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Numero do processo: 10980.004990/2005-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2003, 2004
NORMAS PROCESSUAIS - INTEMPESTIVIDADE - 0 Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do
direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. 0 decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1.972).
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 3101-000.182
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recurso Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. _ Presidente 4101W LUIZ ROBER 0 DOM GO — Relator EDITADO EM 28/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, João Luiz Fregonazzi, Rodrigo Miranda, Vaidcto Aparecida Campolo Bcr& Susy Ho ffmann. Processo n° 10980.004990/2005-35 S3-C1T1 Acárcido n.° 3101-00.182 Fl. 74 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ — Porto Alegre/RS que julgou o lançamento procedente, em razão da apresentação extemporânea da DIF Papel Imune, referente aos 2° e 3° trimestres de 2003. • Cientificado do lançamento o Recorrente apresentou impugnação CM 01/07/2005, a qual lhe foi negado provimento pela DRJ-Porto Alegre/RS, conforme a ementa abaixo transcrita: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 e 2004 DIF-PAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DA APRESENTA 0 -0. A pessoa jurídica inscrita no registro especial referente ao papel imune, instituído pelo art. I° do Decreto-lei 1.593/1977, está obrigada a apresentar a DIF —Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Lançamento Procedente. Inconformado com a decisão do órgão julgador de primeira instância, da qual tomou conhecimento em 24/07/2007 (fls. 67), interpôs o Recorrente Recurso Voluntário, em 28/08/2007 (fls. 70), alegando em síntese que a empresa encontra-se inativa e que a responsabilidade pela possível falta de informação ao Fisco é do contador da empresa. E o Relatório. Voto Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO, Relator Preliminarmente é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. 0 artigo 56 da Lei n° 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que "das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito". Dai, conclui-se, que o sujeito passivo possui o direito de recorrer das decisões administrativas, proferidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois, somente assim, estará assegurado o seu direito h. ampla defesa, consagrado pela Constituição Federal e pelas normas infraconstitucionais. intempestivo. LUIZ ROISER140 ÓMINGO Processo if 10980.004990/2005-35 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.182 Fl. 75 Vislumbra-se que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obter-se um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de não ser mais possível apresentar Recurso Voluntário (art. 33, do Decreto n° 70.235/72). No caso em tela, a contribuinte foi intimada de modo regular em 24/07/2007 conforme Termo de Ciência (fls.67). 0 Recurso Voluntário, por sua vez, foi protocolizado em 28/08/2007. Ocorre que o prazo da Recorrente teve inicio em 25/07/2007, sendo que o trintidio recaíra em 23/08/2007. Logo, o presente recurso encontra-se intempestivo. Diante do exposto, não conheço do presente Recurso Voluntário, por ser 3
score : 1.0
Numero do processo: 13732.000054/2009-07
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
DECISÃO DA DRJ NÃO CONHECENDO DA IMPUGNAÇÃO POR PEREMPÇÃO. PEDIDO DE ADIAMENTO DE PRAZO. FORÇA MAIOR.
A interposição da impugnação após o prazo definido no art. 15 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção, visto tratar-se de prazo contínuo e preclusivo, não afetado por pedido de adiamento de prazo. Eventual alegação de dificuldades de deslocamento devido à força maior não prosperam na ausência de evidências de prejuízos concretos ao sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
(Assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello, Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Presidente em exercício), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson e Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado). Declarou-se impedido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 DECISÃO DA DRJ NÃO CONHECENDO DA IMPUGNAÇÃO POR PEREMPÇÃO. PEDIDO DE ADIAMENTO DE PRAZO. FORÇA MAIOR. A interposição da impugnação após o prazo definido no art. 15 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção, visto tratar-se de prazo contínuo e preclusivo, não afetado por pedido de adiamento de prazo. Eventual alegação de dificuldades de deslocamento devido à força maior não prosperam na ausência de evidências de prejuízos concretos ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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PEDIDO DE ADIAMENTO DE PRAZO. FORÇA MAIOR. A interposição da impugnação após o prazo definido no art. 15 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção, visto tratarse de prazo contínuo e preclusivo, não afetado por pedido de adiamento de prazo. Eventual alegação de dificuldades de deslocamento devido à força maior não prosperam na ausência de evidências de prejuízos concretos ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Declarouse impedido o Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). (Assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Presidente em exercício), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson e Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado). Declarouse impedido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 2. 00 00 54 /2 00 9- 07 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) – DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 10.758,01 relativo ao anocalendário 2005, dada a apuração de deduções indevidas com dependentes e despesas médicas, bem como omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuição à previdência privada. No relatório da decisão atacada consta assim descrito o teor da impugnação vertida pelo contribuinte: 1) o Interessado teria apresentado em 13/01/2009 pedido de prorrogação de prazo que teria sido recepcionado, por equívoco, pela funcionária da Agência da RFB em Itaperuna sem que o Contribuinte fosse alertado da viabilidade do ato; 2) apenas em 27/01/2009, o Impugnante foi cientificado da impropriedade do arquivamento do pedido de prorrogação de prazo; 3) em razão das fortes chuvas que assolaram a região em que reside nos meses de dezembro de 2008 a janeiro de 2009, o Interessado não pôde se deslocar às cidades dos prestadores de serviços médicos, visando complementar os recibos médicos com os dados solicitados. A instância de primeiro grau manteve o lançamento, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS. A defesa apresentada fora do prazo legal não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 13/6/2012, juntando documentos e aduzindo que: de 18/12/2008 a 13/2/2009 a região onde reside, bem como os profissionais médicos, esteve sob situação de emergência devido às cheias do Rio Carangola, conforme Decretos Municipais de nº 1.086/2008 e 1.089/2009, fato que o impediu de locomoverse; admite ter omitido a receita advinda da fonte pagadora BrasilPrev Seguros e Previdência no valor de R$ 5.100,00, e a exclusão da dependente Simone Vargas Monteiro. Não apresenta razões acerca da glosa de despesas médicas, pedindo ao final seja admitido o recurso, para julgar o mérito da impugnação. É o relatório. Voto Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13732.000054/200907 Acórdão n.º 2802003.370 S2TE02 Fl. 87 3 Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, cabe enfrentar questão prejudicial que diz respeito ao não conhecimento da impugnação do contribuinte pela instância de primeiro grau. A ciência da notificação deuse via postal em 12/12/2008 (fl. 40), em conformidade com a regra do art. 23, II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Em 13/1/2009, o notificado protocolizou documento pedindo prorrogação de mais trinta dias para entregar os comprovantes de despesas médicas, "devido ao grande feriado de fim de ano e as enchentes". Em 27/1/2009, foi, segundo seu relato, cientificado da "impropriedade do arquivamento do referido pedido". E, em 30/1/2009, peticionou postulando que a impugnação fosse aceita tempestivamente, devido às fortes chuvas que assolavam a região nos meses de dezembro de 2008 a janeiro de 2009, alegações que reitera, em linhas gerais, no recurso ora em apreciação. Sem razão o contribuinte. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência. De sua parte, o art. 5º desse Decreto estabelece que: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Os prazos processuais são, então, contínuos e preclusivos. Desse modo, cientificado da decisão recorrida em 12/12/2008, iniciouse o prazo de trinta dias para interpor o recurso voluntário na segundafeira seguinte, 15/12/2008, expirando em 14/1/2009 sem a apresentação da impugnação. Notese que o contribuinte não comprova que a repartição fazendária não tenha funcionado normalmente no período próximo ao termo final do prazo recursal, nem sequer assim o alega. Por sua vez, não prospera o argumento segundo o qual o fato de haver sido protocolizado pedido de adiamento poderia, por si só, impactar no transcurso do prazo de impugnação. Inexiste qualquer previsão legal para tanto, e, ao prosperar tal tese, seria sempre possível a um dado contribuinte, às vésperas do término de um determinado prazo, conseguir seu adiamento pela entrega de petição nesse sentido, o que causa arrepio às normas postas pelo legislador. Melhor sorte não favorece à alegação de que por causa das enchentes que assolaram o município no qual reside, ocorridas entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, teria sido prejudicado o seu deslocamento e eventual coleta de provas junto aos prestadores de serviço. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Ainda que se cogitasse da aplicação subsidiária do art. 183 do Código de Processo Civil, que preconiza a possibilidade excepcional de dilação do prazo pelo juiz, face à comprovação de justa causa, não demonstra o contribuinte a existência desta. De fato, não resta evidenciado nos autos que a decretação da emergência no município de residência do recorrente tenha se consubstanciado em força maior apta a impedi lo concretamente de se deslocar até a repartição fazendária, a ocasionar o fechamento ou funcionamento anômalo desta, ou, ainda, que tenha obstado a coleta das provas que considerava necessárias para salvaguardar suas pretensões. Cabe observar, nesse rumo, que o contribuinte pôde perfeitamente se dirigir à mencionada repartição para entrega de suas petições no decorrer de período em que estava vigente tal estado de coisas, nos termos dos decretos colacionados às fls. 60/62. Quanto ao argumento de que a decisão atacada deve ser reformada nesse aspecto por violar o art. 5º, LV da Constituição Federal, merece ser destacado que os princípios da ampla defesa e do contraditório, para a sua própria efetividade, necessitam ser harmonizados com outros princípios afeitos à ciência processual, tais como os da duração razoável do processo e da preclusão, sem o que os litígios instaurados seriam perpetuados indefinidamente, sem qualquer resultado útil para as partes e para a sociedade. Na espécie foram devidamente respeitados os princípios tidos por feridos, pois foi possibilitada a devida participação do contribuinte no contencioso, bem como a influência na decisão administrativa. Em suma, tendo em vista a apresentação da impugnação em 30/1/2009, após a expiração do prazo regrado pelo art. 15 do Decreto nº 70.235/72, de rigor ser reconhecida a sua perempção. Faltoulhe, portanto, requisito essencial para a sua admissibilidade. Não há reparos a fazer, assim, na decisão de primeiro grau, restando prejudicada a análise das demais razões de mérito levantadas pelo contribuinte. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTEO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 11543.005707/2002-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3402-000.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária..
