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Numero do processo: 13629.720819/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que eventuais irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento, mormente quando não constadas as irregularidades alegadas pelo sujeito passivo.
MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTO NÃO COMBATIDO.
Ao se constatar que o argumento trazido pela recorrente é dirigido contra matéria diversa, e que não foi atacado o fundamento adotado pelo Fisco para efetuar o lançamento com multa qualificada, esta deve ser mantida.
ALEGAÇÕES DE VIOLAÇÕES DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1302-001.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial, na vigência do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que eventuais irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento, mormente quando não constadas as irregularidades alegadas pelo sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTO NÃO COMBATIDO. Ao se constatar que o argumento trazido pela recorrente é dirigido contra matéria diversa, e que não foi atacado o fundamento adotado pelo Fisco para efetuar o lançamento com multa qualificada, esta deve ser mantida. ALEGAÇÕES DE VIOLAÇÕES DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 08 19 /2 01 2- 01 Fl. 853DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 854 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório A SUPERBOX LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0128.375, de 28/01/2014, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Contra a empresa acima qualificada foram lavrados cinco autos de infração, às fls.02/82, para exigência de crédito tributário decorrente do SIMPLES Nacional, relativo ao anocalendário 2009, nos seguintes montantes, aí incluídos os juros moratórios e a multa de ofício calculados até 15/02/2013: IRPJ de R$ 131.165,45 (fls. 03/06), CSLL de R$ 131.165,45 (fls. 07/10), COFINS de R$ 388.497,00 (fls. 11/14), PIS de R$ 92.284,32 (fls.15/18) e Contribuição Patronal Previdenciária de R$ 1.116.946,16 (fls. 19/22 ). Conforme descrito no Relatório Fiscal (fls. 83/123), que é parte integrante do Auto de Infração, o procedimento fiscal foi instaurado com base em indícios de omissão de receitas, caracterizada pela movimentação financeira expressiva e continuada em relação às receitas declaradas no ano de 2009, tendo sido apurada a infração omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e insuficiência de recolhimento. A fiscalização se iniciou com a ciência da ciência do Termo de Início de Fiscalização em 19/12/2011, às fls. 125/126, por meio do qual foi instada a Fl. 854DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 855 3 apresentar, relativamente ao anocalendário 2009, Livros Diário e Razão ou Livro Caixa, cópia do contrato social e alterações e extratos bancários de todas as contas correntes e de aplicações financeiras. Em 26/12/2011, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo para atendimento da intimação fiscal, por 45 dias, tendo sido concedido prazo até 09/01/2012, às fls. 210/213. Por meio do Termo de Intimação nº 01, às fls. 127/128, o contribuinte foi intimado a apresentar o Livro Diário e Razão, ou Livro Caixa, caso não tivesse escrituração, com a informação de que o não atendimento da intimação ensejaria a aplicação de multa agravada. Em 16/01/2012 o contribuinte apresentou o Livro Caixa do ano de 2009, às fls.214, e em 25/01/2012, cópia do contrato social e alterações, às fls. 215. Por meio do Termo de Intimação nº 02, às fls. 129/162, o contribuinte foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados nas contas de sua titularidade, conforme planilhas anexas. Em 10/02/2012, apresentou resposta ao Termo de Intimação nº 02, informando que foram solicitadas aos Bancos, cópias dos extratos bancários, que pediram prazo para fornecelos, razão pela qual solicitou prorrogação de prazo para atendimento da intimação até 16/02/2012, às fls.216. Em 18/01/2012 foi reintimado do Termo de início de fiscalização não atendido até aquela data, com a informação da aplicação de multa agravada, às fls. 163/164 e novamente reintimado em 31/01/2012, às fls. 165/166 e 167/198. Em atendimento ao Termo de Intimação nº 02, às fls. 218/250, a empresa impugnou os extratos bancários, por terem sido obtidos sem autorização judicial, além de alegar a imprestabilidade do levantamento fiscal, por constarem transferências entre contas de mesma titularidade e empréstimos bancários creditados em conta, que não exigem qualquer justificativa, além de não poderem configurar omissão de receita. Em relação ao Termo de Intimação nº,03, ratificou sua resposta ao Termo de Intimação anterior, sobre a imprestabilidade do levantamento fiscal, às fls. 251/314. Diante dos fatos apurados, foram lavrados os autos de infração para exigência dos impostos e contribuições devidos no anocalendário 2009, com a apuração dos tributos devidos de acordo com a Lei Complementar nº 123/2006. Cientificada do lançamento em 20/02/2013, a empresa apresentou impugnação ao lançamento em 22/03/2013, às fls.734/766, alegando, em síntese: apresentou o Livro Caixa à fiscalização que mesmo confirmando que os valores escriturados nesse Livro foram declarados em DASN, insistiu na apresentação de extratos bancários, não tendo atendido a intimação nesse particular em razão do sigilo bancário e pelo fato de não serem documentos de guarda obrigatória. mediante a comparação entre os dados lançados no Livro Caixa e os extratos bancários, obtidos sem o consentimento do contribuinte ou autorização judicial, a fiscalização intimou a impugnante a comprovar a origem dos recursos discriminados em relatório que acompanhou o respectivo MPF. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 856 4 a impugnante sempre destacando a imprestabilidade das informações sobre as quais se requeria esclarecimentos, demonstrou, por diversas vezes, o quão desacertado era o levantamento fiscal e ainda assim sobreveio a lavratura do auto de infração. ataca a validade do MPF, por entender que sendo ele elemento indissociável do auto de infração, eventuais vícios no MPF contaminam também a validade do próprio auto de infração. a ação fiscal que resultou na lavratura dos autos de infração impugnados teve início em dezembro de 2011, com a notificação do contribuinte da autuação após o decurso do prazo de 120 dias do início da ação fiscal, que na verdade foi lavrado após mais de um ano da ação fiscal, em fevereiro de 2013. vale notar que no Termo de Verificação Fiscal que acompanha os autos lavrados, o fiscal responsável informa que teria sido prorrogado o prazo de que trata o art.11 da Portaria nº 11.371/2007, mas em nenhum momento trouxe elementos que pudessem fundamentar a prorrogação do prazo de validade do procedimento fiscal. conclui que a falta de motivação aos atos de prorrogação de MPF tornaram o ato nulo, sendo devido o cancelamento dos autos de infração, por terem resultado de MPF extinto. outra razão que fundamenta a nulidade dos autos de infração é o arbitramento por se tratar de medida excepcional, aplicável somente na ausência de elementos que permitam apurar o real alcance do fenômeno tributário, devendo sempre a administração pautarse na busca da verdade material. ocorre que ao longo de mais de um ano de fiscalização não se logrou demonstrar a existência de uma única operação concreta que não tenha sido oferecida à tributação, o que torna insustentável o arbitramento ao caso. o arbitramento, especialmente por inexistir tal previsão no art. 148 do CTN, já que fornecidos todos os elementos necessários para a apuração do crédito tributário impõe também a nulidade do auto de infração. alega violação ao sigilo bancário por terem sido desconsiderados pela fiscalização os lançamentos efetuados no Livro Caixa, arbitrando os tributos que entendeu devidos a partir de extratos bancários obtidos indevidamente e adotando critérios discricionários a fiscalização federal considerou como depósito, desbloqueio de depósito, cobrança, liquidação de cobrança valor disponível, desconto de cheque escritural e outras movimentações financeiras como receita tributável, aplicando à totalidade desses valores as alíquotas dos impostos e contribuições exigidas mediante lançamento. alega a inconstitucionalidade na quebra do sigilo bancário, por ser garantia constitucional, devendo serem preservadas as informações financeiras, sendo medida excepcional a quebra do sigilo, justificada por motivos concretos e relevantes, na prática de delito fiscal. contrário ao posicionamento já assentado pelos Tribunais pátrios, a fiscalização, por iniciativa arbitrária e ilegal, efetuou o lançamento tributário com base em extratos bancários, sem apresentar motivos suficientes e quais os indícios concretos da conduta supostamente delituosa que teria sido praticada pela impugnante para justificar a quebra unilateral do sigilo bancário. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 857 5 traz à baila a Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de recursos que ressoa nos tribunais e que também já ensejou a invalidade de inúmeros lançamentos efetuados pelo Fisco na ânsia de cobrar imposto sobre a renda de contribuintes, mediante a avaliação de extratos bancários, concluindo que por afronta ao art. 5º da Constituição Federal deve ser anulado o lançamento por revelar medida ilegal e inconstitucional. quanto à escrituração, alega que sua retidão, reconhecida pelo próprio Fisco no relatório fiscal, afasta a presente autuação, entendendo que em se tratando de matéria tributária o dever de provar a ocorrência do fato gerador recai sobre o Fisco que somente pode exercer o ato vinculado do lançamento se restar sobejamente demonstrada a ocorrência da situação hipoteticamente descrita na norma legal como passível de tributação ( arts.114 a 117 do CTN). a fiscalização violou o princípio da verdade material por se sustentar em meros indícios e presunções, valendose ainda de prova obtida irregularmente para justificar não só a cobrança ilegal dos tributos federais, mas também a exclusão da empresa dos regimes do Simples Nacional e Federal. o lançamento baseado em mera presunção é repudiado pela doutrina e até mesmo pelos Órgãos administrativos de julgamento, conforme se verifica em acórdãos do CARF colacionados à defesa. portanto, a prova contrária produzida pela impugnante mediante a exibição do Livro Caixa que atesta a retidão das declarações prestadas à Receita Federal do Brasil e o seu faturamento evidenciam a necessidade de ser cancelado o lançamento. ante a ausência de fundamento legal para Requisição de Movimentação Financeira, não se poderia efetuar a quebra do sigilo, por se tratar de medida excepcional que deve levar em conta o princípio da proporcionalidade da medida, a garantia individual do cidadão e a observância do procedimento apropriado e legal, não podendo servir ao perigoso intuito de devassa injustificada, sob pena de tornar vazia a garantia constitucional da privacidade do cidadão, somente afastada diante da demonstração de motivos suficientemente hábeis e no mínimo de indícios concretos da conduta supostamente delituosa. com isso em mente, devese destacar que após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, criouse a possibilidade de quebra de sigilo para fins tributários por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização do poder judiciário, conforme previsto no art. 6º da referida lei complementar. tal expediente foi o utilizado pela Receita Federal sem a existência de autorização prévia assinada por autoridade fiscal competente, ou seja, sem observar os requisitos previstos na Constituição Federal, na própria Lei Complementar e no seu regulamento, como adiante será demonstrado. a Receita Federal só poderia requerer a quebra de sigilo nas hipóteses expressamente previstas no art. 3º do Decreto nº 3.724/01, mas ocorre que não há qualquer menção no MPF em exame das hipóteses previstas nos incisos I a XI do referido Decreto, ou seja, não há fundamentação legal no ato administrativo de requisição de informações sobre movimentação financeira do contribuinte, assim, falta motivação ao referido ato administrativo, que por se tratar de requisito de validade do ato, resulta em vício e na ilegalidade do lançamento. não bastassem todas as irregularidades fartamente apontadas, a fiscalização majorou a receita em tese tributável para calcular o montante dos tributos exigidos Fl. 857DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 858 6 da impugnante no ano 2009, considerando como omissão de receitas todas as movimentações bancárias identificadas nos extratos do período, ao invés de deduzir do montante apurado a partir dos extratos o faturamento declarado na DASN, somando as duas grandezas. a revisão do lançamento é imperiosa, a fim de que no mínimo se proceda à redução da base de cálculo utilizada com dedução do faturamento incontroversamente declarado em DASN, no valor de R$ 1.473.073,07, haja vista que tal verba foi oferecida à tributação. a majoração da base de cálculo repercute também nas alíquotas aplicáveis a espécie, isso porque ao majorar a receita, com adoção de base de cálculo indevida, o Fisco promoveu também majoração indevida em 20% das alíquotas do Simples Nacional aplicáveis a espécie. por fim, alega que não cabe a qualificação da multa e o agravamento da penalidade, por não se tratar de obrigação do contribuinte a entrega dos extratos bancários, sendo sua recusa em fazêlo exercício regular do seu direito e assim, ausente a ilicitude não há que se falar em qualificação ou agravamento da pena, como vem decidindo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. além disso, as multas nos patamares que foram impostas, representam afronta aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, revelando caráter confiscatório, em manifesta afronta ao art. 150 da CF/88. pede o acolhimento da impugnação para anular o lançamento por vício insanável, ou na remota possibilidade de se manter a cobrança, que seja reduzido o valor de IRPJ e reflexos com a redução da penalidade imposta. A 2ª Turma da DRJ em Belém/PA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0128.375, de 28/01/2014 (fls. 776/800), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO REGIME ESPECIAL. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional, nos termos do art. 34 da Lei Complementar nº 123/2006. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 859 7 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei nº 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. É cabível a multa qualificada quando a autoridade fiscal comprova de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. Esclareço, por relevante, que o provimento parcial da impugnação foi devido ao desagravamento da multa aplicada em alguns dos períodos de apuração, pelo que o percentual foi reduzido de 225% para 150%. No mais, o lançamento foi integralmente mantido. Não houve recurso de ofício. Ciente da decisão de primeira instância em 25/03/2014, conforme Aviso de Recebimento à fl. 807, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/04/2014 conforme carimbo de postagem, à folha 840. No recurso interposto (fls. 809/838), a interessada reitera, com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação, à exceção daqueles atinentes a supostos equívocos no cômputo dos tributos devidos e ao agravamento da multa aplicada. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Preliminarmente, a recorrente argúi a nulidade do lançamento, por supostas irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), especialmente a falta de motivação para a prorrogação no prazo de execução. Em primeira instância, a autoridade julgadora já havia consignado a regularidade do procedimento (fl. 782): Verificase que a ação fiscal foi iniciada em 19/12/2011, com a ciência do contribuinte do Termo de Início de Fiscalização, às fls. 125/126, autorizada pelo MPF nº 06.1.11.00201100320. Na referida intimação para apresentação de Livros Fiscais, contrato social e alterações e extratos bancários de todas as contas em nome da empresa, relativos ao ano de 2009, consta o número do MPF e orientações ao Fl. 859DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 860 8 contribuinte para confirmação da autenticidade do documento e para acompanhamento das suas prorrogações, conforme Portaria RFB nº 11.371/07. Concluise que o procedimento fiscal, seguiu critérios e parâmetros de fiscalização estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, foi instaurado conforme MPF – Fiscalização nº 06.1.11.00201100320, e mediante código de acesso informado no Termo de início da ação fiscal, o contribuinte poderia verificar o período e tributo a serem examinados, auditores fiscais designados para sua execução, prazo para conclusão e ressalva de sua prorrogação de validade, a critério da autoridade outorgante, garantindose, assim, a transparência do ato administrativo. O equívoco no texto acima transcrito, irrelevante para o caso concreto, é de que, por ocasião do início do procedimento de fiscalização, em 19/12/2011 (fls. 125/126), o Mandado de Procedimento Fiscal não mais era regulado pela Portaria RFB nº 11.371/2007, mas sim pela Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011 (DOU de 30/06/2011). E digo irrelevante porque, no que diz respeito às matérias aqui tratadas suas disposições são idênticas. Reproduzo a seguir excertos da Portaria RFB nº 3.014: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço , com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. [...] Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução ou supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria, cientificado o contribuinte nos termos do parágrafo único do art. 4º. [...] Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I 120 dias, nos casos de MPFF e de MPFE; e II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, os prazos fixados nos incisos I e II do art. 11, conforme o caso. Como se vê, o MPF, à época, era documento exclusivamente eletrônico, com ciência ao sujeito passivo pela internet, mediante o código de acesso que lhe foi fornecido no Fl. 860DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 861 9 Termo de Início do procedimento. O mesmo se aplica às alterações decorrentes de prorrogações de prazo. Ainda quanto às prorrogações de prazo, o art. 12 da Portaria é expresso no sentido de que podem ocorrer “tantas vezes quantas necessárias” o que, no caso concreto, certamente decorreu da necessidade de expedir Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) aos bancos com nos quais a interessada mantinha contas, aguardar as respectivas respostas, analisar a documentação recebida, intimar a fiscalizada a se manifestar e/ou a prestar esclarecimentos, para mencionar apenas parte do que foi feito no curso do procedimento fiscal. Assim, não se verifica qualquer irregularidade no que tange ao MPF. Ainda que assim não fosse, o que admito apenas como hipótese argumentativa, é assente que o MPF é instrumento de controle gerencial, e que eventual irregularidade poderia, no máximo, dar azo a procedimento interno de natureza administrativa, mas nunca invalidar o lançamento de crédito tributário, cuja competência é deferida por lei aos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. A matéria tem sido discutida no âmbito dos extintos Conselhos de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais e as decisões, de forma reiterada, apontam nesse sentido. Os acórdãos cujas ementas transcrevo a seguir bem ilustram essa linha de entendimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. (Acórdão CSRF/0202.543, de 22/01/2007) NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. (Acórdão CSRF/0202.898, de 28/01/2008, Relator Cons. Antônio Carlos Atulim. Na mesma linha o acórdão CSRF/0202.899, de mesma data) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MPF O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento. (Acórdão 10515.706, de 24/05/2006, Relator Cons. José Carlos Passuelo). