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Numero do processo: 19515.001774/2009-22
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2803-000.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, para que a autoridade preparadora providencie a informação e junte aos autos o seguinte: a) os Discriminativo Analítico do Débito, Discriminativo Sintético do Débito, Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados referentes ao lançamento objeto do presente processo contencioso; b) se houve e quais foram os pagamentos de contribuições previdenciárias referentes às competências de janeiro a maio de 2004, incluindo os valores pagos, datas e respectivas GPS. Após o cumprimento da diligência, que a contribuinte seja intimada, para manifestar-se, no prazo de 30(trinta) dias, assim, retornando os autos à apreciação.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, para que a autoridade preparadora providencie a informação e junte aos autos o seguinte: a) os Discriminativo Analítico do Débito, Discriminativo Sintético do Débito, Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados referentes ao lançamento objeto do presente processo contencioso; b) se houve e quais foram os pagamentos de contribuições previdenciárias referentes às competências de janeiro a maio de 2004, incluindo os valores pagos, datas e respectivas GPS. Após o cumprimento da diligência, que a contribuinte seja intimada, para manifestar-se, no prazo de 30(trinta) dias, assim, retornando os autos à apreciação. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, para que a autoridade preparadora providencie a informação e junte aos autos o seguinte: a) os Discriminativo Analítico do Débito, Discriminativo Sintético do Débito, Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados referentes ao lançamento objeto do presente processo contencioso; b) se houve e quais foram os pagamentos de contribuições previdenciárias referentes às competências de janeiro a maio de 2004, incluindo os valores pagos, datas e respectivas GPS. Após o cumprimento da diligência, que a contribuinte seja intimada, para manifestarse, no prazo de 30(trinta) dias, assim, retornando os autos à apreciação. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 77 4/ 20 09 -2 2 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 19515.001774/200922 Resolução nº 2803000.248 S2TE03 Fl. 147 2 Relatório O presente recurso voluntário busca a reforma da decisão que manteve o lançamento do AI — Auto de Infração Debcad n° 37.222.2498, cientificado em 28/05/2009, de contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos — Terceiros, abrangendo o período de 01/2004 a 12/2004,apurado pelas diferenças entre Folhas de Pagamento, GFIP e pagamentos. O recurso voluntário apresentado tempestivamente, alega: conexão com ou decadência em razão do art. 150, §4º, do CTN, duplicidade de lançamento com o LCD n. 37.109.8572, pedido de diligência, não incidência de multa. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 19515.001774/200922 Resolução nº 2803000.248 S2TE03 Fl. 148 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Atentase que os autos não vieram acompanhados, de forma a serem visualizados nos presentes autos o Discriminativo Analítico do Débito, Discriminativo Sintético do Débito, Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, pois foram entregues à contribuinte de forma digital. III – Observando a necessidade de observância da aplicação do art. 150, §4º, do CTN, quando à decadência, bem como à Súmula 99 do CARF: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. IV – Cumulandose com os princípios da verdade material, devese obter maiores informações se há qualquer efetivos pagamentos de qualquer contribuições previdenciárias referentes às competências de 01 à 05 de 2004. Como os relatórios que, geralmente, ajudam nessa averiguação não se encontram impressos aos presentes autos, deve se obter tais informações em diligência. V – Isso posto, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora providencie a informação e junte aos autos o seguinte: a) os Discriminativo Analítico do Débito, Discriminativo Sintético do Débito, Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados referentes ao lançamento objeto do presente processo contencioso; b) se houve e quais foram os pagamentos de contribuições previdenciárias referentes às competências de janeiro a maio de 2004, incluindo os valores pagos, dados e respectivas GPS. Após o cumprimento da diligência, que a contribuinte seja intimada, para manifestarse, no prazo de 30(trinta) dias, assim, retornando os autos à apreciação. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000219/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Lucro Presumido.
Serviços Hospitalares. Base de Cálculo. Prestação de serviços hospitalares aplica-se o percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta para fins de determinação do lucro presumido, considerando que a contribuinte realiza diagnóstico por imagem.
Numero da decisão: 1301-001.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Lucro Presumido. Serviços Hospitalares. Base de Cálculo. Prestação de serviços hospitalares aplica-se o percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta para fins de determinação do lucro presumido, considerando que a contribuinte realiza diagnóstico por imagem.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Lucro Presumido. Serviços Hospitalares. Base de Cálculo. Prestação de serviços hospitalares aplicase o percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta para fins de determinação do lucro presumido, considerando que a contribuinte realiza diagnóstico por imagem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 19 /2 00 8- 01 Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Depreendese pela análise do presente processo administrativo que em desfavor da recorrente, submetida à tributação pelo lucro presumido, foi lavrado o auto de infração (fls. 04/37), para formalização e exigência do IRPJ, PIS, CSLL e Cofins, ante a verificada omissão de receitas da atividade e aplicação indevida de coeficiente de determinação do lucro. A fundamentação legal achase descrita no auto de infração e nos demonstrativos correspondentes, consta ainda o Termo de Verificação Fiscal de folhas 38 a 45 e o Termo de Constatação Fiscal de folhas 46 a 50. Dos apontados Termos, extraise que a fiscalização apurou divergência entre os valores consignados pelas fontes pagadoras e declarados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF) e os constantes de notas fiscais emitidas pela contribuinte, decorrentes de prestação de serviços com empresas conveniadas e detalhados nas planilhas de folhas 48 a 50. Registrou a fiscalização que segundo a contribuinte alegou, eventualmente ocorrem glosas nos pagamentos. Após as justificativas e ponderações as empresas conveniadas confirmam as glosas ou regularizam os pagamentos, o que justificaria as divergências entre os valores que constam das DIRF e as notas fiscais emitidas. Tais justificativas não foram aceitas pela fiscalização, eis que o resultado decorrente das atividades submetese ao regime de competência e deve ser encerrado no próprio exercício. No que se refere ao primeiro dos relatórios, achase assentado que a atividade econômica, consignada nas Declarações de Informações Econômico Fiscais e declarada pela contribuinte é a de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica (CNAE 8640299) e serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, exceto tomografia (CNAE 8640205); seu objeto, nos termos da alteração contratual de 01/07/2006, é o de prestação de serviços de diagnóstico e terapia em medicina nuclear. Registrouse assim, que a vista dos documentos apresentados em cumprimento das intimações, constatou a fiscalização que não foi comprovada a prestação de serviços hospitalares que justificassem a aplicação da alíquota de 8% sobre a receita bruta, para determinação do lucro presumido, o que ensejou a imposição tributária com a utilização da alíquota de 32%. Aduzindo que por tratarse de outorga de isenção, a melhor exegese reclama seja o dispositivo legal que textualmente excepciona serviços hospitalares da tributação mais gravosa como aqueles prestados efetivamente por hospitais, em consonância com as regras editadas pela administração tributária, em especial o Ato Declaratório Interpretativo RFB n. 19, de 07/12/2007, que define serviços hospitalares. Assentou a fiscalização que os demonstrativos de folhas 43 a 44 consubstanciam os valores apurados, decorrentes da diferença entre as alíquotas declarada e legalmente prevista. Da documentação acostada, em especial a modificação contratual ocorrida Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15889.000219/200801 Acórdão n.º 1301001.690 S1C3T1 Fl. 3 3 em janeiro de 2004, concluiuse que a contribuinte ostentava natureza jurídica de sociedade civil e posteriormente, sociedade empresária, a teor da informação dos registros das alterações, efetuados inicialmente no Primeiro Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas de Bauru e a partir de janeiro de 2004, na Jucesp. Regularmente notificada da imposição tributária, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 912 – 962), alegando em síntese, que em dezembro/2004 apresentou consulta à RFB a "fim de obter uma posição acerca da caracterização ou não das suas atividades como prestação de serviços hospitalares", sendo que, na resposta, a RFB não se manifestou acerca de sua caracterização individual como prestadora de serviços hospitalares, o que a remete a análise de sua atividade e enquadramento, com base nas normas vigentes na época. Defendeu assim, que no decorrer do anocalendário de 2004, em que vigiam as instruções contidas na IN 306/2003, sua atividade encontrase expressamente prevista nas regras emanadas do art. 23, inciso V. No anocalendário de 2005 vigiam a IN 480/2004 e a IN 539/2005. A primeira, que produziu efeitos para os fatos geradores do primeiro trimestre do anocalendário de 2004, em seu art. 27, restringiria o conceito para estabelecer que serviços hospitalares são aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares com características determinadas em seu § 1º, além de se observar o enquadramento no Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) na classe 85111. Esclareceu que navigência da IN 539/2005, que modificou o artigo 27 da IN 480/2004, com eficácia a partir de abril de 2005, para ser considerado serviço hospitalar ele deve ser prestado por empresário ou sociedade empresária e, dentre outros requisitos, deve servir a "prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, que consiste no atendimento a pacientes internos externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado de saúde (contato direto)". Alegou tratarse de sociedade de natureza civil, em que os "serviços são prestados por um dos sócios, médico, que possui habilitação profissional na área, e por associações de médicos, habilitadas profissionalmente na área de medicina nuclear, e na área da cardiologia conforme comprovariam as notas fiscais anexas, aduzindo que a área de medicina nuclear, em que opera, enquadrase na Resolução RDC n. 50/02, Parte II, da Anvisa, subitem 2.1, inciso 4, que estabelece 4 — prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia — atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde (contato direto). Acrescentou que sua atividade está expressamente contemplada no item 2.2 da parte II da referida resolução, que enumera ações no âmbito do desenvolvimento de atividades de medicina nuclear. No que se refere ao enquadramento da estrutura física do estabelecimento as regras previstas na citada Resolução, alegou que a construção de suas instalações fora autorizada pela Comissão de Energia Nuclear — CNEN. Contestou a aplicação retroativa do entendimento dado pelo Ato Declaratório Interpretativo n. 19/2007, bem assim da IN SRF n. 791/2007, em face de que tais atos inovam o conceito de serviço hospitalar anteriormente previstos nas IN 306/2003, IN 480/2004 e IN 539/2005. Escorouse em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça para embasar suas alegações e em manifestação do Ministro Luiz Fux, relator do voto condutor proferido no Resp 810632/SC. Por fim, relativamente à parte do lançamento que tratou de omissão de receita, alegou que emite nota fiscal no momento da prestação do serviço. Entretanto, devido a glosas eventualmente efetuadas pelos convenentes, pode ocorrer que o valor total da nota fiscal Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 seja superior ao declarado pela fonte pagadora. Por outro lado, no momento em que os convênios reconsideram a glosa e decidem pagar os valores inicialmente glosados, a impugnante emite somente notas fiscais referentes aos serviços do mês, o que gera descompasso entre o valor faturado e aquele pago. Arguiu que se a nota fiscal foi emitida corretamente, no momento da prestação do serviço, não há razão para emitir outra, referente ao mesmo serviço, no momento do efetivo pagamento. Ao final, propugnou pela acolhida de suas alegações, mantendo o enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e a tributação correspondente, bem assim pelo cancelamento do lançamento tributário relativo à omissão de receita, em face de que já foram oferecidas à tributação em períodos anteriores. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 1.413 em diante, julgou o lançamento procedente, assentando que os artigos 15 e 20 da Lei n° 9.249/95, estabelecem regra geral segundo a qual o percentual a ser utilizado para apuração da base de cálculo do IRPJ é de 8% (oito por cento) e da CSLL é de 12% (doze por cento), sendo que a exceção fica por conta do § 1º, do artigo 15 que relaciona as atividades com percentuais distintos, dos quais destacase o de 32% (trinta e dois por cento) para a atividade de prestação de serviços em geral, exceto a prestação de "serviços hospitalares", constante do inciso III, alínea "a", eis que sobre o valor correspondente à prestação de serviços hospitalares, na inexistência de disposição específica em contrário, aplicase o índice geral de 8% (oito por cento) para o IRPJ e de 12% (doze por cento) para a CSLL. Ressaltouse que desde a edição da Lei n. 8.541/92, que atribuiu percentual diferenciado para apuração do lucro presumido na prestação de serviços hospitalares instalou se uma polêmica: o que são serviços hospitalares e em quais atividades deste setor deve ser utilizado o percentual normal de presunção aplicável à prestação de serviços, 32%, no lugar do percentual de 8%. Em retrospectiva, afirmou a decisão recorrida que o artigo 23 da Instrução Normativa SRF n° 306/03, considerou serem serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma ou mais atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capitulo 2, da Portaria GM n° 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde e, posteriormente à publicação da IN SRF n° 306, de 2003, a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) proferiu a Solução de Divergência n° 11, de 21 de julho de 2003, esclarecendo que “a prestação de serviços de clínica médica de ortopedia e traumatologia, bem assim a prestação de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica (exames radiológicos), por se enquadrarem dentre as atividades compreendidas nas atribuições de atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde, poderão ser enquadradas como serviços hospitalares, podendo ser aplicado ás referidas atividades o percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido". Segundo registrou a decisão recorrida, todavia, o real alcance do referido artigo 23 da IN SRF n° 306, de 2003, somente ficou explicitado com a edição do Ato Declaratório Interpretativo do Secretário da Receita Federal (ADI) n° 18, de 23 de outubro de 2003, o qual manifestou o entendimento que, para fins do disposto no artigo 15, § 1. 0, III, "a", da Lei n° 9.249, de 1995, consideramse serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias, sendo que o referido ADI ainda declara que não são considerados serviços hospitalares, para fins de determinação do lucro presumido, os serviços prestados exclusivamente pelos sócios da empresa ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica dos profissionais envolvidos, e que a IN nº 306, de 12/03/2003, foi revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela IN nº 480, de Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15889.000219/200801 Acórdão n.º 1301001.690 S1C3T1 Fl. 4 5 15/12/2004, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 29/12/2004, a qual, por sua vez, inseriu o art. 27, posteriormente alterado pela IN nº 539, de 25/04/2005. Anotouse assim, que na vigência de referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no artigo 27 da IN SRF nº 480, de 2004 (tratadas pela RDC n° 50, de 2002), na redação dada pela IN SRF n° 539, de 2005, e que possua estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Pontuou a decisão recorrida que a IN SRF n° 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF n° 539, de 2005, não alterou o conceito de serviços hospitalares; que no ADI SRF n° 18, de 2003, também há o entendimento de que os serviços hospitalares alcançavam os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias e que a IN SRF n° 306, de 2003, dispunha sobre a necessidade de os estabelecimentos possuírem estrutura física condizente com a atividade desenvolvida. Além disso, não se considerariam serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, mesmo que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo, sendo que posteriormente, em 10 de dezembro de. 2007, publicouse o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) nº 19, de 07/12/2007, e em 12 de dezembro de 2007, a Instrução Normativa RFB n° 791, de 10 de dezembro de 2007, que, ao conferir nova redação ao art. 27 da Instrução Normativa SRF n° 480, de 2004, implantou definição de serviços hospitalares idêntica àquela lançada no ADI 19/2007, considerando “serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clinica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos”. Dito isso, assinalouse que em regra, as normas legais projetamse para frente no tempo. Conquanto as leis interpretativas sejam válidas em nosso ordenamento jurídico, sua aplicação retroativa é procedimento limitado pelo princípio constitucional da irretroatividade das normas tributárias mais gravosas, ou seja, se o comando legal tiver como intenção tornar clara norma anterior, todo seu conteúdo normativo será objeto de interpretação e não seria o caso de retroatividade, senão fazer valer o que já estava descrito na origem. Nesse diapasão, para ser considerada interpretativa, a norma deveria assim declararse e não criar direito novo. Em suma, leis interpretativas seria as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas, de sorte que o ato declaratório normativo seria um instrumento mediante o qual se veicula a interpretação adotada pela RFB no tocante à matéria atinente aos tributos por ela administrados. Por ser de caráter interpretativo, reportase a normas integrantes da legislação tributária a ela preexistente, limitandose a explicitar o sentido e a fixar, em relação a elas, o entendimento da administração tributária. Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Ou seja, entendeu a decisão recorrida que relativamente ao guerreado ADI 19/2007 resta definir sua natureza jurídica e o termo inicial de sua eficácia e, por fim, qual o posicionamento da Administração Tributária em face de situações consolidadas, aduzindo que, com o passar do tempo o conceito de serviços hospitalares sofreu modificações, materializadas na edição das aludidas IN. Embora formalmente interpretativo, ao retomar definição restritiva do conceito legal de serviço hospitalar, materialmente o ADI 19/2007 alterou critério jurídico adotado. A demonstração cabal de tal circunstância achase assentada na subsequente edição da IN 791/2007 que alterou o art. 27 da IN 480/2004 e introduziu texto com o mesmo teor daquele do ADI. Em deferência ao princípio da proteção à confiança, em que remanesce a "impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente a situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores", concluindo assim, que a eficácia do ADI 19/2007 deve projetar seus efeitos a partir de sua publicação, 11/12/2007. No período antecedente seriam eficazes as regras introduzidas pelas IN 306/2003, 480/2004, 539/2005 e 791/2007, nos respectivos períodos de vigência. Sendo assim, entendeu a decisão recorrida que para aferir se a receita da atividade desenvolvida pela contribuinte está sujeita ao percentual geral das prestadoras de serviço ou à exceção aplicável as prestadoras de serviços hospitalares, cumpre verificar qual o alcance desta expressão na legislação sob enfoque, considerandose cada um dos períodos de eficácia das normas correspondentes. Nesse sentido, a IN 306/2003 teria eficácia desde sua publicação até 29/12/2004; a IN 480/2004, de 30/12/2004 até 27/04/2005; a IN 539/2005 até 12/12/2007; devendo observar ainda, o que dispõe o ADI 18/2003 acerca da abrangência do conceito de serviços hospitalares, no que diz respeito a consideraremse enquadrados os estabelecimentos constituídos por empresários ou sociedades empresárias, com a ressalva de que não são considerados serviços hospitalares aqueles excepcionados pelo art. 2° do referido ato declaratório. Considerandose que a imposição tributária abrange os anoscalendário de 2004 a 2006, a decisão recorrida entendeu pertinente perquirir acerca da definição de serviços hospitalares para cada um dos períodos, observandose o entendimento da RFB expresso nas citadas instruções normativas, sem descurar que determinadas matérias suscitadas pela impugnante dizem respeito a todos períodos objeto do lançamento tributário. Assim, no ano calendário de 2004 vigiam as regras instituídas pela IN 306/2003; para o anocalendário de 2005, as estatuídas pela IN. 480/2004 e 539/2005; para o anocalendário de 2006, as normas da IN 539/2005. Pontuou a decisão recorrida, portanto, que relativamente ao anocalendário de 2004, as exigências normativas dizem respeito a: i) caráter empresarial da pessoa jurídica; ii) natureza das atividades desenvolvidas, sendo que os conceitos de empresário e de sociedade empresária, derivados do Código Civil, dizem respeito, respectivamente, a pessoa física que emprega seu capital e organiza a empresa individualmente, e a pessoa jurídica nascida da união de esforços de seus integrantes e que a lei requer, para esse fim, que haja o exercício profissional de atividade organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços, sendo importante a exclusão do exercício de determinadas atividades que não são consideradas empresariais: são as profissões intelectuais, de natureza cientifica, literária ou artística, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Quanto ao elemento de empresa a que a norma se refere diz respeito a um dos fatores a serem agregados dentro de um conjunto de atividades organizadas, que buscam atingir os objetivos sociais da organização. Não pode a simples prestação de serviços profissionais na área médica ser entendida como elemento de empresa, sendo necessário, para tanto, haver uma Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15889.000219/200801 Acórdão n.º 1301001.690 S1C3T1 Fl. 5 7 organização econômica da atividade empresária, em que a profissão intelectual constitua um dos elementos da organização. Entendeuse assim, que da documentação apresentada, notadamente os instrumentos de alteração contratual, verificase que a contribuinte ostentaria a natureza jurídica e sociedade empresária, em face dos registros na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), desde janeiro/2004 e, conforme explicitado anteriormente, uma das condições para usufruir da tributação que incide sobre prestação de serviços hospitalares, prevista no ADI n. 18/2003, art. 2°, I, reside no fato de que os serviços não sejam prestados apenas pelos sócios da sociedade empresária e que na impugnação apresentada, a contribuinte declara expressamente que os serviços são prestados por um dos sócios, além de associações de médicos habilitadas, concluindo que o fato de apenas sócio prestar serviço colide frontalmente com a prescrição que emana do ADI 18/2003, que veda enquadramento na situação em que os serviços sejam prestados exclusivamente pelos sócios. No que se refere especificamente às associações de médicos, as notas fiscais apresentadas (fls. 99/105) referemse a período posterior ao da ocorrência dos fatos geradores objeto da imposição tributária e, conforme dito anteriormente, não bastaria apenas ter natureza jurídica de empresário ou sociedade empresária, sendo necessário que a pessoa jurídica tenha em seu quadro funcional servidores com competência técnica para realizar sua atividadefim sem a necessidade de atuação dos sócios, eis que efetivamente caracterizaria a pessoa jurídica como sociedade simples ou empresária, o modo de explorar seu objeto. Assim, para o período em questão, verificouse que além dos requisitos consubstanciados em caráter empresarial e natureza das atividades desenvolvidas, a legislação estabeleceu outro, de ordem material, a saber, adequada estrutura física do estabelecimento, registrando que, embora a contribuinte tivesse alegado que houve autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), a regra é clara ao estabelecer que a homologação deve ser comprovada por meio de documento expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Nesta exigência estaria implícita a necessidade de que o ambiente em que realizadas as atividades seja apropriado para que a pessoa jurídica exerça as atividades caracterizadas como hospitalares. Para a decisão recorrida, ainda que a questão relativa à prestação de serviços exclusivamente pelos sócios da contribuinte tivesse sido superada, a licença de funcionamento da vigilância sanitária somente poderia abranger o último semestre do anocalendário de 2006, pois fora emitida em 28/07/2006 (fl. 115). Entendeuse ainda, que seria imprescindível que as provas e argumentos carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, consequentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo Fisco e, sendo assim, somente os serviços que se enquadrem no conceito de serviços hospitalares do ADI n° 18, de 2003, da IN SRF n. 306, de 2003, durante sua vigência, e da IN SRF n. 480, de 2004, com a redação dada pela IN SRF n° 539, de 2005, acima transcritos, estariam compreendidos na exceção ao percentual de 32% (trinta e dois por cento), o que não seria o caso da recorrente. No tocante à falta de emissão de nota fiscal, entendeu a decisão recorrida que para fazer prova em seu favor deveria a contribuinte apresentar os respectivos registros contábeis que embasariam suas alegações e que, na ausência da competente justificação documental e contábil não há como acatar suas alegações. Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Cientificada da decisão relatada acima (fl. 1.432), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.433 em diante), reiterando seus argumentos para caracterização dos serviços hospitalares para os fins de apuração do lucro presumido. É o relatório. Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15889.000219/200801 Acórdão n.º 1301001.690 S1C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Como bem registrado pela decisão recorrida e descrito no relatório acima circunstanciado, a autuação em questão se relaciona à interpretação da Lei n° 9.249, de 26/12/1995, que estabelece os percentuais a serem utilizados para determinação da base de cálculo do IRPJ, contemplada, a interpretação, às atividades desenvolvidas pela recorrente. De bom alvitre reproduzir o conteúdo do aludido artigo, ressalvando que atualmente estão vigentes as disposições da Lei nº 11.727, de 2008, que alterou a alínea "a" do inciso III, do dito artigo 15, da Lei nº 9.249/95, confirase a redação então vigente: [...] Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1°. Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: III — trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) § 2°. No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. [...] Pois bem, verificado o conteúdo da legislação temse que a regra geral versa o percentual a ser utilizado para apuração da base de cálculo do IRPJ é de 8% (oito por cento) e da CSLL é de 12% (doze por cento), a exceção fica por conta do § 1º, do artigo 15, que relaciona as atividades com percentuais distintos, dos quais destacase o de 32% (trinta e dois por cento) para a atividade de prestação de serviços em geral, exceto a prestação de "serviços hospitalares", constante do inciso III, alínea "a", para os quais se fixa o índice geral de 8% (oito por cento) para o IRPJ e de 12% (doze por cento) para a CSLL. A celeuma instalada, a qual aludiu a decisão recorrida, antes da edição da Lei nº 11.727/08, era saber se estas alíquotas se aplicavam também às clínicas de diagnóstico, a exemplo da ora recorrente. Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Como já anotou a decisão recorrida, acertadamente, nesta afirmação, nem todas as empresas que prestam serviços à saúde podiam ser consideradas como prestadoras de atividades hospitalares para fins de aplicação do percentual mais reduzido de presunção do lucro, contudo, a conclusão da decisão recorrida esbarra no entendimento do Superior Tribunal de Justiça, aplicável à espécie por força do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF. Registrese, portanto, que esse tema foi amplamente debatido pelo Superior Tribunal de Justiça, sendo que a jurisprudência daquela Corte Superior encontrase pacificada no sentido de que atividades ligadas à saúde, de prestação de serviços de simples consultas médicas não se enquadram no conceito de atividades hospitalares para o fim do benefício de fruição do percentual de presunção do lucro mais favorável, porém, negandose provimento ao recurso da União, registrouse que atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelham à simples consultas médicas, motivo pelo qual, fazem jus aos percentuais de 8% e 12%. Esse posicionamento é resultante do julgamento do Resp nº 1.116.399 BA, ao qual foram atribuídos os efeitos do art. 543C do CPC. Vêse no aludido Resp. que todas as questões relativas às regras das Instruções Normativas aventadas pela decisão recorrida, foram consideradas, expressamente, como desnecessárias à interpretação da aplicação dos percentuais. Considerando que a recorrente atua no âmbito dos diagnósticos por imagem, não em mera consulta médica, a hipótese dos autos é idêntica ao que decidido pelo STJ no julgamento do Resp nº 1.116.399 BA, ao qual foram atribuídos os efeitos do art. 543C do CPC, motivo pelo qual, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reformando a decisão recorrida, julgar indevidas as acusações fiscais. Sala das Sessões, em 22 de outubro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 16327.001150/2006-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Exercício: 2001, 2002, 2003
VALOR ADUANEIRO. VALOR DE TRANSAÇÃO. REJEIÇÃO. UTILIZAÇÃO DE CRITÉRIOS RAZOÁVEIS.