Relatório
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 05 70 7/ 20 02 -6 1 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11543.005707/200261 Resolução nº 3402000.685 S3C4T2 Fl. 246 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 162/196 – numeração eletrônica – “n.e.”) contra o Acórdão DRJ/JFA nº 0922.345 de 29/01/09 constante de fls. 141/159 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG que, por maioria de votos, houve por bem em julgar improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, para o fim de manter o r. Despacho decisório (fls. 33/39) da DRF de Nova Iguaçu – RJ, que, por sua vez, deixou de homologar o Pedido de Compensação (fls. 2) protocolizado em 13/12/02, através da qual a ora Recorrente pretendia compensar supostos créditos contra a Fazenda Pública objeto de ações judiciais (MS nº 98.00166580 e MS nº 2001.51100010250) propostas pela sociedade Nitriflex S/A Indústria e Comércio (CNPJ nº 42.147496/000170) perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, com débitos no valor de R$4.000.000,00 com vencimento em 13/12/2002. O r. Despacho decisório (fls. 53/56) da DRF de Nova Iguaçu SC deixou de homologar o Pedido de Compensação, aos fundamentos explicitados nos seguintes termos: “RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIAS • Ausência de Requisitos Essenciais do Crédito. O crédito oferecido pelo contribuinte que não preenche os requisitos estabelecidos na legislação tributária, não se presta a ser utilizado em compensação tributária. • Crédito Não Habilitado. O crédito proveniente de sentença judicial transitada em julgado somente pode ser utilizado para compensar débitos tributários se o for previamente habilitado junto à Secretaria da Receita Federal. • Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional. O entendimento jurídico da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre determinada matéria manifestado em parecer serve como orientação da Secretaria da Receita Federal em seus despachos decisórios. • Impossibilidade de Compensação Débito de um Contribuinte com Crédito de Terceiro. A partir dia 29.08/2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66 convertida na Lei n° 10.637/02, a vedação a compensação tributária de débito de um contribuinte com crédito de terceiro que antes somente era prevista em norma infralegal, IN/SRF n° 4112000, foi positivada no Direito Tributário Brasileiro.” DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do Despacho Decisório em 17/07/2008, o contribuinte apresentou em 12/08/2008 sua Manifestação de Inconformidade (fls.50/100 – n.e.), cujos fundamentos, por bem resumidos pela da DRJ/FOR, reproduzo abaixo: ... requer o processamento da presente com efeito suspensivo, deforma a manter suspensa a exigibilidade do crédito tributário... Nos termos do art. 150, §4° do Código Tributário Nacional, o direito do Fisco homologar o pagamento promovido pelo contribuinte decai em cinco anos. Com supedâneo no aludido dispositivo, foi editada a Lei Fl. 722DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11543.005707/200261 Resolução nº 3402000.685 S3C4T2 Fl. 247 3 n° 10.833/03, que acrescentou o § 5, no art. 74, da Lei n° 9.430/96, estabelecendo expressamente a regra no sentido de que: Art. 74(..): §5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5(cinco) anos, contado da data da entrega da declaração.’ Esse prazo, no entanto, não foi observado, haja vista que a empresa apenas foi intimada do indeferimento de seu pleito em 1710712008, ou seja, após cinco anos do protocolo do pedido de rechaçada deve ser reformada, de modo a reconhecer a homologação tácita da compensação. De tal modo, a decisão ora rechaçada deve ser reformada, de modo a reconhecer a homologação tácita da compensação realizada e, por conseqüência, a extinção do crédito tributário objeto do abatimento. O MS 98.00166580 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero... ... a Nitriflex lançou mão de medida judicial para afastar a aplicação da INISRF 41100 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o MS 2001.51.10.0010250 para se alcançar tal desiderato... Em 1210912003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2º Região que, convalidando a medida liminar deferida initio litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação então limitadora do direito à plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e aris. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97. Por fim, foi ajuizada pelo Fisco, em 15/04/2003, a ação rescisória 2003.02.01.0056758 visando a desconstituição da coisa julgada produzida no MS 98.00166580. Embora o pedido tenha sido julgado parcialmente procedente pelo E. TRF da 2º Região, foram interpostos pela Nitriflex recursos pendentes de análise, e não foi concedida tutela de urgência para suspender a execução da coisa julgada, que, por isto, continua produzindo efeitos.’ Desta forma, entende o interessado que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei n° 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da nãocumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta, a requerente, que também foi proposto o Mandado de Segurança n° 2001.51.10.0010250, para impedir que a IN SRF ri 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da Fl. 723DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11543.005707/200261 Resolução nº 3402000.685 S3C4T2 Fl. 248 4 2ª Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial relativa ao processo n° 98.00166580. A reclamante se utilizou do princípio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 2002, salientando trecho da ADIMC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo. (...) No que tange à ação rescisória a empresa, em sua peça de defesa, argumentou transcrevendo o artigo 489 do CPC e concluindo que "somente o deferimento de tutela de urgência" ou "o trânsito em julgado da decisão rescindente tem o condão de impedir o cumprimento da decisão rescindida" e prossegue em sua defesa: (...) A reclamante, conclui, se referindo ao caput do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, que não há em seu texto ‘a restrição pretendida ..., no sentido de que apenas seria permitida a utilização de créditos próprios no encontro de contas.’ . E afirma que da leitura do artigo observase a menção a débitos próprios e que a restrição a créditos próprios somente foi expressa na quando da edição da Lei n° 11.051, de 2004. E mais, a transferência de crédito da Nitriflex para a reclamante se deu através de instrumento particular de cessão, registrado em cartório público, pertencendo, portanto à Fertilizantes Heringer Ltda e não a terceiros. Cita em sua defesa o artigo 286 do Código Civil que permite a cessão de créditos e traz ao processo ementas de julgados do Superior Tribunal de Justiça que corroboram sua tese. A manifestação de inconformidade cita o art. 165 do Código Tributário Nacional, avaliando que os créditos passíveis de compensação devem decorrer dos caso ali enumerados e que a análise do presente processo administrativo ‘evidencia que o crédito é oriundo de pagamento indevido realizado a título de tributo, tal como reconhecido em decisão judicial transitada em julgado.’ (...) Pede a reforma da decisão com o reconhecimento da homologação tácita ou a homologação das compensações, o deferimento do pedido de restituição formulado e a extinção dos créditos tributários compensados.” DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de inconformidade apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, proferiu o Acórdão de nº. 0922.345 de 29/01/09 constante de fls. 141/159, ementado nos seguintes termos: Fl. 724DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11543.005707/200261 Resolução nº 3402000.685 S3C4T2 Fl. 249 5 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 13/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. 1. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. 2. As compensações declaradas a partir de 1 2 de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002 impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 13/12/2002 a 31/12/2002 PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1. Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da nãocumulatividade ou da irretroatividade de lei competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2. A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3. A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Compensação não Homologada” Em apertada síntese, a DRJ/JFA entendeu, preliminarmente e por maioria de votos, que não houvera a homologação tácita da compensação ante ao fato de que os créditos seriam de terceiros, o que impede a conversão dos pedidos de compensação pendentes em declaração de compensação. No mérito entendeu, essencialmente, que como o pedido de compensação foi protocolizado após a vigência do art. 74, da Lei n° 9.430/96 com a redação que lhe fora dada pela Medida Provisória n° 66/2002, não seria mais permitida à compensação de créditos de terceiros com débitos próprios, asseverando, ainda, que a coisa julgada obtida pela cedente dos créditos não seria imponível após a alteração das normas que não foram objeto da correspondente ação judicial. DO RECURSO Ciente em 22/04/2009 do Acórdão da DRJ/JFA (AR de fls. 161 – n.e.), e não se conformando com o julgamento improcedente de sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte apresentou, em 21/05/2009 seu Recurso Voluntário a este Conselho, acostados às fls. 162/196 – n.e., no qual contesta os fundamentos exarados pela decisão recorrida, mediante a contraposição dos mesmos argumentos já apresentados na sua defesa inicial, os quais, por questão de brevidade e celeridade, não serão novamente transcritos e a eles reportase esse relato. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11543.005707/200261 Resolução nº 3402000.685 S3C4T2 Fl. 250 6 DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado eletronicamente até a folha 244 (duzentos e quarenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11543.005707/200261 Resolução nº 3402000.685 S3C4T2 Fl. 251 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior – Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, de modo que se deve dele conhecer. A análise dos autos dá conta de que a contenda passa pela interpretação de ser viável ou não a utilização de créditos de terceiros cedidos à Recorrente, proveniente de sentença judicial transitada em julgado que reconhece o crédito bem como, de decisão, também transitada em julgado, que afastou a proibição contida na IN/SRF n° 41/2000, com relação à possibilidade de transferência de créditos a terceiros para fins de compensação tributária. Embora hajam diversas matérias passíveis de serem enfrentadas, a verdade é que emerge dos autos que contra a decisão judicial transitada em julgado, de titularidade da empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio e que tramitou perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro (Mandado de Segurança nº 98.00166580), teria havido a impetração de Ação Rescisória que inclusive teria sido julgada parcialmente procedente e que penderia de recurso. Assim, tenho que o processo não se encontra em condições de ser julgado, sem que sejam carreados aos autos, cópia da referida ação rescisória, decisões que tenham sido prolatadas na referida demanda, bem assim, informação do efetivo estágio em que a mesma se encontra, já que se pode vir a ser necessário investigar seu conteúdo ao ser proferido o julgamento perante este Conselho. Ou seja, somente através de diligência, com o fim de análise dos documentos acima citados, será possível sanear todos os questionamentos que poderão emergir do Colegiado ao ser procedido ao julgamento da questão posta em debate nos autos. Estas situações podem ser confirmadas pela autoridade julgadora, se entender que tais informações são necessárias para a formação de sua convicção, segundo o art. 29, do DecretoLei nº 70.235/72, verbis: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Portanto, tenho que as provas constantes dos autos suscitam dúvidas na formação da convicção do julgador, impedindo que seja proferido um julgamento justo, pelo que proponho seja o julgamento convertido em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: 1 – providencie cópias da referida ação rescisória proposta contra a decisão judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 98.00166580, bem como das decisões que tenham sido prolatadas na referida demanda, assim como de informação do efetivo estágio em que a mesma se encontra. 2 – emitir Relatório de Diligência acerca do cumprimento das providências acima; Fl. 727DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11543.005707/200261 Resolução nº 3402000.685 S3C4T2 Fl. 252 8 3 – finalmente, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 728DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10830.016371/2010-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
VALE-TRANSPORTE. NÃO INCIDÊNCIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA
Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a Lei 101.101/2000, ocorre a incidência da contribuição previdenciária.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Crédito Tributário Mantido Parcialmente
Numero da decisão: 2403-002.895