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O lançamento de ofício está vinculado à Lei. Assim, tornase imperativo concluir que o MPF, ainda que regulado por Decreto do Chefe do Executivo, não se constitui em elemento indispensável para dar validade ao lançamento tributário. Portanto, não há como declarar nulidade, quer material quer formal, de lançamento tributário que atende aos requisitos do Art. 142 do Crédito Tributário Nacional (CTN), formalizado por Fl. 861DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 862 10 autoridade legalmente competente e nos termos do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não no âmbito do processo de exigência tributária. (Acórdão 10709.036, de 24/05/2007, Relator Cons. Luiz Martins Valero). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL IRREGULARIDADES. NÃO CONTAMINAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão 202 15.834, de 19/10/2004. Na mesma linha o Acórdão 20215.833). Rejeito, assim, por duplo fundamento, a preliminar de nulidade do lançamento por alegadas irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal. Na sequência, cumpre apreciar as alegações da recorrente contra o que entende como violação de seu sigilo bancário e contra o lançamento baseado em mera presunção. A Turma Julgadora, em primeira instância, não lhe deu razão. Também assim o faço. Examinemos, primeiramente, as disposições dos arts. 1º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, a seguir transcritos (grifos não constam do original) Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: [...] VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. [...] Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 863 11 Como facilmente se observa, a Lei autoriza o acesso das autoridades tributárias diretamente aos registros das instituições financeiras, sem que haja violação do dever de sigilo, desde que haja procedimento fiscal em curso, e que os exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. A regulamentação do art. 6º, ou seja, a perfeita delimitação das condições a que a lei se refere, foi feita pelo Poder Executivo mediante o Decreto nº 3.724/2001. Quanto a essa regulamentação, a recorrente reclama quanto à falta de motivação para a expedição, aos bancos, da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira. Por certo, não atentou para o documento à fl. 315 do processo, em que consta expressamente o enquadramento empregado pela autoridade fiscal. Não há que se falar, portanto, em reserva de jurisdição. Aliás, mesmo para aqueles que entendem que o sigilo bancário pode ser compreendido como espécie do direito à intimidade, em um sentido amplo, protegido pelo inciso X do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (o que não é pacífico), há que se notar que o texto constitucional, neste caso, é silente quanto à necessidade ou não de prévia autorização judicial. Quando quis, o legislador constitucional fez constar explicitamente a competência exclusiva do Poder Judiciário para determinadas matérias, como, por exemplo, a busca domiciliar, prevista no inciso XI, a interceptação telefônica (inciso XII) e a decretação de prisão de qualquer pessoa, ressalvada a hipótese de flagrância (inciso LXI, todos do art. 5º). Eis o texto dos dispositivos constitucionais invocados pelos recorrentes: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] X são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; [...] XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; Ainda quanto ao conceito de intimidade, conquanto possa ser tido de maneira mais ampla, quase como sinônimo de privacidade, abrangendo também a vida privada, a honra e a imagem, o fato é que a Constituição fez questão de separar esses aspectos, o que nos leva a adotar um conceito mais restrito. José Afonso da Silva, citando René Ariel Dotti, ensina que a intimidade se caracteriza como “a esfera secreta da vida do indivíduo na qual este tem o poder legal de evitar os demais”1. O mesmo autor cita conceito de Adriano de Cupis, que define a 1 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 15ª ed. rev. e atual., São Paulo, Malheiros Editores, 1998, pág. 210. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 864 12 intimidade como “o modo de ser da pessoa que consiste na exclusão do conhecimento de outrem de quanto se refira à pessoa mesma”2. Vejase que estes conceitos não têm precisa linha demarcatória, correndo o risco de ambigüidade ou de referências circulares. No entanto, a linha comum a ser observada é que a intimidade vela sobre segredos e particularidades do foro moral e íntimo do indivíduo. Já quanto à vida privada, separada da intimidade pelo texto constitucional, mais uma vez é de se recorrer a José Afonso da Silva3: ... a vida das pessoas compreende dois aspectos: um voltado para o exterior e outro para o interior. A vida exterior, que envolve a pessoa nas relações sociais e nas atividades públicas, pode ser objeto das pesquisas e das divulgações de terceiros, porque é pública. A vida interior, que se debruça sobre a mesma pessoa, sobre os membros de sua família, sobre seus amigos, é a que integra o conceito de vida privada, inviolável nos termos da Constituição. A próxima etapa da análise é verificar se a movimentação bancária estaria abrangida pela proteção constitucional. Considerando o exposto anteriormente, seria uma distorção admitir que sim. Afinal, os dados bancários de uma pessoa refletem aspectos de seu patrimônio, que em princípio nenhuma relação têm com seu foro moral e íntimo, e apenas indiretamente poderiam ser aspecto da vida interior a que se refere José Afonso da Silva. Seria mais adequado caracterizar o sigilo bancário como um dos instrumentos de defesa da propriedade, como proteção contra a curiosidade sem justo motivo de terceiros ou concorrentes. Essa linha de raciocínio ganha ainda mais força ao analisar a possível aplicabilidade do dispositivo constitucional às pessoas jurídicas, no que tange à proteção à intimidade e à vida privada. Ora, tratase de valores típicos da pessoa humana, de conceitos atinentes à dimensão interna da entidade (pessoa). Inaplicáveis, assim, às pessoas jurídicas, criações abstratas do Direito, despossuídas de intimidade. Em se tratando de empresas, fica ainda patente que a movimentação bancária pode revelar tão somente aspectos patrimoniais, não abrangidos pelo inciso X do art. 5º da CF/88. Passemos, então, à análise do inciso XII do art. 5º, que trata da proteção das comunicações. O segredo das correspondências desde longa data tem reclamado proteção, praticamente ao mesmo tempo da criação de um serviço postal. A facilidade de comunicação surgida para os particulares trouxe fundados receios da divulgação e da utilização indevida das informações. O surgimento de novas formas de comunicação, como o telégrafo e o telefone, fez com que a proteção fosse ampliada, com os mesmos fundamentos. A Constituição anterior (1967) estabelecia que “é inviolável o sigilo de correspondência e das comunicações telegráficas e telefônicas”. O constituinte de 1988 inovou, ao introduzir a palavra “dados”. A propósito, cabe transcrever o comentário de Bastos e Martins4 em 1989, ainda no calor do surgimento do novo texto constitucional: 2 SILVA, José Afonso da. Obra citada, pág. 210. 3 SILVA, José Afonso da. Obra citada, pág. 211. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 865 13 De logo fazse mister tecer críticas à impropriedade desta linguagem. A se tomar muito ao pé da letra, todas as comunicações seriam invioláveis, uma vez que versam sempre sobre dados. Mas pela inserção da palavra no inciso vêse que não se trata propriamente do objeto da comunicação, mas sim de uma modalidade tecnológica recente que consiste na possibilidade das empresas, sobretudo financeiras, fazerem uso de satélites artificiais para comunicação de dados contábeis. Em que pese a existência de opiniões em contrário, a melhor interpretação é a de que a proteção de que trata esse inciso recai sobre as comunicações, em suas diversas modalidades, e não sobre os dados ou informações que estão sendo comunicados. Assim também pensa Ferraz Jr5.: “Obviamente, o que se regula é comunicação por correspondência e telegrafia, comunicação de dados e telefonia”. Quanto às informações contidas nessa comunicação, sua proteção se dará pela legislação constitucional ou mesmo infraconstitucional específica, conforme seu conteúdo. Assim, se a comunicação versar sobre aspectos íntimos das pessoas, estarão sob o manto da proteção à intimidade (inciso X do art. 5º). Se foram informações sobre movimentação bancária, será aplicável a legislação que rege essa matéria. O que a Constituição veda é que um terceiro, que nada tem a ver com a relação comunicativa, entre na transmissão (por qualquer de seus modos) e acesse indevidamente os dados transmitidos. Se, por hipótese, um magistrado, em situação prevista legalmente, determina o acesso do fisco à movimentação financeira de um determinado contribuinte, não se há de cogitar da interceptação das ordens de pagamento feitas eletronicamente, emitidas pelo titular da conta. Deve, entretanto, o banco repassar ao fisco as informações armazenadas em sua base de dados. Não cabe falar, aqui, em sigilo de dados. Em reforço dessa linha interpretativa, de que apenas o ato comunicacional está protegido pelo inciso XII, Ferraz Jr.6 lembra que o texto constitucional estabelece essa vedação em caráter absoluto, com ressalva apenas quanto às comunicações telefônicas. E o faz em face de sua volatilidade. Nas comunicações por correspondência, telegráfica e de dados, na presença do interesse público, é possível a reconstituição das informações transmitidas e a obtenção de provas com base nos vestígios materiais da comunicação: a carta guardada, o telegrama, as informações armazenadas em um computador. Ao contrário, o conteúdo das conversas telefônicas se perderia por completo, se não fosse a permissão, nos casos especificados, de suas gravações, comumente denominadas “grampos telefônicos”. Pelo exposto, resta demonstrada a inaplicabilidade dos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal de 1988 ao sigilo bancário. Observese, ademais, que o acesso do fisco às informações bancárias é, em última análise, um mero teste de veracidade e consistência das informações já anteriormente oferecidas à administração tributária. O dever original de informar sobre suas operações sujeitas ou não à incidência tributária é do contribuinte, antes mesmo de iniciado qualquer procedimento fiscal. Assim, o acesso a tais informações não deve ser encarado como quebra de 4 BASTOS, Celso Ribeiro, e MARTINS, Yves Gandra da Silva. Comentários à Constituição do Brasil. vol. 2, São Paulo, Editora Saraiva, 1989, pág. 73. 5 FERRAZ Jr., Tércio Sampaio. Sigilo Fiscal e Bancário. In: PIZOLIO, Reinaldo, e GAVALDÃO Jr., Jayr Viégas (Coordenadores). Sigilo Fiscal e Bancário. São Paulo, Quartier Latin, 2005, pág. 25. 6 FERRAZ Jr., Tércio Sampaio. Obra citada, pág. 27. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 866 14 sigilo ou prerrogativa excepcional, e sim como forma de se aferir a veracidade das informações que originariamente deveriam ter sido prestadas pelo próprio sujeito passivo da obrigação tributária. Em se tratando de pessoas físicas, as informações já deveriam constar de suas declarações anuais de rendimentos, quer se trate de rendimentos auferidos, tributáveis ou não, quer se trate de informações sobre variações patrimoniais tais como aquisição e/ou alienação de bens, saldos de contas bancárias e de aplicações financeiras, entre outras. Se for o caso de pessoas jurídicas, com muito mais razão as informações já deveriam estar disponíveis ao fisco, em face da obrigação de escriturar detalhadamente todas as suas operações (inclusive bancárias/financeiras) e de comprovar sua escrituração com documentação hábil e idônea. No caso em tela, ressaltese, a movimentação financeira objeto de autuação não se encontrava adequadamente escriturada no livro Caixa nem suportada por documentos hábeis e idôneos, como seria obrigação da recorrente, a teor do disposto nos arts. 25 e 26 da Lei Complementar nº 123/2006 (grifos não constam do original): Art. 25. A microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional deverá apresentar anualmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais, que deverá ser disponibilizada aos órgãos de fiscalização tributária e previdenciária, observados prazo e modelo aprovados pelo CGSN e observado o disposto no§ 15A do art. 18. [...] Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I – [...]; II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. [...] § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. Adicionalmente, devem ser observadas as disposições do art. 145, § 1º, da Constituição Federal vigente: Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I impostos; II taxas, ...; Fl. 866DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 867 15 III contribuição de melhoria, ... . § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. O caput do artigo traz a competência para a instituição dos tributos, fonte de recursos para o Estado. Seu parágrafo primeiro delimita parâmetros para a exigência tributária, no que é conhecido na doutrina como o princípio da capacidade contributiva, embora o constituinte tenha preferido a expressão capacidade econômica. Não obstante o fato de que o texto constitucional se refere aos impostos, não são poucos os autores que estendem sua aplicação às demais espécies tributárias. Esse conceito está subordinado à idéia de justiça distributiva, busca fazer com que cada um pague de acordo com sua riqueza, e encontra raízes no vetusto preceito do direito romano de que a justiça consiste em dar a cada um o que é seu (suum cuique tribuere). Ao estabelecer esse parâmetro para a exigência tributária, o constituinte se preocupou com a efetividade de sua aplicação. Para que esse dispositivo constitucional não viesse a se tornar letra morta, à administração tributária foi facultado, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Quando o art. 145 da Constituição Federal faculta (ou, em se tratando de um poderdever, ordena) à administração a identificação do patrimônio, rendimentos e atividades econômicas dos contribuintes, nada mais faz do que reforçar o princípio da igualdade, permitindo a tributação em paridade de condições daqueles que se encontram em situação econômica semelhante. Nesse diapasão devem ser compreendidos os artigos 195 e 197 do Código Tributário Nacional: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. [...] Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: Fl. 867DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 868 16 I os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; III as empresas de administração de bens; IV os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; V os inventariantes; VI os síndicos, comissários e liquidatários; VII quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Afasto, assim, a alegação da recorrente quanto à necessidade de ordem judicial para o afastamento de seu sigilo bancário. Insurgese, ainda, a recorrente contra o que chama de arbitramento ou, em outro momento, de lançamento baseado em mera presunção. Esclareçase, desde logo, que não há nos autos arbitramento de lucros, tendo sido o lançamento feito na sistemática do SIMPLES NACIONAL, criado pela Lei Complementar nº 123/2006. No que toca às presunções, cabíveis as considerações a seguir. A acusação trata de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, a seguir transcrito: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 869 17 §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Tratase, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe aos recorrentes. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia afastar a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados nas contacorrentes da pessoa jurídica. A obrigação de escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária e, ainda, de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista na legislação fiscal, e aplicase, com pequenas variações, aos contribuintes tributados com base no lucro real, presumido ou optantes pelo SIMPLES NACIONAL, situação da recorrente. Ao descumprir a obrigação de escriturar, a interessada queda sem meios hábeis para comprovação da origem dos valores que transitaram por suas contascorrentes. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 870 18 Resta, afinal, claramente demonstrada a inaplicabilidade ao caso em tela da Súmula 182 do extinto TRF, a qual se refere a legislação pretérita àquela que embasou a presente autuação. Os fatos descritos e comprovados nos autos são aqueles necessários e suficientes para que se mantenha o presente lançamento de omissão de receitas. Insurgese, ainda, a recorrente contra a multa qualificada (150%) aplicada ao lançamento. Sustenta (fl. 834) que “contrariamente ao que entendeu a fiscalização, o fornecimento de extratos não é obrigação do contribuinte, sendo sua recusa em fazêlo exercício regular de direito” e que, ausente a ilicitude, não caberia o agravamento da pena. A jurisprudência colacionada se refere também a situações em que a multa foi agravada. Confundese, aqui, a interessada. O agravamento da multa (ou seja, sua majoração em cinquenta por cento, ex vi do art. 44, inciso I e § 2º da Lei nº 9.430/1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007) já foi afastado em primeira instância, em decisão sobre a qual não cabe recurso de ofício, definitiva no âmbito administrativo. A multa remanescente foi a qualificada, no percentual de 150%, aplicada com base no art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. O motivo da qualificação da multa não foi, de forma alguma, a falta de apresentação dos extratos bancários, mas a enorme discrepância entre as receitas omitidas e aquelas declaradas, de modo sistemático, ao longo de todos os meses do anocalendário. Entendeu a fiscalização que tal conduta, sistemática e reiterada, teria por finalidade impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador tributário, na exata dicção do art. 71 da Lei nº 4.502/1964. Isso restou bastante claro no item 4 – QUALIFICAÇÃO DA MULTA – do Relatório Fiscal, às fls. 86/88. E contra esse fundamento não se manifestou a recorrente. O argumento equivocado deve, pois, ser rejeitado. Finalmente, no que toca a alegadas violações a princípios constitucionais, tais como os da razoabilidade, proporcionalidade e nãoconfisco, este Colegiado é incompetente para tal apreciação, a teor da Súmula CARF nº 2, abaixo transcrita. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em conclusão, por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 870DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13629.720819/201201 Acórdão n.º 1302001.679 S1C3T2 Fl. 871 19 Fl. 871DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 12457.732673/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 25/06/2012, 29/06/2012, 02/07/2012, 04/07/2012, 05/07/2012, 06/07/2012, 10/07/2012, 12/07/2012
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento. Caso a mercadoria tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida, esta infração é punida com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação.
Numero da decisão: 3101-001.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Fez sustentação oral o Dr. Felipe Nóbrega Rocha, OAB/SP 286.551, advogado da responsável solidária PAN ASIA TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA.
.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente em exercício e relator.
EDITADO EM: 16/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 25/06/2012, 29/06/2012, 02/07/2012, 04/07/2012, 05/07/2012, 06/07/2012, 10/07/2012, 12/07/2012 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento. Caso a mercadoria tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida, esta infração é punida com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação.
