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Numero do processo: 16095.720175/2014-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16095.000723/2010-17, do qual este é decorrente.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16095.000723/201017, do qual este é decorrente. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 17 5/ 20 14 -7 9 Fl. 3555DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 6.547 ___________ RELATÓRIO Da autuação O objeto do presente processo diz respeito ao lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), acrescidos de multa qualificada de 150% e juros de mora. O objeto da autuação diz respeito a glosa de despesas, bem como foram atribuídas responsabilidades tributárias; tudo conforme termo de verificação, cujas partes principais seguem abaixo reproduzidas (fls. 13221336, do processo eletrônico assim como todas as demais referências): Dos Contratos Os contratos apresentados pelo contribuinte foram os mesmos analisados no âmbito do processo 16095.000723/201017, contratos estes que apesar de envolver montante expressivo, as partes não registraram o contrato em cartório; Segundo os contratos de prestação de serviços apresentados pela fiscalizada a empresa Pandurata Assessoria passou a ser responsável pelo assessoramento comercial dos produtos comercializados pela Pandurata Alimentos e recebe comissão variável sobre as vendas realizadas; Da análise do contrato e dos documentos relacionados apresentados, já se demonstra que os serviços não foram efetivamente prestados; No processo nº 16905.000723/201017 consta o seguinte texto: “Os documentos apresentados possuem elementos contraditórios com relação ao contrato de prestação de serviço pactuado e demonstram que de fato não houve serviço realizado pela Pandurata Assessoria Comercial Ltda. 1 Com relação à listagem geral de funcionários constatase que o documento foi produzido em 14/01/2010 e o nome da empresa PANDURATA ASSESSORIA COMERCIAL LTDA aparece ao lado da palavra "estabelecimento", dando a entender que a empresa PANDURATA ALIMENTOS LTDA a tem como um estabelecimento. A data de admissão dos funcionários é a data de admissão na empresa PANDURATA ALIMENTOS. O gerente de Recursos Humanos que assina o documento o sr. Edson G Freitas faz parte do quadro de funcionário da Pandurata Alimentos conforme informação do CNIS. 2 Quanto aos relatórios apresentados para comprovar a prestação do serviço, e ditos como se fossem produzidos pelos técnicos da contratada percebese que são, na verdade, relatórios eletrônicos de vendas extraídos de sistema, separados por região fiscal, e não guardam qualquer relação com os técnicos supostamente contratados. O relatório eletrônico foi extraído em 21/01/2010 enquanto a cláusula n° III do contrato registra que "Os técnicos emitirão relatórios sobre os serviços prestados durante o mês”. Fl. 3556DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.548 3 3 A documentação apresentada como se fosse relatório de reembolso das despesas da contratante foi entregue de forma genérica sem vincular a empresa Pandurata Assessoria Comercial aos reembolsos efetuados aos empregados. Na intimação do dia 10/02/2010 questionamos a fiscalizada quanto à data de admissão dos empregados que consta na listagem geral de funcionários ser anterior a data de início da atividade da empresa e intimamos a apresentar as Fichas de Registro dos empregados. Em 26 de fevereiro de 2010 a contribuinte apresentou carta informando que os empregados foram transferidos da Pandurata Alimentos para a Pandurata Assessoria Comercial. Informou ainda que todas as determinações, aos técnicos da contratada, seriam préestabelecidas de forma verbal ou escrita pela Contratante. Apresentou documento admitindo que os técnicos deveriam emitir mensalmente relatórios sobre os serviços prestados durante o mês. No entanto, diante do elevado número de relatórios a serem produzidos decidiram por bem que os relatórios seriam gerados na forma eletrônica mensalmente de forma facilitar a análise e o desempenho das operações comerciais no que tange as obrigações da contratada, substituindo, assim, a emissão de relatório sobre serviços prestados, conforme previsto no item III do contrato celebrado em 01/09/2004. Apresentaram, um aditivo ao contrato original datado de 03/11/2004 que, segundo a contribuinte, fica ajustado a nova forma de apresentação dos relatórios. Assim como o contrato, este aditivo também não foi registrado em cartório e nos causou dúvidas quanto ao fato de não ter sido apresentado no momento oportuno, junto ao contrato original. Em 01/09/2008 foi assinado um novo contrato de prestação de serviço entre as partes reduzindo o percentual de comissão da contratada para 3,5% do faturamento excluído os cancelamentos, devoluções, anulações e exportação de vendas...” Da Sede da Pandurata Assessoria Comercial Conforme o cadastro de CNPJ a empresa PANDURATA ASSESSORIA COMERCIAL encontrase baixada por incorporação desde 21/06/2011; Em 01/10/2010, teve seu endereço alterado para a R. Fritz Reimann 628, Vila São João, Guarulhos, SP, endereço este da empresa contratante, PANDURATA ALIMENTOS LTDA. No endereço anterior, foram efetuadas diligências, conforme relato abaixo, extraídos do processo já citado, concluindose que naquele local nunca houvera empresa contratada; “Com a intenção de verificar as instalações físicas da Pandurata Assessoria Comercial, e a adequada estrutura para prestação dos serviços, comparecemos no dia 25/08/2010 no domicilio tributário da Fl. 3557DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.549 4 empresa, sito a praça Coronel Brasílio Fonseca, n° 38 sala 3 Guararema/SP, e nos deparamos com uma sala fechada. Em frente à sala n° 03 funciona o consultório dentário da Dentista Kátia Okada, que não se encontrava no momento. Perguntamos a secretária da dentista, a sra Simone Regina Rodrigues de Souza, informações a respeito do funcionamento da empresa Pandurata Assessoria Comercial e esta informou o seguinte: Que trabalha no local há 4 anos, Que não há atividade e que nunca viu ninguém na sala n° 3, que as correspondências entregues a sala 3 são encaminhadas por ela mesma ou por vizinhos á imobiliária Jodola e que nunca ouviu falar da empresa Pandurata Assessoria Comercial. No mesmo dia nos dirigimos à imobiliária Jodola CNPJ: 51.372.522/000155, que fica nas proximidades do local, e fomos recebidos pela sra. Karina Faria Panace Barbosa Gerente da Imobiliária que prestou as seguintes informações: Que ela trabalha a cerca de 10 anos como gerente da imobiliária; Que o imóvel situado a Praça Coronel Brasílio Fonseca n° 3 Centro de Guararema SP tem sua locação intermediada por sua imobiliária; Que o imóvel teve sua locação iniciada em 29/04/2004 para o locatário Massimo Bauducco CPF: 010.042.41801 e teve como fiador o SR. Luigi Bauducco CPF: 011.644.73891; Que em 04/08/2004 houve um adendo ao contrato original passando a figurar como locatário a empresa Pandurata Assessoria Comercial, inscrita no CNPJ: 06.871.946/000100; Que os contratos de locação são refeitos anualmente; Que o imóvel encontra se locado; Que apesar dos aluguéis serem pagos mensalmente, via depósito bancário, a sala encontrase fechada; Que as correspondências entregues na sala do locatário são encaminhadas para o endereço da rua Cavadas n° 847, Bairro Itapegica Guarulhos SP ou retiradas por Motoboy; Que não conhece pessoalmente nenhum representante da empresa. Foinos apresentado pela Sra. Karina os contratos de locação da referida sala comprovando suas informações. Diante da manifestação da Sra Simone e da Sra. Karina constatase que apesar da Pandurata Assessoria Comercial ser constituída com endereço em Guararema lá nunca houve atividades empresariais.” Depoimentos colhidos dos empregados de Pandurata Assessoria Comercial Ltda., oriundo da Pandurata Alimentos Ltda., conforme relato extraídos do processo 16905.000723/201017, confirmavam o fato de a empresa não ter atividades em Guararema; “De posse dos nomes dos gerentes da empresa Pandurata Assessoria Comercial ltda apresentados pela Pandurata Alimentos ltda. intimamos os Srs. Antônio César Magalhães, Marcelo de Almeida Marinho, Willian Gladstone Ribeiro Júnior, Gerson Francisco e Amauri Leite Macedo a prestar esclarecimentos quanto às empresas Pandurata Alimentos e Pandurata Assessoria Comercial. Todos foram unânimes em afirmar que foram empregados da empresa Pandurata Alimentos Ltda e que foram transferidos para a empresa Pandurata Assessoria Comercial. Afirmaram ainda desconhecer a Sede da empresa Pandurata Assessoria Comercial no Município de Guararema. Fl. 3558DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.550 5 Juntamos ao processo fiscal os depoimentos dos referidos empregados que demonstram que apesar da transferência da Pandurata Alimentos para a Pandurata Assessoria Comercial continuaram efetuando suas tarefas no mesmo local dependendo da Região Comercial que atuavam e que não houve rescisão do contrato de trabalho na transferência de uma empresa do grupo para outra.” DA COMPOSIÇÃO SOCIETÁRIA O Grupo Bauducco é formado pela empresa controladora Pandurata Participações S/A CNPJ: 02.199.409/000104, que detém 99,99% das cotas das Controladas: Pandurata Alimentos e Pandurata Assessoria Comercial. Os outros 0,01% pertencem a empresa Bedece Comércio e Participações Ltda CNPJ: 01.921.143/000107. A partir da análise dos contratos sociais apresentados pela contribuinte, das pesquisas junto aos cadastros da Receita Federal e da Junta Comercial de SP constatamos que o controle e administração das empresas estão assim distribuídos: A.l) Pandurata Participações S/A: Objeto Social: Holdings de Instituições não financeiras Sócios: LUIGI BAUDUCCO (80%), CARLA MARIA BONGIO ANNI BAUDUCCO (10%), MASSIMO BAUDUCCO (10%), A.2) Pandurata Alimentos Ltda: Sócios: PANDURATA PARTICIPAÇÕES S/A (99,99%), BEDECE COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA (0,01%); Representantes: CARLA MARIA BONGIOANNI BAUDUCCO, LUIGI BAUDUCCO, MASSIMO BAUDUCCO A.3) Pandurata Assessoria Comercial Ltda: Sócios: PANDURATA PARTICIPAÇÕES S/A (99,99%), BEDECE COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA (0,01%); Representantes: CARLA MARIA BONGIOANNI BAUDUCCO, LUIGI BAUDUCCO, MASSIMO BAUDUCCO, Como se pode perceber o controle do grupo está concentrado nos Srs. LUIGI BAUDUCCO (CPF: 011.644.73891), CARLA MARIA BONGIOANNI BAUDUCCO (CPF:194.995.23804) e MASSIMO BAUDUCCO (010.042.418 01). O responsável, pela administração da Pandurata Alimentos Ltda é o sr. Djalma Antônio D'Oliveira (CPF: 520.135.88887). Da Dissimulação A empresa Pandurata Assessoria Contábil apresenta suas DIPJ na forma de Lucro Presumido. Esta, apesar de emitir notas fiscais, apresentar declarações e efetuar recolhimentos de impostos, de fato, não existe. Ela foi criada “no papel” para tributar parte do lucro da Fl. 3559DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.551 6 Pandurata Alimentos na forma do lucro presumido, esquivandose da tributação do lucro real; De acordo com o regulamento do Imposto de Renda, a opção pelo lucro presumido é para empresas com faturamento até R$ 48.000.000,00, limite esse que não permite a opção pela Pandurata Alimentos; Com a produção dos contratos de prestação de serivços, o grupo econômico mascara o fato gerador da Pandurata Alimentos, fazendo com que o lucro desta seja diminuído quase que integralmente, enquanto que a Pandurata Assessoria Comercial sofre o encargo do IRPJ e da CSLL de forma presumida; Abaixo, segue quadro demonstrativo, ilustrando a evasão decorrente da conduta adotada pelo contribuinte: Pandurata Assessoria – Lucro Presumido Ano Receita Base lucro Presumido (32%) IRPJ CSLL (base presumida 12%) CSLL Total 2009 39.622.066,60 12.679.061,31 3.169.765,33 4.754.647,99 427.918,32 3.597.683,65 2010 3.243.406,83 3.837.890,19 3.459.472,55 5.189.208,82 467.028,79 3.926.501,34 2011 4.524.046,85 1.447.694,99 361.923,75 542.885,62 48.859,71 410.783,45 Total Geral 7.934.968,44 Tributos que deixaram de ser apurado por Pandurata Alimentos Ltda (FISCO) Ano Despesas Base IRPJ IRPJ Base CSLL CSLL TOTAL 2009 39.622.066,60 39.622.066,60 9.905.516,65 39.622.066,60 3.565.985,99 13.471.502,64 2010 43.243.406,83 43.243.406,83 10.810.851,71 43.243.406,83 3.891.906,61 14.702.758,32 2011 4.524.046,85 4.524.046,85 1.131.011,71 4.524.046,85 407.164,22 1.538.175,93 Total Geral 29.712.436,90 Evasão calculada pelo Fisco: 29.712.436,90 () 7.934.968,44 = 21.777.468,45 Segundo a doutrina e a jurisprudência administrativas, configurase como simulação o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para a exteriorização dessa vontade, ao passo que a dissimulação contém em seu bojo um disfarce, no qual se encontra escondida uma operação em que o fato revelado não guarda correspondência com a efetiva realidade, ou melhor, dissimular é encobrir o que é. Falta de Propósito Negocial No decorrer deste trabalho, embora intimado a fazêlo, o contribuinte não comprovou documentalmente a efetividade da prestação dos serviços contratados da empresa Pandurata Assessoria Comercial Fl. 3560DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.552 7 Ltda., bem como não demonstrou, através dos elementos apresentados, o propósito negocial da contratação de tais serviços; No desenvolvimento da ação fiscal anterior (processo já citado) fora apurada a falta de propósito negocial dessas operações: “As regras do novo código civil brasileiro (2002) para a análise da validade dos procedimentos de planejamento tributário em especial os arts. 50, 166, 167 e 187, aliado a cláusula antielisiva introduzida pelo parágrafo único do art. 116 do código tributário nacional permite que a autoridade administrativa desconsidere atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. De acordo com a doutrina, o Propósito Negocial é o conjunto de razões de caráter econômico (aumento de receita ou diminuição de despesa), comercial (ganho de eficiência participação no mercado), societário (reestruturação motivada por entrada ou saída de sócios ou sucessão hereditária) ou financeiro (acesso a financiamentos ou empréstimos), que justifique a operação ou procedimento (atos ou negócios jurídicos que diminuam a tributação). Conforme constatamos não houve nos negócios realizados pela fiscalizada o referido propósito negocial, haja vista que a Contribuinte não logrou comprovar via documentos, relatório ou laudos o propósito negocial da contratação de serviço de assessoramento comercial. Diante dos fatos até então apurados, intimamos a Contribuinte em 11 de novembro de 2010 a apresentar os seguintes esclarecimentos com relação a contratação do serviço da Pandurata Assessoria Comercial e obtivemos as respostas logo abaixo: 1) Com relação ao montante pago para a empresa Pandurata Assessoria Comercial Ltda, a título de prestação de serviços de assessoria comercial, explicar quanto à necessidade dos referidos serviços, já que eram prestados por empregados da Pandurata Alimentos e que foram transferidos para a Pandurata Assessoria Comercial onde os mesmos continuaram realizando as mesmas tarefas: Resposta em 18/11/2010: "Conforme Contrato Particular de Prestação de Serviços de Assessoria Comercial celebrado em 01/09/2004, o objeto da prestação de serviços de assessoria comercial dos produtos comercializados pela Pandurata Alimentos Ltda compreende basicamente: (i) reuniões com clientes, (ii) abertura de novos cliente (iii) negociações, (iv) definição de previsões mercadológicas e (v) quaisquer outros serviços definidos, relacionados com aspecto comercial do negócio. De fato, os funcionários da Pandurata Assessoria Comercial eram antigos funcionários da Pandurata Alimentos. Ocorre que após a transferência desses funcionários para a Pandurata Comercial, referidos funcionários passaram a ser empregados desta empresa, prestando serviços em seu nome (na qualidade de gerentes Fl. 3561DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.553 8 especializados na comercialização dos produtos fabricados pela Contratante Pandurata Alimentos). Tais serviços eram necessários à Pandurata Alimentos, a medida que eram empregados diretamente na comercialização de seus produtos, potencializando suas vendas e seu faturamento." A resposta da fiscalizada é vaga e demonstra não haver sentido lógico, haja vista, que o custo de manutenção dos empregados transferidos da Pandurata Alimentos era Ínfimo frente ao montante desembolsado como despesa. 2) Explicar a Racionalidade Econômica, na Pandurata Alimentos Ltda, para a contratação da Pandurata Assessoria Comercial Ltda, demonstrando os efeitos econômicos dos serviços: Resposta em 18/11/2010: "A racionalidade econômica para a contratação da Pandurata Comercial é evidente. Isto porque, conforme mencionado na resposta ao item anterior, os seus funcionários são gerentes especializados na comercialização dos produtos fabricados pela Pandurata Alimentos, nas seguintes regiões: (i) Região Norte/Nordeste; (ii) Região Centro Oeste; (iii) Região Sul. (IV) Região Sudeste; (v) Região Rio de Janeiro / Espírito Santo; (vi) Região São Paulo / Interior; e Região Grandes Redes. O produto dos serviços prestados por esses gerentes (efeitos econômicos) é demonstrado por meio do relatório desenvolvido pela área de T.I denominado "estatística de metas e valores", que serve de acompanhamento das metas estabelecidas (documentos já apresentados na presente fiscalização, nos termos do Aditivo ao Contrato Particular de Prestação de Serviços de Assessoria Comercial, de 03 de novembro de 2004).” Novamente, a contribuinte apresentou argumentos teóricos que constavam dos contratos e que não comprovam o ganho econômico para a empresa. 3) Informar quais critérios adotados para mensurar o valor dos serviços contratados junto a Pandurata Assessoria Comercial Ltda: Resposta em 18/11/2010: "Conforme já mencionado, os serviços prestados pela Pandurata Comercial eram empregados diretamente na promoção e comercialização dos produtos da Pandurata Alimentos, potencializando suas vendas e seu faturamento. Com efeito, o critério adotado para mensurar o valor dos serviços é um percentual da meta de faturamento atingida." A resposta acima da contribuinte não evidencia por meio de estudos, laudos ou documentos os critérios utilizados para quantificar o percentual que foi contratado. Respeitados os princípios constitucionais, nada impede que as empresas possam gerir seus negócios com intuito de obter maior Fl. 3562DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.554 9 economia de tributos. Há, porém, uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam unicamente a redução da carga tributária o que podemos constatar no presente caso.” Das Infrações GLOSAS DE DESPESAS Despesas Não Comprovadas Pela falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados de Pandurata Assessoria Ltda., o contribuinte infringiu o disposto no artigo 299 do RIR/1999, devendo as despesas correspondentes serem glosadas e conseqüentemente diferenças de IRPJ e CSLL serem exigidos para os anos de 2009, no valor de R$ 39.622.066,60; para 2010, no valor de R$ 43.243.406,83 e para 2011, no valor de R$ 4.524.046,85; PAGAMENTOS SEM CAUSA Pela falta de comprovação das operações que motivaram os pagamentos efetuados a Pandurata Assessoria Ltda., pagamentos estes relacionados no “Demonstrativo de Pagamentos a Pandurata Assessoria Contábil Ltda., em face da não comprovação da efetividade dos serviços prestados relacionados à conduta do contribuinte, que infringiu o disposto no § 1º da Lei nº 8.981/1995, devendo sobre tais pagamentos serem exigidos o IRRF calculados sobre a base reajustada conforme § 3º do artigo 61 da Lei nº 8.981/1995; DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Considerando que a Pandurata Participações é controladora com 99,99% das cotas da empresa Pandurata Alimentos e Pandurata Assessoria Comercial Ltda., fica evidente que seu interesse nas operações criadas entre elas, apenas no papel, com vistas a mitigar a tributação do IRPJ e da CSLL, uma vez que, criando as despesas de assessoria, desloca a totalidade desses valores da tributação pelo regime de lucro real para a sistemática de apuração do lucro pelo regime de lucro presumido, na empresa criada, levando a uma evasão tributária; DA EVASÃO FISCAL E DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA. De acordo com o artigo 957, II do Regulamento do Imposto de Renda, RIR 99, a multa será de 150% nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, que dispõe: "Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária:..." "Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento". Fl. 3563DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.555 10 "Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72" Ou seja, resta evidenciado que o elemento dolo é presença obrigatória para a caracterização tanto da sonegação, quanto da fraude, como do conluio. E, sendo assim, conseqüentemente, o evidente intuito de fraude a que se refere o artigo 44, da Lei n.° 9430, também pressupõe a ocorrência de dolo. A simulação é um instituto de direito privado, sendo tratada no artigo 167, do Código Civil: "Art. 167 É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Parágrafo 1º: Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados ou pósdatados. O conjunto de atos e negócios jurídicos praticados pelas empresas do Grupo Bauducco, representados pelos seus sócios, envolvendo a contratação de serviço de assessoria comercial na verdade não passaram de operações fictícias, desconexas de qualquer fato real que tiveram intuito exclusivo, excluir da tributação do lucro real da Pandurata Alimentos ltda valores que deveriam ser tributados, caracterizando o "evidente intuito de fraude" pressuposto da aplicação da qualificação da multa de ofício. DA MULTA QUALIFICADA 150% Tendo em vista os fatos e documentos analisados, sujeitase o contribuinte, nos termos da legislação de regência, a multa qualificada prevista no art. 44, da Lei 9.430/1996 para o lançamento de oficio. O fato de a Pandurata Alimentos apresentar como documentação comprobatória dos serviços prestados pela CONSAT CONSULTORIA E AUDITORIA TRIBUTÁRIA LTDA e que contribuíram para a redução do lucro tributável, pareceres retirados da internet e reconhecer não saber a procedência dos referidos pareceres aliado a declaração do administrador de que o referido serviço serviu para resolver problemas que não foram devidamente informados a autoridade fiscal, evidencia a conduta dolosa de presente nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. O conjunto de atos e negócios jurídicos praticados em conluio entre a Pandurata Alimentos Ltda, Pandurata Participações S/A e a Pandurata Assessoria Comercial demonstram a intenção da fiscalizada em esconder a realidade dos fatos utilizandose de atos e negócios jurídicos, que consideramos inexistentes, para descaracterizar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Ficou caracterizado o evidente intuito de fraude definido pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Fl. 3564DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.556 11 Esses fatos, portanto, impõem a exigência de multa qualificada no lançamento ora efetuado, nos termos da legislação de regência, Lei n° 9.430, de 1996, art. 44. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o Inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Conclusão As despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real são aquelas que se encaixam nas condições fixadas no art. 299 do RIR/1999, isto é, despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora; Considerando que a empresa, regularmente intimada e reintimada a fazelo, não comprovou a efetividade da prestação de serviços tomados de Pandurata Assessoria Comercial Ltda., levando o fisco a concluir que as mesmas não ocorreram efetivamente e, por conseqüência, os pagamentos efetuados decorrentes de tais serviços não tiveram sua causa comprovada, de vendo então os valores contabilizados como despesas dedutíveis serem glosados e as diferenças de IRPJ e CSLL, bem como o IRRF serem exigidos de ofício do contribuinte. Das impugnações Foram oferecidas impugnações por todos os responsáveis tributários, bem como pelo contribuinte. Com relação a essa parte, transcrevo a parte do relatório da Delegacia de Julgamento que bem resume as peças processuais: Impugnação Pandurata Participações (responsável solidário) I – Das Razões Expostas pela Pandurata Alimentos em sua Impugnação Conforme demonstrado na impugnação da Pandurata Alimentos, a cobrança pretendida é indevida; Há duas nulidades que ensejam o cancelamento integral das autuações, quais sejam (i) vício de fundamentação, em razão da inexistência de referibilidade e coerência entre o fundamento do lançamento (inexistência da Pandurata Assessoria) e a infração apontada (despesas não comprovadas); e (ii) erro na apuração da base de cálculo, sendo que, mesmo desconsiderando a existência da Fl. 3565DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.557 12 Pandurata Assessoria, a fiscalização ignorou os tributos recolhidos e as despesas incorridas por esta sociedade, o que acarretou na iliquidez e incerteza dos autos de infração; Em um cenário de reestruturação das atividades do Grupo Pandurata, a Pandurata Alimentos celebrou contrato de prestação de serviços de assessoria comercial com a Pandurata Assessoria visando obter assessoramento comercial. Indubitavelmente, esse serviço é essencial para potencializar a venda dos produtos comercializados pela impugnante em todo o território nacional; A Pandurata Assessoria foi legalmente constituída com observância das normas de regência; apresentava todas as declarações e demais obrigações acessórias; declarava e tributava devidamente as receitas por ela auferidas de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; arcava com todas as despesas atinentes ao seu negócio, incluindo a remuneração de seus empregados e prestava assessoramento comercial à Pandurata Alimentos, serviço este essencial para potencializar vendas e o faturamento da última; É evidente a legalidade da dedução das despesas necessárias, usuais e normais na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL da Pandurata Alimentos, devidamente informadas às Autoridades Fiscais; Não existe vedação no ordenamento jurídico brasileiro que proíba a constituição de empresa apta a realizar a prestação de serviços de assessoria comercial a terceiros, nem tampouco há vedação à realização do negócio jurídico consubstanciado na celebração de contrato de assessoria comercial entre duas pessoas jurídicas, ainda que pertencentes a um mesmo grupo econômico; A constituição da empresa Pandurata Assessoria e a prestação de serviços à Pandurata Alimentos são atos lícitos e legais, para os quais se deu total publicidade, tendo sido devidamente registrados nos órgãos competentes; A opção da Pandurata Assessoria pelo lucro presumido reflete uma opção legal não podendo a autoridade fiscal contestar, ao determinar a completa desconsideração da atividade desenvolvida por tal pessoa jurídica e a conseqüente adição da despesa correspondente na determinação do lucro real e na base de cálculo da CSLL; Em processo administrativo decorrente de auto de infração lavrado anteriormente contra a Pandurata Alimentos, referente às mesmas operações autuadas no presente caso (FG de 2005 a 2008), foi proferido acórdão nº 1302001.325 pelo CARF no qual se reconheceu a regularidade dos atos e negócios jurídicos praticados pela Pandurata Alimentos, bem como a legalidade da constituição da Pandurata Assessoria como uma empresa prestadora de serviços e, por conseguinte, conheceu como válida as deduções das despesas incorridas com o assessoramento comercial na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, cancelandose os autos de infração objeto daquele processo administrativo; Não restou comprovada pela fiscalização qualquer prática dolosa pela Pandurata Alimentos; não houve fraude, sonegação ou conluio Fl. 3566DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.558 13 necessários à imposição da multa agravada no presente caso, razão pela qual deve essa Turma Julgadora cancelar os lançamentos correspondentes à aplicação do percentual de 150% incidente sobre os valores glosados; Caso não se entenda pelo cancelamento, fato é que se deve considerar na apuração da base de cálculo todas as despesas incorridas pela Pandurata Assessoria na consecução de suas atividades, bem como compensar todos os tributos pagos por esta empresa; Da mesma forma, não pode prevalecer a exigência de CSLL, em razão da inexistência de previsão legal na base de cálculo da CSLL; Também espera sejam cancelados os juros de mora com base na Taxa Selic; II – Da Não Caracterização da Responsabilidade Tributária Solidária em Razão da Ausência de “Interesse Comum” A expressão “Interesse Comum” se dirige às pessoas que participaram do fato descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária; Não por outra razão, o inciso I do art. 124 do CTN determina serem solidárias as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; A condição de proximidade das partes do fato gerador não é, portanto, suficiente para se verificar a condição de interesse comum; O mero interesse fático eventual de uma determinada parte não é suficiente para caracterizar o interesse comum previsto no artigo 124, inciso I do CTN; Nesse contexto, as empresas de um mesmo grupo econômico não terão, necessariamente, interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal; Não se configura interesse comum, quando há mero interesse econômico, como equivocadamente defendido pelo fisco. Seria imprescindível para a caracterização ter o interesse jurídico; Assim, deveria ser diferenciado o interesse simplesmente convergente (financeiro) do interesse comum, que é aquele que se consubstancia quando as partes envolvidas estão situadas no mesmo pólo de uma relação jurídica de direito privado, a qual é fato gerador da obrigação tributária; Dentro de tal contexto, as empresas de um mesmo grupo econômico não terão, necessariamente, interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal; Evidenciase, portanto, que a existência de mero interesse de fato não autoriza a instauração da solidariedade prevista no inciso I do artigo 124 do CTN; Fl. 3567DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.559 14 Vale mencionar que os autos do processo nº 16095.000723/201017, ao analisar as mesmas operações objeto de questionamento no presente, não indicou devedores solidários, demonstrando que o próprio fisco já reconheceu a inexistência de subsunção dos fatos analisados às hipóteses previstas no inciso III do art. 135 e inciso I do artigo 124, ambos do CTN; Impugnação Luigi Bauducco; Massimo Bauducco e Carla Maria B. Bauducco: I – Das Razões Expostas pela Pandurata Alimentos em sua Impugnação Conforme demonstrado na impugnação da Pandurata Alimentos, a cobrança pretendida é indevida; Há duas nulidades que ensejam o cancelamento integral das autuações, quais sejam (i) vício de fundamentação, em razão da inexistência de referibilidade e coerência entre o fundamento do lançamento (inexistência da Pandurata Assessoria) e a infração apontada (despesas não comprovadas); e (ii) erro na apuração da base de cálculo, sendo que, mesmo desconsiderando a existência da Pandurata Assessoria, a fiscalização ignorou os tributos recolhidos e as despesas incorridas por esta sociedade, o que acarretou na iliquidez e incerteza dos autos de infração; Em um cenário de reestruturação das atividades do Grupo Pandurata, a Pandurata Alimentos celebrou contrato de prestação de serviços de assessoria comercial com a Pandurata Assessoria visando obter assessoramento comercial. Indubitavelmente, esse serviço é essencial para potencializar a venda dos produtos comercializados pela impugnante em todo o território nacional; A Pandurata Assessoria foi legalmente constituída com observância das normas de regência; apresentava todas as declarações e demais obrigações acessórias; declarava e tributava devidamente as receitas por ela auferidas de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; arcava com todas as despesas atinentes ao seu negócio, incluindo a remuneração de seus empregados e prestava assessoramento comercial à Pandurata Alimentos, serviço este essencial para potencializar vendas e o faturamento da última; É evidente a legalidade da dedução das despesas necessárias, usuais e normais na apuração do Lucro Real de da base de cálculo da CSLL da Pandurata Alimentos, devidamente informadas às Autoridades Fiscais; Não existe vedação no ordenamento jurídico brasileiro que proíba a constituição de empresa apta a realizar a prestação de serviços de assessoria comercial a terceiros, nem tampouco há vedação à realização do negócio jurídico consubstanciado na celebração de contrato de assessoria comercial entre duas pessoas jurídicas, ainda que pertencentes a um mesmo grupo econômico; A constituição da empresa Pandurata Assessoria e a prestação de serviços à Pandurata Alimentos são atos lícitos e legais, para os quais Fl. 3568DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.560 15 se deu total publicidade, tendo sido devidamente registrados nos órgãos competentes; A opção da Pandurata pelo lucro presumido reflete uma opção legal não podendo a autoridade fiscal contestala, ao determinar a completa desconsideração da atividade desenvolvida por tal pessoa jurídica e a conseqüente adição da despesa correspondente na determinação do lucro real e na base de cálculo da CSLL; Em processo administrativo decorrente de auto de infração lavrado anteriormente contra a Pandurata Alimentos, referente às mesmas operações autuadas no presente caso (FG de 2005 a 2008), foi proferido acórdão nº 1302001.325 pelo CARF no qual se reconheceu a regularidade dos atos e negócios jurídicos praticados pela Pandurata Alimentos, bem como a legalidade da constituição da Pandurata Assessoria como uma empresa prestadora de serviços e, por conseguinte, conheceu como válida as deduções das despesas incorridas com o assessoramento comercial na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, cancelandose os autos de infração objeto daquele processo administrativo; Não restou comprovada pela fiscalização qualquer prática dolosa pela Pandurata Alimentos; não houve fraude, sonegação ou conluio necessários à imposição da multa agravada no presente caso, razão pela qual deve essa Turma Julgadora cancelar os lançamentos correspondentes à aplicação do percentual de 150% incidente sobre os valores glosados; Caso não se entenda pelo cancelamento, fato é que se deve considerar na apuração da base de cálculo todas as despesas incorridas pela Pandurata Assessoria na consecução de suas atividdades, bem como compensar todos os tributos pagos por esta empresa; Da mesma forma, não pode prevalecer a exigência de CSLL, em razão da inexistência de previsão legal na base de cálculo da CSLL; Também espera sejam cancelados os juros de mora com base na Taxa Selic; II – Da ausência de responsabilidade tributária antes de encerrada a esfera administrativa A inclusão de responsáveis no pólo passivo é exclusiva da PFN; O crédito ainda está pendente de constituição definitiva, podendo sofrer alterações; A apreciação é precária; III – Da nulidade do Termo de Responsabilidade Tributária: Falta de Motivação do Ato Administrativo No caso concreto, verificase que a imputação de responsabilidade solidária ao impugnante criou dever de pagar tributo e impôs sanção de adimplir a multa agravada imposta à Pandurata Alimentos. Por esse motivo, o respectivo termo deveria conter não só o dispositivo legal, Fl. 3569DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.561 16 mas também os fatos que levaram o fisco a concluir tal responsabilização; Não há qualquer menção do fisco no sentido de que o impugnante teria cometido atos dolosos, com excesso de poderes, infringindo a lei e os estatutos/contratos sociais das empresas pertencentes ao seu grupo econômico, capazes de fazer ensejar a aplicação da responsabilidade tributária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, devendo ser reconhecida a nulidade do Termo de Responsabilidade; IV – Da ausência de comprovação do dolo para imputação da responsabilidade tributária com fundamento no inciso III do artigo 135 do CTN A caracterização do intuito de fraude e infração à lei depende sempre de provas diretas e não presuntivas de que as operações realizadas tiveram o intuito doloso de retardar ou impedir o surgimento da obrigação tributária; não houve a demonstração da ocorrência de ato doloso. V – Da ausência de identificação de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos – ausência de subsunção dos fatos à hipótese legal Em momento algum foram mencionados os pretensos dispositivos de lei ou de contrato da Pandurata Alimentos que teriam sido desrespeitados pela impugnante, nem quais atos foram praticados com excesso de poderes; No caso concreto, a autuação do impugnante, longe de extrapolar os limites traçados no contrato social da Pandurata Alimentos, apenas buscou atingir a plenitude dos objetivos estabelecidos no contrato social, na medida em que teve por finalidade otimizar os negócios da empresa; Tampouco houve infração de lei, trazendo afirmativas genéricas e que não guardavam relação com a específica tratada pelo CTN; Afirma que o entendimento esposado no CARF e na jurisprudência do STJ e STF devem ser aplicados por economia processual ao caso presente. Da Impugnação apresentada pela Interessada, Pandurata Alimentos A interessada apresentou impugnação às fls. 2.011/2.082, conforme a seguir, em síntese, reproduzo: I – Vício de Fundamentação – Inexistência de Referibilidade e Coerência entre o Fundamento do Lançamento e a Infração Apontada Em 01/09/2004, foi firmado contrato de prestação de serviços entre a impugnante e a Pandurata Assessoria Comercial Ltda. Que, na prática, houve por bem segregar as atividades de fabricação e comercialização antes concentradas exclusivamente na impugnante; Fl. 3570DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.562 17 A Pandurata Assessoria passou a ser responsável pelo assessoramento comercial com o intuito de potencializar as vendas e o faturamento da impugnante, enquanto esta passou a praticar somente a atividade de produção/fabricação; O Fisco presumiu que a prestação de serviços não foi verdadeiramente realizada pela Pandurata Assessoria, sendo que, no seu entender, tal empresa nunca existiu de fato, mas apenas no “papel” e foi constituída por meio de operações simuladas; Não há qualquer coerência entre o fundamento do lançamento e a suposta infração apontada; Se houve uma total desconsideração da existência da pessoa jurídica (Pandurata Assessoria) e das operações por ela praticadas em razão da alegada simulação, o fisco, para manter a coerência em seus argumentos, deveria ter alegado que a despesa seria inexistente e não indedutível; As contradições fiscais trazem danos irreparáveis ao lançamento. Se, de acordo com suas presunções, a Pandurata Assessoria nunca existiu de fato, como poderia a impugnante ter remunerado uma pessoa jurídica inexistente? Como pode a fiscalização cogitar que a impugnante tenha incorrido em despesas indedutíveis pagas a pessoa jurídica por ela considerada inexistente? Além da incoerência do fundamento do lançamento com a suposta infração, verificase que o fisco também alega ter ocorrido um “pagamento sem causa”, o que é objeto de outro processo administrativo. Novamente: se não existe pagamento, como pode alegar que haveria um “pagamento sem causa”? Se a Pandurata Assessoria não existe, o pagamento seria para quem? Da impugnante para ela mesma? Diante da manifesta falta de coerência entre as premissas do fisco na descrição dos fatos e nas conclusões, há vício na fundamentação, razão pela qual deve ser declarada a nulidade dos autos de infração ora combatidos; II – Erro na Apuração da Base de Cálculo – Iliquidez e Incerteza dos Autos de Infração O fisco entendeu pela ocorrência de simulação na operação de segregação de atividades praticada pelo Grupo Pandurata, asseverando que a Pandurata Assessoria ‘apesar de emitir notas fiscais, apresentar declarações e efetuar recolhimentos de impostos, de fato não existe. Ela foi criada no papel’; Porém, ao apurar o crédito tributário em apreço, o fisco não adotou o critério de apuração da base de cálculo correspondente à infração alegada; Conforme os argumentos da fiscalização, notase que, no seu entender, na realidade, não ocorreu: (i) a transferência de funcionários da impugnante para a Pandurata Assessoria; (ii) os pagamentos realizados da impugnante à Pandurata Assessoria; (iii) os gastos e as Fl. 3571DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.563 18 despesas incorridos pela Pandurata Assessoria, e tampouco (iv) o pagamento dos tributos pela Pandurata Assessoria. Tudo isso como consequência lógica da desconsideração da existência da Pandurata Assessoria; No caso, o fisco incorrera em sérios e irreversíveis erros de cálculo ao apurar os tributos supostamente devidos, o que tornam os autos de infração, originários do presente processo, nulos de pleno direito, justamente por serem desprovidos de liquidez e certeza; Para haver coerência com o fundamento do lançamento deveria o fisco ter determinado que: (i) o montante das despesas incorridas pela Pandurata Assessoria em suas atividades – não deduzido em razão de esta ser optante pelo lucro presumido – fosse considerado como incorrido e dedutível pela impugnante e (ii) os tributos apurados e recolhidos pela Pandurata Assessoria (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), inclusive aqueles retidos na fonte, fossem considerados como redutores do montante fiscal do crédito tributário lançado em face da impugnante; Ao desconsiderase a existência da Pandurata Assessoria, novamente, a impugnante passa a ser uma empresa única. III – Da comprovação da existência da “Pandurata Assessoria”/Análise das Operações efetivamente realizadas A empresa Pandurata Assessoria era efetivamente existente e possuía evidente propósito negocial, tendo exercido plenamente todos os atos em conformidade com o seu objetivo social, motivo pelo qual não merecem prosperar os autos de infração em questão; O fisco pautou o lançamento em mera presunção; A impugnante, em razão de reestruturação das atividades do Grupo em que atua, celebrou contrato de prestação de serviços de assessoria comercial com a Pandurata Assessoria visando obter assessoramento comercial, para potencializar a venda dos produtos comercializados em todo o território nacional; A impugnante obrigouse a pagar à Pandurata Assessoria um percentual sobre o faturamento da sua linha de produtos, excluindose cancelamentos, devoluções, anulações e exportação de vendas; A Pandurata Assessoria é empresa prestadora de serviços e devidamente constituída perante os órgãos competentes, a qual faz parte do mesmo grupo econômico da impugnante, Grupo Pandurata, tendo seu objeto social a prestação de serviços de assessoramento comercial e assistência técnica, dentro outras atividades; De fato, sua constituição decorreu de processo estratégico de reorganização das atividades operacionais do Grupo Pandurata, objetivando o desenvolvimento da atividade de prestação de serviços de assessoramento comercial pela Pandurata Assessoria, serviços estes que são absolutamente distintos das demais atividades desenvolvidas pela impugnante; Fl. 3572DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.564 19 O Grupo optou por segregar a sua atividade de fabricante das atividades de assessoramento comercial, por se tratarem de atividades específicas e absolutamente distintas; A Pandurata Assessoria foi responsável para auxiliar a definição de novas estratégias comerciais, dentre elas (i) prospecção de novos clientes, fidelização dos atuais e recuperação dos inativos; (ii) expansão das vendas no território nacional; e (iii) segmentação entre os vendedores, respeitando a política elaborada para cada carteira de clientes redefinida; Tal reorganização foi realizada sob total transparência e todos os atos e negócios jurídicos foram realizados em estrita observância à legislação de regência; Ainda por não estar obrigatoriamente sujeita ao lucro real durante os anos de 2009 a 2011, a Pandurata Assessoria optou por apurar e recolher o IRPJ e a CSLL em tais períodos com base no lucro presumido; A importância da Pandurata Assessoria na consecução dos negócios da impugnante pode ser demonstrada por meio da análise dos efeitos econômicos obtidos após a sua contratação, com o crescimento anual da receita bruta: (R$ mil) 2007 2008 2009 2010 2011 Receita Bruta 1.040.264 1.261.264 1.393.907 1.462.486 1.604.529 Crescimento 21% 11% 5% 10% O fisco alega que, de acordo com depoimentos de funcionários de salas vizinhas às instalações da sede da Pandurata Assessoria que não havia atividade naquele endereço, pois nunca viu os empregados da empresa no local; No entanto, em face de um trabalhador próximo à sede da empresa não ter, à época, notado funcionários adentrando ou saindo daquele endereço não poderia ser entendido, como fez o fisco, que a Pandurata Assessoria não existia de fato. Isto porque a Pandurata Assessoria era formada essencialmente por representantes comerciais, cuja principal função era a captação de novos clientes para a