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Numero do processo: 10073.721868/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE.
Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, constitui infração, conforme previsto no inciso II, do art. 32, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa do AI trazem informações seguras e detalhadas sobre a infração cometida, a legislação aplicável, bem como a forma de cálculo da multa.
REINCIDÊNCIA. INFRAÇÕES DIFERENTES.
Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior.
No caso de reincidência em infrações diferentes, a multa aplicada é elevada em duas vezes.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
INCONSTITUCIONALIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses previstas nos incisos I e II do §6º do art. 26-A do Decreto 70.235, de 1972.
CREDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. APLICABILIDADE.
A aplicabilidade da taxa SELIC aos créditos de natureza tributária, prevista nos art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, encontra-se sedimentada na jurisprudência do CARF e do STJ.
Numero da decisão: 2301-005.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, João Mauricio Vital e João Bellini Júnior (Presidente).
Ausentes os conselheiros: Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, constitui infração, conforme previsto no inciso II, do art. 32, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa do AI trazem informações seguras e detalhadas sobre a infração cometida, a legislação aplicável, bem como a forma de cálculo da multa. REINCIDÊNCIA. INFRAÇÕES DIFERENTES. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. No caso de reincidência em infrações diferentes, a multa aplicada é elevada em duas vezes. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses previstas nos incisos I e II do §6º do art. 26-A do Decreto 70.235, de 1972. CREDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. APLICABILIDADE. A aplicabilidade da taxa SELIC aos créditos de natureza tributária, prevista nos art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, encontra-se sedimentada na jurisprudência do CARF e do STJ.
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TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, constitui infração, conforme previsto no inciso II, do art. 32, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa do AI trazem informações seguras e detalhadas sobre a infração cometida, a legislação aplicável, bem como a forma de cálculo da multa. REINCIDÊNCIA. INFRAÇÕES DIFERENTES. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. No caso de reincidência em infrações diferentes, a multa aplicada é elevada em duas vezes. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. INCONSTITUCIONALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 18 68 /2 01 4- 51 Fl. 550DF CARF MF 2 No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses previstas nos incisos I e II do §6º do art. 26A do Decreto 70.235, de 1972. CREDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. APLICABILIDADE. A aplicabilidade da taxa SELIC aos créditos de natureza tributária, prevista nos art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, encontrase sedimentada na jurisprudência do CARF e do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, João Mauricio Vital e João Bellini Júnior (Presidente). Ausentes os conselheiros: Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa. Relatório Tratase de processo que agrupa o Auto de Infração (AI) lavrado por descumprimento de obrigação tributária acessória, sob o seguinte DEBCAD: nº 51.061.4493, consolidado em 22/09/2014. As contribuições previdenciárias retidas das pessoas físicas e pessoas jurídicas prestadoras de serviços são lançadas na mesma conta contábil “204.01.005 – INSS RETIDO NA FONTE”, o que caracteriza o descumprimento do art. 32, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, que prevê a obrigação de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10073.721868/201451 Acórdão n.º 2301005.446 S2C3T1 Fl. 3 3 Conforme o art. 290, V, do Decreto nº 3.048, de 1999, constitui circunstância agravante da infração ter o infrator incorrido em reincidência. Foi verificado que, em 14/02/2009, foi lavrado, por infração ao art. 31, “caput”, da Lei nº 8.212, de 1991, o Auto de Infração nº 37.219.4605 (processo nº 17883.000022/200921), que foi baixado por liquidação em 27/08/2010, sendo, então, o sujeito passivo reincidente em infrações diferentes. Assim, o valor da multa de R$ 18.128,43 foi elevado em duas vezes, totalizando o valor de R$ 36.256,86. Cumpre informar que a BR Metals Fundições Ltda, pertencente ao Grupo Sifco, requereu sua recuperação judicial em 22/04/2014, na Vara de Recuperação Judicial e Falências de São Paulo. O processo foi redistribuído para a 5ª Vara Cível de Jundiaí em 16/05/2014, sob o n° 103706603.2014.8.26.0100, sendo deferido em 30/05/2014 (com publicação em 02/06/2014). DA IMPUGNAÇÃO. A empresa autuada foi cientificada dos lançamentos em 25/09/2014 e apresentou impugnação em 27/10/2014, argüindo, em síntese, o seguinte: Afirma que os atos administrativos devem ser claros e precisos, mas não é o que está a ocorrer no presente caso, eis que o contribuinte encontra dificuldade para montar a defesa de seus direitos. Defende que há vício no presente auto de infração, pois cabe ao Administrador Público, ao constituir o crédito tributário, demonstrar os fatos que ensejaram o ato administrativo. Expõe que o fiscal deveria ter demonstrado cabalmente todas as circunstâncias fáticas que o levaram a entender que a impugnante efetuou procedimento diferente ao determinado na legislação, bem como que o fato aqui tratado se configura reincidência e para justificar o agravamento da multa em duas vezes. Alega que a autoridade administrativa não demonstrou a ocorrência dos fatos, limitandose a apontar valores, não apresentando os elementos caracterizadores da ocorrência das infrações relatadas. Afirma que houve ofensa ao princípio da moralidade, já que a impugnante está sendo compelida ao pagamento de multa, agravada em duas vezes, sem ter ocorrido a comprovação de reincidência que justificasse essa conduta. Alega ofensa aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devendo os atos administrativos guardar proporção adequada entre os meios utilizados e os fins almejados. Defende que na aplicação da multa deve haver respeito ao aspecto de proporcionalidade entre o dano e o ressarcimento. Argui que a fiscalização deveria ter demonstrado, ponto a ponto, a reincidência praticada pela impugnante, porém, limitouse a mencionar o auto de infração anterior (AI nº 37.219.4605) e afirmar tal acontecimento, sem a disponibilização dos respectivos documentos. Defende que a taxa SELIC aplicada sobre o valor do débito a título de juros deve ser afastada quando o índice ultrapassar 1% ao mês, já que, em consonância com o art. 161, §1º, de Código Tributário Nacional (CTN), é permitido à lei ordinária somente fixar o percentual de juros em patamar igual ou inferior ao estabelecido no CTN, que é de 1% ao mês. Alega que, caso desejasse superar esse limite, o legislador teria que se valer do mesmo instrumento legislativo usado primeiramente, qual seja, a lei complementar. Afirma que deve Fl. 552DF CARF MF 4 ser levando também em consideração o art. 193, §3º, da Constituição Federal, que dita que a taxa de juros reais não pode ser superior a 12% ao ano. O Acórdão n. 1539.922 da DRJ (fls. 498 e ss) julgou a impugnação improcedente e recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, constitui infração, conforme previsto no inciso II, do art. 32, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa do AI trazem informações seguras e detalhadas sobre a infração cometida, a legislação aplicável, bem como a forma de cálculo da multa. REINCIDÊNCIA. INFRAÇÕES DIFERENTES. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. No caso de reincidência em infrações diferentes, a multa aplicada é elevada em duas vezes. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses previstas nos incisos I e II do §6º do art. 26A do Decreto 70.235, de 1972. CREDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. APLICABILIDADE. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10073.721868/201451 Acórdão n.º 2301005.446 S2C3T1 Fl. 4 5 A aplicabilidade da taxa SELIC aos créditos de natureza tributária, prevista nos art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, encontrase sedimentada na jurisprudência do CARF e do STJ. A ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 511 e ss) alegando: (i) vício intrínseco ao ato administrativo de lançamento tributário, uma vez que não teriam ficadas claras todas as circunstâncias fáticas que levaram ao agravamento da multa; (ii) ofensa ao princípio constitucional da moralidade; (iii) da não configuração da reincidência que daria margem para agravamento da multa; e (iv) inaplicabilidade da taxa Selic para os juros. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo, no entanto, no Recurso Voluntário é mencionada a potencial violação ao princípio da moralidade pela aplicação da multa agravada, o que implica em dizer que a referida multa é inconstitucional. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade. Da Questão do Agravamento da Multa e da Não Configuração da Reincidência Segundo o relatório da fiscalização, o agravamento da multa se deu por conta reincidência do contribuinte no mesmo tipo de infração, que seria a infração relativa a não contabilização de forma segregada das contribuições do segurado e da empresa, sendo que a reincidência pode ser observada pela existência de um Auto de Infração anterior. Diante do exposto, tratase de caso claro de subsunção do fato à norma, de modo que o agravamento da multa não pode ser afastado. Em que pese possa haver uma potencial falta de proporcionalidade entre a infração e a multa, o CARF não é órgão competente para um exame de proporcionalidade. Da Questão dos Juros Selic O uso da Taxa Selic como taxa de juros não pode ser afastado, pois trata de matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), Fl. 554DF CARF MF 6 abaixo transcrito, de observância obrigatória, por força do art. 45, VI, do Regimento Interno do CARF1, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos, que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, conforme ementa abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA.REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/ STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, negarlhe provimento ao Recurso Voluntário. 1 RICARF: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: ... VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10073.721868/201451 Acórdão n.º 2301005.446 S2C3T1 Fl. 5 7 (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 556DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900433/2014-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 43 3/ 20 14 -1 3 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10850.900433/201413 Resolução nº 1402000.713 S1C4T2 Fl. 3 2 utilizado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que houve preenchimento equivocado de suas DIPJ e DCTF. Desse modo, inicialmente, não seria detectável tal direito creditório em face desse erro escusável, tendo, então, prontamente promovido a retificação eficaz das declarações, denotando o total de IRRF percebido no ano calendário de 2010, bem como o recolhimento de IRPJ, procedido já no anocalendário de 2011, que configurouse indevido fatos estes que, conjuntamente, dariam margem ao crédito pleiteado. Também relata que o suposto crédito fora utilizado em 17 pedidos de compensação diferentes, requerendo a reunião dos feitos em que tramitam. Acrescenta, ao final, que diante da procedência de seu direto, não haveria prejuízo ao Erário na homologação das compensações. Acosta documentos que supostamente registrariam a origem e a apuração do crédito pretendido. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, entendendo que, pelo sistema DIRF, consta saldo de IRRF sofrido muito menor do que o alegado pela ora Recorrente, confirmados tais valores na própria documentação trazida aos autos em sede de Manifestação de Inconformidade, a qual aponta que o montante de IRRF excedente, que permitiria a existência do crédito nos termos alegados, teria sido efetuado sob razão e CNPJ de terceiro. Este foi o fundamento da denegação do crédito pela C. Instância anterior. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, primeiramente esclarecendo que os valores de IRRF retidos em nome de terceiros, na verdade, são de titularidade de Consórcio de empresas do qual fazia parte na época dos fatos, tendo direito ao seu aproveitamento. No mais, reitera suas demais alegações acerca da retificação de declarações e histórico da origem do crédito. Traz novos documentos em relação à existência do mencionado Consórcio. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.698, de 16/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10850.900418/201475, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.698): Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10850.900433/201413 Resolução nº 1402000.713 S1C4T2 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Conforme relatado, em r. Despacho Decisório eletrônico, o crédito pretendido foi rejeitado, posto que não houve a comprovação da sua existência, constando em observação que o valor do IRRF do anocalendário de 2010 informado pelas Fontes Pagadoras foi deveras menor do que aquele declarado pela Contribuinte, de modo que o recolhimento efetuado já em 2011 não configurou a existência de nenhum direito creditório, mas apenas saldou débito apurado no período, sem ultrapassar a monta apurada e devida. Por sua vez, mesmo tendo a Recorrente esclarecido em Manifestação de Inconformidade a origem do crédito, apontando para erro escusável em suas declarações do exercício de 2011 e a devida retificação posteriormente promovida, a DRJ a quo entendeu que não houve a demonstração ou comprovação da existência do crédito, constatando inclusive que a precisa monta controversa dos recolhimentos de IRRF valor que observouse no r. despacho decisório que não constava das informações fornecidas pelas Fontes Pagadoras deramse em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore CNPJ nº 08.727.318/00018: Assim, temos que o fundamento do v. Acórdão recorrido foi de reconhecer que as retenções de IRRF que formariam o suposto crédito pretendido são de terceiro. Em sede de Recurso Voluntário, em razão de tal nova constatação da DRJ, a Recorrente informa que fazia parte de tal Consórcio, o qual não possui personalidade jurídica, sendo ela a titular, na proporção de sua participação, de parte dos valores de IRRF retidos. Provando o alegado, traz cópia de 1º Alteração do Contrato de Constituição de Consórcio, onde efetivamente consta como parte e consorciada. Pois bem, primeiro, no que tange aos aspectos processuais da demanda, cabe aqui registrar a aceitação de tal nova demonstração e documentação, vez que ausentes na Manifestação de Inconformidade. Devese ter em vista que o r. Despacho Decisório, contra o qual fora oposta a Manifestação de Inconformidade fundamentou a negativa do crédito na ausência de comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior e, observou, que nas informações das Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10850.900433/201413 Resolução nº 1402000.713 S1C4T2 Fl. 5 4 Fontes Pagadoras, a monta dos recolhimentos era inferior àquela declarada pela Contribuinte. Apenas isso. Não se mencionou terceiros ou Consórcio nessa primeira decisão denegatória. Ao seu turno, a DRJ a quo corretamente aprofundou a investigação dos fatos e constatou que essa diferença de retenções de IRRF correspondia a valores retidos em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore inclusive espontaneamente consultando sistemas da Receita Federal do Brasil. Fica, então, claro que o fundamento de que as retenções ainda controversas foram efetuadas em nome de terceiro é motivação nova e incidental na demanda, sendo objetivamente trazida apenas em sede de julgamento da Manifestação de Inconformidade. Antes disso, não se falava em outra pessoa jurídica, e muito menos em Consórcio, para denegar as compensações declaradas. Desse modo, entendese que os documentos trazidos, principalmente a cópia da 1ª Alteração do Contrato de Consórcio, devem ser aceitos e deles deve se conhecer, considerando a previsão da alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/721, a qual deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas de regência do processo administrativo fiscal, especialmente o art. 18 daquele mesmo Decreto, o Código de Processo Civil vigente e à luz do princípio da busca pela verdade material. Dito isso, primeiramente temos que a Recorrente combateu com eficácia a fundamentação da DRJ a quo para denegar o crédito. Nesse sentido, a constatação e correspondente afirmação dos I. Julgadores a quo de que os comprovantes de rendimentos em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore tornamse ineficazes para afastar totalmente a pretensão da Parte pugnante, vez que demonstrado que a Contribuinte participava desse mesmo Consórcio, sendo, comprovadamente, titular de parte das retenções de IRRF. É certo que os Consórcios de empresas não possuem personalidade jurídica. Logo, a própria designação outra Pessoa Jurídica beneficiária utilizada pela DRJ revelase data maxima venia equivocada. Ainda que passível/obrigado a possuir de registro no CNPJ, assim como hoje em dia também ocorre com as Sociedades em Conta de Participação, tal comando, de forma alguma, é capaz de, per si, atribuir personalidade jurídica aos Consórcios. 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10850.900433/201413 Resolução nº 1402000.713 S1C4T2 Fl. 6 5 Seguramente, os Consórcios podem ser descritos como uma reunião por meio contratual de empresas, que visa propiciar a divisão das receitas, custos e despesas de uma determinada atividade ou empreita a ser desenvolvida, proporcionalmente ao avençado entre as partes celebrantes. Tal figura de Direito Comercial é até hoje regulada pelos arts. 278 e 279 da Lei das S/A2, sendo alterado este último dispositivo pela Lei nº 11.941/2009. Ainda que uma maior e mais detalhada regulamentação na esfera tributária tenha apenas ocorrido com o advento da Lei nº 12.402/2011 e da correspondente IN nº 1.119/2011, tal figura contratual e interempresarial há muito já guardava relevância fiscal, com regulação presente em pontuais normativos que reconheciam e atribuíam efeito tributário a tal contrato, assim como às suas estipulações, encaixandose na exceção inicial do art. 123 do CTN. Por exemplo, IN nº 105/84 já obrigava a inscrição dos Consórcios no CNPJ se estes pagassem, individualmente, rendimentos sujeitos à retenção na fonte ou auferisse rendimentos em decorrência de suas atividades. Confirmando o afirmado e complementando a demonstração acima expedida, confirase o comentário de Hiromi Higuchi3, ainda sobre a regulamentação tributária dos Consórcios, antes de 2011 (as retenções referentes à presente lide são referentes a 2010): O ADN nº 21, de 081184, esclareceu que o fato de aplicar se aos consórcios o mesmo regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas, não os obriga, nem autoriza, a apresentar declaração de rendimentos. Esclarece ainda que 2 Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. 