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Numero do processo: 11516.720207/2011-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.050
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, por maioria de votos, sobrestar o processo até 29/12/2018, com a remessa dos autos à Unidade de Origem, que deve intimar desde já o contribuinte para que comprove, quando tiver conhecimento, o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que entenderam não ser necessário o sobrestamento do processo. O Colegiado decidiu apreciar o conhecimento do recurso da Procuradoria após o sobrestamento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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INDÚSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRÔNICA BRASILEIRA e FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, por maioria de votos, sobrestar o processo até 29/12/2018, com a remessa dos autos à Unidade de Origem, que deve intimar desde já o contribuinte para que comprove, quando tiver conhecimento, o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que entenderam não ser necessário o sobrestamento do processo. O Colegiado decidiu apreciar o conhecimento do recurso da Procuradoria após o sobrestamento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 20 20 7/ 20 11 -7 1 Fl. 2319DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.320 2 Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de auto de infração de IRPJ e CSLL quanto aos anos de 2006 a 2008, com imposição de multa de 75%, , sendo apuradas as seguintes infrações: (i) pagamento a pessoas físicas vinculadas; (ii) subvenções para custeio indevidamente identificada pelo contribuinte como subvenção para investimento; (iii) subvenções para custeio relativas à incorporada NOVA SOLUÇÕES EM INFORMÁTICA entre julho e dezembro de 2007); (iv) IRFonte por pagamento a beneficiários não identificados / pagamentos sem causa. Além disso, imposta multa isolada sobre estimativas mensais quanto aos meses de 2006, 2007 e 2008. O auditor fiscal ainda imputou juros de forma isolada quanto aos anos citados. (fls. 699/754). O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, que foi parcialmente acolhida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 SUBVENÇÃO ESTADUAL. INCENTIVOS FISCAIS. ISENÇÃO OU REDUÇÃO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal de isenção ou redução de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimento, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções correntes ou para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PARECERES NORMATIVOS. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA COMPLEMENTAR DE LEI. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL As orientações e definições contidas em atos normativos, por constituírem normas complementares da legislação tributária (art. 100 do CTN) e refletirem o entendimento da Administração Tributária, devem ser seguidas pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, nos termos do disposto no inciso V do art. 7º da Portaria nº 341, de 12/7/2011, do Ministro de Estado da Fazenda (disposição anteriormente constante no art. 7º da Portaria nº 58, de 17/3/2006, do Ministro de Estado da Fazenda). LUCRO REAL ANUAL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA MENSAL. EXIGÊNCIA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. POSSIBILIDADE. BASES DE CÁLCULO DISTINTAS. Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.321 3 A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. É possível a aplicação conjunta de multa isolada e multa de ofício vinculada ao tributo, vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas, além de serem determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. POSSIBILIDADE. Não há impedimento legal para o lançamento da multa isolada após encerrado o anocalendário. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da multa isolada pela falta de recolhimento do imposto estimado mensalmente é exatamente o montante deste tributo estimado que deixou de ser recolhido. Não está sujeita à limitação do imposto apurado no ajuste. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO DE JUROS DE MORA ISOLADOS, SOBRE ESTIMATIVAS MENSAIS NÃO RECOLHIDAS. INEXIGIBILIDADE POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL. A legislação tributária determina que a falta de recolhimento das estimativas mensais (de IRPJ e de CSLL), apurada em procedimento de ofício, enseja a aplicação (apenas) de multa isolada, não cabendo a cobrança de juros de mora isolados (de ofício) uma vez que, encerrado o anocalendário, não se lançam de ofício os valores representativos das antecipações de imposto/contribuição apurados pelo regime do lucro real anual. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no país e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase ao lançamento decorrente a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2321DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.322 4 Em síntese, a DRJ apenas julgou improcedente o lançamento quanto aos juros de mora lançados isoladamente. O contribuinte interpôs recurso voluntário, ao qual a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção deu provimento parcial, apenas para cancelar o lançamento do IRFonte e multa isolada. O acórdão tem a ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. Os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Estados caracterizamse como subvenções para investimento apenas quando concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico, de forma que tais benefícios fiscais não se enquadram em tal categoria quando sequer é possível se extrair tal intenção dos respectivos atos normativos e de concessão. Os estímulos fiscais, quando não atrelados a investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, revestemse das características próprias das subvenções correntes ou para custeio. DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NOVAS ALEGAÇÕES. PRECLUSÃO. Como decidido em primeira instância, o contribuinte não impugnou os fundamentos da autuação relacionada à despesa considerada indedutível, de maneira que se consolidou no âmbito administrativo. Novas alegações veiculadas em segunda instância não podem ser conhecidas em face da preclusão. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexo, em razão da íntima relação de causa e efeito. PAGAMENTO MENSAL DE IRPJ E CSLL. MULTA ISOLADA. A aplicação concomitante da multa isolada por falta de pagamentos mensais de IRPJ e CSLL e da multa de ofício pela falta de pagamentos dos mesmos tributos na apuração anual com base no lucro real não é admissível quando as multas incidem sobre uma mesma base imponível. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, sobre os quais incidem juros de mora calculados com base na taxa Selic, tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 4/12/12). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 EXCLUSÕES INDEVIDAS. NÃO IMPUGNAÇÃO. Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.323 5 Como decidido em primeira instância, o contribuinte não impugnou os fundamentos da autuação relacionada à despesa considerada indedutível, de maneira que se consolidou no âmbito administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 IRRF. BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS. COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO E RESPECTIVA CAUSA. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. A identificação, pela própria fiscalização, dos beneficiários dos pagamentos efetivados pela pessoa jurídica, infirma o lançamento a título de IRRF. De igual forma a comprovação da operação e a respectiva causa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. Afora as exceções legais (impossibilidade, por motivo de força maior, de apresentação oportuna; referência a fato ou direito superveniente; ou destinadas a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos), a defesa deve estar instruída com as respectivas provas que sustentem o direito afirmado pelo sujeito passivo. Em 21/07/2014, os autos foram remetidos à Procuradoria (fls. 1.640), que apresentou recurso especial em 05/08/2014 (fls. 1641). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito da multa isolada sobre estimativas mensais, indicando como paradigmas os acórdãos: 1202000.964 e 1302001.080. Pede assim seja mantida a multa isolada. O Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção admitiu o recurso da Procuradoria, conforme decisão cujos trechos são reproduzidos a seguir (fls. 1.666/1.668): Os acórdãos analisam a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento por estimativas cumulada com a multa de ofício, tendo os paradigmas entendido, ao contrário do acórdão recorrido, como aplicável a aplicação de ambas as multas. Os acórdãos paradigmas trazem o entendimento de que a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o imposto devido anualmente, pois decorre de previsão legal distinta. De outra parte, o acórdão recorrido diverge da interpretação dos acórdãos trazidos como paradigmas, ao entender inaplicável a multa isolada concomitante com a multa de ofício, quando as multas incidem sobre a mesma base imponível. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Observo, outrossim, que o lançamento, objeto do recurso voluntário, abrangeu os anoscalendário 2006 a 2008. Assim, pelo menos em princípio, a decisão recorrida estaria em consonância com a Súmula Fl. 2323DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.324 6 CARF. nº 105, com relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário 2006. Não obstante, tendo em vista que o acórdão recorrido não explicitou a legislação que fundamentou cada um dos anoscalendário lançados, incumbe ao colegiado da 1ª Turma da CSRF examinar a aplicabilidade da referida súmula à parte do lançamento. (...) Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II do Ricarf, e com base nas razões retro expostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O contribuinte, intimado em 01/04/2016 (fls. 1.676), apresentou contrarrazões ao recurso especial, pedindo não seja conhecido e, no mérito sejalhe negado provimento. Suas razões são sintetizadas a seguir: (i) O recurso especial não teria demonstrado analiticamente a divergência e, ainda, o acórdão recorrido estaria em consonância com Súmula CARF, impedindo conhecimento do recurso nos termos do artigo 67, §§ do RICARF; (ii) Sustenta, ainda, que não é devida a multa isolada concomitantemente com a multa de ofício. O contribuinte ainda apresentou recurso especial em que alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes (i) Incentivos estaduais, que entende tenham natureza jurídica de subvenção para investimentos, indicando como paradigmas os acórdãos: (i.a) 1101.00661 (i.b) 1202001.175; (ii) A dedutibidade de pagamentos a pessoas físicas vinculadas por ausência de irregularidades. O recurso foi admitido em parte (subvenção para investimento), conforme decisão do Presidente de Câmara: No que diz respeito ao tema (1) Incentivos fiscais Subvenções para investimento, a recorrente apresenta os acórdãos paradigmas n.1101 00.661(da 1ª Turma, da 1ª Câmara, da 1ª Seção, de 31/12/2012) e n.1202001.175 (da 2ª Turma, da 2ª Câmara, da 1ª Seção, de 29/07/2014). Anexou o inteiro teor dos paradigmas (efls.2111 a 2241).(...) O segundo paradigma n.1202001.175 ratifica a divergência e encontra assim ementado (...) Do cotejo entre acórdão recorrido e o primeiro paradigma apresentado, é possível constatar que naquele não basta que o Estado conceda o crédito presumido de ICMS a título de subvenção para investimento. Fazse mister a comprovação de sua aplicação na implantação ou expansão de empreendimentos econômicos predefinidos. Já no paradigma, devese levar em consideração a vontade do ente concedente. (...) Fl. 2324DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.325 7 2) Pagamentos a pessoas físicas vinculadas Indedutibilidade Além disso, a Recorrente não apresentou acórdão paradigma. Por conseguinte, não aponta divergências, e limitase apenas a rediscutir o tema, o qual teve sua discussão encerrada no acórdão do recurso voluntário. Neste sentido, não será conhecido recurso sem prequestionamento (art.67, §5º. do anexo II do RICARF) e que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente (art.67, §1º, do anexo II do RICARF), bem como, será definitivo o despacho que negar seguimento ao recurso especial por absoluta falta de indicação de acórdão paradigma proferido pelos Conselhos de Contribuintes ou pelo CARF (art.68, §3º do anexo II do RICARF). (...) Diante do exposto, com fundamento no art.67, do anexo II do RICARF, proponho que seja DADO SEGUIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, apenas em relação à matéria do tópico (1) Incentivos fiscais Subvenções para investimento. E concluo pela inexistência de divergência no que se refere à matéria constante do item (2) por ausência de prequestionamento e absoluta falta de indicação de paradigma. O contribuinte foi intimando quanto ao conhecimento parcial de seu recurso, em 03/11/2016, sem que tenha apresentado agravo (fls. 2277). A Procuradoria apresentou contrarrazões, pleiteando seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte, sem que tenha questionado o conhecimento (fls. 2297). É o relatório. Voto Questão de Ordem Primeiramente, esclareço que formularei proposta de resolução, mas antes da sua apreciação, analiso as condições de conhecimento do recurso especial do contribuinte. Ressalvo que não é caso de análise do conhecimento do recurso da Procuradoria, tanto porque não terá qualquer influência no sobrestamento, quanto porque não será decisão definitiva. Assim, proponho apenas a análise do conhecimento do recurso do contribuinte. O Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015) prescreve que: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) Fl. 2325DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.326 8 § 4º A decisão será em forma de resolução quando for cabível à turma pronunciarse sobre o mesmo recurso, em momento posterior. § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. Com efeito, esta Turma da CSRF terá competência para reapreciar eventualmente o conhecimento, quando proferir novo julgamento após o sobrestamento proposto em resolução. O §5º, do artigo 63, além de autorizar novo julgamento quanto aos temas examinados, legitima a análise de requisitos para conhecimento do recurso, em julgamento na presente oportunidade. De toda sorte, a competência desta Turma para apreciar proposta de resolução depende do conhecimento do recurso especial. Caso contrário, não sendo conhecido o recurso especial, não há razão jurídica para eventual resolução que sobreste o andamento processual. Diante disso, concluo pela análise do conhecimento do recurso do contribuinte antes da apreciação da proposta da resolução, lembrando que – caso acolhida a resolução – esta Turma novamente poderá avaliar o conhecimento no futuro, conforme previsão regimental. Conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte O recurso especial do contribuinte é tempestivo, tendo sido admitido pelo Presidente de Câmara quanto à matéria subvenção para investimento. A Procuradoria não questionou o conhecimento do recurso especial em suas contrarrazões. Nesse contexto, adoto as razões da Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial na matéria referida. Proposta de Resolução: O recurso especial do contribuinte trata dos incentivos fiscais estaduais (Paraná e Santa Catarina) como subvenção para investimento. Os incentivos fiscais foram assim tratados pelo acórdão recorrido, conforme voto do Relator – acolhido por maioria de votos da 3ª Turma da 1ª Câmara: Apesar de o Parecer Normativo CST nº 112/78 não ser de aplicação obrigatória pelos membros do CARF, ao contrário do que ocorre, por exemplo, no âmbito das DRJ, suas diretrizes, por auxiliarem na solução do litígio, não podem de pronto ser desconsideradas. Nos termos do art.38, §2º, do Decretolei nº 1.598/77, com a redação dada pelo Decretolei nº 1.730/79, Subvenções para Investimento não computadas na determinação do lucro real podem ser caracterizadas “...inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas Fl. 2326DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.327 9 como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”. Assim, quando decorrentes de incentivos tributários, exsurge a vinculação entre a sua concessão e o “estímulo” à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Ao conceder o benefício fiscal, não seria outra a intenção do ente federativo, senão fomentar em seu território o desenvolvimento econômico. Nesse contexto, pouco importa, para fins de aplicação da legislação do IRPJ e da CSLL, que um Estado, como forma de estimular a manutenção de um determinado empreendimento econômico, ao conceder redução ou mesmo isenção do ICMS, indique, no respectivo ato de concessão, que os respectivos valores que deixarem de ser carreados aos cofres públicos consistirão em “Subvenção para Investimento”. Conforme a legislação federal, para serem considerados como tais, devem necessariamente estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Inócuo, portanto, à solução da presente controvérsia, o fato de o Estado do Paraná, no Decreto nº 1.922/11, ter disposto que o crédito presumido de ICMS seria concedido a título de Subvenção para Investimento. Considerando a gama de incentivos fiscais concedidos pelos entes federativos a título de crédito presumido de ICMS, é um equívoco considerálos, ampla, geral e irrestritamente, para fins da legislação do IRPJ e da CSLL, como Subvenções para Investimento. As particularidades do caso concreto, e a aplicação do Direito dele não se divorcia, é que informam a natureza jurídica de tais estímulos tributários estaduais quando se busca a adequada incidência da legislação federal. (...) In casu, os benefícios fiscais foram concedidos por Santa Catarina e Paraná, fazendose necessário analisar os respectivos atos concessórios. Quanto ao Estado de Santa Catarina, a fiscalização, no item 6 do “Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal” (“As legislações estaduais que concedem os incentivos”), reproduziu o art.143 do Decreto nº 2.870/2001 (Regulamento do ICMS): (...) Nos Pareceres que propuseram o deferimento do crédito presumido (fls.479/497), notase a concessão do aproveitamento do crédito em percentuais distintos, a depender do cumprimento ou não das disposições da Lei federal nº 8.248/91. Vejamos que até mesmo poderseia conceder crédito presumido tomando por base a saída de produtos de informática que não atendessem a tais disposições. Além disso, a concessão do benefício condicionavase à manutenção dos índices de atividade econômica, sem apelo à implantação ou expansão de empreendimento. In verbis: (...) Quanto ao crédito presumido de ICMS do Estado do Paraná, o Decreto nº 5.375/02, que introduziu alterações no Regulamento do ICMS, dispôs: (...) De igual forma, o crédito presumido de ICMS, concedido pelo Estado do Paraná, condicionavase ao preenchimento de determinados Fl. 2327DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.328 10 requisitos, especificamente quanto ao atendimento das disposições da Lei Federal n. 8.248, de 23 de outubro de 1991, entre as quais a realização de investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação (art.11). Postos os atos de concessão estaduais, importa, como já antecipado, identificar o tratamento conferido pela legislação do IRPJ e da CSLL a tais incentivos locais. (...) Com a devida vênia a entendimentos contrários, não pode ser absoluto o entendimento de que bastaria identificar a mera intenção de o Estado conceder os créditos presumidos com o objetivo de fomentar investimentos. Para fins da legislação do IRPJ e da CSLL, repitase, fazse necessário haver a contrapartida, por exemplo, em expansão do empreendimento econômico. (...) Considerando que os gastos realizados em pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação seriam obrigatórios para o gozo da redução do IPI devido (Lei nº 8.248/91), o dispêndio de R$ 7.553.700,00 não consistiu em contrapartida vinculada aos créditos presumidos de ICMS, pois tais aplicações seriam realizadas independentemente dos benefícios estaduais. Também da comparação entre os valores de crédito presumido e todas as imobilizações ocorridas entre janeiro/2006 e dezembro/2008, notase uma diferença de R$56.750.378,88 (fls.674/675). Ainda assim, não é possível afirmar, pelas provas carreadas aos autos (fls.257/414), que se trataram necessariamente de investimentos previstos na implantação ou expansão de empreendimentos econômicos do contribuinte. Também não se pode extrair dos dispositivos normativos estaduais a intenção de os Estados terem concedido os benefícios fiscais para necessariamente verem implantado ou expandido, em seu território, determinado empreendimento econômico do contribuinte. (...) A subvenção para investimento é regrada pelo artigo 443, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. No caso destes autos, tratase de benefício estadual, regulado pelas normas estaduais acima referidas. Fl. 2328DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.329 11 Ocorre que foi recentemente aprovada a Lei Complementar nº 160/2017, que alterou a Lei nº 12.973/2014, inserindo os §4º e §5º ao artigo 30. O artigo 30 restou assim expresso em sua integralidade: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2º As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1º ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3º Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4 º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5 º O disposto no § 4º deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) Fl. 2329DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.330 12 As novas regras, estabelecidas pela Lei Complementar nº 160, portanto, tem efeitos retroativos para aplicação aos processos administrativos pendentes, para que se considerem subvenções para investimento os benefícios concedidos pelos Estados e Distrito Federal, na forma do artigo 155, II, da Constituição Federal, sem a exigência de requisitos não previstos no próprio artigo 30. Remanesce, quando concedido benefício na forma do artigo 155, II, a exigência de cumprimento dos requisitos do caput do artigo 30, quais sejam: (i) intenção do Estado da em estimular a implantação e expansão de empreendimentos (ii) registro em reserva de lucros. Vale lembrar, ainda, a previsão do artigo 155, II, §2º, inciso XII, alínea g, da Constituição Federal: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (...) XII cabe à lei complementar: (...) g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados. A Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 155, desde que atendidas exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, nos termos dos artigos 10 e 3º: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar.” Art. 3º O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos Fl. 2330DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.331 13 incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1º O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2 º A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3º Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4º A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos Fl. 2331DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.332 14 incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5º O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6º As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7º As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais referidos no § 2º deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazoslimites de fruição. § 8º As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2º, enquanto vigentes. Diante de tais exigências, foi editado o Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, que estabelece procedimento para reconhecimento dos benefícios fiscais: Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. Fl. 2332DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.333 15 § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. O prazo para o atendimento aos requisitos está tratado pela Cláusula Terceira do Convênio: Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Após a publicação dos atos normativos no diário oficial do Estado, como prevê o inciso I, da Cláusula Segunda, e o registro destas normas perante o CONFAZ, como estabelece o inciso II, a publicação será disponibilizada pelo próprio Portal Nacional da Transparência Tributária no prazo de 30 dias, como estabelece a Cláusula Quinta: Cláusula quinta A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. Os citados prazos ainda não decorreram com relação aos benefícios fiscais tratados nestes autos. Ademais, pondero que não há notícias de registro e disponibilização das normas relacionadas ao citado benefício fiscal no sítio do CONFAZ. Fl. 2333DF CARF MF Processo nº 11516.720207/201171 Resolução nº 9101000.050 CSRFT1 Fl. 2.334 16 Não obstante isso, há regras claras sobre a aplicação da Lei Complementar aos processos em curso e, ainda, definidora de prazos para publicação das normas (pelo Estado) e registro perante o CONFAZ até 28/12/2018. Nesse contexto, em processos similares ao presente, decidiu esta Turma da CSRF pelo sobrestamento do processo, com a baixa dos autos à unidade de origem (Resoluções nº 9101000.039, 9101000.042 e 9101000.043). Com efeito, a providência revelase cautelosa, na medida em que a própria Lei Complementar nº 160/2017 prevê a sua aplicação aos processos em curso. Assim, é razoável aguardar as providências pelos Estados da Federação para, desta forma, assegurar a aplicação regular das disposições da LC 160 e Convênio ICMS acima citados, A despeito da falta de previsão expressa para suspensão do processo administrativo no Decreto nº 70.235/1972 e RICARF (Portaria MF 343/2015), o sobrestamento é autorizado pelo Código de Processo Civil, verbis: Art. 313. Suspendese o processo: (...) V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; Diante disso, voto pelo sobrestamento do processo até 29/12/2018 dia seguinte ao prazo definido pela Cláusula Quarta acima referida , com a remessa dos autos à unidade de origem, que deve intimar desde já o contribuinte para que comprove, quando tiver conhecimento, o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. Conclusão: Pelas razões expostas, conheço do recurso especial do contribuinte, propondo o sobrestamento do processo até 29/12/2018, com a remessa dos autos à unidade de origem, que deve intimar desde já o contribuinte para que comprove, quando tiver conhecimento, o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. Voto, ainda, pela análise do conhecimento do recurso especial da Procuradoria quando retornar o processo a este Colegiado. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000515/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista.
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO.