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do lançamento dos valores referentes à tributação do Vale Transporte pago em pecúnia, e após, o recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a Lei 101.101/2000, ocorre a incidência da contribuição previdenciária. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Crédito Tributário Mantido Parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do lançamento dos valores AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 63 71 /2 01 0- 74 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 referentes à tributação do Vale Transporte pago em pecúnia, e após, o recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.016371/201074 Acórdão n.º 2403002.895 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0533.945 da 6ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase do auto de infração n° 37.300.4958, relativo à multa prevista no art. 32, § 5o, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Conforme Relatório Fiscal da Infração à fl. 5, a auditora fiscal justificou o lançamento nos seguintes termos: 1 O contribuinte acima identificado, omitiu os Fatos Geradores da Contribuição Previdenciária de documento de informações previsto pela legislação previdenciária — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, derivados das Remunerações pagas, devidas ou creditadas aos Segurados Empregados, inclusos em Folhas de Pagamentos sob a denominação de PLR (códigos 247 e 248) e Pagto Vale Transporte (código 200), relativamente ao período de 01/2006 a 12/2008. Vide anexo, o Demonstrativo dos Valores Apurados, bem como da Contribuição Previdenciária devida. 2.Desta forma, infringiu o parágrafo quinto do inciso IV do artigo 32 da Lei n"8.212/91. 3.As rubricas de Pagamentos de PLR e Pagamento de Vale Transporte foram extraídas das Folhas de Pagamentos, relativamente ao período de 01/2006 a12/2008, porém não foram inseridas na Base de Cálculo do ISS, em conseqüência disso não existe recolhimento Previdenciário em GPS como também não foram declarados em GFIP. Vide Demonstrativo Anexo dos Valores Apurados, veja também o Comparativo de Multas. 4.Os documentos instrutórios e as provas materiais ciladas neste processo, estão anexadas no processo n° 10830.016370/201020 (Patronal), por este motivo este processo será apensado àquele. Cientificada regularmente do auto de infração em 07/12/2010, a contribuinte apresentou impugnação em 05/01/2011 (fls. 83/97), na qual alega, em síntese, que: • com a edição do Decreto n° 4.480, de 17 de setembro de 2003, que dispõe sobre a autorização de desconto em folha de pagamento, houve um reconhecimento expresso, no inciso IX do § Io do art. 2o, que o valetransporte, ainda que pago em dinheiro, não configura remuneração. Assim, por meio desse Fl. 32DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 decreto, se formalizou o entendimento da jurisprudência no sentido de reconhecer o instituto do pagamento do vale transporte em dinheiro; a própria Convenção de Trabalho aplicável à autuada, nos anos 2005/2007 e 2007/2009, em seu item 47, fundamenta a possibilidade do pagamento em dinheiro do valetransporte, nos termos do Decreto n° 4.480, de 2003; reza a alínea f do § 9o do art. 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria não integra o saláriode contribuição. O mesmo vale para o FGTS (§ 6o do art. 15 da Lei n° 8.036, de 1990); o fato gerador da contribuição previdenciária ou do FGTS só pode ser determinado por força de lei (art. 97, inciso I e II, do CTN), por se tratar de tributo, em razão do princípio da legalidade tributária (art. 150, inciso I, da Constituição Federal). E a lei não dispõe que incide a contribuição previdenciária ou o FGTS sobre o valetransporte quando ele é pago em dinheiro; a jurisprudência, tanto do Tribunal Superior do Trabalho quanto do Supremo Tribunal Federal, tem o entendimento de que o vale transporte pago em dinheiro não constituiu base de incidência de contribuição previdenciária ou de FGTS; o legislador, ao utilizar a expressão entre outros no § Io do art. 2° da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, cogitou da maneira mais ampla possível da aferição de regras da PLR. A exigência está na transparência dos critérios. De todo modo, delimita a lei o campo dessas regras: cumprimento do pacto; periodicidade da distribuição; período de vigência; e prazo para revisão do avençado. Fora disso, podem as partes inovar, já que os incisos I e II, do referido dispositivo legal, são exemplificativos, não configurados como de caráter obrigatório, mas meramente facultativo entre as partes, e dentre eles estão as questões das metas; são dois os fundamentos do auto de infração em relação aos levantamentos PL e PL1: (/) não efetuar nem definir metas; e (//') não efetuar nem definir critérios de aferição; o § 1° e seus incisos I e II do art. 2o da Lei n° 10.101, de 2000, é claro quanto à faculdade de se efetuar e definir metas. A expressão podendo ser considerados, pela simples interpretação literal, traz a possibilidade, e não a obrigação, de se efetuar ou mesmo de se definir metas. Dessa forma, ante à faculdade conferida pela legislação, a contribuinte agiu dentro dos ditames legais, estando respaldada no princípio da legalidade, pelo qual ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algumas senão em virtude de lei (art. 5o, inciso II, da Constituição Federal). Por contrariar esse princípio, o auto de infração deve ser declarado nulo; o mesmo § Io do art. 2o da Lei n° 10.101, de 2000, traz a expressão inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. O auditor fiscal Fl. 33DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.016371/201074 Acórdão n.º 2403002.895 S2C4T3 Fl. 4 5 utilizou a expressão critérios de aferição. Dentro do texto do Relatório Fiscal, essa expressão pode dar duplo entendimento. O primeiro, como sendo critério de aferição das metas, ficando, nesse caso, válida a alegação acima feita, de que agiu dentro dos ditames legais. E segundo, como sendo o mecanismo de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, pois a Lei n° 10.101, de 2000, no sentido literal, traz somente esta possibilidade. Conforme se pode verificar nos Acordos de Participação nos Lucros e Resultados referentes aos anos de 2006, 2007 e 2008, objeto da fundamentação das autuações, mais uma vez a regra da Lei n° 10.101, de 2000, foi fielmente seguida pela contribuinte, ao facultar à comissão de funcionários signatária de tais acordos amplo acesso à contabilidade da empresa; • seguindo orientação do seu sindicato de classe, como se verifica em carta anexada aos autos, optou, dentro dos ditames legais, em se reservar pela faculdade de efetuar e definir metas Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Vale transporte pago em dinheiro não sofre tributação. · PLR paga em conformidade com a Lei 10.101/2000. É o relatório. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA O lançamento está baseado no entendimento que o vale transporte foi pago aos segurados em desacordo com os ditames legais, uma vez que foi pago em pecúnia. O lançamento estava conforme o ordenamento legal. Todavia, a Advocacia Geral da União, seguindo orientação ditada na decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 478.410/SP, que considerou inconstitucional a tributação previdenciária incidente sobre vale transporte pago em pecúnia, tendo em vista sua natureza indenizatória, editou a Súmula 60. SÚMULA Nº 60, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2011 "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Portanto, deve ser afastada do cálculo da multa a parcela referente ao Vale Transporte. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR Fl. 35DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.016371/201074 Acórdão n.º 2403002.895 S2C4T3 Fl. 5 7 A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, é , portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 1912 2008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.016371/201074 Acórdão n.º 2403002.895 S2C4T3 Fl. 6 9 Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; Fl. 38DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) Fl. 39DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.016371/201074 Acórdão n.º 2403002.895 S2C4T3 Fl. 7 11 STJ PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. A recorrente questiona a tributação da PLR e afirma que cumpriu todas determinações da Lei 10.101/2000. O Relatório Fiscal especifica que “A autuada deixou de cumprir os requisitos da lei 10.10/2000 que regula a Participação dos Funcionários nos Resultados da Empresa, não efetuando nem definindo Metas, nem critérios de aferição.” Analisei todos Acordos de Participação nos Lucros e Resultados anexos ao Relatório Fiscal e constatei que efetivamente nada consta acerca de metas e critérios de aferição de resultados. Os Acordos simplesmente definem quanto e quando será pago. O recurso apresentado não faz prova da previsão de metas e critérios de aferição nos acordos. Entendo que faltam elementos essenciais para compatibilizar os Acordos e os pagamentos efetuados com os ditames da Lei 10.101/2000 e que, portanto, correta a tributação. CÁLCULO DA MULTA Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.016371/201074 Acórdão n.º 2403002.895 S2C4T3 Fl. 8 13 No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso determinando a exclusão do cálculo da multa dos valores referentes à tributação do Vale Transporte pago em pecúnia, e após, recalcular o valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico à recorrente. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 43DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11040.000374/2007-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO CONFIGURADAS. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Restando verificada a existência de omissão e contradição no acórdão recorrido, devem ser acolhidos os embargos de declaração.
DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO CONFIGURADA. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO.
A existência de duplicidade de lançamentos, caracterizada pela identidade dos respectivos fatos jurídicos tributários, implica no cancelamento da autuação.
Numero da decisão: 2101-002.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos com efeitos infringentes para dar provimento ao recurso voluntário, anulando a DIRPF retificadora e mantendo os dados da declaração original, bem como do auto de infração reproduzido nas e-fls. 130 a 134 e do parcelamento referido à e-fl. 31.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
DANIEL PEREIRA ARTUZO - Relator.
EDITADO EM: 18/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Nome do relator: DANIEL PEREIRA ARTUZO
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OMISSÃO E CONTRADIÇÃO CONFIGURADAS. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Restando verificada a existência de omissão e contradição no acórdão recorrido, devem ser acolhidos os embargos de declaração. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO CONFIGURADA. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. A existência de duplicidade de lançamentos, caracterizada pela identidade dos respectivos fatos jurídicos tributários, implica no cancelamento da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos com efeitos infringentes para dar provimento ao recurso voluntário, anulando a DIRPF retificadora e mantendo os dados da declaração original, bem como do auto de infração reproduzido nas efls. 130 a 134 e do parcelamento referido à efl. 31. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator. EDITADO EM: 18/02/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 03 74 /2 00 7- 50 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relatório 2 Tratase de Embargos de Declaração, opostos pelo Contribuinte, contra o Acórdão nº 2101001.771, proferido em doze de julho de 2012 pela Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, o qual restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DIRPF. DEVOLUÇÃO DE RESTITUIÇÃO RECEBIDA INDEVIDAMENTE Constatado restituição indevida decorrente de posterior retificação da declaração de rendimentos, deverá ser objeto de lançamento de ofício pela autoridade lançadora. Recurso Voluntário Negado” (fl. 154) O Embargante noticia que, o acórdão recorrido fora omisso, vez que “não apreciou devidamente a matéria”, cabendo ser saneada a “omissão de pronunciamento sobre o alegado bis in idem (exigência de imposto apurado em lançamento suplementar “eletrônico” sobre a mesma “base de cálculo” de lançamento “manual” anterior)”; e, ainda, aponta a ocorrência de contradição “entre o reconhecimento do pagamento do imposto devido (consignado a fls. 156, última linha do quadro 2) e a negativa do provimento do recurso”. Voto Conselheiro DANIEL PEREIRA ARTUZO O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Da análise do acórdão recorrido, verifico que assiste razão à Embargante. Conforme bem relatado no voto do acórdão recorrido, “Cumpre esclarecer que a contribuinte apresentou, inicialmente, sua declaração de ajuste informando, como rendimentos tributáveis, no anocalendário de 2003, o montante de R$ 72.895,68 (fls. 108), DIRPF esta posteriormente retificada para requalificar determinados rendimentos, anteriormente informados como tributáveis, para isentos ou nãotributáveis, reduzindo, portanto, a base de cálculo do imposto de renda para o valor de R$ 41.412,09, e, consequentemente, aumentando o valor do imposto a restituir para o montante de R$ 5.587,93 (fls.59).” Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11040.000374/200750 Acórdão n.º 2101002.714 S2C1T1 Fl. 175 3 Além disso, o ilustre relator destaca “Como se vê o primeiro auto de infração referese à glosa de despesas com instrução, com dependentes e com despesas médicas, exigindose o imposto alusivo às glosas, sem desconsiderar, contudo, o valor relativo ao comprovante de rendimentos fornecido pelo Comando do Exército (fls.45), no montante de R$ 72.895,68, valor esse corretamente informado na declaração original (fls.47). Já o segundo auto se refere à cobrança de imposto suplementar, correspondente à omissão de rendimentos tributáveis, utilizando o mesmo valor de R$ 72.895,68, relativo ao comprovante supracitado.” (efl.156) Refazendose o cálculo do imposto de renda devido pelo Recorrente, constatamos que não o valor em discussão é exatamente idêntico ao imposto quem havia sido lançado e pago através de parcelamento: Rendimentos Tributáveis R$ 72.895,68 Deduções R$ 13.434,10 Base de Cálculo R$ 59.461,58 Imposto Devido R$ 11.275,03 Imposto Retido na Fonte R$ 11.899,35 Imposto a Restituir R$ 624,32 Imposto Restituído R$ 3.709,67 Restituição Recebida Indevidamente R$ 3.085,35 Imposto parcelado R$ 3.085,35 Saldo a pagar R$ 0,00 Saldo a devolver R$ 0,00 Ora, não havendo na apuração citada no item anterior, imposto a restituir ou imposto suplementar a recolher, o não provimento do Recurso Voluntário não condiz com a realidade matemática espelhada no quadro citado. Nesse sentido foi o entendimento do Ilustre Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa ao analisar a admissibilidade dos presentes Embargos de Declaração: “Tenho que assiste razão ao Embargante, senão vejamos: a) Em seu apelo ao CARF (fl.122/124), em sede de Recurso Voluntário, afirma que o imposto exigido já foi pago, fazendose apensar documentos respectivos; b) Relativamente ao AnoCalendário 2003, o quadro de apuração fls. 156, aponta pagamento de imposto às fls. 135/139 e nenhuma restituição a devolver; Fl. 176DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 c) Não havendo na apuração citada no item anterior, imposto a restituir ou imposto suplementar a recolher, o não provimento do Recurso Voluntário não condiz com a realidade matemática espelhada no quadro citado. Assim, considerando a omissão destacada e, ainda, a contradição no acórdão embargado, proponho o retorno dos autos à Turma de Julgamento.” (efl. 170) Além disso, comprovada a existência de duplicidade de lançamentos, caracterizada pela identidade dos respectivos fatos jurídicos tributários, deve ser cancelado o lançamento tributário. Assim, considerando a omissão destacada e, ainda, a contradição no acórdão embargado, voto no sentido de ACOLHER e PROVER os Embargos de Declaração para, atribuindolhe efeitos infringentes, dar provimento ao recurso voluntário, anulando a DIRPF retificadora e mantendo os dados da declaração original, bem como do auto de infração reproduzido nas efls. 130 a 134 e do parcelamento referido à efl. 31. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002977/2005-07
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, não elide a responsabilidade do sujeito passivo pelo cumprimento intempestivo de obrigação acessória. Precedentes do STJ.
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUMENTAÇÃO.