3 Imposto de Renda das Empresas. 41ª Ed. São Paulo : IR Publicações, 2016. p. 216. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10850.900433/201413 Resolução nº 1402000.713 S1C4T2 Fl. 7 6 para efeito de aplicação do referido regime tributário, os rendimentos decorrentes das atividades desses consórcios devem ser computadas nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. O seu item 3 dispõe que o valor do imposto retido na fonte sobre rendimentos auferidos pelos consórcios será compensado na declaração de rendimentos das pessoas jurídicas consorciadas, no exercício financeiro competente, proporcionalmente à participação contratada. (destacamos) Oportunamente digase aqui que a previsão expressa e específica de retenção de tributos na fonte, sobre recebimentos dos Consórcios, em nome individual das empresas consorciadas, somente surge com o advento da IN nº 1.199/20114. A única exceção na legislação infralegal anterior a 2011, que determinava retenção em nome das empresas participantes, era o art. 16 da IN nº 480/2004, que regulava apenas pagamentos advindos do Poder Público que não é, aqui, o caso. Diante disso, temos cenário em que certamente não estáse diante de retenções efetuadas em favor de outra pessoa jurídica, vez que as empresas participantes de Consórcio são as titulares da retenções efetuadas em seu nome, devendo ser, desde já, afastada a fundamentação do V. Acórdão recorrido. As cópias da 1ª Alteração de Contrato de Consórcio juntadas, que possuem todos os sinais de registro cartorial, já fazem prova da existência do dito Consórcio e da participação da Recorrente em tal pacto. Desse modo, tendo em vista o tratamento tributário de tais valores à época dos pagamentos e retenções, resta certo que a Contribuinte faz jus a parte desses valores de IRRF, compensável com o IRPJ devido no anocalendário de 2010, proporcionalmente à sua participação no Consórcio. Ocorre que, o conjunto probatório que se apresenta é incompleto, não podendo da Alteração Contratual se verificar a precisa proporção da Recorrente em tal reunião contratual pactuada. Tampouco está clara a contabilização específica, individual e proporcional das receitas auferidas por meio do referido Consórcio, correspondente ao IRRF em questão. Mesmo sendo ônus do contribuinte a prova do seu direito creditório, temos que no presente caso já foi demonstrada, com eficácia, a improcedência do fundamento adotado pelo v. Acórdão recorrido, não podendo prevalecer tal decisão. 4 Art. 7º Nos recebimentos de receitas decorrentes do faturamento das operações do consórcio sujeitas à retenção do imposto sobre a renda, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na forma da legislação em vigor, a retenção deve ser efetuada em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10850.900433/201413 Resolução nº 1402000.713 S1C4T2 Fl. 8 7 Considerando a necessidade de reforma de tal posição jurisdicional anterior e a existência de provas idôneas e fortes indícios de procedência, ainda que parcial, do pleito original da Contribuinte, entendese ser, aqui, cabível a determinação de diligência. Diante do exposto, resolvese por encaminhar os autos à D. Unidade Local de fiscalização, para que: 1) seja intimada a Recorrente a apresentar: 1.a) Cópia do Contrato de Consórcio original, pelo qual fora constituído o Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore (CNPJ nº 08.727.318/00018), apontando em arrazoado a ser apresentado junto de tal documentação a percentagem de sua participação nas receitas referentes ao IRRF retido; 1.b) Cópias das todas as eventuais alterações contratuais do Consórcio, procedidas até ao final do anocalendário de 2010; 1.c) Demonstração, por meio de documentos idôneos e arrazoado explicativo, da contabilização das receitas correspondentes ao IRRF retido pelo Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, bem como a sua oferta à tributação, na proporção de sua participação no referido Consórcio, mencionada no Item 1.a; 2) Após, a D. Unidade Local, à luz do Parecer COSIT nº 02/2018, deverá analisar a documentação trazida, os arrazoados apresentados, as declarações fiscais e as demonstrações presentes nos autos, elaborando Relatório, claro, fundamentado e conclusivo, no qual seja atestado se houve ou não a comprovação satisfatória de que o crédito pretendido pela Contribuinte é procedente, considerando em tal análise as retenções efetuadas pelas Fontes Pagadoras em nome do Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, na proporção de sua participação em tal contrato. 3) Deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação formal, antes do retorno dos autos para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 152DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.000807/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, emprego aqui parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Ribeirão Preto/SP quando da lavratura do acórdão recorrido (acórdão n. 1420.930 fls. 3.034/3.039), o que passo a fazer nos seguintes termos: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado autos de infração de fls. 4/49 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do período de janeiro de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 14 44 .0 00 80 7/ 20 07 -2 4 Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 11444.000807/200724 Resolução nº 3402001.415 S3C4T2 Fl. 3.092 2 2002 a dezembro de 2003, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$890.349,25. O enquadramento legal encontrase a fls. 15, 25, 31, 43 e 49. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 2845/2864, na qual suscitou a preliminar de decadência dos períodos com fato gerador anteriores a novembro de 2002, uma vez que a ciência da autuação se deu em 14/11/2007, conforme disposição do CTN, art. 150, § 40 e jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. Alegou ausência de materialidade da acusação fiscal, pois a receita tributada referese a mercadorias efetivamente exportadas, isenta das contribuições. Tais mercadorias teriam sido vendidas para empresas comerciais exportadoras, que as retiraram do estabelecimento industrial da impugnante e as exportaram, conforme documentação que apresenta em anexo. Assim, as condições para a fruição da isenção foram cumpridas, mesmo porque a norma de regência do PIS e Cofins não exige embarque imediato, apenas embarque de exportação. Requereu perícia contábil, para certificação da exportação das mercadorias vendidas às comerciais exportadoras, indicando assistente técnico e formulando os quesitos de fl. 2863. (...). 2. Devidamente intimado da lavratura do auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 2.934/2.953, a qual foi julgada parcialmente procedente pela aludida decisão com o fito de reconhecer a decadência do crédito referente ao período de janeiro a outubro de 2012. Referida decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2002 a 31/12/2003 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. SÚMULA VINCULANTE N°8 DO STF. Em razão da Súmula Vinculante n° 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. ISENÇÃO. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado ISENÇÃO. VENDA PARA EXPORTAÇÃO. Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 11444.000807/200724 Resolução nº 3402001.415 S3C4T2 Fl. 3.093 3 A isenção da contribuição restringese a vendas para comercial exportadora e exportadora registrada na Secex, com o fim específico de exportação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2002 a 31/12/2003 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2002 a 31/12/2003 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Lançamento Procedente em Parte. 3. Diante do parcial provimento da sua impugnação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 3.056/3.073, oportunidade em preliminarmente, aventou a nulidade da decisão em razão de um suposto cerceamento de defesa, nem como por conta de sua ausência de motivação e, no mérito, repisou os fundamentos já desenvolvidos em sua impugnação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 5. Da análise dos autos é possível perceber que a discussão retratada na presente exigência fiscal decorre da existência ou não de isenção para parte das receitas auferidas pela recorrente no período fiscalizado e que seriam decorrentes de exportação, nos termos do art. 14 da MP n. 2.158/01, c.c. o art. 45 do Decreto 4.524/02, ou seja, no caso de vendas diretamente realizadas pelo produtor para embarque de exportação ou na hipótese de remessa para recintos alfandegados por conta e ordem de empresa comercial exportadora. 6. O contribuinte alega que suas mercadorias foram vendidas para empresa comercial exportadora para fins de exportação, o que estaria provado pelos documentos apresentados ao longo do procedimento fiscalizatório e, em especial, por intermedio daqueles acostados com suas peças impugnatória e recurso voluntário. 7. A discussão, portanto, não é nova, resumindose ao conflito decorrente de uma postura mais restrita da leitura realizada pela Fazenda Nacional acerca dos dispositivos legais em debate vis a vis de uma análise mais ampla perpetrada pelo contribuinte. Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 11444.000807/200724 Resolução nº 3402001.415 S3C4T2 Fl. 3.094 4 8. Todavia, para que esta turma julgadora possa tomar uma posição com base em uma dessas diferentes interpretações jurídicas para a mesma questão, mister se faz, nesse instante, depurar os fatos aqui tratados, até porque, como visto alhures, parte da exigência fiscal inicialmente materializada foi exonerada pelo voto recorrido que reconheceu a decadência parcial dos valores apurados. 9. Nesse sentido, resolvo converter o presente julgamento em diligência para que sejam tomadas as seguintes providências: (i) aponte, em nova planilha, quais as notas fiscais que remanescem na presente autuação como responsáveis pela manutenção da parcial exigência em debate, destacando o tipo de bem comercializado, o seu adquirente, o número do CFOP destacado e a sua descrição; (ii) apresente relatório analítico conclusivo indicando se as operações acima mencionadas de fato redundaram na exportação dos bens produzidos pela recorrente, destacando, para tanto, os documentos acostados nos autos que demonstram tal fato ou, se necessário, intimando o contribuinte ou mesmo a empresa comercial exportadora para apresentar os documentos fiscais e contábeis que atestem essas pretensas exportações, inclusive mediante a apresentação de memorandos de exportações; e, por fim (iii) concluída a diligência aqui designada, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 10. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 3095DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.724505/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010, 2011
Lançamento. Ausência de Prévia Intimação para Corrigir Irregularidades. Nulidade. Não Ocorrência.
A ausência de intimação prévia para corrigir as irregularidades não torna nulo o lançamento, porque essa providência não é prevista na legislação do Simples Nacional.
Depósitos Bancários. Origem não Comprovada. Presunção de Omissão de Receita.
Os valores creditados em contas bancárias geram presunção juris tantum de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações.
Nota Fiscal. Receita. Falta de Registro. Omissão de Receitas.
Caracteriza omissão de receitas a falta de registro de notas fiscais de venda e de prestação de serviços.
Denúncia espontânea. Pagamento do Tributo Acrescido de Juros e Ausência de Qualquer Medida Relacionada à Infração.
A responsabilidade por infração é excluída pela denúncia espontânea, desde que acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, e antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou formalizada qualquer medida de fiscalização, relacionados à infração.
Multa Qualificada. Omissão de Receitas. Insuficiência de Recolhimento.
É cabível a aplicação de multa qualificada quando, havendo expressiva omissão de receitas, cumulada com sucessivas retificações de declaração, ficar evidenciada a intenção de suprimir o tributo devido; a multa qualificada, entretanto, não se aplica às infrações que, a despeito de derivarem da primeira infração, dela sejam apenas reflexo ou efeito secundário.
Numero da decisão: 1301-003.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade, e no mérito em dar parcial provimento ao recurso para, relativamente à infração de insuficiência de recolhimentos, reduzir o percentual da multa a 75%.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE PRÉVIA INTIMAÇÃO PARA CORRIGIR IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A ausência de intimação prévia para corrigir as irregularidades não torna nulo o lançamento, porque essa providência não é prevista na legislação do Simples Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção “juris tantum” de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. NOTA FISCAL. RECEITA. FALTA DE REGISTRO. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza omissão de receitas a falta de registro de notas fiscais de venda e de prestação de serviços. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO ACRESCIDO DE JUROS E AUSÊNCIA DE QUALQUER MEDIDA RELACIONADA À INFRAÇÃO. A responsabilidade por infração é excluída pela denúncia espontânea, desde que acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, e antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou formalizada qualquer medida de fiscalização, relacionados à infração. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. É cabível a aplicação de multa qualificada quando, havendo expressiva omissão de receitas, cumulada com sucessivas retificações de declaração, ficar evidenciada a intenção de suprimir o tributo devido; a multa qualificada, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 45 05 /2 01 4- 19 Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10680.724505/201419 Acórdão n.º 1301003.353 S1C3T1 Fl. 827 2 entretanto, não se aplica às infrações que, a despeito de derivarem da primeira infração, dela sejam apenas reflexo ou efeito secundário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade, e no mérito em dar parcial provimento ao recurso para, relativamente à infração de insuficiência de recolhimentos, reduzir o percentual da multa a 75%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10680.724505/201419 Acórdão n.º 1301003.353 S1C3T1 Fl. 828 3 Relatório Tratase de recurso interposto por BEMAR LOCAÇÃO LTDA. EPP, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1459.823, da 15ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, que, negando provimento à impugnação da recorrente, manteve contra ela o lançamento que exigia crédito tributário no Simples Nacional, por omissão de receita. A Fiscalização apurou três infrações: a) omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; b) omissão de receitas evidenciada pela existência de notas fiscais não escrituradas e não declaradas; e c) insuficiência de recolhimentos, causada pela aplicação de alíquotas incorretas, dada a redução indevida da receita bruta anual dos últimos doze meses. A contribuinte autuada se insurgiu contra o lançamento por meio de impugnação, a que a DRJ RPO negou provimento em decisão sumariada na seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. Caracterizam se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (art. 24, Lei n° 9.249/95) FISCALIZAÇÃO. VERIFICAÇÃO DE IRREGULARIDADES. AUTUAÇÃO. Verificada infração à legislação tributária por ME ou EPP optante pelo Simples Nacional, deverá ser lavrado Auto de Infração e Notificação Fiscal (AINF) (LC 123/06 art. 34) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010, 2011 IMPUGNAÇÃO. MOTIVAÇÃO. PROVAS. A impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em não havendo indicações diretas dos dispositivos legais alegadamente ofendidos, tampouco comprovação de qualquer excesso por parte da fiscalização, concluise pela regularidade do lançamento, assim como correta aplicação das penalidades. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10680.724505/201419 Acórdão n.º 1301003.353 S1C3T1 Fl. 829 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2010, 2011 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DESCONHECIMENTO. ATRIBUIÇÃO A TERCEIROS. Não há como considerar ação de terceiros a declaração retificadora apresentada pela própria empresa ou seus procuradores, sem qualquer comprovação que sustente a ação à margem da direção dada pelos próprios administradores, agravandose, ainda, pelo fato de que os beneficiários de economia gerada pela infração seriam, em primeira análise, a empresa e seus sócios. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 DISPONIBILIDADE DE LIVROS E DOCUMENTOS. ESCLARECIMENTOS. DEVER DO CONTRIBUINTE. Da leitura dos artigos 194 e 195 do Código Tributário Nacional, a legislação tributária zela pela manutenção e acesso da administração tributária aos livros e documentos de interesse, cabendo, ainda, que, caso o sujeito se abstenha de prestar os devidos esclarecimentos, as multas aplicadas serão agravadas em 50%, conforme previsto no art. 44 § 2º da Lei n° 9.430/96 e reproduzido pelo Regulamento do Imposto de Renda INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RECONHECIMENTO. COMPETÊNCIA LEGAL. Compete ao auditor fiscal a apuração e autuação, na ocasião de infração à legislação tributária, sendo competente para exigir o crédito tributário, assim como aplicar as penalidades legalmente previstas, não sendo necessária prévia manifestação do judiciário para que se reconheça a infração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignada, Bemar Locação Ltda. interpôs recurso, no qual alinhou os seguintes argumentos: a) A autoridade fiscal, antes de proceder à autuação, deveria ter dado prazo à recorrente para que corrigisse eventuais irregularidades. Como isso não foi feito, o lançamento deve ser anulado. b) O lançamento impôs ônus superior ao que a recorrente pode suportar. Ademais, não existe comprovação de que a autoridade lançadora tenha esgotado os meios para que, antes da autuação, as supostas irregularidades fossem corrigidas. c) Quanto aos depósitos bancários, disse a recorrente ter esclarecido, desde o início, que a movimentação financeira muito superior ao faturamento declarado se devia à existência de grupo econômico, formado com a Emterpel Emprea de Terraplenagem Pedroso Ltda. Portanto, pelas contas bancárias teriam transitado recursos pertencentes à terceira pessoa. Ainda, sobre os depósitos, aduziu a recorrente: Apenas a título de exemplo, temos que o lançamento indicado como "DOC 22/1/10" o valor correto a ser considerado no extrato respectivo é de R$ 3.900,00 (três mil e novecentos reais) e não o valor indicado no trabalho fiscal, conciliando, Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10680.724505/201419 Acórdão n.