A informação em declaração de importação do valor da mercadoria importada inferior ao seu custo de produção é motivo para duvidar da veracidade ou exatidão do valor declarado, o que, acompanhado da falta de explicações, documentos ou provas complementares para justificar o valor, quando solicitado a fazê-lo, bem como da não-refutação dos fundamentos da solicitação, enseja a rejeição do primeiro método de valoração aduaneira.
Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado com base no disposto nos Artigos 1 a 6, inclusive, será determinado, usando-se critérios razoáveis, condizentes com os princípios e disposições gerais do Acordo de Valoração Aduaneira e com o Artigo VII do GATT 1994, e com base em dados disponíveis no país de importação
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-001.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sergio Celani.
(assinado digitalmente)
Joel Miyzaki Presidente, que apenas assina para formalização do acórdão.
(assinado digitalmente)
Daniel Mariz Gudiño - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Morais.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Exercício: 2001, 2002, 2003 VALOR ADUANEIRO. VALOR DE TRANSAÇÃO. REJEIÇÃO. UTILIZAÇÃO DE CRITÉRIOS RAZOÁVEIS. A informação em declaração de importação do valor da mercadoria importada inferior ao seu custo de produção é motivo para duvidar da veracidade ou exatidão do valor declarado, o que, acompanhado da falta de explicações, documentos ou provas complementares para justificar o valor, quando solicitado a fazê-lo, bem como da não-refutação dos fundamentos da solicitação, enseja a rejeição do primeiro método de valoração aduaneira. Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado com base no disposto nos Artigos 1 a 6, inclusive, será determinado, usando-se critérios razoáveis, condizentes com os princípios e disposições gerais do Acordo de Valoração Aduaneira e com o Artigo VII do GATT 1994, e com base em dados disponíveis no país de importação Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sergio Celani. (assinado digitalmente) Joel Miyzaki Presidente, que apenas assina para formalização do acórdão. (assinado digitalmente) Daniel Mariz Gudiño - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Morais.
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VALOR DE TRANSAÇÃO. REJEIÇÃO. UTILIZAÇÃO DE CRITÉRIOS RAZOÁVEIS. A informação em declaração de importação do valor da mercadoria importada inferior ao seu custo de produção é motivo para duvidar da veracidade ou exatidão do valor declarado, o que, acompanhado da falta de explicações, documentos ou provas complementares para justificar o valor, quando solicitado a fazêlo, bem como da nãorefutação dos fundamentos da solicitação, enseja a rejeição do primeiro método de valoração aduaneira. Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado com base no disposto nos Artigos 1 a 6, inclusive, será determinado, usando se critérios razoáveis, condizentes com os princípios e disposições gerais do Acordo de Valoração Aduaneira e com o Artigo VII do GATT 1994, e com base em dados disponíveis no país de importação Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sergio Celani. (assinado digitalmente) Joel Miyzaki – Presidente, que apenas assina para formalização do acórdão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 50 /2 00 6- 91 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.001150/200691 Acórdão n.º 3201001.226 S3C2T1 Fl. 388 2 (assinado digitalmente) Daniel Mariz Gudiño Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Morais. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: O interessado foi autuado em face da infração "declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto)". Segundo a autoridade fiscal (fls. 76v e 81v), os valores aduaneiros declarados foram rejeitados em face da falta de esclarecimento de dúvidas, nos termos do artigo 82 do Decreto nº 4.543/2002. Foram apurados novos valores. Foram lançados imposto sobre a importação, imposto sobre produtos industrializados, juros de mora e multas de ofício. Intimado em 28/8/2006, o interessado apresentou impugnação em 27/9/2006, juntada às fls. 118121. Alega: 1. A administração aduaneira pode duvidar da verdade ou exatidão dos documentos apresentados, mas não deve prejudicar interesses comerciais legítimos. 2. Os documentos solicitados no Termo de Início de Fiscalização foram entregues para análise. 3. O levantamento no Siscomex apresenta divergências porque a unidade de medida não está adequada para o produto em referência. Desde 1998 alertava a Secretaria de Comércio Exterior para essa questão (anexo 1 – fls. 122126). 4. O mercado é extremamente competitivo. Não é de se estranhar a divergência entre os valores dos produtos importados pelo impugnante e os de outros fornecedores. Deveriam ser analisados os dados históricos, para que se pudesse constatar Fl. 388DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.001150/200691 Acórdão n.º 3201001.226 S3C2T1 Fl. 389 3 que os preços do impugnante sempre foram os maiores dentre produtos idênticos. 5. Junta planilha com importações de 1996 a 2002 (anexo 2 – fl. 127) e planilha com relação entre peso e quantidade de janeiro de 1999 no porto de Santos (anexo 3 – fls. 128 e 129). Seus preços se equiparam aos da empresa Mucambo, concorrente idôneo que também foi bastante prejudicado por importações fraudulentas. 6. Na tentativa de coibir importações ilegais, encaminhou em abril de 2000 sugestões ao INMETRO para análise de luvas importadas (anexo 4 – fls. 130 e 131), para dificultar a entrada de luvas de baixa qualidade a preços ínfimos. 7. Em dezembro de 2000 foi enviado novo pedido ao Decex (anexo 5 – fls. 132135) relativo aos preços praticados por diversos importadores. O anexo 5 inclui demonstrativo de formação de preços que eram aceitáveis. 8. Foi notificado de que, segundo a Coana, o peso da luva varia de "21 a 24 g/par Laudo IPEM Tam.8" (fl. 119). É um equívoco. 9. A autuação referese a importações, em sua maioria, de luvas de procedimentos, que são distribuídas com tamanhos "extra pequeno', "pequeno', "médio', "grande" e "extra grande". Normalmente, as luvas que levam numeração são as cirúrgicas, divididas em "estéreis, não estéreis, com talco, sem talco, punho longo, punho curto, de látex, de mistura de borrachas, embaladas, a granel, para especialidades diferentes, tais como Obstetrícia, Ortopedia, Microcirurgia, anti alérgicas, mais grossas, mais finas com bainha sem bainha anatômica ou flat etc." (fl. 119). 10. Não se pode generalizar o peso deste produto porque uma luva do mesmo tamanho pode ter de 20 a 52 g/par, conforme demonstrado no anexo 6 (fls. 136 e 137), bem como as amostras de diferentes tipos de luvas anexadas ao processo. 11. Após a informação da Coana sobre a luva cirúrgica, foi solicitado comentário sobre gráfico onde o parâmetro de análise muda para luvas de procedimentos, as quais podem ser "estéreis, não estéreis, antiderrapante, lisa, aromatizadas, coloridas, de misturas de borracha, com antialérgicos, sem talco, com talco, para procedimentos de alto risco, com chumbo para procedimentos de radioproteção, clorinada, polimérica, em bulk, em caixas com 100un, em caixas com 20un por par etc." (sic) (fls. 119 e 120). 12. Os parâmetros são equivocados e não seguem uma linha coerente de análise. No auto é dito que o impugnante não apresentou a documentação solicitada, que, no entanto, encontrase em fls. 1123 e 3040 do processo. 13. A medida em que se baseou a conclusão do auto decorre de demonstrativo de fls. 6062, "onde já explicado anteriormente o Fl. 389DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.001150/200691 Acórdão n.º 3201001.226 S3C2T1 Fl. 390 4 início da falta de parâmetros de análise entre peso produto composição modelo e tipo de produto analisado, cabe aqui salientar que o par de luvas de procedimentos pode oscilar entre 8 e 15 gramas por par ou 4 e 7 gr/un., ou de 800 a 1,5k a caixa com 100 um." (sic) (fl. 120). 14. A autuação foi por suposição. São citados preços do látex (fl. 67) que divergem entre dois fornecedores diferentes da Malásia (anexo 7 – fl. 138). Apesar da matériaprima ser cotada internacionalmente, não significa que todos paguem o mesmo preço. 15. O produto possui qualidades e tipos diferentes. Não é esclarecida a conduta esperada. Foi fiscalizado várias vezes e nada desabona sua conduta. 16. Anexa documento de formação de preço de venda, cópia de notas fiscais de venda, contrato social, resumo de mercado para os códigos 4015.19.00 e 4015.11.00, lista de preços do fornecedor, tabela de pesos e cópia de relatório aliceweb. 17. Está sendo indevidamente penalizado, pois a multa somente pode ser aplicada por descumprimento de obrigação. 18. A multa acarretará a insolvência da empresa. Recebida a impugnação pela repartição a quo em face da tempestividade e aspectos formais, os autos foram encaminhados a esta Delegacia de Julgamento e distribuídos ao relator, com 181 fls. e um pacote de amostras anexo. A impugnação foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 1735.335, de 06/10/2009: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2001, 2002, 2003 VALOR ADUANEIRO. Rejeição do primeiro método de valoração aduaneira (artigo 82 do Decreto 4.543/2002). Mesmo possuindo os produtos em tela (luvas) variedade de características merceológicas e diversos fornecedores, o fato de o preço praticado na importação ser inferior ao custo da matériaprima enseja forte dúvida quanto à aceitabilidade dos valores de transação. Correto o emprego, pela autoridade fiscal, do sexto método de valoração, mediante a aplicação flexibilizada do quinto método, de conformidade com o disposto no artigo 7 do Acordo de Valoração Aduaneira. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 390DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.001150/200691 Acórdão n.º 3201001.226 S3C2T1 Fl. 391 5 Inconformada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva. O recurso voluntário ataca a decisão proferida pela instância a quo com base em dois principais argumentos: a) o valor aduaneiro não poderia ser rejeitado, pois a Recorrente apresentou toda a documentação e esclarecimentos necessários para a fiscalização, afastando, pois, a caracterização da situação descrita no art. 82 do Decreto nº 4.543, de 2002; e b) não é razoável o novo valor aduaneiro imposto pela fiscalização, com base no sexto método de valoração do AVA – Acordo de Valoração Aduaneira, pois partiu da suposição de que o custo do látex seria maior do que o real custo praticado por fornecedores da Malásia. Adicionalmente, a Recorrente reclama por uma perícia técnica, caso não sejam acolhidas as razões de fato e de direito para declarar a insubsistência do auto de infração. Por fim, requer que a intimação do acórdão do CARF seja feita no seu endereço atual. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 22/05/2011. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Mariz Gudiño, Relator. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. A decisão recorrida adota como verdadeiras as premissas criadas pela fiscalização para lavrar o auto de infração que deu ensejo ao presente contencioso administrativo. Fez isso por entender que a Recorrente não apresentou provas e esclarecimentos suficientes para afastar as premissas da fiscalização, não aplicando, pois, o método de valoração previsto no Art. 1º do Acordo sobre Implementação do Artigo VII do GATT, comumente chamado de Acordo de Valoração Aduaneira do GATT ou simplesmente AVAGATT. Confirase o que prevê o dispositivo em questão: Artigo 1 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: (a) não haja restrições à cessão ou à utilização das mercadorias pelo comprador, ressalvadas as que: Fl. 391DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.001150/200691 Acórdão n.º 3201001.226 S3C2T1 Fl. 392 6 (i) sejam impostas ou exigidas por lei ou pela administração pública do país de importação; (ii) limitem a área geográfica na qual as mercadorias podem ser revendidas; ou (iii) não afetem substancialmente o valor das mercadorias; (b) a venda ou o preço não estejam sujeitos a alguma condição ou contraprestação para a qual não se possa determinar um valor em relação às mercadorias objeto de valoração; (c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito de conformidade com as disposições do Artigo 8; e (d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo. 2. (a) Ao se determinar se o valor de transação é aceitável para os fins do parágrafo 1, o fato de haver vinculação entre comprador e vendedor, nos termos do Artigo 15, não constituirá, por si só, motivo suficiente para se considerar o valor de transação inaceitável. Neste caso, as circunstâncias da venda serão examinadas e o valor de transação será aceito, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Se a administração aduaneira, com base em informações prestadas pelo importador ou por outros meios, tiver motivos para considerar que a vinculação influenciou o preço, deverá comunicar tais motivos ao importador, a quem dará oportunidade razoável para contestar. Havendo solicitação do importador, os motivos lhe serão comunicados por escrito. (b) no caso de venda entre pessoas vinculadas, o valor de transação será aceito e as mercadorias serão valoradas segundo as disposições do parágrafo 1, sempre que o importador demonstrar que tal valor se aproxima muito de um dos seguintes, vigentes ao mesmo tempo ou aproximadamente ao mesmo tempo: (i) o valor de transação em vendas a compradores não vinculados de mercadorias idênticas ou similares, destinadas a exportação para o mesmo país de importação; (ii) O valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do Artigo 5; (iii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do Artigo 6; Na aplicação dos critérios anteriores, deverão ser levadas na devida conta as diferenças comprovadas nos níveis comerciais e nas quantidades, os elementos enumerados no Artigo 8 e os custos suportados pelo vendedor, em vendas nas quais ele e o Fl. 392DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.001150/200691 Acórdão n.º 3201001.226 S3C2T1 Fl. 393 7 comprador não sejam vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele e o comprador não sejam vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele o comprador sejam vinculados; (c) Os critérios estabelecidos no parágrafo 2 (b) devem ler utilizados por iniciativa do importador, e exclusivamente para fins de comparação. Valores substitutivos não poderão ser estabelecidos com base nas disposições do parágrafo 2 (b). (g.n.) Com efeito, em matéria de valoração aduaneira, a regra é que o preço declarado e pago pelo importador nacional deve prevalecer, sendo necessário o ajuste por parte da Administração Aduaneira somente em casos excepcionais. Um desses casos excepcionais é a vinculação entre o importador nacional e o exportador estrangeiro, sendo que apenas nessa hipótese é que a Administração Aduaneira pode considerar inaceitável o valor aduaneiro, nos termos do parágrafo 1, alínea “d”. É relevante notar que essa prerrogativa também possui limitações, pois somente pode ser utilizada quando restar evidenciado que essa vinculação influenciou o preço praticado entre as partes. Assim, não havendo vinculação entre o importador nacional e o exportador estrangeiro, não pode a fiscalização duvidar do valor declarado e inverter o ônus da prova, e sim aplicar de ofício o ajuste previsto no Artigo 8º do Acordo de Valoração Aduaneiro, se for o caso. Segue abaixo a íntegra do referido dispositivo: Artigo 8 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (a) os seguintes elementos na medida em que sejam suportados pelo comprador mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias: (i) comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra; (ii) o custo de embalagens e recipientes considerados, para fins aduaneiros, como formando um todo com as mercadorias em questão; (iii) o custo de embalar, compreendendo os gastos com mãode obra e com materiais. (b) o valor devidamente atribuído dos seguintes bens e serviços, desde que fornecidos direta ou indiretamente pelo comprador, gratuitamente ou a preços reduzidos, para serem utilizados na produção e na venda para exportação das mercadorias importadas e na medida em que tal valor não tiver sido incluído no preço efetivamente pago ou a pagar: (i) materiais, componentes, partes e elementos semelhantes incorporados às mercadorias importadas; Fl. 393DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.001150/200691 Acórdão n.º 3201001.226 S3C2T1 Fl. 394 8 (ii) ferramentas, matrizes, moldes e elementos semelhantes empregados na produção das mercadorias importadas; (iii) materiais consumidos na produção das mercadorias importadas; (iv) projetos da engenharia, pesquisa e desenvolvimento, trabalhos de arte e de designe planos e esboços necessários à produção das mercadorias importadas e realizados fora do país de importação. (c) royaltiese direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração que o comprador deve pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royaltiese direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas que reverta direta ou indiretamente ao vendedor. 2. Ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos: (a) o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; (b) os gastos relativos ao carregamentodescarregamento e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e (c) o custo do seguro. 3. Os acréscimos ao preço efetivamente pago ou a pagar, previstos neste Artigo, serão baseados exclusivamente em dados objetivos e quantificáveis. 4. Na determinação do valor aduaneiro, nenhum acréscimo será feito ao preço efetivamente pago ou a pagar se não estiver previsto neste Artigo. No caso concreto, todos os produtos importados pela Recorrente foram adquiridos de exportadores estrangeiros com os quais não possui qualquer vinculação. Logo, a fiscalização somente poderia ajustar o valor aduaneiro praticado pela Recorrente aplicando o Art. 8º do AVAGATT, se fosse o caso. Impõese registrar que a fiscalização sequer tentou fazer prova da vinculação entre a Recorrente e os seus fornecedores. Desse modo, a fiscalização jamais poderia ter aplicado o parágrafo 2 do Art. 1º do AVAGATT para lavrar Termo de Inversão do Ônus da Prova (fls. 60/63), o que contamina todo o procedimento fiscal que culminou na lavratura do auto de infração guerreado pela Recorrente. Com efeito restou violado o Art. 76 do Decreto nº 4.543, de 2002, que aprovou o Regulamento Aduaneiro vigente à época das importações. Senão, vejamos: Fl. 394DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.001150/200691 Acórdão n.º 3201001.226 S3C2T1 Fl. 395 9 Art. 76. Toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput consiste na verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado pelo importador com as regras estabelecidas no Acordo de Valoração Aduaneira. (g.n.) Verificada a contaminação dos motivos determinantes da lavratura do auto de infração, qualquer análise posterior resta prejudicada. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida e cancelar o auto de infração. Daniel Mariz Gudiño Relator Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Por voto de qualidade, a turma divergiu do voto do Conselheiro Relator, entendendo que as razões por ele expostas assim como as apresentadas no recurso voluntário não conseguiram superar as razões de fato e de direito que ampararam a decisão recorrida. Conforme descrição dos fatos dos autos de infração, manifestação do AuditorFiscal da RFB, fls. 2, 3 e 64/66, e voto condutor do acórdão recorrido, os valores aduaneiros declarados foram rejeitados com fundamento na Decisão 6.1 do Comitê de Valoração aduaneira, da Organização Mundial do ComércioOMC, internalizada no País pelo DecretoLegislativo nº 30, de 15/12/1994, e pelo Decreto nº 4.543, de 26/12/2002 (Regulamento Aduaneiro de 2002RA/2002), e no art. 11 do Acordo de Valoração Aduaneira. Esta decisão amparase no art. 17 do Acordo de Valoração Aduaneira, que dispõe que nenhuma disposição do acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento dos direitos que têm as administrações aduaneiras de se assegurarem da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentada para fins de valoração aduaneira, e foi divulgada por meio da IN SRF nº 318, de 4/4/2003 [D.O.U. 7/4/2003], editada para divulgação de atos emanados do Comitê de Valoração Aduaneira (OMC), da IV Conferência Ministerial da OMC e do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (OMA). Cito a instrução normativa: Art. 1º Na apuração do valor aduaneiro serão observadas as Decisões 3.1, 4.1 e 6.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Comércio (OMC); o parágrafo 8.3 das Questões e Interesses Relacionados à Implementação do Artigo VII do GATT de 1994, emanado da IV Conferência Ministerial da OMC; e as Notas Explicativas, Comentários, Opiniões Consultivas, Estudos e Estudos de Caso, emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Fl. 395DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.001150/200691 Acórdão n.º 3201001.226 S3C2T1 Fl. 396 10 Aduanas (OMA), constantes do Anexo a esta Instrução Normativa. Art. 2º O Anexo a que se refere esta Instrução Normativa está disponível na página da Secretaria da Receita Federal (SRF) na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Vejase o conteúdo da Decisão 6.1, aprovada em reunião de 12/5/1995: “DECISÃO 6.1 CASOS EM QUE AS ADMINISTRAÇÕES ADUANEIRAS TENHAM MOTIVOS PARA DUVIDAR DA VERACIDADE OU EXATIDÃO DO VALOR DECLARADO O Comitê de Valoração Aduaneira, Reafirmando que o valor de transação é a base principal de valoração em conformidade com o Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT 1994 (doravante denominado "Acordo"); Reconhecendo que a Administração Aduaneira pode ter que tratar casos em que tenha motivo para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados pelos negociantes para justificar um valor declarado; Enfatizando que, ao atuar assim, a Administração Aduaneira não deve causar prejuízo aos interesses comerciais legítimos dos negociantes; Tendo em conta o Artigo 17 do Acordo, o parágrafo 6 do Anexo III ao Acordo e as decisões pertinentes do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira; DECIDE o seguinte: 1. Quando tiver sido apresentada uma declaração e a Administração Aduaneira tiver motivo para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados para justificar essa declaração, a Administração Aduaneira poderá solicitar ao importador o fornecimento de uma explicação adicional, bem assim documentos ou outras provas, de que o valor declarado representa o montante efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, ajustado em conformidade com as disposições do Artigo 8. Se, após o recebimento de informação adicional, ou na falta de resposta, a Administração Aduaneira ainda tiver dúvidas razoáveis sobre a veracidade ou exatidão do valor declarado, poderá decidir, tendo em conta as disposições do Artigo 11, que o valor aduaneiro das mercadorias importadas não pode ser determinado com base nas disposições do Artigo 1. Antes de tomar uma decisão definitiva, a Administração Aduaneira comunicará ao importador, por escrito, quando solicitado, suas razões para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados e lhe dará oportunidade Fl. 396DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.001150/200691 Acórdão n.º 3201001.226 S3C2T1 Fl. 397 11 razoável para responder. Quando for tomada uma decisão definitiva, a Administração Aduaneira comunicará ao importador, por escrito, os motivos que a embasaram. 2. Ao aplicar o Acordo é inteiramente apropriado que um Membro assista outro Membro em condições mutuamente acordadas.” Vejase, também, como dispõe o art. 82 do Decreto nº 4.543, de 2002: “Art. 82. A autoridade aduaneira poderá decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação quando (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 17, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994): I houver motivos para duvidar da veracidade ou exatidão dos dados ou documentos apresentados como prova de uma declaração de valor; e II as explicações, documentos ou provas complementares apresentados pelo importador, para justificar o valor declarado, não forem suficientes para esclarecer a dúvida existente. Parágrafo único. Nos casos previstos no caput, a autoridade aduaneira poderá solicitar informações à administração aduaneira do país exportador, inclusive o fornecimento do valor declarado na exportação da mercadoria.” No presente caso, havia motivos para duvidar da veracidade e exatidão dos valores declarados e a contribuinte não apresentou explicações, documentos ou provas complementares que justificassem os valores declarados de modo a afastar a dúvida existente. Diante do art. 82, do Decreto nº 4.543, de 2002, não se pode dizer que houve violação ao art. 76 do mesmo decreto. A representação da CoordenaçãoGeral de Administração AduaneiraCoana da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, fls. 44 a 45, as tabelas indicativas de valores, fl. 45, o estudo merceológico, fls. 46 a 50, e as características técnicas de bens, fls. 55 a 59, configuram motivos suficientes para duvidar dos valores declarados nas importações de mercadorias da contribuinte. A falta de apresentação de todos os documentos solicitados no Termo de Início de Fiscalização, fls. 4 a 9, em especial os itens 8 a 11 deste termo, e, após, o não atendimento à solicitação de esclarecimento, constante do Termo de Inversão do Ônus da Prova, bem como a nãorefutação dos fundamentos deste termo, fizeram com que persistisse a dúvida razoável sobre os valores declarados, o que por força do caput do art. 82, do Decreto nº 4.543, de 2002, implica a impossibilidade de utilização do método do valor de transação. Assim, tendo em vista Decisão do Comitê de Valoração Aduaneira da OMC e o art. 82 do RA/2002, correta a autoridade aduaneira em afastar a aplicação do primeiro método de valoração aduaneira. Vejase como se expressou a autoridade fiscal, fl. 64 dos autos: Fl. 397DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.001150/200691 Acórdão n.