. O porteiro mostrou também uma caixa contendo correspondências dirigidas àquele endereço, as quais estavam se acumulando na portaria sem que ninguém aparecesse para coletálas. Importante salientar nesse momento que foi consultado o banco de dados da Receita Federal do Brasil, em busca da existência de um possível domicílio eletrônico cadastrado pela ECONOMIA ou pelo Sr. Luis Adriano, mas foi constatada a ausência do mesmo em relação a ambas as pessoas (folha 8). Em relação ao sócio Luis Adriano as autoridades fiscais relatam o seguinte: Além disso, foram enviadas correspondências para os endereços conhecidos do Sr. Luis Adriano, responsável pela pessoa jurídica ora fiscalizada perante a Receita Federal do Brasil (folhas 4888 a 4895). Um deles, enviado ao endereço informado pelo Sr. Luis Adriano em sua Declaração do Imposto de Renda (Rua São Francisco da Califórnia n° 222, apto 901) chegou a ser recebido, mas apurouse depois que, além de não mais residir no local, o imóvel já havia sido alienado pela mãe do Sr. Luis Adriano em 2010. Depois de obter autorização para vista do Processo Criminal já mencionado, apurouse que o endereço residencial do Sr. Luiz Adriano não era aquele informado à Receita Federal do Brasil, e sim outro (Rua Padre Chagas n° 51, apto 804). Foi enviada correspondência de igual teor para esse endereço, a qual foi inicialmente recebida pela portaria, mas posteriormente devolvida. Nenhuma manifestação do Sr. Luis Adriano ou da ora fiscalizada foi apresentada até a conclusão dessa ação fiscal. Do conjunto de documentos analisados foram apuradas as seguintes infrações a) Omissão de receitas operacionais As declarações originalmente transmitidas pela Recorrente continham valores insignificantes. No entanto, da análise do Livro Diário da empresa Global Fomentos, os relatórios apresentados pelo Banco Itaú por ocasião da quebra do sigilo bancário denominados "Movimentação de Títulos" e os documentos obtidos junto aos contribuintes (títulos, comprovantes de pagamento, cópias de cheque, TED e DOC), permitiram apurar as seguintes receitas tributáveis: Fl. 7500DF CARF MF 4 O relatório fiscal faz questão de destacar que "quando havia coincidência de número do documento, nome do cliente, data do registro e valor" tomouse o cuidado de não a computar mais de uma vez. b) Depósito bancário de origem não comprovada ingressaram valores nas contas bancárias das empresas Economia, Global e ADR. Não foi possível vincular tais com as receitas informadas pelos clientes da Recorrente. Depois de excluírem as transferências entre as contas correntes, os depósitos foram relacionados em intimações destinadas a cada uma das empresas para que elas comprovassem a origem e a causa. Todavia, nenhuma resposta foi apresentada. Diante disso, foi aplicada a presunção prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e os depósito foram tributados como receitas omitidas. Tendo em vista que a escrituração contábil não foi apresentada pela fiscalizada nem encontrada, dentre a documentação apreendida em função do cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL foram apuradas pelo regime do Lucro Arbitrado, conforme o disposto no inciso III do artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995. Em seguida, a Fiscalização informou quais as DCTF que surtiram efeitos para fins de redução do montante exigido e qual o crédito tributário constituído. A fiscalização imputa a multa qualificada de 150% por entender que a prática de omitir receitas em diversos meses dos anoscalendário de 2009, 2010, 2011 e 2012, informando nas linhas da DIPJ e da DACON relativas às receitas do trimestre, valor inferior ao efetivamente auferido, e na linha das DCTF, valor de tributo devido inferior ao que deveria ter apresentado, ocultando deste modo a existência de receitas auferidas com suas atividades nesse ano, e deixando, consequentemente, de oferecêlas à tributação, fato amplamente comprovado por esta fiscalização, configura a situação prevista no artigo 71 da Lei n° 4.502/64, o que justifica a qualificação da multa. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária para inclusão no pólo passivo os sócios Luis Adriano Vargas Buchor (fls. 6013) e Cristiano Vargas Buchor (fls. 6016). Nestes termos encontramse detalhados os fatos que demonstrariam a infração à lei prevista no artigo 135, III, do CTN. O relatório destaca, também, a dissolução irregular de sociedade, a qual, nos termos da Súmula nº 435 do STJ, legitimaria o direcionamento aos sócios gerentes. Fl. 7501DF CARF MF Processo nº 11080.729939/201437 Acórdão n.º 1402003.801 S1C4T2 Fl. 7.500 5 O Sr. Luis Adriano Vargas Buchor foi cientificado das autuações e do Termo de Sujeição Passiva Solidária em 21/10/2014, consoante AR de fl. 6006. Foi providenciada, também, a ciência por edital (fl. 6007), o qual foi afixado em 16/10/2014. O Sr. Cristiano Vargas Buchor, a seu passo, foi cientificado das autuações e do Termo de Sujeição Passiva Solidária apenas pelos editais afixados em 16/10/2014 (fl. 6008) e em 10/11/2014 (fl. 7152), uma vez que não se logrou êxito no encaminhamento de tais documentos por via postal, conforme atesta o AR de fl. 6010. Somente os sócios Luís Adriano Vargas Burchor e Cristino Vargas Burchor apresentaram impugnações nas quais alegam, resumidamente, o seguinte: a) Preliminares a.1)A Secretaria da Receita Federal do Brasil tinha conhecimento dos endereços da pessoa jurídica e do sócio impugnante (que possuem certificados digitais), os quais nunca foram intimados para prestar esclarecimentos ao Fisco, o que tornaria nulo o procedimento fiscal por desobediência aos princípios do contraditório, da ampla defesa, da legalidade, da impessoalidade e da publicidade; a.2) O sócio Cristiano Vargas Buchor Argui não pode estar no pólo passivo da sujeição passiva, pois não é sócio gerente da empresa autuada. Diz ser sócio minoritário sem poderes de gerência ou de praticar atos em nome da empresa. a.3) Nulidade da quebra do sigilo bancário sem ordem judicial específica; a.4) Nulidade do lançamento constituído sem o contraditório; b) Mérito b.1) Impossibilidade da desconsideração da Personalidade Jurídica. b.2) Os DARF´s pagos pela sociedade empresária não foram levado em conta pela Fiscalização e que as despesas incorridas (ressarcimentos de despesas e custas judiciais) não foram computadas. Em 23 de março de 2016, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), negou provimento às Impugnações em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 7272): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. REVELIA. OCORRÊNCIA. É revel o contribuinte que não se defendeu contra as autuações lavradas pelo Fisco. Todavia, o oferecimento de impugnação pelos responsáveis solidários suspende a exigibilidade do crédito tributário mesmo em relação ao revel. Fl. 7502DF CARF MF 6 PROCEDIMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa não se aplicam ao procedimento realizado com o objetivo de se verificar a regularidade fiscal do contribuinte e de, eventualmente, constituir o crédito tributário. Tratase de direitos garantidos aos litigantes em processo administrativo. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Restada improfícua qualquer das possibilidades de intimação previstas nos incisos I a III do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, estará legitimada a intimação por edital. Consoante o disposto no inciso II do § 1º do citado artigo 23, em sendo afixado o edital em dependência franqueada ao público, a afixação deve, necessariamente, ser providenciada pelo órgão encarregado da intimação, qual seja, a repartição da Secretaria da Receita Federal do Brasil em cuja circunscrição se localiza o domicílio fiscal do intimado. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não se verifica cerceamento ao direito de defesa quando o Termo de Sujeição Passiva Solidária, elaborado pela Autoridade Fiscal competente, indica todos os fundamentos fáticos e jurídicos que ensejaram a responsabilização do sócio administrador, permitindo a ele entender perfeitamente o que lhe foi imputado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. Os responsáveis solidários devem ser intimados a fim de que possam participar do processo administrativo e se defender contra a imputação fiscal. LANÇAMENTO FISCAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O lançamento fiscal é instrumento hábil a constituir o crédito tributário, consoante a legislação tributária e jurisprudência dos Tribunais Superiores. SIGILO BANCÁRIO. PROVA EMPRESTADA. É legítima a constituição do crédito tributário com base em documentos e extratos bancários apreendidos por determinação de Juiz de Direito, se a mencionada Autoridade Judicial, guardiã do sigilo no caso concreto, transferiu o sigilo ao Fisco Federal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS GERENTES. Os sócios gerentes serão chamados a responder pelo crédito tributário se ficar constatada a dissolução irregular da sociedade ou a prática de atos com infração à lei. PERÍCIA. Fl. 7503DF CARF MF Processo nº 11080.729939/201437 Acórdão n.º 1402003.801 S1C4T2 Fl. 7.501 7 Deve ser indeferido o pedido por produção de prova pericial se o impugnante não conseguiu lançar dúvidas sobre a higidez do lançamento fiscal. A prova pericial tem por objetivo permitir que o julgador se socorra de profissional especializado para sanar dúvidas de natureza técnica, o que não é o caso dos presentes autos. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrentes. SESSÃO DE JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. A legislação que rege o processo administrativo tributário federal não prevê que as partes possam oferecer sustentação oral na sessão de julgamento da DRJ. Tendo em vista a devolução do AR de fls. 7392, o sócio Cristiano Vargas Burchor foi intimado por meio do Edital nº 034/16/DRF/POA/SECAT que teve como data de afixação o dia 27/04/2016 e data da ciência dia 12/05/2016. O sócio Luiz Adriano Vargas Burchor foi cientificado por meio do AR de fls. 7395 em 04/05/2016. Por fim, tendo em vista a devolução do AR de fls. 7396, a empresa Economia Consultoria foi intimada por meio do Edital nº 044/16/DRF/POA/SECAT que teve como data de afixação o dia 08/06/2016 e data da ciência dia 23/06/2016 Somente o sócio Luis Adriano Vargas Burchor apresentou recurso voluntário de fls. 7403/7456, no qual reitera as alegações já suscitadas É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora De acordo com o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Conforme se verifica pelo Aviso de Recebimento de fls. 7395 o Recorrente Luis Adriano Vargas Buchor foi cientificado na Rua Padre Chargas, 51, Apto 804, Moinhos de Fl. 7504DF CARF MF 8 Vendo, Porto Alegre RS, CEP 90580080, mesmo endereço informado pela própria Recorrente em seu Recurso Voluntário de fls. 7403. O contribuinte foi intimado da decisão recorrida do dia 04 de maio de 2016, conforme atesta Aviso de Recebimento (fls. 7395). O Recurso Voluntário de fls. 7403/7456foi protocolado dia 13 de junho de 2016, transcorridos, assim, mais de 30 dias contados do Aviso de recebimento. É importante ressaltar que a contribuinte não apresentou qualquer preliminar no sentido de contestar ou justificar a intempestividade do Recurso. Em face do exposto, não conheço do Recurso Voluntário em razão de sua intempestividade. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 7505DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.907822/2015-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento de contribuições não cumulativas que, após procedimento fiscalizatório sofrido pela empresa, restaram não reconhecidos em sua integralidade, consoante Despacho Decisório que integra os autos em apreço. Inconformada com o não reconhecimento integral de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 10060.584. Destacase que a DRJ aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004. Regularmente cientificado desta decisão, a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, com as seguintes alegações, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 07 82 2/ 20 15 -0 1 Fl. 5594DF CARF MF Processo nº 10880.907822/201501 Resolução nº 3402001.726 S3C4T2 Fl. 3 2 i) conceito de insumo aplicável alega que ele representa não só elementos diretos, mas também indiretos ligados à produção de produtos e de serviços; entende que a natureza jurídica dos créditos do PIS e da Cofins não pode ser confundida com a nãocumulatividade do ICMS e do IPI, apontando que deveria se aplicado o método indireto subtrativo; aduz que os créditos de PIS e de Cofins se revestem de subvenção estatal; requer créditos sobre a totalidade de seus custos e de suas despesas, pois não haveria como se restringir o conceito de insumo; aponta a procedência de suas alegações à luz de sua atividade econômica; ii) direito ao crédito sobre aquisições de combustíveis alega que os combustíveis e Gás GLP seriam aplicados em seu processo produtivo, citando a Lei nº 10.833/03 e a Instrução Normativa nº 404/04; alega que o óleo diesel seria utilizado em suas empilhadeiras e geradores; iii) direito ao crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas alega que o direito a crédito sobre tais serviços utilizados como insumos estaria amparado pela Lei nº 10.833/03, sendo essa rubrica composta por três serviços distintos: de laboratório; do serviço de inspeção federal (SIF), de caráter de inspeção sanitária; e de análises microbiológicas, essenciais e obrigatórios nos frigoríficos; iv) direito a crédito integral sobre os fretes internacionais alega que teria atendido a todos os requisitos normativos e legais previsto na Leis nº 10.833/03 para creditamento sobre fretes nas operações de venda, não prosperando a acusação fiscal que impediu o crédito por ser o transportador pessoa jurídica não domiciliada no país; ii) direito ao crédito integral sobre o frete decorrente da aquisição de insumos, e não o cômputo do crédito presumido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.720, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.907821/201559, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.720): "Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A questão devolvida a este colegiado cingese sobre o conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS Fl. 5595DF CARF MF Processo nº 10880.907822/201501 Resolução nº 3402001.726 S3C4T2 Fl. 4 3 e COFINS, cujo reflexo poderia alterar o direito creditório da Recorrente e o Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente as compensações pleiteadas. Especificamente, tratamse das seguintes glosas efetuadas pela autoridade fiscal e confirmadas pela DRJ: (i) Crédito sobre aquisições de combustíveis; (ii) Crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas; (iii) Crédito sobre os fretes internacionais; (iv) Crédito integral sobre o frete decorrente da aquisição de insumos, e não o cômputo do crédito presumido Quanto ao conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição para o PIS e a COFINS, o julgador a quo aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004, no sentido de restringir o crédito apenas nas situações relacionadas nos referidos atos infralegais. A questão já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Transcrevo a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – Fl. 5596DF CARF MF Processo nº 10880.907822/201501 Resolução nº 3402001.726 S3C4T2 Fl. 5 4 bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, considerando que a análise efetuada pela autoridade fiscal baseouse nos termos determinados pelas INs SRF 247/2002 e 404/2004, e não considerou a essencialidade e relevância dos itens no processo produtivo da Recorrente, entendo que a situação fática deve ser aclarada pela unidade de origem, considerando a nova Fl. 5597DF CARF MF Processo nº 10880.907822/201501 Resolução nº 3402001.726 S3C4T2 Fl. 6 5 interpretação determinada pelo STJ acerca do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 5598DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720512/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO
LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO.
A limitação de 30% do lucro liquido ajustado, para compensação de prejuízos
fiscais, não excepciona a entidade em fase de liquidação extrajudicial.
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. REGIME DE LIQUIDAÇÃO
EXTRAJUDICIAL. NORMAS APLICÁVEIS.
As instituições financeiras submetidas a regime de liquidação extrajudicial se
sujeitam as mesmas normas da legislação tributária aplicáveis as instituições
ativas, relativamente aos impostos e às contribuições administrados pela
Receita Federal do Brasil.
JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL. ISENÇÃO.
A isenção dirigida aos juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional
(NTN), prevista no artigo 4° da Lei n° 10.179/01, aplica-se apenas ás da série
A, subsérie 1 - NTN - Al.
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. APLICAÇÃO DE MULTA DE
OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A questão sobre a
exigibilidade ou não da multa de oficio das empresas em regime de
liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no
foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial ou
falência pode ser cessada antes da realização da execução.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros morat6rios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no
período de inadimplencia, A. taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1101-000.737
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção de Julgamento, 1) relativamente à isenção dos juros produzidos pelas NTN—A3, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário; 2) relativamente ao limite de 30% na compensação de prejuízos fiscais de pessoas jurídicas em liquidação extrajudicial, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário; 3) relativamente A. aplicação da multa de oficio, por voto de qualidade, em negar provimento ao
recurso voluntário, vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Junior (Relator), acompanhado pelos Conselheiros João Carlos de Figueiredo Neto e Antônio Lisboa Cardoso, designando-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Ede li Pereira Bessa; e 4)
relativamente à aplicação dos juros de mora, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. A limitação de 30% do lucro liquido ajustado, para compensação de prejuízos fiscais, não excepciona a entidade em fase de liquidação extrajudicial. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. REGIME DE LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. NORMAS APLICÁVEIS. As instituições financeiras submetidas a regime de liquidação extrajudicial se sujeitam as mesmas normas da legislação tributária aplicáveis as instituições ativas, relativamente aos impostos e às contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL. ISENÇÃO. A isenção dirigida aos juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional (NTN), prevista no artigo 4° da Lei n° 10.179/01, aplica-se apenas ás da série A, subsérie 1 - NTN - Al. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A questão sobre a exigibilidade ou não da multa de oficio das empresas em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial ou falência pode ser cessada antes da realização da execução. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros morat6rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplencia, A. taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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EM LIQUIDACAO EXTRAJUDICIAL Recorrida FAZEIÇNACIONAL 4') ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. A limitação de 30% do lucro liquido ajustado, para compensação de prejuízos fiscais, não excepciona a entidade em fase de liquidação extrajudicial. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. REGIME DE LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. NORMAS APLICÁVEIS. As instituições financeiras submetidas a regime de liquidação extrajudicial se sujeitam as mesmas normas da legislação tributária aplicáveis as instituições ativas, relativamente aos impostos e às contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL. ISENÇÃO. A isenção dirigida aos juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional (NTN), prevista no artigo 4° da Lei n° 10.179/01, aplica-se apenas ás da série A, subsérie 1 - NTN - Al. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A questão sobre a exigibilidade ou não da multa de oficio das empresas em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial ou falência pode ser cessada antes da realização da execução. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros morat6rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplencia, A. taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Processo n° 16682.720512/2011-65 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-000.737 Fl. 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção de Julgamento, 1) relativamente à isenção dos juros produzidos pelas NTN—A3, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário; 2) relativamente ao limite de 30% na compensação de prejuízos fiscais de pessoas jurídicas em liquidação extrajudicial, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário; 3) relativamente A. aplicação da multa de oficio, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Junior (Relator), acompanhado pelos Conselheiros João Carlos de Figueiredo Neto e Antônio Lisboa Cardoso, designando-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Ede li Pereira Bessa; e 4) relativamente à aplicação dos juros de mora, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Valmar Fo se enczes - Presidente -7- Benedicto elso B nic o Júnior — Relator 19"eli Pereira Bessa — Relatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benicio Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, João Carlos de Figueiredo Neto e Antônio Lisboa Cardoso. Ausentes justificadamente os Conselheiros Jose Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls. 183/194), no qual se exige o recolhimento de IRPJ relativo ao ano-calendário 2007, segundo os valores abaixo demonstrados: Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$ 33.953.551,85 Juros de Mora R$ 11.615.510,08 Multa de Oficio R$ 25.465.163,88 Valor do Crédito Apurado R$ 71.034.225,81 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 170/182), consta o que se segue: 2 Processo n° 16682.720512/2011-65 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.737 4 - a interessada é instituição financeira sob regime de liquidação extrajudicial, decretado pelo Ato n° 584/96, do Banco Central do Brasil; - a Fiscalização apurou que a empresa não respeitou o limite legal da compensação do prejuízo fiscal de períodos anteriores (artigo 15 da Lei n°9.065/95); - a interessada informou à Fiscalização que havia protocolizado processo de consulta n° 10768.004719/2002-71, no sentido de poder compensar integralmente os seus prejuízos fiscais com as bases de cálculo positivas destes tributos, até o final da liquidação, sem observância do limite de 30% (trinta por cento) determinado pelo artigo 42 da Lei n° 8.981/95, coin a redação dada pelo artigo 15 da Lei n° 9.065/95. - a Solução de Consulta respondeu que a pretensão da interessada não encontrava respaldo legal, citando o artigo 60 da Lei n°9.430/96 e o artigo 111 do CTN; - a interessada procedeu à compensação total do lucro liquido ajustado, no período de apuração de 2007, baseando-se en] estudos próprios, realizados internamente, e em pareceres emitidos por escritórios de advocacia tributária sobre o assunto; - além do descumprimento do limite de compensação, verificou-se que a interessada excluiu, da apuração do Lucro Real, juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional; - de acordo com o artigo 777 do Decreto n° 3.000, de 1999, os juros produzidos pelos BMus da Divida Externa Brasileira e pelas Notas do Tesouro Nacional NTN, de emissão do Tesouro Nacional, objeto de permuta por divida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1998, são isentos do IR13.1; - a interessada informou que os juros são provenientes de NTN — A3. De acordo com o § 2° do artigo 7° do Decreto n° 3.859/01, as NT N — A3 não são utilizadas na troca por "Brazil Investment Bonds". A interessada informou, ainda, que se valeu desta exclusão na apuração do Lucro Real do ano-calendário de 2007, consubstanciada em estudos produzidos internamente pela empresa e em pareceres externos que entendem que os juros produzidos por Títulos da Divida Interna, emitidos para a troca voluntária por Bônus da Divida Externa Brasileira, também alcançam o beneficio fiscal disposto no artigo 4° da Lei n° 10.179/01; - assim sendo, foi glosada a exclusão do valor dos juros produzidos por NTN — A3, no montante de R$ Processo n° 16682.720512/2011-65 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.737 Fl. 5 20.999.065,79 (vinte milhões, novecentos e noventa e nove mil, sessenta e cinco reais e setenta e nove centavos). A interessada foi cientificada do auto infracional em 13.06.2011, e apresentou impugnação em 12.07.2011, alegando, em síntese, que: - é legitima a exclusão, junto à base de cálculo do IRP.J, dos juros produzidos pela NTN - A3, uma vez que o artigo 250 do RIR reconheceu sua exclusão da base de cálculo do IRPJ, já que esta modalidade de titulo público, na forma do artigo 70, § 2°, do Decreto n° 3.540/00, deveria ser utilizada em operações de troca por títulos da divida pública externa ("Par Bonds'), atendendo-se, assim, ao comando normativo da letra "c" do parágrafo único do citado artigo 250 do RIR; cita-se o "perguntas e respostas" do sitio da RFB, a respeito de conversão de títulos da Divida Externa em Divida Interna; - afirma-se que não cabe, à Fiscalização, impor qualquer resistência a este fin], sob pena de ofensa ao artigo 250 do RIR e ao artigo 142 do CTN; - esteio sendo violados os conceitos de lucro, enquanto acréscimo patrimonial (artigo 153, inciso ill, da CF/88, e artigo 43 do CTN), de prejuízo, enquanto perda patrimonial, e de lucro, consagrado no direito privado (arligo 110 do CTN); - da mesma forma, estará sendo violado o artigo 145, § 1°, da CF/88, que resguarda o principio da capacidade contributiva, pois pretende-se tributar o patrimônio, ao invés da renda (lucro), eis que, por se encontrar em situação jurídica especial (em extinção), não tem perspectivas de recuperação e continuidade, bem como não dispõe de recursos para honrar o seu passivo a liquidar, decorrente de operações realizadas no passado; - as rendas produzidas pela realização dos ativos, nesta fase de liquidação extrajudicial, servem tão somente à solução dos passivos pendentes, sem que efetivamente gerem qualquer acréscimo patrimonial; - é permitida a verificação da ocorrência de vícios, frente às normas constitucionais e infraconstitucionais, por órgãos julgadores administrativos. Cita doutrina e decisão do Conselho de Contribuintes; - não admitir a dedução integral dos prejuízos acumulados com ganhos futuros significa desconhecer o principio da preservação do patrimônio da empresa. Os princípios jurídicos, como se sabe, são fontes in.spiradoras e diretivas da lei; 4 Processo n° 16682.720512/2011-65 SI-C ITI Aeórddo n.