º 1301003.353 S1C3T1 Fl. 830 5 perfeitamente com as demais informações considerando tratarse de crédito da empresa Emterpel Empresa de Terraplenagem Pedrosa Ltda., formadora do grupo econômico mencionado. Outros lançamentos de titularidade "TRANSFERÊNCIA ENTRE C/S", dos dias 02/02/10, 04/02/10 e 08/03/10 são créditos advindos de mútuos diversos, cujos contratos foram devidamente juntados e ainda juntados nesta oportunidade, inexistindo qualquer dúvida acerca de tal procedimento. Os 02 (dois) créditos de título "TED", ambos do dia 09/03/10 têm sua origem também em mútuo, sendo que aqueles e inerentes a (sic) "TED" do dia 18/03/10 se refere a crédito de origem da conta corrente 9005778 da Caixa Econômica Federal da Emterpel empresa do grupo econômico. Mais, o crédito de "TED", dia 05/07/10, no valor de R$ 128.654,00 se refere a NF 155/empresa Caraíba e o crédito "TED", dia 06/05/2011 no valor de R$ 430.000,00 se refere a valor recebido da empresa Conem que mantinha contrato com a Emterpel no formato SCP. Vários créditos outros sob o título de "DEPÓSITO EM DINHEIRO" se referem a devolução de valores ao caixa da empresa nas compras diariamente realizadas para atendimento de sua rotina diária, traduzindo em inequívoco preciosismo tais lançamentos tudo de forma a penalizar indevidamente a Recorrente, merecendo ser todos os valores decotados da autuação caso entenda pela manutenção parcial do Auto de Infração e superadas todas as demais alegações. (fls. 806 e 807) Concluiu dizendo que o Fisco não pode considerar como de propriedade do titular da conta bancária todos os valores que transitaram por ela. Tratase de numerário pertencente a empresa diversa. d) No que tange às notas fiscais não escrituradas e não declaradas, reivindicou o direitro de retificar os atos praticados. Disse não ter tido conhecimento da declaração retificadora, e que a contabilidade havia sido terceirizada para empresa de outra cidade, a qual adotou procedimentos que geraram distorções nos registros contábeis. A recorrente já havia apresentado as declarações originais, corretas e de forma regular, antes das que ensejaram a qualificação da multa, que foram apresentadas por terceiro não autorizado a tanto. A recorrente não pode ser apenada por ação de terceiros. Assim, não estariam presentes os requisitos que caracterizam conduta fraudulenta. e) Pleiteou o benefício da denúncia espontânea. f) Acerca da multa qualificada, aduziu que jamais adotou qualquer procedimento lesivo ao Fisco. As multas aplicadas constituem excesso, devendo ser anuladas ou reduzidas, pois inviabilizam a atividde da recorrente. Por outro lado, existindo dúvida acerca do entendimento a ser adotado no caso concreto, deve ser aplicado o art. 112 do Código Tributário Nacional CTN. Com esses fundamentos, pediu a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 10680.724505/201419 Acórdão n.º 1301003.353 S1C3T1 Fl. 831 6 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Nulidade O lançamento, segundo a recorrente, traria a pecha de nulidade, basicamente, por dois motivos: não ter concedido prazo para que as irregularidades fossem sanadas, antes da lavratura do auto de infração; e impor à recorrente encargo superior às suas forças. A legislação do Simples Nacional não prevê que, após iniciada a fiscalização, sejam dados prazo e oportunidade para o contribuinte corrigir as infrações constatadas. Logo, não havendo determinação nesse sentido, o Auditor Fiscal não poderia, ainda que quisesse, proceder como espera a recorrente. A atividade de lançamento é vinculada, de modo que, constatado o fato gerador, ao agente do Fisco não cabe outra coisa, senão proceder ao lançamento, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). No que concerne à alegação de que o crédito tributário exigido é superior às forças da recorrente, tratase de matéria cujo exame foge ao escopo do processo administrativo tributário, no qual se faz um controle de legalidade do ato administrativo, não cabendo qualquer juízo de valor acerca da constitucionalidade ou da conveniência da lei. À autoridade lançadora cabe apenas verificar a materialização do fato gerador e a aplicação da norma legal, abstraindo qualquer consideração acerca dos efeitos econômicos e sociais dessa incidência, porque tal avaliação é de natureza política e compete ao legislador. Depósito bancário A infração que motivou o lançamento foi omissão de receitas, apurada tanto por meio de depósitos bancários de origem não comprovada, quanto pela falta de registro de notas fiscais. No que concerne aos depósitos bancários, o lançamento foi realizado com fulcro na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, assim redigido: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de presunção legal de omissão de receitas, de eficácia relativa, podendo ser afastada por prova em contrário a cargo do contribuinte. Instaurase a presunção quando presentes os seguintes requisitos: a) existência de depósitos bancários cuja origem a Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10680.724505/201419 Acórdão n.º 1301003.353 S1C3T1 Fl. 832 7 Fiscalização, pelo exame das informações de que disponha, não conseguir identificar (discrepância entre movimentação financeira e receitas declaradas); b) intimação regular ao contribuinte para esclarecer as operações que deram causa aos depósitos; e c) ausência ou insuficiência de esclarecimento. Reunidos tais requisitos, nasce a presunção de omissão de receitas, a qual, sem necessidade de prova de qualquer outro fato ou circunstância, pode dar ensejo ao lançamento de Imposto de Renda e demais tributos. No caso concreto, a recorrente alega a existência de grupo econômico, formado com a Emterpel Emprea de Terraplenagem Pedroso Ltda., a quem pertenceriam os recursos que transitaram pelas contas da recorrente. Essa alegação não justifica a origem de nenhum dos depósitos dentre aqueles relacionados pela Fiscalização. A existência de pessoas jurídicas vinculadas, qualquer que seja o tipo de vínculo, não autoriza que uma delas utilize, de forma eventual ou sistemática, a conta bancária de outra para fazer transitar suas receitas ou qualquer tipo de recurso financeiro. A existência de vínculo entre empresas não afasta a individualidade de cada uma delas. Perante o Fisco, são considerados contribuintes autônomos, ainda que integrantes do mesmo grupo econômico. Não sendo assim, uma empresa poderia se utilizar da conta bancária de outra para fazer passar receitas omitidas à tributação. Além disso, em se tratando de depósitos bancários, o esclarecimento a ser prestado pelo titular da conta deve recair sobre cada depósito, individualmente considerado, sendo, pois, insuficiente a explicação que busca, de forma genérica e englobada, atribuir origem aos valores creditados. É também insuficiente a explicação que se limita a identificar o depositante, sem esclarecer de que negócio jurídico, ou de que operação, o dinheiro é oriundo. A recorrente contestou alguns depósitos relacionados na tabela de fl. 206. Em relação ao de valor de R$ 2.900,00, creditado em 22/01/2010, disse que o montante correto seria R$ 3.900,00 relativo a um crédito de Emterpel Empresa de Terraplenagem Pedrosa Ltda. A correção do erro apontado pela recorrente implicaria majorar o valor do crédito tributário, caracterizando reformatio in pejus, inadmissível em sede de recurso voluntário. Porém, ainda que fosse viável a retificação, o dinheiro permaneceria sem ter sua origem devidamente esclarecida. Os créditos identificados como "transferência entre C/S", nos dias 02/02/2010, 04/02/2010 e 08/03/2010 teriam origem em contratos de mútuo. Para proválo, a recorrente juntou minutas de contrato sem assinatura e sem rubrica (fls. 727/728, 731/732 e 733/734). Ademais, não demonstrou que o dinheiro veio das contas do suposto mutuante. Disse a recorrente que as transferências (TED) feitas em 09/03/2010 (R$ 80.000,00) e 18/03/2010 (R$ 200.000,00) se devem a contrato de mútuo. Os respectivos valores teriam vindo da conta corrente mantida na Caixa Econômica Federal por Emterpel Empresa de Terraplenagem, integrante do mesmo grupo econômico. Tal alegação não afasta a presunção de omissão de receitas, porquanto, a despeito de identificar o depositante, não esclarece as operações ou os negócios jurídicos que deram causa às referidas transferências. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 10680.724505/201419 Acórdão n.º 1301003.353 S1C3T1 Fl. 833 8 Disse a recorrente que a transferência (TED) ocorrida no dia 05/07/2010, no valor de R$ 128.654,00, estaria vinculada à Nota Fiscal nº 155, emitida para a empresa Caraíba. A Nota Fiscal n° 155 (fl. 724), porém, apresenta outro valor e foi emitida em outra data (fl. 206). Já a transferência (TED) de 06/05/2011, no valor de R$ 430.000,00, seria, segundo a recorrente, valor recebido da empresa Conem, que mantinha contrato com a Emterpel Empresa de Terraplenagem, no formato sociedade em conta de participação SCP. Essa explicação, além não justificar a origem do valor depositado, é a confissão de um procedimento irregular, que põe em dúvida a lisura dos atos praticados pela suposta sociedade em conta de participação. Por fim, disse a recorrente que vários créditos, identificados como "depósito em dinheiro", eram devolução de valores ao caixa da empresa, nas compras realizadas para atendimento de sua rotina diária. A justificativa, por ser genérica e desprovida de qualquer prova documental, não pode ser aceita. Portanto, em vista dessas razões, mantémse o lançamento no que toca à omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Falta de registro de notas fiscais Quanto à falta de inserção de receitas na base de cálculo do Simples Nacional, em decorrência de não terem sido registradas algumas notas fiscais, as alegações da recorrente não podem ser acolhidas. Em primeiro lugar, o fato de o contribuinte desconhecer atos praticados por seus prepostos não afasta sua responsabilidade pelo crédito tributário, nem pelas infrações acaso cometidas. Isso vale tanto para atos dos empregados, quanto para atos do contabilista. A recorrente reclama o direito de, antes do lançamento, corrigir as irregularidades. A correção de irregularidades, sem qualquer sanção, é possível desde que o contribuinte o faço sob o manto da denúncia espontânea, que depende, para produzir seus efeitos, da presença de dois requisitos. O primeiro é o pagamento integral do tributo devido, acompanhado dos juros de mora. O outro é que, ao tempo do pagamento, ainda não tenha sido iniciado qualquer procedimento administrativo ou adotada qualquer medida de fiscalização, relacionados com a infração (art. 138 do CTN). No caso em tela, não está presente nenhum dos dois requisitos. A omissão de receitas, portanto, está caracterizada e o lançamento deve ser mantido nessa parte. Multa qualificada A recorrente se insurgiu contra a multa qualificada, pleiteando sua redução, na hipótese de ser mantida a exigência do tributo. A multa qualificada é prevista para casos em que o contribuinte age dolosamente, com o intuito de afastar o tributo devido. A presença desse elemento é requisito indispensável. É por isso que a autoridade fiscal, ao impor a penalidade mais grave, não apenas Fl. 833DF CARF MF Processo nº 10680.724505/201419 Acórdão n.º 1301003.353 S1C3T1 Fl. 834 9 deve reunir os elementos probatórios para demonstrar a presença do dolo, mas deve também descrever com clareza a conduta. No Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 340 a 350), a autoridade lançadora deixa bem caracterizado, de forma inequívoca, o dolo. Confirase: Sendo assim, o dolo se verifica pela prática reiterada da omissão receitas, conforme descrito no item II, e sintetizado no quadro abaixo, através da omissão de aproximadamente 71,11% de suas receitas auferidas, durante todo o período fiscalizado anoscalendário de 2010 e 2011, o que demonstra claramente a intenção de pagar menos tributo pela prática da sonegação. (...) Ressaltamos ainda que, além de recolher menos tributo pela redução da base de cálculo tributária, conforme descrito anteriormente, a omissão de receitas propiciou ao contribuinte recolher menos tributo incidente sobre as receitas declaradas, pela utilização de alíquotas menores, tendo em vista que no Simples Nacional as alíquotas são progressivas, ou seja, são maiores para receitas maiores e menores para receitas menores, conforme faixas de receitas previstas em lei. Cabe ressaltar, que a intenção dolosa do contribuinte em ocultar do Fisco as receitas omitidas, pode ser também constatada pelo fato do contribuinte tentar ocultar do fisco a existência das faturas de locação de veículos pesados sem mão de obra, pois os recebimentos das faturas não foram escriturados pela empresa no Livro Caixa apresentado a esta fiscalização e nem foi oferecido à tributação através da Declarações ao Simples Nacional (DASN). Verificamos através de consulta de declarações transmitidas ao Sistema do Simples Nacional que a empresa entregou no dia 14/03/2011 a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN), AnoCalendário 2010, n° 032083562010001 e no dia 21/03/2012 entregou uma declaração retificadora (DASN) n° 032083562010002. Para o AnoCalendário 2011 a empresa entregou em 14/03/2012 a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN), n° 032083562011001 e no dia 21/03/2012 entregou uma declaração retificadora (DASN) n° 032083562011002. Analisando as Declarações ao Simples Nacional (DASN) AnosCalendário 2010 e 2011 pudemos verificar que a empresa retificou para menor o valor de suas receitas. A DASN n° 032083562010001, AnoCalendário 2010 e a DASN n° 032083562011001, AnoCalendário 2011, informavam como receita o valor de Notas Fiscais emitidas pela empresa, não constando nestas declarações os valores referentes a faturas de locação de veículos pesados sem mão de obra; no dia 21/03/2012 a empresa apresentou declarações retificadoras para os AnosCalendário 2010 e 2011, as retificações apresentadas reduzem o valor de suas receitas e os valores informados como receita nas declarações retificadoras não tem nenhuma relação com os valores das Notas Fiscais/Faturas emitidas pela empresa. Em consulta ao Extrato de Apurações Transmitidas do Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (PGDAS) constatamos que durante os anos de 2010, 2011 e 2012 a empresa gerou diversos Documentos de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) com os valores informados nas primeiras declarações apresentadas e não efetuou o pagamento dos mesmos e na data da retificação das DASN, em 21/03/2012, gerou os Documentos de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) com redução no valor das receitas e estes documentos foram quitados pela empresa. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 10680.724505/201419 Acórdão n.º 1301003.353 S1C3T1 Fl. 835 10 Por todo o exposto não restam dúvidas que a empresa, intencionalmente, declarou apenas uma parte das receitas auferidas, ou seja, aproximadamente 28,89%, visando abrigarse em alíquotas menores e efetuar consequentemente o recolhimento de valores menores, sonegando ao Fisco a informação acerca da real magnitude dos fatos geradores que ensejariam recolhimentos sobre base de cálculo em montantes maiores, apurados com percentuais maiores. Como descrito no TVF, a receita declarada ficou abaixo de 30% das receitas tributáveis. Além disso, foram várias retificações de declaração, sempre no mesmo sentido: reduzir receitas e reduzir tributo. Retificar é corrigir, emendar ou reparar. Pressupõe erro anterior. Só corrige algo aquele que, ao examinar a coisa, percebe o defeito ou a inexatidão. Essa premissa, aplicada ao caso em tela, põe em evidência o dolo da recorrente. A retificação da DASN revela o dolo, pois indica que a declaração original (que já continha erro contra a Fazenda) foi efetivamente examinada. E, se o foi, o erro deveria ser percebido. Por conseguinte, a retificação, se houvesse boa fé, só poderia aumentar a receita tributável. Mas ocorreu exatamente o oposto. A retificação reduziu ainda mais a receita, deixando claro que essa sempre foi a intenção. Esse quadro, bem descrito no TVF, autoriza a aplicação de multa qualificada para a omissão de receitas caracterizada pela ausência de registro e declaração dos valores consignados em diversas notas fiscais. A exacerbação da penalidade, entretanto, não pode ser estendida à insuficiência de recolhimentos (terceira infração), como fez a autoridade lançadora. Aqui a multa cabível é a de 75%. A insuficiência de recolhimento é um efeito colateral e secundário da omissão de receitas. Além disso, para essa infração concorrem os dois tipos de omissão de receitas apurados no lançamento, a saber: a omissão caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e a omissão pela falta de declaração das notas fiscais. A primeira foi apenada com multa de 75%, a outra com multa de 150%. Assim, no pior cenário para a recorrente, a qualificação da multa por insuficiência de recolhimento ficaria restrita a uma parcela do tributo que deixou de ser recolhido por erro na aplicação da alíquota. Tratase da parcela que corresponde à infração apenada com multa de 150% (falta de registro de notas fiscais). Essa segregação, entretanto, não foi feita no lançamento, e não é possível fazêlo agora. Dessa forma, adotando critério mais favorável ao infrator, a penalidade para tal infração deve ser a menos gravosa, ou seja, 75% sobre o valor do tributo que deixou de ser pago. Em síntese, a terceira infração não pode ter multa qualificada, seja porque é apenas um efeito secundário da omissão de receitas, seja porque é resultante de dois tipos de omissão de receitas, sendo que apenas um deles foi apenado com multa de 150%. Portanto, em relação à insuficiência de recolhimentos, deve ser reduzido o percentual de multa a 75%. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10680.724505/201419 Acórdão n.º 1301003.353 S1C3T1 Fl. 836 11 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe parcial provimento, apenas para, em relação à insuficiência de recolhimento, reduzir o percentual da multa a 75%. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 836DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.000392/2014-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2014
ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. DEFICIÊNCIA PERMANENTE.
A Lei isentiva deve ser interpretada restritivamente. Não se defere pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional quando o laudo de avaliação médica não atesta deficiência permanente.
