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6180090 #
Numero do processo: 35380.002776/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2401-000.161
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1064; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 275          1 274  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  35380.002776/2006­15  Recurso nº  148.055  Resolução nº  2401­000.161  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  12 de maio de 2011  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  MAGRIL COM. DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o  julgamento do recurso em diligência.    Elias Sampaio Freire – Presidente    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora  Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Elias  Sampaio  Freire,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Igor  Araujo  Soares,  Jhonatas Ribeiro Da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.     Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002776/2006­15  Resolução n.º 2401­000.161  S2­C4T1  Fl. 276            2 RELATÓRIO  Trata­se  de  retorno  de  diligência  comandada  por meio  da Resolução  nº  2401­ 00.060 da Primeira Turma da 4ª Câmara da 2ª Sessão do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscal – CARF, no intuito de identificar o resultado final das NFLD lavradas durante o mesmo  procedimento fiscal, para que se possa identificar os fatos geradores constantes em cada uma  delas e sua relação com o auto de infração ora em análise, fl. 169 a 172.   Importante,  destacar  que  a  lavratura  do  AI  deu­se  em  16/12/2005,  tendo  a  cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 19/12/2005. Os fatos geradores que ensejaram a  autuação ocorreram entre as competências 01/1999 a 09/2000.  Para  retomar  as  informações  pertinentes  ao  processo  ,  importante  destacar  as  informações acerca do lançamento efetuado.  Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente,  originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n °  8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284,  II  do  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  n  °  3.048/1999.  Segundo  a  fiscalização  previdenciária,  o  autuado  não  informou  à  previdência  social  por  meio  da  GFIP  todos  os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias.  NO  caso,  a  empresa  deixou  de  informar  em  GFIP  as  remunerações  pagas  aos  segurados:  APARECIDO  ANTONIO  DE  ALMEIDA,  GERALDO DONIZETE DE JESUS VIEIRA GODOY, MÁRCIO JOSE  DA SILVA, conforme relatório fiscal.  Destaca­se que a análise individualizada de cada empregado encontra­ se na NFLD nº 35834608­8. Ainda, consta do relatório fiscal que a não  inclusão  de  segurados  obrigatórios  nas  folhas  de  pagamento  e  na  GFIP, caracteriza em tese o ilícito de crime contra seguridade.  Não  conformado  com  a  autuação,  o  recorrente  apresentou  impugnação, fls.25 a 71  A unidade descentralizada da SRP emitiu a Decisão­Notificação (DN),  fls. 84 a 95, mantendo a autuação em sua integralidade.   O  recorrente  não  concordando  com  a  DN  emitida  pelo  órgão  previdenciário, interpôs recurso, fls. 60 a 70. Alega em síntese:  O  fatos  que  ensejaram  a  autuação  encontram­se  em  períodos  alcançados pela decadência.  Inconstitucional  o  art.  45  da  Lei  8212/91,  que  prevê  a  prescrição  qüinqüenal.  Ilegal a autuação pela aferição indireta, uma vez que deve prevalecer  os  termos  da  coisa  julgada  em  relação  as  reclamatórias  trabalhistas  promovidas pelos empregados.  Ilegal  a  exigência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  verbas  indenizatórias diante do preceito do art. 28, § 9º da Lei 8212/91. Ou  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002776/2006­15  Resolução n.º 2401­000.161  S2­C4T1  Fl. 277            3 seja, desconsiderou a fiscalização que a totalidade dos valores pagos  em reclamatória trabalhista possuem caráter indenizatório.  O  crédito  objeto  deste  lançamento  em  relação  ao  segurado  Márcio  José da Silva, foi regularmente recolhido.  A fiscalização não poderia proceder à autuação fiscal, com a aplicação  de multa por irregularidades verificadas no período anterior a edição  do  Decreto  3048/99  em  razão  do  princípio  da  anterioridade  e  da  irretroatividade da lei tributária.  Ilegal o valor excessivo da multa aplicada.  Ilegal ainda o sistema de correção aplicado, bem como a taxa SELIC.  Requer  o  acolhimento  dos  argumentos  aqui  invocados,  reconhecendo  as  ilegalidades  apontadas,  bem  como  requer  o  cancelamento  da  autuação.  A Receita Previdenciária absteve­se de apresentar contra­razões tendo  encaminhado o recurso a este conselho.  É o relatório.  A DRFB prestou informações e anexou cópias das decisões no sentido de que:  (1) NFLD 35.834.609­6 foi julgada procedente no âmbito deste CARF, , bem como em relação  a  (2)NFLD  35.834.610­0  o  contribuinte  teve  seu  recurso  Provido  em  Parte.  Para  a  NFLD  35.834.608­8, observa­se que a autoridade da DRFB anexou a Decisão Notificação e o recurso  voluntário do contribuinte.  É o relatório.   Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002776/2006­15  Resolução n.º 2401­000.161  S2­C4T1  Fl. 278            4 Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora   PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  Em se  tratando de retorno de diligência,  comandada no  intuito de  identificar o  resultado  das  NFLD  conexas  com  os  fatos  geradores  deste  AI,  abstenho­me  de  avaliar  a  tempestividade, tendo em vista já ter sido objeto de apreciação anteriormente.  DAS PRELIMINARES AO MÉRITO  Conforme  descrito  na  resolução  que  converteu  em  diligência  o  julgamento,  a  procedência ou não do  presente  auto­de­infração está  ligado à  sorte das Notificações Fiscais  lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento. Assim, para evitar decisões discordantes  faz­se imprescindível a análise tendo por base o resultado de outros lançamentos realizados no  mesmo procedimento.  Contudo, ao analisar os documentos acostados pela autoridade da DRFB, quanto  a procedência das NFLD lavradas durante o mesmo procedimento, identifica­se, por meio das  Decisões Notificações  que  a NFLD diretamente  relacionada  é  a  de  n.  35.834.608­8,  a  única  para  a  qual  não  foi  possível,  por  meio  da  análise  dos  sistemas  do  CARF  identificar  o  andamento.  Note­se  que  por  meio  de  pesquisa,  o  n.  do  DEBCAD  não  mais  aparece  como  identificador do Processo, e da pesquisa realizada no âmbito da secretaria desta Câmara acerca   do n. do carimbo de protocolo 35.380.002726/2006­38, fl. 216, não foi encontrado o processo.  Dessa  forma,  infelizmente,  nos  resta  novamente  converter  o  julgamento  em  diligência, para que a DRFB preste mais esclarecimentos, se possível acerca do andamento do  processo,  inclusive  se o mesmo  foi parcelado ou mesmo pago,  e  caso  seja  constatado que o  mesmo ainda não foi julgado no âmbito deste conselho, deve­se determinar sua tramitação em  conjunto,  evitando  assim,  julgamento  discordantes,  entre  a NFLD  lavrada  e  o  respectivo AI  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória,  diretamente  relacionado  aos  fatos  geradores  descritos na NFLD.  CONCLUSÃO  Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que sejam  prestadas as informações nos termos acima descritos.  É como voto.    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira    Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE

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6275748 #
Numero do processo: 13805.004651/97-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1994 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE. A prescrição intercorrente não é aplicável ao processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 15/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 15/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-02-15T13:13:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-02-15T13:13:53Z; Last-Modified: 2016-02-15T13:13:53Z; dcterms:modified: 2016-02-15T13:13:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:94473b77-5f73-49fe-b0ac-06330c9c393f; Last-Save-Date: 2016-02-15T13:13:53Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-02-15T13:13:53Z; meta:save-date: 2016-02-15T13:13:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-02-15T13:13:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-02-15T13:13:53Z; created: 2016-02-15T13:13:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2016-02-15T13:13:53Z; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-02-15T13:13:53Z | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 2          1 1  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13805.004651/97­89  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3102­003.006  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de janeiro de 2016  Matéria  Auto  de Infração ­ Cofins  Recorrente  CAPEL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1994  PRESCRIÇÃO  INTERCORRENTE.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL. INAPLICABILIDADE.  A prescrição intercorrente não é aplicável ao processo administrativo fiscal.  Súmula CARF  nº  11: Não  se  aplica  a  prescrição  intercorrente  no  processo  administrativo fiscal.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinatura digital)  Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator  EDITADO EM: 15/02/2016  Participaram da  sessão de  julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa,  Paulo Guilherme Déroulède, Domingos  de  Sá  Filho,  José  Fernandes  do Nascimento,  Lenisa  Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker  Araújo. Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  Relatório  que  embasou  a  decisão  de  primeira instância, que passo a transcrever.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 46 51 /9 7- 89 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA     2 A interessada foi fiscalizada quanto à Contribuição para o Financiamento da  Seguridade Social ­ COFINS no período de 11/93 a 12/95 (fl 16).  Para  as  exações  de  junho  de  1994  a  outubro  de  1994  foi  apurada  a  não  integralidade  de depósitos  judiciais  e  pagamentos,  sendo  lançadas  neste  processo  as contribuições mensais, cuja soma é R$ 66.287,77, com as multas de 75% nesses  meses, conforme Auto de Infração (fl 1 e bases legais nas fls 2, 5 e 6).  Em  novembro  e  dezembro  de  1995  apurou­se  integralidade  de  depósitos  judiciais (fl 15 c/c 19)  A base legal do lançamento da contribuição foi a Lei Complementar (LC) n°  70, de 30. 44 dezembro de 1991, arts. 1º, 2º, 3º, 4º e 5° (fl 2); quanto aos juros de  mora e correção, para fatos geradores até 31/12/94 está fundamentada no artigo 38  e parágrafo 1º da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, no artigo 84, parágrafo 5º,  da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e no artigo 26 da MP 1.542/96 (fl 5/6);  quanto  à  multa  proporcional:  art.  10,  parágrafo  único,  da  Lei  Complementar  nº  70/91 c/c art. 4º, inciso I, da Lei n° 8.218/91; art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 e  art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei nº 5.172/66.   As conversões para UFIR decorrem da Lei no 8.383/91, art. 54, § 1º (fl 6). As  conversões para Reais decorrem do art. 25 da MP n° 1.542/96 (fl 6).  A ciência pessoal deu­se em 24/6/1997  (fl 1). Em 23/7/97 (fl 36) a empresa  impugnou  e  arguiu  nulidade  pedindo,  alternativamente,  julgamento  pela  improcedência do auto e da TR, alegando, em suma:  a)  promove  incorporação,  construção  e  venda  de  imóveis  e  não  é  contribuinte;  b)  propôs  ação  judicial  pela  inexistência  de  relação  jurídica  da  Cofins  (cautelar 950054290­0);  c) fez depósitos suspensivos (art. 151, II, do CTN) e recolhimentos em Darf;  d)  deve  ser  respeitada  a  unidade  de  jurisdição  (transcreve  parecer  doutrinário sobre depósito judicial);  e) havendo depósito há suspensão do crédito e nulidade do auto;  f)  em  face  dos  depósitos  (ainda  que  a  destempo,  mas  antes  de  ação  fiscalizatória)  e  dos  Darf's  os  acréscimos  não  ocorrem,  pois  não  há  mora  (cita  súmula do TRF);  g)  o  faturamento  decorre  de  extrair  faturas  nas  vendas  de  mercadorias/serviços  e  venda  do  imóvel  não  é  de  mercadoria  nem  serviço  (transcreve decisão sobre não incidir o Pis na venda de terrenos);  h)  exigir  Cofins  na  incorporação  e  venda  de  imóveis  é  ilegal  (transcreve  decisões judiciais afastando a Cofins pela LC 70/91 na venda de imóveis);  i)  não  cabe  TR  ou  TRD  como  correção monetária  ou  juros  de mora  sendo  inconstitucional e ilegal tal pretensão.  Arguindo nulidade, pede julgamento pela improcedência total do principal e  encargos e da atualização e juros pela TR.  Em 13/3/2009 a EQAMJ informa (fl 134):  Fl. 213DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13805.004651/97­89  Acórdão n.º 3102­003.006  S3­C1T2  Fl. 3          3 a)  há  dois  processos  administrativos  da  Cofins:  um  para  os  meses  com  integralidade de depósitos (11 e 12/95), e outro (este), dos meses não integralmente  cobertos;  b) há acórdãos do TRF e decisão do STJ na ação da empresa (anexa cópias ­ fls 103 a 130);  c)  a  incidência  da  Cofins  sobre  venda  de  imóveis  foi  julgada  devida  com  trânsito e em 16/3/2007;  d) segue pendente a ação cautelar.  Ação Cautelar  Em 6/11/95 a empresa obteve liminar suspendendo a exigibilidade da Cofins  na  cautelar  95.0054290­0  que  propusera  em  30/10/1995  mediante  depósito,  conforme  súmulas  1  e  2  do  TRF  da  3º  Regido  (fl  81  c/c  93).  Fez  depósitos  do  período autuado em 31/10/1996 (fls 83 a 87).  A ação cautelar perdeu o objeto e está definitivamente baixada (fls 135/136).  Ação Ordinária  Ao  julgar  a  apelação  na  ação  ordinária  de  1/12/95,  o  relator  diz  que  a  empresa buscava desvincular bem imóvel do conceito de mercadoria, para afastar a  Cofins  sobre  o  faturamento  nas  vendas  e  restituir,  obtendo  sentença  de  improcedência  (fl  104).  0  acórdão  diz  incidir  a  Cofins  pela  LC  70/91  no  faturamento pela venda de imóveis (fl 103). A decisão colegiada analisou o objeto  social  da  empresa  e  esmiuçou  o  conceito  de  mercadoria  com  vasta  transcrição  jurisprudencial  (fl  113  c/c  114  a  120)  para,  ao  final,  negar  provimento.  Os  embargos declaratórios  (2)  foram  infrutíferos  (fl  122 e 128).  0 agravo ao STJ  foi  negado e houve trânsito em julgado em 16/3/2007 (fl 130, verso). Foi determinada  conversão em renda dos depósitos da cautelar (fl 137).  Assim a Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  sintetizou, na ementa  correspondente, a decisão proferida.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1994  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Não ocorreram as hipóteses de nulidade (art. 59 do Decreto n° 70.235/72).  INCONSTITUCIONALIDADE  E  ILEGALIDADE  DE  LEIS.  LIMITES  DE  COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.   As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da  legislação  tributária vigente no Pais não podendo negar­lhe execução e sendo incompetentes  para  apreciar  arguições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade, haja  vista  que  tal  matéria esta adstrita ao âmbito judicial.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1994  MULTA DE OFÍCIO E JUROS. CABIMENTO.  Fl. 214DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA     4 Lançamento  decorrente  de  infração  detectada  em  fiscalização  admite  acréscimos (art 161, CTN).  MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO NÃO INTEGRAL. CABIMENTO.   É  devida  multa  de  oficio  sobre  crédito  tributário  não  integralmente  depositado (inciso II, art. 151, CTN).  MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO INTEGRAL. NÃO CABIMENTO.  Não  é  devida  multa  de  oficio  sobre  o  crédito  tributário  integralmente  depositado  (inciso  II,  art.  151,  CTN,  Período  de  apuração:  01/09/1994  a  30/09/1994).  JUROS DE MORA. LEGISLAÇÃO. FATOS GERADORES ATÉ 31/12/1994.  Nas hipóteses de débitos tributários vencidos no período de julho a dezembro  de 1994 incide o percentual equivalente ao excedente da variação acumulada da TR  em relação à variação da UFIR, ou o mínimo de 1% ao mês. De janeiro de 1995 a  dezembro e 1996 a taxa é de 1% ao mês (art. 84, §5°, Lei 8.981/95). A partir de 10  de janeiro de 1997, sobre esses débitos vencidos incidem juros de mora equivalentes  à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ Sclic (art. 26, MP  1542/96).  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  0  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1994  COISA JULGADA.  A aplicabilidade da Lei Complementar 70/91 foi afirmada na ação proposta  transitada em julgado.  DARF.  EXTINÇÃO  PARCIAL.  (Período:  01/06/1994  a  30/06/1994  e  01/09/1994 a 30/09/1994) Não cabe lançar parcelas pagas.  Insatisfeito  com  a  decisão  de  primeira  instância  administrativa,  o  Sujeito  Passivo apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no  qual apenas alega prescrição intercorrente do crédito tributário constestado.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa  Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso  voluntário.  Uma vez que a única alegação de defesa em sede de Recurso Voluntário seja  a prescrição intercorrente do crédito tributário litigado, cabe a este Tribunal, apenas, aplicar a  Súmula CARF nº 11.  Súmula CARF nº  11: Não  se  aplica  a  prescrição  intercorrente  no processo  administrativo fiscal.  Fl. 215DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13805.004651/97­89  Acórdão n.º 3102­003.006  S3­C1T2  Fl. 4          5 VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinatura digital)  Ricardo Paulo Rosa ­ Relator                                Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 11251.000054/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado nos prazos definidos em Lei. O desconto da contribuição dos segurados empregados sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE DAÇÃO EM PAGAMENTO EM TÍTULOS DA PREFEITURA DO DISTRITO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Inexiste previsão legislativa para a extinção de Crédito Tributário mediante dação em pagamento em títulos prescritos emitidos pela Prefeitura do Districto Federal. O art. 167, XI, da CF/88 estabelece vedação expressa de utilização dos recursos provenientes das contribuições previdenciárias para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Maria Cleci Coti Martins – Presidente-Substituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 298          1  297  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11251.000054/2009­86  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­004.016  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de janeiro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  ­  NFLD  Recorrente  TRANSPORTES E TURISMO EROLES LTDA  Recorrida  FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2003  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  CONTRIBUIÇÃO  DOS  SEGURADOS EMPREGADOS. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO.  A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados  e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço,  descontando­as  das  respectivas  remunerações,  e  a  recolher  o  produto  arrecadado  nos  prazos  definidos  em  Lei.  O  desconto  da  contribuição  dos  segurados  empregados  sempre  se  presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe  sendo  lícito  alegar  omissão  para  se  eximir  do  recolhimento,  ficando  diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou  em desacordo com o disposto na Lei.   CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  MEDIANTE  DAÇÃO  EM  PAGAMENTO  EM  TÍTULOS  DA  PREFEITURA  DO  DISTRITO  FEDERAL.  IMPOSSIBILIDADE  JURÍDICA.  Inexiste previsão  legislativa para a  extinção de Crédito Tributário mediante  dação  em  pagamento  em  títulos  prescritos  emitidos  pela  Prefeitura  do  Districto Federal. O  art.  167, XI,  da CF/88  estabelece  vedação  expressa  de  utilização dos recursos provenientes das contribuições previdenciárias para a  realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral  de previdência social.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI  OU  DE  ATO  NORMATIVO.  RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.  Escapa  à  competência  dos  Órgãos  Colegiados  de  Julgamento  em  Instância  Administrativa  a  declaração,  bem  como  o  reconhecimento,  de  inconstitucionalidade de  leis  tributárias,  eis que  tal  atribuição  foi  reservada,  com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 25 1. 00 00 54 /2 00 9- 86 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     2  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  MULTA  E  JUROS  MORATÓRIOS.  LEGALIDADE.  O  crédito  decorrente  de  contribuições  previdenciárias  não  integralmente  pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC a que  se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos  termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada  pela Lei nº 9.528/97, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35  da Lei  nº  8.212/91,  na  redação  dada  pela Lei  nº  9.876/99,  todos  de  caráter  irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta.  Recurso Voluntário Negado       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR­LHE  PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.     Maria Cleci Coti Martins – Presidente­Substituta de Turma.    Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Maria  Cleci  Coti  Martins (Presidente­substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de  Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e  Arlindo da Costa e Silva.      Fl. 299DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/2009­86  Acórdão n.º 2401­004.016  S2­C4T1  Fl. 299          3     Relatório  Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2003  Data da lavratura da NFLD: 25/02/2004.  Data da Ciência da NFLD: 01/03/2004.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela  Gerência  Executiva  do  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  em  Guarulhos  que  julgou  improcedente  a  impugnação  oferecida  pelo  sujeito  passivo do crédito  tributário  lançado por  intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de  Débito  nº  35.545.004­6,  consistente  em  Contribuições  Sociais  a  cargo  dos  segurados,  incidentes  sobre  seus  respectivos  Salários  de  Contribuição,  nas  competências  de  dezembro/2001 a outubro/2003, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 38/40.  De acordo  com o Relatório Fiscal,  a Notificada  pretendeu,  unilateralmente,  quitar  as  contribuições  previdenciárias  relativas  às  competências  de  12/2001  a  10/2003,  utilizando­se  do  instituto  da  dação  em  pagamento  de  títulos  da  dívida  pública,  emitidos  no  início de 1900, século passado, pela “Prefeitura do Districto Federal”.   A alegada “dação em pagamento” deu­se por ato unilateral da empresa, sem  amparo em lei autorizadora.   Em  30/01/2004,  a  empresa  protocolizou  expediente,  sob  n°  35412.000111/2004­91,  a  fls.  59/76,  na  Agência  Moji  das  Cruzes  da  Previdência  Social  ­ comunicando o procedimento da operação ora em foco, apresentando não somente cópias dos  Títulos  de  empréstimo,  como  também,  as  GPS  pagas  em  23/01/2004,  com  as  deduções  da  pretendida “dação em pagamento”.  Nesse  contexto,  acompanhando  o  entendimento  exarado  no  Despacho  promanado da Procuradoria ­Geral Federal Especializada – INSS, a fls. 80/84, que rechaçou a  possibilidade  jurídica  de  se  efetuar  a  extinção  do  Crédito  Tributário  em  questão  mediante  dação  em  pagamento  com  títulos  da  Divida  Pública  emitidos  pela  Prefeitura  do  Distrito  Federal,  a  Fiscalização  procedeu  ao  lançamento  das Contribuições Previdenciárias  devidas  e  não recolhidas.  Os valores das  contribuições  retidas dos  segurados  e não  recolhidas,  objeto  do vertente lançamento,  foram extraídos dos fatos geradores declarados pela própria empresa  em suas GFIP.    Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  Sujeito  Passivo  apresentou contestação administrativa em face do lançamento, nos termos da Impugnação a fls.  107/125.  A Seção de Análise de Defesas e Recursos do Instituto Nacional do Seguro  Social  em  Guarulhos/SP  lavrou  Decisão  Administrativa  aviada  na  Decisão­Notificação  nº  Fl. 300DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     4  21.425­4/075/2004,  a  fls.  208/212,  julgando  procedente  o  lançamento  e mantendo  o Crédito  Tributário em sua integralidade.  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  12/05/2004, conforme Aviso de Recebimento a fl. 214.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  ora  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  a  fls.  216/234,  respaldando  sua  inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos:  ·  O Recorrente discorre acerca da lisura dos títulos da dívida pública interna  e  externa do Brasil  e de princípios  constitucionais  para,  ao  fim,  concluir  pela legalidade da dação em pagamento;   ·  Que  a  multa  e  os  juros  contidos  na  presente  NFLD,  diante  da  sua  exagerada fixação, ferem todos os ditames de ordem constitucional;     Ao fim, requer a declaração de improcedência da NFLD.    Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/2009­86  Acórdão n.º 2401­004.016  S2­C4T1  Fl. 300          5    Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  O sujeito passivo  foi  válida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  no dia 12/05/2004. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 14/06/2004, há que  se  reconhecer  a  tempestividade  do  recurso  interposto,  conforme  Resolução  154/INSS/DCPRES, de 08/06/2004, que  suspendeu o prazo para  interposição de  recursos no  período de paralização dos servidores.  Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço.  Ante  a  inexistência  de  questões  preliminares  a  serem  dirimidas,  passamos  diretamente ao exame do mérito.   2.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  questões  de  fato  e  de  Direito  referentes  a  matérias  substancialmente  alheias  ao  vertente  lançamento,  eis  que  em  seu  louvor,  no  processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas  exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de  1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72.    2.1.  DA DAÇÃO EM PAGAMENTO.  O Recorrente discorre acerca da lisura dos títulos da dívida pública interna e  externa do Brasil e de princípios constitucionais para, ao fim, concluir pela legalidade da dação  em pagamento.    Mas  há,  todavia,  impossibilidades  jurídicas  que  impedem  a modalidade  de  extinção do Crédito Tributário eleita pelo Recorrente.  Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     6    Com efeito, as modalidades de extinção do Crédito Tributário encontram­se  taxativamente previstas no art. 156 do CTN.  Código Tributário Nacional  Art. 156. Extinguem o crédito tributário:  I ­ o pagamento;  II ­ a compensação;  III ­ a transação;  IV ­ remissão;  V ­ a prescrição e a decadência;  VI ­ a conversão de depósito em renda;  VII ­ o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos  termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º;  VIII ­ a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º  do artigo 164;  IX  ­  a  decisão  administrativa  irreformável,  assim  entendida  a  definitiva  na  órbita  administrativa,  que não mais  possa  ser objeto  de ação anulatória;  X ­ a decisão judicial passada em julgado.  XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições  estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)  Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total  ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade  da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149.    De  fato,  o  inciso  XI  do  citado  art.  156  do  CTN  prevê  a  modalidade  de  extinção  de Crédito Tributário mediante  a  dação  em  pagamento, mas  tão  somente,  em  bens  imóveis,  e,  mesmo  nesses  casos,  na  forma  e  nas  condições  a  serem  estabelecidas  em  lei  ordinária,  inexistindo  qualquer  viés  de  possibilidade  para  a  dação  em  pagamento  em  títulos  prescritos da Prefeitura do Districto Federal.  Ademais,  no  que  pertine  às  contribuições  previdenciárias,  existe  ainda  um  empecilho  constitucional  insculpido  no  inciso  XI  do  art.  167  da  CF/88  o  qual  veda,  expressamente, a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o  art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime  geral  de  previdência  social  de  que  trata  o  art.  201,  ali  incluídas,  por  obvio,  as  despesas  de  quitação/resgate de títulos emitidos pela Prefeitura do Districto Federal.  Constituição da República Federativa do Brasil   Art. 167. São vedados:  (...)  XI ­ a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais  de  que  trata  o  art.  195,  I,  a,  e  II,  para  a  realização  de  despesas  distintas  do  pagamento  de  benefícios  do  regime  geral  de  previdência  social de  que  trata  o  art.  201.  (Incluído  pela Emenda  Constitucional nº 20/98)  (...)    Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/2009­86  Acórdão n.º 2401­004.016  S2­C4T1  Fl. 301          7  Nessa perspectiva, ante a inexistência de previsão legislativa para a extinção  de  Crédito  Tributário  mediante  dação  em  pagamento  em  títulos  prescritos  emitidos  pela  Prefeitura do Districto Federal, e máxime pela expressa vedação constitucional de se utilizar os  recursos provenientes das contribuições previdenciárias para a realização de despesas distintas  do  pagamento  de  benefícios  do  regime  geral  de  previdência  social,  não  há  como  acatar  a  regularidade  e  a  lisura  do  procedimento  levado  a  efeito  pelo  Autuado,  permanecendo  ainda  devidas as Contribuições Previdenciárias correspondentes aos valores declarados pelo Autuado  como supostamente extintos pela impossível dação em pagamento.  Procedente, portanto, o lançamento levado a efeito pela Autoridade Fiscal.    No que pertine à alegação de que não  teria havido, por parte da empresa, o  desconto  das  contribuições  previdenciárias  dos  segurados,  há  que  se  esclarecer  que  a  ocorrência dos descontos das Contribuições Previdenciárias a cargo dos segurados empregados  sobre as  respectivas  remunerações mensais constam nas declarações prestadas em GFIP pelo  próprio Recorrente, sob sua responsabilidade, comando e domínio.  Ademais, o §5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 estabelece presunção absoluta  de que tais descontos houveram­se por efetivamente realizados, oportuna e regularmente pela  empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento,  ficando  diretamente  responsável  pela  importância  que  deixou  de  receber  ou  arrecadou  em  desacordo com o disposto na Lei de Custeio da Seguridade Social.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar,  executar, acompanhar e avaliar as atividades  relativas à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único  do  art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação  dada pela Lei nº 11.941/2009)  (...)  §5º  O  desconto  de  contribuição  e  de  consignação  legalmente  autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela  empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para  se  eximir  do  recolhimento,  ficando  diretamente  responsável  pela  importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com  o disposto nesta Lei.   (...)    Quanto  à  procedência  ou  não  da  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  o  exame das alegações atravessadas pelo Recorrente esbarra no óbice da Súmula 28 do CARF,  de observância obrigatória, que exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre  controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.  Súmula CARF nº 28:   Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     8  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  controvérsias  referentes  a  Processo  Administrativo  de  Representação Fiscal para Fins Penais.    2.2.  DOS JUROS E MULTA  Alega o Recorrente que a multa e os juros contidos na presente NFLD, diante  da sua exagerada fixação, ferem todos os ditames de ordem constitucional.    Examinando  os  termos  e  condições  do  lançamento  em  apreço  verificamos  que os juros de mora houveram­se por aplicados de acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, na  redação  dada  pela  Lei  9.528/97,  vigente  à  data  dos  fatos  geradores,  conforme  indicado  no  relatório intitulado FLD – Fundamentos Legais do Débito, a fl. 25, tópico “Acréscimos legais –  juros”.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas  pelo  INSS,  incluídas  ou  não  em  notificação  fiscal  de  lançamento,  pagas  com  atraso,  objeto  ou  não  de  parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e de Custódia ­ SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (redação  dada pela Lei nº 9.528/97)   Parágrafo  único. O percentual  dos  juros moratórios  relativos  aos  meses  de  vencimentos  ou  pagamentos  das  contribuições  corresponderá a um por cento.    De outro eito, a multa moratória se houve por aplicada em conformidade com  os incisos II e III do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, vigente à  data dos fatos geradores, conforme indicado no relatório intitulado FLD – Fundamentos Legais  do Débito, a  fl. 25,  tópico “Acréscimos  legais – Multa”, e quantificados na página 01/02 do  relatório “IPC – Instruções Para o Contribuinte”, a fl. 05.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo  INSS,  incidirá  multa  de  mora,  que  não  poderá  ser  relevada,  nos  seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)   (...)  II­  Para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal  de  lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)   b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)   c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)   Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/2009­86  Acórdão n.º 2401­004.016  S2­C4T1  Fl. 302          9  d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº 9.876/99)   III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:   a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)   b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.876/99)  c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99)  d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito  foi  objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)    §1º  Na  hipótese  de  parcelamento  ou  reparcelamento,  incidirá  um  acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere  o caput e seus incisos.   §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte,  do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não  incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se  efetuar.  §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de  parcelamento  ou  do  reparcelamento  somente  poderá  ser  utilizado  para  quitação  de  parcelas  na  ordem  inversa  do  vencimento,  sem  prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre  a  qual  incidirá  sempre  o  acréscimo  a  que  se  refere  o  §1º  deste  artigo.  §4o  Na  hipótese  de  as  contribuições  terem  sido  declaradas  no  documento  a  que  se  refere  o  inciso  IV  do  art.  32,  ou  quando  se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a  que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por  cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)    Como  se  vê,  tanto  a  multa  quanto  os  juros  de  mora  houveram­se  por  aplicados  em  estreita  consonância  com  os  ditames  estabelecidos  na  Lei  de  Custeio  da  Seguridade Social.  Mostra­se  alvissareiro  trazer  à  balha  que  todo  ato  normativo  oriundo  do  Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade  com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de  presunção  iuris  tantum  de  constitucionalidade,  a  qual  somente  pode  ser  infirmada  pela  declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente.  Segundo  Luís  Roberto  Barroso  (in  Interpretação  e  aplicação  da  Constituição:  fundamentos de uma dogmática constitucional  transformadora. 7ª ed.  rev.  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     10  São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos  do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação  dos  Poderes  e  funciona  como  fator  de  autolimitação  da  atividade  do  Judiciário,  que,  em  reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidar­lhes os atos diante de casos  de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”.    É imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda  renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas  no  Ordenamento  Jurídico  constitui­se  prerrogativa  outorgada  pela  Constituição  Federal  exclusivamente  ao  Poder  Judiciário,  não  podendo  os  agentes  da  Administração  Pública  imiscuírem­se ex proprio motu nas  funções  reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder  Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste.  Chamamos a atenção do Leitor para o fato de que as disposições introduzidas  pela  legislação  tributária  em  apreço  não  teve,  ainda,  a  sua  constitucionalidade  abatida  pelos  órgãos judiciários competentes, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são de  estilo.  Nesse  contexto,  sendo  a  atuação  da  Administração  Tributária  inteiramente  vinculada  à  Lei,  e,  restando  os  preceitos  introduzidos  pelas  leis  que  regem  as  contribuições  sociais  e  seus  acréscimos  legais  ora  em  apreciação  plenamente  vigentes  e  eficazes,  a  inobservância  desses  comandos  legais  implicaria  negativa  de  vigência  por  parte  do  Auditor  Fiscal  Autuante,  fato  que  desaguaria  inexoravelmente  em  responsabilidade  funcional  dos  agentes do Fisco Federal.  De plano, deve­se atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo  Administrativo  Fiscal,  dispõe  expressamente  em  seu  art.  26­A  ser  vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  salvo  nas  hipóteses  em  que  os  citados  diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária  do Supremo Tribunal Federal.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº  11.941/2009)  §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  II – que fundamente crédito  tributário objeto de:  (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/2009­86  Acórdão n.º 2401­004.016  S2­C4T1  Fl. 303          11  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral  da Fazenda Nacional,  na  forma dos  arts.  18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de  julho de 2002;  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009)   b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43  da Lei Complementar  nº 73,  de  10 de  fevereiro  de  1993; ou  (Incluído pela Lei nº 11.941/2009)   c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar  nº  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993.  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009)     Ademais,  perfilando  idêntico  entendimento  como  o  acima  esposado,  a  Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para  se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária.  Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    Revela­se  pertinente  salientar  que  é  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de  observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com  a  Constituição  Federal,  conforme  determinado  pelo  art.  62  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda.  Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015  Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73/93.    Desbastada  nesses  talhes  a  escultura  jurídica,  impedido  se  encontra  este  Colegiado  de  apreciar  tais  alegações  e  propalar  as  declarações  de  inconstitucionalidade  pleiteadas pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário.  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     12    3.   CONCLUSÃO:  Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito,  NEGAR­LHE PROVIMENTO.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva. Relator.                              Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS

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6126906 #
Numero do processo: 10830.918671/2009-56
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF PELOS CONSELHEIROS DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral, prevista no art. 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3803-006.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e Demes Brito.