º 3201001.226 S3C2T1 Fl. 398 12 “Nos termos da legislação supra, vem esta Auditoria Fiscal desqualificar o método de valoração utilizado pelo importador, que segundo se permite concluir com um juízo razoável, não vence as razões fundamentadas nos fatos e direitos que a Aduana opõe à sua declaração de valor, contraditandoa ou revelando sua insubsistência, como se comprova no Termo de Fiscalização e demais documentos apensados. Uma vez obtida prova cabal, capaz de contraditar a declaração do importador calcada nos elementos indiciários do conjunto consistente de elementos a este processo anexados que passam a formar as provas indiciárias.” Observese que o preço praticado pela contribuinte na importação foi inferior ao custo da matériaprima do produto. Quanto aos demais métodos de valoração, verifico nos autos que os 2º (método do valor de transação de mercadorias idênticas) e 3º (método do valor de transação de mercadorias similares) foram afastados porque as pesquisas realizadas no Siscomex não foram conclusivas, fl. 64verso, e o 4º (método do valor de revenda ou do valor dedutivo) não foi aplicado porque as informações coletadas não foram suficientes para sua aplicação, fls. 51 a 54. Vejase o seguinte trecho extraído do acórdão recorrido que expõe a justificativa da autoridade fiscal para a utilização do método de valoração com base no valor computado flexibilizado pelo art. 7 do AVA: “Chegouse através de competente análise, folhas 062 e 066 à aplicação do método de valoração com fulcro no custo de produção diferente dos valores computados que tenham sido determinados para mercadorias idênticas ou similares, de acordo com as disposições do Artigo 6, previsto no Artigo 7 do Acordo, utilizando para aquilatar o custo das mercadorias importadas para efeito das imposições aduaneiras a recomposição das condições de produção dessas mercadorias, folhas 65 verso e 66. Na constituição de valor para efeito das imposições aduaneiras foi abordado apenas nos itens importados descritos nas Declarações de Importação, em análise, que contivessem Látex. Considerando o Estudo Merceológico da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira – Coana/Cofia/Difia, Divisão de Fiscalização Aduaneira foi adotada para os cálculos a tabela da folha 67. Uma vez identificados os valores segundo o método de valoração baseado no valor computado, previsto no Artigo 6 do de Valoração Aduaneira (sic), elaborouse a tabela de folha 68 considerando os montantes dos bens importados, aos pares, por característica funcional do bem, reconstituindo a base de cálculo das Declarações de Importação sob esta fiscalização. Apuradas as diferenças das bases de cálculo, procedeuse à apuração da falta de tributos recolhidos, Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, assumindose as alíquotas e condições legais da data do desembaraço. Com os dados tributários obtidos foi utilizado para a apuração das insuficiências de valores tributários legais o programa SAFIRA, Fl. 398DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.001150/200691 Acórdão n.º 3201001.226 S3C2T1 Fl. 399 13 versão 2.3.1 originando os Autos de Infração das folhas 069 à 086.” Logo, autoridade aduaneira utilizou o sexto método de valoração, mediante a aplicação flexibilizada do quinto método, de acordo com o disposto no artigo 7 do Acordo de Valoração Aduaneira, abaixo transcrito: “Artigo 7 1. Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado com base no disposto nos Artigos 1 a 6, inclusive, tal valor será determinado usandose critérios razoáveis, condizentes com os princípios e disposições gerais deste Acordo e com o Artigo VII do GATT 1994, e com base em dados disponíveis no país de importação. O parágrafo 2 da nota ao artigo 7 (anexo ao AVA) diz: “Os métodos de valoração a serem empregados de acordo com o Artigo 7 serão os definidos nos Artigos 1 a 6, inclusive, mas uma razoável flexibilidade na aplicação de tais métodos será compatível com os objetivos e disposições do Artigo 7.” No presente caso, foram utilizados preços da matériaprima e custos de produção obtidos do “Estudo Merceológico” aceito pela Coana, conforme explicitado pelo auditorfiscal nas folhas 65verso e 66 No recurso voluntário, assim como na impugnação, nada foi dito sobre as desclassificações de métodos de valoração. Há a tentativa de responder a questões do Termo de Inversão do Ônus da Prova no recurso voluntário, porém, neste momento processual, os esclarecimentos são ineficazes para afastar o procedimento fiscal, porque ocorreu a preclusão processual. Há também a alegação de que os valores utilizados pela fiscalização como parâmetros são menores do que os praticados pela contribuinte e que não está claro qual a unidade estatística utilizada, entretanto, os valores apresentados pela fiscalização não foram contraditados com dados e cálculos específicos. Verificase nos autos que a autoridade fiscal baseouse no preço da matéria prima das luvas (látex) e no consumo desta matériaprima por tipo de luva para obter o custo da produção em US$/par e o valor computado (ver tabelas às fls. 62, 66 e 67). A contribuinte teve conhecimento destas tabelas e dos cálculos, bem como da tabela com os valores utilizados para reconstituição da base de cálculo (valor aduaneiro), fl 68, porém não demonstrou erros nos cálculos. Transcrevo, com grifos meus, parte final do voto condutor do acórdão recorrido que contém razões complementares, as quais se aplicam ao presente julgamento e são adotadas neste voto para justificar o nãoprovimento do recurso voluntário: “(...) Fl. 399DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16327.001150/200691 Acórdão n.º 3201001.226 S3C2T1 Fl. 400 14 O impugnante não questiona juridicamente a aplicação do sexto método, em face do texto do AVA. Apenas alega que foi autuado por “suposição” e que foi colhido pelo fiscal (fl. 67) preço do látex que “diverge de dois fornecedores diferentes da Malásia (Anexo 7), o que mais uma vez prova que estamos sendo autuados por suposição, pois sabemos que mesmo uma matéria prima cotada internacionalmente não significa que todos paguem o mesmo preço” (fl. 120). Conseguese entender da argumentação do impugnante que não é questionada a veracidade dos preços pesquisados pelo fiscal para o látex na fonte “www.rubberboard.org.in” (fl. 67). No entanto, afirma que são diferentes dos praticados por dois fornecedores na Malásia. Admitese que, embora sendo uma “commodity”, os fornecedores da mercadoria possam praticar preços inferiores aos de mercado. Entretanto, a pesquisa dos preços correntes não ofende o critério da “razoável flexibilidade” do AVA. Apesar de o impugnante alegar em sua peça que os critérios da fiscalização para a comparação de preços são incorretos e que há diferentes tipos de luvas, não apresentou objeções concretas às questões apresentadas pela fiscalização, embora lhe tenha sido ofertada essa possibilidade (vide intimação de fls. 6063). Outrossim, na impugnação foram lançados argumentos genéricos e não foram apresentados dados e cálculos específicos, para cada tipo de luva em pauta, que contraditassem os valores apurados pela fiscalização (planilha de fl. 68, coluna “Custo Fabril Unitário US$”). Foram juntados à impugnação diversos documentos (fls. 136179). Porém, não foi apresentada uma conclusão clara e congruente, a partir de tais elementos, que possa ser oposta aos cálculos feitos pela autoridade fiscal. (...)” Finalmente, quanto ao pedido de perícia, por força do art. 16, IV e §1º, do Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, com alteração dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993, considera se não formulado, porque não foi mencionada na impugnação e não foram devidamente expostos os motivos que a justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Por estas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Fl. 400DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 11080.916494/2012-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 64 94 /2 01 2- 61 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 142DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.916494/201261 Acórdão n.º 3802003.841 S3TE02 Fl. 142 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 64 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 06/03/2014 (fls. 62), interpondo recurso tempestivo em 02/04/2014 (fls. 64). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.916494/201261 Acórdão n.º 3802003.841 S3TE02 Fl. 143 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10073.001536/2002-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/07/2001
Ementa:
FALTA DE RECOLHIMENTO -
É correto o lançamento da Cofins devida e não paga, depois de compensados os valores retidos na fonte nos pagamentos efetuados pelos órgãos públicos.
PAGAMENTOS EFETUADOS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. RETENÇÃO NA FONTE -
Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal estão sujeitos à incidência, na fonte, dos impostos e contribuições administrados pela Receita Federal.
Numero da decisão: 3401-002.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (Presidente), Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Bernardo Leite de Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1997 a 31/07/2001 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO - É correto o lançamento da Cofins devida e não paga, depois de compensados os valores retidos na fonte nos pagamentos efetuados pelos órgãos públicos. PAGAMENTOS EFETUADOS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. RETENÇÃO NA FONTE - Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal estão sujeitos à incidência, na fonte, dos impostos e contribuições administrados pela Receita Federal.
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E FAZENDA NACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL E ALMEIDA E FILHOS TERRAPLANAGENS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/07/2001 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO É correto o lançamento da Cofins devida e não paga, depois de compensados os valores retidos na fonte nos pagamentos efetuados pelos órgãos públicos. PAGAMENTOS EFETUADOS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. RETENÇÃO NA FONTE Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal estão sujeitos à incidência, na fonte, dos impostos e contribuições administrados pela Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 15 36 /2 00 2- 12 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (Presidente), Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Bernardo Leite de Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira Relatório Cuida este processo de auto de infração que constituiu e exige crédito tributário relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, abrangendo os fatos geradores de 31/03/1997 a 30/06/1997, 31/10/1997, 31/01/1998, 31/03/1998, 31/07/1998, 30/09/1998, 31/12/1998 a 31/05/1999, 31/07/1999 a 31/10/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 31/03/2000, 31/05/2000, 31/08/2000, 31/10/2000, 31/01/2001, 31/05/2001 a 31/07/2001. A autoridade lançadora constatou diferenças não recolhidas ao cotejar as informações constantes das DCTF de janeiro de 1997 a dezembro de 2001 com planilhas de demonstração de composição das bases de cálculos. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi apreciada pela 5ª Turma da 2ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, que decidiu considerar o lançamento parcialmente procedente e recorrer de ofício da parte do crédito tributário não mantido. O Acórdão n. 5099, de 29/04/2004, ficou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/1997 a 30/06/1997, 01/10/1997 a 31/10/1997, 01/01/1998 a3110!/1998, 01/03/1998 a 31/03/1998, 01/07/1998 a 31/07/1998, 01/09/1998 a 30/09/1998, 01/12/1998 a 31/05/1999, 01/07/1999 a 31/10/1999, 01/12/1999 a 31/01/2000, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/08/2000 a 31/08/2000, 01/10/2000 a 31/10/2000, 01/01/2001 a31/01/2001, 01/05/2001 a31/07/2001. Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO É correto o lançamento da Cofins devida e não paga, depois de compensados os valores retidos na fonte nos pagamentos efetuados pelos órgãos públicos. PAGAMENTOS EFETUADOS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. RETENÇÃO NA FONTE Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal estão sujeitos à incidência, na fonte, dos impostos e contribuições administrados pela Receita Federal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em decorrência de o sujeito passivo não haver contestado a apuração dos valores do tributo exigidos atravês do lançamento, consideramse estes definitivos. PROVA DOCUMENTAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS — A perícia e a diligência se reservam h elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Lançamento Procedente em Parte Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10073.001536/200212 Acórdão n.º 3401002.732 S3C4T1 Fl. 3 3 O Contribuinte ingressou com recurso voluntário e o processo foi analisado em colegiado do Conselho mais de uma vez. Aproveito parte do excelente resumo feito pela Mui I. Conselheira Silvia de Brito Oliveira na Resolução n. 3402000.413, de 26/06/2012, para compor este relatório: A peça fiscal foi impugnada e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroRJ II (DRJ/RJOII) julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos do voto condutor do Acórdão constante das fls. 251 a 262, para cancelar o lançamento relativo aos fatos geradores de 1999, 2000 e 2001, por ter verificado que, nesses períodos a fiscalização deixara de compensar o crédito tributário apurado com os valores da Cofins retidos na fonte, nos pagamentos efetuados à contribuinte por órgãos da administração pública federal. Dessa decisão, recorreu de ofício o Presidente da Turma de Julgamento do colegiado de piso e a contribuinte interpôs o competente recurso voluntário a este Segundo Conselho de Contribuintes, às fls. 268 a 275, para esclarecer que desempenha suas atividades quase que exclusivamente para órgãos públicos e suas apurações mensais de faturamento dependem de informações de pagamentos e retenções efetuadas por esses órgãos, o que ocasionava pagamentos estimados, umas vezes, em valores menores que o devido e outras, em valores excedentes ao devido e para alegar, em síntese, que: I – não impugnou a exigência relativa aos períodos de março, abril, maio, junho e outubro de 1997, mas os valores exigidos podem ser compensados com os valores da Cofins recolhidos a maior em 1997 e em 1998; II – no ano de 1998, a fiscalização só considerou as diferenças apuradas em favor do Fisco e não apontou no “Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada” os valores excedentes ao efetivamente devido que foram pagos pela contribuinte; III – matematicamente, nos meses de janeiro, março, julho, setembro e dezembro de 1998, verificase diferença a favor do Fisco igual a R$ 120.505,86 (cento e vinte mil quinhentos e cinco reais e oitenta e seis centavos), todavia, nos meses de fevereiro, abril, maio, junho, agosto, outubro e novembro, apurase recolhimento maior que o devido no valor de R$ 152.304,20 (cento e cinqüenta e dois mil trezentos e quatro reais e vinte centavos) e, portanto, ao invés de ser devedora da Cofins, a contribuinte possui um crédito de R$ 31.798,34 (trinta e um mil setecentos e noventa e oito reais e trinta e quatro centavos); IV – é perfeitamente legal que sejam compensados tais valores, por se tratar de crédito e débito da mesma natureza; V – no ano de 1998, das retenções efetuadas pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), no valor de R$ 217.928,78 (duzentos e dezessete mil novecentos e vinte e oito reais e setenta e oito centavos), a contribuinte só se utilizou de R$ 191.614,14 (cento e noventa e um mil seiscentos e catorze reais e catorze centavos), portanto, faz jus a utilizar R$ 26.314,64 (vinte e seis mil trezentos e catorze reais e sessenta e quatro centavos) para compensara com eventuais débitos de 1998; VI – somandose os valores de1997 e 1998, o crédito tributário apurado pela fiscalização é de R$ 127.287,07 (cento e vinte e sete mil duzentos e oitenta e sete reais e sete centavos) e o crédito da contribuinte totaliza R$ Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 276.120,61 (duzentos e setenta e seis mil cento e vinte reais e sessenta e um centavos). Ao final, solicitou a recorrente o provimento do seu recurso para que sejam excluídos do lançamento também os valores pertinentes aos períodos de apuração de 1997 e de 1998, em face da compensação dos seus créditos com os débitos apurados. A Terceira Câmara deste Segundo Conselho de Contribuintes, na sessão de 07 de dezembro de 2005, por meio da Resolução nº 20300.672, decidiu converter o julgamento do recurso em diligência para que se apurasse “se nos anos de 1997 e 1998 a Recorrente promoveu recolhimentos excessivos do tributo” e para que fossem indicadas as corretas bases de cálculo, com vista a esclarecer se houve pagamento em excesso da exação. Em atendimento a essa diligência, a Delegacia da Receita Federal em Volta RedondaRJ informou, às fls. 304 e 305, que: a) as bases de cálculo consideradas na apuração do crédito tributário foram as constantes das planilhas das fls. 42 a 58, elaboradas pela contribuinte; b) o lançamento em questão alcança apenas os períodos de apuração em que o débito declarado foi inferior ao apurado; c) no ano de 1997, o total dos pagamentos e compensações da Cofins não atingiu o total declarado no período; d) no ano de 1998, o total pago e compensado coincide com o total declarado; e) o saldo das retenções efetuadas pelo DNER, no valor de R$ 26.314,64 (vinte e seis mil trezentos e catorze reais e sessenta e quatro centavos) já foi utilizado pela DRJ/RJOII; e f) considerando os valores declarados pela contribuinte, não houve recolhimento em excesso da Cofins. Ciente do resultado da diligência, a contribuinte se manifestou, às fls. 312 e 313, para afirmar que a conclusão da diligência está dissonante com o próprio demonstrativo da fiscalização à fl. 306, que espelha crédito a favor da recorrente em 1998, no valor de R$ 31.798,34 (trinta e um mil setecentos e noventa e oito reais e trinta e quatro centavos), perfeitamente compensável com seu débito de R$ 6.781,20 (seis mil setecentos e oitenta e um reais e vinte centavos) em 1997. Em 02 de junho de 2008, a Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes resolveu novamente converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que se verificassem, mês a mês, a partir de janeiro de 1998, os valores correspondentes à Cofins retidos por órgãos públicos e os apropriassem ao valor da Cofins apurado pela fiscalização no próprio mês e nos seguintes, para, dessa forma, obterse o saldo devedor porventura existente em cada período de apuração. O processo foi remetido a este colegiado com as planilhas das fls. 325 e 326, sobre as quais manifestouse a contribuinte para apontar imperfeição, incompletude e incorreção nas referidas planilhas, pois a fiscalização teria deixado de considerar compensações efetuadas, em virtude de medida judicial, nos períodos de apuração de maio, junho, outubro, novembro e dezembro de 1999 e de janeiro, fevereiro e março de 2000, conforme atesta a listagem de débitos/saldos remanescentes que juntou aos autos. Este processo foi pautado para julgamento na sessão de 06 de abril de 2011, ocasião em que o colegiado resolveu converter o julgamento dos recursos em diligência para que fossem confirmadas ou não as compensações decorrentes de medida judicial indicadas pela recorrente. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10073.001536/200212 Acórdão n.º 3401002.732 S3C4T1 Fl. 4 5 Na unidade preparadora destes autos, a fiscalização concluiu a diligência com a informação de que a alegação da recorrente não procede, pois o valor dos créditos judiciais já foram compensados e estavam englobados nos ‘débitos declarados’, não tendo sido objeto do presente lançamento. Na Sessão de 26/06/2012 o colegiado converteu o julgamento em diligência Resolução n. 3402000.413 para que a unidade jurisdicionante providenciasse intimação e ciência do contribuinte das peças processuais anexadas a partir do pedido de diligência de 06/04/2011 (Resolução n. 3402000.201). Conforme consta, às fls. 362363 , o contribuinte foi intimado com ciência em 17/10/2012. E ele não apresentou qualquer manifestação contrária ao teor das informações prestadas pela DRF Volta Redonda em resposta à diligência requerida pelo CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestividade e atendimento dos requisitos processuais já apreciados pelas sessões anteriores de colegiados deste Conselho. Ao compulsar os autos, concluo correta a argumentação e decisão da 4ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, na Resolução n.º 20400.567 (fls. 340343), de 02 de junho de 2008, in verbis: Ao examinar a decisão do colegiado de piso, corn vista à apreciação do recurso de oficio verifiquei que, tendo a contribuinte informado nas DCTF de 1998 compensações com valores retidos por órgãos públicos, a DRJ/RJO1I considerou o saldo dos valores retidos pelo DNER existente em 31 de dezembro de 1998, no valor de R$ 26.314,64 (vinte e seis mil trezentos e catorze reais e sessenta e quatro centavos), e, somandoo aos valores retidos nos períodos de apuração subseqüentes, devidamente comprovados, procedeu As compensações com os valores apurados pela fiscalização, as quais foram suficientes para liquidar integralmente os valores da Cofins lançados relativos aos períodos de janeiro de 1999 a julho de 2001. Ocorre que a Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, seu art. 64, § 3°, prevê que o valor retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte. Assim sendo, o que, com efeito, se configura é pagamento da Cofins antes da lavratura do auto de infração e, portanto, não obstante o art. 5° da Instrução Normativa (IN) SRF/STN/SFC IV 4, de 18 de agosto de 1997, refirase a Fl. 407DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 compensação, entendo que os valores antecipados devem, antes, ser apropriados aos períodos de apuração de 1998 e, somente depois, caso ainda resulte saldo dessa antecipação, deve ele ser apropriado nos períodos subseqüentes. Destarte, é necessário que se verifiquem, mês a mês, a partir de janeiro de 1998, os valores correspondentes à Cofins retidos por órgãos públicos e os apropriem ao valor da Cofins apurado pela fiscalização no próprio mês e nos seguintes, para, dessa forma, obterse o saldo devedor porventura existente em cada período de apuração. De fato, a contribuinte apresentou comprovantes dos valores retidos em seus recebimentos de serviços prestados ao DNER. E esses valores poderiam ser compensados pela contribuinte com os tributos da mesma espécie, mas ela não o havia feito. Esse procedimento está consoante o que prevê o artigo 64 da Lei n. 9.430, de 1996, e pelo art. 5º da Instrução Normativa Conjunta SRF/STN/SFC n. 004, de 18/08/1997: Lei n. 9.430, de 1996: Art 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos incidência, na fonte, do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (grifei) § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2° O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta da receita da Unido. § 3° O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e its mesmas contribuições. Instrução Normativa Conjunta SRF/STN/SFC n. 004, de 18/08/1997 Art. 1° Os órgãos da administração federal direta, as autarquias e fundações federais reterão, na fonte, o imposto sobre a renda da pessoa jurídica IRR1, bem assim a contribuição sobre o lucro liquido CSLL, a contribuição para a seguridade social COFINS e a contribuição para o PIS/PASEP sobre os pagamentos que efetuarem a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras,observados os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2° A retenção será efetuada aplicandose, sobre o valor que estiver sendo pago, o percentual constante da coluna 06 da Tabela de Retenção (Anexo I), que corresponde à soma das alíquotas das contribuições devidas e da alíquota do imposto de renda determinada mediante a aplicação de quinze por cento sobre a base de calculo estabelecida no art.15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, conforme a natureza do bem fornecido ou do serviço prestado. Art. 5° Os valores retidos na forma deste ato poderão ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Foram apreciadas as considerações feitas no Recurso Voluntário que apontavam necessidade de revisão de apuração dos valores consoante o que autoriza o artigo 64 da Lei n. 9.430, de 1996 e a recorrente teve oportunidade de se manifestar a respeito Fl. 408DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10073.001536/200212 Acórdão n.º 3401002.732 S3C4T1 Fl. 5 7 desses ajustes. Em sua última manifestação, ela argumentou que não se estava levando em conta compensações efetuadas em virtude de medidas judiciais. A Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda, em resposta ao requerimento de diligência do CARF, informou que a alegação da recorrente não procedem, pois os valores do crédito judicial já foram compensados e estavam dentro dos 'débitos declarados', e não foram então objeto do lançamento em discussão. O contribuinte não contestou tal informação, apesar de cientificado, nem apresentou provas em contrário. A exigência da contribuição tem base na constatação de falta de recolhimento nos meses de competência apurados, após correções e ajustes providenciados em atendimento às diligências requeridas pelo CARF, à luz do que dispõem os artigos 1º e 2º da Lei Complementar 70 de 30 de dezembro de 1991, artigos. 2º, 3° e 8° da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n" 1.807/99 e reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. Após os ajustes na apuração conforme aqui já explicitado, consolidado nas planilhas de fls. 348/349 (que corresponderiam à numeração 325326 das fls do processo em papel) os valores devidos são: janeiro de 1998 R$ 933,77, agosto de 1999 R$ 22.480,01; setembro de 1999 R$ 27.460,48, outubro de 1999 R$ 26.488, 33, e março de 2000 R$ 99.207,03. Como se vê, a análise feita implica em reforma da decisão de instância a quo, pois ela havia exonerado o crédito correspondente ao mês de março de 2000, mas o resultado da sistemática de compensações da IN SRF STN SFC n. 004/1997 resulta em diferença não recolhida para esse mês. Sendo assim, considerando que a recorrente não logrou comprovar que não existia diferença a menor entre os valores recolhidos e os que seriam devidos da COFINS nos períodos de competência em discussão, proponho: (a) dar provimento parcial ao recurso de ofício; (b) negar parcialmente provimento ao recurso voluntário, de modo a manter parte do crédito tributário, conforme os valores expressos nas planilhas de fls. 348/349. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 11065.720533/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
SIMULAÇÃO.
