Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10665.721763/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA.
Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado.
CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA DA RFB. PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMA DOS ATOS. PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 116 DO CTN.
A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos estabelecidos em lei ordinária.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme prevê o art. 124 do CTN c.c. art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91.
FRAUDE.
Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.
SONEGAÇÃO
Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
AIOP. FRAUDE. SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
O percentual de multa de que trata o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 será duplicado nos casos de sonegação, fraude ou conluio, previstos respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012 CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA DA RFB. PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMA DOS ATOS. PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 116 DO CTN. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos estabelecidos em lei ordinária. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme prevê o art. 124 do CTN c.c. art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. AIOP. FRAUDE. SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O percentual de multa de que trata o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 será duplicado nos casos de sonegação, fraude ou conluio, previstos respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10665.721763/2013-51
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5432217
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2302-003.613
nome_arquivo_s : Decisao_10665721763201351.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10665721763201351_5432217.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5828864
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702409838592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2361; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1.688 1 1.687 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.721763/201351 Recurso nº 003.613 Voluntário Acórdão nº 2302003.613 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP + AIOA CFL 68 Recorrente LUCRA CADASTROS E SERVIÇOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012 CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA DA RFB. PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMA DOS ATOS. PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 116 DO CTN. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos estabelecidos em lei ordinária. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme prevê o art. 124 do CTN c.c. art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91. FRAUDE. Configurase fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 17 63 /2 01 3- 51 Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 SONEGAÇÃO Qualificase como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. AIOP. FRAUDE. SONEGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O percentual de multa de que trata o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 será duplicado nos casos de sonegação, fraude ou conluio, previstos respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.689 3 Relatório Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012 Data da lavratura do Auto de Infração: 29/05/2013. Data da ciência do Auto de Infração: 03/06/2013. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.009.7626, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS, caracterizados pela Fiscalização como segurados empregados da Autuada, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 23/28. Relata a Autoridade Lançadora que a empresa autuada LUCRA CADASTROS E SERVIÇOS LTDA – EPP, doravante Lucra, tem como objeto social a prestação de serviços de correspondente bancário no país, mediante contrato celebrado com o Banco do Brasil. Informa que, para a execução de tal contrato de prestação de serviços, foi criada uma nova empresa, a Borges e Nogueira Serviços LTDA ME, CNPJ 11.935.307/000109, doravante Borges e Nogueira, incluída no Simples Nacional, com a finalidade do não recolhimento da contribuição previdenciária patronal e para Outras Entidades. Esta empresa tem no quadro social a Sra. Neiva Semi Borges de Araújo, que é também a sua administradora. A Fiscalização lavrou Termo de Intimação Fiscal para a empresa Borges e Nogueira Serviços LTDA, para apresentação de documentos e esclarecimentos, sendo constatado que tal empresa não possui filiais, sendo seu endereço uma pequena sala na Av. 1º de junho, 318, loja 15, Centro, Divinópolis MG. Sua contabilidade e pessoal são administrados pela Lucra Cadastros e Serviços LTDA – EPP; que a empresa chegou a ter cerca de 500 segurados empregados espalhados por diversas cidades e estados brasileiros, nos quais a Lucra Cadastros e Serviços LTDA EPP possuía filiais para execução do contrato com o Banco do Brasil; Que a Folha de Pagamento, no período de 10/2010 a 12/2012, totalizou o valor de R$ 10.513.655,62 enquanto que o seu faturamento no período de 01/01/2011 a 31/12/2012 foi de R$ 655.348,10, sendo a maioria dos valores recebidos da empresa Dígito Serviços LTDA ME (nome fantasia Lucra Empréstimos), CNPJ 05.349.751/000131, doravante Dígito, a qual também conta como sócia administradora a Sra. Neiva Semi Borges de Araújo e está sediada no mesmo endereço da Lucra Cadastros e Serviços LTDA –EPP. A empresa Dígito Serviços LTDA ME também tem contrato de correspondente bancário com o Banco do Brasil desde 2006 e não é optante do Simples. As empresas Lucra Cadastros e Serviços LTDA EPP e Dígito Serviços LTDA ME, para a execução dos contratos firmados com o Banco do Brasil e CP Promotora de Vendas S/A, simularam um contrato de prestação de serviços com a Borges e Nogueira, pois todas têm Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 como sócia administradora a Sra. Neiva Semi Borges de Araújo e fazem parte de grupo econômico. Diante dos fatos apurados, a Fiscalização considerou os empregados registrados na empresa Borges e Nogueira como empregados de fato da Lucra Cadastros e Serviços, com fundamento no princípio da primazia da realidade dos fatos, apurando as contribuições patronais devidas para a Previdência Social e para Outras Entidades. Foram arrolados como responsáveis solidários: a) A empresa Dígito Serviços LTDA – ME, CNPJ 05.349.751/000131, nos termos do art. 124 do CTN, em razão de pertencer ao mesmo grupo econômico. b) A sócia Administradora da Lucra Cadastros e Serviços LTDA –EPP, Neiva Semi Borges de Araújo, nos termos do art. 135, III, do CTN, por ter a mesma constituído uma nova empresa com o objetivo de suprimir ou reduzir tributo. Irresignados com o supracitado lançamento tributário, os devedores principal e solidários apresentaram impugnação, em petição conjunta a fls. 399/418. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0359.701 – 5ª Turma da DRJ/BSB, a fls. 1605/1612, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Os devedores principal e solidário foram cientificados da decisão de 1ª Instância no dia 24/04/2014, conforme Avisos de Recebimento a fls. 1645/1647. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, os devedores principal e solidários interpuseram recurso voluntário em petição conjunta a fls. 1653/1673, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que não houve ocorrência de simulação; · Que a empresa Borges e Nogueira Serviços Ltda. – ME auxilia a Lucra Cadastros e Serviços Ltda. EPP exclusivamente na execução do contrato firmado com a CP Promotora de Vendas S/A; · Inaplicabilidade da multa de ofício majorada; Ao fim, requer o cancelamento do Auto de Infração. Alternativamente, requer a declaração de ausência de dolo das Recorrentes. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.690 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Os sujeitos passivos foram válida e eficazmente cientificados da decisão recorrida no dia 24/04/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 26 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647/93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887/2004). Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.691 7 II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I, da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II, da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Não se deve olvidar que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 na respectiva relação jurídica. A prática habitual na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do trabalhador pessoa física ao contratante e mediante remuneração. O Relatório Fiscal é rico em provas e evidências que bem demonstram que a Recorrente se valia de empresa criada adrede, a Borges e Nogueira, existente tão somente no plano formal, para abrigar o registro trabalhista dos trabalhadores utilizados na execução de sua atividade fim visando, tão apenas, usufruir indevidamente dos benefícios do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, reduzindo assim, substancialmente, os seus encargos tributários. A Fiscalização apurou que, muito embora os assentamentos contratuais apontassem no sentido que os trabalhadores eram segurados empregados da Borges e Nogueira, as condições reais em que os serviços foram efetivamente prestados por esses obreiros subsumiamse à hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado da empresa autuada Lucra, estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica dessa categoria de segurado obrigatório do RGPS. A não eventualidade encontrase patente no prolongado período em que os obreiros prestaram serviços ao Recorrente, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico da empresa fiscalizada. Ademais, a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço contratado uma necessidade contínua da empresa, eis que inerente à sua atividade econômica, ou essencial ao desempenho satisfatório do objeto social da pessoa jurídica, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada empregado permaneça na execução do serviço para o qual foi contratado. A não eventualidade diz espeito à contratação de todos os serviços relacionados com a atividade fim da Autuada e à natureza do trabalho desenvolvido pelo profissional em relação à natureza do trabalho a que a Autuada se propõe a executar em favor de seus clientes, bem como à necessidade permanente dessas categorias de profissionais especializados para a realização de seu objeto social. No caso em litígio, de acordo com o Relatório Fiscal, em 2010 a Lucra celebrou contrato nº 2010/0012, a fls. 280/296, com o Banco do Brasil, para a prestação de serviços Relativos às Funções de Correspondente no País, conforme descritos na cláusula 1. OBJETO, a fls. 281/282. O objeto social da Lucra e de suas filiais é o de “Prestação de Serviços na área de crédito; cadastro, execução de cobrança extrajudicial, encaminhar pedido de empréstimos e financiamentos, análise de crédito e de cadastro, preparo e registro de documentos, processamento de dados e intermediação de negócios por prazo indeterminado”. Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.692 9 Também o objeto social da Borges e Nogueira é a “Prestação de Serviços na área de crédito; cadastro, execução de cobrança extrajudicial, encaminhar pedido de empréstimos e financiamentos, análise de crédito e de cadastro, preparo e registro de documentos, processamento de dados”. Para a execução de tal contrato perante o Banco do Brasil S.A. , a Lucra celebrou contrato a fls. 329/334 com Borges e Nogueira, tendo por objeto prestação de serviços, através de funcionários da Borges e Nogueira, de “agenciamento de propostas de empréstimos consignados em folha de pagamento, CDC, Salário, CDC Benefício, Consórcio de Bens e Serviços, BB Seguro Auto, Microcrédito Produtivo Orientado (MPO) ofertados pelo BANCO DO BRASIL, com o qual a CONTRATANTE mantém contrato na qualidade de Correspondente no País, junto aos possíveis e interessados tomadores pelo serviço”. Avulta das cláusulas contratuais que os serviços a serem prestados pela Borges e Nogueira à Lucra correspondiam exatamente às obrigações contratuais assumidas pela Lucra perante o Banco do Brasil S.A., circunstância que demonstra a não eventualidade dos serviços prestados pelas pessoas físicas formalmente registradas na Borges e Nogueira à empresa Autuada, o que demonstra que os trabalhadores em realce, caracterizados como segurados empregados da Autuada pela Fiscalização, inseriamse na dinâmica regular da Recorrente, que necessitava do trabalho por eles desempenhado para atender às múltiplas demandas inerentes ao seu objetivo social e aos contratos de serviço celebrados com os seus clientes, de onde se extrai que os trabalhadores em tela eram imprescindíveis ao funcionamento regular da Lucra, contingência que denota a natureza não eventual do serviço por eles realizado. Atentese para o fato de cláusulas contratuais vedarem o substabelecimento do contrato, de onde resulta que a execução dos serviços teria que ser levada a cabo pela própria empresa contratada, in casu, a Lucra. Tais constatações permitem afirmar que os trabalhadores em apreço executavam todas as atividades e tarefas vinculadas aos objetivos e atividades fins da Recorrente, tendo por conseguinte caráter nitidamente habitual e nãoeventual. No que pertine à subordinação, esta tem que ser averiguada em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levandose em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado, Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: de um lado figura a faculdade do contratante de utilizarse da força de trabalho do contratado pessoa física, como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar. Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do trabalhador perante o contratante. Como exemplo meramente ilustrativo, se o treinador de futebol, Sr. Luiz Felipe Scolari, celebrar contrato de prestação de serviço de pintura artística com o pintor de fama internacional Romero Britto para a confecção de um quadro representativo da Seleção Brasileira de futebol de 2014, mas este renomado pintor, em honra de suposta autonomia funcional e de ausência de subordinação, decidir, ao seu único e exclusivo arbítrio, retratar em pop art a Seleção Alemã da copa do Mundo do Brasil do mesmo ano, com certeza o contrato será imediatamente rescindido, com fundamento em justa causa decorrente de insubordinação consistente no descumprimento, por parte do oblato, das determinações contidas no liame ajustado. As provas dos autos revelam que a empresa Lucra prestava serviços ao Banco do Brasil e, para poder se beneficiar do regime de tributação simplificada, criou a empresa Borges e Nogueira, enquadrandoa no Simples. Então, a Lucra passou a efetuar o registro formal dos trabalhadores utilizados na execução de tais serviços contratados na Borges e Nogueira, desonerando, desta forma e de maneira indevida, sua folha de pagamento. Exsurge do conjunto probatório aqui presente que a Borges e Nogueira não possui estrutura empresarial, administrativa e econômica própria, sendo inteiramente dependente da Lucra e da Digito para o seu funcionamento. a) O quadro social das empresas em tela é constituído por parentes: A Lucra tem por sócios Neiva Semi Borges de Araújo (98%) e Leda Maria Borges (2%), conforme 17ª Alteração Contratual a fls. 250/260. A Dígito tem por sócios Neiva Semi Borges de Araújo (98%) e Leda Maria Borges (2%), conforme 9ª Alteração Contratual a fls. 274/279. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.693 11 A Borges e Nogueira tem capital social irrisório de R$ 10.000,00, tendo por sócios Neiva Semi Borges de Araújo (10%) e Itamar Nunes Borges (90 %). A participação minoritária da Sra. Neiva se justifica pelo fato de a Lei Complementar nº 123/2006 vedar a opção pelo sistema simplificado de empresa de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não optante, ou cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: I no caso das microempresas, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, aufira, em cada anocalendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); II no caso das empresas de pequeno porte, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, aufira, em cada ano calendário, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). §1º Considerase receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. §2º No caso de início de atividade no próprio anocalendário, o limite a que se refere o caput deste artigo será proporcional ao número de meses em que a microempresa ou a empresa de pequeno porte houver exercido atividade, inclusive as frações de meses. §3º O enquadramento do empresário ou da sociedade simples ou empresária como microempresa ou empresa de pequeno porte bem como o seu desenquadramento não implicarão alteração, denúncia ou qualquer restrição em relação a contratos por elas anteriormente firmados. §4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: I de cujo capital participe outra pessoa jurídica; II que seja filial, sucursal, agência ou representação, no País, de pessoa jurídica com sede no exterior; III de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; IV cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; VI constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo; VII que participe do capital de outra pessoa jurídica; VIII que exerça atividade de banco comercial, de investimentos e de desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito, financiamento e investimento ou de crédito imobiliário, de corretora ou de distribuidora de títulos, valores mobiliários e câmbio, de empresa de arrendamento mercantil, de seguros privados e de capitalização ou de previdência complementar; IX resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 (cinco) anoscalendário anteriores; X constituída sob a forma de sociedade por ações. §5º O disposto nos incisos IV e VII do § 4º deste artigo não se aplica à participação no capital de cooperativas de crédito, bem como em centrais de compras, bolsas de subcontratação, no consórcio referido no art. 50 desta Lei Complementar e na sociedade de propósito específico prevista no art. 56 desta Lei Complementar, e em associações assemelhadas, sociedades de interesse econômico, sociedades de garantia solidária e outros tipos de sociedade, que tenham como objetivo social a defesa exclusiva dos interesses econômicos das microempresas e empresas de pequeno porte. §6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrer em alguma das situações previstas nos incisos do § 4º deste artigo, será excluída do regime de que trata esta Lei Complementar, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. §7º Observado o disposto no § 2º deste artigo, no caso de início de atividades, a microempresa que, no anocalendário, exceder o limite de receita bruta anual previsto no inciso I do caput deste artigo passa, no anocalendário seguinte, à condição de empresa de pequeno porte. §8º Observado o disposto no § 2º deste artigo, no caso de início de atividades, a empresa de pequeno porte que, no ano calendário, não ultrapassar o limite de receita bruta anual previsto no inciso I do caput deste artigo passa, no ano calendário seguinte, à condição de microempresa. §9º A empresa de pequeno porte que, no anocalendário, exceder o limite de receita bruta anual previsto no inciso II do caput deste artigo fica excluída, no anocalendário seguinte, do regime diferenciado e favorecido previsto por esta Lei Complementar para todos os efeitos legais. §10. A microempresa e a empresa de pequeno porte que no decurso do anocalendário de início de atividade ultrapassarem o limite de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.694 13 multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período estarão excluídas do regime desta Lei Complementar, com efeitos retroativos ao início de suas atividades. §11. Na hipótese de o Distrito Federal, os Estados e seus respectivos Municípios adotarem o disposto nos incisos I e II do caput do art. 19 e no art. 20 desta Lei Complementar, caso a receita bruta auferida durante o anocalendário de início de atividade ultrapasse o limite de R$ 100.000,00 (cem mil reais) ou R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), respectivamente, multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período, estará excluída do regime tributário previsto nesta Lei Complementar em relação ao pagamento dos tributos estaduais e municipais, com efeitos retroativos ao início de suas atividades. §12. A exclusão do regime desta Lei Complementar de que tratam os §§ 10 e 11 deste artigo não retroagirá ao início das atividades se o excesso verificado em relação à receita bruta não for superior a 20% (vinte por cento) dos respectivos limites referidos naqueles parágrafos, hipóteses em que os efeitos da exclusão darseão no anocalendário subsequente. Corrobora tal entendimento o fato de a Sra. Neiva, com apenas 10% do capital, ser contratualmente, com exclusividade, a administradora da empresa e a única a ter retiradas a título de pro labore, conforme cláusulas 07 e 10 do contrato social, a fls. 269/273. b) Todas as 03 empresas são administradas exclusivamente pela Sra. Neiva, conforme cláusula contratual