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Numero do processo: 10380.006548/2004-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO.
Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Pis/Pasep.
PIS NÃO-CUMULATIVO. FRETES. OPERAÇÕES DE VENDAS.
O creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda.
PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE.
As embalagens que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens de transporte) não geram direito a creditamento em relação a suas aquisições.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I - Por unanimidade de votos negar provimento quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação. II - Pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às aquisições de embalagens. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Sidney Eduardo Stahl e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. III - Por maioria de votos negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas com fretes. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Sidney Eduardo Stahl. Designado o Conselheiro José Luiz Bordignon para elaborar o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
(assinado digitalmente)
Jose Luiz Bordignon- Redator Designado
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Pis/Pasep. PIS NÃO-CUMULATIVO. FRETES. OPERAÇÕES DE VENDAS. O creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda. PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. As embalagens que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens de transporte) não geram direito a creditamento em relação a suas aquisições. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do Pis/Pasep. PIS NÃOCUMULATIVO. FRETES. OPERAÇÕES DE VENDAS. O creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. As embalagens que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens de transporte) não geram direito a creditamento em relação a suas aquisições. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I Por unanimidade de votos negar provimento quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação. II Pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às aquisições de embalagens. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Sidney Eduardo Stahl e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. III Por maioria de votos negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 65 48 /2 00 4- 21 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 relação às despesas com fretes. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Sidney Eduardo Stahl. Designado o Conselheiro José Luiz Bordignon para elaborar o voto vencedor. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora (assinado digitalmente) Jose Luiz Bordignon Redator Designado (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006548/200421 Acórdão n.º 3801001.367 S3TE01 Fl. 236 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Fortaleza/CE, abaixo transcrito: "Tratase de processo contendo Pedido de Ressarcimento de crédito correspondente ao Pis/Pasep – Exportação, apurado sob a sistemática do regime de incidência nãocumulativa, referente ao 2º Trimestre de 2003, totalizando R$ 128.137,87, formalizado mediante a transmissão do PER/DCOMP de número 24427.14199.290906.1.3.085228, fls. 17/27. Tendo por substrato Informação Fiscal elaborada pelo Serviço de Fiscalização local, fls. 105/107, a DRF Fortaleza, por meio de Despacho Decisório datado de 29/10/2010, fls. 154/157, reconheceu crédito no valor de 95.182,81 e homologou parcialmente as compensações. O não reconhecimento integral decorreu de glosas efetuadas em determinados créditos considerados pela pessoa jurídica, mais especificadamente concernentes a fretes, despesas com depreciação e com pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados em embalagem destinada ao transporte. Quanto às glosas com fretes e despesas com depreciação, consubstanciadas nos demonstrativos de fls. 76/103, nos valores respectivos de 15.465,43 e 9.009,44, foram efetuados pelos fundamentos a seguir delineados. Segundo registrado na Informação Fiscal, quanto aos descontos com os fretes, foi afirmado que “Somente a partir de fevereiro de 2004 é que passou a ser admitido, para fins de apuração de crédito de PIS, as despesas com frete, conforme Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art. 3º, inciso IX do caput, c/c art. 15, inciso II e art. 93”." Em relação às despesas com depreciação, a glosa efetivouse porque “não houve a apresentação das notas fiscais que comprovam a despesa que deu origem à depreciação”. No que diz respeito à glosa correspondente ao item pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados em embalagem destinada ao transporte, teve como lastro o demonstrativo de fl. 104, no valor de 8.480,19, tendo sido afirmado que de acordo com esclarecimentos e fotos apresentados pela empresa, “os pallets e as cantoneiras são utilizados no processo como embalagem, tendo como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, promovendo, assim, uma eficiente movimentação das mercadorias nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários”. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 4 Ante a situação explanada, com base no disposto pelo inc. II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, combinado com o § 5º do art. 66 da IN SRF nº 247, de 2002, e art. 6º do Decreto nº 4.544, de 2002, afirmou a autoridade fiscal que “somente dão direito ao crédito de PIS as embalagens que acondicionam diretamente os produtos. As embalagens que se destinam apenas ao transporte de produtos não geram direito ao crédito do PIS”. No Despacho Decisório, a Autoridade Local reiterou o posicionamento versado na Informação Fiscal e deliberou pelo reconhecimento parcial do crédito, no valor de 95.182,81. A ciência deuse em 08/11/2010, fl. 154/157. Não satisfeita com o que foi decidido, em 30/11/2010 a pessoa jurídica apresentou Manifestação de Inconformidade, 166/177, argumentando tratarse de empresa “produtora de variados tipos de frutas in natura destinada à exportação, de modo que para garantir a qualidade e conservação de seus produtos é INDISPENSÁVEL a utilização de determinados materiais para a embalagem”. Segundo consta na Informação Fiscal, “somente as embalagens que acondicionam os produtos de forma individual e autônoma poderiam gerar crédito de PIS. Assim, as demais embalagens utilizadas, em especial àquelas adquiridas para a proteção das frutas frescas durante seu transporte ao exterior, não gerariam direito ao crédito”. Todavia, no entender da impugnante, “os pallets, cantoneiras e demais produtos são considerados embalagens de acondicionamento”, posto que a tipificação adotada pela autoridade fiscal teria se apoiado, dentre outros, no art. 6º do Decreto nº 4.544, de 2002, o Regulamento do IPI, enquanto no caso presente a matéria em discussão diz respeito a apuração da Contribuição para o Pis/Pasep de forma nãocumulativa, regime que não se confunde com a nãocumulatividade encontrada no IPI. Afirmou a peticionante que “estamos tratando de créditos de PIS, o qual tem como fato gerador as receitas provenientes da PRODUÇÃO da empresa. Registrese, por oportuno, no vertente caso o contribuinte não é uma indústria, mas uma produtora de frutas frescas, sem qualquer beneficiamento”, que a distinção entre a embalagem de apresentação e embalagem de transporte fora definida para fins de incidência do IPI (RIPI), não sendo considerada no caso de ressarcimento do PIS, que possuem um fato gerador mais amplo”. Ao seu ver, “Na legislação, tanto do PIS, quanto da COFINS, os créditos de embalagem utilizadas na produção são expressamente autorizadas, conforme veremos ao longo desta manifestação”. Discorreu ainda que os “pallets (ou estrados), as cantoneiras, e os demais produtos utilizados no processo produtivo, têm como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, viabilizando a eficiente movimentação de uma mercadoria extremamente frágil (fruta fresca e natural) nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários”, que Fl. 238DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006548/200421 Acórdão n.º 3801001.367 S3TE01 Fl. 237 5 “sem tais materiais seria impossível a comercialização de frutas in natura para o exterior!” face o que não poderia haver qualquer dúvida quanto ao direito a referido crédito. Objetivando fundamentar sua argumentação, trouxe à colação doutrina do insigne constitucionalista Roque Antônio Carrazza, ementas de Soluções de Consulta prolatadas nas Divisões de Tributação (Disit) da 6ª e da 10ª Regiões Fiscais e das Soluções de Consultas Internas nº 102 e nº 118, ambas de 2008. De acordo com a hermenêutica da peticionante, seria possível se depreender dessas duas últimas ementas que “Não configurando ativo imobilizado, surge a possibilidade de ressarcimento de crédito no caso em apreço, e; Se até nos casos que não há a suspensão do tributo torna possível o ressarcimento dos créditos, quanto mais no caso em tablado”, arrematando no sentido de que “os pallets (ou estrados) e as cantoneiras, e os demais produtos objeto de glosa, são, unicamente, materiais de embalagem, não retornando a empresa exportadora, e por isso, gerando créditos por não pertencerem ao ativo imobilizado”. No que tange à glosa correspondente às despesas com frete, decorrente da possibilidade do creditamento somente a partir de fevereiro/2004, face o determinado pelo art. 3º, inc. IX e art. 15, inc. II, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, manifestouse no sentido de que referida legislação não teria trazido qualquer inovação quanto ao aproveitamento de crédito do Pis, referente a despesas com fretes, posto que a Lei nº 10.637, de 2002, já permitiria a utilização de crédito dessa natureza. Segundo o contribuinte, a glosa em questão teria se apoiado em lei estritamente elucidativa, que unicamente esclareceu possibilidade já abrangida pela Lei nº 10.637, de 2002. Ao final de suas considerações postulou o deferimento integral do crédito e a homologação das compensações em sua totalidade, como também que fosse oportunizada a sustentação oral por parte do signatário da peça em apreciação, quando da inclusão do presente processo em pauta de julgamento. Acompanhando a Manifestação de Inconformidade, foram apresentadas cópias de Instrumento Público de Procuração e da 53ª Alteração Contratual. A Unidade Local efetuou os cadastramentos necessários nos sistemas de controle interno e encaminhou o processo à esta DRJ para conhecimento e deliberação. É o que se tem a relatar.” Analisando o litígio, a DRJ Fortaleza/CE entendeu por bem manter a decisão que homologou parcialmente a compensação, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 6 O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime nãocumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. PALLETS, CANTONEIRAS E DEMAIS PRODUTOS UTILIZADOS EM EMBALAGEM DESTINADA AO TRANSPORTE. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante a fase de produção, mas apenas ao final desse ciclo, destinamse tão somente ao transporte não gerando, por conseguinte, direito ao crédito. DESPESA COM FRETE. CRÉDITO. DESCONTO DO VALOR APURADO. A dedução no valor apurado da contribuição do PIS/PASEP pelo crédito gerado com as despesas com fretes, nos casos dos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, quando o ônus for suportado pelo vendedor, tornouse possível somente a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme estabelecido pelo art. 93, inc. I do citado diploma legal. SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO. No âmbito da legislação processual tributária, inexiste previsão para a realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Consta nos autos recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: · As despesas com serviços de expedição de produtos enquadramse no conceito de insumos, uma vez que são necessárias e indispensáveis para o funcionamento da cadeia produtiva. Isto é, as despesas relativas às embalagens destinadas ao transporte dos produtos geram crédito de PIS; · Não houve omissão no que se refere às glosas relativas à depreciação, uma vez que o pedido aduzido na Manifestação de Inconformidade fez referência à totalidade do valor requerido no Pedido de Ressarcimento; · O direito ao aproveitamento de créditos relativos às despesas com fretes já estaria albergado pelo inciso II do artigo 3º da Lei nº. 10.637/2002. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006548/200421 Acórdão n.º 3801001.367 S3TE01 Fl. 238 7 Voto Vencido Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Em síntese, o que será analisado no presente processo administrativo é se a Recorrente faz jus a créditos de PIS decorrentes de despesas com depreciação, com fretes e com materiais de embalagem destinados ao transporte dos produtos ao destinatário final. Pois bem. Por meio do despacho decisório proferido nos autos, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE houve por bem negar homologação ao Pedido de Ressarcimento decorrente das despesas de depreciação, com relação às quais não houve a apresentação de notas fiscais comprobatórias de sua origem. A referida decisão foi mantida pela 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Fortaleza/CE, ao argumento de que a Recorrente teria se mantido omissa quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação, tratandose de matéria não impugnada. Embora o pedido aduzido na Manifestação de Inconformidade faça referência à totalidade do valor requerido no presente Pedido de Ressarcimento, é certo que a Recorrente não trouxe, em nenhum momento que lhe fora oportunizado o direito de defesa, qualquer elemento ou fundamento capaz de infirmar o entendimento da Delegacia de origem, no sentido de que inexiste a comprovação da origem das despesas de depreciação glosadas. Por esta razão, voto pelo conhecimento e desprovimento do Recurso Voluntário neste ponto. No entanto, o inconformismo da Recorrente no que diz respeito às despesas com materiais de embalagem e com fretes merece prosperar. Não se discute que o regime de créditos na sistemática da nãocumulatividade do PIS e COFINS é mais amplo que aquele utilizado no âmbito da nãocumulatividade do IPI. Nesse sentido é o magistério de Marco Aurélio Greco, confirase: "Notese, inicialmente, que as Leis de PIS/COFINS não fazem expressa remissão à legislação do IPI. Vale dizer, não há um dispositivo que, categoricamente, determine que "insumo" deva ser entendido como algo assim regulado pela legislação daquele imposto. Ademais, o regime de créditos existe atrelado à técnica da não cumulatividade que, em se tratando de PIS/COFINS, não encontra na Constituição perfil idêntico ao do IPI. Realmente, no âmbito da nãocumulatividade do IPI, a CF/88 (art. 53, §3º, II) restringe o crédito ao valor do imposto cobrado nas operações anteriores, o que obviamente só pode ter ocorrido Fl. 241DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 8 em relação a algo que seja "produto industrializado", de modo que a palavra "insumo" só pode evocar sentidos que sejam necessariamente compatíveis com essa idéia (= algo fisicamente apreensível). Por isso, insumo para fins de nãocumulatividade de IPI é conceito de âmbito restrito, por alcançar, fundamentalmente, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Por outro lado, nas contribuições, o §11 do artigo 195 da CF não fixa parâmetros para o desenho da nãocumulatividade o que permite às Leis mencionadas adotarem a técnica de mandar calcular o crédito sobre o valor dos dispêndios feitos com a aquisição de bens e também de serviços tributados, mas não restringe o crédito ao montante cobrado anteriormente. Vale dizer, a nãocumulatividade regulada pelas Leis não tem o mesmo perfil da pertinente ao IPI, pois a integração exigida é mais funcional do que apenas física. Assim, por exemplo, no âmbito do IPI o referencial constitucional é um produto (objeto físico) e a ele deve ser reportada a relação funcional determinante do que poderá, ou não, ser considerado "insumo". Por outro lado, no âmbito de PIS/COFINS a referência explícita é a "produção ou fabricação", vale dizer às ATIVIDADES e PROCESSOS de produzir ou fabricar, de modo que a partir deste referencial deverá ser identificado o universo de bens e serviços reputados seus respectivos insumos. Por isso, é indispensável ter em mente que, no âmbito tributário, o termo "insumo" não tem um sentido único; sua amplitude e seu significado são definidos pelo contexto em que o termo é utilizado, pelas balizas juridíconormativas a aplicar no âmbito de determinado imposto ou contribuição, e as conclusões pertinentes a um, não são automaticamente transplantáveis para outro. No caso, estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a receita ou o faturamento, portanto, sua nãocumulatividade deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função deles (receita/faturamento). Enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos a ele relativos, o processo formativo da receita ou do faturamento aponta na direção de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção. Vale dizer, por mais de uma razão, o universo de elementos captáveis pela não cumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo que o do IPI”. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS, Revista Fórum de Direito Tributário, v. 34, juL/ago. 2008) Observese, portanto, que a análise do regime de créditos atinentes à não cumulatividade do PIS e da COFINS deve levar em consideração todas as atividades envolvidas no processo de formação da receita ou faturamento de determinada pessoa jurídica. Aplicandose tais ensinamentos ao caso concreto, não há dúvidas de que a exportação das mercadorias integra o processo de formação da receita da Recorrente. Deste Fl. 242DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006548/200421 Acórdão n.º 3801001.367 S3TE01 Fl. 239 9 modo, as despesas incorridas com o material de embalagem necessário ao transporte dos produtos da Recorrente (e, em última análise, à sua distribuição e comercialização), deve gerar direito ao aproveitamento do crédito de PIS e COFINS. Somase ao exposto acima que a Instrução Normativa nº. 404/2004, ao dispor sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833/2003, não distingue, no conceito de insumo, qualquer espécie de material de embalagem para fins de desconto de créditos, vejase: “Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (...)”. Sobre o tema, inclusive, já se pronunciou a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF: “INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. O COFINS incidente nas aquisições de bens e serviços utilizados no processo produtivo, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, gera direito a crédito. Recurso Voluntário Provido”. ( Processo nº 13931.000340/200756, Recurso nº 511.759 Voluntário, Acórdão nº 330200.766, Sessão de 10 de dezembro de 2010) Extraise do inteiro teor do voto condutor do referido julgado: “Quanto aos paletes, estrados, ripas e etiquetas, o acórdão recorrido nega o creditamento aduzindo que a contribuinte os utiliza para embalar e proteger seus produtos até o seu destino final, se destinando inequivocamente apenas para movimentação, armazenagem e transporte de produtos, sem que haja a incorporação desses bens durante o processo de industrialização. Mas apenas com a sua utilização depois de concluído o processo produtivo, não pode gerar direito ao crédito da contribuição. Ao contrário do que afirma o decisum, entendo que esses produtos são incorporados ao produto final, pois sem eles não Fl. 243DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 10 podem ser comercializados, quer por exigência da legislação, quer por propiciar o manuseio/transporte. O seu enquadramento como insumo está previsto na alínea “a”, inc. I, do § 4º, do art. 8º, da INSRF 404/04, ipsis verbis: § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (grifo nosso) Conveniente lembrar a regra de hermenêutica insculpida no aforismo de que ao intérprete não cabe distinguir quando a norma não distingue, restando inconcebível interpretação restritiva, assim como o estabelecimento de óbices não expressamente previstos na lei. No caso em comento, a norma contempla “material de embalagem”, sem qualquer especificação, portanto abrange todo tipo de embalagem aplicado no processo produtivo, independentemente de sua finalidade, vez que a norma não faz distinção. Portanto, os créditos decorrentes da aquisição de paletes, estrados, ripas e etiquetas, utilizados para embalar, armazenar, proteger e identificar seus produtos, podem ser deduzidos”. Finalmente, o Recurso Voluntário interposto pela Recorrente também deve ser provido no que se refere às despesas com fretes. De fato, a possibilidade de desconto de créditos decorrentes de serviços utilizados como insumos na produção de produtos destinados à venda sempre esteve albergada pelo inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, que assim determina: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;”. É o que verifica na hipótese. A “PLANILHA I GLOSAS EFETUADAS EM DESPESAS COM FRETES” que instrui os autos faz menção à nota fiscal de entrada, emitida pelos fornecedores ali listados, donde se presume que o valor do frete corresponde a serviço utilizado pela Recorrente em seu processo produtivo. Ora, a própria legislação de regência, como visto, admite que serviços sejam utilizados como insumo na produção de bens. Inferese, aí, que o legislador tributário adotou Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006548/200421 Acórdão n.º 3801001.367 S3TE01 Fl. 240 11 um sentido amplo para o termo, fazendo com que seu alcance chegasse a uma utilidade fruída pelo produtor para viabilizar a venda de seu produto – no caso, o serviço de transporte. Importante ressaltar que o PIS é contribuição cujo pressuposto de fato é a receita ou o faturamento. Por essa razão, sua nãocumulatividade deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita/faturamento. O processo formativo da receita ou do faturamento aponta na direção de todos os elementos relevantes para sua obtenção. Daí se conclui serem considerados como "utilizados como insumo" para fins de não cumulatividade de PIS/COFINS todos os elementos físicos ou funcionais que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto, em função dos quais resultará a receita ou o faturamento onerados pelas contribuições. Assim, entendo que a alegada inovação promovida pela Lei nº. 10.833/2003, que teria trazido ao mundo jurídico a possibilidade de aproveitamento de créditos na contratação de fretes, veio apenas convalidar o que, na prática, já estava autorizado, em termos amplos, pelo artigo 3º., inciso II, da Lei no. 10.637/2002. Neste sentido, voto pelo conhecimento e parcial provimento do Recurso Voluntário, reconhecendo o direito de desconto de créditos decorrentes de despesas com fretes e materiais de embalagem. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 12 Voto Vencedor Conselheiro José Luiz Bordignon, Redator Designado Não obstante as respeitáveis razões exaradas no voto da ilustre Relatora, discordo do seu entendimento quanto a possibilidade de creditamento de despesas com fretes e de materiais de embalagem, e o faço pelos motivos abaixo explicitados. 1. Das Despesas com Fretes A Recorrente se insurge contra as glosas de suas despesas com fretes. Sustenta o direito aos referidos créditos em razão de: “O Ilustre Auditor glosou a importância de R$ 16.897,89 (dezesseis mil, oitocentos e noventa e sete reais e nove centavos) referente as despesas com frete. O Agente Fiscal afirma que somente a partir de fevereiro de 2004 o aproveitamento de crédito de PIS, a título de despesa de frete, passou a ser permitido, justificando assim a glosa no artigo 3º, IX; artigo 15, II e artigo 93 da Lei nº 10.833/2003. Todavia, cumprenos elucidar que a referida legislação não trouxe qualquer inovação sobre a matéria de aproveitamento de crédito de PIS, referente a despesas com frete, uma vez que a Lei nº 10.637/2002 já permitia a utilização dos créditos referente a despesas com frete. [...] Ora, a glosa efetuada pelo Agente Fiscal teve fundamento legal em uma lei estritamente elucidativa, ou seja, uma lei que não inovou ou gerou direitos, mas unicamente esclareceu uma possibilidade já abrangida pela Lei nº 10.637/2002. Desse modo, tornase indevida a glosa efetuada pelo Agente Fiscal, pelos motivos acima, posto ter o contribuinte agido dentro dos limites permissivos da legislação”. Importante se faz, para bem analisar a questão aqui discutida, trazer a lume a legislação de que trata o direito ao crédito das despesas com fretes, nas operações de vendas, arcado pela pessoa jurídica, relacionadas à apuração das Contribuições nãocumulativas para o Pis/Pasep e Cofins. A Lei nº 10.637, de 2002, instituidora do regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, fixou em seu art. 3º quais os custos/despesas passíveis de integrar a base de cálculo como crédito a ser descontado, dentre os quais o valor dos serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006548/200421 Acórdão n.º 3801001.367 S3TE01 Fl. 241 13 A partir da Lei no 10.833, de 2003, o regime de apuração nãocumulativa passou a ser adotado também para a Cofins, sendo admitido, a partir de então, o aproveitamento de crédito sobre os valores dos gastos efetuados com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece o inciso IX do art. 3o desta lei: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] Por sua vez, o art. 15 da Lei no 10.833/2003 estendeu o permissivo previsto no inciso IX às pessoas jurídicas incluídas no regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 2004. Da análise da evolução legislativa acima exposta, permitese concluir que o creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, somente poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda. É questão de prova. No entanto, a Recorrente não trouxe, seja na impugnação, seja nessa instância recursal, qualquer elemento que demonstrasse a vinculação da referida despesa com as operações de venda. Portanto, no caso em tela, os gastos relativos ao frete de que trata a planilha I, fls. 56/101, no valor de R$ 38.961,09, não são passíveis de creditamento para fins de apuração do valor devido das contribuições nãocumulativas. 2. Pallets, Cantoneiras e Demais Produtos Utilizados em Embalagem. Com relação as glosas das despesas com embalagens, a Recorrente assim defendeu seu direito: “As embalagens desconsideradas são essenciais para garantir eficiência na exportação, permitindo a conservação dos produtos no final até sua chegada no porto de destino, atendendo assim a sua qualidade. Os pallets (ou estrados), as cantoneiras e os demais produtos utilizados no processo produtivo, têm como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, viabilizando a eficiente movimentação de uma mercadoria extremamente frágil (FRUTA FRESCA E NATURAL) nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários, conforme documentos anexos. Ademais, os pallets, as cantoneiras e demais produtos utilizados para a embalagem não compõem o ativo imobilizado da Fl. 247DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 14 empresa, uma vez que tais mercadorias não retornam a empresa exportadora, sendo colocadas nos containers e entregues aos seus clientes, pois sem estes produtos não seria possível o seu transporte e comercialização. As referidas embalagens viabilizam a operação de uma fruta produzida no Ceará e consumida ainda fresca na Europa. Sem elas, as operações não poderiam se realizar”. Em apertada síntese, pretende a Recorrente ter assegurado o direito creditório relativo a contribuição para o PIS no que tange a despesas de embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas à exportação. Defende a tese de que os gastos com embalagens, sejam elas de acondicionamento ou transporte, estariam enquadrados no conceito de insumos. Nesse aspecto, é meu pensar que a Recorrente não tem razão. O alargamento do sentido do termo “insumos” que se quer imprimir não pode prosperar. No caso vertente, as despesas com embalagens não se relacionam com o processo produtivo da empresa, mas em etapa posterior à produção do bem, isto é, ao transporte inerente à fase de comercialização do produto. Assim sendo, uma vez que a lei se refere expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação e os aqui referidos não se relacionam diretamente com o processo fabril da empresa, por ausência de permissivo legal, os dispêndios agregados em momento posterior à conclusão do processo produtivo (embalagens utilizadas para o transporte de mercadorias), não podem ser descontados como créditos na apuração das contribuições nãocumulativas. Destarte, também improcedente a argumentação da Recorrente nesse tópico. Com estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 248DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004198/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do recurso voluntário apresentado após o transcurso do prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-001.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR e GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do recurso voluntário apresentado após o transcurso do prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR e GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 0426.766 da 2ª Turma da DRJ/CGE, cuja ementa assim dispõe: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 98 /2 01 0- 17 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa, por falta de descrição do fato e de disposição legal infringida e a penalidade aplicável, se estas constam claramente do auto de infração e do Relatório de Ação Fiscal, devidamente cientificados ao contribuinte. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. É cabível o arbitramento dos lucros quando o sujeito passivo não apresenta os livros e documentos de sua escrituração contábil. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito do sujeito passivo mantida em instituição financeira, quando, regularmente intimado, deixa de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE A RECEITA DECLARADA PELO CONTRIBUINTE EM DIPJ E AS RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIAS APURADAS PELO FISCO EM AUDITORIA FISCAL. Caracterizase como omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo na DIPJ e o valor efetivo de suas receitas de vendas de mercadorias, obtido tal valor com o cruzamento da informação prestada pelo sujeito passivo ao Fisco Estadual, mediante preenchimento da GIAICMS. AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 23/07/2012 (AR a fls. 421) e interpôs recurso voluntário (doc. a fls. 427 e segs.) em 23/08/2012, no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que o Auditor Fiscal não tem competência para firmar o auto de infração, pois não é da competência do Delegado da Receita Federal; b) que houve a indevida inversão do ônus da prova; c) que houve cerceamento do direito de defesa porque o TVF mencionou vários documentos que não foram colocados a disposição da recorrente; Fl. 491DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004198/201017 Acórdão n.º 1302001.117 S1C3T2 Fl. 491 3 d) que não observaram o valor mínimo previsto no art. 4º da Lei 9.481/97 e) que a quebra do sigilo bancário da recorrente importou em grave ofensa ao direito constitucional da inviolabilidade do sigilo de dado; f) que a simples movimentação de recursos em contas bancárias não configura fato gerador para incidência do imposto sobre a renda, porque tais valores não revelam necessariamente a existência de renda tributável; g) que a obtenção de prova junto à Fazenda do Estado, como prova emprestada, sem a devida autorização judicial, revela o abuso e irregularidade perpetrados pelo Auditor Fiscal; h) que não cabe o arbitrmento quando se trata de contribuinte que apresnetou declaração de rendas e não houve diligências e averiguações dos agentes lançadores, que possam oferecer dados concretos de sua apuração; i) que a taxa Selic não pode ser utilizada para cálculo dos juros de mora, conforme já decidido pelo Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Tendo a contribuinte tomado ciência da decisão recorrida em 23/07/2012 (AR a fls. 421), o recurso voluntário (doc. a fls. 427 e segs.) interposto em 23/08/2012 é intempestivo, razão pela qual dele não conheço. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário do contribuinte. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 492DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10670.002810/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Ocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. DECADÊNCIA. MULTA QUALIFICADA. SELIC.