O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.136
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. Recorrente SORANA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 05 15 /2 01 0- 45 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 12585.000515/201045 Acórdão n.º 3302005.136 S3C3T2 Fl. 3 2 Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ/FOR, que manteve a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento formulado pela contribuinte recorrente, relativo a crédito de PIS/PASEP não cumulativo/mercado interno, vinculado a receitas tributadas à alíquota 0(zero) no mercado interno. O despacho decisório estava assim ementado: AQUISIÇÃO PARA REVENDA. MÁQUINAS, VEÍCULOS E AUTOPEÇAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO. Não geram créditos as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica ainda que a pessoa jurídica adquirente esteja sujeita à nãocumulatividade e que a sua respectiva receita de venda seja sujeita à alíquota zero. (art. 3º, I, b, c/c o art. 2º, §1º, III e IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003) Cientificado do decisório o contribuinte manifestou inconformidade na qual pede o crédito de ressarcimento, com base nas seguintes razões: · Como se passaram mais de cinco anos entre a apresentação do PER e a ciência do Despacho Decisório, não caberia mais à Administração Tributária denegar o crédito pleiteado, devendo ser ele reconhecido tacitamente, por força do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 37, §5º, da Constituição Federal); · O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, possibilita o creditamento que gera a existência do crédito pleiteado. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 12585.000515/201045 Acórdão n.º 3302005.136 S3C3T2 Fl. 4 3 A 4ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 08033.399. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.113, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 12585.000491/201024, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.113): "O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Como dito anteriormente, estamos diante de Recurso Voluntário que insurgise contra a decisão da DRJ de Fortaleza, que manteve o indeferimento de suposto crédito em favor da contribuinte recorrente, relacionados a crédito de COFINS nãocumulativa/mercado interno, vinculado a receita tributadas com alíquota 0 (zero), referente ao 3º trimestre de 2004, bem como a inexistência da figura da homologação tácita de pedido de restituição/ressarcimento realizado por contribuintes. I Pedido de Ressarcimento. Homologação Tácita Sustenta a contribuinte que teria ocorrido a homologação tácita do crédito objeto do pedido de ressarcimento, tendo em vista ter transcorrido o prazo quinquenal, previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Pois bem. A Lei n. 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei n. 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que é aplicável aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. No regime acima referido, a extinção do crédito tributário se dá de forma tácita após o decurso do prazo de 5 anos, nos exatos termos do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, conforme podemos observar abaixo: Fl. 263DF CARF MF Processo nº 12585.000515/201045 Acórdão n.º 3302005.136 S3C3T2 Fl. 5 4 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administradas por aquele órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (Redação dada pela Medida Provisória n. 135, de 2003, depois convertida na Lei n. 10.833/2003). Conforme podemos observar, o prazo de 5 anos para a homologação tácita não diz respeito aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato de os pedidos de ressarcimento/restituição serem transmitidos pelo mesmo sistema em que é feita a transmissão dos pedidos de compensação não autorizam a necessidade de se obedecer tal prazo pelo Fisco. Vale dizer, nos pedidos de ressarcimento/restituição não existe a extinção de uma dívida tributária, o que se visa com tal procedimento é o reconhecimento de um direito do contribuinte. Para que o pedido de ressarcimento/restituição seja deferido, fazse necessária a comprovação de sua existência por parte do contribuinte, não havendo a comprovação não ha que se falar em homologação, muito menos em homologação tácita. Desta forma, pela necessidade de haver a contribuição direta do contribuinte em sua comprovação, não existe prazo legal para que o fisco reconheça ou não a existência dos créditos sobre os quais recaia o pedido de ressarcimento/restituição. Nesse sentido, peço vênia para transcrever parte do voto do I. Conselheiro Jorge Olmiro Loch Freire, no Acórdão nº 3402004.569, que tratou da mesma matéria, vejamos: " (...) Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, Fl. 264DF CARF MF Processo nº 12585.000515/201045 Acórdão n.º 3302005.136 S3C3T2 Fl. 6 5 sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação (...)". A contribuinte recorrente alega que a autoridade fiscal deveria obedecer os prazos previstos no Decreto nº 70.235, e no § 5º do art. 24 da Lei n. 11.457/2007 para apreciar o seu pedido de ressarcimento. É o texto do mencionado artigo: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos). Da simples leitura do dispositivo transcrito, seja por sua redação, seja por estar inserido no Capítulo II da Lei n. 11.457/2007 que trata sobre as regras as serem observadas pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quando esta for parte em litígios tributários, concluise que o prazo reclamado pela contribuinte não é pertinente, já que o prazo previsto se aplica para os julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pela contribuinte. E tal conclusão parte da premissa que o legislador não economiza e também não apresenta em opulência os termos contidos na lei e, portanto, quando estipula o prazo de 360 dias, o fez a contar da apresentação de petições, defesas e recursos administrativos, e não incluiu os pedidos de ressarcimento/ restituição. Desta forma, não se acolhe o pleito da contribuinte recorrente quanto a possibilidade de existência de suposta homologação tácita do pedido de ressarcimento/restituição. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 12585.000515/201045 Acórdão n.º 3302005.136 S3C3T2 Fl. 7 6 II Tributação Monofásica e a Impossibilidade de Apuração de Crédito de PIS/COFINS A Lei 10.485/02, com a redação dada pela Lei nº 10.865/04, instituiu regime de tributação monofásico da contribuição supracitada. O modelo foi implementado com a fixação de alíquota majorada para fabricantes e importadores de máquinas e veículos nas classificações indicadas e aplicação da alíquota de 0% (zero por cento) quando da ocorrência da venda desses produtos por parte dos revendedores, ou seja, dos comerciantes atacadistas ou varejistas. As Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 trouxeram situações que devem ser observadas a tributação nãocumulativa em relação à contribuição para o PIS e COFINS, respectivamente. Entretanto, no caso dos produtos sujeitos ao recolhimento na sistemática monofásica, quando adquiridos para revenda, não há direito a crédito, por expressa vedação legal, nos exatos termos do art. 3o , inciso I, alínea "b” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 10.865/04, que estabelece expressamente que não darão direito a crédito, as mercadorias e produtos referidos no § 1º, do artigo 2º, das mencionadas leis, quando adquiridas para revenda. Desta forma, adquirindo a contribuinte para revenda máquinas e veículos nas classificações destacadas, não poderá se creditar, para fins de apuração do PIS e da COFINS nãocumulativa, dos custos de aquisição dos referidos produtos. Para melhor compreensão transcrevemos os artigos pertinentes das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, com a redação dada pela Lei nº 10.865/04: Lei nº 10.637/02 Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12585.000515/201045 Acórdão n.º 3302005.136 S3C3T2 Fl. 8 7 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; Lei nº 10.833/03 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:[...] b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei;[...] Segundo as alegações da contribuinte recorrente o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, quando determina que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, este teria autorizado o creditamento pretendido. No entanto, quando nos debruçamos para analisar o artigo acima citado, é fácil perceber que não é possível sustentar a conclusão utilizada pela contribuinte, vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O referido artigo, como se observa, é uma regra geral, que coexiste, sem qualquer incompatibilidade, com as vedações de creditamento constantes de regras específicas, referentes a situações específicas (tais como a “tributação Fl. 267DF CARF MF Processo nº 12585.000515/201045 Acórdão n.º 3302005.136 S3C3T2 Fl. 9 8 monofásica” e as aquisições de bens não tributados); notese que o art. 17 fala em “manutenção” de créditos, no entanto, por força da referida vedação legal, esses créditos sequer existem. Salientese que também é essa a posição sustentada pelo STJ, conforme observase do julgado colacionado a seguir: AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.109.354 SP (2017/01242898) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES AGRAVANTE : RIZATTI & CIA LTDA ADVOGADOS : JOSÉ LUIZ MATTHES SP076544 FABIO PALLARETTI CALCINI E OUTRO(S) SP197072 LUÍS ARTUR FERREIRA PANTANO SP250319 AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. PIS E COFINS. ART. 17 A LEI Nº 11.033/2004. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Nos termos da jurisprudência esta Corte, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004 não possui aplicação restrita ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO (STJ, AgRg no REsp 1.433.246/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 02/04/2014; REsp 1.267.003/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 04/10/2013). Contudo, a incompatibilidade entre a apuração de crédito e a tributação monofásica já constitui fundamento suficiente para o indeferimento da pretensão do recorrente. Nesse sentido: STJ, AgRg no REsp 1.239.794/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 23/10/2013. 2. É que a incidência monofásica do PIS e da COFINS não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Precedentes: AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler. Primeira Turma, julgado em 18/12/2012. DJe 04/02/2013; AgRg no REsp 1.227.544/PR. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 17/12/2012: AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/05/2012; AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/05/2012. 3. Agravo interno não provido. ACÓRDÃO Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12585.000515/201045 Acórdão n.º 3302005.136 S3C3T2 Fl. 10 9 Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." A Sra. Ministra Assusete Magalhães (Presidente), os Srs. Ministros Herman Benjamin e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília (DF), 05 de setembro de 2017. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator Desta forma, com base em todos os ensinamentos e julgado acima relacionados, entendo que não há como garantir o ressarcimento/restituição pretendido pela contribuinte recorrente. II Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto, negarlhe provimento, mantendose em sua totalidade a decisão de piso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, ressalvada a minha posição pessoal pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907374/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.294
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/07/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 73 74 /2 01 0- 19 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.907374/201019 Acórdão n.º 3201003.294 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.405, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.907374/201019 Acórdão n.º 3201003.294 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.907374/201019 Acórdão n.º 3201003.294 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.907374/201019 Acórdão n.º 3201003.294 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720009/2006-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. DÉBITO VENCIDO DE PERÍODO ANTERIOR À FORMAÇÃO DO CRÉDITO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF RETIFICADORA E COMPENSADO COM VALOR DE SALDO NEGATIVO APURADO POSTERIORMENTE. LEGALIDADE.
É plenamente lícita a utilização de crédito oriundo de saldo negativo de ano-calendário posterior para quitar débito vencido de período anterior à sua formação, declarado por meio de DCTF retificadora, apresentada após sua devida apuração.
SOFTWARE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INSTRUÇÕES DE UTILIZAÇÃO E AJUDA. FERRAMENTA DESPROVIDA DE NATUREZA DE VEÍCULO NORMATIVO E DISPOSIÇÕES QUE NÃO AFIGURAM REGRA JURÍDICA.
As instruções contidas nos softwares da Receita Federal do Brasil, dirigidas ao seus usuários para auxiliá-los e esclarecer procedimentos de preenchimento de declarações, não têm natureza de norma ou regra jurídica de qualquer hierarquia, não podendo fundamentar proibições ou limitações a direito dos contribuintes previsto em Lei e efetivamente regulado por normativos infralegais.
Numero da decisão: 1402-002.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do saldo negativo de 2007 na quitação de estimativas devidas em anos anteriores e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar com análise da procedência do crédito de R$ 2.947.783,90.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DÉBITO VENCIDO DE PERÍODO ANTERIOR À FORMAÇÃO DO CRÉDITO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF RETIFICADORA E COMPENSADO COM VALOR DE SALDO NEGATIVO APURADO POSTERIORMENTE. LEGALIDADE. É plenamente lícita a utilização de crédito oriundo de saldo negativo de ano-calendário posterior para quitar débito vencido de período anterior à sua formação, declarado por meio de DCTF retificadora, apresentada após sua devida apuração. SOFTWARE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INSTRUÇÕES DE UTILIZAÇÃO E AJUDA. FERRAMENTA DESPROVIDA DE NATUREZA DE VEÍCULO NORMATIVO E DISPOSIÇÕES QUE NÃO AFIGURAM REGRA JURÍDICA. As instruções contidas nos softwares da Receita Federal do Brasil, dirigidas ao seus usuários para auxiliá-los e esclarecer procedimentos de preenchimento de declarações, não têm natureza de norma ou regra jurídica de qualquer hierarquia, não podendo fundamentar proibições ou limitações a direito dos contribuintes previsto em Lei e efetivamente regulado por normativos infralegais.
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DÉBITO VENCIDO DE PERÍODO ANTERIOR À FORMAÇÃO DO CRÉDITO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF RETIFICADORA E COMPENSADO COM VALOR DE SALDO NEGATIVO APURADO POSTERIORMENTE. LEGALIDADE. É plenamente lícita a utilização de crédito oriundo de saldo negativo de ano calendário posterior para quitar débito vencido de período anterior à sua formação, declarado por meio de DCTF retificadora, apresentada após sua devida apuração. SOFTWARE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INSTRUÇÕES DE UTILIZAÇÃO E AJUDA. FERRAMENTA DESPROVIDA DE NATUREZA DE VEÍCULO NORMATIVO E DISPOSIÇÕES QUE NÃO AFIGURAM REGRA JURÍDICA. As instruções contidas nos softwares da Receita Federal do Brasil, dirigidas ao seus usuários para auxiliálos e esclarecer procedimentos de preenchimento de declarações, não têm natureza de norma ou regra jurídica de qualquer hierarquia, não podendo fundamentar proibições ou limitações a direito dos contribuintes previsto em Lei e efetivamente regulado por normativos infralegais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do saldo negativo de 2007 na quitação de estimativas devidas em anos anteriores e determinar o retorno dos autos à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 09 /2 00 6- 07 Fl. 915DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 916 2 Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar com análise da procedência do crédito de R$ 2.947.783,90. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 916DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 917 3 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 865 a 912) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Florianópolis/SC (fls. 850 a 859) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 827 a 837), mantendo integralmente o r. Despacho Decisório (fls. 786 a 821), que homologou apenas parcialmente o crédito de IRPJ e CSLL pleiteado pela Contribuinte, por meio de DCOMPs (fls. 1 a 281). Em suma, as compensações sob análise são referentes a saldo negativo apurado no anocalendário de 2005 pela Recorrente, formado por IRRF e estimativas mensais. Confirase nos quadros abaixo as DCOMPs objeto do presente processo: Fl. 917DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 918 4 Os débitos objeto das DCOMP descritas no quadro acima são os seguintes: (fls. 787 a 788) Fl. 918DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 919 5 Doravante, adotase o preciso e completo relatório da DRJ a quo, que também pormenoriza o conteúdo do r. Despacho Decisório (Parecer SAORT) que inaugurou a contenda: Em análise do pleito, a autoridade recorrida proferiu o Despacho Decisório de f. 560, no qual reconheceu, em parte, o direito creditório pleiteado, nos seguintes montantes: Além disso, indeferiu os Pedidos de Cancelamento de nºs 06754.07259.310708.1.8.026379 e 36095.00765.310708.1.8.02 8414. No Parecer Saort/DRF/Blumenau n° 27212008, consta, em síntese, a seguinte fundamentação: DA COMPENSAÇÃO Como será exposto em item especifico ("DA INSTRUÇÃO DO PROCESSO .), a Intimação Fiscal n° 292/08, às fls. 406/407, foi expedida em 30/06/2008, com ciência da contribuinte em 03/07/2008 ("AR" à fl. 408). Em 03/07/2008, portanto, configurouse o marco temporal correspondente à intimação inicial para apresentação de documentos probatórios das compensações efetuadas pela interessada tendo em vista a vinculação das mesmas aos créditos pleiteados no processo em epígrafe. Conforme já registrado, entretanto, a requerente transmitiu os Pedidos de Cancelamento de 06754.07259.310708.1,8.026379 e 36095.0065.310708.1.8.028414 em 31/07/2008; agiu, pois, de forma intempestiva, uma vez que não tomou em consideração o marco temporal mencionado no parágrafo anterior, 03/07/2008. Por conseguinte, nos termas do parágrafo único do artigo 62 da IN SRF n° 600/2005, há que se indeferir os Pedidos de Cancelamento de nºs 06754.07259310708.1.8.026379 e 36095.00765.310708.1.8.018414, persistindo a análise das DCOMP relacionadas, às fls. 89/108 e 157/164. [...] DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) [...] Conforme registrado no PER/DCOMP de n°1053034282.1101.7.022803, à fl. 04, e na DIPJ 2006, à fl. 329, à fl. 329, a interessada informa ter havido retenção de IRPJ pela fonte pagadora de CNPJ 07.712535/000134, Bunge Fl. 919DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 920 6 Alimentos Participações Ltda., com código de receita 3426 (Aplicações Financeiras de Renda Fixa), no montante de R$ 1.416.316,66. [...] Para que a pretensão da interessada pudesse ser acolhida, seria necessária a comprovação inequívoca da retenção de IR na fonte no valor alegado; a pesquisa realizada no sistema SIEF/DIRF, entretanto, confirma apenas a retenção referente ao período 1212005, no valor de R$ 723.013,97, como se pode verificar pela tela de consulta à fl. 382. [...] Contudo, trazidos os documentos previstos em lei, ainda persiste a necessidade de se comprovar o devido oferecimento dos respectivos rendimentos financeiros à tributação na apuração do lucro real. [...] Neste contexto, emitiuse a Intimação Fiscal n° 357/08, de 12/08/2008, à fl. 615, com ciência da requerente na mesma data; Cá a reprodução do quesito contido nesta Intimação: "Apresentar cópias autenticadas dos extratos do Livro Razão nos quais constem os lançamentos das receitas das aplicações financeiras correspondentes aos 1RRF que integram os saldos negativos pleiteados no mencionado processo; apresentar cópias autenticadas dos termos de abertura e encerramento do Livro em tela." Em 22/08/2008, a interessada apresentou um CD (Compact Disk) contendo, segundo a mesma, "o razão das contas de receitas financeiras nas quais constam os lançamentos das receitas decorrente (sic) de aplicações financeiras correspondentes (sic) ao (sie) IRRF que integram o saldo negativo do anocalendário de 2005." Os extratos do Livro Razão não foram apresentados; o arquivo digital enviado, "Razão conta receitas financeiras — 5900 953.xls", não relacionou as receitas financeiras de forma adequada; houve referência a apenas uma conta contábil ("CD_CONTA_CONTÁBIL 953"; "NM CONTA_COlVTABIL V.M S/ADTO MP2). Não foi possível, pois, a constatação da efetiva oferta à tributação dos receitas financeiras que propiciaram as retenções de IR. Considerandose o atendimento inadequado ao quesito da Intimação Fiscal n° 357/08, a contribuinte foi novamente interpelada por meio da Intimação Fiscal n° 447108, de 22/09/2008, à fl. 617, com ciência da interessada em 25/09/2008 ("AR" à fl. 618). Os extratos do Livro Razão, novamente, não foram apresentadas. Por meio do quesito encerrado no item 1.3 da Intimação Fiscal n° 447/08, solicitouse: Fl. 920DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 921 7 "planilha eletrônica que identifique os lançamentos das receitas das aplicações financeiras correspondentes aos IRRF que integram os saldos negativos requeridos no processo em