impugnante. Por tal razão, gastavam um tempo muito maior de trabalho fora das dependências da empresa; IV – Da Inexistência de Vedação Legal à Constituição da Pandurata Assessoria para a Prestação de Serviços à Impugnante/Impossibilidade de Ingerência do Fisco nas Atividades Empresariais do Contribuinte a) Os procedimentos adotados não afrontam qualquer norma vigente no ordenamento jurídico brasileiro, além de representarem operações devidamente fundadas em interesses de cunho comercial e operacional das partes envolvidas; b) Os serviços não só são necessários, mas fundamentais à a Afirma que os serviços prestados não são apenas necessários, mas, sim, fundamentais à atividade da Impugnante, revelando o caráter de usualidade e normalidade à despesa incorrida. E que poderseia Fl. 3573DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.565 20 constatar serem essenciais à manutenção da atividade produtora, “já que a Impugnante não contava com pessoal especializado para o desenvolvimento das tarefas comerciais necessárias à venda de seus produtos”. Julga, assim, que o negócio jurídico está revestido de substância econômica e fundado em interesse negocial. c) Da mesma forma, diz inexistir vedação legal à celebração de contrato de mútuo entre a Impugnante e a Pandurata Assessoria, nem tampouco à cessão de crédito devidamente formalizada via contrato, documentos os quais foram apontados pela fiscalização como supostas evidências do intuito das partes de fazerem retornar à Impugnante os recursos pagos a título de despesas. Acusa ter a autoridade fiscal se valido de presunção, para fundamentar as autuações em questão. Em suas palavras: “De fato, “fundamentar” a autuação na suposta vedação à operação de segregação de atividades desenvolvidas pela Pandurata Assessoria e respectiva desconsideração do negócio jurídico celebrado entre esta e a Impugnante é tarefa juridicamente impossível sob o ponto de vista da legalidade. f) Tece considerações acerca da necessidade de observância do Princípio da legalidade pela Administração Tributária, com apoio na doutrina e jurisprudência; g) Ressalta que, embora a fiscalização tenha entendido pelo intento de simulação ou dissimulação, os atos societários envolvendo a constituição da Pandurata Assessoria estão revestidos das formalidades legais (registro na Jucesp) e os negócios jurídicos por ela celebrados com a Impugnante (contrato de prestação de serviços, contrato de mútuo e cessão de crédito) foram efetivamente praticados, guardando estrita consonância com as deliberações de vontade emanadas pelas partes. h) Acrescenta, ademais, que todo o procedimento foi auditado e validado por renomada empresa de auditoria, sem qualquer ressalva, demonstrando a boafé, transparência e lisura de conduta dos administradores do Grupo, pois as empresas envolvidas não estariam sujeitas à auditoria externa, por serem sociedades limitadas. i) Diz inexistir qualquer indício ou comprovação de que os atos praticados pela Impugnante foram realizados de modo a encobrir, enganar ou impedir o conhecimento por parte do Fisco e/ou de terceiros. Afirma que todos os atos foram praticados com transparência e publicidade, representando os negócios exatamente como realizados e formalizados nos documentos competentes. E que os livros contábeis da Impugnante também refletiram todos os passos adotados para o pagamento das despesas incorridas, servindo de base para o preenchimento das DIPJ, dando pleno conhecimento dos fatos às autoridades fiscais. V – Do Exercício da Opção Fiscal de Tributação pelo Lucro Presumido da Pandurata Assessoria Fl. 3574DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.566 21 A Pandurata Assessoria recolheu seus tributos em dia, através do Lucro Presumido; A contratação da Pandurata Assessoria pela impugnante representou uma opção fiscal/legal permitida pelo ordenamento jurídico, ainda que essa opção possa ter gerado como conseqüência uma economia fiscal; VI – Da Inexistência de Simulação ou Dissimulação Não foi realizada qualquer operação com o intuito de prejudicar terceiros, nem mesmo o Fisco, não podendo, por isso, prevalecer o entendimento da fiscalização no sentido de que é a única finalidade dos atos praticados pela impugnante esconder a realidade dos fatos; Nunca quis simular a ocorrência de operações diversas daquelas que foram efetivamente realizadas com o intuito de se evitar a ocorrência do fato gerador dos tributos em questão; Em vista da operação societária de constituição da Pandurata Assessoria e do negócio jurídico consubstanciado na prestação de serviços realizado por esta em favor da impugnante, foi gerada, no máximo, uma economia tributária lícita, a chamada elisão fiscal; VII – Reconhecimento da Legitimidade/Legalidade das Operações pelo CARF Proferido em Autuação Anterior contra a Impugnante Foi reconhecido pelo CARF a regularidade dos negócios da Pandurata Alimentos, bem como a legalidade da constituição da Pandurata Assessoria como uma empresa prestadora de serviços e, por conseguinte, conheceu como válida as deduções das despesas incorridas com o assessoramento comercial na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, cancelandose os autos de infração; VIII – Da Inexistência de Sonegação, Fraude ou Conluio nas Operações Diz inexistir qualquer indício ou comprovação de que os atos praticados pela Impugnante foram realizados de modo a encobrir, enganar ou impedir o conhecimento por parte do Fisco e/ou de terceiros. Afirma que todos os atos foram praticados com transparência e publicidade, representando os negócios exatamente como realizados e formalizados nos documentos competentes. Sequer houve qualquer intenção dolosa por parte da impugnante; Foram prestadas informações e fornecidos documentos ao Fisco, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir o trabalho fiscal; Todos os atos societários foram devidamente registrados e arquivados na Junta Comercial e declarados ao Fisco Federal por meio das competentes obrigações acessórias; IX – Da Necessidade de Reapuração da Base de Cálculo e da Compensação dos Tributos Pagos a) Fundamenta sua assertiva partindo da própria premissa adotada pela fiscalização, de que a prestação dos serviços teria sido mera Fl. 3575DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.567 22 ficção com o objetivo exclusivo de afastar da tributação do lucro real da Impugnante parcela de valores a ser por esta reconhecida e tributada. Assim, conclui que o crédito tributário a ser constituído “deveria representar, exclusivamente, a diferença entre o valor efetivamente recolhido pela Pandurata Assessoria e aquele que deveria ser recolhido pela Impugnante caso esta não houvesse despendido com tais serviços, sem prejuízo do aproveitamento pela Impugnante das despesas efetivamente incorridas pela Pandurata Assessoria na consecução de suas atividades típicas”. b) A corroborar sua tese, aponta a própria planilha de cálculo apresentada em anexo ao Termo de Verificação, segundo a qual a diferença de valores apurada pela autoridade fiscal representaria R$ 21.777.468,45, “sendo este o montante calculado em razão da diferença do montante de IRPJ e CSLL pago pela Pandurata Assessoria e aquele que seria pago pela Impugnante caso as operações viessem a ser desconsideradas”. c) Julga, ademais, que a diferença acima referida deveria ser ainda menor, em razão das contribuições para o Pis e a Cofins recolhidas pela Pandurata Assessoria, sob a sistemática cumulativa. Justifica a pretensão em razão de a Impugnante, embora submetida à sistemática não cumulativa, não se ter valido ou beneficiado de quaisquer créditos descontados sobre os pagamentos pelos serviços de assessoria prestados pela empresa citada, por entender que tais montantes, em razão de sua natureza, não propiciavam direito a crédito. “Assim, (...), temse nos montantes recolhidos a título de Contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS como verdadeiro indébito tributário, sujeito à compensação/restituição integral”. d) O Fisco ainda considerou no cálculo do crédito tributário o montante das despesas não deduzidas pela Pandurata Alimentos por força de sua opção pelo Lucro Presumido, despesas essas que seriam plenamente dedutíveis se tivessem sido incorridas diretamente pela impugnante, em vista da desconsideração da prestação de serviços realizada pela Pandurata Assess; (...) e) Se a Pandurata Assessoria foi descaracterizada pelo Fisco a impugnante teria direito à dedutibilidade do montante correspondente à despesas por ela incorridas, já que essas passariam a ser, portanto, incorridas em nome próprio. f) Acusa que não tendo sido adotada referida prática pela autoridade fiscal tal fato contribui para a iliquidez e incerteza dos lançamentos impugnados, dado o erro na determinação da base tributável, importando a “nulidade” da exação, por força do disposto no art. 3º e 142 do CTN. g) Para justificar a nulidade arguida, expressa o entendimento de ser apenas a autoridade lançadora aquela a qual tem competência para determinar a matéria tributável e efetuar o cálculo do montante do tributo devido, de forma clara e certa. E que o ato administrativo do lançamento não pode conter em seu conteúdo qualquer discricionariedade, pois a constituição do crédito tributário não pode Fl. 3576DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.568 23 se basear em critérios de conveniência ou oportunidade da Administração. Afirma que a certeza quanto ao montante exigido é intrínseca ao lançamento tributário, consoante doutrina trazida à colação, bem como consoante artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. X Da Inexistência de Previsão Legal para Adição à Base de Cálculo da CSLL de Despesas Consideradas Indedutíveis pelo Fisco a) Em outra frente de defesa, acusa a falta de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSLL, de despesas consideradas indedutíveis. Alega que, “muito embora a CSLL seja, assim como o IRPJ, tributo incidente sobre o lucro dos contribuintes, certo é que para ela existem normas específicas que tratam das adições e exclusões ao lucro líquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as quais, nem sempre, são as mesmas aplicáveis ao IRPJ”. Busca os dizeres do art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, concluindo que a única adição permitida ao resultado do exercício, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, corresponde ao resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido. Acusa não ser possível atribuir à CSLL as mesmas regras de adições e exclusões previstas para o IRPJ, quanto à dedutibilidade de despesas, pois o que existe de comum entre os “tributos” são apenas as mesmas regras de apuração e pagamento. Cita jurisprudência administrativa (Ac. 10707610, Ac. 10196056 e Ac. 10194286). XI – Da Impossibilidade de Desconsideração dos Saldos Negativos de IRPJ e CSLL e dos Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa da CSLL Ao recompor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL o fisco considerou que a impugnante não possuía saldos negativos de IRPJ e CSLL, pois estes foram objeto de PER/DCOMP e saldos de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, uma vez que já haviam sido objeto de compensação de ofício em decorrência de exigências fiscais, consubstanciadas em processos administrativos anteriormente constituídos; Entretanto, com relação aos saldos negativos de IRPJ e CSLL não utilizados de ofício, devese mencionar que os PER/DCOMP ainda não foram homologados, razão pela qual não se pode certificar que a impugnante efetivamente não possui tais valores passíveis de aproveitamento no momento da lavratura do lançamento de ofício; Ademais, devese frisar em caso de não homologação de compensações a multa aplicada contra a contribuinte é de 20%; enquanto que nos casos de lançamento de ofício a multa é de 75% ou 150% (como no presente caso), motivo pelo qual é mais benéfico à impugnante que tais saldos sejam utilizados de ofício na apuração do crédito tributário supostamente devido; Ainda, com relação aos saldos de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL, não se pode concordar com o argumento do fisco para “zerar” os saldos da impugnante, uma vez que o mencionado processo administrativo encontrase pendente de decisão administrativa, de Fl. 3577DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.569 24 modo que os créditos tributários objeto dos referidos processos encontramse suspensos por força do art. 151, inciso III do CTN; E mais, o processo administrativo nº 16095.000723/201017, citado pela fiscalização para a não utilização dos referidos saldos é justamente o processo administrativo em que a impugnante obteve decisão favorável no CARF; Desta feita, demonstrada a existência de saldos negativos de IRPJ e CSLL e de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL que não foram utilizados pelo fisco para compensação de ofício com as exigências ora constituídas, impende concluir que o presente crédito não preenche os requisitos de liquidez e certeza em conformidade com o artigo 142 do CTN, demandando, por conseguinte, a constatação de nulidade do lançamento; XII – Da Ilegalidade da cobrança dos Juros sobre Multa Passa a questionar a cobrança de juros de mora sobre a multa aplicada, por absoluta falta de previsão legal; Diz que o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre os tributos. E que não se pode confundir os conceitos de tributo e multa, dado que esta última é penalidade pecuniária, não se subsumindo à hipótese prevista no art. 3º do CTN, entendimento este corroborado pelas disposições do art. 113 do mesmo diploma legal; Nesse contexto, julga que a incidência de juros sobre a penalidade desrespeita o princípio constitucional da legalidade, previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal; Reitera que a atividade administrativa é vinculada à lei, sendo vedado extrapolar os limites delineados pelo legislador. Apresenta jurisprudência a validar a sua tese (Ac. 10196523, Ac. 10516754, Ac. 20178718 e Ac. CSRF/0203133); Contrapõese, inclusive, ao entendimento de que a referida cobrança de juros sobre a multa estaria amparada pelo art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, “já que referido dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos”. Mais uma vez se socorre da jurisprudência administrativa (Ac. 103 23566); Encerra requerendo sejam acolhidas as razões de defesa apresentadas, com a conseqüente improcedência das autuações. Do contrário, requer a exoneração da multa “agravada”, pois demonstrada a inexistência de dolo/fraude. Com relação aos valores quitados pela Impugnante, requer a extinção do correspondente crédito tributário e baixa no sistema da RFB; Da Decisão Recorrida e do Recurso de Ofício Fl. 3578DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.570 25 A Delegacia de Julgamento deu provimento parcial aos recursos nos seguintes termos (fls. 2.7332.796): a) não acatou nenhuma das preliminares de nulidade da autuação em razão de ter havido qualquer irregularidade sob o aspecto formal, bem como inexistiu qualquer prejuízo que maculasse o direito de defesa dos sujeitos passivos; b) com relação à glosa das despesas, consignou que a sua comprovação é o primeiro requisito para a sua escrituração; ademais, devem contribuir para a manutenção das fontes de rendimentos. Sob esse último aspecto, as despesas de "Pandurata Assessoria" não poderiam ser reconhecidas como despesas de "Pandurata Alimentos". c) discorre vastamente discorrer sobre temas doutrinários acerca do planejamento tributário abusivo, bem como analisa com profundidade os fatos descritos pela autoridade fiscal para concluir que ficou evidenciado o artifício usado de, por meio de forma lícita de constituição de empresa e de celebração de contratos, simular um propósito negocial a justificar as despesas incorridas, propósito este o qual, além de não se justificar economicamente perante quem realizou a despesa, revelouse apenas aparente, configurando veículo para transferência de receita para uma tributação mitigada; d) Como as duas empresas operavam como se fossem uma só, devem ser considerados os tributos confessados em DCTF pela "Pandurata Assessoria" para fins de reduzir o montante lançado em "Pandurata Alimentos"; e) Por outro lado, não devem ser consideradas as despesas incorridas por "Pandurata Assessoria", uma vez que essas já são consideradas de forma presumida na apuração da base de cálculo pelo lucro presumido; f) no tocante ao pleito de restituição do PIS/Cofins pagos por "Pandurata Assessoria", tratase de matéria estranha ao presente feito; g) ficou caracterizado o evidente intuito de fraude e, portanto, deve ser mantido o percentual qualificado da multa; h) manteve a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, uma vez que esta compõe o crédito tributário lançado; i) com relação à glosa se refletir também na base de cálculo da CSLL, entendeu a decisão recorrida que o fundamento foi não comprovação de despesas; j) no tocante ao aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas, negou o pedido em razão da decisão favorável no processo administrativo nº 16095.000723/201017, esta decisão ainda não é definitiva na esfera administrativa; h) manteve a responsabilidade tributária de todos os sujeitos passivos ao rechaçar os argumentos apresentados. Em relação à parte em que deu provimento à impugnação, recorreu de ofício. Dos Recursos Voluntários Fl. 3579DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.571 26 O contribuinte Pandurata alimentos apresentou recurso voluntário às fls. 3.0533.159, por meio do qual reiterou as seguintes questões suscitadas já na oportunidade da impugnação: a) Nulidade do lançamento por (i) vício de fundamentação e (ii) erro na apuração da base de cálculo; b) Comprovação da existência da "Pandurata Assessoria"; c) Não existência de vedação à criação da "Pandurata Assessoria" para prestar serviços a "Pandurata Alimentos" e impossibilidade de ingerência do Fisco nas atividades empresariais; d) Possibilidade de exercício da opção fiscal pelo lucro presumido; e) Não ocorrência de simulação ou dissimulação; f) decisões do CARF favoráveis à contribuinte sobre os mesmos fatos; g) inaplicabilidade da multa qualificada pela inexistência de sonegação, fraude ou conluio; h) inaplicabilidade da multa no caso de dúvida; i) proibição de confisco; j) necessidade de dedução de todos os tributos e despesas incorridas por "Pandurata Assessoria"; k) inexistência de previsão legal para adição das despesas à base de cálculo da CSLL; l) ilegalidade da exigência de juros sobre a multa. Ademais, suscitou também a nulidade da decisão recorrida por inovações e incongruência no julgamento. Nesse ponto, aduziu que a DRJ, em boa parte da decisão recorrida, reproduziu de forma desordenada e contraditória doutrina e jurisprudência sobre diversos temas sem fazer a devida correlação com o caso concreto, o que comprova o prejuízo para a defesa a suscitar a nulidade da decisão recorrida. O responsável tributário sr. Luigi Bauducco apresentou recurso voluntário às fls. 2.8322.863, por meio do qual reiterou as seguintes razões: a) fez referência expressa às razões apresentadas pela "Pandurata Alimentos"; b) ausência de atribuição de responsabilidade antes de encerrada a esfera administrativa; c) nulidade do termo de responsabilidade por ausência de fundamentação; Fl. 3580DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.572 27 d) não comprovação do dolo a ensejar a aplicação da responsabilidade prevista no inciso III, art. 135 do CTN; e) ausência de comprovação dos atos que praticados com excesso de poderes, infração à lei, contrato social e estatuto; f) princípio da pessoalidade da pena: a pena não pode passar da pessoa do condenado; Por fim, o responsável tributário Pandurata Participações apresentou recurso voluntário às fls. 2.9432.969, por meio do qual teceu as seguintes considerações: a) fez referência expressa às razões apresentadas pela "Pandurata Alimentos"; b) ausência de atribuição de responsabilidade antes de encerrada a esfera administrativa; c) ausência da demonstração do interesse comum a ensejar a imputação de responsabilidade; d) princípio da pessoalidade da pena: a pena não pode passar da pessoa do condenado; Já os responsáveis tributários Massimo Bauducco e Carla Maria Bongioanni Bauducco, apesar de regularmente intimados da decisão de primeiro grau (ARs, às fls. 2823 e às fls. 2.829), não apresentaram recurso voluntário. Das Contrarazões A D. Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões às fls. 3.506 3.550, mediante as quais reiterou pontos da acusação fiscal. Da decisão em processo correlato Conforme relatado acima, os mesmos fatos ensejaram também o lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Esse lançamento não foi aqui formalizado, mas sim, conforme pesquisa que empreendemos no eprocesso, no processo administrativo nº 16095.720176/201413, em relação ao qual foi recentemente proferido o Acórdão nº 2202 003.485, em 16/08/2016. É o relatório do essencial. Fl. 3581DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.573 28 VOTO Preliminarmente, devemos analisar o pedido de aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas e a prejudicialidade do presente feito em face do julgado no processo administrativo nº 16095.000723/201017. Com relação a esse ponto, a Delegacia de Julgamento assim se manifestou: E no que pertine a valores de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL relativos a períodos anteriores, tendo em conta a reversão no CARF do decidido pela antiga DRJ/CPS no processo nº 16095.000723/2010 17, vale dizer que os autos ainda se encontram na PFN, após o resultado dos embargos de declaração, podendo, ainda, ser objeto de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais do mesmo Conselho Administrativo, razão pela qual não há que se retocar o lançamento ora efetuado nos presentes autos. Ao analisarmos o andamento daquele processo, constatamos que a Procuradoria da Fazenda Nacional ofereceu recurso especial contra a decisão que deu provimento integral ao recurso voluntário, recurso este conhecido mas ainda pendente de apreciação. Em razão da relação de prejudicialidade entre os dois feitos, voto para SOBRESTAR o presente processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo nº 16095.000723/201017. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Fl. 3582DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.001610/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/07/2003 a 31/12/2005
Ementa:
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ EM VIRTUDE DE AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO DE AÇÃO JUDICIAL. INSUFICIÊNCIA.