A simulação se caracteriza pela divergência entre o ato aparente - realização formal - e o ato que se quer materializar - oculto. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Portanto, para fins de caracterizar, ou não, simulação, é irrelevante terem as partes verdadeiramente manifestadas publicamente vontade de formalizar determinados atos por natureza lícitos, pois tal fato em nada influi sobre o cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. Para que não se configure simulação, é necessário mais que isso, é necessário que as partes queiram praticar esses atos não apenas formalmente, mas também materialmente.
RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Restando configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, os efeitos tributários devem ser determinados conforme os atos efetivamente ocorreram.
VERDADE MATERIAL. MEIOS DE PROVAS.
Por se tratar de a simulação de divergência entre realidade e subjetividade, é difícil, quando não impossível, comprová-la diretamente, pelo que se admite que seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive indícios e presunções.
Numero da decisão: 3201-001.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Daniel Mariz Gudino em relação à qualificação da multa. Por unanimidade de votos, mantido o crédito tributário em relação à exigência principal, sendo que a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo votou pelas conclusões.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes declarou-se impedido.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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A simulação se caracteriza pela divergência entre o ato aparente realização formal e o ato que se quer materializar oculto. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Portanto, para fins de caracterizar, ou não, simulação, é irrelevante terem as partes verdadeiramente manifestadas publicamente vontade de formalizar determinados atos por natureza lícitos, pois tal fato em nada influi sobre o cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. Para que não se configure simulação, é necessário mais que isso, é necessário que as partes queiram praticar esses atos não apenas formalmente, mas também materialmente. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Restando configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, os efeitos tributários devem ser determinados conforme os atos efetivamente ocorreram. VERDADE MATERIAL. MEIOS DE PROVAS. Por se tratar de a simulação de divergência entre realidade e subjetividade, é difícil, quando não impossível, comprovála diretamente, pelo que se admite que seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive indícios e presunções. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 05 33 /2 01 3- 04 Fl. 741DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 742 2 Vencido o Conselheiro Daniel Mariz Gudino em relação à qualificação da multa. Por unanimidade de votos, mantido o crédito tributário em relação à exigência principal, sendo que a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo votou pelas conclusões. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes declarouse impedido. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 3/24, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep dos períodos de janeiro de 2009 a dezembro de 2010, exigindose o crédito tributário no valor total de R$ 1.167.616,45. Segundo Relatório Fiscal de fls. 26/43, foi constatada a prática de simulação da prestação de serviços de industrialização por terceiros, constituídos por meio de interpostas pessoas, e que na realidade eram realizados por empregados da própria contribuinte, gerando créditos indevidos das contribuições não cumulativas. A fiscalização procedeu, então, à glosa desses créditos e à respectiva exigência com multa qualificada de 150%, em função da constatação da prática do crime de sonegação fiscal. O enquadramento legal encontrase a fls. 6/7, 12/13, 17/18 e 23/24. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 641/685. Nela, discorreu sobre as dificuldades enfrentadas pelas empresas do setor calçadista com a concorrência de produtos chineses, e que a terceirização de atividades seria uma das maneiras de maximizar a produção e reduzir custos. Com esse intuito, teria terceirizado parte de sua produção para as empresas Calçados HJSB e Calçados HVE, constituídas há mais de cinco e quatro anos dos fatos debatidos, respectivamente, que ficaram responsáveis por uma etapa da confecção de seus produtos. Defendeu a legalidade do procedimento, que envolvia a remessa para industrialização e seu posterior retorno acobertados por nota fiscal, pagando pela industrialização realizada. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 743 3 Acrescentou que não houve falta de recolhimento de “quaisquer valores para o INSS ou para a União.” Refutou a acusação da fiscalização, cujo entendimento foi no sentido de que “a impugnante e as terceiras empresas eram uma única empresa”. Argumentou que o eventual lançamento deveria ter sido feito nas “terceiras empresas”. Isso porque “a imputação de procedimento tido como equivocado se deu unicamente porque a suposta empresa vinculada era tributada pelo SIMPLES, recolhendo as contribuições previdenciárias com base nesta sistemática de apuração”. Portanto as “terceiras empresas” é que deveriam ter sido desenquadradas do regime, arcando com a diferença da tributação devida. Verificouse assim equívoco na “sujeição passiva aposta neste lançamento”, devendo o mesmo ser anulado. Suscitou ainda nulidade por falta de intimação das empresas que tiveram sua personalidade jurídica desconsiderada, violandose o direito de ampla defesa e contraditório. Voltou a defender a legalidade de seu procedimento de “industrialização por encomenda”, cuja regularidade se comprova por não ter havido “qualquer lançamento por subfaturamento ou inexistência dos negócios realizados”, não podendo ser desconsiderado. Tratou do planejamento tributário abusivo, que ocorre quando, por exemplo, “uma empresa maior, que sofre uma tributação mais elevada, faz uma cisão, constituindo empresas menores que, assim, podem ser tributadas pelo SIMPLES e, com isso, conseguem uma redução global da carga tributária.” Não seria esse, porém, o caso em questão, pois as operações realizadas existiram, foram realizadas com base em preços regulares e não contrariaram norma alguma. Transcreveu trecho e ementa de acórdão do CARF (fls. 648/650), a respaldar seus argumentos, e que deu provimento a recurso voluntário em caso semelhante, além de outro sobre “incorporação às avessas” (fl. 651). Citou também doutrina de Hugo de Brito Machado, sobre a impossibilidade de utilização indiscriminada de norma antielisiva. Acrescentou que o parágrafo único do art. 116 do CTN (incluído pela Lei Complementar nº 104/2001), estabeleceu que a desconsideração de atos ou negócios jurídicos deve observar os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária, o que até o momento não se deu, impedindo a autoridade lançadora de realizála. Alegou “falta de demonstração do vínculo empregatício” entre os empregados das terceiras empresas e a impugnante, pois não restou evidenciada a existência de elementos caracterizadores desse vínculo, como a subordinação, a pessoalidade, a não eventualidade e a onerosidade. A mera presunção de tais Fl. 743DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 744 4 elementos, em desacordo com a ON nº 2/1995, não é suficiente para tanto. Transcreveu trecho de decisão do Tribunal Superior do Trabalho (fl. 653) e do CARF (fl. 654). Ao que chamou de “ilações do relatório fiscal”, apresentou as seguintes razões: I Do quadro societário e constituição das empresas As empresas sempre possuíram quadro societário distinto, foram criadas em momentos diversos, bem como seus endereços também eram distintos. Possuíam cada uma seus alvarás e inscrições no ICMS e CNPJ, nunca foram uma única empresa. As operações realizadas (industrialização por encomenda) são corriqueiras no setor calçadista, bem como o fato dos sócios das empresas serem da mesma família, não havendo qualquer ilegalidade neste fato. Novamente, todas as operações praticadas entre as empresas foram realizadas, estas formalmente constituídas, com quadro próprio de empregados, bem como não houve qualquer subfaturamento, ou seja, as atividades foram prestadas, obedecendo rigorosamente os preceitos legais vigentes. II Do objeto social Se as empresas terceirizadas praticavam atividades de industrialização de calçados, por óbvio deveria possuir objeto social idêntico ao da impugnante, que também o faz, o que não denota qualquer irregularidade. III Do contrato de locação, água e luz O fato das empresas terceirizadas locarem prédios da impugnante para realizar suas atividades não indica irregularidade, bem como explica o fato das contas de água e luz virem em nome desta. Tais despesas eram efetivamente arcadas pelas terceirizadas, que as incluíam no custo da produção, ao final cobrado da impugnante, compondo o custo do produto vendido. Transcreveu trecho do “Manual de Contabilidade Societária, do FIPECAFI” (fl. 656). IV Dos empregados das terceiras empresas A impugnante não tem responsabilidade pela forma como as terceirizadas geriam seus negócios, sendo que tais empresas são usualmente pequenas empresas familiares sem estrutura administrativa formalmente montada. Se foram apuradas irregularidades na contabilidade das terceirizadas, porque não houve desconsideração e lançamento contra elas? Se nada foi lançado, é porque sua contabilidade e operações existiram e refletiam a realidade. Além disso, o fato de exempregados da impugnante, ao serem demitidos buscarem emprego nas terceirizadas é normal, vez que elas exerciam a mesma atividade. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 745 5 V Do envio da GFIP A constatação de que, dentro de 24 meses analisados, terem sido encontrados dois envios de GFIP (um em 2009, outro em 2010) do mesmo computador “não é prova de nada, até porque é comum computadores ou conexões de internet apresentarem problemas.” Foi uma situação excepcional, não podendo ser tomada como regra. VII Da composição dos custos Inexiste irregularidade no fato das empresas terceirizadas terem seu custo unicamente composto de mão de obra, pelo contrário, é um reflexo do tipo de atividade exercida. VIII Do pagamento da prestação de serviços Não foi apontada uma única operação em que a impugnante tenha enviado valores sem correspondência com uma nota fiscal emitida ou que o montante tenha sido no valor exato de alguma despesa das terceiras empresas. Assim, em não havendo qualquer comprovação de que a impugnante enviava valores para suportar despesas das terceirizadas, mas, ao contrário, pagava pelos serviços prestados, que não há irregularidade ou ilegalidade neste ponto. IX Reclamatórias trabalhistas A fiscalização tomou como prova da vinculação das empresas cinco reclamatórias trabalhistas, baseandose somente em cópia das petições iniciais e documentos sem validade jurídica. Uma pesquisa sobre o assunto demonstra que tal situação é corriqueira e não configura conluio entre empresas. A impugnante juntou cópia de uma petição inicial com situação idêntica em que, seguindo a sistemática do lançamento, haveria atividade ilegal “envolvendo nada mais nada menos que seis empresas!” X Da sede social da impugnante Por se tratarem de empresas terceirizadas de parentes dos sócios da impugnante, entenderam que não havia prejuízo algum se os funcionários das terceirizadas tivessem acesso à sede social da impugnante (pagando pela sua utilização), o que não configura relação de emprego. XI Do planejamento tributário às avessas Não houve, no caso dos autos, o “abuso de forma” considerado como ilegal, a exemplo de acórdão do CARF que transcreve (fl. 661). Não existiu desmembramento de uma empresa visando a redução da carga tributária, pelo contrário, houve incorporação de outra empresa visando o fortalecimento da industrialização e venda de calçados, sendo que as três empresas foram constituídas em épocas diferentes e possuíam sócios diferentes. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 746 6 A idéia da operacionalização da empresa já previa a industrialização por encomenda, desde sua constituição, procedimento legal e previsto no Regulamento do IPI (art. 136). Com o passar do tempo, a impugnante entendeu por bem adquirir a outra empresa, sendo o contrário da situação presumida pela fiscalização. Após estas considerações, a impugnante atacou a exigência da multa majorada, argumentando serem necessárias a ocorrência de determinadas situações para que a sonegação se consume, não tendo elas se verificado no presente. Não houve qualquer ação ou omissão dolosa da impugnante, e o dolo não pode ser presumido. Transcreveu acórdão do CARF sobre o tema (fls. 663/664). Igualmente também não existiu qualquer impedimento ou retardamento de qualquer informação à autoridade fiscal, pois todas as três empresas apresentaram tempestivamente a GFIP informando corretamente seus funcionários e pagando os tributos devidos. Após resumir seus argumentos, a impugnante requereu perícia, no caso de ser mantido o lançamento, para fins de comprovação da regularidade fiscal e da independência entre as empresas. Ao final, pleiteou a declaração de nulidade do lançamento ou, alternativamente, sua improcedência e, caso seja ele mantido, o afastamento da majoração da multa para 150%. Sobreveio decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 746DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 747 7 Anocalendário: 2009, 2010 SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INÉPCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos e do perito. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase legalmente como fraude ou sonegação. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente sustenta a nulidade do lançamento, por indicação equivocada da sujeição passiva. Entende que a irregularidade não se deu na recorrente, mas nas empresas terceirizadas que, no entender da fiscalização, não poderiam ser optantes do SIMPLES, devendo, então, recolher as contribuições previdenciárias com base na folha de salários. Em relação ao argumento, esclarecese que o presente lançamento fiscal tem por objeto a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins decorrentes da Fl. 747DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 748 8 apropriação indevida de créditos no regime da nãocumulatividade, conduta realizada pela própria recorrente. O questionamento, contudo, se refere à definição da sujeição passiva relacionada a processo referente a exigência de contribuições previdenciárias. A definição do sujeito passivo responsável pelo recolhimento de contribuições previdenciárias não tem qualquer relação com a determinação da sujeição passiva referente a exigência do PIS e da Cofins, que incidem sobre o faturamento. Desta forma, rejeitase a arguição de nulidade por erro na definição do sujeito passivo. No tocante à arguição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito ao contraditório e a ampla defesa, decorrente da falta de intimação das demais empresas envolvidas, ou dos sócios destas, observo que a citada exigência não consta da legislação tributária. Para a formalização regular do auto de infração basta que o mesmo esteja apoiado em provas que demonstrem a ocorrência dos fatos alegados. Ressaltase que o presente lançamento não tem por destinatários as citadas empresas ou seus sócios, não se verificando a ocorrência do alegado vício processual. A recorrente alega ainda que este lançamento se deu em decorrência de outro, que exige contribuições previdenciária, ainda não definitivamente julgado, e que por este motivo somente poderia ter sido lançado após a decisão final daquele. Em atenção ao alegado, esclarecese que os dois processos, em que pese sejam decorrentes do mesmo procedimento fiscal, e estarem consubstanciados nos mesmos elementos de prova, não são decorrentes um do outro. Tratamse de processos independentes, referentes a tributos distintos, razão pela qual não se exige o prévio encerramento de um para o lançamento do outro, ou mesmo para o seu julgamento. Ultrapassadas as preliminares, adentrase nas questões de mérito. A exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurados pelo regime da nãocumulatividade, decorre da glosa de créditos apropriados pela recorrente. Os créditos glosados referemse a despesas com serviços de industrialização por terceiros, que a fiscalização entendeu terem sido praticados por interpostas pessoas. A fiscalização afirma que duas prestadoras de serviço da recorrente, quais sejam as empresas Calçados HJSB Ltda e Calçados HVE Ltda, embora constituídas regularmente, não eram, de fato, sociedades independentes, mas sim meros estabelecimentos da própria contribuinte. Afirma que estas empresas simulavam a prestação de serviços com a finalidade de auferir benefícios exclusivamente tributários, pois, por meio da transferência de mãodeobra da recorrente para as prestadoras de serviço, optantes do Simples Nacional, não recolhiam as contribuições previdenciárias patronais que seriam devidas, bem como apropriavamse de créditos no regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins decorrentes dos pagamentos efetuados a estas empresas. A recorrente, por sua vez, sustenta a licitude do seu plano de negócios, afirmando ter aderido a terceirização de suas atividades como forma de reduzir seus custos. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 749 9 Neste sentido, terceirizou parte de sua produção para a empresa Calçados HJSB Ltda. e parte para a empresa Calçados HVE Ltda. Aduz que, ao receber o pedido de seus clientes, comprava os insumos, industrializava parte do calçado e os remetia para terceiras empresas, para complementação da confecção do produto. Alega que toda esta operação era realizada normalmente, com a devida emissão de nota fiscal de saída para remessa para industrialização de terceiros, bem como a terceira empresa devolvia a mercadoria industrializada acompanhada com a respectiva nota fiscal, cobrando pela industrialização realizada. Pois bem, para a solução da lide mostrase necessário antes o esclarecimento de alguns conceitos. A primeira distinção a ser feita referese aos termos elisão e evasão fiscal. De forma sucinta, podemos conceituar elisão fiscal como sendo a economia lícita de tributos. Já por evasão fiscal entendese a diminuição da carga tributária alcançada pela prática de sonegação, fraude ou simulação, vedadas pelo nosso ordenamento jurídico. A autoridade fiscal afirma que a recorrente teria adquirido serviços de interposta pessoa – prática vulgarmente conhecida como constituição de empresa por meio de sócio “laranja”, conceituada juridicamente como simulação. De Plácido e Silva conceitua simulação como “o artifício ou o fingimento na prática ou na execução de um ato, ou contrato, com a intenção de enganar ou de mostrar o irreal como verdadeiro, ou lhe dando aparência que não possui (...) No sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano e prejuízo de terceiros” (Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Ed. Forense, 1990). Luciano Amaro complementa que “a simulação seria reconhecida pela falta de correspondência entre o negócio que as partes realmente estão praticando e aquele que elas formalizam.” (Amaro, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13ª Ed. Ed Saraiva, 2007, p. 231) Simulação corresponde, portanto, a realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. O ato existe apenas aparentemente; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. A autoridade fiscal, ao verificar que o sujeito passivo utilizouse de simulação para esquivarse do pagamento de tributo, tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo como os fatos efetivamente ocorreram, em detrimento daquela verdade jurídica aparente. Esta afirmação encontrase em consonância com o atual estágio de evolução do pensamento jurídico. Já se encontra ultrapassada a fase da idolatria à Lei, e isto não apenas em relação aos ramos clássicos do Direito; o Direito Tributário também acompanhou esta passagem da jurisprudência dos conceitos para a jurisprudência dos valores. Segundo a hermenêutica contemporânea, ao fatos jurídicos tributários não devem ser interpretados apenas sob a ótica das formas jurídicas permitidas, mas sim também Fl. 749DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 750 10 sob a perspectiva de sua utilização concreta, à luz dos valores básicos de igualdade, da solidariedade e da justiça. Ponderase a liberdade com a isonomia e a capacidade contributiva. Marco Aurélio Greco, com lucidez, ressalta que esta transformação acompanha a mudança ocorrida em nossa realidade política, social e fática: Por outro lado, a liberdade absoluta do contribuinte levou a uma infinidade de estruturas negociais e reestruturações societárias que, com propriedade, foram consideradas meramente “de papel”. A prevalência da forma levou, da perspectiva da legalidade, à veiculação de praticamente quaisquer conteúdos desde que através de lei em sentido formal; e da perspectiva da liberdade de autoorganização ao surgimento de “montagens jurídicas” sem qualquer substância econômica, empresarial ou extratributária. Enquanto o modelo formal de abordagem do fenômeno tributário era levado à sua quintessência e privilegiava a forma – e não apenas esta, pois chegava até mesmo à idolatria da linguagem em que esta se apresentava – a realidade política, social e fática mudava profundamente. A Constituição de 1988 assumiu o perfil de uma Constituição da Sociedade Civil, diversamente da Carta de 1967 que possuía o feitio de uma Constituição do Estadoaparato (GRECO, 2005). Esta mudança se espraia por todo seu texto a começar pelo artigo 1º que afirma categoricamente ser o Brasil um Estado Democrático de Direito e não apenas um Estado de Direito e seu art. 3º, I coloca a construção de uma sociedade livre, justa e solidária como objetivo fundamental da República. Isto implica colocar a variável social ao lado e no mesmo plano da individual e abre espaço para se reconhecer a solidariedade social como fundamento último da tributação (GRECO, 2005). [...] Por outro lado, a sociedade passou a ver nos direitos fundamentais e na eficácia jurídica das normas que os prevêem um canal relevante de reconhecimento e atendimento das demandas sociais. Por fim, criouse a consciência de que a criatividade deve ser prestigiada, mas é importante reagir contra a mera esperteza de quem quer levar vantagem como se o indivíduo vivesse isolado, tendo o mundo submetido à sua disposição ou predação. (Greco, Marco Aurélio, artigo “Crise do Formalismo do Direito Tributário”, publicado na Revista da PGFN nº 01) Caracterizado que a forma jurídica adotada não reflete o fato concreto, o Fisco encontrase autorizado “a determinar os efeitos tributários decorrentes do negócio realmente realizado, no lugar daqueles que seriam produzidos pelo negócio retratado na forma simulada pelas partes” (Amaro, Luciano, ob. cit., p. 233/234). Assim, quando verificado que o contribuinte, com o único objetivo de não recolher tributos, adota formas jurídicas anormais, insólitas ou inadequadas, as mesmas podem Fl. 750DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 751 11 ser desconsideradas, exigindose os tributos que seriam devidos não fosse a forma jurídica anormal adotada. Tal procedimento se encontra fundamentado no artigo 149, inciso VII do CTN, que permite à fiscalização tributária, com respeito à ampla defesa e ao contraditório, através de procedimentos administrativos, efetuar o lançamento de ofício requalificando os atos e negócios praticados, desde que comprove a existência do dolo, da fraude ou da simulação. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Uma questão a ser dirimida é a de se saber se houve, no procedimento fiscal, comprovação material da infração e, para tanto, algumas considerações acerca de direito probatório, ou mais especificamente sobre como se chega à comprovação material de um dado fato, são necessárias. Na busca pela verdade material – princípio este informador do processo administrativo fiscal –, a comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só, ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Não há, em sede de processo administrativo, uma hierarquização préestabelecida dos meios de prova, sendo perfeitamente regular o estabelecimento da convicção a partir do cotejamento de elementos de variada ordem, desde que estejam estes, por óbvio, devidamente juntados ao processo. É a consagração da chamada prova indiciária, de largo uso no direito. A comprovação fática do ilícito raramente é passível de ser produzida por uma prova única, isolada; aliás, só seria possível, praticamente, a partir de uma confissão expressa do infrator, coisa que, como facilmente se infere, dificilmente se terá, por mais evidentes que sejam os fatos. O uso de indícios não pode ser confundido com a utilização de presunções legais. Diferem a presunção e o indício pela circunstância de que àquele o direito atribui, isoladamente, o vigor de um verdadeiro conformador de uma outra situação de fato que a lei presume, por uma aferição probabilística que ocorra no mais das vezes. Já o indício não tem esta estatura legal, uma vez que a ele, isoladamente, pouca eficácia probatória é dada, ganhando ele relevo apenas quando, olhado conjuntamente com outros indícios, transfere a convicção de que apenas um resultado fático seria verossímil. Fazse necessário ainda lembrar que no direito administrativo tributário é permitido, em princípio, todo meio de prova, uma vez que não há limitação expressa, ressaltando que predominam a prova documental, a pericial e a indiciária. Pois é exatamente a associação da primeira com a última que se permite concluir a respeito da correção e validade do lançamento. Desta forma, as provas indiretas – indícios e presunções simples – podem ser instrumentos coadjuvantes do convencimento da autoridade julgadora quando da apreciação do Fl. 751DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 752 12 conjunto probatório do processo administrativo tributário. As presunções legais ou absolutas independem de prova, assim como a ficção jurídica. As presunções relativas admitem prova em contrário. As presunções simples devem reunir requisitos de absoluta lógica, coerência e certeza para lastrear a conclusão da prova da ocorrência do fato gerador de tributo. Alberto Xavier, em “Do lançamento. Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário”, Ed. Forense, 2ª ed., 1998, pág. 133, ao tratar das presunções e da verdade material, assim se pronuncia: A questão está em saber se os métodos probatórios indiciários, aí aonde são autorizados a intervir, são, em si mesmo, compatíveis com o princípio da verdade material. Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração Fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou a prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substituta) prevista na lei: só que a verdade material se obtém de modo direto e nos quadros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções e juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade. Por fim, em se tratando especificamente da verificação da presença de simulação, os atos praticados pelos contribuintes precisam ser analisados em conjunto, não sendo suficiente a constatação da validade formal do ato visto de forma isolada dos demais. Analisase o filme e não apenas a foto. Feitas estas considerações, podese voltar ao caso concreto que aqui se tem, analisandose os fatos trazidos pelas partes. A fiscalização, com o objetivo de comprovar que a contratação das empresas foi realizada de forma simulada, carreou aos autos diversos documentos referentes aos negócios da recorrente e as empresas tidas como interpostas pessoas. As três empresas atuam no mesmo segmento econômico, qual seja a fabricação de calçados e artefatos de couro, e são formadas por sócios com forte vínculo familiar. Neste sentido, reproduzse trecho extraído do termo de verificação fiscal: 2.1. CALÇADOS MIUCHA LTDA Fl. 752DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 753 13 A empresa Calçados Miucha Ltda, constituída em 03/08/78, atua no segmento de fabricação, comércio e beneficiamento de calçados e artefatos de couro desde sua fundação. Seu quadro societário também manteve a mesma composição ao longo do tempo, tendo como sóciosadministradores os senhores Ricardo Schmitt Müller, CPF 300.813.19053, e Paulo Gilberto Blauth, CPF 254.150.77049. 