epígrafe." É de se destacar o fato de que a interessada fora previamente cientificada dos efeitos decorrentes do nãoatendimento aos quesitos da Intimação Fiscal no 447/08, nos termos do trecho abaixo transcrito: "O atendimento integral no prazo citado no 'caput' desta Intimação, dos quesitos acima formulados, é de caráter obrigatório para fins de análise do pleito. Caso a presente Intimação não seja cumprida integralmente no prazo estipulado, os créditos relativos aos quesitos acima serão não reconhecidos, nos termos do art. e da Instrução Normativa SRF n°600, de 28/12/2005." A contribuinte, contudo, não atendeu à Intimação em tela, e tampouco apresentou pedido de prorrogação do prazo concedido (10 dias). [...] Diante do exposto, considerandose que caberia á interessada apresentar os documentos necessários à comprovação do seu direito à restituição e de sua certeza e liquidez para fins de compensação, efetuouse a glosa integral do montante de 1RRF deduzido no anocalendário 2005 e informado na D1PJ 2006. Em outras palavras, foram glosados os montantes de IRRE utilizados na linha 07 da ficha 11 (IR mensal por estimativa), RS 2.951236,67, e na linha 13 da ficha 12A (IR sobre o lucro real), R$ 1251467,89. DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA [...] A dedução de IRRF na apuração do IR mensal por estimativa, no montante de R$ 2.953.236,67. já foi analisada Logo, do total deduzido a titulo de IR mensal por estimativa, RS 60,757.767,47, informado na linha 17 da ficha 12A da D1PJ 2006, à fl. 311, resta a comprovação da importância de R$ 57.804.530,80, correspondente às estimativas de IR apagar. [...] Débito IRPJ 01/2005. A contribuinte apurou IR a pagar em janeiro no valor de R$ 8.149.441.33. [...] A interessada assinalou a compensação do valor de RS 2.947.783,90 com saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, indicando o PERDCOMP de n° 37669.38365.300908.1.3.02 5777. Este pedido eletrônico. todavia, corresponde ao saldo Fl. 921DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 922 8 negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2007, conforme extrato à 620. Logo, o crédito utilizado nem sequer existia à época da apuração da estimativa mensal de IRPJ. Eis o que dispõe um excerto da "Ajuda" do PGD PER/DCOMP 3.3: "Ficha Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores" (...) A ficha "Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores" deverá ser preenchida com os dados relativos à(s) estimativa(s) mensal(is) de IRPJ apurada(s) no período a que se refere asa/do negativo deIRPJ objeto do Pedido Eletrônico de Restituição ou da Declaração de Compensação, conforme informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), que foi(ram) total ou parcialmente compensada(s) pela pessoa jurídica com o saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores." (grifouse) A instrução é clara: nesta ficha, só existe possibilidade de compensação com "saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores"; não há pois, que se argüir factível a compensação com saldo negativo apurado em períodos posteriores. Portanto, neste caso, não há que se falar em existência de credito liquido e certo capaz de extinguir aparecia de R$ 2.947.783,90 do débito IRPJ 01/2005. Inconformada com o Despacho Decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de f. 659 a 669, na qual alega, em síntese, que: Dos pedidos de cancelamento O pedido de cancelamento não pode ser indeferido, posto que o procedimento adotado pela impugnante foi espontâneo, na medida em que o valor referente à compensação cancelada, na verdade, já estava declarado e foi compensado imediatamente com outro crédito, tendo em vista as retificadoras transmitidas. Da glosa do valor de 1RRF no valor de R$ 693.302,97 Não pode a requerente ser prejudicada por erros e equívocos cometidos pela fonte pagadora na apresentação de sua DIRF, até mesmo de falta de recolhimento do tributo informado; Não pode o Sr. AFRFB confundir o fato de serem empresas do mesmo grupo econômico, na medida que tem administração diferentes a até mesmo sedes distintas. Cada uma tem suas responsabilidades fiscais e devem responder por isto. Dos valores de IRRF no valor de R$ 2.953.236,67 (IR mensal por estimativa) e de R$ 3,253.467.89 (IR/Lucro Real) Fl. 922DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 923 9 Inicialmente, cabe ponderar que a impugnante não recebeu, ou houve extravio, da Intimação n° 447108 (f. 617/618), razão pela qual não teve conhecimento que permitisse atender a intimação; Independentemente deste fato, verificase da planilha constante no CD anexado, a informa4o referente às contas contábeis dos lançamentos das receitas financeiras oferecidas à tributação do IRPJ, extraídas do Livro Razão já acostados (vide Termo de Anexação de Objeto às f. 621) aos presentes autos como reconhecido pelo Sr. AFRFB, bem como os demais documentos em atendimento à Intimação n° 292/08 às E 410/511 (cópia LAL1JR), 5121562 (cópia Livro Diário), 563/599 (Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte) e 602/609 (Declaração relativa às retenções de IR no anocalendário 2005) e 610 (Declaração relativa às retenções de IR no anocalendário 2005); O referido CD contém três planilhas, sendo uma relativa ao "Rendimento Bruto X Razão", uma das "contas de receita" e a última da "Composição dos Informes de Rendimento", que podem ser aferidos através dos documentos e arquivos constantes dos autos; A planilha "contas receitas" demonstra claramente que todas as receitas foram levadas ao resultado, contendo as respectivas contas contábeis demonstradoras de que os mesmos foram oferecidos à tributação, inclusive, com excedente, confirmadas pela planilha "Composição dos Informes de Rendimentos" e relativa ao "Rendimento Bruto X Razão". Da compensação do valor de R$ 2.947.78190 do débito IRPJ 01/2005 com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 O entendimento não pode ser indeferido, posto que inexiste fundamentação legal para a não homologação da compensação levada a efeito pela impugnante, notadamente porque à época vigia a IN SRF 600/05, e em seu art. 26 e parágrafos não há a vedação invocada pelo Sr. AFRFB. Do crédito_para compensação do débito de IRRI do período de apuração abril/2006 conforme DCOMP 13292.40584.100908.1.7.023649 Considerando o acima exposto, havia saldo negativo suficiente para quitar a obrigação tributária, tornandose sem efeito a homologação parcial, transformandoa em total. Devidamente encaminhado os autos à 3ª Turma de Julgamento da DRJ/FNS, foi proferido o v. Acórdão ora recorrido, rejeitando totalmente a Manifestação de Inconformidade apresentada, ementado da seguinte forma: Fl. 923DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 924 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO. IRRF. COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ demanda, entre outros requisitos, a demonstração de que o imposto retido levado à dedução na sua apuração, corresponde a rendimento que foi regularmente oferecido à tributação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS DE VALIDADE. A compensação pressupõe, para além da existência de créditos liquidas e certos, a observância dos requisitos regulamentares. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, basicamente repisando as mesmas alegações de sua primeira defesa, abrangendo as matérias referentes à improcedência da glosa do crédito referente ao IRRF glosado, da compensação da estimativa de janeiro de 2005 com saldo negativo do anocalendário de 2007 e da impropriedade da negativa do cancelamento de duas das suas DCOMPs. Na sequência, os autos foram retornaram para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 925 11 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como se observa, a controvérsia que permanece na presente contenda resumese: 1) à suposta ausência de comprovação de oferta à tributação dos rendimentos objeto de incidência do IRRF que formou o saldo negativo do anocalendário de 2005; 2) à não homologação da compensação de parte do saldo a pagar de IRPJ (estimativa mensal) referente ao mês de janeiro de 2005, por ter a Contribuinte quitado este débito por meio da DCOMP nº 37669.38365.300908.13025777, valendose de crédito oriundo de saldo negativo do anocalendário de 2007 para tanto; e 3) ao indeferimento do cancelamento das DCOMPs n° 09779.64583.140306.1.3.027058 e 09996.55355.141206.1.3.028697, sob os números de cancelamento 06754.07259.310708.1.8.026379 e 36095.00785310708.1.8.02841. Analisando tais matérias e a motivação dos decisórios proferidos nestes autos (r. Despacho Decisório e v. Acórdão recorrido), temos que um desses temas é potencialmente prejudicial à analise do resto da demanda. Nesse sentido, a não homologação da compensação de parte da estimativa mensal de IRPJ do mês de janeiro de 2005, por meio da DCOMP nº 37669.38365.300908.13025777 deuse por motivação de inconformidade (inobservância dos requisitos regulamentares) do procedimento da Recorrente. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 926 12 Melhor esclarecendo, em 21/10/2008, antes da prolatação do r. Despacho Decisório, a Contribuinte retificou a sua DCTF mensal de janeiro de 2005, informando débito de estimativa na monta total de R$ 8.149.441,33, quitando o valor R$2.947.783,90 desse débito global por meio de tal compensação (fls. 768). Posto isso, verificando a formação do saldo negativo do anocalendário de 2005, especificamente as estimativa saldada em janeiro de 2005, a Autoridade Tributária local glosou esse valor de R$2.947.783,90, por entender sumariamente que não poderia a Contribuinte ter se valido de saldo negativo de 2007 para quitar débito de 2005, posto que tal crédito não existia e não possuiria certeza e liquidez ao tempo do vencimento da obrigação de pagar a estimativa. Confirase a fundamentação do r. Parecer que fundamenta o r. Despacho Decisório: Conforme extrato DCTF às fls. 335/342, parte das estimativas de IRPJ apuradas na ficha 11 da DIPJ 2006 foi recolhida em Darf, parte compensada com saldo negativo de períodos anteriores e parte compensada com créditos relativos a outros tributos, nos termos dos parágrafos seguintes. Débito IRPJ 0112005. A contribuinte apurou IR a pagar em janeiro no valor de R$ 8.149.441,33. O valor do principal recolhido em Darf, R$ 53,01, foi confirmado pelo sistema SINAL09, conforme extrato à fl. 348. Por meio do PAF n° 13971.000132/200519, a interessada compensou uma parcela de R$ 5.201.604,42 com credito de Cofins apurado no 4º trimestre de 2004. Fazse oportuno destacar que esta Saort elaborou Informações Fiscais aos processos de nºs 13971.001080/200417, 13971.001377/200482, 13971.001567/200408, 13971.000132/200519, 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, de forma a agregar as DCOMP segundo as origens dos créditos e os trimestres civis em que se incluem os seus períodos de apuração. A interessada assinalou a compensação do valor de R$ 2.947.783,90 com saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, indicando o PER/DCOMP de n° 37669.38365.300908.1.3.025777. Este pedido eletrônico, todavia, corresponde ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2007, conforme extrato à fl. 620. Logo, o crédito utilizado nem sequer existia à época da apuração da estimativa mensal de IRPJ. Eis o que dispõe um excerto da "Ajuda" do PGD PER/DCOMP 3.3: "Ficha Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores Fl. 926DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 927 13 (...) A ficha "Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores" deverá ser preenchida com os dados relativos à(s) estimativa(s) mensal(is) de IRPJ, apurada(s) no período a que se refere o saldo negativo de IRPJ objeto do Pedido Eletrônico de Restituição ou da Declaração de Compensação, conforme informado na Declaração de lnformaçães EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), que foi(ram) total ou parcialmente compensada(s) pela pessoa Jurídica com o saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores." (grifouse) A instrução é clara: nesta ficha, só existe possibilidade de compensação com "saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores"; não há, pois, que se argüir factível a compensação com saldo negativo apurado em períodos posteriores. Portanto, neste caso, não há que se falar em existência de crédito liquido e certo capaz de extinguir a parcela de R$ 2.947.783,90 do débito IRPJ 01/2005. Conseqüentemente, o débito referente a janeiro de 2005 não foi totalmente liquidado; necessária, então, tomouse a glosa da parcela de R$ 2.947.783,90, descrita nos dois parágrafos anteriores. Na apuração do ajuste anual, considerarseá o montante de R$ 5.201.657,43 como valor de estimativa efetivamente pago. (fls. 806 e 807 destacamos) Como se observa, a Unidade Local procedeu ao julgamento do mérito individual de procedência de tal compensação formadora do crédito1, não reconhecendo a quitação de parte da estimativa de janeiro de 2005 por entender que o crédito utilizado não possuía certeza e liquidez, posto que teria origem em saldo negativo de 2007, apurado apenas posteriormente. Frisese que tal rejeição do direito da Contribuinte é exclusivamente baseada no excerto "Ajuda" do PGD PER/DCOMP 3.3 (um software), que se vale do termo saldo negativo de períodos anteriores. Fica claro que não houve qualquer outra apuração ou investigação sobre a origem e a procedência do crédito utilizado, em face de terse decidido, preliminar e sumariamente, pela suposta incorreção na postura da Contribuinte, que automaticamente furtaria a certeza e liquidez do crédito para essa compensação, de débito de janeiro de 2005. 1 Consultando o sítio eletrônico da Receita Federal referente a existência de despacho decisório relacionado a tal DCOMP, o sistema afirma não haver despacho decisório: https://www32.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/SSL/ATRCE/SCC/index.asp?erro=3&ni=84046101000193&p= 376693836530090813025777 (consulta em 03/01/2017) Fl. 927DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 928 14 Por sua vez, o v. Acórdão recorrido não decidiu de forma diferente: Em análise do arguido, constatase que não assiste razão à recorrente. É de se acolher o entendimento da autoridade recorrida, que se embasou na orientação contida no programa de geração das DCOMP, pois constitui entendimento referendado por ato normativo. Assim é que a Instrução Normativa RFB n° 751, de 29 de junho de 2007, aprovou o referido programa, nos seguintes termos: (...) Art. 1° Aprovar o programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação, versão 3.3 (PER/DCOMP 3.3). Parágrafo Único. O programa PER/DCOMP 3.3, de livre reprodução, estará disponível para download no sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na internet, endereço http://www.receitafazenda. gov. br> Art. 2 O PER/DCOMP poderá ser apresentado com assinatura digital mediante certificado digital válido. Parágrafo único. Na hipótese de sujeito passivo obrigado à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Mensal (DCTF Mensal), a apresentação do PER/DCOMP com assinatura digital será obrigatória Art. 3° Esta Instrução Normativa entra em vigor em 1° de julho de 2007. É de se ressaltar que a atribuição de disciplinar a compensação em análise é da Receita Federal, conforme § 14 do art. 74, da Lei n° 9.430/96 (grifei): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (Redação dada pela Lei n°10.637, de 2002) (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) Fl. 928DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 929 15 Essa lei está em consonância ao que prevê o capta do art. 170 do Código Tributário Nacional (grifei): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Resulta, então, que a contribuinte ao poderá compensar débito de IRPJ com saldo negativo de IRPJ de períodos posteriores, procedimento este não previsto em ato normativo. (fls. 857 a 858) Ora, data maxima venia aos N. Julgadores a quo, tal entendimento não possui qualquer base legal e é manifestamente oposto àquilo previsto nos textos de Lei acima colacionados. Primeiramente, como se observa, o art. 170 do CTN permite a compensação de débitos vencidos. E a redação vigente, à época dos fatos, do art. 74 da Lei nº 9.430/96 não fazia qualquer diferenciação entre débitos vencidos ou vincendos. Não obstante, o art. 26 da própria Instrução Normativa nº 600/20052, aplicável ao caso, também deixa clara a expressa possibilidade de se compensar crédito apurado com débito vencido, surgido em momento pretérito. Tampouco nas vedações de compensações do § 3º desse mesmo dispositivo infralegal está prevista a hipótese dos autos. Ao seu turno, temos como certo, inclusive na jurisprudência pacífica dessa 1ª Seção do E. CARF, que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Desse modo, uma vez retificada a DCTF em 21/10/2008, nada mais fez a Contribuinte do que declarar um débito vencido, em relação a janeiro de 2005. E inclusive já o 2 Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 930 16 fez vinculando o adimplemento de tal obrigação à DCOMP nº 37669.38365.300908.1302 5777, como comprovado às fls. 889 a 896. Posto isso, quando constituído tal débito pela entrega da DCTF retificadora, o saldo negativo do anocalendário de 2007 já representava um crédito da Contribuinte, passível de utilização em compensação de eficácia condicionada, naturalmente, a condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, o que ocorreu nos autos foi mera quitação de débito vencido. A fundamentação de que o excerto "ajuda" do software PGD PER/DCOMP 3.3 contém proibição da compensação procedida pelo Contribuinte é absolutamente improcedente. As instruções de um software não se afiguram como espécie normativa, não possuindo qualquer valor jurídico suas prescrições. Diferentemente daquilo que se afirmou no v. Acórdão, ainda que o programa de informática tenha sido referendado por normativos da Receita Federal do Brasil, as disposições de ajuda ao usuário também não revestemse de entendimento jurídico, público e oficial, daquele Órgão arrecadador. E, como os próprios trechos de normativos trazidos no v. Acórdão confirmam contradizendo sua conclusão não existe qualquer proibição ao uso de crédito oriundo de saldo negativo de período posterior para a quitação de débito vencido (ainda que de período anterior à sua formação), mas, sim, sua textual autorização legal. Diante disso, deve ser afastado a conclusão de que não há que se falar em existência de crédito liquido e certo capaz de extinguir a parcela de R$ 2.947.783,90 do débito IRPJ 01/2005, reformandose as decisões proferidas nesse feito. Contudo, a adoção desse fundamento para a negativa à compensação pretendida pela Contribuinte (mantida pelo v. Acórdão) acarretou na rejeição sumária da utilização do crédito, sem qualquer investigação da sua formação ou análise de procedência quantitativa. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 931 17 Dessa forma, também é medida jurisdicional correta no presente caso a determinação de retorno dos autos à Unidade Local para que se analise e confirme a procedência do crédito utilizado na DCOMP nº 37669.38365.300908.13025777, uma vez confirmada a possibilidade legal de se utilizar o saldo negativo do anocalendário de 2007 para quitar estimativa mensal de 2005, declarada por DCTF retificadora. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, para reconhecer a legalidade da utilização de crédito oriundo de saldo negativo de anocalendário posterior (2007), para quitar débito vencido de período anterior à sua formação (2005), declarado por meio de DCTF retificadora, transmitida posteriormente. Devem os autos retornar à Unidade Local para que seja prolatado r. Despacho Decisório complementar, exclusivamente no que tange à estimativa de janeiro de 2005, referente à procedência de parcela do crédito no valor de R$ 2.947.783,90, relativo à compensação efetuada pela DCOMP nº 37669.38365.300908.13025777 para quitarlhe parcialmente. Havendo a homologação total dessa parcela de R$ 2.947.783,90 pela Unidade Local, os autos devem retornar a este E. CARF para o julgamento das demais matérias do Recurso Voluntário. No caso de negativa total ou parcial da homologação da compensação em questão pela Unidade Local, fica facultado à Contribuinte apresentar nova Manifestação de Inconformidade, exclusivamente sobre tal tema, que deverá ser julgada pela DRJ a quo, por meio de Acórdão complementar. Havendo a homologação total dessa parcela pela DRJ, os autos devem retornar a este E. CARF para o julgamento das demais matérias do Recurso Voluntário. No caso da rejeição total ou parcial da nova defesa da Contribuinte pela DRJ, também deve serlhe aberto prazo para a apresentação de complementação de Recurso Voluntário, antes de ser retomado o presente julgamento. (assinado digitalmente) Fl. 931DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 932 18 Caio Cesar Nader Quintella Fl. 932DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.722507/2015-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2012
REVISÃO DE DECLARAÇÃO. CONFRONTO DE DIPJ COM DCTF E PAGAMENTOS. TRIBUTOS DECLARADOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO OU CONSTITUIÇÃO POR MEIO DE DCTF. INTIMAÇÃO REGULAR DO CONTRIBUINTE. PROCEDIMENTO FISCAL VÁLIDO. ARTS. 835 E 841 RIR/99. PROCEDÊNCIA.
É válido e regular o lançamento de ofício que teve como origem procedimento de revisão de declaração, pelo qual apurou-se a existência de débitos de tributos devidos, informados em DIPJ, mas não constantes em DCTF e sem pagamentos correspondentes, procedido após intimação válida de contribuinte que permaneceu silente.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LÍCITA.