A simples existência de ação judicial discutindo o direito de crédito, ainda sem trânsito em julgado, não é motivação suficiente para o agravamento da multa de ofício em relação aos débitos decorrentes, por ausência de certeza e liquidez. Há que restar configurada especificamente uma das condutas referidas nos artigos 71 a 73 da Lei no 4.502/1964.
Numero da decisão: 3401-003.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/07/2003 a 31/12/2005 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ EM VIRTUDE DE AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO DE AÇÃO JUDICIAL. INSUFICIÊNCIA. A simples existência de ação judicial discutindo o direito de crédito, ainda sem trânsito em julgado, não é motivação suficiente para o agravamento da multa de ofício em relação aos débitos decorrentes, por ausência de certeza e liquidez. Há que restar configurada especificamente uma das condutas referidas nos artigos 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 16 10 /2 00 8- 18 Fl. 503DF CARF MF 2 Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 380 a 3991, com ciência ao sujeito passivo em 18/07/2008 (fl. 381), para exigência de imposto sobre produtos industrializados (IPI), por utilização indevida de créditos referentes "a aquisição de insumo e matériaprima isenta, não tributada ou tributada com alíquota zero", no período de 20/07/2003 a 31/10/2005 (valor original de R$ 7.722.604,11), acrescido de juros de mora e de multa de ofício de 150%. No Relatório da Atividade Fiscal (fls. 371 a 379), narra a fiscalização que: (a) intimada a empresa a comprovar a origem de créditos de IPI escriturados referentes a aquisições isentas, não tributadas e tributadas à alíquota zero, a resposta foi de que tais créditos estavam assegurados por ação judicial (Apelação Cível no 2000.04.01.0766042/PR e RE no 502.260/PR); (b) tais ações ainda estão judicialmente tramitando, havendo interposição de Recurso Extraordinário pela Fazenda Nacional, e o STF já se pronunciou, revertendo decisão proferida no TRF4, e negando o direito ao crédito na aquisição de produtos tributados à alíquota zero e não tributados, e já pacificou o entendimento em seu tribunal pleno, não sendo o crédito líquido e certo; (c) a empresa já havia utilizado créditos idênticos em compensações, que foram consideradas não declaradas ou não homologadas, por derivarem de ações judiciais sem trânsito em julgado; (d) o "modus operandi" consistia em indicar parte dos créditos na própria escrituração, e outra parte em compensações, com pagamentos residuais via DARF; e (e) a qualificação da multa se deve aos artigos 71 e 72 da Lei no 4.502/1964 (sonegação e fraude). A empresa apresenta Impugnação em 11/08/2008 (fls. 411 a 416), argumentando, em síntese, que: (a) efetuou os registros correspondentes em sua escrita fiscal e transmitiu as DCOMP, não havendo que se falar em fraude; (b) a lei que dobra o valor da multa aplicada é de 2007 (Lei no 11.488/2007), não podendo ser aplicada aos fatos narrados na autuação, que abrangem o período de 2003 a 2005; (c) no caso em análise, o fato gerador já havia ocorrido e o pedido de compensação e registros, portanto, não se referiam à sua ocorrência, ou ao retardamento da ciência desta ocorrência; (d) sendo a multa de 75% aplicável, devese abrir novo prazo de impugnação para que a empresa possa eventualmente utilizar dos benefícios de redução da multa; (e) ao efetuar as declarações, a empresa o fez diante da decisão final ocorrida no tribunal local que reconheceu o direito de crédito, devendo, em caso de manutenção da glosa, se aplicada somente a atualização e a multa de mora, sendo confiscatória a multa de 150%; e (f) diante da questão submetida a juízo, o procedimento fiscal sequer deveria ter sido instaurado, ou, ainda que instaurado, deveria ficar sobrestado. Em 24/11/2008 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 429 a 433), no qual se decide unanimemente pela parcial procedência do lançamento, sob os seguintes fundamentos: (a) não havia qualquer medida judicial que impedisse a lavratura do auto de infração, e nem mesmo qualquer razão para suspender a exigibilidade do valor lançado, sendo que, à data de lavratura da autuação, já vigorava a Decisão do STF relativa ao Recurso Extraordinário impetrado pela Fazenda, que negou o direito ao crédito por parte da empresa; (b) a discussão administrativa sobre crédito em relação a insumos não onerados pelo IPI possui o mesmo objeto da matéria submetida ao Poder Judiciário, aplicandose o entendimento 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10925.001610/200818 Acórdão n.º 3401003.285 S3C4T1 Fl. 504 3 previsto no ADN COSIT no 03/1996, sendo a propositura da ação judicial óbice à analise administrativa do mesmo tema; (c) não há motivação suficiente para o agravamento da multa de ofício ao patamar de 150%, e nem para a reabertura de prazo em caso de manutenção da multa em 75%; e (d) não cabe ao julgador administrativo se manifestar sobre a constitucionalidade de norma legal vigente. Em razão do montante exonerado, há interposição de Recurso de Ofício. Cientificada do acórdão da DRJ em 16/03/2009 (AR à fl. 442), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 11/03/2009 (fls. 443 a 454), basicamente reiterando as alegações expostas em sua impugnação, e agregando que seria necessário refazer a autuação, para que pudesse a recorrente gozar da redução da multa, e que nem mesmo a multa de 75% é aplicável, em face da existência de decisão judicial favorável. Em 26/02/2010 a empresa apresenta desistência total do recurso voluntário interposto, tendo em vista a adesão ao parcelamento instituído pela Lei no 11.941/2009 (fl. 458). À fl. 500 a unidade local informa que os débitos referentes ao recurso voluntário foram transferidos para outro processo, restando nestes autos somente a pendência de apreciação, pelo CARF, do recurso de ofício. Em 17/03/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso de ofício apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Cabe a este tribunal administrativo, em função do relatado, manifestarse somente sobre o recurso de ofício, em razão de a DRJ ter afastado o agravamento da multa, reduzindoa de 150% para 75%, visto que não foi devidamente caracterizada nenhuma das condutas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. E, nesse tema, não merece aparas a decisão de piso. Quer fazer parecer o autuante que a existência de ação judicial discutindo o mesmo objeto, com decisão ainda não definitiva, maculando a liquidez e a certeza do crédito seria elemento que levaria à conclusão pelo dolo. Vejase excerto do relatório fiscal, às fls. 377/378, no qual se sustenta o porquê do agravamento da multa: Os fatos relatados até aqui já sã(o) indícios suficientes para caracterizar intuito de fraude da /fiscalizada, principalmente no que concerne à inserção de informação falsa em sua contabilidade (utilização de crédito de IPI aparentemente válido, mas que, conforme já relatado, está totalmente desprovido/ de liquidez e certeza). De qualquer modo, para reforçar ainda mais Fl. 505DF CARF MF 4 sua atitude, em tese, fraudulenta, cabem ainda outras ponderações. No caso dessa auditoria, por ter utilizado indevidamente créditos de IPI provenientes da aquisição de insumos e matérias primas isentas, não tributadas ou tributadas à alíquota zero, todos sujeitos a ulterior análise da autoridade tributária, a empresa fiscalizada o fez, em tese, com evidente intuito de fraude, porque: o seu ato se revestiu de aparência legal (ocorreu normalmente a escrituração dos créditos e a consequente diminuição do saldo devedor de IPI) ; entretanto, na verdade, esses créditos são totalmente desprovidos de certeza e liquidez, uma vez que estão vinculados a ação judicial não transitada em julgado; o ato de se utilizar desses créditos é de sua conveniência (caso a autoridade fazendária não iniciasse procedimento de fiscalização em questão, a empresa não recolheria o tributo devido, só que sem o amparo legal). Ao que parece, confunde a fiscalização ausência de certeza e liquidez sobre o crédito com certeza da inexistência do crédito. Não se tem dúvidas de que se a empresa, ao efetuar as compensações, alegasse que o crédito advinha de ação judicial que já soubesse ter transitado em julgado em seu desfavor, estaria agindo com dolo, sendo cabível a majoração da multa. Mas não é esse o caso. Não se tem certeza sobre a existência e sobre a liquidez do crédito, e isso é diferente de se ter certeza de sua inexistência. Hoje, após o trânsito em julgado (em 09/05/2012) do RE no 420.353/PR, originado da Apelação Cível no 2000.04.01.0766042/PR, sabese que o Poder Judiciário definiu que a empresa "não tem direito ao aproveitamento de créditos do IPI, presumidamente gerado pela aquisição de insumos sob o regime de nãotributação ou sujeito à alíquota zero". Mas nem isso se sabia, em definitivo, à época. Que seria do agravamento da multa, por exemplo, se o trânsito em julgado da ação judicial fosse totalmente favorável à recorrente? Ela teria cometido uma fraude ao invocar crédito que de fato possuía? Pensamos que não. E, por isso, acordamos com a DRJ de que as razões alegadas pela fiscalização para majoração da multa são insuficientes para que se evidencie dolo na conduta da empresa, ou uma das características demandadas para enquadramento nos artigos 71 a 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. Diante do exposto, voto no sentido de dar negar provimento ao recurso de ofício. Rosaldo Trevisan Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10925.001610/200818 Acórdão n.º 3401003.285 S3C4T1 Fl. 505 5 Fl. 507DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.720924/2011-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/12/2008
INSUBSISTÊNCIA DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS INERENTES AO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS CONSIDERADAS NULAS EM PROCESSO ADMINISTRATIVO TRANSITADO EM JULGADO.
O PAF n.º 10166.720923/2011-11 transitou em julgado no sentido de
considerar nulos todos os lançamentos relativos a supostas obrigações principais relacionadas à conduta do contribuinte.
Não é possível que obrigações acessórias subsistam em relação à obrigações principais inexistentes para o mundo do direito.
Numero da decisão: 9202-004.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/12/2008 INSUBSISTÊNCIA DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS INERENTES AO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS CONSIDERADAS NULAS EM PROCESSO ADMINISTRATIVO TRANSITADO EM JULGADO. O PAF n.º 10166.720923/2011-11 transitou em julgado no sentido de considerar nulos todos os lançamentos relativos a supostas obrigações principais relacionadas à conduta do contribuinte. Não é possível que obrigações acessórias subsistam em relação à obrigações principais inexistentes para o mundo do direito.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VIA ENGENHARIA S/A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/12/2008 INSUBSISTÊNCIA DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS INERENTES AO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS CONSIDERADAS NULAS EM PROCESSO ADMINISTRATIVO TRANSITADO EM JULGADO. O PAF n.º 10166.720923/2011-11 transitou em julgado no sentido de considerar nulos todos os lançamentos relativos a supostas obrigações principais relacionadas à conduta do contribuinte. Não é possível que obrigações acessórias subsistam em relação à obrigações principais inexistentes para o mundo do direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos ( Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 01 66 .7 20 92 4/ 20 11 -5 8 Fl. 1.706Fl. 1.706 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Especial do Procurador Especial do Procurador 2ª Turma 2ª Turma setembro de 2016 setembro de 2016 CS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS CS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL VIA ENGENHARIA S/A. VIA ENGENHARIA S/A. AA Fl. 1706DF CARF MF 2 Relatório Cuida-se de Recurso Especial do Procurador contra o Acórdão 2803-003.757, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/12/2008 PRORROGAÇÃO DO MPF. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO AO CONTRIBUINTE. NULIDADE. Sobre as alterações nos Mandados de Procedimentos Fiscais MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, o parágrafo único do art. 9º da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, preceituava que caberia ao Auditor Fiscal da Receita Federal do BrasilAFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificar o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PAGAMENTO A CORRETORES POR PESSOAS FÍSICAS. DESNECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. O lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade autuante de que a Recorrente pagara indiretamente valores aos corretores de imóveis. Assim, não ocorrendo os sobreditos pagamentos pela Recorrente nem diretamente e tampouco indiretamente, não se caracterizaram os fatos geradores descritos por aferição indireta no lançamento em comento, não ensejando, por consectário, a obrigatoriedade da contribuinte de informar tais valores em GFIP. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Cuida-se de Autos de Infração – DEBCAD’s 51.000.921-2; 51.000.922-0; 51.000.923-9 – que têm por objeto autuação por descumprimento de obrigações acessórias consistente em: deixar de declarar em GFIP os pagamentos efetuados a corretores pessoas físicas a título de comissão pelas vendas de unidades imobiliárias que compõem os empreendimentos imobiliários da empresa sob ação fiscal; deixar de recolher as contribuições sociais patronais incidentes sobre as verbas pagas aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços; deixar de arrecadar mediante desconto as referidas remunerações aos contribuintes e recolhê-las aos cofres da Seguridade Social. O contribuinte também foi autuado pelo descumprimento das obrigações principais, tendo sido lavrados os AI/DEBCAD’s 37.221.704-4 e 37.221.705-2, objeto de outro processo administrativo. Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 10166.720924/2011-58 Acórdão n.º 9202-004.494 CSRF-T2 Fl. 1.707 3 No relatório fiscal, fla 11., ficou consignado que constitui fato gerador da obrigação principal: ... a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão de vendas, efetuado a segurados contribuintes individuais (corretores de imóveis e/ou supervisores de venda) pela comercialização de imóveis vinculados aos empreendimentos imobiliárias dessa empresa. De acordo com as informações prestadas pela empresa sob ação fiscal essas vendas foram realizadas: Por corretores autônomos, sob o gerenciamento da empresa Via Empreendimentos Imobiliárias S/A e tendo como responsável por essa comercialização o corretor Ney Robsthon Otaviano; Pela administração, quando os clientes a procuram diretamente, e no caso, essa operação foi intitulada pela empresa como sendo “venda ADM” ou “venda direta Via”. O lançamento tributário teve por embasamento legal os arts. 28, III, 30, I, §4º e 32, IV, da Lei nº 8.212/91 e os arts. 33, § 5º, da Lei nº 8.212/91 e art. 4º, da Lei nº 10.666/2003, para o desconto de contribuição. Concernente à multa, adotou-se a regra prevista no art. 35-A, da Lei nº 8.212/91, para as competências a partir de 12/2008. Diante de tal lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada totalmente improcedente pela DRJ, tendo motivado a interposição do Recurso Voluntário requerendo, primeiramente, o sobrestamento do feito para julgamento em conjunto com o processo de obrigações principais (PAF nº 10166.720923/2011-11). Em sede de preliminar alegou a nulidade do ato por vício formal e por ausência de publicidade na emissão e prorrogação do mandado de procedimento fiscal, bem como a ilegitimidade passiva do autuado e a decadência. No mérito, sustentou a ilegalidade da autuação. Do julgamento do recurso, os membros do colegiado acordaram, por maioria de voto, em não acolher a tese de nulidade do lançamento fiscal em razão do MPF, mas dar provimento no mérito pela ausência de caracterização do fato gerador. Contra a referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo que seja reformado o acórdão recorrido para fins de restabelecimento do crédito tributário. Aduz que, diversamente do decidido, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, no acórdão 2402-003.189, declarou que “a contribuição incidente sobre os valores recebidos por contribuintes individuais fica a cargo do tomador destes serviços”. Citou, ainda, o acórdão paradigma 2401-003.505, no qual ficou consignado que “o fato gerador de contribuição previdenciária, consistente na prestação de serviço remunerado por pessoa física sem vínculo de emprego, configurou-se, posto que fartamente demonstrado que os corretores prestaram à autuada o serviço de intermediação na venda de imóveis mediante o pagamento de comissão”. Fl. 1708DF CARF MF 4 Em contrarrazões, o Contribuinte pontua o trânsito em julgado do processo administrativo (PAF nº 10166.720923/2011-11) que questionava as obrigações principais e que, portanto, o processo decorrente deve seguir o mesmo julgamento do principal. No mérito, ressalta a ilegalidade do lançamento tributário, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva - Relatora Na interposição do presente recurso foram observados os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à análise da divergência arguida. A matéria de fundo diz respeito à exigibilidade das obrigações formais inerentes à incidência de contribuição social previdenciária sobre valores pagos a título de corretagem de imóvel diretamente pelos compradores aos corretores. Antes de adentrar na divergência arguida pela Fazenda Nacional propriamente dita, importante frisar que é cediço que as obrigações acessórias são autônomas e independem da obrigação principal correlata, devendo ser observadas mesmo nos casos de imunidade ou isenção, vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/07/2005 (...) OBRIGAÇÕES ACESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido qualquer fato gerador de obrigação tributária principal, ou este, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida a obrigação principal decorrente, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. (...) (Acórdão em Recurso Voluntário n. 2401-004.078. 1 a Turma Ordinária/ 4 a Câmara/ 2 a Seção de Julgamento. Sessão: 15/02/2016) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. BANCO ITAÚ S/A E ESTADO DA PARAÍBA. ACÓRDÃO EMBARGADO JULGADO SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC. OPERAÇÃO INTERESTADUAL DE DESLOCAMENTO DE BENS DO ATIVO Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 10166.720924/2011-58 Acórdão n.º 9202-004.494 CSRF-T2 Fl. 1.708 5 PERMANENTE OU DE USO E CONSUMO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. HIGIDEZ DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CONSISTENTE NA EXIGÊNCIA DE NOTA FISCAL DOS BENS. IRRELEVÂNCIA DA INEXISTÊNCIA, EM TESE, DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL (NÃO INCIDÊNCIA DE ICMS). FATOR VIABILIZADOR DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ARTS. 175 E 194 DO CTN. AUSÊNCIA DE OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO. MERA REITERAÇÃO DO INCONFORMISMO COM A SOLUÇÃO ADOTADA. EMBARGOS DECLARATÓRIOS REJEITADOS. 1. Afirmou-se que os deveres instrumentais, previstos na legislação tributária, ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam, inclusive, as pessoas físicas ou jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal, ex vi dos arts. 175 e 194, parág. único do CTN; assim, ainda que, em tese, o deslocamento de bens do ativo imobilizado e de material de uso e consumo entre estabelecimentos de uma mesma instituição financeira não configure hipótese de incidência do ICMS, compete ao Fisco Estadual averiguar a veracidade da aludida operação, sobressaindo a razoabilidade e proporcionalidade da norma jurídica que tão somente exige que os bens da pessoa jurídica sejam acompanhados das respectivas notas fiscais. 2. Asseverou- se, ainda, nos embargos anteriores, opostos pelo BANCO, que, em tese, tem direito à repetição tributária o contribuinte que comprovadamente tiver recolhido ao Fisco Estadual valores indevidos a título de ICMS, em razão de não ser sujeito desse imposto. 3. A observação supra não significou a alteração do provimento jurisdicional anterior ou o acolhimento do pedido de repetição de indébito como quer fazer crer o BANCO embargante, uma vez que deverá ser comprovada, por meio de processo administrativo ou judicial, o efetivo recolhimento do imposto; por isso não há que se falar, também, em qualquer contradição do acórdão embargado, como pretende seja reconhecido o ente estatal. 4. Embargos Declaratórios do BANCO ITAÚ S/A e do ESTADO DA PARAÍBA rejeitados. (STJ. EDcl nos Edcl nos Edcl no REsp 1116792/PB. Rel.: Min. Napoleão Nunes Maia Filho. Julgamento: 22/08/2012) Todavia, quando os deveres instrumentais são inerentes ao cumprimento da obrigação principal, o fato gerador da obrigação acessória está estritamente ligado com o da obrigação principal, pois nascem conjuntamente. In casu, os fatos geradores das obrigações acessórias (AI/DEBCAD’s 51.000.921-2; 51.000.922-0; 51.000.923-9) são inerentes ao cumprimento das obrigações principais (AI/DEBCAD’s 37.221.704-4 e 37.221.705-2), razão pela qual mister se apurar, primeiramente, a ocorrência do fato gerador das obrigações principais. Ora, o decisum que transitou em julgado no PAF nº 10166.720923/2011-11 acarreta prejuízo na análise das obrigações acessórias, pois o processo administrativo todo foi considerado NULO, a partir de um lançamento que não se revestiu das caracteristicas essenciais para sua subsistência. Assim, NÃO HÁ OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, O Fl. 1710DF CARF MF 6 LANÇAMENTO FISCAL É NULO DE PLENO DIREITO, não pode subsistir as presentes obrigações acessórias totalmente decorrentes do cumprimento de obrigações principais inexistentes. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1711DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.933370/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.411
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Alargamento da base de cálculo. Recorrente CONSTRUTORA TOMASI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 33 70 /2 00 9- 39 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.933370/200939 Acórdão n.º 3402003.411 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Curitiba/PR que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório, que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A não homologação se deveu a inexistência do crédito informado, vez que o mesmo havia sido integralmente utilizado. Em sua manifestação a interessada alega que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei nº9.718, de 1998, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Sobreveio então o Acórdão 06041.135, da DRJ/CTA/PR, julgando improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.399, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10980.911525/201010, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.399): "O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10980.933370/200939 Acórdão n.º 3402003.411 S3C4T2 Fl. 0 3 A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.933370/200939 Acórdão n.º 3402003.411 S3C4T2 Fl. 0 4 Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; conclui se pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento. 2 Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10980.933370/200939 Acórdão n.º 3402003.411 S3C4T2 Fl. 0 5 Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, tornase imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10980.933370/200939 Acórdão n.º 3402003.411 S3C4T2 Fl. 0 6 compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10980.933370/200939 Acórdão n.º 3402003.411 S3C4T2 Fl. 0 7 ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerêla em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.933370/200939 Acórdão n.º 3402003.411 S3C4T2 Fl. 0 8 Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.933370/200939 Acórdão n.º 3402003.411 S3C4T2 Fl. 0 9 base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos valores recolhidos com amparo no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (declarado inconstitucional pelo STF), devendo o montante do direito creditório ser apurado pela unidade de origem. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.722064/2011-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial em relação ao decisum recorrido.