Recurso do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-007.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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DEFICIENTE FÍSICO. DEFICIÊNCIA PERMANENTE. A Lei isentiva deve ser interpretada restritivamente. Não se defere pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional quando o laudo de avaliação médica não atesta deficiência permanente. Recurso do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 03 92 /2 01 4- 81 Fl. 117DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3802004.089, da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/02/2014 IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. DEFICIÊNCIA FÍSICA. ALCANCE CONCEITUAL DO TERMO PARA FINS DE RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO. As disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física, elencadas no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas). A tal conclusão se chega em vista do emprego da conjunção "também" no início do preceito em comento "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]", assim como pela parte final do mandamento em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções". Se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, já que são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária, e não o acometido de toda e qualquer deficiência, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Enfim, a isenção do IPI para aquisição de automóveis de passageiros, objeto da Lei nº 8.989/95, além dos taxistas, dos deficientes visuais e dos portadores de deficiência mental severa ou profunda, nos termos da lei em evidência, alcança o indivíduo portador de deficiência física que comprometa seu sistema locomotor, a ponto de ser causa de "dificuldades para o desempenho de funções". IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. INTERESSADO PORTADOR DE ESPONDILITE ANQUILOSANTE. LAUDO DO DETRAN QUE O HABILITA APENAS À CONDUÇÃO DE VEÍCULO AUTOMÁTICO OU Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10166.000392/201481 Acórdão n.º 9303007.278 CSRFT3 Fl. 565 3 COM EMBREAGEM ADAPTADA À ALAVANCA DE CÂMBIO. DEFICIÊNCIA FÍSICA CARACTERIZADA. DIREITO AO BENEFÍCIO. Para fins de reconhecimento do direito à fruição da isenção do IPI, objeto da Lei nº 8.989/95, considerase deficiente físico o indivíduo portador de espondilite anquilosante, que, em função das sequelas da enfermidade, só está apto a dirigir veículo automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: A pessoa física pleiteou, na qualidade de portadora de deficiência física, a fruição da isenção do IPI na aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, prevista na Lei 8.989/95; Mesmo não estando a enfermidade “espondilite ancilosante” prevista na legislação, o Colegiado a quo reconheceu a isenção de IPI, fazendo uma interpretação não restritiva da Lei 8.989/95; O Código Tributário Nacional CTN, art. 111 e seu inciso II, determina expressamente a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. E esta vinculação, por óbvio, também se aplica a esta autoridade julgadora. Em Despacho às fls. 70 a 72, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: O paradigma descrito pela PGFN não se aplica ao caso concreto, pois referese à deficiência auditiva – e não deficiência física – que realmente a Lei 8.989/95 não prevê expressamente dentre as suas hipóteses de isenção a de deficiência auditiva; A deficiência auditiva está literalmente expressa no Decreto 3.298/99 que instituiu a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. Se a categoria “deficiência auditiva” estivesse literalmente expressa na Lei 8.989/95, esta deficiência faria jus a isenção de IPI; Inaceitável o motorista que tenha limitação na carteira de motorista decorrente de deficiência física não tenha direito à isenção de IPI. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos recursos interpostos pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICERF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade contida em Despacho. Ora, na decisão indicada como paradigma foi considerado que, em se tratando de isenção a interpretação deve ser literal, conforme determina o art. 111, II, do CTN. Contrariamente, o acórdão recorrido acatou o pedido de aquisição de veículo com isenção de IPI, embora não constando no laudo médico referência expressa a uma das hipóteses de deficiência física previstas no art. 1º, § 1º, da Lei 8.989/95 (art. 4º, I, do Decreto 3.298/99). Ainda que o acórdão indicado como paradigma trate de deficiência visual e o recorrido de deficiência física, a meu sentir, o cerne da lide, bem como a discussão acerca da aplicação da literalidade da norma ou não, está presente em ambos os acórdãos e envolvendo o mesmo dispositivo – art. 1º, § 1º, da Lei 8.989/95. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, antecipo meu entendimento expressando minha concordância com o voto do acórdão recorrido. Eis o voto irretocável do ilustre ex conselheiro Francisco José Barroso Rios. O que peço licença para transcrever seu voto (Grifos meus): “Conforme relatado, vêse que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de isenção de IPI Deficiente físico onde a manifestação de inconformidade formalizada pelo interessado contra o indeferimento do pleito foi julgada improcedente pela DRJ Ribeirão Preto (fls. 33/35). Não obstante, penso que o recorrente faz jus à isenção pleiteada. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10166.000392/201481 Acórdão n.º 9303007.278 CSRFT3 Fl. 566 5 Extraise do laudo de fls. 07, emitido pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal, o seguinte: 2. Histórico [...] Histórico da doença atual: Paciente com sacroileíte mais evidente à esquerda devido a Espondilite Anquilosante diagnosticada em 2005. Refere dor importante no quadril esquerdo. Também apresenta espondilólise com listese L5SI. 3. Exame Específico: Lombalgia mais evidente à esquerda. Força muscular preservada. [...] 5. Diagnóstico CID 10: M45, M43.1 6. Discussão: Adaptações indicadas devido à sacroileite esquerda. Apresenta risco adicional para conduzir veículos automotores convencionais (comuns ou básicos) Tipo: Sacroileite / Espondilite Anquilosante A apresentação atual das limitações observadas são: pedal de embreagem Do ponto de vista evolutivo as limitações observadas são de caráter: Indefinidas Observações obrigatórias: Veículo adaptado com: transmissão automática. Liberado da banca especial. 7. Conclusão: Apto(a) na categoria (B115) com restrição a esta categoria (grifos nossos) Já o laudo de fls. 08, expedido pelo HBDF, atesta o seguinte: Paciente com espondilite anquilosante (CID 10 M45), conforme laudo anexo. Doença encontrase parcialmente controlada com o uso de medicações [...]. Fl. 121DF CARF MF 6 [...] doença inflamatória podendo evoluir com danos articulares/estruturais [...] Às fls. 12 foi anexada a Carteira Nacional de Habilitação, expedida em 03/02/2000, em cujo campo observações consta a designação "D", que, segundo a Resolução CONTRAN nº 192, de 30/03/2006, anexo II, diz respeito a "veículo automático ou embreagem adaptada a alavanca de câmbio". Portanto, não resta dúvida de que o interessado tem limitações físicas significativas, atestadas pelo HBDF e pelo DETRAN, em razão das quais necessita de veículo automotor automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio. Com efeito, não faria nenhum sentido o Departamento de Trânsito restringir a condução de veículo pelo reclamante a apenas àqueles automáticos ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio não estivesse o interessado com as suas funções motoras limitadas. Ademais, as disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física elencados no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas), o que se extrai pela conjunção "também" utilizada no início do preceito em comento – "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" –, assim como pela parte final do preceito em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções". Segue o inteiro teor do dispositivo referenciado: § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10166.000392/201481 Acórdão n.º 9303007.278 CSRFT3 Fl. 567 7 desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (grifos nossos) Assim, se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, notadamente no caso presente, em que o interessado, portador de espondilite anquilosante, só está apto a dirigir veículo automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio. Refirome a "disfunções motoras" porque são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária – e não o acometido de toda e qualquer deficiência –, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Com efeito, monoparesia, paraparesia, tetraparesia e hemiparesia designam a paresia – disfunção, funcionamento comprometido – respectivamente, em um membro, em ambos os membros (geralmente inferiores), em todos os membros, ou nos membros de um lado do corpo. Na mesma toada, quando os prefixos mono, para, tetra e hemi são associados ao sufixo plegia – que diz respeito à perda total da força muscular, paralisia – temos designadas as deficiências físicas que causam a paralisia dos membros do corpo, conforme o prefixo adotado (monoplegia, tetraplegia, triplegia, triparesia, hemiplegia). Já quando há amputação ou ausência de um membro, o comprometimento da função motora é evidente. O mesmo se diga em relação à paralisia cerebral ou à existência de membros com deformidade congênita ou adquirida. Como se vê, TODOS os exemplos elencados pelo legislador, destinados a guiar o intérprete no que concerne ao alcance do conceito de deficiência física que buscou amparar pela norma, dizem respeito a deficiências que causam comprometimento das funções motoras do indivíduo. Logo, seria equivocado defender que o uso do termo "também", empregado no início do § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 – "para a Fl. 123DF CARF MF 8 concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" –, daria guarida à aplicação da isenção do IPI a toda e qualquer deficiência. Os exemplos de deficiências físicas discriminadas no aludido dispositivo não permitem interpretação nesse sentido. E isso é reforçado pela parte final do preceito em tela, que exclui de deficiência física "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções" (grifei), o que reforça a exegese que defendemos no sentido de que a deficiência física amparada pela isenção de que trata o § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 é aquela que causa comprometimento das funções motoras do indivíduo. Importa destacar que o legislador não se restringiu apenas às deficiências físicas nos moldes definidos pelo § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, mas garantiu o direito também aos deficientes visuais, aos deficientes mentais (severa ou profunda) e aos autistas (conforme inciso IV do artigo 1º da Lei nº 8.989/95). A conceituação de deficiência visual ou mental, para fins da isenção tributária objeto da norma em evidência, deverá obedecer aos ditames contidos nos parágrafos 2º e 4º do artigo 1º da Lei nº 8.989/951. Enfim, a isenção do IPI para aquisição de automóveis de passageiros, objeto da Lei nº 8.989/95, além dos taxistas, dos deficientes visuais (assim definidos aqueles com acuidade visual igual ou menor que 20/200 – tabela de Snellen – no melhor olho – § 2º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95) e dos portadores de deficiência mental severa ou profunda, alcança o indivíduo portador de deficiência física que comprometa seu sistema locomotor, a ponto de ser causa de "dificuldades para o desempenho de funções", como no caso presente, em que o interessado, portador de espondilite anquilosante, e dadas as sequelas decorrentes da enfermidade, só está apto a dirigir veículo automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio. Cumpre destacar que o entendimento supra está em perfeita sintonia com o disposto no artigo 111, inciso II, do CTN. Com efeito, Interpretação literal não é interpretação mesquinha ou meramente gramatical. Interpretar estritamente é não utilizar interpretação extensiva. Compreendase. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10166.000392/201481 Acórdão n.º 9303007.278 CSRFT3 Fl. 568 9 Todas devem, na medida do possível, contribuir para manter o Estado. As exceções devem ser compreendidas com extrema rigidez. (Sacha Calmon Navarro Coêlho. Curso de Direito Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 10. ed., 2009, p. 610) Por fim, corroborando o presente entendimento de que o suplicante faz jus ao direito à isenção, não é por demais destacar alguns trechos do anexo à Portaria do Ministério da Saúde nº 640, de 24/07/2014, que aprova o protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da espondilite ancilosante, e que deixa claro a gravidade e a natureza degenerativa dessa enfermidade de evolução crônica, cujo acompanhamento médico deve ser feito por tempo indefinido. 2 INTRODUÇÃO A espondilite ancilosante ou anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica classificada no grupo das espondiloartrites que acomete preferencialmente a coluna vertebral, podendo evoluir com rigidez e limitação funcional progressiva do esqueleto axial. Assim, as formas mais iniciais de EA, nas quais o dano estrutural é menor ou inexistente, podem ser classificadas como espondiloartrites axiais (Quadro 2). [...] O sintoma inicial costuma ser lombalgia, caracterizada por dor noturna, de início insidioso, que não melhora com repouso (mas melhora com exercícios). Além do comprometimento axial, a EA também costuma acometer articulações periféricas (oligoartrite de grandes articulações de membros inferiores) e pode causar manifestações extraesqueléticas, tais como uveíte anterior aguda (UAA), insuficiência aórtica, distúrbios de condução cardíacos, fibrose de lobos pulmonares superiores, compressão nervosa ou neurite, nefropatia ou amiloidose renal secundária. [...]. O comprometimento axial referese ao acometimento das estruturas do esqueleto axial (por exemplo, vértebras, articulações sacroilíacas, pelve), e o comprometimento periférico, ao acometimento das estruturas do esqueleto apendicular (por exemplo, dedos, calcâneo, joelhos). [...]. Fl. 125DF CARF MF 10 No Brasil, cerca de 70% das espondiloartrites são EA, com um custo anual médio para a sociedade estimado em US$ 4.597,00 por paciente (8, 14). Além do custo social, a EA acarreta piora da qualidade de vida para o paciente, impactando de forma negativa diversos domínios da vida pessoal, inclusive a atividade sexual (15). A identificação da doença em seu estágio inicial e o encaminhamento ágil e adequado para o atendimento especializado dão à Atenção Básica um caráter essencial para um melhor resultado terapêutico e prognóstico dos casos. [...] 8.5 TEMPO DE TRATAMENTO CRITÉRIOS DE INTERRUPÇÃO O tempo de tratamento não é prédeterminado, devendo o tratamento ser mantido enquanto houver benefício clínico. Apesar de alguns estudos observarem manutenção de remissão após a retirada dos biológicos anti TNF (60, 71, 72), inexistem critérios para a interrupção do tratamento. Após a remissão, a maioria dos pacientes apresenta recidiva com a interrupção do tratamento (49). Na falha ao segundo anti TNF (ausência de resposta depois de, pelo menos, 6 meses de uso da dose preconizada), pode ser considerado um terceiro antiTNF, embora as evidências em favor dessa conduta sejam escassas (67, 68). Na ausência de resposta com o terceiro antiTNF utilizado por, pelo menos, 6 meses, deve haver interrupção dessa terapia. 8.6 BENEFÍCIOS ESPERADOS Com o tratamento adequado, esperase melhora da dor, rigidez axial e periférica, capacidade funcional e laboral e qualidade de vida do paciente (20, 23, 2731, 38, 42, 4648, 65, 67, 7396). 9 MONITORIZAÇÃO Devem ser monitorizados as resposta terapêutica, efeitos colaterais e risco cardiovascular (21, 22, 97). A resposta ao tratamento de EA axial consiste na redução mínima de 50% ou de 2 pontos (valor absoluto) no escore BASDAI (1). Artrite periférica, entesite e dactilite são avaliadas por anamnese e exame físico. Reavaliações clínicas podem ser realizadas a cada 3 meses em doença ativa e anualmente em doença estável (1, 22). Exames laboratoriais (por exemplo, velocidade de hemossedimentação e proteína C reativa), que devem ser feitos antes e durante o tratamento (nos períodos de maior Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10166.000392/201481 Acórdão n.º 9303007.278 CSRFT3 Fl. 569 11 atividade de doença, a cada 13 meses e de menor, a cada 3 meses), são úteis na avaliação de atividade de doença. Radiografias simples de articulações sacroilíacas, bacia, coluna dorsal e lombossacra podem ser realizadas no início do acompanhamento e a cada 2 anos, buscando danos estruturais evolutivos, que, quando presentes, indicam mudança de tratamento (1, 22). [...]” Sendo a espondilite ancilosante ou anquilosante (EA) uma doença inflamatória crônica classificada no grupo das espondiloartrites que acomete preferencialmente a coluna vertebral, podendo evoluir ou não com rigidez e limitação funcional progressiva do esqueleto axial, vêse que assiste razão ao sujeito passivo. Ainda que a doença não evolua para rigidez e limitação funcional, entendo que se deve prosperar a isenção ora discutida, por ser uma doença crônica. É de se destacar que nem todas as doenças, passíveis de isenção, evoluem para limitação funcional – eis os casos de pessoas que são, infelizmente, acometidas por “câncer”. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Redator Designado Com a devida vênia, divirjo da i. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, pois em se tratando de isenção, determina o art. 111 do CTN, a norma que a veicula deve ser interpretada restritivamente, eis que o Estado está abrindo mão de uma receita com um fim econômico, ou social, como in casu. Assim, entendo que o rol de doenças que a norma isentiva arrolou são numerus clausus. Não faz o menor sentido o legislador ordinário veicular norma isentiva Fl. 127DF CARF MF 12 apenas a título de exemplificação, deixando em aberta sua tipificação pelo intérprete. Portanto, meu voto parte do pressuposto que só pode ser considerada "pessoa portadora de deficiência física" aquela cuja deficiência enquadrese nos estritos termos veiculados pelo art. 1º da Lei 8.989/1995 (e suas alterações posteriores Leis 10.690/2003 e 10.754/2003) e seu § 1º, IV. Ademais, o art. 3º daquela norma delegou à então SRF o reconhecimento da referida isenção, "mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos" na lei. Para tanto, a RFB editou a IN RFB 988/2009, posteriormente alterada pela IN RFB 1.639/2013. Vejase o teor das normas que importam ao deslinde da quaestio: Lei 8.989/95: Art. 1oFicam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: ... IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (grifei) No Laudo de Junta Médica Especial do DETRAN DF (fl. 7) consta que o interessado foi diagnosticado com espondilite ancilosante e espondilolistese (CID 10 M45, M43.1), tendo sua "força muscular preservada". Já no Laudo a que se refere o Anexo IX das normativa da RFB (informações complementares) foi assinalado pelos peritos que o requerente teria apresentado deficiência do "tronco". Porém, no quadro seguinte do mesmo Anexo, ao declarar qual das incapacidades listadas (paraplegia, paraparesia, nomoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral e nanismo) sua deficiência acarretaria, nada os médicos declararam. Ou seja, sua deficiência não acarreta nenhuma das incapacidades a que alude a lei isentiva. O fato alegado de que na carteira de motorista do interessado conste que é obrigatório o uso de veículo com transmissão automática, em nada afeta o fato inconteste de que sua deficiência física não é permanente, pois sua doença pode evoluir para um quadro sem diagnóstico. Podemos citar como caso análogo aqueles em que constam em sua carta de motorista o uso obrigatório de lentes, que com eventual cirurgia podem evoluir para um quadro sem a necessidade daquelas. O próprio Laudo do DETRAN sentenciou que as limitações são "de caráter indefinido". Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10166.000392/201481 Acórdão n.º 9303007.278 CSRFT3 Fl. 570 13 Portanto, entendo correto o despacho decisório local que indeferiu o pleito de isenção. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso especial de divergência do Procurador e doulhe provimento. (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720445/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
IMPUGNAÇÃO NÃO ANALISADA.
Não tendo sido analisada pela instância a quo a peça impugnatória e estando presentes os requisitos para sua admissibilidade deve o acórdão de primeira instância ser anulado para que seja resubmetido a julgamento.
Numero da decisão: 3401-005.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para determinar a anulação do julgamento de primeira instância, e das peças que lhe sucedem.