Nas hipóteses de arbitramento do lucro a apuração do IRPJ é feita em periodicidade trimestral.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES. LEI Nº 8.212 DE 1991. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DE 2008, DO STF.
São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do Decreto-lei nº 1569/1977, e os arts. 45 e 46 da Lei nº 8212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. [Súmula Vinculante nº. 8, de 2008, do Supremo Tribunal Federal.]
PROVA EMPRESTADA.
Não ocorre a denominada prova emprestada quando não há utilização de prova produzida em outro processo. No caso presente, para o ano-calendário 2002, ocorreu a utilização de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual, conforme previsão em convênio de cooperação.
INTIMAÇÃO. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. SÚMULA 9 CARF.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF n°. 9).
DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Recurso Voluntário provido parcialmente.
Recurso de Ofício desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.359
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i)negar provimento ao recurso de ofício; ii) negar provimento aos recursos apresentados pelos coobrigados; iii) acolher a decadência para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2002;e: iv) no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinada digitalmente)
Carlos Pelá Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, CARLOS PELÁ
Nome do relator: CARLOS PELA
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Recorrida 1ª Turma da DRJ/JFA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Ocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. DECADÊNCIA. MULTA QUALIFICADA. SELIC. Nas hipóteses de arbitramento do lucro a apuração do IRPJ é feita em periodicidade trimestral. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES. LEI Nº 8.212 DE 1991. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DE 2008, DO STF. São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do Decretolei nº 1569/1977, e os arts. 45 e 46 da Lei nº 8212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. [Súmula Vinculante nº. 8, de 2008, do Supremo Tribunal Federal.] PROVA EMPRESTADA. Não ocorre a denominada prova emprestada quando não há utilização de prova produzida em outro processo. No caso presente, para o anocalendário 2002, ocorreu a utilização de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual, conforme previsão em convênio de cooperação. INTIMAÇÃO. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. SÚMULA 9 CARF. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 28 10 /2 00 7- 46 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 3 2 correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF n°. 9). DEMAIS TRIBUTOS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário provido parcialmente. Recurso de Ofício desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i)negar provimento ao recurso de ofício; ii) negar provimento aos recursos apresentados pelos coobrigados; iii) acolher a decadência para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2002;e: iv) no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinada digitalmente) Carlos Pelá – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, CARLOS PELÁ Fl. 500DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado e seus sócios, na qualidade de sujeitos passivos solidários, tendo em vista que o contribuinte não apresentou a escrituração contábil exigida por lei. O Termo de Verificação Fiscal está bem detalhado e tem a seguinte conclusão: Diante do exposto e considerando que os livros fiscais, registro de entradas registro de saídas, registro de Inventário e registro de apuração do ICMS não são confiáveis, visto não possuírem registro nos órgãos competentes e nem mesmo assinaturas dos responsáveis pela empresa e nem do contador; e os livros diários e razão são ainda mais contraditórios e por não ter apresentado os comprovantes que lastreia despesas elevadas no decorrer do ano calendário, não nos parece merecer fé os lançamentos neles contidos; e ainda considerando que a contribuinte foi selecionada levando em conta que nada declarou à SRF, no ano de 2002, informando receita bruta praticamente igual a zero, visto que do valor de R$28.697.143,69 declarados ao Estado, somente a bagatela de R$749,73 foi informada RFB como sendo o faturamento da empresa no ano de 2002 e em declaração simplificada, e ainda considerando que a contribuinte não comprovou os custos e despesas pela falta de apresentação de documentos que lastreiam os lançamentos constantes dos livros contábeis, cuja fidelidade são imprescindíveis para se proceder à apuração do lucro real, entendemos ser de bom grado utilizar os dados extraídos dos sistemas da SEF para fins de lançamento do imposto de renda e seus reflexos, no ano calendário de 2002, consoante os dispositivos legais a seguir mencionados (...). Constatada a deficiência da escrituração, foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Transcrevo a seguir o relatório da DRJ: Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 06/35, que lhe exigem um crédito tributário de R$ 5.011.198,69, com juros de mora calculados até 30/11/2007, assim discriminado: Auto de Infração Valor (R$) IRPJ 1.664.947,47 PIS/Pasep 443.124,60 CSLL 759.074,23 Cofins 2.144.052,39 TOTAL 5.011.198,69 Fl. 501DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 5 4 • Os lançamentos de CSLL, PIS/Pasep e Cofins são reflexos da autuação relativa ao IRPJ. Na "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)" constante do Auto de Infração de IRPJ, o fiscal autuante relatou o seguinte: "Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2002 06/2002 09/2002 12/2002 • Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentalos. (...) 001 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal e Planilhas os quais passam afazer parte integrante deste Auto de Infração. (...) Conforme Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 296/299), com fundamento no art. 124 do CTN, foram incluídos no pólo passivo da relação tributária, na condição de responsáveis tributários, os senhores: OSVALDO SALDANHA DE ALMEIDA, CPF 139.874.37634; JOSÉ JAIME SALDANHA, CPF 648.724.32134; WILDA OLIMAK SALDANHA, CPF 784.476.74649; WENDER SALDANHA DA FONSECA, CPF 451.543.17220. Cientificados os sujeitos passivos, apresentaram impugnação a contribuinte WA ATACADISTA DE CEREAIS E DISTRIB. LTDA (fls. 308/315) e o responsabilizado WENDER SALDANHA DA FONSECA (fls. 316/333), na qual, consoante os argumentos ali aduzidos, ao final pediram: W.A. ATACADISTA DE CEREAIS E DISTRIBUIDORA LTDA. "Isto posto, requer seja anulado o presente Auto de Infração (AI), cancelandose a exigência ou que seja reformulada a exigência fiscal, baixandose o processo em diligência, para a realização de levantamento quantitativo financeiro para a recomposição do estoque de encerramento do ano de 2001 e o estoque de encerramento do ano de 2002, para que a exigência fiscal se atenha apenas à diferença de estoque constatada." (fl. 309). Fl. 502DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 6 5 "Isto posto, requer seja anulado o presente Auto de Infração (AI), cancelandose a exigência ou que seja reformulada a exigência fiscal, baixandose o processo em diligência, para a realização de levantamento quantitativo financeiro para a recomposição do estoque de encerramento do ano de 2001 e o estoque de encerramento do ano de 2002, para que a exigência fiscal se atenha apenas à diferença de estoque constatada e, a partir daí, seja reformulada a exigência do imposto de renda, deduzindose das receitas os descontos incondicionalmente concedidos pela Impugnante, que não poderiam ser considerados como receita e as efetivas devoluções de mercadoria por desfazimento de negócio, que seriam identificáveis mediante levantamento quantitativo financeiro para recomposição do estoque do período fiscalizado, assim como os custos referentes a transportes." (fls. 311/312). “Isto posto, requer seja anulado o presente Auto de Infração (AI), cancelandose a exigência ou que seja reformulada a exigência fiscal, baixandose o processo em diligência, para a realização de levantamento quantitativo financeiro para a recomposição do estoque de encerramento do ano de 2001 e o estoque de encerramento do ano de 2002, para que a exigência fiscal se atenha apenas à diferença de estoque constatada e, a partir daí, seja reformulada a exigência da contribuição social sobre o lucro líquido, deduzindose das receitas os descontos incondicionalmente concedidos pela Impugnante, que não poderiam ser considerados como receita e as efetivas devoluções de mercadoria por desfazimento de negócio, que seriam identificáveis mediante levantamento quantitativo financeiro para recomposição do estoque do período fiscalizado, assim como os custos referentes a transportes.” (fls. 314/315). WENDER SALDANHA DA FONSECA: “Isto posto, requer seja anulado o presente Auto de Infração (AI), excluindose a responsabilidade do Impugnante WENDER SALDANHA DA FONSECA, cancelandose a exigência ou que seja reformulada a exigência fiscal, baixandose o processo em diligência, para a realização de levantamento quantitativo financeiro para a recomposição do estoque de encerramento do ano de 2001 e o estoque de encerramento do ano de 2002, para que a exigência fiscal se atenha apenas à diferença de estoque constatada e, a partir daí, seja reformulada a exigência do imposto de renda, deduzindose das receitas os descontos incondicionalmente concedidos pela Impugnante, que não poderiam ser considerados como receita e as efetivas devoluções de mercadoria por desfazimento de negócio, que seriam identificáveis mediante levantamento quantitativo financeiro para recomposição do estoque do período fiscalizado, assim como os custos referentes a transportes.” (fl. 321). “Isto posto, requer seja anulado o presente Auto de Infração (AI), excluindose a responsabilidade do Impugnante WENDER SALDANHA DA FONSECA, cancelandose a exigência ou que seja reformulada a exigência fiscal, baixandose o processo em Fl. 503DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 7 6 diligência, para a realização de levantamento quantitativo financeiro para a recomposição do estoque de encerramento do ano de 2001 e o estoque de encerramento do ano de 2002, para que a exigência fiscal se atenha apenas à diferença de estoque constatada.” (fl. 326). “Isto posto, requer seja anulado o presente Auto de Infração (AI), excluindose a responsabilidade do Impugnante WENDER SALDANHA DA FONSECA, cancelandose a exigência ou que seja reformulada a exigência fiscal, baixandose o processo em diligência, para a realização de levantamento quantitativo financeiro para a recomposição do estoque de encerramento do ano de 2001 e o estoque de encerramento do ano de 2002, para que a exigência fiscal se atenha apenas à diferença de estoque constatada e, a partir daí, seja reformulada a exigência de contribuição social sobre o lucro líquido, deduzindose das receitas os descontos incondicionalmente concedidos pela Impugnante, que não poderiam ser considerados como receita e as efetivas devoluções de mercadoria por desfazimento de negócio, que seriam identificáveis mediante levantamento quantitativo financeiro para recomposição do estoque do período fiscalizado, assim como os custos referentes a transportes.” (fl. 333). Para instrução deste processo, anexei às fls. 391/397 extratos relativos aos endereços cadastrados nos CPF’s dos responsabilizados. (...). No seu voto, a DRJ entendeu por bem, em razão da decadência, afastar as exigências de PIS e COFINS dos períodos de 01/2002 a 11/2002, tendo em vista que o edital para intimação foi publicado em 11/12/2007. Vale transcrever o voto da DRJ: Inicialmente é necessário delimitar quais dos sujeitos passivos instauraram o litígio mediante apresentação de impugnação tempestiva e sobre qual matéria se instaurou esse litígio. Os responsabilizados Osvaldo Saldanha de Almeida e José Jaime Saldanha e a contribuinte WA Atacadista de Cereais e Distribuidora Ltda foram regularmente intimados pelos Editais DRF/MCR/SAFIS n.ºs 00941, 009412 e 0094/2007 (fls. 306/308), respectivamente. Os interessados Osvaldo Saldanha de Almeida e José Jaime Saldanha não apresentaram impugnações até o presente momento. Convém ressaltar que as intimações por edital ocorreram após tentativa frustrada, via postal, nos endereços de seus correspondentes domicílios tributários informados nos cadastros da RFB (fls. 391/393), o que pode ser verificado no respectivo envelope de correspondência, pelo carimbo aposto pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos com a informação “Desconhecido”. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 8 7 Da mesma forma, a responsabilizada Wilda Olimak Saldanha também não apresentou impugnação, embora tenha sido regularmente intimada por via postal, no endereço do domicílio tributário informado no cadastro da RFB (fls. 302 e 394/395). Já o interessado Wender Saldanha da Fonseca foi cientificado da autuação por via postal em 12/12/2007 (fl. 301), quartafeira, e tinha até o dia 11/01/2008, sextafeira, para apresentar a impugnação dentro do prazo de trinta dias estabelecido no art. 15 do Decreto n.º 70.235/72. Como a defesa foi apresentada somente em 14/01/2008 (fls. 316/333), ela é intempestiva. Além disso, como não foi suscitada a preliminar de tempestividade, tal petição não tem o condão de instaurar a fase litigiosa. Nesse sentido o Ato Declaratório Normativo nº. 15/96 estabeleceu que “eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.” Assim, a teor dos arts. 14 e 15 do Decreto nº. 70.235/72, não se instaurou o litígio em relação às pessoas apontadas como responsáveis. Em consequencia, não conheço da petição apresentada pelo interessado Wender Saldanha da Fonseca. Dos interessados somente a contribuinte pessoa jurídica apresentou impugnações tempestivas, uma vez que para fins de contagem do prazo para impugnar considerase feita a intimação “15 (quinze) dias após a publicação do edital” (art. 23, § 2º, IV, do Decreto n.