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Numero do processo: 10980.726765/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA - ÁGIO - PRAZO QUE SE INICIA DO FATO GERADOR E NÃO DOS ATOS QUE CONTRIBUIRAM PARA A SUA OCORRÊNCIA - A jurisprudência deste Conselho é uníssona a afirmar que a decadência ocorre quanto ao fato-signo presuntivo de riqueza, ensejador da obrigação tributária, e não dos atos/fatos pretéritos, de efeitos prospectivos, que apenas contribuem para a materialização da hipótese de incidência.
NULIDADE. MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO.
A vedação à modificação dos critérios jurídicos anteriormente adotados pela autoridade administrativa aplica-se apenas a lançamento fiscal efetuado contra um mesmo sujeito passivo.
TRIBUTAÇÃO DE RECEITA DE REVERSÃO DA PROVISÃO PREVISTA NA INTRUÇÃO CVM 349 - IMPOSSIBILIDADE
A constituição e respectiva reversão das provisões preconizadas pela Instrução CVM 349, quando devidamente registradas em conta de despesas e resultado, respectivamente, não tem efeitos tributários. A exigência do IR da CSLL sobre tais receitas culminaria com a tributação de patrimônio e não renda/lucro.
ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS - ILIQUIDEZ DO CRÉDITO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Se, a despeito da fiscalização apontar como medidas reparadoras decorrentes do auto de infração a glosa de exclusões pretensamente ilícitas, mas aponta como real irregularidade a glosa de despesas com amortização de ágio, há que se reconhecer a necessidade de cancelamento da exigência, seja por erro de identificação da matéria tributável, seja por tornar ilíquido o crédito apurado.
GLOSA DE EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. ÁGIO CONTROLADO APENAS NA PARTE B DO LALUR.
Está correta a glosa de exclusão de amortização de ágio no Lalur controlada apenas na parte "B" deste Livro, quando o ágio é inoponível ao Fisco.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
QUALIFICAÇÃO DA MULTA.
Está correta a qualificação da multa de ofício quando constatada fraude e sonegação em operações societárias visando à constituição de ágio interno.
SOLIDARIEDADE.
São solidariamente responsáveis os dirigentes por atos praticados com infração à lei e por fatos geradores em que tenham interesse direto e comum com o contribuinte.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
É legal a cobrança de juros sobre multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-002.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade, suscitada em relação ao ágio formado em 2006 e, por unanimidade, em acolher a prejudicial de mérito relativa à glosa das exclusões realizadas pelo contribuinte a título reversão de provisões, nos termos do relatório e voto do relator; e, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto as parcelas de despesas com amortização do ágio não aproveitado pela G&K, glosadas como "exclusão indevida do lucro real", vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; por maioria de votos em negar provimento, quanto à aplicação da multa qualificada e à manutenção da responsabilidade solidária dos sujeitos passivos arrolados, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; e por unanimidade de votos, em cancelar a multa isolada de estimativas, nos termos do voto divergente, votando os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias pelas conclusões e, por maioria, em manter a incidência de juros sobre a multa, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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NULIDADE. MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. A vedação à modificação dos critérios jurídicos anteriormente adotados pela autoridade administrativa aplicase apenas a lançamento fiscal efetuado contra um mesmo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO DE RECEITA DE REVERSÃO DA PROVISÃO PREVISTA NA INTRUÇÃO CVM 349 IMPOSSIBILIDADE A constituição e respectiva reversão das provisões preconizadas pela Instrução CVM 349, quando devidamente registradas em conta de despesas e resultado, respectivamente, não tem efeitos tributários. A exigência do IR da CSLL sobre tais receitas culminaria com a tributação de patrimônio e não renda/lucro. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS ILIQUIDEZ DO CRÉDITO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Se, a despeito da fiscalização apontar como medidas reparadoras decorrentes do auto de infração a glosa de exclusões pretensamente ilícitas, mas aponta como real irregularidade a glosa de despesas com amortização de ágio, há que se reconhecer a necessidade de cancelamento da exigência, seja por erro de identificação da matéria tributável, seja por tornar ilíquido o crédito apurado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 67 65 /2 01 1- 00 Fl. 4804DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.805 2 GLOSA DE EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. ÁGIO CONTROLADO APENAS NA PARTE B DO LALUR. Está correta a glosa de exclusão de amortização de ágio no Lalur controlada apenas na parte "B" deste Livro, quando o ágio é inoponível ao Fisco. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Está correta a qualificação da multa de ofício quando constatada fraude e sonegação em operações societárias visando à constituição de ágio interno. SOLIDARIEDADE. São solidariamente responsáveis os dirigentes por atos praticados com infração à lei e por fatos geradores em que tenham interesse direto e comum com o contribuinte. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É legal a cobrança de juros sobre multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade, suscitada em relação ao ágio formado em 2006 e, por unanimidade, em acolher a prejudicial de mérito relativa à glosa das exclusões realizadas pelo contribuinte a título reversão de provisões, nos termos do relatório e voto do relator; e, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto as parcelas de despesas com amortização do ágio não aproveitado pela G&K, glosadas como "exclusão indevida do lucro real", vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; por maioria de votos em negar provimento, quanto à aplicação da multa qualificada e à manutenção da responsabilidade solidária dos sujeitos passivos arrolados, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; e por unanimidade de votos, em cancelar a multa isolada de estimativas, nos termos do voto divergente, votando os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias pelas conclusões e, por maioria, em manter a incidência de juros sobre a multa, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator (assinado digitalmente) Fl. 4805DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.806 3 Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuidase de autos de infração lavrados em desfavor da empresa Boticário Franchising S/A a fim de exigir o IPRJ e CSLL nos anos de 2006 a 2008, multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais e multa de ofício qualificada em 150%. No caso, a verificação fiscal constatou a exclusão do lucro líquido, pelo recorrente, de reversões de provisões constituídas para suportar despesas com amortização de ágio criado, alegadamente, de forma fictícia, através de operações societárias incorridas em dois períodos distintos: 2003 e 2006. Tendo em conta que este processo já foi objeto de relato anterior neste Conselho, por ocasião da prolação do acórdão de recurso voluntário de nº 1101001.038, da lavra da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária (proferido na sessão de 12 de fevereiro de 2014), no qual a Conselheira Edeli Pereira Bessa resumiu de forma sucinta, mas completa, os fatos deste feito, tomo a liberdade adotálo e reproduzilo a seguir para, ao final, completálo: O BOTICÁRIO FRANCHISING S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/ PR que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 23/12/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 148.012.675,66. A primeira operação descrita no Termo de Encerramento de Ação Fiscal às fls. 1364/1427 ensejou exclusões indevidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, ao longo dos anoscalendário 2006 a 2009, à razão de R$ 419.477,25 ao mês até outubro/2009, sob o histórico “Provisão p/ Realização de Ágio”, em virtude de valores incorporados ao patrimônio da empresa O Boticário Franchising S.A. quando da cisão da empresa Boticário Participações Ltda em 01/11/2004, no montante de R$ 25.168.634,90. A contribuinte esclareceu, durante o procedimento fiscal, que o valor de R$ 25.168.634,90 tem origem na aquisição, pela empresa Boticário Participações Ltda, de 58.103.998 ações representativas do capital da O Boticário Franchising S.A., (“Investimento”) pelo valor de R$ 106.626.761,00, conforme “CONTRATO DE CONSTITUIÇÃO DE BOTICÁRIO PARTICIPAÇÕES LTDA” em anexo. Na ocasião, o valor do patrimônio líquido de Boticário Franchising S.A. era de R$ 81.458.128,90, conforme demonstrado pelo balancete encaminhado. Ao ser realizada a primeira equivalência patrimonial, conforme rito previsto no Art. 385 do Regulamento Fl. 4806DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.807 4 do Imposto de Renda, apurouse o ágio de R$ 25.168.634,90, já que se constatou diferença entre o valor de aquisição do investimento e o seu respectivo valor patrimonial contábil. Referido ágio está sustentado economicamente na perspectiva de rentabilidade futura da empresa, conforme “LAUDO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICA” em anexo, emitido por peritos independentes. A autoridade fiscal observa que não houve pagamento relativo ao ágio nesta operação (se houve, este não foi comprovado), embora a contribuinte tenha sido intimada a demonstrálo. Relata que a Boticário Participações Ltda foi constituída em 08/12/2003 com cotas da autuada e Aerofarma Perfumarias Ltda, acompanhadas do ágio referido e do ágio referente à Aerofarma Perfumarias Ltda. Aduz que em 01/11/2004 verifica se a cisão total da Boticário Participações Ltda, com o retorno do patrimônio às empresas de origem, acompanhado do ágio referido, que começa a ser amortizado pelas empresas cindendas em novembro/2004. Ressalta que os sócios de todas as empresas envolvidas são os mesmos, Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, e que não houve transferência de recursos financeiros (pagamento ou recebimento) em nenhuma dessas operações. Além dessa operação, em 15/12/2006, quando a autuada tornou se subsidiária integral de G&K Holding S/A, tendo em conta laudo que atribuiu à autuada o valor de mercado de R$ 605.537 mil, a controladora registrou em seu Ativo Permanente o investimento na autuada de R$ 53.858.131,43 e o ágio de R$ 551.741.868,57. Posteriormente, em 03/11/2008, os acionistas da G&K Holding S/A decidiram cindila, vertendo para a autuada o investimento então avaliado em R$ 91.893.855,00, acrescido de ágio no valor de R$ 541.813.468,64 (inferior ao original em razão de amortizações em 2007 e 2008 e da parcela remanescente na cisão equivalente a 1%), anulado pela provisão estipulada na Instrução CVM nº 319/349. Em decorrência, foram redistribuídas aos sócios da G&K Holding S/A 19.800.000 ações ordinárias nominativas, no montante de R$ 19.800.000,00, que correspondem a 99% do capital da excontrolada, cujo valor total era de R$ 20.000.000,00. A partir de novembro/2008 (embora no primeiro mês apenas com efeitos em dezembro/2008) a contribuinte passou a excluir do lucro real e da base de cálculo da CSLL amortizações mensais do referido ágio no valor de R$ 9.030.224,48, bem como parcelas complementares mensais no valor de R$ 74.258,94, correspondentes ao ágio originalmente amortizado por G&K Holding S/A. O procedimento fiscal teve em conta as amortizações promovidas até dezembro/2009. Em abril/2009 a contribuinte deixou de promover a amortização contábil de ambos os ágios, registrando apenas as correspondentes exclusões, e justificou a alteração de seu Fl. 4807DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.808 5 procedimento no CPC nº04, emitido em decorrência da Lei nº 11.638, de 2007. A Fiscalização ressalta que segundo referido pronunciamento contábil, se o ágio tiver por base a expectativa de rentabilidade futura e for gerado internamente, não deve ser reconhecido sequer como ativo. Observa, ainda, que a provisão que anulou a amortização contábil do ágio deveria ter sido adicionada ao lucro tributável, mas a contribuinte assim não procedeu, ensejando a redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Acrescenta que o tratamento contábil determinado pela CVM nos casos de ágio interno é de que ele seja totalmente baixado do ativo da incorporadora em respeito à doutrina contábil, a qual rejeita o reconhecimento de um ágio formado internamente. As instruções CVM nº 319/1999 e 349/2001 foram editadas antes da alteração das regras contábeis internacionais, e tinham como objetivo justamente impedir que o lucro líquido fosse diminuído por uma “despesa” que não existia (uma vez que não houve pagamento/desembolso) como é o caso do ágio interno, prejudicando, desta maneira, os acionistas minoritários. Na seqüência, cita o parecer dos professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior (“A Incorporação Reversa com ágio gerado internamente:Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade”). Destaca que o ágio, sob a ótica da legislação tributária, somente será dedutível na apuração do lucro real se originado de uma contraprestação de receita para quem vende e de um desembolso (custo) para quem compra. Os pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico. Tanto no caso do ágio referente à Boticário Participações Ltda, quanto no caso do ágio referente à G&K, restam prejudicados ambos os pressupostos. E, embora no caso das operações realizadas pela G&K, envolvendo a autuada e também outras empresas do grupo, do total de R$ 1.776.161.561,96 registrado como ágio, houve desembolso de apenas R$ 45.386.382,00 pagos pelo investidor externo (IGP Fundo de Investimento em Participações). O restante não foi objeto de nenhum pagamento por parte de qualquer dos sócios, de modo que o custo de aquisição foi o valor do patrimônio aumentado e entregue aos titulares das ações incorporadas. Mais à frente observa que o IGP Fundo de Investimento em Participações, ao adquirir participação na G&K pagando por ela R$ 50 milhões – dos quais um ágio de R$ 45.386.382,00 , adquirirá o direito de amortizar o ágio pago. Já a G&K não tem este direito apenas a parir de laudos de avaliação e tendo como custo tão somente o preço cobrado pela empresa que os elaborou, elevando os investimentos em suas quatro controladas, repentinamente, de R$ 249.984.438,04 para R$ 2.026.146.000,00. Fl. 4808DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.809 6 Ressalta que a G&K, embora seja uma sociedade devidamente constituída e ainda ativa, funcionou como uma espécie de empresa veículo e que a OBF, assim como as outras três investidas acima citadas, recebeu de volta da investidora seu próprio patrimônio (na verdade, 99% dele, uma vez que 1% de seus respectivos patrimônios líquidos permaneceram na G&K), devidamente acrescidos do “ágio” produzido na operação anterior de incorporação de ações. Desta forma, nenhuma alteração substancial ocorreu quanto à efetiva titularidade patrimonial das ações nessa operação. Transcrevendo os arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97, diz que as reestruturações em tela foram realizadas com o intuito de se adequarem ao disposto na referida lei, dada a possibilidade de amortização ali prevista a partir de incorporação, fusão ou cisão. Contudo, embora conste na exposição de motivos de ambas reestruturações outros argumentos, o fato é que o resultado delas foi inócuo sob qualquer ponto de vista, exceto o tributário, ou seja, o único intuito foi a economia fiscal. Efetivamente, o que houve na OBF foi a contabilização do “ágio de si mesma”, abordado no OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de 14/02/2007 (cuja edição em 2007 não significa que os fatos ocorridos antes de sua edição seja legais ou possuam substância econômica). Cita também lições de Marco Aurélio Greco, observando mais à frente que os casos aqui tratados são situações diversas da ali abordada, onde o ágio havia sido realmente pago por alguém que adquiriu de outrem determinada participação societária. Reitera que o ágio admitido pela Contabilidade é aquele resultante de uma transação de compra e venda entre partes independentes e não relacionadas. E acrescenta que se contabilmente o ágio interno não é aceito, não deve ser aceito também para efeitos tributários, pois se o intangível gerado internamente não é Ativo para a Contabilidade, o lucro líquido, do qual se parte para se chegar ao lucro real, não pode estar reduzido por encargo que nada mais é do que a alocação, pro rata temporis, de um “ativo” inexistente. As despesas também inexistentes são, assim indedutíveis, até porque a legislação fiscal somente admite a dedução de despesas necessárias, usuais e normais, na forma do art. 299 do RIR/99. Descreve as glosas promovidas nos períodos fiscalizados, das quais também decorrem recolhimentos estimados inferiores aos devidos, submetidos à aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, já com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Abordando a conduta da fiscalizada, e reportandose à doutrina de Marco Aurélio Greco, destaca a necessidade de análise do conjunto as etapas ou negócios como um todo, observa que uma operação estruturada como esta em exame indica que o fim (a redução de tributos) é definido antes dos meios (assembléias, alterações contratuais, laudos, protocolos e justificação, etc.). Fl. 4809DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.810 7 Reportandose a excertos do Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações para conversão da fiscalizada em subsidiária integral da G&K Holding S/A, diz ser notório que o Grupo O Boticário buscou desviar o foco da operação apontando como finalidade “uma melhor conformação das estruturas de capital e patrimonial” ao concentrar o controle dos diversos segmentos de negócio numa única empresa (holding), procurando não chamar muita atenção para o estratosférico ágio de R$ 1,776 bilhão que estava sendo gerado. Depois, desfez esta mesma estrutura, antes justificada pelo Grupo como de vital importância, com a cisão parcial da holding, sob uma nova alegação (aliás, há sempre uma justificativa para cada etapa”) – “permitir a separação dos acionistas da holding G&K, de acordo com os seus interesses empresariais, notadamente viabilizando a segregação da participação do acionista VOTORANTIM apenas nas operações das companhias OBF e CÁLAMO” – conforme encontramos no Protocolo e Justificação no Anexo I à ata da AGE da G&K de 03/11/2008. Prossegue abordando características das operações realizadas, mencionando o risco de questionamento das operações pelo Fisco Federal e classifica de estranha a coincidência de uma companhia assim avaliada não possuir lastro patrimonial que viesse a garantir um possível lançamento tributário do referido Fisco, em momento futuro. Observa, então, que no período auditado, de 2006 a 2009, a OBF obteve um resultado positivo de R$ 315.226.018,39, tendo distribuído aos seus acionistas, a título de dividendos e juros sobre capital próprio – JCP, a fabulosa soma de R$ 261.169.191,09. Discorre sobre a administração dos negócios atribuída desde 30/04/2005 aos beneficiários de 88,33% dos lucros distribuídos (Miguel Gellert Krisgner e Artur Noemio Grynbaum) e assevera que: 122. A concatenação dos fatos acima relatados expõe o lado oculto do planejamento abusivo minuciosamente arquitetado para dar uma aparência legal a todos os atos praticados, desviando da incidência tributária um enorme volume de recursos, os quais, em sua quase totalidade, sequer permaneceram na empresa mas foram, sim,diretamente para o patrimônio pessoal dos administradores/acionistas supracitados. A verdade cristalina é que, mais algum tempo e a decadência se incumbiria de sepultar qualquer possibilidade de tais tributos serem lançados. Aliás, a garantia da realização do crédito tributário ora constituído somente existe em função da responsabilidade solidária dos referidos administradores/acionistas no pólo passivo (a ser discutida em outro item), já que a fiscalizada não dispõe de bens suficientes arrolados, pelos motivos claramente apresentados. Fl. 4810DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.811 8 Afirma flagrante a ação dolosa dos administradores para obterem para a empresa – e, em última análise, para si próprios – o maior benefício possível às custas do erário público, estando, assim, presente o dolo previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64, a ensejar a qualificação da penalidade. E, quanto à responsabilidade dos administradores, depois de discorrer sobre o art. 124 do CTN, conclui que os números aqui apresentados, por si só, constituem uma prova irrefutável do interesse comum dos mencionados acionistas no resultado de todas as reestruturações societárias, em última análise, por eles próprios deliberadas. Adicionalmente aduz que o art. 135, inciso III do CTN, também impõe aos diretores e gerentes da pessoa jurídica a responsabilidade pelo crédito tributário nos caos de infração de lei, aqui presente em razão do intuito doloso, embutido no seu planejamento e execução, de uma redução indevida de tributos, pela ausência de substância econômica ou propósito negocial, em que a economia de tributo é a única ou principal motivação, o que caracteriza uma evasão fiscal. Cita também o art. 187 da Lei nº 10.406/2002 e o Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 acerca da natureza da responsabilidade tributária dos administradores, e finaliza imputando responsabilidade solidária, com base nos arts. 124, I e 135, III do CTN aos acionistas majoritários e administradores da pessoa jurídica Miguel Geller Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, lavrando os correspondentes Termos de Declaração de Sujeição Passiva Solidária (fls. 1299/1305). A pessoa jurídica impugnou a exigência inicialmente discorrendo sobre as operações realizadas na reestruturação societária de 2006, alegando que a apuração do ágio é uma conseqüência do processo desenvolvido, e abordando a atuação do IGP – Fundo de Investimento em Participações nestas operações, bem como o incremento do desempenho empresarial do grupo em 2007 e 2008, seguindose a transferência das quotas do Fundo IGP para a Votorantim Asset Management DTVM Ltda, e posteriores divergências na condução da gestão estratética das operações do grupo, o que ensejou a cisão parcial seletiva da holding GK. Abordou também a efetiva implementação do plano de expansão do grupo, a evidenciar que a cisão parcial e seletiva da G&K foi norteada por razões empresariais sólidas, reputando infundadas as alegações das autoridade fiscais para glosar os encargos de amortização de ágio nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL. Argüiu a decadência do direito de o Fisco questionar, em 23/12/2011, o ágio apurado em 2006, bem como mudança de critério jurídico em face de lançamentos anteriores contra outras empresas do Grupo, pelos mesmos agentes fiscais, mas sem qualificação da penalidade. Discordou da classificação do ágio como interno, na medida em que a operação de incorporação de ações viabilizou o ingresso do IGP como novo acionista do grupo, envolvendo legítima negociação entre as partes. Fl. 4811DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.812 9 Abordou as manifestações da CVM e o tratamento contábil da matéria, discordou da classificação da G&K como empresa veículo, e defendeu a exclusão das provisões constituídas com base nas Instruções CVM 319 e 349. Subsidiariamente defendeu a amortização do ágio independentemente da caracterização que possa lhe ser atribuída pela ciência contábil, opõese à aplicação do Ofício Circular CVM/SNS/SEP nº 01/2007 e do parecer de autoria de Eliseu Martins, mormente tendo em conta a inexistência de empresa veículo neste caso. Discorreu sobre o negócio jurídico de incorporação de ações e a contraprestação nele existente, discordou da necessidade de pagamento para formação do ágio e da existência de restrições a negócios entre partes relacionadas. Defendeu a isonomia com tratamento fiscal do deságio, asseverou que o lançamento é contrário à Lei nº 9.532/97, opôsse à aplicação do art. 299 do RIR/99, e afirmou a legalidade de sua conduta, apontando “omissões” dos agentes fiscais acerca de aspectos fáticos das operações. Negou a existência de abuso de direito, bem como de dolo e fraude, e apontou a inexistência de previsão legal para adição, na base de cálculo da CSL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização. Invocou a aplicação do art. 112 do CTN no âmbito de planejamentos tributários, opondose à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, e afirmou a ilegalidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. No que tange às operações no anocalendário 2003, discorreu sobre a constituição da Boticário Participações Ltda e os demais fatos que se seguiram, reafirmando a decadência do direito de o Fisco questionar aquelas operações em 23/12/2011, e apontando a ausência de fundamentos para qualificação da penalidade. Arguiu também a decadência do direito de o Fisco lançar multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas até novembro/2006. No mérito, defendeu que a dedutibilidade das amortizações não está condicionada a pagamento em dinheiro, que houve efetiva alienação das ações da pessoa física para a pessoa jurídica e desta operação decorre o ágio formado, e que na cisão também não é necessária a circulação financeira do dinheiro. Artur Noemio Grynbaum e Miguel Gellert Krigsner também impugnaram a exigência, reiterando as alegações apresentadas pela pessoa jurídica autuada e opondose à imputação de responsabilidade em razão da ausência de motivação e fundamentação quanto à suposta ilicitude dos atos praticados em 2003 e 2006. Discordam da caracterização do interesse comum com base no seu direito de receber dividendos e juros sobre o capital próprio, bem como da atribuição de sujeição passiva com base no art. 124 do CTN. Negam a existência de qualquer ilegalidade ou abuso de direito que possa ensejar a aplicação do art. 135, III do CTN. Fl. 4812DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.813 10 A Turma julgadora rejeitou os argumentos deduzidos nas impugnações em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. NULIDADE. MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. A vedação à modificação dos critérios jurídicos anteriormente adotados pela autoridade administrativa aplicase apenas a lançamento fiscal efetuado contra um mesmo sujeito passivo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. RECUPERAÇÃO DO VALOR PAGO ANTECIPADAMENTE POR CONTA DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais lucros futuros, pois as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, Fl. 4813DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.814 11 já que a investidora por eles pagou antecipadamente, devendo baixar o ágio contra esses valores. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. Os sócios controladores devem compor o rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em face de terem participado diretamente de todas as operações que possibilitaram à interessada amortizar o ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, além de terem sido diretamente beneficiados, mediante distribuição de lucros e dividendos, com os ganhos indevidos de natureza tributária decorrentes da amortização desse ágio interno. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 POSSIBILIDADE DE FISCALIZAÇÃO DE FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. Os contribuintes estão sujeitos à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos; assim, não há como se iniciar a contagem do prazo decadencial no momento da constituição do ágio interno, pois não havia ainda crédito tributário algum a ser constituído; apenas com o início da exclusão no LALUR dos encargos com amortização do ágio interno passou a haver redução indevida do resultado tributável, quando, então, foi iniciada a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública efetuar o pertinente lançamento de ofício, inclusive com a correspondente multa de ofício. DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. É incabível a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN para a multa de lançamento de ofício exigida isoladamente, porquanto inexiste nos autos comprovação de que tenha a interessada efetuado qualquer antecipação a título de multa de ofício isolada cujo pagamento estivesse sujeito à homologação da autoridade administrativa. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado o intuito de fraude para possibilitar à Fl. 4814DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.815 12 contribuinte a amortização de ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, pois ela estava perfeitamente consciente da falta de propósito negocial do ágio gerado em operações realizadas intragupo, em transações que não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. Concluído o julgamento, os autos foram encaminhados à Agência de São José dos Pinhais/PR, e em 22/03/2012 foi lavrada intimação para cientificar a pessoa jurídica autuada da decisão em referência (fl. 4089/4093). Consoante fls. 4094/4095, os documentos para ciência foram disponibilizadas na caixa postal eletrônica da contribuinte em 22/03/2012,verificandose a ciência por decurso de prazo em 06/04/2012, muito embora a pessoa jurídica tenha aberto os mencionados documentos em 26/03/2012. Em 04/05/2012 a pessoa jurídica autuada interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 4114/4254), estruturado sob o seguinte sumário: PARTE A DO ÁGIO APURADO NA OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES EM 2006 A.1 DAS RAZÕES EMPRESARIAIS QUE ENSEJARAM A APURAÇÃO DO ÁGIO E SUA AMORTIZAÇÃO PELA RECORRENTE: Neste tópico a Recorrente comprova que a Fl. 4815DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.816 13 apuração e amortização do ágio foi motivada por uma ampla reestruturação societária do grupo Boticário com propósitos negociais legítimos e verdadeiros, com suficiente motivação extratributária ............................................. 8 A.2 DAS INFUNDADAS ALEGAÇÕES DAS AUTORIDADES FISCAIS PARA GLOSAREM OS ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSL: Síntese das razões contidas no Termo de Verificação Fiscal .................................................................................................... 21 A.3 – DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELA 1a TURMA DA DRJ EM CURITIBA: Síntese do acórdão de primeira instância ................................................................24 A.4 DAS QUESTÕES SUPERADAS TACITAMENTE PELO ACÓRDÃO RECORRIDO E QUE DEIXARAM DE INTEGRAR O LANÇAMENTO POR NÃO SE TRATAR MAIS DE MATÉRIA LITIGIOSA: Neste tópico a Recorrente demonstra que uma série de acusações contidas no Termo de Verificação Fiscal foram afastadas tacitamente pelo acórdão recorrido por absoluta ausência de manifestação a respeito ........................................................................................... 25 A.5 DAS PRELIMINARES: A.5.1 Da decadência do direito do Fisco questionar o ato societário que ensejou a apuração do ágio em 2006 (incorporação de ações) e sua respectiva dedução subseqüente, mediante auto de infração lavrado somente em 23/12/11: Em sede de preliminar, a Recorrente demonstra a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar o ato societário que ensejou a apuração do ágio em 18/12/2006, portanto quando já transcorridos 5 (cinco) anos em relação ao auto de infração lavrado em 23/12/11 .................................................................................................... 