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Numero do processo: 10880.900708/2012-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.900708/201208 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.943 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de abril de 2019 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente GRIMALDI COMPAGNIA DI NAVIGAZIONE DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Pedido de Restituição de crédito de contribuição não cumulativa, relativamente a alegado pagamento, transmitido através do PER/Dcomp. O referido pleito foi indeferido por despacho decisório eletrônico, sob o seguinte fundamento: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório no fato de que as receitas auferidas pela contribuinte seriam referentes a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 70 8/ 20 12 -0 8 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.900708/201208 Resolução nº 3402001.943 S3C4T2 Fl. 3 2 serviços prestados para empresa residente no exterior, e, portanto, estariam fora do campo de incidência do PIS e da Cofins, nos termos do inciso I, §1º do art. 149 da Constituição Federal ou do inciso II do art. 6º da lei nº 10.833/2003. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: A nota fiscal juntada não comprova uma transação internacional, já que nas operações comerciais com partes domiciliadas no exterior, o documento comprobatório é a fatura/invoice. Nos contratos de câmbio apresentados, não há qualquer referência a fatura ou nota fiscal. A interessada não retificou a DCTF, e mesmo que o tivesse feito, a mera retificação não poderia ser aceita como prova. A fim de comprovar a efetiva prestação de serviços para o exterior, ela deveria ter apresentado: fatura de prestação de serviços no exterior (commercial invoice), contrato de prestação de serviços firmado entre ele e a empresa, livros fiscais e contábeis que discriminassem as receitas auferidas pelo contribuinte e os pagamentos recebidos. Cientificada dessa decisão, a interessada apresentou recurso voluntário, repisando que o pagamento foi indevido eis que se trataria de efetiva exportação de serviços, sujeita à imunidade/não incidência das contribuições ao PIS e da Cofins. A fim de esclarecer qualquer dúvida acerca da contratação envolvida, a recorrente acostou o contrato de prestação de serviço, bem como todos os extratos bancários dos períodos objeto dos pedidos de restituição. Subsidiariamente, requereu a recorrente a conversão do julgamento em diligência para que fossem apresentados os documentos julgados necessários à comprovação da prestação do serviço e pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.939, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900705/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.939): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Não obstante a recorrente não tenha retificado a DCTF relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido, este CARF tem entendido que: "Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.900708/201208 Resolução nº 3402001.943 S3C4T2 Fl. 4 3 por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado" (Acórdão nº 3301005.595, de 13 de dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior). Nos termos do art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/761, a recorrente apresentou o contrato de prestação de serviço com a empresa estrangeira reclamado na decisão recorrida e comprovantes dos pagamentos correspondentes. Esses documentos, juntamente com outros que constam nos autos, podem representar um indício de que as receitas tributadas seriam decorrentes de "serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas"; e, consequentemente, estariam beneficiadas pela isenção das contribuições de PIS/Cofins, nos termos do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835 ou do art. 6º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 e do art. 5º, inciso II da Lei nº 10.637/2002. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do CARF tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da documentação acostada. Ademais, a fiscalização pode, caso entenda necessário, proceder ao exame de livros de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes de lançamentos neles efetuados, bem como efetuar intimações à recorrente para apresentação de esclarecimentos e documentos, no intuito de apurar se efetivamente houve erro na DCTF transmitida para o período e o alegado pagamento indevido decorrente da isenção das receitas tributadas. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.900708/201208 Resolução nº 3402001.943 S3C4T2 Fl. 5 4 comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910059/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA - FATOS PRETÉRITOS COM REPERCUSSÃO FUTURA - INOCORRÊNCIA
O fenômeno da decadência atinge, apenas, o direito do fisco de constituir a obrigação tributária (ou de não homologar a compensação), não afastando a possibilidade de se reexaminar fatos contábeis pretéritos (ocorridos há mais de 5 anos) com repercussão futura.
IRPJ - SALDO NEGATIVO - DIREITO CREDITÓRIO - IRRF - SUMULA 80
A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à tributação, tornam-se indedutíveis as parcelas do IRRF suportadas para fins de apuração de eventual saldo negativo do imposto.
Numero da decisão: 1302-003.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.687517/2009-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DECADÊNCIA - FATOS PRETÉRITOS COM REPERCUSSÃO FUTURA - INOCORRÊNCIA O fenômeno da decadência atinge, apenas, o direito do fisco de constituir a obrigação tributária (ou de não homologar a compensação), não afastando a possibilidade de se reexaminar fatos contábeis pretéritos (ocorridos há mais de 5 anos) com repercussão futura. IRPJ - SALDO NEGATIVO - DIREITO CREDITÓRIO - IRRF - SUMULA 80 A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à tributação, tornam-se indedutíveis as parcelas do IRRF suportadas para fins de apuração de eventual saldo negativo do imposto.
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IRPJ SALDO NEGATIVO DIREITO CREDITÓRIO IRRF SUMULA 80 A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à tributação, tornamse indedutíveis as parcelas do IRRF suportadas para fins de apuração de eventual saldo negativo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.687517/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 00 59 /2 00 9- 40 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10880.910059/200940 Acórdão n.º 1302003.529 S1C3T2 Fl. 3 2 Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de pagamento indevido ou efetuado em valores superiores aos efetivamente devidos a título de ajuste de IRPJ, apurado no ano calendário de 2004. Pelo que se infere do despacho decisório eletrônico proferido nestes autos o pleito da empresa recorrente foi indeferido pela Unidade de Origem sob o argumento de que o valor descrito no DARF, apontado na respectiva declaração de compensação, estaria integralmente alocado para a quitação de débitos do contribuinte, inexistindo saldo disponível para compensação dos débitos em sua declaração de compensação. Em manifestação de inconformidade regularmente apresentada o contribuinte busca esclarecer que, em verdade, no anocalendário em testilha, consideradas as estimativas pagas e o imposto retido na fonte, conforme DIRFs apresentadas, teria apurado um saldo negativo de imposto (ao invés de valor a pagar), sendo este o motivo de seu pedido de compensação. Informa, mais, que por um lapso, teria deixado de fazer a necessária informação em DCTF, equívoco que teria sido corrigido mediante retificação da predita declaração. Instada a decidir o caso, a DRJ de Salvador houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade oposta. Nos termos do acórdão recorrido, não obstante, de fato, o contribuinte ter informado valores retidos na fonte no importe de R$ 1.058.299,14, concernentes à receitas financeiras percebidas pela empresa, não constariam da DIPJ acostada aos autos demonstrações que indicariam a tributação de tais valores, não podendo considerálos para a formação do pretendido saldo negativo. Devidamente intimado do conteúdo do julgamento acima, o contribuinte apresentou o seu recurso voluntário por meio do qual, em apertada síntese, sustentou: a) em prejudicial de mérito, a decadência do direito da Fazenda de revisitar a apuração do IRPJ ocorrida ano de 2004, a fim de considerar não demonstrado o direito creditório pretendido; b) no mérito, que, além de inovar a discussão (a questão afeita à tributação das receitas financeiras não teria sido suscitada até o advento do julgamento levado a cabo pela DRJ), que as preditas receitas teriam, sim, sido incluídas em seu resultado operacional, trazendo, agora, para comprovar as suas alegações, além dos documentos já acostados em sua manifestação, cópias de razões relativos aos anoscalendários de 2001 a 2004; c) a possibilidade de apresentar novos documentos (especificamente os livros tratados anteriormente), a luz do princípio da verdade material Ao final de sua peça, além de requerer o provimento de seu apelo, pede a conversão do julgamento em diligência. Este é o relatório. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10880.910059/200940 Acórdão n.º 1302003.529 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.521, de 17/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.687517/2009 31, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.521): I Admissibilidade do recurso. O recurso é tempestivo. Contudo, a despeito de entender satisfeitos os demais pressupostos de cabimento, até por dever de lealdade, me cabe expor de forma mais detida os motivos pelos quais admitoo neste momento, particularmente, em relação ao argumento e aos documentos novos trazidos por ocasião, apenas, da interposição do apelo. De fato, tenho um entendimento já sedimentado e, na maioria das vezes, isolado, de que, em procedimentos compensatórios, o limite temporal e processual para se fazer a prova sobre "a liquidez e certeza" do direito creditório pretendido é a manifestação de inconformidade, notadamente a luz dos preceitos combinados dos artigos 170, caput, do CTN e 16, § 4º, do Decreto 70.235/72. É que, a partir do preceptivo de lei complementar, fixase o ônus da prova quanto a própria existência do crédito, cuja repetição se perquira, nos ombros do contribuinte interessado, cabendo a ele, e não à Administração Pública, tal mister. Neste particular, transmitida DCOMP e verificada, prima facie, a inexistência dos requisitos necessários ao reconhecimento do direito postulado, a subsequente manifestação de conformidade (=impugnação art. 74, § 11, da Lei 9.430/96) deverá ser instruída com todos os documentos essenciais a: a) refutar os motivos declinados pela Unidade de Origem para indeferir seu pleito compensatório; b) evidenciar, consequentemente, o próprio direito creditório. Em outras palavras, o contribuinte deve demonstrar, por ocasião da oposição de sua manifestação de inconformidade, que as premissas adotadas pela Autoridade Fiscal não se sustentam a luz de suficiente, idônea e hábil, documentação. Daí, em casos muito comumente analisados por este Colegiado, em que o interessado transmite uma DCOMP veiculando um crédito inexistente (dada a alocação integral do DARF para a quitação de uma determinada obrigação), quando, assim advertido, se limita, em suas razões de insurgência (manifestação de inconformidade) a trazer, v.g., uma DCTF retificadora, sem expor os motivos desta retificação e sem comprovar tais motivos, por meio de documentos hábeis e idôneos. Isto é, na hipótese acima, as razões declinadas pela Unidade de Origem não são refutadas simplesmente porque a DCTF retificadora, de per si¸ não evidencia a Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10880.910059/200940 Acórdão n.º 1302003.529 S1C3T2 Fl. 5 4 correção dos novos fatos nela apontados, sendo imperioso a sua efetiva e concreta demonstração, inclusive, a teor do entendimento exarado, recentemente, pela RFB por meio do Parecer Cosit de nº 2, de 2018. A hipótese dos autos, todavia, se afasta do exemplo alhures aventado. Isto porque, a par do contribuinte ter informado um crédito de pagamento indevido (ou efetivado por valor superior ao efetivamente devido1) oriundo de DARF inicialmente utilizado para a quitação de outra obrigação (sem que restasse qualquer saldo compensável de tributo), ao opor a sua "defesa" dirigida à DRJ trouxe documentos razoavelmente suficientes para comprovar que o aludido indébito realmente existia, quais sejam: a) a DCTF retificadora; b) a DIPJ; c) as DIRFs, que demonstram os valores por ele suportados, a título de IRPJ, na fonte; d) os DARFs concernentes às estimativas pagas ao longo do período de apuração. Ou seja, tais documentos comprovam que ao invés de um valor de ajuste a ser recolhido, a empresa teria, outrossim, e em tese, apurado um saldo negativo... se, contudo, a dedução do IRFonte dependeria de um segundo conjunto probatório, é questão até aqui não apontada, já que, insistase, o pressuposto do indeferimento do direito creditório era, tão só, a própria inexistência do saldo negativo. Também como já expus em casos pretéritos, e ainda que sustente que o ônus da prova, aqui, recaia sobre os postulantes, defendo e propago, de outra sorte, que a própria instrução do processo/procedimento de compensação deverá se nortear pela verdade material, mesmo que, neste caso, semelhante princípio se aplique tão só para garantir ao contribuinte a oportunidade para corretamente demonstrar o seu direito. Explicando melhor, a contribuinte deve ser, quando menos, informado sobre qual prova deva produzir, a fim de, assim, adimplir com o seu mister (ônus). Ainda que a limitação da atividade instrutória, no caso, tenha se dado como decorrência do próprio erro incorrido confessadamente pela empresa, o fato é que não se observa, em nenhum momento, qualquer pretensão da autoridade administrativa de questionar a concretização (ou não) das parcelas que comporiam o predito saldo negativo... não houve, aí, qualquer intimação subsequente ao recorrente para que demonstrasse a efetiva tributação das receitas geradoras do IRFonte . O processo se instaurou a partir da resistência ofertada pela Unidade de Origem, delimitada pela inexistência de saldo restituível do imposto ante a vinculação dos respectivos DARF ao pagamento de outra obrigação (a relação jurídicoprocessual é delimitada pela causa de pedir e pela pretensão resistida), surgindo o questionamento relativo ao IRFonte, apenas quando do julgamento realizado pela DRJ. Não é razoável admitirse que esta prova (oferecimento à tributação das receitas financeiras) deveria ser desde logo produzida, até porque, como dito, o contribuinte estava limitado aos motivos declinados pela Unidade de Origem. Em outras palavras, este questionamento deve ser considerado "novo", 1 Recusome, peremptoriamente, a utilizar a expressão "pagamento a maior", não só porque sintáticamente equivocada, mas, também, porque estéticamente inadequada. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10880.910059/200940 Acórdão n.º 1302003.529 S1C3T2 Fl. 6 5 adequandose, pois, aqui, o caso concreto, à hipótese contida no art. 16, § 4º, alínea "c", do Decreto 70.235/72: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Para deixar ainda mais evidente, na presente demanda, o cabimento da exceção processual acima mencionada, vale destacar que o contribuinte não se contrapõe à falta de declinação de valores concernentes às receitas tributárias na linha própria de sua DIPJ, apontada, pela Turma Julgadora a quo. As novas provas não se destinam a comprovar que, no anocalendário de 2004, as receitas geradoras do IRFonte foram, naquele período, tributadas; pelo contrário, assevera (como será melhor explorado mais adiante), que tais receitas foram, "pulverizadamente", ofertadas à tributação ao longo dos anos de 2001 a 2004, sendo este motivo pelo qual não teria informado qualquer valor dessa natureza no campo próprio de sua DIPJ. O primeiro momento que a empresa teve para esclarecer os argumentos acima se deu no ato da interposição de seu recurso administrativo, dado que arguidos como contraponto às "razões posteriormente trazidas". A luz destas ponderações, conheço, integralmente do recurso e dos documentos nele veiculados. II Preliminares. II.1 Vinculação aos demais processos compensatórios que tem por objeto partes do direito creditório ora analisado. Aqui, e de forma bastante breve, esclarecese que este feito está sendo julgado sob o rito do art. 47, § 1º, do RICARF. Objetivamente, o que for decidido aqui, prevalecerá quanto aos demais processos descritos no recurso voluntário (a luz dos preceitos do § 3º deste mesmo preceito regulamentar), dado que tais demanadas compõem lote formado "por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática". II.2 Decadência. A alegação do contribuinte não é nova é já foi objeto de sucessivas decisões por parte deste Conselho, em especial em questões análogas como, v.g., de fatos que contribuíram para a formação de ágio.. Com efeito, a decadência a que alude o art. 150, §4º, do CTN (e também a contemplada pelo art. 173, I) referese ao direito de lançar o tributo uma vez verificada a ocorrência de seu fato gerador. Isto é, o quinquênio tratado nestes preceitos tem o seu termo a quo a partir da constituição (na sua acepção técnica) da obrigação tributária que, na hipótese em testilha, seria a compensação do saldo negativo de IRPJ (em que se apura a existência ou não do crédito cujo ressarcimento/compensação se postula)... a decadência, pois, não abarca os fatos pretéritos que contribuam para a formação do fato imponível; a extinção a que alude o art. 156, V, do CTN é do direito de lançar o tributo (ou de não homologar a Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10880.910059/200940 Acórdão n.º 1302003.529 S1C3T2 Fl. 7 6 compensação) e não do direito de examinar as premissas que detenham repercussão na formação da obrigação. Outro entendimento engessaria a atividade fiscalizadora e reduziria, de forma ilícita, os prazos descritos nos já citados arts. 150, § 4º e 173, I, do CTN e, ainda, aquele contemplado pelo art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96. Daí, o posicionamento atualmente adotado por este CARF, consoante extraído dos julgamentos abaixo reproduzidos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ. CSLL. SALDO NEGATIVO. AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação, devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Recurso Voluntário Improvido (Acórdão nº 1402001.590, publicado em 20/08/2014). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10880.910059/200940 Acórdão n.º 1302003.529 S1C3T2 Fl. 8 7 DECADÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e somente a partir de então pode se falar em lançamento (Acórdão nº 1402001.515, publicado em 23/01/2014). Não faço, vejam bem, ouvidos moucos às teses deduzidas nos acórdãos veiculados pelo embargante em seu recurso voluntário. Sei que tais julgados se opõe ao entendimento que ora exponho mas, venia concessa, simplesmente não concordo com as premissas lá adotadas. Quando a fiscalização recompõe o saldo negativo, entendo, não está promovendo novo lançamento de ofício (até porque o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador art. 146 do CTN). Neste caso, estarseá apenas verificando a existência de fato do crédito, formado a partir de informações pretéritas com repercussão futura e, como já dito, sobre os quais não se opera o ocaso decadencial. Notem, o Fisco não poderia, realmente, na forma do artigo 142 do CTN, efetuar o lançamento quanto ao período em que o saldo negativo foi apurado (identificandose, neste passo, o sujeito passivo e, se assim couber, aplicandose a penalidade cabível no caso, multa isolada por estimativas pretensamente não recolhidas); mas, impedir que o fisco examine a escrita contábil utilizada pelo contribuinte para, justamente, formar o aludido saldo, representaria, como já afirmei, engessamento desarrazoado da atividade descrita no já tratado § 5º do art. 74 da Lei .9.430/96. E a falta de razoabilidade, aqui, é palpável bastando, para tanto considerarse a seguinte situação (inclusive observável neste feito): a) o contribuinte apura saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2004 sendolhe, neste passo, franqueado o compensar já no ano de 2005; b) deixa para compensar saldos negativos do imposto às vesperas do decurso dos prescricional (para postular a compensação) e decadencial (para operar, contra o fisco, a extinção do direito de constituir o respectivo crédito tributário); c) neste caso, ao invés de 5 anos para "homologar" a predita compensação o fisco teria alguns poucos meses. Enfim... a decadência se opera em relação ao fato gerador e ao consequente direito do fisco de constituir a obrigação tributária, não atingindo os fatos contábeis considerados pelo contribuinte para a apuração de seus tributos. Afasto, pois, a prejudicial em análise. III Mérito. III.1 A tese do recorrente. Como não descrevi de forma mais clara os fundamentos que permeiam as pretensões recursais, me permitam, aqui, declinar, ainda que de forma concisa, a tese sustentada pela empresa para demonstrar o seu direito creditório. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10880.910059/200940 Acórdão n.º 1302003.529 S1C3T2 Fl. 9 8 Pois bem, como se extrai do acórdão recorrido, a turma a quo teria se pronunciado pela inexistência do direito creditório levando em conta o fato de que, a partir das informações contidas na DIPJ, para se chegar ao saldo negativo apontado pelo recorrente, terseia que considerar, além dos valores relativos às estimativas pagas (consideradas comprovadas pela decisão ora combatida), os valores retidos e recolhidos por terceiros (instituições financeiras). O problema aventado pelo aresto de primeira instância é que, justamente os valores concernentes ao IRFonte, decorreriam de receitas financeiras, a priori, não tributadas pela empresa insurgente. Com efeito, da predita DIPJ, extraise a dedução do montante de R$1.058.299,14, os quais, de outra sorte, a teor, inclusive, dos preceitos da Súmula/CARF 80, somente poderiam ser abatidos do imposto devido se, e quando, comprovada a tributação das respectivas receitas (que, in casu, perfaziam o importe de R$ 5.291.496,04). Como pontuado pela DRJ, este último valor não foi informado na citada declaração no anocalendário de 2004, e, portanto, os valores das receitas financeiras acima mencionado não teria sido objeto de tributação. No seu recurso voluntário o contribuinte explica que, em verdade, considerandose estar sujeita a regime de competência, os rendimentos provenientes de suas aplicações teriam sido reconhecidos na medida de sua disponilibização, ocorrida ao longo dos anos calendários de 2001 a 2004, trazendo, para tanto, as cópias dos seus livros Razão e das DIPJs relativas aos mesmos períodos. Passo seguinte, sustenta que, nada obstante o reconhecimento prévio das preditas receitas, o IRRF se sujeitaria ao regime de caixa, de sorte que seu recolhimento somente se daria (ou se deu) a partir do pagamento, pela instituição financeira, dos aludidos rendimentos (v. as DIRFs trazidas juntamente com a impugnação). Em linhas gerais, o valor de R$ 1.058.299,14 teria sido retido e recolhido no ano calendário de 2004, ainda que, sob a ótica do recorrente, as receitas geradoras do aludido IRFonte tenham sido reconhecidas e ofertadas à tributação ao longo dos anos de 2001 a 2004 (inclusive). Para melhor explicitar a tese sustentada pela empresa insurgente, peço vênia para reproduzir a seguinte demonstração gráfica, extraída do próprio apelo voluntário: Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10880.910059/200940 Acórdão n.