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Numero do processo: 10530.001352/2003-07
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
LIVROS CONTÁBEIS.COMPROVAÇÃO DE RECEITA BRUTA.
Cópias de livros contábeis acostadas aos autos, quando não informam de forma exata e absolutamente legível os valores alegados pela contribuinte, não são hábeis para comprovar suas alegações.
Numero da decisão: 1003-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 LIVROS CONTÁBEIS.COMPROVAÇÃO DE RECEITA BRUTA. Cópias de livros contábeis acostadas aos autos, quando não informam de forma exata e absolutamente legível os valores alegados pela contribuinte, não são hábeis para comprovar suas alegações.
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score : 1.0
Numero do processo: 10950.723016/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
ACÓRDÃO DRJ. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE OBJETO AUTÔNOMO DE JURISDIÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. NULIDADE PARCIAL. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR.
A carência de manifestação expressa em decisão administrativa sobre objeto autônomo e individual de jurisdição administrativa (Ato Declaratório Executivo de exclusão de contribuinte do SIMPLES Nacional), configura nulidade parcial.
Deve retornar o processo à Instância a quo para a prolatação de decisão complementar, suprindo tal nulidade instrumental, conferindo a devolução do prazo recursal ao contribuinte, retomando-se, posteriormente, o curso natural do feito.
Numero da decisão: 1402-003.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, reconhecer a nulidade parcial do Acórdão recorrido e determinar seja prolatada decisão complementar unicamente em relação ao Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado) e Evandro Correa Dias. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 ACÓRDÃO DRJ. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE OBJETO AUTÔNOMO DE JURISDIÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. NULIDADE PARCIAL. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR. A carência de manifestação expressa em decisão administrativa sobre objeto autônomo e individual de jurisdição administrativa (Ato Declaratório Executivo de exclusão de contribuinte do SIMPLES Nacional), configura nulidade parcial. Deve retornar o processo à Instância a quo para a prolatação de decisão complementar, suprindo tal nulidade instrumental, conferindo a devolução do prazo recursal ao contribuinte, retomando-se, posteriormente, o curso natural do feito.
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AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE OBJETO AUTÔNOMO DE JURISDIÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. NULIDADE PARCIAL. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR. A carência de manifestação expressa em decisão administrativa sobre objeto autônomo e individual de jurisdição administrativa (Ato Declaratório Executivo de exclusão de contribuinte do SIMPLES Nacional), configura nulidade parcial. Deve retornar o processo à Instância a quo para a prolatação de decisão complementar, suprindo tal nulidade instrumental, conferindo a devolução do prazo recursal ao contribuinte, retomandose, posteriormente, o curso natural do feito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, reconhecer a nulidade parcial do Acórdão recorrido e determinar seja prolatada decisão complementar unicamente em relação ao Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado) e Evandro Correa Dias. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 30 16 /2 01 4- 12 Fl. 684DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10950.723016/201412 Acórdão n.º 1402003.419 S1C4T2 Fl. 685 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 638 a 681) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/SP (fls. 616 a 627) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 558 a 586), mantendo integralmente a Autuação sofrida pela Recorrente (fls. 443 a 556). No período colhido, a Contribuinte era optante pelo SIMPLES Nacional, exigindose no presente feito créditos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, Contribuição Patronal Previdenciária, IPI e ICMS, referentes ao anocalendário de 2010, acrescidos de multa de ofício na monta de 75%, sob a acusação fiscal de omissão de receitas, diante da constatação da existência de depósitos bancários não informados em Declaração, cuja origem e natureza também não foram comprovadas, com arrimo legal no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Também foi apurada a infração de insuficiência de recolhimentos, em razão de diferencial de alíquotas. Em face de tal infração, foi determinada a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional a partir de 1º de janeiro de 2011 (exercício seguinte ao do presente lançamento de ofício), vez que apurado o extrapolamento do limite da receita bruta, nos termos da Lei nº 123/2006 (fls. 442). Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Trata o presente processo de lavratura de auto de infração relativo ao Simples Nacional, do anocalendário de 2010. Do Termo de Verificação Fiscal Segundo o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 547/556, em 09/01/2013 a empresa foi cientificada do início do procedimento fiscal, determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0910500201200304. No Termo de Início de Procedimento Fiscal, é solicitada à empresa a apresentação dos extratos bancários de todas suas contas correntes, de poupança e de investimentos movimentadas no período de 01/2010 a 12/2011. Como nenhum extrato bancário foi entregue pelo sujeito passivo e pelo fato dele ter afirmado não ter condições de obtêlos, foi solicitada a emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) destinada aos bancos em que a empresa possuía conta, relativamente ao período de 01/2010 a 12/2011. Fl. 686DF CARF MF 4 Após análise dos extratos bancários enviados pelas instituições financeiras, a empresa foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações de crédito em contacorrente, assim como indicar e comprovar, dentre os créditos listados pela fiscalização, as transferências interbancárias (entre contas da mesma titularidade), empréstimos contraídos, apontar cheques devolvidos e outros estornos de créditos ocorridos nos períodos sob fiscalização. As justificativas apresentadas foram analisadas e os créditos justificados foram retirados dos demonstrativos de créditos não comprovados. Já os valores não justificados foram comparados com as Receitas declaradas pela empresa nas DASNs – Declarações Anuais do Simples Nacional dos anos de 2010 e 2011, onde ficou evidenciado que os valores declarados eram muito inferiores aos valores movimentados pela empresa nas instituições financeiras em que mantinha contas correntes. Em 2010 a empresa estava sujeita à sistemática do Simples Nacional, mas o total de seu faturamento, considerando a receita bruta declarada mais a omitida, foi de R$ 6.121.097,58. Como este valor excedia o limite anual de receita admitida no Simples Nacional, que era de R$ 2.400.000,00, a DRF/Maringá/PR expediu o Ato Declaratório Executivo nº 19, em 28/04/2014, determinando sua exclusão desta sistemática de tributação com efeitos a partir de 01/01/2011 (fls. 442). A diferença entre os valores declarados pela empresa para a Receita Federal e os valores relacionados nos demonstrativos de créditos não comprovados, no valor de R$ 5.673.490,78, sujeitaramse à tributação, considerados como omissão de receita proveniente de depósitos bancários, conforme art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e artigo 287 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999). Do procedimento fiscal resultou o lançamento dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 73.651,49; à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 73.651,49; Contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$51.947,70; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 218.668,49; Contribuição Patronal Previdenciária INSS/CPP no valor de R$ 627.857,30, ICMS no valor de R$ 459.482,32 e Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 67.573,23, apurados pela Sistemática do Simples Nacional, referentes ao anocalendário de 2010, aí incluído o principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 06/2014, perfazendo um total de R$ 1.572.832,02 (um milhão, quinhentos e setenta e dois mil, oitocentos e trinta e dois reais e dois centavos). As infrações apuradas pela fiscalização consistiram em: omissão de receitas e insuficiência de recolhimento. A ciência dos Autos de Infração – Simples Nacional deuse em 10/06/2014 ( fls. 546). Da impugnação Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10950.723016/201412 Acórdão n.º 1402003.419 S1C4T2 Fl. 686 5 Em 09/07/2014, o interessado apresentou a impugnação de fls. 558/581, na qual alega, em síntese: 1 a tempestividade da mesma; 2 em preliminar: a nulidade do auto de infração pela quebra de sigilo bancário indevido pelo fisco – afronta ao inciso XII do art. 5º da Constituição Federal: o Setor de Planejamento da Delegacia da Receita Federal quebrou o sigilo bancário do contribuinte de forma ilegal, sem qualquer ordem judicial, e somente depois de analisar as contas bancárias da empresa é que determinou que tivesse início o procedimento de Auditoria. Discorre sobre a quebra do sigilo bancário e que o presente auto de infração possui nulidade insanável, pois sua atuação se deu com base em violação direta a dispositivo constitucional. Refere se ao Recurso Extraordinário nº 389808 de relatoria do Ministro Marco Aurélio de Melo que trata da inviolabilidade do sigilo de dados. Sustenta que os extratos bancários fornecidos sem ordem judicial constituem prova ilícita, desprovidas de validade jurídica, devendo ser anulado os autos de infração; b do princípio da verdade material: o auto de infração está fundado com base em indícios. Não houve, por parte do Auditor uma detalhada verificação para ver se os créditos bancários eram faturamento ou empréstimos e transferências entre as contas bancárias de titularidade da própria empresa fiscalizada. A Receita Federal ao permitir que uma empresa seja autuada com base em indícios e sem a devida e rigorosa atividade fiscalizatória age em afronta aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e da verdade material. Referese ao artigo 59, II do Decreto nº 70.235/1972; e c do erro na construção do lançamento: não foi observado o disposto no artigo 288 do Decreto nº 3.000/1999, ou seja, o regime de tributação a que estava submetida a empresa no período de apuração, ensejando a nulidade do lançamento. 3 do mérito: a presunção de omissão de receita baseada em extratos bancários – ilegitimidade – súmula 182 do TRF (sic) Extinto Tribunal de Recursos Fiscais: os depósitos não são e nunca foram indicativos suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receita. A simples movimentação bancária do contribuinte, a despeito de ser indicativo do aporte de valores, não reflete, necessariamente, a existência de acréscimo patrimonial ou de faturamento a justificar a tributação. É imprescindível a comprovação pelo fisco da utilização desses valores depositados como renda consumida ou faturamento, que não pode ter como único fundamento a existência de depósitos bancários. Dessa forma, cabe ao fisco o ônus probatório da infração, conforme Súmula 182 do Tribunal de Recursos Fiscais (sic); Fl. 688DF CARF MF 6 b das operações financeiras: muitos dos valores que a Receita Federal atribui como receita são apenas transferências entre as contas bancárias de titularidade da própria empresa, mecanismo utilizado pelas empresas para cobrir saldos negativos de determinada conta bancária, com vistas a manter o equilíbrio entre as contas da empresa e evitar o pagamento de juros no caso de saldos negativos. Requer seja o Auto de Infração corrigido, excluindo dele os valores referentes a empréstimos e transferência entre as contas da empresa contribuinte; c da exclusão dos valores pagos: caso subsista a presente autuação, requer sejam excluídas dos valores cobrados os tributos já recolhidos pela empresa pelo Simples Nacional referente ao anocalendário de 2010; d da multa confiscatória: a administração pública, no cumprimento de sua atividade fiscalizatória, deve evitar a aplicação de multas que caracterizem confisco ao patrimônio dos cidadãos. Aplicar uma multa de 75% sobre a totalidade do débito tributário é evidentemente uma conduta confiscatória. Requer sejam as mesmas readequadas ao patamar não superior a 10%; e da prova pericial: considerando a grande quantidade de movimentação financeira a ser comprovada e o grau de dificuldade para realizar um serviço como este, solicita a produção de prova pericial para comprovar que se trata de transferência entre as contas bancárias da própria empresa, o que diminuirá consideravelmente o valor do débito tributário. Atendendo ao artigo 16, IV do Decreto nº 70.235/1972 justifica a necessidade da perícia como sendo importante o trabalho de um contador para analisar e detalhar as movimentações financeiras exigidas no Termo de Intimação Fiscal nº 01 e indica a perita técnica em contabilidade – CRC 214790PR, Virgínia Santana, com endereço na Rua Ver. Basílio Sautchuk, nº 356, Zona 01, Maringá – PR, 87013190. Ao final, requer seja (a) decretada a nulidade do auto de infração em função da quebra do sigilo bancário não ter sido determinado por ordem judicial; (b) caso nãoacolhida a primeira preliminar, que sejam declarados nulos o Auto de Infração e o ADE nº 19/2014 tendo em vista a ofensa ao princípio da verdade material; (c) caso não acolhidas as duas preliminares acima, que sejam declarados nulos o Auto de Infração e o ADE nº 19/2014 por violar o artigo 288 do Decreto nº 3.000/1999; (d) no mérito, declarar insubsistente o Auto de Infração lavrado, dado que a presunção de omissão de receita se deu apenas com base na análise dos extratos bancários da empresa, os quais, por si só, não comprovam a omissão de receita: (e) caso não seja este o entendimento, que seja o Auto de Infração corrigido, excluindo dele os valores referentes a empréstimos e a transferência entre as contas da empresa contribuinte; (f) caso ainda subsista a autuação, que sejam excluídas dos valores cobrados na presente autuação os tributos já recolhidos pelo regime do Simples Nacional; (g) que as multas sejam readequadas ao patamar de 10%; e (h) seja admitida a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a prova pericial. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10950.723016/201412 Acórdão n.º 1402003.419 S1C4T2 Fl. 687 7 É o relatório. Processada a Defesa, foi proferido pela 6ª Turma da DRJ/POA o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o lançamento de ofício procedido: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito à autoridade fiscal examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES IRPJ CSLL COFINS PIS CPP ICMS IPI. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála amparada em demonstração com base em oferta de provas hábeis e idôneas, descabendo solicitar ao fisco que supra aquilo que deixou de juntar à peça de defesa. A omissão de receitas autoriza o lançamento dos impostos e contribuições correspondentes e somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. A produção de provas deve obedecer às disposições da legislação que rege o processo administrativo fiscal, não podendo ser conhecido o pedido genericamente formulado. Indeferese o pedido de perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador. MULTA Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. A multa aplicada nos estritos limites previstos em lei não viola os Fl. 690DF CARF MF 8 princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e não caracteriza confisco, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a sua aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação em relação à improcedência das exações, apontando as razões de reforma da r. decisão da DRJ. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10950.723016/201412 Acórdão n.º 1402003.419 S1C4T2 Fl. 688 9 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Antes de iniciar a apreciação do Apelo da Recorrente, verificase, de ofício, que o v. Acórdão proferido pela DRJ a quo carrega falha jurisdicional que pode e necessita ser sanada antes do prosseguimento do feito. Conforme relatado, o presente lançamento de ofício, fundamentado em omissão de receitas, deu margem para a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional, por extrapolamento do limite da receita bruta auferida no anocalendário de 2010, nos termos do art. 29, inciso I, da Lei Complementar nº 123/2006, a partir de 1º de janeiro de 2011, como se verifica no ADE DRF Maringá/PR nº 19/2014 (fls. 442). No próprio relatório do V. Acórdão recorrido a I. Relatora menciona tal ocorrência: Em 2010 a empresa estava sujeita à sistemática do Simples Nacional, mas o total de seu faturamento, considerando a receita bruta declarada mais a omitida, foi de R$ 6.121.097,58. Como este valor excedia o limite anual de receita admitida no Simples Nacional, que era de R$ 2.400.000,00, a DRF/Maringá/PR expediu o Ato Declaratório Executivo nº 19, em 28/04/2014, determinando sua exclusão desta sistemática de tributação com efeitos a partir de 01/01/2011 (fls. 442). Ocorre que, no voto e, principalmente, na parte dispositiva de tal r. decisum nada fora mencionado sobre o referido Ato Declaratório Executivo, não havendo expressa manifestação sobre a sua correção e manutenção ou não. E não há qualquer elemento nos autos que permita presumir que tal Ato é objeto de outro processo. Fl. 692DF CARF MF 10 É fato que a Contribuinte não apresentou manifestação individual contra tal ADE e, igualmente, não combateu sua exclusão nas razões de Defesa, antes submetidas a C. 1ª Instância. Contudo, ainda que diante de aparente preclusão, o ADE ainda é objeto do presente feito, não podendo haver silêncio total quanto à sua prevalência ou não. Fica caracterizada, então, falha na abrangência jurisdicional do v. Acórdão. Frisese que a mesma C. 6ª Turma da DRJ/POA, em caso que apresentava situação processual idêntica quanto ao não confronto da exclusão do contribuinte do SIMPLES Nacional, inclusive relatado pela mesma N. Julgadora, procedeu à devida abordagem e manifestação sobre a manutenção do ADE objeto daquele outro feito (Acórdão nº 1046.229, da sessão de 11 de setembro de 2013). Claramente, tratase de natural e corriqueiro lapso, ainda que processualmente acarrete em nulidade parcial daquela v. decisão. Como inicialmente mencionado, sob pena de supressão de instância ou repetição do mesmo lapso por este Conselheiro em 2ª Instância não pode prosseguir a presente demanda sem tal reparo. Frisese que a eventual constatação prévia de preclusão da matéria não pode obstar, objetivamente, o direito ao contraditório recursal da Parte autuada em relação a este tema omisso. O debate sobre o conhecimento dessa matéria de exclusão do SIMPLES Nacional em 2ª Instância administrativa é de competência exclusiva deste E. CARF. Diante de todo o exposto, voto por reconhecer a nulidade parcial do v. Acórdão recorrido, devendo ser exarado pela C. 6ª Turma da DRJ a quo um acórdão complementar, precisa e expressamente sobre o Ato Declaratório Executivo DRF Maringá/PR nº 19/2014, que promoveu a exclusão da Recorrente do SIMPLES Nacional, a partir de 1º de janeiro de 2011. Após a devida intimação da ora Recorrente de tal novel decisum, deve serlhe devolvido o mesmo prazo de Recurso Voluntário, garantindo o pleno contraditório e a ampla defesa. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10950.723016/201412 Acórdão n.º 1402003.419 S1C4T2 Fl. 689 11 Fl. 694DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000026/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 02 6/ 20 10 -4 2 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 12571.000026/201042 Resolução nº 3301000.740 S3C3T1 Fl. 167 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 168DF CARF MF Processo nº 12571.000026/201042 Resolução nº 3301000.740 S3C3T1 Fl. 168 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.000923/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008
EMBARGOS. ERROS MATERIAIS.
