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Numero do processo: 19515.003850/2010-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006, 01/07/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 31/10/2007
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.
IRREGULARIDADE NA AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Tendo o Fisco demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo, Redator-Designado AD HOC para formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. IRREGULARIDADE NA AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Tendo o Fisco demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 50 /2 01 0- 78 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003850/201078 Acórdão n.º 2403002.412 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2006 a 02/2006, 07/2006 a 08/2006 e 10/2006 a 10/2007. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 40/43), os fatos geradores não informados em GFIP foram considerados base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados, pelos contribuintes individuais (sócios) e pela empresa, incluídas nos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.251.8672 e 37.251.8680, lançados nesta mesma ação fiscal. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 02/12/2010 (fls. 01 e 55). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 64/399) requerendo a total improcedência do lançamento e alegando, em síntese, que: 1. o auto de infração lavrado contém erros formais (alusão deficiente aos dispositivos legais) que importam no cerceamento de defesa da Impugnante, direito assegurado pelo art. 5º, inciso LV da Constituição Federal, razão pela qual o mesmo padece de nulidade. Colaciona jurisprudência; 2. não obstante o AuditorFiscal afirmar que foi aplicada a penalidade mais branda (em respeito ao art. 106, II, "c" do CTN), o demonstrativo da multa aplicada (Anexos I, IA e II) do presente auto de infração apresenta multiplicador, cuja aplicação não possui base legal, ferindo, assim, o princípio da legalidade; 3. apesar de imputada multa por omissões ou incorreções constantes em GFIP, não foram apontadas quais seriam, a fim de possibilitar a defesa da Impugnante, constando apenas do demonstrativo a expressão ‘campos com informação errada’. Assim, ficou impossibilitado o direito de ampla defesa à Impugnante. Junta comprovantes de entrega das GFIP de 01/2006 a 13/2007; 4. o princípio da legalidade não foi observado em todo o processo administrativo, acarretando o cerceamento do direito de defesa da Impugnante, razão pela qual o presente auto de infração deve ser declarado nulo; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 5. por fim, a Impugnante requer a produção de prova pericial contábil, a fim de expurgar os valores indevidamente cobrados, de forma a evitar o confisco, vedado constitucionalmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP – por meio do Acórdão no 1636.255 da 13a Turma da DRJ/SP1 – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A DRF em São Paulo/SP encaminha os autos ao CARF para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003850/201078 Acórdão n.º 2403002.412 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto vencido. Pelo fato de o ConselheiroRelator Marcelo Freitas de Souza Costa ter renunciado ao cargo antes da formalização do presente acórdão, eu, Ronaldo de Lima Macedo, nomeado para formalização, reproduzo a seguir o voto por ele apresentado na sessão. Considerando que sou apenas redator adhoc para a formalização do voto, deixo consignado que o entendimento do Colegiado não corresponde, necessariamente, com o entendimento do Conselheiro RedatorDesignado adhoc. Com isso, este conselheiro não se vinculará às razões fáticas nem jurídicas registradas no presente acórdão. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Com isso, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo erros formais e, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador da infração imputada à Recorrente, decorrente do preenchimento da GFIP não contendo todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, nas competências 01/2006 a 02/2006, 07/2006 a 08/2006, 10/2006 a 12/2006 e 01/2007 a 10/2007. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, já que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/399) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 40/43) e seus anexos (fls. 01/39) são claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontra se no Relatório de fls. 01/02, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Esse Relatório informa que: “Por força do artigo 32, IV, parágrafo 5o. da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, acrescido pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com art. 225, IV, parágrafo 4 0 . do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06/05/1999, a empresa é obrigada a INFORMAR mensalmente através de GFIP Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social (documento a que se refere à Lei 8.212/1991, art. 32, inc. IV, parágrafo 3o) TODOS os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias relativas a cada competência a que se refere. As GFIP foram entregues com omissões de Segurados Empregados e sócios ou declarados com valor menor que a Folha de Pagamento. Deixou, portanto, a empresa de declarar em GFIP, antes do inicio do Procedimento Fiscal, os valores pagos a todos seus segurados caracterizados como Salário de Contribuição. A omissão ou não inclusão de qualquer fato gerador de Contribuição Previdenciária na GFIP constituise infração (descumprimento de obrigação acessória) aos dispositivos legais mencionados acima, motivo pela qual a empresa está sendo autuada. No Anexo IV (ao Auto de Infração N. 37.251.8672) estão relacionados os segurados empregados, sócios e valores que deixaram de ser declarados em GFIP. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003850/201078 Acórdão n.º 2403002.412 S2C4T3 Fl. 5 7 O cálculo da contribuição de segurado obedeceu às faixas salariais. As Contribuições Previdenciárias omitidas e não recolhidas estão sendo lançadas através dos Autos de Infração de Obrigação Principal: AI n. 37.251.8672 – Empresa e AI n. 37.251.8680 – Segurados”. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 42/43) informa que a a multa prevista no art. 32, § 5º da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, combinado com o art. 284, II do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99, correspondente a 100% do valor da contribuição não declarada em GFIP, observado o limite definido em função do número de segurados da empresa no § 4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e no inciso I do art. 284 do RPS, atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 333, de 29/06/2010, nos termos do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 42). Citado relatório e respectivos anexos demonstram que foram incluídas na presente autuação apenas as multas aplicadas de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores, nas competências em que esta, somada à multa incluída nos Autos de Infração de Obrigação Principal, se mostraram mais benéficas ao Contribuinte face às alterações legislativas promovidas pela Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei 11.941/09 (01/2006 a 02/2006, 07/2006 a 08/2006, 10/2006 a 12/2006 e 01/2007 a 10/2007). Nas demais competências do período analisado (03/2006 a 06/2006, 09/2006 e 13/2006), nas quais a multa aplicada nos termos da legislação atual se demonstrou mais branda ao Contribuinte, em respeito ao contido no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, foi aplicada exclusivamente a multa de ofício incluída nos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.251.8672 e 37.251.868. A planilha III (fls. 48) efetua o comparativo entre as multas aplicáveis de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores e a atual, apontando as competências em que uma ou outra se mostrou mais branda. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da obrigação acessória, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/399) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e na planilha demonstrativa de fls. 9/10. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003850/201078 Acórdão n.º 2403002.412 S2C4T3 Fl. 6 9 § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Logo, constatase que a Recorrente apresentou as GFIP’s não contendo todos os fatos geradores da contribuição previdenciária, para as competências 01/2006 a 02/2006, 07/2006 a 08/2006 e 10/2006 a 10/2007. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991. A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive prova pericial, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/399) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003850/201078 Acórdão n.º 2403002.412 S2C4T3 Fl. 7 11 Dessa forma, a realização de prova pericial, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972) estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/1972 – na redação dada pela Lei 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, o Conselheiro redator adhoc, designado para formalização do voto, CONHECE DO RECURSO e NEGA PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11474.000255/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2005
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. CONTRIBUINTE. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Confirma-se a decisão de piso que declara nulo o lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, quando a notificação fiscal é lavrada diretamente em nome de empresa que, sem revestir a condição de contribuinte, somente responde pela obrigações previdenciárias em razão do vínculo de responsabilidade solidária a ela atribuído por integrar grupo econômico de fato.
O erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra-matriz de incidência, decorrente da incorreta interpretação da legislação pela autoridade lançadora, a qual diante da previsão de solidariedade entre empresas de grupo econômico considera que o lançamento pode ser efetuado diretamente em qualquer uma delas, é vício material.
Recurso de ofício negado
Numero da decisão: 2401-003.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e André Luís Mársico Lombardi que davam provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva ainda dissentiu do Relator por entender que o vício reconhecido é formal.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2005 GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. CONTRIBUINTE. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Confirmase a decisão de piso que declara nulo o lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, quando a notificação fiscal é lavrada diretamente em nome de empresa que, sem revestir a condição de contribuinte, somente responde pela obrigações previdenciárias em razão do vínculo de responsabilidade solidária a ela atribuído por integrar grupo econômico de fato. O erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regramatriz de incidência, decorrente da incorreta interpretação da legislação pela autoridade lançadora, a qual diante da previsão de solidariedade entre empresas de grupo econômico considera que o lançamento pode ser efetuado diretamente em qualquer uma delas, é vício material. Recurso de ofício negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 47 4. 00 02 55 /2 00 7- 05 Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.147 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e André Luís Mársico Lombardi que davam provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva ainda dissentiu do Relator por entender que o vício reconhecido é formal. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.148 3 Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pelo Presidente da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), em face da decisão administrativa consubstanciada no Acórdão nº 0712.776, cujo dispositivo considerou nulo o lançamento, cancelando o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 1.118/1.134): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2005 NFLD n°.37.060.85187, de 22/01/2007. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GRUPO ECONÔMICO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. Situações que, embora constem da narrativa dos fatos, não se constituíram nos motivos determinantes do lançamento, não podem ser consideradas no julgamento sob pena de inovação, com conseqüente cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. O artigo 30, inciso IX, da lei 8.212/90, não atribuiu às empresas integrantes de grupo econômico a qualidade de contribuintes, mas tão somente de responsáveis pelo crédito tributário. A notificação lavrada em nome da empresa que, sem revestir a qualidade de contribuinte direto, somente responde solidariamente pelas obrigações previdenciárias em decorrência da constatação de grupo econômico de fato, caracterizase vício insanável por limitações dos sistemas informatizados da RFB que possibilite a transferência do crédito para o outro CNPJ, levando à nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. Lançamento Nulo 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 75/82, que o processo administrativo é composto pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.060.8518, relativa ao período de 01/2002 a 04/2005, abrangendo as contribuições previdenciárias patronais previstas nos incisos I e II do art. 22, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, bem como aquelas devidas a terceiros, incidentes sobre remunerações de segurados empregados (FPAS 507 Código 0079). 2.1 Segundo o agente fiscal, os fatos geradores e as bases de cálculo foram apurados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em nome de empresa componente do grupo econômico, denominada de Textai, cujos segurados empregados prestaram serviços à notificada, R S I Têxtil, sem haver, contudo, o correspondente Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.149 4 recolhimento da parte patronal das contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas. 2.2 Com base nos elementos fáticos identificados durante a ação fiscal, a fiscalização concluiu pela existência de grupo econômico industrial de fato formado pela empresas supramencionadas, observado que a administração do grupo era centralizada na notificada. 2.3 Uma vez identificado o grupo econômico, foi imputada a responsabilidade solidária, nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, tendo como corresponsável a empresa Textai. 3. Intimadas as empresas da autuação por via postal em 25/1/2007, conforme fls. 862/867, elas apresentaram impugnações (fls. 868/908 e 961/975). 4. Antes de apreciar as peças de defesa, o colegiado de primeira instância determinou o retorno dos autos à fiscalização para esclarecer, mediante confecção de relatório complementar, a razão pela qual o crédito tributário, incidente sobre remunerações pagas a segurados empregados formalmente vinculados à empresa Textai, foi lançado diretamente na empresa notificada (fls. 1.031/1.032). 4.1 Em outros dizeres, o julgador "a quo" desejava saber se a auditoria havia procedido à caracterização dos segurados como empregados da notificada ou era o caso de responsabilidade solidária por sucessão, considerando que houve a transferência de todos os empregados da Textai para a notificada, nos meses de fevereiro e abril de 2005. 5. Ao responder a diligência, a autoridade lançadora limitouse a esclarecer que a narrativa dos fatos e respectivas provas demonstravam a existência de grupo econômico de fato entre as duas empresas e tendo em conta que a solidariedade configurada não comportava benefício de ordem, o débito havia sido lançado na empresa que centralizava a administração do grupo (fls. 1.078). 5.1 Desta manifestação da fiscalização, foi dada ciência às empresas, em 09/3/2008, as quais aditaram as respectivas impugnações (fls. 1.082/1.085, 1.087/1.093 e 1.096/1.103). 6. Ao apreciar o litígio, o colegiado de primeira instância, por intermédio do Acórdão nº 0712.776, considerou nulo o lançamento, pelo voto de qualidade do Presidente da Turma, vencidos os julgadores que votaram pela procedência do lançamento. 7. Segundo o que consta do votocondutor vencedor do acórdão recorrido, o lançamento fiscal foi efetuado diretamente na empresa que não detém a qualidade de contribuinte, tão somente de responsável solidária pelo crédito tributário. 7.1 Com efeito, após a diligência, diante da existência de um grupo econômico, restava claro que o auditorfiscal considerava que o lançamento poderia ser efetuado em qualquer empresa, ainda que os fatos geradores estivessem contabilizados em outra. 7.2 Tal procedimento evidenciava a falta dos requisitos legais para configuração do fato gerador, bem como uma interpretação inadequada do que prescrevia o inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, com inversão na ordem do lançamento. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.150 5 7.3 Na ausência de caracterização de segurados empregados em nome da notificada, tampouco configurada a sucessão de empresas, a Textai deveria figurar no polo passivo como contribuinte, ao passo que a notificada seria chamada na condição de responsável solidária, em decorrência da identificação de grupo econômico entre elas. 7.4 Ao final, o voto vencedor concluiu pela ocorrência de vício insanável, relativo a erro na identificação do sujeito passivo principal, julgando nulo o lançamento, sendo cabível a emissão de lançamento substitutivo. 8. Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 9. Apenas a notificada foi cientificada do Acórdão nº 0712.776, não constando manifestação de sua parte (fls. 1.139). É o relatório. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.151 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 10. Formalizado na própria decisão, o recurso de ofício foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dada que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 11. Entendo, desse modo, satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício e dele tomo conhecimento. Mérito 12. A qualificação do autuado, isto é, quem deve responder pela obrigação tributária, denominado de sujeito passivo, é requisito indispensável à validade do auto de infração, conforme prescrevem o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), veiculado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, e o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. 13. De acordo com o art. 121 do CTN, a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária dividese em contribuinte e responsável tributário: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. 14. Em linhas gerais, o contribuinte é aquela pessoa eleita pelo legislador para compor o aspecto pessoal do consequente da regramatriz de incidência tributária, porque protagonizou o fato descrito na hipótese de incidência tributária. 14.1 No que toca à prestação de serviços remunerados realizados por segurado empregado, o contribuinte é o tomador desses serviços, que utiliza a prestação de serviços e tem relação pessoal e direta com o fato gerador da contribuição previdenciária (art. 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212, de 1991). Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.152 7 15. Já o responsável é um terceiro, que embora não tendo relação pessoal e direta com o fato jurídico tributário descrito no aspecto material da hipótese de incidência, é posto no polo passivo da norma tributária, por disposição expressa da lei, como obrigado ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária. 15.1 Para fins previdenciários, uma vez identificada a existência de grupo econômico, a responsabilidade tributária vem disposta no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, a seguir reproduzido: Art. 30 (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) 16. Desse dispositivo transcrito, observase duas normas jurídicas secundárias distintas, porém interligadas com a norma básica ou matriz, que disciplina a obrigação principal.1 16.1 Uma, voltada à sujeição passiva por responsabilidade indireta, em que a constatação da existência do grupo econômico implica a inclusão, no aspecto subjetivo do consequente da norma de incidência tributária, das demais empresas que o integram, respondendo elas e o contribuinte pelo débito. 16.1.1 Para o contribuinte, a própria norma básica de tributação já naturalmente o inclui como titular do dever de pagar o tributo, de tal sorte que o inciso IX adiciona tão somente ao polo passivo os demais componentes do grupo econômico. 16.2 A segunda, referente à solidariedade, que diz respeito a uma relação jurídica de garantia. 16.2.1 Nessa hipótese, o inciso IX define a relação entre os coobrigados contribuinte e responsável tributário no cumprimento da obrigação tributária, estabelecendo uma responsabilidade solidária em sentido estrito, entre contribuinte e responsáveis e entre responsáveis, no que tange ao cumprimento da obrigação tributária do contribuinte, inexistindo, por força do art. 124 do CTN, o chamado benefício de ordem: Art. 124. São solidariamente obrigadas: (...) II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. 17. Ao não comportar benefício de ordem, os responsáveis integrantes do grupo econômico são chamados para adimplir o crédito tributário junto com o contribuinte sem a 1 A respeito do conceito de norma básica ou matriz e de norma secundária, e sua aplicação no estudo da responsabilidade tributária, ver as notas de atualização de Misabel Abreu Machado Derzi, em BALEEIRO, Aliomar. Direito tributário brasileiro. 12ª ed. Rio de Janeiro:Forense, 2013, p. 1114/1116. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.153 8 necessidade de observar uma ordem de cobrança, podendo a Fazenda Nacional exigir a satisfação da dívida de um, de alguns ou mesmo de todos os devedores concomitantemente. 18. Entretanto, a união dos devedores por solidariedade, que se dá para fins de garantir o futuro cumprimento da obrigação tributária, não significa que o lançamento pode ser efetuado diretamente em qualquer um deles, desconsiderando a condição de contribuinte e responsável tributário. 19. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como são as contribuições previdenciárias, o ato administrativo do lançamento de ofício deve ser efetuado para que se possa exigir o pagamento do tributo quando o sujeito passivo omitese e descumpre o dever de recolhêlo antecipadamente, ou efetua recolhimento a menor. 20. Identificada a hipótese de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento de ofício deve ser realizado contra o contribuinte e todos os responsáveis tributários, discriminandoos no documento de lançamento. 21. Para possibilitar eventual contestação pelos autuados e não acarretar cerceamento do direito de defesa, na formalização da exigência fiscal há de se diferenciar o contribuinte, que tirou proveito econômico do fato jurídico e deixou de cumprir seu dever de antecipar o pagamento, e o responsável tributário, cuja lei o elegeu para responder igualmente pelo tributo. 22. O contribuinte será o devedor principal, porquanto descumpriu o dever de adimplir a obrigação tributária. Diferentemente, o responsável tributário tem seu vínculo distinto, sendo devedor só porque a lei assim determinou, com o propósito único de conferir maior garantia ao crédito tributário. 23. De verse que bem distintas as origens dessas responsabilidades, aqui em alusão à responsabilidade em sentido lato, como dever jurídico, do contribuinte e responsável tributário. 24. Tanto que a obrigação do contribuinte independente da obrigação do responsável tributário, de maneira que o crédito tributário pode ser exigido do contribuinte mesmo sem a declaração pelo agente fiscal da responsabilidade das demais empresas integrantes do grupo econômico. 24.1 Além disso, uma vez não ocorrido o fato gerador ou extinta a obrigação do contribuinte, inexistirá o dever de pagamento do responsável tributário. 25. Por outro lado, quanto ao responsável tributário, ainda que procedente o crédito tributário, a improcedência do vínculo de responsabilidade, ou mesmo a falta de sua comprovação pela acusação fiscal, são suficientes para afastálo do pagamento do tributo exigido. 26. Exposto assim, fica evidente que a autoridade fiscal, neste processo administrativo, incorreu em equívoco quando do cotejo entre os elementos fáticos da relação obrigacional e os enunciados do consequente da regramatriz das contribuições previdenciárias, assim como da norma abstrata de responsabilidade tributária prescrita no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.154 9 26.1 Quem é o contribuinte e, portanto, devedor principal é a empresa Textai, empregadora dos segurados remunerados. Tal situação fática, longe de desconstituída pela autoridade fiscal, foi ratificada quando da diligência fiscal. 26.2 Ao revés, a notificada, que não tem relação direta com os fatos geradores, deveria figurar no polo passivo como responsável tributária solidária, em decorrência da identificação de grupo econômico entre as duas empresas. 26.3 O que fez a autoridade lançadora foi promover a inversão de sujeição passiva, sob a justificativa de que, uma vez não comportando a solidariedade tributária benefício de ordem, o crédito poderia ser lançado na empresa que centralizava a administração do grupo econômico. 27. Essa conduta do agente fiscal afronta, inclusive, os atos normativos vigentes à época do lançamento fiscal, tal como o art. 749 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, que determinava o lançamento do crédito previdenciário na empresa tomadora de serviços, responsável pelos fatos geradores, com ciência das demais empresas integrantes do grupo econômico, sujeitos passivos investidos da condição de responsáveis solidários pelo inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991. Eis a redação do dispositivo normativo citado: Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. (grifouse) § 1º Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. § 2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. 28. Nesse cenário, não se trata de vício formal, decorrente de equívoco quanto à análise dos fatos e restrito ao enunciado do ato normativo individual e concreto (notificação fiscal). 29. Cuidase de nulidade por vício material, por violação quanto a um dos elementos intrínsecos à norma individual e concreta, qual seja o critério pessoal, resultado de erro do agente fiscal no que tange à sua interpretação da legislação tributária. 29.1 Tal erro não é convalidável, pois necessária a edição de novo ato administrativo com conteúdo alterado. Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11474.000255/200705 Acórdão n.º 2401003.981 S2C4T1 Fl. 1.155 10 30. Conquanto a decisão de piso não faça menção expressa quanto à natureza do vício da nulidade, a análise das suas razões permite identificar que o votocondutor manifesta se pela ocorrência de interpretação inadequada por parte da autoridade lançadora para o prescrito pelo inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, evidenciando, implicitamente, a presença do vício material. 31. Mesmo na hipótese de vício material, a emissão de lançamento substitutivo é cabível, como salientado na decisão de piso, desde que não transcorrido o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. 32. Dessa feita, as conclusões do colegiado de primeira instância quanto à nulidade, por vício material, devem ser confirmadas em grau de revisão recursal. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso de ofício e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 11065.001674/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2007
DILIGÊNCIAS/PERÍCIAS. REALIZAÇÃO.