Numero da decisão: 9202-004.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que o conheceram parcialmente e o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que o conheceu parcialmente em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial em relação ao decisum recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que o conheceram parcialmente e o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que o conheceu parcialmente em maior extensão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 20 64 /2 01 1- 78 Fl. 3526DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.519 2 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401003.146, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 13 de agosto de 2013 (efls. 3170 a 3203). Ali, pelo voto de qualidade, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 FALTA DE JUNTADA PELO FISCO DE PROVA. VÍCIO SANÁVEL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se verifica a nulidade do processo em razão apenas da falta de juntada de elemento de prova pelo fisco, o qual foi suprido por determinação da autoridade julgadora primeira instância, mediante a conversão do julgamento em diligência. APRESENTAÇÃO PELO FISCO DOS FATOS QUE JULGA MAIS RELEVANTES PARA COMPROVAR A OCORRÊNCIA DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. DIRIGISMO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não deve ser aceita como causa de nulidade a alegação de que o fisco descreveu em seu relato apenas as situações que seriam favoráveis à conclusão de ocorrência dos fatos geradores, principalmente quando se percebe dos termos da defesa/recurso que não houve prejuízo à defesa, uma vez que o sujeito passivo compreendeu o lançamento em todos os seus pormenores. CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas. Fl. 3527DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.520 3 TRANSFERÊNCIA DE REMUNERAÇÃO ENTRE SEGURADOS. ALTERAÇÃO NO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tendo o fisco indicado a remuneração de cada um dos segurados considerados na apuração, é defeso ao órgão de primeira instância promover a transferência de remuneração de um segurado para outro, como forma de manter a autuação. DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO A SEGURADOS EMPREGADOS MEDIANTE INTERPOSTA EMPRESA. FRAUDE. APLICAÇÃO DE MULTA AGRAVADA. A prática reiterada de pagamento de remuneração a segurado empregado mediante interposição de pessoa jurídica configura fraude, punida com multa agravada no patamar de 150%. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de diligência/perícia quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO EM DESCONFORMIDADE COM OS PADRÕES NORMATIVOS. INFRAÇÃO. A elaboração de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões estabelecidos pela Administração Tributária caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Ao deixar de efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados a seu serviço, incidentes sobre a totalidade das remunerações limitadas ao teto legal, o sujeito passivo incorre em descumprimento de obrigação acessória, merecendo a imposição de multa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 3528DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.521 4 Decisão: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial para: I) excluir dos lançamentos os fatos geradores correspondentes à remuneração de segurados empregados listados no Anexo I do relatório fiscal que não tenham recebido benefícios de seguro de vida e plano de saúde, conforme Anexos 10 e 11 do mesmo relatório; e II) excluir as remunerações relativas a Maria Berenice Costa Gazzinelli (Roberto Gazzinelli Associados Ltda), Ana Luisa Escobar Bonfim (MBA Consultoria e Projetos Ltda) e Maria do Carmo Oliveira Altoé (RMF Consultoria Empresarial Ltda) para as apurações feitas nos AI n. 37.035.2572 e AI n. 37.035.2580. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento ao recurso. Inicialmente, após ciência, opôs embargos de efl. 3217 a 3234, rejeitados por despacho de efls. 3244 a 3248. Enviados em os autos ao contribuinte para ciência acerca da rejeição de embargos, ocorrida em 15/10/14 (efls. 3.255), a autuada apresentou, em 30/10/2014 (efl. 3256), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 3256 a 3296 e anexos). Ainda que se alegasse, no pleito, divergência passível de apreciação por esta Turma em 6 (seis) diferentes matérias, somente três matérias foram admitidas consoante exame de admissibilidade e reexame de efls. 3460 a 3462, sendo, assim, as únicas que permanecem a esta altura sob litígio, a saber: a) Quanto à nulidade no auto de infração desobediência ao art. 9o. da Lei no 70.235, de 1972 ato administrativo nulo vício insanável divergência jurisprudencial (efls. 3261 a 3265): Alega a recorrente divergência em relação ao decidido no Acórdão 3102 00.696, de lavra da 2a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 3a. Seção deste Conselho de Contribuintes, prolatado em 01 de julho de 2010, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 310200.696 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do foto gerador: 26/01/2006 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FATO'JURÍDICO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA DA AUTORIDADE LANÇADORA. AUSÊNCIA DE PROVA. VICIO FORMAL INSANÁVEL. NULIDADE. Por força dos princípios tributários da estrita legalidade c da tipicidade, a autoridade fiscal lançadora tem o dever de provar, nos autos cio processo administrativo fiscal, o fito jurídico tributário que motivou a formalização da exigência do crédito tributário, O documento que formaliza a exigência do crédito tributário deve estar alicerçado em robustos elementos de prova que, necessariamente, deverão ser acostados aos autos do Fl. 3529DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.522 5 processo administrativo fiscal. É nulo, por vício formal insanável, a Notificação de Lançamento lastreada em meias afirmações ou presunções da autoridade fiscal, desacompanhado dos indispensável elementos de prova destinados à comprovação do fato jurídico tributário nela direta ou indiretamente relatado (art. 9o. do PAF). DECISÃO PRELIMINAR. INCOMPATIBILIDADE COM A QUESTÃO DE MÉRITO. APRECIAÇÃO DO MÉRITO.. IMPOSSIBILIDADE, Não será analisada a questão de mérito do recurso, se incompatível seu julgamento com a decisão proferida cm relação à questão preliminar (art. 28 do PAF). Processo Anulado. Decisão: por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da notificação de lançamento, inclusive. Em linhas gerais, além de tentar demonstrar divergência interpretativa a partir de excertos dos Acórdãos recorrido e paradigma, argumenta a contribuinte, em sua demanda quanto a esta primeira matéria, que: a.1) A fiscalização ocultou do processo administrativo as respostas dos prestadores de serviços da recorrente intimados no curso do procedimento fiscal, violando o art. 9o. do PAF, caracterizando a seu ver, vício insanável, considerando, assim, o ato de lançamento em questão não seria convalidável. Traz a lição de Celso Antônio Bandeira de Mello, no sentido de não poder haver convalidação de ato administrativo viciado posterior à impugnação do particular, como ocorreu no presente caso; a.2) Entende ter havido por parte da fiscalização o intuito de ocultar documentos que levavam a conclusões diversas daquela que estavam buscando, o que teria ficado ratificado em sede recursal; b) Quanto à necessidade de ocorrência dos quatro elementos da relação de emprego (onerosidade, não eventualidade, personalidade e subordinação) efls. 3277 a 3285: Alega a recorrente divergência em relação ao decidido, em 22/11/2007, no Acórdão 20600.022, da 6a. Câmara do então 2o. Conselho de Contribuintes e também em relação ao decidido em 06/11/13, no Acórdão 9202002.966, de lavra da 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 20600.022 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1995 a 30/09/2002 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CARACTERIZAÇÃO VINCULO EMPREGATÍCIO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE SEUS REQUISITOS. I — A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laborai onde o contribuinte entendia ou Fl. 3530DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.523 6 simulava não haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares; II — Somente com a demonstração congruente de que se encontram presentes todos os requisitos da relação empregatícia, insertos nos arts. 12, I da Lei n° 8.212/91 e 3 0 da CLT, se pode falar em vinculo de emprego, e conseqüentemente o lançamento fiscal nele baseado; III Representa vício material a 'caracterização deficiente da relação empregatícia afirmada pela autoridade lançadora. Processo Anulado Decisão: Por voto de qualidade anulouse a NFLD. Vencidas as Conselheiras Ana Maria Bandeira, Bernadete de Oliveira Barros, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Cleusa Vieira de Souza. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. Apresentarão Declaração de Voto os Conselheiros Daniel Ayres Kalume Reis e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Acórdão 9202002.966 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1991 a 30/04/1998 NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. PRESSUPOSTOS BÁSICOS. Somente nas hipóteses em que restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual (autônomo) como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com fulcro no artigo 229, § 2°, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES NA DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. VÍCIO DE NATUREZA MATERIAL. NÃO APLICABILIDADE TESE DA AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, indicando precisamente o fato gerador do tributo, o sujeito passivo, a base de cálculo e a matéria tributável, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório.Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento Fl. 3531DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.524 7 fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade material da autuação/notificação, mormente tratandose de desconsideração de personalidade jurídica e caracterização de segurados empregados, onde os requisitos do vínculo empregatício devem restar circunstanciadamente comprovados.O vício de natureza material constatado no lançamento enseja de pronto a nulidade do feito, não atraindo para si a tese da inexistência de prejuízo, tendo em vista que a ausência da descrição do fato gerador ou qualquer elemento necessário à validade do ato administrativo prescrito no artigo 142 do CTN, representa, por si só, evidente cerceamento à ampla defesa e contraditório do contribuinte, por impossibilitar a compreensão do lhe está sendo imputado.Recurso especial negadoDecisão: Entende a recorrente, quanto à esta segunda matéria, que: b.1) No Acórdão recorrido, ficaram estabelecidas 3(três) conclusões: (1) os elementos da pessoalidade, habitualidade e onerosidade podem estar presentes tanto na relação de emprego quanto na relação civil entre prestador e tomador de serviço, não podendo serem tomados isoladamente como diferenciadores da relação jurídica estabelecida; (2) que o elemento da subordinação único capaz de fazer tal diferenciação, tal como foi apresentado nos autos, não é capaz de caracterizar as relações de emprego defendidas pela fiscalização; (3) por fim, conclui que, apesar de não ter localizado nos autos a presença dos elementos caracterizadores da subordinação, a existência de plano se saúde e seguro de vida contratado pela Recorrente em favor das pessoas físicas, tidas como empregadas pela fiscalização, seria suficiente para caracterizar a relação de emprego; b.2) Cita que o recorrido diverge das decisões supratranscritas, uma vez que flexiona a necessidade de presença dos pressupostos da relação de emprego, previstos nos arts. 2o. e 3o. da CLT e no art. 12, I da Lei no. 8.212 de 24 de julho de 1991 (pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação); b.3) Ressalta que os três primeiros requisitos, na forma reconhecida pelo recorrido podem estar presentes tanto numa relação de emprego como em um contrato de prestação de serviço e, assim, não seriam capazes, isoladamente, de caracterizar o vínculo de emprego. Entende que o Acórdão recorrido evidencia a ausência de comprovação da subordinação no presente caso, mas decide pela manutenção do lançamento, contrariando os paradigmas. Entende que o recorrido verificou que a subordinação não está demonstrada nos autos, não havendo como substituir a ausência de prova de subordinação, sendo que a mera existência de plano de saúde e seguro de vida, em absoluto, não é prova de subordinação. Entende que ainda que possam ser entendidos como indícios da relação de emprego, sem a prova cabal da subordinação, não há como manter lançamento tributário indiciário; b.4) Entende que não há dúvida de que a ausência de identificação precisa (individualizada) e clara dos fatos geradores, especialmente quando necessária à comprovação dos requisitos da relação de emprego, gera a nulidade do auto de infração em razão da ofensa à Fl. 3532DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.525 8 legalidade que rege a atuação da Administração Pública, bem como ofende o princípio do devido processo legal, contraditório e ampla defesa, porque impossibilita a defesa do contribuinte; b.5) Resumidamente, entende que, "(...) No caso, ficou evidente e até mesmo expressamente declarado no acórdão recorrido que os elementos da pessoalidade, habitualidade e onerosidade caracterizadores da relação de emprego também podem estar presentes em relações cíveis de prestação de serviço, não existindo no presente caso qualquer característica relativa a tais elementos que conduzam a conclusão pela relação de emprego. Da mesma forma, ficou expressamente consolidado na decisão recorrida que a fiscalização não conseguiu fazer prova da subordinação, não existindo elementos suficientes para se concluir pela existência da relação trabalhista. Contudo, entendeuse pela manutenção do lançamento em razão de outros indícios, especialmente pela existência de plano de saúde e seguro de vida para os supostos empregados no entendimento do fisco. (...)" b.6) Por fim alega violação ao Parecer Técnico CJ no 2.324 (DOU de 07/11/2000), da 2a Coordenação de Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovado pelo Ministro Waldeck Ornelas, norma complementar de direito tributário (art. 100 do CTN). Requer assim, quanto à matéria que sejam cancelados os lançamentos impugnados no âmbito presente feito. c) Quanto à Interpretação Divergente do art. 129 da Lei no. 11.196, de 21 de novembro de 2005 efls. 3286 a 3291 Alega a recorrente divergência em relação ao decidido, em 15/10/2013, pela 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, através do Acórdão 2301 003.751 e também em relação ao decidido no Acórdão 2101000.980, de lavra da da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, prolatado em 10 de fevereiro de 2011, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 2301003.751 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo Fl. 3533DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.526 9 prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Diante da fraude nos contratos de trabalho, aplicase ao caso a regra do art. 173, inciso I do CTN. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO TRABALHISTA PARA EFEITOS FISCAIS. COMPETÊNCIA. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil tem competência para reconhecer vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de tributos, não acarretando essa análise a chancela aos direitos decorrentes da relação empregatícia, pois matéria afeta à Justiça do Trabalho. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE. O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade práticosocial, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as consequências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa. Incabível a aplicação do art. 106, inciso II, alínea "a", pois a retroatividade benigna diz respeito às infrações e suas penalidades, ao passo que o fato gerador deve seguir as determinações do art. 144 do CTN. Fl. 3534DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.527 10 RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E PELAS MULTAS MORATÓRIAS E PUNITIVAS. ARTS. 129 e 133 DO CTN. RESP 923.012 E ART. 62A DO RICARF. Conjugandose a aplicação do art. 62A do RICARF com o conteúdo do Resp 923.012/MG do STJ, cujos fundamentos apontam para os arts. 129 e 133 do CTN, concluímos que a responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.Recurso Voluntário Provido em Parte e Recurso de Ofício Negado. Decisão: I) Por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado; b) negar provimento ao recurso, na questão da nulidade da decisão de primeira instância, pela ausência de envio dos autos integrais a todos os responsáveis citados no lançamento, nos termos do voto do Relator; c) negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) negar provimento ao recurso, no que tange à decadência, pela aplicação da regra expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial pela aplicação da regar decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, na questão da caracterização dos segurados como empregado, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes Acórdão 2101000.980 Fl. 3535DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.528 11 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se argumento estranho aos autos deixa de ser rebatido no julgamento de primeira instância, tal fato não cerceia o direito de defesa do contribuinte. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO. ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL. É tributada como rendimento de pessoa fisica a remuneração por serviços prestados de natureza não comercial e personalissima, com ou sem vinculo empregaticio, independentemente da denominação que se lhe de. O simples fato de a relação contratual ter sido formalmente estabelecida em nome da pessoa jurídica não a torna contribuinte. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR.AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. Igualmente incabivel a retroatividade benigna prevista no inciso II, art. 106, do CTN, pois o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. IMPOSTO DEVIDO. MULTA DE OFÍCIO. BASE DE CALCULO. Na apuração do imposto devido, em procedimento de oficio, devem ser considerados os impostos efetivamente pagos, ainda que por pessoa diversa e sob outra denominação, devendo incidir multa e juros sobre o crédito tributário assim apurado. Incabível relegar essa matéria para apreciação no pedido de restituição ou de compensação de pagamento a maior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão: nos termos do voto do Relator, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas. Pelo voto de qualidade, em rejeitara aplicação retroativa do art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, e a tese de desconsideração da pessoa jurídica. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para:1) excluir do lançamento a exigência do anocalendário de 2002; 2) excluir da base de cálculo os montantes de R$ 59.140,00 e R$ Fl. 3536DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.529 12 51.485,89, referentes aos anoscalendário de 2000 e 2001,respectivamente; 3) determinar a compensação dos tributos relativos à receita reclassificada, recolhidos na pessoa jurídica, com o crédito tributário objeto destes autos. Quanto à matéria, a recorrente : c.1) Ressalta que o recorrido decidiu que o art. 129 da Lei no. 11.196, de 2005 nada inovou no ordenamento jurídico. Concluiuse que, estando presentes os quatro elementos da relação de emprego (o que aqui não correu, como entende demonstrado) nos contratos de prestação de serviços firmados entre pessoas jurídicas, deve ser aplicado o art. 9o da CLT para afastar o negócio jurídico fraudulento. Por outro lado, se não presentes os elementos da relação de emprego, deve ser dado o tratamento próprio de pessoa jurídica, tal como já prevê a legislação que rege as relações civis. Logo, nenhuma inovação o acórdão recorrido atribuiu ao art. 129 da Lei no. 11.196, de 2005. Ou melhor, apenas função interpretativa ou esclarecedora. Nos julgamentos trazidos como paradigma ficou estabelecido que teria caráter inovador e não interpretativo; c.2) A seguir, destaca que , uma vez entendido o art. 129 da Lei no. 11.196, de 2005 como inovador, ainda que existam os quatro elementos da relação trabalhista entre os sócios ou empregados da pessoa jurídica contratado por outra pessoa jurídica para prestar serviços intelectuais, deverá a Fazenda Pública tratar o negócio jurídico tal como ele se apresenta formalizado, ou seja, como relação civil entre duas pessoas jurídicas, pelo menos em relação aos efeitos fiscais e previdenciários, ficando, por óbvio, impedido o fisco de desconsiderar a personalidade jurídica da empresa contratada para caracterizar relação de emprego entre as pessoas físicas e o contratante dos serviços, como foi realizado no presente caso; c.3) Entende que, no caso de se adotar este posicionamento, que é o defendido pela recorrente, ainda que os serviços prestados com pessoalidade por intermédio de pessoa jurídica, tenham características comuns à relação de emprego, após a vigência do art. 129 da Lei no. 11.196, de 2005, devem ser tratados, para fins fiscais e previdenciários, como pessoas jurídicas que são, nas situações em que predomina a natureza jurídica intelectual da atividade profissional; c.4) Entende que o art. 129 da Lei no. 11.196, de 2005, proíbe que a onerosidade, a subordinação, a continuidade e, mormente, o caráter personalíssimo da prestação do serviço ensejem qualquer interpretação para fins fiscais. Ao contrário, insculpe que deve ser respeitada a relação jurídica entre pessoas jurídicas para fins fiscais nestes casos; c.5) Argumenta, assim, que o entendimento esposado pelos Acórdãos paradigmas deve ser aplicado ao presente debate para reformar o acórdão recorrido, quanto à matéria. Requer, assim, que seja conhecido o recurso e lhe seja dado provimento recurso, a fim de que, quanto as matérias admitidas: (i) seja reconhecida a nulidade por vício material dos lançamentos tributários em razão da não juntada de documentos apurados no curso da fiscalização; (ii) modifiquese a decisão recorrida, uma vez inexistente no caso relação de emprego entre a Recorrente e as pessoas físicas apontadas pela Fiscalização e mantidas no acórdão recorrido com base na amostragem de indícios e na condição de beneficiárias de seguro de vida ou plano de saúde; (iii) modifiquese acórdão recorrido e sejam cancelados os Fl. 3537DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.530 13 lançamentos, a fim de que seja conferido caráter inovador ao art. 129 da Lei no. 11.196/05 e desfeita a desconsideração de personalidade jurídica levada a efeito pela Fiscalização. Encaminhados os autos ao à PGFN fins de ciência em 25/03/15 (efl. 3474), esta apresenta, em 08/04/15 (efl. 3508) contrarrazões de efls. 3475 a 3507, onde: a) Entende que o recorrente não logrou demonstrar a existência de divergência jurisprudencial hábil a justificar o recebimento do recurso especial por ele interposto quanto às divergências alegadas; b) Quanto ao Acórdão 310200.696, ressalta que a situação do acórdão apontado como paradigma é diversa da presente, uma vez que o acórdão paradigma é claro ao expor que não foram carreados aos autos os elementos probatórios obtidos pela fiscalização, enquanto que, no Acórdão recorrido, foram carreados aos autos os documentos aptos a embasar a autuação, ainda que o tenham sido por diligência posterior, acerca da qual a fiscalizada foi cientificada e teve oportunidade de se manifestar. Defende, assim, a inexistência de similitude fática quanto à matéria de nulidade por ausência de provas; c) Quanto à segunda matéria (necessidade de