º 70.235/72). Resta então saber sobre qual matéria se instaurou o litígio. Embora a contribuinte tenha apresentado três impugnações, nas quais afirma, na primeira, tratarse de exigência de “PIS/PASEP”, na segunda, de “imposto de renda” e, na terceira, de “contribuição social sobre o lucro líquido”, considero que o litígio instaurouse também quanto à Cofins. Isso porque os argumentos aduzidos aplicamse também a essa contribuição e na impugnação relativa ao IRPJ a contribuinte cita expressamente a Cofins no terceiro parágrafo, passando a partir daí a referirse ao imposto e também às “contribuições”. A expressão destacada no parágrafo quarto (“a autoridade fiscal não apontou, efetivamente, qual a geração de faturamento ensejaria a incidência das contribuições referidas”) caracteriza bem a intenção de impugnar também a exigência da Cofins, embora ao final seja pedida somente a exoneração do IRPJ. Então, afastando a possibilidade de eventual cerceamento de direito de defesa, considero que o litígio se instaurou em relação ao imposto e às contribuições lançadas de ofício. Circunscrito, então, o contexto em que se dará este julgado, passo ao exame da lide. 1 – Decadência Fl. 505DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 9 8 Apesar de não alegada pela interessada, levanto de ofício, por ser questão de ordem pública, a decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário relativo ao PIS/Pasep e à Cofins Em relação às contribuições da seguridade social, no julgamento do RE 556.664, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/91, por entender que apenas a lei complementar pode dispor sobre normas gerais em matéria tributária, como a decadência. A esse respeito foi editada a Súmula Vinculante nº. 8, publicada DOU de 20/06/2008, com o seguinte enunciado: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Com a edição da Súmula Vinculante nº. 8, a constituição dos créditos da seguridade social não se submete mais ao prazo de dez anos estabelecido no art. 45 da Lei nº. 8212/91, passando a observar as regras contidas no CTN. A teor do disposto no art. 103A da CF/88 e na Lei nº. 11417/2006, a Súmula Vinculante nº. 8 tem eficácia imediata sobre a administração pública direta a partir de sua publicação na imprensa oficial, ficando ressalvado ao STF a possibilidade de restringir seus efeitos vinculantes ou decidir sobre o momento de sua eficácia, o que, no que tange à constituição do crédito, não ocorreu. Portanto, aplicase ao PIS/Pasep e à Cofins o prazo decadencial de cinco anos para constituição do crédito tributário, de acordo com as regras estabelecidas no CTN. Resta saber se ao presente caso aplicase a regra geral de decadência contida no art. 173, I, ou aquela contida no art. 150, § 4º, pertinente ao chamado lançamento por homologação, ao qual, em princípio, se amoldam ao imposto de renda e às contribuições da seguridade social. Com esse intuito transcrevo excerto das conclusões do Parecer PGFN/CAT nº. 1617/2008, que foi exarado em função da edição da Súmula Vinculante nº. 8, em conformidade com a interpretação dada acerca da decadência pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, pela qual, na falta de pagamento antecipado, não há o que se homologar, aplicandose em consequência a regra geral do art. 173, I, do CTN: d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; Fl. 506DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 10 9 O Parecer PGFN/CAT nº. 1617/2008 foi aprovado pelo Ministro da Fazenda em despacho de 18/8/2008, para fins de observância pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, vinculando assim esta instância administrativa, em conformidade com o disposto na Lei Complementar nº. 73/93. No caso vertente, deve ser aplicada a regra do § 4º do art. 150 do CTN (alínea “e” acima), em virtude de a fiscalização não ter apontado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e de ter havido pagamentos das contribuições nos períodos em questão, conforme consignado nas planilhas de PIS/Pasep e Cofins às fls. 54/55. Como os fatos geradores do PIS/Pasep e da Cofins ocorrem no último dia de cada mês, estão abrangidos pela decadência os períodos de apuração de janeiro a novembro de 2002, uma vez que, de acordo com o art. 23, § 2º, IV, do Decreto nº. 70235/72, a ciência do lançamento ocorreu em 26/12/2007, portanto, após o prazo de cinco anos contado pela regra do § 4º do art. 150 do CTN. 2 – Apuração do imposto e das contribuições Além de alegar que a fiscalização não apontou qual a “geração de faturamento” ensejaria a incidência do imposto e das contribuições, a impugnante, em resumo, argüiu que: [...] a inexatidão da circulação de mercadorias indicadas nos DAPIs das competências referentes ao exercício fiscal de 2002, que, em última análise, foi o dado primordialmente considerado pela autoridade fiscal. Também, questiona a Impugnante a desconsideração dos descontos incondicionalmente concedidos pela Impugnante, que não poderiam ser considerados como receita e também a desconsideração das efetivas devoluções de mercadoria por desfazimento de negócio, que seriam identificáveis mediante levantamento quantitativo financeiro para recomposição do estoque do período fiscalizado. Não têm como prosperar os argumentos da impugnante. Consta da Descrição dos Fatos que os valores de receita foram apurados “conforme Termo de Verificação Fiscal e Planilhas”. Na própria impugnação a contribuinte transcreve trecho do Termo de Verificação Fiscal – TVF em que a autoridade lançadora esclareceu que o trabalho fiscal baseouse em informações “declaradas [pela contribuinte – acrescentei] à Receita Estadual por meio de DAPI e armazenadas no sistema SICAF.” Nas planilhas juntadas aos autos de infração (fls. 49/55), nas quais são individualizadas por códigos e totalizadas as receitas, também consta a informação de que os dados foram extraídos do “SICAF/SEF/MG”. Resta claro, então, que a fiscalização utilizou as informações prestadas pela própria contribuinte à Receita Estadual, por meio da Declaração de Apuração e Informações do ICMS – DAPI. Essa Declaração se presta a apurar e informar ao Estado, mensalmente, o valor a ser pago ou restituído a título de ICMS. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 11 10 O procedimento adotado pela fiscalização encontra respaldo na jurisprudência do Conselho de Contribuintes: IRPJ E OUTROS – CABIMENTO. É cabível o arbitramento do lucro de pessoa jurídica na hipótese da não apresentação de livros fiscais e contábeis, bem como da documentação em que se lastreie a escrituração contábil, quando regularmente intimada a tanto, aquela não o faça. IRPJ – LUCRO ARBITRADO – BASE DE CÁLCULO – RECEITA DECLARADA AO FISCO ESTADUAL – A receita declarada ao Fisco Estadual, na forma de sua legislação de regência, pode ser utilizada como base de cálculo para o arbitramento do lucro para apuração do IRPJ devido. [Ac. CC 10196120, sessão de 26/04/2007. Grifei]. Observo ainda que no TVF foi registrado que “os Livros de Apuração do ICMS, em número de 02, não registram as devoluções de vendas – CFOP 1.32 e 2.32, sendo que as vendas não entregues, conforme constatamos em análises nas notas fiscais de saídas, são devolvidas com as mesmas notas fiscais enviadas aos destinatários, as quais são canceladas, não sendo portanto, escrituradas e as mercadorias nelas discriminadas, a princípio, integram o estoque de mercadorias disponíveis para revenda.” Em face dos aspectos acima apontados, deveria a contribuinte demonstrar os alegados erros na apuração das receitas utilizadas nos autos de infração, bem como trazer as provas correspondentes ou pelo menos os indícios que pudessem ensejar a determinação de diligência. Entretanto, limitouse a apresentar alegações dissociadas de provas, sem também demonstrar numericamente os alegados erros da fiscalização. Lembro que o art. 16, IV, do Decreto n.º 70.235/72 diz que a impugnação deve mencionar “os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. Já o art. 15 diz que a impugnação deve ser “instruída com os documentos em que se fundamentar”. Ademais, durante a fase procedimental a fiscalização realizou diversas intimações para que fossem apresentados os livros e documentos fiscais relativos ao anocalendário de 2002, sem que a contribuinte lograsse atender as intimações satisfatoriamente. A precariedade de sua escrituração é confirmada na própria impugnação. Por oportuno, trago excerto do TVF que bem resume o ocorrido: Diante do exposto e considerando que os livros fiscais, registro de entradas, registro de saídas, registro de inventário e registro de apuração do ICMS não são confiáveis, visto não possuírem registro nos órgãos competentes e nem mesmo assinaturas dos responsáveis pela empresa nem contador; e os livros diários e razão são ainda mais contraditórios e por não ter apresentado os comprovantes que lastreiam despesas elevadas no decorrer do anocalendário, não nos parece merecer fé os lançamentos neles contidos; e ainda considerando que a contribuinte foi selecionada levando em conta que nada declarou à SRF, no ano de 2002, informando receita bruta praticamente igual a zero, Fl. 508DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 12 11 visto que do valor de R$ 28.697.143,69 declarados ao Estado, somente a bagatela de R$ 749,73 foi informada à RFB como sendo faturamento da empresa no ano de 2002 e em declaração simplificada, e ainda considerando que a contribuinte não comprovou os custos e despesas pela falta de apresentação de documentos que lastreiam os lançamentos constantes dos livros contábeis, cuja fidelidade são imprescindíveis para se proceder à apuração do lucro real, entendemos ser de bom grado utilizar os dados extraídos dos sistemas da SEF para fins de lançamento do imposto de renda e seus reflexos, no ano calendário de 2002, [...] Diante desses fatos, com base nos arts. 18 e 29 do Decreto nº. 70235/72, entendo estar correto o procedimento adotado pela fiscalização e indefiro o pedido de diligência por considerar tal procedimento prescindível para a solução da lide. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por: Não conhecer, por intempestivas, das impugnações do interessado Wender Saldanha da Fonseca; Considerar procedentes os lançamentos do IRPJ e da CSLL e procedente em parte os lançamentos do PIS/Pasep e da Cofins, cancelando as exigências relativas aos períodos de apuração de janeiro a novembro de 2002, no valor de R$ 154.137,78 de PIS/Pasep e de R$ 747.811,06 de Cofins, bem como os respectivos acréscimos legais; Indeferir o pedido de diligência por considerar tal procedimento prescindível. Contra essa decisão, a DRJ apresenta Recurso de Ofício. A contribuinte, por sua vez, apresenta Recurso Voluntário, em que alega ser NULO o auto de infração, uma vez que utilizouse de prova emprestada, no caso as informações foram obtidas de documentos obtidos junto ao FISCO ESTADUAL de MG. Pede também seja reconhecida a decadência do direito de lançar IRPJ E CSLL apurado pelo regime de lucro arbitrado, tendo em vista que o lançamento data de dezembro de 2007 e os fatos ocorreram durante os trimestres de 2002. Irresignada, a empresa apresentou o recurso voluntário de fls. 419/430, sustentando, em síntese, (i) a nulidade do auto de infração lavrado com base em prova emprestada; (ii) a decadência do crédito tributário em questão, por força do art. 150, § 4º do CTN; ou, alternativamente, a decadência de todos os períodos exceto dezembro/02, já que a apuração do lucro arbitrado é devida trimestralmente. Já no CARF, esta Câmara converteu o julgamento em diligência, para que fosse (i) verificado se o Sr. Wender Saldanha Fonseca foi cientificado da decisão de 1ª instancia, determinando, em sendo o caso, fosse dada ciência e reaberto prazo para recurso; e (ii) quanto aos demais coobrigados, para que fosse lavrado termo de revelia, a ser cientificado aos interessados juntamente com cópia da decisão de 1ª. instância, sem abertura de prazo para recurso. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 13 12 Em atendimento à solicitação de diligência foram anexados aos autos os seguintes documentos: 1 fls. 456 e 461 ciência ao Sr. Wender Saldanha Fonseca, da decisão de lª instância. Após o transcurso do prazo regulamentar para recurso, regularmente intimado (conforme AR recebido em 03/01/2012 – fl. 461) não tendo o coobrigado apresentado recurso, foi lavrado termo de perempção datado de 03/02/2012 (fls. 464); 2 fls. 453 a 455, termo de revelia em nome dos coobrigados Osvaldo Saldanha de Almeida, José Jaime Saldanha e Wilda Olimak Saldanha; 3 os Comunicados SACAT nº. 694/2011, 696/2011 e 695/2011 (fls. 457 a 460, 462 e 465) dando ciência da decisão lª instância aos coobrigados Osvaldo Saldanha de Almeida, José Jaime Saldanha e Wilda Olimak Saldanha, sem abertura de prazo. Ressaltese que, quanto a tais Comunicados, 1) o Sr. Osvaldo Saldanha de Almeida foi intimado via EDITAL DRF/MCR/SACAT nº 04/2012, afixado em 09/02/2012 e desafixado em 24/02/2012, conforme fl. 465; 2) a Sra. Wilda Olimak Saldanha foi intimada em 03/01/2012, conforme AR de fl. 460; e 3) o Sr. José Jaime Saldanha foi intimado em 11/01/2012, conforme AR de fl. 462. Após isso, todos os coobrigados, em conjunto apresentaram petição (fls. 466/470), alegando: (i) que a intimação via Edital realizada para ciência da decisão de 1ª instância aos Srs. Osvaldo e José Jaime são nulas, posto que enviada a endereço diverso do dos manifestantes; (ii) que as intimações postais realizadas para ciência da decisão de 1ª instância pela Sr. Wilda e pelo Sr. Wender são nulas, já que recebidas por pessoas não conhecidas dos manifestantes. Pleiteiam, assim, a nulidade de todos os atos processuais após a decisão de 1ª instância. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso voluntário da contribuinte pessoa jurídica e o recurso de ofício atendem os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos. A Recorrente sustenta dois pontos para afastar o lançamento em questão: (i) a decadência do crédito tributário lançado; e (ii) a nulidade do auto de infração lavrado com base em prova emprestada. Da decadência Fl. 510DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 14 13 Quanto ao primeiro ponto, é de se ter em mente que a matéria fora definitivamente julgada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo (Art. 543C da Lei nº. 5869/1973 CPC), conforme REsp nº. 973.733SC. Referida decisão, tornouse vinculante àquelas proferidas por esse Conselho, consoante alteração contida na Portaria MF nº. 586/2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº. 256/2009. In verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, conforme entendeu o Egrégio STJ no REsp nº. 973.733SC, nos casos de tributo sujeito à lançamento por homologação, inexistindo pagamento antecipado, aplicase o prazo decadencial previsto no artigo 173, I do CTN que, por sua vez, não tem aplicação cumulativa/concorrente com o prazo do artigo 150, § 4º do CTN. A contrário senso, existindo registro de pagamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS por parte da Recorrente que se caracterize como antecipação, será cabível a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Nesse sentido, no caso vertente, deve ser aplicada a regra do § 4º do art. 150 do CTN, em virtude de a fiscalização não ter apontado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e de ter havido pagamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme consignado nas planilhas às fls. 53/55 do relatório fiscal. Ou seja, no caso em comento, o prazo decadencial contarseá a partir da ocorrência do fato gerador. Expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Além disso, também é necessário consignar que (i) merece razão a contribuinte quando afirma que nas hipóteses de arbitramento do lucro a apuração do IRPJ é feita em periodicidade trimestral e (ii) incide, no presente caso, a Súmula Vinculante nº 8, de 2008, do Supremo Tribunal Federal (STF), de seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. (DJe de 20/6/08; DOU de 20/6/08). Com a edição da Súmula Vinculante nº. 8, a constituição dos créditos da seguridade social não se submete ao prazo de dez anos estabelecido no art. 45 da Lei nº. 8.212/91, passando a observar as regras contidas no CTN. Assim, para fatos imponíveis ocorridos no anocalendário de 2002, relativos à IRPJ e CSLL; ou seja, até 31.12.2002, a ocorrência do fato gerador deuse para cada trimestre, respectivamente, em 31.03.2002, 30.06.2002, 30.09.2002 e 31.12.2002. Portanto, os três primeiros trimestres estariam decaídos em 26.12.2007, quando a Recorrente tomou ciência Fl. 511DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 15 14 do lançamento levado à cabo na sistemática do lucro arbitrado (vide edital às fls. 308, afixado em 11/12/2007). Já no que tange ao PIS e a COFINS, existindo pagamento antecipado, por força da decisão do E. STJ, também se aplica o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. Logo, a ocorrência do fato gerador deuse para cada mês, respectivamente, em 31/01/2002, 28/02./2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002. Com efeito, em 26.12.2007, apenas as contribuições referentes ao fato gerador 31/12/2002 não estavam decaídas. Nesse contexto, é de se negar provimento ao recurso de ofício, já que está correto o entendimento da decisão recorrida de que “como os fatos geradores do PIS/Pasep e da Cofins ocorrem no último dia de cada mês, estão abrangidos pela decadência os períodos de apuração de janeiro a novembro de 2002, uma vez que, de acordo com o art. 23, § 2º, IV, do Decreto n.º 70.235/72, a ciência do lançamento ocorreu em 26/12/2007, portanto, após o prazo de cinco anos contado pela regra do § 4º do art. 150 do CTN”. Do mérito No mérito, a Recorrente pessoa jurídica sustenta a nulidade do auto de infração lavrado com base em prova emprestada, uma vez que (i) as informações contidas no Relatório Fiscal não foram obtidas em procedimento de fiscalização devidamente instaurado entre as partes, mas, sim, entre a Recorrente e o Fisco Estadual, havendo total desrespeito ao principio do contraditório; (ii) conforme já decidiu o Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão 10307.388), “o empréstimo é da prova, ou seja, fatos demonstrações, levantamentos, em função do que firmase um convencimento, e não simplesmente das conclusões formais”. Sobre o tema, é de se ter em mente que ocorre a denominada “prova emprestada” quando há utilização de prova produzida em outro processo. Contudo, esse não é o caso dos autos. Aqui, para o anocalendário 2002, ocorreu a utilização de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual, conforme previsão em convênio de cooperação. Ademais, as receitas tomadas pelo Fisco são aquelas informadas pela própria fiscalizada, por meio dos Livros de Apuração do ICMS pertinentes, e não aquelas decorrentes das conclusões construídas pela Fazenda estadual. Assim, ao contrário do que aduziu a Recorrente, não houve, in casu, a mera utilização de resultados erigidos em outro processo – este, sim, comportamento debatido e analisado, caso a caso, pela jurisprudência do CARF, para fins de análise de sua legitimidade. A jurisprudência desse conselho corrobora esse entendimento, como se pode ver das ementas a seguir transcritas: ARBITRAMENTO DO LUCRO RECEITA BRUTA CONHECIDA POR MEIO DE INFORMAÇÕES PRESTADAS AO FISCOESTADUAL. As informações prestadas nas Giam ao Fisco Estadual, prestamse à determinação da receita bruta Fl. 512DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 16 15 para fins de determinação do lucro arbitrado. (CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 130100.492 em 27/01/2011) PROVA EMPRESTADA. Não ocorre a denominada prova emprestada quando não há utilização de prova produzida em outro processo. No caso presente, para o anocalendário 2001, ocorreu a utilização de informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao Fisco Estadual, conforme previsão em convênio de cooperação. (CARF 1a. Seção / 2a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 130200.302 em 21/05/2010) PROVA EMPRESTADA. ADM1SSIBILIDADE. É legítimo o lançamento levado a efeito pelo Fisco Federal decorrente de fatos cujas provas foram colhidas em informações prestadas, pelo próprio contribuinte, ao Fisco Estadual . (CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 130100.351 em 09/07/2010). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS AO FISCOESTADUAL. PROVA EMPRESTADA. É legítimo o lançamento, levado o efeito pelo Fisco Federal, decorrente de fatos cujas prova s foram colhidas em informações prestadas pelo sujeito passivo ao Fisco Estadual. (CARF 1a. Seção / 3a. Turma Especial / ACÓRDÃO 180300.644 em 01/09/2010) ARBITRAMENTO COM BASE EM INFORMAÇÕES COLHIDAS JUNTO AO FISCOESTADUAL. Não havendo apropriação de conclusões ou inferências desenvolvidas em processos fiscais da fazenda estadual, nem autuação por omissão de receitas verificadas por aquele outro fisco , e tampouco autuação de IRPJ findada em lançamento de ICMS, mostrase improcedente a alegação de uso de prova emprestada. (CARF 1a. Seção / 5a. Turma Especial / ACÓRDÃO 180500.045 em 27/05/2009). PROVA.. RECEITA INFORMADA EM LIVROS FISCAIS E DECLARADA AO FISCOESTADUAL. A receita informada em livros fiscais, ainda que para fins de declaração do ICMS ao fisco estadual , pode ser utilizada como base de cálculo para o lançamento do Simples, tendo em vista a presunção de veracidade da escrituração fiscal. (CARF 1a. Seção / 2a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 130200.491 em 22/02/2011). ARBITRAMENTO COM BASE EM INFORMAÇÕES COLHIDAS JUNTO AO FISCOESTADUAL. Não havendo apropriação de conclusões ou inferências desenvolvidas em processos fiscais da fazenda estadual , nem autuação..por omissão de receitas verificadas por aquele outro fisco , e tampouco autuação de IRPJ fundada em lançamento de ICMS, mostrase improcedente a alegação de uso de prova emprestada. Como uma das bases para o arbitramento dos lucros, e a principal delas, é a receita bruta, não restou alternativa à fiscalização federal, diante da postura da contribuinte, senão utilizar as informações que ela própria prestou ao fisco estadual , relativamente às receitas de Fl. 513DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 17 16 suas atividades comerciais. (CARF 1a. Seção / 5a. Turma Especial / ACÓRDÃO 180500.046 em 27/05/2009). PROVA EMPRESTADA. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL. É licita a utilização, pelo Fisco Federal, de informações constantes de declarações prestadas eletronicamente pelo sujeito passivo ao Fisco Estadual , obtidas ao amparo de convênio especifico, mormente diante da falta de apresentação da escrita contábil/fiscal e demais documentos fiscais da interessada. O empréstimo é da prova , não de eventuais conclusões. (CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 130100.204 em 28/09/2009). Fica claro, pois, que o procedimento de colação das receitas, para determinação do lucro exacionado, é legítimo. Dos responsáveis solidários Nada há que decidir sobre a responsabilidade dos sujeitos passivos solidários, pois, como bem afirmou a decisão de primeira instância, o litígio só é instaurado mediante apresentação de impugnação tempestiva, o que não aconteceu. Os responsabilizados Osvaldo Saldanha de Almeida e José Jaime Saldanha foram regularmente intimados pelos Editais DRF/MCR/SAFIS nº.s 00941/2007 e 00941 2/2007 (fls. 306/307), respectivamente, e não apresentaram impugnação. Nesse passo, vale esclarecer que não prosperam as alegações dos sujeitos passivos no sentido de que a intimação via Edital seria nula, posto que enviada a endereço diverso dos seus. Ora, as intimações por edital só ocorreram após a tentativa frustrada de intimar os sujeitos passivos por via postal (fl. 315/318) nos endereços de seus correspondentes domicílios tributários, conforme informado nos cadastros da RFB (fls. 391/393). Além disso, à época da afixação do Edital destinado à ciência de tais sujeitos passivos, vigoravam as antigas disposições do art. 23 Decreto n°. 70.235/72, que determinavam, tão somente, que o edital fosse publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, considerandose feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação do edital. De outro giro, a responsabilizada Wilda Olimak Saldanha também não apresentou impugnação, embora tenha sido regularmente intimada por via postal, no endereço do domicílio tributário informado no cadastro da RFB (fls. 302 e 394/395). Já o interessado Wender Saldanha da Fonseca, foi intimado da decisão de primeira instância pela diligência solicitada por esta Câmara do CARF (fls. 456/461) e, ainda assim, não apresentou recurso no prazo legal (conforme AR recebido em 03/01/2012 – fl. 461) tendo sido lavrado termo de perempção datado de 03/02/2012 (fls. 464). Por fim, é de se notar que, conforme Súmula CARF n°. 9, “é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada Fl. 514DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10670.002810/200746 Acórdão n.º 1402001.359 S1C4T2 Fl. 18 17 com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Ou seja, a citação por via postal é considerada válida, desde que acompanhada da prova do recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, independentemente de quem tenha recebido a correspondência. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de i) negar provimento ao recurso de ofício; ii) negar provimento aos recursos apresentados pelos coobrigados; iii) acolher a decadência do direito de lançar IRPJ e CSLL cujo fato gerador ocorreu no 1º, 2º e 3º trimestres de 2002; e: iv) no mérito negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 515DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS PELA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.004605/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2009
Ementa:
Simples. Inclusão.
Demonstrado pelo contribuinte que tinha quitado os débitos motivadores de sua exclusão, deve ser acolhido o recurso
Numero da decisão: 1302-000.671
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
Nome do relator: DANIEL SALGUEIRO DA SILVA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2009 Ementa: Simples. Inclusão. Demonstrado pelo contribuinte que tinha quitado os débitos motivadores de sua exclusão, deve ser acolhido o recurso Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator ad hoc e presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Fl. 81DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13839.004605/200824 Acórdão n.º 130200.671 S1C3T2 Fl. 82 2 Relatório Tratase de insurgência contra Ato Declaratório Executivo ADE que excluiu o Contribuinte do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006) à conta da suposta existência de débitos com exigibilidade não suspensa (fls. 01, 04), assim “relacionados no item ‘Pessoa Jurídica’, assunto ‘Simples Nacional’, do Sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet”. Ao fim, transcorrido o prazo para interposição da referida manifestação (art. 31, § 2º, da LC nº 123, de 2006), o debate se encerra sobre os débitos anotados às fls. 33/36. Alega o Contribuinte contra os débitos que lhe foram originalmente arrostados havêlos pago.. A DRJ decidiu: Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. INGRESSO. DÍVIDA. VEDAÇÃO. A existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é circunstância impeditiva para o ingresso ou a permanência no Simples Nacional. Afirma o acórdão recorrido: O Contribuinte se refere a pagamentos referentes à Intimação para Pagamento (IP) sob nº 3782892008, a qual, de fato, na origem, também serviu de causa para determinar a emissão do ADE sob discussão (fl. 23). Ocorre que não só o débito identificado pelo IP nº 3782892008 foi determinante para a exclusão deste Contribuinte do Simples Nacional. Débitos de Cofins, de Contribuição para o PIS, de CSLL e de IRPJ também serviram para idêntico propósito (fls. 22/23). Observese que, no prazo para interpor a competente reclamação contra o ADE em causa, o Contribuinte venceu o óbice representado, justamente, pela IP nº 3782892008, que não mais consta no relatório de fls. 33/36 [LC nº 123, de 2006, Art. 31] § 2º Na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da comunicação da exclusão. Porém, como já se disse, ainda subsistem os débitos de Cofins, de Contribuição para o PIS, de CSLL e de IRPJ, relacionados às mesmas fls. 22/23. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13839.004605/200824 Acórdão n.º 130200.671 S1C3T2 Fl. 83 3 A recorrente tomou ciência do acórdão em 20/10/2009 e apresento urecurso em 19/11/2009. Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13839.004605/200824 Acórdão n.º 130200.671 S1C3T2 Fl. 84 4 Merece reparo o decidido em 1ª instância. A recorrente demonstra haver quitado os débitos previdenciários que levaram ao desacolhimento de seu pedido de inclusão no SIMPLES. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator ad hoc Fl. 84DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003900/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2000 a 30/04/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se
de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das
contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código
Tributário Nacional - CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento
parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se
o disposto no
artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação
acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida
no artigo 173, I.
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA
EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam
da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados
pelo autor documento, no caso a empresa.