º 1302003.529 S1C3T2 Fl. 10 9 Este primeiro quadro, vejam bem, apenas descreve as receitas financeiras suportadas no curso dos anos de 2001 a 2004, e os respectivos impostos retidos e recolhidos, a partir dos informes de rendimentos apresentados quanto ao ano de 2004 e com base na ficha 43 das DIPJ relativas aos demais anoscalendários. O segundo quadro, abaixo, é que, de fato, se prestaria para demonstrar a diluição das receitas, objeto desta análise, no período defendido pelo contribuinte. Vejase As informações inseridas no quadro acima teriam sido extraídas das DIPJs trazidas pela empresa, com exceção dos dados concernentes ao anocalendário de 2004 que, como já pontuado pela própria DRJ, não contemplaria qualquer informação relativa à eventuais receitas financeiras percebidas pelo recorrente no citado anocalendário. O contribuinte, destaquese, nada diz (ao menos explicitamente) sobre falta de registro de receitas financeiras no ano de 2004. Todavia, na DIPJ/2005 (AC 2004) vêse uma anotação, feita a mão, ao lado da linha 30, em que, pretensamente, o valor ali descrito (R$ 1.351.958,09), teria sido inserido de forma parcialmente equivocada. Realmente, até por remição contida na própria anotação, é possível inferir que, pelo Razão juntado ao feito, aquele valor seria assim formado: a) R$ 316.177,72, refeririamse à "outras receitas operacionais", consoante informações lançadas à contacontábil de nº 7.9.99.00.9; b) o restante, seria formado a partir de dois lançamentos, feitos, respectivamente, nas contas de nos 7.14.10.00.7 ("rendas aplica oper" R$ 234.429,41) e 7.15.10.00.0 ("rendas tits renda" R$ 801.341,72), pretensamente relativos à resultados de aplicações financeiras. Ou seja, o valor total de R$ 1.035.771,13 (resultante da soma dos rendimentos tratados em "b", supra), deveria ter sido registrado na linha 24 da DIPJ/2005 e não Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10880.910059/200940 Acórdão n.º 1302003.529 S1C3T2 Fl. 11 10 na linha 30; haveria, pois, aí, uma erro no preenchimento desta declaração (ainda que, insistase, tal equívoco não tenha sido informado ou mesmo declarado pelo contribuinte, do forma oficiosa ou expressa). Mesmo assim, todavia (e considerado o equívoco incorrido pelo recorrente quando do preenchimento de sua declaração a par de seu silêncio), esta importância não coincide, nem de perto, com o valor de R$ 5.291.496,04 que, ao fim e ao cabo, é o cerne do problema tratado aqui neste feito. Esta disparidade, digase, poderia ser justificada acaso entendamos correta a tese da empresa insurgente (e consideremos a possibilidade deste montante ter sido tributado de forma diluída, no curso dos anos de 2001 a 2004). E, não obstante uma aparente coerência e razoabilidade extraível dos argumentos do contribuinte, passo a demonstrar que, em verdade, as premissas por ele deduzidas são, indubitavelmente, falaciosas. III.2 Os sofismas incorridos pelo recorrente. Objetivamente, o interessado embasa seus argumentos em dois pilares: a) os rendimentos provenientes de aplicações financeiras realizadas em Certificados de Depósitos Bancários CDB, são disponibilizados pelas instituições Bancárias ou assemelhadas ao longo de um determinado período (impondo o seu oferecimento à tributação segundo o regime de competência), mas seu pagamentos somente se daria, v.g., com o encerramento do contrato ou em momento posterior (quando, então, se verificaria a retenção do imposto devido pela instituição pagadora segundo o regime de caixa); b) o somatório das receitas descritas no quadro 1 e sua comparação com aquelas receitas descritas no quadro 2 (reproduzido anteriormente) comprovaria a diluição das preditas receitas ao longo dos anos de 2001 a 2004, mormente a se considerar a identidade entre os valores totais descritos nos preditos quadros, o que confirmaria a tese firmada no item "a", acima. Me atendo, neste primeiro momento, apenas na premissa fática apontada em "b", acima, de antemão já se demonstra a sua falsidade. Isto porque, os quadros reproduzidos anteriormente consideram, na base de comparação, receitas que não podem, por conta do regime tributário que lhe é aplicável, ser comparadas. Notem que particularmente quanto ao ano de 2002, o contribuinte insere, ali, ganhos concernentes ao "mercado de renda variável" (dos razões juntados, em princípio, depreendese que tais ganhos decorreriam de operações de swap). Ora, o valor R$ 5.291.496,04, como se infere dos informes de rendimentos apresentados é composto, exclusivamente, por rendimentos produzidos a partir de aplicações em renda fixa (CDB). Para que os preditos quadros fizessem algum sentido, seria necessário efetuarse a comparação apenas entre os rendimentos desta mesma natureza (CDB). Retirandose do quadro elaborado pelo próprio contribuinte as importâncias concernentes aos rendimentos de renda variável, a diferença entre os valores apontados nos informes de rendimentos e aqueles declinados no resultado da empresa, através de DIPJ (e que, portanto, teriam, como alega o recorrente, suportado a tributação), seria superior a R$ 2,6 milhões. Em outras palavras, considerando correta a tese do contribuinte a partir da premissa descrita em "a", acima, pela simples comparação entre os dados extraídos de suas DIPJs e os informes de rendimentos (apresentados em relação ao ano 2004, e informados na ficha 43 das DIPJs relativas aos anos de 2001 a 2003), chegarseia a conclusão de que a empresa não logrou demonstrar, de forma indiscutível, o Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10880.910059/200940 Acórdão n.º 1302003.529 S1C3T2 Fl. 12 11 oferecimento à tributação de cerca de R$ 2,6 milhões de reais (R$ 5.291.496,04 R$ 2.656.893,95). É claro, todavia, que o raciocínio acima intentado não seria definitivo, já que, para termos absoluta certeza de que os rendimentos provenientes de aplicações em renda fixa não foram tributados de forma diluída, como pretende o recorrente, seria necessário explodir os dados inseridos, por exemplo, no primeiro quadro (o que seria possível a partir da análise dos Razões trazidos). Tal medida, no entanto, é, de toda sorte, despicienda. Isto porque a própria premissa apontada em "a", pilar de sustentação de toda a tese recursal, também é falaciosa... não é possível, e juridicamente sustentável, separar, no caso vertente, quanto aos rendimentos provenientes de aplicação em CDB/RDB2, o momento de sua disponibilização (disponibilidade jurídica competência), do momento de seu efetivo pagamento (disponibilidade econômica caixa). Com efeito, a teor dos preceitos do art. 30, § 1º, da Lei 4.728/65, entendese por "CDB" a "promessa de pagamento à ordem da importância do depósito, acrescida do valor da correção e dos juros convencionados". O rendimento, portanto, objeto de possível tributação nos contratos de CDB/RDB é produzido pelos juros pagos ou creditados pela instituição financeira, como contraprestação pelo "empréstimo" realizado pelo correntista. Considerese, de outro turno, as regras preconizadas pelo Banco Central do Brasil (vigentes à época dos fatos aqui tratados) sobre a remuneração das aplicações realizadas em CDB/RDB, particularmente aquelas contidas na Resolução de no 105/68, cujo o inciso primeiro, alíneas "a" e "b", assim dispunha: I Fica revigorada a faculdade atribuída aos bancos comerciais, mediante aprovação prévia do Banco Central do Brasil, para receberem de pessoas físicas ou jurídicas depósitos de prazo fixo, com cláusula de correção monetária, e emitirem certificados de depósitos, nominativos, observadas as seguintes condições: a)os depósitos da espécie serão regidos pelas condições estabelecidas nos itens III e IV da Resolução nº 31, de 30.7.1966; b)os certificados respectivos não poderão ter valor inferior a NCr$1.000,00 (hum mil cruzeiros novos), nem prazo inferior a 12 (doze) meses, admitido, porém, o pagamento dos juros e da correção monetária por períodos mínimos de 3 (três) meses. Ora, comparandose as DIRFs apresentadas nos autos, à previsão contida na alínea "b", acima, está mais que evidenciado que os valores percebidos pela recorrente no ano de 2004, referemse, efetivamente, aos montantes de juros e correção monetária devidos em decorrência da contratação dos preditos depósitos a prazo. Agora, particularmente quanto a esta modalidade de investimento, o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos tratados no processo), estabelece algumas regras importantes para análise do caso. Primeiramente, vejase que o dispunha o art. 729, caput: 2 A distinção entre CDB e RDB cinge, tão só, à impossibilidade de alienação deste último tipo de rendimento (RDB). Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10880.910059/200940 Acórdão n.º 1302003.529 S1C3T2 Fl. 13 12 Art. 729. Está sujeito ao imposto, à alíquota de vinte por cento, o rendimento produzido, a partir de 1º de janeiro de 1998, por aplicação financeira de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica imune ou isenta. Já o art. 730 do mesmo diploma regulamentar estendia a regra acima transcrita também "aos rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil e em operações de empréstimos em ações (inciso III), hipótese que se adequa, perfeitamente, ao conceito extraído da Lei 4.728, alhures tratado. O § 2º do art. 731, de outro turno, estabelecia que o IR incidirá sobre valor dos rendimentos produzidos em razão das aplicações contempladas pelo inciso III do art. 730 retro ao passo que o art. 732, II, determina que o tributo seja retido, em casos tais, "por ocasião do pagamento dos rendimentos, ou da alienação do título ou da aplicação". Outrossim, o art. 770 do RIR/99, preconizava que os rendimentos em testilha integrariam o lucro real (§ 2º, inciso II). Por fim, atentem para o que rezava a regra encartada no art. 773 do RIR: Art. 773. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será: I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado. O que se pode dessumir do compêndio legislativo trazido acima, é o seguinte: a) os contratos de CDB geram rendimentos tributáveis a partir do creditamento dos respectivos encargos remuneratórios; b) tais encargos podiam (ao menos no período em análise) ser pagos integralmente quando do vencimento do contrato ou trimestralmente (interpretação apreensível dos preceitos do inciso I, "a", da Resolução/BACEN de nº 105/68); c) se, de fato, o IRPJ segue o regime de competência, e, portanto, impõe o seu pagamento a partir da simples disponibilização jurídica da renda, é igualmente inegável que em aplicações financeiras de renda fixa, notadamente, o CDB, a disponibilidade em questão somente será observada quando do creditamento dos respectivos juros (trimestralmente ou ao final do contrato). Acaso o contrato de depósito firmado pelo recorrente juntamente ao Citybank estabelecesse regra de remuneração a ser paga apenas quando do fim de sua vigência, a lógica trazida em sua peça de defesa seria razoavelmente aceitável. Fosse esta a realidade, a tendência, aqui, seria até pela conversão do julgamento em diligência a fim de verificar se, realmente, haveria, na espécie, a geração de renda ao longo do período do contrato e o pagamento efetivo da respectiva remuneração, apenas, ao final. Reprisese, todavia, que as DIRFs exibidas indiciam, senão comprovam, que o contribuinte fazia jus ao pagamento trimestral dos juros remuneratórios decorrentes do seu contrato de CDB (basta atentarse para as guias "Mês" e "Rendimento Nominal"); estivéssemos, de fato, diante de contrato com previsão de percepção de Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.910059/200940 Acórdão n.º 1302003.529 S1C3T2 Fl. 14 13 juros apenas com o resgate do respectivo depósito, não haveria lógica na inserção de dados concernentes aos pagamentos devidos ao longo dos trimestres do ano 2004 (cada DIRF apresentada, referese a um trimestre daquele ano). E aí, digase, revelase a falácia contida na tese ora analisada... os rendimentos em questão foram produzidos no ano de 2004 e não em anos anteriores, justamente pela forma de contratação do CDB intentada pelo contribuinte ("pagamento dos juros e da correção monetária por períodos mínimos de 3 (três) meses"), inferível a partir da própria estrutura das DIRFs juntadas ao processo. Não há, no caso vertente, distinção entre os momentos da disponibilização da renda (competência) e pagamento (caixa); pelos elementos constantes dos autos, os fatos geradores do imposto e da obrigação concernente ao fonte ocorreram simultaneamente, no próprio ano de 2004 À toda evidência, as receitas financeiras que deram origem ao IRFonte que compôs o valor do pretenso saldo negativo do IRPJ não foram ofertadas a tributação, seja no ano de 2004 como exposto anteriormente, não é possível, mesmo considerando a anotação "a mão" posta na DIPJ, atestar nem mesmo que parte destes rendimentos tenham sido incluídos no resultado da empresa , seja nos anos anteriores, atraindo para a hipótese o entendimento plasmado na já mencionada Súmula 80, deste CARF, isto é, o IRRF não é, aqui, abatível do montante do imposto apurado. E assim o sendo, como demonstrado no acórdão recorrido, em se desconsiderando o IRRF para a formação do aludido saldo, apurase, em verdade, imposto a pagar, e não um direito creditório qualquer. Não obstante criativas e muito bem construídas as alegações do contribuinte, as provas trazidas ao processo dão conta de sua procedência. III.3 Inovação pela DRJ. Por fim, o contribuinte tangencia uma possível nulidade do acórdão recorrido por pretensa inovação... realmente, a empresa recorrente chega a mencionar que, ao exigir a comprovação do oferecimento das receitas financeiras à tributação, teria desbordado dos limites da decisão proferida pela Unidade Origem (que tinha se calcado, apenas, no problema da indisponibilidade de crédito oriundo do DARF informado no PERDCOMP). Esquecese, todavia, que o contribuinte somente dera notícia da retificação de sua DCTF e da correta origem do direito creditório pleiteado quando da oposição de sua manifestação de inconformidade; assim, quem, realmente, inovou a lide foi o próprio recorrente, e não a DRJ, que apenas se opôs ao novo argumento trazido ao feito. Não haveria, portanto, inovação intentada pela turma a quo. A inovação argumentativa, insistase, adveio da própria manifestação de inconformidade. IV Conclusão. A luz do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.910059/200940 Acórdão n.º 1302003.529 S1C3T2 Fl. 15 14 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 248DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.724774/2017-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA AFASTAR A INFRAÇÃO.
A constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo autoriza o fisco a aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, pelo qual se presume ocorrida a infração de omissão de rendimentos.
Tal presunção somente pode ser afastada mediante a apresentação de documentação hábil que se refira individualmente a cada depósito tido como de origem não comprovada, sendo que a indicação genérica da suposta fonte dos créditos não deve ser acatada para afastar a infração.
Constatada nos autos a existência de elementos hábeis e idôneos a comprovar a origem de depósitos bancários individualmente identificados, impõe-se a exclusão dos respectivos valores na base de cálculo do imposto.
Numero da decisão: 2301-005.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares; no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar comprovadas as origens dos depósitos de R$ 17.000.000,00 (dezessete milhões de reais) e de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) e excluir a multa qualificada; vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que negava provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni (Suplente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente substituto), sendo os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni suplentes convocados, em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA AFASTAR A INFRAÇÃO. A constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo autoriza o fisco a aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, pelo qual se presume ocorrida a infração de omissão de rendimentos. Tal presunção somente pode ser afastada mediante a apresentação de documentação hábil que se refira individualmente a cada depósito tido como de origem não comprovada, sendo que a indicação genérica da suposta fonte dos créditos não deve ser acatada para afastar a infração. Constatada nos autos a existência de elementos hábeis e idôneos a comprovar a origem de depósitos bancários individualmente identificados, impõese a exclusão dos respectivos valores na base de cálculo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares; no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar comprovadas as origens dos depósitos de R$ 17.000.000,00 (dezessete milhões de reais) e de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) e excluir a multa qualificada; vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 47 74 /2 01 7- 47 Fl. 3359DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni (Suplente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente substituto), sendo os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni suplentes convocados, em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 3300/3354) interposto em face do Acórdão nº 1681.980 (efls 3244/3292), prolatado pela 15ª Turma da DRJ/SPO, em sessão de julgamento realizada em 29 de março de 2018. 2. Fazse a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 1681.980 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração de fls. 2.866 a 2.878, acompanhado do Relatório Complementar de fls. 2.879 a 3.065, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas anocalendário de 2012, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 18.072.053,82, dos quais, R$ 6.112.736,43 são referentes a imposto, R$ 8.954.907,45 são cobrados a título de multa proporcional e R$ 3.004.409,94 correspondem a juros de mora. Conforme se depreende do auto de infração e do Relatório Complementar, a exigência decorreu da omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Além disso, constatouse omissão de rendimentos recebidos a título de aluguel, bem como, a informação sem a devida comprovação de rendimentos declarados como isentos e não tributáveis. Em apertada síntese, o Relatório Complementar de fls. 2.879 a 3.065 informa que: 1 foram detectados valores que transitaram pelas contas bancárias do contribuinte sem a devida comprovação de suas origens, acobertados, substancialmente, por meio de simulação de empreitada levada a termo por empresas das quais detém capital em forma de ações, em parceria com outra de suposta propriedade de terceiro; 2 ditas pessoas jurídicas criaram uma empresa de cunho temporário denominada "Empresa em Conta de Participação SCP", a qual não obteve êxito em apresentar a documentação regulamentar de comprovação do resultado financeiro obtido no suposto labor; 3 foi intimado o contribuinte a informar a origem e a natureza de várias operações identificadas em três contas que mantém junto a três estabelecimentos bancários (Banco do Brasil BB, Banco de Brasília BRB e Caixa Econômica Federal CEF); Fl. 3360DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.360 3 4 a planilha de fls. 2.948 e 2.949 discrimina os depósitos bancários efetuados na conta corrente do Banco do Brasil (n° 711.6705), cujo impugnante foi instado a manifestarse com relação à origem; 4.1 dos depósitos elencados, foram considerados justificados: 4.1.1 os itens de n° 01, 08, 09, 10, 11, 17, 18 e 26, no total de R$ 2.308.395,00, visto que se tratavam de lucros comprovadamente distribuídos pela empresa Time Participações e Investimentos S/A; 4.1.2 os itens de n° 13, 14 e 16, no total de R$ 689.963,50, visto que advindos do recebimento de valores relativos à venda de gado da Fazenda Chão Preto; 4.1.3 os itens de n° 21, 22, 23, 24, 25 e 32, no total de R$ 43.173,04, visto que se tratam de aluguéis atrasados pagos pela Temperforte Vidros Planos Ltda. Tais valores, vez que omitidos na DIRPF do impugnante, foram incluídos na autuação a título de "Rendimentos Omitidos de Aluguéis"; 4.2 da mesma planilha, foram considerados como não justificados: 4.2.1 "Distribuição antecipada de lucros" (itens n° 03, 12 e 15), no total de R$ 66.000,00, visto não constar da referida rubrica no livro Razão Analítico da empresa pagadora; 4.2.2 "Sobra de Retirada pag. Empregado", "Resíduo mútuo com Flamingo Comb.", "Devolução de mútuo particular", "Devolução de rateio de despesas", "Pag. de mútuo por Roberto M. Salim", "Reembolso pag. Dupl. Escola filho", "Pag. de mútuo por Diogo Nasc. Salim", "Pag. de mútuo por Maria F. Liporoni" e "Pag. de mútuo por Telio M. Mendonça", no total de R$ 810.531,83, visto que as circunstâncias e a documentação acostada, bem como, as explicações produzidas na justificativa, não guardam o mínimo de verossimilhança com a operação ocorrida; 5 intimou a empresa Time Participações e investimentos S/A para comprovar os créditos pagos ao impugnante na rubrica "Lucros Distribuídos Antecipadamente". Em resposta, a empresa apresentou a planilha de fls. 2.958 a 2.960; 5.1 foram considerados como justificados os pagamentos constantes dos itens 02, 21, 24, 25, 26, 40, 42 e 60, totalizando R$ 2.308.395,00, conforme já informado anteriormente; 5.2 não foram considerados justificados os demais itens pelas razões a seguir expostas: 5.2.1 "Empréstimo à Empresa Playtime" (itens n° 13, 23, 34, 37, 39, 41, 43, 46, 48, (50 a 53), 55, 57, (61 a 63), 66 e 67: na verdade, se trata de um empréstimo realizado pela empresa Time Participações e Investimentos S/A à sua controlada Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A. O contribuinte quer fazer crer que o valor se refere à distribuição de lucros da empresa Time Participações e Investimentos S/A, repassado para a Play Time Combustíveis e Lubrificantes S/A, mediante autorização do contribuinte que detém, 97,42% do capital da primeira, porém, sem qualquer poder de gerência. Informa, ainda, que a rubrica "Distribuição de Lucros" constante da contabilidade não passa de peça de ficção e não espelha a realidade dos fatos. Fl. 3361DF CARF MF 4 Entende que os recibos apresentados somente fazem prova no âmbito interno da corporação, além do que, não se encontram assinados. Além disso, em análise à DIRPF do impugnante, se verifica que o impugnante era devedor da empresa Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A. Assim, considerando que real fossem os mútuos propalados como repassados pelo contribuinte, tal fato obrigaria o contribuinte a proceder o encontro de contas em sua DIRPF 2012, o que não ocorreu. Quanto à alegação de que a empresa Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A liquidou o empréstimo no transcorrer do próprio ano, verificase que a mesma não está acompanhada de qualquer prova documental nesse sentido. Ademais, o próprio impugnante alega, em resposta à intimação dirigida à empresa Time Participações e Investimentos S/A, que a movimentação financeira em questão referese a aportes de recursos necessários ao financiamento das operações de suas controladas/coligadas e não representam, em nenhum momento, qualquer fonte de renda ou de receitas; 5.2.2 "Empréstimos à Empresa Bico de Ouro Comércio e Indústria de Gêneros Alimentícios Ltda." (itens n° 35, 36, 44 e 45). Da mesma forma que o item anterior, concluise que o impugnante não detém qualquer interesse jurídico/comercial/legal formal com nenhuma das duas empresas envolvidas na operação. Na DIRPF 2012 do contribuinte resta consignado que a empresa Bico de Ouro Comércio e Indústria de Gêneros Alimentícios Ltda. é quem pagou ao impugnante a quantia de R$ 432.512,50 de um valor declarado como crédito frente àquela empresa, no valor de R$ 3.265.496,18, e não, que o mesmo teria efetuado qualquer empréstimo a esta última. 