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Numero do processo: 10880.693172/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS.
Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1401-002.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
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PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 31 72 /2 00 9- 55 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.693172/200955 Acórdão n.º 1401002.852 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado o valor confessado na DCTF não é o correto, mediante prova material da existência do direito pleiteado. Conforme despacho decisório mantido DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 5.122,89 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 03247.99450.100406.1.3.041135, uma vez que o pagamento discriminado como indébito, de Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, no valor de R$ 6.830,54, código 2089, recolhido em 30/04/2002, encontravase integralmente utilizado para quitação de débito correspondente. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade com o objetivo de ver convalidadas as compensações realizadas. É o relatório do essencial. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.693172/200955 Acórdão n.º 1401002.852 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.851, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.693171/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.851): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Temos que o acórdão recorrido indeferiu o pleito da recorrente considerando que ela não apresentou esclarecimento ou justificativa para a retificação da DIPJ, porém analisando as declarações entregues, constatouse a retificação da DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%. De acordo com as declarações originais, a receita bruta da contribuinte auferida no período em questão seria oriunda unicamente de prestação de serviços, sem o emprego de materiais. A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais. Na decisão de piso foi considerado que tão somente a discriminação do objeto social constante do Contrato Social da empresa construtora ("ramo da construção civil, reformas, execução de projetos e atividades afins") não é suficiente para identificar a(s) atividade(s) que originara auferidas no período alcançado pelas declarações retificadoras, posto que era necessária apresentação de documentos que pudessem demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 8%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2° do artigo 15 da Lei n° 9.249/95. Em sede de Voluntário, a Recorrente aduz ser sua faculdade a compensar crédito que possuía junto ao Fisco decorrente de pagamento a maior com débitos a recolher que autorizavam nos moldes previstos no art. 170 do CTN e que a necessidade de reforma do Despacho Decisório está justamente no fato de que não homologação da compensação se deu por conta da análise pela Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações constantes da DIPJ e DCTF ORIGINAIS e não Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.693172/200955 Acórdão n.º 1401002.852 S1C4T1 Fl. 5 4 das informações constantes nas declarações RETIFICADORAS, tendo o breve entendimento de que o sistema do referido órgão não havia processado as informações retificadas. Esclarece a Recorrente que preocupouse em relatar que as informações relativas ao cálculo do IRPJ em questão foram retificadas, sem detalhar com precisão o cálculo utilizado por entender que não era o objeto questionado no Despacho Decisório, que digase de passagem foi processado de modo eletrônico. A DRJ, reconheceu que a justificativa da alteração do cálculo foi a verificação de que foi utilizado percentual INCORRETO de presunção de lucro, visto que, como a Recorrente emprega materiais em TODAS as obras que realiza, o percentual correto de presunção de lucro é de 8% em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit n.° 6 de 13 de janeiro de 1997 e não de 32% como efetuado anteriormente por contabilista que prestava serviços Recorrente na época, contudo indeferiu o crédito pleiteado, dada a ausência de comprovação por parte da Recorrente de que fazia jus ao percentual de presunção de lucro de 8%. Notase que a Recorrente só foi possível saber o real motivo do indeferimento da compensação do crédito pleiteado, após ciência do resultado do julgamento da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário precisamente para demonstrar a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, trazendo para os autos os seguintes elementos de prova, que permitiram verifica que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Com base na análise dos documentos juntados, resta demonstrado que a Recorrente, atendeu ao critérios para que pudesse ter sua base de cálculo para o imposto de renda determinada pela aplicação do percentual de 8% sobre sua receita bruta, especificamente em relação ao ramo da construção civil, atendeu ao Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997 e seus critérios: "I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais." A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais, razão pela qual lhe era possível refazer o cálculo do IRPJ levando em Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.693172/200955 Acórdão n.º 1401002.852 S1C4T1 Fl. 6 5 consideração a base de cálculo de presunção de 8%, bem como de compensar o valor do tributo recolhido a maior, adotando os procedimentos legais de retificação das obrigações acessórias e apresentação de PER/DCOMP. Por estas razões, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.001386/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos.
Resolvem os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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(atualmente: BATTISTELLA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os autos. Resolvem os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Cuida o presente processo de Declarações de Compensação nas quais se informa que os créditos nelas apontados são oriundos de ação judicial. Pela decisão de fls. 277/286, exarada no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Lages, houve três homologações totais e uma parcial de DCOMP, assim como a não homologação de outras quatro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 84 .0 01 38 6/ 20 09 -3 9 Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 556 2 A autoridade tributária responsável pela informação fiscal que sustenta a decisão entendeu, em suma, no sentido de que: trata o presente processo de análise das compensações realizadas com crédito da ação judicial no 1994.00101643; o crédito tem como origem os pagamentos realizados de FINSOCIAL à alíquota superior a 0,5%; o total compensado é de R$ 2.397.916,30; há DCOMP retificadoras, considerandose, para efeito de valoração dos débitos, a data da apresentação da Declaração de Compensação original; DA AÇÃO JUDICIAL nº 2007.70.00.00163864 a ação judicial nº 2007.70.00.00163864 teve deferida a antecipação da tutela recursal para determinar que a DRF Curitiba promovesse a habilitação do crédito da impetrante proveniente da sentença proferida nos autos do processo judicial no 94.101643, "desde que o único óbice ao seu impulsionamento seja o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos do trânsito em julgado do processo de conhecimento, consoante exarado na decisão administrativa"; DA AÇÃO JUDICIAL nº 1994.00.101643 a ação ordinária de repetição de indébito n° 94.00.101643 foi julgada em primeira instância, sendo prolatada sentença em 21 de julho de 1998, na qual o Juiz reconheceu o direito à restituição dos valores pagos a maior de FINSOCIAL, recolhidos com alíquota superior a 0,5%, corrigidos pelos índices oficiais desde o momento em que foram pagos indevidamente que seriam apurados em liquidação; a Fazenda Nacional apresentou apelação, tendo o recurso subido ao Tribunal Regional Federal da lª Região, onde ficou decidido pela inconstitucionalidade das elevações da alíquota do FINSOCIAL operadas por lei ordinária a partir do advento da CF/88 até a edição da Lei Complementar nº 70/91; a correção monetária deveria incidir para atualizar o valor da moeda corroída pela inflação desde o recolhimento indevido, nos termos das Súmulas 46/TRF e 162/STJ; na repetição de indébito tributário, os juros de mora deveriam incidir na razão de 1% ao mês, de acordo com o disposto no art. 161, § 1ª, do CTN, a partir do trânsito em julgado da decisão (art. 167, parágrafo único, CTN e enunciado de súmula nº 188/ST3); a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração com o escopo de suprir omissão acerca da manifestação quanto à inversão do ônus sucumbencial, sendo os referidos embargos acolhidos nesse ponto; o Acórdão transitou em julgado em 06/12/2001; a referida ação ordinária foi transformada em ação de execução e recebeu o nº 2002.34.00.0156904; posteriormente a contribuinte requereu a desistência da execução para compensação tributária do referido crédito na forma da Instrução Normativa SRF no 600, de 28/12/2005, sem contudo desistir da condenação à titulo de honorários; a desistência requerida foi homologada nos sequintes termos: "Nos termos do art. 569, do Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 557 3 Código de Processo Civil, o credor tem a faculdade de desistir da execução, seja de toda ou de parte, pois tal processo tem por única finalidade satisfazer o direito do credor. Isso posto, homologo o pedido de desistência, para que produza seus efeitos legais, devendo o feito prosseguir quanto aos demais exeqüentes e relativamente aos honorários advocaticios"; a Fazenda Nacional opôs a Ação de Embargos à Execução nº 2002.34.00.0319181, cujo acórdão transitou em julgado em 22/02/2007; tendo o judiciário acatado como indevidos os recolhimentos de FINSOCIAL à aliquota superior a 0,5%, passase a verificar se o crédito é suficiente para respaldar as declarações de compensação listadas no item 2 do despacho; como ferramenta de cálculo foi utilizado o Sistema CTSJ (Créditos Tributários Sub Judice), sendo levados em consideração os aspectos seguintes: (1) Foi considerada a base de cálculo como o faturamento constante da planilha apresentada ao Poder Judiciário e confirmada pela contribuinte, períodos de apuração de set/1989 a ago/1990, aplicandose a alíquota de 0,5%; (2) Esse valor foi confrontado com os pagamentos efetuados para as respectivas competências (os recolhimentos foram confirmados no sistema de microfichas), sendo apurado um saldo credor; pelos cálculos efetuados através do sistema CTSJ, a interessada é credora no valor de R$ 430.408,51, atualizados até 31/12/1995 (apenas para efeito comparativo, o valor apresentado para execução pela contribuinte monta R$ 1.130.117,48 na data base de 31/03/2002; utilizandose o CTSJ para a mesma data base, obtevese um saldo credor de R$ 1.038.237,10); (3) Para se chegar ao saldo credor, no sistema CTSJ, foram acrescidas as correções determinadas pelo Poder Judiciário (indébitos corrigidos pelos índices oficiais); foram utilizados os índices de correção monetária previstos na Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR no 08/97, que utiliza a partir de 01/01/92 a UFIR e a partir de 01/01/96 a SELIC (que engloba juros e correção monetária). pelo sistema CTSJ foram emitidos os relatórios seguintes com seus respectivos significados: a. Dados do Contribuinte e Trabalho: Constam os dados cadastrais da empresa e o nome do trabalho; b. Demonstrativo de Dados Cadastrais e Processo Judiciais: Os dados cadastrais da ação judicial, inclusive data da impetração e trânsito em julgado; c. Demonstrativo de Apuração de Débitos: Constam os valores de base de cálculo e alíquota utilizados; d. Demonstrativo de Pagamentos: Os pagamentos apresentados pela interessada como crédito da ação judicial; e. Demonstrativo Resumo das Vinculações Auditadas: Encontramse, mês a mês, o valor da competência com sua respectiva vinculação de pagamento; f. Demonstrativo de Amortizações: Informa de que modo os pagamentos foram amortizados e que tabela de atualização foi utilizada. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 558 4 apurado o crédito da ação judicial, foi o mesmo confrontado com os débitos informados nas declarações de compensação relacionadas na tabela do item 2, sendo utilizado o sistema de apoio operacional NEOSAPO para o cálculo da compensação: (1) o saldo credor foi confrontado com os débitos informados nas declarações de compensação 28091.83392.070309.1.7.576551, 13252.24102.090309.1.7.574206, 03405.87671.090309.1.7.576803, 33283.30150.090309.1.7.573853, 26221. 50871.090309. 1.7.573208, 13600.66465.161008.1.7.577580, 28477.91508.161008.1.7.570315 e 27169.34388.281108.1.3.573982; 5 (2) o valor do crédito não foi suficiente para amortizar todos os débitos declarados como compensados. o resultado do confronto foi a satisfação total dos débitos informados na DCOMP 28091.83392.070309.1.7.576551, DCOMP 13252.24102.090309.1.7.574206 e DCOMP 03405.87671.090309.1.7.576803, a satisfação parcial da DCOMP 33283.30150.090309.1.7.573853, e a inexistência de crédito para amortizar as DCOMP 26221.50871.090309.1.7.573208, DCOMP 13600.66465.161008.1.7.57 7580, DCOMP 28477.91508.161008.1.7.570315 e DCOMP 27169.34388.281108.1.3.573982. Contra a decisão foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 406/423, pela qual a Contribuinte argumenta, em suma, no sentido de que: a Recorrente tem a favor de si decisão judicial transitada em julgado oriunda da ação judicial 1994.00101643, cujo objeto era o reconhecimento de crédito tributário correspondente ao valor do extinto FINSOCIAL recolhido acima da alíquota de 0,5%; a ação judicial obteve a declaração de inconstitucionalidade das sucessivas elevações de alíquota do FINSOCIAL previstas na Lei n.° 7.787/89, Lei n.° 7.894/89 e Medida Provisória n.° 249/90, incidentes sobre as arrecadações realizadas a partir dos meses de setembro de 1989, janeiro de 1990 e janeiro de 1991; o Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da lª Região transitou em julgado no dia 06 de dezembro de 2001, tendo a Recorrente ajuizado a competente execução de titulo judicial; a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração que foram julgados improcedentes, com trânsito em julgado no dia 22 de fevereiro de 2007, garantindo à Recorrente um crédito no valor de R$ 1.576.786,30, atualizados até junho de 2004; diante disso, a Recorrente formulou Pedido Eletrônico de Restituição, vinculado às Declarações de Compensação Retificadoras 13252.24102.090309.1.7.574206, 28091.83392.070309.1.7.576551, 13600.66465.161008.1.7.577580, 03405.87671.090309.1.7.576803, 33283.30150.090309.1.7.573853, 28477.91508.161008.1.7.570315 e 26221.50871.090309.1.7.573208 relativamente a compensações realizadas com diversos tributos entre as competências de junho de 2007 até 10/2008; cabe salientar que a habilitação do crédito só foi possível mediante a impetração de Mandado de Segurança, protocolado sob o número 2007.72.06.0015264; em que pese os exatos termos da decisão judicial, que conferiu direito ao crédito em favor da Recorrente, a “Secretaria da Fazenda Nacional” (sic; fl. 407) glosou parte do valor e, conseqüentemente, parte da compensação sem, contudo, explicitar os fundamentos legais que autorizam tal medida; Fl. 558DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 559 5 de fato, o Despacho decisório DRF/LAG n° 250, de 27 de novembro de 2009, não apresenta uma explicação minimamente razoável quanto ao fundamento legal e sua aplicação ao caso concreto, o que é dever da administração pública, considerando anecessidade de motivação do ato administrativo, constitucionalmente prevista no artigo 37 da Constituição Federal; desta forma, tornase imperativo o julgamento de procedência desta manifestação para admitir o crédito em favor da Recorrente; defende a Recorrente que a medida fiscal de glosa é por inteira insegura, uma vez que é fundada em presunção; aplicando técnicas aleatórias, desconsiderando o processo operacional, ignorando todas as circunstâncias que informam as rotinas da empresa e principalmente a coisa julgada material conferida em ação judicial, presumese que a Recorrente tenha promovido a compensação considerada indevida de créditos do FINSOCIAL com débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil; o resultado apontado não passa de grosseiro ensaio elaborado nos intramuros da repartição fiscal; como se trata de procedimento que vai culminar com o lançamento tributário, ato administrativo vinculado, a autoridade deveria apresentar o cálculo correspondente ao crédito glosado de maneira explicativa, mas não o fez, contrariando a regra definida no artigo 142 do Código Tributário Nacional; o professor Celso Antonio Bandeira de Mello comenta: "E o lançamento vem definido neste artigo como um procedimento administrativo que, por sua vez, pode ser entendido como uma sucessão itinerária e encadeada de atos administrativos que tendem, todos, a um resultado final e conclusivo. Isso significa que para existir o procedimento cumpre que haja uma seqüência de atos conectados entre si, isto e, armados em uma ordenada sucessão visando a um ato derradeiro, em vista do qual se compôs esta cadeia." (fl. 409) tal situação impede, inclusive, que a Recorrente exerça, na plenitude, seu direito a ampla defesa, uma vez que o resultado apontado na decisão judicial foi considerado pelo Fisco de forma inexata e sem a manifestação adequada para que a Recorrente possa conhecer os motivos da glosa; na verdade, existe um evidente descompasso entre a glosa e o direito concedido pela decisão judicial transitada em julgado, o que macula o procedimento ao abrigo de presunção fiscal; a Lei Complementar Nacional, por isto, conceitua, define, estabelece o momento da ocorrência do fato gerador, os pressupostos legais e materiais deste, a matéria tributável e remete a lei a definição da alíquota, base de cálculo e configuração temporal, espacial da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo, com isto, a ficção ou presunção fiscal; além disso, por se tratar de atividade administrativa, o procedimento de lançamento deverá considerar os primados constitucionais do Direito Administrativo que lhes sejam aplicáveis, como os previstos no art. 37 da Constituição Federal de 1988 postulados dalegalidade, finalidade, razoabilidade, proporcionalidade, motivação, impessoalidade, publicidade, moralidade, responsabilidade e eficiência e que foram desconsiderados pelo agente fazendário e pela decisão recorrida; Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 560 6 sem a apresentação dos fundamentos da glosa, a Recorrente pode apenas supor que o agente fazendário tenha utilizado um procedimento inadequado para a apuração do valor, vez que se limitou a calcular o crédito utilizando índices que não são aplicáveis ao caso concreto, desconsiderando a decisão transitada em julgado; é importante novamente salientar que o crédito decorre de decisão judicial, portanto, deveria o fiscal ter procedido ao levantamento total dos créditos exatamente como conferido pela Sentença, comparar com o valor já utilizado e glosar a diferença, se existisse; ao invés de empregar a sistemática de homologação ao valor total do crédito concedido, interpretou a decisão judicial com absurda parcialidade, descumprindo o comando judicial; não há como aceitar o procedimento utilizado pelo agente fazendário, uma vez que decorre de presunção que pela própria essência, é desprovida da precisão necessária ao lançamento tributário; válida, pois, a manifestação de Gilberto de Ulhoa Canto que, com seu inigualável saber jurídico anota: "Na presunção tomase como sendo verdade, de todos os casos, aquilo que a verdade da generalidade dos casos iguais, em virtude de uma lei de freqüência ou de resultados conhecidos, ou em decorrência da previsão lógica do desfecho. Porque na grande maioria das hipóteses análogas determinadas situação se retrata ou define de certo modo; passase a entender que desse mesmo modo serão retratadas e definidas todas as situações de igual natureza. Assim o pressuposto lógico da formulação preventiva consiste na redução, a partir de um fato conhecido, da conseqüência já conhecida em situações verificadas no passado, dada a existência de elementos comuns. Concluindose que o resultado conhecido se repetirá” (fl. 410/411) a toda evidência, na espécie, sequer os princípios básicos e notórios que informam a matéria foram concebidos pelo levantamento fiscal; não é outro o entendimento do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda; assim decidiu: "Omissão de Receitas Omissão de Compres. (sic) Não havendo investigação complementar, deve ser cancelado o auto por omissão de receitas, cuja apuração é suportada apenas por verificação de compras. Em face do principio da estrita legalidade, o fisco não pode alçar fato gerador à mera presunção de ter havido ingresso financeiro na empresa sem oferecimento a tributação." "Falta de outros Elementos Confirmatórios Lançamento não Autorizado CTN art. 3° c/c art. 142 e Parágrafo Único Principio da Reserva Legal, Segurança e Certeza Jurídica. A falta de contabilização de 33 m2 de ardósia, que segundo o Laudo de Avaliação foi empregada em edificação realizada, não é elemento suficiente para autorizar a presunção de omissão de receitas." (fl. 296) resta a confirmação, pois, do resultado alcançado no demonstrativo subsidiador da medida e, no mínimo, a correção das impropriedades técnicas e formais do lançamento fiscal; Fl. 560DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 561 7 pois bem, o que se vê, data vênia, é o autoritarismo decorrente de uma função administrativa que coage e cria obstáculos delicados ao sujeito passivo que se precaveu de uma decisão que deveria ser coerentemente cumprida; todavia, em abstração a tudo isto, o fiscal promoveu a glosa dos créditos, como por igual, aqueles conferidos pela decisão judicial, em afronta a coisa julgada material que é constitucionalmente tutelada; ainda que apenas para efeito de argumentação fosse considerado o crédito duvidoso, necessário seria procederse acurado estudo tendente a dirimir os eventuais conflitos, todavia, sem a instauração do procedimento administrativo em comento; James Marins, em estudo sobre o procedimento tributário, conclui: "Tanto fere a moralidade administrativa o servidor público que atua em desacordo com a honestidade, quanto servidor que movido pura e simplesmente pela busca de vantagem para o patrimônio confiado à sua guarda. Como se depreende de tal assertiva, o significado da moralidade administrativa assume especial relevância no campo tributário, ao pautar a atuação do agente fiscal, para que não se transforme em fanático arrecadador, na defesa incondicional e inconseqüente do erário." (fl. 412) inspirado pela doutrina espanhola, o acatado professor Celso Antonio Bandeira de Mello averba que se compreendem no âmbito da moralidade os princípios da lealdade e da boafé, cânones segundo os quais "a Administração há de proceder em relação aos administrados com sinceridade e lhaneza, sendolhe interdito qualquer comportamento astucioso, eivado de malícia, produzido de maneira a confundir, dificultar ou minimizar o exercício de direitos por parte dos cidadãos."; para ele, "de acordo com o principio da moralidade, a Administração e seus agentes têm de atuar na conformidade dos princípios éticos. Violálos implicará violação do próprio direito, configurando ilicitude, que assujeita a conduta viciada a invalidação, porque tal princípio assumiu foros de pauta jurídica, na conformidade do artigo 37 da Constituição." (fl. 413); o caso concreto permite à Recorrente legitima desconfiança de que a Administração Fazendária exige mais do que estritamente necessário à realização dos fins públicos, e que esta exigência poderá ocorrer no lugar em que razoavelmente não se cabia esperar, no momento e na forma inadequada, independentemente do que está prescrito na lei; o Fisco não pode impor ao contribuinte constrangimento de instituirlhe obrigação que sabe indevida, senão exagerada, cujo débito é inclusive incerto; em termos práticos, “estaria na iminência de se exigindo o odioso principio solve et repete, compelir a Recorrente a antecipar o recolhimento do valor do tributo, para somente depois discutilo, tudo no previsível desfecho do processo administrativo” (fl. 413); a esse respeito, alerta Antonio Fernando Seabra: "É defeso, por outro lado, ao fisco aplicar sanções políticas no sentido de compelir o contribuinte a efetuar o recolhimento de tributos porventura devidos, pois que para tanto esse têm o meio próprio para cobrar seus créditos, o executivo fiscal, sem impedir direta ou indiretamente o exercício de atividade profissional lícita do contribuinte, levandoo ao descrédito junto a terceiros..." (fls. 413/414); o processo administrativo, tal qual o judicial, tem suas raízes fincadas na Constituição Federal; o artigo 5°, LV, dispõe: Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 562 8 "Aos litigantes em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes." (fl. 414) sendo o Auto de Infração um ato administrativo vinculado à lei, ao principio da reserva legal, concluise pela imprecisão e pela falta de clareza quanto aos dispositivos legais que embasam e maculam de nulidade todo o procedimento; por conseqüência, não pode tal erro ser suprido por qualquer outra autoridade ou a pretexto de que o libelo acusatório com todas as falhas apontadas e analisadas deve ser mantido porque nele se determina o sujeito passivo; os dados materiais que implicam nos respectivos valores devem ser considerados tanto quanto, ou mais que os aspectos formais; desta forma, claramente demonstrado fica que o Fisco ao glosar o crédito não se preocupou em motiválo corretamente; além do mais e como as coisas se apresentam, a capitulação da infração não condiz com os fatos verdadeiros os quais até podem gerar controvérsia no seio fazendário mas não se admite a adjetivação nele assentado; ademais, no presente contencioso administrativo fiscal, a toda evidência, instaurarse procedimento de constituição de exigência para, depois, verificar se ocorreu o fato gerador e determinar a matéria tributável, não encontra supedâneo no direito brasileiro; esta, aliás, é a conclusão do E. Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda no Acórdão n° 103.08.175, assim: "Não existe no direito brasileiro o chamado lançamento condicional, no sentido de poder a autoridade fiscal primeiro lançar para depois verificarse ocorreu o fato gerador e determinar a matéria tributável por ocasião de decisão de primeiro grau. O procedimento administrativo que implicar em revisão do lançamento anterior deverá obedecer ao disposto no art. 142 combinado com o art. 149 do CTN, de tal modo que o contribuinte saiba, pelo menos, por que está recebendo um lançamento suplementar. O art. 10 do Decreto n° 70.235/72, por sua vez, determina que o lançamento deverá conter a descrição do fato. No caso, a empresa recebeu notificação de lançamento com glosa de alíquota utilizada por ela, sem ter o fisco especificado por que não aceitara a utilização de alíquota reduzida por uma empresa que era concessionária de serviço público, impossibilitando o contribuinte de saber do que ou contra que defenderse. Lançamento que se declara nulo." (fl. 300) a instauração do presente feito revela que as coisas passaram por nítido procedimento de exclusão e não há, com a necessária segurança, elementos que possam convalidar a exigência em questão, mormente quando não passa de cogitação de compensação de créditos pseudo indevidos; do texto da decisão administrativa ora impugnada, especificamente às suas fls. 07, no parágrafo 16, item (3), foi possível concluir que a Fazenda Nacional utilizou os índices previstos na Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR n.