29 A.5.2 Da nulidade do lançamento referente à multa qualificada de 150% por violação ao art. 146 do CTN: Neste tópico a Recorrente demonstra que houve nova interpretação dos fatos e da legislação, com vistas à subsunção desses mesmos fatos a normas distintas daquelas aplicadas nos lançamentos efetuados contra outras empresas do grupo da Recorrente (Embralog e Cálamo), violandose o art. 146 do CTN .................................................................................................... 34 A.6 DA QUESTÃO PREJUDICIAL AO MÉRITO NÃO ENFRENTADA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO: O acórdão recorrido não analisou questão fundamental prejudicial ao mérito, qual seja, a impossibilidade de tributação da receita de reversão da provisão constituída com base, a qual foi adicionada ao lucro real e base de cálculo da CSL quando de sua constituição ................................................................................................... 39 Fl. 4816DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.817 14 A.7 DA QUESTÃO PREJUDICIAL AO MÉRITO OBJETO DO ACÓRDÃO RECORRIDO, QUE APRESENTOU MERA REPRODUÇÃO DAS RAZÕES CONTIDAS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL: Neste tópico a Recorrente demonstra que a figura do ""ágio interno"" é incompatível com a essência empresarial e econômica da reorganização societária ocorrida e que a operação de incorporação de ações não pode ser considerada isoladamente, mas sim como uma das etapas de um legítimo movimento de reestruturação muito mais abrangente, envolvendo terceiros independentes em uma única transação ............ 41 A.8 DO DIREITO QUE AMPARA A AMORTIZAÇÃO DO AGIO PELA RECORRENTE, INDEPENDENTEMENTE DA CARACTERIZAÇÃO QUE POSSA LHE SER ATRIBUÍDA PELA CIÊNCIA CONTÁBIL: ""ÁGIO INTERNO"": Neste tópico a Recorrente demonstra a total distinção entre os objetivos e campos de atuação da Ciência Contábil e do Direito Tributário para o tratamento do ágio, evidenciando que as normas tributárias amparam a conduta da Recorrente .................................................................................................... 46 A.9 DAS EQUIVOCADAS CONSIDERAÇÕES FEITAS PELO ACÓRDÃO RECORRIDO QUANTO ÀS DIVERSAS FORMAS DE AQUISIÇÃO DE BENS REGULADAS PELO DIREITO: Neste tópico a Recorrente demonstra que na incorporação de ações ocorre a efetiva aquisição das ações incorporadas pela incorporadora, sem que seja necessário um "pagamento" no sentido de desembolso de recursos, devendo o custo de aquisição ser desdobrado em ágio ou deságio .................................................................................................... 58 A.10 ISONOMIA COM O TRATAMENTO FISCAL DO DESÁGIO: E SE FOSSE APURADO UM DESÁGIO NA OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES, ESTE SERIA ISENTADO DE TRIBUTAÇÃO POR SER CONSIDERADO UM "DES"ÁGIO INTERNO"?: Neste tópico é demonstrado que a própria Receita Federal do Brasil entende ser tributável o "des"ágio interno", não podendo deixar de admitir a dedução do suposto ""ágio interno"".................. 68 A.11 DO LANÇAMENTO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIO À LEI: VIOLAÇÃO AO ARTS. 142 DO CTN E 8º, "B" DA LEI N° 9.532/97: Neste tópico a Recorrente demonstra que a suposta figura do "ágio de si mesmo" é amparada pelo Direito Tributário (art. 8º, "b" da Lei n° 9.532/97)...........................................70 A.12 DA INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ADIÇÃO, NA BASE DE CÁLCULO DA CSL, DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO CONSIDERADA INDEDUTÍVEL PELA FISCALIZAÇÃO NOS TERMOS DO ART. 299 DO RIR/99: Não há previsão legal determinando a adição da despesa correspondente à amortização do ágio na base de cálculo da CSL ..................................................... 72 Fl. 4817DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.818 15 A.13 DA INDEVIDA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA AO CASO CONCRETO: Neste tópico a Recorrente demonstra que não houve dolo ou fraude para a qualificação da multa de ofício .................................................................. 76 A.14 DO CANCELAMENTO DA MULTA QUALIFICADA POR APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN: Neste tópico a Recorrente demonstra a necessidade de aplicação do art. 112 do CTN ao caso concreto ...................................................... 85 A.15 DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: DUPLA PENALIDADE SOBRE A MESMA SUPOSTA INFRAÇÃO: Neste tópico a Recorrente demonstra a impossibilidade de aplicação de multa isolada concomitante com a multa de ofício ........................................................................ 89 A.16 DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO ................................................................................................... 92 PARTE B DO ÁGIO APURADO NA OPERAÇÃO DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL DA BOTICÁRIO PARTICIPAÇÕES LTDA. EM 2003. B.1. DOS FATOS: Neste tópico a Recorrente faz uma breve demonstração da forma como foi apurado o ágio na operação de integralização de capital da Boticário Participações em 2003 ............................................................................................. 93 B.2. DAS PRELIMINARES: B.2.1Da decadência do direito do Fisco questionar o ato societário que ensejou a apuração do ágio em 2003 (integralização de capital na empresa BP) e sua respectiva amortização subsequente, mediante auto de infração lavrado somente em 23/11/11: Em sede de preliminar, a Recorrente demonstra a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar o ato societário que ensejou a apuração do ágio em 08/12/2003, portanto quando já transcorridos 5 (cinco) anos em relação ao auto de infração lavrado em 23/12/11 .............................................. 99 B.2.2 Da não aplicação da multa qualificada por falta de motivação e fundamentação pelas autoridades fiscais: Neste tópico a Recorrente demonstra que as autoridades fiscais não fundamentaram, em nenhum momento do TVF, as razões pelas quais deveria ser aplicada a multa qualificada sobre os valores supostamente devidos ................................................................................................. 101 B.2.3. Da decadência do direito do Fisco questionar o não recolhimento das supostas estimativas mensais de IRPJ e CSL no período de janeiro a novembro de 2006: Neste tópico a Recorrente demonstra a decadência do direito do Fisco Fl. 4818DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.819 16 questionar supostos valores devidos a título de estimativas do IRPJ e da CSL no período em questão, portanto quando já transcorridos 5 (cinco) anos em relação ao auto de infração lavrado em 23/12/11 .............................................................. 105 B.2.4 Da decadência do direito do Fisco lançar multa isolada sobre supostas estimativas mensais do período de janeiro a novembro de 2006: Neste tópico a Recorrente demonstrada a decadência do direito do Fisco lançar multa isolada sobre supostos valores devidos a título de estimativas do IRPJ e da CSL no período em questão, portanto quando já transcorridos 5 (cinco) anos em relação ao auto de infração lavrado em 23/1/11 .................................................................................. 107 B.3 DAS INFUNDADAS RAZÕES DO ACÓRDÃO RECORRIDO PARA JUSTIFICAR A IMPOSSIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO DECORRENTE DA OPERAÇÃO DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL NA BP: Neste tópico a Recorrente demonstra que as alegações do acórdão recorrido para sustentar a inexistência do ágio em questão são infundadas ........................ 109 Finaliza com o seguinte pedido: Diante de todo o exposto, protestando desde logo provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, reformandose o acórdão recorrido para que sejam acolhidas as razões de fato e de direito anteriormente aduzidas, com a declaração da improcedência integral das presentes autuações, extinguindose, por consequência, os supostos créditos tributários de IRPJ e de CSL relativos aos anos calendário de 2006, 2007, 2008 e 2009, tanto em relação ao ágio apurado em 2006 (Parte A deste recurso) como em relação ao ágio apurado em 2003 (Parte B deste recurso), arquivandose o respectivo processo administrativo. Caso assim não seja entendido, requerse, subsidiariamente, seja dado parcial provimento ao Recurso Voluntário, para o acolhimento dos pedidos a seguir, de forma isolada ou cumulada entre si, conforme o caso e em benefício da maior redução possível do valor do auto de infração: (i) seja reconhecida a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio apurado em 2006 (incorporação de ações G&K) e sua respectiva dedução quando ocorrida a partir de 2008 (cisão parcial e seletiva da G&K seguida de versão do patrimônio cindido), uma vez que já transcorridos cinco anos entre o fato que ensejou a apuração do ágio e a lavratura do auto de infração; (ü) o cancelamento da multa qualificada por afronta ao art. 146 do CTN, uma vez que restou configurada modificação dos critérios jurídicos adotados no exercício do lançamento; Fl. 4819DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.820 17 (iii) o cancelamento da multa qualificada por aplicação do art. 112 do CTN, uma vez que restaram configuradas todas as hipóteses previstas nos incisos do referido dispositivo; (iv) seja reconhecida a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar a legalidade do ágio apurado em 2003 (integralização de capital na empresa BP) e sua respectiva amortização no período de 2006 a 2009 (cisão total da BP com incorporação parcial do patrimônio pela Recorrente), uma vez que já transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre o fato que ensejou a apuração do ágio e a lavratura do auto de infração; (v) o cancelamento da multa qualificada aplicada para o ágio decorrente da operação de integralização de capital na BP, por completa ausência de motivação e fundamentação pelas autoridades fiscais; (vi) o reconhecimento da decadência em relação as estimativas mensais de IRPJ e da CSL no período de janeiro a novembro de 2006 para ágio apurado em 2003 (integralização de capital na empresa BP), uma vez que já transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre o fato gerador e a lavratura do auto de infração; (vii) o reconhecimento da decadência da multa isolada aplicada sobre as estimativas mensais do período de janeiro a novembro de 2006, uma vez que já transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre o fato gerador e a lavratura do auto de infração; (viii) o cancelamento do lançamento em relação à CSL, uma vez que não há previsão legal que determine que os encargos com amortização do ágio ou mesmo as despesas não dedutíveis para fins de apuração do lucro real (base de cálculo do IRPJ), deverão ser adicionados à base de cálculo da CSL; (ix) o cancelamento da multa isolada aplicada concomitante com a multa de ofício, por configurar dupla penalidade sobre a mesma suposta infração cometida pela Recorrente; (x) a exclusão dos juros sobre a multa de ofício aplicada ao caso concreto, por ausência de previsão legal e de plena conformidade com a jurisprudência administrativa a respeito do tema. Artur Noemio Grynbaum e Miguel Gellert Krigsner foram cientificados da decisão em 10/04/2012 (fl. 4098/4105) e apresentaram recursos voluntários tempestivamente em 04/05/2012 (fls. 4255/4293 e 4294/4332), com idêntico teor. Os recorrentes apresentam alegações semelhantes às apresentadas pela pessoa jurídica autuada, apontando as questões superadas tacitamente pelo acórdão recorrido e que deixaram de integrar o lançamento por não se tratar mais de matéria litigiosa, para vincular a imputação de responsabilidade Fl. 4820DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.821 18 apenas à sua participação direta nas operações, ao benefício auferido com a distribuição de lucros e dividendos e à violação dos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97 e 10 da Lei nº 9.718/98, esta última para justificar a aplicação do art. 135, III do CTN. Em preliminar, afirmam a ausência de responsabilidade tributária do recorrente pelos supostos créditos tributários associados ao ágio apurado na integralização de capital na BP por falta de motivação e fundamentação, na medida em que as operações de ambos os ágios são distintas e a acusação fiscal somente contém elementos vinculados à operação de 2006. Manifestamse contrariamente à analogia, destacam que fraude e dolo não se presumem, e acrescentam que também o acórdão recorrido silenciou quanto à questão. Assim como alegou a pessoa jurídica autuada, afirmam a nulidade do lançamento por violação ao art. 146 do CTN, em razão da anterior lavratura de lançamentos contra Embralog e Cálamo, pelas mesmas razões e pelos mesmos Agentes Fiscais, mas sem a qualificação da penalidade e sem a imputação de responsabilidade aos recorrentes. No mérito, inicialmente negam a existência de dolo e fraude, e destacam que a responsabilidade solidária está justificada pela fórmula: montante do ágio + condição de acionista + dividendos e juros sobre capital próprio recebidos = dolo, sem se vincular ao que denominam elementos clássicos aptos a caracterizar a vontade exclusive de suprimir ou reduzir tributos de forma legal. Quanto ao recebimento de lucros e juros sobre o capital próprio, diz tratarse apenas do exercício de um direito previsto na legislação societária e tributária, mormente tendo em conta que não houve provas convincentes acerca de condutas dolosas e fraudulentas. A Fiscalização afirma que a “concatenação dos fatos” teria exposto o lado oculto do suposto planejamento abusivo que teria sido arquitetado para dar uma aparência legal a todos os atos praticados, mas o que ocorreu foi uma reorganização empresarial legítima, consistente no tempo, sem qualquer contradição entre os respectivos eventos que a suportaram. Destacam a presença de investidor externo, e reiteram o silêncio do acórdão recorrido acerca da defesa contra a caracterização de “step transactions” para afirmar que houve concordância com estas alegações. Argúem a total inaplicabilidade do art. 124, I do CTN ao caso concreto, na medida em que o interesse comum foi vinculado ao recebimento de dividendos e juros sobre o capital próprio, argumento incoerente com a possibilidade de apuração de prejuízos pela pessoa jurídica, a evidenciar presunção de solidariedade. Asseveram que o interesse comum somente estará presente quando duas ou mais pessoas pratiquem conjuntamente um determinado fato gerador e sejam, todas elas, sujeitos passivos do mesmo tributo. Fl. 4821DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.822 19 Afirmam, também, a ausência de responsabilidade prevista no artigo 135, III do CTN, vez que o dolo decorrente das denominadas “step transactios” é questão superada pelo acórdão recorrido, o qual também deixou de apreciar a acusação de abuso de direito, também invocada para firmar violação de lei. Concluem que há incertezas quanto ao dispositivo que teria sido violado, em razão da indicação de outros dispositivos na decisão recorrida, o que evidenciaria a ausência de comprovação das condições para aplicação do art. 135, III do CTN. De toda sorte, defendem a inaplicabilidade do referido dispositivo com fundamento nas razões de decidir do acórdão recorrido, vez que a conduta supostamente contrária às leis tributárias teria sido da pessoa jurídica autuada, e ainda com fundamento em justificativas de natureza contábil. Ademais, as infrações de lei citadas no mencionado dispositivo seriam aquelas típicas do direito societário e capazes de gerar a responsabilidade do administrador em razão da prática de atos contrários ao interesse da sociedade. Ao final, afirmam a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício, e pedem sua exclusão da qualidade de responsável tributário solidário ou, subsidiariamente, a exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões aos recursos voluntários (fls. 4335/4419) nas quais destaca, em preliminar, a inexistência de violação ao artigo 146 do CTN e a inexistência de decadência do direito do Fisco de questionar os atos societários ocorridos em 08/12/2003 e 18/12/2006. No mérito, afirma a indedutibilidade dos ágios registrados, apresentando breve historio das alterações societárias realizadas pelo grupo empresarial do qual o contribuinte faz parte, abordando o benefício fiscal previsto nos artigos 7o e 8o da Lei nº 9.532/1997, e 385 e 386 do RIR/99, para assim destacar a ausência de propósito negocial e de substrato econômico, bem como de documento que ateste o fundamento econômico do ágio gerado em 2003. Quanto ao ágio gerado em 2006, afirma também sua inexistência. Defende a manutenção da multa qualificada, reportase a jurisprudência deste Conselho declarado a procedência de exigências semelhantes e, quanto à responsabilidade solidária dos acionistas autuados, anota que eles se beneficiaram diretamente de parte dos recursos que não foram recolhidos à União, e assevera não haver como negar que essas pessoas físicas foram quem na realidade infringiram a lei. Manifestase, também, em favor da exigência de CSLL, vez que inexiste norma autorizando a dedução da despesa de amortização de ágio, observando que mesmo se reconhecida sua dedubitilidade no âmbito do IRPJ, o lançamento de CSLL deve ser mantido. Fl. 4822DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.823 20 Encerrando, afirma a possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, assim como da cobrança de juros sobre a multa de ofício. Como dito no início deste relatório, este Conselho, acolhendo por maioria de votos as razões de decidir externadas pela Conselheira Edeli, anulou o acórdão da DRJ sob o argumento de que, não obstante não haver obrigação imposta ao órgão julgador de se debruçar sobre todos os argumentos deduzidos pelas partes, o fundamento tratado no item A.6 da impugnação (glosa das exclusões realizadas pelo recorrente quanto às provisões tratadas pelas Instruções 319 e 349 da CVM) seria autônomo e suficiente, per se, para afastar a exigência fiscal, de sorte que, a falta de sua análise acarretaria cerceamento de defesa e supressão de instância (caso analisada pelo CARF). A DRJ, então, proferiu novo julgamento, desta vez, para, além de complementar as suas razões (tanto quanto a desconsideração das operações que ensejaram a formação do ágio tratado neste processo, quanto a responsabilização dos sócios), enfrentar especificamente o fundamento pelo qual foi, originariamente, anulado, cujas razões estão assim ementadas: CONSTITUIÇÃO DA PROVISÃO IN CVM 319/1999 E 349/2001. DESPESA INDEDUTÍVEL ADICIONADA NA PARTE “A” DO LALUR DA EMPRESA VEÍCULO. CONTROLE INDEVIDO NA PARTE “B” DO LALUR PARA EXCLUSÃO EM PERÍODO FUTURO. Uma provisão é utilizada para registrar uma provável despesa futura, mas somente são dedutíveis as provisões com dedutibilidade expressamente autorizada pela legislação tributária; o valor da despesa com constituição de provisão não expressamente autorizada deve ser adicionado no parte “A” do Lalur para ser posteriormente excluído por ocasião da sua reversão no período em que a despesa provisionada for efetivamente incorrida, porquanto tal despesa seria nesse momento dedutível, desde que devidamente comprovada e estejam atendidos os requisitos da necessidade, usualidade e normalidade no tipo de transação, operação ou atividades desenvolvidas pela empresa; contudo, a despesa com constituição da Provisão IN CVM 319/1999 e 349/2001 é indedutível não só por se tratar de provisão com dedutibilidade não autorizada pelos artigos 335 a 338 do RIR de 1999, mas também por se referir a despesa indedutível com o ágio interno gerado artificialmente e sem qualquer substância econômica; como essa indedutibilidade não se restringe apenas ao período em que a provisão foi constituída pela empresa veículo, mas atinge todo e qualquer período de apuração posterior, a despesa com constituição foi corretamente adicionada na parte “A” do Lalur, mas não podia jamais ser controlado na parte “B” desse livro para exclusão em período futuro. Os contribuintes, devedor principal e coobrigados, foram cientificados deste novo acórdão em 22/05/2014 (ARs de fls. 4553 a 4555), tendo interposto seus respectivos "novos" recursos voluntários em 18 de junho daquele mesmo ano. Nestes recursos, além de refutar parte dos argumentos fáticos suscitados pelo acórdão quanto a formação do ágio (asseverando, inclusive, a efetiva expansão das operações Fl. 4823DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.824 21 com a introdução de novas empresas no grupo GKDS o que demonstraria, a seu ver, que a G&K não seria empresa veículo), reiteraram as razões que afastariam a responsabilidade solidária das pessoas físicas, afirmaram a absoluta obediência às disposições das IN CVM 319 e 349 e sustentaram, mais, que: Ora, é preciso enfatizar que o controle na parte "B" do LALUR visou exclusivamente neutralizar os efeitos da reversão da provisão, qual seja, tributar novamente aquilo que já havia sido tributado. Ele não quebrou qualquer neutralidade, simplesmente porque a contrapartida da reversão da provisão foi realizada na conta de receita (conta 364003 conforme balancete de fls. 2332) (grifos no original). Os autos, então, foram novamente remetidos à este Conselho para apreciação e julgamento. Este o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Os recursos são tempestivos e deles conheço. I Prefacialmente. Calha destacar que os recursos interpostos detém pontos de interseção (na verdade, de identidade absoluta), mormente no que toca às preliminares e ao próprio mérito das análises fiscais acerca das operações que encerraram o surgimento do ágio, objeto deste feito. Por tais razões, e por economia processual, analisarei e decidirei as preliminares e demais pontos comuns aos apelos, deixandome para me pronunciar sobre os recursos manejados pelos devedores solidários ao final e somente quanto aquilo que lhes for específico. Neste passo, dentre os argumentos comuns, destaco, a preliminar acerca alegada nulidade por violação ao art. 146 do CTN e, ainda, as discussões pertinentes às operações praticadas e glosa das exclusões realizadas quanto as provisões para pagamento de despesas com ágio e para manutenção dos valores de dividendos. Lado outro, o recurso manejado pelo devedor principal contempla preliminares quanto ao ágio observado no ano de 2003 e aquele erigido no ano de 2006. Quanto a ambos períodos, o insurgente discute a decadência do direito de se revolver os fatos que originaram os "ágios"; quanto ao ano de 2003, todavia, sustenta, mais, a nulidade parcial do TVF e da decisão ora guerreada por falta de fundamentação e, ainda, a decadência quanto às estimativas e às multas isoladas aplicadas. Fl. 4824DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.825 22 Por se tratar de preliminares de mérito, mesmo que cada operação seja independente entre si, até para manter uma coerência estrutural desta decisão, é imperioso que as decida desde logo; a segregação dos períodos para fins de análise das preditas operações será limitada aos respectivos méritos. Dito isto, passo à análise das preditas preliminares (cujos efeitos, em relação à alegada violação ao art. 146 do CTN, se estendem aos recursos dos coobrigados) e ao mérito (que pode, ou não, ser prejudicial à análise dos apelos dos solidários). II. Preliminares. II.1 Preliminar comum aos períodos de 2003 e 2006. Da alegada decadência do direito do fisco de analisar os fatos que deram ensejo ao surgimento do ágio, cuja amortização gerou as despesas tratadas pelo TVF. Esta alegação não é nova, em especial em autuações relativas à amortização de ágio e cujas operações, usualmente, são praticadas há mais tempo (considerando, inclusive, o prazo de 5 anos para que se promova a predita amortização). O fato, contudo, é que a decadência a que alude o art. 150, §4º, do CTN (e também a contemplada pelo art. 173, I) referese ao direito de lançar o tributo uma vez verificada a ocorrência de seu fato gerador. Isto é, o quinquênio tratado nestes preceitos tem o seu termo a quo a partir da constituição (na sua acepção técnica) da obrigação tributária que, na hipótese em testilha, se dá com a concretização do fato signo presuntivo descrito na norma de incidência do IRPJ e, também, da CSLL, qual seja, a disponibilidade de renda e a apuração do lucro líquido, respectivamente... a decadência, pois, não abarca os fatos pretéritos que contribuam para a formação do fato imponível; a extinção a que alude o art. 156, V, do CTN é do direito de lançar o tributo e não do direito de examinar as premissas que detenham repercussão na formação da obrigação. Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho é praticamente uníssona, como se extrai das ementas abaixo reproduzidas: DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONTAGEM A PARTIR DA DEDUÇÃO. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial diz respeito à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que ocorreu o fato gerador (RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. Acórdão nº 9101003.059, sessão de 12/09/2017). DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. AFASTAMENTO. O prazo decadencial só se inicia após a ocorrência do fato gerador, sendo irrelevante a data da contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Deste modo, o prazo decadencial será pautado ou pela disposição do artigo 173, inciso I, do CTN ou do artigo 150, § 4º do mesmo diploma, porém, nunca pelo momento da reorganização societária, que não representa reflexo fiscal algum, num primeiro momento Fl. 4825DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.826 23 (RECURSO VOLUNTARIO. Acórdão nº 1402002.489, sessão de 16/05/2017) DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN (RECURSO VOLUNTARIO, acórdão nº 1301002.562, sessão de 15/08/2017). Diante disso, voto por afastar a preliminar suscitada exclusivamente no recurso do devedor principal, decisão que afeta as operações de 2003 e também de 2006. II.2 Preliminar suscitada (pelo devedor principal e pelos solidários) em relação apenas ao ágio formado em 2006. Da alegada violação ao art. 146 do CTN tendo em conta a mudança de critério para fixação da multa qualificada. Como muito bem aventado pelo acórdão recorrido, as disposições do art. 146 estabelecem a impossibilidade de alteração dos critérios jurídicos adotados em relação a um mesmo lançamento. Aliás, digase, este preceito tem as suas disposições limitadas e regradas a partir da análise conjunta com o art. 149 do diploma legal complementar ex ratione materiae, já que, a meu sentir (e sei que este entendimento, talvez, seja isolado), em se constatando quaisquer das hipóteses ali contempladas, o lançamento poderá ser revisto (inclusive, na hipótese de fraude ou simulação, com alteração dos critérios adotados inicialmente). Seja como for, a regra encartada no art. 146 não pode ser suscitada como forma de congelamento dos entendimentos adotados pela fiscalização de sorte a impedir quanto Fl. 4826DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.827 24 a atos distintos (lançamentos distintos) a adoção de outros ou novos critérios não abordados quando da prática de um primeiro ato. Semelhante interpretação encerraria consequências contrárias, inclusive, ao princípio da razoabilidade (como instrumento de validação do princípio maior da legalidade) já que, se levada a cabo, o Fisco estaria impedido de rever, até, e v.g., entendimentos externados em soluções de consulta e em Pareceres normativos para atingir fatos geradores posteriores à sua edição. Enfim, esta questão já foi enfrentada pelo CARF que, digase, não tergiversa a respeito, consoante se extrai das ementas a seguir transcritas: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.A mudança de critério jurídico vedada pelo artigo 146 do Código Tributário Nacional pressupõe a existência de dois ou mais lançamentos fundados em premissas distintas. (Acórdão de nº 3302004.616, sessão de 26/07/2017). ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 CTN. INEXISTÊNCIA. DIFERENTES FATOS GERADORES. ANOS CALENDÁRIO DIVERSOS. O artigo 146 do CTN não engessa a atividade do fisco quanto a diferentes fatos geradores, mesmo que referentes à mesma operação societária. Assim, tal dispositivo não impede que as autoridades fiscais possam lavrar um auto de infração referente a um anocalendário sob determinado fundamento e, para o anocalendário seguinte, alegar outro fundamento para uma nova autuação (Acórdão de nº 1401001.908, sessão de 21/06/2017). CRITÉRIO JURÍDICO. ALTERAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR. ART. 146 DO CTN. LESÃO NÃO CONFIGURADA. A ausência de autuações anteriores para reclassificação fiscal dos produtos vendidos pela contribuinte não impede a fiscalização de fazêlo em momento oportuno em relação a outros fatos geradores, mediante regular procedimento fiscal, com atendimento às normas atinentes à espécie, não havendo que se falar em lesão ao art. 146 do CTN. Eventuais procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (lançamento ou decisão motivada de não lançar) não podem ser estendidos para períodos posteriores, eis que estão vinculados aos fins para os quais foram instaurados. A ação fiscal não pode ser dissociada dos fatos ocorridos naquele período fiscalizado e da matéria sob investigação, além disso veicula posicionamento específico de um ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos órgãos julgadores, no caso de resultar em lançamento (Acórdão de nº 3402004.073, sessão de 26/04/2017). Voto, aqui, para afastar esta preliminar, tanto em relação ao recurso voluntário do contribuinte, como dos devedores solidários. II.3 Preliminares suscitadas exclusivamente quanto ao ágio formado em 2003. Fl. 4827DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.828 25 II.3.1 Decadência quanto as estimativas não recolhidas em função do ágio observado no ano de 2003 e cujas amortizações se estenderam aos anos de 2004 à 2009. Aqui, vejam bem, o contribuinte sustenta a impossibilidade da fiscalização exigir as diferenças relativas às estimativas mensais parcialmente recolhidas nos meses de janeiro a novembro de 2006, ante a glosa das exclusões realizadas. De se notar, todavia, que o objeto da autuação é a exigência do imposto e da contribuição devidos anualmente (ajuste) e não a diferença entre os valores recolhidos a título de estimativas e aqueles que deveriam ter sido recolhidos (até porque, é vedada a exigência de estimativas após o encerramento do ano calendário, conforme preceitua a Súmula CARF 82); a autuação, digase, cingiu, neste ponto, tão só à imposição das multas isoladas sobre as preditas diferenças. Pelo exposto, afasto, também, esta preliminar. II.3.2 Decadência quanto a aplicação das multas isoladas relativas às parcelas das estimativas não recolhidas no meses de janeiro a novembro de 2006. Quanto as multas isoladas aplicadas (e não a eventuais valores não recolhidos a título de estimativas), o recorrente também sustenta a decadência do fisco de efetuar o respectivo lançamento à luz do alegado decurso do prazo descrito no art. 150, § 4º, do CTN. Neste particular, o acórdão recorrido afasta a alegação por entender se aplicar ao caso a regra inserta no art. 173, I, do aludido diploma legal complementar, fundamentando tal entendimento no fato de se ter sido constatada a prática de atos simulados ou fraudulentos. Entendo, de fato, que à multa isolada se aplica a regra tratada pelo art. 173, I, mas não pelos fundamentos adotados pelo acórdão; isto porque a multa isolada se sujeita à modalidade de lançamento de ofício e não à forma descrita no art. 150, § 4º (independentemente se ter verificado na espécie dolo, fraude ou simulação). Tratase objetivamente de imposição que somente surge mediante a prática do lançamento na forma descrita no art. 142 do CTN, que se implementa, e só pode se implementar, através da modalidade contemplada nos artigos 145 e 149. Dito isto, à luz da regra inserta do preceito do art. 173, I, temse que o termo a quo para a contagem do prazo decadencial, quanto as multas isoladas, seria o dia 1º de janeiro de 2007, dandose o decurso do quinquênio legal em 1º de janeiro de 2011 considerando que o contrib)uinte foi intimado do auto de infração em 23/12/2011 (doc. fls. 1.427) não há, de fato, que se cogitar das extinção do direito subjetivo fiscal, na forma do art. 156, V, do CTN. Alías, este CARF já sumulou a questão (vai procurar Voto, pois, por afastar também esta preliminar. II.3.3 Da falta de fundamentação do auto de infração quanto a aplicação da multa qualificada. Fl. 4828DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.829 26 A fundamentação legal do ato administrativo nada mais é que a própria motivação legal do ato, ou seja, a disposição normativa que autoriza a imposição de multa pecuniária por descumprimento de seus dizeres, que difere do motivo fático. Araújo Cintra, citado por Lucia Valle Figueiredo, esclarece: Entendemos, portanto, como motivos do ato administrativo, o conjunto de elementos objetivos de fato e de direito que lhe constitui o fundamento. Isto significa que, para nós, os motivos do ato administrativo compreendem, de uma lado, a situação de fato, que lhe é anterior, e sobre a qual recai a providência adotada, e de outro lado, o complexo de normas jurídicas por ele aplicado àquela situação de fato.1 A descrição do motivo legal o do motivo fático no auto de infração, ou em qualquer ato administrativo em que se vise a imposição de deveres ou penalidades, é da própria essência do ato; é elemento integrante do mesmo, sem a qual o ato é nulo. Mas não basta apenas a presença dos motivos legal e fático no ato para validálo; tem que haver uma compatibilidade, uma relação de pertinência lógica, entre estes motivos sob pena de, também, crivar de invalidade o ato administrativo, como salienta, neste particular, Celso Antônio Bandeira de Mello: Para fins de análise da legalidade do ato, é necessário, por ocasião do exame dos motivos, verificar: a) a materialidade do ato, isto é, verificar se realmente ocorreu o motivo em função do qual foi praticado o ato; b) a correspondência do motivo existente (e que embasou o ato) com o motivo previsto na Lei.2 Aliás, o referido jurista, ao discorrer acerca da teoria dos motivos determinantes, bem anda ao afirmar que “os fatos que serviram de suporte” a decisão do agente de praticar determinado ato (in casu, a lavratura do auto de infração) “integram a validade” deste mesmo ato. Diz, ainda, o mencionado autor: Sendo assim, a invocação de ‘motivos de fato’ falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando, conforme já se disse, a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejariam a prática do ato.3 Vale destacar que, para a prática dos atos administrativos, o agente incorre num silogismo clássico; cabe a ele, pois, partindo da clássica lição de Kelsen, analisar a norma jurídica, identificar o seu antecedente e, em especial, seu núcleo prescritivo (premissa maior), e, a seguir, apurar a concretização efetiva e material no mundo fenomênico do fato jurídico relevante (premissa menor); a partir daí, aplicar o consequente da proposição normativa (conclusão). Por esta razão, a descrição da motivação fática e jurídica se torna essencial, porque, apenas a partir do conhecimento das premissas adotadas pelo agente, se torna possível 1 CINTRA, Araújo. Motivo e Motivação do Ato Administrativo. Apud. FIGUEIREDO, Lúcia Valle. Curso de Direito Administrativo. 