5.2.3 "Pagamentos de Gastos Diversos" (itens n° 07, 49, 56 e 58): é inviável aceitar que tais rubricas se refiram à Distribuição de Lucros Antecipados, visto que a contabilidade empresarial não se presta a refletir obrigações corriqueiras de seus acionistas, sob pena de provocar distorções/deturpações nas rotinas da empresa, o que restou verificado na presente auditoria; 5.2.4 "Pagamentos de Parcelas do IRPF" (itens n° 14, 29, 33, 54 e 64): não foram aceitos sob a mesma ótica do item anterior; 5.2.5 "Distribuição de Lucros Pagos à Crescia de Faria Morais" (itens n° 22, 47, 59 e 68): o impugnante nada tem a ver, diante das formalidades legais, com a operação de pagamento de lucros distribuídos à acionista Crescia de Faria Morais. A empresa Time Participações e Investimentos S/A declarou o pagamento de R$ 153.549,87 a esse título à referida acionista, montante esse, que consta da DIRPF da mesma; 6 conforme restou demonstrado na justificativa do contribuinte, foram recebidos valores aleatórios a titulo de pagamento de aluguel da empresa Temperforte Vidros Planos Ltda., no total de R$ 43.173,04. Visto que tais valores não foram informados em sua DIRPF, foi solicitada a apresentação do contrato de aluguel referente à mencionada negociação, bem como, a demonstração dos créditos relativos aos pagamentos do citado aluguel. O contribuinte não apresentou justificativa válida pela não apresentação das prestações mensais de aluguel relativas ao ano de 2012, limitandose a informar que a empresa não havia honrado com o contrato de locação, efetuando apenas os pagamentos já discriminados. Fl. 3362DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.361 5 Entende que deveria, o contribuinte, apresentar documentos em favor de suas alegações, tais como a admoestação do locatário, com a posterior colocação deste em mora e a denunciação do contrato. Além disso, sua conduta diante do Fisco em relação ao IRPF depõe em sentido contrário, visto que o contribuinte não declarou o imóvel em sua DIRPF e somente veio a declarar os valores auferidos a título de aluguel nos anos de 2015 e 2016, quando já se encontrava sob auditoria fiscal. O contrato de aluguel apresentado referese ao ano de 2011, com duração de 12 meses. Entretanto, deduzse que o mesmo tenha sido renovado tacitamente, diante dos depósitos feitos nos três últimos meses de 2012, além da declaração do contribuinte de que a Temperforte Vidros Planos Ltda. Desocupou o imóvel somente em 31/12/2012. Em razão do que consta do mencionado contrato, é possível concluir que foi omitida a título de aluguel a quantia de R$ 162.000,00 (12 parcelas de R$ 13.500,00); 7 dos depósitos relacionados à fl. 2985, referentes à conta conjunta da Caixa Econômica Federal CEF (n° 2403.001.000221575), em nome do contribuinte e do Sr. Miguel Cordeiro Viana, considerou justificados aqueles nos valores de R$ 91.984,84 e R$ 2.000.214,86; 8 já o depósito de R$ 700.000,00 não teve sua origem comprovada, visto que não houve a identificação do depositante, bem como, foi esse o mesmo montante destinado ao cotitular Miguel Cordeiro Viana que o repassou à empresa Premium Participações sob o expediente fraudulento de simulação de mútuo; 9 quanto ao depósito de R$ 17.000.000,00, apesar dos cotitulares alegarem tratarse de lucro obtido em empreendimento levado a termo pela parceria decorrente de suas empresas, mediante a constituição de uma "SCP" (Sociedade em Conta de Participação), foi apurado que: 9.1 a referida SCP foi constituída pela Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A (sócia ostensiva) e pela M.A. Administradora de Imóveis Próprios Ltda. (sócia participante), em 09/03/2010, para a execução conjunta da construção e incorporação de um edifício situado na SHIS QI15, Lote L, Lago Sul, em Brasília DF; 9.1.1 foi informado pelo contribuinte que o lucro dessa empreitada foi transferido para a conta conjunta supra citada, em razão da Caixa Econômica Federal CEF ter oferecido um percentual de juros mais atrativo para a aplicação do montante por pessoa física; 9.2 entretanto, verificouse que os cotitulares não detêm interesse jurídico formal no resultado do exercício apurado por empresas comerciais constituídas sob a égide das leis civis, comerciais e fiscais, mormente no exercício de suas funções para as quais se propuseram/estabeleceram; 9.3 primeiramente, porque o valor decorrente do resultado da mencionada SCP, deveria ser depositado em conta corrente da própria SCP (conforme consta do item 4.6 do Instrumento Particular de Constituição da SCP), e não, em conta corrente cujos titulares são pessoas físicas; 9.4 em segundo plano, porque o contribuinte não detinha qualquer relacionamento negocial, jurídico ou formal com as empresas constituintes da referida SCP; Fl. 3363DF CARF MF 6 9.4.1 conforme pesquisas realizadas na Junta Comercial do Distrito Federal JCDF, houve um rearranjo societário na empresa Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A, em 13/10/2009. Nessa ocasião, a empresa Time Participações e Investimentos (de propriedade do contribuinte) detinha 90% das cotas e ao Sr. Pedro Henrique Faria de Morais (filho do contribuinte) coube os 10% restantes; 9.4.2 desde 12/07/2004, o contribuinte deixou a administração da empresa Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A, sendo nomeados como administradores Jose Edenildo Sales e Delma Maria de Araújo Moreira (que foi substituída por Pedro Henrique Faria de Morais em 13/10/2009); 9.5 resta demonstrado que o valor de R$ 17.000.000,00, mediante a justificativa dada pelo contribuinte, é advindo de transações que, juridicamente, nada tem a ver com a pessoa física do mesmo, bem como, do cotitular da mencionada conta. A operação não se sustenta por desprovida de interesse legal de agir, bem como, de lógica contábil, jurídica, comercial e das práticas de movimentação de capitais financeiros. 10 ademais, em procedimento investigativo foram constatadas as seguintes situações: 10.1 o terreno em que foi realizado o empreendimento citado foi adquirido pela Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A, em licitação da Terracap Companhia Imobiliária de Brasília, por meio do Edital 08/2005, de 09/08/2005; 10.1.2 a proposta de compra foi realizada pelo Sr. Jeovane de Morais, apesar de não constar dos autos qualquer procuração em que o mesmo constasse como representante; 10.1.3 sendo vitoriosa em seu intento, a Terracap adjudicou o imóvel em favor da Playtime Combustíveis e Lubrificantes Ltda., cuja escritura Pública de Compra e Venda foi passada no Cartório do Io Ofício de Notas de Brasília, em 07/11/2005, e teve como representante o mesmo Sr. Jeovane, fazendo constar que o mesmo era Diretor desta última; 10.1.4 demonstrase, com isso, o "modus operandi" do fiscalizado, consubstanciado pelo abuso da informalidade na condução de seus negócios, ao chancelar atos sem deter a respectiva capacidade jurídica para tal; 10.2 50% do terreno em questão foi, posteriormente, vendido à M.A. Administradora de Imóveis Próprios Ltda.; 10.2.1 o contrato de compra e venda referente à negociação supra citada também foi firmado pelo fiscalizado na função de representante da Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A; 10.2.2 nos termos do Estatuto Social da Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A, em seu art. 16, compete aos Diretores, com autorização da Assembléia Geral, alienar bens móveis e imóveis da sociedade, que integrem o Ativo Permanente, bem como, graválos a qualquer título. A falta dessa condição, em razão de não constar registro nesse sentido na Junta Comercial competente, demonstra que o mesmo se tratou de simulação; 10.2.3 ressaltese que, quando da venda do empreendimento para o Conselho Federal de Farmácia (situação que teria gerado o valor do lucro citado como justificativa para o depósito de R$ 17.000.000,00), o tratamento foi dado dentro dos cânones que informam as rotinas na administração da empresa, qual seja, a autorização da venda do imóvel pela Assembléia Geral do dia 07/02/2012; Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.362 7 10.2.4 em análise à escritura pública relativa ao terreno em questão, verifica se o registro da compra do mesmo pela Playtime Combustíveis e Lubrificantes Ltda., a alteração da razão social para Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A, a construção do prédio no lote referente à matrícula e a venda para o Conselho Federal de Farmácia. Entretanto, em nenhum momento se fez constar a compra dos 50% do terreno pela M.A. Administradora de Imóveis Próprios Ltda, o que demonstra jamais ter ocorrido sua transferência de fato; 10.3 o Instrumento Particular de Constituição de Sociedade em Conta de Participação SCP também foi assinado pelo contribuinte, na condição de Diretor Presidente da Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A, em 09/03/2010, sem que o mesmo detivesse capacidade para tal; 10.3.1 dito documento previa, em seu item 4.6, que o sócio ostensivo deveria abrir uma conta corrente específica em instituição financeira, com a finalidade de movimentar todos os recursos da SCP, tais como: recebimento de clientes, aportes, pagamentos de despesas e custos necessários à execução do empreendimento. No entanto, tal determinação restou descumprida, e os recursos relativos à venda do imóvel tiveram como destinação a conta corrente de titularidade do contribuinte; 10.4 o contrato para a execução de serviços de construção do prédio situado no terreno em questão, assinado com a Construtora Águia Ltda., foi feito pelo regime de "empreitada global", ou seja, o prestador de serviço entrega a obra acabada com o fornecimento da mão de obra e dos materiais da construção. Vale dizer que a alíquota do IR para esse tipo de contratação é de 8% sobre a receita bruta. No entanto, em análise às notas fiscais da contratada, verificase que seu labor foi de somente pura mão de obra, o que submeteria a empresa à alíquota de 32%. Tal circunstância caracteriza máfé desde a contratação da empreitada, por conluio entre as partes; 10.4.1 o valor contratado de R$ 155,00 o m2 é bem inferior ao utilizado no mercado, na região CentroOeste, que era de R$ 840,00; 10.5 em resposta à intimação, o cotitular da conta corrente mantida na Caixa Econômica Federal CEF (n° 2403.001.000221575), Sr. Miguel Cordeiro Viana, informou que o valor de R$ 17.000.000,00 tem origem na venda do imóvel de propriedade da SCP para o Conselho Federal de Farmácia que, após a apuração do resultado líquido, foi transferido da sócia ostensiva para a referida conta conjunta; 10.5.1 verificouse que, na mesma oportunidade em que foi aberta a conta conjunta n° 2403.001.000221575, foi também aberta uma outra, cuja titularidade é exclusiva do Sr. Miguel Cordeiro Viana, sob o n° 2403.001.00221591 (como se vê, apenas um número de ordem as separa); 10.5.2 concluiuse que ditas contas foram operadas quase que exclusivamente pelo Sr. Jeovane de Morais, sendo que a de n° 2403.001.00221591 foi aberta com a finalidade facilitar a movimentação bancária no propósito da primeira movimentação, para, em ato contínuo, encaminhar valores de forma fracionada ou não a outros destinatários; 10.5.3 a conta corrente em questão é quase totalmente a imagem da conta n° 2403.001.000221575, em relação as suas entradas; Fl. 3365DF CARF MF 8 10.5.4 quanto às saídas, chama atenção duas movimentações de remessas: 10.5.4.1 a primeira, ocorrida em 18/10/2012, no valor de R$ 50.000,00, enviada ao Sr. Pedro Henrique Faria de Morais, declarada como empréstimo. O envio do valor acima ao Sr. Pedro Henrique Faria de Morais indica o mesmo caminho do Sr. Jeovane de Morais, porquanto estão no mesmo polo empresarial e familiar, devendo ser considerado como destinado ao patrimônio do fiscalizado. 10.5.4.2 a segunda, ocorrida em 13/12/2012, no valor de R$ 2.000.000,00, enviada à empresa M.A. Administradora de Imóveis Próprios Ltda., declarada como entrega de R$ 1.050.000,00 a título de distribuição de lucros da SCP e R$ 950.000,00 a título de pagamento de empréstimo, cujo crédito adentrou a conta em 09/10/2012. Em verificação da movimentação financeira ora tratada, constatouse que o referido valor foi repassado à M.A. Administradora de Imóveis Próprios Ltda., mediante depósito na conta corrente n° 2403.003.000023818. Ocorre que, em carta de esclarecimento, o representante do Sr. Miguel Cordeiro Viana informa que seu representado desconhece a abertura dessa conta corrente em nome da M.A. Administradora de Imóveis Próprios Ltda. e que já solicitou à Caixa Econômica Federal CEF cópias da documentação que instruiu a abertura da conta corrente em questão. Intimada, a Caixa Econômica Federal CEF apresentou a movimentação da referida conta corrente, no período de 01/12/2012 a 31/12/2012, bem como, informou que a FAA (Ficha de Abertura e Autógrafo) e demais documentos apresentados na abertura da conta não foram localizados pelo setor responsável. A movimentação da conta corrente demonstra que o valor de R$ 2.000.000,00, depositado pela M.A. Administradora de Imóveis Próprios Ltda., em 13/12/2012, foi transferido para a Playtime Construções e Incorporações Ltda., em 14/12/2012. Essa entrada substancial de recursos na conta da Playtime Construções e Incorporações Ltda., só pode ter acontecido porque a empresa foi a prestadora de fato, ao menos em parte, da mão de obra e do fornecimento dos materiais da construção do prédio. Era necessidade premente da empresa a entrada de capital para justificar suas atividades laborais na indústria no ramo da construção. 10.6 constava em cláusula do contrato da conta corrente conjunta que qualquer dos cotitulares poderia encerrála, sem o conhecimento ou aquiescência do outro, situação que veio a ocorrer, em parte, em desfavor do Sr. Miguel Cordeiro Viana, ao ser afastado da cotitularidade em 11/08/2014, quando ainda não havia sido distribuída parte do montante originário, num total de R$ 769.887,83; 10.7 a conta em questão, a partir daquela data, passou formalmente a ser operada exclusivamente pelo primeiro titular, Sr. Jeovane de Morais, para receber valores a título de "Lucros Distribuídos Antecipadamente" da Time Participações e Investimentos S/A e fazer pagamentos de carne de financiamento de veículo em seu nome; 11 na busca de encontrar os elementos motivadores da realização do negócio declarado (a construção de um edifício de alvenaria para fins empresariais, na QI 15, Lote L, do Lago Sul), foram feitas as seguintes conjecturas: Fl. 3366DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.363 9 11.1 o terreno a ser realizada a empreitada era de propriedade da empresa Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A, pertencente ao grupo Time Participações e Investimentos S/A, holding que comanda meia dúzia de boas empresas dos ramos de hotéis/motéis, combustíveis, alimentos e construção civil. Considerando a detenção da técnica em construção civil e do capital financeiro representado pelas empresas, bem como, pelo próprio capital individual da pessoa natural do Sr. Jeovane de Morais, tudo apontaria que este não tivesse qualquer motivo de ordem financeira e nem técnica para formar parceria externa ao grupo para a consecução de modesta construção, diante de seus múltiplos recursos, mormente em empreitada que geraria resultado positivo de aproximadamente R$ 20.000.000,00, para um faturamento de R$ 25.000.000,00. Em percentuais, chegou a 79,60% do preço auferido com o empreendimento, o que representa um resultado fabuloso. Essa lógica nunca foi e nunca será desprezada. Portanto, a simulação de associação da empresa Playtime, dona do terreno, com a empresa M.A. Administradora de Imóveis Próprios Ltda., a qual só dispõe de um imóvel declarado (sendo este o que justificou a criação da empresa e cuja sede é a própria residência do Sr. Miguel), não tem empregados, não dispunha de capital em suas contas correntes a suportar tal empreendimento, e ainda, com a obrigação de adquirir 50% do terreno para o fechamento do contrato e participação, é totalmente fora de propósito comercial/empresarial lícito. 12 a partir das informações da conta conjunta n° 2403.001.000221575, foi procedido o rastreamento do destino do crédito de R$ 17.000.000,00, advindo da empresa Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A.; 12.1 ao término do ano de 2012, verificouse que, do total de 68,52% do valor distribuído, 93,39% restou em poder do Sr. Jeovane de Morais, 6,61% em poder do Sr. Miguel Cordeiro Viana; 12.2 ao final do ano de 2014, verificouse que dos R$ 17.000.000,00 (e os juros correspondentes), 95,57% do valor restou de posse do Sr. Jeovane de Morais e 4,43% de posse do Sr. Miguel Cordeiro Viana, o que demonstra claramente quem era o real destinatário do valor em questão; 13 concluise que a razão pela qual a fabulosa quantia de R$ 17.000.000,00 foi desviada para a conta particular, anteriormente à distribuição dos lucros aos sócios de direito, foi de dar destino aos lucros obtidos em negócios não declarados e nem sabidos na íntegra pelas autoridades fiscais até o momento; 14 a construção do edifício e a venda foram realizados sob a responsabilidade das empresas do Sr. Jeovane, as únicas com detenção técnica e capital a suportar a jornada de edificação, sem descurar que já detinham a propriedade do terreno; 15 a simulação na criação da SCP teve o condão de apurar o ganho em função do faturamento, à razão de 8% deste a título de IRPJ e de 12% a título de CSLL, enquanto que sem a referida simulação deveria ter sido apurado o ganho de capital sobre a diferença entre os R$ 25.000.000,00 da venda, menos os custos da obra e do terreno; 16 a simulação levada a termo, além de diminuir a base de cálculo dos fatos geradores, proporciona a possibilidade de lavagem de dinheiro, porquanto os impostos pagos sobre o faturamento de uma SCP, na modalidade de construção Fl. 3367DF CARF MF 10 executada, não tem influência sobre os gastos incorridos, o que vale dizer, abre brecha para subavaliar os custos, gerando mais lucros, possibilitando a "lavagem" (regularização) de disponibilidades monetárias sem origens comprovadas e até então não declaradas; 17 diante do exposto, considera o crédito depositado na conta corrente n° 2403.001.0000221575, como de origem não comprovada, para fins de justificação da operação, vez que não foi apresentada ocorrência de negócio jurídico que suportasse a versão dada para o depósito. Verdadeira fosse in totum referida versão, ainda assim, ela não justificaria a operação, porquanto o contribuinte não tem nenhuma relação formal com as empresas supostamente envolvidas; 18 restou demonstrado, especialmente na comprovação do destino final dado ao valor de R$ 17.000.000,00, que referido montante é de propriedade exclusiva do Sr. Jeovane de Morais, devendo este arcar com o ônus financeiro total da infração pelo depósito sem comprovação da origem de negócio jurídico legal entre este e a empresa Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A, enquanto que o cotitular de referida conta teve apenas o papel de "instrumento", coadjuvante na consecução da fraude cometida, representada pela já intensamente propalada simulação de parceria da construção e venda do imóvel relatado; 19 será aplicada a multa de ofício qualificada como justa retribuição aos créditos de R$ 3.489.600,66, R$ 17.000.000,00 e R$ 700.000,00, em conformidade às normas da lei 9.430/96, art. 44, §1°, visto que o contribuinte prestou informações inverídicas e insustentáveis, bem como, tentou subtrair do Fisco a verdade real dos fatos ao encobrir com fantasiosas versões de que as operações decorreram de lucros recebidos antecipadamente, bem como, de resultados positivos de empreendimentos realizados por meio de parcerias comprovadamente inidôneas. Cientificado do lançamento em 28/08/2017 (fl. 2.929), o contribuinte apresentou, em 27/09/2017, suas razões de impugnação de fls. 3.075 a 3.126, alegando, em suma, que: 1 o fiscal autuante não se atentou à disposição do art. 2o, IV, da lei 9.784/99 ao utilizar palavras carregadas no sentido de "demonizar" o contribuinte, cometendo arbitrariedades e desvirtuando fatos, o que caracterizaria excesso de exação. O auditor perdeu muito tempo com coisas que em nada dizem respeito aos fatos geradores e com o propósito de tentar desenhar o contribuinte como um sonegador; 2 para o dia a dia das atividades empresariais, elege diretores para gerir as operações cotidianas, porém, quando são negócios especiais, comparece pessoalmente, como foi o caso da aquisição do terreno, assunção de dívidas e o contrato da SCP. Tal fato, em que pese representar algum desacordo com os estatutos sociais, não tem influência na parte tributária que não é afeita a essas formalidades; 3 o art. 42 da lei 9.430/96 determina que, quando comprovada a origem, o rendimento se submete ao que prevê a legislação para sua espécie, não podendo mais ser enquadrado na presunção legal de omissão como fez a fiscalização. No caso em questão, errou a fiscalização ao enquadrar os fatos na tipicidade relativa à presunção, visto que há comprovação da