° 08/97, que utiliza a partir de 01/01/92 a UFIR e a partir de 01/01/96 a SELIC; cumpre ainda destacar que o mesmo texto do item (3) traz a seguinte consideração: "Para se chegar ao saldo credor, no sistema CTSJ, foram acrescidas as correções determinadas pelo Poder Judiciário (indébitos corrigidos pelos índices oficiais)."; Fl. 562DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 563 9 no entanto, o cálculo apresentado pela Fazenda Nacional não considerou os índices efetivamente determinados pelo Poder Judiciário para o presente caso de restituição de tributos ou de créditos tributários, especialmente no período dos chamados expurgos inflacionários; conforme consta dos autos de embargos à execução n° 2002.34.00.0319181, com trânsito em julgado em 22 de fevereiro de 2007, opostos pela Fazenda Nacional para impugnar o resultado financeiro da ação 1994.00101643, a Recorrente e as demais empresas coligadas, coautoras na ação ordinária de restituição de indébito do FINSOCIAL, têm direito a aplicação dos expurgos inflacionários que correspondem a 84,32% (03/1990), a 44,80% (04/1990), a 7,87% (05/1990) e a 21,87% (02/91), bem como os índices concernentes ao Plano Verão (janeiro/1989 IPC 42,72%) e Plano Collor (abril/1990 44,80%); cumpre ainda destacar os índices, quais sejam, o BTN até 02/1991, INPC de 02/1991 a 11/1991, IPCA (série especial) em 12/1991, UFIR de 01/1992 a 12/2000, IPCAE (2000) em 12/2000, IPCAE de 01/2001 a 06/2004; cabe ainda destacar a incidência dos juros de mora correspondentes a 1% a.m. desde o trânsito em julgado; a COSIT/COSAR 08/97 prevê, sem os expurgos inflacionários: 1) IPC/IBGE (OTN até 01/89), no período compreendido entre janeiro de 1988 e fevereiro de 1990; 2) BTN no período compreendido entre março de 1990 a janeiro de 1991; 3) INPC de fevereiro de 1991 a dezembro de 1991; 4) após, UFIR e SELIC. dessa forma, não há que se utilizar o tal sistema CTSJ ou a norma COSIT/COSAR quando tais mecanismos desvirtuam completamente o valor do título judicial em favor da Recorrente contribuinte; de fato, é importante salientar que a Fazenda Nacional teve a oportunidade de impugnar os valores através dos embargos de devedor e foi vencida, culminando com o trânsito em julgado em favor da Recorrente; mesmo se ainda não houvesse o trânsito em julgado, recentemente, a Câmara Superior de Recursos Fiscais órgão máximo de julgamento de processos tributários, no âmbito do Poder Executivo da União invocando os princípios da moralidade, do enriquecimento sem causa, dentre outros, reconheceu o direito do contribuinte de ter seu crédito com a Unido Federal corrigido integralmente por todos os expurgos inflacionários existentes, afastando a aplicação da Norma de Execução Fiscal Conjunta 08/97; tratase do acórdão CSRF/0104.456, que teve como Relator o Conselheiro Mário Junqueira Franco Filho, de cujo voto se destaca os seguintes argumentos: "A matéria ventilada no presente recurso restringese à possibilidade de, em ambiente jurídico de plena vigência da sistemática de correção monetária de obrigações, utilizarse índices plenos para correção monetária do indébito tributário, afastandose qualquer expurgo inflacionário a reduzilos. O acórdão recorrido fulcrouse na natureza da correção monetária, que não representa um aumento ou acréscimo, mas mera reposição, indicando que entender diversamente é possibilitar um enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Deveras. Dispõe o artigo 37 da Constituição Federal que: 'Art. 37 A administração pública direta e indireta de Fl. 563DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 564 10 qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:' Com efeito, a dicção do citado artigo se traduz, indubitavelmente, em norma cogente para a Administração Pública, não podendo esta olvidar qualquer dos princípios por ele eregidos. É justamente isso que Aborda o Parecer da Advocacia Geral da União n° 01/96, citado no acórdão recorrido, da lavra do ilustre Consultor da União Mirt8 Fraga, devidamente aprovado pelo Senhor Presidente da República, ao discorrer sobre a correção monetária de indébito tributário antes do advento da Lei 8.383/91 (norma esta que instituiu a UFIR), sendo importante transcrever excertos seus: ... Com toda a certeza, conforme bem apontou o douto parecerista, receber um valor intrínseco de tributo indevido e devolvêlo em montante inferior 411 tanto imoral quanto ilegal. i o mesmo que receber um veiculo e devolver tiosomente os pneus. Por isso, impõese a correção plena, a te mesmo porque não havia, até o advento da Lei n° 8383/91, norma ou regime jurídico que estabelecesse regra em sentido contrário, a estabelecer índice menor expurgado. ... Nesse passo, vale salientar, por certo, que a Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR n° 08/97 não tem altivez suficiente para ludibriar a integral correção do indébito, sob pena de se permitir que um ato de cunho 'interna corporis', sem publicidade oficial, transmudese em verdadeira lei de correção monetária, o que seria absoluto absurdo. Dela só se pode extrair o reconhecimento do próprio fisco de que houve inflação a corroer o valor indevidamente recolhido, mais nada. E, em havendo inflação, a correção há de ser plena, sempre que vigente no sistema jurídico o instituto da correção monetária." (fls. 417/419) o Poder Judiciário também está na mesma linha de pensamento, já que, após inúmeras manifestações exaradas pela Fazenda Nacional, todas rechaçadas, restou devido ao grupo de empresas da qual a Recorrente faz parte, um crédito total no valor de R$ 9.554.779,08, atualizado até julho de 2004, e este valor e a forma como foi calculado são imutáveis porque efetivada a coisa julgada material; nos termos do artigo 467, do Código de Processo Civil: "Art. 467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário." (fl. 419) no entanto, desconsiderando o comando judicial em favor da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Lages/SC refaz os cálculos desde 1989 sem, contudo, conforme anteriormente afirmado, apresentar qualquer motivação suficientemente capaz de autorizar tal procedimento, se é que tal autorização existe; o absurdo é tão grande que basta verificar que o valor da compensação homologada é menor do que o valor do crédito conferido pela decisão judicial; como consta dos cálculos judiciais que foram considerados na decisão transitada em julgado dos embargos opostos pela Fazenda Nacional, a empresa Cotrasa (Recorrente) teria garantido o direito, em junho de 2004, ao valor de R$ 1.576.786,30, entretanto, em novembro de 2009 só obteve o deferimento do valor de R$ 1.383.777,88, conforme a decisão administrativa recorrida; Fl. 564DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 565 11 ou seja, além de desconsiderar e alterar o título judicial definitivo emitido contra ela, a Fazenda Nacional sequer aplicou a correção sobre os valores definidos pela Sentença transitada em julgado, em absoluta contradição aos comandos constitucionais e infraconstitucionais aplicáveis ao caso; existe uma decisão judicial já qualificada como imutável e indiscutível e, portanto, há coisa julgada material que confere à Recorrente valor de crédito tributário definitivo estabelecido através de um processo judicial de conhecimento onde as partes tiveram todas as oportunidades processuais para discussão da matéria; a qualidade de imutabilidade existe para que a parte vencedora de um processo judicial tenha segurança de que o comando judicial conferido seja cumprido, sem novas interferências da parte contrária ou de terceiros, mas, infelizmente, não é o que acontece no caso concreto; o artigo 5º, XXXVI, da Constituição Federal, garante a coisa julgada; como ressaltado pelo Ministro Moreira Alves, do Supremo Tribunal Federal, "a previsão do art. 5°, XXXVI, consagra principio fundamental destinado a resguardar a incolumidade das situações jurídicas definitivamente consolidadas." (fl. 420) Celso Ribeiro Bastos salienta: "Com efeito, o Poder Judiciário não poderia preencher o seu papel de assegurador da certeza e da segurança jurídica se fosse possível indefinidamente renovaremse os recursos. É preciso que haja um ponto final, um término da demanda. É a este tipo de decisão que a Constituição assegura a proteção contra a lei. O que isto significa? Significa que não se podem reabrir processo cujas decisões finais já estão revestidas da força de coisa julgada, para efeito de rejulgálas à luz de um novo direito." (fl. 420/421); a decisão administrativa recorrida formulou a glosa indiscriminadamente, o que vale dizer, inaceitou a V. Decisão Judicial transitada em julgada, incorrendo nos precisos termos do artigo 14, inciso V, do Código de Processo Civil Brasileiro que diz: Art. 14. Compete as partes e aos seus procuradores: ....... V. cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar embaraços efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final (acrescido pela 10.358/01). (fl. 421) o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda também reconhece a limitação da administração pública fazendária na apreciação de matéria discutida na esfera judicial, até porque, não poderia ser diferente: Número do Recurso: 123990 Camara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10907.002288/0071 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: II/IPI Recorrida/Interessado: DRJCURITIBA/PR Data da Sessão: 04/12/2001 09:00:00 Relator: JOÃO HOLANDA COSTA Decisão: Acórdão 30330071 Resultado: UVNC POR UNANIMIDADE DE VOTOS NÃO SE CONHECEU DO RECURSO Texto da Decisão: Por unanimidade de votos foram rejeitadas as preliminares de nulidade; e no mérito, não se tomou conhecimento do recurso voluntário quanto As multas de oficio do II e IPI e foram estas excluídas da exigência fiscal em vista do apelo A via judicial. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. 1 Rejeitadas as preliminares arguidas pelo contribuinte: de nulidade, de litispendência entre os Fl. 565DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 566 12 processos administrativos e judicial, de necessidade de instauração de processos fiscais distintos. 2 Julgamento do recurso. A propositura de mandados de segurança impede a apreciação de idêntica matéria na esfera administrativa, impondose, assim, o cumprimento das sentenças definitivas emanadas do Poder Judiciário. 3 Multas de oficio lançadas em desobediência ao art. 63 da Lei 9.430/96. RECURSO AO CONHECIDO QUANTO AOS IMPOSTOS E CONHECIDO E PROVIDO QUANTO As MUITAS DE OFÍCIO. (fl. 421/422) não existe, portanto, justificativa legal que autorize a modificação dos valores e procedimentos previstos na Sentença proferida nos embargos à execução n.° 2002.34.00.0319181, com trânsito em julgado em 22 de fevereiro de 2007, opostos pela Fazenda Nacional para impugnar o resultado financeiro da ação 1994.00101643; de forma explicativa, a Recorrente junta planilha onde está representada a forma de cálculo e os valores compensados desde o trânsito em julgado dos embargos execução opostos pela Fazenda Nacional; conforme é possível verificar, a Recorrente iniciou a compensação em agosto de 2007, somente após consolidado o valor do crédito pelo indeferimento da impugnação embargos de devedor da Fazenda Nacional (22 de fevereiro de 2007), comprovando que tomou todas as medidas possíveis para apropriar, de forma segura, seu crédito tributário. E, por fim, requer seja dado provimento à “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, para julgar procedente a compensação realizada pela Recorrente, com o reconhecimento dos valores apropriados já que calculados conforme decisão judicial transitada em julgado” (fl. 423). É o relatório." A DRJ em São Paulo julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1662.976, de 06/11/14, foi assim ementado: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990 FINSOCIAL NULIDADE.INEXISTÊNCIA. É incabível de ser pronunciada a nulidade da decisão proferida por autoridade competente, contra a qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias no sentido de procurar provar o seu direito. DIREITO CREDITÓRIO.QUANTIFICAÇÃO.EXTINÇÃO DO PROCESSO DE EXECUÇÃO. Diante da extinção do processo executivo sem julgamento de mérito, deve o contribuinte se vincular à apuração na esfera administrativa voltada para a quantificação de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Fl. 566DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 567 13 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de homologação parcial de Declarações de Compensação (DCOMP), instruídas com créditos de FINSOCIAL reconhecidos judicialmente. A controvérsia cingese ao cálculo da atualização monetária do crédito. A DRF adotou os seguintes procedimentos (Despacho Decisório, fls. 283), confirmados pela DRJ: "(1) Foi considerada a base de cálculo como o faturamento constante da planilha apresentada ao Poder Judiciário e confirmada pela contribuinte, períodos de apuração de set/1989 a ago/1990, aplicandose a alíquota de 0,5%; (2) Esse valor foi confrontado com os pagamentos efetuados para as respectivas competências (os recolhimentos foram confirmados no sistema de microfichas), sendo apurado um saldo credor; pelos cálculos efetuados através do sistema CTSJ, a interessada é credora no valor de R$ 430.408,51, atualizados até 31/12/1995 (apenas para efeito comparativo, o valor apresentado para execução pela contribuinte monta R$ 1.130.117,48 na data base de 31/03/2002; utilizandose o CTSJ para a mesma data base, obtevese um saldo credor de R$ 1.038.237,10); (3) Para se chegar ao saldo credor, no sistema CTSJ, foram acrescidas as correções determinadas pelo Poder Judiciário (indébitos corrigidos pelos índices oficiais); foram utilizados os índices de correção monetária previstos na Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR no 08/97, que utiliza a partir de 01/01/92 a UFIR e a partir de 01/01/96 a SELIC (que engloba juros e correção monetária)." A recorrente, por sua vez, alegou o seguinte (fl. 550): Fl. 567DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 568 14 Em sede da Ação Ordinária n° 1994.00.101643, foi reconhecido o direito à restituição dos pagamentos de FINSOCIAL realizados a alíquotas superiores a 0,5%, corrigidos monetariamente e acrescidos de juros de 1% ao mês, a partir do trânsito em julgado. crédito (fl. 102). Não foram indicados os índices de atualização monetária do crédito. Os índices, todavia, foram indicados pelo Poder Judiciário (fl. 182), em sede da Ação de Execução por Título Judicial n° 2002.34.00.0156904, cuja sentença transitou em julgado em 22/02/07 (fl. 186). E coincidem com os mencionados no recurso voluntário. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 569 15 Não obstante, conforme consta na fl. 197, a recorrente desistiu da Ação de Execução, para pleitear a compensação do crédito, em via administrativa. Assim, o teor daquela sentença, ainda que transitada em julgado, deixa de ser aplicável. Isto posto, restanos determinar quais índices devem ser adotados: os indicados pela recorrente ou os adotados pela RFB (Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR n° 08/97)? O assunto já se encontra pacificado no âmbito do CARF, cumprindo mencionar a ementa de dois recentes Acórdãos da CSRF: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 "FINSOCIAL. AÇÃO JUDICIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DE ÍNDICES QUE MELHOR REFLITAM A DESVALORIZAÇÃO DA MOEDA. PRECEDENTES DO STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A RICARF. Nas ações relativas ao reconhecimento de indébitos tributários a favor do contribuinte, ainda que não exista, nas decisões judiciais, a menção expressa à aplicação da correção monetária e dos expurgos inflacionários sobre repetidos, esta é matéria de ordem pública e deve ser observada tanto pelo Poder Judiciário quanto pela Administração Tributária. Aplicável o Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, nos termos do entendimento do STJ (Recurso Especial nº 1.112.524/DF, Rel. Min. Luiz Fux). Aplicação do artigo 62A do RICARF." (Ac. 9303005.491 , de 27/07/17, e 9303005.038, de 12/04/17)" Por força de previsão regimental, nossas decisões estão vinculadas às proferidas pelo STJ, sob o regime dos recursos repetitivos. Sendo assim, proponho que o presente processo seja convertido em diligência, para que a unidade de origem refaça os cálculos do crédito de FINSOCIAL, adotando os índices constantes do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, e então verifique se são ou não suficientes para liquidar os débitos indicados pela recorrente nos DCOMP. Deve ser preparado relatório conclusivo, contendo quadro demonstrativo com i) os valores originais dos créditos, por período de apuração; ii) os índices e respectivos valores de atualização monetária e juros, calculados até as datas das compensações; iii) os montantes dos créditos atualizados, até as datas das compensações; iv) o valor do débito compensado, com indicação do número da respectiva DCOMP; e v) valor de eventual saldo a ser compensado em período seguinte. Deve ser dada ciência às partes e prazo de trinta dias para manifestação. Finda esta etapa, os autos devem retornar para o CARF, para conclusão do julgamento. É como voto. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 13984.001386/200939 Resolução nº 3301000.800 S3C3T1 Fl. 570 16 (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 570DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000336/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2001
EXCLUSÃO. ATIVIDADE. SÚMULA Nº 57 DO CARF.
A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Numero da decisão: 1201-000.490
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2001 EXCLUSÃO. ATIVIDADE. SÚMULA Nº 57 DO CARF. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
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ATIVIDADE. SÚMULA Nº 57 DO CARF. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10932.000336/200790 Acórdão n.º 120100.490 S1C2T1 Fl. 31 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme descrito no Ato Declaratório Executivo de fl. 19, a contribuinte foi excluída do Simples, com efeitos a partir de 27/09/2001, data de sua constituição, em virtude de exercer atividade vedada pelo art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. Proposta manifestação de inconformidade (fls. 22/27), a DRJ de origem decidiu pela procedência da exclusão (fls. 54/57). Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 61/82) pedindo ao final seja reformada a decisão de primeiro grau, sob as seguintes alegações, em síntese: a) quando foi constituída, em 27/09/2001, a empresa tinha como objeto social o “comércio de peças para aparelhos de laboratórios, prestação de serviços de reparação de aparelhos de laboratórios industrial”, tendo sido este alterado em 06/09/2002 para o “comércio de peças, manutenção e instalação de aparelhos de ar condicionado compacto, ar condicionado central, chielle de água gelada, bebedouro, câmara frigorífica, secador de ar comprimido, ventilação, exaustão”; b) o titular da empresa individual não possui habilitação junto ao CREA, nem sequer possui formação em engenharia e, por conta disso, não possui inscrição da sua empresa junto àquele órgão. Não possui, também, em seu estabelecimento, estrutura ou condições para manter empregados com tal capacitação técnica para efetuar os serviços presumidos pelo Fisco; c) portanto, claro está que a ora recorrente não exerce atividade de engenheiro ou assemelhada; d) o ato de exclusão do Simples, datado de 11/10/2007, provoca imensa insegurança jurídica, pois desde a data de sua constituição o Fisco jamais discordou sobre a opção realizada pela contribuinte, tendo inclusive homologado parcelamento de débitos do Simples do ano de 2003, conforme processo n° 13819400.37310446; e) a jurisprudência tanto judicial quanto administrativa é pacífica no sentido de que o art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96 não veda a opção pelo Simples às pessoa jurídicas que exerçam a atividade da contribuinte; f) a própria Lei n° 10.964/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, exclui a atividade da ora recorrente da proibição contida no art. 9°, XIII, da Lei n° 9.317/96. Na verdade, muitas das atividades excluídas da vedação ao Simples pela mencionada lei sequer estavam proibidas; g) ademais, com a entrada em vigor da Lei Complementar nº 123/2006, a vedação ao Simples para as pessoas jurídicas que exerçam a atividade da contribuinte foi eliminada, conforme previsto no art. 17, § 1º, X e XI. Tal dispositivo tem aplicação retroativa, por força do disposto no art. 106 do CTN, conforme entendimento do próprio CARF; Voto Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10932.000336/200790 Acórdão n.º 120100.490 S1C2T1 Fl. 32 3 Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Atividade Exercida pela Contribuinte A ora recorrente foi excluída do Simples por exercer a atividade de prestação de serviços de manutenção e instalação de aparelhos de ar condicionado compacto, ar condicionado central, chielle de água gelada e bebedouro, câmara frigorífica, secador de ar comprimido, ventilação e exaustão, atividade essa que, segundo a autoridade fiscal, assemelha se a de engenharia, a teor do disposto no art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. Entretanto, conforme súmula nº 57 do CARF, a seguir transcrita, de observância obrigatória por parte de seus membros, a prestação de serviços de manutenção e instalação em máquinas e equipamentos, como no caso sob exame, não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no Simples. Súmula CARF nº 57 (DOU de 09/12/2010) A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.905903/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 59 03 /2 01 2- 83 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.905903/201283 Acórdão n.º 1301003.405 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por RCC VEÍCULOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF de origem. No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Não homologada a compensação, sobreveio manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento. O órgão julgador de primeira instância deixou consignado que a retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, quando destinada a reduzir ou excluir tributo, só é admissível quando comprovado o erro em que se funda a retificação. Além disso, incumbe ao sujeito passivo apresentar a prova da existência do crédito pleiteado, de tal modo a viabilizar, para a autoridade administrativa, a verificação de liquidez e certeza do direito. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso. Disse que, após realizar revisão contábil, constatou ter apurado incorretamente débitos de tributo. Diante disso, apresentou declarações de compensação a fim de recuperar os valores pagos indevidamente. Com o mesmo propósito, retificou DIPJ e DCTF, nesta última declarando valor de débito menor do que aquele que havia sido recolhido, resultando daí um crédito a favor da recorrente. A recorrente sustenta que as declarações retificadoras devem ser aceitas como prova de seu direito. Nessa linha de argumentação, distingue procedimento administrativo tributário de processo administrativo tributário. O primeiro nada mais seria do que a ação de acompanhamento realizado pelo órgão público, sem conteúdo de litígio, apenas com finalidade informativa. O processo, ao contrário, teria por objeto a resolução de um conflito em matéria tributária, cabendo à Administração o controle de legalidade dos atos praticados pelo contribuinte. Segundo essa classificação, o presente processo seria apenas um procedimento administrativo, instaurado pela Receita Federal para verificar a declaração de compensação entregue pela recorrente. Só após o lançamento fiscal é que se teria processo administrativo tributário propriamente dito, bastando para tanto que o contribuinte formalizasse a impugnação, ou seja, a resistência face à pretensão fiscal. Em vista desses argumentos, concluiu que o acórdão da DRJ cometera grave equívoco ao desconsiderar a DCTF retificadora, sob o fundamento de que a retificação se dera após a ciência do despacho decisório. Concluiu dizendo que, no caso concreto, o processo administrativo se instaurou apenas com a apresentação da manifestação de inconformidade, não existindo antes disso lançamento tributário. Nessa linha de raciocínio, seria incorreto desconsiderar a DIPJ e a DCTF como provas da retificação dos valores anteriormente informados. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.905903/201283 Acórdão n.º 1301003.405 S1C3T1 Fl. 4 3 No mais, aduziu que não tinha sofrido procedimento de fiscalização, nem os débitos haviam sido enviados à Procuradoria da Fazenda NacionalPFN. Somente com a decisão recorrida é que se tomou ciência de um processo administrativo de cobrança de débitos. Com esses fundamentos, pugnou pelo reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.391, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10930.904596/2012 13, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.391): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da existência do direito creditório oriundo de pagamento parcialmente indevido de tributo. A DRF de origem não homologou a compensação porque o pagamento se encontrava inteiramente alocado a um débito declarado pela própria recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de comprovação do direito. Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em primeiro lugar, fazer prova do pagamento, ou seja, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres públicos. Depois, tem de provar que esse pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável. Vale dizer, provar que houve erro na apuração do débito; ou provar que quem pagou não era devedor ou aquele que recebeu o pagamento não era o credor (erro quanto ao sujeito da relação jurídica). O contribuinte não precisa provar que pagou por erro, nem que o erro era escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável. No caso em exame, a recorrente cingiuse a afirmar que fizera uma revisão contábil, que evidenciou erro na apuração do débito. Não disse, entretanto, em que consistia o erro. O erro, em tese, pode decorrer de inúmeras situações, tais como a inclusão Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.905903/201283 Acórdão n.º 1301003.405 S1C3T1 Fl. 5 4 na base de cálculo de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; do registro de meros ingressos de caixa como sendo valores tributáveis; da falta de registro de despesas dedutíveis. Ademais, o indébito pode ter origem em toda sorte de equívocos referentes aos ajustes do lucro líquido, bem como do emprego de alíquotas incorretas. Diante da imprecisão e da forma lacônica como o fato constitutivo do direito da recorrente foi descrito no recurso, tornase ocioso qualquer exame de livros fiscais e contábeis, bem como a determinação de qualquer tipo de diligência, em face da impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não serve como prova do pretenso direito creditório. Nesse sentido é o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do CARF. Na situação em análise, além de a retificação da DCTF ser posterior à intimação do despacho decisório, não há no recurso sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Por último, cabe dizer que, no caso em exame, a solução da controvérsia passa ao largo das supostas diferenças entre processo e procedimento. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.905903/201283 Acórdão n.º 1301003.405 S1C3T1 Fl. 6 5 Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.722357/2017-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA
São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes.