Nome do relator: João Alfredo Eduão Ferreira

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.918671/2009­56  Acórdão n.º 3803­006.127  S3­TE03  Fl. 113          2 (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente da 3ª Câmara  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator ad hoc  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  Belchior  Melo  de  Sousa,  Hélcio  Lafetá  Reis,  João  Alfredo  Eduão  Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e Demes Brito.  Relatório  Em 21 de agosto de 2015, a repartição de origem devolveu a este Colegiado  os presentes autos em razão da detecção de equívoco na identificação do período de apuração  da contribuição sob comento, sendo informado que, enquanto na ementa se registrou o período  de apuração de 01/12/2002 a 31/12/2002, no voto se reportou à composição da base de cálculo  de dezembro de 2003, sendo que, de acordo com os débitos declarados, não havia, no período,  o valor referenciado no montante de R$ 784.190,99.  Em razão desse fato e por se tratar de acórdão da relatoria de Conselheiro que  não mais compõe o Colegiado, fui designado como relator ad hoc neste processo, em razão do  quê reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem  como a ementa, com as devidas correções das inexatidões materiais detectadas pela repartição  de origem, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento:  Retornaram os autos da unidade de origem para onde foram baixados com a  finalidade  de  certificação  dos  valores  das  demais  receitas  da  recorrente  que  extrapolaram  o  faturamento,  conforme  documentos  da  escrita  contábil  juntado  aos  autos  pela  recorrente,  e  colacionadas aos mesmos as informações prestadas pela fiscalização.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis ­ Relator ad hoc  Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad  hoc neste processo,  adoto o voto  redigido pelo  relator original, bem como a ementa, com as  devidas  correções  das  inexatidões  materiais  detectadas  pela  repartição  de  origem,  em  conformidade com os termos constantes da ata de julgamento:  Foi  juntada  aos  autos  a  informação  fiscal  e  dela  foi  dado  ciência  ao  Recorrente.  Da  informação  fiscal  consta  planilha,  formatada  com  base  no  Razão  Analítico, informando que, na composição da base de cálculo da Cofins de dezembro/2002, o  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.918671/2009­56  Acórdão n.º 3803­006.127  S3­TE03  Fl. 114          3 recorrente adicionara, em observância aos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998,  receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento.  Constatou  a  fiscalização  que,  em  consulta  realizada  na DCTF,  o  recorrente  apurara, para o período de dezembro/2002, Cofins no valor de R$ 627.094,64, o quê, após as  deduções legais levadas a efeito, resultou em valor recolhido a maior de R$ 24.734,13.  Compulsando os autos, verifica­se que consta do demonstrativo de crédito do  PER/DCOMP (fl. 57­verso) a informação de que o valor total do crédito original utilizado fora  de R$ 24.734,13, exatamente o valor apurado pela fiscalização por ocasião da diligência.  Logo o direito creditório existe, é líquido e exigível.  É  cediço  que  o  tema  sob  exame  teve  a  repercussão  geral  reconhecida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  que,  por  sentença  proferida  pelo  Plenário  em  10/09/2008,  no  julgamento  do Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  585.235,  declarou  a  inconstitucionalidade  do  texto contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, decisão essa que transitou em julgado  em 12/12/2008.  Nesse contexto, deve­se proceder de acordo com o que dispõe o art. 62­A do  RICARF/2009:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Ante  o  exposto,  dá­se  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  reconhecer  o  direito creditório pleiteado.  É o voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator ad hoc                            Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 15956.000380/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 NULIDADE. INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA A PARTIR DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário” (Súmula Vinculante CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Para aplicação da multa qualificada, deverá o Fisco, minuciosamente, justificar e comprovar o intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros João Bellini Júnior (relator), Julio Cesar Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis, que mantinham a multa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Declarou-se impedido o Conselheiro Amílcar Barca Texeira Júnior.. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. ALICE GRECCHI - Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 NULIDADE. INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA A PARTIR DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário” (Súmula Vinculante CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Para aplicação da multa qualificada, deverá o Fisco, minuciosamente, justificar e comprovar o intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Recurso Voluntário Provido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros João Bellini Júnior (relator), Julio Cesar Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis, que mantinham a multa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Declarou-se impedido o Conselheiro Amílcar Barca Texeira Júnior.. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. ALICE GRECCHI - Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     2 de  uma  das  hipóteses  dos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  n°  4.502/64.  (Súmula  CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)  Para  aplicação  da  multa  qualificada,  deverá  o  Fisco,  minuciosamente,  justificar e comprovar o intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte.  MULTA  QUALIFICADA.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  DA  ATIVIDADE RURAL.  A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não  autoriza a qualificação da multa de ofício,  sendo necessária a comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito  passivo.  (Súmula  CARF  nº  14  Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010)  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  colegiado, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso  voluntário para desqualificar a multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros  João Bellini  Júnior  (relator),  Julio Cesar Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis, que mantinham a  multa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Declarou­se impedido  o Conselheiro Amílcar Barca Texeira Júnior..    JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator.    ALICE GRECCHI ­ Redatora Designada.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Júnior  (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi,  Ivacir Júlio de  Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca  Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).    Relatório  Trata­se de recurso voluntário em face do Acórdão 17­31.692, exarado pela  2ª Turma da DRJ em São Paulo II (fls. 416 a 428 – numeração dos autos eletrônicos).   O  auto  de  infração  (fls.  04  a  20)  é  referente  ao  imposto  sobre  a  renda  de  pessoa  física  (IRPF),  anos­calendário  2003  e  2004,  sendo  exigido  crédito  tributário  de  R$1.701.822,11 (imposto, juros de mora e multa proporcional de 150%).  A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face de: (a) omissão de  receitas da atividade  rural e  (b) omissão de  rendimentos  identificada por depósitos bancários  cujas origens não foram comprovadas com documentação hábil e idônea.  Fl. 487DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 487          3 O  contribuinte  tomou  ciência  do  auto  de  infração  em  10/12/2008  (fl.  361).  Em sua impugnação, alegou, em síntese, que:  (a)  há  cerceamento  de  sua  defesa,  com  a  conseqüente  violação  ao  devido  processo legal administrativo, uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento em  depósitos  bancários  e  não  houve  a  apresentação  de  planilha  com  as  contas  correntes  e  os  depósitos bancários – um a um – que foram utilizados como omissão de rendimentos;  (b)  ocorreu  a  decadência  referente  ao  período  de  1º  de  janeiro  a  30  de  novembro de 2003, já que o fato gerador do imposto de renda de pessoa física ocorre no mês  em que houver o crédito pela instituição financeira, e, para a contagem do prazo decadencial do  lançamento utiliza­se o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional;  (c)  como  é  produtor  rural,  a  sua  fonte  de  rendimento  decorre  da  atividade  rural,  sendo  esta  sua  atividade  econômica;  assim,  o  crédito  tributário  a  ser  exigido  deve  ser  feito pela atividade rural e não pela pessoa física, à alíquota de 27,5%;  (d) os extratos bancários foram obtidos de maneira ilícita, uma vez que não  há autorização do Poder Judiciário;  (e)  a  autoridade  administrativa  lavrou  o  auto  de  infração  tendo  por  único  fundamento a presunção, sem demonstrar os elementos que compõem o fato jurídico tributário;  (f)  não  cabe  aplicar  juros  moratórios  com  base  na  taxa  Selic,  pois  estes  índices prestam­se apenas para fins remuneratórios;  (g)  a  multa  de  ofício  aplicada  ofende  os  princípios  da  razoabilidade  ou  proporcionalidade  e da  proibição do  confisco  (art.  150,  IV)  e não houve qualquer prática de  conduta por meio de fraude.  A  DRJ  julgou  a  impugnação  improcedente  em  acórdão  que  recebeu  as  seguintes ementas:  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS.  As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não  são  competentes  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  DECADÊNCIA.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  cinco  anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado.  CERCEAMENTO  DE  DIREITO  DE  DEFESA  ­  AUTO  DE  INFRAÇÃO­RELAÇÃO DOS DEPÓSITOS.  O recebimento pelo contribuinte do Auto de Infração e todos os  seus  anexos,  dentre  os  quais  o  Termo  de  Verificação  e  Ação  Fiscal,  com  o  relato minucioso  de  todos  os  créditos  bancários  considerados  no  lançamento,  oferece  ao  contribuinte  todas  as  condições para exercer plenamente seu direito de defesa.  Fl. 488DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     4 PRELIMINAR ­ SIGILO BANCÁRIO.  Autorizada  a  quebra  de  sigilo  bancário  pelo  Poder  Judiciário,  não há que se falar em obtenção ilícita dos extratos.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  FÍSICA ­AJUSTE ANUAL.  O imposto de renda decorrente da omissão de rendimentos com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  submete­se à apuração segundo ajuste anual e não mensal.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS ­ OMISSÃO DE RENDIMENTOS.  Após 1º de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430  de  1996,  consideram­se  rendimentos  omitidos,  autorizando  o  lançamento  do  imposto  correspondente,  os  depósitos  junto  a  instituições  financeiras,  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e  idônea, a origem dos recursos utilizados.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS ­ ATIVIDADE RURAL.  Somente a  comprovação da  origem dos  recursos  utilizados  dos  depósitos  bancários  é  capaz  de  ilidir  a  presunção  legal  de  omissão de rendimentos. O fato de o contribuinte possuir como  fonte  de  renda  a  atividade  rural,  mesmo  que  esta  seja  sua  principal  fonte  declarada,  não  permite  concluir  que  todos  os  seus rendimentos sejam oriundos desta atividade.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA ­ APLICAÇÃO.  Correta  a  aplicação  da  multa  de  ofício  qualificada  de  150%  quando restar evidenciado nos autos o intuito de fraude.  TAXA SELIC ­ INCIDÊNCIA.  Os  débitos,  decorrentes  de  tributos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  pela  legislação  específica,  são  acrescidos  de  juros  equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente,  até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por  cento no mês do pagamento.  A  ciência  dessa  decisão  ocorreu  em  29/05/2009  (aviso  de  recebimento,  fl.  431).  Em 25/06/2009, foi apresentado recurso voluntário (fls. 435 a 479), no qual  foram reiterados, em síntese, os termos da impugnação.  Pediu que o  lançamento  seja  julgado  improcedente;  alternativamente,  pediu  que  seja  reconhecida  a  inaplicabilidade  da  Taxa  SELIC,  e  que  seja  reconhecido  o  caráter  confiscatório da multa aplicada no percentual de 150%, devendo a mesma ser redimensionada  para 20%.  O processo foi distribuído para este relator em 12/02/2015 (fl. 485).  É o relatório.   Fl. 489DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 488          5 Voto Vencido  Conselheiro Relator João Bellini Júnior  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  aborda  matéria  de  competência  desta  Turma. Portanto, dele tomo conhecimento.  QUESTÕES PRELIMINARES   DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO  De acordo com o contribuinte, haveria nulidade da decisão recorrida, face ao  cerceamento do direito de defesa, uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento  em  depósitos  bancários,  e  não  lhe  foi  apresentada  “planilha  com  as  conta  correntes  e  os  depósitos bancários – um a um – que foram utilizados como omissão de receitas e aplicada a  presunção”.  Não lhe assiste razão.  O contribuinte  foi  intimado em 09/09/2008  (fl.  84) do Termo de  Intimação  Fiscal  030  (fls.  82  a  83)  a  apresentar  “documentação  hábil  e  comprobatória  da  origem  dos  depósitos bancários listados” individualmente às fls. 85 a 109. Desses, os depósitos listados às  fls. 15 e 16 foram considerados comprovados, e não foram objeto da autuação.   Assim,  não  há  falar  em  cerceamento  do  direito  de  defesa  por  falta  de  intimação individual dos depósitos bancários objeto da autuação.  DA OBTENÇÃO DE PROVA ILÍCITA POR OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA  IRROTROATIVIDADE E DO SIGILO  Não lhe assiste razão ao afirmar que os extratos bancários foram obtidos de  maneira ilícita, uma vez que não há autorização do Poder Judiciário.   O  Oficio  n°  5507/2005  (fl.  199)  da  Juíza  de  Direito  da  Comarca  de  Viradouro,  prova  que  houve  autorização  para  obter  os  extratos  bancários  das  instituições  financeiras. Não há falar, portanto em provas ilícitas.  Porém, mesmo que assim não fosse, não há qualquer ilegalidade, nulidade ou  irregularidade  na  requisição  e  obtenção  de  documentos  bancários  pela  Receita  Federal  do  Brasil  junto  às  instituições  financeiras,  pois,  para  tanto  há  suporte  jurídico  na  Lei  Complementar 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto 3.724, de 2001, e na Lei 10.174, de  2001.  No que  tange  à  alegação de que  tais normas não podem ser utilizadas para  requisição  e  obtenção  de  documentos  bancários  pela  Receita  Federal  do  Brasil  junto  às  instituições  financeiras,  entendo  que  o  que  o  contribuinte  defende  é  a  inconstitucionalidade  dessas normas. Porém, cumpre esclarecer que tanto o Decreto 70.235, de 1972, em seu artigo  26­A,  quanto  a  jurisprudência  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  plasmada  em  sua  Súmula  02,  são  claros  ao  impedirem  o  controle  repressivo  de  constitucionalidade por parte deste do CARF (com a ressalva das exceções a seguir descritas):  Fl. 490DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     6 Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Decreto 70.235, de 1972  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009)  (...)  § 6 O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009)  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009)  II  ­  que  fundamente  crédito  tributário objeto de:  (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei  nº 11.941, de 2009)  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei  Complementar  no  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993;  ou  (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009).  QUESTÕES DE MÉRITO  DA DECADÊNCIA  O  contribuinte  alega  ter  ocorrido  a  decadência  dos  períodos  de  janeiro  a  novembro de 2003, uma vez que a ciência do auto de infração deu­se em dezembro de 2008,  em face da decadência mensal do IRPF e do disposto no art. 150, § 4º, do CTN.  Não lhe assiste razão.  A matéria  é  objeto  da  Súmula Vinculante CARF  nº  38,  que  dispõe  que  “o  fato  gerador do  Imposto  sobre  a Renda da Pessoa Física,  relativo  à  omissão  de  rendimentos  apurada  a  partir  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  ocorre  no  dia  31  de  dezembro do ano­calendário”.  Tendo  tomado  ciência  do  auto  de  infração  em  10/12/2008,  não  ocorreu  a  decadência do poder­dever de constituir o crédito tributário referente à omissão de rendimentos  apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorrida no ano­calendário  de 2003, cujo fato gerado ocorreu em 31/12/2008.  Fl. 491DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 489          7 DA ATIVIDADE RURAL  Alega o contribuinte que, como é produtor  rural, a sua fonte de rendimento  decorre da atividade rural, sendo esta sua atividade econômica; assim, o crédito tributário a ser  exigido deve ser feito pela atividade rural, cuja base de cálculo é de 20% da receita auferida e  não pela pessoa física, à alíquota de 27,5%.  Ora,  os  parâmetros  que  o  contribuinte  diz  que  devem  ser  utilizados  são  exatamente os que nortearam o auto de infração, pela qual as receitas que foram identificadas  como provenientes da  atividade  rural  foram  tratadas  como “omissão de  receitas da atividade  rural”, sendo considerado, como valor tributável, vinte por cento de tais receitas (fls. 17 a 19).  Quanto à infração “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem  não comprovada”, o ônus da prova da origem da receita é do contribuinte, como será abordado  em seguida.  DA OMISSÃO DE RECEITAS EM FACE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA  É  alegado que não pode  subsistir  o  lançamento  da omissão de  rendimentos  caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, por se calcar em presunção  e ferir a presunção de boa­fé.   Não assiste razão ao contribuinte.  A  tributação  em  exame  tem  como  base  legal  o  artigo  42  da  Lei  9.430,  de  1996, a seguir transcrito:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.   §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.   § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.   § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:   I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;   II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00  (doze  mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ Fl. 492DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     8 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil  reais). (Redação dada pela Lei nº 9.481, de 1997)   § 4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.    §  5º  Quando  provado  que  os  valores  creditados  na  conta  de  depósito ou de investimento pertencem a  terceiro, evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  ou  receitas  será  efetuada  em  relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído  pela Lei nº 10.637, de 2002)   §  6º  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos  ou  receitas  pela  quantidade  de  titulares.(Incluído  pela Lei nº 10.637, de 2002)  Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou  de  investimento  presumem  omissão  de  rendimentos,  desde  que  a  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimada,  não  comprove, mediante documentação hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso.   Anteriormente  à  vigência  do  art.  42  da  Lei  9.430,  de  1996,  os  depósitos  bancários  se  enquadravam  como  modalidade  de  arbitramento,  que  exigia  da  fiscalização  a  demonstração  de  gastos  incompatíveis  com  a  renda  declarada  (aquisição  de  patrimônio  a  descoberto  e  sinais  exteriores  de  riqueza),  conforme  interpretação  consagrada  pelo  Poder  Judiciário (Súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e pelo art. 9º, VII, do  Decreto­Lei  2.471,  de  1988,  que  determinava  o  cancelamento  dos  lançamentos  do  imposto  sobre a renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes  de depósitos bancários.  A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, os depósitos bancários  deixaram  de  ser  modalidade  de  arbitramento  para  se  constituir  na  própria  omissão  de  rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em  favor da Fazenda Nacional. A fim de consolidar tal entendimento, foi editada a Súmula CARF  26:   Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei  nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.  Assim, como visto, não há a necessidade de ser demonstrada o consumo da  renda  por meio  de  sinais  exteriores  de  riqueza;  e  há,  para  o  sujeito  passivo,  a  obrigação  da  comprovação  individualizada  dos  depósitos  com  coincidência  de  datas  e  valores.  Nesse  sentido, a jurisprudência deste CARF:  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  Considera­se  omissão  de  rendimentos  os  Fl. 493DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 490          9 depósitos  bancários  que  não  foram  justificados  com  documentação  hábil  e  idônea,  e  sem  coincidência  de  datas  e  valores.  (Acórdão  2101­002.652,  Relator(a)  Maria  Cleci  Coti  Martins)  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  ORIGEM.  COMPROVAÇÃO.  Considera­se  comprovada  a  origem  dos  depósitos  quando  especificado,  de  forma  individualizada,  a  que  título  os  valores  foram creditados e seja estabelecida uma vinculação entre cada  crédito  e  a  fonte  dos  recursos,  com  coincidência  de  datas  e  valores,  tudo  demonstrado  mediante  documentação  hábil  e  idônea.  (Acórdão 2201­002.203, Relator(a) Marcio de Lacerda  Martins)  IRPF.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  COMPROVAÇÃO  INDIVIDUALIZADA  DA  ORIGEM DOS  RECURSOS DEPOSITADOS.  CONTRATAÇÃO  VERBAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Para elidir  a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  a  demonstração  da  origem  dos  depósitos  deve  ser  feita  de  forma  inequívoca,  correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens  a cada um dos depósitos. A alegação recursal de que a atividade  geradora do rendimento não se baseia em contratos escritos não  é  o  suficiente  para  comprovar  a  origem  dos  depósitos  como  sendo  dessa  atividade.  A  exigência  de  prova  da  origem  dos  recursos  decorre  de  lei  e  o  ônus  probatório  atribuído  ao  recorrente  também. Como  o  recorrente  não  se  desincumbiu  do  ônus que lhe é  imposto, não há razão para excluir os depósitos  do lançamento. (Acórdão: 2802­003.008, Relator: Jorge Claudio  Duarte Cardoso)  DOS JUROS MORATÓRIOS   O contribuinte afirma não caber a aplicação de juros moratórios com base na  taxa Selic, pois estes índices prestam­se apenas para fins remuneratórios.  Não lhe assiste razão. A possibilidade da utilização, a partir de 1º de abril de  1995,  da  taxa  Selic  para  cálculo  dos  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados pela Secretaria da Receita Federal é tema da Súmula 04 deste CARF:  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.   DA MULTA DE OFÍCIO  O contribuinte alega que a multa de ofício aplicada ofende os princípios da  razoabilidade  ou  proporcionalidade  e  da  proibição  do  confisco  (art.  150,  IV)  e  não  houve  qualquer prática de conduta por meio de  fraude. Defende a  aplicação do percentual de 20%,  conforme disposto no art. 61, § 2º, da Lei 9.430, de 1996 (multa de mora).  Fl. 494DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     10 Quanto à multa ferir princípios constitucionais, a questão implica no controle  repressivo de constitucionalidade da norma atacada; porém, como já referido, “o CARF não é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF  nº 2).  Cabe observar que a multa prevista no art. 61, § 2º, da Lei 9.430, de 1996, é  aplicável aos casos de pagamento espontâneo e  fora do prazo de “débitos para com a União,  decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Não  é  aplicável  aos  casos  de  lançamento  de  ofício,  nos  quais  resta  caracterizada  a  falta  de  pagamento, o que implica no lançamento de multa prevista no art. 44 do mesmo diploma legal.  No  caso  em  questão,  foi  aplicada multa  qualificada  de  150%,  em  face  das  seguintes razões:  4.1­ Diante dos valores movimentados em contas correntes e dos  valores declarados pelo contribuinte, não é razoável supor que o  fiscalizado  tenha,  inadvertidamente,  se  equivocado  em  suas  Declarações de Ajuste Anual­ IRPF, exercício de 2004 e 2005.  4.2­  É  grande  a  discrepância  entre  os  rendimentos  tributáveis  declarados e o que restou evidenciado como omitido.  4.3­  Portanto,  são  fortes  as  evidências  que  atestam  ter  o  contribuinte  a  intenção  de,  conscientemente,  cometer  a  sonegação e a fraude, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei n°  4.502/64, caracterizando o dolo: relevância de valores omitidos  e  reincidência  de  conduta,  restando  comprovado  a  absoluta  impossibilidade de mero  equívoco,  do  simples  erro material  de  pequena monta.  Dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão  o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a  essa. (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado. Rio de Janeiro; Borsoi, t.2, § 177):  § 177. Conceito de dolo  Dolo  é  a  direção  da  vontade  para  contrariar  a  direito.  No  suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade  a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa. Não só o  agente  atua  e  contraria  a  direito:  quer  que  o  ato  contrarie  a  direito; ou quer contrariar a direito, e atua para isso. Sabe que o  ato  (ou  omissão)  contraria  a  sua  promessa,  viola  o  direito,  a  pretensão,  a  ação  ou  exceção  do  seu  credor,  e  pratica  o  para  contrariar a direito. A lei veda­lhe algum ato, ou omissão, e quer  violá­la, praticando­o, ou omitindo. Não é preciso que o agente  queira as consequências do ato, ainda que sejam próprias desse.  Nem que as preveja. Basta querer o ato contrário a direito.  Na apreciação da prova, o julgador forma livremente sua convicção (art. 29  do  Decreto  70.235,  de  1972).  Assim  se  dá  com  a  prova  do  dolo.  Dada  uma  determinada  infração  tributária,  não  há  outra  possibilidade  de  que  tenha  ocorrido:  (a)  mero  erro,  evidenciando culpa, ou (b) vontade em praticar o ato, demonstrando o dolo.  No caso da omissão de receitas da atividade rural, o montante da omissão foi  obtido  por meio  de  circularização,  procedimento  em  que  houve  intimação  dos  contribuintes  Cargill  Agricola  S/A  (fls.  152  e  153)  e  Fischer  S/A  Agroindústria  (fls.  176  e  177)  para  a  Fl. 495DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 491          11 apresentação do extrato da conta­corrente do contribuinte, contendo o número dos contratos; a  safra; o nome da propriedade rural; o município; a quantidade de caixas de laranjas adquiridas,  números  das  notas  entrada,  avulsa  ou  do  produtor  rural;  datas  e  valores  dos  pagamentos  efetuados  ao  produtor  rural  (contribuinte)  e  a  forma  de  pagamento.  De  posse  de  tais  informações, intimou­se o contribuinte a comprovar as receitas brutas mensais, informadas nos  anexos da atividade rural, entregues com as declarações de ajuste anual. O contribuinte restou  silente. Foram lançadas as diferenças apuradas.  Entendo  que  a  conduta  reiterada  de  ocultar  as  receitas  da  atividade  rural  é  incompatível  com  a  ocorrência  de  erro/culpa;  ao  que  me  convenci,  a  conduta  reiterada  demonstra a intenção do contribuinte em esconder do Fisco o verdadeiro valor de suas receitas,  do que decorre a correta aplicação da multa qualificada.   No que tange à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários  com origem não comprovada, não penso haver diferenças substanciais para a comprovação do  dolo, que, em qualquer caso, é comprovado pela conduta do contribuinte.   Para  mim,  a  reiteração  da  conduta  somada  à  expressividade  dos  valores  omitidos,  prova  a  existência  da  vontade  de  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do  fato gerador da obrigação  tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (art. 71, I, da Lei 4.502, de 1964),  ocorrendo, desse modo, a subsunção ao art. 44, II, da Lei 9.430, de 1996 (redação original):  Art. 44. Nos casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004)  (...)   II ­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.  Tal entendimento não é  incompatível com as Súmulas 14 e 25 (vinculante),  porque, no caso, não se trata de “simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos”  (Súmula  14),  nem  de  “presunção  legal  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só”  (Súmula 25), uma vez que a conduta reiterada é a própria prova do dolo de sonegar.   Súmula  CARF  nº  25  (VINCULANTE):  A  presunção  legal  de  omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei  n° 4.502/64.  Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito de fraude do sujeito passivo.  No mesmo sentido, há ampla jurisprudência neste CARF:  MULTA  QUALIFICADA.  OMISSÃO  REITERADA  E  SIGNIFICATIVA  DE  RECEITAS.  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE.  SONEGAÇÃO.  CARACTERIZAÇÃO.  A  omissão  Fl. 496DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     12 reiterada de  receitas ao Fisco  federal  em valores  significativos  declarados  ao Fisco  estadual  demonstra  a  intenção de  impedir  ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência  do  fato gerador da obrigação  tributária principal por parte da  autoridade  fazendária.  Omissão  de  receitas  que  permite  o  indevido  enquadramento  no  regime  tributário  do  SIMPLES  e  aproveitamento  de  seus  benefícios  caracteriza  conduta  dolosa.  Tais  condutas  se  amoldam  à  figura  delituosa  da  sonegação  prevista  no  art.  71,  inciso  I,  da  Lei  nº4.502/64,  e  enseja  a  aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme  o  disposto  no  art.  44,  inciso  II,  da Lei  nº9.430/1996.  (Acórdão  9101­002.106, Relator(a) Rafael Vidal de Araujo.)  (MULTA) DE OFICIO QUALIFICADA. Qualifica­se a infração  quando  comprovada  a  reiterada  conduta  de  obstar  às  autoridades  administrativas  o  conhecimento  da  ocorrência  do  fato  gerador  pela  reiterada  recusa  de  apresentação dos  livros,  documentos  e  arquivos  magnéticos  inclusive  por  meio  de  sucessivas  mudanças  de  domicílio  fiscaL  (Acórdão  9303­ 002.356, Relator(a) Julio Cesar Alves Ramos.)  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  Nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude,  definido  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  n°  4.502/1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de  oficio de 150%. A conduta reiterada de apresentar declarações  zeradas  ou  com valores  significativamente  inferiores  aos  reais,  bem  como  o  pagamento  de  vultosos  recursos  à  margem  da  escrituração,  caracterizam  o  inequívoco  intuito  doloso  de  impedir ou  retardar o conhecimento,  por parte da Fazenda, da  ocorrência do fato gerador.  (Acórdão 1102­001.101, Relator(a)  Joao Otavio Oppermann Thome.)  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  150%.  (CENTO  E  CINQUENTA  POR  CENTO)  VENDAS  NÃO  DECLARADAS.  DIPJs  COM  VALORES  ZERADOS.  CONDUTA  REITERADA.  CABIMENTO.  A  conduta  reiterada  de  não  declarar  as  vendas  efetuadas,  apresentando  DIPJs  zeradas,  durante  anos  consecutivos,  omitindo  informações  do  Fisco  para  suprimir  tributo, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a  aplicação  de  multa  de  ofício  qualificada  de  150%  (cento  e  cinquenta por cento), de que  trata o art. 44,  inciso I e § 1º, da  Lei  nº  9.430/1996,  com  redação  dada  pelo  art.  14  da  Lei  nº  11.488/2007.  (Acórdão  1202­001.121,  Relator(a)  Geraldo  Valentim Neto.)  OMISSÃO  DE  RECEITAS  APURADA  COM  BASE  EM  MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA ­ FALTA DE COMPROVAÇÃO  DA ORIGEM DOS RECURSOS. A ausência de comprovação da  origem dos depósitos bancários autoriza a presunção de omissão  de receitas, não sendo o CARF o foro próprio para discutir se a  norma  se  amolda  aos  contornos  constitucionais.  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  É  aplicável  a  multa  de  ofício  qualificada, naqueles casos em que resta constatado o evidente  intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo  descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando  o  intuito  doloso  (Acórdão  1301­001.621,  Relator(a)  Valmir  Sandri.)  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 492          13 OMISSÃO  DE  RECEITAS.  PROVA  DIRETA.  MULTA  QUALIFICADA.  Deve  ser  mantida  a  autuação  com  multa  qualificada, quando se está diante de prova direta de omissão de  receitas,  cujo  o  dolo  aflora  e  se  afirma  de  conduta  repetida  durante vários trimestres, consistente em declarar, para o Fisco  Federal,  apenas  parte  das  receitas  oferecidas  à  tributação  estadual.  (Acórdão  1302­001.412,  Relator  Alberto  Pinto  Souza  Junior.)  MULTA  DE  OFÍCIO.  QUALIFICAÇÃO.  Sendo  de  grande  magnitude a divergência entre receita declarada e efetivamente  auferida,  e  havendo  reiteração  desta  conduta  ao  longo  dos  períodos de apuração dentro do ano­calendário, há de se afastar  o  erro  e  concluir­se  pelo  dolo,  justificando­se,  assim,  a  exasperação da multa de ofício. (Acórdão 1302­001.597, Relator  Eduardo de Andrade.)  MULTA QUALIFICADA. Aplica­se a multa qualificada de 150%  quando restou caracterizada a conduta reiterada de omissão na  declaração  e  pagamento  dos  tributos  devidos.  (Acórdão  1401­ 001.410, Relator(a) Sergio Luiz Bezerra Presta.)  Foram  omitidos,  na  declaração  apresentada  ao  Fisco,  99%  (noventa e nove por cento) dos rendimentos auferidos. É evidente  que,  dado  o  volume  das  receitas  ocultadas  ao  Fisco  na  declaração  apresentada,  não  se  pode  dizer  que  a  empresa  operou  com  erro.  E  não  há  alternativa  para  a  conduta  praticada:  ou  se  caracteriza  o  erro;  ou  se  caracteriza  o  dolo.  (Acórdão 1801­001.943, Relator(a) Maria de Lourdes Ramirez.)  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  FRAUDE/SONEGAÇÃO  FISCAL.  DOLO.  MULTA  QUALIFICADA.  ANO­CALENDÁRIO  2006.  CARÁTER  CONFISCATÓRIO.  O  comportamento  do  contribuinte  consistente  em  declarar  parcela  ínfima  de  suas  receitas  ao  fisco  federal,  para  fins  de  apuração  do  pagamento  unificado  de  tributos  pelo  sistema  SIMPLES  torna  notório  o  intuito  de  retardar  o  conhecimento,  por  parte  da  autoridade  fiscal,  das  circunstâncias  materiais  da  obrigação  tributária,  justificando  a  aplicação  da multa  qualificada.  A  reiteração  da  omissão de receitas em todos os meses do ano­calendário, bem  como  a  significância  dos  valores  omitidos,  permitem  concluir  que  a  infração não decorreu  de mero  erro  de  fato  ou material  cometido  pelo  sujeito  passivo,  e  sim  de  sua  vontade  livre  e  consciente  de  evadir­se  do  pagamento  dos  tributos  devidos,  caracterizando o intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da  multa  por  infração  qualificada,  no  percentual  de  150%.  (...)(Acórdão 1802­002.147, Relator Nelso Kichel.)  MULTA  QUALIFICADA.  CONDUTA  FRAUDULENTA.  A  prática  reiterada,  por  sucessivos  exercícios,  caracteriza  uma  conduta  fraudulenta  da  contribuinte,  autorizando  a  autoridade  fiscal a aplicação da multa qualificada de que trata o §1º, do art.  44, da Lei nº 9.430, de 1996. (Acórdão 3402­002.459, Relator(a)  Gilson Macedo Rosenburg Filho.)  Fl. 498DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     14 MULTA  QUALIFICADA.  CABIMENTO.  Caracteria  a  sonegação,  consistente  na  conduta  dolosa  de  impedir  ou  retardar  o  conhecimento  por  parte  do  Fisco  da  ocorrência  do  fato  gerador,  a  prática  reiterada  e  sem  justificativa,  durante  quatro  anos  seguidos,  de  entrega  das  DIPJ  e  DCTF  sem  informações  relativas  ao  IPI  devido.  (Acórdão  3301­002.400,  Relator(a) Andrada Marcio Canuto Natal.)  MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES FALSAS. CONDUTA  REITERADA DO SUJEITO PASSIVO.. A ocorrência da conduta  reiterada do sujeito passivo, aliada à enorme discrepância entre  os valores escriturados e os declarados, autorizam concluir que  não  se  trata  de  mero  erro  material,  e  sim  da  vontade  livre  e  consciente da contribuinte em fraudar o erário público, devendo  ser aplicada a multa qualificada, estabelecida no art. 44, II, da  Lei  n°  9,430/96.  (Acórdão  3801­001.817,  Relator(a)  Paulo  Antonio Caliendo Velloso Da Silveira.)  Voto,  portanto,  por  não  conhecer  das  questões  envolvendo  o  controle  repressivo  de  constitucionalidade,  por  rejeitar  as  preliminares  e,  no  mérito,  por  NEGAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  João Bellini Júnior  Relator  Voto Vencedor  Conselheira Alice Grecchi, Redatora designada.  Com a devida licença do nobre Relator da matéria, Conselheiro João Bellini  Júnior  ­  Presidente  deste  E.  Turma,  permito­me  divergir  do  entendimento  acerca  da  multa  qualificada no presente lançamento.  Inicialmente,  cumpre  frisar  que,  embora  trate­se  o  presente  lançamento  de  Omissão  de  Rendimentos  da  Atividade  Rural  e  Omissão  de  Rendimentos  caracterizada  por  Depósitos Bancários com Origem não Comprovada, verifica­se que a fiscalização limitou­se a  fundamentar a qualificação da multa em relação à Omissão de Rendimentos caracterizada por  Depósitos Bancários, até porque, o próprio Fisco abriu mão da presunção  legal em relação a  esta infração, denominando­a de Omissão de Rendimentos da Atividade Rural, na qual não há  a inversão do ônus da prova, pois cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a  efetiva  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário  ou  o  procedimento  do  sujeito  passivo  que  se  configure  como  infração  à  legislação  tributária.  Isto  é,  a  omissão  de  rendimentos  através  de  depósitos bancários é uma mera presunção legal.  Em  suma,  a  qualificação  da  multa  deve  ser  minuciosamente  justificada  e  comprovada.  Extrai­se  do  "Termo  de  Verificação  de  Infrações  e  de  Conclusão  de  Procedimento Fiscal" em fls. 12/20, que, para qualificar a multa,  a única infração constatada  pela  fiscalização  fora  "Omissão  de Rendimentos  caracterizada por Depósitos Bancários  com  Origem não Comprovada". Vejamos:  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 493          15 "4­  DA  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  APLICÁVEL  NESTE PROCEDIMENTO FISCAL:  A  multa  de  ofício  qualificada,  aplicada  ao  presente  caso,  está  definida no 957, inciso II do RIR/99 (Art. 44, inciso II, da Lei n°  9.430/96),  e  será  de  150%  sobre  a  totalidade  do  Imposto  de  Renda,  a  ser  apurado  no  Auto  de  Infração,  em  função  do  evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71 e 72 da Lei n°  4.502/64, pelos seguintes motivos:  4.1­ Diante  dos  valores  movimentados  em  contas  correntes  e  dos valores declarados pelo contribuinte, não é razoável supor  que  o  fiscalizado  tenha,  inadvertidamente,  se  equivocado  em  suas Declarações de Ajuste Anual­  IRPF, exercício de 2004 e  2005.  4.2­  É  grande  a  discrepância  entre  os  rendimentos  tributáveis  declarados e o que restou evidenciado como omitido.  4.3­  Portanto.  são  fortes  as  evidências  que  atestam  ter  o  contribuinte  a  intenção  de,  conscientemente.  cometer  a  sonegação e a fraude. nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei n°  4.502/64. caracterizando o dolo: relevância de valores omitidos  e  reincidência  de  conduta,  restando  comprovado  a  absoluta  impossibilidade de mero  equívoco,  do  simples  erro material  de  pequena monta.  [...]"  Da  análise  especificamente  do  Termo  de  Verificação  de  Infração  acima  transcrito, entendo que a fiscalização não logrou êxito em comprovar o dolo do contribuinte em  sonegar e  fraudar o erário Público,  tal qual previsto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de  1964,  limitando­se  apenas  a  argumentar  que  "Diante  dos  valores  movimentados  em  contas  correntes  e  dos  valores  declarados  pelo contribuinte, não  é  razoável  supor que  o  fiscalizado  tenha,  inadvertidamente,  se  equivocado  em  suas  Declarações  de  Ajuste  Anual­  IRPF,  exercício  de  2004  e  2005". (grifei)  As multas aplicáveis às infrações tributárias estão previstas no art. 44, da Lei  n° 9.430/96, que assim determina:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  [...]  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     16 Os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° Lei 4.502/64, por seu turno, assim dispõem:  Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.  Art.  72.  Fraude  é  tecla  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Art.  73. Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  duas  ou mais  pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.  A  fraude  se  caracteriza  por  uma  ação  ou  omissão,  de  uma  simulação  ou  ocultação,  e pressupõe,  sempre,  a  intenção de  causar dano à  fazenda pública,  num propósito  deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o  conceito  de  fraude  seja  amplo,  deve  sempre  estar  caracterizada  a  presença  do  dolo,  um  comportamento  intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizando­se  de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por  parte da autoridade fazendária.  Ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio,  que  a  diferencia  da  declaração  inexata  ou  da  falta  ou  pagamento  a menor  do  tributo  ou  da  omissão de  rendimentos na declaração de  ajuste  anual,  seja  ela pelos mais variados motivos  que se possa alegar. Dessa  forma, o  intuito doloso deve estar plenamente demonstrado  (nota  fiscal  fria,  calçada, declaração do beneficiário do pagamento de que não prestou os  serviços  etc),  sob  pena  de  não  restarem  evidenciados  os  ardis  característicos  da  fraude,  elementos  indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada.  O  intuito  do  contribuinte  de  fraudar  não  pode  ser  presumido:  Compete  ao  fisco exibir os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa de fraudar o  erário público.  Portanto,  a  qualificação  da  multa  de  ofício  é  inaplicável  nos  casos  de  presunção legal simples de omissão de rendimentos ou mesmo quando se tratar de omissão de  rendimentos de fato.  Ademais,  quando  há  convicção  do  contribuinte  de  estar  agindo  segundo  o  permissivo  legal,  sem ocultação da prática  (depósitos bancários) e da  intenção final dos seus  negócios,  não  há  como  ser  reconhecido  o  dolo  necessário  à qualificação  da multa,  elemento  este constante do caput dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.  Ou seja, para a aplicação da multa de ofício qualificada exige­se que haja o  propósito deliberado de modificar a característica essencial do  fato gerador do  imposto, quer  pela  alteração  do  valor  da  matéria  tributável,  quer  pela  exclusão  ou  modificação  das  Fl. 501DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 494          17 características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou  evitar ou diferir seu pagamento.   Vale  destacar  que  tal  matéria  já  foi  pacificada  neste  Conselho,  que  editou  súmulas  aplicáveis  ao  caso,  que  cristaliza  o  entendimento  de  que  a  simples  apuração  de  omissão de  rendimentos, bem como a presunção  legal de omissão de rendimentos, por si  só,  não autorizam a qualificação da multa de ofício:  Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito de fraude do sujeito passivo.  Súmula CARF nº 25: A presunção  legal de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  de  uma  das  hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.  Nesse sentido, cabe transcrever julgados deste Egrégio Conselho:  "Acórdão nº 2102003.198 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Sessão de 3 de dezembro de 2014  Matéria IRPF Omissão  de rendimentos e depósitos bancários  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF ­ Exercício: 2009, 2010  [...]  MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72  e  73  da Lei  n°  4.502/64.  (Súmula CARF nº  25,  publicada  no  DOU, Seção 1, de 22/12/2009)" (grifei)  "Acórdão nº 2101002.732 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Sessão de 11 de março de 2015  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF ­ Ano­calendário: 2005  [...]  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA.  Qualquer  circunstância  que  autorize  a  qualificação  da multa  de  lançamento  de  ofício  no  percentual  de  150%,  deve  ser  minuciosamente  justificada  e  comprovada.  Além  disso,  para  que  a  multa  qualificada  seja  aplicada,  exige­se  que  o  contribuinte  tenha  procedido  com  evidente  intuito  de  fraude,  Fl. 502DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     18 nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de  1964.  A  falta  inclusão  como  rendimentos  tributáveis,  na  Declaração  de  Imposto  de  Renda  ou  a  apresentação  da  Declaração Anual de Isento, de valores depositados em contas  correntes  pertencentes  ao  contribuinte  fiscalizado,  sem  comprovação  da  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações,  caracteriza  falta  simples  de  presunção  de  omissão  de rendimentos." (grifei)  "Acórdão nº 2202002.890 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Sessão de 02 de dezembro de 2014  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF ­ Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009  OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE  ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430,  de 1996.  Caracteriza  omissão  de  rendimentos  a  existência  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados nessas operações.  [...]  MULTA  QUALIFICADA  A  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação do  evidente  intuito de  fraude  do  sujeito  passivo.  (Súmula CARF nº 14)." (grifei)  "Acórdão nº 2202002.586 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Sessão de 18 de março de 2014  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF ­ Exercício: 2003, 2004  [...]   DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  Para os  fatos geradores ocorridos a partir de 1° de  janeiro de  1997,  a  Lei  nº  9.430,  de  1996,  em  seu  art.  42,  autoriza  a  presunção  relativa  de  omissão  de  rendimentos  com  base  nos  valores depositados  em conta bancária para os quais o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  MULTA QUALIFICADA  ­ Somente  é  justificável a  exigência  da  multa  qualificada  prevista  no  artigo  art.  44,  II,  da  Lei  n  9.430,  de  1996,  quando  o  contribuinte  tenha  procedido  com  evidente  intuito de  fraude, nos casos definidos nos artigos 71,  72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude  Fl. 503DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 495          19 deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos.  Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula deste Conselho, não  há  que  se  falar  em  qualificação  da  multa  de  ofício  nas  hipóteses  de  mera  omissão  de  rendimentos,  sem  a  devida  comprovação do intuito de fraude." (grifei)  Assim,  ante  a  ausente  evidência  e  a  comprovação  pelo  Fisco  de  que  o  contribuinte  queria  praticar  o  ilícito,  deve  ser  afastada  a  multa  qualificada,  especialmente  quando a própria omissão de rendimentos decorre de presunção legal.  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  Recurso  para,  desqualificar  a  multa  de  ofício  aplicada  incidente  sobre  a  Omissão  de  Rendimentos  da  Atividade  Rural  e  Omissão  de  Rendimentos  caracterizada  por  Depósitos  Bancários com Origem não Comprovada.  (Assinado digitalmente)  Alice Grecchi, Redatora Designada                Fl. 504DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