2.2 CALÇADOS HJSB LTDA A Calçados HJSB Ltda, doravante denominada simplesmente HJSB, foi diligenciada conforme MPFD 10.1.07.002012 00810. Iniciou suas atividades em 09/2004 com sede na Estrada Fazenda Fialho, 444, Taquara, RS. Seu objeto social era o mesmo da fiscalizada: indústria, comércio e beneficiamento de calçados. No quadro societário, filhos dos sócios da fiscalizada. O sócio administrador Jairo Fabiano Blauth, CPF 674.270.49004, filho do senhor Paulo Gilberto Blauth e da senhora Velani Blauth, sóciaadminstradora da Calçados HVE Ltda. O outro sócio, Huberto Schmitt Müller, CPF 016.295.13024, menor de idade, foi assistido no ato de constituição da empresa por seu pai, o senhor Ricardo Schmitt Müller. Em 01/2006, conforme 2ª Alteração Contratual, retirouse o sócio Huberto Schmitt Müller, cedendo 96% de suas cotas ao sócioadministrador Jairo Fabiano Blauth e o restante à nova sócia, senhora Velani Blauth. Com essa alteração, o capital da HJSB passava a pertencer à esposa e ao filho do senhor Paulo Gilberto Blauth, sócioadministrador da fiscalizada. Em 06/2007, por meio da 3º Alteração Contratual, transferiase a sede da empresa para a Rua Sete de Setembro, 1284 – fundos, bairro Sander, Três Coroas, RS, onde operou até 15/12/2010, quando foi incorporada pela fiscalizada. 2.3. CALÇADOS HVE LTDA A empresa Calçados HVE Ltda, doravante denominada simplesmente HVE, foi diligenciada conforme MPFD 10.1.07.00201200811. Iniciou suas atividades em 01/2006 com sede na Rua Sete de Setembro, 1320, bairro Sander, Três Coroas, RS. Seu objeto social compreendia as mesmas atividades da fiscalizada: indústria, comércio e beneficiamento de calçados, bolsas, carteiras e cintos. No quadro societário, os mesmos sócios da HJSB, Huberto Schmitt Müller e Velani Blauth. Cabe registrar que em 12/2010, em função do falecimento do senhor Huberto Schmitt Müller, suas cotas foram transferidas ao senhor Ricardo Schmitt Müller. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 754 14 Encerrou suas atividades em 15/12/2010, quando registrou baixa em função da incorporação pela fiscalizada. Outro ponto salientado pelo Fisco é que as prestadoras operavam nas instalações da fiscalizada, juntamente com um de seus estabelecimentos. Segundo informa a Fiscalização, “as empresas HJSB e HVE operavam em instalações locadas da fiscalizada, conforme contratos de locação”. O Fisco, em relação a estes contratos de aluguel, ilustra ainda que: Quem representou a HVE no contrato de aluguel foi uma procuradora, a senhora Fabiane Ramisch, funcionária da fiscalizada (Calçados Miucha Ltda) desde 2003, como veremos adiante. Ora, embora houvesse dois sócios com poderes de administração, a sociedade foi representada por uma funcionária da área administrativa da Calçados Miucha Ltda. [...] De acordo com a cláusula IV, alínea “d”, cabia ao locatário pagar, além do aluguel, os consumos de luz e água. No entanto, quem arcava com essas despesas era fiscalizada. Por meio dos TIPF solicitamos as faturas de fornecimento de energia elétrica e água das três empresas. No entanto, somente a fiscalizada apresentou esses documentos. Vide respostas aos termos no Anexo VIII. No rol de faturas de energia elétrica apresentadas, constavam faturas cujo endereço da unidade consumidora era Rua Sete de Setembro Nº 1320 A, vide recorte do documento a seguir. Além de terem sido emitidas em seu nome, confrontando as faturas com a contabilidade da fiscalizada, conta 311111260009 – ENERGIA ELÉTRICA – PRODUÇÃO, integrante do grupo CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS – CPV, constatamos que a energia elétrica consumida pelas empresas HJSB e HVE compunha o CPV da fiscalizada. No Anexo IX apresentamos os registros contábeis e as faturas em comento. Em outro ponto, a fiscalização traz informações acerca dos empregados contratados pelas empresas, tendo constatado que todos os empregados das empresas prestadoras estavam alocados na sua atividadefim. No período analisado, a HVE chegou a contar com mais de 120 empregados, enquanto a HJSB, com quase 80. Todos, sem exceção, estavam alocados no setor de produção, não existindo nenhum funcionário alocado em outros setores, como o administrativo. Tampouco foram constatados pagamentos referentes a contratação de serviços de contabilidade pelas empresas prestadoras. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 755 15 Observase que o contador das três empresas era o senhor Ernani Dirceo Koch. Seu trabalho, todavia, era remunerado apenas pela recorrente. Verificouse ainda que muitos empregados da fiscalizada foram transferidos para a HJSB e para a HVE. Considerando o período de 11/2005 até 12/2010, 23 empregados demitidos pela recorrente foram contratados em seguida pela HJSB. Muitos deles, no dia seguinte. Na HVE, 26 exfuncionários da recorrente foram contratados. Dois deles, a senhora Velani Blauth e o senhor Huberto Schmitt Müller, passaram de empregados da fiscalizada a sócios da HVE. A autoridade fiscal assim informa: A senhora Velani Blauth teve vínculo empregatício com a fiscalizada no período de 03/10/1988 até 26/02/2006. Já no mês seguinte a rescisão do contrato de trabalho, 03/2006, passou a retirar Prólabore como sóciaadministradora da HVE. Além desse perfeito sincronismo temporal, constatamos também que a remuneração declarada era praticamente a mesma. O último salário recebido na fiscalizada fora de R$ 826,17. A partir de 03/2006 a segurada passava a declarar R$ 800,00 como retirada de Prólabore. Informação obtida por meio dos extratos do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS (Anexo XIII). O sócio Huberto Schmitt Müller teve vínculo empregatício com a fiscalizada no período de 05/2004 até 04/2008. Em meio a esse contrato de trabalho, integrou o quadro societário das empresas HJSB e HVE, inclusive como sócioadministrador da HVE a partir de 10/2006, quando passou a receber Prólabore. Ou seja, o filho do sócioadministrador Ricardo Schmitt Muller, era funcionário da fiscalizada e sócioadministrador da HVE e sócio da HJSB. A autoridade fiscal traz ainda, para comprovar o alegado, informações extraídas das demonstrações contábeis destas empresas. Um dado relevante diz respeito aos custos das empresas com a mãodeobra, em relação as receitas percebidas: Calçados HJSB Ltda CONTA 2009 % Custo MO Total 2010 % Custo MO Total Receita Bruta de Vendas R$ 802.845,63 91% R$ 1.029.898,04 102% Custo dos Prod. Vendidos R$ 757.895,36 97% R$ 1.127.829,34 93% Custo MO Total R$ 732.489,35 R$ 1.051.405,19 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 756 16 Os custos com folha de pagamento e encargos, portanto, consumiram mais de 90% da receita bruta em 2009 e sua totalidade em 2010. Calçados HVE Ltda CONTA 2009 % Custo MO Total 2010 % Custo MO Total Receita Bruta de Vendas R$ 1.318.791,00 89% R$ 1.367.967,10 114% Custo dos Prod. Vendidos R$ 1.199.840,28 98% R$ 1.617.689,87 96% Custo MO Total R$ 1.173.520,33 R$ 1.559.283,52 Nesta empresa, no ano de 2009, 98% do Custo dos Produtos Vendidos era relativo às despesas com pessoal, situação que se agravou em 2010, quando as despesas com pessoal representaram 114% de toda a receita bruta da empresa. Verificase ainda que a totalidade das receitas percebidas pelas empresas HJSB e HVE são decorrentes da prestação de serviços de industrialização para apenas um cliente, qual seja, a recorrente. Observase, contudo, que, em que pese a relevância dos valores envolvidos, não havia qualquer contrato celebrado entre essas empresas e a recorrente. A fiscalização traz ainda diversos elementos para comprovar a infração tributária, todavia entendo que os fatos explicitados acima já são suficientes para definir a lide. Recapitulando, temos que as empresas HJSB e HVE: Pertenciam a pessoas com estreito vínculo familiar com os sócios da recorrente; Operavam em instalações da recorrente; Tinham parte de seus custos operacionais suportados pela recorrente; Não possuíam estrutura administrativa; Eram representadas por uma funcionária da recorrente; Um de seus sócios foi empregado da recorrente; Apresentavam uma composição de custos que não permitia o auferimento de lucro; Prestavam serviços única e exclusivamente para a recorrente; E ainda: Recebiam aportes financeiros da fiscalizada em perfeito sincronismo com suas necessidades de caixa; Fl. 756DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 757 17 Operavam em conjunto com uma filial da fiscalizada e com sinais evidentes de confusão patrimonial; Aos seus empregados era franqueado acesso à sede social da fiscalizada; Seus funcionários recebiam participação nos lucros exatamente no mesmo dia que os empregados da fiscalizada. Os fatos narrados acima, verificados de forma isolada, não se mostram irregulares, encontrandose até mesmo amparados pela legislação. A sua analise em conjunto, contudo, permite concluir que representam verdade aparente, fictícia, sendo a verdade real diversa. Em que pese a aparente autonomia das empresas HJSB e HVE, estas, na realidade, não eram empresas independentes, mas sim parte da empresa Calçados Miucha S/A. A separação consistia em mera ficção, posto, materialmente, constituírem uma única empresa. Como consequência, temos que, apesar da aparente formalização de contrato de trabalho entre os empregados e as empresas HJSB e HVE, na realidade estes empregados estavam vinculados à recorrente. O objetivo deste fingimento mostrase claro ao se analisar as consequências tributárias da criação destas empresas. Ao simular a contratação serviços de industrialização, a Calçados Miucha Ltda. apropriouse de créditos do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS na contratação de serviços de pessoas jurídicas. A recorrente não teria direito a este crédito sem essa manobra, posto a mãodeobra paga a pessoas físicas em sua folha de salários não gerar créditos. Outra vantagem tributária obtida pela recorrente foi a de que, uma vez estando os empregados registrados na HJSB e HVE, a mesma usufruiu do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às micro e empresas de pequeno porte, o SIMPLES NACIONAL, regime ao qual não teria direito. O conjunto de operações levado a cabo pelo contribuinte, portanto, tinha o objetivo único de impedir a ocorrência do fato gerador, simulando situação que, por si só, é inconsistente, com total ausência de motivação extratributária. Em sendo estes os fatos, resta clara a simulação praticada pela recorrente, mostrandose correto, portanto, o procedimento da autoridade fiscal de desconsiderar os serviços prestados pelas empresas Calçados HJSB Ltda. e Calçados HVE Ltda. para efeito de cálculo dos créditos das contribuições. Em sendo configurada a simulação e o evidente intuito de fraude, mostrase corretamente aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Os atos praticados pelo sujeito passivo configuraram fraude fiscal, conforme conceito estabelecido pelo artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964: Fl. 757DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11065.720533/201304 Acórdão n.º 3201001.841 S3C2T1 Fl. 758 18 Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Desta forma, diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 758DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 10840.720375/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
A tributação de valores omitidos apurados em ato de fiscalização, consoante legislação pertinente, pode ser elidida mediante a apresentação de prova inequívoca de que tais valores não pertenceram ao contribuinte.
No caso concreto, comprovado que o contribuinte atuou apenas como representante de escritório de advocacia do qual é sócio quando do levantamento de alvarás relativos a honorários sucumbenciais, e que os valores foram transferidos para conta da sociedade, deve-se excluir do lançamento os valores efetivamente transferidos para a conta corrente da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 2102-003.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura, que dava provimento parcial, para somente retirar da base de cálculo da infração os valores relativos aos alvarás em que o beneficiário dos rendimentos não era o contribuinte. Realizou sustentação oral o Dr. João Henrique Gonçalves Domingos, OAB/SP nº 189.262.
assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente.
assinado digitalmente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator.
EDITADO EM: 30/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Bernardo Schimidt, Alice Grecchi, e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. A tributação de valores omitidos apurados em ato de fiscalização, consoante legislação pertinente, pode ser elidida mediante a apresentação de prova inequívoca de que tais valores não pertenceram ao contribuinte. No caso concreto, comprovado que o contribuinte atuou apenas como representante de escritório de advocacia do qual é sócio quando do levantamento de alvarás relativos a honorários sucumbenciais, e que os valores foram transferidos para conta da sociedade, deve-se excluir do lançamento os valores efetivamente transferidos para a conta corrente da pessoa jurídica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura, que dava provimento parcial, para somente retirar da base de cálculo da infração os valores relativos aos alvarás em que o beneficiário dos rendimentos não era o contribuinte. Realizou sustentação oral o Dr. João Henrique Gonçalves Domingos, OAB/SP nº 189.262. assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente. assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator. EDITADO EM: 30/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Bernardo Schimidt, Alice Grecchi, e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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A tributação de valores omitidos apurados em ato de fiscalização, consoante legislação pertinente, pode ser elidida mediante a apresentação de prova inequívoca de que tais valores não pertenceram ao contribuinte. No caso concreto, comprovado que o contribuinte atuou apenas como representante de escritório de advocacia do qual é sócio quando do levantamento de alvarás relativos a honorários sucumbenciais, e que os valores foram transferidos para conta da sociedade, devese excluir do lançamento os valores efetivamente transferidos para a conta corrente da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura, que dava provimento parcial, para somente retirar da base de cálculo da infração os valores relativos aos alvarás em que o beneficiário dos rendimentos não era o contribuinte. Realizou sustentação oral o Dr. João Henrique Gonçalves Domingos, OAB/SP nº 189.262. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 03 75 /2 00 8- 17 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.720375/200817 Acórdão n.º 2102003.176 S2‐C1T2 Fl. 227 2 assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 30/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Bernardo Schimidt, Alice Grecchi, e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de julgamento de recurso voluntário após diligência determinada por esta Câmara julgadora. Sendo assim, por economia processual, valhome do relatório proferido pelo julgador que inicialmente apreciou o feito (fls. 65/66): “Em face do contribuinte JOSE LUIZ MATTHES, CPF/MF nº 046.311.59880, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 05/08/2008, auto de infração, com ciência postal em 13/08/2008, decorrente da revisão de sua declaração de ajuste anual do ano calendário 2005. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 6.962,70 MULTA DE OFÍCIO R$ 5.222,02 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos no importe total de R$ 34.722,31 (com IRRF de R$ 1.041,67), decorrente de informação de DIRF de duas fontes pagadoras (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, alegando que os valores constantes do auto de infração referemse a importes em benefício de terceiros, decorrentes da atividade de advocacia desempenhada pelo impugnante, sendo certo que sequer houve a identificação dos valores mês a mês, pois a DIRF denota os valores anuais, impedindo a defesa do contribuinte. Ainda atacou a utilização Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.720375/200817 Acórdão n.º 2102003.176 S2‐C1T2 Fl. 228 3 dos juros de mora à taxa selic, bem como discorreu sobre o caráter confiscatório da multa de ofício lançada. A 8ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1751.865, de 22 de junho de 2011. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 14/07/2011. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 10/08/2011. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. houve cerceamento de seu direito de defesa, pois é advogado e patrocina diversas demandas, nas quais recebeu recursos de terceiro, sendo que a fiscalização teria obrigação de explicitar a origem dos recursos tidos como omitidos, fato aqui não ocorrido, o que inquina de nulidade o lançamento; II. o lançamento presumiu que os valores informados em DIRF são rendimentos tributáveis, sem haver qualquer intimação para as fontes explicitarem a origem deles, ou seja, não houve nestes autos a comprovação material da omissão de rendimentos, aqui lembrando que sequer o contribuinte recebia eventuais honorários em sua conta bancária particular, mas em conta da sociedade de advogados da qual faz parte, sendo em tal pessoa jurídica tributados. Ademais, caso se entenda de forma diversa, devese converter o julgamento em diligência, para que as fontes pagadoras especifiquem pormenorizadamente os recebimentos do exercício (datas, valores, processo judicial etc.); III. os juros de mora não podem exceder o percentual de 1% ao mês, como previsto no CTN; IV. a multa de ofício lançada no percentual de 75% é claramente confiscatória, como decidido pelo Supremo Tribunal Federal, que deve ser reduzida para o percentual de 20%, sendo que sobre tal multa não pode incidir juros de mora, por ausência de previsão legal. É o relatório.” DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Na sessão do dia 24/08/2011, esta Câmara julgadora determinou a conversão do julgamento em diligência, “para que as fontes pagadoras sejam intimadas a especificar pormenorizadamente os rendimentos constantes destes autos (se provenientes de ações judiciais, especificar a data do pagamento, a conta bancária de crédito, os valores e o número do processo judicial)”. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.720375/200817 Acórdão n.º 2102003.176 S2‐C1T2 Fl. 229 4 Após a conclusão da diligência, foi determinada a intimação do contribuinte para que oferecesse razões adicionais, em 30 (trinta) dias. Posteriormente, determinouse a devolução dos autos para este Colegiado. Em atendimento ao solicitado por esta Câmara julgadora, o auditor fiscal intimou o Banco do Brasil e a CEF para prestarem os esclarecimentos necessários (fls. 71/75). DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS PELAS FONTES PAGADORAS A CEF ofereceu resposta à fl. 77 e acostou aos autos os documentos de fls. 78/100. O Banco do Brasil, por sua vez, apresentou resposta à fl. 104 e acostou os documentos de fls. 105/113. Munida dos documentos apresentados pelas fontes pagadoras, a autoridade fiscal elaborou o Relatório Circunstanciado de fls. 115/116, onde colacionou os valores dos depósitos a ordem da Justiça Federal levantados pelo RECORRENTE, relacionados abaixo: Também colacionou o valor levantado pelo RECORRENTE perante o Banco do Brasil, em decorrência do Alvará de Levantamento nº 34/2005, no seguinte valor: DA RESPOSTA DO CONTRIBUINTE Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.720375/200817 Acórdão n.º 2102003.176 S2‐C1T2 Fl. 230 5 Intimado em 01/07/2013 (fl. 120), o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a sua manifestação de fls. 123/127 e acostou aos autos vasta documentação (fls. 128/224), composta – em grande parte – por alvarás de levantamento e extratos bancários. Os autos retornaram para julgamento da demanda. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima Tanto o recurso voluntário como as razões adicionais apresentadas são tempestivas e atendem aos demais requisitos legais, razões por que delas conheço. Após a realização de diligência, tanto a CEF como o Banco do Brasil informaram que os rendimentos indicados em DIRF em nome do RECORRENTE foram provenientes de diversos levantamentos de valores depositados em conta judicial, disponíveis ao RECORRENTE, em decorrência de honorários sucumbenciais. A CEF informou que o valor total de R$ 23.260,52 foi auferido ao longo do anocalendário 2005 por meio de dezesseis levantamentos diferentes, todos com a respectiva retenção do imposto de renda Já o Banco do Brasil informou que o valor total de R$ 11.461,79 informado na DIRF foi levantado de uma só vez, através do alvará nº 34/2005, com a respectiva retenção do imposto. Ciente das especificações dos valores informados em DIRF pelas fontes pagadoras, o RECORRENTE acostou aos autos diversos alvarás, os quais passo a analisar. Dos valores recebidos do Banco do Brasil A respeito do valor de R$ 11.461,79 recebido do Banco do Brasil, a própria fonte pagadora acostou aos autos o Alvará nº 34/2005 (fls. 105/108), informando tratarse de honorários advocatícios. Verifico que o RECORRENTE autorizou o depósito do valor na conta corrente de seu escritório, Brasil Salomão e Matthes Advocacia (fl. 106), o que foi atendido pelo Banco, nos termos do extrato de fl. 108, onde o escritório consta como favorecido do valor líquido, após desconto do IR e da CPMF. Portanto, entendo que o RECORRENTE logrou êxito em comprovar não ser o beneficiário do valor pago pelo Banco do Brasil, razão pela qual deve ser cancelado o lançamento do imposto de renda sobre tal parcela. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.720375/200817 Acórdão n.º 2102003.176 S2‐C1T2 Fl. 231 6 Dos valores recebidos da CEF Em relação aos valores recebidos da CEF, o RECORRENTE acostou aos autos vasta documentação (fls. 128/224) visando comprovar que também se trataram de valores de honorários pertencentes ao seu escritório. Neste sentido, foram apresentados os seguintes documentos: · Alvará nº 0301/2005, relativo ao levantamento do valor de R$ 209,73 em 17/11/2005 (fls. 128/129); · Alvará nº 0371/2005, relativo ao levantamento do valor de R$ 1.603,75 em 17/11/2005 (fls. 130/131); · Alvará nº 139/2005, relativo ao levantamento do valor de R$ 859,63 em 28/07/2005 (fls. 135/136), além de comprovante de aviso de crédito na conta do escritório, de pagamento de taxa para transferência do valor, e da guia de retenção do IR na fonte (fls. 132/134); · Alvará nº 63/2005, relativo ao levantamento do valor de R$ 5.613,81 em 17/03/2005 (fls. 137/138); · Alvará nº 82/5ª 2004, relativo ao levantamento do valor de R$ 1.759,75 em 21/02/2005 (fls. 143/144), além de comprovante de aviso de crédito na conta do escritório, de pagamento da CPMF, de pagamento de taxa para transferência do valor, e da guia de retenção do IR na fonte (fls. 139/142); · Alvará nº 76/2005, relativo ao levantamento do valor de R$ 1.371,93 em 04/07/2005 (fls. 148/149), além de comprovante de aviso de crédito na conta do escritório, de pagamento da CPMF, e de pagamento de taxa para transferência do valor (fls. 145/147); · Alvará nº 77/2005, relativo ao levantamento do valor de R$ 471,95 em 04/07/2005 (fls. 152/153), além de comprovante de aviso de crédito na conta do escritório, de pagamento da CPMF, e da guia de retenção do IR na fonte (fls. 145, 150 e 151); · Alvará nº 196/2005, relativo ao levantamento do valor de R$ 582,84 em 12/09/2005 (fls. 156/157), além de comprovante de aviso de crédito na conta do escritório, de pagamento da CPMF, e da guia de retenção do IR na fonte (fls. 158, 154 e 155); · Alvará nº 252/2005, relativo ao levantamento do valor de R$ 536,67 em 20/10/2005 (fls. 161/162), além de comprovante de pagamento da CPMF, e da guia de retenção do IR na fonte (fls. 159/160); Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.720375/200817 Acórdão n.º 2102003.176 S2‐C1T2 Fl. 232 7 · Alvará nº 104/2005, relativo ao levantamento do valor de R$ 254,13 em 13/07/2005 (fls. 165/166), além de comprovante de pagamento da CPMF, e da guia de retenção do IR na fonte (fls. 163/164); Importante mencionar que os valores acima indicados estão atualizados até a data do levantamento, não correspondendo, portanto, ao valor de face dos alvarás. Ademais, representam os valores brutos dos alvarás, englobando o imposto que foi retido e, em alguns casos, a CPMF cobrada para a transferência da quantia. Além dos documentos acima relacionados, o RECORRENTE acostou aos autos os extratos da conta corrente da pessoa jurídica Brasil Salomão e Matthes Advocacia (fls. 167/223) Entendo que todos os valores acima especificados referemse a honorários pertencentes à sociedade de advogados da qual o RECORRENTE é sócio. Ou seja, os referidos honorários pertenceram, de fato, ao escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia, CNPJ/MF 44.230.464/000160, e não ao RECORRENTE. Alguns alvarás, inclusive, apontavam que o escritório era o destinatário dos honorários. Em todos os alvarás acostados aos autos, há a autorização do RECORRENTE para que a quantia fosse creditada na conta bancária do escritório, sendo notório que o RECORRENTE atuou como mero representante da sociedade, visando o levantamento dos valores. Portanto, não pode ser cobrado do RECORRENTE o imposto de renda sobre os mencionados valores, eis que, comprovadamente, não representam renda do mesmo. No entanto, da relação de 16 (dezesseis) levantamentos realizados perante a CEF, o RECORRENTE acostou aos autos Alvarás relativos a 10 (dez) deles, demonstrando que os respectivos valores pertenceram ao escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia. Faltou, assim, apresentar os alvarás e a destinação dos valores relativos aos seguintes levantamentos, realizados em 14/11/2005 e 29/07/2005: Apesar de não constarem nos autos os respectivos Alvarás, verifico nos extratos da conta corrente do escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia, especificamente às fls. 212/213, a existência de três depósitos no dia 14/11/2005 com os seguintes valores: R$ 4.574,79, R$ 3.032,90 e R$ 262,73. Tais valores são, exatamente, as três quantias indicadas pela CEF como levantadas pelo contribuinte no dia 14/11/2005, após o desconto do respectivo imposto de renda retido na fonte. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.720375/200817 Acórdão n.º 2102003.176 S2‐C1T2 Fl. 233 8 Com relação aos três levantamentos efetuados em 29/07/2005, observo no extrato da conta corrente do escritório, especificamente à fl. 176, que há um único crédito nesta data, no valor de R$ 1.818,86, o que representa a soma dos três levantamentos, descontados o imposto de renda e a respectiva CPMF. Sobre o fato de três levantamentos distintos serem creditados por meio de um único depósito, entendo ser comum a realização de crédito de mais de um alvará mediante uma única operação de depósito, conforme, por exemplo, atesta o Aviso de Crédito de fl. 158, que contemplou o crédito de três alvarás de uma única vez. Sendo assim, entendo que tais valores, levantados em 29/07/2005 e 14/11/2005, também devem ser excluídos da presente autuação, visto que há prova nos autos de que os mesmos foram creditados ao escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia, não pertencendo, portanto, ao RECORRENTE. Deixo de tecer comentários acerca da aplicação da multa de ofício de 75%, dos juros calculados pela taxa Selic e incidência de juros sobre a multa, tendo em vista o cancelamento de todo o lançamento. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, cancelando o crédito tributário objeto do presente lançamento, tendo em vista a comprovação de que não se trata de rendimento do RECORRENTE. assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 30/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10510.004873/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO.