Numero da decisão: 2002-000.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente MARIA ANGELICA ALLEMAND Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 23 57 /2 01 7- 16 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10730.722357/201716 Acórdão n.º 2002000.350 S2C0T2 Fl. 102 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 10/21), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2014. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$15.943,21 para saldo de imposto a pagar de R$32.945,40. A notificação consigna as infrações de omissão de rendimentos e dedução indevida de despesas médicas, além da alteração na ficha dos rendimentos recebidos acumuladamente (número de meses). Impugnação Cientificada à contribuinte em 25/7/2017, a NL foi objeto de impugnação, em 16/8/2017, à fl. 2/36 dos autos, na qual o representante da contribuinte contestou a glosa da despesa médica e alegou que parte dos rendimentos recebidos na ação judicial seriam isentos. Indica a juntada de documentação comprobatória e concorda expressamente com a omissão de rendimentos apontada na autuação. A impugnação foi apreciada na 21ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, julgoua procedente em parte (fls. 61/66). Diante das provas apresentadas, o colegiado alterou o montante dos rendimentos recebidos acumuladamente. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 20/12/2017 (fl. 93), a contribuinte, em 15/1/2018 (fl. 71), por intermédio de seu representante legal (fl.73), apresentou recurso voluntário, às fls. 71/92, no qual requer o restabelecimento da despesa médica declarada diante dos documentos juntados ao seu recurso. Acrescenta que o comprovante atesta o pagamento de montante em valor superior ao declarado por ela. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.68). Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10730.722357/201716 Acórdão n.º 2002000.350 S2C0T2 Fl. 103 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da lide Cientificada da decisão do colegiado de primeira instância, a recorrente manifestouse somente quanto à manutenção da glosa da despesa médica. Assim, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente (número de meses), não cabe qualquer pronunciamento desta instância de julgamento. Da mesma forma no que concerne à omissão de rendimentos apontada, uma vez que a contribuinte já concordara expressamente com a exigência por ocasião da impugnação. Portanto, cabe apreciar nesta decisão a glosa da despesa médica. Mérito Passandose ao exame da lide, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Os documentos comprobatórios das despesas médicas devem trazer também a indicação do paciente beneficiário do serviço prestado, como decorrência lógica da necessidade de os contribuintes demonstrarem que tais despesas correspondem ao tratamento deles próprios ou de seus dependentes (art. 8º, § 2º, inc. II, da Lei 9.250, de 1995). Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10730.722357/201716 Acórdão n.º 2002000.350 S2C0T2 Fl. 104 4 A autuação consigna a glosa do montante de R$9.795,31, informado com Prece Previdência Complementar, por falta de comprovação (fl.14). Na apreciação da impugnação quanto a essa matéria, a decisão de piso consigna: Em sua Declaração de Ajuste Anual, do anocalendário 2013, fls. 43/53, a contribuinte informou despesas com a Prece Previdência Complementar (código 21 hospitais, clínicas e laboratórios) de R$ 9.795,31 e com a Caixa de Assistência dos Servidores da Cedae CAC (código 26 – planos de saúde) de R$ 6.621,09. Durante a ação fiscal, por meio do Termo de Intimação, fl. 40, a contribuinte foi intimada a apresentar os comprovantes de despesas médicas com planos de saúde discriminados por beneficiários (titulares e dependentes). No Comprovante de Rendimentos da Prece Previdência Complementar, de fl. 23, apresentado na fase de fiscalização e na defesa, observamse as seguintes informações: Assistência Médica (CAC) – R$ 9.495,04 Planaf (CAC) – R$ 6.621,09 Odontoprev – R$ 300,24 Foi glosado pela fiscalização o valor de R$ 9.795,31 (R$ 9.495,04 + R$300,24) por falta de comprovação, sendo acatada a dedução de R$ 6.621,09, que diz respeito à Planaf, que, conforme informação do sítio da Internet da Caixa de Assistência dos Servidores da Cedae, tratase de Plano de Assistência Familiar, que ampliou o atendimento médico hospitalar aos familiares dos associados. Pelas informações do Comprovante de Rendimentos, não é possível precisar se os valores de assistência médica e odontológica glosados dizem respeito apenas à contribuinte. Assim, sem que a defendente apresente a discriminação de todas as pessoas que integram os planos de saúde e despesas médicas arcadas pela CAC com os valores respectivos, não há como se acatar o montante de R$ 9.795,31, uma vez que pode haver outras pessoas vinculadas ao plano para as quais não é possível a dedução de despesas médicas. (destaques acrescidos) Agora, em sede de recurso voluntário, a recorrente juntou novos documentos aos autos (fls. 87/92). O art. 16, §4º, alínea "c", do Decreto nº 70.235/72, prevê que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a nova prova se destine a contrapor fatos ou razões Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10730.722357/201716 Acórdão n.º 2002000.350 S2C0T2 Fl. 105 5 posteriormente trazidas aos autos. Verificase que os documentos apresentados pela parte encaixamse nesta previsão, visto que destinamse a contrapor razões trazidas aos autos pela DRJ que fundamentou a manutenção da glosa da despesa médica na falta de discriminação dos valores pagos por beneficiário. Diante disso, a nova documentação será analisada. Cabe registrar que a contribuinte informa como dependente Wilson Fernandes da Costa Filho (fl.44). Dessa feita, a teor da legislação já citada e consignada na autuação, ela pode se utilizar da dedução das despesas médicas próprias e as desse dependente. Isto posto, à vista dos documentos apresentados, em especial fls.87/88, a glosa da despesa médica deve ser cancelada, visto que resta comprovado que se trata de despesa médica da própria recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, restabelecendo a dedução da despesa médica no valor de R$9.795,07. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.720070/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DAS GLOSAS REALIZADAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É nulo o despacho decisório que desconsidera crédito proveniente de negócio jurídico realizado sem indicar o dispositivo legal que teria sido descumprido, materializando preterição ao direito de defesa do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive, vencidos os conselheiros Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DAS GLOSAS REALIZADAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera crédito proveniente de negócio jurídico realizado sem indicar o dispositivo legal que teria sido descumprido, materializando preterição ao direito de defesa do contribuinte.
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AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DAS GLOSAS REALIZADAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera crédito proveniente de negócio jurídico realizado sem indicar o dispositivo legal que teria sido descumprido, materializando preterição ao direito de defesa do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive, vencidos os conselheiros Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 00 70 /2 01 1- 19 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11065.720070/201119 Acórdão n.º 3302005.774 S3C3T2 Fl. 248 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela DRJ/FOR, em sessão de 26 de março de 2015, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTÊNCIA DE DISTINÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DOS SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES. GLOSA DOS CRÉDITOS APURADOS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. Tendo a fiscalização logrado demonstrar, através de uma série de indícios graves, precisos e convergentes, que as empresas prestadoras dos serviços de industrialização por encomenda foram artificialmente criadas, com o propósito deliberado de mitigar de forma irregular a carga tributária da pessoa jurídica manifestante, situação a caracterizar a ocorrência de simulação nas operações entre as empresas entabuladas, correta a desconsideração dos créditos considerada pela autoridade fiscalizadora, na apuração nãocumulativa da contribuição social em apreço. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem o sujeito passivo apresentou, em 29.04.2010, Pedido de Ressarcimento PER, objetivando o recebimento de R$32.184,22 a título de ressarcimento de suposto crédito de PIS, calculado sobre bens e serviços utilizados como insumos, vinculados à receita de exportação, nos termos do §§ 1º e 2º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002. A fiscalização entendeu, em análise ao pedido de ressarcimento, que embora a empresa estivesse enquadrada no regime da não cumulatividade da contribuição e tenha praticado operações de exportação de mercadorias, seus maiores fornecedores de mãodeobra foram as empresas "Adão Acker", CNPJ nº 04.321.383/000150, e "Solange Regina Moraes Matte", CNPJ nº 07.334.298/000115, que não seriam pessoas jurídicas independentes, pois vários indícios levaram à conclusão de que estas formam grupo econômico juntamente com a Lotus Calçados. Tais indícios, segundo a fiscalização, seriam: I) as três empresas possuem como objeto a fabricação de calçados de couro e estão localizadas em endereços muito próximos; II) o contador das três empresas é o mesmo; III) houve migração de funcionários da Lotus Calçados para a recém constituída "Adão Acker", mediante demissão em uma e imediata contratação na outra; IV) O empresário Adão Acker é exfuncionário da Lotus Calçados; V) rodizio de empregados entre as empresas "Adão Acker" e "Solange Regina Moraes Matte", pois há funcionários que trabalharam, em períodos distintos, para ambas as empresas; VI) emissão de notas fiscais sequenciais e exclusivamente para a Lotus; VII) movimentação Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11065.720070/201119 Acórdão n.º 3302005.774 S3C3T2 Fl. 249 3 financeira baixa e dependência de aportes financeiros provenientes de empréstimos tomados do sócioadministrador da Lotus Calçados. Ao fim, a fiscalização destacou a inexistência de movimentações financeiras da Lotus para as empresas "Adão Acker" e "Solange Regina Moraes Matte" no 4º trimestre de 2009, período em que foram prestados os serviços que originaram os créditos cuja restituição se pleiteia nestes autos. Com base nestes argumentos, a fiscalização glosou os créditos decorrentes dos serviços de industrialização por encomenda prestados pelas empresas "Adão Acker" e "Solange Regina Moraes Matte" para efeitos de cálculo do PIS, no montante de R$6.321,15, lavrando, ainda, auto de infração para cobrança da multa isolada prevista no art. 62 da Lei nº 12.249/2010, equivalente a 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido. Foi reconhecido o direito creditório da parte não glosada, no valor de R$25.863,07 (fls. 113 e 114). Cientificado do Despacho Decisório em 28.01.2011, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva em 01.03.2011, onde alegou que: a) não há indicação de qualquer dispositivo legal que dê sustentação à glosa realizada, ocasionando a nulidade do despacho decisório em razão do prejuízo ao direito de defesa; b) acredita, pela forma com que o fisco vem tratando as empresas terceirizadas do setor calçadista no âmbito da DRF em Novo Hamburgo, que a atuação fiscal foi baseada no parágrafo único do art. 116 do CTN; c) as empresas "Adão Acker" e "Solange Regina Moraes Matte" estão devidamente constituídas e registradas como microempresas, não constando contra elas nenhuma ação do fisco tendente a apuração de infração fiscal; d) houve desvinculação de alguns serviços que antes eram executados pela Lótus para terceiros, tendo em vista a necessidade de qualificação da mãode obra e de ampliação da produção de calçados; e) Adão Acker se consolidou como experiente técnico na produção de calçados, tendo prestado serviços a outras empresas, assim como a Lótus calçados se utilizou de diversos outros agentes econômicos como colaboradores, conforme documentos anexados (fls. 151 a 192), o que descaracteriza a alegação de exclusividade feita pelo fisco; f) ainda que houvesse exclusividade, não há qualquer impedimento legal para tanto, não podendo o fisco atuar como legislador positivo, violando o princípio constitucional da estrita legalidade; g) eventual ocorrência de simulação ou dissimulação deve ser comprovada para que seja aplicável a desconsideração dos atos ou negócios jurídicos realizados; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11065.720070/201119 Acórdão n.º 3302005.774 S3C3T2 Fl. 250 4 h) somente o judiciário pode decidir pela desconsideração da personalidade jurídica, e mesmo este somente o pode fazer mediante o atendimento de requisitos específicos, previstos na legislação; A DRJ/FOR julgou improcedente a manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a fiscalização demonstrou, por meio de vários indícios graves, precisos e convergentes, que as empresas prestadoras dos serviços de industrialização por encomenda foram artificialmente criadas, com o propósito deliberado de mitigar de forma irregular a carga tributária da manifestante. A respeito da alegação de nulidade por falta de fundamentação, a instância a quo decidiu que muito embora não tenha constado no despacho decisório a fundamentação legal da infração cometida, é possível entender, com base no relatório fiscal de fls. 100 a 106, que a glosa dos créditos se deu em razão de a autoridade fiscal haver detectado a existência de simulação na criação das pessoas jurídicas "Adão Acker" e "Solange Regina Moraes Matte", não se vislumbrando qualquer prejuízo à defesa e afastando a preliminar de nulidade requerida pela interessada. O julgador de primeira instância entendeu que a proximidade física das três empresas e a contratação do mesmo contador, não seria suficiente, por si só, para referendar o entendimento fiscal. Sobre o empresário Adão Acker ter sido funcionário da Lotus até o mês de março/2001, e a partir de abril do mesmo ano haver constituído pessoa jurídica, para onde levou outros quinze exempregados da Lotus, de um total de vinte e seis, careceria de maior aprofundamento por parte da fiscalização, de modo a demonstrar a falta de capacidade financeira do Sr. Adão Acker para a integralização do capital utilizado na constituição da pessoa jurídica, o que não foi feito pelo fisco. Acerca do rodízio de empregados entre as empresas, a DRJ entendeu não ser relevante para, isoladamente, caracterizar a simulação sustentada pelo fisco. A respeito da emissão de notas fiscais sequenciais e de forma exclusiva para a Lotus, entendeu a instância a quo que a falta de apresentação de outras notas fiscais emitidas pela empresa "Adão Acker" demonstra a inexistência de comprovação, por parte da defesa, de que tal empresa houvera prestado serviços para terceiros, além da demandante. Isso porque os documentos juntados são cópias de notas fiscais que tem como destinatária a empresa "Adão Acker, não sendo suficientes para comprovar a existência de clientes diversos da Lotus Calçados Ltda. A DRJ sustentou ainda que a defesa nada alegou em relação a dependência de aportes financeiros contabilizados como empréstimos contraídos pelas empresas "Adão Acker" e "Solange Regina Moraes Matte" do Sr. Ethevaldo Arthu Konrath, sócioadministrador da Lotus Calçados Ltda, sem os quais a conta caixa das empresas beneficiárias passaria a ostentar saldos credores. Assim como também não foi afastada pela impugnante a ausência de movimentação financeira entre a Lotus e as empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte no ano calendário 2009, período em que teriam elas fornecido notas fiscais à Lotus Calçados. Por fim, concluiu a DRJ que embora os fatos apontados pela fiscalização, vistos de forma isolada, não se mostram suficientes para a caracterização da simulação, a Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11065.720070/201119 Acórdão n.º 3302005.774 S3C3T2 Fl. 251 5 analise conjunta de todo o cenário traz um repertório de indícios graves, precisos e convergentes, de modo a caracterizar a existência de simulação na constituição das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte. Tendo tomado ciência do acórdão recorrido em 17.06.2015, a interessada apresentou recurso voluntário tempestivo em 15.07.2015, aonde alegou em sua defesa: a) Preliminarmente, que a glosa e a autuação realizadas são nulas porque não houve indicação da fundamentação legal supostamente infringida, o que traz relevantes prejuízos ao direito de defesa da recorrente, sendo que o próprio julgado citado pela DRJ para fundamentar sua posição foi reformado por tal motivo; b) Que dos sete indícios apontados pela fiscalização para caracterizar como simulação a terceirização de parte dos trabalhos da recorrente, a própria DRJ afastou cinco, por entender que não eram suficientes para comprovar as alegações do fisco; c) Não se pode admitir que se um dos ateliês de calçados que prestaram serviços para a Lótus Calçados não se expande para prestar serviços a mais empresas calçadistas, este seja entendido como uma simulação da Lotus para obter redução ilícita da carga tributária; d) Que o Sr. Adão Acker não tem nenhum grau de parentesco com o Sr. Ethevaldo. Entretanto, era funcionário exemplar e queria alçar vôo próprio, razão pela qual, entre perder totalmente sua experiência ou poder contar com ela como colaborador especializado, optou o Sr. Ethevaldo por viabilizar a manutenção de parceria, não havendo qualquer vedação legal para tanto; e) Que os adiantamentos de recursos foram em valores compatíveis com a movimentação das terceirizadas; f) Somente o judiciário pode desconsiderar a personalidade jurídica de uma empresa; g) Já há decisões no sentido de que o desmembramento de atividades em duas empresas na mesma área geográfica é lícito e possível, assim como no sentido de ser nula a autuação fiscal carente de adequada fundamentação; h) Houve inovação nos autos pela autoridade julgadora de primeira instância, configurando a supressão de instância e prejudicando novamente o direito de defesa da recorrente; Por fim, pugna preliminarmente pela declaração de nulidade do despacho decisório em razão da falta de fundamentação legal e consequente cerceamento do direito de defesa, da mesma forma como foram julgados os demais processos desta empresa por este conselho. Em caso de assim não entender este colegiado, pede seja julgado totalmente procedente o recurso voluntário, declarando a ilegalidade da glosa efetuada e reconhecendo o direito creditório do contribuinte. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11065.720070/201119 Acórdão n.º 3302005.774 S3C3T2 Fl. 252 6 Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a analisálo. A recorrente pediu ressarcimento de PIS do 4º trimestre de 2009, calculado sobre bens e serviços utilizados como insumos, vinculados à receita de exportação, nos termos do §§ 1º e 2º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002. Parte do crédito foi glosada pois a autoridade fiscal entendeu pela existência de simulação na terceirização de parte dos serviços de produção de calçados. A recorrente alega, em preliminar, a nulidade do despacho decisório em razão da ausência de qualquer fundamento legal que justifique a glosa dos créditos. É o que será analisado a seguir. 1 Da Nulidade do Despacho Decisório. No caso em tela, foram acostados aos autos três documentos produzidos pela fiscalização: i. Relatório Fiscal (fls. 100 a 106); ii. Auto de Infração (fls. 107 a 110); iii. Despacho Decisório (fls 114 e 122). O Despacho Decisório se limitou a reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, deixando de trazer qualquer razão ou fundamentação para as glosas realizadas. No Relatório Fiscal, a fiscalização relatou os indícios pelos quais entendeu estar ocorrendo simulação, sem, contudo, efetuar a subsunção entre tais indícios e a norma que teria sido infringida ou então que configure conduta típica. Apenas foi mencionado o art. 62 da Lei nº12.249/2010, que deu nova redação ao disposto no §15 do art. 74, prevendo a aplicação de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Assim, a autoridade fiscal desconsiderou o negócio jurídico realizado pelas empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte com a Lotus Calçados, mas não indicou qual o dispositivo legal que teria sido infringido pela recorrente ou que de guarida a essa desconsideração. Resta evidente, portanto, que a falta de indicação do dispositivo legal que teria sido infringido, e que permitiria à fiscalização desconsiderar o negócio jurídico em estudo, compromete a higidez do despacho decisório, vez que não restou demonstrado que a situação fática enquadrouse em algum pressuposto de direito. Ademais, a falta de indicação do fundamento legal da glosa materializa preterição ao direito de defesa, vez que o contribuinte não sabe qual a norma que teria sido supostamente descumprida por ele. Tanto é que a recorrente alega em sua manifestação de inconformidade acreditar que o fisco tenha se baseado no parágrafo único do art. 116 do CTN, Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11065.720070/201119 Acórdão n.º 3302005.774 S3C3T2 Fl. 253 7 passando a defenderse sob tal linha de raciocínio, conquanto a DRJ alegou ter havido simulação nos termos do art. 167 do Código Civil, o que até então não constava dos autos. Diante do exposto, entendo assistir razão à recorrente quanto à nulidade do despacho decisório por falta de fundamentação legal e preterição do direito de defesa. No mesmo sentido já decidiu este conselho em outros processos do mesmo contribuinte. Vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal. (Acórdão 3401002.268, 4ª Câmara, 1ª TO, 3ª Seção) E também: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal. (Acórdão 3401002.260, 4ª Câmara, 1ª TO, 3ª Seção) Ao todo foram 12 processos do mesmo contribuinte, todos tratando dos mesmos fatos, cujo despacho decisório foi anulado por falta de fundamentação legal das glosas realizadas. Diante de todo o exposto, a declaração de nulidade é medida que se impõe. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11065.720070/201119 Acórdão n.º 3302005.774 S3C3T2 Fl. 254 8 Fl. 254DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.902317/2009-85
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas.