2.ed. São Paulo: Malheiros Editores, 1995, p.p. 112. 2 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 12.ª ed., São Paulo: Melheiros, 2000, p. 341. 3 Op. cit. p. 346 Fl. 4829DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.830 27 identificar a validade do exercício lógico e, notadamente, se se estaria diante de um silogismo, propriamente dito, ou de um sofisma (com a adoção de premissas equivocadas). Nesta esteira, sem a efetiva descrição dos motivos fáticos e jurídicos ou, a descrição conflitante entre estes, traz ao sujeito passivo do ato inegáveis dificuldades à sua exata compreensão; tratandose, principalmente, de ato que culmine penalidades ou estabeleça exigências patrimoniais, a falta da declinação de tais motivos (ou seu apontamento equivocado), encerra, a toda monta, inegável barreira à ampla defesa (já que se torna, se não impossível, ao menos difícil a análise da correção técnica do citado "exercício lógico" intentado pelo agente), tipificando, nesta esteira, hipótese de cerceamento descrita, v.g., no art .59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em análise, no TVF, à fls. 1413 a 1.420, ao longo de 14 parágrafos, a Fiscalização discorreu sobre cada passo, ata de assembléia e decisões tomadas pelas empresas pertencentes ao grupo Boticário (incluindose a recorrente) que culminaram com a geração do ágio observado no ano de 2006. Ao final deste longo relato, digase, a d. Auditoria assim concluiu: 122. A concatenação dos fatos acima relatados expõe o lado oculto do planejamento abusivo minuciosamente arquitetado para dar um aparência legal a todos os atos praticados, desviando da incidência tributária um enorme volume de recursos, os quais, em sua quase totalidade, sequer permaneceram na empresa mas foram, sim, diretamente para o patrimônio pessoal dos administradores/acionistas supracitados. A verdade cristalina é que, mais algum tempo e a decadência se incumbiria de sepultar qualquer possibilidade de tais tributos serem lançados. Aliás, a garantia da realização do crédito tributário ora constituído somente existe em função da responsabilidade solidária dos referidos administradores/acionistas no pólo passivo (a ser discutida em outro item), já que a fiscalizada não dispõe de bens suficientes a serem arrolados, pelos motivos claramente apresentados. Semelhante conclusão se presta, de fato, para demonstrar a premissa fática (fato jurídico relevante concretizado no mundo fenomênico) subsumível à hipótese (antecedente) descrita nos artigos 71, II e 72 da Lei 4.502/64, impondose, neste passo, a respectiva consequência descrita no art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96. Só que, a premissa menor, no caso, se refere exclusivamente às operações que geraram o ágio na empresa G&K e, posteriormente, transferido à recorrente através da cisão parcial noticiada nos autos. Ou seja, o "exercício lógico" acima destacado adota como premissa menor, fato jurídico relevante que não guarda relação com a operação tratada no ano de 2003; a premissa, neste caso, é falsa (tipificando um sofisma clássico), notadamente quando é sabido que as duas operações, como dessume do próprio TVF, são independentes. Fl. 4830DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.831 28 E, quanto as operações concernentes ao predito ano de 2003 (ágio observado na empresa Boticário Participações Ltda.), a fiscalização não tece "vírgula" sobre eventual fraude, simulação ou dissimulação; não aponta a ocorrência de qualquer tipo de operação societária que objetivasse ocultar, retardar ou impedir o conhecimento do fato gerador dos tributos até porque esta operação é muito mais simples que aquela verificada no ano de 2006. O acórdão recorrido (o novo proferido após a anulação determinada por este Conselho) tenta retificar este erro, sustentando que as razões declinadas ao longo do TVF para demonstrar a concatenação de atos tendentes à oclusão do aspecto quantitativo da norma de incidência contemplariam os motivos para a qualificação da multa, mesmo que no tópico específico não tenham sido descritos "os fatos jurídicos relevantes" para permitir a incidência do comando inserto no já citado art. 44 da Lei 9.430: 111. AInda que no tópico "Da Qualificação da Multa" do Termo de Verificação Fiscal e Encerramento da Ação Fiscal tenha sido descrita apenas a conduta dolosa para a geração artificial do "ágio interno" pela G&K Holding S/A, é fato inegável que nesse mesmo termo de verificação, notadamente, nos tópicos "Do Ágio Relativo à Boticário Participações.", "Contabilização do Ágio OBF", "Das Irregularidades Apuradas" há também detalhada descrição da conduta igualmente dolosa para geração artificial do "ágio interno" pela Boticário Participações Ltda.". O que se observa, todavia, é que especificamente quanto a esta operação, a Fiscalização se limita a dizer sobre a imprestabilidade do ágio a partir da ausência de contrapartida financeira (dispêndio de dinheiro) para gerálo, consoante se extrai do trecho abaixo reproduzido (fl. 1.408): 93. Como afirmado em mais de um momento neste Termo, somente que despende recursos para fazer frente a um ágio, terá direito a amortizálo e deduzílo da base de cálculo dos tributos, dentro das condições impostas pela legislação. No caso da Boticário Participações, o valor do ágio gerado não teve despesa paga nem incorrrida correspondente. Se a falta de pagamento, em espécie, de valores pela recorrente ou por seu sócios indicia a impossibilidade de se apropriar do ágio para fins de amortização e dedução da base de cálculo do IR e da CSLL (sem se adentrar, aqui, no mérito desta discussão), não há dúvidas de que não é, per se, suficiente para apontar a existência de prática de atos dolosos por meio dos quais se busque, de forma fraudulenta, simular atos ou fatos para "impedir ou retardar" o fato gerador das exações ou o "conhecimento por parte da autoridade fazendária" acerca de sua ocorrência. O dolo e fraude não se presumem... O caso em testilha, vale o destaque, se amoldaria (analogicamente) às hipóteses de "inépcia da inicial", tratadas pelo Código de Processo Civil, donde se observa que "da descrição dos fatos, não decorre logicamente a conclusão"... não estamos falando, por óbvio, de um processo judicial, e não pretendo invocar o digesto processual civil para invalidar o auto de infração; mas, como já dito, tanto a elaboração processual como a lavratura de auto de infração (ato administrativo por excelência) pressupõem a formação de um silogismo Fl. 4831DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.832 29 perfeito; quando se observa, lado outro, o sofisma, assim como peça inicial será indeferida, o ato administrativo será considerado inválido. Á míngua da descrição dos motivos de fato que justificariam a imposição da multa qualificada, quanto a operação praticada em 2003, frisese, há que se reconhecer o vício insanável no respectivo auto de infração, reconhecendose, por conseguinte, a sua nulidade mormente a luz dos preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Diante disso, voto, neste ponto, por dar provimento ao recurso voluntário a fim de afastar a multa qualificada incidente sobre os créditos apurados quanto a operação engendrada no ano de 2003 (Boticário Participações Ltda.). III Prejudicial de mérito. A exigência fiscal repousou na glosa das exclusões realizadas pelo contribuinte a título reversão de provisões e não nas despesas com amortização de ágio, propriamente. Primeiramente, na minha opinião, não se trata, aqui, de prejudicial de mérito, mas de mérito propriamente dito. Isto porque, a se reconhecer a procedência desta alegação, verificarseá a improcedência da autuação e não a sua anulação (ainda que não seja despropositado se reconhecer, na hipótese da validação desta tese, a existência de erro de indicação da matéria tributável). Pois bem. Observase, em princípio, do próprio auto de infração, que o objeto desta demanda seria as "exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real" e as "exclusões/compensações indevidas da base de cálculo ajustada da CSLL". No termo de verificação fiscal, após discorrer longamente sobre as operações pactuadas, tanto quanto a empresa Boticário Participações Ltda. como quanto o ágio gerado na empresa G&K, e a sua ilicitude à vista do fato do predito ágio ter sido gerado "intragrupo" e, mais, ter se verificado, em sua opinião, a ausência de intento negocial, a d. Auditoria expôs no item 95 (fls. 1.408/1.409), dentro do tópico "Irregularidades Apuradas", as medidas impostas pelo respectivo auto de infração: 95. Com o intuito de corrigirmos as irregularidades tributárias encontradas, procedemos às glosas dos seguintes valores excluídos no LALUR a título de ágio, uma vez que, tal como amplamente mostrado, as transações que deram origem aos referidos "ágios" carecem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para serem excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL: R$ 5.033.727,00 excluído do LALUR de janeiro a dezembro de 2006 ("Provisão p/ Realizaçaõ de Ágio" referente à Boticário Participações Ltda.); R$ 5.033.726,90 excluído no LALUR de janeiro a dezembro de 2007 ("Provisão p/ Realização de Ágio" referente à Boticário Participações Ltda.); R$ 23.242.693,87 somatório das parcelas de R$ 5.033.726,90 ("Provisão p/ Realização de Ágio" referente à Boticário Participações Ltda) e das parcelas de R$ 18.060.449,08 ("Provisão p/ Realização de Ágio incorp. G&K) e de R$ Fl. 4832DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.833 30 148.517,89 ("Ágio Incorporação G&K") excluídas no LALUR de janeiro a dezembro de 2008; R$ 113.448.573,53 somatório das parcelas de R$ 4.194.772,48 ("Provisão p/ Realização de Ágio" referente à Boticário Participações Ltda), R$ 108.362.693,73 ("Provisão p/ Realização de Ágio Incorp G&K") e de R$ 891.107,32 ("Ágio Incorporação G&K") excluídas do LALUR de janeiro a dezembro de 2009 (grifos nossos). Observase, no caso, que dentre as glosas apontadas, apenas os valores de R$ 148.517,89 e R$ 891.107,32 refeririamse ao "Ágio Incorporação G&K", não se verificando o apontamento de ágio amortizado e deduzido (e, portanto, glosado) em relação a operação com a empresa Boticário Participações Ltda. Todas as demais glosas se restringiram à "Provisão p/ Realização de Ágio" constituída em relação às duas operações (2003 e 2006). Para justificar a glosa das provisões acima, a Fiscalização sustentou o que segue (fl. 1.399): 66. Cabe ressaltar que a fiscalizada promoveu a exclusão nos respectivos LALUR, do valor das parcelas de R$ 419.477,25 (vide valor excluído no item 43) de janeiro de 2006 a outubro de 2009, relativos à amortização do ágio sobre a incorporação da Boticário Participações (histórico "Provisão p/ Realização de Ágio"), R$ 18.060.449,08 em dezembro de 2008, e de R$ 9.030.224,48 nos meses de janeiro a dezembro de 2009, relativos a amortização de ágio sobre a incorporação da G&K (histórico "Provisão p/ realização de Ágio Incorp G&K"). Para não ter efeito fiscal, esta provisão deveria ter sido excluída também do LALUR, da mesma forma como foi na contabilidade (conforme mencionado anteriormente). Ao não adicionar no LALUR estes mesmos valores apropriados como despesa, acabou reduzindo o lucro líquido e, indevidamente, o lucro real e a base de cálculo da CSLL (grifos nossos). Pois bem. Nos termos da Instrução CVM 319, com a redação que lhe foi dada pela Instrução CVM 349, a constituição da provisão, no caso em testilha, era mandatória. Neste sentido, confirase os preceitos do § 1º do art. 6º da predita norma: §1º O registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento: a) constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; b) registrar o valor líquido (ágio menos provisão) em contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo; Fl. 4833DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.834 31 c) reverter a provisão referida na letra “a” acima para o resultado do período, proporcionalmente à amortização do ágio; e d) apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor líquido referido na letra “a” no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa da sua realização Os documentos acostados aos autos, em especial aqueles de fls. 232 e ss (balancete) o contribuinte demonstra, de fato, ter obedecido os estritos da alínea "a", acima, ao constituir a predita provisão em conta de nº 190041 (redutora da conta de ágio registrado sob o nº 190040 fl. 226); demonstra, outrossim, o registro da reversão da predita provisão na conta de resultado (receita) de nº 364003 (fls. 232) e, como considerado pela própria fiscalização, o contribuinte não excluiu as despesas com a constituição da aludida provisão do cômputo do lucro real ou do lucro líquido, tendo, ao contrário, adicionadoas na parte "A" do LALUR (docs. de fls. 293/420). Ora, se o contribuinte suportou a tributação integral das despesas incorridas com a constituição das provisões, porque a exclusão destas da parte "B" do LALUR representaria "quebra da neutralidade"? Inadmitir tal exclusão representaria, aí sim, a predita quebra, já que se emprestaria efeitos tributários à sua constituição, mediante exigência das exações sobre as preditas despesas já que não deduzidas do computo dos tributos e impondo a tributação das receitas advindas de sua reversão. Vale lembrar que, a teor do art. 1º da Instrução CVM 319, dentre os objetivos ali elencados, encontrase, justamente, a garantia de percepção de dividendos pelos acionistas minoritários; a determinação da constituição da provisão para suportar as despesas com ágio não tem cunho tributário nem objetiva criticar a própria natureza do ágio que lhe deu causa, mas, tão só, preservar o direito de percepção de dividendos pelos minoritários que não dispõe de meios (que não o recesso) para se opor ao dispêndio de recursos na aquisição de investimentos relevantes. Daí, inclusive, a previsão constante do art. 16 da aludida norma, citado, inclusive, pelo segundo acórdão da DRJ: Art. 16 Os dividendos atribuídos às ações detidas pelos acionistas não controladores não poderão ser diminuídos pelo montante do ágio amortizado em cada exercício. A neutralidade de tais provisões, pois, decorre de sua própria natureza... e o fato do ágio que deu azo a sua constituição não ser dedutível para fins tributários em nada afeta a sua natureza, validade ou efeitos (mormente os societários). Atentemse, neste particular, para as disposições do art. 7º da aludida IN/CVM: Art. 7º O protocolo de incorporação de controladora por companhia aberta controlada poderá prever que, nos casos em que a companhia vier a auferir benefício fiscal, em decorrência da amortização do ágio referido no inciso III do art. 6º desta Instrução, a parcela da reserva especial de ágio na incorporação correspondente a tal benefício poderá ser objeto de capitalização em proveito do acionista controlador. Fl. 4834DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.835 32 Notem que, pelo preceito acima, a dedutibilidade ou não do ágio, para fins fiscais, não é pressuposto à aplicação das demais regras encartadas na citada IN, inclusive em relação à constituição da provisão tratada no já mencionado art. 6º. Basta imaginar uma situação em que determinada entidade resolve investir na aquisição de determinada participação societária, pagando por ela um valor superior à avaliação por ventura elaborada por auditores independentes (como resultado, tão só, das tratativas negociais havidas com o vendedor). Neste caso, a existência do ágio é indiscutível; só que não haverá benefício fiscal; as amortizações decorrentes deste ágio não poderão se objeto de dedução sem que isso torne o ágio ou a própria operação inválidos ou ineficazes... e a companhia ainda estará compelida a cumprir a imposição encartada no predito art. 6ºda IN/CVM 319. Daí perguntase: em tal situação a fiscalização procederia às glosas das reversões realizadas também por determinação desta IN? Insistase, a constituição e reversão das provisões ora tratadas não se destinam à preservação dos direitos fiscaistributários; a constituição e a respectiva reversão são garantias emprestadas pela norma acima aos acionistas minoritários das companhias. E, lembremse, considerando que o fato gerador dos dois tributos é o acréscimo patrimonial, tributar a receita de reversão de provisão, cujas despesas para constituição não foram anteriormente deduzidas, representa, iniludivelmente, tributação de patrimônio e não de renda... Por fim, totalmente desprovida de razoabilidade a alegação constante do segundo acórdão recorrido no sentido de que tais provisões seriam fictícias dado o fato das mesmas terem sido constituídas em importância equivalente à 100% do ágio registrado nas operações ora discutidas (que, a vista disso, culminaria com a presunção de que a recorrente não teria reconhecido nenhuma despesa futura a ser arcada pela predita provisão). Peço vênia, aqui, para transcrever, novamente, o texto da alínea "a" do §1 º do art. 6º da IN/CVM 319: a) constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; Este preceito, digase, deve ser interpretado conjuntamente com os preceitos dos também já reproduzidos, art. 7º e 16 da norma regulamentar acima tratada, o qual franqueia à sociedade a capitalização da reserva de ágio oriunda do benefício fiscal obtido, hipótese em que o dito benefício poderá ser vertido em prol de todos os acionistas (garantindose, pois, o fluxo de dividendos). A constituição, todavia, da provisão no valor integral do ágio não traz máculas aos direitos dos minoritários já que, como já dito, garantirá que a amortização deste último não cause impactos relevantes nos resultados da companhia. Consentameamente, o fato da alínea "a", acima, estipular que a provisão será constituída no mínimo no montante do benefício fiscal (as demonstrações trazidas pelo recorrente em seu apelo, na página 26 do aludido recurso), são bastante elucidativas neste ponto. Fl. 4835DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.836 33 E, salientese, o preceptivo estabelece o teto mínimo para a constituição da provisão; não o teto máximo... Enfim, não parece haver quaisquer ressaibos de dúvidas que a fiscalização errou, venia concessa, ao glosar as exclusões realizadas sob a rubrica "provisão p/ amortização de ágio", dado que tais provisões, insistase, são neutras do ponto de vista fiscal, devendo ser cancelada a exigência realizada sob tais glosas. III.1 Quanto as parcelas de despesas com amortização do ágio não aproveitado pela G&K glosadas como "exclusão indevida do lucro real". Mesmo em relação estas parcelas, não entendo ser possível manter o auto de infração. Isto porque tais parcelas, como afirmado pela Fiscalização, foram tratadas como hipótese de exclusão do lucro real e do lucro líquido não autorizada pela legislação, invocando, inclusive, como motivo legal da autuação, os preceitos dos art. 247 e 250 do RIR: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto. Art.250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 3º): I os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam computados no lucro real; III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação, observado o disposto nos arts. 509 a 515 (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único). No auto de infração, destacase, a Fiscalização procedeu ao cálculo do crédito tributário, conforme, v.g., planilha de fl. 1312, mediante simples adição dos valores apurados ao lucro real anteriormente informado pelo contribuinte. Todavia, a amortização de ágio (válido) encerra a sua dedução, como despesa operacional do lucro líquido, tal qual previsto no art. 386, III, do RIR. Ou seja, quando se concluir pela ilegalidade da dedução da amortização de ágio, glosase as despesas respectivas, devendo, neste particular, reproceder ao cálculo do próprio lucro real, e não proceder a simples adição de tais despesas ao montante do lucro real já informado. A conduta da fiscalização aqui, não só tipifica erro quanto a indicação da matéria tributável (que, per se, já autorizaria a anulação do ato de lançamento), como também encerra a iliquidez do crédito apurado, mormente por dar às exclusões do lucro real e do lucro Fl. 4836DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.837 34 líquido e às despesas detutíveis um mesmo tratamento, ao arrepio, pois, dos artigos 248 e 277 do RIR. IV. Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar provimento aos recurso voluntário do contribuinte para cancelar as exigências aqui tratadas, restando prejudicas as demais questão aventadas. Como o resultado do recurso voluntário do devedor principal aproveita aos devedores solidários, deixo de apreciar as preliminares constantes dos recursos manejados pelos coobrigados, dandolhes, todavia, provimento como reflexo da decisão concernente ao recurso do contribuinte. É como voto (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Voto Vencedor Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Em que pese as corriqueiras lógica e clareza com que o I. Relator apresenta suas razões, pretendo fazer uma abordagem diferente do fato tratado neste processo para, ao final, discordar no que se refere ao ágio que foi amortizado pela G&K Holding, antes de sua cisão parcial. Quero dizer, inicialmente, que concordo com as decisões que o Relator adotou em relação a: II.1 Preliminar comum aos períodos de 2003 e 2006. Da alegada decadência do direito do fisco de analisar os fatos que deram ensejo ao surgimento do ágio, cuja amortização gerou as despesas tratadas pelo TVF (não acolhida); II.2 Preliminar suscitada (pelo devedor principal e pelos solidários) em relação apenas ao ágio formado em 2006. Da alegada violação ao art. 146 do CTN tendo em conta a mudança de critério para fixação da multa qualificada (não acolhida); II.3 Preliminares suscitadas exclusivamente quanto ao ágio formado em 2003. II.3.1 Decadência quanto as estimativas não recolhidas em função do ágio observado no ano de 2003 e cujas amortizações se estenderam aos anos de 2004 à 2009 (não acolhida); Fl. 4837DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.838 35 II.3.2 Decadência quanto a aplicação das multas isoladas relativas às parcelas das estimativas não recolhidas no meses de janeiro a novembro de 2006;(não acolhida) e, II.3.3 Da falta de fundamentação do auto de infração quanto a aplicação da multa qualificada para o ágio gerado em 2003 (Boticário Participações Ltda.) (acolhida). Quanto ao item intitulado "III Prejudicial de mérito. A exigência fiscal repousou na glosa das exclusões realizadas pelo contribuinte a título reversão de provisões e não nas despesas com amortização de ágio, propriamente", concordo que, em verdade tratase de mérito propriamente dito, sendo, com o máximo respeito à conclusão adotada, o alvo da abordagem diferenciada que passo a explicar. Análise do Ágio de R$541.813.468,64 gerado em 8/12/2006 (G & K Holding S/A). Socorremonos novamente do acórdão recorrido: (...) 18/09/2006 G&K Holding S/A é constituída com capital social de R$ 1.000,00, tendo como sócios Miguel Gellert Krigsner (80% do capital) e Artur Noemio Grynbaum (20%) e como objeto social a participação em outras sociedades nacionais e estrangeiras, conforme Ata de Assembleia Geral de Acionistas Para a Constituição de G&K Holding S/A (fls. 693703); 18/12/2006 o IGPFundo de Investimento em Participações (CNPJ nº 07.479.779/000119) subscreveu e integralizou 4.613.618 novas ações ordinárias nominativas da G&K Holding S/A pelo preço total de R$ 50.000.000,00, dos quais R$ 4.613.618,00 destinados ao capital social da companhia e R$ 45.386.382,00 à constituição de reserva de capital, conforme Boletim de Subscrição de Ações (fls. 796797); em consequência, o capital social da G&K Holding S/A passou a ser composto pelos seguintes acionistas: . Miguel Gellert Krigsner ....................................... 800 ações . Artur Noemio Grynbaum..................................... 200 ações . IGPFundo de Investimento em Participações. 4.613.618 ações Total 4.614.618 ações 18/12/2006 a G&K Holding S/A incorpora as ações ordinárias nominativas da O Boticário Franchising S/A – OBF, Embralog – Empresa Brasileira de Logística S/A (06.308.851/000182), Botica Comercial e Farmacêutica S/A (77.388.007/000157) e a Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza S/A (CNPJ nº 06.147.451/000132), que passam a ser subsidiárias integrais, e aumenta seu capital social em R$ 186.970.480,00 mediante emissão de 186.970.480 novas ações ordinárias nominativas, no valor de R$ 1,00 cada, entregues a Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum em substituição às ações anteriormente Fl. 4838DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.839 36 detidas nas sociedades incorporadas, conforme Ata de AGE da G&K Holding S/A (fls. 704715) e Boletim de Subscrição de Ações (fls. 857864): as 20.000.000 ações representativas do capital do OBF, com valor nominal de R$ 20.000.000,00, foram avaliadas em R$ 605.600.000,00 por laudo de avaliação com base em rentabilidade futura elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda., com utilização da metodologia do fluxo de caixa descontado, conforme Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações Para Conversão de O Boticário Franchising S/A em Subsidiária Integral da G&K Holding S/A (fls. 716721) e Laudo de Avaliação (fls. 723733); como as ações da OBF tinham valor patrimonial de R$ 53.858.131,43, a G&K constituiu uma conta de ágio no valor de R$ 551.741.868,57; (...) o capital social da G&K Holding S/A passou a ser composto por pelos seguintes acionistas: . Miguel Gellert Krigsner .............................. 149.577.184 ações . Artur Noemio Grynbaum .............................. 37.394.296 ações . IGPFundo de Investimento em Participações. . 4.613.618 ações Total 191.585.098 ações 18/12/2006 a G&K Holding S/A contabiliza o ágio de R$ 1.776.161.561,96 apurado sobre as ações recebidas no aumento do seu capital social: . O Boticário Franchising S/A .......................R$ 551.741.868,57 . Botica Comercial Farmacêutica Ltda .........R$ 206.481.363,56 . Cálamo Distrib. Produtos de Beleza Ltda ..R$ 1.011.690.937,33 . Embralog Empresa Bras. de Logística Ltda. ...R$ 6.247.392,50 Total R$ 1.776.161.561,96 (...) 18/12/2006 a OBF, assim como as demais investidas, realiza assembléia geral extraordinária, conforme Ata de AGE (fls. 43 47), Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações Para Conversão de O Boticário Franchising S/A em Subsidiária Integral da G&K Holding S/A (fls. 4853) e Laudo de Avaliação elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda. (fls. 5565), para aprovar a incorporação de suas 20.000.000 ações ordinárias nominativas pela G&K e conversão em subsidiária integral desta: a KPMG utilizou a metodologia do fluxo de caixa descontado para determinar o valor com base em Fl. 4839DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.840 37 expectativa de rentabilidade futura de R$ 605.600.000,00, em agosto/2006, da OBF, considerando um horizonte de projeção até dezembro/2015; cada uma das 20.000.000 ações representativas do capital da interessada foi avaliada em R$ 30,28; as 20.000.000 ações nominativas de emissão da OBF pertencentes aos acionistas Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum passaram a fazer parte do patrimônio da G&K Holding, que emitiu 20.000.000 novas ações nominativas de sua emissão, com valor nominal de R$ 1,00 cada, as quais foram atribuídas a esses acionistas na mesma proporção das participações por eles detidas na interessada; 01/01 a 31/12/2007 a G&K Holding contabiliza a amortização de R$ 20.094.111,31 a crédito da conta que registra o ágio apurado em 18/12/2006, cujo saldo passou de R$ 1.776.161.561,96 para R$ 1.756.067.450,65, à fl. 1165), com contrapartida em conta de despesa com amortização do ágio (fl. 1153); 31/12/2007 a G&K adiciona o valor de R$ 20.094.111,31 com amortização de ágio sobre investimentos em controladas na parte “A” do Lalur (fl. 1091) e controla seu valor na parte “”B” (fl. 1095); 09/08/2008 as quotas do Fundo IGP foram transferidas para a Votorantim Asset Management DTVM Ltda., passando o fundo a ser denominado Votorantim G&K Fundo de Investimento em Participações (Votorantim); 03/11/2008 o capital social da G&K Holding S/A (constituído de 191.585.098 ações ordinárias nominativas) é aumentado em R$ 304.049.679,00, passando de R$ 191.585.098,00 para R$ 495.634.777,00, mediante conversão de reservas de capital, conforme Ata da AGE (fls. 938943); as 304.049.679 novas ações ordinárias nominativas foram distribuídas entre os acionistas da seguinte forma: . Miguel Gellert Krigsner ............................... 237.382.215 ações . Artur Noemio Grynbaum................................ 59.345.554 ações . Votorantim G&K Fundo Invest. em Particip. .. 