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PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento. Caso a mercadoria tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida, esta infração é punida com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Fez sustentação oral o Dr. Felipe Nóbrega Rocha, OAB/SP 286.551, advogado da responsável solidária PAN ASIA TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. . Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente em exercício e relator. EDITADO EM: 16/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 73 26 73 /2 01 2- 95 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da primeira instância (fls. 455 a 462), até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$315.575,02 referente à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, prevista no § 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 41 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010. O Auto de Infração foi lavrado contra COMEX COMPANY IMPORTADORA DE GENEROS ALIMENTICIOS LTDA (CNPJ n.º 12.327.962/000139), empresa sediada em Foz do Iguaçu/PR, doravante COMEX, tendo como coautuada a PAN ASIA TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (CNPJ nº 10.213.525/000169), empresa sediada em Itajaí/SC, doravante PAN ASIA. De acordo com a descrição dos fatos e o Relatório Fiscal de Procedimento Especial de controle aduaneiro, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Foz do Iguaçu submeteu a interessada ao rito previsto na Instrução Normativa SRF n° 1.169/2011, com o fim de verificar a aparente incompatibilidade econômicofinanceira da empresa importadora PAN ASIA e a opção questionável de logística para operação. O procedimento foi motivado pelo fato de haver indícios de estar a empresa acima identificada sendo usada para a realização de operações de terceiros. As Declarações de Importação nº 12/11531637; nº 12/11898352; nº 12/11924353; nº 12/11990097; nº 12/12248939; nº 12/12282339; nº 12/12375051; nº 12/12599324 e nº 12/12736208 foram submetidas a procedimento especial de controle aduaneiro por suspeita de ocultação do real adquirente nas operações de importação, infração punível com pena de perdimento das mercadorias. A ação fiscal decorreu de operação realizada pela Receita Federal denominada “Operação Moinho de Vento” que teve por alvo, além do contribuinte supracitado, outras 3 (três) empresas que se utilizavam do mesmo modus operandi (simulação de operações de comércio exterior por intermédio da PANASIA). Esta ação fiscal foi concluída em 06/08/2012, e restou comprovado que a PAN ASIA registrou as Declarações de Importação cedendo seu nome para a empresa COMEX, com o fim de ocultála da posição de verdadeiro sujeito passivo da operação. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 12457.732673/201295 Acórdão n.º 3101001.813 S3C1T1 Fl. 4 3 Comprovouse que a COMEX era o verdadeiro adquirente das mercadorias importadas em nome da empresa PAN ASIA, configurando ocultação do verdadeiro sujeito passivo das operações com o fim de reduzir as despesas a título de ICMS, bem como burlar os procedimentos fiscais de habilitação e parametrização em sua atuação no comércio exterior. Assim, estas empresas teriam agido em conluio no cometimento da infração de ocultação do verdadeiro adquirente em operações de comércio exterior. O ilícito de ocultação do sujeito passivo ocorreu mediante simulação ajustada entre PAN ASIA e a COMEX, e esta irregularidade por si só configura dano ao erário punível com a pena de perdimento das mercadorias. Este auto de infração trata de aplicar a multa de valor equivalente de que trata o parágrafo 3º do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76, às mercadorias objeto das Declarações de Importação analisadas nesta ação fiscal que não foram localizadas no estabelecimento do contribuinte em função de terem sido revendidas. O valor aduaneiro das mercadorias tomou por base o exposto nas Declarações de Importação que foram objeto da presente ação fiscal. Depois de analisadas as informações e documentos apresentados pelas interessadas, bem como aqueles constantes na internet e nos sistemas da Receita Federal, as razões que levaram a Fiscalização a essas conclusões foram as seguintes: Em análise das notas fiscais em conjunto com as informações obtidas no Siscomex referente às informações constantes nas Declarações de Importação, verificouse que todas as operações foram declaradas por conta própria da PAN ASIA, ou seja, esta empresa figurou como importadora e adquirente das mercadorias. Todas as negociações foram realizadas entre COMEX e os fornecedores estrangeiros sediados na Argentina e Paraguai, configurando, portanto, contrato de compra e venda internacional. Documentalmente, as operações aparentavam ser regulares. A empresa PAN ASIA registrava uma declaração de importação por conta própria, emitia uma nota fiscal de entrada destas mercadorias em seu estabelecimento em Itajaí/SC e em seguida revendia estas mercadorias à empresa COMEX, em Foz do Iguaçu, mediante a correspondente emissão de Nota Fiscal de Venda. Materialmente, as operações com farinha de trigo estavam estruturadas de forma que a empresa COMEX fechava negociação comercial de importação com os moinhos de farinha de trigo da Argentina e do Paraguai e solicitava a estes moinhos estrangeiros a emissão de fatura comercial em nome da empresa PAN ASIA. Em seguida a empresa COMEX contratava o transporte internacional de carga e solicitava o carregamento da mercadoria no moinho ou depósito no exterior. Posteriormente a empresa COMEX contratava despachante Fl. 583DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 aduaneiro para fazer o registro das Declarações de Importação em nome da PAN ASIA e após o desembaraço aduaneiro da carga no Porto Seco de Foz do Iguaçu/PR, a PAN ASIA emitia a nota fiscal de entrada das mercadorias em seu estabelecimento (Itajaí/SC). Ato contínuo emitia a nota fiscal de venda dessa carga à empresa COMEX. Após o desembaraço os transportadores internacionais efetuavam a descarga das mercadorias em local determinado pela empresa COMEX, sempre em Foz do Iguaçu/PR. Desta forma, a empresa PAN ÁSIA figurava na operação somente cedendo seu nome para que as empresas reais adquirentes permanecessem ocultas na importação. A ida das cargas à Santa Catarina não passou de mera simulação documental, sem qualquer vinculação com a realidade. A operação de compra e venda no mercado interno da PAN ASIA para a empresa COMEX calçada por nota fiscal de venda, não passava de mera simulação, dado que a relação entre a PAN ASIA e as reais adquirentes não era, em momento algum, uma operação de compra e venda de farinha de trigo. Nesta mesma linha, a Declaração de Importação ao informar a PAN ASIA como adquirente apresentava informação falsa, bem como o MIC e o CRT. E, ainda, a fatura comercial que instruiu a declaração de importação por estar emitida para PAN ASIA como adquirente não representava a realidade dos fatos, logo é ideologicamente falsa. Um dos motivadores à ocultação foi a burla aos controles administrativos, como a não submissão aos procedimentos de habilitação no Siscomex e a interferência na avaliação de risco nas operações. Outro motivador à ocultação é a busca de benefícios fiscais estaduais. Como resultado dessas operações simuladas, a empresa COMEX conseguia uma redução no custo da importação de farinha de trigo devido à redução da alíquota efetiva do ICMS, utilizandose, de forma indevida, de benefício concedido pelo estado de Santa Catarina. Ao visitar o sítio da empresa PAN ASIA na internet, observase que lá ela vende seu serviço de cessão de nome de forma quase explícita, expondo inclusive as vantagens de importar com a PAN ASIA: “reduzem de forma matemáticafinanceira o imposto mais importante e significativo, ou seja, o ICMS”. A análise dos documentos apreendidos e das informações prestadas indicou a existência de elementos característicos de simulação, não cabendo a idéia de planejamento tributário. O volume de operação da PAN ASIA é totalmente incompatível com sua habilitação concedida pela Receita Federal para que a empresa atuasse no comércio exterior. Considerando somente sua atuação com farinha de trigo nos primeiros 6 (seis) meses de 2012, a empresa extrapolou em mais de 31 (trinta e uma) vezes sua estimativa de operação. Em uma primeira constatação, merece destaque o fato de que, apesar de todas as 394 Declarações de Importação terem sido registradas por Fl. 584DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 12457.732673/201295 Acórdão n.º 3101001.813 S3C1T1 Fl. 5 5 PAN ASIA, sendo ela importadora e adquirente por conta própria, estas não tinham uma forma padrão de atuação. As Declarações de Importação eram registradas por diferentes despachantes e usavam como transportador internacional, diferentes empresas sem qualquer explicação lógica, a princípio. Contudo ao cruzar os dados das Declarações de Importação com as respectivas notas fiscais de saída o que aparentava ilógica e não razoável, tornouse lógico, claro e evidente. Observase que a interposta PAN ASIA registrou 155 DIs que tiveram como destino final da farinha de trigo a COMEX em 2012. Em 100% destas importações foram utilizadas as empresas de transporte internacional de carga DELAVI e SUAREZ MILTON, sendo que a empresa DELAVI foi a transportadora em 152 operações (98%). Nesta mesma linha, em 100% das importações foi o despachante DENISE ANTONELLI que registrou as DIs em nome de PAN ASIA. Outra informação relevante é que em 45 destas operações, quase 30% do total, a carga foi exportada pelos moinhos estrangeiros CANEPA E ARGENTINO. E, 100% destas cargas que foram importadas em nome de PANASIA originárias do grupo de moinhos estrangeiros CANEPA E ARGENTINO, tiveram como destino final exclusivamente a COMEX. Sendo que, 41 destas operações figurou como exportador somente um dos moinhos estrangeiros. Foi constatado que as atividades do escritório de despacho aduaneiro “D' Antonelli Assessoria em Comércio Exterior LTDA” funcionavam na mesma sala comercial onde funcionava o escritório da COMEX e que, após análise dos documentos extraídos na diligência, não restaram dúvidas de que as transações da COMEX eram realizadas pela despachante DENISE ANTONELLI, sóciaadministradora da D'Antonelli e exsócia da COMEX. Documentos retidos no local onde funcionavam as duas empresas demonstraram claramente que as importações de farinha de trigo feitas em nome da PANASIA já tinham como destino certo a COMEX. Além disso, foram extraídos documentos dos computadores da COMEX, tais como planilhas com dados sobre a formação do preço de venda da PAN ASIA, despesas na importação de farinha de trigo e também um contrato de câmbio firmado entre o Banco Mercantil do Brasil e a PAN ASIA. Em determinadas planilhas encontradas, as quais contêm em seu título a denominação “PANASIA/COMEX”, a empresa descreve detalhadamente os custos para realização de uma operação de importação de farinha. Não houve registro de importação direta feita pela COMEX nos últimos 12 meses, portanto todos os documentos retidos na diligência realizada na empresa e citados no relatório fiscal dizem respeito a importações realizadas com ocultação da real adquirente das mercadorias – a COMEX. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 6 A Fiscalização traz aos autos diálogos entre a despachante DENISE ANTONELLI e o exportador estrangeiro da Argentina, moinho VICTORIA, que comprovam que a COMEX de fato tem a posse das faturas comerciais das cargas. Há também mensagens eletrônicas entre o exportador da Argentina e o Sr João, da COMEX, com cópia para a PAN ASIA, o que demonstra que a principal interessada nos documentos e na operação era a COMEX. A COMEX não possuía local de armazenagem de mercadorias próprio e utilizava os serviços de transporte e armazenagem da transportadora DELAVI E FILHOS TRANSPORTES LTDA. Todas as cargas estocadas na transportadora eram de propriedade da COMEX. O sócio administrador da transportadora, o Sr Jailson Delavi da Silva informou que após ordem do Sr. João Ribas (sócioadministrador da COMEX) e envio da fatura de exportação também pelo Sr. João, ele (o Sr Delavi) enviava um caminhão até a cidade de Puerto Iguazu na Argentina para carregar a farinha de trigo. O Sr Delavi relatou ainda que sua empresa emitia então o CRT e o MIC baseado nos dados da importação enviados por email pelo pessoal da COMEX. Informou também que as ordens de carga e descarga da farinha de trigo importada da Argentina eram dadas pela COMEX. No procedimento de diligência na Delavi foram retidos documentos com dados para depósito do frete, que estavam em nome da PAN ASIA, porém, destinados ao Sr João (da COMEX) Em um dos documentos comerciais arquivados na empresa PAN ASIA, o Sr. Nilo Simas Jr., da PAN ASIA, orienta empresa comercial importadora de Foz do Iguaçu/PR acerca dos procedimentos que devem ser adotados nas próximas importações de farinha de trigo, agora em nome de PAN ASIA. Em detalhes o Sr. Nilo descreve o fluxo negocial, passo a passo, das operações de importação de farinha de trigo via Foz de Iguaçu/PR. A Fiscalização apresenta, de maneira geral, o fluxo financeiro documental das operações em contraponto ao material, bem como os cuidados adotados pela PAN ASIA pra afastar a questão do adiantamento de recurso. A PAN ASIA tenta operar sem receber o valor do câmbio antes do registro da DI. Para resolver este problema, bastou a PAN ASIA gerar um capital de giro inicial para bancar as operações por alguns dias aos reais adquirentes. Contudo, como a PAN ASIA somente adianta seu próprio capital para o fechamento do câmbio, ela tem pressa que este dinheiro retorne a sua conta. De fato, a PAN ASIA não tem qualquer preocupação com a importação em si, não demonstra qualquer atenção à carga de farinha de trigo, ela somente quer seu capital “emprestado” de volta, revestido na forma de operação de compra e venda no mercado interno. O propósito da “engenharia” montada por PAN ASIA e reais adquirentes foi a de dar forma aparentemente legal às operações, para evitar que as importações estivessem condicionadas a antecipações de recursos, ainda que a título de compra e venda no mercado interno, pois isso poderia ensejar a presunção de operações por conta e ordem de terceiros. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 12457.732673/201295 Acórdão n.º 3101001.813 S3C1T1 Fl. 6 7 A PAN ASIA cobrava comissão somente para ceder seu nome e não uma comissão a título de uma operação por conta e ordem. Foi comprovado que a COMEX tem por prática comercial contratação de empresa importadora, mediante comissão, para registrar Declarações de Importação em seu nome. As cargas de farinhas importadas e desembaraçadas no Porto Seco de Foz do Iguaçu/PR eram remetidas diretamente à empresa COMEX nesta mesma cidade, sem jamais transitar pelas dependências da importadora PAN ASIA, fato que pode ser facilmente comprovado pelo cotejamento entre as datas e horas dos documentos fiscais. As condutas adotadas pela PAN ASIA afastam a operação por encomenda, uma vez que a PAN ASIA carece de qualquer relação com os moinhos estrangeiros exportadores, e ainda, a operação no mercado interno é simulada, não sendo de fato uma compra e venda ou revenda. Foi comprovado que a COMEX tem por prática comercial contratação de empresa importadora, mediante comissão, para registrar Declarações de Importação em seu nome. O sujeito passivo COMEX apresentou a impugnação de folhas 172 a 194, alegando que: o Fisco não comprova a ocorrência de fraude ou simulação nas operações em comento, limitandose a imputar como fraudulentas importações que não se encaixam perfeitamente nas modalidades comerciais de importação reconhecidas. é uma trading e o próprio ordenamento jurídico brasileiro reconhece a possibilidade de uma empresa contratar uma trading para realizar operações de comércio exterior. após efetuar as negociações com o exportador, a COMEX repassa as operações para a PAN ASIA a qual as financia, com recursos próprios, desembaraça as mercadorias e as revende às suas clientes. Neste processo a PAN ASIA aufere lucro, até mesmo como remuneração pelo trabalho despendido e pelo capital próprio imobilizado com financiamento da operação em nome próprio. as importações foram registradas como importação direta haja vista ser a importadora a real adquirente das mercadorias, arcando, inclusive, com o pagamento do câmbio perante o exportador com recursos próprios. Não há qualquer adiantamento por parte dos clientes. a compra da farinha de trigo é feita com recursos da PAN ASIA, a qual recupera seu capital somente após o desembaraço e a venda da farinha a seus clientes. em que pese a Fiscalização não tecer um comentário sequer questionando a origem dos recursos, comprovase a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior objetos dos autos com coincidência de datas e Fl. 587DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 8 valores. Os recursos utilizados para as despesas aduaneiras também possuem origem em empréstimos bancários. as notas fiscais são consideradas documentos idôneos para comprovar a origem de receita, consoante posicionamento oficial do próprio Fisco, conforme exemplo de acórdão citado. Elas gozam de presunção de veracidade, só podendo ser afastadas por meio de robusta prova em sentido contrário. A Fiscalização não produziu qualquer prova apta a descaracterizar as operações de compra e venda mercantis realizadas, razão pela qual as notas fiscais são provas cabais da origem dos recursos. a PAN ASIA financia a operação e assume os riscos inerentes a este procedimento, como, por exemplo, inadimplência, deterioração etc, sendo, portanto, a real adquirente das mercadorias. é inadequado o enquadramento da operação como sendo por conta e ordem da COMEX. Primeiro, porque da mesma forma o desfecho seria o perdimento da carga. Segundo, porque, além de os recursos utilizados na importação serem exclusivamente da impugnante, todos os documentos que acobertam a operação se encontram em nome da PAN ASIA. se a operação real fosse declarada como por conta própria da COMEX, ainda poderia ser caracterizada como interposição fraudulenta pela Fiscalização, porque os recursos que financiam a operação são da PAN ASIA. Se a operação dáse com recursos da PAN ASIA, e não pode ser classificada como conta e ordem da COMEX (porque os recursos que a financiam não são seus), nem como encomenda da COMEX (o próprio Fiscal descarta essa possibilidade), então tornase forçoso concluir que a operação deve ser classificada na regra geral, que é a conta própria. Uma operação não pode ser considerada fraudulenta apenas porque não se enquadra exatamente em qualquer das três modalidades regulamentadas pela RFB. há ausência de demonstração do dolo específico de fraudar. A interposição fraudulenta e a falsificação de documentos exigem a comprovação da fraude e simulação, cujo dolo não pode ser presumido, mas provados por elementos seguros de prova. a mercadoria importada situase fora do campo de incidência do IPI, de forma que a suposta fraude não possui qualquer potencialidade lesiva ao Erário. Cita Solução de Consulta nº 33/SRRF/7ª RF/Disit, na qual a Receita Federal firmou entendimento de que a cessão de nome é uma conduta dolosa de natureza fraudulenta, que possui como objetivo a mitigação do valor dos tributos como IPI e outros. Requer que julgue improcedente o presente Auto de Infração pelos motivos expostos. O sujeito passivo coautuado PAN ASIA apresentou a impugnação de folhas 208 a 250, alegando, em síntese que: Fl. 588DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 12457.732673/201295 Acórdão n.º 3101001.813 S3C1T1 Fl. 7 9 o Fisco não comprova a ocorrência de fraude ou simulação nas operações em comento, limitandose a imputar como fraudulentas importações que não se encaixam perfeitamente nas modalidades comerciais de importação reconhecidas. é uma trading e o próprio ordenamento jurídico brasileiro reconhece a possibilidade de uma empresa contratar uma trading para realizar operações de comércio exterior. após efetuar as negociações com o exportador, a COMEX repassa as operações para a PAN ASIA a qual as financia, com recursos próprios, desembaraça as mercadorias e as revende às suas clientes. Neste processo a PAN ASIA aufere lucro, até mesmo como remuneração pelo trabalho despendido e pelo capital próprio imobilizado com financiamento da operação em nome próprio. as importações foram registradas como importação direta haja vista ser a importadora a real adquirente das mercadorias, arcando, inclusive, com o pagamento do câmbio perante o exportador com recursos próprios. Não há qualquer adiantamento por parte dos clientes. A impugnante descreve a origem dos recursos utilizados para pagar o câmbio referente a cada DI constante no auto de infração. a compra da farinha de trigo é feita com recursos da PAN ASIA, a qual recupera seu capital somente após o desembaraço e a venda da farinha a seus clientes. em que pese a Fiscalização não tecer um comentário sequer questionando a origem dos recursos, comprovase a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior objetos dos autos com coincidência de datas e valores. Os recursos utilizados para as despesas aduaneiras também possuem origem em empréstimos bancários. as notas fiscais são consideradas documentos idôneos para comprovar a origem de receita, consoante posicionamento oficial do próprio Fisco, conforme exemplo de acórdão citado. Elas gozam de presunção de veracidade, só podendo ser afastadas por meio de robusta prova em sentido contrário. A Fiscalização não produziu qualquer prova apta a descaracterizar as operações de compra e venda mercantis realizadas, razão pela qual as notas fiscais são provas cabais da origem dos recursos. a PAN ASIA financia a operação e assume os riscos inerentes a este procedimento, como, por exemplo, inadimplência, deterioração etc, sendo, portanto, a real adquirente das mercadorias. é inadequado o enquadramento da operação como sendo por conta e ordem da COMEX. Primeiro, porque da mesma forma o desfecho seria o perdimento da carga. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 10 Segundo, porque, além de os recursos utilizados na importação serem exclusivamente da impugnante, todos os documentos que acobertam a operação se encontram em nome da PAN ASIA. se a operação real fosse declarada como por conta própria da COMEX, ainda poderia ser caracterizada como interposição fraudulenta pela Fiscalização, porque os recursos que financiam a operação são da PAN ASIA. Se a operação dáse com recursos da PAN ASIA, e não pode ser classificada como conta e ordem da COMEX (porque os recursos que a financiam não são seus), nem como encomenda da COMEX (o próprio Fiscal descarta essa possibilidade), então tornase forçoso concluir que a operação deve ser classificada na regra geral, que é a conta própria. Uma operação não pode ser considerada fraudulenta apenas porque não se enquadra exatamente em qualquer das três modalidades regulamentadas pela RFB. há ausência de demonstração do dolo específico de fraudar. A interposição fraudulenta e a falsificação de documentos exigem a comprovação da fraude e simulação, cujo dolo não pode ser presumido, mas provados por elementos seguros de prova. a mercadoria importada situase fora do campo de incidência do IPI, de forma que a suposta fraude não possui qualquer potencialidade lesiva ao Erário. Cita Solução de Consulta nº 33/SRRF/7ª RF/Disit, na qual a Receita Federal firmou entendimento de que a cessão de nome é uma conduta dolosa de natureza fraudulenta, que possui como objetivo a mitigação do valor dos tributos como IPI e outros. a pena aplicável seria multa diversa, a do artigo nº 33 da Lei nº 11.488/2007, nos termos da Orientação COANA/COFIA. Requer que julgue improcedente o presente Auto de Infração pelos motivos expostos. A 1ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis, em sessão de 21 de maio de 2014, acordou, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Acórdão 0734.866 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/06/2012, 29/06/2012, 02/07/2012, 04/07/2012, 05/07/2012, 06/07/2012, 10/07/2012, 12/07/2012 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento. Caso a mercadoria tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida, esta infração é punida com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 12457.732673/201295 Acórdão n.º 3101001.813 S3C1T1 Fl. 8 11 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E NÃO CONFISCO. Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculada e obrigatória. MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI Nº 11.488/2007. PENA DE PERDIMENTO. CONCOMITÂNCIA. A multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 pode ser aplicada concomitantemente com a pena de perdimento das mercadorias importadas irregularmente, como regulamentado pelo artigo 689 do Decreto nº 6.759/2009, Regulamento Aduaneiro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando da decisão de primeira instância, a empresa COMEX apresentou recurso voluntário (fls. 527 a 556), onde basicamente repisa seus argumentos anteriormente apresentados, alegando a inexistência da simulação e ocultação apontada, pela constatação de que as operações foram custeadas pela importadora. A empresa PAN ASIA apresentou recurso voluntário (fls. 479 a 524), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, especialmente quanto a caracterização da operação como sendo por sua própria conta, requerendo o cancelamento integral do auto de infração lavrado. A Repartição de origem encaminhou os autos, com os Recursos Voluntários, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – relator. O recurso é tempestivo e atente os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Versa o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente à aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, conforme determinado no parágrafo 3º do artigo 23, do Decretolei nº 1.455/1976, pela ocorrência de dano ao Erário, pela constatação das mercadorias importadas terem sido consumidas ou revendidas. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 12 Encontrase no processo nº 12457.721234/201338 o auto de infração lavrado para exigência da multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação, por alegada cessão de nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. As recorrentes alegam que as operações foram regulares, não caracterizando a ocultação apontada pela fiscalização, por se tratar de operações de importação realizadas com recursos próprios da importadora e a aquisição no mercado interno feita de forma regular. Passo, inicialmente, a verificar o tipo infracional “dano ao Erário” pela ocultação do sujeito passivo, real comprador e responsável pela operação. Do dano ao Erário pela ocultação do sujeito passivo Toda a normativa de combate à interposição fraudulenta de terceiros no comércio exterior brasileiro fundamentase no artigo 237 da Constituição Federal, onde consta a expressa referência ao Controle Aduaneiro pelo constituinte: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. O dispositivo constitucional reproduz a principal função aduaneira: o controle exercido sobre o comércio exterior. Tratase da adoção pelo constituinte brasileiro do princípio do controle aduaneiro1, sem o qual não haveria função aduaneira, retratando também o princípio da soberania nacional2. Podese considerar o Controle Aduaneiro como o bem jurídico tutelado pelo Direito Aduaneiro, representando o poder soberano do Estado e seu poder de polícia, atuando na proteção da sociedade, através do combate à importação de mercadorias de importação restrita ou proibidas, como instrumento de combate ao tráfico de drogas, de armas e lavagem de dinheiro, como proteção à sociedade no que diz respeito à saúde pública e proteção do meio ambiente, além da proteção da economia nacional. Reflete também outra característica do Direito Aduaneiro: a formalidade requerida nos atos praticados junto à administração aduaneira, não como mera obrigação acessória e burocrática, mas como medida de controle e segurança dos atos aduaneiros praticados. Portanto, toda a análise das normas infraconstitucionais aduaneiras e operações de comércio exterior devem ter como referência a obediência ao controle aduaneiro, por expressa determinação constitucional. No Brasil, a previsão legal do controle aduaneiro está no artigo 44 do Decretolei nº 37/66, verbis: Art.44 Toda mercadoria procedente do exterior por qualquer via, destinada a consumo ou a outro regime, sujeita ou não ao pagamento do imposto, deverá ser submetida a despacho aduaneiro, que será processado com base em declaração apresentada à repartição aduaneira no prazo e na forma prescritos em regulamento. (Redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 01/09/1988) 1 Nesse sentido José Lence Carluci (2001, p.25). 2 Fazem referência ao princípio da soberania nacional, Roosevelt Baldomir Sosa (1996, p.44) e Luiz Roberto Domingo (2013, p.192). Fl. 592DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 12457.732673/201295 Acórdão n.º 3101001.813 S3C1T1 Fl. 9 13 A Declaração de Importação – DI apresentada pelo importador é o documento base para o despacho aduaneiro de importação, conforme previsão legal. Seu registro, de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consiste em sua numeração por meio do SISCOMEX, serve como termo inicial para o despacho aduaneiro e como referência para cálculo do imposto de importação. Tratase de informações prestadas exclusivamente pelo importador, através do SISCOMEX, que são registradas eletronicamente e recebem uma numeração sequencial. A declaração de importação deverá conter a identificação do importador, a identificação, classificação, valor aduaneiro e a origem da mercadoria, além de outras informações relativas à operação de importação, conforme determinação da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A identificação do importador e do responsável pela operação é elemento indispensável para que a administração aduaneira exerça o devido controle sobre as operações de importação. Aqui a matéria aduaneira utilizase de institutos tributários, com a identificação do sujeito passivo em atendimento à norma que se retira do artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, apontando quem são os sujeitos de direitos obrigados ao pagamento dos tributos ou das penalidades pecuniárias, conforme definição do artigo 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único, O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. O artigo 1º do DecretoLei nº 37/66 dispõe que o Imposto de Importação incide sobre mercadoria estrangeira, definindo seu fato gerador na entrada de mercadoria de origem estrangeira no território nacional. O seu artigo 31 definiu como contribuinte do imposto o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional. Portanto, qualquer pessoa que promover a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional, além de outras expressamente determinadas por lei, figurase no pólo passivo da obrigação tributária, devendo ser identificada na competente Declaração de Importação. Entretanto, nem sempre quem é declarado como importador efetivamente o é de fato. Em determinadas operações quem efetivamente promove a operação de importação, ordena ou provoca de alguma forma a entrada de mercadorias estrangeiras no território nacional, não figura na operação como importador ou responsável, por motivos diversos3. Em virtude do emprego de fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, ocultase da relação obrigacional tributária, de modo a ludibriar a ação fiscalizatória da Receita Federal do Brasil – RFB. Como conseqüência do acentuado desenvolvimento do comércio exterior, visando a transparência das operações de importação e o efetivo controle aduaneiro, no início do século XXI houve uma evolução na legislação aduaneira, com a edição de diversas normas 3 Relacionase algumas vantagens que podem ser auferidas indevidamente pela prática da ocultação do sujeito passivo, mediante fraude ou simulação: (i) burlar os controles de habilitação para operar no comércio exterior, evitando uma auditoria preventiva por parte da fiscalização aduaneira; (ii) blindagem patrimonial, no caso de possível lançamento tributário; (iii) quebra da cadeia de incidência do IPI; e (iv) lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 14 que procuraram regular as operações de importação, dentre as quais destacase a Medida Provisória nº2.15835, de 24/08/01, que assim dispôs: Art 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; [...] Com base no dispositivo legal supra, a Secretaria da Receita Federal editou a IN SRF nº225, de 18/10/02, regulamentando as importações "por conta e ordem de terceiros”: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. A atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiros condicionase ao atendimento dos requisitos e condições estabelecidos na IN SRF nº225, conforme expressa previsão legal (art. 80 da MP 2.15835/2001). Essa atuação pode variar de acordo com a negociação entre partes, mas pressupõe um requisito básico: a operação comercial internacional é efetuada pelo real adquirente, que contrata uma pessoa jurídica para Fl. 594DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 12457.732673/201295 Acórdão n.º 3101001.813 S3C1T1 Fl. 10 15 promover o despacho aduaneiro de importação, registrando a Declaração de Importação em nome dela (importadora contratada). Destacase que quem promove a operação comercial internacional é a real adquirente, não a importadora declarada. Esta é apenas uma prestadora de serviço, logicamente com interesse comum na operação. Se a mercadoria foi adquirida por um terceiro, independentemente da responsabilidade pelo fechamento do câmbio, o importador ostensivo, para efeito da legislação, estará agindo como importador por conta e ordem e deverá, sob pena de se sujeitar a penalidades, instruir o despacho de importação nos moldes do que definiu o art. 3º da referida Instrução Normativa. A identificação do real adquirente, sujeito passivo da operação de importação, não foi trazida exclusivamente pela IN SRF 225. O artigo 31 do DecretoLei nº 37/66 definiu como contribuinte do imposto o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional, ou seja, aquele que promoveu, concorreu para a realização da operação, negociou e proporcionou as condições para a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional: o real adquirente das mercadorias importadas. Logicamente, concorrendo com o importador declarado, que também foi um instrumento ativo para a ocorrência da importação. Portanto, como o real adquirente também é o contribuinte do imposto de importação, sua identificação, tanto para fins aduaneiros (controle aduaneiro) como para fins tributários (identificação do sujeito passivo do imposto de importação), no momento de registro da Declaração de Importação é imprescindível. Em caso de sua ocultação, estarseá diante de um quadro que não condiz com a realidade tributária, ou seja, o elemento pessoal da regra matriz de incidência do imposto de importação terá sido alterado, excluindo indevidamente da obrigação tributária o responsável pela entrada da mercadoria em território aduaneiro; também, conforme já exposto, estarseá diante de uma violação ao bem jurídico tutelado pelo direito aduaneiro, o seu controle. A Lei 10.637/2002 trouxe o tipo infracional em análise. Seu artigo 59 alterou a redação do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, incluindo entre as infrações consideradas como dano ao Erário a hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Em exame ao texto do inciso V do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, após a alteração processada pela Lei 10.637/2002, percebese que a conduta dolosa reside em ocultar o real sujeito passivo da operação de importação, ou seja, aquele que promove a entrada Fl. 595DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 16 de mercadoria estrangeira no território nacional, utilizandose de artifícios fraudulentos ou simulatórios, inclusive mediante a interposição fraudulenta de terceiras pessoas. A conduta apenada é, como se viu, “ocultar o sujeito passivo, o real vendedor, comprador ou o responsável pela operação”, mediante fraude ou simulação, e não com a finalidade de fraudar ou simular. Ante à impossibilidade de prever, elencar e combater todas as conseqüências da ocultação das partes envolvidas na operação, o legislador optou por combater esse meio de execução. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, (adquirente da mercadoria). Tratase de medida de proteção ao controle aduaneiro, de forma a combater operações fraudulentas e/ou simuladas. Para a definição de fraude e simulação, recorro aqui a conceitos tributários, aduaneiros e do direito privado. A definição de fraude é encontrada no Direito Tributário na Lei nº 4.502/1964: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Conforme já exposto, na ocultação do sujeito passivo está caracterizada a modificação de uma das características essenciais da obrigação tributária principal: seu elemento pessoal. Indevidamente, o sujeito passivo (adquirente) não responderá pelo imposto devido na operação, em uma clara afronta ao princípio da capacidade contributiva e da igualdade tributária. Já a simulação, dentro da definição de Alberto Xavier como “um caso de divergência entre a vontade (vontade real) e a declaração (vontade declarada), procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros”, está claramente caracterizada na ocultação do sujeito passivo. Recorro também ao conceito civilista de simulação, previsto no §1º do art. 167 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): Art. 167 – É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º – Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I – Aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II – Contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III – Os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. A simulação ocorre quando o importador ostensivo declara a operação como sendo por conta própria, mas, na realidade, é por conta e ordem de terceiros ou por encomenda. A natureza da operação declarada é uma (importação por conta própria) e na realidade é outra (importação por conta e ordem de terceiros ou por encomenda). Fl. 596DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 12457.732673/201295 Acórdão n.º 3101001.813 S3C1T1 Fl. 11 17 Também é encontrado no direito aduaneiro a previsão de simulação, dada pela IN SRF Nº 228/2002 (grifo nosso): Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. A ocultação do sujeito passivo nas operações de importação impacta de forma direta na obrigação tributária, em seu elemento pessoal, qual seja, a sujeição passiva, caracterizando a fraude. Da mesma forma, a omissão da informação do real importador ou responsável pela operação na Declaração de Importação, evadindose do devido controle aduaneiro na importação, caracterizase como simulação, visto que ocorre a divergência entre a vontade e a declaração, procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros, no caso a fiscalização aduaneira. Na ocultação fraudulenta ou simulatória, o sujeito passivo fica a margem da relações obrigacional tributária e do devido controle aduaneiro. A ocultação do sujeito passivo mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros consiste em uma infração tipificada como dano ao Erário, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei 1.455/1976, independentemente de se identificar qual a vantagem (financeira ou não) efetivamente obtida com as operações. Marco Antônio Abdo4, em brilhante explanação sobre o tema, apontou a diferença entre o conceito de dano ao Erário do conceito de dano que é utilizado no Direito Civil: não está relacionado à ocorrência de lesão patrimonial ou moral; não requer, necessariamente, considerações sobre questão do pagamento de tributos, salvo nos casos em que tal fato é previsto no tipo aduaneiro; e alcança somente as situações elencadas pelo art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, c/c art. 105 do Decretolei nº 37/1966, de forma taxativa, sendo inclusive aplicável a bens imunes ou isentos. Tal interpretação decorre da identificação do bem tutelado pelo Direito Aduaneiro, o controle, ao invés do caráter meramente arrecadatório do Direito Tributário. Importase, na análise da infração, a violação do controle aduaneiro mediante fraude ou simulação, e que o dano ao Erário decorreu dessa conduta ilícita tendente a burlar a Administração Aduaneira. Dos fatos apurados no procedimento fiscal O ponto fundamental do recurso voluntário apresentado referese a origem dos recursos utilizados na operação de importação, que teria sido comprovado como sendo da própria importadora, caracterizando as operações como por conta própria. Ocorre que a autoridade fiscal não fundamenta o auto de infração nesse ponto. Segundo sua argumentação, formalmente, a PAN ASIA importa, fecha o cambio com 4 Seminário sobre Interposição Fraudulenta em operações de Comércio Exterior, Secretaria da Receita Federal do Brasil, São Paulo, 2010. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 18 seus próprios recursos, emite nota fiscal de revenda e aguarda o pagamento desta nota fiscal. Porém, materialmente, ela cede seu nome na importação, adianta seu capital para fechamento do cambio e recebe a devolução deste montante alguns dias depois, revestido na forma de operação de compra e venda no mercado interno. Segundo o entendimento fiscal, a formatação adotada para a operação analisada, apresentada como “importação direta”, não corresponde à verdadeira intenção negocial, por ter verificado que as mercadorias importadas foram destinadas a outras empresas (os reais adquirentes das mercadorias), no presente caso, a COMEX. A PAN ASIA ao pretender aparentar ser, além de importadora, a real adquirente das mercadorias, serviu de interposta pessoa1 aos verdadeiros responsáveis pela operação. Apreciando a alegação fiscal, as provas colacionadas e as razões de defesa, entendo que ficou comprovada a ocultação da empresa COMEX nas operações de importação objeto das DI’s 12/11531637, 12/11898352, 12/11924353, 12/11990097, 12/12248939, 12/12282339, 12/12375051, 12/12599324, 12/12736208, e o evidente o intuito doloso da empresa PAN ASIA quando não registrou nas declarações de importação os responsáveis pelas operações, ocultandoos. A autoridade fiscal demonstra e comprova, através dos elementos de prova abaixo especificados, que a empresa COMEX era responsável por contratar o moinho de sua preferência, contratar o despachante de sua preferência, contratar o transportador internacional de sua preferência e somente tomar emprestado o nome da PAN ASIA para o registro formal da operação. A PAN ASIA não possuía qualquer ingerência sobre as escolhas dos intervenientes no comércio exterior, apesar de ser ela, documentalmente, o importador e adquirente por conta própria das mercadorias. Encontramse nos autos as seguintes constatações fiscais, acompanhadas de seus elementos de prova, cujo conteúdo fundamenta a alegação fiscal de ocultação da empresa COMEX nas referidas operações de importação declaradas como sendo da empresa PAN ÁSIA: (I) Negociação com o fornecedor estrangeiro As atividades do escritório de despacho aduaneiro “D' Antonelli Assessoria em Comércio Exterior LTDA” funcionavam na mesma sala comercial onde funcionava o escritório da COMEX e que as transações da COMEX eram realizadas pela despachante Denise Antonelli, sócia administradora da D'Antonelli, e exsócia da empresa, que negociava com o fornecedor estrangeiro de acordo com o interesse da COMEX, e posteriormente enviava documentos tais como fatura comercial e licenciamento de importação (LI) à empresa interposta (PANASIA) para depois fechar o câmbio; A despachante solicitava quantidade e tipo de farinha para o exportador, conforme dinheiro disponível e pedido de clientes. Conversas entre a Sra Denise e o exportador sugerem que negociações de interesse da importadora, como o fechamento do câmbio, eram feitas de acordo com o interesse da real adquirente das mercadorias (Comex) e seus clientes; Arquivos magnéticos/digitais retidos durante a ação de diligência fiscal no escritório da COMEX, nos quais foram extraídos documentos tais como planilhas com dados sobre a formação do preço de venda da PAN ASIA, despesas na importação de farinha de trigo, e também um contrato de câmbio firmado entre o Banco Mercantil do Brasil e a PAN Fl. 598DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 12457.732673/201295 Acórdão n.º 3101001.813 S3C1T1 Fl. 12 19 ASIA, que não diziam respeito a terceira empresa que não a real importadora; Planilha com o título de “3 cargas Joãozinho“, indicando que as importações eram negociadas conforme interesse do sócio administrador da COMEX, o Sr João; Planilhas relativa às DI's 12/12248939, 12/12282339, 12/12599324 e 12/12736208, denominadas “PANASIA/COMEX”, com a descrição detalhada dos custos para realização de uma operação de importação de farinha; Mensagem de correio eletrônico do exportador na Argentina enviado para o Sr João, da Comex, com cópia para a PAN ASIA, demonstrando que a principal interessada nos documentos e na operação era a COMEX; (II) Negociação com o transportador internacional de carga A COMEX não possuía local de armazenagem de mercadorias próprio e utilizava os serviços de transporte e armazenagem da transportadora DELAVI E FILHOS TRANSPORTES LTDA; Segundo Termo de Realização de Diligência, foi constatado que todas as cargas estocadas na transportadora eram de propriedade da Comex. O sócio administrador da transportadora, o Sr Jailson Delavi da Silva informou que após ordem do Sr. João Ribas (sócioadministrador da Comex) e envio da fatura de exportação também pelo Sr João, ele (o Sr Delavi) enviava um caminhão até a cidade de Puerto Iguazu na Argentina para carregar a farinha de trigo. O Sr Delavi relatou ainda que sua empresa emitia então o CRT e o MIC baseado nos dados da importação enviados por email pelo pessoal da Comex. Informou também que as ordens de carga e descarga da farinha de trigo importada da Argentina eram dadas pela Comex. No procedimento de diligência na Delavi foram retidos documentos com dados para depósito do frete, que estavam em nome da Panasia, porém, destinados ao Sr João (da Comex); (IV) Utilização da PAN ASIA como empresa interposta Foi identificado na sede da empresa PAN ASIA em ITAJAI/SC, orientação passada pelo Sr. Nilo Simas Jr. (PAN ASIA) a terceira empresa acerca dos procedimentos que deveriam ser adotados nas próximas importações de farinha de trigo, agora em nome de PAN ASIA, descrevendo detalhadamente o fluxo negocial das operações de importação de farinha de trigo via Foz do Iguaçu/PR, que configuraria a cessão de nome nas operações de comércio exterior; Também foi identificado na sede da PAN ASIA email relativo ao valor cobrado (por caminhão) para que empresas de Foz do Iguaçu importem Fl. 599DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 20 farinha de trigo utilizando seu nome, de forma a caracterizar a sua prestação de serviço, não operação por sua conta própria; (V) Fluxo físico das mercadorias A autoridade fiscal apresenta ainda a patente falta de logística no que se refere ao fluxo das cargas importadas e declaradas: a importadora PAN ASIA desembaraça suas cargas de farinha de origem/procedência argentina no Porto Seco de Foz Iguaçu/PR, com destino a sua sede em Itajaí/AC, distante cerca de 839 quilômetros do ponto de desembaraço aduaneiro, para depois remetêla a empresa COMEX em Foz do Iguaçu novamente. Não há que se alegar também que os referidos elementos de prova seriam apenas indícios. Conforme já afirmou Aliomar Baleeiro (RE 68.006MG), “SIMULAÇÃO Indícios vários e convergentes são prova”. Entendo que existiu a intenção deliberada dos agentes em praticar o ilícito, esquivandose do devido controle aduaneiro na importação. A simulação das operações de importação é evidente, visto que ocorreu a divergência entre a vontade e a declaração, procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros, no caso a fiscalização aduaneira. Também é evidente a fraude praticada, caracterizada como uma ação dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação principal, no caso a sujeição passiva. A fiscalização aduaneira apontou ainda os seguintes elementos motivadores à ocultação processada pelas interessadas: (i) Violação ao Controle Aduaneiro, com a não submissão das empresas aos procedimentos de habilitação no SISCOMEX, e interferência na avaliação de risco nas operações; e (ii) busca de benefício fiscal do Estado de Santa Catarina, que resultou numa alíquota efetiva de importação de farinha de trigo de apenas 4%. Além do exposto, destacase a intenção da empresa PAN ÁSIA na prática do ilícito, tendo em vista a divulgação em seu próprio sítio na internet do “serviço” de cessão de nome de forma quase explícita, expondo inclusive apresentando as vantagens de importar com a PAN ASIA: “reduzem de forma matemáticafinanceira o imposto mais importante e significativo, ou seja, o ICMS”. Não restam dúvidas quanto à adequação da situação fática com o tipo previsto no inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, e parágrafo terceiro: as empresas autuadas ocultaram, mediante simulação, o sujeito passivo, real comprador e responsável pela operação, caracterizando o dano ao Erário, sujeito à aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas, ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, quando não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. Não há como confundir o tipo previsto no artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976 com aquele do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, de forma a substituir uma penalidade pela outra. O referido artigo 33 da Lei 11.488/2007 criou urna penalidade especifica para empresas que fazem a cessão de seus nomes e documentos para realização de operações de comércio exterior, cm substituição à inaptidão do CNPJ, sem, no entanto, excluir as demais penas previstas para o caso. Mesmo após o advento da Lei nº 11.488/2007, o importador ostensivo deve responder pela multa substitutiva do perdimento de mercadoria prevista no art. 23, inciso V, Fl. 600DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 12457.732673/201295 Acórdão n.º 3101001.813 S3C1T1 Fl. 13 21 parágrafos 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/1976. Não houve derrogação deste dispositivo legal, sendo certo que tal regra convive harmonicamente com a disposição do art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Não há que se falar no presente caso na aplicação do princípio da retroatividade benigna, quanto à aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007 em substituição à multa de conversão do perdimento. Esse dispositivo legal não derrogou aquele (perdimento, por dano ao erário). Também cumpre destacar que o assunto está hoje claramente regulamentado no Regulamento Aduaneiro em vigor – Decreto 6.759/09: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). [...] § 3º A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. A referida multa foi aplicada através do auto de infração objeto do processo nº 12457.721234/201338. Portanto, não merece reparos o auto de infração quanto à aplicação da multa substitutiva do perdimento de que trata o art. 23, V, §§ 1.º e 3.º do DecretoLei n.º 1.455/76. Diante do exposto, voto por negar provimento aos recursos voluntários apresentados. Sala das sessões, em 24 de fevereiro de 2015. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 601DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Numero do processo: 10865.904653/2009-90
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, , Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado).