As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. CONFLITO COM DISPOSIÇÃO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
O conhecimento de alegações referentes a violação de princípios constitucionalmente prestigiados, como fundamento para o cancelamento ou reconhecimento de nulidade do lançamento lavrado diante de circunstância expressamente prevista em Lei, é vedado aos membros deste E. CARF, seja por força do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 ou da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1402-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias alheias ao objeto do presente processo administrativo e as de natureza constitucional e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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CONFRONTO DE DIPJ COM DCTF E PAGAMENTOS. TRIBUTOS DECLARADOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO OU CONSTITUIÇÃO POR MEIO DE DCTF. INTIMAÇÃO REGULAR DO CONTRIBUINTE. PROCEDIMENTO FISCAL VÁLIDO. ARTS. 835 E 841 RIR/99. PROCEDÊNCIA. É válido e regular o lançamento de ofício que teve como origem procedimento de revisão de declaração, pelo qual apurouse a existência de débitos de tributos devidos, informados em DIPJ, mas não constantes em DCTF e sem pagamentos correspondentes, procedido após intimação válida de contribuinte que permaneceu silente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LÍCITA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. CONFLITO COM DISPOSIÇÃO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. O conhecimento de alegações referentes a violação de princípios constitucionalmente prestigiados, como fundamento para o cancelamento ou reconhecimento de nulidade do lançamento lavrado diante de circunstância expressamente prevista em Lei, é vedado aos membros deste E. CARF, seja por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 ou da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 25 07 /2 01 5- 88 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 221 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias alheias ao objeto do presente processo administrativo e as de natureza constitucional e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 222 3 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 194 a 215) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife/PE (fls. 176 a 183) que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada (fls. 137 a 170), mantendo integralmente as Autuações lavradas contra o Contribuinte (fls. 98 a 126). A contenda tem como objeto lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL, referentes ao 2º trimestre do anocalendário de 2012, originalmente decorrentes de Revisão de Declaração, fundamentados no confronto entre os valores de tributos devidos, declarados em DIPJ com a DCTF do período e a total ausência de comprovação de recolhimentos correspondentes: A Fiscalização tentou, por diversas vezes, intimar a Recorrente por via postal, restando todas as tentativas frustradas. Após tal fato, a Autoridade Fiscal promoveu pesquisa das informações cadastrais da companhia junto à Junta Comercial, confirmando a compatibilidade de endereços constantes de seu Contrato Social e cadastro junto à RFB. Assim, foi promovido o Edital Eletrônico nº 001087842, publicado em 26/06/2015, com ciência em 13/07/2015. Não obstante, o Fisco também enviou Cartas de Aviso de Edital aos Sócios da Empresa, Sr. Reinaldo Nunes Cabral e Sr. Francisco Neves Pereira. Mesmo assim, não houve qualquer resposta ou atendimento até a lavratura das Autuações. Porém, após cientificada da lavratura das Autuações, a Recorrente ofereceu Impugnação (fls. 137 a 170), alegando, em suma: Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 223 4 a) que a fiscalização se baseou apenas na DIPJ e na DCTF, utilizandose de presunção simples e sem uma análise completa da contabilidade da empresa; b) que na ocorrência de divergências cabe ao Fisco buscar informações; c) que o CTN exige a determinação da base de cálculo e a comprovação da ocorrência do fato gerador, que, no caso, seria a omissão de receita; d) que não cabe a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (relatório DRJ, fls. 178) Igualmente, o Contribuinte acostou aos autos cópias de seu Balanço Patrimonial referente ao anocalendário, informado pelo SPED. A defesa foi encaminhada para a DRJ de Recife/PE para julgamento, sendo proferido o v. Acórdão, ora recorrido, rejeitando totalmente o apelo apresentado. Confirase a ementa (fls. 176 a 183): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. NÃO OCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento de direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 224 5 Anocalendário: 2012 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Devida a lavratura de auto de infração para exigência de imposto apurado em DIPJ que comprovadamente não foi pago ou confessado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Devida a lavratura de auto de infração para exigência da CSLL apurada em DIPJ que comprovadamente não foi paga ou confessada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA A multa de ofício integra o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora após o seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a ora Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (fls. fls. 194 a 215), agora sob apreço, repisando os mesmos argumentos de sua Impugnação. Na sequência, os autos foram retornaram para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 225 6 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Delimitando e esclarecendo o objeto meritório da presente contenda, até visando afastar indução a erro dos demais Julgadores, é necessário frisar que, ainda que mencionado diversas vezes pelo Contribuinte em seus apelos, bem como trazidos excertos jurisprudenciais, não se trata aqui de exigência de crédito tributário oriundo de acusação fiscal de omissão de receitas. A verdadeira matéria in casu é muito clara e simples: durante procedimento de Revisão de Declaração, verificouse total divergência entre os valores de tributos devidos informados pela Recorrente em sua DIPJ 2013, em confronto com as DCTFs apresentadas (as quais não continham qualquer conteúdo informativo zeradas) e nem foram verificados pagamentos correspondentes. Houve diversas tentativas de se intimar o Contribuinte para esclarecer a quitação ou a constituição de tais valores informados (3 vezes por meio postal). Após inúmeras frustrações de tentativa de comunicação pelos correios, legal e regularmente, procedeuse ao mencionado Edital, inclusive informando os Sócios da empresa autuada de ocorrência de tal modalidade de intimação. A Autoridade Fiscal também promoveu pesquisa das informações cadastrais da companhia junto à JUCESP, confirmando a compatibilidade de endereços constantes de seu Contrato Social e cadastro junto à RFB, demonstrado sua diligência e emprenho em obter esclarecimentos do Contribuinte antes da lavratura dos Autos de Infração. Inclusive e mais importante, não há alegações da Recorrente sobre a nulidade de sua intimação. Diante de tal silêncio, não havendo esclarecimentos ou provas acerca da situação dos tributos informados em DIPJ (os quais a Fiscalização confirmou não terem sido Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 226 7 declarados em DCTF e nem objeto de recolhimentos), procedeu à lavratura dos Autos de Infração, ora combatidos. Esse é o arcabouço fático sobre qual o debate jurídico deve ser empreendido neste processo. Frisese que, se extraídas as argumentações do Contribuinte especificamente sobre omissão de receitas (matéria alheia ao feito) e sobre a violação de princípios constitucionais, referentes aos atos da administração pública (matéria cujo conhecimento é expressamente vedado), resta apenas para ser conhecidas e julgadas as alegações i) de nulidade dos lançamentos de ofício, em razão da ausência de maiores investigações da ocorrência dos fatos geradores, inclusive nas contas e registros da própria Empresa autuada, bem como ii) a impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa, com a incorreção da adoção da Taxa SELIC para tanto. Posto isso, sobre a nulidade dos lançamentos de ofício, é certo que cabe à Fiscalização demonstrar com clareza, produzir e acostar ao processo administrativo todas as provas necessárias ao fundamento das autuações lavradas, garantindolhes validade e preenchendo os requisitos arrolados no art. 142 do CTN. No presente caso, temos que a origem da exação em tela é o procedimento de revisão de declaração, ação legal, válida e naturalmente empreendida pelo Fisco, principalmente diante da dinâmica de constituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. E precisamente durante tal procedimento que fora detectada a ausência de quitação ou mesmo constituição por DCTF dos valores de tributos informados como devidos pelo Contribuinte na sua DIPJ. Tal revisão também se afigura como um procedimento investigativo da existência de obrigações tributárias não satisfeitas. Quando se afirma (corretamente) que a DIPJ tem mera natureza informativa, não se nega todo seu valor jurídico e probante, apenas em contraposição à DCTF esclarece se que não basta a entrega de tal modalidade de obrigação acessória para a constituição do crédito tributário. Como precisamente ocorreu no presente caso, em face da total ausência de informações do Contribuinte explicando a improcedência ou mesmo a extinção daqueles Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 227 8 tributos apontados como devidos, procedeu a Autoridade Fiscal aos necessários lançamentos de ofício para a sua exigência. Ressaltese que, mesmo após a devida ciência dos Autos de Infração e oferta de Impugnação e Recurso Voluntário (garantindo o contraditório, duplamente), o Contribuinte não fez qualquer afirmação sobre a origem e, muito menos, sobre a improcedência material dos tributos, seja por exemplo erro no preenchimento da DIPJ, a existência de declaração retificadora, quaisquer recolhimentos ao longo do exercício de 2012, retenções, etc. O Balanço Patrimonial simplesmente anexado à sua Impugnação, extraído do próprio registro do sped, em nada combate a fundamentação dos lançamentos. Atevese o Contribuinte, durante todo o feito, a alegar a nulidade do lançamento por falta de investigações do Fisco e combater a incidência de juros sobre a penalidade, sem qualquer argumento meritório sobre as obrigações tributárias. Ao seu turno, a manobra da Fiscalização está plenamente amparada e expressamente prevista em Lei. Confirase: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74). §1º A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. §2º A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, § 1º). §3º Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 19). §4º O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício de que trata o art. 841 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, § 3º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, inciso III). (...) Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 228 9 Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 77, Lei nº 2.862, de 1956, art. 28, Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, Lei nº 8.541, de 1992, art. 40, Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, Lei nº 9.317, de 1996, art. 18, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 42): I não apresentar declaração de rendimentos; II deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente; III fizer declaração inexata, considerandose como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; IV não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte; V estiver sujeito, por ação ou omissão, a aplicação de penalidade pecuniária; VI omitir receitas ou rendimentos. Parágrafo único. Aplicarseá o lançamento de ofício, além dos casos enumerados neste artigo, àqueles em que o sujeito passivo, beneficiado com isenções ou reduções do imposto, deixar de cumprir os requisitos a que se subordinar o favor fiscal. (destacamos) Assim, rejeitase a alegação de nulidade das Autuações sob julgamento, confirmando, então, sua procedência, diante também da ausência de outros argumentos que combatem as exações fiscais. Quanto à alegações da ilegalidade de incidência de juros sobre multa e aplicação da Taxa SELIC, esta C. 2ª Turma acompanha o atual entendimentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entende ser devida tal postura fiscal, bem como correta eleição da Taxa SELIC. O Acórdão nº 1402.002.340, de relatoria do I. Presidente, Leonardo de Andrade Couto, publicado em 05/10/2016, ilustra esse posicionamento: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 229 10 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (...) Por fim, no que se refere aos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 9202003.821,CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão nº 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Diante do exposto, não conheço das matérias alheias ao objeto do presente processo administrativo e as de natureza constitucional, e em relação às demais matérias Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 230 11 conhecidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido e as Autuações combatidas. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910384/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2003
IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, o que extrapola os limites da lide.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1402-000.700
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2003 IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, o que extrapola os limites da lide. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, o que extrapola os limites da lide. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13888.910384/200921 Acórdão n.º 140200.700 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SENSUS METERING SYSTEMS DO BRASIL LTDA., já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o processo das DCOMP de fls.17/44, (58/70), nas quais, a mais antiga foi enviada em 15122004, referentes a crédito de IRPJ originado de suposto saldo negativo do ano de 2003, no valor de R$647.357,47. O despacho decisório eletrônico de fls.57, da DRF/Piracicaba, reconheceu em parte o direito creditório da Interessada, apenas no valor de R$533.768,98, pelo fato de ter sido apurado pagamento a menor de estimativas, o que ocasionou a homologação parcial das compensações declaradas A Interessada apresentou manifestação de inconformidade em 01122009, (fls.01), após ter tido ciência do despacho em 09112009, (fls.52), alegando que os pagamentos, (DARF), e DCTF acostados às fls.31/33 e 45/51, comprovam que houve saldo negativo de IRPJ suficiente para a homologação plena. Requereu perícia. A decisão recorrida está assim ementada: PERÍCIA. O objetivo da perícia é o de formar a convicção do julgador no âmbito do processo. Constando nos autos os elementos suficientes para se concluir sobre os fatos levantados, não há necessidade da mesma. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. No voto condutor do acórdão de primeira instância extraise os seguintes fundamentos: Da perícia. O objetivo da perícia é o de formar a convicção do julgador no âmbito do processo. Assim, já constando nos autos os elementos suficientes para se concluir sobre os fatos levantados, não há necessidade da mesma. Das antecipações realizadas. Conforme se verifica às fls.77, os DARF de IRPJ estimativa, código 5993, referentes aos períodos de apuração do ano de 2003, acostados pela Interessada às fls. 31/33 e 45/51, totalizam R$354.734,15. Ocorre que, do exame dos extratos dos sistemas da Receita Federal às fls.78/79, constatase que do pagamento de R$90.480,82, referente ao período de apuração de Fl. 202DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13888.910384/200921 Acórdão n.º 140200.700 S1C4T2 Fl. 0 3 fevereiro de 2003, a parcela de R$30.387,37, já foi concedida à Interessada no âmbito do PA nº.13888.905123/200999, (fls.79), que analisou a DCOMP consignada às fls.78. Da mesma forma, do exame dos extratos dos sistemas da Receita Federal às fls.80/81, constatase que do pagamento de R$45.670,33, referente ao período de apuração de maio de 2003, a parcela de R$5.409,60, já foi concedida à Interessada no âmbito do PA nº.13888.905124/200933, (fls.81), que analisou a DCOMP consignada às fls.80. A redução dos valores acima mencionados: R$30.387,37 e R$5.409,60, faz com que o total dos DARF de IRPJ estimativa, código 5993, referentes aos períodos de apuração do ano de 2003, no valor de R$354.734,15, (fls.77), passe a ser de R$318.937,28, que foi o montante apurado pela autoridade recorrida, conforme despacho de fls.57. O documento de fls.33 não foi confirmado nos sistemas da Receita Federal.. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/11/2010, fls.88 e seguintes aduzindo que: (...) Admitida a utilização de indébito indevido, ante a não comprovação da subsistência da liminar concedida nos autos do processo judicial 2003.61.09.0007660, temse que a recorrente teria compensado indébito indevido, no valor de R$ 5.375,54. Os anexos abaixo referidos demonstram, no entanto, que a recorrente detinha direito a indébito decorrentes de saldos negativos e recolhimentos a maior, que anulam o suposto débito. Com efeito, o ANEXO A relaciona os recolhimentos realizados e comprovados, tal qual consta dos registros da própria SRFB, ao passo que o ANEXO B traz o RESUMO DIPJ ano base 2002, exercício 2003, que demonstra saldo a favor da recorrente, cujos lançamentos correspondem àqueles constantes do sistema da própria SRFB. O ANEXO C relaciona todas as compensações realizadas pela recorrente, cifrando os respectivos PERDs. COMP., de modo a demonstrar que o indébito legitimamente detido pela contribuinte — e comprovado pelos registros constantes do sistema da própria SRFB — é suficiente para extinção por meio de compensação, dos créditos tributários resultantes da glosa da inicial compensação. Requer, pois, sejam extintos os créditos tributários, resultantes da glosa da inicial compensação, pelos indébitos decorrentes dos saldos negativos e recolhimentos a maior realizados pela recorrente, tal qual constam discriminados e comprovados nas planilhas anexas. (...) ANTE O EXPOSTO, requer seja acolhido e provido o presente recurso voluntário, extinguindose os créditos tributários mediante compensação dos indébitos decorrentes dos saldos negativos e recolhimentos a maior realizados pela recorrente, tal qual constam discriminados e comprovados nas planilhas anexas. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13888.910384/200921 Acórdão n.º 140200.700 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme relatado, a contribuinte admite em seu recurso a insuficiência do direito creditório apontado nas Declarações de Compensação (DCOMP), mas alega possuir outros créditos, decorrentes de indébitos tributários de outros períodos, passíveis de compensação, que requer seja utilizado para homologar as compensações. Verificase, de plano, que não se trata de erro de preenchimento da DCOMP, tal qual reconhecido no julgamento do processo 13888.908927/200940 da mesma contribuinte, anterior a este. Sobre a DCOMP, dispõe o art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (redação dada pelo art. 49 da lei 10.637/2002:) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (A redação deste Inciso foi dada pelo Artigo 4º da Lei nº 11.051 de 29.12.2004.) (Grifei). Fl. 204DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13888.910384/200921 Acórdão n.º 140200.700 S1C4T2 Fl. 0 5 Na prática a pretensão da contribuinte equivale a um novo pedido de compensação, para que o débito remanescente seja compensado com outros créditos. Tal procedimento é expressamente vedado pela lei de regência, conforme acima grifado. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, o que o que extrapola os limites da lide. ISSO POSTO, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 205DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721905/2014-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA.SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE.
São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação a que está legalmente obrigado.
Numero da decisão: 2401-005.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que deu provimento ao recurso. O conselheiro Rayd Santana Ferreira solicitou a apresentação de declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA.SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação a que está legalmente obrigado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que deu provimento ao recurso. O conselheiro Rayd Santana Ferreira solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da subrogação a que está legalmente obrigado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 19 05 /2 01 4- 80 Fl. 1305DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, negarlhe provimento, vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que deu provimento ao recurso. O conselheiro Rayd Santana Ferreira solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito lançado a partir do Auto de Infração (DEBCAD n° 51.048.2520), referente às contribuições devidas à Seguridade Social, relativamente ao período de janeiro/2011 a dezembro/2012, incidentes sobre a aquisição de produtos rurais de produtores rurais pessoa física, devidas à Seguridade Social e que foram depositadas judicialmente conforme processo n° 00087148820084036000. A empresa auditada é uma Cooperativa de Produtores Rurais, destinada a realizar a venda da produção rural de seus cooperados no mercado interno e externo, conforme previsto em seu contrato social. No mesmo procedimento também foram lavrados os AI DEBCAD n° 51.048.2538 e 51.048.2546, que estão constituídos no Processo n° 10140.721906/201424. Na ação fiscal, foram considerados os seguintes enquadramentos para a empresa: o CNAE fiscal (01156/00), o FPAS (7441), o GILRAT (0,1) e o SENAR (0,2). Durante o procedimento fiscal o contribuinte apresentou todos os documentos solicitados pelo Auditor. Foram analisados: documentos constitutivos da cooperativa, notas fiscais de entrada, demonstrações contábeis, depósitos judiciais e medidas judiciais. Não foi emitido o TABD Termo de Arrolamento de Bens e Direitos em decorrência dos bens e direitos do Ativo da empresa superar o mínimo previsto na Legislação, conforme DIPJ 2014. Na planilha II, o auditor indicou a base de cálculo das contribuições previdenciárias (Aquisição de Produção Rural de Pessoa Física), conforme dados obtidos através da Escrituração Fiscal Digital disponibilizada pela empresa, onde consta o valor devido ao INSS e o valor depositado judicialmente pela empresa. Observase ainda na planilha II que em determinadas competências o valor depositado judicialmente supera o valor apurado no procedimento fiscal e que o valor excedido não foi aproveitado durante a ação fiscal. A Fiscalização juntou aos autos consulta processual, às fls. 39/65, onde consta copia do Processo Judicial n°2008.60.00.0087140, ingressado em 22/08/2008, na Justiça Federal em Campo Grande/MS, que consiste em uma Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica, cumulada com pedido de Repetição do Indébito Tributário e com pedido de tutela antecipada para realização de depósito judicial, na qual questiona a obrigatoriedade de reter e recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural por parte de seus cooperados. Em sua Impugnação o contribuinte alega em síntese que: Fl. 1307DF CARF MF 4 Ausência de concomitância entre Processo Administrativo e Judicial; Insubsistência da ação fiscal assentada unicamente no montante dos depósitos efetuados; Insubsistência da ação fiscal em relação ao terceiro, pessoa jurídica, adquirente da produção rural do empregador rural pessoa física, por subrogação; Divergências entre os valores apurados no processo da RFB e pela Conacentro: Quanto às divergências acima, a partir do Anexo VI “Planilhas Demonstrativas das aquisições em cada período e dos depósitos respectivos” e do Anexo VII “Relatório de divergências 2011 e 2012” e suas Planilhas Anexas, “Registros fiscais dos documentos de entradas de mercadorias e aquisição de serviços, “Notas fiscais base pagamento conacentro”, “Quadro demonstrativo das diferenças do funrural”, assim como, no anexo III da impugnação ao processo conexo 10140.721906/201424, a Contribuinte apresenta um relatório contendo um resumo das aquisições de cooperado, com a incidência da Contribuição do Funrural, no qual foram confrontadas informações do SPED Fiscal, com a planilha de apuração e com os depósitos judiciais, gerando Relatório com o título de “Relatório de divergências processo RFB – Conacentro Funrural – Ano 2011 e no Ano 2012”, por período de apuração, articulando os fatos considerados relevantes para o processo em comento. Ao final, requereu o acolhimento das suas razões precedentes, para a total insubsistência da ação fiscal, como medida de direito e de justiça.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1538.445 da 7ª Turma da DRJ/SDR, às fls. 1.247/1.262, julgou improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Quando a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial cuja fundamentação e pedido não são coincidentes com os contidos no processo administrativo, não fica caracterizada a renúncia pelo contribuinte às instâncias administrativas. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 4 5 A alteração do crédito tributário deve ser baseado em fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 1.290/1.296, resumidamente, com as seguintes argumentações: (I) Preliminar de nulidade. Sustenta que a preliminar de nulidade apontada no item 2 da Impugnação persiste integralmente. Alega que os documentos encartados nos anexos II a VII comprovam que por ocasião da ação fiscal, limitouse a considerar como base de cálculo precisamente o valor dos depósitos judiciais sem, contudo, verificar o valor efetivo das aquisições dos produtores rurais pessoas físicas naqueles períodos. Dessa forma, entende que houve violação ao artigo 142, parágrafo único do CTN. (II) Mérito. Discorre acerca da ilegalidade da exigência formulada contra o adquirente da produção rural, por subrogação nas obrigações do produtor rural empregador pessoa física. Afirma que a contribuição previdenciária sobre o valor da comercialização da produção rural a cargo do empregador rural pessoa física encontravase prevista no artigo 25, I e II, da Lei nº 8.212/1991 com redação da Lei nº 8.540/1992 e atualizada até a Lei nº 9.548/1997. Por sua vez, a obrigação do adquirente, por subrogação nas obrigações do produtor rural empregador pessoa física, foi incluída no ordenamento jurídico pelo artigo 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991. Todavia, quando do julgamento do RE 363.852/MG, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do supracitado artigo. Nesse sentido, sustenta inexistir, até o momento, lei em sentido formal e material que prescreva para o adquirente aquela indigitada obrigação. Ademais, a responsabilidade tributária do terceiro que não detenha a condição de contribuinte só é legitimada no ordenamento jurídico se decorrer de lei, nos estritos termos do artigo 121, inciso II, e artigo 128, ambos do CTN. Fl. 1309DF CARF MF 6 Dessa forma, é de se concluir que inexiste obrigação da Recorrente de reter e recolher a contribuição social prevista no artigo 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212/1991, razão pela qual pugna pela improcedência da ação fiscal. É o relatório. Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 22/06/2015 conforme Aviso de Recebimento às fls. 1.288, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 22/07/2015 (fl. 1.290), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA PRELIMINAR Conforme relatado, a Recorrente sustenta que a preliminar de nulidade apontada no item 2 da Impugnação persiste integralmente. Alega que os documentos encartados nos anexos II a VII comprovam que por ocasião da ação fiscal, limitouse a considerar como base de cálculo precisamente o valor dos depósitos judiciais sem, contudo, verificar o valor efetivo das aquisições dos produtores rurais pessoas físicas naqueles períodos. Dessa forma, entende que houve violação ao artigo 142, parágrafo único do CTN. Compulsando os autos, verificase da peça de Impugnação apresentada (fls. 80/87) que o contribuinte defendeu, no item 2, “a insubsistência da ação fiscal assentada unicamente no montante dos depósitos efetuados”. Argumentou que é absolutamente insubsistente a exigência tributária contida no Auto de Infração DEBCAD 51.048.2520, alicerçada no que descreve o item 2.1 do Relatório Fiscal. Prossegue no sentido de que o Discriminativo de Débito anexo ao Auto de Infração não deixa a menor dúvida de que a exigência tributária limitouse a considerar como valor apurado e portanto como base de cálculo, exatamente a quantia depositada judicialmente, fazendo constar daquele discriminativo, em cada competência o seguinte: “Lev.: RU – DEPÓSITO INSS”. Nesse sentido, entende que resta comprovado que o lançamento tributário, malgrado haver afirmado no item 2.1 do Relatório Fiscal que a exigência “referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtores rurais pessoas físicas”, na realidade, limitouse a considerar como base de cálculo, precisamente o valor dos depósitos judiciais, sem contudo verificar o valor efetivo das aquisições dos produtores rurais pessoas físicas, como referido. E, dessa forma, entende que a Autoridade Fiscal cometeu erro substancial viciando irremediavelmente o ato jurídico representado no lançamento tributário. Sobre o tema, a egrégia Turma de origem assim se pronunciou: Fl. 1311DF CARF MF 8 A Impugnante considera absolutamente insubsistente a exigência tributária alicerçada no que descreve o item 2.1 do Relatório Fiscal: ‘Item 2.1 O Auto de Infração 51.048.2520 referese as contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtores rurais pessoa física, devidas à Seguridade Social e que foram Depositadas Judicialmente conforme Processo 0008714882008403600.’ Aponta que o Discriminativo de Débito ao Auto de Infração não deixa a menor dúvida de que a exigência tributária limitouse a considerar como valor apurado e portanto como base de cálculo, exatamente a quantia depositada judicialmente, sem contudo verificar o valor efetivo das aquisições dos produtores rurais pessoas físicas. Razão não lhe assiste. Consoante mencionado neste decisório, na planilha II do Relatório Fiscal (à fl. 75), o auditor indicou a base de cálculo das contribuições previdenciárias (Aquisição de Produção Rural de Pessoa Física), de acordo com os dados obtidos através da Escrituração Fiscal Digital disponibilizada pela própria empresa, onde consta o valor devido ao INSS e o valor depositado judicialmente. Assim, diferentemente do alegado pela impugnante, nesta planilha II foi verificado o valor das aquisições, que consta na primeira coluna “valor das compras” e se refere ao valor das aquisições dos produtores rurais pessoas físicas. Além disso, frisese que essa planilha II foi elaborada a partir dos valores depositados em juízo e da Escrituração Fiscal Digital produzida pelo próprio sujeito passivo. Ademais, remetendose à fundamentação legal do débito constante do Auto de Infração FLD, à fl. 8, no tópico “711 – Depósito do Montante Integral” está indicada a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 ( que dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, entre outras matérias), consoante a qual, em seu art 63, é perfeitamente cabível a constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, em relação a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. No dispositivo legal, apenas é feita ressalva que nestes casos não caberá lançamento de multa de ofício, que efetivamente não foi aplicada no caso concreto, litteris: [...] Neste compasso também dispõe da mesma forma a Súmula CARF nº 17, segundo a qual, nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN, não cabe a exigência de multa de ofício, verbis: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. No caso em tela, conforme mencionado na consulta processual, às fls. 39/65, houve a concessão de tutela antecipada em 09/09/2008 com vistas a realização do depósito do montante integral, suspendendo a exigibilidade do crédito (Art. 151, I C/C IV). Cabível portanto a constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 6 9 Assim, podese concluir que o Relatório Fiscal identifica os dispositivos legais aplicados ao lançamento e o fato gerador das contribuições previdenciárias e que a Auditoria Fiscal apenas aplicou a legislação vigente, em nítida obediência ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, e portanto, consubstancia um procedimento administrativo perfeitamente regular e válido. Ante o exposto, não acolho as razões da impugnante quanto à insubsistência da ação fiscal assentada unicamente no montante dos depósitos efetuados. Da leitura acima, constatase que a respeitável decisão restou suficiente e muito bem fundamentada de modo a afastar as alegações da contribuinte quanto à insubsistência da ação fiscal assentada unicamente no montante dos depósitos efetuados. Todavia, da análise do Recurso Voluntário apresentado, verificase que as razões não impugnam os fundamentos da decisão recorrida. O exercício do direito de recorrer pressupõe do interessado o cumprimento da regularidade formal, em cujo espectro inserese o princípio da dialeticidade, de modo que lhe cumpre afrontar fundamentadamente a motivação utilizada no ato decisório para negar a sua pretensão, sob pena de não conhecimento do recurso. Todavia, adotase o entendimento da instância a quo, acima transcrito, reiterando o entendimento de que é perfeitamente cabível a constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, em relação a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. No dispositivo legal, apenas é feita ressalva que nestes casos não caberá lançamento de multa de ofício, que efetivamente não foi aplicada no caso concreto, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. 3. DO MÉRITO No mérito, a Recorrente discorre acerca da ilegalidade da exigência formulada contra o adquirente da produção rural, por subrogação nas obrigações do produtor rural empregador pessoa física. Afirma que a contribuição previdenciária sobre o valor da comercialização da produção rural a cargo do empregador rural pessoa física encontravase prevista no artigo 25, I e II, da Lei nº 8.212/1991 com redação da Lei nº 8.540/1992 e atualizada até a Lei nº 9.548/1997. Por sua vez, a obrigação do adquirente, por subrogação nas obrigações do produtor rural empregador pessoa física, foi incluída no ordenamento jurídico pelo artigo 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991. Todavia, quando do julgamento do RE 363.852/MG, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do supracitado artigo. Nesse sentido, sustenta inexistir, até o momento, lei em sentido formal e material que prescreva para o adquirente aquela indigitada obrigação. Fl. 1313DF CARF MF 10 Ademais, a responsabilidade tributária do terceiro que não detenha a condição de contribuinte só é legitimada no ordenamento jurídico se decorrer de lei, nos estritos termos do artigo 121, inciso II, e artigo 128, ambos do CTN. Dessa forma, requer a reforma da decisão guerreada ao fundamento de que inexiste obrigação da Recorrente de reter e recolher a contribuição social prevista no artigo 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212/1991. Já em tribuna, em sede de sustentação oral, o patrono da contribuinte acrescenta, em reforço aos seus argumentos pela improcedência do lançamento referente à contribuição previdenciária incidente sobre o valor da comercialização da produção rural a cargo do empregador rural pessoa física, a recente edição da Resolução do Senado nº 15 de 2017, que declarou a inconstitucionalidade do artigo 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, dentre outros. Sem razão. Mediante referido julgamento, o Supremo Tribunal Federal declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, que previa o recolhimento da contribuição do produtor rural pessoa física, pois esta lei foi anterior à Emenda Constitucional 20, de 1998 (responsável por alterar a base de cálculo para fins de incidência da referida contribuição) É que antes dessa emenda, as contribuições sociais do empregador somente poderiam incidir sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Com a alteração promovida, surgiu a possibilidade de utilizar a receita como base de cálculo das contribuições sociais do empregador. Válido transcrever trechos do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio quando do julgamento do RE 363.852/MG: (...) Forçoso é concluir que, no caso de produtor rural, embora pessoa natural, que tenha empregados, incide a previsão relativa ao recolhimento sobre o valor da folha de salários. É de se ressaltar que a Lei 8212/91 define empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos, ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional inciso I do artigo 15. Então, o produtor rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para terse novo ônus, relativamente ao financiamento da seguridade social, isso a partir de valor alusivo à venda de bovinos. Cumpre ter presente, até mesmo, a regra do inciso II do artigo 150 da Constituição Federal, no que veda instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possuir empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição a folha de salários a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção. Se, ao contrário, conta com empregados, estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento, da contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei nº 8.212/91. Assim, não fosse suficiente a duplicidade, considerado o faturamento, temse, ainda, a quebra da isonomia. (...) não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar. Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 7 11 Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a ‘receita bruta proveniente da comercialização da produção rural’ de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. A lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao caput do artigo 25 da Lei nº 8.212, de 1991, foi editada após a EC nº 20, de 1998. Ou seja, foi editada sob a vigência da nova redação do artigo 195, I, da Constituição, com expressa previsão da receita dos empregadores como nova fonte de custeio da seguridade social. Sendo assim, é evidente que o RE 363.852/MG tem aplicabilidade limitada ao artigo 25 da Lei nº 8.212 de 1991, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992 (atualizada até a Lei nº 9.528, de 1997), ao passo que o presente lançamento se refere a fatos geradores ocorridos em 2011 e 2012, posteriores, portanto, à Lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao artigo 25, I e II, da Lei nº 8.212, de 1991. Tanto é que, quando da apreciação dos Embargos de Declaração opostos no RE 596.177/RS, o STF reconheceu que não houve o exame da matéria sob o enfoque da exigência do tributo com fundamento na Lei nº 10.256, de 2001. Confirase: EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador” (fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. Sendo assim, a decisão proferida pelo STF no RE 363.852/MG não é aplicável ao presente caso, que é totalmente englobado pela Lei nº 10.256, de 2001. Já em relação edição da Resolução do Senado nº 15 de 2017, que declarou a inconstitucionalidade de alguns artigos, dentre eles do artigo 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, insta articular entendimento proferido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), ao qual me perfilio, na edição do Parecer PGFN/CRJ nº 1447, de 27 de setembro de 2017, sobre a execução de dispositivos legais atinentes à contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física e do segurado especial, incidente sobre a comercialização da produção rural. Impende salientar que a mencionada Resolução do Senado tem acarretado divergências doutrinárias, já que a interpretação meramente literal do seu texto poderia ampliar a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários nº 363.852/MG e nº 596.177/RS (repercussão geral), que diz respeito apenas à Fl. 1315DF CARF MF 12 contribuição do empregador rural pessoa física no período anterior à Lei nº 10.256, de 9 de julho de 2001. À luz do contexto normativo e jurisprudencial que envolve a questão, o Parecer da PGFN conclui, que: • Em consonância com o art. 52, X, da Constituição, a suspensão promovida pela Resolução do Senado deve se dar nos exatos limites da declaração de inconstitucionalidade afirmada pelo STF. • Cumpre à Fazenda Nacional conferir à Resolução nº 15, de 2017, interpretação conforme à Constituição, tendo em vista que se presumem constitucionais as leis e atos normativos editados pelo legislador, em observância ao princípio da supremacia da Constituição e da máxima eficácia das normas constitucionais. • A Resolução nº 15, de 2017, não abrange as normas concernentes à tributação do segurado especial. • A suspensão promovida pela Resolução nº 15, de 2017, não afeta a contribuição do empregador rural pessoa física reinstituída a partir da Lei nº 10.256, de 2001, uma vez que: (i) a tributação levada a efeito a partir de então está amparada por contexto normativo substancialmente diverso daquele submetido ao STF quando do julgamento do RE nº 363.852/MG e do RE nº 596.177/RS, aos quais a Resolução senatorial se reporta; (ii) entendimento contrário implicaria desprezo à tese firmada pelo STF no RE nº 718.874/RS, que assentou a constitucionalidade formal e material da tributação após a Lei nº 10.256, de 2001. Pelo exposto, não vislumbro razões de reforma no decisum de primeira instância, motivo pelo qual mantenho incólume o v. Acórdão recorrido. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente, e, NEGOLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 8 13 Declaração de Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira DA SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE DOS PRODUTORES RURAIS DA PESSOA FÍSICA A aplicação do entendimento do STF exarado no RE n.º 363.852/MG ao presente caso é uma exigência do inciso I do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) O RE transitou em julgado em 06/05/2011 e, tendo o mesmo contado com a manifestação do Plenário da Corte, deve a referida decisão ser observada nos julgamentos do CARF. Assim a solução da presente lide passa pela delimitação do alcance do que ficou decidido pela Corte Máxima no bojo do RE n.º 363.852/MG, no qual discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador pessoa física, prevista no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 8.540/1992, e da subrogação do adquirente na obrigação de recolher o tributo devido, conforme art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4. e 8. , 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal. O Pretório Excelso deu provimento ao RE, conforme abaixo: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, Fl. 1317DF CARF MF 14 fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitadta por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Contra essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Analisando a ementa do acórdão exarado pelo STF no citado RE, percebese que o mesmo é explícito em declarar a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização dos produtores rurais pessoas física, e vai além, também afastando a possibilidade de se responsabilizar o adquirente na condição de subrogado. Eis as exatas palavras contidas na parte dispositiva do decisum: “... para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais...” Percebese, então, que a decisão da Corte Maior atingiu não somente as contribuições sociais previstas no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, mas também a forma de arrecadação, afastando a responsabilidade da empresa adquirente na condição de subrogada, esta estampado no inciso IV do art. 30 da mesma Lei. O Pretório Excelso, todavia, reconheceu que nova legislação, compatível com a Emenda Constitucional n.º 20/1998, poderia vir a ser editada, eliminando, assim, a inconstitucionalidade formal declarada no RE n.º 363.852. É que a EC n.º 20/1998 inseriu a possibilidade da União instituir contribuição para a Seguridade Social incidente sobre a receita do empregador, eliminando assim a necessidade de que a contribuição fosse instituída por lei complementar, em obediência ao disposto no § 4.º do art. 195 combinado com o art. 146, I, ambos da Carta Magna. Ocorre que a lei compatível com a referida Emenda Constitucional já houvera sido editada em 09/07/2001. Tratase da Lei n.º 10.256, que deu nova redação ao art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, nos seguintes termos: Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 9 15 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (...) O mesmo não se pode falar acerca da subrogação do adquirente dos produtos rurais de pessoa física na obrigação de pagar o tributo, posto que o único dispositivo que autorizava essa técnica de arrecadação era o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF, como se pode ver da parte dispositiva do acórdão exarado no bojo do RE n.º 363.852, conforme se extrai do texto: “...declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97...” Eis os textos do inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social desde a redação original até a que vige atualmente: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (redação original) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Fl. 1319DF CARF MF 16 Percebase que quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.598/1997, posto que essas são anteriores a edição da EC n.º 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.548/1997, foram declarados inconstitucionais, não pode subsistir o crédito tributário arrimado nesses dispositivos. E nem se fale que a decisão do Supremo não atingiu esse dispositivo, posto que na inicial foi requerida a declaração de inconstitucionalidade de todo o art. 1.º da Lei n.º 8.540/1992, o qual alterou dispositivos da Lei n.º 8.212/1991, inclusive trazendo a regra que previa a subrogação do adquirente de produtos rurais de pessoa física. Assim, mesmo que se admita que a contribuição pós 2001 é constitucional, a forma de cobrança, por substituição tributária/subrogação não é viável, de conformidade com a decisão do STF. Pois, a Lei n. 10.266/2001 nada tratou a respeito, não dispondo sobre uma nova forma de cobrança. Tendo sido declarada inconstitucional pelo STF, em decisão plenária, a norma que previa a subrogação do adquirente de produtos oriundos de produtor rural pessoa física na obrigação de recolher as contribuições sociais, deve este Tribunal Administrativo, em obediência ao seu Regimento Interno, declarar a improcedência do lançamento. Conclusão Diante de todo exposto, voto por dar provimento ao recurso. É como voto (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 1320DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.901872/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA.
Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo.
Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis.
Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-003.328
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins referese aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 72 /2 01 2- 81 Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação relativos a crédito da contribuição (PIS/Cofins) não cumulativa. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório reconhecendo em parte o direito creditório e, por conseguinte, homologando parcialmente a compensação, em razão de glosas de créditos que não se encontravam em consonância com a legislação de regência. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente reconheceu o creditamento indevido em relação aos insumos adquiridos com alíquota zero, sendo alegado, em relação às demais matérias, que a fiscalização não detalhara os produtos e serviços glosados, nem motivara suas glosas, ferindo o seu direito de defesa, sendo ora destacados os seguintes argumentos: a) nulidade da ação fiscal em razão da ausência de diligência in loco, por falta de motivação e pela ausência de provas; b) a fiscalização demonstrou contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social1 da empresa, posto que diversos créditos glosados eram oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; c) a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; d) direito a crédito sobre os dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, e não apenas sobre a compra de energia, já que não se pode dissociar uma coisa da outra, havendo dispositivo expresso autorizando o creditamento sobre o custo de tal energia, por se tratar de insumo essencial ao seu processo produtivo; 1 pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 4 3 e) a sistemática da não cumulatividade autoriza o creditamento em relação a (i) insumos e serviços utilizados no mineroduto, (ii) aluguel de veículos, máquinas e equipamentos utilizados na produção, (iii) locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas, (vi) serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias e em obras de manutenção de barragens, (vii) gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na mina; f) falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado; g) necessidade de realização de perícia, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Posteriormente, o contribuinte trouxe novos documentos aos autos, solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente, repisando alguns dos argumentos encetados na manifestação de inconformidade e se insurgindo, especificamente, contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. A par da manifestação de inconformidade, a Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados e a consequente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Na realização da diligência, a repartição de origem analisou a documentação então apresentada pelo contribuinte, concluindo o seguinte: a) as máquinas e equipamentos haviam sido adquiridos de pessoas jurídicas e utilizados na produção de bens destinados à venda e/ou à prestação de serviços, em conformidade com a legislação de regência; b) ratificouse a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que haviam sido objeto de glosas, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Cientificado do Relatório Fiscal resultante da diligência, o contribuinte não apresentou, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. Nos termos do Acórdão nº 02046.024, a Manifestação de Inconformidade foi julgada parcialmente procedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) reconhecido o direito a créditos em relação aos (i) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda, bem como a Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 5 4 créditos relativos a (ii) despesas e custos relacionados à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros e a (iii) combustível consumido nos fornos no processo produtivo (excetuandose o combustível consumido nos veículos utilizados na mina). A DRJ não reconheceu como insumos geradores de créditos os demais produtos e serviços pleiteados pelo contribuinte, por ausência de prova de sua aplicação direta no processo produtivo. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisou os pedidos e os argumentos de defesa anteriormente apresentados, aqueles não acolhidos pela DRJ, e requereu o reconhecimento de conexão entre os 24 (vinte e quatro) recursos voluntários ali identificados, sendo arguido, ainda, o seguinte: a) necessidade de baixa dos autos à origem para que se comprovasse a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento; b) nulidade da recomposição dos créditos eis que não foi observado o acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados no processo produtivo; c) a decisão recorrida está em confronto com o consolidado entendimento do CARF quanto aos insumos geradores de créditos das contribuições e cita precedentes jurisprudenciais do Poder Judiciário e deste Colegiado Administrativo; d) indevida a glosa sobre serviços utilizados como insumos consistentes em: 1) serviços prestados no mineroduto; 2) aluguel de veículos; 3) locação de dragas, de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; 4) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; 5) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; 6) consórcio UHE GuilmanAmorim, operação, manutenção e conservação UHE Muniz Freire; 7) obras de construção civil. Por fim, pleiteou a produção de prova pericial, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência. O processo foi distribuído à 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF tendo sido deliberado pela conversão do feito em diligência para que a unidade de origem tomasse as seguintes providências: ● Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 6 5 produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: ○ demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; ○ esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. ● Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; ●·Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; ● Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento." Conforme consta do Relatório Fiscal produzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, a diligência foi devidamente cumprida, tendo a autoridade administrativa consignado que o contribuinte apresentara dois laudos técnicos, confeccionados por MiningMath Associates e Ernest & Young (EY), contendo o primeiro a descrição do processo produtivo da Samarco, com identificação dos insumos utilizados nas várias etapas da produção, e o segundo a descrição e função dos materiais e serviços empregados como insumos, laudos esses que embasaram os novos cálculos realizados pela fiscalização. Após, o recorrente manifestouse aduzindo: (i) a Fiscalização tão somente reafirma os pressupostos jurídicos que ensejaram a glosa fiscal; (ii) tece comentários sobre os dois laudos técnicos produzidos; (iii) que a Fiscalização não contestou a idoneidade ou materialidade do trabalho realizado, e (iv) reitera os fundamentos dos 24 recursos voluntários interpostos e reafirma a procedência dos seus créditos dada a essencialidade dos insumos glosados para o seu processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 7 6 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.316, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.316): Das preliminares arguidas Com relação as nulidades arguidas pela recorrente entendo que não procedem. O fato de o lançamento fiscal ter sido efetivado sem as diligências in loco conforme aduzido pela recorrente não conduzem à nulidade da autuação, pois teve a recorrente o amplo direito de defesa e contraditório respeitados, inclusive com a produção de provas e realização de diligência determinada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. O conjunto probatório formado no caderno processual não conduz à nulidade do processo. No caso em apreço, não há que se cogitar de nulidade pelo fato de o lançamento fiscal preencher os requisitos legais, o processo administrativo fiscal proporcionar plenas condições à empresa de contestar o lançamento e inexistir qualquer indício de violação às determinações contidas no Código Tributário Nacional CTN ou Decreto 70.235, de 1972. Desta forma, por inexistir o vício alegado pela recorrente, inacolho a preliminar. Com relação aos argumentos de que (i) os autos devem retornar à origem para que a DRF comprove junto a recorrente a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento e (ii) que há nulidade da recomposição dos créditos, por não observância ao acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados, entendo, também, que não são causas de nulidade do processo e que tais circunstâncias devem ser apreciadas após a decisão de mérito e definitiva do processo, quando do retorno dos autos à instância de origem para o cumprimento do julgado. Salientese que, em relação aos créditos sobre combustíveis em sua totalidade, conforme argumentado pela recorrente, tal circunstância será apreciada em tópico específico, no mérito da presente decisão. Diante do exposto, inacolho estas preliminares levantadas pela recorrente. Do mérito recursal Em relação ao mérito do recurso algumas considerações introdutórias se fazem necessárias. Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 8 7 Marco Aurélio Greco (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. O escólio de Aliomar Baleeiro é elucidativo para a questão posta em debate: "É uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa "input", isto é, o conjunto dos fatores produtivos, tais como matérias primas, energia, trabalho, amortização de capital, etc, empregados pelo empresário para produzir o "output" ou o produto final (...)" (Direito Tributário Brasileiro, Forense Rio de Janeiro, 1980, 9ª edição, pág.214) Equivocadamente, a decisão recorrida utilizou para o caso concreto o conceito de insumos da legislação do IPI, conforme consignado no voto nos seguintes termos: "Em resumo, concluise que, para fins de apuração de créditos do IPI, somente podem ser considerados insumos os bens que se incorporem ao produto industrializado ou que nele se consumam, mediante contato físico direto, razão pela qual, neste arcabouço, não podem ser considerados insumos combustíveis, lubrificantes e energia elétrica, bem como outras despesas e custos que, embora necessárias à atividade da contribuinte, não se encaixem nos mencionados requisitos. Agora, analisase o que se extrai do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a noção do termo “insumos”, para comparála à concepção deste mesmo termo no âmbito do IPI e ao conceito de custos de produção e de despesas operacionais para o IRPJ. No texto do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, verificase que nem todos os bens e serviços podem, com vistas ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e da Cofins, ser considerados insumos, mas, apenas e tãosomente, aqueles “bens e serviços, utilizados (...) na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (grifo nosso). Como visto, de modo semelhante para o IPI, somente é possível, nos termos do Regulamento do imposto, a apuração de crédito “ ... do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização ...” (grifo nosso). E, igualmente, a noção de custos de produção e de despesas operacionais do imposto de renda se restringe às atividades da empresa." Ainda, adotou como fundamento decisório, as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, conforme segue: "Nesta linha de pensamento, a Receita Federal, no uso do poder regulamentar que lhe foi conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002 e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003, expediu a IN nº 247, de 21.11.2002 (relativamente à contribuição para o PIS) e a IN SRF nº 404, de 12.03.2004 (no tocante à Cofins), que identicamente conceituam insumos, com adoção da mesma noção do IPI, em seus correspondentes art. 66 Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 9 8 (com as alterações da IN SRF nº 358, de 09.09.2003) e 8º, a seguir vazados:" E prossegue: "Portanto, em que pese todos os julgados, tanto na esfera administrativa quanto na judicial, citados pela reclamante, em que se prima pelos critérios da essencialidade, especialmente do que diz respeito ao ICMS, destacase que o conceito de insumos dados pelas instruções normativas acima, além de se adequar aos contornos legais, não poderia, se assim não fosse, ser afastado pela autoridade administrativa julgadora de primeira instância, vinculada aos ditames legais e regulamentares (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990). É que as instruções normativas são atos normativos expedidos por autoridade administrativa competente e que visam regulamentar ou implementar a lei – e, no caso analisado, as IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004 foram editadas com fundamento no poder regulamentar expressamente conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002, e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003. Por decorrência, compõem a legislação tributária (art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN) e são de observância obrigatória pela autoridade administrativa." O Superior Tribunal de Justiça entende que são ilegais as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004 que embasaram a decisão recorrida, conforme a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 10 9 Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido." (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Excerto do voto proferido pelo Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, no processo 10247.000002/200663 é elucidativo para o caso em debate: "Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo." Ainda, de processo relatado pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 11 10 produzidos, atendidas as demais exigências legais." (Processo 11065.101167/200652; Acórdão 9303005.612; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Sessão de 19/09/2017). Imperioso,também, nesta parte inicial, citar também, parte do laudo pericial produzido, em que se tem, em breve síntese, resumo do ciclo de operações de recorrente: Dentro do ciclo de operações podemos distinguir três principais: • Remoção de estéril Este processo envolve a movimentação de material para exposição do corpo mineralizado, bem como de material com teores abaixo do teor econômico (teor de corte). As operações unitárias envolvem perfuração e desmonte mecânico e por explosivos, escavação e carregamento. • Lavra do minério O ciclo desta operação é muito semelhante ao empregado na remoção de estéril. Quanto mais semelhante for a rocha estéril, da rocha hospedeira da mineralização, maior será a similaridade das operações de remoção de estéril e lavra de minério, de maneira que possa ser empregada a mesma frota de equipamentos e técnicas de desmonte, escavação e transporte para ambos. • Operações auxiliares Nestas estão envolvidas uma extensa gama de áreas, sendo: Saúde e segurança. Controle e monitoramento do meio ambiente. Abastecimento de energia e água. Gerenciamento de águas superficiais e subterrâneas. Disposição de estéril; Suprimento de material de operação. Manutenção e reparo. Iluminação. Sistema de comunicação e despacho. Construção e manutenção de acessos e estradas. Transporte de pessoal. O processo produtivo da recorrente, conforme alegado, se divide, portanto, nas seguintes etapas, a saber: (i) processo de tratamento do minério bruto (objeto da lavra); (ii) processo de concentração do teor do minério de ferro; (iii) processo de bombeamento do concentrado para a usina; (iv) processo de preparação do minério concentrado; (v) processo de adição de insumos e formação das pelotas; e (vi) processo de separação das pelotas e embarque para exportação. Como visto, pela complexidade da atividade produtiva da recorrente é de fácil percepção que são utilizadas diversas máquinas e equipamentos, tais como, tratores; carregadeiras; caminhões forade estrada; perfuratrizes; escavadeiras; motoniveladoras; lokotrack/lololink e transportador de correia. No laudo confeccionado pela empresa MiningMath Associates estão descritas as funções e atividades exercidas por cada máquina e equipamento. Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 12 11 Exemplificativamente, temse: (i) Escavadeira Utilizada, principalmente, na lavra, na escavação de rochas e carregamento de caminhões, alimentando lokotrackers (Figura 9) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) ou correias transportadoras de bancada. Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: (ii) Trator O trator é utilizado na lavra, no desmonte mecânico das rochas e, na pilha de estéril, na disposição do estéril (Figura 4) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: O laudo descreve, ainda, quais insumos e serviços são utilizados em cada máquina e equipamento, dispondo, de forma expressa, os serviços de manutenção. O conserto, manutenção e a reposição de peças são considerados como insumos indispensáveis ao processo produtivo, devido ao fato de que sem o maquinário e o ferramental adequado e em condições de uso e produtividade não há como se produzir um bem. Vejamos o que tem decidido o CARF sobre a matéria: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2008 a 30/09/2009 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. USINA DE AÇUCAR E ÁLCOOL. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMO. Em relação à atividade agroindustrial de usina de açúcar e álcool, configuram insumos as aquisições de serviços de análise de calcário e fertilizantes, serviços de carregamento, análise de solo e adubos, transportes de adubo/gesso, transportes de bagaço, transportes de barro/argila, transportes de calcário/fertilizante, transportes de combustível, transportes de sementes, transportes de equipamentos/materiais agrícola e industrial, transporte de fuligem,/cascalho/pedras/terra/tocos, transporte de materiais diversos, transporte de mudas de cana, transporte de resíduos industriais, transporte de torta de filtro, transporte de vinhaças, serviços de Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 13 12 carregamento e serviços de movimentação de mercadoria, bem como os serviços de manutenção em roçadeiras, manutenção em ferramentas e manutenção de rádiosamadores, e a aquisição de graxas e de materiais de limpeza de equipamentos e máquinas." (grifo nosso) (Processo 10410.723727/201151; Acórdão 9303004.918; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Por decisão plenária do STF, não incide as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros. CRÉDITO. DESPESA. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Atendidas as demais condições, as despesas realizadas com manutenção de máquinas e equipamentos, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, geram direito a crédito do PIS nãocumulativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO." (Processo 13052.000441/200307; Acórdão 9303002.801; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 23/01/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 14 13 São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos: 1 Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1 Manutenção de Vias Permanentes; 3.2 Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3 Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Recurso Especial do Procurador Negado" (Processo 10247.000002/2006 23; Acórdão 9303003.069; Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda; sessão de 13/08/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 15 14 produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO. As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens." (Processo 13656.721196/201259; Acórdão 3302004.156; Relator Conselheiro Domingos de Sá Filho; sessão de 22/05/2017) (destaque nosso) Tecidas tais considerações, para melhor compreensão das matérias recursais, passasse a tratálas de modo individualizado e alegado em sede recursal, conforme a seguir: Serviços prestados no mineroduto Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados ao mineroduto, por se classificarem como insumos na produção de minério. A decisão recorrida adota como fundamento decisório para negar o direito ao crédito da recorrente o seguinte: "Ao contrário desse entendimento, podemos afirmar que o processo produtivo da recorrente possui duas etapas distintas: a extração do minério e a industrialização (no caso, a transformação em pelotas). Dentro desse entendimento, o mineroduto não se vincula a nenhuma das duas etapas, em que pese sua importância na atividade da empresa, mas apenas a uma etapa intermediária, que, nas palavras da contribuinte, se caracteriza como “ponto de ligação de sua peculiar planta industrial”. Nesse sentido, nenhum serviço nele empregado se enquadra no conceito de insumo, por não ser aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto." Com o devido respeito, mas tal assertiva é desprovida de embasamento técnico apto a lhe dar sustentabilidade. Do laudo produzido pela empresa MiningMath Associates temse que: Mineração é um termo que abrange os processos, atividades e indústrias cujo objetivo é a extração de substâncias minerais a partir de depósitos ou massas minerais e o seu tratamento ou processamento para o seu mercado consumidor. Ainda: As operações estão nas minas da unidade de Germano, nos municípios de Ouro Preto e Mariana (MG), onde extrai o minério de ferro e o beneficia em Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 16 15 três usinas de tratamento de minérios, e em Ubu, na cidade de Anchieta (ES), onde possui quatro usinas de pelotização e um terminal marítimo próprio. Atualmente, tem capacidade para produzir 30 milhões de toneladas. As unidades são conectadas por três minerodutos de aproximadamente 400 quilômetros de extensão cada um, que transportam a polpa de minério de ferro ao longo de 25 municípios. Prossegue o laudo: A tecnologia do mineroduto, sistema de tubulações por onde se transporta minérios a longas distâncias, foi implantada no país pela Samarco, de forma pioneira, e evita o uso de outros modais viários, o que reduz o número de veículos nas estradas e minimiza as emissões de particulados e gases de efeito estufa. Além disso, por meio de sistemas de recirculação, cerca de 90% da água utilizada no sistema é reaproveitada nas operações. As tubulações passam por uma faixa de servidão uma pista com 35 metros de largura e atravessam 25 municípios. Em sua quase totalidade estão enterradas a uma profundidade média de l,30m, o que facilita a movimentação da fauna e dos seres humanos, causa pouca interferência no uso e ocupação do solo, diminui a exposição e suscetibilidade a acidentes. Somente em alguns pequenos trechos, não totalizando 200m, a tubulação se encontra elevada. A polpa de concentrado é inicialmente bombeada na unidade de Germano e no caminho estações de bombeamento e sistemas de válvulas (item 3, subitens 3.1, 3.2, 3.3 e 3.4, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco)controlam o fluxo da polpa, que viaja a uma velocidade média de 6 km/h, levando em torno de 66 horas para percorrer todo o trajeto. Estas unidades possuem funções diferenciadas, sendo as estações de bombas utilizadas para impulsionar a polpa de concentrado no seu percurso ao longo da tubulação e vencer as elevações que chegam a 1.180 metros e as estações de válvulas a de minimizar os esforços bruscos ou permanentes, de pressão dinâmica e estática, a que a tubulação está submetida durante variações de fluxo, ou seja, alivia a pressão na tubulação causada pela diminuição de elevação até Ubu, que fica no nível do mar, garantindo total segurança à operação e as pessoas. Conclui o laudo técnico: Os minerodutos são essenciais no processo de produção das pelotas, assim, a Samarco realiza manutenção corretiva, preventiva e preditiva nos elementos que os compõem e desenvolve programas de monitoramento de processos erosivos. Essas manutenções podem ser próprias ou de empresas contratadas. Para o correto funcionamento e bom desempenho dos minerodutos são consumidos, ainda, insumos como elementos mecânicos, elétricos e hidráulicos, de instrumentação, cal, serviços de limpeza nas instalações e faixa de servidão, elementos das bombas como camisas, pistões, anéis, válvulas, etc. Por sua vez, no laudo produzido pela empresa EY consta que os minerodutos são utilizados no transporte da polpa do minério resultante do processo de concentração até a área de pelotização. É de se observar, ainda, que no laudo da empresa EY há descrição pormenorizada dos créditos relacionados aos serviços aplicados ao mineroduto que liga os complexos operacionais da recorrente e com a indicação se é ou não um dispêndio vinculado ao processo produtivo e à geração de receita. Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 17 16 Não logrou êxito a Fiscalização em sua manifestação sobre os aludidos laudos técnicos (Relatório Fiscal) derruir a prova técnica produzida. Aduz a Fiscalização: Da análise dos laudos em questão, verificamos que os mesmos se fundamentaram em conceitos de insumos mais elásticos que aqueles definidos na legislação pertinente, ou seja no artigo 3o das leis n°s 10.637, de 30/12/2002 (PIS) e 10.833, de 29/12/2003 (Cofins), combinados com os artigos 66 e 8o das Instruções Normativas SRF n°s 247, de 21/11/2002 (PIS) e 404, de 12/03/2004 (Cofins). Sendo assim, fazse necessário esclarecermos mais uma vez que o termo "insumo", para fins de creditamento de PIS e Cofins, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera custo/despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados ã venda ou na prestação do serviço da atividade. Percebese, então, que a Fiscalização limitouse a reiterar que a glosa teve por base o conceito restritivo das Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, as quais, como já dito, são consideradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. É clara, portanto, a essencialidade do mineroduto na atividade produtiva da recorrente, consistindo em instrumento necessário e indispensável para a produção do minério. Neste sentido, assim deliberou o CARF: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. SERVIÇOS USADOS NA LAVRA MINÉRIO OU NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE DE MINÉRIO. As despesas com serviços utilizados na lavra de minério e na manutenção de mineroduto, cujo minério extraído e transportado é utilizado pela empresa para a produção do bem vendido, geram direito a crédito de Cofins não cumulativa." (Processo 10280.003607/200608; Acórdão 3302002.308; Relator Conselheiro Walber José da Silva; sessão de 25/09/2013). Do voto do relator sobre o direito ao crédito pelos serviços prestados em mineroduto, destaco o seguinte excerto: "Conforme Laudo Técnico, o serviço de bombeamento é empregado na manutenção do mineroduto para efetuar o seu desentupimento e inibir a sua corrosão. É, portanto, um serviço de manutenção de um equipamento utilizado no transporte do minério da mina até a unidade fabril em Barcarema. Dois aspectos precisam ser destacados sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito em relação à essa despesa. Primeiro, a despesa com transporte de insumo que dá direito ao crédito é a despesa com frete. Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 18 17 Segundo, a despesa com a manutenção de máquinas e equipamentos empregados na produção do bem destinado a venda dá direito a crédito. No caso em tela, a situação é bastante peculiar. O minério é extraído no município de Ipixuna e transportado por um mineroduto de 178,3 km para o município de Barcarema, onde fica a planta industrial da Recorrente. Neste transporte, não há que se falar em despesa com frete, posto que frete não há. Resta definir se o mineroduto é ou não um equipamento utilizado na produção do caulim vendido pela Recorrente. No entendimento deste Conselheiro Relator, o mineroduto é um equipamento utilizado, sim, na produção do caulim vendido pela Recorrente porque é um equipamento indispensável para fazer a matériaprima adentrar na planta industrial da Recorrente. O fato dele ser longo (178,3 km) não lhes tira a característica de integrar o processo produtivo, como o são os equipamentos que utilizam correias transportadoras de minérios do pátio da fábrica para dentro dos galpões onde estão os demais equipamentos de uma indústria de beneficiamento de minério (p. ex.: indústria cerâmica, indústria siderúrgica, etc.). Sendo, pois, a despesa com bombeamento uma despesa com serviço de manutenção de equipamento utilizado na fabricação do caulim, há que se reconhecer o direito ao crédito da Cofins sobre a mesma." Podese, também, por analogia, por ser o mineroduto um equipamento de transporte, adotar o entendimento de que o transporte (frete) de um produto não acabado como um insumo. Neste sentido, são os precedentes jurisprudenciais a seguir colacionados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS COM O DESCARREGAMENTO DE MERCADORIAS NO PORTO E SEU TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS não cumulativa sobre despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a unidade fabril por Tubovia, e despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. (...) (Processo 11080.722778/200993; Acórdão 9303005.939; Relator Conselheiro Demes Brito; Sessão de 28/11/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 19 18 (...) CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (...)." (Processo 10925.002182/200921; Acórdão 3302 004.883; Relator Conselheiro José Renato Pereira de Deus; Sessão de 25/10/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 31/07/2006 CRÉDITOS. GASTOS FASES PREPARATÓRIAS DA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. As etapas de preparação material da planta para acesso, extração e obtenção dos recursos e insumos minerais, bem como as atividades de acesso, extração, movimentação e tratamento dos minerais assim obtidos, constituem parte do processo de produção para fins de apuração dos créditos dessas contribuições sociais." (Processo 13116.000674/20073; Acórdão 3401003.434; Relator Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; sessão de 28/03/2017) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados aos insumos e serviços utilizados no mineroduto por ser este um elemento essencial na atividade produtiva da recorrente, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Aluguel de veículos, máquinas e equipamentos. Com razão a recorrente. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, bem como, os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que são empregados na produção de minério. Anota a decisão recorrida para negar o direito ao crédito: "Assim, ratificando o entendimento da fiscalização, não há previsão legal para o desconto de créditos relativos a aluguel de veículos. E, quanto ao argumento de que a locação em questão seria, em parte, de máquinas e equipamentos, e, portanto, não poderiam ser glosados os créditos relacionados às respectivas faturas, é preciso esclarecer que o simples fato de se tratarem de máquinas e equipamentos os objetos da locação não implica necessariamente no direito ao crédito relativo a essas despesas. (...) Sobre a utilização dos equipamentos locados, a reclamante apenas alega que se tratam de caminhões, tratores, etc, sem especificar exatamente qual a sua utilização. Do contrato apresentado, também não se extrai Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 20 19 elementos capazes de esclarecer acerca do emprego de tais equipamentos, e nem tampouco foi juntado aos autos qualquer outro elemento que pudesse fazer prova de que tais equipamentos são, de fato, empregados diretamente em seu processo de extração ou pelotização do minério, em contraponto ao entendimento firmado no procedimento fiscal. Portanto, devem ser mantidas as glosas efetuadas neste item, inclusive as relativas aos serviços de locação de máquina." Os veículos, máquinas e equipamentos locados mostramse como imprescindíveis na atividade produtiva da recorrente sendo utilizados em diversas etapas de seu processo produtivo. Novamente, para o correto deslinde da questão é importante se reportar ao laudo produzido pela empresa. Sirvome do laudo elaborado pela empresa MiningMath Associates: (i) Cava No processo de lavra em cava ou de encosta, praticada pela Samarco (Figura 13) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), a remoção do estéril e minério é conduzida na forma de bancadas (...) Pela sua própria natureza, a operação envolve o transporte de quantidades moderadas a grandes de material estéril e minério para fora da cava, à distâncias relativamente longas e à declividades elevadas. Para complementação das operações de lavra propriamente ditas, são necessárias operações auxiliares que envolvem uma extensa gama de atividades que interagem com diversas áreas da empresa. Essas operações auxiliares, apesar do nome, desempenham papéis fundamentais e são essenciais na lavra dos materiais. Algumas delas ocorrem paralelamente à lavra e outras são preliminares à lavra, ou seja, se algumas dessas operações auxiliares não ocorrerem, não é possível à lavra, por exemplo, a construção e manutenção dos acessos e estradas. Por consequência, sem eles não é possível se chegar à frente de lavra. Na Samarco, muitas dessas operações auxiliares são executadas por empresas contratadas, sendo os principais serviços prestados relacionados a: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.) para a mina. (ii) Pilha de estéril Fisicamente o planejamento de lavra objetiva extrair a maior quantidade de minério e a menor quantidade de estéril (material que não é minério e nem possui qualquer interesse econômico, mas que cobre ou não permite a lavra direta do minério e, portanto, necessita ser removido). Entretanto, muitas vezes a extração do minério ou a sua liberação (minério pronto para extração, livre de estéril, mas que não foi ainda extraído) só é possível quando o estéril é retirado dentro de um cronograma planejado economicamente. O estéril é descartado em pilhas na sua condição natural. A disposição desse material se dá de forma contínua durante toda a etapa de extração do Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 21 20 minério, depende das áreas disponíveis nas proximidades do empreendimento e deve respeitar normas de segurança e proteção ambiental (Figura 14) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Na Samarco, as diversas atividades que envolvem a construção e operação da pilha de estéril são realizadas por empresas contratadas. Os principais serviços consumidos são: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.). (iii) Britador A fragmentação ou cominuição é a operação, ou conjunto de operações, que se caracteriza pela redução das dimensões físicas de um dado conjunto de blocos ou partículas. Os principais mecanismos para a quebra são compressão, impacto e cisalhamento. Genericamente, britagem pode ser definida como conjunto de operações que objetiva a fragmentação de blocos de minérios vindos da mina, levandoos a uma granulometria final ou compatível para posterior processamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (iv) Peneira e grelha O objetivo do peneiramento é a separação do material em duas ou mais frações, com partículas de tamanhos distintos, levandose em conta o tamanho geométrico das partículas em relação às aberturas geométricas existentes no equipamento. Na Samarco essa operação é realizada a seco. Na Figura 17 (item 2, subitem 2.1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é possível ver um conjunto de peneiras. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (v) Moinho A moagem é o último estágio da fragmentação. Opera, normalmente, na faixa do centímetro ao micrômetro. Constituise de cilindros rotativos onde a fragmentação dos materiais se dá através da movimentação da carga interna, minério e corpos moedores (bolas de aço). Em Germano são utilizados diversos tipos de moinhos de bolas (Figura 18) (item 2, subitem 2.3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) e em duas etapas. É na moagem que é adicionado água ao minério e a essa mistura, água mais minério, dáse o nome de polpa. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento) (vi) Flotação A flotação é um processo de separação aplicado a partículas minerais que explora diferenças nas características de superfície entre as várias espécies presentes numa suspensão aquosa (polpa). Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 22 21 A utilização de reagentes específicos, denominados coletores, depressores e modificadores, permite a recuperação seletiva dos minerais por adsorção em bolhas de ar. As operações de flotação da Samarco se dão em várias etapas e em equipamentos diferentes, mas o processo é o mesmo. As bolhas de ar sobem à superfície líquida carregando os minerais sem interesse, os quais são removidos numa espuma, enquanto os de interesse econômico são retirados pela parte inferior do equipamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (vii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte (Figura 22) (item 2, subitens 2.6 e 2.12, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (viii) Bombas, tanques e tubulações A partir do momento que é adicionado água ao processo, temse o que é chamado de polpa (minério mais água). A partir de então, todo o transporte de polpa e alimentação dos equipamentos seguintes são realizados por conjuntos de bombas, tanques e tubulações (item 2, subitens 2.10 e 2.13, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Assim, nos circuitos e processos de moagem, ciclonagem, flotação e espessamento temse conjuntos de bombas, tanques e tubulações necessários para que essas operações possam ocorrer. Os insumos consumidos nesses equipamentos são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (ix) Barragem de rejeito Inerente à atividade de mineração, está a geração de enorme quantidade de rejeitos, resíduos dos processos de beneficiamento e que apresentam na sua composição partículas de rocha, água e as substâncias químicas envolvidas no processo de beneficiamento. Realizar a disposição desses rejeitos de forma segura e econômica, levando em consideração as melhores técnicas e tecnologias disponíveis, é primordial para as mineradoras. Além disso, devido a sua importância e essencialidade no empreendimento mineiro, o plano para a disposição desses rejeitos (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é uma requisito legal, está previsto nas normas reguladoras de mineração (NRM19), deve fazer parte do plano de lavra junto aos requerimentos de registro de extração, licença e concessão de lavra, do plano de aproveitamento econômico (PAE), para obtenção de guia de utilização e quando exigido pelo DNPM. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 23 22 (x) Barragem captação de água As águas das minas, dos concentradores, de drenagem e das barragens de rejeito são direcionadas para uma barragem de água, conhecida como barragem Santarém (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), e dessa é feita a captação de água que retorna para o processo. A recirculação de águas dentro de um projeto mineiro é uma requisição legal e está prevista nas normas reguladoras de mineração (NRM19). Assim, essa barragem é de fundamental importância para as operações da empresa. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xi) Barragem No município de Matipó, na estação de bombas, existe uma barragem de segurança (item 3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) para atender emergência. Ela pode ser utilizada em casos de ruptura ou entupimento da tubulação, manutenção na tubulação ou estação de bombas ou quando necessário. Nesses casos a polpa pode ser direcionada para essa barragem para posterior recuperação e bombeamento. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiii) Preparação de matériasprimas Para que as pelotas adquiram características físicas, químicas e metalúrgicas específicas para utilização em reatores de redução, insumos essenciais são acrescentados, tais como calcário, bentonita ou aglomerante orgânico e carvão. Esses insumos são recebidos e passam por processos de preparação, específico para cada insumo (item 4, subitens 4.6, 4.11, 4.12 e 4.13, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiv) Píer É toda estrutura que avança sobre o mar (Figura 43) (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Essa estrutura suporta o transportador de correia, o carregador de navio e é onde ocorre toda a operação de carregamento de navios. Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 24 23 O píer faz parte do processo dinâmico e integrado de produção, tem capacidade para receber e atracar dois navios a mesmo tempo, visando dar flexibilidade às etapas de carregamento de navios, que podem ocorrer a qualquer momento fora do horário comercial, em finais de semana e feriados e está sujeito a condições do tempo, de maré e características próprias dos navios. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Contratação de serviços e aluguel de equipamentos Para algumas operações no píer, pode ocorrer que equipamentos da Samarco estejam indisponíveis ou sejam inadequados ou, ainda, que ela não possua os equipamentos necessários. Assim, para esses casos, se faz necessária à contratação de serviços e/ou aluguel de equipamentos, como exemplos, serviços de rebocador e portuários para atracagem de navios e/ou locação de rebocadores, locação de dragas para serviços de manutenção do píer, etc. Todos esses serviços são essenciais para as operações de carregamento, pois visam otimizar o tempo dos carregamentos e, por consequência, todo o processo produtivo da Samarco, garantindo a segurança das embarcações, tripulantes e trabalhadores, de toda estrutura e operação do píer e permitindo que a Samarco possa exportar seus produtos. Como visto, a locação de máquinas, equipamentos e veículos é imprescindível para a atividade produtiva de recorrente, sendo lícito o crédito. A própria legislação permite tal creditamento, conforme expressamente disposto nas Leis 10637/2002 e 10833/03): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;" Da Câmara Superior de Recursos Fiscais, destaco os seguintes precedentes que vão ao encontro da tese da recorrente: "Asunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.No caso julgado, são exemplos de insumos: serviços de decapeamento, de lavra, de locação, serviços de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim), óleo diesel e o óleo combustível tipo ABPF. (Processo 13204.000114/200447; Acórdão Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 25 24 9303005.629; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 19/09/2017) (destaque nosso) Do voto condutor, ressalto: "Sobre os dispêndios com a locação de equipamentos empregados na produção (extração do minério), a própria RFB já a entende cabível o creditamento, conforme dispôs na Solução de Consulta Cosit nº 2, de 14 de janeiro de 2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. IMÓVEL LOCADO PARA ALOJAMENTO DE TRABALHADORES EM LOCALIDADE ONDE A PESSOA JURÍDICA NÃO POSSUI SEDE OU FILIAL. As despesas relativas a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos admitem a apuração de créditos para os fins previstos no art. 3o , IV da Lei nº 10.833, de 2003, desde que atendidos todos os requisitos normativos e legais, entre eles, o de serem efetivamente utilizados nas atividades da empresa. Para tanto, é irrelevante se a locação e a utilização dos bens se dão em localidade onde a pessoa jurídica possua sede ou filial." (destaque do original) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. INSUMOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS .Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. ATIVIDADE DA EMPRESA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, por força do art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/03." (Processo 10680.724278/200964. Acórdão 9303005.288; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; sessão de 22/06/2017) Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 26 25 Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados às locações de veículos, máquinas e equipamentos. Locação de Dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários Novamente, possui razão a recorrente em seu pleito. A decisão recorrida assim anota: "Como já explicitado no item anterior (sobre aluguel de veículos), os créditos relacionados a despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, previstos no art. 3º, IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não podem ser entendidos de forma ampla e irrestrita. Tais equipamentos precisam ser utilizados nas atividades da empresa, no caso, de mineração. Assim, no que diz respeito às despesas de locação ou afretamento aqui tratadas, tiveram como objeto embarcação, dragas, e reboques, o que, por si só, já implica em outro tipo de utilidade, que não a de servir à extração ou industrialização do minério, mas de seu transporte. Desta forma, não poderiam tais despesas terem seus créditos descontados, nos termos no referido dispositivo legal. (...) Somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as essas despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Desta forma, seria preciso ficar caracterizado que a contribuinte exerceu atividade de transporte e navegação, inclusive auferindo receitas na prestação desses serviços, de forma que pudesse aproveitar os créditos relativos aos serviços constantes nas planilhas 20, 21 e 22 , que fossem essenciais ao exercício dessa atividade. Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de atestar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou se nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa. Para tanto, necessário se faz que a interessada mantenha escrituração efetuada de forma individualizada, acompanhada dos documentos que lhe dêem suporte, que permitam a correta distinção entre as despesas vinculadas à exportação de minério e as despesas vinculadas aos serviços de transporte e navegação prestados a terceiros, inclusive com a comprovação das receitas auferidas em função da atividade portuária mencionada. Por fim, há ainda a alegação da empresa de que as dragas locadas não foram utilizadas somente nas atividades do porto, mas também na própria mineração, em Mariana/MG. Nas notas fiscais apontadas pela reclamante, os serviços discriminados se referem a drenagem e bombeamento de águas da barragem de Fundão. Ora, a barragem é o local onde são depositados e tratados os rejeitos industriais e, portanto, embora imprescindível para a atividade de produção do minério, não se confunde com a atividade de produção, não podendo os serviços nela empregados serem considerados como “insumos” para a produção de minério." Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 27 26 A decisão merece ser reformada. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações de dragas e reboques. Também, dão direito ao crédito os serviços relacionados ao porto, por serem essenciais a atividade da recorrente O laudo da empresa MiningMath Associates pontua a essencialidade de tais serviços para a consecução das atividades da recorrente. As dragas locadas foram utilizadas na atividade denominada no laudo como "bacias de polpa" assim descrita: Bacias de polpa (item 4, subitem 4.7, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) são bacias existentes, dentro da unidade de Ubu, para recebimento de polpa. Tem também a função de proteger a operação em casos de emergência, como exemplos, queda de energia elétrica, paradas nas usinas, quebra de equipamentos que causem parada de produção, etc. Em tal atividade é insumido o serviço de locação de dragas. Já em relação às locações de reboque, serviços portuários e de rebocador, também é de se prover o recurso. Consta do laudo referido: Dos pátios de estocagem as pelotas são retiradas por retomadoras de roda de caçambas e enviadas por transportadores de correia até o terminal marítimo próprio, para clientes em todo o mundo. No porto (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), localizado em Ponta Ubu, em Anchieta (ES), a Samarco possui um píer com 313 metros de comprimento, dois berços de atracação e profundidade de até 18,7 metros, com capacidade para receber embarcações de até 308 metros de comprimento e cargas de até 210 mil toneladas. Denotase, então, preenchido o requisito da essencialidade para que faça jus a recorrente ao seu pleito. Desta forma, dou provimento ao recurso. Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. Os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos estão vinculados ao processo produtivo da recorrente e por isso lhe dão o direito ao creditamento. No caso específico, nas atividades produtivas desenvolvidas pela recorrente, a necessidade de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos são indissociáveis do seu processo produtivo, ou seja, são intrínsecos à atividade produtiva, a limpeza, recolhimento e transporte de Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 28 27 rejeitos, pois sem isso, inclusive prejuízos de orcem ambiental podem ser gerados. Dos argumentos da recorrente, destaco: Como já foi visto, o minério de ferro passa por diversos subprocessos durante a sua produção. Tais mecanismos possuem sistemas de perdas indesejadas, contudo não são 100% eficazes ao ponto de evitar o escape de material. Estas perdas acabam ficando acumuladas no chão ou depositadas nos equipamentos e, com o passar do tempo, passam a atrapalhar o próprio funcionamento do maquinário. Dessa feira, a limpeza industrial ganha vital importância na medida em que evita o acúmulo desses resíduos e possibilita a sua reutilização no processo produtivo. Aqui é preciso deixar claro que o resíduo não é descartado após a limpeza, mas sim é reinserido no processo produtivo da Recorrente. Foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como indispensáveis ao processo produtivo os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais acolhe a tese da recorrente, conforme decisão a seguir reproduzida: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e serviços de remoção de rejeitos industriais. Recurso Especial do Procurador negado" (Processo 10280.722549/2011 74; Acórdão 9303004.657; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 15/02/2017) (destaque nosso) Em recente julgado proferido no processo 15504.724365/201271, que tratava da atividade de mineração, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vejamos: "Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor." Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 29 28 Outras decisões do CARF são favoráveis à recorrente: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO. O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO. Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção. (...)" (Processo 10280.722549/201174; Acórdão 3403002.765; Relator Conselheiro IVAN ALLEGRETTI; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. (...)." (Processo 11065.001083/2009 62; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 30 29 Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na produção de minério. A decisão recorrida afirma: "Nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, constantes na(s) Nota(s) Fiscal(ais) apresentada(s), são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade. Portanto, estão corretos os fundamentos utilizados pela fiscalização para glosar esses créditos." O decisum merece reforma. Tais serviços são necessários e indispensáveis na atividade da recorrente, o que lhe garante o direito ao creditamento. Na atividade desenvolvida pela recorrente não há como se processar a extração de minério sem a realização dos serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Novamente, importante repisar os argumentos da recorrente: Novo engano: no processo integrado, as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estará comprometido. A nota fiscal em anexo expedida pela empresa PCM Processamento e Caracterização Mineral Ltda, localizada no município de Ouro Preto/MG, traz em seu corpo todos os serviços prestados, o que comprova a irregularidade da autuação (...). (...) Quanto ao tratamento de efluentes, temos exigência legal que não pode ser ignorada. De um lado, a legislação ambiental diz que isso é essencial e obrigatório e a legislação tributária diz que não é essencial e sim dispensável? Está claro que serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas são essenciais à atividade de recorrente. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação ao tema e envolvendo empresa mineradora, assim tem decidido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 31 30 passivo. No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos. (...)" (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira TATIANA MIDORI MIGIYAMA; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) No mesmo sentido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, que sejam neles empregados direta ou indiretamente. Os gastos com a contratação de serviços de prospecção, sondagens e de geologia guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra de minérios e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados." (Processo 16682.720441/201281; Acórdão 3402002.669; Relatora Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; sessão de 24/02/2015) (nosso destaque) Assim, considerando a atividade da recorrente, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias Mais uma vez, com razão a recorrente. Para evitar o enfado, adoto como fundamento decisório, a jurisprudência do CARF que se amolda ao caso. Cito os seguintes precedentes: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros." (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302004.821; Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 32 31 Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; Sessão de 24/10/2017). "(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 .NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. (...)" (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302 004.821; Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; sessão de 24/10/2017) Importante, também, o consignado pelo Conselheiro Valcir Gassen no processo 10972.000033/200962: "Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no Laudo de Funcionalidade elaborado pela requerente (fls. 445 a 586 processo n° 13.646.000183/200451) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: 'Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;' Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema." Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 33 32 Ora, se o entendimento perfilhado nos acórdãos referidos admitem os créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros, nada mais justo que, de igual modo, seja reconhecido o direito pelo serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias que geram a energia elétrica indispensável à recorrente. Assim, dou provimento ao recurso neste tópico. Serviços relacionados à manutenção civil Em relação a tal tópico comungo com o entendimento da recorrente. As barragens da recorrente são indissociáveis do seu processo produtivo de mineração, pois sem elas é impossível efetuar o beneficiamento do minério de ferro. O mesmo se aplica aos demais itens deste tópico, como por exemplo, desassoreamento, manutenção mecânica e paradas técnicas. Como alegado pela recorrente as benfeitorias foram realizadas em imóvel de sua propriedade e essencial à sua atividade produtiva. Não há como a empresa operar se não efetuar serviços de construção civil, como por exemplo, na barragem de rejeitos, barragem da captação de água, barragem, Assim, considerando a complexidade das atividades da empresa e por todo o exposto na presente decisão é de se prover o recurso neste tópico, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Combustíveis Mais uma vez, com razão a recorrente. A decisão recorrida, data venia, de modo equivocado, limitou a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, afirmando ser possível ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Considerando a atividade produtiva de recorrente os combustíveis consumidos nos veículos utilizados na mina geram crédito em seu favor. O CARF assim tem decidido de modo reiterado, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 34 33 O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais." (Processo 11065.001083/200962; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (destaque nosso). "COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NOS SETORES PRODUTIVOS Constatado que os combustíveis e lubrificantes são utilizados no processo fabril, eis que direcionados aos equipamentos de fabricação das rações balanceadas para as aves, ao sistema de comedouros, às campânulas de aquecimento ou às máquinas de aquecimento, aos motores de ventilação, dentre outros, é de se impor a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com os referidos combustíveis e lubrificantes. CONCEITO DE INSUMO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de conserto de motores elétricos, de aferição de balanças, de lavagem de veículos, de pá carregadeira, de retroescavadeira, mecânicos, de recapagem de pneus, de assistência técnica em veículos, de aferição elétrica de troca de rolamentos e de conserto de motor utilizados diretamente no processo produtivo devem ser considerados serviços essenciais à atividade do sujeito passivo, gerando direito a constituição de crédito das contribuições ao PIS e à Cofins." (Processo 10935.004861/201050; Acórdão 9303005.679; Relator Conselheiro Demes Brito, sessão de 19/09/2017) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo.No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos." (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 35 34 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA.CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO. COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não cumulativa em relação às aquisições de insumos como por exemplo óleo BPF, o carvão energético, o ácido sulfúrico, o inibidor de corrosão e os serviços de transporte de rejeitos industriais por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina)." (Processo 10280.004605/200628; Acórdão 3301003.654; Relator Conselheiro Valcir Gassen; sessão de 24/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo 12893.000363/200882; Acórdão 3302004.628; Conselheiro Relator Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 27/07/2017) Assim, dou provimento ao recurso neste tópico, ressaltando, ainda, que deve a unidade de origem proceder à correta recomposição do crédito. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Por fim, esclareço no que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 36 35 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, a turma decidiu por dar provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. No que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos, devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1786DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000028/2006-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/08/1999 a 04/04/2001
O termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da CPMF, encontra-se pacificada na jurisprudência deste E. CARF que acolhe o entendimento disposto no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333-SC, na sistemática de recursos repetitivos.
Inexistindo pagamento referente aos fatos ocorridos até 20/12/2000, o lançamento quanto a esse período, está alcançado pela decadência, ex vi do artigo 173, I do CTN.
Numero da decisão: 3302-005.369
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento parcial para reconhecer a decadência do direito de constituir os créditos tributários lançados até 20/12/2000.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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CARF que acolhe o entendimento disposto no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos. Inexistindo pagamento referente aos fatos ocorridos até 20/12/2000, o lançamento quanto a esse período, está alcançado pela decadência, ex vi do artigo 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em darlhe provimento parcial para reconhecer a decadência do direito de constituir os créditos tributários lançados até 20/12/2000. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 28 /2 00 6- 79 Fl. 579DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. acórdão Carf, conforme a seguir transcrito: Versam estes autos de Auto de Infração de exigência fiscal de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPMF, referente à fatos geradores ocorridos entre agosto de 1999 e novembro de 2001, que constituíram um crédito tributário no montante de R$ 961.075,11 (novecentos e sessenta e um mil, setenta e cinco reais e onze centavos), incluído principal, multa de ofício e juros de mora. A autoridade fiscal fundamenta a exigência na afirmação de que tais valores não foram recolhidos à época dos fatos geradores, por força de medida judicial, que foi posteriormente revogada. Os débitos foram apurados com base em informações fornecidas pela instituição financeira onde a contribuinte mantinha conta corrente, em atendimento ao disposto no art. 45, inciso IV, da Medida Provisória nº. 2.11330 de 2001. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado da exigência em 09/01/2006, a contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação em 06/02/2006, na qual alega que à época da lavratura do auto de infração, já estava decaído o direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos anteriormente a janeiro de 2001. Aduz que, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação, tal prazo seria de cinco anos contados dos fatos geradores (art. 150, § 4º do CTN). Em virtude do auto de infração ser datado de 06/01/2006, já teria, segundo a impugnante, ocorrido a decadência, extinguindo o crédito tributário relativo ao período de 11 de agosto de 1999 a 03 de janeiro de 2001. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, proferiu o Acórdão de nº. 0522.127, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRO CPMF Fl. 580DF CARF MF Processo nº 19515.000028/200679 Acórdão n.º 3302005.369 S3C3T2 Fl. 580 3 Período de apuração: 11/08/1999 a 04/04/2001 DECADÊNCIA. CPMF. PRAZO. O prazo decadencial da CPMF é de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente.” Inicialmente, a DRJ registra que a CPMF é, conforme entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal, espécie de contribuição destinada à Seguridade Social e, assim sendo, enquadrase na modalidade de lançamento por homologação, que fixa o prazo de cinco para ação de autoridade administrativa. Contudo, destaca que devese atentar para a ressalva prévia, inserida no caput do art. 150 do CTN: “se a lei não fixar prazo à homologação [...]”. A partir desse contexto, as autoridades administrativas ficam vinculadas ao estabelecido na Lei nº. 8.212/91, que em seu art. 45, determina que o prazo de decadência aplicado à CPMF é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Sob esse prisma, a DRJ aduz que o Auto de Infração, cuja ciência foi dada ao sujeito passivo em janeiro de 2006, não alberga nenhum período alcançado pela decadência. Após todo o exposto, votou no sentido de julgar procedente o lançamento. Da intimação nº. 3.269/2008 Por meio desta intimação deuse ciência do acórdão 0522.127 e anexouse, ainda, cópia do despacho de 10/12/2008, que trata da decadência dos valores lançados referentes aos períodos de apuração do ano de 1999 e 2000, em face da Súmula Vinculante nº.08. Em virtude do despacho supracitado, a DERAT/SPO, retificou de ofício o lançamento e cancelou, assim, a cobrança relativa aos fatos geradores referentes aos períodos de apuração 08/1999 a 12/2000, uma vez que havia sido extinto pela decadência o direito da Fazenda constituir os respectivos créditos tributários. Retornou, portanto, o processo à DICAT/EQCOB, para que fosse revisado conforme proposto. A DRJ então, julgou parcialmente procedente o Auto de Infração e emitiu DARF, no valor de R$ 81.030,10 (oitenta e um mil, trinta reais e dez centavos), incluídos o principal, multa e juros, sendo facultado ao contribuinte o recolhimento aos cofres da Fazenda Nacional, dentro do prazo de 30 (trinta) dias ou, ainda, que apresentasse recurso ao Conselho de Contribuintes, dentro do mesmo prazo. DO RECURSO Fl. 581DF CARF MF 4 Ciente em 07/01/2009 do Acórdão nº. 0522.127, o contribuinte apresentou em 29/01/2009 Recurso Voluntário a este Conselho. Após fazer uma síntese dos fatos ocorridos até a data da apresentação do Recurso Voluntário, destaca, primeiramente, que o valor da multa, que figura na DARF com vencimento em 30/12/2008, é de 75% sobre o valor principal, podendo esse percentual ser reduzido para 30% se quitado dentro do prazo de vencimento e, ainda, que os juros foram aplicados tanto no valor do principal quanto no valor da multa. Inicialmente, a recorrente alega que a aplicação de multa no percentual de 75% é um atentado ao ordenamento constitucional, bem como a própria equidade (art. 108, CTN) como principio norteador de nosso sistema jurídico, caracterizando, para esta, nitidamente um caráter confiscatório, o que é vedado pelo art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Após citar diversos doutrinadores acerca dos temas supracitados e, ainda, colacionar julgado do Conselho de Contribuintes, alega ser descabida a multa de ofício imposta pela autoridade fiscal com base no art. 44 da Lei 9.430/96, uma vez que, segundo a recorrente, contraria alguns dos princípios maiores estampados em nossa Constituição Federal, como a vedação ao confisco e a isonomia tributária. Quanto a cobrança de juros sobre a multa de ofício, aduz não haver sentido dessa prosperar. Ao se admitir tal incidência, estarseia desvirtuando por completo a natureza e a própria finalidade da norma secundária (que não se volta para si mesma, mas sim para a norma primária). O inciso I, do parágrafo 1º, do art. 44 da Lei 9.430/96 prescreve que a multa decorrente de lançamento de ofício será exigida conjuntamente com o tributo, quando não houver sido anteriormente pago; a SRF, porém, vem computando juros sobre tal sanção, podendo, tal afirmação, ser constatada no SICALC fornecido pela SRF e, ainda, na DARF apresentada pela DRJ juntamente a intimação juntada aos autos. Aduz ser necessário ter a consciência de que os juros não existem por si só, pois decorrem de uma obrigação principal, logo não podem incidir sobre a multa, por se tratar de encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o devedor. Ressalta que, em sendo a obrigação acessória autônoma em relação à obrigação principal, não seria possível admitir a reunião, num único processo, de dois créditos com origens distintas. Faltaria, portanto, lei que autorize a União a incluir a multa como parte integrante do principal, para efeitos de incidir os juros sobre ambos, violando, segundo a recorrente, o princípio da legalidade. Ao fim, aduz que após todo o exposto, evidenciase o fato de que não só a cobrança dos juros sobre a multa é indevida, como Fl. 582DF CARF MF Processo nº 19515.000028/200679 Acórdão n.º 3302005.369 S3C3T2 Fl. 581 5 também o valor originário do referido Auto de Infração não encontra respaldo legal para prosperar. Destaca ser imprescindível o reconhecimento de todo o exposto em sede de recurso, pois do contrário se estaria violando os princípios da verdade material, da finalidade, razoabilidade, moralidade, legalidade, ampla defesa e, ainda, do contraditório. Em respeito aos princípios da verdade material e da informalidade, espera que sejam apreciados os argumentos trazidos em sede de recurso, a fim de comprovar a ilegitimidade da cobrança da CPMF, bem como da taxa Selic e da multa de ofício. Após discorrer sobre o fundamento legal dos princípios, concluiu estar comprovada a ilegitimidade da cobrança da CPMF do auto de infração em discussão, uma vez que não existe respaldo legal para tal exigência. Aduz, ainda, que o valor exigido na DARF anexada aos autos é manifestamente indevido, considerando a impossibilidade de cobrança da taxa Selic, tanto no valor principal como na multa de ofício e, ainda, a inconstitucionalidade dessa multa de ofício. Ao fim, requereu que seja julgada totalmente improcedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, excluindose, consequentemente, qualquer aplicação de multa, bem como requereu a exclusão dos juros. Referido acórdão teve o julgamento, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/08/1999 a 04/04/2001. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REFORMA DE DECISÃO DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO – DRJ, POR ÓRGÃO OU SERVIDOR INCOMPETENTE. NULIDADE DO PROCESSO DESDE A DECISÃO. As decisões proferidas pelas Delegacias Regionais de Julgamento – DRJ, somente podem ser reformadas por decisão proferida pelo mesmo órgão, atendendo as hipóteses legais de cabimento, ou pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em sede de recursos voluntário ou de ofício, sempre mediante a prolação de novo Acórdão. Por tal razão, afigurase nulo o decisão proferida por Órgão ou Servidor incompetente, que reforma o Acórdão da DRJ e revisa de ofício o lançamento tributário, devendo o processo ser anulado desde a referida decisão. Destaca o despacho de fl.576: Cientificado o contribuinte, em 05/12/2013, do Acórdão 3402 001.634 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que anulou os autos do Fl. 583DF CARF MF 6 processo a partir de fls. 196, este não apresentou qualquer manifestação até a presente data. Considerando que os valores do processo foram retificados de acordo com a decisão da DRJCPS e do determinado pelo Acórdão supra mencionado (extrato de fls. 570 a 575) e, havendo necessidade de apreciação do mérito do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte (fls. 495/530), retorne se o presente ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Encontrase pacificada na jurisprudência deste E. CARF o entendimento disposto nos itens 1 e 3 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, conforme excertos a seguir: 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).(Grupo). Fl. 584DF CARF MF Processo nº 19515.000028/200679 Acórdão n.º 3302005.369 S3C3T2 Fl. 582 7 Assim, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, conforme excertos acima, verificase que, havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado a partir da realização do fato gerador do tributo (artigo 150, §4º do CTN). A contrario sensu, o prazo deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser cobrado (artigo 173, I, do CTN). No caso concreto, tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 09/01/2006, fl.161, inexistindo pagamento, conforme relatado e em se tratando de fatos geradores ocorridos de 11/08/1999 a 04/04/2001, aplicase o disposto no 1artigo 173, I, do CTN, para reconhecer a decadência dos fatos ocorridos até 20/12/2000. Quanto às demais questões, analisase a seguir. Da multa de ofício Quanto à aplicação da multa de ofício, registrese que a falta de pagamento do tributo antes do início do procedimento fiscal sujeita o contribuinte à constituição do crédito de ofício e neste caso, é cabível a multa de ofício nos termos art. 44, 1 , da Lei n° 9.430, de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;(grifei). Dos juros de mora Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 161 O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”(grifei). Os juros de mora, ex vi do art. 161 retrotranscrito, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso, visto que a natureza cogente da norma tributária estabelece seja qual for o motivo determinante da falta. 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 585DF CARF MF 8 Notese que o calículo dos juros de mora, para cada período, estão explicitados nos demonstrativos, integrantes do auto de infração, bem como a respectiva base legal, art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.(Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)(Vide Lei nº 9.716, de 1998)(grifei). Conforme autorizado pelo referido § 3º os juros de mora deverão ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Quanto às questões de inconstitucionalidades suscitadas na peça recursal, referida matéria já foi sumulada por esse E. Conselho, conforme disposto na Súmula Carf: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.. Assim, tendo em vista a natureza da obrigação tributária, ex lege, de sorte que uma vez ocorrido o fato gerador, que corresponde à concretização da hipótese legal e faz nascer a obrigação tributária, tem a autoridade administrativa o dever de proceder ao lançamento, que é a formalização do crédito como requisito prévio e necessário para a cobrança administrativa, ex vi do parágrafo único do art. 142 do C.T.N. Ante o exposto, VOTO POR CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO E NA PARTE CONHECIDA, DAR PARCIAL PROVIMENTO PARA RECONHECER A DECADÊNCIA DOS FATOS GERADORES OCORRIDOS ATÉ 20/12/2000. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 586DF CARF MF Processo nº 19515.000028/200679 Acórdão n.º 3302005.369 S3C3T2 Fl. 583 9 Fl. 587DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.001329/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/00. DESCUMPRIMENTO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INFORMAÇÃO EM GFIP. NECESSIDADE
O descumprimento de qualquer dos requisitos da Lei nº 10.101/00, em razão de seu caráter de norma isentiva, atrai a incidência das contribuições sociais aos valores pagos a título de PLR, devendo tais valores serem informados em GFIP.