7.321.910 ações Total 304.049.679 ações 01/01 a 03/11/2008 a G&K Holding contabiliza a amortização de R$ 25.850.240,10 a crédito da conta que registra o apurado em 18/12/2006, cujo saldo passou de R$ 1.756.067.450,65 para R$ 1.730.217.210,55, com contrapartida em conta de despesa com amortização do ágio (fl. 1184); 03/11/2008 a G&K adiciona o valor de R$ 25.850.240,10 com amortização de ágio sobre investimentos em controladas na Fl. 4840DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.841 38 parte “A” do Lalur (fls. 1118 e 1185) e controla seu valor na parte “”B” (fl. 1126); 03/11/2008 a G&k Holding constitui em sua contabilidade a Provisão p/Preservação de Dividendos Futuros no valor de R$ 1.730.217.210,55 sobre o ágio de investimentos em controladas, conta redutora da que registra o ágio apurado em 18/12/2006, com contrapartida em conta de despesa operacional (englobado no valor de R$ 1.730.390.459,25 das demais provisões, à fl. 1183); o valor desta provisão foi adicionado na parte “A” do Lalur (fls. 11211122) e passou a ser controlado na parte “B” desse livro (fl. 1125); 03/11/2008 nessa mesma AGE foi aprovada a cisão parcial da G&K Holding S/A, cujo capital social sofreu redução de R$ 443.551.815,00, passando de R$ 495.634.777,00 para R$ 52.082.962,00, correspondente a quatro parcelas distintas a serem incorporadas pela Botica, Cálamo, OBF e Embralog, conforme Ata da AGE (fls. 938943), Protocolo e Justificação de Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Sociedades Já Existentes (fls. 944956) e Laudo Pericial Contábil Para Efeito de Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Sociedades Já Existentes (fls. 957967), emitido pela América Auditores Independentes S/S com base na mensuração contábil do patrimônio: (...) a incorporação na OBF foi efetivada pela transferência da parcela de R$ 91.893.855,00 do patrimônio líquido da G&K, acervo líquido este constituído dos seguintes bens e direitos: . investimentos OBF (19.800.000 ações) ......R$ 91.893.855,00 . ágio investimento OBF................................R$ 541.813.468,64 . provisão Instrução CVM nº 319349.........R$ 541.813.468,64 Total R$ 91.893.855,00 (...) as 52.082.962 ações ordinárias nominativas restantes da G&K Holding S/A foram distribuídas entre os seguintes acionistas: . Miguel Gellert Krigsner ............................... 41.666.367 ações . Artur Noemio Grynbaum.............................. 10.416.592 ações . José Roberto de Mattos Curan .......................... 1 ação . João Vinicius Prianti ......................................... 1 ação . João Paschoal Posseti ........................................ 1 ação Total 52.082.962 ações Fl. 4841DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.842 39 a G&K Holding S/A manteve apenas participações societárias correspondentes a apenas 1% do capital social da Botica, Cálamo, OBF e Embralog; 03/11/2008 a OBF, a exemplo das demais incorporadoras, realiza assembleia geral extraordinária, conforme Ata de AGE (fls. 117120), para aprovar a incorporação da parcela cindida do patrimônio líquido da G&K Holding S/A: a parcela de 19.800.000 das ações ordinárias nominativas que a G&K Holding detinha (20.000.000 ações) foram revertidas e redistribuídas seletivamente a: . Miguel Gellert Krigsner ................................ 15.342.400 ações . Artur Noemio Grynbaum................................. 3.835.600 ações . Votorantim G&K Fundo Invest.em Particip. .... 621.999 ações . José Roberto de Mattos Curan .......................... 1 ação Total 19.800.000 ações Temos a criação, em setembro de 2006, de empresa veículo (G&K Holding), com capital social inicial de R$1.000,00 e tendo como sócios Miguel e Artur. Três meses depois, em dezembro de 2006, o IGP Fundo de Investimento em Participações integraliza ações no valor de R$50.000.000,00, sendo a única movimentação financeira envolvendo as operações societárias. No mesmo dia do ingresso da IGP na sociedade, 18/12/2006, a G&K incorpora as ações da OBF, da Embralog, da Botica e da Cálamo, que passam a ser suas subsidiárias integrais. As ações são incorporadas com ágio, sendo que as da OBF são avaliadas em R$605.600.000,00, gerando um ágio de R$551.741.868,57, uma vez que seu valor patrimonial era de R$53.858.131,43. O total do ágio contabilizado pela G&K, relativo às quatro empresas, monta R$1.776.161.561,96. A situação permanece durante o ano de 2007 até 3 de novembro de 2008, quando a G&K é parcialmente cindida, mantendo apenas 1% de participação nas outras sociedades. Neste período, até a cisão parcial, a G&K amortizou o ágio contabilmente, gerando despesa que foi adicionada no cálculo do lucro real, sem consequência fiscal, portanto. Todavia esta adição foi levada à parte B do Lalur, onde passou a ser controlada. Na mesma data, 3 de novembro de 2008, a G&K constitui a Provisão da Instrução CVM 319 no valor total de R$1.730.217.210,55, portanto somente sobre o valor do ágio descontadas as amortizações que realizou até sua cisão parcial (R$20.094.111,31, em 2007, e R$25.850.240,10, em 2008 tudo relativo às 4 empresas). Aqui cabe uma primeira observação que será repisada adiante, que trata do fato de não ter sido constituída, na G&K, a provisão CVM para a parcela que por ela foi amortizada. Esta parcela já amortizada do ágio, que na OBF representa o valor de R$4.455.536,61 não foi contabilizada na OBF. Como veremos, esses R$4.455.536,61 foram transferidos para a OBF via parte B do Lalur, presumivelmente a título de transferência de supostos direitos. Fl. 4842DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.843 40 Do ágio total (R$551.741.868,57) é transferido para o patrimônio da OBF o valor de R$ 541.813.468,64, conforme explicação acima, e também a provisão CVM, conta redutora. De tudo se observa que é uma operação de ágio interno, cuja única movimentação financeira se deveu à participação do IGP Fundo de Investimento com o aporte de R$50.000.000,00 que, de forma alguma justifica a criação do ágio de quase dois bilhões de reais, este sim, devido a operações societárias desprovidas de qualquer movimentação financeira e desenvolvidas dentro do mesmo grupo econômico, sob a decisão das mesmas pessoas. Ademais, como bem apontado no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, o IGP Fundo de Investimento, este sim, poderá amortizar para fins fiscais o ágio de mais de 45 milhões efetivamente pagos quando de seu ingresso na G&K caso preencha as demais condições legais: Sobre o tipo de ágio que estamos tratando tenho me posicionado no sentido de não atribuirlhe eficácia tributária. Isto se deve, principalmente, à sua não aceitação e mesmo ao repúdio de sua utilização que a contabilidade tem demonstrado. Hoje, nem mesmo pode compor o ativo de qualquer empresa, em cumprimento ao CPC nº 4, que transcrevo: Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos Fl. 4843DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.844 41 costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. A CVM por sua vez também se manifesta contrária a este tipo de ágio, como se vê do OFÍCIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP nº 01/2007: Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007 Aos Senhores Diretores de Relações com Investidores e Auditores Independentes ASSUNTO: Orientação sobre Normas Contábeis pelas Companhias Abertas (...) 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação Fl. 4844DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.845 42 aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. E desde 1999 a CVM pretende evitar que o patrimônio da companhias seja artificialmente aumentado com ágios fictícios e busca também proteger o sócio minoritário quanto à redução do lucro contábil pela escrituração de despesas artificiais, fazendo reconhecer somente o benefício fiscal esperado. Mas disso trataremos mais adiante. Como visto até agora, as autoridades contábeis, em defesa da correta informação da situação patrimonial das empresas, e a CVM, em defesa dos sócios minoritários e dos interesses do mercado, repudiam e rejeitam o ágio interno, criado em situações diferentes às de livre mercado, sem pagamentos efetivos e decisões livres. E quando a contabilidade rejeita, projeta essa rejeição para o campo legal, na medida em que é a lei que determina às sociedades que a ciência contábil deve ser obedecida. Vejamos o artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. E apresento somente este fundamento, pois é sabido por todos dessa obrigatoriedade. Ora, se a base de cálculo do imposto de renda, lucro real, parte do lucro líquido do exercício, o lucro contábil, a lei não poderia deixar este cálculo ao alvedrio de quem quer que fosse, sendo imperativa a obediência à ciência contábil. O que pretendem os Recorrentes é legitimar para fins fiscais o que é ilegítimo, falsamente criado apenas para diminuir substancialmente o pagamento de tributo devido. A leitura de excerto do laudo relativo a G&K (fl. 726) nos traz mais inseguranças e incertezas do que a garantia de um valor em que se possa acreditar, como bem destaca o voto condutor do acórdão recorrido, in verbis: A avaliação e as projeções financeiras estão fundamentadas substancialmente em premissas e informações fornecidas pela Administração da BFSA e discutidas com a KPMG Corporate Finance Ltda. É de conhecimento do mercado, que toda avaliação efetuada pela metodologia do fluxo de caixa descontado apresenta um significativo grau de subjetividade, dado que se baseia em expectativas sobre o futuro, que podem se confirmar ou não. Fl. 4845DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.846 43 Portanto, é reconhecido que não há quaisquer garantias de que quaisquer das premissas, estimativas, projeções, resultados ou conclusões utilizadas ou apresentadas nesse documento serão efetivamente alcançadas ou virão a se verificar, total ou parcialmente. Os resultados reais verificados poderão ser diferentes das projeções e estas diferenças podem ser significativas. Ressaltese ainda, que é da natureza de modelos financeiros de avaliação por fluxo de caixa descontado que toda e qualquer premissa altera o valor obtido para a empresa que está sendo avaliada. Tais possibilidades não constituem vício da avaliação e são reconhecidas pelo mercado como parte da natureza do processo de avaliação de uma empresa pela metodologia do fluxo de caixa descontado. Dessa forma, é impossível para a KPMG Corporate Finance Ltda., na condição de avaliador, se responsabilizar ou ser responsabilizado por eventuais divergências entre os resultados futuros projetados e aqueles efetivamente verificados a posteriori, em virtude, de variações nas condições de mercado e de negócio da empresa avaliada. Quaisquer futuros investidores, seja nas Empresas ou em qualquer entidade que venha a investir direita ou indiretamente nas Empresas, devem realizar suas próprias análises quanto à conveniência e oportunidade de efetuarem tal investimento e devem consultar seus próprios consultores jurídicos, tributários e financeiros a fim de estabelecerem suas próprias opiniões sobre a oportunidade e forma independente.“ (substituí os grifos do original) A avaliação, como reconhecido no documento, é realizada tendo como fonte principal a informação prestada pelos próprios interessados. Não é por outro motivo que a KPMG afirma que os investidores futuros devem realizar suas próprias análises e sujeitar aos seus consultores jurídicos, tributários e financeiros qualquer decisão. Ao mesmo tempo se isentam de qualquer responsabilidade pelos números apresentados. Basicamente, o que afirmam é que a avaliação que fizeram não tem nenhuma fidedignidade. A única certeza que se tem é de que o valor é certo e indiscutível para fins de economia fiscal, caso a situação passe despercebida pelas autoridades tributárias, mas a responsabilidade pelo laudo, pelas projeções, ao final de tudo, é dos dirigentes que forneceram as informações para os peritos avaliadores, os mesmos que serão beneficiados pela fraude. Feitas estas considerações acerca da constituição do ágio (G&K Holding) consideroo ineficaz ante o fisco, uma vez que foi criado artificialmente, por meio de operações societárias empreendidas dentro de um mesmo grupo econômico, sem nenhuma relação de livre mercado, mas marcados por relações viciadas por decisões tomadas sem nenhuma independência, pelas mesmas pessoas representando todas as partes do negócio e que, ao fim, seriam as beneficiárias da economia fiscal. É destaque também o fato de não ter havido nenhum dispêndio, nenhum pagamento, nenhuma movimentação financeira, fato que torna possível considerarse qualquer valor como ágio, desde que conste de um laudo elaborado por peritos externos. Fl. 4846DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.847 44 Essa é a premissa: é ágio interno, falsamente criado por meio de empresa veículo apenas para a redução de tributos. Ágio imprestável para fins fiscais. No entanto, em relação à amortização dos ágios de 25 e 541 milhões (Boticário Participações e G&K Holding) a fiscalização cometeu o sério equívoco de lançar com base em glosa de exclusão de receita de reversão da provisão prevista na Instrução CVM 319. Equívoco que teve contribuição no fato de a Empresa ter constituído provisão no valor total do ágio, como lhe franqueia a referida Instrução, pois certamente caso fosse em valor menor o erro não teria sido cometido, pois não seria estabelecida relação entre a contabilização da despesa e da reversão da provisão. Todavia, não podemos incluir nesse rol o valor que a própria G&K amortizou entre a data da constituição do ágio (12/2006) e a data de sua cisão parcial (11/2008), pelos motivos que passo expor. A G&K, no período antes de sua cisão, amortizou o ágio, criando uma despesa que foi corretamente adicionada ao lucro líquido do exercício, no cálculo do lucro real, uma vez que ela, sabidamente, não podia aproveitála tributariamente, pois não se enquadrava nas situações previstas nos artigos 7º ou 8º da Lei nº 9.532/1997. Além disso, como já demonstrado, tratase de um ágio falsamente criado, dentro do mesmo grupo econômico (ágio interno), sem movimentação financeira alguma, considerado imprestável para fins tributários com acima apontado. Assim, agiu corretamente ao não atribuir efeitos fiscais à amortização do ágio, contudo passou a controlar os valores adicionados na parte B do Lalur, sem nenhuma justificativa: se a G&K não tem direito à amortização fiscal, não há motivo para controlar o valor na parte B do Lalur, pois ele nunca influenciará o resultado de exercício futuros. E vejam, não se trata de controlar nenhuma provisão, mesmo porque a provisão da Instrução CVM 319 não foi constituída sobre o valor já amortizado (R$4.455.536,61), mas somente pelo valor que foi transferido via contas patrimoniais à OBF (incluído no total de 1.730 milhões: para a OBF 541 milhões e fração, uma vez que 5 milhões permaneceram no 1% que a G&K preservou e os R$4.455.536,61 já tinham sido amortizados do total do ágio de 551 milhões). O controle na parte B do Lalur era de ágio amortizado efetivamente. Assim, o valor de R$ 9.928.399,93 do ágio constituído quando da incorporação de ações da OBF não foi transferido contabilmente para esta última quando da cisão parcial da G&K. Isto porque R$ 5.472.863,32 permaneceram na G&K em função do 1% do patrimônio remanescente da referida cisão que ficou na Empresa e porque R$ 4.455.536,61 já haviam sido amortizados na G&K e adicionados no cálculo do lucro real, quando passaram a ser controlados na parte B do Lalur (a meu ver, indevidamente). A informação foi dada pela Recorrente quando respondeu ao Termo de Intimação Fiscal nº 11, conforme abaixo reproduzo: Fl. 4847DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.848 45 Embora a Recorrente afirme que o ágio transferido via cisão foi de R$546.269.005,25, em verdade, contabilmente foi de R$ R$ 541.813.468,64. Disso concluo que o valor amortizado e controlado na parte B do Lalur na G&K foi considerado um direito e foi incluído na parcela cindida, mas não foi contabilizado na cindenda, sem motivo aparente. Também não consta do protocolo de cisão nenhuma mensão à transferência desse valor a título de direito, ainda que pelo valor do benefício fiscal, como seria de se esperar em obediência ao artigo 224, inciso II, da Lei nº 6.404, de 1976. E a informação no voto condutor do acórdão recorrido de que haveria lançamentos contábeis relativas aos R$4.455.536,61 está incorreta. Este valor foi transferido à OBF apenas via parte B do Lalur. Então, foi transferido somente via parte B do Lalur um direito que a cindida não tinha (o de amortizar fiscalmente o ágio, diminuindo o lucro real de mais de um período), transferência essa que não foi reconhecida contabilmente na cindenda e em afronta à lei societária, pois não integrou o protocolo de cisão. Sobrepondose a isso está o fato, ainda, de o ágio ser absolutamente imprestável para fins fiscais, o que, por si só, seria suficiente à negativa de controle na parte B do Lalur na G&K, pois que o ágio seria indedutível, portanto, não exercendo influência em exercícios futuros. Quanto à amortização deste valor concluise: (i) o ágio foi controlado na parte B do Lalur da G&K indevidamente, uma vez que esta não tinha direito a amortizálo fiscalmente; (ii) o valor transferido não foi contabilizado na OBF, ainda que pelo valor do benefício; (iii) o valor não constava do rol de direitos vertidos à cindenda no protocolo de cisão; (iv) não se trata de provisão, mas de amortização de ágio via exclusão no Lalur, ágio controlado somente na parte B. Consultando o balanço de suspensão ou redução apresentado pela Recorrente, folha 232 do processo, verificamos que o valor da despesa de amortização do ágio no ano de 2008 foi de R$23.094.175,96 (conta 371006) e que a receita de reversão da provisão da Instrução CVM 319 foi de igual valor (conta 364003). Fl. 4848DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.849 46 A conta de despesa é composta da amortização do ágio de R$ 541.813.468,64 nos meses de novembro e dezembro (541.813.468,64 / 60 = 9.030.224,47 x 2 = 18.060.448,94) e pela amortização nos 12 meses do ano do ágio de R$ 25.168.634,90 (25.168.634,90 / 60 = 419.477,24 x 12 = 5.033.726,88 +18.060.448,94 = 23.094.175,82). Portanto, os R$4.455.536,61 não foram contabilizados e não integram a reversão de provisão. Ainda, o Lalur registra dois controles: um de Ágio Incorporação G&K, no valor inicial de R$4.455.536,61 (fl. 379) e, outro, de Provisão p/ Realização do Ágio Incorp G&K (fl. 380) no valor inicial de R$ 541.813.468,64. O fato se repete em 2009, como se vê à folha 419 dos autos, e ajustes via FCont, haja vista que a OBF é optante pelo Regime Tributário de Transição RTT. Logo, contrariamente ao controle da Provisão Instrução CVM 319 na parte B do Lalur, cujo objetivo é realmente só o controle, sendo o lançamento no Lalur da reversão realizado em função da contabilidade, o ágio amortizado na G&K tinha função de controle e utilização para fins de lançamento na parte A do Lalur, pois que não tinha origem contábil. A fiscalização, neste caso, agiu corretamente ao glosar a exclusão operada, que, repito, não foi de provisão, mas de despesa de amortização de ágio não contabilizada na OBF e operada somente via Lalur. Além de estar correto o lançamento com fundamento em glosa de exclusão do Lalur, é a única forma de lançamento possível em relação ao ágio amortizado na G&K e não aproveitado tributariamente, mas indevidamente controlado na parte B do Lalur e transferido para a parte B do Lalur da OBF por ocasião da cisão parcial da G&K. Nesse ponto o lançamento deve ser mantido. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL Sobre a alegada falta de previsão legal, entendo que a conjugação dos artigos 6º da Lei nº 7.689, de 1988, e 57 da Lei nº 8.981, de 1995, abaixo transcritos, autoriza a referida alteração, impedindo que despesas fraudulentamente criadas alterem a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: Lei nº 7.689, de 1988 Art. 6º A administração e fiscalização da contribuição social de que trata esta lei compete à Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. Aplicamse à contribuição social, no que couber, as disposições da legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo. Lei nº 8.981, de 1995 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se Fl. 4849DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.850 47 refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Assim, as despesas de ágio artificialmente criadas devem ser afastadas no cálculo da base tributável da referida contribuição. MULTA QUALIFICADA Quanto à multa qualificada, a relativa ao ágio constituído pela empresa veículo G&K Holding, em 2006, foi bem fundamentada no auto de infração, como se vê às folhas 1413 a 1420. A Recorrente alega a inexistência de fraude, pois tudo foi feito às claras, sem documentos falsos e no "exercício regular de um direito reconhecido" (Artigo 188 do Código Civil). Não entendo assim. Tenho claro que havia consciência na criação de uma falso ágio, gerado sem absolutamente nenhuma independência, pois os acordos e operações societárias são decididos pelas mesmas pessoas que, ao final, são os beneficiários da sua amortização fiscal, sem movimentação financeira alguma e dentro do mesmo grupo econômico, tudo no intuito de reduzir o montante do imposto devido. A existência de fraude é evidente. Por outro lado pretende a Recorrente buscar salvaguarda no artigo 112 do CTN, interpretandoo no sentido de que, em caso de dúvida, a lei tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte. Busca na lição do Prof. Marco Aurélio Greco, eu sua obra Planejamento Tributário, a idéia de incerteza quando a legalidade ou não de casos que se acham no limite entre o correto e o incorreto. Não vejo este caso como limítrofe. Tenho com muita clareza que se trata de ação dolosa visando a redução do imposto devido, pelo que não vejo razão para invocar o referido artigo. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECURSO VOLUNTÁRIO DOS DIRETORES Finalmente, sobre a responsabilidade solidária dos Dirigentes, forte nos artigo 124 e 135, III do CTN, os Recorrentes alegam que não houve motivação da qualificadora em relação ao ágio criado em 2003, por intermédio da Boticário Participações. Esta discussão perdeu o objeto, na medida em que nenhuma parcela do lançamento vinculada a este ágio está sendo mantida nesta decisão. Defendem a inaplicabilidade do artigo 124, I do CTN, invocando a distinção do interesse econômico para o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador e do 135, III, por não ter sido indicados os atos praticados pelos diretores com excesso de poderes, infração à lei ou estatutos. Fl. 4850DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.851 48 Diz que não houve abuso de direito, mas exercício regular de um direito reconhecido, o primeiro ato ilícito e o segundo não, conforme o Código Civil (artigos 187 e 188). O CTN foi publicado em 1966 e realmente não foi redigido pensando na atuação de grupos econômicos. Naquela época o que existia era a empresa isolada, a Companhia, que englobava todas as atividades em volta de seu nome. Hoje temos grandes grupos econômicos e aquela empresa que comprava, transformava, vendia, investia, recebia pagamentos, contratava e pagava os empregados, foi explodida em várias que compõem o mesmo grupo e executam, cada uma delas, uma dessas atividades, retirando de cada uma dessas ações o máximo de lucratividade e eficácia. Um dos aspectos mais carentes do Código, nesse particular, diz respeito à responsabilidade. Assim, temos que extrair da hermenêutica jurídica o máximo da técnica interpretativa para não deixar instalada a injustiça. Por outro lado, não são poucas as vezes que, ante um ilícito, argumentase que não foi apresentada prova cabal, direta, como se o responsável pelo delito precisasse assinar documentos e praticamente confessar que ele é o responsável pelos fatos para poder ser responsabilizado. Por outro lado, e no caso específico de planejamento tributário calcado em operações societárias sequenciais, cada fração do todo tem aparente legalidade, todavia o resultado de todas as operações é ilícito. É o que Marco Aurélio Greco observa quando afirma que não se deve olhar a fotografia, mas o filme. No caso presente não entendo que estejamos presumindo a responsabilidade. Vejamos os fatos. As empresas do grupo Boticário, comandadas em todo o tempo pelos sócios administradores Artur e Miguel, detentores da quase totalidade das ações, empreenderam operações societárias, criando empresas veículo para adquirir outras empresas do grupo e gerar um ágio decorrente da avaliação da rentabilidade futura dessas empresas adquiridas, sem movimentação financeira alguma, sem nenhum pagamento ou participação de terceiro. Em pouco tempo, desfez essas empresas veículo (parcial ou totalmente) repassando o ágio falsamente gerado para cada uma das empresas adquiridas, passando a reduzir substancialmente o lucro real com o aproveitamento de despesas de amortização de ágio nas empresas adquiridas. Ou seja, o ágio amortizado diz respeito à rentabilidade futura dela mesma. Como já vimos neste voto, o laudo que atribui valor absurdamente alto às empresas adquiridas com base em rentabilidade futura é absolutamente inconsistente, fundado em informações prestadas pelos próprios administradores (que são os dois sócios já nominados e beneficiários da fraude) e os avaliadores não assumem absolutamente nenhuma responsabilidade pelos números apresentados. A estes fatos somase a distribuição de valores altíssimos a título de juros sobre o capital próprio e lucros, sendo que pouco valor permaneceu nas empresas, sendo a maioria distribuído aos dois sócios. Fl. 4851DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.852 49 Ante tudo isso, os Recorrentes alegam que não podem ser responsabilizados pelo 124, I, cujo teor é o seguinte: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; É claro que a aplicação do artigo não pode tornar inócuo o princípio contábil da entidade, haja vista que todos os sócios sempre terão interesse no fato gerador. Todavia, a sua não aplicação sem exceções pode representar a inimputabilidade do mal feitor, deixando sempre livre aquele que não tem apenas o interesse econômico, mas tem todos os interesses nomináveis nas fraudes aplicadas. Quanto ao 135, III do CTN, assim se apresenta in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado Várias foram as teses apresentadas quanto ao artigo: umas dizendo que a pessoalidade afastava a responsabilidade da empresa; outras que seria responsabilidade subsidiária; e, por fim, a que defende que a aplicação é de solidariedade. Entendo que esta última já está consolidada tanto no Judiciário quanto nos julgados administrativos. Neste ponto, os Recorrentes pretendem que seja apontado qual o ato específico por eles praticados que pode ser enquadrado no artigo. Defendem que todos as atividades foram lícitas. Descordo enfaticamente. O conjunto das ações, como foi tratado anteriormente, caracterizou uma fraude de grandes proporções, resultando na redução irregular dos tributos devidos pela empresa. Estamos tratando de um ágio de 551 milhões de reais em uma empresa cujo valor patrimonial ultrapassava um pouco os 50 milhões. Isso não é uma fraude pequena, e foi comandada, capitaneada pelos dois sócios. No meu entendimento, não é necessário, nesses casos, que se aponte um determinado ato, uma determinada ordem, uma determinada assinatura. Isso é reduzir os fatos, que se desencadearam em alguns anos, a um momento específico em que houve um ilícito. O ilícito aqui é o conjunto, a obra, arquitetada e capitaneada, como dito, pelos dois administradores. E não se trata de presunção. O fatos estão comprovados. A direção da Empresa não é discutida ou contraditada. Quem tomou as decisões foram os dois dirigentes. O que se quer então? Afirmar que os dois foram enganados e que as operações foram feitas à revelia, que não queriam engordar seus cofres pessoais em milhões e milhões de reais, mas foram surpreendidos ao verem suas contas correntes? Fl. 4852DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.853 50 Ainda que fosse essa a alegação, devo destacar que na jurisprudência tem prevalecido o entendimento de que, na aplicação do artigo 135, III, a responsabilidade decorre de dolo ou culpa por parte dos dirigentes. Vejamos: STJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL AgRg no REsp 952762 SP 2007/01112355 (STJ)Data de publicação: 05/10/2007 Ementa: TRIBUTÁRIO – PROCESSUAL CIVIL – EXECUÇÃO FISCAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SÓCIO GERENTE AUSÊNCIA DE PROVA DE DOLO OU CULPA REDIRECIONAMENTO – IMPOSSIBILIDADE. 1. O posicionamento pacífico desta Corte é no sentido de que o sócio somente deve responder pelos débitos fiscais do período em que exerceu a administração da sociedade se ficar provado que agiu com dolo ou fraude e exista prova de que a sociedade, em razão de dificuldade econômica decorrente desse ato, não pôde cumprir o débito fiscal. 2. In casu, não restou caracterizada prova de que os sócios tenham agido com dolo ou culpa, ou ainda que tenha havido dissolução irregular da sociedade. Agravo regimental improvido. Houve ato ilícito sob a responsabilidade dos dois sócios administradores quando comandaram operação fraudulenta de criação de ágio no intuito de reduzir irregularmente o tributo devido, assim, ambos são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário decorrente. Mantenho a sujeição passiva solidária dos dois sócios administradores. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E CSLL Quando ao lançamento da multa isolada, observandose a base de cálculo, tanto do IRPJ quanto da CSLL, de dezembro de 2008 e de janeiro a dezembro de 2009, verificase que o acréscimo de R$74.258,76 a cada mês, correspondente à parcela da amortização do ágio, não implicará débito do contribuinte a título de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, pelo que esta deve ser afastada. JUROS SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO Sobre a questão esta Turma já manifestou entendimento sobre a procedência da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Assim, reproduzo manifestação sobre o tema constante do processo 13896.721338/201336, da Relatoria da Conselheira Ester Marques Lins de Souza, que adoto como razão de decidir: Como cediço, os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. O artigo 142 do CTN, descreve, na verdade, o fato de que, no mesmo auto de infração, pode ocorrer o lançamento Fl. 4853DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.854 51 tributário, em que se exige o tributo devido pelo contribuinte, e a aplicação da penalidade pelo fato de este contribuinte ter deixado de recolher o tributo. Portanto reunidos em um único lançamento, e, devidamente discriminados, a cobrança do tributo e a aplicação da multa pela infração, resta constituído o crédito tributário que deve ser exigido com os acréscimos legais (juros de mora). Portanto, efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento do tributo e da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal, no presente caso, a denominada multa de ofício de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Sobre os juros de mora, o próprio art. 161 do CTN menciona a incidência dos juros sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, não podendo ser outro crédito senão àquele constituído nos termos do art.142 do CTN, ou seja, crédito tributário (objeto prestacional, representado em dinheiro) = tributo (não pago) + penalidade aplicada (não paga). Dizer que a penalidade aplicada não integra o montante do crédito tributário não passa de um flagrante equívoco. A exigência dos juros sequer depende de formalização, uma vez que serão devidos sempre que o principal ( tributo ou penalidade) estiver sendo recolhido após o prazo de vencimento, mesmo que não quantificados (os juros) quando da formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Apesar disso, há quem argumente que, se do crédito a que se refere o caput do transcrito art. 161 do CTN constasse a multa de ofício, não haveria razão para mencionar nesse mesmo dispositivo “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Não é nenhuma novidade dizer que o CTN é recheado de repetições. A verdade é que, não haveria necessidade de novamente constar no mencionado artigo 161 tal comando, porque a partir do lançamento surge o crédito, no entanto com o intuito de afastar os juros de mora outros argumentos poderiam advir no sentido de que tendo sido aplicada a penalidade não seria cabível a aplicação dos juros de mora porque a “penalidade” seria em substituição de outros encargos etc.. Ora, a caracterização da mora dáse de direito, e, não depende sequer que o sujeito passivo seja interpelado com o auto de infração. Não sendo o valor devido integralmente pago até o vencimento, o crédito deve ser acrescido de juros de mora. Fl. 4854DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.855 52 Partilho do entendimento expresso no Parecer MF/SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 02 de abril de 1998, segundo o qual, considerando o disposto no art.161 do CTN, é possível concluir que mencionada norma legal autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa em caráter geral, nada impedindo que a lei específica disponha de forma diferente, determinando que os juros de mora devam incidir apenas sobre os tributos e as contribuições. É certo que tivemos no passado dispositivos legais (art. 59 da Lei nº 8.383/91 e art.84 da Lei nº 8981/95) que deixaram dúvidas quanto a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. A interpretação literal decorrente da mencionada legislação era no sentido de que pela redação das leis mencionadas os juros deveriam incidir apenas sobre os tributos e contribuições, não autorizando, pois, a exigência dos juros de mora sobre outros débitos sem a natureza jurídica de tributo. No entanto, com a edição da Lei nº 9.430/96, é possível mudar de paradigma para concluir que, com apoio no artigo 61 e seu § 3º, restou explícito ser cabível a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, a partir do vencimento da penalidade, cujos fatos geradores (descumprimento da norma legal) ocorrerem a partir de 01/01/1997, vejamos: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ... §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (Grifei) Sobre o vencimento da multa de ofício lançada, depreendese dos autos de infração que a multa de ofício tem prazo para pagamento, qual seja, trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo. Ora, se os juros moratórios a que se refere o § 3º do art. 61, da Lei nº 9.430/96, somente se aplicam sobre débitos com prazo de vencimento, inferese que incidem sobre a multa de ofício não paga no prazo de trinta dias após a ciência do lançamento pelo autuado. O artigo 43 da lei nº 9.430/96 ao tratar do auto de infração sem tributo (crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou Fl. 4855DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.856 53 conjuntamente) prevê a incidência de juros de mora calculados à taxa Selic sobre o crédito tributário formalizado, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, o que demonstra claramente a imbricação com o art.161 do CTN e com o artigo 61, § 3º da mesma Lei nº 9.430/96, desnecessário seria repetir que nos casos da multa de ofício de que trata o artigo 44 da mesma lei também deverão incidir os juros de mora. Feitas as considerações acima e no contexto de uma interpretação sistemática, é forçoso concluir que ao teor do art.161 do CTN, bem como dos artigos 43, parágrafo único, e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96, por se tratar de débitos para com a União, incidem tanto sobre os tributos quanto sobre a multa de oficio, os juros de mora com base na taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do seu pagamento. Sabendose que os juros de mora incidem a partir de vencimentos distintos em relação ao vencimento do tributo e ao vencimento da multa lançada de ofício (30 dias após a ciência do lançamento). Antes do lançamento não há falar em juros de mora sobre a multa de ofício. Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuniárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou de notificação de lançamento, conforme fixado na Portaria MF nº 370 de 23 1288, verbis: I Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou da notificação de lançamento e serão calculados, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração, sobre o valor corrigido monetariamente. II. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Nesse sentido trazse à lume excerto do voto do Desembargador Dirceu de Almeida Soares quando do julgamento, pela 2a. Turma do TRF4, da AC 2005.72.01.000031 1/SC, em 2006 (Leandro Paulsen, Direito Tributário, 9ª ed., Livraria do Advogado, pág. 1028), ipsis litteris: “...tanto a multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação da estrita legalidade ...O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente.” Fl. 4856DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.857 54 Com efeito, é legitima a exigência de juros de mora tanto sobre os débitos lançados como da respectiva multa de ofício, não pagos no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao dos respectivos vencimentos dos prazos até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa. Para sedimentar as considerações feitas no presente voto, trazse à colação o entendimento expresso nos seguintes Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscal desse Egrégio Conselho Administrativo: ACÓRDÃO nº CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007: JUROS DE MORA – MULTA DE OFÍCIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ACÓRDÃO nº 9101002.5011ª Turma, julgado em 12/12/2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assim, considero correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Pelos motivos apresentados, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, exonerando o crédito tributário IRPJ e CSLL relativo ao ágio constituído nas operações da Boticário Participações (R$ 25.168.634,90) e ao ágio constituído nas operações da G&K Holding S/A, na parcela correspondente ao valor contabilizado na OBF, de R$541.813.468,64, e mantendo a tributação imposta à parcela do ágio amortizado na G&K Holding e transferido via Parte B do Lalur para a Recorrente (R$4.455.536,61). Exonero a tributação da multa isolada sobre não recolhimento de estimativa de IRPJ e CSLL, uma vez que a adição às bases de cálculo de dezembro de 2008 e de janeiro a dezembro de 2009 do valor mensal amortizado da parcela mantida (R$74.258,76) não determinaria à Contribuinte o dever de recolher estimativas, pelo que a multa perde o objeto. Mantenho os juros sobre a multa de ofício, a multa qualificada e a sujeição passiva solidária dos administradores Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, no que toca à parcela mantida do lançamento. Fl. 4857DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.858 55 É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Fl. 4858DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902774/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Diligência fiscal que constatou ausência de créditos suficientes, à compensar a totalidade do débito deste processo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN - Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos suficientes, à compensar a totalidade do débito deste processo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 27 74 /2 00 8- 08 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10980.902774/200808 Acórdão n.º 3401004.312 S3C4T1 Fl. 193 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Resolução nº 3403000.404 (fls.1 105/107), que converteu o feito em diligência, o qual passo a transcrever: "Cuidase os de Recurso Voluntário objetivando o afastamento do indeferimento de restituição e compensação de crédito oriundo de pagamento por meio de DARF a maior do que o valor devido para o PIS relativo ao período de apuração de 01.12.2002 a 31.12.2002. Sustenta a Interessada que o indeferimento ocorreu sob o fundamento de que a existência de crédito no crédito original de R$ 2.047,37 para extinção de débito indicado na declaração, mas verificado que o crédito teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, motivo pelo qual não se homologou a compensação declarada. O crédito pleiteado tem origem segundo alegação no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. A DCTF foi retificada após o conhecimento da decisão contida no despacho decisório, que negou a existência do crédito. Foram trazidas à colação cópias do razão contábeis com o objetivo de demonstrar a origem do crédito. Em razões recursais manteve os mesmos argumentos tecidos na fase de Inconformidade de Manifestação." Considerando que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi resolvida sua conversão em diligência para: a) Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. A informação fiscal proferida confirmou a homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, no valor de R$ 10,81: "Ao que tudo indica, o saldo devedor decorre de erro cometido pelo contribuinte na quantificação da taxa selic acumulada no período." Após ciência sobre a informação fiscal, apresentase manifestação, em essência, acatando as conclusões alcançadas pela diligência fiscal. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10980.902774/200808 Acórdão n.º 3401004.312 S3C4T1 Fl. 194 3 Voto O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS. Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito pleiteado tem origem no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não ter sido trazido aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado. Diante destas razões, posteriormente trazidas, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, os autos foram e retornaram de diligência com a confirmação da homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, no valor de R$ 10,81, com o qual manifestou concordância o contribuinte Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.723234/2012-06
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
Somente são dedutíveis as despesas ocorridas no ano-calendário correspondente ao da Declaração de Ajuste apresentada.
Numero da decisão: 2002-000.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Somente são dedutíveis as despesas ocorridas no ano-calendário correspondente ao da Declaração de Ajuste apresentada.
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DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. Recorrente VALQUIRIA RHEIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Somente são dedutíveis as despesas ocorridas no anocalendário correspondente ao da Declaração de Ajuste apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 32 34 /2 01 2- 06 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 72 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2008, ano calendário 2007, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas e com instrução. A contribuinte apresentou impugnação (fls.2/12), contestando integralmente a glosa da despesa com instrução e parcialmente a das despesas médicas, requerendo o restabelecimento das despesas médicas próprias e de Filipe Rhein Spolle. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 43/46), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao próprio tratamento do contribuinte e ao de seus dependentes e devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, devidamente comprovadas e dentro do limite individual estabelecido. Cientificada dessa decisão em 17/4/2017 (fl.48), a contribuinte formalizou, em 8/5/2017 (fl.54), Recurso Voluntário (fls. 54/61), no qual apresenta as seguintes alegações: na impugnação, apresentou declaração do curso de especialização da profissão de Terapeuta Familiar e de Casal, consignando o valor de R$3.555,00. quanto às despesas médicas, na impugnação teria apontado como impugnado o valor de R$17.375,01, mas o valor correto a ser reavaliado é de R$12.614,01 (Metrus R$1.851,20, de Valquiria e Filipe, Dra. Olívia R$8.722,00 e Metrus R$1.040,01). tece considerações acerca do curso de Terapia Familiar e de Casal e afirma ter conhecimento de que o valor com instrução por pessoa para o anocalendário 2007 era de Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 73 3 R$2.480,66. Indica a juntada de recibo de pagamento ao Instituto de Terapia Familiar de São Paulo ITF, no valor de R$3.950,00. informa que o valor de R$1.040,01, pago a Metrus, não foi descontado em contracheque, pelos motivos que explica, tendo sido o pagamento efetuado por boleto bancário. Indica a juntada do recolhimento. indica a juntada ainda de documentos emitidos pela Metrus e por Olívia Rogéria Gomes. requer o cancelamento da exigência fiscal. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.65). É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 74 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Despesas com Instrução Nesse tocante, cabe esclarecer que, embora a recorrente teça considerações acerca das despesas com instrução no Recurso Voluntário apresentado, a decisão de piso cancelou integralmente a glosa efetuada, como se extrai do trecho a seguir reproduzido: A contribuinte anexou aos autos os documentos de fls. 20 comprovando a despesa no valor de R$ 3.950,00. Deve ser restabelecida, portanto, a dedução do valor de R$ 2.480,66 tendo em vista que o valor comprovado supera o limite individual. Dessa forma, não remanesce litígio a ser apreciado por este Colegiado quanto a esta matéria. Despesas Médicas À luz da legislação citada na notificação de lançamento, os contribuintes podiam deduzir do rendimento tributável na declaração de ajuste do exercício de 2008, valores relativos a determinadas despesas, tais como as médicas, desde que devidamente comprovadas. No tocante às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 75 5 seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). No caso, a Notificação de Lançamento noticia a glosa de despesas médicas no montante de R$26.919,46 (fl.7). Em sua impugnação, a contribuinte requereu o restabelecimento de despesas no montante de R$17.375,01, argumentando que seriam despesas próprias e do dependente Filipe Rhein Spolle (fl.2). A decisão de piso consigna: Da análise dos documentos apresentados na impugnação, a seguir relacionados, concluise que as despesas médicas no valor de R$ 11.573,20 são passíveis de dedução dos rendimentos tributáveis, tendo em vista o preenchimento dos requisitos legais, devendo ser afastada a glosa efetuada pelo Fisco. 1. Metrus – R$2.851,20: declaração de fl. 16 (despesas de Valquiria e Filipe Rheins Spolle dependente relacionado na declaração de ajuste anual). 2. Olívia Rogéria Rodrigues Gomes (cirurgiã dentista) – R$8.722,00: recibo de fl. 17. Entretanto, não há como aceitar a despesa com a Metrus informada no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, fl. 12, por falta de discriminação dos beneficiários do plano. Somente são dedutíveis as despesas médicas de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que for considerado dependente. Ao ser notificada, caberia a interessada trazer aos autos novo documento (declarações ou qualquer outra forma de manifestação escrita por meio da qual pudesse ser suprida a deficiência apontada na peça fiscal). Em sede de recurso, a contribuinte informa que impugnou erroneamente o total de R$17.375,01, mas argumenta que faz jus a deduzir o montante de R$12.614,01, sendo R$3.891,21 referente a Metrus, e R$8.722,00 referente a profissional Olívia Rodrigues Gomes. Acrescenta que o valor de R$1.040,01 foi pago para a Metrus via boleto bancário, indicando a juntada de documento comprobatório. Vêse, assim, que resta em litígio a despesa médica com Metrus no valor de R$1.040,01, uma vez que as demais despesas reclamadas pelo sujeito passivo em seu recurso já foram restabelecidas pela decisão de piso, no montante de R$11.573,20, conforme acima demonstrado. Em seu recurso, em complemento aos documentos de fls. 16, 18 e 19, a contribuinte junta o boleto bancário de fl.58. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 76 6 Entretanto, constatase que o documento foi pago em 4/1/2008, quando aqui está se tratando do anocalendário 2007. Dispõe a Lei nº9.250, de 1995, em seu artigo 8º: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (destaque acrescido) Considerando que o IRPF regese pelo regime de caixa, sendo dedutíveis apenas as despesas pagas no anocalendário correspondente ao da Declaração de Ajuste, a despesa comprovada por meio de documento de fl. 58 não pode ser acatada, uma vez que efetuada em 2008. Acrescentese que, ainda que assim não fosse, o documento também não permite certificar que o pagamento ali consignado se refere somente à mensalidade da contribuinte ou se inclui parcela relativa a outros beneficiários. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.000722/2005-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O lançamento efetuado por agente competente, nos termos da lei, com resguardo do amplo direito de defesa, é plenamente válido e não se torna nulo por eventual descumprimento do mandado de procedimento fiscal, que também não tem o condão de provocar a recuperação da espontaneidade regida pelo Decreto nº 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual (mesma base). FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. DCTF. Débitos não declarados em DCTF não têm a natureza de confissão de dívida e devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA. DESPROPORCIONALIDADE E IRRAZOABILIDADE. CONFISCO. O princípio do não-confisco Tributário, nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica às penalidades, sendo incabível o reexame, pelo julgador Fl. 1 DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.664 S1-C4T2 Fl. 852
Numero da decisão: 1402-000.664
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) rejeitar as preliminares de nulidade, 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, e 3) negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ESPONTANEIDADE. O lançamento efetuado por agente competente, nos termos da lei, com resguardo do amplo direito de defesa, é plenamente válido e não se torna nulo por eventual descumprimento do mandado de procedimento fiscal, que também não tem o condão de provocar a recuperação da espontaneidade regida pelo Decreto nº 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual (mesma base). FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. DCTF. Débitos não declarados em DCTF não têm a natureza de confissão de dívida e devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA. DESPROPORCIONALIDADE E IRRAZOABILIDADE. CONFISCO. O princípio do nãoconfisco Tributário, nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica às penalidades, sendo incabível o reexame, pelo julgador Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 852 2 administrativo, do juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Os juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos previstos na legislação devem ser calculados com base na taxa Selic. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) rejeitar as preliminares de nulidade, 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, e 3) negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório AgriTillage do Brasil Indústria e Comércio de Máquinas e Implementos Agrícolas Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). A Fazenda Nacional recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo I/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente de auto de infração concernente ao imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ (fls. 423/443 – demonstrativos inclusos), lavrado em conseqüência de apuração de irregularidades cometidas pelo sujeito passivo relativamente aos anoscalendário 2000, 2002, 2003 e 2004. Conforme Relatório Fiscal de fls. 444/457, que acompanha a autuação, ora sintetizada, em procedimento fiscal denominado “verificações obrigatórias”, consistente no cotejo entre os valores informados nas DCTF e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração, foi constatado que a fiscalizada não efetuou pagamento, nem compensou em Dcomp, o IRPJ apurado no ajuste anual dos anos Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 853 3 calendário 2000, 2002, 2003 e 2004, bem como não recolheu, nem compensou o imposto de renda mensal devido por estimativa. Esclarece o autor do feito que embora tenha a pessoa jurídica apurado IRPJ a pagar no ajuste anual indicado no Lalur e nas DIPJ, os respectivos créditos tributários não foram constituídos por declaração regularmente entregue pela contribuinte (DCTF), nem extintos por pagamento ou compensação, razão pela qual constituemse os mesmos por auto de infração. Do mesmo modo está se exigindo multa isolada de 75% sobre os valores mensais do imposto, devidos por estimativa, não recolhidos pela contribuinte, apurados pela empresa, mas não declarados em DCTF (se esclarece que não foram consideradas as DCTF retificadoras entregues após o início da ação fiscal). Ressalvase que a contribuinte solicitou por meio do processo administrativo nº 13851.001171/200257 a compensação do IRPJ devido por estimativa, no período de 01 a 10/2000, com supostos créditosprêmio de IPI a que teria direito, sendo tal pedido indeferido em 22/11/2002 pela DRF em Araraquara. Com os respectivos enquadramentos legais no corpo do auto de infração, atinge o crédito tributário o valor total de R$ 9.857.474,34 já incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/05/2005 (IRPJ), assim distribuídos: IRPJ ..........................................................R$ 4.766.857,92 Multa isolada.............................................R$ 5.090.616,42 Cientificada em 14/06/2005, se insurgiu a contribuinte contra a autuação, por intermédio da impugnação de fls. 466/537, apresentada em 11/07/2005, e subscrita pelo advogado Marco Antonio Destefani (procuração – fl. 538), na qual se alega, em síntese, que: é nulo o auto de infração pela ausência de cumprimento de formalidades do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, dado que i) não foi indicado especificamente qual tributo seria fiscalizado; ii) foi lavrado por pessoa que não tinha autorização legal para fazêlo – Delegado Substituto; iii) não foi cumprido o prazo para execução do MPF que deveria ocorrer até 10/06/2005; iv) não tomou ciência formal de prorrogação do MPF; acrescenta que ao não ser notificada para se manifestar no encerramento do procedimento, houve desrespeito ao art. 44 da Lei nº 9.784/99, bem como aos princípios constitucionais que elenca; de outro lado, argüi que a autuação baseouse em presunções e que o Fisco não demonstrou as supostas irregularidades apontadas, também razão de nulidade do auto de infração; a autoridade administrativa julgadora tem o dever de julgar conforme os princípios e regras da Constituição Federal, examinando as alegações de inconstitucionalidade a ela submetidas, entre elas questões relativas à Cofins que aponta; os valores do auto de infração foram extintos mediante compensações que relaciona; os créditos tributários objeto do auto de infração já haviam sido constituídos mediante DIPJ’s e DCTF’s retificadoras, sendo nulo o auto de infração posto que sua finalidade já havia sido suprida; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 854 4 como não teve ciência oficial da prorrogação do prazo do MPF, não poderia ter sido penalizada com a exclusão da espontaneidade, defendendo a aplicação do art. 138 do CTN quanto às DCTF’s retificadoras; sustenta a impossibilidade da aplicação concomitante da multa punitiva e da multa isolada previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, já que a primeira seria aplicável na apuração de resultado positivo de lucro tributável ao final do período e a segunda somente no caso de ausência de lucro real; acrescenta que a multa isolada também não poderia ter sido aplicada por não ter havido o exercício da opção pelo regime de apuração do imposto, a qual se consubstanciaria pelo pagamento da primeira quota ou quota única, não realizada no presente caso; pleiteia o afastamento das multas, pelo seu efeito confiscatório, bem como da taxa Selic no cálculo dos juros de mora.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 14 13.879 (fls. 645657) de 09/10/2006, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: processo administrativo fiscal Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O lançamento efetuado por agente competente, nos termos da lei, com resguardo do amplo direito de defesa, é plenamente válido e não se torna nulo por eventual descumprimento do mandado de procedimento fiscal, que também não tem o condão de provocar a recuperação da espontaneidade regida pelo Decreto nº 70.235/1972. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. AJUSTE ANUAL. MULTA DE OFÍCIO. A falta de recolhimento mensal do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período ou mesmo de formalização de ofício de exigência de tributo devido ao final do ano. FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. DCTF. Débitos não declarados em DCTF não têm a natureza de confissão de dívida e devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 855 5 MULTA. DESPROPORCIONALIDADE E IRRAZOABILIDADE. CONFISCO. O princípio do nãoconfisco Tributário, nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica às penalidades, sendo incabível o reexame, pelo julgador administrativo, do juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator. APLICAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. A lei aplicase a fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Os juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos previstos na legislação devem ser calculados com base na taxa Selic.” Nos termos da legislação em vigor, aquele Colegiado recorreu de oficio a este Conselho. Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 10/11/2006 (A.R. de fl. 668), a interessada interpôs recurso voluntário em 12/12/2006 (fls. 668684) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 856 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Recurso de Ofício O Recurso de Ofício é assente em lei (Decreto nº 70.235/72, art. 34, c/c a Lei n° 8.748, de 09/12/93, arts. 1° e 3°, inciso I), dele tomo conhecimento. Trata de recurso de ofício interposto pela 5ª Turma da DRJ São Paulo I/SP que reduziu a multa isolada para 50% (cinqüenta por cento) do valor que deixou de ser recolhido mensalmente aos cofres públicos. Assim se pronunciou a DRJ: “... Por sua vez, em vista do que dispõe o art. 106, inciso II, letra “c” do Código Tributário Nacional, cabe observar a Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, que prescreve: Art. 18. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2° Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1°, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 857 7 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38." (destaquei) Assim, a multa isolada calculada em 75% do valor que deixou de ser recolhido deve ser reduzida para 50% (cinqüenta por cento), por força do dispositivo acima.” Entendo que a decisão recorrida está devidamente motivada e os seus fundamentos de fato e de direito não merecem reparos, pelo que encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio interposto. Recurso Voluntário O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Há que se reconhecer, de início, a inaplicabilidade da multa de ofício isolada por falta de recolhimento de estimativas, haja vista ter essa penalidade a mesma base de cálculo da multa de ofício vinculada ao IRPJ, cobrada concomitantemente no auto de infração em análise. Tal entendimento é assente nesta Turma a exemplo do voto condutor do Acórdão 140200.560, de 26 de maio de 2011, da lavra do i. Conselheiro Antonio José Praga de Sousa, cujos fundamentos adoto conforme o que se segue. (...) Além disso, com a fiscalização apurou outras infrações no anocalendário de 1997, ensejando a aplicação da multa de oficio, exigida em concomitância com a multa isolada. Sobre a matéria já possuo entendimento sedimentado, que já manifestei em diversas decisão no CARF, a exemplo do acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa transcrevo: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” ................................................................................................... Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 858 8 § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos ................................................................ IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 859 9 Quanto aos demais argumentos, ressalto que a empresa, em sua peça recursal, simplesmente reafirma aqueles trazidos em sua impugnação. Por entender que a matéria foi adequadamente enfrentada na decisão de 1a instância, peço vênia ao autor para adotar seus fundamentos, a seguir transcritos: “Em primeiro lugar passo à análise da alegada nulidade da autuação por descumprimento de formalidades atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Vejase que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, instituído pela Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999 (mantido na atual Portaria SRF nº 6.087, de 21 de novembro de 2005) é um instrumento de controle e planejamento das atividades de fiscalização dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal o qual, além de propiciar o gerenciamento interno das ações fiscais, viabiliza a transparência da atuação do Fisco, com a ciência do sujeito passivo e, inclusive, com a possibilidade da certificação da veracidade do procedimento administrativo por intermédio da Internet. Todavia, há que se ponderar que tal instrumento de controle e planejamento não tem o condão de estabelecer regra de competência dos servidores encarregados das atividades de fiscalização Tributária tal como estabelecido na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), artigos 142, 194, 195 e 196, os quais transcrevo: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 860 10 efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo.” (todos os destaques não constam da redação original) Por outro lado, o artigo 6º da Lei nº 10.593 de 06 de dezembro de 2002 estabelece que: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal, relativamente aos tributos e às contribuições por ela administrados: I em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário; b) elaborar e proferir decisões em processo administrativo fiscal, ou delas participar, bem assim em relação a processos de restituição de tributos e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, inclusive os relativos ao controle aduaneiro, objetivando verificar o cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, praticando todos os atos definidos na legislação específica, inclusive os relativos à apreensão de mercadorias, livros, documentos e assemelhados; d) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à aplicação da legislação tributária, por intermédio de atos normativos e solução de consultas; e) supervisionar as atividades de orientação do sujeito passivo efetuadas por intermédio de mídia eletrônica, telefone e plantão fiscal; Defluise da compreensão dos dispositivos transcritos que embora o texto da lei faça referência ao “exercício da competência da Secretaria da Receita Federal”, esta não se traduz naquela competência específica do agente público, no caso presente o AuditorFiscal da Receita Federal – AFRF, para o exercício das atividades de fiscalização e para a prática dos procedimentos e atos administrativos necessários a sua consecução. Podese, sim, falar de uma competência genérica ou atribuição desse órgão – SRF para “dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar os serviços de fiscalização, lançamento, cobrança, arrecadação, recolhimento e controle dos tributos e contribuições e demais receitas da União, sob Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 861 11 sua administração”, nos termos do art. 1º, inciso VII da Portaria MF nº 030 de 25 de fevereiro de 2005 (Regimento Interno da SRF). Por sua vez, a competência atribuída à autoridade administrativa, de acordo com o CTN, somente poderá ser aquela conferida ao agente público, pois, em caso contrário, estarseia imputando pena por responsabilidade funcional, de que trata o parágrafo único do art. 142 daquele diploma legal, em caso de descumprimento da norma, ao órgão administrativo em flagrante despautério jurídico. De se notar, sob outro enfoque, que se a expressão legislação tributária, nos termos do artigos 96 e 100 do CTN compreende inclusive as normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, suas disposições não poderão excluir ou limitar o direito da autoridade administrativa de examinar livros, arquivos, documentos, papéis com efeitos fiscais etc., nem poderão excluir a obrigação dos contribuintes de exibilos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (art. 195 do CTN). Concluise, desta forma, que o MPF, instituído por norma dita complementar (Portaria), não poderá acarretar qualquer limitação ao exercício da competência tributária do AFRF, nem poderá estabelecer regra de competência para a prática dos atos concernentes à exigência do crédito tributário, estabelecida por lei materialmente complementar (CTN). Assim sendo, inferese que o descumprimento de MPF, quanto a qualquer dos seus elementos, ou até mesmo a inexistência desse instrumento, não acarretam nulidade do lançamento. No máximo, sujeitaria o Auditor Fiscal, além da recusa do contribuinte em submeterse à fiscalização sem MPF ou fora de seus parâmetros, a eventual penalidade administrativa. Sob esse aspecto, determina o art 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Repitase: não tendo o MPF o condão de estabelecer regra de competência, sua ausência ou descumprimento não acarretará a nulidade do auto de infração mormente este tenha sido lavrado com observância das normas que o regem, notadamente a adequada descrição dos fatos, a correta capitulação legal e a devida ciência do sujeito passivo. Nos presentes autos, além da pretensa nulidade do lançamento tributário, discutese a espontaneidade do sujeito passivo (quanto à entrega de DCTF’s retificadoras) à vista de pretenso não conhecimento formal da prorrogação do respectivo MPF. Novamente cabe relembrar o princípio da hierarquia das normas, em cujo fundamento de validade repousa o ordenamento jurídico. Não houve a revogação do art 7º do Decreto nº 70.235/1972 (com força de lei Decretolei nº 822/1969) pela Portaria SRF nº 1.265/99 e sucedâneas e, portanto, não são as normas que regem o MPF que irão dispor acerca do instante em que se exclui ou se readquire a espontaneidade do sujeito passivo em relação a possíveis infrações da lei tributária. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 862 12 Dispõe o citado artigo: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.” (destaquei) Conforme pode ser extraído do “Termo de Início da Ação Fiscal” (fls. 04) – item 2, foi o sujeito passivo intimado em 14/02/2005 a “apresentar as DCTFs referentes ao período de 01/00 a 01/05”, tendo entregado as declarações retificadoras após esta data. Não houve qualquer solução de continuidade que pudesse conceder ao contribuinte a recuperação de espontaneidade. Por outro lado, não fora tais colocações, os argumentos do contribuinte acerca das pretensas irregularidades do MPF também não merecem qualquer guarida. Vejamos: i) no respectivo mandado consta que a fiscalização deveria verificar obrigatoriamente a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração em relação aos tributos administrados pela SRF nos últimos cinco anos. Ainda que seja redundante a observação quanto aos tributos administrados pela SRF, o IRPJ encontrase dentro desse contexto e foi objeto da autuação; ii) na ausência do titular da unidade da SRF responsável pela emissão do MPF, detém a respectiva competência seu substituto institucionalmente nomeado para tanto; iii) quanto ao prazo de execução do MPF, dispõe a Portaria SRF nº 6.087/2005, art. 13 § 1º, que o prazo poderá ser prorrogado por intermédio de registro eletrônico, cuja informação estará disponível na Internet, prorrogação que pode ser verificada à fl. 02. O fato de não constar recebimento formal da fiscalizada não macula o feito, como já dito anteriormente. Por sua vez, não há previsão no Decreto nº 70.235/1972 de que o sujeito passivo deva ser comunicado do encerramento do procedimento antes da lavratura do auto de infração para manifestarse no prazo de dez dias, a teor do art. 44 da Lei nº 9.784/1999. Nesse caso, dispõe o citado Decreto que formalizada a exigência tributária o sujeito passivo dispõe de trinta dias para impugnála. Conforme dispõe o art. 69 da lei mencionada, os processos administrativos específicos continuarão a regerse por normas próprias, aplicandose apenas subsidiariamente os preceitos da lei. Como dispõe o contribuinte de trinta dias para contradizer a exigência tributária, apresentando suas razões de defesa, não tem sentido a aplicação do prazo de 10 dias estabelecido na lei geral do processo administrativo, restando plenamente garantida observância do princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 863 13 A propósito dos princípios constitucionais, deve sim a autoridade julgadora julgar conforme princípios e regras da Constituição Federal, principalmente respeitando o princípio da legalidade e da unicidade de jurisdição. E em respeito a tais princípios não devem ser apreciadas no processo administrativo as alegações que propugnam a inconstitucionalidade de leis, dado que a Autoridade Administrativa não dispõe de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. Toda atividade da Administração Pública encontrase plasmada pelo princípio da legalidade e as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade em ação direta, com efeito erga omnes, ou ainda por resolução do Senado da República, publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, não sendo lícito à autoridade administrativa de qualquer instância absterse de cumprila nem declarar sua inconstitucionalidade sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. Deixo, assim, de tecer qualquer consideração acerca das normas acerca da Cofins, indicadas na impugnação, seja pelas razões acima expostas, seja porque a Cofins não está sendo exigida no presente processo. Quanto à autuação propriamente dita, vale observar que esta decorreu da verificação de que a empresa não efetuou pagamento, nem compensou em Dcomp o IRPJ apurado no ajuste anual dos anoscalendário 2000, 2002, 2003 e 2004, bem como não recolheu, nem compensou o imposto de renda mensal devido por estimativa. Esclareceu o autor do feito que embora tenha a pessoa jurídica apurado IRPJ a pagar no ajuste anual indicado no Lalur e nas DIPJ, os respectivos créditos tributários não foram constituídos por declaração regularmente entregue pela contribuinte (DCTF), nem extintos por pagamento ou compensação, razão pela qual foram os mesmos constituídos por intermédio do auto de infração. Vejase que acompanham o auto de infração os demonstrativos de fls. 423/430, os quais indicam claramente os valores considerados no lançamento tributário, com notas explicativas que não deixam qualquer duvida quanto ao montante considerado. Não se utilizou qualquer tipo de presunção como equivocadamente expresso na impugnação. Ao contrário, foram utilizados valores apurados pela própria fiscalizada que, no entanto, não formalizou devidamente o crédito tributário como lhe obriga a lei tributária. Registrese a respeito, que a impugnante apesar de sustentar que os créditos tributários já haviam sido constituídos pelas DIPJ’s, transcreve Acórdão do Conselho de Contribuintes nº 20177565, no qual se confirma o entendimento de que somente os valores declarados em DCTF têm o condão de formalizar os créditos tributários pelo sujeito passivo (abaixo transcrito). PIS. DIPJ. DCTF. Se os valores dos débitos declarados não têm a natureza de confissão de dívida, devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. Até dezembro de 1998, os Fl. 13DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 864 14 valores declarados em DIPJ tinham tal natureza. Após, só os valores declarados em DCTF.Se os valores declarados em DCTF são menores do que aqueles encontrados pelo Fisco na escrita fiscal do sujeito passivo, a diferença também deve ser lançada de ofício. Como não foram aceitas as DCTF’s retificadoras, entregue sob ação fiscal, sem que tenha sido readquirida a espontaneidade – questão já acima analisada , correto o lançamento de ofício para formalização dos créditos tributários, não havendo porque cogitar sua nulidade. A interessada alega genericamente que os débitos foram extintos por compensação, apresentando a relação de Declarações de Compensações – Dcomp – entregues. Todavia, tais Dcomp foram devidamente consideradas, como se pode conferir nos respectivos demonstrativos e expressamente indicadas pelo autuante no Relatório Fiscal (fl. 450), devidamente entregue ao sujeito passivo com o auto de infração. Como também ficou esclarecido na autuação, não foi aceito o pedido de compensação com créditosprêmio de IPI, pleito já anteriormente indeferido pela DRF em Araraquara (fls. 173/182). ... Em relação à alegação de efeito confiscatório da multa lançada, em desacordo com o art. 150, IV da C.F., vale observar que tal dispositivo constitucional encontra se dirigido ao legislador tributário que não deverá instituir tributo com efeito de confisco. Ora, tributo não se confunde com penalidade; tratase de fenômenos jurídicos totalmente distintos. O tributo tem como hipótese de incidência (antecedente da relação jurídica tributária) a ocorrência de um fato lícito. A penalidade tem como antecedente o descumprimento de um dever legal (fato ilícito), tal como o não recolhimento pelo sujeito passivo de tributo a que estava obrigado por lei. A propósito, assim já se manifestou o Poder Judiciário: “MULTA. CONFISCO. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL INAPLICÁVEL. Embargos à Execução Fiscal. Multa Moratória. Confisco. É inaplicável ao caso o princípio constitucional da vedação ao confisco, que referese ao tributo e não às penalidades em decorrência da inadimplência do contribuinte, cujo caráter agressivo tem o condão de compelir o contribuinte ao adimplemento das obrigações tributárias, ou afastálo de cometer atos ou atitudes lesivos à coletividade.”(Acórdão TRF/4ª Região Ap. Cível 1998.04.01.0178901/RS Relatora Juíza Tânia EscobarDJ 7.10.98). No que concerne à desproporcionalidade e irrazoabilidade das multas aplicadas, acrescentese que por ser a atividade fiscal vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não é possível qualquer conteúdo discricionário ou desvio do comando normativo, sendo incabível, também, o reexame pelo julgador administrativo do juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator. ........................................................................................................................... Fl. 14DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 865 15 Por fim, no que se refere à taxa Selic, cumpre reforçar, em consonância com a argumentação trazida na decisão da DRJ, que é matéria já sumulada por este Conselho, no sentido de que os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Pelas razões expostas voto no sentido de: 1) rejeitar as preliminares de nulidade, 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, e 3) negar provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 4 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10680.721180/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida UNIÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar a matéria aqui debatida, emprego parte do relatório desenvolvido pela DRJ Rio de Janeiro, retratado no acórdão n. 1266.727 (fls. 448/465), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação com informação de crédito no valor de R$ 118.446.239,76 em 09/07/2010 (data da transmissão da primeira Dcomp) e PER Nº 06682.25561.080610.1.2.579705 relativos a crédito de COFINS pagos ou depositados dos períodos de apuração 02/99 a 01/2004 oriundo de decisão judicial final proferida na Ação Rescisória nº 2005.01.00.0704442/MG: Tal valor está atualizado pela SELIC, após RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 21 18 0/ 20 13 -3 1 Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.051 2 a dedução do percentual de levantamento de depósitos da Cofins, conforme anistia da MP 66/2002, no valor de R$ 2.547.503,94. Foi formalizado pelo contribuinte em 13/10/2009 o processo de habilitação de crédito reconhecido judicialmente nº 15504.016803/200929, nos termos da então vigente Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, por meio do qual foi exarado o Despacho Decisório nº 1.071/2009, com o deferimento do pedido de habilitação. Foi proferido despacho decisório nº 1.783 (fls. 241/257) que apurou que: (...). O Despacho Decisório INDEFERIU o pedido de restituição eletrônico(PER) nº 06682.25561.080610.1.2.579705 formulado pelo contribuinte, e RECONHECEU o direito de utilização do crédito de R$5.808.602,46 em julho/2010 e HOMOLOGOU PARCIALMENTE as compensações declaradas(até o limite desse crédito). O contribuinte foi cientificado em 31/10/2013 (fl. 295) e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 299/325) em 02/02/2013 alegando em síntese: As empresas Acesita S/A, Acesita Energética e Ascipar (antigas denominações de Aperam Inox America do Sul S.A, ArcelorMittal Bionergia Ltda. e Aperam Inox Serviços Brasil Ltda) impetraram Mandado de Segurança visando afastar a aplicabilidade da Lei nº 9.718/98 na parte em que alargou a base de cálculo da Cofins e do Pis e aumentou a alíquota da COFINS de 2% para 3%.. O Tribunal deu provimento ao apelo da União e denegou a segurança concedida. As autoras interpuseram Recurso Extraordinario e posteriormente desistiram do recurso para poder aderir à anistia instituída pela Medida Provisória 66/2002. Como os valores devidos estavam sendo depositados em juízo, foi requerido a conversão dos valores referente ao período abrangido pela anistia, valendo tal conversão como efetivo pagamento, sendo que o saldo remanescente referente aos benefícios da anistia deveria ser levantado pelas impetrantes. Para apurar o valor a ser convertido em renda e o valor que seria levantado pelas empresas (tendo em vista os benefícios do parcelamento), foi apresentada petição, demonstrando os cálculos formulados pela empresa. Após intensa discussão quanto à certeza e atualização destes valores, em 14.12.2005, foi proferido despacho ordenando a conversão em renda nos percentuais indicados pela empresa e pela União em concordância. Importante registrar que neste momento, a conversão em renda foi feita com a anuência da União Federal que, em conjunto com as Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.052 3 Impetrantes, conferiu os valores e base de cálculo informado em todas as declarações até então transmitidas e apurou o quanto seria devido a título de PIS e COFINS e deste montante descontou as benesses do parcelamento então aderido. O crédito utilizado nas compensações não é referente a qualquer erro de cálculo ou discordância das Impetrantes quanto aos percentuais convertidos em renda e sim, em virtude da rescisão do acórdão proferido pelo TRF. Em 2005 o STF decidiu a tese ali discutida e declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Diante disso, as requerentes ajuizaram ação rescisória distribuída sob o nº 2005.01.000704442. O pedido foi julgado procedente e o acórdão transitou em julgado em 10/07/2009. As empresas formalizaram os pedidos de habilitação de crédito com fundamento no art. 34,§3º, I, f, item 3 da IN 900/2008, que foi deferido. A primeira nulidade do despacho é o fundamento de não homologação pelo fato de que caberia CEF devolver os depósitos mediante ordem judicial. Tal argumento não tem amparo jurídico ou lógico, já que não há mais depósito judicial à disposição do juízo, uma vez que foram convertidos em renda da União. O despacho não apresentou qualquer fundamentação legal para o indeferimento da compensação e analisou situação diversa da que aqui se apresenta. A legislação citada apenas disciplina que somente por ordem judicial é possível conferir a destinação final dos depósitos judiciais, cabendo a CEF eventualmente proceder a devolução dos depósitos judiciais. Não se pretende a compensação de depósitos judiciais e sim depósito convertidos já transformados em pagamento definitivo da União. Nenhum dos dispositivos citados na decisão recorrida se aplica ao caso, o que já importa em nulidade material. Resta clara a completa ausência de motivação e de fundamentação legal para a não homologação do crédito compensado. Os valores depositados foram convertidos em renda e, com a decisão da ação rescisória, tornaramse indevidos. A União verificou que entre os créditos objeto de compensação havia pagamentos realizados por DARF, contudo, sob o fundamento de uma suposta reapuração da base de cálculo, não reconheceu integralmente os valores referentes a COFINS que haviam sido pagos a maior por meio de DARF, mas utilizou parcela deste crédito para quitar os novos valores apurados. Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.053 4 Conforme se encontra demonstrado no Relatório Fiscal e planilhas foi feita uma nova apuração da base de cálculo de PIS e COFINS desconsiderando os valores apontados pela requerente e conforme esta nova apuração, a fiscalização foi discricionariamente alocando os créditos passíveis de compensação. A fiscalização efetuou ilegal imputação de pagamentos, ou seja, diminuiu o valor imputado pela Requerente ao pagamento dos débitos indicados na DCOMP alocandoo para pagamento de débitos manifestamente decaídos. Se a RFB entendia como devida a diferença de PIS e COFINS oriunda da reapuração da base de cálculo, deveria ter lançado este valor e não realizar uma imputação sobre um valor de crédito que já estava tomado por outro pedido de compensação. Nesta imputação não há o devido processo legal, contraditório, ampla defesa, Estado de direito. O pedido de compensação é um direito potestativo do contribuinte, cabe a ele dizer qual o crédito e qual o débito deseja quitar com a compensação. Não pode a Receita Federal, sob pena de ferir o dispositivo acima, quitar parte de um débito que o contribuinte, em momento algum, desejou fazêlo, que sequer entende que é devido. A fiscalização somente poderia questionar os resultados apresentados nas declarações fiscais do contribuinte dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. Na rescisória ao negar seguimento a apelação da Fazenda Nacional, prevaleceu a decisão da primeira instância que além de julgar inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS e julgou inconstitucional a majoração da alíquota da COFINS. Ao reapurar a base de cálculo a fiscalização deve incluir o aumento da alíquota como indevido, posto que esta foi a decisão judicial que transitou em julgado. Após a apuração da contribuição devida, o fisco em algumas competências adiciona alguns valores nomeados de crédito comp. ou pagamentos utilizados. O Despacho não explica o porquê da adição destes valores. Em relação a COFINS isto ocorreu nas competências de abr/99, jun/99. ago/99, nov/99, jan/01, mai/01, nov/01 e jun/02. (...). 2. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade apresentada foi julgada parcialmente procedente, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:01/02/1999 a 31/01/2004 PROVA. JUNTADA POSTERIOR. Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.054 5 A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO.VERIFICAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM RENDA. PAGAMENTO INDEVIDO. A extinção do crédito tributário por conversão em renda de tributo depositado em valor indevido ou maior que o devido, gera, para o sujeito passivo, direito à restituição, podendo o indébito ser objeto de compensação, assim como dos acréscimos legais proporcionais nos termos dos arts. 165 e 167 do CTN. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. 3. Em suma, a sobredita decisão deu procedência à Manifestação de Inconformidade para: (i) admitir a possibilidade de compensação de créditos oriundos da conversão de depósito judicial em renda e reconhecidos como tal por decisão judicial transitada em julgado (ação rescisória n. 2005.01.000704442); e (ii) limitar a reapuração da base de cálculo dos débitos compensados, de modo que tal reapuração não gerasse débitos, porque decaídos, mas se limitasse a apenas reduzir ou anular o crédito vindicado. 4. Em contrapartida, referida decisão entendeu como válida a reapuração da base de cálculo que implicou a diminuição ou anulação do crédito vindicado pelo contribuinte. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.055 6 5. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 662/676, oportunidade em que, em síntese, alegou: (i) que a reapuração da base de cálculo dos valores declarado em DCTF e apontados como débito para fins de compensação equivale, em última análise, a lançamento do crédito tributário, o que pressupõe lançamento fiscal, nos termos do art;. 142 do CTN; (ii) que a referida reapuração implicou, por vias transversas, o lançamento de tributo decaído; e, por fim (iii) que ao reapurar as bases da compensação perpetrada pelo recorrente, a decisão recorrida ignorou, em alguns meses, o cômputo de créditos decorrentes de pagamento via DARF ou mediante conversão de depósito em renda. 6. Em 25 de julho de 2017 esta turma julgadora resolveu converter o presente julgamento em diligência (resolução n. 3402001.032 fls. 714/719) para que fosse tomada a seguinte providência pela unidade preparadora: (...). (i) com base no exato teor do acórdão n. 1266.727 (fls. 448/465), reconstitua o saldo de crédito a restituir em favor da recorrente levando em consideração os valores por ela pagos mediante guia DARF, bem como pela conversão de depósitos em renda em favor da União; (...). 7. Referida diligência foi cumprida, conforme se observa do relatório de diligência fiscal de fls. 722/725, sendo que o contribuinte se manifestou a respeito por intermédio da petição de fls. 731/742. 8. É o relatório. Resolução 9. Em resposta a diligência determinada por este colegiado e, mais particularmente, em relação aos créditos referentes aos períodos de agosto de 1999, agosto de 2000 e junho de 2001, a unidade preparadora assim se manifestou em relatório de diligência fiscal: (...). Entretanto, para os períodos de apuração 08/99, 08/2000 e 06/2001, os valores devidos a título de Cofins de acordo com a nova base de cálculo apurada estão inferiores aos valores declarados em DCTF, não tendo havido, desta forma, o alegado excesso de lançamento em relação às DCTFs. (...). 10. Acontece que, ao manifestarse a respeito, o contribuinte aduz que a unidade preparadora teria apurado um valor inferior ao declarado em DCTF por ter ignorado as DCTF's retificadoras (fls. 769/1.031) apresentadas pelo contribuinte para tais competências, as quais Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.056 7 atestariam que os débitos de COFINS para tais meses são, respectivamente, de R$ 733.983,46 (fl. 854), R$ 2.422.31,69 (fl. 941) e R$ 2.838.808,10 (fl. 1.031), ou seja, muito inferior aos valores que originalmente teriam sido declarados pelo contribuinte e que teriam sido indevidamente considerados pela unidade preparadora ao preparar a sua resposta à diligência determinada por este Tribunal. 11. Assim para dissipar dúvida a respeito da questão alhures pontuada, mister se faz nova conversão do feito em diligência, de modo que a unidade preparadora esclareça: · quais os valores de COFINS declarados pelo contribuinte em DCTF's válidas para os meses de agosto de 1999, agosto de 2000 e junho de 2001, bem como quais os motivos e documentos fiscais que eventualmente se contraponham àqueles apresentados pelos contribuintes as fls. 854, 941 e 1.031 dos autos. 12. Cumprida a diligência, o recorrente deverá ser intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar eventual manifestação acerca do resultado da diligência, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 13. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 1042DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720001/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 28/11/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO INCOMPLETO E DESMONTADO. REGRA APLICÁVEL.
O produto importado desmontado e incompleto, mas que, no estado em que se encontra, apresenta as características essenciais do artigo completo e acabado, deve ser classificado no código tarifário específico, e não de acordo com as peças que o compõe, por força da Regra 2.a do sistema de Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI/SH.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 28/11/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO INCOMPLETO E DESMONTADO. REGRA APLICÁVEL. O produto importado desmontado e incompleto, mas que, no estado em que se encontra, apresenta as características essenciais do artigo completo e acabado, deve ser classificado no código tarifário específico, e não de acordo com as peças que o compõe, por força da Regra 2.a do sistema de Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI/SH. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
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COM. INFORMÁTICA E ELETRÔNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/11/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO INCOMPLETO E DESMONTADO. REGRA APLICÁVEL. O produto importado desmontado e incompleto, mas que, no estado em que se encontra, apresenta as características essenciais do artigo completo e acabado, deve ser classificado no código tarifário específico, e não de acordo com as peças que o compõe, por força da Regra 2.a do sistema de Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 00 01 /2 00 8- 10Fl. 140DF CARF MF 2 convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase de auto de infração que promove a reclassificação fiscal de 70.560 unidades de mouse desmontados, importados através da DI 07/16515606, classificados originalmente segundo as peças individualmente consideradas, com exigência das diferenças de tributos, acrescidos de juros de mora, multa de ofício e multa por erro de classificação fiscal. Em impugnação o contribuinte defendeu a classificação fiscal adotada destacando que, de fato, as peças destinavamse à produção de 70.560 mouses, contudo havia, também, peças de reposição e outras partes destinadas à produção de teclados. Questionou ainda a constitucionalidade das multas aplicadas. A DRJ Florianópolis/SC deu parcial provimento à impugnação para limitar a autuação às peças necessárias à montagem dos mouses, excluindo as pretensas peças de reposição: “INSUMOS IMPORTADOS DESMONTADOS E INACABADOS. Conforme as Regras Gerais do Sistema Harmonizado (SH), a classificação fiscal de um produto incompleto ou inacabado, desmontado ou por montar, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado, se dará no código desse artigo completo e acabado. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editado.” O recurso voluntário sustentou equívoco na interpretação das regras gerais de classificação fiscal, por parte da decisão recorrida; que o produto (mouse) não estaria pronto, por faltarlhe a peça principal – placa integrada de circuitos –; e, que houve afronta ao princípio da legalidade, ao não aplicar adequadamente a Regra 2.a) VII NESH. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Nos termos do art. 94, parágrafo único, do Decreto nº 4.543/2002, que aprovou o Regulamento Aduaneiro, vigente por ocasião dos fatos geradores, relativamente à classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10660.720001/200810 Acórdão n.º 3401004.423 S3C4T1 Fl. 11 3 Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com observância das Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Alfândegas (Decretolei no 1.154, de 1o de março de 1971, art. 3o). As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, utilizadas prioritariamente para classificação fiscal, são as seguintes: “1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Fl. 142DF CARF MF 4 b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classifica se na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5. Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário.” A regra aplicável ao caso vertente, segundo a autuação e a decisão reclamada é a “2.a”. O próprio contribuinte reconhece, em sede impugnatória, que as peças importadas destinavamse à montagem de 70.560 (setenta mil, quinhentos e sessenta) mouses: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10660.720001/200810 Acórdão n.º 3401004.423 S3C4T1 Fl. 12 5 “Como é cediço, em se tratando de uma empresa do porte da impugnante, que produz e comercializa peças e equipamentos para diversos países, as importações são constantes, sempre no intuito de suprir os estoques da produção, como de matérias primas, peças e equipamentos, além de adquirir os demais suprimentos indispensáveis ao prosseguimento de sua atividade. E de forma a suprir seus estoques para a consecução do seu objetivo (produzir e comercializar acessórios de informática), a impugnante importou através da Declaração de Importação n°07/16515606, matérias primas e peças para a produção de 70.560 (setenta mil quinhentos e sessenta) mouses e outros equipamentos, (...)” (destacado) Indiscutível, portanto, a aplicação da citada RGI/SH 2.a, consoante a qual qualquer referência a um artigo em determinada posição alcança o produto, ainda que incompleto ou inacabado, mas que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado, abrangendo ainda, nos termos precedentes, aquele que se apresente desmontado ou por montar. Então, uma vez identificado que as peças declaradas e classificadas isoladamente compunham 70.560 mouses desmontados, mesmo inacabados/incompletos, correta a reclassificação para o código correspondente ao produto acabado. O fato de faltarlhe peças essenciais, como as placas de circuito interno, ou mesmo a necessidade de outros processos para sua finalização, não operam em favor do recorrente, porquanto, pela mencionada regra, a classificação como produto final se estendem às partes desmontadas ou por montar, ainda que incompletos, mas desde que identificáveis como tais. Na situação dos autos, é inequívoco que as partes importadas permitem identificar que se tratam de mouses desmontados. Também não procede o raciocínio que, para receberem a caracterização de “produtos desmontados ou por montar”, as mercadorias importadas não poderiam sofrer qualquer trabalho adicional para complementação de produto, a partir das disposições das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, o que, no entendimento do recorrente, exigiria que o produto deveria ser completo, ainda que desmontado, para se enquadrar na regra indicada. A leitura proposta, se acatada, iria de encontro às próprias disposições da referida Regra 2.a, porquanto é clara em estabelecer que o produto, incompleto ou inacabado, desmontado ou por montar, deve seguir a classificação do produto pronto, desde que, no estado em que se encontre, apresente as características essenciais daquele, o que sucede no caso sub examine. Nesse sentido, não vislumbro qualquer afronta ao princípio da legalidade a justificar a improcedência do lançamento. Fl. 144DF CARF MF 6 Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005279/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006
PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período.
PRLIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RETENÇÃO DE 11% EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL OBRIGAÇÃO DE EFETIVAR A RETENÇÃO
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada.
O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98.
RETENÇÃO DE 11% NATUREZA TRIBUTÁRIA RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER
O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços.