origem pelo contribuinte; 4 a autoridade fiscal dá tratamento tributário diferenciado para situações cujas origens foram devidamente identificadas e comprovadas, como os valores recebidos de uma SCP e de valores recebidos a título de aluguel, tendo a autoridade fiscal tributado valores que sequer passaram pela conta do contribuinte; 5 merece ser reconhecida e declarada a nulidade do lançamento relativamente ao valor de R$ 3.489.600,66 por não estar ancorado na hipótese legal Fl. 3368DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.364 11 de incidência tributária prevista na legislação de regência. Os valores relacionados no item 56 "b" não se encontram, nenhum deles, em qualquer extrato bancário ou de investimentos do contribuinte. Em razão dos valores em questão não se tratarem de depósitos bancários ou investimentos, não se enquadram na tipicidade tributária que fundamenta o presente lançamento; 6 nos termos do art. 116 do CTN, o auditor fiscal não tem poderes para desconsiderar negócios jurídicos, visto que ainda não existe regulamentação em lei ordinária nesse sentido, conforme determina o parágrafo único do mesmo artigo. Em razão do desrespeito ao CTN, ao aplicar, para fins da constituição de créditos tributários, preceito não regulamentado, é de se considerar nulo o lançamento; 7 nos termos do art. 118 do CTN, a definição do fato gerador independe da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, bem como, da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Ainda que os atos apurados pela fiscalização não estivessem enquadrados nos exatos termos dos estatutos ou contratos sociais, não poderia o auditor considerar nulo o negócio e desconsiderar a existência da SCP; 8 a contabilidade da SCP é prova clara de sua existência, nos termos do art. 992 do CC e do art. 9o do DL 1.598/77. Ademais, junta declarações dos profissionais das áreas contábil, financeira e técnica no sentido de atestar a veracidade da criação da SCP e do empreendimento realizado; 9 a declaração do engenheiro responsável pela Construtora e Engenharia Águia Ltda. é prova da inverdade levantada pelo auditor de que a construção não havia sido realizada pela citada construtora; 10 é muito comum a existência de negócios de incorporação imobiliária realizada via SCP, não para economizar tributos, mas porque mais adequada ao negócio entre as partes. Além da SCP ser equiparada à pessoa jurídica, os art. 10 a 152 do RIR/99 equiparam à pessoas jurídicas quem explore qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços; 11 assim, a SCP, realiza sua atividade própria em função do negócio jurídico e não da atividade de outra pessoa jurídica, devendo sua tributação ocorrer pela atividade que desenvolver. Dessa forma, ela tem lucro na operação, e não, ganho de capital, vez que desenvolve uma atividade comercial; 12 em fiscalização efetuada sobre a Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A, o lucro já tributado na SCP foi transformado em ganho de capital. Portanto, para os fins da presente defesa, pode ser observado que houve lucro na operação, seja da SCP ou no ganho de capital, de forma que havia a possibilidade de segregação do resultado para uma conta conjunta dos sócios do empreendimento; 13 embora não se tenha percebido na fiscalização da pessoa jurídica os mesmos exageros do auditor do presente procedimento, pois aquele era mais comedido, entretanto aparentemente pressionado pelo colega não restou outra alternativa a não ser a de não contrariálo na conclusão da desconsideração da SCP, e nesse intento, estabeleceram uma parceria que pela influência negativa do colega acabou cometendo diversos erros conceituais e legais que comprometerá também o seu trabalho; 14 as autuações da pessoa física e da pessoa jurídica, somadas em relação a um mesmo fato, representam R$ 35.000.000,00 que, para um negócio que teve de Fl. 3369DF CARF MF 12 resultado R$ 18.000.000,00, apurado em uma venda de R$ 25.000.000,00, se torna um confisco vedado na Constituição Federal e ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e, ainda, ultrapassa a capacidade econômica e contributiva do contribuinte, e também do fato gerador tributário; 15 é equivocada a análise do auditor fiscal quanto a capacidade econômica da M.A. Administradora de Imóveis Próprios Ltda., pois esta se trata de uma empresa patrimonial que tem como renda o aluguel de alguns imóveis e que não representa a capacidade financeira e pessoal do Sr. Miguel Cordeiro Viana. Capacidade esta que ficou provada pelos recursos que aportou no negócio objeto desse processo; 16 a conta na Caixa Econômica Federal CEF em que foi depositado o valor de R$ 17.000.000,00 era conjunta. Nesse caso, o §6° do art. 42 da lei 9.430/96 dispõe que o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares; 17 o valor de R$ 17.000.000,00 tem origem na venda de um imóvel para o Conselho Federal de Farmácia em 17/08/2012, no valor de R$ 25.000.000,00, pago a vista, conforme escritura anexa. O pagamento foi realizado por um sinal de R$ 3.000.000,00 e um cheque emitido para saque na CEF — Caixa Econômica Federal, no dia da escritura em 17/08/2012, de R$ 22.000.000,00; 18 A venda foi realizada pela Playtime Combustíveis e Lubrificantes S/A, que era a sócia ostensiva na SCP — Sociedade em Conta de Participação, que foi criada especificamente para realizar um empreendimento imobiliário com o objetivo de comercialização, inclusive com a previsão contratual da utilização de uma incorporação imobiliária, uma vez que o prédio seria composto de várias unidades autônomas internas; 19 o entendimento do auditor de que a falta de registro imobiliário da incorporação nulifica o negócio jurídico não tem qualquer cabimento e demonstra um desconhecimento sobre este instituto jurídico ou até mesmo máfé, visto que o mesmo é dispensado por não haver vendas de unidades imobiliárias durante a construção, nos termos dos arts. 28 e 31 da lei 4.591/64; 20 como as pessoas físicas eram os destinatários finais dos lucros naquela transação, pois ambos eram majoritários em suas pessoas jurídicas que pactuaram a construção do empreendimento, resolveram fazer a referida aplicação sugerida pela CEF do valor de R$ 17.000.000,00, abrindo uma conta conjunta em nome de ambos, conforme depósito; 21 assim, ao contrário do que afirma a fiscalização a origem do depósito resta devidamente comprovada; 22 com a venda do imóvel, a parceria entre as partes foi encerrada neste negócio especifico, e houve o encerramento da contabilidade da SCP e apurado o resultado, onde foi gerado um lucro de R$ 18.001.206,39, conforme demonstrado e constante do Balancete anexo (doc. 13). Esse lucro apurado na SCP foi creditado 50% para a Playtime Combustíveis e 50% para a MA Administradora, como era o contrato da SPC entre as partes; 23 na parte inerente ao ora autuado, esse lucro de R$ 9.000.603,20 relativo aos 50% foi contabilizado como receita da Playtime e esse resultado foi computado no cálculo da receita de equivalência patrimonial para a contabilidade da TIME Participações S/A, que é a holding controladora da sociedade Playtime, e onde o sócio Jeovane possui 97,42% juntamente com 2,58% de sua mulher, formando o casal os 100% do capital. Anexo o Livro do Razão da contabilização da receita na Playtime S/A (doc. 14); Fl. 3370DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.365 13 24 no cálculo da equivalência patrimonial da holding TIME S/A em relação à PLAYTIME S/A, nos termos das regras da legislação, foi contabilizado como resultado positivo o valor de R$ 7.476.072,00, conforme cópia do Livro Razão anexo (doc. 15). 25 assim, quando decidido sobre o destino do valor da conta conjunta para a individual do sócio pessoa física, o valor seria recebido como distribuição da TIME S/A que, conforme demonstrado, é a holding que recebe todos os resultados das empresas de propriedade do autuado. Conforme pode ser observado na DIPF do autuado no ano de 2012, a holding TIME S/A distribuiulhe um lucro de R$ 5.797.995,66 (fl. 59 dos autos); 26 portanto, a partir da justificativa do contribuinte sobre a origem do depósito, o valor deixa de ser uma presunção jurídica tributável prevista no caput do art. 42, transferindose para o auditor o ônus de provar inclusive que tipo de rendimento será por ele tributado mas jamais poderá ser como depósito bancário de origem não comprovada, como ocorreu no lançamento impugnado; 27 o auditor não estava satisfeito apenas com a desconstituição da SCP, pois para o seu intento seria muito melhor ainda se conseguisse desconstituir o negócio como um todo e, no caso, a parceria entre Jeovane e Miguel não existiria, e toda a tributação poderia recair apenas sobre o ora autuado, aliás, como acabou acontecendo com o lançamento ora impugnando. Entretanto, essa historia não se sustentava porque uma SCP se prova por todos os meios de direitos na forma do art. 991 do Código Civil, e no caso houve investimentos reais e constantes do sócio Miguel; existem inúmeras testemunhas que acompanharam o negócio e as operações financeiras entre as partes; o engenheiro que construiu a obra objeto do negócio e onde o sócio Miguel comparecia todo o dia para inspecionar o andamento da mesma; os contadores de ambos que acompanhavam o negócio; os tesoureiros que faziam relatórios para o sócio Miguel, etc. Está sendo juntada com essa defesa a declaração de todas essas pessoas (docs. 3 a 6); 28 o valor de R$ 3.489.600,66 foi considerado como depósito bancário de origem não comprovada. Entretanto, as quantias relacionadas no item 56, "b" (fls. 80 e 83 a 85), que compõem o total autuado de R$ 3.489.600,66, não se encontram em qualquer extrato bancário ou de investimentos do contribuinte ora autuado; 29 portanto, não se tratando de depósitos bancários ou investimentos, não se enquadram na tipicidade tributária que fundamenta o presente lançamento fiscal; 30 o fato tributário precisa ser certo e determinado, conforme dispõem os arts. 10 do decreto 70.235/72 e 142 do CTN; 31 não restando tipificado corretamente para que o lançamento fiscal ficasse regularmente justificado, é de ser declarado nulo de pleno direito os valores incluídos neste item do Auto de Infração; 32 quanto ao valor de R$ 700.000,00, tratase de um engano cometido pelo cotitular Miguel Cordeiro Viana. Ao invés de fazer o depósito na conta n° 2403/001/000221591, de sua exclusiva titularidade, o fez na conta conjunta 2403/001/000221575; 33 com a imediata identificação do engano, o valor foi estornado e transferido para a conta correta. O próprio estabelecimento bancário participou da correção e prestou as devidas informações de suas operações, bem como, confirmado pelo próprio cotitular Miguel Cordeiro Viana; Fl. 3371DF CARF MF 14 34 o valor de R$ 876.531,83, ao contrário do que alega a fiscalização, teve suas origens comprovadas. Entretanto, a fiscalização limitouse a dizer que as alegações do contribuinte "não guardam o mínimo de verossimilhança com a operação ocorrida". Tendo em vista a deficiência em especificar a sua justificativa pela não aceitação das comprovações, é de se considerar ocorrido cerceamento ao direito de defesa; 35 reitera a origem dos créditos, conforme segue: a) Item 02 — R$ 10.000,00 Depósito em Dinheiro. Este valor foi depositado pelo próprio autuado com seus recursos próprios, decorrentes de sobra de caixa. O contribuinte mantém permanentemente para o seu dia a dia uma quantia em dinheiro em caixa, que às vezes é utilizado também para suprir a conta bancária, conforme comprova a disponibilidade em sua DIPF do ano calendário anterior, em 31/12/2011, o valor de R$ 200.000,00 (fl. 49 dos autos). b) Item 03— R$ 10.000,00 Transferência on line. Este valor referese à distribuição de lucros ao Autuado, realizado pela sua holding Time Participações S/A, conforme comprova a TED da transferência da conta da pessoa jurídica para a pessoa física (doc. 25). c) Item 04 — R$ 10.000,00 Depósito em Dinheiro. Este valor foi depositado pelo próprio autuado com seus recursos próprios, decorrentes de sobra de caixa. O contribuinte mantém permanentemente para o seu dia a dia uma quantia em dinheiro em caixa, que às vezes é utilizado também para suprir a conta bancária, conforme comprova a disponibilidade em sua DIPF do ano calendário anterior, em 31/12/2011, o valor de R$ 200.000,00 (fl. 49 dos autos). d) Item 05 — R$ 195.486,43 TED Transferência eletrônica. Este valor se refere à restituição de mútuo, conforme documento de fls. 369 a 372 nos autos. e) Item 06 — R$ 11.278,00 TED Transferência eletrônica Este valor se refere ao pagamento efetuado pelo devedor de empréstimo lhe concedido anteriormente pelo autuado, conforme declaração do próprio devedor em anexo (doc. 16). f) Item 07 — R$ 2.533,00 Transferência on line Este valor se refere ao pagamento efetuado pelo devedor de empréstimo lhe concedido anteriormente pelo autuado, conforme declaração do próprio devedor em anexo (doc. 17). g) Item 12 — R$ 21.000,00 Transferência on line Este valor se refere à distribuição de lucros ao autuado realizado pela sua holding Time Participações S/A, conforme comprova a TED da transferência da conta da pessoa jurídica para a pessoa física (doc. 26). h) Item 15 — R$ 35.000,00 Transferência on line Este valor se refere à distribuição de lucros ao autuado realizado pela sua holding Time Participações S/A, conforme comprova a TED da transferência da conta da pessoa jurídica para a pessoa física (doc. 27). i) Item 19— R$ 420.000,00 Depósito em Cheque BB Fl. 3372DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.366 15 Este valor se refere ao pagamento efetuado pelo devedor de empréstimo lhe concedido anteriormente pelo autuado, conforme declaração do próprio devedor em anexo (doc. 18). j) Item 20 — R$ 2.234,00 Desbloqueio de Depósito Este valor se refere à devolução pela Escola Candanguinho de mensalidade do filho que foi paga em duplicidade pelo autuado. k) Item 27 — R$ 21.000,00 Desbloqueio de Depósito Este valor se refere ao pagamento efetuado pelo devedor de empréstimo lhe concedido anteriormente pelo autuado, conforme declaração do próprio devedor em anexo (doc. 19), I) Item 28 — R$ 20.000,00 Desbloqueio de Depósito Este valor se refere ao pagamento efetuado pelo devedor de empréstimo lhe concedido anteriormente pelo autuado, conforme declaração do próprio devedor em anexo (doc. 20). m) Item 29 — R$ 100.000,00 Desbloqueio de Depósito Este valor se refere ao pagamento efetuado pelo devedor de empréstimo lhe concedido anteriormente pelo autuado, conforme declaração do próprio devedor em anexo (doc. 21). n) Item 30 — R$ 10.500,00 Desbloqueio de Depósito Este valor se refere ao pagamento efetuado pelo devedor de empréstimo lhe concedido anteriormente pelo autuado, conforme declaração do próprio devedor em anexo (doc. 22). o) Item 31 — R$ 7.500,00 Desbloqueio de Depósito Este valor se refere ao pagamento efetuado pelo devedor de empréstimo lhe concedido anteriormente pelo autuado, conforme declaração do próprio devedor em anexo (doc. 23). 36 o fiscal autuante arbitrou o valor relativo à omissão de rendimentos de aluguel. Nos termos previstos no art 38 do RIR/99, a tributação do IR se dá pelo regime de caixa. No entanto, não há prova pelo auditor e no procedimento que houve o pagamento ou o recebimento, e desse modo não cabe a tributação sem estar comprovado a existência da renda. 37 o locatário deixou o imóvel em 31/12/2012, tendo pago apenas os valores listados às fls. 222, 223 e 226, conforme informado no relatório fiscal às fls. 103 e 104. O pagamento ocorria com atraso e era muito irregular, com constantes cheques sem fundos ou de terceiros que não eram compensados no Banco e, dentro dessa falta de regularidade do locatário, o contribuinte acabou por não declarar e recolher o tributo dos valores recebidos na rubrica desses aluguéis; 38 os fatos geradores que sofreram a multa agravada (150%) são todos relativos à tipicidade de "omissão de depósitos bancários de origem não comprovada". O contribuinte fiscalizado apresentou toda a documentação solicitada pelo auditor e forneceu todas as explicações demandadas pelo Fisco. O contribuinte Fl. 3373DF CARF MF 16 a pedido do auditor forneceu, ainda, uma autorização para os estabelecimentos bancários fornecerem ao auditor fiscal qualquer informação que ele solicitasse, conforme documento nos autos (fls. 230 e 272). 39 portanto, se verifica que nenhum embaraço foi causado à fiscalização, bem como o contribuinte tem todos os seus tributos e de suas empresas em ordem, por isso nunca foi sonegador ou procurou ludibriar o Fisco; 40 a multa agravada neste procedimento para 150% foi porque o auditor fiscal entendeu que as operações, especialmente a criação da SCP, tinham sido para planejamento tributário e pagar menos impostos e, nesse raciocínio, teria havido a hipótese caracterizadora da sonegação, fraude, ou conluio. No entanto, a desconstituição da SCP foi equivocada e a defesa prova que a operação e o negócio jurídico foram reais, e não ocorreu qualquer intuito de sonegação, inclusive porque os tributos na operação foram todos recolhidos no respectivo vencimento; 41 ademais, as situações em que justificariam a aplicação da multa de 150% têm de ser cabalmente demonstradas e comprovadas pelo auditor tributário, para que se possa dar eficácia legal à penalização agravada. No caso, o auditor não se desincumbiu desse ônus. Portanto, não há que se falar em sonegação ou fraude para justificar a multa de 150%, ficando integralmente impugnada neste procedimento. final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 1681.980 3. Ao julgar a impugnação procedente em parte, a decisão tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/1996, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. ERRO NA TIPIFICAÇÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Havendo erro, por parte da fiscalização, na tipificação e no enquadramento legal, os valores com base em fundamento equivocado devem ser excluídos da base de cálculo. NEGÓCIO JURÍDICO. DESCONSIDERAÇÃO. SIMULAÇÃO Observada simulação do negócio jurídico, deve ser desconsiderado o negócio simulado, mantendose o dissimulado com seus respectivos efeitos tributário. RESPONSABILIDADE. Demonstrada a simulação na abertura de conta corrente conjunta, é de se considerar responsável aquele que restou demonstrado como único operador da conta corrente em questão. MULTA QUALIFICADA. Restando provada que a conduta do sujeito passivo se enquadra no parágrafo 1º do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, deve a multa ser mantida em 150%. Fl. 3374DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.367 17 4. Interposto o recurso voluntário (efls 3300/3354), após traçar breves considerações sobre a decisão recorrida e a procedência parcial do lançamento (efls 3301/3303), deduz, em síntese, as mesmas razões oferecidas ao tempo da impugnação, subdivididas nos tópicos que se relaciona a seguir: 4. O AUTO DE INFRAÇÃO (efls 3303/3305) 5. O PROCEDIMENTO FISCAL (efls 3305) 6. OS EXCESSOS DO AUDITOR FISCAL (efls 3306/3308) 7. A TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS (efls 3308/3311) 8. A IMPORTÂNCIA DA TIPICIDADE NO DIREITO TRIBUTÁRIO (efls 3311/3314) 9. A DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO (efls 3314/3317) 10. A FORMALIDADE NO DIREITO TRIBUTÁRIO (efls 3317/3318) 11. A EXISTÊNCIA DA SCP — SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO (efls 3319/3325) 12. AS PESSOAS FÍSICAS DO NEGÓCIO JURÍDICO (efls 3326/3327) 13. A FISCALIZAÇÃO NA PESSOA JURÍDICA DA PLAYTIME COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES S/A (efls 3327/3329) 14. MÉRITO (efls 3329/) 14.1 ITEM 2 DO AUTO DE INFRAÇÃO (efls 3329/3330) 14.1.1 DEPÓSITO BANCÁRIO AUTUADO DE R$ 17.000.000.00 (efls 3330/3342) 14.1.1.1 A ORIGEM DOS R$ 17.000.000.00 (efls 3331/3337) 14.1.1.2 O DEPÓSITO EM CONTA CONJUNTA (efls 3337/3338) 14.1.1.3 A POLÊMICA SOBRE LUCRO DA SCP OU O GANHO DE CAPITAL (efls 3338/3340) 14.1.1.4 O LUCRO APURADO NA SCP (efls 3340) 14.1.1.5 O GANHO DE CAPITAL AUTUADO NA PESSOA JURÍDICA (efls 3341) 14.1.1.6 TIPICIDADE LEGAL EM DESCONFORMIDADE COM A LEI (efls 3341/3342) 14.1.3 DEPÓSITO BANCÁRIO AUTUADO DE R$ 700.000,00 (efls 3342/3345) 14.1.3.1 TIPICIDADE LEGAL EM DESCONFORMIDADE COM A LEI (efls 3344/3345) 14.2 ITEM 3 DO AUTO DE INFRAÇÃO (efls 3345/3351) 14.2.1 DEPÓSITOS COMPROVADOS (efls 3346) Fl. 3375DF CARF MF 18 14.2.1.1 CERCEIO DA DEFESA (efls 3346) 14.2.1.2 COMPROVAÇÃO DA ORIGEM (efls 3346/3350) 14.2.1.3 TIPICIDADE LEGAL EM DESCONFORMIDADE COM A LEI (efls 3350/3351) 15. A MULTA AGRAVADA DE 150% (efls 3352/3354) 4.1. Por fim, fazse a transcrição da parte conclusiva, incluindo o pedido formulado (efls 3354): 16. IMPUGNAÇÃO DOS DADOS AUTUADOS O contribuinte impugna integralmente os valores utilizados no lançamento fiscal, bem como os demonstrativos e relatórios anexos, e respectivos valores, datas, arbitramentos, presunções, acusações, fatos geradores, porque não correspondem à realidade fiscal do contribuinte autuado. O procedimento fiscal e o lançamento merecem ser declarados integralmente nulos, por não representarem valores que devam submeterse à tributação do imposto sobre rendas. 17. DO PEDIDO O Contribuinte impugna integralmente o procedimento fiscal e os levantamentos e dados e valores neles consignados, bem como os documentos e relatórios fiscais a ele anexados, pugnando por aditamento, esclarecimentos adicionais ou juntadas de documentos, na forma da legislação vigente. ANTE O EXPOSTO, requer que seja dado provimento ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO para julgar improcedente a ação fiscal, declarando a nulidade integral dos lançamentos fiscais objeto do presente processo, tomandose sem efeito in totum o crédito tributário, bem como os efeitos dele decorrentes, por ser esta a mais lídima JUSTIÇA! É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 5. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. PPRREELLIIMMIINNAARREESS 6. A decisão de primeira instância traça abordagem correta na apreciação das questões preliminares deduzidas ao tempo da impugnação, e diante da reiteração das mesmas questões, adoto os fundamentos nela apresentados. início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 1681.980 Fl. 3376DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.368 19 Preliminarmente Das nulidades Da desconsideração de negócios jurídicos Alega o impugnante que o lançamento devia ser considerado nulo, visto que o auditor fiscal não teria poderes para desconsiderar negócios jurídicos, entre eles, a SCP Sociedade em Conta de Participação constituída. Entende que por não existir regulamentação em lei ordinária nesse sentido, o parágrafo único do art. 116 do CTN não tem o condão de produzir efeitos no mundo jurídico e amparar a pretensão da fiscalização. No entanto, não há que se falar em regulamentação do art. 116 do CTN para que a autoridade lançadora efetue lançamento sobre atos considerados dissimulados. É que a permissão legal que a autoridade fiscal tem para realizar lançamento sobre atos dissimulados decorre da combinação do art. 116, parágrafo único, com o art. 149, VII, ambos do CTN, abaixo transcritos: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Vários são os Acórdãos recentemente exarados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se vê abaixo: DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS COM A FINALIDADE DE DISSIMULAR O FATO GERADOR. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE DA LEI ORDINÁRIA. Não há que se falar em regulamentação do art. 116 do CTNpara que a autoridade lançadora efetue lançamento sobre atos considerados dissimulados. A permissão legal que a autoridade fiscal tem para realizar lançamento sobre atos dissimulados decorre da combinação do art. 116, parágrafo único, com o art. 149, VII, ambos do CTN. (Acórdão n°2201003.674, de 06/07/2017); Fl. 3377DF CARF MF 20 NEGÓCIO JURÍDICO. DESCONSIDERAÇÃO. SIMULAÇÃO. Observada simulação do negócio jurídico, deve ser desconsiderado o negócio simulado, mantendose o dissimulado com seus respectivos efeitos tributário. (Acórdão n° 2202004.062, de 06/07/2017); SIMULAÇÃO RELATIVA. VÍCIO DE VONTADE. CTN, ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO. GANHO DE CAPITAL. ALIEN AÇÃO.É legítima a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do IRPJ, nos termos do artigo 116, parágrafo único do CTN. (Acórdão n° 9101002.953, de 03/07/2017); Da alegação de confisco Informa o impugnante que as autuações da pessoa física e da pessoa jurídica, somadas em relação a um mesmo fato, representam R$ 35.000.000,00 que, para um negócio que teve de resultado R$ 18.000.000,00, apurado em uma venda de R$ 25.000.000,00, se torna um confisco vedado na Constituição Federal e ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, ultrapassando a capacidade econômica e contributiva do contribuinte. O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência de juros de mora e multas, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislado e aplicada à instituição de tributos, não alcançando os acréscimos legais devidos pelo atraso ou falta de pagamento dos tributos. Sobre o tema, ensina objetivamente Hugo de Brito Machadoi: "Em síntese, qualquer que seja o elemento de interpretação ao qual se dê ênfase, a conclusão será contrária à aplicação do princípio do nãoconfisco às multas fiscais. Se prestigiarmos o elemento literal, temos que o art. 150, inciso IV, referese apenas aos tributos. O elemento teleológico não nos permite interpretar o dispositivo constitucional de outro modo, posto que a finalidade das multas é exatamente desestimular as práticas ilícitas. O elemento lógico sistêmico, a seu turno, não leva a conclusão diversa, posto que a nãoconfiscatoriedade dos tributos é garantida para preservar a garantia do livre exercício da atividade econômica, e não é razoável invocarse qualquer garantia jurídica para o exercício da ilicitude." Em análise ao auto de infração, verificase que, além dos tributos legalmente instituídos na Carta Magna, foi aplicada a penalidade devidamente capitulada no art. 44,1, e parágrafo §1°, da lei 9.430/96: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) Fl. 3378DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.369 21 § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). A penalidade aplicada encontra amparo na lei e dela não se verifica qualquer ilegalidade ou desrespeito aos princípios da proporcionalidade ou razoabilidade. Do Cerceamento ao Direito de Defesa O impugnante alega que o valor de R$ 876.531,83, ao contrário do que diz a fiscalização, teve suas origens comprovadas. Entretanto, denota que a fiscalização limitouse a dizer que suas justificativas "não guardam o mínimo de verossimilhança com a operação ocorrida". Tendo em vista a deficiência em especificar a motivação pela não aceitação das comprovações, considera ter ocorrido cerceamento ao seu direito de defesa. Às fls. 2.952 e 2.953, a autoridade fiscal discrimina os 15 depósitos que considerou não justificados pelo contribuinte. Ainda às fls. 2.953 e 2.954, relata, especificamente para cada um dos subgrupos, quais os motivos pelos quais não aceitou as justificativas do contribuinte. De fato, à exceção do item "bl", a autoridade fiscal informa que a documentação acostada, bem como as explicações produzidas na justificativa, não guardam o mínimo de verossimilhança com a operação ocorrida. Lembremos que, no caso em questão, o contribuinte foi devidamente intimado a comprovar a origem dos depósitos discriminados pela autoridade fiscal. As justificativas apresentadas, se não acompanhadas de documentação hábil, não se prestam para a comprovação da origem perquirida. Assim, a documentação apresentada confirma as justificativas do contribuinte, ou não. A autoridade fiscal, a despeito de ter justificado a não aceitação utilizandose do mesmo texto para os itens "b2" a "b10", o fez mencionando, especificamente as folhas dos autos que justificariam suas conclusões. Apenas a título exemplificativo, visto que o mérito das justificativas será tratado mais adiante, verificase que o contribuinte informou que o item "b5" era um "Resíduo de Mútuo com a Flamingo Combustíveis e Lubrificantes S/A". Para tal, apresentou a documentação de fls. 368 a 378. Dos documentos apresentados, constatase um contrato de mútuo entre o impugnante e a empresa supra citada, onde esta figura como mutuante e o primeiro como mutuário (tomador do empréstimo), no valor de R$ 1.069.648,38. Além disso, apresenta planilha simples, sem qualquer vínculo com os contratantes, informando que o valor do item "b5" seria decorrente de saldo do impugnante, bem como, emails, dados de um contrato de alienação fiduciária com a empresa em questão e seu contrato social. Fl. 3379DF CARF MF 22 Repisese que cabe ao contribuinte comprovar a origem dos depósitos indicados pela autoridade fiscal, demonstrando, de forma clara e precisa a procedência de suas justificativas. No caso em questão, o contrato de mútuo apresentado apenas informa a condição de mutuário do impugnante, ou seja, de quem deve pagar e não receber. A planilha apresentada não traz qualquer identificação de sua procedência. O email e o contrato de alienação fiduciária, por si só, são incapazes de demonstrar de que se tratam. Tendo em vista que em nenhum momento se demonstrou que do referido mútuo restou algo a ser pago ao "mutuário", temse por não comprovada a origem. Assim, corretamente a autoridade fiscal informou não haver qualquer verossimilhança entre os documentos apresentados e as justificativas prestadas, sendo absolutamente desnecessário alongarse nessa questão, sob pena de tornar ainda mais extenso o relatório complementar. Isto posto, não se verifica qualquer óbice ao direito de defesa do impugnante a constatação de que a documentação por ele apresentada não se presta a comprovar suas próprias justificativas. Do Excesso de Exação O crime de excesso de exação está previsto no art. 316, §1°, do Código Penal, e compreende a conduta de funcionário público que exige tributo ou contribuição social indevido ou que utiliza meio vexatório ou gravoso na cobrança de tributo devido. No caso em questão, o impugnante alega que o fiscal autuante não se atentou à disposição do art. 2o, IV, da lei 9.784/99 ao utilizar palavras carregadas no sentido de "demonizar" o contribuinte, cometendo arbitrariedades e desvirtuando fatos, o que caracterizaria excesso de exação. Segue informando que o auditor perdeu muito tempo com coisas que em nada dizem respeito aos fatos geradores e com o propósito de tentar desenhar o contribuinte como um sonegador. Assim, verificase que o impugnante considera ter ocorrido excesso de exação, vez que teria sido utilizado meio vexatório ou gravoso pela autoridade fiscal no exercício de suas funções. Ressaltese que, no âmbito do contencioso tributário, cabe ao órgão administrativo julgar a legalidade do lançamento, e não, matéria criminal. Não obstante, cumpre ressaltar que, em atenta análise ao Relatório Complementar ao Auto de Infração, não se verifica qualquer ofensa ou atitude vexatória por parte da autoridade fiscal. O que se constata é um esforço do auditor fiscal em concatenar os diversos elementos levantados durante um procedimento fiscal complexo e árduo. Nesse desiderato, entendeu necessário demonstrar, por meio de fatos ocorridos, o modus operandi do impugnante na forma em que conduzia seus negócios jurídicos, não com interesse depreciativo e vexatório, mas sim, na intenção de reunir indícios que sustentassem suas próprias conclusões. O art. 2o, parágrafo único, IV, da lei 9.784/99, citado pelo impugnante, assim dispõe: Art. 2a A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, Fl. 3380DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.370 23 moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) I V atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé; Em que pese a argumentação do impugnante, não se verifica dos autos qualquer desvirtuamento dos padrões éticos de probidade ou de boafé da autoridade fiscal. Não se infere, de igual forma, qualquer atitude no sentido de quebrar o padrão de decoro, qual seja, qualquer atividade que demonstre defeito de compostura ou decência. Por fim, ressaltese que as intimações e comunicações na fase investigativa que antecede a autuação são prerrogativas da autoridade administrativa, devendo ser realizadas a seu critério, sem que se confunda tal atitude com o desvirtuamento de qualquer padrão ético de probidade. Pelo exposto, há que se concluir pela inexistência de qualquer mácula capaz de inviabilizar o procedimento fiscal. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 1681.980 MMÉÉRRIITTOO DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS AAOO DDEEPPÓÓSSIITTOO DDEE RR$$ 1177..000000..000000..0000 NNAA CCOONNTTAA NN°° 22440033..000011..000000222211557755 DDAA CCAAIIXXAA EECCOONNÔÔMMIICCAA FFEEDDEERRAALL CCEEFF 7. A exigência fiscal decorre da omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não teria comprovado mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Parecenos, todavia, que a autuação, assim como a decisão de primeira merecem reparos no que respeita às alegações referentes ao depósito no montante de R$ 17.000.000.00 (dezessete milhões de reais) na conta n° 2403.001.000221575 da Caixa Econômica Federal. 7.1. Ao examinar as peças do processo administrativo fiscal nº 14041.720138/201711 (lançamento feito na empresa Playtime), podese visualizar no Termo de Verificação Fiscal TVF (efls 871/917 dos autos do processo citado), item específico de imputação de responsabilidade tributária do Recorrente (Item "X. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA" , e de modo específico os itens numerados de 285 a 299). 7.2. Afigurase útil reproduzir a visão de trecho extraído do TVF anexado aos autos do processo 14041.720138/201711: Fl. 3381DF CARF MF 24 7.3. Também se pode extrair uma visão do documento de transferência entre contas mantida na Caixa Econômica Federal: Fl. 3382DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.371 25 7.4. Vejase: o texto redigido no item 295 (subitem 7.2 supra) foi elaborado pela mesma autoridade fiscal que, nos presentes autos, lavra autodeinfração por omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito não comprovados. 7.5. O exame em conjunto dos dois processos administrativos fiscais parece apontar uma possível incongruência na articulação dos fatos subjacentes: nos autos do processo nº 14041.720138/201711, a própria autoridade fiscal demonstra a origem do depósito efetuado na conta bancária em nome do Senhor Jeovane de Morais. É o que se depreende pela redação do item 295 do TVF. E nos presentes autos, a mesma autoridade fiscal, a despeito da constatação reproduzida no citado TVF, leva a cabo a exigência em tela, com lavratura da infração de omissão rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não identificada. 7.6. Uma vez que o próprio documento produzido pela autoridade fiscal, destacadamente, o texto consignado no item 295 do TVF anexado ao processo nº 14041.720138/201711, identifica e descreve a origem do depósito de R$ 17.000.000,00, impõese reconhecer comprovada a origem desse depósito. 7.7. Desse modo, o depósito bancário no valor de R$ 17.000.000.00 (dezessete milhões de reais) deve ser excluído da base de cálculo do imposto. DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS AAOO DDEEPPÓÓSSIITTOO DDEE RR$$ 770000..000000,,0000 NNAA CCOONNTTAA NN°° 22440033..000011..0000002222115577 55 DDAA CCAAIIXXAA EECCOONNÔÔMMIICCAA FFEEDDEERRAALL CCEEFF 8. É alegado que em 05/12/2012, o valor de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) foi depositado de forma equivocada na conta conjunta (n° 2403/001/000221575) pelo cotitular Miguel Cordeiro Viana, pois a conta correta em que pretendia efetivar o depósito era individual (n° 2403/001/000221591), no mesmo estabelecimento bancário. Com a verificação do engano, o valor foi estornado em 06/12/2012 e transferido para a conta correta. 8.1. Ao examinar a alegação deduzida, a decisão de primeira instância considerou correta a autuação ao considerar sem comprovação da origem o citado depósito em dinheiro. De um lado, baseiase na circunstância do estorno não ter sido feito no mesmo dia, e sim no dia seguinte. Segundo o entendimento da autoridade julgadora, no caso de transferência indevida, sem eficácia, o certo seria constar, na mesma data, o débito e o crédito (efls 3280). A decisão recorrida também faz menção à inexistência de prova de que o referido depósito tenha sido feito pelo Sr. Miguel Cordeiro Viana. 8.2. Não obstante as respeitáveis razões consignadas na decisão de primeira instância, entendo que os elementos anexados aos autos, tais como o teor da declaração firmada pelo gerente da agência nº 24031 acerca da operação (efls 466; efls 1163), assim como os esclarecimentos prestados pelo Senhor Miguel (efls 767), e que são corroborados pelas cópias dos extratos anexados (efls 465), são hábeis a indicar plausibilidade quanto ao lapso cometido pelo Senhor Miguel e se chegar a conclusão de que o montante de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais), depositado na contaconjunta (000221575) em 05/12/2012, e transferido no dia 06/12/2012, pertencia ao Sr. Miguel e, com isso, o citado montante não pode ser atribuído unicamente ao Recorrente. 8.3. Por considerar que os elementos dos autos se afiguram aptos a comprovar as alegações deduzidas em relação ao o montante de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais), o valor do depósito deve ser excluído da base de cálculo do imposto lançado. Fl. 3383DF CARF MF 26 DDEEMMAAIISS QQUUEESSTTÕÕEESS DDEE MMÉÉRRIITTOO RREELLAACCIIOONNAADDAASS AA DDEEPPÓÓSSIITTOOSS DDEE OORRIIGGEEMM NNÃÃOO CCOOMMPPRROOVVAADDAA.. 9. À exceção dos montantes referidos nos itens 7 e 8 supra, entendo que a decisão de primeira instância perfaz análise correta das demais questões, no que respeita aos depósitos considerados como não comprovados. Fazse, pois, a transcrição do voto inserto na decisão de primeira instância, com as adaptações necessárias para excepcionar os depósitos de R$ 17.000.000,00 (item 7 supra) e de R$ 700.000,00 (item 8 supra): início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 1681.980 No mérito Dos Depósitos bancários de Origem não Comprovada O lançamento com base em depósitos ou créditos bancários tem como fundamento legal o artigo 42 da Lei n.° 9.430/96, o qual, peço vênia para reproduzir novamente: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § I o O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3 oPara efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualmente, observado que não serão considerados: I o s decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4 ° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira." A partir da entrada em vigor desta lei, estabeleceuse uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento. O Código Tributário Nacional define em seus artigos 43, 44 e 45, a seguir reproduzidos, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a Fl. 3384DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.372 27 renda e proventos de qualquer natureza. Relativamente aos impostos, a Constituição Federal exige que estes institutos sejam definidos em lei complementar (art. 146, III, "a"), atualmente representada pelo CTN, posto que este foi recepcionado com status de lei complementar pela Carta Magna vigente. A instituição de um tributo, regra geral, é feita por meio de lei ordinária. De acordo com o artigo 44 do referido Código, a tributação do imposto de renda não se dá somente sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montante: "Ari. 43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam." As presunções legais, também chamadas presunções jurídicas, dividemse em absolutas {juris et jure) e relativas {júris tantum). Denominase presunção juris et jure aquela que, por expressa determinação de lei, não admite prova em contrário nem impugnação; dizse que a presunção é júris tantum, quando a norma legal é formulada de tal maneira que a verdade enunciada pode ser elidida pela prova de sua irrealidade. Concluise, por conseguinte, pela leitura dos textos normativos citados, que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo júris tantum (relativa), ou seja, caberia ao contribuinte a comprovação da origem dos ingressos ocorridos em suas contas correntes ou nas de seus dependentes. É a própria lei quem define como omissão de rendimentos esta lacuna probatória em face dos créditos em conta. Deste modo, ocorrendo os dois antecedentes da norma: créditos em conta e a não comprovação da origem quando o contribuinte tiver sido intimado a fazêlo, o conseqüente é a presunção da omissão. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações, esclarecimentos, com vista à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Fl. 3385DF CARF MF 28 Assim, utilizando as palavras de José Luiz Bulhões Pedreira, "o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." (Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas JUSTECRJ1979 pág. 806). O texto acima reproduzido traduz com clareza os preceitos definidos pelo Código de Processo Civil em matéria de provas, aplicandoos ao processo administrativo tributário. Diz o referido diploma legal: "Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) I V em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." A comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei n.° 9.430/96 deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados nas contas correntes de sua titularidade. Há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não cabendo a "comprovação" feita de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta. No caso o autuado foi regularmente intimado a prestar os devidos esclarecimentos durante o desenvolvimento da ação fiscal sobre os valores creditados em contas bancárias de sua titularidade e, quando das provas apresentadas foram as mesmas analisadas e aceitas parcialmente pela autoridade fiscal, culminando com o Auto de Infração ora questionado pelo contribuinte em sua impugnação. Passase, a seguir, a análise dos créditos considerados como não justificados pela fiscalização. (...) Dos Depósitos Relativos à Conta Corrente n° 711.6705 do Banco do Brasil O tópico a seguir deve ser analisado especificamente por depósito, como se segue: "Distribuição antecipada de lucros" (itens n° 03, 12 e 15) no total de R$ 66.000,00. A autoridade fiscal considerou ditos valores não justificados visto que os mesmos não constavam do livro Razão Analítico da empresa pagadora. De fato, em análise ao livro razão analítico individual em sua conta "Lucros Distr. Antecipadamente" (fls. 361 e 362), não se verifica a contrapartida dos pagamentos de R$ 10.000,00, R$ 21.000,00 e R$ 35.000,00, depositados em 01/03/2012, 11/06/2012 e 29/06/2012, respectivamente. Fl. 3386DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.373 29 O impugnante reafirma se tratarem de depósitos realizados a título de distribuição de lucros e aponta os documentos às fls. 3.237 a 3.239 como comprovação de suas alegações. Entretanto, os documentos em questão se tratam dos comprovantes emitidos pela instituição bancária relativos às próprias transferências. Neles, apenas se constata que as mesmas foram efetuadas pela Time Participações e Investimentos Ltda., porém, em momento algum, são capazes de comprovar que decorrem de distribuição de lucros. Dessa forma, correta a inclusão dos mesmos pela autoridade fiscal. "Sobra de Retirada pag. Empregado" (itens 02 e 04) no total de R$ 20.000,00. Em resposta à intimação, o contribuinte informou que tais depósitos se referem aos depósitos em espécie de sobra de saque efetuado através do cheque n° 39.468, no valor de R$ 30.000,00, em 20/01/2012, para pagamento de funcionários da fazenda e outros pagamentos diversos. Já em sua impugnação, o contribuinte muda parcialmente sua versão alegando que os depósitos em questão se tratam de sobra de caixa decorrente de uma quantia em dinheiro que é mantida para seu dia a dia, conforme se comprova em sua DIPF 2012. Apesar da leve divergência entre as justificativas, o impugnante demonstra ser detentor de dinheiro em espécie, conforme se verifica em sua DIRPF 2012 (fl. 49), em valor suficiente para comprovar a disponibilidade financeira para efetuar os depósitos em questão. Ademais, ambos os comprovantes de depósitos trazem claramente que o próprio impugnante é o depositante (fls. 364 e 365). Nesse caso, há que se considerar demonstrada a origem dos recursos. "Resíduo mútuo com Flamingo Comb." (item 05) no total de R$ 195.486,83. O contribuinte alegou que dito valor se referia a um resíduo na quitação de parte do contrato de mútuo celebrado em 22/10/2010, entre ele e a empresa Flamingo Combustíveis e Lubrificantes S/A. Em sua impugnação, afirma tratarse de restituição de mútuo, nada mais acrescentando de maneira a esclarecer os fatos. Às fls. 369 a 371, consta instrumento particular de contrato de mútuo onde o impugnante, na condição de "mutuário", toma emprestada a quantia de R$ 1.069.648,38, em 22/12/2010. Em razão do impugnante não explicitar de uma maneira mais clara os termos de sua negociação com a Flamingo, é nítida a existência de uma falta de coerência na documentação apresentada. Isso porque, constando como parte mutuária no referido contrato de mútuo, o impugnante se comprometeria a pagar e não a receber valores da mutuante. Por essa razão, a autoridade fiscal entendeu não haver qualquer verossimilhança entre a documentação apresentada e a operação apontada. Fl. 3387DF CARF MF 30 Não consta dos autos qualquer prova no sentido de que o respectivo contrato de mútuo tenha sido quitado no ano de 2012. Pelo contrário, a DIRPF 2013 do impugnante (fl. 66) indica um aumento no valor referente à dívida com a Flamingo Combustíveis e