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para determinar a anulação do julgamento de primeira instância, e das peças que lhe sucedem. Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
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Não tendo sido analisada pela instância a quo a peça impugnatória e estando presentes os requisitos para sua admissibilidade deve o acórdão de primeira instância ser anulado para que seja resubmetido a julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para determinar a anulação do julgamento de primeira instância, e das peças que lhe sucedem. Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Relatora (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 45 /2 01 2- 80 Fl. 3620DF CARF MF Processo nº 19515.720445/201280 Acórdão n.º 3401005.373 S3C4T1 Fl. 740 2 Tratase de embargos de declaração interpostos pela DERATSPOSP, autoridade administrativa incumbida da execução do Acórdão nº 3401002.836, de 11 de dezembro de 2014, fls. 3.564 a 3.569, que invocou os arts. 64 e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, para interpor Embargos de Declaração contra a referida decisão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO COM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. Quando há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4°, do CTN. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE DOLO. INAPLICABILIDADE DE MULTA QUALIFICADA. A Súmula n° 14, do CARF, determina que "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo ". No presente caso, apesar de restar demonstrada a declaração de valor abaixo do realmente devido, não está presente o evidente intuito de fraude. Consta do despacho de admissibilidade dos embargos de declaração o seguinte resumo do andamento processual: O arrazoado de fls. 3.614 a 3.616, após síntese dos fatos relacionados com a lide, aventa a ocorrência de inexatidão material no voto do Conselheiro relator ao afirmar: "a única Recorrente é a pessoa jurídica, Capri Indústria e Comércio de Produtos para Lazer Ltda" (...); e, "Como o interessado nessa matéria não se manifestou, não cabe à Recorrente arguir defesa de outrem (..)", uma vez que consta dos autos o recurso voluntário protocolado pelo responsável solidário Umberto Pietro Movizzo, em que são veiculados argumentos de defesa contrários ao entendimento jurídico da decisão de primeira instância, conforme documentos juntados às fls. 3.447 a 3.482. Alternativamente, argúi a ocorrência do vício de obscuridade da decisão, na medida em que não foi expressa no sentido de não conhecer do recurso apresentado pelo solidário devido à preclusão processual, mantendo, dessa forma, o entendimento jurídico da decisão de primeira instância. Em face da não análise do Recurso Voluntário interposto pelo responsável solidário assim foi decidido o exame de admissibilidade: Fl. 3621DF CARF MF Processo nº 19515.720445/201280 Acórdão n.º 3401005.373 S3C4T1 Fl. 741 3 Compulsando os autos, às fls. 3.447 a 3.482, constato que, efetivamente, Umberto Pietro Movizzo formulou recurso voluntário contra o Acórdão nº 1438.585, de 11 de setembro de 2012, da 8a Turma da DRJ/RPO. O Acórdão embargado, no entanto, nada referiu em relação a esse recurso. Em face dessa flagrante omissão, acolho os aclaratórios interpostos pela DERATSPOSP, para que a decisão embargada seja integrada por uma outra, em que sejam apreciadas as alegações recursais do responsável solidário. O processo foi sorteado para o Conselheiro Augusto Fiel Jorge de Oliveira, e por sua renúncia ao mandato foi para mim resorteado. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Admitidos os embargos de declaração passo a sua análise quanto a omissão identificada conforme artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, que assim dispõe: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. De fato o Sr. Umberto Pietro Movizzo, apresenta recurso voluntário, fls. 3447 a 3482, que não foi analisado no acórdão embargado. Podese observar já no relatório do acórdão que consta que a contribuinte interpôs recurso voluntário, se referindo a empresa CAPRI, e foram analisadas as seguintes alegações: A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 26/09/2012 (fl. 3.364) e interpôs recurso voluntário em 25/10/2012 (fls. 3.366/3.394) com as alegações resumidas abaixo: 1 A autoridade fiscal transferiu parte de parcela supostamente não litigiosa para o processo de nº 10880.728333/201234, não obstante, a Contribuinte pediu o cancelamento de todo o lançamento, de modo que não existe parte não litigiosa; 2 Foi lavrado termo de responsabilidade contra o sócio Umberto P.Movizzo, mas, durante o procedimento fiscal, ele não recebeu nenhuma intimação, o que fere o princípio da ampla defesa e do contraditório; 3 O lançamento contra a pessoa jurídica não pode gerar qualquer efeito contra a pessoa física, vez que este não está incluído no auto de infração; 4 Faltaram fundamentos para que a responsabilização do sócio; Fl. 3622DF CARF MF Processo nº 19515.720445/201280 Acórdão n.º 3401005.373 S3C4T1 Fl. 742 4 5 Estão decaídos os lançamentos referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, em razão de ter havido a antecipação no recolhimento; 6 A escrituração de valores inferiores aos importes de faces dos documentos fiscais emitidos não configura que o delito foi fruto de esquema específico de fraude, sonegação ou conluio, de modo que a multa deve ser reduzida de 150% para 75%. No acórdão recorrido assim se manifesta o relator sobre a não apresentação de recurso por parte do responsável solidário: 1 Da impossibilidade de responsabilização do sócio Quanto à alegação de impossibilidade de responsabilização do sócio, deixo de conhecer a matéria, pois a única Recorrente é a pessoa jurídica, Capri Indústria e Comércio de Produtos Para Lazer Ltda, e esta não tem legitimidade para defender o sócio. Como o interessado nessa matéria não se manifestou, não cabe à Recorrente arguir na defesa de outrem, bem como não se trata de matéria de ordem pública a ser conhecida ex officio por este Conselho. Essa constatação no acórdão embargado não condiz com a realidade já que consta no processo, fls. 3447 a 3482, o recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário. Ambos os recursos são apresentados pelo mesmo escritório de advocacia, assinado pelos mesmos advogados, e protocolado na mesma data. Diante desses fatos a DERAT/SP apresentou embargos de declaração: No presente caso, a autoridade fiscal imputou responsabilidade solidária ao sócio administrador Umberto Pietro Movizzo, CPF 234.055.54853, com fundamento nos arts.134, inciso VII, 135, inciso III, e 124, incisos I e II, do Código Tributário Nacional. Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação que, entre outros argumentos, contestou a responsabilização solidária, sendo que a matéria não foi conhecida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em função da ilegitimidade passiva da pessoa jurídica para manifestarse sobre o assunto. Nos termos da decisão de primeira instância, sendo a responsabilidade solidária matéria distinta ao fato gerador da obrigação tributária, a impugnação deveria ser apresentada de forma expressa pelo próprio responsável Umberto Pietro Movizzo. Ciente do julgamento, tanto a contribuinte quanto o responsável solidário apresentaram tempestivamente recurso voluntário. Contudo, especificamente sobre a responsabilidade tributária, o acórdão assim encontrase fundamentado: “Quanto à alegação de impossibilidade de responsabilização do sócio, deixo de conhecer a matéria, pois a única Recorrente é a pessoa jurídica, Capri Indústria e Comércio de Produtos Para Lazer Ltda, e esta não tem legitimidade para defender o sócio. Fl. 3623DF CARF MF Processo nº 19515.720445/201280 Acórdão n.º 3401005.373 S3C4T1 Fl. 743 5 Como o interessado nessa matéria não se manifestou, não cabe à Recorrente arguir na defesa de outrem, bem como não se trata de matéria de ordem pública a ser reconhecida ex officio por este Conselho”(grifos nossos) I – DO CABIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração está disciplinado nos arts. 65 e 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, cuja redação encontrase a seguir reproduzida: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Art. 66. As alegações de inexatidão materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocadas pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. No caso dos autos, fica evidente a inexatidão material do voto do Conselheiro relator ao afirmar:"a única Recorrente é a pessoa jurídica, Capri Indústria e Comércio de Produtos para Lazer Ltda, (.); e, "Como o interessado nessa matéria não se manifestou, não cabe à Recorrente arguir defesa de outrem (...),, uma vez que, conforme já mencionado, consta dos autos o recurso voluntário protocolado pelo responsável solidário Umberto Pietro Movizzo, onde o mesmo apresenta seus argumentos de defesa contrários ao entendimento jurídico da decisão de primeira instância, conforme documentos juntados às fls. 3.447/3.482. Recurso esse, apresentado de forma apartado do recurso interposto pela pessoa jurídica Capri Indústria e Comércio de Produtos para Lazer Ltda. Portanto, não houve no acórdão embargado qualquer menção quanto às alegações recursais apresentadas pelo responsável solidário, caracterizando o lapso manifesto no julgado. Caso o entendimento não seja pelo lapso manifesto, ao menos fica caracterizada a obscuridade da decisão que não foi expressa no sentido de não conhecer do recurso apresentado pelo solidário devido a preclusão processual, mantendo, dessa forma, o entendimento jurídico da decisão de primeira instância. II – DO PEDIDO Pelo exposto, requer que os presentes embargos sejam admitidos e providos para que o colegiado se manifeste quanto ao vício apontado, a fim de possibilitar a correta execução e cumprimento do julgado. Observando que a responsabilidade tributária é matéria conexa à futura executividade da Medida Cautelar Fiscal 0045455 27.2012.403.6182, já deferida pela 5º Vara de Execuções Fiscais de São Paulo. Fl. 3624DF CARF MF Processo nº 19515.720445/201280 Acórdão n.º 3401005.373 S3C4T1 Fl. 744 6 Preliminarmente devemos analisar se o Recurso Voluntário interposto pelo Sr. Umberto Pietro Movizzo deve ser conhecido. Inicialmente consta do processo, fls. 3215 e seguintes a apresentação da impugnação conjunta em nome de CAPRI INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS PARA O LAZER LTDA e UMBERTO PIETRO MOVIZZO: Às fls. 3233 e sgs consta a procuração outorgada pela empresa CAPRI para o advogado Rodrigo Esposito Petrasso, que assina a impugnação no nome de ambos, contribuinte e responsável. Não encontrei no processo procuração outorgada pelo Sr. Umberto ao advogado. Apesar de não haver procuração essa falha processual pode ser sanada, não significando prejuízo ao regular processamento dos autos. O que se verifica é que apesar do acórdão de piso dispender largo tempo e argumentações, pautada pela inclusão de vários insertos de doutrina, falhou a identificar que existe sim nos autos impugnação em nome do responsável solidário. O acórdão de piso, fls. 3345, assim analisa a situação: Por meio do Termo de Sujeição Passiva Solidária, de fl. 3196, foi notificado do auto de infração em questão, por sujeição passiva, o Sr. Umberto Pietro Movizzo, sócio administrador da empresa no período considerado. Cumpre frisar que a impugnação apresentada pela contribuinte, a empresa Capri Indústria e Comércio de Produtos para Lazer Ltda, na parte que contesta a responsabilização solidária, não aproveita ao sócio administrador Umberto Pietro Movizzo, por tratarse de matéria distinta ao fato gerador da obrigação tributária que deve ser impugnada pelo responsável indicado no “Termo de Sujeição Passiva Solidária”. ... Dessa forma, tendo em vista que não foi apresentada nenhuma contestação por parte do Sr. Umberto Pietro Movizzo, considero como não impugnado o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fl. 3196, nos termos dos artigos 15 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, e alterações posteriores, que regem o Processo Administrativo Fiscal Federal, os quais dispõem que “A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” e “Considerarseá não Fl. 3625DF CARF MF Processo nº 19515.720445/201280 Acórdão n.º 3401005.373 S3C4T1 Fl. 745 7 impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Existe uma falha nessa análise a partir do momento em que a impugnação apresentada é conjunta e por isso deve ser analisada do ponto de vista de ambos os impugnantes. Então carece de validade afirmar que a contestação sobre a responsabilidade solidária foi efetuada pela empresa CAPRI, porque já que a impugnação é conjunta, a contestação foi efetuada pela empresa CAPRI e pelo Sr. Umberto. Diante dessa argumentação concluo que existe um vício insanável no acórdão de piso que se propagou para o acórdão embargado, a não análise da impugnação apresentada pelo responsável solidário. Por isso voto pela anulação do acórdão embargado e também anulação do acórdão da DRJ para que seja resubmetido a julgamento com análise da impugnação apresentada pelo responsável solidário. Antes deverá ser providenciado o saneamento do processo com a intimação do responsável solidário para suprir deficiência processual de falta de representação. Com essas considerações, voto por acolher os embargos de declaração em efeitos infringentes e determinar a anulação do julgamento desde a primeira instância. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes, Relatora Fl. 3626DF CARF MF
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Numero do processo: 12267.000142/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 28/02/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de vícios no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração visando a saná-los.
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ABONO SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 173, I do CTN, quando não houver antecipação no pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Incide contribuição previdenciária em relação ao abono pago, uma vez que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei, consoante o disposto no item 7, alínea "e", §9º, art. 28, da Lei 8.212, de 1991 e alínea 1º, §9°, art. 214, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999.
Numero da decisão: 2301-005.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403-001.210, de 17/04/2012: (a) alterar o dispositivo do acórdão para "ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso"; (b) alterar a ementa do Acórdão 2403-001.210, passando a valer a constante no presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de vícios no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração visando a sanálos. PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ABONO SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 173, I do CTN, quando não houver antecipação no pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Incide contribuição previdenciária em relação ao abono pago, uma vez que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei, consoante o disposto no item 7, alínea "e", §9º, art. 28, da Lei 8.212, de 1991 e alínea 1º, §9°, art. 214, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403001.210, de 17/04/2012: (a) alterar o dispositivo do acórdão para "ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso"; (b) alterar a ementa do Acórdão 2403001.210, passando a valer a constante no presente julgado. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 01 42 /2 00 8- 91 Fl. 246DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela União, representada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), contra o Acórdão 2403001.210, de 17/04/2012, (efls. 205 a 213), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 28/02/2006 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ABONO SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 173, I do CTN, quando não houver antecipação no pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Não incide Contribuição Previdenciária em relação ao Abono pago em consonância com o item 7, da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. O dispositivo do acórdão foi registrado como segue: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o relator Marcelo Magalhães Peixoto, que dava provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. A União apontou os seguintes vícios no acórdão embargado (efls. 215 a 217): a) incompatibilidade entre o disposto na ementa e no voto condutor do acórdão – na ementa há a informação de que foi dado provimento parcial ao recurso voluntário; todavia, a partir da leitura do inteiro teor do acórdão chegase à conclusão que a turma negou Fl. 247DF CARF MF Processo nº 12267.000142/200891 Acórdão n.º 2301005.561 S2C3T1 Fl. 3 3 provimento integral ao recurso voluntário; no que toca à matéria do abono, restou vencido o relator, decidindo a maioria do colegiado pela incidência de contribuições previdenciárias sobre tal parcela, conforme se extrai do voto vencedor proferido pelo conselheiro Ivacir Júlio de Souza; no que toca à decadência, a turma decidiu, por unanimidade, afastála, em face da aplicação do art. 173, I, do CTN; fazse, portanto, necessário desfazer a divergência entre a ementa e o voto condutor do acórdão; b) obscuridade na questão da retroatividade benigna, uma vez que o dispositivo do acórdão faz referência à necessidade de recálculo da multa de mora, em face do advento da Lei n° 11.941, de 2009, mas nem na ementa nem no voto vencedor há qualquer referência à matéria; é necessário esclarecer se a questão da retroatividade benigna foi apreciada pela turma ou se constou no dispositivo do acórdão apenas por erro material. Os embargos foram admitidos tanto por despacho do Sr. Presidente da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara (efls. 238) quanto por despacho do Sr. Presidente da 2ª Seção (efls. 243 a 245). É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator. Para melhor elucidar a questão, transcrevo o voto vencedor na sua integralidade: Voto Vencedor Ivacir Julio de Souza, Redator Designado Tratase de crédito lançado pela fiscalização que de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 60/65), teve como fato gerador a remuneração paga a segurados empregados na forma de Abono constante nas folhas de pagamento das competências 01/2002, 01/2004 e 02/2006, em decorrência de Acordos Coletivos de Trabalho. Muito embora o bem elaborado voto do Ilustre Conselheiro Relator , no que tange a incidência tributária, por esposar a fundamentação do voto "aquo" representado às fls. 155 e seguintes, divirjo dos argumentos e conclusão trazidos à colação. CONCLUSÃO Pelo exposto, entendo que descabe conceder provimento às alegações da Recorrente. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 248DF CARF MF 4 Vêse, assim, que o conselheiro redator assumiu as razões da decisão recorrida, negando integralmente provimento ao recurso voluntário. Tal voto é incompatível com a ementa do acórdão, pela qual teria sido dado provimento ao recurso voluntário na questão do abono e ambos, voto e ementa, são incompatíveis com o dispositivo, que registra que teria sido dado provimento, tão somente, na questão da aplicação da multa previdenciária. São evidentes as contradições e obscuridades no acórdão embargado, estando satisfeitos os requisitos de admissibilidade do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf). Conheço dos embargos. Por primeiro, na questão da decadência não houve divergência, tendo prevalecido o voto do relator, que transcrevo, assumindo as razões: In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, conta se o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. O presente caso importa a aplicação do prazo previsto no art. 173, I, pois, da análise dos autos não se verifica o pagamento por parte da Recorrente. O período de apuração compreendeu as competências 01/2002 a 02/2006. A notificação ocorreu em 25/09/2007 (fls. 106/107). Logo, não ocorreu decadência, tendo em vista que o lançamento poderia abranger até a competência 12/2001, nos termos do art. 173, I do CTN, conforme explicado. Uma vez que, para a questão do abono, o redator para o voto vencedor declarou ter assumido como suas razões as expostas na decisão de 1ª instância, as utilizo como razões de decidir: Da natureza jurídica dos abonos concedidos 10.A legislação previdenciária ao definir a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, utilizou, para definir o conceito de saláriodecontribuição, um critério amplo, pois entendeu como remuneração todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados aos empregados, a qualquer título, durante o mês, destinados z. retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive (e não exclusivamente) os ganhos habituais sob a forma de utilidades, senão vejamos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: 1 para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos Fl. 249DF CARF MF Processo nº 12267.000142/200891 Acórdão n.º 2301005.561 S2C3T1 Fl. 4 5 termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) 11. No entanto, quando o legislador entendeu que determinada verba salarial devesse, por várias razões (interesse social, razões políticas, etc), ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias, ele expressamente, por meio de lei, assim o fez, como nas hipóteses do parágrafo 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991, c/c. parágrafo 9º do art. 214 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, abaixo transcritas. Assim, a não incidência de contribuições, por ser exceção, deve ser expressa e nunca presumida. Lei 8.212/1991,art:28: § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (GRIFADO) (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei n"9.528. de 10.12.97 e de 6 a 9 acrescentados pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) 7. recebidas a título de ganhos eventuais \ os abonof expressamente desvinculados do salário; Decreto 3.048/99, art. 214: § 9 Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (GRIFADO) (...) V as importâncias recebidas a título de: (...) j)ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265. de 29/11/99)(GRIFADO) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. 12. Alega a impugnante que o lançamento é improcedente, em face da exceção legal descrita no art. 28 § 9o alínea "e", item 7 da Lei 8.212/1991. No entanto, ao contrário do que pretende a interessada, tal regra de nãoincidência, tal qual prevista na tabela de incidência do endereço eletrônico do Ministério da Previdência Social, não se aplica à hipótese dos autos, uma vez que não restou demonstrada a eventualidade e a expressa desvinculação salarial da rubrica em comento. Fl. 250DF CARF MF 6 13. De fato, o ganho representado pelo abono em tela não é eventual, ou seja, é habitual, uma vez que se repete periodicamente, e sua vinculação ao salário decorre do fato de se originar de uma negociação salarial, que se renova bianualmente. Ademais, por ser fruto de negociação coletiva entre empregador e sindicato dos empregados, o abono concedido tampouco pode ser considerado como liberalidade do empregador. 14. Sustenta ainda a interessada que o abono (ganho eventual) foi expressamente desvinculado do salário por cláusula prevista em acordo coletivo, sendo a norma do Decreto n° 3.048/1999 que exige a desvinculação por força de lei, mais restritiva do que o item 7 da alínea "e" do § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/1991, pelo que não há como se prevalecer tal regra em detrimento da própria lei. 15. Com efeito, a referida regra contida no Decreto n° 3.265/1999, que alterou o Decreto n° 3.048/1999, não alterou o comando legal, apenas o especificou, consoante a própria função normativa do regulamento. Neste sentido, transcrevo trecho da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, in Ato Administrativo e Direito dos Administrados, Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 1981, pág. 102: "A função do regulamento é instrumentar a ação administrativa, reclamado pela lei, mediante especificação dos comandos já contidos nela. Por via dele apenas se cumpre uma etapa do processo de Concreção Gradativa do Direito, reclamada in casu , pela necessária interferência dos órgãos administrativos cuja atuação seja requerida para o cumprimento das obrigações da lei". 16. É de se observar que, conforme determinam as normas vigentes, tese sobre inconstitucionalidade de lei ou ato normativo que fundamenta o lançamento fiscal não se' discute na instância administrativa. 17. Quanto à jurisprudência acostada aos autos pela impugnante, nem sempre pertinente à hipótese dos autos, é oportuno destacar que à Administração é defeso trazer ao âmbito interna corporis os efeitos de decisões judiciais inter partes, a teor do art. Io do Decreto 73.529, de 21/01/1974, litteris: "É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ou ordinário". 18. Finalmente, a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é PROCEDENTE, e se encontra revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Tendo sido assumidas as razões da decisão de primeira instância, que negam provimento ao recurso voluntário, decorre a impossibilidade de darse parcial provimento para Fl. 251DF CARF MF Processo nº 12267.000142/200891 Acórdão n.º 2301005.561 S2C3T1 Fl. 5 7 alterar a multa aplicada. Deve, assim, o dispositivo ser alterado para “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso”. Conclusão Voto, portanto, por voto por CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403001.210, de 17/04/2012: (a) alterar o dispositivo do acórdão para “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso”; (b) alterar a ementa do Acórdão 2403001.210, passando a valer a constante no presente julgado. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909629/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2002
BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM
Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADESFIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividadesfim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 96 29 /2 01 1- 21 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.506. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 4 3 Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.399, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que, das contas contábeis de receita apontadas pela recorrente como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, somente a de "receita de subvenção" era realmente tributável e cuja contribuição incidente, por conseguinte, não poderia ser considerado como crédito a compensar. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.027, de 28 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.027): "De acordo com a Resolução n° 3301000.379, o julgamento deste processo deve seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O citado Acórdão n° 3301004.594 soluciona a questão nuclear deste processo a incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , pelo que, para tanto, adotáloei como razão de decidir. Contudo, antes de reproduzilo, enfrento as preliminares e a parte do mérito da causa que diz respeito ao cômputo na base de cálculo do PIS de outros tipos de receitas. Destaco que as soluções das questões de mérito foram instruídas pela conclusão do trabalho de diligência ("Informação Fiscal" nas fls. 191 a 196). Preliminares Reunião de processos A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 6 5 Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, terseia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 148): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 191 a 196) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 7 6 Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de fevereiro de 2001 as seguintes contas contábeis (fl. 192): "DESCONTOS OBTIDOS CONTA 3.6.1.1.002: R$ 24,94 RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA CONTA 3.6.1.1.004: R$ 170,17 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS CONTA 3.6.1.3.001: R$ 100,00 RECEITA DE SUBVENÇÃO CONTA 3.7.1.2.001: R$ 91.622,69" E assim concluiu seu exame (fl. 195): "11. Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997. 12. A subvenção, concedida pela Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997 (fls. 183 a 185) e regulamentada pelo Decreto nº 2.348, de 13 de outubro de 1997 (fls. 186 a 189), tratavase de subsídio pago pelo Ministério da Agricultura aos seguintes beneficiários: i) extrativistas, ii) cultivadores ou iii) beneficiadores de borracha natural no país. Era calculada com base na quantidade (em Kg) do coágulo de látex vendido pelos extrativistas ou cultivadores ou na quantidade de borracha beneficiada pelas usinas, vendidas ao comprador final ou exportadas, vide REGULAMENTO PARA CONCESSÃO DESUBVENÇÃO ECONÔMICA À COMERCIALIZAÇÃO DA BORRACHA NATURAL Nº 001/99, às fls 162 a 182. Correspondia à diferença entre os preços de referência da borracha nacional e os preços dos produtos congêneres no mercado asíático, como forma de enfrentar, no mercado nacional, a concorrência da borracha produzida na Ásia, facilitando o escoamento da produção nacional. 13. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de latex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. A subvenção recebida por kg de borracha beneficiada vendida, tendo que ser requerida mediante apresentação de comprovantes de compra de borracha natural bruta e das notas fiscais de venda da borracha beneficiada emitidas pelo beneficiário (fls. 162 a 182) não é receita financeira e sim receita da operação da empresa. Tal receita decorre do exercício do objeto social da empresa, e compõe o seu faturamento. A Receita de Subvenção da Lei 9.479 de 12 de agosto de 1997, no valor de R$91.622,69, recebida em Fevereiro/2001 na qualidade de usina beneficiadora credenciada é receita operacional da BRASLATEX, e mesmo antes da vigência da lei 9.718/98 já integraria seu faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998 sendo tributada pelo PIS." (g.a.) Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 8 7 Concordo plenamente com a conclusão da diligência. As receitas com descontos obtidos (conta 3.6.1.1.002), aplicação financeira (conta 3.6.1.1.004) e recuperação de despesas (conta 3.6.1.3.001) não derivam das atividades típicas da recorrente, pelo que não se incluem no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/98. No tocante à "receita de subvenção" da Lei n° 9.479/97, verificase o contrário, isto é, tratase de receita tributável pelo PIS e COFINS. Como fundamento deste entendimento, transcrevo o Acórdão n° 3301004.594 (paradigma), do qual faço minha razão de decidir (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98): "Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 9 8 redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgRAgR; AI 799.578AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 11 10 § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 eguardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 12 11 e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 13 12 IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas não operacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 14 13 Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 15 14 aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que "Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997". Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10850.909629/201121 Acórdão n.º 3301005.046 S3C3T1 Fl. 16 15 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS e a COFINS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 253DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.720180/2015-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO PELAS TURMAS DO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso de ofício que, na data do julgamento pelas Turmas de Julgamento deste Conselho, não atende o limite de alçada fixado em ato do Ministro Fazenda.