Não há nulidade do lançamento quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público.
DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE PERÍCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. DESCABIMENTO.
A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972.
Não é conhecido o pedido de perícia desacompanhado de indicação do perito, dos motivos do pedido e da formulação dos quesitos.
É indeferido o pedido de oitiva de testemunhas não fundamentado.
BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. TRIBUTAÇÃO.
Incide contribuição previdenciária sobre o pagamento feito a contribuintes individuais pela prestação de serviços à empresa.
Não há isenção sobre os pagamentos feitos a título de bolsa de ensino, pesquisa e extensão quando o pagamento corresponde a uma contraprestação.
JUROS DE MORA.
Os juros de mora aplicados por atraso no recolhimento de contribuições previdenciárias à época dos fatos geradores correspondiam a 1% no mês do vencimento e do pagamento e à taxa Selic nos meses compreendidos entre esses.
MULTA DE MORA.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para que seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, vencida a relatora. Apresentará o voto vencedor nessa parte o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Redator Designado
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE PERÍCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. DESCABIMENTO. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. Não é conhecido o pedido de perícia desacompanhado de indicação do perito, dos motivos do pedido e da formulação dos quesitos. É indeferido o pedido de oitiva de testemunhas não fundamentado. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. TRIBUTAÇÃO. Incide contribuição previdenciária sobre o pagamento feito a contribuintes individuais pela prestação de serviços à empresa. Não há isenção sobre os pagamentos feitos a título de bolsa de ensino, pesquisa e extensão quando o pagamento corresponde a uma contraprestação. JUROS DE MORA. Os juros de mora aplicados por atraso no recolhimento de contribuições previdenciárias à época dos fatos geradores correspondiam a 1% no mês do vencimento e do pagamento e à taxa Selic nos meses compreendidos entre esses. MULTA DE MORA. Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INOCORRÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE PERÍCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. DESCABIMENTO. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. Não é conhecido o pedido de perícia desacompanhado de indicação do perito, dos motivos do pedido e da formulação dos quesitos. É indeferido o pedido de oitiva de testemunhas não fundamentado. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. TRIBUTAÇÃO. Incide contribuição previdenciária sobre o pagamento feito a contribuintes individuais pela prestação de serviços à empresa. Não há isenção sobre os pagamentos feitos a título de bolsa de ensino, pesquisa e extensão quando o pagamento corresponde a uma contraprestação. JUROS DE MORA. Os juros de mora aplicados por atraso no recolhimento de contribuições previdenciárias à época dos fatos geradores correspondiam a 1% no mês do vencimento e do pagamento e à taxa Selic nos meses compreendidos entre esses. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 48 73 /2 00 8- 51 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para que seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, vencida a relatora. Apresentará o voto vencedor nessa parte o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Redator Designado Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004873/200851 Acórdão n.º 2402004.287 S2C4T2 Fl. 510 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1519.427 da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Salvador (BA), f. 456470, com ciência ao sujeito passivo em 25/06/2009, f. 472, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.157.7365, com ciência ao sujeito passivo em 29/09/2008, f. 3. De acordo com o relatório fiscal de f. 4554, e anexos, o AIOP trata de exigência de contribuições para a Seguridade Social a cargo da empresa, incidentes sobre pagamentos feitos em desacordo com a legislação a título de bolsas de estudo, de pesquisa, de extensão ou de estágio, aos segurados identificados nominalmente no Relatório de Lançamentos (RL), e outros pagamentos a contribuintes individuais. Conforme consignado no relatório fiscal, os fatos geradores foram agrupados por levantamentos, conforme abaixo: 27. Levantamento CST Consultoria em saúde e segurança do trabalho. A FUNCEFET apresentou termo de contrato entre o prestador, Sr. Ronnie da Silva Ferreira, e a FUNCEFET para realização de serviço de consultoria. Além da natureza do serviço não ser complementação de aprendizagem, não houve a necessária interveniência de instituição de ensino. 28. Levantamento ENS — Ensaio de banda de música. Tratase de valores pagos ao Sr. Humberto Nunes de Menezes a título bolsa pelo serviço de treinamentos e ensaios de banda de música e banda marcial. 28.1. Embora o diretor executivo da FUNCEFET tenha informado verbalmente a esta fiscalização que se tratou de bolsa de estágio, não foi apresentado o correspondente termo de compromisso de estágio ou outro documento equivalente. 29. CTC — Consultoria técnicocientífica: projeto que teve como objetivo o desenvolvimento de sistema de "inspeção e fiscalização dos sistemas de medição de petróleo e gás natural de Sergipe e Alagoas" realizado pela Agência Nacional de Petróleo. De acordo com o instrumento contratual de n° 4.114/01 — ANP 015016, tratase de um contrato de prestação de serviços de consultoria. 29.1. Na esteira deste projeto, a FUNCEFET firmou contrato de concessão de bolsa para os senhores Jorge Luiz Sotero de Santana e Gustavo José Cardoso Braz, atendendo aos requisitos do Projeto de Pesquisa PROINPT n°. 0102/20021, intitulado "Identificação de parâmetros determinantes no cálculo das incertezas verificadas na medição fiscal de petróleo e gás natural e investigação das principais características da integridade estrutural das estações de medição de petróleo e gás natural". Fl. 511DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 29.2. Este trabalho teve como objetivo "desenvolver algoritmos para análise de sistemas de medição em instalações de petróleo e gás natural" e previu a ANP como uma das principais interessadas no desenvolvimento da tecnologia. Outros contribuintes individuais: 30. Além dos contribuintes individuais que a empresa expressamente reconhece como tal e daqueles que perceberam bolsas acadêmicas, foram identificados outros segurados desta categoria, segundo levantamentos a seguir identificados: 30.1. Levantamento JUR — Assessoria jurídica , referente à prestação de serviços jurídicos pelo Sr. Sérgio Maurício Cardoso; 30.2. Levantamento EXM — Exames e seleções , alusivo à prestação dos serviços necessários para a realização de exames e seleções pela FUNCEFET, tais como preparação de provas, sua correção, coordenação, fiscalização e vigilância nos dias de prova. A autuada apresentou impugnação tempestiva abrangendo as matérias do lançamento. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais que prestam serviços à empresa, conforme prevê o art. 22, inciso III, da Lei n.° 8.212, de 1991. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal e os anexos do AI trazem informações seguras e detalhadas, contendo a identificação do autuado, a fundamentação legal, a base de cálculo, sua apuração, as contribuições devidas, o total acrescido de juros e multa, bem como o local, a data e a hora de sua lavratura. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N' 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CONTAGEM DO PRAZO. INOCORRÊNCIA. É inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212, de 1991, consoante entendimento esposado pela Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, publicada no DOU de 20/06/2008. Como as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, havendo pagamento parcial da obrigação, o prazo de decadência qüinqüenal para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4°, do art. 150, do Código Tributário Nacional. Já no caso de não pagamento, o prazo é contado com base no inciso I, do art. 173, do CTN. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004873/200851 Acórdão n.º 2402004.287 S2C4T2 Fl. 511 5 Não transcorreu lapso temporal superior a 5 (cinco) anos entre cada ocorrência e a efetiva realização do lançamento (ciência em 09/2008), não prosperando a argüição de decadência constante na peça de defesa. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.° 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços. BOLSA DE ESTÁGIO. INTERVENIÊNCIA OBRIGATÓRIA. A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, como interveniência obrigatória da instituição de ensino. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DEVER DO AGENTE FISCAL. O agente fiscal tem, por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei 3.688 de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o dever de formalizar Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de crime de ação penal pública incondicionada ou contravenção penal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao órgão administrativo julgar sobre a constitucionalidade ou não de lei ou ato normativo, função esta que pertence ao Poder Judiciário, enquanto não expurgada do ordenamento jurídico, a norma tem presunção de constitucionalidade, motivo pelo qual cabe à autoridade fiscal cumprida, já que exerce atividade administrativa plenamente vinculada. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. OITIVA DE TESTEMUNHAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível o pedido para depoimento pessoal e oitiva de testemunhas, no âmbito da primeira instância do contencioso administrativo Fiscal, por falta de previsão legal para a realização de audiência de instrução. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Em 09/07/2009, o sujeito passivo, representado por advogado com instrumento de mandato juntado aos autos do processo nº 10510.004874/200803, interpôs recurso, f. 473500, apresentando suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese: Em preliminar, alega invalidade do lançamento por cerceamento de defesa, argumentando que a descrição da infração não é clara, não há correlação compreensível dos fatos relatados com as planilhas de cálculos das contribuições, não há demonstração da composição da base de cálculo, o que não permite saber como o fiscal chegou aos valores lançados. Sustenta que é praticamente impossível distinguir o objeto dos autos de infração lavrados nessa ação fiscal, especialmente porque o período fiscalizado é o mesmo e o Relatório Fiscal das autuações é cópia fiel um do outro. Argumenta, ainda, que recebeu todas as peças do lançamento em um Compact Disc (CD), o que inviabilizou a compreensão e a análise do Auto de Infração no prazo para apresentação da defesa, ressaltando que não está obrigada a ter instalado nos seus computadores os programas específicos para leitura dos arquivos digitais. Entende que a penalidade aplicada não está discriminada com clareza, o que não é suprido por uma vasta relação de normas jurídicas. No mérito, esclarece que seu objetivo social é captar e gerenciar recursos financeiros através de convênios com entidades públicas e privadas, destinados à implementação de projetos de pesquisa e extensão realizados pela Universidade Federal de Sergipe com a participação de seus professores/pesquisadores, exclusivamente para a consecução das finalidades esboçadas no projeto para o qual foram escolhidos. Portanto, afirma que não há subordinação jurídica nem vínculo empregatício entre a recorrente e os professores/pesquisadores porque esses profissionais não desenvolvem a atividadefim da recorrente. A inexistência de vínculo empregatício nesses casos está expressamente prevista em lei, art. 4o, § 1o da Lei 8.958/94, e tem sido confirmada sua aplicação pelos tribunais pátrios, transcrevendo ementas de decisões. Alega que a multa aplicada equivalente a 100% do valor do tributo é desproporcional e desarrazoada, o que desvirtua a natureza meramente punitiva da multa. Suscita a ilegalidade da cumulação de juros de mora de 1% e com a taxa Selic. Ao final, requer: A declaração da nulidade do auto de infração ou o reconhecimento da improcedência do lançamento, ou, subsidiariamente, a redução da multa para o percentual de 24%, e, ainda, a exclusão dos juros de mora de 1% ao ano do cálculo de atualização do crédito fiscal, mantendose apenas a Taxa SELIC. Protesta por todos os meios de prova, inclusive a realização de perícia, e, especialmente a testemunhal. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004873/200851 Acórdão n.º 2402004.287 S2C4T2 Fl. 512 7 Voto Vencido Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Invalidade do Lançamento O relatório fiscal contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, a natureza das contribuições lançadas, o período e a fundamentação jurídica do lançamento tributário, assim como a indicação dos documentos nos quais se materializaram os fatos geradores. Nos relatórios anexos ao auto de infração foram demonstradas as bases de cálculo, as alíquotas aplicadas, as contribuições lançadas e os dispositivos legais autorizadores do lançamento. No Relatório de Lançamentos (RL), estão identificados pelo nome os beneficiários dos pagamentos que constituem o fato gerador do lançamento e há indicação da data do pagamento e do valor pago. O auto de infração, em síntese, permite à interessada conhecer a motivação fática e jurídica do lançamento, permitindolhe defenderse plenamente. A argumentação genérica de que há obscuridade na demonstração da matéria tributável e na demonstração do cálculo do tributo não é suficiente para macular o lançamento, assim como não se presume o prejuízo à defesa causado pelo recebimento do auto de infração em meio magnético, cabendo à interessada demonstrar o efetivo prejuízo. A nulidade do lançamento, por ser ato extremo, só deve ser declarada quando presente prejuízo insuperável para o sujeito passivo, sobretudo quando o vício do ato lhe impede o exercício da ampla defesa e do contraditório, ou quando lesar o interesse público, conforme se extrai do art. 55 da lei 9.784/99, contrario sensu: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Concluo que o lançamento contém os requisitos mínimos aptos a lhe garantir a presunção de certeza e liquidez, em harmonia com o art. 10 do Decreto 70.235/72 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade invocada. Mérito Pedido de Produção de Provas. Prova Pericial. Oitiva de Testemunha Fl. 515DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Conforme determina o § 5o do art. 16 do Decreto 70.235/72, a juntada de documentos após a impugnação, por ser excepcional, deve ser justificada com base em pelo menos um dos motivos previstos em seu § 4o, que, em síntese, remete à ocorrência de força maior, fato ou direito superveniente ou contraposição de fatos ou fundamentos novos: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Não ficou demonstrada a ocorrência das hipóteses autorizadoras para juntada de provas documentais. Também não está fundamentado o pedido de prova pericial e testemunhal. A prova pericial prestase a esclarecer pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados e não para substituir o ônus do sujeito passivo, relativamente à produção de provas que, por sua natureza, já poderiam ter sido juntadas aos autos no momento da apresentação da impugnação. Ademais, o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), em seu art. 16, § 1º (com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1º) estabelece que se considera não formulado o pedido de perícia não fundamentado e sem indicação do nome, endereço e qualificação profissional do perito. Na mesma linha, não foi fundamentado o pedido de oitiva de testemunhas, cuja prova, salvo demonstração em contrário, é prescindível, pois a matéria em litígio, por sua natureza, provase por documentos. Em síntese, rejeito o pedido de produção de provas nessa fase processual. Bolsa de Ensino, Pesquisa e Extensão. Tributação Fl. 516DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004873/200851 Acórdão n.º 2402004.287 S2C4T2 Fl. 513 9 A recorrente contesta o lançamento afirmando que os pagamentos realizados têm natureza de bolsa de ensino, pesquisa e extensão, regulada pela Lei 8.958/94, sobre os quais não haveria incidência de contribuição previdenciária. A Lei 8.958/94 autoriza as Instituições Federais de Ensino Superior (IEF) e as demais Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) de que trata a Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, a celebrar convênios e contratos com fundações instituídas com a finalidade de apoiar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução desses projetos, e disciplina as relações daí decorrentes: Art. 1o As Instituições Federais de Ensino Superior IFES e as demais Instituições Científicas e Tecnológicas ICTs, de que trata a Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, poderão celebrar convênios e contratos, nos termos do inciso XIII do caput do art. 24 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, por prazo determinado, com fundações instituídas com a finalidade de apoiar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução desses projetos. (Redação dada pela Lei nº 12.863, de 2013) O art. 4o dessa lei autoriza a participação, sem vínculo empregatício, de servidores das IFEs e demais ICTs nas atividades realizadas pelas fundações, relacionadas ao apoio a projetos de ensino, pesquisa e extensão, mediante concessão de bolsas de ensino, pesquisa e extensão: Art. 4o As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1o desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. (Redação dada pela Lei nº 12.349, de 2010) § 1o A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1o desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento. (Redação dada pela Lei nº 12.349, de 2010) A fiscalizou identificou pagamentos feitos a este título pela recorrente a diversos profissionais e tributou a prestação de serviço sem vínculo empregatício, o que está de acordo com o disposto no art. 4o § 1o da Lei 8.958/94, enquadrandoos na categoria de segurados contribuintes individuais de que trata o artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99. Esse dispositivo da Lei 8.212/91 prevê a incidência de contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos trabalhadores sem vínculo empregatício que prestem serviços à empresa, de modo Fl. 517DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 que, somente não ocorreria incidência de contribuição previdenciária se ao pagamento não correspondesse uma contraprestação. Aliás, este é o fundamento para isenção do imposto de renda pessoa física sobre os valores recebidos a título de bolsas de estudo e de pesquisa, em sentido próprio, conforme art. 26 da Lei 9.250/96: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Visto isso, passo à análise individualizada dos contratos juntados aos autos, a fim de identificar a natureza dos valores envolvidos. a) Prestação de serviço de consultoria em saúde e segurança do trabalho: contrato de concessão de bolsa de pesquisa e extensão referente ao programa de incentivo à produção intelectual tecnológica — PROINPT, de 02/04/2004, f. 9293, repetido às fl. 250 251, celebrado entre a FUNCEFETSE e RONNIE DA SILVA FERREIRA. No lançamento tributário estão sendo exigidas, dentre outras, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas pela recorrente a Ronnie da Silva Ferreira, pela prestação de serviço de consultoria em saúde e segurança do trabalho. No contrato apresentado não há descrição das atividades desempenhadas pelo contratado. Tratase de contrato celebrado entre a recorrente e o prestador do serviço sem qualquer relação com as atividades do art. 1o da Lei 8.958/94, cuja remuneração, portanto, não se enquadra como bolsa de ensino, pesquisa e extensão. b) Prestação de serviço de consultoria técnica: contrato nº 4.114/01 —ANP 01501 de prestação de serviços de consultoria técnica que entre si celebram a Agência Nacional do Petróleo — ANP, a Escola Técnica Federal de Sergipe (ETFSE), com a interveniência da FUNCEFETSE, de 02/02/2002, f. 94101. No lançamento tributário estão sendo exigidas, dentre outras, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas pela recorrente a Jorge Luiz Sotero de Santana, Gustavo José Cardoso Braz e Marcos Pedro Ferreira, pela prestação de serviço de consultoria técnicocientífica. O contrato foi celebrado entre a ANP, na condição de contratante, e a ETFSE, como contratada para prestação de serviço de consultoria à contratante, tendo por objeto “realizar serviços de consultoria técnica, visando proceder a inspeção nos sistemas de medição de petróleo e gás natural e nas instalações e produção nas áreas objeto de concessão, na região do Nordeste do Brasil, com atuação nos estados de Sergipe e Alagoas”. O contrato tem como objetivos específicos (item 3 do projeto de pesquisa, fl. 107111): Desenvolver técnicas de verificação prévia de sistemas de medição de vazão nas instalações de produção de petróleo e gás natural; Fl. 518DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004873/200851 Acórdão n.º 2402004.287 S2C4T2 Fl. 514 11 Desenvolver técnicas de verificação das instalações de produção de petróleo e gás natural; Desenvolver projetos na área de calibração de instrumentos; Desenvolver técnicas de medição de propriedades de fluidos em circuito multifásico; Elaboração de uma metodologia de cálculo de incertezas aos processos pesquisados. De acordo com o contrato, constitui obrigação da contratante (ANP) o pagamento do valor contratado (cláusula 7a), incluindo a remuneração dos serviços de consultoria, sendo o pagamento realizado por intermédio da autuada, na condição de interveniente FUNCEFETSE (cláusula 9a). Para execução deste contrato foi elaborado projeto de pesquisa, f. 107114, e foram celebrados dois contratos de concessão de bolsa de pesquisa e extensão entre a FUNCEFETSE e os prestadores de serviço Gustavo José Cardoso Braz, f. 103104, repetido às fl. 266267, e Jorge Luiz Sotero de Santana, f. 105106, repetido às fl. 273274. Consta dos autos Nota Fiscal de Prestação de Serviços emitida pela recorrente em 30/01/2004, no valor de R$ 27.400,00, referente a serviços prestados à ANP, vinculados a este contrato, f. 115. Esses documentos evidenciam que o pagamento aos profissionais contratados pela FUNCEFETSE não foram feitos a título de doação, exclusivamente para que os contratados realizassem estudo ou pesquisa, mas sim, como contraprestação pela prestação dos serviços de consultoria técnica, sujeitandose à tributação, nos termos do lançamento. c) Prestação de serviços em Cursos de Educação Profissional: CONVÊNIO DE MÚTUA COLABORAÇÃO PARA A REALIZAÇÃO DE CURSOS DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DE NÍVEL TÉCNICO PARA A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO E GÁS NATURAL – Convênio PRHANP/MECTécnico nº 43, datado de 11/10/2001, celebrado entre a Agência Nacional de Petróleo – ANP e a Escola Técnica Federal de Sergipe – ETFS, fl. 252265. Este convênio tem por objetivo “regular as condições e responsabilidades dos participes com a realização do Programa Institucional de Cursos(s) de Educação Profissional de Nível Técnico para a Indústria do Petróleo e Gás Natural (doravante designado “Programa”), a ser executado pela Convenente conforme Plano de Trabalho constante do Anexo I, parte integrante do presente Convênio” (cláusula 1.1): Constam também dos autos as fichas dos beneficiários do referido convênio, na modalidade “bolsa de técnico”, e “bolsa de coordenação”, fl. 375453, que são as seguintes pessoas: Bolsistas beneficiários fls Ailler Fontes Dias 453 Alexandre Azevedo Dutra 451 Alisson Leal Rocha 452 Alisson Matos de Santana 450 Ana Paula dos Santos Cruz 449 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Anderson Azevedo de Souza 448 Anderson Lucas Mascarenhas 447 Asley Patric de Jesus Carvalho 446 Carlos Fernando Dias dos Santos 445 Carlos Mateus Santos Freire 444 Cleberton Vieira de Oliveira 443 Cristiano Francisco Cruz de Menezes 442 Daniel Fernando Santos Costa 441 Diógenes Santos Santana 440 Edinho de Souza Santos 439 Edson dos Santos Alcantara 438 Eduardo Ferreira dos Santos Junior 437 Eliano da Silva Oliveira 436 Emerson Diaz Nascimento 435 Emerson dos Santos Bispo 434 Fabiano Barbosa Bomfim 433 Fabiano Santos Andrade 432 Fábio José Aquino Soledade 431 Fábio Santos Nascimento 430 Flavia Rejanne Freitas Ramos 429 Genisson Mnelo Santos 425 George Luis Emiliano da Silva 424 Gideoni dos Santos Correia 423 Gleison Oliveira Santos 422 Helder Santos Machado 421 Ivaldo Vieira da Rocha 420 Ivan dos Santos Silva 419 Jasiel Santos Alves 418 Jean Ramos Fonseca 417 Jefferson José Reis Nunes 416 Joab Matos Braz 415 João Henrique dos Anjos Lenik 414 João Marques dos Santos Filho 413 João Ricardo Mazeo de Souza 412 Joe Igor de Oliveira 411 Jorge Alberto da Silva Melo 410 José Nunes dos Santos Junior 408 José Raimundo Felix Souza 375 José Robson Nobre dos Santos 407 José Wilson Sousa Silva 409 Joseli de Santana Santos 406 Juliana Ribeira da Silva 405 Julio Cesar dos Santos 404 Klevio Oliveira Souza 403 Lidiane Xavier de Oliveira 402 Luciano Santos Santana 401 Marcelo de Mendonça Santos 400 Márcio André Silva Jesus 398 Marcos Antonio Araujo de Oliveira 397 Marcos Antonio Silva de Barros 399 Marcos de Oliveira Santos 396 Marcos Vieira da Rocha 395 Moises Franciscos dos Santos 394 Natan Alves dos Santos 393 Fl. 520DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004873/200851 Acórdão n.º 2402004.287 S2C4T2 Fl. 515 13 Raimundo Correia Dantas Neto 392 Raul de Gois Oliveira 391 Ricardo Teixeira dos Santos 390 Richardson Gois do Carmo 389 Robson Calazans dos Santos 388 Ronnie da Silva Ferreira 387 Rosana Ferreira Alves Santos 386 Sheila Roberta Santos Barbosa 385 Simone do Nascimento Lisboa 384 Thais Matias Dantas 383 Thiago Lima Borges 382 Thiago Silva de Araújo 381 Valter Luis Fernandes de Sales 379 Viviane Santos Barreto 376 Walden Alexey Sá Azevedo 378 Walter Antonio Brasil Bomfim 377 Yves Marques Ferreira 380 Os documentos juntados não são eficazes para comprovar o pagamento de bolsas de ensino, pesquisa e extensão aos profissionais identificados no lançamento (Relatório de Lançamentos), os quais não estão elencados dentre os bolsistas beneficiários do programa, acima relacionados, com exceção do profissional Valter Luis Fernandes de Sales. Além disso, a recorrente não faz parte do convênio apresentado, que foi celebrado entre a Agência Nacional de Petróleo – ANP e a Escola Técnica Federal de Sergipe – ETFS, com interveniência do Ministério da Educação e Cultura – MEC, de modo que não restou comprovado o nexo entre o programa de que trata o convênio e os pagamentos feitos pela recorrente. Em suma, não ficou comprovado que os pagamentos aos profissionais contratados pela FUNCEFETSE foram feitos a título de doação, exclusivamente para que os contratados realizassem estudo ou pesquisa, mas sim, como contraprestação pela prestação dos serviços técnicos, sujeitandose à tributação, nos termos do lançamento. d) prestação de serviço de treinamento e ensaio de banda de música, serviço de fiscalização, vigilância, decoração, recepção e coordenação em exame de seleção e serviço de assessoria jurídica e de contador No lançamento tributário também estão sendo exigidas contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas pela recorrente aos profissionais identificados no Relatório de Lançamentos (RL) pela prestação de serviços de treinamento e ensaios de banda de música e banda marcial, de fiscalização, vigilância, decoração, recepção e coordenação em exame de seleção, de assessoria jurídica e de contador. A fiscalizou entendeu que esses profissionais prestaram serviços à recorrente sem vínculo empregatício, enquadrandoos na categoria de segurados contribuintes individuais de que trata o artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99. Esse dispositivo prevê a incidência de contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos trabalhadores sem vínculo empregatício que prestem serviços à empresa, de modo que, Fl. 521DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 somente não ocorreria incidência de contribuição previdenciária se ao pagamento não correspondesse uma contraprestação. Embora a recorrente alegue que esses pagamentos têm natureza de bolsa de ensino, pesquisa e extensão, deixou de apresentar os contratos correspondentes e demais documentos comprobatórios de sua alegação. Ao contrário, os recibos, folhas de pagamentos e demais documentos anexados ao relatório fiscal, f. 116184, demonstram que os pagamentos aos profissionais contratados pela FUNCEFETSE não foram feitos a título de doação, exclusivamente para que os contratados realizassem estudo ou pesquisa, mas sim, como contraprestação pela prestação de serviços, sujeitandose à tributação, nos termos do lançamento. Multa O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/911, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o realizado após a data de 1 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 522DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004873/200851 Acórdão n.