A declaração em GFIP e escrituração nas folhas de pagamento das
remunerações como bases de cálculo da contribuição evidenciam a correção
do lançamento que teve por base esses próprios documentos.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia - SELIC.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo
de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-002.621
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 30/04/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. A declaração em GFIP e escrituração nas folhas de pagamento das remunerações como bases de cálculo da contribuição evidenciam a correção do lançamento que teve por base esses próprios documentos. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte
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IMOB. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 30/04/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. A declaração em GFIP e escrituração nas folhas de pagamento das remunerações como bases de cálculo da contribuição evidenciam a correção do lançamento que teve por base esses próprios documentos. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 263DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.003900/200774 Acórdão n.º 2402002.621 S2C4T2 Fl. 258 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 07/11/2006 sobre valores informados em folhas de pagamento e GFIP. Seguem transcrições da ementa e trechos do relatório que compõem o acórdão recorrido: PREVIDENCIARIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES DECLARADAS EM GFIP. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS E MULTA MORATORIA. TERCEIROS.FNDE, INCRA E SEBRAE. SEGURO DE ACIDENTES DO TRABALHO — SAT. EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. As informações prestadas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social constituemse em termo de confissão de divida em caso de inadimplemento, servindo o lançamento para formalizar a exigência. Os acréscimos legais aplicados ao crédito previdenciário decorrem de norma cogente (artigos 34 e 35 da Lei n.° 8.212/91) e possuem caráter irrelevável. É competência da Secretaria da Receita Previdenciária a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas aos terceiros (entidades e fundos), nos estritos termos legais. A Lei n.° 8.212/91 fixou com precisão a hipótese de incidência (fato gerador), a base de cálculo, a alíquota e os contribuintes do Seguro de Acidentes do Trabalho SAT, satisfazendo ao principio da reserva legal. Em respeito ao principio da legalidade, é vedado à autoridade administrativa recusarse ao cumprimento de lei sob a alegação de inconstitucionalidade. LANÇAMENTO PROCEDENTE. ... Como exposto no Relatório Fiscal de fls. 123/126, o lançamento teve por fatos geradores as remunerações pagas a seguradcs empregados e contribuintes individuais (diretores), declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social —GFIP do período, e abrange os estabelecimentos CNPJ 94.783.396/000134, 94.783.396/0003 04 e CEI 19.069.03561/76. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 3.1. que os créditos tributários relativos ao período de 10/2000 a 10/2001 encontramse fulminados pela decadência qüinqüenal, nos termos dos artigos 150, §4º e 156, inciso V do Código Tributário Nacional — CTN; 3.2. que, nos termos do artigo 138 do CTN, tanto a multa moratória quanto a punitiva devem ser excluídas quando há denúncia espontânea, tratandose o dispositivo de espécie de Fl. 265DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.003900/200774 Acórdão n.º 2402002.621 S2C4T2 Fl. 259 5 incentivo para que o devedor procure o órgão público e pague seus débitos; 3.3. que, caso fosse motivo de incidência de multa, esta não poderia ser exigida conforme as condições e datas que determina o INSS, sob pena de caracterizarse confisco; 3.4. após fazer extensa exposição do conceito, funcionamento e normatização da taxa SELIC, que sua aplicação sobre os débitos relativos a tributos federais é ilegal e inconstitucional, tendo em vista sua natureza remuneratória, sua instituição por lei ordinária e não complementar, além de ofender o disposto no artigo 161, § 1 0 do CTN; 3.5. que a incidência de juro moratório e multa moratória sobre o mesmo fato gerador dá ensejo à ocorrência do bis in idem, inadmissível no Direito Tributário; 3.6. que a capitalização dos juros mensais, não se lhe importando a natureza (compensatório ou moratório) esta proibida desde o advento da chamada Lei de Usura (Decreto 22.626/33); 3.7. que é ilegal a cobrança da contribuição destinada ao INCRA, seja por sua substituição por uma contribuição patronal que a englobaria, seja por onerar em demasia os contribuintes vinculados à Previdência Urbana, que em nada aproveitariam os benefícios trazidos pelo pagamento desta contribuição; 3.8. que a contribuição do SalárioEducação já era inconstitucional no regime constitucional anterior nem foi recepcionada pela Constituição de 1.938, devido ao disposto no art. 25 do ADCT; demais disso, a Lei n.° 9.424/96 não é clara quanto â materialidade do fato gerador e ao sujeito passivo da obrigação, matérias regulamentadas por Medidas Provisórias; 3.9. que é ilegal e inconstitucional a contribuição para o SAT, eis que a Lei n.° 8.212/91 não definiu o que se deve entender por grau de risco leve, médio, e grave, sendo que a estipulação da aliquota por Regulamento editado pelo Poder Executivo afronta o principio da estrita legalidade em matéria tributária; 3.10. que a cobrança da contribuição para o SEBRAE configura bis in idem, pela incidência de mais de um tributo sobre a mesma realidade fática e sobre a mesma espécie tributária; que a estrutura de contribuição para o SEBRAE, bem como sua base de cálculo, não está prevista na Constituição Federal, de modo que sua instituição deveria darse por lei complementar. É o Relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 267DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.003900/200774 Acórdão n.º 2402002.621 S2C4T2 Fl. 260 7 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN. Constatase através do documento apresentado pela fiscalização sob o título de discriminativo analítico do débito que não houve pagamento parcial. Assim, deve ser acolhida a preliminar de decadência para exclusão dos valores relativos aos meses 10/2000, 11/2000 e o décimo terceiro salário do mesmo ano. Como a obrigação de pagamento da contribuição relativa ao mês de dezembro tem vencimento no ano seguinte, o termo quo é em 01/01/2002, logo ainda não decaiu. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.003900/200774 Acórdão n.º 2402002.621 S2C4T2 Fl. 261 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito As GFIP e folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais e pro labore no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas Fl. 270DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com os valores informados pelo recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; o que ocorreu para retificação da GFIP, mas o lançamento teve por base justamente as folhas de pagamento. Não é procedente o pedido de nulidade, relevação ou atenuação do lançamento, pois não se trata de autuação por descumprimento de obrigação acessória que, ainda assim, exigiria a comprovação dos requisitos exigidos pela lei. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Os artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 criaram regras claras para os acréscimos legais, que somente podem ser dispensados por expressa determinação de lei. Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o Art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.003900/200774 Acórdão n.º 2402002.621 S2C4T2 Fl. 262 11 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Inciso e alíneas restabelecidas, com nova redação, pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Fl. 272DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) As demais alegações trazidas pela recorrente centramse na inconstitucionalidade das exações discriminadas no lançamento, sobretudo aquelas relativas às entidades e serviços autônomos e os acréscimos legais através da taxa SELIC. SELIC Ressaltase que recentemente o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da incidência da taxa SELIC para fins de acréscimos legais de tributos: RE 582461 / SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. GILMAR MENDESJulgamento: 18/05/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL02568 02 PP00177 Parte(s) RELATOR : MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : JAGUARY ENGENHARIA, MINERAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S) : MARCO AURÉLIO DE BARROS MONTENEGRO E OUTRO(A/S)RECDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO INTDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.003900/200774 Acórdão n.º 2402002.621 S2C4T2 Fl. 263 13 se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu do recurso extraordinário, contra o voto da Senhora Ministra Cármen Lúcia, que dele conhecia apenas em parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de Jurisprudência, com o seguinte teor: “É constitucional a inclusão do valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS na sua própria base de cálculo.” Falaram, pelo recorrido, o Dr. Aylton Marcelo Barbosa da Silva, Procurador do Estado e, pelo amicus curiae, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e, em viagem oficial à Federação da Rússia, o Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.05.2011. A recorrente, embora tenha declarado em seus documentos como devidas as contribuições, insurgese contra a cobrança em tese – seriam inconstitucionais os dispositivos legais. No entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Por tudo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas quanto a decadência de parte do período lançado nos termos acima. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.907897/2010-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato constitutivo, modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Luiz Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru e José Fernandes do Nascimento
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato constitutivo, modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Luiz Marcelo Guerra de Castro Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru e José Fernandes do Nascimento Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Porto Alegre que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que (i) a restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 78 97 /2 01 0- 62 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.907897/201062 Acórdão n.º 3102001.897 S3C1T2 Fl. 11 2 comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito; e (ii) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora. A ora Recorrente transmitiu DCOMP pretendendo utilizar o crédito de R$ 851,69, decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS cumulativa, recolhido em 15/04/2002, para compensação de débito nele declarado. A DRF em Caxias do Sul emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, não restando, por conseguinte, crédito disponível para a compensação. Contra esta decisão, a contribuinte apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade alegando, em apertada síntese, que ao fazer o levantamento das importâncias pagas a título de Contribuição ao PIS e de COFINS constatou valores pagos a maior, em razão de não ter excluído das suas bases de cálculo os valores repassados a terceiros, nos termos autorizados pelo art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98. Alegou, ainda, que a inexistência de norma regulamentadora não pode restringir o seu direito, nos termos das decisões judiciais favoráveis que cita. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. COFINS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS PARA TERCEIROS. INADMISSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até a sua revogação pela MP nº 1.991/00. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da Manifestação de Inconformidade. Acrescentou, apenas, que não seria necessária qualquer norma para regulamentar referido dispositivo legal, tendo em vista a incompetência do Poder Executivo para dispor sobre a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.907897/201062 Acórdão n.º 3102001.897 S3C1T2 Fl. 12 3 Conforme é possível perceber do relato acima, a ora Recorrente entende que o indébito tributário declarado na DCOMP decorreria da equivocada inclusão das receitas repassadas a terceiros na base de cálculo da COFINS, nos termos determinados pelo art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98. Entretanto não apresentou, em qualquer fase processual, prova da existência desses repasses. Assim, sem entrar no mérito a respeito da alegada auto aplicabilidade do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, ou mesmo da impossibilidade de incluir na base de cálculo da CONFIS os valores que efetivamente representam receitas de terceiros, ou seja, daqueles que, em face da ausência definitividade do ingresso, não se enquadram como receita tributáveis, o que se conclui diante dos elementos deste processo é que sem prova dos repasses não há que se falar em qualquer crédito a repetir. Com efeito, ao disciplinar o processo administrativo fiscal federal, o legislador prescreve expressamente no artigo 9°, do Decreto n° 70.235/72, a necessidade de que o lançamento seja instruído com prova concludente de que o evento tributário ocorreu em estrita conformidade com a descrição da hipótese normativa. Logo adiante, determina, ainda que de forma implícita, que, caso o sujeito passivo apresente defesa contra o ato lavrado pelo Fisco, devidamente acompanhada de provas de suas alegações, o ônus passa a ser novamente da Fazenda, a quem incumbirá comprovar o descabimento da impugnação. Ao assim prescrever, deixou claro o legislador que a linguagem jurídica dos atos de gestão tributária, quando o sujeito competente para expedila seja o Estado Administração, deve estar devidamente respaldada em provas. Ausentes estas, ilegítima aquela. Por outro lado, quando o fato seja alegado pelo próprio particular, a ele compete demonstrar a veracidade de suas afirmações, igualmente por meio de provas. Afinal, também aqui se aplica a máxima processual de que a prova compete a quem alega, prevista expressamente no art. 333, do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo. No caso concreto, a Recorrente insiste na existência de crédito decorrente da suposta inclusão indevida na base de cálculo da COFINS de valores repassados a terceiros, competindo, por esta razão, exclusivamente a ela a prova do alegado. Assim, deveria ter apresentados todos os documentos necessários à demonstração do seu direito, o que não foi feito. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 55DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.907897/201062 Acórdão n.º 3102001.897 S3C1T2 Fl. 13 4 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13819.003140/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA
FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
As deduções pleiteadas estão sujeitas a comprovação mediante
recibos que devem ser revestidos dos requisitos legais e