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do direito creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.401
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de afastamento da prescrição do crédito postulado e, no mérito, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do direito creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 23 17 /2 00 9- 85 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10469.902317/200985 Acórdão n.º 1002000.401 S1C0T2 Fl. 97 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de afastamento da prescrição do crédito postulado e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 75/81) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 55/63), proferida em sessão de 28 de julho de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1134.495, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 03/07) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/03/2009 (efl. 09), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 10242.51227.290806.1.3.047305, transmitido em 29/08/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A competência originária para apreciar declaração de compensação é do Delegado da Receita Federal do domicilio fiscal do contribuinte, sendo do dever deste último identificar perfeitamente na declaração qual o direito creditório que julga possuir. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10469.902317/200985 Acórdão n.º 1002000.401 S1C0T2 Fl. 98 3 Do PER/DCOMP O contribuinte transmitiu o PER/DCOMP em referência objetivando a restituição de crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL (2484), relativo ao período de apuração agosto de 2005, pretendendo, outrossim, efetivar a compensação de débito próprio de estimativa de CSLL (2484) relativo ao período de apuração julho de 2006. Do Despacho Decisório Analisando o PER/DCOMP em comento o titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo lavrou despacho decisório (efl. 09) no qual informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 2.138,91, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação de débito próprio do contribuinte, no entanto, verificadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado, não ocorrendo a homologação da compensação. Isto porque, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito/saldo disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/08/2005 2484 R$ 2.373,17 30/09/2005 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 2004172601 R$ 2.373,17 DB: cód 2484 PA 31/08/2005 R$ 2.373,17 Valor Total R$ 2.373,17 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2009 Principal: R$ 1.919,86 Multa: R$ 383,97 Juros: R$ 578,64 Por conseguinte, a DRF/Natal/RN não homologou a compensação declarada, tendo em vista a inexistência do crédito. Da Manifestação de Inconformidade O contencioso administrativo fiscal tem início com a impugnação efetivada pelo contribuinte, através de manifestação de inconformidade (efl. 03/07), contra o conteúdo do citado despacho decisório (efl. 09). Delimitando a lide do contencioso tributário, aduziuse, em síntese, que houve um erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o valor do crédito decorreria de saldo Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10469.902317/200985 Acórdão n.º 1002000.401 S1C0T2 Fl. 99 4 negativo, conforme DIPJ retificada, não sendo proveniente de pagamento indevido ou a maior como anotado no dito PER/DCOMP. Com isso, postulouse a desconstituição do despacho decisório com o reconhecimento do crédito e a efetivação da compensação. Do Acórdão da Manifestação de Inconformidade A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso administrativo fiscal, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo a quo, as razões de decidir do meritum causae: Conforme observado, relativamente à compensação da DCOMP não homologada, o despacho decisório assim decidiu em virtude da inexistência do crédito. E de outra forma não poderia decidir, tendo em vista às informações veiculadas pela contribuinte em sua DCOMP, em consonância com os demais sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB. Ressaltese que, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados a uma sequência continua de operações, cuja participação da postulante é primordial, materializandose através da correção dos valores informados no PER/DCOMP e em perfeita sintonia com os diversos sistemas informatizados da RFB, haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP) e nos sistemas da RFB, concluise que não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, haja vista a ausência de atributos essenciais pertinentes ao mesmo (art. 170 do CTN) aliada, inclusive, à verdadeira intenção da peticionante, demonstrada na manifestação que ora se analisa, de retificar o crédito pleiteado (origem e valor) na DCOMP, o qual a autoridade a quo não tinha como adivinhar, por constituirse em crédito diverso ao informado no pedido. Sobre o pedido de retificação da DCOMP presente na manifestação de inconformidade, resultaria na apreciação do pleito em novas bases (novos fundamentos materiais do crédito), equivalendose a um novo pedido, o que, como restará comprovado pelo exame da legislação a seguir transcrita, não é competência dessa delegacia, devendo a análise do direito material do contribuinte ser enfrentada na primeira instância decisória competente (DRF do domicílio da contribuinte): (...). Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10469.902317/200985 Acórdão n.º 1002000.401 S1C0T2 Fl. 100 5 Por outro lado, a competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, conforme expresso no art. 229, IV, da mesma Portaria, se instaura quando da manifestação de inconformidade oposta pelo contribuinte à apreciação das autoridades locais: (...). Ademais, os pedidos de retificação devem observar as condições previstas nos arts. 56 a 61 da Instrução Normativa SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005, condições também veiculadas nos arts. 76 a 81 da vigente Instrução Normativa RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008, pleito que a legislação não abraça após a emissão do despacho decisório. Logo, temse que, de acordo com o Regimento Interno da Receita Federal, a competência original para conhecer do pedido de compensação é da Delegacia da Receita Federal em Natal/RN, unidade que jurisdiciona o domicílio da interessada. Assim, do exame dos autos, resta patente que, tal como apresentada a Declaração de Compensação à época do despacho, mostrase correta a decisão exarada pela DRF/Natal/RN, não merecendo reparo a decisão prolatada, que não poderia nortear o exame do crédito suplicado sendo a partir dos elementos consignados pelo sujeito passivo em suas declarações. Por outro lado, não pode este colegiado acatar o pleito, nos moldes em que se apresenta (novos fundamentos para o crédito), sob pena de incorrerse em supressão de instância e em invasão de competência administrativa. Logo, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário o sujeito passivo postula o provimento recursal para garantir nova análise do crédito pela DRF/Natal/RN, assim como para confirmar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e por conseguinte afastar eventual arguição de prescrição do crédito. Para tanto, em síntese, o contribuinte alega que: a) o recurso é tempestivo e existe sucumbência apta a autorizar o manejo recursal, considerando que a DRJ declinou da competência de analisar o pedido de compensação formulado na manifestação de inconformidade, quando se deparou com o pedido de apreciação do direito creditório baseado em saldo negativo, haja vista que a Delegacia da Receita Federal em Natal/RN (DRF/Natal/RN) analisou o PER/DCOMP com fundamento em pagamento indevido ou a maior, na forma como transmitido; b) a DRJ não apreciou o direito creditório da recorrente, considerando que a competência administrativa originária para conhecer e apreciar PER/DCOMP é da DRF/Natal/RN, unidade que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte, no entanto o sujeito passivo não intenta promover supressão de instância, mas sim busca garantias processuais para que se retorne os autos para a DRF/Natal/RN julgar a matéria e, se necessário, posteriormente poder ser ofertado recurso ao contribuinte, se for o caso; c) deve operar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da necessidade de nova decisão da DRF/Natal/RN, bem como deve ser afastada qualquer prescrição do crédito postulado. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10469.902317/200985 Acórdão n.º 1002000.401 S1C0T2 Fl. 101 6 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 26/09/2011, efls. 67 e 73/74, e protocolo em 26/10/2011, efl. 75), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal observandose efetiva sucumbência do contribuinte, a recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contra fluxo, existe fato extintivo relativo a preclusão consumativa que se operou quanto a matéria não apresentada na primeira oportunidade, isto é, na manifestação de inconformidade e que foi trazida pela primeira vez para discussão por ocasião do recurso voluntário, qual seja, a alegação de afastamento da prescrição do crédito postulado. Vejase, referida matéria não foi relatada na manifestação de inconformidade, logo após a intimação do teor do despacho decisório, sendo uma inovação alegada no recurso voluntário. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10469.902317/200985 Acórdão n.º 1002000.401 S1C0T2 Fl. 102 7 § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância (DRJ) para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário para o CARF (segunda instância) em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos a exemplo dos Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. De toda sorte, ad argumentandum tantum, o alegado afastamento da prescrição do crédito, se referente ao suposto crédito de pagamento indevido ou a maior, na forma como transmitido no PER/DCOMP, não é objeto de controvérsia, esta é relativa a não comprovação do próprio crédito de pagamento indevido ou a maior. Caso eventualmente estivesse comprovado o pagamento indevido ou a maior, não se falaria em prescrição do crédito, sendo desnecessária essa análise. Ainda argumentando, com relação a eventual não prescrição do direito creditório pretendido a partir da via recursal, baseado em saldo negativo, que não foi veiculado no PER/DCOMP originalmente transmitido, mas que o recorrente pretende que seja apreciado nestes autos como tal (pretensão de mudança da natureza do crédito postulado a ser analisado), entendo que não é da competência desta Turma Extraordinária apreciála, pois, em verdade, a pretensão de modificação da natureza do crédito pretendido na restituição, não é permitida, logo o crédito de saldo negativo não é objeto da lide, a Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10469.902317/200985 Acórdão n.º 1002000.401 S1C0T2 Fl. 103 8 despeito do pedido formulado em recurso, pelo que o pronunciamento sobre a dita prescrição não nos compete. Pontuo, desde logo, que, no mérito, discorrerei melhor da temática "análise do crédito a ser restituído como saldo negativo ao invés de pagamento indevido ou a maior na forma constante no PER/DCOMP transmitido", sendo suficiente, neste momento, consignar que não cabe a este Colegiado falar sobre prescrição ou não de direito creditório relativo a saldo negativo, que pode ser objeto de postulação em outro eventual PER/DCOMP/processo. Sem mais, conheço apenas parcialmente o Recurso Voluntário, deixando de conhecer do argumento de afastamento da prescrição do crédito. Apreciação de requerimento antecedente a análise do mérito Quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, consigno que é decorrência automática da interposição tempestiva do recurso competente, conforme disciplina o art. 151, inciso III, do CTN, tendo ocorrido a suspensão até decisão administrativa final terminativa ou irreformável. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), posteriormente informando que se cuidaria em verdade de saldo negativo, alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10469.902317/200985 Acórdão n.º 1002000.401 S1C0T2 Fl. 104 9 O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária (DRF/Natal/RN), de mãos do PER/DCOMP transmitido, não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débito próprio do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade do ato da Administração tributária, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Noutro prisma, vejase que na manifestação de inconformidade o contribuinte alega que cometeu erro de preenchimento no PER/DCOMP, sendo o direito creditório baseado em saldo negativo e não em pagamento indevido ou a maior e a DIPJ retificada comprovaria o crédito, enquanto isso, no recurso voluntário, o sujeito passivo esclarece que pretende ver o processo retornar para a DRF/Natal/RN, a fim de que aprecie o crédito conforme as novas bases "saldo negativo". Pois bem, não havendo nulidade procedimental, inexiste possibilidade de se determinar o retorno dos autos para a unidade de origem "reiniciar o procedimento". O pedido do sujeito passivo para devolução dos autos para a DRF/Natal/RN, em verdade, trata de uma espécie de "reprocessamento" do PER/DCOMP, sem previsão legal ou infralegal e protocolado ou pretendido iniciar a partir de instâncias recursais e não diretamente junto a unidade de jurisdição do contribuinte. Assemelhase a retificação do PER/DCOM ou a transmissão de um novo PER/DCOMP, que implicaria em um novo procedimento, o qual não guardaria contato com estes autos, ainda que baseado no saldo negativo mencionado como existente. A retificação do PER/DCOM ou a transmissão de um novo PER/DCOMP implicaria seguir o fluxo normal disciplinado em normas próprias que regem a mencionada declaração, sendo certo que a pretensão de modificar a natureza do crédito, impõe novas bases, novos fundamentos materiais para o crédito, equivalendo, efetivamente, a um novo pedido, não sendo permitido nestes autos. Mesmo assim, pontuo que, a despeito das alegações do contribuinte quanto a existência de direito creditório proveniente de saldo negativo, com base em DIPJ Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10469.902317/200985 Acórdão n.º 1002000.401 S1C0T2 Fl. 105 10 retificada, ao meu ver, nestes autos, não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado direito crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e outras da escrita fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e fiscal, da base de cálculo da CSLL, das estimativas fiscais apuradas mensalmente e, consequentemente, do saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Observese que nos autos não foram juntados outros elementos probatórios, tais como, a escrita contábil e outras escritas fiscais. Não constam dos autos, por exemplo, o Livro Diário, o Livro de Apuração do Lucro Real, os balancetes transcritos na escrita contábil, deixandose, igualmente, de apresentar, face a inexistência de elementos de prova, uma demonstração criteriosa do suposto direito a crédito, não havendo como confirmar o alegado crédito, não tendo sido realizado um trabalho analítico de esclarecimento do suposto crédito com apresentação de memória do cálculo da apuração, informação quanto ao método de apuração da estimativa mensal (receita bruta x balanço de suspensão/redução), demonstração detalhada da formação do saldo negativo. Em suma, não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontarse DIPJ, DCTF, LALUR, códigos de recolhimento, informativo quanto ao método, balancetes de apuração de resultados, a fim de comprovar o crédito, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10469.902317/200985 Acórdão n.º 1002000.401 S1C0T2 Fl. 106 11 É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. A demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação da escrituração contábil e fiscal, com a evidenciação da composição das estimativas a recolher, quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a partir de balancetes de suspensão ou de redução, com a comprovação e confrontação dos valores recolhidos ou retidos, evidenciando as antecipações ou retenções excedentes ao exigido para o período de apuração, resultando no crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute direito de crédito objeto de pedido de compensação, por conseguinte, na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes. Por outro lado, também não compete a segunda instância administrativa o procedimento de revisão do PER/DCOMP constituído em linguagem competente pelo próprio contribuinte, haja vista que está limitada aos termos da norma individual e concreta produzida pelo próprio contribuinte, que, no mínimo, deveria ter procedido com a retificação, a fim de emitir nova norma jurídica constitutiva. Logo, verificandose correção no julgamento a quo (DRJ), bem como observando que a Administração Tributária (DRF/Natal/RN) não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de afastamento da prescrição do crédito postulado, e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721543/2016-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
NULIDADE DO LANÇAMENTO
Aplicação do princípio da primazia da resolução de mérito de acordo com § 2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do Decreto-lei 70.235/72
GRUPO ECONÔMICO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE.
Com o provimento do recurso voluntário do sujeito passivo principal, afastando o lançamento, dá-se provimento aos recursos dos solidários para excluí-los do lançamento.
CONTRATAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MÉDICOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. SÓCIO MÉDICO. PRESENÇA DOS REQUISITOS. SUBORDINAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA NOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO.
Dada a formalização de contratos de prestação de serviços médicos diretamente com pessoas jurídicas, compete ao Fisco o ônus probatório da existência do vínculo de emprego entre instituição hospitalar e sócios das contratadas, na medida em que a prova cabe a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado, sob pena de insubsistência do crédito tributário.
A circunstância de o médico prestar serviços diretamente ligados à atividade-fim do hospital, por si só, não leva ao reconhecimento do vínculo de emprego, dependendo da prova da subordinação. Via de regra, não se presume a subordinação do médico, tendo em vista as peculiaridades da atividade médica.