Lubrificantes S/A. No entanto, apesar da falta de esclarecimento do impugnante, é possível verificar que a Flamingo Combustíveis e Lubrificantes S/A assumiu um empréstimo junto à Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 2.200.000,00, cuja data da liberação do crédito se deu em 22/12/2010 (fl. 375). O valor deveria ser pago em 36 parcelas. Tal empréstimo, na data de 21/03/2012 tinha um saldo devedor de R$ 1.484.708,36, conforme extrato à fl. 376. Nos termos do email à fl. 373, há uma minuta de contrato de um novo empréstimo entre a Caixa Econômica Federal e a Flamingo Combustíveis e Lubrificantes S/A, no valor de R$ 1.750.000,00, a ser pago em 48 vezes. Já o contrato de mútuo entre o impugnante e a Flamingo Combustíveis e Lubrificantes S/A (fls. 369 a 371), dispõe que o impugnante deveria pagar 16 parcelas de R$ 76.911,72, a se iniciar em 27/09/2012. A situação toda resta muito confusa sem os devidos esclarecimentos do impugnante. No entanto, este parece indicar que a parte que lhe cabia pagar no mútuo foi objeto de um refinanciamento entre a Flamingo Combustíveis e Lubrificantes S/A e a Caixa Econômica Federal. Com isso, teria havido um resíduo que se trata justamente do depósito cuja origem pretende comprovar. No entanto, para comprovar que o valor em questão se refere a um resíduo de quitação do empréstimo da Flamingo Combustíveis e Lubrificantes S/A junto à Caixa Econômica Federal, deveria haver algum instrumento contratual entre o impugnante e a Flamingo Combustíveis e Lubrificantes S/A, no sentido de que aquele assumiria o pagamento da dívida desta última, o que não existe nos autos do presente processo. A simples conta à fl. 372, sem qualquer identificação de seu autor e sem qualquer outro documento que possa convalidar os valores ali expressos não é suficiente para comprovar a origem do depósito ora analisado. Assim, é de se considerar correta a conclusão da autoridade fiscal. "Devolução de mútuo particular" (item 06) no total de R$ 11.278,00. O impugnante alega ser tal depósito referente à devolução de empréstimo em dinheiro realizado ao Sr. Igor de Carvalho Coelho e pago em dinheiro. Em resposta à intimação, o contribuinte apresentou a informação do Banco do Brasil (fl. 380) que apenas informa que o remetente do depósito foi o Sr. Igor de Carvalho Coelho. Já em sua impugnação, alega que o devedor apresentou declaração, conforme o anexo 16. No entanto, não se encontra nos autos qualquer declaração nesse sentido, devendo ser considerada como sem comprovação sua alegação. "Devolução de rateio de despesas" (item 07) no valor de R$ 2.533,00. Em resposta à intimação o contribuinte informa que o valor se refere à devolução de rateio de despesas gasto em pescaria entre amigos, dentre eles o proprietário do Fl. 3388DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.374 31 Posto Parque Industrial BSB Derivados de Petróleo Ltda. Já em sua impugnação alega tratarse de pagamento efetuado por devedor de empréstimo concedido pelo autuado, conforme declaração (anexo 17). Da mesma forma que o item anterior, o impugnante limitase a apresentar a informação do Banco do Brasil que identifica o remetente do depósito. Também não consta dos autos a declaração mencionada, razão pela qual, mantémse a conclusão da autoridade fiscal. "Pag. de mútuo por Roberto M. Salim", "Pag. de mútuo por Diogo Nasc. Salim", "Pag. de mútuo por Maria F. Liporoni" e "Pag. de mútuo por Telio M. Mendonça" (itens 19, 27, 28, 29, 30 e 31) no total de R$ 579.000,00. Em resposta à intimação, o contribuinte alega que se tratam de pagamentos de empréstimos efetuados em dinheiro pelas pessoas ali mencionadas. Em sua impugnação, reitera as mesmas razões de defesa. Ao contrário dos dois itens anteriores, às fls. 3.227 a 3.231, constam declarações de Roberto Machado Salim, Diogo Nascimento Salim, Maria de Fátima Liporoni e Télio Machado Mendonça no sentido de confirmar que os valores depositados ao impugnante se tratavam de pagamento de empréstimos realizados no próprio ano de 2012. A informalidade nos negócios não exime o contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. Tal informalidade diz respeito à garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes, mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública. A relação entre fisco e contribuinte é formal e vinculada à lei, sem exceção. Nesse sentido, a mera declaração de que foi realizado um empréstimo ou um mútuo, ainda que devidamente pactuado em um contrato entre as partes, por si só não é suficiente para comprovar a origem de um depósito. Mesmo em sede de defesa, não foi trazido aos autos qualquer instrumento particular a dar forma à operação de empréstimo ou mútuo, tampouco a informação das operações em Declaração de Ajuste Anual dos envolvidos ou mesmo comprovantes bancários da transferência, em datas compatíveis, do valor alegado como emprestado. Diante deste contexto, impossível não recorrer à jurisprudência emanada do Colegiado Administrativo, a qual se firmou mansa e pacificamente no sentido de não acolher as alegações de empréstimos não acompanhadas das provas que irrefutavelmente demonstrem a transferência do efetivo numerário. EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos por empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo, feita somente com o instrumento particular de contrato, sem qualquer outro subsídio, como estar o mútuo consignado nas declarações de rendimentos apresentadas tempestivamente pelos contribuintes devedor e credor, bem como a prova da transferência de numerários (recebimento e pagamento), coincidentes em datas e valores, principalmente quando as provas dos autos são suficientes para confirmar a omissão. (Acórdão 104 17.092 de 09/06/1999) Fl. 3389DF CARF MF 32 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OPERAÇÕES DE MÚTUO COMO JUSTIFICATIVA DE ORIGEM. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Contratos Particulares de Mútuo, apresentados de forma isolada, não são documentos hábeis suficientes para justificar a origem de recursos utilizados em operações de depósitos bancários.(Acórdão 2201002.117, de 14/05/2013) CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de contrato de mútuo deve ser feita com documentação hábil e idônea com indicativo da data da realização comprovado por registro público e também da transferência dos valores à época do empréstimo. No caso dos autos, não ficou comprovado que a transferência dos valores do mutuante para o mutuário tinha como objeto o mútuo, e os contratos não contém qualquer registro público ou indicação oficial da data em que teriam sido produzidos. (Acórdão 2401004.068, de 28/01/2016) IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS EMPRÉSTIMOS COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos por empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo, feita somente com o instrumento particular de contrato ou informações nas declarações de rendimentos, sem qualquer outro subsídio, como a prova da transferência de numerários (recebimento e pagamento), coincidentes em datas e valores. (Acórdão n° 2201002.568, de 04/11/2014) Dessa forma, de se considerar correta a conclusão da autoridade fiscal pela não comprovação dos depósitos. "Reembolso pag. Dupl. Escola filho" (item 20) no valor de R$ 2.234,00. O impugnante informa que esse depósito se trata do reembolso do pagamento de mensalidade da escola Candanguinho, realizado em duplicidade. O contribuinte anexa à fl. 418 o extrato das mensalidades do estabelecimento escolar, onde se verifica a quitação do valor integral do anocalendário de 2012. Às fls. 416 e 417, constam comprovantes de pagamento dos meses de outubro, novembro e dezembro, bem como, canhotos dos boletos relativos às mensalidades de maio, agosto e setembro. Dos documentos acostados aos autos não é possível constatar o pagamento de qualquer parcela em duplicidade. Assim sendo, é de se considerar correta a conclusão da autoridade fiscal. (...) Da Omissão de Rendimentos Recebidos de Aluguel Ao solicitar esclarecimentos acerca dos depósitos realizados na conta corrente do impugnante, a autoridade fiscal constatou a existência de valores relativos ao pagamento de rendimentos decorrentes de aluguel de imóvel comercial. Em resposta à intimação, o impugnante alega que não declarou os valores em questão em virtude dos recebimentos não estarem sendo regulares, bem como, efetuados por meio de cheques sem fundos. Esclarece o impugnante que apenas recebeu a quantia de R$ 43.173,04, conforme consta às fls. 222, 223 e 226. Fl. 3390DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.375 33 A autoridade fiscal contesta as justificativas do contribuinte, afirmando que não foi apresentada qualquer denunciação do contrato de locação, bem como, qualquer execução da dívida. Também afirma que somente após o início do procedimento fiscal é que foi declarar os rendimentos auferidos a esse título nos anos de 2015 e 2016. Com base em suas constatações, a autoridade fiscal decidiu por arbitrar o valor do aluguel recebido em R$ 13.500,00 mensais, com base no contrato de locação pactuado em 21/01/2011 e considerando a dedução de 10% a título de taxa de administração. Em que pese as constatações da autoridade fiscal acerca do comportamento do contribuinte relativamente à declaração do imóvel e dos valores de aluguel em 2015 e 2016, bem como, da falta de apresentação de uma ação no sentido de denunciar o contrato, é de se destacar que não resta demonstrado o recebimento dos valores decorrentes do contrato de locação às fls. 422 a 428. A apuração de omissão de rendimentos não se trata de presunção, configurando verdadeira hipótese de incidência do imposto. Assim, cabe à autoridade fiscal comprovar a sua ocorrência para fins do lançamento de ofício, já que é seu o ônus da comprovação dos fatos constitutivos do direito de efetuar o lançamento (artigo 149, inciso IV, do CTN). No mesmo sentido, o art. 333 do Código de Processo Civil, que dispõe sobre a distribuição do ônus da prova, estabelece que incumbe ao autor provar os fatos constitutivos de seu direito. Esse já é, inclusive, o entendimento exarado pelo Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Acórdão 2801003.286, de 19/11/2013: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DIRF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerando que a fiscalização imputou uma omissão de rendimentos ao fiscalizado, a partir de informação da DIRF da fonte pagadora, e que o contribuinte nega a prestação de serviços e o recebimento de valores, resta demonstrar que a fonte está correta e que a omissão de rendimentos existiu. Esse ônus, no caso, recai sobre o Fisco. Acórdão 2802002.664, de 22/01/2014: IRPF. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DEVER DE COMPROVAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A CARGO DO FISCO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE ILIDIR A PROVA PRODUZIDA PELO FISCO. A averiguação da ocorrência do fato gerador e comprovação da sujeição passiva cabe ao Fisco. Assim, como regra geral, o ônus da prova cabe à autoridade administrativa, enquadrandose na regra geral a omissão de rendimentos quando não há presunção legalmente estabelecida, que é o caso desse item do auto de infração. Fl. 3391DF CARF MF 34 O contrato de locação às fls. 2.646 e 2.647, tem o condão de demonstrar a obrigação pelo pagamento da locação acordada, porém, por si só, não comprova o efetivo recebimento, por parte do locador, dos valores pactuados. Frente a alegação do impugnante de que não recebeu na integralidade os valores acordados, cabe ao Fisco a demonstração de que os rendimentos foram pagos ao contribuinte, o que foi comprovado apenas com relação aos R$ 43.173,04. Não resta outra alternativa à autoridade julgadora, senão reconhecer a inclusão do valor supra citado, excluindo da base de cálculo a diferença arbitrada pela autoridade fiscal. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 1681.980 MMUULLTTAA QQUUAALLIIFFIICCAADDAA 10. Para compreensão dos motivos determinantes para a qualificação da multa, fazse a transcrição de trecho pinçado do Relatório Complementar (efls 2879/3065). III DAS PENALIDADES FISCAIS CONCERNENTES1 QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO: 98. DIANTE DAS INFORMAÇÕES INVERÍDICAS E INSUSTENTÁVEIS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE, TANTO EM SUA DIRPF, QUANTO AOS DADOS APRESENTADOS POR ESTE EM RESPOSTA ÀS DIVERSAS PERQUIRIÇÕES LEVADAS A TERMO NA ANÁLISE DA "SEGUNDA PARTE" E DA "QUARTA PARTE", DA PRESENTE APURAÇÃO, NO SENTIDO DE SUBTRAIR AO FISCO A VERDADE REAL DOS FATOS ENVOLVENDO PARTE DE SUAS DIVERSAS ATIVIDADES, ENCOBERTAS EM FANTASIOSAS VERSÕES DE QUE AS OPERAÇÕES DE VOLUMOSOS MONTANTES SERIAM FRUTO DE AUFERIMENTO DE LUCROS RECEBIDOS ANTECIPADAMENTE, BEM COMO DE RESULTADO POSITIVO DE EMPREENDIMENTO LEVADO A TERMO POR EMPRESAS DISTINTAS DOS CONTRIBUINTES, AS QUAIS TERIAM LABORADO EM PARCERIA, POR MEIO DE CONSTITUIÇÃO TEMPORÁRIA DE "SCP", CUJAS ESCUSAS NÃO SE JUSTIFICARAM NA CONFORMIDADE ENFATIZADA PELOS INTIMADOS, PORQUANTO COMPROVADAMENTE INIDÔNEAS, POR ABSURDAS, CONFORME EXAUSTIVAMENTE COMPROVADO EM ANÁLISE CONSISTENTE LEVADA A TERMO PELA FISCALIZAÇÃO, SUPLEMENTADAS NOS ESCRITOS TAMBÉM NA DIRPF DO SR. MIGUEL CORDEIRO VIANA, BEM COMO NAS CONTAS CORRENTES DE AMBOS E EM PARTE DA CONTABILIDADE DAS EMPRESAS MANIPULADAS PELO SR. JEOVANE DE MORAIS (VEZ NÃO DETER QUALQUER MANDO LEGAL SOBRE ELAS), SERÁ APLICADA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA COMO JUSTA RETRIBUIÇÃO, AOS CRÉDITOS DE R$ 3.489.600,66; DE R$ 17.000.000,00, E DE R$ 700.000,00, RESPECTIVAMENTE, EM CONFORMIDADE ÀS NORMAS DA LEI N° 9.430/96, ART. 44, § 1°, A 1 Efls 3063/3064. Fl. 3392DF CARF MF Processo nº 10166.724774/201747 Acórdão n.º 2301005.927 S2C3T1 Fl. 3.376 35 QUAL PRESCREVE MULTA QUALIFICADA, COM A DETERMINAÇÃO DO AUMENTO DE 100% DA MULTA ESTABELECIDA NO INCISO I, DE MESMO ARTIGO, NO QUAL É ESTABELECIDA MULTA NO PERCENTUAL DE 75% DO IMPOSTO APURADO. (grifos meus) 10.1. No tópico intitulado "Da tipificação utilizada na omissão dos R$ 3.486.600,66" (efls 3285/3288), a decisão de primeira instância perfaz análise criteriosa (efls 3287): No caso em questão, em que pese o esforço da autoridade fiscal em demonstrar não comprovado o pagamento de parte dos valores declarados como auferidos a título de lucros distribuídos, há que se concluir que a tipicidade e o enquadramento legal do fato constatado não podem ser a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários. (grifos meus) 10.2. E conclui (efls 3288): Vez que a tipificação legal não se adequa ao fato narrado no Relatório Complementar ao Auto de Infração, impõese excluir da base de cálculo do imposto os valores considerados como omitidos nesse item do auto de infração. 10.3. Desde a prolatação da decisão de primeira instância, não subsistia a multa qualificada em relação ao depósito de R$ 3.486.600,66. 10.4. Com relação aos créditos de 17.000.000,00 (dezessete milhões de reais) e de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais), verificase que o fator determinante para a qualificação da multa reside na constituição da SCP (Sociedade em Conta de Participação). 10.5. Salientese, porém, que nos termos das fundamentações expostas nos itens 7 e 8 supra, foram consideradas comprovadas as origens dos depósitos R$ 17.000.000,00 e de R$ 700.000,00 e com a exclusão de tais depósitos na base de cálculo do imposto, não há que se cogitar em aplicação de multa qualificada em relação aos mesmos. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 11. Diante do exposto, VOTO por rejeitar as preliminares e no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL para considerar comprovadas a origens dos depósitos de R$ 17.000.000,00 (dezessete milhões de reais) e de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais), e excluir a multa qualificada. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 3393DF CARF MF 36 Fl. 3394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13678.720083/2012-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade de Origem confirme a informação contida no Despacho de e-fls. 57, juntando aos autos os documentos comprobatórios correspondentes.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade de Origem confirme a informação contida no Despacho de efls. 57, juntando aos autos os documentos comprobatórios correspondentes. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 78 .7 20 08 3/ 20 12 -8 8 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13678.720083/201288 Resolução nº 2002000.088 S2C0T2 Fl. 59 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 12/16) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2010 (efls. 24/28), onde se apurou a Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública de R$ 8.550,12 O contribuinte apresentou Impugnação (efls. 02/10), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 34): paga pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, fixada em acordo homologado judicialmente, nos estritos termos em que consta da ata de audiência, cópia apresentada, sendo permitida pela legislação tributária a dedução de todo o valor pago, pois, no caso, privilegiase o gênero “pensão alimentícia”. A pretensão da autoridade lançadora prevaleceria se houvesse a previsão das limitações no texto legal; a autoridade lançadora, antes de proceder a notificação de que ora se cuida, deveria têlo orientado, concedido mais prazo e determinado qual o meio e a forma que ele deveria agir para evitar o lançamento; homenageandose os princípios da verdade formal e da ampla defesa, há de serlhe oportunizado todos os meios de prova permitidos para elucidação dos fatos. Nesse sentido, requer que as cópias da notificação, da ata da audiência judicial e do ofício enviado à Receita Federal encaminhando parte dos documentos solicitados sejam juntadas aos autos e que lhe seja concedido o prazo de mais 60 (sessenta) dias para apresentar extratos bancários contendo os depósitos mensais feitos, relativos à pensão alimentícia. Ao final, requer o acolhimento da impugnação e a insubsistência do lançamento. A Impugnação foi julgada improcedente pela 9ª Turma da DRJ/BHE em decisão assim ementada (efls. 33/38): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA. A dedução a título de pensão alimentícia está condicionada a existência de decisão ou acordo homologado judicialmente e à comprovação de seu efetivo pagamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13678.720083/201288 Resolução nº 2002000.088 S2C0T2 Fl. 60 3 Cientificado do acórdão de primeira instância em 25/07/2013 (efls. 42), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 27/08/2013 (efls. 45/56) com os argumentos a seguir sintetizados. Preliminarmente, afirma que foi intimado em 30/07/2013 e que protocolou o presente Recurso no prazo de trinta dias que a lei lhe faculta, sendo o mesmo tempestivo. Suscita a nulidade da decisão de primeira instância por não ter o relator justificado a não aceitação das provas carreadas aos autos. Alega que se os membros da 9ª Turma da DRJ/BHE tivessem atentado para a interpretação literal à luz do art. 111 do CTN, jamais teriam concluído pelo indeferimento da solicitação do recorrente por falta de provas, já que as apresentadas seriam suficientes para afastar a exigência. Assevera que, de acordo com os artigos 223 e §§ e 894, § 1o, do RIR/94, o ônus da prova cabe à autoridade lançadora quando a mesma não considera as apresentadas. Afirma que a autoridade recorrida deixou de valorar as provas apresentadas: ata judicial homologando a separação com a fixação e os parâmetros para o pagamento da pensão alimentícia. Discorre sobre o assunto e defende que, se o impugnante apresentou parte dos recibos de depósitos bancários e se a pensão alimentícia, quando não cumprida, pode acarretar prisão civil, não há dúvidas de que estamos diante, se não de uma prova plena, de uma presunção absoluta. Entende que a decisão recorrida, por não valorar as provas apresentadas, além de nula, tornouse totalmente insubsistente. Voto Inicialmente, impõese analisar a preliminar de tempestividade arguida. Do exame dos autos observase que a ciência do acórdão de primeira instância foi realizada em 25/07/2013, conforme Aviso de Recebimento dos Correios (efls. 42), e não em 30/07/2013 como afirma o recorrente. Notese que a ciência por via postal prevista no art. 23, II, do Decreto 70.235/72 exige apenas a prova de recebimento da intimação no domicilio tributário do sujeito passivo, independentemente de quem a tenha recebido. É nesse sentido a Súmula CARF nº 9 abaixo reproduzida: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Isso posto, concluise que a ciência da decisão de piso foi devidamente realizada, sendo válida, portanto, para a contagem do prazo para apresentação de Recurso Voluntário. De acordo com o art. 33, caput, do Decreto 70.235/72, o prazo para a apresentação de Recurso Voluntário é de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13678.720083/201288 Resolução nº 2002000.088 S2C0T2 Fl. 61 4 instância. Por outro lado, extraise do art. 5º do mesmo Decreto que os prazos são contínuos e devem começar e terminar em dias úteis, excluindose de sua contagem o dia do início e incluindose o dia do vencimento. No caso em tela, uma vez que a ciência do acórdão recorrido se deu por via postal em 25/07/2013 (efls. 42), a contagem do prazo para defesa teve início em 26/07/2013 (sextafeira) e expirou, após 30 dias, em 24/08/2013 (sábado). Não obstante, considerando o disposto no art. 5º do Decreto 70.235/72, deslocase o término do prazo para o dia 26/08/2013 (segundafeira). Ainda assim, tendo em vista que a apresentação do Recurso Voluntário só ocorreu em 27/08/2013, conforme carimbo da Agência da Receita Federal do Brasil em Passos (efls. 45), não resta dúvida sobre a intempestividade do mesmo. Nesse ponto, importa salientar que o Despacho da Agência da Receita Federal do Brasil em Passos (efls. 57) procedeu ao encaminhamento do presente processo ao CARF para análise e julgamento do "RV TEMPESTIVO" apresentado pelo contribuinte, o que levou ao questionamento por este Colegiado sobre a existência de outros elementos de prova que demonstrassem a tempestividade do Recurso. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem confirme a informação contida no Despacho de efls. 57, juntando aos autos os documentos comprobatórios correspondentes. Posteriormente, o recorrente deverá ser cientificado da diligência realizada, com abertura de prazo para sua manifestação. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.724560/2014-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO NO ACÓRDÃO. SANEAMENTO PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Constatada a omissão quanto à análise dos fundamentos da responsabilidade solidária, cabível sua apreciação pela via dos embargos de declaração.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III DO CTN.