° 1101-000.737 Fl. 6 - quanto aos juros e multas lançados, a Lei n° 6.024/74, que rege os atos de intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras, dispondo sobre os efeitos resultantes da decretação deste estado (artigo 18), resguardou, sem prejuízo da preferência legal, a igualdade entre os credores, para satisfação dos seus créditos. Assim, caso seja mantida a aplicação da multa de oficio e dos juros de mora, os credores irão suportar este ônus, o que afrontará o principio basilar da execução coletiva, aplicável ao presente caso; - neste sentido, foi editada a nola PGFN/PGA n° 722/2006, de 30 de outubro de 2006, na qual restou confirmado o entendimento de que descabe a aplicação da multa punitiva, depois da decretação da liquidação extrajudicial das instituições financeiras, como é o caso da autuada; - o artigo 18 da Lei n° 6.024/74 determina que a decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, a não fluência de juros, mesmo que estipulados contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo; - deveria incidir a TRD e não a SELIC, em virtude da Lei n° 8.177/91. A 8 TURMA DA DRJ NO RIO DE JANEIRO — RJ I, ao julgar a impugnação apresentada, houve por bem manter incólume o auto de infração exordial, consoante aresto (fls. 264/273) assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE. 30%. A limitação de 30% do lucro liquido ajustado para compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa não excepciona a entidade em fase de liquidação extrajudicial. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. REGIME DE LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. NORMAS APLICÁVEIS. As instituições financeiras submetidas a regime de liquidação extrajudicial sujeitam-se As mesmas normas da legislação tributária aplicáveis às instituições ativas, relativamente aos impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL. ISENÇÃO. 5 Processo n° 16682.720512/2011-65 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.737 Fl. 7 A isenção dirigida aos juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional, (NT1V), prevista no artigo 4° da Lei n° 10.179, de 2001, aplica-se apenas às da série A, sub-série 1-NTN-A1. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A par/ir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inaa'impléncia, 21 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIG' para títulos federais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." Cientificada desse acórdão em 23.08.2011 (fl. 277), a interessada interpôs o Recurso Voluntário sob análise (fls. 279/301), em 12.09.2011, repetindo os argumentos erigidos na instância precedente. A d. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou, então, Contrarrazões ao Recurso Voluntário, as fls. 305/316. o relatório. Voto Vencido Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior - Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Para esgotada análise da controvérsia, analisemos, separadamente, cada uma das razões recursais. (i) Da isenção dos juros produzidos pelas NTN — A3 Em primeiro lugar, argui o contribuinte que, ao contrário do entendimento fazenddrio, a isenção prescrita pelo artigo 250 do Decreto n° 3.000/99 também se aplicaria aos juros produzidos pelas Notas do Tesouro Nacional da serie A, subsérie A-3 ("NTN — A3"), e não apenas as Notas do Tesouro Nacional da série A, subsérie A-1 ("NTN — Al"). A recorrente excluiu de seu lucro liquido, apurado no ano-calendário de 2007, todos os juros derivados de NTN — A3, fulcro no permissivo regulamentar acima mencionado. 0 Fisco, porém, vislumbrou, acertadamente, que tais rendimentos dev riam, sim, compor o resultado tributável, sujeito à incidência do IRPJ. Processo n° 16682.720512/2011-65 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.737 Fl. 8 O artigo 250, parágrafo único, alínea "c", do Decreto n° 3.000/99 vige com a seguinte conformação: "Art. 250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro liquido do período de apuração (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 6'2., ssç' 32): Parágrafo único. Também poderão ser excluídos: c) os juros produzidos pelos Bônus do Tesouro Nacional - BIN e pelas Notas do Tesouro Nacional - NTN, emitidos para troca voluntária por Bônus da Divida Externa Brasileira, objeto de permuta por divida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, bem assim os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil, para os fins previstos no art. 82 do Decreto-Lei n2 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo Decreto-Lei n2 2.105, de 24 de janeiro de 1984 (Lei n 2 7.777, de 19 de junho de 1989, arts. 72 e 82, e Medida Provisória 172 1.763-64, de 11 de marco de 1999, art. 4.9 ; A leitura do dispositivo permite perceber que a isenção comentada abrange os juros produzidos por NTN, "emitidos para troca voluntária por Bônus da Divida Externa Brasileira, objeto de permuta por divida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil". Nem todas as NTN passíveis de substituição por bônus da divida externa pátria gozam, no entanto, dessa benesse. Em verdade, o artigo em comento serve a regulamentar, particularmente, a isenção originalmente prescrita pelo artigo 4° da Medida Provisória n° 1.763-64/99, in verbis: "Art. 4° Silo isentos do Imposto sobre a Renda os juros produzidos pelas NTN emitidas na forma do inciso III do art. 1° desta Medida Provisória, bem como os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. 80 do Decreto-Lei II' 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo Decreto-Lei if 2.105, de 24 de janeiro de 1984." O artigo 1°, inciso III, daquela Medida Provisória apresentava, por sua vez, a seguinte feição: "Art. 1° Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos da divida pública, de responsabilidade do Tesouro Nacional, com a finalidade de: III - troca por Bônus da Divida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por divida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988;" 7 Processo n° 16652.720512/20 11-65 SI-CI T I Acórdão n.° 1101-000.737 Fl. 9 Claro está que o tratamento isentivo se aplica, exclusivamente, a NTN voltadas à troca por BMus da Divida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, objeto de permuta por divida externa do setor público, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement". Isso significa, então, que dito regime cuida, apenas, das NTN — Al, e não da NTN — A3, conforme discriminação do artigo 7°, §§ 1° e 3°, do Decreto n° 3.540/00: "Art. r A NTN-A, a ser utilizada nas operações de troca por "Brazil Investment Bonds - BIB", de acordo coin o inciso III do art. 12 da Medida Provisória if 1.974-80/2000, e pelos demais títulos emitidos em decorrência de acordos de reestruturação da divida externa brasileira, e para fins de substituição das Notas do Tesouro Nacional Série L — N7N-L, existentes junto ao Banco Central do Brasil, até o limite da obrigação decorrente do "Multi-Year Deposit Facility Agreement — MYDFA", conforme disposto no art. 6' da Medida Provisória if 1.980-19, de 1° de junho de 2000, será emitida em dez sub-séries distintas: N7W-A 1 , NTN-A 2, NTN-A3, NTIV-A 4, NTN-A 5, NTN-A 6, NTN-A-, NTN-As, NTN-A, e NTN-A 10. § F A NTN-A 1, a ser utilizada nas operações de troca por "Brazil Investment Bonds - BIB", terá as seguintes características: § 3°- A NTN-A 3, a ser utilizada nas operações de troca por "Par Bond", terá as seguintes características: (..)" E de se ressalvar que a Medida Provisória n° 1.763-64/99, depois de sucessivas reedições, foi convertida na Lei n° 10.179/01. Esta, de todo modo, reproduziu fielmente as normas do instrumento provisório, naquilo que pertine à lide. Inexistem dúvidas, portanto, de que a leitura perpetrada pela recorrente não se sustém. A isenção concedida aos juros provenientes das NTN — A se restringe àqueles derivados os títulos da subsérie A-1, não alcançando as da subsérie A-3. Mister recordar, aliás, que a isenção não pode ser interpretada de forma analógica ou extensiva. Sua exegese, ao contrário, deve ser, obrigatoriamente, literal, forte no artigo 111, inciso II, do Código Tributário Nacional: "Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (.) - outorga de isenção;" Correta, portanto, a autuação. (n) Do limite de 30% na compensação de prejuízos fiscais de pessoas jurídicas em liquidação extrajudicial 8 Processo n° 16682.720512/2011-65 SI-CI Ti Acórdão n.° 1101-000.737 Fl. 10 Assevera a insurgente, ainda, que a "trava" de 30% (trinta por cento) do lucro liquido ajustado, imposta à compensação de prejuízos fiscais, não se aplicaria a pessoas jurídicas em liquidação extrajudicial, eis estarem estas em situação que as levaria a sequer poder falar em aferição de acréscimos patrimoniais. Este cerceamento violaria, genericamente, princípios e regras constitucionais e infraconstitucionais tangentes a tributação. Busca a autuada, em verdade, fazer aplicar, ao caso da liquidação extrajudicial, o entendimento consagrado, pela jurisprudência deste colegiado, As hipóteses de extinção do contribuinte, sob qualquer forma. Sucede, porém, que a comparação é impertinente. A mitigação da restrição, para os casos de término da existência da personalidade jurídica, tem óbvio arrimo no entendimento de que a manutenção do limite levaria A. derradeira e irreversível vedação à compensação dos prejuízos fiscais pretéritos. O caso concreto não toca a situação similar, uma vez que a sociedade liquidanda não está, necessariamente, em vias de extinção. Embora a liquidação extrajudicial persista com o desiderato de solução do passivo consolidado, não 6, necessariamente, impossível o posterior aproveitamento dos prejuízos fiscais, para abate parcial do lucro liquido, acaso a liquidação venha a cessar, com a continuidade das atividades econômicas (artigo 19, alínea "a", da Lei n° 6.024/74). De mais a mais, lembre-se que a vigência do regime de liquidação extrajudicial não leva, desde a entrada em vigor do artigo 60 da Lei n° 9.430/96, a qualquer diferenciação da liquidanda perante as demais pessoas jurídicas, relativamente ao cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias: "Art. 60. As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitam-se ás normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis its pessoas jurídicas, em relação ás operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo." Não se verifica, pois, qualquer motivo para a não aplicação do limite referido de 30% (trinta por cento), estatuido pelo artigo 15 da Lei n° 9.065/95. IrretocAvel, aqui também, o labor lançador — mormente em virtude de não poder este conselho, na forma da Súmula CARF n° 02, afastar a aplicação da legislação fiscal, sob o pálio de aduções de invalidade sistêmica: "SÚMULA N° 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." (iii) Da cominação de multa de oficio às instituições financeiras sob regime de liquidação extrajudicial A Fiscalização, ao lavrar o auto de infração em comento, imputou, A peticionária, multa de oficio correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) do principal constituído. Ocorre, no entanto, que o cobro desta penalidade não é lídimo. A Lei n° 6.024/74, de fato, ao regulamentar a instauração e o desenvolvimento do regime de liquidação extrajudicial das instituições financeiras, preconizou, em seu artigo 18, alínea "f', adiante 9 Processo n° 16682.720512/2011-65 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.737 Fl. 11 transcrito, a impossibilidade de cominação de penas administrativas — em especial, as multas tributárias oficiosas: "Art. 18. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: (...) O não reclamação de correção monetária de quaisquer divisas passivas, nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas." A impossibilidade de impingencia das penalidades fiscais se aperfeiçoa desde o momento da decretação da liquidação extrajudicial. Irrelevante é a data do fato gerador do tributo formalizado; importa, apenas, averiguar se a imposição da sanção é ulterior, ou não, ao inicio da sistemática liquidante. Esta orientação foi adotada em variados julgados da lavra deste conselho. Nesse sentido, mostremos, abaixo, algumas das ementas já produzidas, atinentes a acórdãos que versaram sobre a matéria: "LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL E FALÊNCIA, APLICAÇÃO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Após a decretação da liquidação extrajudicial ou da falência não cabe a imposição de multa, seja de mora seja de oficio, por força do art. 18, "f", da Lei n° 6.024/74, bem como pela aplicação sistemática do art. 34 desta mesma Lei com o art. 23, p.u., III, do Decreto-Lei n° 7.661/45, combinados todos com a Súmula STF/565 Precedentes (RESP 532.539, DI 16/11/2004; Acórdão CSRF/01- 05.387, j. 20/03/2006; Acórdão CSRF/01- 05.389, j. 20/03/2006)" (Ac. n° 3403-00.486/10) "INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. MULTA DE 0E1670. As instituições financeiras submetidas a regime de liquidação extrajudicial sujeitam-se as mesmas normas de incidência aplicáveis as instituições ativas, relativamente aos impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (art. 60, Lei 9.430/96), o que não inclui as multa s, sejam de mora, de oficio ou isolada. Súmulas IN 192 e 565, do Col. STF e Súmula 13, da AGU" (Ac. n°1201-00.145/lo) Imperiosa, ern tal seara, a nulificação do lançamento da multa proporcional. Igual tratamento, contudo, não se aplica aos juros moratórios impingidos, consoante abaixo se elucidará. (iv) Da cobrança de juros moratórios à taxa SELIG Por derradeiro, a recorrente se bate pelo expurgo dos juros moratórios, por supostamente indevidos — ou, alternativamente, pela contabilização daqueles segundo a TRD, em substituição à taxa referencial SELIC. 10 Processo n° 16682.720512/2011-65 SI-Cl TI Acórdao n.° 1101-000.737 Fl. 12 Primeiramente, insta ressaltar que o artigo 18, alínea "d", da indigitada Lei n° 6.024/74, ao revés do que ocorreu com a multa punitiva, não encampa solução similar de afastamento dos juros de mora. Em verdade, no que pertine a estes consectdrios, o enunciado normativo não determina a exclusão da incidência em si, limitando-se, então, a condicionar sua fluência ao prévio pagamento integral do passivo (principal): 'Art. 18. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: não fluência de juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo; " A mensuração dos juros, de seu lado, não pode ser realizada senão em atenção à taxa referencial SELIC, estipulada pela legislação vigorante. A Súmula CARF n° 04 é explicita a respeito, não deixando margem a elucubrações maiores: "Súmula CARE n° 4• A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, a fim de nulificar os lançamentos de multa proporcional, no importe de 75% (setenta e cinco por cento), mantendo, integralmente, os demais aspectos da autuação. Benedicto e itio Júnior Voto Vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa — Redatora designada 0 presente voto expressa o entendimento desta Turma Julgadora que, por voto de qualidade, concluiu pela manutenção da multa de oficio aplicada no presente lançamento. Tal matéria já foi submetida, por esta mesma recorrente, ao antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e a Turmas Julgadoras deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e sempre resultou na rejeição de seus argumentos. Nos autos do processo administrativo n° 19740.000573/2003-59, ao analisar exigência de CSLL pertinente ao ano-calendário 2002, assim se manifestou o Conselheiro Mauricio Prado de Almeida, consoante voto inserido no Acórdão n° 103-21.849: 161 MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA 11 Processo n° 16682.720512/2011-65 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-000.737 Fl. 13 Em relação à multa de oficio e os juros de mora, objeto do Auto de Infração de que trata o presente processo, o recorrente alega que pelo fato de se encontrar em regime de liquidação extrajudicial, os mesmos não poderão ser cobrados, fundamentado-se no artigo 18, letras "d "e "f', da Lei n° 6.024, de 1974. Ratifico o entendimento do julgado de primeira instancia, de que a multa de oficio de 75% e os juros de mora são previstos em lei, devendo ser aplicados quando em decorrência de autuação com apuração de valor recolhido a menor a titulo de CSLL. Segundo o jci mencionado artigo 60 da Lei n° 9.430, de 1996, a partir de 10 de janeiro de 1997, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial sujeitam-se às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, ern relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. E, relativamente à multa de oficio e aos juros de mora, aplicáveis às pessoas jurídicas, a legislação tributária não prevê nenhuma exceção para as empresas que se encontram em regime de liquidação extrajudicial. A Lei no 6.024, de 1974, que dispõe sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras, estabelece no artigo 18, letra "b", citado pelo recorrente, sobre a não fluência de juros, enquanto não integralmente pago o passivo. A mesma Lei n° 6.024/74 prevê no artigo 19 que a liquidação extrajudicial cessara, se os interessados, apresentando as necessárias condições de garantia, julgadas a critério do Banco Central do Brasil, tomarem a si o prosseguimento das atividades econômicas da empresa (letra "a') e, também, se decretada a falência da entidade (letra "d'). O Decreto-Lei n°7.661, de 1945, dispõe no artigo 23, parágrafo inciso III, que "nib podem ser reclamadas na falência as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas." E, também, a Súmula do Supremo Tribunal Federal n° 192, estabelece que "não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa." Referindo-se à citada legislação, estabelecem os itens 30 a 32 do voto condutor do Acórdão desta 3° Camara n° 103-20.994: 30. A Lei n° 6024/74, ern seu art. 18, alínea "b", dispõe sobre a não fluência de juros "enquanto não integralmente pago o passivo", e o D.L. n° 7661/45, art. 23, III, estabelece que "não podem ser reclamadas na falência" as penas pecuniárias por infração de leis penais e administrativas. 31. Como se vê, a questão sobre a exigibilidade ou não das multas ou juros deve ser tratada na fase de execução, no foro 12 Processo n° 16682.720512/2011-65 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-000.737 Fl. 14 competente, conforme bem ressaltado em julgado deste Primeiro Conselho, (Acórdão no 101-90.612) "verbis": "MULTAS E ENCARGOS - As regras do art. 23, inciso III, do Dec.-Lei 7.661, de 21/06/45, sobre exigência da multa de lançamento ex officio da massa falida e demais encargos financeiros somente devem ser examinadas na fase de execução, até mesmo porque o estado falimentar pode ser superado até aquela oportunidade." 32. A Súmula 192 do STF dispõe sobre a não-inclusão de multa fiscal, com efeito de pena administrativa, no rol de créditos habilitados, em processo de falência, a evidenciar que a matéria deve ser enfrentada na fase de execução." Com base nos mencionados artigos 18 e 19 da Lei n° 6.024/74, artigo 23, parágrafo único, inciso III, do Decreto-Lei n° 7.661/45, Súmula do STF no 192, e nas conclusões constantes dos itens 30 a 32 do voto condutor do Acórdão n° 103-20.994, que ratifico, evidencia-se que a questão sobre a exigibilidade ou não da multa de oficio e dos juros de mora das empresas em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial ou falência pode ser cessada. antes da realização da execução. Destarte, não cabe ao julgador declarar indevida a aludida exigência de multa e juros, quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. No âmbito deste 1 ° Conselho de Contribuintes, corroboram o aludido entendimento, além dos Acórdãos acima citados, tambént, dentre outros, os de Os 101-90.612, 103-21.055, 104- 20.300, e 107-06.135, cujas ementas transcrevo abaixo: Acórdão n°101-90.612 "MULTAS E ENCARGOS - As regras do art. 23, inciso III , do Dec.-Lei 7.661, de 21/06/45, sobre exigência da multa de lançamento ex oficio da massa falida e demais encargos financeiros somente devem ser examinadas na fase de execução, até mesmo porque o estado faiimentar pode ser superado ate aquela oportunidade. Acórdão n°103-21.055 "LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL - ACRÉSCIMOS LEGAIS - A decretação da liquidação extrajudicial de instituição financeira não exclui, do lançamento de oficio, a imposição de multa e juros, cujas exigências devem ser examinadas na fase de execução." Acórdão n° 104-20.300 "LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL - ACRÉSCIMOS LEGAIS - A decretação da liquidação extrajudicial de instituição financeira não exclui, do lançamento de oficio, a imposição de 13 Processo n° 16682.720512/2011-65 Acórdão n.° 1101-000.737 SI-CITI H. 15 multa e juros, cujas exigências devem ser examinadas na fase de execução." Acórdão n° 107-06.135 "MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA - t procedente a exigência de multa de oficio e de juros de mora no lançamento de oficio levado a efeito contra instituição financeira em fase de liquidação" A Camara Superior de Recursos Fiscais igualmente confirma o aludido entendimento de exigibilidade da multa de oficio de empresas falidas, conforme Acórdão CSRF/01-0.187, cuja ementa transcrevo abaixo: Acórdão CSRF/01-0.187 "FALÊNCIA - Multa de lançamento "ex-officio" — A multa de lançamento "ex-officio" e exigível de empresas falidas, sobre o imposto apurado em procedimento de oficio" 0 Conselheiro Aloysio José Percinio da Silva adotou este entendimento ao redigir os votos condutores dos Acórdãos no 103-21.942 e 103-21.951, relativos aos processos administrativos no 10768.001669/2003-51 e 10768.001668/2003-15, que veicularam exigências de IRPJ e CSLL pertinentes ao ano-calendário 2001. 0 I. Conselheiro também invocou estas decisões para fundamentar o voto condutor do Acórdão n° 103-23.291, relativo ao processo administrativo n° 19740.000234/2006-15, que veiculou exigência de IRPJ pertinente ao ano- calendário 2003. De forma semelhante posicionou-se a Conselheira Sandra Maria Faroni, no voto condutor do Acórdão n° 1102-00.0085, que teve por objeto exigência de CSLL pertinente ao ano-calendário 2003, formalizada nos autos do processo administrativo n° 19740.000233/2006-71: A questão da reclamação de multa das empresas em processo de liquidação extrajudicial diz respeito à fase de execução. Tendo se configurado os pressupostos legais para imposição da multa por lançamento de oficio, não cabe ao julgador declará-la indevida. E, recentemente, o Conselheiro Eduardo de Andrade manteve o mesmo entendimento nos votos condutores dos Acórdãos n° 1302-00.596 e 1302-00.597, ao apreciar exigências de IRPJ e CSLL pertinentes ao ano-calendário 2004, formalizadas nos autos dos processos administrativos n° 19740.000006/2008-15 e 19740.000007/2008-51: (e) Aplicação de juros de mora e multa de oficio após decretação de liquidação extrajudicial de instituição financeira – Lei n° 6.024/74 - Nota PGFN/PAG/722/2006, aprovada pelo Ministro da Fazenda 0 art. 18, "d", da Lei n° 6.024/76 determina, como efeito da decretação de liquidação extrajudicial, que não fluem juros contra a massa, enquanto não integralniente pago o passivo. 14 ell Pereira Bessa Processo n° 16682.720512/2011-65 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-000.737 FL 16 Tal norma, de alcance geral, passou a encontrar limite a partir de 1997, em face do art. 60 da Lei n° 9.430/96, que expressamente estende às entidades em situação de liquidação extrajudicial as normas gerais sobre tributos e contribuições, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo. Assim, é correta a aplicação da multa de oficio de 75% e a fluência de juros Selic sobre o crédito constituído. Não ha reparos a tais conclusões, motivo pelo qual expressa-se a divergência em face do voto do I. Relator, que propôs a exclusão da penalidade aqui aplicada. Assim, também no que tange à multa de oficio, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. 15
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Numero do processo: 12585.720011/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO. DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO.