com o seguinte teor: “A sociedade é administrada exclusivamente pela sócia NEIVA SEMI BORGES DE ARAÚJO, que isoladamente assina todos os documentos atinentes, ficandolhe, entretanto vedado o uso da denominação social em negócios de favor ou assemelhados. Somente a sócia NEIVA SEMI BORGES DE ARAÚJO fará jus a uma retirada mensal a título de prolabore de valor variável, entretanto nunca inferior ao salário vigente no país”. Tal fato demonstra que os demais sócios figuravam no contrato apenas para suprir os requisitos necessários para a atribuição de responsabilidade limitada ao empreendimento. c) A Lucra e a Dígito operam no mesmo endereço comercial, situado à Rua São Paulo, 146 – Divinópolis/MG, a uma quadra da sede da Borges e Nogueira, uma pequena sala na av. 1º de Junho, 318 – Divinópolis/MG, como assim apurou a Fiscalização. d) A contabilidade e os Recursos Humanos da Borges e Nogueira são integralmente administrados pela Lucra, fato que denota a total falta de estrutura empresarial e administrativa da Borges e Nogueira, e a dependência marcante em relação à Lucra. e) A Fiscalização apurou que as três empresas constituem Grupo Econômico de Fato, são administradas e representadas exclusivamente pela mesma Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 sócia, Sra. Neiva, fato também observável no site do grupo na internet (www.lucraltda.com.br) e não contestado pelas Recorrentes. Corrobora a conclusão da existência de Grupo Econômico o fato de a impugnação e o instrumento de Recurso Voluntário serem apresentados pelos três Sujeitos Passivos em tela em petição única e conjunta, o que revela uma unidade de comando e de desígnios. f) A subordinação jurídica dos trabalhadores registrados formalmente na Borges e Nogueira aos comandos da Autuada se revela de maneira inconteste na medida em que os obreiros em questão têm que realizar, exatamente, todas as atividades previamente pactuadas pela Autuada com o Banco do Brasil S.A. , não restando à Borges e Nogueira qualquer variável independente. Assim, os trabalhadores têm que seguir, à risca, tudo o que foi celebrado pela Lucra com o Banco do Brasil S.A. , circunstância que evidencia, de maneira insofismável, a subordinação jurídica do material humano formalmente registrado na Borges e Nogueira aos comandos e diretrizes da Contratante (Lucra), de onde dessai a subordinação daqueles a esta. A ilação de que a Borges e Nogueira houvese por criada apenas para abrigar o registro formal dos trabalhadores utilizados na execução dos contratos celebrados pela Autuada com o Banco do Brasil S.A. é reforçada pelo fato de a contratante (Lucra) ter que disponibilizar pessoal para executar as funções de correspondente em diversos pontos no país, sendo que a Borges e Nogueira somente possui em sua estrutura operacional tão somente uma pequena saleta em Divinópolis/MG. Todavia, a Borges e Nogueira chegou a ter cerca de 500 segurados empregados espalhados por diversas cidades e estados brasileiros, exatamente onde a LUCRA possui filiais para execução do contrato firmado com o Banco do Brasil S.A.. As provas dos autos, no entanto, revelam que a prestação de serviços se deu em mais de uma centena de municípios, dispersos em diversas unidades da federação, como assim demonstra o discriminativo a fls. 360/383, fato que denota haver sido utilizada a estrutura administrativa, gerencial e técnica de uma entidade com organização empresarial mais elevada, in casu, a Lucra, que possui mais de 50 filiais em todas as unidades da Federação ali dispostas. g) A dependência da Borges e Nogueira à Lucra não é somente administrativa, gerencial, contábil e técnica, mas, também, financeira. A Fiscalização apurou que no período de período de 10/2010 a 12/2012 o valor total da Folha de Pagamento da Borges e Nogueira alcançou a cifra de R$ 10.513.655,62 . Nada obstante, o faturamento total da Borges e Nogueira no período de 01/2011 a 12/2012 foi de apenas R$ 655.348,10, conforme dados extraídos da contabilidade da empresa, sendo a maioria dos valores recebidos da empresa DÍGITO SERVIÇOS LTDA ME (nome fantasia da LUCRA EMPRÉSTIMOS), que também possui diversas filiais pelo Brasil; que também conta como sócia administradora a Sra. Neiva Semi Borges de Araújo; que também está sediada no mesmo endereço da LUCRA CADASTROS E SERVIÇOS LTDA – EPP; que Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.695 15 também tem contrato de correspondente bancário com o Banco do Brasil desde 2006 e que também não é optante do SIMPLES. Ora, como pode uma empresa que tem um faturamento de 655 mil reais arcar com uma Folha de Pagamento de mais de 10 milhões de reais ??? A resposta está nos mais de 850 empréstimos tomados pela Borges e Nogueira à Lucra, os quais totalizaram mais de 11 milhões de Reais de janeiro/2011 a novembro/2012, conforme exposto no discriminativo a fls. 33/50. Tratamse de empréstimos diários e impagáveis. Afinal, como uma empresa com faturamento ‘x’ e uma Folha de Pagamento mensal de ‘20 x’ pode pagar um empréstimo de ‘22 x’ ???? A prática da tomada de empréstimos simulados se justifica pelo fato de a Borges e Nogueira não poder registrar em sua escrita fiscal um faturamento anual capaz de cobrir a Folha de Pagamento dos trabalhadores nela registrados, pois, se assim o fizer, ela irá ultrapassar o teto limite para a sua manutenção no Simples Nacional e, assim, jogar por terra todo o esquema fraudulento. Não por outra razão a Borges e Nogueira houvese por excluída do Simples Nacional em 2012, por Ato Administrativo dimanado da Secretaria da Receita Federal do Brasil. h) As notas fiscais emitidas pela Borges e Nogueira eram sequenciais, sendo emitidas ora em face da Lucra, ora em face da Dígito, aliás, principalmente, em desfavor desta. Tal fato é confirmado pela própria Recorrente ao asseverar: “Por isso, as notas fiscais de prestação de serviços são emitidas em nome da Lucra Cadastros e Serviços Ltda. EPP ou da Dígito Serviços Ltda. ME, a depender de quem efetivamente prestou o serviço, uma vez que a Borges e Nogueira Serviços Ltda. ME não possui contrato de Correspondente de Instituição Financeira com o Banco do Brasil S/A ou de substabelecimento com a CP Promotora de Vendas S/A, sendo utilizada pela Lucra Cadastros e Serviços Ltda. EPP por questões operacionais internas, para execução deste último, em decorrência da inexistência de vedação contratual para tanto”. i) Falta com a verdade o Recorrente quando afirma que “quando da alteração do anocalendário em que extrapolou o limite do faturamento permitido (2012), tratou de alterar seu regime de tributação para Lucro Presumido, não incorrendo em descumprimento da legislação”. Em realidade, a Borges e Nogueira foi excluída do Simples Nacional em 2012, por Ato Administrativo dimanado da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme consulta processual ao site http://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/aplicacoes.aspx? Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 j) Falta com a verdade o Recorrente quando afirma que “a Borges e Nogueira [...] possuiu empregados registrados apenas para onde foi designado/liberado/autorizado agências do BB para atuação dentro das Salas de Auto Atendimento”. Em realidade, a Borges e Nogueira possui sua sede em Divinópolis/MG, mas tem trabalhadores operando em mais de 100 municípios distribuídos em diversas Unidades da Federação, como assim demonstra o discriminativo a fls. 360/383, fornecido pela própria Borges e Nogueira. Por outro lado, os contratos firmados entre a Lucra e a Dígito com o Banco do Brasil S.A. veda expressamente o substabelecimento dos atividades objeto do contrato, dispondo de maneira expressa que a contratante tem que ter vínculo de emprego ou de outra espécie com os prestadores de serviço. k) Falta com a verdade o Recorrente quando afirma que “ ... A Dígito Serviços Ltda. ME não possui funcionários registrados na Borges e Nogueira Serviços Ltda. ME, pois esta, repitase, auxilia exclusivamente a Lucra Cadastros e Serviços Ltda. EPP na execução do contrato firmado com a CP Promotora de Vendas S/A.”. Em realidade, a planilha apurada da contabilidade da Borges e Nogueira com o seu faturamento revela que o faturamento da Borges e Nogueira advém, principalmente, da Dígito Serviços ltda. l) Falta com a verdade o Recorrente quando afirma que “A Dígito Serviços Ltda. ME não possui e nunca possuiu nenhuma filial, tendo sede no segundo piso do mesmo prédio onde se localiza a sede da Lucra Cadastros e Serviços Ltda. EPP, conforme se verifica no seu contrato social.”. Em realidade, consulta ao CONEMP – Consulta Empresa pela Raiz CNPJ, a fl. 244, revela que a Dígito possui, além do seu estabelecimento matriz, mais 21 filiais. Avulta das circunstâncias do caso que o risco da atividade econômica é integral da Lucra que, além do encargo de captar no mercado contratos para a prestação dos serviços inerentes ao seu objeto social, assume toda a responsabilidade perante estes terceiros (in casu o Banco do Brasil S.A. ) pelos serviços vendidos, respondendo tais trabalhadores, quando muito, de maneira regressiva, e tão somente nas hipóteses em que atuarem com dolo ou culpa, como sói ocorrer nas típicas relações jurídicas patrãoempregado. Dessarte, também sob esse prisma, a condição de empregador da Lucra se revela emblemática, eis que o art. 2º da CLT qualifica com empregador a empresa individual Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.696 17 ou coletiva que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. §1º Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. §2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. No desempenho de suas funções, o trabalhador registrado na Borges e Nogueira se apresenta perante o Banco do Brasil S.A. exatamente como empregado da empresa por este contratada (a Lucra), circunstância que revela a alteralidade na prestação dos serviços, quintessência supralegal da relação de emprego e da relação de segurado empregado. Não se deslembre que o conceito de “Empresa” referese ao exercício organizado de atividade econômica, na forma de unidade econômicosocial, integrada por elementos humanos, materiais, técnicos e logísticos, visando à produção ou a circulação de bens ou de serviços mediante o emprego de fatores de produção no sistema capitalista, capital, mãodeobra, insumo e tecnologia , objetivando a geração de lucro. A função social primária da empresa é, pois, a geração de lucro para seus proprietários e acionistas, remunerando o capital que investiram na estruturação da pessoa jurídica e no desenvolvimento a contento de seu objeto social. Estruturar uma atividade econômica implica a articulação dos fatores de produção adequados (capital, mãodeobra, insumos e tecnologia) que viabilizem a oferta no mercado consumidor, a preços e qualidade competitivos, dos bens/serviços que se pretenda produzir. Já o exercício da atividade econômica exige habitualidade, pessoalidade, detenção do monopólio de informações pelo empresário sobre o produto ou serviço objeto de sua empresa e a geração de lucro, o qual irá remunerar os empresários, os empregados e alavancar o desenvolvimento da empresa. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Nessa perspectiva, não há como a Borges e Nogueira se enquadrar no conceito de empresa, uma vez que não se observa a geração de lucro (pois opera sempre com a utilização de vultosos empréstimos advindos da Lucra), não há articulação de insumos de produção, não há comprometimento de Capital (o capital social é irrisório e incompatível com empreendimento a que se refere); não há desenvolvimento nem oferecimento de bens ou serviços ao mercado consumidor (mas, unicamente ao próprio Grupo Econômico); Não dispõe de meios de produção (as instalações, equipamentos, insumos, etc. pertencem todos à Lucra), não há clientela; Não dispõe de tecnologia (o know how é provido pela Lucra); Não dispõe de independência e autonomia econômica, financeira, administrativa, empresarial, etc. Enfim, faltam à Borges e Nogueira todos atributos caracterizadores da “empresa”. Nesse contexto, a legislação tributária considera como inexistente de fato a pessoa jurídica que não dispuser de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive a que não comprovar o capital social integralizado. Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive a que não comprovar o capital social integralizado; II não for localizada no endereço informado à RFB, bem como não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. A subordinação se revela às escancaras com a empresa Autuada, que detém todo o poder de chefia, de comando de como, o quê, quando e quanto do serviço será executado, além do poder de dispensa do trabalhador. Todos trabalham, efetivamente, objetivando atingir as metas determinadas pela Lucra, e ordenados pelas normas da empresa. A onerosidade foi apurada diretamente da remuneração mensal dos empregados, registrada nas folhas de pagamento mensal da interposta pessoa jurídica. A pessoalidade, por derradeiro, se revela inconteste na medida em que os trabalhadores são admitidos pessoalmente, estando o vínculo empregatício materializado em um contrato formal de trabalho, ainda que celebrado por intermédio de interposta empresa (Borges e Nogueira). As provas dos autos revelam a prestação exclusiva dos serviços à Recorrente, bem como a natureza intuitu personae dos serviços pactuados, inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na ilação de que tais Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.697 19 trabalhadores, ao seu alvedrio único, exclusivo e próprio, e sem qualquer ingerência da empresa autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o qual fora contratado, por outro trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação, tendo de prestálo pessoalmente. No caso em tela, observase que a Borges e Nogueira houvese por constituída em nome de sócia majoritária e administradora exclusiva da Lucra, sem estrutura operacional, administrativa, técnica, nem econômica, exclusivamente para prestar serviços inerentes à atividade fim da Recorrente, perante terceiros clientes da Lucra, em nome da Lucra, e transferindo para a interposta pessoa, optante do Simples Nacional, a responsabilidade dos encargos sociais, valendose irregularmente dos benefícios fiscais inerentes ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, obtendo, assim, redução significativa dos encargos sociais. A evidência da simulação se revela incontestável na medida em que trabalhadores foram levados a celebrar vínculos formais de empregos com interposta pessoa optante do Simples Nacional, para a execução de serviços pactuados entre a Lucra e o Banco do Brasil S.A., mediante contrato que expressamente vedava o substabelecimento, serviços estes de natureza não eventual, eis que inerentes à própria atividade fim da Lucra e objeto do contrato com o Banco do Brasil S.A. , tendo os trabalhadores que realizar suas tarefas com pessoalidade e sob subordinação à empresa contratante (Lucra). Ante tal quadratura, a fiscalização constatou a existência dos elementos qualificadores da condição de segurado empregado existente entre a Recorrente e as pessoas físicas contratualmente vinculadas à interposta pessoa em realce, contingência que deságua na inafastável submissão da Autuada e desses trabalhadores, na qualidade de segurado empregado, às obrigações fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Registrese, por relevante, que o lançamento das contribuições sociais ora em exame não tem o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício (instituto de Direito do Trabalho) entre os trabalhadores em destaque e a empresa autuada. Tampouco detém o auditor fiscal notificante competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista da Recorrente. A fiscalização tão somente constatou a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, procedeu ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista entre os trabalhadores e as Autuadas. No caso em tela, observase que Borges e Nogueira houvese por constituída adrede visando a abrigar formalmente os operários da Autuada, sob os benefícios do regime tributário garantido pelo SIMPLES, trabalhadores estes que se presentam perante os clientes da Autuada como seus legítimos empregados, executando os serviços que foram confiados exclusivamente à Lucra. Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Sob o olhar realístico da primazia da realidade dos fatos sobre a forma dos atos, tais obreiros se apresentam como segurados empregados da Recorrente, e não da interposta pessoa propositalmente constituída para o registro formal dos contratos de trabalho. As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo empregatício do obreiro diretamente com o tomador dos serviços, eis que o verdadeiro empregador. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 2006 1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). Como visto, a fiscalização Trabalhista, em sua atividade de rotina, ao se deparar com semelhante burla à legislação do trabalho, tem a competência de promover ex officio a desconstituição da aludida irregularidade, com fulcro nos artigos 3º e 9º da CLT, restaurandose o statu quo ante. De forma semelhante, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº 8.212/91 associados a tal condição, fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente de incidência de contribuições previdenciárias, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. A atuação fiscal acima abordada encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Código Tributário Nacional CTN Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.698 21 Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Merece ser destacado que a jurisprudência do STJ não nega auto aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir: “AREsp 323.808SC Rel. Min. Humberto Martins DJe: 27/05/2013 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. AUTOAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. NÃOALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. [...] O caso da empresa de vigilância é perfeitamente análogo: as câmaras são parte do equipamento que é utilizado pela sociedade Patrimonial Segurança Ltda. para a prestação do serviço de segurança, que é a sua atividade fim. As filmadoras ou sensores de movimento que sejam instaladas na residência do contratante sem que este as adquira integram o custo do serviço. (situação diversa ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência de titularidade do bem ensejaria a incidência do ICMS. Não e, entretanto, o caso). Ao destacar do valor do serviço uma quantia correspondente a aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida pelo artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que dispõe: “A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Com razão, assim, a Procuradoria do Município, ao afirmar que: "A obrigação da apelada consiste em prestar um serviço de vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação de 'locação de equipamento eletrônico' dada pela apelada uma forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação do serviço" (fl. 217). Nesse contexto, merece acolhida o recurso para se julgar improcedente a demanda. [...]" No mesmo sentido, o Agravo Regimental no RECURSO ESPECIAL Nº 1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins: AgRg no REsp 1.070.292 RS Rel. Min. Humberto Martins DJe: 23/11/2010 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA VINCENDA. PERCEPÇÃO PAGA MEDIANTE TRANSAÇÃO EM DEMANDA TRABALHISTA. VERBA DE NATUREZA NÃO INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. [...] Notese que o montante pago teve por fim o cumprimento de prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve ser frisado para que não se invoque a isenção anteriormente prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei 9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando a natureza indenizatória do montante pago, nenhum efeito opera para o fisco. O reconhecimento da natureza indenizatória de determinada verba se impõe quando for possível constatar que aquela visava à recomposição de uma perda patrimonial, e não pela mera denominação de indenizatória (parágrafo único do artigo 116 do CTN: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária). Tratase, no caso, de aplicação da Teoria da Interpretação Econômica do Fato Gerador. A hipótese dos autos caracteriza a aquisição de disponibilidade de renda, assim entendido o produto do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal verba está sujeita à incidência de imposto de renda. [...] Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.699 23 Ainda, nesse sentido, REsp nº 1.363.920 SC Rel. Min. Og Fernandes, DJe: 24/10/2013. Por outro viés, ainda que se admita que o preceito instalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN demande regulamentação procedimental via lei ordinária, nada impede que se recorra a procedimentos já previstos em leis ordinárias já integrantes do Ordenamento Jurídico Pátrio. Tratase da realização de um princípio jurídico, consistente na recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só possam ser revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza. A realização do princípio da Recepção das Leis permite a convivência de normas jurídicas vigentes no Ordenamento Jurídico anterior com o Direito Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as leis do Direito anterior que não se chocam com o Direito atual são por este Direito recepcionadas, eliminandose, assim, a necessidade de se regular por inteiro toda a estrutura legislativa. Seria, em verdade, ilógico que leis anteriores, cujo conteúdo permanece inalterado em face da nova Ordem Jurídica, tivessem que ser recriadas para continuarem a estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade. Pela ótica de tal princípio, quando se cria uma nova estrutura normativa, o conjunto de normas jurídicas préexistente, no que não conflite materialmente com o Direito Anterior, permanece em vigor e produzindo os efeitos que lhe são típicos, sendo automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de sua elaboração, pois, não o sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro. A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente no Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: REsp nº 1.427.949 SC Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe: 02/04/2014 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. PARCELAMENTO. REFIS. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI N. 9.964/2000. FUNDAMENTO SUFICIENTE INATACADO (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO (SÚMULA N. 282/STF). IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC. DECISÃO [...] Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº 9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996. Lícito o procedimento de inativação do CNPJ das empresas, por força do art. 81 da Lei nº 9.964/2000, in verbis (eSTJ fls.9734/9739): Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996, diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a Administração Tributária fundamentou a inaptidão também na existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco: não somente na simulação. [...] Ainda que se considere que, no caso concreto, incidiria o artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua vez, remete a procedimentos estabelecidos em lei ordinária, tais procedimentos (relativos à declaração de inaptidão) já se encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº 9.430/96, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005. [...] (grifos nossos) No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014. No caso em estudo, mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios jurídicos praticados pelos atores do esquema fraudulento acima descortinado, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Nesse quadro, a lei ordinária nº 8.212/91 qualifica como segurado empregado a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado, e como segurado contribuinte individual, a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; (...) Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.700 25 V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). (...) O mesmo Diploma Legal acima invocado estabelece obrigações tributárias principal e acessórias às empresas, decorrentes da prestação de serviços que lhe forem fornecidos por segurados empregados e por segurados contribuintes individuais, assim dispondo: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). No que pertine a procedimentos e competências, o art. 33 da Lei de Custeio da Seguridade Social outorgou à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previdenciárias, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos, atribuindo aos seus auditores fiscais a prerrogativa de examinar a contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.701 27 §7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). Ainda em relação a procedimentos, o art. 37 da lei ordinária ora em realce estatuiu o poder/dever da fiscalização de lavrar ex officio a competente notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, sempre que constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Não se deve olvidar que inexiste impedimento para que um trabalhador mantenha, concomitantemente, múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas empresas, sem que isso represente qualquer irregularidade. Decerto, a condição de segurado empregado não exige exclusividade com a empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, ou ser segurado empregado em relação uma determinada entidade e segurado contribuinte individual em relação a outra distinta da primeira, e assim por diante ... Diante da pletora probatória acostada aos autos, firmase a convicção quanto à real situação dos trabalhadores mencionados, os quais se ajustam taylor made à categoria de segurado empregado, visto que presentes todos os pressupostos elencados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, circunstância que deságua, como consequência inafastável, na observância compulsória das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Nesse cenário, dúvidas não mais existem de que o Autuado se utilizou de formas irregulares de contratação de trabalhadores para se esquivar dos rigores dos encargos tributários e trabalhistas. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 2.2. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA O Recorrente advoga a inaplicabilidade da multa de ofício majorada. Sem razão. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.702 29 quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Posteriormente, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual foi convertida na Lei nº 11.941/2009, revogando, sem solução de continuidade, o art. 34 e dando nova redação ao art. 35 ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por ai. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A, que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de multa de ofício de 75%. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Avulta que a onerosidade da penalidade regulase pela gravidade da infração perpetrada pelo Obrigado. Assim, para os fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008, como é o caso dos autos, para recolhimentos espontâneos de contribuições previdenciárias, a multa aplicada obedece ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96, que prescreve multa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a vinte por cento do principal. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Na hipótese de o atraso no recolhimento ser apurado mediante lançamento de ofício, como é o caso dos autos, por se tratar de infração mais grave, mais severa será a penalidade aplicada, que deverá obedecer ao critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, na Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.703 31 redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 44, I da Lei nº 9.430/96, que prevê multa de 75% sobre o principal. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.48/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Por derradeiro, se na hipótese de o atraso no recolhimento for apurado mediante lançamento de ofício, a Fiscalização constatar a ocorrência de fraude, simulação ou conluio, por se tratar de infração de maior gravidade e repúdio, a penalidade a ser aplicada deverá ser também ainda mais rigorosa, devendo então obedecer ao critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 44, I e §1º da Lei nº 9.430/96 c.c. artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 que preveem multa de 150% sobre o principal. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (grifos nossos) (...) Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.704 33 Reiterese que os fatos geradores ora em trato houveramse por apurados mediante procedimento de caracterização de segurados empregados formalmente vinculados a interposta pessoa optante do SIMPLES, com fundamento no princípio da primazia da realidade sobre a forma, uma vez que se mostraram presentes, entre os trabalhadores e a Autuada, todos os elementos da condição de segurado empregado previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Exsurge da pletora documental que a Autuada utilizouse da empresa Borges e Nogueira, optante do Simples Nacional, como interposta pessoa, com a finalidade de contratar e acobertar, sob aparente manto de legalidade, a mão de obra por ela utilizada na execução de sua atividade fim, com significativa redução de encargos previdenciários decorrentes da opção pelo regime tributário simplificado acima citado, circunstância que demonstra e comprova o elemento volitivo do Recorrente de suprimir/reduzir tributo, mediante a omissão de informações à administração fazendária, pela omissão dessas operações nas GFIP, impedindo a Autoridade Fazendária de ter conhecimento da ocorrência de fatos geradores de Contribuições Previdenciárias. Conforme demonstrado, deflui das provas dos autos a existência insofismável de uma unidade administrativa, financeira, patrimonial e operacional, concentrada na Autuada, e exercida sobre a interposta empresa, a qual não possuía autonomia operacional, patrimonial, administrativa e financeira para se autogerir, sendo totalmente dependente do Recorrente, configurandose, sob o signo da primazia da realidade sobre a forma, nada mais do que mero setor no organograma material da Empresamãe, a Autuada, apesar de formalmente constituída sob a forma de sociedade empresária autônoma e independente. Integram os presentes autos potes de provas e evidências da ingerência da Autuada em todos os segmentos da interposta pessoa em relevo, seja no RH, na administração, na transferência de empregados, seja na dependência financeira, operacional ou logística, seja pela exclusividade dos serviços prestados pela interposta pessoa, etc. Em realidade, sendo a Borges e Nogueira totalmente dependente da Autuada, por todos os aspectos imagináveis, avulta que a responsabilidade de toda a atividade empresarial recai sobre a Lucra, que detém, integralmente, o risco da atividade econômica em tela, configurandose como o real empregador, a teor do art. 2º da Consolidação das Leis do Trabalho. Consolidação das Leis do Trabalho Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Considerando que a Empresa é conceituada juridicamente como o exercício organizado de atividade econômica, na forma de unidade econômicosocial, integrada por elementos humanos, materiais, técnicos e logísticos, para a produção ou a circulação de bens ou de serviços, não refuga aos olhos que o Grupo Econômico de Fato ora em foco constituise uma única entidade empresarial, haja vista que a empresa interposta gravita integralmente na órbita da empresamãe – a Lucra. A fraude se manifesta na volitiva e consciente criação de Pessoa Jurídica optante do Simples Nacional para abrigar o registro trabalhista formal de trabalhadores visando Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 a intermediar a mão de obra utilizada na execução das tarefas inerentes à atividade econômica da Autuada, com vistas a impedir, na orbita jurídica da Autuada, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar o seu pagamento. Estivessem tais trabalhadores formalmente vinculados à Autuada, esta teria que arcar com os encargos previdenciários e trabalhistas incidentes sobre a folha de salários de tais obreiros. De outro canto, estando tais operários registrados, mediante vínculo formal de emprego, em empresa optante do Simples Nacional, não haveria a ocorrência de tais fatos geradores de contribuições previdenciárias, uma vez que, na sistemática do Simples Nacional, a tributação não incide sobre a folha de pagamento, mas, sim, sobre a receita bruta anual, independentemente do quantitativo, da qualificação legal ou da remuneração dos trabalhadores a ela vinculados. Conforme demonstrado anteriormente, a partir das provas coligidas, mediante o controle adequado dos registros contábeis de receitas, manipulase o faturamento anual da empresa interposta, de molde a mantêla nos lindes de enquadramento do Simples Nacional, e descarregase em seus Livros de Registro de Empregados todos os vínculos trabalhistas, para que, dessa forma, a empresa não optante, e efetiva consumidora da mão de obra acima referida, mantenhamse a salvo da tributação previdenciária incidente sobre o montante das remunerações pagas aos segurados em foco. Reforça a compreensão acerca da existência de fraude o fato de a empresa interposta existir, tão somente, no plano formal, com capital social irrisório, e em nome da sócia majoritária e exclusiva administradora da Recorrente e de parentes, sem autonomia técnica, administrativa, financeira, patrimonial e operacional, em total dependência da Autuada, procedimento que demonstra o cuidado da Recorrente de buscar conferir, artificialmente, um falacioso ar de total independência jurídica e econômica entre tais empresas, como se fossem unidades empresariais totalmente autônomas e independentes, assumindo fantasiosamente cada uma o risco da atividade econômica, o que de fato não ocorre no caso em tela. Por via de tal conduta, visou a Autuada induzir o Fisco a erro mediante o artificio da celebração de atos jurídicos formais, porém divorciados da realidade dos fatos, mas aptos a conferir uma sofismática aparência de legalidade às operações levadas a efeito no seio do empreendimento em xeque, encobrindo, dessarte, as circunstâncias materiais de Fatos Jurígenos Tributários que implicariam a incidência das obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social, bem como a responsabilidade tributária da Autuada pelo seu adimplemento. Colimou a Autuada, mediante tal ardil, afastar das dependências do empreendimento em realce os auditores fiscais da RFB, pela compreensão de “empresa que aparentemente nada deve ao Fisco, por este não é fiscalizada in loco”. As operações fraudulentas levadas a efeito pela Autuada configuramse, coloquialmente falando, como verdadeiros “estelionatos tributários”, uma vez que tem por objetivo obter vantagem ilícita, consistente na redução indevida da tributação previdenciária, em prejuízo da Seguridade Social, induzindo o Fisco Federal em erro, mediante a utilização de mão de obra formalmente registrada em empresa optante do Simples Nacional para a execução das tarefas inerentes à atividade empresarial de empresa não optante. A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se utilizar volitiva e conscientemente dos serviços de interposta pessoa para a execução das tarefas Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.705 35 inerentes à sua atividade econômica, a Autuada não efetuou a declaração de tais obreiros e suas respectivas remunerações em suas GFIP, excluindo dessarte da Administração Fazendária o conhecimento a respeito da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Assim, estando as empresa Lucra e Borges e Nogueira mancomunadas no fim específico de fraudar a Administração Tributária e de sonegar tributos, caracterizada também se revela a existência de conluio, a teor do art. 73 da Lei nº 4.502/64. Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da fraude, da sonegação e do conluio, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, circunstâncias que implicam a incidência da multa de ofício qualificada. Em reforço a tal assertiva, atentese que, em razão das irregularidades constatadas durante os procedimentos de Fiscalização nas empresas ora em trato, houvese por formalizada a competente Representação Fiscal para Fins Penais, constituída em autos apartados, representando ao órgão competente para a persecução criminal, fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária tipificado no art. 1º da Lei nº 8.137/91 e Crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Pena reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. Decretolei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940. – Código Penal Sonegação de contribuição previdenciária (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) II deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) III omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Pena reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §1o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §2o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) II o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §3o Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §4o O valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas datas e nos mesmos índices do reajuste dos benefícios da previdência social. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, relator. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10665.721763/201351 Acórdão n.º 2302003.613 S2C3T2 Fl. 1.706 37 Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13312.000348/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 18/05/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES.
A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontra-se revogado pela lei 11.941/2009, passando o próprio ente público a responder pela mesma.
Não há como ser mantido auto de infração, considerando que o autuado, face a mudança da lei , não mais responde pela obrigação que lhe foi imposta.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-003.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 18/05/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES. A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontra-se revogado pela lei 11.941/2009, passando o próprio ente público a responder pela mesma. Não há como ser mantido auto de infração, considerando que o autuado, face a mudança da lei , não mais responde pela obrigação que lhe foi imposta. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13312.000348/2007-18
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5446719
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2401-003.846
nome_arquivo_s : Decisao_13312000348200718.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13312000348200718_5446719.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
id : 5878495
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702424518656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1542; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13312.000348/200718 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.846 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, DIRIGENTE PÚBLICO Recorrente JOÃO PONTES MOTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 18/05/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES. A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontrase revogado pela lei 11.941/2009, passando o próprio ente público a responder pela mesma. Não há como ser mantido auto de infração, considerando que o autuado, face a mudança da lei , não mais responde pela obrigação que lhe foi imposta. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 03 48 /2 00 7- 18 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13312.000348/200718 Acórdão n.º 2401003.846 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente autodeinfração, lavrado sob o n. 37.076.2762, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, I da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, I e § 9º e art. 283, I, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de elaborar folha de pagamento com todas as remunerações dos segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. Segundo a fiscalização previdenciária, na verificação os documentos solicitados, entre eles as folhas de pagamento das competências 01/2005 a 05/2006 apresentadas a auditoriafiscal, constatouse que nelas não consta a categoria de contibuintes individuais, infringindo, assim, a Lei n 0 8.212, de 24/0711991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9 0, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n 0 3.048, de 06/05/1999. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 18/05/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 25/05/2007. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 22 a 28. Foi emitida Decisão, fls. 32 a 46, mantendo procedente a autuação. O recorrente não concordando com a referida decisão. interpôs recurso, fl. 46. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 52. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Primeiramente, importante destacar que para a legislação previdenciária não havia responsabilidade por descumprimento de obrigação acessória imposta à pessoa jurídica de direito público. Havendo o descumprimento da obrigação, a aplicação da penalidade pecuniária, auto de infração, era imposta pessoalmente ao dirigente do órgão ou entidade, conforme dispõe o art. 41 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.41.O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Contudo a procedência ou não do lançamento em questão encontrase prejudicada, tendo em vista que o dispositivo legal que determinava a autuação pessoal do dirigente público foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, passando a responsabilidade pelo descumprimento de obrigações acessórias aos próprios entes públicos. Dessa forma, não há como manter a autuação, considerando que norma posterior deixou de considerar o autuado como responsável pela obrigação descumprida, razão pela qual deve ser dado provimento ao recurso, exonerandose o crédito constituído por meio do presente AI. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para DARLHE PROVIMENTO nos termos da pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que afastou do polo passivo da obrigação o dirigente de órgão público. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 63DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722594/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2302-000.365
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA.