Numero da decisão: 3302-005.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO PELAS TURMAS DO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso de ofício que, na data do julgamento pelas Turmas de Julgamento deste Conselho, não atende o limite de alçada fixado em ato do Ministro Fazenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 01 80 /2 01 5- 03 Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10670.720180/201503 Acórdão n.º 3302005.683 S3C3T2 Fl. 3 2 Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe, referente aos períodos de apuração janeiro/2010 a dezembro/2011, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 2/8), no montante total de R$ 10.893.011,47. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 12/14), o autuante informa que, com base nos balancetes mensais de receita fornecidos pelo fiscalizado e em dados extraídos das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTFs por ele enviados à Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como em consultas ao sistema Sinal06 da RFB e à Distribuição de Arrecadação Federal – DAF constante em sítio do Banco do Brasil na internet, foram apuradas diferenças de PIS/Pasep não declaradas/recolhidas, razão pela qual os créditos tributários correspondentes foram lançados de ofício. Cientificado do auto de infração em 06/04/2015 (fl. 443), o contribuinte, em 06/05/2015 (fl. 457), apresentou impugnação (fls. 448/451), na qual, alega que existem deduções que devem ser feitas sobre a base de cálculo definida pela Lei nº 9.715, de 1998, o que não foi observado quando do lançamento do crédito tributário. Segundo ele, verificase não ser cabível a inclusão dos valores destinados ao Município para a formação do FUNDEF/FUNDEB, já que a União, ao lhe creditar tais receitas, já realizou a dedução para alocação dos recursos a esse fundo, bem como efetivou a retenção na fonte da contribuição para o PASEP. Além do mais, o fundo em questão, tendo em vista sua natureza contábil e transitória, formado que é por repasses feitos pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, não podem compor a base de cálculo do referido tributo. Do mesmo modo, são os repasses feitos pelo Município ao Sistema Único de Saúde, caso em que se verifica apenas e tão somente a transferência de recursos do Fundo Nacional de Saúde para o fundo Municipal de Saúde (transferência fundo a fundo), de sorte que não se pode falar que tais valores ingressem, de fato, como receita do ente municipal. Por essa razão, e tendo em vista o que dispõe o art. 2º, inciso III, da Lei nº 9715/1998 a respeito da base de cálculo do tributo em análise, não há que se falar na incidência do PASEP sobre tais valores, não tendo sido feitas as deduções necessárias por parte do órgão fiscalizador. Ademais, a própria lei mencionada destaca, em seu § 7º do art. 2º, que em contratos de repasse e/ ou convênios, assim como o são os contratos referentes à transferência de verbas do SUS, não Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10670.720180/201503 Acórdão n.º 3302005.683 S3C3T2 Fl. 4 3 há incidência do tributo em exame, o que corrobora o entendimento supra. Destaquese, ainda, que outros valores de transferências decorrentes de convênios, contratos de repasse ou instrumentos congêneres foram indevidamente incluídos na base de cálculo do PASEP, circunstância esta que denota a necessidade de revisão do lançamento levado a cabo pela auditoria da Receita Federal do Brasil. Ora, se todas as deduções acima referidas houvessem sido observadas, seria facilmente comprovado que os recolhimentos realizados pelo ente municipal o foram em compasso com a legislação supra mencionada. Desta feita, o Município pleiteia, desde já, sejam aplicadas as deduções ora noticiadas, com a anulação ou revisão do lançamento efetuado, inclusive da penalidade pecuniária aplicada. O autuado alega a seguir que nos balancetes fornecidos à fiscalização encontravamse incluídas todas as receitas do Município, inclusive aquelas referentes ao Instituto Municipal de Previdência Social – Prevmoc, tendo sido considerado o valor global para fins de tributação, o que não seria correto, uma vez que as receitas transferidas a essa autarquia municipal não poderiam servir de base de incidência do PIS/Pasep, até porque já haveria o recolhimento desse tributo por parte da Prevmoc. Por mais esse motivo ele pleiteia a nulidade do auto de infração. O contribuinte também alega que, para o período de apuração julho/2010, foi feito recolhimento/retenção a título de PIS/Pasep no montante de R$ 135.149,66, mas a dedução constante na tabela de apuração do autuante é de R$ 56.099,10, o que deve ser considerado pela autoridade julgadora para a redução do eventual montante devido. Por fim, a impugnante alega que, tendo efetuado o recolhimento do tributo na forma e nos valores devidos, deve ser afastada a incidência da penalidade pecuniária e, mesmo que assim não fosse, a multa aplicada é confiscatória e não observa os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Salienta ainda que o valor excessivo da multa onerará sobremaneira o erário municipal, que se destina, em última instância, a atender os interesses da coletividade. O Acórdão 1672.778, da 6ª Turma da DRJ/SPO, Sessão de 12 de maio de 2016, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos, reconheceu em parte a solicitação contida na manifestação de inconformidade, recebendo a seguinte ementa (fl. 467): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONVÊNIO. BASE DE CÁLCULO. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10670.720180/201503 Acórdão n.º 3302005.683 S3C3T2 Fl. 5 4 As transferências decorrentes de convênios, mesmo que com objeto definido, compõem a base de cálculo do PIS/Pasep dos municípios. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei ou ato normativo em vigor. FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE. Os valores destinados pelo município ao Fundo Municipal de Saúde não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS. Não pode recair mais de uma contribuição ao PIS/Pasep sobre as transferências de recursos entre as entidades públicas. ERRO. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS. VALOR LANÇADO A MAIOR. Constatado erro na apuração de diferenças, o crédito tributário deve ser ajustado, excluindo os valores lançados indevidamente a maior. Cientificada da decisão acima transcrita, a manifestante autuada quedouse inerte não promovendo o Recurso Voluntário que lhe é garantido pelo Decreto 70.235/72, conforme termo de perempção de efl. 483. Por força do disposto no art. 34, I, do Decreto 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei 9.532/1997, em razão da exclusão e redução, em montante superior ao limite de alçada fixado no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 2008, então vigente, foi interposto recurso ofício perante esta Terceira Seção de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso de ofício trata de matéria da competência deste Conselho e preenche os demais requisitos de admissibilidade, porém, como a seguir demonstrado, por não ultrapassar o limite de alçada determinado para o órgão de julgamento de primeiro grau, não será conhecido. I DO RECURSO DE OFÍCIO O presente recurso de ofício foi interposto em razão da exoneração de parte dos débitos objeto da autuação no valor de R$ 1.213.298,48. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10670.720180/201503 Acórdão n.º 3302005.683 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso, como a exclusão e a redução excederam o limite de alçada, fixado à época no valor de R$ 1.000.000,00, pela Portaria MF 3/2008, fora automaticamente interposto o Recurso de Ofício. Entretanto, a normativa acima referida foi revogada pela Portaria MF 63/2017, que alterou o referido limite alçada do órgão de julgamento de primeiro grau, para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), no seu art. 1º, que segue transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Em relação ao assunto, cabe consignar que, no âmbito deste Conselho, o requisito atinente ao limite de alçada deve ser atendido na data da apreciação do recurso de ofício, conforme dispõe a Súmula CARF nº 103, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Com base nessas considerações, não se toma conhecimento do referido recurso de ofício, por não atender o limite de alçada exigido no art. 34, I, do Decreto 70.235/1972 e fixado no art. 1º da Portaria MF 63/2017. II Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10670.720180/201503 Acórdão n.º 3302005.683 S3C3T2 Fl. 7 6 Fl. 496DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.724392/2016-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. EFEITOS.
A exclusão do Simples de oficio, nos casos de excesso de receita bruta superior a 20% do limite, produz efeitos a partir do mês subsequente àquele em que se constatar o excesso.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2012, 2013
SIGILO BANCÁRIO.
A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012, 2013
NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos.
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO.
A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei.
Numero da decisão: 1201-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. EFEITOS. A exclusão do Simples de oficio, nos casos de excesso de receita bruta superior a 20% do limite, produz efeitos a partir do mês subsequente àquele em que se constatar o excesso. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2012, 2013 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012, 2013 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. EFEITOS. A exclusão do Simples de oficio, nos casos de excesso de receita bruta superior a 20% do limite, produz efeitos a partir do mês subsequente àquele em que se constatar o excesso. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2012, 2013 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 43 92 /2 01 6- 96 Fl. 1515DF CARF MF 2 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Adotase o relatório do Acórdão nº 1466.020 da 3ª Turma da DRJ/RPO (fls. 1.456 a 1.475), com a complementação necessária em seguida: Segundo informa a fiscalização, o procedimento contra a contribuinte acima identificada teve início em 02/12/2015, com a solicitação dos seguintes elementos: 1. Atos constitutivos da empresa e todas as alterações posteriores; 2. Livros Diários devidamente escriturados, registrados na Junta Comercial do Paraná e seus respectivos Livros Razão; 3. Livros Caixa, com escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, nos termos da legislação tributária que rege o Simples Nacional; 4. Extratos Bancários legíveis de toda a movimentação bancária (contas correntes/poupança/investimento); 5. Livros Registro de Apuração do ICMS; 6. Livros Registro de Saídas e Livros Registro de Entradas; Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 3 3 7. Livros Registro de Prestação de Serviços; 8. GIAs ICMS; 9. Contrato Social e todas as alterações posteriores; 10. Relação individualizada de todos os bens do Ativo Permanente da empresa, incluindo Veículos, devidamente assinada pelo (a) representante legal da empresa e acompanhada de toda a documentação pertinente; 11. Cópia legível de todos os contratos de qualquer natureza celebrados com terceiros; 12. Outros elementos que se fizerem necessários poderão ser solicitados no transcorrer do procedimento fiscal. Relata o fisco que foram obtidos da Junta Comercial do Paraná os atos constitutivos da empresa e todas as alterações posteriores (até a décima quarta alteração e consolidação do contrato social). A fiscalização informa ainda o que segue: Em 17/12/2015, a contribuinte solicita dilação de prazo de 90 dias, sendolhe concedido o prazo de 30 dias. Em fevereiro de 2016, diante da inércia da contribuinte, foram expedidas RMF solicitando sua movimentação financeira nos anoscalendário de 2013 e 2014. Em 18/02/2016, foi enviado TIF à contribuinte e ao sócio administrador Miguel Frazão Silva Filho, solicitando os mesmos documentos já especificados no Termo de Início, com exceção dos extratos bancários. A contribuinte e o sócio administrador apenas solicitam prorrogação de prazo para atendimento às intimações. Foi emitido novo TIF endereçado à fiscalizada, solicitando a comprovação da efetiva integralização por parte do sócio Miguel Frazão Silva Filho do valor de R$ 100.000,00, quando da transformação, em 05/02/2016, da empresa Matrix Fitness Aparelhos para Ginástica Ltda – ME na Empresa individual de Responsabilidade Limitada – EIRELI. Em resposta, informou que por lapso e desconhecimento, na alteração contratual, constou incorretamente como integralizado o capital social de R$ 20.000,00, quando o contrato de transferência estabelece um prazo longo para pagamento, dada a situação econômica da empresa. Aclair Pupim foi intimado para comprovar e prestar informações sobre os lançamentos efetuados na conta bancária 093892, agência 6946, Banco Itaú, de titularidade de Solange Roel Pereira e movimentada por Nilton Carlos Dalálio, tendo como beneficiária Matrix Fitness Aparelhos Para Ginástica Ltda. e como autorizante Aclair Pupim. Em resposta, Aclair informou que na época, “Sr. Nilton trabalhava conosco e nos emprestou várias folhas de cheques para serem descontadas junto aos Bancos, bem como permitiu que descontássemos duplicatas em nome da esposa para resolvermos momentaneamente problemas de crédito que a empresa enfrentava. À época, precisamos mudar de endereço duas vezes e ficou sob sua responsabilidade todos os pagamentos dos serviços autônomos, como pedreiros e materiais de construção em pequenos volumes. Os valores eram acertados no caixa que, Fl. 1517DF CARF MF 4 infelizmente não enviou boa parte deles para o escritório. Tentamos com o mesmo parceirizar fabricação de equipamentos, ajudandoo na compra de materiais. O negócio não prosperou e ficou devendo para a empresa o valor de R$ 136.000,00(cento e trinta e seis mil reais), num acerto de contas que procedemos. Este valor, acredito, não conseguiu liquidar. Quanto ao meu nome constar como autorizante, entendemos que o banco deixou de proceder, internamente, o registro da alteração contratual...” Em 07.03.2016 o Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM é intimado, como diligenciado, pelo TIF nº 01A/00020/2016 a: “1) Comprovação com documentação hábil e idônea (DOC, TED, TRANSFERÊNCIA, DEPÓSITO, DEPÓSITO IDENTIFICADO, ORDEM DE PAGAMENTO, etc.) do efetivo recebimento pela venda em 17 de junho de 2015 da empresa MATRIX FITNESS APARELHOS PARA GINÁSTICA LTDA – ME 08.678.196/000180, conforme 14ª Alteração e Consolidação de Contrato Social, registrado na JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DO PARANÁ sob nº 20154779148 em 10 de Julho de 2015. Foi expedida intimação para a contribuinte apresentar cópia, frente e verso, de todos os cheques relacionados nas planilhas elaboradas pelo fisco, relativamente ao Banco do Brasil, Itaú e Sicoob. Reiterouse a apresentação dos livros Diário/Razão, devidamente registrados na Junta comercial do Paraná, referentes aos anoscalendário de 2012 e 2013. A contribuinte foi intimada (TIF nº 04/2016) a comprovar individualizadamente a origem dos créditos bancários questionados pelo fisco e a apresentar (TIF nº 05/2016) a classificação na TIPI e a identificação pelo nome comercial de todos os produtos fabricados por ela. Em 27/09/2016, foram apresentados os livros Diário/Razão, com a informação de que “com as várias mudanças de prédio efetuadas, boa parte dos documentos devem ter sido extraviados”. Pela análise dos elementos trazidos aos autos pelos intimados ACLAIR PUPIM, MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO e AUGUSTO DUARTE PUPIM, efetivamente a empresa MATRIX nunca saiu do controle da família PUPIM, pois as intimações tinham como fulcro fundamental a demonstração de maneira cristalina da ocorrência ou não da transferência das cotas para o Sr. MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO, que figura como adquirente da participação societária. Em nenhum momento essa transferência foi demonstrada e tudo o que se trouxe a lume foi a INOCORRÊNCIA DA OPERAÇÃO aqui tratada. O Sr. MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO, também intimado sobre os fatos, nada trouxe aos autos que demonstrasse que efetivamente adquiriu a MATRIX, apenas tergiversou sobre o assunto, não trazendo nenhuma prova efetiva. Mesmo procedimento foi adotado por AUGUSTO DUARTE PUPIM, que também nada demonstrou sobre a efetiva alienação da sua participação societária vinculada à fiscalizada. Os recursos carreados para a conta 093892, agencia 6946, Banco Itaú, titulada por SOLANGE ROEL PEREIRA, conforme PLANILHA MATRIX I TIF n° 02 A/00021/2016 (recebido em 02.03.2016 AR e respondido em 29.03.2016), onde os documentos (em torno de duzentos) obtidos, demonstram inequivocamente que o Sr. ACLAIR PUPIM era o autorizante pela MATRIX de todas as operações que integram a planilha supracitada, o que evidencia que era ele quem comandava e comanda a MATRIX de "fato" e de maneira destacada as finanças da fiscalizada, sendo mesmo o seu gestor financeiro, o seu cérebro, a cabeça pensante da empresa. Como já exposto, em nenhum momento os intimados demonstram a transferência das quotas, seja pelo recebimento das importâncias envolvidas, na Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 4 5 condição de alienante (s), seja pelo adquirente, na condição de demonstrar o efetivo desembolso, de ser ele realmente o adquirente da empresa MATRIX FIITNESS APARELHOS PARA GINÁSTICA LTDA ME. O fato de ACLAIR PUPIM ser o autorizante das operações bancárias creditícias supracitadas, em torno de duzentas operações nos anos calendário de 2012 e 2013, o colocam como a pessoa responsável e proeminente da empresa fiscalizada junto ao Banco Itaú S A. As afirmações do Sr. ACLAIR em sentido contrário, por motivos óbvios, não devem ser acolhidas. Ao longo da fiscalização ficou demonstrado que o Sr. ACLAIR PUPIM efetivamente é o dono de fato da MATRIX e que nunca deixou essa condição, basta um exame adicional nas cópias dos mais de 100 (cem) cheques, obtidas regularmente por RMF, junto aos bancos ITAÚ, BANCO DO BRASIL e COOPER POUPANÇA CRED LIVRE ADMISSÃO REG MARINGÁ (SICOOB), onde aparecem majoritariamente as assinaturas do Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM e seu pai, o Sr. ACLAIR PUPIM, anos calendário de 2012 e 2013. Também foi localizada uma procuração (fls. 1365/1366), datada de 07/07/2012 (com validade até setembro de 2013), em que a MATRIX constitui seu bastante procurador ACLAIR PUPIM CPF n° 602.046.21968, conferindo e delegando a ele " os mais amplos gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a empresa ora outorgante, podendo adquirir e comercializar mercadorias e prestar serviços de seu ramo de negócios, pactuar preços, prazos, juros, multas, modo, local de pagamento e demais condições, mesmo penais, receber quaisquer quantias devidas, seja por contratos ou títulos, podendo cobrar amigável ou judicialmente todos os seus devedores; representar em juízo ou fora dele, constituir advogados e seus honorários, como destituílos, com os poderes da cláusula "Ad Judicia et Extra" para o foro em