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Numero do processo: 16327.913274/2009-64
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/09/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/09/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização. Recurso Voluntário Provido
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ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 32 74 /2 00 9- 64 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.913274/200964 Acórdão n.º 3801001.849 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJSão Paulo I (SP) (fl. 62), abaixo transcrito: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 38284.55.487.170106.1.7.045370), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS (cód. receita 4574) relativo ao período de apuração encerrado em 30/04/2004. Apesar de mencionar ter anexado cópia da DCOMP (DOC 03), não há este documento. Em tal referência se encontra parte da DCTF retificadora. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 40 o contribuinte foi cientificado, em 03/03/2009 (fls. 60), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 32.410,05). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 01/04/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 a 04, alegando, em apertada síntese, que: 4.1 Incorreu em erro na ocasião do preenchimento da DCTF, sendo que havia apurado, em abril de 2004, PIS a pagar no montante de R$ 356.130,99, entretanto acabou recolhendo e declarando em DCTF um valor superior (R$ 382.119.32). 4.2 Identificado o equívoco, o recorrente constituiu crédito tributário no valor de R$ 25.988,33 que foi utilizado para compensar débito de COFINS apurado em novembro de 2005 – PA Nov/2005. 4.3 No entanto o recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP. 4.4 Para sanar tal pendência o contribuinte retificou a referida DCTF, alterando os valores de PIS apurado, o que, segundo o Fl. 308DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.913274/200964 Acórdão n.º 3801001.849 S3TE01 Fl. 13 3 mesmo, estaria condizente com o apurado na época, conforme cópia da ficha 22B da DIPJ anexada em fls. 58. 4.5 Condicionar a compensação a qualquer outra condição não estabelecida em lei, ainda mais na modalidade acessória, se constitui em burla ao Art. 170 do CTN e ao Art. 368 do Código Civil. Nesta linha, sustenta que se a obrigação acessória culmina na redução do direito creditório, tal situação deve ser afastada de imediato sob pena de se reportar a gravame novo, ferindo o princípio da legalidade. 5. Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e conseqüentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação em sua totalidade. Analisando o litígio, a DRJSão Paulo I/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 62 e seguintes), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/05/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Ao analisar o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, no qual este alegou, em síntese, que houve a comprovação dos créditos indicados no pedido de compensação, com a retificação da DCTF e com os demais documentos acostados aos autos, esta Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu por bem determinar a realização de diligência pela Delegacia Fiscal, para que, com base nas retificações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao Recurso Voluntário, fosse apurado se os valores dos créditos indicados nas compensações são suficientes para liquidar os débitos compensados. Realizada a diligência, em manifestação acostada aos autos, a douta delegacia fiscal conclui que “tendo em vista o Demonstrativo de Compensação juntado ao presente expediente, verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado: 7987 COFINS 15/12/2005 R$32.410,05.” Devidamente intimado para se manifestar acerca da Diligência realizada, o Recorrente reiterou os argumentos apresentados em seu Recurso Voluntário e requereu o provimento deste, para que reste homologada a compensação apresentada. É o relatório Voto Fl. 309DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.913274/200964 Acórdão n.º 3801001.849 S3TE01 Fl. 14 4 Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram analisados, no voto em que houve a determinação de convolação do julgamento em diligência. Pois bem. No presente caso, como relatado acima, não restam dúvidas de que os créditos indicados pelo contribuinte na Declaração de Compensação apresentada são suficientes para quitar os débitos ali também indicados. Na diligência realizada, a própria fiscalização, ao analisar as declarações retificadas pelo Recorrente (DCTF e DIPJ) e os documentos por ele acostados aos autos, constatou que, de fato, “verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado”. Não há controvérsia, portanto, que é direito do Recorrente ver sua declaração de compensação homologada, mesmo que, em um primeiro momento, tenha ocorrido um erro no preenchimento das obrigações acessórias. Como as declarações foram devidamente retificadas pelo contribuinte, deve, in casu, ser privilegiado o princípio da verdade material. Este Conselho, em inúmeras oportunidades, já se manifestou pela aplicação do referido princípio no processo administrativo fiscal. Aqui é importante citar novamente decisões proferidas neste sentido. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.913274/200964 Acórdão n.º 3801001.849 S3TE01 Fl. 15 5 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) Portanto, comprovada a existência de créditos suficientes para liquidar o débito indicado no pedido de compensação apresentado pelo Recorrente, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, ficando, desde já, homologada a compensação objeto do presente processo administrativo fiscal. É como voto. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10384.721923/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
ERRO DE FATO. ÁREA DO IMÓVEL. UNIDADE DE MEDIDA. COMPROVAÇÃO.
A área do imóvel rural deve ser informada em hectares na Declaração do Imposto Territorial Rural e quando comprovada a ocorrência de erro na informação, o imposto lançado deverá ser corrigido.
SUJEIÇÃO PASSIVA. COMPROVAÇÃO. ALIENAÇÃO DO IMÓVEL. FALTA DO REGISTRO.
A transferência de imóveis rurais deve ser comunicada pelo contribuinte ou seu sucessor à Receita Federal do Brasil por meio do Documento de Informação e Atualização Cadastral do Imposto Territorial Rural - DIAC/ITR após efetuada e registrada em conformidade com as regras próprias da Lei civil sob pena de não ser reconhecida.
Numero da decisão: 2201-002.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar a área total do imóvel de 24,88 hectares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, German Alejandro San Martin Fernandez (Suplente convocado), Ricardo Anderle (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins e Rodrigo Santos Masset Lacombe. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 ERRO DE FATO. ÁREA DO IMÓVEL. UNIDADE DE MEDIDA. COMPROVAÇÃO. A área do imóvel rural deve ser informada em hectares na Declaração do Imposto Territorial Rural e quando comprovada a ocorrência de erro na informação, o imposto lançado deverá ser corrigido. SUJEIÇÃO PASSIVA. COMPROVAÇÃO. ALIENAÇÃO DO IMÓVEL. FALTA DO REGISTRO. A transferência de imóveis rurais deve ser comunicada pelo contribuinte ou seu sucessor à Receita Federal do Brasil por meio do Documento de Informação e Atualização Cadastral do Imposto Territorial Rural - DIAC/ITR após efetuada e registrada em conformidade com as regras próprias da Lei civil sob pena de não ser reconhecida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar a área total do imóvel de 24,88 hectares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, German Alejandro San Martin Fernandez (Suplente convocado), Ricardo Anderle (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins e Rodrigo Santos Masset Lacombe. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1935; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 89 1 88 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.721923/201156 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.058 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2013 Matéria Área Erro de Fato Recorrente ANGELA MARIA DE CARVALHO MELO CAVALCANTI SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 ERRO DE FATO. ÁREA DO IMÓVEL. UNIDADE DE MEDIDA. COMPROVAÇÃO. A área do imóvel rural deve ser informada em hectares na Declaração do Imposto Territorial Rural e quando comprovada a ocorrência de erro na informação, o imposto lançado deverá ser corrigido. SUJEIÇÃO PASSIVA. COMPROVAÇÃO. ALIENAÇÃO DO IMÓVEL. FALTA DO REGISTRO. A transferência de imóveis rurais deve ser comunicada pelo contribuinte ou seu sucessor à Receita Federal do Brasil por meio do Documento de Informação e Atualização Cadastral do Imposto Territorial Rural DIAC/ITR após efetuada e registrada em conformidade com as regras próprias da Lei civil sob pena de não ser reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar a área total do imóvel de 24,88 hectares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 19 23 /2 01 1- 56 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 27/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10384.721923/201156 Acórdão n.º 2201002.058 S2C2T1 Fl. 90 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, German Alejandro San Martin Fernandez (Suplente convocado), Ricardo Anderle (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins e Rodrigo Santos Masset Lacombe. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório Foi exigido da contribuinte acima identificada o valor de R$10.281.383,31 de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR com acréscimos de multa de ofício (75%) e juros moratórios, referente ao exercício 2008, do imóvel rural denominado “Santa Rita Data Santa Isabel”, cadastrado na RFB sob o nº 5.309.5669, com área declarada de 24.884,8 hectares, localizado no Município de Teresina/PI. Do Lançamento Intimada a comprovar o Valor da Terra Nua VTN, fls. 3 e 4, informado na DITR/2008 como zero, a contribuinte não se manifestou. A autoridade fiscal constatou a omissão da declarante na avaliação do imóvel e, com base no preço de terras do município de Teresina constante do Sistema de Preços de Terras (SIPT), alterou o VTN declarado de zero para R$24.884.800,00 e efetuou o lançamento do imposto suplementar de R$4.976.950,00 por meio de Notificação de Lançamento com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal acompanhada do Demonstrativo do Imposto Devido e do Demonstrativo da Multa de Ofício e Juros de Mora, fls. 5 a 8. Da Impugnação Cientificada em 03/11/2011, a contribuinte impugnou, tempestivamente, o lançamento fls. 11/24, juntando os documentos de fls. 25/44, para solicitar a manutenção do VTN declarado com supedâneo no princípio da capacidade contributiva e da verdade material e/ou em pedido sucessivo que se proceda o arbitramento em valor não superior a 50% das avaliações apresentadas. Para respaldar seu pedido, apresenta os esclarecimentos e documentos a seguir descritos, a saber: Que o imóvel foi vendido em 20/02/1999, ao Srº Pedro Rocha Portela, CPF 227.578.80349, conforme contrato anexo, em processo de transferência. Que não recebeu a intimação para apresentar comprovação do VTN declarado, presumindo eventual extravio no serviço de correios. Que o arbitramento realizado está fora da realidade do preço normal de mercado e em manifesta ofensa ao princípio da capacidade contributiva e se mantido o lançamento, resta absolutamente impossível de ser adimplido. Que o arbitramento deve obedecer as regras legais, com as garantias inerentes ao contraditório: direito de defesa, sob pena de nulidade. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 27/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10384.721923/201156 Acórdão n.