A mera qualificação como sócio, ainda que com poderes de administrador, desacompanhada de outra motivação ou prova, não é suficiente para imputar a responsabilidade solidária.
Por outro lado, uma vez caracterizada a conduta dolosa de sócio, que participou ativamente e de forma consciente no uso de estrutura que levou ao não recolhimento de tributos federais, aplicável a responsabilidade solidária por violação à lei e Contrato Social.
Numero da decisão: 1201-002.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em ACOLHER parcialmente os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para manter a responsabilidade solidária apenas do sócio Sr. EVANDRO FRANCO DE ALMEIDA, por unanimidade.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 OMISSÃO NO ACÓRDÃO. SANEAMENTO PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a omissão quanto à análise dos fundamentos da responsabilidade solidária, cabível sua apreciação pela via dos embargos de declaração. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III DO CTN. A mera qualificação como sócio, ainda que com poderes de administrador, desacompanhada de outra motivação ou prova, não é suficiente para imputar a responsabilidade solidária. Por outro lado, uma vez caracterizada a conduta dolosa de sócio, que participou ativamente e de forma consciente no uso de estrutura que levou ao não recolhimento de tributos federais, aplicável a responsabilidade solidária por violação à lei e Contrato Social.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em ACOLHER parcialmente os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para manter a responsabilidade solidária apenas do sócio Sr. EVANDRO FRANCO DE ALMEIDA, por unanimidade. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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SANEAMENTO PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a omissão quanto à análise dos fundamentos da responsabilidade solidária, cabível sua apreciação pela via dos embargos de declaração. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III DO CTN. A mera qualificação como sócio, ainda que com poderes de administrador, desacompanhada de outra motivação ou prova, não é suficiente para imputar a responsabilidade solidária. Por outro lado, uma vez caracterizada a conduta dolosa de sócio, que participou ativamente e de forma consciente no uso de estrutura que levou ao não recolhimento de tributos federais, aplicável a responsabilidade solidária por violação à lei e Contrato Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em ACOLHER parcialmente os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para manter a responsabilidade solidária apenas do sócio Sr. EVANDRO FRANCO DE ALMEIDA, por unanimidade. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 45 60 /2 01 4- 60 Fl. 2652DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratamse de Embargos de Declaração (fls. 2.632/2.640) opostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 1201002.350 (fls. 2.609/2.630) cuja ementa e a parte dispositiva foram assim descritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 IPI. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF ao processo principal de IRPJ. IPI. DIREITO CREDITÓRIO. SUSPENSÃO. Para perpetuar o regime da não cumulatividade, a suspensão do IPI deve ser procedida de não aproveitamento do respectivo crédito. São fatos concomitantes, necessariamente, salvo as exceções legalmente definidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários para afastar a multa qualificada, reduzindoa para 75%, nos termos do voto do relator. Sustenta a PGFN que o Acórdão recorrido contém vícios de omissão: (i) em relação à análise dos fundamentos para a imputação de responsabilidade tributária; e (ii) em relação à análise dos fundamentos para a qualificação da multa. Por meio de despacho de admissibilidade de fls. 2.643/2.651, os Embargos foram admitidos parcialmente, para que seja sanada a omissão e contradição tratada no item "1" acima: "omissão em relação à análise dos fundamentos para a imputação de responsabilidade tributária". Fl. 2653DF CARF MF Processo nº 10855.724560/201460 Acórdão n.º 1201002.913 S1C2T1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. A existência de omissão quanto à fundamentação para exclusão da solidariedade foi assim motivada no juízo de admissibilidade: [...] procede a alegação de omissão em razão de não ter sido analisada toda a fundamentação exposta no Relatório Fiscal sobre a imputação de responsabilidade. Os argumentos e as transcrições do relatório fiscal contidas nos embargos evidenciam que a responsabilidade tributária não está sustentada apenas em infração "sem vínculo com os créditos constituídos de ofício: o emprego de pessoa jurídica inativa, a Braschom, para fazer compras no próprio nome, porém pagas pela Saferpak, conforme item X do Relatório Fiscal, às fls. 2.206/2.207". O acórdão embargado deixou de examinar vários outros aspectos que ensejaram a imputação de responsabilidade, com vínculo com os créditos constituídos, e que estão tratados nos itens V e IX do relatório fiscal. Também procede a alegação da embargante, de que a Fiscalização aponta, dentre outros, como fundamentos para a responsabilização justamente os motivos relacionados aos fatos geradores a que alude o Acórdão nº 1301002.079: deixar de escriturar integral e corretamente a movimentação bancária e não apresentar os livros à autoridade fiscal. Embora esse problema tenha sido tratado como omissão, ele configura na verdade um vício de contradição interna, entre a decisão e seus fundamentos. É que o acórdão embargado afirma que "os autos de infração são consequências de duas omissões juridicamente desvaloradas: deixar de escriturar integral e corretamente a movimentação bancária e não apresentar os livros à autoridade fiscal. Estas são as infrações à lei, relacionadas às exigências fiscais ora constituídas, que poderiam determinar o redirecionamento da cobrança, na forma do artigo 135, III, do CTN". O acórdão embargado, ao transcrever as razões de decidir do Acórdão nº 1301002.079 (que adota como suas), registra a ocorrência das referidas infrações que, segundo ele mesmo, "poderiam determinar o redirecionamento da cobrança, na Fl. 2654DF CARF MF 4 forma do artigo 135, III, do CTN", mas, contraditoriamente, toma decisão no sentido de afastar a responsabilidade dos sócios. Nesse contexto, os embargos de declaração devem ser admitidos para que sejam sanados os referidos vícios. Mais precisamente, a responsabilidade solidária foi fundamentada no artigo 135, III, do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado" Para justificar a aplicação desse dispositivo legal, a autoridade fiscal responsável pelos lançamentos assim se manifesta: IX DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS A empresa Braschon Ltda, em procedimento fiscal executado na IRF/ILHÉUSBA, foi baixada de ofício, em virtude de se tratar de empresa inexistente de fato, conforme Ato Declaratório Executivo n° 45, de 26 de novembro de 2014. Conforme declaração do contador da Contribuinte, Sr° AURELINO MENDES LIMA, o real sócio da empresa BRASCHON INDUSTRIA DE AROMAS E ESSENCIAS E EMBALAGENS PLASTICAS LTDA ME, seria o Sr° EVANDRO FRANCO DE ALMEIDA. Esta informação é corroborada por outra, recebida pela empresa Dievo Distribuição e Comércio S/A, CNPJ 08.112.650/000483, em resposta à intimação, que informou sendo o Sr. Evandro Franco de Almeida, o responsável pelas compras. Em pesquisa no RECEITANETLOG revelaram que as DIPJ2011 da SAFERPAK e da BRASCHON foram transmitidas da mesma máquina (mesmo MAC e IP) no mesmo dia, com algumas horas de diferença. Conforme descrito na planilha denominada "Relação das Transferências Bancárias Efetuadas", Anexo I do TIF n° 09, a empresa SAFERPAK PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 05.602.956/000187, cujos sócios são o Sr° EVANDRO FRANCO DE ALMEIDA, CPF 202.602.11800, e a Sr3 MARCELA DE FÁTIMA MOMESSO FRANCO DE ALMEIDA, CPF 202.450.61860, transferiu da sua conta corrente n° Fl. 2655DF CARF MF Processo nº 10855.724560/201460 Acórdão n.º 1201002.913 S1C2T1 Fl. 4 5 199.5804, agência 0152 Sorocaba, Bradesco S/A, o montante de R$53,6 milhões para a conta corrente n° 194.9292, agência 0152 Sorocaba, Bradesco S/A da SAFER INDUSTRIA E COMERCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS PLASTICAS LTDA ME, CNPJ 07.851.213/000176, durante o ano calendário de 2010. Conforme consulta nos sistema da Receita, a empresa SAFER Ltda encontravase "INATIVA" no ano calendário de 2008 e não apresentou DIRPJ do anocalendário de 2009 e dos posteriores. Da análise do Relatório de Movimentação Eletrônica de Recursos, gerado pelo Bradesco S/A, constatamos que a empresa SAFER INDUSTRIA E COMERCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS PLASTICAS LTDA ME, CNPJ 07.851.213/000176 transferiu da sua conta corrente n° 194.9292, agência 0152 Sorocaba, Bradesco S/A, para a conta corrente n° 1.0545, agência 1301, Bradesco S/A, da empresa BRASCHON LTDA, o montante de R$36,9 milhões, durante o anocalendário de 2010. Esse montante correspondente praticamente a todo fluxo financeiro bancário da empresa BRASCHON LTDA. A Saferpak Ltda pagou vários boletos bancários cobrança pertencente à empresa Braschon Ltda (Sacada). Os dados dos pagamentos encontramse descritos nas planilhas denominadas "Relação das Cobranças da Braschon pagas pela Saferpak". O banco Bradesco S/A forneceu cópia de vários documentos de cobranças que foram debitados da conta corrente n° 1995804, agência 0152 Sorocaba, da Saferpak Ltda, identificando a empresa Real Plastic Ltda (fornecedora da Braschon Ltda) como cedente (beneficiária). Durante o procedimento fiscal, a Saferpak Ltda foi intimada várias vezes a apresentar a documentação que comprovasse os 12 (doze) lançamentos a crédito da Conta Contábil 2.1.02.01.0001 Fornecedores Nacionais, um lançamento a cada mês, no montante de R$ 155.168.094,60, com o histórico "VLR REF COMPRA", porém, não apresentou qualquer documento. Além de compor o Custo, sobre esse montante foram contabilizados a recuperação dos seguintes tributos: · 1.1.02.09.0001 ICMS A RECUPERAR · 1.1.02.09.0002 PIS A RECUPERAR · 1.1.02.09.0003 COFINS A RECUPERAR Com a contabilização dos créditos de Pis e de Cofins e apropriação do Custo, relativos aos 12 (doze) lançamentos acima, a fiscalizada não apurou saldo a pagar de Pis e de Cofins, nem IRPJ e CSLL a pagar (apurou Prejuízo de R$ 208.091,51), durante o anocalendário de 2010. Fl. 2656DF CARF MF 6 As mercadorias acompanhadas de Notas Fiscais com destinatário a Braschon Ltda eram remetidas pelos fornecedores (Real Plastic/Gabiplast/Planox) às transportadoras localizadas em SorocabaSP (Logmax) e VotorantimSP (Valvi), para serem redespachadas à Braschon, porém, isso não ocorria, pois as mercadorias pertenciam à Saferpak Ltda, real compradora das mercadorias e pagadora dos respectivos fornecedores. Se considerássemos os valores das vendas efetuadas pelas empresas REAL PLASTIC LTDA, GABIPLAST LTDA e PLANOX à Braschon Ltda, durante o anocalendário de 2010, e calculássemos o ICMS tendo como destinatário a Saferpak Ltda, verificamos as seguintes reduções desse imposto: A B C D E=DC FORNECEDOR TOTAL DOS PRODUTOS ICMS destacado nas NF emitidas para Braschon à aliq. de 7% ICMS devido se a NF fosse emitida para a Saferpak à aliq. de 12% Redução do ICMS Real Plastic Ltda R$74.741.383,25 R$5.231.896,90 R$8.968.965,99 R$3.737.069,09 Gabiplast Ltda R$24.019.060,03 R$ 1.681.334,13 R$2.882.287,20 R$1.200.953,07 Planox Ltda R$ 7.597.163,55 R$ 531.610,30 R$ 911.659,63 R$ 380.049,33 Os fatos acima comprovam que a Braschon Ltda foi criada pela Saferpak Ltda com o intuito de diminuir a carga tributária, mediante o benefício da redução do ICMS, de 12%(UFSP) para 7%(UFBA). Em pesquisa aos sistemas da Receita, constatamos que a Braschon Ltda apresentou as declarações abaixo e não recolheu/pagou nenhum tributo (IRPJ/CSLL/PIS/COFINS): · DCTF apenas do mês de 01/2010 Não informou débitos; · DIRPJ Lucro Presumido informou valores zerados de receitas de vendas; · DACON apenas do mês de 01/2010 todos os valores zerados. A empresa Saferpak Plásticos Ltda deu saída de seu estabelecimento a produtos tributados de IPI e emitiu Notas Fiscais de Vendas, durante o anocalendário de 2010, e não apurou o IPI. O contribuinte foi intimado a apresentar o Livro de Registro de Entradas e o Livro de Apuração do IPI e outros documentos, porém, não os apresentou. O conjunto de fatos relatados indica flagrante violação dolosa ou culposa, comissiva ou omissiva, das leis civis, comerciais e tributárias, praticadas pelos sócios administradores ou em nome deles. Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 10855.724560/201460 Acórdão n.º 1201002.913 S1C2T1 Fl. 5 7 Deste modo, ficou caracterizado o vínculo de responsabilidade, por ação ou omissão, dos sócios, Sr° EVANDRO FRANCO DE ALMEIDA, CPF 202.602.11800, e a Sra MARCELA DE FÁTIMA MOMESSO FRANCO DE ALMEIDA, CPF: 202.450.61860, nos termos do artigo 135, caput e III, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966), o que ensejará a lavratura dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Pois bem. Relativamente à sócia Marcela de Fátima Momesso Franco de Almeida, entendo que o afastamento de sua responsabilidade não merece reparos. Isso porque não há nenhuma motivação acerca de qual conduta que ela tenha praticado e que possa ser vista como contrária à lei ou ao Contrato Social. Ora, se foi o uso indevido ou abusivo de sua qualificação como sócia administradora a causa da caracterização da responsabilidade, deveria a autoridade ter apontado e motivado qual ato teria sido este, como e onde foi praticado, qual a finalidade, seus efeitos etc, mas nada disso foi feito. O TVF deveria, para valer sua tese de aplicação do artigo 135, III, ter demonstrado em que medida a sócia em questão agiu em infração a lei, ou em contrariedade aos limites do desempenho de sua função. Quer a autoridade fiscal ver prevalecer o Termo de Sujeição Passiva Solidária, mister que ela fundamente adequadamente o Auto, bem como comprove a participação direta e consciente daquele que detém poder de representação no ato evasivo. A atribuição de responsabilidade tributária não constitui expediente que possa ser utilizado “por atacado” ou “no modo automático”, uma vez que tal instituto exige a comprovação de que os fatos ou atos que geraram o descumprimento de normas tributárias tenham sido praticados conscientemente (isto é, com dolo) pela pessoa qualificada como responsável. A propósito, já foi consolidado pelo STJ que o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente (Súmula 430), em sentido oposto ao que caminhou a autoridade fiscal responsável pelo lançamento. Isso significa dizer que a mera qualificação de sócia ou administradora, por si só, não poderia ter ensejado responsabilidade pessoal. Diferentemente é a situação do sócio Evandro Franco de Almeida, para quem houve devida motivação e correto enquadramento na qualidade de solidário, afinal: declaração de contador aponta que ele seria sócio de fato da Braschon; essa informação é confirmada pelo representante da empresa fornecedora Dievo Distribuição, que inclusive informa que ele seria a pessoa responsável pelas compras; Fl. 2658DF CARF MF 8 há identidade de controle da empresa autuada (Saferpak) e Braschon, afinal restou demonstrado que declarações fiscais eram enviadas do mesmo computador e praticamente em conjunto; Saferpak distribuía altas quantias para empresa inativa, que repassava para sua empresa de fato (Braschon); Braschon assumia despesas de Saferpak; e Saferpack não respondeu nenhuma intimação, ao passo que Braschon nada recolheu de tributos. Segundo penso, todos esses indícios convergem para a conclusão de que o sócio Sr. Evandro participou ativamente na estrutura que levou a sonegação de tributos federais, fato este que revela conduta dolosa apta a ensejar a responsabilidade solidária em questão. Diante do exposto, ACOLHO parcialmente os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para manter apenas a responsabilidade solidária do sócio Sr. EVANDRO FRANCO DE ALMEIDA. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2659DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914242/2009-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
DCOMP. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO
Comprovada a disponibilidade parcial do crédito, é de se homologar as compensações até o limite do direito reconhecido.
