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Numero do processo: 15504.725977/2011-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE.
Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. Tampouco a perícia é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI Nº 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO.
O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias.
A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeita-se à incidência das contribuições previdenciárias.
O instrumento de negociação deve estar assinado antes do término do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revela-se similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração.
DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA.
A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus empregados.
A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, nos termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. RUÍDO. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. INEFICÁCIA.
O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário com Agravo nº 664.335/SC, com repercussão geral reconhecida, assentou o entendimento de que o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) não afasta a contagem de tempo de serviço especial para aposentadoria na hipótese de exposição do trabalhador ao agente nocivo ruído acima dos limites legais de tolerância. Tal posição jurisprudencial deve ser aplicada em relação à exigência do adicional para financiamento do benefício da aposentadoria especial.
EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. CALOR. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL.
O adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial incide sobre a remuneração dos segurados empregados expostos ao agente nocivo calor, quando constatada a medição acima do limite de tolerância avaliado segundo o Anexo 3 da NR-15.
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE.
Afasta-se a sujeição passiva solidária quando não caracterizada pela autoridade lançadora a existência de grupo econômico entre as empresas.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF Nº 28.
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre controvérsias referentes à representação fiscal para fins penais elaborada pela fiscalização. (Súmula Carf nº 28)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário. Quanto às preliminares: (i) Por maioria, rejeitar o pedido de perícia, vencido o Relator; (ii) Pelo voto de qualidade, excluir a sujeição passiva solidária, nos termos do voto do Redator designado, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (Relator), Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Andréa Viana Arrais Egypto que afastavam a responsabilidade tributária solidária por fundamento mais amplo. Quanto ao mérito: (i) Por unanimidade, dar provimento parcial para adequar a alíquota GIILRAT por competência e estabelecimento da empresa, observando o percentual declarado em GFIP; (ii) Por maioria, negar provimento quanto aos levantamentos relacionados aos pagamentos de PLR a segurados empregados e diretores não empregados (contribuintes individuais), vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (Relator), Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto. No tocante aos pagamentos de PLR a diretores não empregados, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa votou pelas conclusões do voto vencedor; (iii) Por maioria, dar provimento parcial para excluir do lançamento relativo aos "Riscos Ocupacionais" os valores incidentes sobre as remunerações dos segurados não expostos aos agentes nocivos ruído e/ou calor acima dos limites de tolerância, nos termos do voto do Redator designado, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (Relator) e Rayd Santana Ferreira; (iv) Por unanimidade, dar provimento parcial para excluir a incidência do adicional para financiamento do benefício de aposentadoria especial sobre os valores pagos a título de PLR aos segurados não expostos aos agentes ruído e/ou calor acima do limite de tolerância, nos termos do voto do Redator designado. Quanto às demais matérias, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. Tampouco a perícia é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI Nº 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO. O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias. A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeitase à incidência das contribuições previdenciárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 59 77 /2 01 1- 09 Fl. 9333DF CARF MF 2 O instrumento de negociação deve estar assinado antes do término do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revelase similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA. A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus empregados. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, nos termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. RUÍDO. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. INEFICÁCIA. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário com Agravo nº 664.335/SC, com repercussão geral reconhecida, assentou o entendimento de que o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) não afasta a contagem de tempo de serviço especial para aposentadoria na hipótese de exposição do trabalhador ao agente nocivo ruído acima dos limites legais de tolerância. Tal posição jurisprudencial deve ser aplicada em relação à exigência do adicional para financiamento do benefício da aposentadoria especial. EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. CALOR. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. O adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial incide sobre a remuneração dos segurados empregados expostos ao agente nocivo calor, quando constatada a medição acima do limite de tolerância avaliado segundo o Anexo 3 da NR15. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. Afastase a sujeição passiva solidária quando não caracterizada pela autoridade lançadora a existência de grupo econômico entre as empresas. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF Nº 28. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre controvérsias referentes à representação fiscal para fins penais elaborada pela fiscalização. (Súmula Carf nº 28) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 9334DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.334 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário. Quanto às preliminares: (i) Por maioria, rejeitar o pedido de perícia, vencido o Relator; (ii) Pelo voto de qualidade, excluir a sujeição passiva solidária, nos termos do voto do Redator designado, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (Relator), Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Andréa Viana Arrais Egypto que afastavam a responsabilidade tributária solidária por fundamento mais amplo. Quanto ao mérito: (i) Por unanimidade, dar provimento parcial para adequar a alíquota GIILRAT por competência e estabelecimento da empresa, observando o percentual declarado em GFIP; (ii) Por maioria, negar provimento quanto aos levantamentos relacionados aos pagamentos de PLR a segurados empregados e diretores não empregados (contribuintes individuais), vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (Relator), Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto. No tocante aos pagamentos de PLR a diretores não empregados, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa votou pelas conclusões do voto vencedor; (iii) Por maioria, dar provimento parcial para excluir do lançamento relativo aos "Riscos Ocupacionais" os valores incidentes sobre as remunerações dos segurados não expostos aos agentes nocivos ruído e/ou calor acima dos limites de tolerância, nos termos do voto do Redator designado, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (Relator) e Rayd Santana Ferreira; (iv) Por unanimidade, dar provimento parcial para excluir a incidência do adicional para financiamento do benefício de aposentadoria especial sobre os valores pagos a título de PLR aos segurados não expostos aos agentes ruído e/ou calor acima do limite de tolerância, nos termos do voto do Redator designado. Quanto às demais matérias, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 9335DF CARF MF 4 Relatório Tratase de lançamento de crédito tributário a favor da Seguridade Social no valor de R$ 43.214.549,57, consolidado em 09/12/2011, relativo a contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre diferenças apuradas com despesas realizadas com custo de seus empregados e diretores, constantes das filhas de pagamento, especificamente com as rubricas 894 PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, 866 PME PLANO DE METAS POR EQUIPE, creditadas a seus funcionários e 1578 BÔNUS PLR, creditadas a funcionários e diretores, em desacordo com a legislação. São exigidas, também, contribuições a cargo da empresa, destinadas para financiamento do benefício previsto nos art.s 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título pela empresa aos segurados empregados, no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008 e sobre os valores recebidos pelos segurados empregados a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – rubrica 894, PME – PLANO DE METAS POR EQUIPE – rubrica 886 e BONUS PLR – rubrica 1578 (para empregados), cujos ambientes de trabalho os sujeitaram à exposição a agentes nocivos. Foi também lavrado Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome das empresas APERAM INOX SERVIÇOS BRASIL LTDA – CNPJ 60.500.121/000124, ARCELOMITTAL INOX BRASIL TUBOS LTDA – CNPJ 04.335.855/000124 e ARCELORMITTAL BIOENERGIA LTDA – CNPJ 18.238.980/0001 20, sob o fundamento de se tratarem de empresas do mesmo Grupo Econômico. Nos termos do relatório fiscal (fls. 36/63), eis as razões que ensejaram a lavratura dos referidos autos de infração: Item 5) Pagamentos de Lucros e Resultados aos Empregados No presente caso, a empresa fez os pagamentos ou créditos a seus empregados baseados nos ACORDOS COLETIVOS DE TRABALHO assinados entre a empresa autuada e o SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS SIDERÚRGICAS, METALÚRGICAS, MECÂNICAS, DE MATERIAL ELÉTRIO, MATERIAL ELETRÔNICO, DESENHOS/PROJETOS E DE INFORMÁTICA DE TIMÓTEO E CORONEL FABRICIANO METASITA, sendo assim discriminados: · ACORDO COLETIVO DE TRABALHO vigência 01/11/2006 a 31/10/2007, não datado, mas registrado no Ministério do Trabalho e Emprego Delegacia Regional em Minas Gerais em 29/01/2007 para pagamento da PLR em janeiro de 2007 e do PME referente ao primeiro semestre de 2006, pagos no mês de julho de 2006 e os valores do segundo semestre de 2006 pagos em janeiro/2007 (Cláusula 14); · ACORDO COLETIVO DE TRABALHO vigência 01/11/2007 a 31/10/2008, assinado em 06/03/2008 para pagamento da PLR em “até 7 dias úteis após a assinatura do Acordo” e do PME Fl. 9336DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.335 5 referente ao primeiro semestre de 2007, pagos no mês de julho de 2007 e os valores do segundo semestre de 2007 pagos no mês de janeiro de 2008 (cláusula 13); · ACORDO COLETIVO DE TRABALHO vigência 01/11/2008 a 31/10/2009, assinado em 05/12/2008 para pagamento do PME referente ao primeiro semestre de 2008, pagos no mês de julho de 2008 (cláusula 13). · Observação 1) Além dos meses de pagamento mencionados acima a empresa fez outros pagamentos nas competências 200702, 200705, 200708, 200804, 200805 e 200806 para a rubrica 894 PLR e nas competências 200702, 200703, 200705, 200708, 200710, 200802 a 200805 e 200808 para a rubrica 886 PME. · Observação 2) Além dos Acordos Coletivos acima a empresa não apresentou quaisquer outros acordos que justificasse o pagamento das rubricas, principalmente da rubrica 1578 – BÔNUS PLR, uma vez que foi intimada a apresentar o “documento de regulamentação do pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados além do Acordo Coletivo assinado com a METASITA” através do TIF 06 datado de 19/10/2011 e assinado em 20/10/2011 e a empresa apresentou os mesmos acordos acima mencionados em mídia gravada, conforme recibo de entrega de arquivos digitais emitidos pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais – SVA datado de 27/10/2011, recebido por esta fiscalização em 07/11/2011. 5.4 Conforme descrito no item 5.3 acima, a forma de como foram feitos os pagamentos a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS rubrica 894, PLANO DE METAS POR EQUIPE rubrica 886 PME e BÔNUS PLR – rubrica 1578 (para empregados) contraria fortemente os artigos 1º e 2º da LEI Nº 10.101 de 19/12/2000, pois os pagamentos foram realizados no próprio mês da assinatura dos acordos ou pagos em “até 7 dias úteis após a assinatura do Acordo”. Mais agravado ainda para os pagamentos da rubrica 886 PME, pois, os pagamentos foram feitos antes mesmo da assinatura dos acordos (em média seis meses antes). Da forma como foram pagas ou creditadas estas rubricas comprovase que a empresa definitivamente não estabeleceu previamente o “programa de metas, resultados e prazos” a serem atingidas pelos empregados. Não foram atendidas as exigências dos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.101, desvirtuando, assim, do objetivo primeiro mencionado no artigo inicial da mencionada Lei, qual seja, de “integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição”. Portanto, os referidos acordos, com relação aos pagamentos das rubricas acima mencionadas, foram estabelecidos apenas para estipular valores e critérios para pagamento das mesmas, ficando claro, pelos acordos coletivos, que estes pagamentos ou Fl. 9337DF CARF MF 6 créditos não tinham qualquer pretensão ou objetivo de incentivar os trabalhadores a alcançar ganhos de produtividade no ano a que se referiam, visto que o mesmo já havia transcorrido. No presente caso, as rubricas acima mencionadas poderiam ser caracterizadas como qualquer outra rubrica componente da remuneração dos segurados empregados, integrando o salário decontribuição para todos os fins e efeitos. Item 6) Alíquota Adicional Sobre Remunerações de Empregados Expostos a Riscos no Ambiente de Trabalho Foram reconhecidos nos documentos apresentados pela empresa os seguintes agentes de risco ambiental acima do limite de tolerância LT: Ruído, Calor, Ácido Fluorídrico, Ácido Clorídrico, Poeira de Manganês, Poeira total, Poeira/Fumos metálicos de Telúrio, Poeiras Metálicas de Cromo, Tolueno e Xileno e Óleos minerais Graxas Solventes. Analisando as GFIP informadas pelo contribuinte e extraídas do banco de dados da Receita Federal do Brasil RFB constatouse em todas as competências e para todos os segurados os registros no campo ocorrência 00, 01 ou 04. Portanto, a autuada considera que nem todos os seus trabalhadores encontramse expostos em seu ambiente de trabalho a riscos ambientais que possam lhes causar danos à saúde ou integridade física. Em que pese o fato da autuada reconhecer a existência de agentes nocivos em seu ambiente de trabalho, quando apresentou, entre outros documentos do gerenciamento ambiental, relação de segurados empregados sujeitos à exposição aos agentes de riscos ambiental existentes na empresa, através da planilha “PLANILHA RECEITA FEDERAL VERSÃO FINAL” (Anexo ANXLEVAMB – Levantamento Ambiental) atendendo ao Termo de Intimação Fiscal nº 02 de 30/08/2011 (certificada pelo SVA conforme recibo datado de 07/10/2011), o mesmo omitiu esta informação em Folhas de Pagamento e GFIP, para os trabalhadores relacionados nos Anexos ANFOPAGRO e ARORUBPLR, deixando de informar e recolher a alíquota adicional acima referida. Esta omissão não ocorreu sobre a totalidade dos trabalhadores, pois a empresa informa uma média, no período fiscalizado, de 285 segurados na ocorrência 04. Estes segurados foram excluídos do presente lançamento. A empresa apresentou as fichas de controle de entrega dos EPIs, denominadas pela empresa de “CONTROLE DE EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUALEPI”, onde constam o nome do funcionário, registro, cargo, os EPIs fornecidos (sem a anotação dos certificados de aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego) e as assinaturas do empregado apostas em campos representativos dos meses do calendário anual. Cada ficha completa, representam 5 anos e meio de recebimento de EPI. Este controle trouxe dúvidas quando ao fornecimento dos EPIs pela empresa e respectivo recebimento pelos empregados, pois não consta a data efetiva do recebimento e qual o EPI recebido Fl. 9338DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.336 7 (o empregado afirma o recebimento de todos os EPIs relacionados na ficha, todos ao mesmo tempo). Inexiste controle efetivo com a data de troca e quais os EPIs foram entregues aos empregados. Um empregado pode estar usando um EPI que não lhe garanta as condições de proteção originalmente estabelecidas, uma vez que sem o controle com datas e tipo de EPI retirado, podese ocorrer o uso prolongado de EPIs além dos limites, comprometendo a proteção originalmente estabelecida pelos fabricantes de EPI. Sequer há a comprovação de quais certificados de aprovação CA do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE dos EPIs utilizados na empresa. Em documento ambiental algum apresentado pela empresa consta os números dos CAs dos EPIs adotados na empresa. Além desta deficiência a empresa confirma a exposição de trabalhadores ao agente de risco CALOR acima do limite de tolerância. Este agente não possui EPI autorizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, implicando no reconhecimento imediato da agressividade do agente e a inclusão em GFIP na ocorrência 04 para os empregados nesta situação. Em vista do exposto, podese afirmar que o contribuinte, ao não comprovar o fornecimento/reposição de EPI a seus segurados empregados e expor seus empregados ao agente CALOR, no período fiscalizado, não os protege dos riscos a que se encontram expostos e, por conseguinte, não gerencia adequadamente o seu ambiente de trabalho. Mais um reflexo do gerenciamento inadequado é que a empresa apresenta um número excessivo de exames alterados no relatório anual do PCMSO – período 01/01/2007 a 01/01/2008, sendo 583 (quinhentos e oitenta e três) Audiometrias, 21 (vinte e hum) Hemogramas completos, 11 (onze) Teleradiografia do Tórax, 1 (hum) Espirometria e 1 (hum) Elementos Anormais e Sedimentos, totalizando 617 (seiscentos e dezessete) exames alterados. Em vista destas irregularidades, aplicamos, no presente AI, o percentual da alíquota adicional de 6% (seis por cento) incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título pela empresa aos segurados empregados, no período de Janeiro de 2007 a Dezembro de 2008 e sobre os valores recebidos a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – rubrica 894, PME – PLANO DE METAS POR EQUIPE – rubrica 886 e BÔNUS PLR – rubrica 1578 (para empregados), pelos segurados empregados expostos ao agentes de risco ambiental acima do limite de tolerância, para financiamento do benefício da aposentadoria especial. Item 11) Do Arrolamento de Sujeitos Passivos Solidários Fl. 9339DF CARF MF 8 Estão sendo arroladas as empresas APERAM INOX SERVIÇOS BRASIL LTDA – CNPJ 60.500.121/000124, ARCELOMITTAL INOX BRASIL TUBOS LTDA – CNPJ 04.335.855/000124 e ARCELORMITTAL BIOENERGIA LTDA – CNPJ 18.238.980/0001 20, componentes do grupo econômico, na forma da legislação a seguir: Lei 8.212 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº. 8.620, de 05/01/1993). (...) IX – as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; RPS Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº. 4.032, de 26/11/2001) Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 1966 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Às fls. 1708/6442 as empresas autuadas apresentam conjuntamente a peça impugnatória. Encaminhada à DRJ, é proferido Despacho pela DRJ/BHE (fls. 6445/6446) encaminhando os autos para a realização de diligência, para que a Autoridade Fiscal se manifeste sobre as alegações das impugnantes e, se necessário for, proceda a retificação do débito. Apresentado o resultado da referida diligência (fls. 7.219/7234) sem qualquer alteração no crédito tributário lançado, com manifestação do AFRFB no sentido de ratificar todas as suas razões expostas no Relatório Fiscal (fls. 36/63), são as contribuintes autuadas intimadas e apresentam a sua manifestação acerca da conclusão fiscal (fls. 7.250/7.296). Retornando os autos à DRJ/BHE, é proferido o Acórdão nº. 0255453, de fls. 8.980/9.036, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 9340DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.337 9 Em razão de expressa disposição legal e do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da contribuição previdenciária, as empresas do mesmo grupo econômico respondem solidariamente pelas referidas contribuições. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. O anexo Relatório de Vínculos tem finalidade meramente informativa, não atribui responsabilidade tributária às pessoas nele indicadas e nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal. IMPUGNAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS FEITA EM PROCESSO DE DÉBITO. NÃO CABIMENTO. É obrigação legal do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais sempre que, no exercício de suas funções, constatar a ocorrência, em tese, de crime contra a Seguridade Social O processo de exigência de crédito fiscal não é o fórum adequado para apresentação de impugnação à processo de Representação Fiscal para Fins Penais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PREVISÃO CONSTITUCIONAL. O dispositivo constitucional que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros e resultados desvinculada da remuneração é de eficácia limitada, eis que expressamente prevê regulamentação por meio de lei ordinária, em conseqüência, a citada verba só deixou de integrar a base de contribuição a partir da edição da norma infraconstitucional e desde que em cumprimento da mesma. NATUREZA SALARIAL DE PARCELA. INCIDÊNCIA. Verificandose que, embora denominada "participação nos lucros", a parcela paga ao trabalhador tem natureza remuneratória, não se enquadrando nas hipóteses legalmente excluídas da tributação, deve ser reconhecida como integrante do salário de contribuição, base de incidência da contribuição exigida, não sendo admissível a prevalência do rótulo sobre o conteúdo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. Fl. 9341DF CARF MF 10 O pagamento ou crédito de participação nos lucros a diretores não empregados, regida pela Lei nº. 6.404/76, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por falta de previsão legal de não incidência. RISCOS OCUPACIONAIS. ADICIONAL PARA O CUSTEIO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. O gerenciamento adequado do ambiente de trabalho, eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores, é condição para afastar a cobrança do adicional de contribuição destinada à aposentadoria especial prevista no artigo 57 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. REQUERIMENTO DE INSPEÇÃO IN LOCO. DECURSO DO TEMPO. INUTILIDADE. No âmbito do gerenciamento de riscos ocupacionais no ambiente de trabalho, o decurso de tempo torna imprestável e inútil o pedido de inspeção in loco, uma vez que impossível restaurar as condições ambientais vigorantes ao tempo da elaboração dos laudos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimados o devedor principal e os devedores solidários, respectivamente, em 16/05/2014 (A.R. fl. 9.045), 16/05/2014 (A.R. fl. 9047), 21/05/2014 (A.R. fl. 9049) e 30/06/2014 (fl. 9188), foi apresentado o Recurso Voluntário de fls. 9051/9119 para todos os sujeitos passivo, tempestivamente, em 16/06/2014. No mencionado recurso voluntário, apresentamse os seguintes argumentos (utilizase a seguir a mesma numeração dos tópicos do recurso voluntário, para melhor didática): PRELIMINARMENTE 3.1. Nulidade da Intimação por ausência de notificação da empresa APERAM INOX SERVIÇOS BRASIL LTDA. Ante o fato da mencionada empresa não ter sido notificada da decisão da DRJ/BHE requer a decretação de nulidade processual. Requer, subsidiariamente, acaso assim não se entenda, que seja suprida a nulidade apontada com o reconhecimento da referida empresa no escopo do recurso voluntário apresentado. 3.2. Da inexistência de sujeição passiva solidária no caso em tela Diz ser inaplicável ao caso a sujeição passiva solidária pretendida, tendo em vista que a interpretação adotada pelos Tribunais Superiores sobre a questão é no sentido de que as pessoas solidariamente obrigadas devem constituirse em sujeitos da relação jurídica Fl. 9342DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.338 11 que deu causa à ocorrência do fato imponível, sob pena de ferirse a lógica jurídicotributária, integrando no pólo passivo da relação jurídica alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. Alega que apenas sob uma interpretação sistemática do CTN pode a lei ordinária, autorizada pelo inciso II do art. 124 do CTN, dispor sobre hipóteses de solidariedade passiva, pelo que toda e qualquer previsão legal sobre o tema deve resultar em expressa vinculação do responsável solidário ao fato gerador da obrigação tributária, conforme preconiza o art. 128 do CTN. Diz que a empresa autuada possui plena capacidade econômica de arcar integralmente com os valores exigidos no presente AI. 3.3. Da exclusão dos coresponsáveis Requer a exclusão dos diretores, presidentes, administradores e conselheiros de administração do rol de coresponsáveis constantes do Relatório de Vínculos, porque conforme pacificado pelo STJ, os diretores somente respondem por substituição em razão da prática de ato ou fato eivado com excesso de poder ou infração a lei, contrato social ou estatuto, não se caracterizando como tal o simples inadimplemento da obrigação, nos termos do art. 135, III do CTN. Acrescenta que não consta dos autos qualquer fundamentação legal, menção ou justificativa fática para tal inclusão. 3.4. Da nulidade da representação fiscal para fins penais Alega que não há em todo o auto de infração qualquer informação adicional a respeito da representação fiscal, não sendo sequer apresentada a fundamentação legal para o seu encaminhamento ao Ministério Público. Diz que da forma como está sendo realizado este procedimento, o contribuinte não tem ciência nem acerca do tipo penal que é objeto da suposta representação. Diz que o julgador administrativo tem o dever funcional de se pronunciar se as parcelas são devidas e o lançamento está correto e, ainda que correto o lançamento, se houve no caso algum tipo de dolo, máfé, burla à fiscalização, fraude, ou algo que caracterizasse o absurdo de instauração de qualquer procedimento criminal em parcelas que são de alta indagação jurídica e assolam os contribuintes no mar de insegurança jurídica. Conclui que deve o julgador administrativo determinar que os autos da representação não sejam remetidos pelo Delegado ou Inspetor da Receita Federal ao órgão do Ministério Público Federal competente, pelo menos enquanto não findo o processo administrativo. 3.5. Do indeferimento do pedido de realização de prova pericial Alega que ficou claro nos autos a imprescindibilidade da realização da prova pericial, sobretudo porque a DRJ demonstra a existência de dúvidas objetivas quanto a questões fáticas discutidas que, caso houvesse sido analisadas por profissional especializado, demonstrariam a total insubsistência da autuação. Fl. 9343DF CARF MF 12 A prova pericial mostrase salutar, não obstante os inúmeros documentos juntados e que advogam em favor da defesa apresentada, na medida em que demonstrará o completo enquadramento das parcelas pagas aos termos da legislação. Assim, requer o deferimento da prova pericial requerida, bem como de outras provas documentais que se façam necessárias ao deslinde da questão, em homenagem ao princípio da verdade material. NO MÉRITO 4.1. Da glosa da verba paga a título de participação nos lucros e resultados. Cumprimento dos ditames constitucionais e legais. Os valores distribuídos a título de PLR possuem imunidade, portanto a disposição constitucional deve ser interpretada de maneira ampla, impedindose restrições na sua aplicação pelos regramentos impostos pela Lei nº. 10.101/00; A regulamentação da Lei nº. 10.101/00 não pode restringir o alcance do Texto Constitucional, nem tampouco ser regulamentadora dos limites ao poder de tributar, pois não se trata de Lei Complementar. Os ditames da referida lei não podem ser considerados obrigatórios, mas simplesmente indutivos, não podendo obstar a vontade constitucional de que tais parcelas sejam excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A estrutura do programa espontâneo, e posteriormente convalidado pela negociação coletiva, resta inabalável e cumpre os requisitos legais e, de fato, remunera os empregados pelo plus além das obrigações contratuais, visando a melhoria dos resultados e /ou lucros da empresa. O referido programa possui indubitavelmente a natureza jurídica de PLR, pois (i) funciona como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; (ii) serve de incentivo à produtividade e está vinculado á existência de resultados positivos; (iii) são fixadas regras claras e objetivas, com ampla divulgação aos funcionários atingidos e (iv) existem claros mecanismos de aferição de resultados. Especificamente quanto às características do PLR, apresenta as razões acerca de cada um dos seus aspectos. 4.1.1. A estrutura do modelo de gestão APERAM. Os modelos denominados "PME" e "GEDP" Especificamente para o pagamento da PLR, este sistema de avaliação denominado "SISTEMA GPS", o qual é desdobrado em dois modelos denominados "PME" e "GEDP". Tais programas espontâneos se desdobram em dois (PME e GEDP) por razões também de gestão. O primeiro é aplicável aos empregados operacionais, onde não vale uma meta individual, mas a atuação da empresa como um todo (metas gerais) e a atuação da equipe de trabalho (metas por equipe); já o segundo avalia a performance individual, mas sem abrir mão das metas gerais, pois como dito a origem de ambos os programas se alinha com a direção que a empresa pretende ter no mercado. Para além de tais planos espontâneos, como bem alerta o próprio relatório fiscal, os valores de PLR são negociados anualmente entre a empresa e o Sindicato, levando em consideração os resultados financeiros da Companhia e a rentabilidade do negócio. Fl. 9344DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.339 13 Os planos espontâneos acabam sendo ratificados pela negociação coletiva que estabelece, ainda, um plus em decorrência dos resultados acima mencionados. Faz menção às cláusulas dos Acordos Coletivos firmados com o Sindicato para os anos de 2009 e 2010. Conforme previsto nos próprios acordos coletivos, o pagamento da participação nos lucros e resultados foi feito observandose um valor mínimo, proporcional ao salário dos empregados, complementado com os valores percebidos em razão do alcance das metas estipuladas nos Programas Espontâneos. Inclusive, para maior didática ao empregado, o pagamento é segregado em rubricas, mas em momento algum ferem a periodicidade ainda que segregadas são pagas na mesma data, conforme admitido pela própria fiscalização. Os planos buscam adequarse à realidade de cada uma das áreas e unidades da empresa: para os empregados lotados nas unidades operacionais, o Plano de Metas por Equipe revelase mais adequado às necessidades de estímulo da produtividade e lucratividade da empresa, considerada a abrangência do processo produtivo ali desenvolvido; nas unidades administrativas e para algumas funções específicas desempenhadas nas unidades operacionais, o Plano de Metas por Equipe não seria tão eficaz, haja vista a maior especificidade e pessoalidade das tarefas. O documentopiloto que embasou o PME no período autuado dispunha a forma de pagamento da PLR tendo por base a necessidade de alavancar o desempenho das equipes através da remuneração variável, focada no estabelecimento de resultados operacionais (metas) e organização por equipe (cada um tendo seu próprio conjunto de metas). Esta plano espontâneo (PME) vem sendo aplicado na empres ahá muito anos, assim, a forma de operacionalização já é do conhecimento de todos os empregados, o que dispensa a empresa de fornecer aos novos funcionários cartilhas explicativas sobre a forma de apuração da PLR com base no PME. Há um "Comitê do PME" formado pelos gerentes das equipes e/ou superior imediato que tem como objetivos principais, assegurar o nivelamento das metas das várias equipes e verificar a ligação das metas de cada equipe com seus clientes e fornecedores internos. Caso as metas sejam aprovadas pelo Comitê do PME, elas são apresentadas paras as equipes, quando são efetivamente aprovadas pelos empregados envolvidos no programa, havendo a assinatura do contrato das metas. As metas são estabelecidas por, no máximo, 06 meses (período válido de cada ciclo do PME), sendo desdobradas mês a mês. Os resultados obtidos mensalmente pelas metas são transformados em pontos que em seguida são somados para verificação e indicação do desempenho da equipe. Os pontos transformados darão o resultado em percentual do salário a ser recebido pela equipe, conforme tabela apresentada. O PME não é apenas um programa de participação nos resultados, mas o envolvimento efetivo do empregado com a melhoria contínua da empresa frente aos desafios do mercado, bem como uma forma de valorizar o bem que a recorrente considera seu maior patrimônio: o empregado. Fl. 9345DF CARF MF 14 Com relação ao GEDP, tratase de Programa de Remuneração da PLR para empregados da empresa não participantes do PME (técnicos especializados, gerentes e diretores). O GEDP é composto por metas individuais e metas corporativas. O peso de cada uma das metas varia conforme o nível hierárquico. Apresenta, a título exemplificativo, a apuração do valor a ser pago a título de PLR para o empregado Eduardo Mesquita no ano de 2006, com o detalhamento do cálculo. Assim como ocorre no PME, todas as metas são previamente negociadas, e a forma de cálculo tem a sua devida publicidade, sendo ao final divulgado os resultados para as pessoas avaliadas. Por ser um programa também voltado para cargos mais elevados, suas metas apesar de atreladas a resultados, são formadoras do lucro e dele dependem intrinsecamente. Neste sentido, os programas da empresa e, conseqüentemente, os valores pagos a título de PLR cumprem essas funções, pois não podem ser conceituados como remuneração habitual, e buscam a ampliação da renda do trabalhador e o aumento da produtividade da impugnante assim como possibilitam que os segurados empregados, mediante negociação com participação do sindicato, tenham ciência, previamente ao esforço e seu conseqüente resultado, do quanto será destinado ao pagamento de PLR, qual seu ganho individual (direitos substantivos) e as regras, objetivos, formas, meios para se atingir esse ganho. Entende que se a essência do programa está satisfeita, se demonstrado de forma cabal que a natureza é de PLR, não há sentido querer a tributação, pois esta fere a segurança jurídica e macula o sistema tributário, nele não podendo efetivamente confiar. Diz, ainda, que além de tais programas, quando da negociação coletiva (que se inicia bem antes do que a fiscalização imagina), o Sindicato e a Empresa negociam, diante do resultado auferido pela empresa, valores adicionais e que passam a compor o conjunto dos valores de PLR pagos no período. 