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Numero do processo: 13896.720493/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.316.219-7 (patronal e SAT) e AIOP Debcad nº 37.343.436-7 (Outras Entidades/Terceiros). EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO (ADE) n° 21/2011 DECISÃO DEFINITIVA. NÃO CONHECER. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Federal/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão, com decisão definitiva reconhecida no processo no 13896.722526/2011-10, consubstanciado pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 21/2011. SIMPLES. RECOLHIMENTOS. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. SOMENTE OS VALORES RECOLHIDOS PELA RECORRENTE. Eventuais recolhimentos na sistemática do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, realizados exclusivamente pela Recorrente, devem ser deduzidos das contribuições previdenciárias apuradas sobre a folha de pagamento, nos percentuais destinados à previdência social. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO INCRA, SESC e SENAC. INCIDÊNCIA. PREVISÃO EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA, SESC e SENAC. JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.316.216-2 (CFL 68). OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449/2008, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer que: (a) com relação ao AIOP Debcad nº 37.343.436-7, sejam excluídos, em razão da decadência, os valores apurados nas competências 01/2007 e 02/2007; e (b) eventuais pagamentos na sistemática do SIMPLES, realizados exclusivamente pela Recorrente e referentes à parcela patronal, sejam aproveitados no presente lançamento fiscal. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.316.219-7 (patronal e SAT) e AIOP Debcad nº 37.343.436-7 (Outras Entidades/Terceiros). EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO (ADE) n° 21/2011 DECISÃO DEFINITIVA. NÃO CONHECER. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Federal/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão, com decisão definitiva reconhecida no processo no 13896.722526/2011-10, consubstanciado pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 21/2011. SIMPLES. RECOLHIMENTOS. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. SOMENTE OS VALORES RECOLHIDOS PELA RECORRENTE. Eventuais recolhimentos na sistemática do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, realizados exclusivamente pela Recorrente, devem ser deduzidos das contribuições previdenciárias apuradas sobre a folha de pagamento, nos percentuais destinados à previdência social. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO INCRA, SESC e SENAC. INCIDÊNCIA. PREVISÃO EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA, SESC e SENAC. JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.316.216-2 (CFL 68). OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449/2008, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1  1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13896.720493/2012­54  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.848  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de janeiro de 2016  Matéria  PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO. EXCLUSÃO SIMPLES  Recorrente  FIP SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008  I)  DA  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL:  AIOP  Debcad  nº  37.316.219­7  (patronal  e  SAT)  e  AIOP  Debcad  nº  37.343.436­7  (Outras  Entidades/Terceiros).  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES.  COMPETÊNCIA.  DISCUSSÃO  EM  FORO  ADEQUADO.  ATO  DECLARATÓRIO  EXECUTIVO  (ADE)  n°  21/2011  DECISÃO DEFINITIVA. NÃO CONHECER.  O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento  diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de  pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da  União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante  regime  único de arrecadação (SIMPLES­Federal/SIMPLES­Nacional) é o respectivo  processo  instaurado  para  esse  fim.  Descabe  em  sede  de  processo  de  lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a  emissão do ato de exclusão, com decisão definitiva reconhecida no processo  no 13896.722526/2011­10, consubstanciado pelo Ato Declaratório Executivo  (ADE) n° 21/2011.  SIMPLES.  RECOLHIMENTOS.  DEDUÇÃO.  POSSIBILIDADE.  SOMENTE OS VALORES RECOLHIDOS PELA RECORRENTE.  Eventuais  recolhimentos na  sistemática do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES  NACIONAL,  realizados  exclusivamente  pela  Recorrente,  devem  ser  deduzidos  das  contribuições  previdenciárias  apuradas  sobre  a  folha  de  pagamento, nos percentuais destinados à previdência social.  CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.  A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais  deve  seguir  os  mesmos  critérios  estabelecidos  para  as  contribuições  Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 04 93 /2 01 2- 54 Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     2  DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08  do STF.  De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos  do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado  antecipação de pagamento ou não, respectivamente.  No  caso  de  lançamento  das  contribuições  sociais,  em  que  para  os  fatos  geradores efetuou­se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra  geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO INCRA, SESC e SENAC.  INCIDÊNCIA. PREVISÃO EM LEI.  O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e  legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA,  SESC e SENAC.  JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.  O  sujeito  passivo  inadimplente  tem que  arcar  com  o  ônus  de  sua mora,  ou  seja, os juros e a multa legalmente previstos.  Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de  juros  de mora  com  base  na  taxa  SELIC  para  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA:  AIOA Debcad nº 37.316.216­2 (CFL 68).  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  ACESSÓRIA.  DESCUMPRIMENTO.  INFRAÇÃO.  Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a  Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP)  com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições  previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.  DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF.  OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN.  De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência  e  prescrição,  as  disposições  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).  O  prazo  de  decadência  para  constituir  as  obrigações  tributárias  acessórias,  relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado  nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.  LEGISLAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL.  APLICAÇÃO  EM  PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.  A lei aplica­se a ato ou fato pretérito, tratando­se de ato não definitivamente  julgado  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente ao tempo da sua prática.  Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 3          3  Em  decorrência  das  alterações  promovidas  pela  MP  449/2008,  quanto  às  modificações  dos  artigos  32  e  35  da  Lei  8.212/91,  o  Fisco  apresentou  comparativo  das  penalidades  previstas  à  época  dos  fatos  e  à  época  da  autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código  Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em  parte do recurso, para na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para  reconhecer  que:  (a)  com  relação  ao  AIOP  Debcad  nº  37.343.436­7,  sejam  excluídos,  em  razão  da  decadência,  os  valores  apurados  nas  competências  01/2007  e  02/2007;  e  (b)  eventuais  pagamentos  na  sistemática  do  SIMPLES,  realizados  exclusivamente  pela  Recorrente  e  referentes à parcela patronal, sejam aproveitados no presente lançamento fiscal.      Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente e Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo,  Kleber  Ferreira  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Marcelo  Oliveira,  Lourenço  Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.  Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     4    Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  concernente  à  parcela  patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão  do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho  (SAT/GILRAT)  e  as  contribuições  destinadas  a  outras  Entidades/Terceiros.  O  período  de  lançamento dos créditos previdenciários é de 01/2007 a 12/2008.  Também  foi  lavrado  auto  de  infração  da  obrigação  tributária  acessória  prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c  o art. 225,  inciso  IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar  a  Guia  de Recolhimento  do FGTS  e  Informações  à Previdência Social  (GFIP)  com dados  não  correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. AIOA Debcad  nº 37.316.216­2 (CFL 68).  A  ciência  do  lançamento  fiscal  ao  sujeito  passivo  deu­se  em  15/03/2012  (fls.01 e 02).  A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 1489/1822), alegando, em  síntese, que:  1.  as  exigências  consignadas  no Auto  de  Infração  teriam  sido  lavradas  em  razão  da  exclusão  da  impugnante  do  Simples  Nacional,  formalizada pela fiscalização por meio do Ato Declaratório Executivo  DRF/BRE/SEORT n° 21/2011, pois, no entender da fiscalização, teria  sido  supostamente  praticada  pela  empresa  impugnante  a  locação  de  mão­de­obra,  atividade  diversa  daquelas  descritas  em  seus  atos  constitutivos  e  cadastradas  junto  ao  seu  CNPJ  perante  a  Receita  Federal  do Brasil, para a qual  seria vedada sua opção pela  inscrição  no aludido regime tributário simplificado;  2.  a  fiscalização  deixou  de  computar,  para  fins  de  dedução  e  determinação do valor supostamente devido, os valores efetivamente  retidos  a  título  de  contribuições  previdenciárias  por  tomadores  dos  serviços  prestados  pela  impugnante,  bem  como  as  importâncias  efetivamente  pagas  pela  empresa  por  meio  de  guias  DAS  as  quais  englobam, também, segundo a legislação aplicável à matéria, parcela  referente à contribuição previdenciária patronal;  3.  se  está  diante  de  absoluta  falta  de  suporte  jurídico  e  da  completa  ausência  de  prova  material  acerca  da  suposta  prática,  pela  impugnante, de condutas que justifiquem a aplicação dos dispositivos  legais e infralegais correspondentes, e a conseqüente formalização de  tais exigências, bem como em razão da completa inobservância, pela  fiscalização federal emitente do lançamento tributário ora contestado,  de dispositivos constitucionais e legais que asseguram a aplicação dos  princípios  da  busca  pela  verdade  material,  da  legalidade,  da  Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 4          5  motivação,  da  razoabilidade  e  a  da  proporcionalidade  aos  atos  administrativos em geral;  4.  DO  DIREITO.  O  CARÁTER  INDEVIDO  DA  EXCLUSÃO  DA  PETICIONANTE DO SIMPLES NACIONAL  5.  a  impugnante,  embora  prestasse  serviços  nas  áreas  de  nutrição,  de  cozinha  industrial  e  de  fornecimento  de  alimentação  escolar,  conforme  consta  de  suas  notas  fiscais  emitidas  contra  seus  clientes  contratantes e nos contratos de prestação de serviços analisados pela  fiscalização, não desenvolvia tais atividades de sob a forma de cessão  de mão­de­obra, razão pela qual não merece prosperar o fundamento  para a supostamente válida exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES  Nacional;  6.  no  caso  da  impugnante,  seus  funcionários,  ainda  que  alocados  nas  dependências  dos  contratantes  para  execução  das  atividades  aqui  referenciadas, não se encontram subordinados aos representantes dos  referidas  contratantes,  não detendo estes qualquer poder de gerência  ou  de  comando  sobre  os  profissionais  da  contratada,  os  quais  são  simplesmente  destacados  para  desenvolver  suas  atividades  fora  do  estabelecimento  da  contratada,  na  forma  estabelecida  no  contrato  firmado  entre  as  partes;  que,  diante  de  todo  o  exposto,  se  afigura  absolutamente  indevida  a  exclusão  da  empresa  impugnante  do  Simples Nacional;  7.  DA  CONFIGURAÇÃO  DA  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DA  AUTORIDADE  FISCAL  PARA  A  CONSTITUIÇÃO  DE  PARTE  DOS  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS  CONSIGNADOS  NO  PRESENTE AI DEBCAD  8.  aduz  ter  ocorrido  a  extinção  do  direito  de  constituir  o  crédito  tributário,  por  força  da  decadência,  em  relação  às  competências  anteriores  a março  de  2007,  em  face  do  artigo  150,  §  4º  do Código  Tributário Nacional – CTN; cita doutrina e julgados administrativo e  judiciais;  9.  DO  CARÁTER  INDEVIDO  DA  GLOSA  DE  VALORES  PAGOS  PELA  IMPUGNANTE  A  TÍTULO  DE  SALÁRIO­FAMÍLIA  E  SALÁRIO­MATERNIDADE,  BEM  COMO  DA  AUSÊNCIA  DE  DEDUÇÃO,  PELA  FISCALIZAÇÃO,  DOS  VALORES  EFETIVAMENTE PAGOS PELA EMPRESA POSTULANTE SOB  A  RUBRICA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PATRONAL  POR MEIO  DE  DOCUMENTOS DE ARRECADAÇÃO DO SIMPLES NACIONAL  "DAS".  ILEGITIMIDADE  DA  GLOSA  DE  VALORES  PAGOS  PELA  EMPRESA  IMPUGNANTE  A  TÍTULO  DE  SALÁRIO­ FAMÍLIA  E  SALÁRIO­MATERNIDADE  A  SEUS  COLABORADORES  10. o  salário­família  é  pago  aos  segurados  empregados,  exceto  os  domésticos,  e  aos  trabalhadores  avulsos  com  salário  mensal  de  até  Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     6  R$915,05 (novecentos e quinze reais e cinco centavos), para auxiliar  no  sustento  dos  filhos  de  0  a  14  anos  de  idade  ou  inválidos  de  qualquer  idade;  que  se  trata  de  um  benefício  concedido  pela  Previdência Social cujo valor, nos termos da Portaria Interministerial  n° 02/2012, varia de  acordo com a  faixa  salarial  do beneficiário,  de  R$  22,00  a  R$  31,22,  por  filho  de  até  14  anos  incompletos  ou  inválido;  11. além  do  benefício  acima  descrito,  a  Previdência  Social  também  concede às seguradas gestantes, durante até 120 (cento e vinte) dias,  com  início  entre  28  (vinte  e  oito)  dias  antes  do  parto  e  a  data  de  ocorrência  deste,  observadas  as  situações  e  condições  previstas  na  legislação pertinente, o salário­maternidade;  12. para fins de pagamento de ambos os benefícios aos seus destinatários,  a  legislação  pátria  estabelece  que  o  seu  crédito  para  o(a)  trabalhador(a)  beneficiário(a)  seja  feito  diretamente  pela  empresa  empregadora/contratante, a qual é concedido o direito de, por sua vez,  deduzir  as  importâncias  pagas  sob  estas  rubricas  na  GPS  a  ser  recolhida,  por  ocasião  da  quitação  mensal  dos  valores  devidos  à  Previdência Social; que a impugnante promoveu o crédito dos valores  competentes aos beneficiários que lhe prestavam serviços entre 2007  e 2008;  13. a  fiscalização  procedeu  à  glosa  dos  valores  deduzidos  em  seus  recolhimentos, não obstante tenha a impugnante apresentado todos os  comprovantes  dos  referenciados  pagamentos  realizados  a  seus  colaboradores  a  este  título,  bem  como  todos  os  documentos  comprobatórios  da  observância  quanto  à  satisfação  dos  requisitos  necessários  para  a  configuração  da  essencial  dedução;  que,  como  pode ser observado nas cópias acostadas aos autos, resta comprovado  o  integral  atendimento,  pela  empresa  impugnante,  de  todos  os  requisitos  autorizadores  da  necessária  e  imperiosa  dedução  dos  valores  pagos  a  seus  colaboradores  a  título  de  salário­família  e  salário­maternidade  quando  da  determinação  das  exigências  previdenciárias supostamente devidas pela impugnante;  14. INEXISTÊNCIA  DE  NECESSÁRIA  DEDUÇÃO,  PELA  FISCALIZAÇÃO,  DOS  VALORES  EFETIVAMENTE  PAGOS  PELA  EMPRESA  POSTULANTE  SOB  A  RUBRICA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PATRONAL  POR  MEIO  DE  DOCUMENTOS  DE ARRECADAÇÃO DO SIMPLES NACIONAL "DAS"  15. houve a  injustificada desconsideração, por parte da  fiscalização, dos  valores efetivamente pagos pela empresa postulante sob a rubrica de  contribuição  patronal  por  meio  de  documentos  de  arrecadação  do  Simples  Nacional  (DAS)  recolhidos  pela  empresa  por  conta  de  sua  condição de pessoa jurídica inscrita no aludido regime tributário; que,  durante os anos de 2007 e 2008 o contribuinte apurava e recolhia seus  tributos federais no Simples Nacional, nos moldes prescritos pela Lei  Complementar  n°  123/2006;  cita  o  artigo  14  da  Lei  Complementar  123/2006; cita doutrina;  Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 5          7  16. FALTA  DE  SUPORTE  MATERIAL  PARA  A  IMPOSIÇÃO  E  A  QUANTIFICAÇÃO DAS MULTAS DE OFÍCIO QUALIFICADAS  LANÇADAS  NO  CORPO  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  AQUI  ATACADO  NOS  AUTOS  AUSÊNCIA  DE  RAZOABILIDADE  E  DE PROPORCIONALIDADE  17. a impugnante não pode se conformar com as exigências de multa de  ofício que se pretendeu constituir por meio do Auto de  Infração, no  percentual de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) dos valores  formalizados  a  título  de  contribuições  previdenciárias  em  sede  do  Auto de Infração, por conta da suposta prática das infrações descritas  e consignadas em documento anexo ao Auto de Infração que, em tese,  justificaria a aplicação do disposto no artigo 44 da Lei 9.430/96, tendo  em  vista,  notadamente,  a  completa  ausência  de  demonstração  e  de  comprovação  da  efetiva  ocorrência  das  causas  que  justifiquem  a  aplicação das referidas penalidades majoradas; transcreve o artigo 44  da Lei 9.430/96;  18. não  deve  prosperar  o  acréscimo  de  multa  equivalente  a  50%  (cinquenta por cento) das importâncias pretensamente devidas, fixada  nos termos do artigo 44, I e § 2° da Lei 9.430/96, por suposta falta de  atendimento,  por  parte  da  autuada,  às  requisições  formuladas  pela  fiscalização,  haja  vista  que  todos  os  termos  de  intimação  emitidos  pelo  agente  fiscalizador  foram  devidamente  atendidos  pela  empresa  contribuinte autuada;  19. a  autoridade  fiscal  limitou­se  apenas  a  imputar  a multa  de  50%  em  referência  e  citar  o  dispositivo  legal  supostamente  aplicável,  sem,  contudo,  descrever  a  conduta  da  contribuinte  fiscalizada  que  pretensamente  justificaria  a  fixação de  tal  penalidade  indevidamente  estabelecida;  20. DA INAPLICABILIDADE DE JUROS EQUIVALENTES À SELIC  EM  RELAÇÃO  AO  DÉBITO  FISCAL  AQUI  ATACADOS  NOS  AUTOS  21. aduz  a  inconstitucionalidade  e  a  ilegalidade  da  taxa  referencial  do  Sistema Especial  de Liquidação  e Custódia  (SELIC)  considerada no  cálculo  das  exigências  referentes  a  contribuições  previdenciárias,  aduzindo argumentos, doutrina e julgados judiciais em favor da tese;  22. Em relação ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.343.4367, conforme  instrumento  de  impugnação,  além  dos  argumentos  acima  apresentados, aduz o contribuinte:  23. DA  IMPROPRIEDADE DOS VALORES LANÇADOS A TÍTULO  DE  CONTRIBUIÇÕES  DESTINADAS  A  OUTRAS  ENTIDADES  DA ILEGITIMIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SESC/SENAC  24. o Serviço Social  do Comércio  (SESC)  foi  criado pela Confederação  Nacional do Comércio, com a finalidade de planejar e executar, direta  Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     8  ou indiretamente, medidas que contribuam para o bem estar social e a  melhoria  do  padrão  de  vida  dos  comerciários,  conforme  dispôs  o  artigo  1o  do  Decreto­Lei  9.853/46;  que,  por  sua  vez,  o  Serviço  Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), também criado pela  Confederação Nacional do Comércio, tem como objetivo organizar e  administrar  escolas  de  aprendizagem  comerciai  e  cursos  de  especialização, na área do comércio, conforme determinou o artigo 1°  do  Decreto­Lei  8.621/46;  que  a  legislação  instituidora  de  mencionadas  entidades  paraestatais  estabeleceu  que  o  seu  custeio  seria promovido pelo recolhimento de contribuições sociais, as quais  foram instituídas pelo artigo 3o, § 1o, do Decreto­Lei 9.853/46 (SESC)  e  pelo  artigo  4o  do  Decreto­Lei  8.621/46  (SENAC);  que  as  mencionadas  exações,  nos  termos  do  artigo  149  da  Constituição  Federal de 1988, constituem­se contribuições de interesse de categoria  profissional  ou  econômica,  de  natureza  tributária  parafiscal;  cita  doutrina;  25. DA ILEGITIMIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA  26. a  contribuição  ao  INCRA  se  afigura  ilegítima  à  luz  do  sistema  tributário  instituído  pela  Carta  Magna  de  1988;  que  após  a  promulgação da Constituição Federal de 1988, a exação em referência  tornou­se  incompatível  com  o  recém  inaugurado  Sistema Tributário  Constitucional  desenhado  na  Carta Magna,  pois  não  foi  acobertado  pelas previsões normatizadas no artigo 195, inciso I, II e III, e menos  ainda  nas  exceções  preconizadas  no  artigo  240  do  texto  constitucional; que, para a instituição de outras fontes de custeio, faz­ se  necessária  a  observância  das  disposições  contidas  no  §  4o  do  mesmo artigo 195, da Constituição Federal de 1988;  27. Por fim, em relação ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.316.2162, o  contribuinte  o  impugna  aduzindo  os  seguintes  argumentos:  (i)  tem  direito  de  ver  reconhecida  em  seu  favor  a  absoluta  falta  de  suporte  legal do lançamento de ofício dos débitos em comento, caracterizada  pela  notória  falta  de  proporcionalidade  e  de  razoabilidade  da  imputação de multa pecuniária  consignada no Auto de  Infração;  (ii)  conforme  restou  demonstrado  e  comprovado  nas  manifestações  ofertadas  pela  impugnante  em  face  dos  demais  Autos  de  Infração  (DEBCAD nºs 37.316.2197 e 37.343.4367), as  exigências  fiscais  ali  descritas  e  caracterizadas  não  merecem  prevalecer,  em  razão  de  as  contribuições ali exigidas serem integralmente indevidas, nos termos  da legislação aplicável à espécie.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  Campinas/SP – por meio do Acórdão no 05­38.652 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 1925/1950) –  considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que concluiu:  “[...]  a)  pela  procedência  parcial  da  impugnação  apresentada  ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.316.2197, para o efeito de  reconhecer a decadência do direito de lançamento em relação às  competências 01 e 02/2007, mantendo­se as referidas lavraturas  fiscais quanto ao remanescente; e,  Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 6          9  b) pela improcedência da impugnação apresentada aos Autos de  Infração DEBCAD nº 37.316.2162 e nº 37.343.4367, mantendo­ se  integralmente  os  créditos  tributários  por  meio  deles  constituídos. [...]”  A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo  pela  obrigatoriedade  do  recolhimento  dos  valores  lançados  e  no  mais  efetua  repetição  das  alegações da peça de impugnação.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Barueri/SP informa que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  CARF  para  processamento  e  julgamento.  É o relatório.  Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     10    Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço,  em parte, do recurso interposto.  No  presente  lançamento  fiscal  ora  analisado,  constam  as  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes individuais, relativas à parcela patronal, incluindo as contribuições destinadas ao  SAT/GILRAT e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros.  Esclarecemos que a empresa foi excluída do sistema de tratamento tributário  diferenciado “SIMPLES”, por meio de processo próprio (13896.722526/2011­10), no qual foi  expedido  o Ato Declaratório  Executivo DRF/BRE/SEORT  n°  21/2011,  de  31/10/2011,  com  decisão definitiva na esfera administrativa.  Como os motivos fáticos e jurídicos da exclusão da empresa do “SIMPLES”  estão  devidamente  registrados  no  processo  no  13896.722526/2011­10,  consubstanciado  pelo  Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 21/2011, iremos afastar e não conhecer todos os motivos  que fundamentam o pleito de declaração de ilegalidade ou nulidade do aludido ADE, que não  estão em julgamentos nesta oportunidade, pois este não é o momento ou o local oportuno para  analisar  essas  matérias.  O  foro  adequado  para  a  discussão  dessas  matérias  é  o  respectivo  processo  instaurado  para  esse  fim  (processo  no  13896.722526/2011­10)  e  não  o  presente  processo  de  lançamento  fiscal  de  crédito  previdenciário  oriundo de uma  obrigação  tributária  principal. Esse entendimento está consubstanciado nos artigos 2o e 3o do Regimento Interno do  CARF  –  Portaria  MF  n°  256,  de  22  de  junho  de  2009  –,  que  estabelecem  as  atribuições  (competências) específicas de cada órgão dessa Corte Administrativa.  Regimento  Interno do CARF  ­ Portaria MF n° 256, de 22 de  junho de 2009:  Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos  de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que  versem sobre aplicação da legislação de:  (...)  V  ­  exclusão,  inclusão e  exigência de  tributos  decorrentes  da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser  dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte  no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito  Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos  impostos  e  contribuições  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito Federal  e dos Municípios, mediante  regime único  de arrecadação (SIMPLES­Nacional);  ................................................................................................  Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 7          11  Art. 3°. À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos  de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que  versem sobre aplicação da legislação de:  (...)  IV ­ Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas  a  título de  substituição e as devidas a  terceiros,  definidas  no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007;  Por outro lado, o que se deve preponderar, para fins de análise do lançamento  fiscal  da  obrigação  tributário­previdenciária  principal,  é  a  informação  de  que  a  Recorrente  permanece  excluída  desse  sistema  de  recolhimento  dos  tributos  (SIMPLES  FEDERAL/SIMPLES NACIONAL), inclusive com decisão definitiva no bojo do processo no  13896.722526/2011­10.  Diante  desse  quadro,  faremos  análise  apenas  das  matérias  que  não  dizem  respeito da sua exclusão do sistema “SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL”.  I)  DA  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL:  AIOP  Debcad  nº  37.316.219­7  (patronal e SAT) e AIOP Debcad nº 37.343.436­7 (Outras Entidades/Terceiros).  A Recorrente alega que  seja declarada a  extinção dos valores  lançados  até  a  competência  02/2007,  nos  termos  do  art.  150,  §  4o,  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).  Pelos motivos a seguir delineados, tal alegação decadencial será acatada em  parte.  Com  relação  ao  AIOP  Debcad  nº  37.316.219­7,  a  decisão  de  primeira  instância  já  reconheceu  a  decadência  até  a  competência  02/2007,  inclusive,  por  meio  do  Acórdão no 05­38.652 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 1925/1950).  Por  sua  vez,  para  o  AIOP  Debcad  nº  37.343.436­7,  registramos  que  o  Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e  560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a  inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991.  Na  oportunidade,  os  ministros  ainda  editaram  a  Súmula  Vinculante  08  a  respeito do tema, a qual transcrevo abaixo:  Súmula Vinculante 8 ­ STF: “São inconstitucionais o parágrafo  único do artigo 5º do Decreto­lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito tributário”.  É  necessário  observar  os  efeitos  da  súmula  vinculante,  conforme  se  depreende  do  art.  103­A,  caput,  da  Constituição  Federal  que  foi  inserido  pela  Emenda  Constitucional 45/2004, in verbis:  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     12  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à  sua  revisão  ou  cancelamento,  na  forma  estabelecida  em  lei.  (g.n.)  Da leitura do dispositivo constitucional, pode­se concluir que, a vinculação à  súmula  alcança  a  administração  pública  e,  por  conseqüência,  os  julgadores  no  âmbito  do  contencioso administrativo fiscal.  O  Código  Tributário  Nacional  trata  da  decadência  no  artigo  173,  abaixo  transcrito:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.)  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  à  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue­ se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.  Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário  definiu no art. 150, § 4º o seguinte:  Art.  150.  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...)  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Tem  sido  entendimento  constante  em  julgados  do  Superior  Tribunal  de  Justiça que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da  contribuição, aplica­se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco  anos  passa  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador,  uma  vez  que  resta  caracterizado  o  lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum,  nada há a ser homologado e, por consequência, aplica­se o disposto no art. 173 do CTN, em  que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que o lançamento poderia ter sido efetuado.  Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 8          13  Verifica­se  que  o  lançamento  fiscal  em  tela  refere­se  às  competências  01/2007 a 12/2008 e foi efetuado em 15/03/2012, data da intimação e ciência do sujeito passivo  (fls. 01/02).  No  caso  em  tela,  trata­se  do  lançamento  de  contribuições,  cujos  fatos  geradores o Fisco já reconheceu que a Recorrente efetuou antecipação de pagamento, conforme  Relatório  Fiscal,  decisão  de  primeira  instância  (Acórdão  no  05­38.652  da  6a  Turma  da  DRJ/CPS  (fls.  1925/1950)  e  Discriminativo Analítico  do Débito  ­  DAD.  Esses  documentos  afirmam que houve o recolhimento parcial de contribuições devidas. Nesse sentido, a teor do  enunciado da súmula 99 do CARF1 e do art. 3°, § 3°, da Lei 11.457/20072, aplica­se o art. 150,  § 4º, do CTN, para considerar que os valores apurados até a competência 02/2007,  inclusive,  foram abrangidos pela decadência tributária.  Com  isso  –  como  o  crédito  foi  constituído  com  fundamento  no  direito  potestativo  do  Fisco  em  lançar  os  valores  das  contribuições  não  recolhidas  em  época  determinada  pela  legislação  vigente  –,  a  preliminar  de  decadência  será  acatada  em  parte,  excluindo­se os valores  apurados nas  competências 01/2007 e 02/2007,  já que o  lançamento  fiscal refere­se ao período de 01/2007 a 12/2008 e as competências posteriores a 02/2007 não  foram abarcadas pela decadência tributária.  Diante  disso,  com  relação  ao  AIOP  Debcad  nº  37.343.436­7,  acata­se  parcialmente a preliminar de decadência  tributária, excluindo as contribuições apuradas até a  competência  02/2007,  inclusive,  nos  termos  do  art.  150,  §  4º,  do CTN. Após  isso,  passo  ao  exame de mérito.  Com  relação  aos  valores  recolhidos  indevidamente  na  sistemática  do  SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, referentes à parcela patronal, entendo que  todos  os  valores  efetivamente  recolhidos,  nas  competências  03/2007  a  12/2008,  deverão  ser  apropriados no presente lançamento fiscal.  Não  há  registro  no  Relatório  Fiscal  que  o  Fisco  deduziu  do  montante  dos  valores  apurados  aqueles  relativos  às  contribuições  previdenciárias  patronais  e  recolhidas  de  forma equivocada pelo SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL.  Quando a empresa, de forma equivocada, enquadra­se na condição de optante  pelo SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL e,  efetivamente,  realiza o pagamento por  meio de guia própria criada para essa finalidade, no caso em tela o Documento de Arrecadação  do Simples Nacional  (DAS),  isso  evidencia que  parcela desse valor destina­se  à previdência  social nos percentuais estabelecidos pelo art. 23 da Lei 9.317/1996 e pelo art. 13, inciso VI, da  LC 123/2006, e devem ser deduzidos das contribuições a que se refere o artigo 3°, alínea “f”,  dessa Lei.  Lei 9.317/1996 ­ SIMPLES FEDERAL:                                                              1 Súmula 99 do CARF: Para  fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se  referir a autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa  a  rubrica  especificamente  exigida no auto de infração.  2 A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve  seguir os mesmos critérios  estabelecidos para as contribuições previdenciárias, bem como deverá sujeitar­se aos mesmos prazos, condições,  sanções e privilégios designados para as contribuições previdenciárias.  Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     14  Art.  3º.  A  pessoa  jurídica  enquadrada  na  condição  de  microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art.  2º,  poderá  optar  pela  inscrição  no  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  Empresas de Pequeno Porte ­ SIMPLES.  §  1º  A  inscrição  no  SIMPLES  implica  pagamento  mensal  unificado dos seguintes impostos e contribuições: (...)  f)  Contribuições  para  a  Seguridade  Social,  a  cargo  da  pessoa  jurídica,  de  que  tratam  a  Lei  Complementar  no  84,  de  18  de  janeiro  de  1996,  os  arts.  22  e  22A  da  Lei  no  8.212,  de  24  de  julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.256,  de  9.10.2001)  (Vide  Lei  10.034, de 24.10.2000)  (...)  Art.  5°.  O  valor  devido  mensalmente  pela  microempresa  e  empresa  de  pequeno  porte,  inscritas  no  SIMPLES,  será  determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal  auferida, dos seguintes percentuais:  (...)  Art.  23.  Os  valores  pagos  pelas  pessoas  jurídicas  inscritas  no  SIMPLES corresponderão a:  I ­ no caso de microempresas: (...)  II ­ no caso de empresa de pequeno porte: (...)  .........................................................................................................  Lei Complementar (LC) 123/2006 ­ SIMPLES NACIONAL:  Art.  13.  O  Simples  Nacional  implica  o  recolhimento  mensal,  mediante  documento  único  de  arrecadação,  dos  seguintes  impostos e contribuições:  I ­ Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica ­ IRPJ;  II  ­ Imposto sobre Produtos  Industrializados ­  IPI, observado o  disposto no inciso XII do § 1o deste artigo;  III ­ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL;  IV ­ Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­  COFINS,  observado  o  disposto  no  inciso  XII  do  §  1o  deste  artigo;  V  ­  Contribuição  para  o  PIS/PASEP,  observado  o  disposto  no  inciso XII do § te deste artigo;  VI  ­  Contribuição  Patronal  Previdenciária  ­  CPP  para  a  Seguridade  Social,  a  cargo  da  pessoa  jurídica,  de  que  trata  o  art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso  da  microempresa  e  da  empresa  de  pequeno  porte  que  se  dediquem às atividades de prestação de serviços referidas no §  5°­C do art. 18 desta Lei Complementar;  Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 9          15  VII  ­  Imposto  sobre  Operações  Relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  Sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS;  VIII  ­  Imposto  sobre  Serviços  de  Qualquer  Natureza  ­  ISS.  (grifos nossos)  Com isso, entendo que assiste razão ao recorrente, eis que a Lei 9.317/1996,  que instituiu o SIMPLES FEDERAL, assim como a Lei Complementar 123/2006 que instituiu  o  SIMPLES NACIONAL,  não  criaram  novas  hipóteses  de  incidência  para  as  contribuições  previdenciárias  ou  para  os  demais  tributos,  apenas  promoveu  tratamento  fiscal  simplificado  para pagamento das contribuições e impostos por elas contemplados, o que implicou que todos  fossem  apurados  através  de  uma  única  base  de  cálculo,  a  receita  bruta  mensal,  inclusive  a  contribuição  previdenciária,  cuja  hipótese  de  incidência  é  e  continua  sendo  a  prestação  de  serviço remunerado por segurados.  Quanto à alegação de inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições  destinadas ao INCRA,  frise­se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não  pode  a  autoridade  administrativa  recusar­se  a  cumprir  norma  cuja  constitucionalidade  vem  sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei 8.212/1991 e  demais disposições das legislações vigentes que embasaram o lançamento fiscal ora analisado.  Dessa  forma,  quanto  à  inconstitucionalidade/ilegalidade  na  cobrança  das  contribuições  destinadas  ao  INCRA,  não  há  razão  para  a  Recorrente.  Como  dito,  não  é  de  competência  da  autoridade  administrativa  a  recusa  ao  cumprimento  de  norma  supostamente  inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições incidentes sobre a remuneração  paga, creditada ou debitada aos segurados empregados.  Isso  está  em  consonância  com o Enunciado  nº  2  de Súmula  do CARF:  “O  CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.  Por  outro  lado,  esclarecemos  que  a  matéria  já  se  encontra  pacificada  no  âmbito  do  poder  Judiciário,  firmando  entendimento  de  que  é  devida  a  contribuição  social  destinada  ao  INCRA,  conforme  se  percebe  do  recente  precedente  do  Superior  Tribunal  de  Justiça, sob a égide da nova Lei de Recursos Repetitivos, confira­se:  “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE  DIVERGÊNCIA.CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXTINÇÃO  PELAS  LEIS  7.787/89  OU  8.212/91.  NÃO  OCORRÊNCIA.  EXAÇÃO  EXIGÍVEL  DAS  EMPRESAS  URBANAS.  ACÓRDÃO  EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DA  PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 168/STJ.  1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente  os embargos de divergência (art. 266, § 3º, do RISTJ).  2. A jurisprudência da Primeira Seção, consolidada inclusive em  sede de recurso especial repetitivo (REsp 977.058/RS, Rel. Min.  Luiz  Fux,  DJe  10/11/2008),  firmou  o  entendimento  de  que  a  contribuição  para  o  Incra  (0,2%)  não  foi  revogada  pelas  Leis  7.787/89  e  8.213/91,  sendo  exigível,  também,  das  empresas  urbanas.  Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     16  3.  Incidência  da  Súmula  168/STJ:  "Não  cabem  embargos  de  divergência,  quando a  jurisprudência do Tribunal  se  firmou no  mesmo sentido do acórdão embargado".  4. Agravo regimental não provido.  (AgRg  nos  EREsp  803.780/SC,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe  30/11/2009)”.  Logo,  é  devida  a  contribuição  destinada  ao  INCRA,  afastando  assim  as  alegações de ilegalidade dessa contribuição.  