º 2402004.287 S2C4T2 Fl. 516 15 vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20092) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20093). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário chamada de multa de ofício (art. 35A), que é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento; ii) falta de declaração e iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: para a primeira, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/964; para a segunda, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/965. 2 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 3 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 523DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 O caso em exame trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa para pagamento não espontâneo, incluído em lançamento tributário que é o caso conforme visto, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35 inciso II da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento incluído em lançamento tributário. Era o revogado art. 32 inciso IV §§4o e 5o da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. A multa foi aplicada com base na legislação de regência, cujos dispositivos legais estão citados no relatório de fundamentos legais do débito, sendo que a vigência desses dispositivos legais não pode ser negada pelo CARF com base em alegação de afronta a princípio constitucional da vedação ao confisco, por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 524DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004873/200851 Acórdão n.º 2402004.287 S2C4T2 Fl. 517 17 Ficou consignado nos autos que a multa mais benéfica será calculada de acordo com a sistemática aqui apontada no momento do pagamento, nos termos do art. 2o da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Diante disso, ratifico a sistemática da multa aplicada. Cálculo dos Juros A alegada cumulação de juros de mora de 1% ao mês com a taxa Selic não encontra verossimilhança nos autos. A aplicação dos juros de mora, à época dos fatos geradores, era disciplinada pelo parágrafo único do art. 34 da Lei n°8.212/91, incluído pela Lei 9.528/97, regulamentado pelo art. 239 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, que dispunha que o percentual de juros de mora por atraso no recolhimento das contribuições previdenciárias era de 1% no mês do vencimento e no mês do pagamento, com aplicação da taxa Selic nos meses compreendidos entre esses. O lançamento foi feito de acordo com a legislação citada, que não prevê a alegada cumulação de juros de 1% ao ano com a taxa Selic. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Redator Designado Multa de mora Insurgese a recorrente a multa moratória. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/91 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Sendo que para a multa de mora existe o limite de 20%. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A Fl. 526DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004873/200851 Acórdão n.º 2402004.287 S2C4T2 Fl. 518 19 redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia desde 27/12/1996 o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/91. Portanto, a sistemática do artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando Fl. 527DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/91 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449. Alguns sustentam a aplicação quando embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ... É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão6: “De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.” Como regra comporta algumas exceções, dentre as quais a aplicação retroativa da lei posterior que houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; 6 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004873/200851 Acórdão n.º 2402004.287 S2C4T2 Fl. 519 21 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Acontece que as hipóteses excepcionais nas alíneas “a” e “b” não têm relação com a multa de mora. Isso porque a mesma Lei nº 8.212/91 fazia à época uma nítida diferenciação entre infração, todas relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias, inclusive pela falta de declaração de fatos geradores em GFIP, e obrigação principal pelo não pagamento das contribuições previdenciárias. Deixar de pagar a contribuição devida não era infração, mas inadimplemento de uma obrigação que tinha como conseqüência o lançamento através de Notificação Fiscal de Lançamento do Débito – NFLD para a cobrança do valor principal e os acréscimos legais na forma de multa e juros de mora: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. ... Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; b)deixar a empresa de se matricular no Instituto Nacional do Seguro Social, dentro de trinta dias contados da data do início de suas atividades, quando não sujeita a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; c)deixar a empresa de descontar da remuneração paga aos segurados a seu serviço importância proveniente de dívida ou Fl. 529DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 responsabilidade por eles contraída junto à seguridade social, relativa a benefícios pagos indevidamente; d)deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; ... Já quanto à hipótese na alínea “c”, o Superior Tribunal de Justiça STJ pacificou o entendimento que não se trata apenas dos atos infracionais, mas de todas as penalidades em geral, inclusive aquela relativa à mora: RECURSO ESPECIAL Nº 542.766 RS (2003/01010120) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MULTA MORATÓRIA – REDUÇÃO – APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997 –POSSIBILIDADE – RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA – ART. 106 DO CTN O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106 do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61 da Lei 9.430/96 a fatos geradores anteriores a 1997. Recurso não conhecido. ... O art. 106, II, "c", do CTN, que prevê a retroação da lex mitior determina que se aplique, in casu, a Lei nº 9.430/96, que alcança fatos pretéritos por ser mais favorável ao contribuinte, devendo ser reduzida a multa aplicada por cometimento de infração tributária material. Destarte, não comporta mais divergências no âmbito da Primeira Seção desta Corte, em razão do julgado nos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 184.642/SP, da relatoria do Min. Garcia Vieira, in verbis: "TRIBUTÁRIO – LEI MENOS SEVERA – APLICAÇÃO RETROATIVA – POSSIBILIDADE – REDUÇÃO DA MULTA DE 30% PARA 20%. O Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, letra 'c' estabelece que a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina punibilidade menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. A lei não distingue entre multa moratória e multa punitiva. Tratandose de execução não definitivamente julgada, pode a Lei n.º 9.399/96 ser aplicada, sendo irrelevante se já houve ou não a apresentação dos embargos do devedor ou se estes já foram ou não julgados." A Administração Fazendária, através da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, admitiu também a retroatividade benéfica aos processos ainda não definitivamente julgados, ainda que realizados antes da vigência da MP 449; embora tenha considerado que as multas sejam de ofício mesmo para os fatos geradores ocorridos na vigência da redação original do artigo 35 da Lei nº 8.212/91. E, a partir da adoção do conceito de multa de ofício, a Portaria, para a aplicação da retroatividade benéfica, fixou uma regra de Fl. 530DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004873/200851 Acórdão n.º 2402004.287 S2C4T2 Fl. 520 23 execução com a qual não concordamos. A Portaria diz que as multas lançadas nas NFLD devem ser somadas à multa por omissão de fatos geradores em GFIP para fins de comparação, com vista à aplicação da alínea "c" do inciso II do artigo 106 CTN. Entendo que não se podem comparar institutos com naturezas jurídicas distintas como se fossem a mesma coisa e, pior ainda, a partir disso se realizarem operações algébricas com as expressões monetárias de cada um deles. Como somarem multa de mora e multa de ofício se entre elas só há em comum o nome “multa”, mais nada? Não pode. Essa parte da Portaria, com o devido respeito, não merece acolhida nesse Conselho Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). ... § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a Fl. 531DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A multa lançada nos documentos de constituição de crédito da obrigação principal anteriores à vigência da MP 449 é de mora. Contudo, de fato, o conceito foi alterado pela lei posterior para multa de ofício. Acontece que não se pode fazer retroagilo aos lançamentos de fatos geradores que lhe são anteriores. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica devemos comparar as regras anteriores e posteriores. Assim, temos atualmente vigentes duas regras, a primeira para a multa de mora e a segunda para a de ofício: a) quando a contribuição inadimplida é declarada, aplicase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96; b) caso contrário, o artigo 44 da mesma lei. Lei nº 9.430/96 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 532DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004873/200851 Acórdão n.º 2402004.287 S2C4T2 Fl. 521 25 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por tudo aqui exposto, a regra relativa à multa de ofício nunca será aplicada aos fatos geradores anteriores à MP 449; agora para aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é necessário que tenha havido declaração. A regra atual de incidência da multa de mora, para a retroatividade benéfica, deve ser comparada com a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores mas como um todo e não de forma fracionada. A aplicação da multa de mora atualmente vigente ao invés da multa de ofício exige como requisito a declaração dos fatos geradores. Se a declaração na época somente tinha importância para a redução da multa de mora, nos termos do §4° do mesmo artigo, para a regra atual deixa de ser aplicada multa de ofício e se aplica multa de mora. Lei nº 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: ... Em síntese, por força do artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, os processos de lançamento fiscal de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, ainda em tramitação, devem ser revistos para que as multas sejam adequadas às regras e limitação previstas no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, quando declarados os fatos geradores ou, caso contrário, aplicado o artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 nos percentuais vigentes à época dos fatos geradores. Por último, considerando que a execução judicial do crédito é ato processual posterior à MP 449, também não seria aplicável a regra do artigo 35, inciso III, “c” e “d” da Lei nº 8.212/91, mas a atual regra no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: ... c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 Por tudo, voto pelo provimento parcial para ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11624.720147/2011-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007, 2008
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. NECESSIDADE DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL.
A configuração da existência de área de preservação permanente e o assentamento imobiliário da área de reserva legal e de servidão florestal são, por princípio, suficientes a garantir a fruição do benefício pelo proprietário do bem, independentemente do momento em que requerida a expedição do Ato Declaratório Ambiental pelo IBAMA.
O art. 6o da Instrução Normativa RFB nº 1.380/2013, ao tratar do Ato Declaratório Ambiental, não estabelece prazo para formalização do requerimento, prazo que igualmente não está fixado no art. 17-O da Lei Federal nº 6.938/1981.
No presente caso, as áreas declaradas como sendo de preservação permanente devem ser consideradas para efeitos de isenção do ITR em virtude do contribuinte ter juntado aos autos o Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolizado no Ibama, apesar de realizado posteriormente ao exercício fiscalizado, em respeito ao princípio da verdade material.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA LEGAL DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente.
Não efetivada a averbação, o contribuinte não possui direito à isenção pleiteada.
ÁREAS DE PRODUÇÃO VEGETAL E COM BENFEITORIAS. DESCONSIDERAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEFESA.
Não impugnada toda a matéria submetida ao debate no lançamento fiscal, considera-se admitido o respectivo crédito tributário não contestado pelo Contribuinte, na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. VALOR CONSTANTE DO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SUBAVALIAÇÃO DO PREÇO DECLARADO. DESCONSIDERAÇÃO DO LAUDO DE AVALIAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DA NBR 14.653-3 DA ABNT.
O Valor da Terra Nua - VTN constante do SIPT, considerando a aptidão agrícola, é válido para fins de arbitramento quando o contribuinte não apresenta qualquer documento que confirme os valores lançados na sua DITR.
O Laudo de Avaliação elaborado em desacordo com as especificações constantes da NBR 14.653-3 da ABNT, que se limita a indicar a inexistência de parâmetros comparativos, não serve à desconstituição do arbitramento do VTN fundado no SIPT, figurando imprestável à apuração do valor da terra nua.
VALOR DO VTN MÉDIO/HA PREVISTO NO SIPT CONSIDERANDO A APTIDÃO AGRÍCOLA. PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO TÉCNICA.
A Administração Pública deve agir motivadamente, em respeito aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência, não cabendo presunção de mais de uma aptidão agrícola no mesmo imóvel, sem que exista base técnica específica neste sentido.
A atribuição do valor de VTN médio por hectare, conforme previsto no SIPT, em toda a área do imóvel, deve considerar como aptidão agrícola da região a mais ajustada à utilização da terra demonstrada nos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2101-002.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) com relação à Reserva Legal, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, (b) com relação à Área de Preservação Permanente, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso e (c) nos termos do art. 60 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, com relação ao Valor da Terra Nua, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Com relação ao item (c), originalmente, os Conselheiros Eduardo de Souza Leão e Daniel Pereira Artuzo, davam provimento parcial em maior extensão.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 16/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007, 2008 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. NECESSIDADE DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL. A configuração da existência de área de preservação permanente e o assentamento imobiliário da área de reserva legal e de servidão florestal são, por princípio, suficientes a garantir a fruição do benefício pelo proprietário do bem, independentemente do momento em que requerida a expedição do Ato Declaratório Ambiental pelo IBAMA. O art. 6o da Instrução Normativa RFB nº 1.380/2013, ao tratar do Ato Declaratório Ambiental, não estabelece prazo para formalização do requerimento, prazo que igualmente não está fixado no art. 17-O da Lei Federal nº 6.938/1981. No presente caso, as áreas declaradas como sendo de preservação permanente devem ser consideradas para efeitos de isenção do ITR em virtude do contribuinte ter juntado aos autos o Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolizado no Ibama, apesar de realizado posteriormente ao exercício fiscalizado, em respeito ao princípio da verdade material. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA LEGAL DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente. Não efetivada a averbação, o contribuinte não possui direito à isenção pleiteada. ÁREAS DE PRODUÇÃO VEGETAL E COM BENFEITORIAS. DESCONSIDERAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEFESA. Não impugnada toda a matéria submetida ao debate no lançamento fiscal, considera-se admitido o respectivo crédito tributário não contestado pelo Contribuinte, na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. VALOR CONSTANTE DO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SUBAVALIAÇÃO DO PREÇO DECLARADO. DESCONSIDERAÇÃO DO LAUDO DE AVALIAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DA NBR 14.653-3 DA ABNT. O Valor da Terra Nua - VTN constante do SIPT, considerando a aptidão agrícola, é válido para fins de arbitramento quando o contribuinte não apresenta qualquer documento que confirme os valores lançados na sua DITR. O Laudo de Avaliação elaborado em desacordo com as especificações constantes da NBR 14.653-3 da ABNT, que se limita a indicar a inexistência de parâmetros comparativos, não serve à desconstituição do arbitramento do VTN fundado no SIPT, figurando imprestável à apuração do valor da terra nua. VALOR DO VTN MÉDIO/HA PREVISTO NO SIPT CONSIDERANDO A APTIDÃO AGRÍCOLA. PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO TÉCNICA. A Administração Pública deve agir motivadamente, em respeito aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência, não cabendo presunção de mais de uma aptidão agrícola no mesmo imóvel, sem que exista base técnica específica neste sentido. A atribuição do valor de VTN médio por hectare, conforme previsto no SIPT, em toda a área do imóvel, deve considerar como aptidão agrícola da região a mais ajustada à utilização da terra demonstrada nos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. NECESSIDADE DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL. A configuração da existência de área de preservação permanente e o assentamento imobiliário da área de reserva legal e de servidão florestal são, por princípio, suficientes a garantir a fruição do benefício pelo proprietário do bem, independentemente do momento em que requerida a expedição do Ato Declaratório Ambiental pelo IBAMA. O art. 6o da Instrução Normativa RFB nº 1.380/2013, ao tratar do Ato Declaratório Ambiental, não estabelece prazo para formalização do requerimento, prazo que igualmente não está fixado no art. 17O da Lei Federal nº 6.938/1981. No presente caso, as áreas declaradas como sendo de preservação permanente devem ser consideradas para efeitos de isenção do ITR em virtude do contribuinte ter juntado aos autos o Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolizado no Ibama, apesar de realizado posteriormente ao exercício fiscalizado, em respeito ao princípio da verdade material. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA LEGAL DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente. Não efetivada a averbação, o contribuinte não possui direito à isenção pleiteada. ÁREAS DE PRODUÇÃO VEGETAL E COM BENFEITORIAS. DESCONSIDERAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEFESA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 01 47 /2 01 1- 60 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Não impugnada toda a matéria submetida ao debate no lançamento fiscal, considerase admitido o respectivo crédito tributário não contestado pelo Contribuinte, na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. VALOR CONSTANTE DO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SUBAVALIAÇÃO DO PREÇO DECLARADO. DESCONSIDERAÇÃO DO LAUDO DE AVALIAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DA NBR 14.6533 DA ABNT. O Valor da Terra Nua VTN constante do SIPT, considerando a aptidão agrícola, é válido para fins de arbitramento quando o contribuinte não apresenta qualquer documento que confirme os valores lançados na sua DITR. O Laudo de Avaliação elaborado em desacordo com as especificações constantes da NBR 14.6533 da ABNT, que se limita a indicar a inexistência de parâmetros comparativos, não serve à desconstituição do arbitramento do VTN fundado no SIPT, figurando imprestável à apuração do valor da terra nua. VALOR DO VTN MÉDIO/HA PREVISTO NO SIPT CONSIDERANDO A APTIDÃO AGRÍCOLA. PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO TÉCNICA. A Administração Pública deve agir motivadamente, em respeito aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência, não cabendo presunção de mais de uma aptidão agrícola no mesmo imóvel, sem que exista base técnica específica neste sentido. A atribuição do valor de VTN médio por hectare, conforme previsto no SIPT, em toda a área do imóvel, deve considerar como aptidão agrícola da região a mais ajustada à utilização da terra demonstrada nos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) com relação à Reserva Legal, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, (b) com relação à Área de Preservação Permanente, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso e (c) nos termos do art. 60 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, com relação ao Valor da Terra Nua, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Com relação ao item (c), originalmente, os Conselheiros Eduardo de Souza Leão e Daniel Pereira Artuzo, davam provimento parcial em maior extensão. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11624.720147/201160 Acórdão n.º 2101002.615 S2C1T1 Fl. 3 3 EDITADO EM: 16/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário onde o Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 0430.328 da 1ª Turma da DRJ/CGE (fls. 121/134), que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares arguidas e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado na autuação. No caso, consta nos autos que, mesmo após ser regularmente intimado, o Contribuinte/Recorrente não comprovou satisfatoriamente a existência das áreas informadas nas DITR dos exercícios 2007 e 2008, declaradas como sendo de benfeitorias, de preservação permanente, de reserva legal e de produção vegetal, assim como a correção do valor da terra nua atribuído. Em consequência, a Fiscalização efetivou o referido lançamento fiscal, tendo glosado as áreas de benfeitorias, de preservação permanente, de reserva legal e de produção vegetal atribuídas pelo Contribuinte, ao mesmo tempo em que o VTN declarado foi modificado, com base nas informações extraídas no Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB, considerado os valores de aptidão agrícola da região (fls. 49). Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Na impugnação, protocolada em 11/11/2011, fls. 69 a 87, após tratar da Descrição dos Fatos constantes Do Auto de Infração, o sujeito passivo apresentou seus argumentos de discordância alegando, em resumo, o seguinte: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Da impugnação ao Auto de Infração e Insubsistência da Exigência Fiscal 7.1. De início ressaltou que a mesma área já foi objeto de AI, conforme Processo nº 10980.012386/200311, cuja impugnação foi aceita por esta Delegacia, sendo cancelado o AI com recurso de ofício ao Conselho de Contribuintes, onde, por unanimidade, não foi provido. 7.2. Embora os fatos alegados no presente AI sejam os mesmos, para comprovar a situação real do imóvel, afirma haver entregado à Autoridade Fiscal toda a documentação comprobatória das condições de não tributação da área apontada e cita os documentos. 7.3. Dos documentos disse estar claro e evidente que a integralidade da área faz parte do ecossistema da Mata Atlântica, inserida na Área de Proteção Ambiental – APA da Serra do Mar, com restrições legais que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica e que faz parte, ainda, da presente área, porção do Parque Estadual Pico do Paraná, localizado no município de Campina Grande do Sul, criado pelo Decreto nº 5.769/2002 e que até o presente momento o Plano de Manejo ainda não foi expedido, o que significaria dizer que não seria possível desenvolver qualquer atividade na referida área com finalidade inteiramente de preservação. 7.4. Tratou do ADA e, reproduzindo parte da descrição dos fatos do AI, destacou que o Auditor teria se equivocado com relação à data da entrega do citado documento, pois, foi afirmado haver sido em 05/09/2011 quando o correto seria 05/09/2010, ou seja, antes mesmo de qualquer pedido de informação por parte da Autoridade Fiscalizadora. 7.5. Prosseguiu na questão da localização e caracterização da área, inclusive mencionando legislação atinente e explicando do laudo e mapa apresentados. 7.6. Também tratou das razões da glosa da ARL, explicou da não existência de matrícula do imóvel, mas, somente Escritura Pública de Compra e Venda e que, apesar dos esforços, não foi possível, até o momento, regularizar a matrícula, uma vez que existem diversos títulos de propriedades superpostos e vários posseiros e que, no entanto, a averbação da ARL na matrícula é de importância secundária, uma vez que está plenamente demonstrado que toda área é de interesse ambiental. 7.7. Reproduziu jurisprudência do Conselho de Contribuinte que trata do tema de forma favorável ao interessado e prosseguiu no aprofundamento da matéria. Legalidade e Obrigação Tributária 7.8. Longamente tratou da obrigação tributária no aspecto de decorrer exclusivamente da lei; reproduziu dispositivos do Código Tributário Nacional – CTN, bem como jurisprudência atinente. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11624.720147/201160 Acórdão n.º 2101002.615 S2C1T1 Fl. 4 5 7.9. Para demonstrar a insubsistência dos argumentos do AI mencionou da avaliação do VTN de acordo com o SIPT, em vista da falta de apresentação de elementos hábeis para comprovar o referido dado. 7.10. Ainda da avaliação disse que as conclusões do Auditor seriam incoerentes, pois, para efeito do VTN reconhece a existência da APP no total de 839,09 ha, atribuindo o respectivo valor, porém, essa área está expressamente excluída da tributação do ITR, por força da Lei nº 9.393/1996. 7.11. Após outros argumentos pertinentes, mencionou do valor de aquisição da área em 1985 e de sua atualização, para dizer que o preço seria de R$ 0,21 por hectare, notandose que a área não teria qualquer valor comercial, isto porque tem finalidade ecológica. 7.12. Depois de mais argumentações sobre o assunto, tratou do valor confiscatório e, embora reconhecendo a não possibilidade de análise de matéria constitucional por esta Delegacia e pelo Conselho de Contribuintes, afirmou que o lançamento estaria ferindo frontalmente o princípio constitucional do não confisco, previsto no artigo 150, IV, da Constituição Federal. 