A autoridade administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis, atribuição rescinda constitucionalmente ao Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.346
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nota de correção: Conforme o registro da ata de julgamento de 05/2009, o acórdão nº 3102-000.346, foi formalizado como acórdão o nº é 3102-000.348.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro
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O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, não elide a responsabilidade do sujeito passivo pelo cumprimento intempestivo de obrigação acessória. Precedentes do STJ. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUMENTAÇÃO. A autoridade administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis, atribuição rescinda constitucionalmente ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. 0QA-)10 RCIA flEL TRAJANO DAMORIM - Presidente ( dzi ROSA MA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO — Relatora EDITADO EM; 21/09/2009 1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajam Damorim, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Trata o presente processo sobre auto de infração (fl. 12), mediante o qual é exigido da contribuinte em epígrafe (doravante denominada Interessada), crédito tributário referente à multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativas ao 2°, 3° e 4° trimestres de 2001. Por bem espelhar os fatos até então ocorridos, transcrevo parte do relatório constante da decisão de primeira instância: Em 05/09/2005 (fls. 01 verso), a impugnante protocolou tempestivamente a impugnação de fls. 01/10, instruída com quesitos (ti. 11), procuração (fl. 13), cópia não autenticada de identidade de advogado (fl. 14), 28" alteração contratual (lls. 15/18) e contrato social (fls. 19/23), alegando denúncia espontânea (CTIV, art. 138), ofensa aos princípios da moralidade administrativa (CF, art. 37) e da legalidade (CF, arts. 5 0, XXXIX e 150, I), abusividade da multa, uma arbitrariedade e um desrespeito, cobrada sem justificativa e sem comprovação do nexo causal, tendo em vista que a inação do contribuinte na entrega da DCTF justificaria a cobrança, mas não o simples atraso, inexistindo prejuízo para o Fisco ou a intenção de lesá- lo; além disso, o elevado valor da multa afrontaria os princípios da boa-fé e da proporcionalidade. Requer a anulação da multa Ou a diminuição para a observância do principio da proporcionalidade, bem como a produção de prova pericial contábil, formulando quesitos. Nada obstante os argumentos acima transcritos, a decisão de primeira instância manteve a exigência fiscal, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denáncia espontânea á inaplicável as obrigações acessórias autônomas, quais sejam, aquelas sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Regulamente intimada em 14 de abril de 2008 (fl. 34) a Interessada apresentou Recurso Voluntário (denominado de "Recurso Administrativo"), em 09 de maio do mesmo ano. Nesta peça, a Interessada, além de reprisar os argumentos anteriormente aduzidos, requereu a nulidade da decisão recorrida em face a suosto cerceamento do seu direito de defesa. É o relatório. 2 Processo n° 10950.002977/2005-07 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00348 Fl. 60 Voto Conselheira ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO - Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Antes de adentrar ao mérito, faz-se necessário analisar a preliminar trazida aos autos pela Interessada, no sentido de que a decisão de primeira instância deveria ser anulada vez que acarretou cerceamento do seu direito de defesa. Compulsando os autos verifico que a solicitação da Interessada no sentido de ser admitida a produção de provas, "em especial a pericial contábil" foi bem abordada pela decisão singular. Em verdade, tenho que seus fundamentos estão corretos e, portanto, devem ser adotados para o deslinde deste feito. Ressaltamos que, com a apresentação da impugnação instaura- se a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, precluindo, o direito de o autuado provar as suas alegações em momento posterior, a não ser nos casos previstos no 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Indefere-se, portanto, o pedido genérico de produção de provas. Além do pedido genérico, a itnpugnante postula a produção de prova pericial. A análise dos quesitos formulados evidencia a absoluta desnecessidade da perícia, eis que já estão presentes nos autos todos os elementos probatórios para o perfeito julgamento do processo. De qualquer forma, por força do disposto no art. 16, IV e sç 1°, do Decreto n° 70.235, de 1972, o requerimento deve ser tido por não formulado em razão da não indicação do nome, endereço e qualificação profissional do perito da impugnante. Por outro lado, vale ressaltar que, ressalvado meu entendimento pessoal no sentido de que a denúncia espontânea, na sua essência, configura arrependimento fiscal, deveras proveitoso para o fisco que não precisou iniciar qualquer procedimento para a apuração desses fundos líquidos, cumpre ressaltar que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), como bem ressaltado na decisão recorrida, já se consolidou no sentido de que o instituto da denúncia espontânea não pode ser alegado no caso de descumprimento de obrigação acessória. Nesse sentido: TRIBUTA' RIO. IMPOSTO DE RENDA. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DECLARAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO INFRAÇÃO FORMAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. I. A entrega da declaração do Imposto de Renda fora do prazo previsto na lei constitui infração formal, não podendo ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. 3 II. Ademais, 'a par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei n° 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um'. (REsp n° 243.241-RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 21.08.2000). IIL Embargos de divergência rejeitados. (EREsp 208097/PR; Órgão Julgador PRIMEIRA SEÇÃO; Data da Publicação/DJ 15.10.2001) Finalmente, no que pertine à discussão da constitucionalidade ou inconstitucionalidade de leis em vigor, devo lembrar que as mesmas são elaboradas pelo Poder Legislativo, confirmadas pelo controle de constitucionalidade exercido pelas Comissões de Constituição e Justiça da Câmara de Deputados e do Senado Federal e, sancionadas pelo Presidente da República. Eis a razão pela qual, a lei assim nascida (com observância dos requisitos formais e substanciais previstos constitucionalmente), nasce com a presunção de constitucionalidade que somente pode ser afastada pela intervenção do Poder Judiciário. Afastar a aplicação de lei supostamente inconstitucional é da competência exclusiva da Justiça, sendo defeso ao órgão julgador administrativo fazê-lo. Pelo exposto, voto por manter a exigência fiscal. ROSA MAR 7fla (;)4' íiíZ3 DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO 4
score : 1.0
Numero do processo: 11065.723042/2011-45
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
DIMOF. UTILIZAÇÃO EM PROCEDIMENTO INVESTIGATIVO FISCAL. POSSIBILIDASDE.
A Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira - DIMOF é uma declaração para uso da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB e traz como informação os montantes globais mensalmente movimentados, sem especificação da origem e destino dos recursos. Não há vedação de utilização dessas informações em procedimento investigativo fiscal.
DCTF. RETIFICAÇÃO. ZERAMENTO DE DÉBITOS. FRAUDE.
A contratação de empresa de consultoria com a finalidade de extinguir débitos fiscais existentes, mediante o envio de DCTF retificadora informando a inexistência dos tributos devidos, configura fraude à arrecadação tributária.
FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
A fraude, assim compreendida toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, enseja a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%.
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-004.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2010 DIMOF. UTILIZAÇÃO EM PROCEDIMENTO INVESTIGATIVO FISCAL. POSSIBILIDASDE. A Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira - DIMOF é uma declaração para uso da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB e traz como informação os montantes globais mensalmente movimentados, sem especificação da origem e destino dos recursos. Não há vedação de utilização dessas informações em procedimento investigativo fiscal. DCTF. RETIFICAÇÃO. ZERAMENTO DE DÉBITOS. FRAUDE. A contratação de empresa de consultoria com a finalidade de extinguir débitos fiscais existentes, mediante o envio de DCTF retificadora informando a inexistência dos tributos devidos, configura fraude à arrecadação tributária. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A fraude, assim compreendida toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, enseja a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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UTILIZAÇÃO EM PROCEDIMENTO INVESTIGATIVO FISCAL. POSSIBILIDASDE. A Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira DIMOF é uma declaração para uso da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e traz como informação os montantes globais mensalmente movimentados, sem especificação da origem e destino dos recursos. Não há vedação de utilização dessas informações em procedimento investigativo fiscal. DCTF. RETIFICAÇÃO. ZERAMENTO DE DÉBITOS. FRAUDE. A contratação de empresa de consultoria com a finalidade de extinguir débitos fiscais existentes, mediante o envio de DCTF retificadora informando a inexistência dos tributos devidos, configura fraude à arrecadação tributária. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A fraude, assim compreendida toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, enseja a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 30 42 /2 01 1- 45 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11065.723042/201145 Acórdão n.º 2801004.012 S2TE01 Fl. 726 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 693/694 deste processo digital), reproduzido a seguir: Em 25 de fevereiro de 2010, o Fisco deu início aos procedimentos de fiscalização tendentes a verificar a pertinência da retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF relativas aos meses de janeiro a outubro de 2009. O contribuinte havia apresentado suas DCTF originais durante os meses do anocalendário 2009 (fls. 23 a 180). Os débitos originalmente confessados montavam o valor de R$ 4.141.037,51 (fl. 522). Parte desse valor, no montante de R$ 283.444,00, dizia respeito ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidente sobre rendimentos (a) do trabalho assalariado, (b) do trabalho sem vínculo empregatício e (c) a título de comissões, bem como (d) da remuneração de serviços prestados por pessoas jurídicas (fl. 521). Mais adiante, em 24 e 28 de dezembro de 2009, os débitos originalmente confessados por via das DCTF restaram “zerados” em função da retificação das declarações (fls. 181 a 200). O interessado, inquirido a respeito da retificação das declarações, uma vez que os tributos originalmente confessados eram devidos, apresentou manifestação através da qual alegou “desconhecer, não reconhecer a autoria e não ter autorizado qualquer procedimento que envolva a retificações de suas DCTF” (fls. 201 a 205). Afirmou que tem por praxe declarar os tributos devidos com a utilização da certificação digital, tomando o devido cuidado com a guarda das suas senhas, em que pese a rotatividade de seus funcionários. Aduziu, ainda, que é constantemente procurado por prestadores de serviços que lhe oferecem “pacotes” de economia tributária. Essas ofertas, consoante argumenta, são refutadas de forma reiterada. A retificação das DCTF foi operacionalizada por Cláudio Alexandre Ferreira dos Santos mediante utilização da Fl. 726DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11065.723042/201145 Acórdão n.º 2801004.012 S2TE01 Fl. 727 3 certificação digital (fl. 522). Cláudio recebeu os poderes para representar o contribuinte e utilizar os serviços eletrônicos disponibilizados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de procuração assinada por Francisco José Calero de Freitas na qualidade de representante do interessado (fl. 236). Isso ocorreu em 18 de dezembro de 2009. A firma de Francisco, na procuração, foi reconhecida por autenticidade (fl. 236). Consoante aponta o “Relatório Fiscal”, Francisco foi responsável pelo contribuinte perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ no período de 10 de outubro de 2007 a 10 de dezembro de 2009, sendo que a substituição de Francisco somente foi comunicada ao Fisco em 28 de dezembro de 2009 (o processamento da substituição ocorreu no dia seguinte fls. 522 e 523). Em procedimento inquisitório levado a efeito pela Fiscalização, restou apurado que a retificação das DCTF se deveu à contratação, pelo contribuinte, da sociedade MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda.. A conclusão da Fiscalização foi de que o interessado, a sociedade antes referida e outros partícipes engendraram a retificação das DCTF com o objetivo de fraudar o pagamento dos tributos devidos pelo contribuinte. Dessa forma, diante da fraude, houve a aplicação da multa qualificada de 150%, bem como foi processada a respectiva representação fiscal para fins penais. A Fiscalização alicerçou o Auto de Infração em elementos probatórios coligidos ao longo do refazimento dos passos seguidos pelos envolvidos na execução da fraude, que serão analisados de forma minudente no voto. No dia 3 de agosto de 2011, o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração (fl. 508). O ato administrativo colima a cobrança do IRRF originalmente confessado em DCTF, posteriormente retificada de sorte a afastar a dívida, sem que tenha ocorrido o pagamento do tributo devido. Em 2 de setembro de 2011, o interessado apresentou sua impugnação ao lançamento (fl. 547). Em sua contestação, o contribuinte defende que o Auto de Infração partiu de premissa falsa ao incluir o impugnante dentro do esquema ilícito doloso que objetivava a redução de tributos, porquanto ele também foi vítima de quadrilha especializada. A contratação da sociedade referida no trabalho fiscal teve por meta apurar débitos e revisar a exigibilidade da dívida tributária, bem como promover a “compensação/pagamento dos débitos apurados com créditos escriturais específicos da Receita Federal (cláusula sexta, alínea “b”), quando seria pago o valor de R$ 300.000,00 de forma parcelada” (fl. 550). O interessado alega que não poderia imaginar fosse o trabalho acordado feito de forma ilícita, não convencional, à margem do procedimento fiscal correto e do contrato celebrado. O simples “zeramento” das DCTF seria algo tão primário que não careceria da contratação de qualquer pessoa. O indivíduo que transmitiu as DCTF retificadoras afirmou que o objetivo do contribuinte teria Fl. 727DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11065.723042/201145 Acórdão n.