4.1.2. Os equívocos cometidos nas premissas da fiscalização e reiterados pelo acórdão da DRJ a) alega a fiscalização que a empresa não apresentou qualquer instrumento de negociação coletiva que justificasse o pagamento das rubricas "PLR PME Rubrica 886" e "BONUS PLR Rubrica 1578" Aduz que a fiscalização incorre em grave equívoco quando alega que a empresa não apresentou qualquer instrumento de negociação coletiva que justificasse o pagamento das rubricas “PLR – PME – Rubrica 886” e “Bônus – PLR – Rubrica 1578”: primeiro, pela vontade constitucional, se demonstrado que na essência o pagamento é eventual, desindexado das funções laborais, mas buscam outros resultados ou mesmo o lucro, não há que se falar em incidência das contribuições previdenciárias; segundo, o programa espontâneo feito pela empresa é compensado quando da negociação coletiva, cumprindo, assim, todos os requisitos também impostos pela Lei 10.101/00. Diz que durante a fiscalização foram apresentados todos os acordos referentes ao período autuado e, em todos estes acordos podese verificar a efetiva participação Fl. 9346DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.340 15 do sindicato, que por intermédio de seu representante, assinou os mencionados acordos, concordando com todos os termos lá expostos. Argumenta que em que pese os ACT’s não apresentarem de forma detalhada e exaustiva a definição das metas de resultados e as formas de avaliação de atendimento das metas, isto não significa que todos os programas existentes na companhia não são previamente negociados e estabelecidos com todos os empregados, o que já restou inclusive demonstrado e comprovado no tópico anterior, ao serem anexados à impugnação alguns PME’s com a aquiescência dos empregados que são a ele submetidos. Alega que o exame dos instrumentos de acordo coletivo firmados pela impugnante e a METASITA (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas, Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Belo Horizonte e Contagem) de 2006 a 2008, revelam que se trata de exteriorização das importâncias a serem pagas aos empregados a título de PLR, apurada de conformidade com os Programas de Gestão detalhados no tópico antecedente. Diz que a Lei 10.101/00 visa que os segurados empregados, mediante negociação com participação do sindicato, tenham ciência, previamente ao esforço e seu conseqüente resultado, do quanto será destinado ao pagamento de PLR, qual seu ganho individual (direitos subjetivos) e as regras, objetivos, formas, meios para se atingir este ganho. Os instrumentos de acordo não podem ser interpretados isoladamente, mas em confronto com os demais dados que conduziram à apuração do quantum da PLR paga a cada empregado. Além disto, para a fiscalização do programa, a impugnante obrigase a reunir a comissão dos empregados para acompanhar os resultados que afetam a participação e publica relatórios periódicos para distribuição a todos os segurados a seu serviço, com os percentuais de atingimento de metas, apurados para cada área de atuação. Conclui que não há razão no argumento da fiscalização para desconstituir a natureza de PLR dos pagamentos realizados. Embora entenda que os ditames da Lei 10.101/00 são meramente indutivos de comportamento, mas não mandatórios, fica evidente, pela análise feita, que tais programas estavam de conformidade com o que determina o art. 2º, § 1º da referida lei: Diz ser evidente que todos os pagamentos de PLR constam do ACT, seja por homologação ao que se manteve espontaneamente, seja pelo que se negociou com o Sindicato quando da negociação coletiva. Conclui que a forma de condução do Plano de PLR da empresa não encontra nenhum óbice legal, sendo totalmente lícita, possível e estimulada, consoante previsão contida no art. 3º, parágrafo 3º, da Lei 10.101/00. b) Pagamentos realizados no próprio mês da assinatura dos acordos ou pagos em até 7 dias úteis após a assinatura, segundo a fiscalização No que toca ao argumento da fiscalização de que “os pagamentos foram realizados no próprio mês da assinatura dos acordos ou pagos em até 7 dias úteis após a assinatura do acordo”, diz que no item anterior ficou demonstrado que os programas PME e GEDP são previamente ajustados e com o acompanhamento constante pelos empregados e quando da negociação coletiva eles são apenas incluídos na negociação e homologados, nos exatos termos do art. 3º, § 3º, da Lei 10.101/00. Fl. 9347DF CARF MF 16 Quanto ao plus fixo negociado nos Acordos Coletivos de Trabalho, conforme se comprova pelos informativos juntados, a negociação entre a empresa e os sindicatos começa muito antes da sua assinatura, não havendo sentido na afirmação fiscal. Destaca que os documentos em anexo, comprovam de forma irrefutável as metas estabelecidas e a forma de avaliação, inclusive as fichas administrativas estão postas com a assinatura dos avaliados, o que demonstra que o sistema implantado para a mensuração de desempenho e tratamento dos resultados era de pleno conhecimento dos empregados. A confecção de um manual tanto para o PME/PEGD também confirma que a empresa se preocupou efetivamente com a adoção de um método justo e público para todos os funcionários. c) Quanto ao argumento da fiscalização do suposto ferimento da periodicidade Diz que os pagamentos residuais ocorreram nas hipóteses de rescisão do contrato de trabalho, conforme demonstrado na planilha que anexa, devendo ser anulada a autuação, pois, a fiscalização descaracterizou tais pagamentos como PLR, desincumbindose do seu mister, qual seja, a busca da verdade material. Conforme levantamento realizado pelo próprio fiscal, não há nenhum segurado que tenha recebido mais de duas parcelas ao ano, ainda que pelo referido motivo, a periodicidade tenha sido inferior a um semestre civil. Diz que da análise da legislação, não há motivo para a descaracterização da verba quando o pagamento realizado em períodos inferiores a seis meses, desde que ocorram no máximo duas vezes ao ano (art. 3º, § 2º da Lei 10101/00). Este também é o entendimento oficial do INSS conforme a Consulta Técnica 507, publicada em 21/07/2004. Conclui que não houve ferimento à periodicidade posta em lei, apenas pagamentos a empregados distintos ou resíduos por conta de afastamento, aumentos, etc. d) Da acusação fiscal quanto a pagamentos fixos e sem metas a serem alcançadas Quanto ao argumento do fisco de que nos acordos há a previsão do pagamento de valores, independente do atingimento de metas ou resultados, como mera liberalidade da empresa, diz que conforme demonstrado estes valores são bônus, previstos nos acordos coletivos após uma ampla negociação entre o sindicato, empregados e a empresa. Alega que tais valores estão atrelados ao PME e são pagos levando em consideração os resultados da empresa no período. Havendo um bom resultado, além da PLR, os trabalhadores, em geral, recebem um bônus, o qual é objeto de negociação com o sindicato, conforme demonstrado. 4.1.3) Da distribuição da verba "Bônus PLR administradores" aos diretores da APERAM INOX AMÉRICA DO SUL S/A Diz que não assiste razão à fiscalização na glosa procedida quanto à parcela paga aos diretores elencados no relatório fiscal em razão dos resultados obtidos pela empresa nos exercícios sociais de 2006 e 2007, uma vez que o procedimento encontra pleno respaldo na Lei nº 6.404/76, aplicável ao caso. Fl. 9348DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.341 17 Argumenta que a lei de custeio da Previdência Social deixa evidente que, no contexto atual, não há distinção da forma de tributação: quer seja empregado, quer seja segurado contribuinte individual, a tributação incidirá sobre o valor da remuneração, e a mesma legislação, por força do Texto Constitucional, retira da incidência das contribuições previdenciárias a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagas ou creditadas de acordo com a lei específica. Entende que se a Lei 10.101/00 tratou apenas dos empregados ou segurados com vínculo empregatício, devese buscar a lei específica que regula a relação jurídica entre diretores e conselheiros com as empresas de sociedade anônima. No caso, é a Lei 6.404/76, que em seu artigo 152, §§ 1º e 2º, e no artigo 162, § 3º, vem estabelecer a forma como se dá a relação jurídica dos diretores e conselheiros com tais sociedades anônimas. Conclui que a autuação é inepta, pois não declina os motivos pelos quais considerou a parcela integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias e que a parcela em questão estava ligada à participação nos lucros dos administradores, tendo a empresa seguido fielmente o que determinava a lei específica, ou seja, a Lei 6.404/76. 4.1.4) Alternativamente ao pedido 4.1.3. Enquadramento do pagamento na Lei nº. 10.101/00 Alternativamente, requer a aplicação da Lei nº. 10.101/00 ao pagamento da verba aos administradores. Cita jurisprudência do CARF a respeito do reconhecimento desta possibilidade. 4.1.5) A quantificação equivocada do crédito tributário Diz que o laudo do Escritório de Contabilidade do Sr. Rodrigo Assunção de Oliveira, contratado para verificar a base de cálculo considerada pela fiscalização, e acostado aos autos, aponta equívocos da apuração fiscal na base de cálculo do lançamento, conforme mencionado laudo. Assim, reitera o pedido de necessidade de realização de perícia. Quanto à aplicação da alíquota SAT, alega que o fiscal adotou equivocadamente o percentual de 3% (risco máximo) para todas as unidades da empresa devedora principal autuada, sem ponderar o risco da atividade preponderante de cada estabelecimento quando há mais de um CNPJ envolvido, inclusive em respeito à coisa julgada obtida nos autos do Mandado de Segurança nº 1997.38.000432120. 4.2) Dos riscos ocupacionais. Da cobrança do adicional previsto no art. 57 da Lei nº. 8.213/91 Alega que a cobrança do referido adicional somente pode ser realizada quando há efetiva exposição ao agente, mas esta efetiva exposição somente pode ser comprovada por laudo da empresa e quando o trabalhador não está acobertado pelas medidas de proteção (EPIs, EPCs ou MPCs), além do que a exposição deve ser permanente, não ocacional ou não intermitente. Diz que o crédito é totalmente indevido, pois a fiscalização parte de premissas equivocadas e inconsistentes (a a empresa reconhece e declara em GFIP dezenas de empregados sujeitos ao calor, de maneira permanente, não ocasional e intermitente; b a Fl. 9349DF CARF MF 18 empresa possui vários exames alterados) para se chegar a conclusão de que a empresa coloca todos os seus empregados expostos ao risco. 4.2.1) Nulidade da autuação por ausência de inspeção in loco pelo perito do INSS Argumenta que a constatação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos à sua saúde, ou seja, da ocorrência do fato gerador do adicional de RAT é complexa, demandando vistorias, perícias, exames clínicos e complementares, com participação indispensável de um MédicoPerito, pois, os agentes fiscais não têm habilitação profissional em medicina e segurança do trabalho. Diz que, ainda que eventualmente tivessem essa habilitação, à medida que investidos no cargo de agentes fiscais, não poderiam fazer as vezes do peritomédico, pois não podem ser juízes e acusadores ao mesmo tempo. Aduz que o CARF, determina diligências complementares (invertendo o papel da fiscalização) para tentar sanar as nulidades. Conclui que, uma vez que a autuação se baseou somente em documentos, não tendo havido nenhuma averiguação técnica nos locais de trabalho onde supostamente estão presentes os agentes de risco, padece de insanável nulidade. Argui como pode o fiscal dizer, na análise de documentos, que a impugnante tem uma gestão ambiental deficitária, se ele desconhece a empresa que fiscalizou. 4.2.2.) Das falsas premissas estabelecidas pela Fiscalização. O controle efetivo dos agentes nocivos no ambiente de trabalho da empresa Diz que os agentes insalubres apontados pela fiscalização são totalmente controlados por medidas administrativas praticadas pela empresa que sempre adotou, mesmo nos casos onde o índice de exposição esteve abaixo do limite de tolerância, medidas eficazes de proteção e neutralização destes agentes (EPI’s, EPC’s, controle na fonte, etc), fazendo medições constantes dos índices de exposição de seus empregados aos agentes insalubres. Alega que a empresa possui todos os documentos de gestão do ambiente de trabalho, desenvolve sério programa de controle da segurança, investe pesado em equipamentos de proteção coletiva e individual, bem como medidas administrativas, além de todas as medições. Diz que juntará as medições realizadas nos últimos 5 anos, contudo, como se trata de um volume expressivo de documentos, pede prazo de 60 dias para tal juntada. Passa a demonstrar item a item o que entende ser as inverdades das premissas consideradas pela Fiscalização, colocando suas instalações à disposição destes julgadores. a) A fiscalização afirma que, em que pese o fato da autuada reconhecer a existência de agentes nocivos em seu ambiente de trabalho, com base na planilha enviada aos controles da fiscalização, a mesma omitiu esta informação em folhas de pagamento e GFIP, para os trabalhadores relacionados nos Anexos ANFOPAGRO e ARORUBPLR, deixando de informar e recolher a alíquota adicional acima referida. Diz ser tal afirmação inaceitável, que a fiscalização utiliza a planilha enviada pela empresa pela metade, que nela relaciona empregados operacionais e não operacionais, não coloca as atenuações dos EPI e dos EPC, que relaciona empregados de funções administrativas, comerciais, contábeis e jurídicas. Diz que elaborou nova planilha (doc. 18 da Impugnação) especificando o período de exposição do empregado naquela determinada função durante o período autuado, Fl. 9350DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.342 19 identificando os empregados, suas áreas de atuação, os agentes ambientais aos quais estariam expostos e os valores de exposição encontrados após medições, demonstrando as hipóteses em que o contribuinte reconheceu a exposição acima dos limites de tolerância mas não recolheu o adicional de RAT quer porque o uso de EPIs atenuaria a exposição, quer porque a exposição seria apenas intermitente. Argumenta que tal documento, aliado à farta documentação da empresa sobre o gerenciamento do ambiente laboral, servirá como base para desconstituição da autuação lavrada, pois demonstra as inúmeras inconsistências dos argumentos por ela tecidos. b) A fiscalização afirma ter sido reconhecida a exposição dos empregados aos seguintes agentes nocivos: ruído, calor, ácido fluorídrico, ácido clorídrico, poeira de manganês, poeira total, poeira/fumos metálicos de telúrio, poeiras metálicas de cromo, tolueno e xileno e óleos minerais – graxas solventes. Assim cobrou o adicional de SAT em relação a todos os agentes acima relacionados Contesta cada um dos agentes nocivos que alega terem sido considerados pela fiscalização, justificando o não reconhecimento pela empresa de nenhum empregado efetivamente exposto aos referidos agentes e conseqüentemente, a não incidência do adicional para o RAT. c) A fiscalização esclarece ainda que, intimada a autuada a apresentar as fichas de controle de fornecimento de EPI de alguns dos empegados, este controle teria trazido dúvidas Inicialmente destaca que à época dos fatos descritos na autuação, a metodologia aplicada às fichas de controle e entrega dos equipamentos de proteção individual entregues à fiscalização, atendiam plenamente aos controles da empresa e da própria fiscalização, haja vista não existir até aquele momento a obrigatoriedade do controle de EPIs mediante fichas. Discorre sobre as práticas da empresa para prevenir os acidentes no ambiente de trabalho, tais como, o “Manual de Uso Correto do EPI”, onde a empresa estabelece um procedimento para indicação, testes, aprovação, requisição, controle, uso, guarda, higienização e manutenção dos EPIs; o compromisso da empresa com o treinamento de seus empregados, conforme a planilha de treinamentos (doc 27 da impugnação); a auditagem periódica dos seus empregados para avaliar a efetividade dos treinamentos fornecidos sobre o adequado uso e manutenção dos equipamentos por meio do Sistema SAIA; as campanhas de conscientização promovidas; a elaboração e constante atualização do documento denominado “Norma Técnica”, o qual define e estabelece critérios, responsabilidades para o controle, especificação, distribuição e utilização dos equipamentos de proteção individual; e ainda, os documentos denominados “PráticaPadrão”, nos quais são indicados os riscos existentes na execução das tarefas desempenhadas em cada atividade, os cuidados que devem ser tomados durante sua execução, bem como os EPIs que devem ser utilizados pelos empregados alocados naquela atividade. Junta documentos para comprovar todas estas práticas. Conclui que sempre forneceu todos os EPIs e treinamentos necessários para a segurança dos trabalhadores e prevenção de acidentes e que ela controla e gerencia o uso dos EPIs e jamais permitiu que os empregados executassem suas atividades desprovidos dos equipamentos de proteção necessários à sua saúde e segurança. Fl. 9351DF CARF MF 20 Alega, ainda, que ao contrário do que afirma a fiscalização os números dos CAs dos EPIs adotados na empresa constam do item 15.8 de cada Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) entregue aos empregados e conseqüentemente ao INSS. Junta para demonstrar, algumas amostras de PPPs onde estão inscritos os certificados de aprovação dos EPIs fornecidos e cópia de alguns dos Certificados de Aprovação relativos aos equipamentos de proteção adotados pela empresa autuada, e diz que a documentação completa está à disposição na sede industrial da empresa. Menciona processos judiciais movidos contra a empresa onde o uso de equipamentos de proteção individual e, de forma geral, toda a gestão ambiental da empresa foram aprovados sob o crivo de peritos devidamente habilitados engenheiros de segurança do trabalho. d) Segundo a fiscalização, a empresa ainda teria deixado de apresentar as fichas de controle de entrega dos EPIs em relação a 21 empregados, conforme lista elaborada no relatório fiscal Justifica a não entrega das 21 fichas de EPIs à fiscalização e diz que junta aos autos cópia de 20 das 21 fichas discriminadas no relatório fiscal. A ficha faltante do sr. José Geraldo de Vasconcelos não foi confeccionada no período autuado já que este se encontrava afastado pelo INSS conforme consta em sua ficha de registro. Ressalta que a empresa possui fichas de EPIs de todos os seus empregados, obedecida a periodicidade e a relação de equipamentos constantes da própria ficha, conforme atestam os próprios empregados da empresa e se infere das declarações prestadas aos peritos judiciais nos documentos que anexa (docs 35 a 37 da impugnação). e) A fiscalização aponta que seria mais um reflexo do gerenciamento inadequado do ambiente de trabalho da empresa o fato desta apresentar um número excessivo de exames alterados no relatório anual do PCMSO (total de 617 exames alterados) Neste item, invocando o art. 337 do Decreto 3.048/99 diz ser de questionável validade a premissa tecida pela fiscalização, sendo extremamente injusto que a análise superficial do PCMSO por um funcionário que sequer detém conhecimentos técnicos para dar parecer conclusivo sobre o tema em discussão, possa ilidir todo o investimento em saúde e segurança feito pela empresa nos últimos anos. Diz que foi ignorado pela fiscalização que, no período de 01/01/2007 a 01/01/2008, foram realizados 15.378 exames para um número de aproximadamente 3000 empregados. Conclui que não reconhece a exposição danosa de nenhum de seus empregados ao agente ruído à época dos fatos glosados, uma vez existente em seu ambiente de trabalho medidas de proteção individual e coletiva que neutralizam a exposição muito abaixo dos limites de tolerância. Diz que conforme extraído do site da Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, o diagnóstico de PAIR só pode ser conclusivo após uma série de exames, assim, a existência de resultados de audiometria anormais não significa que o empregado tem o diagnóstico de PAIR e nem mesmo que os EPIs são ineficientes para neutralizar o ruído. Conclui que, as ilações do fiscal quanto ao PCMSO e os exames alterados não ocupacionais nada provam ou sustentam a absurda cobrança, pois resta demonstrado que a Fl. 9352DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.343 21 alteração nos exames não implica em se reconhecer o inadequado gerenciamento do ambiente laboral da empresa autuada. Discorre sobre os investimentos da empresa no campo específico da segurança do trabalho e diz que é preciso considerar que os programas e métodos estabelecidos na gestão de segurança da empresa, além de respeitar os parâmetros legais, buscam refletir a própria política da empresa e que, se a fiscalização desconhece tal política, não pode fazer suposições (equivocadas) e colocar o investimento de anos e anos a perder, sem qualquer fundamentação fática ou legal. 4.2.3) Os equívocos do relatório complementar da fiscalização. Alega que o relatório fiscal complementar de fls. 7219/7234 simplesmente reafirmar que os empregados estariam efetivamente expostos aos agentes de risco ambiental, afastando a necessidade de inspeção in loco, alegando ser faticamente impossível retornar à época dos acontecimentos para rever a autuação. Inconformada com as conclusões trazidas pelo relatório fiscal complementar, a equipe de segurança da empresa apresentou respostas técnicas quanto aos pontos levantados pelo Ilmo. Fiscal (fls. 7430/7438), rebatendo as premissas fiscais com bases fáticas da gestão ambiental adotada pela empresa, expressa nos milhares de documentos colacionados à impugnação e seu aditamento. 4.2.4) Dos investimentos da empresa em saúde e segurança. Apresenta argumentos acerca dos investimentos da empresa, desde a década de 60, relacionados a segurança do trabalho. Assim resume: · A empresa faz adequadamente o PPRA Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, com análises globais anuais, que visam atualizar o documento base (doc. 47 da impugnação); · A empresa faz adequadamente o PCMSO Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional e o PCA, gerenciando sua área de saúde nos estritos ditames legais e regulamentares; · A empresa possui um programa de Gestão da Saúde do Trabalhador, responsável pela implementação de diversas medidas que afastam riscos ambientais em seu ambiente de trabalho; · A empresa realiza levantamentos ambientais e medições periódicas, mantendo sob controle os agentes nocivos; · A empresa investe em Medidas de Proteção Coletiva e medidas administrativas de controle; · A empresa promove a divulgação dos riscos ambientais e o treinamento dos empregados, nas mais diversas funções, quanto a formas de controle e neutralização dos riscos; Fl. 9353DF CARF MF 22 · Como último recurso, a empresa fornece, exige, monitora o uso e repõe os EPI´s, eliminando e reduzindo aos níveis adequados de tolerância os agentes novicos. Alega que demandou nos autos nº. 2007.38.00.0154959, que tramitou perante a 6ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, ação anulatória de débitos fiscal para a desconstituição do crédito tributáro consubstanciado no AI nº. 35.762.1921, no qual exigia a União multa pelo descumprimento do art. 33, § 2º, da Lei nº. 8.212/91, que prescreve ser a empresa obrigada a exibir todos os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, incluindo o PPRA. Informa que no curso do processo demandou por prova pericial para que restasse comprovado o cumprimento de todas as normas de gestão do ambiente laboral pela empresa. Tal prova foi produzida (doc. 48 da impugnação fls. 5973 e ss.) e atestou a seriedade com que a empresa lida com as normas referentes à saúde e segurança de seus empregados, servindo de base para a sentença proferida nos autos confirmar a tutela concedida e dar provimento ao pedido da empresa (doc. 49 da impugnação fls. 6153 e ss.), onde informou o perito que: Faz menção, ainda, a prova pericial produzida em processo administrativo (doc. 50 da impugnação fls. 6160 e ss.) onde, em mais de 200 páginas, reafirma tudo o que vem alegando a Recorrente no presente processo administrativo, onde foram respondidos quesitos elencados pelo INSS e pela empresa. 4.3) Da cobrança do adicional de RAT sobre as parcelas pagas a título de PLR Alega que, no que concerne ao levantamento RISCOS OCUPACIONAIS SOBRE PLR PAGA A SEGURADOS EXPOSTOS, é insubsistente a cobrança do adicional de RAT sobre tais parcelas, tendo em vista que, conforme sustentando no tópico anterior, é indevido o adicional cobrado, uma vez inexistentes os riscos ocupacionais apontados pela Fiscalização. É o relatório. Fl. 9354DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.344 23 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminarmente a) Do Pedido de Realização de Perícia Conforme relatado, a peça recursal reitera o pedido de perícia realizado em sede de impugnação, que elencou uma série de quesitos, que a seguir reproduzo: Fl. 9355DF CARF MF 24 Fl. 9356DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.345 25 Fl. 9357DF CARF MF 26 Ainda, para o fim de atender a todos os requisitos do inciso V do art. 16 do Decreto 70.235/72, indica assistentestécnicos para a realização das perícias. Pois bem. Conforme verificado no relatório acima, a controvérsia instaurase em torno dos pagamentos realizados pela Recorrente a título de PLR e, mais especificamente, na existência ou não dos planos, bem como, da eventual existência de metas, modo de aferição e publicidade destas, para os planos existentes. Também, discorre a presente discussão fiscal acerca da exposição ou não dos empregados da recorrente a agentes nocivos e que deem ensejo a cobrança do adicional do RAT. Especialmente quanto às questões relativas à exposição dos empregados aos agentes nocivos, destacase a existência de um Laudo Pericial (fls. 6160 e ss.) elaborado no bojo do Processo Administrativo 36378.004044/200671, onde são respondidos quesitos do INSS acerca do processo de gestão de saúde e segurança do trabalho da empresa. Nesse referido laudo, é mencionado pelo perito técnico que o único agente insalubre seria o "agente calor". A priori, já se verifica uma diferença aos agentes apontados no presente processo administrativo fiscal, que aponta além do agente "calor", ainda os agentes "ruído", "ácido fluorídrico", "ácido clorídrico", "poeira de manganês", "poeira total", "poeira/fumos metálicos", "poeiras metálicas de cromo", "tolueno e xileno", e "óleos minerais, graxas/óleos e solventes". Nos termos do art. 16, IV, e 18 do Decreto 70.235/72, a perícia deveria ser determinada pela autoridade julgadora de primeira instância que, no caso em tela, a entendeu desnecessária. Todavia, no presente caso, discordo do entendimento do acórdão recorrido, especialmente ante a existência do Laudo Pericial (fls. 6160 e ss.) elaborado no bojo do Processo Administrativo 36378.004044/200671 que, conforme mencionado anteriormente, apresenta conclusões bastante distintas das apresentadas no Relatório Fiscal do presente Fl. 9358DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.346 27 processo que, como mencionado pela recorrente e pela decisão recorrida, não realizou qualquer verificação in loco no(s) estabelecimento(s) da Recorrente. Por esta razão, entendo que deve ser determinada a realização de perícia, nos termos em que requerida pela Recorrente (quesitos acima reproduzidos), para dar amplo e irrestrito acesso à ampla defesa e contraditório, bem como para que o presente julgamento possa ser realizado provido de maiores e melhores informações de cunho técnico. b) Da sujeição passiva solidária Pleiteiam os recorrentes a exclusão do polo passivo do presente processo administrativo, das pessoas jurídicas apontadas como sujeitos passivos solidários (ARCELORMITAL BIONERGIA LTDA., APERAM INOX SERVIÇOS BRASIL LTDA. e APERAM INOX TUBOS BRASIL LTDA.), que no entender o AFRFB pertenceriam ao mesmo grupo econômico da devedora principal (APERAM INOX AMÉRICA DO SUL S.A.). A solidariedade apontada pela fiscalização sustentase no art. 30, inciso IX, da Lei nº. 8.212/91: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Alega a Recorrente que, nos termos das disposições do Código Tributário Nacional, em especial os artigos 124 e 128 , é incabível a imputação da responsabilidade solidária, ante a total desvinculação das empresas solidárias com o fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas no presente processo administrativo fiscal. Entendo que o art. 30 acima reproduzido deve ser aplicado aos casos em que lançadas as contribuições previdenciárias e, naquelas situações específicas, verificase a existência de uma ou mais empresas que, ante a constatação fática, formem grupo econômico e, primordialmente, se beneficiem da situação ensejadora do lançamento. No presente lançamento, vêse que o AFRFB não faz qualquer prova, tampouco apresenta argumentos que atestem a existência do grupo econômico e a correlação das empresas com os fatos geradores objeto de lançamento. Neste sentido, inclusive, é a jurisprudência já sedimentada do Superior Tribunal de Justiça, a qual, acertadamente, exige que para a configuração da responsabilidade tributária solidária deva se verificar, além da existência do grupo econômico, a mencionada vinculação com o fato gerador (STJ: EREsp 834.044/RS; AgRg no Ag 116.381/RS). Fl. 9359DF CARF MF 28 No mesmo sentido, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou e, cravou, a limitação da responsabilidade tributária solidária, deve se ater às disposições do art. 124, II, combinado com os artigos 128, 134 e 135 do CTN, nos termos da ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART 146, III, DA CF. ART. 135, III, DO CTN. SÓCIOS DE SOCIEDADE LIMITADA. ART. 13 DA LEI 8.620/93. INCONSTITUCIONALIDADES FORMAL E MATERIAL. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DA DECISÃO PELOS DEMAIS TRIBUNAIS. 1. Todas as espécies tributárias, entre as quais as contribuições de seguridade social, estão sujeitas às normas gerais de direito tributário. 2. O Código Tributário Nacional estabelece algumas regras matrizes de responsabilidade tributária, como a do art. 135, III, bem como diretrizes para que o legislador de cada ente político estabeleça outras regras específicas de responsabilidade tributária relativamente aos tributos da sua competência, conforme seu art. 128. 3. O preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas “as pessoas expressamente designadas por lei”, não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do mesmo diploma. A previsão legal de solidariedade entre devedores – de modo que o pagamento efetuado por um aproveite aos demais, que a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, também lhes tenha efeitos comuns e que a isenção ou remissão de crédito exonere a todos os obrigados quando não seja pessoal (art. 125 do CTN) – pressupõe que a própria condição de devedor tenha sido estabelecida validamente. 4. A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. A referência ao responsável enquanto terceiro (dritter Persone, terzo ou tercero) evidencia que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela. O “terceiro” só pode ser chamado responsabilizado na hipótese de descumprimento de deveres próprios de colaboração para com a Administração Tributária, estabelecidos, ainda que a contrario sensu, na regra matriz de responsabilidade tributária, e desde que tenha contribuído para a situação de inadimplemento pelo contribuinte. 5. O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tãosomente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. 6. O art. 13 da Lei 8.620/93 não se limitou a repetir ou detalhar a regra de responsabilidade constante do art. 135 do CTN, tampouco cuidou de uma nova hipótese específica e distinta. Ao vincular à simples condição de sócio a obrigação de responder Fl. 9360DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.347 29 solidariamente pelos débitos da sociedade limitada perante a Seguridade Social, tratou a mesma situação genérica regulada pelo art. 135, III, do CTN, mas de modo diverso, incorrendo em inconstitucionalidade por violação ao art. 146, III, da CF. 7. O art. 13 da Lei 8.620/93 também se reveste de inconstitucionalidade material, porquanto não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada, afrontando os arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição. 8. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei 8.620/93 na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. 9. Recurso extraordinário da União desprovido. 10. Aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 562276, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 03/11/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 09022011 PUBLIC 10022011 EMENT VOL0246102 PP00419 RTJ VOL0022301 PP 00527 RDDT n. 187, 2011, p. 186193 RT v. 100, n. 907, 2011, p. 428442) Assim, ante a total ausência de razões, tampouco quaisquer fundamentos no Relatório Fiscal, a indicação de qualquer fato ou prova que demonstrem, ou simplesmente suspeitem, da participação das demais pessoas jurídicas e/ou seu interesse comum nos fatos geradores que ensejariam a sua responsabilidade tributária solidária, razão pela qual dou provimento ao recurso voluntário para o fim de afastar do polo passivo do presente processo administrativo fiscal as pessoas jurídicas arroladas no item 11 do Relatório Fiscal (fl. 61): APERAM INOX SERVIÇOS BRASIL LTDA. (CNPJ 60.500.121/000124; ARCELORMITAL INOX BRASIL TUBOS LTDA. (CNPJ 04.335.855/000124) e ARCELOR MITTAL BIOENERGIA LTDA. (CNPJ 18.238.980/000120). c) Da Nulidade da Representação Fiscal para Fins Penais A Recorrente pleiteia que este colegiado se manifeste acerca da verificação ou não da existência de dolo, fraude, máfé, burla à fiscalização ou qualquer conduta que ensejasse a instauração de qualquer procedimento criminal. O acórdão recorrido assim se manifestou: 26.6. Nesse panorama, resta evidente que esta instância julgadora não é o fórum apropriado para decidir sobre o andamento/suspensão de Representações Fiscais para Fins Penais. No âmbito deste E. Conselho, ainda, destaquese o enunciado da Súmula CARF nº. 28: Fl. 9361DF CARF MF 30 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim, este relator e os demais conselheiros estão vedados a adentrar em eventuais discussões e/ou controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Todavia, não estamos impedidos de adentrar nas discussões acerca dos fatos e alegações presentes nos autos de infração, em especial, no Relatório Fiscal de fls. 36/63. E, no referido relatório, é possível afirmar que não há a imputação, tampouco a menção, de qualquer conduta criminosa ou fraudulenta da recorrente, bem como de quaisquer dos seus responsáveis. Como bem colocado pela decisão de 1ª instância, tem o ARFB responsável pelo lançamento, o dever funcional, plenamente vinculado, de proceder a formalização sempre que indicar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária ou contra a Previdência Social. O crime mencionado pelo AFRFB (art. 337A, inciso III, do DecretoLei nº. 2.848/40 Código Penal) seria "omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias". De fato, as razões intrínsecas à Representação Fiscal para Fins Penais serão discutidas em âmbito próprio e, por força do entendimento deste Conselho, não podem aqui ser discutidas. Porém, necessário se faz destacar que nos Autos de Infração objetos do presente recurso voluntário, em especial no Relatório Fiscal de fls. 36/63, não estão especificadas condutas de agentes da empresa recorrente que, minimamente, denotem a prática de delitos penais que não sejam, única e exclusivamente, a ausência de recolhimento de tributos por divergência de interpretação da lei tributária entre o AFRFB e a própria recorrente, especialmente quanto ao pagamento de valores relativos à Participação nos Lucros e Resultados da recorrente. Mérito d) Das contribuições previdenciárias incidentes sobre a PLR e os requisitos da Lei nº. 10.101/2000 A discussão central do mérito do presente processo administrativo é o pagamento pela empresa recorrente de participação nos lucros a seus empregados e diretores. Enquanto a contribuinte alega que realizou tais pagamentos dentro dos ditames legais, respeitando as regras e requisitos constitucionais e infralegais, no entender da autoridade fiscal tais regras não foram respeitadas e, por isso, referidos pagamentos deveriam se sujeitar à incidência das contribuições previdenciárias. O pagamento de PLR e suas repercussões tributárias estão previstos na Constituição Federal, art. 7º, inciso XI, Lei nº. 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea “j” e Lei nº. 10.101/00: Constituição Federal: Fl. 9362DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.348 31 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Lei nº. 8.212/91: Art. 28. (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Lei nº. 10.101/00: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; Fl. 9363DF CARF MF 32 II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Primeiramente, entendo que deve ser afastada a alegação da recorrente de que a previsão constitucional do art. 7º, XI, por si só, configura imunidade à participação nos lucros e resultados percebidos pelos trabalhadores e, consequentemente, seria ilegal as estipulações impostas para fins de evitar a incidência tributária (entendase Lei nº. 10.101/00). Como se vê do próprio texto constitucional, este atribuiu à legislação infraconstitucional a regulação sobre a definição do pagamento sobre lucros ou resultados. Esta é, inclusive, a própria conclusão de acórdão mencionado pela recorrente em sede de recurso voluntário (Acórdão nº. 2401003.112): A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, mormente por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho, conquanto que observados os requisitos legais inscritos na Lei nº 10.101/2000. (grifo nosso) Assim, entendo que a interpretação a ser empregada deve conjugar os dispositivos acima elencados, entendendose o comando constitucional que, é, sim, imunidade, como pacificamente reconhecido pela doutrina, o que todavia não significa deixar de reconhecer e atender aos requisitos da legislação infraconstitucional, que o regulam, interpretandoos em conjunto com a disposição e a intenção do constituinte. Pois bem. Fl. 9364DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.349 33 Assim, passamos a analisar os pagamentos realizados pela recorrente a título de PLR que, de acordo com a fiscalização, deixaram de cumprir determinados requisitos legais e, assim, sofreram a incidência das contribuições previdenciárias. Utilizaremos a mesma didática apresentada no Relatório Fiscal de fls. 36/63. d.1) PME PLANO DE METAS POR EQUIPE RUBRICA 894 LEVANTAMENTO PL PART LUCRO/RESUL; PME PLANO DE METAS POR EQUIPE RUBRICA 886 PERÍODO 200701 A 200808; BÔNUS PLR RUBRICA 1578 PERÍODO 200703 A 200812 LEVANTAMENTO: BP E BP2 BONUS PLR EMPREGADOS E BA BONUS PLR ADMINISTRADORES Nos termos do relatório fiscal, o lançamento se dá pela seguinte didática: E pelos seguintes fundamentos: Fl. 9365DF CARF MF 34 Assim, analiso os fundamentos da acusação fiscal. d.1.1.) Da ausência de estipulação de metas nos acordos coletivos Todas as cláusulas fazem menção ao PME – Plano de Metas por Equipe. E vejamos o que dispõe a Lei nº. 10.101/00 que, segundo o AFRFB, teria sido violada: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria: II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifos nossos) Não há dúvidas que, no corpo dos instrumentos de Acordo de Convenção Coletiva não constam todas as regras de medição, aferição e pagamento de PLR. Mas a primeira pergunta que deve ser respondida é a seguinte: a lei exige que tais regras constem, expressa e detalhadamente, no Acordo Coletivo? A resposta que nos parece óbvia é a de que não. Vejase que a redação do parágrafo primeiro é bastante clara, inclusive: “dos instrumentos decorrentes da Fl. 9366DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.350 35 negociação...” e, como percebido pelo próprio AFRFB, as cláusulas acima mencionadas fazem expressa menção ao “PME – PLANO DE METAS POR EQUIPES”. A necessidade (ou não) de estipulação no próprio acordo ou convenção coletiva de todas as regras e cláusulas para aferição e pagamento de PLR não é matéria nova neste e. Conselho e, é a mesma ora oferecida. Vejamos conclusão exarada pela então Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Acórdão nº. 2401003.487): As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei, não interessando se feitos no próprio documento, ou em documento apartado, mas desde q ue cumprase o mesmo rito para sua formalização, que é a participação dos trabalhadores na composição desses critérios. Ora, resta inconteste que os programas de metas (PME e PLRGDP) foram disponibilizados pela recorrente à fiscalização. Assim, não nos parece crível, tampouco razoável exigir que as metas dos planos de metas da recorrente, e de qualquer outro contribuinte, constem expressa e detalhadamente no Acordo Coletivo de Trabalho. Ora, no presente caso, tratase de pessoa jurídica com centenas (ou milhares) de funcionários, com dezenas (ou centenas) de setores operacionais e administrativos, sendo absolutamente ilógico se exigir que tais metas estejam expressas no acordo do Acordo Coletivo de Trabalho. Ademais, destacase, este também não é o comando da Lei nº. 10.101/00, que exige que as metas sejam de conhecimento prévio dos trabalhadores e posteriormente divulgadas a estes, que incentivem a sua produtividade e existam mecanismos de aferição de resultados. Ora, para que tais objetivos sejam atingidos, tem que estar expressamente contidos no ACT? O fato de constarem em programas próprio, mantidos pela empresa e que sejam exteriorizados aos funcionários, posto que com eles discutidos e a eles divulgados, desnatura a verba paga a título de PLR? Dar aos dispositivos da Lei nº. 10.101/00 a interpretação absolutamente restritiva, bem como descolada da realidade dos fatos e do mercado de trabalho, é simplesmente querer criar mecanismos de inviabilizar o pagamento de participação nos lucros para o fim de se exigir a contribuição previdenciária incidente sobre tais, como se salários fossem. Porém, não foi esta a intenção do constituinte e do legislador infraconstitucional. Este E. Conselho em outras oportunidades já enfrentou a questão e assim decidiu, em casos julgados e decididos por voto da maioria, e não de qualidade, de onde deve ser extraída a essência da jurisprudência desta casa, qual seja, pelas razões de decidir e não pelos seus simples resultados: Mais a mais, a maioria dos Acordos e/ou Convenções Coletivas são elaboradas por Sindicados das respectivas categorias de maneira ampla, o que não impede as empresas participantes de melhor aclarar o regramento geral prestabelecido levando em consideração suas especificidades, conquanto que não contrarie os termos do Acordo. Fl. 9367DF CARF MF 36 Em outras palavras, a partir de um Acordo e/ou COnvenção Coletiva contemplando o Programa de PLR de modo geral para determinada categoria, poderão as empresas interessadas se aprofundar nas condições a serem cumpridas por seus funcionários para o recebimento de tal verba, admitindo com mais especificidades as peculiaridades de cada uma, conquanto que tais diretrizes, igualmente, sejam de conhecimento de todos os funcionários, com o fito de lhes conferir a devida segurança de que receberão sua participação nas hipóteses de atingimento das metas/objetivos estabelecidos. (CARF, Acórdão nº. 9202 003.105 2ª Turma CSRF, 25/03/2014) No mesmo sentido, quanto à interpretação da Lei nº. 10.101/00, em acórdão unânime: A desdúvida, temos que a participação nos lucros é um direito do trabalhador, e com esse viés constitucional a norma deve ser interpretada, pois não se pode dar sentido à norma protetora de modo a lhe conferir caráter penalizador, pois esta não é a previsão Constitucional, pelo contrário. Caso assim fosse, perderia seu sentido. (CARF, Acórdão nº. 2803002.552, 3ª Turma Especial da 2ª Seção, 18/07/2013) A questão que precisa ser respondida é: O FATO DAS REGRAS NÃO CONSTAREM EXPRESSA E DETALHADAMENTE NO ACORDO COLETIVO DE TRABALHO IMPLICA EM DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS DA LEI Nº. 10.101/00? No caso presente, haja vista a existência de programas de aferição de metas e resultados (como reconhecido pelo AFRFB), a resposta é NÃO, devendo este fundamento (ausência de menção expressa das regras no ACT) ser afastado para o fim de descaracterização do pagamento a título de PLR nas rubricas ora em análise. Assim, no tocante as rubricas ora em análise, o argumento de ausência de estipulação de metas nos Acordos Coletivos deve ser afastado, ante as razões acima expostas. d.1.2.) Da assinatura dos acordos coletivos em períodos próximos ou posteriores aos pagamentos O fundamento para desconsideração dos pagamentos a título de PLR se deu (somado aos demais) pelo fato de os acordos coletivos assinados se referirem ao pagamento de lucros ou resultados a períodos anteriores a assinatura ou muito próximos as datas desta. Todavia, em complementação a fundamentação apresentada no tópico acima, entendo que tal fato não deve implicar, por si só, a descaracterização do pagamento dos lucros ou resultados. Explico. Se as metas, regras, mecanismos de aferição e demais características dos planos para pagamento da PLR não necessitam estar expressamente contidos no Acordo Coletivo de Trabalho, por qual razão exigir que o referido acordo seja pactuado previamente? Importante destacar que, o que deve ser buscado é se, e somente se, as pessoas sujeitas aos pagamentos de PLR tinham o conhecimento das regras dos referidos programas. Eis o que dispõe a própria Lei nº. 10.101/00: Fl. 9368DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.351 37 Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: [...] § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifamos) Ora, a própria lei estabelece que os programas de metas, resultados e seus prazos podem ser "pactuados previamente". Mais uma vez, precisase interpretar os fatos buscandose a sua realidade e a real intenção do legislador, constitucional e infraconstitucional. Portanto, o que deve ser analisado nos pagamentos das referidas rubricas é o seguinte: OS PAGAMENTOS REALIZADOS FORAM FEITOS À MARGEM DO CONHECIMENTO DOS SEUS BENEFICIÁRIOS ACERCA DA EXISTÊNCIA DE MECANISMOS E/OU AFERIÇÃO DE METAS, SEM A EXISTÊNCIAS DE REGRAS E A SUA DIVULGAÇÃO? Ao que nos parece, não. Tampouco o AFRFB aprofundouse nessa verificação. Como se viu dos fatos acima, o fato para a desconsideração foi a análise objetiva da data dos pagamentos e a data da assinatura dos acordos coletivos. Assim já decidiu a 2ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho, por maioria de votos (4x2) acerca deste ponto específico: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). Uma vez comprovado que os segurados tinham prévio conhecimento das metas e demais requisitos para o benefício, ainda que a assinatura do acordo seja posterior ao exercício de apuração, entendese cumprida e superada a exigência legal. Assim, sendo o fundamento do auto de infração a assinatura dos acordos coletivos em períodos posteriores aos a que se refiriam os pagamentos, o fato de toda a documentação costada ao processo administrativo fiscal (fls. 1967 e seguintes) demonstrarem, inequivocamente, que desde o início do ano de 2007 estavam firmados os planos de metas, métodos d avaliação, divulgação de resultados etc, atestam que este requisito (conhecimento e negociação pelos empregados) estava atendido para este período. Fl. 9369DF CARF MF 38 Portanto, afastando o referido fundamento (data da assinatura do Acordo Coletivo) para os lançamentos referentes às competências dos anoscalendários 2007 e 2008, que são os que tiveram provas apresentadas no presente processo (fls. 1967 e ss.). d.1.3.) Do lançamento sobre as verbas pagas a título de PLR aos diretores A fiscalização apresenta, para o lançamento sobre o PLR ofertados aos diretores não empregados da empresa, os mesmos fatos e argumentos das demais rubricas, sem adentrar no mérito de que os diretores, por disposições da Lei nº. 10.101/00 não se aplicariam aos diretores, por não revestirem a natureza de "empregados". Vejase: Contudo, os recorrentes apresentam os seus argumentos adentrando especificamente ao mérito da matéria, razão pela qual passo a tecer as razões a seguir. A recorrente defende que inúmeras decisões administrativas corroboram com a possibilidade de pagamento da PLR aos diretores não empregados na forma da Lei nº. 10.101/00, assim, apurava os valores pelo Plano de Gestão e detinha como limitador e autorizados para pagamento os limites da Lei nº. 6.404/76, sempre com anuência dos seus acionistas. Tratase de matéria deveras já apreciada no presente Conselho, com jurisprudência em ambos os sentidos. Nesse caso, tendo em vista o rigor técnico e a clareza da fundamentação utilizada pela Conselheira Ana Paula Fernandes, em declaração de voto proferida no acórdão nº. 9202004.261, de 23 de junho de 2016, na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujo entendimento restou vencido por voto de qualidade, reproduzo e utilizo como razões de decidir: "A base normativa das contribuições previdenciárias, além do art. 195, I, “a” da Constituição, é a Lei nº 8212/91. Esta, até pela delimitação expressa da Lei Maior, limita a tributação previdenciária a rendimentos do trabalho, somente1. Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho. A dicotomia entre rendimentos do trabalho e capital, de forma alguma, é tema inédito. Desde Adam Smith, é consensual que o salário decorre do trabalho, enquanto o lucro retrata o rendimento do capital investido pelo empresário. Mesmo na atualidade os economistas contemporâneos, ainda que Fl. 9370DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.352 39 eventualmente críticos às premissas e conseqüências do sistema capitalista, não argúem qualquer contrariedade a esta clássica concepção3. É também intuitivo, mesmo para o público leigo, que um conceito não se confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de modo algum, possui liame imediato com o lucro. Não são incomuns as situações de empresários que, mesmo após longa dedicação ao seu mister, não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam relevante perda patrimonial. Já para trabalhadores, com ou sem vínculo empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a eles o risco da atividade econômica, o qual, por natural, é assumido pelo empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade profissional desempenhada. Por fim, a distinção encontra espaço, também, no direito positivo brasileiro, por meio do art. 43 do Código Tributário Nacional, o qual dispõe: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” (grifei) Como se nota do art. 43, I do CTN, renda tributável, para fins do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é aquela decorrente do produto do capital e/ou trabalho. Ou seja, se há incremento patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das retribuições pecuniárias pelos seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável. A base de incidência do imposto de renda é mais ampla que os rendimentos do trabalho. Incluemse proventos de capital e trabalho. Ambos configuram renda. A dicção legal é clara e não deixa qualquer dúvida sobre a separação necessária entre os conceitos. Igualmente transparente que a Constituição de 1988, mesmo após a EC nº 20/98, optou por tributar, para fins previdenciários, somente os rendimentos do trabalho. Aqui, enfim, são extraíveis duas conclusões importantes. Primeiro, existe uma distinção relevante, reconhecida ontológica e normativamente, entre rendimentos do trabalho e do capital. Fl. 9371DF CARF MF 40 Segundo, tal distinção, ainda que irrelevante para o imposto de renda, tendo em vista seu foco na majoração do patrimônio do contribuinte (renda líquida), é fundamental para a contribuição previdenciária patronal, restrita, por mandamento constitucional e legal expresso, a rendimentos do trabalho, somente. Ignorar tal previsão traz como conseqüência o grave equivoco da tributação previdenciária sobre lucros e resultados a administradores não empregados. Ao contrário do imposto sobre a renda, a incidência previdenciária é circunscrita aos rendimentos do trabalho, unicamente. A disposição é categórica e cristalina. Ainda que permita a inclusão de trabalhadores sem vínculo empregatício, somente valores derivados do trabalho podem sofrer a respectiva tributação. Como não poderia ser diferente, caminha no mesmo sentido a regulamentação infraconstitucional da matéria, em estrita observância do mandamento constitucional. III. A IMPOSSIBILIDADE DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA E A LEI Nº 6.404/76 Após o advento da Emenda Constitucional nº 20/98, ao ampliar as possibilidades de incidência da cota patronal previdenciária, a correspondente adequação legal veio com a Lei nº 9.876/99, ao dar nova redação ao art. 22, I da Lei nº 8.212/91, responsável pela previsão da cota patronal previdenciária: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifei). Como se nota – e não poderia ser diferente – o legislador ordinário, em perfeita adequação ao novo mandamento constitucional, alargou a incidência da cota patronal previdenciária, como era desejado desde a Lei nº 7.787/89, mas desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se percebe do preceito reproduzido, a incidência é, ainda, restrita aos rendimentos do trabalho. Dito de outra forma, ampliase a base de incidência da cota patronal não por incluir valores outros além dos rendimentos do trabalho, mas, unicamente, pela inserção de remunerações Fl. 9372DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.353 41 pagas ou devidas a outros segurados, além de empregados. Este sempre foi o real objetivo da alteração constitucional, aqui devidamente conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue a incidência de contribuições previdenciárias sobre os lucros e resultados de diretores não empregados. Não é de imposto de renda que se trata, mas sim de contribuição previdenciária. Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212⁄ 91, no art. 28, III, a qual prevê, como saláriodecontribuição de contribuintes individuais, a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. O pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se trata de rendimento do trabalho. Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, no art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, na precisa dicção do RPS, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, no art. 201, § 5º, expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Apesar de tratarse, em regulamento, de tema específico da tributação de sócios administradores de sociedades civis, os Fl. 9373DF CARF MF 42 quais, não raramente, camuflam suas remunerações por meio de lucros arbitrados e desprovidos de suporte contábil, há importante reconhecimento, ainda que implícito, da ausência de tributação dos rendimentos derivados do capital. Também incabível arguir que o tratamento dado a sócios administradores de sociedades prestadoras de serviço não possam, como exposto no art. 201, § 5º do RPS, aplicarse a administradores não empregados de sociedades anônimas. Esta distinção não existe na legislação previdenciária4. Desde o advento da Lei nº 9.876/99, ao criar o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, notase a rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. Este aspecto consta, expressamente, da exposição de motivos do Projeto de Lei nº 1.527/99, que resultou na Lei nº 9.876/995. A previsão é, em certa medida, desnecessária, tendo em vista a falta de suporte constitucional para sua tributação. De toda forma, sua inclusão em regulamento, externando a interpretação da própria Administração, reflete relevante fundamento para o adequado tratamento previdenciário aos valores de lucros e resultados pagos a administradores. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. Em resumo, estamos diante de uma não incidência. 4 Também importa notar o art. 152 da Lei nº 6.404/76, ao estabelecer que eventual distribuição de valores derivados do trabalho ou capital é atribuição da Assembléia Geral, nas regras internamente estabelecidas. A inaplicabilidade da Lei nº 10.101/00 ao caso, tendo em vista também a existência regramento mais específico, não implica a admissão, na base previdenciária, de valores completamente desvinculados do rendimento do trabalho. Como se disse, adota o fisco federal uma premissa correta para alcançar uma conclusão errada. Os rendimentos pagos a administradores não empregados, nos termos da Lei nº 6.404/76, em posição oposta aos valores pagos a empregados, não possuem correlação necessária com o trabalho, não possuindo, portanto a mesma natureza contraprestacional que o salário. Em razão disto, para empregados, seria necessária a lei qualificando e delimitando os valores desprovidos de natureza salarial, dentro de um quadro normativo rigoroso. Para administradores, como a regra é diversa, a necessidade de legislação especifica perde o sentido. Neste sentido, merece referência a Instrução CVM nº 480, de 7 de dezembro de 2009. A mesma, ao dispor sobre a retribuição pecuniária a administradores, expressamente prevê, em extensa regulamentação, a necessária apresentação de indicadores de desempenho, composição com eventos societários diversos, como alienação de controle acionário, apólices de seguros, e até mesmo o pagamento em ações (item 13). Enfim, o art. 152 da Lei nº 6.404/76, ao pretender acabar com a tradição até então existente de pagamentos meramente simbólicos a administradores, em momento algum pretendeu convertêlos em verbas salariais. A própria suspensão do contrato de emprego, Fl. 9374DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.354 43 nas hipóteses de promoção de empregado à diretoria, já denota a natureza diversa da relação jurídica estabelecida e, por conseqüência, dos valores recebidos. Pouco referido, mas igualmente importante, como forma de evidenciar a ausência de natureza salarial de valores pagos a administradores não empregados, é a regulamentação da matéria na Lei de Falências (Lei nº 11.101/05). A citada lei, no art. 83, prevê a prioridade dos créditos trabalhistas no processo de falência, limitados a 150 salários mínimos (inciso I). Já os créditos devidos de sócios e administradores, no extremo oposto da lista, são qualificados como créditos subordinados (inciso VIII). Ora, se os valores devidos a administradores são dotados de natureza salarial, como deseja a fiscalização federal, como poderiam não possuir o mesmo privilégio que os valores devidos a empregados, nos limites previstos na Lei nº 11.101/05? Não poderia a lei prever uma igualdade de natureza jurídica para fins tributários e outra para fins trabalhistas e falimentares. Sob qualquer perspectiva, a premissa fiscal não se sustenta. Nesse sentido, inclusive o professor Fábio Zambitte se manifestou recentemente em artigo publicado no Portal Jurídico Migalhas: "Não obstante o cenário negativo nas jurisprudências judicial e administrativa, tenho convicção que a cobrança da cota patronal previdenciária sobre os valores pagos a diretores não empregados não encontra suporte tanto na Constituição como na legislação vigente, externando incongruências irreconciliáveis com a própria regulamentação administrativa da matéria. O tema ainda sofre com as compreensões equivocadas sobre base tributável previdenciária, não raramente tentando igualar as dinâmicas impositivas do imposto de renda e da cota patronal previdenciária. Tal premissa, além de contrária a todos os preceitos normativos vigentes, ainda ignora o papel do sistema protetivo como substituidor de rendimentos habituais, responsáveis pela manutenção do segurado e sua família. A tentativa de alargamento forçado da base previdenciária, mais do que uma preocupação abstrata com a correta aplicação das regras legais e constitucionais de competência tributária, traduz uma arbitrariedade fiscal com foco exclusivo no aumento de receitas para um sistema atuarialmente desequilibrado. Sem embargo, insisto que, como reconhece a própria regulamentação administrativa, se um contribuinte individual, sócio administrador de sociedade limitada, pode receber valores derivados do capital – lucro – sem a consequente tributação e independente da submissão aos ditames da Lei nº 10.101/00, o mesmo valerá para qualquer contribuinte individual, o que inclui diretores não empregados de sociedades anônimas". Fl. 9375DF CARF MF 44 Por todo o exposto, dou provimento ao recurso do contribuinte para fins de reformar o acórdão recorrido, devendo ser cancelados os autos de infração, pois não há juridicamente como se falar em contribuição previdenciária dos valores pagos pela recorrente a título de PLR aos diretores estatutários, nos termos do artigo 152, § 1 da Lei 6404/76, tendo em vista expressa norma de isenção instituída pela alinea "j", §9, do artigo 28 da Lei 8212/91." Assim, com base nas razões acima reproduzidas, por entender cabível a incidência da contribuição previdenciária incidente sobre o pagamento de PLR a diretores não empregados, afasto o lançamento sobre a rubrica objeto de análise no presente subtópico. e) Da alegação de nulidade por quantificação equivocada do crédito tributário Os recorrentes alegam que trouxeram ao presente processo administrativo fiscal laudo pericial que demonstraria divergências na base de cálculo das contribuições previdenciárias e as contribuições de terceiros levantadas pela autoridade fiscal. Assim, ainda que apontadas divergências nas bases de cálculo das competências albergadas pelo lançamento, não se faz necessária a realização de nova diligência, como requerido pelas recorrentes. Ainda que o referido perito tenha apontado tais divergência, não vislumbro a incorreção inequívoca do lançamento comprovada mediante o laudo pericial, tampouco que não tenha sido apreciada pela fiscalização quando da primeira diligência realizada. Isto posto, afasto a referida alegação de mérito acerca de eventual nulidade do crédito tributário lançado e necessidade de nova diligência. f) Do equívoco da fiscalização na correta utilização da alíquota SAT Alega que possui decisão judicial, transitada em julgada, nos autos de Mandado de Segurança nº. 1997.38.00043120 (fls. 2248 e ss.), onde lhe foi concedido o direito de apurar a alíquota RAT/SAT de acordo com o grau de risco avaliado em cada estabelecimento da empresa. De fato, a recorrente traz ao presente processo administrativo fiscal (docs. 167 e 17 da impugnação fls. 2248 e ss.) a cópia da petição inicial e do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça que lhe conferem o direito ao recolhimento na sistemática pleiteada. No presente caso, tal método não foi observado pelo AFRFB na realização do lançamento ora em análise, haja vista, é verdade, o fato de que, pelo que se observa dos autos, tal informação não foi repassada pela então fiscalizada ao AFRFB. Por esse motivo, entendo incabível a nulidade do lançamento, todavia, entendo que, independente da conclusão deste colegiado quanto aos demais tópicos do lançamento, além da majoração ou não da cobrança adicional em virtude dos riscos ocupacionais do trabalho, deverá a autoridade preparadora observar o decisum dos autos de Mandado de Segurança nº. 1997.38.00043120 e aplicar a alíquota RAT/SAT nos termos que lá estabelecido. Fl. 9376DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.355 45 Isto posto, no presente tópico, dou parcial provimento ao recurso voluntário para o fim de que seja aplicada a alíquota SAT/RAT a cada um dos estabelecimentos da recorrente (principal) e suas filiais, nos termos da decisão judicial transitada em julgado que lhe acoberta, sendo a alíquota a ser aplicada aquela já indicada pela própria contribuinte nas suas GFIPs transmitidas nos períodos compreendidos nas competências do presente lançamento. e) Dos riscos ocupacionais. Cobrança do adicional previsto no art. 57 da Lei nº. 8.213/91 São exigidos no presente lançamento contribuições a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social para financiamento do benefício previsto nos artigos 57 e 58 da Lei nº. 8.213/91, sobre os pagamentos aos segurados empregados cujos ambientes de trabalho os sujeitam à exposição a agentes nocivos. Em que pese ter restado vencido na preliminar apresentada de necessidade de realização de perícia para a verificação do lançamento quanto à verificação ou não de agentes nocivos nos estabelecimentos da recorrente, passo a analisar o mérito do referido ponto do lançamento. Destaco que, em virtude da ausência de realização in loco, que considero imprescindível, teremos aqui simplesmente a seguinte análise: documentos apresentados pela contribuinte que ensejaram o lançamento versus documentos apresentados pela contribuinte que combatem o lançamento. Nos termos do AFRFB, eis os fundamentos para o lançamento: Fl. 9377DF CARF MF 46 Ainda, afirma que o controle trouxe dúvidas quanto ao fornecimento dos EPIs pela empresa e respectivo recebimento pelos empregados, pois não consta a data efetiva do recebimento e qual o EPI recebido. Alega inexistir controle com a data de troca e quais os EPIs foram entregues aos empregados. e que não há comprovação de quais os certificados de aprovação CA do Ministério do Trabalho dos EPIs utilizados na empresa. Especificamente quanto ao agente de risco calor, alega que a empresa confirma a existência deste acima do limite de tolerância e este agente não possui EPI autorizado pelo MTE. Também, o fato de existir número excessivo de exames alterados no relatório anual do PCMSO indica a exposição dos seus empregados aos agentes nocivos. Como se vê, embora pareça uma discussão fática, de análise pormenorizada do ambiente de trabalho da empresa recorrente (principal), na verdade tratase de questão conceitual, ante a simples análise de documentos acostados pela própria empresa. Importante destacar o fundamento legal que enseja a autuação: Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. Fl. 9378DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.356 47 § 3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social–INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. § 4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício. Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. Ora, a questão que precisa ser atestada é a seguinte: há a comprovação de que empregados da recorrente se sujeitam à tempo de trabalho permanente, em condições especiais que prejudiquem a sua saúde ou integridade física? Há, ainda, comprovação de exposição a agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação ed agentes prejudiciais à saúde ou á integridade física? Da análise do Relatório Fiscal, em confronto com a documentação apresentada pelo contribuinte (fls. 22908977), não é possível atestar, inequivocamente, de que os empregados da contribuinte recorrente se sujeitam a esses agentes, nos termos acima expostos, sem que recebam por parte do seu empregador as medidas protetivas e atenuantes dessas exposição sofridas. O conjunto probatório da Recorrente é robusto, contra o único documento utilizado pela fiscalização ("PLANILHA RECEITA FEDERAL VERSÃO FINAL") fornecido pela então fiscalizada, vejase (exemplificativamente): a) Nova planilha com retificação das informações contidas na planilha utilizada pelo AFRFB (Doc. 18 da impugnação fls. 2290 e ss.); b) fornecimento dos EPIs; c) Medições de ácido fluorídrico, que atestam estar dentro da tolerância; d) Medições quanto ao agente ácido cluorídrico; e) Medições quanto ao agente "poeira de manganês" e "poeira total" (doc. 19 da impugnação fls. 22908977); f) Programa PPR Programa de Proteção Respiratória (doc. 20 da impugnação); g) Amostragens quanto aos agentes "poeira/fumos metálicos" e "poeiras metálicas de cromo", Fl. 9379DF CARF MF 48 f) amostragens quantos aos agentes tolueno e xileno (doc. 18 da impugnação); g) EPIs específicos aos agentes óleos minerais, graxas/óleos e solventes, nos docs. 21 e 22 da impugnação); h) relação dos funcionários expostos ao agente calor de forma meramente intermitente (doc. 23 da impugnação), além de melhorias para amenização do referido agente (doc. 24 da impugnação proteção e melhorias nos postos de trabalho sujeitos a sobrecarga térmica); i) treinamento de empregados para o uso de EPIs e relatórios do Sistema SAIA (docs. 27, 28 e 29 da impugnação), que trata de auditoria acerca do adequado uso e manutenção dos EPIs. Ora, nos parece que a questão precisa ser julgada, invariavelmente, albergada pelos princípios da razoabilidade e da verdade material. Como confrontar um lançamento, baseado em meras informações contidas numa planilha apresentada pelo contribuinte, com o robusto conjunto probatório apresentado pelo contribuinte? Destaco o art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. No presente caso, das duas uma: a) ou a fiscalização confronta a planilha apresentada pela recorrente (retificada) com toda a documentação apresentada que vise a atenuação da exposição dos agentes aos riscos; b) ou se realiza uma pesquisa in loco (deveria ter feito à época) a fim de atestar se eventuais informações contidas em planilhas são, de fato, verificadas, ou são meramente exposições eventuais e atenuadas por medidas de proteção. Ressaltese que a alegar que o relatório de entrega de EPIs solicitados, contém meras imprecisões ou, mesmo, não atendem a requisitos exigidos em normas técnicas de períodos posteriores ao abrangido pela autuação fiscal (Norma Regulamentadora nº. 6). Destacase ainda depoimentos de empregados em acções trabalhistas acerca da existência de medidas protetivas (EPIs) e fornecimento e controle destes pela empresa (docs. 35 e 36 da impugnação) Portanto, o conjunto probatório apresentado na peça fiscal acusatória no presente processo administrativo fiscal, não se faz suficiente para atestar, em vista do princípio da verdade material, a inequívoca exposição de todos os empregados da recorrente que se sujeitaram a conclusão fiscal de exposição a agentes nocivos de risco. Fl. 9380DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.357 49 Razão pela qual, ante o conteúdo probatório apresentado pelo contribuinte, entendo que merece provimento o recurso voluntário para os fins de afastar o lançamento do adicional previsto nos artigos 57 e 58 da Lei nº. 8.213/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, voto por DAR PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 9381DF CARF MF 50 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço licença ao nobre Relator para discordar do voto proferido, exclusivamente nas matérias a seguir expostas. a) Pedido de perícia Na fase recursal a recorrente reiterou o pedido de perícia, o qual havia sido indeferido em primeira instância. O Relator conclui pela necessidade da realização da perícia requerida pela autuada, a fim de que fossem analisados e respondidos os diversos quesitos formulados relacionados à exposição dos empregados a agentes nocivos e ao pagamento de participação nos lucros ou resultados. O exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. É dizer que a realização da perícia não constitui direito subjetivo do interessado. Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia não é motivo suficiente para declaração de nulidade da decisão, tampouco para caracterizar o cerceamento do direito de defesa. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica para a elucidação dos fatos e/ou como instrumento de convicção para a solução da lide. Pois bem. Os esclarecimentos solicitados pela recorrente prescindem de análise pericial. Com relação aos planos de participação nos lucros ou resultados, a demonstração da inocorrência de fatos alegados pela autoridade lançadora se dá por meio de provas documentais, mediante juntada pela interessada dos acordos coletivos, programas de participação nos lucros ou resultados, planos de metas e mecanismos de aferição, das planilhas de avaliação e controle de desempenho dos trabalhadores, atas de participação formal do sindicato da categoria ou da comissão paritária nas negociações, entre outras. À primeira vista, o julgador administrativo está habilitado a apreciar a documentação relacionada às matérias controvertidas que deve ser juntada aos autos pela parte interessada, ficando dispensado o pronunciamento alheio para a apreensão de fatos, bem como para o convencimento do julgador a respeito do conjunto probatório como um todo carreado ao processo administrativo. Dessa feita, não enxergo o motivo pelo qual a comprovação das alegações da recorrente não possa ser realizada no corpo dos autos, necessitando da colaboração de um perito para elucidar as questões propostas. Fl. 9382DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.358 51 Como cediço, a perícia não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. No tocante à perícia destinada à averiguação dos riscos ambientais e das medidas protetivas adotadas pela empresa, acrescento que é incerta a própria viabilidade da prova pericial. O pedido do sujeito passivo tem por objetivo essencialmente conhecer a realidade fática no ambiente de trabalho, que abrangeu os anos de 2007 a 2008 (Anexo ANFOPAGRO FOLHA DE PAGAMENTO SEGURADOS COM RISCO OCUPACIONAL, às fls. 1.175/1.706). Quando da decisão de primeira instância, no ano de 2014, a utilidade da prova pericial já era bastante questionável, dada a probabilidade concreta de haver desaparecido, ou se modificado, as fontes de prova. Ainda mais agora em 2016, transcorridos que são quase 10 (dez) anos dos fatos contestados, não me parecendo estar presente o requisito da praticabilidade exigido para a realização do exame pericial. Ressalto, por oportuno, que a constituição do crédito tributário apoiouse em dados retirados de demonstrações ambientais fornecidas pela empresa, as quais foram elaboradas com base em trabalho "in loco", contemporâneo aos fatos geradores, realizado por profissionais habilitados em medicina e segurança do trabalho contratados pelo sujeito passivo para esse fim (item 1.5.1 do Relatório Complementar, às fls. 7.226/7.227). Por sua vez, o Laudo Pericial trazido pela empresa, acostado às fls. 6.160/6.442, embora apresente conclusões parcialmente distintas das apresentadas no Relatório Fiscal, não é contemporâneo aos fatos geradores discutidos neste processo, dado que a avaliação foi realizada no ano de 2010, o que lhe atribui menor força axiológica como elemento de prova. Cabe ainda dizer que a legislação tributária não impõe a verificação "in loco" das condições ambientais dos segurados empregados, ou mesmo a manifestação de um profissional da área de segurança ou medicina do trabalho, como requisito necessário, indispensável e prévio à constituição do crédito tributário relativo ao adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial. Logo, deve ser mantido o indeferimento do pedido de perícia, conforme decisão de piso, prosseguindose no exame das demais matérias de defesa contidas na peça recursal. b) Sujeição passiva solidária Concordo com o I. Relator quando afirma que a autoridade lançadora não "fez qualquer prova, tampouco apresenta argumentos que atestem a existência do grupo econômico". Por isso, escorreita a sua conclusão de afastar do polo passivo as pessoas jurídicas arroladas como responsáveis solidários, Aperam Inox Serviços Brasil Ltda, Arcelormittal Inox Brasil Tubos Ltda e Arcelormittal Bioenergia Ltda (item 11 do Relatório Fiscal, às fls. 61). Fl. 9383DF CARF MF 52 Minha objeção diz respeito tão somente ao fato de o Relator excluir a responsabilidade tributária solidária por fundamento mais amplo, inclusive exigindo a vinculação das empresas com os fatos geradores objeto de lançamento para o fim de impor a solidariedade. A responsabilidade solidária apontada pela fiscalização sustentase no inciso II do art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), c/c inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (...) Lei nº 8.212, de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Em meu ponto de vista, seria suficiente a caracterização do grupo econômico formado pelas empresas, nos moldes do art. 494 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009. É certo, contudo, que a autoridade lançadora não fez o mínimo esforço no Relatório Fiscal para demonstrar a ocorrência da hipótese prevista em lei. c) Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) Como bem pontuado pelo I. Relator, uma das discussões centrais de mérito no processo administrativo envolve o pagamento pela empresa de participação nos lucros ou resultados a seus segurados empregados e contribuintes individuais (diretores não empregados). Segundo a fiscalização, ao deixar de respeitar as regras e os requisitos legais estabelecidos na legislação tributária, a empresa atraiu a incidência sobre tais pagamentos das contribuições previdenciárias, assim como das contribuições reflexas devidas a terceiros. Com contraposição, a recorrente defende que a política de pagamento de remuneração variável operacionalizada pela empresa atende aos ditames constitucionais e legais e, portanto, escapa à tributação. Os documentos que instruem os autos bem demonstram a estrutura dos programas de participação nos lucros ou resultados implementados pelo sujeito passivo ao Fl. 9384DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.359 53 longo do período fiscalizado. De uma forma transparente, o recurso voluntário reforça os modelos adotados pela empresa e defende a desvinculação dos pagamentos com relação à parcela salarial devida aos trabalhadores (fls. 9.051/9.119). No que tange aos segurados empregados, o pagamento da participação nos lucros ou resultados é composto de dois modelos denominados "PME" e "GEDP": (i) O Plano de Metas por Equipe (PME) é aplicável aos empregados chamados "operacionais/administrativos", a partir da fixação e avaliação do cumprimento de metas por equipe e metas gerais (fls. 1.967/1.981). (ii) Já o Programa de Gestão de Desempenho (GEDP) está baseado em metas individuais dos empregados e metas corporativas, com aplicação aos gerentes, consultores, analistas e técnicos de nível superior especializado (fls. 2.129/2.145). (iii) Além disso, a negociação coletiva estabelece um "plus" fixo, de forma adicional aos resultados acima mencionados. Quando aos diretores não empregados, a participação nos lucros ou resultados é paga na forma de remuneração variável aferida considerando o atingimento de metas individuais e corporativas, utilizandose da mesma sistemática do Programa GEDP, a eles também voltado (fls. 2.129/2.145). No curso do procedimento fiscal, a autoridade lançadora identificou que os pagamentos realizados pela empresa em função dos programas de participação nos lucros ou resultados estavam segregados por rubricas, discriminadas nas folhas de pagamento e escrituração contábil. Por uma questão metodológica, a fiscalização optou em expor a situação concreta existente quanto às participações pagas aos segurados empregados e diretores estatutários igualmente tomando como referência as rubricas utilizadas pela empresa na sua documentação. Não significa, porém, compreender que as razões da autoridade fiscal para a constituição do crédito tributário devem ser analisadas isoladamente, deixando de lado, para fins de confronto com a disciplina da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, o exame integrado dos programas de participação nos lucros ou resultados. Ao detalhar a legislação tributável aplicável aos fatos jurídicos, o agente fiscal destacou que a participação nos lucros ou resultados tem por finalidade a integração entre o capital e trabalho, como incentivo à produtividade, devendo atender a vários requisitos para ficar de fora do alcance da tributação, em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000 (item 5.2 do Relatório Fiscal, às fls. 41): 5.2 Para que a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa não se constitua base de incidência de contribuições previdenciária, urge que os pagamentos ou créditos a este título atendam à normatização trazida pela MP 794/94 (reedições posteriores), transformada na Lei nº 10.101 de 19/12/2000, que regula a referida participação como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e Fl. 9385DF CARF MF 54 como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Notadamente o artigo 2º da Lei nº 10.101 traz a obrigatoriedade de que os pagamentos ou créditos a título de participação nos lucros e resultados seja objeto de negociação entre a empresa e seus empregados através de uma comissão escolhida pelas partes ou através de acordo/convenção coletiva, sendo que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, critérios e condições de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Passase, na sequência, à análise dos pagamentos realizados pela recorrente a título de participação nos lucros ou resultados. c.1) PLR aos segurados empregados De acordo com o art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, a participação nos lucros ou resultados deverá decorrer de negociação coletiva entre o empregador e os seus empregados, nesses termos: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Independentemente da via de negociação adotada, é obrigatória a participação do sindicato representativo da categoria. Há uma expressa, literal e inequívoca determinação do legislador ordinário nesse sentido. Mesmo a comissão paritária escolhida pela empresa e trabalhadores para tratar do programa de pagamento adicional como incentivo à produtividade, deverá contar com a participação de um representante do sindicato. A previsão de intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade assegurar os interesses dos trabalhadores e contribuir para um melhor equilíbrio de forças com vistas à elaboração do documento que conterá os direitos substantivos e regras adjetivas da Fl. 9386DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.360 55 participação. Com o arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical, além de comprovar os termos celebrados, possibilita exigir da empresa o cumprimento das regras estipuladas. A empresa se refere à existência de programas espontâneos, posteriormente convalidados pela negociação coletiva anual entre empregador e sindicato, por intermédio da assinatura de acordos coletivos. A fiscalização trouxe aos autos os correspondentes Acordos Coletivos de Trabalho (fls. 1.115/1.152). No Relatório Fiscal, há um breve resumo com as cláusulas associadas à participação dos empregados nos lucros ou resultados (item 5.3, às fls. 41/42). Para melhor análise do conteúdo daa cláusulas, reproduzo as disposições contidas nos acordos coletivos de trabalho. Acordo Coletivo de Trabalho de 2006/2007 (fls. 1.115/1.127) Vigência: 1º/11/2006 a 31/10/2007 Registro: 29/1/2007 CLÁUSULA 14ª PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 2006: As partes estabelecem o pagamento de uma parcela fixa, no valor de R$ 3.100,00 (três mil e cem reais), mais o valor correspondente a 80% (oitenta por cento) do salário nominal de cada empregado, garantindose um valor mínimo de R$ 4.370,00 (quatro mil e trezentos e setenta reais) a ser pago no mês de janeiro de 2007. Deste total será deduzido o valor de R$ 1.100,00 (mil e cem reais) adiantados em julho de 2006. § 1º Fazem parte desta cláusula os valores do PME Plano de Metas por Equipe, referentes ao primeiro semestre de 2006, pagos no mês de julho de 2006 e os valores do segundo semestre de 2006, que serão pagos no mês de janeiro de 2007. § 2º Não se incluem nesta cláusula os Aprendizes de Ofício. § 3º O valor pago a título de participação nos lucros não integrará o salário para qualquer efeito, não sendo incorporado pra efeito de cálculo de parcelas rescisórias, benefícios e/ou demais consectários. Acordo Coletivo de Trabalho de 2007/2008 (fls. 1.128/1.140) Vigência: 1º/11/2007 a 31/10/2008 Assinatura: 6/3/2008 CLÁUSULA 13ª PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 2007: As partes estabelecem o pagamento de uma parcela fixa, no valor de R$ 3.600,00 (três mil e seiscentos reais), mais o valor correspondente a 80% (oitenta por cento) do Fl. 9387DF CARF MF 56 salário nominal de cada empregado, garantindose um valor mínimo de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais) a serem pagos até 7 (sete) dias úteis após a assinatura do Acordo. Deste total será deduzido o valor de R$ 1.300,00 (mil e trezentos reais) adiantados em julho de 2007. § 1º Fazem parte desta cláusula os valores do PME Plano de Metas por Equipe, referentes ao primeiro semestre de 2007, pagos no mês de julho de 2007 e os valores do segundo semestre de 2007, pagos no mês de janeiro de 2008. § 2º Não se incluem nesta cláusula os Aprendizes de Ofício. § 3º O valor pago a título de participação nos lucros não integrará o salário para qualquer efeito, não sendo incorporado pra efeito de cálculo de parcelas rescisórias, benefícios e/ou demais consectários. Acordo Coletivo de Trabalho de 2008/2009 (fls.1.141/1.152) Vigência: 1º/11/2008 a 31/10/2009 Assinatura: 5/12/2008 CLÁUSULA 13ª PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 2008: As partes estabelecem o pagamento de uma parcela fixa, no valor de R$ 3.600,00 (três mil e seiscentos reais), mais o valor correspondente a 80% (oitenta por cento) do salário nominal de cada empregado, garantindose um valor mínimo de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais) a serem pagos até a segunda semana de janeiro. Deste total será deduzido o valor de R$ 1.400,00 (mil e quatrocentos reais) adiantados em julho de 2008. § 1º Fazem parte desta cláusula os valores do PME Plano de Metas por Equipe, referentes ao primeiro semestre de 2008, pagos no mês de julho de 2008 e os valores do segundo semestre de 2008, a serem pagos no mês de janeiro de 2009. § 2º Não se incluem nesta cláusula os Aprendizes de Ofício. § 3º O valor pago a título de participação nos lucros não integrará o salário para qualquer efeito, não sendo incorporado pra efeito de cálculo de parcelas rescisórias, benefícios e/ou demais consectários. Observase que a participação nos lucros ou resultados, segundo os documentos pactuados, consiste em uma parcela fixa e outra variável. A parcela variável é resultado da apuração do PME, de cada equipe, ao passo que a parcela fixa garante um pagamento mínimo a título de participação, proporcional ao salário dos empregados, quando o somatório das partes variável e fixa resultar em montante inferior ao valor de referência estabelecido. Fl. 9388DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.361 57 De início, antes de examinar o que está ostensivo nos acordos coletivos, cabe destacar a inexistência de qualquer menção ao Programa GEDP, o que lhe retira, de imediato, o respaldo na negociação coletiva. Argumenta a empresa que, tal como o PME, o GEDP é um programa de gestão de resultados mantido de forma espontânea, encontrando apoio no § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, que permite expressamente a existência de planos espontâneos para pagamento da participação nos lucros ou resultados. Reproduzo o preceptivo legal mencionado da Lei nº 10.101, de 2000: Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Ocorre que, como visto, os incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, autorizam apenas duas hipóteses de procedimento para elaboração de planos de participação nos lucros ou resultados. Ao reportar a programas mantidos espontaneamente pela empresa, é de se convir que a lei pretendeu fazer alusão à participação oriunda da comissão paritária escolhida pela empresa e empregados, integrada, também por um representante indicado pelo sindicato da categoria (inciso I), em contraposição às obrigações surgidas dos acordos ou convenções coletivas de trabalho firmados pelas partes (inciso II). Tal interpretação sistemática possibilita a coexistência, para o mesmo período de aferição, de dois distintos planos de participação nos lucros ou resultados livres de tributação, desde que no âmbito do regramento da Lei nº 10.101, de 2000. Evidentemente, não há óbice para que a empresa implemente facultativamente uma participação dos empregados nos lucros, mediante uma iniciativa unilateral, como previsto, por exemplo, no art. 58 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 58 Podem ser excluídas do lucro líquido do exercício, para efeito de determinar o lucro real, as participações nos lucros da pessoa jurídica: I atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; ...) Fl. 9389DF CARF MF 58 Porém, nessa última hipótese, será um participação alheia aos benefícios da Lei nº 10.101, de 2000. Em relação ao GEDP, portanto, estão ausentes elementos de convicção que possam atestar com segurança que a fixação dos critérios e das condições do plano ocorreu mediante negociação entre a empresa e os empregados, na forma prevista na Lei nº 10.101, de 2000. A falta de negociação com participação do sindicato da respectiva categoria implica considerar a parcela GEDP como integrante da remuneração e do saláriode contribuição do trabalhador. Na sequência, aprofundo a análise dos termos expressos nos Acordos Coletivos de Trabalho. No que toca aos pagamentos vinculados à parcela fixa, a sua estipulação, na forma realizada nos acordos coletivos, desvirtua a essência do instituto da participação nos lucros ou resultados previsto em lei, visto que desconsidera qualquer esforço individual, da equipe ou mesmo do grupo de empregados para o alcance de índices de produtividade, metas ou resultados, os quais deveriam ser aferidos para fins de cumprimento do pactuado previamente entre as partes. Nesse sentido, dispõem os arts. 1º e 2º da Lei nº 10.101, de 2000, a seguir reproduzidos: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2º (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) Cuidase, assim, de uma parcela com evidente natureza de complemento salarial, inclusive estando atrelada parcialmente ao salário nominal de cada empregado. Por derradeiro, aprecio o que dispõe os acordos coletivos a respeito da parcela variável correspondente ao PME. Consoante os textos reproduzidos, o único aspecto Fl. 9390DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.362 59 que vem especificado nos acordos coletivos é a previsão de seu pagamento aos trabalhadores no anocalendário. Nada mais. Se de um lado é impraticável, em princípio, o acordo coletivo conter o detalhamento integral de metas, critérios e condições acordados entre as partes, de outro é inaceitável a inexistência de qualquer disciplinamento no instrumento decorrente da negociação quanto à explicitação da regras a que estarão submetidos a empresa e os seus empregados para fins da participação nos lucros ou resultados. A Lei nº 10.101, de 2000, é clara quando afirma que do resultado da negociação, que deve ser formalizado mediante documento, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, com previsão de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado (art. 2º, § 1º). Nos acordos coletivos nem mesmo houve preocupação em se estabelecer as condições e os critérios genéricos do PME, em que se faz a opção de transferir a descrição pormenorizada das regras para atos internos que são elaborados em separado, sem prejuízo do aval do sindicato. A recorrente sustenta que os planos de participação nos lucros ou resultados, tal como o PME, são objeto de prévias discussões e que o acordo coletivo tão somente homologa e ratifica os termos negociados antecipadamente entre as partes. Vale dizer, há participação direta dos sindicatos dos trabalhadores na negociação muito antes do fechamento do acordo. Ainda que se admita, em regime de exceção, e não como regra, a possibilidade de o sindicato delegar ou consentir, explícita ou implicitamente, que alguns critérios e condições do PME possam ser acordados entre empresa e empregados sem a sua participação, não há como validar a elaboração integral do plano de participação nos lucros ou resultados, como aparenta ocorrer, restrita apenas às tratativas diretas entre patrão e empregados, sem a intermediação do sindicato. Há, no caso, uma visível e indesejável afronta explícita ao previsto na Lei nº 10.101, de 2000, em desprezo à finalidade das suas normas de garantia, cuja manifestação posterior do sindicato, com o agravante do seu caráter superficial, não tem o condão de legitimar a assinatura do acordo. Acresço ainda mais um motivo para a não aceitação dos acordos coletivos em face do regramento previsto na Lei nº 10.101, de 2000. Segundo a fiscalização, os pagamentos foram realizados no próprio mês da assinatura dos acordos ou pagos em até 7 dias úteis após a assinatura do acordo (item 5.4 do Relatório Fiscal, às fls. 43). De fato, o acordo registrado em 29/1/2007 aprovou o pagamento de participação no PME do anocalendário 2006 (1º e 2º semestres), enquanto o acordo firmado em 6/3/2008 confirmou o pagamento no anocalendário 2007 (1º e 2º semestres). Destaco que o acordo coletivo datado de 6/3/2008 assumiu contornos inusitados, pois no momento em que foi assinado já haviam sido pagos todos os valores relacionados ao PME do ano de 2007, ali previstos (fls. 1.131). Fl. 9391DF CARF MF 60 A rigor, esse acordo assinado em 5/12/2008 validou o pagamento de participação nos lucros ou resultados do PME ainda em curso, relativamente ao anocalendário 2008 (1º e 2º semestres). Todavia, os efeitos práticos acabam sendo idênticos a uma aprovação em janeiro de 2009, como adiante explico. A assinatura do termo de ajuste antes do início do período a que se refiram os lucros ou resultados é a situação ideal para a garantia dos direitos dos trabalhadores e o incentivo ao aumento de produtividade. Nada obstante, possui reduzida aplicação no mundo real, dadas as dificuldades práticas de negociação e conclusão a tempo da sua formalização por escrito. Por outro lado, no extremo oposto, não me alinho àqueles que defendem como suficiente tão somente a formalização do acordo não suceder ao pagamento da parcela final da participação nos lucros ou resultados. Apenas quando da assinatura do termo de acordo, com a participação do respectivo sindicato, concretizase a negociação entre as partes e o ato consensual está apto a produzir efeitos jurídicos. Em que pese o silêncio da lei em relação ao momento da assinatura do instrumento de negociação, a interpretação sistemática do inciso XI do art. 7º da Constituição da República de 1988 c/c Lei nº 10.101, de 2000, revela a obrigatoriedade de prévia pactuação dos termos do acordo para autorizar a fruição do benefício fiscal, com antecedência razoável aos fatos que pretende regular, para que se possa incentivar a produtividade do empregado e este adotar medidas para atingir as metas ou os resultados préestabelecidos. Via de regra, portanto, é possível aceitar que a assinatura do acordo possa ser efetivada durante o exercício de avaliação, desde que o instrumento esteja assinado antes do término do período de apuração. Entretanto, penso que não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração dos resultados, pois tal situação revelase similar à assinatura posterior ao término do período de apuração. O lapso de tempo é insuficiente para que o empregado possa direcionar seus esforços para alcançar o que foi juridicamente pactuado. Exposta a questão nesses termos, entendo que a autoridade fiscal procedeu de modo correto ao considerar os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados como submetidos à tributação, por estarem em desconformidade com o que prescreve a Lei nº 10.101, de 2000: (i) Parcela fixa: por desvinculada de qualquer meta ou resultado previamente acordado, revelador de nítida natureza salarial; (ii) Parcela variável (Programa GEDP): não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos estabelecidos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com participação do sindicato; e (iii) Parcela variável (Plano PME): não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com participação do sindicato. Fl. 9392DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.363 61 Além disso, os acordos coletivos foram assinados em data posterior ao período de aferição (anos 2006 e 2007) ou no último mês de aferição (ano 2008), cujo efeito prático, nesta última hipótese, mostrase similar à assinatura após o término do período de apuração. Deixo de efetuar análise adicional a respeito de outros argumentos de defesa contra a pretensão fiscal, por desnecessário e/ou irrelevante para o deslinde desta parte do julgamento. Os fundamentos acima delineados são mais que suficientes para explicitar as minhas razões pelas quais deve ser mantido, na íntegra, o crédito tributário exigido relativamente aos planos de participação nos lucros ou resultados destinados aos segurados empregados. c.2) PLR aos diretores não empregados (contribuintes individuais) A empresa pagou participação nos lucros ou resultados a seus diretores não empregados, na condição de segurados contribuintes individuais, na forma estabelecida no Plano GEDP. Pois bem. Ao excluir da incidência tributária a participação nos lucros ou resultados da empresa paga ou creditada de acordo com lei específica, a alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, referese à Lei nº 10.101, de 2000, destinada tão somente aos segurados empregados. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Ao explicitar a norma de não incidência, o inciso X do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, toma o cuidado de acrescentar a expressão "empregado": Art. 214 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (GRIFOUSE) Fl. 9393DF CARF MF 62 Isso porque a Lei nº 10.101, de 2000, não trata de pagamentos a trabalhadores não empregados, constando expressamente em seu corpo o regramento destinado à negociação entre empresa e seus empregados: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) (GRIFOUSE) Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisou a disciplina jurídica relativa à participação nos lucros ou resultados prevista no inciso XI do art. 7º da Carta Política de 1988. Concluiu a Corte Suprema que sendo o preceito constitucional de eficácia limitada, a regulamentação somente se operou com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada inúmeras vezes até a conversão na Lei nº 10.101, de 2000, incidindo contribuição previdenciária relativamente aos fatos geradores concretizados antes da vigência daquele ato normativo. Eis a ementa do Recurso Extraordinário (RE) nº 569.441/RS, submetido a sistemática de repercussão geral, Relator Ministro Dias Toffoli e Redator do Acórdão Ministro Teori Zavascki, julgado na sessão de 30/10/2014: EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento. De modo que não há como acolher o entendimento de que a expressão "lei específica" contida na alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, referese a mais de Fl. 9394DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.364 63 uma lei ordinária, além da Lei nº 10.101, de 2000, abarcando a distribuição de valores também com base na Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a qual disciplina as sociedades anônimas. Adiciona a recorrente que as parcelas não podem compor o saláriode contribuição do trabalhador em razão do cumprimento de todos os requisitos para a distribuição da participação nos lucros aos administradores elencados no art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976. Para melhor compreensão da previsão contida na Lei das sociedades anônimas, transcrevo o art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976: Remuneração Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Os pagamentos realizados a título de "atribuição estatutária", também conhecidos como "participação estatutária", como ora se cuida, não se equiparam a valores decorrentes da remuneração de capital. A remuneração do administrador pode ser composta por duas parcelas, uma fixa, conhecida como prólabore (art. 150, "caput") e outra variável, consistente na participação nos lucros da companhia por ações, conforme definido pelos acionistas (art. 150, § 1º). Em um e outro caso, não há como liberar a empresa da tributação, porquanto as verbas possuem natureza remuneratória. É verdade que a participação estatutária dos administradores, assim como o pagamento de dividendos aos acionistas, são contabilizadas em contas de patrimônio líquido, mediante redução do lucro acumulado, e não mediante débito em contas de resultado do exercício social. Porém, tal característica contábil comum é insuficiente para agregar a natureza de remuneração do capital à participação estatutária. O dividendo pago a acionista Fl. 9395DF CARF MF 64 decorre da participação acionária na sociedade, ao passo que a participação estatutária ao diretor não empregado é paga em razão da prestação do trabalho. De mais a mais, para fins da incidência da tributação previdenciária, a exigência de habitualidade das parcelas recebidas pelo segurado restringese somente aos ganhos sob a forma de utilidades, denominados "in natura". A legislação tributária não faz menção ao requisito da habitualidade para os ganhos em pecúnia, de tal modo que estão incluídos no campo de incidência das contribuições previdenciárias, nos termos da Lei nº 8.212, de 1991, todos os pagamentos em dinheiro destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. Mantenho assim, divergindo o I. Relator, o crédito tributário exigido pela fiscalização relativamente ao plano de participação nos lucros ou resultados destinado aos diretores não empregados (contribuintes individuais). d) Riscos Ocupacionais Minha divergência com o nobre Relator diz respeito apenas aos agentes nocivos ruído e calor. Argumenta a recorrente que os agentes insalubres apontados pela fiscalização são integralmente controlados por medidas administrativas praticadas pela empresa, por meio da adoção de equipamentos de proteção individual e/ou coletiva, entre outras providências no ambiente de trabalho. No caso do ruído, todos os casos de exposição acima do limite de tolerância são passíveis de atenuação através de uso de equipamentos de proteção individual. Quanto ao agente físico calor, a exposição dos empregados é meramente intermitente, tendo em vista o investimento da empresa em tecnologias que melhoram o ambiente de trabalho, tais como a criação de salas de descanso climatizadas, revezamentos e controles das fontes emissoras e dos sistemas de ventilação, o que afasta a cobrança do adicional, nos termos do § 3º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Penso diferente, conforme justifico a seguir. d.1) Agente Ruído O Plenário do STF, no Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) nº 664.335/SC, com repercussão geral reconhecida, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sessão de 4/12/2014, assentou entendimento no sentido de que a prova da neutralização da nocividade pelo uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) afasta a contagem de tempo de serviço especial para aposentadoria, com exceção do tempo em que o trabalhador esteve exposto de modo permanente ao agente físico ruído. Para melhor compreensão do decidido pelo Tribunal Constitucional, transcrevo ementa do julgado na parte que interessa diretamente à matéria sob análise: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. DIREITO CONSTITUCIONAL PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA ESPECIAL. ART. 201, § 1º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. Fl. 9396DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.365 65 REQUISITOS DE CARACTERIZAÇÃO. TEMPO DE SERVIÇO PRESTADO SOB CONDIÇÕES NOCIVAS. FORNECIMENTO DE EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL EPI. TEMA COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO PLENÁRIO VIRTUAL. EFETIVA EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS À SAÚDE. NEUTRALIZAÇÃO DA RELAÇÃO NOCIVA ENTRE O AGENTE INSALUBRE E O TRABALHADOR. COMPROVAÇÃO NO PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO PPP OU SIMILAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS HÁBEIS À CONCESSÃO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. CASO CONCRETO. AGENTE NOCIVO RUÍDO. UTILIZAÇÃO DE EPI. EFICÁCIA. REDUÇÃO DA NOCIVIDADE. CENÁRIO ATUAL. IMPOSSIBILIDADE DE NEUTRALIZAÇÃO. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES PREJUDICIAIS. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO DEVIDO. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. (...) 12. In casu, tratandose especificamente do agente nocivo ruído, desde que em limites acima do limite legal, constatase que, apesar do uso de Equipamento de Proteção Individual (protetor auricular) reduzir a agressividade do ruído a um nível tolerável, até no mesmo patamar da normalidade, a potência do som em tais ambientes causa danos ao organismo que vão muito além daqueles relacionados à perda das funções auditivas. O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. 13. Ainda que se pudesse aceitar que o problema causado pela exposição ao ruído relacionasse apenas à perda das funções auditivas, o que indubitavelmente não é o caso, é certo que não se pode garantir uma eficácia real na eliminação dos efeitos do agente nocivo ruído com a simples utilização de EPI, pois são inúmeros os fatores que influenciam na sua efetividade, dentro dos quais muitos são impassíveis de um controle efetivo, tanto pelas empresas, quanto pelos trabalhadores. 14. Desse modo, a segunda tese fixada neste Recurso Extraordinário é a seguinte: na hipótese de exposição do trabalhador a ruído acima dos limites legais de tolerância, a declaração do empregador, no âmbito do Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), no sentido da Fl. 9397DF CARF MF 66 eficácia do Equipamento de Proteção Individual EPI, não descaracteriza o tempo de serviço especial para aposentadoria. (...) (GRIFOUSE) Como se vê, embora a matéria decidida pela Corte se refira ao direito à aposentadoria especial, garantindo a contagem de tempo especial durante o período em que o trabalhador esteja exposto a ruído, mesmo que faça uso de EPI, é inegável seu reflexo na hipótese de incidência do adicional para financiamento do benefício da aposentadoria especial de que trata o inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, exigido com fundamento nos §§ 6º e 7º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991. Tal conclusão decorre de que nenhum benefício previdenciário poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total e do princípio constitucional da preservação do equilíbrio financeiro e atuarial da Previdência Social (arts. 195, § 5º, e 201 da Constituição da República de 1988). O uso efetivo de protetores auriculares pelos trabalhadores expostos a ruído, como defendido pela recorrente, ainda que reduza o agente agressivo a um nível tolerável, não é capaz de neutralizar a ação danosa que ele provoca na saúde do trabalhador, e, por consequência, não afasta a hipótese de incidência do adicional para custeio da aposentadoria especial sobre a remuneração dos trabalhadores expostos ao agente nocivo ruído acima dos limites de tolerância. A respeito do nível de exposição ao ruído, o critério de avaliação quantitativa está previsto na Norma Regulamentadora (NR) nº 15, do Ministério do Trabalho e Emprego. Os fatos determinantes do limite de tolerância são o tempo de exposição e a intensidade do ruído. De acordo com o Quadro do Anexo nº 1 da NR15, o nível de ruído permitido de 85 decibéis diz respeito a uma exposição diária máxima de 8 horas. Caso a jornada de trabalho for de 7 horas, o nível de ruído não deverá exceder 86 decibéis. E assim por diante. Em outras palavras, segundo a legislação de regência, quanto menor o tempo de exposição ao ruído é admitida uma maior intensidade, chegando a 115 decibéis para uma exposição diária máxima de 7 minutos. Admitindose uma jornada de trabalho de 8 horas, sem cogitar o cumprimento de horas extras, o que extrapolaria o tempo de exposição diário normal, com reflexos na diminuição do limite de tolerância, o lançamento de ofício deve ser mantido na hipótese de exposição do segurado empregado a ruído superior a 85 decibéis (> 85 db). Para fins de identificação dos trabalhadores expostos ao ruído acima dos limites legais de tolerância, assim como da respectiva remuneração, deve ser utilizada a Planilha do Anexo ANFOPAGRO, às fls. 1.175/1.706, a partir da informação contida na coluna "RUÍDO", somente e tão somente quando o valor for maior que 85 db. Fl. 9398DF CARF MF Processo nº 15504.725977/201109 Acórdão n.º 2401004.509 S2C4T1 Fl. 9.366 67 d.2) Agente Calor Como a própria empresa reconhece na peça recursal, não há equipamentos de proteção capazes de reduzir os níveis de exposição considerados insalubres relativamente ao agente físico calor. O Anexo nº 3 da NR15 estabelece limites de tolerância para exposição ao calor, acima do qual haverá probabilidade de dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral. A exposição ao calor é avaliada através do Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG). Mesmo uma política de descanso e revezamento, não tem o condão de descaracterizar a exposição desses empregados ao risco no ambiente de trabalho. O Quadro nº 1 do Anexo nº 3 da NR15 prevê o período de descanso necessário frente ao período efetivamente trabalhado, levando em conta o índice de calor do ambiente, aliado ao tipo de atividade desenvolvida pelo trabalhador. A previsão de períodos de repouso em ambiente de exposição ao calor mais ameno, devido ao regime de descanso no próprio local, não significa intermitência, não descaracteriza a exposição do trabalhador ao agente nocivo e nem lhe retira o direito à aposentadoria especial. Para fins de identificação dos trabalhadores expostos ao agente calor acima dos limites legais de tolerância, assim como da respectiva remuneração, deve ser utilizada a Planilha do Anexo ANFOPAGRO, às fls. 1.175/1.706, a partir das informações contidas nas colunas "CALOR" e "LT CALOR", somente e tão somente quando o valor de "CALOR" maior que "LT CALOR". Em síntese, cabe decotar do lançamento relativo aos "Riscos Ocupacionais", apenas os valores incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados não expostos aos agentes nocivos ruído e/ou calor acima dos limites de tolerância, nos termos antes explicados. e) Adicional para financiamento da aposentadoria especial sobre as parcelas de PLR Esclarece a fiscalização que realizou o lançamento de ofício correspondente ao adicional para financiamento da aposentadoria especial, na alíquota de 6%, incidente sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados para os segurados empregados expostos a riscos ocupacionais (item 6 do Relatório Fiscal, às fls. 46/48). A relação de segurados e da respectiva remuneração consta do Anexo denominado de ARORUBPLR FOPAG PLR SEGURADOS COM RISCO OCUPACIONAL (fls. 338/573). No levantamento fiscal foram utilizados os códigos RP e RP2. Uma vez tributável a parcela da participação nos lucros ou resultados distribuída nos exercícios de 2007 e 2008, de acordo com a fundamentação constante deste voto, é devida a cobrança do adicional para financiamento da aposentadoria especial sobre tais Fl. 9399DF CARF MF 68 parcelas pagas aos segurados empregados expostos aos agentes nocivos ruído e calor acima dos limites de tolerância. Nada obstante, a fim de manter a congruência decisória, é insubsistente a cobrança do adicional relativamente aos segurados empregados não expostos aos agentes nocivos ruído e/ou calor acima dos limites de tolerância ("tópico anterior"). A exclusão do lançamento fiscal deve ser realizada a partir dos dados da planilha do Anexo ARORUBPLR, às fls. 338/573. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para: (a) afastar a sujeição passiva solidária em nome das empresas Aperam Inox Serviços Brasil Ltda, Arcelormittal Inox Brasil Tubos Ltda e Arcelormittal Bioenergia Ltda, pela ausência de prova do grupo econômico; (b) decotar do lançamento relativo aos "Riscos Ocupacionais" apenas os valores incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados que não estejam expostos aos agentes nocivos ruído e/ou calor acima dos limites de tolerância; e (c) excluir a incidência do adicional para financiamento do benefício de aposentadoria especial sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados exclusivamente em relação aos segurados empregados não expostos aos agentes ruído e/ou calor acima dos limites de tolerância. Acompanho o Relator nas demais matérias em que não há divergência com o voto vencedor. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 9400DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.729141/2011-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Numero da decisão: 9101-002.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Limite legal. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO DO BRASIL S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 91 41 /2 01 1- 30 Fl. 853DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 854 2 (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL em 15/09/2014, com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergência jurisprudencial acerca de matéria relacionada à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1103001.058, por meio do qual os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiram, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. A decisão recorrida determinou o cancelamento dos créditos tributários constituídos pela Fiscalização. As autuações se fundamentaram no entendimento de que as instituições financeiras BESC S/A e BESCRI S/A, incorporadas pelo contribuinte BANCO DO BRASIL S/A em 30/09/2008, não respeitaram o limite legal de 30% ao compensar a totalidade de seu lucro real, apurado nos balanços especiais de incorporação levantados em setembro de 2008, com prejuízos fiscais acumulados. O mesmo foi observado em relação à CSLL, que teve sua base de cálculo positiva apurada em setembro de 2008 compensada integralmente com saldos negativos de exercícios anteriores. Em ambos os casos, entendeu a Fiscalização que o procedimento adotado pelas instituições financeiras sucedidas estava em desacordo com os arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 e arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995. Assim foram lavrados autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL apurados em 2008, mediante a aplicação do limite legal de 30% de redução das bases de cálculo dos tributos. Os créditos tributários lançados contra a empresa BESCRI S/A, sucedida do BANCO DO BRASIL S/A, constituem o objeto dos presentes autos. Já os autos de infração lavrados contra a outra sucedida, BESC S/A, são tratados no processo administrativo fiscal nº 10166.728996/201143. A autuação fora mantida em sede de julgamento administrativo de primeira instância e, posteriormente, cancelada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurge a recorrente. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 854DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 855 3 Anocalendário: 2008 PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS SEM A TRAVA DE 30%. A pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da "trava" de 30%. Os autos foram encaminhados eletronicamente à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 03/09/2014. A intimação pessoal presumida do Procurador se daria apenas em 03/10/2014, nos termos do §3º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010. Antes disso, em 15/09/2014, tempestivamente portanto, foi interposto recurso especial que se insurgiu contra o Acórdão nº 1103001.058, sob a alegação de que ele teria dado à lei tributária interpretação diversa da que tem sido adotada em outros processos julgados no âmbito do CARF. O recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional contesta a interpretação dada pelo acórdão recorrido à questão da aplicabilidade da trava legal de 30% à compensação de prejuízos fiscais (e de bases de cálculo negativas de CSLL) no exercício de encerramento das atividades de empresa, em razão de sua incorporação. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, então previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009 (requisitos que basicamente foram mantidos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II da versão atualmente vigente do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015), a recorrente apontou acórdãos administrativos que teriam dado ao tema combatido interpretação diversa daquela esposada pelo acórdão recorrido. A PGFN afirma que o acórdão guerreado, ao possibilitar à pessoa jurídica incorporada a compensação, no balanço de encerramento, de todo o prejuízo fiscal acumulado, sem a observância da limitação de 30% imposta pela legislação, teria divergido frontalmente do Acórdãos nº 9101001.337 e nº 910100.401, ambos proferidos pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Além de defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas em relação à matéria indicada, a recorrente apresenta ainda alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão recorrida. Em suma, argumentase que: Da análise dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, verificase que não há previsão de exceção quanto à limitação da compensação de prejuízos fiscais e, assim sendo, por absoluta falta de previsão legal, não é permitida a compensação de prejuízos fiscais acima do limite máximo de 30% do lucro real, mesmo se tratando do anocalendário de extinção da pessoa jurídica; A interpretação adotada pelo recurso recorrido, no sentido de que, com o encerramento da empresa sucedida e diante da impossibilidade de aproveitamento dos prejuízos fiscais pela sucessora, a trava de 30% não deve ser aplicada, cria hipótese de exceção não prevista em lei; Fl. 855DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 856 4 A compensação de prejuízos não pode ser considerada um direito subjetivo da empresa, mas sim um benefício fiscal que tem como objetivo permitir que ela não arque sozinha com todo o ocasional déficit que venha a ter. Assim, a observância da trava de 30% para a compensação não limita direitos dos contribuintes, mas apenas regula a forma como a compensação permitida pela lei será exercida; O julgador, ao estabelecer exceção à regra de compensação de 30%, sem a existência de previsão legal, está, na prática, limitando a plenitude da norma e entendendoa parcialmente inconstitucional, embora sem redução de texto. A PGFN encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja conhecido e provido para reformar o acórdão contestado. A irresignação da recorrente foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento dos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 27/02/2015. Considerouse, mediante o cotejo entre as decisões, devidamente comprovado o dissenso proclamado pela recorrente: os acórdãos apontados como paradigmas entendem, de forma contrária à defendida pelo acórdão recorrido, que deve haver a manutenção do limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais, mesmo nos casos de incorporação. Diante da caracterização da existência de divergência jurisprudencial e do cumprimento dos demais requisitos regimentais aplicáveis à espécie recursal, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Em 14/04/2015, o contribuinte foi intimado para tomar ciência do Acórdão nº 1103001.058, do recurso especial apresentado pela PGFN e do despacho que o admitiu. Em resposta à intimação, o contribuinte recorrido protocolou, em 17/04/2015, contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional. Assim podem ser resumidas as alegações perfiladas pelo recorrido BANCO DO BRASIL: Não se aplica a "trava" de compensação aos casos de incorporação, por ausência de previsão legal que trate do tema em a empresas que estão encerrando suas atividades. A limitação de 30% trazida pelos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 c/c os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, a toda evidência, não se aplica às hipóteses de empresas/sociedades incorporadas; O precedente do Supremo Tribunal Federal (STF) que norteou o julgamento dos acórdãos trazidos como paradigmas (nº 9101001.337 e nº 910100.401) em nenhum momento tratou do tema específico discutido nos presentes autos, ou seja, da compensação dos prejuízos fiscais para o caso exclusivo de encerramento da pessoa jurídica por incorporação, fusão e/ou extinção; O Prof. Edmar Oliveira Andrade Filho defende o entendimento de que, não sendo tratada pela lei a aplicação do limite de 30% às compensações nos casos de Fl. 856DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 857 5 desaparecimento de pessoa jurídica, por incorporação, fusão, cisão ou extinção, estaria autorizada a compensação integral ("onde não há proibição, está implícita a permissão"). Além disso, como a lei não teve a intenção de restringir o direito à compensação, mas apenas de imporlhe um marco temporal, na situaçãolimite de encerramento das atividades da pessoa jurídica, o direito à compensação poderia ser exercido integralmente; Estudo elaborado por Eurico Marcos Diniz de Santi demonstra a total incorreção do acórdão paradigma nº 910100.401, contraditando as razões de decidir que justificaram, naquela ocasião, o não provimento do recurso especial da contribuinte. Tal estudo comprovaria que este julgado, que marcou a mudança de orientação jurisprudencial da CSRF acerca do tema, não refutou adequadamente as teses e convicções firmadas ao longo dos dez anos em que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual CARF) foi pacífica pela possibilidade de afastamento da limitação de 30% nos casos de extinção da pessoa jurídica por incorporação; O mesmo estudo defende que o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 344.994 pelo STF não deveria ter interferido na jurisprudência do CARF em relação à não aplicabilidade da trava de 30% para os casos de extinção da pessoa jurídica, uma vez que esta hipótese específica não foi considerada no caso analisado por aquela Corte; O estudo afirma ainda que nunca houve restrição à plena compensação de prejuízos no caso de extinção de pessoa jurídica, desde a vigência da Lei nº 154/1947 até os dias atuais, em que vigora a Lei nº 9.065/1995. Quando uma pessoa jurídica é incorporada por outra, há necessariamente a sucessão de direitos e obrigações. Os prejuízos fiscais da incorporada, no entanto, não podem ser aproveitados, para fins de compensação nos anos posteriores, pela incorporadora, em razão de vedação expressa encontrada no art. 514 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999). Assim, nada impede que, em caso de descontinuidade da empresa, e na declaração de encerramento, seja efetuada a compensação integral dos prejuízos fiscais e bases negativas acumulados, sendo inaplicável a trava de 30%. Por conta de tudo que expôs, o recorrido pede, ao final, que o recurso especial da PGFN não seja conhecido, "por total ausência de preenchimento dos requisitos intrínsecos recursais". Caso seja conhecido o recurso, requer o contribuinte que seu provimento seja negado, com base nas razões expostas, mantendose incólume o acórdão recorrido. Os autos seguiram então para a CSRF para o julgamento do recurso especial. É o relatório. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 858 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Inicialmente, analiso o fato de o recorrido BANCO DO BRASIL ter pedido em suas contrarrazões, "que o recurso aviado não seja conhecido por total ausência de preenchimento dos requisitos intrínsecos recursais". Antes do pedido propriamente dito, mas já nas conclusões de suas contrarrazões, o recorrido afirma que o recurso manejado pela PGFN "não reúne as condições necessárias ao seu regular prosseguimento" e não mereceria agasalho "por inexistir a alegada divergência jurisprudencial". Pois bem. Apesar de as afirmações do recorrido serem características de alegações preliminares de não conhecimento do recurso especial interposto pela parte oposta, não são explicitados em suas contrarrazões quais seriam os requisitos implícitos recursais que restaram inobservados. Tampouco trouxe o recorrido análise das características dos acórdãos indicados como paradigmas que acarretariam na inexistência de divergência jurisprudencial frente à decisão recorrida. O trecho das contrarrazões que mais se assemelha a uma arguição de não conhecimento por ausência de divergência jurisprudencial é o seguinte parágrafo, encontrado na efl. 761: "Convém ressaltar, por pertinente, que o precedente do STF que norteou o julgamento do acórdão nº 910100.401 (caso BUNGE) trazido como paradigma pela Recorrente, e na mesma esteira, em relação ao outro acórdão nº 9101001.337 trazido no Especial visando comprovar a suposta divergência jurisprudencial em nenhum momento tratou do tema específico discutido nos presentes processos, ou seja, a compensação dos prejuízos fiscais para o caso exclusivo de encerramento da pessoa jurídica por incorporação, fusão e/ou extinção." (grifouse) Observese que, na realidade, o recorrido defende a ausência de similitude entre o acórdão recorrido e o julgado do Supremo Tribunal Federal mencionado na fundamentação dos acórdãos paradigmas. Por óbvio, tal fato não ofende o requisito de admissibilidade dos recursos especiais exigido pelo art. 67, anexo II, do RICARF/2009 (vigente à época da interposição do recurso) ou do RICARF/2015 (que vige atualmente). O que se exige, para fins de conhecimento de recursos especiais, é que os acórdãos recorrido e paradigma tragam interpretações divergentes acerca de legislação tributária em face de situações fáticas e jurídicas semelhantes. Não há cabimento em se procurar similitude entre o acórdão recorrido e uma decisão judicial utilizada na fundamentação do entendimento que prevaleceu nos acórdãos paradigmas. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 859 7 Sendo assim, adoto integralmente as razões expostas no despacho que examinou a admissibilidade do recurso especial interposto pela PGFN, dele CONHECENDO em relação à matéria contestada. Passo à análise do mérito. A controvérsia existente no presente processo diz respeito à autuação de IRPJ e CSLL relativamente ao anocalendário de 2008, por inobservância da chamada trava de 30% na compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL. Os autos de infração foram lavrados em face do sujeito passivo BANCO DO BRASIL S/A devido ao fato de ele ter incorporado, em 30/09/2008, as instituições financeiras BESC S/A e BESCRI S/A. A esta última instituição sucedida dizem respeito os créditos tributários tratados nos presentes autos. De acordo com a peça fiscal, a documentação fornecida pelo contribuinte, concernente ao anocalendário de 2008, demonstra que o BESCRI S/A não observou o limite de 30% do lucro líquido ajustado para fins de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas dos períodos anteriores. Ainda segundo a peça fiscal: com relação ao IRPJ referente ao anocalendário de 2008, o BESCRI S/A realizou a compensação acima do limite legal (30%), pois, apesar de o lucro apurado por essa empresa ter sido de R$16.353.892,26, ela compensou o montante correspondente a R$16.353.892,26, havendo, dessa forma, o excesso de compensação no valor de R$11.447.724,58; com relação à CSLL referente ao anocalendário de 2008, o BESCRI S/A realizou a compensação acima do limite legal (30%), pois, apesar de a base de cálculo desse período ter sido de R$16.353.892,26, ela compensou o montante correspondente a R$16.353.892,26, havendo, dessa forma, o excesso de compensação no valor de R$11.447.724,58. O lançamento foi integralmente mantido pela decisão de primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (ora recorrida), por sua vez, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para fins de cancelar o lançamento, encampando o entendimento de que "a pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da "trava" de 30%". O recurso especial da PGFN objetiva restabelecer os lançamentos de IRPJ e CSLL. De acordo com o acórdão recorrido, a empresa incorporada poderia compensar integralmente o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL, acumulados em períodos anteriores, com os lucros apurados até a data de sua extinção, sem a observância da "trava" de 30%, prevista nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995. Trazem os mencionados dispositivos legais: Fl. 859DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 860 8 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. (grifouse) O acórdão recorrido sustenta suas razões em aspectos que abordam a implicação legal de o direito à compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL estar assegurado para os anos seguintes e as nuances desse direito diante do quadro de continuidade ou não das atividades da pessoa jurídica. A matéria em pauta ainda é objeto de controvérsias no CARF, mas eu me filio à interpretação que já há algum tempo vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Como razões de decidir, adoto inicialmente o brilhante voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Acórdão nº 1201000.888, de 09/10/2013, que fez um perspicaz estudo do tema: "Feitas essas considerações iniciais, passemos a examinar os fundamentos da tese proposta pela interessada. Afirma a recorrente que o significado de uma norma jurídica não é aquele que advém diretamente da literalidade do texto normativo, devendo, ao contrário, ser extraído mediante o emprego dos métodos de interpretação aceitos tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência, em especial o histórico, o sistemático e o teleológico. Nesse sentido, explica que a nova sistemática de compensação de prejuízos fiscais introduzida pela Lei nº 9.065/95 há que ser compreendida Fl. 860DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 861 9 mediante comparação com o sistema vigente até então. Diz que, na sistemática anterior (Lei nº 8.541/92), era possível a compensação integral de prejuízos, porém com limitação temporal de quatro períodosbase. Alega que a nova sistemática extinguiu o limite temporal, mas manteve o direito à compensação integral, observado o limite de 30% em cada períodobase futuro. Conclui, assim, que no período em que ocorrer incorporação, fusão ou cisão, ainda que parcial, da pessoa jurídica, não sendo mais possível a compensação dos prejuízos em períodosbase futuros, a única solução jurídica possível, consentânea com o preceito contido na Lei nº 9.065/95 de que o sujeito passivo não perde o direito à compensação, é que o limite de 30% não se aplica. Pois bem, relativamente a essa argumentação é preciso, inicialmente, concordar com a recorrente quando afirma que o significado da norma jurídica deve ser compreendido mediante o emprego dos métodos de hermenêutica jurídica. No entanto, a interpretação histórica empreendida pela recorrente parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tanto na sistemática de compensação vigente antes do advento da Lei nº 9.065/95, quanto na atual, o sujeito passivo tem direito à compensação integral de prejuízos fiscais. Vejamos. Na sistemática anterior o sujeito passivo tinha o direito à compensação de prejuízos, desde que observado o limite temporal de quatro anos. Exemplifiquemos com duas situações distintas: a) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 200,00, R$ 300,00, R$ 400,00 e R$ 400,00; b) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 100,00, R$ 200,00, R$ 200,00 e R$ 300,00; Na hipótese descrita na situação “a” o sujeito passivo poderá compensar integralmente o prejuízo. Já na hipótese descrita na situação “b” o sujeito passivo não poderá, e, ainda que se diga que isso se deva à imposição do limite temporal, o fato iniludível é que restará uma parcela que não mais será passível de compensação. Em outras palavras, na situação “b” não haverá compensação integral do prejuízo apurado no ano “X”. Portanto, resta claro que a previsão, por lei, de um limite temporal é incompatível com a premissa afirmada pela recorrente de existência de um direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. O que existia na sistemática anterior era algo distinto, qual seja, um direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais, a depender do caso concreto, como ilustrado nas situações “a” e “b” retro. E dizer que a compensação poderá ser realizada até integralmente é algo distinto de dizer que poderá ser realizada integralmente. É que ao Fl. 861DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 862 10 estabelecer que a compensação poderá ser realizada até integralmente a lei, desde logo, admite que poderá haver hipóteses em que a compensação não se dará integralmente, conforme visto na situação “b”. Seguindo a trilha da interpretação histórica proposta pela interessada, é de se dizer que a nova sistemática introduzida pela Lei nº 9.065/95, na linha da sistemática anterior, manteve o direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Afastado o limite temporal de quatro anos, e introduzido o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%, o direito à compensação (até integral) passou a poder ser exercido ao longo da existência da pessoa jurídica. A própria exposição de motivos à Medida Provisória nº 998/95, posteriormente convertida na Lei nº 9.065/95, e apontada pela interessada para sustentar a sua tese, expressamente prevê que o sujeito passivo poderá compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Confira sua redação: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." (Grifamos) Assim, a compensação poderá se dar até integralmente, seja em um mesmo ano, seja em diversos anos ao longo da existência da pessoa jurídica, desde que observado, em cada um desses anos, o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%. Se no ano da extinção da pessoa jurídica, ou da sua cisão parcial, o valor dos prejuízos acumulados for superior a 30% do lucro líquido ajustado, ainda assim o limite deverá ser observado. É que tal como na situação “b” referente à sistemática antiga, também na sistemática atual poderá haver casos, como o retratado nos presentes autos, em que o sujeito passivo não poderá compensar integralmente seus prejuízos acumulados, haja vista a imposição do limite de 30%. E não há nada de ilegal nisso, pois a lei não garante o direito à compensação integral. Na sequência de sua peça recursal a interessada enfatiza o emprego da interpretação sistemática. Argumenta que, ao contrário do que disse a fiscalização, o caso dos autos não é de lacuna no ordenamento jurídico (inexistência de norma), e sim de uma norma jurídica existente, porém implícita. Diz, primeiramente, que o exame conjunto do aludido art. 15 da Lei nº 9.065/95 com o abaixo transcrito art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 conduziria à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo seria a inaplicabilidade do limite de 30% quando da extinção da pessoa jurídica ou de sua cisão parcial. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 863 11 Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Também aqui não me parece estar correta a interpretação proposta pela defesa. Vejamos. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 veda a compensação de prejuízos em montante que reduza em mais do que 30% o lucro líquido ajustado do período. Não há menção, nesta norma, aos eventos de extinção da pessoa jurídica ou sua cisão parcial. Por sua vez, o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 veda que a sucessora compense prejuízos da sucedida, e, em caso de cisão parcial, limita a compensação, pela própria pessoa jurídica, ao valor de seu prejuízo proporcional à parcela do patrimônio não objeto da cisão. A incidência isolada de cada uma dessas duas normas à hipótese de extinção de pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais acumulados em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado conduzirá às seguintes conclusões: a) art. 15 da Lei nº 9.065/95 impossibilidade de compensação, pela pessoa jurídica extinta, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado por força do limite de 30%; b) art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 impossibilidade de compensação, pela sucessora, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado pela sucedida. Já a interpretação conjunta dessas duas normas sobre a mesma situação hipotética acima descrita conduziria, de acordo com a recorrente, à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo afastaria a aplicação do limite de 30% à pessoa jurídica extinta. Ocorre que o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado na hipótese aventada. Dito de outro modo, se as premissas (o art. 15 da Lei nº 9.065/95 e o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) do silogismo lógicodedutivo proposto pela recorrente não conduzem necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado no caso de extinção da pessoa jurídica, então a recorrente deve reconhecer que não logrou êxito em demonstrar a existência da aludida norma implícita. (...) Prossegue a recorrente em sua defesa afirmando, com fundamento nas lições de Karl Larenz, que a já citada norma implícita também pode ser deduzida a partir do silêncio eloquente da lei. No Capítulo V.2 de sua famosa obra (Metodologia da Ciência do Direito, 3a. ed., pg. 524 e ss.), o prestigiado filósofo do direito citado pela recorrente discorre sobre o conceito e espécies de lacunas. Nesse sentido, explica que nem todo silêncio da lei deve ser tido como uma lacuna, conforme trecho a seguir transcrito: Fl. 863DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 864 12 "Poderia pensarse que existe uma lacuna só quando e sempre que a lei (...) não contenha regra alguma para uma determinada configuração no caso, quando, portanto, “se mantém em silêncio”. Mas existe também um “silêncio eloquente” da lei." Assim é que, pelas lições de Larenz, nem todo silêncio da lei deve ser compreendido como uma lacuna a ser preenchida pelo aplicador do direito. Casos há em que, embora o legislador haja silenciado sobre determinado assunto, não significa que haja ali uma lacuna, daí porque não pode o aplicador pretender regulála por meio de analogia, princípios gerais do direito ou qualquer outro método de integração do direito. É o que o autor chama de silêncio eloquente. Pois bem, a idéia de lacuna corresponde à antítese da idéia de existência de norma, seja explicita seja implícita. Em outras palavras, se há norma regulando o caso, ainda que implícita, então não haverá ali uma lacuna. Inversamente, se há lacuna, não há norma regulando o caso, ainda que implícita. A questão do silêncio eloquente da lei, segundo leciona Larenz, está afeto ao campo das lacunas, e não ao campo da existência de normas, sejam estas explícitas ou implícitas. Portanto, ao procurar conectar o problema das normas implícitas à questão do silêncio eloquente da lei a recorrente mistura alhos e bugalhos. Na sequência, a interessada faz uso do princípio da eventualidade alegando que, se for entendido haver lacuna, e não norma implícita, deve ela ser preenchida segundo o espírito da lei. Argumenta que, como o espírito do art. 15 da Lei nº 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, qualquer integração só poderá ser produzida no sentido de assegurar a compensação sem a observância do limite de 30%, nas situações em que em virtude de outra norma (art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) a limitação nessas situações frustraria qualquer possibilidade de compensação futura do excedente. Novamente a recorrente traz à balha a questão da compensação integral do prejuízo. Sua argumentação, agora, é que há uma lacuna na Lei nº 9.065/95, a qual deixou de excepcionar o limite de 30% previsto no art. 15 às hipóteses de extinção ou cisão parcial da pessoa jurídica. No entanto, conforme Larenz, nem todo silêncio da lei pode ser tido como uma lacuna. Nesse sentido, o simples fato de a Lei nº 9.065/95 não excepcionar a incidência de seu art. 15 a casos como o dos presentes autos, não nos autoriza concluir que exista uma lacuna naquela lei. Mas, então, quando é que poderseá dizer que existe uma lacuna na lei? A resposta pode ser encontrada também em Larenz (sobre o assunto vide, também, Aleksander Peczenik, in On Law and Reason, pg. 24 e ss.). Haverá uma lacuna na lei quando, com base nos valores albergados pelo sistema jurídico, for possível afirmar que a norma deveria existir. E se o legislador não produziu uma norma que, em razão dos valores presentes no ordenamento jurídico, deveria existir, então o próprio direito autoriza ao aplicador promover a integração da lacuna, por meio de analogia, princípios gerais do direito, equidade, etc. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 865 13 Já vimos anteriormente que não existe norma jurídica, sequer implícita, estabelecendo o direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. Investiguemos agora se essa propalada compensação integral, apesar de não ser um direito formalmente estabelecido, constituise em um valor resguardado pelo ordenamento jurídico. Se a resposta for positiva, então, conforme afirmado pela recorrente, há que se reconhecer a existência de uma lacuna na Lei nº 9.065/95 ao não excepcionar a incidência de seu art. 15 aos casos de extinção ou cisão parcial. A defesa não aponta qual a norma ou conjunto de normas do ordenamento que albergaria esse suposto valor. Certamente não está ele contido no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, pois, como dito outrora, o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado nas hipóteses de extinção ou cisão parcial. Talvez a única norma do ordenamento jurídico em que seria possível vislumbrar a existência do afirmado valor (compensação integral de prejuízos) é a contida no art. 153, III, da Constituição da República, o qual estabelece competir à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Ocorre que o próprio STF, ao examinar por diversas vezes a questão, já afirmou e reafirmou que a limitação de 30% à compensação de prejuízos não ofende o conceito constitucional de renda, daí porque é de se concluir não ser possível dele se inferir a existência do alegado valor concernente à compensação integral de prejuízos." Entendo completamente aplicáveis à discussão desenvolvida nos presentes autos as considerações expostas no voto reproduzido. A tese abraçada pelo acórdão recorrido, no sentido de que existiria, no ordenamento atinente ao IRPJ, norma implícita que determina a possibilidade de afastamento da trava de 30% no ano de encerramento das atividades da pessoa jurídica, é devidamente refutada. Demonstrase que a interpretação conjunta dos arts. 15 da Lei nº 9.065/1995 e do art. 33 do DecretoLei nº 2.341/1987 (reproduzido no art. 514 do RIR/1999) não conduz necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado. Assim, improcede a defesa da existência da aventada norma implícita. O voto ainda aborda a questão do pretenso direito adquirido das pessoas jurídicas à compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL acumulados ao longo dos exercícios anteriores. A este respeito, concluise que inexiste tal direito adquirido no sistema atualmente adotado para as compensações (limitação quantitativa em cada exercício, sem limite temporal), assim como não existia na regra anterior (limitação temporal de quatro anos para a compensação, sem limite quantitativo para cada exercício). O Acórdão CSRF nº 910100.401, de 02/10/2009, expressamente mencionado na decisão recorrida e indicado como paradigma pela recorrente, também discute se existe ou não direito adquirido dos contribuintes à compensação de resultados negativos anteriores. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 866 14 Tal decisão representou uma mudança de posicionamento da CSRF a respeito do tema, motivada, entre outras razões, por decisões do próprio Poder Judiciário: "Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (...) Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº. 307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: (...) Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E 'B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto à interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) Fl. 866DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 867 15 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização" dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. E apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CR, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI). (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie de incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado, eis que as normas que cuidam de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. (...) Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios Fl. 867DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 868 16 fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente." Em que pese o RE nº 344.9940 efetivamente não tratar de hipótese idêntica à discutida nos presentes autos (ou no processo em que foi prolatado o Acórdão CSRF nº 910100.401), a mencionada decisão judicial joga luz sobre aspectos extremamente úteis à discussão acerca da aplicabilidade da trava de 30% na compensação realizada por empresas prestes a serem incorporadas. De início, estabelecese que a possibilidade de compensação de resultados negativos passados é um benefício fiscal, concedido pelo Estado, mediante lei perfeitamente constitucional, como instrumento de política tributária e econômica. Assim sendo, leis que limitem a possibilidade de compensação (até totalmente) são igualmente constitucionais. Por fim, entendeu a Suprema Corte que a compensação de eventuais prejuízos fiscais já acumulados revestese da condição de mera expectativa de direito, inexistindo direito adquirido à sua utilização tributária posterior. Trazendose tais conclusões para a discussão travada nos presentes autos, podese construir o entendimento de que não é inquestionável, como entende o acórdão combatido e defende o contribuinte recorrido, a premissa de que existe um direito sagrado à compensação integral dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL já registrados. Somente tomandose por intocável tal premissa é que se pode defender que a única solução possível para a situação em que uma pessoa jurídica terá suas atividades encerradas, por conta de sua incorporação, é pela dispensa da limitação da compensação a 30% do resultado positivo apurado. Após a prolação do Acórdão nº 910100.401, a CSRF proferiu uma série de outras decisões em que prevaleceu a tese de que a trava de 30% na compensação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, prevista nos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 e arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, é obrigatória mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica. Uma destas decisões é o Acórdão CSRF nº 9101001.337, de 26/04/2012, também apontado pela recorrente como paradigma, que faz uma pertinente observação acerca da evolução da legislação que trata da compensação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo em que aborda os aspectos materiais e temporais para a incidência do IRPJ. Com isso, visouse a afastar o argumento de que a negativa da compensação integral de prejuízos fiscais representaria tributação de outra grandeza que não a renda: "Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 869 17 Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu descréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Data máxima venia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, Fl. 869DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 870 18 que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustenta também o Relator que “a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal” e traz jurisprudência do STJ nesse sentido. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que “somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados”, conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). (...) Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente." O voto vencedor redigido pelo Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. faz um interessante apanhado das normas concernentes ao imposto de renda, tanto de pessoas jurídicas quanto de físicas, que não permitem(iam) o aproveitamento tributário de resultados negativos anteriores e nem por isso desnaturaram o conceito constitucional de renda. Para corroborar sua tese, traz trecho de julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que declara expressamente que tais resultados negativos anteriores não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda. Seu aproveitamento tributário seria, isso sim, benesse tributária instituída pelo Estado para "minorar a má atuação da empresa em anos anteriores". Após diferenciar o tratamento dado ao tema pelas Ciências Contábeis daquele que interessa à seara tributária ("renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei"), o Redator faz observação relevante para o deslinde da controvérsia aqui examinada: existem exceções, legalmente previstas, à submissão da compensação ao limite de 30% do resultado positivo do período de apuração. E, entre elas, não está a pretendida pelo contribuinte. Em outras palavras: quando o legislador quis estabelecer exceções à regra geral, o fez expressamente. A controvérsia também é abordada no voto vencedor do Acórdão CSRF nº 9101001.760, de 16/10/2013, que trata com profundidade de vários aspectos relevantes para a discussão proposta: "Voto Vencedor Mérito Fl. 870DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 871 19 Marcos Aurélio Pereira Valadão Redator Designado (...) Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, porque desta forma se torna mais clara a contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, não existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito pior para o contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro, este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no Fl. 871DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 872 20 início e no final do período; assim, vinculado a uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993 (com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real). Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim, o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tão somente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a “trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, Fl. 872DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 873 21 como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. (...) (...) Outro argumento expedido pela I. Relatora, muito semelhante ao primeiro, diz respeito à obediência da norma tributária aos princípios e normas contábeis, no que se refere à apuração da base do IRPJ e da CSLL. Ocorre que, neste caso, o tratamento dado pela legislação tributária diverge da norma comercial, mas é consentâneo com a própria Lei n. 6.404/1977, a lei comercial e contábil, que prevê em seu art. 177, §7º (redação atual dada pela Lei nº 11.941/ 2009) que tratamento tributário diferente pode ser dado pela legislação tributária, conforme seu art.177, in verbis: (...) Ou seja, a própria lei que dispõe sobre o tratamento tributário da apuração contábil ressalva que a aplicação das normas tributárias com critérios diferentes deve ser observada. Assim, não há contradição entre norma tributária e norma contábil, mesmo porque o tratamento dado à apuração do lucro real direciona justamente à apuração do lucro com base na legislação comercial sucedido pelos ajustes previstos da norma tributária (adições e exclusões), conforme preconiza o art. 6º do Decretolei nº 1.598/1977, e também o art. 17 da Lei nº 11.941/2009 (Lei que tratou das novas normas contábeis) e tributação, introduzindo o denominado regime tributário de transição RTT). Ou seja, a vedação de aproveitamento de prejuízos persiste mesmo no caso de encerramento da empresa, à míngua de previsão legal tributária. Não se pode impor normas e princípios contábeis para alterar a legislação tributária, criando uma situação excepcional onde a norma tributária não prevê exceção. (...) Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. (...) Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o Fl. 873DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 874 22 patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. (...) Quanto ao argumento relacionado à jurisprudência judicial, o único ponto relevante é que entendo que a decisão do STF de que a trava é constitucional impacta o presente processo ainda que indiretamente. Uma coisa o STF reconhece de pronto, qual seja: o tema é matéria de lei e esta lei não é inconstitucional. Embora o STF não tenha discutido a questão da trava na extinção da empresa especificamente, a decisão é um indicativo claro de que a vedação total no encerramento da empresa é também matéria de lei infensa à questionamento constitucional. De outro lado, se não for assim entendido estaríamos a discutir a inconstitucionalidade de lei, o que regimentalmente não podemos fazer, ou então, haveria uma omissão legal, o que não há. O que corrobora a conclusão de que para se aceitar o afastamento da trava na hipótese em debate teria que haver previsão expressa da lei tributária, o que também não há. (...) Assim, o entendimento que adoto é também consentâneo com a direção que está seguindo a jurisprudência contemporânea do CARF, embora reconheça que haja divergências, as quais respeito, embora divirja. Desta forma, entendo não deve ser admitida exceção não prevista em lei tributária, quando a lei tributária fixa limites para o aproveitamento de prejuízos, devendo ser negada o aproveitamento integral dos prejuízos no enceramento das atividades da empresa, que está limitado a 30%, na forma da legislação tributária." Fl. 874DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 875 23 O I. Redator expõe brilhantemente, com notável grau de detalhamento, as razões que prevaleceram naquele julgamento a respeito de vários aspectos relevantes para o debate acerca do afastamento da trava de 30% no caso de empresa incorporada: inexistência de direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais já registrados; independência da lei tributária em relação às normas contábeis; constitucionalidade das restrições legais à possibilidade de compensação pelos contribuintes. Além disso, aborda também outra discussão suscitada nos presentes autos. O acórdão recorrido elencou, entre suas razões de decidir, o argumento de que a aplicação da trava de 30% à compensação promovida por pessoa jurídica prestes a ser incorporada "resultaria no abandono forçado de um ativo seu, de origem tributária, assegurado em lei". Com muita propriedade, o voto transcrito há pouco admite que tal tese pode ser dotada de algum sentido se analisada sob o ponto de vista puramente contábil. Mas não se pode admitir a tentativa de se atribuir ao prejuízo fiscal acumulado a natureza de patrimônio. Tal configuração afrontaria à própria lógica econômica das empresas, uma vez que, de certa forma, estarseia pretendendo transmutar a perda em lucro. Considero que os argumentos que fundamentaram a decisão recorrida foram satisfatoriamente refutados pelas decisões administrativas acima referidas, cujas razões de decidir transcritas adoto como minhas. Acrescento ainda, a título de ilustração, que esta CSRF, em seus julgamentos mais recentes, tem se mantido fiel ao entendimento aqui adotado, pela impossibilidade de dispensa do limite legal, para a compensação, de 30% do lucro real (ou da base de cálculo positiva de CSLL), mesmo no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Neste sentido os Acórdãos nº 9101002.153, nº 9101002.191, nº 9101002.192, nº 9101002.207, nº 9101002.208, nº 9101002.209, nº 9101002.210, nº 9101002.211 e nº 9101002.225. A meu ver, o principal aspecto da polêmica em pauta reside no equivocado entendimento de que necessariamente deve haver uma completa comunicação entre os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL. É precisamente esse entendimento que dá azo à idéia de que todo o prejuízo ao longo da história da empresa deve ser confrontado com todo o lucro auferido ao longo do tempo. Entretanto, a tributação do IRPJ e da CSLL não se dá dessa forma. Com efeito, o que se tributa é a renda/lucro (acréscimo patrimonial) auferida em um determinado período de apuração, e não a renda/lucro resultante de toda a existência da empresa. No julgamento do já referido RE nº 344994, o STF, apesar de não ter examinado a questão do limite de 30% para compensação de prejuízo fiscal em caso de extinção de empresa, deixou bem claro que a lei aplicável em relação à compensação de prejuízo fiscal é a lei vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Tal pronunciamento veio no sentido preciso de afirmar a independência entre os exercícios, o que também ficou bem evidenciado pelas situações apontadas nas decisões da Fl. 875DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.729141/201130 Acórdão n.º 9101002.452 CSRFT1 Fl. 876 24 Câmara Superior de Recursos Fiscais transcritas neste voto (em especial, a evolução histórica do instituto e o paralelo com a tributação da renda das pessoas físicas). Nesse mesmo passo, vale ainda observar que não há doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. De todo o exposto, podese concluir que a continuidade da empresa não implica em um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, independentemente do aspecto temporal para a incidência do imposto/contribuição; que o referido limite de 30% não desnatura a materialidade do imposto/contribuição (renda/lucro em determinado período de apuração); e que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por cisão/incorporação, ou por qualquer outro evento. Nesse passo, devem ser restabelecidas as autuações fiscais a título de IRPJ e CSLL. Registrese que a aplicação de multa e a incidência de juros de mora não foram objeto de contestação pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. Desse modo, voto no sentido de: CONHECER do recurso especial interposto pela PGFN; DAR provimento ao recurso especial, restabelecendo os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 876DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O
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Numero do processo: 13819.004290/2002-68
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2001
Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — NOVA
FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO - Desnecessária a formalização de novo
pedido de compensação quando o formulário apresentado evidencia os dados da incorporada independente do preenchimento do campo "Outras
Informações".
Numero da decisão: 1802-000.355
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA• ••. . •••• CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • . PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13819.004290/2002-68 Recurso n° 168.538 Voluntário 1 Acórdão n° 1802-00355 — r Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ ; Recorrente MORGANITE BRASIL LTDA Recorrida 4a.Turtna/DRI/Campinas/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2001 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — NOVA FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO - Desnecessária a formalização de novo pedido de compensação quando o formulário apresentado evidencia os dados da incorporada independente do preenchimento do campo "Outras Informações". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ESTERtIiRQUES LINS D -44 I A — Presid- - e Relatora. EDITADO EM: MiÀ R 201, Participaram da sessão de gatnento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José 1 Oliveira Ferraz Corrêa, Natanael Vieira dos Santos (Suplente Convocado), Nelso Ki • - (Suplente Convocado), Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco (Vice Presidente da Turma). Ausente justificadarnente o conselheiro Leonardo Lobo De Almeida. Processo n°13819.004290/2002-68 51-TE02 Acórdão n.° 1802-00.355 Fl. 2 Relatório Em 14/11/2002, a interessada protocolizou Declaração de Compensação (fl. 01/02), objetivando compensar crédito de saldo negativo de IRPJ dos anos calendário de 1998, 1999 e 2001 no valor de RS 105.041,18, com vistas à quitação de débitos de sua responsabilidade. Em 22/08/2007, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo exarou o Despacho Decisório de fls. 89/91, indeferindo o pedido da interessada e não homologando a compensação declarada, sob as alegações seguintes: 1) para o ano calendário de 1998 não há saldo negativo declarado de IRPJ (17s.47/54); 2) para o ano calendário de 1999 também não havia saldo negativo de IRRI quando da protocolização deste pedido (/ls.55/62), já em declaração reuficadora transmitida em 27/01/2004 (11s.63/70), o interessado apurou um saldo negativo de IRPJ de R$ 249.466,89, porém este valor foi inteiramente utilizado em compensações no processo administrativo n° 13819.003213/2002-91, o qual foi indeferido pelo SEORT desta DRF através do despacho decisório n° 099, de 15 de março de 2007 (fls.77/88) e cuja manifestação de inconformidade encontra-se em análise na DRJ de Campinas, ficando assim, impossível a análise do pleito deste período em dois processos administrativos. 3) para o ano calendário de 2001 temos a mesma situação do item 1, não há saldo negativo declarado de IRPJ (lis. 71/76). Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte ingressou com a manifestação de inconformidade explicando que referidos saldos negativos provêm da incorporada, Morganite Cadinhos e Refratários Ltda. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DAI/Campinas/SP) proferiu decisão negando a solicitação do pleito, pelos seguintes motivos: 1) Da análise dos documentos em sede de primeira instância constatou a autoridade julgadora à fl.363-v, que da Declaração de Compensação apresentada (fl6.01/02), não observou o preenchimento correto, equivocando-se, na defesa, ao dizer da não existência de campo próprio, no formulário aprovado, para indicação dos créditos advindos de eventual incorporação. Que devem ser informados os dados da pessoa jurídica titular do crédito apontado, existindo campo específico para a indicação do CNPJ referente ao débito a ser compensado, nos casos de incorporação. 2) Consta da decisão recorrida que, o preenchimento da Declaração de Compensação, como implementado, permite concluir que o saldo negativo apontado como origem do crédito a ser utilizado em compensação é da própria contribuinte, e não da incorporada como alega a defesa. Concluiu afinal que o erro cometido não é mais passível de reparação, após a decisão da autoridade preparadora, no caso, DRF/São Bernardo do Campo, consistindo por ora da defesa ? apresentada novo pedido, sujeito a apresentação de nova declaração de compensação, para nova análise pelo Delegado da Receita Federal de jurisdição da interessada, haja vista a competência originária para sua apreciação, conforme previsto na legislação vigente. 2 Processo.? 13819.004290/200248 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.355 Fl. 3 A empresa foi cientificada da decisão prolatada mediante o Acórdão n° 05-23.064 de 01/09/2008, fls. 362/364, conforme o Aviso de Recebimento (AR), fl.367, em 24/09/2008, e, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes em 06/10/2008 (fls.361/382). Preliminarmente, fls.370/372, a recorrente insurge-se contra a cobrança dos débitos não compensados, por entender ser obrigatória a formalização do crédito por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, a teor do art.142 do CTN, nos casos em que não homologada a compensação. Em seguida ratifica serem os créditos (saldos negativos dos anos calendário de 1998, 1999 e 2001) originados da empresa Morganite Cadinhos incorporada pela Recorrente em 23/08/2001, que, em razão do art.132 do CTN passaram a ser de sua propriedade. Impõe-se contra as conclusões do despacho decisório que se limitou a analisar as DIPJ da Recorrente, desconsiderando as DIPJ da Morganite Cadinhos (incorporada). Discorda das posições firmadas na decisão recorrida, afirmando seu direito na qualidade de sucessora e, ainda que se admita equivoco no preenchimento do formulário de compensação, alega que a realidade dos fatos deve prevalecer sobre meros equívocos, já que os créditos da Morganite Cadinhos passaram a ser de titularidade da recorrente. Sobre os procedimentos para a elaboração da Declaração de Compensação, alega a Recorrente que, a despeito de o CNPJ e a razão social da Morganite Cadinhos não terem sido indicados no item 4, coluna "outras informações" da declaração, tais informações foram indicadas em campo diverso (item 1 do anexo "Saldo Negativo de IRPJ e CSLL"), o que permite a conclusão de que os créditos compensados tiveram origem na Morganite Cadinhos. E ainda, que, se considere um erro formal a não indicação do CNPJ, conforme acima mencionado, os documentos nós 6 a 13, discriminados à fl.379, "afastam qualquer dúvida sobre a realidade dos fatos. Por último, diz que os registros contábeis da recorrente e da incorporada (Morganie Cadinhos), fazem prova em seu favor e, finalmente requer seja o recurso voluntário integramente provido, para também cancelar a cobrança inclusive os juros e a multa aplicados. É o relatório. 3 Processo n°13819004290/2002-68 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00355 Fl. 4 3/43203 Conselheira ESTER MARQUES UNS DE SOUSA, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes no Decreto n°70.235/1972. Dele conheço. O litígio decorre da decisão administrativa que indeferiu o direito creditório a que alude o interessado, e, por conseqüência a não homologação da compensação pleiteada à f1.01. Quanto a preliminar suscitada pela recorrente ao se insurgir contra a cobrança dos débitos não compensados, por entender ser obrigatória a formalização do crédito por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, a questão se resolve sob o manto do § do art.74 da Lei n°9430/96, que assim dispõe: "Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(1ncluido pela Lei n°10.833, de 2003)". Assim, no caso de débitos confessados, em instrumentos próprios (DCTF), desnecessário se faz o lançamento de oficio desses mesmos débitos, e, a cobrança será efetuada de acordo com a legislação tributária que determina os acréscimos legais, salvo se houver manifestação de inconformidade que suspende a exigibilidade dos créditos tributários. Portanto não merece acolhida aos argumentos da recorrente. Sobre a Declaração de Compensação em comento, o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 que dispõe sobre a restituição e compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, prescreve no § 14 que compete à Secretaria da Receita Federal disciplinar o disposto neste artigo, de modo que ao dispor sobre os formulários mediante os quais o interessado formulará o seu pleito cabe ao mesmo utilizá-los como estabelecido nos atos normativos expedidos pela Receita Federal. Considerado que não tendo o interessado preenchido corretamente a Declaração de Compensação (fi.01/02), a Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo, órgão competente para se manifestar sobre o pleito, analisou tal documento à luz das informações efetuadas pelo interessado, ou seja verificou a situação da empresa requerente sem a analise dos saldos negativos da incorporada, fato somente conhecido por ocasião da manifestação de inconformidade. Não se discutiu nos autos, ser ou não ser a recorrente sucessora dos créditos pleiteados. No que tange ao aspecto formal, entendo desnecessário o novo pedido tendo em vista que o formulário (f1.02) evidencia na quadrícula n° 1, os dados da incorporadora e incorporada para que assim, a Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo pudesse efetivamente analisar a Declaração de Compensação independente do preenchimento do campo "Outras Informações". 4 Processo n° 13819.004290/2002-68 51-1t02 Acórdão n.° 1802-00355 Fl. 5 Assim, verifica-se que aliado aos esclarecimentos prestados, a autoridade preparadora deverá analisar a Declaração de Compensação (f1.01/02) à luz da documentação juntada aos autos, podendo se for o caso intimar a interessada a apresentar os documentos contábeis que entender necessários. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que o Pedido de Compensação seja apreciado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo/SP, em respeito à competência originária, conforme disposto no § r do art.74 da Lei n°9430/96. 26 de janeiro de 2010 - - LRefatora ESTER MARQUES UNS DE SO)kA ,/ , a MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo : 13819.004290/2002-68 Recurso : 168538 Acórdão : 1802-00.355 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1802-00.355. Brasilia - DF, em 10 de março de 2010 ,/ o; e; aa-tó Ft aiier.." Secretári da Câmara da Primeira Seção 7 r CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador(a) da Fazenda Nacional , 1 1
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903625/2012-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 19/08/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 19/08/2005 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 25 /2 01 2- 20 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.967, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004264/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. AFASTADA.
Independentemente da regra decadencial aplicável ao caso - art. 150, § 4º, ou art. 173, ambas do CTN, não há que se falar que, em 20/12/2007, já tivesse ocorrido a decadência do direito de o Fisco efetuar lançamento relativo ao lucro real anual de 2002.
IRPJ SOBRE BASES ESTIMADAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO.
Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
Numero da decisão: 1302-001.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA. AFASTADA. Independentemente da regra decadencial aplicável ao caso - art. 150, § 4º, ou art. 173, ambas do CTN, não há que se falar que, em 20/12/2007, já tivesse ocorrido a decadência do direito de o Fisco efetuar lançamento relativo ao lucro real anual de 2002. IRPJ SOBRE BASES ESTIMADAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). .