º 2201002.058 S2C2T1 Fl. 91 3 Apresenta 03 (três) Laudos de Avaliação do Imóvel, comprovando o valor real de mercado nos dias de hoje, que apresenta perfeita consonância com o valor declarado, o que impõe a reformulação do arbitramento realizado, para manter o valor declarado. Menciona que, em caráter ilustrativo e exemplificativo, a Lei Ordinária nº 5.966, de 13 de janeiro de 2010, do Estado do Piauí, conforme cópia em anexo, que dispõe sobre a regularização fundiária do Cerrado Piauiense, a área rural de maior valor econômico das terras no Estado, em seu art. 9º, fixa o preço da terra nua no valor de R$250,00/hectare. Transcreve ementa de Decisão Judicial para referendar seus argumentos; considera, ainda, que o processo administrativo tributário é regido pelo princípio da verdade real, devendo a autoridade fiscal buscar todas as provas e circunstâncias para, sem apego a formalidades excessivas, estabelecer a verdade material e o interesse público definido em lei. Da decisão de 1ª Instância A primeira Turma de julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Brasília decidiu manter o lançamento nos termos do voto condutor do acórdão nº 0347.059 de fls. 50 a 60. Que o lançamento foi efetuado com base nos dados cadastrais constantes da DITR/2008 e CAFIR (fls. 47 e 48) que a transferência do imóvel não foi comprovada nos autos com documentação hábil prevista no art. 108 e 1.245 do Código Civil. Que a Notificação de Lançamento contêm todos os requisitos estabelecidos no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal. Que, a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, com a instauração do litígio e formalização do processo administrativo, é assegurado ao contribuinte o direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. Que o VTN declarado de R0,00 por hectare caracterizou subavaliação (ausência de avaliação) o que provocou o arbitramento do VTN com o valor constante do SIPT, informado pela Secretaria Estadual de Agricultura para a aptidão agrícola denominada como “outras”, no exercício de 2008. Que o preço da terra nua no valor de R$250,00/hectare se refere a imóveis localizados no cerrado piauiense, composto por municípios lá localizados, conforme consta do art. 1º da Lei nº 5.966, de 2010, diferentemente do imóvel da contribuinte que está localizado em Teresina, município que tem imóveis em valor muito superior aos localizados no referido cerrado. Que os documentos apresentados não são hábeis para justificar uma revisão no VTN arbitrado, já que não são Laudos de Avaliação, emitido por profissional competente, com ART, anotada no CREA. Assim sendo, deve ser mantido o valor arbitrado constante do SIPT de R$1.000,00 por hectare. Do Recurso Voluntário Cientificada em 20/03/2012, AR fl. 64, a contribuinte apresentou, tempestivamente, Pedido de Revisão de Ofício do lançamento, fls. 65 a 67, para, considerando Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 27/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10384.721923/201156 Acórdão n.º 2201002.058 S2C2T1 Fl. 92 4 os documentos e esclarecimentos que apresenta às fls. 68 a 83, reformar o acórdão 0347.059 alterando o lançamento com a área real do imóvel 24,88 hectares. Requer também que o remanescente de possível crédito tributário e multa objeto deste processo, assim como futuros lançamentos sejam realizados na pessoa do Senhor Pedro da Rocha Portela, CPF 227.578.80349. Da distribuição do Processo Este processo foi distribuído para este relator em 20/11/2012, por sorteio, em sessão pública realizada no CARF em Brasília. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Assim, dele tomase conhecimento. A recorrente solicita a revisão do lançamento considerando que existe erro na área total do imóvel que, segundo informa: “Referido erro consubstanciase na área do imóvel, apontada, nos registros do Ministério da Fazenda, como sendo de 24.884,8 hectares. No entanto, a área real tributável do imóvel, conforme certidão em anexo, é de 24.88.48 hectares (vinte e quatro hectares, oitenta e oito ares e quarenta e oito centiares) Informa que, agindo sempre com total boa fé, desde a venda do imóvel deixou de declarálo como seu em suas declarações anuais para apuração do imposto de renda e que não registrou no Cartório de Registro de Imóveis à época mas que está regularizando a situação juntamente com o adquirente do bem. Apesar dessa situação, requer que o crédito tributário e multa remanescentes assim como futuros lançamentos sejam realizados na pessoa do adquirente. Antes de analisar o mérito da questão enfrentada neste processo é necessário recapitular que o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, o ITR, com a edição da Lei 9.393, de 1996, passou a ser lançado por homologação, cabendo ao contribuinte o cálculo e recolhimento do tributo devido, independentemente de prévia atividade da administração tributária. Dessa forma, contribuinte deve entregar anualmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) o Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) por meio do qual declara a área do imóvel, o Valor da Terra Nua (VTN) obtido com avaliação a preço de Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 27/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10384.721923/201156 Acórdão n.º 2201002.058 S2C2T1 Fl. 93 5 mercado, a ocupação da área e as benfeitorias e outros dados que utilizou para apurar o imposto devido. Os dados cadastrais do imóvel e as alterações porventura ocorridas deverão ser comunicadas à RFB por meio do Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR (DIAC). No caso concreto aqui analisado, a recorrente não informou à RFB a alienação do imóvel rural e apresentou DIAT para o exercício 2008 informando a área de 24.884,8 hectares para o imóvel em questão. Em relação à área do imóvel, a recorrente apresenta a certidão do 2º Tabelionato de Notas e Registros de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil de pessoas jurídicas de Teresina/PI, fls. 77 e 78, para comprovar a área real do imóvel de 24,88 hectares. Apesar de juntar prova somente nesta fase do processo, a extensão do erro e os princípios da razoabilidade e verdade material me levam a concluir pela procedência do pedido para alterar a área equivocadamente informada. No recurso apresentado informa que alienou o imóvel rural em 20/02/1999 ao Srº Pedro Rocha Portela, CPF 227.578.80349, e apresenta novamente a cópia do Contrato particular de Promessa de Venda de Imóvel sob forma de prestação de fls. 79 a 84 acrescentando que os procedimentos para a transferência estão em andamento. A autoridade julgadora, referindose ao contrato juntado às fls. 40 a 44 e novamente apresentado nesta fase recursal às fls. 79 a 84 assim se manifesta em relação à regularidade do lançamento: Ocorre que a exigência do ITR, relativa ao exercício de 2008, foi calculada com base nos dados cadastrais constantes da respectiva DITR, apresentada em nome da recorrente, cujas informações a identificaram como contribuinte do imposto. Notese que a interessada não instruiu a sua defesa com documentos hábeis, comprovando que, à época do fato gerador do ITR/2008 (1º.01.2008), não se enquadrava como Contribuinte do imposto, na condição de proprietária ou mesmo de possuidora a qualquer título do referido imóvel rural, observada a legislação que rege a matéria (artigos 29 e 31 da Lei nº 5.172/66 – CTN, e artigos 1º e 4º da Lei nº 9.393/96). Verificamse, nos dispositivos legais citados, que não há distinção entre o proprietário, o titular do domínio útil e o possuidor da terra, bem como não estabeleceu ordem de preferência quanto à responsabilidade pelo pagamento do imposto. Ratifico a decisão de primeira instância quanto a este ponto uma vez que a recorrente não agregou novos elementos aos autos. Assim sendo, o lançamento não pode ser retificado quanto ao sujeito passivo uma vez que o contrato particular apresentado não é suficiente para a efetiva transferência da propriedade de bem imóvel. Ademais, as convenções e acordos particulares não podem ser opostos à Fazenda Pública nos termos do art. 123 do Código Tributário Nacional (CTN) que dispõe: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 27/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10384.721923/201156 Acórdão n.º 2201002.058 S2C2T1 Fl. 94 6 “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” (Grifouse). Logo, o acordado entre a contribuinte e o Srº Pedro Rocha Portela não altera os efeitos tributários sobre o imóvel enquanto não providenciada a transferência do imóvel de forma plena e regular como definido nas leis civis brasileiras. Isso posto, voto para que o Recurso Voluntário seja julgado parcialmente procedente para que seja alterado o lançamento a partir da área total comprovada do imóvel de 24,88 hectares. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 27/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10384.721923/201156 Acórdão n.º 2201002.058 S2C2T1 Fl. 95 7 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.058. Brasília/DF, 27 de maio de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 27/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
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Numero do processo: 10980.001425/2005-16
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004
DIF Papel Imune. Exigência
A não-apresentação de DIF Papel Imune sujeita à aplicação de multa regulamentar.
Retroatividade Benigna
Aplica-se retroativamente a legislação que cominar penalidade menos severa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a totalidade da exigência original a R$ 8.750,00.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro e Helder Massaaki Kanamaru.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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A análise de princípios constitucionais demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004 DIF PAPEL IMUNE. EXIGÊNCIA A nãoapresentação de DIF Papel Imune sujeita à aplicação de multa regulamentar. RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase retroativamente a legislação que cominar penalidade menos severa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a totalidade da exigência original a R$ 8.750,00. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 14 25 /2 00 5- 16 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10980.001425/200516 Acórdão n.º 3102001.674 S3C1T2 Fl. 119 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Tratase de recurso voluntário manejado em desfavor do Acórdão 1010.573 da Turma da DRJ/Porto Alegre, assim ementado:. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DIF PAPEL IMUNE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INSTITUIÇÃO POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. POSSIBILIDADE. 1. Nos termos do art. 113, § 2º, do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária. Neste conceito estão compreendidas as instruções normativas expedidas por autoridade administrativa competente (art. 96 do CTN), razão pela qual a instituição da “DIF – papel imune” por meio da Instrução Normativa nº 71/2001 está em consonância com o sistema tributário. 2. As sanções previstas neste diploma legal encontram fundamento de validade no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que expressamente determinou as sanções pecuniárias aplicáveis pelo descumprimento das obrigações acessórias relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. MULTA FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. ILÍCITO INDEPENDENTE DA VONTADE DO SUJEITO PASSIVO E DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARA SUA CONFIGURAÇÃO. NÃOAPLICAÇÃO DO INSTITUTO DA ESPONTANEIDADE. PRECEDENTES REITERADOS E PACÍFICOS DE AMBAS AS TURMAS DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. A multa por atraso na entrega da declaração em apreço configurase com o simples transcurso do tempo – fato jurídico strictu sensu. 2. A denúncia espontânea, como o próprio nome clarifica, é ato jurídico strictu sensu, logo, dependente da vontade do sujeito passivo. 3. Não pode o ser humano impedir o transcurso do tempo, assim como também não pode elidir sanção neste evento fundamentada. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10980.001425/200516 Acórdão n.º 3102001.674 S3C1T2 Fl. 120 3 4. Ademais, obrigações acessórias autônomas independem da hipótese de incidência da obrigação principal para serem exigíveis. 5. Não se aplica às multas por atraso na entrega de declarações o instituto da denúncia espontânea. 6. Precedentes pacíficos e reiterados recentemente definidos por ambas as turmas do STJ (REsp 576.637/PR), REsp 557.018/RS, REsp 197.718/MG, AGREsp 272.658/RS, AGREsp 507.467/PR, REsp. 246.979/PR, REsp 195.161/GO e REsp 208.097/PR, entre outros). Lançamento procedente.” A exigência fiscal, como é possível extrair, originouse em multa pelo descumprimento de obrigação acessória. No caso, a apresentação em atraso da DIFPapel Imune relativa ao último trimestre de 2003 e aos três primeiros trimestres de 2004. Em síntese, os fundamentos da impugnação são os mesmos do recurso voluntário: a) cumprimento espontâneo da obrigação, falta de amparo legal para a imposição da multa litigiosa e violação ao princípio do não confisco. Originalmente distribuído para a extinta Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, o processo foi alvo do acórdão 30239.784, por meio do qual declinouse da competência para julgar o feito em favor do Segundo Conselho de Contribuintes. Em face da reestruturação das competências dos extintos Conselhos de Contribuintes, levada a efeito quando da criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a matéria, litigiosa, que outrora fizera parte da competência do extinto Segundo Conselho, passou a se inserir no rol das atribuições da Terceira Seção do CARF, para a qual os autos foram redistribuídos. Em face de distribuição levada a efeito mediante sorteio, vieram os autos para a relatoria deste Conselheiro. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Analiso a seguir cada um dos pontos sobre os quais cabe a este Colegiado se manifestar. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10980.001425/200516 Acórdão n.º 3102001.674 S3C1T2 Fl. 121 4 1 Denúncia espontânea Justificadamente, a meu ver, a jurisprudência deste CARF, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça, firmaram um norte no sentido de que as infrações meramente formais não estão albergadas pelo instituto da denúncia espontânea, insculpido no art. 138 do Código Tributário Nacional. Pelo poder de síntese demonstrado, transcrevo parcialmente os argumentos do Ministro José Delgado, nos autos do AgRg no REsp 8484811 e os adoto como se meus fossem: A entrega extemporânea da Declaração do Imposto de Renda, como ressaltado pela recorrente, constitui infração formal, que não pode ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair a aplicação do invocado art. 138 do CTN. (...) Deste modo, não se constituindo em típica infração de natureza puramente tributária, não terá aplicação na espécie o art. 138 do CTN. 2 Inobservância de Princípios Constitucionais Pleiteia ainda o recorrente que se reconheça a inconstitucionalidade da delegação levada a efeito no art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, da Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001, além da violação ao princípio do nãoconfisco. Não vejo como acatar tal pleito. Com efeito, após a edição da Súmula Vinculante nº 102, de autoria do e. Supremo Tribunal Federal, restou claramente identificado o limite dos critérios de que se pode socorrer o julgador administrativo. Diz o dispositivo: VIOLA A CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (CF, ARTIGO 97) A DECISÃO DE ÓRGÃO FRACIONÁRIO DE TRIBUNAL QUE, EMBORA NÃO DECLARE EXPRESSAMENTE A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO DO PODER PÚBLICO, AFASTA SUA INCIDÊNCIA, NO TODO OU EM PARTE. Igualmente esclarecedora é a manifestação da mesma corte nos autos do RE 432.597AgR3: "Controle de constitucionalidade de normas: reserva de plenário (CF, art. 97): reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da 1 DJ: 19/10/2006 2 DJe nº 117/2008, p. 1, em 27/6/2008. DO de 27/6/2008, p. 1. 3 Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 141204, DJ de 18205. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10980.001425/200516 Acórdão n.º 3102001.674 S3C1T2 Fl. 122 5 norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição." (destaquei) Por óbvio, mais relevante do que fixar a as hipóteses em que o art. 97 da Constituição Federal deve ser observado, a manifestação do Pretório Excelso delimita o que se entende por controle da constitucionalidade de lei ou ato normativo, fixando, por via indireta, os limites de atuação deste Colegiado. Sabidamente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) está impedido de exercer tal controle em razão do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 20084, transcrito no art. 62 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, responsável pela aprovação do Regimento Interno desse Colegiado Nesse contexto, demonstrada a incidência da norma ao fato, não se poderia afastar a sua aplicação face ao critério da lex superior constitucional, máxime quando tal norma se situa no plano dos princípios, sabidamente normas de eficácia contida. 3 Legalidade Diferentemente do alegado, as obrigações acessórias instituídas pela Instrução Normativa SRF nº 71, de 2001, em especial veiculada seu art. 105, encontra suporte no art. 166 da Lei nº 9.779/99 e está perfeitamente alinhada com o § 2º do art. 1137 do CTN. Por outro lado, não vejo como afastar a higidez da determinação contida no art. 1º da IN 71, que, com base nesse arcabouço de normas, determinou que as pessoas jurídicas que se dedicassem à realização de operações com papel imune se inscrevessem em registro especial. Há, portanto, base legal para exigir do sujeito passivo a apresentação da declaração periódica e, o que é mais relevante, exigir multa pela omissão desse dever. 4 Retroatividade Benigna A penalidade em questão sofreu redução substancial, com a edição da Medida Provisória nº 451, de 15 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.945, de 04 de novembro de 2009, em cujo art. 1º se lê: Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a 4 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 5 "Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1º". 6 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 7 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10980.001425/200516 Acórdão n.º 3102001.674 S3C1T2 Fl. 123 6 que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea “d” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. (...) § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: (...) II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade. (grifos não originais) Como é possível perceber, a obrigação acessória de que trata o inciso II do § 3º do art. 1º da Lei nº 11.945, de 2009, é exatamente aquela relacionado com a entrega tempestiva da DIFPapel Imune, instituída no art. 10 Instrução Normativa SRF nº 71, de 2001. Em consonância com o novo comando legal, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 976, de 7 de dezembro de 2009, que revogou a Instrução Normativa anteriormente citada, e no seu art. 12 reproduziu o teor da nova multa por atraso na entrega da DIF – Papel Imune, com os seguintes termos, in verbis: Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10980.001425/200516 Acórdão n.º 3102001.674 S3C1T2 Fl. 124 7 II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade. (grifos não originais) Diante da clareza dos novos comando normativos, fica evidente que a penalidade por atraso na entrega DIF – Papel Imune, instituída pelo inciso II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945, de 04 de novembro de 2009, e reproduzida no inciso II do art. 12 da Instrução Normativa RFB nº 976, de 2009, é inferior a exigida nos presentes autos, com base no art. 57 da MP nº 2.15835, de 20018. Finalmente, considerando que a declaração relativa ao terceiro trimestre de 2004 foi apresentada independentemente da intimação à fl.05, caberia ainda aplicar a redução prevista no ato novel. 5 Conclusão Assim sendo, partindo da premissa de que a recorrente é uma microempresa e que deixou de apresentar 4 declarações e que faz jus à redução de 50% sobre uma das multas, dou provimento ao recurso para reduzir a exigência original a R$ 8.750,00. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro 8 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; (...) Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10980.001425/200516 Acórdão n.º 3102001.674 S3C1T2 Fl. 125 8 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10830.900749/2006-33
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
PROVA. DEFESA. CRÉDITO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL/FISCAL.
As alegações de liquidez e certeza do crédito utilizado na declaração de compensação, que compõem a defesa, devem estar substanciadas na escrita fiscal e contábil ou de documentos capazes de demonstrá-la.
Numero da decisão: 3803-004.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corinto Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PROVA. DEFESA. CRÉDITO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL/FISCAL. As alegações de liquidez e certeza do crédito utilizado na declaração de compensação, que compõem a defesa, devem estar substanciadas na escrita fiscal e contábil ou de documentos capazes de demonstrá-la.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo deve ser demonstrada a liquidez e certeza do crédito utilizado na declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PROVA. DEFESA. CRÉDITO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL/FISCAL. As alegações de liquidez e certeza do crédito utilizado na declaração de compensação, que compõem a defesa, devem estar substanciadas na escrita fiscal e contábil ou de documentos capazes de demonstrála. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corinto Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 07 49 /2 00 6- 33 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 34143.18597.230903.1.3.042102, fls.30/34 em que utilizou como crédito pagamento a maior de PIS não cumulativo relativo ao período de apuração abril de 2003, no valor de R$ 3.978,09. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 19, a DRF/Campinas não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF indicado na DComp encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2/5, a Interessada alegou, em síntese, que: a) após a ciência da decisão em tela, constatou que se equivocou no valor declarado na DCTF. Tentou retificar essa declaração, mas isso não lhe foi permitido, em razão de já ter se passado mais de cinco anos em relação aos períodos por ela abrangidos; b) o crédito existe, portanto não pode ser penalizada por um mero erro de procedimento. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas, fls. 41/45, consignou que o efeito imediato da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição. Nesses termos, a DComp prestase a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro de quem é a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Apontou que o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revelou que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Ante isso concluiu que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Anotou que são indispensáveis os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do real valor devido a título da contribuição apurada para o período de apuração em questão, para que se comprove a existência do direito creditório indicado na DComp. No caso dos autos – continuou foram apresentados apenas cópias de demonstrativos de fls. 6, 20 e 21, os quais não podem ser tomados como prova, já que desacompanhados de documentação contábil/fiscal que os fundamente. Demais disso, o conteúdo legível dos referidos documentos não evidencia claramente a apuração do PIS do código 8109 no período e a origem do suposto direito creditório reclamado. Disse, ainda, que na hipótese de aproveitamento de créditos, e sendo a interessada sujeita a vários regimes de incidência da referida contribuição (segundo seu próprio demonstrativo), seria indispensável a indicação do fundamento legal que ampare o mencionado aproveitamento, bem como a adequada demonstração da apuração a que se refere o recolhimento a maior. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.900749/200633 Acórdão n.º 3803004.186 S3TE03 Fl. 62 3 Consignou que ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Referiu que não era o caso de estar privilegiando o aspecto formal em detrimento da verdade matéria, mas que sua defesa carece de provas documentais robustas para que a interessada lograsse infirmar informações por ela própria prestadas. Pela faltando, nos autos, da comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão em 06 de fevereiro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 49/52, em 07 de março de 2012, em que, reiterou os exatos termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A decisão recorrida houvese com correção ao indeferir a solicitação da Contribuinte contida na manifestação de inconformidade, por não ter, a Interessada, suprido as suas alegações com a escrituração contábil/fiscal ou os documentos que comprovassem o indébito, bem como com a sua justificativa legal, aptos a encaminhar a votação a uma decisão favorável. Os pressupostos para essa exigência foram adequadamente pontuados pela Julgadora de primeira instância, sobre os quais assentou o cabimento, à Contribuinte, o ônus da comprovação como elemento integrante da defesa. A inconformação contra esta razão de decidir deveria movimentar a Recorrente na direção de trazer aos autos estes elementos faltantes indicados pelo Colegiado a quo. Mesmo tendo esta referência erigida como obstáculo à pretensão de sua defesa, a Recorrente não se desincumbe desse mister que lhe cabe para que viesse a obter êxito. A liquidez e certeza do utilizado na DComp continuou sem ser demonstrada nesta fase de contestação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 21 de maio de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10380.901786/2008-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
Ementa:
É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas.