Com relação às contribuições destinadas ao SESC e SENAC, afasta­se a  alegação  da  Recorrente  que  tais  contribuições  são  ilegítimas  para  as  empresas  prestadoras  de  serviços,  já  que  o  STJ  se  manifestou­se  no  sentido  de  que  as  empresas  prestadoras de  serviços devem contribuir com o Serviço Social do Comércio  (Sesc) e com o  Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Esse é o teor do enunciado da súmula  do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de número 499: “As empresas prestadoras de serviços  estão sujeitas às contribuições ao Sesc e Senac, salvo se integradas noutro serviço social”.  Acrescenta­se  a  isso  que  não  há  qualquer  evidência  nos  autos  que  a  Recorrente  poderia  estar  integrada  noutro  serviço  social.  Assim,  os  empregados  da  empresa  prestadora  de  serviço,  que  é  o  caso  da Recorrente,  não  podem  ser  excluídos  dos  benefícios  sociais  das  entidades  em  questão  (Sesc  e  Senac)  quando  inexistente  entidade  específica  a  amparar  a  categoria  profissional  a  que  pertencem,  no  mesmo  sentido  do  teor  do  Recurso  Especial ­ REsp 1.255.433, relatado pelo ministro Mauro Campbell.  Outro  precedente  do  STJ  (REsp  895.878,  da  ministra  Eliana  Calmon)  apontou que a empresa registrada como sociedade comercial deverá ser contribuinte do Sesc e  Senac,  afirmando  que:  “Empresas  prestadoras  de  serviço  que  auferem  lucros,  e  com  esse  produto  remuneram  os  seus  sócios,  são  inquestionavelmente  estabelecimentos  comerciais,  à  luz do conceito moderno de empresa”.  Seguem trechos das decisões do STJ:  “TRIBUTÁRIO.  PROCESSUAL  CIVIL.  VIOLAÇÃO  AO  ART.  535,  DO  CPC.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  N.  284/STF.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  REJEITADOS.  QUESTÕES  NÃO  APRECIADAS.  SÚMULA  211/STJ.  CONTRIBUIÇÕES  AO  SESC  E  SENAC.  EMPRESAS  PRESTADORAS DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA.  (...)  3. As empresas prestadoras de serviço são aquelas enquadradas  no rol relativo ao art. 577 da CLT, atinente ao plano sindical da  Confederação  Nacional  do  Comércio  CNC  e,  portanto,  estão  sujeitas  às  contribuições  destinadas  ao  SESC  e  SENAC.  Precedente: REsp n. 431.347/SC, Primeira Seção, Rel. Min Luiz  Fux,  julgado  em  23.10.2002;  AgRgRD  no  REsp  846.686/RS.  (REsp  967177/PE,  Relator  o  Ministro  Mauro  Campbell  Marques)”  .........................................................................................................  Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 10          17  “TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  SESC  E  SENAC.  ENTIDADE  HOSPITALAR.  ENTIDADE  VINCULADA  À  CONFEDERAÇÃO CUJA INTEGRAÇÃO É PRESSUPOSTO DA  EXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO. RECEPÇÃO DO ART. 577 CLT  E  SEU  ANEXO  PELA  CONSTITUIÇÃO  FEDERAL.  CONTRIBUIÇÃO  COMPULSÓRIA  CONCRETIZADORA  DA  CLÁUSULA  PÉTREA  DE  VALORIZAÇÃO  DO  TRABALHO  E  DIGNIFICAÇÃO  DO  TRABALHADOR.  EMPRESA  COMERCIAL.  AUTOQUALIFICAÇÃO,  MERCÊ  DOS  NOVOS  CRITÉRIOS  DE  AFERIÇÃO  DO  CONCEITO.  VERIFICAÇÃO  DE  OCORRÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO  DA  LEI  À  LUZ  DO  PRINCÍPIO  DE  SUPRADIREITO  DETERMINANDO  A  APLICAÇÃO  DA  NORMA  AOS  FINS  SOCIAIS  A  QUE  SE  DESTINA, À LUZ DE SEU RESULTADO, REGRAS MAIORES  DE HERMENÊUTICA E APLICAÇÃO DO DIREITO.  1.  As  empresas  prestadoras  de  serviços médicos  e  hospitalares  estão  incluídas  dentre  aquelas  que  devem  recolher,  a  título  obrigatório,  contribuição  para  o  SESC  e  para  o  SENAC,  porquanto  enquadradas  no  plano  sindical  da  Confederação  Nacional do Comércio, consoante a classificação do artigo 577  da CLT  e  seu  anexo,  recepcionados  pela Constituição  Federal  (art. 240) e confirmada pelo seu guardião, o STF, a assimilação  no organismo da Carta Maior.  2.  Deveras,  dispõe  a  Constituição  da  República  Federativa  do  Brasil, em seu art. 240, que: "Ficam ressalvadas do disposto no  art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores  sobre  a  folha  de  salários,  destinadas  às  entidades  privadas  de  serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema  sindical."  3.  As  Contribuições  referidas  visam  à  concretizar  a  promessa  constitucional insculpida no princípio pétreo da 'valorização do  trabalho  humano"encartado  no  artigo  170  da  Carta  Magna:  verbis  :  "A  ordem  econômica,  fundada  na  valorização  do  trabalho humano e na  livre  iniciativa,  tem por  fim assegurar a  todos  existência  digna,  conforme  os  ditames  da  justiça  social,  (...)"4.  Os  artigos  3º,  do  Decreto­Lei  9853  de  1946  e  4º,  do  Decreto­lei  8621/46  estabelecem  como  sujeitos  passivos  da  exação  em  comento  os  estabelecimentos  integrantes  da  Confederação  a  que  pertence  e  sempre  pertenceu  a  recorrente  (antigo IAPC; DL 2381/40), conferindo "legalidade" à exigência  tributária.  5. Os empregados do setor de serviços dos hospitais e casas de  saúde,  ex­segurados  do  IAPC,  antecedente  orgânico  das  recorridas,  também  são  destinatários  dos  benefícios  oferecidos  pelo SESC e pelo SENAC.  6.  As  prestadoras  de  serviços  que  auferem  lucros  são,  inequivocamente estabelecimentos comerciais, quer por força do  seu  ato  constitutivo,  oportunidade  em  que  elegeram  o  regime  jurídico próprio a que pretendiam se submeter, quer em função  Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     18  da  novel  categorização  desses  estabelecimentos,  à  luz  do  conceito moderno de empresa.  7. O SESC e o SENAC tem como escopo contribuir para o bem  estar  social  do  empregado  e  a melhoria  do  padrão de  vida  do  mesmo  e  de  sua  família,  bem  como  implementar  o  aprimoramento moral e cívico da sociedade, beneficiando todos  os  seus  associados,  independentemente  da  categoria  a  que  pertençam;  8. À  luz  da  regra  do  art.  5º,  da LICC –  norma  supralegal  que  informa o direito tributário, a aplicação da lei, e nesse contexto  a  verificação  se  houve  sua  violação,  passa  por  esse  aspecto  teleológico­sistêmico – impondo –se considerar que o acesso aos  serviços  sociais,  tal  como preconizado pela Constituição,  é  um  "direito universal do trabalhador", cujo dever correspectivo é do  empregador no custeio dos referidos benefícios.  9. Consectariamente, a natureza constitucional e de cunho social  e protetivo do empregado, das  exações  sub  judice  ,  implica  em  que  o  empregador  contribuinte  somente  se  exonere  do  tributo,  quando integrado noutro serviço social, visando a evitar relegar  ao  desabrigo  os  trabalhadores  do  seu  segmento,  em  desigualdade com os demais, gerando situação antiisonômica e  injusta.  10.  A  pretensão  de  exoneração  dos  empregadores  quanto  à  contribuição  compulsória  em  exame  recepcionada  constitucionalmente  em  benefício  dos  empregados,  encerra  arbítrio patronal, mercê de gerar privilégio abominável aos que  através a via judicial pretendem dispor daquilo que pertence aos  empregados,  deixando  à  calva  a  ilegitimidade  da  pretensão  deduzida.  11.  Recurso  especial  improvido  (REsp.  431.347/SC,  Primeira  Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 23/10/2002).”  No julgamento desse REsp. 431.347/SC , o Ministro Relator afirmou que “a  expressão  estabelecimentos  comerciais,  para  os  fins  do  art.  3°,  do  Decreto­lei  nº  9.853/46  (SESC)  e  art.  4º,  do  Decreto­lei  n.  8.621/46  (SENAC),  inclui  não  apenas  as  empresas  comerciais  stricto  sensu, mas  também aquelas de prestação de  serviços,  dado o  seu  caráter  empresarial”.  A Constituição da República Federativa do Brasil, em seu art. 240, prescreve  que:  “Ficam  ressalvadas  do  disposto  no  art.  195  as  atuais  contribuições  compulsórias  dos  empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e  de formação profissional vinculadas ao sistema sindical”. Logo, são devidas as contribuições  destinadas ao Sesc e Senac, afastando assim as alegações de ilegalidade dessas contribuições.  No  que  corresponde  aos  documentos  acostados  aos  autos  pela  Recorrente,  referentes  às  alegações  de  que  os  valores  de  salário­família  e  de  salário­ maternidade glosados pelo Fisco seriam indevidos, entende­se que se cuida de documentos  incapazes  de modificar  o  lançamento,  pois  eles  referem­se  aos  documentos  apresentados  ao  Fisco  durante  o  procedimento  de  auditoria  e  não  apontam  para  qualquer  inconsistência  dos  valores apurados.  Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 11          19  De mais a mais, adotam­se os fundamentos da decisão de primeira instância  que bem dirimiu a controvérsia posta nesta Corte Administrativa, nos seguintes termos:  “[...]  Em  relação  aos  valores  supostamente  pagos  a  título  de  salário­família e salário­maternidade, as razões do contribuinte  não  merecem  acolhida.  Em  primeiro  lugar,  cumpre  esclarecer  que  a  fiscalização  somente  procedeu  à  glosa  dos  valores  cuja  documentação necessária não foi apresentada pelo contribuinte,  conforme  anexos  aos  Termos  de  Intimação  Fiscal  nº  07  e  09,  constantes  dos  autos.  Em  segundo  lugar,  o  farto  conjunto  probatório juntado pelo contribuinte aos autos, após verificação  por  este  Relator,  consiste  na  própria  documentação  já  apresentada  à  fiscalização,  de  forma  a  não  inovar,  o  sujeito  passivo,  quanto  à  demonstração  de  procedência  de  seu  pedido  no que toca aos valores de salário­família e salário­maternidade  glosados  pela  fiscalização.  [...]”  (Acórdão  no  05­38.652  da  6a  Turma da DRJ/CPS, fls. 1925/1950)  No  que  tange  à  arguição  de  inconstitucionalidade,  ou  ilegalidade,  de  legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise­ se  que  incabível  seria  sua  análise  na  esfera  administrativa.  Não  pode  a  autoridade  administrativa  recusar­se  a  cumprir  norma  cuja  constitucionalidade  vem  sendo  questionada,  razão  pela  qual  são  aplicáveis  as  normas  reguladas  na  Lei  8.212/1991.  Isso  está  em  consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.  Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144  do CTN dispõe que o lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação  tributária e rege­se pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de  juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC) estava prevista em  lei específica da previdência social, art. 343 da Lei 8.212/1991.  Nesse  sentido  já  se  posicionou  o  STJ  no  Recurso  Especial  n°  475904,  publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO  FISCAL.  CDA.  VALIDADE.  MATÉRIA  FÁTICA.  SÚMULA  07/STJ.  COBRANÇA  DE  JUROS.  TAXA  SELIC.  INCIDÊNCIA.  A  averiguação  do  cumprimento  dos  requisitos  essenciais  de  validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória,  situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da  Súmula  07/STJ. No  caso  de  execução de dívida  fiscal,  os  juros  possuem  a  função  de  compensar  o  Estado  pelo  tributo  não  recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC  estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não                                                              3 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação  fiscal de  lançamento, pagas  com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam sujeitas  aos  juros equivalentes à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia­SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065,  de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo  restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Parágrafo  único.  O  percentual  dos  juros  moratórios  relativos  aos  meses  de  vencimentos  ou  pagamentos  das  contribuições corresponderá a um por cento.    Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     20  há confronto  com o art.  161, § 1º,  do CTN. A aplicação de  tal  Taxa  já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da  sua  instituição,  isto  é,  1º/01/1996  (REsp  439256/MG).  Recurso  especial  parcialmente  conhecido,  e  na  parte  conhecida,  desprovido.  A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais  (CARF)  uniformizou  a  jurisprudência  administrativa  sobre  a  matéria  por  meio  do  enunciado  da  Súmula  nº  4  (Portaria  MF  no  383,  publicada  no  DOU  de  14/07/2010),  nos  seguintes termos:  Súmula CARF nº  4: A  partir  de  1o  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ Selic para títulos federais.  Não  tendo  o  contribuinte  recolhido  à  contribuição  previdenciária  em  época  própria,  tem por obrigação arcar com o ônus de  seu  inadimplemento. Caso não se  fizesse  tal  exigência,  poder­se­ia  questionar  a  violação  ao  principio  da  isonomia,  por  haver  tratamento  similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que  não recolheram no prazo fixado pela legislação.  Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando  os  valores  descritos  no  lançamento  fiscal,  em  consonância  com  o  prescrito  pela  legislação  previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não  recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter  irrelevável.  Isso  está  em  consonância  com  o  próprio  art.  161,  §  1°,  do CTN4,  pois  havendo  legislação especifica dispondo de modo diverso, abre­se a possibilidade de que seja  aplicada  outra  taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a  taxa utilizada é a  SELIC.  O  disposto  no  art.  161  do CTN não  estabelece  norma  geral  em matéria  de  legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei  de igual status, não havendo necessidade de lei complementar.  Ainda,  conforme  estabelecia  os  arts.  34  e  355  da  Lei  8.212/1991,  sem  as  alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em                                                              4 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo  determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de  garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.  § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.    5 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá  ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99)  (...)  II ­ para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento:   a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº  9.876/99).  b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº  9.876/99).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até  quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS; (Redação dada pelo art.  1º, da Lei nº 9.876/99).  Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 12          21  época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve  que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da  natureza e extensão dos efeitos do ato.  Dessa  forma,  não  há  que  se  falar  em  ilegalidade  de  cobrança  da  multa,  estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em  consonância com o prescrito pela legislação previdenciária.  No que tange à multa aplicada na competência 12/2008, entende­se que o  percentual aplicado não merece reparo, e a alegação de que o valor calculado é desproporcional  não será acatado, já que o Fisco demonstrou a conduta fraudulenta da Recorrente em razão dos  seguintes fatos:  1.  enviou as DIPJ relativas ao período de 01/07/2007 a 31/12/2007 e de  01/01/2008 a 31/12/2008 “zeradas”, contendo erro quanto ao código  de atividade  informado nas DIPJ  (46.656/00 Comércio atacadista de  máquinas  e  equipamentos  para  uso  comercial;  partes  e  peças),  em  detrimento da informação da real atividade;  2.  DIPJ de 2008, para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007,  ficha 02  DADOS  CADASTRAIS,  foi  informado  que  o  Sr.  Fabiano  Iuquio  Mori  era  o  representante  da  Empresa,  enquanto  que  na  ficha  50,  Identificação dos sócios ou  titular, constam os Srs. Alessandro Mori  Pegoraro e Fabiano Iuquio Mori, como sendo os sócios, com 50% de  participação  cada  um.  Segundo  a  alteração  de  contrato  social  de  01/10/2005,  com  registro  na  JUCESP  em  17/05/2006,  esses  dois  sócios se retiraram da empresa;  3.  DIPJ de 2009, ano calendário 2008, ficha 02, dados cadastrais, o Sr.  Fabiano  Iuquio  Mori  foi  informado  como  o  representante  do  contribuinte,  enquanto  na  ficha  50  o  mesmo  foi  informado  como  sócio, com 5% de participação;  4.  na ficha 61B das DIPJ, exercício 2008 e 2009, anos calendário 2007  (de 01/07/2007 a 31/12/2007) e 2008,  linha 11, consta a  informação  de  que  o  contribuinte  tem  escrituração  contábil.  O  contribuinte  não  apresentou nenhuma DCTF/DACON, deixando de informar ao Fisco  todo  e  qualquer  valor  devido  a  título  de  impostos  e  contribuições  federais;  5.  em atendimento às intimações fiscais, o contribuinte declarou que não  entregou  DCTF.  Em  relação  à  real  atividade  da  empresa,  muito  embora  conste  como  o  "comércio  atacadista  de  máquinas  e                                                                                                                                                                                           d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  (...)  § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou  quando  se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados  de  apresentar  o  citado  documento,  a  multa  de  mora  a  que  se  refere  o  caput  e  seus  incisos  será  reduzida  em  cinqüenta  por  cento.  (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99)    Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     22  equipamentos para uso comercial; partes e peças" (código 46.65600),  pelas folhas de pagamento apresentadas, todos os funcionários da área  operacional,  ostentam  funções  ligadas  à  área  da  alimentação,  quais  sejam:  merendeira,  cozinheira,  auxiliar  de  cozinha,  nutricionista,  auxiliar  de  serviços  de  alimentação  e  ajudante  de  cozinha,  de modo  que não que se negar que a real atividade do contribuinte não é a que  foi informada no CNPJ;  6.  a  quantidade  média  de  segurados  empregados  para  o  período  fiscalizado foi de 320 empregados, acrescida de aproximadamente 75  sócios  cotistas.  Tendo  em  vista  a  não  apresentação  da  escrituração  contábil,  nada  foi  localizado  sobre  eventuais  pagamentos  feitos  aos  sócios  cotistas,  bem  como  nada  foi  declarado  em  GFIP  sobre  os  mesmos;  7.  das  notas  fiscais  de  saída  apresentadas,  todas  elas  se  referem  à  prestação de serviços e, em nenhuma delas houve destaque de venda  de qualquer produto;  8.  nas  GFIP  de  todo  o  período  objeto  da  fiscalização,  o  contribuinte  apresentou  GFIP,  informando  o  código  de  optante  pelo  Simples  (código 2),  o que não é  o  caso. Tal  comportamento  teve  a  flagrante  intenção da ocultação perante o Fisco Federal, dos valores devidos a  título  de  contribuição  previdenciária  patronal  e  GILRAT  e  para  Terceiros,  já que o contribuinte estava ciente de que não poderia ser  optante  pelo  Simples,  tanto  assim  que  a  partir  de  01/07/2007  até  31/12/2008 apresentou as suas DIPJ com opção pelo lucro presumido.  Além  disso,  a  Recorrente  deixou  de  apresentar  a  escrituração  contábil  ao  Fisco, devidamente intimada por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, lavrado em  08/11/2010  até  o  último Termo de  Intimação Fiscal  (Termo n°  11,  lavrado  em 16/12/2011).  Também não apresentou os contratos de prestação de serviços, os arquivos digitais – relativos à  folha de pagamento e contabilidade –, extratos bancários e Lalur.  Diante  desses  fatos  noticiados,  entende­se  que  a  multa  aplicada  na  competência  12/2008  deve  ser  mantida  em  sua  integralidade,  já  que  o  Fisco  demonstrou  a  conduta fraudulenta da Recorrente, a qual visava ao pagamento da contribuição previdenciária  a menor, a teor do artigo 44, §§ 1º e 2º, da Lei 9.430/19966.  II)  DA  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA:  AIOA  Debcad  nº  37.316.216­2  (CFL 68).                                                              6 Lei 9.430/1996:  Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:  I  ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a  totalidade ou diferença de  imposto ou contribuição nos casos de  falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...)  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts.  71,  72  e  73  da  Lei  no  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.  § 2o Os  percentuais de multa  a que  se  referem o  inciso  I  do  caput  e o § 1o  deste  artigo  serão  aumentados de  metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:  I ­ prestar esclarecimentos;  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;  Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 13          23  A Recorrente alega que  seja declarada a  extinção dos valores  lançados  até  a  competência  02/2007,  nos  termos  do  art.  150,  §  4o,  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).  Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados.  Inicialmente,  constata­se  que  o  lançamento  fiscal  em  questão  foi  efetuado  com amparo no art. 45 da Lei 8.212/1991.  Entretanto,  a  decadência  deve  ser  verificada  considerando­se  a  Súmula  Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte:  Súmula  Vinculante  no  8  do  STF:  “São  inconstitucionais  o  parágrafo único do artigo 5º do Decreto­lei 1.569/77 e os artigos  45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência  de crédito tributário”.  Vale  lembrar  que  os  efeitos  da  súmula  vinculante  atingem  a  administração  pública  direta  e  indireta  nas  três  esferas,  conforme  se  depreende  do  art.  103­A,  caput,  da  Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis:  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à  sua  revisão  ou  cancelamento,  na  forma  estabelecida  em  lei.  (g.n.)  Da análise do caso concreto, verifica­se que embora se trate de aplicação de  multa  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória,  há  que  se  verificar  a  ocorrência  de  eventual  decadência  à  luz  das  disposições  do Código Tributário Nacional  que  disciplinam  a  questão  ante  a  manifestação  do  STF  quanto  à  inconstitucionalidade  do  art.  45  da  Lei  8.212/1991.  O  Código  Tributário  Nacional  trata  da  decadência  no  artigo  173,  abaixo  transcrito:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  à  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo Único ­ O direito a que se refere este artigo extingue­ se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.  Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     24  Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art.  150, §4º, o seguinte:  Art.  150.  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...)  § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Tem  sido  entendimento  constante  em  julgados  do  Superior  Tribunal  de  Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da  contribuição, aplica­se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco  anos  passa  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador,  uma  vez  que  resta  caracterizado  o  lançamento por homologação.  No  caso,  como  se  trata  de  aplicação  de  multa  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  não  há  que  se  falar  em  antecipação  de  pagamento  por  parte  do  sujeito  passivo,  assim,  para  a  apuração  de  decadência,  aplica­se  a  regra  geral  contida  no  art.  173,  inciso I, do CTN.  Assim – como a autuação se deu em 15/03/2012, data da ciência do sujeito  passivo  (fl.  01/02),  e  a  multa  aplicada  decorre  do  período  compreendido  entre  01/2007  a  12/2008,  percebe­se  que  as  competências  posteriores  a  12/2006  não  foram  atingidas  pela  decadência tributária, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.  Com  isso  –  como  o  crédito  foi  constituído  com  fundamento  no  direito  potestativo do Fisco em lançar os valores da multa determinados pela  legislação vigente –, a  preliminar de decadência não será acatada, eis que o lançamento fiscal refere­se ao período de  01/2007  a  12/2008  e  as  competências  posteriores  a  12/2006  não  estão  abarcadas  pela  decadência tributária.  Com  relação  ao  procedimento  utilizado  pela  auditoria  fiscal,  a  Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente.  Tal  alegação  não  será  acatada,  eis  que  o  Fisco  cumpriu  a  legislação  de  regência,  ensejando  o  lançamento  de  ofício  em  decorrência  da  Recorrente  ter  incorrido  no  descumprimento  de  obrigação  tributária  acessória,  conforme  os  fatos  e  a  legislação  a  seguir  delineados.  Verifica­se que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  todos  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais.  Os  valores  da  remuneração  dos  segurados  foram  devidamente delineados no Relatório Fiscal e nos AIOP nºs 37.316.219­7 e 37.343.436­7.  Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 14          25  Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e §  5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo:  Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS):  Art. 32. A empresa é também obrigada a:  (...)  IV  ­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  ­  INSS,  por  intermédio  de  documento  a  ser  definido  em  regulamento,  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária e outras informações de interesse do  INSS.  (...)  §  5º.  A  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena  administrativa  correspondente  à  multa  de  cem  por  cento  do  valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos  valores  previstos  no  parágrafo  anterior.  (Parágrafo  acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação  acessória  da  empresa  e  o Regulamento  da Previdência Social  (RPS),  aprovado pelo Decreto  3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do  dispositivo  legal,  como,  por  exemplo,  o  preenchimento  e  as  informações  prestadas  são  de  inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o:  Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social:  Art. 225. A empresa é também obrigada a:  (...)  IV  ­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  por  intermédio  da  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária  e  outras  informações de interesse daquele Instituto;  §  1º  As  informações  prestadas  na  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  servirão  como  base  de  cálculo  das  contribuições  arrecadadas  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  comporão  a  base  de  dados  para  fins  de  cálculo  e  concessão dos benefícios previdenciários,  bem como constituir­ se­ão  em  termo  de  confissão  de  dívida,  na  hipótese  do  não­ recolhimento.  § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia  do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá  ser  efetuada  na  rede  bancária,  conforme  estabelecido  pelo  Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do  Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     26  mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação  dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999)  § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  é  exigida  relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de  1999.  § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  são  de  inteira  responsabilidade da empresa.  Nos termos do arcabouço jurídico­previdenciário acima delineado, constata­ se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições  previdenciárias,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o  art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS).  Portanto,  o  procedimento  utilizado  pela  auditoria  fiscal  para  a  aplicação  da  multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de  infração.  Ademais,  não  verificamos  a  existência  de  qualquer  fato  novo  que  possa  ensejar  a  revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente.  No  que  tange  à  alegação  de  que  a  imposição  das  multas  por  descumprimento  de  obrigação  principal  e  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  estaria  incorreta,  essa  alegação  não  será  acatada,  pois  foi  aplicado  o  princípio  da  retroatividade benéfica, a teor do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional (CTN).  Cumpre  esclarecer  que  a Medida  Provisória  (MP)  449/2008,  convertida  na  Lei  11.941/2009,  revogou  o  artigo  32,  parágrafo  5º  da  Lei  8.212/91,  alterou  o  artigo  35  e  incluiu  os  artigos  32­A  e 35­A nessa mesma  lei,  e,  com  isso,  houve modificação  nas  regras  para  aplicação  de multa  decorrente  do  descumprimento  de  obrigações  acessórias  relativas  à  GFIP, que é o caso dos autos.  Em decorrência das modificações promovidas pela MP 449/2008 nos artigos  32 e 35 da Lei 8.212/91, convertida na Lei 11.941/2009, o Fisco apresentou comparativo das  penalidades previstas à época dos  fatos e à época da autuação, e aplicou a multa benéfica ao  contribuinte,  conforme  previsão  do  inciso  II  do  artigo  106  do  Código  Tributário  Nacional.  Diante  desse  quadro,  somente  houve  a  aplicação  da  multa  oriunda  da  obrigação  acessória,  AIOA Debcad nº º 37.316.216­2 (CFL 68) – para as competências 03/2007, 03/2008, 04/2007,  05/2007, 05/2008, 06/2007, 06/2008, 07/2007, 07/2008, 08/2007, 08/2008, 09/2007, 10/2007,  11/2007, 11/2008, e 12/2007 –, e de forma simultânea a aplicação da multa de mora pelo não  cumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei  8.212/91,  na  redação  da  Lei  9.876/99,  além  do  recolhimento  do  valor  referente  à  própria  obrigação principal, conforme Anexo III do Relatório Fiscal.  Para  as  demais  competências  do  lançamento,  aplicou­se  a  multa  de  ofício  prevista  no  artigo  44  da  Lei  9.430/1996,  na  redação  dada  pela  Lei  11.488/2007,  além  do  lançamento do valor relativo às contribuições devidas (Anexo III do Relatório Fiscal).  Assim, afastam­se tanto a alegação da Recorrente de que deveria ser aplicada  a multa prevista no art. 32­A da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para a  obrigação acessória, como a alegação de que não se deveria aplicar a multa de ofício prevista  no  artigo  44  da  Lei  9.430/1996,  na  redação  dada  pela  Lei  11.488/2007,  já  que  a  situação  Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 15          27  apresentada pelo Fisco no quadro comparativo entre o  total da multa anterior e o  total multa  atual  (Anexo  III  do  Relatório  Fiscal)  representa  um  contexto  fático  mais  benéfico  ao  contribuinte, conforme preconiza o princípio da retroatividade benéfica tributária, previsto no  inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional.  Portanto,  o  procedimento  utilizado  pela  auditoria  fiscal  para  a  aplicação  da  multa  foi  devidamente  embasado  na  legislação  vigente  à  época  da  lavratura  do  auto  de  infração. Ademais, nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente não se verificou a  existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão da multa aplicada.  CONCLUSÃO:  Voto  no  sentido  de  CONHECER,  em  parte,  do  recurso  e,  na  parte  conhecida, DAR PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer que:  (i) com relação ao AIOP Debcad nº 37.343.436­7, sejam excluídos, em razão  da decadência, os valores apurados nas competências 01/2007 e 02/2007; e  (ii)  eventuais  pagamentos  na  sistemática  do  SIMPLES,  realizados  exclusivamente pela Recorrente e referentes à parcela patronal, sejam aproveitados no presente  lançamento fiscal, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO

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Numero do processo: 10380.729798/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição fiscal de origem apresente as informações necessárias para o julgamento do Processo, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata-se de recurso voluntário e de ofício, interpostos em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que declarou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de COFINS não cumulativa, consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre apropriação indevida de receitas referentes a contrato a longo prazo, considerada como omissão de receita (mais precisamente, simulação de contratação de empréstimo bancário, na visão da autoridade fiscal), no importe de R$ 105.263.397,80, incluídos principal, juros de mora e multa qualificada no percentual de 150%. Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do Termo de Verificação Fiscal, também destacados pelo Acórdão da DRJ: [...] a pessoa jurídica [...] opera no setor de tecnologia das energias alternativas, fornecendo a terceiros seus equipamentos de geração de energia eólica (Aerogeradores). Essa atividade, descrita resumidamente, envolve a importação, a venda e os serviços de instalação dos equipamentos nos parques eólicos indicados pelos Clientes adquirentes. Evidentemente que, à vista das dimensões dos equipamentos geradores eólicos, as importações eram feitas sob encomenda prévia do Cliente, de acordo com as condições previstas nas cláusulas dos contratos celebrados entre as partes. Isto significa que não existia na operacionalidade ordinária da empresa, a importação de partes e peças utilizadas nos Aerogeradores, de modo que compusessem estoques descompromissados, fora das encomendas pré-acertadas com Clientes. Diante dessas peculiaridades restou fácil concluir que as operações de venda e instalação de parques eólicos se compreendem nos denominados pela legislação tributária de "negócios de longo prazo", com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um exercício. [...]Criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo estrangeiro indicado como SUZLON WIND ENERGY A/S. Neste contexto de independência total, sua controladora integral é, também e simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos Aerogeradores importados que a empresa brasileira adquire e vende aqui no Brasil, para seus Clientes. [...]Foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA assina Contratos de Fornecimentos de Bens e Serviços com seus Clientes (Rosa dos Ventos Geração de Energia Eólica S/A e SIIF Cinco Ltda, em 2006, e Bons Ventos Geração de Energia S/A, em 2007) para venda e instalação de quase duas centenas de máquinas Aerogeradoras nos diversos parques eólicos designados pelos adquirentes. O total dos contratos, com cláusulas rígidas em seu corpo, ultrapassava a cifra de R$ 1.300.000.000,00 (hum bilhão e trezentos milhões de reais) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a 2009, conforme o progresso da execução. (...) Durante o período de 2007 a 2010 (a SUZLON) vendeu e executou projetos eólicos no valor de cerca de R$ 1,3 bilhões, que se caracteriza em construção civil pesada, ou seja, as receitas deveriam ter sido reconhecidas proporcional às fases das obras concluídas. No entanto, a mesma tratou suas operações como meras transações comerciais adiando seus reconhecimentos de receitas em cerca de três anos, adiando também desta forma o recolhimento e pagamento de tributos como PIS, COFINS, IR e CSLL sobre todas as suas operações naquele período, podendo ter causado prejuízos de milhões aos cofres públicos. Para corroborar a tese de que esta empresa agiu de má-fé, a mesma sempre reconheceu suas receitas em sua contabilidade gerencial através do percentual concluído da obra, mesma forma que deveria ter registrado suas receitas em seu LALUR. Tais ordens vinham da alta gerência de fora do Brasil, que deveriam ser acatadas pela equipe contábil, financeira e fiscal. (...) Ao adentrar no corpo orgânico da contabilidade da SUZLON, esta auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves anormalidades na conduta da empresa, naquilo que se referia ao cumprimento das obrigações contábeis e fiscais, fato esse que se estendia desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado (2010). Uma vez constatado isso, convinha averiguar duas questões de fundamental importância, a) se o proceder contábil da SUZLON teria provocado evidentes prejuízos à Fazenda Pública, com redução e/ou omissão de recolhimentos de tributos e contribuições sociais administrados pela Receita Federal do Brasil; b) se o proceder contábil da SUZLON ao longo dos anos considerados (visão panorâmica da situação de fato encontrada) pautou-se por conduta voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens fiscais ilícitas em prejuízo do Tesouro Nacional. Nos trabalhos de auditoria restou claro, de imediato, que a atividade operacional da SUZLON se enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo Prazo de Fornecimento de Bens e Serviços, com prazo de execução programada superior a um ano, a preço certo. Para tal conclusão foram solicitados todos os contratos assinados com os Clientes, que envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os anos de 2006 e 2010. Como os contratos dessa natureza se enquadram em uma regra própria de apuração específica de resultados e de tributação especial para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e as Contribuições para o PIS/COFINS, conforme legislação tributária em vigor, restou constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário e consciente das normas legais que disciplinam a Apuração de Resultados dos Contratos de Longo Prazo (Artigo 10 do Decreto-lei n° 1.598/78, Artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79) e da incidência das contribuições sociais para o PIS e COFINS (Leis n° 10.632/02 e 10.833/03) nessas operações. [..] a empresa ora autuada resolveu, por conta e risco próprio, enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, para um critério acumulado geral apenas nos anos-calendário de 2009 e 2010, ignorando de forma voluntária e consciente, os impactos que deveria reconhecer desde o ano-calendário de 2007, quando, de um lado, já incorria - inapelavelmente - em custos apropriados relativos a fornecimento de bens e/ou serviços referentes ao cumprimento dos contratos assinados com seus Clientes e, de outro, em faturamento por conta do igual cumprimento desses contratos. [...]Desde o ano de 2006 o governo brasileiro já sinalizava a instituição de programa de incentivo à infra-estrutura no País. Sobreveio a Lei n° 11.488/2007 que instituiu os casos de suspensão das contribuições para o PIS/COFINS nos casos em que indica, embora condicionasse o benefício a uma questão formal de habilitação/co-habilitação dos credenciados. Num outro flanco, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na área da SUDENE, com redução de 75% do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. No afã de nada recolher ao Tesouro Nacional, restava a busca de estratégia para neutralizar qualquer incidência de tributo sobre os 25% remanescentes do benefício fiscal de IRPJ e de 100% da CSLL eventualmente devida pela empresa. A técnica para tal foi "fabricar" prejuízos fiscais de modo que não houvesse, a priori, base de cálculo positiva para aquelas exações. Como os contratos assinados com seus Clientes datam de setembro de 2006 e outubro de 2007 coube à empresa enveredar pelo risco de ignorar as apurações de resultado parciais (ano a ano em que houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos, com (sic) incluídos nas bases de cálculo do PIS/COFINS. Ignorando tudo isso, acumulou o resultado geral dos Contratos celebrados com seus Clientes apenas para os anos de 2009 e 2010. Com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita total dos Contratos de Longo Prazo, "fabrica" prejuízo fiscal, já com olho no que viria a fazer (de forma irregular) no ano seguinte, ao mesmo tempo em que não reconhece qualquer base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que deferido o Ato Declaratório de Redução de 75% do IRPJ, descarrega todo o remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria, a partir do ano-calendário de 2010. Ou seja, já tendo até 31.12.2009, recebido e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contratos de Longo Prazo, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA pretendeu dar efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só adquirira em 01.01.2010. Também ignorando e abandonando, consciente e voluntariamente, o dever de reconhecer as receitas nos meses em que recebidas a qualquer título, de modo que conseguisse contornar a incidência das contribuições para o PIS/COFINS, encontrou-se a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA numa situação inusitada e inconseqüente de liberação geral do dever de recolher tributos no Brasil. Essa última observação adquire relevo probatório quando a SUZLON e alguns de seus Clientes assinam Aditivos ao Contrato Principal, promovendo um "enxugamento do preço" dos produtos fornecidos, à vista da superveniência do Programa REIDI, o qual concedia a suspensão de PIS/COFINS nos casos em que indicava. Ou seja, os preços originários, cujas parcelas deveriam ser recebidas dos Clientes, mantinham-se com as referidas contribuições embutidas, mas mesmo assim, a SUZLON preferira ignorar seu dever de recolhimento ao Tesouro Nacional. Agregue-se a tudo isto, a prática incomum de acumulação pura e simples de créditos de PIS e COFINS na sistemática da não-cumulatividade, sem qualquer débito relevante a neutralizá-los. Pois é diante desta realidade fiscal apresentada pela empresa, que esta auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação, tudo de acordo com os normativos legais regedores das matérias aqui tratadas. (...) Para a implementação destas providências o Fisco tentou, por reiteradas vezes, no Termo de Início de Fiscalização e em seus Termos de Intimação supervenientes, obter os dados necessários para que pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de cálculo dos tributos e contribuições não recolhidos ao Tesouro Nacional. Certo e convicto de que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA mantém esses dados em Planilhas auxiliares à escrituração, todas as Intimações no sentido de conhecê-las restaram improfícuas, por absoluta omissão da empresa em fornecê-las. Sequer a empresa apresentou o LALUR de 2010, sendo que as escriturações contábeis dos anos-calendário de 2009 e 2010 só foram apresentadas em Livros encadernados (escrituração em papel). Mas, embora a empresa pudesse fazer crer que esta sua conduta dificultasse o Fisco de chegar aos resultados tributáveis corretos, nada disso constituiu-se em obstáculo para o encerramento da auditoria com os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados. De posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos de 2009 e 2010 pela própria empresa, com seus próprios números e cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos anos de 2007 a 2010 (com base nos principais custos de importação, conforme DI's), de modo que pudesse montar, com base na legislação específica que rege a matéria, sua própria Planilha de Apuração dos Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o início do ano de 2010, quando os projetos foram definitivamente entregues e encerrados), Planilha essa que vai anexa ao presente Termo de Verificação. Como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS foram retiradas da escrituração da SUZLON em batimento com os valores informados pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada um deles. Planilha do Fisco neste sentido, também encontra-se anexa ao presente Termo de Verificação. (...) Com os dados das importações de matéria prima (Aerogeradores e Torres) e de materiais secundários foi possível alocar os custos em cada ano-calendário. As datas do desembaraço aduaneiro das Declarações de Importação fechadas desde 2007 foram fundamentais para a tabulação dos dados ano a ano. Com tal estratégia e utilizando-se apenas dos números e cifras assentados na escrituração nos anos de 2008, 2009 e 2010, sendo que apenas em 2009 e 2010 a SUZLON registrou de forma acumulada custo total e receita total, foi possível ao Fisco confeccionar os Quadros Demonstrativos n° 01, 02 e 03 anexos ao presente Termo de Verificação Fiscal. O primeiro Quadro alude ao Cálculo da Receita