geral, em qualquer Juízo ou grau de Jurisdição, propor contra quem de direito as ações competentes e defendêla nas contrárias, receber, pagar, passar recibos, dar e receber quitações, totais ou parciais; firmar contratos de abertura, elevação ou de redução de crédito, perante quais quaisquer estabelecimentos bancários......... “ Concluiu a fiscalização que, a MATRIX FITNESS, sempre pertenceu à PUPIM, nas pessoas de ACLAIR PUPIM e seu filho AUGUSTO DUARTE PUPIM e jamais ao Sr. MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO, que inclusive chega em momentos de sua vida laboral, segundo relatos, a prestar serviços como motorista à própria fiscalizada, como afirmam funcionários da MATRIX, que por medo de sofrerem represálias, não se identificam, mas afirmam conhecer o Sr. MIGUEL FRAZÃO, como uma pessoa que tem ou tinha a profissão de motorista, e destacamos que é uma profissão respeitável, valorosa, dignificante e altamente importante no desenvolvimento do nosso País, na circulação, principalmente, de riquezas e de bens, mas não é de empresário a identificação profissional, a ocupação laborativa do Sr. MIGUEL FRAZÃO. Não efetivação da EIRELLI: Os elementos contábeis finalmente apresentados demonstram de maneira inequívoca que o capital social da fiscalizada é de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), conforme BALANÇO PATRIMONIAL (PRIMEIRO TRIMESTRE 2016), datado de 31.03.2016, no Capital Social o Capital Subscrito importa no valor de R$ 20.000,00, consoante Livro Diário n° 0008, contrariando resposta ao TIF n° 02/2016. Fl. 1519DF CARF MF 6 Portanto, está devidamente comprovado, que a fiscalizada mantém o seu capital social no montante de R$ 20.000,00, valor inferior à integralização de no mínimo, 100(cem) vezes o valor do maior saláriomínimo vigente no país (art. 980 A, do Código Civil), para que os benefícios da Lei n° 12.441/2011, supracitada, pudesse alcançar a MATRIX, ora sob procedimento fiscalizatório. Mesmo diante das intimações, em nenhum momento, os intimados demonstraram a efetiva transformação da MATRIX numa EIRELI, tudo o que se obteve foram tergiversações, falácias, que formam um todo com uma destinação cabal, inexorável: A MATRIX não é uma EIRELI. Embora o documento protocolizado em 02.02.2016 (Registrado em 05.02.2016 sob o n° 20160590116) na Junta Comercial do Paraná JCP informasse na sua cláusula segunda, que o capital da empresa que era de R$ 20.000,00 passaria a ser de R$ 100.000,00, totalmente integralizado em moeda corrente nacional, efetivamente não ocorreu, foi uma manobra adredemente preparada para dar aparência de legalidade, tentando assim se beneficiarem indevidamente (os sócios) do que consta na Lei n° 12.441, de 11 de Julho de 2011, do instituto EIRELI EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Omissão de receitas: Por configurarem contas de titularidade de uma empresa, os valores nelas depositados envolvem, ressalvada a produção de prova irrefutável que permita elidir a presunção legal, recursos provenientes de sua atividade, ou seja, receita oriunda da venda de mercadorias, produtos e serviços, passível, portanto, de tributação e, no presente caso, da venda de mercadorias da produção própria da fiscalizada, que é um estabelecimento industrial. Ao se efetuar a conciliação bancária, procedeuse ao levantamento dos registros representativos de movimentações financeiras que, em tese, não são suscetíveis de incidência tributária, tais como empréstimos bancários, resgate de aplicações financeiras, estorno e cheques devolvidos. Foram considerados como base de cálculo os depósitos de origem não comprovada, decomposta em (1) Receita Declarada Indevidamente ao Simples Nacional, a partir de outubro de 2012 e (2) omissão de receitas: Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 5 7 A partir de outubro de 2012, a contribuinte foi excluída do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo nº 37, de 07/11/2016 constante à fl. 19, por infração aos arts. 28, 29, I, 30, II, IV, § 1º, inciso IV, “a”, 31, V, “a”, da Lei Complementar nº 123, de 2006, e aos arts. 73, II, “a1”, 75, I, 76, I, da Resolução CGSN nº 94, de 2011. Destaquese que a contribuinte é uma indústria que dá saída a produtos de sua própria fabricação. Assim, a omissão de receita foi tributada também pelo IPI à alíquota de 20% (NCM 9506.91.00 – artigos e equipamentos para cultura física, ginástica ou atletismo), a partir da exclusão do Simples Nacional. ressaltese que os valores mensais devidos do IPI são resultantes da aplicação da alíquota (20%) sobre as SAÍDAS (fato gerador) individuais, consolidadas mensalmente, após concessão como CRÉDITOS DO IPI da somatória dos (1) valores recolhidos a título de IPI pelo SIMPLES NACIONAL e dos (2) créditos do imposto (IPI) sobre os insumos, conforme Notas Fiscais de Entrada, Fl. 1521DF CARF MF 8 apresentadas pela fiscalizada em decorrência da auditoria, conforme DEMONSTRATIVO VALORES DOS CRÉDITOS DE IPI, conf. NF ENTRADA e DEMONSTRATIVO VALORES DO CRÉDITO DO IPI – FATOS GERADORES DOS ANOS CALENDÁRIOS 2012 E 2013, anexas ao processo. Responsabilidade solidária: Ao longo da fiscalização ficou demonstrado que ACLAIR PUPIM efetivamente é o dono de fato da MATRIX e que nunca deixou essa condição, basta, a título de exemplo, um exame adicional nas cópias de cerca de 100 (cem) cheques, obtidas regularmente por RMF, junto aos bancos ITAÚ, BANCO DO BRASIL e COOPER POUPANÇA CRED LIVRE ADMISSÃO REG MARINGÁ (SICOOB), onde aparecem majoritariamente as assinaturas do Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM e seu pai, o Sr. ACLAIR PUPIM, anos calendário de 2012 e 2013. Também foi localizada uma procuração em que a MATRIX constitui seu bastante procurador o SR ACLAIR PUPIM CPF n° 602.046.21968, conferindo e delegando a ele " os mais amplos gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a empresa ora outorgante, podendo adquirir e comercializar mercadorias e prestar serviços de seu ramo de negócios, pactuar preços, prazos, juros, multas, modo, local de pagamento e demais condições, mesmo penais, receber quaisquer quantias devidas, seja por contratos ou títulos, podendo cobrar amigável ou judicialmente todos os seus devedores; representar em juízo ou fora dele, constituir advogados e seus honorários, como destituílos, com os poderes da cláusula "Ad Judicia et Extra" para o foro em geral, em qualquer Juízo ou grau de Jurisdição, propor contra quem de direito as ações competentes e defendêla nas contrárias, receber, pagar, passar recibos, dar e receber quitações, totais ou parciais; firmar contratos de abertura, elevação ou de redução de crédito, perante quais quaisquer estabelecimentos bancários......... " Os recursos carreados para a conta 093892, agência 6946, Banco Itaú, titulada por SOLANGE ROEL PEREIRA, conforme PLANILHA MATRIX I (integra o TIF n° 02 A/00021/2006, recepcionado em 07.03.2016), onde os documentos demonstram inequivocamente que o Sr. ACLAIR PUPIM era o autorizante pela MATRIX de todas as operações que integram a planilha supracitada, o que evidencia que era ele quem comandava de "fato" as finanças da fiscalizada, sendo mesmo o seu gestor financeiro, o cérebro, a cabeça pensante da empresa. Portanto, a responsabilidade solidária está inequivocamente comprovada no que foi até aqui expendido, assim como o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, pois as evidências são robustas de que há por parte do Sr. ACLAIR PUPIM a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, consoante disciplinamento contido nos artigos 124, I, e 135, III, do CTN Lei n° 5.172, de 25 de Outubro de 1966. Em nenhum momento os intimados demonstram a transferência das quotas, seja pelo recebimento das importâncias envolvidas, na condição de alienante (s), seja pelo adquirente, na condição de demonstrar o efetivo desembolso, de ser realmente o adquirente da empresa MATRIX FIITNESS APARELHOS PARA GINÁSTICA LTDA ME. Foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais. Como consequência dos fatos relatados, foram protocolados os seguintes processos: Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 6 9 Sendo notificada da exclusão do Simples Nacional e da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls.1419 a 1452, na qual alega: ● Nulidade do auto de infração. Quebra do Sigilo Bancário. Afronta ao inciso XII do art. 5º da Constituição Federal (CF). A presente autuação fiscal foi efetuada com base na quebra de sigilo bancário do contribuinte, sem que tenha havido uma determinação judicial para tanto, em evidente abuso de poder por parte da Receita Federal e violação de nossa Carta Magna. Por essa razão também o ADE nº 37, de 2016, deve ser declarado nulo. ● Nulidade decorrente da solicitação de extratos. Na data de 02/12/2015, por meio do TDPFF n. 0910500.2015.002279, o Auditor intimou a empresa a apresentar os extratos bancários legíveis de toda a movimentação bancária (contas correntes / poupança / investimentos). É entendimento padrão em todas as esferas judiciais que essa solicitação só pode ser realizada por autoridade judicial competente. O Auditor da Receita Federal do Brasil não possui competência para requerer essa diligência. Conforme jurisprudência citada no capítulo anterior, para quebrar o sigilo bancário do contribuinte é necessário uma ordem emanada do Poder Judiciário. ● Princípio da Verdade Material. O Auditor Fiscal da Receita Federal considerou que as movimentações financeiras realizadas nas contas bancárias da empresa impugnante eram indícios de faturamento. Com isso, realizou o lançamento tributário caracterizando como faturamento da empresa todas as movimentações bancárias feitas nas suas contas. Ocorre que não houve, por parte do Auditor responsável pela fiscalização, uma detalhada verificação se os créditos bancários eram faturamento ou empréstimos e transferências entre as contas bancárias de titularidade da própria empresa fiscalizada. É cediço que o processo administrativo fiscal deve sempre buscar a verdade material dos fatos. Devido ao potencial danoso que uma sanção acarreta, a Receita Federal do Brasil não deve se ater a indícios para penalizar determinado contribuinte. A Receita Federal do Brasil ao permitir que uma empresa seja autuada com base em indícios e sem a devida e rigorosa atividade fiscalizatória age em afronta aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e da verdade material. O art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, afirma que serão nulos os atos praticados com preterição do direito de defesa. Fl. 1523DF CARF MF 10 ● Do erro da construção do lançamento. Os valores creditados nas contas bancárias da empresa foram considerados pelo Auditor da Receita Federal do Brasil como tributável. Todavia, ao efetuar o lançamento do imposto, o mesmo não observou o disposto no art. 288 do Decreto 3.000/99, pois não foi respeitado o regime de tributação a que estava submetida a empresa no período de apuração. ● Da Exclusão do Simples Nacional. Efeitos Retroativos. Afronta aos Princípios da Irretroatividade da Lei e da Garantia do Direito Adquirido. Os efeitos da exclusão não pode ter como início a data de outubro de 2012, sob risco de configurar afronta à garantia constitucional da irretroatividade da lei, bem como ofensa a direito adquirido (CF art. 5º, XXXVI e XL). A exclusão com efeito retroativo fere o direito adquirido uma vez que a empresa operou regularmente todo o ano de 2011 sem receber qualquer notificação da Receita Federal. O presente caso não trata de nenhuma das hipóteses previstas no art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), não podendo surtir efeitos retroativos. Além disso, não há provas contundentes da omissão de receita, pois a autoridade fiscal se baseou apenas em extratos bancários, ou seja, em meros indícios, os quais não provam que a empresa extrapolou o faturamento permitido para as optantes do Simples Nacional, portanto, a empresa atuava regularmente. Dessa forma, não há que cobrar no presente qualquer valor ou diferença na sistemática do Simples Nacional, do Lucro Presumido ou contribuições sociais. Isto posto, verificase que o Ato Declaratório deve ser declarado nulo, pois os efeitos retroativos da exclusão estão em desacordo como disposto na CF e no CTN. ● Presunção de Omissão de Receita baseada em extratos bancários. Ilegitimidade – Súmula 182 do TRF. Nos termos da presente Autuação, o Agente fiscal, após a análise das movimentações das contas correntes da empresa, obtidas de forma ilegal por meio de violação do sigilo bancário, alega que nos anos calendários de 2012 e 2013, os valores declarados na DASN (Declaração Anual do Simples Nacional), eram inferiores aos valores movimentados nas instituições financeiras em que a autuada possuía contas correntes. O fiscal tomou os depósitos e transferências como receita omitida. Contudo, os depósitos não são e na verdade nunca foram indicativos suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receita. A simples movimentação bancária do contribuinte, a despeito de ser indicativo do aporte de valores, não reflete, necessariamente, a existência de acréscimo patrimonial ou de faturamento a justificar a tributação. Ora, no próprio Auto foi narrado que "constatouse que as movimentações financeiras eram muito superiores às receitas declaradas". Portanto, os autos foram constituídos unicamente pela análise das contas correntes da empresa, sem que haja comprovação de que estes valores representam acréscimo patrimonial ou faturamento de fato. Portanto, é imprescindível a comprovação pelo fisco da utilização desses valores depositados como renda consumida ou faturamento, que não pode ter como único fundamento a existência de depósitos bancários (extratos bancários). Dessa Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 7 11 forma, cabe ao fisco o ônus probatório da infração, conforme súmula 182 do Tribunal de Recursos Fiscais. Cumpre ressaltar, ainda, que, mesmo após a edição da Lei n° 9.430/96, a qual permite o arbitramento do Imposto de Renda com base em depósitos bancários, se o contribuinte não comprovar a origem dos recursos, a Súmula 182 do TRF ainda terá aplicação. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça também já se manifestou nesse sentido, ao proferir julgamento no Resp. 238356/CE. ● Das Operações Financeiras. Muitos dos valores a que a Receita Federal atribui como receita são apenas transferências entre as contas bancárias de titularidade da própria empresa. Isso nada mais é do que um mecanismo utilizado pelas empresas para cobrir saldos negativos de determinada conta bancária, com vistas a manter o equilíbrio entre as contas da empresa e evitar o pagamento de juros no caso de saldos negativos. Durante o processo fiscalizatório, deveria ter sido realizada uma vasta e detalhada análise dos valores creditados nas contas da empresa, pois ao considerar empréstimos bancários e transferências entre contas de mesma titularidade como receita provenientes de vendas omitidas, a Receita Federal; provocou enormes danos ao contribuinte. ● Da exclusão dos valores pagos. Caso subsista a presente autuação, requerse que sejam excluídas dos valores cobrados na presente autuação as contribuições já recolhidas pela empresa referente ao ano calendário de 2012 e 2013, quando a empresa estava enquadrada no SIMPLES Nacional. Do contrário, sem a exclusão dos valores já pagos, estarseá diante de um bis idem, ou seja, haverá a tributação por mais de uma vez da empresa sobre o mesmo fato gerador, o que configura afronta a ordem pública e enriquecimento ilícito por parte do Fisco, e, portanto, não pode ser admitido. ● Da Multa Confiscatória. No presente caso, foi aplicada multa de oficio no valor de 75 % (setenta e cinco por cento) do valor do débito tributario. Inobstante a empresa ter sido autuada sem a observância do princípio da verdade material, e com base apenas em indícios, foilhe ainda aplicada uma multa totalmente confiscatória. Desse modo, requer seja a multa de ofício readequada ao patamar não superior a 10%. ● Da Prova Pericial. O Auditor Fiscal não pode considerar como receita de uma empresa qualquer movimentação que passe pelas contas bancárias da mesma, sem antes realizar uma atividade fiscalizatória extremamente rigorosa para apurar a origem de tais valores. O Decreto n° 70.235/72 em seu artigo 16, IV, dispõe que a impugnação mencionará as perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que a justifiquem. Na presente peça está evidenciado o motivo da necessidade dessa modalidade de prova: provar que a empresa foi excluída do Fl. 1525DF CARF MF 12 SIMPLES NACIONAL com base em indícios que nada mais são do que movimentação financeira entre contas da mesma empresa e não são, como afirmou o Auditor Fiscal, receitas. Somente com a realização desse meio de prova será possível determinar qual a real origem dos créditos lançados nas referidas contas. Conforme dispõe o art. 16, IV do Decreto n 70.235/72, o perito indicado é: Nome: Anderson Wagner Jacomini Endereço: Rua Neo Alves Martins, n° 2.398, Zona 01, Maringá PR, 87013060. Qualificação Profissional: Contador CRC 043782/08PR ● Ilegalidade da Taxa Selic. É ilegal a utilização da taxa SELIC como taxa de juros de mora para débitos tributários, porquanto sua composição foi criada para regular situações referentes à política monetária nacional, e não servir de fator de recomposição da moeda. Ademais, não é correto o entendimento de que tal taxa foi instituída por lei e que sua utilização se dá com fulcro no artigo 161 do CTN. Ora, a lei ordinária não criou a taxa SELIC, mas tão somente estabeleceu seu uso, o que contraria o ordenamento jurídico, pois este só autorizou juros diversos se a lei estatuir em contrário. Ademais, o fato de estar prevista em lei não significa que pode a mesma ser aplicada a qualquer tempo, lugar e situação, como a do caso em tela. Isso porque é fator de correção utilizado em mercado de capitais, onde estão embutidos em seu bojo outros custos que não representam somente a remuneração do capital através da correção monetária. Na composição da SELIC, além da correção monetária, são computados fatores como risco, corretagem e custo de outros serviços referentes às operações financeiras. Ademais, importante observar que o parágrafo 1o do art. 161 do CTN preceitua que os juros serão de 1% se a lei não dispuser de modo diverso, e sendo a SELIC criada para outra finalidade que não a do caso em tela, não pode ser utilizada, devendo prevalecer o disposto no parágrafo retro mencionado. Destacando o valor cobrado a título de Taxa SELIC. Requer seja afastada a aplicação da taxa SELIC como taxa de juros no presente caso. ● Do Arrolamento de Bens e Direitos. O Termo de Arrolamento de Bens encontrase eivado de inconstitucionalidade e de ilegalidade. A partir do ano de 2007, o Supremo Tribunal Federal e, inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, passaram a entender que tal exigência é inconstitucional. No STF essa matéria encontrase pacificada e já foi motivo de Repercussão Geral, ou seja é entendimento consolidado. Essa matéria é inclusive alvo de Súmula Vinculante: STF SÚMULA VINCULANTE N° 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. No mesmo sentido a CSRF: NORMAS PROCESSUAIS ARROLAMENTO DE BENS Na ADIN n° 1976, a Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade da exigência de Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 8 13 arrolamento de bens para admissibilidade de recurso aos Conselhos de Contribuintes prevista no artigo 33, §2°, do Decreto n° 70.235/72. Tal exigência de arrolamento foi posteriormente revogada pelo art. 19, inciso I, da Medida Provisória 413/08 e o Ato Declaratório Interpretativo n° 16/07 autorizou as unidades da Receita Federal a declarar nulas as decisões que inadmitiram recursos voluntários de contribuintes por i falta do arrolamento. Aplicamse essas determinações aos processos pendentes de decisão, não havendo razão para i persistir com a negativa de conhecimento do recurso. Recurso especial provido. (Acórdão n° 01.05.948. Sessão i de 11 de agosto de 2008. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Primeira Turma.) ! ● Pedido. 1) Preliminarmente, decretar a nulidade do presente auto de infração, com consequente arquivamento do processo, sem qualquer imposição de penalidade à fiscalizada, visto que a fiscalização que deu origem a presente autuação é nula, pois a quebra do sigilo bancário não foi determinada por ordem judicial, em afronta ao inciso XII, art. 5º da Constituição Federal, conforme item 3.1; 2) Não sendo esse o entendimento, que seja declarado nulo o auto de infração em epígrafe, bem como o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 37, em razão da ilegalidade e inconstitucionalidade derivada da solicitação de extratos bancários feita à empresa impugnante constante no TDPFF n° 0910500.2015.002279; 3) Caso não seja acolhida a primeira preliminar, requer que sejam declarados nulos o presente Auto de Infração epígrafe e o Ato Declaratório Executivo n° 37, tendo em vista a ofensa ao princípio da verdade material, nos termos do item 3.3; 4) Caso não sejam acolhidas nenhuma das duas preliminares acima, requer sejam declarados nulos o Auto de Infração em epígrafe e o Ato Declaratório Executivo n° 37, por violar o artigo 288 do Decreto 3.000/99, consoante exposto no item 3.4; 5) Caso não sejam acolhidas nenhuma das três preliminares acima, requer sejam declarados nulos o Auto de Infração em epígrafe e o Ato Declaratório Executivo de n° 37 de 07 de novembro de 2016, considerando a ilegalidade dos efeitos retroativos do referido ato, pois os mesmos configuram afronta as garantias da irretroatividade da lei e do direito adquirido dispostos nos incisos XXXVI e XL, do art. 5º da Constituição Federal e art. 106 do Código Tributário Nacional, que torna insubsistente a presente cobrança devidas pelo desenquadramento da empresa do Simples Nacional, nos termos do item 3.5; 6) No mérito, declarar insubsistente o Auto de Infração lavrado, com o consequente arquivamento do processo, sem qualquer imposição de penalidade à Impugnante, dado que a presunção de omissão de receita se deu apenas com base na análise dos extratos bancários da empresa, os quais, por si só, não comprovam a omissão de receita, conforme exposto no item 4.1; 7) Caso não seja esse o entendimento, respeitandose o princípio da eventualidade, requer seja o Auto de Infração corrigido, excluindo dele os valores referentes a empréstimos e a transferência entre as contas da empresa contribuinte, com base no exposto no item 4.2; 8) Requer sejam as multas readequadas ao patamar não superior a 10% (dez por cento), respeitando o princípio do nãoconfisco, conforme exposto no item 4.4; Fl. 1527DF CARF MF 14 9) Requer seja admitida a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a prova pericial, nos termos do item 4.5; 10) Caso subsista a presente autuação, o que não se espera diante de todas as ilegalidade e irregularidades já expostas, requerse, que ao menos, sejam excluídas dos valores cobrados na presente autuação os impostos já recolhidos pela empresa referente aos anos calendário de 2012 e 2013, nos termos do item 4.6; 11) Requer seja afastada a aplicação da taxa SELIC como taxa de juros no presente caso; 12) Requer seja declarado nulo o TAB Termo de Arrolamento de Bens n° 10950.724.540/201672; Por essa decisão, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. EFEITOS. A exclusão do Simples de oficio, nos casos de excesso de receita bruta superior a 20% do limite, produz efeitos a partir do mês subsequente àquele em que se constatar o excesso. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 9 15 No recurso voluntário são repisados os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, apenas sendo acrescentados mais dois pedidos, quais sejam: a) "em respeito ao princípio de segurança jurídica, requerse que seja o julgamento do presente processo suspenso até a decisão definitiva do auto de infração nº 10950724.496/201609"; b) "caso não seja acolhida a preliminar acima, sucessivamente, com base no art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF, requer que seja sobrestado o presente recurso até a decisão definitiva do RE 601.314". A preliminar referida é a nulidade do auto de infração por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. No entanto, como já bem salientado na decisão de primeira instância, o processo trata somente da exclusão da contribuinte do Simples Nacional, não constando dos autos lançamentos de quaisquer tributos e, portanto, não serão conhecidas as matérias relativas ao percentual da multa de ofício, inaplicabilidade da taxa Selic, Arrolamento de Bens e dedução de valores já pagos. As demais serão conhecidas e analisadas conforme abaixo. Preâmbulo. Como já explanado, o presente processo versa somente sobre a exclusão da recorrente do Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de outubro de 2012. Os fundamentos do recurso voluntário são os mesmos trazidos na manifestação de inconformidade, com exceção dos dois pedidos adicionais conforme salientado no relatório. Em face disso, os pedidos veiculados somente no recurso voluntário serão analisados separadamente, em primeiro lugar, adotandose os fundamentos da decisão de primeira instância como razões de decidir no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, do Anexo II do RICARF. Sobrestamento deste processo até decisão definitiva quanto ao auto de infração objeto do nº 10950.724496/201609. No que tange a esse pedido, verificase que o processo nº 10950.724496/201609 é relativo a autos de infração de IRPJ, obtido pela sistemática do Lucro Presumido, e aos reflexos (CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins) dos períodos de Fl. 1529DF CARF MF 16 apuração de outubro de 2012 em diante, decorrentes da exclusão da contribuinte do Simples Nacional. Dessa forma, aquele processo é que decorre deste. Se mantida a exclusão, os autos de infração em referência também serão mantidos (salvo se nulos ou improcedentes por outro motivo). Denegase, pois, o pedido. Sobrestamento até a decisão definitiva quanto ao RE 601.314. Ocorre que a decisão definitiva quanto ao Recurso Extraordinário em questão, sob o regime de Repercussão Geral, deuse em fevereiro de 2016, entendendo o E. Supremo Tribunal Federal pela constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, conforme ementa abaixo transcrita: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o auto governo coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do auto governo coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 10 17 geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento (RE 601.314/SP, Relator Min. Edson Fachin, sessão de 24/02/2016, Tribunal Pleno, publicado no DJe198, divulgado em 15/09/2016 e Publicado em 16/09/2016). Assim, não há mais o que se discutir acerca das disposições da Lei Complementar em tela neste Conselho, em face do art. 62, § 1º, II, "b", do RICARF. Demais matérias suscitadas. Como já sobejamente salientado, o processo trata apenas da exclusão da contribuinte do Simples Nacional. No entanto, além da defesa quanto a tal exclusão, foram suscitadas razões quanto ao sigilo bancário e omissão de receitas, assim como quanto ao lançamento decorrente, que foram analisadas no voto condutor da decisão de primeira instância. Assim, serão reproduzidos abaixo os fundamentos dessa decisão, adotados como razões de decidir neste voto. Exclusão do Simples. Alega a contribuinte que o Ato Declaratório deve ser declarado nulo, pois os efeitos retroativos da exclusão estão em desacordo como disposto na CF (Afronta aos Princípios da Irretroatividade da Lei e da Garantia do Direito Adquirido) e no CTN (art.106) e que não há provas contundentes da omissão de receita, pois a autoridade fiscal se baseou apenas em extratos bancários, ou seja, em meros indícios, os quais não provam que a empresa extrapolou o faturamento permitido para as optantes do Simples Nacional, portanto, a empresa atuava regularmente. Para a análise da exclusão de ofício do Simples tratada neste processo, cabe observar os seguintes dispositivos da Lei Complementar nº 123, de 2006, com a redação vigente à época dos fatos neste processo discutidos: Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; (...) Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: Fl. 1531DF CARF MF 18 I por opção; II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; (...) IV obrigatoriamente, quando ultrapassado, no anocalendário, o limite de receita bruta previsto no inciso II do caput do art. 3o, quando não estiver no anocalendário de início de atividade. § 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: (...) IV na hipótese do inciso IV do caput: a) até o último dia útil do mês subsequente à ultrapassagem em mais de 20% (vinte por cento) do limite de receita bruta previsto no inciso II do caput do art. 3º; ou (...) Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) V na hipótese do inciso IV do caput do art. 30: a) a partir do mês subsequente à ultrapassagem em mais de 20% (vinte por cento) do limite de receita bruta previsto no inciso II do art. 3º; Resolução CGSN nº 94, de 2011: Art. 73. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP à RFB, em aplicativo disponibilizado no Portal do Simples Nacional, darse á: (Redação dada pelo(a) Resolução CGSN nº 117, de 02 de dezembro de 2014) I por opção, a qualquer tempo, produzindo efeitos: (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 30, inciso I e art. 31, inciso I e § 4º) a) a partir de 1ºde janeiro do anocalendário, se comunicada no próprio mês de janeiro; b) a partir de 1ºde janeiro do anocalendário subsequente, se comunicada nos demais meses; II obrigatoriamente, quando: a) a receita bruta acumulada ultrapassar um dos limites previstos no § 1º do art. 2º, hipótese em que a exclusão deverá ser comunicada: Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 11 19 1. até o último dia útil do mês subsequente à ultrapassagem em mais de 20% (vinte por cento) de um dos limites previstos no § 1º do art. 2º, produzindo efeitos a partir do mês subsequente ao do excesso; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 30, inciso IV, § 1º, inciso IV; art. 31, inciso V, alínea "a") (...) Art. 75. A competência para excluir de ofício a ME ou EPP do Simples Nacional é: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 5º; art. 33) I da RFB; (...) Art. 76. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: I quando verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória, a partir das datas de efeitos previstas no inciso II do art. 73; (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 29, inciso I; art. 31, incisos II, III, IV, V e § 2º) Conforme a Representação Fiscal de fl. 19, a contribuinte, em 2012 e 2013, omitiu receitas, já que não comprovou, apesar de regularmente intimada, a origem e oferecimento à tributação de depósitos de sua titularidade mantidos em conta própria e de terceiros. O valor total de receita apurada nos citados anos foi superior ao limite de receita bruta permitido à época para os optantes do Simples pelo artigo 3º, II, da referida LC nº 123, de 2006. Esse total de receitas omitidas, documentado e caracterizado neste processo e nos processos administrativos nº 10950.724496/2016 09, 10950.724498/201690 e 10950.724507/201642, e que resultou em autos de infração impugnados pela contribuinte, está sendo confirmado por esta Turma de Julgamento, conforme Acórdãos nº 1466.021, 1466.022 e 1466.023, respectivamente. Dessa forma, não há que se questionar o Ato Declaratório de Exclusão, uma vez que foi apurado excesso de receita bruta (comprovado em procedimento de fiscalização), nos anoscalendário de 2012 e 2013, tendo sido superior a 20% do limite fixado, enquadrandose perfeitamente no disposto no art.31, V, a da LC nº 123, de 2006. Diante do exposto, devese manter a exclusão da contribuinte do Simples a partir de 01/10/2012, conforme determinado no Ato Declaratório Executivo nº 37, de 07 de novembro de 2016. Cabe esclarecer que o princípio da irretroatividade invocado pela contribuinte não é pertinente, porque diz respeito à vedação de se aplicar uma lei a fatos anteriores à sua publicação e no presente caso a LC nº 123, de 2006 (que determina a eficácia da exclusão retroativa ao mês subsequente àquele em que houver a ultrapassagem em mais de 20% do limite de receita bruta), vigora desde 1º de julho de 2007. Logo, não ocorreu aplicação retroativa de lei. Como bem salientado no voto condutor da decisão de piso, o excesso de receitas acima do limite estabelecido em lei está muito bem caracterizado nos presentes autos, em face dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Fl. 1533DF CARF MF 20 Sigilo Bancário. Alega a contribuinte que o lançamento baseado em depósitos bancários de origem não comprovada é nulo, pois houve quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Cabe esclarecer que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federal (CF), em seu art. 145, §1º, no Código Tributário Nacional (CTN), art. 197, II, bem assim na Lei Complementar (LC) nº 105, de 2001, na Lei nº 10.174, de 2001, e no Decreto nº 3.724, de 2001. Ademais, o Plenário do STF concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam os dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos (9 a 2), prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. Destacouse no julgamento que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Inclusive, naquela oportunidade foi julgado o mérito do RE 601.314, considerado paradigma da repercussão geral envolvendo o tema (Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Dessa forma, não tendo sido declarados inconstitucionais pelo STF, sob o rito da repercussão geral, os respectivos dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, que autorizam a transferência dos dados bancários do contribuinte para o fisco, devese continuar aplicando tal lei na via administrativa, pelo princípio da presunção da legitimidade das leis. Acrescentese que, durante o procedimento fiscal, a contribuinte autorizou a Receita Federal a intimar as instituições financeiras a apresentarem cópias legíveis, frente e verso de todos os cheques relacionados pelo autuante, não existindo qualquer quebra ilegal do sigilo bancário. Diante do exposto, deve ser rejeitada essa alegação. Com relação ao assunto, já havia sido abordado supra quando da análise relativa ao sobrestamento do processo até o julgamento do RE 601.314. Omissão de Receita. Com relação à omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos que possibilitaram a realização de depósitos bancários, dispõe a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 12 21 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O dispositivo legal acima transcrito estabeleceu uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Em relação às presunções de omissão de receita, destacase que essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. As presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 373, II. A comprovação da origem dos valores depositados em contacorrente bancária deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contas correntes e a contribuinte não o fez. Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada a origem dos depósitos tributados na autuação. Na impugnação, a contribuinte apenas solicita que sejam excluídos os valores referentes à empréstimos e transferência entre as suas contas. Entretanto, não anexa ao processo qualquer comprovação dos alegados empréstimos e não aponta nenhum crédito bancário tributado no auto de infração que se refira a transferências entre contas de mesma titularidade. Assim, não há como alterar o lançamento tributário. Devese esclarecer que a súmula 182 do TRF (rectius TFR) é anterior à citada Lei 9.430, de 1996, a partir da qual não há mais que se comprovar evidências de sinais exteriores de riqueza, pois a própria lei determina, nesses casos, que os valores depositados constituem receita. Não estão sendo tributados os depósitos bancários, mas a receita que eles representam por expressa disposição legal. Os depósitos são o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receita, quando não comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. Quanto à alegação de que houve erro na construção do lançamento, uma vez que não se observou o disposto no art. 288 do Decreto 3.000, de 1999, temse que a Fl. 1535DF CARF MF 22 contribuinte foi excluída da sistemática do Simples a partir de 01/10/2012 e, por essa razão, sujeitouse, a partir dessa data, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos do art. 32 da LC nº 123, de 2006. Sendo intimada para exercer a opção prevista no referido artigo, optou pelo recolhimento do IRPJ e CSLL na forma do lucro presumido. Com relação à tributação da omissão de receitas relativa ao período anterior à exclusão, verificase que seguiu a sistemática do Simples Nacional adotado pela contribuinte. Assim, é improcedente essa alegação. Relativamente ao pedido de que sejam excluídos os valores referentes à empréstimos e transferência entre as suas contas, também no Recurso Voluntário não foram apresentadas provas do alegado. Juntada Posterior de Provas. O pedido para juntada posterior de provas não pode ser deferido, porque a Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alterou o disposto no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, mediante a inclusão do § 4º, que diz: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses acima transcritas, não se pode acatar a solicitação de apresentação posterior de documentação. Ademais, como já apontado acima, junto com o Recurso Voluntário não veio nenhum documento ou qualquer outro elemento de prova. Perícia. Quanto ao pedido de perícia, o PAF, art. 16, IV e §1º, alterado pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, determina que todo pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo. Caso contrário, o pedido deve ser considerado não formulado. Portanto, não tem efeito o pedido de perícia da empresa, uma vez que não indicou os quesitos a serem respondidos. Ademais, a perícia é dispensável para o deslinde do presente julgamento, uma vez que se trata de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. Conclusão. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10950.724392/201696 Acórdão n.º 1201002.503 S1C2T1 Fl. 13 23 Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1537DF CARF MF
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