Numero da decisão: 3402-002.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 17 86 /2 00 8- 76 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901786/200876 Acórdão n.º 3402002.111 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 3402000313, de 01/09/2011, verbis: Tratase de pedido de ressarcimento cumulado com declaração de compensação. O credito usado na compensação é oriundo de pagamento a maior do PIS, efetuado em 14/11/2002. O Despacho decisório considerou que o recolhimento informado na DCOMP foi totalmente utilizado para quitar os débitos informados na DCTF, não havendo credito a ser usado na compensação. O pedido foi indeferido e as compensações não foram homologadas. Cientificada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando: o crédito apurado em seu favor decorreu de correção nos cálculos de apuração do PIS, entretanto não foi efetivada a retificação através do envio de DCTF retificadora, bem como de DIPJ retificadora. detectada a falha, foi apresentada somente a retificação da DIPJ. A DCTF não foi apresentada em virtude de o contribuinte ter recebido Termo de Intimação para prestar esclarecimentos acerca de divergências apresentadas entre DIPJ e DCTF relativo à COFINS. em dezembro de 2006 apresentou as justificativas para o Termo de Intimação e solicitou orientação sobre a necessidade de retificação das DCTF já que estava sob procedimento fiscal. A orientação até hoje não foi recebida. anexa os PER/DCOMP e planilhas de atualização do alegado crédito. considera que com a retificação da DCTF, estará regularizada a pendência. Para tanto procedeu a retificação da DCTF de 2002 em 04 de junho de 2008. Requer o acatamento da retificação da DCTF, como também que os PER/DCOMP sejam acolhidos e que a cobrança dos débitos constantes das notificações sejam anuladas. A autoridade julgadora a quo indeferiu a solicitação. A contribuinte apresenta recurso voluntário alegando as mesmas razões da inicial, acrescendo: • o crédito apurado em favor da recorrente decorreu de correção nos cálculos de apuração do PIS, Fl. 308DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901786/200876 Acórdão n.º 3402002.111 S3C4T2 Fl. 206 3 • a retificação das DCTF foi realizada em virtude da revisão de DIPJ realizada no âmbito do processo 10.380.001058/2007 81(anexo I) que culminou com a lavratura de Auto de Infração da COFINS . Neste processo o nobre auditor fiscal utilizou como base para autuação os valores constantes da DIPJ como podemos observar as folhas 08 deste processo nota de rodapé "Fonte : coluna (A e B) Linha 20 e 21 da ficha 20a — DIPJ"(anexo II). • Se o auditor utilizou a DIPJ para realizar a autuação é porque verificou junto a escrituração contábil que os valores estavam corretos e portanto válidos(vide anexo III), razão pela qual a contribuinte também poderia utilizarse destas mesmas informações para lastrear seu pedido de restituição já que a base de cálculo da COFINS é a mesma do PIS. • O que este contribuinte fez foi apenas adequar a base de cálculo utilizada pelo auditor autuante no processo 10380.001058/200781 COFINS, à base de cálculo do PIS objeto da presente defesa, razão pela qual restaram evidenciados o pagamento à maior que foi objeto do presente crédito ora utilizado. • Os r. julgadores afirmam ter verificado que a recorrente apresentou DIPJ antes de cientificado da decisão denegatória de seu pedido, no entanto, a DIPJ, tratase de mecanismo meramente informativo de informações econômico fiscais, sem portanto, ter força de confissão. A Declaração que faria provas ao direito credit6rio seria a DCTF, por força do art. 5° do Decretolei nº 2.124/84, c/c o parágrafo 1º do artigo 90 da Instrução Normativa SRF no. 482, de 21 de dezembro de 2004, que lhe atribuem a condição de instrumento de confissão de divida e constituição definitiva de credito tributário. • Discorre sobre a ilegalidade da norma que criou a DCTF e deu a esta o caráter de confissão de divida. A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para que o órgão de origem tomasse as seguintes providências: 1) Intimar a contribuinte para que ela apresente copias de seus livros fiscais demonstrando as corretas bases de calculo do PIS devido; 2) Intimar a contribuinte para que ela efetivamente demonstre através de planilha demonstrativa pormenorizada, embasadas em documentos contábeis fiscais, a correta base de calculo da contribuição devida, os valores recolhidos por meio de DARF e os valores que entende indevidos, bem como quais os valores já utilizados em outras compensações (com a devida comprovação); e Fl. 309DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901786/200876 Acórdão n.º 3402002.111 S3C4T2 Fl. 207 4 3) Verificar diante das informações e documentos apresentados pela contribuinte a existência do alegado direito creditório, inclusive com elaboração de demonstrativos de calculo e relatório final de diligencia, anexando os documentos que se fizerem necessários para o deslinde da questão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza intimou o sujeito passivo para apresentar os documentos necessários para a feitura da diligência proposta. Passado o prazo de 20 dias, o contribuinte mantevese inerte. A Autoridade Preparadora fez a análise solicitada pelo Colegiado do Carf com base nos registros documentais que possuía. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme relatado, a lide posta nos autos diz respeito a pedido de restituição cumulado com declarações de compensação. Este Colegiado baixou o processo em diligência para análise de questões imprescindíveis para o julgamento da controversa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE realizou o trabalho de campo, ao final produziu um relatório fiscal, o qual o recorrente teve ciência para contestar e manifestou concordância com os dados apurados pelo Fisco. Com base nas apurações feitas pela Delegacia de Origem constato: a) Que o recorrente pleiteou um crédito financeiro referente ao recolhimento do PIS efetuado em 14/11/2002 no valor de R$ 50.719,70 e foi apurado um crédito a seu favor no valor de R$ 50.719,44; b) Que no processo nº 10380.900899/200854 o recorrente utilizou o valor acima para compensar créditos tributários do IRRF referente à novembro de 2003 no valor de R$ 13.242,12; c) Que no processo nº 10380.900930/200857 o recorrente pleiteia a compensação deste mesmo crédito com débitos do IRRF referente à janeiro de 2004, no valor de R$ 45.167,87; d) Que no processo nº 10380.901786/200876 o recorrente pleiteia a compensação deste mesmo crédito com débitos Fl. 310DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901786/200876 Acórdão n.º 3402002.111 S3C4T2 Fl. 208 5 do IRRF referente à fevereiro de 2004, no valor de R$ 4.640,97; e) Que a soma dos valores compensados resulta em R$ 63.050,96, e o valor apurado foi de R$ 50,719,44.. É de meridiana obviedade que o recorrente não tinha valores a restituir suficientes para contemplar toda a compensação pretendida. Diante desta quadro, convém tecer resumidas linhas sobre os institutos da restituição e da compensação. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. A restituição do indevido pode ser feita por meio da compensação, que é uma forma indireta de extinção da obrigação, feita por uma via oblíqua. Doutrinariamente, a compensação é dividida em duas categorias: a legal e a convencional. A adotada pelo direito tributário é a legal, ou seja, presentes os pressupostos legais, ela se opera independentemente da vontade dos interessados. O conteúdo semântico do termo compensação, adotado pelo Código Tributário Nacional, tem os mesmos contornos do conceito consolidado no direito civil. Não se pode olvidar que os termos e conceitos jurídicos consolidados no direito privado não podem ser modificados pela lei tributária, conforme reza o art. 110 do CTN. É pressuposto da compensação que os sujeitos possuam uma condição recíproca de credor e devedor. Existe uma contraposição de direitos e obrigações que, colocados na balança e equilibrados, se extinguem. Tal extinção assemelhase ao pagamento, contudo um pagamento indireto pela exclusão de um débito em face do direito a um crédito. Nesta linha, podese inferir que compensar significa fazer um acerto no equilíbrio entre os débitos e os créditos que duas pessoas têm, ao mesmo tempo. Portanto, temos como pressupostos de admissibilidade da compensação legal a reciprocidade dos créditos (obrigações), a liquidez das dívidas, a exigibilidade atual das prestações e a homogeneidade das prestações (fungibilidade dos débitos). Após essa breve explanação, fica evidente que é conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901786/200876 Acórdão n.º 3402002.111 S3C4T2 Fl. 209 6 No direito tributário nacional, a compensação está prevista na espécie denominada de “compensação legal”, e assim sendo constitui um direito subjetivo que pode ser exercitado por quem se encontre em situação hábil a pleiteála exigindo que sua obrigação tributária seja extinta em procedimento de compensação, conquanto que sejam preenchidos os seguintes requisitos legais: · Especificidade, isto é, a existência de lei autorizativa específica; · A estipulação de condições e garantias na lei autorizativa específica; · Reciprocidade, ou seja, o sujeito passivo deve ser portador de créditos próprios oponíveis a outros créditos da Fazenda Pública; · Liquidez, que se caracteriza pelos créditos devidamente quantificados e expressos em unidades monetárias; · Certeza, diz respeito a sua constituição fundada na existência de uma relação jurídico tributária completamente definida; · Exigibilidade irrestrita relativamente aos créditos vencidos e também vincendos de compensação. Cumpre observar que o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no art. 170 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), que diz: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” É oportuno tecer algumas linhas acerca da história da compensação tributária. O Código Tributário Nacional arrolou a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário, cometendo à lei ordinária a tarefa de disciplinarlhe as condições e garantias (art. 170 do CTN). Essa previsão encampa uma conotação de norma delineadora de simples perspectiva de direito, notadamente por ser dirigida à autoridade administrativa. Com o escopo de fulminar qualquer conjectura voltada à atribuição de letra morta ao instituto da compensação em matéria tributária, em nível federal, houve a devida instrumentalização desse instituto jurídico, de modo que a Lei nº 8.383/91, por força do seu art. 66, passou a autorizar a autocompensação de indébitos tributários no âmbito do lançamento por homologação. Assim, para que o contribuinte pudesse se valer do direito subjetivo à autocompensação de indébito tributário, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91, com Fl. 312DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901786/200876 Acórdão n.º 3402002.111 S3C4T2 Fl. 210 7 alterações introduzidas pelo art. 39 da Lei nº 9.250/95, bastava, simplesmente, que o mesmo tivesse efetuado pagamento indevido ou maior de tributos e que a compensação se realizasse com débitos vincendos de tributos da mesma espécie e destinação constitucional. Todavia, essa autocompensação deveria ficar demonstrada na contabilidade do sujeito passivo, tendo em vista o poderdever do fisco de fiscalizar e verificar a regularidade da compensação, ou, sendo o caso, diante da apuração de eventuais irregularidades, cabendo lhe notificar as diferenças e/ou excessos praticados. Desta forma, provase que ocorreu a autocompensação com a apresentação da respectiva escrituração nos livros fiscais. Com o advento da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, artigos 73 e 74, a Administração Tributária passou a admitir a compensação de créditos do sujeito passivo, perante a SRF, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da mesma Secretaria, vencidos ou vincendos, ainda que não fossem da mesma espécie e nem tivessem a mesma destinação constitucional. “Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” Regulamentando os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, foi baixado o Decreto nº 2.138, de 29/01/1997, dispondo sobre a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, a ser efetuada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: “Art. 1°. É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. (...) Fl. 313DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901786/200876 Acórdão n.º 3402002.111 S3C4T2 Fl. 211 8 Art. 7º. O Secretário da Receita Federal baixará as normas necessárias à execução deste Decreto.” A Secretaria da Receita Federal do Brasil normatizou os procedimentos de compensação mediante edição da IN/SRF nº 21, de 10/03/1997, alterada pela IN/SRF nº 73, de 15/09/1997. Sempre que o contribuinte fosse detentor de um crédito perante SRFB podia utilizálo na liquidação ou amortização de débito do mesmo tributo ou de outro tributo. Assim, a compensação poderia ser feita: · Independentemente de requerimento, se relativo a tributo ou contribuição da mesma espécie e se o crédito fosse anterior ao débito (IN SRF nº 21, art. 14); · Mediante requerimento do contribuinte: se relativo a tributo ou contribuição de espécie diferente (IN SRF nº 21, art 12). Neste caso, a compensação de débitos vincendos poderia ser efetuada desde que não existissem débitos vencidos, ainda que parcelados (IN SRF nº 21, art.12, § 3°); quando o débito fosse anterior ao crédito (IN SRF nº 21, art.14, §7°); quando o débito for de outro contribuinte (IN SRF nº 21, art.15); quando o débito for decorrente de lançamento de ofício (IN SRF nº 21, art. 16); · Em procedimento de ofício (IN SRF nº 21, art. 6º). A partir de 01/10/2002, com a publicação da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, implementaramse novas regras para a compensação: “Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º. Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901786/200876 Acórdão n.º 3402002.111 S3C4T2 Fl. 212 9 I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.” Com essa alteração, a compensação passa a ser declarada pelo próprio contribuinte, por meio da entrega da “Declaração de Compensação” (eletrônica, pelo PER/DCOMP, a partir de 14/05/2003), na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. A compensação realizada nesses moldes extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em 01/10/2002, foram transformados em declaração de compensação, desde o seu protocolo, e os débitos a ela vinculados passaram para a condição de extintos sob condição resolutória. De se observar que o Parecer PGFN/CAT nº 1.499, de 28/09/2005, em análise sobre diversos aspectos inerentes ao instituto da compensação, assim se manifestou sobre essas questões: “143. Ante todo o exposto, chegase às seguintes conclusões: (....) c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RF, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); c.3) aplicase o entendimento retro, também, aos pedidos de compensação, pendentes de apreciação, quando fundados em créditos que se refiram a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º Fl. 315DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901786/200876 Acórdão n.º 3402002.111 S3C4T2 Fl. 213 10 do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969; ou que se refiram a títulos públicos; ou sejam decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; ou que não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela RF; (...) Retornando aos autos, diante dos fundamentos jurídicos e legais postos nos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito financeiro reconhecido, nos termos do relatório de diligência. É como voto. Sala das Sessões, em 23/07/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 316DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13964.000172/2008-01
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO SE CONHECE DE RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO A DESTEMPO.