Aguarde-se a manifestação da Fiscalização acerca da base de cálculo utilizada
para obter-se o montante do crédito tributário lançado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10480.722594/2009-58
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5428260
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2302-000.365
nome_arquivo_s : Decisao_10480722594200958.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10480722594200958_5428260.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. Aguarde-se a manifestação da Fiscalização acerca da base de cálculo utilizada para obter-se o montante do crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
dt_sessao_tdt : Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
id : 5822130
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702430810112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1435; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.722594/200958 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2302000.365 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 06 de novembro de 2014 Assunto Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente CESAR CENTRO DE ESTUDOS E SISTEMAS AVANÇADOS DORECIFE Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. Aguardese a manifestação da Fiscalização acerca da base de cálculo utilizada para obterse o montante do crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 22 59 4/ 20 09 -5 8 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2302000.365 S2C3T2 Fl. 3 2 Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES RELATÓRIO Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 37.183.5739, com ciência pelo contribuinte em 04/01/2010, em face de CESAR CENTRO DE ESTUDOS E SISTEMAS AVANÇADOS DO RECIFE, no valor de R$ 285.621,76 (duzentos e oitenta mil, seiscentos e vinte e um reais e setenta e seis centavos) referente a não comprovação do recolhimento, de responsabilidade da autuada, das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre a remuneração a eles paga no período de 01/2004 a 12/2006. Segundo relatório fiscal, A empresa é uma associação civil, sem fins lucrativos, com prazo indeterminado de duração regendose por Estatuto e pelos dispositivos legais que lhe forem aplicáveis. São objetivos do CESAR: Ensino, pesquisa, treinamento, desenvolvimento e consultoria, representação e exportação de serviços e produtos no campo da tecnologia da informação, objetivando o avanço científico e tecnológico do Departamento de Informática da Universidade Federal de Pernambuco, e da ciência da computação no país e o avanço tecnológico e a modernização e aumento da competitividade industrial do Estado de Pernambuco e do país. A fiscalização informou que os fatos geradores das contribuições apuradas no presente AI consistem: no pagamento de remuneração aos segurados empregados em contraprestação aos serviços prestados à autuada, no período supra mencionado, incluindo décimo terceiro salário, não declarados em GFIP; e no pagamento de remuneração a segurados contribuintes individuais que prestaram serviço a autuada no referido período. Apresentada impugnação pela Empresa, o lançamento foi mantido, em parte, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, vez que a decisão reconheceu a ocorrência da decadência pelo art. 173 para o período de 01/2004 a 11/2004, A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO (AI).SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequadas motivações jurídicas e fáticas, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória (art.142, parágrafo único do CTN). Fl. 326DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2302000.365 S2C3T2 Fl. 4 3 DECADÊNCIA. FATOS GERADORES LANÇADOS DE OFICIO Sujeitase ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em GFIP e identificados pela fiscalização, através de documentos entregues pela empresa (folha de pagamento, RAIS, DIRF, contabilidade, etc), caso em que se aplica o prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme artigo173, inciso I, do CTN. SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DEVER DE OFÍCIO. É dever dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, sob pena de responsabilidade funcional, formalizar Representação Fiscal para Fins Penais sempre que no exercício de suas atribuições verificarem, em tese, a ocorrência de conduta típica definida em lei como crime contra a Seguridade Social. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. APURAÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO A contabilidade do Contribuinte, por si só, consubstanciase na prova material necessária da ocorrência dos eventos ali registrados, constituindo a fonte de informações de que se utiliza a fiscalização. MULTA AGRAVADA. O percentual da multa de ofício será aumentado de metade quando o contribuinte deixar de apresentar os arquivos digitais solicitados pela autoridade lançadora, mediante intimação. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados na Contabilidade, nas Folhas de Pagamento, Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS), de sua própria elaboração. PRECLUSÃO TEMPORAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada com a decisão, a Associação interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: Ocorreu a decadência, também, do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos em 12/2004, posto que, por se tratar de lançamento por homologação, devese seguir o disposto no art. 150, § 4°, do CTN; Inexiste conduta dolosa por parte da Associação. É de se ver que não há no relatório fiscal, torna indícios que justifique tal acusação. O simples fato das contribuições previdenciárias lançadas neste Auto de Infração não terem sido recolhidas nem declaradas em GFIP, não se configura, no ilícito descrito no artigo 337A, do DecretoLei n° 2.848/40 (Código Penal Brasileiro). Desta feita, razão não há para a representação criminal, ou a aplicação da multa agravada. Devem, pois, serem anulados os efeitos jurídicos de tal declaração, notadamente no que diz respeito à contagem do prazo decadencial; Fl. 327DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2302000.365 S2C3T2 Fl. 5 4 A autuação fiscal é nula, posto a improcedência dos valores lançados. Resta comprovado materialmente, nos autos deste processo, que houve erro na construção do lançamento, em virtude da incorreta caracterização, pela autoridade fiscal, de meros ajustes contábeis como base de cálculo das contribuições sociais lançadas. Improcedente se apresenta a penalidade agravada, impõese a redução da penalidade de ofício ao percentual de 75%, visto que, apesar do atraso na prestação das informações e documentos solicitados, não restou configurado qualquer propósito protelatório da recorrente, com o intuito de dificultar a fiscalização. Ademais, o lançamento, inclusive, se baseou na documentação fornecida pela recorrente. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. VOTO Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da conversão em diligência Tratase de Auto de Infração lavrado em razão de não ter a Recorrente comprovado o recolhimento de contribuições previdenciárias, de responsabilidade da autuada, dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre a remuneração a eles paga no período de 01/2004 a 12/2006 Alega a recorrente que os pagamentos realizados às empresas ICATU HARTFORD e VERA CRUZ SEGURADORA S/A, a título de previdência privada, foram consideradas pela fiscalização como salários indiretos, do que decorreu um ônus excessivo à recorrente quando utilizados para compor a base de cálculo para a contribuição. Argúi que os "Lançamentos para Reversão" foram computados como novos pagamentos a essas empresas. Assim sendo, entende o contribuinte que houve erro na construção do lançamento, em virtude da incorreta caracterização, pela autoridade fiscal, de meros ajustes contábeis como base de cálculo das contribuições sociais lançadas. Diante do exposto, entendo ser necessária a CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA do presente feito para que a Fiscalização se manifeste acerca do alegado e informe qual a correta base de cálculo para o presente lançamento, visto que, na eventualidade de ser comprovado o aduzido pela recorrente, alterarseá o valor do crédito tributário objeto do presente processo administrativo. DA CONCLUSÃO Fl. 328DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2302000.365 S2C3T2 Fl. 6 5 Ante o exposto, conheço do recurso, e determino A CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que se aguarde a manifestação da Fiscalização acerca da base de cálculo utilizada para obterse o montante do crédito tributário lançado. É como voto. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 329DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10410.900002/2008-98
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10410.900002/2008-98
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448403
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1802-002.536
nome_arquivo_s : Decisao_10410900002200898.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10410900002200898_5448403.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
id : 5882862
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702439198720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1985; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.900002/200898 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802002.536 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de março de 2015 Matéria IRPJ/PERDCOMP Recorrente CIMENTO ATOL LTDA (sucedida por CCB CIMPOR CIMENTOS DO BRASIL LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 00 02 /2 00 8- 98 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 10410.900002/200898 Acórdão n.º 1802002.536 S1TE02 Fl. 3 2 Ester Marques Lins de Sousa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o relatório da decisão recorrida, que a seguir transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação DCOMP de fls. 54/58, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1RPJ código 2362 com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 396.025,67, fl. 56, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa do 1RPJ referente ao período de apuração novembro de 2002. Através do despacho de fl. 52, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal em Maceió DRF/Maceió concluiu pela não existência do crédito informado, pois o DARF indicado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A empresa CCB CIMPOR CIMENTOS DO BRASIL LTDA., sucessora por incorporação da interessada, apresentou, por seus advogados, documento, fls. 04/05, a manifestação de inconformidade, fls. 01/03, alegando ter havido engano da Receita Federal porque o DARF de fato foi recolhido em 30/12/2002, conforme cópia anexa à fl. 53. Requer seja considerado o valor comprovadamente arrecadado. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Recife/PE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da pessoa jurídica e por conseqüência não reconheceu o direito creditório pleiteado, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1132.681, de 20 de janeiro de 2011, cientificado ao interessado em 12/04/2011, conforme o Aviso de Recebimento (AR). O mencionado acórdão está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Não comprovada essa condição, não é passível de homologação a compensação declarada. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 10410.900002/200898 Acórdão n.º 1802002.536 S1TE02 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. Não tendo sido localizado o DARF com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito aproveitado em declaração de compensação, não se homologa o procedimento. Cientificada da mencionada decisão em 12/04/2011, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 11/05/2011, no qual traz, em síntese, os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. A Recorrente reitera que, de fato, informou no PER/DCOMP (cópia anexa), o período de apuração errado, bem como a data de vencimento, ou seja, informou no PER/DCOMP o período de apuração 20/11/2002, quando o correto séria 30/11/2002. e a data de vencimento 30/12/2002 quando o correto seria 31/12/2002 fatos esses que deram origem ao presente despacho decisório. Destaca que o valor recolhido, conforme o DARF já juntado é exatamente o informado no mencionado PER/DCOMP, qual seja, R$ 396.025,67 (trezentos e noventa e seis mil, vinte e cinco reais e sessenta e sete centavos), não pairando dúvidas que fora mero erro de informação. A Recorrente argúi que o crédito tributário ora discutido foi extinto nos moldes, do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. Portanto, se extinto, não há mais o vínculo obrigacional entre as partes, posto que satisfeita a relação jurídica tributária em todos os seus aspectos. Finalmente requer seja provido o recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 03335.98497.031203.1.3.045427, fls.54/58, transmitido eletronicamente em 03/12/2003, em que a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ Estimativa de Julho/2003, com crédito de R$ 152.411,14 indicado como pagamento indevido ou a maior de IRPJ, decorrente do DARF: código 2362; Período de apuração: 20/11/2002; Data de Arrecadação: 30/12/2002 no valor de R$ 396.025,67. Do Despacho Decisório expedido em 29/01/2008 pela autoridade administrativa originária da DRF de Maceió/AL, consta que, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois, o DARF discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Portanto, diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGA a compensação declarada. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 10410.900002/200898 Acórdão n.º 1802002.536 S1TE02 Fl. 5 4 Na manifestação de inconformidade a interessada alega ter havido engano da Receita Federal porque o DARF de fato foi recolhido em 30/12/2002, conforme cópia anexa à fl. 53. Requer seja considerado o valor comprovadamente arrecadado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife/PE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve a não homologação da compensação pelos seguintes fundamentos: ... Apenas para esclarecimento, mesmo que se considere o DARF trazido aos autos, conforme DCTF apresentada pelo contribuinte o crédito se encontra vinculado a débito de igual valor, fls. 62/63. Informação semelhante consta da tela do SIEF à fl. 64, onde se demonstra alocação integral do pagamento pelo sistema FISCEL realizada em 30/06/2004. E, concluindo, no caso concreto, requer o contribuinte compensação de estimativa que teria sido paga a maior, no entanto os valores pagos por estimativa somente podem ser utilizados para dedução do imposto ou contribuição devido/a ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, conforme dispõe o artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época do Despacho Decisório: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. " Assim, pelas razões expostas não se reconhece a certeza e liquidez do pretenso crédito, necessárias à compensação. Observase que, a restrição com base no artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005, não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. O assunto encontrase pacificado na Súmula CARF nº 84, verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 10410.900002/200898 Acórdão n.º 1802002.536 S1TE02 Fl. 6 5 relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo. Em sede recursal, a Recorrente argúi que, de fato, informou no PER/DCOMP (cópia anexa), o período de apuração errado, bem como a data de vencimento, ou seja, informou no PER/DCOMP o período de apuração 20/11/2002, quando o correto séria 30/11/2002 e a data de vencimento 30/12/2002 quando o correto seria 31/12/2002 o que justifica o despacho decisório. Compulsandose os autos, constatase o DARF à fl. 53, código: 2362, no valor de R$ 396.025,67, período de apuração 30/11/2002 e a data de vencimento 31/12/2002. Apesar de tal assertiva a Recorrente não juntou aos autos qualquer comprovação de que o valor pago a título de IRPJ/estimativa e informado na DCTF (fls.62/63) é maior que o devido em relação ao período de apuração: 30/11/2002. Nesse passo, não se discute a existência do pagamento do IRPJ por estimativa no valor de R$ 396.025,67, relativo ao mês de novembro de 2002 mediante o DARF em 30/12/2002, mas se nesse pagamento restou indevido o valor de R$ 152.411,14 como alegado crédito indicado no PER/DCOMP. A Recorrente alega que apresentou a competente DCOMP, para compensar crédito de Imposto de .Renda Pessoa Jurídica, com outros débitos da mesma natureza, no valor de R$ 396.025,67 (trezentos e noventa e seis mil, vinte e cinco reais e sessenta e sete centavos), decorrente de pagamento a maior, no período de apuração de novembro de 2002. E que não restam dúvidas do direito a compensação realizada, no valor ora em pretenso, como fora feito. Aduz que, uma vez satisfeito o crédito tributário, com a compensação do crédito tributário com o crédito do particular, extinguese o vínculo obrigacional entre credor e devedor. E que, no presente caso, a obrigação está extinta na data em que a Recorrente procedeu a mencionada compensação. De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que comprove o pagamento indevido, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; ... Fl. 140DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 10410.900002/200898 Acórdão n.º 1802002.536 S1TE02 Fl. 7 6 É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o artigo 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou o pagamento indevido. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como cediço, para demonstrar o alegado pagamento a maior ou indevido faz se necessário a apresentação dos Balanços ou Balancetes de Suspensão ou Redução, mensais, demonstrando o valor acumulado do IRPJ de 2002 calculado com base no lucro real do período em curso, de 01/01/2002 a 30/11/2002, e comparados com os DARFs efetivamente pagos nos meses de janeiro a julho/2002. O artigo 35 da Lei nº 8.981, de 1995, assim dispõe: ... Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; ... GRIFEI Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado pelo interessado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 10410.900002/200898 Acórdão n.º 1802002.536 S1TE02 Fl. 8 7 Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 03/12/2003, tomou ciência do despacho decisório expedido em 29/01/2008, e apresentou a manifestação de inconformidade. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 10410.900002/200898 Acórdão n.º 1802002.536 S1TE02 Fl. 9 8 Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000080/2006-54
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
NULIDADE PROCESSUAL. ART. 142 DO CTN.
Não demonstrado o descumprimento de quaisquer dos preceitos legais afetos ao lançamento tributário não há que se falar em nulidade do auto de infração lavrado.
IOF. OPERAÇÕES DE FACTORING. INCIDÊNCIA.
Caracterizada a realização de operações de factoring conforme art. 15, § 1°, inciso III, letra d da Lei n° 9.249/95, é cabível a incidência de IOF, de acordo com o que dispõe o art. 2°, II, b do Regulamento do IOF (Decreto nº 6.306/2007).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-004.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 NULIDADE PROCESSUAL. ART. 142 DO CTN. Não demonstrado o descumprimento de quaisquer dos preceitos legais afetos ao lançamento tributário não há que se falar em nulidade do auto de infração lavrado. IOF. OPERAÇÕES DE FACTORING. INCIDÊNCIA. Caracterizada a realização de operações de factoring conforme art. 15, § 1°, inciso III, letra d da Lei n° 9.249/95, é cabível a incidência de IOF, de acordo com o que dispõe o art. 2°, II, b do Regulamento do IOF (Decreto nº 6.306/2007). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.000080/2006-54
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5449191
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.111
nome_arquivo_s : Decisao_16327000080200654.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 16327000080200654_5449191.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5883912
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702450733056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 141 1 140 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000080/200654 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802004.111 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente CARMEL FOMENTO MERCANTIL ASSESSORIA E ADMINISTRAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 NULIDADE PROCESSUAL. ART. 142 DO CTN. Não demonstrado o descumprimento de quaisquer dos preceitos legais afetos ao lançamento tributário não há que se falar em nulidade do auto de infração lavrado. IOF. OPERAÇÕES DE FACTORING. INCIDÊNCIA. Caracterizada a realização de operações de factoring conforme art. 15, § 1°, inciso III, letra “d” da Lei n° 9.249/95, é cabível a incidência de IOF, de acordo com o que dispõe o art. 2°, II, b do Regulamento do IOF (Decreto nº 6.306/2007). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 80 /2 00 6- 54 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que manteve o lançamento tributário, assentado nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 75): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS – IOF Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. CONDIÇÕES. A constituição de ofício do crédito tributário por meio de auto de Auto de Infração somente é passível de anulação se efetuada por agente incompetente. A discussão de matéria de mérito não provoca a anulação do lançamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de retenção/recolhimento da contribuição, correta a exigência de ofício do tributo não recolhido. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REDUÇÃO. A exasperação do percentual da multa de ofício requer a demonstração do intuito doloso no procedimento adotado pelo sujeito passivo. Ausentes os elementos que permitiram a qualificação da fraude, reduzse o percentual de multa ao seu patamar normal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. O percentual de multa de lançamento de ofício, determinado por lei, sendo que a proibição de confisco prevista na Constituição Federal aplicase unicamente a tributo, e não à multa. Lançamento Procedente em Parte O lançamento referese à crédito tributário de IOF Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros, devido em operações de factoring. De acordo com termo de verificação fiscal, o Recorrente foi intimado e reintimado, em três oportunidades, para apresentar a documentação contábil, fiscal e bancária capaz de representar as atividades realizadas pela empresa nos anos de 2002 e 2003. Apesar disso, limitouse, segundo o relatório de fiscalização, “[...] a apresentar parte destes documentos referentes somente aos anoscalendário de 1999 e 2001, e em data de 07.12.2004, complementou com alguns documentos relativos aos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001”. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.000080/200654 Acórdão n.º 3802004.111 S3TE02 Fl. 142 3 Após reintimação, foram apresentados extratos bancários dos anoscalendário de 2002 e 2003 e a relação completa de todos os créditos referentes aos títulos enviados para cobrança, registrados nas contas corrente mantidas pela empresa no Banco Safra, durante os anos de 2002 e 2003 (fls. 14/15). Em face desses elementos, entendeu a fiscalização que estaria caracterizada a realização de operações de factoring (art. 15, inciso 111, § 1°, letra “d” da Lei n° 9.249/1995), sem a comprovação de que teria havido a retenção dos valores devidos a título de IOF (art. 5°, II, do Regulamento – Decreto nº 6.306/2007). Por esta razão, por meio do cotejo das operações declaradas como realizadas pelo Recorrente e que encontravam respaldo nos extratos bancários também apresentados à fiscalização, foi lavrado auto de infração visando a constituição e a cobrança do critério tributário não recolhido. O Recorrente, em suas razões recursais de fls. 98 e ss., sustenta a nulidade do auto de infração, a impossibilidade de apuração da base de cálculo por meio do arbitramento. Aduz que a multa, mesmo reduzida para 75% (setenta e cinco por cento) pela DRJ, seria inconstitucional. O mesmo seria aplicável à taxa Selic. Requer o conhecimento e o provimento do recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 26/09/2009, conforme despacho às fls.140, ao passo que o recurso foi protocolizado, em 27/10/2009 (fls.98), dentro do prazo legal. Assim, estando a matéria em debate inserida no âmbito da competência da Terceira Seção de Julgamento e presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. Nos casos de lançamento deofício, o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 prevê a incidência de multa de 75%, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não cabe, no âmbito administrativo, o controle de constitucionalidade da referida regra, consoante estabelecem a Súmula CARF nº 02 e o art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. No tocante à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, cumpre destacar que esta é aplicável aos tributos federais, a partir de 1º de abril de 1995, conforme Súmula CARF nº 4: Súmula CARF n 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A constitucionalidade da aplicação da Selic para fins tributários, por outro lado, foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 582.4611, em regime de repercussão geral, tornando aplicável o disposto no art. 62A do Regimento Interno2. Não há, portanto, como se acolher a pretensão do Recorrente. Já no que se refere à nulidade do procedimento fiscal, melhor sorte não assiste ao sujeito passivo. Isso porque, com a devida vênia, não há nas razões recursais indicação do pressuposto de validade formal ou material que teria sido violado no caso concreto. A alegação, destarte, assentase em generalidades que, por serem desprovidas de qualquer fundamento, não devem ser acolhidas. 1 Descrição do objeto: "Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 150, I, III, IV; e 155, II, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, da inclusão do valor do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços ICMS em sua própria base de cálculo, do emprego da taxa SELIC para fins tributários e da fixação de multa moratória em 20% do valor do tributo." Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2606882&numeroP rocesso=582461&classeProcesso=RE&numeroTema=214#. Acesso em 27/07/2011. 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.000080/200654 Acórdão n.º 3802004.111 S3TE02 Fl. 143 5 Quanto ao mérito do lançamento, não há como acolher a alegação de nulidade do arbitramento, uma vez que este foi realizado para fins de constituição de crédito tributário de Irpj e de Csll, que não são objeto do presente feito. O crédito de IOF, com efeito, foi constituído em razão da prática de operações de factoring, constatadas no curso do procedimento fiscal, consoante assim relatado na fundamentação do auto de lançamento: Por outro lado, ao se analisar o quadro demonstrativo das operações de factoring (quadros: faturamento 2002 e 2003 fls. 14/15), ficou evidente a pratica de operações de fomento comercial, caracterizada pela aquisição de direitos creditícios, conforme definido na letra d, inciso lll, §l°, do art. 15 da Lei n° 9.249/95. [...] Os valores devidos pelo contribuinte, a título de Imposto Sobre Operações de Crédito, Cambio e Seguro, ou Relativos a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), são demonstrados em fls. 16/17, cujas bases de calculo foram determinadas com base nos créditos bancários (quadros: faturamento 2002 e 2003 fl. 14/15), não sendo considerados, portanto, os registros das aplicações financeiras e suas respectivas baixas, bem como os débitos originários de tarifas bancarias. Assim, caracterizada a realização de operações de factoring (o que em nenhum momento foi negado pelo Recorrente), deve ser comprovado o recolhimento do IOF, nos termos do art. 5°, II, do Decreto nº 6.306/2007, sob pena de constituição deofício: Art. 5º São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional: [...] II as empresas de factoring adquirentes do direito creditório, nas hipóteses da alínea “b” do inciso I do art. 2o (Lei nº 9.532, de 1997, art. 58, § 1º); A base de cálculo, por sua vez, foi determinada a partir das informações e dos documentos apresentados pelo Recorrente no curso do procedimento fiscal (cf. tabela de fls. 1415), sobre a qual foi aplicável a alíquota definida na Instrução Normativa SRF n° 5/1998: “Art. 2° O IOF de que trata o artigo anterior tem como: I contribuinte, a pessoa jurídica ou física que alienar direito creditório resultante de vendas a prazo; II fato gerador, a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do alienante; III base de cálculo, na operação, o valor líquido entregue ou colocado à disposição do alienante, correspondente ao valor nominal do direito creditório, deduzidos os juros cobrados antecipadamente”. “Art. 3° O imposto será cobrado às seguintes alíquotas: I alienante pessoa jurídica: ...... 0,0041% ao dia; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 II alienante pessoa física: ...... 0,0411% ao dia”. Votase, portanto, pelo conhecimento e desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001496/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA.