todos os elementos caracterizadores da relação de emprego), entende que tanto os paradigmas apresentados quanto o acórdão recorrido entendem pela necessidade da presença dos quatro pressupostos para a configuração da relação de emprego: pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Ressalta que o requisito da subordinação foi reconhecido pelo Conselheiro relator do Acórdão recorrido, com base em prova dos autos (seguro de vida e plano de saúde) e, assim, deveria a recorrente colacionar, para fins de caracterização da divergência, um acórdão paradigma que rechaçasse a possibilidade de se reconhecer o elemento subordinação com base no pagamento de seguro de vida e plano de saúde aos trabalhadores; d) Quanto á terceira matéria (possibilidade de natureza interpretativa do art. 129 da Lei no. 11.196, de 2005, também defende a inexistência de similitude fática e jurídica, uma vez que o acórdão recorrido é claro ao afastar a aplicação do art. 129 da Lei 11.196/2005, em razão da ocorrência dos elementos da relação de emprego, enquanto que os Acórdãos paradigmas afastam a aplicação do art. 129 da Lei 11.196/2005, em razão do caráter inovador da norma, abordando, assim, a natureza do mencionado artigo. Ressalta que em momento algum foi expresso, no vergastado, o caráter da norma, se inovador ou interpretativo (nem a contrario sensu como pretendo o recorrente), para se confrontar o decidido no acórdão recorrido com os paradigmas; d) Entende que o lançamento e a diligência posteriormente realizada estão em plena conformidade com os arts. 10, 11, 59 e 60 do Decreto no. 70.235, de 1972., tendo a autuada sido cientificada, com oportunidade de se manifestar, sendo as manifestações, tanto da fiscalização quando da fiscalizada, apreciadas pela 6ª Turma da DRJ, sanandose por completo qualquer irregularidade antes verificada e garantido, assim, o amplo exercício de defesa à autuada, tudo em perfeita harmonia com a legislação; e) Argumenta que a fraude praticada pela empresa autorizou a incidência do artigo 9º da CLT. E foi exatamente esse dispositivo que serviu de fundamento para que a fiscalização analisasse cada cláusula do suposto contrato de prestação de serviço e pudesse, ao final, vislumbrar uma relação de emprego existente entre a ECM e os sócios das pessoas jurídicas, bem como efetuasse o lançamento das contribuições sociais correspondentes. Fl. 3538DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.531 14 Entende plenamente aplicável o mencionado art. 9o., ressaltando a competência da autoridade fiscal para sua aplicação; e) Atendose ao requisito subordinação, quanto à matéria de caracterização da relação de emprego, ressalta que a mesma foi feita de maneira minuciosa pela fiscalização, que demonstrou que os segurados envolvidos desenvolviam suas atividades para o recorrente com a presença de todos os elementos da relação de labor: pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação; f) Ressalta que, no presente caso, não se pode duvidar que as atividades prestadas pelas pessoas físicas para o recorrente guardam exata correspondência com objetivos perseguidos pela ECM, harmonizandose à perfeição os trabalhos executados aos fins do empreendimento. g) Ressalta que, ainda que embora os clássicos elementos da relação empregatícia (pessoalidade, nãoeventualidade, remuneração e subordinação) não pudessem ser visualizados de plano, havia outros elementos contundentes nos autos que, apreciados em conjunto com as demais provas, conduziriam inexoravelmente ao entendimento de que parte dos sócios das empresas laboravam para a autuada na condição de empregados. Acerca dessas evidências, as mais contundentes foram os pagamentos de seguro de vida e seguro saúde, sem que tais benefícios sequer constassem dos contratos de prestação de serviço apresentados. A prestação de tais serviços pelas pessoas físicas se dava em atendimento a diretrizes que não eram traçadas pelos próprios prestadores, mas única e exclusivamente pela ora recorrente, o que também atua em sentido convergente para a caracterização da subordinação jurídica. Aplicável, assim, para a Fazenda Nacional, o teor do art. 12, I, "a" da Lei no. 8.212, de 1991, uma vez presentes, in casu, todos os elementos da relação de trabalho. h) Quanto ao art. 129 da Lei no. 11.196, de 2005, ressalta que o dispositivo veio para confirmar a legalidade da contratação de prestadores de serviço, desde que o trabalho não seja realizado na forma do artigo 3º da CLT. Caracterizada uma relação de emprego, nada muda, a fiscalização deverá efetuar a cobrança das contribuições previdenciárias e a Justiça do Trabalho reconhecer os direitos trabalhistas decorrentes. Ressalta, em linha com o recorrido, as razões ao veto do parágrafo único do referido art. 129, defendendo que, em linha com jurisprudência colacionada do TST, a norma do art. 129 da Lei no. 11.196, de 2005, não autoriza a prestação de serviços com as típicas características da relação de emprego por meio da interposição de pessoas jurídicas, tendo a fiscalização demonstrado de maneira satisfatória a ocorrência dos elementos da relação de emprego, não incidindo assim, no caso sob análise, o dispositivo. Requer, assim que seja negado seguimento ao recurso e, caso seja conhecido, lhe seja negado provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Fl. 3539DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.532 15 Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende a estes requisitos de admissibilidade. Todavia, quanto à caracterização de divergência quanto a cada uma das matérias em questão, ouso discordar, com a devida vênia, do exame de admissibilidade de e fls. 3460 a 3472. Conforme já esposado por mim anteriormente em outros feitos, entendo necessário, para caracterizar a divergência, que o colegiado do Acórdão recorrido tivesse, quanto às matérias admitidas, adotado interpretação diversa da hipoteticamente realizada pelos Acórdãos paradigmas, quando os colegiados paradigmáticos decidissem acerca do caso em tela, a partir da semelhança fática entre ambas as situações sob análise. Analiso cada um dos itens a propósito. a) Quanto à nulidade no auto de infração deobediência ao art. 9o. da Lei 70.235, de 1972 ato administrativo nulo vício insanável divergência jurisprudencial (efls. 3261 a 3265): Da análise do recorrido, nítido é que o voto vencedor do recorrido, explicita que houve, in casu, irregularidade processual, suprida através de diligência de efls. 2071 a 2842, o que, no entendimento do Colegiado, garantiu a ampla possibilidade de defesa no caso aqui sob análise (efl. 3180), verbis: "(...) Verificase que houve a omissão na juntada de provas produzidas pelo fisco, todavia, essa falha foi devidamente corrigida pela Delegacia recorrida, que determinou a realização de diligência fiscal para que os termos de resposta das prestadoras fossem trazidos ao processo. Cumpriu assim o órgão a quo com seu papel de guardião da higidez do processo administrativo fiscal, quando restabeleceu o direito do contribuinte de conhecer elementos utilizados pelo fisco para edificar os lançamentos, garantindo, assim, a ampla possibilidade de defesa do acusado. Quanto ao tema ainda, por sua vez, na situação do paradigma (Acórdão 3102 00.696), noto que se trata de situação de lançamento de Imposto sobre a Importação em procedimento de conferência final de manifesto por falta de mercadoria transportada a granel, em excesso ao limite admissível de 1%. Fundamental para a presente análise de admissibilidade que se trata, no paradigma, de caso notadamente diverso, onde nenhum elemento de prova foi acostado aos autos, de forma a respaldar o excesso calculado pelo fiscal (por exemplo, houve a simples menção às descargas realizadas em território nacional) e, notese não houve qualquer posterior anexação de tais elementos aos autos, tendo ainda o relator, daí concluído, em meu entendimento, de forma expressa, pela violação ao princípio da ampla defesa (vide Acórdão Paradigma as suas fls. 6 e 7), verbis: Fl. 3540DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.533 16 Compulsando os presentes autos, verificase que não há provas que confirmem os fatos jurídicos tributários objeto do presente procedimento fiscal. Com efeito, por se tratar de procedimento de conferência final de manifesto, destinado a apurar o extravio ou acréscimo de mercadoria entrada no território nacional, mediante o confronto do manifesto com os registros de descarga, no meu entendimento, esses dois documentos eram imprescindíveis para fins instrução da referida Notificação de Lançamento, haja vista que sem eles não há como confirmar os fatos que foram narrados no Relatório Fiscal de fls. 03/06.. Ademais, tratandose de mercadoria transportada a granel, por via marítima, a ausência do manifesto ou dos manifestos da viagem do navio, torna impossível saber se toda a mercadoria foi descarregado no Porto de Rio Grande, como afirmou a autoridade fiscal, com base apenas no fato de a Agência Marítima não lhe ter apresentado a informação sobre os outros portos visitados no País pelo navio, nem se manifestado acerca das diferenças apuradas nas quantidades de mercadoria faltantes, conforme consignado no Relatório Fiscal de 03/06. Por outro lado, asseverou a recorrente que, em relação a citada viagem, parte da carga foi descarregado no Porto de Itaqui... Com quem está a verdade? É impossível saber, sem analisar os documentos citados. A. confirmação dessa informação, ao meu sentir, é de vital importância, para fins de definição da forma de realização do presente procedimento de conferência dual do manifesto, posto que se realizada a descarga em mais um porto, o dito procedimento deveria ser realizado de forma global, levando em conta todas as descargas ocorridas nos portos brasileiros, conforme determina o art. 590 do RA/2002, a seguir transcrito: (...) Em determinados trechos do citado Relatório, embora a autoridade fiscal tenha feito referência aos documentos em que se baseara para apurar as diferenças das quantidades de mercadorias extraviadas, não teve a. diligência de colacionálos aos autos, O que constitui uma afronta ao disposto no art.. 9" do PAF, anteriormente analisado. Aliás, no que tange à instrução processual., cabe consignar que nenhum elemento de prova foi acostado aos autos pela fiscalização. (...) Não é demais lembrar que no procedimento fiscal, informado pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, deve haver equilíbrio na repartição do ônus probatório. Assim, embora a fase execução do procedimento fiscal, seja regida pelo princípio inquisitivo, podendo ser conduzida Fl. 3541DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.534 17 unilateralmente pela autoridade fiscal lançadora, documento que formaliza o resultado deste procedimento (o ato de lançamento tributário) deverá, ser instruído com todos os meios de provas adequados, nos termos do direito aplicável, sob pena de, em assim não procedendo, restar comprometida a possibilidade concreta (e constitucionalmente assegurada no inciso LV do artigo 5.o da Constituição Federal) de o sujeito passivo, na fase litigiosa do procedimento fiscal, contraditar os argumentos e os elementos de provas utilizados pelo Fisco para. embasar o ato de lançamento, veiculado por meio de auto de infração ou notificação de lançamento. (...) Analisando detidamente o contexto em que se deu o decisum supra, não vislumbro semelhança fática que se permita afirmar como o Colegiado deste paradigma concluiria no caso em questão, onde, ressaltese, contrariamente ao caso acima, houve plena correção da insuficiência probatória inicial através da diligência demandada em sede impugnatória (efls. 2068/2069), correção esta devidamente cientificada ao contribuinte (vide efls. 2844 a 2869), com, notese, as provas ali produzidas sendo levadas em consideração em todas as instâncias de julgamento. Daí ,inclusive, o entendimento do Colegiado recorrido de inexistir prejuízo/violação ao direito de defesa da autuada nos presentes autos. De forma a concluir pela divergência deveria ter se apresentado como paradigma situação fática onde também a insuficiência probatória inicial tivesse sido saneada antes da fase de julgamento da impugnação. Assim, com base na grande dissimilitude entre as situações fáticas, impossível que se possa caracterizar divergência interpretativa entre os Colegiados recorrido e paradigma, para o paradigma colacionado. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso quanto a esta matéria, por impossibilidade de caracterização de divergência interpretativa, dada a falta de similitude fática entre o Acórdão recorrido e o paradigma apresentado relativo ao tema. b) Quanto à necessidade de ocorrência dos quatro elementos da relação de emprego (onerosidade, não eventualidade, personalidade e subordinação) Devese partir, aqui, de aprofundamento acerca do que decidiu o recorrido acerca do tema, verbis (efls. 3189 a 3191): (...) A solução da lide passa, assim, inexoravelmente pela avaliação dos fatos e documentos presentes nos autos, de modo a se concluir pela ocorrência da pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação.(grifei) a) pessoalidade Para o fisco, o fato do serviço ser prestado pelos sócios das contratadas, os quais eram nominalmente indicados nas ordens de serviço, é a comprovação da existência de pessoalidade. Afirmase que os engenheiros, profissionais de alta Fl. 3542DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.535 18 especialização, deveriam, nos termo dos contratos firmados, prestar pessoalmente os serviços, figurando a empresa contratada como mera intermediária, de modo a reduzir o recolhimento de contribuições previdenciárias e suprimir direitos trabalhistas. Afirmase que o pagamento de plano de saúde e seguro de vida para os profissionais contratados por intermédio de pessoas jurídicas também confirma que o serviço seria prestado somente por aqueles trabalhadores destinatários dos benefícios. Ressalta se que esses eram cobertos pelos mesmos planos fornecidos aos empregados formalmente contratados pela autuada. Outra questão apontada pelo fisco diz respeito à impossibilidade da recorrente de subcontratar outras empresas para a prestação de serviços a seus clientes, uma vez que nos contratos firmados com estes a execução dos ajustes deveria ser feita pelo pessoal próprio da contratada. Esse último critério, convenhamos, não é suficiente para caracterizar o vínculo de emprego. Se houve a contratação de pessoas jurídicas pela autuada para executar os contratos firmados com suas tomadoras, no máximo, tal fato poderia sugerir um descumprimento de cláusulas do ajuste entre a ECM e suas clientes. A utilização desse argumento para justificar a autuação não merece nossa acolhida, até porque não se apresentou qualquer evidência de que os trabalhadores atuavam na execução de serviços para as contratantes da autuada como representantes desta. Quanto ao critério de que a prestação de serviço por determinados profissionais seria exigência dos ajustes, é de se observar que, nos termos do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, já transcrito, mesmo que o contrato seja personalíssimo, as prestações de serviços intelectuais hão de ser regidas pela legislação aplicável às pessoas jurídicas. Vêse que, somente o fato de haver a necessária atuação de um profissional na prestação dos serviços por pessoa jurídica, não provoca automaticamente a caracterização deste segurado como empregado, posto que é legal a existência de contrato personalíssimo entre empresas, quando o objeto envolve atividades de cunho científico, como é caso dos serviços de engenharia. Com relação à concessão de seguro de vida e plano de saúde, observase que o primeiro foi fornecido a 207 pessoas físicas, e o segundo a 21 delas, portanto, não abrangeu a totalidade dos prestadores de serviço arrolados como empregados. Assim, caso se tome esse critério como o mais evidente para comprovar a pessoalidade, somente as pessoas listadas como beneficiárias dos planos poderiam ser consideradas empregados da recorrente. Fl. 3543DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.536 19 Assim, a pessoalidade, tomada isoladamente, não pode ser adotada para comprovar a existência da relação empregatícia. b) nãoeventualidade Considerandose que os serviços prestados diziam respeito a atividades sem as quais o sujeito passivo não teria como atender à sua clientela, não há como afirmar que os serviços eram eventuais. De fato, para cumprir as suas obrigações empresariais, a notificada não poderia prescindir dos serviços prestados pelos sócios das empresas contratadas, fato que me leva a concluir que o pressuposto da não eventualidade está presente no caso posto a julgamento. Todavia, essa constatação, tomada em separado, não deve levar a caracterização do vínculo de emprego, uma vez que a própria legislação previdenciária admite a terceirização em atividades fins, como se pode ver do § 3.º do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, que, ao conceituar cessão de mãodeobra, assim dispõe: §3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. De se convir, assim, que a não eventualidade pode também estar presente nos contratos de prestação de serviço entre pessoas jurídicas, não devendo ser acatada a tese expressa na decisão recorrida de que a prestação de serviço em atividades fins da contratante levaria inexoravelmente à ocorrência do vínculo de emprego. c) onerosidade Independente de ser executado por pessoa física ou por empresa, o contrato de prestação de serviço é sempre oneroso, portanto, embora presente na espécie, esse requisito, não acarreta em reconhecimento automático de vínculo de emprego, haja vista que não houve demonstração da existência de pagamento de verbas exclusivamente trabalhistas como férias, aviso prévio, 13.º salário, etc. d) subordinação As conclusões da auditoria quanto à ocorrência da subordinação hierárquica, edificaramse no teor da Cláusula Quarta do contrato padrão de prestação de serviço firmado entre a recorrente e as suas prestadoras. Eis as estipulações: “CLÁUSULA QUARTA – OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA (...) Fl. 3544DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.537 20 4.1 — A CONTRATADA se obriga a executar o objeto contratado dentro dos prazos combinados, com boa qualidade e dentro dos padrões, normas, critérios e procedimentos da ECM.” Embora o fisco se esforce para dar entender que esse ponto do ajuste seria prova contundente da existência do poder diretivo do empregador, que teria a prerrogativa de dirigir a prestação dos serviços, dar ordem e fiscalizar a sua execução, entendemos que essa cláusula também se aplica a contrato com empresas. Principalmente quando se tem em conta que os serviços eram prestados por um único trabalhador. Há de se convir que a estipulação de prazos, padrão de qualidade e normas a serem seguidos pelo prestador não é exclusividade do trabalho com vínculo de emprego, sendo aplicável também nas situações em que a contratação se dá com pessoa jurídica. Também não restou, no nosso entender, comprovado que a ECM, ao expedir as ordens de serviço aos profissionais estaria impondo subordinação jurídica a esses. O que se vislumbra no caso é a emissão de comandos para execução de tarefas previstas nos contratos, o que é natural de uma relação entre tomadora e prestadora de serviços regida pela lei civil. Para nós, a subordinação empregatícia é mais voltada ao comando rotineiro dos trabalhos pela contratante, ao estabelecimento de escalas de trabalho, a existência do poder de impor penalidades previstas na CLT, etc. Esses traços, sinceramente, não foram localizados nos fatos narrados pelo fisco.. Antes que se pense, todavia, que iremos declarar totalmente improcedente as lavraturas, devemos chamar atenção para um ponto que nos parece muito sensível na análise da contenda: o custeio pela autuada de plano de saúde e seguro de vida para os trabalhadores vinculados às pessoas jurídicas prestadoras de serviço. É que, se havia dúvida quando a perfeita caracterização da relação de emprego, essa circunstância nos deixa à vontade para nos inclinar pela aprovação do trabalho fiscal, embora com restrições, conforme veremos. O fornecimento de planos de saúde e seguro de vida a pessoas físicas vinculadas às contratadas A recorrente aduz que o custeio de plano de saúde e seguro de vida para os trabalhadores vinculados às suas prestadoras de serviço era uma praxe do mercado e correspondia a uma exigência das contratadas. Essa linha argumentativa não nos convence. É que não parece razoável que os benefícios sejam concedidos diretamente pela contratante às pessoas físicas vinculadas às contratadas, sendo mais plausível que esses custos fossem Fl. 3545DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.538 21 incluídos nos contratos e que a própria contratada, a quem os trabalhadores prestavam serviços diretamente, instituísse os planos em favor das pessoas que atuavam sob a sua responsabilidade. Observase que não havia nos contratos firmados qualquer exigência de que a tomadora fornecesse essas vantagens aos trabalhadores das prestadoras, além de que não foi acostado qualquer documento hábil a demonstrar que as contratadas forneciam listas de pessoas a serem cobertas pelos benefícios de plano de saúde e seguro de vida, de modo a caracterizar a exigência das empresas prestadoras. Também causa estranheza o fato da recorrente eleger apenas alguns trabalhadores de suas prestadoras para beneficiálos com plano de saúde e seguro de vida. Diante dessa constatação, é de se concluir que, mesmo não estando completamente caracterizada a subordinação no relato do fisco, o que poderia suscitar alguma dúvida quanto à ocorrência da relação de emprego entre às pessoas físicas elencadas pelo fisco, para nós, a constatação do fornecimento dos benefícios acima citados, juntamente com as demais evidências mencionadas pela auditoria é suficiente para considerarmos como empregados aqueles trabalhadores contemplados com plano de saúde e/ou o seguro de vida custeados pela ECM. (grifei) (...)" A leitura que faço do trecho acima é que, em nenhum momento, a autoridade julgadora de piso flexionou a necessidade de presença dos pressupostos da relação de emprego, como quer fazer crer a recorrente. Tal conclusão é nítida pelo teor do primeiro parágrafo do trecho supra reproduzido. Especificamente com relação ao elemento subordinação, não se concluiu pela não ocorrência, ou se evidenciou sua ausência, como também afirma a recorrente. O que se afirmou no recorrido foi que os traços principais de subordinação empregatícia não foram localizados pelo fisco, mas que, ainda assim, a presença de provas indíciárias (a saber, o custeio de plano de saúde e seguro de vida para os trabalhadores vinculados às prestadoras de serviço) foi capaz de convencer o Colegiado recorrido acerca da relação de emprego. Ou seja, considerouse, sim, haver subordinação, ainda que não completamente caracterizada no relato do fisco. Baseouse aqui o recorrido, para fins de caracterização de vínculo empregatício, em provas no entender do Colegiado robustas, ainda que de natureza indiciária. Tal interpretação é corroborada integralmente pela manifestação do Relator do voto vencedor em sede de embargos (efls. 3247/3248), verbis: "(...) No voto do Relator a linha argumentativa para se chegar à conclusão de que parte dos segurados caracterizados pelo fisco eram empregados da recorrente foi o de que as evidências apresentadas pelo fisco, para esses casos, foram suficientes. Ali concluise que embora os clássicos elementos da relação Fl. 3546DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.539 22 empregatícia (pessoalidade, nãoeventualidade, remuneração e subordinação) não pudessem ser visualizados com a nitidez suficiente, havia outros elementos nos autos que, apreciados em conjunto com as demais provas, conduziriam incontestavelmente ao entendimento de que parte dos sócios das empresas laboravam para a autuada na condição de empregados. Acerca dessas evidências posso dizer que as mais contundentes foram os pagamentos de seguro de vida e seguro saúde, sem que tais benesses sequer constassem dos contratos de prestação de serviço apresentados.