Diante da intempestividade do recurso voluntário, é de se lhe negar conhecimento.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a).
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 24/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO SE CONHECE DE RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO A DESTEMPO. Diante da intempestividade do recurso voluntário, é de se lhe negar conhecimento. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a). (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 24/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
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NÃO SE CONHECE DE RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO A DESTEMPO. Diante da intempestividade do recurso voluntário, é de se lhe negar conhecimento. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a). (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 24/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 01 72 /2 00 8- 01 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Relatório Contra o contribuinte foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física (fls.0305), referente ao exercício 2007, anocalendário de 2006, em razão de suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, acrescendose, como complementação da descrição dos fatos, que o contribuinte omitiu rendimentos relativos à pensão de excombatente, “herança deixado pelo seu pai”. Impugnou o lançamento (fls. 01 e ss.), por meio de sua curadora (que lhe foi dada por haver sido interditado judicialmente, em razão de doença psíquica, fl.30), aos seguintes argumentos: que sobre pensão especial de excombatente não incide imposto de renda, que há decisão judicial no Juizado Especial de Florianópolis/SC – Juiz Alcides Vettorazzi, nos autos do processo n° 2005.72.50.0050197, reconhecendo que o imposto de renda não incide sobre pensão especial de excombatente, e que a sentença transitou em julgado. Em julgamento, a 6ª Turma da DRJ/FNS, em sessão realizada no dia 04/03/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos seguintes fundamentos: que a ação judicial em que o pai do contribuinte obteve ganho de causa, para ver reconhecido seu direito a percepção de pensão especial, com fulcro no art.53, II e III, do ADCT, e na Lei n.8.059/90, artigos 2o e 3o, não versou acerca da incidência ou não do imposto de renda sobre tais verbas, como se pode verificar das cópias constantes dos presentes autos; que, considerando o fundamento jurídico constitucional e legal acima referido da pensão deferida ao falecido pai do contribuinte, o benefício em questão não figura entre aqueles a que o ordenamento jurídico brasileiro reconhece a condição de isentos de imposto de renda; que o RIR/99, em seu art.39, XXXV, estabelece explicitamente que somente se reconhece a isenção aos proventos pagos ao excombatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), havendo o falecido pai do contribuinte participado apenas de operações de defesa do litoral brasileiro, conforme documentação constante dos autos; que a própria fonte pagadora, Ministério do Exécito, reconheceu os rendimentos como tributáveis; que as normas isentivas se interpretam literalmente, nos termos do CTN; que o processo judicial mencionado na impugnação consiste em mera citação de jurisprudência de caráter não vinculante, de vez que o contribuinte ou seu falecido pai, não são ou foram partes no referido processo. Cientificado da supramencionada decisão em 20/04/11, conforme fl. 44, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 56 (numeração CARF, pois ausente numeração original), em 21/07/11, atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação e acrescendo que o recorrente é portador de doença isentiva, juntando documentos. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 13964.000172/200801 Acórdão n.º 2802002.254 S2TE02 Fl. 79 3 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, relator. Em sede preliminar, o recurso não deve ser conhecido, por intempestivo. Com efeito, intimado no dia 20 de abril de 2011 (fls. 44) da decisão da DRJ, o recurso apresentado em 21 de julho (fls. 56), sendo relevante ressaltar que o AR de fls. 49 trata da Carta Cobrança respectiva ao crédito tributário não satisfeito que é respectivo ao presente processo. Desta forma, inexistente qualquer preliminar relativa à tempestividade, é de negarse conhecimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001286/2005-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/03/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO INFORMAL - CRÉDITOS DA SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA - IMPOSSIBILIDADE
Na sistemática não cumulativa os critérios procedimentais de compensação tem como finalidade a própria apuração e controle do crédito tributário, razão pela qual não podem ser desconsiderados em prol da aplicação da verdade material. Impossibilidade de compensação informal.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3302-002.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Fez sustentação oral: Marília Pukenis Tubelis - OAB/SP 157.003.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/03/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO INFORMAL - CRÉDITOS DA SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA - IMPOSSIBILIDADE Na sistemática não cumulativa os critérios procedimentais de compensação tem como finalidade a própria apuração e controle do crédito tributário, razão pela qual não podem ser desconsiderados em prol da aplicação da verdade material. Impossibilidade de compensação informal. Recurso Negado.
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Impossibilidade de compensação informal. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral: Marília Pukenis Tubelis OAB/SP 157.003. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 12 86 /2 00 5- 39 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10882.001286/200539 Acórdão n.º 3302002.030 S3C3T2 Fl. 11 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para o fim de constituir débito tributário de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 75/86). Após analisar os autos verifiquei que a discussão permanece apenas no que se refere aos meses de maio/junho/julho de 2003, uma vez que os demais períodos foram reconhecidos como devidos e devidamente recolhidos pela Recorrente, do que se conclui que estão extintos. Em síntese, a controvérsia cingese à ocorrência de compensação dos valores ora exigidos e créditos apurados pela Recorrente na sistemática não cumulativa do PIS. A fiscalização e os julgadores administrativos de primeira instância entendem que a compensação realizada pela Recorrente não pode ser considerada, posto que não foram cumpridos os dispositivos legais pertinentes à compensação, com a apresentação de Dcomp (Lei nº 10.637/02, artigo 49 – que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.730/96 – Instrução Normativa – IN 210/02, artigo 21 e IN 291/03 artigo 1º). Por sua vez, a Recorrente defende o procedimento de compensação da forma como realizado, discorrendo acerca da impossibilidade de questões formais inviabilizarem o aproveitamento de crédito válido e existente, pleiteando, ainda, o reconhecimento da homologação tácita dos créditos em vista de a constituição do crédito não ter sido contestada pela fiscalização. Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual o conheço. Conforme se verifica dos autos, remanesce nos autos apenas a discussão acerca do procedimento de compensação realizado pela Recorrente, sendo que os demais períodos foram extintos pelo pagamento. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10882.001286/200539 Acórdão n.º 3302002.030 S3C3T2 Fl. 12 3 A questão é que a Recorrente realizou informalmente a compensação de créditos decorrentes do sistema não cumulativo do PIS com débitos da Cofins (9.718/98). Pleiteia em seu favor o direito ao crédito “bom” e a impossibilidade de sobrepor o formal ao material. In casu, com razão a fiscalização. É conhecido meu posicionamento contra o excesso de formalismos e em prol da substância sobre a forma. Todavia, o caso em apreço merece uma atenção especial. É que a discussão está relacionada a créditos de PIS apurados no sistema não cumulativo, não se trata, portanto, de simples repetição de indébito com créditos exatos. O crédito no sistema não cumulativo, para ser apurado prescinde de análise de toda a atividade e ciclo produtivo do contribuinte. Não é possível entender, portanto, que o crédito é líquido e certo e que o formalismo pretendido pela fiscalização tem como objetivo apenas controlar a própria compensação. Quando se trata do sistema não cumulativo a regra geral não se aplica vez que o procedimento de compensação pretende, dentre outras questões, controlar e constituir (por meio da fiscalização) o próprio crédito. Assim, não se trata de simples “forma sobre a substância” e o não atendimento dos requisitos formais passa a inviabilizar a compensação. Ante o exposto, conheço do presente recurso para fim de NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume as razões de primeira instância administrativa. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11618.003152/2008-98
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1801-001.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Ana de Barros Fernandes acompanha pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Ana de Barros Fernandes acompanha pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 31 52 /2 00 8- 98 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.003152/200898 Acórdão n.º 1801001.498 S1TE01 Fl. 556 2 Relatório A Recorrente formalizou os Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nºs 11485.98427.271103.1.7.030507 em 27.11.2003, fls. 0408, e 27274.19183.271103.1.3.038830, em 27.11.2003, fls. 0912, em ambos utilizandose do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor original de R$11.748,04 do anocalendário de 2000 apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls.1457 e a Recorrente apurou o saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2000 discriminado na Tabela 1. Tabela 1 – Saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000 Cálculo da CSLL a Pagar no Anocalendário de 2000 (A) Valores R$ (B) CSLL Devida 0,00 () CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada 11.748,04 (=) CSLL a Pagar (11.748,04) Com a finalidade de apuração correta dos fatos, a Recorrente foi notificada e em várias oportunidades prestou esclarecimentos. Os autos estão instruídos com documentos da sua escrituração e com os registros internos da RFB relativamente aos anoscalendário de 1997 a 2003, fls. 62239. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 240245, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Consta na fundamentação O pleito do contribuinte busca refugiarse na Instrução Normativa SRF nº. 600, de 28 de dezembro de 2005 [...], bem como na Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996 [...]. Entretanto, resta prejudicado o reconhecimento do crédito fundamentado no Saldo Negativo CSLL AC 2000 , tendo em vista a ausência, nas informações trazidas ao presente processo pelo contribuinte, de elementos probatórios que o alicercem.[...] À luz do exposto, [...] Não reconhecer o direito creditório constante do PER/DCOMP nº, 11485.98427.271103.1.7.030507 fls. 02 a 06, referente ao Saldo Negativo CSLL AC 2000 , conforme os termos do presente parecer. Não homologar as compensações informadas nas Declarações de Compensação constantes do PER/DCOMP nº. 11485.98427.271103.1.7.030507 fls. 02 a 06 e do PER/DCOMP nº 27274.19183.271103.1.3.038830 fls. 07 a 10. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.003152/200898 Acórdão n.º 1801001.498 S1TE01 Fl. 557 3 Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Restou ementado Assunto: CSLL Saldo Negativo Período de Apuração: AC 2000 Ementa: SALDO NEGATIVO CSLL. APURAÇÃO DO CRÉDITO NÃO COMPROVADA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo negativo de CSLL apurado pelo contribuinte, mas não comprovado na escrituração contábil, quando solicitada apresentação pela RFB, não é passível de reconhecimento. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. INEXISTÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A compensação fundamentada em crédito não reconhecido pela RFB, e considerado inexistente, não é passível de homologação. Cientificada em 31.07.2008, fl. 246, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 29.08.2008, fls. 247251, com os argumentos a seguir sintetizados. Aduz que o valor do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000 no valor de R$11.748,04 referese à CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada do período de apuração de fevereiro de 2000, que foi extinta pela modalidade de compensação com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997, que foi efetuada mediante seus registros contábeis, conforme abaixo discriminado: Comprovação saldo negativo CSLL anocalendário 1997 — Ficha 11 da DIPJ/1998 (Anexo III) o qual foi utilizado parcialmente para quitar estimativa do anocalendário de 2000. Descrição Valor Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 43.431,74 [] CSLL sobre o Lucro Mensal por Estimativa [de janeiro de 1997] 107.536,20 [=] CSLL a Pagar 64.104,46 O valor da CSLL paga por estimativa referese ao valor apurado no mês de janeiro de [1997], o qual é composto por recolhimento e compensação, conforme a seguir: Descrição Valor CSLL recolhida [no mês de] janeiro – DARF (Anexo) 92.164,36 CSLL recolhida [no mês de] janeiro – compensação [de anos anteriores] 15.371,84 CSLL sobre Lucro Mensal por Estimativa [de janeiro de 1997] 107.536,20 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.003152/200898 Acórdão n.º 1801001.498 S1TE01 Fl. 558 4 Dessa forma, conforme anteriormente demonstrado, o crédito relativo ao Saldo Negativo de CSLL anocalendário de 2000 é integralmente proveniente de compensação efetuada com saldo negativo de CSLL do anocalendário de [1997], sendo este decorrente de valor antecipado (recolhido) a maior, quando da antecipação da estimativa relativa do mês de janeiro do mesmo ano. Esclarece que Quando do preenchimento do PER/DCOMP n° 11485.98427.271103.1.7.03 0507, o programa disponibilizado Pela SRF (PER/DCOMP .1), na ficha relativa a composição do crédito — Estimativas Compensadas com Saldos de Períodos anteriores (Anexo IV), não permitia que fossem informados créditos constituídos em exercício/anocalendário anteriores a 1999/1998. Com isso, apesar do valor utilizado para compor o crédito relativo ao anocalendário 2000 ser relativo ao ano calendário de 1997, na PER/DCOMP foi informado como sendo do anocalendário de 1998. [...] Quanto a registro contábil dos valores relativos ao anocalendário de 1997, esclarecemos que até o mês de dezembro do anocalendário 2002, a Recorrente adotava o procedimento de registrar contabilmente todos os valores de CSLL a compensar, em uma única conta contábil, sem efetuar segregação por ano em que cada saldo foi gerado. A composição / acompanhamento do saldo era efetuada através de controles auxiliares. [...] Conforme demonstrado, apesar do registro contábil dos valores relativos a saldos negativo de CSLL ter sido efetuado em uma única conta contábil para diversos anoscalendário, é possível identificar claramente os lançamentos contábeis dos valores que compõem o saldo de cada período [...]. O saldo negativo de CSLL relativo anocalendário de 2000, indicado no razão contábil, é composto conforme a seguir: Saldo negativo de CSLL conforme DIPJ/2001 (Ficha 17) 11.748,04 Atualização monetária janeiro de 2001 a dezembro de 2002 3.876,85 Saldo em 31/12/2002 conforme razão contábil 15.624,89 Assim, resta claro que o saldo negativo de CSLL, relativo ao anocalendário de 2000 e utilizado através do PER/DCOMP n° 11485.98427.271103.1.7.030507 e do PER/DCOMP n° 27274.19183.271103.1.3.038830, foi apurado observandose rigorosamente todos os critérios estabelecidos pela legislação de regência, não restando dúvida quando à sua existência e direito utilização. Conclui Ex positis, espera a Recorrente, que V. Exa. se digne de receber a presente Manifestação de Inconformidade e, conseqüentemente, a julgue PROCEDENTE, reformando o Despacho Decisório ora questionado, possibilitando, conseqüentemente, à Recorrente, o aproveitamento integral do crédito relativo ao Saldo Negativo de CSLL, relativo ao anocalendário de 2000, bem como ao deferimento das compensações realizadas pela mesma, pelas razões factuais e jurídicas aduzidas ao longo do presente recurso. Termos em que, Pede Deferimento. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.003152/200898 Acórdão n.º 1801001.498 S1TE01 Fl. 559 5 Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 1135.333, de 31.10.2011, fls. 276279: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta no Voto condutor [...] cumpre observar que o débito de CSLL devido por estimativa no mês fevereiro de 2000, no valor de R$11.748,04, somente veio a ser declarado à RFB através da DCTF entregue em 22/09/2006 (n.° 0000.100.2006.61955596), quando a interessada declarou o referido débito extinto, por compensação, com o saldo negativo da CSLL com origem no anocalendário de 1999, por meio da DCOMP n.° 11485.98427.271103.1.7.030507, que, a propósito, vem a ser a mesma que originou o presente processo administrativo. Restou ementado ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2000 PAGAMENTOS A MAIOR. COMPENSAÇÃO. IN SRF N.° 21/1997. COMPROVAÇÃO. A compensação realizada sob a égide da Instrução Normativa SRF n° 21/1997 reclama a demonstração cabal de que a mesma se deu na escrituração contábil do contribuinte ou na DCTF que declarou o débito e a sua extinção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Notificada em 24.01.2012, fls. 287, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 23.02.2012, fls. 288295, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que a compensação foi então efetivada de forma regular, nos termos da Instrução Normativa nº 21, de 10 de março de 1997, embora, por engano, na DIPJ do anocalendário de 2000 tenha deixado de informar que a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada do período de apuração de fevereiro de 2000 foi extinta pela modalidade de compensação com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997. Suscita que Quando do preenchimento do Per/DComp nº 11485.98427.271103.1.7.03 0507, o programa disponibilizado pela SRF [...] na ficha relativa à composição do crédito – estimativas compensadas com saldos de períodos anteriores, não permitia que fossem informados créditos constituídos em [...] anoscalendário anteriores a [...] 1998. Com isso, apesar do valor utilizado para compor o crédito relativo ao ano Fl. 318DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.003152/200898 Acórdão n.º 1801001.498 S1TE01 Fl. 560 6 calendário [de] 2000 ser relativo a 1977, na Per/DComp foi informado como sendo de 1998. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente afirma que o valor do saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2000 no valor de R$11.748,04 referese à CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada do período de apuração de fevereiro de 2000, que foi extinta pela modalidade de compensação com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997, que foi efetuada mediante seus registros contábeis. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.003152/200898 Acórdão n.º 1801001.498 S1TE01 Fl. 561 7 favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. No que se refere à dedução de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, temse que a pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). O regime de tributação com base no lucro real anual prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza5. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Fl. 320DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.003152/200898 Acórdão n.º 1801001.498 S1TE01 Fl. 562 8 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática. A Recorrente foi notificada mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 59/2008 em 30.05.2008, fls. 6263 a apresentar esclarecimentos e documentos comprobatórios a respeito do crédito utilizado para as compensações constantes nos Per/DComp em litígio. Nesse sentido, foram apresentados dois DARF que somados refletem um total de R$92.164,39 referente à CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada do período de apuração de janeiro de 1997, que compôs o saldo negativo do período, fl. 64. Esse valor consta confessado na DIRPJ de janeiro do anocalendário de 1997, fls. 106122, que à época tinha natureza jurídica de constituição do crédito tributário, o que não dispensava o lançamento de ofício 6. Na DCTF do 1º trimestre de 2000 consta confessado o débito de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada do período de apuração de fevereiro de 2000 no valor de R$11.748,04 decorrente do saldo negativo de 31.12.1999, fls. 105 e 283. Novamente a Recorrente foi notificada mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 75/2008 em 06.06.2008, fls. 123125 a apresentar esclarecimentos e documentos comprobatórios a respeito do crédito utilizado para as compensações constantes nos Per/DComp em litígio do período de 1997 a 2002. Assim, a Recorrente apresenta o Livro Diário e o Livro Razão do ano calendário de 1998, fls. 144212, o Livro Diário do anocalendário de 2002, fls. 218220, 227 e 233, bem como a Planilha de atualização monetária mensal do período de janeiro de 2000 a dezembro de 2002 do crédito de CSLL de R$48.7632,62, cujo valor inicial referese a 31.12.1997, onde consta a compensação do valor de R$11.748,04 em fevereiro de 2000 determinada sobre a base de cálculo estimada fls. 215216. Em sede de recurso voluntário a Recorrente apresenta a DIRPJ e o Livro Razão da CSLL do anocalendário de 1997, fls. 297299, que refletem o saldo negativo de CSLL no anocalendário de 1997 discriminado na Tabela 2. Tabela 2 – Saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997 Cálculo da CSLL a Pagar no Anocalendário de 2000 (A) Valores R$ (B) CSLL Devida 43.431,74 () CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada 107.536,20 (=) CSLL a Pagar (64.104,46) Instrução Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.003152/200898 Acórdão n.º 1801001.498 S1TE01 Fl. 563 9 Examinando o conjunto probatório produzido nos autos, não se pode inferir pelos fatos apresentados cronologicamente escriturado de 1997 a 2000 que a Recorrente tem direito ao saldo negativo de CSLL no valor de R$11.748,04 do anocalendário de 2000, conforme consta a Planilha de atualização monetária mensal do período de janeiro de 2000 a dezembro de 2002 do crédito de CSLL do valor de R$48.7632,62, cujo valor inicial referese a 31.12.1997, onde consta a compensação do valor de R$11.748,04 em fevereiro de 2000 determinada sobre a base de cálculo estimada, fls. 215216. Por essa razão, não há qualquer valor a ser reconhecido, uma vez que cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior7. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca dos registros contábeis e documentos hábeis de que suas alegações estão corretas. Não foram produzidos nos autos elementos de prova que comprovem a correção das informações indicadas na peça de defesa. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não está comprovada. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11330.000021/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Presidente Substituta
Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, Paulo Roberto Lara dos Santos, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Presidente Substituta Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato, Paulo Roberto Lara dos Santos, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Relatório Tratase o Auto de Infração de penalidade aplicada contra o contribuinte em decorrência da inobservância, no período de 06/2003 a 12/2003, à norma disposta no art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 a qual impõe a obrigatoriedade da empresa informar corretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 13 30 .0 00 02 1/ 20 07 -9 4 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11330.000021/200794 Resolução nº 2302000.191 S2C3T2 Fl. 256 2 Na ocasião, foi aplicada a multa estabelecida no art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 284, inciso II e art. 373 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 com redação dada pelo Decreto 4.729/03, cujos conteúdos normativos imputam o percentual de 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada. Cientificada da autuação (fl. 54), a empresa apresentou impugnação (fls. 55/62), tempestivamente (fl. 101), alegando, preliminarmente, que em razão de ter a Fiscalização do INSS lavrado as Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos – NFLD’s nºs 37.060.9425; 37.060.9476 e 37.060.9484 para a cobrança das contribuições previdenciárias não recolhidas, as quais são objeto de Impugnações próprias, decorreu a emissão do presente Auto de Infração. Assim, diante da conexão, pleiteou o julgamento conjunto de todos aqueles lançamentos com o presente auto. No mérito, afirmou o contribuinte que a Constituição Federal havia estabelecido que somente haveria possibilidade de instituição ou mesmo agravamento da penalidade desde que houvesse lei prévia que determinasse a tipicidade do comportamento e os critérios de valoração do agravamento. Nestes termos, defendeu que o Regulamento da Previdência Social (Decreto 3.048/99) não poderia inovar fixando normas não estabelecidas nas Leis nºs 8.212/91 e 8.213/91. Desse modo, levando em consideração a norma disposta no art. 133 da Lei nº 8.213/91, sustentou que a multa aplicada deveria ficar restrita ao montante variável entre Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros) ou à fixação imposta pelo art. 32, §5º da Lei nº 8.212/91, sendo esta aplicada conforme as falhas verificadas, e não, em decorrência do número de segurados total da empresa. Ao final, pleiteou a procedência total da Impugnação. Regularizada a procuração (fls. 103/107/108), foram os autos remetidos para julgamento de 1ª instância (fls. 111/117) cuja decisão foi pela procedência da autuação sob os seguintes fundamentos: Que nos termos do art. 48 da Lei 11.547/07, enquanto não modificados, ficou mantida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos atos normativos e administrativos editados pela Secretaria da Receita Previdenciária, pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS, relativos à administração das contribuições previdenciárias previstas nos art.s 2º e 3º desta lei. Que as NFLD’s nºs 37.060.9425; 37.060.9476 e 37.060.9484 foram julgadas procedentes, razão pela qual persistiria a obrigação acessória quanto aos fatos geradores nelas consignados. Não cabe ao órgão administrativo declarar a inconstitucionalidade de lei (Portaria MPAS nº 520/2004), ficando esta providência sob a responsabilidade do Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 102, inciso I, da Constituição Federal. Assim, como o Decreto nº 3.048/99 não foi declarado inconstitucional, continua em pleno vigor. Que a multa foi calculada em função do valor da remuneração dos segurados empregados e prestadores de serviços contribuintes individuais, correspondendo a 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitado por competência aos valores previstos no art. 32, §4º da Lei nº 8.212/91, em função do número de segurados da empresa. Interpretação dada conforme IN SRP nº 03, de 14 de julho de 2005 art. 649, inciso V. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11330.000021/200794 Resolução nº 2302000.191 S2C3T2 Fl. 257 3 Intimada do julgado (fl. 153), interpôs, em tempo hábil (fl. 178), recurso voluntário (fls. 161/173) o qual repetiu todos os termos dispostos na impugnação. Após a juntada, foram os autos encaminhados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. Eis o relatório. Protocolado recurso dentro do prazo legal, passo a análise das questões suscitadas. Tratase o Auto de Infração de penalidade aplicada contra o contribuinte em decorrência da inobservância, no período de 06/2003 a 12/2003, à norma disposta no art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 a qual impõe a obrigatoriedade da empresa informar corretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. Inicialmente, alegou a Recorrente, em preliminar, que em razão de ter a Fiscalização do INSS lavrado as Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos – NFLD’s nºs 37.060.9425; 37.060.9476 e 37.060.9484 para a cobrança das contribuições previdenciárias não recolhidas, as quais são objeto de Impugnações próprias, decorreu a emissão do presente Auto de Infração. Assim, diante da conexão, pleiteou o julgamento conjunto de todos aqueles lançamentos com o presente auto. A questão prejudicial posta pelo contribuinte impede a análise do mérito da presente ação fiscal. Isto porque a improcedência daquelas NFLD's repercutirá no exame deste feito. Embora entenda que a obrigação acessória possa subsistir sem a existência da obrigação principal, tal como expresso nos arts. 113 e 115 do CTN, na hipótese, a infração cometida decorre do entendimento do contribuinte de não se julgar obrigado ao recolhimento das contribuições previdenciárias ali identificadas. Compulsando o site da Receita Federal, constatei que as NFLD's 37.060.9425; 37.060.9476 e 37.060.9484 encontramse no CARF aguardando distribuição. Sendo assim, assiste razão ao Recorrente em pretender reunir este processo àqueles relacionados às obrigações principais com a finalidade de obter um julgamento conjunto. Por todo o exposto, Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA para que seja apensado a este todos os processos acima relacionados. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser intimado o Recorrente para que possa se manifestar, se for de seu interesse. É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Fl. 343DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
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Numero do processo: 13056.000441/2003-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Administração pública tem o poder de revogar seus atos, quando por razões de interesse público, decorrentes de fato supervenientes ou por entender que possuem vícios.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. O crédito presumido de IPI é um incentivo fiscal. A prática de ato que configure crime contra a ordem tributária provoca, no ano-calendário correspondente, a perda do incentivo do crédito presumido do IPI.
Numero da decisão: 3102-001.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. As conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé votaram pelas conclusões.
LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator.
EDITADO EM: 24/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Andréa Medrado Darzé, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. As conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé votaram pelas conclusões. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator. EDITADO EM: 24/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Andréa Medrado Darzé, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
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REVISÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Administração pública tem o poder de revogar seus atos, quando por razões de interesse público, decorrentes de fato supervenientes ou por entender que possuem vícios. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. O crédito presumido de IPI é um incentivo fiscal. A prática de ato que configure crime contra a ordem tributária provoca, no anocalendário correspondente, a perda do incentivo do crédito presumido do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. As conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé votaram pelas conclusões. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 24/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Andréa Medrado Darzé, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 04 41 /2 00 3- 69 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1029.282 da 3ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei nºº 10.276, de 10 de setembro de 2001, para ressarcir o valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), incidentes na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, referente ao primeiro trimestre de 2003, no valor de R$ 1.391.956,61, por meio do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP n° 38992.92663.100603.1.3.01 6915 (fls 290/291) relativo ao crédito e solicitou a compensação do referido montante através de diversas PER/DCOMP formalizadas em meio magnético e papel, entre 10/06/2003 e 29/12/2003 (fls. 01 a 367). Os pedidos foram objeto de análise sumária e emissão de despacho (fls. 401 a 404), no qual foi autorizada a compensação até o limite do crédito pleiteado, com posterior encaminhamento do processo à Safis, para fiscalização. Tal compensação foi efetivada em 31/08/2004. Na seqüência, foi emitido o Relatório Fiscal das fls. 478 a 489, e a Informação Fiscal de fl. 490 a 493 que analisou este e diversos outros processos de pedidos de ressarcimento do crédito presumido do IPI, formalizados pelo requerente, dando conta de que, nos anos de 2003 e 2004, o interessado praticou atos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, pelo que, inclusive, foi formalizada a competente representação fiscal para fins penais, objeto do processo n a 11065.003149/200878. Segundo o mesmo relatório, a prática de atos que configuram, em tese, crime contra a ordem tributária implica a perda, no ano correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária, por força do art. 59 da Lei nu 9.069, de 29 de junho de 1995, motivo pelo qual a fiscalização considerou ilegítimo o crédito presumido do IPI, apurado pelo requerente, nos anos de 2003 e 2004. A irregularidade apontada nos referidos relatórios consistiu na utilização, nos anoscalendário de 2003 e 2004, de mais de 370 (trezentos e setenta) notas fiscais eivadas de falsidade ideológica, fato que configura crime contra a ordem tributária, de acordo com os artigos I o e 2 o da Lei n° 8.137, de 1990. A utilização dessas notas para justificar custos reduziu indevidamente o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. Foram lavrados autos de infração para formalizar exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Imposto de Renda na Fonte (processo n° Fl. 603DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13056.000441/200369 Acórdão n.º 3102001.857 S3C1T2 Fl. 3 3 11065.003148/200823) que deixaram de ser recolhidos em virtude do procedimento do contribuinte. A conclusão posta na Informação Fiscal foi no sentido de que se procedesse à revisão de ofício dos atos que homologaram os pedidos de ressarcimento/compensação dos créditos relativos ao I o e 2° trimestres de 2003, ao passo que os valores pendentes de apreciação não deveriam ser reconhecidos. No dia 25 de setembro de 2008, diante dos fatos apontados no relatório fiscal, foi emitido o despacho decisório da fl. 498, pelo qual a Delegada da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo: a) não reconheceu o direito ao crédito presumido do IPI relativo ao 1° trimestre de 2003; b) homologou por disposição legal as compensações dos débitos constantes em Declarações de Compensação protrocolizadas até 14/10/2003, com fulcro no arl. 74, § 5 o , da Lei n° 9.430, de 1996; c) não homologou as compensações declaradas após 14/10/2003, determinou o seu cancelamento e a cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignado, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade tempestiva (fls. 514 a 523, acompanhada de documentos), onde apresentou as razões que serão sintetizadas a seguir. Preliminarmente, alega a nulidade do ato administrativo que anulou o despacho decisório que havia homologado as compensações, argumentando que a revisão proposta pelo AFRFB tem por base o art. 149, VIII, do Código Tributário Nacional, dispositivo que prevê a revisão de ofício do lançamento tributário. Entretanto, nesse caso não se trata de revisão de um lançamento, mas sim de homologação expressa de compensações efetuadas pela recorrente. A seguir, alega que em virtude do princípio da presunção dc inocência" a que se refere o art. 5o , inc. LVII, da Constituição Federal, a Administração não poderia ter aplicado o art. 59 da Lei n° 9.069, de 1995, deixando de reconhecer o direito creditório, antes que o Poder Judiciário houvesse proferido