A realização de diligências e/ou perícias tem por escopo sanar dúvidas a respeito de questões fáticas não totalmente esclarecidas no processo, a critério exclusivo do julgador, que se as entender impertinentes ou desnecessárias poderá indeferi-las fundamentadamente, ainda que com isso não concorde o requerente, não se qualificando esta situação como cerceamento do direito de defesa.
IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CARACTERIZAÇÃO.
Caracterizam-se como produtos intermediários, para a finalidade de aproveitamento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, aqueles não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados imediata e integralmente no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. Inteligência dos Pareceres Normativos CST nºs 181/74 e 65/79 e REsp 1.075.508/SC (art. 543-C do Código de Processo Civil).
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia em diligência, e o Conselheiro Elias Fernandes Eufrásio, que dava provimento ao recurso.
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2170; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.001674/201073 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.055 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria IPI Recorrente GERDAU AÇOS LONGOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2007 DILIGÊNCIAS/PERÍCIAS. REALIZAÇÃO. A realização de diligências e/ou perícias tem por escopo sanar dúvidas a respeito de questões fáticas não totalmente esclarecidas no processo, a critério exclusivo do julgador, que se as entender impertinentes ou desnecessárias poderá indeferilas fundamentadamente, ainda que com isso não concorde o requerente, não se qualificando esta situação como cerceamento do direito de defesa. IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizamse como produtos intermediários, para a finalidade de aproveitamento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aqueles não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados imediata e integralmente no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. Inteligência dos Pareceres Normativos CST nºs 181/74 e 65/79 e REsp 1.075.508/SC (art. 543C do Código de Processo Civil). Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia em diligência, e o Conselheiro Elias Fernandes Eufrásio, que dava provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 16 74 /2 01 0- 73Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de auto de infração de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, período agosto/2005 a dezembro/2007, decorrente de glosas de créditos qualificados pelo contribuinte como produtos intermediários, que, porém, correspondiam a partes e peças de máquinas e equipamentos e material de consumo, além de não sofrerem desgaste por contato direto com o produto em industrialização, nos termos do PN CST 65/79. Segundo o Relatório de Ação Fiscal (fls. 319/323), a maior parte das glosas corresponde a rolamentos, mangueiras, retentores, abraçadeiras, anéis, buchas, suportes, ferramentas, painéis elétricos, disjuntores elétricos e peças para máquinas industriais em geral. Em impugnação o contribuinte defendeu o seu direito ao creditamento alegando que todos os produtos ingressam no seu processo produtivo; que o art. 147, I do RIPI/98 não exigia o desgaste direto sobre o produto em fabricação; que o PN CST 181/74 lhe garantiria o crédito glosado. Na oportunidade discorreu sobre o princípio da não cumulatividade, com remissão a decisões judiciais acerca do assunto, juntou laudos técnicos e, por fim, requereu perícia técnica. A DRJ Ribeirão Preto/SP manteve integralmente o lançamento, mediante decisão assim ementada: “INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO DO IPI. Além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, geram direito ao crédito quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. As partes e peças de equipamentos, bem como o material de uso e consumo não geram créditos passíveis de aproveitamento pelo estabelecimento industrial. PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese pedido de perícia quando se verifica que os elementos contidos nos autos são suficientes para o deslinde da questão, e quando não evidenciado que o lançamento tenha se fundamentado em dados incompletos, inidôneos e controvertidos sobre os quais fosse imprescindível um conhecimento especializado para o deslinde do litígio.” Em recurso voluntário o contribuinte sustentou, preliminarmente, a nulidade da decisão de primeiro grau administrativo por cerceamento do direito de defesa, em função do indeferimento da prova pericial, eis que determinados produtos glosados entrariam em contato direto com o produto (bobinas, anéis de trefiladeira, bloco lança, forma reparo bica, endireitador, roldana desenho, extrator, canaleta elefante, gaxetas, martelos e pinos). No Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11065.001674/201073 Acórdão n.º 3401003.055 S3C4T1 Fl. 11 3 mérito, mais uma vez, discorreu sobre o princípio da não cumulatividade, alegando direito irrestrito ao crédito do imposto, uma vez que os insumos se desgastariam durante o seu processo produtivo, citando doutrina e jurisprudência; que o PN CST 65/79 violaria a legislação atinente ao imposto, criando exigência não prevista em lei ou regulamento; e, que os insumos glosados são desgastados, consumidos e indispensáveis ao seu processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Preliminarmente, quanto à nulidade da decisão reclamada por indeferimento da prova pericial, não vislumbro vício algum que a conspurque, eis que, pela redação do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, a realização de diligências ou perícias será determinada pela autoridade julgadora quando entendêlas necessárias, devendo, em caso de indeferimento daquelas requeridas pelo contribuinte, apresentar as justificativas para tal, nos termos do art. 28, in fine, do mesmo diploma. Como se verifica dos dispositivos citados, as diligências e/ou perícias não tem por móvel a produção de prova, como parece defender o recorrente, mas sim esclarecer dúvidas porventura existentes acerca de questões de fatos ainda não devidamente esclarecidas no processo, a critério exclusivo do julgador, de sorte que se este as entende prescindíveis não está obrigado a determinálas, ainda que disso divirja o requerente. Na hipótese dos autos o relator da decisão recorrida declinou os fundamentos para o indeferimento da perícia/diligência, o que implica reconhecer a inexistência de qualquer mácula que imponha a decretação de nulidade da decisão, motivo pelo qual rejeito a preliminar argüida. De minha parte, na mesma linha do colegiado a quo, entendo que o processo já contém todos os elementos necessários ao julgamento, não havendo qualquer questão que exija dilação probatória ou a sua conversão em diligência. O meritum causae diz respeito à caracterização de determinados insumos como “produtos intermediários” para a finalidade de creditamento na conta gráfica de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados. Defendeu o recorrente que o seu direito aos créditos seria irrestrito, por força do princípio da não cumulatividade, não havendo na legislação de regência do tributo a exigência do desgaste por contato direto com o produto em fabricação, como requisito para o creditamento. Para reforçar o seu argumento asseverou que todos os insumos glosados são consumidos e indispensáveis ao seu processo produtivo, daí a necessidade da prova pericial. Ressalto, contudo, que não se questiona a imprescindibilidade ou importância desses insumos ao processo industrial do contribuinte, mesmo porque é indubitável que a Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 atividade empresarial moderna não transige com custos inúteis ou dispensáveis, logo, todos os custos de produção, em tese, seriam necessários à obtenção do bem produzido. Definitivamente, não é esse o ponto. A meu sentir, no caso vertente, em debate está a aplicabilidade (ou não) do conceito de produto intermediário fornecido pelo PN CST 65/79, para a finalidade de fruição do direito de crédito do IPI. O Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002, vigente à época dos fatos, tratava da matéria no seu art. 164, I, nos seguintes termos: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” Com intuito de esclarecer o alcance da segunda parte do dispositivo, que é a reprodução do art. 66, I do RIPI/79 (Decreto nº 83.263/79), então vigente, proferiu a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação – CST, à época, o Parecer Normativo nº 65/79, que, em brilhante exegese, aduziu que, mesmo não se integrando ao novo produto, os materiais intermediários deveriam exercer função análoga àqueles que efetivamente se incorporassem ao bem em fabricação, qual seja, de se desgastar, consumir e/ou perder suas propriedade físicas e químicas em função do contato direto com o bem em produção e viceversa. Desta forma, diversamente do que argumenta o recorrente, não bastaria o simples consumo no processo produtivo, ou mesmo a indispensabilidade do insumo ao processo industrial, mas principalmente o contato direto com o produto fabricado. A questão não é nova neste sodalício, que já se debruçou sobre a matéria reiteradas vezes e firmou seu entendimento no sentido que, para a definição do alcance dos termos “matériaprima”, “produtos intermediários” e “material de embalagem”, prevalece a inteligência do Parecer Normativo CST nº 65/79, como se verifica dos seguintes acórdãos, exemplificativamente colacionados: “IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. PRODUTOS NÃO CLASSIFICADOS COMO INSUMOS PELO PN CST N° 65/79. EXCLUSÃO. Incluemse entre os insumos para fins de crédito do IPI os produtos não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. Produtos outros como ferramentas e peças de reposição, não classificados como insumos segundo o Parecer Normativo CST. n° 65/79, incluindo anel, filtro, pastilha, arruela, viga, fusível, rebite, chave, serrote, plug, parafuso, bateria, mangueira, abraçadeira, lâmpada, trena, correia, resistência, luva, prego, joelho, alicate, relê, chave de fenda, retentor e lona de freio, não podem ser Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11065.001674/201073 Acórdão n.º 3401003.055 S3C4T1 Fl. 12 5 considerados como matériaprima ou produto intermediário, para fins de créditos básicos do imposto.” (Acórdão 20309.858) “(...)PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ÓLEOS COMBUSTÍVEIS.Não geram direito ao crédito presumido os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento (PN CST nº 65/79).” (Acórdão 3401001.118) “(...) CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Não geram direito ao crédito presumido os insumos que, embora se desgastem ou se consumam no decorrer do processo industrial, não se caracterizam como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem (PN CST n 65/79).” (Acórdão 340300.054) “IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363, DE 1996. PRODUTOS NÃO CLASSIFICADOS COMO INSUMOS PELO PN CST N° 65/79. EXCLUSÃO. Incluemse entre os insumos para fins de crédito do IPI os produtos não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. Produtos e gastos outros, não classificados como insumos segundo o Parecer Normativo CST n° 65/79, incluindo energia elétrica, óleo diesel, comunicações, transportes e outros (materiais de consumo, de higiene, peças, uniformes, vestuário etc) não podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário para os fins do cálculo do crédito presumido estabelecido pela Lei n° 9.363/96, devendo os valores correspondentes ser excluídos no cálculo do beneficio.” (Acórdão 20312.477) “IPI CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Não geram crédito de IPI as aquisições de produtos que não se enquadrem no conceito de matériaprima, material de embalagem e produto intermediário, assim entendidos os produtos que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, nos termos do PN CST n°65/79.” (Acórdão CSRF/0202.706) Esse, aliás, o motivo da não aceitação da energia elétrica e dos combustíveis no cálculo do crédito presumido de IPI de que tratava a Lei nº 9.363/96, como se verifica da Súmula CARF nº 19: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” (destacado) Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 Portanto, acertados o lançamento e a decisão sob vergasta quando adotam a acepção de produto intermediário contida no PN CST nº 65/79 para exame dos insumos passíveis de creditamento do IPI. Demais disso, devese considerar, hodiernamente, ainda, a inteligência das decisões exaradas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, na sistemática da repercussão geral e dos recursos repetitivos, arts. 543B e 543C, respectivamente, de observância obrigatória pelas turmas julgadoras do CARF, ex vi do art. 62, § 2º do RICARF (Portaria MF nº 343/15). Exemplo de decisão julgada como recurso repetitivo, atinente ao debate ora realizado, é o REsp 1.075.508/SC, julgado em 23/09/2009, que, mesmo não fazendo expressa remissão aos requisitos dos PNs CST 181/74 e 65/79, destaca que a condição de material intermediário exige que o insumo se desgaste de maneira integral e imediata no processo produtivo, verbis: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Extraise do voto condutor deste aresto a seguinte compreensão do tema: Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11065.001674/201073 Acórdão n.º 3401003.055 S3C4T1 Fl. 13 7 “Destarte, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’ . Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa.” (grifado) Portanto, a partir das conclusões dos pareceres normativos e do REsp 1.075.508/SC, as condições cumulativas, para que determinado insumo possa ser enquadrado como material intermediário, são: i) desgaste ou consumo por contato direto com o produto em fabricação, ii) que não seja parte de máquinas e equipamentos ou peças de reposição; iii) não seja classificável como bem do ativo permanente, segundo a legislação do IRPJ; e, iv) que o desgaste seja integral e imediato no processo produtivo. No caso dos autos, os insumos argüidos pelo recorrente são os seguintes: rolamentos, mangueiras, retentores, abraçadeiras, anéis, buchas, suportes, ferramentas, painéis elétricos, disjuntores elétricos, bobinas, blocos, formas, endireitadores, roldanas, extratores, canaletas, gaxetas, martelos, pinos e peças para máquinas industriais em geral. Como denota a relação exemplificativa, correspondem os insumos a partes ou peças de reposição de máquinas e equipamentos, que não se desgastam imediata e integralmente durante o processo produtivo, o que, na linha de raciocínio até aqui desenvolvida, impede o aproveitamento do crédito. Em situação semelhante, a extinta Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou neste mesmo sentido, valendo a transcrição do voto condutor do eminente Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, verbis: É que, assim como a primeira instância, também entendo que materiais como anel, filtro, pastilha, arruela, viga, fusível, rebite, chave, serrote, plug, parafuso, bateria, mangueira, abraçadeira, lâmpada, trena, correia, resistência, luva, prego, joelho, alicate, relê, chave de fenda, retentor e lona de freio, dão direito ao crédito, haja vista não estarem enquadrados no conceito de insumo. A legislação do IPI, ao tratar dos créditos básicos do imposto, especialmente no art. 82, I, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 87.981/82 (RIPI/82), equivalente ao art. 147, I, Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 8 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), informa o seguinte: ‘Artigo 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes forem equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente (Lei n°4502/64, artigo 25);’ O Parecer Normativo CST n° 65/79, tratando do art. 66, I, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 83.263/79 (RIPI/79), equivalente ao art. 82, I, do RIP1/82, assentou interpretação acerca dos créditos básicos do imposto, que continua válida até hoje. Segundo essa interpretação consolidada, geram direito ao crédito, além das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente que, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo, forem consumidos no processo de industrialização, isto é, sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. No caso da recorrente, claramente os materiais elencados ferramentas e peças de reposição não se enquadram nos parâmetros do referido Parecer Normativo.” Por compartilhar da mesma visão, entendo que o lançamento e a decisão recorrida devem ser mantidos pelos seus próprios fundamentos, não merecendo qualquer reparo. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 18088.000219/2007-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
IRPF. SÚMULA 25 CARF. MULTA QUALIFICADA. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN.
A simples omissão de receita, ainda que decorrente de prática reiterada do contribuinte, não justifica a qualificação da multa, inteligência da Súmula 25 do CARF. Não havendo nos autos comprovação do pagamento do imposto, ainda que parcial, deve-se aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 9202-003.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência que havia sido declarada relativamente ao ano calendário 2001.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora.
EDITADO EM: 23/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente).
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 IRPF. SÚMULA 25 CARF. MULTA QUALIFICADA. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN. A simples omissão de receita, ainda que decorrente de prática reiterada do contribuinte, não justifica a qualificação da multa, inteligência da Súmula 25 do CARF. Não havendo nos autos comprovação do pagamento do imposto, ainda que parcial, deve-se aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN.
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Omissão de Receita. Multa qualificada. Decadência. Recorrente Fazenda Nacional Interessado Benedicto di Santo ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 IRPF. SÚMULA 25 CARF. MULTA QUALIFICADA. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN. A simples omissão de receita, ainda que decorrente de prática reiterada do contribuinte, não justifica a qualificação da multa, inteligência da Súmula 25 do CARF. Não havendo nos autos comprovação do pagamento do imposto, ainda que parcial, devese aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência que havia sido declarada relativamente ao ano calendário 2001. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Relatora. EDITADO EM: 23/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 02 19 /2 00 7- 36 Fl. 948DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente). Relatório O presente processo decorre de auto de infração lavrado em razão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos anos calendário de 2001 a 2004. Após verificação fiscal provocada pelo envio de informações colhidas pela Justiça Federal em processo judicial, por não ter o contribuinte apresentado qualquer documento que comprovasse a origem dos recursos depositados em suas contas correntes, a fiscalização procedeu ao lançamento de ofício do crédito tributário com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, no valor de R$ 778.443,14, acrescido de multa de ofício de 150% prevista no art. 44, II da Lei 9.430/96 e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 2.453.712,92. Em impugnação, sucinta, alega o contribuinte que os valores apontados são decorrentes de anos de trabalho e que as movimentações bancárias nada mais são do que simples transferências de dinheiro e cheques entre contas de sua própria titularidade. Alega ser inconstitucional a tributação de movimentações financeiras, pois essas não se confundem com o conceito de renda. Afirma ter realizado também, durante o período de apuração, a venda de imóveis rurais. Na decisão de primeira instância, a Delegacia de Julgamento superando a argüição de inconstitucionalidade, deixou claro que o lançamento decorreu de presunção de omissão de rendimentos, tributandose portanto a renda omitida e não os depósitos bancários. Concluise também pelo acolhimento de parte da alegações do contribuinte julgando parcialmente procedente o lançamento para excluir do lançamento os valores correspondentes aos meros 'transportes' de saldos de um período para outro, o que não caracteriza novo crédito em conta corrente. Inconformado com a decisão, foi apresentado recurso voluntário onde o contribuinte inovou em boa parte sua linha de defesa. Preliminarmente alegou que o lançamento foi baseado em provas ilícitas face a quebra de sigilo fiscal operada quando do envio dos dados à Receita pela Justiça Federal, reiterou o argumento de inconstitucionalidade de normas, pugnou pela nulidade do auto em razão da suposta incompetência da autoridade fiscal, argüiu decadência em relação aos anos de 2001 e 2002. No mérito defende a inexistência de acréscimo patrimonial, reafirma que sua movimentação financeira teve origem em recursos arrecadados em anos anteriores, apontou erros na apuração da base tributável, dizendo que não foram abatidos os rendimentos isentos, conforme determina o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, bem como não foram excluídos os valores referentes a aplicações de poupança. Por fim, insurgese contra a multa de ofício e sua aplicação qualificada. O acórdão ora recorrido, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência em relação ao anocalendário 2001 e, no mérito, por unanimidade, deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício pois ausente o evidente intuito de fraude. Segue ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 Fl. 949DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18088.000219/200736 Acórdão n.º 9202003.759 CSRFT2 Fl. 3 3 LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o servidor competente para proceder a fiscalizações e formalizar a exigência de crédito tributário, mediante lançamento, é o Auditorfíscal da Receita Federal do Brasil. É válido o lançamento realizado por servidor competente, ainda que este seja vinculado a unidade diversa da de localização do domicílio fiscal do contribuinte. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar, às instituições financeiras, registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos de contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência for considerada indispensável por autoridade administrativa competente. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento dele decorrente. PAF. DILIGÊNCIA. CABIMENTO. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a realização de providências considerados necessários para a formação do seu convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nestas operações. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. No caso de falta de pagamento ou de pagamento a menor de imposto, apurado por meio de lançamento de ofício, é cabível a aplicação da multa de ofício de 75%. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 4 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1ª CC n° 14, publicada no DOU em 26, 27 e 28/06/2006). DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o , do CTN). Decadência reconhecida em relação ao anocalendário de 2001. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido. Foram interpostos Recursos Especiais de Divergência pela Fazenda Nacional e também pelo contribuinte. Após exame de admissibilidade, foi negando seguimento ao recurso do contribuinte haja vista o não cumprimento de requisitos formais para sua interposição. Cumprindo os requisitos, a Fazenda Nacional em seu recurso insurgese contra o acórdão proferido na parte em que acolheu a decadência em relação ao ano calendário 2001, haja vista a tese adotada no sentido de que a aplicação do art. 150, §4º CTN independe da comprovação do pagamento do tributo, e na parte que reduziu a multa qualificada de 150% para o percentual de 75%, ao entender que a prática reiterada justificaria a qualificadora. Contrarrazões ao Recurso Especial apresentada pelo contribuinte reforçando toda sua tese de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional face ao acórdão de nº 220100.421, proferido pela 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária que, por maioria dos votos acolheu a preliminar de decadência em relação ao ano calendário 2001 e por unanimidade desqualificou a multa de ofício. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18088.000219/200736 Acórdão n.º 9202003.759 CSRFT2 Fl. 4 5 Segundo sustenta o ilustre Procurador, citando acórdãos paradigmas que corroboram com seu entendimento, a prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas no art. 71 da Lei nº 4.502/64, sendo cabível a multa qualificada de que tratava o art.44, II da Lei nº 9.430/96. Afirma que está mais que comprovado o intuito de fraude pois o recorrido adotou a prática de declarar ao Fisco uma renda que sabia não ser verdadeira, ressaltou serem os valores omitidos de grande vulto. O contribuinte passou, de forma consciente, informações falsas ao Fisco. Em que pese o argumento apresentado, entendo que a aplicação da multa qualificada somente é cabível quando o sujeito passivo por meios ardis e ilícitos tenha agido com o dolo de fraudar, conduta que deve ser incontestavelmente justificada e comprovada devese comprovar que a ação ou omissão do contribuinte foi dolosa, requisito indispensável para qualificação. Não entendo que a mera omissão de receita possua o peso de uma conduta fraudulenta, essa exige uma ação muita mais gravosa por parte do contribuinte. Quanto ao tema, pertinente destacar a redação da Súmula nº 25 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a qual dispõe: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Ora, este Conselho já concluiu que a simples omissão de receita não justifica a qualificação da multa, entendimento que não pode ser afastado pelo simples fato de tal omissão ter ocorrido de forma reiterada. No que tange à decadência a Recorrente entende que o acórdão contrariou a adequada análise dos dispositivos constantes do art. 150, § 4 o e art. 173, I, ambos do CTN, tendo em vista que, nas hipóteses de total ausência de recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial deverá ser postergado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o referido lançamento poderia ser efetuado. Neste aspecto, entendo que os argumentos do Procurador devem ser acolhidos e aqui transcrevo o posicionamento da Doutora Christiane Mendonça, no artigo intitulado "Decadência e Prescrição em Matéria Tributária", publicado livro Curso de Especialização em Direito Tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho, editora Forense: Nos lançamentos por homologação o prazo de cinco anos é contado da data da ocorrência do fato gerador, art. 150, §4º. Ocorre que quando o contribuinte não cumpre o seu dever de produzir a norma individual e concreta e de pagar tributo, compete à autoridade administrativa, segundo art. 149, IV do CTN efetuar o lançamento de ofício. Dessa forma, consideramos apressada a afirmação genérica que sempre que for lançamento por homologação o prazo será contado a partir da ocorrência do Fl. 952DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 6 fato gerador, pois não é sempre, dependerá se houve ou não pagamento antecipado. Caso não haja o pagamento antecipado, não há o que se homologar e, portanto, caberá ao Fisco promover o lançamento de ofício, submetendose ao prazo do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, explica Sacha Colmon Navarro Coelho: "A solução do dia primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado aplicase ainda aos impostos sujeitos a homologação do pagamento na hipótese de não ter ocorrido pagamento antecipado... Se tal não houve, não há o que se homologar." Também a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no mesmo sentido de que na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário segue a regra do art. 173, I do CTN, contandose os cinco a anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. Tal entendimento foi recentemente ratificado pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula nº 555 do , a qual dispõe: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Assim, no caso dos autos, haja vista não ter ocorrido o pagamento do tributo, considerando as datas envolvidas, não restou caracterizada a decadência do período relativo ao anocalendário 2001, por força do regra do art. 173, I do CTN. Diante do exposto, dou parcial provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para afastar a aplicação da decadência em relação ao ano calendário de 2001, mantendo o acórdão recorrido no que tange a desqualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 953DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10166.723200/2013-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
SIGILO BANCÁRIO. EXTRATO BANCÁRIOS. DISPONIBILIZAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO.