Proporcional Acumulada até o Período-base/Ano Calendário. O Quadro n° 02 refere-se ao Cálculo da Receita Correspondente a cada Ano Calendário. Já o Quadro Demonstrativo de n° 03 determina o Cálculo do Lucro Bruto Efetuado de Ofício em cada Ano- Calendário. Os valores do Lucro Bruto levados à tributação em cada ano são exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de n° 03. Note que na metodologia apresentada pela SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA não há apuração de resultado em 2007 e em 2008; em 2009 ela resolve levantar DRE de modo a "fabricar" o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL para usufruto desses valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo o valor total dos contratos de longo prazo, pelos motivos que explicamos ao descrever o planejamento tributário de natureza evasiva que visava aplicar um enorme prejuízo ao Tesouro Nacional. [...]Com o mesmo argumento que descrevemos a infração relativa à apuração incorreta do resultado dos Contratos de Longo Prazo para o caso do IRPJ e da CSLL, descreveremos neste tópico as ocorrências de falta de recolhimento das contribuições para o PIS e o COFINS. Com fundamento nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA deveria ter apurado as bases de cálculo das referidas contribuições e recolhido nas datas próprias os valores das exações mensais, conforme apropriasse faturamento em decorrência de custos incorridos. Não tendo segregado em nenhum dos meses faturamento para constituir base de cálculo do PIS/COFINS, tal como não fizera a apuração correta no caso do IRPJ, cumpriu ao Fisco extrair as referidas bases de cálculo de ofício. Como desde o ano calendário de 2007 já havia custos incorridos, os valores recebidos dos Clientes/adquirentes das usinas eólicas foram tomados como faturamento no mês em que percebidos, dado que representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento de bens e serviços previstos nos Contratos assinados pelas partes vendedora e adquirente. Cabe registrar que os custos atinentes à incidência do PIS/COFINS nãocumulativo, a toda evidência, foram embutidos no preço total dos Contratos, de modo que, para aqueles Clientes que obtiveram a habilitação no Programa REIDI - que garantia a aquisição de bens de capital em geral com suspensão do PIS/COFINS - houve Aditivos ao Contrato Original, reamoldando os custos totais à referida exoneração tributária daquelas contribuições. Diante desse quadro normativo-legal disciplinador da situação (norma de incidência do PIS/COFINS completamente configurada nos planos da existência, validade e eficácia), e norma de incentivo garantidora das operações com suspensão das contribuições para os Clientes habilitados ao REIDI, foi possível estabelecer os critérios para a identificação efetiva dos casos de incidência do PIS/COFINS, em contraste com aqueles que se enquadrem na suspensão prevista em lei especial. Todos os ingressos de numerário oriundo dos Clientes da SUZLON que se refiram a pagamentos parciais do preço total do Contrato, à vista dos custos já incorridos, deverão ser tidos como base de cálculo das contribuições sociais para o PIS/COFINS, até o momento em que o Cliente solvedor tenha se habilitado legalmente no REIDI. Isso significa que, não poderia se supor admissível, que a SUZLON percebesse parte do preço total do projeto/Contrato do Cliente ao longo do tempo, que - como já dissemos, estava impactada pela incidência das contribuições sociais em questão - e resolvesse - ela própria - se comportar no sentido de "aguardar futura habilitação no REIDI do Cliente solvedor". Evidentemente que a não-incidência como efeito da suspensão induzida pelo REIDI só pode ser aplicada nos recebimentos de Clientes que já detenham o status legal de habilitado ao Programa. Em nenhuma outra situação há previsão legal para que a SUZLON ignorasse a tributação do PIS/COFINS nas operações com seus Clientes. Dada a sistemática da não-cumulatividade, deve o Fisco garantir e respeitar tãosomente os créditos que a SUZLON legitimamente escritura, em consonância com a legislação de regência. Com todas essas considerações é imperativo que o Fisco promova o lançamento de ofício das contribuições sociais para o PIS/COFINS nos valores de acordo com o Quadro Demonstrativo das Bases de cálculo respectivas, por Cliente da SUZLON. (...) Outra questão a enfrentar é a conduta da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA em todo o episódio que se circunscreveu na apuração irregular do Lucro Bruto, mediante a utilização voluntária e consciente de critério de apuração não previsto em lei. Como já tivemos oportunidade de discorrer ao longo deste Termo de Verificação Fiscal, a concentração de receitas nos anos de 2009 e 2010, a despeito de ser irregular frente ao artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79, não foi um ato inocente, de mero desconhecimento da lei tributária. Foi algo muito maior, conjugado com a "espera" do Programa REIDI, com a igual "espera" do ato concessivo de redução do IRPJ, cumulando com a "fabricação" de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL em 2009, de modo a serem esses valores negativos usufruídos para neutralizarem a incidência dos 25% tributáveis remanescentes do IRPJ de 2010, e a incidência da CSLL sobre o lucro líquido que viesse a ser apurado, conforme as conveniências da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA. Não resta dúvida que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA se conduziu voluntária e conscientemente no sentido de fazer o Fisco não tomar conhecimento dos fatos geradores dos diversos tributos que lhe era devidos pela execução dos Contratos de Longo Prazo. Por essas razões, deve ser aplicada a multa qualificada nesta infração. Uma vez definida a existência de multa qualificada pela constatação de sonegação e fraude na conduta da SUZLON, não há falar em decadência do poder de lançar as contribuições para o PIS/COFINS no ano calendário de 2008. (...) O contribuinte, inconformado com o lançamento fiscal, apresentou a impugnação de fls. 855/899, na qual alega: i) preliminarmente, a decadência de parte crédito lançado, referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro a agosto de 2008, com fulcro no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (“CTN”), combinado com o fato de não se verificar conduta fraudulenta in casu. Ainda como preliminar, invoca a nulidade do feito por violação aos princípios da legalidade e da tipicidade estampados nos art. 142 do CTN, art. 10, V, do Decreto nº 70.235, de 1992 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, bem como a ampla defesa. ii) no mérito, o Contribuinte defende a forma de contábil e fiscal que adotou com relação às operações de contratos de fornecimento e instalação de turbinas eólicas (reconhecimento contábil das receitas e custos somente quando os produtos fabricados ou os serviços prestados passam com todos os seus benefícios e riscos para a titularidade do adquirente, ou seja, ao fim dos contratos). Subsidiariamente, o Contribuinte reclama não terem sido reconhecidos seus créditos de COFINS pela autoridade fiscal no momento da autuação, tampouco ter sido considerado o benefício fiscal que o REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) lhe proporciona. Por fim, o Contribuinte opõe-se ao agravamento da multa para o patamar de 150%, pois afirma não estarem presentes os atos caracterizadores de evidente intuito de fraude, uma vez que todos os atos foram estruturados na forma da lei, não havendo qualquer falsidade material ou ideológica. Em julgamento datado de 07 de abril de 2014, a DRJ Ribeirão Preto/SP deu parcial provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 14-49.620), nos termos da ementa a seguir colacionada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procede-se ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços será calculada sobre a receita apurada na proporção dos custos incorridos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO. No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto da contribuição apuradas, os créditos não cumulativos detidos pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. FRAUDE NÃO COMPROVADA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual. A parte do crédito tributário cancelada pela decisão a quo decorre i) da possibilidade legal de desconto dos créditos da não cumulatividade que foram indicados nos demonstrativos entregues à Administração Fiscal e que não foram objeto de oposição pela auditoria (fls 3597 e 3598), reduzindo o montante do crédito principal lançado nos termos do demonstrativo de fls 3600; e ii) da falta de comprovação de dolo na conduta do contribuinte, de modo que a multa de ofício foi reduzida para 75%. Ainda irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho. Depois de esclarecer que há erro no dispositivo do acórdão recorrido - no qual consta que a tese decadência foi acolhida, sendo que, pela leitura dos fundamentos da decisão é claro que não foi acatada a decadência -, a Recorrente busca reverter a parte do julgamento em que restou sucumbente, repisando os argumentos trazidos na impugnação. Ainda, coloca que a recomposição da base de cálculo da COFINS efetuada pela DRJ está equivocada, por deixar de reconhecer receitas relativas aos adiantamentos recebidos pelos clientes anteriormente oferecidos à tributação, conforme declarado na DACON, bem como por não reconhecer a integralidade do crédito da não cumulatividade passível de aproveitamento. Finalmente, requer o julgamento conjunto deste feito com o Processo Administrativo n. 10380.729799/2013-79, relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (“PIS”), intrinsicamente relacionados que são, por decorrerem dos mesmos fatos no mesmo período de apuração. É o relatório.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ

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Relatório Trata-se de recurso voluntário e de ofício, interpostos em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que declarou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de COFINS não cumulativa, consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre apropriação indevida de receitas referentes a contrato a longo prazo, considerada como omissão de receita (mais precisamente, simulação de contratação de empréstimo bancário, na visão da autoridade fiscal), no importe de R$ 105.263.397,80, incluídos principal, juros de mora e multa qualificada no percentual de 150%. Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do Termo de Verificação Fiscal, também destacados pelo Acórdão da DRJ: [...] a pessoa jurídica [...] opera no setor de tecnologia das energias alternativas, fornecendo a terceiros seus equipamentos de geração de energia eólica (Aerogeradores). Essa atividade, descrita resumidamente, envolve a importação, a venda e os serviços de instalação dos equipamentos nos parques eólicos indicados pelos Clientes adquirentes. Evidentemente que, à vista das dimensões dos equipamentos geradores eólicos, as importações eram feitas sob encomenda prévia do Cliente, de acordo com as condições previstas nas cláusulas dos contratos celebrados entre as partes. Isto significa que não existia na operacionalidade ordinária da empresa, a importação de partes e peças utilizadas nos Aerogeradores, de modo que compusessem estoques descompromissados, fora das encomendas pré-acertadas com Clientes. Diante dessas peculiaridades restou fácil concluir que as operações de venda e instalação de parques eólicos se compreendem nos denominados pela legislação tributária de "negócios de longo prazo", com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um exercício. [...]Criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo estrangeiro indicado como SUZLON WIND ENERGY A/S. Neste contexto de independência total, sua controladora integral é, também e simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos Aerogeradores importados que a empresa brasileira adquire e vende aqui no Brasil, para seus Clientes. [...]Foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA assina Contratos de Fornecimentos de Bens e Serviços com seus Clientes (Rosa dos Ventos Geração de Energia Eólica S/A e SIIF Cinco Ltda, em 2006, e Bons Ventos Geração de Energia S/A, em 2007) para venda e instalação de quase duas centenas de máquinas Aerogeradoras nos diversos parques eólicos designados pelos adquirentes. O total dos contratos, com cláusulas rígidas em seu corpo, ultrapassava a cifra de R$ 1.300.000.000,00 (hum bilhão e trezentos milhões de reais) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a 2009, conforme o progresso da execução. (...) Durante o período de 2007 a 2010 (a SUZLON) vendeu e executou projetos eólicos no valor de cerca de R$ 1,3 bilhões, que se caracteriza em construção civil pesada, ou seja, as receitas deveriam ter sido reconhecidas proporcional às fases das obras concluídas. No entanto, a mesma tratou suas operações como meras transações comerciais adiando seus reconhecimentos de receitas em cerca de três anos, adiando também desta forma o recolhimento e pagamento de tributos como PIS, COFINS, IR e CSLL sobre todas as suas operações naquele período, podendo ter causado prejuízos de milhões aos cofres públicos. Para corroborar a tese de que esta empresa agiu de má-fé, a mesma sempre reconheceu suas receitas em sua contabilidade gerencial através do percentual concluído da obra, mesma forma que deveria ter registrado suas receitas em seu LALUR. Tais ordens vinham da alta gerência de fora do Brasil, que deveriam ser acatadas pela equipe contábil, financeira e fiscal. (...) Ao adentrar no corpo orgânico da contabilidade da SUZLON, esta auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves anormalidades na conduta da empresa, naquilo que se referia ao cumprimento das obrigações contábeis e fiscais, fato esse que se estendia desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado (2010). Uma vez constatado isso, convinha averiguar duas questões de fundamental importância, a) se o proceder contábil da SUZLON teria provocado evidentes prejuízos à Fazenda Pública, com redução e/ou omissão de recolhimentos de tributos e contribuições sociais administrados pela Receita Federal do Brasil; b) se o proceder contábil da SUZLON ao longo dos anos considerados (visão panorâmica da situação de fato encontrada) pautou-se por conduta voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens fiscais ilícitas em prejuízo do Tesouro Nacional. Nos trabalhos de auditoria restou claro, de imediato, que a atividade operacional da SUZLON se enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo Prazo de Fornecimento de Bens e Serviços, com prazo de execução programada superior a um ano, a preço certo. Para tal conclusão foram solicitados todos os contratos assinados com os Clientes, que envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os anos de 2006 e 2010. Como os contratos dessa natureza se enquadram em uma regra própria de apuração específica de resultados e de tributação especial para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e as Contribuições para o PIS/COFINS, conforme legislação tributária em vigor, restou constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário e consciente das normas legais que disciplinam a Apuração de Resultados dos Contratos de Longo Prazo (Artigo 10 do Decreto-lei n° 1.598/78, Artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79) e da incidência das contribuições sociais para o PIS e COFINS (Leis n° 10.632/02 e 10.833/03) nessas operações. [..] a empresa ora autuada resolveu, por conta e risco próprio, enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, para um critério acumulado geral apenas nos anos-calendário de 2009 e 2010, ignorando de forma voluntária e consciente, os impactos que deveria reconhecer desde o ano-calendário de 2007, quando, de um lado, já incorria - inapelavelmente - em custos apropriados relativos a fornecimento de bens e/ou serviços referentes ao cumprimento dos contratos assinados com seus Clientes e, de outro, em faturamento por conta do igual cumprimento desses contratos. [...]Desde o ano de 2006 o governo brasileiro já sinalizava a instituição de programa de incentivo à infra-estrutura no País. Sobreveio a Lei n° 11.488/2007 que instituiu os casos de suspensão das contribuições para o PIS/COFINS nos casos em que indica, embora condicionasse o benefício a uma questão formal de habilitação/co-habilitação dos credenciados. Num outro flanco, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na área da SUDENE, com redução de 75% do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. No afã de nada recolher ao Tesouro Nacional, restava a busca de estratégia para neutralizar qualquer incidência de tributo sobre os 25% remanescentes do benefício fiscal de IRPJ e de 100% da CSLL eventualmente devida pela empresa. A técnica para tal foi "fabricar" prejuízos fiscais de modo que não houvesse, a priori, base de cálculo positiva para aquelas exações. Como os contratos assinados com seus Clientes datam de setembro de 2006 e outubro de 2007 coube à empresa enveredar pelo risco de ignorar as apurações de resultado parciais (ano a ano em que houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos, com (sic) incluídos nas bases de cálculo do PIS/COFINS. Ignorando tudo isso, acumulou o resultado geral dos Contratos celebrados com seus Clientes apenas para os anos de 2009 e 2010. Com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita total dos Contratos de Longo Prazo, "fabrica" prejuízo fiscal, já com olho no que viria a fazer (de forma irregular) no ano seguinte, ao mesmo tempo em que não reconhece qualquer base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que deferido o Ato Declaratório de Redução de 75% do IRPJ, descarrega todo o remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria, a partir do ano-calendário de 2010. Ou seja, já tendo até 31.12.2009, recebido e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contratos de Longo Prazo, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA pretendeu dar efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só adquirira em 01.01.2010. Também ignorando e abandonando, consciente e voluntariamente, o dever de reconhecer as receitas nos meses em que recebidas a qualquer título, de modo que conseguisse contornar a incidência das contribuições para o PIS/COFINS, encontrou-se a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA numa situação inusitada e inconseqüente de liberação geral do dever de recolher tributos no Brasil. Essa última observação adquire relevo probatório quando a SUZLON e alguns de seus Clientes assinam Aditivos ao Contrato Principal, promovendo um "enxugamento do preço" dos produtos fornecidos, à vista da superveniência do Programa REIDI, o qual concedia a suspensão de PIS/COFINS nos casos em que indicava. Ou seja, os preços originários, cujas parcelas deveriam ser recebidas dos Clientes, mantinham-se com as referidas contribuições embutidas, mas mesmo assim, a SUZLON preferira ignorar seu dever de recolhimento ao Tesouro Nacional. Agregue-se a tudo isto, a prática incomum de acumulação pura e simples de créditos de PIS e COFINS na sistemática da não-cumulatividade, sem qualquer débito relevante a neutralizá-los. Pois é diante desta realidade fiscal apresentada pela empresa, que esta auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação, tudo de acordo com os normativos legais regedores das matérias aqui tratadas. (...) Para a implementação destas providências o Fisco tentou, por reiteradas vezes, no Termo de Início de Fiscalização e em seus Termos de Intimação supervenientes, obter os dados necessários para que pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de cálculo dos tributos e contribuições não recolhidos ao Tesouro Nacional. Certo e convicto de que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA mantém esses dados em Planilhas auxiliares à escrituração, todas as Intimações no sentido de conhecê-las restaram improfícuas, por absoluta omissão da empresa em fornecê-las. Sequer a empresa apresentou o LALUR de 2010, sendo que as escriturações contábeis dos anos-calendário de 2009 e 2010 só foram apresentadas em Livros encadernados (escrituração em papel). Mas, embora a empresa pudesse fazer crer que esta sua conduta dificultasse o Fisco de chegar aos resultados tributáveis corretos, nada disso constituiu-se em obstáculo para o encerramento da auditoria com os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados. De posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos de 2009 e 2010 pela própria empresa, com seus próprios números e cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos anos de 2007 a 2010 (com base nos principais custos de importação, conforme DI's), de modo que pudesse montar, com base na legislação específica que rege a matéria, sua própria Planilha de Apuração dos Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o início do ano de 2010, quando os projetos foram definitivamente entregues e encerrados), Planilha essa que vai anexa ao presente Termo de Verificação. Como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS foram retiradas da escrituração da SUZLON em batimento com os valores informados pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada um deles. Planilha do Fisco neste sentido, também encontra-se anexa ao presente Termo de Verificação. (...) Com os dados das importações de matéria prima (Aerogeradores e Torres) e de materiais secundários foi possível alocar os custos em cada ano-calendário. As datas do desembaraço aduaneiro das Declarações de Importação fechadas desde 2007 foram fundamentais para a tabulação dos dados ano a ano. Com tal estratégia e utilizando-se apenas dos números e cifras assentados na escrituração nos anos de 2008, 2009 e 2010, sendo que apenas em 2009 e 2010 a SUZLON registrou de forma acumulada custo total e receita total, foi possível ao Fisco confeccionar os Quadros Demonstrativos n° 01, 02 e 03 anexos ao presente Termo de Verificação Fiscal. O primeiro Quadro alude ao Cálculo da Receita Proporcional Acumulada até o Período-base/Ano Calendário. O Quadro n° 02 refere-se ao Cálculo da Receita Correspondente a cada Ano Calendário. Já o Quadro Demonstrativo de n° 03 determina o Cálculo do Lucro Bruto Efetuado de Ofício em cada Ano- Calendário. Os valores do Lucro Bruto levados à tributação em cada ano são exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de n° 03. Note que na metodologia apresentada pela SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA não há apuração de resultado em 2007 e em 2008; em 2009 ela resolve levantar DRE de modo a "fabricar" o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL para usufruto desses valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo o valor total dos contratos de longo prazo, pelos motivos que explicamos ao descrever o planejamento tributário de natureza evasiva que visava aplicar um enorme prejuízo ao Tesouro Nacional. [...]Com o mesmo argumento que descrevemos a infração relativa à apuração incorreta do resultado dos Contratos de Longo Prazo para o caso do IRPJ e da CSLL, descreveremos neste tópico as ocorrências de falta de recolhimento das contribuições para o PIS e o COFINS. Com fundamento nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA deveria ter apurado as bases de cálculo das referidas contribuições e recolhido nas datas próprias os valores das exações mensais, conforme apropriasse faturamento em decorrência de custos incorridos. Não tendo segregado em nenhum dos meses faturamento para constituir base de cálculo do PIS/COFINS, tal como não fizera a apuração correta no caso do IRPJ, cumpriu ao Fisco extrair as referidas bases de cálculo de ofício. Como desde o ano calendário de 2007 já havia custos incorridos, os valores recebidos dos Clientes/adquirentes das usinas eólicas foram tomados como faturamento no mês em que percebidos, dado que representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento de bens e serviços previstos nos Contratos assinados pelas partes vendedora e adquirente. Cabe registrar que os custos atinentes à incidência do PIS/COFINS nãocumulativo, a toda evidência, foram embutidos no preço total dos Contratos, de modo que, para aqueles Clientes que obtiveram a habilitação no Programa REIDI - que garantia a aquisição de bens de capital em geral com suspensão do PIS/COFINS - houve Aditivos ao Contrato Original, reamoldando os custos totais à referida exoneração tributária daquelas contribuições. Diante desse quadro normativo-legal disciplinador da situação (norma de incidência do PIS/COFINS completamente configurada nos planos da existência, validade e eficácia), e norma de incentivo garantidora das operações com suspensão das contribuições para os Clientes habilitados ao REIDI, foi possível estabelecer os critérios para a identificação efetiva dos casos de incidência do PIS/COFINS, em contraste com aqueles que se enquadrem na suspensão prevista em lei especial. Todos os ingressos de numerário oriundo dos Clientes da SUZLON que se refiram a pagamentos parciais do preço total do Contrato, à vista dos custos já incorridos, deverão ser tidos como base de cálculo das contribuições sociais para o PIS/COFINS, até o momento em que o Cliente solvedor tenha se habilitado legalmente no REIDI. Isso significa que, não poderia se supor admissível, que a SUZLON percebesse parte do preço total do projeto/Contrato do Cliente ao longo do tempo, que - como já dissemos, estava impactada pela incidência das contribuições sociais em questão - e resolvesse - ela própria - se comportar no sentido de "aguardar futura habilitação no REIDI do Cliente solvedor". Evidentemente que a não-incidência como efeito da suspensão induzida pelo REIDI só pode ser aplicada nos recebimentos de Clientes que já detenham o status legal de habilitado ao Programa. Em nenhuma outra situação há previsão legal para que a SUZLON ignorasse a tributação do PIS/COFINS nas operações com seus Clientes. Dada a sistemática da não-cumulatividade, deve o Fisco garantir e respeitar tãosomente os créditos que a SUZLON legitimamente escritura, em consonância com a legislação de regência. Com todas essas considerações é imperativo que o Fisco promova o lançamento de ofício das contribuições sociais para o PIS/COFINS nos valores de acordo com o Quadro Demonstrativo das Bases de cálculo respectivas, por Cliente da SUZLON. (...) Outra questão a enfrentar é a conduta da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA em todo o episódio que se circunscreveu na apuração irregular do Lucro Bruto, mediante a utilização voluntária e consciente de critério de apuração não previsto em lei. Como já tivemos oportunidade de discorrer ao longo deste Termo de Verificação Fiscal, a concentração de receitas nos anos de 2009 e 2010, a despeito de ser irregular frente ao artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79, não foi um ato inocente, de mero desconhecimento da lei tributária. Foi algo muito maior, conjugado com a "espera" do Programa REIDI, com a igual "espera" do ato concessivo de redução do IRPJ, cumulando com a "fabricação" de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL em 2009, de modo a serem esses valores negativos usufruídos para neutralizarem a incidência dos 25% tributáveis remanescentes do IRPJ de 2010, e a incidência da CSLL sobre o lucro líquido que viesse a ser apurado, conforme as conveniências da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA. Não resta dúvida que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA se conduziu voluntária e conscientemente no sentido de fazer o Fisco não tomar conhecimento dos fatos geradores dos diversos tributos que lhe era devidos pela execução dos Contratos de Longo Prazo. Por essas razões, deve ser aplicada a multa qualificada nesta infração. Uma vez definida a existência de multa qualificada pela constatação de sonegação e fraude na conduta da SUZLON, não há falar em decadência do poder de lançar as contribuições para o PIS/COFINS no ano calendário de 2008. (...) O contribuinte, inconformado com o lançamento fiscal, apresentou a impugnação de fls. 855/899, na qual alega: i) preliminarmente, a decadência de parte crédito lançado, referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro a agosto de 2008, com fulcro no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (“CTN”), combinado com o fato de não se verificar conduta fraudulenta in casu. Ainda como preliminar, invoca a nulidade do feito por violação aos princípios da legalidade e da tipicidade estampados nos art. 142 do CTN, art. 10, V, do Decreto nº 70.235, de 1992 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, bem como a ampla defesa. ii) no mérito, o Contribuinte defende a forma de contábil e fiscal que adotou com relação às operações de contratos de fornecimento e instalação de turbinas eólicas (reconhecimento contábil das receitas e custos somente quando os produtos fabricados ou os serviços prestados passam com todos os seus benefícios e riscos para a titularidade do adquirente, ou seja, ao fim dos contratos). Subsidiariamente, o Contribuinte reclama não terem sido reconhecidos seus créditos de COFINS pela autoridade fiscal no momento da autuação, tampouco ter sido considerado o benefício fiscal que o REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) lhe proporciona. Por fim, o Contribuinte opõe-se ao agravamento da multa para o patamar de 150%, pois afirma não estarem presentes os atos caracterizadores de evidente intuito de fraude, uma vez que todos os atos foram estruturados na forma da lei, não havendo qualquer falsidade material ou ideológica. Em julgamento datado de 07 de abril de 2014, a DRJ Ribeirão Preto/SP deu parcial provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 14-49.620), nos termos da ementa a seguir colacionada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procede-se ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços será calculada sobre a receita apurada na proporção dos custos incorridos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO. No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto da contribuição apuradas, os créditos não cumulativos detidos pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. FRAUDE NÃO COMPROVADA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual. A parte do crédito tributário cancelada pela decisão a quo decorre i) da possibilidade legal de desconto dos créditos da não cumulatividade que foram indicados nos demonstrativos entregues à Administração Fiscal e que não foram objeto de oposição pela auditoria (fls 3597 e 3598), reduzindo o montante do crédito principal lançado nos termos do demonstrativo de fls 3600; e ii) da falta de comprovação de dolo na conduta do contribuinte, de modo que a multa de ofício foi reduzida para 75%. Ainda irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho. Depois de esclarecer que há erro no dispositivo do acórdão recorrido - no qual consta que a tese decadência foi acolhida, sendo que, pela leitura dos fundamentos da decisão é claro que não foi acatada a decadência -, a Recorrente busca reverter a parte do julgamento em que restou sucumbente, repisando os argumentos trazidos na impugnação. Ainda, coloca que a recomposição da base de cálculo da COFINS efetuada pela DRJ está equivocada, por deixar de reconhecer receitas relativas aos adiantamentos recebidos pelos clientes anteriormente oferecidos à tributação, conforme declarado na DACON, bem como por não reconhecer a integralidade do crédito da não cumulatividade passível de aproveitamento. Finalmente, requer o julgamento conjunto deste feito com o Processo Administrativo n. 10380.729799/2013-79, relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (“PIS”), intrinsicamente relacionados que são, por decorrerem dos mesmos fatos no mesmo período de apuração. É o relatório.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2200; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 3.714          1 3.713  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.729798/2013­24  Recurso nº            De Ofício e Voluntário  Resolução nº  3402­000.753  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  23 de fevereiro de 2016  Assunto  COFINS  Recorrentes  SUZLON ENERGIA EOLICA DO BRASIL LTDA              FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  repartição  fiscal  de  origem  apresente  as  informações  necessárias para o julgamento do Processo, nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Antônio Carlos Atulim ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Relatora   Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim,  Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Diego  Diniz  Ribeiro  e  Carlos  Augusto Daniel Neto.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  e  de  ofício,  interpostos  em  face  da  decisão  proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que  declarou  parcialmente  procedente  a  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte  sobre  a  cobrança  de COFINS  não  cumulativa,  consubstanciada  no  auto  de  infração  em  questão.  Tal  autuação  versa,  em  apertada  síntese,  sobre  apropriação  indevida  de  receitas  referentes  a  contrato a longo prazo, considerada como omissão de receita (mais precisamente, simulação de  contratação  de  empréstimo  bancário,  na  visão  da  autoridade  fiscal),  no  importe  de  R$  105.263.397,80, incluídos principal, juros de mora e multa qualificada no percentual de 150%.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 29 79 8/ 20 13 -2 4 Fl. 3714DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.715          2 Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento  tributário  em  questão,  com  riqueza  de  detalhes,  colaciono  os  trechos  mais  importantes  do  Termo de Verificação Fiscal, também destacados pelo Acórdão da DRJ:   [...]  a pessoa  jurídica [...]  opera no setor de  tecnologia das energias  alternativas,  fornecendo a terceiros  seus equipamentos de geração de  energia  eólica  (Aerogeradores).  Essa  atividade,  descrita  resumidamente,  envolve  a  importação,  a  venda  e  os  serviços  de  instalação  dos  equipamentos  nos  parques  eólicos  indicados  pelos  Clientes adquirentes.  Evidentemente que, à vista das dimensões dos equipamentos geradores  eólicos, as  importações eram feitas sob encomenda prévia do Cliente,  de  acordo  com  as  condições  previstas  nas  cláusulas  dos  contratos  celebrados  entre  as  partes.  Isto  significa  que  não  existia  na  operacionalidade  ordinária  da  empresa,  a  importação  de  partes  e  peças  utilizadas  nos  Aerogeradores,  de  modo  que  compusessem  estoques descompromissados, fora das encomendas pré­acertadas com  Clientes.  Diante dessas peculiaridades restou fácil concluir que as operações de  venda  e  instalação  de  parques  eólicos  se  compreendem  nos  denominados pela legislação tributária de "negócios de longo prazo",  com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um  exercício.  [...]Criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo  estrangeiro  indicado  como  SUZLON  WIND  ENERGY  A/S.  Neste  contexto de independência total, sua controladora integral é, também e  simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos Aerogeradores  importados que a  empresa brasileira adquire e  vende aqui no Brasil,  para seus Clientes.  [...]Foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA  assina  Contratos  de  Fornecimentos  de  Bens  e  Serviços  com  seus  Clientes  (Rosa  dos  Ventos  Geração  de  Energia  Eólica  S/A  e  SIIF  Cinco  Ltda,  em  2006,  e  Bons  Ventos  Geração  de  Energia S/A, em 2007) para venda e instalação de quase duas centenas  de máquinas Aerogeradoras  nos  diversos  parques  eólicos  designados  pelos adquirentes. O total dos contratos, com cláusulas rígidas em seu  corpo,  ultrapassava  a  cifra  de  R$  1.300.000.000,00  (hum  bilhão  e  trezentos milhões de reais) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a  2009, conforme o progresso da execução.  (...)  Durante  o  período  de  2007  a  2010  (a  SUZLON)  vendeu  e  executou  projetos eólicos no valor de cerca de R$ 1,3 bilhões, que se caracteriza  em  construção  civil  pesada,  ou  seja,  as  receitas  deveriam  ter  sido  reconhecidas proporcional às fases das obras concluídas. No entanto,  a  mesma  tratou  suas  operações  como meras  transações  comerciais  adiando  seus  reconhecimentos  de  receitas  em  cerca  de  três  anos,  adiando também desta forma o recolhimento e pagamento de tributos  como  PIS,  COFINS,  IR  e  CSLL  sobre  todas  as  suas  operações  naquele período, podendo ter causado prejuízos de milhões aos cofres  Fl. 3715DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.716          3 públicos. Para corroborar a tese de que esta empresa agiu de má­fé, a  mesma  sempre  reconheceu  suas  receitas  em  sua  contabilidade  gerencial através do percentual concluído da obra, mesma forma que  deveria  ter  registrado  suas  receitas  em  seu  LALUR.  Tais  ordens  vinham da alta gerência de fora do Brasil, que deveriam ser acatadas  pela equipe contábil, financeira e fiscal.  (...)  Ao  adentrar  no  corpo  orgânico  da  contabilidade  da  SUZLON,  esta  auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves  anormalidades  na  conduta  da  empresa,  naquilo  que  se  referia  ao  cumprimento  das  obrigações  contábeis  e  fiscais,  fato  esse  que  se  estendia desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado  (2010).  Uma  vez  constatado  isso,  convinha  averiguar  duas  questões  de  fundamental  importância, a) se o proceder contábil da SUZLON teria  provocado  evidentes  prejuízos  à  Fazenda  Pública,  com  redução  e/ou  omissão  de  recolhimentos  de  tributos  e  contribuições  sociais  administrados  pela  Receita  Federal  do  Brasil;  b)  se  o  proceder  contábil  da  SUZLON  ao  longo  dos  anos  considerados  (visão  panorâmica  da  situação  de  fato  encontrada)  pautou­se  por  conduta  voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens fiscais ilícitas  em  prejuízo  do  Tesouro Nacional.  Nos  trabalhos  de  auditoria  restou  claro,  de  imediato,  que  a  atividade  operacional  da  SUZLON  se  enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo  Prazo  de Fornecimento  de Bens  e  Serviços,  com  prazo  de  execução  programada  superior  a  um  ano,  a  preço  certo.  Para  tal  conclusão  foram  solicitados  todos  os  contratos  assinados  com  os  Clientes,  que  envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os  anos de 2006 e 2010. Como os contratos dessa natureza se enquadram  em  uma  regra  própria  de  apuração  específica  de  resultados  e  de  tributação  especial  para  o  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica,  a  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e as Contribuições para o  PIS/COFINS,  conforme  legislação  tributária  em  vigor,  restou  constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário  e  consciente  das  normas  legais  que  disciplinam  a  Apuração  de  Resultados  dos Contratos de Longo Prazo  (Artigo  10  do Decreto­lei  n°  1.598/78,  Artigo  407  do  RIR/99  e  IN  SRF  n°  021/79)  e  da  incidência das  contribuições  sociais para o PIS e COFINS  (Leis n°  10.632/02 e 10.833/03) nessas operações.  [..]  a  empresa  ora  autuada  resolveu,  por  conta  e  risco  próprio,  enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas  bases  de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/COFINS,  para  um  critério acumulado geral apenas nos anos­calendário de 2009 e 2010,  ignorando de  forma voluntária  e consciente,  os  impactos que deveria  reconhecer  desde  o  ano­calendário  de  2007,  quando,  de  um  lado,  já  incorria  ­  inapelavelmente  ­  em  custos  apropriados  relativos  a  fornecimento  de  bens  e/ou  serviços  referentes  ao  cumprimento  dos  contratos assinados com seus Clientes e, de outro, em faturamento por  conta do igual cumprimento desses contratos.  Fl. 3716DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.717          4 [...]Desde  o  ano  de  2006  o  governo  brasileiro  já  sinalizava  a  instituição  de  programa  de  incentivo  à  infra­estrutura  no  País.  Sobreveio a Lei n° 11.488/2007 que instituiu os casos de suspensão das  contribuições  para  o  PIS/COFINS  nos  casos  em  que  indica,  embora  condicionasse  o  benefício  a  uma  questão  formal  de  habilitação/co­ habilitação dos credenciados.  Num  outro  flanco,  a  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na  área da SUDENE, com redução de 75% do Imposto de Renda Pessoa  Jurídica.  No  afã  de  nada  recolher  ao  Tesouro  Nacional,  restava  a  busca  de  estratégia  para  neutralizar  qualquer  incidência  de  tributo  sobre os 25% remanescentes do benefício fiscal de IRPJ e de 100% da  CSLL eventualmente devida pela empresa.  A  técnica  para  tal  foi  "fabricar"  prejuízos  fiscais  de  modo  que  não  houvesse,  a  priori,  base  de  cálculo  positiva  para  aquelas  exações.  Como os contratos assinados com seus Clientes datam de setembro de  2006  e  outubro  de  2007  coube  à  empresa  enveredar  pelo  risco  de  ignorar  as  apurações  de  resultado  parciais  (ano  a  ano  em  que  houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou  recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos, com (sic)  incluídos nas bases de cálculo do PIS/COFINS.  Ignorando  tudo  isso,  acumulou  o  resultado  geral  dos  Contratos  celebrados  com  seus  Clientes  apenas  para  os  anos  de  2009  e  2010.  Com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita  total dos Contratos de Longo Prazo,  "fabrica" prejuízo  fiscal,  já com  olho  no  que  viria  a  fazer  (de  forma  irregular)  no  ano  seguinte,  ao  mesmo  tempo  em  que  não  reconhece  qualquer  base  de  cálculo  das  contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que deferido  o  Ato  Declaratório  de  Redução  de  75%  do  IRPJ,  descarrega  todo  o  remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que  se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria, a partir  do ano­calendário de 2010. Ou seja, já tendo até 31.12.2009, recebido  e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contratos de Longo Prazo, a  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA  pretendeu  dar  efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só  adquirira em 01.01.2010.  Também  ignorando  e  abandonando,  consciente  e  voluntariamente,  o  dever de reconhecer as receitas nos meses em que recebidas a qualquer  título,  de  modo  que  conseguisse  contornar  a  incidência  das  contribuições para o PIS/COFINS, encontrou­se a SUZLON ENERGIA  EÓLICA DO BRASIL LTDA numa situação inusitada e inconseqüente  de liberação geral do dever de recolher tributos no Brasil.  Essa última observação adquire relevo probatório quando a SUZLON  e  alguns  de  seus  Clientes  assinam  Aditivos  ao  Contrato  Principal,  promovendo  um  "enxugamento  do  preço"  dos  produtos  fornecidos,  à  vista  da  superveniência  do  Programa  REIDI,  o  qual  concedia  a  suspensão  de  PIS/COFINS  nos  casos  em  que  indicava.  Ou  seja,  os  preços originários, cujas parcelas deveriam ser recebidas dos Clientes,  mantinham­se  com  as  referidas  contribuições  embutidas, mas mesmo  Fl. 3717DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.718          5 assim,  a  SUZLON  preferira  ignorar  seu  dever  de  recolhimento  ao  Tesouro Nacional.  Agregue­se  a  tudo  isto,  a  prática  incomum  de  acumulação  pura  e  simples  de  créditos  de  PIS  e  COFINS  na  sistemática  da  não­ cumulatividade, sem qualquer débito relevante a neutralizá­los.  Pois é diante desta realidade fiscal apresentada pela empresa, que esta  auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação, tudo de  acordo com os normativos legais regedores das matérias aqui tratadas.  (...)  Para  a  implementação  destas  providências  o  Fisco  tentou,  por  reiteradas vezes, no Termo de Início de Fiscalização e em seus Termos  de  Intimação  supervenientes,  obter  os  dados  necessários  para  que  pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de  cálculo  dos  tributos  e  contribuições  não  recolhidos  ao  Tesouro  Nacional.  