Verificados erros materiais na referência à base legal de parte das infrações, cabe sua retificação via embargos.
Numero da decisão: 2202-004.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração como Embargos Inominados, acolhendo-os para fins de que se procedam as modificações no Acórdão nº 2803-002.969 propostas na conclusão do voto do relator, rerratificando-se o julgado quanto aos demais aspectos.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração como Embargos Inominados, acolhendo-os para fins de que se procedam as modificações no Acórdão nº 2803-002.969 propostas na conclusão do voto do relator, rerratificando-se o julgado quanto aos demais aspectos. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
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ERROS MATERIAIS. Verificados erros materiais na referência à base legal de parte das infrações, cabe sua retificação via embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração como Embargos Inominados, acolhendoos para fins de que se procedam as modificações no Acórdão nº 2803002.969 propostas na conclusão do voto do relator, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório A 3ª Turma Especial da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2803002.969 (efls. 399/420), dando parcial provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 09 23 /2 00 9- 72 Fl. 484DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008 AUXÍLIO EDUCAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. O auxílio ou bolsa educação direcionada aos funcionários da empresa, vinculada a sua atividade, não caracterizam remuneração, logo não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. COOPERATIVAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE SAÚDE FORNECIDO AOS EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA E SUJEIÇÃO PASSIVA. Fornecimento de plano de saúde aos empregados representam a não incidência das contribuições previdenciárias. As cooperativas de prestação de serviços médicos não são os sujeitos passivos da regra matriz de imposição tributária obtida do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, pois não podem ser qualificadas como cooperativas de trabalho. ALUGUÉIS. SALÁRIO IN NATURA. HABITUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Havendo habitualidade no recebimento de ajuda de custo para aluguel, essa parcela deve integrar o salário de contribuição, com a devida incidência de contribuição previdenciária. Precedentes do Conselho de Contribuintes e Superior Tribunal de Justiça. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. O contribuinte interpôs embargos de declaração (efls. 455/458) trazendo diversas razões que a seu ver lhes dariam respaldo, porém foi admitida como apta para tanto somente a alegação de erro material na determinação da aplicação da multa até o limite de 75%, de acordo com o respectivo Despacho de Admissibilidade (efls. 477/482). É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Dado que o contribuinte foi cientificado do acórdão de recurso voluntário em 09/12/2016 (efl. 474), constatase a tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 16/12/2016 (efl. 459). Não bastasse serem tempestivos nos termos do referido artigo, deve ser anotado que eles foram recebidos para fins de correção de erro material, atraindo a incidência do art. 66 do RICARF, o que corrobora a sua tempestividade, sob ambos os prismas. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13971.000923/200972 Acórdão n.º 2202004.765 S2C2T2 Fl. 485 3 Como relatado, os embargos do sujeito passivo foram parcialmente admitidos, para apreciação da seguinte assertiva: (...) 3. Em primeiro lugar, porque o Acórdão apresenta erro material ao determinar a aplicação da multa “até o limite de 75% que está estabelecido no art. 35A da Lei n. 8.212/1991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.430/1996”. Isso porque, como facilmente se verifica pela argumentação constante no próprio Acórdão, este pretendia se referir ao inciso I (único a prever multa de 75%), mas acabou indicando o inciso II, em decorrência de erro material (possivelmente de digitação). Sem dúvida tem razão o embargante, conforme a transcrição dos dispositivos focados revela: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Vale, por oportuno, corrigir as demais referências equivocadas feita ao inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, constantes ao final do tópico V da fundamentação, bem como na conclusão do voto do relator, as quais, versando sobre a mesma infração, tratamse também de evidentes erros materiais. Conclusão Portanto, voto no sentido de conhecer dos Embargos de Declaração como Embargos Inominados, acolhendoos para fins de que se proceda as seguintes modificações no Acórdão nº 2803002.969, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos: Seja substituído o excerto do acórdão do Colegiado onde consta redigido "b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte", pelo seguinte trecho: b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.212/1991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao contribuinte. Seja substituído o parágrafo do tópico V da fundamentação onde consta redigido "Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de Fl. 486DF CARF MF 4 75% (art.. 35A da Lei n. 8.212/1991 combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração", pelo seguinte parágrafo: Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art. 35A da Lei n. 8.212/1991 combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. Seja substituído o parágrafo do tópico VI da fundamentação onde consta redigido "b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.212/1991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao contribuinte" , pelo seguinte parágrafo: b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.212/1991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 487DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001207/2004-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/07/2004
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO DAS CONTRIBUIÇÕES. INDÚSTRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. CRITÉRIO. PROCESSO PRODUTIVO. PERTINÊNCIA.
No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, é garantido ao contribuinte o direito de apropriação de créditos calculados sobre os gastos com a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades industriais, assim consideradas aqueles que sejam empregados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
Numero da decisão: 9303-007.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/07/2004 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO DAS CONTRIBUIÇÕES. INDÚSTRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. CRITÉRIO. PROCESSO PRODUTIVO. PERTINÊNCIA. No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, é garantido ao contribuinte o direito de apropriação de créditos calculados sobre os gastos com a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades industriais, assim consideradas aqueles que sejam empregados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INDÚSTRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. CRITÉRIO. PROCESSO PRODUTIVO. PERTINÊNCIA. No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, é garantido ao contribuinte o direito de apropriação de créditos calculados sobre os gastos com a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades industriais, assim consideradas aqueles que sejam empregados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 12 07 /2 00 4- 12 Fl. 2676DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 9303007.371 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 3201002.396, de 28 de setembro de 2016 (efolhas 2.553 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/07/2004 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da Contribuição para o PIS/Pasep para as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. PIS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. As variações cambiais ativas caracterizamse como receitas decorrentes de exportação, para efeito da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade caracterizase como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 2.584 e segs) diz respeito a abrangência do conceito de insumo, terminologia empregada pelo legislador na regulamentação do sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 2.664 e segs. Fl. 2677DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 9303007.371 CSRFT3 Fl. 4 3 Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 2.668 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito Para todos os dispêndios que serão a seguir examinados, partese do pressuposto de que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumo para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Neste, inferese dos esclarecimentos prestados em sede de recurso especial (efolah 2.607), que a recorrente pretende a reversão das glosas de créditos atrelados a diversos serviços, a saber1: ■ sensibilização e promoção da consciência ambiental; ■ manutenção e monitoramento da qualidade do ar; ■ levantamento de inventário físico patrimonial; ■ serviços topográficos; ■ consolidação agenciamento e transporte de cargas; ■ serviços técnicos de engenharia de projetos industriais; ■ operação e manutenção do aterro industrial; ■ monitoramento do ambiente industrial e atualização do inventário de emissões de materiais (...); ■ disponibilização de informações especializadas e de indicadores econômicos e 1 A recorrente afirma que foram revertidas as glosas de créditos vinculados à "contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental". Fl. 2678DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 9303007.371 CSRFT3 Fl. 5 4 financeiros; ■ gerenciamento de projetos de engenharia e obras diversas; ■ serviços de engenharia nas áreas administrativas, elétrica e mecânica; ■ consultoria tributária; ■ sistemas de reorganização do arquivo inativo e de gerenciamento da documentação da diretoria; ■ serviços de consultoria e serviços topográficos. O fundamento de que lança mão para embasar o pleito de reversão da glosa está associado à essencialidade dos gastos. Observemse os argumentos encontrados no corpo recurso especial. Como restou concluído no acórdão paradigma nº 3402002.881, devem ser considerados como insumos todos os "bens" e "serviços" que não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Nesses viés, todos os serviços que foram glosados pela fiscalização e mantidas pelo acórdão recorrido, são essenciais ao processo produtivo da Recorrente. (grifos no original) Contudo, como tantas vezes já dito, o critério que deve ser aplicado na interpretação do vernáculo insumo encontrado na legislação que regulamenta o sistema da incumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins é o da pertinência e não o da essencialidade. Cotejando a especificação dos serviços glosados com a motivação linear que embasa o pleito da reclamante, constatase ausência de qualquer esforço em demonstrar a pertinência dos gastos correspondentes aos créditos glosados com processo produtivo propriamente dito. Em lugar disso, a recorrente defende a essencialidade de todos os gastos realizados para manutenção das atividades empresariais. Em tais termos, impossível acolher o pleito. A recorrente contesta, também, a exclusão dos gastos com a operação das usinas de pelotização, denominados Fatores C, K, Y, T e PR. Tratamse de dispêndios vinculados a um contrato firmado com a empresa Vale S.A. Na parte introdutória do recurso especial, explica o escopo de suas atividades e faz menção a essa relação contratual. Fl. 2679DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 9303007.371 CSRFT3 Fl. 6 5 Na execução de suas atividades societárias e em razão do contrato de compra e venda de pelotas de minério de ferro firmado entre a Recorrente e a Vale S.A., a Recorrente adquire minério de ferro bruto (pellet feed) da VALE S.A. e, em seu estabelecimento fabril (usina de pelotização), transforma esse minério em pelotas, destinandoas à venda ao mercado externo. Ainda por conta do contrato firmado, a Vale S/A presta serviços de operação da planta industrial da Recorrente. (grifos acrescidos) Com base nas explicações trazidas aos autos pela própria empresa, os Fatores C, K, Y, e T podem, em linhas gerais, ser descritos da seguinte forma. Fator C: materiais e serviços diretamente aplicados na operação da Usina e relativos à Diretoria de Pelotização; Fator K: despesas gerais incorridas pela Vale para administração da Nibrasco (treinamento de pessoal, processamento de dados, assistência jurídica etc); Fator Y: remuneração do capital de giro provido pela Vale; Fator T: utilização e operação de Pilha de estocagem adicional; PR: Participação nos resultados pagos aos inativos. Tratamse, pois, de gastos decorrentes do Contrato de Operação de Usina firmado com a Vale S.A. para prestação de serviços de operação de toda a planta industrial da Nibrasco. Seguindo sempre pela mesma linha de argumentação, a recorrente alega que gastos são "indispensáveis e primordiais para produção do minério de ferro". Uma vez mais, o argumento é o da essencialidade. Como já foi sobejamente esclarecido, apenas os gastos que tenham relação de pertinência com o processo produtivo da empresa geram créditos no sistema não cumulativo de apuração das contribuições. No caso, ainda que determinados gastos, em particular os lançados na rubrica C, aparentem ter relação de pertinência com o processo produtivo da recorrente, pareceme Fl. 2680DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 9303007.371 CSRFT3 Fl. 7 6 claro que não houve qualquer esforço destinado à sua necessária segregação contábil, nem mesmo dentro dessa própria rubrica, já que nela também estão compreendidos dispêndios relativos à Diretoria de Pelotização. A falta de uma individualização que permita determinar com precisão a relação de pertinência dessas despesas com o processo de produção é, por si só, razão suficiente para rejeição do pleito do contribuinte. Inobstante, colhese das informações prestadas pela Fiscalização Federal na instrução do processo que esse aspecto foi levado em consideração, se não vejamos (efolhas 1.035) No que tange o (sic) Fator C foram glosados nas atividades de serviços apoio administrativo e serviços gerais, os gastos com pessoal e gastos diversos, uma vez que não configuram serviços aplicados na produção/fabricação do produto. Gasto com pessoal e gastos diversos retratam apenas dispêndios de atividades meio. Não foram excluídos os gastos com materiais e energia elétrica, posto que tais valores já haviam sido previamente excluídos do cálculo dos créditos a descontar pelo sujeito passivo. Nestas condições, exaurese qualquer possibilidade de reconhecimento de direito a créditos adicionais em relação aos gastos identificados com o Fator C. Os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento explicam também que os Fatores K e Y, foram glosados por corresponderem, respectivamente, a despesas gerais e remuneração do capital de giro provido pela Vale. Também, que foram glosados os dispêndios com participação nos resultados pagos aos inativos da Diretoria de Pelotização e Metálicos PR. Finalmente, que o Fator T foi reconhecido como passível de gerar crédito para empresa. Não tenho dúvidas de que a abordagem feita pela Fiscalização Federal foi criteriosa e levou em conta os mesmos preceitos defendidos por este Relator. Frisese que o tema de que ora nos ocupamos já foi objeto de exame por este Colegiado, nos autos do processo nº 15578.000308/200772, acórdão nº 9303005.528, de 16 Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 9303007.371 CSRFT3 Fl. 8 7 de agosto de 2017. Reproduzo excerto do voto condutor da decisão recorrida, da i. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, na parte em que trata dos gastos sub examine. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, tem se que foram glosados créditos das contribuições constituídos sobre serviços contratados CVRD–Companhia Vale do Rio Doce, serviços de apoio administrativo e serviços gerais, gastos com pessoal e gastos diversos, serviços de parada de usina, gastos não alocados, remuneração de capital de giro e participação nos resultados pagos a inativos da diretoria. Em relação a esses custos e despesas,entendo que não devem ser considerados como essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis que não vinculados com sua atividade – configurandose como despesas/custos de atividade meio, não gerando o direito ao crédito, eis que não se refletem no conceito de insumos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2682DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.500730/2004-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. DECISÃO COM BASE EM MATÉRIA ALHEIA AO FEITO. INCOMPETÊNCIA DO COLEGIADO PARA JULGAMENTO DO RECURSO.
Cabe acolher os embargos declaratórios para tornar sem efeito o acórdão embargado que decidiu com base em matéria alheia ao feito e, sanando os vícios existentes, analisar as questões deduzidas no recurso voluntário pelo contribuinte. Ademais disso, a decisão embargada foi proferida por colegiado incompetente para apreciação da matéria devolvida a julgamento no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em conta a natureza do crédito alegado.
DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). COMPENSAÇÃO. DÉBITO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA.
Por meio da apresentação da DCTF, o contribuinte formaliza a constituição do crédito tributário, inclusive no que tange ao montante objeto de compensação não homologada, não havendo necessidade de lançamento de ofício, tampouco há que se falar em decadência do direito de lançar o débito compensado.
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91.
Com relação às compensações realizadas antes de 9 de junho de 2005, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contados do seu fato gerador.
