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Numero do processo: 15586.000480/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
REVISÃO DO LANÇAMENTO.
O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial.
Numero da decisão: 1401-001.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, REJEITAR a proposta de realização de diligência para certificar-se a respeito da falta de ciência de Termo de Intimação para comprovar a origem dos depósitos bancários de forma individualizada. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto. No mérito, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o relator à época do Julgamento Mauricio Pereira Faro não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é formalizada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 15.09.2015 na condição de Redator.
Participaram do julgamento os conselheiros Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 REVISÃO DO LANÇAMENTO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 REVISÃO DO LANÇAMENTO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, REJEITAR a proposta de realização de diligência para certificarse a respeito da falta de ciência de Termo de Intimação para comprovar a origem dos depósitos bancários de forma individualizada. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto. No mérito, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o relator à época do Julgamento Mauricio Pereira Faro não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é formalizada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 15.09.2015 na condição de Redator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 04 80 /2 00 9- 99 Fl. 3422DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.421 2 Participaram do julgamento os conselheiros Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso ofício interposto pelo presidente da 8ª Turma da DRJ/RJ1 contra acórdão que julgou procedente a Impugnação apresentada. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl 939 a 979 e Termo de Verificação Fiscal (fl. 889 a 938) foram apurados os fatos abaixo descritos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – ARBITRAMENTO O Termo de Início foi enviado ao endereço da empresa, mas como houve mudança de endereço o referido termo foi devolvido.Então,os sócios Luiz Cláudio Ferreira Lima e Daniel Miguel Apolinaro, foram cientificados do mesmo. Eles informaram que não possuíamdocumentossolicitadosequenãoparticipavamdaadminist raçãodaempresa. Com base na Lei Complementar n° 105 e Decreto n° 3.724, de 10/01/2001 requereu se as instituições financeiras, documentos relativos às movimentações nas contas bancárias. FoisolicitadoocomparecimentodoSr.NicolauResstel,citado porLuizCláudio e Daniel como verdadeiro sócio da empresa. TambémfoisolicitadoocomparecimentodoSr.ChristianSilva Rupf,contadordacontribuinteinformadoemsuaDIPJ/04,anocalend ário2003(fl.41/42e90/125). Em03/04/2008foiafixadooEditaln°28/2008paraciênciadoM PFedoTermo de Início. A empresa, apesar de ser atacadista de café, ocupava somente imóveis administrativos e não possuía armazéns. Segundo seus procuradores (funcionários da Cafeeira Stockl), a fiscalizada fazia uso das instalações da Comercial de Café Stockl (Cafeeira Stockl) e dos Armazéns Gerais Stockl. Foram outorgadas procurações atribuindo plenos poderes aos outorgados para representaçãodacontribuinteMonteVerde,inclusive,permitindoab erturadecontasbancáriasesualivremovimentação financeira. Chama a atenção que os procuradores são pessoas com vínculos empregatícios com as empresas STOCKL, sendo um dos procuradores, a Sra. Eunice, cônjuge do Sr.Miguel Stockl um dos sócios das empresasS TOCKL. Fl. 3423DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.422 3 As contas abertas e os responsáveis perante as instituições financeiras estão discriminados no quadro 02 (fl.894). No quadro 03 estão relacionados os procuradores e algumas referências a situação profissional e pessoal. Dos procuradores da Monte Verde perante as instituições financeiras, 2 (dois) são empregados da Cafeeira Stockl e 1 (um) é cônjuge de Miguel Stockl (sócio da Cafeeira Stockl), só Renata Resstel, a princípio, não tem relação com a Cafeeira Stockl. Os Sr. Nicolau, Luiz Cláudio e Daniel são pessoas de modesta situação econômica e passaram da condição de cidadão simples para grandes empresários, movimentando a quantia aproximada de R$70.000.000,00. Foram nomeados procuradores com vínculos trabalhistas e pessoais com seus concorrentes, sendo um deles cônjuge de concorrente. Utilizam se das instalações dosconcorrentes,patrõesecônjugedeseusprocuradoresparaarmaz enagemdecafé.MesmocomamovimentaçãofinanceiraemtornodeR$ 70.000.000,00elucratividadede8,0%,aempresaencerrousuasativid ades. Da análise das alterações contratuais constatam se indícios de falsidades nas informaçõesconstantesdocontratosocialnoqueserefereaoquadros ocietário,aocapitalealocalizaçãodesuasede. Em 19/02/2001 foram alterados os objetivos sociais e houve um aumento do capital social para R$ 120.000,00, integralizado em moeda corrente do país, ficando aparticipaçãosocietáriadistribuídadaseguinteforma:NicolauResst el–105cotasnovalor de R$ 105.000,00 e Luiz Cláudio Ferreira Lima15.000cotasnovalordeR$15.000,00. A empresa sempre foi instável na sua localização, objeto, quadro social e capital. Constituída em 24/10/2000, já em 19/02/2001 alterou seu objeto, acrescentando ao de Comércio de Produtos Agropecuários o Comércio Atacadista e de Exportação de Café em Grão, e junto altera também o capital, que antes era de R$ 30.000,00, agora passa para R$ 120.000,00, sendo a sociedade agora gerenciada por ambos os sócios, só de fachada, pois Luiz Cláudio em depoimento disse que não participava da administração, e que também não integralizou o capital. Nicolau não tinha capacidade financeira para integralizar o capital subscrito. Em 23/04/2001 sai Nicolau entra Daniel com aquisição de 15.000 cotas (R$ 15.000,00) e Luiz Cláudio passa a ter 105.000 cotas (R$ 105.000,00). Em 04/10/2002, a operaçãoseinverteentreLuizCláudioeNicolau,agorasaiLuizCláudi oeentraNicolaucom105.000cotas (R$105.000,00). As alterações continuam, em10/01/2005, faz o jogo inverso, sai Nicolau e entra Luiz Cláudio. As alterações são pura ficção, a aquisições entre Nicolau, Daniele Luiz Cláudio de fato não ocorreram por falta de capacidade financeira dos envolvidos. Fl. 3424DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.423 4 O endereço da empresa é fictício,pois no local indicado no sistema CNPJencontraseaempresaSITRALServiçosdeConservação,Tran sporteeConstrução. Diligências realizadas nos contribuintes Luiz Cláudio Ferreira Lima, Daniel,Miguel Apolinário e Nicolau Resstel comprovam que a capacidade econômica dessescontribuinteseraincompatívelcomaintegralizaçãodecapital doempreendimento,confirmadoemdepoimentoporDanieleLuizClá udio. Houve interposição de pessoas na composição do quadro social, ocultando os verdadeiros beneficiários do empreendimento e seus gestores. No período compreendido do exercício 2001 a 2007, Luiz Cláudio recebeu modestos rendimentos como gerente de empresa, conforme DIRPF e quadro 4 (fl. 902). As informações prestadas pelo Sr. Luiz Cláudio e as constatações verificadas nas DIRPF fazem prova de sua incapacidade para integralizar os R$ 105.000,00 de sua participação societária, e revela que as alterações societárias são pura "SIMULAÇÃO" com intuito doloso de lesar o Fisco. Apesar de informar que não participou da gerência da empresa e não dispor de recursos para integralização do capital subscrito, a sua responsabilidade decorre da contribuição com cessão pessoal e espontânea dos dados para que se constituísse a empresa com fins de sonegar Tributos. Emdepoimento,oSrDanielafirmaquetrabalhacomopedreiro, queécunhadodoSr.Nicolau,que trabalhou na construção de uma fábrica de doces e na residência do Sr.Nicolau,que desconhece a empresa Monte Verde, que nunca foi à empresa Monte Verde,que desconhece as dívidas tributárias da Monte Verde. Na DIRPF, ano calendário 2000, consta que o diligenciado possuía uma casa no valor de R$ 5.000,00 e um lote de R$ 1.500,00. Em 2002 informou o capital na Monte Verde no valor de R$ 5.000,00, correspondente a 15.000 cotas como se verifica no contrato social. Constatase a intenção dolosa do Sr. Daniel, pois consta a integralização de capital de R$ 15.000,00. Entre 2001 e 2007,o Sr. Daniel recebeu quantias modestas (quadro5 fl. 903), mas exercia a gerência da Monte Verde. As informações prestadas pelo Sr. Daniel e as constatações verificadas nas DIRPF fazem prova da incapacidade de Daniel para integralizar os R$ 15.000,00 de sua participação societária, e revela que as alterações societárias não passam de pura "SIMULAÇÃO"com intuito doloso de lesar o fisco. Apesardeinformarquenãoparticipoudagerênciadaempresae nãodispordecapacidadefinanceiraparaintegralização do capital subscrito,a sua responsabilidade decorre Fl. 3425DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.424 5 dacontribuiçãocomcessãopessoaleespontâneadosdadosparaques econstituísseaempresa com fins de sonegar tributos. O Sr. Nicolau Resstel não foi localizado no endereço de cadastro da SRF.Seus bens estão listados nas fls. 904 a 906 Entre 2001 a 2007, o Sr. Nicolau recebeu modestos rendimentos, tendo recebido em 2000 o valor de R$ 13.500,00 sem informar a fonte pagadora, e no ano 2001 recebeu R$ 900,00 da Multi Grãos, R$ 3.700,00 da Monte Verde e R$ 11.000,00 como rendimentos diversos, sem especificar. De 2002 a 2004 informou rendimentos recebidos da Monte verde e rendimentos, diversos, sem especificar, todos de pequenos valores. Nos anos de 2005 e 2006 informou rendimentos somente da Monte Verde, mesmo tendo alienado sua participação societária em 10/01/2005. A partir do ano calendário 2002 sempre informa a função de dirigente de empresa. Os rendimentos estão demonstrados no quadro 06 (fl. 906).As integralizações de capital Monte Verde, no período 2001 a 2007, foram de R$ 5.000,00, conforme DIRPF(fl. 1048/1066). O Sr. Christian Silva Rupf afirmou que efetuou a contabilidade da empresa desde sua fundação até outubro de 2004, a convite do Sr. Nicolau, com quem tratava sobre o interesse da empresa e de quem recebia os honorários. Tinha conhecimento da alteração societária para Luiz Cláudio e Daniel, no entanto, sua relação sempre foi com o Sr.Nicolau. Além disso, prestava serviços à Aracê Mercantil e Montreal Produtos Alimentícios, de propriedade do Sr. Wladimir Resstel, e à Comercial de Café Stockl e na data do depoimento estava prestando serviço de auxiliar contábil à Comercial de Café Stockl, cumprindo aviso prévio. Informou que a apuração dos tributos e contribuições federais devidos pela Monte Verde eram efetuados pelo próprio Nicolau, pela Renata e por funcionária tratada por "RO" e que era procurador da Monte Verde à título de favor. O contrato de prestação de serviço não está registrado. Apesar do Sr. Christian informar que presta serviços a empresa desde sua criação em 24/10/2000, o contrato foi redigido em 02/01/2001 e teve reconhecida as firmas em 29/04/2004, indicando que a sua redação foi posterior, sendo confeccionado para atender circunstâncias da época (Operação Profilaxia). O documento de entrega de documentos e rescisão não tem reconhecimento de firma e também não consta nenhum ato de registro. Aparentemente foi confeccionado a posteriori também para atender fatos à época (12/01/2005), a chamada "Operação Profilaxia". Os poderes outorgados pelas procurações conferem ao mandatário amplos e ilimitados poderes para total e irrestrita gerência da empresa, inclusive sobre sua movimentação financeira, que no período de 2003 a 2005 atingiu aproximadamente a R$ 70.000.000,00. Fl. 3426DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.425 6 O Sr. Christian é empregado da Café Stockl empresa concorrente da Monte Verde. Desta forma, a outorga de poderes tão amplos tem como objetivo o controle das atividades da Monte Verde pela Comercial de Café Stockl. A Sra Renata Resstel não foi localizada no endereço de cadastro da SRF, sendo casada com Luiz Cláudio e filha do Sr. Nicolau. Também é procuradora com plenos poderes para administração financeira da empresa Monte Verde. O Sr. José Augusto Mayer afirmou que trabalhou na Cafeeira Stockl durante dez anos, se desligando no início de 2007. Exerceu a função de escriturário e contador. Informou que conheceu o Sr. Nicolau Resstel ou em Marechal Floriano ou na Cafeeira Stockl. Afirmou que desconhece Luiz Cláudio e Daniel, e que não recebia por serviços prestados à Monte Verde. Questionado sobre a condição de procurador da Monte Verde, disse tratar de prestação de favor na busca de cheque da empresa no Palácio do Café, local sede de empresas com as quais a Monte Verde transacionava. A causa de tanta gentileza é o objetivo da Comercial de Café Stockl manter sobre controle seus interesses sobre a Monte Verde. Ninguém outorga poderes totais de gestão sobre uma, empresa, com a movimentação financeira aproximada R$ 70.000.000,00 a um funcionário de uma empresa concorrente, para um simples ato de "Office Boy". O que se verifica é que os procuradores da Monte Verde, exceto Renata Resstel, são, de fato, representantes de interesses da Comercial de Café Stockl, através dos quais mantém o controle de seus interesses. Maria Lucinda Módolo afirmou que trabalha na Cafeeira Stockl há mais de 20 anos, que conheceu o Sr. Nicolau Resstel na Cafeeira Stockl e sua filha Renata Resstel em Marechal Floriano em função dos mesmos serem locatários das instalações de armazenagem da Cafeeira Stockl. Informou que desconhece Luiz Cláudio e Daniel e que não recebia por serviços prestados à Monte Verde. Questionada sobre a condição de procurador da Monte Verde, disse tratar de prestação de favor na busca de cheque da empresa no Palácio do Café, local sede de empresas com as quais a Monte Verde transacionava. A Sra Maria Lucinda foi citada pelo Sr. José Wellington, que trabalhava para a Monte Verde em Marechal Floriano. Também a Sra Edna Assis confirmou que era constante a sua presença na sede Monte Verde. O Sr. Laudeci Stockl foi categórico "Que trabalhava no escritório da Monte Verde a senhora Maria Lucinda, secretária do Sr. Miguel Stockl". Portanto, está afastada a alegação de procurador a título de prestação de favor. Assim, se consumam osfatos de que os procuradores da Monte Verde são representantes dos interesses da Comercial de Café Stockl. Fl. 3427DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.426 7 Eunice Maria Sant' Anna na sede afirmou que é casada com Miguel Stockl e que exerce somente atividades do lar. Informa que tem conhecimento da empresa Monte Verde, que conheceu Nicolau Resstel em Marechal Floriano, que recebeu procuração do Sr. Nicolau para realizar serviços bancários da Monte Verde na agência SICOOB de Marechal Floriano.Alegou que nada recebia pelos serviços. A empresa MONTE VERDE MERCANTIL LTDA, teve como titulares de direito os senhores Luiz Cláudio Ferreira Lima, Daniel Miguel Apolinário e Nicolau Resstel. como procuradores com poder de gestão atuaram Renata Resstel representando os interesses da família Resstel e Christian Silva Rupf. José Augusto Mayer. Maria Lucinda Módolo Mayer e Eunice Maria Sant' Anna Stockl representando os interesses da família Stockl, com objetivo de lesar o fisco. Foram abertas as contas bancárias movimentadas pelo Sr. Nicolau Resstel e Renata Resstel. Em alguns dos cheques emitidos pelo contribuinte e assinados pelo.Sr. Nicolau constam o endosso da Sra. Renata. As contas abertas e movimentadas foram relacionadas no quadro 02. As diversas contas bancárias receberam créditos totais, durante os anos de 2003 a 2005, superiores a R$ 70.000.000,00 estão demonstradas no quadro07 (fl. 914). As contas do SICOOB (contas 10.386/1 e 10.482/5) concentraram a quase totalidade da movimentação bancária da contribuinte Monte Verde, nos anos de 2003 a 2005. Dos R$ 70.669.614,23 movimentados em instituições bancárias, R$ 70.331.226,22 foram movimentados na agência do SICOOB de Marechal Floriano. Os cheques emitidos, de valores acima de R$ 5.000,00 foram assinados por Nicolau Resstel, e nominalmente destinados à própria emitente Monte Verde, ora endossado pelo próprio Nicolau e ora endossado por Renata Resstel – procuradora. Foram requisitados à Cooperativa de Crédito Sul Serrana do Espírito Santo através da RMF n° 0720100.2008.002770, cópias de alguns cheques emitidos pela Monte Verde. Das cópias dos cheques enviadas foram identificados os beneficiários (Laudeci Stockl ME, Iverlízia Bungesnstaba Stockl e Laudeci Stockl). Os mesmos intimados a prestarem depoimentos (fl.535/868). O Sr. Laudeci Stockl e sua esposa, a Sra Iverlizia Bungenstab Stockl, confirmaram que receberam os cheques da Monte Verde em seus nomes e em nome da empresa Laudeci Stockl ME; que são seus conhecidos a empresa Monte Verde e seu sócio Nicolau Resstel e sua filha Renata Resstel; que o escritório de sua empresa Laudeci Stockl ME ficava ao lado da sede da Monte Verde, local onde recebia os produtores rurais para comercialização de café e classificação, e em seguida ofertava os para a Monte Verde; que são produtores rurais na região de Marechal Floriano e que os cheques recebidos foram Fl. 3428DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.427 8 em pagamentos pela venda de café como produtor rural, pela corretagem de café efetuada para a Monte Verde e em pagamentos pela prestação de serviços de transportes realizados pela firma Laudeci Stockl ME, que também trabalhava no escritório da Monte Verde a Sra Maria Lucinda, secretária do Sr. Miguel Stockl. Eles disseram que os recursos eram provenientes da atividade de produtor rural, corretagem e prestação de serviços de transporte da empresa Laudeci Stockl Me, porém não apresentaram qualquer comprovação. As notas de produtor rural, os conhecimentos de transporte e os recibos apresentados são aleatórios e não guardam nenhuma correspondência com data e valores recebidos. Também não apresentaram nenhuma escrituração a respeito. O próprio Laudeci disse que recebia os produtores para venda de café e classificação, o que contradiz o exercício de corretagem. O Sr. Laudeci Stockl, conforme depoimento do Sr. José Wellington, era o representante de Miguel Stockl na Monte Verde, e atuava junto com o Sr. Reinaldo na compra de café dos produtores rurais, onde também trabalhavam a Sra Iverlizia e a Sra Édina Assis. A relação do Sr. Laudeci Stockl com Comercial de Café Stockl também é confirmada pelo Sr. Walmir Rego em depoimento, no qual confirma que recebeu o cheque da Monte Verde em pagamento pela venda de café efetuada a Comercial de Café Stockl, negociado com o Sr. Laudeci Stockl, a quem conhecia como proprietário da Comercial de Café Stockl em Marechal Floriano. A Sra Edna Assis, funcionária da empresa Laudeci Stockl Me, recebeu recursos originários da Monte Verde e depositou em seu nome, na conta n° 10.0358 em conjunto com Laudeci e Iverlizia no SICCOB de Marechal Floriano, a quantia R$ 274.848,32 pertencente a Laudeci. Nesta mesma conta foi depositado em nome da Sra Iverlizia a quantia de R$ 689.261,60, e em do Sr. Laudeci a quantia de R$ 106.186,00, todos recursos originários da Monte Verde. A veracidade de que a conta é conjunta é confirmada pelo n° da conta (10.0358) aposto no verso dos cheques nominais Edna Assis, Iverlizia Bungenstab Stockl e Laudeci Stockl. Da amostragem de R$ 1.241.267,02 em que foram identificados os destinatários dos cheques, somente a conta n° 10.0358 recebeu depósitos no valor de R$ 1.070.295,92, conta esta que recebeu os, cheques nominais a Laudeci Stockl, Edna Assis e Iverlizia Bungenstab Stockl. A empresa Laudeci Stockl Me recebeu depósitos no valor R$ 34.625,00. O Sr. Laudeci e Sra Iverlizia movimentaram, originários da Monte Verde, dos recursos identificados os destinatários, R$ 1.104.920,92 de um total de R$ 1.241.267,02. A Sra Maria Lucinda secretária do Sr. Miguel Stockl aqui citada como funcionária da Monte Verde pelo Sr. Laudeci é a procuradora da Monte Verde Mercantil