Numero da decisão: 2201-004.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos voluntários, vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negou provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE. Com o provimento do recurso voluntário do sujeito passivo principal, afastando o lançamento, dáse provimento aos recursos dos solidários para excluílos do lançamento. CONTRATAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MÉDICOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. SÓCIO MÉDICO. PRESENÇA DOS REQUISITOS. SUBORDINAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA NOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO. Dada a formalização de contratos de prestação de serviços médicos diretamente com pessoas jurídicas, compete ao Fisco o ônus probatório da existência do vínculo de emprego entre instituição hospitalar e sócios das contratadas, na medida em que a prova cabe a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado, sob pena de insubsistência do crédito tributário. A circunstância de o médico prestar serviços diretamente ligados à atividade fim do hospital, por si só, não leva ao reconhecimento do vínculo de emprego, dependendo da prova da subordinação. Via de regra, não se presume a subordinação do médico, tendo em vista as peculiaridades da atividade médica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 43 /2 01 6- 09 Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.908 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos voluntários, vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negou provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão da DRJ/BEL de fls. 2.380/2.420, por bem relatar os fatos ora questionados. 1 DA AÇÃO FISCAL Foram lavrados os seguintes Autos de Infração: Contribuição previdenciária da empresa e do empregador: devidas à Seguridade Social, correspondente à cota patronal e destinada ao custeio dos benefícios concedidos em Razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, nas competências de 01/2012 a 12/2012, e não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social (GFIP), lavrado em 03/03/2016, no valor de R$ 21.520.796,57 (vinte um milhões quinhentos e vinte mil setecentos e noventa e seis reais e cinquenta e sete centavos). Contribuição previdenciária dos segurados: incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, nas competências de 01/2012 a 12/2012, e não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social (GFIP), lavrado em 03/03/2016, no valor de R$ 7.117.900,91 Fl. 2908DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.909 3 (sete milhões cento e dezessete mil novecentos reais e noventa e um centavos). Auto de Infração de Obrigação Acessória: lavrado em função de a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, nos termos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. O valor da multa aplicada foi de R$ 64.290,33 (sessenta e quatro mil duzentos e noventa reais e trinta e três centavos). Auto de Infração de Obrigação Acessória: lavrado em função de a empresa deixar de prestar as informações necessárias à fiscalização, nos termos do art. 32, inciso III e § 11, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, de 3 de dezembro de 2008, convertida em Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, c/c o art. 225, inciso III, do Decreto nº 3.048/99. O valor da multa aplicada foi de R$ 64.290,33 (sessenta e quatro mil duzentos e noventa reais e trinta e três centavos). O Auditor Fiscal relata que a impugnante contratou pessoas jurídicas para prestação de serviços, que são executados por pessoas físicas, como forma de reduzir custos trabalhistas e tributários. 1.1 DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 1.1.1 Contratação de médicos como pessoas jurídicas pejotização Relata que da análise de documentos, verificou alguns fatos: • as despesas com pagamentos a médicos era escriturada em “Serviços Médicos Pessoa Jurídica”, e as receitas com serviços médicos era contabilizada como Receita Operacional do Hospital Santa Marta (HSM); • as notas fiscais emitidas por essas pessoas jurídicas, apresentavam como discriminação do serviço “ salários”, “férias” e “13º salário”, “adiantamentos”, “pendências”, “escalas”, “plantões”, “coordenação”, e que os médicos, cujos nomes estavam relacionados nelas como os prestadores dos serviços, não tinham qualquer vínculo societário ou empregatício com essas supostas empresas; • essas notas fiscais discriminavam serviços que foram prestados em período anterior à constituição daquelas pessoas jurídicas; o que também foi verificado nas escalas médicas, onde os nomes dos médicos que prestaram serviços por meio de pessoas jurídicas, constavam nessas escalas, mesmo antes da constituição das supostos empresas. Fl. 2909DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.910 4 • os sócios do HSM, e seus familiares eram os únicos sócios de empresas “pejotizadas”, como ocorreu nos casos das empresas “Laboratório de Patologia e Clinicas Ltda. – EPP (LAPAC) e Clínica Ouvir Ltda – ME; empresas por meio das quais os médicos prestaram serviços ao HSM; Além disso, o contador do HSM é contador de várias dessas pessoas jurídicas; • em diligência realizada “in loco” no HSM verificou que os médicos presentes no dia da visita, prestavam serviços no hospital desde 2012. Diante dessas constatações concluiu o seguinte: [...] fica muito claro que o Hospital Santa Marta usou as empresas com o único objetivo de contabilizar os salários dos médicos por meio delas; e em muitos casos, sem a preocupação sequer de haver uma relação formal destes com a empresa emitente da nota fiscal. Tendo com isso o objetivo de pagar menos tributo. Assevera que a atividade médica era exercida com pessoalidade, pois as notas fiscais eram emitidas em nome dos médicos pessoas físicas, que constavam tanto na relação de médicos encaminhada ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde em 2012 (CNES), quanto no arquivo de prontuários entregue à fiscalização, discriminando “médicos por empresa”, e “sócios ativos” (médicos) em 2012, sendo que os serviços prestados por eles eram contabilizados na conta “serviços médicos pessoas jurídicas”. Argumenta que os serviços eram exercidos continua e permanentemente, pois as escalas médicas tinham periodicidade mensal; as notas fiscais foram emitidas em vários ou em todos os meses do ano; a relação de médicos enviadas ao CNES continha os mesmos médicos em todos os meses do ano, os quais também foram informados no ano de 2015; assim como, nos prontuários entregues à fiscalização, esses médicos apareciam em todos os meses do ano. Acrescenta que os serviços prestados por esses médicos fazem parte do objeto do empreendimento hospitalar. Eles eram pagos por meio de notas fiscais, que eram escrituradas na conta “serviços médicos pessoa jurídica”. Havia subordinação deles às diretrizes do hospital, pois os pacientes eram todos do hospital, que assumia toda a responsabilidade pelas ações deles. Assevera que havendo obrigatoriedade de o médico comparecer ao hospital para realizar seus serviços, sem poder executálos em outro lugar caracteriza subordinação jurídica. Cita a legislação que rege a vinculação empregatícia, disposta na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), para fins de contribuição previdenciária, conforme Lei nº 8.212/91. Relembra os princípios da primazia da realidade e da indisponibilidade, e sobre a desconsideração do vínculo pactuado não se tratar de desconsideração ou anulação da personalidade jurídica. Fl. 2910DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.911 5 Faz comentários ao art. 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, para afirmar que se a participação da pessoa jurídica tem caráter meramente formal, estará caracterizado o vínculo empregatício quando presentes a não eventualidade do serviço prestado e a subordinação. Cita ainda os artigos 206 e 207 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, ressaltando as situações em que não incide contribuição previdenciária sobre honorários recebidos por profissionais, que utilizam as dependências ou os serviços de empresas que atuam na área de saúde. Após essas considerações o Auditor fiscal narra que analisando as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), apresentadas pelo HSM, verificou que este declarou apenas um médico como segurado e somente na competência 03/2012, enquanto na sua Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) do anocalendário 2012, havia vários beneficiários declarados no Código 1708 (Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica), e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) desse ano, o contribuinte declarou receita operacional no valor de R$ 116.598.607,32. Reproduz planilhas extraídas da Contabilidade da impugnante, da DIPJ/2012, e de notas fiscais emitidas pela impugnante, onde na descrição dos serviços realizados aparecia “serviços médicos e hospitalares prestados”. Narra ainda que a impugnante escriturou em sua contabilidade a despesa de “serviços médicos pessoa jurídica”, discriminando em seu histórico o nome da pessoa jurídica e o número da nota fiscal. Na DIPJ 2012 declarou o valor de R$ 38.295.623,12 em “serviços prestados por terceiros”, entre os quais está incluso “serviços médicos pessoa jurídica”, no valor de R$ 32.110.712,30, conforme detalhamento apresentado para a fiscalização. Com essas informações o Auditor Fiscal concluiu: Dessa forma, de plano, nos termos dos artigos 206 e 207 da IN 971/09, vêse que toda receita pelos serviços médicos prestados no hospital era auferida pelo Hospital Santa Marta que a contabilizava na CONTA: 311103 RECEITA OPERACIONAL, valor: R$ 116.598.607,32. Também se caracteriza de plano que o Hospital Santa Marta era o responsável pelo pagamento dos salários dos médicos, e contabilizava esta despesa na conta: 3313010002 SERVIÇOS MÉDICOS PESSOA JURÍDICA, no valor total de R$ 32.110.712,3. Acrescenta que as notas fiscais escrituradas na conta contábil 3313010002 (serviços médicos pessoa jurídica) apresentavam no campo discriminação dos serviços prestados, o valor de salários e férias. Anexa essas notas e as informações prestadas pela empresa, relativas à conta “serviços médicos pessoa jurídica”, demonstrando a que médico corresponde cada nota fiscal. Fl. 2911DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.912 6 Apresenta o exemplo do médico Edvaldo Silva Lima, Diretor Médico desde 2012, conforme informação prestada pelo HSM: • Ele foi declarado em GFIP com o CBO “Diretores e gerentes de operações em empresa de serviços de saúde”, totalizando o valor de R$ 57.026,30 em 2012, e informado para o CNES como empregado celetista e carga horária de 12 horas; • É sócio da pessoa jurídica Clínica de Proctologia Ltda ME – Edvaldo Lima & Murilo Mendes Associados Ltda. (PROCTOMED), que prestou serviços ao HSM, emitindo notas fiscais que totalizaram R$ 236.178,61, no ano de 2012. Tais notas apresentavam na discriminação dos serviços prestados o valor pago a esse médico; • Em análise às empresas das quais ele é sócio, verificou que elas também emitiram notas fiscais por serviços prestados ao HSM, contendo o nome de todos os médicos que receberam por esses serviços, sem que eles tivessem qualquer vinculação empregatícia ou de prestação de serviço com aquelas empresas. Afirma ainda que a prática narrada foi constatada em todas as empresas analisadas por amostragem. Descreve cada uma delas, anexando planilhas com dados extraídos dos registros contábeis, notas fiscais, cadastros das empresas, dados das DIPJ, inclusive demonstrando que muitas empresas apropriavam despesas em notas fiscais, de períodos anteriores à constituição da própria empresa. Narra que realizou cotejo entre os dados constantes nos sistemas cadastrais da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), os prontuários entregues pelo HSM contendo o período em que cada médico realizou os atendimentos, e as GFIP’s transmitidas por ele, onde apurou que vários médicos não possuem qualquer relação de vínculo quer societário quer empregatício com as empresas emitentes das notas fiscais. Informa que em diligência às dependências do HSM em 02/02/2015, onde verificou a escala médica mensal, e recolheu assinatura dos médicos em escala no dia, constatou a presença da médica “Weridyana Batista de Oliveira”, que prestou serviços ao Hospital em 2012, por intermédio das empresas “Climast Clínica de Mastologia Ginecologia E Obstetricia Ltda” e “Gestar Serviços Médicos Ltda”, conforme informações da autuada. Concluiu que o fato de ela estar prestando serviços desde 2012 caracteriza vínculo empregatício. Acrescenta que essa situação ocorreu com vários médicos, dos quais o Auditor Fiscal anexou as fichas de coleta de assinatura do dia da visita, e cópia da Cédula de Identidade de Médico (CIM). Informa que o nome de todos eles constavam registrados no histórico da conta contábil 3313010002 (SERVIÇOS MÉDICOS PESSOA JURÍDICA). Faz referência a processo judicial no qual a impugnante foi diretamente responsabilizada por serviço médico efetuado por um dos médicos que lhe prestavam serviços. Fl. 2912DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.913 7 Com isso, afirma demonstrar que todos os pressupostos caracterizadores da relação empregatícia, dispostos na Lei nº 8.212/91 estavam presentes. O Auditor Fiscal citou o §2º do art. 206 da IN RFB 971/09, expondo a base de cálculo utilizada para o lançamento. Aduz ter comprovado, com os fatos apresentados, que a impugnante não tinha a qualidade de mera repassadora. Assim, considerou como remuneração a soma dos valores escriturados na conta contábil 3313010002 (SERVIÇOS MÉDICOS PESSOA JURÍDICA), sobre a qual aplicou as alíquotas determinadas pela legislação vigente. Com relação aos diretores do HSM, apurou que eles recebiam remuneração por meio de emissão de notas fiscais, nas quais constava como discriminação de serviços inclusive pagamento de 13º salário. Anexou relação dos profissionais que prestaram serviço, e planilhas extraídas dos registros contábeis contendo os valores recebidos por eles por intermédio dessas empresas; resposta de um dos prestadores de serviço obtida mediante circularização na suposta empresa; contracheques; e relação dos sócios, sócios administradores, contadores e diretores, cujos nomes constavam escriturados na conta contábil “Serviços de Consultoria/Planejamento” (3313010010). Muitos deles não são informados em GFIP, nem em folha de pagamento, e se informados, o são com cargo diferente do de diretor. Informa que na constituição de crédito foi considerada a faixa salarial, o teto do salário contribuição, e os valores já declarados em GFIP. Aplicou a qualificação da multa de ofício a 150%, considerando que todos os fatos relatados demonstram o intuito de sonegação, fraude ou simulação, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 1.2 DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS 1.2.1 Não escrituração em títulos próprios A Autoridade Fiscal lavrou Auto de Infração porque a empresa deixou de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores de contribuição previdenciária, nos termos do inciso II do art. 32 da Lei 8.212/91 e inciso II do § 13º do art. 225 do Decreto 3.048/99. Acrescenta que a impugnante lançou na conta contábil 3313010002 (SERVIÇOS MÉDICOS PESSOA JURÍDICA) outras despesas que não têm natureza de serviços médicos, tais como serviços de outdoor, hotéis, chaveiros, construção, tecnologia, dentre outros. Anexa Planilha exemplificativa. A multa aplicada foi calculada nos termos do art. 92 da Lei nº 8.212/91, e art. 102 do Decreto nº 3.048/99, c/c Portaria Interministerial Ministros de Estado do Trabalho e Previdência Social MTPS/MF nº 1 de 08 de janeiro de 2016. Em função do intuito de sonegação, fraude ou simulação, o Auditor Fiscal agravou a multa, elevandoa em três vezes, nos termos dos artigos 290 e 292 do Decreto nº 3.048/99. Fl. 2913DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.914 8 1.2.2 Não atendimento à intimação O Auditor Fiscal relata ter solicitado, por meio do Termo de Intimação Fiscal (TIF) nº 4 e TIF nº 5, relação contendo todos os diretores, coordenadores e gerentes médicos, entretanto, a empresa apresentou uma relação contendo apenas diretor técnico e gerentes de enfermagem, por isso lavrou Auto de Infração nos termos do art. 32, inciso III, § 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009; e art. 225, inciso III, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. O valor da multa foi calculado nos termos dos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91, e art. 283, inciso II, alínea “b” e art. 373 do Decreto nº 3.048/99, c/c Portaria Interministerial Ministros de Estado do Trabalho e Previdência Social MTPS/MF nº 1 de 08 de janeiro de 2016. Em função do intuito de sonegação, fraude ou simulação, o Auditor Fiscal agravou a multa, elevandoa em três vezes, nos termos dos artigos 290 e 292 do Decreto nº 3.048/99. 1.3 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: GRUPO ECONÔMICO DE FATO O Auditor Fiscal relata que os sócios da impugnante são também sócios de outras empresas, que por serem controladas, controladoras e coligadas, formam grupo econômico de fato (conforme tabela abaixo), que decorre do exercício do poder de controle. Anexa planilha com dados cadastrais das empresas do grupo, com percentual de participação dos sócios em cada empresa. Atribuiu responsabilidade solidária às empresas do grupo, nas contribuições objeto do lançamento e aos Autos de Infração decorrentes de obrigação acessória. 1.4 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: ART. 135 DO CTN O Auditor Fiscal responsabilizou solidariamente os dirigentes da empresa, Manuel Ronaldo de Oliveira Simeão, Sebastião Maluf, Marcos Antonio da Costa Diniz, e o contador Marcio Silva Cunha, pois foram os responsáveis pelos documentos/notas Fl. 2914DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.915 9 fiscais escriturados na contabilidade, e em função de a conduta da empresa caracterizar as hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a intenção de causar prejuízo ao Fisco. Fundamenta a responsabilização nos seguintes dispositivos: artigos 124, I, II, combinado com o art. 149, inciso VII, e art. 135, incisos II e III do CTN; inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91; e art. 167 da Lei nº 10.406/02. Exemplifica que a empresa Centro de Medicina Intervencionista Ltda – ME, além de possuir o mesmo endereço, objeto e contador do HSM, a quantidade de sócios/médicos que entraram e saíram dessa suposta empresa destoa da intenção de criar uma sociedade, servindo apenas de respaldo para lançamentos contábeis. Acrescenta que a solidariedade dos grupos econômicos abrange a multa por descumprimento das obrigações acessórias, nos termos do art. 152, §5º da IN RFB nº 971/09. E no caso da ocorrência de interesse comum ou dolo, abrangem as contribuições previdenciárias e relativas a outras entidades e fundos. 2 DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELO HOSPITAL SANTA MARTA A impugnante faz uma síntese da constituição do crédito lançado pela fiscalização, transcrevendo trechos do Relatório Fiscal, e aduz serem inverídicos os fatos apontados pela fiscalização, pugnando pelo cancelamento e nulidade dos Autos de Infração. 2.1 A DISTINÇÃO ENTRE SERVIÇOS MÉDICOS E SERVIÇOS HOSPITALARES A impugnante começa distinguindo serviços médicos de serviços hospitalares: [...] serviços médicos (serviços intelectuais, de natureza científica, atinente ao exercício da medicina), os quais são prestados por profissionais médicos ou por grupos de profissionais constituídos em pessoas jurídicas, [...] serviços hospitalares (consistente no fornecimento de leitos, apartamentos, estrutura de enfermagem, nutrição, além do fornecimento de materiais, medicamentos e alimentação, especificamente solicitados pelos profissionais médicos), que são prestados pelos Hospitais. Afirma que o Auditor Fiscal cometeu equívoco ao confundir esses dois institutos, pois entendeu que o hospital presta serviços médicos quando em realidade presta exclusivamente serviços hospitalares, que complementam os serviços médicos propriamente ditos, que são prestados exclusivamente por médicos, “[...] que atuam como pessoa física ou constituídos em forma de pessoa jurídica, [...]”. Explica o funcionamento de hospitais com quadro clínico aberto, que possuem um mínimo de corpo clínico e permitem que profissionais médicos internem seus pacientes em sua estrutura, havendo diferença entre quem Fl. 2915DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.916 10 presta os serviços médicos e os hospitalares. Diz que este é o caso do HSM. De outro lado, estão os hospitais com quadro clínico fechado, que possuem corpo clínico próprio, havendo interação entre os serviços médicos e hospitalares. Cita que o Ministério da Saúde distingue essas modalidades. Assim, ela ressalta que não exerce a atividade da medicina, e que os médicos externos precisam ser cadastrados no Hospital para aferição de que estão habilitados para exercer a medicina, e que eles exercem suas atividades eventualmente nas dependências do HSM sem pertencer ao seu corpo clínico. Acrescenta que esses médicos exercem suas atividades em outros hospitais e também atendem em seus próprios consultórios, podendo ser substituídos por qualquer profissional habilitado sem qualquer autorização do HSM, e que também não faz nem controla a escala de plantão como afirmou a fiscalização, estando ausentes os requisitos da pessoalidade e subordinação, razão pela qual eles não podem ser considerados seus funcionários. Com esses argumentos afirma que a hipótese de “pejotização” levantada pela Autoridade Fiscal não se sustenta. Aduz que a fiscalização não observou o contrato social da contribuinte para demonstrar a identidade entre as atividades do hospital e das clínicas, e presumiu que havia terceirização de atividade fim e relações empregatícias. 2.2 DA CORRETA DEFINIÇÃO DE CONTRATANTE, CONTRATADO, TOMADOR E REPASSADOR NA RELAÇÃO JURÍDICA OBJETO DA AUTUAÇÃO Explica que o paciente atendido no HSM é o tomador de serviço, o plano de saúde é o contratante (ou o paciente se for particular), o médico ou clínica médica é o contratado, e o HSM, por determinação das operadoras de Planos de Saúde, recebe o valor pelos serviços prestados e imediatamente o repassa aos médicos, e, portanto, estas ou os pacientes particulares são os contratantes que pagam diretamente os honorários aos médicos. 2.3 A NULIDADE DO AUTO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Aduz que não tem qualquer ingerência ou conhecimento sobre os valores pagos diretamente pelos planos de saúde às clínicas médicas, nem pela forma de pagamento pelos serviços prestados por essas pessoas jurídicas. Afirma, que em função da liberdade de atuação em virtude de existência de hospitais de quadro clínico aberto, há dificuldade de as operadoras de Planos de Saúde e negociar com milhares de médicos individualmente, por isso, por imposição dos convênios o pagamento dos honorários médicos é feito em conjunto com o de serviços hospitalares pela utilização de sua estrutura. Anexa contratos com essas operadoras. Diz que o Hospital encaminha ao Convênio uma nota fiscal com as receitas próprias e com os honorários dos profissionais de saúde ou da clínica que prestou o serviço. Acrescenta que o montante pago pelo Convênio ao HSM é Fl. 2916DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.917 11 repassado à clínica ou ao médico, por isso sua natureza de receita de terceiros. Aduz que a responsabilidade pelo pagamento das contribuições previdenciárias deve recair sobre o particular ou operadoras de Planos de Saúde que são as verdadeiras fontes pagadoras. Cita os artigos 206 e 207 da Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009. Informa que o pequeno equívoco contábil quanto aos recursos que ingressaram no HSM, e posteriormente repassados, não desnatura a intermediação existente nessa relação. Assevera que as notas fiscais emitidas pelas clínicas médicas demonstram que elas receberam a integralidade dos honorários que lhe cabiam. Cita a Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.642, de 7 deagosto de 2002, que dispõe que as operadoras de saúde, cooperativas, hospitais e empresas de seguro de saúde devem efetuar o pagamento dos honorários diretamente aos médicos sem qualquer retenção. Arrazoa que a contabilização de tais recursos com despesa dedutível do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre da dificuldade contábil da empresa de segregar as receitas hospitalares das médicas, que são pagas de uma só vez pelos Convênios, pois há emissão de uma única nota fiscal. E, apesar dessa forma de escrituração, os recursos são repassados integralmente aos profissionais e clínicas médicas. Nessa argumentação afirma ser nulo o Auto de Infração por erro na identificação do sujeito passivo. Cita art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, e artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, e transcreve doutrina para embasar a nulidade requerida por erro de direito. 2.4 A AFRONTA, CONTIDA NO AUTO DE INFRAÇÃO AOS DISPOSITIVOS DA LEI Nº 11.196/05 Alega que o lançamento contraria o permissivo da Lei nº 11.196/05, que permite aos serviços que se encaixam em seu tipo legal de se constituírem em pessoas jurídicas. Acrescenta, que a fiscalização também se imiscuiu na seara do Poder Judiciário Trabalhista para desconsiderar a pessoa jurídica regularmente constituída, e reconhecer elementos de vínculos empregatícios, usurpando competência. Descreve que o art. 129 da Lei nº 11.196/2005 regularizou a atividade de prestação de serviços por profissionais liberais, por meio da constituição de pessoas jurídicas, pois antes esse tipo de contratação era contestado pela Secretaria da Receita Federal e Instituto Nacional do Seguro Social, que a entendiam como forma de evitar o pagamento de tributos e disfarçar os vínculos empregatícios. Assevera que não existia e não há qualquer dispositivo que restrinja a constituição de pessoa jurídica por um indivíduo, para prestação de serviços. Nesse sentido, cita o art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, e o princípio da livre iniciativa, nos termos do art. Fl. 2917DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.918 12 170 da Constituição Federal de 1988. Assevera que a inclusão desse artigo na Lei teve a intenção de inibir as autuações originadas por essas interpretações, e cristalizar que a competência para reconhecer as relações de emprego é exclusivamente do Poder Judiciário. Aduz ainda que a SRFB carece de competência para desconsiderar a personalidade jurídica de uma empresa legalmente constituída, cuja atribuição é também do Poder Judiciário. Arrazoa que se a SRFB entendesse que determinada empresa estaria sendo constituída para lesar o Fisco evitaria sua criação, não emitindo Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), nem documentos de regularidade fiscal, uma vez que seria paradoxo, conferir vida à empresa e depois desconsiderála juridicamente, por incapacidade de controle, e autuar terceiro que mantém relação jurídica com ela. 2.5 DA AUSÊNCIA DOS ELEMENTOS DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO E DO DOLO NA CONDUTA DO CONTRIBUINTE Alega que não estão presentes os pressupostos previstos no art. 12, da Lei nº 8.212/91. Transcreve carta encaminhada à Delegacia Regional do Trabalho do Distrito Federal (DRTDF) pelas entidades representativas dos profissionais médicos, na qual os médicos afirmam não existir relação de emprego mantida com o HSM. Diante disso, a impugnante conclui que somente a Justiça Trabalhista poderia contrapor essa manifestação de vontade. 