discriminar a pessoa beneficiária dos serviços contratados.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. As deduções pleiteadas estão sujeitas a comprovação mediante recibos que devem ser revestidos dos requisitos legais e discriminar a pessoa beneficiária dos serviços contratados. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.003140/200822 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.493 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente NORMA MIELE TAMEIRÃO PINTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. As deduções pleiteadas estão sujeitas a comprovação mediante recibos que devem ser revestidos dos requisitos legais e discriminar a pessoa beneficiária dos serviços contratados. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 4 a 6, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para lançar infrações de irregularidades na declaração de ajuste anual, por meio da qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 43.185,46, sendo imposto suplementar apurado no valor de R$ 8.492,99, juros de mora no valor de R$ 5.142,50 (calculados até 29/08/2008), multa de oficio no valor de R$ 6.369,74, imposto de renda (DARF — 0211) no valor de R$ 12.838,68, multa de mora (lido passível de redução) no valor de R$ 2.567,73 e juros de mora (calculados até 29/08/2008) no valor de R$ 7.773,82. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 2), acatada como tempestiva, onde teceu explicações, apresentando cópias dos comprovantes de despesas médicas declaradas; cópia do informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora Vitória Eventos Lida onde consta IR na fonte no valor de RS 12.838,68; requerendo, por fim, o acolhimento da impugnação e cancelamento da exigência fiscal; ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 21 a 28): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. APRESENTAÇÃO DO INFORME DE RENDIMENTOS. 0 imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. (artigo 55 da Lei n.° 7.450 de 23.12.1985 c/c artigo 87, §2° Decreto n.° 3.000 de 26.03.1999 RIR). Apresentado o informe, é de se cancelar a glosa de compensação indevida. GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Nos termos do artigo 80, §1°, II, do RIR/99, a dedução de despesas médicas da declaração de rendimentos restringese aos Fl. 55DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13819.003140/200822 Acórdão n.º 2101001.493 S2C1T1 Fl. 2 3 pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. As deduções pleiteadas estão sujeitas a comprovação mediante recibos que devem ser revestidos dos requisitos legais e discriminar a pessoa beneficiária dos serviços contratados. Apresentado comprovante de despesa com plano de saúde, devese afastar a glosa efetuada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O julgador de 1a instância entendeu que a notificada não comprovou as seguintes despesas relativas aos prestadores: a) Dr. Alberto E. Bellinghausen Neto – fls. 09/10; b) Drª Mayra Ferraz dos Santos – fls. 10; c) Dr. José Carlos Aguiar Bonadia – fls 11; d) Dr. Walter Gomes Miranda Júnior – fls.11; e) Endodinâmica Instituto de Endodontia Especializada – fls 12 a 14; f) Indor Instituto de Documentação Ortodôntica e Rádiodiagnóstico – fls 15; g) CORE – Centro Odontológico e Radiologia Especializada S/C LTDA; fls 16. De consequência manteve as glosas relativas às citadas despesas odontológicas, votando pela procedência em parte da impugnação e mantendo a exigência de imposto suplementar de R$ 4.508,88 mais cominações legais. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 01/06/2010 (fl. 31), a Recorrente apresentou, em 30/06/2010, o recurso de fls. 32, reiterando seus argumentos e apresentando cópia dos recibos, notas fiscais e declarações da prestação de serviços pelos prestadores. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 47, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A contribuinte apresentou a declaração de ajuste de ajuste do exercício de 2004, com irregularidades, e foi autuada sofrendo glosas relativas às despesas odontológicas. O julgador a quo manteve glosas relativas à despesas médicas, alegando que os documentos apresentados não atendem aos requisitos estabelecidos na legislação tributária (falta de endereço do prestador, nome do beneficiário e recibos emitidos por clínicas pessoas juridicas). No voluntário, a recorrente apresentou comprovantes da realização e pagamento das despesas objeto do litígio. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas odontológicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 57DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13819.003140/200822 Acórdão n.º 2101001.493 S2C1T1 Fl. 3 5 Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração da contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Com a apresentação de documentos da prestação dos serviços (recibos), a contribuinte produz a comprovação exigida, confirmandose a regularidade das despesas dedutíveis concernentes às glosas, superando o óbice à dedução. Diante do exposto, e em razão do conjunto probatório apresentado pela recorrente, voto por dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer as deduções de despesas glosadas. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (assinado eletronicamente) Fl. 58DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13971.001996/2006-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
DILIGÊNCIAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DE FRETE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das despesas de frete, visto que o ônus da prova do direito creditório é do sujeito passivo e não da Fazenda Nacional.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I - por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às glosas decorrentes de créditos decorrentes de despesa com transporte rodoviário de cargas. II - Pelo voto de qualidade em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação aos serviços não especificados (CFOP 1.949 e 2.949). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). DILIGÊNCIAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DE FRETE. INDEFERIMENTO. Indeferese a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das despesas de frete, visto que o ônus da prova do direito creditório é do sujeito passivo e não da Fazenda Nacional. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às glosas decorrentes de créditos decorrentes de despesa com transporte rodoviário de cargas. II Pelo voto de qualidade em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação aos serviços não especificados (CFOP 1.949 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 19 96 /2 00 6- 39 Fl. 865DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 11 2 e 2.949). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, que remanesceram ao final do quarto trimestre de 2005. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC pelo seu deferimento parcial, fazendo o com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: referentes a bens utilizados como insumos a.1) aquisições de bens de pessoas físicas, por haver vedação expressa para tal creditamento; a.2) aquisição de bens com fim específico de exportação: a autoridade fiscal glosou os valores das aquisições de mercadorias com CFOP 6.501 (Remessa de Produção do Estabelecimento com Fim Específico de Exportação) por entender que tais mercadorias não consistiam de produtos com fim específico de exportação, mas de insumo incorporado ao produto da contribuinte, cujas entradas foram escrituradas pela requerente com o CFOP 2.101 (Compras para Industrialização). Diz a autoridade fiscal que “a intenção não é descaracterizar a qualidade de insumo para o produto ‘vidro’ no processo produtivo da empresa”, e explica que o “problema é que a aquisição desse insumo se deu sem a devida tributação quando da saída do estabelecimento fornecedor, já que o mesmo alcançou a imunidade constitucional afeta às exportações para o exterior, por causa da emissão da nota de venda no CFOP 6.501”. Fundamenta a glosa realizada no art. 5º, III e art. 3º, §2º, ambos da Lei nº 10.637/2002; a.3) recebimento de mercadoria em consignação industrial: foram glosados os valores em relação aos quais a interessada, instada a apresentar a memória de cálculo para os créditos referente a linha dois (Bens Utilizados como Insumo), informou utilizar o CFOP 1.917 e 2.917 (entrada de mercadoria recebida em consignação mercantil ou industrial), por não restar comprovada a efetiva aquisição da mercadoria recebida; b) referentes a serviços utilizados como insumo b.1) serviços de transporte rodoviário de cargas na aquisição de insumos: relata a autoridade fiscal que o preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) não foi efetuado em conformidade com o Fl. 867DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 13 4 exigido pela legislação do ICMS. Aponta como principais irregularidades a emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço e a não indicação do número da nota fiscal transportada; b.2) serviços não especificados: foram glosados os serviços em relação aos quais a interessada, instada a apresentar a memória de cálculo para os créditos referente a linha três (Serviços Utilizados com Insumo), informou utilizar os CFOP 1.949 e 2949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Explica a autoridade fiscal que entradas com esse CFOP, “por referirse a outras entradas não previstas nos demais códigos, a princípio, não correspondem a bens e serviços utilizados como insumo”; c) energia elétrica: foram glosados os valores incluídos nas faturas, e no cômputo do crédito de PIS, que não são passíveis do desconto legalmente previsto, quais sejam os valores referentes às doações ao Hospital Annegret Neitzke e ao pagamento de juros e multa de mora e correção monetária decorrentes de pagamentos extemporâneos; d) locação de máquinas e equipamentos: a autoridade fiscal glosou os valores referentes a despesa com locação de um caminhão e duas carrocerias reboques, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeiras Ltda. Relata que a interessada não apresentou os comprovantes solicitados de pagamento das despesas e que, de acordo com a NCM, “caminhão é espécie do gênero veículo e não do gênero máquina”; e) armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda: a autoridade fiscal glosou a diferença verificada entre os valores escriturados no Balancete de Verificação nas contas contábeis de resultado 42.036 (Frete de Exportação) e 42.071 (Serviço de Armazenagem) e os valores registrados no DACON. Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade com as alegações que seguem. Inicialmente, em relação às aquisições de bens com fim específico de exportação, defende que “a própria nota fiscal, pelos dados lá postos, evidencia que não ocorreu uma venda com fim específico para exportação”, mas de produto aplicado em seu processo produtivo, em relação ao qual “pagou o PIS e a Cofins que estavam embutidas no preço final”. Nesse sentido argumenta que as notas fiscais que comprovam as aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda foram emitidas com CFOP 6.501, contudo referemse a insumo (vidro) incorporado ao produto final, tendo, tais entradas, sido escrituradas com CFOP 2.101 (Compras para industrialização) e não no CFOP 2.501 (Entrada de mercadoria recebida com fim específico de exportação). A fim de reforçar a tese de que as aquisições aqui em questão não se referiam a bens com fim específico de exportação, acrescenta que “não solicitou ao fornecedor que as mercadorias fossem enviadas diretamente Fl. 868DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 14 5 para embarque ao exterior, tampouco para recinto alfandegado (sic), mas sim para o próprio estabelecimento industrial”. Diz ainda: que o CFOP 6.501 foi utilizado de forma equivocada pelo fornecedor, não lhe cabendo qualquer responsabilidade; que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, contudo, a venda com fim específico de exportação não tem destaque de ICMS; que pagou o ICMS, o PIS e a COFINS à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos no preço final dos produtos adquiridos. Conclui, então, que não pode ser prejudicada caso o fornecedor não tenha recolhido o PIS e a COFINS, vez que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento. Na sequência, a contribuinte, em relação a valores de bens devolvidos, registrados com CFOP 5.201, aponta um equívoco da autoridade fiscal, o qual afirma consistir de um caso de revisão de ofício, que assim descreve: “Constatamos nesse item, com relação à tabela em que demonstra as quantias glosadas e deferidas (ao final do título dos bens utilizados como insumos), ocorreu um equívoco por parte da autoridade fiscal, houve o desconto da duplicidade de devolução de produtos no valor de R$ 15.598,53” . Quanto aos serviços de transporte rodoviário de cargas na aquisição de insumos, a contribuinte alega que não existem os supostos “vícios formais” a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. Explica: que diariamente contratava fretes de terceiras pessoas as quais transportavam madeira bruta das florestas até seu estabelecimento; que tais serviços eram realizados por pessoas humildes que, muitas vezes, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período. Argumenta que a referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes e não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores. Ao final pugna que “caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito”. A contribuinte manifestase contra as glosas das aquisições de serviços não especificados, argumentando que os valores das entradas com CFOP 1.949 e 2.949 foram incluídos corretamente na apuração do crédito, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3o, II, da Lei 10.637/02. Alega que, com o mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem, e que a Autoridade Administrativa, antes de glosar todos os valores pleiteados, deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias; desta feita, anexa aos autos as notas fiscais que diz comprovarem o direito pleiteado. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 15 6 Por fim, em relação as glosas dos valores referentes às despesas de armazenagem e frete na venda, segue explicando que a soma dos valores registrados nas contas contábeis 4.236 e 4.271 é inferior ao registrado no DACON pois tais contas, por se tratarem de custos, “estão líquidas dos impostos recuperáveis (ICMS, PIS e COFINS), enquanto que no DACON consta o valor total dos CTRC/NF, que é a base de cálculo para o PIS e a COFINS)”. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 RECONHECIMENTO DO DIREITO DE CRÉDITO. HIPÓTESE LEGAL. CFOP. REAL NATUREZA DA OPERAÇÃO. Para além do CFOP consignado pelo vendedor na nota fiscal de venda ou utilizado pela adquirente em seus registros de entrada, o que efetivamente importa para o reconhecimento do direito de crédito pleiteado pelo adquirente de um bem, é a real operação realizada, devidamente comprovada pelo pleiteante, e se esta se conforma com uma das hipóteses legais que lhe conferem o direito ao crédito pretendido. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que merece reforma a decisão recorrida. Com relação ao ônus da prova, entende a recorrente que a regra de quem alega deve provar não é absoluta, pois vige para o Fisco o princípio da busca pela verdade material buscando a satisfação do interesse público, que é corolário do princípio da legalidade. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 16 7 Sustenta que se falhou na comprovação dos fatos que a autoridade reputa pertinente, deverá remeter os autos a quem tem competência para novamente instruílo, elencando objetivamente o que precisa ser demonstrado. Conclui este tópico com a afirmação de que a autoridade administrativa não pode indeferir requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que o mesmo não logrou êxito na comprovação de seu direito. No que tange a glosa da despesa com frete na aquisição de insumos (CFOP 1352), argumenta que nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, o serviço que for utilizado como insumo possibilita à pessoa jurídica a realização de um desconto tributável. Neste sentido, o frete, como elemento necessário a chegada do insumo no estabelecimento fabril, também pode ser enquadrado como insumo. Alega que o frete encaixase facilmente no conceito de insumo, haja vista que o mesmo é necessário a chegada da matériaprima ao estabelecimento fabril, ou seja, este item configura um serviço aplicado na fabricação do bem destinado a venda. Cita Solução de Consulta. Defende a tese de que se os conhecimentos se prestaram para o reconhecimento da dívida de PIS e Cofins, cujo valor foi recolhido, é evidente que os mesmos se prestarão para o reconhecimento dos créditos. Afirma que não é cabível o entendimento de que os elementos intrínsecos aos conhecimentos de transporte não estavam postos a evidência no presente caso. Se a autoridade julgadora sente falta de elementos probatórios nos autos, deve instruir o feito, de modo a sanar suas dúvidas. Destaca que o fato de os transportes se referirem, em parte, a produtos adquiridos de pessoas físicas, não tem o condão de limitar ou excluir a possibilidade da percepção de créditos. Esclarece que não são as pessoas físicas que fazem o transporte e sim as pessoas jurídicas, situação que é apta a ensejar o crédito. Menciona que a situação de parte da mercadoria ter sido remetida com referência “a pagar” em nada altera a relação jurídica existente, pois quem sofreu o ônus da exação tributária merece ter o crédito repetido. No que se refere as glosas dos serviços não especificados (CFOP 1949 e 2949) por não se enquadrem no conceito de insumos, argumenta, com base em doutrina, que o conceito legal de insumos é muito mais amplo que o de matériasprimas, de produtos intermediários ou de materiais de embalagem. Defende a tese de que caracteriza insumo toda e qualquer despesa e investimento que contribui para um resultado ou para a obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final, ou seja, insumo é o conjunto de fatores necessários para que a empresa desenvolva sua atividade. Discorda da tese do acórdão recorrido de que o serviço de extração de madeira é etapa anterior ao processo produtivo, pois o corte da madeira é efetuado com base nas exigências feitas pela recorrente. Alega que a matériaprima não é encontrada em qualquer lugar, uma vez que precisa ser tratada como exige a fabricação dos artefatos de madeira. Assim, a partir do momento em que a árvore está sendo cortada já se iniciou o processo produtivo da empresa. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 17 8 Afirma que a empresa não adquire seu produto de madeireiras ou similares, visto que compra diretamente na terra, de forma que não há intermediação entre o momento em que a árvore é extraída da terra e a hora em que é cortada na serraria da recorrente. Seu processo industrial começa já no momento em que seus prestadores de serviços se dirigem até a localidade onde estão as árvores e realizam o corte da forma exigida pela recorrente. A recorrente discorda das glosas relativas às despesas com serviços de reparos de máquinas, pois essas despesas se enquadram no conceito de insumo. Alega que os bens adquiridos pela recorrente não fazem parte de seu ativo imobilizado, mas apenas são utilizados para reposição e manutenção de seus veículos e maquinário utilizados na produção. Cita Soluções de Consulta sobre o tema. Por fim, requer o recebimento e apreciação de seu recurso voluntário para o efeito de reconhecer o direito da recorrente de ressarcirse dos créditos da contribuição Cofins, relativos ao 4º trimestre do ano de 2005, no que toca as despesas realizadas com (i) frete na aquisição (ii) serviços de exploração de florestas e manutenção de máquinas. É o relatório. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 18 9 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. As matérias serão enfrentadas em tópicos específicos, em consonância com as alegações da requerente no recurso voluntário. 