É dispensável a prévia ordem judicial para o acesso às informações bancárias do contribuinte quando o próprio sujeito passivo disponibiliza os extratos bancários, por solicitação regular da fiscalização tributária.
COAÇÃO. CONDUTA DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A coação que vicia a declaração de vontade não se presume, exigindo prova da ameaça. Não configura coação o fato de a autoridade fiscal advertir o fiscalizado acerca das conseqüências previstas em lei para o descumprimento da obrigação de disponibilizar documentos e/ou prestar informações à fiscalização.
SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. COMPARTILHAMENTO AUTORIZADO PELO PODER JUDICIÁRIO.
É válido, no âmbito administrativo, o compartilhamento de provas obtidas mediante quebra do sigilo bancário, quando autorizado pelo Poder Judiciário.
INTIMAÇÕES. PRAZO EXÍGUO PARA ATENDIMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE.
Constatado que os prazos concedidos pela autoridade fiscal, sucessivamente prorrogados, são mais que razoáveis e suficientes para o fiscalizado apresentar documentos e prestar esclarecimentos, o não atendimento à fiscalização respalda o arbitramento da remuneração dos segurados, por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAS BANCÁRIAS. SAQUES E TRANSFERÊNCIAS EM NOME DE PESSOAS FÍSICAS. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO.
A constatação de saques e transferências bancárias em nome de segurados empregados e de sócios, identificados em extratos de conta mantida pela empresa em instituição bancária, aliada à recusa injustificada do fiscalizado em apresentar os documentos que deram suporte aos pagamentos efetuados a essas pessoas físicas, bem como em prestar os esclarecimentos sobre a sua origem, autoriza a fiscalização a incluir tais valores na base de cálculo previdenciária, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Por outro lado, a existência desses saques e transferências bancárias em nome de pessoas físicas, quando a acusação fiscal é desprovida de quaisquer indícios que impulsionem a probabilidade de tais valores representarem retribuição pela prestação de serviço, não autoriza a fiscalização considerá-los como remuneração paga a contribuinte individual, na condição de autônomo.
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo-a para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%.
GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). OMISSÃO DE FATOS GERADORES.
Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP o total da remuneração paga a segurados empregados e sócios.
LEI TRIBUTÁRIA. CARGA CONFISCATÓRIA DA PENALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
(Súmula Carf nº 2)
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades com base na legislação vigente à época do fato gerador: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do inciso II do art. 35 dessa mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal.
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 2401-003.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para: a) excluir da tributação os valores lançados pela fiscalização, nos AIs nº 37.316.482-3 e 37.316.483-1, relativamente às pessoas físicas classificadas na CAT 13, como contribuintes individuais, tomando-se por base os dados constantes das planilhas elaboradas pela autoridade fiscal às fls. 1.469/1.471 e 1.472/1.488; b) reduzir a penalidade, na competência 12/2008, para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio (75%); e c) recalcular as penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até 11/2008, quando da execução do julgado, tendo em vista a exclusão da alínea "a" acima, de forma a reavaliar por competência a situação mais benéfica à recorrente, utilizando-se do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização, ou seja, mediante comparação entre: i) penalidades impostas sob a égide da legislação anterior à Lei nº 11.941, de 2009 (autuação por descumprimento de obrigação acessória e autuações por descumprimento da obrigação principal); e ii) penalidade prevista atualmente pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991 (multa de ofício de 75%). Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins entenderam por manter a multa qualificada. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins entenderam por manter a tributação dos valores lançados pela fiscalização, nos AIs nº 37.316.482-3 e 37.316.483-1, relativamente às pessoas físicas classificadas na CAT 13, como contribuintes individuais. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e André Luís Mársico Lombardi votaram por dar provimento parcial ao recurso, para que a multa aplicada pelo descumprimento de obrigação principal fosse calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e André Luís Mársico Lombardi votaram ainda por dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para que a multa fosse calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Fez sustentação oral: Dr. Cláudio Renato do Canto Farag. OAB:14005/DF.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SIGILO BANCÁRIO. EXTRATO BANCÁRIOS. DISPONIBILIZAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. É dispensável a prévia ordem judicial para o acesso às informações bancárias do contribuinte quando o próprio sujeito passivo disponibiliza os extratos bancários, por solicitação regular da fiscalização tributária. COAÇÃO. CONDUTA DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A coação que vicia a declaração de vontade não se presume, exigindo prova da ameaça. Não configura coação o fato de a autoridade fiscal advertir o fiscalizado acerca das conseqüências previstas em lei para o descumprimento da obrigação de disponibilizar documentos e/ou prestar informações à fiscalização. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. COMPARTILHAMENTO AUTORIZADO PELO PODER JUDICIÁRIO. É válido, no âmbito administrativo, o compartilhamento de provas obtidas mediante quebra do sigilo bancário, quando autorizado pelo Poder Judiciário. INTIMAÇÕES. PRAZO EXÍGUO PARA ATENDIMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Constatado que os prazos concedidos pela autoridade fiscal, sucessivamente prorrogados, são mais que razoáveis e suficientes para o fiscalizado apresentar documentos e prestar esclarecimentos, o não atendimento à fiscalização respalda o arbitramento da remuneração dos segurados, por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAS BANCÁRIAS. SAQUES E TRANSFERÊNCIAS EM NOME DE PESSOAS FÍSICAS. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO. A constatação de saques e transferências bancárias em nome de segurados empregados e de sócios, identificados em extratos de conta mantida pela empresa em instituição bancária, aliada à recusa injustificada do fiscalizado em apresentar os documentos que deram suporte aos pagamentos efetuados a essas pessoas físicas, bem como em prestar os esclarecimentos sobre a sua origem, autoriza a fiscalização a incluir tais valores na base de cálculo previdenciária, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Por outro lado, a existência desses saques e transferências bancárias em nome de pessoas físicas, quando a acusação fiscal é desprovida de quaisquer indícios que impulsionem a probabilidade de tais valores representarem retribuição pela prestação de serviço, não autoriza a fiscalização considerá-los como remuneração paga a contribuinte individual, na condição de autônomo. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo-a para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%. GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP o total da remuneração paga a segurados empregados e sócios. LEI TRIBUTÁRIA. CARGA CONFISCATÓRIA DA PENALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades com base na legislação vigente à época do fato gerador: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do inciso II do art. 35 dessa mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal. Recurso voluntário provido em parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para: a) excluir da tributação os valores lançados pela fiscalização, nos AIs nº 37.316.482-3 e 37.316.483-1, relativamente às pessoas físicas classificadas na CAT 13, como contribuintes individuais, tomando-se por base os dados constantes das planilhas elaboradas pela autoridade fiscal às fls. 1.469/1.471 e 1.472/1.488; b) reduzir a penalidade, na competência 12/2008, para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio (75%); e c) recalcular as penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até 11/2008, quando da execução do julgado, tendo em vista a exclusão da alínea "a" acima, de forma a reavaliar por competência a situação mais benéfica à recorrente, utilizando-se do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização, ou seja, mediante comparação entre: i) penalidades impostas sob a égide da legislação anterior à Lei nº 11.941, de 2009 (autuação por descumprimento de obrigação acessória e autuações por descumprimento da obrigação principal); e ii) penalidade prevista atualmente pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991 (multa de ofício de 75%). Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins entenderam por manter a multa qualificada. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins entenderam por manter a tributação dos valores lançados pela fiscalização, nos AIs nº 37.316.482-3 e 37.316.483-1, relativamente às pessoas físicas classificadas na CAT 13, como contribuintes individuais. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e André Luís Mársico Lombardi votaram por dar provimento parcial ao recurso, para que a multa aplicada pelo descumprimento de obrigação principal fosse calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e André Luís Mársico Lombardi votaram ainda por dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para que a multa fosse calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Fez sustentação oral: Dr. Cláudio Renato do Canto Farag. OAB:14005/DF. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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SIMULAÇÃO/FRAUDE Recorrente NELY CONSTRUÇÕES E LOGÍSTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SIGILO BANCÁRIO. EXTRATO BANCÁRIOS. DISPONIBILIZAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. É dispensável a prévia ordem judicial para o acesso às informações bancárias do contribuinte quando o próprio sujeito passivo disponibiliza os extratos bancários, por solicitação regular da fiscalização tributária. COAÇÃO. CONDUTA DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A coação que vicia a declaração de vontade não se presume, exigindo prova da ameaça. Não configura coação o fato de a autoridade fiscal advertir o fiscalizado acerca das conseqüências previstas em lei para o descumprimento da obrigação de disponibilizar documentos e/ou prestar informações à fiscalização. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. COMPARTILHAMENTO AUTORIZADO PELO PODER JUDICIÁRIO. É válido, no âmbito administrativo, o compartilhamento de provas obtidas mediante quebra do sigilo bancário, quando autorizado pelo Poder Judiciário. INTIMAÇÕES. PRAZO EXÍGUO PARA ATENDIMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Constatado que os prazos concedidos pela autoridade fiscal, sucessivamente prorrogados, são mais que razoáveis e suficientes para o fiscalizado apresentar documentos e prestar esclarecimentos, o não atendimento à fiscalização respalda o arbitramento da remuneração dos segurados, por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 32 00 /2 01 3- 28 Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.627 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAS BANCÁRIAS. SAQUES E TRANSFERÊNCIAS EM NOME DE PESSOAS FÍSICAS. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO. A constatação de saques e transferências bancárias em nome de segurados empregados e de sócios, identificados em extratos de conta mantida pela empresa em instituição bancária, aliada à recusa injustificada do fiscalizado em apresentar os documentos que deram suporte aos pagamentos efetuados a essas pessoas físicas, bem como em prestar os esclarecimentos sobre a sua origem, autoriza a fiscalização a incluir tais valores na base de cálculo previdenciária, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Por outro lado, a existência desses saques e transferências bancárias em nome de pessoas físicas, quando a acusação fiscal é desprovida de quaisquer indícios que impulsionem a probabilidade de tais valores representarem retribuição pela prestação de serviço, não autoriza a fiscalização considerá los como remuneração paga a contribuinte individual, na condição de autônomo. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindoa para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%. GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP o total da remuneração paga a segurados empregados e sócios. LEI TRIBUTÁRIA. CARGA CONFISCATÓRIA DA PENALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades com base na legislação vigente à época do fato gerador: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do inciso II do art. 35 dessa mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal. Recurso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.628 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, darlhe provimento parcial para: a) excluir da tributação os valores lançados pela fiscalização, nos AIs nº 37.316.4823 e 37.316.4831, relativamente às pessoas físicas classificadas na CAT 13, como contribuintes individuais, tomandose por base os dados constantes das planilhas elaboradas pela autoridade fiscal às fls. 1.469/1.471 e 1.472/1.488; b) reduzir a penalidade, na competência 12/2008, para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio (75%); e c) recalcular as penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até 11/2008, quando da execução do julgado, tendo em vista a exclusão da alínea "a" acima, de forma a reavaliar por competência a situação mais benéfica à recorrente, utilizandose do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização, ou seja, mediante comparação entre: i) penalidades impostas sob a égide da legislação anterior à Lei nº 11.941, de 2009 (autuação por descumprimento de obrigação acessória e autuações por descumprimento da obrigação principal); e ii) penalidade prevista atualmente pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991 (multa de ofício de 75%). Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins entenderam por manter a multa qualificada. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins entenderam por manter a tributação dos valores lançados pela fiscalização, nos AIs nº 37.316.4823 e 37.316.4831, relativamente às pessoas físicas classificadas na CAT 13, como contribuintes individuais. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e André Luís Mársico Lombardi votaram por dar provimento parcial ao recurso, para que a multa aplicada pelo descumprimento de obrigação principal fosse calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e André Luís Mársico Lombardi votaram ainda por dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para que a multa fosse calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Fez sustentação oral: Dr. Cláudio Renato do Canto Farag. OAB:14005/DF. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.629 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (DRJ/SP1), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 1656.664 (fls. 1.544/1.566): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUJEITO PASSIVO. RETENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições sociais dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto na respectiva remuneração, e a recolher o produto arrecadado conforme previsto no art. 30, I, “a”, da Lei nº8.212/91 e art. 4o da Lei nº10.666/03. O desconto da contribuição sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, nos termos do § 5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS OU INFORMAÇÕES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AFERIÇÃO INDIRETA Quando o contribuinte recusase a apresentar documentos ou informações, ou as apresenta de forma deficiente, é licito à Autoridade Fiscal inscrever de ofício importância que reputar devida por meio da aferição indireta, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, nos termos dos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº8.212/91. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AOS TERCEIROS. As contribuições destinadas a terceiros (FNDE, Incra, Sest, Senat e Sebrae) possuem a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.630 5 paga pela empresa aos segurados que lhe prestaram serviços, e sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 29/02/2008, 01/08/2008 a 31/08/2008 OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO DE DIREITO CONSTITUCIONAL. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações e documentos alusivos a operações e serviços de instituições financeiras não constitui violação do dever de sigilo quando disponibilizados pelo próprio contribuinte, ou quando prestados à Administração Tributária com base em prévia autorização judicial. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN). MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, quanto ao fatos geradores ocorridos a partir da competência 12/2008, é devida a multa de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. Cabível a imposição da multa de ofício qualificada de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. 2. Extraise do relatório fiscal que o processo administrativo é composto por 4 (quatro) autos de infração (AI), compreendendo o período de 01/2008 a 12/2008, assim formalizados (fls. 28/45): i) AI nº 37.316.4823, referente às contribuições previdenciárias da empresa, incidentes sobre as Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.631 6 remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais; ii) AI nº 37.316.4831, referente às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre o salário de contribuição, não arrecadadas pela empresa; iii) AI nº 37.398.4812, referente às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (FPAS 612 Código 3139); e iv) AI nº 37.316.4815 (obrigação acessória), por ter a empresa apresentado a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (Código de Fundamentação Legal CFL 68). 3. Dado que o procedimento fiscal abrangeu o período de 2007 a 2011, além dos créditos tributários enumerados acima, relativos ao ano de 2008, ocorreram lançamentos referentes aos anos de 2007 e 2009 a 2011, cujas autuações fazem parte de processos administrativos fiscais específicos. 4. Apurouse o crédito tributário a partir do compartilhamento pelo Ministério Público Federal de documentos apreendidos na Operação Esperança, intitulada de "Caixa de Pandora", devidamente autorizado pela Justiça Federal, na qual houve a quebra do sigilo bancário do contribuinte, complementandose os elementos de provas com documentos apresentados e informações fornecidas pelo sujeito passivo no decorrer da auditoria fiscal. 4.1 Dentre os documentos exibidos pelo fiscalizado, estão os extratos bancários solicitados ao contribuinte pela autoridade fiscal através de termos de intimação. 5. A descrição contida no relatório fiscal, assim como nos seus anexos denominados "Discriminativo do Débito (DD)", às fls. 4/7, 12/14 e 19/21, os quais são partes integrantes dos autos de infração, revela que o lançamento fiscal, com relação às obrigações principais, diz respeito às contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, sócios e contribuintes individuais, identificadas a partir dos extratos bancários e dos dados compartilhados pelo Ministério Público, e vinculadas à movimentação financeira de uma conta específica mantida pela empresa junto ao Banco de Brasília S/A (item 13 do relatório fiscal, às fls. 33/34). 5.1 Segundo a fiscalização, o contribuinte, conquanto intimado e reintimado diversas vezes, não forneceu os documentos que deram suporte aos pagamentos efetuados às pessoas físicas. Dada a recusa imotivada, a base de cálculo das contribuições exigidas foi aferida indiretamente, usandose como critério de aferição os valores constantes das informações obtidas a partir da quebra do sigilo bancário determinada pelo Poder Judiciário. 5.2 Quanto ao período até 11/2008, para fins de aplicação da multa mais benéfica, consoante alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.632 7 veicula o Código Tributário Nacional (CTN), foram comparadas, por competência, as multas previstas na legislação da época da infração e aquelas implementadas pela legislação superveniente, introduzida pela Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008, e convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 5.3 Na competência 12/2008, especificamente, consta o percentual duplicado para a multa de ofício de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (denominada de "multa qualificada"). 6. O contribuinte foi cientificado da autuação em 26/4/2013, via postal, conforme fls. 1.500, e impugnou a exigência fiscal (fls. 1.504/1.535). 7. Intimada da decisão de piso em 2/5/2014, via postal, segundo fls. 1.569/1.571, a recorrente apresentou recurso voluntário em 26/5/2014, cujos argumentos de defesa estão a seguir resumidos (fls. 1.573/1.602). i) nulidade do lançamento por quebra administrativa do sigilo bancário, sem que houvesse uma ordem judicial para obter da empresa os extratos que deram suporte à autuação fiscal; ii) os extratos bancários, embora disponibilizados à fiscalização pela recorrente, não foram fornecidos espontaneamente, mas mediante o uso de coação, tendo em vista que a intimação para apresentação dos documentos vinha acompanhada de ameaça de representação por crime de embaraço à fiscalização, caso não fosse atendida pelo fiscalizado; iii) o Fisco não poderia utilizarse, a título de empréstimo, das provas arrecadadas judicialmente, porquanto disponibilizadas ao Ministério Público apenas e tão somente para fins penais. Além disso, na medida em que as provas autorizadas judicialmente não foram submetidas ao contraditório, não poderiam ser aproveitadas para fins de constituição de crédito tributário; iv) os prazos concedidos pela fiscalização para atendimento das intimações foram escassos, o que impossibilitou a recorrente de atendêlas, de modo que se torna descabida a apuração das contribuições mediante uso de aferição indireta; v) não há previsão legal para lançar contribuições apuradas com base em saques de cheques e transferências bancárias, porquanto não se pode presumir saídas como pagamentos a segurados empregados e contribuintes individuais decorrentes de prestação de serviços; Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.633 8 vi) o mero desembolso não representa fato gerador de contribuição previdenciária, que é a prestação de serviço, e não o pagamento. Diante da incerteza da ocorrência do fato gerador, o correto era a fiscalização identificar e intimar os beneficiários dos pagamentos para verificar se houve ou não a prestação do serviço; vii) o arbitramento, por aferição indireta, é medida excepcional e como tal aplicável às hipóteses em que, de forma clara e inequívoca, a fiscalização comprove a imprestabilidade, a efetiva inexistência ou a recusa de fornecimento da contabilidade da empresa, ou ainda quando inexistam outros documentos que possam suprir a sua falta. Apesar de eventuais falhas e incorreções, a contabilidade não foi desclassificada pela autoridade fiscal, tendo a recorrente disponibilizado os seus livros fiscais e contábeis; viii) os créditos efetivados pela empresa em favor do sócio Osvaldino Xavier de Oliveira referemse à distribuição de lucros, e não a pagamento de remuneração a sócio. Os lucros distribuídos durante o período fiscalizado, consoante demonstram os livros razões, são mais do que suficientes para acobertar os montantes levantados da fiscalização. Porém, ainda que não fossem, a recorrente possuía lucros a distribuir, de maneira que o procedimento correto era a fiscalização intimar o contribuinte para regularizar a sua contabilidade, registrando nela os lucros distribuídos; ix) a fiscalização não logrou justificar a qualificação da multa de ofício, que somente é cabível quando restar comprovada, de forma cabal e irrefutável, a ocorrência de dolo, fraude ou conluio. Ademais, no caso de presunção, tal como foram apurados os valores das contribuições supostamente devidos, tornase imprópria a majoração da penalidade; x) não sendo devidas as contribuições exigidas incidentes sobre as remunerações das pessoas físicas, não subsiste a multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória (AI nº 37.316.4815); e xi) para um mesmo período e em razão dos mesmos fatos, além do lançamento quanto à obrigação principal, acompanhada da penalidade vinculada, a fiscalização aplicou também a multa pelo descumprimento de obrigação acessória (GFIP), o que implica um efeito confiscatório da cobrança. É o relatório. Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.634 9 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 8. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares a) Violação ao sigilo bancário 9. Da leitura dos autos, depreendese que a revelação de informações sigilosas ocorreu com o consentimento da recorrente, na medida em que os extratos bancários, por solicitação regular da fiscalização tributária, foram disponibilizados pelo próprio sujeito passivo. Nessa circunstância, é dispensável a prévia ordem judicial para o acesso às informações bancárias do contribuinte. 10. Por sua vez, a recorrente alega que foi vítima de coação. A coação que vicia a declaração de vontade não se presume, pois exigese a prova inequívoca de que a ameaça exercida pelo agente externo é hábil, grave e injusta ao ponto de impedir a resistência da pessoa afetada. 10.1 Logo, a coação não fica caracterizada e assim dispõe expressamente o art. 153 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que veicula o Código Civil pátrio, quando há "ameaça do exercício normal de um direito (...)". 10.2 De fato, segundo o inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, está a empresa obrigada a prestar à fiscalização todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, bem como os esclarecimentos necessários ao desenvolvimento do procedimento fiscal em curso, consistindo a recusa ao atendimento das intimações da fiscalização em hipótese de imposição de sanção, na forma estabelecida na legislação tributária. 10.3 De modo tal que a autoridade fiscal que adverte o fiscalizado acerca das consequências previstas em lei para o descumprimento da obrigação de disponibilizar documentos e/ou prestar informações não pratica coação, porquanto a sanção que vier eventualmente a ser aplicada estará amparada pela lei. 10.4 Naturalmente, a ameaça de exercício abusivo de direito, mediante excesso na forma e nas circunstâncias utilizadas pelo agente público, poderá configurar um ato ilícito. Porém, não há nada nos autos que aponte ter a fiscalização ultrapassado os limites impostos pela legislação. Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.635 10 10.5 Entendo, inclusive, que a fiscalização, ao fazer advertência da ilicitude da conduta, comportase segundo padrões éticos de boafé, agindo de maneira transparente com o sujeito passivo. 10.6 Assim, estão ausentes quaisquer elementos que possam evidenciar a prática de coação durante o procedimento fiscal. 11. Por fim, quanto ao compartilhamento de provas obtidas mediante quebra do sigilo bancário, mediante prévia autorização judicial, a análise de eventual irregularidade na utilização dos dados para fins tributários, como sustenta a recorrente, é matéria estranha ao contencioso administrativo. 11.1 Isso porque o relatório fiscal, conforme destacado pelo colegiado de primeira instância, expõe de forma clara que, uma vez autorizada a quebra do sigilo bancário por solicitação do Ministério Público Federal, foilhe permitido compartilhar as informações com a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme Inquérito nº 137437.2010.4.01.0000/DF e do Processo nº 004679176.2011.4.01.0000/DF, os quais tramitam junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (item 11 do relatório fiscal, às fls. 31). 11.2 Tal aspecto fáticojurídico afirmado pela fiscalização não restou desmentido pela recorrente em linguagem apropriada de provas. 12. Afastada a preliminar, passase à análise de outra questão prévia ao exame do mérito do lançamento. b) Prazos exíguos para atendimento das intimações 13. Reclama a recorrente que a autoridade fiscal concedeulhe prazos demasiadamente curtos para atender às solicitações de apresentação de documentos e prestação de informações, restando condenável a apuração das contribuições com base em aferição indireta. 14. Ao compulsar os documentos que instruem os autos, verifico que também não lhe assiste razão nesse ponto do recurso. 15. Com efeito, mediante o Termo de Intimação Fiscal (TIF) nº 007/2012, recebido em 30/10/2012, a fiscalização intimou a recorrente para, no prazo de 10 (dez) dias, apresentar os documentos contábeis e fiscais e prestar os esclarecimentos sobre os lançamentos na conta corrente mantida junto ao Banco de Brasília S/A (fls. 119/121). 15.1 Na sequência, por intermédio do Termo de Reintimação Fiscal (TRF) nº 001/2012, recebido em 14/11/2012, a autoridade fiscal reintimou a recorrente para atender não apenas o requerido no TIF nº 007/2012, como também em outros termos de intimação, no prazo de 5 (cinco) dias (fls. 144/146). 15.2 Ao permanecer inerte o sujeito passivo, a fiscalização novamente prorrogou os prazos, conforme TRF nº 002/2012 e TRF nº 003/2012, recebidos, respectivamente, em 11/12/2012 e 21/1/2013, concedendolhe, em cada reintimação, 20 (vinte) dias úteis (fls. 147/149 e 150/152). Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.636 11 15.3 Em 16/4/2013, decorridos mais de 5 (cinco) meses da intimação inicial, a empresa solicitou, em atenção ao TRF nº 003/2012, um prazo adicional de 10 (dez) dias para tabular as informações bancárias recebidas e responder aos questionamentos da fiscalização. Deulhe a fiscalização o prazo de 5 (cinco) dias corridos (fls. 1.468). 16. Com base nessa cronologia, a toda a evidência os prazos concedidos pela autoridade fiscal, sucessivamente prorrogados, são mais que razoáveis e suficientes para o fiscalizado apresentar documentos e prestar esclarecimentos, não configurando os prazos cerceamento de defesa. 17. Ao descumprir os deveres impostos pelo legislador com o fim de permitir o conhecimento e a quantificação dos fatos jurídicos tributários pela autoridade fiscal, a recorrente sujeitase às imposições previstas na respectiva legislação tributária.. 18. Noutro giro, a despeito da omissão na fase inquisitória, nada impediria de a recorrente mudar de atitude e, chegada a fase litigiosa, anexar todos os documentos comprobatórios, bem como prestar os esclarecimentos relacionados à natureza e às circunstâncias das saídas de numerário destinadas às pessoas físicas, identificadas a partir do exame da movimentação bancária, na medida em que necessitava de prazo adicional, segundo afirmou, apenas para organizar os dados recebidos da instituição bancária. 19. O que se nota dos autos, todavia, é que não houve alteração significativa no comportamento do sujeito passivo, cuja conduta omissiva pode ter a sua origem na desorganização contábil e administrativa da empresa ou, não menos provável, no propósito firme de deixar de colaborar com a busca da verdade material. Mérito a) Arbitramento por aferição indireta 20. Não demonstra ignorar a recorrente, até porque faz parte do Relatório denominado "Fundamentos Legais do Débito (FLD)", integrante das autuações, às fls 8/10, 15/17 e 22/24, que a fiscalização utilizou como fundamento para a constituição do crédito tributário o conteúdo dos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, que estão assim redigidos: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (...) Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.637 12 § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) 21. Cuidamse de normas jurídicas destinadas a amparar o lançamento de ofício por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, na hipótese de impossibilidade de mensurarse o fato jurídico tributário, por falta de apresentação de documentos e informações pelo fiscalizado ou pela inveracidade das declarações contábeis ou fiscais prestadas pelo sujeito passivo. 22. Em outros termos, o objetivo do arbitramento é apurar o aspecto quantitativo do evento que deflagra a relação tributária. Contudo, tais dispositivos não aprovam proceder ao arbitramento do fato gerador, na sua dimensão material, devendo estar provado direta ou indiretamente. 23. Destarte, ao deixar de atender as diversas intimações para apresentação dos documentos que deram suporte às saídas de numerário em nome de pessoas físicas da conta mantida no Banco de Brasília S/A, está autorizada a fiscalização, segundo a Lei nº 8.212, de 1991, ou melhor, encontrase obrigada a fiscalização a utilizar métodos para a identificação dos valores correspondentes ao fato jurídico tributário, tal como o arbitramento da base de cálculo, por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus de descaracterizar a imputação que lhe é feita. 24. Conquanto descumprido o seu dever de colaboração, a recorrente insiste que a fiscalização teria a sua disposição, por meio de outros documentos contábeis e fiscais, os subsídios necessários à constituição do fato jurídico tributário; porém, não especifica quais deles conteriam as informações pertinentes que proporcionariam o afastamento da medida extrema do arbitramento. 25. Entre outros aspectos obscuros, a autoridade lançadora identificou, ao examinar a escrituração contábil do sujeito passivo, a contabilização inadequada das transferências eletrônicas da conta bancária, utilizandose, como contrapartida da conta "Bancos", o débito na conta "Caixa", em vez de apropriálos em contas de despesas, custos e/ou obrigações, conforme a sua natureza. 26. Ao contrário do que defende a recorrente, a legislação previdenciária não exige como pressuposto para a fiscalização lançar mão do arbitramento a desconsideração formal da escrituração contábil, bastando que existam evidências de que ela não registra a movimentação real da remuneração dos segurados a serviço da empresa. 27. Ademais, entre intimação e reintimações, decorreu um lapso temporal de quase 6 (seis) meses, em que a recorrente poderia ter organizado e apresentando os livros e documentos fiscais com as correções dos eventuais erros e falhas que estariam afetando o adequado registro das mutações patrimoniais, econômicas e financeiras da empresa. Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.638 13 b) Pagamento a segurados empregados, sócios e contribuintes individuais (item 13 do relatório fiscal) 28. Com olhar na acusação fiscal, seu relatório e respectivos anexos, verifico que as saídas da conta bancária destinadas às pessoas físicas, objeto de lançamento fiscal, estão individualmente discriminadas em planilha, identificadas pelo nome, montante e pela qualificação do segurado, de acordo com a classificação prevista no Manual de preenchimento da GFIP (fls. 1.472/1.488): i) segurados empregados (Código/Categoria CAT: 1); ii) contribuintes individuais: sócios/empresários (Código/Categoria CAT: 11); e iii) contribuintes individuais: trabalhadores autônomos (Código/Categoria CAT: 13). 28.1 Afora essa planilha, há outra em que se discrimina, também de maneira individual e por competência, a parcela correspondente à contribuição previdenciária devida pelo segurado (fls. 1.469/1.471). 29. Nesse contexto, analiso, inicialmente, o mérito da tributação relacionada aos pagamentos identificados pela fiscalização como feitos a segurados empregados (CAT 1) e sócios administradores (CAT 11) b.1) Segurados empregados (CAT 1) e sócios (CAT 11) 30. Como sabido, no campo jurídico das contribuições previdenciárias, constitui fato gerador da obrigação principal, em relação à empresa, a prestação de serviços remunerados tanto pelos segurados empregados quanto pelos administradores da sociedade, estes últimos na qualidade de contribuintes individuais. 31. Configurase a prestação de serviço, para o segurado empregado, por meio da realização da sua tarefa laboral com habitualidade, onerosidade, pessoalidade e subordinação, ao passo que para o empresário, na condição de responsável pela administração, mediante o exercício da direção da sociedade. 32. Em um e outro caso, ao manter um vínculo contínuo com a sociedade empresária, são devidos pagamentos a esses segurados, como regra, pela correspondente retribuição ao serviço prestado. 32.1 Inclusive, a Lei nº 8.212, de 1991, de acordo com os artigos 22 e 28, estabelece um conceito amplo de remuneração, destinada a retribuir o trabalho, de maneira que as parcelas pagas pela empresa que escapam à tributação devem estar amparadas em documentos hábeis e idôneos que demonstrem a natureza não remuneratória, elaborados pelo sujeito passivo e disponibilizados à fiscalização quando solicitados. 33. Quanto aos administradores, cabe ainda destacar que o contrato social da sociedade empresária limitada, ora recorrente, autoriza a retirada mensal de prólabore pelos Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.639 14 sócios administradores no exercício das atividades gerenciais, conforme estipulado em comum acordo, sem haver, contudo, a fixação de limites mínimo ou máximo (fls. 84). 34. Nesse cenário normativo e fático, não há que se falar em presunção do fato gerador para os segurados empregados e sócios, porquanto inerente à natureza do vínculo existente com a sociedade empresária. 35. Ao identificar as saídas de numerário destinadas a segurados empregados e sócios administradores, cujo enquadramento previdenciário não é alvo de oposição pela recorrente, a fiscalização solicitou os respectivos documentos e esclarecimentos, com a finalidade de verificar a sua natureza jurídica e, consequentemente, a incidência ou não da tributação. 35.1 Diante da recusa do sujeito passivo em colaborar com a fiscalização, a autoridade lançadora avaliou, autorizada pelo art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, que se trataria de possível retribuição financeira pela prestação de serviços realizados e, portanto, sujeitos à incidência da contribuição previdenciária, assegurado ao contribuinte defenderse dessa valoração quantitativa do evento descrito no fato jurídico tributário. 35.2 Em outros dizeres, assentado em regras de experiência, a natureza do vínculo laboral conduz, por forte indução, a inferir que o desembolso de valores a segurados empregados e sócios administradores por parte da empresa representa um provável pagamento pela prestação de serviços. 36. Dessa feita, uma vez que descumpridos os deveres instrumentais imprescindíveis à fiscalização dos eventos de interesse tributário e havendo ainda a impossibilidade de investigação, a partir dos demais documentos do contribuinte, quanto à mensuração do fato jurídico tributário apontado pela fiscalização, é plenamente justificável a realização do arbitramento, por aferição indireta, adotando a autoridade lançadora como parâmetro os valores indicados nos extratos bancários, os quais, teoricamente, integrariam a base de cálculo do tributo. 37. Nada obstante a realização do arbitramento, é oportunizada a avaliação contraditória pelo sujeito passivo, ainda que a lei disponha, acertadamente, sobre a inversão do ônus da prova nessa situação. 38. Significa que os desembolsos de recursos podem escapar à tributação, destinandose, por exemplo, a ressarcimento, reembolso ou indenização do segurado empregado, ou, no caso do empresário, correspondendo à distribuição de lucros ou devolução de empréstimos. 39. Porém, nessas hipóteses, é imprescindível os saques e transferências bancárias estarem acompanhadas de registros contábeis e fiscais, apoiados em documentos aptos a atestar a sua natureza não remuneratória. 39.1 As pessoas jurídicas devem proceder aos devidos registros contábeis de suas atividades e resultados, sempre alicerçados em documentos hábeis e idôneos, os quais assumem a feição de prova para fins do controle da Administração Tributária. 39.2 Dentre tais registros, no caso dos sócios, impõese a discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho (prólabore) e a remuneração proveniente do capital social Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.640 15 (lucro), na medida em que a falta de uma nítida separação dificulta o controle fiscal sobre as parcelas recebidas, ou mesmo tornálo inviável, o que não pode ser admitido para fins de tributação. 40. Por essas razões, a justificativa de origem em distribuição de lucros acumulados, segundo alegações produzidas pela recorrente, quanto aos pagamentos direcionados aos sócios da empresa Osvaldino Xavier de Oliveira e Débora Cristina de Oliveira Xavier, e incluídos no lançamento fiscal, não me parece convincente. 40.1 Primeiro, porque os lucros distribuídos durante o período fiscalizado, no montante total de R$ 3 milhões, conforme planilha acostada pela recorrente, ainda na fase de impugnação, às fls. 1.538/1.539, não correspondem a nenhum dos valores identificados pela fiscalização e discriminados no relatório fiscal na planilha anexada às fls. 1.472/1.488, abrangidos pelas autuações. 40.2 Segundo, pois o fato de haver lucros a distribuir no período do levantamento fiscal, ainda mais quando consistente em mera afirmação desprovida de provas, é aspecto inconclusivo e, por si só, incapaz de comprovar a natureza jurídica não remuneratória dos pagamentos aos sócios apurados pela fiscalização no exercício já encerrado. 40.3 Por sinal, e contrariamente ao que alega a recorrente, a situação não parece caracterizar simples erro ou equívoco contábil na escrituração, porque as parcelas pagas aos dois sócios durante o ano de 2008, destinadas a remunerar o capital investido, foram sistemática e rigorosamente contabilizados a título de distribuição de lucros mediante contrapartida a débito na conta "Lucros Acumulados", proporcionalmente à participação no capital social, diversamente dos pagamentos identificados pela fiscalização nos extratos bancários, objeto de lançamento de ofício neste processo administrativo (fls. 1.052/1.223). 41. De outra banda, a recorrente igualmente pondera que não restou comprovado o nexo causal entre os saques e as transferências bancárias e o recebimento de valores pelos segurados, visto que seria impossível afirmar que as saídas da conta bancária não ingressaram em outra de mesma titularidade ou se referem, por exemplo, a pagamentos de empréstimos, produtos e fornecedores, ou mesmo a doações, os quais não sofrem a incidência da tributação previdenciária. 42. A despeito da aparente lucidez do seu raciocínio, a recorrente inverte convenientemente o ônus probatório, no sentido de que caberia à fiscalização comprovar cabalmente às circunstâncias que levaram às saídas de dinheiro, como forma de afastar qualquer natureza diversa da contrapartida laboral, quando o próprio sujeito passivo, em flagrante omissão do seu dever de colaboração, adota postura de dificultar a identificação, mediante provas diretas, da ocorrência dos fatos jurídicos tributários. 42.1 Como já esclarecido, em que pese o que foi solicitado, mediante intimação e reintimações, com prazos mais que razoáveis, para fim de elucidar a verdade quanto à origem e às circunstâncias dos lançamentos efetuados na conta bancária, o sujeito passivo deixou de apresentar à fiscalização os documentos que deram suporte aos pagamentos em nome dos segurados. 42.2 Por constar a discriminação individualizada dos lançamentos bancários, não haveria dificuldades de a recorrente prestar, inclusive na fase litigiosa, os esclarecimentos a Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.641 16 respeito dos saques e das transferências relacionados aos segurados empregados e aos sócios, acompanhados da correspondente documentação comprobatória. 42.3 Diante da indiscutível falta de colaboração do sujeito passivo no procedimento de delimitação dos fatos, não me parece razoável, como sugere a recorrente, a intimação dos beneficiários dos pagamentos, nessa hipótese de segurados empregados e sócios, para verificar se os desembolsos foram decorrentes da prestação de serviço à empresa. 43. Em síntese, ao não trazer a peça recursal qualquer prova apta a abalar o lançamento efetuado quanto aos segurados empregados e sócios administradores, a decisão recorrida não merece reparo. b.2) Contribuintes Individuais (CAT 13) 44. Por outro lado, diversa é a minha conclusão acerca dos desembolsos identificados em conta bancária em nome de pessoas físicas para os quais a fiscalização considerou como pagamentos efetuados a prestadores de serviço, na condição de contribuintes individuais autônomos (CAT 13). 45. Uma vez que a fiscalização nada demonstra sobre o vínculo laboral dessas pessoas físicas com a autuada, entendo que o raciocínio da acusação fiscal é desprovido de indícios que possam impulsionar a probabilidade de que as saídas de numerário da conta bancária da empresa representem retribuição a contribuinte individual pela prestação de serviço. 46. Não tenho dúvida de que os valores disponibilizados às pessoas físicas podem significar pagamentos pela prestação de serviço à empresa. Porém, sua força probante por si só é inapta para sustentar o nascimento da obrigação tributária, a partir da existência da situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador do tributo. 46.1 Mesmo a recusa do sujeito passivo em apresentar documentos e prestar esclarecimentos à fiscalização, bem como da falta de confiabilidade da sua escrituração contábil, não altera tal linha de raciocínio. 46.2 Impõese a comprovação pela fiscalização da prestação de serviços à empresa por parte da pessoa física, ainda que por meio de provas indiretas, como condição para a incidência de contribuição previdenciária. 46.3. Nesses termos, não há como legitimar a constituição de crédito tributário escorada em prestação de serviço por parte de segurado autônomo, qualificado como contribuinte individual quando a acusação fiscal apoiase apenas na circunstância de serem pessoas físicas os beneficiários dos saques e/ou das transferências bancárias. 47. Portanto, carece o lançamento fiscal nesse ponto de aprofundamento do procedimento administrativo investigatório, de maneira tal a evidenciar, mesmo que indiretamente, a provável prestação de serviços pelas pessoas físicas identificadas, possibilitando a construção de um liame em grau bastante entre as saídas de recursos a elas destinadas e a existência de retribuição laboral, para só assim respaldar a inversão do ônus probatório, como antes examinado. Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.642 17 48. Exposto desse modo, a decisão de primeira instância merece reforma para afastar a tributação sobre os valores lançados pela fiscalização relativamente às pessoas físicas classificadas como segurados na CAT 13, conforme individualização constante da planilha de fls. 1.472/1.488, por meio da qual a autoridade fiscal detalha a base de cálculo relativa às contribuições exigidas no AI nº 37.316.4823. 49. Relativamente a essas mesmas pessoas físicas (CAT 13), deverá ser excluída também a contribuição previdenciária a cargo do segurado apurada por meio do AI nº 37.316.4831. Contudo, aqui tomandose como parâmetro a outra planilha confeccionada pela fiscalização e juntada às fls. 1.469/1.471. c) Multa qualificada 50. Consta a imposição de multa qualificada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) incidente sobre as contribuições lançadas na competência 12/2008. 51. A aplicação dessa multa no lançamento de ofício é regulada pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, o qual remete aos critérios de mensuração previstos no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Reproduzo abaixo os dispositivos: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) 51.1 Por sua vez, os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, acima mencionados, estão assim redigidos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.643 18 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 52. Vêse que a par do critério básico de aplicação da multa de ofício, equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor principal, a legislação prevê a denominada multa qualificada, em que há uma duplicação do percentual padrão, quando evidenciada pela fiscalização sonegação, fraude ou conluio, cuja gravidade do comportamento lesivo do infrator enseja um reprimenda punitiva mais severa, como forma de castigar o transgressor e desestimular condutas afins por parte de outros sujeitos passivos. 