Certo  e  convicto  de  que a  SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL  LTDA  mantém  esses  dados  em  Planilhas  auxiliares  à  escrituração,  todas  as  Intimações no  sentido  de  conhecê­las  restaram  improfícuas,  por absoluta omissão da empresa em fornecê­las.  Sequer  a  empresa  apresentou  o  LALUR  de  2010,  sendo  que  as  escriturações contábeis dos anos­calendário de 2009 e 2010 só foram  apresentadas em Livros encadernados (escrituração em papel).  Mas,  embora  a  empresa  pudesse  fazer  crer  que  esta  sua  conduta  dificultasse o Fisco de chegar aos resultados tributáveis corretos, nada  disso constituiu­se em obstáculo para o encerramento da auditoria com  os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados.  De posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de  Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos  de  2009  e  2010  pela  própria  empresa,  com  seus  próprios  números  e  cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos  anos de 2007 a 2010  (com base nos principais custos de  importação,  conforme DI's), de modo que pudesse montar, com base na legislação  específica que rege a matéria,  sua própria Planilha de Apuração dos  Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o  início  do  ano  de  2010,  quando  os  projetos  foram  definitivamente  entregues  e  encerrados),  Planilha  essa  que  vai  anexa  ao  presente  Termo de Verificação.  Como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/COFINS  foram  retiradas  da  escrituração  da  SUZLON  em  batimento  com  os  valores  informados  pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada  um deles. Planilha do Fisco neste  sentido,  também encontra­se anexa  ao presente Termo de Verificação.  (...)  Com  os  dados  das  importações  de  matéria  prima  (Aerogeradores  e  Torres)  e  de  materiais  secundários  foi  possível  alocar  os  custos  em  Fl. 3718DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.719          6 cada  ano­calendário.  As  datas  do  desembaraço  aduaneiro  das  Declarações de  Importação  fechadas desde 2007  foram  fundamentais  para a tabulação dos dados ano a ano. Com tal estratégia e utilizando­ se apenas dos números e cifras assentados na escrituração nos anos de  2008,  2009  e  2010,  sendo  que  apenas  em  2009  e  2010  a  SUZLON  registrou de forma acumulada custo total e receita total, foi possível ao  Fisco confeccionar os Quadros Demonstrativos n° 01, 02 e 03 anexos  ao presente Termo de Verificação Fiscal.  O  primeiro  Quadro  alude  ao  Cálculo  da  Receita  Proporcional  Acumulada  até  o  Período­base/Ano  Calendário.  O  Quadro  n°  02  refere­se  ao  Cálculo  da  Receita  Correspondente  a  cada  Ano  Calendário. Já o Quadro Demonstrativo de n° 03 determina o Cálculo  do Lucro Bruto Efetuado de Ofício em cada Ano­ Calendário.  Os  valores  do  Lucro  Bruto  levados  à  tributação  em  cada  ano  são  exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de n° 03.  Note  que  na  metodologia  apresentada  pela  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA DO BRASIL LTDA não há apuração de resultado em 2007 e  em 2008;  em 2009  ela  resolve  levantar DRE de modo a  "fabricar"  o  prejuízo  fiscal  e  a  base  de  cálculo  da  CSLL  para  usufruto  desses  valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo  o  valor  total  dos  contratos  de  longo  prazo,  pelos  motivos  que  explicamos ao descrever o planejamento tributário de natureza evasiva  que visava aplicar um enorme prejuízo ao Tesouro Nacional.  [...]Com  o  mesmo  argumento  que  descrevemos  a  infração  relativa  à  apuração incorreta do resultado dos Contratos de Longo Prazo para o  caso do IRPJ e da CSLL, descreveremos neste tópico as ocorrências de  falta de recolhimento das contribuições para o PIS e o COFINS.  Com fundamento nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 a SUZLON ENERGIA  EÓLICA DO BRASIL LTDA deveria  ter apurado as bases de  cálculo  das  referidas contribuições  e  recolhido nas datas próprias os  valores  das  exações  mensais,  conforme  apropriasse  faturamento  em  decorrência de custos incorridos. Não tendo segregado em nenhum dos  meses faturamento para constituir base de cálculo do PIS/COFINS, tal  como não fizera a apuração correta no caso do IRPJ, cumpriu ao Fisco  extrair as referidas bases de cálculo de ofício.  Como desde o ano calendário de 2007  já havia  custos  incorridos,  os  valores  recebidos  dos  Clientes/adquirentes  das  usinas  eólicas  foram  tomados  como  faturamento  no  mês  em  que  percebidos,  dado  que  representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento  de  bens  e  serviços  previstos  nos  Contratos  assinados  pelas  partes  vendedora  e  adquirente.  Cabe  registrar  que  os  custos  atinentes  à  incidência  do  PIS/COFINS  nãocumulativo,  a  toda  evidência,  foram  embutidos  no  preço  total  dos  Contratos,  de  modo  que,  para  aqueles  Clientes  que  obtiveram  a  habilitação  no  Programa  REIDI  ­  que  garantia  a  aquisição  de  bens  de  capital  em  geral  com  suspensão  do  PIS/COFINS  ­  houve Aditivos  ao Contrato Original,  reamoldando  os  custos totais à referida exoneração tributária daquelas contribuições.  Diante desse quadro normativo­legal disciplinador da situação (norma  de  incidência do PIS/COFINS completamente configurada nos planos  da  existência,  validade  e  eficácia),  e  norma de  incentivo  garantidora  Fl. 3719DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.720          7 das  operações  com  suspensão  das  contribuições  para  os  Clientes  habilitados  ao  REIDI,  foi  possível  estabelecer  os  critérios  para  a  identificação  efetiva  dos  casos  de  incidência  do  PIS/COFINS,  em  contraste com aqueles que se enquadrem na suspensão prevista em lei  especial.  Todos  os  ingressos  de  numerário  oriundo  dos  Clientes  da  SUZLON  que  se  refiram  a  pagamentos  parciais  do  preço  total  do  Contrato, à vista dos custos já incorridos, deverão ser tidos como base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  para  o  PIS/COFINS,  até  o  momento em que o Cliente solvedor tenha se habilitado legalmente no  REIDI.  Isso  significa  que,  não  poderia  se  supor  admissível,  que  a  SUZLON  percebesse  parte  do  preço  total  do  projeto/Contrato  do  Cliente  ao  longo  do  tempo,  que  ­  como  já  dissemos,  estava  impactada  pela  incidência  das  contribuições  sociais  em  questão  ­  e  resolvesse  ­  ela  própria ­ se comportar no sentido de "aguardar futura habilitação no  REIDI do Cliente solvedor".  Evidentemente que a não­incidência como efeito da suspensão induzida  pelo REIDI só pode ser aplicada nos recebimentos de Clientes que já  detenham o status legal de habilitado ao Programa. Em nenhuma outra  situação há previsão legal para que a SUZLON ignorasse a tributação  do PIS/COFINS nas operações com seus Clientes.  Dada  a  sistemática  da  não­cumulatividade,  deve  o  Fisco  garantir  e  respeitar  tãosomente  os  créditos  que  a  SUZLON  legitimamente  escritura, em consonância com a legislação de regência.  Com  todas  essas  considerações  é  imperativo  que  o Fisco  promova  o  lançamento de ofício das contribuições sociais para o PIS/COFINS nos  valores de acordo com o Quadro Demonstrativo das Bases de cálculo  respectivas, por Cliente da SUZLON.  (...)  Outra questão a enfrentar é a conduta da SUZLON ENERGIA EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA  em  todo  o  episódio  que  se  circunscreveu  na  apuração irregular do Lucro Bruto, mediante a utilização voluntária e  consciente de critério de apuração não previsto em lei.  Como  já  tivemos oportunidade de discorrer ao  longo deste Termo de  Verificação  Fiscal,  a  concentração  de  receitas  nos  anos  de  2009  e  2010, a despeito de ser irregular frente ao artigo 407 do RIR/99 e IN  SRF n° 021/79, não foi um ato inocente, de mero desconhecimento da  lei tributária.  Foi algo muito maior, conjugado com a "espera" do Programa REIDI,  com  a  igual  "espera"  do  ato  concessivo  de  redução  do  IRPJ,  cumulando com a "fabricação" de prejuízo fiscal e de base de cálculo  negativa de CSLL em 2009, de modo a serem esses valores negativos  usufruídos  para  neutralizarem  a  incidência  dos  25%  tributáveis  remanescentes do IRPJ de 2010, e a incidência da CSLL sobre o lucro  líquido  que  viesse  a  ser  apurado,  conforme  as  conveniências  da  SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA.  Fl. 3720DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.721          8 Não  resta  dúvida  que  a  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA se conduziu voluntária e conscientemente no sentido de fazer o  Fisco  não  tomar  conhecimento  dos  fatos  geradores  dos  diversos  tributos  que  lhe  era  devidos  pela  execução  dos  Contratos  de  Longo  Prazo.  Por essas razões, deve ser aplicada a multa qualificada nesta infração.  Uma vez definida a existência de multa qualificada pela constatação de  sonegação  e  fraude  na  conduta  da  SUZLON,  não  há  falar  em  decadência  do  poder  de  lançar  as  contribuições  para  o PIS/COFINS  no ano calendário de 2008. (...)  O  contribuinte,  inconformado  com  o  lançamento  fiscal,  apresentou  a  impugnação de fls. 855/899, na qual alega:   i)  preliminarmente,  a  decadência  de  parte  crédito  lançado,  referente  aos  fatos  geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro a agosto de 2008, com fulcro no art.  150, §4º do Código Tributário Nacional  (“CTN”), combinado com o  fato de não se verificar  conduta fraudulenta  in casu. Ainda como preliminar,  invoca a nulidade do feito por violação  aos princípios  da  legalidade  e da  tipicidade  estampados nos  art.  142 do CTN,  art.  10, V, do  Decreto nº 70.235, de 1992 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, bem como a ampla defesa.  ii)  no mérito,  o Contribuinte  defende  a  forma  de  contábil  e  fiscal  que  adotou  com  relação  às  operações  de  contratos  de  fornecimento  e  instalação  de  turbinas  eólicas  (reconhecimento contábil das  receitas e custos  somente quando os produtos  fabricados ou os  serviços  prestados  passam  com  todos  os  seus  benefícios  e  riscos  para  a  titularidade  do  adquirente, ou seja, ao fim dos contratos). Subsidiariamente, o Contribuinte reclama não terem  sido  reconhecidos  seus créditos de COFINS pela autoridade  fiscal no momento da  autuação,  tampouco ter sido considerado o benefício fiscal que o REIDI (Regime Especial de Incentivos  para o Desenvolvimento da Infraestrutura) lhe proporciona. Por fim, o Contribuinte opõe­se ao  agravamento  da multa  para  o  patamar  de  150%,  pois  afirma  não  estarem  presentes  os  atos  caracterizadores de evidente intuito de fraude, uma vez que todos os atos foram estruturados na  forma da lei, não havendo qualquer falsidade material ou ideológica.  Em  julgamento  datado  de  07  de  abril  de  2014,  a  DRJ  Ribeirão  Preto/SP  deu  parcial provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 14­49.620), nos termos da ementa  a seguir colacionada.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  ­  COFINS  Período  de  apuração:  01/01/2008  a  31/05/2010  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  PRAZO  DECADENCIAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Afastado,  por  inconstitucional,  o  prazo  de  dez  anos  para  o  lançamento  das  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social,  a  contagem do prazo decadencial rege­se pelo disposto no Código  Tributário.  Na  hipótese  em  que  o  recolhimento  não  ocorre  ou  ocorre  em  desconformidade  com  a  legislação  aplicável  e,  por  conseguinte,  procede­se  ao  lançamento  de  ofício,  o  prazo  decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício  seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver  sido realizado.  Fl. 3721DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.722          9 CONTRATOS  DE  LONGO  PRAZO.  RECONHECIMENTO  DAS  RECEITAS.  A  contribuição  incidente  na  hipótese  de  contratos,  com  prazo  de  execução  superior  a  um  ano  de  fornecimento,  a  preço  predeterminado,  de bens  ou  serviços  será  calculada  sobre  a  receita  apurada  na  proporção  dos  custos  incorridos.  CRÉDITOS  NÃO  CUMULATIVOS.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO. APROVEITAMENTO.  No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto  da  contribuição  apuradas,  os  créditos  não  cumulativos  detidos  pelo sujeito passivo.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Período  de  apuração:  01/01/2008  a  31/05/2010  MULTA  QUALIFICADA.  IMPROCEDÊNCIA.  FRAUDE  NÃO  COMPROVADA.  Não  comprovados  os  elementos  caracterizadores  de  fraude  sonegação e conluio, afasta­se a qualificação da multa de ofício,  reduzindo­se seu percentual.  A  parte  do  crédito  tributário  cancelada  pela  decisão  a  quo  decorre  i)  da  possibilidade  legal de desconto dos  créditos da não cumulatividade que  foram  indicados nos  demonstrativos  entregues  à  Administração  Fiscal  e  que  não  foram  objeto  de  oposição  pela  auditoria (fls 3597 e 3598), reduzindo o montante do crédito principal lançado nos termos do  demonstrativo de fls 3600; e ii) da falta de comprovação de dolo na conduta do contribuinte, de  modo que a multa de ofício foi reduzida para 75%.  Ainda irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho.   Depois de esclarecer que há erro no dispositivo do acórdão recorrido ­ no qual  consta que a tese decadência foi acolhida, sendo que, pela leitura dos fundamentos da decisão é  claro que não foi acatada a decadência ­, a Recorrente busca reverter a parte do julgamento em  que restou sucumbente, repisando os argumentos trazidos na impugnação. Ainda, coloca que a  recomposição da base de cálculo da COFINS efetuada pela DRJ está equivocada, por deixar de  reconhecer  receitas  relativas  aos  adiantamentos  recebidos  pelos  clientes  anteriormente  oferecidos  à  tributação,  conforme  declarado  na  DACON,  bem  como  por  não  reconhecer  a  integralidade do crédito da não cumulatividade passível de aproveitamento. Finalmente, requer  o  julgamento  conjunto deste  feito  com o Processo Administrativo n.  10380.729799/2013­79,  relativo  à  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (“PIS”),  intrinsicamente  relacionados que são, por decorrerem dos mesmos fatos no mesmo período de apuração.  É o relatório.    Voto   A Recorrente  tomou  ciência  do Acórdão  da DRJ  em  08/05/2014  (fls.  3.568  a  3.603),  apresentando  Recurso  Voluntário  em  22/05/2014.  Assim,  o  recurso  voluntário  é  Fl. 3722DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.723          10 tempestivo, com base no que dispõe o art. 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem  como atende as demais condições de admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento.   Contudo,  antes  de  adentrar  na  argumentação  formalizada  pela  Recorrente,  é  preciso trazer questão prejudicial para o deslinde da presente controvérsia, qual seja, o presente  Processo  de  n.  10380.729798/2013­24  (COFINS),  bem  como  o  Processo  n.  10380.729799/2013­79  (PIS)  serem  ou  não  reflexos  de  autuação  fiscal  de  Imposto  sobre  a  Renda da Pessoa Jurídica (“IRPJ”). Tal indagação decorre da análise do Termo de Verificação  Fiscal (“TVF”), o qual traz minuciosa descrição dos procedimentos de auditoria que levou ao  lançamento tributário, tornando possível perceber que as condutas jurídico­contábeis adotadas  pelo  contribuinte  infringiriam  tanto  a  legislação  do  IRPJ  e  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (“CSLL”),  como  das  Contribuições  Sociais  a  cargo  da  empresa  (PIS  e  COFINS). Veja­se os extratos retirados do TVF de fls 35, 38, 45 e 46:   (...)     Dá­se especial atenção ao Capítulo III do TVF, que introduz o histórico das infrações  da seguinte forma:      E continua,   (...)  Fl. 3723DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.724          11    Parecendo  claro  que  a  auditoria  instaurada  para  verificação  fiscal  da  Recorrente  no  período compreendido entre 2008 e 2010 deu azo a autuações fiscais a título não só de PIS e  COFINS, mas também de IRPJ e CSLL, em busca no sítio eletrônico do CARF pude encontrar  o julgamento do Processo Administrativo n. 10380.729795/2013­91. Cuja ementa segue abaixo  colacionada:   PRIMEIRA  SEÇÃO  DE  JULGAMENTO  Processo  nº  10380.729795/201391  Acórdão  nº  1301001.828  –  3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  Sessão  de  24  de  março  de  2015  Matéria  IRPJ  Recorrente SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA.  Recorrida FAZENDA NACIONAL   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ¬  IRPJ   Ano­calendário: 2008, 2009, 2010   CONTRATOS  DE  LONGO  PRAZO.  APURAÇÃO  COM  BASE  NOS  CUSTOS INCORRIDOS. VALIDADE.   Nos  chamados  contratos  de  longo  prazo,  com  prazo  de  execução  superior a um ano, a apuração dos resultados obedecerá ao comando  do  artigo  407,  do RIR/1999,  devendo  ser  aferido  de  duas  formas:  a)  com base em laudo técnico de medição, com indicação da percentagem  executada  em  função  do  progresso  físico  da  empreitada  ou  da  produção,  ou,  b)  com  suporte  na  relação  entre  custos  incorridos  no  período base e custo total estimado da execução da empreitada ou da  produção,  obedecido  o  regime  de  competência.  Se  a  autuada  não  adotou este critério e sua contabilidade não obedeceu a tal comando,  cabe  à  Autoridade  Fiscal,  com  fulcro  nos  livros  e  documentos  da  contribuinte, apurar os resultados para fins tributários Como a ementa  supratranscrita  trata  do  mesmo  contribuinte,  mesmo  período  de  apuração aqui abarcado (2008 a 2010), mesma questão contábil­fiscal  (contratos de longo prazo, apuração com base nos custos incorridos) já  parece se confirmar a suspeita de que o presente Processo (COFINS),  bem como o Processo n. 10380.729799/2013­79 (PIS) são reflexos da  cobrança  do  IRPJ,  consubstanciada  no  Processo  n.  10380.729795/2013­91.  Efetivamente, da leitura das transcrições  ipsis litteris dos dizeres da autoridade  fiscal  no  TVF  que  foi  feita  no  relatório  do  Acórdão  n.  1301001.828  (Processo  n.  10380.729795/2013­91  ­  IRPJ)  pelo  Conselheiro  Edwal  Casoni  Paula  Fernandes  Junior,  é  praticamente certo que o TVF que originou este Processo (COFINS) e igualmente no Processo  n. 10380.729799/2013­79 (PIS) é o mesmo que funda o lançamento de IRPJ.   Inclusive,  no  corpo  do  relatório  do  Acórdão  n.  1301001.828  (Processo  n.  10380.729795/2013­91  ­  IRPJ)  foi  possível  encontrar  diversos  argumentos  levantados  pelo  Fl. 3724DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.725          12 contribuinte  no  recurso  voluntário  ora  sob  análise,  corroborando  a  menção  expressa  às  autuações reflexas de PIS e COFINS. Veja­se:  De acordo com o que disposto no presente processo administrativo, em  desfavor da  contribuinte acima  identificada  foram  lavrados Autos de  Infração  relativos  aos  anos­calendário  de  2008,  2009  e  2010,  atinentes ao IRPJ e demais reflexos,  incluindo¬se o principal, multa  qualificada de 150% e juros de mora (...)  Os autos de  infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS  foram  lavrados (fls. 2 a 57), com Termo de Encerramento (fls. 1063/1064). A  ciência  da  contribuinte  está  encartada  às  fls.  58  a  59,  tendo  apresentado  Impugnação  (fls.  1069/1145),  juntando  documentos  apensados às fls. 1156 a 3764. (grifei)  Com  efeito,  na  ementa  da  decisão  da  DRJ  referente  ao  lançamento  de  IRPJ,  multa e  juros, no Processo n. 10380.729795/2013­91,  também  transcrita no bojo do  relatório  feito pelo Conselheiro Edwal Casoni Paula Fernandes Junior, temos que:  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE  INTEGRAÇÃO  SOCIAL  ­  PIS.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS.   Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos  que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito  prolatada  naquele  constitui  prejulgado  na  decisão  dos  autos  de  infração decorrentes. (grifei)   Vê­se  que  há  fortes  indícios  de  que  o  presente  Processo  Administrativo  seja  reflexo do Processo Administrativo n. 10380.729795/2013­91, julgado em 24/03/2015, pela 1ª  Turma, 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Tudo faz crer, inclusive, que as  atuações  de  PIS  e  COFINS  reflexas  já  estariam  sendo  resolvidas  no  próprio  Processo  n.  10380.729795/2013­91.  Contudo,  não  há  elementos  suficientes  nestes  autos,  tampouco  na  decisão proferida no PA 10380.729795/2013­91 (disponível no sítio eletrônico do CARF), para  alcançar quaisquer conclusões além dessas.   Com efeito, sabe­se que, em se tratando de recursos a respeito da Contribuição  ao  PIS  e/ou  da  COFINS,  quando  reflexos  do  IRPJ,  formalizado  com  base  nos  mesmos  elementos  de  prova  em um mesmo processo  administrativo  fiscal,  o  artigo  2º,  inciso  IV1  do  Regimento Interno no CARF (“RICARF”) determina que a competência para a apreciação da  questão deixa de ser da Terceira Seção, passando a ser da Primeira Seção de  Julgamento do  Conselho.  Nesse  sentido,  lembre­se  que  o  “reflexo”,  segundo  o  artigo  6º,  §1º,  inciso  III  do  RICARF,  é  aquele  “constatado  entre  processos  formalizados  em  um  mesmo  procedimento  fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos.”                                                              1 Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira)  instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...)  IV  ­ CSLL,  IRRF, Contribuição  para o PIS/Pasep  ou Contribuição  para o Financiamento da Seguridade Social  (Cofins),  quando  reflexos  do  IRPJ,  formalizados  com  base  nos  mesmos  elementos  de  prova  em  um  mesmo  Processo Administrativo Fiscal;    Fl. 3725DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.726          13 Pois bem. Cabe recordar que o requisito de as cobranças do IRPJ e seus reflexos  estarem “em um mesmo processo administrativo fiscal” para que a competência de julgamento  dos processos reflexos passe a ser da Primeira Seção não existia na anterior redação do artigo  2º, inciso IV do RICARF. 2 Parece ser exatamente esta a situação presente, em que o processo  principal  de  IRPJ  foi  julgado  pela  Primeira  Seção  da  CARF,  ainda  na  vigência  do  antigo  RICARF,  e,  portanto,  atraiu  a  competência  para  os  processos  reflexos,  no  caso,  o  da  Contribuição  ao  PIS  (10380.729799/2013­79)  e  o  da  COFINS  (10380.729798/2013­24).  Afinal, nessa hipótese, não era de competência da Terceira Seção do CARF o julgamento deste  Processo sobre a COFINS, tampouco do Processo n. 10380.729799/2013­79 (Contribuição ao  PIS), mas sim da Primeira Seção.  É necessário que seja confirmada tal situação, seja para acarretar na extinção dos  processos  de  PIS  e  COFINS,  que  já  estariam  julgados  quando  da  apreciação  do  processo  principal  de  IRPJ,  seja  para  aplicação,  no  que  couber,  do  que  ficou  decidido  naquele  julgamento do IRPJ agora no julgamento dos processos referentes ao PIS e a COFINS, por esta  Terceira  Seção  de  Julgamento,  diante  da  nova  norma  estampada  no  artigo  2º,  inciso  IV  do  RICARF.  Do  contrário,  ressalto,  o  CARF  poderia  acabar  por  proferir  decisões  diferentes  relativamente a uma mesma  infração da  lei  tributária, o que se deve evitar a qualquer  custo,  pelo zelo à segurança jurídica.  Assim,  entendo  que  o  julgamento  deste  processo  deve  ser  convertido  em  diligência para a repartição fiscal de origem, a fim de que:  1. Certifique se os fatos e elementos de prova que levaram à lavratura  do auto de infração que deu origem ao julgamento do IRPJ no Processo  n. 10380.729795/2013­91 (aparente processo principal) são os mesmos  que  embasaram  as  cobranças  da  Contribuição  ao  PIS,  Processo  n.  10380.729799/2013­79,  e  da  COFINS,  Processo  n.  10380.729798/2013­24 (aparentes processos reflexos);  2.  Constatando­se  serem  de  fato  processos  reflexos,  destacar  a  implicação do julgamento do Processo de IRPJ, n. 10380.729795/2013­ 91 (Acórdão n. 1301001.828) na cobrança das Contribuições ao PIS e  da COFINS aqui discutidas, inclusive se tal julgamento já abrange total  ou  parcialmente  o  crédito  tributário  discutido  nos  processos  reflexos  (10380.729799/2013­79 e 10380.729798/2013­24, respectivamente);  3. Não sendo o caso de processos reflexos, que aponte as diferenças nas  citadas autuações fiscais (10380.729795/2013­91, 10380.729799/2013­ 79, 10380.729798/2013­24), no que  tange à cobrança da Contribuição  ao PIS e da COFINS;   4. Queiram verificar: (4.1) de acordo com as regras fiscais e contábeis  que regem o tema, qual a metodologia de apuração da base de calculo  da contribuição ao PIS e da COFINS aplicável aos Contratos de Longo                                                              2 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância  que versem sobre aplicação da legislação de: (...)  IV ­ demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes  ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu  para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ;    Fl. 3726DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.727          14 Prazo  de  fornecimento  de  bens  e  serviços;  (4.2)  a  base  de  cálculo  utilizada  pelo  agente  fiscal  na  apuração  do  crédito  tributário  lançado  nos autos dos PAFs n°s 10380.729798/2013­24 e 10380.729799/2013­ 79;  e  (4.3)  se  a  prática  adotada  pelo  agente  fiscal  no  sentido  de  considerar como base de cálculo somente o valor reconhecido na conta  de passivo denominada “Adiantamento de clientes”, ao longo dos anos  de  2007  a  2010,  está  de  acordo  com  a  metodologia  prevista  na  legislação aplicável aos Contratos de Longo Prazo;  5.  Queiram  verificar  se  o  procedimento  adotado  pela  Delegacia  Regional de Julgamento de Ribeirão Preto, de não deduzir os valores do  “Crédito  usado  como  desconto  da  contribuição  apurada  na DACON”  quando  da  elaboração  do  demonstrativo  de  “Aproveitamento  de  Créditos  da  Cofins/PIS  não  Cumulativa”,  está  correta  nos  termos  da  legislação aplicável;   6.  Queiram  verificar  se  o  demonstrativo  de  “Aproveitamento  de  Créditos da Cofins/PIS não Cumulativa” tem equívocos de fórmula do  programa utilizado, conforme alegado pela Recorrente.  É como voto.       Fl. 3727DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ

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6316033 #
Numero do processo: 11516.720047/2013-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/10/2010 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TITULARIDADE DO CRÉDITO. Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Maria Cleci Coti Martins – Presidente-Substituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/10/2010 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TITULARIDADE DO CRÉDITO. Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 191          1  190  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.720047/2013­22  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­004.033  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de janeiro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ­ AIOP  Recorrente  MUNICÍPIO DE COCAL DO SUL ­ PREFEITURA MUNICIPAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2009 a 31/10/2010  AÇÃO  JUDICIAL.  RENÚNCIA  AO  CONTENCIOSO  ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.  A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou  depois  do  lançamento,  que  tenha  por  objeto  idêntico  pedido  sobre  o  qual  verse  o  processo  administrativo,  importa  renúncia  ao  contencioso  administrativo,  conforme  determinado  pelo  §3º  do  art.  126  da  Lei  no  8.213/91.  O  julgamento  administrativo  limitar­se­á  à  matéria  diferenciada,  se  no  Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  COMPENSAÇÃO.  TITULARIDADE DO CRÉDITO.  Somente  poderão  ser  utilizados  na  compensação  de  contribuições  previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito  passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou  a  maior  que  o  devido  das  parcelas  referidas  nas  alíneas  "a",  "b"  e  "c"  do  parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91.  CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  GLOSA.  É  vedada  a  compensação  de  contribuições  previdenciárias  se  ausentes  os  atributos  de  liquidez  e  certeza  do  crédito  compensado.  A  compensação  de  contribuições  previdenciárias  com créditos  não materialmente  comprovados  será  objeto  de  glosa  e  consequente  lançamento  tributário,  revertendo  ao  sujeito passivo o ônus da prova em contrário.  Recurso Voluntário Negado         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 00 47 /2 01 3- 22 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     2  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para,  no mérito, na parte conhecida, NEGAR­LHE PROVIMENTO.    Maria Cleci Coti Martins – Presidente­Substituta de Turma.    Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Maria  Cleci  Coti  Martins (Presidente­substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de  Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e  Arlindo da Costa e Silva.   Fl. 193DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.720047/2013­22  Acórdão n.º 2401­004.033  S2­C4T1  Fl. 192          3     Relatório  Período de apuração: 01/08/2009 a 30/06/2011  Data da lavratura dos AIOP: 27/03/2012.  Data da ciência dos AIOP: 02/04/2012.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela  DRJ  em  Florianópolis/SC  que  julgou  improcedente  a  impugnação  oferecida  pelo  sujeito  passivo  do  crédito  tributário  lançado  por  intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.022.943­3 decorrente de glosa de  compensação indevida de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal  a fls. 20/26.  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal,  o  Município  foi  intimado  a  prestar  esclarecimentos  inerentes  aos  valores  das  compensações  de  contribuição  previdenciária,  efetuadas  no  período  de  05/2008  a  10/2010,  bem  como  a  apresentar  eventuais  processos  judiciais  movidos  contra  a  SRF/INSS  que  teriam  dado  origem  às  citadas  compensações  efetuadas  e  também a memória de  cálculo  e os  respectivos documentos  que deram esteio  às  compensações  declaradas.  Em  resposta,  o  Autuado  declarou  que  se  encontravam  em  andamento as Ações Judiciais nº 20097200009459­4 e 5003547­59­20114047200/SC.   Relata  a  Autoridade  Lançadora  que,  com  relação  ao  processo  judicial  nº  20097200009459­4,  a  Prefeitura  teria  requerido  provimento  jurisdicional  para  proceder  à  compensação  dos  valores  recolhidos  indevidamente  sobre  a  remuneração  de  exercentes  de  mandato eletivo, compensações estas efetuadas no período de 05/2008 a 12/2009.   Já  quanto  ao  processo  nº  5003547­59.2011.404.7200,  noticia  a  autoridade  lançadora  que  a  Prefeitura  Autuada  teria  informado  que  neste  estariam  sendo  discutidos  créditos  relativos a contribuições pagas  indevidamente  sobre o  terço constitucional de  férias,  aviso  prévio  indenizado,  horas  extras  e  auxilio  doença,  valores  estes  compensados  com  contribuição previdenciária devida referente ao período de 01/2010 a 10/2010.   Ainda  relativamente  às  compensações  efetuadas  no  período  de  01/2010  a  10/2010,  consta  do Relatório Fiscal  que,  em 16 de  novembro  de  2011,  foi  expedida  decisão  judicial  declarando  a  não  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  o  adicional  constitucional  de  férias,  concedendo  parcialmente  a  segurança,  assegurando  o  direito  à  compensação de eventuais créditos com prestações vincendas das próprias contribuições, após  o transito em julgado da sentença, fato este que não ocorrera até a lavratura da notificação.   Assim,  de  acordo  com  a  autoridade  lançadora,  não  era  possível  realizar  a  compensação, uma vez que a realização da compensação nos casos em que existe ação judicial  discutindo  o  tema,  é  necessário  primeiramente  aguardar  o  trânsito  em  julgado  da  decisão  judicial. Além disso, informa que as informações atinentes aos agentes exercentes de mandatos  eletivos  foram  excluídos  da  GFIP  apenas  em  20/05/2009,  após  o  período  do  inicio  das  compensações efetuadas.   Fl. 194DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     4  Por fim, assevera a Fiscalização que  teria ocorrido a prescrição do direito à  restituição  em  relação  a  vários  recolhimentos  indevidos  de  contribuições  previdenciárias  incidentes sobre pagamentos de subsídios a vereadores, prefeito e vice­prefeito, em vista de ter  se passado mais de cinco anos entre a data da compensação e do recolhimento indevido.   Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  sujeito  passivo  apresentou impugnação a fls. 48/111.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC  lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 07­34.052 ­ 6ª Turma da DRJ/FNS,  a fls. 118/126, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo o crédito tributário em  sua integralidade.  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  19/03/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 128.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  ora  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  a  fls.  130/179,  respaldando  sua  inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos:  ·  Que não se operou a prescrição dos créditos do Contribuinte;   ·  Que a compensação dos créditos decorrentes dos recolhimentos incidentes  sobre as remunerações dos agentes políticos se deu de forma legítima;   ·  Desnecessidade de retificação das GFIP;   ·  Que o disposto no art. 170­A do CTN não se aplica ao caso em concreto;   ·  Que  não  há  irregularidade  na  compensação  dos  créditos  oriundos  de  verbas  indenizatórias  ­  terço  constitucional de  férias,  aviso prévio,  horas  extra e auxílio doença;   ·  Pugna pela inaplicabilidade da multa e dos juros de natureza moratória.     Ao fim, requer a homologação das compensações;     Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 195DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.720047/2013­22  Acórdão n.º 2401­004.033  S2­C4T1  Fl. 193          5    Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  O sujeito passivo  foi  válida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  em 19/03/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 08/04/2014, há que se  reconhecer a tempestividade do recurso interposto.  Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço.    1.2.  DO CONHECIMENTO DO RECURSO  O Recorrente alega que não se operou a prescrição dos créditos decorrentes  dos  alegados  recolhimentos  das Contribuições  Sociais  incidentes  sobre  as  remunerações  dos  agentes políticos.  Aduz  que  a  compensação  dos  créditos  decorrentes  dos  recolhimentos  incidentes sobre as remunerações dos agentes políticos se deu de forma legítima.  As  questões  atinentes  ao  direito  de  compensar  valores  supostamente  recolhidos  de  forma  indevida  a  título  de  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  detentores  de  cargo  eletivo,  bem  como  à  eventual  prescrição  dos  créditos  decorrentes  dos  alegados  recolhimentos  das  Contribuições  Sociais  incidentes  sobre  as  remunerações de tais agentes políticos, não poderão ser conhecidas por este Sodalício, uma vez  que, em tal louvor, abdicou tacitamente o Recorrente de debatê­la na esfera administrativa.  Com  efeito,  compulsando  os  autos  do MANDADO DE  SEGURANÇA Nº  2009.72.00.009459­4  /  SC,  verificamos  que  o  objeto  da  Ação  Mandamental  em  tela  se  circunscreve  exatamente  ao  Direito  à  compensação  de  valores  supostamente  recolhidos  de  forma  indevida  a  título  de  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  detentores  de  cargo  eletivo,  assim  como  a  prescrição  dos  tais  créditos  alegados  pelo  Contribuinte,  conforme  pode  ser  depreendido  da  ementa  da  Apelação  Cível  nº  0009459­ 93.2009.404.7200/SC.  APELAÇÃO CÍVEL Nº 0009459­93.2009.404.7200/SC  Rel. Des. Federal MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE.  APELANTE : MUNICÍPIO DE COCAL DO SUL  APELADO: DELEGADO DA  RECEITA  FEDERAL DO  BRASIL  ­  UNIÃO ­ FAZENDA NACIONAL ­ Florianópolis  Publicada no Diário Eletrônico da 4ª Região nº 295, de 24/12/2007  Fl. 196DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     6    TRIBUTÁRIO.  MANDADO DE  SEGURANÇA.  ADEQUAÇÃO DA  VIA  ELEITA.  PRESCRIÇÃO.  LC  118/05.  COMPENSAÇÃO.  LIMITES IMPOSTOS PELAS LEIS Nº 9.032/95 E 9.129/95  1­  Em  conformidade  com  a  Súmula  213  do  STJ,  o  mandado  de  segurança é via adequada à declaração do direito à compensação  de tributo.  2­ O prazo prescricional para a  repetição do  indébito  tributário é  de  5  (cinco)  anos,  contados  da  extinção  do  crédito  tributário,  consoante previsto no art. 168, caput, e inciso I, do CTN.  3­  Segundo  o  disposto  no  artigo  3º  da  LC  118/05,  para  fins  de  interpretação  da  regra  do  prazo  prescricional  da  repetição  de  indébito  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  a  extinção do crédito  tributário deve ser considerada como ocorrida  na data do pagamento antecipado do tributo.  4­  Para  os  recolhimentos  ocorridos  até  08/06/2005,  aplica­se  o  prazo prescricional de 10 anos anteriores ao ajuizamento, limitado  ao prazo máximo de cinco anos a contar da data da vigência da lei  nova,  e  para  os  pagamentos  havidos  após  09/06/2005,  o  prazo  prescricional é de cinco anos.  5­  As  limitações  percentuais  à  compensação  tributária  determinadas pelas Leis nºs. 9.032/95 e 9.129/95 só incidem a partir  da data de sua vigência.  6­ Os recolhimentos  indevidos  efetuados até a data da publicação  das leis em referência não sofrem limitações.    De outro lado, a questão referente à legalidade da contribuição previdenciária  patronal  incidente  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  adicional  de  1/3  férias  (gozadas),  bem  como a declaração do direito da impetrante de compensar os valores indevidamente recolhidos  ao  erário  a  esse  título  nos  últimos  cinco  anos  a  contar  da  propositura  da  ação  e  atualizados  desde a data do recolhimento indevido até a data da efetiva restituição, constituem­se no objeto  do Mandado de Segurança nº 5003547­59.2011.404.7200/SC, em trâmite no Tribunal Regional  Federal da 4ª Região, conforme se extrai da ementa adiante transcrita:  APELAÇÃO CÍVEL Nº 5003547­59.2011.404.7200/SC  Rel. JOEL ILAN PACIORNIK  APELANTE : MUNICÍPIO DE COCAL DO SUL  APELADO: DELEGADO DA  RECEITA  FEDERAL DO  BRASIL  ­  UNIÃO ­ FAZENDA NACIONAL – Florianópolis.  Publicada  no  Diário  Eletrônico  http://www.trf4.jus.br/trf4  /processos/verifica.php    TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS.  PRESCRIÇÃO.  COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC.  1. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o RE nº 566.621, em  04/08/2011,  com  repercussão  geral,  reconheceu  a  inconstitucionalidade  da  segunda  parte  do  art.  4º  da  LC  nº  118/2005,  por  violação  ao  princípio  da  segurança  jurídica,  e  considerou válida a aplicação do novo termo inicial da prescrição ­  o  pagamento  antecipado  ­  somente  às  ações  ajuizadas  após  a  vigência da LC nº 118/2005, ou seja, a partir de 09/06/2005.  Fl. 197DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.720047/2013­22  Acórdão n.º 2401­004.033  S2­C4T1  Fl. 194          7  2.  Em  24/08/2011,  a  Primeira  Seção  do  STJ  decidiu  ajustar  seus  julgamentos aos termos da decisão proferida pelo STF, revisando a  jurisprudência firmada no REsp n° 1.002.932/SP.  3. Sobre o adicional constitucional de férias não incide contribuição  previdenciária.  4.  Na  forma  da  Lei  nº  8.383/91,  é  possível  a  compensação  dos  valores  pagos  indevidamente  com  prestações  vincendas  das  próprias  contribuições,  extinguindo­se  o  crédito  sob  condição  resolutória da ulterior homologação (art. 150, § 1º, do CTN).  5. A compensação somente poderá ser realizada após o trânsito em  julgado.  6.  A  correção  monetária  deve  incidir  sobre  os  valores  pagos  indevidamente desde a data do pagamento até a efetiva restituição,  aplicando­se a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, a teor do disposto  no artigo 13 da Lei nº 9.065/95.    Assentado que  as citadas medidas  judiciais versam sobre matérias  idênticas  às tratadas nos ora debatido Auto de Infração de Obrigação Principal, e que a decisão proferida  na  Instância  Judicial  subjuga  qualquer  outra  exarada  na  esfera  administrativa,  adquirindo  inclusive  o  atributo  da  coisa  julgada  formal  e  material,  resulta  que,  qualquer  que  seja  o  veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil  de  Julgamento, bem como  por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta  diante da decisão judicial transitada em julgado.  A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa  interpretação  sistemática  e  teleológica  com  os  princípios  da  eficiência  e  da  economia  processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto  idêntico  pedido  sobre  o  qual  versa  o  processo  administrativo,  importa  renúncia  dos  beneficiários  acobertados  pelos  resultados  de  tal  demanda  ao  direito  de  recorrer  na  esfera  administrativa e à desistência do eventual recurso interposto.  Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991   Art.  126. Das decisões do  Instituto Nacional do Seguro Social­ INSS  nos  processos  de  interesse  dos  beneficiários  e  dos  contribuintes  da  Seguridade  Social  caberá  recurso  para  o  Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser  o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997)  (...)  3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que  tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo  administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera  administrativa e desistência do recurso interposto.    Registre­se, por relevante, que o Recorrente ab initio invoca em seu favor os  frutos que lhe são positivos dimanados dos provimentos obtidos nas Instâncias Judiciais acima  referidas,  requerendo,  inclusive,  a  suspensão  de  eventual  cobrança,  enquanto  não  se  houver  produzido  o Trânsito  em  Julgado  do Mandado  de  Segurança  em  foco. Diante  desse  quadro,  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     8  atraindo  para  si  o  Recorrente  os  efeitos  da  demanda  judicial,  qualquer  que  seja  a  decisão  proferida  na  esfera  Administrativa,  esta  não  surtirá  qualquer  consequência  perante  o  provimento judicial.  De  outro  eito,  cumpre  esclarecer,  eis  que  pertinente,  que  o  Recurso  Voluntário consubstancia­se num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso  do  processo,  a  inconformidade  do  sucumbente  em  face  de  decisão  proferida  pelo  órgão  julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformá­la. Não exige o dispêndio de  energias  intelectuais  no  exame  da  legislação  em  abstrato  a  conclusão  de  que  o  recurso  pressupõe a  existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão  julgador postado  em posição processual hierarquicamente inferior.  Dessarte,  não  tendo  o  Órgão  Julgador  de  1ª  Instância  conhecido  da  impugnação na parte atinente às matérias ora em realce, inexistindo consequentemente decisão  anterior a respeito do tema em pauta, não pode o órgão ad quem se pronunciar sobre questões  antes não conhecidas, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.  A  celeuma  em  apreço  já  foi  reiteradamente  enfrentada,  em  situações  pretéritas  idênticas,  por  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  dando  ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante:  Súmula CARF nº 1:   Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.    