º 2801004.012 S2TE01 Fl. 728 4 sido a emissão de Certidão Negativa de Débitos CND, fato que não se verificou. Escudase em irregularidades constantes da procuração concedida por Francisco, em nome do impugnante, outorgando poderes a Cláudio, que teriam sido apontadas pelo trabalho fiscal e confirmadas por notários do Distrito Federal. Aponta fragilidades no trabalho fiscal quanto à rede de relações que uniria os diversos partícipes da fraude. Aduz que a sua posição de isentar de responsabilidade a MP Consultoria não foi nenhuma demasia, uma vez que não fazia noção da existência de irregularidades na atuação daquela sociedade. Afirma não ter obtido qualquer benefício com a prática das irregularidades fiscais identificadas, ainda mais levando em conta que sua dívida era de mais de setenta milhões, não fazendo sentido a busca de economia por via tortuosa de menos de 10% do débito tributário total. Se diz vítima de uma quadrilha de estelionatários, o que torna incabível a aplicação da multa qualificada de 150%. Invoca o art. 112 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, o Código Tributário Nacional – CTN. Por fim, ataca a constitucionalidade do procedimento investigativo fiscal, que, ao tomar informações financeiras dos investigados por meio da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira – Dimof, contaminou com vício insanável as provas. Requer, nesses termos, o cancelamento do Auto de Infração ou, subsidiariamente, a permissão para que o contribuinte cancele as DCTF retificadoras, de sorte a permitir a continuidade do rito de cobrança da confissão de dívida sem a imposição da multa qualificada. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 692/704, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009 FIRMA RECONHECIDA POR AUTENTICIDADE. O ônus de provar a falsidade do documento que contenha firma reconhecida por autenticidade é da pessoa alega a mácula. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A participação do contribuinte na ocultação dolosa das suas dívidas tributárias enseja a aplicação da multa de ofício qualificada. INCONSTITUCIONALIDADE. As Delegacias de Julgamento não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cientificada da decisão de primeira instância em 30/11/2011 (fl. 709), a Interessada interpôs, em 29/12/2011, o recurso de fls. 710/718. Na peça recursal reitera as alegações lançadas na peça impugnatória e aduz, em síntese, que: Fl. 728DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11065.723042/201145 Acórdão n.º 2801004.012 S2TE01 Fl. 729 5 A leitura do relatório fiscal demonstra trabalho investigativo de fôlego da nobre fiscalização federal e desnuda uma série de procedimentos ilícitos dos quais a ora Recorrente foi vítima de quadrilha especializada. De fato, a Recorrente contratou a empresa MP Consultoria para revisão administrativa de débitos fiscais vencidos junto ao INSS, RFB e PGFN. Entre os serviços que seriam prestados estava a extinção pela compensação/pagamento de débitos apurados com créditos escriturais específicos da Receita Federal (cláusula sexta, alínea "b"), quando seria pago o valor de R$ 300.000,00 de forma parcelada, conforme cláusula sétima, alíneas "a", "b" e "c" do contrato particular de prestação de serviço, assinado entre as partes celebrantes. Assinado o contrato válido, não poderia imaginar a impugnante que a realização do trabalho acordado seria feita de forma ilícita, não convencional, à margem do procedimento fiscal correto e do contrato celebrado. Não acordou a Recorrente que se fizesse extinção de créditos tributários pela simples entrega de DCTF retificadoras, "zerando" os débitos já informados em DCTF anteriores. O Sr. Cláudio Alexandre, indivíduo que transmitiu as DCTF retificadoras, afirma que o objetivo das retificações das DCTF era a obtenção de CND. Contudo, basta a simples conferência nos registros da RFB para se observar que no período indicado das infrações não houve solicitação da Interessada de expedição de qualquer tipo de certidão. Tal observação a nobre fiscalização federal deixou, comodamente, de citar no seu relatório fiscal. Consta do Relatório Fiscal que a Interessada promoveu distrato contratual com a empresa MP Consultoria, isentandoa de responsabilidades. Num primeiro momento, ante a falta de elementos mais concretos de ilícitos, a imposição da MP Consultoria em ser isentada da responsabilidade não foi nenhuma demasia. Somente após, quando a empresa teve noção de toda a extensão das irregularidades cometidas que se concluiu, primeiro, pelo envolvimento da MP Consultoria com o ilícito e, segundo, a máfé da contratada na imposição de somente assinar o distrato se existisse cláusula de isenção de responsabilidade. A afirmação da Fiscalização de que a empresa teria fornecido documentos e informações que permitiriam a retificação das DCTF é de toda equivocada. A Recorrente não obteria nenhum benefício se estivesse envolvida nas irregularidades apontadas no relatório fiscal, pois na época o valor total da dívida era de mais de setenta milhões de reais, não fazendo sentido a empresa buscar economia por via tortuosa de menos de 10% do débito tributário. O que estava acertado, numa primeira fase dos trabalhos, era que a extinção de débitos decorreria de compensação/pagamento com créditos escriturais específicos da Receita Federal (cláusula sexta, alínea "b"). Entre esses créditos estariam os residuais de empresas encerradas, os decorrentes de demandas judiciais, pedidos de ressarcimento e outros procedimentos de direito de créditos para consumo. É evidente que a empresa foi tão vítima da quadrilha de estelionatários quanto o erário, motivo pelo qual não deveria ser aplicada a multa qualificada de 150%. Invoca em seu favor a interpretação mais benéfica ao contribuinte prevista no art. 112 do CTN. O procedimento investigativo fiscal, ao tomar informações financeiras dos investigados pela DIMOF, foi contaminado por vício insanável. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11065.723042/201145 Acórdão n.º 2801004.012 S2TE01 Fl. 730 6 Ao final, requer a admissão do presente recurso e o seu provimento, para efeito de reformar a decisão recorrida e anular o Auto de Infração. Alternativamente, pleiteia a desqualificação da multa fiscal de 150%, sem o obstáculo de autorizar ao contribuinte o cancelamento das DCTF. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia às seguintes questões apontadas pela Recorrente: a) possibilidade ou não de utilização de informações financeiras dos investigados com base na Declaração de Informações sobre Movimentações Financeiras DIMOF; b) responsabilidade da Interessada pelas retificações fraudulentas das DCTF; c) aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150%; e d) possibilidade de cancelamento das DCTF retificadoras. O imposto lançado não foi questionado pela Interessada. Utilização de dados da DIMOF Sustenta a Recorrente que o procedimento investigativo fiscal, ao tomar informações financeiras dos investigados pela DIMOF, foi contaminado por vício insanável. A Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira DIMOF foi instituída pela Instrução Normativa RFB nº 811, de 28 de janeiro de 2008, em atendimento ao disposto no art. 5º, § 2º, da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim descrito: Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) § 2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. Ao teor do que dispõe o § 1º do art. 2º da IN RFB nº 811/2008 as informações da DIMOF “compreendem a identificação dos titulares das operações financeiras, pelo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), e os montantes globais mensalmente movimentados”, sem especificação da origem e do destino dos recursos. Não há vedação de utilização dessas informações em procedimento investigativo fiscal. No caso concreto as informações da DIMOF foram utilizadas exclusivamente para fins de investigação de terceiras pessoas, ligadas ao sujeito passivo, e que foram arroladas Fl. 730DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11065.723042/201145 Acórdão n.º 2801004.012 S2TE01 Fl. 731 7 no curso do procedimento fiscal com o objetivo de elucidar conduta fraudulenta levada a cabo em face do Fisco Federal, inexistindo qualquer óbice, em meu entendimento, na utilização dos dados da DIMOF com esta finalidade. Responsabilidade pelas retificações fraudulentas das DCTF A responsabilidade da Recorrente pelas retificações fraudulentas das DCTF, na espécie, é inequívoca. A fiscalização realizou um trabalho minucioso para desvendar a participação da Interessada no esquema ilícito utilizado com a finalidade de extinguir/reduzir o pagamento dos tributos devidos. A cronologia e as considerações apresentadas abaixo demonstram a participação da empresa Industrial Hahn Ferrabraz S/A no esquema fraudulento. Em 18/11/2009 a Recorrente firmou Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços Profissionais de Consultoria e Assessoria Tributária com a MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda., representada por sua sócia majoritária Márcia Maria Pereira. (fls. 316/328). O objeto do contrato era empreender revisão de débitos fiscais vencidos, entre os quais se encontravam os débitos relativos aos meses referentes às DCTF retificadas e que foram lançados neste Auto de Infração. Confira: CLÁUSULA QUINTA – DO DÉBITO (...) c) Débitos vencidos, ainda não executados, inscritos no âmbito administrativo da RFB Receita Federal do Brasil, relativos a competência dezembro de 2008 a outubro de 2009, no montante de R$ 4.399.795,85 (...). Em 18/12/2009 o Sr. Francisco José Calero de Freitas, responsável pela empresa no cadastro CNPJ, até então, teria outorgado poderes para que o Sr. Cláudio Alexandre Ferreira dos Santos pudesse representar a Industrial Hahn Ferrabraz no período de 18/12/2009 a 18/12/2010, por meio de certificado digital, com alcance em todos os serviços existentes e disponibilizados no sistema de Procurações Eletrônicas do eCAC (fls. 212 e 217). Embora a procuração tenha se revelado falsa (ofício do 7º Ofício de Notas do Distrito Federal à fl. 225), a falsidade pode ser explicada, em tese, pela própria versão da Interessada, quando admite ter enviado cópia da identidade do Sr. Francisco à MP Consultoria. Confira: Questionamento formulado no Termo de Intimação de fls. 370/378, mas precisamente na fl. 377: 3 (...) a) A Hahn Ferrabraz entregou para a MP Consultoria (ou para pessoa por esta indicada) cópias autenticadas de carteira de identidade do Sr. Francisco José Calero Freitas ou de algum outro administrador? No caso de resposta afirmativa, especificar quais os documentos e em que datas foram entregues. Resposta da Hahn Ferabraz (fl. 380): Fl. 731DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11065.723042/201145 Acórdão n.º 2801004.012 S2TE01 Fl. 732 8 3 a) Realmente o Contrato previa fornecimento de cópia dos responsáveis perante RFB e procuração para atuar junto à mesma, encaminhamos cópia da CI do Sr. Francisco Calero, ainda responsável na época, mas não procuração, com certeza. Conforme depoimento prestado pelo Sr. Cláudio (fl. 229), a pessoa que teria feito contato inicial para que ele procedesse à retificação das DCTF chamavase Ambrósio Alves da Silva. O Sr. Ambrósio, por sua vez, em seu depoimento confirma que procurou o Sr. Cláudio para que esse “quitasse” os débitos da empresa Hahn Ferrabraz junto à Receita Federal. Teria feito isso a pedido de uma senhora chamada Márcia (fl. 246). A fiscalização buscou localizar a tal da senhora Márcia e encontrou duas com nome similar: Márcia Regina Paz e Marcya Regina Pas. Somente a segunda possuía movimentação financeira compatível com o valor que seria posteriormente depositado na conta do Sr. Cláudio em pagamento pelos serviços prestados de retificações de DCTF. Marcya Regina Pas era titular da conta do Bradesco de nº 0746010, agência 1228, em Brasília. No entanto, em verificação no sistema INFOSEG, a fiscalização detectou que o número da identidade e o comprovante de rendimentos utilizados na abertura da conta eram falsos. Em 24/12/2009 e 28/12/2009 o Sr. Cláudio, utilizandose dos poderes que lhe foram conferidos para representar a Recorrente, mediante certificação digital, enviou DCTF retificadoras zerando os débitos até então informados para as competências de janeiro a outubro de 2009. Em 29/12/2009, um dia após o envio da última DCTF retificadora, o Sr. Eduardo Scalia da Cunha, contratado da MP Consultoria, enviou email aos administradores da Industrial Hahn Ferrabraz solicitando o recolhimento de cinco DARF, todos de valores inferiores a R$ 300,00, e informando que, com isso, o restante dos débitos estaria extinto (fls. 333/334). Mesmo tendo declarado não conhecer o Sr. Cláudio, nem ter feito qualquer tratativa com tal pessoa, anexou ao email enviado um extrato do SIEF que havia sido obtido por meio de serviço de atendimento virtual em nome do próprio Sr. Cláudio – CPF nº 011.253.95133 (fls. 335/337). No mesmo dia o Sr. Eduardo enviou outro email ao representante da Industrial Hahn Ferrabraz, Sr. Hector, orientandoo a consultar a regularidade da situação fiscal dos débitos que haviam sido extintos e a entrar em contato com a Sra. Márcia, para providências relacionadas ao pagamento dos serviços. Confira (fl. 338): Dr. Hector Já aproveite e faça uma consulta sobre a regularidade da situação fiscal referente ao SIEF do que já foi feito. De mais de quatro milhões resta apenas esses valores que constam neste extrato que serão extintos após o pgto. Faça a confirmação da regularidade do que foi feito e entre em contato com a Márcia para ela entregar os cheques que estão com ela na WELT e ser feito a transferência dos R$ 300.000,00 para ela. Faça a consulta pela manhã para que o pagamento seja feito amanhã até as duas da tarde. Eduardo Fl. 732DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11065.723042/201145 Acórdão n.