Ltda. Não resta qualquer dúvida de que o Fl. 3429DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.428 9 Sr. Laudeci participava da administração e gerência da Monte Verde Mercantil Ltda pelo acima exposto. Nas fl.864/865, o Sr. Almir Schneider informou que é produtor de café em Domingos Martins e que recebeu os cheques emitidos pela Monte Verde em pagamento pela venda de café. Disse que na época em que recebeu os cheques, negociava dentre outros com o Sr. Miguel Stockl (Cafeeira Stockl) e que quando a negociação era com a Cafeeira Stockl negociava com Edmilson ou Jaime. O Sr. Almir recebeu os cheques da Monte Verde em pagamento pela venda de café efetuada à Cafeeira Stockl. Na fl.838, o Sr. José Wellington, sobre os cheques recebidos, emitidos pela Monte Verde, confirmam seu recebimento face a comercialização de café produzida em sua propriedade. A negociação da venda de café era feita com Miguel Stockl, através de Reinaldo e Laudeci Stockl na empresa Monte Verde. Apesar de negociar na sede Monte Verde a descarga era efetuada nos Armazéns Gerais Stockl, conforme notas fiscais anexas. Informa que atendiam na Monte Verde em Marechal Floriano a Sra. Iverlizia e a Sra, Édina Assis, e o Sr. Vladimir Resstel na Estrada Velha de Paraju. Nas fl. 826/827 o Sr. Lastene informou que seu pai Jorge João Stockl, José Stockl, Gabriel Stockl e Miguel Stockl eram sócios das empresas Comercial de Café Stockl Ltda, Armazéns Gerais Stockl Ltda e Stockl Café Industrial e Comercial Ltda. Na sociedade a decisão final era sempre de Miguel Stockl. Foi confirmado o recebimento do cheque, proveniente da venda de café e que a época exercia a atividade de produtor rural como arrendatário, conforme contrato anexo. Disse que prestava assessoria contábil, como autônomo. Fazia também corretagem de café. Informou que não possui relacionamento comercial com as empresas da família. Afirmou que nas empresas a decisão em todas as instâncias era sempre de Miguel Stockl, o que contradiz a informação sobre a sociedade do pai, e de quais empresas o pai era ou é sócio. Nas fl.672/673, a Sra Edna informou que no período de 02/2000 a 03/2008 trabalhou nas empresas Laudeci Stockl Me e Café Rio, ambas de propriedade de Laudeci Stockl. Que os cheques recebidos da empresa Monte Verde, nominais a ela, pertenciam a Laudeci Stockl PJ ou a Laudeci Stockl PF, eram originários da venda de café, corretagem de café e serviços de frete da empresa Laudeci Stockl Me, sendo os mesmos depositados em conta corrente conjunta com Laudeci Stockl, Iverlizia Bungehstab Stockl e Édina Assis (conta SICOOB n° 10.0358, ag. 3010). O motivo dos cheques estarem nominais a ela era facilitar a administração da empresa na ausência de Iverlizia e Laudeci. A empresa Laudeci Stockl Me situava ao lado do escritório da MonteVerde, onde era constante a presença da Sra Maria Lucinda. Que o Sr. "Reinaldo" era funcionário da empresa de transporte Laudeci Stockl ME. Que tinha Fl. 3430DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.429 10 conhecimento do Sr. Nicolau e da Sra Renata na empresa Monte Verde Mercantil, porém não tratava com os mesmos. Nas fl.851/852, o Sr. Walmir informou que é comerciante, e produtor rural em parceria com seu irmão Vital Hermínio Rego, no município de Viana/ES; que recebeu o cheque da Monte Verde Mercantil Ltda em pagamento pela venda de café efetuada a Comercial de Café Stockl, operação negociada com o Sr. Laudeci Stockl, em Marechal Floriano. Algumas vezes ele entregava o café em Marechal Floriano, no endereço da empresa Café Rio, mas, na maioria das vezes o adquirente Comercial de Café Stockl retiravao café na propriedade. Alegou que conhecia o Sr. Laudeci Stockl como proprietário da Comercial de Café Stockl. O Sr. Walmir recebeu o cheque da Monte Verde em pagamento pela venda de café feita a Comercial de Café Stockl, negociado com Laudeci Stockl, a quem conhecia como proprietário da Comercial de Café Stockl. O Sr. José Del Armi informou (fl. 857) que é produtor rural em Castelinho, distrito de Vargem Alta/ES. Quanto ao cheque recebido da Monte Verde não se lembra a razão pela qual recebeu, porém confirma o depósito em sua conta no SICOOB agência de São José de Fruteiras. Informa que sempre vendia sua produção de café para os Stockl em Santa Maria, município de Marechal Floriano, com emissão da nota fiscal para a empresa Monte Verde Mercantil Ltda, conforme notas fiscais de produtor rural (fl. 77 e 78). A negociação do café sempre era feita com o funcionário da Stockl de nome "MARCOS". A conta no BANCO ITAU AGÊNCIA CARIACICA (1424) nº 19.148/2 foi aberta em 05/05/2004, tendo como representante o Sr. Nicolau Resstel. Tratase de uma conta com pouca movimentação, a maioria correspondente a transferência de mesma titularidade, ou seja, valores transferido da conta da Monte Verde no SICOOB de Marechal Floriano, em especial da conta 10.386/1. A conta no BRADESCO AGÊNCIA MARECHAL FLORIANO nº 7.162/5 foi aberta em 20/02/2002, tendo como representantes Luiz Cláudio Ferreira Lima e Nicolau Resstel. Trata se de uma conta com pouca movimentação financeira, a maioria correspondente a transferência de mesma titularidade, ou seja, valores transferido da conta da Monte Verde no SICOOB de Marechal Floriano, em especial da conta 10.386/1. Para movimentação da referida conta foi outorgada procuração pelo Sr.Luiz Cláudio Ferreira Lima a José Augusto Mayer, Christian Silva Rupf, Maria Lucinda Módolo Mayer e Eunice Maria Santanna Stockl. Pelo Sr. Nicolau Resstel foi outorgada procuração a Renata Resstel. Os poucos cheques de valores acima de R$ 5.000,00 foram emitidos pela procuradora Renata Resstel. As receitas auferidas pela empresa Monte Verde Mercantil Ltda, são decorrentes da atividade comercial de compra e venda Fl. 3431DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.430 11 de café e correspondentes aos depósitos efetivos relacionados no quadro 08. A confirmação de que os depósitos bancários correspondem a receitas da comercialização de café está nos documentos anexados às fl.458/581. Essas receitas constam nos "Demonstrativos Apuração Crédito Conta Corrente" (fls.870/888). Dos extratos de movimentação bancária, totalizando os créditos relacionados no quadro 07, foram excluídos os créditos que não representavam receitas da empresa, como: transferências bancárias oriundas de contas de mesma titularidade, créditos como: cheques emitidos contra a própria conta e devolvidos, empréstimos/financiamentos e estornos.Os créditos assim "depurados" foram denominados depósitos efetivos e decorrentes da atividade comercial da contribuinte Monte Verde com a comercialização de café, constituindo a Receita Operacional. No quadro 08 (fl.923) estão demonstrados, de forma sintética e por período mensal, o total dos créditos efetivos. Nestes autos estão sendo apurados e exigidos os tributos devidos nos anos calendário 2004 e 2005, com lançamento parcial através de Auto de Infração. Para efeito de tributação, foram considerados como Receita Tributável os valores mensais correspondentes aos depósitos bancários apurados no "Quadro08Demonstrativo de Depósitos Efetivos”. amparado no art.42 da lei 9.430/96, considerando somente os valores das colunas para período de apuração anoscalendário 2004 e 2005. O contribuinte, para o período em análise, anos calendário 2004 e 2005, não apresentou DIPJ. As DCTF apresentadas são relativas apenas ao ano calendário 2004. Os impostos e contribuições declarados em DCTF, e aqueles recolhidos pela contribuinte estão demonstrados no quadro 09 Do Arbitramento (fl. 924). Devidamente intimada a apresentar o Livro Diário e Razão, ou os Livros Caixa, referentes aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, o contribuinte não foi localizado no endereço de cadastro no CNPJ da Receita Federal, sendo então intimados seus sócios constantes do quadro societário no CNPJ, que informaram não possuírem tais Livros/Documentos. A legislação vigente a época exige para os contribuintes optantes pela tributação com base no lucro presumido, dentre outras obrigações acessórias, a regular escrituração do Livro Caixa (RIR/1999, art. 527, parágrafo único). Em decorrência da exigência inserta no art. 527, parág. único do RIR/1999, e da inexistência da documentação fiscal então prescrita, exigir se á o imposto referente aos anoscalendário 2004 e 2005 com base no lucro arbitrado, forma de tributação, prevista, neste caso, nos artigos 529 e 530. O imposto e as contribuições declarados e/ou pagos foram levados em consideração na apuração do imposto com base nas receitas decorrentes de depósitos bancários. O lucro arbitrado Fl. 3432DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.431 12 foi apurado pela aplicação da alíquota de 9,6 % sobre a receita tributável apurada (Lei 9.249/95, art. 15 e 16). Os valores apurados nos quadros 10 a 13, correspondentes ao imposto de renda e contribuições devidos nos anos calendários 2004 e 2005, após as devidas exclusões dos valores declarados (DIPJ e DCTF) e/ou pagos (DARF), demonstrados na coluna Receita Declarada (quadro 10 a 13 – fl. 926 a 929), serão exigidos através de autos de infração específicos. Além, do imposto de renda e contribuições, cabe lançamento de multa, correspondente a 150% do imposto e contribuições, nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, face ao previstos nos artigos 71 e 73, sonegação e conluio. O empreendimento sempre foi marcado pelo conluio, simulação e sonegação fiscal. No seu ato constitutivo já se constata a interposição de pessoas como se infere dos depoimentos prestados por Luiz Cláudio Ferreira Lima e Daniel Miguel Apolinário. O contribuinte informou à Receita Federal (DIPJ) e recolheu nos anos calendários de 2004 e 2005, imposto de renda e contribuições sociais em valores que somados totalizam, a quantia de R$ 7.646,63, enquanto que os valores apurados alcançam, em valores originários, a soma de R$ 3.557.042,80. Isto corresponde a aproximadamente 0,21 % dos valores devidos, ou seja, os valores devidos são 465 vezes superiores aos valores declarados (quadros 10 a 13). O contribuinte omitiu e prestou informações falsas à Receita Federal, não apresentou DIPJ para os anoscalendário 2004 e 2005, sendo apresentada DCTF somente para o ano calendário 2004. As receitas informadas nas DCTF são muito inferiores àquelas apuradas. Para o ano de 2005 a contribuinte Monte Verde sequer apresentou DIPJ e DCTF. O conluio fica caracterizado pela participação de várias pessoas, incluindo sócios, procuradores e sócios de outras empresas por interpostas pessoas e pessoas alheias ao quadro societário da Monte Verde, na realização de fatos de gestão com objetivo de fraudar o fisco. Fica patente o caráter doloso dos atos praticados, o objetivo de sonegação almejado pelo empreendimento e o conluio entre as diversas pessoas participantes da atividade comercial com o nome de "Monte Verde Mercantil Ltda". São responsáveis solidários aqueles com relação direta e/ou indireta na operação empresarial do Monte Verde Mercantil Ltda, estando caracterizado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, nos termos do inciso I do art. 124 da Lei n°5.172/66 (código Tributário Nacional). Conforme inciso I do artigo 124 e artigo 135, todos do Código Tributário Nacional, serão arrolados como responsáveis Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.432 13 solidários todas as pessoas com relação direta e/ou indireta na operação empresarial do contribuinte. Foram arrolados como responsáveis solidários na gestão fraudulenta da Monte Verde os sócios, procuradores,(representantes) e representados (com interesses comercial sobre a Monte Verde), cujas evidências e provas permitiram constatar serem mandatários de plenos poderes sobre a expressiva movimentação financeira da empresa, independente de terem tido participação efetiva ou não na movimentação desses recursos, aqueles que mantinham seus interesses sobre a Monte Verde através de prepostos (Empresas Stockl e Sócios, em especial Comercial de Café Stockl Ltda) e aqueles que negociaram e movimentaram recursos diretamente em nome da Monte Verde Laudeci Stockl e Iverlizia Bungenstab Stockl, conforme apurado nos depoimentos. SÓCIOS: Luiz Cláudio Ferreira Lima. CPF 007.766.627/59. Não dispõe de capacidade financeira para integralização do capital subscrito. A sua responsabilidade decorre da contribuição com cessão pessoal e espontânea dos dados para que se constituísse a empresa. Embora possa não ter participado da gestão empresarial, contribuiu com a cessão voluntária de seus dados para figurar como um dos sócios do empreendimento, e a prática dos atos fraudulentos praticado pela Monte Verde Mercantil Ltda, pois, como se vê, consta sua assinatura nas alterações contratuais (fl.982/983). Daniel Miguel Apolinário, CPF 007.766.627/ 59. Não dispõe de capacidade financeira para integralização do capital subscrito, a sua responsabilidade decorre da contribuição com cessão pessoal e espontânea dos dados para se constituísse a empresa com fins de sonegar tributos. Embora possa não ter participado da gestão empresarial, contribuiu com a cessão voluntária de seus dados para figurar como um dos sócios do empreendimento, e a prática dos atos fraudulentos praticado pela Monte Verde Mercantil Ltda, pois, como se vê, consta sua assinatura nas alterações contratuais anexas as fl.982/983. Nicolau Resstel. CPF 157.344.987/34. A sua participação na fraude é a mais contundente. Além de figurar como sócio e procurador da contribuinte Monte Verde, por períodos alternados, exerceu a gestão empresarial como se verifica na cópia dos cheques emitidos e ficha autógrafos para movimentação de conta bancária. Constituiu e exerceu a atividade empresarial da Monte Verde com objetivos claros de fraudar a Fazenda, conforme constatado pela omissão Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.433 14 de receita, fato este de prática reiterada nos anos calendário de 2004 e 2005. Ocorrência também verificada no ano calendário de 2003. PROCURADORES: Renata Resstel, CPF 045.938.967/ 03. A procuradora Renata Resstel é filha de Nicolau Resstel e casada com o sócio Luiz Cláudio Ferreira Lima. Também investida como procuradora com plenos poderes para gestão da empresa Monte Verde. Emitiu e endossou cheques. Na movimentação da empresa é quem efetuava os pagamentos do cotidiano da empresa. Christian Silva Rupf, CPF 015.305.297/00. O Sr. Christian é procurador da Monte Verde com poderes totais de gestão e ao mesmo tempo é funcionário da Comercial de Café Stockl. Também prestava serviços contábeis à Aracê Mercantil e Montreal Produtos Alimentícios, esta de propriedade do Sr. Wladimir Resstel. E também contador da Monte Verde (fl.041/46). José Augusto Mayer. CPF 317.774.577/34. O procurador José Augusto era funcionário da Comercial de Café Stockl até o início de 2007, quando se desligou. Exerceu as funções de escriturário e contador, conforme depoimento as fl.531/534. Maria Lucinda Módolo Mayer, CPF 909.995.507/30. Tratase de uma funcionária da Comercial de Café Stockl há mais de 20 anos. Exerceu as atividades de serviços gerais e atualmente é faturista (fl.524/526). A Sra Maria Lucinda foi citada pelo Sr. José Wellington que trabalhava na Monte Verde em Marechal Floriano. Também a Sra Edna Assis disse que era constante a sua presença na sede Monte Verde em'Marechal Floriano. Já o Sr. Laudeci Stockl disse que trabalhava no escritório da Monte Verde a senhora Maria Lucinda era secretária do Sr. Miguel Stockl. Portanto, não cabe a alegação de prestação de favor. Eunice Maria Santanna Stockl. CPF 841.139.447/68. Eunice Stockl é casada com Miguel Stockl, proprietário da Cafeeira Stockl, sendo grande produtor de café e proprietário de terras. A senhora Eunice é representante com poderes totais para movimentação financeira da Monte Verde, empresa concorrente das empresas de seu marido. Deve ser destacado que, para os atos de favor para os quais disse ter recebido o mandato como realizar depósitos e pagamentos de contas em nenhum deles é necessário procuração. Agora, endossar cheque é atividade de quem tem responsabilidade pela empresa perante a instituição financeira. Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.434 15 TERCEIROS INTERESSADOS. Laudeci Stockl. CPF 020.042.557/ 90 e 9.3.2 Iverlízia Bungenstab Stockl. CPF 008.010.957/86. O Sr. Laudeci e a Sra. Iverlizia movimentaram em contas pessoais, recursos oriundos da Monte Verde Mercantil Ltda, sem comprovação de origem, o valor de R$ 1.070.295,92 e na empresa Laudeci Stockl Me R$ 34.625,00, perfazendo o total de R$ R$ 1.104.920,92. Isto numa amostragem de R$ 1.241.268,02. Eles não apresentaram nenhum documento que comprovasse os recebimentos da Monte Verde, com as atividades que dizem exercer.Todos os beneficiários dos cheques ouvidos informaram que efetuaram a venda de café para a Comercial de Café Stockl e que negociaram com Laudeci Stockl, na sede da Monte Verde em Marechal Floriano e que o conheciam como proprietário da Comercial de Café Stockl, exceto o Sr. Lastene Stockl, seu irmão. Ambos atuaram e negociaram usando a Monte Verde para negociaram em nome Comercial de Café Stockl. Comercial de Café Stockl, CNPJ 39.319.033/000134. Conforme ficou apurado no decorrer dos depoimentos, a negociação era em nome da empresa acima nomeada. Miguel Stockl, CPF 364.469.987/ 91 Sócio da Comercial de Café Stockl Ltda, Stockl Café Industrial e Comercial Ltda; Armazéns Gerais Stockl Ltda, Cafeeira Irmãos Stockl Ltda. 9.3.5 Gabriel Stockl, CPF 525.603.687/49. Sócio da Comercial de Café Stockl Ltda, Armazéns Gerais Stockl Ltda, Cafeeira Irmãos Stockl Ltda. Fabiano Stockl, CPF 045.653.947/ 66. Sócio da Comercial de Café Stockl Ltda. Jorge João Stockl. CPF 086.507.567/00. Sócio da Comercial de Café Stockl Ltda, Stockl Café Industrial e Comercial Ltda, Armazéns Gerais Stockl Ltda. José Stockl, CPF 364.489.237/72. Sócio da Comercial de Café Stockl Ltda, Stockl Café Industrial e Comercial Ltda, Armazéns Gerais Stockl Ltda, Cafeeira Irmãos Stockl Ltda. Leandro Stockl CPF 088.606.847/90. Sócio da Stockl Café Industrial e Comercial Ltda. Os sócios Miguel, Gabriel, Fabiano, Jorge, José e Leandro são responsáveis solidários pelos interesses que mantinham sobre a Monte Verde, pois mantiveram como representante de seus interesses os procuradores da Monte Verde. Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.435 16 A procuradora Maria Lucinda foi citada pelo Sr. Laudeci Stockl como secretária do Sr. Miguel Stockl e que trabalhava na Monte Verde. A Sra. Edna Assis confirmou que era constante a presença da Maria Lucinda na Monte Verde,o que comprova que os procuradores da Monte Verde representavam os interesses das empresas Stockl e seus sócios. O interesse que as empresas Stockl mantinham sobre Monte Verde está demonstrado nos depoimentos prestados pelos beneficiários dos cheques. Todos os produtores rurais ouvidos informaram que negociaram com a Comercial de Café Stockl, e receberam o cheque da Monte Verde Mercantil Ltda, exceto o Sr. Lastene Stockl. Pelas notas fiscais anexas verifica se que tem como destinatário a MonteVerde Mercantil Ltda e local de descarga Armazéns Gerais Stockl Ltda. Apurados os tributos, lavrados os devidos autos de infração e Representação Fiscal para Fins Penais. Em 20/08/2009, Laudeci Stockl e Iverlízia Bugenstab se manifestaram contra o disposto no Auto de Infração, através de impugnação (fl. 1090 a 1138). Em 21/08/2009, Jorge João Stockl (fl.1451 a 1479). Eunice Stockl apresenta impugnação em 21/08/2008 às fl. 1480 a 1516). Maria Lucinda Mondolo apresenta impugnação em 21/08/2009 nas fl. 1522 a 1559. José Stockl apresenta impugnação em 21/08/2009 às fl. 1564 a 1603. Christian Rupf apresenta impugnação em 21/08/2009 às fl. 1869 a 1907. Em 21/08/2009 a Comercial de Café Stockl apresenta impugnação (fl. 1920 a 1961). Fabiano Stockl apresenta impugnação em 21/08/2009 às fl. 2154 a 2190 . Miguel Stockl apresenta impugnação em 21/04/2009 (fl. 2413 a 2451). Gabriel Stockl apresenta impugnação às fl 2714 a 2750) em 21/08//2009. Leandro Stockl apresenta impugnação em 21/08/2009 às fl 3016 a 3050. José Augusto Mayer apresenta impugnação em 21/08/2009 às fl 3265 a 3297. A ciência ocorreu através dos Editais de nº 226/2009, 227/2009, 229/2009 e 247/2009 (fl. 1085 a 1088), afixados em : 04/08/2009 e18/08/2009 e desafixados em: 19/08/2009 e 02/09/2009, sendo apresentados os argumentos que se seguem: Laudeci Stockl e Iverlízia Bugenstab • Os impugnantes residem em Marechal Floriano, logo, não é demais assentar que os laços de amizade e parentesco são estreitos entre as pessoas que lidam como essa atividade. • Simplesmente por terem realizado atos lícitos de comércio com a sociedade fiscalizada, os ora impugnantes foram arrolados como responsáveis solidários pelo débito da Monte Verde. • A sede da empresa LAUDECI STOCKL ME se localizava ao lado da MONTE VERDE e, que de fato, os ora impugnantes realizavam negócios de corretagem e transporte de café para a MONTE VERDE. Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.436 17 • A quebra de sigilo bancário no presente caso afigura se inconstitucional, sendo nula por completo a autuação. • Há a impossibilidade jurídica da administração fiscal, sem ordem jurisdicional, monitorar as movimentações financeiras dos administrados para fins de fiscalização e apuração do Imposto sobre a Renda, por: ser o sigilo bancário direito subjetivo constitucional do contribuinte; ser o sigilo bancário valor jurídico de alta tutela constitucional, sendo ilegal a quebra do sigilo bancário, pois inexiste qualquer embaraço à fiscalização. • A Lei n° 10.174/01 é inconstitucional. • Fazer necessário destacar o direito ao sigilo bancário na Carta Magna em seu artigo 5, inciso X . • Os Auditores Fiscais insistem em negar a sua oponibilidade ao Fisco, alegando que o parágrafo único do artigo 145 da Lei Máxima legitima tal interpretação. • Não existem direitos absolutos contra o interesse público. Ninguém discute que os órgãos públicos não só podem como devem fazer valer o seu dever/poder fiscalizatório sobre os cidadãos, inclusive identificando patrimônio, rendimento e atividades econômicas, mas isso não os desobriga de respeitar os direitos individuais deles. • Não se pode dispensar a demonstração de circunstâncias fundamentadas e concretas, em cada caso, que denotem um interesse público prevalente no desvendamento das operações financeiras das pessoas físicas ou jurídicas, nem tampouco que a presença efetiva desses elementos seja apreciada por um Poder, independente e autônomo, que é o Judiciário. • Abstraindose todas as inconstitucionalidades que envolvem a quebra do sigilo bancário, verifica se que a quebra atacou ainda todos os dispositivos infralegais que disciplinam a matéria. • Foi considerado que a ausência de prestação de informações relativas à movimentação financeira dos impugnantes, em decorrência do direito ao sigilo bancário, constituiu embaraço à fiscalização nos termos do art.33 da Lei 9430/96. • Em principio, poderia ser dizer que os Auditores Fiscais agiram corretamente, pois o inciso I, do artigo 33 da Lei 9430/96 caracteriza como embaraço à fiscalização o não fornecimento pelo contribuinte de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade próprios ou de terceiros, quando intimado a fazêlo. • Ocorre que, sob pena de inconstitucionalidade, deve ser dada interpretação conforme a Constituição. O contribuinte só é obrigado a fornecer dados relativos a sua movimentação Fl. 3438DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.437 18 financeira quando o Fisco tiver o direito subjetivo de acesso a esses dados. • A Carta Magna confere ao contribuinte o direito individual ao sigilo bancário, bem como o artigo 6º da Lei Complementar n°105/2001, hierarquicamente superior e posterior à Lei n° 9.430/96. Foram contrariados os incisos X e XII do artigo 5° da Constituição Federal . • O conteúdo mínimo do direito ao sigilo bancário só pode ser quebrado diante de circunstâncias graves, fundadas, concretas e contemporâneas à quebra. • Erigir em fundamentação idônea para a quebrar o próprio exercício regular do direito ao sigilo é esvaziar completamente esse conteúdo, tornarseia o primeiro caso de exercício regular de direito punido pelo sistema jurídico. • Também a dicção do artigo 6º da Lei Complementar 105/01 invalida as pretensões da Autoridade no sentido de caracterizar embaraço à fiscalização mediante o exercício regular do direito . • As autoridades e agentes fiscais tributários só poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras quando,cumulativamente, houver processo administrativo em curso e tais documentos sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa ompetente • O direito do Fisco a acessar o sigilo bancário do contribuinte só nasce quando os dados forem indispensáveis. Quando os Auditores Fiscais solicitaram AS informações acerca de sua movimentação financeira ela ainda não tinha esse direito, pois sua solicitação não foi validamente fundamentada, em observância ao art.11,§ 2º da Lei 9.311/96. A recusa dos impugnantes, face à ilegalidade da solicitação foi licita e não poderia ser qualificada como embaraço à fiscalização. • Por tudo isso, não cabe ou cabia à defendente responder qualquer coisa acerca de dados financeiros apurados pela Secretaria da Receita Federal, com fundamento na interpretação sistemática do art. 11, §3°, da mesma lei, alterado pela Lei n° 10.174/2001, e do art. 144, § 1°, do CTN. • Não obstante, tanto a Lei Complementar n° 105/01 quanto o Decreto n° 3.724/01 são posteriores à Lei n° 10.174, de 09 de janeiro de 2001, já que foram publicadas em 10 de janeiro de 2001, pelo que prevalecem em relação a ela no que dispuserem em contrário, por força do artº2º,§ 1º da Lei de Introdução ao Código Civil. • Aplicar a Lei 10.174/2001 em detrimento de lei posterior hierarquicamente superior é incorrer em ilegalidade. • Inexiste solidariedade entre a sociedade Monte Verde e os impugnantes. crédito tributário constituído a partir de meras presunções. Fl. 3439DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.438 19 • Os impugnantes não se subsumem às hipóteses dos art. 124, I e 135, I, II e III. • Os impugnantes somente realizavam operações de transporte e corretagem de café para a sociedade empresária MONTE VERDE. Os documentos anexos à prestação desses serviços de corretagem transporte de café. Ressalta se que os produtores de café não têm pleno conhecimento do desenho mercantil do negócio, e de que se tratam de empresas com funções e quadros completamente autônomos. Logo, os depoimentos prestados pelos impugnantes são verídicos. • Os impugnantes não têm qualquer relação de emprego, coordenação, gerência ou mandato com a sociedade MONTE VERDE. • As Autoridades Fiscais lançaram o IRPJ tendo como base os depósitos efetuados nas contas mantidas pelos impugnantes. O conceito constitucional de renda pressupõe que ela seja originada no patrimônio preexistente da própria pessoa, sendo obtida com a aplicação de um patrimônio material ou imaterial, numa determinada atividade, pelo próprio indivíduo que irá pagar o tributo. O conceito de renda não abrange meras transferências de capital, seja a qual título for, somente aquelas que decorrem da exploração ou uso direto ou indireto do patrimônio da empresa.Caberia aos AFRF provar que os valores movimentados nas contas representam renda para que os pudessem tributar, o que não se desincumbiram de fazer, preferindo utilizar presunções para caracterizar como matéria. • O lançamento efetuado com suporte na movimentação bancaria, não caracteriza disponibilidade econômica de renda e proventos. • O Fisco ao lançar o IRPJ sobre os depósitos efetuados nas contas correntes ignorou as operações nas quais ocorreram apenas transferência de quantia de uma conta para outra para pagamento dos produtores rurais. • A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS foi instituída pelo art.195 da Carta de 1988. • A Lei Ordinária n° 9.718/98 que, entre outras disposições, ampliou a base de cálculo da COFINS (art. 3º,§ 1º). • O legislador ordinário identificou os conceitos de faturamento e receita bruta através da mencionada lei ordinária. Ocorre que faturamento e receita bruta,embora utilizados no direito tributário, possuem conceitos definidos pelo direito privado, que devem ser respeitados (artigo 110 do CTN). • Faturamento significa a soma das quantias constantes em faturas emitidas.Tal conceito abrange somente a soma dos valores de venda das mercadorias ou de prestação de serviços. Fl. 3440DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.439 20 • Receita bruta é receita total advinda das operações fins de determinada pessoa jurídica, abrangendo não só a receita com comercialização ou prestação de serviços, mas também as receitas financeiras e não operacionais. • Receita bruta quer dizer mais que faturamento e que por conta disso a Lei 9718/98 ampliou a base de cálculo da COFINS ferindo o art.110 do CTN. • Tal ampliação é vedada ao legislador ordinário, conforme o art.195, § 4º da Constituição. • O art. 154,I da CRFB prevê a necessidade de lei Complementar para instituição de outras fontes para custeio da Seguridade Social. • O STF declarou inconstitucional o § 1º do art. 3ºda Lei 9718/98, sendo impossível invocar uma constitucionalidade superveniente do dispositivo alegando que a EC 20 de 15/12/1998 incluiu receita como possível base de cálculo. A emenda é posterior à lei e não pode convalidada, e mesmo que houvesse a convalidação, a primeira, ainda assim, é de inconstitucionalidade induvidosa diante do art.246 da CRFB, pois o citado diploma germinou se da Medida Provisória 1724/98. • A EC/20 não pode ser considerada meramente expletiva, pois os conceitos de faturamento e receita bruta são diversos. • A monta devida pela defendente deve incidir sobre o faturamento e não sobre a receita como quer o Fisco, sendo improcedente a cobrança da COFINS. Se não for este o entendimento, que se determine o faturamento. • Ficou constitucionalmente estabelecido que a base de cálculo do PIS é o faturamento, mas os AFRF invocam o art. 2º do Decreto 4524/2002. • Ocorre os mesmos problemas conceituais na COFINS. • Por mais este motivo o auto deve ser anulado. • A multa é inconstitucional por ter efeito de confisco, conforme julgado pelo STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5511, que julgou inconstitucional, com eficácia erga omnes, a fixação de penalidade tem montante desproporcional ao tributo exigido. • Foram feridos os princípios da capacidade contributiva e do não confisco. • Este princípio encontra respaldo no art. 15, IV da CRFB/88. totalidade da renda. • A multa não pode destruir a atividade econômica do contribuinte. Fl. 3441DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.440 21 • A dependente afirmam que os documentos solicitados estavam em poder do SEFAZ ES.Não houve omissão de receitas. • Deve ser anulado o auto por ser afronta ao princípio do não confisco. • Há necessidade de constituição do crédito tributário para a ocorrência da ação penal, falta justa causa. • Nos crimes contra a ordem tributária, a justa causa só restará caracterizada quando o crédito estiver constituído definitivamente, conforme posicionamento do STJ. • O lançamento carece de alicerces legais, logo, qualquer discussão na esfera penal seria prematura e carente de justa causa. JORGE JOÃO STOCKL • As imputações advém de ilações imprecisas e constitui injustiça. • Jamais imaginou que seu irmão Miguel incorria em delitos, mas nunca se beneficiou dos mesmos. • Se houve infração quem tem de responder são as pessoas que eram azo. • Não houve culpa nem dolo. • Nem a Café Stockl, nem Jorge se beneficiaram das irregularidades. • Nenhum dos empregados da Comercial Stockl foi contratado pelo impugnante. • Falta elemento substancial a autuação. Enquanto Miguel Stockl foi enriquecendo, Jorge foi empobrecendo. • Falta prova de culpa. Não é plausível se imputar ao sócio não gerente a vampirangem da estrutura da empresa. • No rol dos solidário houve desvio valorativo e não há prova suficiente á imputação. Não houve proveito ou utilidade para o impugnante, que não se beneficiou de nada. • Requer que seja novamente as pessoas envolvidas. Formula quesitos para prova pericial na fl.1459. • O impugnante não se manifesta sobre o teor valorativo das multas porque não tem condição de entender. Eunice Stockl, Maria Lucinda Mondolo, José Stcockl, Christian Rupf, José Stockl, Comercial de Café Stockl Ltda , Fabiano Stockl, Miguel Stockl Gabriel Stock, Leandro Stockl e José Augusto Mayer. • Há nulidade pela ausência de inclusão do sujeito passivo no auto. Diante do exposto no art. 121 do CTN, verifica se que a Fl. 3442DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.441 22 fiscalização desatendeu o art. 142 do CTN. Portanto a impugnante não pode ser responsabilizada, conforme raciocínio análogo da cartularidade no Direito Comercial. Há nulidade pela ausência pela inexistência de descrição do fato e do dispositivo legal para justificar a responsabilidade solidária. • Há nulidade por falta de notificação prévia, contrariando ao art.7º,I do PAF. • A imperfeição no enquadramento legal conduz á nulidade do auto. Inexiste enquadramento legal da solidariedade pretendida. • Faltou a discrição precisa dos fatos omitidos no auto imputados à impugnante, constituindo se cerceamento do direito de defesa., que assegurado pelo art. 5º da CRFB. • Foi infringido requisito formal, pois a impugnante não foi identificada ou qualificada no auto descumprindo o art. 10 do PAF. A impugnante não foi identificada nem qualificada no auto. • Houve cerceamento do direito de defesa por falta de descrição dos fatos omitido no auto imputados aos impugnantes. • Do mérito. No relatório da Polícia Federal sobre a operação profilaxia não há elementos capazes de caracterizar algum ilícito, não podendo se impor ônus tributário por mera imaginação.São infundados os comentários da fiscalização. Não há provas. • É ilegal a aplicação de responsabilidade de terceiros. Os auditores desprezaram o art.134 do CTN que afasta a responsabilidade da impugnante. Não há simulação • É impossível o reconhecimento da responsabilidade solidária, sendo impossível a responsabilização do mandatário. Em face de tais argumentos, entenderam os membros da 8ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, declarar nulo o lançamento por vício material, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004,2005 DA OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITO BANCÁRIOS FALTA DE REQUISITO NULIDADE A falta de intimação à interessada solicitando a comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem dos depósitos bancários, devidamente individualizado, acarreta vício material, tendo como consequência a nulidade do lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 3443DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.442 23 Em face do referido acórdão de Primeira Instância, a 8ª Turma de julgamento da DRJ/RJ1 interpôs Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O presente Recurso de Ofício pois as formalidades necessários, motivo pelo qual dele conheço. Do Recurso de Oficio Conforme descrito no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração para cobrança de autos de infração para exigir da interessada o IRPJ, o PIS, a CSLL e a COFINS, sobre fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2004 e 2005. A matéria principal do caso é pertinente ao arbitramento e omissão de receitas relativas aos anos calendário de 2004 e 2005, devido a não comprovação da origem de depósitos junto a diversas instituições financeiras, tendo por base os extratos bancários. Ocorre que, como bem posto pela DRJ, o ponto nodal do presente caso é vertente a falta de intimação solicitando a comprovação, por meio de documentação hábil, a origem dos depósitos bancários devidamente individualizados, motivo pelo qual a primeira instancia entendeu que o lançamento estava maculado por vício material. Entendo que a decisão recorrida não merece reparos. Dispõe o artigo 42, parágrafo 3º da Lei 9430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 3444DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.443 24 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratando se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Segundo o que consta no feito, os demonstrativos de fls. 869 a 888 não foram apresentados ao contribuinte durante a fiscalização, como prevê o artigo 42, parágrafo 3º da Lei 943/96. Conforme exposto pela DRJ, não basta a apresentação de valores totais por bancos, há que se especificar depósito por depósito, o que foi feito, mas não foi apresentado ao contribuinte e responsáveis. Na verdade os demonstrativos de fl.869 a 888 deveriam ter sido apresentados aos interessados através de termo antes do término da fiscalização. Também de maneira correta, a DRJ enfrentou o ponto de que na impossibilidade de encontrar o contribuinte, deveria ter sido feito um edital mencionando que em anexo constaria uma planilha com os depósitos bancários individualizados, solicitando a comprovação da origem dos mesmos. Os Editais de nº 226/2009, 227/2009, 229/2009 e 247/2009 (fl. 1085 a 1088), somente dão ciência aos sócios da autuação. O contribuinte e todos os arrolados no processo deveriam receber uma intimação com os depósitos bancários devidamente individualizados, para que fosse comprovado, através de documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos, de modo que o fiscal pudesse vislumbrar o que é receita tributável ou não, verificando se as receitas estavam ou não tributadas. Se eles não fizessem tal comprovação poderia se considerar, por presunção legal, que todos os depósitos seriam receitas. Portanto, há que se fazer tal ato, o contribuinte tem que ter a oportunidade de informar a origem desses depósito, é um requisito previsto na lei. Conforme já é pacífico neste Egrégio Conselho de Recursos Fiscais – CARF, bem como no antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, a ausência da Fl. 3445DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.444 25 intimação para a comprovação dos depósitos bancários desvirtuou a finalidade do procedimento administrativo, motivo pelo qual este encontrase eivado de vício insanável e de natureza material, como bem reconhecida pela DRJ. Como se sabe durante o procedimento administrativo do lançamento, há que se realizar diversos atos, sendo alguns deles obrigatórios. No caso em comento, a intimação prevista no dispositivo supracitado é um ato obrigatório, essencial, posto que, está previsto na lei que rege o tema. Ressaltese que no lançamento tributário há total vinculação a lei, a falta da referida intimação vicia o procedimento. No presente caso a norma violada foi de natureza imperativa, cogente, portanto, o vício é essencial, acarretando a nulidade absoluta do lançamento, uma vez que foi praticado em desconformidade com a ordem jurídica. Dizse que o vício é material porque sua ocorrência está ligada à questão substancial de saber se a obrigação tributária correspondente efetivamente existe e de se ter o seu dimensionamento econômico. A presente nulidade é de natureza material, o vício apurado é essencial, não foi cumprido um requisito essencial, absolutamente necessário para conferir a legalidade do lançamento. O art.149 do CTN dispõe o seguinte: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; Fl. 3446DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15586.000480/200999 Acórdão n.º 1401001.407 S1C4T1 Fl. 3.445 26 IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. O inciso IX do dispositivo informa que é dever da autoridade rever o lançamento quando houver omissão de ato essencial. Assim, mantenho a posição da DRJ quanto ao reconhecimento da nulidade por vício material e nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 3447DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10580.721995/2014-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2011 a 31/10/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972.