O exercício de atividade impeditiva - curso de idiomas - implica na exclusão do Simples.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-004.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. O exercício de atividade impeditiva - curso de idiomas - implica na exclusão do Simples. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15586.001496/2009-19
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454802
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2301-004.316
nome_arquivo_s : Decisao_15586001496200919.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 15586001496200919_5454802.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5892894
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702453878784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 330 1 329 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001496/200919 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.316 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SALT LAKE LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. O exercício de atividade impeditiva curso de idiomas implica na exclusão do Simples. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 14 96 /2 00 9- 19 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15586.001496/200919 Acórdão n.º 2301004.316 S2C3T1 Fl. 331 2 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por SALT LAKE LTDA. ME, em face da decisão da Delegacia da Receita Feral do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (RJ) que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada e manteve parte do lançamento de crédito tributário, referente ao período de 01/2005 a 06/2007. 2. O crédito referese às contribuições devidas à Seguridade Social, relativas à parte da empresa e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e segurados contribuintes individuais. 3. De acordo com a fiscalização a empresa incorreu em erro ao se auto enquadrar como optante pelo Simples Federal, não o sendo, deixando assim de declarar como devidas as contribuições objetos do débito deste auto de infração. 4. A empresa SALT LAKE LTDA ME, constituída sob a natureza jurídica de sociedade empresária limitada, tem como atividade econômica principal, o ensino de idiomas. Diante disso e do exame da Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP) das competências 01/2005 a 06/2007, apresentadas pela empresa, constatouse que a empresa, pela natureza de suas atividades, incorreu em erro ao se auto enquadrar como optante pelo Simples, deixando, por consequência, de declarar como devidas as contribuições objetos do débito deste auto de infração. 5. Constituem fatos geradores, das contribuições aqui lançadas, as remunerações pagas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais que lhes prestaram serviços, conforme folhas e recibos de pagamento, bem como lançamentos contábeis. 6. Após devidamente intimado do lançamento, a recorrente apresentou impugnação tempestiva para se contrapor aos argumentos fiscais (fls. 210/215), no entanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília (DF) considerou a impugnação procedente em parte, excluindo do presente lançamento os valores lançados para as competências 06/1999 a 11/2001. Para o restante do período mantevese o crédito apurado. 7. A decisão a quo restou ementada nos seguintes termos: "Pessoa jurídica excluída do SIMPLES. Efeitos. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às empresas em geral a partir da data em que se processarem os efeitos da exclusão. Ônus da prova. Alegações desprovidas das respectivas provas não ensejam revisão do lançamento. Impugnação Improcedente Fl. 331DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15586.001496/200919 Acórdão n.º 2301004.316 S2C3T1 Fl. 332 3 Crédito Tributário Mantido." (fl. 270/275). 8. Irresignada com o resultado proferido em primeira instância, após ter sido devidamente intimada (17/05/2010 – cópia AR fl. 281) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 282/289, o qual tem como argumentos o que segue: a) a referida empresa está catalogada como microempresas e empresa de pequeno porte inscrito no Simples, e por isso a mesma é regida pela Lei do Simples e sendo assim, a mesma promovei de forma correta a informação junto à previdência social, referente ao período de janeiro de 2005 a junho de 2007; b) o fato que gerou a autuação do auto de infração encontrase totalmente divorciado da situação fática e de direito do recorrente, pois o mesmo comprovou o recolhimento devido, conforme lhe assegura a legislação voltada para as empresas incluídas no Simples; c) a recorrente encontrase inscrita no Simples, inclusive consubstanciado no processo nº. 98002869682 referente ao mandado de segurança de segurança que deferiu a liminar, cujos autos atualmente encontrase em trâmite, bem como está sim submetida a essa medida por ser franqueada da Wizard; d) não deixou de promover o recolhimento, bem como de prestar as informações devidas, na declaração de forma simplificada, conforme prevê a legislação pertinente; 9. Apresentados os argumentos recursais, não houve contrarrazões fiscais e os autos seguiram a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15586.001496/200919 Acórdão n.º 2301004.316 S2C3T1 Fl. 333 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES 2. De acordo com o relatório fiscal a empresa, optante pelo Simples Federal (Lei nº 9.317/96), possui natureza jurídica de sociedade empresária limitada, tem como atividade econômica principal, o ensino de idiomas. 3. Insta mencionar que o art. 9º da lei nº 9.317/96 elenca as vedações à opção pelo regime de tributação unificado, conforme o inciso XIII, in verbis: Art.9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (grifo nosso) 4. Diante da constatação de prestação de serviços de idiomas, a empresa foi excluída de ofício do Simples Federal em 01/04/200, pelo Ato Declaratório 20339, o qual teve por fundamentação legal o artigo supramencionado, tendo em vista o exercício de atividade econômica não permitida para o Simples. 5. Esse Conselho já possui posicionamento no sentido de que a prestação de aulas de ensino de idiomas “ou de qualquer atividade que envolva ensino ou treinamento, mesmo de cursos livres, é atividade assemelhada a de professor” (Acórdãos n. 30238216, 302 38044 e ATIVIDADE DE PROFESSOR OU ASSEMELHADO. EXCLUSÃO. CABIMENTO. A atividade de professor ou assemelhados (autoescola, escola de dança, instrução de natação, ensino de idiomas, aulas de Fl. 333DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15586.001496/200919 Acórdão n.º 2301004.316 S2C3T1 Fl. 334 5 pintura e artesanato etc) exclui a empresa da opção pelo SIMPLES, nos termos do art. 9º, XIII, da Lei n.º 9.317/96.” 6. Consta às fls. 233, cópia da decisão que deferiu o pedido liminar em mandado de segurança ajuizado pelo Conselho de Franqueados da Wizard, impetrado contra o Superintendente Regional da Receita Federal em São Paulo e o Delegado Regional da Receita Federal em São Paulo, com intuito de impedir a exigência de impostos e contribuições declinados na Lei n. 9.317/96 das escolas de idiomas representadas pelo Conselho. 7. A recorrente, em suas razões recursais, sustenta que está amparada pela decisão que deferiu a liminar suscitada no mandado de segurança acima. 8. Ocorre que, como bem salientou a decisão recorrida, ainda que a recorrente seja franqueada do impetrante do mandado de segurança, está não seria beneficiada pela decisão em comento, tendo em vista que a decisão desobriga apenas as empresas submetidas à fiscalização de São Paulo, sendo que a recorrente está domiciliada no Rio de Janeiro, ou seja, não podendo portanto, se beneficiar da referida decisão judicial. 9. Dessa forma, não cabe reforma à decisão recorrida, tendo em vista que foi proferida em perfeita observância aos ditames legais, referentes ao enquadramento do Simples. CONCLUSÃO 10. Dessa forma, conheço do recurso voluntário para no mérito, negarlhe provimento, mantendo os termos da decisão recorrida. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729925/2013-32
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. GLOSA DE IRRF POR FALTA DE RECOLHIMENTO. CONDIÇÃO DE DIRETOR COM PODERES PARA REALIZAR O RECOLHIMENTO NÃO COMPROVADA. EXCLUSÃO DA GLOSA.
Não é legítima a glosa do IRRF sob fundamento de falta de recolhimento pela fonte pagadora, quando o Fisco não comprova que o contribuinte detinha poderes para tanto. In casu, o contrato social opera em sentido diverso da conclusão da autoridade lançadora e a carteira de trabalho prova apenas o trabalho assalariado como diretor em comprovação dos poderes de que dispunha no ano-calendário autuado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. GLOSA DE IRRF POR FALTA DE RECOLHIMENTO. CONDIÇÃO DE DIRETOR COM PODERES PARA REALIZAR O RECOLHIMENTO NÃO COMPROVADA. EXCLUSÃO DA GLOSA. Não é legítima a glosa do IRRF sob fundamento de falta de recolhimento pela fonte pagadora, quando o Fisco não comprova que o contribuinte detinha poderes para tanto. In casu, o contrato social opera em sentido diverso da conclusão da autoridade lançadora e a carteira de trabalho prova apenas o trabalho assalariado como diretor em comprovação dos poderes de que dispunha no ano-calendário autuado. Recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11080.729925/2013-32
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5443594
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2802-003.335
nome_arquivo_s : Decisao_11080729925201332.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 11080729925201332_5443594.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5868633
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702460170240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 111 1 110 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.729925/201332 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.335 – 2ª Turma Especial Sessão de 10 de março de 2015 Matéria IRPF Recorrente EMANUEL RAMOS STUMPF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. GLOSA DE IRRF POR FALTA DE RECOLHIMENTO. CONDIÇÃO DE DIRETOR COM PODERES PARA REALIZAR O RECOLHIMENTO NÃO COMPROVADA. EXCLUSÃO DA GLOSA. Não é legítima a glosa do IRRF sob fundamento de falta de recolhimento pela fonte pagadora, quando o Fisco não comprova que o contribuinte detinha poderes para tanto. In casu, o contrato social opera em sentido diverso da conclusão da autoridade lançadora e a carteira de trabalho prova apenas o trabalho assalariado como diretor em comprovação dos poderes de que dispunha no anocalendário autuado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 99 25 /2 01 3- 32 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008, decorrente da glosa de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no valor de R$9.395,02, relativo à fonte pagadora Global Export, com exigência de imposto acrescido de multa de mora de 20% e juros de mora. Na descrição dos fatos, a autoridade lançadora consignou (fls. 7): Conforme comprovante apresentado, o contribuinte é diretor da pessoa jurídica. O contribuinte declarou ser proprietário e dirigente de empresa e o único rendimento declarado foi dessa fonte pagadora. Não foi apresentado comprovante de recolhimento de IRRF, pedidos de compensação ou DCTF conforme requisitado (no caso de proprietário ou administrador da fonte pagadora o Termo de Intimação Fiscal 2009/730150367127339 requisitou comprovante de recolhimento de IRRF, pedidos de compensação ou DCTF). Cientificado pela via editalícia, o interessado apresentou impugnação, alegando que (a) seu contador teria se equivocado no preenchimento da DIRPF revisada, indicando natureza da ocupação 12 e ocupação principal 120; (b) o correto seria natureza da ocupação 01 e ocupação principal 130; (c) nunca participou do quadro social da pessoa jurídica, conforme certidão de fls. 12. A impugnação foi indeferida sob fundamento, em síntese, de que os documentos (fls. 23/25 e 56/64) comprovam que o impugnante exerceu o cargo de diretor da fonte pagadora, o que implica solidariedade pelo imposto retido, mas não recolhido, consoante art. 723 do RIR1999. A tentativa de intimação postal foi infrutífera (fls. 88). A intimação da decisão efetivouse por edital, cuja data de ciência foi 02/01/2014 (fls. 92). O recurso voluntário foi interposto, em 29/01/2014, contendo requerimento de tramitação prioritária, com base no Estatuto do Idoso. A peça recursal está assentada na seguintes alegações: 1. ao manter o lançamento com fundamento no art. 723 do RIR1999, o acórdão recorrido modificou o critério jurídico adotado no lançamento, violando o art. 146 do Código Tributário Nacional – CTN, o que implica nulidade do acórdão; 2. a retenção foi comprovada, portanto a glosa é indevida, conforme precedente do TRF da 4ª Região; a falta de recolhimento somente gera responsabilidade para a empresa; eventual lançamento contra o recorrente na qualidade de diretor – o que não se admite como procedente deveria ser feito por meio de lançamento em separado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.729925/201332 Acórdão n.º 2802003.335 S2TE02 Fl. 112 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O lançamento baseiase na glosa de IRRF porque o contribuinte é diretor da pessoa jurídica, declarou ser proprietário e dirigente de empresa e o único rendimento declarado foi dessa fonte pagadora, porém não apresentou comprovante de recolhimento de IRRF, pedidos de compensação ou DCTF conforme requisitado ( Termo de Intimação Fiscal 2009/730150367127339). È o que constata na descrição dos fatos às fls. 7. A falta do registro do art. 723 do RIR no item do enquadramento legal (fls. 7), pode ser suprida pela descrição dos fatos que descreveu a motivação do lançamento de forma a permitir ao contribuinte pleno conhecimento da infração imputada e o exercício do direito de defesa, portanto tratase de omissão que, por si só, não inviabilizaria o lançamento, a ponto de se considerar que o acórdão recorrido tenha modificado o critério jurídico. Rejeitase a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e passase ao mérito. A aplicação do art. 723 do RIR1999 requer da autoridade lançadora um mínimo de investigação. Um exemplo é a restrição imposta pelo parágrafo único do dispositivo. Art.723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único.A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação (DecretoLei no 1.736, de 1979, art. 8o, parágrafo único). É insuficiente que haja uma carteira de trabalho comprovando que o recorrente era diretor ou gerente, posto que não há prova nos autos de que, no período da autuação, estava investido de poderes para praticar o recolhimento. Como gerente ou diretor, podese gerenciar ou dirigir qualquer atividade da empresa, mas não necessariamente a que importa para o lançamento. Aqui reside o dever do Fisco de aprofundar a investigação. Ao contrário, o contrato social apresentado pelo contribuinte prova que ele não era sócio e que a administração competia a uma das sócias (fls. 12/18). Sem maiores investigações da autoridade lançadora, a carteira de trabalho comprova, exclusivamente, a condição de assalariado. Foram apresentados os contracheques. Em momento algum a autoridade lançadora exigiu a comprovação da retenção, limitouse a exigir a prova do recolhimento, portanto, à autoridade julgadora não cabe ocupar o papel da Fiscalização na averiguação da exatidão do valor comprovado. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Dessa forma, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.906097/2012-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/08/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/08/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10830.906097/2012-99
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429099
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.764
nome_arquivo_s : Decisao_10830906097201299.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI
nome_arquivo_pdf_s : 10830906097201299_5429099.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5823092
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702467510272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1907; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.906097/201299 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.764 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de dezembro de 2014 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente TRANSPORTADORA RODO IMPORT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/08/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 60 97 /2 01 2- 99 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906097/201299 Acórdão n.º 3801004.764 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906097/201299 Acórdão n.º 3801004.764 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906097/201299 Acórdão n.º 3801004.764 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906097/201299 Acórdão n.º 3801004.764 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906097/201299 Acórdão n.º 3801004.764 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906097/201299 Acórdão n.º 3801004.764 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906097/201299 Acórdão n.º 3801004.764 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906097/201299 Acórdão n.º 3801004.764 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.722904/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte cuja escrituração revelar-se imprestável para identificar a real movimentação financeira e determinar o Lucro Real, e que, intimado, não manifestou opção pelo lucro presumido após sua exclusão do Simples Nacional.
DEDUÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL.
Não há previsão legal para a dedução, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apuradas pelo arbitramento, dos valores das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS.
Recurso voluntário negado.
Estando os autos instruídos com os documentos necessários para embasar o convencimento do julgador, indefere-se o pedido para a realização de diligências. Diligências não se destinam a suprir deficiências na prova que incumbe à parte interessada produzir.
EXCLUSÃO DE REGIME SIMPLIFICADO. LAVRATURA CONCOMITANTE DE AUTO DE INFRAÇÃO.
A possibilidade de discussão administrativa de Ato Declaratório Executivo que exclui a empresa de regime de tributação simplificada não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão, nem caracteriza qualquer violação ao contraditório e ampla defesa a ciência simultânea do ato de exclusão e dos autos de infração decorrentes.