(grifei) (...) Com o mesmo argumento da impossibilidade de se considerar o plano de saúde e o seguro de vida como elementos suficientes a caracterizar a relação de emprego, a embargante busca demonstrar a ocorrência de contradição na decisão sob enfoque. Não devo acatar esse argumento. É que nesse ponto apresentase apenas a ocorrência de inconformismo da recorrente quanto à motivação apresentada pela Turma do CARF para manter parcialmente a exigência. Quando tratei do tópico anterior, deixei bem claro as razões adotadas pelo Relator para encaminhar pelo provimento parcial. Assim, também inexiste a contradição apontada. (...)" Passase, assim, então, agora à análise do primeiro paradigma trazido pela recorrente, para fins de verificação de ocorrência ou não de divergência interpretativa (Acórdão 20600.022, voto vencedor às fls. 313 do Processo 35373.000789/200649). Tratase no caso, de caracterização de vínculo empregatício em sede de contratação de pessoas físicas por intermédio de cooperativa de trabalho, para as quais a autoridade fiscal, ainda, alegou, também, irregularidade naquela forma de contratação. Para fins da presente análise, relevante notar que se verifica nítida diferença, em relação ao recorrido, quanto à situação fáticoprobatória presente naquele julgamento, onde (fls. 315 do Acórdão paradigma 20600.222): (..) Notase que ao especificar a subordinação, que certamente é o requisito essencial do vinculo empregatício, a autoridade administrativa cita fato que não se presta a demonstrála já que não se vincula ao seu conceito jurídico, mas eventualmente ao requisito da pessoalidade, ou seja, não houve, nem mesmo por amostragem, uma caracterização clara e precisa da condição de empregados das pessoas envolvidas. Creio que a fiscalização foi breve, e de tão breve, acabou omitindo pontos importantes, pois que não demonstrou a existência da relação empregatícia em todos os inúmeros casos apurados. (,,,) Entendo que ao desconsiderar um pacto existente entre vários trabalhadores e a empresa Recorrente, e fazer nascer uma Fl. 3547DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.540 23 considerável obrigação para esta última, caberia aos Auditores Fiscais efetivamente demonstrar a existência de relação de emprego de forma mais clara, mais exaustiva. (...) No presente caso, analisando o teor do Relatório Fiscal, item 12, às efls. 53 a 58, entendo ter sido a autoridade autuante bastante minuciosa no que diz respeito à caracterização de cada um dos requisitos da relação de emprego para cada uma das pessoas físicas caracterizadas como empregados, aí inclusa a subordinação (cujo fato demonstrativo utilizado no presente caso pela autoridade fiscak, ressaltese, não guarda qualquer relação com o requisito de pessoalidade) não cabendo, ainda, notese, para fins da presente análise divergencial, sob uma ótica de similitude fática, entrar no mérito se tais evidências foram ou não aceitas pelas autoridades julgadoras. Indubitavelmente se evidenciou ali, naquele Relatório Fiscal, de forma clara a existência dos quatro elementos da relação empregatícia, o que, pelos trechos acima, não era o caso do acórdão paradigma 20600.022. Assim, o que se depreende é que, diante de contextos fáticoprobatórios notadamente diversos, também aqui o teste de aderência não permite que se chegue ao posicionamento do Colegiado do primeiro paradigma acerca do tema no caso de análise da situação em litígio, de forma a que, assim, se possa caracterizar divergência interpretativa. Ainda, ressalto que mesmo em situações fáticoprobatórias semelhantes (o que repito, não entendo ser o caso do presente Recurso Especial), poderia a divergência entre os Colegiados se dar em sede de valoração probatória, sendo, que nesta hipótese, também não há que se falar em divergência interpretativa. Assim, rejeito a ocorrência de possibilidade de divergência interpretativa quanto ao primeiro paradigma apresentado para esta segunda matéria. Em situação semelhante se encontra o segundo paradigma (Acórdão CSRF 9.202002.966), onde, de forma diametralmente oposta ao presente caso, além de não demonstrar a efetiva ocorrência dos requisitos da relação de emprego, a autoridade fiscal sequer demonstrou seu entendimento, fazendo menção, ali a outras NFLDs, situação fático probatória sui generis e não presente no feito aqui sob análise, consoante efl. 09 do Acórdão CSRF 9.202002.966: " (...) Diante de tais considerações, voltemos à hipótese dos autos, onde o fiscal autuante promoveu o lançamento a partir da desconsideração da personalidade jurídica de empresas prestadoras de serviços, com a respectiva caracterização dos funcionários como segurados empregados da notificada, sem conquanto demonstrar e comprovar os pressupostos básicos de aludido procedimento excepcional. Em outras palavras, deveria constar do Relatório Fiscal da Notificação de forma destrinçada a demonstração da efetiva Fl. 3548DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.541 24 existência dos requisitos necessários à caracterização dos trabalhadores das pessoas jurídicas desconsideradas como segurados empregados da notificada, corroborado com quadro contendo nome de todos os prestadores de serviços tidos como empregados da recorrente e respectivos serviços desenvolvidos, possibilitando a contribuinte o exercício pleno da ampla defesa e do contraditório, sob pena de incorrer em cerceamento do direito de defesa. No presente caso, ao promover o lançamento levando a efeito a caracterização dos funcionários das prestadoras de serviços (pessoas jurídicas) como segurados empregados, o ilustre fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, de fl. 33, e Aditivo, às fls. 73/74, simplesmente inferiu ter efetuado tal enquadramento, a partir da desconsideração da personalidade jurídica daquelas empresas, sem conquanto demonstrar/comprovar de forma pormenorizada seu entendimento, tão somente se reportando a outras duas notificações (NFLD’s 35.441.6855 e 35.442.1867), maculando o lançamento em comento. Ainda a propósito, de se notar que se encontram, nos presentes autos, extensivos quadros anexos ao Relatório Fiscal (efls. 79 a 238) Analogamente ao primeiro paradigma, entendo novamente se estar diante de conjunto fáticoprobatório não semelhante aos dos presentes autos, de forma que se não pode concluir haver divergência interpretativa (diferença de critério jurídico) entre o recorrido e o segundo Colegiado paradigmático (Acórdão CSRF 9.202002.966). Assim, também não conheço do recurso quanto a esta segunda matéria admitida (necessidade de ocorrência dos quatro elementos da relação de emprego). c) Quanto à Interpretação Divergente do art. 129 da Lei no. 11.196, de 21 de novembro de 2005 : Aqui, também não vejo como caracterizada a divergência, dada a diferença de critérios jurídicos empregados entre Recorrido e o trecho colacionado do segundo paradigma anexado quanto à matéria, no que diz respeito à aplicabilidade do art. 129 da Lei no. 11.196, de 2005 ao caso em tela, resultando em resultados opostos caso o presente feito fosse analisado por um ou outro Colegiado (recorrido ou um dos paradigmas). Como bem ressaltado pelo relator, não há que se falar, no presente feito, em desconsideração de personalidade jurídica, tendo sido, notese, o afastamento da norma citada acima se dado pela vis attractiva do art. 9o. da CLT, através de interpretação sistemática. Já no caso paradigma, não se está a discutir contribuições previdenciárias, cuja incidência tornase, assim, dependente da caracterização da relação de emprego pelo recorrido para afastamento da aplicação do dispositivo, mas, sim, a mera aplicação retroativa do dispositivo em questão em sede de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, decidindose acerca de sua natureza interpretativa ou não, sem qualquer consideração relacionada ao mencionado art. 9o. da CLT. Destarte, em linha com o argumento tecido pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, não vejo similitude fática que permita que se enxergue a divergência alegada. Fl. 3549DF CARF MF Processo nº 10680.722064/201178 Acórdão n.º 9202004.488 CSRFT2 Fl. 3.542 25 Assim, também não conheço do recurso quanto ao tema. Conclusão: Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 3550DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003279/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
EMBARGOS. OMISSÃO E OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES.
Deve ser acolhido o Embargo que aponta omissão e obscuridade, e que leva à necessidade de apreciar preliminar e matéria de mérito que implica em revisão da decisão recorrida.
COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool).
Numero da decisão: 3401-003.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para admitir o direito de crédito em relação aos gastos com combustíveis utilizados no transporte de empregados e de mão de obra na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar e álcool), vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao transporte de empregados/mão de obra e de resíduos, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, quanto aos resíduos.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Relator Eloy Eros da Silva Nogueira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.003279/200518 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401003.211 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2016 Matéria COFINS Embargante CONSELHEIRO Interessado COSAN S/A INDUSTRIA E COMÉRCIO E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 EMBARGOS. OMISSÃO E OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES. Deve ser acolhido o Embargo que aponta omissão e obscuridade, e que leva à necessidade de apreciar preliminar e matéria de mérito que implica em revisão da decisão recorrida. COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para admitir o direito de crédito em relação aos gastos com combustíveis utilizados no transporte de empregados e de mão de obra na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar e álcool), vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao transporte de empregados/mão de obra e de resíduos, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, quanto aos resíduos. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 32 79 /2 00 5- 18 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente de Embargos ingressados nos termos do artigo 65 do RICARF em vigor, face o Acórdão n. 3401003.067 proferido por esta turma na sessão de 26 de janeiro de 2016, cuja Ementa ficou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INTERPRETAÇÃO COMPREENSIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. O arrendamento de um prédio, assim considerado uma construção (coisa acessória), não se dá de forma independente e autônoma, mas pressupõe o arrendamento de uma construção (coisa acessória) mais o bem imóvel sobre o qual a mesma foi erigida (coisa principal). Logo, se é lícito ao contribuinte descontar créditos com relação ao arrendamento de um todo que compreende o acessório mais o principal, acredito que não existem razões para se vedar o desconto de créditos quando se tratar de arrendamento de um bem imóvel sem acessão coisa principal, que é parte do todo. Por isso, não há como Fl. 626DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.003279/200518 Acórdão n.º 3401003.211 S3C4T1 Fl. 3 3 deixar de reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10.627/2002 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Regra geral, considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) Despesas e custos relacionados às oficinas por unanimidade de votos, parcial provimento, nos termos do voto do relator; ii) Despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iii) Despesas relacionadas a armazenamento por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iv) Despesas de materiais elétricos e de materiais de construção usados na área agrícola por unanimidade de votos, negouse provimento, nos termos do voto; v) Despesas e custos com serviços de manutenção (i) das oficinas e (ii) dos armazéns pagos a pessoas jurídicas por maioria de votos, deuse parcial provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento em menor extensão; vi) Comissões e corretagens e gastos em venda e comercialização, pagas a pessoas jurídicas por unanimidade de votos, negouse provimento; vii) Despesas de transporte Fl. 627DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 pagos a PJ Por maioria de votos, deuse provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; viii) Despesas com aluguel de veículos por unanimidade, negouse provimento; ix) Despesas com aluguel e arrendamento rural PF e PJ por maioria de votos, deuse parcial provimento para os valores pagos a pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Robson José Bayerl, designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira para redigir o voto vencedor; x) Despesas portuárias, despesas com armazenagem e despesas com documentação e estadias, nas operações de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso; xi) Despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. O recurso alega que houve omissão e/ou obscuridade com relação ás seguintes matérias: glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte e despesas de depreciação do ativo imobilizado. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Este processo cuida de pedido de ressarcimento da contribuição social e das Declarações de Compensação a ele vinculadas, por meio dos quais a contribuinte requer, primeiramente, reconhecimento de créditos da contribuição social em comento, do regime não cumulativo (PIS ou COFINS mercado externo nos termos do art. 3o da Lei n. 10.627/2002 e Lei n° 10.833/2003). A contribuinte alega possuir créditos no período de apuração, referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. A auditoria fiscal propôs glosas, confirmadas pela autoridade administrativa no Despacho Decisório, que, somadas, reduziram o pretendido e solicitado pelo contribuinte DISPONÍVEL para as compensações. E concluíram não existir saldo disponível para o ressarcimento tratado neste processo. Após apreciar a manifestação de inconformidade, os Julgadores de 1º piso não acolheram as alegações da contribuinte e mantiveram as glosas fiscais. Este colegiado apreciou o recurso voluntário e, na sessão de 26 de janeiro de 2016, decidiu darlhe parcial provimento. Senhores Conselheiros, proponho que analisemos a matéria questionada nos Embargos, e dessa maneira verifiquemos a existência da omissão ou da obscuridade aventada e, se admitida, passemos à apreciação do mérito. Creio que nesse andar, conjugando a decisão de admissão do recurso com a decisão de mérito da matéria, ganharemos em eficiência e objetividade. Matéria: glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.003279/200518 Acórdão n.º 3401003.211 S3C4T1 Fl. 4 5 A autoridade fiscal firmou seu entendimento de que insumo, utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, compreende “a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam, incluídos no ativo imobilizado (IN 404/04, art. 8o, § 4o c/c § 9o)”. Além desse entendimento, adotado como critério para a glosa, a autoridade fiscal glosou também as despesas relacionados a centros de custos que não estavam diretamente vinculados á produção e fabricação dos produtos vendidos. Nesse conjunto, estavam os gastos com combustíveis usados no transporte. A contribuinte trouxe ao contraditório as razões por que defende a legalidade e correção dos créditos apurados a partir desses gastos. Em resumo: sobre as despesas com combustíveis que os combustíveis foram adquiridos para o transporte do produto para exportação e que são indispensáveis à atividade agroindustrial. Argumenta que não há como se negar que a atividade agroindustrial integrada demanda grandes espaços, e, por isso mesmo, uma movimentação muito grande de máquinas e veículos, seja na colheita e nos transporte de matériaprima dos fundos agrícolas para a indústria, seja no transporte de máquinas, equipamentos e, sobretudo, adubos e produtos químicos aos diversos fundos agrícolas onde são aplicados. Sem mencionar o transporte da mão de obra que é indispensável em todo o processo de plantio, tratos culturais, colheita e industrialização. Em decorrência da necessidade de constante vigilância das lavouras, em todo o seu estágio, são necessárias diligências diárias aos diversos fundos agrícolas por agrimensores, agrônomos e demais empregados qualificados para a finalidade de tratar da cultura. E que todo esse transporte se faz em sua grande parte por meio de veículos próprios e de terceiros movidos à gasolina ou álcool ou, na hipótese de ônibus, óleo diesel. Sem combustível, portanto, não há como se conceber o plantio, os tratos culturais, a colheita, o transporte e, por fim, a industrialização da canadeaçúcar. ... resta patente que os combustíveis se consubstanciam em verdadeiro insumo de produção intrinsecamente ligados ao processo agroindustrial e, conseqüentemente, à atividade da Recorrente. Os julgadores de 1ºpiso, sobre combustíveis utilizados no transporte, decidiram que a legislação equiparou os combustíveis aos demais bens considerados como insumos, desde que aqueles também sejam utilizados diretamente no processo produtivo, de fabricação do açúcar e do álcool destinado à venda. Portanto, em seu entendimento, não haveria que se falar em creditamento na aquisição de combustíveis utilizados no transporte da produção para a exportação ou mesmo da mãodeobra utilizada no processo agrícola, como pleiteou expressamente a recorrente. A aquisição de combustíveis geraria direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. No caso, não aceitaram as alegações da contribuinte. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 Essa matéria foi contraditada novamente pela contribuinte, vindo para julgamento da 2ª instância. No voto do Conselheiro relator constaram as seguintes considerações e decisões a respeito dessa matéria: Sobre as despesas e custos relacionados às oficinas (a) Depreendo, portanto, que as despesas com combustíveis, lubrificantes, consumo de água, materiais de manutenção e materiais elétricos nas oficinas de serviços de limpeza operativa, de serviços auxiliares, de serviços elétricos, de caldeiraria e de serviços mecânicos e automotivos para as máquinas, equipamentos e veículos utilizados no processo produtivo da canadeaçúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, atendem ao critério para caracterização como insumos. (b) CONTUDO, as despesas relacionadas aos centros de custos: "Diretoria Industrial/Administração planejamento", "Manutenção Conservação Civil" e "brigada de incêndio", "Central de ar condicionado", "Serviços Auxiliares", Funcionários afastados industrial, incentivo vale transporte industrial , não têm demonstradas pela recorrente a sua característica de insumo e a sua vinculação com o processo de produção propriamente dito e com os produtos vendidos. Por falta de comprovação e previsão legal, entendo que as glosas devem ser mantidas. Proponho dar PARCIAL provimento ao recurso neste item. (GRIFOS ACRESCIDOS) Sobre as despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar Com a mesma razão anteriormente exposta, entendo que atendem aos critério para caracterização como insumo as despesas e custos com combustíveis, consumo de água e materiais elétricos para emprego nas atividades: balança de cana; destilaria de álcool; ensacamento de açúcar; fabricação de açúcar; fermentação; geração de energia (turbo gerador); geração de vapor (caldeiras); laboratório teor de sacarose; lavagens de cana/ residuais; mecanização industrial; preparo e moagem; recepção e armazenagem; transporte industrial; tratamento do caldo; captação de água; rede de restilo; refinaria granulado. Proponho dar provimento ao recurso neste item. (GRIFOS ACRESCIDOS) Como se vê, o voto tratou da matéria, propondo provimento ao recurso quanto a este ítem. Contudo, no desdobrar da sessão, faltou a apreciação dos Conselheiros sobre a seguinte parte do voto do relator, com considerações e proposição diretamente vinculadas a essa matéria. Vejamos: Glosa das despesas de transporte pagos a PJ e dos gastos relacionados a transportes a autoridade fiscal e os julgadores a quo decidiram que essas despesas não podem Fl. 630DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.003279/200518 Acórdão n.º 3401003.211 S3C4T1 Fl. 5 7 ser consideradas insumo e não podem gerar credito na apuração da contribuição em questão. Consultei os documentos que instruem este processo, as planilhas demonstrando a apuração das receitas, as despesas e os centros de custos e, nelas, vejo dois tipos de categorias de serviços de transporte: 1º) as que se referem a transporte de empregados e de mão de obra no contexto do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou alcool); 2º) as que se referem a transporte de produtos acabados e os serviços de transporte que não se relacionam diretamente com as atividades de cultivo, colheita e tratamento da cana de açúcar e de seus subprodutos, antes da obtenção do produto final açúcar ou alcool. Nesse ponto, entendo que razão assiste à recorrente quando se trata da primeira categoria acima, de gastos e custos agrícolas, pois elas se referem a serviços e insumos necessários ao processo de produção da cana e seus derivados, e também transporte de pessoal no âmbito das colheitas, e, a meu ver, guardam relação direta com a produção de cana de açúcar. Mas entendo que razão não lhe assiste quanto ao segundo grupo de despesas acima indicado, pois não guardam relação direta com o processo de produção da cana, de seus derivados, e também com a fabricação de açúcar e alcool. Entendo que a glosa deve ser mantida para essa segunda categoria, pois não se trata de insumo necessário tendo em vista as especificidades do processo da colheita de cana de açúcar, nem se enquadram na previsão para obtenção de créditos a partir de despesas de transporte. Proponho dar PARCIAL provimento ao recurso neste aspecto. A meu ver, o texto do Acórdão recorrido traz obscuridade que deve ser sanada, para que fique expresso e julgado o entendimento de que os gastos com combustíveis usados no transporte podem gerar crédito nos termos que constam do voto, o que justificam dar parcial provimento ao recurso voluntário neste item. Por essas razões, proponho seja admitido, conhecido e apreciado este Embargo, e no mérito passe a constar do Acórdão recorrido o entendimento favorável ao provimento PARCIAL do recurso neste item. 2ª Matéria: despesas de depreciação do ativo imobilizado. A autoridade fiscal glosou os créditos provenientes da apuração da depreciação com o seguinte fundamento: Fl. 631DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 O conceito de insumo é o resultante do cruzamento do artigo 3o da Lei n.° 10.637/2002 com o artigo 8o da Instrução Normativa SRF n.