A contradição existente entre a fundamentação do Voto condutor e o dispositivo final do acórdão embargado é passível de saneamento por meio dos Embargos de Declaração.
No caso, para que o resultado do julgamento do Acórdão embargado fique em conformidade com o que foi decidido originalmente pelo Colegiado, deve ser retificado o seu dispositivo final para excluir do seu texto o item relativo à reversão de glosa que não havia sido efetivamente revertida pelo Colegiado.
Na oportunidade, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, e em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer o saneamento completo na rubrica relativa à conta embargada, que, conforme se demonstrou, padece do mesmo vício apontado pela embargante.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3402-006.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)".
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO. DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO. A contradição existente entre a fundamentação do Voto condutor e o dispositivo final do acórdão embargado é passível de saneamento por meio dos Embargos de Declaração. No caso, para que o resultado do julgamento do Acórdão embargado fique em conformidade com o que foi decidido originalmente pelo Colegiado, deve ser retificado o seu dispositivo final para excluir do seu texto o item relativo à reversão de glosa que não havia sido efetivamente revertida pelo Colegiado. Na oportunidade, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, e em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer o saneamento completo na rubrica relativa à conta embargada, que, conforme se demonstrou, padece do mesmo vício apontado pela embargante. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)". (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 00 11 /2 01 2- 15 Fl. 1867DF CARF MF 2 Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional em face de contradição/obscuridade identificada entre o dispositivo do acórdão e a sua fundamentação nos Votos Vencido e Vencedor relativamente à reversão da glosa de créditos das contribuições relativos à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa". Os Embargos foram admitidos mediante despacho do Presidente do Colegiado, nos seguintes termos: Tratase de embargos de declaração manejados em desfavor do Acórdão 3402 005.313, de 20/06/2018, alegadamente maculado de contradição/obscuridade em relação à reversão da glosa de dispêndios contabilizados na conta “Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", consignada na parte dispositiva do aresto, mas que não teria sido tratada no voto da relatora ou no voto da redatora designada. Os embargos são tempestivos: os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 30/07/2018 (doc. à efl. 1829) e devolvidos em 03/09/2018, conforme doc. à efl. 1836. Lembrar que de acordo com o disposto no art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016, os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados ao término do prazo de 30 (trinta) dias, contados da entrega dos autos à PFN. No caso dos autos, portanto, a ciência aperfeiçoouse 29/08/2018 e o agravo foi apresentado no prazo regimental de cinco dias. Importa consignar que o contribuinte obteve cópia dos autos por meio do “Portal ECAC” e igualmente apresentou seus embargos de declaração. Entretanto, considerando que, conforme será melhor esclarecido adiante, o aresto embargado será novamente submetido ao Colegiado, não é possível conhecer dos embargos do contribuinte antes da decisão que enfrentará os embargos da Fazenda Nacional, pois ainda não se sabe qual será a versão definitiva do aresto. Igualmente não cabe tomar conhecimento, no presente exame de admissibilidade, da petição apresentada pelo contribuinte por meio da qual apresenta contrarrazões aos embargos da Fazenda, embora não nomine sua petição nesses termos. Como é cediço, o direito processual pátrio adota a taxatividade quando disciplina as hipóteses de intervenção das partes e, na ausência de norma regimental que a preveja, a manifestação do contribuinte não pode ser enfrentada no presente despacho. (...) Tomando tais conceitos como referência, analisando as razões de embargo, juntamente com o acórdão embargado, forçoso é concluir que os embargos devem ser admitidos, pois, de fato, não é possível extrair dos votos da relatora (vencida exclusivamente no que se refere à glosa dos dispêndios com uniformes) ou da redatora designada quais seriam as razões para reversão da glosa dos créditos apurados a partir dos dispêndios contabilizados na conta intitulada “Gastos com Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402006.212 S3C4T2 Fl. 1.868 3 combustíveis para equipamentos de rampa”, exposta na parte dispositiva nos seguintes termos: (...) Consta também nos autos a interposição de Embargos de Declaração pela contribuinte, os quais não foram objeto de despacho de admissibilidade. Os autos foram devolvidos a esta Conselheira Relatora para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Os embargos de declaração interpostos pela contribuinte não foram submetidos a despacho de admissibilidade e, portanto, não podem ser incluídos nesta oportunidade em pauta de julgamento, nos termos do art. 65, §7º do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e apontam, em verdade, o vício de "contradição entre a decisão e os seus fundamentos", razão pela qual devem ser conhecidos nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Alega a embargante que: (...) Ante a leitura da parte dispositiva, depreendese que o colegiado teria dado parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de créditos de insumos relativos à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa". Entretanto, esta decisão não coincide com o disposto nos votos da relatora e da conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, designada para subscrever a tese vencedora, conforme se confere nos trechos a seguir transcritos, extraídos de ambos os votos: (...) Enquanto o dispositivo da decisão expressa a conclusão pelo provimento parcial para reverter as glosas de créditos de insumos relativos à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", os votos vencido e vencedor não conferem o creditamento em relação à aludida rubrica. Verificase, portanto, descompasso entre a decisão e sua fundamentação. (...) Verificase que, de fato, ocorreu a contradição interna no acórdão embargado apontada pela embargante, como abaixo se demonstrará. No dispositivo do Acórdão, extraído da Ata de Julgamento, assim constou: Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (...) (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte Fl. 1869DF CARF MF 4 internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (...) (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto. (...) [grifei e negritei] Como se observa acima, o dispositivo do Acórdão embargado foi redigido de forma a separar o resultado da votação do Colegiado em: a) unanimidade, b) maioria e c) voto de qualidade. Constatase também que: i) na parte do julgado em que houve votação por unanimidade, certamente que o resultado do julgamento deve equivaler à fundamentação dada pela Conselheira Relatora; ii) também no que concerne à votação por voto de qualidade, para a qual não consta a Relatora como vencida, não deve haver divergência entre o resultado final do julgamento e a fundamentação do Voto da Conselheira Relatora; e iii) relativamente à matéria julgada que saiu vencedora por maioria, a divergência da Conselheira Relatora em relação ao resultado final do julgamento deuse apenas em relação ao item (b.4) (despesas com os uniformes dos aeronautas relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros), matéria que foi fundamentada no "Voto Vencedor" da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; Em síntese, prevaleceu no resultado do julgamento do Acórdão embargado o provimento parcial do recurso voluntário em maior extensão do que aquele concedido no voto da Conselheira Relatora. Mais precisamente, o resultado final do julgamento equivale ao provimento parcial constante no "Voto Vencido" adicionado da reversão da glosa relativa ao item (b.4), cuja fundamentação constou no "Voto Vencedor". Dessa forma, a fundamentação da decisão final do julgamento deve ser encontrada em sua maior parte no "Voto Vencido", à exceção somente da glosa relativa ao item (b.4) do dispositivo do Acórdão, devidamente motivada no "Voto Vencedor". Com efeito, a parte controversa nos presentes Embargos de Declaração diz respeito somente à reversão da glosa sobre as despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" no montante relativo ao transporte internacional de cargas (item (a.3) no dispositivo acima), com indicação de votação unânime do Colegiado e, portanto, como dito, deveria encontrar fundamentação no Voto da Conselheira Relatora ("Voto Vencido"). Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402006.212 S3C4T2 Fl. 1.869 5 No que concerne às "aquisições de bens patrimoniais", o "Voto Vencido" foi assim redigido: 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais Sobre a matéria assim decidiu a DRJ: No caso do 1º trimestre de 2009, os bens glosados dizem respeito a quatro contas: “Comissaria”, “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. Relativamente às despesas com “Comissaria”, já se viu no tópico anterior que elas não podem gerar direito a crédito. Quanto às demais glosas, analisandose, especificamente, os itens das notas fiscais glosados na planilha “9.3 – Aquisição de bens patrimoniais”, percebese que se tratam, em verdade, de peças e partes e serviços de manutenção de equipamentos. A contribuinte, por sua vez, possui como atividade a prestação de serviços de manutenção de aeronaves, o que impõe considerar que os bens relacionados nas contas acima descritas são insumos. Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, determinando o seguinte: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: ... IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Por isso, os bens e serviços de manutenção relacionados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2º do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. De outra parte, no recurso voluntário, a recorrente não acrescentou elemento modificativo ou extintivo quanto aos óbices opostos ao creditamento na decisão da DRJ, nem quanto à Conta Comissaria deste tópico, razão pela qual a decisão recorrida há de ser mantida nesta parte. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário na seguinte forma: a) Determinar à autoridade administrativa que efetue novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total, bem como a inclusão das receitas originadas do transporte internacional de passageiros no regime não cumulativo; e b) Reverter somente as seguintes parcelas das glosas abaixo: i) glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no valor relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; Fl. 1871DF CARF MF 6 ii) glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro: Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, Serviços auxiliares aeroportuários, Serviços de handling, serviços de comissaria, Serviços de transportes de pessoas e cargas e Gastos com voos interrompidos; no montante relativo ao transporte internacional de pessoas; iii) gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo: iii.1)"serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e iii.2) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Como se vê acima, especificamente no presente processo, dentro da rubrica "aquisições de bens patrimoniais" não houve sequer glosa da conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", razão pela qual, obviamente, não poderia haver reversão de tal despesa no Acórdão embargado. Revendo os votos relativos aos 24 processos da mesma interessada julgados em sessão de junho de 2018, observase que o único processo em que foi tratada a glosa relativa à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" foi o de número 16692.720038/201314, no qual foi, inclusive, revertida essa glosa conforme Voto da Conselheira Relatora1. Assim, ao que parece, o equívoco na redação do dispositivo final do Acórdão ora embargado, deveuse à manutenção no texto de parte do resultado do outro processo julgado conjuntamente. O equívoco no resultado do julgamento não se restringe à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", mas a toda rubrica relativa às "aquisições de bens patrimoniais", para a qual não houve, no presente processo, qualquer reversão de glosa, como se observa na redação do "Voto Vencido" do Acórdão embargado. Embora o equívoco em toda a rubrica "aquisições de bens patrimoniais" do resultado do Acórdão embargado não tenha sido apontado propriamente pela Embargante, que 1 Processo nº 16692.720038/201314 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.323 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 (...) VOTO VENCIDO (...) 3. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais (...) Com relação "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" alega a recorrente que "é impossível a acessibilidade à aeronave sem a utilização de equipamentos de rampa, visto que este é o meio utilizado para o deslocamento da carga até o compartimento do avião e, consequentemente, esse equipamento depende de abastecimento (combustível) para seu funcionamento", o que se adequa ao conceito de insumo adotado neste voto. (...) Assim, em resumo, revertese neste tópico a glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais relativamente: i) à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" no montante relativo ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de cargas; e ii) às contas “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos” no montante pertinente ao transporte internacional de passageiros. (...) Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402006.212 S3C4T2 Fl. 1.870 7 se restringiu ao vício em relação à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" dessa rubrica, entendo que o saneamento deve ser feito de forma completa, ou seja, de ofício em relação também às contas não embargadas da rubrica. Embora o equívoco em toda a rubrica "aquisições de bens patrimoniais" do resultado do Acórdão embargado não tenha sido apontado propriamente pela Embargante, que se restringiu ao vício em relação à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" dessa rubrica, entendo que o saneamento deve ser feito de forma completa, ou seja, também em relação também às contas não embargadas da rubrica. Tratase de inexatidão material, devida a lapso manifesto na proclamação do resultado do julgamento pelo Colegiado, reparável pelos embargos inominados, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. O saneamento em toda rubrica "aquisições de bens patrimoniais" é decorrente do correção do próprio erro apontado pela embargante. Ademais, o Colegiado não poderia manter formalmente a parte da decisão embargada que, de forma bem clara, não está de acordo com o que foi efetivamente decidido pelo Colegiado em junho de 2018. Assim, em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer desde já o saneamento completo do feito. Dessa forma, a retificação no dispositivo do Acórdão embargado, com a exclusão do item (a.3), será nos seguintes termos: De: "Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) (...)" Para: "Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo Fl. 1873DF CARF MF 8 regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) (...)" Assim, pelo exposto, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, determinando a retificação do dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)". (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 12585.720011/201215 Acórdão n.º 3402006.212 S3C4T2 Fl. 1.871 9 Fl. 1875DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13310.000036/00-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
PEDIDO DE PERICIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9 9.363/96. EMPRESA EQUIPARADA A
INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA
INDEFERIMENTO.
O ressarcimento autorizado pela Lei nº 9.363/96 vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos, que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõe-se o seu indeferimento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.042
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, indeferido o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso acompanha pelas conclusões. Fez sustentação Oral o Dr. Sério Silveira Melo
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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Recorrida DRJ em Belém - PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - I PI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 PEDIDO DE PERICIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 1‘19 9.363/96. EMPRESA EQUIPARADA A INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. O ressarcimento autorizado pela Lei n 2 9.363/96 vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos, que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõe-se o seu indeferimento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da l a CÂMARA / 1' TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, indeferido o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso. 1- • selheiro Antônio Lisboa Cardoso acompanha pelas • clusões. Fez sustentação Oral • Ir. Sério Silveira Melo. AI' MARCOSMARCOS CÂNQI O Pre. idente ti o Processo n° 13310.000036100-41 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.042 Fl. 877 • liffrbf nizreNIAMER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao 3° trimestre de 2000, apresentado em 29/12/2000, com fundamento na Lei n2 9.363/96. O processo de industrialização da requerente desenvolve-se em estabelecimentos de terceiros, desde o beneficiamento do couro, feito por curtumes especializados, até a fabricação dos calçados, feita pela Cocalqui — Cooperativa de Calçados Quixeramobim Ltda. Analisando a documentação contábil da empresa, o Auditor-Fiscal, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 56/85 e Informação Fiscal de fls. 281/282, constatou que não havia controle individualizado das operações de industrialização por encomenda e intimou a requerente a elaborá-los. Depois de reiteradas intimações sem que a empresa lograsse apresentar e comprovar a existência de controles apropriados, propôs o indeferimento total do pleito. A Delegacia da Receita Federal em Fortaleza - CE, acatando o parecer da fiscalização, indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento, registrando em seu despacho de fl. 283 que a motivação da decisão foi a falta de comprovação do direito aos créditos pleiteados, de acordo com a legislação pertinente. Irresignada, a requerente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1 - o Agente Fiscal, com um pouco mais de bom senso, com base nos dados que sempre estiveram à sua disposição, poderia constatar onde e para que finalidade teriam sido utilizados todos os insumos adquiridos; 2 - para comprovar o crédito presumido alegado, o Agente Fiscal deveria ter verificado se: a) as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem com direito a crédito foram adquiridas no mercado nacional; b) as aquisições mencionadas estão suportadas por documentos fiscais hábeis - e idôneos, devidamente registra s nos livros contábeis e fiscais; 2 n Processo n° 13310.000036/00-41 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.042 Fl. 878 c) as exportações informadas foram efetivamente realizadas (Registro de Exportação — RE e SD); d) as receitas totais correspondem aos valores informados pela contribuinte em outras obrigações acessórias, como, por exemplo, na DIPJ; e) o cálculo da relação Receita de Exportação/Receitas Totais foi realizado corretamente; e f) o cálculo do Crédito Presumido informado pela Contribuinte estava correto; 3 - o Auditor-Fiscal não teria levado em conta as centenas de notas fiscais de compra de matérias-primas e de demais insumos de produção colocadas à sua disposição e nem verificado as dezenas de notas fiscais de exportação, B/Ls, REs, SDs, contratos de câmbio de exportação, etc; 4 - o crédito presumido deveria ser calculado com base nas aquisições de insumos e no percentual de participação das receitas de exportação na receita total da empresa exportadora, não havendo necessidade de se saber quais teriam sido os insumos aplicados nas exportações realizadas; 5 - o valor dos insumos poderia ser calculado somando-se o estoque no início de um determinado período às aquisições, e diminuindo-se as saídas não aplicadas na produção e o estoque final do mesmo período; 6 - a solicitação de documentos feita pelo Auditor-Fiscal somente poderia ter sido realizada por alguém com algum distúrbio psíquico ou de má-fé. Mesmo assim, teria disponibilizado ao Auditor-Fiscal os seguintes documentos, os quais seriam mais do que suficientes para confirmar as exportações realizadas e a aquisição dos insumos utilizados na produção: livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias, livros de inventário, documentos comprobatórios da efetivação da exportação (RE, SD, BL, Contrato de Câmbio), livros diário e razão e fichas técnicas de produção; 7 - se a fiscalização tinha alguma dúvida em relação a quais insumos e suas respectivas quantidades foram utilizados na fabricação dos calçados exportados, bastaria ter multiplicado a quantidade de calçados exportados de cada modelo pela quantidade de insumos definidos nas fichas de custos dos materiais por modelo; e 8- os pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI requeridos antes de 2001 foram deferidos sem que a fiscalização levantasse qualquer problema. Por fim, requereu a contribuinte: (1) a realização de perícia para esclarecer os quesitos que constam das fls. 327/328; (2) a reforma da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza - CE para se deferir o pedido de ressarcimento; e e 3 . • Processo n°13310.000036/00-41 52-CITI Acórdão o.° 2101-00.042 Fl. 879 (3) a atualizado do valor pleiteado pela taxa Selic desde a data do protocolo do processo até a data do efetivo ressarcimento. A DRJ em Belém — PA manteve inalterado o despacho decisório, indeferindo o pedido de perícia e negando o direito ao ressarcimento e às compensações, por falta de comprovação da liquidez e certeza dos créditos. No recurso voluntário, ao qual foram juntados diversos documentos, a empresa repisa e reforça os seus argumentos de defesa, reiterando a alegação de que produziu e exportou milhares de pares de calçados, fazendo jus ao crédito presumido solicitado. Reitera, também, o pedido de realização de perícia, para o fim de confirmar o seu direito ao ressarcimento, elaborando uma série de quesitos que, a seu ver, precisariam ser respondidos. Por fim, requer o deferimento integral do pedido de ressarcimento, devidamente atualizado pela taxa Selic, bem como a homologação das compensações inerentes a este processo. É o Relatório. Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. O ressarcimento do IPI é beneficio fiscal que pode ser deferido apenas para a empresa que seja contribuinte deste imposto. E contribuinte do IPI é o estabelecimento responsável pela operação industrial, mesmo que realizada em estabelecimento de terceiro, alugado, arrendado ou por qualquer outro meio cedido para a fabricação de seus produtos (PN n2 124/74). Quando a industrialização é feita em estabelecimentos de terceiros, a empresa não é contribuinte direta mas por equiparação. A operação que equipara a recorrente a estabelecimento industrial e, portanto, que a torna contribuinte do IPI, está prevista inciso IV do art. 9 2 do RIPI/98 e do RIPI/2002, nos seguintes termos: "Art. 9" Equiparam-se a estabelecimento industrial: 11. IV - os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matérias-primas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei n" 4.502, de 1964, art. 4", inciso III, e Decreto-Lei n" 34, de 1966, art. 2", alteração 339;" Todo contribuinte deve atentar para as normas constantes do Regulamento do IPI (Decreto n2 2.637/98 — RIPI/98 e Decreto n 2 4.544/2002 — RIPI/2002), pois que, sem a sua observância, não se pode receber os incentivos fiscais relativos a este imposto, como o ressarcimento de créditos, sejam eles básicos ou presumidos. 