º 2801004.012 S2TE01 Fl. 733 9 Verificase, assim, a prestação de contas pelo serviço contratado, vale dizer, a extinção ilícita dos débitos da empresa em contrapartida com o pagamento dos serviços, que foi operacionalizado na forma abaixo. Em 06/01/2010 a Industrial Hahn Ferrabraz depositou R$ 300.000,00 na conta de Assilio Simão Pereira (enteado de Márcia Pereira), correspondente a 1ª parcela dos honorários devidos em razão do contrato de prestação de serviços firmados com a MP Consultoria. O Sr. Eduardo insistiu que o depósito não fosse feito na conta da MP Consultoria, mas sim na do Sr. Assilio, pois na conta da empresa parte do valor ficaria retido, em face da existência de débito em aberto, o que impossibilitaria a liquidação dos compromissos assumidos com os parceiros (fls. 329/330). No mesmo dia foram depositados R$ 59.000,00 na conta bancária do Sr. Cláudio, um dos possíveis parceiros a que se referia o Sr. Eduardo. O Sr. Assílio confirmou o recebimento dos R$ 300.000,00 (recibo à fl. 368) e o repasse de parte dos recursos para as contas bancárias de Marcya Regina Pas e Jane de Paula Moraes, esposa do Sr. Eduardo (fls. 490/491). Em 01/03/2010, a Industrial Hahn Ferrabraz fez um segundo pagamento para a MP Consultoria, no valor de R 69.609,00 (cópia do cheque à fl. 381). Os fatos cronologicamente apontados acima revelam a clara intenção da Recorrente ao contratar os serviços da MP Consultoria, qual seja, extinguir obrigações tributárias referentes ao anocalendário de 2009 por meio da retificação das DCTF. Não resta nenhuma dúvida de que a Interessada sabia que os procedimentos da contratada eram ilícitos, pois não era detentora de créditos que possibilitassem a extinção de seus débitos tributários. Quando questionada sobre a origem dos créditos escriturais a serem utilizados na extinção dos débitos, emitiu seguinte resposta: Questionamento formulado no Termo de Intimação de fls. 370/378, mas precisamente na fl. 378: 8) Na Cláusula Sexta, item, “b”, do Contrato de Prestação de Serviços firmado com a MP Consultoria consta que a extinção dos débitos da Hahn Ferrabraz se daria mediante a utilização de “crédito escritural específico da Receita Federal”. Perguntase: a) Qual a natureza do referido “crédito escritural específico da Receita Federal”? b) Quem era o titular do “crédito escritural específico da Receita Federal”? c) A Hahn Ferrabraz pleiteou a compensação de débitos com períodos de apuração de dezembro de 2008 a outubro de 2009? No caso de resposta afirmativa, informar as datas e números das respectivas Declarações de Compensação (DCOMP) apresentadas. Resposta da Hahn Ferabraz (fl. 380): Fl. 733DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11065.723042/201145 Acórdão n.º 2801004.012 S2TE01 Fl. 734 10 8 Apesar de termos feito diversas vezes esta pergunta às pessoas já citadas e que representavam a empresa, nunca ficou claro a origem destes créditos, alegavam que não eram eles que tinham o real conhecimento desta matéria, a pessoa que detinha este “expertise” era fortemente ligadas a RFB, o qual a Marcia deu como garantia a sua própria residência, conforme documentação já fornecida a esta fiscalização. Em nenhum momento obtivemos resposta direta, a única informação que obtivemos, que se tratava de créditos junto à RFB que estavam no “Limbo”, créditos que tinham em alguns CNPJ ou CPF e que seriam comprados dos referidos proprietários. Finalmente em resposta ao quesito 8.c informamos que não pleiteou compensação de qualquer débito, via DCOMP. Não é aceitável que a Industrial Hahn Ferrabraz, empresa integrante de grupo econômico com larga experiência no mercado, pensasse que os seus débitos tributários iriam desaparecer do nada. Tal comportamento, enquanto sabedor da inexistência de créditos a seu favor, evidencia que a Recorrente tinha conhecimento de que a MP Consultoria iria extinguir seus débitos de forma irregular, ou, pelo menos, assumiu o risco de que isso viesse a acontecer. Em outras palavras: não é crível supor que a Interessada tenha assinado um contrato de prestação de serviços para promover a extinção de débitos tributários da ordem de 4 milhões de reais, mediante compensação com “crédito escritural”, desconhecendo a origem de tais créditos e pagando o montante de R$ 369.609,00 pelo serviço. No mínimo uma atitude de conivência na busca de benefício indevido. O vínculo contratual entre a Interessada e a MP Consultoria é incontroverso. As dívidas tributárias objeto de cobrança, cuja confissão de dívida (DCTF) foi retificada, constam claramente do contrato firmado entre o contribuinte e a MP Consultoria. Prepostos da Recorrente acompanharam ativamente o andamento do serviço contratado relativamente aos débitos apontados nas DCTF, seja quitando débitos remanescentes de valor irrisório em relação ao montante da dívida originalmente confessado, seja pelo recebimento de extratos obtidos junto ao Fisco por Cláudio Alexandre Ferreira dos Santos, pessoa subcontratada pela MP Consultoria para a execução do serviço. O fechamento do círculo fraudatório se dá com o pagamento efetuado à MP Consultoria após a retificação das DCTF. Indiscutível, portanto, a responsabilidade da Recorrente na extinção dolosa das suas dívidas tributárias. Aplicação da multa de ofício no percentual de 150% Em relação à multa de ofício, utilizo, como razões de decidir, os seguintes excertos extraídos da decisão de piso: O impugnante em sua defesa se restringe a alegar que teria sido vítima do esquema ilícito, o que em nosso entender não é crível, visto ter efetuado a contratação dos serviços tendentes a extinguir seus débitos tributários, consoante já afirmado no tópico “Primeira Conclusão”. Não há dúvida de que a impugnante queria o resultado ilícito, ou seja, a extinção de seus débitos tributários, o que só poderia Fl. 734DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11065.723042/201145 Acórdão n.º 2801004.012 S2TE01 Fl. 735 11 ocorrer de forma irregular, e assumiu o risco quando contratou os serviços da MP Consultoria. Como consta no “Relatório Fiscal”, o art. 18, I, do DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, o Código Penal, preceitua que há dolo “quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo”. O que nos leva a convicção de ser exatamente o que ocorreu nesse caso. O conceito legal de fraude, para fins fiscais, consta do art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, assim redigido: “Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Como se verifica, a figura jurídica de que se trata consiste na prática de ato doloso com a intenção de impedir o fisco de tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Dessa forma, como a conduta descrita pela fiscalização caracteriza o intuito de fraude, pela tentativa do contribuinte de se furtar à tributação mediante o artifício de apresentação de declarações totalmente “zeradas”, como se não tivesse auferido receitas, deve ser mantida a multa de 150%, eis que condizente com a legislação que rege a matéria. Correta, portanto, a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, uma vez comprovada a participação da Recorrente na extinção dolosa e fraudulenta de suas dívidas tributárias. Pedido de cancelamento das DCTF retificadoras Sobre o pedido para cancelar as declarações retificadoras e fazer uma reconstituição dos débitos, esclareço que a retificação, o cancelamento e a reativação de uma declaração é matéria de competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil, consoante art. 220, XXII, do Anexo da Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010 (Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil). Descabe, assim, manifestação a respeito desse tema no bojo do presente processo administrativo fiscal. Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 735DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11065.723042/201145 Acórdão n.º 2801004.012 S2TE01 Fl. 736 12 Fl. 736DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 13727.000081/2003-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ART. 170 DO CTN.
Nos termos do art. 170 do CTN, para a homologação de compensação o contribuinte deve demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação ou compensação direta (DCTF), devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito.
Numero da decisão: 1301-001.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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COMPENSAÇÃO. ART. 170 DO CTN. Nos termos do art. 170 do CTN, para a homologação de compensação o contribuinte deve demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação ou compensação direta (DCTF), devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 72 7. 00 00 81 /2 00 3- 55 Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13727.000081/200355 Acórdão n.º 1301001.703 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Com base em alegados SALDOS CREDORES de IRPJ e de CSLL apurados no ano calendário de 2002, a interessada apresentou diversas DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, no intuito de liquidar débitos referentes a tributos administrados pela Receita Federal. Entendendo que o crédito pleiteado pelo contribuinte não estava revestido dos necessários atributos de liquidez e certeza, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu (RJ) deixou de homologar, num primeiro momento, as compensações formuladas em papel de 07/05/2003 (original fls. 1/2); de 26/09/2006 (retificadora fls. 12/13); 13/05/2003 (fls. 05/06 e 07/08). As razões que motivaram o indeferimento do pleito compensatório estão expostas no Parecer SEORT/DRF/NIG n'085/2008 (fls. 59/61), abaixo transcrito: "Senhor Chefe, Tratase, neste processo, de Declaração de Compensação formalizada pela empresa em epígrafe para extinguir os diversos débitos elencados à fl. 01, 05, 07 e 12. 2. O pretenso crédito tem origem no saldo negativo de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário de 2002 (fls. 02, 06, 08 e 13). 3. Às fls. 02 e 13, demonstrativo do alegado saldo negativo de IRPJ e CSLL que totalizam, juntos, o valor de R$ 1.294.486, 10 (um milhão, duzentos e noventa e quatro mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e dez. centavos). 4. Antes de qualquer análise, cabe destacar que apenas os créditos líquidos e certos do contribuinte é que são passíveis de compensação (art. 170 do CTN): "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou • cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." 5. Na esteira do citado dispositivo legal foi publicada a Lei n° 9.430/96 (e suas respectivas alterações), que dispõe em seu art. 74. "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." (Redação dada pela Lei n" 10.637, de 2002) 6. Portanto, três são os requisitos para que o crédito do contribuinte possa ser utilizado em compensação: Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 1 — Possuir liquidez e certeza; II — Referirse a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal; II1— Ser passível de restituição ou de ressarcimento 7. No presente caso inexiste dúvida quanto ao cumprimento dos requisitos II e III acima enumerados. É sabido que o saldo negativo de IRPJ e CSLL referese a recolhimento excedente ou indevido de tributo e contribuição administrados pela Receita Federal, havendo autorização para a sua restituição na legislação tributária. 8. Resta que se comprove a liquidez e, principalmente, a certeza do crédito. 9. A toda evidência, não se deve tomar a singela informação de fls. 02, 06, 08 e 13 como elemento de prova para restituir/compensar mais de um milhão de reais em valores originais (fls. 01, 05, 07 e 12). Há que se promover uma verificação nas demais informações prestadas pelo interessado na mesma DIPJ 2003 e, sendo o caso, intimar o contribuinte a comprovar fatos que possam repercutir no alegado crédito ou solicitar diligência fiscal no estabelecimento da pessoa jurídica com essa finalidade. Todavia, como se verá a seguir, tal providência tornase desnecessária. 10. Ocorre que a seu favor o interessado nada juntou nos autos que possa comprovar o seu direito creditório. Sequer apresentou cópia da DIPJ 2003 na qual apurou o saldo negativo de IRPJ e CSLL. Tampouco apresentou DARFs que comprovem ter havido recolhimento indevido, nem ao menos relacionou datas e valores dos supostos recolhimentos. Inexiste, também, comprovante de retenção de imposto na fonte emitido por outra pessoa jurídica ou qualquer outro documento que ofereça suporte ao crédito. 11. Em princípio, a ausência de comprovação nos autos é insuficiente para considerar inexistente o direito creditório. Vale lembrar que a Receita Federal dispõe de recursos para, por exemplo, imprimir cópia da DIPJ 2003 e avaliar se há verossimilhança nos valores informados pelo contribuinte. 12. No presente caso, consultas à DIPJ2003 (fls. 32158) de plano evidenciam a inexistência do pretenso crédito. Notase, às fls. 32/58, que no anocalendário 2002 o interessado apurou valores positivos para "Imposto de Renda a Pagar" e "CSLL a Pagar"! 