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 659 1 658 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004264/200745 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302001.981 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2016 Matéria IRPJ sobre nase estimada Recorrente DUKE ENERGY INTERNAC., GERAÇÃO PARANAPANEMA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. AFASTADA. Independentemente da regra decadencial aplicável ao caso art. 150, § 4º, ou art. 173, ambas do CTN, não há que se falar que, em 20/12/2007, já tivesse ocorrido a decadência do direito de o Fisco efetuar lançamento relativo ao lucro real anual de 2002. IRPJ SOBRE BASES ESTIMADAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 64 /2 00 7- 45 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 2 . Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1617.876 da 4ª Turma da DRJ/SP1, o qual foi assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 INCENTIVO FISCAL. IRPJ SOBRE O LUCRO INFLACIONÁRIO. INEXISTÊNCIA DE DUPLO LANÇAMENTO. FUNDAMENTO DIFERENTE. Não há duplicidade de lançamento sobre o mesmo fato e o mesmo período se o fundamento da autuação e outro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. IRPJ SOBRE O LUCRO INFLACIONÁRIO. Sendo o lançamento datado de 20/12/2007, decaiu o direito de lançar o IRPJ sobre o lucro inflacionário em relação aos meses anteriores a dezembro de 2002. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 INCENTIVO FISCAL. OPÇÃO POR MEIO DE DARF ESPECÍFICO. DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. SUBSCRIÇÃO VOLUNTÁRIA. EXCESSO DE APLICAÇÃO EM DETRIMENTO DO IMPOSTO. PERC NÃO APRESENTADO A falta da certidão negativa da PGFN permite atribuir plena validade as pendências fiscais apontadas pelos sistemas da RFB, que impedem a concessão do incentivo. TAXA SELIC. MULTA. Não compete a instância administrativa a discussão sobre a ilegalidade e/ou inconstitucionalidade da legislação tributária, inclusive no tocante a juros de mora e multa de ofício. Não foram lançados juros sobre a multa de ofício. Lançamento Procedente em Parte”. Quanto ao recurso de ofício, vale a transcrição dos seguintes trechos do relatório e voto do acórdão recorrido: O interessado foi autuado no IRPJ, em 20/12/2007, em conformidade com o Decreto n.° 70.235/72 e suas alterações, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 13.420.183,10, incluindo imposto, multa de 75% e juros de mora calculados até 30/11/2007, com base no art. 601, § 7° do RIR/99, art. 27 alinea "c", da Lei n.° 8.036/90, art. 13, § 7°, da MP n.° 2.058/2000 e reedições, art. 60 da Lei n.° 9.069/95, art. 44 da Lei n.° 9.430/96 e art. 4°, §§ 6° e 7° da Lei n.° 9.532/97, por excesso de aplicação em fundo de investimento incentivado em detrimento do imposto, em vista de ter sido considerada subscrição voluntária a diferença de R$ 5.337.542,50 entre o total de R$ Fl. 660DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19515.004264/200745 Acórdão n.º 1302001.981 S1C3T2 Fl. 660 3 11.325.734,40 recolhido por meio DARF's específicos (codigo 9032) e o valor do saldo negativo, de RS 5.988.191,90 (fls. l a 63). O Termo de Constatação da conta de que o procedimento fiscal decorre de auditoria de revisão da declaração do anocalendário 2002, conforme processo em apenso de n.° 16143.000335/200718, de fls. 1 a 71, na qual foram apuradas pendências fiscais, de forma que o incentivo pleiteado não foi reconhecido com base no art. 60 da Lei n. 9.069/95 e no art. 27, alinea "c" da Lei n.° 8.036/1990 (fls. 2 e 3). O processo em apenso de n.° 16143.000335/200718 detalha pendências a fl. 25. O auto de infração consta a fls. 57 a 63. (...) O lançamento foi efetuado em 20/12/2007, de forma que a Fazenda decaiu do direito de lancar em relação ao período de 11/2002 e anteriores, devendo ser exonerada essa parte do lançamento. Preliminar deferida. (...) Portanto, VOTO pela manutencao do lancamento referente ao mes de dezembro, conforme o demonstrative a seguir. EXIGIDO EXONERADO MANTIDO PRINCIPAL MULTA PRINCIPAL MULTA PRINCIPAL MULTA 5.337.542,50 4.003.156,87 4.393.731,30 3.295.298,47 943.811.20 707.858,40 A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1617.876, conforme AR a fls. 553, no qual não consta a data de recebimento, interpôs, em 27/03/2009 (vide carimbo da Derat/SP a fls. 554), recurso voluntário (doc. a fls. 554 e segs.), no qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: “4. O Termo de Constatação anexo ao Auto de Infração demonstra que a D. Fiscalização Federal entendeu indevida a destinação ao FINAM do imposto de renda sobre o lucro inflacionário no período de Janeiro a dezembro do ano calendário de 2002 (no valor de R$ 11.325.734,40) e excluiu daquele montante o valor alocado no item 18 da Ficha 12 A (Cálculo do IR sobre o Lucro Real Imposto de Renda a Pagar) da DIPJ 2003 R$ 5.988.191,90, que fora considerado como um crédito de antecipação de IRPJ da Recorrente. Nesse sentido, e cobrado o montante de R$ 5.337.542,20, a título de IRPJ a pagar, acrescentado de imposição de multa de ofício de 75% e juros de mora. Referido Termo de Constatação alega que o incentivo fiscal não foi reconhecido com base na alegada existência de pendências fiscais e na falta de apresentação de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais ("PERC") pela Recorrente. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 4 5. Não podendo concordar com a lavratura do referido Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação para demonstrar a improcedência da exigência fiscal formulada. Tal Impugnação argumenta que a exigência fiscal formalizada pela D. Fiscalização Federal não encontra qualquer respaldo jurídico na medida em que, além de restringir um direito expressamente assegurado ao contribuinte pela legislação que rege os incentivos fiscais, o Auto de Infração pecou também por constituir créditos tributários já extintos pela ocorrência da decadência, e que já são objeto de discussão no Processo Administrativo n° 19515002934/200616. (...) 9. O presente Auto de Infração constitui créditos tributários, relativos às parcelas equivalentes a 18% do imposto de renda sobre o lucro inflacionário que foram destinados ao FINAM, no anocalendario de 2002, que já são objeto de discussão no Processo Administrativo n° 19515.002934/200616!!! 10. O Processo Administrativo n° 19515.002934/200616 formalizou exigência de crédito tributário no montante de R$ 97.930.699,42 (noventa e sete milhões novecentos e trinta mil seiscentos e noventa e nove reais e quarenta e dois centavos) com imposição de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo as parcelas equivalentes a 18% do imposto de renda sobre o lucro inflacionário que foram aplicados no FINAM, nos meses de Janeiro do anocalendário de 2001 até novembro do anocalendário de 2004. Note que referido Auto de Infração compreende o mesmo período ora em discussão (dezembro do ano calendário de 2002). Referido Auto de Infração e objeto de discussão no Processo Administrativo n° 19515.002934/200616 e atualmente pende julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 11. Contrariamente ao alegado no Acordão recorrido, independentemente de o fundamento da autuação ser outro, a duplicidade no lançamento e verificada quando o lançamento busca o mesmo crédito tributário! Isso porque a dupla cobrança de um mesmo crédito tributário, mesmo que sob argumentos diferentes, e o que leva a cobrança indevida, caracterizando o confisco. Ou seja, em ambos os processos administrativos estão sendo exigidas parcelas equivalentes a 18% do imposto de renda sobre o lucro inflacionário que foram destinados ao FINAM no anocalendario de 2002. (...) 15. Ademais, o Auto de Infração em questão é claramente ilegal, pois contraria, frontalmente, o disposto na legislação. O artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26.3.1999 ("RIR/99"), prevê, expressamente, que: (...) 16. Assim sendo, conforme o dispositivo transcrito anteriormente, um segundo exame e, consequentemente, um segundo Auto de Infração, só seria possível, se houvesse uma ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal, o que, no caso em tela, não ocorreu. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19515.004264/200745 Acórdão n.º 1302001.981 S1C3T2 Fl. 661 5 (...) 17. Ademais, o artigo 149 do Código Tributário Nacional ("CTN") prevê os casos em que o lançamento e efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa. No caso específico, não se trata de revisão de lançamento e, "ad argumentandum", ainda que fosse, o caso em tela não estaria enquadrado em nenhuma das hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. (...) 19. Fato é que não se pode admitir de forma alguma, a exigência de tributo em duplicidade, sob pena de incorrer em ilegalidade e confisco, o que é vedado pela Constituição Federal, além de incorrer no bis in idem. Portanto, resta claro que o Auto de Infração em tela deve ser cancelado, pelas razões acima e a seguir aduzidas. (...) 22. Ad argumentandum, mesmo admitindo que o lançamento em duplicidade fosse possível, e ainda mais, que fosse possível o absurdo deste encontrar a sua fundamentação na existência do lançamento anterior, o próprio Acordão recorrido corretamente atesta que "os valores do imposto de renda sobre o lucro inflacionário dos arts. 454 e 455 podem ser, sim, adicionados a base de cálculo do incentivo". Posicionamento que está em linha com a recente jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes. (...) 24. O Acórdão ora recorrido afirma que ‘a falta de certidão negativa da PGFN permite atribuir plena validade as pendências fiscais apontadas pelos sistemas da RFB, que impedem a concessão do incentivo’. Ora, a Recorrente tem como requisito para exercer regularmente suas atividades a comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, uma vez que para participar de licitações e necessária a certidão de regularidade fiscal. Nesse sentido, a alegação de existência de pendências fiscais e inverídica e não pode prosperar. 25. O meio hábil para comprovar a regularidade fiscal e a apresentação de Certidão Negativa de Débito ou de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa: (...) 27. Nesse sentido, a Recorrente demonstrou por meio das certidões negativas da Secretaria da Receita Federal e da Procuradoria Geral da Fazenda Naeional, anexas aos autos (doc. n° 3) sua regularidade fiscal no momento em que optou pela destinação dos recursos! A existência de débitos surgidos após a referida destinação apenas poderiam influenciar a concessão de benefícios em anos subsequentes. 28. Ad argumentandum, mesmo que se admitisse que a existência de pendências fiscais surgidas após o momento da opção, não seria possível alegar a existência destas em nome da Recorrente. Nesse sentido, segue anexa Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Fl. 663DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 6 Negativa (doc. n° 4) que comprova a regularidade fiscal atual da Recorrente. (...) 29. Como já demonstrado acima, a falta de apresentação de PERC pela Recorrente não poderia sustentar um lançamento em duplicidade, fundamentado na própria existência de um Auto de Infração anterior sobre o mesmo período e baseado em fato inverídico (no caso, a falta de regularidade fiscal da Recorrente). Entretanto, admitindo, apenas para fins de argumentação, que a lavratura do presente Auto de Infração fosse possível, a ora Recorrente vem demonstrar a impossibilidade de se alegar a falta de apresentação de PERC. 30. Após analisar as cópias do Processo Administrativo n° 16143.000335/200718 mencionado no Termo de Constatação do presente Auto de Infração, a Recorrente verificou que a de intimação com o Extrato de Destinação nunca foi recebida por preposto e/ou representante legal! Portanto, sem o recebimento do Extrato de Destinação apontando irregularidade na sua destinação, a Recorrente não teria qualquer motivo para apresentação de PERC. 31. O Egrégio Conselho de Contribuintes e os Tribunais Regionais Federais reconhecem a nulidade de intimações entregues a pessoas que não são representantes legais do contribuinte. Confirase: (...) 32. O fato de a suposta intimação ter sido entregue a terceiro desconhecido pela Recorrente viola inclusive o artigo 37 da Constituição Federal, que exige a publicidade dos atos praticados pela Administração Pública. 33. Portanto, os precedentes citados demonstram que a alegação de nulidade de intimação formulada pela Recorrente tem respaldo em entendimentos adotados tanto pelo Conselho de Contribuintes, quanto pelos tribunals Regionais Federais. (...) 34. Ademais, cumpre notar que, conforme já decidido pelo Egrégio Conselho de Contribuintes, inexiste norma expressa que fixe qualquer prazo para o exercício do direito do contribuinte para pleitear a revisão dos valores de incentivos fiscais pretendidos. (...) 38. Ora, resta claro que o prazo para contestar ou requerer o Certificado de Incentivos Fiscais, que não foi recebido pela ora Recorrente é de cinco anos a contar da data da entrega da declaração de rendimentos. 39. O presente Auto de Infração trata de informações constantes da declaração de rendimentos do ano de 2003, anocalendário 2002. A DIPJ/2003, referente ao anocalendário de 2002 foi entregue pela Recorrente no dia 30.6.2003 (doc. n° 5). Nesse sentido, a Recorrente poderia requerer a emissão do Certificado de Incentivos Fiscais até 30.6.2008 o que lhe foi negado com a lavratura do presente Auto de Infração. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19515.004264/200745 Acórdão n.º 1302001.981 S1C3T2 Fl. 662 7 40. Diante do exposto, restou suficientemente demonstrada a necessidade de reformar o Acórdao ora recorrido e CANCELADO o Auto de Infracao ora em comento, uma vez que: (i) tratase de lançamento em duplicidade, já que o Processo Administrativo n° 19515.002934/200616 constitui o mesmo crédito tributário no mesmo período (anocalendario de 2002, exercício de 2003). Diferentemente do alegado no Acórdão em discussão, a duplicidade no lançamento é verificada quando o lançamento busca o mesmo crédito tributário, como e no caso em tela. Nesse sentido, não se pode admitir de forma alguma, a exigência de tributo em duplicidade, sob pena de incorrer em ilegalidade e confisco, o que é vedado pela Constituição Federal, além de incorrer no bis in idem; (ii) a Recorrente demonstrou sua regularidade fiscal atual e no momento em que optou pela destinação dos recursos; (in) a intimação referida no processo administrativo n° 16143.000335/200718 nunca foi recebida por preposto e/ou representante legal da Recorrente e a falta de contestação pela Recorrente não pode ser utilizado como base para o Auto de Infração em referenda; e (iv) o prazo para contestar ou requerer o Certificado de Incentivos Fiscais, que não foi recebido pela ora Recorrente é de cinco anos a contar da data da entrega da declaração de rendimentos e a Recorrente poderia requerer a emissão do Certificado de Incentivos Fiscais ate 30.6.2008, o que ficou superado diante da lavratura do presente Auto de Infração. 41. Dessa forma, a Recorrente requer seja conhecido e integralmente provido o presente Recurso Voluntario, para o fim de que seja reformado o Acórdão recorrido no que lhe foi desfavorável, sendo reeonhecida a total improcedência da exigência fiscal formulada por meio do Auto de Infração e Imposição de Multa objeto deste processo administrativo.”. É o relatório. Voto O recurso de ofício atende ao disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. A decisão de primeira instância é bastante lacônica, pois não desenvolve as razão pelas quais considerou decaído, restringindose a afirmar que “lançamento foi efetuado em 20/12/2007, de forma que a Fazenda decaiu do direito de lançar em relação ao período de 11/2002”. Ora, a recorrente optou pelo lucro real anual no AC 2002, conforme DIPJ/2003 a fls. 9, logo, independentemente da regra decadencial aplicável ao caso – art. 150, § 4º, ou art. 173, ambas do CTN, não há que se falar que, em 20/12/2007, já tivesse ocorrido a decadência do direito de o Fisco efetuar lançamento relativo ao lucro real anual de 2002. O equívoco do julgador de primeira instância, ao que parece, derivou da Fl. 665DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 8 absurda tese esposada na impugnação, segundo a qual o fato gerador do IRPJ seria mensal, com base na Lei 8.541/95. Olvidouse o patrono e o julgador que, em 2002, já vigorava a Lei 9.430/96, pela qual, o lucro real é, em regra, trimestral e, por opção, como no presente caso, anual. Por essas razões, voto por dar provimento ao recurso de ofício. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 569, razão pela qual voto pelo seu conhecimento. Em preliminar, alega a recorrente que a Fiscalização não observou o art. 906 do RIR, o qual assim versa: “Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34).”. A nãoobservância do art. 906 do RIR/99, em caso de revisitação pela Fiscalização de fato gerador já auditado, pode gerar duas posições diametralmente opostas, uma pela nulidade do auto de infração e outra que entenda que tal inobservância não macula o lançamento feito pelo AuditorFiscal, autoridade competente para o lançamento. Não obstante, tenho suportado que a inobservância do art. 906 em caso de revisitação de período já auditado gera a nulidade do lançamento, porém, como a norma não prevê uma forma para este ato, esta autorização pode se dar inclusive por meio de MPF. Ora, o procedimento teve início com o MPF 08.1.90.00207031113, o qual não se encontra nos autos, razão pela qual se faria necessário a conversão do julgamento em diligência, para que fosse juntado o referido MPF a estes autos, pelo menos, para aqueles que compartilham do mesmo entendimento por mim suportado. Não obstante, deixo de propor o aprofundamento da investigação com relação a essa preliminar de nulidade, em observância ao princípio da primazia da decisão de mérito, uma vez que, ao meu juízo, o mérito da questão posta em julgamento é favorável justamente à parte que alega e que se beneficiaria com o acolhimento da preliminar de nulidade, se não vejamos o que se segue. A recorrente alega, também, que há lançamento em duplicidade, pois o Processo Administrativo n° 19515.002934/200616 teria constituído o mesmo crédito tributário no mesmo período (anocalendário de 2002, exercício de 2003). As únicas peças do referido processo que constam destes autos é o Acórdão 0322.280 da DRJ/BSA e o Acórdão nº 130100.221 da 3ª Câm./1ªTO/1ª Sejul (a fls. 646), dos quais se conclui que a autuação ali em tela versa sobre a interpretação do art. 593 do RIR/99, pois a recorrente teria destinado parte do valor do IR sobre o lucro inflacionário do AC 2002 (e de outros AC também) para incentivos fiscais e recolhido sobre o código de receita 6692. Vale ressaltar que o CARF deu provimento ao recurso voluntário e cancelou o auto de infração. Por sua vez, o objeto deste processo é apenas o auto de infração a fls. 127 e segs, no qual a infração está assim descrita: “Valor do imposto de renda recolhido a menor em decorrência de excesso na destinação feita ao FINOR, FINAM ou FUNRES, conforme apurado no Termo de Constatação lavrado nesta data, que passa a fazer parte integrante deste como se nele transcrito fosse.” Os recolhimento a menor de que a descrição dos fatos tratam, são na verdade IRPJ sobre estimativas mensais, pois, no AC 2002, a recorrente apurou Prejuízo Fiscal no montante de R$ 106.060.048,39, conforme DIPJ a fls, 15. Ademais, no Termo de Constatação a fls. 4, consta a relação dos recolhimentos feitos através de DARF específicos com o código 9032 Finam – Estimativa – Pessoa Jurídica que atenda às condições. Assim, não há que se falar em lançamento em duplicidade, já que temos Fl. 666DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19515.004264/200745 Acórdão n.º 1302001.981 S1C3T2 Fl. 663 9 infrações diferentes, pois uma versava sobre a destinação a incentivos fiscais do IR sobre lucro inflacionário e a outra sobre o IR sobre bases estimadas. Por outro lado, aplicase na espécie a Súmula CARF nº 82, cujo verbete assim dispõe: “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.” Por essas razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar integralmente o auto de infração e, consequentemente, considerar prejudicado o julgamento do recurso de ofício. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 667DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 19515.003708/2008-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9202-004.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 08 /2 00 8- 14 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 435 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10552.000439/200724. Tratase de recurso especial interposto pelo sujeito passivo diante da divergência de entendimento entre turmas julgadoras do CARF acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso e requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.777, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10552.000439/200724, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.777): O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 436 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 437 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Fl. 262DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 438 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 439 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 264DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 440 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 441 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 266DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 442 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 443 10 Em face ao exposto, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, mantendose incólume o Acórdão recorrido. É como voto. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento, mantendose incólume o Acórdão recorrido (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 268DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.904201/2009-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/06/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente CRISTINA APARECIDA FREDERICH & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/06/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 01 /2 00 9- 38 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3303002.489, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 290DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 293DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 296DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905667/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.725
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 56 67 /2 01 1- 29 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.905667/201129 Acórdão n.º 3402003.725 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.905667/201129 Acórdão n.º 3402003.725 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.905667/201129 Acórdão n.º 3402003.725 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.905667/201129 Acórdão n.º 3402003.725 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722768/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos converter o julgamento em diligência nos termos do voto da redatora designada, vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins (relator) que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Julgado dia 20/09/2016 no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos converter o julgamento em diligência nos termos do voto da redatora designada, vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins (relator) que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Julgado dia 20/09/2016 no período da tarde. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 76 8/ 20 13 -9 9 Fl. 76883DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.883 2 RELATÓRIO Da situação fiscal do Contribuinte: O quadro abaixo apresenta os dados, extraídos da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira Dimof de instituições bancárias e das declarações de ajuste anual do Contribuinte, (efls. 10 a 25)1 que evidenciam a incompatibilidade numérica relevante entre os rendimentos declarados do Contribuinte identificado em epígrafe e a sua movimentação financeira. Os dados coletados mostram que a movimentação financeira deste Contribuinte foi 3,4 e 14,5 vezes os rendimentos declarados nos exercícios 2009 e 2010, respectivamente, conforme quadro abaixo: RENDIMENTOS DECLARADOS (em Reais) EXERCÍCIOS Tributáveis Isentos e não tributáveis Tributação exclusiva Totais Movimentação Financeira (em Reais) 2009 120.575,93 8.076.439,67 690.351,65 8.887.367,25 30.370.668,24 2010 543.387,52 1.814.591,99 459.724,71 2.817.704,22 40.881.662,15 Da Intimação Inicial e Prorrogações de prazo: O Contribuinte foi cientificado do Termo de Início de Fiscalização em 05/03/2012 conforme doc. efls. 5 a 9. A pedido do Contribuinte, a fiscalização concedeu prorrogação de prazo para o atendimento da intimação inicial em 26/03/2012, efl. 26 a 50, em 17/04/2012, efl. 51 a 67, em 16/05/2012, efls. 68 a 117. Às efls. 118 a 271, consta correspondência do Contribuinte informando que exerce a advocacia e que atua no mercado de precatórios nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Alagoas. No exercício dessa atividade movimenta em suas contas correntes valores pertencentes a terceiros e que, portanto, não são de sua titularidade. Afirma tratar com uma grande quantidade de clientes e apresenta uma planilha com a movimentação relativa ao mês de janeiro de 2008, acompanhada de recibos e procurações públicas de cedentes. Da resposta do Contribuinte à Intimação Inicial: O Contribuinte informou que "as movimentações apontadas pela Receita Federal são oriundas da profissão do Contribuinte, pois o mesmo é advogado, figurando como procurador de inúmeros clientes". Juntou cópia de documentos que, segundo entende, comprovam "que o Contribuinte, a título de procurador, formaliza instrumento particular de cessão de crédito precatório, e habilita o cessionário nos autos da ação que originou o crédito". 1 Os números das folhas mencionados neste acórdão são da numeração digital do eprocesso. Fl. 76884DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.884 3 Informou ainda que "advoga na área tributária, especificamente com débitos de inúmeras empresas oriundos de ICMS, e como representante legal, atua como receptor das quantias despendidas das pessoas jurídicas repassando os numerários aos Cedentes" e que "no exercício de sua atividade profissional, representando empresas devidamente consolidadas, que tem interesse na aquisição de créditos consubstanciados em precatórios, intermedia negociação entre credores de precatórios e pessoas jurídicas". Da Constatação Fiscal: Termo de Constatação e Embaraço à Fiscalização, efls. 272 e 273, ciência em 13/06/2012, AR efl. 274, foi lavrado nos seguintes termos: (destaque do original) "[...] Assim, considerandose que: até a presente data a documentação requerida não foi exibida em sua integralidade, não obstante o prazo concedido ao contribuinte tenha sido mais que suficiente; nos termos fiscais lavrados anteriormente, o contribuinte já fora alertado que, na hipótese do contribuinte deixar de fornecer, dentro do prazo estipulado, as informações sobre sua movimentação financeira, bem como outros elementos, como definido no inciso I, do artigo 33 da Lei nº 9.430/96, configuraria embaraço à fiscalização e consequentemente permitiria o acesso às respectivas informações relacionadas com operações e serviços junto às instituições financeiras, conforme disposto no art. 3º, inc. VII, do decreto nº 3.724/01. Assim, não havendo justificativa RAZOÁVEL para esse procedimento por parte do contribuinte, o presente Termo formaliza o embaraço à fiscalização, nos termos da legislação anteriormente referenciada, por ser indispensável ao prosseguimento da ação fiscal.[...]" Da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF: A fiscalização visando a dar continuidade à auditoria, constatado o transcurso de mais de noventa dias da ciência do Contribuinte em relação à primeira intimação e, ainda, sem elementos comprobatórios da origem dos rendimentos que provocaram a relevante movimentação financeira supracitada, lavrou Termo de Embaraço e a RMF dirigida às instituições financeiras, responsáveis pelas informações relacionadas ao Contribuinte. Com fulcro nas disposições do Decreto nº 3.274, de 10 de janeiro de 2001, que regulamentou o artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, doc. efls. 275 a 287, foram requisitados extratos de contas correntes de titularidade do Contribuinte, seja de forma isolada ou conjunta. Da Intimação para comprovar a origem dos depósitos: O Contribuinte foi intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos depósitos/créditos registrados em contas correntes de sua titularidade na Caixa Econômica Federal, Nossa Caixa, Banco Safra, Itaú e Unibanco. A Srª Sandra Maria Gonçalves Victor, CPF 713.705.52815, foi intimada a comprovar/justificar a origem dos valores depositados nas contas correntes nº 450179, do Banco Itaú e Fl. 76885DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.885 4 n° 8202020, do Unibanco, uma vez indicada como cotitular nas fichas cadastrais e extratos dessas referidas contas, doc. efls. 251 a 296. Do Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração: Considerando insatisfatórios e insuficientes os documentos e os esclarecimentos prestados para comprovar a origem dos valores creditados em conta bancária do Contribuinte, a autoridade fiscal lavrou Termo de Verificação Fiscal de efls. 26.333 a 26.418. Neste termo, a autoridade fiscal relatou o desenvolvimento da auditoria, desde o início até o encerramento, e justificou a aplicação das determinações contidas no artigo 42, caput e parágrafos da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002. Assim, foram consignadas as infrações à legislação tributária, referentes aos exercícios 2009 e 2010, efls. 26.333 a 26.427, listadas na sequência: (grifei) 1 Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica – rendimentos pagos a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, excedente ao valor escriturado, nos termos do art. 51 e parágrafos da Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, conforme descrição constante do Termo de Verificação Fiscal. Enquadramento legal: Artigos 654, 662 e 666 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 Decreto nº 3.000, de 1999 e Artigo 1º da Lei nº 11.482, de 2007. 2 Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrição constante do Termo de Verificação Fiscal anexo. Enquadramento legal: Artigo 849 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 Decreto nº 3.000, de 1999 e Artigo 1º da Lei nº 11.482, de 2007. Da Impugnação: O Contribuinte, por meio da Impugnação de efls. 26.442 a 26.486, questionou a validade do lançamento a partir das considerações que foram resumidas e listadas a seguir: 1. Em decorrência da ilegalidade da "quebra" do sigilo bancário, sem autorização judicial, que permitiu o lançamento com base nos depósitos nas contas correntes, requer que se reconheça a nulidade do lançamento; 2. Devido à impossibilidade de se presumir omissão de rendimentos com base unicamente na movimentação financeira, que seja cancelado o Auto de Infração; 3. A documentação apresentada não foi analisada como devido, pois comprovam que os depósitos foram repassados aos seus clientes, de forma que inexiste auferimento de renda sujeita à tributação; 4. Requer a realização de perícia a fim de apurar realmente a incidência ou não de tributação em suas movimentações financeiras; 5. Solicita a dilação de prazo para a localização e juntada de contratos e demais documentos que identifiquem especificamente todos os valores recebidos neste mesmo sentido; Fl. 76886DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.886 5 6. Requer a exclusão da responsabilidade da cotitular sobre os valores que transitaram pelas contas bancárias e sua movimentação financeira; 7. Questiona a aplicação da multa de ofício de 75% e sua base de cálculo; 8. Apresenta justificativas para diversos depósitos e movimentações referentes às cessões de crédito, e ainda as guias juntadas que demonstram os recolhimentos de custas de processos judiciais que são oriundas da atividade como profissional liberal; 9. Requer que se considere transferências de valores entre contas de sua titularidade; 10. Posteriormente à apresentação da impugnação, o Contribuinte juntou vasta documentação constante às fls. 26.631 a 76.394 dos autos. Do acórdão de impugnação: A decisão do acórdão 1275.892, efls. 76.397 a 76.488, foi assim resumida: "Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, apurandose o Imposto Suplementar a seguir: Relativo ao anocalendário de 2008: R$ 4.928.256,37, mais Multa de Ofício e Juros de Mora. Relativo ao anocalendário de 2009: R$ 4.401.148,59, mais Multa de Ofício e Juros de Mora. Ressaltese que a parcela de R$ 154.000,00 do Imposto Suplementar correspondente ao anocalendário de 2008 se refere à matéria não impugnada e deve ser apartada para cobrança imediata. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. À Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para as providências necessárias ao cumprimento deste ato decisório." Este acórdão foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada. PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 76887DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.887 6 Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência/produção de provas quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59, do Decreto n.º 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DECISÕES DE JULGADOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não constituem normas gerais, não podendo seus julgados serem aproveitados em qualquer outra ocorrência, senão naquela objeto da decisão. SIGILO BANCÁRIO. OBTENÇÃO DE DADOS PELA FISCALIZAÇÃO. É autorizada, nos termos da lei, a obtenção pela Fiscalização da movimentação financeira do contribuinte junto às instituições financeiras, com vistas a demonstrar a ocorrência de infração à legislação tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, por meio de documentação hábil e idônea, suas origens, bem como a natureza de cada operação realizada. CONTA CONJUNTA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IMPUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS. A não comprovação da origem dos depósitos, comprovação esta que pode ser feita por qualquer um dos cotitulares da conta bancária, resulta, por expressa determinação do § 6º, do art. 42, da Lei nº 9.430/96, na imputação da omissão de rendimentos a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. REGIME DE CAIXA. Desde a edição da Lei nº 7.713, de 1988, a apuração do imposto de renda das pessoas físicas passou a ser efetuada pelo “regime de caixa”, ou seja, os rendimentos são tributados na medida em que forem recebidos, o mesmo se aplicando às deduções da base cálculo do referido imposto, que somente poderão ser utilizadas na declaração de ajuste anual do ano calendário em que forem efetivamente realizadas as despesas correspondentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Fl. 76888DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.888 7 Do Recurso Voluntário: Com amparo no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o Contribuinte apresentou em 14/08/2015 o Recurso Voluntário, efls. 76.495 a 76.559, alegando, em síntese: 1. Insurgese com a glosa do valor de R$560.000,00 do montante total de R$2.560.000,00 recebidos de D'Avola e Bastos Sociedade de Advogados a título de lucros. A fiscalização não acatou este valor como lucro comprovado, tendo em vista que a pessoa jurídica informou na Dipj naquele ano somente R$2.000.000,00, como lucro distribuído. Alega que, contrariamente ao decidido pela 1ª instância administrativa, efetuou a impugnação desta glosa e reitera as razões da impugnação. 2. Do cerceamento de defesa: 2.1. Da falta de acesso aos autos: Afirma que, "só obteve cópias do 6º volume em diante no dia 11 de agosto de 2015, quando faltavam seis dias para o prazo fatal do recurso". E conclui requerendo a nulidade do haja vista a falta da disponibilização integral dos autos o que impede a ampla defesa e o contraditório nesta fase recursal. 2.2. Do indeferimento do pedido de perícia: O pedido de perícia foi indeferido sem fundamentação adequada pelos julgadores da DRJ e que é de rigor a nulidade do processo com a negativa de produção de tal prova. 2.3. Da falta de individualização dos depósitos: O lançamento com base em depósitos bancário de origem considerada não comprovada tem validade apenas com a individualização dos créditos para permitir a defesa do autuado. 2.4. Da desconsideração dos julgados administrativos e judiciais colacionados: A vinculação dos órgãos administrativos às decisões pacificadas nos Tribunais e às súmulas do CARF é imperativa e sua desobediência provoca a nulidade do processo. 3. Do entendimento pacificado no STF quanto à impossibilidade da quebra do sigilo bancário e a possibilidade de eventual sobrestamento do recurso. No julgamento do RE 389.808 o STF decidiu que o Fisco só pode quebrar o sigilo bancário se a Justiça o autorizar, sob pena de tornar nulo qualquer procedimento fiscal que infrinja tal decisão, conforme ainda decisão RE 387.604. 4. Da irregularidade na obtenção dos dados pela fiscalização. O acesso aos dados bancários do Recorrente não foi realizado com a observância dos requisitos legais sem que fosse provada a indispensabilidade da quebra do sigilo bancário. 5. Da decadência: Fl. 76889DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.889 8 O Recorrente alega que o período compreendido de janeiro a outubro de 2008 encontra se inexigível haja vista a configuração da decadência. 6. Da impossibilidade de depósito bancário constituir fato gerador do IR. Como já prevê inclusive súmula do TRF, a mera movimentação financeira não traduz o conceito de acréscimo patrimonial. Cita julgados do CARF que vazam entendimento sustentando que os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda CSRF/0102.741 e 10417.494. 