PIS. COFINS. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS. AUSÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Correto o lançamento fiscal para exigência do PIS e Cofins não declarados em DCTF e Dcomp e que teriam sido objeto de compensação, somente na escrita contábil, com supostos créditos decorrentes de títulos públicos, sem amparo em qualquer decisão judicial.
OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Constitui evidente intuito de fraude a omissão de informações relativas a compensações efetuadas em desrespeito a disposição expressa da legislação tributária. O procedimento adotado revela a nítida intenção de evitar ou retardar o conhecimento da autoridade tributária a respeito das compensações realizadas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. PIS. COFINS. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS. AUSÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Correto o lançamento fiscal para exigência do PIS e Cofins não declarados em DCTF e Dcomp e que teriam sido objeto de compensação, somente na escrita contábil, com supostos créditos decorrentes de títulos públicos, sem amparo em qualquer decisão judicial. OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Constitui evidente intuito de fraude a omissão de informações relativas a compensações efetuadas em desrespeito a disposição expressa da legislação tributária. O procedimento adotado revela a nítida intenção de evitar ou retardar o conhecimento da autoridade tributária a respeito das compensações realizadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 19 95 /2 01 4- 20 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 443 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 444 3 Relatório Tratase de autos de infração de PIS e Cofins referentes aos fatos geradores de maio a outubro de 2011, no valor original total de R$ 6.989.474,90 incluídas o valor do principal, juros e multa de ofício qualificada em 150%. De acordo com a fiscalização o contribuinte efetuou compensações em sua escrituração contábil digital dos valores de PIS e Cofins cumulativos a recolher com créditos escriturados na conta de "Tít. Div. Pública PROC 05810623201040134" que seriam decorrentes da compra de crédito fiscal oriundos de apólices de D. PÚBLICA PROC JUD 00581062320104013400 1ª VARA TRF/DF, os quais teriam um valor total de R$ 22.000.000,00 e foram adquiridos com deságio de R$ 9.900.000,00. Relata a fiscalização que a empresa foi intimada, por meio de 4 termos de intimação (nº 4, 5, 6 e 7) a prestar esclarecimentos sobre as compensações e o referido processo judicial, nada tendo respondido a esse respeito. Esclarece que efetuou consulta ao site do TRF/DF e verificou que o processo referese a execução de título extrajudicial, objetivando cobrança de dívida oriunda de título da dívida externa brasileira, emitido no ano de 1904 pela Prefeitura do Distrito Federal, sendo que, na sentença proferida em 05/07/2012, o Juiz reconhece que a exigibilidade do título resta fulminada pela prescrição e extingue a execução, mandando comunicar a RFB da decisão. Ante a proibição de compensação tributária com títulos públicos expressa no art. 74, § 12, alínea "c" da Lei nº 9.430/96 e a decisão judicial definitiva, foram efetuados os lançamentos para exigência do PIS e Cofins. Foi aplicada a multa qualificada prevista no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96 pois a fiscalização entendeu que houve fraude, art. 72 da Lei nº 4.502/64, na medida em que o contribuinte tinha pleno conhecimento da impossibilidade legal das referidas compensações, pois as compensações foram efetivadas antes da decisão proferida no processo judicial, sendo que o contribuinte já vinha sendo cobrado, relativamente a outros tributos, por meio dos processos administrativos referenciados nos itens 8 e 9 do Termo de Verificação Fiscal, por ações decorrentes do mesmo procedimento. Com base no art. 135, inc. III do CTN a fiscalização inseriu como responsável solidário o Sr. Remco Drosten, holandês, CPF 838.314.28549, administrador não sócio da sociedade conforme cláusula quinta, parágrafo único do Contrato Social, e representante legal das duas empresas sócias estrangeiras. Tanto o contribuinte quanto o responsável solidário apresentaram impugnações de semelhante conteúdo, cujas alegações foram assim resumidas pelo acórdão recorrido: a) Em preliminar, reclama que não lhe foi conferido tempo hábil para prestar os esclarecimentos relativos às compensações realizadas. Entende que se não fosse esse fato tudo estaria esclarecido, uma vez que possui direito creditório contra a União, o que lhe permite o encontro de contas. Assim, estaria nulo o lançamento por preterição do direito de defesa; Fl. 444DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 445 4 b) Outra nulidade apontada seria relativa ao reexame de período já fiscalizado sem que tivesse sido pedida autorização expressa ao Delegado da Receita Federal, uma vez que os referidos períodos de apuração já teriam sido objeto de análise nos processos 10580.722813/201195 e 10580.725883/201103; c) No mérito, com relação aos lançamentos de Cofins e PIS/Pasep, objeto do presente processo, apresenta apenas o trecho abaixo: “Por seu turno, no que toca a cobrança pretendida, a título de PIS, padece do vício da inconstitucionalidade, estando por merecer apurada análise dos dispositivos que tratam das contribuições sociais a serem cobradas das empresas. O artigo 194, da Carta Magna estabeleceu as seguintes, normas gerais sobre a seguridade social: (...) Além disso, o artigo 195 do mesmo diploma constitucional, estabelece as formas de financiamento da seguridade social, a saber: (...) Não há nenhuma dúvida que, em atendimento ao disposto nos artigos já transcritos, verifica:se que tal ‘conjunto de ações destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à.previdência e assistência social (artigo 194) será financiado apenas pelas contribuições, que se encontram enumeradas nos incisos I a III do artigo 195, ou seja: (...) Assim sendo, já existindo a contribuição a cargo das empresas incidentes sobre, o faturamento mensal, qual seja a contribuição para o PIS, a pretensão de nova contribuição sobre a mesma base de cálculo e mesma natureza não tem como prosperar, vez que viola o.art.195 da Constituição Federal e ainda o art. 154, J da Carta Magna que estabelece: (...) Não há como negar que a contribuição ora pretendida pela Lei Complementar n° 70/91, não pode ser cobrada da impetrante, que, entretanto, não tem outra alternativa senão a da propositura da presente ação para garantia de seus direitos. ......... Concluise que, determinando a Constituição Federal que as contribuições incidirão sobre o faturamento, o lucro e a folha de salários, ou seja, estabelecendo as hipóteses sobre as quais é possível a. cobrança, e já existindo tais bases de cálculo gravadas respectivamente com o PIS, a CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. e a CONTRIBUIÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA, a incidência de mais uma contribuição (Social sobre o Faturamento) acarretará, como já exposto, violação ao próprio artigo 195, I, que somente admite as contribuições sobre as hipóteses que enumera.” d) Com referência à qualificação da multa de ofício, defende que o art. 72 da Lei nº 4.502/64 “não é aplicável ao fato descrito pelo Auditor, pois em momento Fl. 445DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 446 5 algum a Empresa impediu ou retardou a ocorrência do fato gerador dos impostos e contribuições”. Acrescenta: “Tampouco diferiu ou evitou o pagamento, não havendo como concluir que houve dolo. O que houve foi apenas a utilização de um credito, existente e válido para compensálo”. Ao julgar referidas impugnações, a 3ª Turma da DRJ/Belém proferiu o Acórdão nº 0130.000, de 08/09/2014, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2014 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, na hipótese tipificada no art. 72 da mesma lei. CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Comprovada a inexistência de cerceamento do direito de defesa da impugnante, descabe falar em nulidade do lançamento. PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão para acompanhamento ou sustentação oral por representante do contribuinte na sessão de julgamento administrativo em primeira instância. Impugnação Improcedente O contribuinte foi regularmente intimado da referida decisão e não apresentou recurso voluntário. Por sua vez o responsável solidário, Sr. Remco Drosten, tendo sido intimado por Edital, apresentou recurso voluntário, por meio do qual apresenta os seguintes argumentos, em síntese: nulidade por cerceamento do direito de defesa, vez que "não é oportunizado tempo hábil para a apresentação de documentos relativos aos esclarecimentos a Autarquia". Afirma ser possuidor de crédito contra a União e que ajuizou ação monitória para ver reconhecido seu crédito. Que não há como afastar a compensação, pois o art. 368 do CC prevê o encontro de contas entre credor e devedor. E que houve nulidade nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72; nulidade do procedimento pois o contribuinte foi alvo de um segundo exame fiscal relativo aos períodos já auditados e que teriam sido objetos dos processos Fl. 446DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 447 6 administrativos nº 10580.722813/201195 e 10580.725883/201103, sem no entanto ter havido a ordem expressa prevista no art. 906 do RIR/99; no mérito repete exatamente as mesmas razões da impugnação, acima transcritas, e que se resumem à alegação da inconstitucionalidade da Cofins exigida por meio da Lei Complementar nº 70/91. Nada alega a respeito do PIS e nem a respeito da apuração das bases de cálculo e outros elementos do auto de infração; por fim, quanto à qualificação da multa, também repete a impugnação para dizer que em momento algum ficou demonstrada a prática de fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64 e que a multa de 150% fere a legislação em frontal desrespeito ao princípio do confisco. É o relatório. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 448 7 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Nulidade do Lançamento Esclareço que não vislumbrei no auto de infração constante do presente processo, qualquer mácula que pudesse tornálo nulo. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; No presente caso o recorrente alega afronta ao art. 59, inc. II, acima transcrito, mas não especifica e nem traz elementos para corroborar a sua tese. Sem razão, pois todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Por sua vez, assim dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 449 8 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. O recorrente alega nulidade por cerceamento do direito de defesa, vez que "não é oportunizado tempo hábil para a apresentação de documentos relativos aos esclarecimentos a Autarquia". Vêse que esta afirmação não é verdadeira. Conforme item 10 do Termo de Verificação Fiscal, efl. 16, o contribuinte foi intimado quatros vezes, por meio dos termos de intimação fiscal nº 4, 5, 6 e 7 e nada apresentou a respeito das compensações efetuadas e do referido processo judicial. Pois bem, o Termo de Intimação Fiscal TIF nº 4, e fls. 90/91, foi recebido pelo contribuinte em 05/10/2013, o TIF nº 5, efls. 115/116, foi recebido em 11/11/2013, o TIF nº 6, efls. 126/127, foi recebido em 23/12/2013, e o TIF nº 7, efls. 134/135, foi recebido em 13/02/2014, ou seja, somente nestas intimações o contribuinte teve mais de quatro meses para apresentar os esclarecimentos que ele diz ser necessário para comprovar a regularidade das compensações e nada apresentou. A fiscalização teve início em 11/03/2013 e foi encerrada em 25/04/2014, ou seja, durou mais de um ano e o contribuinte alega falta de tempo hábil para apresentação de esclarecimentos. Evidente que ele está sem razão e sem argumentos, pois os esclarecimentos de que tanto fala poderiam então ser apresentados por meio de sua impugnação ou até mesmo no presente recurso voluntário. O contribuinte alega ainda nulidade do procedimento, pois tratava se de reexame do mesmo período já fiscalizado e necessitaria de ordem expressa do Delegado da Receita Federal, nos termos do art. 906 do RIR/99. Esta mesma questão foi apresentada na impugnação e foi assim enfrentada pelo Acórdão recorrido: (...) Nulidade 2. Reexame de escrita. 11. A impugnante requer a nulidade do lançamento por entender que houve um reexame de períodos já fiscalizados, sem autorização do Delegado local, uma vez que os referidos períodos de apuração já teriam sido objeto de análise nos processos 10580.722813/201195 e 10580.725883/201103. 12. Novamente não tem razão a interessada. Compulsando os processos citados vêse que os mesmos são processos de cobrança de débitos confessados em DCTF e vinculados indevidamente a créditos inexistentes, não se referindo a ação fiscal. Ademais, a presente ação fiscal foi autorizada pelo MPF 05101002013001340, conforme constante do Termo de Início de Ação Fiscal, do qual tomou ciência a interessada em 11.03.2013 (AR fl. 27). Dessa forma deve ser afastada a nulidade proposta. Em outras palavras, o acordão recorrido afirma que verificou os processos 10580.722813/201195 e 10580.725883/201103, os quais seriam a prova de que o contribuinte estaria sendo submetido a uma segunda fiscalização referente ao mesmo período e concluiu que neles discutese a exigência de débitos confessados pelo contribuinte em DCTF, não se tratando portanto de processos com lançamento fiscal, ou melhor, o seu objeto não decorre de Fl. 449DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 450 9 fiscalização, mas sim de cobrança de débitos já declarados. Em seu recurso voluntário o recorrente não traz qualquer contestação à conclusão da DRJ. Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Mérito No mérito, o recorrente repete exatamente as mesmas razões da impugnação, que se resumem à alegação da inconstitucionalidade da Cofins exigida por meio da Lei Complementar nº 70/91. Nada alega a respeito do PIS e nem a respeito da apuração das bases de cálculo e outros elementos do auto de infração. Como é sabido, não cabe a este órgão julgador apreciar alegações de constitucionalidade da lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quanto à qualificação da multa, também repete a impugnação para dizer que em momento algum ficou demonstrada a prática de fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64 e que a multa de 150% fere a legislação em frontal desrespeito ao princípio do confisco. Quanto ao desrespeito ao princípio constitucional do não confisco, há que se repetir que analisar a imposição da multa, regularmente instituída pela lei tributária, resulta em apreciar a sua inconstitucionalidade o que não é permitido ao julgador administrativo nos termos da Súmula CARF nº 2, acima transcrita. Quanto à existência do intuito de fraude, creio que ela está perfeitamente demonstrada pela fiscalização. Veja em que termos está a acusação fiscal: (...) 13 Diante da falta de previsão legal e decisão judicial definitiva e que parte das compensações efetuadas não foram efetivadas por meio de DCOMP e nem declaradas em DCTF, elaboramos Demonstrativo de Apuração do PIS, e Demonstrativo de Apuração da COF1NS onde se constatam diferenças passíveis de lançamento de ofício por falta de recolhimento tendo em vista o confronto dos valores apurados das contribuições com os valores declarados em DCTF. (...) 17 No presente caso, o contribuinte tinha pleno conhecimento de que o procedimento adotado, a compensação do PIS e da COFINS com créditos de Títulos Públicos levada a efeito em sua contabilidade, não estava amparado na legislação tributária ou em ação judicial com decisão definitiva, posto que ainda não tinha sido ainda proferida a sentença da 18a Vara do TRD/DF posterior as compensações efetuadas na contabilidade, e contrária a sua pretensão. Além disso, tinha conhecimento também do entendimento da Receita Federal do Brasil da não possibilidade de compensações das contribuições do PIS e da COFINS com títulos da dívida pública, através das várias decisões e cobranças efetuadas nos processos administrativos citados nos itens 08 e 09 deste Termo de Verificação Fiscal. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 451 10 18 A conduta fraudulenta adotada pelo contribuinte relatada no item anterior, autoriza a qualificação da multa de lançamento de ofício que passa a ser de 150% Fraude, art.72 da Lei n° 4.502/1964. Os enquadramentos legais da multa de lançamento de ofício constam no Auto de Infração do PIS e do Auto de Infração da COFINS, ambos lavrados nesta mesma data. 19 Ocorre ainda que quando contabilizou na ECD 2011 Livro Diário Digital nº 90 com Termo de Autenticação nº 130309796, créditos na conta 1.01.003.002.01.001 "TIT DIV PUBLICA PROC 05810623201040134 oriundo de Títulos Públicos e proceder contabilmente compensações com o PIS a recolher conta 20100300101007 e COFINS a recolher conta 20100300101008, ou seja, efetuar a compensação de tributos federais com créditos inexistentes pois representados por título de autenticidade duvidosa, incerto e prescrito, com tributos federais sem autorização legal ou judicial, o contribuinte manteve em tese uma conduta em fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal, além de omitir informações e prestar declaração falsa às autoridades tributárias, enseja Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, tendo em vista o disposto no art. 1º da Portaria RFB nº 2.439/2010. (...) Ao analisar o presente processo concluo que tenho que concordar com a acusação fiscal pois o contribuinte, de maneira intencional, efetuou compensação contábil de valores de PIS e Cofins por ele devidos, tendo como suporte supostos créditos de Títulos Públicos emitidos em 1904, cujos créditos seriam objetos de ação judicial. Estas compensações tem proibição expressa na legislação tributária, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 451DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10580.721995/201420 Acórdão n.º 3301002.907 S3C3T1 Fl. 452 11 (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (...) (Destaquei) Vejam que as formas de proceder as compensações e as suas restrições estão devidamente estabelecidos na lei tributária desde idos de 2004, na melhor das hipóteses. Observase que para realizar a compensação tributária o contribuinte tem que apresentar uma Declaração de Compensação Dcomp, informando os seus créditos, sua origem, e os correspondentes débitos objeto da compensação. Como havia uma proibição legal expressa de se compensar créditos oriundos de títulos públicos e também decorrentes de ação judicial sem o correspondente trânsito em julgado, optou o contribuinte em efetuar a compensação em sua escrituração contábil, de forma nitidamente irregular, à medida em que ele omitiu estas informações em declarações de cunho obrigatório à RFB. Comprovado está que ele efetuou as compensações, mas omitiuas de forma intencional em suas DCTF e Dcomp. Ressaltese que, mesmo intimado e reintimado, o contribuinte jamais apresentou as cópias das decisões judiciais que amparariam o seu pedido. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 452DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 13312.000331/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2007
ERRO NOS ASPECTOS QUANTITATIVO E TEMPORAL. IMPOSSIBILIDADE DE SEGREGAÇÃO DOS VALORES CORRETOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Havendo erro nos critérios quantitativo e temporal do lançamento, e sendo impossível, no caso concreto, a segregação dos valores corretos, sem a elaboração de novos cálculos e planilhas e a aplicação de novos critérios ao lançamento, este não pode subsistir.
NEGATIVA DE PEDIDO DE PERÍCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido o pedido de perícia fundamentadamente indeferido pela Autoridade Julgadora em primeira instância, por considerar tal procedimento prescindível à solução do litígio, não há qualquer nulidade a ser reconhecida na decisão recorrida.