13. Sendo assim, o próprio contribuinte admite na DIPJ 2003 que não apurou saldo negativo de IRPJ, ou mesmo de CSLL, caso contrário, haveria valores negativos nos respectivos campos 18 da Ficha 12A e campo 42 da Ficha 17 da declaração. 14. A constatação acima é corroborada pelas informações prestadas pelo interessado nos campo 16 e 38 (fls. 32 e 57, respectivamente), nas quais esclarece que a empresa em epígrafe nada recolheu a título de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, contradizendo valores apurados por estimativa em todos os meses do ano calendário 2002, conforme fls. 33/56. Também informa que inexistiu retenção de imposto de renda na fonte (f1s. 32 e 58). 15. A situação fática exposta pelo interessado em sua DIPJ 2003 é cristalina o suficiente para justificar a desnecessidade de intimálo a prestar novas informações, ou cumprir qualquer exigência, e, ainda, para evitar que se proponha diligência fiscal no estabelecimento da empresa. 16. As informações prestadas pelo próprio contribuinte na DIPJ2003 permite que se conclua pela inexistência da certeza e liquidez do pretenso crédito. Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13727.000081/200355 Acórdão n.º 1301001.703 S1C3T1 Fl. 13 5 17. Á luz do que foi exposto, proponho a não homologação da compensação declarada nestes autos, com fulcro no art. 170 do CTN, cumprindose, no que couber, os dispositivos do art. 74 da Lei n° 9.430196 e da IN/SRF n° 600/05. (...) Cientificada do despacho denegatório em 10/04/2008 (AR fl. 64), a Interessada apresentou, em 08/05/2008, manifestação de inconformidade dirigida a esta Delegacia de Julgamento (fls. 206/217), alegando, em síntese, que: o argumento da autoridade fiscal de que a empresa estaria pleiteando um crédito no valor de R$ 1.294.486,10 não procede; o que houve, na verdade, é que, ao apresentar a primeira declaração de compensação, em 07/05/2003, a empresa informou apenas os valores principais do seu crédito, sem atualização de juros (saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 366.170,39; e saldo negativo de CSLL, no montante de R$ 224.706,83); posteriormente, em 26/09/2006, por orientação da própria Receita Federal, entregou uma declaração PER/DCOMP retificadora com os valores atualizados (saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 406.204,64; e saldo negativo de CSLL, no montante de R$ 297.404,24); o crédito pleiteado foi, portanto, de R$ 703.608,88, e não de R$ 1.294.486,10; o argumento da autoridade fiscal de que a empresa não teria apurado nenhum saldo negativo de IRPJ ou de CSLL na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica/DIPJ relativa ao anocalendário 2002 também não procede; os saldos credores encontramse devidamente informados na declaração DIPJ retificadora que foi apresentada em 27/03/2008 (fls. 234/282), antes, portanto, da ciência do despacho decisório. Posteriormente, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Nova Iguaçu/RJ anexou ao processo diversas outras DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, fundamentadas no mesmo direito creditório conforme relacionadas. Em face dos novos elementos trazidos aos autos, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu/RJ proferiu um segundo despacho decisório, no sentido de não homologar as compensações restantes. Segue abaixo reproduzido, o Parecer SEORT/DRF/NIG n° 325/2008 (fls. 193/194), que fundamentou a referida decisão: "Senhor Chefe, As compensações destes autos foram objeto do despacho decisório de fls. 59/62 que concluiu pela inexistência dos requisitos de certeza e liquidez do pretenso crédito. Desta forma, as compensações não foram homologadas pela autoridade competente. • 2. Todavia, após a expedição da comunicação n° 111/2008 (fls. 63) foram juntadas ao processo outras DComps que o interessado formalizou muito antes de ser proferido o despacho decisório. Nessas compensações o crédito utilizado é o mesmo alegado nestes autos. 3. É bom destacar que as compensações de fls. 65 em diante não se enquadram na vedação do art. 26, § 3°, inciso X, da INSRF 600/2005, haja vista que o contribuinte formalizou todas as compensações antes da apreciação do direito creditório pela autoridade administrativa. 4. Além disso, a meu ver, o despacho decisório de fls. 59/62 abrange todas as compensações vinculadas ao alegado crédito. Basta lembrar que compensação é um Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 encontro de contas entre o débito que o sujeito passivo tem perante a administração tributária e o crédito que o mesmo detém a seu favor. A partir momento em que o crédito utilizado é rejeitado por meio de despacho formal proferido por autoridade competente, não há que se falar mais em homologação da compensação, porque esta nada mais é do que a aprovação dada pela administração ao ato praticado pelo contribuinte. Neste caso, em que o ato decisório aponta claramente para o crédito rejeitado e estende os efeitos da decisão a todas as compensações que constam neste processo, resta evidenciado por ato formal que também as demais compensações que guardem relação com o crédito rejeitado não obtiveram a aprovação da autoridade competente. 5. Por outro lado, com o fito de evitar possíveis questionamentos, é de bom alvitre que se profira novo despacho decisório de forma a abranger clara e incontestavelmente todas as compensações vinculadas ao crédito rejeitado no ato decisório de fls.59/62. 6. Outrossim, cumpre destacar que após tomar ciência do despacho decisório de fls. 59/62 o contribuinte apresentou a respectiva Manifestação de Inconformidade, pendente de juntada nos autos no momento desta análise. 7. Considerando que o novo despacho decisório deve manter a mesma fundamentação da decisão recorrida, entendo que o recurso administrativo interposto pelo contribuinte já abrange todas as compensações formalizadas com fulcro no crédito deste processo. 8. Vale lembrar que pelo princípio da economia processual a máquina administrativa deve despender o mínimo possível de esforço com vistas a executar a sua tarefa. Neste contexto, não se vislumbra qual seria a necessidade de intimar novamente o contribuinte acerca de um ato do qual já tomou ciência, inclusive interpondo recurso. 9. Sendo assim, em face da ausência de novos elementos no despacho decisório ora proposto que possam motivar nova argumentação do contribuinte, proponho: • A adoção da mesma fundamentação do Parecer Seort n° 085/2008, às fls. 59/61, para não homologar todas as compensações vinculadas ao crédito informado pelo contribuinte neste processo; • Juntar ao processo a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte; • Encaminhar a manifestação de inconformidade para apreciação da autoridade julgadora no estado em que se encontra, levandose em consideração que o recurso interposto pelo interessado ataca tanto o despacho decisório de fls. 59/62, como o despacho decisório proferido a seguir, com base neste parecer. " (...) Vindo o feito a julgamento, decidiu esta Turma, na sessão de 05/02/2009, restituir o processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Nova Iguaçu/RJ, a fim de que fosse dada ciência do novo despacho decisório à Interessada, abrindolhe prazo de trinta dias para defesa (cf. Resolução DRJ/RJOI n° 011/2009, à fl. 521). Cientificada do segundo despacho em 17/04/2009 (AR fl. 523), a Interessada apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 525/526), repisando, basicamente, os mesmos argumentos expendidos na anterior. Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13727.000081/200355 Acórdão n.º 1301001.703 S1C3T1 Fl. 14 7 A DRJ/RIO DE JANEIRO I decidiu a matéria por meio do Acórdão 12 25.334, de 31/07/2009 (fls. 580), julgando a impugnação procedente em parte, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Anocalendário: 2008 PROCESSO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. REQUISITOS DO DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO OBJETO DE ANÁLISE. A autoridade administrativa competente para apreciar o processo de restituição/compensação deverá identificar, em seu despacho decisório, quais as Declarações de Compensação que foram homologadas e quais as que não o foram. O despacho decisório só produz efeitos em relação às Declarações de Compensação nele expressamente indicadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. EFEITOS DA DECLARAÇÃO RETIFICADORA. O prazo para a Fazenda homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, a contar da data da entrega da respectiva Declaração de Compensação. Expirado o referido prazo, sem que a autoridade administrativa tenha comunicado sua decisão ao interessado, considerase a compensação tacitamente homologada. Uma vez admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação passa a ser a data da apresentação da retificadora. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. É ônus do sujeito passivo comprovar a liquidez e a certeza dos créditos que alega possuir contra a Fazenda Pública. Não logrando o interessado apresentar elementos que comprovem a totalidade do crédito que alega possuir frente à Fazenda, é de se reconhecer o seu direito creditório apenas em relação à parcela reputada líquida e certa. É o relatório. Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Das compensações pleiteadas se requer o reconhecimento de saldo negativo de IRPJ no valor atualizado de R$ 406.204,64 e da CSLL no valor de R$ 297.404,24, para o ano calendário de 2002. Da análise efetuada pelas autoridades de primeira instância restou reconhecido saldo negativo de CSLL no valor de R$ 8.190,99 e nada para o IRPJ, sob a alegação de que a contribuinte recorrente não comprovou a liquidez e certeza dos créditos. O contribuinte não concordou com a decisão recorrida afirmando, entre outras coisas, que “a liquidez e certeza dos créditos não precisaria de comprovação, tendo em vista que a RFB tem meios de verificar a veracidade de todas as alegações da empresa”. Em seguida afirma que houve equívocos no preenchimento na DIPJ e, apresenta vasto demonstrativo de cálculo na apuração do seu pretenso direito creditório que envolve, inclusive, período anteriores (desde 1998) com base nas DIPJ, pagamentos/estimativas e compensação em DCTF tendo em vista crédito existente dos períodos anteriores. De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, nem mesmo o equívoco dito cometido, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13727.000081/200355 Acórdão n.º 1301001.703 S1C3T1 Fl. 15 9 confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil que possibilitasse a comparar com os valores declarados na DIPJ, estimativas e DCTF. Nesse sentido, nas declarações de compensação apresentadas, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Constatase do voto recorrido que os saldos credores de IRPJ e CSLL apurados pela recorrente devemse, exclusivamente, a recolhimentos de estimativas mensais e, de acordo com as informações prestadas nas DCTFs as estimativas teriam sido quitadas, em parte por pagamentos efetuados através de Darf, em parte por compensações efetuadas com outros créditos, decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior. Logo o reconhecimento do direito creditório exige a comprovação da apuração e liquidação das referidas estimativas e, foi exatamente o que foi feito pela decisão recorrida à vista das informações prestadas pelo próprio contribuinte. Enfim, não logrando o interessado apresentar elementos que comprovem a totalidade do crédito que alega possuir frente à Fazenda, é de se reconhecer o seu direito creditório apenas em relação à parcela reputada líquida e certa pela autoridade fiscal. Ressaltese, que na sessão de julgamento do dia 23/10/2014, a recorrente representada por novos signatários (advogados) protocoliza memorial aduzindo, em síntese, "da impossibilidade da glosa de compensação realizada diretamente em DCTF após o prazo do art. 150, § 4°, do CTN." O “prazo de homologação tácita” alegado pelo contribuinte que seria de cinco anos, corresponderia ao mesmo prazo decadencial para o lançamento (constituição da obrigação tributária), previsto no CTN. Indica como paradigma recente julgado desta mesma Turma (Acórdão 1301001.633, de 28/08/2014). Este tema não foi objeto de apreciação em primeira instância pois não ventilado na impugnação. Entretanto, por se tratar de matéria de ordem pública, passemos a análise. É certo que a decadência opera no sentido do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Em conseqüência, após cinco anos passados da ocorrência do fato gerador, o Fisco não mais poderá formalizar lançamento para exigência de Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 crédito tributário e impor penalidades, ou seja, constituir exigências tributária, nos exatos termos do 150, § 4o. do CTN, conforme alegação da recorrente. Por outro lado, não há dúvidas de que na modalidade de lançamento por homologação, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do imposto que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Claro está de que no ordenamento pátrio existe prazo de caducidade aquisitiva. Todavia, tais prazos devem ser expressos. Ademais, não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além da possibilidade da interpretação, especialmente porque não haveria limites para o indébito tributário. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes elevados. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado conforme o artigo 170 do CTN. Digo isso, porque o procedimento de homologação da compensação é iniciado pelo próprio contribuinte, que tem o ônus de provar que possui o respectivo direito creditório, e por isso deve manter a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito, consoante o disposto no art. 264 do Decreto n° 3.000, de 1999, in verbis: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei n° 486, de 1969, art. 4°). De fato, o interregno para controle dos registros patrimoniais com possibilidade de repercussão tributária no futuro é definido em função do prazo para gozar do crédito decorrente. Nesse contexto, pode a autoridade fiscal, no prazo de que dispõe para rever o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação e, na ausência desta, negar sua utilização. E, reforçando o teor do art. 264 do RIR/99, assim dispõe o art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996: “Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” A simples leitura do dispositivo em questão evidencia sua absoluta coerência com os princípios da decadência e da homologação tácita, a que se reporta tanto o artigo 149, § Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13727.000081/200355 Acórdão n.