(Súmula Carf nº 91)
Numero da decisão: 2401-005.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado, nos seguintes termos: a) declarar sem efeito o Acórdão nº 1801-001.810, de 04/12/2013; e b) dar provimento ao recurso voluntário, às fls. 191/196, para reconhecer que a compensação foi efetivada dentro do prazo legal, com retorno dos autos à unidade da RFB que jurisdiciona o sujeito passivo para exame dos demais aspectos da compensação.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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OMISSÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. DECISÃO COM BASE EM MATÉRIA ALHEIA AO FEITO. INCOMPETÊNCIA DO COLEGIADO PARA JULGAMENTO DO RECURSO. Cabe acolher os embargos declaratórios para tornar sem efeito o acórdão embargado que decidiu com base em matéria alheia ao feito e, sanando os vícios existentes, analisar as questões deduzidas no recurso voluntário pelo contribuinte. Ademais disso, a decisão embargada foi proferida por colegiado incompetente para apreciação da matéria devolvida a julgamento no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em conta a natureza do crédito alegado. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). COMPENSAÇÃO. DÉBITO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Por meio da apresentação da DCTF, o contribuinte formaliza a constituição do crédito tributário, inclusive no que tange ao montante objeto de compensação não homologada, não havendo necessidade de lançamento de ofício, tampouco há que se falar em decadência do direito de lançar o débito compensado. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Com relação às compensações realizadas antes de 9 de junho de 2005, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contados do seu fato gerador. (Súmula Carf nº 91) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 50 07 30 /2 00 4- 98 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 244 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado, nos seguintes termos: a) declarar sem efeito o Acórdão nº 1801001.810, de 04/12/2013; e b) dar provimento ao recurso voluntário, às fls. 191/196, para reconhecer que a compensação foi efetivada dentro do prazo legal, com retorno dos autos à unidade da RFB que jurisdiciona o sujeito passivo para exame dos demais aspectos da compensação. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, conforme fls. 220/221, contra o Acórdão nº 1801001.810, de 04/12/2013, proferido pela 1ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 199/209. Alega o embargante a existência de omissão no acórdão, visto que não apreciou o pleito formulado no seu recurso voluntário quanto à extinção do débito compensado, relativo ao período de apuração de 08 a 10/1998, devido à ocorrência da decadência, além da realização da compensação dentro do prazo de 10 (dez) anos contados do fato gerador do tributo pago indevidamente (fls. 191/196). Da mesma forma, o acórdão embargado também incorreu em obscuridade e contradição ao vincular o direito creditório em litígio ao Processo nº 11040.000581/97, que não tem relação com o presente processo, tornando flagrantemente inexequível a determinação do órgão julgador de segunda instância. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 245 3 A ciência do acórdão embargado pelo contribuinte deuse no dia 07/02/2004, por via postal, tendo interposto os embargos de declaração em 13/02/2014, conforme carimbo de protocolo (fls. 215/216 e 220). Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção apreciou e admitiu os embargos declaratórios (fls. 229/233). Na sequência dos instrução processual, após inclusão em lote de sorteio no âmbito da 1ª Seção, foi identificado que a matéria controvertida no recurso voluntário diz respeito unicamente à utilização de crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido em processo administrativo de compensação, cuja competência para julgamento está reservada à 2ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do seu Regimento Interno (fls. 235/240). Verificada a incompetência da 1ª Seção para apreciação da matéria dos embargos de declaração, os autos foram encaminhados à 2ª Seção de Julgamento para novo sorteio de relatoria e inclusão em pauta, com vistas ao saneamento dos vícios apontados pelo contribuinte (fls. 240/241). É o relatório Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Antes de mais nada, é necessário um breve relato dos fatos mais relevantes do processo administrativo para a compreensão dos motivos da interposição dos embargos de declaração pelo contribuinte, bem como para a delimitação da competência de apreciação do apelo recursal. Tratase, na origem, de compensações efetuadas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativamente ao 2º e 3º trimestres do ano de 1998, compreendendo, de um lado, débitos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e, do outro, créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido (IRRF sobre ILL), recolhidos indevidamente nos anos de 1989 a 1990, com fulcro no art. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (fls. 03/16 e 45). A compensação declarada em DCTF não restou homologada pela Administração Tributária, sob a justificativa do decurso do prazo quinquenal entre o pedido de restituição/compensação e a data do pagamento indevido, nos termos do art. 168 do Código Tributário Nacional CTN, veiculado pela Lei nº 5.172, de 22 de outubro de 1966 (fls. 149/151). Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 246 4 Intimado da não homologação em 24/01/2012, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 152, 155/157 e 161/162). Em primeira instância, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 1038.155, de 26/04/2012 (fls. 173/179). Eis sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO O prazo para restituição/compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior é de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Tomando ciência da decisão de primeira instância, o contribuinte protocolou recurso voluntário, em que repisa os argumentos de fato e direito da sua manifestação de inconformidade, abaixo resumidos (fls. 191/196): (i) é flagrante a decadência do direito de a Fazenda Nacional proceder à exigência de crédito tributário de IRPJ, relativamente aos períodos de apuração de 08 a 10/1998, extinto pela compensação realizada por intermédio de DCTF no ano de 1998; e (ii) até o advento da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, que produziu efeitos a partir de 9 de junho de 2005, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada do art. 150, § 4º, art. 156, inciso VII, e art. 168, inciso I, todos do CTN; e (iii) cabe observar, no que tange à fixação do termo inicial do prazo para compensação de valor indevidamente recolhidos a título de imposto de renda sobre o lucro líquido, a data da publicação da Resolução do Senado Federal nº 82/96, conforme decidido pela 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes no Processo nº 11040.000581/9717, que teve como recorrente o mesmo contribuinte. O Acórdão nº 1801001.810, de 04/12/2013, ora embargado, deu provimento ao recurso voluntário, determinando a juntada dos presentes autos ao processo principal nº 11040.000581/9717, para que os débitos aqui exigidos fossem compensados de acordo com o Per/DComp ali formalizado até o limite do direito creditório originalmente reconhecido e disponível naquele processo (fls. 199/299). Segue a ementa do acórdão: Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 247 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício:1997 NULIDADE. AFASTAMENTO. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Como se observa da narrativa acima, o litígio dos autos, instaurado a partir da manifestação de inconformidade do contribuinte, versa sobre a utilização de crédito relativo ao IRRF sobre ILL oriundo de pagamento indevido efetuado pelo contribuinte, para fins de compensação com débitos de IRPJ. Em se tratando de processo administrativo de compensação, a competência de julgamento no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é definida pela natureza do crédito alegado. No caso em apreço, não se está diante de IRRF proveniente de antecipação do IRPJ, tampouco de IRRF incidente sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa, cuja competência de julgamento é da 1ª Seção deste Conselho. Nas demais hipóteses de imposto de renda retido na fonte, a competência é da 2ª Seção de Julgamento, nos termos do art. 3º, inciso II, c/c art. 7º, § 1º, ambos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) II IRRF; (...) Art. 7º Incluise na competência das Seções o recurso voluntário interposto contra decisão de 1ª (primeira) instância, em processo administrativo de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. (...) Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 248 6 Dessa feita, levando em consideração a matéria devolvida a julgamento em segunda instância, a competência de apreciação do recurso voluntário e dos embargos de declaração opostos é afeta exclusivamente à 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nessa linha de entendimento, uma vez preenchidos os demais requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II RICARF). Pois bem. Não há dúvidas que o acórdão embargado decidiu com base em matéria alheia ao feito. Realmente, o acórdão vergastado estabeleceu uma equivocada conexão processual com o Processo nº 11040.000581/9717, sem qualquer justificativa nos fatos. O aludido processo tratou de valores recolhidos indevidamente a título de IRRF sobre ILL, relativos aos anoscalendário de 1989 e 1990, utilizados na compensação de débitos do ano de 1997 (fls. 125/129). Embora envolvam créditos de mesma natureza, os pagamentos indevidos são diferentes e destinados a compensações de débitos distintos. De maneira que o direito creditório pleiteado no presente processo não foi analisado, muito menos reconhecido no Processo nº 11040.000581/9717. Por essa razão, a despeito do provimento do recurso voluntário, é inócua a decisão no acórdão embargado que autoriza a compensação de débitos neste processo até o limite do direito creditório originalmente reconhecido e disponível no Processo nº 11040.000581/9717. Mais não é só. Toda a matéria trazida no recurso voluntário protocolado pelo contribuinte não restou expressamente apreciada pelo acórdão embargado, o que comprova a existência de omissão (fls. 191/196). A falha na apreciação das questões deduzidas pelo contribuinte, quando da apresentação do recurso voluntário, configura negativa de prestação jurisdicional, devendo haver a correção. Nada obstante, o nível de gravidade do equívoco presente no acórdão embargado, aliado à incompetência da 1ª Seção de Julgamento para apreciação da matéria controvertida no recurso voluntário, tornam imprestável o Acórdão nº 1801001.810, de 04/12/2013, não devendo produzir efeitos jurídicos (art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, cabe prosseguir com a apreciação das questões suscitadas no recurso voluntário interposto pelo contribuinte, de maneira tal a suprir a omissão apontada nos embargos de declaração. Para esse fim, desde já confirmo que o recurso voluntário apresentado pelo recorrente atende os requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 249 7 a) Decadência No recurso voluntário, o recorrente afirma que o procedimento fazendário de revisão da declaração está completamente caduco. Senão vejamos, "in verbis" (fls. 192): (...) Conforme aduzido na manifestação de inconformidade de fls. 15/157, à vista do disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, é flagrante a decadência do direito fazendário de proceder à revisão e fazer exigência, no ano de 2011, de crédito tributário (relativo a IRPJ períodos de apuração 08 a 10/98) extinto por compensação (efetuada com base no art. 66, da L. 8.383/91) informada nas respectivas DCTF´s apresentadas no longínquo ano de 1998. (...) Sob o regime do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, o contribuinte fez a compensação dos débitos de IRPJ no campo próprio da DCTF, recepcionada em 05/11/1998 e 03/02/1999 (fls. 16). Por intermédio da apresentação da DCTF, o contribuinte formaliza a constituição do crédito tributário, atestando a sua existência, inclusive no que tange ao montante objeto de compensação glosada ou não homologada, ficando a Administração Tributária dispensada dos esforços administrativos de lançar o crédito (art. 5º, §§, do Decreto Lei nº 2.214, de 13 de junho de 1984). Nessa situação, portanto, não há que se falar em prazo em curso para o lançamento fiscal, tampouco em decadência do direito de lançar o crédito tributário relativo ao IRPJ. Adicionalmente, em que pese o tempo transcorrido desde a compensação, os autos estão desprovidos de elementos contundentes para demonstrar a homologação tácita da compensação declarada em DCTF, por decurso de prazo. Com base na tradicional distribuição do ônus probatório, incumbe ao contribuinte comprovar a existência do fato extintivo do direito da Fazenda Pública, que inviabilize o procedimento de revisão da declaração apresentada, para fins de não homologação da compensação (art. 373, inciso II, do Código de Processo Civil, veiculado pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015). A compensação em DCTF resultou na extinção do crédito tributário de IRPJ, embora sob condição resolutória. Através de procedimento de auditoria interna, a compensação foi não homologada, promovendose a alteração do "saldo a pagar zero" indicado pelo contribuinte em virtude do encontro de contas realizado, com o envio do crédito tributário de IRPJ para a inscrição em Dívida Ativa da União e posterior ajuizamento da sua cobrança via judicial. Tal procedimento foi questionado pelo contribuinte, mediante embargos à execução fiscal nº 2007.71.10.0022764/RS, determinando o Poder Judiciário, ao final, a extinção da execução fiscal, dado que cabia ao Fisco oportunizar ao sujeito passivo a defesa Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 250 8 administrativa, segundo o rito do Decreto nº 70.235, de 1972, em momento anterior à inscrição em Dívida Ativa da União. O trânsito em julgado da decisão judicial ocorreu em 30/08/2010 (fls. 82/100). É de verse que o procedimento inicial de não homologação da compensação foi colocado "sub judice", restando inviável o Fisco adotar qualquer pretensão em relação à compensação até a deliberação final no âmbito do Poder Judiciário. Somente a partir do trânsito em julgado da decisão judicial, em 30/08/2010, devolveuse o prazo para as providências pela Administração Tributária, que, discordando da compensação declarada pelo contribuinte, deveria respeitar o regular procedimento administrativo para não homologar a compensação (art. 74, §§ 7º, 9º, 10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Em um primeiro momento, foi emitido o despacho de não homologação de fls. 106/108, com ciência do contribuinte em 20/07/2011, oportunizando a apresentação de manifestação de inconformidade, em 18/08/2011 (fls. 111/114 e 115/117). Logo em seguida, após sanada a deficiência do documento, a não homologação da compensação foi novamente comunicada através do despacho de fls. 155/157, com ciência em 24/01/2012, e apresentação de defesa em 25/01/2012 (fls. 152 e 161/162). Sem razão, portanto, o recorrente. b) Prazo para a compensação Pugna o recorrente que até o advento da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada do art. 150, § 4º, art. 156, inciso VII, e art. 168, inciso I, todos do CTN Acrescenta afirmando que, longe de um caráter interpretativo, a nova regra contida na Lei Complementar nº 118, de 2005, somente produz efeitos para os pedidos efetivados após o decurso da "vacatio legis" de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Com efeito, assiste razão ao recorrente. Tal entendimento corresponde ao enunciado do verbete sumulado nº 91, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, abaixo copiado: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. A Súmula CARF nº 91 aplicase à compensação, a qual pressupõe a existência do direito à restituição do indébito. No caso dos autos, a reivindicação do direito creditório, pelo mecanismo da compensação, ocorreu nas datas de recepção da DCTF, em 05/11/1998 e 03/02/1999, antes, portanto, de 09/06/2005, enquadrandose na sistemática do prazo de 10 anos, contado do fato gerador (fls. 16). Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 251 9 O crédito utilizado corresponde a pagamentos de ILL relativos aos anos calendário de 1989 e 1990 (fatos geradores ocorridos, respectivamente, em 31/12/1989 e 31/12/1990) e, assim, não estava atingido pela decadência/prescrição decenal nas datas de transmissão da DCTF (05/11/1998 e 03/02/1999). Dessa maneira, reformando a decisão de piso, cabe dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer que a compensação realizada pelo contribuinte se deu dentro do prazo legal. No entanto, a análise da compensação efetuada pela unidade da RFB restringiu se tão somente ao aspecto preliminar da decadência/prescrição do direito creditório pleiteado. Uma vez superado esse ponto, a homologação da compensação depende da existência e suficiência do crédito utilizado. É mister, portanto, determinar o retorno dos autos à unidade da RFB que jurisdiciona o sujeito passivo para análise dos demais aspectos da compensação, sob pena de supressão de instância. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos e, no mérito, ACOLHO os aclaratórios, com efeitos infringentes, para sanar os vícios apontados no acórdão embargado, nesses termos: (i) declarar sem efeito o Acórdão nº 1801001.810, de 04/12/2013; e (ii) dar provimento ao recurso voluntário, às fls. 191/196, para reconhecer que a compensação foi efetivada dentro do prazo legal, com retorno dos autos à unidade da RFB que jurisdiciona o sujeito passivo para exame dos demais aspectos da compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.730153/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felicia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felicia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 30 15 3/ 20 12 -1 2 Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 687 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 491/527) em face do Acórdão da 1ª Turma da DRF/Recife, sessão de 12/03/2013, que julgou a impugnação improcedente, mantendo o auto de infração do IRPF (efls. 454/486). Quantos aos fatos, consta dos autos: que, em 16/10/2012, a fiscalização da DRF/Recife lavou Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física, o qual trata da imputação da seguinte infração (efls. 03/08): (...) 