7. Da impossibilidade da soma algébrica dos depósitos: A autuação é nula e totalmente improcedente pois calcada exclusivamente em depósitos bancários e estes não representam aquisição de disponibilidade econômica, conforme inúmeras decisões do próprio CARF como os acórdãos CSRF/0102.641; CSRF/0102.564; CSRF/0103.148 e outros. 8. Da aplicação da presunção de omissão de receitas. O Recorrente avoca a Súmula 182 do TRF que prescreve: "É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários". Cita trechos do voto condutor do acórdão nº 210200.683 que reforçam o entendimento que o suporte fático da tributação não pé o depósito bancário em si, mas sim o acréscimo patrimonial, a renda consumida ou o benefício de qualquer ordem, tal qual, o pagamento de uma obrigação, por exemplo. 9. Da análise individualizada dos depósitos realizada no acórdão da DRJ quando da análise da impugnação. O Recorrente enumera depósitos que foram analisados pela 1ª instância e contesta as justificativas utilizadas para não aceitarem a comprovação da origem desses valores. Reitera as justificativas. 10. Da eventual incidência da alíquota de ganho de capital. Na eventualidade do Auto de infração não ser integralmente afastado, seja pelas nulidades, seja pelo período abrangido pela decadência, seja pelas provas da origem de toda a movimentação financeira, aplicase as regras de tributação pelo ganho de capital pela realização de negócios jurídicos de compra e venda de créditos em precatórios. 11. Da autuação da cotitularidade. Aduz que a cotitular das contas não foi intimada até a presente data sobre o julgamento do processo 19515.722769/201333 que, segundo informação à fl. 76.471 será julgado em conjunto com o presente processo. Ao final da peça recursal, o Contribuinte reforça seus pedidos resumidos e listados na sequência: a) Nulidade do auto de infração e da imposição de multa por cerceamento ao direito de ampla defesa e pelos vícios que aponta; Fl. 76890DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.890 9 b) Nulidade do procedimento fiscal baseado em informações protegidas pelo sigilo bancário em flagrante desobediência às decisões do STF nos RE 389.806 e 387.604; c) Reconhecer a decadência do lançamento sobre período relativo ao ano calendário de 2008; d) Requer sobrestamento do feito até decisão definitiva do STF sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001; e) Na hipótese de manutenção da decisão, requerse que seja acolhida a questão relativa a eventual incidência do imposto com base no ganho de capital, como amplamente explicitado nas razões recursais. É o relatório. Fl. 76891DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.891 10 VOTO VENCIDO Conselheiro Marcio de Lacerda Martins Relator Fiquei vencido quanto à necessidade da diligência constatado que o Contribuinte não se incumbiu de comprovar a origem dos depósitos bancários, relacionados pela fiscalização, com documentação que permita a vinculação dos valores e datas. (Assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins. Fl. 76892DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.892 11 VOTO VENCEDOR Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Redatora Designada Em que pese os doutos argumentos trazidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, tomo a liberdade para dele divergir, para tanto, peço vênia para apontar alguns elementos fáticos, que formaram o meu convencimento. Tratamse de Autos de Infração lavrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 19/11/2013, em face de Rogério Mauro D’Avola e Sandra Maria Gonçalves Victor, respectivamente, para exigir valores a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, referente aos anoscalendário de 2008 e 2009, decorrentes de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A base legal do lançamento é o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. A fiscalização que originou o auto de infração, iniciouse em 05 março de 2012 com o pedido de apresentação dos extratos bancários de suas contas correntes. No dia 26 de março de 2012, o contribuinte apresentou parte da documentação requerida (termo de recepção de fls. 26 do pdf) e requereu prazo suplementar para a apresentação do restante dos documentos; em 17 de abril de 2012 apresentou novos documentos e requereu um novo prazo, juntando, dessa feita, cópia das cartas encaminhadas aos bancos com o pedido de fornecimento dos extratos (termo de recepção de fls. 51 do pdf e folhas seguintes). Notese que, mesmo antes da entrega de todos os extratos, o contribuinte informou à fiscalização que a origem dos valores ora em debate decorrem da compra e venda de precatórios e apresentando documentos a sustentar suas alegações, também apresentou uma relação de clientes adquirentes e cessionários dos precatórios e de processos e, ainda, uma planilha com a relação das entradas, saídas e origens do mês de janeiro de 2008 (fls. 120/271 do pdf). Às fls. 272/273, a fiscalização lavrou um “termo de constatação de embaraço à fiscalização” (13/06/2012), entendendo não ser razoável a falta de entrega total da documentação por parte do contribuinte a despeito dele ter apresentado justificativa para a demora e requisitou diretamente toda a movimentação aos bancos. Entretanto, esclareçase, não consta nos autos resposta das instituições financeiras. Em 22 de fevereiro de 2013, o contribuinte (fls. 317/880) apresentou os extratos que lhe foram entregues pelas instituições financeiras. No avançar desse procedimento, um ano após a entrega dos extratos (entrega em 09/08/2012, vide fls. 305, volume IV), a fiscalização intimou o contribuinte para comprovar a origem das movimentações listadas individualizadamente das fls. 881 até às fls. 949 (12/08/2013) AR de 15/08/2013 (anexado às fls. 950). Assim, por intermédio da petição de fls. 951 e seguintes, o contribuinte junta aos autos, documentos justificando os depósitos constantes das suas contas correntes. Fl. 76893DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.893 12 Na referida petição apresenta as informações, nos moldes conforme os exemplos a seguir: Às fls. 2.385, já aparentemente com o intuito de analisar a natureza da operação, a fiscalização intima a parte a apresentar os seguintes documentos: a) Apresentar os contratos de prestação de serviços firmados com os supostos adquirentes dos precatórios; b) Quantificar a remuneração recebida pelos serviços prestados; em se tratando de remuneração para a pessoa jurídica da qual tenha participação societária apresentar recibos e escrituração contábil; c) Demonstrar com documentação hábil e idônea, o repasse dos recursos depositados aos vendedores dos precatórios; Intimado em 30 de setembro de 2013 (AR de fls. 2.386), o contribuinte junta em 21 de outubro de 2013, as informações para as quais presta os esclarecimentos (fls. 2.387 e seguintes do pdf). Fl. 76894DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.894 13 Os esclarecimentos referentes à operação de compra e venda de precatórios são prestadas, conforme assevera o próprio contribuinte às fls. 2.389, do seguinte modo: Na sequência da apresentação dessas planilhas, inicialmente juntadas às fls. 2.412/2.431, junta os seguintes documentos: 1) Cópia dos Contratos de Instrumento Particular com Identificação dos depositantes (indicados na coluna “B”), identificação dos cedentes originários e advindos de processo judicial que originou o crédito precatório (indicados na coluna “D”); 2) Cópia de recibo de pagamento e/ou comprovante de depósito realizado aos cedentes originários e advindos de processo judicial que originou o crédito o precatório (indicados na coluna “E”). 3) Cópia de recibo de pagamento e/ou comprovante de depósito realizado com desembolsos havidos (indicados na coluna “G); Nessa ordem separa cada valor e os respectivos documentos comprobatórios em 26 volumes juntados a partir das fls. 2.431. Fl. 76895DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.895 14 Cada operação (e correspondentes depósitos e despesas) é apontada separadamente — dividida com uma folha na qual consta o nome do depositante, por ex., fls. 2432 e seguintes, corresponde a “PELZER”, fls. 2446 e seguintes a 'NEW AGE' e assim na sequência, do seguinte modo: Quando a empresa adquirente dos precatórios faz mais de uma aquisição temse, na sequência, uma nova “capa” e os documentos relativos à nova operação, por ex., “NEW AGE” tem novos documentos, entre outros momentos, justificados às fls. 2887 e seguintes. Em todos os casos existem depósitos/recibos, etc. com as comissões pagas, conforme tabela e com datas compatíveis com os negócios realizados. Em 18 de novembro de 2013, às fls. 14.218 (5.069, vol. II) o contribuinte faz a juntada dos documentos complementares. É importante ressaltar que seis dias após a entrega de toda a documentação do modo supra mencionado, em 18 de novembro do 2013, às fls. 26.333 (fls. 7.755 do pdf, vol III), o auto de infração é lançado com base na presunção do art. 42 da Lei 9.430/96, sob a justificativa de que “Os documentos apresentados, sob alegação de intermediação na aquisição de precatórios, que justificariam os depósitos na conta corrente n° 8202020, uma vez que apenas apontam suposto depositante, mas não comprovam a origem dos depósitos, isto é, não permitem qualquer vinculação coincidente em data e valor de determinado crédito em conta corrente com a alegada prestação de serviço de intermediação na aquisição de precatório ou qualquer outro tipo de prestação de serviço. Nesse mesmo sentido, também o demonstrativo em planilha não restou suficiente. Vale dizer, para a comprovação da origem é indispensável a apresentação dos contratos de prestação de serviços firmados com os supostos adquirentes dos precatórios, de modo que seja possível concluir, inequivocamente, a relação “depósito/prestação de serviço (…).” É com base nos fatos descritos que formei o entendimento da minha divergência, salvo melhor juízo de entendimentos em contrário. Analisando a documentação apresentada, entendo que restou demonstrada a origem dos respectivos depósitos. Nesse descortino, discordo do entendimento exposado pela Autoridade Fiscal onde, para que ocorra prova da origem dos recursos, há necessidade de que a documentação demonstre a relação de cada valor e cada documento de modo biunívoco, ou seja, conforme constante do auto de infração que “para comprovação da origem, é necessária a vinculação de “cada crédito” a uma operação realizada” de modo que cada valor teria um “recibo” ou um contrato ao qual corresponda uma obrigação idêntica aos valores depositados até mesmo pela natureza do serviço prestado pelos Fl. 76896DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.896 15 Recorrentes, essa pretensão é impossível de se operar, já que comumente os precatórios possuem um valor de face e são comercializados com deságio. Nesse diapasão, notese ainda que, comprovar a origem do recurso, s.m.j, não obriga ao contribuinte a apresentar um recibo dos valores depositados em sua conta corrente, mesmo porque a prática geral é de se fornecer um recibo para quem paga e não para quem recebe. É importante evidenciar que, quando a lei expressa que se deve comprovar a origem dos recursos o faz para determinar ao sujeito passivo que demonstre a procedência ou a causa daquele depósito. Ressalto que adoto esse entendimento alicerçada nas seguintes premissas: primeiro porque o sentido da palavra origem é esse, conforme expresso no vernáculo – procedência ou causa; segundo porque se aceitarmos essa origem somente seja comprovada se houver uma correspondência exata de valores entre os depósitos e os documentos teríamos uma tal redução do direito de prova dos contribuintes que viria abaixo, por meio de presunção relativa, o direito constitucional da ampla defesa, transformada, nesse passo, em estreita defesa. Salientese que, essa obrigação, de fazer a comprovação coincidente em data e valor não consta na Lei, o que a lei expressa é a obrigação de comprovar a origem. No caso dos presentes autos, o Recorrente ao captar um cliente que possui direito de precatório, poderá comercializálo somente a posteriori, no entanto, a origem do recurso restará demonstrada, como restou da documentação colacionada aos autos. Nesse diapasão, entendo que o contribuinte demonstrou que para cada depósito havia um correspondente depositante, apresentou os seus respectivos CNPJ’s, mostrou que tinha um contrato de cessão de direitos creditórios no qual o Recorrente figurava como procurador por meio de uma procuração pública irrevogável e isenta de prestação de contas, firmado em data próxima do depósito; demonstrou pagamentos aos cedentes e apresentou outros instrumentos que demonstram que as relações havidas correspondem a compra e venda de direitos precatórios nos quais o Recorrente figura como adquirente por meio de procuração in rem suam e como vendedor, na qualidade de procurador do cedente, através do instrumento de cessão dos direitos . Não há como negar a admissibilidade e validade dessa documentação. Impende registrar que procuração em causa própria, não encerra uma mera outorga de mandato, até porque se trata de um verdadeiro negócio jurídico dispositivo, translativo de direitos, tanto que em regra é lavrado com caráter irrevogável e com isenção de prestação de contas e confere poderes especiais de livre disposição do bem, tudo isso no exclusivo interesse do mandatário. A compra e venda dos direitos resta demonstrada quando contrapostos os documentos. O Recorrente adquire os direitos e recebe por eles procurações públicas, por exemplo, no caso do valor cedido posteriormente para a empresa Pelzer System Ltda., conforme exemplificouse no próprio acórdão da DRJ, um recibo emitido em 29/03/2007 por Oscar Mernick, no valor de R$ 25.000,00, recebido de Rogério Mauro D’Avola, referente à cessão dos direitos creditórios oriundos do precatório alimentício de EP nº 06388/05, o correspondente comprovante de TED remetida por Rogério Mauro D’Avola, em 29/03/2007, no valor de R$ 25.000,00, em favor de Oscar Mernik e a procuração pública de 29/03/2007 outorgada por Oscar Mernick ao seu procurador Rogério Mauro D’Avola, para que este último tenha amplos poderes para ceder a quem quiser os direitos creditórios da totalidade de seus valores referentes ao precatório EP nº 06388/05; Demonstrando relação e datas coincidentes na aquisição dos precatórios e posteriormente a cessão desses precatórios através de Instrumento Particular Fl. 76897DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.897 16 de Cessão de Direitos Creditórios, devidamente registrado no qual Oscar Mernick (representado por Rogério Mauro D’Avola) cede esses precatórios para a empresa Pelzer System Ltda.. Por outro lado, não existe dúvida de que o depósito de R$298.954,89 (duzentos e noventa e oito mil novecentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos) foi originário da Pelzer System Ltda. isso porque é o que consta expressamente no extrato de fls. 317 (TED RECEBIDA ITAU PELZER SYSTEM LTDA 298.954,89 C). Supor que tais elementos não são suficientes para indiciar a prova que ilide a presunção do art. 42 é igualmente presumir que o contribuinte falseou a enormidade de documentos colacionados aos autos, a maioria deles com registro público e procurações lavradas por meio de escritura pública – isso implicaria, por outro lado, em atribuir a prática de crimes aos agentes públicos que fizeram os competentes instrumentos e registros. Repisese, não temos, pelo senso comum, como afastar as provas juntadas nos autos. “A presunção decorrente da conjugação de indícios coerentes, certos e convergentes é aceita, pela jurisprudência administrativa, como prova do fato jurídico tributário.” 2 A presunção arbitrária imposta pela fiscalização, inverte o ônus da prova e obriga ao contribuinte elidila, descaracterizando a função essencial da regra no Direito Tributário (praticabilidade e arrecadação), as presunções, como a presunção em discussão, permite que o fato possa ser indiretamente provado e que igualmente possa ser elidido. No exame dos extratos nos traz a certeza de quem são os inúmeros depositantes, por ex., RST Fabricação e Comércio de Artefatos de Papéis Ltda., Samar Comercial Importação e Exportação Ltda., Bentomar Indústria e Comércio de Minérios Ltda. e outros, expressamente identificados no extrato na supra citada fl. 317 e também constantes das documentações juntadas antes do auto de infração pelo Recorrente. O que se verifica é que, em exame ainda que superficial da relação apresentada pela DRJ no acórdão, a partir das fls. 76.422 (referente aos depósitos tributados), somente aumenta a incerteza quanto ao lançamento. Senão vejamos, logo no início, consta um valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais) do dia 06/05/2008, creditado no Banco Safra, pelo que consta do extrato às fls. 611 referese à “Transferência da Conta Poupança”, logo a seguir aponta um crédito no valor de R$ 5.999,32 (cinco mil, novecentos e noventa e nove reais e trinta e dois centavos) em 27/02/2008 que conforme extrato de fls. 605/606 corresponde a um TED de Rogério Mauro D’Avola, ocorre que o extrato é horizontal e o valor é lançado no fim da fl. 605 do lado direito e a identificação do depositante está no começo da fl. 606 do lado esquerdo e sendo transferência eletrônica de uma conta para outra é certamente originária da conta do mesmo titular, o Recorrente. A mesma coisa ocorre no lançamento do valor seguinte de R$ 16.149,65 (dezesseis mil, cento e quarenta e nove reais e sessenta e cinco centavos) de 03/03/2008, ou seja, TED Eletrônico de Rogério Mauro D’Avola, conforme expresso no extrato às fls. 607 e correspondente ao seguinte recorte: 2 Acórdão n. 1401001.181, 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (voto vencedor), na sessão de 29 de julho de 2014. Fl. 76898DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.898 17 Se o contribuinte apresentou provas que tornaram incerta a presunção legal a ele atribuída, o auto de infração necessitaria, como ele próprio apontou, de melhor investigação, pois não pode haver incertezas no lançamento, as provas não podem deixar margem a dúvidas quanto à ocorrência do fato alegado. Em verdade, sabemos que os fatos presuntivos não fazem prova concludente e absoluta da ocorrência do fato jurídico, mas, seguramente, nos fornecem elementos de provas ou alguns indicativos que nos levam a crer no sucesso do fato jurídico, a depender do grau de verossimilhança ou probabilidade. Assim, dos fatos presuntivos devese induzir a idéia do fato jurídico em sentido estrito. De modo oposto, a regra comparece na forma de dedução, de maneira que do fato jurídico stricto sensu devemse deduzir os fatos presuntivos. Vejamos como o artigo em exame descreve a presunção: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. A norma estabelece que a presunção de omissão de rendimentos somente se conformará se o contribuinte for regularmente intimado e não comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos, ou melhor, a presunção de omissão de receitas só é autorizada se o contribuinte não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. No presente caso, cumpre consignar, entendo ser hábil e idônea a comprovação da origem dos recursos, devendo cada documento acostado ser analisado pela autoridade fiscal, individualmente. Conjugandose o “caput” do artigo 42 da Lei 9.430/96, com o seu §2º, temos que ainda que se aplique a presunção legal de omissão de receita, para afastála basta a comprovação da procedência dos recursos; o que, em uma análise perfunctória, ocorreu no caso sub examine. O artigo 369 do Novo Código de Processo Civil, dispõe que: Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados Fl. 76899DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.899 18 neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz. Logo, aplicandose tal dispositivo subsidiariamente ao Processo Administrativo Tributário, temos que será admissível qualquer tipo de prova, desde que permitida em lei e moralmente legítima. Assim, quando o contribuinte comprova a procedência ou a pertinência das alegações de fato produzidas, caberá à Autoridade Fiscal, por sua vez, no mínimo fazer a contraprova dos fatos comprovados e trazidos pelo Contribuinte, caso opte por questionálas ou ignorálas, o que em momento algum, nos presentes autos ocorreu. Verificase que a lei dispõe que, sabida a origem dos recursos, caberá à autoridade lançar eventuais valores que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos com base nas normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, no presente caso, com base em eventual diferença de ganho de capital, o que não foi feito. Nessa esteira de entendimento, urge mencionar, por ser pertinente, parte do voto proferido pelo Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa no processo 11543.001046/200386: A DRJ/R10 DE JANEIRO/RJ II, não acolheu a alegação da defesa sob o fundamento de que os documentos apresentados pelo contribuinte comprovam apenas quem foi o depositante, mas não a natureza da operação que ensejou o depósito, requisito que considera essencial para caracterizar a comprovação da origem dos recursos, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Com a devida vênia, divirjo da decisão recorrida quanto a esse ponto. Primeiramente, não compartilho da interpretação de que o verbete "origem", constante do dispositivo legal, tenha ali outro significado senão o de procedência, fonte, de local de onde veio. A mim me parece claro que a legislação autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos quando o contribuinte não informa a origem, no sentido acima referido; sem tal informação, a lei autoriza a presunção de que tais depósitos são receitas ou rendimentos tributáveis omitidos, até porque não tem o Fisco elementos para averiguar a efetiva natureza dos recursos. Tal situação não ocorre, entretanto, quando se conhece a origem, a conta corrente de um parente, de uma pessoa física qualquer, de uma empresa da qual o contribuinte é sócio ou não, etc. Nesses exemplos, não há falar em presunção de omissão de rendimentos, mas de identificação da natureza da operação que ensejou a transferência do recurso e se, for o caso, da eventual incidência tributária. Penso que a leitura conjunta do caput do art. 42 com o seu § 2° conduz à interpretação de que, para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos basta a comprovação da procedência dos Fl. 76900DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.900 19 recursos. Conhecida esta, cumpre ao Fisco examinar a hipótese de eventual incidência tributária em face de legislação outra que não o próprio art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Imaginemos, por hipótese, que o presente lançamento não teve por base depósitos bancários, que a fiscalização simplesmente tivesse se deparado com a informação de que o Contribuinte recebera do mesmo sr. Celso Melro o dito cheque de R$ 13.000,00. Nesse caso, provavelmente, intimaria o Contribuinte a declarar e comprovar a natureza da operação que ensejou a transferência dos recursos e, se não justificada a operação, certamente procederia ao lançamento considerando a infração omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Ora, o fato de os recursos recebidos terem sido depositados em sua conta bancária não desnatura o fato de que os recebeu de pessoa física e, portanto, deve ser aplicada, no caso, a legislação especifica e não a presunção legal do art. 42 da Lei n°9.430, de 1996, em obediência ao § 2° desse mesmo artigo. Os documentos trazidos aos autos, cópia de cheque coincidente em data e valor com o depósito bancário, por exemplo, não deixam dúvida quanto ao fato de que os recursos depositados na Conta do Recorrente são procedentes da conta do sr. Celso Melro, que declara lhe ter emprestado essa quantia. Esses dados são suficientes para comprovar a origem dos recursos creditados/depositados, nos termos apontados acima, embora a simples declaração do sr. Celso Melro seja frágil como comprovação de que houve o alegado empréstimo. Poderseia contraargumentar afirmando que, no presente caso, a fiscalização não teve acesso à informação da origem dos recursos e, portanto, procedeu corretamente ao lançamento, de conformidade com o comando do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 e, nessas condições, o lançamento não poderia ser desconstituído com a simples comprovação da origem dos recursos, já que a falta de comprovação da natureza da operação autorizaria, da mesma forma, o lançamento. Enfim, teria havido omissão de rendimentos de qualquer forma. (…) Por outro lado, se o julgador administrativo mantém a exigência, não mais pela falta de comprovação da origem dos recursos, mas porque, comprovada essa não restou comprovado, também, a natureza da operação, estaria, a meu juízo, operando uma modificação no fundamento da exigência. Vale dizer, estarseia transmudando o fundamento da exigência de uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não Fl. 76901DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.901 20 comprovada, para omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, pessoa jurídica, etc. No presente caso, o contribuinte comprovou os dois elementos, a origem – a maioria das vezes até apresentada no descritivo do extrato bancário como se viu, e a natureza da operação que a originou – a compra e venda de precatórios. No mais, resta demonstrado que o lançamento fiscal confundiu origem e natureza da receita, conforme pode se ver na justificativa que já havíamos apontado (fls. 26354/26355): “Vale dizer, para a comprovação da origem é indispensável a apresentação dos contratos de prestação de serviços firmados com os supostos adquirentes dos precatórios, de modo que seja possível concluir, inequivocamente, a relação “depósito/prestação de serviço, o que não foi objeto de atendimento pelo contribuinte, embora tenha sido sucessivamente intimado a fazêlo. Após a comprovação da origem – o que não ocorreu , ainda restaria a esta fiscalização a análise da natureza dos depósitos recebidos (se tributáveis ou não).” Para comprovar a origem é preciso apontar quem são os depositantes e para saber qual a natureza, indicar o negócio jurídico que implicou na respectiva receita de modo a alcançar o fato gerador da obrigação e se tributar conforme a legislação específica. A Fiscalização, s.m.j, errou ao exigir que a origem fosse comprovada por intermédio da natureza da operação, confundindo, os elementos caracterizadores da norma. Em conclusão, após a análise dos autos, entendo que deva ser realizada uma diligência fiscal para o fim de serem confrontados individualmente os documentos apresentados pelos Recorrentes, documentos esses que em sua grande maioria foram entregues ainda no curso da fiscalização e não obtiveram a detida análise que o caso requer por parte da fiscalização. PELO EXPOSTO, voto para BAIXAR OS AUTOS EM DILIGÊNCIA, para que sejam analisadas, individualmente, as operações comprovadas pelos documentos colacionados aos autos, os quais, s.m.j, estão aptos à demonstrar os dois elementos exigidos pela norma de regência, quais sejam, a origem – a maioria das vezes até apresentada no descritivo do extrato bancário como mencionado no voto, e a natureza da operação que a originou – compra e venda de precatórios, solicitando que a autoridade fiscal se manifeste sobre todos esses documentos trazidos pelo Recorrente, individualmente, e elaborando relatório circunstanciado sobre os referidos fatos, evidenciando ainda, com base em toda a documentação colacionada aos autos, se tais receitas foram oferecidas à tributação espontaneamente pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 76902DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.726546/2014-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 09/01/2009 a 12/12/2011
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Não afastado o fato do recurso voluntário ser intempestivo, é legítimo o seu não conhecimento.
Numero da decisão: 3401-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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INTERPOSIÇÃO. OCULTAÇÃO. Recorrente NEXT TRADE SERVIÇOS DE APOIO ADMINISTRATIVO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 09/01/2009 a 12/12/2011 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não afastado o fato do recurso voluntário ser intempestivo, é legítimo o seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente). Relatório Este processo cuida de auto de infração que constituiu e exige a multa de 100% do valor aduaneiro estabelecida pelo inciso V do artigo 23 do Decretolei n. 1.455, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 65 46 /2 01 4- 28Fl. 1752DF CARF MF 2 1976, relativa as operações de importação realizadas e registradas pela NEXT TRADE LTDA (doravante denominada NEXT TRADE). Em síntese, a autuação fixa a penalidade é 100% do valor aduaneiro de mercadorias sujeita a pena de perdimento, não localizadas, consumidas ou revendidas, decorrente pela não comprovação da origem, transferência e disponibilidade dos recursos empregados nas operações de comércio exterior amparadas pelas declarações de importação. Segundo resumo elaborado pelo relator a quo, informa a auditoria em seu Relatório Fiscal (fls 09/59): Em diligência ao endereço onde foi declarado como da empresa NEXT TRADE identificou que: No local, placas identificam como sendo a empresa VENTURA MAR; Nos fundos do estabelecimento, identificouse uma sala onde estava a sócia administradora, Sra Silene, a qual informou da não existência de estoques de mercadorias, sendo estas enviadas diretamente aos compradores, sem armazenamento. A auditoria fiscal traz imagens do local, as fls. 15/16. A auditoria fiscal informa da lavratura a termo de esclarecimentos prestados por outro sócio, Sr. Júlio Ivo Albertoni, por meio do qual se constatou que as vendas eram "casadas" e realizada mediante antecipação de pagamentos, ou seja, as mercadorias já teriam encomendante definido e eram enviadas, depois do desembaraço, ao comprador. A auditoria fiscal informa das falhas dos registros contábeis relativos aos anos de 2009 e 2010 e uma melhor organização dos registros no ano de 2011. Conclui a auditoria fiscal que a contabilidade da NEXT TRADE não segue as regras legais, não apresenta confiabilidade de informações, logo não presta a fazer prova da origem dos recursos empregados nas atividades de comércio exterior realizadas pela empresa nos anos de 2009 a 2011 Informase da existência de importações registradas pela NEXT TRADE, por conta própria e por sua conta e ordem, tendo como importador identificado a empresa INTERCOM. Efetuada análise da origem, disponibilidade e transferência do recursos empregados na operações de comércio exterior de 37 DI, a auditoria informa que 14 não possuíam contratos de câmbio vinculados e que somente em 6 os valores dos contratos apresentados são correspondentes aos das importações. Verificado que grande parte dos recursos são provenientes de transferências efetuadas a conta da NEXT TRADE, por meio de TED, para os quais os volumes transacionados não são compatíveis com os das operações de importação. Informa a auditoria fiscal da existência de contratos de mútuo registrados na contabilidade da NEXT TRADE, celebrados com os reais adquirentes das mercadorias importadas, neste caso NEXT Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 12448.726546/201428 Acórdão n.º 3401003.247 S3C4T1 Fl. 3 3 BOATS, SAMAMBAIA, NEXT INDUSTRIA (TERRA & MAR), detalhando assim as operações realizadas entres estas e a autuada, para as quais houve lavratura auto de infração e lançamento de crédito tributário em outros processos, identificados na tabela exposta as fls 58/59, por meio dos quais estaria comprovada a antecipação de recursos por parte dessas empresas. Conclui assim, a auditoria fiscal, seu relatório as fls 56: "pela não comprovação da origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 228 de 2002. De acordo com o § 2° do Art 23 do Decreto Lei n° 1455/1976, presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados". Apresenta ainda a auditoria fiscal, um resumo de sua análise dos registros contábeis e comerciais da NEXT TRADE para fins de reforçar a sua tese de que não houve a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados: 1) Das 34 DI registradas, 12 não possuem vinculação com contratos de câmbio, porque os contratos não foram apresentados; 2) Em apenas 6 DI os valores dos contratos de câmbio são correspondentes aos valores das importações; 3) Os contratos de câmbio liquidados nos anos de 2009 a 2011 cobrem apenas parte das importações realizadas no mesmo período; 4) Poucas operações de comércio exterior possuem rastreabilidade financeira, para muitas das Declarações de Importação, as operações de câmbio não têm vinculação inequívoca; 5) A empresa não apresentou prova da integralização do capital social, nem do recebimento pela venda de imóvel do ativo, no valor de R$ 1.400.000,00; 6) O livro Diário Geral do ano calendário de 2009, contém os lançamentos individuais apenas do 1° trimestre do ano calendário; 7) O livro Diário do ano calendário de 2010 não foi entregue, no seu lugar foi apresentado a "listagem verificadora de lançamentos do ano de 2010"; 8) A contabilidade não descreve os lançamentos de maneira a identificálos individualmente, utilizando notações genéricas, como TED, transferência, recebimentos, depósito; Fl. 1754DF CARF MF 4 9) A contabilidade apresentada pela empresa, além de não apresentar o mínimo de formalidades legais, não apresenta confiabilidade das informações. Utilizando contas diversas nos anos calendários apresentados para o mesmo fato operacional, com saldos inicial e final incompatíveis; contas de transação entre Next Trade e ela mesma; várias transações contabilizadas sem contrapartida de lançamentos; 10) As operações de mútuo realizadas com as empresas Next Boats, Samambaia e Next indústria, são um vaievem de recursos, parecendo apenas operações de "fluxo de caixa", não podendo ser consideradas fontes de recursos; 11) As transferências oriundas do Banco Safra aparentemente têm por base a atividade operacional da empresa, contudo os valores transacionados cobrem apenas uma pequena parte das operações de importação realizadas. Além disto, os extratos bancários não foram apresentados pela empresa. Não podendo ser confirmada a efetiva transferência destes recursos, tornando impossível uma conclusão definitiva sobre o ingresso de recursos provenientes da atividade operacional da empresa. A NEXT TRADE apresentou sua impugnação. A respeitável 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis, após apreciar esta Impugnação e demais atos e documentos que compõem este contraditório, por voto de qualidade quanto à preliminar de decadência e por unanimidade quanto ao mérito, decidiu pela improcedência do recurso e por manter o crédito. O Acórdão ficou assim ementado: Acórdão 0737.084 2a Turma da DRJ/FNS Sessão de 24 de abril de 2015 Processo 12448.726546/201428 Interessado NEXT TRADE SERVICOS DE APOIO ADMINISTRATIVO LTDA CNPJ/CPF 02.415.890/000128 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/01/2009 a 12/12/2011 DECADÊNCIA. LEI COMPLEMENTAR. HIPÓTESES DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA E SUBFATURAMENTO MEDIANTE FRAUDE. O instituto da decadência e da prescrição são matérias reservadas à lei complementar, nos termos do que dispõe o artigo 146, inciso III, alínea "b" da Constituição Federal de 1988. Nos casos de fraude, simulação ou dolo, tais como a interposição fraudulenta na importação e a ocorrência de subfaturamento mediante fraude, a contagem do prazo decadencial deve ser feita nos termos do artigo 173, inciso I, da Lei n° 5.172/1966 CTN, tanto para o lançamento de tributos quanto para a imposição de penalidades. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DISPONIBILIDADE DOS RECURSOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO EXTERIOR. PROVAS. A não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior justifica a presunção de interposição fraudulenta, a qual, entretanto, é juris tantum, ou seja, admite prova em contrário. Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 12448.726546/201428 Acórdão n.º 3401003.247 S3C4T1 Fl. 4 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/01/2009 a 12/12/2011 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica, revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. SOLICITAÇÃO. A solicitação para produção de provas deve estar acompanhada da devida motivação, nos termos da legislação em vigor impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 2a Turma de Julgamento, por voto de qualidade no tocante à preliminar de decadência e por unanimidade de votos quanto às demais questões, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Vencido em parte o relator originário e o julgador Evandro Moritz. Designado para redigir o voto vencedor, na parte discordante, o julgador Orlando Rutigliani Berri. A empresa NEXT TRADE ingressa com recurso voluntário contra esse Acórdão, reunindo as suas razões e argumentos por que entende devem ser revistas e reformadas a autuação e a decisão colegiada. No processo houve inserção de informação de que a empresa é autora da ação judicial 001546732.2015.4.01.3200 (Justiça Federal do Amazonas). É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Análise dos requisitos de admissibilidade: Tenho a obrigação de apontar minha primeira impressão de que o recurso voluntário é intempestivo. Explicome. Encontrei, nos autos, que a contribuinte tomou ciência do Acórdão do colegiado de 1º piso em 15/05/2015 (fls. 1.721), mas o Recurso Voluntário foi recebido em 03/07/2015. Em meu contar, o termo final da tempestividade seria 16/06/2015. Portanto, o recurso foi entregue além desse limite. Fl. 1756DF CARF MF 6 Por ser intempestivo, proponho a este colegiado não seja conhecido o recurso voluntário e seja mantido a autuação e a decisão de 1ª instância. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 1757DF CARF MF
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