Numero da decisão: 1301-001.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2007 ERRO NOS ASPECTOS QUANTITATIVO E TEMPORAL. IMPOSSIBILIDADE DE SEGREGAÇÃO DOS VALORES CORRETOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Havendo erro nos critérios quantitativo e temporal do lançamento, e sendo impossível, no caso concreto, a segregação dos valores corretos, sem a elaboração de novos cálculos e planilhas e a aplicação de novos critérios ao lançamento, este não pode subsistir. NEGATIVA DE PEDIDO DE PERÍCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o pedido de perícia fundamentadamente indeferido pela Autoridade Julgadora em primeira instância, por considerar tal procedimento prescindível à solução do litígio, não há qualquer nulidade a ser reconhecida na decisão recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO PELA EXCLUSÃO DE DÉBITOS DA CONTA CAIXA. Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, as operações bancárias do contribuinte, especialmente cheques compensados e pagamentos de despesas por meio de contacorrente bancária, lançadas a débito da conta Caixa, deverão ter correspondente registro a crédito dessa conta, pela saída para a efetivação de pagamentos. A falta desse registro legitima a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos, com a consequente recomposição da referida conta, decorrendo que a apuração de saldo credor de caixa evidencia omissão de receitas. Correta também a redução dos valores lançados, quando o resultado de diligência, determinada pelo Julgador em primeira instância, apurou que uma parte dos lançamentos a débito da conta Caixa, questionados pelo Fisco, possuía também lançamentos a crédito da mesma conta, em idêntico valor. Com isso ficou evidenciado que tais valores meramente transitaram pela conta Caixa, sem qualquer efeito tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 03 31 /2 01 0- 58 Fl. 10155DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.156 2 ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. ELEMENTOS CONSTANTES DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO. NULIDADE. DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não pode prosperar a alegação de cerceamento ao direito de defesa quando todos os elementos necessários à compreensão do lançamento se encontram nos autos e, ademais, o contribuinte não consegue demonstrar a existência de prejuízo concreto para a elaboração de sua impugnação. NEGATIVA DE PEDIDO DE PERÍCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o pedido de perícia fundamentadamente indeferido pela Autoridade Julgadora em primeira instância, por considerar tal procedimento prescindível à solução do litígio, não há qualquer nulidade a ser reconhecida na decisão recorrida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2007 ERRO NOS ASPECTOS QUANTITATIVO E TEMPORAL. IMPOSSIBILIDADE DE SEGREGAÇÃO DOS VALORES CORRETOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Havendo erro nos critérios quantitativo e temporal do lançamento, e sendo impossível, no caso concreto, a segregação dos valores corretos, sem a elaboração de novos cálculos e planilhas e a aplicação de novos critérios ao lançamento, este não pode subsistir. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007 ERRO NOS ASPECTOS QUANTITATIVO E TEMPORAL. IMPOSSIBILIDADE DE SEGREGAÇÃO DOS VALORES CORRETOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Havendo erro nos critérios quantitativo e temporal do lançamento, e sendo impossível, no caso concreto, a segregação dos valores corretos, sem a elaboração de novos cálculos e planilhas e a aplicação de novos critérios ao lançamento, este não pode subsistir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Fl. 10156DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.157 3 Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório ATACADÃO HIPER FRIOS LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 11.779.286,26, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 3. O relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância descreve de forma sucinta e objetiva o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevê lo abaixo: O processo versa sobre lançamentos tributários, em face do contribuinte acima identificado, consubstanciado nos autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 540/547), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 558/563), da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 548/552) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 553/557). O montante global do crédito tributário exigido é de R$11.779.286,26, já computados os juros moratórios e a multa de ofício de 75%. Fazem parte dos citados autos de infração o Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 566/569), o Demonstrativo do Resumo da Glosa Diária (fls. 570/575) e o Demonstrativo do Saldo Diário da Conta Caixa Após Estornos (fls. 576/583). 2. No TVF consta que: No curso da fiscalização foi verificado que foram contabilizados vários cheques a débitos da conta caixa para tanto intimamos o contribuinte em 25/01/2010 a identificar a destinação dos cheques compensados planilha fls. 23/76, a respectiva documentação comprobatória e em 05/02/2010 solicitamos as cópias dos extratos bancários do Banco Itaú, Banco Triangulo, Banco do Brasil, Banco Bradesco, Banco do Nordeste, extratos da REDECARD todos referentes a 2006. Em 23/02/2010, através do Termo Reintimação Fiscal, ratificamos a solicitação dos documentos pedidos anteriormente. Foi solicitada prorrogação de prazo, no que foi plenamente atendido. Em 01/03/2010 recebemos uma planilha em que estão discriminados alguns cheques, Banco Itaú, e seus respectivos documentos comprobatórios, mas a informação da planilha e documentos não respondiam ao Termo de Intimação. Fl. 10157DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.158 4 Orientamos o contribuinte explicando detalhadamente o que estava sendo solicitado na intimação. O mesmo solicitou prorrogação de prazo para atendimento. Novamente foi deferida a solicitação A fiscalizada, embora tenha solicitado dilatação de prazo para o atendimento do requerido nos termos acima, apresentou a planilha (fls.93/132) onde em uma das colunas consta "destino cheques" e anexada a mesma um documento (fls. 92) onde declara que "não foi possível entregar nenhuma despesa comprobatória". Após análise dos extratos bancários e planilha apresentados pelo contribuinte, os cheques relacionados na planilha, referem se a cheques compensados, cheques depositados devolvidos, débitos autorizados, cobranças bancárias e transferências, que teriam ingressado no caixa da empresa. O contribuinte, além de não apresentar nenhum documento comprobatório dos lançamentos, não consegue justificálos minimamente, conforme se verifica na Declaração do setor Contábil da Empresa (fls. 133/136), em anexo. (...) (...) Assim sendo, não comprovada a destinação dos cheques debitados na conta Caixa e liquidados via compensação bancária, implica que estes não tiveram como objetivo suprir de moeda nacional o caixa da empresa, justificandose, assim, a exclusão dos valores contabilizados a débito na conta Caixa e a tributação do saldo credor da referida conta por presunção legal de omissão de receita. 3. Cientificado dos lançamentos, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 586/617), alegando que: (a) Das planilhas que seguem em anexo ao auto de infração, não temos qualquer elemento que nos permita sequer identificar quais os ditos cheques que tiveram sua glosa efetuada, pois são planilhas genéricas e que afetam diretamente o direito de defesa do contribuinte. (b) O impugnante entregou em tempo hábil àquela fiscalização uma relação onde vincula a saída de cheques às operações glosadas, o que por si só já impunha a nulidade da autuação, pois deveria a fiscalização haver aprofundado seus estudos, solicitando, no mínimo, a apresentação da cópia desses documentos à instituição bancária. (c) A autoridade fiscal não agiu em conformidade com os artigos 923 e 924 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/1999), pois simplesmente glosou todos os lançamentos efetuados na conta caixa que se referiam a movimentação bancária, de forma indiscriminada, e sem considerar a escrita fiscal da empresa. (d) A conta Caixa guarda consonância com seus extratos bancários, e que tem comprovação lastreada nas próprias operações do sujeito passivo, que movimenta elevadas quantias em espécie, dado a enorme gama de produtos e Fl. 10158DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.159 5 moeda em circulação nos seus estabelecimentos, ou ainda, por prestar serviços de correspondente bancário, por devolução de cheques sem fundos de clientes, por estorno de operações bancárias efetuadas com erro pelos agentes financeiros, por pagamentos de contas através de borderô bancário, pagamentos de leasing de veículos, pagamento de empréstimos bancários, e outras operações. Tudo conforme documentos em anexo (docs. 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14 e 15). [Aduziu decisões administrativas] (e) Detectou que a ilustre fiscal utiliza dois pesos e duas medidas em várias situações, a saber: 1. Foi verificado em 25/01/06 que foi aceito o lançamento de chegue depositado e devolvido no valor R$ 139,00 na conta caixa; 2. Foi verificado em 03/02/06 que foi aceito o lançamento de cheque depositado e devolvido no valor R$ 78,00 na conta caixa; 3. Não foi possível identificar a diferença em 06/02/06 na conta caixa; 4. Foi verificado em 24/03/06 que foi aceito o lançamento de cheque depositado e devolvido no valor R$ 92,33 na conta caixa; 5. Foi verificado em 18/05/06 que foi aceito o lançamento de Recebimento Loja Super Compras no valor R$ 327,58; 6. Foi verificado em 18/05/06 que foi aceito o lançamento de Estorno de Lançamento no valor R$ 7.000,00 na conta caixa. Ora, porque a agente fiscal aceitou essas operações que são idênticas as que glosou? (f) Requereu perícia/diligência. 4. Em 08/02/2011, esta 4ª Turma/DRJ/Fortaleza converteu o julgamento em diligência para a Unidade Local averiguar a possibilidade de cada um dos lançamentos contábeis objeto de glosa (ou seja, a débito da conta Caixa) possuir lançamento(s) correspondente(s) a crédito da referida conta no mesmo valor, de modo a demonstrar o trânsito (apenas escritural) dos recursos pelo Caixa, sem nenhuma interferência na formação do saldo credor originalmente calculado (Resolução n° 2.081 – fls. 620/624). 5. Em resposta, a Unidade Local aduziu os documentos de efls. 5073/10084. Cientificado do resultado da diligência em 16/06/2014 (efl. 9985), não há notícia nos autos de manifestação do administrado sobre os referidos resultados. A 4ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0830.505, de 29/07/2014 (fls. 10087/10104), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 NULIDADE. VIOLAÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. PREJUÍZO CONCRETO. Não incide em nulidade do lançamento tributário devido a alegado cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte não consegue demonstrar a existência de prejuízo concreto para a elaboração de sua impugnação. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO PELA EXCLUSÃO DE DÉBITOS DA CONTA CAIXA. Fl. 10159DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.160 6 Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, as operações bancárias do contribuinte, especialmente cheques compensados e pagamentos de despesas por meio de contacorrente bancária, lançadas a débito da conta Caixa, deverão ter correspondente registro a crédito dessa conta, pela saída para a efetivação de pagamentos. A falta desse registro legitima a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos, com a consequente recomposição da referida conta, decorrendo que a apuração de saldo credor de caixa evidencia omissão de receitas. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2006 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. COFINS. PIS/PASEP. NULIDADE. ASPECTO QUANTITATIVO E TEMPORAL. Devese reconhecer a nulidade de lançamento com falha no critério quantitativo e temporal de apuração de Cofins e PIS/Pasep. Por relevante, esclareço que foram afastados integralmente os lançamentos de PIS e COFINS, por erro nos critérios quantitativo e temporal de apuração dessas contribuições. Ademais, foram reduzidos os lançamentos de IRPJ e CSLL, de acordo com o resultado da diligência determinada pelo Julgador em primeira instância, sendo excluídos da recomposição do Caixa os 154 valores para os quais foi possível identificar lançamentos contábeis a crédito da conta Caixa, em data e valor idênticos àqueles lançamentos a débito, objeto de questionamento pelo Fisco. Ciente da decisão de primeira instância em 07/08/2014, conforme Aviso de Recebimento à fl. 10109, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/09/2014 conforme carimbo de recepção à folha 10114. No recurso interposto (fls. 10114/10147), a recorrente afirma a tempestividade de seu recurso, e faz breve síntese dos fatos atinentes ao lançamento, sob sua ótica. Preliminarmente, sob o título 03. PRELIMINAR DE NULIDADE – AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO, PRESUNÇÃO RELATIVA, NECESSIDADE DE PERÍCIA TÉCNICA E CERCEAMENTO DE DEFESA, a interessada sustenta a nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância. A nulidade do lançamento residiria na falta de prova da ocorrência do suposto ato infracional (omissão de receitas), prova essa cujo ônus recairia sobre o Fisco. A interessada alega que a autoridade deveria ter se utilizado de perícia técnica para constatar a materialidade da suposta omissão de receitas. Mesmo em se tratando de presunção normativa, essa presunção teria limites, descabendo autuação com base em meros indícios. Colaciona Fl. 10160DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.161 7 doutrina em favor de sua tese. Invoca o princípio da verdade material e sustenta que cabe à autoridade lançadora atestar, de modo cabal, a ocorrência do fato jurídico que lhe deu suporte. A alegada nulidade terseia estendido, também, à decisão de primeira instância, ao afastar a realização de perícia por profissional habilitado, o que “seria o único meio de constatar efetivamente a ocorrência da omissão de receita”. Tal decisão retiraria a segurança jurídica necessária para o auto de infração possuir o mínimo de validade. No mais, a recorrente repisa, com as mesmas palavras, os argumentos anteriormente trazidos em sede de impugnação. Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário (principal mais multas) em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (demonstrativo fls. 10105/10107), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, mesmo com a alteração do limite de alçada, o recurso de ofício permanece cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, para maior clareza, a análise será feita em duas etapas: a primeira, cuidando da redução dos lançamentos de IRPJ e CSLL, de acordo com o resultado da diligência determinada pelo Julgador em primeira instância. A segunda, analisando o afastamento integral dos lançamentos de PIS e COFINS. · Redução dos lançamentos de IRPJ e CSLL. Fl. 10161DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.162 8 No que tange a esta matéria, cumpre lembrar que o lançamento foi feito diante da constatação, pela Autoridade Lançadora, de que o contribuinte contabilizava a débito da conta Caixa diversos fatos econômicos que, por sua natureza, não representariam um ingresso de recursos no Caixa. Apenas como exemplo, cheques da emissão do próprio contribuinte, compensados pela instituição bancária. Intimado a comprovar que os valores teriam meramente transitado pela conta Caixa, apontando o correspondente crédito contábil, o contribuinte não logrou fazêlo. Assim, o Fisco procedeu à recomposição do saldo da conta Caixa, excluindo os valores não comprovados e fazendo aflorar saldos credores. Por presunção legal, a ocorrência de saldos credores autoriza o lançamento por omissão de receitas. Diante da irresignação da então impugnante, e da insuficiência de elementos nos autos que permitissem a comprovação de suas alegações, a Autoridade Julgadora em primeira instância houve por bem determinar a realização de diligência, para que fosse verificado, para cada um dos lançamentos a débito objeto de glosa, a existência (ou não) de um lançamento a crédito, de mesmo valor, na conta Caixa, com o que se evidenciaria o trânsito apenas escritural dos valores por essa conta, sem efeito para fins fiscais. Em cumprimento da diligência, o AuditorFiscal encarregado do feito se manifestou às fls. 9981/9985, tendo sido identificados 154 lançamentos contábeis a débito da conta Caixa, objeto de glosa pelo Fisco, para os quais havia lançamento a crédito da mesma conta, em idêntico valor. O Julgador em primeira instância, então, fez excluir tais valores da glosa e da recomposição do Caixa (ou, melhor dizendo, fez reincluir tais valores no saldo da conta Caixa), reduzindo, assim, os saldos credores e os lançamentos de IRPJ e CSLL. Não faço reparos ao quanto decidido. Ao restar comprovado que parte dos valores questionados pelo Fisco meramente transitaram pela conta Caixa, nela ingressando (débito) e saindo (crédito), tais valores não devem ser glosados para fins de recomposição do saldo da conta Caixa. Correta a decisão de primeira instância, e nego provimento ao recurso de ofício, quanto a este ponto. · Afastamento integral dos lançamentos de PIS e COFINS. Quanto a este ponto, a Autoridade Julgadora em primeira instância entendeu ter havido vício material nos critérios temporal e quantitativo da apuração dos tributos. O excerto do voto condutor do acórdão recorrido, a seguir transcrito, bem dá conta de seus fundamentos: 48. [...] Na espécie, a periodicidade da Cofins e do PIS/Pasep é mensal, mas foi lançado trimestralmente, à semelhança do que ocorreu, na espécie, com o IRPJ e a CSLL. 49. Por via de consequência, a metodologia de apuração mensal do saldo credor de caixa, que deveria partir de saldo inicial mais débitos, menos créditos nessa conta, também viuse violada pela apuração trimestral do tributo. Sendo assim, a base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep sofreu defeito insanável, já que se trata do critério quantitativo do tributo normatizado pelo artigo 10, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972 (“determinação da exigência”). 50. Logo, por vício material nos critérios temporal e quantitativo da apuração do tributo, devese reconhecer a nulidade dos lançamentos de Cofins e PIS/Pasep. Fl. 10162DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.163 9 Também aqui, reputo correta a decisão de primeira instância. Apenas observo que, em outras situações, tenho me manifestado no sentido da manutenção parcial do lançamento. É que, naquelas outras situações, o valor da omissão de receitas foi apurado mensalmente, e o total de cada três meses lançado no último trimestre do mês. Por exemplo, as omissões de janeiro, fevereiro e março lançadas no mês de março. Sendo os fatos geradores do PIS e da COFINS mensais, seria possível, naqueles casos, simplesmente excluir os valores atinentes a janeiro e fevereiro, e manter a parte correspondente a março. Não é o que ocorre no presente caso. Segundo o critério da Autoridade Lançadora, as omissões foram apuradas por trimestre (seguindo os fatos geradores do IRPJ e da CSLL), e não a cada mês. Assim, a segregação dos valores a manter implicaria novos cálculos e planilhas, além da aplicação de critérios outros, o que, a meu ver, constituiria inovação no lançamento, inadmissível. Também aqui, portanto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Em conclusão, quanto ao recurso de ofício, voto por negarlhe provimento. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e dele conheço. Preliminarmente, a recorrente alega a nulidade da decisão de primeira instância, por afastar a realização de perícia por profissional habilitado, o que “seria o único meio de constatar efetivamente a ocorrência da omissão de receita”. Tal decisão retiraria a segurança jurídica necessária para o auto de infração possuir o mínimo de validade. Não lhe assiste razão. O pedido de perícia, feita por Contador, foi fundamentadamente indeferido pelo Julgador em primeira instância, sendo certo que as verificações pretendidas pela então impugnante foram consideradas desnecessárias ou irrelevantes para a solução do litígio, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972. Não obstante, a Autoridade Julgadora em primeira instância determinou a realização de diligência para o esclarecimento de certos pontos que, a seu juízo, ainda restavam obscuros nos autos. O cumprimento da diligência recaiu sobre AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, autoridade competente para efetuar o lançamento tributário e, por certo, também para diligenciar no curso do contencioso administrativo fiscal. A competência do AuditorFiscal para esse fim é matéria pacífica na jurisprudência administrativa, conforme se verifica da Súmula CARF nº 8, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Do resultado da diligência foi dada ciência ao contribuinte, facultandolhe prazo para, se assim o quisesse, se manifestar nos autos sobre suas conclusões. A interessada optou por não fazer uso dessa faculdade. Também, por ocasião do recurso voluntário, não trouxe qualquer outro elemento de prova em favor de suas alegações. Fl. 10163DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.164 10 Em assim sendo, rejeito a alegação de nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório. No que tange às alegações de nulidade do lançamento, bem assim a todas as demais alegações de mérito, são idênticas àquelas trazidas em sede de impugnação. Ao examinar o minucioso voto condutor do acórdão em primeira instância, constato que a decisão recorrida se sustenta por seus próprios fundamentos. Com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/19981, adoto o trecho a seguir transcrito como razões de decidir (grifos no original, bem assim as notas de rodapé igualmente transcritas). Da Diligência/Perícia 8. Não se acolhe requerimento de diligência/perícia para produção de prova, cujo ônus é do próprio administrado, consoante artigo 12, § 2°, do Decreto Lei n° 1.598, de 1977 2 (encargo de desconstituir a presunção legal em favor do fisco) e o momento apropriado é a interposição da peça impugnatória, nos termos dos artigos 15 e 16, inciso III e § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972 3 (ônus de aduzir todas as provas juntamente com a impugnação). Do Cerceamento ao Direito de Defesa 9. O contribuinte alegou que, das planilhas anexadas ao auto de infração, não seria possível identificar quais os cheques que tiveram sua glosa efetuada, por se tratar de planilhas genéricas, o que violaria o direito de defesa do contribuinte. 