4 Processo n°13310.000036/00-41 S2-CIT1 Acórdão n.°2101-00.042 Fl. 880 As normas de controle dos insumos, quando a industrialização é feita fora estabelecimento adquirente e exportador dos produtos fabricados por terceiros, são ainda mais rígidas do que aquelas que devem sem cumpridas pelos estabelecimentos industriais. Na industrialização por encomenda, o direito de escrituração dos créditos exige do equiparado a industrial um rigoroso controle documental das operações industriais, sem o qual não haverá direito a ressarcimento/compensação. O Auditor-Fiscal não inventa os controles contábeis que exige da empresa. Ao contrário, só exige aqueles que estão previstos nas normas pertinentes à escrituração das empresas que pretendem requerer o ressarcimento de créditos do IPI. Não tem sentido, pois, a reclamação de que houve excessivo rigor formal por parte da fiscalização, quando esta registrou a falta de coerência da escrituração contábil da empresa, no que tange à emissão de notas fiscais, ao controle de estoques e à movimentação de insumos e produtos acabados entre o seu estabelecimento e o da prestadora dos serviços de industrialização. Em se tratando de industrialização por encomenda, o controle da produção é, sem dúvida, muito mais trabalhoso para a empresa, uma vez que, aos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agrega-se a documentação que deve ser emitida quando da movimentação dos insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador. Neste passo, as remessas de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem, recipientes, moldes, matrizes ou modelos devem ser cuidadosamente registradas e controladas na contabilidade das duas empresas, por meio da emissão dos documentos fiscais próprios, principalmente as notas fiscais de remessa. Este controle deve estender-se ao processo de fabricação, com acompanhamento efetivo da utilização dos insumos, e alcançar o retorno dos produtos industrializados, com registro em separado da devolução dos insumos/produtos. No presente caso, a fiscalização requereu a apresentação dos controles efetuados pela empresa e constatou que eles eram inexistentes ou muito precários, provavelmente devido à proximidade física dos estabelecimentos da encomendante e do industrializador, separados unicamente por uma rua. Em vista desta proximidade, estabeleceu- se uma confusão entre os estabelecimentos da Calçados Aniger e da Cocalqui, gerando uma grande gama de irregularidades, registradas pela fiscalização em pormenores no Termo de Verificação Fiscal de fls. 56/85. Entre elas, destaca-se a emissão de notas fiscais que não poderiam corresponder a efetivos retornos de produtos industrializados, pois não havia a correspondente remessa dos insumos e vice-versa. Se a requerente do crédito de IPI não mantém os controles exigidos pelas normas regulamentares, não logrando nem mesmo comprovar de forma adequada a realização da industrialização por encomenda, e mais, que os insumos foram, de fato, utilizados na fabricação dos produtos exportados, não há que se falar em direito ao ressarcimento do crédito presumido. Neste contexto, as notas fiscais de aquisição de insumos não são suficientes para garantir o direito ao ressarcimento, assim como não o são os livros contábeis e fiscais de entradas, saídas, de apuração do IPI e os diversos contratos de câmbio de exportação. Sem a necessária vinculação entre estas peças, por meio dos registros e demonstrativos exigidos pelo regulamento do IPI, não exsurge o direito ao ressarcimento. O que se tem é uma empresa que adquiriu insumos e exportou calçados, • registrando estas operações nos livros contábeis próprios. Não se tem, todavia, a prova de que o "", Processo n° 13310.000036/00-41 S2-CITI Acerclno n.° 2101-00.042 FI. 881 processo industrial foi, de fato, desenvolvido pela Cocalqui sob encomenda da Calçados Aniger, porque não se tem nem mesmo a comprovação de que os insumos adquiridos por esta foram utilizados no processo de industrialização realizado por aquela. O bom senso das autoridades fiscais não pode ir além do que dispõe o regulamento do IPI e as demais normas que tratam da matéria. Em se tratando de incentivo fiscal, a prova não se faz por presunção mas de forma direta. E os documentos examinados pela fiscalização e aqueles juntados aos autos pela empresa não foram suficientes para demonstrar onde e para que finalidade foram utilizados os insumos adquiridos por meio das notas fiscais apresentadas. A falta dessa comprovação, outrossim, não pode ser suprida pela visita do Auditor-Fiscal ao estabelecimento fabril da recorrente, que se presta para a averiguação da existência efetiva do processo industrial, constatação esta que, por si só, não garante o direito ao ressarcimento. O indeferimento do ressarcimento, de outra feita, não significa que a autoridade fiscal está afirmando que não houve a compra de insumos por parte da requerente, ou que não tenha havido a industrialização de calçados pela Cocalqui, ou que não tenha havido exportações de calçados pela Aniger. O que se concluiu foi que os controles existentes, efetuados de maneira precária e desvinculada das remessas de insumos e do retomo dos produtos acabados, não permitiu a aferição do direito ao crédito e, conseqüentemente, ao ressarcimento, porque não se comprovou a incorporação dos insumos aos produtos exportados. Também não socorre a recorrente o fato de ter ocorrido o deferimento de outros pleitos seus, relativos a períodos anteriores, tanto de crédito presumido quanto de créditos básicos, pois a comprovação do direito deve ser feita período a período, processo a processo, mormente quando a empresa possui mais de um estabelecimento industrial, como é o caso da recorrente, que se situa em Quixeramobim — CE e possui pelo menos uma filial industrial, situada no sul do país, no município de Campo Bom - RS. Para a continuidade do deferimento dos pedidos nos anos subseqüentes não é suficiente que a empresa seja a mesma ou que não tenha havido alteração do processo produtivo. A verificação fiscal, por decisão da autoridade administrativa, pode ser realizada apenas nos livros e documentos, como no caso anterior, ou in loco, como no caso presente. Decisões em sentido contrário podem surgir, não porque os Auditores-Fiscais são distintos, mas porque os períodos são diferentes e os exames podem ser mais ou menos aprofundados. Por conseqüência, também não se pode afirmar que uma decisão está correta e outra errada, ou vice-versa, pois ambas são proferidas à vista das provas produzidas nos respectivos processos. Quanto à reiteração do pedido de perícia, feita no recurso voluntário, há que se registrar que não cabe ao julgador determinar a produção de novas provas, mas apenas investigar sobre a exatidão e veracidade daquelas existentes nos autos, produzidas pelas partes. Se o Fisco examinou o processo industrial das empresas envolvidas na operação industrial (Calçados Aniger e Cocalqui) e concluiu pela inexistência ou total imprestabilidade dos controles mantidos por ambas, para o fim de demonstrar a incorporação dos insumos aos produtos vendidos ou exportados, cabia à recorrente ilidir esta acusação, por meio da apresentação de documentação comprobatória de suas alegações. No entanto, enxertaram-se nos autos uma enormidade de documentos, como laudos do processo produtivo, notas fiscais de aquisição de insumos, contratos de câmbio de exportação, etc., que nada têm a ver com o motivo do não reconhecimento do direito ao ressarcimento, que foi a inexistência de controles rígidos, que permitam a identificação da 6 • Processo n° 13310.000036/00-41 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.042 Fl. 882 realização de industrialização por encomenda, nos moldes preconizados pelo Regulamento do I P I. Por outro lado, a documentação que acompanhou o recurso voluntário também não trouxe qualquer elemento que demonstre a existência de controles confiáveis da movimentação dos insumos e dos produtos fabricados, entre a recorrente e o estabelecimento industrializador. A realização de mais um exame na mesma documentação não seria capaz de modificar a realidade dos fatos, registrada nos autos e caracterizada, inclusive, pela falta ou atraso injustificado no atendimento das intimações expedidas pela fiscalização. A questão da necessidade de realização de perícia é prerrogativa do julgador, conforme dispõem os ai-is. 18 e 29 do Decreto n2 70.235/72, a seguir transcritos: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no a pl. 28, in fine". (Redação dada pelo art. 1"da Lei n" 8.748/93). "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." A regra do processo administrativo fiscal é que são conhecidos todos os documentos que instruírem a impugnação ou manifestação de inconformidade, formalizada por escrito e tempestivamente. É da essência da relação processual (arts. 14, 15 e 16, inciso III, do Dec. n2 70.235/72, com as alterações posteriores) que as alegações estejam devidamente comprovadas. Desta forma, compete ao contribuinte municiar-se das provas necessárias para refutar a acusação fiscal, não se admitindo a juntada posterior de novos documentos, salvo nas hipóteses taxativamente excepcionadas pelo § 42 do art. 16 do Dec. n2 70.235/72. Portanto, existindo nos autos elementos suficientes para a solução do litígio, e não podendo a autoridade julgadora suprir eventual falta do contribuinte, no que concerne à formação das provas de suas alegações, mantém-se o indeferimento do pedido de perícia. Por fim, registra-se que o pedido de atualização do ressarcimento pela taxa Selic restou prejudicado, em face do indeferimento do direito, na análise de mérito. Ante todo o exposto, em preliminar, indefere-se o pedido de perícia e, no mérito, nega-se provimento ao recurso. eSala ei s S s em 06 de maio de 2009. Pá giásks A "nerglIOWER 7 Page 1 _0075400.PDF Page 1 _0075500.PDF Page 1 _0075600.PDF Page 1 _0075700.PDF Page 1 _0075800.PDF Page 1 _0075900.PDF Page 1
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Numero do processo: 13896.907897/2016-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.904
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 89 7/ 20 16 -8 4 Fl. 473DF CARF MF Processo nº 13896.907897/201684 Resolução nº 3201001.904 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13896.907897/201684 Resolução nº 3201001.904 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 475DF CARF MF Processo nº 13896.907897/201684 Resolução nº 3201001.904 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 13896.907897/201684 Resolução nº 3201001.904 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 477DF CARF MF Processo nº 13896.907897/201684 Resolução nº 3201001.904 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 478DF CARF MF Processo nº 13896.907897/201684 Resolução nº 3201001.904 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 479DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.720036/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1991
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DEFINITIVAMENTE JULGADO. COISA JULGADA MATERIAL.
É vedada a reapreciação de matéria já julgada pelos colegiados do CARF, fora das hipóteses previstas no artigo 64 o RICARF.