sentença penal condenatória sobre o fato apontado como fraudulento pela Fiscalização. Por outro lado, entende que não cabe à Administração Tributária, integrante do Poder Executivo Federal, julgar se houve, ou não, prática de ato criminoso contra a ordem tributária, a teor do disposto no inc. XXXVII do mencionado dispositivo constitucional. Invoca jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual Conselho Administrativo de Fl. 604DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Recursos Fiscais, transcrevendo ementa de Acórdão que teria manifestado entendimento no mesmo sentido por ele defendido. Sustenta também que, de acordo com o princípio da tipicidade cerrada, que norteia o Direito Tributário Nacional, a pena aplicada aos que forem condenados pela prática de crimes contra a ordem tributária seria a perda dos incentivos fiscais de redução ou isenção, hipótese em que não se enquadraria o crédito presumido, o qual seria o ressarcimento econômico do custo dos tributos como forma de viabilizar as exportações. Assim, a aplicação dessa norma a hipóteses que nela não estão previstas teria decorrido do uso da analogia, o que é inaceitável por violar o princípio da tipicidade cerrada e da legalidade estabelecidos pela ordem jurídica vigente. Anexa cópia da impugnação interposta no processo administrativo n° 11065.003148/200823, informando que deseja considerar seus argumentos como transcritos na presente impugnação. Finaliza solicitando que sejam acatadas suas razões para o fim de ver anulado o despacho decisório da DRF em Novo Hamburgo, por falta de previsão legal para rever de ofício a compensação já homologada expressamente, ou, se assim não for, que se reforme o referido despacho para reconhecer o direito ao crédito presumido, homologandose, por inteiro as compensações efetivadas. Após analisar a impugnação, decidiu a DRJ pela improcedência da manifestação de inconformidade nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há que se falar em nulidade do despacho decisório prolatado em decorrência de revisão de ofício do ato que reconheceu crédito presumido de IPI e homologou compensações, pois a Administração pode e deve rever de ofício seus atos, quando se verificar que estão eivados de vício de ilegalidade. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. A prática de ato que configure crime contra a ordem tributária provoca, no anocalendário correspondente, a perda do incentivo do crédito presumido do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Em recurso voluntário a contribuinte alega que: a) Industrializa e comercializa couro para o mercado interno, e assim faz jus ao crédito presumido o que Fl. 605DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13056.000441/200369 Acórdão n.º 3102001.857 S3C1T2 Fl. 4 5 motivou o pedido de ressarcimento, o qual foi indeferido sob o argumento de utilização de notas fiscais falsas; b) É nulo o ato administrativo que revogou o despacho decisório, o qual havia homologado as compensações, pois não se trata de revisão de lançamento e sim de homologação expressa de compensações; c) Como o crédito presumido de IPI não é um incentivo ou benefício de redução ou isenção tributário, assim não há razão para aplicar o art. 59 da lei nº 9.069/95; d) Empresas tributadas pelo lucro real, que não precisam do crédito presumido para se ressarcir dos tributos pagos nas etapas anteriores, assim não perdem o direito ao ressarcimento destes créditos, mesmo que condenadas por crimes contra ordem tributária; e) Não se poderia deixar de reconhecer o direito creditório, com fundamento em crime contra ordem tributária, antes de posicionamento judicial sobre o tema, em atenção ao princípio da presunção de inocência, pois seria necessária a sentença penal condenatória; É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Preliminar – Nulidade do Despacho decisório Como demonstrado no relato acima a recorrente, após requerer o ressarcimento/declaração de compensação de crédito de IPI com base na lei nº. 9.363/1996, para ser restituído o PIS/PASEP e a COFINS, teve seu pedido deferido através de despacho de fls. 401/404, sendo autorizada a compensação observando o limite do crédito pretendido, entretanto, após relatório fiscal que identificou “crime contra ordem tributária”, a fiscalização considerou ilegítimo crédito presumido de IPI, com fundamento no art. 59 da lei nº. 9.069/1995, e concluiu pela revisão de oficio dos atos que haviam homologado o pedido de ressarcimentos. Essa revisão de ofício é o objeto desta análise preliminar, pois segundo o recorrente o ato é nulo. Ora, administração pública tem o poder de revogar seus atos, quando por razões de interesse público, decorrentes de fato supervenientes ou por entender que possuem vícios. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 O professor Hely Lopes Meirelles, ao expor sobre a revogação dos atos administrativos, assim expõe: “A revogação fundase no poder discricionário de que dispõe a Administração para rever sua atividade interna e encaminhála adequadamente à realização de seus fins específicos. Essa faculdade revogadora é reconhecida e atribuída ao Poder Público, como implícita na função administrativa. É, a nosso ver, uma justiça interna, através da qual a Administração ajuíza da conveniência, oportunidade e razoabilidade de seus próprios atos, para mantêlos ou invalidálos segundo as exigências do interesse público, sem necessidade do contraditório.”1 Ressaltese, como já apontado na decisão recorrida, que o art. 53 da lei nº. 9.784/99, estabelece que a administração pode anular seus atos, ao observar a presença de vício de legalidade ou até mesmo por conveniência ou oportunidade. Assim, identificado um suposto crime contra a ordem tributária, após o reconhecimento do crédito, não há nulidade no ato administrativo que reviu o despacho decisório que havia homologado as compensações. MÉRITO O primeiro ponto levantado pelo recorrente é que o artigo 59 da lei nº. 9.069/95 não se aplica ao caso em tela, sob o argumento de que o crédito presumido não seria um incentivo, benefício de redução ou isenção tributária. O art. 59 da lei nº. 9.069/95, assim disciplina: Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. A norma acima define a perda dos incentivos fiscais e benefícios de redução e isenção, previstos na legislação tributária, portanto resta analisar qual a natureza do crédito presumido de IPI, para identificar se a prática de crime contra ordem tributário obsta sua fruição. A lei nº 9.363/96 estabelece o crédito presumido de IPI para fins de ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP ao definir em seu art. 1º2 que empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais terá direito a crédito presumido do Imposto sobre produtos industrializados, com o ressarcimento das contribuições que incidam sobre as aquisições no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. 1 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 22ª ed. São Paulo: Malheiros, 1997. p. 183. 2 Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13056.000441/200369 Acórdão n.º 3102001.857 S3C1T2 Fl. 5 7 Percebese que a lei nº. 9.363/96 procurou incentivar as exportações de produtos industrializados, desonerando o contribuinte da incidência, no mercado interno, das contribuições(PIS e COFINS) incidentes nas operações que antecedem a exportação. Assim, como tais operações não são imunes nem isentas, foi criado o crédito presumido para reduzir a carga tributária, e observando que se trata de produtos industrializados o crédito foi destinado ao IPI. É oportuno citar a visão de Geraldo Ataliba e José Artur Lima Gonçalves sobre incentivos fiscais: Os incentivos fiscais manifestamse, assim sob várias formas jurídicas, desde a forma imunitória até a de investimentos privilegiados, passando pelas isenções, alíquotas reduzidas, suspensão de impostos, manutenção de créditos, bonificações, créditos especiais e outros tantos mecanismos, cujo fim último é, sempre, o de impulsionar ou atrair, os particulares para a prática das atividades que o Estado elege como prioritárias, tornando, por assim dizer, os particulares em participantes e colaboradores da concretização das metas postas como desejáveis ao desenvolvimento econômico e social por meio da adoção do comportamento ao qual são condicionados.3 Vêse, portanto, que o crédito presumido de IPI visa incentivar as exportações, assim não há como afastar a norma do art. 59 da lei nº. 9.069/95, apenas com argumento de que o crédito presumido não seria um incentivo fiscal. O outro ponto levantado pela Recorrente é quanto á necessidade de posicionamento judicial para ser reconhecido o crime contra a ordem tributária. Inicialmente, é oportuno observar os fatos que ensejaram a perda dos benefícios fiscais, demonstrados através das conclusões da informação fiscal(fls. 490/495) nos seguintes termos Tendo cm vista que a fiscalizada utilizou notas fiscais ideologicamente falsas, relativamente aos anoscalendário de 2003 e 2004, conforme Relatório da Ação Fiscal, configurando crimes contra a ordem tributária, conforme artigos 1 o e 2" da Lei 8137/90; Considerando que a prática de atos que configurem crime contra a ordem tributária acarretará à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária, conforme o artigo 59 da Lei n° 9069/95; Opino pelo NAO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO dos Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido de que trata a Portaria MF 38/97, relativamente aos trimestres do anocalendário de 2003, e do mês de janeiro de 2004, constante dos mencionados processos. 3 ATALIBA, Geraldo, GONÇALVES, José Artur Lima. Crédito‑prêmio de IPI – direito adquirido – recebimento em dinheiro. Revista de Direito Tributário. São Paulo: Revista dos Tribunais, v. 55, p.167. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Segundo a art. 59 da lei nº 9.069/95, praticar atos que “configurem crimes contra ordem tributária”, acarreta a perda dos incentivos e benefícios fiscais. Portanto, é necessária, a presença dos elementos do tipo penal para se alcançar a hipóteses de perda dos incentivos, pois o caso dos autos é hipótese de crime fiscal e não apenas de ilícito tributário, ensejando assim atenção aos institutos e formas do Direito Penal. Sobre o tema o professor Paulo de Barros Carvalho, assim leciona: O comportamento violador do dever jurídico estabelecido em lei tributária pode revestir as características de meras infrações ou ilícitos tributários, bem como crimes fiscais, dessa maneira definidos em preceitos da lei penal. Entre tais entidades existe um distinção forma e, atrás disso, uma grande diferença de regime, posto que os crimes fiscais estão subordinados aos princípios, institutos e formas do Direito Penal ao passo que as infrações contidas em leis tributárias, de caráter nãocriminal, sujeitamse aos princípios gerais do Direito Administrativo.4 Ao analisar o tema, o Supremo Tribunal Federal, em dezembro de 2009 aprovou a súmula vinculante nº. 24, a qual assim disciplina: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, inciso I a IV, da Lei nº. 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. No caso dos autos, após, constatado a utilização de notas falsas foram lavrados os respectivos autos de infrações, conforme noticiado no relatório fiscal, que segundo o qual, encontramse nos autos dos processos nº. 11065.003148/200823 e 11065.003149/200878. Evidenciase ainda que a recorrente foi notificada dos autos de infrações. Assim, realizado o lançamento definitivo dos tributos, após a constatação de crime contra ordem tributária, resta tipificada a conduta, nos termos da súmula vinculante nº. 24 do STF, portanto não é necessário posicionamento judicial para ser reconhecido o crime contra ordem tributária. Por todo exposto nego provimento ao recurso. Sala de sessões 21 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator 4 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 18º ed. rev. e atual. São Paulo, Saraiva 2007. p. 524. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13056.000441/200369 Acórdão n.º 3102001.857 S3C1T2 Fl. 6 9 Fl. 610DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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