10. Não se acolhe tal argumento. 11. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 570), o agente fazendário explicitou que: No curso da fiscalização foi verificado que foram contabilizados vários cheques a débitos da conta caixa para tanto intimamos o contribuinte em 25/01/2010 a identificar a destinação dos cheques compensados planilha fls. 23/76, a respectiva documentação comprobatória e em 05/02/2010 solicitamos as cópias dos extratos bancários do Banco Itaú, Banco Triangulo, Banco do Brasil, Banco Bradesco, Banco do Nordeste, extratos da REDECARD todos referentes a 2006. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 2“ Art 12. (...) § 2º. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, RESSALVADA AO CONTRIBUINTE A PROVA DA IMPROCEDÊNCIA DA PRESUNÇÃO.” 3 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ... Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ... § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (destaquei) Fl. 10164DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.165 11 12. Em 23/02/2010, o contribuinte foi reintimado a apresentar as explicações e planilhas referidas no termo de 25/01/2010 (fls. 81/82). 13. Em 15/03/2010, o contribuinte foi reintimado a apresentar as explicações e planilhas referidas no termo de 25/01/2010 (fls. 90/91). 14. Como o agente fiscal entendeu que o contribuinte não se desincumbiu de seu ônus probatório, concluiu o TVF da seguinte forma (fls. 568/569): Assim sendo, não comprovada a destinação dos cheques debitados na conta Caixa e liquidados via compensação bancária, implica que estes não tiveram como objetivo suprir de moeda nacional o caixa da empresa, justificandose, assim, a exclusão dos valores contabilizados a débito na conta Caixa e a tributação do saldo credor da referida conta por presunção legal de omissão de receita. (...) Procedeuse à recomposição do saldo da conta CAIXA com a retirada dos valores acima questionados, Demonstrativo do Resumo da Glosa Diária (fls. 137/142) e Demonstrativo do Saldo Diário da Conta Caixa Após Estornos, (fls. 143/150), em anexo. 15. Portanto, ao contrário da afirmação do contribuinte, a autoridade fazendária deixou claro no TVF (efl. 570) que os cheques glosados são aqueles constantes do Termo de Intimação de fls. 23/76, cujos lançamentos contábeis, no entender do agente fiscal, não foram justificados pelo administrado. 16. Logo, não se concebe a existência de qualquer cerceamento à defesa do sujeito passivo, pois o auditor fiscal descreveu com clareza os fatos que ensejaram os lançamentos fiscais, não se vislumbrando, na espécie, prejuízo concreto ao contribuinte. DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS E DO ÔNUS DA PROVA 17. A infração apontada pela autoridade fiscal encontra fundamento legal no artigo 12, § 2°, do DecretoLei n° 1.598, de 1977: Art 12. (...) (...) § 2º. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. 18. Tal norma encontrase reproduzida no artigo 281 do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999). 19. Depreendese, pois, que o dispositivo acima estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento dos tributos correspondentes diante da constatação de saldo credor de caixa. 20. A regra geral é a de que a Administração Tributária deve provar a ocorrência de omissão de receitas. Todavia, com a presunção legal estabelecida pelo artigo 12, § 2°, do DecretoLei n° 1.598, de 1977, temse excepcionalmente a autorização para considerar ocorrido o fato gerador diante do indício relativo ao saldo credor de caixa, devendo a Administração provar apenas o fatoindício. Logo, ao contrário da argumentação do contribuinte, o fisco não tem o dever de Fl. 10165DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.166 12 aprofundar a investigação para provar a ocorrência do fato gerador (ocorrência de receitas omitidas), mas apenas do fatoindício (saldo credor de caixa). Esse é o efeito da presunção legal. 21. Apenas para argumentar, assim também reza o Código de Processo Civil, em seu artigo 334, inciso IV, ao preceituar que não dependem de prova os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. 22. Fabiana Tomé4 discorre sobre as funções da presunção no direito tributário: Convém registrar que as presunções, no âmbito tributário exercem importantes funções, servindo para (i) suprir deficiências probatórias, sendo empregadas nas hipóteses em que o Fisco se vê impossibilitado de provar certos fatos; (ii) garantir eficácia à arrecadação e (iii) preservar a estabilidade social. O emprego das presunções no direito tributário, segundo Leonardo Sperb Paola, está relacionado com a criação de mecanismos que dificultem a evasão fiscal e propiciem maior eficiência na arrecadação de tributos. São técnicas que, na visão de Misabel Abreu Machado Derzi, objetivam ‘evitar a investigação exaustiva do caso isolado, com o que reduzem os custos na aplicação da lei; dispensar a colheita de provas difíceis ou mesmo impossíveis em cada caso concreto ou aquelas que representam ingerência indevida na esfera privada do cidadão e, com isso, assegurar a satisfação do mandamento normativo’. 23. O contribuinte também asseverou que a autoridade fiscal não agiu em conformidade com os artigos 923 e 924 do RIR/1999, pois simplesmente glosou todos os lançamentos efetuados na conta caixa que se referiam a movimentação bancária, de forma indiscriminada, e sem considerar a escrita fiscal da empresa. 24. Tais artigos prescrevem que: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e COMPROVADOS POR DOCUMENTOS HÁBEIS, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 9º , § 1º ). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos FATOS REGISTRADOS COM OBSERVÂNCIA DO DISPOSTO NO ARTIGO ANTERIOR (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 9º , § 2º ). 25. Portanto, ao contrário da argumentação do administrado, é encargo do administrado comprovar com documentos hábeis os lançamentos contábeis (artigo 923 do RIR/1999). O ônus de demonstrar a invericidade da escrituração só seria da autoridade administrativa depois de observado o disposto no artigo 923, é dizer, quando os lançamentos contábeis possuírem lastro em documentação probante (artigo 924 do RIR/1999). Em suma, a escrituração só se traduz em prova (em favor do contribuinte) quando lastreada em documentos que a suportem. 26. O então Conselho de Contribuinte (atual CARF) também possui o mesmo entendimento: OMISSÃO DE RECEITA SALDO CREDOR DE CAIXA: Não apresentadas as contraprovas necessárias a atestar a regularidade dos registros contábeis, configurase perfeitamente procedente a reconstituição da conta caixa, mediante as exclusão dos valores cuja 4 TOMÉ, Fabiana Del Padre, “A prova no direito tributário”. São Paulo: Noeses, 2005, p. 140. Fl. 10166DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.167 13 efetividade dos ingressos não restou comprovada por instrumentos hábeis. (Acórdão n° 10194.378; 1° Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara; j. 15/10/2003.) 27. A ausência de demonstração de determinadas operações na conta Caixa, mediante documentos hábeis, autoriza a exclusão desses lançamentos contábeis e a posterior recomposição da conta Caixa. Se tal procedimento implicar saldo credor de caixa, o comando estabelecido pelo artigo 12, § 2°, do DecretoLei n° 1.598, de 1977, cuida de presunção relativa de omissão de receitas, que admite prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte a sua produção. 28. Provado o fatoindício referente à incidência de saldo credor de caixa, cabe ao sujeito passivo o encargo de provar que cada um dos lançamentos contábeis está fundamentado em documentação hábil. De outro lado, em caso de inatividade do impugnante em apontar fatos impeditivos/modificativos e extintivos para o lançamento fiscal, prevalece a linguagem probatória alusiva à existência de omissão presumida de receitas. 29. Já o Acórdão n° 119576 (aduzido pelo impugnante) 5 não se aplica ao presente caso, pois sua própria ementa disciplina fato tributário para o qual inexista presunção legal sobre ele incidente (pois cuida de glosa de despesas), o que não é o caso do presente autos (omissão de receitas por presunção legal). 30. Por seu turno, o Acórdão n° 164760 (aduzido pelo impugnante)6 também versa sobre tema diverso, é dizer, sobre presunção de omissão de receitas apurado mediante saldo credor em conta de despesa. Em outras palavras, não existe presunção legal a respeito da situação enfrentada pelo referido Acórdão, o que não é o caso de presente autos sobre o qual incide o artigo 12, § 2°, do DecretoLei n° 1.598, de 1977 (saldo credor de caixa). DO SALDO CREDOR DE CAIXA 31. Segundo o impugnante, a conta Caixa guardaria consonância com seus extratos bancários e estaria lastreada nas próprias operações do sujeito passivo, pois movimentaria elevadas quantias em espécie, devido à enorme gama de produtos e moeda em circulação nos seus estabelecimentos, ou ainda, pela prestação de serviços de correspondente bancário, por devolução de cheques sem fundos de clientes, por estorno de operações bancárias efetuadas com erro pelos agentes financeiros, por pagamentos de contas através de borderô bancário, pagamentos de leasing de veículos, pagamento de empréstimos bancários, e outras operações. E aduziu documentos (docs. 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14 e 15) juntamente com sua impugnação. 5 ACÓRDÃO Nº 119576 (DRJ/Recife). Ementa: GLOSA DE DESPESA. ÔNUS DA PROVA: Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Não tendo a fiscalização questionado a documentação comprobatória da despesa ou a efetiva prestação do serviço, revelase insubsistente a glosa efetuada posto que baseada exclusivamente em depoimento do proprietário do imóvel onde supostamente estaria instalada a sede do prestador do serviço. 6 Acórdão n° 16470 (DRJ/São Paulo). Ementa: Omissão de Receitas A existência de saldo credor em conta de despesas não pode acarretar a presunção de omissão de receitas sem que haja o aprofundamento da ação fiscal. Omissão de Receitas A falta de comprovação do recebimento de contas a receber não pode, por si só, levar à presunção da ocorrência de omissão de receitas, sem que a fiscalização demonstre de forma cabal a falta do pagamento de tributo. PIS, IRFON, COFINS e CSLL O decidido quanto ao lança mento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes. Fl. 10167DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.168 14 32. Observese, de plano, que a glosa foi efetuada em lançamentos contábeis indevidamente escriturados a débito da conta Caixa por referiremse, segundo o agente fiscal, a cheques e outras operações bancárias ocorridas em contacorrente de titularidade do contribuinte. 33. Conforme lição de Iudícibus, Martins e Gelbcke, “há empresas que ainda efetuam toda a contabilização por meio da conta Caixa, incluindo todos os recebimentos e todos os pagamentos em cheques, gerando um grande e desnecessário volume de débitos e créditos”7. De outra banda, os cheques poderiam ter transitado pela conta Caixa convenientemente apenas para acobertar eventual saldo credor de Caixa. 34. Como o contribuinte alegou que sua conta Caixa encontrase em consonância com seus extratos bancários, então, por exemplo, em relação ao lançamento a débito da conta Caixa (tendo como contrapartida o crédito na conta contábil “Banco Brasil C/C 333417”) no valor de R$1.786,98, em 12/01/2006, o sujeito passivo alegou que se trataria de pagamento de empréstimo (fl. 99). Se tal lançamento (LANÇAMENTO 01, infra) referese, de fato, a pagamento de empréstimo com utilização da conta Caixa, deveria ter sido sucedido por outro (LANÇAMENTO 02, infra) a débito da conta “Empréstimo”, com crédito da conta Caixa, na seguinte forma: 12/01/2006 LANÇAMENTO 01 DÉBITO/CRÉDITO CONTA VALOR (R$) DÉBITO Caixa CRÉDITO Banco Brasil C/C 333417 ..................... 1.786,98 LANÇAMENTO 02 DÉBITO/CRÉDITO CONTA VALOR (R$) DÉBITO Empréstimo CRÉDITO Caixa ..................................................... 1.786,98 35. Como antes só constava dos autos os lançamentos a débito do Caixa (v. fls. 23/76), não se podia averiguar a existência do LANÇAMENTO 02 (a crédito da conta Caixa). 36. Quanto ao sistema de borderô, utilizado pelo impugnante, ele alegou que encaminhava à sua agência bancária uma relação de títulos e contas (duplicatas, documentos de arrecadação de tributos, contas de telefone e energia elétrica, e outros) que desejava efetuar o pagamento ou o depósito, e o banco se encarregava de processar o solicitado. Ao final, era feito um débito integral na contacorrente do sujeito passivo, representativo do valor total dos pagamentos efetuados. Citou como exemplo o pagamento feito na contacorrente n° 247301 do Banco Itaú S/A, em 20/01/2006, no valor de R$28.537,50. Pois bem, desenvolvendo raciocínio similar aos parágrafos anteriores, devese perquirir se foi efetuado, em seguida, um crédito na conta Caixa na mesma quantia (R$28.537,50). 37. Resumindo, havia a dúvida sobre o motivo pelo qual a conta Caixa foi usada para contabilização de operações bancárias (pagamentos de empréstimos bancários, cheques devolvidos por falta de fundos, estorno de lançamentos bancários, pagamentos de contratos de “leasing” e consórcio, pagamentos de contas através do sistema de borderô, recebimentos de contas através do sistema de correspondente bancário, 7 IUDÍCIBUS, Sergio de; MARTINS, Eliseu; e GELBCKE, Ernesto Rubens. “Manual de contabilidade das sociedades por ações – aplicável às demais sociedades”. São Paulo: Atlas, 2007, p. 70. Fl. 10168DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.169 15 tarifas bancárias, pagamento de fornecedores e TED). Isso porque, com a ausência nos autos de cópias da conta Caixa do livro Razão – em sua completude –, não se podia averiguar a metodologia de contabilização utilizada pelo contribuinte. 38. Por isso, em 08/02/2011, esta 4ª Turma converteu o julgamento em diligência para a Unidade Local averiguar a possibilidade de cada um dos lançamentos contábeis objeto de glosa (ou seja, a débito da conta Caixa) possuir lançamento(s) correspondente(s) a crédito da referida conta no mesmo valor, de modo a demonstrar o trânsito (apenas escritural) dos recursos pelo Caixa, sem nenhuma interferência na formação do saldo credor originalmente calculado (Resolução n° 2.081 – fls. 620/624). 39. Em resposta, a Unidade Local proferiu o seguinte parecer (efls. 9981/9985) com o qual concordo e adoto como razão de decidir (artigo 50, §1°, da Lei n° 9.784, de 1999)8: 4. Em 08/03/2013 foi lavrado TERMO DE INÍCIO DE DILIGÊNCIA FISCAL no qual o contribuinte foi cientificado do inteiro teor da Resolução 2.081 – 4ª Turma da DRJ/FOR, de 08 de fevereiro de 2011, bem como intimado a apresentar os livros contábeis Diário e Razão referentes ao anocalendário 2006 e arquivo magnético contendo sua escrituração contábil. (...) 11. No curso da presente diligência fiscal foram analisados individualmente todos os lançamentos contábeis a débito da conta “11101.00016 CAIXA” objeto de glosa. Referida análise foi dividida em dois procedimentos, a saber: a) Verificação da possibilidade de haver lançamento concomitante a crédito da conta “11101.00016 CAIXA”. Ou seja, lançamento a crédito da conta “11101.00016 CAIXA” no mesmo valor e na mesma data do lançamento objeto de glosa. b) Análise do histórico do extrato bancário da contrapartida. 12. Todos os lançamentos glosados foram tabulados na “Planilha 1 Lançamentos a débito da conta 11101.00016 CAIXA glosados no ano calendário 2006” [efls. 9986/10073]. Referida planilha contém 86 (oitenta e seis) folhas e relaciona os dados especificados no quadro abaixo, bem como informa o total diário dos lançamentos objeto de glosa. Cabe ressaltar que nos autos do processo administrativo em 13312.000331/201058 havia falha na cópia do extrato bancário do mês de julho/2006 da conta n° 308684 mantida no Banco Triângulo (fl. 311), fato que impedia a leitura do histórico do lançamento. Bem como ausência de folha do extrato bancário do mês de outubro/2006 da conta n° 33.3417 mantida no Banco do Brasil referente ao período compreendido entre os dias 19 a 31 de outubro de 2006 (fls. 467468). Para sanar tais deficiências o contribuinte foi intimado a apresentar as cópias dos referidos extratos. (...) 13. Da analise dos 2.646 (dois mil, seiscentos e quarenta e seis) lançamentos contábeis glosados pela autoridade lançadora ficou constatado que havia 154 (cento e cinquenta e quatro) com lançamentos concomitantes a crédito da conta “11101.00016 CAIXA”. Tais lançamentos estão listados na “Planilha 2 8 Art. 50. (…) § 1° A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 10169DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.170 16 Lançamentos glosados com ocorrência de lançamentos concomitantes a crédito conta "11101.00016 CAIXA” [efls. 10074/10084]. Referida planilha contém 11 (onze) folhas e relaciona os dados de ambos os lançamentos (glosado e concomitante) conforme especificado na tabela abaixo. Tabela 3 Especificação dos dados contidos na “Planilha 2 Lançamentos glosados com ocorrência de lançamentos concomitantes a crédito da conta 11101.00016 CAIXA” COLUNA INFORMAÇÃO LANÇAMENTO Informação “GLOSADO” ou “CONCOMITANTE” indica que os dados (DATA, VALOR, CONTA DEBITADA, CONTRAPARTIDA, HISTÓRICO CONTÁBIL e CHAVE) são do lançamento glosado pela autoridade lançadora ou do lançamento concomitante a crédito da conta “1101.00016 CAIXA”. DATA Data de escrituração do lançamento. VALOR (RS) Valor do lançamento. CONTA DEBITADA Conta debitada na escrituração do lançamento contábil. CONTRAPARTIDA Conta contábil da contrapartida (conta creditada) do lançamento escriturado. HISTÓRICO CONTÁBIL Transcrição literal do histórico do lançamento escriturado pelo contribuinte no livro contábil Diário. CHAVE Identificador unívoco do registro do lançamento glosado conforme escriturado no livro Diário. 14. A tabela abaixo relaciona a consolidação mensal dos lançamentos glosados com ocorrência de lançamentos concomitantes a crédito na conta "11101.00016 CAIXA". Tabela 4 Consolidação mensal dos lançamentos glosados com ocorrência concomitante de lançamentos a crédito da conta “11101.00016 CAIXA” PERÍODO 2006 QUANTIDADE DE LANÇAMENTOS VALOR (R$) JANEIRO 6 18.221,20 FEVEREIRO 5 2.891,48 MARÇO 10 48.469,67 ABRIL 18 94.425,13 MAIO 14 86.778,02 JUNHO 14 30.264,76 JULHO 18 125.845,28 AGOSTO 11 51.052,14 SETEMBRO 12 108.091,47 OUTUBRO 18 149.105,75 NOVEMBRO 16 150.710,98 DEZEMBRO 12 34.568,87 TOTAL 154 893.424,75 40. Verificase que, nos lançamentos contábeis glosados, a contrapartida é uma conta contábil relativa a banco (contacorrente), consoante efls. 9986/10073. Como a autoridade diligenciadora somente constatou o lançamento invertido nos eventos referidos na “Planilha 2” [efls. 10074/10084], tais valores devem ser excluídos da base de cálculo dos tributos ora julgados. Excetuando as quantias da “Planilha 2”, o contribuinte não conseguiu demonstrar, de acordo com a boa técnica contábil, o fundamento dos demais lançamentos contábeis a débito da conta Caixa e a crédito das diversas contas do gênero Bancoscontamovimento. 41. O entendimento aqui exposto é pacífico no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Como exemplo, vejase a decisão a seguir sobre caso semelhante: Fl. 10170DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.171 17 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO PELA EXCLUSÃO DE CHEQUES LANÇADOS A DÉBITO. Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, os cheques emitidos pela empresa, compensados por instituição bancária, lançados a débito da conta Caixa, deverão ter correspondente registro a crédito desta conta, pela saída para a efetivação de pagamentos. A falta desse registro legitima a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos, sendo que a apuração de saldo credor de caixa evidencia omissão de receitas. (Acórdão n° 1301001.421; 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, 1ª Seção de Julgamento, CARF; j. 11/03/2014) 42. Há também outros julgados recentes como os Acórdãos n° 1102 00.491, 110300.712 e 120200.483, todos julgados no biênio 2011/2012. 