Numero da decisão: 1102-001.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as alegações de nulidade dos Atos Declaratórios Executivos que excluíram a empresa dos regimes do Simples e do Simples Nacional, bem como dos autos de infração decorrentes, indeferir o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte cuja escrituração revelar-se imprestável para identificar a real movimentação financeira e determinar o Lucro Real, e que, intimado, não manifestou opção pelo lucro presumido após sua exclusão do Simples Nacional. DEDUÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. Não há previsão legal para a dedução, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apuradas pelo arbitramento, dos valores das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Recurso voluntário negado. Estando os autos instruídos com os documentos necessários para embasar o convencimento do julgador, indefere-se o pedido para a realização de diligências. Diligências não se destinam a suprir deficiências na prova que incumbe à parte interessada produzir. EXCLUSÃO DE REGIME SIMPLIFICADO. LAVRATURA CONCOMITANTE DE AUTO DE INFRAÇÃO. A possibilidade de discussão administrativa de Ato Declaratório Executivo que exclui a empresa de regime de tributação simplificada não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão, nem caracteriza qualquer violação ao contraditório e ampla defesa a ciência simultânea do ato de exclusão e dos autos de infração decorrentes.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10950.722904/2012-56
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5440803
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1102-001.304
nome_arquivo_s : Decisao_10950722904201256.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : João Otávio Oppermann Thomé
nome_arquivo_pdf_s : 10950722904201256_5440803.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as alegações de nulidade dos Atos Declaratórios Executivos que excluíram a empresa dos regimes do Simples e do Simples Nacional, bem como dos autos de infração decorrentes, indeferir o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
id : 5855219
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702501064704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2176; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.722904/201256 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.304 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de março de 2015 Matéria SIMPLES. EXCLUSÃO E LANÇAMENTOS DE OFÍCIO. Recorrente DROGARIA SILVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, situações inocorrentes no caso. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6o da Lei Complementar 105/2001). DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE PRODUÇÃO DE PROVAS. Estando os autos instruídos com os documentos necessários para embasar o convencimento do julgador, indeferese o pedido para a realização de diligências. Diligências não se destinam a suprir deficiências na prova que incumbe à parte interessada produzir. EXCLUSÃO DE REGIME SIMPLIFICADO. LAVRATURA CONCOMITANTE DE AUTO DE INFRAÇÃO. A possibilidade de discussão administrativa de Ato Declaratório Executivo que exclui a empresa de regime de tributação simplificada não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão, nem caracteriza qualquer violação ao contraditório e ampla defesa a ciência simultânea do ato de exclusão e dos autos de infração decorrentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 29 04 /2 01 2- 56 Fl. 3169DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 3 2 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LIMITE DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Ultrapassado o limite legal da receita bruta estabelecido pela legislação do Simples, impõese a exclusão da empresa deste sistema de tributação incentivada, com efeitos a partir do anocalendário subseqüente àquele em que ocorreu o excesso de receita. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LIMITE DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. Ultrapassado o limite legal da receita bruta estabelecido pela legislação para a opção pelo Simples Nacional, impõese a exclusão da empresa deste sistema de tributação incentivada, com efeitos retroativos à data da opção indevida. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES NACIONAL. TRIBUTAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional sujeitarseá, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeitase ao arbitramento do lucro o contribuinte cuja escrituração revelarse imprestável para identificar a real movimentação financeira e determinar o Lucro Real, e que, intimado, não manifestou opção pelo lucro presumido após sua exclusão do Simples Nacional. DEDUÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. Não há previsão legal para a dedução, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apuradas pelo arbitramento, dos valores das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Fl. 3170DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 4 3 Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as alegações de nulidade dos Atos Declaratórios Executivos que excluíram a empresa dos regimes do Simples e do Simples Nacional, bem como dos autos de infração decorrentes, indeferir o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Todas as indicações de folhas no presente relatório e voto a seguir dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Tratase de recurso voluntário interposto por DROGARIA SILVA LTDA contra acórdão proferido pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba PR, que concluiu pela procedência parcial da impugnação interposta. O processo trata dos seguintes atos a serem analisados: a) manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRF/MGÁ nº 16, de 30/05/2012, que determinou a exclusão do contribuinte do Simples Federal, desde 01/01/2007 (fls. 2839); b) manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRF/MGÁ nº 17, de 30/05/2012, que determinou a exclusão do contribuinte do Simples Nacional, desde 01/07/2007 (fls. 2840); c) impugnação aos autos de infração lavrados pela sistemática do Lucro Arbitrado, relativos aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009; Os atos que excluíram a empresa do Simples Federal e do Simples Nacional foram expedidos em face da Representação Fiscal de fls. 211, na qual restou demonstrado que o contribuinte auferiu, nos anoscalendário de 2006, 2007, 2008 e 2009, receitas em montante muito superior aos limites para a permanência no regime simplificado, conforme quadro de fls. Fl. 3171DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 5 4 7, considerando as receitas declaradas e o montante considerado omitido, relativo aos depósitos bancários de origem não comprovada. Intimado a comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos relativos aos valores creditados nas respectivas contas bancárias, o contribuinte alegou que grande parte desses créditos seriam oriundos do recebimento de contas de água, luz e telefone, visto que possui contratos celebrados com a Sanepar, Copel, e Brasil Telecom, bem como do recebimento de boletos de pagamento emitidos pelo Banco Bradesco, dentre outros serviços prestados àquele banco, também por conta de contrato firmado. Sucederamse diversas intimações, e, à vista dos elementos apresentados e verificações efetuadas, expurgou a fiscalização, dos créditos a serem comprovados, aqueles referentes à Sanepar. De se observar que as receitas declaradas foram subtraídas dos montantes considerados como depósitos bancários não comprovados, para a determinação da receita considerada omitida. Com relação ao ADE nº 16 (Simples Federal), centrou sua inconformidade na impossibilidade de serem conferidos efeitos retroativos ao ato de exclusão, o que fere diversos princípios constitucionais, e no desrespeito ao contraditório e ampla defesa, na medida em que só foi concedido o direito de recorrer do ato após este ter surtido seus efeitos. Requer a decretação da nulidade do ato, extensiva aos lançamentos dele decorrentes. Com relação ao ADE nº 17 (Simples Nacional), além dos mesmos argumentos acima, acusa o ato de não apontar um enquadramento legal específico, e, assim, não permitir saber com exatidão o motivo da exclusão, o que caracteriza cerceamento do direito de defesa. Com relação aos autos de infração, relata que entregou os livros fiscais requeridos; que, não estando de posse dos extratos bancários, só os obteve por intermédio da própria fiscalização; que deu as devidas explicações e esclarecimentos ao fisco e que apresentou cópias dos contratos com a Sanepar, Copel, Brasil Telecom, e Bradesco, mas que apesar de ter reiteradamente solicitado das referidas empresas que lhe fornecessem demonstrativos dos valores que recebeu, somente foi atendido pela Sanepar. Reclama que, sem efetuar qualquer diligência junto à Sanepar, Copel e Brasil Telecom ou Bradesco, a fiscalização encerrou as investigações, emitiu os atos de exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, e lavrou os autos de infração. Requer a nulidade dos autos de infração, ao argumento de que a empresa só poderia ser excluída do tratamento diferenciado a partir do exercício fiscal seguinte, preservando, assim, a segurança jurídica. Afirma que o lançamento concomitante à exclusão evidencia inobservância do efeito suspensivo, o que acarreta nulidade dos autos; sustenta que a exclusão do contribuinte do Simples Federal e do Simples Nacional não é definitiva e não pode produzir efeitos, dado que contestada pelo interessado, e, conseqüentemente, não pode ensejar cobrança de eventuais diferenças em virtude da mudança no sistema de tributação. Fl. 3172DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 6 5 Requer a nulidade dos autos de infração por falta de motivação e desrespeito à legalidade, posto que embasados em meros indícios, não tendo a autoridade fiscal se desincumbido de fazer prova dos fatos alegados; sustenta que a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é inadequada, por não haver correlação direta e segura entre depósitos bancários e omissão de receitas. Afirma que não houve individualização das movimentações bancárias, mas apenas exclusão dos débitos, sendo o relatório apresentado cópia integral de todos os créditos nas contas, ou seja, foi feita uma solicitação genérica de comprovação dos créditos, fugindo totalmente à exegese da Lei nº 9.430, de 1996. Acusa de inadequados os atos de exclusão, repetindo os argumentos das manifestações de inconformidade. Contesta o arbitramento, alegando que a fiscalização, ao considerar todo o montante da movimentação financeira na apuração do imposto, violou o dever de apurar a real receita bruta. Protesta pela dedução do PIS e da COFINS das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, e afirma não haver nos autos qualquer dispositivo a fundamentar o lançamento de Adicional do IR. Requer diligência para a expedição de ofícios às empresas Copel, Brasil Telecom, e Bradesco, para que informem a respeito dos valores pertencentes a essas empresas que transitaram por suas contas bancárias. Analisando a defesa apresentada, a DRJ julgoua parcialmente procedente, proferindo o Acórdão no 0639. 928, cuja ementa encontrase assim redigida: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES CONTESTADA. EFEITO SUSPENSIVO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Descabida a alegação de que a contestação apresentada aos atos de exclusão do contribuinte da sistemática simplificada suspende seus efeitos até julgamento definitivo da exclusão, porque inexiste previsão legal para tanto; e a alegação de cerceamento de defesa por terem sido cientificados os atos de exclusão na mesma data em que os autos de infração, se ao contribuinte foi dado direito de se defender, o que exerceu, e a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício fica suspensa pela apresentação de impugnação; e a alegação de cerceamento de defesa por deficiente capitulação legal, se em ambos os atos de exclusão consta o motivo como excesso de receitas no ano anterior e as correspondentes capitulações legais. Fl. 3173DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 7 6 DILIGÊNCIA. PRESCINDÍVEL. Indeferese o pedido de diligência, considerado prescindível, porque o contribuinte pretende transferir à autoridade administrativa o encargo de buscar provas de alegações que apresentou na impugnação, desacompanhadas de documentação. “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Data do fato gerador: 01/01/2007 OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO. RETROATIVA, POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior, prevendo a legislação a exclusão retroativa, não se aplicando ao caso o princípio da irretroatividade, que veda a possibilidade de uma lei aplicarse a fatos anteriores a sua publicação, pois a lei que deu base à exclusão já havia sido publicada em 1996. EXCESSO DE RECEITAS. DATA DA EXCLUSÃO. A exclusão de ofício, por falta de comunicação pelo contribuinte do excesso de receitas, é a partir do anocalendário seguinte ao ano em que o excesso se deu. Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 01/07/2007 OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO. RETROATIVA, POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples Nacional é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior, prevendo a legislação a exclusão retroativa, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, não se aplicando ao caso o princípio da irretroatividade, que veda a possibilidade de uma lei aplicarse a fatos anteriores a sua publicação, pois a lei do Simples Nacional foi publicada em 2006. EXCESSO DE RECEITAS. DATA DA EXCLUSÃO. A exclusão de ofício, por falta de comunicação pelo contribuinte do excesso de receitas, é a partir do anocalendário seguinte àquele em que o excesso ocorreu. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 LUCRO. ARBITRAMENTO. CONTABILIDADE. DEFICIÊNCIAS. Cabe arbitrar o lucro da pessoa jurídica excluída do Simples e do Simples Nacional, que não recompôs a contabilidade a fim de incluir a movimentação bancária, apesar de intimada, nem manifestou opção pelo lucro presumido. RECEITA BRUTA. Fl. 3174DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 8 7 A receita bruta conhecida do contribuinte cuja contabilidade não abrange todas as suas operações pode ser apurada por meio de presunção legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, mediante intimação individualizando os valores, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. LUCRO ARBITRADO. NÃO DEDUÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. A dedutibilidade de tributos e contribuições na determinação do lucro real, não se aplica ao lucro arbitrado. AUTO DE INFRAÇÃO. ADICIONAL DE IMPOSTO DE RENDA. BASE LEGAL. A alíquota do imposto de renda das pessoas jurídicas é de quinze por cento e a parcela do lucro real, presumido ou arbitrado, que exceder o valor resultante da multiplicação de vinte mil reais pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeitase à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento, conforme capitulação legal constante do auto de infração. RECOLHIMENTOS DE IMPOSTO E CONTRIBUIÇÕES. SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. Cabe excluir das exigências de ofício os valores de imposto e contribuições recolhidos, nas sistemáticas simplificadas, das quais o contribuinte foi excluído. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Em síntese, a DRJ rejeitou as alegações de nulidade, julgou improcedentes as manifestações de inconformidade contra os atos de exclusão, indeferiu o pedido de diligência, Fl. 3175DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 9 8 e julgou procedente em parte a impugnação aos autos de infração, para deduzir, dos valores exigidos de ofício, os valores que o contribuinte recolheu nas sistemáticas simplificadas, conforme demonstrado na planilha de págs. 30773086, mantendo, de resto, as exigências efetuadas. Cientificado desta decisão em 24.04.2013 (fls. 3124), e com ela inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 24.05.2013, fls. 31253154, no qual, em síntese, reprisa os argumentos expostos na inicial, e acrescenta ainda o pleito de nulidade dos autos de infração por indevida quebra de seu sigilo bancário sem autorização judicial, observando que o CARF deve submeterse, nos termos do artigo 62A, do seu Regimento Interno, ao quanto decidido pelo STF a respeito desta matéria. Na sessão de 7 de novembro de 2013, por meio da Resolução 1102000.220, o julgamento do recurso foi sobrestado em razão do § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, e da discussão pelo STF a respeito da possibilidade da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Com a revogação do citado dispositivo regimental, o processo retorna à pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Quebra do sigilo bancário Conforme relatado, tendo em vista a revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Regimento Interno do CARF, a despeito de o STF não ter ainda proferido decisão definitiva no processo paradigma de repercussão geral (RE 601.314), no qual se discute a legalidade da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, não há mais motivos para o sobrestamento do julgamento, que era um dos pleitos da recorrente, e que fora anteriormente acolhido por meio da Resolução 1102000.220. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a empresa foi intimada por diversas vezes a apresentar seus extratos bancários, tendo solicitado sucessivas prorrogações de prazo, sob a alegação de dificuldades na sua obtenção, as quais foram concedidas pela autoridade fiscal. Contudo, não tendo os mesmos sido apresentados, após as sucessivas prorrogações de prazo, foram os mesmos solicitados diretamente às instituições financeiras, por meio da expedição da competente Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). Alega a recorrente que somente com autorização judicial poderia o fisco ter obtido dados protegidos pelo sigilo bancário e utilizálos para efetuar lançamentos. Não Fl. 3176DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 10 9 havendo tal autorização, o lançamento seria nulo, por violação do seu direito constitucionalmente assegurado, nos termos de jurisprudência que cita. Não lhe assiste razão. Em primeiro lugar, cediço que falece competência ao julgador administrativo para apreciar alegações de inconstitucionalidade, tarefa esta privativa do Poder Judiciário. A Lei Complementar 105/2001 expressamente revogou o art. 38, da Lei n° 4.595, de 1964, sobre o qual erigiuse a jurisprudência anterior, no sentido de que somente por meio de autorização judicial poderia a administração tributária obter acesso às informações bancárias dos contribuintes, e estabeleceu os procedimentos administrativos concernentes à requisição, acesso e uso daquelas informações, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independentemente de ordem judicial. Não se verificando (e tampouco tendo a recorrente indicado haver) qualquer falha com relação ao procedimento descrito na referida lei complementar e legislação correlata, devese concluir pela regularidade da obtenção dos extratos bancários diretamente das instituições financeiras, sendo despiscienda a autorização judicial para tanto. A jurisprudência do CARF é uníssona a este respeito, conforme se verifica nos precedentes a seguir colacionados: Acórdão 10195.488, relatora Sandra Faroni, sessão de 27 de abril de 2006: SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6o da Lei Complementar 105/2001). Acórdão 10323.632, relator Antonio Bezerra Neto, sessão de 17 de dezembro de 2008: QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. Acórdão 10517.212, relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, sessão de 17 de setembro de 2008: REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA SIGILO BANCÁRIO E SIGILO FISCAL Desatendidas as intimações e reintimações da fiscalização para apresentação dos extratos de movimentação bancário do contribuinte, podem esses ser diretamente requisitados à Instituição Financeira, sem que isto implique em Fl. 3177DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 11 10 quebra de sigilo bancário, nos termo da Lei complementar n°. 