2.6 DOS SUPOSTOS PAGAMENTOS A DIRETORES COMO PESSOAS JURÍDICAS Arrazoa a impugnante que não se deve confundir as atividades administrativas do diretor do hospital, por exemplo, com suas atividades de profissional médico junto a seus pacientes, pois para aquela atividade não há exigência de exclusividade, cuja remuneração é distinta da recebida quando as atividades médicas são exercidas por meio de sua pessoa jurídica. Acrescenta que mesma situação ocorre com outros diretores que cumulam funções distintas sem correlação com a área médica. Afirma que a fiscalização não provou que não houve a prestação de serviço pelas pessoas jurídicas, nem que ocorreu simulação ao pagamento de diretores; portanto, como não houve a descaracterização da prestação de serviço, não há como manter o lançamento tributário. Fl. 2918DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.919 13 2.7 DO NÃO CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA A impugnante alega que, ao contrário do que a fiscalização tenta demonstrar, a constituição dos médicos em pessoas jurídicas não foi uma determinação dela em conluio com esses profissionais. Transcreve trecho do Relatório Fiscal. Relembra a carta enviada ao DRTDF, em que há a afirmação de que esses profissionais atuam de forma autônoma por meio dessas pessoas jurídicas. Conclui que a fiscalização não comprovou a existência de simulação ou fraude, e, portanto, não cabe a aplicação da multa qualificada. Argumenta que caberia ao Fisco comprovar de forma definitiva a intuição do agente, o dolo em realizar conluio com o objetivo de sonegação fiscal. Alega que também não foi demonstrada qualquer ação dolosa da impugnante no sentido de mascarar a obrigação tributária. Afirma que em momento algum escondeu ou modificou o fato gerador. Assevera que ocorreu entendimentos diferentes entre ela e o Fisco, o qual acredita que o fato descrito se trata de relação de emprego, enquanto ela que se trata de relação entre pessoas jurídicas. Ressalta que as figuras da fraude, dolo e simulação não foram comprovadas, cita doutrina e jurisprudência do CARF, no sentido do ônus da prova nessas situações para fins de qualificação da multa. 2.8 DAS INFRAÇÕES POR DESCUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E DAS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS Arrazoa que sendo cancelado o lançamento fiscal em função das alegações apresentadas, os Autos de Infração decorrentes de obrigações acessórias também não subsistem. 2.8.1 Da suposta ausência de atendimento à intimação Argumenta que o Auditor Fiscal foi contraditório ao dizer que o HSM não apresentou os documentos solicitados; se o que afirma se comprovasse não teria conseguido relacionar todos os diretores. Diz que houve uma insatisfação da Autoridade Fiscal pela forma como as informações foram apresentadas. Transcreve jurisprudência do CARF sobre multa por não atendimento à intimação e apresentação de forma insatisfatória de livros contábeis e fiscais. Arrazoa que se as informações estavam insuficientes, a fiscalização deveria ter reiterado e detalhado como gostaria de receber os documentos. 2.9 O NÃO CABIMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – GRUPO ECONÔMICO Alega que não se sustenta a responsabilidade solidária, em função da caracterização do grupo econômico. Transcreve trechos do Relatório Fiscal, para dizer que“[...] o Auto de Infração somente se “esqueceu” de fazer a imprescindível vinculação entre os fatos geradores objeto da presente autuação e as ações perpetradas por essas demais empresas.”. Diz que a Autoridade Fiscal considerou que as contribuições devidas por uma sociedade passariam automaticamente para outras, apenas pelo fato de formarem grupo econômico. Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.920 14 Discorda dessa situação, pois as sociedades do grupo têm personalidades jurídicas distintas, gestão e organização independentes, e não há provas nos autos de que tenha havido confusão entre as empresas apontadas, seja no âmbito operacional, comercial, trabalhista e financeiro; o que seria necessário para atribuir solidariedade tributária a um terceiro, pois a vinculação ao fato gerador é requisito para essa caracterização. Nesse sentido cita doutrina e artigos 113, 118, 121 e 128 da Lei nº 5.172/66. Acrescenta que a responsabilização deveria ter sido fundamentada em provas de que as empresas atuaram na realização do fato gerador de descumprimento da obrigação tributária, cujo ônus cabe ao Fisco. Cita jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRT/4ª), do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e de julgado da Delegacia de Julgamento da Receita Federal de Belo Horizonte (DRJ/BHE). 2.10 DA INDEVIDA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS DO CONTRIBUINTE Transcreve trecho do Relatório Fiscal para alegar que o Fisco deveria ter comprovado que os diretores participaram da suposta fraude da “pejotização”, pois não é o simples interesse comum ou econômico na situação que constitui o fato gerador, conforme art. 124, I e II do CTN, “[...] que justifica a solidariedade passiva, mas o interesse jurídico, vinculado a uma atuação comum ou conjunta quanto ao fato gerador.”. Assevera que a suposta “pejotização” não foi criada por ela, muito menos pelos dirigentes, e se foi criada pelos médicos não se pode aplicar o art. 128 do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto ao inciso III do art. 135, do CTN, assevera que os supostos atos tidos contrários à legislação teriam sido praticados pela pessoa jurídica e não pelos administradores, o que daria razão para a reforma do Auto de Infração. Acrescenta que esse artigo só teria aplicabilidade se os atos de infração à lei fossem cometidos pelos administradores à revelia da sociedade, caso contrário, quem estará praticando o ato será a sociedade e não o sócio, e quem responderá pelos tributos é a pessoa jurídica. Aduz que “[...] a infração à lei capaz de gerar a responsabilidade do administrador é aquela de natureza societária, o que em momento algum restou demonstrado no presente Auto de Infração.”. Afirma que em momento algum houve infração à lei societária que justificasse a solidariedade dos diretores, mas tão somente atos praticados pela sociedade, cujas suposições de infração à lei derivaram de presunções e conclusões precipitadas sem provas que a suportassem. 2.11 DOS PEDIDOS A impugnante querer: a) Nulidade do lançamento fiscal; b) Procedência da impugnação, cancelamento da exigência e afastamento das multas aplicadas, inclusive as decorrentes das Fl. 2920DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.921 15 obrigações acessórias e às contribuições destinadas a outras entidades e fundos. c) Se não reconhecidos os pedidos anteriores, a desqualificação da multa de 150% para 75% d) Reforma do lançamento quanto à solidariedade tanto das empresas quanto dos diretores arrolados como responsáveis. e) Todos os meios de prova admitidos e juntada posterior de documentos. 3 DAS IMPUGNAÇÕES APRESENTADAS POR SEBASTIÃO MALUF, MARCOS ANTONIO DA COSTA DINIZ, MANUEL RONALDO DE OLIVEIRA SIMEÃO Os impugnantes fazem uma síntese da constituição do crédito tributário, transcrevendo trechos do Relatório Fiscal, e aduzem que os fatos apontados pela fiscalização são inverídicos. Afirmam ser ilegal e sem razão a inclusão deles como responsáveis solidários. 3.1 O NÃO CABIMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Nesse ponto, as impugnações têm o mesmo teor da apresentada pelo HSM. Os defendentes alegam que a Autoridade Fiscal considerou que as contribuições devidas por uma sociedade passariam automaticamente para seus diretores em função do cargo ocupado por eles no Hospital Santa Marta. Acrescenta que a regra é a responsabilização da pessoa jurídica, os diretores e sóciosgerentes apenas seriam responsabilizados “quando agissem com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou dos estatutos”, nos termos do art. 124, do CTN, e não há provas de que o impugnante teria atuado dessa forma, seja no âmbito operacional, comercial, trabalhista e financeiro. Interpretam que o art. 30 da Lei nº 8.212/91 só poderia ser utilizado para impor responsabilidade tributária às empresas do grupo e aos diretores mediante provas concretas de que aquelas atuaram de forma a determinar a realização do fato gerador, e estes com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou dos estatutos. 3.2 QUANTO AO MÉRITO Utilizam as mesmas razões apresentadas na impugnação do HSM, quanto à consideração de um planejamento tributário efetuado por ele, e dizem que o Fisco distorceu os fatos por desconhecer a realidade do setor médicohospitalar no Distrito Federal, atribuindo uma inexistente situação de fraude ou simulação ao hospital, e ignorando a existência de pessoas jurídicas regularmente constituídas. Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.922 16 Ressaltam que os Autos de Infração devem ser cancelados, pois extrapolam a competência da Autoridade Fiscal, no reconhecimento de vínculo empregatício, e em razão de erro na identificação do sujeito passivo. 3.3 DOS PEDIDOS: Os impugnantes requerem: a) acolhimento total das impugnações e cancelamento da imputação da responsabilidade solidária a eles; b) nulidade dos Autos de Infração pelas mesmas razões apresentadas na impugnação do HSM; c) provar o alegado por todos os meios de prova e juntada posterior de documentos. 4 DAS IMPUGNAÇÕES APRESENTADAS POR SERF EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA.; SANTA MARTA CUIDADOS INTENSIVOS LTDA.; SANTA MARTA SERVIÇOS DE IMAGEM LTDA. S/S; ALBUQUERQUE & DINIZ SORVETES FINOS LTDA.; MARLAU & COUTO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA.; LAPAC LABORATÓRIO DE PATOLOGIA E CLÍNICAS LTDA.; ISMEP INSTITUTO SANTA MARTA DE ENSINO E PESQUISA LTDA.; ISMEP INSTITUTO SANTA MARTA DE ENSINO E PESQUISA; SIMEAO ADMINISTRAÇÃO IMOBILIÁRIA LTDA. 4.1 O NÃO CABIMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA As impugnações apresentadas têm o mesmo teor da apresentada pelos diretores solidários e pelo HSM. Dizem não ter razão a inclusão deles como responsáveis solidários, em função da caracterização de grupo econômico. Os defendentes alegam que a Autoridade Fiscal considerou que as contribuições devidas por uma sociedade passariam automaticamente para outra, apenas em função de formarem grupo econômico. Discorda dessa situação, pois as sociedades do grupo têm personalidades jurídicas distintas, gestão e organização independentes, e não há provas nos autos de que tenha havido confusão entre elas, seja no âmbito operacional, comercial, trabalhista e financeiro; o que seria necessário para atribuir solidariedade tributária a um terceiro, pois a vinculação ao fato gerador é requisito para essa caracterização. Nesse sentido cita doutrina e artigos 113, 118, 121 e 128 do CTN. Interpretam que, de acordo com o art. 30 da Lei nº 8.212/91, a responsabilização deveria ter sido fundamentada em provas de que as empresas atuaram na realização do fato gerador de descumprimento da obrigação tributária. Cita jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRT/4ª), do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e de julgado da Delegacia de Julgamento da Receita Federal de Belo Horizonte (DRJ/BHE). Fl. 2922DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.923 17 4.2 QUANTO AO MÉRITO Utilizam as mesmas razões apresentadas na impugnação do HSM, quanto à consideração de um planejamento tributário efetuado por ele, e dizem que o Fisco distorceu os fatos por desconhecer a realidade do setor médicohospitalar no Distrito Federal, atribuindo uma inexistente situação de fraude ou simulação ao hospital, e ignorando a existência de pessoas jurídicas regularmente constituídas. Ressaltam que os Autos de Infração devem ser cancelados, pois extrapolam a competência da Autoridade Fiscal, no reconhecimento de vínculo empregatício, e em razão de erro na identificação do sujeito passivo. 4.3 DOS PEDIDOS: Os impugnantes requerem: a) acolhimento total das impugnações e cancelamento da imputação da responsabilidade solidária; b) nulidade dos Autos de Infração pelas mesmas razões apresentadas na impugnação do HSM; c) provar o alegado por todos os meios de prova e juntada posterior de documentos. 2 – A impugnação foi julgada improcedente por decisão da DRJ assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO Estando os atos administrativos revestidos de suas formalidades essenciais, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio de seus agentes fiscais, possui poderes para investigar a situação fática que configura vinculação de trabalhadores à Previdência Social para fins de arrecadação e lançamento da contribuição respectiva, todavia sem prejuízo ou interferência nas normas afetas à legislação do trabalho. PEJOTIZAÇÃO. CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES. EMPRESA INTERPOSTA. EFEITOS FISCAIS E PREVIDENCIÁRIOS. CONJUNTO Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.924 18 PROBATÓRIO. Para afastar a caracterização de contratação de trabalhadores por empresa interposta e seus respectivos efeitos tributários e previdenciárias, a impugnante deve ultrapassar o campo das alegações e produzir provas que se contraponham às levantadas pelo setor fiscal, mormente aquelas relacionadas à existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego, pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação. LEI 11.196/05. INAPLICABILIDADE QUANDO HÁ PRESTAÇÃO DE SERVIÇO COM CARACTERÍSTICAS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. A contratação de prestadores de serviços na condição de pessoas jurídicas somente é legal, de acordo com o art. 129 da Lei nº 11.196/05, desde que não se caracterize vínculo de emprego entre a empresa contratante e a prestadora de serviços contratada. Constatados os requisitos necessários para a configuração de vínculo empregatício, deve ser desconsiderado o vínculo pactuado e ser efetuado o enquadramento como segurado empregado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Diante de expressa previsão legal, é cabível a responsabilização solidária de administradores ou representantes de pessoas jurídicas pelos créditos tributários decorrentes, uma vez comprovada documentalmente, por uma série de elementos convergentes, a sua atuação determinante, na direção dos rumos empresariais, para a prática de condutas ilícitas. MULTA QUALIFICADA A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. DILAÇÃO PROBATÓRIA A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.925 19 3 Cientificado da decisão de piso o sujeito passivo principal interpôs recurso voluntário às fls. (2.648/2.701), mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer o provimento do recurso com o cancelamento do auto de infração e os sujeitos passivos por solidariedade manejaram os recursos às fls. 2.534/2.545 Albuquerque e Diniz Sorvetes Finos Ltda., fls. 2.707/2.719 e 2.725/2.737 IMESP – Instituto Santa marta de Enisno e Pesquisas Ltda., fls. 2.743/2.754 Lapac – Laboratório de Patologia e Clínicas Ltda., fls. 2.760/2.772 Manuel Ronaldo de Oliveira Simeão, fls. 2.778/2.790 Marcos Antonio da Costa Diniz, fls. 2.796/2.807 Marlau e Couto Empreendimentos Imobiliários Ltda., fls. 2.812/2.824 Santa Marta Cuidados Intensivos Ltda., fls. 2.830/2.841 Santa Marta Serviços de Imagem Ltda., fls. 2.847/2.859 Sebastião Maluf, fls. 2.865/2.876 Serf Empreendimentos Imobiliários Ltda., e fls. 2.882/2.893 Simeão Administração Imobiliária Ltda. 4 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 – Todos os recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles o conheço. 6 Peço venia antes de adentrar ao mérito para indicar a análise teórica sobre o tema ora em discussão nesse lançamento introduzida pelo I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira no Ac. 2201004.378 j. 03/04/2018 que diante de seu grande conhecimento poderá nos elucidar com suas lições, verbis: "Preceitua a Carta da República que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com expressa garantia para todos do livre exercício de qualquer atividade econômica. Assim está redigido o artigo 170: "Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei." Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.926 20 O preceito constitucional é claro em garantir que qualquer do povo pode exercer todo tipo de atividade econômica encontrando, por óbvio, na lei, o limite desse exercício. Dessa constatação, podemos inferir que é lícito ao profissional que presta serviços, fazêlo por meio de uma pessoa jurídica, uma vez que o exercício dessa atividade econômica não encontra óbice legal, tampouco a constituição de uma empresa com essa mister ofende a ordem jurídica. Cediço que a conformação societária dessa pessoa jurídica é critério daquele que a constitui, existindo no ordenamento pátrio diversos modelos societários que se amoldam a esse mister. Constituída a pessoa jurídica, essa ficção passa a contar com a tutela do ordenamento jurídico que empresta personalidade ficta a essa pessoa, que passa a ser objeto e sujeito de direito. Não obstante, a prestação de serviços atividade econômica cujo o objeto é uma obrigação de fazer por vezes também é prestada por uma pessoa física, realizada pelo trabalho dessa pessoa, atividade também valorizada pelo mesmo comando constitucional acima mencionado. Por muito tempo, a doutrina distinguiu pelo atributo da pessoalidade, a prestação de serviços realizado pela pessoa jurídica daquele prestado pela pessoa física. Assim, quando o contratante precisava que tal serviços fosse prestado por determinada pessoa, era essa a contratada, em razão da característica única que é atributo típico do ser humano, do trabalhador. Se, por outro lado, a prestação do serviço se resumia a um objetivo determinado, um 'facere' pretendido, a contratação de pessoa jurídica atendia a essa necessidade, vez que despicienda a característica de personalidade para a execução do objeto do contrato de prestação de serviços. Se por um lado, no âmbito dos contratos, tal diferenciação interessa somente às partes, causando pouco, ou nenhum, impacto a terceiros, por outro, no âmbito tributário, tal diferenciação é ponto fulcral, em razão da diferenciação da exação incidente sobre as duas formas de prestação de serviços, menos onerosa quando prestada por pessoa jurídica. O menor custo tributário, tanto para o contratante, quanto para o prestador de serviços, fomentou uma crescente transformação de pessoas físicas que prestavam serviços, trabalhadores portanto, em empresas. Fl. 2926DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.927 21 Em 2005, com o advento da Lei nº 11.196, a legislação tributária passou a explicitamente admitir tal fenômeno. Vejamos a redação do artigo 129: "Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil." Claríssima a disposição legal. Havendo prestação de serviços por meio de pessoa jurídica, mesmo que atribuição de obrigações às pessoas físicas, e sendo esses serviços de natureza intelectual, assim compreendidos os científicos, os artísticos e os culturais, o tratamento fiscal e previdenciário deve ser aquele aplicável as pessoas jurídicas, exceto no caso de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, como consta das disposições do artigo 50 do Código Civil Brasileiro. Não obstante o exposto, cediço recordar que a CLT impõe limite legal à prestação de serviços por pessoa jurídica. Tal limite se expressa exatamente na relação de trabalho. Vejamos as disposições da Lei Trabalhista: " Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. (...) Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação." (destaquei) Patente o limite da prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica: a relação de emprego. Ao recordarmos as disposições do CTN, constantes não só do parágrafo único do artigo 116, como também do inciso VII do artigo 149, podemos asseverar que, encontrando a Autoridade Tributária as características da relação de Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.928 22 emprego na contratação de prestação de serviços por pessoa jurídica, surge o direito do Fisco de desconsiderar tal situação jurídica, vez que dissimuladora do contrato de trabalho, e constituir o crédito tributário decorrente da constatação do fato gerador verificado com o trabalho da pessoa física. Dito de maneira diversa: para que haja o lançamento tributário por desconsideração da prestação de serviços por meio de pessoa jurídica é ônus do Fisco a comprovação da existência da relação de emprego entre a pessoa física que prestou os serviços objeto da desconsideração da personalidade jurídica e o contratante desses serviços. A doutrina trabalhista é assente em reconhecer o vínculo de emprego quando presentes, simultaneamente, as características da pessoalidade, da onerosidade, da habitualidade e da subordinação. Confrontemos as disposições da melhor doutrina trabalhista com os ditames específicos da Lei nº 11.196/05, com o objetivo de encontrarmos a exata diferenciação entre a relação de emprego e a prestação de serviços por pessoa jurídica. Em primeiro lugar é necessário observar que a pessoalidade não é relevante no distinção em apreço. Tal afirmação se corrobora com a simples leitura do artigo 129 da Lei nº 11.196, que explicitamente afasta a questão do caráter personalíssimo e da atribuição de obrigações às pessoas que compõe a sociedade prestadora de serviços. Em segundo lugar, forçoso reconhecer que a habitualidade não apresenta relevância como fato distintivo entre a prestação de serviços por pessoa física ou jurídica, vez que tanto numa como em outra, a habitualidade, ou ausência desta, podem estar presentes. Nesse ponto é necessário recordar que nas relações comerciais também se instaura uma relação de confiança, decorrente do conhecimento da excelência na prestação de serviços do fornecedor habitual. A análise da onerosidade também não ajuda no traço distintivo. Cediço que tanto no emprego quanto na mera relação comercial de prestação de serviços, o pagamento pelos serviços prestados está presente. Logo, o ponto fulcral da distinção é a subordinação. Somente na relação de emprego o contratante, no caso Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.929 23 empregador, subordina o prestador de serviços, no caso , o empregado. Porém, não se pode, sob pena de ofensa ao direito, entender que qualquer forma de direção da prestação de serviços é a subordinação típica das normas trabalhistas. Esta, a subordinação trabalhista, se apresenta em duas situações específicas. A primeira se observa quando o empregador, no nosso caso o contratante da prestação de serviços conduz, ordena, determina a prestação de serviços. É a chamada subordinação subjetiva onde o prestador de serviços, o trabalhador, recebe ordens específicas sobre seu trabalho, assim entendida a determinação de como trabalhar, de como executar as tarefas a ele, trabalhador, atribuídas. É a subordinação típica, aquela presente no modelo fordistataylorista de produção. Modernamente, encontramos o segundo modelo de subordinação, erroneamente chamado por muitos de subordinação jurídica. Não se pode admitir tal denominação, quanto mais a afirmação que esta subordinação decorre do contrato. Ora, qualquer contrato imputa direitos e deveres e por certo, desses decorre subordinação jurídica, posto que derivada de um negócio jurídico que atribui obrigações. Essa moderna subordinação é a chamada subordinação estrutural, nos dizeres de Maurício Godinho Delgado. É a subordinação consubstanciada pela inserção do trabalhador no modelo organizacional do empregador, na relação institucional representada pelo fluxo de informações e de prestação de serviços constante do negócio da empresa contratante desses serviços. Mister realçar que é por meio da subordinação estrutural que o empregador, o tomador de serviços que subordina o prestador, garante seu padrão de qualidade, uma vez que controla todo o fluxo da prestação dos serviços necessários a consecução do mister constante de seu objeto social, ou seja, é por meio de um modelo de organização que há o padrão de qualidade necessário e o controle das atividades e informações imprescindíveis para a prestação final dos serviços, para a elaboração do produto, para a venda da mercadoria que é o fim da atividade econômica pretendida pelo contratante dos serviços, pelo empregador. Com essa considerações, a solução da lide tributária instaurada por meio do presente recurso voluntário será encontrada a partir da comprovação, ou não, da existência Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.930 24 da relação de emprego, consubstanciada pela comprovação da subordinação, entre as pessoas físicas que prestaram os serviços mencionados no auto de infração e a Recorrente." 7 De acordo com a fiscalização, fls. 44/344 em síntese a autuada é um hospital, sendo que todos ou a maioria dos atendimentos médicos realizados por pessoas jurídicas contratadas e depois de examinar livros contábeis, notas fiscais de prestação de serviços, escalas de plantão médico, entre outros documentos, concluiu pela existência de simulação e fraude na contratação das sociedades de profissionais para a prestação de serviços médicos, tendo por finalidade a dissimulação da verdadeira relação de emprego mantida entre a empresa autuada e os sócios das sociedades civis contratadas (pessoas físicas) e outros médicos que não tinham nenhum vínculo formal com as pessoas jurídicas, mas que prestavam serviço dentro do hospital através dessas pessoas jurídicas. O lançamento e a constatação de tais fatos foram todos estabelecidos através de arbitramento. 8 Dessa maneira a fiscalização entendeu que tanto os sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviços na área médica foram considerados segurados empregados da autuada, devido à comprovação da presença dos requisitos básicos da relação empregatícia: serviço prestado por pessoa física, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação, da mesma forma os médicos sem qualquer vínculo formal com essas pessoas jurídicas. 