° 404/2004. Em outras palavras, não serão considerados como insumos passíveis de geração de créditos, aqueles que não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo da empresa produtora. Da mesma forma, por coerência lógica, não serão admitidos com bens passíveis de gerarem créditos a título de depreciação, aqueles que, apesar de constantes do ativo imobilizado da pessoa jurídica, não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo do empreendimento. Outra restrição aos bens do Ativo Imobilizado é que estes devem ter sido adquiridos após 01/05/2004, conforme disposto no art. 31, "caput" e §1° da Lei 10.865/2004. Com isso, foram realizadas as glosas pertinentes nos valores informados como depreciação. (GRIFOS ACRESCIDOS) Os julgadores de 1º piso não acolheram as razões da contribuinte postas em sua manifestação de inconformidade, e mantiveram a glosa. A ementa da sua decisão constou: CRÉDITOS A DESCONTAR INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. A lei só autoriza o aproveitamento de créditos do PIS nãocumulativo relativo a despesas de depreciação do ativo imobilizado referentes aos bens intrinsecamente utilizados no processo produtivo, e que tenham sido adquiridos a partir de 01/05/2004. A contribuinte retoma em seu recurso voluntário as alegações apresentadas até então. Afirma ela que, quanto às glosas associadas às despesas de depreciação do ativo imobilizado, "não fez uma adequada análise a fiscalização do que ocorreu em cada uma das situações mencionadas", não bastando "observar simplesmente números de contas contábeis e concluir apressadamente pela glosa de créditos". Mais que isto. "necessário se faz verificar a atividade da Impugnante e os fatos efetivamente ocorridos". Se isto for feito, verificarseá que '"todos os itens glosados fazem parte do conceito de insumo, eis que são indispensáveis à produção dos bens comercializados pela Impugnante, c como tal integram os custos de aquisição e fabricação devem gerar créditos, para que não exista desrespeito à regra da não cumulatividade das contribuições"; O relatório fiscal explica que foram procedidas as glosas de créditos referentes a despesas de depreciação relativas a bens que não estavam "intrinsecamente associados ao processo produtivo do empreendimento", e que tenham sido adquiridos após 01/05/2004,conforme disposto no art. 31. caput e § 1° da Lei 10.865/2004". verbis: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei. o desconto de créditos apurados na forma do inciso II do § l º d o art. 3odas Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002. e 10.833. de 29 de dezembro de 2003. relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1º Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1ºdo art. 3º das Leis n°s 10.637. de 30 de dezembro de 2002, e 10.833. de 29 de dezembro de 2003. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13888.003279/200518 Acórdão n.º 3401003.211 S3C4T1 Fl. 6 9 apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de I " de maio.(...) Lei n° 10.637, de 2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei n" 11.196. de 2005) V I I - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa: (...) Conforme exposto em nosso voto, divergirmos da posição adotada pela autoridade fiscal e pelos julgadores de 1º piso quanto ao conceito de insumos e ao conceito das atividades de produção do empreendimento. Em nossa visão, as etapas anteriores à fabricação do açúcar e do álcool também podem ser consideradas para fins de apuração dos créditos disciplinados nas Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Nessa perspectiva, seria possível aproveitar as depreciações do ativo imobilizados aplicado nessas etapas, tais como, por exemplo, equipamentos de colheita e tratamento da cana de açúcar. Ocorre que a contribuinte não trouxe ao contraditório elementos que demonstrassem seu direito, para além das argumentações gerais ou genéricas. No caso, especificamente, a contribuinte não demonstrou quais bens do ativo imobilizado foram adquiridos após 01/05/2004, para atender o disposto no artigo da Lei n. 10.865/2004 acima transcrito, e como cada um deles se integrou ao processo de produção nessas etapas anteriores à fase fabril. Em nosso voto, no trecho que acabou não lido e apreciado pelos Conselheiros, propúnhamos não dar provimento ao recurso voluntário neste ítem por falta de elementos que provassem o direito pretendido. A meu ver, o acórdão prolatado traz omissão que deve ser sanada, para que fique expressamente julgada a matéria e dele conste o entendimento do relator. Por essas razões, proponho seja admitido, conhecido e apreciado este Embargo, e no mérito não seja dado provimento ao recurso voluntário neste item. CONCLUSÃO FINAL Seja acolhido o Embargo para dar PARCIAL provimento ao recurso voluntário na matéria glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte e não seja dado provimento ao recurso voluntário no item despesas de depreciação do ativo Fl. 633DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 imobilizado, e que essa decisão altere o que consta como dispositivo conclusivo do Acórdão recorrido, com efeitos infringentes, cuja Ementa passa ser acrescida do seguinte: COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra no contexto do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool). Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 634DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 10930.903593/2012-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 07/10/2005
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 07/10/2005 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 93 /2 01 2- 62 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903593/201262 Acórdão n.º 3402003.563 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.935, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903593/201262 Acórdão n.º 3402003.563 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903593/201262 Acórdão n.º 3402003.563 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903593/201262 Acórdão n.º 3402003.563 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903593/201262 Acórdão n.º 3402003.563 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.934218/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.757
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 42 18 /2 00 9- 73 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.934218/200973 Acórdão n.º 3402003.757 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.934218/200973 Acórdão n.º 3402003.757 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.934218/200973 Acórdão n.º 3402003.757 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.934218/200973 Acórdão n.º 3402003.757 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000636/2005-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESENTE UM DOS REQUISITOS QUE ENSEJAM O RECURSO MISTER SE FAZ SUA CORREÇÃO.
Assiste razão a Unidade Preparadora, o acórdão recorrido estava eivado de Erro Manifesto que impedia a execução do julgado. Expurgada a duplicidade equivocadamente apontada pelo acórdão recorrido na analise pormenorizada do auto de infração.
Numero da decisão: 9202-004.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos inominados, para declarar a nulidade do acórdão 920201.631, por ter sido prolatado sem a observação de lapso manifesto, por erro de fato, na decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação do lapso manifesto alegado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESENTE UM DOS REQUISITOS QUE ENSEJAM O RECURSO MISTER SE FAZ SUA CORREÇÃO. Assiste razão a Unidade Preparadora, o acórdão recorrido estava eivado de Erro Manifesto que impedia a execução do julgado. Expurgada a duplicidade equivocadamente apontada pelo acórdão recorrido na analise pormenorizada do auto de infração.
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PRESENTE UM DOS REQUISITOS QUE ENSEJAM O RECURSO MISTER SE FAZ SUA CORREÇÃO. Assiste razão a Unidade Preparadora, o acórdão recorrido estava eivado de Erro Manifesto que impedia a execução do julgado. Expurgada a duplicidade equivocadamente apontada pelo acórdão recorrido na analise pormenorizada do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos inominados, para declarar a nulidade do acórdão 920201.631, por ter sido prolatado sem a observação de lapso manifesto, por erro de fato, na decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação do lapso manifesto alegado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 06 36 /2 00 5- 17 Fl. 990DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 330100.025, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 3ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fls. 13/36 e 44/70 (respectivamente, fls. 08/31 e 39/66, numeração manual), relativo aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002, 2003, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 144.986,75, nele compreendido imposto, multa de ofício, juros de mora e multa exigida isoladamente, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos de trabalho sem empregatícios recebidos de pessoas físicas, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de despesas de livro caixa, dedução indevida de despesa com instrução e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carneleão, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 176/206 (fls. 156/186, numeração manual), instruindo o feito com notas fiscais de fornecedores e requerendo a dedutibilidade dos valores lançados no livro caixa. A DRJ de origem, às fls. 486/506, apreciou os documentos e concluiu que do total de 103 notas fiscais apensadas, poucas mantinham vinculação com o lançamento. As notas fiscais que efetivamente se relacionam com o auto de infração, foram consideradas documentos hábeis e ensejaram o restabelecimento da dedução no valor de R$ 2.514,45. Foi mantida a multa isolada, porém com redução de 50%, aplicando a nova legislação que alterou o artigo 44, da Lei 9430 de 1.996. A multa de oficio de 75% incidiu no lançamento e foi mantida em concomitância com a multa isolada reduzida a 50%, conforme mencionado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 515/527 (fls. 472/486, numeração manual), requerendo perícia na documentação anexada e alegando que a glosa das despesas do livro caixa foram consideradas também como omissão de rendimentos, em flagrante duplicidade de lançamento e ainda, com aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 538/544, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, entendendo, por maioria, afastar a multa isolada por aplicação concomitante. Às fls. 547/554, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que, como o contribuinte deixou de recolher tempestivamente o imposto devido a título de carneleão, cabível a aplicação da multa isolada. Assim, a decisão guerreada contrariou frontalmente a lei, especificamente o art. 44, § 1°, III, tudo da Lei n° 9.430/96, a demonstrar que a decisão nãounânime teria sido proferida do modo contrária à lei. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 556/557, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu seguimento ao recurso da Fazenda Nacional, para ser processado com base no art. 70, I, do antigo Regimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, à luz dos arts. 40 e 70 do vigente Regimento Interno do CARF. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 9202004.357 CSRFT2 Fl. 10 3 Às fls. 560/564, o Contribuinte apresentou contrarrazões do Recurso Especial. Em 19/12/2011, o Contribuinte impugnou o lançamento, às fls. 568/572, consignando que o Auto de Lançamento desconsiderou a decisão do CARF que restabeleceu as deduções com despesas médicas e despesas do livro caixa e, por consequência, afastou a multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de oficio, em verdade, afastou todas as despesas antes glosadas e tinham gerado a imputação de tributos, bem como da multa aplicada, extinguindo o alegado fato gerador de diferenças no imposto declarado. Em 22/12/2011, às fls. 566/567, a Receita Federa de Uruguaiana/RS encaminhou o Memorando n° 146/2011/DRFURA/Secat acerca do cumprimento do Acórdão n° 330100.025 da lª Turma Ordinária da 3ª Câmara, no julgamento do Recurso Voluntário, tecendo as seguintes considerações: “... 4. Como a relatora, no julgamento do recurso voluntário, não reformou a decisão de 1ª instancia quanto às glosas das despesas do Livro Caixa, foram feitas as atualizações no Sistema Profisc, quanto a essa parte da controvérsia, tomando por base os valores discriminados no acórdão da DRJ. Logo em seguida, foi enviada intimação ao contribuinte, para o pagamento dos valores não exonerados. 5. Em razão do questionamento do contribuinte, o processo foi reanalisado, quando então foi verificado um erro de fato constante do supracidado Acórdão. A decisão foi proferida com base na falsa compreensão de que teria havido duplicidade no lançamento. Isso supostamente foi decorrente da discriminação das glosas das despesas do Livro Caixa em dois itens do auto de infração (itens 3 e 5). 6. No item 3, foram discriminadas as glosas por ano e esses foram os valores efetivamente considerados no calculo do imposto no lançamento. Por sua vez, no item 5, as glosas foram enumeradas mêsamês, todavia, apenas para fins de demonstrar os valores utilizados no cálculo do imposto mensal devido e, em seguida, do imposto mensal que deixou de ser pago, com vistas a imposição da multa isolada (já afastada por esse Conselho). Cumprenos enfatizar então que esses valores constantes do item 5 não integraram a base de calculo do imposto lançado, de modo que não houve a duplicidade apontada. ...” Às fls. 987/989, a Unidade Preparadora propôs, Embargos Inominados em face da 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais – CARF – por Lapso Manifesto, em virtude de alegado erro material ao considerar duplicidade de lançamento, para que o processo fosse novamente apreciado pela 2ª Turma da CARF, para que: seja verificada, a existência ou não do erro manifesto alegado; Fl. 992DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 em sendo confirmada a existência do erro, sejam determinados seus efeitos, com eventual devolução ao colegiado a quo, para retificação, ou eventual retificação pela própria 2ª Turma da CSRF, mediante a prolação de novo acórdão; em havendo eventual retificação de erro, esclarecimento quanto à validade dos atos posteriores à decisão supostamente eivada de erro. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora. Os Embargos de Declaração propostos pela Unidade preparadora são tempestivos e merecem ser conhecidos. O motivo ensejador de sua interposição se refere a erro do acórdão recorrido que impediu a execução do Julgado por parte da Unidade Preparadora. Assiste razão a embargante. A decisão foi proferida com base na falsa compreensão de que teria havido duplicidade no lançamento. Isso supostamente foi decorrente da discriminação das glosas das despesas do Livro Caixa em dois itens do auto de infração (itens 3 e 5). Como bem apontado pela DRF de Uruguaiana, compulsando o relatório fiscal de fls. 08, 09, 10, 21, 24, 26, 64 e 66, temse que, no item 3, foram discriminadas as glosas por ano e esses foram os valores efetivamente considerados no calculo do imposto no lançamento. Por sua vez, no item 5, as glosas foram enumeradas mêsamês, todavia, apenas para fins de demonstrar os valores utilizados no cálculo do imposto mensal devido e, em seguida, do imposto mensal que deixou de ser pago, com vistas a imposição da multa isolada (já afastada pelo Conselho). Cumprenos enfatizar então que esses valores constantes do item 5 não integraram a base de calculo do imposto lançado, de modo que não houve a duplicidade apontada no lançamento. Assim, analisando o total do imposto cobrado, observase claramente que este esta listado nos itens 1 a 4, o item 5 embora citado de modo repetitivo serviu tão somente como base discriminada mensal para calcular o valor da multa isolada, não se referindo a infração diversa, muito menos a soma destas em duplicidade. Para se ter certeza disso, basta observar as informações das planilhas de fls 21 e 9 que cruzadas com os demonstrativos, apontam exatamente para o importe de imposto cobrado, ou seja, deduzidos o valor total das glosas de despesa medica, tem se exatamente os valores cobrados a titulo de infração. Diante do exposto, conheço dos presentes embargos de declaração para declarar a nulidade do acórdão 920201.631, por ter sido prolatado sem a observação de lapso manifesto, por erro de fato, na decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação do lapso manifesto alegado. É o voto. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 9202004.357 CSRFT2 Fl. 11 5 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 994DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13686.720042/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL. REVISÃO DE APOSENTADORIA. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSTO SUPLEMENTAR. Incabível levar ao ajuste na DAA/2013 os rendimentos omitidos, por ser esta forma de tributação incompatível com a normativa regente, motivo pelo qual deve a Recorrente ser eximida do pagamento do imposto suplementar formalizado pela Notificação de Lançamento em referência nos presentes autos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial ao recurso e o conselheiro Márcio de Lacerda Martins que negava-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arraes Egypto, Márcio de Lacerda Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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AÇÃO JUDICIAL. REVISÃO DE APOSENTADORIA. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSTO SUPLEMENTAR. Incabível levar ao ajuste na DAA/2013 os rendimentos omitidos, por ser esta forma de tributação incompatível com a normativa regente, motivo pelo qual deve a Recorrente ser eximida do pagamento do imposto suplementar formalizado pela Notificação de Lançamento em referência nos presentes autos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 6. 72 00 42 /2 01 4- 54 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria darlhe provimento, vencidas as conselheiras Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial ao recurso e o conselheiro Márcio de Lacerda Martins que negavalhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini– Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arraes Egypto, Márcio de Lacerda Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 13686.720042/201454 Acórdão n.º 2401004.457 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 14/04/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2013, AnoCalendário 2012, na qual foi constatada a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 120.323,21 (cento e vinte mil, trezentos e vinte três reais e vinte um centavos), recebidos pela titular. Inconformado com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação alegando tratarse de rendimentos acumuladamente recebidos por aposentadoria rural por idade. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG) manteve o crédito tributário, por maioria, destacase trecho do voto vencido e do voto vencedor, com a seguinte consideração: Voto vencido: partir de 28 de julho de 2010, em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, estes serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, quando decorrentes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência, no que se enquadra o presente caso (rendimentos de aposentadoria). Aplicase a referida tributação, inclusive, aos rendimentos decorrentes de decisões das Justiças do Trabalho, Federal, Estaduais e do Distrito Federal; devendo abranger tais rendimentos o décimo terceiro salário e quaisquer acréscimos e juros deles decorrentes, artigos 12 e 12A, da Lei 7.713/88. (...) Como tal opção não foi feita pelo notificado, já que omitiu o rendimento percebido de forma acumulada, deve permanecer, para fins de cálculo do montante de imposto devido, relativo à infração apurada, a regra geral, qual seja, a forma de tributação exclusiva/definitiva na fonte. Deste modo, incabível levar ao ajuste na DAA/2013 os rendimentos omitidos, por ser esta forma de tributação incompatível com a normativa regente, motivo pelo qual deve o contribuinte ser eximido do pagamento do imposto suplementar formalizado pela Notificação de Lançamento. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 4 Haja vista o anocalendário em análise, deve o presente processo ser levado ao conhecimento do SEFIS/DRF/UBERLÂNDIA/MG, a fim de que sejam tomadas as providências necessárias para a garantia do crédito tributário nos termos acima explicados. Por oportuno, esclarecese que, salvo as vinculantes, eventuais decisões emanadas judicialmente não têm o condão de obrigar a Autoridade Julgadora. Voto Vencedor: “À vista de todos os dispositivos aqui reproduzidos e considerando o equívoco na retenção do imposto de renda sobre os rendimentos decorrentes da ação judicial, frente ao qual a contribuinte não demonstrou ter buscado pelos meios legais permitidos a sua correção e tampouco exerceu a faculdade de efetuar os ajustes necessários no intuito de tributar os rendimentos tidos por omitidos como exclusivos na fonte, aliás, sequer instrui os autos com documentos hábeis a alterar a tributação da omissão apurada, resta apenas ratificar o feito fiscal.” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário pelo Contribuinte, o qual alegou que: · Por se tratar de indenização deveriam ser observados os valores recebidos mensalmente, com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que devidos os correspondentes valores. Assim, a tributação que divirja desse entendimento não pode prosperar, sob pena de agravamento injusto da exigência, com o consequente enriquecimento ilícito do Estado. · Seja sobrestado o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012 até o julgamento do mérito nos RE Nº 614232 e 614406. · Houve retenção do imposto retido na fonte o que é considerado antecipação do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual; É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 13686.720042/201454 Acórdão n.º 2401004.457 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 20/10/2014, conforme AR às fls. 69, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 12/11/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO A Recorrente foi notificada por omitir rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal que objetivou reajuste de benefícios de aposentadoria rural por idade. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Nesse sentido, será utilizada “tabela progressiva resultante da multiplicação de quantidade de meses a que se refiram os rendimentos”, com o propósito de compatibilizar o regime ao entendimento pacificado pela Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS. Confirase: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 6 § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1o e 3o. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 6o Na hipótese do § 5o, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 8o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 9o A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Art. 12B. Os rendimentos recebidos acumuladamente, quando correspondentes ao anocalendário em curso, serão tributados, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Observase, no dispositivo acima citado, que o imposto de renda será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 13686.720042/201454 Acórdão n.º 2401004.457 S2C4T1 Fl. 5 7 rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Note caso a recorrente alega que houve retenção do imposto retido na fonte o que seria considerado antecipação do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual. O imposto decorrente da tributação exclusiva na fonte efetuada durante o anocalendário pela fonte pagadora é considerado antecipação do imposto devido apurado na referida DAA. Ressaltese que a referida opção deve ser marcada quando do preenchimento da DAA pelo contribuinte, no presente caso, tal opção não foi realizada pela Recorrente, e sim pela fiscalização; logo, como foi omitido o rendimento percebido de forma acumulada, deve permanecer, para fins de cálculo do montante de imposto devido, relativo à infração apurada, a regra geral, qual seja, a forma de tributação exclusiva/definitiva na fonte. Deste modo, incabível levar ao ajuste na DAA/2013 os rendimentos omitidos, por ser esta forma de tributação incompatível com a normativa regente, motivo pelo qual deve o contribuinte ser eximido do pagamento do imposto suplementar formalizado pela Notificação de Lançamento em referência nos autos. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI
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