Numero da decisão: 2201-004.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/00. DESCUMPRIMENTO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INFORMAÇÃO EM GFIP. NECESSIDADE O descumprimento de qualquer dos requisitos da Lei nº 10.101/00, em razão de seu caráter de norma isentiva, atrai a incidência das contribuições sociais aos valores pagos a título de PLR, devendo tais valores serem informados em GFIP.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/00. DESCUMPRIMENTO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INFORMAÇÃO EM GFIP. NECESSIDADE O descumprimento de qualquer dos requisitos da Lei nº 10.101/00, em razão de seu caráter de norma isentiva, atrai a incidência das contribuições sociais aos valores pagos a título de PLR, devendo tais valores serem informados em GFIP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 13 29 /2 01 0- 89 Fl. 150DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I que manteve, parcialmente, o lançamento tributário relativo ao descumprimento de obrigação acessória, por parte do sujeito passivo, de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém o Debcad 37.271.5075, devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 57.271,60 em valores consolidados em dezembro de 2010. A ciência pessoal do Auto de Infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas no período de janeiro a dezembro de 2007 , ocorreu em 17 de dezembro de 2010, conforme se verifica às folhas 03. Em 14 de janeiro de 2011, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls. 53). Em 13 de agosto de 2013, a 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 1258.485 (fls. 108), de forma unânime, julgou parcialmente procedente a defesa administrativa apresentada e tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 17/12/2010 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATO GERADOR. PLR. LEI ESPECÍFICA. DESCUMPRIMENTO. REMUNERAÇÃO.ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. Constitui descumprimento de obrigação acessória apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. É exigível a declaração da remuneração paga aos empregados e contribuintes individuais a título de PLR, mas em desacordo com a lei específica, portanto, integrante do salário de contribuição. É inexigível a declaração dos valores relativos ao fornecimento de alimentação in natura, por se tratar de verba desprovida de natureza salarial, consoante entendimento pacificado no STJ, e de observância obrigatória, pela administração fazendária, a partir do Ato Declaratório PGFN n° 03/2011. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 110): " Trata se de Auto de Infração (DEBCAD nº 37.274.5075) lavrado contra a Impugnante em virtude de a mesma ter apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, referentes Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11052.001329/201089 Acórdão n.º 2201004.063 S2C2T1 Fl. 151 3 às remunerações pagas aos segurados, relativas às competências 01 a 03 e 11/2007, o que caracteriza a infração prevista no art. 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei 8.212/91, c/c o artigo 225, inciso IV, parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. 2. Em decorrência da infração verificada pela fiscalização, foi aplicada a multa de R$ 57.271,60, com fundamento nos art. 32, parágrafo 5º da Lei 8.212/91 e artigo 284, II e art. 373, do Regulamento da Previdência Social, cujo valor foi atualizado pela Portaria MPS/MF nº 333, de 29/06/10. 3. Nos relatórios fiscais de fls. 27/49 a fiscalização informou que: 3.1. A Autuada deixou de informar nas GFIP das competências 01 a 03/2007 e 11/2007, os valores pagos aos segurados, a título de participação nos lucros e alimentação; 3.2. Realizou a comparação das multas em função das alterações implementadas pela lei nº 11.941/09 e em respeito ao disposto no artigo 106, II, “c”, do CTN, de maneira que restou mais benéfica a regra anterior, do artigo 32, § 5º da lei nº 8.212/91, conforme explicitado às fls. 42/44, para as competências 01 a 03/2007 e 11/2007. 4. A Impugnante apresentou a defesa, de fls. 53/64, com idêntico teor da apresentada para os AI nº 37.274.5083 e 37.274.5091, mencionando que se tratavam de verbas não remuneratórias, razão pela qual entendeu que não seria exigível a declaração em GFIP. 5. É o relatório." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 18 de agosto de 2014, por meio de acesso ao seu domicílio tributário eletrônico, consoante se observa pelo despacho de folhas 115, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls. 118) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso interposto, passo a apreciálo na ordem de suas alegações. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Fl. 152DF CARF MF 4 Segundo a Recorrente, ao indeferir o pedido de perícia, formulado em sua impugnação ao lançamento, a decisão de piso cerceou seu direito de defesa (fls. 120): "Ocorre que, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, a realização da perícia era indispensável para a demonstração de que a Suplicante não efetuou pagamentos, a título de PLR, aos seus empregados, em intervalos inferiores a seis meses. Inclusive, a própria fundamentação do acórdão consignou que a Suplicante não teria logrado êxito em comprovar a suas alegações referentes à periodicidade dos pagamentos realizados o que, registrese, seria feito através da prova indeferida. Senão, vejase excerto extraído do julgado: "A lei não é expressa em afirmar que o limite máximo das parcelas deve ser perquerida individualmente, mas, ainda que assim se admitisse, a Impugnante não provou sua alegação, conforme impõe o artigo 16, III do Decreto n" 70.235/82" (fl. 04 do acórdão destacamos). Por sua vez, somente mediante a realização de perícia contábil poderseia confirmar, ou não, a alegação da ora Recorrente, uma vez que, do exame dos lançamentos nos livros próprios, e dos demais controles financeiros e contábeis seria possível identificar a qual período/anobase se relacionam os pagamentos e quais os segurados que, eventualmente, perceberam a PLR nos três meses do ano de 2007. A elucidação destes dados respaldaria a alegação de inexistência de pagamentos em desacordo com a periodicidade legal, uma vez que (a) dentre as parcelas pagas, em 2007, havia a PLR de 2006 (de modo que, por se tratarem de períodos de apuração distintos, inexiste, quanto a PLR de 2007, mais de dois pagamentos no ano), nos termos do Termo de Acordo firmado com o sindicato, bem como que (ii), a despeito de terem ocorrido três pagamentos, não há, dentre eles, situação na qual um mesmo beneficiário tenha percebido a verba nas três ocasiões, justificandose um terceiro pagamento diante de circunstâncias específicas (v. g., profissionais desligados no curso do ano de 2006). Não se trata, outrossim, sequer de prova meramente documental, pois tais evidências dependeriam de um exame técnico da contabilidade e controles financeiros da empresa, sobretudo quanto a vinculação do gasto a um dado período de apuração. Sendo, portanto, essencial a realização da perícia para a comprovação das alegações da Recorrente, e tratandose do meio probatório apto a tal mister, era e rigor o deferimento da prova pericial pleiteada, e sua negativa, data vênia, constitui inequívoco cerceamento do seu direito de defesa, caracterizando ofensa ao artigo 5o, inciso LV, da CR/88, bem como ao artigo 2o da Lei n.° 9.784/99" Não verifico a nulidade apontada. Cabe razão ao julgador de piso no tocante ao indeferimento do pedido de perícia. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11052.001329/201089 Acórdão n.º 2201004.063 S2C2T1 Fl. 152 5 Recordemos que a decisão recorrida (fls. 110), quando da análise da questão remete ao processo 11052.001326/201045, do qual consta (fls. 150 do mencionado processo): "19. A realização de perícia somente se justifica diante da necessidade de se obter parecer especializado sobre questões específicas, imprescindíveis ao deslinde do processo. No presente caso, as questões enfrentadas dispensam a realização de perícia, o que se pode verificar pelos quesitos apresentados pela Impugnante, bastando para tanto, que exibisse os documentos e esclarecimentos requeridos pela autoridade fiscal, ou juntasse o acervo probatório aos autos para análise do julgador, portanto, indefiro o pedido." Segundo a decisão recorrida, o indeferimento do pedido de perícia decorre de sua desnecessidade, uma vez que não se trata de questões específicas que exijam parecer especializado. Há que se concordar. Alega a Recorrente a necessidade de produção de prova pericial como meio de prova de que os pagamentos a título de PLR, em mais de duas vezes ao ano, não foram realizados aos mesmos segurados, e sim, a segurados distintos, uma vez que foram pagos a grupos diversos de empregados a cada vez. Ora, a comprovação de tal fato se dá com simples planilha extraída da contabilidade da empresa e cotejada com a folha de pagamento. Não se pode anuir com a necessidade de um parecer de um profissional especialista para tal comprovação. Não obstante o exposto, é mister não olvidar que o deferimento de prova pericial está disciplinado no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário. Recordemos sua dicção: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." Não foram observadas do ponto de vista material, pela Recorrente, tais exigências. Embora tenha havido a indicação do profissional, verificase que a qualificação do mesmo não é compatível com uma perícia contábil, o que demonstra a logicidade dos argumentos acima expostos, no sentido da desnecessidade de tal prova pericial, posto que segundo o próprio apelante tal perícia pode ser realizada por alguém que não possui formação profissional específica. Logo, não se pode deferir a perícia requerida. Preliminar de cerceamento de defesa rejeitada. Fl. 154DF CARF MF 6 DA INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE FATOS GERADORES Segundo o apelo, não houve descumprimento da obrigação de informação em GFIP, posto que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR, uma vez que houve observância dos requisitos legais. Vejamos seus argumentos (fls. 122) "Cabe insistir, em primeiro lugar, que não prevalece a assertiva do r.aresto no sentido de que, mesmo admitidas suas justificativas a respeito da efetivação de pagamentos em suposto desacordo com a periodicidade legal, não teria a Recorrente delas feito prova, haja vista que tal ausência deve ser imputado à ilegítima recusa do órgão julgador em determinar a realização de prova pericial contábil, único meio,repitase, de se elucidar as questões fáticas sumarizadas no item 8 (oito) do presente recurso. Neste sentido, e ante a premissa de que acabará sendo oportunizada à Recorrente a realização da perícia outrora requerida, os fatos que através dela serão confirmados afastam a pretendida classificação da verba paga como forma de remuneração estratégica, e não autêntica distribuição de lucros e resultados, prevista no artigo 7o, inciso XI, da CR/88. Com efeito, em que pese tenham ocorrido três pagamentos, no próprio ano de 2007, e em intervalo inferior a seis meses, o sentido óbvio da vedação contida no artigo 3o, § 2o, da Lei n.° 10.101, é o de vedar seja o segurado beneficiado pelo pagamento de PLR por mais de duas vezes, ao ano, e em intervalo inferior a seis meses que indique prenúncio de habitualidade. Circunstâncias estas que, portanto, tem de ser analisadas sob o ponto de vista de cada beneficiário, e não de maneira genérica, como o fez a fiscalização e a r. DRJ. E, in casu, como já adiantado, não houve pagamento da PLR a um mesmo empregado em mais de duas vezes no ano, ou em periodicidade inferior a seis meses, entre cada pagamento. Repitase, a principal causa de ter havido pagamentos em três meses distintos durante o primeiro semestre de 2007 referese à circunstância de que em cada um desses meses terem sido contemplados grupos distintos de empregados, classificados de acordo com o cargo exercido na empresa. Ademais, outros elementos também justificam a circunstância de terem sido efetuados pagamentos nos três primeiros meses de 2007, tais como (i): ter havido o pagamento da própria PLR, relativa a 2006, cuja data prevista é fevereiro de 2007, nos termos do Termo de Acordo firmado com o sindicato e (ii) ter havido o creditamento da PLR a beneficiários diversos dos anteriormente contemplados (v. g., profissionais desligados no curso do ano de 2006). Naturalmente, dentro da liberalidade de negociação entre empresas, empregados e Sindicatos, não há nenhum empecilho em estipular regras de pagamento da PLR que, atendendo ao Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11052.001329/201089 Acórdão n.º 2201004.063 S2C2T1 Fl. 153 7 objetivo do legislador, segreguem os pagamentos a tal título durante o exercício fiscal sem que um mesmo segurado seja contemplado repetidas vezes. (...) Por fim, ainda que tenha sido desrespeitado o limite individual de pagamento, previsto no Termo de Acordo celebrado para este fim, é lícito concluir que o atendimento a este limite não consiste requisito essencial para a configuração, ou não, da PLR, até porque sequer prevista a necessidade de um teto de pagamento na Lei n.° 10.101/00. Em rigor, as normas estipuladas no acordo, caso descumpridas, ensejam eventual responsabilidade entre as partes, mas não têm o condão de desnaturar a natureza dos pagamentos realizados, pois se cuida de regra acessória, estipulada dentro da esfera de liberdade do empregador e de seus empregados. Portanto, o seu adimplemento, ou não, afeta tão somente o montante a ser distribuído e a forma de participação dos empregados, mas não o seu caráter desvinculado da remuneração. (...) Ademais, o não atendimento ao supracitado limite de pagamento, quando muito, implicaria com que a incidência fiscal recaísse, apenas, sobre a parcela paga em patamar superior a tal limite, posto que o valor restante, creditado que foi em conformidade com as regras contratuais (i.é., dentro do limite), está em perfeita sintonia com os requisitos legais e contratuais Naturalmente, não se pode emprestar um mesmo tratamento jurídico à parcela paga em atendimento a este limite e àquela que o supera. Caso contrário, estarseia afrontando o citado princípio da razoabilidade, haja vista que a consequência jurídica pretendida (desconsideração de todo o crédito como PLR) é desproporcional à sua causa (desconformidade parcial do pagamento, em relação à parcela que superou o limite)." (negritos e sublinhados concomitantes são meus) Inicialmente, antes de analisar pontualmente as alegações recursais, entendo ser mais adequado, no caso concreto, uma explanação sobre a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados. Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. Fl. 156DF CARF MF 8 De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11052.001329/201089 Acórdão n.º 2201004.063 S2C2T1 Fl. 154 9 determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra de dúvida, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Fl. 158DF CARF MF 10 Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11052.001329/201089 Acórdão n.º 2201004.063 S2C2T1 Fl. 155 11 prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o Fl. 160DF CARF MF 12 cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos)" Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11052.001329/201089 Acórdão n.º 2201004.063 S2C2T1 Fl. 156 13 expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos é que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da Lei nº 10.101/00. Recordemos a acusação fiscal, no ponto em questão (fls. 39): "A contabilização da Participação nos Resultados foi realizada através da conta 353012006 "Remuneração variável participação no resultado" sob a qual foi solicitado através de intimação "Explicação por escrito assinada pelo responsável legal a respeito da conta 353012006 Remuneração variável participação no resultado, ao que se refere, como funciona e os beneficiários com valores recebidos/creditados por data" que foi parcialmente atendida com a seguinte informação prestada pelo representante da empresa Sr. Enio de Carvalho em 01/10/2010 "As contas 353012003 e 353012006 pertencem ao Grupamento de Despesas Gastos com o Pessoal, do Plano de Contas da Companhia, e tem por função o registro contábil das despesas com pessoal oriundas de adicionais por acordo..." Ocorre que foram lançados valores nesta conta nos meses 01/2007, 02/2007 e 03/2007, em periodicidade superior ao que determina a Lei 10.101 em seu art. 39 § 2e que veda expressamente o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Além disso, o "Termo de Acordo sobre a Participação nos Resultados" deter parágrafo 4Q da cláusula A que o valor máximo a ser pago a cada empregado a título de Participação nos Resultados será limitado a 6 (seis) salários base, o que foi desrespeitado conforme demonstra abaixo,alguns pagamentos que foram informados pelo contribuinte, conforme anexo V" (destaques não constam do relatório fiscal). Não assiste razão ao Recorrente. Como visto em nosso esforço teórico, ao descumprir o acordo firmado entre as partes, ajuste este que contou com a anuência sindical, e efetuar pagamento de valores superiores ao acordado, a Recorrente contrariou preceito da norma isentiva, atraindo, forçosamente, a incidência tributária. Contrariou, uma vez mais, ao pagar em mais de duas vezes no mesmo ano civil, valores a título de PLR. Nem se diga que tais pagamentos não foram realizados aos mesmos segurados, posto que tal argumentação não veio acompanhada das necessárias provas. Fl. 162DF CARF MF 14 Forçoso recordar que esses mesmos argumentos não foram comprovados na impugnação, sendo motivo determinante para a manutenção do lançamento pelo julgador de primeira instância. Ora, caso tais alegações fossem comprováveis, bastaria, ao contribuinte diligente, elaborar planilha, com lastro em sua folha de pagamento e registro contábeis, que demonstrassem tal situação. Ao reverso, preferiu a Recorrente arguir cerceamento de defesa pelo indeferimento de produção de prova pericial, o que examinamos acima. Mister realçar que no tocante ao pagamento acima dos valores estipulados, a única alegação recursal de que não há na Lei nº 10.101/00, tal óbice ofende comando explicito de norma isentiva, o que atrai, infalivelmente, a incidência tributária e portanto o dever de informar em GFIP os valores pagos aos segurados. Portanto, não merece reparo a decisão de piso. Diante do exposto, forçoso negar provimento ao recurso nessa parte. Nada mais havendo no recurso voluntário, o que demonstra a concordância da Recorrente com os demais pontos do acórdão de impugnação, passo a conclusão. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeiro grau em sua inteireza. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 163DF CARF MF
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