9 A título de comprovação dos fatos imputados ao sujeito passivo, os seguintes elementos de prova, entre outros, depreendese das considerações consignadas pela autoridade fiscal no item 4 e 5 do Relatório Fiscal (fls. 45/48), foram, em síntese, considerados segurados empregados pelas seguintes razões: "4. Como resultado da ação fiscal, constatado que houve Pejotização contratação de pessoas jurídicas para prestação de serviços quando estes são de fato executados por pessoas físicas, de forma subordinada, habitual e onerosa, visando proporcionar irregularmente a redução de custos trabalhistas e economia de tributos (Contribuições Previdenciárias e Imposto de Renda), tanto por parte da contratante quanto dos prestadores de serviço. Foram apurados os créditos tributários previdenciários mediante lançamento dos valores devidos. 5. IIII – CONTRATAÇÃO DE MÉDICOS como Pessoas Jurídicas – Pejotização Da análise das notas fiscais, da contabilidade e dos demais documentos apresentados aferiuse, entre outros: Fl. 2930DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.931 25 As receitas com os serviços médicos prestados foram contabilizadas pelo hospital na conta de resultado: conta contábil: 311103 Receita Operacional no valor de R$ 116.598.607,32; As despesas com os pagamentos aos médicos foram escriturados na conta de resultado: 3313010002 SERVIÇOS MÉDICOS PESSOA JURÍDICA, no valor total de R$ 32.110.712,3. Há caso em que a própria nota fiscal emitida discrimina que os serviços médicos prestados tratase do pagamento de SALÁRIOS e de FÉRIAS; Há caso em que a própria nota fiscal emitida discrimina que os serviços médicos prestados tratase do pagamento de 13º SALÁRIO; A empresa individualizou no corpo da notal fiscal, confirmado pela relação de médico por nota fiscal entregue pelo contribuinte à fiscalização (anexo 4 Médicos por empresas conta 3313010002 SERVIÇOS MÉDICOS PESSOA JURIDICA.), médicos que não possuem nenhuma vinculação com a empresa emitente da nota fiscal.(não são sócios, nem empregados). Houve a prestação de serviços médicos de forma extemporânea. Os médicos prestaram serviços antes de se tornarem sócios das empresas emitentes das notas fiscais. Houve apropriação de despesas de escalas médicas extemporâneas; ou seja, os serviços médicos foram prestados pelos médicos antes da constituição da empresa. Houve apropriação de despesas no corpo da nota fiscal atinentes a adiantamentos, pendências, escalas, plantões, coordenação. O que evidencia a pessoalidade, subordinação, onerosidade, não eventualidade. O próprio sócio do Hospital Santa Marta, Manuel Ronaldo de Oliveira Simeao CPF: 193.230.77704, e seu cônjuge Suely Maria Pimentel Simeao, CPF: 028.977.76153, são os únicos sócios de empresa que prestou serviço ao Hospital Santa Marta: Empresa LAPAC Laboratorio de Patologia e Clinicas LTDA – EPP, CNPJ: 00.454.686/000190. Ressaltese ainda que o cônjuge CPF: 028.977.76153 SUELY MARIA PIMENTEL SIMEAO, CBO: 251510PSICOLOGO CLINICO, junto com as filhas: CPF: 864.967.19187 VANESSA PIMENTEL SIMEAO e CPF: 864.079.37191 SIMONE PIMENTEL SIMEAO também são sócias da empresa CNPJ: 08.329.752/000102 CLINICA OUVIR LTDA – ME, que prestou serviços médicos ao Hospital Santa Marta. Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.932 26 O contador do Hospital Santa Marta, CPF: 308.432.78153 Marcio Silva Cunha, também é o contador de várias empresas que prestaram serviços ao Hospital Santa Marta; Em trabalho de campo no Hospital Santa Marta, realizado em 02/02/2015, feito por amostragem, foi constatada a prestação de serviço in loco da médica Weridyana Batista de Oliveira, CPF: 694.774.50120, CRM:17616, com a coleta de sua assinatura. Esclareça que o Hospital Santa Marta informou que ela teria prestado serviços médicos em 2012 intermediada por empresas; contudo, em análise aos cadastros da RFB, ela não possuía nenhuma vinculação com tais empresas (não era sócia nem empregada). Bem como, o fato de continuar prestando serviços em 2015 é caracterizador do vinculo empregatício. Coincidentemente, nesse trabalho de campo, todas as assinaturas dos médicos coletadas foram de médicos que prestaram serviços médicos em 2012, e continuam prestando em 2015. O que demonstra, de forma clara, os vínculos empregatícios. Dessa forma, fica muito claro que o Hospital Santa Marta usou as empresas com o único objetivo de contabilizar os salários dos médicos por meio delas; e em muitos casos, sem a preocupação sequer de haver uma relação formal destes com a empresa emitente da nota fiscal. Tendo com isso o objetivo de pagar menos tributo. E como a atividade médica era exercida com: Pessoalidade (personalizados no corpo das notas fiscais emitidas, na relação de médicos encaminhadas ao CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde em 2012, no arquivo de prontuário entregue à fiscalização, na relação médico por empresa entregue à fiscalização, na relação de sócios ativos (médicos) em 2012 das empresas contabilizadas na conta contábil 3313010002 serviços médicos pessoa jurídica. Vide ANEXOS. De maneira continua e permanente: as escalas médicas são de periodicidade mensal, as notas fiscais são emitidas em vários meses no ano; quando não, em todos os meses do ano, a relação de médicos encaminhadas ao CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde em 2012, engloba os mesmos médicos em todos os meses do ano e comprova que médicos informados em 2012 continuam sendo informados em 2015. O prontuário entregue à fiscalização relaciona os médicos nos dozes meses do ano. Assim como o serviço prestado é parte integrante da cadeia produtiva do hospital; ou seja, inserese no objeto do empreendimento hospitalar. Os médicos recebiam pagamentos, ainda que por meio de notas fiscais escrituradas na conta de resultado: 3313010002 Serviços Médicos Pessoa Jurídica, no valor total de R$ Fl. 2932DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.933 27 32.110.712,3. (Configurado como mera tentativa de fraude a direitos trabalhistas e tributários pejotização) onerosidade. Havia subordinação às diretrizes traçadas pelo hospital: os pacientes eram todos do hospital (Receita Operacional de R$ 116.598.607,32), que assumia os riscos do trabalho executado pelo médico, a chamada alteridade, como ocorrido no Processo: 2003.01.1.0308045 do TJDFT). Outrossim, só o fato de haver obrigatoriedade de o profissional médico comparecer ao hospital para prestar o seu serviço, não podendo realizálo em outro local, por si só, já caracteriza a subordinação jurídica. Denotase, por amostragem, o vínculo empregatício." 10 Quanto ao mérito do recurso entendo que deve ser dado provimento, uma vez que a autoridade fiscal não se desvencilhou em comprovar os elementos caracterizadores do vínculo de emprego. 11 No que concerne à chamada “pejotização“ de empregados, importa verificar se há, ou não, a presença dos elementos fáticojurídicos caracterizadores do vínculo empregatício na relação de trabalho constituída entre a recorrente e os trabalhadores que, apontados pela fiscalização, lhe teriam prestado serviço nos períodos de competência fiscalizados. 12 Entendo com a devida venia, nos caso dos autos, não obstante o trabalho realizado, a autoridade lançadora passou ao largo da demonstração inequívoca, e até mesmo da comprovação, da existência desses elementos fáticojurídicos na relação de trabalho, sobretudo no que pertine à comprovação da subordinação na prestação dos serviços. 13 Dada a prestação de serviços diretamente com pessoas jurídicas, compete ao Fisco o ônus probatório da existência do vínculo de emprego, visto que a prova dos fatos jurídicos cabe a quem tem interesse em fazer prevalecer o que afirma. 14 Em outras palavras, a fiscalização deve adicionar aos autos os elementos que demonstrem indubitavelmente a ocorrência dos fatos que invoca como fundamento à sua pretensão, assim como as circunstâncias em que foram verificados durante o procedimento investigatório. Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.934 28 15. Na hipótese de médicos, enquadrados na categoria dos profissionais liberais, a comprovação da prestação de serviços na condição de empregados representa ainda mais desafio à fiscalização, tendo em vista as peculiaridades do exercício da profissão, em caráter personalíssimo, com independência de opinião e autonomia de execução da medicina, via de regra. 16 Dito de outro modo, o tão só fato de que os sócios das pessoas jurídicas contratadas pela fiscalizada prestavam diretamente o serviço contratado não se afigura suficiente para provar que o elemento da pessoalidade na relação de trabalho está ligado à pessoa física do sócio e não à pessoa jurídica, fazendose necessário que a imputação esteja acompanhada de outros elementos de prova que descredenciem a pessoa jurídica como o sujeito dessa relação, o que, todavia, na espécie, a fiscalização, a meu ver, não logrou fazer integralmente. 17 Esse desafio da fiscalização na minha ótica acabou na demonstração "precária" da comprovação do vínculo de emprego apor amostragem, utilizandose de forma genérica de situações que sequer chegam próximo dos elementos caracterizadores indicados nos arts. 2º e 3º da CLT aplicando os mesmos efeitos jurídicos a todas as pessoas jurídicas e pessoas físicas indicadas na autuação, sem estabelecer qualquer motivação para efetuar o levantamento fiscal e o cálculo através de aferição indireta na forma do art. 148 do CTN. 18 No detalhamento desses pressupostos da prestação de serviço com vinculação empregatícia, o Fisco Federal não os individualizou por contrato ou profissional de saúde, como muitas vezes procede os diversos Termo de Verificação Fiscal já analisados em casos como este, mas sim optou em considerar provado o vínculo de emprego reproduzindo esse fato a todos os profissionais médicos, a título de elementos de prova do vínculo de emprego da seguinte forma: " Em trabalho de campo no Hospital Santa Marta, realizado em 02/02/2015, feito por amostragem, foi constatada a prestação de serviço in loco da médica Weridyana Batista de Oliveira, CPF: 694.774.50120, CRM:17616, com a coleta de sua assinatura. Esclareça que o Hospital Santa Marta informou que ela teria prestado serviços médicos em 2012 intermediada por empresas; contudo, em análise aos cadastros da RFB, ela não possuía nenhuma vinculação com tais empresas (não era sócia nem empregada). Bem como, o fato de continuar prestando serviços em 2015 é caracterizador do vinculo empregatício. Coincidentemente, nesse trabalho de campo, todas as assinaturas dos médicos coletadas foram de médicos que prestaram serviços médicos em 2012, e continuam prestando em 2015. O que demonstra, de forma clara, os vínculos empregatícios. Fl. 2934DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.935 29 Dessa forma, fica muito claro que o Hospital Santa Marta usou as empresas com o único objetivo de contabilizar os salários dos médicos por meio delas; e em muitos casos, sem a preocupação sequer de haver uma relação formal destes com a empresa emitente da nota fiscal. Tendo com isso o objetivo de pagar menos tributo. E como a atividade médica era exercida com: Pessoalidade (personalizados no corpo das notas fiscais emitidas, na relação de médicos encaminhadas ao CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde em 2012, no arquivo de prontuário entregue à fiscalização, na relação médico por empresa entregue à fiscalização, na relação de sócios ativos (médicos) em 2012 das empresas contabilizadas na conta contábil 3313010002 serviços médicos pessoa jurídica. Vide ANEXOS. De maneira continua e permanente: as escalas médicas são de periodicidade mensal, as notas fiscais são emitidas em vários meses no ano; quando não, em todos os meses do ano, a relação de médicos encaminhadas ao CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde em 2012, engloba os mesmos médicos em todos os meses do ano e comprova que médicos informados em 2012 continuam sendo informados em 2015. O prontuário entregue à fiscalização relaciona os médicos nos dozes meses do ano. Assim como o serviço prestado é parte integrante da cadeia produtiva do hospital; ou seja, inserese no objeto do empreendimento hospitalar. Os médicos recebiam pagamentos, ainda que por meio de notas fiscais escrituradas na conta de resultado: 3313010002 Serviços Médicos Pessoa Jurídica, no valor total de R$ 32.110.712,3. (Configurado como mera tentativa de fraude a direitos trabalhistas e tributários pejotização) onerosidade. Havia subordinação às diretrizes traçadas pelo hospital: os pacientes eram todos do hospital (Receita Operacional de R$ 116.598.607,32), que assumia os riscos do trabalho executado pelo médico, a chamada alteridade, como ocorrido no Processo: 2003.01.1.0308045 do TJDFT). Outrossim, só o fato de haver obrigatoriedade de o profissional médico comparecer ao hospital para prestar o seu serviço, não podendo realizálo em outro local, por si só, já caracteriza a subordinação jurídica. Denotase, por amostragem, o vínculo empregatício." Sem grifos no original 19 A partir dessa única constatação acima reproduzida a fiscalização utilizou para identificar a relação de emprego para todos os casos. Contudo, se utilizarmos Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.936 30 também através de amostragem alguns pontos identificados no próprio relatório fiscal vamos constatar que a fiscalização adota premissa equivocada e que por si só na visão desse relator afasta o lançamento tributário. 20 A fiscalização alega que "fica muito claro que o Hospital Santa Marta usou as empresas com o único objetivo de contabilizar os salários dos médicos por meio delas; e em muitos casos, sem a preocupação sequer de haver uma relação formal destes com a empresa emitente da nota fiscal. Tendo com isso o objetivo de pagar menos tributo."; com essa afirmação a fiscalização parte do pressuposto de que as pessoas jurídicas foram constituídas de forma fraudulenta a título de não pagar diretamente os "salários" pelos serviços médicos dos prestadores que não tinham nenhum contrato formal com as pessoas jurídicas prestadoras e o hospital e até mesmo dos sócios das pessoas jurídicas. 21 Às fls. 77 do relatório fiscal a fiscalização faz referência como prova da empresa DIGESTIVE CLINICA DO APARELHO DIGESTIVO CNPJ: 14.353.297/000183, que foi uma das desconsideradas pela fiscalização, alegando que havia nas Notas Fiscais a indicação de médicos que não eram sócios e não tinham nenhum contrato ou vínculo formal a título de prestação de serviços, contudo a fiscalização junta aos autos a GFIP dessa empresa em que identificamos diversos empregados registrados: Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.937 31 22 Continuando seu raciocínio a autoridade fiscal afirma: "Portanto, os médicos personalizados nas Notas Fiscais e no documento entregue pelo contribuinte, abaixo: Lívia Gomes dos Santos Tavares – CPF 00242676191; Adriano Cláudio Pereira de Morais – CPF 02367287400; Alexandre Chastuni Pereira Teixeira – CPF 04381511603; Juline Monteiro Marinho – CPF 05192871425; Fl. 2937DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.938 32 José Guilherme Filho – CPF 26893398387; Edson Lustosa Machado – CPF 09606220397; Jandui Gomes de Abreu Filho – CPF 347889415; Drª Lina. Não possuem nenhuma vinculação com a empresa DIGESTIVE CLINICA DO APARELHO DIGESTIVO LTDA. Portanto, os médicos não poderiam ser pessoas jurídicas já que não eram sócios da pessoa jurídica emitente da nota fiscal. Nem eram terceirizados, já que também não eram empregados dessa pessoa jurídica emitente da nota fiscal. Fica muito claro que o Hospital Santa Marta usou as empresas com o único objetivo de contabilizar os salários dos médicos por meio delas; sem a preocupação sequer de haver uma relação formal destes com a empresa emitente da nota fiscal. Tendo com isso o objetivo de pagar menos tributo." 23 Não verifico nos autos nenhuma prova que sugere que as pessoas jurídicas, tais como a acima indicada, fosse utilizada para orquestrar um ato simulatório no qual alega a fiscalização. Pelo contrário, verifico que a fiscalização parte de uma premissa sem qualquer fundamento e provas concretas para alegar tal fato. Chegase ao absurdo de se alegar a simulação de uma pessoa jurídica que contem empregados no setor administrativo, sem ao menos promover o levantamento da estrutura de fato e de direito de tal empresa. Às fls. 2.623 por exemplo o recorrente traz prova de uma estrutura da referida empresa e de outras indicadas como emissoras das notas fiscais. 24 Verificamos portanto que partindo da mesma premissa que a fiscalização, ou seja, através de amostragem, não há prova da simulação perpetrada pelas pessoas jurídicas que prestavam serviço à recorrente, e portanto, com isso a autuação é improcedente, posto que de acordo com art. 2º da CLT: "Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço." Grifei 25 Ora, se considera empregador aquele que "assalaria" ou remunera de alguma forma o trabalho pessoal da pessoa física. Contudo, no caso, sem a prova robusta de que as pessoas jurídicas que prestavam serviço à recorrente foram utilizadas como meros "anteparos" ou "pessoa interposta" para tentar "mascarar a relação de emprego", e pelo fato desses profissionais que de acordo com a fiscalização "os médicos não poderiam ser pessoas Fl. 2938DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.939 33 jurídicas já que não eram sócios da pessoa jurídica emitente da nota fiscal. Nem eram terceirizados, já que também não eram empregados dessa pessoa jurídica emitente da nota fiscal." o fato de serem remunerados pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviço já afastaria qualquer tipo de responsabilidade da recorrente. 26 No caso, não sabemos sequer a relação desses prestadores para com as prestadoras de serviço, no máximo, o que podemos considerar sem qualquer sombra de dúvida é uma relação de prestação de serviço autônoma, e mesmo assim para com essas prestadoras que remuneravam esses médicos, não podendo se afirmar qualquer tipo de vínculo tal como foi alegado de forma categórica pela fiscalização sem qualquer fundamento jurídico, verbis: "Em trabalho de campo no Hospital Santa Marta, realizado em 02/02/2015, feito por amostragem, foi constatada a prestação de serviço in loco da médica Weridyana Batista de Oliveira, CPF: 694.774.50120, CRM:17616, com a coleta de sua assinatura. Esclareça que o Hospital Santa Marta informou que ela teria prestado serviços médicos em 2012 intermediada por empresas; contudo, em análise aos cadastros da RFB, ela não possuía nenhuma vinculação com tais empresas (não era sócia nem empregada). Bem como, o fato de continuar prestando serviços em 2015 é caracterizador do vinculo empregatício." 27 A constatação acima mencionada pela autoridade fiscal com o consequente efeito jurídico não é crível, não há elementos de causa e efeito que por si só geram a relação de emprego, o simples fato da pessoa ter trabalhado para uma outra em época anterior sem qualquer tipo de contrato formal (CLT ou autonômo) e o fato de ainda continuar trabalhando nos mesmos moldes, em nada prova e configura o vínculo de emprego ou a denominação de empregado do art. 3º da CLT. 28 Outrossim, outros fatos narrados a seguir em nada faz crer por si só que existe a configuração do vínculo de emprego: Assim como o serviço prestado é parte integrante da cadeia produtiva do hospital; ou seja, inserese no objeto do empreendimento hospitalar. Omissis Havia subordinação às diretrizes traçadas pelo hospital: os pacientes eram todos do hospital (Receita Operacional de R$ 116.598.607,32), que assumia os riscos do trabalho executado pelo médico, a chamada alteridade, como ocorrido no Processo: 2003.01.1.0308045 do TJDFT). Outrossim, só o fato de haver obrigatoriedade de o profissional médico comparecer ao hospital para prestar o seu Fl. 2939DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.940 34 serviço, não podendo realizálo em outro local, por si só, já caracteriza a subordinação jurídica. Grifei 29 A respeito desse assunto acima indicado (subordinação) adoto como razões de decidir parte do voto do I. Conselheiro Cleberson Alex Friess no Ac. 2401004.413 em caso similar temos, verbis: 33.1 A par da participação integrativa do trabalhador na atividade da empresa, é necessária a demonstração adicional da existência de poder diretivo e disciplinar do empregador, afastando de vez a autonomia da atividade do trabalhador, ainda que tais requisitos não se configurem sob a forma clássica de ordens diretas voltadas à prestação de serviço. 34. Com o devido respeito aos que pensam diferente, o fato de o médico prestar serviços diretamente ligados à atividade fim do hospital, por si só, não leva ao reconhecimento do vínculo de emprego, até porque, nessa área médica, não é incomum a relação ocorrer de uma forma autônoma. 35. Passandose mais especificamente à análise dos fatos e motivos que amparam a acusação fiscal, verifico que o Regimento Interno do Corpo Clínico do Hospital Ministro Costa Cavalcanti não estabelece uma relação vertical e hierárquica entre diretor clínico e profissional médico, mas sim, como destaca a recorrente, uma aproximação horizontal, de caráter técnico, assegurada a autonomia e a ética no exercício da medicina (fls. 8.858/8.877). 36. É frágil a proposta de descaracterizar a autonomia que usufruem os profissionais médicos pelo fato de fazerem parte do corpo clínico do hospital, submetendose às normas administrativas estabelecidas no regimento. 36.1 O respeito dos horários de consultas e exames agendados, assim como o cumprimento das normas administrativas emanadas pela entidade hospitalar, não são de molde a caracterizar a subordinação. Longe disto, porquanto o respeito às normas de organização interna básica é algo imprescindível ao funcionamento de qualquer instituição que presta serviços de saúde. 37. Por sua vez, não localizei nos autos elementos contundentes que revelem a falta de definição da agenda pelo próprio médico, de modo a lhe faltar independência para estabelecer a sua jornada diária e eventuais ausências, tendo que comparecer necessariamente ao hospital, mesmo que concedido ao profissional alguma flexibilidade nos seus horários. 38. No caso da escala de plantões, embora obrigação identificada em diversos contratos, por haver necessidade da presença de médicos "in loco" no período de 24 (vinte e quatro) Fl. 2940DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.941 35 horas, não há provas que deixava de levar em conta a disponibilidade de horários de cada médico, com interferência da instituição além de uma finalidade de acompanhamento e coordenação da atividade. 38.1 Aparentemente, eventuais substituições dos plantonistas eram permitidas, mediante troca de horários de plantões entre os colegas da respectiva sociedade contratada, inexistindo uma obrigação de um determinado médico comparecer ao hospital, sob pena de punição, proibindolhe assim de mandar outro profissional no seu lugar, sem autorização prévia do contratante. 39. Em uma visão geral, os contratos de prestação de serviços e os respectivos valores das notas fiscais emitidas indicam o faturamento pelas pessoas jurídicas de valores constantemente alterados ao longo dos meses, conforme fls. 8.303/8.422, evidenciando o repasse a título de honorários médicos ao contratado, oriundos da produtividade variável aferida no atendimento a pacientes particulares e conveniados, e não o pagamento de salários. 40. Segundo a fiscalização, a disponibilização do espaço físico, da estrutura de recepção e marcação de consultas, entre outros aspectos, às pessoas jurídicas contratadas, sem custos adicionais, acabaria afastando os riscos econômicos decorrentes da criação das sociedades médicas contratadas, demonstrando que constituía o objeto pactuado, indubitavelmente, a própria atividade do profissional de saúde. 40.1 Tal raciocínio, porém, deve ser avaliado no contexto da natureza dos serviços prestados, em que a dispensabilidade da interposição da pessoa jurídica na relação contratual é evidente, dadas as características dos serviços médicos contratados, os quais serão desempenhados necessariamente por uma pessoa física que fornece a sua força de trabalho, ainda que vinculada a uma pessoa jurídica. 40.2 De todo modo, mesmo constatada que a participação da pessoa jurídica tem caráter meramente formal, apenas restará configurado o vínculo empregatício se comprovada a subordinação jurídica na relação mantida entre tomador do serviço e sócio da sociedade médica. 41. Ante as especificidades próprias da profissão de médico, em que não há impedimento legal, segundo entendo, para a contratação de pessoa jurídica ou mesmo de autônomos (contribuintes individuais) na atividade fim de hospitais, caberia a fiscalização, por exemplo, aprofundar a investigação junto aos prestadores de serviço, preferencialmente avaliando de maneira individual a situação do profissional. 41.1 Tal procedimento poderia auxiliar na demonstração pormenorizada do vínculo empregatício existente, inclusive quanto à eventual imposição pelo hospital aos médicos da forma jurídica para a sua contratação. Fl. 2941DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.942 36 42. Embora possível, a generalização da existência de subordinação nas dezenas de contratações de pessoas jurídicas exige bastante cautela e, principalmente, um conjunto probatório robusto e convincente da realidade fática comum. 42.1 É imprescindível a fiscalização convencer o julgador que os serviços não eram prestados de forma autônoma para a entidade hospital, havendo significativa limitação de comando e controle sobre as atividades profissionais exercidas, caracterizando, desse modo, trabalho subordinado. 43. Em vista de exposto, em que pese o esforço despendido pela autoridade fiscal para demonstrar os pressupostos da relação de emprego, não logrou êxito em comprovar o requisito subordinação, em linguagem de prova convincente, o que dispensa a análise da presença dos demais requisitos cumulativos ensejadores do vínculo empregatício noticiados pela acusação fiscal e refutados pela fiscalizada no recurso voluntário." 30 A pessoalidade, não eventualidade e onerosidade são requisitos que podem estar presentes em outras relações de trabalho, como na atividade autônoma. É, contudo, o requisito da subordinação que tem papel relevante e fundamental para delimitar se o trabalhador detém a condição de empregado ou não. 31 Via de regra, não se presume a subordinação do médico. É nesse ponto, em especial, que reside as dificuldades da área de fiscalização previdenciária, porque o reconhecimento do vínculo empregatício entre hospital e o profissional de saúde exige prova cabal dessa subordinação, ou pelo menos indícios sérios, convergentes e contundentes da submissão da atividade que desempenha ao poder de direção do tomador, implicando clara limitação da autonomia do médico. 