105/2001. As informações albergadas pelo sigilo bancário objeto de fiscalização sujeitamse, igualmente, ao sigilo fiscal. Acórdão 10809.692, relator Irineu Bianchi, sessão de 14 de agosto de 2008: SIGILO BANCÁRIO As informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. Acórdão CSRF/0400.456, relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, sessão de 13 de dezembro de 2006: SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Físico podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. Exclusão do Simples e do Simples Nacional Aduz a recorrente, em síntese, a nulidade do ato que a excluiu deste regime, em razão: (i) da impossibilidade de serem conferidos efeitos retroativos ao ato de exclusão, o que fere diversos princípios constitucionais; (ii) no desrespeito ao contraditório e ampla defesa, na medida em que só foi concedido o direito de recorrer do ato após este ter surtido seus efeitos; (iii) falta de motivação do ato, em razão de estar apoiado em meros indícios e presunções e da falta de análise dos documentos apresentados; (iv) falta de apontamento de um enquadramento legal específico. Não assiste razão à recorrente. Os efeitos do ato de exclusão das empresas do regime simplificado estão expressamente previstos em lei. No caso do Simples, considerandose a situação identificada pelo fisco (receita bruta auferida superior ao limite para permanência no sistema), pelo art. 15 da Lei no 9.317/1996, verbis: “Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°;” E, no caso do Simples Nacional, considerandose a situação identificada pelo fisco (receita bruta auferida no anocalendário imediatamente anterior superior ao limite para ingresso no sistema), nos termos da Lei Complementar no 123/2006 e legislação complementar, da qual se transcreve, em especial, o art. 6o da Resolução Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte CGSN nº 15 de 23.07.2007, verbis: Fl. 3178DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 12 11 “Art. 6º A exclusão das ME e das EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: VII a partir da data dos efeitos da opção pelo Simples Nacional, nas hipóteses previstas nos incisos XI e XII do art. 5º.” Portanto. sem qualquer procedência a reclamação contra os efeitos retroativos dos atos de exclusão. De igual modo, temse que o direito de defesa é exercido a partir da ciência do ato de exclusão, e não há nenhum cerceamento a este direito pelo fato de o contribuinte ser cientificado da exclusão de forma concomitante ao próprio auto de infração lavrado. A manifestação de inconformidade, tempestiva e regularmente interposta, por certo suspende os efeitos do ato, mas, de forma alguma, impede a autuação do fisco. E o direito de defesa contra os autos de infração lavrados se dá por meio de impugnação. Neste sentido, o CARF já pacificou esta questão, por meio da seguinte súmula: Súmula CARF nº 77 A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.” As alegações de falta de motivação e de enquadramento legal específico também carecem completamente de fundamento. Os atos de exclusão possuem todos os requisitos formais e materiais exigidos por lei. Encontramse devidamente fundamentados, e os enquadramentos legais aplicáveis estão neles referidos, permitindo o amplo exercício do direito de defesa da recorrente. A alegação de que os atos estariam apoiados em meros indícios e presunções, sem qualquer análise dos documentos apresentados, não corresponde ao que se constata nos autos, conforme a seguir será analisado. Depósitos bancários e arbitramento do lucro Conforme relatado, a autuação amparouse na constatação de omissão de receitas, a partir da falta de comprovação da origem dos valores creditados nas contas bancárias da fiscalizada. Alega a recorrente que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda, mas meros indícios, e que a fiscalização não se desimcumbiu do seu ônus de prova. Não lhe assiste razão. A norma que fundamentou o lançamento fiscal por omissão de receitas é o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que estabeleceu uma presunção legal específica, e cujo caput está assim redigido: Fl. 3179DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 13 12 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesta nova realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, isoladamente considerada, mas sim pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados. Ou seja, há uma correlação lógica estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com um depósito bancário sem demonstração de sua origem) e o fato desconhecido (auferir rendimentos), e é esta correlação que dá fundamento à presunção legal em comento, de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos. Tratase, como é cediço, de presunção legal relativa, i.e., que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente, em face da inversão do ônus probatório. Ao Fisco cabe apenas provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção. Regularmente intimada a comprovar os valores dos créditos bancários (devidamente individualizados e já expurgados dos créditos identificados pelo fisco como não sendo representativos de recursos novos), após a concessão de um prazo inicial de vinte dias, a recorrente solicitou quatro pedidos de dilação de prazo, cada um pelo período de 30 dias, sendo que os mesmos foram concedidos pela fiscalização para que a empresa pudesse obter os documentos necessários. Contudo, apenas com relação aos créditos que alegava serem oriundos do recebimento das contas de consumo de água da Sanepar logrou a empresa comprovar ao fisco as suas alegações. Já com relação aos créditos que alegava serem relativos a valores pertencentes a outras empresas (Copel, Brasil Telecom, e Bradesco), que teriam transitado por suas contas bancárias, a despeito das sucessivas dilações de prazo, não logrou a recorrente produzir qualquer prova que corroborasse suas alegações. Intimado a identificar em quais contas bancárias teriam ocorrido, e a identificar quais recebimentos seriam referentes aos convênios e contratos mantidos com Copel, Brasil Telecom e Bradesco, respondeu o contribuinte (fls. 1797): “3.1. Os valores recebidos referentes às contas de Luz e Telefone não eram creditados em uma conta corrente especifica, já os valores líquidos recebidos pelos serviço prestados não eram depositados em conta corrente e sim descontados no momento em que fazíamos o repasse às empresas. 3.2. No que se refere ao convênio celebrado com o Banco Bradesco, os valores oriundos de prestação de serviço de correspondente bancário, estão identificados no extrato entregue pelo fiscal Luiz Roberto Fukasawa. no dia 05/04/2012. Já os recebimentos de clientes como correspondente bancário, não foi possível identificálos, uma vez que os mesmos eram creditados com outros valores nas contas citadas no item 3.1. 3.3. Não é possível atender a solicitação deste item, pois como já mencionamos acima, os créditos eram feitos de forma aleatória nas referidas contas, Fl. 3180DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 14 13 e como já explicitado anteriormente, os pedidos de demonstrativos dos valores repassados pelas empresas conveniadas (Copel, Sanepar, Telepar) não foram respondidos, apesar de reiterados pedidos.” Portanto, foi a recorrente quem não se desimcumbiu do seu ônus probatório. A fiscalização seguiu rigorosamente as prescrições legais do art. 42 da Lei no 9.430/1996. O pedido da recorrente para que fosse efetuada diligência fiscal junto à Sanepar, Copel e Brasil Telecom ou Bradesco não deve ser acolhido. Diligências não se destinam a suprir deficiências na prova que incumbe à parte interessada produzir. Tendo sido cabalmente demonstrada pelo fisco a impossibilidade de permanência da empresa no Simples e no Simples Nacional, foram expedidos os atos de sua exclusão destes regimes, e, passo seguinte, o fisco intimou a empresa a declinar, sendo do seu interesse, a sua opção pela tributação com base no lucro real (para o período de janeiro a junho de 2007), desde que recompusesse sua contabilidade e incluísse toda a movimentação financeira, ou a sua opção até mesmo pela tributação com base no lucro presumido (para o período de julho de 2007 em diante), nos termos da faculdade conferida pelo art. 32, § 2°, da Lei Complementar 123/2006. Findo o prazo, não tendo a empresa procedido conforme sugerido, nem sequer manifestado qualquer intenção de opção pelo lucro presumido no período posterior a junho de 2007, restou à fiscalização tão somente o recurso ao arbitramento do lucro, com relação a todo o período compreendido na ação fiscal. Absolutamente regular, portanto, o procedimento do fisco. Pelo exposto, restam afastadas as seguintes alegações de nulidade relativas aos autos de infração, as quais, em grande parte, são também reproduções das alegações de nulidade relativas aos atos de exclusão da empresa dos regimes simplificados, já afastadas por este voto: nulidade dos autos de infração, ao argumento de que a empresa só poderia ser excluída do tratamento diferenciado a partir do exercício fiscal seguinte, preservando, assim, a segurança jurídica; nulidade dos autos de infração, em face de sua lavratura concomitante à exclusão, desrespeitando o efeito suspensivo da contestação ao ato de exclusão; nulidade dos autos de infração, por falta de motivação e desrespeito à legalidade, posto que embasados em meros indícios, não tendo a autoridade fiscal se desincumbido de fazer prova dos fatos alegados; Adicional do imposto de renda Alega a recorrente não haver nos autos qualquer dispositivo a fundamentar o lançamento de adicional do imposto de renda. Fl. 3181DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 15 14 Entretanto, tal alegação já foi adequadamente enfrentada e refutada pela decisão recorrida: a base legal consta às fls. 2.677 e 2.678, relativas ao auto de infração do IRPJ, onde está referido o art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Dedução do PIS e da COFINS das bases de cálculo do IRPJ e CSLL Protesta a recorrente pela dedução do PIS e da COFINS lançados de ofício das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Contudo, inexiste qualquer previsão legal neste sentido. Tratandose do lucro arbitrado, os percentuais previstos em lei devem se fazer incidir sobre a receita bruta, assim entendida aquela definida no art. 224 do RIR/99, que possui a seguinte redação: “Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único).” Os impostos “não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário”, pela própria redação do dispositivo, compreendem, por exemplo, na legislação federal, o IPI, e na legislação estadual, o ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, mas não incluem o PIS e a COFINS incidentes sobre as vendas. De se ressaltar, ainda, que este mesmo conceito de receita bruta foi também adotado pela legislação da CSLL, a teor do disposto no art. 20 da Lei nº 9.249/95. Inexiste, portanto, previsão legal para a dedução do PIS e da COFINS lançados de ofício das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, no âmbito do lucro arbitrado. Conclusão Pelo exposto, afasto as alegações de nulidade dos Atos Declaratórios Executivos que excluíram a empresa dos regimes do Simples e do Simples Nacional, bem como dos autos de infração decorrentes, indefiro o pedido de diligência, e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Fl. 3182DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10950.722904/201256 Acórdão n.º 1102001.304 S1C1T2 Fl. 16 15 João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 3183DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10580.732816/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007, 2008
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RECEITAS. PROCEDÊNCIA.
Ausentes elementos capazes de elidir a imputação feita pela autoridade fiscal, há que se manter os lançamentos tributários fundados em ausência de oferecimento à tributação de receitas auferidas no período objeto da auditoria.
MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. CABIMENTO.
A ausência de oferecimento à tributação, em períodos sucessivos, de receitas comprovadamente auferidas, autoriza a qualificação da penalidade, eis que, nesse caso, a conduta reflete a intenção deliberada do contribuinte de evitar a incidência dos tributos e contribuições devidos, afastando-se, assim, a possibilidade da ocorrência de simples erro no cumprimento da obrigação tributária principal.
Numero da decisão: 1301-001.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, que reduziam a multa de oficio para o percentual de 75%.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2007, 2008 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. PROCEDÊNCIA. Ausentes elementos capazes de elidir a imputação feita pela autoridade fiscal, há que se manter os lançamentos tributários fundados em ausência de oferecimento à tributação de receitas auferidas no período objeto da auditoria. MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. CABIMENTO. A ausência de oferecimento à tributação, em períodos sucessivos, de receitas comprovadamente auferidas, autoriza a qualificação da penalidade, eis que, nesse caso, a conduta reflete a intenção deliberada do contribuinte de evitar a incidência dos tributos e contribuições devidos, afastando-se, assim, a possibilidade da ocorrência de simples erro no cumprimento da obrigação tributária principal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10580.732816/2010-56
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5445954
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.743
nome_arquivo_s : Decisao_10580732816201056.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 10580732816201056_5445954.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, que reduziam a multa de oficio para o percentual de 75%. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
id : 5874314
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702507356160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2215; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 3.204 1 3.203 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.732816/201056 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.743 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2015 Matéria SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente ARTCLIM COMÉRCIO DE PRODUTOS HOSPITALARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007, 2008 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. PROCEDÊNCIA. Ausentes elementos capazes de elidir a imputação feita pela autoridade fiscal, há que se manter os lançamentos tributários fundados em ausência de oferecimento à tributação de receitas auferidas no período objeto da auditoria. MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. CABIMENTO. A ausência de oferecimento à tributação, em períodos sucessivos, de receitas comprovadamente auferidas, autoriza a qualificação da penalidade, eis que, nesse caso, a conduta reflete a intenção deliberada do contribuinte de evitar a incidência dos tributos e contribuições devidos, afastandose, assim, a possibilidade da ocorrência de simples erro no cumprimento da obrigação tributária principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, que reduziam a multa de oficio para o percentual de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 28 16 /2 01 0- 56 Fl. 3204DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.732816/201056 Acórdão n.º 1301001.743 S1C3T1 Fl. 3.205 2 “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 3205DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.732816/201056 Acórdão n.º 1301001.743 S1C3T1 Fl. 3.206 3 Relatório Trata o presente processo de exigências formalizadas no âmbito do SIMPLES FEDERAL, relativas ao período de janeiro de 2006 a junho de 2007, tendo sido aplicadas multas de ofício nos percentuais de 75% e 150%. Por bem sintetizar os fatos apurados e as razões de defesa trazidas pela contribuinte em sede de impugnação, sirvome de fragmentos do relatório constante na decisão de primeira instância. [...] Autuação correspondente aos períodos de apuração (PA) compreendidos de 01/2006 a 06/2007 foi motivada por: (001) Omissão de Receitas – Receitas escrituradas e não declaradas na DSPJ; (002) Omissão de Receitas – Venda de mercadorias – Notas fiscais não contabilizadas; (003) Omissão de Receita – Depósitos bancários de origem/natureza não comprovados e (004) Insuficiência de Recolhimento – utilização de alíquota inferior à devida. No período fiscalizado o Fisco apurou que a interessada auferiu receita bruta no montante de R$ 2.507.384,05, tendo declarado apenas o valor de R$ 93.493,44. Os demonstrativos das receitas não oferecidas a tributação se encontram às fls. 90/124, relacionando, inclusive, documentos fiscais e depósitos bancários pertinentes. Os demais detalhes do procedimento constam do Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 83/89, parte integrante dos autos de infração, merecendo destaque os trechos mencionados a seguir: A fiscalização foi iniciada em 30/12/2009, através do Termo de Inicio de Fiscalização, anexo, em que foi solicitado, dentre outros elementos, os extratos bancários do período da fiscalização, Livro Diário e Razão e Planilha com a formação da Base de Cálculo dos tributos. Em 08/04/2010 foi lavrado Termo de Intimação Fiscal para que o contribuinte justificasse a mudança no regime de apuração dos tributos do SIMPLES para o Lucro Real no anocalendário 2006. Foi também informado que tinha sido requisitada as RMF ao Banco do Brasil e Bradesco, tendo em vista a não apresentação dos extratos no prazo previsto no Termo de Reintimação. O contribuinte não justificou por escrito, mas através de contato telefônico com o contador o Sr. Adson Santos Passos, constatei que houve um equívoco quanto à interpretação da norma que determinava que os contribuintes do Simples no ano calendário seguinte, 2007, só estariam no Sistema até junho de 2007. O contribuinte antecipou em um ano o procedimento que só deveria ser feito a partir de junho/2007. Ressalto que a saída do Simples por opção do contribuinte só pode ser feita a partir do anocalendário seguinte e esta solicitação tem que ser manifestada à Receita Federal do Brasil, conforme prevê o art. 194, inciso I, parágrafo primeiro, combinado com o art. 196, inciso I, do RIR/99. Fl. 3206DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.732816/201056 Acórdão n.º 1301001.743 S1C3T1 Fl. 3.207 4 Ressalto ainda que no extrato do CNPJ – Relação de Declarações, anexo, consta a informação que o contribuinte entregou DIPJSimples em 2007, ano calendário 2006, e em 2008, anocalendário 2007. As cópias das declarações estão anexas. As DCTF apresentadas pelo contribuinte nos anoscalendário 2006 e até junho de 2007, devem ser desconsideradas, tendo em vista que ele estava enquadrado no SIMPLES. Os valores por ventura (sic) recolhidos com códigos de outros tributos poderão ser objeto de pedido de PERDCOMP. Em 31/05/2010 foi lavrado novo Termo de Intimação Fiscal intimando o contribuinte a apresentar, dentre outros elementos, relação de bens móveis e imóveis. O contribuinte respondeu em 08/06/2010, através do documento datado de 04/06/2010, a relação solicitada no Termo, acompanhada de alguns elementos que a embasavam. Após o recebimento dos arquivos dos extratos bancários em papel e meio magnético do Banco do Brasil e do Bradesco, elaborei Planilhas com os valores depositados a crédito em cada uma das contas bancárias. Em 02/08/2010, lavramos Termo de Intimação Fiscal, anexo, para que o contribuinte apresentasse documentos capazes de comprovar a origem e a natureza de cada um dos depósitos/créditos nas contas bancárias elencadas no citado Termo, cujas Planilhas foram encaminhadas anexas. O contribuinte respondeu através do documento recebido em 20/08/2010, datado de 19/08/2010, em que justifica que a origem e natureza dos depósitos/créditos eram decorrentes das Notas Fiscais emitidas. Apresentou então 448 notas fiscais emitidas em 2006 e 653 notas fiscais emitidas em 2007. Em 08/09/2010 foi lavrado Termo de Constatação e Intimação Fiscal, anexo, onde ficou constatado que a documentação apresentada para justificar os depósitos bancários, não coincidia em datas e valores com aqueles individualizados nos créditos/depósitos constantes das Planilhas elaboradas pela Fiscalização e encaminhadas ao contribuinte. Foi concedido um prazo de 05 (cinco) dias úteis para que o contribuinte fizesse a vinculação dos documentos apresentados a cada um dos valores constantes no Demonstrativo encaminhado pela Fiscalização, de modo a permitir a perfeita identificação entre eles. Em 09/09/2009 foi lavrado Termo de Devolução de Documentos, em que as Notas Fiscais foram devolvidas para que o contribuinte atendesse ao Termo citado acima. Em 01/10/2010 o contribuinte apresentou o documento datado de 30/09/2010, onde informa estar apresentando Planilhas onde os valores dos créditos/depósitos estão individualizados e informados com as correspondentes Notas Fiscais. Informa que os valores não localizados na Planilha são devido a multa aplicada pelos atrasos nas entregas de materiais aos Clientes e que a documentação restante para comprovação seria apresentada posteriormente. Que os depósitos/créditos da Planilha do Banco do Brasil eram decorrentes de transferências do Bradesco. Que existiam valores em janeiro, fevereiro e março que correspondiam a resgate de aplicação financeira e que o valor de R$ 110.000,00 foi resultado de um empréstimo do DESENBAHIA para capital de giro. O contribuinte também apresentou extratos Fl. 3207DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.732816/201056 Acórdão n.