53. Para essa elevação do percentual básico é condição indispensável a acusação identificar elementos subjetivos na conduta do infrator, porquanto tanto a simulação quanto a fraude pressupõem o dolo, sendo insuficiente para cogitar da hipótese tão somente a materialidade da conduta. 54. Vale dizer que a sonegação, fraude ou mesmo o conluio devem possuir base probatória autônoma, pela qual se demonstra a vontade livre e consciente do infrator em praticar as condutas ilícitas, em prol de, ao final e ao cabo, viabilizar a supressão ou redução do tributo. 55. Pois bem. Segundo o votocondutor da decisão de primeira instância, o relatório fiscal conteria, como justificativa para a qualificação da multa, que (item 8.4 do acórdão, às fls. 1.561): 8.4. (...) o sujeito passivo adotou práticas fraudulentas (falta de contabilização de despesas relacionadas a fatos geradores e a contabilização inadequada de lançamentos, utilizando, como contrapartida, a conta Caixa), bem como deixou de incluir nas GFIPs mensais todos os dados correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, prática esta que caracteriza, em tese, crime de sonegação de contribuições previdenciárias. 56. Acontece que após ler e reler a acusação fiscal não identifiquei a presença de qualquer justificativa expressa para aplicação da penalidade qualificada, situação em que as razões que ensejam a duplicação do percentual da multa de ofício estão usualmente concentradas pelo agente estatal em um trecho ou tópico específico integrante do relatório fiscal. Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.644 19 57. De fato, no que tange à fundamentação legal das multas, a autoridade lançadora faz alusão apenas ao relatório "Fundamentos Legais do Débito FLD", o qual menciona os dispositivos de lei acima reproduzidos que autorizam a incidência da multa exarcebada (item 25 do relatório fiscal, às fls. 44). 58. Por outro lado, mesmo sem correlacionar diretamente com a aplicação da multa qualificada, a autoridade autuante faz referências esparsas no relatório fiscal a existência de condutas colocadas em prática pelo sujeito passivo que evidenciariam, em seu ponto de vista, o intuito sonegatório e fraudulento. 58.1 Nesse sentido, quanto aos fatos geradores identificados por meio do exame da movimentação do Banco de Brasília S/A, objeto desse processo administrativo, a fiscalização assim se pronunciou em termos de condutas ilícitas (fls. 33/34): "13.1 (...) Verificouse também, conforme Razão constante dos anexos 19 a 22, que a empresa contabilizou os valores pagos ou transferidos através de TED (transferências eletrônicas) a débito da conta "CAIXA", em vez de apropriálos em contas próprias; simulando, de forma fraudulenta, situações que não refletem a realidade das transações. (...) 13.4 Como se observa, as transferências efetivadas pela empresa foram lançadas, de forma indevida, em contrapartida da conta "CAIXA". Contabilmente, tal lançamento seria impossível por tratarse de transferências financeiras entre contas correntes. Tal manobra contábil objetiva afastar a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias (remunerações pagas a prestadores de serviços pessoas físicas)." 58.2 Já em outra parte do relatório fiscal, a autoridade lançadora manifestase assim (fls. 40): "18.2.4 Conforme detalhado neste relatório, a auditoria fiscal constatou que o sujeito passivo adotou, de forma dolosa, práticas fraudulentas que caracterizam, em tese, crimes de sonegação de contribuições previdenciárias, previstos na legislação em vigor." 59. É certo que os relatos transcritos podem representar a intenção de a fiscalização demonstrar o uso de sutilezas para iludir o Fisco, tais como aquelas previstas nas hipóteses dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, as quais, como visto antes, impõem a duplicação do montante da penalidade. 60. Todavia, penso que faltou à autoridade lançadora estabelecer, em relação aos específicos valores lançados, uma liame indubitável entre os elementos de sua convicção da conduta ilícita do sujeito passivo e o cometimento de fraude ou sonegação, mediante ação dolosa, nos moldes previstos na Lei nº 4.502, de 1964. 61. Isso porque o lançamento não resultou da constatação direta e irrefutável de rendimentos tributáveis. Uma vez localizados pagamentos destinados a segurados empregados e contribuintes individuais, a partir de movimentações bancárias potencialmente identificáveis Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.645 20 a rendimentos pela prestação laboral, o Fisco transferiu ao sujeito passivo, valendose da autorização do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, o ônus de provar que não correspondiam a qualquer parcela remuneratória. 62. Como destacado pela decisão de piso, os fatos narrados pela autoridade fiscal evidenciam ao menos indícios da ocorrência de conduta fraudulenta ou sonegatória, os quais são suficientes para confecção de representação fiscal para fins penais dirigida ao Ministério Público Federal. 63. Entretanto, a existência de indícios de crime tributário não autoriza sem justificativas apropriadas a imposição de penalidade de ofício qualificada, a qual demanda a comprovação minudente de uma das hipóteses de aplicação da sanção mais gravosa. 63.1 Na esfera penal, a sociedade tem o direito de ver devidamente apuradas eventuais condutas delituosas, cuja instrução probatória permitirá demonstrar, com os meios disponíveis, a verdade possível dos fatos. 63.2 Já na multa qualificada, além da descrição dos fatos ocorridos, as provas indispensáveis e contundentes para justificar a duplicação do percentual da penalidade devem ser carreados aos autos pelo agente fiscal, via de regra, no momento da formalização do auto de infração, dados os limites existentes para a produção da prova no curso do processo administrativo tributário. 64. Portanto, entendo que a autoridade fiscal não demonstrou a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, até o importe de 150%. 65. Dessa feita, devese afastar a qualificação da penalidade oficiosa, na competência 12/2008, reduzindo a multa para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%. d) Multa pelo descumprimento da obrigação acessória (AI nº 37.316.4815) 66. A meu sentir, a decisão de piso, ora questionada, detalhou com correção e clareza os fatos e a legislação aplicável para a fixação da penalidade, por competência, pelo descumprimento da obrigação acessória de apresentar a GFIP com todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, tendo em conta, inclusive, a situação mais favorável ao sujeito passivo, em face da retroatividade benigna da alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN. 67. Até a competência 11/2008, sob à égide da legislação anterior a MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, conviviase com a possibilidade de duas penalidades por fatos distintos: 67.1 Por uma banda, a não apresentação ou apresentação com incorreções da GFIP, independentemente da existência ou não de tributo a recolher, resultava em imposição de multa com fundamento nos §§ 4º a 6º, inciso IV, do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991. Portanto, uma penalidade relativa ao descumprimento de obrigação acessória. 67.2 De outra, na hipótese de se verificar, além do descumprimento de obrigação acessória, a falta de recolhimento das contribuições previdenciárias, ainda havia o lançamento Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.646 21 do crédito tributário, com aplicação da multa então prevista no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, cuja natureza vinculavase ao descumprimento de obrigação principal. 68. Com a novel legislação, introduzida pela MP nº 449, de 2008, verificado simultaneamente o descumprimento de obrigação principal e acessória relacionadas às contribuições previdenciárias (não recolher, falta de declaração e/ou declarar com incorreções/omissões), haverá a incidência de apenas uma penalidade, qual seja a multa de ofício do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991). 69. Assim, à vista da planilha de fls. 1.489 e dos anexos do relatório fiscal denominados "Discriminativo do Débito (DD)", às fls. 4/7, 12/14 e 19/21, não há multiplicidade de penalidades sobre os mesmos fatos. 69.1 Com efeito, nas competências 01, 02 e 08/2008, a penalidade anterior à publicação da MP nº 449., de 2008, mostrouse menos severa. No que diz respeito às competências 05 a 07/2008, 09 e 10/2008, a legislação atual revelouse mais benéfica, o que resultou na aplicação quanto às contribuições previdenciárias, exclusivamente, da multa de ofício, no percentual de 75%, de que trata o art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. 69.2 As contribuições devidas a terceiros, anteriores a 12/2008, sujeitamse tão somente a incidência da multa de que tratava o inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, por mais benéfica que a vigente para a mesma hipótese de falta de pagamento (fls. 20). 69.3 Em qualquer caso, para a competência 12/2008 e posteriores, aplicase a nova legislação introduzida pela MP nº 449, de 2008. 70. Quanto à eventual carga confiscatória das multas exigidas nos autos de infração, cabe lembrar que argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 71. Por fim, devido ao afastamento da tributação sobre os valores lançados pela fiscalização relativamente às pessoas físicas classificadas como segurados na CAT 13, alhures detalhado neste voto, deverá ser refeito o cálculo da multa para efeitos da retroatividade benigna, quando da execução do julgado. 72. Quero dizer assim que, no que tange às penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até 11/2008, deverá ser reavaliada por competência a situação final mais benéfica à recorrente, utilizandose do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização, ou seja, mediante comparação entre: i) legislação anterior: somatório da multa aplicada nos moldes do inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991 (obrigação principal), e da multa aplicada na forma dos §§ 4º a 6º do art. 32 da mesma Lei (obrigação acessória); e ii) legislação atual: multa de ofício de 75% prevista no art. 35 A da Lei nº 8.212, de 1991, e introduzida pela MP nº 449, de 2008, sem qualquer limitação. Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723200/201328 Acórdão n.º 2401003.962 S2C4T1 Fl. 1.647 22 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para: a) excluir da tributação os valores lançados pela fiscalização, nos AIs nº 37.316.4823 e 37.316.4831, relativamente às pessoas físicas classificadas na CAT 13, como contribuintes individuais, tomandose por base os dados constantes das planilhas elaboradas pela autoridade fiscal às fls. 1.469/1.471 e 1.472/1.488; b) reduzir a penalidade, na competência 12/2008, para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio (75%); e c) recalcular as penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até 11/2008, quando da execução do julgado, tendo em vista a exclusão da alínea "a" acima, de forma a reavaliar por competência a situação mais benéfica à recorrente, utilizandose do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização, ou seja, mediante comparação entre: i) penalidades impostas sob a égide da legislação anterior à Lei nº 11.941, de 2009 (autuação por descumprimento de obrigação acessória e autuações por descumprimento da obrigação principal); e ii) penalidade prevista atualmente pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991 (multa de ofício de 75%). É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722932/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA FASE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário, o que importa não conhecimento da matéria não impugnada.
NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO
Na dicção do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta, procedimento este menos oneroso para as partes e para a administração pública em geral.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC.
INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas apenas cancelar a exigência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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DEDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO Recorrente JOSE ASSIS MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA FASE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário, o que importa não conhecimento da matéria não impugnada. NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO Na dicção do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta, procedimento este menos oneroso para as partes e para a administração pública em geral. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 29 32 /2 00 9- 23 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 2 devido. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas apenas cancelar a exigência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 2402004.990 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 18ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, para manter o lançamento de ofício que alterou o saldo do imposto a restituir ajustado para R$ 828,38, conforme Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, ano calendário 2006. O lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização: a) o contribuinte teria omitido rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 21.858,59; b) dos documentos da RT 02350199200505002, apresentados pelo contribuinte, teriam sido apurados o valor bruto de R$ 82.873,05, IRRF de R$ 16.047,73, INSS de R$ 0,00 e rendimento tributável de R$ 62.010,51, sendo que o contribuinte não teria apresentado o recibo dos honorários advocatícios o contribuinte ainda teria recebido rendimentos do trabalho assalariado no valor de R$ 26.333,52, conforme comprovante de rendimentos da Fundação Petrobrás de Seguridade Social (Petros), de tal modo que o total dos rendimentos tributáveis a declarar seria de R$ 88.344,03; c) o contribuinte teria compensado indevidamente IRRF no valor de R$ 481,25, correspondente à diferença entre o IRRF declarado (R$ 16.539,52) e o IR efetivamente retido na fonte (R$ 16.058,27), dos quais R$ 16.047,73 seriam atinentes à RT e R$ 10,54 seriam atinentes ao comprovante de rendimentos da Petros. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que: d) teria se equivocado ao informar que a fonte pagadora dos rendimentos da RT seria a Petros, ao invés da Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras), o que caracterizaria erro material sanável através dos documentos em anexo; e) conforme planilha de cálculo da RT, teria recebido verbas trabalhistas da Petrobras no valor de R$ 83.354,42; f) os rendimentos tributáveis seriam de R$ 61.934,37, sobre os quais teria incidido o IRRF no valor de R$ 16.529,10, de tal forma que a quantia líquida recebida seria de R$ 66.825,32, conforme recibo de alvará em anexo; g) do valor recebido, R$ 21.420,05 se referiria a verbas indenizatórias não tributáveis, conforme cálculo da Justiça do Trabalho; h) quanto ao IRRF, estaria demonstrada nas planilhas em anexo que o valor efetivamente retido seria de R$ 16.529,10; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 4 i) o valor real dos rendimentos tributáveis a serem declarados e retificados seria de R$ 36.928,08 (=R$ 61.934,37 R$ 25.006,32, referentes aos rendimentos tributáveis e os honorários advocatícios), o que seria até menor do que o valor declarado na DIRPF retificadora, de R$ 40.151,92; j) por equívoco, teria deixado de deduzir na DIRPF retificadora o valor total dos honorários pagos, conforme recibos de fls. 13 e 14; k) a soma dos rendimentos tributáveis seria de R$ 63.261,60, dos quais R$ 36.928,08 relativos à RT e R$ 26.333,52 relativos à Petros, o que seria até menor do que o montante declarado na DIRPF. A DRJ, contudo, manteve o lançamento integralmente, ao argumento de que: l) o contribuinte não teria trazido aos autos o comprovante de rendimentos da Petrobras, com o valor correspondente à RT, no intuito de demonstrar que teria se equivocado no preenchimento da DIRPF; m) nos arquivos eletrônicos da RFB, só constaria DIRF no valor de R$ 26.333,52, com IRRF de R$ 10,54, apresentada pela Petros; n) o contribuinte não poderia deduzir a quantia de R$ 25.006,32 (fls. 13 e 14), a título de honorários, vez que não teria juntado aos autos o contrato de prestação de serviços, assim como não haveria o registro na OAB no recibo de fl. 13; o) a autoridade fiscal considerou corretamente o IRRF de R$ 16.047,73, conforme planilha de cálculo elaborada pela Justiça do Trabalho, bem como o IRRF de R$ 10,54, conforme comprovante de rendimentos da Petros. Notificado da decisão em 17/12/2014, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 12/01/2015, reiterando, em linhas gerais, os termos da sua impugnação, acrescentando, ainda, que: p) a DRJ teria descumprido ao legislação tributária ao desconsiderar os recibos dos honorários e exigir o contrato de prestação de serviços e o registro na OAB; q) a DRJ não teria comprovado a inidoneidade dos recibos; r) os documentos solicitados originalmente pelo fisco seriam apenas os recibos, de tal forma que a DRJ não poderia desconsiderálos; s) os honorários seriam despesas necessárias à percepção dos rendimentos (RIR/99, art. 56), sendo, pois, dedutíveis; t) a decisão da DRJ seria nula, pois teria cerceado o direito de defesa do recorrente ao basear seu julgamento em documentos que não haviam sido solicitados (contrato e registro na OAB); u) a decisão recorrida incorreria em mera presunção de omissão de rendimentos em função da suposta dedução indevida dos honorários; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 2402004.990 S2C4T2 Fl. 4 5 v) a decisão recorrida teria violado o art. 2º e inc. I da Lei 9.784/1999 e deveria ser reformada para admitir a dedução dos honorários advocatícios em questão. Os autos foram sorteados a este Conselheiro, conforme Ata da Sessão de 08/12/2015. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Da matéria não impugnada Muito embora, em sua impugnação, o contribuinte tenha se insurgido contra a alegada compensação indevida de IRRF no valor de R$ 481,25, ele deixou de fazêlo na fase recursal, tendo limitado sua irresignação quanto à omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente de PJ. Logo, a decisão da DRJ é definitiva no tocante à parte não recorrida, na dicção do parágrafo único do art. 42 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Sendo assim, permanece a compensação indevida de IRRF no valor de R$ 481,25. Do cerceamento de defesa Segundo o recorrente, a decisão da DRJ seria nula, pois teria cerceado o seu direito de defesa ao basear o julgamento na ausência de documentos que não haviam sido solicitados (contrato e registro na OAB de um dos advogados). Conforme se observa na "COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS", que é parte integrante da "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL" (fl. 17), a omissão de rendimentos foi apurada nos documentos do processo trabalhista apresentados pelo próprio recorrente, sendo que ele (recorrente) "não apresentou recibo de honorários advocatícios". Em impugnação, o recorrente juntou os recibos dos honorários (fls. 13/14), fundando suas alegações justamente sobre o montante pago a esse título, o que explicaria, no seu entender, a diferença entre o valor apurado pela fiscalização e o valor que deveria ter sido efetivamente declarado a título de rendimentos tributáveis na DIRPF. A DRJ, todavia, divergindo da própria autoridade autuante, entendeu que o recorrente deveria ter trazido aos autos o contrato de prestação de serviços, assim como o registro na OAB de um dos advogados. Expressandose de outra forma, e muito embora não tenha sequer questionado a validade dos recibos, a decisão a quo entendeu que deveriam ter sido apresentados outros documentos, que não aqueles previamente solicitados (recibos). Fl. 129DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 2402004.990 S2C4T2 Fl. 5 7 Ora, é forçoso concluir que o recorrente apresentou os documentos (recibos) cuja ausência fazem parte do suporte fático e jurídico do lançamento. Não se tem notícia nos autos de que tenham sido previamente exigidos o contrato de prestação de serviços advocatícios, valendo consignar, também, que os recibos fazem expressa referência à RT cujos rendimentos foram apurados na NFLD. Ao inovar e exigir outra documentação diferente daquela constante do lançamento, é inquestionável que a DRJ realmente violou o direito do contraditório e da ampla defesa por parte do contribuinte. Foilhe sonegada a chance de apresentar essa documentação já na impugnação, ou de demonstrar, antes da fase recursal, o porquê da sua desnecessidade. Em sendo assim, e por macular a garantia fundamental do devido processo legal (art. 5º, inc. LV, da CF), não teria como deixar de ser declarada a nulidade da decisão neste ponto, ex vi do art. 59, inc. II, do Decreto nº 70.235/1972, segundo o qual são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Ocorre que o § 3º do citado art. 59 preleciona que, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Esse dispositivo tem inspiração no § 2º do art. 249 do CPC, de redação análoga, que assegura um modo de proceder menos oneroso para as partes e para a administração pública em geral. Neste caso, verseá que é possível decidir de forma favorável ao contribuinte quanto ao único ponto de mérito por ele controvertido, qual seja, a inexistência de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 21.858,59. Da omissão de rendimentos O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte deste Conselho. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 8 total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. (destacou se) Nessa toada, considerandose a nulidade absoluta do ato inconstitucional, e considerandose que a declaração de inconstitucionalidade alcança atos pretéritos praticados com base na lei destituída de carga de eficácia jurídica, devese conhecer de ofício da matéria que se passa a analisar e julgar logo abaixo. No caso concreto, vêse que os rendimentos cuja omissão foi apurada pela fiscalização são atinentes a uma reclamatória trabalhista movida em face da Petrobras. Da descrição dos fatos e enquadramento legal, vêse que os rendimentos foram "recebidos acumuladamente" e tributados no mês do recebimento. Essa matéria, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi seguida a divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade Fl. 131DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 2402004.990 S2C4T2 Fl. 6 9 econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12A à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, Fl. 132DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 10 devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Noutro giro verbal, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao recorrente. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, deve ser cancelada a exigência. Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento Fl. 133DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 2402004.990 S2C4T2 Fl. 7 11 empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos , mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Sobreleva ressaltar que os fundamentos acima são suficientes para embasar a decisão, não sendo necessário enfrentar, um a um, os argumentos da parte recorrente. Isto é, a prestação jurisdicional foi dada na medida exata da pretensão deduzida, sendo inútil e desnecessário analisar os demais fundamentos recursais. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, para darlhe TOTAL PROVIMENTO, a fim cancelar o lançamento no tocante à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI
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Numero do processo: 14033.000813/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.752