43. Esclareçase ainda que os lançamentos fiscais ora julgados tratam exclusivamente sobre omissão de receitas por saldo credor de caixa. Mesmo se excluindo da conta Caixa lançamentos contábeis (débito a caixa e crédito a bancos contamovimento) indiretamente referenciados em despesas, daí NÃO decorreu qualquer glosa de despesa, que pôde ser deduzida integralmente da receita na apuração do lucro real. 44. Analisamse, a seguir, outros argumentos do contribuinte: ARGUMENTAÇÃO DO IMPUGNANTE ANÁLISE DO RELATOR DESTE PROCESSO IV. b. Cheques Depositados e Devolvidos Ora, são vários exemplos que comprovam o erro material na autuação fiscal, que não poderia glosar tais operações, simplesmente porque sua prova está inserta nos próprios extratos bancários (doc. 04) que foram entregues à agente fiscal. Mais uma vez se diga, se esta tinha alguma dúvida deveria consultar diretamente a instituição financeira a fim de confirmar as operações que já se encontravam comprovadas pelos próprios extratos bancários. Tenhase como simples exemplo, que evidencia o equívoco da agente fiscal, o lançamento no extrato bancário do Banco Triângulo S/A referente ao depósito do cheque n° 850686, que foi depositado e devolvido em 17/01/2006, e reapresentado em 18/01/2006, e devolvido novamente em 19/01/2006. Isso tudo está no extrato bancário! Qual outra prova que se quer dessa operação? [efls. 602/603] Aduziu o Acórdão nº 127061 (DRJ/Rio de Janeiro). [efls. 603/604] Documentos Anexados: Doc. 04 (efls. 694/977) O valor do cheque n° 850686 é R$778,00. Com esse valor constam dois lançamentos a débito da conta Caixa (em 17/01/20006 e 19/01/2006, cf. efls. 7910 e 7913, respectivamente). Ocorre que apenas consta um lançamento a crédito da conta Caixa com tal quantia (em 18/01/2006, cf. efl. 7913). Portanto, faltou ao contribuinte demonstrar o outro lançamento a crédito da conta Caixa, no valor de R$778,00, para se atingir a neutralidade contábil. Em resumo, como cheques depositados e devolvidos foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles (cheques), o que não o fez. Demais disso, de nada adianta o impugnante aduzir extratos de suas contascorrentes ou informar os destinatários dos cheques ou solicitar diligência às instituições bancárias pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. Por fim, o Acórdão nº 127061 trata sobre “falta de comprovação de parte do saldo da conta de ativo circulante ‘Cheques Devolvidos a Recuperar’. Logo, tratase de decisão inaplicável na espécie, pois, diferentemente, o presente caso versa sobre presunção de omissão Fl. 10171DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.172 18 de receitas por saldo credor de caixa. IV.c. Estorno de Lançamentos Bancários. Identificase na planilha anexa (doc. 07) que várias operações glosadas pela autuante em verdade são caracterizadas como estornos de lançamentos efetuados equivocadamente pelos agentes bancários, em especial nas contas 247301 do Banco Itaú e 333417 do Banco do Brasil, conforme a planilha. Não podemos deixar de contestar tais glosas, pois esses registros da conta caixa se deram exclusivamente porque o agente bancário efetuou crédito indevido na conta da empresa, e ao processar seu sistema de compensação bancária efetuou os referidos estornos, o que em nada afeta o resultado final da empresa. Não podemos pagar pelo equívoco de terceiros! Se examinarmos as operações veremos que tais montam o valor de R$105.679,58, e todas são comprovadas também pelo simples exame dos extratos bancários que seguem anexos. [efls. 604/605] Documentos Anexados: Doc. 07 (efls. 1068/1070) Como lançamentos bancários (alusivos a crédito indevido na contacorrente do impugnante ou seu estorno) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles, o que não o fez. Demais disso, de nada adianta o impugnante aduzir extratos de suas contascorrentes ou solicitar diligência às instituições bancárias pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. IV.d. Pagamentos de Empréstimos Bancários. Na mesma linha da defesa já apresentada acima para os demais quesitos, não conseguimos entender como a ilustre agente fiscal efetua a glosa das operações bancárias devidamente registradas na conta caixa, se estas são comprovadas em seu extrato bancário. Caso tivesse dúvidas caberia à administração requisitar informações diretamente à instituição bancária, pois esta que gerou as informações bancárias que o contribuinte utiliza para conciliação em sua contabilidade. É sabido que as empresas constantemente precisam de empréstimos bancários para suprir seu capital de giro, situação decorrente da própria operação comercial a que está submetido. Nesse diapasão a empresa impugnante não guarda diferença com as demais, mantendo conta corrente garantida com empréstimos no Banco do Brasil (n° 33.3417) e no Banco Itaú (n° 247301). Exatamente sobre esse fato não podemos também concordar com a glosa do valor de R$142.823,70, representativa de pagamentos de empréstimos através de débitos automáticos nas contas correntes do contribuinte, conforme esboçado na planilha anexa (doc. 08). [efls. 606/607) Documentos Anexados: Doc. 08 (efls. 1071/1078) Como lançamentos bancários (referentes a pagamentos de empréstimos bancários por meio da contacorrente do impugnante) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles, o que não o fez. Demais disso, de nada adianta o impugnante aduzir extratos de suas contascorrentes ou solicitar diligência às instituições bancárias, pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. Fl. 10172DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.173 19 IV.e. Pagamentos de Contratos de Leasing e Consórcio. A mesma peculiaridade das situações acima é reproduzida quando nos deparamos com os valores correspondentes a R$53.569,37 referentes ao pagamento de contratos de Leasing e Consórcio contratados (doc. 09) com os Bancos Itaú e Bradesco, respectivamente nas contas 247301 e 338303. Ora, é de clareza solar que dentre os lançamentos debitados na conta caixa são identificados nos extratos bancários operações de Leasing no Banco Itaú e Consórcio no Banco Bradesco, onde podemos retirar os extratos até mesmo o código da operação, não deixando dúvidas conquanto a sua idoneidade. É de se estranhar a atitude da agente fiscal, que mesmo sendo informada de todas as operações durante a fiscalização, pois tinha em seu poder todos os extratos bancários, deixou de fazer prova sobre o que pretendia autuar à empresa, fazendo vista grossa, e impondo o lançamento sob a alcunha de movimentação não comprovada, quando em realidade todos os lançamentos na conta caixa estavam suportados pelos extratos bancários, com a identificação de cada uma das saídas. Especificamente sobre a situação em tela, cai por terra a acusação, pois estamos comprovando que as operações constantes da planilha anexa (doc. 09) são em verdade pagamentos de contratos de leasing e consórcio, debitados automaticamente pelos agentes bancários. [efl. 608] Documentos Anexados: Doc. 09 (efls. 1079/1091) Como lançamentos bancários (alusivos a pagamentos de leasing e consórcio por meio da contacorrente do impugnante) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito em relação a cada um deles, o que não o fez. Demais disso, de nada adianta o impugnante aduzir extratos de suas contascorrentes ou solicitar diligência às instituições bancárias pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. IV.f. Pagamentos de Contas Através do Sistema de Borderô. Pelo referido sistema (borderô) a empresa encaminha à sua agência bancária uma relação de títulos que deseja efetuar o pagamento ou o depósito, e o Banco se encarrega de processar o solicitado. Ao final, é feito um débito integral na conta corrente da empresa, representativo do valor total dos pagamentos efetuados. Não conseguimos entender como a ilustre agente fiscal sequer se deu ao trabalho de verificar nos extratos bancários da autuada tais lançamentos, pois de simples cruzamento entre sua conta caixa e aqueles extratos, vêse claramente que todas as saídas têm comprovação. Tomemos por exemplo o pagamento feito pelo sistema ‘borderô’ na conta corrente n° 247301 do Banco Itaú S/A, em 20/01/2006, no valor de R$28.537,50, pois bem, conta expressamente esse pagamento e sua identificação no extrato (operação pasta 000069), e nesse mesmo dia a agente fiscal glosa o valor total de R$61.730,81, ou seja, glosou indevidamente pagamento efetivamente comprovado pelo próprio extrato bancário. O exemplo acima serve de norte para a demonstração do quanto foi falho o levantamento realizado pela agente fiscal, pois efetuou a glosa de lançamentos na conta caixa, que representam pagamentos realizados através de borderô, que estão cabalmente identificados nos extratos bancários. A agente fiscal deveria ter notificado às instituições bancárias para que estas apresentassem o controle do que foi pago pelo contribuinte através de "borderô", e não glosar o lançamento na conta caixa do Livro Razão. Como lançamentos bancários (referentes a pagamentos pelo sistema de borderô por meio da contacorrente do impugnante) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles, o que não o fez. Demais disso, de nada adianta o impugnante aduzir planilha de borderôs (ou seu requerimento) ou os extratos de suas contascorrentes ou solicitar diligência às instituições bancárias, pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. Portanto, o pagamento de R$28.537,50 não foi glosado do extrato bancário, mas sim o lançamento a débito na Conta Caixa nesse valor, por ausência de lançamento a crédito que efetivasse a neutralidade contábil. Fl. 10173DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.174 20 Documentos Anexados: Doc. 10 (efls. 1092/1097) e Doc. 11 (efls. 1098/1104) IV.g. Recebimentos de Contas Através do Sistema de Correspondente Bancário. Também conforme provas colhidas diretamente da escrituração da empresa, mais precisamente do Livro Razão, vemos que foram inseridos nos valores glosados genericamente da conta caixa aqueles relacionados à prestação do serviço de correspondente bancário pela empresa impugnante ao Banco Triângulo S/A. A operação consiste em a empresa efetuar recebimentos a título de contas básicas (água, luz, telefone, boletos), como correspondente do referido agente financeiro, e posteriormente efetuar a transferência dos respectivos valores ao Banco. Exatamente por isso esses valores transitaram na conta caixa da empresa, mas sempre debitando e creditando. O lançamento dessa conta recebia a denominação de "Recebimento Loja S. Compras" (Recebimento Loja Super Compras), que nada mais é do que o débito direto em conta corrente da impugnante dos valores que foram recebidas em virtude do pagamento de contas básicas de terceiros. Da mesma forma que os tópicos acima, um simples confronto entre a planilha anexa (doc. 12) e os extratos da conta corrente n° 308684 do Banco Triângulo S/A, elidem a suposta ausência de comprovação apontada pela agente fiscal. Destarte, basta uma simples diligência ao Banco Triângulo S/A para que este confirmasse os referidos lançamentos, que montam o valor de R$326.490,72, conforme apontado na planilha anexa (doc. 12). Mais uma vez se diga que o presente auto de infração trata somente de lançamentos ditos “não comprovados” na conta caixa, e que as comprovações aqui estão sendo feitas através do confronto entre as genéricas glosas diárias efetuadas pela ilustre agente fiscal e os extratos bancários, confirmado a existência de procedência de cada lançamento. Documentos Anexados: Doc. 12 (efls. 1105/1114) Como lançamentos bancários (relacionados ao serviço de correspondente bancário por meio da contacorrente do impugnante) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles, o que não o fez. Por esse motivo, de nada adianta o confronto entre a planilha de repasses de correspondente bancário (doc. 12) e os extratos de conta bancária, ou o “destino” do cheque, ou solicitar diligência às instituições bancárias, pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. Tomese, por exemplo, o débito na conta Caixa no valor de R$1.301,41, de 10/01/2006, que foi regularmente glosado pela autoridade fiscal (e fl. 9988) por não haver o respectivo lançamento a crédito na conta Caixa no mesmo valor. Então cai por terra o argumento do contribuinte no sentido de que “esses valores transitaram na conta caixa da empresa, mas sempre debitando e creditando”. IV.h. Tarifas Bancárias. Nos causa espécie o fato de, dentre as já inúmeras situações acima apontadas, houve a glosa de até mesmo tarifas bancárias dentro das glosa diárias que foram apontadas genericamente pela agente fiscal. Se examinarmos da planilha anexa (doc. 13) veremos que devem ser excluídas das glosas efetuadas à conta caixa os valores correspondentes às tarifas bancárias, no valor global de R$4.738,63. Não há como se manter a referida glosa, pois se comprova através dos extratos e planilha anexas que tais valores estão contidos nas glosas, o que é vedado frente a sua estrita ligação com as atividades comerciais da impugnante: Aduziu trecho da ementa do Acórdão nº 1214096 de 16 de maio de 2007. Portanto, improcedente o auto de infração também nesse ponto, pois comprovadas as despesas com tarifas bancárias pelas informações dos extratos bancários, bastando um cotejo entre a planilha anexa e os extratos dos bancos ali identificados, nas respectivas datas. Documentos Anexados: Doc. 13 (efls. 1115/1118) Como lançamentos bancários (relacionados a pagamentos de tarifas bancárias por meio da contacorrente do impugnante) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles, o que não o fez. Por esse motivo, de nada adianta o confronto entre a planilha de pagamento de tarifas bancárias (doc. 13) e os extratos de conta bancária ou solicitar diligência às instituições bancárias pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. Tomese, por exemplo, o débito na conta Caixa no valor de R$413,83, de 03/04/2006, que foi regularmente glosado pela autoridade fiscal (e fl. 10009), pois o contribuinte não indicou a localização do respectivo lançamento a crédito na conta Caixa no mesmo valor. Por fim, o trecho da ementa do Acórdão nº 12 14096 (efl. 613/614) trata sobre “glosa de despesas financeiras”. Logo, tratase de decisão inaplicável na espécie, pois o presente caso versa apenas e tãosomente sobre presunção de omissão de receitas por saldo credor da conta caixa. Fl. 10174DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.175 21 IV.i. Cheques pagos. Pagamentos de Fornecedores. Comprovação de Notas Fiscais. Continuando a já extensa defesa dos direitos do contribuinte impugnante, e já tendo justificado quase 50% (cinqüenta por cento) das glosas indevidas, trazemos aos autos três planilhas (doc. 14) que discriminam os cheques emitidos pela empresa, as Notas Fiscais de mercadorias compradas no período da autuação, e um resumo exemplificativo de algumas notas vinculadas aos respectivos cheques. É de se estranhar que a ilustre agente fiscal não tenha se aprofundado nesse exame, pois no diminuto tempo que nos restou, e tendo em vista que as instituições bancárias não nos forneceram as cópias de cheques em tempo hábil, fizemos exemplificativamente uma correlação entre Nota Fiscal e respectivo cheque que lastreou seu pagamento, tudo lançado na conta caixa do Livro Razão, donde retiramos que quase de R$200.000,00 em pagamentos foram identificados. Nesse trilhar, anexamos aos autos (doc. 15), para fins de perícia, todas as Notas Fiscais de compras de mercadorias que se relacionam aos cheques emitidos pela impugnante, lastreando os movimentos na conta caixa. Documentos Anexados: Doc. 14 (efls. 1119/1164) e Doc. 15 (efls. 1165/5070) Como lançamentos bancários (relacionados a pagamentos de fornecedores por meio da contacorrente do impugnante) foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles, o que não o fez. Por esse motivo, de nada adianta a planilha de conciliação entre cheque e nota fiscal (doc. 14), tampouco as cópias das notas fiscais de compra (doc. 15), pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. [Argumento Presente Em Vários Itens] Aduziu o Acórdão n° 1218452 (DRJ/Rio de Janeiro). [efl. 604 e ss.] O Acórdão nº 1218452 cuida de presunção de omissão de receitas por depósito bancário com origem não comprovada (art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996). Logo, tratase de decisão inaplicável na espécie, pois, diferentemente, o presente caso versa apenas sobre presunção de omissão de receitas por saldo credor de caixa. [Argumento Presente Em Vários Itens] O Acórdão nº 1218452 [decisão analisada na linha anterior] fundamenta mais ainda o direito do presente contribuinte em ver excluídas da acusação de ausência de comprovação de destinação os valores relacionados aos cheques depositados e devolvidos apontados nas planilhas anexas (doc. 05), pois devidamente comprovados nos extratos bancários, prova suficiente para lastrear os lançamentos na conta caixa. [efl. 604] Documentos Anexados: Doc. 05 (efls. 978/1011) Repisese que como lançamentos bancários foram escriturados indevidamente a débito da conta Caixa, o contribuinte deveria ter indicado a localização do correspondente lançamento contábil a crédito, na conta Caixa, em relação a cada um deles (cheques), o que não o fez. Demais disso, de nada adianta o impugnante comprovar a destinação dos cheques ou aduzir extratos de suas contascorrentes ou solicitar diligência às instituições bancárias, pois, na espécie, o cerne da questão é a supracitada ausência probatória do crédito na conta Caixa que deveria estar na própria escrituração do administrado. [Argumento Presente Em Vários Itens] Ressaltese que todas as operações foram devidamente registradas no Livro Razão (doc. 06), portanto não se há como sustentar uma ilusória acusação de omissão de receitas. [efl. 604] Documentos Anexados: Doc. 06 (efls.1012/1067) Como no livro Razão, especificamente na conta Caixa, não constam lançamentos a crédito correspondentes aos débitos na conta Caixa referentes a operações bancárias, a conta Caixa foi recomposta e o saldo credor daí resultante gerou presunção de omissão de receita. Fl. 10175DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.176 22 IV.j. Fatos Controversos Pois bem, no decorrer de nosso exame, detectamos que a ilustre fiscal utiliza dois pesos e duas medidas em várias situações, a saber: 1. Foi verificado em 25/01/06 que foi aceito o lançamento de cheque depositado e devolvido no valor R$ 139,00 na conta caixa. 2. Foi verificado em 03/02/06 que foi aceito o lançamento de chegue depositado e devolvido no valor R$ 78,00 na conta caixa. 3. Não foi possível identificar a diferença em 06/02/06 na conta caixa. 4. Foi verificado em 24/03/06 que foi aceito o lançamento de chegue depositado e devolvido no valor R$ 92,33 na conta caixa. 5. Foi verificado em 18/05/06 que foi aceito o lançamento de Recebimento Loja Super Compras no valor R$ 327,58. 6. Foi verificado em 18/05/06 que foi aceito o lançamento de Estorno de Lançamento no valor R$ 7.000,00 na conta caixa. Ora, porque a agente fiscal aceitou essas operações que são idênticas as que glosou? Se folhearmos os autos veremos que não existe justificativa para tal situação, o que macula de dúvida todo o lançamento, colocando o contribuinte em total instabilidade e insegurança jurídica, pois podem haver mais situações como essas, além do que, se comprovou acima toda a licitude das operações registradas na conta caixa. 1. Esse débito na conta Caixa (em 25/01/06, no valor de R$139,00) foi aceito porque houve o lançamento invertido (ou seja, a crédito da conta Caixa e no mesmo valor) em 26/01/2006 (efl. 7928). 2. Esse débito na conta Caixa (em 03/02/06, no valor R$78,00) foi aceito porque houve o lançamento invertido (ou seja, a crédito da conta Caixa e no mesmo valor) em 03/02/2006 (efl. 7949). 3. Os valores glosados de 06/02/2006 são os constantes da planilha de efl. 30 e totalizam R$41.401,37. A autoridade fiscal apontou esse valor na efl. 573. Em procedimento de diligência, o agente diligenciante confirmou tal quantia (efl. 9995), tendo em vista que inexistiu concomitância nesse dia (efl. 10074). 4. Esse débito na conta Caixa (em 24/03/06, no valor R$92,33) foi aceito porque houve o lançamento invertido (ou seja, a crédito da conta Caixa e no mesmo valor) em 24/03/2006 (efl. 8030). 5. Esse lançamento contábil (em 18/05/06, no valor R$327,58) foi glosado consoante fl. 47. 6. Esse débito na conta Caixa (em 18/05/06, no valor R$7.000,00) foi aceito porque houve o lançamento invertido (ou seja, a crédito da conta Caixa e no mesmo valor) em 18/05/2006 (efl. 8508). Conclusão: Em suma, não se vislumbra disparidade nos critérios e na metodologia adotados pela autoridade fiscal nas questões levantadas pelo administrado. Apenas para argumentar, mesmo que houvesse falhas no lançamento fiscal, não implicaria sua nulidade, mas a sua correção no decorrer das diversas instâncias do processo administrativo tributário. CSLL. Tributação Reflexa 45. Quanto à CSLL (tributo considerado reflexo), como se trata da mesma matéria fática e não há outros aspectos específicos a serem apreciados (além dos aspectos analisados no tópico anterior), aplicase a mesma decisão do principal (IRPJ) ao lançamento decorrente. Liquidação 46. Em relação aos lançamentos de IRPJ e CSLL, a base tributável mantida neste Voto é determinada pela subtração entre a base de cálculo apurada pela autoridade autuante e o valor apurado de concomitância entre a conta Caixa e a conta Bancos (tabela 4 da efl. 9984). Essa diferença é igual ao maior saldo credor do correspondente período de apuração. Fl. 10176DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13312.000331/201058 Acórdão n.º 1301001.838 S1C3T1 Fl. 10.177 23 47. Eis os valores mantidos segundo o entendimento deste relator: (A) (B) ( C ) = (A) – (B) (D) = (C) x 15% + [(C) – 60.000] x 10% (E) = 9% x (C) PERÍODO DE APURAÇÃO OMISSÃO DE RECEITA DO TRIMESTRE SEGUNDO DEMONSTRATIVO DE E FLS. 579/586, COLUNA “Saldo Final” LANÇAMENTOS GLOSADOS COM OCORRÊNCIA CONCOMITANTE DE CRÉDITO NA CONTA CAIXA, SEGUNDO TABELA 4 DA efl. 9984 BASE DE CÁLCULO MANTIDA NESTE VOTO IRPJ MANTIDO (INCLUSIVE ADICIONAL) CSLL MANTIDA 1° TRIM/2006 2.480.889,93 69.582,35 2.411.307,58 596.826,90 217.017,68 2° TRIM/2006 3.908.915,34 211.467,91 3.697.447,43 918.361,86 332.770,27 3° TRIM/2006 2.424.777,08 284.988,89 2.139.788,19 528.947,05 192.580,94 4° TRIM/2006 4.026.405,94 334.385,60 3.692.020,34 917.005,09 332.281,83 [...] Irretocável a decisão de primeira instância. Com os fundamentos acima, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 10177DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 13005.720884/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
TRATADO BRASIL-FRANÇA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA PREVALÊNCIA DOS REGIMES ESPECIAIS. GANHOS DE CAPITAL.