1 – Glosa de créditos decorrentes de despesa com transporte rodoviário de cargas (CFOP 1.352) A recorrente insurgiuse parcialmente contra a glosa dos créditos decorrentes de despesas de fretes nas aquisições de produtos (CFOP 1.352). Ao contrário do alegado, a decisão de primeira instância reconheceu que a recorrente pode descontar créditos em relação as despesas de fretes nas aquisições de produtos, todavia tem que comprovar a natureza das operações e a sua efetiva realização. Assim, a discussão limitase a aferição da força probante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC), como bem colocado pela decisão de primeira instância. Sobre essa matéria, a autoridade fiscal após exame dos CTRC relatou: Evidenciouse, por meio da análise dos arquivos digitais e da conferência física das notas fiscais, que a grande maioria dos CTRC (Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas) padece dos requisitos formais exigidos pelo regulamento do ICMS a que se sujeita a requerente (RICMS/SC 2001, Anexo V, artigos 63 a 71). Dentre as principais irregularidades destacam se as relativas à emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço de transporte o que é expressamente vedado pelo seu artigo 65. São alguns exemplos desse fato as cópias dos CTRC às fls. 351, 353, 354 e 384. Observouse ainda, que várias notas fiscais listadas nos CRTC não estão registradas no Livro Registro de Entrada correspondente. São exemplos desse fato os CTRC anexos às fls. 338, 352 e 379. Constatouse que os problemas no preenchimento dos CRTC ocorreram exclusivamente com os transportadores locais ou de cidades limítrofes à sede da requerente e que as deficiências encontradas inviabilizam a aferição da idoneidade dos documentos emitidos(...) (grifouse) A tese da recorrente, de que se falhou na comprovação dos fatos, a autoridade julgadora deverá converter o processo em diligência para novamente instruílo, não merece prosperar. O § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: Fl. 873DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 19 10 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Por seu turno, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetivamente as despesas de frete foram realizadas e pagas, a recorrente tinha por obrigação legal de juntar aos autos administrativos os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Assim sendo, os CTRC questionados não são hábeis e idôneos para o reconhecimento da legitimidade dos créditos da Cofins. De modo que é inaceitável a forma suscitada pela recorrente de conversão em diligência para a comprovação dos pretensos créditos. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 20 11 Nessa esteira, é sobremodo assinalar que deve ser indeferida a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das demais despesas de frete, uma vez, como visto, o ônus da prova do direito creditório é da requerente e não da Fazenda Nacional. Além disso, a recorrente não apresentou quaisquer elementos probatórios que invalidasse as glosas feitas pela fiscalização. De fato, as irregularidades apontadas pela fiscalização impedem o direito de descontar créditos com despesas de fretes, a exemplo de notas fiscais que não foram registradas no Livro Registro de Entrada, em outras não há a descrição satisfatória dos produtos adquiridos. Além do mais, existem CTRC com data de emissão posterior a data registrada como de entrada da mercadoria transportada. Diferentemente do alegado, não é viável o reconhecimento dos créditos sem a efetiva comprovação dos serviços prestados, pois o direito ao crédito requer exame minucioso dos serviços prestados e do processo produtivo. Como visto não se trata de simples falhas no sistema de emissão dos conhecimentos de frete, mas a falta de comprovação da efetiva realização e pagamentos dos serviços. Ademais, não há provas de que os transportadores recolheram as contribuições PIS e Cofins sobre esses fretes. Em suma, a autoridade fiscal acertadamente glosou os créditos, pois os aludidos CRTC não contêm os elementos comprobatórios necessários para caracterizar uma operação de transporte de insumos adquiridos. 2 – glosas dos serviços não especificados (CFOP 1949 e 2949) Esta controvérsia tem por objeto o direito de descontar créditos sobre serviços prestados por pessoa jurídica na extração de madeira e manutenção de máquinas. Como visto, a recorrente defende uma interpretação extensiva do conceito de insumo. Sustenta que insumo é o conjunto de fatores necessários para que a empresa desenvolva sua atividade. Com efeito, a solução deste tópico envolve o conceito de insumo. Segundo o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 875DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 21 12 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) (grifouse) Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da contribuição PIS. A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa (IN) nº 404/2004, regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação restritiva para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: Fl. 876DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 22 13 b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (..). § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade da Cofins. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade da Cofins especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direto ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e Fl. 877DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 23 14 benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na IN 404/2004. Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direto tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumos corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Consignese, por oportuno, que a autoridade fiscal no Despacho Decisório manifestou expressamente no sentido de que créditos mencionados nos CFOP 1.949 e 2.949 não correspondem a bens e serviços utilizados como insumo, de acordo com a legislação relativa à matéria. Deste modo, nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto, o que não ocorreu nas situações descritas. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os serviços prestados por pessoas jurídicas de extração de madeira (empreiteiras de mão de obra) não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril. Neste caso, a produção iniciase com a transformação da matériaprima (madeira), de sorte que a extração é uma etapa prévia do processo produtivo como bem assentado pela decisão a quo. É bem verdade que esses serviços são importantes para o processo produtivo, todavia tais serviços não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Do exame dos elementos probatórios, é forçoso concluir que são serviços preliminares ao processo produtivo. Como visto, em regra, são custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.001996/200639 Acórdão n.º 3801001.883 S3TE01 Fl. 24 15 Em relação ao direito de descontar créditos com a manutenção de máquinas é importante consignar que antes de discutir o direito, é preciso examinar os elementos probatórios que susteriam esse direito. As notas fiscais colacionadas neste sentido, em regra, não especificam os serviços prestados, de tal modo que não são documentos hábeis e idôneos para gerar eventuais créditos, a exemplo da Nota Fiscal 209 emitida por Comércio e Afiação Belli Ltda em que o histórico é simplesmente mão de obra. Destarte, a autoridade fiscal acertadamente glosou os créditos, pois as notas fiscais apresentadas não contêm os elementos necessários para configurar uma operação de aquisição de insumos. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 879DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.013470/2009-99
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário:2007
IRPF. MOLESTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Os rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de moléstia grave, comprovada por laudo pericial emitido por ser viço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 60, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 8.541/92, combinado com o artigo 30 da Lei n. 9.250/95.
Numero da decisão: 2802-002.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 19/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário:2007 IRPF. MOLESTIA GRAVE. ISENÇÃO. Os rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de moléstia grave, comprovada por laudo pericial emitido por ser viço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 60, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 8.541/92, combinado com o artigo 30 da Lei n. 9.250/95.
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MOLESTIA GRAVE. ISENÇÃO. Os rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de moléstia grave, comprovada por laudo pericial emitido por ser viço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 60, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 8.541/92, combinado com o artigo 30 da Lei n. 9.250/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 19/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 34 70 /2 00 9- 99 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Versam os autos sobre Notificação de lançamento de fls. 11/14, na qual foi apurada omissão de rendimentos proveniente do Ministério da Educação, no valor de R$ 19006,15, relativamente ao anocalendário de 2004, da qual resultou crédito tributário no montante de R$ 4.888,46. Apreciada a Impugnação de fls. 41/42, acompanhada dos laudos de fls. 43/44 e comprovantes de rendimentos de fls. 45 a 47, o lançamento foi julgado procedente sob o seguinte fundamento: Da análise dos documentos apresentados não é possível concluir que a interessada seria portadora de moléstia grave no ano de 2007. Ressaltese que o documento expedido pelo Ministério da Saúde menciona ser a interessada portadora de paralisia irreversível e incapacitante desde 01/06/2010, ano posterior ao da lide. Quanto ao laudo emitido pelo Hospital Estadual Azevedo Lima em junho de 2010 no qual informa: Hoje encontrase emagrecida, desidratada, ..., estando confinada ao leito com quadro total de invalidez, irreversível e incapacitante. Também não pode comprovar moléstia grave no ano de 2007. Ressaltese que o fato de mencionar que a contribuinte foi submetida à artroplastia do quadril direito em 2003 não afasta a necessidade de demonstrar o quadro de paralisia irreversível em 2007. Nas razões de Voluntário (58/60), a Recorrente sustentou a suficiência dos documentos por ela apresentados para que lhe fosse reconhecida a isenção por moléstia grave. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A decisão da DRJ ora recorrida sustenta a negativa no reconhecimento da isenção, pela ausência de laudo pericial a indicar se no anocalendário a Recorrente era portadora de moléstia grave, de sorte a fazer jus à isenção. De acordo com a DRJ, o documento expedido pelo Ministério da Saúde apenas: “(...) menciona ser a interessada portadora de paralisia irreversível e incapacitante desde 01/06/2010, ano posterior ao da lide”. Em que pese o decidido em 1ª instância, há à fl. 14, Laudo emitido pelo Serviço Público Estadual do Estado do Rio de Janeiro – Departamento de Perícias Médicas, na qual consta que a Recorrente foi aposentada por invalidez em 26.3.1987, nos termos da Fl. 65DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.013470/200999 Acórdão n.º 2802002.297 S2TE02 Fl. 65 3 legislação estadual apontada (arts. 71, 72 e 92 da lei n. 94/79). O texto legal indicado, por seu turno, relaciona, no artigo 92, doenças incapacitantes de igual modo reconhecidas pela legislação federal. Esse é o entendimento deste E. Conselho (Acórdão n. 340100.023 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária): Os rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de moléstia grave, comprovada por laudo pericial emitido por ser viço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 60, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 8.541/92, combinado com o artigo 30 da Lei n. 9.250/95. Logo, é de se concluir, com base na documentação apresentada, que a Recorrente é aposentada desde 87, por ser portadora de paralisia irreversível e incapacitante, conforme atesta laudo do Ministério da Saúde, de sorte a fazer jus à isenção de seus rendimentos provenientes da aposentadoria, nos termos do artigo 60, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 8.541/92, combinado com o artigo 30 da Lei n. 9.250/95. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário interposto e no mérito lhe dou provimento. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000358/2010-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (Para que a unidade informe se as diferenças de PIS e COFINS se referem a juros de mora ou não e se as Dcomp foram homologadas ou não). Sustentou pela recorrente o Dr. Luís Eduardo P. A. Neder, OAB/SP nº 234.718 Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (Para que a unidade informe se as diferenças de PIS e COFINS se referem a juros de mora ou não e se as Dcomp foram homologadas ou não). Sustentou pela recorrente o Dr. Luís Eduardo P. A. Neder, OAB/SP nº 234.718 Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratamse nos presentes autos de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário, o primeiro relativo à desoneração parcial da multa de ofício decorrente de pagamento por meio de DARF e de compensação e o segundo referente à manutenção parcial da multa de ofício relacionado a crédito tributário apurado em março de 2007. O Auto de Infração foi lavrado para exigir diferença de crédito tributário declarado à menor do que o devido para o PIS e COFINS do período de apuração de março de 2007. O contribuinte informou inicialmente como sendo devidos R$ 906.489,05 e 5.578.395,16 para o PIS e COFINS respectivamente. Recolheu por meio de DARF os valores de R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 35 8/ 20 10 -7 0 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.000358/201070 Resolução nº 3403000.432 S3C4T3 Fl. 4 2 1.069.141,44 e 6.579.331,95 para o PIS e COFINS respectivamente. A fiscalização apurou como sendo devido para o PIS o montante de R$ 2.522.392,17 e a título de COFINS o total de R$ 15.522.413,38, calculado sobre o total da receita operacional decorrente das atividades típicas, regulares e habituais de uma instituição financeira. Ao tempo da apuração e pagamento a contribuinte tinha obtido provimento judicial em sede de mandado de segurança autorizando o recolhimento somente sobre venda de mercadoria e prestação de serviços, posteriormente veio a desistir da ação judicial e quitar o total do débito, o que aconteceu em 26 de fevereiro de 2008 por meio de crédito declarado em DCOMP, antes de qualquer procedimento fiscal. O crédito tributário, segundo o entendimento da Recorrente, teria sido extinto com acréscimo de juros de mora sem contemplar a multa de mora em razão do entendimento da contribuinte de que se tratar quitação espontânea, art. 138 do CTN. Sustenta também não caber multa de mora em decorrência da inexigibilidade do crédito (art. 151 do CTN) por força da liminar judicial. De modo que, a irresignação demonstrada em sede de Recurso Voluntário se atém a manutenção da exigência multa de mora. A decisão hostilizada manteve os valores principais do tributo e deixou para abater os pagamentos quando da cobrança, exonerando proporcionalmente ao valor pago a multa de ofício. Em relação à multa de mora caminhou no sentido de manter, sustentando que a suspensão da exigibilidade obtida judicialmente não alcança as receitas a que se refere o caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98, receitas bruta da pessoa jurídica em razão de que a decisão judicial teria sido nos termos seguinte: “... DEFIRO A LIMINAR conforme requerida para afastar a incidência dos tributos a título de PIS e COFINS nos termos do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, devendo os mesmos ser apurados com inciso V do art. 72 da ADCT, com o artigo 1º da Lei nº 9.701/98 e com o art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, observandose, ainda a legislação vigente e as demais alterações da Lei nº 9.718/98”. Assim, para o Julgador de piso, o valor de R$ 579.397,55 e 3.565.523,10 do tributo devido para o PIS e a COFINS, não estavam debaixo do manto da inexigibilidade, receitas essas oriundas da atividade típicas, regular, habituais de uma instituição financeira, isto é, receitas operacionais, motivo pelo qual não assistia o direito de extinção do crédito tributário sem contemplar a multa de mora. É o relatório. Voto A matéria não demanda complexidade, no entanto, por questões fáticas trazidas no bojo deste caderno administrativo em relação ao montante compensados pela contribuinte e os valores deduzidos pela Administração tributária impõe em converter o julgamento em diligência para que a unidade informe se as diferenças de PIS e COFINS se referem a juros de mora ou não, e, se as Dcomp foram homologadas ou não. Em verdade buscase, a saber, se os valores apontados a título de principal no montante de R$ 89.662,26 ref. PIS e 226.378,99 a COFINS conforme relatório de fls. 205, diz Fl. 359DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.000358/201070 Resolução nº 3403000.432 S3C4T3 Fl. 5 3 respeito à diferença de juros, em caso negativo dizerem de que se refere, entre cálculo realizado pelo contribuinte e a Administração Tributária. Seja noticiado o estágio das Declarações de Compensações de números: Nº 00213.24963.260208.1.3.04.9092; Nº 03544.55351.260208.1.3.04.8998; Nº 04254.76233.260208.1.3.04.3005; Nº 01729.91256.260208.1.3.04.9620; Nº 08432.57629.260208.1.3.04.0944. Em sendo assim, voto no sentido de converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que sejam esclarecidos os pontos acima anotados. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 360DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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