Decisão: Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente), Carlos Augusto Daniel Neto (vice-presidente), Jorge Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida UNIÃO Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente), Carlos Augusto Daniel Neto (vicepresidente), Jorge Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório 1. Tendo em vista a pertinência do relatório realizado pelo então Relator do caso, Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, na oportunidade em que, juntamente com a turma julgadora da época, baixou o presente caso em diligência, adoto tal relato como meu, o que faço nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 81 3/ 20 09 -7 3 Fl. 507DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000813/200973 Resolução nº 3402000.752 S3C4T2 Fl. 301 2 Cuidam os autos de Dcomp, débitos próprios diversos de 2008 e 2009, com crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado (Finsocial declarado inconstitucional, majoração de alíquotas). Irresignada com a não homologação da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que é completamente infundada a alegação de inexistência do crédito, pois foram devidamente apresentados os Darf de pagamento, bem como a perícia contábil realizada com base nos dispositivos da sentença. Por isso, requer seja restabelecido o crédito pleiteado através de nova consulta aos sistemas da Receita e ao processo de habilitação 10280.004003/200671, para que seja homologada a compensação declarada. A 4ª Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 03044700, de 31 de agosto de 2011, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo – Crédito Inexistente. Não comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, para absorver o débito tributário, a compensação declarada não pode ser homologada, dado que esta pressupõe existência de créditos para o encontro de contas débitos “versus” créditos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, valendose dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, que no processo nº 10280.004003/200671 foi realizada perícia contábil e reconhecido um valor de R$ 6.000.000,00, atualizado até 2006. Termina sua petição recursal requerendo a procedência do recurso para fins de homologar a compensação apresentada. 2. Uma vez pautado pela então Turma julgadora, o caso foi baixado em diligência para que: ...o Órgão Preparador intime o recorrente a apresentar seus livros fiscais e documentos que sustentem os lançamentos contábeis e coteje com o valor recolhido. Por fim elabore relatório conclusivo acerca da Fl. 508DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000813/200973 Resolução nº 3402000.752 S3C4T2 Fl. 302 3 existência ou não de valores recolhidos indevidamente, nos termos do Mandado de Segurança nº 2001.39.00.0092070. 3. Em fase de diligência o contribuinte foi intimado para apresentar os livros contábeis acima mencionados, oportunidade em que, de forma sumária, assim se manifestou: · que em 2007 a Recorrente realizou a incorporação da parte cindida da empresa Fermasa Ltda.; · que em 22 (vinte e dois) de setembro de 1997 a empresa incorporada pela Recorrente peticionou junto a Receia Federal do Brasil pleiteando a restituição daquilo que considerava ser um indébito de FINSOCIAL; · que em 2001 a Receita Federal negou seu pedido ao fundamento de prescrição do crédito tributário, o que foi objeto de impugnação por parte do contribuinte, impugnação essa improvida; · que diante deste quadro a empresa Fermasa Ltda. ajuizou ação de repetição/compensação de indébito tributário (autos n. 2001.39.00.0092070), a qual foi julgada procedente por meio de decisão judicial cujo trânsito em julgado ocorreu em 29 (vinte e nove) de junho de 2006; · que no próprio ano de 2006 a empresa Fermasa Ltda. requereu a habilitação do seu crédito junto a RFB, o que foi deferido (processo administrativo n. 10280.004003/200671); · que diante da incorporação da empresa Fermasa Ltda. pela ora Recorrente, esta última deu entrada em pedido de compensação junto a RFB, o que foi indeferido ao fundamento de inexistir escrituração contábil apta a sustentar o crédito tributário em questão; · que diante deste cenário a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente, o que ensejou a interposição do presente recurso voluntário; · que paralelamente a tais providências administrativas, a ora Recorrente peticionou no processo judicial onde teve seu crédito reconhecido (autos n. 2001.39.00.0092070), oportunidade em que o contribuinte, ora Recorrente, noticiou aquilo que entendeu ser uma indevida resistência ao cumprimento da decisão judicial ali proferida; e, ainda · que na mencionada esfera judicial obteve decisão determinando que o montante do seu crédito apontado no sobredito pedido de compensação fosse analisado com base nas guias DARFs apresentadas pelo contribuinte, ora Recorrente, e não com base em escrituração contábil. 4. Diante de tal manifestação do contribuinte a fiscalização devolveu os autos para este Tribunal com a seguinte informação: (...). Fl. 509DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000813/200973 Resolução nº 3402000.752 S3C4T2 Fl. 303 4 7. Tendo em vista que a contribuinte não apresentou os documentos solicitados através do termo de intimação 016/2015, não é possível elaborar relatório conclusivo acerca da existência ou não de valores recolhidos indevidamente. (...). 5. O contribuinte foi devidamente cientificado disto, não se manifestando a respeito. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro Relator 1. Do aprofundamento nas questões de ordem fática que permeiam o caso 7. Conforme se depreende dos autos, tratase de pedido de compensação originalmente realizado pelo contribuinte Fermasa Ltda. e que decorre de decisão judicial transitada em julgado (Finsocial declarado inconstitucional majoração de alíquotas). O processo judicial que resultou no reconhecimento do aludido crédito foi autuado sob o n. 2001.39.00.0092070, com trâmite pela 5a.Vara da Justiça Federal de Belém/PA, tendo transitado em julgado em 29 (vinte e nove) de junho de 2006, com disposição no seguinte sentido: (...) (a) Acolho a pretensão deduzida na impetração. (b) Julgo procedente o pedido para: (b.1) reconhecer a impetrante o direito de compensar eventuais créditos do FINSOCIAL com outros tributos administrados pela Receita Federal, sujeita, entretanto, a ulterior verificação pela autoridade fiscal; (b.2) assegurarlhe o direito aos expurgos de 42,72% em janeiro de 1989, 10,14% em fevereiro de 1989, 84,32% em março de 1990, 44,80% em abril de 1990, 7,87% em maio de 1990 e 21,87% em fevereiro de 1991; (b.3) com relação à correção monetária, devem ser aplicados inicialmente a OTN/ORTIN/BTN até a sua extinção, pela Lei n.°8.177191; INPC de março até 31.12.91; a UFIR de 1°.01.92 a 31.12.95; a SELIC, a partir de 1°.01.96; (b.4) juros moratórios e remuneratórios devidos de acordo com o sistema SEL1C, nos termos do art. 39, § 4° da Lei n.° 9.250/95, Fl. 510DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000813/200973 Resolução nº 3402000.752 S3C4T2 Fl. 304 5 ressalvando que não incide a limitação de cobrança de 30% ante o direito adquirido da impetrante; (c) Ressalvo que os valores a serem compensados deverão ser apurados pela autoridade administrativa a tempo e modo próprios. (d) Sem verba honorária (Súmulas 512/STF e 105/STJ). (e) Custas na forma da lei. (f) Tendo em vista o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 19 c/c art. 18, VIII, da MP n.'' 197367, intimar a PFN para se manifestar expressamente, no prazo de 5 dias; se manifestar desinteresse em recorrer, neste caso, a sentença não estará sujeita ao reexame necessário. Se inerte a PFN, remeter os autos ao TRF/1a. Região. (...). 8. Com base em tal reconhecimento judicial, o contribuinte providenciou a habilitação do seu crédito, o que foi deferido por meio de despacho veiculado em 14/12/2006 (fls. 220/223). 9. Acontece que a empresa Fermasa Ltda. foi incorporada pela empresa Damasco Material Elétrico Hidráulico e Ferragens Ltda., ora Recorrente. Diante desta estruturação societária, coube a Recorrente, com base no crédito habilitado, dar entrada no correlato pedido de compensação. 10. Referida compensação, por seu turno, não foi homologada, ao fundamento que o contribuinte não teria apresentado a escrituração contábil apta a fundamentar o quantum a compensar, o que ensejou na abertura da instância administrativa, com a consequente apresentação de Manifestação de Inconformidade e, com a sua negativa, a interposição do presente Recurso Voluntário. 11. Acontece que, paralelamente à abertura da instância administrativa, o Recorrente peticionou no processo judicial n. 2001.39.00.0092070 no qual o seu crédito foi reconhecido informando o motivo da resistência fazendária em cumprir a decisão judicial ali proferida, asseverando que: · teria decaído o dever do contribuinte, ora Recorrente, em manter a guarda dos livros contábeis suscitados pela fiscalização, haja vista o decurso de prazo de quase 25 (vinte e cinco) anos entre a ocorrência dos fatos geradores do indébito e a efetiva análise do correlato pedido de compensação; e, ainda · que diante desse quadro, deveria a fiscalização apurar o montante do crédito a ser compensado com base nas guias DARFs apresentadas pelo contribuinte, ora Recorrente, as quais seriam suficientes para atestar não só o pagamento indevido, mas também o seu valor. 12. Em sede de agravo de instrumento interposto perante o TRF da 1a. Região, adveio decisão judicial favorável ao pleito do contribuinte, ora Recorrente, o que se deu nos seguintes termos: Fl. 511DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000813/200973 Resolução nº 3402000.752 S3C4T2 Fl. 305 6 (...). Dou provimento: (i) aos embargos de declaração da agravante para reformar o acórdão que negou seguimento ao recurso; e (ii) ao agravo de instrumento para reformar a decisão recorrida, devendo a autoridade fiscal analisar e decidir o pedido de compensação com base nos DARFs apresentados, sem a exigência de comprovação do fato gerador de crédito tributário alcançado pela decadência. (...). (grifos constantes no original agravo de instrumento n. 0032030 40.2001.4.1.0000). 13. Ainda não houve o trânsito em julgado da sobredita decisão judicial, uma vez que tal decisum está pendente de apreciação de Recurso Especial interposto pela União, o qual foi devidamente recebido pelo Tribunal a quo e distribuído ao E. Superior Tribunal de Justiça em 17 (dezessete) de dezembro de 2015, estando lá concluso desde 21 (vinte e um) de dezembro de 2015, conforme se observa do extrato processual abaixo anexado: 14. Feito este aprofundamento nas questões de ordem fática fundamentais para a resolução do caso deciendo já é possível proferir solução para a presente demanda, o que passamos a fazer no tópico imediatamente subsequente. 2. Do sobrestamento do presente processo administrativo Fl. 512DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000813/200973 Resolução nº 3402000.752 S3C4T2 Fl. 306 7 15. Diante do cenário fático aqui narrado, é fácil perceber a existência de uma relação entre a instância judicial (autos n. 003203040.2001.4.1.0000) e o presente processo administrativo. Assim, a questão aqui posta cingese a definir qual a natureza desta relação e, ato contínuo, os seus efeitos para o presente processo administrativo. 16. Firme neste propósito, convém desde já ressaltar que a aludida relação não é suficiente para ensejar a incidência da Súmula n. 1 deste Tribunal Administrativo1, uma vez que não se está diante de concomitância de instâncias, nos termos técnicojurídicos que vem sendo adotado pelo CARF. Isso porque, para fins de incidência da referida súmula, mister se faz que haja identidade de objeto entre as instâncias judicial e administrativa, ou seja, é indispensável que os pedidos mais precisamente os pedidos mediatos2 (bem jurídico da vida) sejam idênticos, de modo a se prestigiar a instância judicial em razão da sua posição de prevalência em face da instância administrativa. Em outros termos, há necessidade de que o julgamento do pedido judicial prejudique o julgamento do pedido administrativo, o que não ocorre na presente hipótese. 17. No caso decidendo o pedido mediato originalmente formulado pelo contribuinte, ora Recorrente, é de compensação do seu crédito tributário, enquanto que, na instância judicial o pedido é para que o montante do crédito a compensar seja apurado com base em guias DARFs e não com respaldo em livros contábeis, cuja obrigação de mantença teria decaído. Em outros termos, na instância administrativa se discute a validade da compensação perpetrada, com especial ênfase ao montante compensado (mérito), enquanto que, na instância judicial, o debate gravita em torno do método para apuração do crédito a compensar (procedimento). 18. Percebese, pois, que o julgamento do pedido formulado na instância judicial não prejudica o conhecimento do pedido administrativo, mas, ao contrário, servirá como baliza metodológica para a atividade administrativa3. Aqui não há prejudicialidade, com é ínsito nas hipóteses de concomitância de instâncias (administrativa e judicial), mas sim relação de dependência. A análise do pedido administrativo de compensação depende, pois, do teor da decisão a ser proferida na instância judicial (autos n. 003203040.2001.4.1.0000). 1 "Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." 2 Como é sabido, o Código de Processo Civil de 1973 adotou a teoria da tríplice idientidade das ações. Nesse sentido, são idênticas aquelas ações que apresentem os mesmos elementos, i.e, as mesmas (i) partes, (ii) causa de pedir e (iii) pedido. Embora não haja previsão legal, a doutrina é uníssona em classificar o pedido em (i) imediato e (ii) mediato. Nesse sentido, o pedido imediato é o pedido de tutela jurisdicional [declaratória, (des)constitutuiva, cautelar, executiva, mandamental ou rescisória] de mérito, enquanto que o pedido mediato é o bem jurídido da vida propriamente dito, i.e., o direito material lesado ou ameaçado de lesão que se busca tutelar em juízo. Nesse mesmo sentido: "O 'pedido', segundo doutrina tradicional, aceita um desdobramento, pedido 'imediato" e pedido 'mediato'. Pedido 'mediato' é o bem da vida cuja proteção é desejada pelo autor por intermédio da atuação jurisdicional. Pedido 'imediato' é a providência jurisdicional solicitada ao Estadojuiz." (BUENO, Cássio Scarpinella. "Curso sistematizado de direito processual civil vol 01". 4a. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 410.). 3 A depender da decisão a ser proferida na instância judicial, o crédito objeto de compensação deverá ser apurado com base nos livros fiscais do contribuinte ou, eventualmente, com base nas guias DARFs que comprovariam o pagamento do indébito. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000813/200973 Resolução nº 3402000.752 S3C4T2 Fl. 307 8 19. Feitas tais considerações e mais uma vez voltandose ao processo judicial aqui noticiado, o que existe hoje é uma decisão judicial que determina que o montante do crédito apresentado pelo contribuinte no presente processo de compensação seja analisado não com base em seus livros fiscais, cujo dever de guarda teria decaído, mas sim com esteio nas guias DARFs que, por si só, atestariam o pagamento do "indébito". Embora o recurso especial interposto pela União não tenha caráter suspensivo, não me parece seguro dar prosseguimento à análise do crédito do contribuinte para fins de eventual homologação com base em tais guias, uma vez que, uma hipotética reversão da decisão aqui noticiada pode invalidar este método de identificação do quantum a compensar. 20. De outra feita, também não me parece justo simplesmente extinguir o presente processo administrativo com base em uma distorcida aplicação da Súmula n. 1 deste Tribunal administrativo, haja vista os fundamentos anteriormente expostos. 21. Sendo assim, tenho que a solução mais justa e razoável4 para o caso em comento é o seu sobrestamento até ulterior trânsito em julgado da discussão travada no bojo do processo n. 003203040.2001.4.1.0000, que atualmente tramita perante o Superior Tribunal de Justiça. 22. Ex positis, voto para que o presente processo seja devolvido para a repartição fiscal de origem, devendo ficar sobrestado até ulterior trânsito em julgado da decisão proferida anos autos n. 003203040.2001.4.1.0000. 23. Uma vez constatado e documentado o trânsito em julgado da instância judicial, deverá a fiscalização intimar o contribuinte para que, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias, com a ulterior remessa do presente processo administrativo para julgamento deste Tribunal. 24. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator 4 A ideia de razoabilidade é aqui empregada enquanto sinônimo de "razoabilidadeequidade", servindo, pois, como "instrumento metodológico para dizer que a incidência da norma é condição necessária, mas não suficiente para a sua aplicação. Para ser aplicável, o caso em concreto deve adequarse à generalização da norma geral. A razoabilidade atua na interpretação das regras gerais como decorrência do princípio da justiça (preâmubulo e art. 3o. da Constituição Fedral). (ÁVILA, Humberto. "Sistema constitucional tributário". 3a. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 429.). Fl. 514DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10380.001219/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Hugo Mendes Plutarco. OAB: 25.090/DF.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Hugo Mendes Plutarco. OAB: 25.090/DF. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 01 21 9/ 20 09 -0 7 Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 3 2 Tratase de Auto de Infração DEBCAD nº 31.178.0489, referente ao débito lavrado em razão de contribuições devidas à Seguridade Social, incidente sobre o salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais e empregados, correspondentes da parte da empresa e a referente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos riscos Ambientais de Trabalho (GILRAT), período de janeiro de 2004 a dezembro de 2004. Foram levantados os seguintes dados: “AFE – Lançamentos Contábeis Não Justificados“, incidindo a parte patronal sobre contribuintes individuais (rubrica 14, alq. 20%); “DIP – Declaração DIPJ”, incidindo a parte patronal sobre empregados (rubrica 12, alq. 20%) e GILRAT (rubrica 13, alq. 2%); “DLU – Distribuição de Lucro”, incidindo a parte patronal sobre empregados (rubrica 12, alq. 20%) e GILRAT (rubrica 13, alq. 2%); O auto importou em R$ 11.357.503,34. Conforme Relatório Fiscal, fls. 53/61, considerouse como pagamentos a segurados empregados a distribuição de lucros e valores declarados em DIPJ, nos seguintes termos: Responsáveis Solidários: HAPVIDA PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA CNPJ 05.197.443/000138. HOSPITAL ANTÔNIO PRUDENTE S/S CNPJ05.874.946/000109 3.HAPVIDA Administradora de Plano Saúde CNPJ04.761.304/000122 Aintimação do presente Auto é extensiva aos responsáveis solidários, na forma do art. 124 do CTN, os quais tomam ciência deste através de seu sócioadministrador, Sr. Cândido Pinheiro Koren Lima, também procurador deFundação Ana Lima. (...) 3.1.1 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. A conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR" registra distribuição de lucros. Intimada a apresentar esclarecimentos acerca das normas e procedimentos referentes a tais distribuições, através do TIF 06, nada foi esclarecido, os valores foram considerados como remuneração a segurados empregados e registrados no levantamento DLU. O anexo III traz detalhamento dos valores. 3.1.2 VALORES DECLARADOS EM DIPJ A empresa também declarou na DIPJ 2005 (fl.64), a quantia de R$ 7.804.583,60 na ficha 4A, item 27 Custo do Pessoal Aplicado na Produção dos Serviços. Intimada a justificar a composição desses valores, nada foi apresentado. Como tal informação se refere a custos de mãodeobra com vínculo empregatício aplicada diretamente na produção dos serviços, os valores foram considerados como tal e, por conta de informações prestadas em GFIP também referentes a empregados, lançados na seguinte forma no levantamento DIP (...). Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 4 3 4. DA NÃO COMPROVAÇÃO DE DESPESAS Consoante art. 33 da Lei n°8.212/91 e legislação correlata, detalhada no anexo FUNDAMENTOS LEGAIS DO DEBITO — FLD, a não comprovação de despesas é motivação bastante para que o fisco considere tais despesas como base de cálculo de tributos, cabendo ao contribuinte apresentar prova em contrário que desconstitua a presunção fiscal. Regularmente intimada através do Termo de Intimação Fiscal 06 a apresentar os comprovantes de vários lançamentos em contas de despesas e demais esclarecimentos acerca de reembolsos efetuados, a empresa não se manifestou. As bases de cálculo referentes aos lançamentos não comprovados que foram consideradas como base de cálculo pagamento a contribuinte individuais, encontramse no ANEXO II e constam no levantamento AFE. A recorrente, em 03/03/2009, apresentou impugnação, acostada às fls. 181/194, e desta, em 29/01/2010, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE exarou a Resolução nº 1864 (fls. 499/503), solicitando à autoridade fiscal: 1. Informar se havia algum impedimento para o sujeito passivo distribuir lucros entre os cotistas e ainda, se o lançamento foi realizado tão somente pela ausência de esclarecimentos no tocante a este aspecto do lançamento, ou, se a auditoria fiscal se cercou de outros elementos que a fizeram presumir tratarse de pagamento a segurados, camuflado de distribuição de lucros; 2. Quais as contrapartidas dos lançamentos efetuados na conta contábil 2281501300700? A empresa apresentou lucros, em quaisquer de suas contas, suficientes para proceder a distribuição no montante verificado? 3. Verificouse a existência de lançamentos com históricos não relativos a distribuição de lucros: "pago Cândido pinheiro de lima NF n° 110000", "dev. de adiant. a credenciados", "receb. Emprest. Sócios mês 03.04". A que se referem? A existência desses lançamentos atinge a credibilidade dos demais lançamentos da conta contábil a ponto de se considerar que os demais também possam não ser distribuição de lucro? 4. A empresa argumenta que a suposta distribuição de lucros teve como favorecida a sua controladora. Entretanto, de perfunctória análise dos documentos de fls. 216/314, aparentemente o montante distribuído pela impugnante (R$ 5.460.783,06) é superior ao supostamente recebido pela controladora (R$ 5.296.983,73). Informar o motivo e o destino dessa diferença. 5. Anexar os arquivos digitais da contabilidade da empresa. Em 20/06/2011, a fiscalização formulou a informação fiscal (fls. 507/552), aduzindo: Quanto ao questionamento do item 1 da Resolução supra, informo que os valores registrados na conta 2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR" foram considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias devido ao não atendimento pela empresa da intimação Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 5 4 para apresentai" esclarecimentos acerca dos lançamentos realizados na citada conta. Ademais, percebese que tal conta faz parte do passivo da empresa, tendo como contrapartidas ora contas do ativo, ora contas do próprio passivo, quando o que se esperava, se caso se tratasse realmente de distribuição de dividendos é que esta conta, ao menos ao final do período, tivesse por contrapartida uma conta de resultado, caso se tratasse de distribuição de resultados do próprio período, ou de uma conta de lucro, caso se tratasse de distribuição de resultado de períodos anteriores. Desta forma, em virtude do indício de lançamento de remuneração disfarçado de distribuição de lucros e/ou dividendos, combinado com a ausência de esclarecimentos pela parte interessada, foram os lançamentos desta conta aferidos como remuneração de segurados empregados, com base no art. 33, §3° da Lei 8.212/91. O item 2 pergunta quais as contrapartidas da conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR*'. Informo que o Razão em anexo responde a estas perguntas, contudo, o mais importante é que, conforme resposta ao item 1, nenhuma contrapartida desta conta foi uma conta de resultado ou de lucro, evidenciando a POSSIBILIDADE de pagamento de remuneração disfarçada de distribuição de lucros e/ou dividendos. Não há relevância quanto à existência de lucro seja no exercício de 2004, seja em exercícios anteriores, já que nenhuma conta desta natureza foi contrapartida da conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR". Sobre o item 3, informo que não foi possível verificar a que se referem não só os lançamentos cujos históricos foram citados, mas nenhum dos lançamentos da conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR" em virtude do não atendimento por parte da empresa das diversas intimações para apresentar documentos e esclarecimentos. A existência destes lançamentos fere a credibilidade de todos os lançamentos desta conta, mas não apenas por este fato, principalmente, pela ausência de esclarecimentos por parte da empresa. Quanto ao item 4, ressalto que nenhum dos lançamentos objeto dos levantamentos incluídos no presente crédito teve por beneficiário a empresa controladora, tampouco se comprovou que qualquer destes lançamentos realmente se refere à distribuição de lucros e/ou dividendos. As bases de cálculo de todos os créditos apurados no presente processo foram aferidas com fundamento no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, em virtude da nãoapresentação, pela empresa de documentos e esclarecimentos indispensáveispara que se conheça a natureza (incidência ou não de contribuições sociais) defatos e lançamentos contábeis. Em 22.08.11 a recorrente se manifestou nos seguintes termos (fls.554/555, documentos de fls. 556 a 559). Em 26.01.2012, foi exarado Despacho (fls. 601/602) solicitando a cientificação da empresa HAPVIDA ADMINISTRADORA DE PLANOS DE SAÚDE S/S,considerando que não havia prova de que tenha tomado ciência da exação. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 6 5 Feita a diligência saneadora (fl. 604), transcorrido o prazo regulamentar, a empresa solidária apresentou impugnação (fls. 608/638), documentos anexados das fls. 639/917. Ante o relatório fiscal e as impugnações, em 09 de agosto de 2012, os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE, acordaram por unanimidade dos votos, em: a) Julgar parcialmente procedente a impugnação; b) Manter as empresas solidárias no pólo passivo da exação, quais sejam, b.1) HAPVIDA PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA CNPJ05.197.443/000138; b.2) HAPVIDA ADMINISTRADORA DE PLANOS DE SAÚDE S/S (cujo nome empresarial foi alterado para CANADÁ ADMINISTRADORA DE BENS IMÓVEIS em 06/2011) CNPJ04.761.304/000122; e, b.3) HOSPITAL ANTÔNIO PRUDENTE LTDA CNPJ05.874.946/000109; c) Exonerar R$ 4.013.878,09 do crédito; d) Manter crédito tributário em $ 7.343.625,25 (AI DEBCAD nº 37.178.0489). Recorrese de ofício em virtude do valor exonerado ser superior ao previsto no art. 1º da Portaria MF Nº 3, de 03.01.08 (publicada no D.O.U. em 07.01.2008), a qual dispõe sobre a interposição de recurso de ofício de que trata o art. 34, I, do Decreto70.235/72. Segue ementa do acórdão 0823.903 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. As contribuições previdenciárias incidentes estão previstas nos arts. 22, incisos I e II (parte da empresa e RAT sobre as remunerações dos empregados), e inciso III (parte da empresa sobre as remunerações dos contribuintes individuais) da Lei 8.212/91. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA VIA INTERNET. PRORROGAÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal. Frisase que, nos termos da Portaria n.º 11.371/2007, a ciência pelo sujeito passivo do MPF darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. CONTRIBUIÇÃO PARA O GILRAT. PREVISÃO LEGAL. PERCENTUAL CONFORME O CNAE. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 7 6 São exigíveis as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Gilrat), no percentual previsto para a classificação da empresa conforme o Código Nacional de Atividade Econômica CNAE. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. Prescreve o art. 30, IX, da Lei 8.212/91 que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Tal solidariedade abrange tanto obrigação principal quanto acessória, dado o caráter abrangente do dispositivo legal. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO.INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal e os anexos do Auto de Infração trazem informações seguras e detalhadas sobre a base de cálculo, sua apuração, as contribuições devidas e o total acrescido de juros e multa. PEDIDO DE PERÌCIA. INDEFERIMENTO Conforme prescreve o art. 18 do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir o pedido de realização de perícias ou diligências quando as considere prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente HOSPITAL ANTONIO PRUDENTE S/S, intimada no dia 03/12/2012, interpôs Recurso Voluntário em 28/12/2012. No Recurso, a recorrente alegou, que os fatos motivadores da autuação ocorreram em outra empresa, pelos quais foi considerada responsável solidária, uma vez que a autoridade fiscal entendeu que a então recorrente faria parte do grupo econômico envolvendo diversas empresas trabalhando conjuntamente no ramo. A recorrente afirma não integrar grupo econômico, que busca suas finalidades empresarias de forma independente e autônoma. Acrescenta ainda, que a recorrente não participou dos alegados fatos geradores, pelo que não se poderia atribuir solidariedade decorrentes dessas operações. Em relação ao mérito da autuação, a recorrente se remete e toma com suas as razoes de defesa que foram e que vierem a ser apresentadas pela autuada originária e demais empresas imputadas como solidárias, uma vez que não dispõe de informações necessárias a demonstração da ilegalidade do lançamento discutido no contencioso fiscal. A recorrente ressalta que não ocorre a responsabilidade solidária, pois esta não participa de nenhum grupo econômico, e frisa que além do pertencimento a um grupo econômico existem outras características especificas que devem existir para tanto, e que isso não ocorre. Alega que para a caracterização de grupo econômico é primordial a existência de um comando unificado e com subordinação dos demais integrantes, inclusive quanto às atividades desempenhadas. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 8 7 Por fim cita julgados, e requer o recebimento e provimento do recurso, para o reconhecimento da não composição de grupo econômico e que não possui qualquer responsabilização quanto aos lançamentos, caso o primeiro pedido não seja deferido, que seja cancelada a totalidade dos débitos fiscais, incluídos os débitos principais, multa e juros. Requer ser intimada para sustentação oral, e que seja deferida juntada posterior de documentos. A Recorrente HAPVIDA – PARTICIPAÇOES E INVESTIMENTOS LTDA, em 28/12/2012, interpôs Recurso Voluntário. A recorrente, inicialmente, alega não fazer parte de grupo econômico, informa que exerce duas atividades e busca suas finalidades empresarias de maneira independente e autônoma. Frisa que além de não participar de grupo econômico, não participou dos alegados fatos geradores, pelo que não se poderia atribuir solidariedade decorrentes dessas operações. Com relação ao mérito da autuação, a recorrente se remete e toma como suas as razões de defesa que foram e que vierem a ser apresentadas pela autuada originaria e demais empresas imputadas como solidárias. A recorrente ressalta que não ocorre a responsabilidade solidária, pois esta não participa de nenhum grupo econômico, e frisa que além do pertencimento a um grupo econômico existem outras características especificas que devem existir para tanto, e que isso não ocorre. Alega que para a caracterização de grupo econômico é primordial a existência de um comando unificado e com subordinação dos demais integrantes, inclusive quanto às atividades desempenhadas. Por fim cita julgados, e requer o recebimento e provimento do recurso, para o reconhecimento da não composição de grupo econômico e que não possui qualquer responsabilização quanto aos lançamentos, caso o primeiro pedido não seja deferido, que seja cancelada a totalidade dos débitos fiscais, incluídos os débitos principais, multa e juros. Requer ser intimada para sustentação oral, e que seja deferida juntada posterior de documentos. A recorrente CANADA ADMINISTRADORA DE BENS IMOVEIS S/S foi intimada no dia 03 de dezembro de 2012 e interpôs Recurso Voluntário no dia 28 de dezembro de 2012. Alega a recorrente que não faz parte do grupo econômico no ramo da saúde. Explica que não poderia participar de grupo econômico pois estava inativa, não tendo exercido nenhuma atividade econômica na época dos fatos. Acrescenta que só foi notificada do lançamento do debito tributário em 18/04/2012, após decisão da DRJ/FOR. Entretanto, tal fato ocorreu a destempo, eis que oito anos após os supostos fatos geradores da obrigação tributária. Ainda em sede de preliminar, alega que a autoridade deixou de cientificar oportunamente a recorrente, dita solidária, e mesmo a própria empresa fiscalizada, quanto as prorrogações de prazo para conclusão do MPF. Tal conduta do agente fiscal afrontou as normas estatuídas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quanto a execução de Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 9 8 procedimentos fiscais, notadamente o artigo 9º, caput, e seu parágrafo único, da portaria RFB nº 11.371/2007. Quanto da ocorrência do lançamento, segue o alegado pela recorrente: “Não obstante ser incontroversa a data da ciência inaugural da recorrente, oito anos após os fatos, o ilustre colegiado de 1ª instancia não reconheceu a ocorrência da decadência dos valores, configurada ao menos com relação à recorrente. Para tanto, construiu tese de que a decadência seria indivisível e que a cientificação de qualquer dos alegados devedores seria suficiente para afastar a decaimento com relação a todos eles. (...) Sobre o assunto, reafirmase ter restado incontroverso que a ora recorrente apenas foi cientificada da autuação em discussão em 18/04/2012. No caso, ainda que a alegada obrigação possa subsistir com relação aos demais devedores, não mais poderá ser imposta ao recorrente, uma vez que fora afastada definitivamente em virtude da passagem do tempo. Tratase de situação individualizada do recorrente, este que inegavelmente não fora cientificado no tempo devido. Ademais, é flagrante o prejuízo à defesa da recorrente o fato de não haver sido contemporaneamente cientificada do lançamento. É a partir da ciência que se abre a possibilidade da defesa e por isso a falta de citação do interessado leva à nulidade do processo, bem como sua cientificação tardia leva ao reconhecimento da decadência.” A recorrente acrescenta que não integra qualquer grupo econômico, e que à época dos fatos estava inativa. Destaca ainda que a solidariedade não se presume, nos termos do artigo 265 do Código Civil, sobretudo em sede de direito tributário. Discorre também sobre a irregularidade formal na execução d procedimento fiscal, d falta de cientificação do contribuinte quanto as alterações no MPF. O recorrente afirma que a lavratura do auto de infração, sem o cumprimento do procedimento legal, acarreta vicio insanável, que inquina o ato desde seu nascimento, por frontal descumprimento do comando previsto no artigo 9, Parágrafo Único, Portaria RFB nº 11.371/2007. O dispositivo trata que, a cada prorrogação efetuada, caberá ao agente fiscal responsável pelo procedimento fiscal cientificar o sujeito passivo fiscalizado da prorrogação e alteração do MPF, de modo a possibilitar adequado conhecimento do contribuinte sobre as atividades levadas a cabo pelos agentes. Informa que a recorrente não foi intimada da prorrogação do MPF, mesmo tendo sido realizados diversos TIF’s após as prorrogações. Assim, frisa que tal conduta acarreta vicio intransponível do auto de infração impugnado, ensejando a declaração de sua nulidade, com isso requer a declaração de nulidade da presente autuação. No mérito, aborda a distribuição de dividendos e a não incidência de contribuição previdenciária. Destaca que os valores (registrados na conta “2281501300700 – dividendos a pagar) saíram da conta de lucros e prejuízos acumulados da empresa fiscalizada, Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 10 9 evidenciando, que além de tratarem de dividendos, referemse a resultados apurados em exercícios anteriores e não no exercício de 2004, conforme DRE’s juntadas pela fiscalizada. Assim, considera comprovado o efetivo pagamento a título de dividendos dos valores constantes na conta dividendos a pagar (2281501300700), e que não há que se falar em contribuição previdenciária sobre esses valores. Defende que os valores declarados em DIPJ não possuem natureza salarial, pois nenhum dos valores constantes desta referemse a pagamentos a empregados da empresa autuada. Quanto a incidência da contribuição previdenciária sobre despesas não comprovadas a recorrente afirma sua inexistência, pois tratam de meros registros contábeis pelo recebimento dos procedimentos médicos realizados, os quais, posteriormente, depois de auditados, foram estornados parcialmente ou totalmente, em face de sua não efetivação parcial ou total. Quanto a incidência da contribuição previdenciária sobre despesas não comprovadas a recorrente afirma sua inexistência, pois tratam de meros registros contábeis pelo recebimento dos procedimentos médicos realizados, os quais, posteriormente, depois de auditados, foram estornados parcialmente ou totalmente, em face de sua não efetivação parcial ou total. A recorrente insiste na perícia técnica, afirmando que do auto de infração, boa parte é fruto de equívocos contábeis dos auditores fiscais, sendo essência para o perfeito esclarecimentos e a configuração da improcedência a realização da perícia. No pedido, requer o recebimento e provimento do recurso, para declarar inexigível em face da recorrente os débitos fiscais objeto da autuação impugnada. Seja anulado o auto de infração. Seja deferida a perícia requisitada. Requer o cancelamento do debito. Seja cancelado o lançamento do SAT/RAT. Seja o recorrente intimado a sustentação oral. A recorrente HAPVIDA – ASSISTENCIA MEDICA LTDA, intimada em 12 de dezembro de 2012, interpôs Recurso Voluntário em 10 de janeiro de 2013. Em sede de preliminar, a recorrente destaca que a autoridade fiscal deixou de cientificar oportunamente a recorrente quanto às prorrogações de prazos para conclusão do MPF. Alega que tal conduta afrontou o artigo 9º, caput e seu parágrafo único, da Portaria RFB nº 11.371/2007 que obriga a ciência do contribuinte quanto as alterações, prorrogações no MPF. Insiste dizendo que a não intimação quanto as alterações fere princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Trata da perícia como fundamental para esclarecimento da real natureza das despesas, tributadas sob fundamento de que a autuada não se desincumbira de suposta obrigação de provar que os valores não foram pagamentos de pessoas. Quanto a opção da autoridade fiscal por incrementar a contribuição tomando por base a alíquota de 2% com relação ao SAT/RAT, baseandose para tanto tão somente no CNAE da autuada. Alega que existe impropriedade do procedimento, eis que o enquadramento adequado deve se dar com base na avaliação da atividade preponderante a partir do número de segurados da empresa existentes em cada atividade, tudo em conformidade com a jurisprudência atual do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 11 10 A distribuição de dividendo e a não incidência de contribuição previdenciária, foi reconhecida a procedência da irresignação da ora recorrente em sede de impugnação e excluiu do auto de infração os lançamentos que haviam recaído sobre a distribuição de dividendo da empresa. A recorrente insiste em afirmar: “Assim, não obstante a DRJ/FOR, neste ponto, tenha dado solução absolutamente correta ao caso, a matéria discutida neste tópico foi desenvolvida à apreciação desse Conselho por meio de recurso de ofício. Deste modo, por excesso de zelo, a recorrente passa a reforçar a demonstração de que não são realmente devidos os lançamentos do auto de infração que foram excluídos pelo acórdão de 1º grau, uma vez que recaíram exclusivamente sobre a distribuição de dividendos da empresa. (...) Destaquese, ainda, que referidos valores saíram da conta de lucros e prejuízos acumulados da recorrente, evidenciando, portanto, que, além de se tratarem evidentemente de dividendos, referemse a resultados apurados em exercícios anteriores e não no exercício de 2004, conforme já foi demonstrado nas DRE’s (Demonstrações de Resultado do Exercício) que foram juntados pela fiscalizada.” Os valores declarados em DIPJ também tiveram a argumentação da impugnação da recorrente acatada, e parte do crédito lançado foi exonerado. Como a parte exonerada faz parte do recurso de oficio a recorrente traz argumentos de defesa: “Neste sentido, é importante ressaltar que, embora a ilustre DRJ/FOR tenha excluído parte das contribuições sociais que foram lançadas de forma absolutamente equivocada no auto de infração sobre os valores declarados na ficha 4A item 27 (Custo do Pessoal Aplicado na Produção dos Serviços) da DIPJ da empresa autuada, manteve ainda, sem qualquer fundamento idôneo, substanciosa parte da autuação. O acórdão recorrido, ao manter ainda parte da cobrança procedeu de forma completamente incorreta, uma vez que nenhum dos valores constantes das contas contábeis que compuseram a informação prestada na DIPJ (e não só as rubricas que foram excluídas pelo acórdão) se referiam a pagamentos a empregados da empresa autuada. (...) Ocorre Excelentíssimos Conselheiros que, ao contrário do que entendeu a DRJ/FOR, a autuação, na parte em que foi mantida após o acórdão recorrido com relação aos valores consignados na DIPJ, é nula. O proceder da autoridade fiscal foi absolutamente ilegal uma vez que tinha ela plena ciência do montante que estava consignado mês a mês nas contas contábeis que compuseram a informação prestada na DIPJ e que foram base da cobrança dos valores consignados no auto de infração. Tais informações contam inclusive do presente auto de infração (balancetes da recorrente). Assim, o que constou a DIPJ foi o somatório anual de todas as despesas lançadas nas referidas contas Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 12 11 contábeis, cujos montantes estavam descriminados mês a mês na contabilidade da recorrente. Quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre despesas não comprovadas, a recorrente afirma sua inexistência, pois tratam de meros registros contábeis pelo recebimento dos procedimentos médicos realizados, os quais, posteriormente, depois de auditados, foram estornados parcialmente ou totalmente, em face de sua não efetivação parcial ou total. Segue trecho do recurso voluntário quanto às despesas não comprovadas: “Diante disso, havendo absoluta correção e transparência nos dados contábeis, é de se esperar que as exigências da fiscalização não transbordem os limites daquilo que é útil e importante para sua informação, e que, principalmente, o lançamento tributário ocorra lastreado em dados de realidade e não em meras ilações de que ‘tal despesa não fora comprovada, logo deve ser objeto de contribuição social’. Nesse sentido, a alegação de que a ‘falta de robustez probante defensiva’ (nas palavras da DRJ/FOR) seja suficiente para a autuação é absurda, diante da falta de contextualização racional entre os achados de fiscalização (quais?) e a norma tributária (houve subsunção?). Não por outro motivo o acórdão afirma ‘serem criveis as afirmações’, para logo depois exigir prova documental por parte da empresa autuada. Ora, de outra banda poderia mesmo ter afirmado não ser crível a autuação, fundada apenas na falta de informação, como se a legislação não previsse fatos geradores específicos e a necessidade de fundamentação do lançamento.” Quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre despesas não comprovadas a recorrente afirma sua inexistência, pois tratam de meros registros contábeis pelo recebimento dos procedimentos médicos realizados, os quais, posteriormente, depois de auditados, foram estornados parcialmente ou totalmente, em face de sua não efetivação parcial ou total. Traz julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e afirma: “Nesse sentido, registrese que esse augusto Conselho, alinhado à melhor doutrina sobre a matéria, aponta como adequada a determinação da alíquota aplicável ao SAT/RAT tomando por base o risco envolvido na atividade preponderante, observado em casa competência o número de segurados em cada atividade. Assim, revela se imprópria a fixação da alíquota utilizandose, tão somente, o CNAE constante do cadastro fiscal.” Quanto ao pedido, a recorrente requer o recebimento e provimento do recurso, reiterando os argumentos já consignados na impugnação. Requer ainda a anulação do auto de infração, seja cancelada a totalidade dos débitos fiscais objeto da autuação, seja deferida a realização de perícia, seja cancelado o lançamento do SAT/RAT e excluída a alíquota de acréscimo. Seja a recorrente intimada para a sustentação oral. É o relatório. Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 13 12 Conselheiro Marcelo Oliveira relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pela decisão ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. O relatório fiscal foi explícito ao esclarecer que a falta de prestação de informações devidamente solicitadas por escrito ensejou o arbitramento de valores considerados como base de cálculo previdenciária, com esteio no art. 33 da Lei nº 8.212/91. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). A esse respeito, cabe salientar que, nesse caso, o Fisco está autorizado a adotar tal procedimento com o fim específico de determinar a base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas, conforme o art. 148 do CTN: CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Legal, portanto, a conduta fiscalizatória, dada a omissão da empresa, à época, em responder ao solicitado por escrito, forma esta prevista em todas as intimações produzidas. Como a ninguém é lícito tirar vantagem da própria ilicitude, o valor devido há de ser quantificado, excepcionalmente, por outros meios distintos dos previstos originalmente em lei. Entretanto, sustenta a empresa que prestou os esclarecimentos oralmente. Nem por isso, deve ser subtraído do contribuinte, o seu direito de comprovar excessos do lançamento durante o procedimento fiscal. Por outro lado, pragmaticamente, fazse necessário considerar as explicações e documentos ora trazidos pela empresa quando de sua impugnação e posteriores manifestações, e quando da diligência comandada pela DRJ no ato de intimação da Resolução nº 1.866, conforme se observa abaixo: Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 14 13 Em 29.01.2010, esta Turma exarou a Resolução nº 1.864 (fls. 499/503), solicitando à autoridade fiscal: 1. Informar se havia algum impedimento para o sujeito passivo distribuir lucros entre os cotistas e ainda, se o lançamento foi realizado tão somente pela ausência de esclarecimentos no tocante a este aspecto do lançamento, ou, se a auditoria fiscal se cercou de outros elementos que a fizeram presumir tratarse de pagamento a segurados, camuflado de distribuição de lucros; 2. Quais as contrapartidas dos lançamentos efetuados na conta contábil 2281501300700? A empresa apresentou lucros, em quaisquer de suas contas, suficientes para proceder a distribuição no montante verificado? 3. Verificouse a existência de lançamentos com históricos não relativos a distribuição de lucros: "pago Cândido pinheiro de lima nf n° 110000", "dev de adiant a credenciados", "receb. Emprest. Sócios mês 03.04". A que se referem? A existência desses lançamentos atinge a credibilidade dos demais lançamentos da conta contábil a ponto de se considerar que os demais também possam não ser distribuição de lucro? 4. A empresa argumenta que a suposta distribuição de lucros teve como favorecida a sua controladora. Entretanto, de perfunctória análise dos documentos de fls. 216/314, aparentemente o montante distribuído pela impugnante (R$ 5.460.783,06) é superior ao supostamente recebido pela controladora (R$ 5.296.983,73). Informar o motivo e o destino dessa diferença. 