Numero da decisão: 2401-005.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. PRLIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RETENÇÃO DE 11% EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL OBRIGAÇÃO DE EFETIVAR A RETENÇÃO Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: “A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 52 79 /2 00 7- 90 Fl. 2869DF CARF MF 2 em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98.” RETENÇÃO DE 11% NATUREZA TRIBUTÁRIA RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório MAIA E BORBA S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0330.655/2009, às efls. 2.351/2.365, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, referente à retenção de 11% sobre o valor bruto dos serviços realizados mediante cessão de mãodeobra contida em notas fiscais de serviços prestado a recorrente, em relação ao período de 01/2000 a 09/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 212/216 e demais documentos que instruem o processo. Conforme relatado pela autoridade lançadora, a empresa atua no ramo de construção civil e também explora concomitantemente outras atividades empresariais, tais como: concessão para exploração de terminais rodoviários e gerenciamento e administração de shoppings centers. Na atividade de construção civil a empresa executou muitas obras por administração, por empreitada total e por incorporação. Prestou também serviços, realizando empreitadas parciais e executando pequenas obras. No transcurso da ação fiscal, a notificada foi intimada a apresentar os documentos necessários para realização do procedimento de auditoria, entre eles: as notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços e os respectivos recolhimentos da retenção dos 11%, bem como os contratos de prestação de serviços, contudo, as notas fiscais foram apresentadas parcialmente, entre outras omissões, razão pela qual foi aplicado à empresa o auto de infração debcad n° 37.055.3381. A presente notificação referese apenas às notas fiscais apresentadas parcialmente pela empresa. Da análise desses documentos a fiscalização identificou a existência de notas fiscais emitidas pelos prestadores e sujeitas à retenção sem o'“devido recolhimento ou com recolhimento parcial, conforme discriminado na planilha às fls. 217/235. Acrescenta o relatório fiscal que, embora a legislação previdenciária determine percentuais minimos de incidência nos casos de fornecimento de materiais e equipamentos, tanto o prestador (ao elaborar o destaque) quanto o contratante (na retenção e no recolhimento), não obedeceram às previsões legais, além disso não foram apresentados os contratos firmados entre a empresa contratante (notificada) e as prestadoras. O lançamento consolidado em 22/06/2007 importa em R$ 463.819,59 (Quatrocentos e sessenta e três mil, oitocentos e dezenove reais e cinqüenta e nove centavos) incluindo multa e juros de mora. O débito abrange o período de 01/2000 a 09/2006. A notificada apresentou impugnação, fls. 236/245, anexando documentos fls. 246/751, requerendo, em síntese, a declaração de invalidade do lançamento tributário ou sua retificação, tendo em vista os erros materiais apontados, bem como o descumprimento do princípio da ampla defesa, ausência de relatório com descrição clara e precisa dos fatos ou a retificação da notificação à vista de erro material de cálculo pela não dedução dos valores relativos à mãodeobra terceirizada. Fl. 2871DF CARF MF 4 Em 20/09/2007, os autos do processo foram baixados em diligência, fls. 754/756, com o objetivo de a autoridade lançadora manifestarse, de forma conclusiva, acerca das alegações proferidas pela empresa, especificamente em relação à descrição dos procedimentos/metodologia utilizados para obtenção da base de cálculo das contribuições no que concerne ao percentual aplicado nas notas fiscais a título de retenção. Também foi solicitado relatório complementar com a identificação dos dispositivos regulamentares que embasaram a definição dos percentuais de retenção, considerando o tipo de serviço prestado, bem como análise das notas fiscais anexadas aos autos. Além disso, foi solicitada informação acerca das razões de terem sido consideradas as notas fiscais de concreto usinado. Às fls. 2273/2276, a autoridade fiscal apresentou informação em resposta à diligência determinada. (vide fls.). Concluindo a diligência, foi elaborada planilha, fls. 2277/2292, sugerindo a retificação do lançamento, alterando o valor originário de R$ 260.220,41 para R$ 159.403,23, tendo sido elaborada planilha informando quais valores devem ser excluídos da notificação, fls. 2307/2315. Em obediência ao princípio da ampla defesa, foi reaberto o prazo para que a notificada exercesse seu direito ao contraditório, conforme correspondência enviada à empresa à fl. 2316. Às fls. 2318/2321 a notificada apresentou sua manifestação referente à resposta de diligência efetuada pela autoridade fiscal. O processo, em seguida, foi encaminhado ao órgão julgador para prosseguimento do feito. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 2.402/2.413, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da decadência da competência junho/2002, uma vez que o fisco só completou o lançamento em 12/07/2007, com a intimação da recorrente (Ofício n° 95/2007/SEFIS/DRF/GOI). Ainda preliminarmente, insurgese quanto ao excesso de exação, pois o método adotado pelo fisco, de aplicar a retenção sobre a diferença valores das notas fiscais apresentadas em contas do razão e as apresentadas fisicamente, fere os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Destaca que a avaliação do custo da construção civil para fins da apuração da remuneração dos segurados despendida em uma obra, por aferição indireta, com base na area construída e no padrão da obra, observa o Custo Global da Obra CGO (art. 442, da IN 03/05), e a Remuneração da Mão de Obra Total RMT despendida na obra (art. 443, da IN 03/05). Além disso, os artigos 448 e 474 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, determinam a dedução de eventuais valores contidos em notificações, bem como a mãode obra de terceiros, e os prestadores contratados. Prossegue afirmando que os atos normativos (OS, IN) desde que não sejam ilegais ou manifestamente ilegais, devem ser obedecidos pelos agentes do fisco, pois asseguram tratamento uniforme aos contribuintes. Contudo, o inciso HI do art. 447 Instrução Normativa no 3, é ilegal, razão pela qual, inferese, não deve ser aplicado. Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 4 5 Acrescenta que diversos atos normativos que normatizaram a matéria no espaço de tempo abrangido pelo lançamento fiscal deixaram de ser citados pelos fiscais (Ordens de Serviço INSS/DAF no 165, de 11/07/97; Instrução Normativa n° 18, de 11 de Maio de 2000; Instrução Normativa n° 69, de 10 de Maio de 2002; Instrução Normativa n° 100, de 18 de Maio de 2003; Instrução Normativa n° 3, de 14 de Junho de 2005. Manifesta que a aferição indireta não é carta branca para o fisco descumprir normas do próprio fisco. Dessa forma o método de aferição utilizado pelos fiscais (aplicação de 11% não sobre o valor da nota fiscal, mas sobre a diferença entre o arquivo apresentado e as notas fiscais fornecidas item 11 do relatório fiscal), além de cercear a defesa, impede não só que as normas do fisco previdencidrio sejam aplicadas, mas também que o valor apurado seja o mais próximo possível da realidade (principio da verdade material). Pondera que nas notas fiscais deveriam ter sido observados os percentuais aplicáveis sobre o valor da nota nas diversas situações de fornecimento de material ou equipamento, serviços de limpeza, pavimentação asfáltica, terraplenagem etc., nos quais a própria norma do fisco (IN 3) prevê a aplicação do percentual sobre valores inferiores ao valor bruto foram ignorados, além do fato de que Notas fiscais não sujeitas A retenção: serviço em estrutura metálica, serviço prestado por empresa optante pelo SIMPLES etc, fazem parte da apuração. Aduz que não foram deduzidas, na apuração do crédito tributário, a mão de obra de terceiros contida nas notas fiscais com retenção acompanhadas de guias de recolhimento. Não se pode exigir, sob pretexto algum, que a recorrente pague a contribuição sobre mão de obra cuja contribuição já foi retida e recolhida por ela como contratante, conforme determina o art. 31, da Lei n° 8.212/91, o que se comprovou, pela exibição das notas fiscais e GPS aos agentes do fisco, e cujos valores eles não relacionaram no anexo II e também não consideraram para efeito de dedução no valor da contribuição indevidamente lançada, e se comprova agora anexando os referidos documentos, conforme planilha também anexa. Não deduzir o valor das contribuições incidentes sobre a mão de obra contida nas notas fiscais relacionadas na planilha, cujas contribuições já foram recolhidas, conforme notas fiscais e guias de recolhimento anexas, significa cobrar duas vezes o mesmo tributo (bis in idem). Afirma que, mesmo quando se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justifiquem o crédito lançado, com observância de garantir o devido processo legal. Acrescenta que o fato de o fisco desconsiderar a contabilidade sem razões relevantes e lavrar 44 NFLD pelos mais diversos motivos (guardados em segredo absoluto), não desobriga as autoridades lançadoras de cumprirem as instruções normativas, pois estas, antes e acima de tudo são expedidas para que eles, agentes do fisco cumpram. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência e nulidade do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 2873DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. PRELIMINARES DAS INCONSTITUCIONALIDADES Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. NULIDADE DO LANÇAMENTO O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referentes à retenção de onze por cento, como substituta tributária, incidentes sobre o valor de mão de obra incluído nas notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços contratadas pela notificada e não recolhidas nos respectivos vencimentos, previstas no art. 31 da Lei n°8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n°9.711, de 1998. Conforme descrito no relatório, os procedimentos contábeis adotados pela empresa, bem como a não entrega dos documentos requisitados pela autoridade fiscal, prejudicaram o andamento da ação fiscal. Além disso, a notificada não fez prova do recolhimento das referidas contribuições diferenças. Por tais razões, conforme consta do relatório, e com base no § 3° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, a presente notificação foi lavrada pela autoridade fiscal com arbitramento da base de cálculo das contribuições devidas, Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 5 7 tendo sido utilizado como critério de aferição a mesma relação que foi entregue pela empresa, deduzindo os valores das notas fiscais apresentadas parcialmente. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRF, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: a) Instruções para o Contribuinte — IPC fornece ao sujeito passivo orientações, dentre outros assuntos de seu interesse, sobre as providências para regularização de sua situação perante a Previdência Social, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso; b) Discriminativo Analítico do Débito — DAD discrimina, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as aliquotas utilizadas, os valores já recolhidos, anteriortriente confessados ou objeto de notificação, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes; c) Discriminativo Sintético do Débito — DSD discrimina sinteticamente, por estabelecimento, competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo; Fl. 2875DF CARF MF 8 d) Relatório de Lançamentos — RL relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental; e) Fundamentos Legais do Débito — FLD informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente A época de ocorrência dos fatos geradores; f) Relatório Fiscal — REFISC se destina A narrativa dos fatos verificados em procedimento fiscal. Registrese, ainda, que foram elaboradas diversas planilhas descritivas dos levantamentos, bem como aproveitados os eventuais recolhimentos que puderam ter sido vinculados aos fatos abrangidos pela notificação, inclusive os documentos apresentados após o prazo legal limite, que é a impugnação, tendo sido entregues todas as informações ao contribuinte. Além disso, o relatório fiscal é claro e exaustivo, informando todas as circunstâncias que levaram a autoridade lançadora a promover o arbitramento. Desde as falhas na contabilidade até a omissão para entrega das informações necessárias ao bom andamento do procedimento fiscal, todos os eventos foram relatados com imparcialidade e sobriedade sem, em nenhum momento, insinuar qualquer juizo de valor em relação às razões determinantes para as faltas cometidas pela empresa notificada. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 2876DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 6 9 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA A recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente, portanto devese decretar a sua nulidade. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Ademais, o art. 6o , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Além do mais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Portanto, afasto a preliminar. MÉRITO RETENÇÃO 11% Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. Fl. 2877DF CARF MF 10 O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98 Pelas informações trazidas no relatório fiscal, bem como pelo que restou demonstrado na informação fiscal, não foram efetuados os devidos destaques na notas, nem tão pouco cumpriu a recorrente a obrigação de reter e recolher as contribuições previdenciárias correspondentes. Desse modo, a recorrente deveria ter retido o valor de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura, observados os limites de deduções e recolher a importância até o dia dois do mês subseqüente à emissão da respectiva nota fiscal/fatura. De acordo com o previsto no art. 33, § 5º da Lei n° 8.212/1991, o desconto sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, sendo a responsabilidade direta de quem tinha o dever de realizálo. Art. 33 (...). §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. No caso da retenção de 11% não há que se falar em solidariedade, tampouco em benefício de ordem, pois o comando legal impôs a responsabilidade à tomadora de serviços, assim como o fez em relação ao desconto dos segurados empregados. Essa é uma presunção legal absoluta que milita em favor da fiscalização previdenciária. Ao contrário dos argumentos trazidos pelo recorrente, entendo que no caso de retenção há duas obrigações: a primeira, acessória, que é o desconto dos 11%; a segunda é a principal, que é o recolhimento das contribuições retidas. Uma vez que as contribuições previdenciárias são tributos, o objeto da retenção dos 11% também possui natureza tributária, haja vista ser uma antecipação das contribuições, possuindo natureza de substituição tributária. Com o intuito de regulamentar a lei, as autoridades tributárias, no exercício de suas competências, elaboraram e publicaram a Instrução Normativa SRP n° 03, de 2005, estabelecendo procedimentos relacionados à atividade de construção civil, especificamente os casos de regularização de obra cuja base de cálculo tenha sido arbitrada por meio de aferição indireta, arts. 430 a 471. A acuidade e precisão no tocante à normatização dos procedimentos relacionados às obras de construção civil, devese ao fato de que, historicamente, este setor sempre apresentou inúmeras dificuldades no que tange à fiscalização, seja pela quantidade de trabalhadores seja pelo volume de informações. Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 7 11 Nesse sentido, nos casos em que determinada obra submetase ao regime de aferição indireta, o cálculo da remuneração da mão de obra e, por conseqüência das contribuições devidas, ocorre a partir do enquadramento da obra, de acordo com os procedimentos descritos nos artigos 436 e 441 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005, (número de pavimentos, tipo de edificação, etc.) Em seguida, a remuneração é calculada de acordo com a aplicação de percentuais específicos conforme a metragem da obra para, então, aplicarse o custo unitário básico da construção civil vigente na competência em que o recolhimento deva ser efetuado, ou no caso presente, constituído o lançamento, conforme arts. 443 e 446 da Instrução Normativa. Ato continuo, são apropriados os eventuais recolhimentos relacionados A mão de obra própria contratada pela empresa, isto é, seus empregados, valores estes que serão convertidos em área regularizada, conforme arts. 445 e 446. Também é possível que a empresa tenha contratado empreiteiros e subempreiteiras para prestarem serviços específicos durante a construção. Nesses casos, isto é, nas situações em que há mão de obra terceirizada e, portanto, o contratante, é responsável tributária pelo recolhimento da retenção no CNPJ da empresa prestadora, a Instrução Normativa estabelece critérios específicos para que ocorra o aproveitamento desses recolhimentos. Especificamente, em relação às notificações cujo lançamento se deu por aferição indireta com base na área construída, 34 obras, e, reflexamente, na presente notificação, os incisos II e III do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, no período de 02/1999 a 09/2002, determinam que a remuneração relativa A mão de obra terceirizada (empreiteiras, subempreiteiras e cooperativas), inclusive o décimo terceiro salário, somente será convertida em área regularizada, ou seja, deduzida do arbitramento, caso os recolhimentos possam ser inequivocamente vinculados á obra em evidência. II a partir de fevereiro de 1999 até setembro de 2002: a) a remuneração declarada em GFIP referente a obra, identificada com a matricula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", com comprovante de entrega, emitida por empreiteira contratada diretamente pelo responsável pela obra, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira; b) a remuneração declarada em GFIP referente it obra, identificada com a matricula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", emitida pela subempreiteira contratada, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos pelo contratante com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira; c) o valor retido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira contratada, quando não tenha sido apresentada a GFIP da contratada, conforme previsto nas a líneas "a" e "b" deste inciso, observado o disposto no §2° e no art. 239; Fl. 2879DF CARF MF 12 III a partir de outubro de 2002, somente serão convertidas em área regularizada as remunerações declaradas em GFIP referente ti obra, com comprovante de entrega, emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos correspondentes. Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 02/1999 a 09/2002, os critérios para que os valores eventualmente recolhidos a titulo de retenção pudessem ser aproveitados e deduzidos no arbitramento da obra são: remuneração paga pelo prestador declarada em GFIP, devendo ser identificada com a matricula CEI respectiva, no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", bem como apresentado o comprovante de entrega, recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira, devem ser comprovados. De igual modo, em relação As subempreiteiras, exigese o mesmo procedimento No período a partir de outubro de 2002, a conversão em área regularizada, conforme exigia o inciso III do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, somente ocorreria nos casos em que as remunerações declaradas em GFIP referente A obra, com comprovante de entrega, emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, mediante comprovação o recolhimento dos valores retidos correspondentes. Por essa razão, o artigo 425 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, estabelece como obrigação da empresa contratante que esta mantenha em arquivo, por empresa contratada, em ordem cronológica, pelo prazo decadencial, as notas fiscais, as faturas ou os recibos de prestação de serviços e as correspondentes GFIP's. De igual modo, o parágrafo único do mesmo artigo, autoriza que o tomador dos serviços exija as cópias das GFIP's das empresas contratadas, com informações especificas para a obra, identificando todos os segurados que executaram serviços e suas respectivas remunerações. Durante a ação fiscal e, principalmente, no decorrer do julgamento dos processos, especialmente nas várias vezes em que os mesmos foram baixados em diligencias, a empresa apresentou grande quantidade de documentos, que por sua vez, foram analisados individualmente pelas autoridades fiscalizadoras. Dessa forma, em relação à presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.096.6554, cuja cobrança referese aos 11% que a notificada, na qualidade de contratante, deveria ter retido e recolhido, e que teve a base de calculo aferida indiretamente a partir da relação fornecida pela própria empresa, todas as notas fiscais, e quaisquer documentos apresentados com a impugnação e nos diversos aditamentos, que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas deste lançamento, conforme informação prestada pela autoridade fiscal. Contudo, o exemplo indicado pela recorrente em relação às notas fiscais emitidas pela empresa do Sr. Carlos José Moreira da Silva, cujos serviços foram prestados nas obras RENOV e NOVOB, fica prejudicado, pois o aproveitamento destes valores, de acordo com a legislação previdenciária, incisos II e III do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, somente é possível mediante apresentação da GFIP do prestador, razão pela qual não foram considerados para efeito de retificação do lançamento. Nesse sentido, a alegação de que a junta fiscal resiste em retificar o presente crédito tributário quanto às remunerações cobradas nas notificações das obras é improcedente, tendo em vista que os eventuais recolhimentos e créditos em favor do sujeito passivo, foram devidamente aproveitados, inexistindo qualquer razão no tocante à assertiva de que ha tributação em duplicidade, isto é, sobre os mesmos fatos geradores. Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 8 13 Pelo que se observa, é a notificada que resiste em cumprir os atos normativos da previdência social, em especial o art. 425, já mencionado, e os incisos II e III do art. 447, ambos da Instrução Normativa n° 3, de 2005, taxandoos de ilegais. O primeiro relacionado à obrigação de arquivar os documentos (entre eles as GFIP's das prestadoras) para apresentação oportuna à autoridade fiscal, o que não ocorreu, razão pela qual a empresa teve contra si a lavratura de auto de infração. O segundo relacionado à forma de aproveitamento dos recolhimentos às obras arbitradas. Em relação aos percentuais aplicados às notas fiscais, cumpre lembrar que a empresa deixou de apresentar os contratos que permitiriam a verificação quanto à necessidade de os serviços serem prestados mediante fornecimento de material e/ou equipamentos, circunstância que influencia, diretamente, o procedimento fiscal. Portanto, nego provimento quanto aos aspectos encimados. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Explicita que, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos termos dos parágrafos 3°, 4° e 6° do art. 33, é a imediata e consequente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnante não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese a contribuinte ter apresentado inúmeras cópias de guias de recolhimento e notas fiscais, observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, fls., muitos documentos foram repetidos e outros em nada se relacionam com a notificação sob análise. No tocante ao eventual aproveitamento dos valores lançados na presente notificação em relação As demais notificações relacionadas às obras, lançadas por arbitramento com base na área construída, impende observar que tal aproveitamento, à luz do que determina os incisos do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, somente podem ser efetuados a partir da vinculação inequívoca da nota fiscal à obra reivindicada. Além disso, necessário se Fl. 2881DF CARF MF 14 faz a apresentação das GFIP's preparadas separadamente por cada prestador, sendo certo que tais procedimentos são essenciais para acolhimento da tese da defendente, tendo em vista a inversão do ônus da prova, justificada pelo descumprimento das obrigações acessórias já informadas anteriormente. No tocante à conta "Serviços de Terceiros", para a qual a notificada alega que foram contabilizadas as notas fiscais excluídas do regime de retenção e que, por essa razão, deveriam ser excluídas do lançamento, importante destacar que a mera alegação de tal fato não é suficiente para exclusão destes valores da notificação, tendo em vista a inversão do ônus da prova comentada há pouco. É dizer, para que tais valores pudessem ser excluídos, a empresa deveria apresentar todas as notas fiscais relacionadas presentes na relação que serviu como critério de aferição do arbitramento para que a fiscalização pudesse verificar se, de fato, estariam, ou não, excluídas do regime da retenção. Pelo exposto, não acolho o pleito da recorrente. BIS IN IDEM, BITRIBUTAÇÃO, IMPARCIALIDADE E NOTAS FISCAIS Insurgese, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Ante o exposto, quanto a alegação de que houve bi tributação e bis in idem, expressões utilizadas pela defendente durante as manifestações nos autos do processo, importante destacar que em matéria tributária as diferenças entre esses termos são nítidas. Roque Antonio Carrazza descreve de modo simples que "...em matéria tributária, dáse o bis in idem quando o mesmo fato jurídico é tributado duas ou mais vezes, pela mesma pessoa política. Já, bitributação é o fenômeno pelo qual o mesmo fato jurídico vem a ser tributado por duas ou mais pessoas políticas". No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRP n" 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, con forme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da recorrente no sentido de não ter sido efetuado algum credito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. Observase que não houve afronta ao princípio da imparcialidade, bem como não houve bis in idem, uma vez que fora observado os requisitos legais. Fl. 2882DF CARF MF Processo nº 10120.005279/200790 Acórdão n.º 2401005.338 S2C4T1 Fl. 9 15 Assim, não prospera a argumentação da contribuinte. DECADÊNCIA COMPETÊNCIAS ATÉ JUNHO/2002 Aduz está decadente as competência até junho de 2002. Nesse aspecto não assiste razão ao recorrente, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo, uma vez que o lançamento foi ali perfectibilizado Nesse sentido, a .simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Assim, a notificação feita no dia 22/06/2007 foi o último ato do procedimento de constituição formal do crédito tributário, tomandoo oponível a contribuinte, razão pela qual as competências abrangidas pela decadência referemse ao prazo indicado pela DRJ, ou seja, os meses decadentes e excluídos da notificação referemse ao período abrangido pelas competências 01/2000 a 05/2002, devendo ser mantidas a competência 06/2002, haja vista a substituição dos relatórios ter tido apenas o efeito de dilatar o prazo da impugnação, subsistindo a validade da notificação efetuada no dia 22/06/2007. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para rejeitar as preliminares, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 2883DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905200/2009-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM.
A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
Numero da decisão: 9101-003.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado C. P. A. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RADIOLÓGICOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399BA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.904183/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 52 00 /2 00 9- 19 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre o coeficiente para cálculo do lucro presumido no caso de empresa que presta serviços por imagem. A recorrente insurgese contra Acórdão que reconhece que a prestação de serviço médico por imagem estava submetido ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente, relativamente à matéria acima mencionada, da que tem sido dada em outros processos. Sustenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1116399 não menciona os serviços por imagem, equiparandoos a serviços hospitalares. Tal julgado tão somente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei nº 9.429/95. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente de Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho fundamentado deu seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O presente processo trata de IRPJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.319, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.904183/200994. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.319): Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 4 3 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 5 4 ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 6 5 julgamento do RESP 951.251PR, conforme o destaque feito na transcrição acima. Também é interessante transcrever a ementa dessa decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 7 6 O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 8 7 realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. (grifos acrescidos) Retomando o conteúdo destes autos, vêse que a atividade da contribuinte não consiste em simples prestação de consultas médicas. Em seu recurso, a PGFN argumenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.116.399 não menciona os serviços de radiologia, equiparandoos a serviços hospitalares; que tal julgado tãosomente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, deixando claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento. De fato, a referida decisão do STJ não tratou especificamente de serviços de radiologia, mas tudo o que foi dito naquela decisão sobre a questão em torno da tributação dos serviços hospitalares deve ser aplicado para as várias atividades ligadas à promoção da saúde. Com efeito, o STJ, ao proferir a citada decisão na sistemática dos recursos repetitivos, não restringiu sua análise aos serviços médicos laboratoriais (situação específica daquele REsp). Por outro lado, embora a PGFN reconheça que o STJ deixou claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento no coeficiente de 8%, ela acabou buscando fundamento nas antigas instruções normativas da Receita Federal que defendiam justamente essa linha de interpretação. As decisões invocadas pela PGFN, tanto do antigo Conselho de Contribuintes, quanto do STJ (2006), realmente trazem um entendimento superado, alterado em 2009 pelo próprio STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, conforme já mencionado. Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou em outras oportunidades sobre situações semelhantes à destes autos, reconhecendo a aplicação do coeficiente de 8% para entidades que também não são hospitais, mas que se encaixam na referida interpretação do STJ manifestada em sede de recursos repetitivos, e que foi considerada pela CSRF como de observância obrigatória, em razão do art. 62A do RICARFAnexo II: Acórdão nº 9101001.870 Sessão de 30 de janeiro de 2014 Recorrente: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DE SOROCABA LTDA Interessado: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:1999,2000,2001,2002 Ementa: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 9 8 As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. [...] Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão O recurso preenche os pressupostos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tributação pelo lucro presumido. Os outros temas levantados no especial do Contribuinte não foram admitidos. O recurso especial foi apresentado pelo Contribuinte em 30 de junho de 2009 (fls. 366), ocorre que em 08/11/2010, transitou em julgado o RESp nº 1.116.399BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves (decidido em 28 de outubro de 2009), objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo regime instituído no art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), em que foi negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Isto posto, conheço do recurso especial. O RESp nº 1.116.399BA tem a seguinte ementa: [...] A ementa do julgado evidencia que estão excluídas do conceito tributário de atividades hospitalares as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. E, decidindo especificamente a matéria tratada nestes autos, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o coeficiente de presunção de lucros estabelecido na Lei nº 9.249/95 deve ser de 8%, para fins de apuração do IRPJ, e de 12%, para fins de apuração da CSLL, relativamente à parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, naquele caso também empresa prestadora de serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas. Vejase que o julgado afastou qualquer aplicação retroativa da Lei nº 11.727/2008, e fixou a interpretação em referência para os fatos geradores anteriores à sua edição, ou seja, anteriormente ao anocalendário 2008 (caso dos presentes autos). Assim, há que se aplicar ao caso o art. 62A do RICARFAnexo II, devendo se observada mandatoriamente a decisão do STJ acima mencionada. Neste sentido, há que se dar provimento parcial ao recurso especial (que pede a nulidade do auto de infração), apenas para submeter a receita bruta ao coeficiente de 8% para o cálculo do IRPJ, e não para afastar integralmente a exigência. Isto porque as receitas não operacionais devem ser adicionadas ao lucro presumido e não se Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 10 9 submetem à aplicação do coeficiente de presunção, como fez o Contribuinte. Em conclusão, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do Contribuinte. Acórdão nº 9101001.559 Sessão de 23 de janeiro de 2013 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEMMEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). [...] Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. [...] Quanto ao mérito, a discussão gravita em torno do percentual aplicado na apuração do lucro presumido às sociedades prestadoras de serviços médicos na área de medicina nuclear nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, dependendo do conceito de serviços hospitalares. Sobre a legislação aplicável ao assunto, diz a Lei n° 9.249/95, em sua redação original: [...] Com o advento da Lei n° 11.277/2008, não restam dúvidas, que, a partir de janeiro de 2009, os serviços prestados pela interessada enquadramse no conceito de serviços hospitalares, desde que cumpridos os requisitos a seguir dispostos: [...] Antes da vigência da Lei n° 11.727/2008, em caso semelhante, a 1ª Turma da CSRF, entendera que serviços médicos e ambulatoriais enquadramse na categoria de serviços gerais em acórdão assim ementado: [...] Porém, em 28/10/2009, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.116.399 – BA, relator Ministro Benedito Gonçalves, Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13888.905200/200919 Acórdão n.º 9101003.332 CSRFT1 Fl. 11 10 proferiu decisão na mesma linha de raciocínio da decisão do acórdão ora recorrido: [...] Referido julgado enquadrouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que se refere o art. 543–C do Código de Processo Civil (CPC). Devese, em decorrência, aplicar a Portaria MF n° 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com a seguinte redação: [...] Portanto, devemse considerar os serviços específicos prestados pela interessada como enquadrados no conceito de serviços hospitalares, cuja receita bruta auferida recebe o percentual de 8% na apuração do IRPJ pelo lucro presumido. No presente processo, cabe adotar o mesmo posicionamento das referidas decisões desta 1ª Turma da CSRF (acima transcritas). Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000023/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do anterior Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF.
ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK. ANULAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A atribuição para emitir, modificar ou anular ato concessório de Drawback é da Secretaria de Comércio Exterior - SECEX, não cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil julgar a legalidade de atos praticados no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário regese pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do anterior Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK. ANULAÇÃO. COMPETÊNCIA. A atribuição para emitir, modificar ou anular ato concessório de Drawback é da Secretaria de Comércio Exterior SECEX, não cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil julgar a legalidade de atos praticados no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 00 23 /2 00 7- 99 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 313 2 Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão recorrido: "Contra INEPAR EQUIPAMENTOS E MONTAGENS S/A foi lavrado auto de infração, no qual é cobrado Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados Vinculado à Importação, além de multa de ofício, totalizando um montante de R$ 5.180.321,81. Segundo relatado, a autoridade fiscal fora informada acerca da declaração de nulidade do Ato Concessório de Drawback n° 161600/299, de interesse do sujeito passivo, com base no MEMO n° 0759/2006, de 05 de setembro de 2006, da COANA/DIFIA, o qual fez referência ao Oficio n° 280/DECEX 32006, de 16 de agosto de 2006, que encaminhou cópia da Decisão n° 436/DECEX2006, de 15/08/2006, referente ao Processo n ° 52500.017726/200567, de 22/09/2005, daquele Órgão. Promovida pesquisa no sistema DW Aduaneiro, constatouse a existência de importações efetivadas nas Declarações de Importação (DI) 01/07339530, 01/07339654 e 01/08431872, com a utilização do beneficio de Drawback, concedido com base no ato que foi posteriormente anulado. Intimada a empresa (Termo de Intimação n° 190/2006, de 30/10/2006) a comprovar o eventual pagamento dos tributos suspensos compareceu perante a autoridade fiscal o procurador da empresa, apresentando requerimento no qual solicitava a dilatação de prazo para atendimento da citada intimação. Não tendo mais se manifestado a empresa após o novo prazo concedido efetuouse o lançamento de oficio, por falta de pagamento, com a multa de 75% calculada sobre a totalidade do II e do IPI devidos, nos termos do artigo 44 e seu § 1°, inciso I e 45 da Lei n° 9.430/1996. Cientificada pessoalmente a contribuinte em 28 de dezembro de 2006 (cópia à fl. 71), lavrouse, em 05 de fevereiro de 2007, Termo de Revelia (cópia à fl 80). No entanto, à fl. 218, declara se a nulidade do citado Termo de Revelia, vez que em 29 de janeiro havia sido protocolizada impugnação na DRF/Joinville SC, posteriormente encaminhada a IRF/RJO. A impugnante inicia seu arrazoado discorrendo sobre os fatos que antecederam a anulação do Ato Concessório de Drawback Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 314 3 n° 161600/299 pela Secretaria de Comércio Exterior, os quais sintetizaremos a seguir: Em 12 de janeiro de 2000, a Impugnante requerera junto ao Decex Ato Concessório de Drawback para fornecimento no mercado interno; Em 28 de fevereiro de 2000 fora expedido o aludido Ato Concessório, encaminhado cópia à impugnante por fax, advindo da Secex, assinado pelo Sr. Eduardo Coelho Fernandes; Posteriormente, foi instaurado processo administrativo no 5200.040714/200115, do Decex, para apuração de irregularidades em documentos internos relacionados ao citado ato concessório, e a outros três, emitidos em favor das empresas LEMFÔRDER DO BRASIL S/A e NEC DO BRASIL S/A. O fiscal responsável alegadamente não teria reconhecido sua assinatura, tendo sido apontadas falhas relacionadas à ordem de numeração dos atos. Em 22.11.2003, a Consultoria Jurídica do MDIC, apresentou parecer PARECER/MEDIC/CONJUR/CRS no 4675.3/2003, determinando a instauração de procedimento administrativo objetivando a anulação dos atos concessórios irregularmente emitidos, a instauração de sindicância administrativa, visando à apuração e punição dos agentes responsáveis pelas irregularidades cometidas, a comunicação dos fatos à Secretaria da Receita Federal, para adoção das providências pertinentes, e, ainda, a comunicação à Polícia Federal para apuração de crime eventualmente praticado. Em 04 de outubro de 2005, a impugnante tomara ciência do processo administrativo n. 52500.017726/200567, que tinha por objeto a anulação do Ato Concessório de Drawback n. 1616 00/0000299. Em 30 de outubro de 2005, a impugnante apresentara sua defesa naquela esfera, alegando que recebera cópia do ato deferido diretamente de linha telefônica da Secex. Não poderia a Administração unilateralmente anular tal ato, sem que a apuração dos responsáveis pelas irregularidades estivesse concluída. O processo de apuração dos fatos, assim como o parecer da Consultoria Jurídica da Secex, deixaram de mencionar a impugnante, cerceando seu direito de defesa. A ordem da maioria dos processos do Decex seria realizada manualmente, à caneta, o que poderia resultar em equívocos de numeração e arquivamento. A impugnante praticara seus atos de boafé, baseada em documento expedido pela Administração Pública. Em 15 de agosto de 2006, foi proferida a Decisão n. 436/DECEX 2006, no referido processo, declarando a nulidade do Ato Concessório de Drawback n. 161600/0000299. Em 28 de dezembro de 2006, a impugnante recebeu o Auto de infração ora guerreado. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 315 4 No tocante ao lançamento, alega preliminarmente a impugnante que decaíra o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário. Defende que tratase de tributos cujos lançamentos darseiam por homologação, os quais seriam perfectibilizados através da declaração de importação, não importando se teria sido feito ou não o pagamento antecipado do tributo, posto que a ausência de pagamento antecipado é parte do referido benefício, o que não descaracterizaria o lançamento por homologação. Sustenta ainda que a contagem do prazo decadencial seguiria a regra insculpida no art. 150, § 4o do CTN, sendo que o "dever de antecipar o pagamento" não se faz essencial para o inicio da contagem do prazo prescricional. O que autorizaria o início do prazo prescricional seria a ocorrência do fato gerador e não o pagamento antecipado. Acrescenta que a autoridade fiscal não necessitaria aguardar o término do adimplemento dos requisitos contidos no ato concessório, posto que, se tomar ciência de alguma irregularidade deverá lançar o tributo. Sustenta ainda que, nas hipóteses em que há suspensão da obrigação, a contagem do prazo decadencial iniciaria com a lavratura do Termo de Responsabilidade. Por outro lado, defende a impugnante que haveria erro de capitulação legal no lançamento, posto que o auto de infração teria sido fundamentado em diversos dispositivos legais do Decreto 2.637/98, decreto que aprovou e instituiu o Imposto de Renda (sic), o qual teria sido expressamente revogado do ordenamento jurídico pátrio através do art. 524 do Decreto 4.544, de 27/12/2002. No mérito, sustenta que o Gerente em Exercício do DECEX, teria cassado sumariamente o Ato Concessório de Drawback conferido à Impugnante, pelos seguintes argumentos: i) não reconhecimento de sua assinatura no Ato Concessório; ii) falta de lembrança de ter emitido o referido Ato; e iii) que os documentos de contraprova ao Ato não se encontrariam nos arquivos do Decex. Alega que anulação unilateral do Ato Concessório, sem o devido processo legal e o contraditório, e sem o resultado conclusivo acerca da prática de irregularidades e respectivos responsáveis seria ilegal. Sustenta que sem a conclusão da apuração do ilícito pelo Decex não se poderia cobrar os tributos objeto de exigência. Ressaltando ainda que a anulação do Ato Concessório produzira efeito sobre terceiro de boafé, observa que não caberia à impugnante o ônus de fiscalizar os fatos ocorridos no Decex. Defende que deveria prevalecer a presunção de legitimidade para a impugnante, posto que não teria praticado qualquer ato ilícito, sendo que a concessão do regime teria lhe parecido legítima. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 316 5 Ao cobrar juros e multa, estaria a Administração penalizando a impugnante por uma operação que a própria Administração lhe havia autorizado a efetuar. Assim sendo, não estariam presentes os requisitos para imposição da multa, descumprimento espontâneo e culpa, tendo restado caracterizada a boafé da impugnante. Por fim, requer: i) A suspensão desse processo administrativo, até que se apure definitivamente os ilícitos e respectivos responsáveis, no âmbito do Processo Administrativo n. 52500.0017726/200567, que tramita perante o SECEX/RJ; ii) O reconhecimento da decadência do direito de constituir o crédito tributário litigioso; iii) Uma vez julgado o Processo Administrativo n. 52500.0017726/200567, requer: iii.i) caso a decisão reconheça a validade do ato concessório anulado, requer o restabelecimento dos seus efeitos, afastando se o lançamento; iii.ii) caso a decisão mantenha a anulação, o reconhecimento da boafé da impugnante, reconhecendose seu direito de pagar os tributos devidos sem a incidência de multa. Apreciando a defesa da empresa, a Sexta Turma da DRJ em Recife julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001 Drawback Suspensão. Prazo decadencial. Enquanto não concluído o prazo outorgado para cumprimento do compromisso de exportar, inerente ao regime, não tem início a fluência do prazo decadencial do direito de o Fisco promover o lançamento decorrente do eventual descumprimento daquele compromisso. Findo tal prazo, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte o quinquênio em que tal lançamento deve ser levado a efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001 Responsabilidade por Infração. Alegação de boa fé do agente. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 317 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/07/2001, 23/08/2001 Anulação de Ato Concessório de Drawback pela Secex. Reflexos Tributários. Não cabe à Secretaria da Receita Federal julgar a legalidade de atos praticados no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior. No que se refere ao Regime de Drawback, a repartição de competência entre os dois órgãos é clara, cabendo exclusivamente à Secex a concessão do benefício, por meio de Ato Concessório. Uma vez anulado o Ato Concessório pela própria Secex, perde efeito a suspensão dos tributos, competindo à Receita Federal promover o seu lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzias em impugnação, a seguir resumidas: 1. A ocorrência de decadência; 2. Vício no enquadramento legal; 3. Vícios formais acerca dos procedimentos adotados em relação à anulação do ato concessório do regime de Drawbacksuspensão; 4. Arbitrariedade quanto à anulação unilateral e cobrança de multas e juros da recorrente, que agiu de boafé; 5. A impossibilidade de produção de prova negativa no sentido de provar que o Ato Concessório era válido, sendo inadmissível a transferência da responsabilidade à recorrente; 6. O afastamento da imposição de multa de ofício, tendo em vista que a recorrente agiu de boafé. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em prejudicial de mérito, a recorrente alegou decadência para constituição do crédito tributário de Imposto de Importação II e Imposto sobre Produtos Industrializados Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 318 7 IPI, em decorrência da anulação do AC 161600/299, pela Decisão nº 436/DECEX2006, de 15/8/2006 no processo nº 52500.017726/200567. A recorrente pugnou pela aplicação da norma prevista no artigo 150, §4º do CTN. Inicialmente, esclareçase que matéria relativa à aplicação dos prazos decadenciais para constituição de crédito tributário encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do antigo CPC (recursos repetitivos), cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Transcrevese a ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 319 8 a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. No caso, não houve pagamentos de II ou de IPIvinculado à importação no momento de registro das DIs, nem posterior à ciência da decisão de nulidade do ato concessório e anteriormente à ciência do auto de infração, razão pela qual a norma a ser aplicada é a do artigo 173, inciso I, do CTN. O prazo decadencial para cobrança dos tributos suspensos em regime de drawback é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação, nos termos do §3º do Decreto nº 6.759/2009 (disposição de natureza interpretativa) e conforme Acórdãos da CSRF nº 9303 003.850 e 9303003.465, cuja ementa transcrevese: DRAWBACK. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. No regime do Drawback Suspensão o início do prazo para o lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo dia após o término do regime concessivo, constante no respectivo ato concessório. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO Transcrevese também o dispositivo normativo: Decreto nº 6.759/2009: Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 320 9 Art. 752. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, caput): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. § 1o O direito a que se refere o caput extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único). § 2o Tratandose de exigência de diferença de tributo, o prazo a que se refere o caput será contado da data do pagamento efetuado (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, parágrafo único, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o). § 3o No regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade de: I suspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação; e II isenção, o primeiro dia do exercício seguinte à data do registro da declaração de importação na qual se solicitou a isenção. (grifos não originais) O ato concessório anulado foi emitido em 1º/03/2000, conforme doc. de efl. 125/126, pelo prazo de dois anos. Assim, a validade do ato extinguirseia em 1º/03/2002 e, consequentemente, o termo inicial para contagem do prazo decadencial seria 1º/01/2003, dispondo a Administração Tributária/Aduaneira até 31/12/2007 para efetuar o lançamento. Como o Auto de Infração foi cientificado em 28/12/2006, afastase a prejudicial de decadência arguida. Ainda sobre a matéria, a recorrente alega que o termo inicial do prazo decadencial se iniciaria na assinatura dos termos de responsabilidade, parecendo querer alegar se tratar de ato a constituir o crédito tributário e, consequetemente, ser passível de execução. A respeito da possibilidade de execução do termo de responsabilidade, verificase que, apesar do disposto no artigo 72 do Decretolei nº 37/1966, o termo de responsabilidade não comporta a cobrança de multas de ofício nem acréscimos legais decorrentes do descumprimento do compromisso de exportação, conforme artigo 674, §2º do Decreto nº 4.543/2002 (RA/2002) e, para constituir o crédito tributário relativo a tais parcelas, é necessária a lavratura de Auto de Infração, nos termos do artigo 682 do referido decreto; Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 321 10 Art. 674. O termo de responsabilidade é o documento no qual são constituídas obrigações fiscais cujo adimplemento fica suspenso pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais (Decretolei no 37, de 1966, art. 72, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Serão ainda constituídas em termo de responsabilidade as obrigações tributárias relativas a mercadorias desembaraçadas na forma do § 4o do art. 120. § 2o As multas por eventual descumprimento do compromisso assumido no termo de responsabilidade, bem assim os acréscimos legais cabíveis, não integram o crédito tributário nele constituído [...]Art. 682. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 1972. Além disso, a cobrança do termo de responsabilidade não comporta o rito do PAF, de modo a garantir o contraditório e a ampla defesa. Neste sentido, transcrevese posicionamento da Coana, expresso no Manual de Drawback, exposto na Nota Técnica Cosit nº 6/2015: "O Termo de Responsabilidade é tratado nos arts. 758 e 760 do Decreto nº 6.759/09 RA/09 e a execução administrativa deste, na IN SRF nº 117/01. Não obstante os dispositivos legais supracitados, a execução do termo de responsabilidade apresenta diversas restrições legais e práticas. Há que se considerar, inicialmente, o previsto na Constituição de 1988: Art. 5o ............................ LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. (grifo nosso) Zessa forma, a execução do termo de responsabilidade não possibilitaria ao contribuinte o direito de defesa e muito menos o recurso a ela inerente (princípio do duplo grau de jurisdição). Além disso, há ainda que se levar em consideração o seguinte: A partir de 1997, as DI passaram a ser efetuadas em meio eletrônico (SISCOMEX). Logo, o Termo de Responsabilidade deixou de ser um documento impresso. O que pode ser feito é imprimir as observações da ficha “Informações Complementares” da DI, na qual normalmente consta o Termo de Responsabilidade, mas sem a assinatura do contribuinte; Não há um modelopadrão de termo de responsabilidade para o caso do drawback suspensão, possibilitando a existência de diversos tipos, nem sempre com todos os dados necessários para a cobrança dos tributos suspensos; Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 322 11 As DI parametrizadas para o canal verde não sofrem nenhum controle da Receita. Logo, nesses casos, a confecção do Termo fica dependente, única e exclusivamente, da decisão da beneficiária. Não há nenhuma segurança de que o Termo seja feito e de que este reflita o valor real dos tributos suspensos; Inadimplementos parciais do Ato Concessório implicam cálculo dos tributos, gerando valores diferentes (menores) do que os constantes do Termo. Pode ser objeto de questionamento a forma desses cálculos, bem como a base de cálculo utilizada; Em muitos inadimplementos totais, há divergências entre a beneficiária e a Secex, não sendo pacíficos, portanto, tais inadimplementos. No caso de Auto de Infração, há a possibilidade de o contribuinte apresentar seus argumentos. Os Termos de Responsabilidade não abrangem o valor dos acréscimos legais (multa + juros) que seriam devidos no caso de descumprimento dos compromissos assumidos. Isto, aliado à complexidade e às constantes mudanças na legislação, torna inviável, além de descabida, a recusa em julgar eventuais impugnações na esfera administrativa; A “execução administrativa”, a rigor, não se constitui em execução propriamente dita, pois somente na esfera judicial há previsão para tal. Tratase, na realidade, de uma simples cobrança, que, como qualquer outra, pode sempre ser contestada; Há inclusive entendimento consolidado, na esfera judicial, de que a prolatada execução administrativa poderia ser normalmente contestada na forma prevista no PAF, razão pela qual recomendase neste Manual que o lançamento dos tributos suspensos e devidos acréscimos legais seja feito através de Auto de Infração e não seja feita a execução administrativa do Termo de Responsabilidade. Nesse sentido, dispõe o art. 766 do RA/09, in verbis: Art. 766. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 1972." Ainda em preliminar, a recorrente alegou vício de capitulação legal da autuação, informando que a autuação fora capitulada em dispositivos legais do Decreto nº 2.637/1998, relativo ao imposto de renda. A recorrente se insurgiu contra a aplicação do Decreto nº 2.637/1998 (RIPI/1998), que se refere ao Regulamento de IPI e não de imposto de renda, como afirmara equivocadamente. Quanto ao fato de o RIPI/1998 ter sido revogado pelo Decreto nº 4.544/2002 não altera sua propagação de efeitos aos fatos geradores regidos por ele em sua vigência. É o que depreendese do artigo 144 do CTN: Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 323 12 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. O fato gerador do IPI na importação é o desembaraço aduaneiro, nos termos do artigo 32, inciso I do Decreto nº 2.637/1998, cuja matriz legal é a Lei nº 4.502/1964. No caso, o lançamento reportou aos fatos ocorridos em 24/07/2001 e 23/08/2001, durante a vigência do Decreto nº 2.637/1998, que fora revogado apenas em 27/12/2002. Ademais, é bom salientar que os decretos regulamentares presidenciais se destinam a disciplinar o cumprimento das leis e, normalmente, seus artigos referenciam a matriz legal que os originou. Assim, tivesse alguma dúvida, bastaria à recorrente verificar ao final de cada artigo citado, a matriz legal correspondente. Porém, verificase que a recorrente não demonstrou possuir alguma dúvida sobre o conteúdo da capitulação legal do auto de infração. Destarte, afastase a preliminar arguida. No mérito, a recorrente alegou vícios formais nos procedimentos adotados pela DECEX no processo de anulação do ato concessório, questionando aspectos procedimentais e materiais relativos à decisão proferida pela DECEX no processo 52500.017726/200567, como a aplicação do princípio da autotutela e acusando de ter havido arbitrariedade no processo. Porém, como já decidido em primeira instância, o contraditório e a ampla defesa relativa ao processo de anulação do ato concessório 161600/299, já foram realizados no processo nº 52500.017726/200567. É que falece à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para autorizar ou anular o ato de concessão do regime de drawback, inserido na competência do DECEX. De fato, a concessão do Regime Especial Aduaneiro de Drawback era regulado pela Consolidação das Normas do Regime de Drawback (CND) disposta no Comunicado DECEX nº 21/1997. Tal comunicado fora expedido no âmbito da competência prevista no inciso II do artigo 17 do Anexo I do Decreto nº 1.757/1995 (aprovava a estrutura regimental do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo) e da Portaria SECEX nº 4/1997, cujos dispositivos dispunham: Decreto nº 1.757/1995: Art. 1° Ficam aprovados a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e Funções Gratificadas do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, na forma dos Anexos I e II, a este Decreto. [...] ANEXO I ESTRUTURA REGIMENTAL MINISTÉRIO DA INDÚSTRIA, DO COMÉRCIO E DO TURISMO Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 324 13 [...] CAPÍTULO III DA COMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS [...] Art. 17. Ao Departamento de Operações de Comércio Exterior compete: I coletar, analisar, sistematizar e disseminar dados e informações estatísticas de comércio exterior; II autorizar operações de importação e exportação e emitir documentos especiais quando exigidos por acordos bilaterais e multilaterais assinados pelo Brasil; III elaborar, acompanhar e avaliar estudos sobre a evolução da comercialização de produtos e mercados estratégicos para o comércio exterior brasileiro, com base nos parâmetros de competitividade setorial e disponibilidades mundiais. Portaria SECEX nº 4/1997: O Secretário de Comércio Exterior, no uso de suas atribuições legais, tendo em vista o disposto no art. 16, inciso I do Decreto nº 1.757, de 22 de dezembro de 1995, resolve: I – DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 1º A concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, nas modalidades de suspensão e isenção de tributos, conforme o disposto nos artigos 314 a 334 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, com alterações, seguirá o disposto nesta Portaria. Art. 2º Constitui atribuição do Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX) a concessão do Regime de Drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Esclareçase que a separação das competências da RFB e da SECEX (DECEX) quanto ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback foi objeto da Súmula CARF nº 1001, cujo paradigma nº 930301.248, bem delineou as competências de cada órgão. A respeito, transcrevese excerto do voto condutor do paradigma, proferido pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: "Em relação ao conflito aparente de atribuições entre a administração tributária e a Secex, que emitira o ato concessório do drawback, entendo não haver tal desarmonia, pois o órgão 1 Súmula CARF nº 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 325 14 fazendário e o do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior exercem atribuições distintas, mas que se complementam: um aprova o plano de exportação, confere a documentação apresentada pelo exportador e emite o ato concessário da importação vinculada; o outro fiscaliza a consecução do plano para verificar se o importador atendeu as condições do incentivo fiscal que lhe foi concedido. Se por um lado Administração Tributária não é dada competência para emitir, modificar ou anular ato concessório de drawback, cabe a ela, exclusivamente a ela, verificar o cumprimento das obrigações tributárias decorrentes de importações, ainda que essas tenham sido amparadas por regimes aduaneiros especiais que suspendam ou isentem o pagamento do tributo, corno o drawback. (grifos não originais). Em outro giro, não é razoável pretenderse que a legislação tenha conferido atribuição para o Fisco auditar as importações realizadas ao amparo de drawback, c, uma vez procedida a auditoria e constatadas irregularidades na execução do regime aduaneiro especial — irregularidades essas que evidenciem o descumprimento das condições do incentivo á exportação e justifiquem a perda do direito ao favor fiscal —, seja vedado aos agentes do Fisco cumprirem o dever de oficio de lançar o crédito tributário devido. Ora, o ato concessório não pode se sobrepor ao CTN, que exige da autoridade administrativa o lançamento do crédito tributário devido. Também não parece razoável atribuir á. Fiscalização o papel de mero coadjuvante da Secex, pois se atribuísse à autoridade fazendária o dever de examinar as importações vinculadas aos atos concessórios, mas sem qualquer atribuição para reprimir, por meio de autuação, as irregularidades de natureza fiscal, estarseia reduzindo a Receita Federal a mero auxiliar da Secex, e os seus agentes a simples auxiliares de conferentes de notas fiscais e de faturas comerciais." A matéria já foi abordada em outros julgados nesta turma, como o proferido no voto condutor do Acórdão nº 3302003.519, de lavra do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, cujo excerto transcrevese abaixo: "Em relação ao regime drawback suspensão, a competência do Decex e da fiscalização do RFB são distintas e complementares, conforme claramente explicitado nos preceitos normativos da Portaria MEFP 594/1992 e da Portaria Secex 25/2008. De acordo com os referidos atos normativos, a atividade do Decex limitase à concessão do regime e ao acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, conforme expressamente estabelecido no art. 512 da Portaria Secex 25/2008. A atividade de verificação do compromisso de exportar é feita com base nas informações eletrônicas prestadas pelo próprio beneficiário do regime no módulo específico de 2 Art. 51. Compete ao DECEX a concessão do regime de drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 326 15 drawback no Siscomex (“Módulo Drawback Suspensão Web”). Porém, ao assim proceder, o beneficiário do regime fica dispensado da apresentação de documentos impressos, tanto na fase de habilitação, quanto na fase de comprovação das operações amparadas pelo regime. Porém, tais documentos deverão ser mantidos em poder do beneficiário do regime, para eventual verificação por parte do Docex (art. 125 da Portaria Secex 25/2008). E se as quantidades e os valores de importação e exportação compromissados forem idênticos aos valores das importações e exportações efetivamente realizadas dentro do prazo de validade do regime, automaticamente, o sistema emite a comprovação do adimplemento do respectivo ato concessório. Dessa forma, fica demonstrado que a atividade do Decex limita se a concessão do regime e, posteriormente, a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, com base nas informações eletrônicas prestadas pelo próprio beneficiário do regime no Siscomex. Em razão da precariedade desse controle, que se limita a mera confrontação de informações prestadas pelo próprio beneficiário do regime, há no parágrafo único do art. 152 do da Portaria Secex 25/2008, expressa ressalva que, por estar sujeita a verificação posterior por parte da fiscalização da RFB, o Decex não fornece atestado de adimplemento do regime. Nesse sentido, confira a redação do citado preceito normativo, que segue transcrito: [...] De acordo com o citado comando normativo, é da RFB a competência para fiscalizar o regular cumprimento dos requisitos e condições do regime drawback suspensão, com a finalidade de verificar o adimplemento das obrigações assumidas no ato de concessão do regime, em especial, o compromisso de exportação, bem como o cumprimento das demais condições e requisitos estabelecidos na legislação, especialmente, o requisito da vinculação física entre insumo importado e produto exportado. Em suma, com base no teor dos citados atos normativos, infere se que a atuação dos dois órgãos ocorre em momentos distintos e de forma complementar. À Secex compete a concessão, acompanhamento e verificação do compromisso de exportação. Logo, ela atua na fase anterior, durante e após a vigência do regime. Enquanto que à RFB compete a aplicação e a fiscalização do cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos no ato concessório e na legislação. Portanto, ela atua durante o regime (na fase de despacho aduaneiro, ao reconhecer a suspensão dos tributos) e após o término do regime (normalmente, após o Decex pronunciarse sobre o adimplemento total ou parcial do compromisso de exportação), quando procede a fiscalização do cumprimento dos compromissos de importações e exportações vinculadas ao regime, quando, se confirmado o integral cumprimento, a suspensão dos tributos convertese em isenção; Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10074.000023/200799 Acórdão n.º 3302005.373 S3C3T2 Fl. 327 16 de outra parte, se comprovado o inadimplemento total ou parcial do regime, o procedese o lançamento dos tributos devidos, com os acréscimos legais devidos." Ressaltase que a recorrente pode exercer o contraditório e a ampla defesa no processo nº 52500.017726/200567, que culminou na decisão DECEX nº 436/2006, a qual declarou a nulidade do Ato Concessório de Drawback nº 161600/0000299, com efeito retroativo à data de validade inicial, conforme efls. 22/23, e que, aparentemente, é decisão definitiva no âmbito administrativo, uma vez que foi proferida em 15/08/2006, e, passados quase nove anos, a recorrente nada informou em sua peça recursal (protocolada em 02/04/2015) acerca de eventual decisão que lhe tenha sido favorável no referido processo. Assim, não tomo conhecimento das alegações desenvolvidas nos tópicos a) Dos vícios formais acerca dos procedimentos adotados; b) Das arbitrariedades e seus efeitos contra terceiros e c) Da impossibilidade de produção de prova negativa. Por fim, a recorrente pugnou pela exclusão da multa de ofício aplicada, pois agira de boafé e não tivera intenção de lesar o fisco. Neste ponto, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme artigo 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A multa foi aplicada no percentual de 75% de acordo com o artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/1996 e artigo 80, inciso I, da Lei nº 4.502/1964. Diante do exposto voto para conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923125/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 19/09/2008
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.836
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 19/09/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 19/09/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 25 /2 01 2- 47 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.300. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.923125/201247 Acórdão n.º 3302004.836 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 146DF CARF MF
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