º 1301001.743 S1C3T1 Fl. 3.208 5 da conta 57.2403, agência 30724, do Bradesco para comprovar os depósitos feitos pela UFBA na compra de remédios para o Hospital Prof. Edgard Santos. Solicitei ao contribuinte que retornasse com as notas fiscais para facilitar a verificação das operações e o contribuinte atendeu e apresentou as notas fiscais do período de janeiro/2006 a junho/2007. Em 27/10/2010 foi lavrado novo Termo de Intimação Fiscal, intimando o contribuinte a apresentar os demais documentos que ainda não tinham sido apresentados para justificar a movimentação financeira e os valores ainda não localizados na Planilha, tendo em vista que no documento apresentado, datado de 30/09/2010, a empresa tinha informado que ainda faltavam documentos a apresentar e que estavam aguardando de clientes. Até o presente momento, o contribuinte não apresentou os documentos que alegou estarem faltando apresentar para justificar o restante da movimentação financeira e valores não localizados na Planilha. Da análise dos documentos apresentados, verifiquei que a maior parte dos depósitos/créditos tinham como origem e natureza, pagamentos efetuados pelo Estado da Bahia para a aquisição de medicamentos para diversos hospitais do Estado. A relação dos pagamentos de 2006 e de 2007 foram impressas do sistema SEFAZ/SICOF na Internet e estão anexas. A maior parte dos recebimentos das vendas de mercadorias foram efetuados através da conta 57.2403, agência 30724 do Bradesco. O contribuinte também apresentou Planilhas de 2006 e de 2007 em que faz a vinculação dos depósitos/créditos com as notas fiscais emitidas pela empresa. De posse das relações SICOF e Planilhas apresentadas pelo contribuinte, foi feita a análise das vendas de mercadorias que estavam na relação SICOF e nos pagamentos da UFBA, e verificado a correspondente contabilização na conta "Receita S/Vendas9.1.1.01.001", do livro Razão. O Resultado desta apuração está na Planilha elaborada pela Fiscalização "COMPROVAÇÃO DE VENDA DE MERCADORIAS APÓS RESPOSTA DO CONTRIBUINTE COM A APRESENTAÇÃO DE RELAÇÃO DE PAGAMENTOS DO SICOFSEFAZ/UFBA", que está anexada como última Planilha da Infração 002 do Auto de infração. Como pode ser verificado na Planilha, as duas últimas colunas se referem ao mês em que a Venda foi contabilizada e ao status da comprovação. Os créditos onde consta a informação de "OK" foram expurgados e não são objeto de cobrança neste Auto de Infração. Ressalto que as Planilhas foram elaboradas por conta bancária e que no ano calendário de 2006 a maior parte dos depósitos/créditos foram expurgados da Planilha por estarem na relação SICOF e contabilizados nas conta "Receita S/Venda9.1.1.01.001", do Livro Razão, enquanto no período de janeiro a junho de 2007, a maior parte destes valores apesar de estarem na relação SICOF, não foram contabilizados. (grifo do Relator) Após o expurgo dos valores comprovados e contabilizados, os valores das vendas de mercadorias ao Estado da Bahia e a UFBA que não foram contabilizados estão apurados como Omissão de Receitas na Planilha "APURAÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITA POR VENDA DE MERCADORIA, CONFORME SICOF/UFBA, NÃO CONTABILIZADAS INFRAÇÃO 002 DO AUTO", anexa. Fl. 3208DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.732816/201056 Acórdão n.º 1301001.743 S1C3T1 Fl. 3.209 6 Da análise das Notas Fiscais apresentadas de 2006 e de 2007, constatei que algumas Notas Fiscais emitidas pela empresa não estavam contabilizadas nas contas "Receita S/Vendas9.1.1.01.001", do Livro Razão e foi elaborado então a Planilha "APURAÇÃO DA OMISSÃO RECEITA POR NOTAS FISCAIS APRESENTADAS E NÃO CONTABILIZADAS INFRAÇÃO 002 DO AUTO". As diversas Planilhas de apuração de Omissão de Receita pela venda de mercadorias não contabilizadas, elaboradas por conta bancária, foram consolidadas na Planilha "CONSOLIDAÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITA VENDA MERCADORIAS NOTAS FISCAIS NÃO CONTABILIZADAS INFRAÇÃO 002 DO AUTO", que é a primeira Planilha da Infração 002. Os valores dos depósitos/créditos cuja origem e natureza não foram comprovados, pois não estavam nas relações do SICOF ou UFBA, estão apurados na Planilha "APURAÇÃO DA CONSOLIDAÇÃO DO DEPÓSITO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA INFRAÇÃO 003 DO AUTO)", que é a consolidação dos valores apurados em cada conta bancária. Foi constatado ainda que os valores declarados nas DIPJSimples de 2007 e de 2008 eram muito inferiores aos valores contabilizados no Livro Razão, a título de Venda de Mercadorias. Elaborei a Planilha "APURAÇÃO DAS RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS INFRAÇÃO 001 DO AUTO), para apurar o valor contabilizado no Livro Razão, na conta "Receita S/Venda9.1.1.01.001" e que o contribuinte não declarou nas DIPJSI para a Receita Federal. Ressalto que nas DME apresentadas à SEFAZ/BA, anexas, o valor anual de Receita da Venda de Mercadoria foi muito superior aos valores informados nas DIPJSI à Receita Federal.” (grifo do Relator) Tendo em vista que o contribuinte auferiu receita da venda de mercadorias nos anoscalendário 2006 e 2007, como pode ser verificado em seus livros contábeis e demonstrado nas Planilhas elaboradas pela Fiscalização, e que apresentou as DIPJSI de 2007 e de 2008, anoscalendário 2006 e 2007, respectivamente, com os valores reduzidos ou zerados, e ainda que foi constatado a não contabilização de Notas Fiscais de Venda de Mercadorias emitidas pela empresa com o intuito de que a autoridade tributária não tivesse conhecimento dos elementos que formam às bases de cálculo dos tributos, o mesmo incorreu, em tese, em crime contra ordem tributária, previsto nos arts. 1o, incisos I e II, e 2º, inciso I, da Lei n° 8.137/90. Será feita Representação Fiscal para Fins Penais com base nos citados artigos, abaixo parcialmente transcritos. Nesta condição, a multa será qualificada para 150%, de acordo com o previsto no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, combinado com o art. 71 da Lei n° 4.502/64, e a partir de 01/01/2007, com a nova redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007, todos abaixo parcialmente transcritos:” [...]. (Os grifos são do Relator) A fiscalização foi concluída em 15/12/2010, com a ciência dos autos de infração através de AR (fl. 944), tendo havido, como reflexo da autuação, Representação Fiscal Contra a Ordem Tributária, processo nº 10580.733293/201065. Em 12/01/2011, a contribuinte apresentou impugnação parcial contra os autos de infração (fls. 947/950), em relação aos fatos resumidos a seguir: Que a duplicação da multa de ofício (para 150%) seria indevida, pois não houvera omissão de receitas, eis que de janeiro a junho de 2006 declarou pelo Simples, e desde julho de 2006 pelo regime do Lucro Real, havendo recolhimento de Cofins, PIS, IRPJ e CSLL e entregas de DACON e de DCTF. Mas, quando foi tirar certidão negativa notou que havia uma pendência de multa por não entrega da DSPJ Fl. 3209DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.732816/201056 Acórdão n.º 1301001.743 S1C3T1 Fl. 3.210 7 Simples do período jul/dez/2007, em relação ao qual recolhera os tributos devidos pelo regime do lucro real. Como já havia entregue a DIPJ/Lucro Real do período jul/dez/2007 e precisava da certidão negativa para participar de licitação no Estado, acabou entregando uma DSPJSimples daquele período zerada, pagando a multa no valor de R$ 3.352,43. Portanto não houve omissão de receita, dado que os impostos foram pagos com base no lucro real, pelo valor do faturamento total, planilha anexa. Em relação à infração 002, não existiu omissão da receita, e também as notas fiscais foram devidamente contabilizadas individualizadas nota por nota a débito de cliente a receber, conta contábil nº 1.3.1.01. Cliente por cliente contra partida a crédito no total somada por cliente na conta contábil nº 9.1.1.01001. Receitas sobre vendas, valores lançados a crédito no total conforme relação elaborada na defesa. Requer, portanto, a impugnação da multa de 150% incidente sobre os valores dos anos de 2006 e 2007. Em relação à Infração 003 Apuração da consolidação do depósito de origem não comprovada, informa que irá atualizar e pedir parcelamento do débito. Em relação à Infração 001 Apuração das receitas escrituradas e não declaradas. De janeiro à junho de 2006, recolheu pelo regime do Simples, e a partir de julho a dezembro de 2006, pelo lucro real com os pagamentos do PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Por isso, entrará com pedido de compensação, mas as receitas originadas de venda de mercadorias foram devidamente contabilizadas, razão pela qual solicita cancelamento da multa de 150%. (fala de apuração de valores para parcelamento em sessenta parcelas). Apuração de omissão e origem não comprovada após comprovação de valores apresentados. AC/2006: O valor de R$ 12.555,41 seria de notas fiscais emitidas em 12/2005 e só recebidas no 2º semestre de 2006, ficando no resto a pagar do Estado. AC/2007: o valor de R$ 10.275,08 seria de notas fiscais emitidas em 12/2006 e só recebidas no 1º trimestre de 2007, ficando no resto a pagar do Estado. Apuração de omissão da receita por notas fiscais apresentadas e não contabilizadas. AC/2006 (R$29.226,16) e AC/2007 (R$ 351.928,04). Requer, portanto, que seja impugnado parcialmente os valores de 2006 e 2007 por não ter havido omissão de receita e tão pouco não contabilização, razão pela qual pede a impugnação da multa de 150%. Em relação à planilha da conta 27.2403. Apuração da omissão de receita por venda de mercadorias não contabilizadas AC/2006 (R$ 324.610,97) e AC/2007 (R$ 1.012.661,78), requer que sejam impugnados e cancelados parcialmente os valores de 2006 e 2007 por não ter havido omissão de receita já que os valores foram contabilizados, inclusive, a parte de 2006 já foi paga, conforme DarfSimples anexo. Assim, requer o cancelamento da multa de 150% ficando claro que não adotara práticas visando impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria principal sua natureza ou circunstâncias materiais, pois todas as notas fiscais emitidas no período fiscalizado foram contabilizadas. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, apreciando as razões trazidas na defesa interposta, decidiu, por meio do acórdão nº 15 27.759 de 19 de julho de 2011, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: Fl. 3210DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.732816/201056 Acórdão n.º 1301001.743 S1C3T1 Fl. 3.211 8 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configuram omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS NÃO CONTABILIZADAS. Configuram omissão de receitas os valores provenientes da venda de mercadorias mantidos à margem da contabilidade e não declarados na Declaração Anual Simplificada da Pessoa Jurídica. RECEITAS ESCRITURADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. São passiveis de lançamento de ofício as receitas escrituradas e não declaradas na Declaração Anual Simplificada da Pessoa Jurídica. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Correta a aplicação da multa proporcional qualificada nos casos em que se verifica evidente intuito de sonegação fiscal, caracterizado pela redução deliberada da base de cálculo dos tributos devidos em todos os períodos de apuração fiscalizados. OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO VOLUNTÁRIA. A opção pelo Simples é definitiva para todo o anocalendário e será efetuada mediante alteração cadastral efetivada até o último dia útil do mês de janeiro do ano calendário da opção. A exclusão do Simples, por comunicação da contribuinte, será realizada mediante alteração cadastral por meio da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica, e surtirá efeito a partir do anocalendário subseqüente. Inconformada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 1.788/1.799, por meio do qual sustenta: a inocorrência de omissão de receitas; a violação ao princípio de vedação ao confisco na aplicação da multa qualificada; a total contabilização das notas fiscais; a improcedência da afirmação de que depósitos bancários não tiveram a origem comprovada. É o Relatório. Fl. 3211DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.732816/201056 Acórdão n.º 1301001.743 S1C3T1 Fl. 3.212 9 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte alcançou o período de janeiro de 2006 a junho de 2007, e resultou na formalização de exigências no âmbito do SIMPLES. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 83/89, foram imputadas à contribuinte autuada as seguintes infrações: i) alteração do regime de tributação no curso do ano calendário de 2006 (SIMPLES para LUCRO REAL), sem observância da legislação de regência; ii) omissão de receitas apurada a partir do confronto entre a escrituração e as declarações apresentadas (foi aplicada multa qualificada de 150%); iii) omissão de receitas decorrente de notas fiscais não contabilizadas (foi aplicada multa qualificada de 150%); e iv) omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Em sede de primeira instância, os lançamentos tributários foram integralmente mantidos. Aprecio, pois, os argumentos trazidos por meio do recurso voluntário interposto. MULTA DE OFÍCIO COM EFEITO CONFISCATÓRIO No que diz respeito às considerações da Recorrente acerca de um suposto caráter confiscatório na aplicação da multa qualificada de 150%, cumpre apenas registrar que elas, as considerações, devem ser direcionadas ao Poder Judiciário, eis que a autoridade administrativa encontrase impedida de afastar a aplicação de lei com base em uma alegada inconstitucionalidade. Esta corte administrativa, inclusive, em virtude de reiteradas decisões no mesmo sentido, editou a súmula nº 2, nos termos abaixo transcritos. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Cabe destacar que, em conformidade com o disposto no art. 72 do Regime Interno (ANEXO II), as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 3212DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.732816/201056 Acórdão n.º 1301001.743 S1C3T1 Fl. 3.213 10 OMISSÃO DE RECEITAS Alega a Recorrente que são infundados os argumentos utilizados pela autoridade fiscal para lhe acusar de ter omitido receitas, vez que houve contabilização de notas fiscais, até porque a maioria das suas vendas tem como destino o governo do estado da Bahia. Informa que anexa aos autos cópia de notas fiscais e documentos que comprovam sua situação regular perante o Fisco, neles incluídos os que comprovam a origem dos depósitos bancários. Diz que não se pode falar em “sonegar”, já que apresenta toda a documentação necessária à comprovação da origem dos seus depósitos. As receitas tidas como omitidas pela autoridade autuante são as que se encontram demonstradas nas planilhas de fls. 90/93 e 125. A infração 001 do auto de infração, cuja demonstração está espelhada na planilha de fls. 90, decorreu da constatação de que a Recorrente escriturou receitas porém não as declarou ao Fisco. A infração 002 do auto de infração, cuja demonstração está espelhada nas planilhas de fls. 91/93, decorreu da constatação da existência de notas fiscais não contabilizadas. A infração 003 do auto de infração, cuja demonstração está espelhada na planilha de fls. 125, decorreu da constatação da existência de depósitos bancários cuja origem não restou comprovada. Primeiramente cabe ressaltar que, ao contrário do que parece ter entendido a Recorrente, a Fiscalização constatou que, de fato, inúmeras notas fiscais emitidas foram contabilizadas. A não contabilização de notas fiscais encontrase refletida unicamente na infração de número 2 do auto de infração, que se encontra demonstrada nas planilhas de fls. 90/91. Relativamente a tal questão, resta assinalado no Termo de Verificação Fiscal: [...] De posse das relações SICOF e Planilhas apresentadas pelo contribuinte, foi feita a análise das vendas de mercadorias que estavam na relação SICOF e nos pagamentos da UFBA, e verificado a correspondente contabilização na conta “Receita S/Vendas – 9.1.1.01.001” do livro Razão. O Resultado desta apuração está na planilha elaborada pela Fiscalização “COMPROVAÇÃO DE VENDA DE MERCADORIAS APÓS RESPOSTA DO CONTRIBUINTE COM A APRESENTAÇÃO DE RELAÇÃO DE PAGAMENTOS DO SICOFSEFAZ/ UFBA”, que está anexada como última Planilha da Infração 002 do Auto de Infração. Como pode ser verificado na Planilha, as duas últimas colunas se referem ao mês em que a Venda foi contabilizada e ao status da comprovação. Os créditos onde consta a informação de “OK” foram expurgados e não são objeto de cobrança neste Auto de Infração. De qualquer forma, contabilizada ou não, o que a Recorrente deveria ter buscado comprovar é que as receitas tidas como omitidas por parte da Fiscalização foram efetivamente oferecidas à tributação. No mais, a Recorrente limitase a alegar que não omitiu receitas e, para comprovar tal assertiva, junta os seguintes documentos: relação de recebimentos dos hospitais Fl. 3213DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.732816/201056 Acórdão n.º 1301001.743 S1C3T1 Fl. 3.214 11 do Governo do estado da Bahia (fls. 1.809/1.920 e 2.028/2.568); extratos bancários (fls. 1.921/2.027); cópia de notas fiscais emitidas para os hospitais do Governo do estado da Bahia (fls. 2.570/3.091); e conciliação bancária (fls. 3.096/3.186). Referida documentação, desacompanhada de demonstrativos que possibilitem vincular os valores autuados com os elementos carreados ao processo em nada contribui para elidir a tributação promovida de ofício. Quanto à referida documentação, inclusive, não identifico qualquer elemento indicador do oferecimento à tributação dos valores nela referenciados. Inúmeras foram as constatações feitas pela autoridade lançadora e pela autoridade julgadora que sequer foram tangenciadas pela peça de defesa. Nesse sentido, merecem destaque os seguintes fatos: a) mudança de regime de tributação no curso do ano calendário, sem amparo na legislação de regência; e b) os valores declarados nas DIPJ – SIMPLES em 2007 e 2008 revelaramse significativamente inferiores aos contabilizados no Livro Razão (a declaração relativa ao ano de 2006 foi originalmente apresentada com os valores zerados, tendo sido retificada para consignar, para o período de janeiro a junho, receita bruta total de R$ 93.493,44, e zerada para o período de julho a dezembro fls. 1.767/1.769). No que diz respeito à qualificação da penalidade, a contribuinte simplesmente alega que não cometeu sonegação. Por entender que os fundamentos neles esposados justificam a manutenção da exasperação da penalidade, reproduzo fragmentos do pronunciamento feito em primeira instância acerca da matéria em questão. [...] Verificase no período fiscalizado, de janeiro/2006 a junho/2007, que o Fisco apurou receita bruta no valor de R$ 2.507.384,05, enquanto que na DSPJSimples do AC/2006 a contribuinte declarou receita bruta no valor de R$ 93.493,44 (fl. 1767) até junho de 2006. De julho a dezembro de 2006, os PA estão zerados, como se não obtivesse auferido receita. A DSPJ dos PA de janeiro a junho de 2007 foi entregue toda zerada (fl. 1767). A contribuinte declarou ao fisco estadual receita de vendas de mercadorias em valores infinitamente superiores aos declarados ao fisco federal, nos AC/2006 e AC/2007, denotando o intuito de ocultar receita do Simples. Vejase o quadro abaixo, elaborado com base nas DME (Declaração do Movimento Econômico de ME e EPP) apresentadas à Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia (fls. 938/943) e nas DSPJSimples: VENDA DE MERCADORIAS DECLARADA NAS DME DOS ANOSCALENDÁRIO 2006 E 2007 RECEITA DECLARADA NA DSPJSIMPLES ANO/SEMESTRE VALOR (R$) VALOR (R$) 2006 1.045.819,16 93.493,44 1º SEMESTRE DE 2007 (A) 1.142.425,44 0,00 2º SEMESTRE DE 2007 (B) 946.842,07 0,00 TOTAL (A + B) 2.089.267,51 0,00 Fl. 3214DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.732816/201056 Acórdão n.º 1301001.743 S1C3T1 Fl. 3.215 12 A multa de lançamento de ofício qualificada, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicase às infrações praticadas com o evidente intuito de fraude ou sonegação fiscal, entre elas a prática contumaz de escriturar (ou não escriturar) e declarar a menor as receitas auferidas em períodos de apuração seguidos, como se deu no caso concreto. Esse tipo de ação denota o intuito de sonegação mediante redução da base de cálculo dos tributos devidos, e se enquadra exatamente no que estabelecem os arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Discutível seria o caso em que se estivesse ante uma ou outra operação isolada, envolvendo valor de pequena monta, não reincidente; neste caso, poderse ia concluir pela ocorrência de um erro eventual, de conotação meramente material, cabendo, aí sim, tributação sem a caracterização de qualquer intuito doloso. Mas este não é o caso, pois, como dito antes, a impugnante entregou as DIPJ dos anoscalendário de 2006 e 2007 (primeiro semestre), informando valores a menor da receita contabilizada, sem falar da receita não escriturada, em todos os meses daqueles anos. Assim, repisese, a omissão de receitas foi sistemática em todos os períodos de apuração fiscalizados, demonstrando o intuito deliberado de impedir o conhecimento por parte do Fisco Federal da ocorrência do fato gerador dos tributos devidos, denotando tal atitude consciente intuito de eximirse da obrigação tributária principal, na forma prevista nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, como sonegação fiscal. Diante das razões expostas, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 3215DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