5. Anexar os arquivos digitais da contabilidade da empresa. Em 20.06.2011, a fiscalização formulou informação fiscal (fls. 507/552), aduzindo que: Quanto ao questionamento do item 1 da Resolução supra, informo que os valores registrados na conta 2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR" foram considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias devido ao não atendimento pela empresa da intimação para apresentai" esclarecimentos acerca dos lançamentos realizados na citada conta. Ademais, percebese que tal conta faz parte do passivo da empresa, tendo como contrapartidas ora contas do ativo, ora contas do próprio passivo, quando o que se esperava, se caso se tratasse realmente de distribuição de dividendos é que esta conta, ao menos ao final do período, tivesse por contrapartida uma conta de resultado, caso se tratasse de distribuição de resultados do próprio período, ou de uma conta de lucro, caso se tratasse de distribuição de resultado de períodos anteriores. Desta forma, em virtude do indício de lançamento de remuneração disfarçado de distribuição de lucros e/ou dividendos, combinado com a ausência de esclarecimentos pela parte interessada, foram os lançamentos desta conta aferidos como remuneração de segurados empregados, com base no art. 33, §3° da Lei 8.212/91. O item 2 pergunta quais as contrapartidas da conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR*'. Informo que o Razão em anexo responde a estas perguntas, contudo, o mais importante é que, conforme resposta Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 15 14 ao item 1, nenhuma contrapartida desta conta foi uma conta de resultado ou de lucro, evidenciando a POSSIBILIDADE de pagamento de remuneração disfarçada de distribuição de lucros e/ou dividendos. Não há relevância quanto à existência de lucro seja no exercício de 2004, seja em exercícios anteriores, já que nenhuma conta desta natureza foi contrapartida da conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR". Sobre o item 3, informo que não foi possível verificar a que se referem não só os lançamentos cujos históricos foram citados, mas nenhum dos lançamentos da conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR" em virtude do não atendimento por parte da empresa das diversas intimações para apresentar documentos e esclarecimentos. A existência destes lançamentos fere a credibilidade de todos os lançamentos desta conta, mas não apenas por este fato, mas pela ausência de contrapartidas em contas de resultado e/ou lucro, e, principalmente, pela ausência de esclarecimentos por parte da empresa. Quanto ao item 4, ressalto que nenhum dos lançamentos objeto dos levantamentos incluídos no presente crédito teve por beneficiário a empresa controladora, tampouco se comprovou que qualquer destes lançamentos realmente se refere à distribuição de lucros e/ou dividendos. As bases de cálculo de todos os créditos apurados no presente processo foram aferidas com fundamento no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, em virtude da não apresentação, pela empresa de documentos e esclarecimentos indispensáveis para que se conheça a natureza (incidência ou não de contribuições sociais) de fatos e lançamentos contábeis. Em 22.08.11 a impugnante se manifestou nos seguintes termos (fls. 554/555, documentos de fls. 556 a 559): Diferentemente do aduzido na informação fiscal, a Impugnante apresentou verbalmente os devidos esclarecimentos sobre os pagamentos em referência, cientificando os auditores fiscais que os valores questionados tratavamse de pagamento de dividendos aos quotistas, fato este facilmente perceptível pelo título da conta contábil em questão, não tendo os valores referenciados nenhuma correlação com pagamento de participação nos lucros aos empregados. Quanto à alegação de que citada conta alternou entre conta do passivo e do ativo, quando supostamente deveria ter como contrapartida conta de resultado ou conta de lucro, também não merece acolhida. Primeiro a (sic) que se esclarecer que durante todo o exercício a Impugnante apura as suas receitas e despesas e o resultado final das suas operações no encerramento do exercício, quando lucrativo, é lançado a conta de lucros acumulados, e quando deficitário, na conta de prejuízos acumulados. Nos exercícios seguintes o resultado, pode ser distribuído aos quotistas da forma que melhor convier, quando lucrativo, ou compensado, ou rateado entre os quotistas. Conforme se observa do razão (doc. anexo) da conta de lucros acumulados e da conta de dividendos a pagar, os valores que foram Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 16 15 lançados na coluna de débito na conta de lucros acumulados foram lançados na coluna de crédito na conta de dividendos a pagar, gerando as contrapartidas indagadas pela auditoria fiscal; ou a decisão de pagar os dividendos foi tomada. Quando ocorrida a última hipótese, os valores foram lançados na coluna de débito na conta de dividendos a pagar e lançadas a crédito da conta bancária pelo pagamento, também obedecendo à boa prática contábil. Ao que parece, o nobre auditor fiscal, ao afirmar que não detectou os pagamentos saindo da conta de lucros acumulados, analisou o razão da conta de dividendos a pagar somente na coluna de débito, quando é de fácil percepção que os valores lançados a crédito, constituídos pela obrigação de pagar os dividendos, foram originados da conta de lucros acumulados, por sua vez originada por lucros auferidos em exercícios anteriores. Foi nesse sentido que a Impugnante trouxe aos autos, como prova do acima aduzido, cópia do seu razão analítico (doc. 03 anexo à Impugnação), onde consta os valores devidamente creditados e debitados a tal título, bem como o razão analítico de sua controladora Hapvida Participações e Investimentos Ltda. (doc. 04 anexo à Impugnação), onde consta o recebimento dos valores questionados, e a DIPJ (doc. 05 anexo à Impugnação), também de sua controladora, onde se verifica no Balanço Patrimonial o registro no Ativo Circulante no item "Outras Contas", os valores de saldo inicial e final tal qual o registrado no Razão Analítico acostado. Ressaltese, ainda, que referidos valores saíram da conta de lucros e prejuízos acumulados da Impugnante, evidenciando, portanto, que, além de se tratarem evidentemente de dividendos, referemse a exercícios anteriores e não ao exercício de 2004. Assim, comprovado o efetivo pagamento a título de dividendos dos valores constantes da conta contábil "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR", não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre aqueles, tal como realizado no auto de infração impugnado, sendo totalmente descabido o lançamento efetuado a tal título, quer por falta de substrato fático, quer por falta de substrato jurídico. Com esteio nas razões acima apresentadas, reitera a Impugnante o conhecimento e acolhimento da Impugnação para o fim de deferir a realização da perícia requisitada, face sua essencialidade para o julgamento do auto de infração impugnado, julgandoo, ao final, improcedente. Não obstante a apresentação dos argumentos da fiscalização e aqueles de contraprova consignados pelas Recorrentes, entendo que o presente processo deverá ser CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA com o objetivo de esclarecer alguns pontos, dispostos por meio dos quesitos abaixo: 1. Diante de toda a documentação constante dos autos, qual a natureza dos pagamentos realizados e registrados na conta contábil 2281501300700 – Dividendos a pagar? Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 17 16 2. Diante de toda a documentação constante dos autos, os valores registrados na conta contábil 2281501300700 – Dividendos a pagar tem origem na conta de lucros e prejuízos acumulados da empresa fiscalizada? Em caso positivo, tal fato demonstra que aqueles se referem a exercícios anteriores e não ao exercício de 2004? 3. Diante de toda a documentação constante dos autos, existe registro na empresa Hapvida Participações e Investimentos Ltda. dos dividendos recebidos da empresa fiscalizada e oriundos da conta contábil 2281501300700 – Dividendos a pagar? 4. Analisandose a planilha anexada aos autos como DOC. 07 pela empresa fiscalizada e toda documentação constante dos autos, podese afirmar que os registros feitos nas contas contábeis elencadas no título “Valores de liberação de contas médicas liquidadas e posteriormente estornadas”, foram devidamente estornadas? 5. Analisandose a planilha anexada aos autos como DOC. 07 pela empresa fiscalizada e toda documentação constante dos autos, podese afirmar que os registros feitos nas contas contábeis “Valores de contas médicas realizadas por ordem judicial ou creditados ao SUS”, foram registradas, também, na conta de processos judiciais, quanto aos procedimentos realizados por ordem judicial, aguardando o término da ação para o seu pagamento; e, quanto aos registros creditados ao SUS, aguardam definição dos processos administrativos de ratificação dos procedimentos médicos? 6. Analisandose a planilha anexada aos autos como DOC. 07 pela empresa fiscalizada e toda documentação constante dos autos, podese afirmar que os registros contábeis elencadas no título “Reembolso de despesas para usuários”, referemse a pagamento de ressarcimentos de despesas realizados pelos usuários do plano de saúde da Fiscalizada? Ato contínuo, deverão as Recorrentes serem intimadas do resultado da diligência, para, querendo, no prazo de 30 [trinta] dias, manifestaremse. Portanto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001308/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/03/2004, 01/07/2005 a 30/09/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Não demonstrada a ocorrência dos pressupostos que ensejam a oposição de embargos, devem os mesmo serem rejeitados.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3402-002.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/03/2004, 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Não demonstrada a ocorrência dos pressupostos que ensejam a oposição de embargos, devem os mesmo serem rejeitados. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 13 08 /2 00 7- 46 Fl. 83720DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 3402002.806, de 10/12/2015. Inicialmente assevera, o que já o fez no recurso voluntário, que "a discussão travada nos presentes autos é reflexa da glosa do processo 13839.001698/200835, decorrente de auto de infração", cujo recurso voluntário está pendente de apreciação pelo CARF. Alega que a DRJ que apreciou a manifestação de inconformidade em relação ao objeto destes autos (PERDCOMP) teria reconhecido a conexão entre o aqui discutido com o auto de infração do processo 13839.001698/200835, esperando o julgamento da impugnação do auto de infração para julgar a manifestação de inconformidade. Em face de tal, "entende que a decisão é omissa ao impacto, no presente PAF, da procedência do Recurso interposto no PAF 13839.001698/200835, uma vez que o reconhecimento naquele processo do saldo credor de períodos anteriores altera os saldos credores ora discutidos". E continua nessa toada querendo infringir o já decidido quanto à tal, entendendo ter "demonstrado ter havido omissão e contradição entre a conclusão do v. acórdão recorrido e suas premissas e fundamentos, bem como entre tal conclusão e outros elementos dos autos", o que enseja, a seu ver, o acolhimento dos embargos. Entende, ainda, ter havido outras contradições no acórdão que mereceriam reparos, mas, em verdade, apenas quer rediscutir o ônus probandi, pinçando pontos da fundamentação do aresto embargado. Vejase: É relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Cediço que o objeto dos embargos tem como fulcro permitir que a decisão seja a mais hígida possível, de modo a permitir sua execução, sem margem à dúvida, quer quanto ao seu teor quer quanto à sua liquidação. Contudo, espantame como vem sendo usada no CARF de forma promíscua para suspender a exigibilidade de crédito indevidamente compensado, nos termos do julgado. Eles vêm sendo usados recorrentemente com o fim de que seja novamente julgado o que já foi, como se tratassem de embargos com conteúdo infringente, natureza que lhes falecem. Esse é o teor dos presentes embargos: "rejulgar" o já julgado. Para tal fim, satisfeitos seus requisitos, se presta o recurso à CSRF. Fl. 83721DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13839.001308/200746 Acórdão n.º 3402002.981 S3C4T2 Fl. 83.721 3 Quanto à questão da postulada conexão entre o teor destes autos e o daquele cujo objeto é o auto de infração, a matéria foi, como é de meu costume, devidamente explicitada, até porque objeto do recurso. E decidimos que: Primeiramente, embora haja certa vinculação entre a matéria do presente processo e aquela a que se refere ao lançamento de IPI, as matérias não são idênticas a ponto de determinar o julgamento dos processos como se conexos fossem. O fato é que neste processo o contribuinte apurou supostos créditos presumidos de IPI e os compensou com débitos líquidos e certo de IRPJ e CSLL. Refeita a escrita, como relatado, a fiscalização apurou em determinados períodos de apuração débitos de IPI, o que determinou sua exigência em autos apartados e em momento posterior. Assim, o que se analisa neste processo é se os valores apurados como supostos créditos são líquidos e certos (valores ressarcíveis) para compensar com débitos, cujos montantes são indiscutíveis. Ou seja, o objeto destes autos é a análise das compensações, com base em valores supostamente ressarcíveis, efetuadas pelo sujeito passivo, enquanto o processo 13839.001698/200835 tem por objeto lançamento de IPI em relação aos saldos credores apurados no procedimento fiscal. Portanto, entendo que não há obrigatoriedade para que os processos sejam julgados simultaneamente. De outro turno, se a DRJ entendeu esperar o deslinde da impugnação, o que foi devidamente relatado no acórdão embargado, esse entendimento não nos vincula, pois a mesma foi devolvida ao conhecimento deste Colegiado. Portanto, não há contradição alguma no ponto, mesmo que em outro julgamento de terceiros possa ter tido entendimento diverso. Como a própria embargante reconhece, ela quer, no ponto, dar efeitos infringentes aos embargos, efeitos que estes não possuem no termos do RICARF. Igualmente desproposital querer em sede de embargos discutir excertos do acórdão quando este articula a questão da prova mal feita pela empresa. O que o relator disse, em suma, é o que diz sempre, que se o contribuinte quer ver reconhecido crédito, seja de qual natureza for, e mormente quando já sai se compensando, o ônus é todo seu. Conçabido que o débito compensado, por força de lei, tem natureza de confissão de dívida. Assim, entendo que nesses casos, o crédito, para fim de que a compensação seja processada, ou seja suspensa a exigibilidade do débito, esteja provado de pronto. Em outras palavras, a prova da existência e liquidez do crédito deve estar préconstituída já no protocolo do pedido. Portanto, não há que se falar em contradição do acórdão embargado. O que a embargante pretende, equivocadamente, agitando recurso impróprio, é fazer valer sua pretensão a qualquer custo. Com esses fundamentos, não demonstrados os pressuposto regimentais que os ensejam, voto no sentido rejeitar os embargos. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 83722DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 83723DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003410/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: Não se aplica
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ME (SHOPPEN MODAS FHASHION ARTIGOS DO VESTUÁRIO LTDA.) (contribuinte); AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES (responsável tributário); e ARTHUR AMILTON CHAVES SIQUEIRA (responsável tributário) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. ME (SHOPPEN MODAS FHASHION ARTIGOS DO VESTUÁRIO LTDA.) (contribuinte); AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES (responsável tributário); e ARTHUR RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 03 41 0/ 20 10 -1 9 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10640.003410/201019 Resolução nº 1301000.295 S1C3T1 Fl. 339 2 AMILTON CHAVES SIQUEIRA (responsável tributário), foram autuados para exigência do imposto de renda exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981/1995. O auto de infração (fls. 4/33) alcança os fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 2006, e a exação totaliza R$ 1.108.241,20 (demonstrativo à fl. 3), aí incluídos multa de ofício de 150% e juros de mora até a data do lançamento. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora / MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0934.283, de 30/03/2011 (fls. 280/290), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2006 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. MULTA QUALIFICADA (150%). NÃO COMPROVAÇÃO DE DOLO. DESCABIMENTO. Não restando demonstrada nos autos a existência de dolo quanto aos pagamentos sem causa ou originários de operações não comprovadas descabe a qualificação da multa. Por relevante, esclareço que o provimento parcial foi devido à redução da multa aplicada ao percentual de 75%, mantendose o lançamento nos demais aspectos. Ciente da decisão de primeira instância em 23/05/2011, conforme Aviso de Recebimento à fl. 297, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/06/2011 conforme carimbo de recepção à folha 298. Peça recursal às fls. 298/300. No preâmbulo, a recorrente se identifica como segue: CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA – ME, estabelecido em Ponte NovaMG, inscrito no CNPJ sob numero 03.949.759/000103, neste ato representado pelo sócio AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES portador do CPF numero 509.279.22649, [...] Seus argumentos podem ser assim sintetizados: A recorrente se insurge contra a tributação do imposto de renda exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981/1995, afirmando que os cheques emitidos “fizeram parte da mesma base quando foram depositados”, e que os depósitos foram tributados no processo nº 10640.003411/201055. Sustenta que “a fiscalização criou dois eventos (cobrança do Simples) e ao mesmo tempo o (IRRF) sobre a mesma base, apenas mudou a linha, sendo o período o mesmo”. Invoca, em apoio a sua tese, o acórdão 010277 da CSRF 01 turma de 13/03/2000 e o acórdão 10321325 da 3ª Câmara do 1º CC. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10640.003410/201019 Resolução nº 1301000.295 S1C3T1 Fl. 340 3 Acrescenta que a solução de divergência nº 10, de 16/07/2003, deixaria clara a não incidência do imposto de renda na fonte sobre as importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica inscrita no Simples, pela prestação de serviços. Ao final do recurso (fl. 300), consta o nome de Ailton Afonso de Siqueira Chaves. No entanto, a assinatura que ali consta é de Edílson Correa Mariani. À fl. 301 encontro instrumento público de procuração, datado de 24/11/2010, do qual extraio o quanto segue (grifos no original): [...] compareceu(ram) como outorgantes: AILTON AFONSO SIQUEIRA CHAVES, brasileiro, casado, comerciante, portador da Carteira de Identidade nº M 3.383.051 SSP/MG, inscrito no CPF do MF sob o nº 509.279.22649 residente e domiciliado na Rua Teófilo Nascimento, nº 303, Bairro Santo Antonio em Palmeiras, Ponte Nova, Minas Gerais, CEP 35.430193; Parte(s) que se identificou(ram) ser(em) a(s) própria(s), conforme documentação apresentada do que dou fé. E, pelo(as) outorgante(s) me foi dito que, nomeia(m) e constitui(em) seu (as) bastante(s) procurador(aes): EDILSON CORREA MARIANI, brasileiro, [...], com poderes especiais para representar a outorgante perante a RECEITA FEDERAL DO BRASIL, mormente a DRG em Juiz de Fora, relativos aos AUTOS DE INFRAÇÕES (MPF 0610400/0019410), relacionados a empresa CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA – ME, cnpj 03.949.759/000103 NIRE 31206012441 19/07/2000, para assinar e receber documentos, termos autos de infração, contestar, dirimir, transigir, concordar, interpor recursos administrativos, judiciais e extra judiciais em toda a sua extensão, inclusive para entregar e receber documentos e presta esclarecimentos, relativos aos processos em referencia, responsabilizandose por todos os atos praticados no cumprimento deste instrumento [...]. O processo foi levado a julgamento perante a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste CARF. Mediante o acórdão nº 2102000.050, de 12/03/2012 (fls. 329/330), aquele Colegiado acordou em “reconhecer que a competência para processar e julgar o recurso voluntário é das Turmas de julgamento da Primeira Seção do CARF”. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Do exame dos autos, duas constatações de ordem processual se impõem. A primeira delas diz respeito à especialização por matéria, neste CARF, para julgamento. Conforme relatado, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste CARF, mediante o acórdão nº 2102000.050, de 12/03/2012 (fls. 329/330), decidiu nestes autos por “reconhecer que a competência para processar e julgar o recurso voluntário é das Turmas de julgamento da Primeira Seção do CARF”. Seu fundamento para assim decidir foi o inciso IV do art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF então em vigor (aprovado pela Portaria MF nº 256/2009). Fl. 340DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10640.003410/201019 Resolução nº 1301000.295 S1C3T1 Fl. 341 4 Para maior clareza, transcrevo, a seguir, o mencionado dispositivo do regimento pretérito: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; [...] Ocorre que sobreveio alteração nessa delimitação da especialização por matérias, em face do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Eis o novo teor do inciso IV do art. 2º do Anexo II: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; [...] Observese a diferença entre a redação pretérita e a atual: antes, para a caracterização do IRRF como reflexo do IRPJ (e, portanto, submetido à especialização por matéria da 1ª Seção) somente se requeria que a exigência estivesse lastreada nos mesmos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação de IRPJ. Por outro lado, a nova redação é expressa ao determinar, além da base nos mesmos elementos de prova, que as exigências estejam formalizadas em um mesmo processo administrativo fiscal. Em outras palavras, não se admite a “atração” do IRRF quando se trata de processos administrativos fiscais distintos. Diante disso, concluo que o processo sob análise não se inclui entre as competências da 1ª Seção de Julgamento do CARF, mas sim entre aquelas da 2ª Seção de Julgamento, ex vi do inciso II do art. 3º do Anexo II do RICARF atualmente em vigor: Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10640.003410/201019 Resolução nº 1301000.295 S1C3T1 Fl. 342 5 Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: [...] II IRRF; Ressalto, finalmente, que entendo não se tratar de conflito negativo de competência, em face da superveniência de novo regimento interno, dispondo sobre a matéria de modo diferente. Por todo o exposto, voto no sentido do encaminhamento do processo para a 2ª Seção de Julgamento deste CARF, para o julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Antes disso, no entanto, cabe trazer a lume a segunda constatação de ordem processual a que antes me referi. É que a procuração de fl. 301 tem como outorgante a pessoa física Sr. Ailton Afonso Siqueira Chaves, e não a pessoa jurídica CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. Desta forma, o recurso voluntário de fls. 298/300, apresentado pela pessoa jurídica, não está subscrito por procurador habilitado para tanto. Além disto, o acórdão de primeira instância decidiu pela manutenção parcial do lançamento, especialmente no que toca à sujeição passiva tributária imputada solidariamente ao Sr. Ailton Afonso de Siqueira Chaves e ao Sr. Artur Amilton Chaves Siqueira, na qualidade de responsáveis. No entanto, não encontro nos autos prova de que tenha sido dada a eles ciência do acórdão. Neste último caso, tratase, a meu ver, de vício processual que, se não sanado, poderá implicar futura arguição de nulidade do julgamento em segunda instância por cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Na sequência, restariam igualmente prejudicadas as pretensões da Fazenda Nacional em uma hipotética execução do crédito tributário, ao menos no que tange às pessoas físicas apontadas como responsáveis tributários. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, devolvendose o processo à Unidade Preparadora, para que: 1. o Sr. AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES e o Sr. ARTUR AMILTON CHAVES SIQUEIRA sejam cientificados do Acórdão nº 09 34.283, de 30/03/2011 (fls. 280/290), facultandolhes ainda a interposição de recurso voluntário no prazo legal. 2. A pessoa jurídica CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. seja intimada a regularizar a representação processual, no que tange ao procurador que subscreve o recurso voluntário. 3. A pessoa jurídica CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. seja intimada a apresentar cópia da alteração do Fl. 342DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10640.003410/201019 Resolução nº 1301000.295 S1C3T1 Fl. 343 6 Contrato Social em vigor na data da interposição do recurso voluntário, devidamente registrada no órgão competente. Após cumpridas as providências acima, o processo deverá retornar a este CARF, sendo encaminhado à 2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 343DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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