Diante  desse  quadro,  versando  as  Demandas  Judiciais  invocadas  pelo  Recorrente  sobre  o  Direito  à  compensação  de  valores  supostamente  recolhidos  de  forma  indevida  a  título  de  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  detentores de cargo eletivo; a eventual prescrição dos tais créditos alegados pelo Contribuinte;  à  incidência  de  Contribuições  Previdenciárias  sobre  o  adicional  constitucional  de  férias  (gozadas)  de  1/3  e  sobre  o  direito  à  compensação  desses  valores,  quando  indevidamente  recolhidos,  inviável  se  torna  o  conhecimento  de  alegações  de  idêntico  naipe  por  esta  Corte  Administrativa,  que  restringirá  sua  apreciação  e  julgamento,  tão  somente,  sobre  as  questões  não incluídas nas ações judiciais em relevo.  Dessarte, pugnamos igualmente pelo não conhecimento dos temas levados à  apreciação  do  Poder  Judiciário,  e  reiterado  nos  vertente  Instrumento  Recursal  interposto  perante  este  Colegiado,  com  fundamento  no  preceito  insculpido  no  art.  126,  §3º,  da  Lei  nº  8.213/91, e em atenção à Súmula nº 01 do CARF.  Reitere­se que a renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou  mesmo  da  vontade  psicológica  do  Recorrente.  Ela  decorre  ex  lege,  e  de  forma  objetiva,  independentemente do motivo ou do  tempo em que a demanda  tenha sido ajuizada perante o  poder judiciário.   Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria  RFB n°10.875/2007, in verbis:  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.720047/2013­22  Acórdão n.º 2401­004.033  S2­C4T1  Fl. 195          9  Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007.   Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  posteriormente  ao  lançamento,  com  o  mesmo  objeto,  importa  em  renúncia  às  instâncias  administrativas  ou  desistência  de  eventual  recurso  interposto.   Parágrafo  único.  Quando  diferentes  os  objetos  do  processo  judicial  e  do  processo  administrativo,  este  terá prosseguimento  normal no que se relaciona à matéria diferenciada.    Assim,  presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade  do  recurso,  dele  conheço parcialmente.  Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame  do mérito.    2.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  questões  de  fato  e  de  Direito  referentes  a  matérias  substancialmente  alheias  ao  vertente  lançamento,  eis  que  em  seu  louvor,  no  processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas  exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de  1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72.    2.1.  DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS   O  Recorrente  alega  inexistir  irregularidade  na  compensação  dos  créditos  oriundos de verbas  indenizatórias  ­  terço  constitucional de  férias,  aviso prévio, horas extra e  auxílio doença. Advoga, ainda, que o disposto no art. 170­A do CTN não se aplica ao caso em  concreto.  Quanto  ao  direito  à  compensação  dos  valores  supostamente  recolhidos  de  forma  indevida  a  título  de  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  detentores de cargo eletivo, o Recorrente defende a desnecessidade de retificação das GFIP.  Entendo de forma diversa, contudo.    Fl. 200DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     10  No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional  outorgou  à  Lei  Complementar  a  competência  para  estabelecer  normas  gerais  em matéria  de  legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras.  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988   Art. 146. Cabe à lei complementar:  (...)  III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária, especialmente sobre:  (...)  b)  obrigação,  lançamento,  crédito,  prescrição  e  decadência  tributários;    Nessa  vertente,  no  exercício  da  competência  que  lhe  foi  outorgada  pelo  Constituinte  Originário,  o  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN  conferiu  ao  instituto  da  compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda  pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ;  170 e 170­A.  CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN   Art. 156. Extinguem o crédito tributário:  (...)  II ­ a compensação;    Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a  lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu  montante,  não  podendo,  porém,  cominar  redução  maior  que  a  correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo  a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.    Art. 170­A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento  de  tributo,  objeto  de  contestação  judicial  pelo  sujeito  passivo,  antes  do  trânsito  em  julgado  da  respectiva  decisão  judicial.  (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001)    Note­se  que,  ao  estabelecer  normas  gerais  em matéria  de  crédito  tributário,  através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170 do CTN estatuiu que  a  lei  poderia,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipulasse,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuísse  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  Pública. Dessarte, o instituto da compensação, no Direito Tributário, depende pois de previsão  legal.  Em  se  tratando  de  contribuições  sociais  destinadas  ao  financiamento  da  Seguridade  Social,  a  regulamentação  jurídica  do  instituto  da  compensação  tributária  foi  confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 89 assim estatui:  Fl. 201DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.720047/2013­22  Acórdão n.º 2401­004.033  S2­C4T1  Fl. 196          11  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art.  89.  Somente  poderá  ser  restituída  ou  compensada  contribuição  para  a  Seguridade  Social  arrecadada  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  ­  INSS  na  hipótese  de  pagamento  ou  recolhimento  indevido.  (Redação dada pela Lei  nº 9.129/95) (grifos nossos)   §1º  Admitir­se­á  apenas  a  restituição  ou  a  compensação  de  contribuição  a  cargo  da  empresa,  recolhida  ao  INSS,  que,  por  sua  natureza,  não  tenha  sido  transferida  ao  custo  de  bem  ou  serviço  oferecido  à  sociedade.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.129/95)  §2º  Somente  poderá  ser  restituído  ou  compensado,  nas  contribuições  arrecadadas  pelo  INSS,  o  valor  decorrente  das  parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único  do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95)  §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a  trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência.  (Redação dada pela Lei nº 9.129/95)  §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão  restituídas  ou  compensadas  atualizadas  monetariamente.  (Redação dada pela Lei nº 9.129/95)  §5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor  do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez,  será  atualizado  monetariamente.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.129/95)  §6º A  atualização monetária  de  que  tratam os  §§ 4º  e  5º  deste  artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da  própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95)  §7º  Não  será  permitida  ao  beneficiário  a  antecipação  do  pagamento  de  contribuições  para  efeito  de  recebimento  de  benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129/95)  §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo,  o  valor  da  restituição  será  utilizado  para  extingui­lo,  total  ou  parcialmente,  mediante  compensação.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196/2005)    A redação do caput do Art. 89 da Lei nº 8.212/91 é de clareza solar ao dispor  que  somente  os  créditos  do  sujeito  passivo  em  face  da  fazenda  pública,  decorrentes  de  pagamento ou recolhimento indevido de contribuições sociais destinadas ao financiamento da  Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição.   Para tornar esse entendimento o mais  livre de dúvidas possível, o parágrafo  segundo do mesmo art. 89 complementou o respectivo caput dispondo que somente pode ser  restituído  ou  compensado,  nas  contribuições  arrecadadas  pelo  INSS,  o  valor  decorrente  das  parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91,  ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social:  a) A cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos  segurados  a  seu  serviço,  nos  termos  do  Art.  22,  I,  II  e  III  da  Lei  Nº  8.212/91.  Fl. 202DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     12  b) As contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo  com o Art. 24 da Lei Nº 8.212/91.  c) As contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu  salário­de­contribuição, conforme Art. 20 da Lei Nº 8.212/91.    Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é  composto das seguintes receitas:   I ­ receitas da União;  II ­ receitas das contribuições sociais;  III ­ receitas de outras fontes.  Parágrafo único. Constituem contribuições sociais:   a)  as  das  empresas,  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada aos segurados a seu serviço;  b) as dos empregadores domésticos;  c)  as  dos  trabalhadores,  incidentes  sobre  o  seu  salário­de­ contribuição;     As  disposições  inscritas  no  parágrafo  segundo  do  aludido  art.  89  combinadas  com as do parágrafo único do art. 11, ambos da Lei nº 8.212/91, excluem da compensação toda  e qualquer espécie de crédito da empresa em face da  fazenda pública que não sejam aquelas  decorrentes das contribuições sociais instituídas pelos artigos 20, 22,  I,  II e III e 24, todos da  Lei Orgânica da Seguridade Social ­ LOSS.  Realçadas  as  normas  constitucionais  e  legais  supracitadas,  deflui  que  a  compensação de contribuições previdenciárias somente e tão somente pode ser realizada com  créditos  líquidos  e  certos  de  titularidade  do  Sujeito  Passivo  decorrentes  de  pagamento  ou  recolhimento indevido das contribuições sociais a que se referem as alíneas "a", "b" e "c" do  parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91. NENHUMA OUTRA HIPÓTESE.   O  exercício  do  direito  à  compensação  de  Contribuições  Previdenciárias,  portanto, não se  revela  incondicionado, haja vista encontrar­se circunscrito ao preenchimento  de determinados requisitos legais, a ônus do interessado, consistentes na efetiva demonstração  e  comprovação  da  existência  e  titularidade  de  direito  creditório  líquido  e  certo  em  face  da  Fazenda Pública decorrente de pagamento ou recolhimento indevido das contribuições sociais  a que se  referem as alíneas "a",  "b" e  "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91,  dentre outras condições específicas de cada caso.  De outro eito, o Interessado dispõe de prazo peremptório para o exercício do  seu direito creditório, sob pena de prescrição.  A  Resolução  n°  26/2005  do  Senado  Federal,  ao  suspender  a  execução  da  alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº  9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida incidenter tantum pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  em  decisão  definitiva  nos  autos  do  Recurso  Extraordinário  nº  351.717­1/PR, alastrou efeitos erga omnes à decisão judicial acima assinalada.  Nesse diapasão, a Secretaria da Receita Previdenciária fez publicar no Diário  Oficial  da  União  de  18/09/2006  a  Instrução  Normativa  SRP  nº  15/2006  dispondo  sobre  a  devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea "h" do inciso I do  Fl. 203DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.720047/2013­22  Acórdão n.º 2401­004.033  S2­C4T1  Fl. 197          13  art. 12 da Lei nº 8.212/91, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/97, nela estatuindo a  obrigatoriedade  de  o  ente  federativo  preceder  eventual  compensação  com  a  indispensável  retificação  das  GFIP  correspondentes,  para  destas  excluir  todos  os  exercentes  de  mandato  eletivo informados, sendo certo que tal retificação deve ser levada a efeito mesmo que o sujeito  passivo não opte pela compensação.  Instrução Normativa SRP nº 15, de 12/09/2006  Art.  1º Dispor  sobre  a  devolução  de  valores  arrecadados  pela  Previdência Social com base na alínea “h” do inciso I do art. 12  da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei  nº 9.506, de 1997, bem como sobre procedimentos relativos aos  créditos constituídos com base no referido dispositivo.    Art. 6º É  facultado ao ente  federativo, observado o disposto no  art.  3º,  compensar  os  valores  pagos  à  Previdência  Social  com  base no dispositivo  referido no art. 1º, observadas as  seguintes  condições:  I  ­  a  compensação  deverá  ser  precedida  de  retificação  das  GFIP,  para  excluir  destas  todos  os  exercentes  de  mandato  eletivo  informados, bem como, a remuneração proporcional ao  período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos  referidos exercentes; (grifos nossos)   II  ­  deverá  ser  realizada  com  contribuições  previdenciárias  declaradas em GFIP; (Redação dada pela IN RFB nº 909/2009)  III  ­  o  ente  federativo  deverá  estar  em  situação  regular,  considerando  todos  os  seus  órgãos  e  obras  de  construção  civil  executadas  com  pessoal  próprio,  em  relação  às  contribuições  sociais previstas nas alíneas  "a",  "b" e  "c" do parágrafo único  do  art.  11  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  e  das  contribuições  instituídas a título de substituição; (Redação dada pela IN RFB  nº 909/2009)  IV ­ o ente federativo deverá estar em dia com parcelas relativas  a  acordos  de  parcelamento  de  contribuições  objeto  dos  lançamentos de que trata o inciso III, considerados todos os seus  órgãos  e  obras  de  construção  civil  executadas  com  pessoal  próprio;  V  ­  somente  é  permitida  a  compensação  de  valores  que  não  tenham sido alcançados pela prescrição;   VI  ­  a  compensação  somente  poderá  ser  realizada  em  recolhimento  de  importância  correspondente  a  períodos  subsequentes  àqueles  a  que  se  referem  os  valores  pagos  com  base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991,  acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997;     §1º O ente federativo poderá efetuar a compensação dos valores  descontados  do  exercente  de  mandato  eletivo  e  efetivamente  recolhidos, desde que:  I ­ seja precedida de declaração do exercente de mandato eletivo  de que está ciente que esse período não será computado no seu  tempo de contribuição para efeito da concessão de benefícios do  Fl. 204DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     14  Regime Geral de Previdência Social  ­ RGPS,  conforme modelo  constante do Anexo I desta Instrução Normativa; e  II ­ possa comprovar o ressarcimento de tais valores ou possua  uma  procuração  por  instrumento  particular,  com  firma  reconhecida em cartório, ou por instrumento público, outorgada  pelo  exercente  de  mandato  eletivo,  autorizando­o  a  efetuar  a  compensação,  conforme  modelo  constante  do  Anexo  II  desta  Instrução Normativa.  §2º  Caso  seja  constatado,  em  procedimento  fiscal,  a  inobservância ao disposto no §1º, os valores compensados serão  glosados.  §3º Os documentos referidos no §1º deverão ser mantidos sob a  guarda do ente federativo para exibição à fiscalização da SRP,  quando solicitados.   §4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente  do  ente  federativo,  independentemente  de  efetivação  da  compensação. (grifos nossos)   §5º O descumprimento do disposto no §4º sujeitará o infrator à  multa  prevista  no  §6º  do  art.  32  da  Lei  8.212,  de  1991,  e  configura crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art.  297 do Código Penal Brasileiro.    Colhemos  do  texto  dos  dispositivos  legais  acima  revisitados  que,  para  o  exercício  regular  do  direito  de  compensação  de  contribuições  previdenciárias,  figura  como  condição sine qua non o adimplemento cumulativo dos requisitos abaixo elencados:   ·  Que  os  subsídios  dos  agentes  políticos,  no  período  de  01/02/1998  a  18/09/2004,  tenham  sido  oferecidos  à  tributação.  Assim,  os  agentes  políticos  do  Ente  municipal  requerente  (Prefeito,  Vice­Prefeito  e  Vereadores) devem ter sido registrados, durante o período em foco, como  segurados obrigatórios do Município vinculados ao RGPS;  ·  Que o crédito tributário incidente sobre os subsídios dos agentes políticos  em tela tenha efetivamente se materializado, seja através do registro nos  livros  fiscais  próprios,  seja  mediante  confissão  espontânea,  seja  por  declaração  em  GFIP,  ou  ainda  tenha  sido  constituído  por  meio  de  lançamento de ofício, através de autuação fiscal;  ·  Que,  uma  vez  constituído  o  crédito  tributário,  este  tenha  sido  comprovadamente  extinto  pelo  pagamento.  Não  basta  o  mero  oferecimento  à  tributação.  É  indispensável  a  comprovação  do  efetivo  recolhimento ao Erário;  ·  Que, a partir de janeiro/1999, os nomes dos agentes políticos em relevo  tenham  sido  declarados  nas  GFIP  correspondentes  na  condição  de  segurados empregados;  ·  Que  inexistam débitos  constituídos  em  face do  Interessado em  favor da  fazenda  pública  correspondente,  na  data  da  entrega  de  GFIP  em  que  esteja sendo empreendida a compensação;  ·  Que  o  ente  federativo  esteja  em  situação  regular  perante  a  Fazenda  Pública,  considerando  todos  os  seus  órgãos  e  obras  de  construção  civil  executadas  com  pessoal  próprio,  em  relação  às  contribuições  sociais  previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº  8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição;  Fl. 205DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.720047/2013­22  Acórdão n.º 2401­004.033  S2­C4T1  Fl. 198          15  ·  Que  o  ente  federativo  esteja  em  dia  com  parcelas  relativas  a  eventuais  acordos  de  parcelamento  de  contribuições  previdenciárias,  considerados  todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal  próprio;  ·  Que  a  compensação  pretendida  seja  efetivamente  realizada  dentro  do  prazo não vitimado pelo instituto da prescrição tributária;   ·  Que  as  GFIP  originárias  em  que  figuravam  os  nomes  dos  agentes  políticos em apreço tenham sido efetivamente retificadas, de molde a se  excluir  os  exercentes  de  mandato  eletivo,  cujas  contribuições  previdenciárias houveram­se por declaradas inconstitucionais.    Dessarte,  demonstrada  a  natureza  jurídica  previdenciária  da  obrigação  tributária principal indevida da qual decorre o crédito alegado pelo sujeito passivo, imperativa  se mostra a comprovação da constituição do crédito tributário dela decorrente, a qual pode ser  levada a efeito nas formas que se vos seguem:  I.  A partir de janeiro de 1999, pela declaração em GFIP da remuneração e  das contribuições dela decorrentes;   II.  Pela  confissão  das  contribuições  devidas,  mediante  Lançamento  de  Débito Confessado;   III.  Pela  constituição  de  ofício  do  crédito  tributário,  mediante  Auto  de  Infração ou Notificação Fiscal de Lançamento.     Na  sequência,  demonstrada  a  constituição  do  crédito  tributário,  há  que  ser  comprovada a sua extinção pelo correspondente pagamento, pois só assim irá se configurar o  recolhimento  indevido  ou  a  maior,  elemento  essencial  e  condição  indispensável  para  o  exercício do direito ora pleiteado.  Por fim, há que se comprovar, se for o caso, a retificação das GFIP mediante  a exclusão dos exercentes de cargo eletivo cujas contribuições previdenciárias houveram­se por  declaradas inconstitucionais pelo STF, e nas quais se fundamenta o direito creditório do sujeito  passivo.  Tal  exclusão  decorre  da  mais  perfunctória  lógica  do  pedido  de  restituição/compensação. O Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº  351.717­1/PR, proferiu decisão definitiva declarando a inconstitucionalidade das contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  os  subsídios  dos  exercentes  de  mandato  eletivo  federal,  estadual, distrital  e municipal,  ao  fundamento de que  tais  trabalhadores não se configuravam  como segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social.  Por  tal  motivo,  não  se  enquadrando  os  agentes  políticos  em  foco  como  segurados do RGPS, indevida era, por consequência inafastável, a contribuição previdenciária  para o FPAS, instituída por mera lei ordinária, Lei nº 9.506/97, sendo demandado para tanto,  um instrumento legislativo do status de Lei Complementar.  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     16  Dessarte, constando o nome de tais exercentes de mandato eletivo nas GFIP  em que foram oferecidas suas respectivas remunerações à tributação, referentes ao período de  01/02/1998 a 18/09/2004,  torna­se necessário que esses  agentes políticos  sejam excluídos da  base de dados da Seguridade Social,  nesse período, mediante  a entrega de GFIP  retificadora  (promovendo tal exclusão).  Caso  tal  exclusão  não  seja  efetuada,  os  agentes  políticos  acima  referidos  continuarão  figurando  na  base  de  dados  da  seguridade  social,  no  período  ora  em  destaque,  como segurados empregados, qualificação essa que o STF declarou inconstitucional.  Registre­se que o inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91 instituiu a obrigação  da empresa, na conformação assentada no art. 15 dessa mesma Lei, de declarar em GFIP todos  os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações  de  interesse  do  INSS,  dentre  eles,  a  identificação  e  respectiva  remuneração  dos  segurados  obrigatórios do RGPS.  À  época  dos  recolhimentos,  a  alínea  ‘h’  do  inciso  I  do  art.  12  da  Lei  nº  8.212/91,  que  gozava  de  presunção  iuris  tantum  de  constitucionalidade,  qualificava  como  segurado empregado o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que  não  vinculado  a  regime  próprio  de  previdência  social.  Daí  a  obrigatoriedade  da  empresa  de  declarar tais segurados (à época) nas GFIP correspondentes.  Com  o  advento  da  declaração  superveniente  da  inconstitucionalidade  da  citada a alínea  ‘h’ do  inciso  I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 proferida  incidenter  tantum pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  em  decisão  definitiva  nos  autos  do  Recurso  Extraordinário  nº  351.717­1/PR,  os  aludidos  exercentes  de  mandato  eletivo  federal,  estadual  ou  municipal,  mesmo  não  vinculados  a  regime  próprio  de  previdência  social,  deixaram  de  ser  segurados  obrigatórios do RGPS, não podendo constar, portanto, nas GFIP.  Nesse  contexto,  operando  a  declaração  de  inconstitucionalidade  efeitos  ex  tunc,  os  valores  referentes  às  contribuições  previdenciárias  recolhidos  pelos  Contribuintes  a  esse  título  passaram  a  ser  considerados  indevidos,  assim  como  indevido  passou  a  ser  o  assentamento de tais agentes políticos como segurados empregados naquelas GFIP.  Assim,  do  recolhimento  considerado  indevido,  surge  o  direito  do  Contribuinte  à  repetição  do  indébito,  seja mediante  restituição  seja  através  de  compensação.  Em contrapartida, do assentamento indevido dos nomes dos agentes políticos nas GFIP, surge a  necessidade de retificação dos citados documentos declaratórios de maneira a se excluir delas o  nome  e  as  remunerações  desses  exercentes  de  mandato  eletivo.  As  duas  providências  são  vinculadas eis que decorrem da inteligência da declaração de inconstitucionalidade em realce.  Potencializa os efeitos da decisão do Pretório Excelso in pulpitum, no sentido  da necessidade de retificação da GFIP, um dos princípios nucleares do RGPS estampado no art.  201  da  CF/88,  que  estabelece  taxativamente  que  o  regime  geral  de  previdência  social  é  permeado pelo  caráter  contributivo  e  filiação  obrigatória. Dessarte,  se  houver  a  repetição  do  indébito  em  questão  e  se  for  mantido  o  nome  dos  respectivos  agentes  políticos  nas  GFIP  originárias, haverá contagem de tempo de contribuição em favor desses não­segurados sem a  respectiva  contribuição,  contrariando  o  princípio  fundamental  que  norteia  o  preceito  constitucional em questão.  Nessa  vertente,  somente  será  cabível  a  repetição  do  indébito  em  tela  se  houver a devida e integral exclusão dos agentes políticos das GFIP originais.   Fl. 207DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.720047/2013­22  Acórdão n.º 2401­004.033  S2­C4T1  Fl. 199          17  Como se vê, a  Instrução Normativa MPS/SRP nº 15/2006 em nada  inova o  ordenamento  jurídico,  tampouco  extrapola  os  limites  da  lei.  Ao  contrário,  ela  disciplina  e  confere executoriedade, nas ordens administrativas, ao cumprimento da decisão proferida pelo  STF nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.717­1/PR.  E não se desdenhe do poder normativo da Instrução Normativa MPS/SRP nº  15/2006.  Atente­se  que  os  Incisos  II,  IV  e  VI,  ‘a’  do  art.  84  da  Constituição  da  República  afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para  o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros  de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como  expedir  decretos  e  regulamentos  para  sua  fiel  execução,  bem  assim  como  dispor  sobre  a  organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal.  Constituição Federal de 1988   Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:  II  ­  exercer,  com  o  auxílio  dos Ministros  de Estado,  a  direção  superior da administração federal;  (...)  IV  ­  sancionar,  promulgar  e  fazer  publicar  as  leis,  bem  como  expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;  (...)  VI  ­  dispor,  mediante  decreto,  sobre:  (Redação  dada  pela  Emenda Constitucional nº 32, de 2001)  a)  organização  e  funcionamento  da  administração  federal,  quando  não  implicar  aumento  de  despesa  nem  criação  ou  extinção de órgãos públicos;  (...)   Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as  atribuições  mencionadas  nos  incisos  VI,  XII  e  XXV,  primeira  parte,  aos  Ministros  de  Estado,  ao  Procurador­Geral  da  República ou ao Advogado­Geral da União, que observarão os  limites traçados nas respectivas delegações.    Nos  termos  do  Parágrafo  Único  do  art.  84  da  CF/88,  o  Presidente  da  Republica pode delegar aos Ministros de Estado as atribuições de organização e funcionamento  da administração federal.  Anote­se, igualmente, que o descumprimento de decisões judiciais configura­ se como crime de responsabilidade do Presidente da República.  Constituição Federal de 1988   Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da  República  que  atentem  contra  a  Constituição  Federal  e,  especialmente, contra:  (...)  VII ­ o cumprimento das leis e das decisões judiciais.  Parágrafo  único.  Esses  crimes  serão  definidos  em  lei  especial,  que estabelecerá as normas de processo e julgamento.  Fl. 208DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     18    Sintonizado  nessa  frequência,  a  Suprema  Lei  reservou  aos  Ministros  de  Estado  a  competência  para  expedir  instruções  expedir  instruções  para  a  execução  das  leis,  decretos e regulamentos.  Constituição Federal de 1988   Art.  87.  Os  Ministros  de  Estado  serão  escolhidos  dentre  brasileiros  maiores  de  vinte  e  um  anos  e  no  exercício  dos  direitos políticos.  Parágrafo  único.  Compete  ao  Ministro  de  Estado,  além  de  outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei:  I ­ exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e  entidades da administração federal na área de sua competência  e  referendar  os  atos  e  decretos  assinados  pelo  Presidente  da  República;  II  ­  expedir  instruções  para  a  execução  das  leis,  decretos  e  regulamentos; (grifos nossos)   III  ­  apresentar  ao Presidente  da República  relatório  anual  de  sua gestão no Ministério;  IV  ­  praticar  os  atos  pertinentes  às  atribuições  que  lhe  forem  outorgadas ou delegadas pelo Presidente da República.    Depreende­se  do  exposto  que  as  Instruções  Normativas  expedidas  pelos  órgãos  da  administração  direta  decorrem  da  competência  constitucional  do  Presidente  da  República e dos Ministros de Estado, estes últimos, para complementar e concretizar a vocação  presidencialista,  constitucionalmente  afigurada.  Por  via  de  consequência,  as  Instruções  Normativas dos órgãos da administração direta fulguram como emanações de agentes políticos  de elevada estatura – Presidente da República e Ministros de Estado – ocupantes do arquétipo  fundamental de Poder, os quais, nestas circunstâncias, aliam­se para formar a vontade superior  do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal.  Assentado que a IN suso citada encontra­se dotada de normatividade em grau  necessário  e  suficiente  à  partilha  interna  corporis  das  atribuições  da  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil, deflui daí que, de acordo com as normas constitucionais em realce, é dever  da Administração Pública prover efetividade à decisão promanada do STF, de maneira que ela  não colida com as demais normas constitucionais e infraconstitucionais, máxime o art. 201 da  CF/88 e o art. 32, IV da Lei nº 8.212/91.  Por  todo  o  exposto,  exsurge  que  a  Retificação  das  GFIP  é  obrigatória,  havendo  ou  não  compensação,  e  não  facultativa,  conforme  dispõe  o  §4º  do  art.  6º  da  IN  MPS/SRP nº 15/2006.  Atente­se que o Recorrente pretende  ter homologadas as  compensações por  ele  realizadas,  ao  fundamento  de  que  os  exercentes  de mandato  eletivo  não  eram  segurados  obrigatórios  do RGPS  e,  por  tal  razão,  indevidas  as  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre seus respectivos subsídios.   Ora bolas !!!! Ou os agentes políticos, no período em debate, são segurados  obrigatórios  do  RGPS  ou  não  são.  Se  são,  devidas  se  revelam  as  contribuições  recolhidas,  indevida  será  a  compensação,  procedente  será  a  glosa.  Se  não  são,  indevidas  serão  as  contribuições  previdenciárias, mas  os  agentes  políticos  têm que  ser  excluídos  dos  bancos  de  dados da Seguridade Social.  Fl. 209DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.720047/2013­22  Acórdão n.º 2401­004.033  S2­C4T1  Fl. 200          19  O  STF  já  bateu  o  Martelo  de  forma  definitiva:  Os  agentes  políticos,  no  período em relevo, NÃO SÃO segurados obrigatórios do RGPS. Logo, a retificação das GFIP é  mandatória  e  não  facultativa,  conforme  assim  estatui  o  §4º  do  art.  6º  da  IN  MPS/SRP  nº  15/2006.  Adite­se  que,  nesse  particular,  a  retificação  das  GFIP  em  referência  configura­se como ato privativo do Contribuinte, não podendo o Fisco realiza­la ex officio.    Nesse  contesto,  não  sendo  promovida  a  exclusão  dos  agentes  políticos  em  ribalta  da  base  de  dados  da  Seguridade  Social,  mediante  a  entrega  das  respectivas  GFIP  retificadoras,  tais  pessoas  físicas  permanecerão,  no  período  de  01/02/1998  a  18/09/2004,  vinculadas  ao RGPS  na  condição  de  segurados  empregados,  sendo  devidas  as  contribuições  previdenciárias  recolhidas  a  esse  título.  Em  consequência,  sendo  devidas  as  citadas  contribuições  sociais,  não  há  que  se  falar  em  recolhimento  indevido.  Sem  recolhimento  indevido,  não  constituição  de  crédito  em  favor  do Município Recorrente;  inexistindo  crédito  líquido  e  certo  em  sua  carteira,  indevida  será  a  compensação  levada  a  efeito  pelo Autuado.  Procedente a glosa.    De  outro  canto,  produção  de  outro  lote,  porém,  há  que  ser  demonstrada  a  efetiva  existência  e  liquidez  do  crédito  utilizado  pelo  Contribuinte  nas  compensações  realizadas.  O  Relatório  Fiscal  informa  que,  em  relação  aos  valores  compensados  no  período de 01/20l0 a 10/2010, a prefeitura Recorrente informou que se trata de contribuições  pagas  indevidamente  sobre verbas de  terço  constitucional de  férias,  aviso prévio  indenizado,  horas extras e auxilio doença (15 primeiros dias que antecedem o afastamento do segurado por  auxílio doença/acidente).  Consta  dos  Autos  que  a  Recorrente  apresentou  o  processo  5003547­ 59.2011404.7200,  no  qual  foi  emitida  decisão  em  16  de  novembro  de  2011,  sobre  a  não  incidência  da  contribuição  previdenciária  no  adicional  constitucional  de  ferias,  concedendo  parcialmente a segurança para o direito à compensação de eventuais créditos com prestações  vincendas das próprias contribuições, somente após o transito em julgado do mesmo, fato este  ainda não ocorrido até a presente lavratura desta notificação.    Deve  ser  destacado,  de  início,  que  o  conceito  jurídico  de  Salário  de  contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a  abraçar  toda e qualquer  verba  recebida pelo  segurado,  a qualquer  título,  em decorrência não  somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador  estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho.  Do  marco  primitivo  constitucional  deflui  que  a  base  de  incidência  das  contribuições  em  realce  não  é  mais  o  salário,  mas,  sim,  a  “folha  de  salários”,  propositadamente  no  plural,  a  qual  é  composta,  segundo  a  mais  autorizada  doutrina,  pelos  lançamentos  efetuados  em  favor  do  trabalhador  e  todas  as  parcelas  a  este  devidas  em  decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação  Fl. 210DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     20  paga  pela  empresa,  a  qualquer  título,  aos  segurados  obrigatórios  do  RGPS  encontram­se  abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição.  Em  reforço  a  tal  abrangência,  de  modo  a  espancar  qualquer  dúvida  ainda  renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o  legislador  constituinte  fez  questão  de  consignar  no  texto  constitucional,  de  forma  até  pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a “folha de salários”  como,  também,  sobre os  “demais  rendimentos do  trabalho, pagos ou  creditados,  a qualquer  título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”.  Dessarte,  o  termo  “remunerações”  encontra­se  empregado  no  caput  do  transcrito art. 28 da Lei nº 8.212/91 em seu sentido amplo, abarcando  todos os componentes  atomizados  que  integram  a  contraprestação  da  empresa  aos  segurados  obrigatórios  que  lhe  prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a  literalidade  dos  enunciados  normativos  supratranscritos,  eis  que  o  texto  legal  revela­se  cristalino  ao  estabelecer,  como  base  de  incidência,  o  “total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  qualquer  título”,  à  exceção,  tão  somente,  das  hipóteses  de  isenção  previstas  numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social.  Por outro viés, vinho de outra pipa, entretanto, deve ser  trazido à balha que  todo  ato  normativo  oriundo  do  Poder  Legislativo  ingressa  no  Ordenamento  Jurídico  com  presunção  relativa  de  conformidade  com  a  Constituição.  Dessarte,  uma  vez  promulgada  e  sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual  somente  pode  ser  infirmada  pela  declaração  em  sentido  contrário  proferida  pelo  órgão  jurisdicional competente. Com efeito, a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos  administrativos  insertas  no  Ordenamento  Jurídico  constitui­se  prerrogativa  outorgada  pela  Constituição  Federal  exclusivamente  ao  Poder  Judiciário,  não  podendo  os  agentes  da  Administração Pública imiscuírem­se ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte  Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste.  Também  não  deve  fugir  ao  conhecimento  daqueles  que  operam  com  profissionalismo no ramo do Direito que as decisões judiciais proferidas em sede de Controle  Difuso  de  Constitucionalidade  somente  produzem  efeitos  inter  partes,  não  irradiando  consequências  sobre  aqueles  estranhos  ao  processo  judicial  no  qual  a  decisão  houve­se  por  prolatada.  Assim,  enquanto  a  Norma  Tributária  não  for  definitivamente  extirpada  do  Ordenamento Jurídico, ela permanece produzindo efeitos sobre os Administrados, ressalvados  os casos em que o Contribuinte se encontre protegido por decisão judicial favorável transitada  em julgado.  Daí a inafastável necessidade do Sujeito Passivo da Obrigação Tributária de  ingressar  nas  Instâncias  Judiciárias  competentes  para  se  ter  declarada  qualquer  eventual  inconstitucionalidade  da  lei  que  instituiu  o  tributo  e,  dessa  maneira,  adquirir  o  direito  à  compensação dos valores declarados judicialmente como “indevidamente recolhidos”.  Então,  somente a partir  do Trânsito em Julgado do provimento  judicial que  lhe for favorável pode o Contribuinte se eximir da observância da Lei genérica e abstrata, nas  exíguas condições de contorno da Sentença Judicial. ANTES NUNCA, como assim estatui o  art. 170­A do CTN.  No  caso  presente,  o  Recorrente  ajuizou  o  Mandado  de  Segurança  nº  5003547­59.2011404.7200,  obtendo  em  16/11/2011,  a  segurança  pela  não  incidência  da  Fl. 211DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.720047/2013­22  Acórdão n.º 2401­004.033  S2­C4T1  Fl. 201          21  contribuição previdenciária sobre a parcela paga a título de adicional constitucional de ferias,  porém  condicionando  expressamente  o  direito  à  compensação  de  eventuais  créditos  com  prestações  vincendas  das  próprias  contribuições,  somente  após  o  trânsito  em  julgado  do  Mandado de Segurança em questão.  De  outro  eito,  quanto  às  verbas  pagas  a  título  de  aviso  prévio  indenizado,  horas extras e sobre os 15 primeiros dias que antecedem o afastamento do segurado por auxílio  doença/acidente, o Município Recorrente não havia,  sequer,  ingressado na  Instância Judicial,  fundamentando  seu  suposto  direito  creditório  em  julgados  isolados  do  STJ  proferidos  em  controle difuso de Constitucionalidade, dos quais não figurava como parte.  No caso em apreço, além de não comprovar, mediante documentos idôneos, o  efetivo  recolhimento  de  Contribuições  Previdenciárias  decorrentes  das  rubricas  acima  elencadas,  o  Recorrente  não  possui  qualquer  provimento  judicial  apto  a  afastar  o  Poder  de  Império  das  leis  tributárias  que  estabelecem  a  incidência  de  Contribuições  Previdenciárias  sobre os quinze primeiros dias de afastamento por doença/acidente, Aviso Prévio Indenizado e  horas extras, não se prestando para tal fim as decisões isoladas proferidas incidenter tantum em  ações judiciais das quais o Autuado não consta como parte do processo, eis que os efeitos de  tais decisões operam, apenas, efeitos inter partes, jamais erga omnes.   Deve­se ressaltar, por relevante, que o Colendo Superior Tribunal de Justiça,  no  julgamento  do  REsp  nº  1.230.957­RS,  proferido  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  decidiu  não  haver  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  os  15  dias  anteriores  à  concessão de auxílio­doença, sobre o terço constitucional incidentes sobre a remuneração das  férias indenizadas ou gozadas e sobre o aviso prévio indenizado.   Por outro viés, no julgamento do REsp nº 1.358.281,  também submetido ao  regime do artigo 543­C do Código de Processo Civil,  assentou o entendimento a  respeito da  incidência de contribuições previdenciárias sobre horas extras, adicional noturno e adicional de  periculosidade.  Tais  decisões,  todavia,  ainda  não  se  encontram  ornadas  com  o  atributo  da  coisa  julgada,  eis  que  são  objeto  de Recurso  Extraordinário  em  trâmite  no  STF. O Resp  nº  1.230.957 encontra­se suspenso no Superior Tribunal de Justiça, por depender do julgamento  do Recurso Extraordinário RE nº 593.068,  com  repercussão  geral,  circunstância que afasta  a  incidência  do  preceito  inscrito  no  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF,  o  qual  exige  decisão  definitiva  de  mérito  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  ou  pelo  Superior  Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B  e 543­C do Código de Processo Civil.  Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015):  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF.  (grifos nossos)      Fl. 212DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     22  Portanto,  estando  ainda  pendentes  de  recurso  as  decisões  judiciais  acima  referidas, não há que se falar em decisões definitivas de mérito,  tampouco em reprodução, no  vertente Recurso Voluntário, dos julgados ora em debate.    Assim delimitadas  as  condições  de  contorno  fáticas  e  jurídicas  do  caso  em  apreciação, e:  ·  Considerando  que  o  CTN  detém  competência  constitucional  para  estabelecer  regras  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária,  especialmente sobre obrigação e crédito tributários;  ·  Considerando que o art. 170 do CTN estatui que a lei só pode autorizar a  compensação  de  créditos  tributários  com  CRÉDITOS  LÍQUIDOS  E  CERTOS,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  pública;   ·  Considerando que o art. 66 da Lei nº 8.383/91 estatui expressamente que a  compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas  da mesma espécie;  ·  Considerando que o caput do art. 89 da Lei nº 8.212/91 somente autoriza a  compensação das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’,  ‘b’ e ‘c’  do  parágrafo  único  do  art.  11  dessa  mesma  Lei,  nas  hipóteses  de  pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e  condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil;   ·  Considerando que o inciso XI do art. 167 da CF/88 veda, expressamente, a  utilização  dos  recursos  provenientes  das  contribuições  sociais  previdenciárias  para  a  realização  de  despesas  distintas  do  pagamento  de  benefícios do regime geral de previdência social;  ·  Considerando que  a  conduta dolosa  se  dá  não  somente quando o  agente  quer o resultado, mas também quando ele assume o risco de produzi­lo;   ·  Considerando que a ninguém é dado alegar o desconhecimento da lei para  se escusar do cumprimento de obrigação a todos imposta;  ·  Deve  se  considerar  igualmente  que  o  Sujeito  Passivo,  ao  informar  determinada  compensação  de  Contribuições  Previdenciárias  em  GFIP  deve  ter  a  plena  consciência  de  está  declarando  que  possui  Crédito  Tributário LIQUIDO E CERTO em face da Fazenda Pública decorrente de  recolhimento  indevido  ou maior  que o  devido  das Contribuições Sociais  previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº  8.212/91.    No  caso  em  estudo,  o  Autuado  declarou  em  suas  GFIP  compensação  de  contribuições previdenciárias com créditos que sabia não serem certos:  A uma, porque o Mandado de Segurança nº 5003547­59.2011404.7200 ainda  não havia transitado em julgado;  A  duas,  porque  os  recolhimentos  por  ele  supostamente  realizados  sobre  os  quinze primeiros dias de afastamento por doença/acidente, sobre o Aviso Prévio Indenizado e sobre as  Fl. 213DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.720047/2013­22  Acórdão n.º 2401­004.033  S2­C4T1  Fl. 202          23  horas extras SÃO DEVIDOS, em conformidade com as leis tributárias vigentes e eficazes, não  possuindo  o  Recorrente  qualquer  decisão  judicial  favorável  transitada  em  julgado  lhe  conferindo direito creditório apto a compensação de Contribuições Previdenciárias.  Assinale­se,  uma vez mais,  que  o Recorrente  sequer  comprovou nos  autos,  mediante  documentos  idôneos,  o  efetivo  recolhimento  das  Contribuições  Previdenciárias  decorrentes das rubricas acima elencadas.    Nesse  contexto,  figurando  tais  rubricas  no  campo  de  incidência  da  exação  previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, tampouco decisão  judicial favorável ao Contribuinte, as contribuições previdenciárias eventualmente recolhidas,  incidentes  sobre  tais  verbas, SÃO DEVIDAS, não  gerando  qualquer  direito  creditório  a  ser  utilizado em compensações tributárias  Repise­se que sem o Trânsito em Julgado das decisões judiciais favoráveis ao  contribuinte  a  respeito  da  inexigibilidade  de  tributos  previstos  em  lei,  os  recolhimentos  efetuados  a  tal  título não podem ser considerados  como  indevidos para  fins de compensação  tributária.  Inexistindo  comprovação  por  parte  do  Interessado  de  recolhimento  indevido  ou  a  maior  que  o  devido  das  contribuições  sociais  de  que  tratam  as  alíneas  "a",  "b"  e  "c"  do  parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, não haverá constituição de crédito em favor do  Sujeito  Passivo.  Inexistindo  crédito  líquido  e  certo  em  sua  carteira,  indevida  será  a  compensação levada a efeito pelo Autuado. Procedente a glosa.    Nessa  perspectiva,  demonstrada  a  ocorrência  de  compensação  indevida  de  Contribuições Previdenciárias, aplica­se o disposto no §9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art.  35.  Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não pagos nos prazos previstos  em  legislação,  serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do  art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada  pela Lei nº 11.941/2009)      Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição  para  a  Seguridade  Social  arrecadada  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  ­  INSS  na  hipótese  de  pagamento  ou  recolhimento  indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95)  (...)  §9o Os valores compensados  indevidamente  serão exigidos com os  acréscimos moratórios  de  que  trata  o  art.  35  desta  Lei.  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009)  §10.  Na  hipótese  de  compensação  indevida,  quando  se  comprove  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  o  Fl. 214DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     24  contribuinte  estará  sujeito  à multa  isolada  aplicada no  percentual  previsto no  inciso  I do caput do art.  44 da Lei no  9.430, de 27 de  dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo  o  valor  total  do  débito  indevidamente  compensado.  (Incluído  pela  Lei nº 11.941/2009)  (...)    Por tais razões, negamos provimento ao Recurso Voluntário.    3.   DECISÃO  Pelas  razões  ora  expendidas,  CONHEÇO  PARCIALMENTE  do  Recurso  Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGAR­LHE PROVIMENTO.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.                              Fl. 215DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS

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Numero do processo: 10909.005693/2007-31
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. A ocorrência de depósitos bancários sem a devida comprovação da origem dos mesmos pode ser tida como uma hipótese de presunção de omissão de receitas com inversão do dever de provar, de modo a justificar a tributação se o sujeito passivo não a desconstituir. Observe-se que a autoridade Fazendária não tem como saber ou afirmar se a movimentação financeira é fruto de mútuo, resgate de aplicações financeiras, aportes de capital, entre outras, sem o auxílio do contribuinte, que detém as informações. ACRÉSCIMOS LEGAIS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. É cabível a cobrança de juros de mora sobre tributos com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
Numero da decisão: 1803-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Ausente, temporariamente, a Conselheira CRISTIANE SILVA COSTA. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK, CRISTIANE SILVA COSTA e RICARDO DIEFENTHAELER.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. A ocorrência de depósitos bancários sem a devida comprovação da origem dos mesmos pode ser tida como uma hipótese de presunção de omissão de receitas com inversão do dever de provar, de modo a justificar a tributação se o sujeito passivo não a desconstituir. Observe-se que a autoridade Fazendária não tem como saber ou afirmar se a movimentação financeira é fruto de mútuo, resgate de aplicações financeiras, aportes de capital, entre outras, sem o auxílio do contribuinte, que detém as informações. ACRÉSCIMOS LEGAIS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. É cabível a cobrança de juros de mora sobre tributos com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 2          1 1  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10909.005693/2007­31  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.585  –  3ª Turma Especial   Sessão de  04 de março de 2015  Matéria  Simples  Recorrente  MARIMAR HOTEL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006  OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  NÃO  COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.  A ocorrência  de  depósitos  bancários  sem  a  devida  comprovação  da  origem  dos mesmos pode  ser  tida  como uma hipótese de presunção de omissão  de  receitas com inversão do dever de provar, de modo a justificar a tributação se  o sujeito passivo não a desconstituir.  Observe­se que a autoridade Fazendária não tem como saber ou afirmar se a  movimentação financeira é fruto de mútuo, resgate de aplicações financeiras,  aportes de capital, entre outras, sem o auxílio do contribuinte, que detém as  informações.  ACRÉSCIMOS LEGAIS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.  É  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  tributos  com  base  na  taxa  referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento  ao recurso. Ausente, temporariamente, a Conselheira CRISTIANE SILVA COSTA.    (assinado digitalmente)  CARMEN FERREIRA SARAIVA ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 56 93 /2 00 7- 31 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 10/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA   2 (assinado digitalmente)  ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  CARMEN  FERREIRA  SARAIVA  (Presidente),  SÉRGIO  RODRIGUES  MENDES,  ARTHUR  JOSÉ  ANDRÉ  NETO,  MEIGAN  SACK,  CRISTIANE  SILVA  COSTA  e  RICARDO  DIEFENTHAELER.     Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto pela empresa MARIMAR HOTEL  LTDA  em  face  da  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis (SC) que considerou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte.  De acordo com o relatório fiscal (fls. 286 a 288), o lançamento refere­se à:  (i)  omissão  de  receitas  por  conta  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  apurada  pela  fiscalização  com  base  na  diferença  entre  o  valor  dos  créditos  bancários e a receita escriturada, em cada mês de apuração; e,   (ii)  em  razão da omissão de  receitas,  por  insuficiência de  recolhimento  dos  impostos e contribuições apurados na forma do Simples.  Segundo  a  fiscalização,  a  empresa  foi  intimada  a  comprovar  a  origem  dos  créditos,  no  total  de  R$  2.225.279,56,  tendo  sido  informada  de  que  a  origem  dos  mesmos  estava nas notas  fiscais emitidas nos anos de 2004 a 2006. A omissão de receita  foi apurada  com  base  na  diferença  entre  esses  valores.  Foram  exigidos  os  seguintes  tributos:  IRPJ,  PIS/Pasep, CSLL, COFINS e INSS, tendo sido aplicada multa de lançamento de ofício de 75%  e juros de mora.  Inconformada  com  o  lançamento  fiscal,  em  23/01/2008  a  recorrente  apresentou impugnação ao lançamento (fls. 291 a 317).  No  entanto,  não  obstante  os  argumentos  trazidos,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC)  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada pela contribuinte. A decisão a quo (fls. 321 a 332) restou ementada nos seguintes  termos:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS  DE PEQUENO PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006  Depósitos Bancários. Origens. Presunção Legal. Omissão de Receita.  Caracterizam  como  omissão  de  receitas  os  valores  creditados  em  conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais  Fl. 371DF CARF MF Impresso em 10/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005693/2007­31  Acórdão n.º 1803­002.585  S1­TE03  Fl. 3          3 o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprova,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos utilizados nessas operações.  Presunções Legais Relativas. Distribuição do ônus da Prova.  As  presunções  legais  relativas  obrigam  a  autoridade  fiscal  a  comprovar, tão­somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se  sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos  não  ocorreram  na  forma  como  presumidos pela lei.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006  Arguições  de  Inconstitucionalidade  e  Ilegalidade  da  Legislação  Tributária.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  arguições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  de  atos legais regularmente editados.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Cientificado  da  decisão  em  05/04/2010,  conforme  AR  de  fl.  340,  o  contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente (fls. 341 a 368), o qual, em síntese,  tem como argumentos recursais o que segue:  a) preliminarmente, a carência de tipificação, fundamentação legal e base de  cálculo para o lançamento, tendo em vista a pretensa omissão de rendimentos  afrontar  a  legislação  de  regência,  por  não  ser  fato  gerador  de  imposto  de  renda;  b) no mérito,  sustenta que,  por  estar  registrada  no SIMPLES, não pode  ser  autuada  a  pretexto  de  que  não  escriturou  sua movimentação  bancária,  pois  está dispensada legalmente desse dever;  c) não há nos autos qualquer prova concreta que possa respaldar a exigência  fiscal nos moldes em que foi formulada;  d)  a  jurisprudência  do  CARF  repudia  veementemente  a  caracterização  de  omissão  de  receitas  por mera  ausência  de  escrituração  nos moldes  em  que  ocorreu no presente caso;  e)  a  recorrente  era  a  responsável  pela  cobrança  e  recebimento  dos  pagamentos  relativos  aos  gastos  dos  hóspedes  nos  estabelecimentos  que  exercem a atividade de restaurante e bar em suas dependências, o que deixa  claro que não houve a disponibilidade de renda em seu favor;  Fl. 372DF CARF MF Impresso em 10/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA   4 f)  todos os esclarecimentos e provas  fornecidos durante a ação  fiscal  foram  desconsideradas pela fiscalização, que se baseou exclusivamente nos extratos  e depósitos bancários;  g) o lançamento está eivado de erros representados pela inclusão de valores  que a lei manda excluir, ou seja, depósitos de valor inferior a R$ 12.000,00, e  sequer foi comprovado através do Demonstrativo de Recursos Financeiros ou  Fluxo  de  Caixa  dos  valores  movimentados  nos  períodos­base  autuados,  imprescindível  para  a  correta  quantificação  da  base  de  cálculo  de  eventual  tributo incidente sobre pretensa omissão de rendimentos;  h) o auditor fiscal fundamentou o auto de infração na alegação de presunção  comum, o que prova que a própria autoridade tem dúvidas acerca da efetiva  existência do ato infração;  i) o fisco, além de não utilizar a forma determinada em lei para a apuração da  base de cálculo da CSLL, também não observou a sequência, estabelecida na  legislação e em atos normativos, da dedução prévia dessa contribuição;  j)  a  exigência da CSLL, PIS, COFINS e  INSS decorrem do  lançamento  de  IRPJ, cujas causas são cabalmente contestadas nesse recurso voluntário; e  l)  por  fim,  sustenta  a  ilegalidade  dos  juros  Selic  na  correção  de  débitos  tributários.  Sem  contrarrazões  do  fisco,  os  autos  foram  encaminhados  à  apreciação  e  julgamento por este Conselho.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Arthur José André Neto  DA ADMISSIBILIDADE  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade,  razão pela qual dele conheço.  DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO  A recorrente,  ao  longo de  todo o  recurso voluntário,  sustenta a nulidade do  auto  de  infração,  por  considerar  que  o  fiscal  autuante  não  desprendeu  qualquer  esforço  para  verificar  a  veracidade  de  suas  alegações.  Ademais,  argumenta  que  o  lançamento  carece  de  tipificação, fundamentação legal e base de cálculo para ser efetuado.  Contudo,  analisando  detidamente  os  autos,  verifica­se  que,  ao  contrário  do  que sustenta a recorrente, o auto de infração não apresenta qualquer vício material ou formal  em sua constituição, haja vista que foi lavrado por autoridade fiscal competente com a devida  observância das disposições contidas no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235/72.  Fl. 373DF CARF MF Impresso em 10/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005693/2007­31  Acórdão n.º 1803­002.585  S1­TE03  Fl. 4          5 Cumpre  ressaltar,  ainda,  que  o  lançamento  encontra­se  devidamente  fundamentado  e  motivado,  em  consonância  com  o  que  determina  a  legislação  que  rege  o  processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50 da Lei nº 9.784/99. Dessa forma, não há  que se falar em anulação do lançamento fiscal, por não haver qualquer vício.   Ainda quanto à  fundamentação do  lançamento, afirma a recorrente que este  baseou­se unicamente nos extratos e depósitos bancários. Contudo, conforme se depreende dos  autos,  o  lançamento  fiscal  resulta  da  análise  conjunta  de  todos  os  elementos  documentais  apresentados, inclusive aqueles solicitados pela fiscalização para comprovação da origem dos  créditos apurados.  DO LANÇAMENTO   Argumenta a  recorrente  que  era  a  responsável pela  cobrança  e  recebimento  dos  pagamentos  relativos  aos  gastos  dos  hóspedes  nos  estabelecimentos  que  exercem  a  atividade  de  restaurante  e  bar  em  suas  dependências,  o  que  deixa  claro  que  não  houve  a  disponibilidade de renda em seu favor. Ademais, afirma que, por estar registrada no SIMPLES,  não pode ser autuada a pretexto de que não escriturou sua movimentação bancária, pois está  dispensada legalmente desse dever.  Para deslindar a questão, mister se faz analisar o disposto no art. 42 da Lei nº  9.430/96, in verbis:  Art. 42. Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Observe  que  o  dispositivo  acima  transcrito  trata­se  de  uma  presunção  juris  tantum,  cabendo  ao  contribuinte  demonstrar  a  origem dos  recursos  utilizados. A omissão  de  receita  ou  de  rendimento,  decorrente  da  aplicação  dessa  presunção  legal,  será  atribuída  ao  titular da conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, seja ele  pessoa física ou jurídica. Em outras palavras, o titular da conta é o sujeito passivo da obrigação  tributária decorrente da aplicação dessa presunção.  Assim,  no  caso  de  lançamento  em  razão  de  depósitos  bancários  de origens  não  comprovadas,  o  sujeito  passivo  corresponde  ao  titular  de  direito  da  conta  bancária  fiscalizada. Como a recorrente não comprovou que os pagamentos pertenciam a terceiros nem  a origem desses créditos, o lançamento permanece imutável, eis que de acordo com os ditames  legais.  Quanto  ao  argumento  de  que  a  recorrente  está  dispensada  legalmente  do  dever de escriturar sua movimentação bancária, teço as seguintes considerações.  Consta nos autos que a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar cópias  do  contrato  social,  livros  diário  e  razão,  livro  registro  de  entradas,  saídas  e  de  apuração  do  ICMS e extratos bancários de todas as contas­correntes e de aplicações financeiras em nome da  empresa.  Fl. 374DF CARF MF Impresso em 10/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA   6 As  microempresas  e  empresas  de  pequeno  porte  inscritas  no  SIMPLES  apresentam  declaração  simplificada  e  estão  dispensadas  de  escrituração  comercial,  sob  a  condição de manter, em boa ordem e guarda, pelo prazo de 5 anos,  (i) o  livro caixa, no qual  deverá  estar  escriturada  a  sua  movimentação  financeira,  inclusive  bancária;  (ii)  o  livro  de  registro de inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de  cada  ano  calendário;  e  (iii)  os  documentos  e  demais  papéis  que  serviram  de  base  para  a  escrituração dos livros já mencionados.  Tal  garantia  tem  natureza  constitucional,  por  força  do  art.  179  da  Constituição Federal de 1988, que determina que a União, os Estados, o Distrito Federal e os  Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em  lei,  tratamento  jurídico  diferenciado,  visando  a  incentivá­las  pela  simplificação  de  suas  obrigações  administrativas,  tributárias,  previdenciárias  e  creditícias,  ou  pela  eliminação  ou  redução destas por meio de lei.  Conforme  art.  34  da  Lei  Complementar  nº  123,  de  2006,  aplica­se  à  microempresa  e  à  empresa  de  pequeno  porte  todas  as  presunções  de  omissão  de  receita  existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples.  Da  análise  dos  autos,  verifica­se  que  a  autoridade  fiscal  não  autuou  o  contribuinte  por  ausência  de  escrituração  da movimentação  bancária  (não  havendo  qualquer  menção  a  ela  no  Termo  Fiscal),  mas  sim  por  ausência  de  explicação  quanto  à  origem  dos  créditos bancários.  Durante  a  ação  fiscal,  a  recorrente  foi  intimada  a  se  manifestar  sobre  as  receitas encontradas nos extratos bancários, tendo informado apenas que a origem dos créditos  estava nas notas fiscais emitidas nos anos de 2004 a 2006. A omissão de receitas foi apurada  com base na diferença entre o valor dos créditos bancários e a receita escriturada, em cada mês  de apuração.  Desse  modo,  verifica­se  que  a  atuação  do  Fisco  está  de  acordo  com  a  legislação que rege a matéria, não merecendo prosperar as alegações da recorrente nesse ponto.   DA OMISSÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS  Conforme  transcrito  alhures,  o  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  estabeleceu  uma  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  que  autoriza  o  lançamento  do  imposto  correspondente,  sempre  que  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos  creditados  em  sua  conta de depósito ou de investimento.   A ocorrência  de  depósitos  bancários  sem  a  devida  comprovação  da  origem  dos  mesmos  pode  ser  tida  como  uma  hipótese  de  presunção  de  omissão  de  receitas  com  inversão  do  dever  de  provar,  de  modo  a  justificar  a  tributação  se  o  sujeito  passivo  não  a  desconstituir.  Observe­se que a autoridade Fazendária não tem como saber ou afirmar se a  movimentação  financeira  é  fruto  de  mútuo,  resgate  de  aplicações  financeiras,  aportes  de  capital, entre outras, sem o auxílio do contribuinte.  O único que, de fato, conhece a origem dos depósitos é o contribuinte. Sendo  assim, sobre ele deve recair o peso de provar que os depósitos não se tratam de auferimento de  receita.  Fl. 375DF CARF MF Impresso em 10/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005693/2007­31  Acórdão n.º 1803­002.585  S1­TE03  Fl. 5          7 Segundo consta no Termo de Verificação de  Infrações e Encerramento  (fls,  287/288),  a  fiscalizada  foi  intimada  a  comprovar  a  origem  de  créditos  no  total  de  R$  2.225.279,56,  tendo  informado  que  a  origem  dos  créditos  efetuados  estava  nas  notas  fiscais  emitidas  nos  anos  de  2004  a  2006  (fls.  188  a  190),  limitando­se  a  explicar  apenas  alguns  detalhes de sua atividade econômica. Por ter sido apurada diferença entre o valor dos créditos  bancários  e  a  receita  escriturada,  em  cada mês  de  apuração,  a  fiscalização  considerou  esses  valores como omissão de receitas.  Considerando  a  inclusão  das  receitas  omitidas  nas  bases  de  cálculo  do  SIMPLES, foram apuradas diferenças entre as alíquotas aplicadas em função da receita bruta  acumulada,  o  que  ocasionou  insuficiência  de  recolhimento  dos  impostos  devidos,  os  quais  foram igualmente lançados nos autos.  Assim, por não ter a fiscalizada comprovado a origem dos créditos ocorridos  nas  contas  bancárias  de  sua  titularidade,  vez  que  recai  sobre  ela  o  ônus  da  prova,  restou  caracterizada a omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996.  A matéria trazida à baila já foi discutida em outras oportunidades nesta Corte  Administrativa, sendo o seu entendimento explicitado no julgado abaixo colacionado:  OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.  Tributa­se como omissão de receita os depósitos efetuados em conta  bancária,  cuja  origem  dos  recursos  depositados  não  tenha  sido  comprovada  pelo  contribuinte  mediante  apresentação  de  documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei 9.430, de  27/12/1996, bem assim as receitas escrituradas no livro Caixa e não  oferecidas à tributação. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do  contribuinte,  cabe  a  ele  a  prova  da  origem  dos  recursos  utilizados  para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída  por meras alegações.  (Processo 15956.000397/200964, Acórdão 1301001.459, 3º Câmara /  1º Turma Ordinária, Sessão de 08/04/2014).  Dessa  forma, por não  ter comprovado a origem dos depósitos,  entendo que  razão não assiste à recorrente.  DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC   A  recorrente,  sem  razão,  aduz  ser  indevida  a  utilização  da  taxa  SELIC  na  apuração do crédito tributário, por diversos motivos.    A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais (CARF) aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos:  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita  Fl. 376DF CARF MF Impresso em 10/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA   8 Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  –  SELIC  para  títulos federais.  Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora.  CONCLUSÃO  Diante  do  exposto,  CONHEÇO  do  recurso  voluntário  para,  no  mérito,  NEGAR­LHE PROVIMENTO, nos termos acima delineados.    (assinado digitalmente)  Arthur José André Neto ­ Relator                               Fl. 377DF CARF MF Impresso em 10/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

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Numero do processo: 13656.720001/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2010 a 31/10/2012 COMPENSAÇÃO. GLOSA. Impõe-se a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a imposição de multa isolada de 150% - prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212, de 1991 - quando a autoridade fiscal não demonstra, por meio da linguagem de provas, a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo. A omissão do sujeito passivo em justificar a origem do seu direito creditório, como só alegado pela acusação fiscal, é circunstância insuficiente para concluir pela falsidade das compensações efetuadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização (AI nº 51.054.263-8). Os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi e Carlos Henrique de Oliveira acompanharam o relator pelas conclusões. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva votou pela manutenção da multa isolada. André Luís Mársico Lombardi - Presidente Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1837; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 529          1  528  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13656.720001/2014­15  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­004.179  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de fevereiro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: COMPENSAÇÃO. GLOSA E  MULTA ISOLADA  Recorrente  MUNICÍPIO DE CALDAS ­ PREFEITURA MUNICIPAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2010 a 31/10/2012  COMPENSAÇÃO. GLOSA.  Impõe­se  a  glosa  dos  valores  indevidamente  compensados,  acrescida  de  multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito  passivo da existência do seu direito creditório.  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA.  MULTA  ISOLADA.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO DO DOLO. INAPLICABILIDADE.  Inaplicável a imposição de multa isolada de 150% ­ prevista no art. 89, § 10,  da  Lei  nº  8.212,  de  1991  ­  quando  a  autoridade  fiscal  não  demonstra,  por  meio  da  linguagem  de  provas,  a  falsidade  da  compensação  efetuada  pelo  sujeito passivo. A omissão do sujeito passivo em justificar a origem do seu  direito  creditório,  como  só  alegado  pela  acusação  fiscal,  é  circunstância  insuficiente para concluir pela falsidade das compensações efetuadas.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 00 01 /2 01 4- 15 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13656.720001/2014­15  Acórdão n.º 2401­004.179  S2­C4T1  Fl. 530          2  Acordam os membros  do  colegiado,  por maioria  de  votos,  em  conhecer do  recurso  voluntário  e,  no mérito, DAR­LHE PARCIAL PROVIMENTO para  excluir  a multa  isolada de 150% aplicada pela fiscalização (AI nº 51.054.263­8). Os Conselheiros André Luís  Mársico Lombardi e Carlos Henrique de Oliveira acompanharam o relator pelas conclusões. O  Conselheiro Arlindo da Costa e Silva votou pela manutenção da multa isolada.      André Luís Mársico Lombardi ­ Presidente      Cleberson Alex Friess ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  André  Luís  Mársico  Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Theodoro  Vicente  Agostinho,  Carlos  Henrique  de  Oliveira  e  Rayd  Santana Ferreira.  Fl. 530DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13656.720001/2014­15  Acórdão n.º 2401­004.179  S2­C4T1  Fl. 531          3    Relatório  Cuida­se de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis  (DRJ/FNS),  cujo  dispositivo  julgou  improcedente  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  exigido.  Transcrevo a ementa do Acórdão nº 07­35.083 (fls. 475/483):  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2010 a 31/10/2012  COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.  Os  valores  referentes  a  contribuições  sociais  previdenciárias  compensadas  indevidamente  serão  exigidos  pelo  Fisco  com  os  acréscimos moratórios de que trata o artigo 35, caput, da Lei nº  8.212/1991.  PREVIDENCIÁRIO.  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA.  FALSIDADE  NA  DECLARAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO.  MULTA ISOLADA DE 150%.  Na  hipótese  de  compensação  indevida,  quando  se  comprove  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  o  contribuinte  estará  sujeito  à  multa  isolada  de  150%  calculada  com base no valor total do débito indevidamente compensado.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/02/2010 a 31/10/2012  AÇÃO  JUDICIAL  CONCOMITANTE.  MATÉRIA  IDÊNTICA.  RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  ARGUIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  INCOMPETÊNCIA  DAS  INSTÂNCIAS  ADMINISTRATIVAS  PARA APRECIAÇÃO.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos  legais regularmente editados.  Fl. 531DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13656.720001/2014­15  Acórdão n.º 2401­004.179  S2­C4T1  Fl. 532          4  2.    Extrai­se  do  relatório  fiscal,  às  fls.  6/10,  que  o  processo  administrativo  é  composto por dois autos de infração (AI), a saber:  i)  AI  nº  51.054.256­5,  relativo  à  glosa  de  compensação  de  contribuição  previdenciária,  indevidamente  realizada  pelo  sujeito passivo nas competências 02 a 10/2010 e 01 a 09/2012,  acrescida de juros e multa de mora; e  ii)  AI  nº  51.054.263­8,  referente  à  multa  isolada  pela  compensação indevida, no percentual 150% (cento e cinquenta  por  cento),  quando  comprovada  a  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  nas  competências  03  a  11/2010 e 02 a 10/2012.  2.1    Segundo a  fiscalização, devidamente  intimado para  justificar  as  compensações  efetuadas  no  período,  o  sujeito  passivo  deixou  de  comprovar  a  origem  do  direito  creditório,  impossibilitando  o  Fisco  de  verificar  a  certeza  e  liquidez  dos  créditos  utilizados  nas  compensações.  2.2    Além da glosa, foi aplicada a multa isolada prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  porque  o  sujeito  passivo,  ao  realizar  a  compensação  sem  motivação,  incidiu  na  conduta  de  prestar  informações  falsas  na  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP).  3.    Cientificado por via postal da autuação, em 16/1/2014, às fls. 41, o contribuinte  impugnou a exigência fiscal (fls. 45/63).  4.    Posteriormente,  ao  ser  intimado  em  31/7/2014  da  decisão  do  colegiado  de  primeira  instância,  também  por  via  postal,  às  fls.  489,  o  recorrente  apresentou  recurso  voluntário  no  dia  29/8/2014,  em  que  reafirma  os  argumentos  já  expendidos  em  sua  impugnação, resumidos a seguir (fls. 496/523):   i)  as  compensações  referem­se  a  verbas  de  caráter  indenizatório  e  independem  de  autorização  da  Fazenda  Pública;  ii) ao regime de compensação por homologação é inaplicável o  art.  170­A  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966,  que  veicula o Código Tributário Nacional (CTN);  iii)  o  município  interpôs  ação  judicial,  autuada  sob  o  nº  0000292­16.401.3810,  a  fim  de  obter  a  declaração  de  inexigibilidade  da  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre:  a)  auxílio­doença  e  auxílio­acidente  nos  primeiros  quinze  dias,  b)  terço  constitucional  de  férias,  c)  abono  pecuniário, e d) horas extras; assim como o direito de efetuar  compensações desses valores nos últimos cinco anos;  iv) sobre as parcelas antes mencionadas não há incidência da  contribuição  previdenciária,  conforme  jurisprudência  colacionada à peça recursal; e  Fl. 532DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13656.720001/2014­15  Acórdão n.º 2401­004.179  S2­C4T1  Fl. 533          5  v) a multa  isolada exige a comprovação da conduta  ilícita do  sujeito  passivo  e,  no  caso  em  apreço,  não  houve  pela  recorrente falsidade na declaração de compensação, nem dolo  ou má­fé.  É o relatório.  Fl. 533DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13656.720001/2014­15  Acórdão n.º 2401­004.179  S2­C4T1  Fl. 534          6    Voto             Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator  Juízo de admissibilidade  5.    De  início,  necessário  verificar  previamente  os  aspectos  formais  do  recurso.  Apenas  depois  de  superada  positivamente  essa  etapa,  pode­se  avançar  à  análise  do  mérito  recursal.  6.    O recorrente noticia a interposição de ação judicial com o propósito de obter do  Poder  Judiciário  o  direito  à  compensação  de  valores  recolhidos  a  título  de  contribuições  previdenciárias incidentes sobre parcelas que entende revestidas de natureza indenizatória.  6.1    Trata­se de ação declaratória do direito à compensação, com pedido de liminar,  proposta  em  30/1/2012,  na  Vara  Federal  de  Pouso  Alegre  (MG),  sob  o  nº  292­ 16.2012.4.01.3810,  conforme  fls.  185,  em que  foi  requerida  a  suspensão  da  exigibilidade  da  incidência  da  exação  previdenciária  sobre  valores  pagos  nos  15  (quinze)  primeiros  dias  de  afastamento em virtude de doença ou acidente, férias indenizadas, abono pecuniário de férias,  terço  constitucional  de  férias  e  horas  extras,  e  compensação  dos  valores  recolhidos  indevidamente nos últimos cinco anos (fls. 186/198 e 417/418).  6.2    Em  decisão  interlocutória,  prolatada  em  14/6/2013,  houve  parcial  antecipação  dos efeitos da tutela pretendida, para determinar "a suspensão da exigibilidade da contribuição  patronal  e  consectários  (Sistema  S,  SAT,  etc)  sobre  o  abono  indenizado  de  férias  e  férias  indenizadas, incluindo o terço de férias indenizado" (fls. 436/440).  7.     Por  sua  vez,  pleiteia  o  reconhecimento  administrativo  da  não  incidência  das  contribuições  previdenciárias  sobre  as  supracitadas  parcelas,  como  forma  de  justificar  a  compensação efetuada nas competências de 02 a 10/2010 e 01 a 09/2012, dado o respaldo do  procedimento em decisão judicial (fls. 58).  7.1    Cabe  ressalvar  que,  diferentemente  do  afirmado  pelo  recorrente,  a  decisão  interlocutória,  de  fls.  436/440,  proferida  após  as  compensações,  apenas  suspendeu  a  exigibilidade  da  tributação  sobre  as  parcelas  discriminadas  pelo  magistrado,  não  abonando  qualquer tipo de ato de compensação.  8.    Pois  bem.  À  primeira  vista,  poder­se­ia  cogitar  fato  impeditivo  do  poder  de  recorrer  no  âmbito  administrativo,  por  haver  concomitância,  mesmo  que  parcial,  entre  a  matéria objeto da ação judicial proposta contra a Fazenda Nacional e aquela reproduzida neste  processo  administrativo,  tendo  em  conta  o mérito  da  discussão  recair,  ao  fim  e  ao  cabo,  na  legitimidade ou não de o recorrente compensar as parcelas por ele enumeradas.   8.1    De  sorte  tal  que,  favorável  ou  desfavorável  ao  contribuinte,  a  decisão  judicial  transitada em julgado prevaleceria sobre a decisão administrativa.  Fl. 534DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13656.720001/2014­15  Acórdão n.º 2401­004.179  S2­C4T1  Fl. 535          7  9.    Todavia,  assim  não me  parece,  porque  a  acusação  fiscal  tem  escopo  diverso,  delimitado  no  tempo,  no  sentido  da  ausência  de  comprovação  por  parte  do  contribuinte  da  existência  e  liquidez  do  crédito  utilizado  nas  compensações  efetuadas  mediante  entrega  da  GFIP nos anos de 2010 e 2012 (fls. 7).  10.    Ademais, ainda que futuramente concedido na esfera judicial o direito pleiteado  pelo  recorrente,  com  efeitos  pretéritos  no  que  tange  ao  cômputo  do  indébito  passível  de  restituição/compensação,  o  provimento  judicial  não  terá  o  condão  de  tornar  legítimas  as  compensações efetuadas pelo sujeito passivo, isto é, em período anterior à decisão definitiva do  Poder Judiciário.  10.1    De fato, o art. 170­A do CTN prescreve a  impossibilidade da compensação de  tributo  objeto  de  contestação  judicial,  antes  do  trânsito  em  julgado  da  respectiva  decisão  judicial. Transcrevo sua redação:  Art. 170­A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento  de  tributo,  objeto  de  contestação  judicial  pelo  sujeito  passivo,  antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.  11.     De modo que, satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário,  dele tomo conhecimento.  Mérito  a) Glosa da compensação  12.    Depreende­se dos autos que o sujeito passivo não justificou, na fase inquisitória  e  investigativa  do  procedimento  fiscal,  as  compensações  efetuadas,  autorizando,  por  consequência,  a  sua  glosa  pela  fiscalização.  Essa  omissão  é  fato  incontroverso,  porque  há  ausência de contestação pelo recorrente.  13.    Com  base  no  tradicional  critério  de  distribuição  do  ônus  da  prova,  cabe  ao  sujeito  passivo  comprovar  o  fato  constitutivo  do  seu  direito,  isto  é,  compete  ao  interessado  demonstrar os elementos exigidos para o nascimento da relação jurídica na condição de credor  do  Fisco  e,  desse modo,  legitimar  o  encontro  de  contas  entre  débito  e  crédito  por meio  da  compensação tributária.  14.    Daí que para provar a existência e liquidez dos créditos compensáveis não basta  somente  afirmar  que  o  indébito  refere­se  a  contribuições  previdenciárias  indevidamente  apuradas sobre verbas indenizatórias. É imprescindível demonstrar, por meio da linguagem de  provas, as afirmações que alega.  15.    Nessa linha de pensamento, ao examinar o conjunto fático­probatório acostado  pelo  recorrente  para  comprovar  o  seu  direito  creditório,  entendo  insuficientes  para  fazer  prevalecer o que declara.  15.1    A despeito de trazer aos autos cópias das totalizações das folhas de pagamento,  relativas ao período de 09/2006 a 09/2011 (fls. 208/370), não detalha, nem ao menos  indica,  quais rubricas nelas relacionadas foram, e quais não foram, incluídas na base de cálculo mensal  das  contribuições  previdenciárias,  deixando  também  de  vincular  tais  informações  com  a  planilha de controle de créditos por ele elaborada e acostada às fls. 206/207.   Fl. 535DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13656.720001/2014­15  Acórdão n.º 2401­004.179  S2­C4T1  Fl. 536          8  15.2    Além  de  não  haver  vínculo  entre  os  documentos  apresentados,  por  mês  do  indébito  e  por  competência  em  que  efetuada  a  compensação,  de  maneira  a  viabilizar  a  identificação  da  origem  do  direito  creditório  e  aferir  o  valor  apontado  como  pago  indevidamente,  o  recorrente  é  incapaz  de  demonstrar  os  recolhimentos  sobre  tais  verbas  supostamente  de  caráter  indenizatório,  indispensáveis  para  gerar  o  direito  à  repetição  do  indébito em seu favor.  16.    Qualquer  discussão,  no  âmbito  deste  processo  administrativo,  no  que  diz  respeito à incidência ou não incidência da exação previdenciária sobre as parcelas enumeradas  pelo recorrente, somente encontraria relevância para a análise do julgador na hipótese em que  restasse  evidenciado  previamente  nos  autos  o  efetivo  pagamento  sobre  tais  verbas,  com  a  inclusão do montante pago nas compensações efetuadas pelo sujeito passivo.   16.1    Diferentemente da ação judicial alhures mencionada, em que se almeja, ao final,  o  reconhecimento  do  direito  à  compensação,  neste  processo  administrativo  examina­se  a  regularidade das compensações concretamente efetuadas pelo contribuinte no período indicado  pela fiscalização.   17.    Nesses  termos,  conquanto  aplicáveis  ao  processo  administrativo  tributário  os  princípios  da  verdade  material,  do  informalismo  e  da  oficialidade,  não  é  lícito  ao  julgador  invadir  o  campo  de  provas  que  incumbe  às  partes  e  suprir  indevidamente  deficiências  probatórias.  18.    De mais  a  mais,  reforço  não  só  o  fato  de  inexistir  nos  autos  prova  de  haver  decisão judicial que ampare o procedimento compensatório realizado pelo sujeito passivo, nos  anos de 2010 e 2012,  como  também que o  art. 170­A do CTN,  ao  exigir  que não mais haja  discussão judicial acerca dos créditos, não distingue a compensação de tributos no âmbito do  lançamento por homologação das demais modalidades de lançamento.  18.1     Nesse sentido, colaciono a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ):  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA.  COMPENSAÇÃO.  ART.  170­A  DO  CTN.  MATÉRIA  PACIFICADA. SÚMULA N.º 168/STJ.  1. Nas ações ajuizadas após a publicação da Lei Complementar  n.º 104/2001, que acrescentou o art. 170­A ao CTN, somente se  admite a compensação  tributária depois do  trânsito em julgado  da sentença. Precedentes da Seção.  2. A  jurisprudência da Corte não diferencia a compensação no  âmbito  do  lançamento  por  homologação  (art.  66  da  Lei  n.º  8.383/90)  das  demais  hipóteses  de  compensação para  efeito  de  incidência do disposto no art. 170­A do CTN. (grifei)  3.  "Não  cabem  embargos  de  divergência,  quando  a  jurisprudência  do  tribunal  se  firmou  no  mesmo  sentido  do  acórdão embargado" (Súmula n.º 168/STJ).  4. Agravo regimental improvido.  (AgRg  nos  EDcl  nos  Embargos  de  Divergência  em  Recurso  Especial  nº  755.567/PR;  Relator  Ministro  Castro  Meira,  1ª  Seção, Data de publicação em 13/3/2006)  Fl. 536DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13656.720001/2014­15  Acórdão n.º 2401­004.179  S2­C4T1  Fl. 537          9  19.    Em  suma,  não  havendo  prova  da  existência  do  direito  creditório  alegado  pela  recorrente, cabe a manutenção integral da glosa da compensação, com os acréscimos de juros  de mora e multa de mora previstos na legislação  tributária  (art. 89, § 9º, da Lei nº 8.212, de  1991).  b) Multa isolada  20.    Foi imposta pela fiscalização ao recorrente, em face da compensação indevida,  multa isolada no percentual de 150% (cinto e cinquenta por cento) incidente sobre o valor total  do débito compensado, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Transcrevo o  dispositivo:  Art. 89. (...)  §  10.  Na  hipótese  de  compensação  indevida,  quando  se  comprove  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no  percentual  previsto  no  inciso  I  do  caput  do  art.  44  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  aplicado  em  dobro,  e  terá  como  base  de  cálculo  o  valor  total  do  débito  indevidamente  compensado. (grifei)(...)  21.    Como se nota da redação do dispositivo legal, o § 10 não cuida de uma falsidade  material, relacionada à autenticidade do documento, mas sim de haver uma falsidade intrínseca  a esse documento, em que se faz presente a mentira no seu conteúdo.  22.     A  multa  está  condicionada  a  comprovação  de  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo.  Por  isso,  tenho  como  premissa  que  essa  sanção  fiscal  pecuniária exige o elemento subjetivo dolo, ainda que dispensável a presença de um especial  fim  de  agir,  visto  que  a  leitura  do  preceptivo  revela  que  o  legislador  não  elegeu  qualquer  elemento específico como requisito para a imposição da penalidade.   22.1    De sorte que não se poderá cogitar de falsidade, em razão do próprio significado  da  sua  acepção,  sem  que  haja  consciência  do  agente  em  esconder,  alterar  ou  suprimir  a  verdade.  23.    Nesse  passo,  quando  da  constituição  do  crédito  tributário,  exige­se  que  a  fiscalização aponte a existência de um modo de agir doloso por parte do sujeito passivo que  conduza  à  falsidade  da  declaração  apresentada. Mais  que  um  ônus,  o  Fisco  tem  o  dever  de  aplicar  a  penalidade  com  descrição  e  suporte  em  provas  da  ocorrência  da  falsidade  das  declarações em GFIP quando das compensações efetuadas.   24.    Porém,  no  caso  em  apreço,  a  acusação  deixou  de  indicar  os  elementos  caracterizadores da existência do dolo na conduta do sujeito passivo.   24.1    Com  efeito,  o  fundamento  fático  para  a  aplicação  da  penalidade  está  assim  consignado no relatório fiscal, "in verbis" (fls. 7):  "Considerando  as  oportunidades  oferecidas  ao  autuado  para  fundamentar  as  compensações  efetuadas  e  informadas  nas  GFIPs  no  período  do  Levantamento  e  diante  da  falta  de  elementos  para  justificá­las,  ficou  caracterizada  a  hipótese  de  Fl. 537DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13656.720001/2014­15  Acórdão n.º 2401­004.179  S2­C4T1  Fl. 538          10  “Compensação  Indevida”  com  falsidade  de  declaração,  face  a  ausência  de  motivação  para  sua  efetivação,  situação  caracterizada na Lei 8.212/1999, artigo 89, § 10, que determina  a aplicação da penalidade prevista na Lei 9.430/1996, artigo 44,  inciso  I  –  aplicando­se  em  dobro  a  multa  isolada  no  mês  da  entrega da declaração."  25.     A omissão  do  sujeito  passivo  em  justificar  a  origem do  seu  direito  creditório,  como  só  alegado  pela  autoridade  lançadora,  não  é  elemento  bastante  para  concluir  pela  falsidade nas compensações efetuadas.   25.1    Como exigência imposta pela lei, a penalidade reclama a prova de que o sujeito  passivo, mesmo diante da realidade contrária à repetição do indébito pela via da compensação,  optou em praticar uma conduta consciente oferecendo crédito  sabidamente  inapropriado para  tal fim.  26.    Dessa feita, a multa isolada deve ser afastada, pois não restou comprovada pela  fiscalização, em linguagem apropriada, a conduta dolosa do sujeito passivo quanto à falsidade  nas compensações, tal como exige o § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991.  CONCLUSÃO  Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR­ LHE  PARCIAL  PROVIMENTO  para  excluir  a  multa  isolada  de  150%  aplicada  pela  fiscalização (AI nº 51.054.263­8).  É como voto.    Cleberson Alex Friess.                            Fl. 538DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS

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