7.13. Prosseguindo reiterou que o imóvel não possui valor comercial face as restrições de exploração. Conclusão 7.14. Diante do exposto, considerando se tratar de APP, cumulada com Área de Interesse Ecológico – AIE, por decorrência de legislação federal e estadual, expressamente excluídas da tributação do ITR e, também, face o total equívoco no valor atribuído à área, deve ser provida a impugnação anulando o AI em tela. 7.15. Por extrema cautela, em caso de se entender pela improcedência da impugnação, requereu seja convertido o julgamento em diligência, a fim de se apurar o real valor do imóvel fiscalizado, considerando, para tanto, as reais condições da área e região em que está inserido, APA, conforme perfeitamente demonstrado com os documentos já acostados ao presente processo. (...)” (fls. 124/125). A decisão proferida pela da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Campo Grande (MS), restou assim ementada: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007, 2008 Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP, Área de Reserva Legal ARL, Área de Floresta Nativa AFN, entre outras, está vinculada à comprovação da existência das mesmas, como laudo técnico específico, reconhecimento pelo poder público e averbação da ARL na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e da regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA no prazo regulamentar. A prova de uma não exclui a da outra. Parque Estadual Parque Estadual é de domínio público. Alegação de localização de propriedade particular dentro de perímetro de parque, por si só, não possibilita a isenção de ITR. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Valor da Terra Nua VTN Laudo Técnico O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, relativo ao mesmo município do imóvel e ao ano base questionado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” No julgamento, restou mantida a cobrança do ITR lançado no Auto de Infração, em face do contribuinte não ter apresentado os documentos exigidos pela legislação, de modo que foram glosadas as isenções declaradas pelo Contribuinte/Autuado quanto às áreas Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11624.720147/201160 Acórdão n.º 2101002.615 S2C1T1 Fl. 5 7 de preservação permanente e de reserva legal, assim como desconsideradas as áreas de benfeitorias e de produção vegetal, e alterado o Valor da Terra Nua (VTN). No Recurso Voluntário, o Recorrente insiste nos argumentos anteriormente suscitados na impugnação, para ao final requerer a anulação do crédito tributário lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O presente feito trata do Imposto Territorial Rural ITR, cuja sistemática de apuração é definida na Lei nº 9.393/96, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (revogado) a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) d) sob regime de servidão ambiental; (Redação atual dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (...)” Avulta da norma transcrita que, na apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Consigno, inicialmente, que a configuração da existência de área de preservação permanente nos termos da legislação em vigor e o assentamento imobiliário da área de reserva legal são, por princípio, suficientes a garantir a fruição do benefício pelo proprietário do bem. No entanto, como a legislação determina requisitos específicos para que os contribuintes obtenham o benefício fiscal da isenção de ITR para as APP e ARL, entendo que a existência de um laudo não é suficiente para suprir um desses requisitos, figurando legítima a necessidade da apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11624.720147/201160 Acórdão n.º 2101002.615 S2C1T1 Fl. 6 9 De todo modo, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA se tomou obrigatória a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000, que incluiu o art. 17O, § 1°, na Lei n° 6.938/1981, in verbis: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” Por seu turno, em 24 de agosto de 2001, foi editada a MP 2.16667, que inseriu o § 7º ao art. 10, da Lei n° 9.393/96, dispõe expressamente: "Art. 10. (...) §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa As áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1 2, deste artigo, não está sujeita a previa comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." É bem verdade que, não obstante a previsão legal da obrigatoriedade do ADA, para efeito de redução do valor a pagar do ITR, a partir do exercício de 2001, é inexigível a sua prévia comprovação. No entanto é responsabilidade do fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na Declaração do ITR, sendo os meios utilizados para tal aferição determinados por lei, de modo que o contribuinte, quando solicitado, deverá apresentar os documentos de suporte aos dados declarados. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Ocorre que a glosa da isenção outorgada a imóveis nos quais existam áreas de preservação permanente e de reserva legal não pode ser fundamentada exclusivamente em aspecto formal – descumprimento de prazo de requerimento de expedição de ato administrativo, interpretação incompatível com a ratio do benefício fiscal em questão. De fato, a configuração da existência de área de preservação permanente e o assentamento imobiliário da área de reserva legal são, por princípio, suficientes a garantir a fruição do benefício pelo proprietário do bem, independentemente do momento em que se requer a expedição do Ato Declaratório Ambiental pelo IBAMA. Não fosse isso, destaco que a disposição inscrita no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 659/2006, já revogada, ao tratar do Ato Declaratório Ambiental, não estabelecia prazo para formalização do requerimento, situação que igualmente não está fixada no art. 17O da Lei Federal nº 6.938/1981. Desta feita, a Instrução Normativa da RFB hoje em vigor, de no 1.380/2013, também não estabelece prazo de apresentação do ADA, conforme abaixo transcrito: Art. 6º Para fins de exclusão das áreas não tributáveis da área total do imóvel rural, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, observada a legislação pertinente. Nessa linha, tendo o Contribuinte apresentado Ato Declaratório Ambiental expedido pelo IBAMA, faz jus a fruição da isenção prevista no art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96, independentemente do prazo de entrega, até mesmo em atenção ao princípio da verdade material. Este é o entendimento mais recente, inteligente e justo deste CARF: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Ato Declaratório Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11624.720147/201160 Acórdão n.º 2101002.615 S2C1T1 Fl. 7 11 Ambiental ADA, ainda que apresentado/protocolizado intempestivamente, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202003.351, Processo nº 10140.720533/200826, Relator Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, 2ª TURMA / CSRF/CARF/MF/DF, Data de Publicação: 13/10/2014). Ora, o Ato Declaratório Ambiental – ADA configura documento de cadastro das áreas de interesse ambiental do imóvel rural junto ao IBAMA, permitindo o controle e verificação dessas áreas pela Administração Pública, por meio do órgão responsável pela área ambiental. E com essa declaração aos órgãos responsáveis, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR, conforme previsto na legislação citada. No presente caso, as áreas declaradas como sendo de preservação permanente devem ser consideradas para efeitos de isenção do ITR em virtude do contribuinte ter juntado aos autos o referido Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolizado no Ibama (fls. 26), apesar de referente a exercício posterior aos fiscalizados (2010), em respeito ao princípio da verdade material, que predomina no processo administrativo, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, assim como a real base de cálculo do imposto, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. Por outro lado, vale destacar que, quanto a isenção das áreas de reserva legal, não se pode dispensar a competente averbação nos seus registros cartorários, conforme disposto no artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, vigente até 28/05/2012, quando restou revogada pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7º deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” Mesmo que tenha havido inicialmente alguma discussão judicial sobre a necessidade de observação da norma, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) referente à Área de Reserva Legal está condicionada à sua prévia averbação na matrícula do imóvel. Vejamos a ementa do julgado: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. ART. 10, § 1º, II, a, DA LEI 9.393/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI 4.771/65. 1. Discutese nestes embargos de divergência se a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) concernente à Reserva Legal, prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei 9.393/96, está, ou não, condicionada à prévia averbação de tal espaço no registro do imóvel. O acórdão embargado, da Segunda Turma e relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, entendeu pela imprescindibilidade da averbação. 2. Nos termos da Lei de Registros Públicos, é obrigatória a averbação "da reserva legal" (Lei 6.015/73, art. 167, inciso II, n° 22). 3. A isenção do ITR, na hipótese, apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com Reserva Legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. 4. Diversamente do que ocorre com as Áreas de Preservação Permanente, cuja localização se dá mediante referências topográficas e a olho nu (margens de rios, terrenos com inclinação acima de quarenta e cinco graus ou com altitude superior a 1.800 metros), a fixação do perímetro da Reserva Legal carece de prévia delimitação pelo proprietário, pois, em tese, pode ser situada em qualquer ponto do imóvel. O ato de especificação fazse tanto à margem Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11624.720147/201160 Acórdão n.º 2101002.615 S2C1T1 Fl. 8 13 da inscrição da matrícula do imóvel, como administrativamente, nos termos da sistemática instituída pelo novo Código Florestal (Lei 12.651/2012, art. 18). 5. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da Reserva Legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no REsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. 6. Embargos de divergência não providos.” (EREsp 1027051/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 21/10/2013). A egrégia Corte Superior de Justiça tem reiterado o entendimento proferido em inúmeros julgados, dentre os quais destacamos apenas a título de exemplo: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. É imprescindível a averbação da área de reserva legal no registro do imóvel para gozo do benefício fiscal do ITR. 2. "Os precedentes do STJ consagram valores que enobrecem e contribuem para o progresso de uma sociedade pautada nos ideais da justiça e da lealdade, pois impedem que a parte se valha da própria torpeza para burlar o ordenamento jurídico" (REsp 1.396.544/CE, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 11/10/13). 3. Agravo regimental não provido.” (AgRg no AREsp 479.139/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Primeira Turma, DJe 25/04/2014); “TRIBUTÁRIO. ITR. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. NECESSIDADE. ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO 1. "A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp n. 1.027.051, SC, reafirmou o entendimento de que, para gozar da isenção fiscal prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei n. 9.393, de 1996, relativa ao imposto territorial rural, é imprescindível a averbação da área de reserva legal no respectivo registro imobiliário" EREsp 1310871/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Seção, julgado em 23/10/2013, DJe 4/11/2013 2. Agravo regimental a que se nega provimento.” (AgRg no AREsp 450.574/SC, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe 24/03/2014). Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 No mesmo sentido e de modo uniforme, este Conselho tem se posicionado, conforme recentes manifestações: “ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. In casu, o contribuinte não logrou êxito na comprovação necessária à isenção pleiteada. Recurso Voluntário Negado” (Acórdão nº 2101002.373, Processo nº 10245.720233/200950, Relator Conselheiro GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, 1ª TO / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF) “EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÕES. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.” (Acórdão nº 2201002.289, Processo nº 13896.720016/200811, Relator Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, 1ª TO / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF); Portanto, não pode haver dúvidas quanto a imprescindibilidade de averbação da Área de Reserva Legal na margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro competente, dando publicidade à área reservada do imóvel, e assim autorizando a isenção do ITR. Ora, sabese que o legislador cuidou em antever situações onde a validação da área objeto de isenção deveria ser comprovada, sendo o ônus da prova do declarante, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. Destarte, compulsando os autos verificase que o Contribuinte/Recorrente não carreou ao feito qualquer certidão do cartório de registro de imóveis que apontasse a área Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11624.720147/201160 Acórdão n.º 2101002.615 S2C1T1 Fl. 9 15 de reserva legal como averbada na matrícula do seu imóvel, razão pela qual não pode prevalecer a isenção pleiteada. No caso, na expectativa de justificar sua inépcia, o Recorrente relata a inexistência de qualquer registro imobiliário em relação ao imóvel, em razão de haverem diversos títulos de propriedades superpostos e vários posseiros. Contudo, sendo real detentor de Escritura Pública de Compra e Venda, deveria ao menos ter promovido algum Termo de Ajustamento de Conduta junto aos órgãos ambientais, documento que, nestes casos, equivaleria ao Termo de Responsabilidade de Reserva Legal averbado na matrícula. Por outro lado, quanto a desconsideração da área de produção vegetal e com benfeitorias, não houve qualquer questionamento de defesa na Impugnação e no Recurso Voluntário apresentados. Neste caso, não impugnada toda a matéria disposta na Autuação, considerase admitido o respectivo crédito tributário não contestado, na melhor aplicação do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Por fim, no que diz respeito ao arbitramento do Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras – SIPT, deve ser ressaltado que o documento juntado aos autos pelo Recorrente denominado como Laudo Técnico (fls. 27/29), tencionando confirmar a existência de áreas imunes, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, e consequentemente diminuir o crédito tributário lançado, não apresenta qualquer valor fáticojurídico e consequente força probatória. É que o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o VTN arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, na hipótese de encontrarse revestido das formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.6533 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas – ABNT. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 Desta feita, importa lembrar que, no início do procedimento fiscal, o Recorrente foi intimado a também apresentar laudo de avaliação do imóvel, de forma a confirmar os valores lançados na sua DITR, quanto ao Valor da Terra Nua. Não obstante, diante da absoluta falta de provas que justificassem o valor questionado, a Fiscalização não teve remédio senão desconsiderar o VTN declarado, com fundamento no artigo 14 da Lei n° 9.393/1996, restando adotado o valor indicado pelo Sistema de Preços de Terras – SIPT para a Região, considerando a aptidão agrícola do imóvel (fls. 49). No tocante à utilização do SIPT com valor de referência, da leitura da art. 14 da Lei 9.393/96, entendo que somente poderá a Fiscalização dele se socorrer nos casos (i) de não entrega do DIAT, (ii) de subavaliação, ou (iii) de prestação de informações equivocadas ou fraudulentas, não podendo ser aplicado quando o contribuinte comprovar que o valor arbitrado é superior ao valor correto e adequado conforme características do imóvel, nos termos do Laudo Técnico apresentado. Portanto, admito ser legítima a utilização dos dados do SIPT para fins de arbitramento de VTN, desde que, para tanto, os parâmetros adotados estejam baseados na aptidão agrícola das terras do município, e não apenas no VTN médio declarado por município, pois este, notoriamente, não contempla as características intrínsecas e extrínsecas que determinam o potencial de uso da terra. A bem da verdade, o denominado Laudo de fls. 27/29, não satisfaz as especificações constantes na NBR 14.6533 da ABNT, muito menos expõe algum elemento de convicção que possa alterar o lançamento fiscal. De fato, em vez de apresentar uma comparação dos valores dos imóveis da região municipal e/ou adjacências, que segundo as normas da ABNT, deveria ser realizada no mínimo com cinco exemplos, o Laudo curiosamente pretende desconstituir qualquer valor “tributal” a ser atribuído, por supostamente inexistirem negócios com imóveis na região. Nesses termos, como o referido Laudo não foi elaborado de acordo com as especificações constantes da NBR 146533 da ABNT, é totalmente imprestável à apuração do valor da terra nua, de acordo com a jurisprudência deste Conselho. Nesse sentido: “Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2006 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11624.720147/201160 Acórdão n.º 2101002.615 S2C1T1 Fl. 10 17 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ELETRÔNICA. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DA AUTORIDADE AUTUANTE. As notificações de lançamento expedidas eletronicamente prescindem de assinatura do chefe do órgão expedidor. Ainda que a notificação de lançamento não seja emitida eletronicamente, a falta da assinatura não pode ensejar a nulidade do lançamento, salvo se o contribuinte demonstrar o prejuízo causado pela ausência de assinatura. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ITR. SUJEIÇÃO PASSIVA. PROPRIETÁRIO DE IMÓVEL RURAL. É sujeito passivo do ITR o contribuinte que consta como proprietário no registro cartorário competente, mormente quando faz a apresentação da DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural e não junta aos autos comprovação de solicitação de cancelamento ou retificação do correspondente registro imobiliário. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN. Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Acórdão nº 2102002.539, Processo nº 10940.720013/200989, Relatora Conselheira NUBIA MATOS MOURA, 2ª TO / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL / CARF/MF grifamos). De todo modo, inobstante as razões genéricas de defesa, avulta do lançamento fiscal uma presunção que não pode ser admitida. É que a Fiscalização terminou Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 18 arbitrando dois valores a título de VTN/ha, conforme dados extraídos do SIPT para a Região (fls. 49 dos autos), admitindo a incidência de duas aptidões agrícolas distintas no mesmo imóvel. No caso, sem qualquer razão técnica ou jurídica, foi atribuída a aptidão de terra “MISTA INAPROVEITÁVEL” para a área disposta pelo Contribuinte como sendo de preservação permanente, e outra “MISTA NÃO MECANIZÁVEL” para a área restante. Como toda a atividade da Administração Pública deve ser impreterivelmente motivada, respeitando os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência, não cabe a suposição de mais de uma aptidão agrícola no mesmo imóvel, sem que existam nos autos uma análise técnica específica neste sentido. Portanto, inexistindo dados periciais que autorizem a conclusão ofertada, o lançamento fiscal merece ser retificado, de modo a infligir um único valor de VTN médio por hectare para cada exercício, a ser considerado em toda a área do imóvel. Nesses termos, atentando à utilização do imóvel demonstrada nos autos, a aptidão agrícola mais apropriada para a região seria terra “MISTA NÃO MECANIZÁVEL”, conforme previsto no SIPT. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo como isentas as áreas delimitadas de Preservação Permanente, no montante de 1.897,00 ha, delimitadas no ADA apresentado ao IBAMA (fls. 26), assim como para atribuir o VTN/ha de R$ 868,00 para o exercício de 2007, e R$ 909,00 para o exercício de 2008, em atenção ao Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB (fls. 49 dos autos), considerando a aptidão agrícola da região como sendo de terra “MISTA NÃO MECANIZÁVEL”, com a consequente alteração dos correspondentes valores lançados, mantendo a decisão recorrida no seu restante. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11624.720147/201160 Acórdão n.º 2101002.615 S2C1T1 Fl. 11 19 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10680.722452/2010-78
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 18/08/2010 a 18/08/2010
Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009.
Verificada a omissão acerca das razões consideradas referentes ao pedido de suspensão do processo e fundamentação, impõe-se o esclarecimento devido.
Embargos de declaração do contribuinte parcialmente acolhidos, sem modificação no valor que consta da decisão embargada.
Embargos parcialmente acolhidos, com efeito meramente integrativo.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2803-003.875
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos em parte, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a omissão referente ao pedido de suspensão do processo e fundamentação.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 18/08/2010 a 18/08/2010 Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Verificada a omissão acerca das razões consideradas referentes ao pedido de suspensão do processo e fundamentação, impõe-se o esclarecimento devido. Embargos de declaração do contribuinte parcialmente acolhidos, sem modificação no valor que consta da decisão embargada. Embargos parcialmente acolhidos, com efeito meramente integrativo. Embargos Acolhidos em Parte
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Verificada a omissão acerca das razões consideradas referentes ao pedido de suspensão do processo e fundamentação, impõese o esclarecimento devido. Embargos de declaração do contribuinte parcialmente acolhidos, sem modificação no valor que consta da decisão embargada. Embargos parcialmente acolhidos, com efeito meramente integrativo. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos em parte, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a omissão referente ao pedido de suspensão do processo e fundamentação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 24 52 /2 01 0- 78 Fl. 855DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.722452/201078 Acórdão n.º 2803003.875 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.722452/201078 Acórdão n.º 2803003.875 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de embargos, fls. 845 e ss, opostos tempestivamente, contra acórdão, fls. 810 e ss. Entende a recorrente, em síntese, que o acórdão foi omisso, pois a r. decisão não se manifestou acerca da suspensão do julgamento do recurso interposto em razão do julgamento do processo 10680722449/201054 e análise de fundamento autônomo não apreciado. Por fim, a recorrente solicita que os embargos sejam conhecidos e providos e o lançamento anulado. É o relatório. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.722452/201078 Acórdão n.º 2803003.875 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra A decisão embargada não se manifesta acerca do pedido de reunião processual. Passo a manifestação. DO JULGAMENTO CONJUNTO . SUSPENSÃO DO JULGAMENTO Em que pese a conveniência do simultâneo julgamento de matérias afins do mesmo contribuinte, evitandose decisões divergentes versando sobre situações análogas, o fato de existir outro processo de débito em trâmite normal não é fator impeditivo de julgamento por esta Turma do presente Auto de Infração. Os documentos de débitos lavrados em razão do descumprimento de obrigação acessória, caso dos autos, e do não recolhimento devido, são autônomos, com distintos fatos geradores e fundamentação legal diversa, não se exigindo o conjunto julgamento. Também não há que se falar em decisões conflitantes, pois o que for decidido no presente processo em nada irá alterar o que decidido em outros processos da mesma empresa a serem julgados nesta ou em outra Turma de julgamento, a comprovar a inexistência de alcance comum entre os mesmos. Os processos seguirão o rito normal, com disponibilização de prazos para recurso, etc., como acontece rotineiramente neste Conselho. A título de registro, em praticamente todas as sessões desta Turma Especial são julgados apenas parte de processos lavrados na mesma ação fiscal, sem se levantar eventuais conexões. Registrese que o fato de adotar as razões do voto do relator trazida nos autos do processo 10680722449/201054 não vincula ao resultado final do julgamento. Ante o exposto, não vislumbro a conexão suscitada. DA FUNDAMENTAÇÃO Sobre a fundamentação, os embargos apresentados não informam os pontos não analisados, limitandose a afirmar, de modo genérico que o r. acórdão não teceu considerações acerca da fundamentação da recorrente, não havendo assim como analisar o pleito. Ad argumentandum tantum, o r. acórdão bem esclarece as posições adotadas, fundamentando suficientemente as razões de decidir. De acordo com o entendimento pacificado na doutrina e jurisprudência, o julgador não é obrigado a se manifestar Fl. 858DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.722452/201078 Acórdão n.º 2803003.875 S2TE03 Fl. 6 5 expressamente sobre todos os pontos levantados pelas partes, mas apenas aquelas que tenham relevância para o deslinde da questão e para formação do seu convencimento. Nesse sentido segue acórdão proferido pela 1ª Turma do STJ no Recurso Especial n ° 667603, publicado no DJ em 01/08/2000: MANDADO DE SEGURANÇA. AUTO DE INFRAÇÃO. DIREITO DE AMPLA DEFESA. 1. A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre a violação posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisar as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. 2. São princípios basilares do processo administrativo e judicial a ampla defesa e o contraditório, insculpidos no artigo 5º, LV, do Texto Constitucional, o qual estabelece que: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". 3. A ampla defesa, constitucionalmente reconhecida, traduz a exigência de que o exercício do poder jurídicopúblico se realize de maneira justa, implicando para o Administrado o direito de conhecer os fatos e fundamentos invocados pela Autoridade, o direito de ser ouvido e de contraporse às alegações do adversário. 4. Deveras, esse postulado da ampla defesa, ou do direito de audiência, configura direito à participação procedimental, assegurando ao administrado, na maior extensão possível, a oportunidade do seu exercício pleno, com produção de provas e apresentação de alegações que lhe favoreçam. 5. Atestando a instância a quo a inexistência da intimação da decisão, a verificação que a Fazenda pretende em seu recurso esbarra em matéria fática, mercê de o cumprimento do due process of law não exonerar o contribuinte do pagamento, apenas diferindoo até o cumprimento da exigência legal. 6. Recurso especial desprovido. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo acolhimento parcial dos embargos apresentados, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a omissão apontada. Oséas Coimbra Relator Fl. 859DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.722452/201078 Acórdão n.º 2803003.875 S2TE03 Fl. 7 6 Fl. 860DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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