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, , Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 04 65 3/ 20 09 -9 0 Fl. 610DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.904653/200990 Resolução nº 1802000.579 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação de débitos da responsabilidade da contribuinte com através de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, concernente ao período de apuração 01/2003. A Receita Federal não reconheceu o direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, sob o argumento de que o crédito pleiteado já foi objeto de análise, em processos relativos aos PER/DCOMP de n.° 10769.54888.101203.1.3.048007, 01850.16010.101203.1.3.040542, 33592.14380.151203.1.3.040927, 28623.05598.250804.1.3.017067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, tendo sido constatado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado nos PER/DCOMP n.o s 28623.05598.250804.1.3.047067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que haveria crédito suficiente para pagamento do débito informado na PER/DCOMP, e requerendo a homologação da compensação declarada. Em sessão de 29 de março de 2011, a 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão 1433.103, julgando improcedente a manifestação de Inconformidade e não reconhecendo o direito creditório, sob a alegação de que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório é sempre do contribuinte. Aduz que no caso dos autos a recorrente optou pela sistemática de apuração pelo Lucro Real Apuração Anual para IRPJ, situação em que o contribuinte realiza os pagamentos no decorrer dos meses do ano civil por estimativa, o que configura antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração, e não pagamento antecipado. Assim, tratandose de mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Alega que ao final do anocalendário, caso a contribuinte apure saldo negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, o qual é passível de restituição ou compensação, daí porque, inclusive, o marco inicial de contagem de decadência para repetição ou para o lançamento se dá no último dia do exercício e não nas datas em que realizadas as antecipações. Afirmou ainda a Turma Julgadora que os recolhimentos mensais por estimativa a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.904653/200990 Resolução nº 1802000.579 S1TE02 Fl. 4 3 Alega que o pedido de compensação baseouse em suposto crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal, código de arrecadação 2362, sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência. Por fim, declara que, para que fosse possível a compensação requerida, caberia à contribuinte trazer documentos probatórios específicos, o que não ocorreu. Do Recurso Inconformada, recorreu a contribuinte em face da decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou a correspondente declaração de compensação, apresentando, em suma, os seguintes argumentos: Que está sujeita ao recolhimento do Imposto sobre a Renda (IRPJ), tendo se submetido à sistemática de apuração pelo Lucro Real Apuração Anual, no anocalendário de 2003. Que procedeu ao recolhimento durante todo o anocalendário, porém, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida no valor de R$ 800.000,00. Que após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o que resulta num direito de crédito compensatório. Afirma que demonstrou o equívoco dos números informados, mas que mesmo assim a DRJ manteve a decisão de nãohomologação das compensações efetuadas, porém, sob outros argumentos, extrapolando os limites da sua esfera de competência. Requer o retorno dos autos à fiscalização para nova decisão quanto a homologação ou não da compensação declarada. Requer, por fim, a reforma parcial do Acórdão ora recorrido, para afastar a “decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização”, ou alternadamente, a análise da documentação contábil juntada aos autos. Esse o relatório. VOTO Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 23/05/2011 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 17/06/2011. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.904653/200990 Resolução nº 1802000.579 S1TE02 Fl. 5 4 Do Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto por Fazenda Sete Lagoas Agrícola S/A em face da decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou as correspondentes declarações de compensação. De acordo com o que consta dos autos, a DRF não reconheceu direito creditório a seu favor, sob o fundamento de que o crédito pleiteado já fora totalmente utilizado em outras PER/DECOMP’s. Uma vez ofertada manifestação de inconformidade, sob alegação de que as compensações supostamente responsáveis pelo consumo de todo o crédito não haviam sido homologadas, foi a mesma julgada pela DRJ Ribeirão Preto que, desta feita, indeferiu a compensação por entender que o recolhimento de estimativa indevido ou a maior não gera crédito passível de compensação. É fato que a DRJ adotou como razões de decidir diferentes daquelas usadas pela DRF. Por conta disso, (i) não restou definida a argumentação expendida pelo contribuinte segundo a qual as compensações responsáveis pelo consumo do crédito não estariam homologadas; e (ii) caso optante pela argumentação segundo a qual a estimativa não é passível de geração de crédito a compensar, teria violado expressamente súmula do CARF. É entendimento deste Conselho que o recolhimento por estimativa pode gerar crédito, e portanto, ser compensável, , nos termos da súmula 84, cujo teor é o seguinte: "Súmula CARF 84 Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação" Sendo assim, impõese instrução complementar destes autos, para que se considere o alegado crédito, analisando, à luz da documentação trazida aos autos, se o mesmo existe na medida em que o contribuinte alega possuílo e se, realmente, por força de todos os PER/DCOMP apresentados, teria ou não tal crédito sido consumido noutras compensações; ou se, por outro lado, haveria saldo credor a compensar. Contudo, a solução do presente processo demanda uma instrução complementar. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência a fim de que, à luz das explicações trazidas pelo contribuinte com sua manifestação de inconformidade, mais toda a documentação ofertada em vários volumes, a autoridade fiscal reexamine a pretendida compensação. Esse o meu Voto. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator (assinado digitalmente) Fl. 613DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 18108.002312/2007-08
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL.
É nulo o lançamento lavrado em desconformidade com as determinações legais e normativas aplicáveis, o que acarreta cerceamento ao direito de defesa do contribuinte.
VÍCIO FORMAL
No caso de vício formal a decadência do novo lançamento fiscal deve atender o disposto no art. 173, II do CTN.
A falta de complemento do dispositivo legal e discriminação mais detalhada do fato gerador caracteriza vício formal. Defeito ou falta, meramente formal, que pode ser reparado com novo lançamento substituto para atender as formalidades legais necessárias à existência do ato observado pela fiscalização.
DECADÊNCIA.
Não é possível decretar a decadência parcial de lançamento fiscal anulado. Todavia, deve-se atentar para o período decadente quando da emissão do novo lançamento fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: Helton Carlos Praia de Lima
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. É nulo o lançamento lavrado em desconformidade com as determinações legais e normativas aplicáveis, o que acarreta cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. VÍCIO FORMAL No caso de vício formal a decadência do novo lançamento fiscal deve atender o disposto no art. 173, II do CTN. A falta de complemento do dispositivo legal e discriminação mais detalhada do fato gerador caracteriza vício formal. Defeito ou falta, meramente formal, que pode ser reparado com novo lançamento substituto para atender as formalidades legais necessárias à existência do ato observado pela fiscalização. DECADÊNCIA. Não é possível decretar a decadência parcial de lançamento fiscal anulado. Todavia, deve-se atentar para o período decadente quando da emissão do novo lançamento fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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É nulo o lançamento lavrado em desconformidade com as determinações legais e normativas aplicáveis, o que acarreta cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. VÍCIO FORMAL No caso de vício formal a decadência do novo lançamento fiscal deve atender o disposto no art. 173, II do CTN. A falta de complemento do dispositivo legal e discriminação mais detalhada do fato gerador caracteriza vício formal. Defeito ou falta, meramente formal, que pode ser reparado com novo lançamento substituto para atender as formalidades legais necessárias à existência do ato observado pela fiscalização. DECADÊNCIA. Não é possível decretar a decadência parcial de lançamento fiscal anulado. Todavia, devese atentar para o período decadente quando da emissão do novo lançamento fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 23 12 /2 00 7- 08 Fl. 5158DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.002312/200708 Acórdão n.º 2803004.133 S2TE03 Fl. 5.159 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 5159DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.002312/200708 Acórdão n.º 2803004.133 S2TE03 Fl. 5.160 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada e se refere as contribuições sociais previdenciárias devidas à Seguridade Social que foram retidas dos segurados empregados, não declaradas em GFIP e não recolhidas pela empresa, período de 01/2002 até 07/2006. Consoante relatório fiscal, a contabilidade da empresa foi desconsiderada pela fiscalização, pois não espelhava a realidade das operações da empresa. DA CIÊNCIA O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal, por unanimidade de votos, tornou o lançamento fiscal nulo, pois não se encontrava revestido das formalidades legais, e determinou a emissão de novo lançamento de conformidade com a legislação pertinente. DO RECURSO O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, embora a decisão recorrida tenha anulado o lançamento fiscal, requerendo em síntese: a decadência do período 01/2001 a 11/2002; a exclusão do tópico “Desaparecimento de Saldo” (os saldos de R$ 309,28, R$ 430,72 e RS 555,50 simplesmente não aparecem no razão de 2004), em razão da fiscalização ter declarado que os itens do relatório fiscal relacionados com o “desaparecimento de saldos” foram sanados, conforme item 21 da manifestação da fiscalização (fl. 135); quanto à alegação de Terceirização da Obra Denominada Residencial Jardim São Caetano Fases 1 e 2, a decisão recorrida alegou que a terceirização não restou demonstrada (item 7.17), assim deveria ter declarado a insubsistência dos lançamentos relativos a terceirização; por fim, requer que seja mantida a anulação do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 5160DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.002312/200708 Acórdão n.º 2803004.133 S2TE03 Fl. 5.161 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será apreciado. DECADÊNCIA No relatório Discriminativo Analítico de débito – DAD , fls. 9/12, levantamento RTN RET SEGUR NAO GFIP RFFP, consta recolhimento prévio para as competência: 01 a 04/2002 (fl. 9) e para as competência 05, 06, 08, 09, 10 e 12/2002 (Relatório de Documentos Apresentados – RDA, fl. 23) Destarte deve ser aplicada a regra do art. 150, § 4o do CTN. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 14/12/2007 (fl. 6). Assim sendo, estão decadentes as competências lançadas anteriores a 11/2002, inclusive, pela regra do art. 150, § 4o do CTN. DEMAIS LEVANTAMENTOS FISCAIS O crédito tributário se refere as contribuições sociais previdenciárias devidas à Seguridade Social que foram retidas dos segurados empregados, não declaradas em GFIP e não recolhidas pela empresa, período de 01/2002 até 07/2006, conforme consta do relatório fiscal, fls. 479/489 dos autos digitalizados, e relatório Discriminativo Analítico de débito – DAD , fls. 9/12, levantamento RTN RET SEGUR NAO GFIP RFFP, no estabelecimento: 48.821.367/000100. Consta do relatório fiscal, fls. 479/489, sobre os temas abordados no recurso voluntário do contribuinte: DESAPARECIMENTO DE SALDOS Fl. 5161DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.002312/200708 Acórdão n.º 2803004.133 S2TE03 Fl. 5.162 5 35) Por mais incrível que pareça, a profusão de valores para a folha de pagamento da Plaza não é o único fato que depõe contra a Contabilidade da Plaza. No anexo 6, folhas 396 a 403, através das copias dos diários, fica comprovado que a Plaza reteve os valores de; R$ 154,51 + 154,77 = R$ 309,28 cm 2002 c que ainda constam no razão de 2003; R$ 430,72 em 2002 e que ainda consta no razão de 2003; R$ 314,13 + 241,37 = R$ 555,50 cm 2002 e que ainda constam no razão de 2003; 36) Entretanto, os saldos de R$ 309,28, R$ 430,72 e R$ 555,50 simplesmente não aparecem no razão de 2004. Este desaparecimento não se deu por lançamento contábil; os valores escafederamse. Isso implica que valores de interesse direto da Previdência Social somem da Contabilidade da Plaza. Por outro lado, isso também implica, cm tese, em apropriação indébita previdenciária. 37) Outro ponto que depõe contra a Contabilidade da Plaza é o ajuste de exercícios anteriores feito pela Contabilidade. A Plaza ajustou, diretamente cm seu Patrimônio Liquido, a quantia de R$ 85.732,15. Isso nada mais é do que a admissão, por parte da Contadora de 2005, de que as contabilizações dos exercícios anteriores precisavam de ajustes. 38) 0 valor de R$ 85.732,15 deve ser fortemente ponderado. Este é o valor liquido dos acertos a debito e a crédito efetuados na Contabilidade. No anexo 20 desta NFLD, folhas 404 a 406, há um email da Sra. Célia, Contadora do escritório de Contabilidade que presta serviços para a Plaza. Neste anexo, há 2 planilhas Excel, uma contendo os detalhes das contas que foram creditadas e debitadas para produzir o ajuste de exercícios anteriores. 39) Todas as contas debitadas e creditadas São bancos: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco de Boston. Esta forma de ajuste é prova total de que nem mesmo o acerto foi feito de forma correta. 40) Claro que os ajustes feitos nos bancos têm suas contrapartidas. Assim, estes ajustes contra bancos deveriam ter sido feitos contra outras contas, do tipo receita / despesa ou, até mesmo, contas de ativo ou passivo. Comodamente, a Plaza fez ajuste na conta de ajuste de exercícios anteriores". pois nem mesmo Os Contadores da Empresa conseguiram definir quais as contas de receita, despesas, ativo ou passivo deveriam ser ajustadas para que as conta representativas de banco ficassem corretas. 41) Isso tem uma razão de ser: como já foi dito neste relatório, por exemplo, as folhas de pagamento da Plaza do mês 10/2002 Fl. 5162DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.002312/200708 Acórdão n.º 2803004.133 S2TE03 Fl. 5.163 6 não foram contabilizadas. MAS FORAM PAGAS. Ora, tanto as contas de despesa (despesas com salários, horas extras, etc.), de ativo (banco) e passivo (salários e INSS a pagar) ficaram incorretas. Entretanto, os Contadores da Plaza só ajustaram a conta bancos; e mesmo assim, pelo valor liquido dos acertos! (...) TERCEIRIZAÇÃO DA OBRA DENOMINADA SÃO CAETANO DO SUL FASES 1 E 2 43) Na obra de São Caetano do Sul houve a terceirização de serviços; a obra não foi feita só pela própria Plaza, mas também pela empresa Phoenix Empreend. Imob. Part. Adm. Lida, CNPJ: 49.325.285/0001 20, cujos sócios são os mesmos da Plaza. 44) Não há problema no fato de a Plaza ter terceirizado parte do empreendimento São Caetano do Sul para uma Empresa do Grupo, no caso a Phoenix. Porém, há problema no fato de a Phoenix não ter faturado tais serviços para a Plaza. 45) Esta falta de faturamento tem duas conseqüências gravíssimas em termos previdenciários: um fato que uma obra só pode ser fiscalizada na empresa que centraliza toda a mãode obra necessária para sua realização. 46) Bastaria que a Plaza fizesse, como deveria ter feito, a retenção de 11% sobre as faturas, as notas fiscais ou os recibos contra ela emitidos pela Phoenix, para que a Auditoria Fiscal pudesse dar cobertura sobre a mãodeobra relativa a estes documentos. 47) Como não houve o faturamento da Phoenix contra a Plaza, esta não efetuou a retenção sobre a mãodeobra daquela. Ao mesmo tempo, a falta de faturamento impede que a Auditoria Fiscal levante tais retenções em NFLD (pela impossibilidade de quantificar o valor do serviço prestado). CONSEQÜÊNCIAS DA TERCEIRIZAÇÃO DA OBRA DENOMINADA SÃO CAETANO IX) SUL FASES I E 2 48) Assim, como conseqüência, não restou outra opção à Auditoria Fiscal que não fosse estender a Ação Fiscal à Phoenix, cm busca da mãodeobra desta Empresa que, além da mãode obra da Plaza, atuou na obra de São Caetano do Sul. 49) Para a fiscalização da Phoenix foi emitido o MPF 09418552. O TIAF solicitando documentos e informações foi emitido em 27/09/2007 — entretanto, até a data deste relatório fiscal, a Phoenix ainda não havia apresentado nenhum documento ou informação que reflita seus fatos geradores previdenciários (cópias do MPF e do TIAF emitidos contra a Phoenix podem ser encontrados no anexo 21, folhas 417 a 420). 50) Outra conseqüência é que a liberação de CND — Certidão Negativa de Débito para empreendimento de São Caetano do Sul, fases 1 e 2, só pode ser efetuada após a fiscalização de toda Fl. 5163DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.002312/200708 Acórdão n.º 2803004.133 S2TE03 Fl. 5.164 7 a 11150de obra que nele atuou, isto é, só pode ser liberada após a fiscalização do empreendimento SCS na Plaza e também após a fiscalização do empreendimento SCS na Phoenix. Qualquer pedido de CND para os 2 CEI (37.500.00350/74 c 37.500.00725/79) deve ser analisado cm ambas as Empresas, isto 6, na Plaza c na Phoenix. RETENÇÃO DE EMPREGADOS 51) Para o levantamento RTN, a Auditoria Fiscal elaborou o documento intitulado "Planilha valores das retenções de empregados" (anexo 8, folhas 421 a 424), onde são encontrados os valores retidos de empregados pela Plaza, conforme informações da Contabilidade (ver coluna "Contabilidade"), informações das GFIP (ver coluna "GFIP no sistema") e informações das Folhas de Pagamento (ver coluna "folhas de pagamento (resumos mensais)"). 52) Na coluna "maior valor" encontrase o maior valor de retenção pinçado das colunas anteriores. Isso significa dizer que a Auditoria Fiscal adotou, nesta NFLD, como retenção feita pela Plaza, o maior valor de retenção registrado nas 3 fontes; estas fontes são: Contabilidade; GFIP e Resumos Mensais. 53) Todas as 3 fontes são documentos elaborados pela própria Plaza. A Empresa sempre pode provar valor correto. Importante notar que, de acordo com tais documentos, a Plaza de fato reteve valores de seus empregados. (nosso grifo) 54) Nas colunas 'levantamento lançado em GF1P" e "levantamento não lançado em (MP" é feita a distribuição matemática dos valores que foram ou não foram declarados em GFIP. Assim, por exemplo, o maior valor retido na competência 01/2002 6 R$ 7.097,05. A GFIP informa, para esta competência, retenção no valor de R$ 3.417,10. Ora, a diferença entre estes 2 valores monta em R$ 3.679,95. 55) Apenas como amostra, provaremos os valores de retenção da competência 06/2005. As retenções efetuadas pela Plaza, de acordo com a Contabilidade, são encontradas no anexo 2, folhas 122 a 127, e montam em R$ (551,95 + 1.157,31 + 89,68 + 272,14 + 1.369,79 + 278,34) = R$ 3.719,21. 56) A retenção informada em GFIP pela Plaza cm 06/2005 é encontrada no anexo 25, folha425 a 427 e monta em R$ (97,12 + 2.953,28) = R$ 3.050,40. 57) A retenção efetuada pela Plaza, de acordo com a resumo da folha de pagamento 06/2005 6 encontrada na folha 213 e monta em R$ (3.711,00 + 278,34 + 89,68) = R$ 4.079,02. 