Numero da decisão: 1003-000.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer como crédito de saldo negativo de IRPJ do 1° trimestre de 2004 o valor de R$ 35.720,10, com o retorno dos autos à unidade de origem para compensação dos débitos informados nas PER/DCOMPs até o limite do crédito aqui reconhecido.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Comprovada a disponibilidade parcial do crédito, é de se homologar as compensações até o limite do direito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer como crédito de saldo negativo de IRPJ do 1° trimestre de 2004 o valor de R$ 35.720,10, com o retorno dos autos à unidade de origem para compensação dos débitos informados nas PER/DCOMPs até o limite do crédito aqui reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 42 42 /2 00 9- 14 Fl. 277DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 0650.291, de 27 de novembro de 2014, da 2ª Turma da DRJ/CTA, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte. A Recorrente formalizou os Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 25389.24768.290405.1.3.028740, 02951.99430.120708.1.7.025440, 27298.30051.110708.1.7.025847, e 41892.48199.140708.1.7.029102, efls. 220, utilizandose do crédito relativo a saldo negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao 1° trimestre de 2004, para compensação dos débitos ali confessados. As compensações pleiteadas não foram homologadas pela DERAT/São Paulo por não ter sido apurado saldo negativo na DIPJ e sim imposto a pagar (fl. 11): Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, julgada pela DRJ/CTA, cujo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RETENÇÕES DE FONTE. RECONHECIMENTO PROPORCIONAL ÀS RECEITAS DECLARADAS. Reformase a decisão que não homologou a compensação, com crédito de saldo negativo de IRPJ, quando restam comprovadas as retenções, as quais devem ser aceitas em valor proporcional às receitas oferecidas à tributação, devendo a cobrança permanecer quanto aos saldos de débitos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Outros Valores Controlados A DRJ/CTA verificou que a Recorrente encaminhou DIPJ retificadoras, antes da emissão do Despacho Decisório. A informação que constava na última DIPJ ativa foi a seguinte: IRPJ (15%) ................................................R$ 21.724,60 Adicional...................................................R$ 8.483,07 ()imposto de renda retido na fonte...........R$ 88.851,81 (=) IRPJ a pagar ..................................... R$ 58.644,14 Analisando a linha 24 da Ficha 06A da DIPJ/2005, a DRJ verificou que o contribuinte informou receitas financeiras no total de R$ 215.181,86. A DRJ também verificou, com base nos comprovantes de rendimentos e nas DIRFs que a alíquota utilizada foi de 20% e concluiu que os rendimentos correspondentes as retenções totalizavam R$ 43.036,36, que seria o total que poderia reconhecido na apuração do IRPJ. Dessa forma concluiu que o crédito de saldo negativo de IRPJ do primeiro trimestre de 2004 que poderia ser reconhecido seria de R$ 12.828,69, conforme demonstrativo abaixo: Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10880.914242/200914 Acórdão n.º 1003000.655 S1C0T3 Fl. 278 3 IRPJ (15%)................................................... R$ 21.724,60 Adicional.......................................................R$ 8.483,07 ()imposto de renda retido na fonte R$ 43.036,36 (=) IRPJ a pagar.......................................... R$ 12.828,69 Cientificada do acórdão em 10/06/2015 (efl. 257), irresignada a Recorrente apresentou recurso voluntário em 08/07/2015 (efls. 259264), no qual alega o seguinte: Que a Turma julgadora analisou apenas parte da documentação anexada, contudo, segundo a Recorrente, os comprovantes de rendimentos anexados em sede de manifestação de inconformidade demonstrariam a origem das deduções do IRPJ de todo o montante objeto do pedido de compensação; Que se existe montante superior oferecido a tributação, o crédito dever ser reconhecido na mesma proporção, sob pena de enriquecimento do fisco; Que, se ocorreu erro do contribuinte, este seria escusável, havendo que ser considerado o crédito apontado, e lembrou que cumpriu com adequações nas obrigações acessórias em tempo oportuno; Que o "erro escusável do contribuinte, foi sanado, ainda no prazo da manifestação de inconformidade, anexando tais documentos retificados, o que deveria ter sido conhecido também para quitação integral do 3° trimestre de 2005, código 0220, constante na PER/DCOMP no. 02951.99430.120708.1.02.5440e saldo integral do 3° trimestre de 2005, código 6012, objeto das PER/DCOMPs números 41892.48199.140708.1.7.029102 e 15093.95370.140708.1.3.020295." Por fim requereu seja acatado o recurvo interposto, para reconhecimento integral do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. De fato, na DIPJ retificadora do exercício 2005, consta na linha 24 da Ficha 06A, o valor de R$ 215.181,86 (efl. 73) para receitas financeiras do 1° trimestre de 2004. A controvérsia cingese na aceitação da totalidade ou não das retenções de fonte que constam nos documentos juntados pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade. A DRJ aceitou o crédito de imposto retido na fonte proporcional a 20% do total de rendimentos que teriam sido oferecidos a tributação. Fl. 279DF CARF MF 4 Compulsandose os autos verificase as seguintes retenções, relativos ao 1° trimestre de 2004, informados em DIRF pelas fontes pagadoras, nas quais consta a Recorrente como beneficiária do pagamento: Fonte Pagadora Período Código de Receita Rendimento Tributável Imposto Retido e.fl 60.746.948/000112 (*1) Jan/2004 6800 7.140,65 1.428,13 218 60.746.948/000112 (*1) Fev/2004 6800 4.792,04 958,40 218 60.746.948/000112 (*1) Mar/2004 6800 6.625,52 1.325,10 218 60.746.948/000112 (*2) Jan/2004 6800 7.121,89 1.424,37 219 60.746.948/000112 (*2) Fev/2004 6800 4.732,01 946,39 219 60.746.948/000112 (*2) Mar/2004 6800 6.006,22 1.201,24 219 58.160.789/000128 Jan/2004 3426 119.699,45 23.939,89 220 58.160.789/000128 Fev/2004 3426 693,46 138,69 220 58.160.789/000128 Mar/2004 3426 166.236,00 33.247,20 220 58.160.789/0001/28 (*3) Jan/2004 6800 251,49 50,29 222 58.160.789/0001/28 (*3) Fev/2004 6800 2.648,82 529,76 222 58.160.789/0001/28 (*3) Mar/2004 6800 2.710,44 542,08 222 58.160.789/0001/28 (*4) Jan/2004 6800 0,00 0,00 223 58.160.789/0001/28 (*4) Fev/2004 6800 953,64 190,72 223 58.160.789/0001/28 (*4) Mar/2004 6800 27,58 5,51 223 Total 329.639,21 65.927,77 (*1) Fundo 05.629.888/000140 (*2) Fundo 05.629.893/000152 (*3) Fundo 04.345.338/000136 (*4) Fundo 05.513.214/000185 Friseque a Recorrente acostou aos autos DIRF emitida pelo banco Safra e Safra Corretora de Valores (efl.47) que não foi considerada, tendo em vista que é relativo a retenções do período de 01/01/2003 a 31/03/2003, portanto não relacionados ao período dos créditos de saldo negativo em análise (1° trimestre de 2004). Dessa forma o saldo de IRPJ a pagar relativo ao 1° trimestre de 2004 será o seguinte: Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10880.914242/200914 Acórdão n.º 1003000.655 S1C0T3 Fl. 279 5 IRPJ (15%).................................................... R$ 21.724,60 Adicional.......................................................R$ 8.483,07 ()imposto de renda retido na fonte R$ 65.927,77 (=) IRPJ a pagar...........................................R$ 35.720,10 Isso posto, voto em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para determinar a reforma do acórdão a quo, reconhecendo como crédito de saldo negativo de IRPJ do 1° trimestre de 2004 o valor de R$ 35.720,10, com o retorno dos autos à unidade de origem para compensação dos débitos informados nas PER/DCOMPs até o limite do crédito aqui reconhecido. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.906404/2009-16
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da PER/DCOMP restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1003-000.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da PER/DCOMP restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
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DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da PER/DCOMP restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 64 04 /2 00 9- 16 Fl. 119DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão 0235.581, de 19 de outubro de 2011, da 3ª Turma da DRJ/BHE, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 41745.23398.300908.1.3.04 0709, em 30/09/2008, efls. 26, utilizandose do crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 5993, determinado sobre a base de cálculo estimada mensal relativa ao mês de junho do anocalendário de 2008 no valor de R$ 160.085,59 para compensação dos débitos ali confessados. O Despacho Decisório Eletrônico, efl. 6, concluiu pelo indeferimento do pedido nos seguintes termos: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 19,880,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN5 e art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Irresignada a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, requerendo a compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento a maior, alegando que: Constatado o equívoco a Recorrente retificou a DCTF, informando nos dados iniciais a apuração do IRPJ através do balanço de suspensão e redução e redução do IRPJ, cujo valor a recolher pode ser comprovado na DIPJ ano base 2008, exercício 2009; A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13603.906404/200916 Acórdão n.º 1003000.561 S1C0T3 Fl. 3 3 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a título de estimativa mensal,somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período, nos termos do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Para justificar o não reconhecimento do direito creditório reproduzo, por economia processual, os argumentos informados pela DRJ: Dito isso, notese que o despacho decisório concluiu pela inexistência do crédito em razão de a interessada, em DCTF retificadora entregue em 11/02/2009 (ainda ativa), ter vinculado tal pagamento a débito de mesmo valor. A propósito, o campo "Balanço de Redução" não foi ali assinalado, o que indica opção pelo pagamento do imposto pela base de cálculo estimada (fls. 92). Mas, em 16/10/2009, após a emissão do despacho decisório, a interessada entregou DIPJ original (ainda ativa), informando, na linha 12 da “Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa”, relativamente ao mês de junho de 2008, o valor de R$ 140.205,60 a título de “imposto de renda a pagar”. Aqui também se indicou a determinação da base de cálculo do imposto “com base na receita bruta e acréscimos” (fls. 22). Vêse que o pagamento (R$ 160.085,59) excedeu o débito declarado na DIPJ (R$ 140.205,60) em R$ 19.879,99, sendo este o crédito informado na DCOMP. Ocorre que não foram apresentados documentos comprobatórios da ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF, como, por exemplo, cópias autenticadas das páginas dos livros contábeis e fiscais relacionados à apuração do imposto mensal. Vale dizer, não se desincumbiu a interessada do ônus que lhe competia de provar a liquidez e certeza do crédito pretendido, nos termos do art. 333, I, do Código de Processo Civil e do art. 170 do Código Tributário Nacional. E arremata: E ainda que se admitisse, apenas por hipótese, a existência do pagamento indevido, caberia ponderar que, em 30/09/2008, data de transmissão da DCOMP, tal crédito não seria passível de compensação. É que então vigia o art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, segundo o qual a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuasse pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor pago na Fl. 121DF CARF MF 4 dedução do devido ao final do anocalendário em que houve o pagamento ou para compor o saldo negativo do período. Inconformada, a Recorrente alega, que a vedação quanto ao aproveitamento do crédito contida no art.10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 seria ilegal, pois teria inovado ao prever condições não previstas no CTN ou na Lei 9.430/96, e que por derradeiro essa ilegalidade teria ficado mais clara, com a edição da Instrução Normativa 900/08, que já não previa em seu texto a vedação referida. Requer a reforma do acórdão 0235.581 pra fins de reconhecimento do crédito declarado na Per/DCOMP 41745.23398.300908.1.3.040709. É o relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator. No Despacho Decisório a compensação foi indeferida pois naquela data os pagamentos foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (efl. 7). Na decisão de primeira instância de julgamento, a DRJ entendeu que não foram apresentados documentos comprobatórios de ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF, isto é, a Recorrente não conseguiu comprovar a liquidez e a certeza do crédito pretendido, nos termos do art. 333, I, do Código de Processo Civil e do art. 170 do CTN. Verifico que de fato a Recorrente não logrou comprovar o erro de preenchimento alegado. Ademais a DIPJ com o valor apurado de IRPJ a pagar da competência junho/2008, que foi a base para informar a diferença a maior do crédito tributário recolhido, só foi encaminhada em 16/10/2009, após a Recorrente ter tomado ciência do despacho decisório. A DRJ também entende que mesmo se a Recorrente tivesse direito ao indébito, tal crédito não seria passível de compensação, pela vedação contida no o art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Quanto a possibilidade de compensação, o pedido da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa” (Súmula CARF nº 84). Contudo, a reforma do acórdão a quo, não implica o reconhecimento implícito do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13603.906404/200916 Acórdão n.º 1003000.561 S1C0T3 Fl. 4 5 comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Dessa forma, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.724066/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2007, 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
A apuração de CIDE apenas com base nos recolhimentos do IRRF sobre remessas ao exterior constitui causa de nulidade do auto de infração, por ausência de motivação, caracterizando-se o vício material.
Embargos Acolhidos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-005.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração formulados pela Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e declarar a nulidade do auto de infração por vício material.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2007, 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A apuração de CIDE apenas com base nos recolhimentos do IRRF sobre remessas ao exterior constitui causa de nulidade do auto de infração, por ausência de motivação, caracterizando-se o vício material. Embargos Acolhidos, sem efeitos infringentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1628; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.661 1 2.660 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.724066/201180 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301005.952 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO QUALIFICAÇÃO DO VÍCIO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado LTC LIVROS TÉCNICOS E CIENTÍFICOS EDITORA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007, 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A apuração de CIDE apenas com base nos recolhimentos do IRRF sobre remessas ao exterior constitui causa de nulidade do auto de infração, por ausência de motivação, caracterizandose o vício material. Embargos Acolhidos, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração formulados pela Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e declarar a nulidade do auto de infração por vício material. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 40 66 /2 01 1- 80 Fl. 2661DF CARF MF Processo nº 12448.724066/201180 Acórdão n.º 3301005.952 S3C3T1 Fl. 2.662 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3301004.761, sob o pressuposto regimental da omissão. O acórdão embargado foi assim ementado: NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. CONSTRUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. É nulo o auto de infração com ausência de comprovação da construção da base de cálculo, pressuposto obrigatório de validade do lançamento por conferir certeza e liquidez ao tributo exigido. Recurso Voluntário Provido. Segundo a Embargante, houve omissão no julgado, porquanto o colegiado cancelou o lançamento, mas não declinou a natureza desse vício, se material ou formal. Os Embargos foram acolhidos pelo Ilustre Presidente desta Turma, nos seguintes termos (efls. 26502651): O art. 65 do RICARF estabelece que cabe o manejo dos embargos de declaração quando houver omissão, contradição, obscuridade ou omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado. (...) Entretanto, a ilustre relatora deixou de explicitar se a nulidade decorria de vício formal ou material. O antigo presidente da extinta Turma 3403 rejeitava o tipo de embargo ora analisado porque considerava que não era função do colegiado explicitar o tipo de vício que rendeu ensejo à nulidade. Entretanto, a questão foi levada à Câmara Superior de Recursos Fiscais, que ao julgar o Acórdão nº 9303003.851, decidiu que é competência dos colegiados do CARF decidirem a natureza do vício que rende ensejo à nulidade, in verbis: (...) Desse modo, valhome do art. 65, § 7º do RICARF, para restituir o processo à ilustre redatora designada, Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, a fim de que coloque o processo em pauta de julgamento com proposta de saneamento da omissão apontada (apontar a natureza do vício que rendeu ensejo à declaração de nulidade do lançamento). Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 12448.724066/201180 Acórdão n.º 3301005.952 S3C3T1 Fl. 2.663 3 É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Os presentes Embargos de Declaração foram admitidos, nos termos do despacho proferido pelo Ilustre Presidente, nas efls. 26502651. No julgamento do recurso voluntário, esta 1ª Turma Ordinária entendeu que houve vício no auto de infração, ensejando a nulidade do mesmo em razão da impossibilidade de o Fisco apurar a CIDE apenas com base nos recolhimentos do IRRF sobre remessas ao exterior. Ficou claro no acórdão embargado que a exigência de CIDE em questão não é líquida e certa, por ausência de correta investigação da efetiva ocorrência do fato jurídico tributário e quantificação de sua base de cálculo. Observese os trechos do voto condutor: Aponta a fiscalização que o contribuinte preencheu o documento de arrecadação relativo ao imposto de renda na fonte sob o código "0422", referente a operações de: O código de DARF 0422, conforme o Mafon, referese a rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior (Royalties e pagamento de assistência técnica), cujo fato gerador são as importâncias pagas, remetidas, creditadas, empregadas ou entregues a residentes ou domiciliados no exterior, por fonte localizada no Brasil, a título de, entre outros: pagamento de royalties e remuneração de serviços técnicos, de assistência técnica, de assistência administrativa e semelhantes. (RIR/99, art. 708 e 710; MP n° 2.159/70, de 2001, art. 3°). A partir dos contratos de câmbio e dos recolhimentos do IRRF cód. 0422 correspondentes, foi elaborada planilha demonstrativa dos valores da CIDE incidente não declarada nem recolhida no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. Entendeu a autoridade fiscal, por conseguinte, que as remessas sob o código "0422" estão no campo de incidência da CIDE, nos termos do art. 2° da Lei n° 10.168/2000. Discordo de tal simplória correlação, porquanto entendo imprescindível que a autoridade fiscal tivesse investigado a natureza das operações que deram origem às remessas, para dessa forma, demonstrar corretamente a composição da base de cálculo da CIDE. Não há como se afirmar que, se o contribuinte registrou nos recolhimentos via DARF o código de arrecadação "0422", então todas as remessas ao exterior a que se referem estão sujeitas, Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 12448.724066/201180 Acórdão n.º 3301005.952 S3C3T1 Fl. 2.664 4 necessariamente, à incidência da CIDE nos termos do art. 2o da Lei n° 10.168/2000. Por conseguinte, considerando a análise dos Termo de Verificação Fiscal, do Auto de Infração e do que mais consta nos autos não há como se concluir com segurança quais valores compuseram a base de cálculo da CIDE. É imperioso reconhecer que a falta de demonstração da apuração da base de cálculo de um tributo fere o disposto no art. 142 do CTN e nos art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72. É ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Os autos de infração devem estar acompanhados de demonstrativos analíticos da composição dos valores em cobrança, que justifiquem o total de tributo devido e não recolhido, bem como a documentação contábil e fiscal que dê suporte a essa composição. Logo, a exigência em questão não é líquida e certa. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para anular o auto de infração. A motivação do lançamento envolve a fundamentação jurídica e seus pressupostos de fato e de direito. Pressuposto de fato é a ocorrência do fato no mundo fenomênico, ao passo que pressuposto de direito é a norma jurídica específica aplicável para aquele fato. Logo, a ausência de motivação acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. Nesse sentido: Acórdão n° 9303004.583, Relator Rodrigo da Costa Pôssas AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão n° 3301004.178, Relatora Semíramis de Oliveira Duro AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A ausência da descrição completa dos motivos que levaram a autoridade fiscal a lavrar o lançamento constitui causa de nulidade, caracterizandose como vício material. Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 12448.724066/201180 Acórdão n.º 3301005.952 S3C3T1 Fl. 2.665 5 Portanto, a ausência de motivação macula a própria substância do fato tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal do lançamento. Conclusão Do exposto, voto por acolher os embargos de declaração formulados pela Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e declarar a nulidade do auto de infração por vício material. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2665DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.959033/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/03/2010
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/03/2010 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 90 33 /2 01 3- 86 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.959033/201386 Acórdão n.º 3301005.936 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarado pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/RPO, no acórdão n° 14052.952, negou provimento ao apelo.. Em recurso voluntário, aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.959033/201386 Acórdão n.º 3301005.936 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.922, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900868/201419, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.922): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur do IPI, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.959033/201386 Acórdão n.º 3301005.936 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar o IPI pago. Dessa forma, não há como se afirmar qual ou quais valores integraram a base de cálculo do IPI ao arrepio do art. 47 do CTN. Em pedido de sua iniciativa, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo do IPI; b) Sustentar o indébito no livro de apuração do IPI e em notas fiscais; c) Exibir DIPJ, DCTF original e DARF e demais livros fiscais. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito: CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.959033/201386 Acórdão n.º 3301005.936 S3C3T1 Fl. 6 5 I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900721/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Pedido de Restituição de crédito de contribuição não cumulativa, relativamente a alegado pagamento, transmitido através do PER/Dcomp. O referido pleito foi indeferido por despacho decisório eletrônico, sob o seguinte fundamento: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório no fato de que as receitas auferidas pela contribuinte seriam referentes a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 72 1/ 20 12 -5 9 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.900721/201259 Resolução nº 3402001.956 S3C4T2 Fl. 3 2 serviços prestados para empresa residente no exterior, e, portanto, estariam fora do campo de incidência do PIS e da Cofins, nos termos do inciso I, §1º do art. 149 da Constituição Federal ou do inciso II do art. 6º da lei nº 10.833/2003. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: A nota fiscal juntada não comprova uma transação internacional, já que nas operações comerciais com partes domiciliadas no exterior, o documento comprobatório é a fatura/invoice. Nos contratos de câmbio apresentados, não há qualquer referência a fatura ou nota fiscal. A interessada não retificou a DCTF, e mesmo que o tivesse feito, a mera retificação não poderia ser aceita como prova. A fim de comprovar a efetiva prestação de serviços para o exterior, ela deveria ter apresentado: fatura de prestação de serviços no exterior (commercial invoice), contrato de prestação de serviços firmado entre ele e a empresa, livros fiscais e contábeis que discriminassem as receitas auferidas pelo contribuinte e os pagamentos recebidos. Cientificada dessa decisão, a interessada apresentou recurso voluntário, repisando que o pagamento foi indevido eis que se trataria de efetiva exportação de serviços, sujeita à imunidade/não incidência das contribuições ao PIS e da Cofins. A fim de esclarecer qualquer dúvida acerca da contratação envolvida, a recorrente acostou o contrato de prestação de serviço, bem como todos os extratos bancários dos períodos objeto dos pedidos de restituição. Subsidiariamente, requereu a recorrente a conversão do julgamento em diligência para que fossem apresentados os documentos julgados necessários à comprovação da prestação do serviço e pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.939, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900705/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.939): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Não obstante a recorrente não tenha retificado a DCTF relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido, este CARF tem entendido que: "Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.900721/201259 Resolução nº 3402001.956 S3C4T2 Fl. 4 3 por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado" (Acórdão nº 3301005.595, de 13 de dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior). Nos termos do art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/761, a recorrente apresentou o contrato de prestação de serviço com a empresa estrangeira reclamado na decisão recorrida e comprovantes dos pagamentos correspondentes. Esses documentos, juntamente com outros que constam nos autos, podem representar um indício de que as receitas tributadas seriam decorrentes de "serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas"; e, consequentemente, estariam beneficiadas pela isenção das contribuições de PIS/Cofins, nos termos do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835 ou do art. 6º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 e do art. 5º, inciso II da Lei nº 10.637/2002. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do CARF tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da documentação acostada. Ademais, a fiscalização pode, caso entenda necessário, proceder ao exame de livros de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes de lançamentos neles efetuados, bem como efetuar intimações à recorrente para apresentação de esclarecimentos e documentos, no intuito de apurar se efetivamente houve erro na DCTF transmitida para o período e o alegado pagamento indevido decorrente da isenção das receitas tributadas. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.900721/201259 Resolução nº 3402001.956 S3C4T2 Fl. 5 4 comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 107DF CARF MF
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