001 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme tudo que se encontra descrito no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, o qual se encontra anexo e faz parte deste auto de infração como se aqui estivesse transcrito. Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/07/2007 93.119.790, 90 75% ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 1°, 2°, 3° e §§, 16, 18 a 22, da Lei n° 7.713/88; Arts. 1° e 2°, da Lei n° 8.134/90; Arts. 7°, 21 e 22 da Lei n° 8.981/95; Art. 17, 23 e §§ da Lei n° 9.249/95; arts. 22 a 24, da Lei n° 9.250/95; Arts. 16, 17 e §§, da Lei n° 9.532/97; Arts. 123 a 125, 128, 129, 131, 132, 138 e 142 do RIR/99. (...) Ainda, como já mencionado, quanto aos fatos consta do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal (efls. 187/190): (...) RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL (...) Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 688 3 O contribuinte apresentou carta resposta juntando documentação, mais especificamente documentos relativos aos lucros e dividendos referentes ao anocalendário 2007. Dentre esses destacamos, por serem concernentes à ação fulcro do resultado do presente procedimento fiscal: Da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda a Décima Primeira Alteração do Contrato Social realizada em 28 de junho de 2007. Da subscrição e integralização das 1.141.523 ações da Administradora Baia Formosa S/A Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 30 de junho de 2007 e Décima Terceira Alteração do Contrato Social da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda. Na relação de bens de sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF do exercício 2007 constam cotas da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda nos seguintes termos: "2.154 COTAS DE VALOR UNITÁRIO DE R$ 1,00 CADA, INTEGRALIZADAS DA FIRMA VALE VERDE EMPREENDIMENTOS AGRÍCOLAS LTDA.CNPJ 02.414.858/000128 154 (...). "493.270 COTAS VLR R$ 1,00 CADA DA VALE VERDE EMP. AGRÍCOLAS LTDA. CNPJ 02.414.858 /000128 INTEGRALIZADAS C/ 491.116 COTAS VLR R$ 491.116,00 C/ A INCORPORAÇÃO DA EF EMP. GERAIS FARIAS LTDA. CNPJ 35.480.011/000109 CONFORME A 7ª ALTERAÇÃO CONTRATUAL JUCEPE SOB O NO 20031216978 EM 24/03/2004, (...)." (...) Eduardo Farias detinha 99,74208% das cotas da EF que, por sua vez, detinha 99% das cotas da Vale Verde. Após a incorporação ele passou a ter 99,74340% da incorporadora Vale Verde,(...). Em 28 de junho de 2007, os sócios da Vale Verde resolveram aprovar um aumento de capital da sociedade com a utilização dos saldos contábeis das contas de reserva de capital R$ 13.334.282,73 e da conta de lucros/prejuízos acumulados R$ 93.764.178,27. O capital foi aumentado em R$ 107.098.461,00, passando a valer R$ 107.593.000,00. Com isso o sócio Eduardo José de Farias, proprietário de 99,7434% das cotas da empresa, passou a ser titular de 107.316.916 cotas de R$ 1,00 cada, no valor total de R$ 107.316.916,00. Tudo conforme a Décima Primeira Alteração Contratual da sociedade. Na mesma data, conforme décima segunda alteração contratual, a Vale Verde Empreendimentos Agrícolas sofreu uma cisão que se refletiu no seu capital social pela redução em R$ 980.300,00, passando a ser de R$ 106.612.700,00, e o cancelamento de 980.300 cotas, permanecendo 106.612.700. Em consequência a participação societária de Eduardo Farias foi reduzida para 106.339.132 cotas, no valor global de R$ 106.339.132,00. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 689 4 Em 30 de junho de 2007, os sócios da Vale verde resolveram admitir na sociedade, como sócio cotista, a Administradora Baia Formosa S.A., que recebeu do sócio Eduardo José de Farias a totalidade de sua participação na Vale Verde, registrada como 106.339.132 cotas no valor global de R$ 106.339.132,00. Tendo cedido a totalidade de suas cotas, este se retira da sociedade, dando plena e rasa quitação. A alteração contratual foi registrada como a décima terceira. Não foi informado nessa última alteração sob que forma a cessão das cotas de Eduardo Farias à Administradora Baia Formosa foi remunerada. Eduardo Farias era acionista da Administradora Baia Formosa, possuindo 238.739 ações da companhia desde 2004. Em 30 de junho de 2007, os acionistas da Baia Formosa Maria Geralda Heráclio do Rego Farias e Eduardo José de Farias se reuniram em assembleia e deliberaram, entre outras coisas, aprovar o aumento do capital social no importe de R$ 106.015.343,32, mediante a emissão de 1.140.784 ações ordinárias nominativas ao preço de R$ 92,93, subscritas unica mente pelo acionista Eduardo José de Farias e totalmente integralizadas mediante a entrega de 106.339.132 cotas do capital social da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda. A deliberação consta, sob n° 4, da ata da assembléia geral extraordinária realizada no dia 30 de junho de 2007, da qual faz parte o boletim de subscrição. Em 30 de novembro de 2011 foi lavrado um auto de infração de IRPJ e CSLL em nome da pessoa jurídica Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda, referente ao anocalendário 2007, no qual foi constatado que a empresa não tinha saldo de lucros acumulados para proceder ao aumento de capital registrado em sua décima primeira alteração contratual, no montante de R$ 93.764.178,27. Assim, o valor do capital da Vale Verde após a décima segunda alteração contratual era de R$ 13.828. 821, 80 e não R$ 107.593.000,00. Com a cisão ocorrida em seguida, na qual houve redução de capital no montante de R$ 980.300,00, com o cancelamento de 980.300 cotas, o capital ficou reduzido a 12.848.521,80. Consequentemente a participação de Eduardo Farias na empresa era de 99,7434% de R$ 12.848.521,80, ou seja, R$ 12.815.552,49 e não R$ 106.015.343,32. Como o contribuinte alienou à Administradora Baia Formosa S/A a totalidade de sua participação na Vale Verde Empreendimentos Agrícolas, que valia R$ 12.815.552,49, e obteve em troca 1.140.784 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, por R$ 106.015.343,32, houve um ganho de capital na operação de R$ 93.199.790,90. Esse ganho de capital não foi oferecido à tributação. Em 20/04/2012 o contribuinte recebeu um termo em que esta fiscalização informa ter constatado um ganho de capital não oferecido à tributação na alienação das cotas da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas à Administradora Baía Formosa. (...) No presente caso a integralização foi legalmente realizada, como se pode constatar da cessão de suas cotas feitas à Administradora Baía Formosa S/A. (...) Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 690 5 Apesar da alegação do contribuinte de que não teria ocorrido à integralização do capital, tão somente a sua subscrição, há provas de que tal afirmação é equivocada. Segundo documentação apresentada pelo próprio contribuinte, ocorreu a integralização do capital na mesma data da subscrição. De acordo com a Décima Terceira Alteração do Contrato Social, realizada em 30 de junho de 2007, da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda, registrada na JUCEG em 23/07/2007, encontrase firmado o registro de que os sócios cotistas "resolvem: 1 Admitir na Sociedade como novo sócio quotista, a companhia ADMINISTRADORA BAÍA FORMOSA S.A, sociedade anônima, inscrita no CNPJ sob o n° neste ato representada pelos seus diretores, que nos termos da Assembléia Geral Extraordinária realizada no dia 30 de junho de 2007 na sede da Administradora Baía Formosa S.A, recebe do sócio Eduardo José de Farias a totalidade de sua participação na Sociedade representada por 106.339.132 (cento e seis milhões, trezentas e trinta e nove mil e cento e trinta e duas) quotas no valor de R$ 1,000 (hum real) cada, perfazendo o montante de R$ 106.339.132,00 (cento e seis milhões, trezentos e trinta e nove mil e cento e trinta e dois reais); 2 O sócio EDUARDO JOSÉ DE FARIAS, brasileiro, . . . cedeu a totalidade de suas quotas para aumento do capital social na companhia Administradora Baía Formosa S.A, sendo que neste ato retirase desta Sociedade, dando plena e rasa quitação, para nada mais reclamar seja a que titulo for;" (grifos nossos) Na mencionada Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada também em 30 de junho de 2007, encontrase registrado nas deliberações dos acionistas da Administradora Baia Formosa S/A que "4 Aprovado o aumento do capital social no importe de R$ 106.015.343,32 ..." foram essas ações "subscritas unicamente pelo acionista EDUARDO JOSÉ DE FARIAS e, totalmente integralizadas mediante a entrega à sociedade de 106.339.132 ( ...) quotas representativas do capital social da empresa VALE VERDE EMPREENDIMENTOS AGRÍCOLAS LTDA. ..." (grifos nossos) Assim é que não há por que se falar que não ocorreu tal alienação, uma vez que tal fato encontrase devidamente comprovado com a integralização mediante cessão das quotas da Vale Verde Empreendimentos Agricolas devidamente registrada em documento hábil. (...) que o crédito tributário lançado de ofício, conforme Auto de Infração IRPF, perfaz o montante de R$ 31.651.416,91, assim discriminado: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 28/09/2012) (R$) Multa de 75% (R$) Total (R$) IRPF 13.967.968,63 7.207.471,81 10.475.976,47 31.651.416,91 Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 691 6 Ciente do lançamento fiscal 25/10/2012 quintafeira (efls. 195/196), o contribuinte na impugnação em 26/11/2012 segundafeira (efls. 197/233), cujas razões, assim resumidas, no relatório da decisão recorrida que transcrevo, no que pertinente (efls. 530/561): (...) 7. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 197 a 234, alegando em síntese que: 7.1 – que o lançamento é nulo por vício formal, em razão de fundamentação legal inadequada e da incorreta identificação dos fatos, pois o processo fiscalizatório não foi conclusivo. Que a fiscalização se valeu das supostas constatações fiscais resultantes da autuação referente à Vale verde Empreendimentos Agrícolas (Vale Verde), em que foram glosados valores contidos na conta de lucros acumulados, sem especificar quais os fundamentos pelos quais os valores lançados na conta da empresa não foram considerados. Que naquele procedimento fiscal a autoridade administrativa partiu de um valor de lucros acumulados arbitrado sem qualquer lógica ou razão expressa para o ano de 2006, desconsiderando todos os lucros auferidos entre 2003 e 2005, exercícios em que a Vale Verde havia apurado IRPJ com base no lucro presumido. Que, no caso, a própria fiscalização registrou, em seu termo de encerramento (item III, pág. 7) lucros acumulados em dezembro de 2006 no valor de R$ 93.764.178,27. Todavia, sem qualquer explicação plausível e sem nenhuma demonstração aritmética, partiu de um lucro no valor de R$ 12.269.656,19 neste mesmo mês, desconsiderando os lucros acumulados no montante de R$ 81.163.996,38. Que a Vale Verde mantém duas formas de escrituração de sua atividade econômica, uma para fins societários e outra para fins tributários, do que decorre a apuração de dois resultados distintos: o contábil e o fiscal. Que a opção pela tributação pelo lucro presumido não elimina os lucros acumulados da contabilidade da empresa e no entanto a fiscalização considerou que a Vale Verde não dispunha de saldo na conta lucros acumulados, requisito para realizar o aumento de capital social registrado na 11ª alteração contratual no valor de R$ 93.764.178,27. Logo, não há ganho de capital tributável , visto que não cabe falar em inexistência dos valores lançados na conta de lucros acumulados da escrituração da Vale Verde. No sentido de demonstrar a improcedência da autuação sobre a Vale Verde, conforme auto de infração protocolado sob processo nº 10480.731156/201103, a defesa expõe as razões contidas nos subitens III.2.1.A Da ausência de demonstração clara e inequívoca na análise da conta de lucros e prejuízos acumulados na empresa Vale Verde (fls. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 692 7 214 a 218), e III.2.1.B – Da impropriedade da tributação dos ajuste credores – postergação e efeitos no tempo (fls. 218 a 220). Que o procedimento fiscal assim realizado, ainda que mais simples e célere, afronta diversos princípios constitucionais tributários, com destaque para os princípios do contraditório, da ampla defesa, da legalidade e da segurança jurídica. Que, em razão de o lançamento ser ato administrativo vinculado, como exigido pelo art. 142 do CTN, e em razão do princípio da legalidade, previsto nos arts. 5º, II, e 150, I, ambos da CF/1988, e no art. 9º, I, do CTN, é necessária a adequação dos fatos ocorridos a um tipo legal específico. Que o auto de infração impugnado encontrase eivado de capitulações vagas e imprecisas ferindo, portanto, o princípio da tipicidade fechada. 7.2 o lançamento é nulo por vício formal, igualmente, pois o autuado apresentou sua declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa física (doc. 13 de fls. 386 a 397) relativa ao anocalendário de 2007, com todas as informações corretas, tendo pago integralmente o imposto apurado, e no entanto foi imputada ao impugnante cobrança de IRPF que se baseia em acervo probatório decorrente de fiscalização do IRPJ e da CSLL; 7.3 – que a nulidade do lançamento por vício formal decorre aditivamente da utilização de prova emprestada do auto de infração lavrado sobre a Vale Verde, processo nº 10480.731156/201103. Que não houve, em relação ao IRPF, procedimento fiscalizatório conclusivo, pois o lançamento está baseado exclusivamente em ação fiscal levada a efeito junto à Vale Verde, objeto do mandado de procedimento fiscal nº 04.2.01.002011018977 (doc. 08), sem que o impugnante jamais tenha sido intimado para responder às indagações do agente fiscal durante aquele procedimento. Que fiscalização considerou que a Vale Verde não dispunha de saldo na conta lucros acumulados, requisito para realizar o aumento de capital social registrado na 11ª alteração contratual no valor de R$ 93.764.178,27, que acabou por ocasionar o indevido lançamento, evidenciando a precariedade das provas. Cita jurisprudência administrativa em favor de sua alegação. 7.4 – que o vício formal torna nulo o lançamento, ainda, porque o impugnante espera o cancelamento do auto de infração lavrado sobre a Vale Verde, processo nº 10480.731156/201103, tornandose questão “prejudicial ao lançamento ora impugnado, de maneira que, se cancelado, o presente lançamento perde seu substrato legal de validade, devendo por conseguinte, ser igualmente cancelado” (fls. 209). Que a Vale Verde apresentou defesa administrativa, processo nº 10480.731156/201103, ainda não definitivamente julgada, obstando a definitividade do lançamento contra ela efetuado. Logo, se aquela autuação é prejudicial a esta, e se ela for cancelada, o lançamento ora impugnado também deverá seguir a mesma sorte; 7.5 que operouse a decadência do direito de efetuar o lançamento do crédito tributário referente a julho de 2007, nos termos do art. 150, Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 693 8 §4º, do CTN, e do art. 146, III, ‘b’, da CF/1988, visto que o contribuinte somente foi cientificado em 25/10/2012. Que o fato gerador dos ganhos de capital considerase ocorrido no mês da alienação e se submete à tributação em separado, não integrando o imposto de renda na declaração de ajuste anual, nos termos do art. 18, §2º, da Lei nº 8.134/1990, do art. 21, §2º, da Lei nº 8.981/1995 e do art. 117, §2º, do Decreto nº 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda. Que, tratandose de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos se inicia na data da ocorrência do fato gerador conforme art. 150, §4º do CTN, não se aplicando ao caso o dies a quo previsto no art. 173, I, do citado Código. Transcreve jurisprudencial judicial e administrativa nesse sentido; 7.6 – que, ainda que por absurdo não seja reconhecida a improcedência do lançamento relativo à Vale Verde, não cabe falar na existência de ganhos de capital na operação societária realizada pelo contribuinte, pois não houve a desconsideração do valor proveniente da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados utilizado para aumento do capital social da Vale Verde como informado pela própria fiscalização: Diferentemente do que entendeu o I. Fiscal que lavrou o ora combatido auto de infração para exigir ganho de capital do Impugnante, a constatação da Fiscalização na autuação originária do processo administrativo n° 10480.731156/201103 não foi de inexistência do valor incorporado ao capital social (R$ 93.764.178,27) da Vale Verde, mas sim que este montante mio teria a alcunha contábil de lucros acumulados. As premissas são diversas. Uma coisa é a afirmação de que os valores incorporados ao capital social não representariam lucros acumulados da sociedade, mas sim outra origem. Outra coisa bem diferente, é dizer que os valores não existem. De fato, resta evidente que aquela Fiscalização partiu da primeira premissa, ou seja, considerou que os valores não seriam lucros acumulados da sociedade, mas, em momento algum, cravou a afirmação de que tais valores inexistiriam. Tanto é verdade essa premissa que a Fiscalização responsável pela autuação originária do processo administrativo nº 10480.731156/201103 tributa os valores incorporados ao capital social, contestando a natureza de lucros acumulados destes valores e, presumindo se tratar de realização de reserva de reavaliação, resultados operacionais não declarados ou lançamentos indevidos em contas de despesas ou redutora de receita. Que, se o recurso voluntário interposto pela Vale Verde for considerado procedente, a decisão terá reconhecido que o valor de R$ 93.764.178,27 representa lucros acumulados da sociedade, afastando a tributação da pessoa jurídica e, consequentemente, da pessoa física, pois o patrimônio da Vale Verde será aquele registrado em sua contabilidade. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 694 9 Que se, por outro lado, referido recurso voluntário for julgado improcedente, será mantida a tributação sobre o valor de R$ 93.764.178,27, de modo que o patrimônio da Vale Verde será igualmente aquele registrado em sua contabilidade. Como consequência, em qualquer das situações a premissa da presente autuação caí por terra," eis que, em qualquer caso, estará justificado o patrimônio da pessoa jurídica Vale Verde capaz de efetivar a operação societária de integralização do capital da Baía Formosa pelo impugnante. Isto porque o patrimônio da pessoa jurídica Vale Verde, naquele momento, refletia o patrimônio do Impugnante, na proporção de sua participação na sociedade. Seria impossível, como tentou o Agente Fiscal, dissociar o patrimônio da Vale Verde da pessoa física de seu sócío. Neste contexto, impossível atribuir ganho de capital ao Impugnante, ainda mais quando não houve qualquer alteração de seu patrimônio. Ora, capitalizando lucros acumulados na Vale Verde ou mesmo na integralização desta participação no capita! de outra empresa (Baía Formosa), não há alteração do patrimônio, eis que se trata de mera transferência na participação de uma sociedade para outra. O que se pretende concluir é que, existindo patrimônio suficiente na Vale Verde, o que foi atestado pela autuação da pessoa jurídica, tanto que este valor é tributado, não há que se falar em ganho de capital na pessoa física, na integralização destas cotas era outra sociedade, na medida em que os valores se equivalem. Ainda que assim não fosse, a operação resultaria apenas em uma menor participação do Impugnante na Administradora Baía Formosa S.A, resultando em operação nula par efeito de ganho de capital. Por mais que possa parecer absurdo o raciocínio diverso, a verdade é que, na pior das hipóteses, considerando a inexistência do patrimônio suficiente na pessoa jurídica Vale Verde, poderíamos concluir, quando muito, pela inexistência do mesmo patrimônio na pessoa jurídica Baia Formosa, mas jamais o acréscimo patrimonial da pessoa física quando troca as cotas de uma sociedade pela outra. 7.7 que a exorbitante multa de ofício aplicada, no percentual de R$ 75% do imposto, no valor de R$ 10.475.976,47, possui caráter confiscatório e desproporcional. Que a multa exigida afronta o princípio do não confisco insculpido no art. 150, IV, da CF/1988, como se depreende da leitura das decisões do STF e do STJ sobre a matéria. Que, ademais, a multa exigida com base no art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, visa à coibição de atos infracionais lesivos ao erário. Que, em face de a autuação ter por base o lançamento fiscal ainda não definitivo em nome da Vale Verde, contra o qual foi interposto recurso voluntário pendente de julgamento no CARF representando, portanto, crédito tributário com exigibilidade suspensa, conforme art. 151, III, Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 695 10 do CTN, ainda não se pode falar em ato lesivo por parte do impugnante capaz de tipificar a penalidade. (...) 7.9 que protesta pela juntada posterior de provas, conforme previsto no §5° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972; que reivindica a realização de diligência para esclarecimento de pontos controversos, nos termos dos arts. 16, 18 e 29 do Decreto n° 70.235/1972; que, por fim, pede seja acolhida a impugnação para: (i) que seja determinada a suspensão do presente processo até que seja proferida a decisão administrativa definitiva relativa ao auto de infração lavrado contra a Vale Verde Empreendimentos. (...) Na sessão de 12/03/2013, a 1ª Turma da DRJ/Recife julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento fiscal, conforme Acórdão cuja ementa e dispositivo transcrevo (efls. 454/486): (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Está sujeita ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de participações societárias, considerandose como custo de aquisição o aumento de capital por incorporação de reservas, no que corresponder ao sócio beneficiário, desde que devidamente contabilizado e tributado do na pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. LEGALIDADE. Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada multa calculada sobre o valor do tributo devido, no percentual de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento decorrente de falta de declaração e de declaração inexata. LANÇAMENTO. FORMALIZAÇÃO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 696 11 O afastamento da penalidade pressupõe a prévia suspensão da exigibilidade do crédito lançamento por meio da concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, ou ainda, do depósito integral do respectivo crédito, circunstâncias que, quando inexistentes, não permitem a não incidência da multa. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. PROVA EMPRESTADA. É lícito à autoridade fiscal valerse de informações colhidas e das conclusões produzidas por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento, de que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer e sejam levadas ao conhecimento do sujeito passivo dandolhe oportunidade para sobre elas se manifestar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Ementa: NULIDADE. VÍCIOS NO LANÇAMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Indeferese o pedido de realização de diligência quando desatendidos os requisitos legais previstos na sua solicitação. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. LANÇAMENTO. AGRAVAMENTO. COMPETÊNCIA. Não havendo competência proceder ao agravamento da autuação em sede de julgamento administrativo tributário, nos termos do § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, deve ser mantido o valor lançado equivocadamente a menor registrado no auto de infração. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO. SOBRESTAMENTO. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 697 12 Não há previsão legal nem para o sobrestamento, nem para o julgamento conjunto de processos, entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. (...) Ciente deste decisum em 08/05/2013 (efl. 490), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 07/06/2013 (efls. 491/527 ), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da decadência do direto de lançar, com base no art. 150, §4º, do CTN; Das nulidades por vícios no Lançamento fiscal; Da inexistência de ganho de capital na pessoa física: a) pela impropriedade da glosa da conta lucros acumulados da Vale Verde: (...) Na fundamentação apresentada no v. acórdão ora combatido foi sustentado o entendimento de que o Recorrente teria obtido ganho de capital na alienação de suas quotas da Vale Verde à Administradora Baia Formosa S/A, sob o argumento de que a fiscalização no processo administrativo n° 10480.731156/201103 teria comprovado que o saldo da conta de lucros acumulados da empresa Vale Verde apresentaria número negativo, ou seja, prejuízo, o que tornaria impossível a incorporação de capital social descrita na 11ª alteração contratual citada na descrição das situações fáticas anteriores à autuação. Para sustentação de tal argumento, a r. decisão recorrida simplesmente copiou o quadro sintético de apuração efetivado pela fiscalização do processo administrativo n° 10480.731156/201103. sem, contudo, averiguar quais foram os métodos utilizados para que se tivesse chegado a conclusões daquela fiscalização (fls. 478). Não poderia haver entendimento mais desvirtuado, pois, em primeiro lugar, é feito totalmente com base no processo administrativo n° 10480.731156/201103 que ainda não foi submetido a uma decisão final. Não obstante o fato de que a decisão proferida naqueles autos poderá prejudicar o presente lançamento fiscal, como a própria decisão ora recorrida afirma em diversos momentos, a verdade é que, no presente caso, deixouse de analisar importantes premissas que demonstram o Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 698 13 equívoco do Agente Fiscal na glosa da conta de lucros acumulados da Vale Verde. É importante relembrar que não há, no lançamento lavrado em face da empresa e que gerou a presente autuação, o mínimo de nexo causal para que seja considerado, no ano de 2006, o lucro acumulado equivalente a apenas R$ 12.269.656,19 (doze milhões duzentos e sessenta e nove mil seiscentos e cinquenta e seis reais e dezenove centavos). De fato, no item III, página 7, do "Termo de Encerramento de Ação Fiscal" da empresa Vale Verde, o Fisco demonstra a composição dos lucros e prejuízos acumulados desde 1998, a partir da análise, segundo ele próprio, das declarações informadas pela empresa. Contudo, nesse demonstrativo, há uma efetiva consideração do lucro acumulado de R$ 93.764.178,27 ao final do período de 2006 e mesmo assim, o Fisco parte de um lucro de RS 12.269.656,19 em dezembro de 2006, sem qualquer explicação plausível ou mesmo uma sintética demonstração aritmética para demonstrar a origem ou causa da diferença de valores. Ou seja, já na autuação da pessoa jurídica não existiu demonstração clara de como a Fiscalização entendeu que ao final de 2006, a conta de lucros acumulados da Vale Verde apresentava o equivalente a R$ 12.269.656,19, se no mesmo termo de encerramento de ação fiscal há a consideração do valor de R$ 93.764.178,27, valor este sustentado pela contabilidade daquela pessoa jurídica. Notese que a r. decisão recorrida sequer analisa tal ponto. Apenas toma como verdade absoluta a conclusão da fiscalização da pessoa jurídica, o que perpetua a nulidade já amplamente demonstrada no tópico anterior e macula todo o presente processo administrativo. Como já antecipado, as alegações fiscais que não se baseiam em provas ou fatos concretos estão eivadas de nulidade absoluta e devem ser prontamente rechaçadas por este órgão de julgamento. (...) Diante destas premissas, é óbvio que não se pode desconsiderar a conta de lucros acumulados da empresa Vale Verde, sem que para isso houvesse um mínimo argumento justificável. Além do mais, o fato Vale Verde ter apurado seu IRPJ pelo lucro presumido nos anos de 2003. 2004 e 2005 não pode ser objeto de glosa dos lucros acumulados, eis que a contabilidade societária deve manter a apuração do lucro que reflita a realidade da empresa, independentemente do lucro registrado para efeitos fiscais. Nem mesmo se pode dizer que a origem dos valores de lucros acumulados pelo Agente Fiscal teria respaldo na alocação dos ajustes credores e devedores de períodos anteriores, pois, até nestes aspectos claudica a Fiscalização. Embora este fato, infelizmente, tenha ficado imêmore na decisão recorrida, é importante relembrálo, para que este órgão julgador se convença de que a glosa da conta de lucros acumulados da Vale Verde não tem origem em qualquer conclusão lógica tributária ou contábil. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 699 14 De fato, a Vale Verde, de fato, registrou diversos ajustes credores de períodos anteriores em sua contabilidade, em razão da alteração de critérios contábeis de apuração de custos e receitas. Por outro lado, é verdade também que procedeu a contabilização de diversos ajustes devedores, os quais foram equivocadamente desconsiderados pelo Fisco, conforme amplamente demonstrado nos autos paralelo. Ocorre que estes ajustes contábeis não implicaram em diminuição de prejuízos ou aumento de lucros de períodos anteriores, de forma que não foram relacionados nas fichas 38 linha 2 das DIPJ's dos anos calendários de 2006/2007. (...) b) pela neutralidade fiscal da operação; Da não aplicação da multa de ofício: por inexistência de fundamento legal para sua aplicação, bem como por configurar nítido caráter confiscatório; que seja canelada ou seja reduzida a patamar aceitável pela ordem jurídicotributária; A PFN apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, defendendo a manutenção integral do auto de infração do IRPF (efls. 567/584). É o relatório. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 700 15 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade; conheço dele, portanto. A lide objeto dos autos, conforme relatado, trata do Auto de Infração do IRPF, por meio do qual o Fisco imputou a infração OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS, fato gerador de 31/07/2007. Em síntese, quanto ao fato imputado pela Fiscalização da RFB, transcrevo excerto do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal (efls. 187/190), parte integrante do auto de infração: (...) Como o contribuinte alienou à Administradora Baía Formosa S/A a totalidade de sua participação na Vale Verde Empreendimentos Agrícolas, que valia R$ 12.815.552,49, e obteve em troca 1.140.784 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, por R$ 106.015.343,32, houve um ganho de capital na operação de R$ 93.199.790,90. Esse ganho de capital não foi oferecido à tributação. (...) CONEXÃO POR PREJUDICIALIDADE O presente processo (IRPF) e o processo 10480.731156/201103 (IRPJ e CSLL) decorrem dos mesmos fatos. Este processo (IRPF), inicialmente, foi pautado para julgamento pela 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de julgamento do CARF, porém referida Turma declinou da competência, conforme Acórdão nº 2202002.661– 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 13/05/2014, cuja ementa e dispositivo transcrevo (efls. 590/611), in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 PAF. É da competência do Primeira Seção do CARF o julgamento de matéria decorrente de lançamento de oficio, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 701 16 configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. (...) Na sequência, este processo ficou sobrestado, por algum tempo, aguardando decisão de mérito, irreformável, na órbita administrativa, atinente à lide objeto do processo nº 10480.731156/201103, que trata do lançamento dos tributos da pessoa jurídica (IRPJ e CSLL), pois na Sessão de 25/03/2015 está Turma, claro com composição diversa da atual, sobrestou o processo, conforme Resolução nº 1301000.277– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, in verbis: (...) Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do presente recurso em DILIGÊNCIA para aguardar o transito em julgado do processo nº 10480.731156/201103. (...) Consta do voto condutor: (...) No presente caso, é inegável a existência de alienação na operação pela qual o recorrente cedeu suas cotas no capital social da Vale Verde para a empresa Baía Formosa, tendo recebido em troca ações dessa mesma empresa, que tinham valor superior ao custo de aquisição das cotas cedidas (caso se confirme glosa no processo da Vale Verde). No que concerne ao custo de aquisição das cotas da Vale Verde alienadas pelo recorrente, é importante transcrever o art. 135 do RIR/99, que dispõe sobre os efeitos do aumento de capital social por meio da utilização de lucros ou reservas de lucros: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único). Conforme preceitua o dispositivo acima transcrito, se houver aumento de capital social com a utilização de lucros ou reservas de lucros, o custo de aquisição das cotas ou ações da pessoa jurídica sofrerá o reflexo dessa operação. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 702 17 Assim, o custo de aquisição das ações ou cotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. Daí a dependência no resultado final do referido processo administrativo nº. 10480.731156/201103. Com essas considerações, encaminho o meu voto no sentido de converter o julgamento do presente processo em diligência para aguardar, na Unidade de Origem, o trânsito em julgado do processo principal de nº. 10480.731156/201103, retornando em seguida a esta Corte Administrativa para prosseguimento do julgamento. (...) A citada Resolução CARF foi objeto de Embargos Inominados do Delegado da Unidade de Origem, ou seja, DRF/Recife, argumentando que não haveria conexão por prejudicialidade (efls. 627/630), in verbis: (...) DO PROCESSO Nº 10480.731156/201103 – IRPJ e CSLL Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil: Darci Mendes de Carvalho Filho, Matrícula nº 6.159 e Jerrat Nunes Ribeiro Santos, matrícula nº 10.162, encerraram os trabalhos de fiscalização na empresa VALE VERDE EMPREENDIMENTOS AGRÍCOLAS LTDA, CNPJ nº 02.414.858/000128, autorizados pelo MPF 04101002011 018977 – Fiscalização, com a lavratura de Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que originaram o processo administrativofiscal protocolizado na DRFRecifePE sob o número 10480.731156/201103, onde foi verificada a prática por parte da empresa de infrações à legislação tributária, a saber: i)Falta de Adição ao Lucro Líquido na Apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL da Parcela Realizada da Reserva de Reavaliação de Bens do Ativo Imobilizado; ii) Falta de Oferecimento à Tributação dos Ajustes Credores; e iii) Diferença entre os Prejuízos Societários Registrados na Contabilidade e o Informado nas DIPJ do Anocalendário de 2007; tudo, conforme detalhadamente narrado no Termo de Encerramento de Ação Fiscal lavrado por esta fiscalização e cientificado à empresa em 05/12/2011. DO PROCESSO Nº 10880.730153/201212 IRPF Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil: Rosa Maria de Amorim Pontual, Matrícula nº 7799 e Onilda Ramos Carneiro, matrícula nº 26263, encerraram os trabalhos de fiscalização na pessoa física EDUARDO JOSÉ DE FARIAS, CPF nº 174.694.22404, autorizados pelo MPF 0410100201200133 – Fiscalização, com a lavratura de Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, que originaram o processo administrativofiscal protocolizado na DRFRecifePE sob o número 10880.730153/201212, onde foi Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 703 18 verificada a prática por parte da pessoa física de infrações à legislação tributária, a saber: i)Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Diretos Adquiridos em Reais; tudo, conforme detalhadamente narrado no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal lavrado por aquela fiscalização e cientificado ao contribuinte em 16/10/2012. DA RESOLUÇÃO Nº 1301000.277 – 3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA Na resolução nº 1301000.277 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 1ª Sessão de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 25 de março de 2015, os membros desse Colegiado acordaram em converter o julgamento do recurso voluntário do processo nº 10880.730153/201212 (IRPF) em diligência para aguardar, na Unidade de Origem, o trânsito em julgado do processo nº 10480.73156/201103 (IRPJ e CSLL), retornando em seguida a aquela Corte Administrativa para prosseguimento do julgamento. DA CORRELAÇÃO DAS MATÉRIAS TRATADAS NOS DOIS PROCESSOS Esclarecemos que no relatório que trata das infrações ao IRPJ e da CSLL (que está anexado à impugnação ao processo do IRPF) foi elaborado no item III – “Das análises na conta de lucros e prejuízos acumulados pela fiscalizada” quadro com a evolução da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados do período de 1998 a 2007 com base nas declarações apresentadas pela empresa e dos arquivos de lançamentos contábeis; bem como recomposição da real situação dos lucros e prejuízos acumulados dos períodos encerrados em 31/12/2006, 29/06/2007 e 31/12/2007, após alocação dos lançamentos de ajustes credores e devedores de períodos anteriores efetuados pela própria empresa no ano de 2007, conforme quadro a seguir: Esclarecemos, que essas informações foram encaminhadas, por meio de representação fiscal, à equipe de fiscalização de pessoa física, para Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 704 19 análises e providências que julgassem necessária, vez que em 30/06/2007 houve incorporação ao Capital do valor de R$ 93.764.178,27 cuja origem foi a conta Lucros/Prejuízos Acumulados, onde na realidade, com base na escrituração contábil apresentada pela empresa, que apresentava Prejuízo Acumulado em 31/12/2007 no valor de R$ 231.536.229,49, que retroagindo a data de 30/06/2007 resultava no prejuízo acumulado de R$ 43.197.161,24 (antes da sua destinação para aumento de capital e depois de computada a infração dos períodos constantes da linha 08.02 do quadro acima). Como se ver, o único ponto de intersecção entre os dois processos é a constatação explicitada no item III do relatório acima citado, que evidencia que na data de 30/06/2007, onde aconteceu o aumento de capital com lucros acumulados, na realidade existia prejuízos acumulados. O único impacto no saldo do prejuízo acumulado em 30/06/2007, no montante de R$ 43.197.161,24 acima discriminado, que o julgamento do processo da pessoa jurídica pode causar, é que, se cancelado o lançamento da infração apurada nesse período (R$ 595.788,00), o prejuízo acumulado em 30/06/2007 passa para R$ 43.792.949,73, que representa o valor apurado partindo do saldo acumulado em 31/12/2007 constante dos livros contábeis da empresa retroagindo a data de 30/06/2007, conforme quadro a seguir: DA INFORMAÇÃO Com base na resolução nº 1301000.277 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 1ª Sessão de Julgamento do CARF, o processo nº 10880.730153/201212 (IRPF) foi encaminhado à Unidade de Origem para aguardar o trânsito em julgado do processo nº 10480.73156/201103 (IRPJ e CSLL). Acontece que na realidade não há nenhuma vinculação entre os dois processos, ou seja, a matéria sobre julgamento no processo nº 10480.73156/201103 (IRPJ e CSLL) em nada afeta o resultado do julgamento do processo nº 10880.730153/201212 (IRPF). As infrações já mencionadas acima do processo nº 10480.73156/2011 03 (IRPJ e CSLL) referemse: i) Alteração do resultado fiscal (Lucro Real e base de cálculo da CSLL) sem nenhum efeito no lucro/prejuízo contábil. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 705 20 ii) Cobrança de ofício diferenças de IRPJ e da CSLL em consequência da falta de tributação de lançamentos postergados (com efeito tributário) sem a comprovação do seu pagamento pela empresa. iii) Ajustes no sistema Sapli da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de prejuízos fiscais registrados na contabilidade da empresa e informados nas DIPJ em valores diferentes. Ressaltamos que para o período de 01/01/2007 a 30/06/2007 não houve lançamento, e sim ajustes (aumento a favor da empresa) no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB – Sapli do prejuízo fiscal informado na sua DIPJ; e em relação ao período de 01/07/2007 a 31/12/2007, houve lançamento de redução prejuízo fiscal, porém tratase de período posterior ao aumento de capital não tendo nenhuma repercussão no saldo de lucros/prejuízos acumulados em 30/06/2007. DO PEDIDO Em face ao exposto, não existindo nenhuma dependência do processo da pessoa física nº 10880.730153/201212 com o processo na pessoa jurídica nº 10480.731156/201103, ou seja, o julgamento da procedência ou não do auto da pessoa jurídica não afeta em nada o auto na pessoa, requer esta Delegacia o conhecimento e o provimento do presente recurso para que essa e. Turma retifique a decisão proferia por meio da Resolução nº 1301000.277 de modo a desfazer a vinculação entre esses processos. (...) O presente processo e os Embargos Inominados foram encaminhados à 2ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Despacho S/Nº. de 25/07/2016 (efls. 623/625) e Despacho, de 13/01/2017, uma vez que a competência seria da 2ª Seção de Julgamento do CARF, pois o IRPF não seria reflexo em relação ao processo do IRPJ (efls. 627/628). Entretanto, os Embargos Inominados da DRF/Recife foram rejeitados, conforme Acórdão nº 2202004.140 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 13/09/2017 (efls. 642/655), pois conteriam contradição interna e, ademais, não teriam demonstrado omissão, obscuridade ou contradição da Resolução desta Turma da 1ª Seção de Julgamento, que sobrestou o presente o processo. Ou seja, a 2ª Seção de Julgamento, novamente, declinou da competência, in verbis: (...) No que concerne ao custo de aquisição das cotas da Vale Verde alienadas pelo recorrente, é importante transcrever o art. 135 do RIR/99, abaixo grifado, que dispõe sobre os efeitos do aumento de capital social por meio da utilização de lucros ou reservas de lucros: (...) Assim, nos termos da Resolução nº 1301000.277, o custo de aquisição das ações ou cotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. E disso decorre a Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 706 21 dependência no resultado final do referido processo administrativo nº. 10480.731156/201103. (...) PROCESSO CONEXO. DECISÃO FINAL A lide objeto do processo nº 10480.731156/201103, finalmente, tem decisão final, irreformável, na esfera administrativa, pela rejeição do último Agravo que implicou a não subida à CSRF do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, conforme informa o Despacho de Encaminhamento da DRF/Recife, de 06/04/2018 (efl. 672), in verbis: (...) DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Conforme solicitado na Resolução CARF nº 1301000.277 (folhas 613 a 622), retorno o presente processo, tendo em vista o trânsito em julgado do processo 10480.731156/201103, conforme cópia do despacho de agravo constante neste último processo e anexado às folhas 665 a 682 do presente processo. DATA DE EMISSÃO : 06/04/2018 (...) Antes disso, cabe registrar que consta dos autos do referido processo conexo que a PFN apresentou Embargos de Declaração e Recurso Especial, porém não houve alteração da decisão da Câmara Baixa, in verbis: (...) Em face do Acórdão n° 1302001.187, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, o sujeito passivo interpôs recurso especial, ao qual foi negado seguimento, conforme despacho de efls. 999/1012. Registrase ainda que: a) a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) opôs EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (efls. 805/807), que não foram conhecidos, conforme acórdão n° 1302001.472 (efls. 809/812); b) a PFN opôs novos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, efls. 814/819, que também não foram conhecidos, conforme despacho de efls. 822; c) a PFN impetrou RECURSO ESPECIAL (efls. 824/835), para o qual foi negado seguimento por meio do despacho de efls. 837/841, ratificado pelo REEXAME de e fls. 842/843; d) a PFN apresentou petição, efls. 845/846, em virtude da qual foram emitidos os despachos de efls. 849/850 e 851/852 que declararam NULO o despacho de fls. 822, bem como os atos posteriores relativos à interposição de recurso especial e à sua admissibilidade; e) e por meio do despacho de efls. 857/864, foram admitidos os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO de efls. 814/819, opostos pela PFN, Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 707 22 decorrendo de tal decisão a prolação do acórdão n° 1302001.862 (e fls. 865/896), que acolheu os referidos embargos, sem efeitos infringentes. (...) Pois bem. Entendo que o presente processo não está em condições de julgamento, pois demanda instrução processual complementar. Há dúvida fundada quanto ao real valor do saldo de lucros acumulados, posições dezembro/2006, junho/2007, antes das destinações, em face das glosas efetuadas pela Fiscalização na pessoa jurídica Vale Verde. Ou seja: desde o início, o contribuinte questiona a desconsideração pela Fiscalização de R$ 81.163.996,38 (saldo de lucros acumulados, posição contábil dezembro/2006 e junho/2006, antes das destinações), inclusive, pediu a realização de diligência, nas razões de defesa na primeira instância de julgamento, para que fosse esclarecido esse ponto; além disso, apurar os possíveis reflexos da decisão final do processo conexo nº 10480.731156/201103 que afastou duas infrações (01 e 04) que haviam sido imputadas, objeto daquele processo. Vejamos. Quanto aos fatos, consta do Processo nº 10480.731156/201103 (conexo) que foram imputadas as seguintes infrações: (...) 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS CUSTOS/DESPESAS CONTABILlZADOS A MAIOR Glosa de valores de custos/despesas do anocalendário de 2006, contabilizados originalmente a maior, e que foram corrigidos por meio de lançamentos retificadores efetuados no anocalendário de 2007, a título de ajustes credores de períodos de apuração anteriores, a crédito da conta de Lucros/Prejuízos Acumulados, conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse. Fato Gerador...............Valor Apurado (R$)................. Multa (%) 31/12/2006.................. 31.972.893,80 ...........................75,00 (...) Demonstrativo de Ajustes Credores: Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 708 23 Obs: (i) Embora o demonstrativo reportese à infração 02 do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, mas na verdade: a) O valor de R$ 31.972.893,80 corresponde à infração 01 do Auto de Infração. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 709 24 b) O valor de R$ 1.233.396,71 corresponde à infração 02 do Auto de Infração; c) O valor de R$ 595.788,49 período de 01/01/2007 a 29/06/2007 sequer foi objeto de infração específica no Auto de Infração do IRPJ e reflexo: (...) 0002 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS LANÇAMENTOS INDEVIDOS EM CONTA DE DESPESA OU REDUTORA DE RECEITA Glosa de valores relativos a lançamentos retificadores registrados a crédito da conta de Lucros/Prejuízos Acumulados, a título de ajustes credores de períodos de apuração anteriores, e a débito de conta de despesa ou redutora de receita no anocalendário de 2007, reduzindo de forma indevida o lucro líquido apuarado em 31/12/2007, conforme Termo de Encerramento.de Ação Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse. Fato Gerador ..............Valor Apurado (R$) ................Multa (%) 31/12/2007 ...................1.233.396,71............................. 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 30/06/2007 e 31/12/2007: art. 3° da Lei nº 9.249/95. Arts. 251 e 273 do RIR/99 Obs: Demonstrativo de Ajuste já apresentado na infração anterior. (...) 0003 ADiÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO Falta de adição ao lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da parcela da reserva de reavaliação de bens do ativo imobilizado, efetivamente realizada, conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse. Fato Gerador .............Valor Apurado (R$)................. Multa (%) 31/12/2006 .........................3.849.998,17........................75,00 31/12/2007 .........................4.661.852,98........................ 75,00 (...) Demonstrativo de Ajuste: Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 710 25 (...) 0004 RESULTADOS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS DIFERENÇA ENTRE O LUCRO LíQUIDO REGISTRADO NA CONTABILIDADE E O INFORMADO NA DIPJ Valor correspondente à diferença entre o lucro líquido do exercício registrado na contabilidade e o informado nas respectivas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e livro de apuração do lucro real LALUR, conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse. Fato Gerador............. Valor Apurado (R$)................ Multa (%) 31/12/2007 ....................... 28.209.502,08................... 75% Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 30/06/2007 e 31/12/2007: art. 3° da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso 11do RIR/99 (...) Demonstrativo de Ajuste: (...) A decisão definitiva no Processo (conexo) 10480.731156/201103 afastou as infrações 01 e 04, conforme Acórdão nº 1302001.187 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 711 26 sessão de julgamento de 08/10/2013, cuja ementa, dispositivo e voto transcrevo, no que pertinente: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PRAZO DECADENCIAL. GUARDA DE DOCUMENTOS. Dentro do prazo decadencial, a autoridade fiscal pode examinar todos os documentos relativos a elementos que componham a base tributável, inclusive diferenças temporárias tributáveis. e dedutíveis. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ELEMENTO DE PROVA. Os arts. 226 do Código Civil e 378 do Código de Processo Civil, embora bem semelhantes, são complementares, pois, da combinação deles, deduz se que a escrituração sempre inverte o ônus da prova, de tal sorte que caberá sempre ao contribuinte ao qual ela pertence provar que é verdadeira ou então que ela contém imprecisões quanto ao registro de fatos a que se refere. REALIZAÇÃO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Se a realização da reserva de reavaliação de bens do ativo imobilizado importa em uma consequente adição ao lucro líquido, para fins de cálculo das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, uma vez verificado que a contribuinte não a efetuou nem, por outro lado, comprovou ser o registro a título de realização de reserva de reavaliação equivocado, há que se manter o lançamento. GLOSA DE DESPESAS. INCONSISTÊNCIAS NO LANÇAMENTO. AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. Inconsistente o trabalho fiscal que glosa despesas de 2006, apenas pela análise de lançamentos contábeis efetuados em 2007 e sem sequer se aprofundar na análise do lastro documental dos lançamentos glosados, mormente quando se verificam outros equívocos nas suas conclusões. GLOSA DE LANÇAMENTOS A DÉBITO DE CONTAS DE DESPESAS E RECEITAS. Há que ser mantida a glosa de valores relativos a lançamentos retificadores registrados a crédito da conta de Lucros/Prejuízos Acumulados, a título de ajustes credores de períodos de apuração anteriores, e a débito de conta de despesa ou redutora de receita, se a contribuinte não logrou justificálos. SALDO DE PREJUÍZO FISCAL. INCONSISTÊNCIA DO TRABALHO FISCAL. Inconsistente o lançamento que, discricionariamente, espelha apenas parcialmente as conclusões constantes do TVF, as quais, por sua vez, Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 712 27 não poderiam deixar de considerar os efeitos da cisão ocorrida no período analisado. DA MULTA CONFISCATÓRIA A multa de ofício de 75% encontra amparo na Lei 9.430/96. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n˚ 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, razão pela qual, incidem juros de mora calculados pela taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. (...) Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, afastar a preliminar de decadência suscitada; b) por maioria, cancelar o item 001 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, vencidos os Conselheiros Waldir Rocha e Eduardo Andrade; c) por unanimidade, manter o lançamento referente aos itens 002 e 003 do auto de infração do IRPJ e os correlatos do auto de infração da CSLL (itens 002 e 004); d) por qualidade, cancelar o item 004 do auto de infração do IRPJ e o correlato do auto de infração da CSLL (item 003), vencidos os Conselheiros Waldir Rocha, Márcio Frizzo e Eduardo Andrade; e) por unanimidade, manter a multa de ofício; e f) por qualidade, manter os juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Cristiane Costa e Guilherme Pollastri. (...) Voto (...) DA REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO (Item 003 do AI do IRPJ) (...) Ora, se a realização da reserva de reavaliação de bens do ativo imobilizado importa em uma consequente adição ao lucro líquido, para fins de cálculos das bases tributáveis em tela, uma vez verificado que a contribuinte não a efetuou nem, por outro lado, comprovou ser o lançamento a título de realização de reserva de reavaliação equivocado, há que se manter o lançamento do item 003 do auto de Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 713 28 infração do IRPJ (Adição não Computadas na Apuração do Lucro Real – Realização da Reserva de Reavaliação) e o correspondente item 004 do auto de infração da CSLL (Falta/Insuficiência de Adições à Base de Cálculo Ajustada da CSLL – Realização da Reserva de Reavaliação). DOS AJUSTES CREDORES (Itens 001 e 002 do AI do IRPJ) (...) Os ajustes de exercícios anteriores decorrem ou de mudança de critério contábil ou de retificação de erros, hipóteses em que a legislação comercial determina que a contrapartida do ajuste seja levada direto a conta de lucros acumulados, a fim de não impactar indevidamente o resultado do período em curso. Por isso mesmo, os ajustes de exercícios anteriores não tem efeitos fiscais, já que não impactam o resultado do exercício de quando são efetuados. Todavia, isso não significa que não possa ter efeitos tributários nos exercícios a que compita o valor extemporaneamente lançado na contabilidade. Assim, caso o valor do ajuste de exercício anterior se refira a despesa dedutível ou receita tributável, para produzir efeito na determinação do lucro real, ela deve ser excluída ou adicionada ao lucro líquido do período de apuração respectivo, ou seja, aquele que efetivamente se refere a receita ou a despesa. O item 001 do auto de infração do IRPJ, cujo fato gerador é 31/12/2006, está assim descrito no auto de infração à fls. 5: “CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS CUSTOS/DESPESAS CONTABILlZADOS A MAIOR (...) Conforme tal enquadradamento, a recorrente teria reconhecido custos/despesas, em 2006, em valores maiores do que o devido, e, por isso, teriam sido feitos ajustes de exercícios anteriores em 2007 e estavam sendo glosados para fins de apuração das bases tributáveis de 2006. Afirma ainda que o TVF complementa o auto de infração. Ao compulsarmos os autos, verificamos que o TVF assim descreve a infração ora em análise: (...). Com relação ao que consta do trecho do TVF, acima transcrito, ressalto que, neste caso, diferentemente daquela situação analisada no item 3 do auto de infração (realização de reserva de reavaliação de bens do ativo imobilizado), a simples constatação de lançamentos em conta de ajustes de exercícios de anteriores não significa necessariamente a existência de matéria tributável. (...) Sem maiores investigações, já se pode afirmar que tais lançamentos não tem relação com contas de provisão ou de equivalência patrimonial, razão pela qual, concluo que a auditoria fiscal foi inconclusa na análise dos ajustes devedores de exercícios anteriores, razão pela qual nada se pode afirmar sobre os efeitos de tais valores nas bases tributáveis do ano a que se referem. Todavia, isso, por si só, não macula o lançamento com base em ajustes credores, mesmo Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 714 29 porque a recorrente, embora conteste a conclusão dos autuantes sobre os ajustes