58) Os valores da coluna “levantamento lançado em GFIP” são objeto da NFLD de número 37.079.9240; já os valores da coluna "levantamento não lançado em GFIP" são objeto da MID de número 37.079.9259. Fl. 5164DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.002312/200708 Acórdão n.º 2803004.133 S2TE03 Fl. 5.165 8 59) Os valores de SalárioFamília SF foram abatidos do levantamento na NFLD 37.079.9240. No caso do SF, optouse por adotar os menores valores conforme se pode ver no documento "Planilha valores dos anexo 9, folhas 428 a 430. As fontes utilizadas para obtenção do SF foram a Contabilidade, as GFIP c os resumos das folhas de pagamento. 60) 0 crédito lançado encontrase fundamentado na legislação constante do anexo "Fundamentos Legais do Debito FLD (folhas 41 e 42). Caso os Julgadores sejam de opinião de que "adotar o maior valor de retenção" e "adotar o menor valor de saláriofamília" sejam uma forma de aferição indireta, acrescentamse o § 3o e o § 6o, ambos do artigo 33 da Lei 8.212 de 24 de Julho de 1991 (publicada no Diário Oficial da União DOU de 25/07/91 e republicada em 11/04/96 e 14/08/98). Como se pode notar do relatório fiscal, fls. 479/489, itens 52 e 53, e Discriminativo Analítico de débito – DAD , fls. 9/12, levantamento RTN RET SEGUR NAO GFIP RFFP, DEBCAD nº 37.079.9259/2007, o lançamento fiscal se refere a valores retidos de empregados registrados na contabilidade, GFIP e resumos mensais de folhas de pagamento. Desse modo, os valores questionados pelo contribuinte com tópico “Desaparecimento de Saldo” e “Terceirização da Obra Denominada Residencial Jardim São Caetano Fases 1 e 2” não se referem ao lançamento fiscal em comento, portanto, não serão apreciados. A análise dos tópicos serão feitos no lançamento fiscal competente. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL A decisão recorrida, fls. 5126/5127, fez as seguintes considerações para decretar a nulidade do lançamento fiscal: 7.32. Considerando: 7.32.1. que foi realizada centralização de lançamentos no CNPJ da matriz, não tendo sido observada a regra de lançamento em separado por estabelecimento (obras e estabelecimento administrativo, que possuem diversidade de identificação — CNPJ/CEI, de documentos (exemplos: folhas de pagamento, recibos, faturas, etc), de registros contábeis cm contas especificas, de GFIP e GPS independentes); 7.32.2. que foi criado um terceiro método para a obtenção da base de cálculo das contribuições aferidas indiretamente, em afastamento das regras previstas no Decreto 3.048/99 e Instrução Normativa n° 03/05, sem que restasse demonstrada a impossibilidade de aplicação das regras existentes incisos I e II do art. 473 da IN n° 03/05; 7.32.3. que não consta fundamentação legal quanto ao aproveitamento dos créditos da empresa com destinação diversa dos recolhimentos (guias de recolhimento distintas no CNPJ e nas matriculas CEI's das obras, e, créditos oriundos de levantamentos anteriores —LDC’s; Fl. 5165DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.002312/200708 Acórdão n.º 2803004.133 S2TE03 Fl. 5.166 9 7.33.4. Por tudo aqui exposto é de se concluir que o lançamento está contaminado de tal forma que é impossível prosperar validamente. Diante da necessidade individualização do lançamento por estabelecimento para melhor compreensão e defesa do contribuinte; da utilização de método adequado às normas de fiscalização para a obtenção da aferição indireta; e da falta de fundamentação legal quanto ao aproveitamento dos créditos da empresa; temse que se trata de nulidade do lançamento por vício formal. O lançamento é forma, exteriorização e reflete o conteúdo da norma de incidência tributária, o fato gerador. A falha na exteriorização do lançamento é um vício formal. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa por Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, temse: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Diante dos fatos expostos, entendese que a decisão recorrida foi acertada e está devidamente fundamentada. Embora estejam decadentes as competências lançadas anteriores a 11/2002, inclusive, pela regra do art. 150, § 4o do CTN, não se pode decretar a decadência parcial de lançamento fiscal anulado. Todavia, devese atentar para períodos decadentes quando da emissão do novo lançamento fiscal. O vício formal requer a aplicação da regra do art.173, II, do CTN, para o novo lançamento fiscal. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Relator. Fl. 5166DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.002312/200708 Acórdão n.º 2803004.133 S2TE03 Fl. 5.167 10 Fl. 5167DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11444.000748/2008-75
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
Arbitramento de lucro. Glosa de custos.
Quando as irregularidades apuradas pela autoridade lançadora podem ser qualificadas e quantificadas, os valores apurados devem ser adicionados ao lucro líquido na determinação do lucro real vez que o arbitramento de lucro é uma medida extrema que se justifica somente quando impraticável o aproveitamento da escrita.
Numero da decisão: 1801-002.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros (Relator) Leonardo Mendonça Marques e Neudson Cavalcante Albuquerque, que acompanhou pelas conclusões, e deram provimento ao recurso. A Conselheira Maria de Lourdes Ramirez foi designada para redigir o Voto Vencedor. Ausente momentaneamente a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques - Relator.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil, e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 1.850 1 1.849 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11444.000748/200875 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.350 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2015 Matéria IRPJ Recorrente MARIAL REPRESENTAÇÕES DE CALÇADOS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 ARBITRAMENTO DE LUCRO. GLOSA DE CUSTOS. Quando as irregularidades apuradas pela autoridade lançadora podem ser qualificadas e quantificadas, os valores apurados devem ser adicionados ao lucro líquido na determinação do lucro real vez que o arbitramento de lucro é uma medida extrema que se justifica somente quando impraticável o aproveitamento da escrita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros (Relator) Leonardo Mendonça Marques e Neudson Cavalcante Albuquerque, que acompanhou pelas conclusões, e deram provimento ao recurso. A Conselheira Maria de Lourdes Ramirez foi designada para redigir o Voto Vencedor. Ausente momentaneamente a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Redatora Designada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 07 48 /2 00 8- 75 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil, e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório A lide trata das insurgências da ora recorrente, contra os lançamentos de IRPJ e CSLL, decorrentes de apuração de ofício do lucro real, e de glosas de despesas com comissões e com combustíveis. Segue transcrição do relato produzido na DRJ recorrida, quanto aos atos processuais que lhe antecederam: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi efetuada, nos anoscalendário de 2005 e 2006, glosa de despesas com comissões e combustíveis e foram tributados os valores do lucro real trimestral apurados de ofício, tendo em vista a declaração indevida pelo lucro presumido. Foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 – Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) – fls. 3 a 13. Imposto: R$ 87.978,75 Juros de mora: R$ 21.844,70 Multa Proporcional: R$ 65.984,03 Total: R$ 175.807,48 Enquadramento legal do imposto: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), arts. 247, 249, 250, 251 e parágrafo único, 299, 300, 516, § 4º, 517, 541 e 542; Lei nº 9.430, de 1996, art.26; Instrução Normativa (IN) nº 166, de 1999, arts. 1º, § 2º, I, 4º; Medida Provisória (MP) nº 2.18949, de 2001, art.18. 2 – Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) fls. 14 a 21: Contribuição: R$ 50.714,57 Juros de mora: R$ 12.624,05 Multa Proporcional: R$ 38.035,91 Total: R$ 101.374,53 Enquadramento legal da contribuição: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, arts. 2° e §§; Lei nº 9.316, de 1996, art. 1º; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 26 e 28; Lei nº 10.637, de 2002, art. 37; RIR, de 1999, 249, 251, parágrafo único, 273, 299, 300, 516, § 4º, e 517; IN nº 166, de 1999, arts. 1º, § 2º, I, 4º; MP nº 2.18949, de 2001, art.18. O procedimento de fiscalização e as conclusões dele decorrentes foram relatadas no Relatório Fiscal de fls. 22 a 31. Segundo o relato da autoridade fiscal, a contribuinte foi selecionada para ser fiscalizada tendo em vista que suas DIPJ dos anoscalendário 2005 e 2006 foram apresentadas em branco, exceto pelo preenchimento dos dados iniciais e cadastrais, quando, de acordo com informações de terceiros prestadas através das Dirf, possuía receitas de prestação de serviços, em 2005 e 2006, de R$ 211.749,34 e R$ 407.845,30, Fl. 383DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 11444.000748/200875 Acórdão n.º 1801002.350 S1TE01 Fl. 1.851 3 respectivamente. Consta no processo que nas DIPJ e nas DCTF dos dois AC referidos foi informada apuração pelo lucro real. Relatou a autuante que a empresa não foi encontrada no endereço indicado nos cadastros da Receita Federal e somente em 18/01/2008 é que sócia Clotilde Adolpho Dezotti foi cientificada do Termo de Início de Fiscalização datado de 09/01/2008. Informou que, durante esse período em que se tentava cientificar a sócia Clotilde Adolpho Dezotti do Termo de Inicio de Fiscalização, foram retificadas as DCTF(s) da empresa de 2005 e 2006 e, como não é possível retificar a DIPJ alterando a forma de tributação, foram apresentadas outras DIPJ (em 10/01/2008 e 16/01/2008, respectivamentefls. 45 a 64) para esses anos, onde foi informado o lucro presumido, como forma de tributação. Com relação às DCTF, na retificadora do 2° semestre/2005 foi indicado o lucro presumido como forma de tributação para os dois trimestres, entretanto, nas retificadoras de 2006, tanto do 1° como do 2° semestre, foi indicado o Lucro Presumido somente para os primeiros trimestres, sendo que para os segundos trimestres foi indicado o Lucro Real Trimestral. Essas retificadoras foram entregues em 16/01/2008, e declarados débitos de tributos federais em todos os meses, a partir de agosto/2005 (fls.227 a 235). Acrescentou a fiscalização que a contribuinte foi intimada e reintimada e não apresentou os comprovantes das despesas com comissões, bem assim dos seus efetivos pagamentos. Quanto às despesas com combustíveis, a contribuinte foi intimada a comprovar o seu vínculo com os serviços prestados por ela, identificando os veículos onde foram utilizados os combustíveis, os proprietários desses veículos, os motoristas dos veículos. Foi solicitado também a apresentação dos relatórios de viagem com os clientes visitados e as localidades, a fim de justificar tão elevado gasto com combustíveis. Como não foram apresentados os documentos solicitados, a fiscalização efetuou a glosa dos valores correspondentes a essas despesas, sendo exigidos o IRPJ e a CSLL apurados com base no lucro real trimestral. Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com a impugnação de fls.297 a 320, subscrita pelos procuradores Alexandre Alves Vieira, Marcos Vinicius Gonçalves Floriano e Rogério Bitonte Pigozzi (fls.325 a 335), alegando: · O art. 26, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, e o art. 516, § 4º, do RIR, de 1999, não especificam o momento em que o pagamento do imposto de renda referente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário deverá ser efetuado. Exige, exclusivamente, que o pagamento do imposto seja referente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. Para a opção ser válida, a legislação não exige que o contribuinte promova o recolhimento do imposto concernente ao primeiro Fl. 384DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 4 período de apuração de cada anocalendário até a respectiva data limite do seu vencimento; · Os dispositivos legais que determinam o pagamento como forma do contribuinte manifestar a sua opção pela sistemática do lucro presumido não determinam que o citado pagamento tenha que ser feito antes de iniciado quaisquer procedimentos de fiscalização. Tanto é assim, que caso o auditor não localize pagamentos que identifiquem a forma de apuração da base de cálculo do imposto, deve notificar o contribuinte para que exerça a opção pela forma de tributação por meio de intimação específica, nos termos do art. 14 da IN SRF nº 93, de 1997; · Manifestou sua opção pela forma de tributação com base no lucro presumido nos exatos termos da lei, ou seja, por meio de pagamentos de Darf – código 2089, referentes aos primeiros períodos de apuração dos anoscalendário de 2005 e 2006; · Necessidade de arbitramento do lucro, pois, de acordo com o relatório fiscal, a escrituração das despesas com comissões e com combustíveis não foi feita com base em documentos hábeis e idôneos, desqualificando a fidedignidade e idoneidade dos livros fiscais e contábeis. Assim, tais livros devem ser considerados imprestáveis para apuração do lucro real, tornandose obrigatório o arbitramento do lucro. A tributação pelo lucro real feita pela fiscalização foi mais onerosa que a devida pelo arbitramento do lucro; · A exigência deve ser cancelada, pois a DRJ não tem competência para realizar lançamento, adotando o lucro arbitrado. A decisão ora recorrida manteve o lançamento, em julgado cuja ementa tem os seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO NO ANOCALENDÁRIO. Quando não efetuada a opção pelo lucro presumido por meio do pagamento, a entrega espontânea da DIPJ e da DCTF caracteriza opção pelo lucro real. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento só deve ser adotado diante da absoluta falta de possibilidade de determinação da base tributável por meio das outras formas de apuração (lucro real ou presumido). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 11444.000748/200875 Acórdão n.º 1801002.350 S1TE01 Fl. 1.852 5 Os elementos que fundamentaram a decisão desafiada via recurso voluntário, são os seguintes: No presente caso, não foi feita qualquer opção com o pagamento do imposto relativo ao primeiro período de apuração, sendo a escolha do regime de tributação manifestada com a entrega tempestiva da DIPJ e DCTF com informação da apuração pelo lucro real. Ademais, dispõe a IN SRF nº 166, de 1999, em seu art. 4º que no caso de DIPJ ou DIRPJ, não será admitida retificação que tenha por objetivo mudança do regime tributação, salvo, nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado. Dessa forma, é improcedente a alegação de que fez a opção pelo lucro presumido. ... Quanto ao arbitramento do lucro, cabe esclarecer que ele é medida extrema e só deve ser adotado como base de cálculo do imposto diante da absoluta falta de possibilidade de determinação da base tributável por meio do lucro real ou presumido. O fato de terem sido glosados os valores escriturados a título de despesas com comissões e combustíveis, não torna a contabilidade imprestável para a apuração do lucro real. Segundo o relato da atuante, a contribuinte, sendo intimada, apresentou o livros Razão, Diário e Prestação de Serviços, escriturados com observância das leis comerciais e fiscais. Além disso, não efetuou a opção pelo lucro arbitrado quando da entrega das DIPJs ou das DCTFs, ao contrário, optou pelo lucro real trimestral por ocasião da apresentação das citadas declarações. Alterar de ofício a opção regularmente exercida pela contribuinte somente seria possível se a sua escrituração comercial e fiscal apresentasse vícios graves que tornasse impossível a apuração do lucro real, o que não ocorreu no presente processo. No recurso voluntário, a empresa traz as seguintes razões: breve resumo dos fatos que conduziram ao lançamento; argui a efetividade da opção pelo lucro presumido, que teria sido validamente formalizada com as retificações feitas e, principalmente, pelo recolhimento feito naquele momento, sob os parâmetros dos lucro presumido. Com isso, seria insubsistente o lançamento feito com base na sistemática do lucro real; Fl. 386DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 6 alega que a autuação deveria ter apurado a base de cálculo por meio do arbitramento do lucro, e não pelo lucro real, pois a escrituração fornecida pela empresa revelaria precariedade de modo a inviabilizar esta apuração, mormente diante das glosas de todas as despesas com comissões e combustíveis; invoca o artigo 142 do CTN para afirmar que a autoridade julgadora, em caso de concordância com a impropriedade do lançamento quanto à forma de tributação adotada, não pode corrigilo, inovando naquele ato administrativo lavrado pela autoridade competente pela fiscalização. requer o provimento do recurso voluntário, para que seja cancelado o lançamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos previstos na norma processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento. O recurso voluntário não oferece oposição às glosas de despesas com comissões e combustíveis, as quais figuram como infrações sancionadas no bojo do lançamento. Também não há impugnações contra a apuração da receita promovida de ofício. A insurgência voltase contra a apuração pelo lucro real. Dizse, a uma, que a opção pelo lucro presumido (alterando o que fora posto na DIPJ no período adequado), deveria prevalecer. A duas, em argumento sucessivo, alega a recorrente que o lançamento de ofício deveria ter apurado o lucro por arbitramento, pois a verificação da contabilidade teria fornecido a constatação de sua imprestabilidade para calcular o lucro real. Lucro real x lucro presumido Para bem avaliar o pleito pela prevalência do lucro presumido, cabe pontuar como teria sido feita tal opção. Vejamos os dados detectados no Relatório Fiscal (efls. 22 e seguintes): A contribuinte foi selecionada para ser fiscalizada visto que, suas DIPJ – Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, dos anos calendários 2005 e 2006, foram apresentadas em branco, exceto pelo preenchimento dos dados iniciais e cadastrais, enquanto, de acordo com informações de terceiros, prestadas através das DIRF, possuía receitas de Fl. 387DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 11444.000748/200875 Acórdão n.º 1801002.350 S1TE01 Fl. 1.853 7 prestação de serviços, em 2005 e 2006, de R$ 211.749,34 e 407.845,30, respectivamente. Que tanto nas DIPJ do ano calendário 2005, entregue em 30/06/2006, como na do ano calendário 2006, entregue em 29/06/2007, foi informado o LUCRO REAL TRIMESTRAL como forma de tributação (fls.168 a 218). Quanto as DCTF Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, foram informados débitos dos tributos federais somente para o 4° trimestre/2005, tendo sido utilizados os códigos de receita do Lucro Real para os débitos do Imposto de Renda (0220) e para a Contribuição Social sobre o Lucro (6012). Nas DCTF(s) do 1° e 2° semestre de 2006 foi indicado o Lucro Real trimestral, como forma de tributação, entretanto, nenhum débito foi declarado (fls. 219 a 226) Relatase também, que o Termo de Início de Fiscalização foi emitido em 09/01/2008, mas que a empresa não foi encontrada no endereço cadastrado na Receita Federal. Houve tentativa de intimação no endereço de uma das sócias (com poderes para recebêla), mas a fiscalização recebeu a informação de que ela estava fora da cidade, em um congresso. Somente em 18/01/2008, houve sucesso na cientificação formal quanto à fiscalização que se iniciava. Ocorre que, naquele ínterim, quando a fiscalização buscava a entrega do TIF à representante da empresa, foram feitas retificações de DCTF’s e entregas de DIPJ’s, alterando a opção para o lucro presumido, e confessando alguns débitos (DIPJ’s dos anos calendários 2005 e 2006, foram entregues em 10/01/2008 e 16/01/2008, respectivamente). A d. autoridade fiscal relatou que: Com relação as DCTF(s), na retificadora do 2° semestre/2005 foi indicado o Lucro Presumido como forma de tributação para os dois trimestres, entretanto, nas retificadoras de 2006, tanto do 1° como do 2° semestre, foi indicado o Lucro Presumido somente para os primeiros trimestres, sendo que para os segundos trimestres foi indicado o Lucro Real Trimestral. Essas retificadoras foram entregues em 16/01/2008, e declarados débitos de tributos federais em todos os meses, a partir de agosto/2005 (fls.227 a 235). Depois de discorrer acerca dos elementos que inviabilizariam a mudança da opção do lucro real para a sistemática do lucro presumido, a autoridade fiscal arrematou, afirmando: Considerando que a contribuinte não efetuou qualquer pagamento do imposto de renda, não houve a opção pelo lucro presumido, permanecendo na regra geral de tributação do lucro, que é o lucro real trimestral. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 8 Mesmo que se admita a possibilidade, em tese, da opção pelo lucro presumido a posteriori, alterandose o que fora adotado na DIPJ entregue tempestivamente, há que se verificar se essa alteração foi validamente executada antes do início da fiscalização. Vale dizer, a referência ao momento anterior ao início da fiscalização tem como baliza a data em que o sujeito passivo é intimado desse procedimento, eis que somente então o ato administrativo tem eficácia perante o contribuinteadministrado. As “retificações”, nos termos das datas já destacadas acima, foram efetuadas antes da efetiva intimação da representante da empresa. No entanto, a lei de regência estabeleceu, expressamente, o pagamento como fator de definição da opção pelo lucro presumido, como se apreende das disposições da Lei nº 9.430/96: Art.26.A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. §1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. §2º A pessoa jurídica que houver iniciado atividade a partir do segundo trimestre manifestará a opção de que trata este artigo com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido relativa ao período de apuração do início de atividade. §3º A pessoa jurídica que houver pago o imposto com base no lucro presumido e que, em relação ao mesmo anocalendário, alterar a opção, passando a ser tributada com base no lucro real, ficará sujeita ao pagamento de multa e juros moratórios sobre a diferença de imposto paga a menor. §4º A mudança de opção a que se refere o parágrafo anterior somente será admitida quando formalizada até a entrega da correspondente declaração de rendimentos e antes de iniciado procedimento de ofício relativo a qualquer dos períodos de apuração do respectivo anocalendário. Com a impugnação, a empresa juntou pagamentos em DARF alegadamente correlatos às retificações apurando lucro presumido. No entanto, tais recolhimentos só foram feitos em 20/06/2008 (efls. 322 e 323), portanto, depois de iniciada a fiscalização e excluída a espontaneidade com a intimação da empresa. Para a configuração da opção por uma modalidade de cômputo do lucro para fins tributários, a lei exige a formalização da mesma e o pagamento do tributo sob aqueles moldes, antes de iniciado o procedimento de fiscalização. As normas infralegais e os julgados citados pela recorrente não socorrem seu pleito, pois tratam de situações diversas (por exemplo: lançamento dentro do anocalendário, quando as declarações ainda eram anuais; lançamento decorrente de exclusão do SIMPLES, quando a autoridade deve intimar a empresa a escolher a forma de tributação). Fl. 389DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 11444.000748/200875 Acórdão n.º 1801002.350 S1TE01 Fl. 1.854 9 Ausente o pagamento tempestivo (anterior ao início formal da fiscalização), não há que considerar validamente alterada a opção de tributação do lucro. Portanto, não pode ser oposta a opção pelo lucro presumido no presente caso, pois promovida de forma ineficaz, inoponível ao lançamento fiscal. Lucro real x lucro arbitrado A arguição seguinte posta no recurso voluntário referese à suposta impropriedade do lançamento com base no lucro real, quando o correto seria a adoção do arbitramento da base de cálculo partindo da receita bruta conhecida. Para verificar a pertinência jurídica da alegação recursal, colacionase o comando normativo disposto na Lei nº 8.981/95, grifando os trechos que podem se subsumir à hipótese dos autos: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. Segundo relato da autoridade fiscal, foram entregues os Livros Diário, Razão e Prestação de Serviços. Assim, não se trata de imposição de arbitramento nos termos do inciso I, supra. Também não houve imputação de fraude. Portanto, a hipótese aventada pela recorrente seria de subsunção à segunda parte do inciso II, complementada pela aliena b. A escrituração apresentada seria tão defeituosa, tão dissociada da realidade das operações econômicas e patrimoniais que deveria refletir, que a apuração regular do lucro real restaria inviabilizada. Cabe destacar que, como a recorrente nunca entregou o Lalur, a fiscalização elaborou de ofício a apuração do resultado, com base na contabilidade entregue pela recorrente e utilizando os dados das DIRF’s das fontes pagadoras. Essa “Apuração do Resultado” está nas efls. 164 a 168, e como foi consignada antes da conclusão dos trabalhos fiscais, ainda traz em seu cômputo as despesas glosadas ao final (comissões e combustíveis). Fl. 390DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 10 No Relatório Fiscal, a autoridade lançadora aponta a desproporcionalidade das despesas com comissões, quando comparadas com a receita da prestação de serviços da empresa (efls. 24 e 25): Por outro lado, os valores dessas despesas não são compatíveis com a receita operacional bruta do contribuinte. Por exemplo, o total das comissões pagas em outubro/2005 é superior ao valor de sua receita operacional bruta desse mês. Não é verossímil que apenas as despesas de comissões represente, em 2005, 64,71% da receita operacional bruta, e em 2006, 57,82% da receita. Notese que o próprio autor do lançamento aventa a falta de verossimilhança dos dados lançados na escrituração da recorrente. A glosa das despesas com combustíveis retirou a outra parcela mais relevante das despesas contabilizadas pela empresa. Analisando a apuração do resultado elaborada pela autoridade fiscal (efls. 164 a 168), e considerando a retirada dos valores apropriados como despesas nessas duas rubricas glosadas (comissões e combustíveis), verificase que a tributação se deu sobre margens de lucro que se aproximam de 80% da receita operacional bruta. A recorrente é representante comercial, atuando na área de vestuário e de calçados. Certamente, para promover as vendas dos produtos que representa, tem que contratar vendedores, ainda que autônomos. É o que ilustra um contrato de representação comercial juntado aos autos, em que se lê, na efl. 86, a Cláusula Primeira: Os serviços e a representação comercial serão exercidos sem vínculo empregatício, e sem exclusividade, constituindose em pesquisa de mercado, divulgação e promoção dos produtos e marcas da contratante, visitas a clientes, agenciando propostas e pedidos segundo as amostras fornecidas e as condições de vendas fixadas pela contratante, a cobrança de duplicatas, juros e despesas de seus clientes e outros serviços inerentes à representação comercial. A Cláusula Quarta do mesmo contrato, dispõe: Quarta: O REPRESENTANTE poderá delegar os serviços contratados a outras empresas, ficando porém integralmente responsável pelo pagamento dos serviços então contratados, bem como ficará responsável pelo pagamento dos salários, encargos sociais, previdenciários e trabalhistas de seus empregados, bem como deverá manter sempre em dias suas obrigações sociais, previdenciárias, tributárias e manter seus atos constitutivos devidamente arquivados na Junta Comercial de seu Estado, e inscrita em todos os órgãos de classe e entidades representativos de sua atividade. Também deflui da compreensão da atividade da recorrente, ilustrada pelas cláusulas contratuais acima transcritas, o fato de que provavelmente ela incorre em gastos com combustíveis para viabilizar os deslocamentos para visitas a clientes, e divulgação e promoção das marcas dos clientes representados. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 11444.000748/200875 Acórdão n.º 1801002.350 S1TE01 Fl. 1.855 11 Essas constatações são relevantes não para averiguação da dedutibilidade das despesas, já que esse aspecto da autuação nem foi objeto de impugnação; mas prestamse a descortinar o desacerto do lançamento, que deixou de arbitrar o lucro, quando expressamente apurou a inverossimilhança dos valores escriturados. A relação de grandeza entre receitas e despesas escrituradas evidencia que a contabilidade da empresa não serve para fornecer dados para a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda sob a sistemática do lucro real. Da forma como foi feito o lançamento, a constatação da falta de razoabilidade das despesas escrituradas está servindo para majorar, também de forma não razoável, a receita da prestação de serviços da recorrente, em proporção desconectada da lei, como se lucro fosse. No Acórdão nº 1103001.004, o Conselheiro Marcos Takata comenta o vício material que infirma o lançamento tributário, em cenário hipotético assemelhado ao ora enfrentado: Ordinariamente, quando se glosam despesas relativamente expressivas ao total das despesas, não há dúvida de que se impõe o arbitramento, sob pena de vício substancial do lançamento, pois tal glosa representaria a imprestabilidade da escrituração contábil, ou, noutras palavras, implicaria tributar o que não é expressão de renda. Já o Acórdão nº 1401000.872, enuncia a ausência de discricionariedade da autoridade fiscal quanto à adoção do arbitramento, quando presentes os elementos previstos na norma para essa forma de cômputo da base de cálculo: ARBITRAMENTO. IMPOSIÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS. O arbitramento do lucro não é uma opção da autoridade fiscal, mas sim um comando direto, cuja observância não está sujeita à discricionariedade da Autoridade lançadora. Se o contribuinte não apresenta sua escrituração fiscal, deve ser realizado o arbitramento. Não basta, assim, o contribuinte possuir escrituração fiscal regular para afastar a hipótese de arbitramento. É necessário que esta escrituração fiscal esteja disponível à fiscalização e lhe seja apresentada em momento oportuno, qual seja, durante a fiscalização. Outrossim, a falta de elaboração e de entrega do Lalur, também aponta a inafastabilidade do arbitramento dos lucros. Nesse sentido a “Anotação” ao artigo 530, consignada na obra “Regulamento do Imposto de Renda – Anotado e Comentado, 2013” (Apet, 7ª Edição, p. 1.315): “Considerase não apoiada em escrituração a declaração de rendimentos entregue sem que estejam lançados no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) os ajustes ao lucro líquido, a demonstração do lucro real e os registros correspondentes nas contas de controle (Instrução Normativa SRF nº 28, de 1978, item 1.3)”. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 12 Embora tenha sido plenamente evidenciada, nestes autos, a falta de tributação dos lucros havidos nos anos envolvidos na autuação, e sendo certa a importância da tributação de tais valores e das sanções pelas infrações cometidas, tenho que o ato administrativo de lançamento não poderia ter sido formalizado sob os parâmetros do lucro real. Se é certo que o contribuinte tem que submeter a renda auferida à incidência do ônus fiscal, não é menos expresso em nosso ordenamento que a atividade de lançamento está adstrita à lei e à Constituição. Não se pode admitir a validade de lançamento que faz incidir tributo fora dos parâmetros prescritos na lei, tributando o que não é renda; tendo como base, dados alocados de forma desproporcional, inverossímil, em contabilidade que não fornece suporte à tributação pelo lucro real. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar os lançamentos destes autos. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Voto Vencedor Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Redatora Designada. Em que pese o muito bem fundamentado voto do ilustre relator, divirjo de seu ponto de vista. Não vejo a desproporcionalidade entre as despesas com comissões e as receitas de prestação de serviços da empresa como causa suficiente a levar, necessariamente, ao arbitramento dos lucros. No tipo de atividade exercida pela contribuinte é perfeitamente factível que mesmo antes de auferidas as receitas com a venda de mercadorias, sejam realizadas despesas necessárias ao deslocamento de seus representantes para outras localidades com o objetivo de levar mostruários, produtos, até mesmo argumentos que convençam possíveis clientes a celebrar o negócio. É natural que somente após determinado período de tempo, transcorrido entre a visita do representante da empresa e a efetiva contratação do negócio ou a compra do produto, é que os pagamentos sejam realizados por esses clientes. E devese levar em consideração que tais pagamentos também podem ser feitos de forma parcelada. Outrossim, o representante que efetua as visitas, adquire o direito de receber a comissão no momento em que é contratado o serviço ou a compra da mercadoria, o que leva a empresa a realizar o pagamento da comissão antes mesmo de receber o pagamento do cliente. Desnecessário dizer que as despesas com combustíveis são realizadas nas mesmas condições. Ademais, é possível ainda, que a visita do representante a certa localidade não produza fruto algum, ou seja, não se traduza em receita para a empresa. Portanto, tal afirmação, a respeito da desproporcionalidade entre despesas e receitas, não indica, de forma isolada, a necessidade de arbitrar o lucro da empresa. Da mesma forma, discordo do conteúdo da ementa de acórdão que ilustra o voto, e que afirma que o "o arbitramento não é uma opção da autoridade fiscal, mas sim um comando direto, cuja observância não está sujeita à discricionariedade da autoridade lançadora". Fl. 393DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 11444.000748/200875 Acórdão n.º 1801002.350 S1TE01 Fl. 1.856 13 A jurisprudência mansa e pacífica deste órgão vai exatamente em sentido oposto. O arbitramento deve ser a última medida a ser tomada em procedimento fiscal, depois de exauridas todas as tentativas de apurar os resultados pelo lucro real. As ementas abaixo ilustram esse entendimento: IRPJ. LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. GLOSA DE CUSTOS. Quando as irregularidades apuradas pela autoridade lançadora podem ser qualificadas e quantificadas, os valores apurados devem ser adicionados ao lucro líquido na determinação do lucro real vez que o arbitramento de lucro é uma medida extrema que se justifica somente quando impraticável o aproveitamento da escrita. (Ac. 1401000.890. 4ª Câmara / 1ª TO / 1ª Seção do CARF. 07/11/2012) IRPJ. LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. GLOSA DE CUSTOS. Quando as irregularidades apuradas pela autoridade lançadora podem ser qualificadas e quantificadas, os valores apurados devem ser adicionados ao lucro líquido na determinação do lucro real, vez que o arbitramento de lucro é uma medida extrema que se justifica somente quando impraticável o aproveitamento da escrita. (Ac. 10193.614 1ª Câmara / 1º C.C, 20/09/2001) IRPJ. CSLL ARBITRAMENTO. Conforme uníssono entendimento jurisprudencial dessa Corte, o arbitramento da base tributável é medida extrema e a sua adoção pressupõe impossibilidade de se aferir adequada base de cálculo dos tributos lançados no período de apuração correspondente. ARBITRAMENTO DO LUCRO. MEDIDA EXTREMA. NÃO CONTABILIZAÇÃO PARCIAL DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCÁRIA. PRESTABILIDADE DOS LIVROS FISCAIS. O arbitramento do lucro é medida extrema que somente deve ser utilizada pela autoridade lançadora do tributo se comprovadamente inexistirem meios que viabilizem a apuração do lucro real. A simples constatação de contas correntes bancárias não contabilizadas não se constitui por si só em motivo bastante e suficiente à desclassificação da escrita e ao conseqüente arbitramento do lucro. (Ac. 1101 000.854. 1ª Cam / 1ª TO / 1ª Seção do CARF. 06/03/2013) Da leitura do art. 47 da Lei nº 8.981/95, depreendese ser fundamental para aplicação da sistemática do lucro arbitrado que reste demonstrado que os vícios, erros ou deficiências tornaram a escrituração contábil imprestável para identificar a movimentação financeira e, o mais importante, para o presente caso, determinar o lucro real do período respectivo. E aqui é que cabe o juízo de valor a ser feito pela autoridade fiscal no momento em que analisa a escrituração do contribuinte. Portanto, diferentemente da afirmação contida no voto, o arbitramento deve ser a última opção a ser tomada, como disse, a juízo da autoridade fiscal que está a analisar a escrituração contábil e fiscal da empresa, e a quem caberá decidir se ela está apta, apesar das deficiências nela encontradas, a apurar o lucro real. Como destaquei, a posição uníssona desta Corte Administrativa é no sentido de que a aplicação do arbitramento do lucro é medida excepcional, extrema, ou seja, é necessário que a autoridade fiscal percorra todos os caminhos disponíveis para tentar compor o Fl. 394DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 14 lucro real com as informações contábeis apresentadas. Depois de exauridas todas as possibilidades, sem sucesso, aplicase, então, o arbitramento. Verificase, assim, que o arbitramento do lucro somente deve ser adotado quando a fiscalização demonstrar, cabalmente, a impossibilidade de se confiar na escrituração do contribuinte e/ou quando a mesma se revelar imprestável para a apuração do Lucro Real, isto nos termos do artigo 530, II, do RIR/99. E deve ser afastado nas hipóteses em que as irregularidades apontadas são pontuais e identificáveis, situações nas quais se deve proceder à tributação específica segundo as infrações detectadas, no presente caso, por redução indevida do lucro líquido, via glosa de custos não comprovados. Por certo, quando as irregularidades são passíveis de individualização e quantificação, inexistem motivos legais e lógicos para que a escrituração do contribuinte seja tachada de imprestável. É o que se verifica no presente caso, em que a auditoria fiscal obteve: 1) Livros Fiscais: Registro de Prestação de Serviços, Livro Diário, Livro Razão; 2) notas fiscais de prestação de serviços; 3) informações junto aos fornecedores da fiscalizada. 4) os contratos de representação comercial e de prestação de serviços; 5) os comprovantes de rendimentos pagos e de retenções na fonte; 6) notas fiscais de custos com combustíveis 7) comprovantes de despesas e custos, como, despesas com telefone, INSS de funcionários, com conservação de veículos, de viagens, materiais de escritório, correios, pró labore, 13º salário, com seguro de acidente de trabalho, provedores de internet, com cartórios, pagamento de tributos, dentre outros. 8) comprovantes de pagamento de comissões e de despesas com mostruários. E aqui cabe observar que a auditoria fiscal afirmou, no Termo de Verificação Fiscal (efl. 25), que os livros apresentados foram escriturados com observância das leis comerciais e fiscais e permitiram, junto com os outros elementos apresentados pela contribuinte, a apuração do Lucro Real da recorrente. Ademais, não cabe ao contribuinte fiscalizado dizer como deve agir a auditoria fiscal. Em verdade a recorrente está a invocar a própria torpeza. Pretende se beneficiar do resultado tributário que possa advir dos atos ilícitos tributários por ela praticados, e isso não se pode admitir. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 395DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 11444.000748/200875 Acórdão n.º 1801002.350 S1TE01 Fl. 1.857 15 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
score : 1.0
Numero do processo: 10218.900002/2008-74
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO.