º 1301001.703 S1C3T1 Fl. 16 11 único, como os artigos 150, § 4º, e 173, todos do CTN. Isto é, se determinada apropriação influi no resultado da apuração de crédito tributário no futuro, é passível de revisão até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Ainda que, na origem, seja legalmente carregada de período já decadente. Não há como se interpretar a matéria de modo a inviabilizar a fiscalização por parte do Fisco. A jurisprudência também não desborda de tal entendimento. Como exemplo, citase o decidido no recente Acórdão 1402001.590, de 11 de março de 2014, do i. relator Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Como se vê, não se trata de procedimento fiscal que tenha modificado a base de cálculo do IRPJ, no caso o Lucro Real apurado em 31/12/2002, para exigir tributo não declarado. A base de cálculo do IRPJ e da CSLL que norteou a análise da Delegacia de origem é exatamente a constante da DIPJ do AC/2002, declarada pelo Contribuinte. Ou seja, não houve nenhuma das atividades inerentes ao ato de lançamento, no que diz respeito à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, como pressuposto para o lançamento tributário de que trata o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Desse modo, tornase insubsistente qualquer alegação da Recorrente que conduza à existência de lançamento tributário e decadência do direito ao Fisco para verificar a procedência do crédito pleiteado. Assim, não há que se falar em homologação tácita como restrição ao direito creditório pleiteado, tampouco a “decadência” cogitada pela Reclamante. Com relação ao Acórdão (1301001.633), citado como paradigma ao caso em concreto, trata o mesmo de lançamento de ofício (auto de infração). Ademais, tendo em vista que não foram carreados aos autos as provas essenciais à do saldo negativo de 2002, qual seja, a escrituração contábil do período, não vejo como reconhecer o crédito tributário correspondente. Ante o exposto, entendo que, neste caso, não há se falar em ocorrência de decadência ou homologação tácita e, na ausência de comprovação do saldo negativo de 2002, por conseguinte, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 15563.000311/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REJEIÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se-a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2302-003.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em rejeitar os Embargos de Declaração opostos para manter a decisão proferida no Acórdão embargado de negar provimento ao recurso voluntário.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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REJEIÇÃO. Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitasea pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em rejeitar os Embargos de Declaração opostos para manter a decisão proferida no Acórdão embargado de negar provimento ao recurso voluntário. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 03 11 /2 01 0- 51 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 2 Tratase de embargos opostos tempestivamente pela CRUZ VERMELHA BRASILEIRA FILIAL NOVA IGUAÇU, fls. 0171 a 0173, contra acórdão, fls. 0160 a 0165, que, negou provimento ao recurso voluntário interposto pela própria entidade. Afirma a embargante que a decisão recorrida indicou que a personalidade jurídica própria da embargante começou em 2006, todavia, esta se deu em 1984, quando foi constituída, conforme art. 3° do Decreto 23.482/1933, tendo, porquanto autonomia desde sua constituição. É o Relatório. Voto Tratase de embargos de declaração contra acórdão, amparado na existência de erro na decisão, ao apontar que a personalidade jurídica própria da embargante começou em 2006 , e não em 1984, momento de sua constituição, como alegado pela ora recorrente. O Regimento Interno deste Órgão Colegiado prevê, em seu art. 65 e seguintes, o manejo de embargos declaratórios contra seus julgados que restarem omissos, obscuros ou contraditórios em algum de seus termos, sendo estes os requisitos indeclináveis para o acatamento dos declaratórios. Em que pese a embargante não explicite que conseqüências surgiriam de tal reconhecimento, claro fica que se estaria diante da aplicabilidade de legislação diferenciada para o reconhecimento da isenção, bem como não seria necessário novo requerimento para a isenção patronal, como apontado pela decisão guerreada. Uma vez que a partir de novembro de 2006 o Recorrente passou a ter personalidade jurídica própria, caberia ao mesmo, para usufruir da isenção, comprovar o requerimento tempestivo. Com efeito, tais embargos não merecem acolhida. Afora tais hipóteses, devidamente elencadas no Regimento Interno deste Conselho, os embargos não são o meio hábil a alterar uma determinada decisão proferida pelo Colegiado, sendo certo que existem outros recursos para tanto. Analisando a pretensão da recorrente, resta claro que a motivação da Embargante é a de revisão deste julgado, ou seja, rediscussão da matéria, o que não é admissível – como dito – pela estreita via dos embargos declaratórios. Feitos estes esclarecimentos, e por não se tratar da hipótese de verdadeira omissão ou contradição por parte da decisão embargada, entendo que os embargos não merecem ser providos neste ponto, por absoluta falta de previsão legal para tanto. Por isso, VOTO no sentido de REJEITAR os embargos de declaração. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº15563.000311/201051 Acórdão n.º 2302003.566 S2C3T2 Fl. 3 3 É o voto. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em rejeitar os embargos propostos. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2014 LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 13637.000844/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/12/2007
FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO FISCAL EMITIDO APÓS A IMPUGNAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE.
A omissão em dar ciência ao contribuinte de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa.
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2401-003.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a Decisão de Primeira Instância.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE. A omissão em dar ciência ao contribuinte de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 08 44 /2 00 7- 09 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a Decisão de Primeira Instância. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13637.000844/200709 Acórdão n.º 2401003.903 S2C4T1 Fl. 181 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 09 19.986 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Juiz de Fora (MG), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 37.119.0266. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 18/26, a lavratura em questão referese a aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de apresentar todos os livros/documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. Segundo a autoridade fiscal a empresa, mesmo regularmente intimada deixou de apresentar os seguintes documentos: a) os livros diário, razão e/ou livro caixa, bem como as folhas de pagamento dos meses de março e abril/2006 do Colégio Darwin de Barbacena; b) os livros diário, razão e/ou livro caixa, bem como as folhas de pagamento do período maio/2005 a fevereiro/2006 da Organização de Ensino Palomar Alcides Ferreira Ltda. O fisco noticia que a solicitação documental foi direcionada para o Centro Educacional Nascimento Barbacena Ltda EPP em razão deste ter incorporado o Colégio Darwin de Barbacena e a Organização de Ensino Palomar Alcides Ferreira Ltda, inclusive sem interrupção das atividades pedagógicas, posto que os alunos continuaram a frequentar as aulas, vinculandose a partir da incorporação ao Centro Educacional Aprendiz EPP, antiga razão social do sujeito passivo. São apresentados todas as circunstâncias em que se deu a sucessão de empresas. Cientificado do lançamento em 12/12/2007, a notificada ofertou impugnação de fls. 124/139, apresentando em síntese os seguintes pontos: a) a empresa impugnante não adquiriu a unidade econômica do Palomar, nem continuou a exercer as mesmas atividades daquele, salientandose ainda que a atividade do Palomar era de suplência e a do impugnante é de cursos técnicos; b) também inexistiu transferência compulsória de alunos, posto que estes poderiam optar por outras escolas; c) menciona reclamatórias trabalhistas em que os reclamantes não obtiveram êxito; d) o imóvel onde funcionara o Palomar fora locado em 10 de fevereiro de 2006 junto à sua proprietária, vez que o mesmo tinha sido desocupado; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 e) o Palomar é uma empresa que ainda está ativa, porém sem movimento, sendo que o corpo discente não foi abrangido/abarcado pela impugnante. Os autos foram baixados em diligencia para verificação da situação da empresa sucedida (folha 142). À folha 147, foi exarado, pela Seção de Fiscalização da DRF Juiz de Fora, o seguinte despacho: "Em atendimento às informações de fls 142 a 144 cumpre esclarecer que conforme consulta ao SISCOL consta a vinculação do CNPJ da sucessora (Centro Educacional Nascimento Barbacena Ltda) com a sucedida Colégio Darwin de Barbacena Ltda cópia juntada às fls 145 e com a sucedida Organização de Ensino Palomar Alcides Ferreira Ltda cópia juntada às ƒls 146. Conforme consulta ao PLENUS cópia juntada às fls 147, referente paralisação de atividades do Colégio Darwin de Barbacena Ltda em 30/04/2006 e Organização de Ensino Palomar Alcides Ferreira Ltda em 31/03/2006." Sem que o sujeito passivo fosse cientificado da existência deste pronunciamento do fisco, foi exarada a decisão de primeira instância, mantendo integralmente o lançamento. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, lançou os mesmos argumentos da defesa para comprovar que não tem legitimidade para figurar no polo passivo do presente lançamento. É o relatório. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13637.000844/200709 Acórdão n.º 2401003.903 S2C4T1 Fl. 182 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Do cerceamento ao direito de defesa No curso da instrução do processo, após o oferecimento da impugnação, o feito foi baixado em diligência para que para que a autoridade lançadora se pronunciasse acerca da documentação exibida pelo impugnante em sede de defesa. Fruto de tal incidente processual, foi emitida Informação Fiscal, a qual veiculou parecer conclusivo acerca do objeto da diligência em apreço, moldado nos seguintes termos: "Em atendimento às informações de fls 142 a 144 cumpre esclarecer que conforme consulta ao SISCOL consta a vinculação do CNPJ da sucessora (Centro Educacional Nascimento Barbacena Ltda) com a sucedida Colégio Darwin de Barbacena Ltda cópia juntada às fls 145 e com a sucedida Organização de Ensino Palomar Alcides Ferreira Ltda cópia juntada às ƒls 146. Conforme consulta ao PLENUS cópia juntada às fls 147, referente paralisação de atividades do Colégio Darwin de Barbacena Ltda em 30/04/2006 e Organização de Ensino Palomar Alcides Ferreira Ltda em 31/03/2006." Com efeito, prestouse tal parecer de alicerce para o livre convencimento da autoridade judicante administrativa a quo e como fundamento da decisão de 1ª Instância, que culminou na declaração de procedência da lavratura. É o que se pode ver de excerto do acórdão recorrido: "Observese que consta da Ata 28/2006, folha 88, que o Sr. Luis Henrique, diretor do Colégio Professor Alcides Ferreira (conforme Ata 27/2006, folha 85; e Relatório Fiscal, folha 22), iria “solicitar o encerramento das atividades do Colégio Palomar”. Consta do Relatório Fiscal de folha 22 que suas atividades foram paralisadas e o cadastro previdenciário (folha 148) também informa a paralisação, o que exclui a responsabilização subsidiária do adquirente. O mesmo se deu com o Colégio Darwin de Barbacena (folhas 20 e 149)." Compulsando os autos, todavia, não logrei me deparar com qualquer indício de prova material que demonstrasse ter sido o sujeito passivo em tela devidamente cientificado da juntada da Informação Fiscal referida nos parágrafos precedentes. Nesse panorama, verifica Fl. 184DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 se ter lavrada a decisão administrativa ora guerreada sem que tenha sido oportunizado ao sujeito passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado da diligência fiscal em questão. A privação do conhecimento das razões aduzidas pela Fiscalização, as quais se prestaram na fundamentação da Decisão discutida, configurou, ao meu sentir, hipótese de cerceamento de defesa, pela efetiva exclusão do contraditório além de supressão de instância eis que a contradita do sujeito passivo ficou reservada, tão somente, à instância recursal. A situação fática retratada no presente caso, consistente na usurpação do direito ao contraditório, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso II, in fine, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Nesse contexto, pautamos pela declaração de nulidade do Acórdão combatido, com fulcro no art. 59, II do Decreto nº 70.235/72, para ciência da recorrente do teor da Informação Fiscal a fl. 147, devendo ser reaberto o prazo normativo para se manifestar nos autos. Conclusão Voto por anular a decisão de primeira instância, devendo ser conferido à recorrente o direito de se manifestar acerca do resultado da diligência em realce. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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