32 Portanto não há elementos de prova robustos, sendo que até mesmo a alegação de nota fiscal indicando salário e férias e 13º salário, após a análise por esse relator por amostragem nas milhares de notas fiscais, juntadas no eprocesso em arquivos não pagináveis, consideradas como um dos elementos de prova pela fiscalização, não verifiquei outras notas com o mesmo teor, (a grande maioria consta serviços médicos prestados) sendo que ao que parece a fiscalização utilizou apenas de uma nota com esse teor para comprovar a existência de vínculo de emprego. 33 Em relação à prova em caso similar julgado recentemente por essa Turma de relatoria do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira no excerto antes indicado verbis: Fl. 2942DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.943 37 "Não há uma única prova das alegações fiscais. Há, sim, anexos que relacionam o nome de médicos que prestaram serviços ao hospital (fls. 92/132), anexo com nomes de médicos que não eram sócios das empresas declaradas em DIRF (fls. 133/169), anexo de com nomes de profissionais que constavam dos prontuários do hospital e eram sócios da empresas prestadoras (fls. 170/174), Anexo com o quadro societário das pessoas jurídicas prestadoras de serviço (fls. 210/226), inúmeros contratos de prestação de serviços anexados ao Relatório Fiscal (fls 495/565) e várias notas fiscais da empresas prestadoras (fls. 566/582). Nada mais! Nenhuma prova das alegações fiscais. Nenhuma comprovação nem por amostragem de que uma pessoa física, aquele ser individualmente considerado, prestou serviço pessoal para o tomador, por intermédio de pessoa jurídica. Nenhuma comprovação, mesmo que indiciária, de que fulano de tal estava subordinado, hierarquicamente ou por meio de inserção no modelo organizacional do tomador de seus serviços. Ora, mera análise de contrato, embasada em percepção da autoridade fiscal, fundada em frase de efeito e imputações de vícios de consentimento e de ilicitudes várias, não tem o condão de comprovação da fraude, ou simulação previstas no artigo 9º da CLT que ensejam a aplicação das normas trabalhistas ao caso concreto. Não há subordinação que seja ínsita a um tomador de serviços que, por previsão contratual, determine o local da prestação de serviços! Ofende o primado da lógica, querer crer que algum contratante de serviços a serem prestados, alguém que contrate outrem para um facere, para uma obrigação de fazer, não defina o local aonde o serviço será prestado, ou preveja, contratualmente, a eventual alteração de tal local. Não se pode por ser um argumento pueril dizer que por existir na avença a possibilidade do contratante mudar o local do atendimento médico a ser prestado pelo contratado (mudar o consultório do médico que paga pelo aluguel do mesmo), demonstra a vinculação do prestador às regras do tomador, que reproduzimos abaixo com o perdão da repetição (fls 56, in fine): Trechos que deixam clara a permissão de ocupação de área física, para permitir que o médico atue dentro do ambiente do Hospital, sob o seu controle e subordinação: “CLÁUSULA PRIMEIRA – DO OBJETO O presente contrato tem por objetivo a ocupação de área física no Ambulatório do HOSPITAL CONTRATANTE, adequada ao exercício das atividades profissionais da CONTRATADA e restrita a Fl. 2943DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.944 38 atendimento ambulatorial para o exercício das atividades profissionais da CONTRATADA, relativa à sua especialidade de Ginecologia, mediante o pagamento mensal de uma taxa de ocupação.” Ora, se há pagamento pela utilização do espaço do hospital, resta de maneira cabal, afastada a alegada subordinação e controle. Não se pode emprestar presunção de veracidade a alegações que pretendem imputar relação de emprego com base em um contrato que prevê pagamento por ocupação de um espaço físico no pretenso empregador. Nunca soube de empregado que pagasse aluguel por sua mesa ou espaço de trabalho para seu empregador. Não há, como dito, nenhuma comprovação das alegações fiscais. Não se prova pessoalidade pelo simples motivo de que não há nenhuma identificação concreta de que fulano, beltrano ou sicrano, prestavam serviços 'intuito personae' ao Recorrente. Não se comprova tal argumento com a seguinte afirmação (fls. 72) " (...) a pessoalidade é patente, pois faz se necessário a interveniência de profissionais de saúde de quem são exigidos requisitos funcionais, como: registro no CRM, formação e especialização, que permitem que o profissional e somente ele possa executar os procedimentos nos pacientes da REDE DOR – HSL " Ora, qualquer um dos milhares de médicos registrados no CRM são, potencialmente habilitados a prestar serviços médicos, tendo registro, formação e especialização, afastando de forma patente para se usar a expressão da autoridade fiscal a pessoalidade exigida para a caracterização do empregado. Diante de todo o exposto, e ressaltando a necessidade da comprovação da relação de emprego para a desconsideração da relação entre as pessoas jurídicas prestadoras e a tomadora dos serviços, forçoso reconhecer a procedência das alegações recursais, em razão da comprovação dos fatos impeditivos do direito do Fisco ao crédito tributário lançado." 34 Deixo de me manifestar em relação às preliminares indicadas no recurso em vista do seu provimento quanto ao mérito aplicando o princípio da primazia da resolução de mérito de acordo com § 2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do Decretolei 70.235/72 que se pode afirmar que, "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". 35 Pelo exposto nesse tópico dou provimento ao recurso e por consequência afasto, deixo de analisar as razões recursais no tocante a qualificadora da multa e ao Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 10166.721543/201609 Acórdão n.º 2201004.586 S2C2T1 Fl. 2.945 39 descumprimento de obrigações acessórias, sendo que tais fundamentos são aplicados também quanto ao lançamento indicado no item quanto a IIIIII – CONTRATAÇÃO DOS DIRETORES como Pessoas Jurídicas – Pejotização CONTA CONTÁBIL: 3313010010 SERVIÇOS DE CONSULTORIA /PLANEJAMENTO. 36 Quanto aos recursos dos sujeitos passivos por solidariedade, em vista do provimento do recurso principal, dou provimento aos mesmos afastando a solidariedade passiva dos mesmos. Conclusão 37 Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO do sujeito passivo principal e DOU PROVIMENTO aos recursos dos sujeitos passivos por solidariedade. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 2945DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.001765/2007-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 01/04/2002
SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO INDUSTRIAL. PERMANÊNCIA NO REGIME SIMPLIFICADO DE TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 57 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Numero da decisão: 1001-000.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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PERMANÊNCIA NO REGIME SIMPLIFICADO DE TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 57 “A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 17 65 /2 00 7- 13 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10920.001765/200713 Acórdão n.º 1001000.772 S1C0T1 Fl. 110 2 Relatório A recorrente postula pela reforma da decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba (PR), mediante o Acórdão nº 0623.641, de 06/08/2009 (efls. 84/86). Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo N° 554.244, de 02/08/2004, de emissão do Delegado da Receita Federal em Joinville SC, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), desde a data da opção, 01/04/2002, informando como causa, o exercício de atividade econômica vedada de instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos para a extração de minérios e indústria da construção, código CNAE 29521/02, em afronta ao disposto no inciso XIII do artigo 9°, da Lei n° 9.317, de 1996 (fl.51). 2. Cientificada do ato de exclusão, a reclamante apresentou a SRS de fl.48/49, onde alegou ter havido erro na escolha do código CNAE e que jamais exerceu as atividades impeditivas que constam do contrato social. Após a análise a autoridade fiscal manteve a exclusão, por entender que as atividades desenvolvidas pela empresa precisam do aval de um profissional legalmente habilitado (fl.68). 3. Inconformado com o resultado da SRS apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 01/02, onde contesta, principalmente, o fato de, antes de apresentar os documentos solicitados por meio da intimação SACAT n° 156/2007 (fl.05), ter recebido o resultado da análise da SRS que indeferiu o pleito de afastar o ato declaratório que a excluiu do Simples, razão pela qual requer nova análise e reconsideração do pedido, em face da documentação que apresenta. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES FEDERAL. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia ou tecnólogo, é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples Federal. MONTAGEM DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS. PERMANÊNCIA NO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10920.001765/200713 Acórdão n.º 1001000.772 S1C0T1 Fl. 111 3 Por expressa previsão legal, é vedada a permanência no Simples das pessoas jurídicas que prestem serviços de instalação, reparação e manutenção em máquinas industriais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 05/10/2009, conforme Aviso de Recebimento à efl. 89, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 27/10/2009, conforme carimbo aposto à efl. 81. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado á efls. 91/101 atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso voluntário, a recorrente apresenta as seguintes alegações: que a Turma a quo "não considerou a documentação apresentada pela Recorrente e as atividades efetivamente exercidas pela mesma os quais dão prova da regularidade de sua situação e possibilidade de enquadramento no SIMPLES FEDERAL". que a "mera descrição de previsão de atividades impeditivas no contrato social da empresa não apresenta óbice real à inclusão no SIMPLES, devendo ser verificada as verdadeiras atividades exercidas pela empresa". que "Jamais exerceu as atividades" vedadas e que "exerceu tão somente atividades de fabricação e comércio de máquinas e equipamentos, cujas atividades não são vedadas pelo Simples Federal", já que "não necessita de profissional legalmente habilitado, isto é, no caso concreto, um engenheiro", e que não possui este profissional em seus quadros de funcionários. que "A alegação em que fundamentou a decisão da DRJ de que o sistema apontou a existência de vedações à opção em função dos dois CNAES informados (28526/00 e 28224/02), eis que prevêem manutenção e instalação de máquinas, não pode proceder, eis que são decorrentes de fatos geradores posterior aos fatos relatados no processo". que "em 2004, o código CNAE da Recorrente foi alterado para 2952100 Fabricação de outras máquinas e equipamentos de uso na extração mineral e construção inclusive peças, corrigindose assim o equívoco no lançamento no sistema na Receita Federal". Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10920.001765/200713 Acórdão n.º 1001000.772 S1C0T1 Fl. 112 4 que "o entendimento adotado pela Receita Federal ofende frontalmente o artigo 179 da Constituição Federal" e que "os efeitos retroativos da exclusão das empresas no SIMPLES" é uma "ofensa ao artigo 150, Ill, "a" da Constituição Federal, que prevê o principio da anterioridade da lei tributária". Por fim "requerse a reforma da decisão proferida, para cancelar o Ato Declaratório Executivo n° 554.244, reconhecendo o direito da Recorrente em optar pela sistemática do “SIMPLES", retroativamente a 05/06/2000, data da opção ao sistema" e cita julgados do CARF favoráveis às suas teses. O cerne da questão referese à possibilidade de a empresa optar pelo SIMPLES pois exerce, conforme atividade atrelada ao CNAEfiscal: “reforma de peças mecânicas de máquinas e equipamentos, manutenção e reparos de painéis metálicos e artefatos de metal e a instalação, reparação e manutenção de máquinas e equipamentos". O ato de exclusão foi emitido em 02/08/2004, com efeitos a partir de 01/04/2002, retroagindo à data em que a empresa efetuou a primeira alteração contratual, tendo em vista que o objeto passou a ser: "fabricação de máquinas e equipamentos para a indústria da construção; fabricação de máquinas e equipamentos para transporte e elevação de cargas; fabricação de artefatos de metal para uso industrial; reforma de peças mecânicas de máquinas e equipamentos; manutenção e reparos em painéis metálicos e artefatos de metal; instalação, reparação e manutenção de máquinas e equipamentos". O relator do acórdão recorrido argumenta que "dentre o rol de atividades do código 28526/00 está previsto a montagem e instalação de máquinas" e "como a interessada não logrou comprovar que o código CNAE estava incorreto, mesmo porque os códigos informados continuam impedidos de aderir ao Simples"..."entendo que deve ser mantida a exclusão ao Simples", pois seriam atividades elencadas no referido inciso XIII, do art. 9°, da Lei n° 9.317/96, inserindose no domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de engenheiros e cita a Resolução n° 218, de 29 de junho de 1973. Data vênia, discordo da conclusão do relator. As atividades descritas nas notas fiscais apresentadas pela recorrente não são de competência privativa da área de engenharia, nem tampouco dependentes dos serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, nos termos do inciso XIII, artigo 9º da Lei nº 9.317/96. Ou melhor, tais atividades não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Outrossim, a matéria em debate, a atividade de instalação ou reparos em máquinas e equipamentos já foi objeto de ampla discussão quanto à possibilidade de as empresas que as desempenham optarem pela sistemática do Simples Federal sendo favorável ao recorrente, sendo sumulada por este Conselho. É o que se depreende da Súmula CARF nº 57, verbis: "Súmula CARF nº 57: A instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10920.001765/200713 Acórdão n.º 1001000.772 S1C0T1 Fl. 113 5 serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal." Sendo de adoção obrigatória pelos membros do CARF, a Súmula acima mencionada se aplica perfeitamente à questão em discussão, desta forma, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada quanto ao ponto alegado pela recorrente. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário cancelandose a exclusão da empresa do Simples. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.724292/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente.
BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS.
A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendo-se como o total da Cofins devida no mês.
Numero da decisão: 3302-005.848
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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Recorrente BRASCERAS S.A. INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS. A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendose como o total da Cofins devida no mês. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède – Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 42 92 /2 01 1- 06 Fl. 132DF CARF MF 2 Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Aproveitase o Relatório apresentado no Acórdão de Impugnação: Trata o processo de exigência de R$ 2.796,87, decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, relativo ao mês de agosto/2007, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, alegando improcedência do lançamento, uma vez que o auto de infração não trouxe descrição clara e precisa do fato que ensejou a autuação, sem oferecer meios suficientes para se defender da infração. Diz que o demonstrativo do crédito tributário é extremamente simplista, de modo que não analisa os créditos apurados e transcritos no Dacon do período. Ressalta, que a fiscalização restringiuse a calcular a multa sobre o total dos débitos da Cofins (Item 15 da Ficha 25B), sem verificar a existência dos créditos declarados na Ficha 25B na Linha 18. Desse modo, entende que para o cálculo da multa deveria ser utilizado o valor da Cofins a Pagar Faturamento (Linha 27) e não o valor da Cofins Devida no mês (Linha 15), pois, houve no período a dedução da contribuição retida na fonte por pessoa jurídica de direito privado, não diminuída da base de cálculo do lançamento. Em 27 de março de 2013, Recurso Voluntário do Acórdão n° 0639.969, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência de R$ 2.796,87 de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, relativo ao mês de agosto/2007. Entendeu a Turma que: ü Os elementos necessários à constituição do crédito tributário encontramse devidamente demonstrados, sendo prescindível quaisquer outros esclarecimentos que, porventura, a contribuinte pudesse precisar para oferecer uma impugnação consistente; ü Percebese que o valor da base de cálculo da multa nada mais é do que a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. E isso, digase, foi bem entendida pela contribuinte, já que em sua impugnação demonstrou claramente a sua discordância em relação ao seu entendimento para se chegar à base de cálculo em contrapartida ao valor obtido pela autoridade lançadora. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10980.724292/201106 Acórdão n.º 3302005.848 S3C3T2 Fl. 3 3 ü A irresignação da interessada consiste no fato de o lançamento considerar como base de cálculo da multa (“Montante da Cofins”) o valor da Cofins Devida e não o da Cofins a Pagar; ü Na verdade, a interessada entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado; ü No entanto, a retenção na fonte no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado é considerada como antecipação do valor devido, já que podem ser deduzidos das contribuições devidas de mesma espécie, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°. Ora, uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. Mas, frisese, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. A empresa BRASCERAS foi cientificada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 08/05/2013, às folhas 55. Em 06/06/2013, a empresa BRASCERAS ingressou com Recurso Voluntário de folhas 57 a 71. Foi alegado que: ü A Requerente é empresa, constituída sob. a forma de sociedade anônima Fechada, e, nessa condição, é contribuinte dé diversos, tributos, inclusive da COFINS, que, é, regularmente recolhido aos cofres públicos nos prazos e formas previstos em lei; ü Referente ao mês calendário de Agosto de 2007, a requerente apurou devidamente a COFINS, o que resultou no valor a recolher de R$ 26.462,11; ü O referido valor foi devidamente recolhido aos cofres públicos no prazo legal; ü A despeito disso, a empresa apresentou com atraso, porém espontaneamente a DACON referente ao mês de Agosto de 2007, em 30.10.2007; ü Como visto, o presente processo discute especificamente a multa sobre o atraso na, entrega da DACON, portanto é importante destacar que a Requerente, apresentou o referido documento para Receita, o. Fl. 134DF CARF MF 4 qual foi devidamente preenchido respeitando todos os requisitos e condições legais exigidos; ü O fato é que o preenchimento da DACON, que é o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, consiste na apuração dos débitos e créditos resultando no valor a recolher ou o crédito disponível para o mês subsequente; ü Ocorre que na referida DACON do período de Agosto de 2007, a Requerente para a contribuição da COFINS apurou o total de débitos no valor de R$ 279.687,88, conforme item 15 da Ficha 25 B, e também apurou o total de créditos no valor de R$ 253.225,77, conforme item 18 da Ficha 25 B, resultando, assim no valor da COFINS a pagar de R$ 26.462,11, conforme item 27 da Ficha 25 B; ü O Auto de Infração, apontou como enquadramento legal o artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004; ü Ocorre que esses dispositivos não foram devidamente interpretados pela, fiscalização, pois o inciso III do artigo 7° acima mencionado deixa claro que aplicação da multa deve ser feita em relação ao montante da COFINS, e não sobre o valor dos débitos apurados; ü Assim, além de o Auto de Infração mostrarse insuficiente na descrição cios fatos, está confuso na sua própria fundamentação, uma vez que os dispositivos mencionados não foram analisados pela. D. Fiscalização e, tampouco, aplicados corretamente ensejando uma multa com valores excessivos conforme demonstrado em quadro apresentado no Recurso Voluntário; ü Não há dúvidas de que em nenhum momento, o legislador estipulou outra alternativa que não seja a aplicação da multa por atraso a ser calculada em relação a montante da contribuição da COFINS; ü Portanto, qualquer que seja a leitura que se faça, o que se percebe é que houve um equívoco no cálculo da multa aplicada no Auto de Infração, onde a D. Fiscalização desconsiderou o dispositivo legal e cálculou a multa sobre o valor total dos débitos do mês, sem ao menos, considerar os créditos devidamente declarados; ü Invoca os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; ü Como se mota, nesta hipótese, o atraso na entrega da DACON, ainda que caracterize um ilícito, à legislação fiscal que estipula o prazo para entrega da declaração, não trará maiores prejuízos para a Fazenda, já que não representará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação; ü As multas pelo descumprimento de obrigação acessória, por sancionarem deveres instrumentais sem correspondência, econômica delimitável, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não tomar por base o valor do tributo declarado; Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10980.724292/201106 Acórdão n.º 3302005.848 S3C3T2 Fl. 4 5 ü No caso das multas por descumprimento de obrigação acessória, tal medida não é razoável, posto que a medida que se pretende coibir com a sanção não é a falta de recolhimento, mas sim a falta ou o atraso na prestação de informações; ü Neste contexto temos que à luz do princípio da proporcionalidade, a seguinte. conclusão ainda que o percentual da multa prevista na legislação possa ser considerado, à primeira vista, tolerável, o fato é que a multa pelo atraso na entrega da DACON, calculada com base no valor total do tributo apurado informado na declaração e não pelo tributo devido, viola o princípio da proporcionalidade e do não confisco. A CONCLUSÃO E O PEDIDO Dessa forma, requerse. o conhecimento e provimento integral do presente Recurso Voluntário, e assevera ainda que: 1. os documentos apresentados pela Requerente demonstram que o montante da COFINS recolhido correspondem exatamente aos valores declarados no DACON; 2. o cálculo da multa feita pela Fiscalização foi feita de forma equivocada, pois tomou como base de cálculo o valor total dos débitos da COFINS', ao invés de utilizar o montante da COFINS recolhido; Caso entenda V.Sa. pela aplicação da multa que a mesma seja, calculada pelo montante da COFINS recolhida , requer ainda, que sejam mantidas: a) manutenção da aplicação da redução da multa em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea do demonstrativo; b) a redução de 50% para pagamento à vista, ou 40% para os pedidos de parcelamento formalizados no neste mesmo prazo. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 08 de maio de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 55 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 06 de junho de 2013, sendo portanto tempestivo. Fl. 136DF CARF MF 6 Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: ü A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de Abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de Dezembro de 2004; ü A aplicação dos os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; ü O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo, na medida em que todos os tributos informados na declaração foram pagos dentro do vencimento. Do mérito. A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O artigo em questão assim dispõe: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10980.724292/201106 Acórdão n.º 3302005.848 S3C3T2 Fl. 5 7 § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. A transmissão do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais pela interessada ocorreu em 25/10/2007, quando o prazo final de entrega era 05/10/2007, o que acarretou a infração imposta pelo presente auto de infração, com fulcro no § 1o do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O valor exigido é de R$ 2.796,87 e decorre de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon. Desse valor assim obtido, como ali consta, existe a redução de 50%, em virtude da entrega espontânea da declaração, mas sempre respeitando o valor mínimo que deverá ser exigido (de R$ 200,00 ou de R$ 500,00 conforme o caso), bem como a data de vencimento. A Ficha 25B do Dacon, relativamente à apuração da Cofins do regime não cumulativo e cumulativo traz as seguintes informações quanto às linhas especificadas no lançamento: Fl. 138DF CARF MF 8 Tal qual apontado no Acórdão de Impugnação, o valor da base de cálculo da multa exigida no presente auto de infração é a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. A Recorrente entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado (Linha 18 da Ficha 25B). A Lei n° 10.833, de 2003, estabelece: Art. 30 . Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãode obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. No entanto, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Isso porque a retenção na fonte, no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, é considerada como antecipação do valor devido, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°: TRATAMENTO DOS VALORES RETIDOS Art. 7º Os valores retidos na forma do art. 2º serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. § 1º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. § 2º O valor a ser deduzido, correspondente a cada espécie de contribuição, será determinado pelo próprio contribuinte Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10980.724292/201106 Acórdão n.º 3302005.848 S3C3T2 Fl. 6 9 mediante a aplicação, sobre o valor bruto do documento fiscal, das alíquotas respectivas às retenções efetuadas. Uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo. Como visto, a infração em comento tem por fulcro o artigo 7° da Lei 10.246/2002, a pouco reproduzido. A conduta infracional tipificada não faz qualquer referência quanto à falta de recolhimento de tributo para a sua consecução. Logo, o recolhimento dos tributos não pode ser tomado como excludente de penalidade. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Jorge Lima Abud. Fl. 140DF CARF MF 10 Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