devedores, nenhuma prova traz aos autos de que tais valores eram efetivamente exclusões no ano a que competiam. Com relação aos ajustes credores, verifico também inconsistências no trabalho fiscal, pois, pela descrição fática da infração constante do item 001 do auto de infração, houve glosa de despesa/custo em 2006 por terem sido lançados a maior. Ora, cabia a autoridade fiscal indicar, no TVF, os lançamentos de 2006, nos quais foram lançados valores a maior, ou seja, sobre os quais pesavam a glosa ora efetuada. Concluiu a autoridade fiscal pela glosa de despesa/custos em 2006 a partir unicamente da constatação de lançamentos em 2007 a crédito da conta de ajustes de exercícios anteriores, o que me parece insuficiente, principalmente porque alguns históricos negam a descrição dos fatos do item 001, se não vejamos o que consta das tabelas no TVF a fls. 35: (...). Ora, por esse histórico, uma receita que deveria ter sido reconhecida em 2006, foi equivocadamente lançada em 2007. Então, não se trata de glosa de despesa lançada a maior em 2006. Poderia até ser matéria tributável em 2006, caso não se configurasse em mera postergação, mas a auditoria também foi inconclusa neste ponto. Assim, repito que não poderiam ter sido glosadas despesas de 2006, apenas pela análise de lançamentos contábeis efetuados em 2007 e sem sequer se aprofundar na análise do lastro documental dos lançamentos glosados em 2006. Por tudo isso, concluo que a auditoria fiscal foi inconclusa levando a inconsistentências nos lançamentos efetuados, razão pela qual voto pelo cancelamento do crédito tributário referente ao item 001 do auto de infração e o seu correlato no auto de infração da CSLL. O item 002 do auto de infração, o qual se refere ao período de apuração de 01/07/2007 a 31/12/2007, por sua vez, assim descreve a infração cometida pelo recorrente: “CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS LANÇAMENTOS INDEVIDOS EM CONTA DE DESPESA OU REDUTORA DE RECEITA (...) Sobre o lançamento no valor de R$ 791.415,62 a débito de despesas operacionais, a recorrente ao se defender alega que: “se houve uma receita reconhecida no período em que houve lucro positivo, é certo que este valor compôs o lucro do período. Logo, se, em ano posterior, há o estorno desta receita, é plausível que o contribuinte lance uma despesa neste período e reduza o montante que já foi tributado em ano anterior”; (...) Ressaltese que a recorrente foi intimada, pelo autuante, a explicar tal lançamento e nada falou. Na impugnação, não aduziu a argumentação que ora apresenta. Por outro lado, ainda que fosse verdade o que Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 715 30 agora alega em recurso voluntário, não justificaria acertar o reconhecimento equivocado de um valor como receita em ano anterior com o adiantamento de clientes foi reconhecido como receita no período anterior, o que por si só já basta para afastar sua alegação, mesmo porque é pouco crível que tenha levado a resultado mero adiantamento de cliente. Se havia alguma justificativa para lançamentos contábeis tão absurdos, deveria a recorrente trazer provas robustas e não meras alegações. Com relação ao lançamento no valor de R$ 263.000,00 a débito da conta de resultado – Vendas de Energia, a recorrente nada alega que pudesse justificar tal equívoco contábil, razão pela qual também entendo que deva ser mantido nas bases tributáveis. Assim sendo, mantenho integralmente as bases tributáveis do item 002 do auto de infração do IRPJ ( e do correlato no auto de infração da CSLL). DOS RESULTADOS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS (Item 004 do AI do IRPJ) (...) Assim, os aututantes concluem que há uma diferença não declarada no resultado em 31/12/2007 no valor de R$ 28.209.502,08, de tal sorte que o Prejuízo Fiscal declarado em DIPJ, R$ 79.943.284,28, após ajustados pelas outras infrações constantes deste auto de infração e pela diferença encontrada, deve ser reduzido para R$ 45.838.532,49. O lançamento, neste item 004 do AI do IRPJ, contém inconsistências, pois se, analisarmos as planilhas no TVF a fls. 36, verificaremos que, se o autuante encontrou uma diferença positiva de R$ 28.209.502,08 no período de 01/07/2007 a 31/12/2007, por outro lado, ele encontrou uma diferença negativa de R$ 19.685.432,67 no período de 01/01/2007 a 30/06/2007, de tal sorte que, em princípio, o saldo de prejuízos fiscais a compensar só deveriam ser ajustados pela diferença entre as duas diferenças apuradas, a qual, segundo o próprio autuante, seria de R$ 8.524.069,41, conforme tabela no TVF a fls. 36. É inaceitável que a autoridade fiscal apure e registre nos seus papéis de trabalho que o saldo de PF deva ser reduzido em R$ 8.524.069,41, mas discricionariamente, prefira realizar o lançamento isolado do segundo semestre (após cisão), de tal foram que, desconsidera a parcela favorável ao contribuinte relativa ao primeiro semestre, para reduzir o saldo de PF em R$ 28.209.502,08, conforme auto de infração. Todavia, a situação ainda requeria uma providência, qual seja, verificar qual a proporção do saldo de prejuízo fiscal a compensar existente em 30/06/2007 que continuaria disponível para a recorrente, isso porque ela sofreu uma cisão parcial em 30/06/2007, logo seria aplicável ao caso o disposto no parágrafo único do art. 33 do DL 2.341/87, in verbis: (...). Assim, não se pode afirmar, como fez o autuante na tabela a fls. 36, que haveria uma diferença negativa para a recorrente de R$ Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 716 31 19.685.342,67 em 30/06/2007, pois tal valor deveria ser adicionado ao saldo de prejuízo fiscal em 30/06/2007 e depois proporcionalizado de acordo com a parcela do patrimônio líquido que remanesceu na recorrente (cindidida parcialmente) e, só assim, saberseia qual o valor que deveria ser adicionado ao saldo de prejuízos a compensar da recorrente. Nada disso foi feito e o lançamento só se ocupou do valor que deveria ser excluído do saldo de prejuízo fiscal a compensar, decorrente da redução do prejuízo fiscal apurado em 31/12/2007. Ademais, os autuantes tomam como certo o valor contabilizado e como incorreto o valor constante da DIPJ e do Lalur sem qualquer justificativa ou investigação mais apurada. Isso demonstra mais uma fragilidade desse lançamento. Logo, diante de todas essas inconsistências, voto por cancelar o item 004 do auto de infração, pois nem mesmo os cálculos realizados no TVF gozam de certeza quanto ao valor que deva ser ajustado o saldo de PF da recorrente. (...) Como visto, foram afastadas as infrações 01 e 04 do Auto de Infração do IRPJ do Processo conexo nº 10480.731156/201103. Afastada a infração 01 do IRPJ e reflexo, qual o efeito sobre o saldo de lucros acumulados posições 31/12/2006 e 31/12/2007? LUCROS ACUMULADOS Segundo a Fiscalização da RFB/DRFRecife, em face das infrações imputadas naquele processo (conexo), não haveria saldo de lucros acumulados em dezembro/2006 e em junho/2007 (ajustes efetuados pela Fiscalização na escrituração contábil/fiscal da empresa Vale Verde Empreendimentos Agrícolas), conforme demonstrativos elaborados pela Fiscalização que transcrevo a seguir: Planilha 01 Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 717 32 Em 2003, 2004 e 2005 (a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do lucro presumido). Planilha 02 Planilha 03 Acerca desses Demonstrativos acima, consta do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal a narrativa dos fatos, porém não consta explicação, expressa, pelo qual o valor de R$ 81.163.996,38 (saldo de lucros acumulados, posição contábil dezembro/2006 e junho/2006, antes das destinações), simplesmente, desapareceu da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulado (3ª planilha acima, ou seja, o último Demonstrativo de Lucros ou Prejuízos Acumulados) que serviu para imputação da infração objeto deste processo: OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS, fato gerador 31/07/2007. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 718 33 Vejamos a transcrição dos fatos pela Fiscalização, constante do Relatório de Encerramento da Ação Fiscal: (...) Em 28 de junho de 2007, os sócios da Vale Verde resolveram aprovar um aumento de capital da sociedade com a utilização dos saldos contábeis das contas de reserva de capital R$ 13.334.282,73 e da conta de lucros/prejuízos acumulados R$ 93.764.178,27. O capital foi aumentado em R$ 107.098.461,00, passando a valer R$ 107.593.000,00. Com isso o sócio Eduardo José de Farias, proprietário de 99,7434% das cotas da empresa, passou a ser titular de 107.316.916 cotas de R$ 1,00 cada, no valor total de R$ 107.316.916,00. Tudo conforme a Décima Primeira Alteração Contratual da sociedade. Na mesma data, conforme décima segunda alteração contratual, a Vale Verde Empreendimentos Agrícolas sofreu uma cisão que se refletiu no seu capital social pela redução em R$ 980.300,00, passando a ser de R$ 106.612.700,00, e o cancelamento de 980.300 cotas, permanecendo 106.612.700. Em consequência a participação societária de Eduardo Farias foi reduzida para 106.339.132 cotas, no valor global de R$ 106.339.132,00. (Obs: Cisão parcial da Vale Verde, capital destinado à empresa Legacy Veículos Ltda). Em 30 de junho de 2007, os sócios da Vale verde resolveram admitir na sociedade, como sócio cotista, a Administradora Baia Formosa S.A., que recebeu do sócio Eduardo José de Farias a totalidade de sua participação na Vale Verde, registrada como 106.339.132 cotas no valor global de R$ 106.339.132,00. Tendo cedido a totalidade de suas cotas, este se retira da sociedade, dando plena e rasa quitação. A alteração contratual foi registrada como a décima terceira. Não foi informado nessa última alteração sob que forma a cessão das cotas de Eduardo Farias à Administradora Baia Formosa foi remunerada. Eduardo Farias era acionista da Administradora Baia Formosa, possuindo 238.739 ações da companhia desde 2004. Em 30 de junho de 2007, os acionistas da Baia Formosa Maria Geralda Heráclio do Rego Farias e Eduardo José de Farias se reuniram em assembleia e deliberaram, entre outras coisas, aprovar o aumento do capital social no importe de R$ 106.015.343,32, mediante a emissão de 1.140.784 ações ordinárias nominativas ao preço de R$ 92,93, subscritas unica mente pelo acionista Eduardo José de Farias e totalmente integralizadas mediante a entrega de 106.339.132 cotas do capital social da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda. A deliberação consta, sob n° 4, da ata da assembléia geral extraordinária realizada no dia 30 de junho de 2007, da qual faz parte o boletim de subscrição. Em 30 de novembro de 2011 foi lavrado um auto de infração de IRPJ e CSLL em nome da pessoa jurídica Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda, referente ao anocalendário 2007, no qual foi constatado que a empresa não tinha saldo de lucros acumulados para proceder ao aumento de capital registrado em sua décima primeira alteração contratual, no montante de R$ 93.764.178,27. Assim, o valor do capital da Vale Verde após a décima segunda alteração Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 719 34 contratual era de R$ 13.828.821,80 e não R$ 107.593.000,00. Com a cisão ocorrida em seguida, na qual houve redução de capital no montante de R$ 980.300,00, com o cancelamento de 980.300 cotas, o capital ficou reduzido a 12.848.521,80. Consequentemente a participação de Eduardo Farias na empresa era de 99,7434% de R$ 12.848.521,80, ou seja, R$ 12.815.552,49 e não R$ 106.015.343,32. Como o contribuinte alienou à Administradora Baia Formosa S/A a totalidade de sua participação na Vale Verde Empreendimentos Agrícolas, que valia R$ 12.815.552,49, e obteve em troca 1.140.784 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, por R$ 106.015.343,32, houve um ganho de capital na operação de R$ 93.199.790,90. Esse ganho de capital não foi oferecido à tributação. (...) Como visto, não há menção expressa da Fiscalização da razão da exclusão do valor de R$ 81.163.996,38 (saldo de lucros acumulados, posição contábil dezembro/2006 e junho/2007, antes das destinações), em ambos os processos. Ocorre que, desde o início, o sujeito passivo questiona: que a Fiscalização apresentou, computou, saldo de lucros acumulados, posição dezembro/2006 e posição junho/2007 (na 2ª planilha acima), valor de R$ 81.163.996,38 (antes das destinações); porém, na 3ª planilha (última planilha), o valor simplesmente não mais aparece, não mais existe, in verbis: (...) Que, no caso, a própria fiscalização registrou, em seu termo de encerramento (item III, pág. 7) lucros acumulados em dezembro de 2006 no valor de R$ 93.764.178,27. Todavia, sem qualquer explicação plausível e sem nenhuma demonstração aritmética, partiu de um lucro no valor de R$ 12.269.656,19 neste mesmo mês, desconsiderando os lucros acumulados no montante de R$ 81.163.996,38. (...) Realmente, esse é o 1º ponto que demanda esclarecimento por parte da Fiscalização. Na 2ª planilha acima a posição contábil antes das destinações em junho/2007 (operação de incorporação de lucros acumulados e reservas de capital ao capital social da Vale Verde), quanto aos lucros acumulados, indicava saldo de lucros acumulados de R$ 93.764.178,27 e ainda em face do prejuízo do período de R$ 58.987.605,00), o valor permanecia positivo R$ 58.314.094,32. E, após as destinações de R$ 93.764.178,27, passou a apresentar saldo negativo () R$ 35.450.083,95. Já na planilha de ajustes da Fiscalização (3ª), o saldo de lucros acumulados de R$ 81.163.996,38 na posição dezembro/2006 e junho/2007, simplesmente, desapareceu! Com isso, e ainda em fase da glosa de ajustes credores e devedores, passou a existir saldo negativo de () R$ 43.197.161,24 (antes das destinações) em 31 de junho 2007, implicando após as destinações saldo negativo nessa conta contábil () R$ 136.961.339,51. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 720 35 Há, portanto, uma diferença R$ 81.163.996,38 (glosa de lucros acumulados) a ser justificada pela Fiscalização. Ainda, em face da insubsistência da infração 01 (Glosa dos ajustes credores), no processo nº 10480.731156/201103, o que implica, salvo melhor juízo, a necessidade de recomposição do saldo de lucros acumulados/prejuízos posição 30/12/2006 e 31/06/2007. Sendo assim, propugno pela conversão do julgamento em diligência fiscal, ou seja, retornar os presentes autos à Unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Recife, para: a) a Fiscalização manifestarse acerca da desconsideração de R$ 81.163.996,38 (saldo de lucros acumulados, posição contábil dezembro/2006 e junho/2007, antes das destinações, da empresa Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda), conforme demonstrativos da conta contábil Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, já transcritos acima, que implicou inexistência total de saldo de lucros acumulados para incorporação ao capital social (posições contábeis dezembro/2006 e junho/2007); O sujeito passivo, argumenta que NÃO há expressa razão ou justificativa para a citada glosa de lucros acumulados, posições 31/12/2006 e 30/06/2007, nos seguintes termos (excerto extraído do relatório da decisão recorrida): (...) Que a opção pela tributação pelo lucro presumido não elimina os lucros acumulados da contabilidade da empresa e no entanto a fiscalização considerou que a Vale Verde não dispunha de saldo na conta lucros acumulados, requisito para realizar o aumento de capital social registrado na 11ª alteração contratual no valor de R$ 93.764.178,27. Logo, não há ganho de capital tributável , visto que não cabe falar em inexistência dos valores lançados na conta de lucros acumulados da escrituração da Vale Verde. No sentido de demonstrar a improcedência da autuação sobre a Vale Verde, conforme auto de infração protocolado sob processo nº 10480.731156/201103, a defesa expõe as razões contidas nos subitens III.2.1.A Da ausência de demonstração clara e inequívoca na análise da conta de lucros e prejuízos acumulados na empresa Vale Verde (fls. 214 a 218), e III.2.1.B – Da impropriedade da tributação dos ajuste credores – postergação e efeitos no tempo (fls. 218 a 220). (...) b) a Fiscalização manifestar acerca do saldo de lucroS acumulados de anos anteriores, posição 31/12/2006 na escrituração contábil da Vale Verde. Se a glosa pela Fiscalização decorreu do fato da citada empresa ter apurado os resultados nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005 pelo regime do lucro presumido? c) a Fiscalização manifestarse acerca dos efeitos da decisão final do processo conexo nº 10480.731156/201103 na presente lide, em face do afastamento das infrações 01 e 04 do Auto de Infração do IRPJ e reflexo (CSLL) naquele processo, pois, além do valor do itens "a" e "b" acima glosa de lucros acumulados de R$ 81.163.996,38 que necessita de justificação da Fiscalização, há ainda a glosa de ajustes credores no valor de R$ 31.972.893,80, Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 721 36 cuja infração restou insubsistente no referido processo conexo e que, salvo melhor juízo, interfere no saldo de lucros/prejuízos acumulados posições 31/12/2006 e 30/06/2007; d) a Fiscalização deverá proceder, portanto, atualização, ajuste na planilha 03 (acima), no sentido de evidenciar no DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS da empresa Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda para as posições dezembro/2006, junho/2007, em face do exposto nos itens "a" , "b" e "c" retro (decorrência da insubsistência das infrações 01 e 04 naquele processo conexo); e) a Fiscalização deverá demonstrar, de forma expressa, cabal, qual o valor do saldo de lucros acumulados disponível para incorporação ao capital social da referida empresa, ou seja, Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda, para as posições 30/12/2006 e junho/2007, antes das destinações; f) para cumprir essa diligência, ainda a Fiscalização poderá proceder intimações, que julgar necessárias, do sujeito passivo e respectivas empresas já mencionadas no relatório. Por fim, a Fiscalização deverá elaborar relatório circunstanciado, conclusivo, da diligência fiscal (apresentando de resultados conclusivos) e do qual deverá dar ciência ao sujeito passivo, abrindo prazo de trinta dias para, em querendo, manifestarse nos autos. Após transcorrido o lapso temporal, com ou sem manifestação do sujeito passivo, que se retornem os autos do processo ao CARF para julgamento da lide. Pelas razões mencionadas, voto para converter o julgamento em diligência, para que se cumpra o solicitado. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 721DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15463.720156/2015-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO.