Numero da decisão: 2402-006.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da definitividade do julgamento de mérito realizado em outro processo do mesmo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da definitividade do julgamento de mérito realizado em outro processo do mesmo contribuinte. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
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CRÉDITO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DEFINITIVAMENTE JULGADO. COISA JULGADA MATERIAL. É vedada a reapreciação de matéria já julgada pelos colegiados do CARF, fora das hipóteses previstas no artigo 64 o RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da definitividade do julgamento de mérito realizado em outro processo do mesmo contribuinte. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 00 36 /2 00 8- 38 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10735.720036/200838 Acórdão n.º 2402006.961 S2C4T2 Fl. 231 2 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, contra decisão proferida pela DRF/NOVA IGUAÇU que não homologou as compensações promovidas e controladas nestes autos, cuja ciência foi dada ao recorrente em 28.4.08. Consta às fls 68/73 Manifestação de Inconformidade. A DRJ, como dito, julgoua improcedente às fls.186/189. Em 19.7.10, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário às fls. 198/203, no qual aduz a inocorrência da decadência/prescrição de seu direito ao crédito de ILL. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A recorrente tomou ciência do acórdão de piso em 13.7.10, consoante se denota de fls. 217 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 19.7.10 (fls. 198). Nesse sentido, dele passo a conhecer. O caso em tela envolve a análise e homologação de duas Declarações de Compensação (DCOMP), quais sejam, as de nº 02806.32215.150503.1.3.040306 e 31218.90574.150803.1.3.044649, transmitidas eletronicamente em 15.3.03 e 15.8.03. Em ambas as DCOMP foi feito constar que o crédito decorreria de Pagamento Indevido ou a Maior apurado nos autos do processo administrativo 13746.000817/200103. Ocorre que aquele procedimento já se encontra arquivado, tendo sido, inclusive, proferida decisão definitiva de mérito. 1 Confirase a íntegra do voto condutor naquela oportunidade. 1 Acórdão 2802002.944 2ª Turma Especial, em 16.07.2014 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10735.720036/200838 Acórdão n.º 2402006.961 S2C4T2 Fl. 232 3 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10735.720036/200838 Acórdão n.º 2402006.961 S2C4T2 Fl. 233 4 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10735.720036/200838 Acórdão n.º 2402006.961 S2C4T2 Fl. 234 5 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10735.720036/200838 Acórdão n.º 2402006.961 S2C4T2 Fl. 235 6 Nesse contexto, penso que a reanálise da matéria propiciaria, por via transversa, sua reapreciação em sede de "pedido de reconsideração", o qual é expressamente vedado pelo parágrafo único do artigo 64 do RICARF. 2 Nessa mesma linha, mutatis mutandi. o acórdão 20171844, de 28.7.98, nos autos do processo 10680.006129/9454, com a seguinte ementa: 2 Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; II Recurso Especial; e III Agravo. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Parágrafo único. Das decisões do CARF não cabe pedido de reconsideração. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10735.720036/200838 Acórdão n.º 2402006.961 S2C4T2 Fl. 236 7 IPI PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FUNDADO EM PROCESSO DEFINITIVAMENTE JULGADO COISA JULGADA MATERIAL PRECLUSÃO O art. 474 do CPC estabelece que toda matéria não deduzida no momento oportuno faz coisa julgada, tornando a decisão definitiva, não podendo, em conseqüência, ser novamente colocada à apreciação da autoridade julgadora administrativa. Ao adentrar no mérito de matéria sob os efeitos da coisa julgada, incorre o julgador administrativo monocrático em "error in procedendo", sendo nula a decisão que a afronta. Recurso voluntário não conhecido, sendo extinto o processo com fulcro no art. 267, V, combinado com o art. 329, ambos do CPC. E mais, o acórdão 20311.195, de 22.8.06, nos autos do processo 10930.004460/200230, com a seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO ANALISADO ANTERIORMENTE. RECURSO. Recurso que verse sobre pedido idêntico a outro já apreciado e decidido anteriormente, verificada a definitividade da decisão anterior ou não se tendo instaurado o litígio, não pode ser sustentado para desconstituição da primeira decisão. Recurso negado. Face ao exposto, VOTO no sentido de NÃOCONHECER do recurso apresentado, em função da definitividade do julgamento de mérito realizado em outro processo do mesmo recorrente. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.900062/2008-05
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
PROVA DE CRÉDITO. VERDADE MATERIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Em homenagem aos princípios da verdade material e do formalismo moderado, no processo administrativo é possível a apresentação de documentos pelo contribuinte, após a impugnação do lançamento, que esclareçam os fatos e que comprovem a origem do crédito.
Numero da decisão: 1003-000.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório no valor de R$397,93, a título de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 PROVA DE CRÉDITO. VERDADE MATERIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Em homenagem aos princípios da verdade material e do formalismo moderado, no processo administrativo é possível a apresentação de documentos pelo contribuinte, após a impugnação do lançamento, que esclareçam os fatos e que comprovem a origem do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório no valor de R$397,93, a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 00 62 /2 00 8- 05 Fl. 46DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão de nº 0932.247, proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da Recorrente, não homologando a compensação declarada com a utilização do direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 Na da data de 25 de maio de 2004, a Recorrente transmitiu PERD/COMP, às (fls. 08/12), objetivando a compensação de seus débitos com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ anocalendário 2002. Ao analisar tal declaração, a DRF/JFA/MG emitiu o Despacho Decisório, de fl. 07, no qual não homologou a compensação declarada por não ter sido possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na DIPJ não corresponderia ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. A Recorrente, por sua vez, manifestouse contra a decisão proferida (fls. 01/02), alegando que possui o crédito informado e que o Despacho Decisório ocorreu em função do valor informado na DIPJ (R$ 8.022,23) não corresponder ao valor informado do saldo negativo no PER/Dcomp (R$ 7.918,94). Informa que o valor constante da DIPJ está acrescido de IRRF utilizado na própria declaração, daí a divergência. Por sua vez, a DRJ/JFA ao apreciar a citada Manifestação de Inconformidade, entendeu por bem reconhecer, em parte, o direito creditório pleiteado, proferindo acórdão de fls. 20/21, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO EM PARTE. Verificada a existência parcial do crédito solicitado, a compensação declarada há que ser homologada até o limite do direito creditório reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada, com a decisão em questão, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário, de fls. 27/28, argumentado: I Os Fatos Tratase de recurso voluntário contra a decisão da Decisão da 1ª Turma da DRJ/JFA/MG via Acórdão 0932.247, referente a manifestação de inconformidade apresentada referente ao Despacho Decisório n° 749307728. Em razão da Dcomp transmitida em 25/05/2004, visando a compensar débitos da empresa acima descrita com sa/do negativo de IRPJ ano calendário 2002, foi emitido Despacho Decisório em epígrafe, em função do valor informado na DIPJ Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10640.900062/200805 Acórdão n.º 1003000.420 S1C0T3 Fl. 3 3 (R$8.022,23) não corresponder ao valor informado do saldo negativo no PER/Dcomp (R$7.918,94). informado que o valor constante na DIPJ esta acrescido de IRRF utilizado na própria declaração, tal a divergência. Seguiuse da Intimação 2037/2010, que via ao Acórdão n° 09 32,247 da 1° Turma DRJ/JFA/MG de 28/10/2010, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade pela empresa, devendo a mesma apresentar o presente recurso ou efetuar o pagamento do débito. II O Direito II.1 PRELIMINAR De acordo com o solicitado no acordão n° 0932. 247 Fls 21, temos prova de que os valores compensados na Dcomp transmitida em 25/05/2004 foram retidos pela empresa FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA, CN`PJ 03.470.727/0001 20, conforme demonstrado no comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte. II. 2 MÉRITO Segue em anexo, cópia autenticada do comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, emitido pela empresa retentora Ford Motor Company Brasil Ltda. CNPJ 03.470.727/000120 demonstrando o valor de R$397,93 (trezentos e noventa e sete reais e noventa e três centavos) retido no ano base 2002).´ É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, como não consta expressamente a data de recebimento do AR pela Recorrente, às fls. 25, tomo por tempestivo o recurso voluntário apresentado e certifico, ainda, que houve cumprimento dos demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Preliminarmente, importante destacar que o presente processo encontrase vinculado de n°10640.900105/200844 (Vínculos Sief Processos). De acordo com o Acórdão de piso (fls. 20/21), o direito creditório pleiteado foi deferido apenas parcialmente, pois em consulta aos sistemas podese verificar o seguinte: Fl. 48DF CARF MF 4 "(...) a um, que realmente os valores de saldo negativo IRPJ informados nas declarações são divergentes, R$ 8.022,23 , na DIPJ, e, R$ 7.918,94, no PER/Dcomp; a dois, que a contribuinte informou tanto na DIPJ quanto no PER/Dcomp duas retenções efetuadas sob o código 8045 para o mesmo CNPJ, de n° 03.470.727/000120 (docs. de fls. 10 e 15), nos valores de R$ 397,93 e R$ 7.521,01, respectivamente, um total de R$ 7.918,94; e, a três, que consta para o CNPJ n° 03.470.727/000120, fonte pagadora, apenas uma DIRF entregue (doc. verso fl. 16), com imposto retido de R$ 7.521,01. Ora, na medida em que não consta DIRF para o imposto retido de R$ 397,03 informado no PER/Dcomp e não há nos autos prova alguma de que o valor fora realmente retido pela fonte pagadora, o crédito solicitado neste valor deve ser indeferido (doc. fls. 16/19). De forma contrária, como consta DIRF para a retenção de R$ 7.521,01, o valor do crédito solicitado deve ser concedido à requerente". Ocorre que, em seu Recurso Voluntário às fls. 27/28, a Recorrente esclareceu a questão juntando, às fls. 30, o comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, emitido pela empresa retentora Ford Motor Company Brasil Ltda. CNPJ 03.470.727/000120, no valor de R$397,93 retido no anocalendário 2002. Neste sentido, cabe ressaltar que, em relação à dedução do valor de tributo retido na fonte, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período (art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983 e Súmula CARF nº 80). Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10640.900062/200805 Acórdão n.º 1003000.420 S1C0T3 Fl. 4 5 Desta forma, cumprindo o que determina a legislação de regência, a Recorrente, mediante a apresentação do documento comprobatório da retenção do imposto pela fonte pagadora (fls. 30), demonstrou ser cabível e necessária a homologação da compensação em discussão. Assim, em homenagem ao princípio da verdade material, entendo como superado o único obstáculo destacado pela DRJ como impeditivo para o reconhecimento na totalidade do direito creditório pleiteado pela Recorrente. Ora, não considerar a prova juntada em sede de recurso seria permitir o enriquecimento ilícito do Estado e, ainda, abarrotar o judiciário com celeumas que podem ser resolvidas administrativamente. Entendo que a baliza temporal, para apresentação de provas, não deve impedir ou dificultar o exercício do direito no que se refere aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo preciso, após análise caso a caso, uma flexibilização de tal prazo. Ademais, para uma correta e adequada decisão no contencioso administrativo fiscal o julgador deve se utilizar de todos os meios de provas disponíveis ou colocadas a disposição, não deixando de recebêlas em razão de não terem sido apresentadas no momento da instrução do processo. Pelo acima exposto, conduzo meu voto o sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer o direito creditório no valor de R$397,93, referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 50DF CARF MF
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