Não se homologa a compensação quando o pagamento tido como indevido foi consumido na quitação de crédito tributário diverso do débito confessado.
Numero da decisão: 1801-002.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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PAGAMENTO INDEVIDO. INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. Não se homologa a compensação quando o pagamento tido como indevido foi consumido na quitação de crédito tributário diverso do débito confessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 90 00 02 /2 00 8- 74 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10218.900002/200874 Acórdão n.º 1801002.325 S1TE01 Fl. 3 2 Relatório AGROPALMA S/A., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0123.040 (fl. 37), pela DRJ Belém, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação nº 35913.76604.071103.1.3.044120 (fl. 5), a qual foi não homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 4, com a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 1, cujos argumentos foram assim resumidos no relatório da decisão recorrida (fl. 38): 1. O Despacho Decisório considerou a existência de débitos que, embora informados pelo contribuinte, na realidade não existem, conforme se verifica na DIPJ/2004 e DCTF 3º trim/2003, ambas retificadoras, onde não consta imposto de renda a pagar nos meses de agosto e setembro de 2003; 2. É evidente que diante da real inexistência dos débitos indicados à compensação, também inexistentes são os débitos que a escassez de crédito geraria se fossem verdadeiros; 3. A compensação foi frustrada pela ausência do débito que seria coberto pelos créditos alegados, não havendo, portanto, valor deixado em aberto; 4. Requer seja reformado o Despacho Decisório. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fl. 37), cuja motivação está sintetizada no seguinte excerto (fl. 39): No caso em tela, muito embora o contribuinte tenha afirmado que os débitos não existem com base na DIPJ/2004 e DCTF do 3º trim/2003, o relatório de valores de impostos apurados (fl.12) aponta em sentido contrário eis que os débitos compensados estão aí indicados nos mesmos valores confessados em DCOMP. Assim, inexistindo nos autos documentos da escrituração do contribuinte capazes de desconstituir os débitos confessados em declaração de compensação, estes se revelam existentes e devem ser cobrados pela RFB Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10218.900002/200874 Acórdão n.º 1801002.325 S1TE01 Fl. 4 3 A decisão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INEXISTÊNCIA. FALTA DE QUESTIONAMENTO. DÉBITOS COMPENSADOS. EXISTÊNCIA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Tendo sido não reconhecido o direito creditório de pagamento a maior e ausente questionamento a respeito, a decisão da unidade de origem revelase definitiva. Os débitos declarados em declaração de compensação tem o caráter de confissão de dívida e sua existência é reforçada por relatório do sujeito passivo apurando os débitos compensados. Cientificado dessa decisão em 08/06/2012, por meio eletrônico (fl. 44), o contribuinte impetrou o recurso voluntário de fl. 45, em 06/07/2012, alegando, em síntese, que: i) a DCOMP foi homologada tacitamente; ii) os débitos confessados não existem de fato, conforme as devidas declarações retificadoras e a contabilidade da empresa; iii) o ônus da prova da infração cabe ao Fisco; iv) não poderia ser mantido lançamento realizado com base em presunção. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Inicialmente, deve ser destacado o fato de o objeto da presente lide ser a declaração de compensação (DCOMP) nº 35913.76604.071103.1.3.044120, apresentada voluntariamente pelo contribuinte e que foi não homologada pela administração tributária. Assim, por não se tratar de lançamento tributário, não são cabíveis os argumentos do recorrente que falam da impossibilidade de realização de lançamento com base em presunção e que atribuem ao fisco o ônus de provar a infração. Em preliminar, o recorrente afirma que a referida DCOMP foi homologada tacitamente, considerando o interstício entre o fato gerador do débito confessado (“31/02/2002”, sic) e a ciência do despacho decisório que não homologou a DCOMP (13/02/2008). Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10218.900002/200874 Acórdão n.º 1801002.325 S1TE01 Fl. 5 4 Não assiste razão ao recorrente, uma vez que o prazo para homologação da compensação é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, nos termos do §5º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Na espécie, a DCOMP foi apresentada em 07/11/03 e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 13/02/2008. Portanto, a ciência do Despacho Decisório ocorreu dentro do prazo legal, não ocorrendo a alegada homologação tácita. Quanto ao mérito, o recorrente alega que os débitos confessados na DCOMP não existem de fato, não podendo a administração tributária exigirlhe o seu pagamento, em razão do princípio da verdade material. Entendo que o referido argumento não possui congruência com a presente lide, a qual deve ter como resultado a homologação da DCOMP em tela ou a sua não homologação. O fundamento da não homologação proferida pela DRF foi a inexistência de crédito, uma vez que o pagamento apontado, tido como indevido, havia sido utilizado para quitar outro débito. O recorrente confirma esse fato, ou seja, ele não contrapõe o fundamento da não homologação. Assim, não há outro resultado possível que não a confirmação da não homologação. O alegado fato de inexistir o débito confessado e sua consequência quanto à sua exigibilidade é matéria estranha à presente lide. Existindo ou inexistindo o débito, a DCOMP não pode ser homologada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Todavia, o erro no procedimento do contribuinte não pode levar ao enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, cabendo à Administração Tributária as providências necessárias para evitar, quando indevida, a exigência de crédito tributário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10218.900002/200874 Acórdão n.º 1801002.325 S1TE01 Fl. 6 5 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725299/2010-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os fundamentos adotados em processo correlato com decisão definitiva não se tornam preclusos, mas apenas a parte dispositiva. É possível a discussão da procedência dos mesmos fundamentos em outro processo cujos objeto e finalidades sejam distintos; no entanto, não se discute em processo de constituição do crédito tributário o direito à opção pelo SIMPLES/SIMPLES NACIONAL.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2402-004.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os fundamentos adotados em processo correlato com decisão definitiva não se tornam preclusos, mas apenas a parte dispositiva. É possível a discussão da procedência dos mesmos fundamentos em outro processo cujos objeto e finalidades sejam distintos; no entanto, não se discute em processo de constituição do crédito tributário o direito à opção pelo SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. Embargos Acolhidos
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Os fundamentos adotados em processo correlato com decisão definitiva não se tornam preclusos, mas apenas a parte dispositiva. É possível a discussão da procedência dos mesmos fundamentos em outro processo cujos objeto e finalidades sejam distintos; no entanto, não se discute em processo de constituição do crédito tributário o direito à opção pelo SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 52 99 /2 01 0- 62 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, opostos pela Fazenda Nacional contra acórdão desta turma: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Alega o embargante que teria havido omissão no acórdão ao apreciar os motivos para o indeferimento dos requerimentos de opção ao SIMPLES NACIONAL. A ausência de impugnação do contribuinte naqueles processos tornou preclusa a matéria também no processo onde se constituiu o crédito tributário sobre as diferenças de contribuições previdenciárias: A Egrégia Turma, contudo, omitiuse em relação à ocorrência de preclusão quanto à análise dos fundamentos da Administração Tributária para o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. ... Desse modo, o objeto do presente processo é o referido auto de infração, e não os indeferimentos dos pedidos do contribuinte para a admissão no Simples Nacional. Aliás, cada indeferimento, caso o contribuinte não concordasse com a sua fundamentação, deveria ser objeto de impugnação específica (Lei Complementar nº 123, art. 39, caput), que, por sua vez, geraria um processo administrativo fiscal autônomo. ... Portanto, o fundamento utilizado pela Egrégia Turma, qual seja, ausência de referência a qualquer ato administrativo que reconhecesse ou constituísse formalmente o valor em crédito tributário que foi o motivo para o indeferimento da opção, não pode ser utilizado no presente processo administrativo, pois foi atingido pela preclusão, pois esse fundamento deveria ter sido levantando nos processos administrativos autônomos. É o Relatório. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.725299/201062 Acórdão n.º 2402004.617 S2C4T2 Fl. 244 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Verifico o preenchimento dos requisitos formais dos embargos opostos, e portanto, passo a examinálos. Entendeu o acórdão embargado que diferenças de contribuições não recolhidas não constitui débito. Caberia a fiscalização indicação de que débito estaria obstando a inclusão no SIMPLES NACIONAL. De fato, a existência de débito também foi o fundamento para o indeferimento de inclusão no SIMPLES NACIONAL. Os mesmos fundamentos podem sustentar decisões administrativas proferidas em processos formalizados de forma autônoma. É um método de trabalho da administração tributária formalizar tantos processos quanto sejam os efeitos da decisão. No presente caso, a constituição do crédito de contribuições previdenciárias como decorrência da decisão que não reconheceu o direito de opção ao SIMPLES NACIONAL está sendo discutida neste processo. Embora para a discussão do direito de opção ao SIMPLES NACIONAL não se tenha formado propriamente um processo administrativo fiscal nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, já que o contribuinte não impugnou a decisão por, segundo o mesmo, não ter sido dela intimado, o acórdão não poderia alterar os efeitos da decisão: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. A matéria relativa a existência de débito não foi apreciada em quaisquer instâncias, mas para o período de ocorrência dos fatos geradores existe uma decisão definitiva da administração tributária não reconhecendo o direito ao SIMPLES NACIONAL. Seria possível ao acórdão embargado reexaminar os fundamentos da decisão, qual seja a existência de débito, mas para outra finalidade que não fosse o reconhecimento do direito de recolher as contribuições previdenciárias pelo SIMPLES NACIONAL. Com efeito, ao prover o recurso voluntário, o acórdão embargado negou efeitos à decisão que não reconheceu o direito de opção pelo SIMPLES NACIONAL; portanto, configurouse uma omissão. Por tudo, voto por acolher os embargos opostos. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009494/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PAULO CÉSAR DA SILVA.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PAULO CÉSAR DA SILVA. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 09 49 4/ 20 09 -2 1 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, PAULO CÉSAR DA SILVA, foi lavrado, por Auditor Fiscal da DRF/Goiânia GO, o Auto de Infração de tis.184/191, cuja ciência se deu em 11/12/2009. O valor do crédito tributário apurado é de RS5.056.547,79. e está assim constituído em Reais: Imposto R$ 2.349.369,42 Juros de Mora (Calculado até 30/10/2009) R$ 945.151,31 Multa Proporcional (Passível de Redução) R$ 1.762.027,06 Total do Crédito Tributário R$ 5.056.547,79 O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originouse na constatação de omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em Instituição financeira, em relação aos quais, o fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Notase, da análise cuidadosa do processo, que RMFs foram encaminhadas a instituições financeiras, tal como se constata de fls. 152,153 e 154. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009494/200921 Resolução nº 2202000.366 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314) Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 502DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009494/200921 Resolução nº 2202000.366 S2C2T2 Fl. 5 4 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 503DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009494/200921 Resolução nº 2202000.366 S2C2T2 Fl. 6 5 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 504DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009494/200921 Resolução nº 2202000.366 S2C2T2 Fl. 7 6 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 505DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10880.723898/2011-44
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DIRPF COM SALDO DE IMPOSTO A RESTITUIR. RECOLHIMENTOS DE CARNÊ-LEÃO. CONSIDERAÇÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGADO ADMINISTRATIVAMENTE.
A extinção de débitos de carnê-leão pela via da homologação de compensação, deve ser considerada pela administração para fins de cômputo de saldo de imposto de renda a restituir demandado na Declaração de Ajuste Anual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer o saldo de imposto a restituir apurado na Declaração de Ajuste anual, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RECOLHIMENTOS DE CARNÊLEÃO. CONSIDERAÇÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGADO ADMINISTRATIVAMENTE. A extinção de débitos de carnêleão pela via da homologação de compensação, deve ser considerada pela administração para fins de cômputo de saldo de imposto de renda a restituir demandado na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer o saldo de imposto a restituir apurado na Declaração de Ajuste anual, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 38 98 /2 01 1- 44 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) – DRJ/SP1, que julgou improcedente manifestação de inconformidade (fls. 32/33) relativa ao Despacho Decisório DIFIS/DEFIS/SP, de 29/8/2011 (fls. 27/28), o qual indeferiu pedido de restituição dos valores referentes ao calendário 2002. Por bem descrever os fatos processuais, peço a devida vênia para transcrever o seguinte trecho do relatório do julgamento a quo: A decisão recorrida indeferiu o pleito do contribuinte sob o argumento de que, ao efetuar as alterações na declaração de ajuste do contribuinte, conforme demonstrativo apresentado, constatouse que não há Saldo de Imposto a Restituir e, ao contrário, apurouse um saldo de imposto devido no montante de R$ 84.202,87, contudo, em virtude do transcurso do prazo decadencial de cinco anos, contatos a partir do fato gerador (31/12/2002), o saldo apurado não foi objeto de lançamento de ofício. 3. Por intermédio da manifestação de inconformidade de fls. 32/33 o contribuinte em epígrafe argumenta que: 3.1. Em 16.08.2002, o contribuinte protocolizou Pedido de Compensação cujo processo recebeu o nº 11610.017264/200219, referido Processo está pendente de julgamento desde 26.06.2003. (doc.3); 3.2. que o despacho decisório, que ora se contesta, não considerou o valor da compensação efetuada aos 16.08.2002, (doc. 3), no valor de R$ 127.431,00 (cento e vinte e sete mil quatrocentos e trinta e um reais), o contribuinte que tinha a sua restituição do IRPF no valor de R$ 43.112,36 (quarenta e três mil, cento e doze reais e trinta e seis centavos) passou a ter um débito perante a União; 3.3. DO PEDIDO. Tendo em vista o arcabouço estampado nos preceitos dos artigos 150, 156 e 173, do Código Tributário Nacional, requer: a) a homologação tácita do Pedido de Compensação, arquivandoo em definitivo; b) o lançamento do valor da compensação no IRPF de 2003 anocalendário 2002, no valor de 127.431,00 (cento e vinte e sete mil, quatrocentos e trinta e um reais), e, c) a liberação da restituição no valor de R$ 43.112,36 (quarenta e três mil, cento e doze reais e trinta e seis centavos). A instância de origem não acatou os argumentos do interessado, sumarizando seu entendimento no acórdão assim ementado: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10880.723898/201144 Acórdão n.º 2802003.326 S2TE02 Fl. 145 3 DECISÃO DE REDUÇÃO OU DE INEXISTÊNCIA DE IMPOSTO A RESTITUIR EM EXERCÍCIO JÁ ABRANGIDO PELA DECADÊNCIA. A restituição pleiteada na Declaração de Ajuste Anual, original ou retificadora, apresentada dentro do prazo legal, deve ser objeto de apreciação pela autoridade administrativa, mesmo após o transcurso do prazo decadencial, considerando ser imprescindível a comprovação do recolhimento a maior do imposto alegado pelo contribuinte, para fins de reconhecimento do direito creditório contra a Fazenda Nacional, sendo vedada, entretanto, em razão da decadência, a constituição de crédito tributário porventura apurado durante a análise procedida. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 12/6/2013, aduzindo, em síntese, que os débitos do carnêleão já estão extintos por compensação homologada tacitamente, em virtude do transcurso do prazo para sua apreciação pelo Fisco, dado os comandos dos §§ 4º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Em decorrência, deve ser atendido o pedido de restituição formulado. Em 19/8/2014, junta o interessado Despacho Decisório exarado no processo nº 11610.017264/200219, dando conta da homologação da compensação formulada (fls. 137/141). É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Rezam os §§ 1º, 2º, 4º, 5º, 6º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelas Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) O contribuinte transmitiu em 29/9/2005 (fl. 5) Declaração de Ajuste Anual (DAA) retificadora atinente ao exercício 2003, na qual demandou restituição de R$ 43.112,36, tendo em vista as informações ali constantes de que teria efetuado recolhimentos de carnêleão no montante de R$ 1.044.578,87 (fls. 10/12). Por outro lado, a verificação dos dados disponíveis nos sistemas de controle de pagamentos da Receita Federal do Brasil apontou registros de recolhimentos a esse título na cifra de somente R$ 917.263,64 (fls. 13/26), sendo constatada desse modo uma diferença de R$ 127.315,23 relativamente ao declarado. Em decorrência, foi alterada de ofício a declaração de imposto a restituir para saldo de imposto a pagar no valor de R$ 84.202,87, o qual não foi objeto de lançamento em virtude do transcurso do prazo decadencial (fls. 27/28) . Entretanto, o fato é que o contribuinte peticionara perante a administração tributária em data anterior, 16/8/2002, por meio do formulário aprovado pela então vigente IN SRF nº 21, de 10 de março de 1997, pedido de compensação de créditos de PIS do Tabelionato do qual era o respectivo Oficial, com débitos seus de carnêleão (código de receita 0190) no valor de R$ 127.431,00 (fls. 84/126), o qual cobriria, por conseguinte, a diferença apontada no Despacho Decisório que alterara os dados da DAA de 2002. Esse pedido de compensação, veiculado no processo administrativo fiscal de nº 11610.017264/200219, ainda não havia sido apreciado quando da prolação do acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do interessado, 25/4/2013. Não obstante, consoante demonstrado pelo teor do Despacho Decisório de fls. 137/141, juntado em 19/8/2014 pelo contribuinte aos presentes autos, o referido pedido de compensação foi homologado por disposição legal no ano de 2014. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10880.723898/201144 Acórdão n.º 2802003.326 S2TE02 Fl. 146 5 Destarte, restam extintos os débitos de carnêleão consignados na fl. 86, relativos ao anocalendário 2002, por força do disposto no inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer o saldo de imposto a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10830.907790/2012-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 21/11/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 77 90 /2 01 2- 89 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907790/201289 Acórdão n.º 3801004.786 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907790/201289 Acórdão n.º 3801004.786 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907790/201289 Acórdão n.º 3801004.786 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907790/201289 Acórdão n.º 3801004.786 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907790/201289 Acórdão n.º 3801004.786 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907790/201289 Acórdão n.º 3801004.786 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907790/201289 Acórdão n.º 3801004.786 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907790/201289 Acórdão n.º 3801004.786 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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