O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos casos em que reste comprovada falsidade, erro ou omissão, por quem de direito, quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória.
AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTO BRUTO.
O valor a ser lançado na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, rendimento bruto tributável, compõe-se do somatório do rendimento líquido percebido e os descontos efetuados em favor da União - imposto de renda retido na fonte e da contribuição à previdência oficial - subtraído das despesas com a ação judicial necessárias ao seu recebimento.
Numero da decisão: 2401-005.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que seja deduzido todo o valor pago ao advogado, passando o rendimento omitido ao montante de R$ 109.045,05.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente CARLOS FERNANDES BRAGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos casos em que reste comprovada falsidade, erro ou omissão, por quem de direito, quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTO BRUTO. O valor a ser lançado na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, rendimento bruto tributável, compõese do somatório do rendimento líquido percebido e os descontos efetuados em favor da União imposto de renda retido na fonte e da contribuição à previdência oficial subtraído das despesas com a ação judicial necessárias ao seu recebimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que seja deduzido todo o valor pago ao advogado, passando o rendimento omitido ao montante de R$ 109.045,05. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 01 56 /2 01 5- 25 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 15463.720156/201525 Acórdão n.º 2401005.800 S2C4T1 Fl. 84 2 Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 6/11, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) anocalendário 2011, exercício 2012, que apurou imposto suplementar de R$ 3.143,34, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 294.708,39. A opção de tributação foi pelo ajuste. Em impugnação apresentada às fls. 2/4, o contribuinte alega que o valor dos honorários advocatícios utilizados pela Autoridade Tributária não corresponde ao efetivamente pago, que foi de R$ 414.704,80, anexando cópia da Nota Fiscal de Prestação de Serviços, fl. 15. Afirma, ainda, que o valor de R$ 1.556.527,13 foi o valor bruto da causa trabalhista, que, após os descontos de INSS (R$ 5.940,87) e IRRF (R$ 157.099,44), resultou o valor líquido de R$ 1.393.486,82. Aduz que o valor líquido efetivamente depositado em sua contacorrente, após 50% ter sido retido pela Vara de Família e desconto das custas trabalhistas, foi R$ 336.033,88, não tendo recebido o valor de R$ 294.708,39, apontado como omissão da Notificação de Lançamento. A DRJ/BSB, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 1540.130 de fls. 56/59, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. OPÇÃO PELO AJUSTE ANUAL. DESPESAS COM AÇÃO JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. A sistemática da apuração por meio do ajuste anual prevê a apresentação do valor bruto do rendimento auferido, o qual deverá ser ajustado por meio de deduções legais indicadas nos campos específicos na declaração, bem assim, pela compensação do imposto pago antecipadamente com o imposto apurado no ajuste anual. Podem ser excluídas, relativamente ao montante dos rendimentos acumulados tributáveis, as despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 15463.720156/201525 Acórdão n.º 2401005.800 S2C4T1 Fl. 85 3 Cientificado do Acórdão em 8/11/16 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 65), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 1/12/16, fls. 68/77, que contém, em síntese: Explica que lhe foi liberado R$ 683.217,82, do qual foram descontadas às custas, conforme nota fiscal de Ferreira de Mello, Neves e Vaccari. A diferença entre o valor liberado e as custas trabalhistas foi o que foi depositado em sua conta, conforme extrato. Alega que entendeu que deveria declarar os valores efetivamente auferidos. Acrescenta que esta pleiteando junto à justiça o ressarcimento de metade das custas trabalhistas, caso contrário sua exesposa ficaria com 75% do valor líquido da ação. Aduz que no seu entendimento o lançamento se deve por não ter sido compensado apenas metade das custas trabalhistas. À fl. 76 foi juntado Despacho do Poder Judiciário onde consta que o valor de R$ 696.743,40 foi colocado à disposição da vara de família (50% do crédito líquido) e que os honorários advocatícios deverão ser suportados pelo reclamante. Que foi liberado para o reclamante R$ 696.743,40, já descontados os valores relativos ao INSS (R$ 5.940,87 parte do autor) e IR (R$ 157.099,44). É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. RENDIMENTO RECEBIDO EM AÇÃO TRABALHISTA Para o rendimento recebido acumuladamente RRA, a partir de 2010, deve se observar o disposto na Lei 7.713/98, art. 12A: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês.(Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela Fl. 85DF CARF MF Processo nº 15463.720156/201525 Acórdão n.º 2401005.800 S2C4T1 Fl. 86 4 progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifo nosso) § 3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis:(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1oe 3o.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 6o Na hipótese do § 5o, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Conforme relatado, o contribuinte arcou sozinho com os honorários advocatícios, no montante de R$ 414.704,80 (Nota Fiscal de fl. 15), portanto, ele pode deduzir tal valor, nos termos do art. 12A, § 2º, acima transcrito. Cabe esclarecer acerca da legislação tributária, que trata da base de cálculo do imposto de renda. O valor a ser lançado na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, rendimento bruto tributável, compõese do somatório do rendimento líquido percebido e os descontos efetuados em favor da União – imposto de renda retido na fonte e da contribuição à previdência oficial – subtraído das despesas com a ação judicial necessárias ao seu recebimento, desde que o ônus, comprovadamente, tenha sido do beneficiário da ação. Os referidos descontos (imposto de renda retido na fonte e contribuição para a previdência oficial) têm lugares próprios na respectiva Declaração de Ajuste Anual do IRPF para apuração do imposto efetivamente devido: a contribuição à previdência oficial no campo das deduções da base de cálculo do IRPF e o IRRF na compensação direta com o imposto apurado como devido. Assim, caso fosse oferecido à tributação o valor líquido recebido, os Fl. 86DF CARF MF Processo nº 15463.720156/201525 Acórdão n.º 2401005.800 S2C4T1 Fl. 87 5 valores do IRRF e da contribuição à previdência oficial seriam subtraídos em duplicidade, o que representa clara infração à legislação tributária. A base de cálculo do imposto devido é a diferença entre a soma dos rendimentos recebidos (exceto os isentos, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou sujeitos à tributação definitiva) e as deduções permitidas pela legislação. A fiscalização, por ocasião do lançamento, considerou como dedução o valor proporcional dos honorários do advogado no montante de R$ 229.041,46, apurando um rendimento omitido de R$ 294.708,39. Contudo, cabe ainda uma redução adicional no valor dos honorários de R$ 185.663,34 (R$ 414.704,80 R$ 229.041,46), o que altera o rendimento omitido para R$ 109.045,05 (R$ 294.708.39 R$ 185.663,34). Em outros termos: O rendimento total disponibilizado para o contribuinte foi a diferença entre o total da ação (R$ 1.556.527,13) e o valor do crédito bloqueado pela vara de família (R$ 696.743,40), resultando em R$ 859.783,73. Considerando a dedução integral dos honorários advocatícios, os rendimentos tributáveis passam a ser de R$ 445.078,93 (R$ 859.783,73 R$ 414.704,80). O rendimento declarado pelo contribuinte foi de R$ 336.033,88. Assim, o rendimento omitido é de R$ 109.045,05 (R$ 445.078,93 R$ 336.033,88). Tais ocorrências autorizam a administração tributária a rever de ofício o lançamento efetuado, a teor do art. 149 do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; Fl. 87DF CARF MF Processo nº 15463.720156/201525 Acórdão n.º 2401005.800 S2C4T1 Fl. 88 6 VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para que seja deduzido todo o valor pago ao advogado, passando o rendimento omitido ao montante de R$ 109.045,05. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.005580/2004-46
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA.
Não havendo provas que justifiquem erro de fato ou quaisquer outras circunstancias que demonstrassem justificados motivos para o atraso, é devida a multa por entrega extemporânea da DCTF. Previsão legal para instituir a obrigatoriedade de envio da DCTF, bem como aplicação de multa em caso de descumprimento da obrigação.
Numero da decisão: 1003-000.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ATRASO NA ENTREGA. MULTA. Não havendo provas que justifiquem erro de fato ou quaisquer outras circunstancias que demonstrassem justificados motivos para o atraso, é devida a multa por entrega extemporânea da DCTF. Previsão legal para instituir a obrigatoriedade de envio da DCTF, bem como aplicação de multa em caso de descumprimento da obrigação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 55 80 /2 00 4- 46 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16707.005580/200446 Acórdão n.º 1003000.228 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1217.566, de 19 de dezembro de 2007, da 2ª Turma da DRJ/RJOI, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, mantendo o lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF. Aos 24/11/2004, a Recorrente apresentou impugnação contra Autos de Infração de nºs 354848892, 3548889 e 354848875, que cobravam multa por atraso na entrega da DCTF dos 2°, 3° e 4° trimestres de 1999, 1° a 4° trimestres de 2000 e 1° a 4° trimestres de 2001, conforme folhas 42 a 47. A DRJ/ RJOI analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente procedente em parte, nos moldes da ementa abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 Ememta: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de lançamento por homologação, do qual se submete a multa por atraso na entrega da DCTF, o prazo para a Fazenda Pública constituir o lançamento decai em 5 anos contados da data do fato gerador. Assumo: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999, 2000, 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. A cobrança de multa por atraso na entrega de DCTF tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que, em síntese, destaca: (i) que foi excluída do Simples por atraso nos recolhimentos dos tributos e que, em razão disso, ingressou em 05/09/2003 com solicitação de revisão de exclusão do Simples, requerendo o reenquadramento retroativo a partir de 01/04/1999. A DRF de Natal procedeu o reenquadramento a partir de 01/01/2004; (ii) que os efeitos da exclusão do Simples estão em desacordo com o estabelecido pelo art. 196 do RIR/99. O fato gerador que provocou a exclusão ocorreu no ano calendário de 1999, contudo as multas por pretensa falta de entrega da DCTF são decorrentes, portanto, da exclusão, a qual ocorreu em 2003. (iii) que cumpriu espontaneamente a obrigação de entrega da DCTC, antes de qualquer iniciativa ou providência por parte do Fisco e, por conseguinte, o cumprimento espontâneo de obrigações acessórias a destempo está abrigado pelo art. 138 do CTN, o qual esclarece que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea; Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16707.005580/200446 Acórdão n.º 1003000.228 S1C0T3 Fl. 4 3 (iv) que existe conexão entre este processo e aquele que analisou a exclusão da Recorrente do Simples Federal. Requer, por fim, seja declarado nulo o Auto de Infração. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. O processo em análise trata exclusivamente de multa por atraso na entrega da DCTF, quaisquer argumentos relativos à exclusão do SIMPLES não devem ser analisados nesta peça. Outrossim, digno destacar que a Recorrente não juntou ao processo o Despacho Decisório que determinou sua exclusão do Simples, impossibilitando verificar a partir de quando iniciaram os efeitos de sua exclusão. Destacase, porém, que, segundo as declarações da Recorrente, os fatos que motivaram a exclusão ocorreram em 1999, tendo esse retornado à sistemática do Simples apenas em 01/01/2004. Nessa esteira, os efeitos da exclusão devem retroagir à data em que a Recorrente não se apresentava em condições de permanecer no regime diferenciado dada a natureza declaratória do ato de exclusão do Simples. Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei 9.317/1996, alterada pela Lei nº 9.732/1998, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal devem observar o disposto na legislação de regência (CARF. Acórdãos1301001.523). Em relação à figura da denúncia espontânea, contemplada no art.138 do CTN, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da declaração, que se toma ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. O CARF já possui posição consolidada sobre a questão, conforme se depreende da Súmula 49 deste Conselho: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16707.005580/200446 Acórdão n.º 1003000.228 S1C0T3 Fl. 5 4 Portanto, a exoneração da multa pelo atraso na entrega de declaração fundada na Denúncia espontânea não se aplica aos casos de multas decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias. Isso se explica pelo fato da natureza da obrigação acessória, que é autônoma do tributo cobrado. Assim, quando se descumpre a obrigação acessória, nasce um direito autônomo à cobrança (art. 113, § 3°, do CTN). Quanto à decadência, a mesma já foi analisada em primeira instância administrativa e não merece qualquer reparo. Isto posto, voto por não acolher a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão da DRJ/RJOI (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720110/2013-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 08/02/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-007.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 08/02/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 01 10 /2 01 3- 58 Fl. 3525DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte contra o Acórdão n.º 2401004.519 proferido pela Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 21 de setembro de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 3.051: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 08/02/2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. PROVA PERICIAL. NECESSIDADE E VIABILIDADE. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. PERMUTA. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. A permuta é uma espécie do gênero alienação. Sujeitase à incidência do imposto sobre a renda o ganho de capital correspondente à diferença entre o valor de alienação das ações pelo acionista pessoa física e o respectivo custo de aquisição. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Caracterizada a divergência entre a vontade real e a declarada pelo sujeito passivo, com o intuito de retardar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, cabível a majoração da multa de ofício até o importe de 150%. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 3.130 a 3.177, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 3.346 a 3.368, para rediscutir a decisão recorrida no que se refere à existência de simulação. Aduz a Contribuinte, em síntese, quanto à matéria admitida, em nenhum momento ficou caracterizado qualquer ato de simulação, haja vista que, para que ocorra a simulação, as partes devem criar um negócio que não corresponde à realidade de seu efetivo relacionamento jurídico, o que não acontece no caso concreto. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, fls. 3.494 a 3.507, sustentando, em síntese, entre outros fundamentos, que: a) ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma; b) a acusação fiscal, em essência, é de que a interposição da Disa Overseas no negócio de alienação do controle acionário da empresas operacionais Disa Destilaria, Ceisa, Infisa e Pecana se deu com o único e exclusivo propósito de impedir que o ganho de capital se realizasse no Brasil, na pessoa que Fl. 3526DF CARF MF Processo nº 15586.720110/201358 Acórdão n.º 9202007.158 CSRFT2 Fl. 3 3 verdadeiramente negociou tal alienação, a senhora Mônica Duffles Andrade Donato; c) negócio jurídico apresentado não pode servir de base para o custo de aquisição, tendo se prestado apenas para provocar um aumento artificial no custo de aquisição, sem o respectivo fundamento econômico. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento. Alega a Fazenda Nacional a ausência de similitude fática entre o acórdão paradigma (n.º10194.340) e o acórdão recorrido, pois tratam de tributos distintos (o paradigma trata da IRPJ e outros e o recorrido do IRPF). Acrescenta a Fazenda que o Acórdão paradigma tratou de uma acusação de simulação completamente diferente daquela discutida nestes autos: ganhos de capital, alienação de investimento avaliado pelo valor do patrimônio líquido. Na situação ora analisada, anteriormente à alienação de cotas de capital detido, a contribuinte teria artificialmente aumentado o custo de aquisição das participações acionárias por meio de negócios de compra e venda de ações para pagamento em data futura, tendo o vencimento de tais dívidas ocorrido sem que tivesse havido o correspondente pagamento. Diante do exposto, notase que não há similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, bem como, por consequência, não há como se identificar a divergência jurisprudencial suscitada, razão pela qual não conheço do recurso interposto pela Contribuinte. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 3527DF CARF MF 4 Fl. 3528DF CARF MF
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