No caso de a remessa para o exterior puder ser enquadrada em qualquer outro preceito do acordo, a incidência do artigo 7º deve ser afastada, em respeito ao "princípio da prevalência dos regimes especiais". Os rendimentos remetidos provenientes da alienação de direitos da empresa estrangeira que ela mantinha no exterior devem ser enquadrados no artigo 13 do Tratado, que trata dos ganhos de capital.
RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO NA FONTE.
Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por fonte situada no País a pessoa física ou jurídica residente no exterior estão sujeitos à incidência de imposto de renda na fonte.
RENDIMENTOS RELATIVOS A DIREITOS DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL NO EXTERIOR. ALÍQUOTA VIGENTE A PARTIR DE 1º/1/2000. REVOGAÇÃO DO ARTIGO 691, VI, DO RIR/99, PELO ARTIGO 1º da Lei 9.959/00.
A partir de 1º/1/2000, com o art. 1º da Lei 9.959/00, c/c art. 1º, inciso VII, da Lei 9.481/97, passou a vigorar a alíquota de 15% para os rendimentos relativos a direitos de propriedade industrial no exterior, sendo irrelevante que não se tenha promovido a alteração devida no RIR em relação a tal alíquota, pois o decreto não pode se sobrepor à lei.
RETENÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. SUJEIÇÃO PASSIVA EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA.
No regime de retenção exclusiva, a responsabilidade do contribuinte é excluída e a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora e a sua responsabilidade subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2202-003.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o advogado CARLOS AMORIM, OAB/RS nº 40.881.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. TRATADO BRASILFRANÇA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA PREVALÊNCIA DOS REGIMES ESPECIAIS. GANHOS DE CAPITAL. No caso de a remessa para o exterior puder ser enquadrada em qualquer outro preceito do acordo, a incidência do artigo 7º deve ser afastada, em respeito ao "princípio da prevalência dos regimes especiais". Os rendimentos remetidos provenientes da alienação de direitos da empresa estrangeira que ela mantinha no exterior devem ser enquadrados no artigo 13 do Tratado, que trata dos ganhos de capital. RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por fonte situada no País a pessoa física ou jurídica residente no exterior estão sujeitos à incidência de imposto de renda na fonte. RENDIMENTOS RELATIVOS A DIREITOS DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL NO EXTERIOR. ALÍQUOTA VIGENTE A PARTIR DE 1º/1/2000. REVOGAÇÃO DO ARTIGO 691, VI, DO RIR/99, PELO ARTIGO 1º da Lei 9.959/00. A partir de 1º/1/2000, com o art. 1º da Lei 9.959/00, c/c art. 1º, inciso VII, da Lei 9.481/97, passou a vigorar a alíquota de 15% para os rendimentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 08 84 /2 01 2- 66 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 relativos a direitos de propriedade industrial no exterior, sendo irrelevante que não se tenha promovido a alteração devida no RIR em relação a tal alíquota, pois o decreto não pode se sobrepor à lei. RETENÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. SUJEIÇÃO PASSIVA EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA. No regime de retenção exclusiva, a responsabilidade do contribuinte é excluída e a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora e a sua responsabilidade subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o advogado CARLOS AMORIM, OAB/RS nº 40.881. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão nº 1040.361, da Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA , por bem resumir os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. A fiscalização entendeu que a interessada não efetuou o recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre a remuneração paga à sua controladora Doux S/A, residente ou domiciliada na França, em razão do pagamento de 45 milhões euros pela cessão de marcas registradas e de 15 milhões de euros pela sucessão de carteira de clientes. Em vista disso, efetuou lançamento de ofício cujo total, incluindo os consectários legais, representa R$ 74.571.945,88. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13005.720884/201266 Acórdão n.º 2202003.064 S2C2T2 Fl. 463 3 O contrato de cessão de marcas teve por objeto a cessão da marca Frangosul, registrada pela Doux em países nos quais haveria possibilidade de exploração e comercialização de produtos a ela vinculados (notadamente Angola, Arábia Saudita, Barein, Emirados Árabes, França, Índia, Iraque, Jordânia, Kuait, Omã, Catar, União Europeia e Iêmen). A sucessão da carteira se deu por meio de convenção de sucessão, segundo a qual a impugnante adquiria de sua controladora o direito de se apresentar como sua sucessora junto a determinados clientes do portfólio em países da Europa, bem como de se subrogar em direitos e obrigações decorrentes dos contratos firmados entre a Doux e esses clientes. A autuação ocorreu com respaldo no art. 685, I, do RIR/99, que determina a imposição do IRRF sobre a renda e os proventos de qualquer natureza percebidos por pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, provenientes de fontes situadas no País. Como os negócios jurídicos previam preço livre de impostos, foi adotada a alíquota de 15% sobre a base de cálculo ajustada conforme o respectivo rendimento bruto, sendo as quantias remetidas consideradas como rendimentos líquidos (art. 725 do RIR/99). A interessada foi cientificada do auto de infração em 5/6/12 e apresentou impugnação em 5/7/12. A impugnante pugna pela improcedência do auto de infração e, alternativamente, pela retificação dos valores lançados, conforme as razões a seguir resumidas: a) o contrato de cessão de marcas não se trata de mera cessão de direitos, mas aquisição de marcas que até então faziam parte do ativo da Doux; b) o relatório fiscal está equivocado quando trata a marca como um mero direito, já que o Código Civil a considera como bem móvel (arts. 82 e 83 do Código Civil), estando sujeita ao registro em órgão competente; c) os contratos objeto da convenção de sucessão foram firmados pela Doux no exterior, com pessoas jurídicas estrangeiras (carteira de clientes), de modo que o bem alienado (portfólio de clientes) e os direitos dele decorrentes não podem ser considerados localizados no Brasil; d) os contratos formalizados com a Doux revelam que a impugnante efetivamente adquiriu bens e direitos que não estão localizados no Brasil, mediante negócio jurídico assemelhado à compra e venda; e) a legislação brasileira não possui qualquer disposição que autorize a tributação de ganhos de capital auferidos no exterior por pessoa jurídica não residente; f) a lei brasileira não tem o condão de atingir negócios jurídicos ocorridos no exterior e cujos resultados não se percebam no País; g) a tributação universal da renda pressupõe que o alienante do bem seja residente no Brasil ou que o bem cuja alienação tenha gerado ganho de capital esteja situado no Brasil (cf. art. 26 da Lei 10.833/03 e art. 1º da IN SRF 407/04); h) não há renda auferida no Brasil pela pessoa jurídica beneficiária da remessa: os bens e direitos passaram a integrar o patrimônio da impugnante e somente serão tributados em futura alienação realizada por esta; Fl. 464DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 i) o fato de a impugnante realizar pagamentos ao exterior não lhe impõe a condição de responsável pela retenção do IR na fonte; j) não há tributação na fonte quando o beneficiário dos rendimentos não for contribuinte do imposto de renda brasileiro, uma vez que tal rendimento não é tributável – a beneficiária dos pagamentos e detentora dos bens (e dos direitos) produtores da renda é empresa sediada na França que não está obrigada à apresentação de DIPJ; k) não há responsável tributário sem que haja contribuinte do imposto; l) a tributação pretendida deixa de ser mera “retenção na fonte” devida pelo beneficiário dos rendimentos para assumir contornos de imposto efetivo sobre a remessa de valores ao exterior: a impugnante, que sequer auferiu renda na operação (não há acréscimo patrimonial da Frangosul na hipótese), seria a contribuinte; m) tratandose de valores decorrentes da alienação de bens e direitos do seu ativo, tais montantes certamente compuseram o lucro da empresa francesa, sendo tributados pelo imposto sobre a renda previsto na legislação francesa, não havendo que se falar em IRRF no Brasil; n) a fiscalização não teria dúvidas quanto à não incidência do IRRF na operação se a impugnante tivesse levantado valores de sua conta bancária, realizado contratos de câmbio, e, por meio de um representante seu, adquirido as marcas diretamente e realizado o pagamento em espécie na França; o) admitir a incidência do imposto de renda sobre mero pagamento realizado e não sobre o acréscimo patrimonial resultaria em flagrante ilegalidade; p) a autuação impõe tratamento tributário desigual à empresa francesa em relação às empresas nacionais, em contrariedade com o que dispõe o acordo para evitar a dupla tributação da renda entre o Brasil e a França (Decreto 70.506/72) para situações análogas; q) a base de cálculo jamais poderia ser o montante integral remetido ao exterior porque apenas os valores efetivamente percebidos pelos contribuintes (ganho de capital) são tributados na alienação de bens do ativo, o que somente se verificará a partir do confronto entre o preço de venda com o valor contábil dos bens alienados; e r) é indispensável a compensação do imposto pago na França sobre os rendimentos apontados pela fiscalização com o IRRF incidente no Brasil. A Quinta Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 1040.361, cuja ementa foi assim redigida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 29/12/2008 RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por fonte situada no País a pessoa física ou jurídica residente no exterior estão sujeitos à incidência de imposto de renda na fonte. Impugnação Improcedente Fl. 465DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13005.720884/201266 Acórdão n.º 2202003.064 S2C2T2 Fl. 464 5 Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 18/09/2012, por via postal, (A.R. aviso de recebimento à fl. 309), a contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 18/10/2012 (fls. 313 a 373), no qual faz as seguintes alegações, em resumo: RECURSO VOLUNTÁRIO PRELIMINARES IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO DE IRRF APÓS O TÉRMINO DO ANOCALENDÁRIO A retenção do imposto de renda na fonte é uma antecipação do imposto de renda devido pelo contribuinte ao final do anocalendário; ao final do anocalendário, o contribuinte verifica se haverá imposto de renda a pagar ou saldo negativo de IRPJ, mediante adições e deduções legais; o auto de infração foi lavrado após o encerramento do anocalendário 2008, quando não mais seria o momento de se exigir antecipações do suposto fato gerador, devendo, portanto, ser anulado. Cita decisões do CARF; se havia diferenças de imposto de renda a cobrar, elas deveria ser exigidas através de auto de infração de IRPJ diretamente ao contribuinte DOUX (empresa francesa) e não mais à ora Recorrente; os referidos pagamentos foram devidamente tributados pela Doux na França, conforme documentos em anexo (doc. 01), que registram a incidência do imposto de renda francês. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA POR UTILIZAÇÃO DE CAPITULAÇÃO LEGAL DIVERSA DO ENQUADRAMENTO LEGAL DO AUTO DE INFRAÇÃO O acórdão não se limitou à análise da peça fiscal, fundamentada com base no art 709 do RIR/99 ou, ainda, nos arts. 682, 685, 717, 722 e 725 do RIR/99, mas foi além, fundamentando a improcedência da impugnação, dentre outros dispositivos legais, na Lei 9.959/00; se o acórdão recorrido entendeu que a suposta autuação deveria ter sido fundamentada na Lei 9.959/00, deveria ter procedido à anulação do auto de infração por vício de motivação legal. Nesse sentido, prevêem expressamente o inciso IV, do art. 10 e inciso III, do art. 11, do Decreto n° 70.235/72; o acórdão recorrido deve ser anulado, com a determinação que a impugnação apresentada pela ora Recorrente seja novamente analisada pela Turma da DRJ de Porto Alegre, com a sua apreciação restrita ao enquadramento legal previsto na capitulação legal do auto de infração ou, na hipótese de também se entender que a Lei nº 9.959/00 seja o efetivo fundamento legal para a cobrança do crédito tributário na espécie, o próprio auto de infração deve ser anulado. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 A ALIENAÇÃO DA MARCA "FRANGOSUL" A Recorrente adquiriu da sua controladora Doux a marca "Frangosul", registrada em países nos quais haveria possibilidade de exploração e comercialização de produtos a ela vinculados (notadamente Angola, Arábia Saudita, Barein, Emirados Árabes, França, Índia, Iraque, Jordânia, Kuait, Omã, Catar, União Europeia e Iêmen); segundo a legislação brasileira, as marcas são classificadas como bens de propriedade industrial e considerados como bens móveis, para efeitos legais, como pode ser verificado nos arts. 2º, inciso I, e 5º da Lei n° 9.279/96; as marcas não apenas estavam contabilmente vinculadas ao ativo da já mencionada companhia francesa de alimentos, mas se tratavam de marcas cujos registros estavam depositados em órgãos de registro de diversos países que não o Brasil. Ademais, somente após a aquisição destas marcas é que as mesmas foram registradas em nome da Recorrente nos diversos países. Com isso, se percebe claramente que os contratos de aquisição das marcas dispõem sobre a aquisição e alienação de bens móveis localizados no exterior e seus efeitos são restritos ao território do país em que estão registrados. mesmo que houvesse hipótese de incidência do imposto de renda, o que admitese apenas para efeitos de argumentação, com certeza, não poderia o IRRF incidir como se houvesse um pagamento de remuneração da ora Recorrente em favor da DOUX, mas sim sobre o ganho de capital obtido por aquela empresa na alienação da propriedade da sua marca, apurado por meio do goodwill, a "mais valia"; o lançamento deve ser anulado, pois não observou a sua base de cálculo imponível e trouxe um crédito tributário maculado pela incerteza e pela iliquidez. A ALIENAÇÃO DO PORTFÓLIO DE CLIENTES A Recorrente, além da aquisição das marcas nos referidos países, também adquiriu o portfólio dos clientes, para exercer o direito de apresentarse como sucessora da empresa DOUX junto a determinados clientes em países da Europa, bem como de se subrogar em direitos e obrigações decorrentes dos contratos firmados entre a Doux e os referidos clientes, através de Convenção de Sucessão dos referidos direitos, cujo valor foi estipulado em € 15.000.000,00 (quinze milhões de euros); a carteira de clientes é parte do estabelecimento empresarial, cujo conceito é definido no art. 1.142 do Código Civil, podendo ser objeto unitário de negócio jurídico translativo de propriedade, nos termos do art. 1.143 do referido Código; todos os contratos objeto da Convenção de Sucessão foram firmados pela DOUX no exterior, com pessoas jurídicas estrangeiras, de modo que o bem alienado (portfólio de clientes) e os direitos dele decorrentes não podem ser considerados localizados no Brasil; parte deste negócio jurídico assemelhase ao pagamento de royalties, através de pagamento de valor préfixado pelo uso do nome DOUX pela ora Recorrente, ao se apresentar como sua sucessora nos referidos clientes, e outra parte pela cessão dos direitos aos contratos celebrados pela DOUX com esses clientes; em relação aos royalties, este negócio jurídico só pode ter o pagamento tributado como renda pelo Estado em que se localizar o beneficiário desse pagamento, ou seja, a França, conforme o artigo XII, parágrafo 1º, da Convenção BrasilFrança; Fl. 467DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13005.720884/201266 Acórdão n.º 2202003.064 S2C2T2 Fl. 465 7 a outra parte do negócio jurídico, ou seja, a subrogação dos direitos e obrigações dos contratos celebrados da DOUX, não poderia ter como base de cálculo o valor integral pago; primeiro, porque parte do valor de €15.000.000 referese ao pagamento de royalties pelo direito da ora Recorrente se apresentar como sucessora da DOUX nos clientes em apreço e, como tal, não é passível de tributação; segundo, a outra parte do valor de €15.000.000 referente à subrogação dos direitos em contratos já celebrados pela Doux e os referidos clientes, que seria tributável, não foi determinada pela Autoridade Fiscal; terceiro, se a Autoridade Fiscal não buscou determinar quanto seria o valor da cessão dos direitos dos contratos, por óbvio, também não determinou o valor do ganho de capital com essa alienação e, portanto, qual seria a base de cálculo do crédito que deveria lançar; dessa forma, o lançamento deve ser cancelado. O GANHO DE CAPITAL E O SUJEITO ATIVO COMPETENTE Como o ganho de capital decorrente das vendas das marcas "Frangosul" e do portfólio de clientes foi auferido pela Doux, estabelecida na França, verificase que ele ocorreu somente na França e não no Brasil, haja vista que os bens alienados são localizados e o contribuinte é domiciliado na França. a Convenção BrasilFrança, para evitar dupla tributação, disciplina que o ganho de capital seja tributado no país do contribuinte que auferiu o provento; assim, a Recorrente não satisfaz o requisito da legitimidade passiva, por não ser a pessoa jurídica que registrou o ganho de capital com as vendas da marca e do portfólio. O GANHO DE CAPITAL E A NECESSIDADE DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Na eventual hipótese de se admitir que houve ganho de capital no Brasil, ainda assim, o auto de infração não mereceria persistir, porque, primeiro, o sujeito ativo desta relação seria a Doux e não a ora Recorrente e, segundo, porque a parcela tributável na alienação da marca e do portfólio de clientes é o ganho de capital auferido nessas operações e não os pagamentos nas referidas aquisições, não havendo um crédito tributário líquido. A NULIDADE DA AUTUAÇÃO EM FASE DA AUSÊNCIA DE REAPURAÇÃO DO IRPJ DO PERÍODO Caso realmente seja devido o valor de R$ 35.778.235,29 a título de Imposto de Renda na Fonte, é necessário que se apure novamente o IRPJ da ora Recorrente, para fins de se reproduzir esta nova situação fiscal, tendo em vista que 2008 teve saldo negativo de IRPJ, tendo recolhido mais imposto a título de antecipação do que o efetivamente devido. ante a iliquidez presente na autuação, esta mostrase insegura e deve se anulada. Subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento, o processo deve ser baixado em Fl. 468DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 diligência para que seja realizada a reconstituição do lucro à época da autuação, considerando os fatos trazidos na autuação, nos termos do Decreto nº 70.235/72. MÉRITO A NÃOINCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NO BRASIL O Brasil e a França celebraram uma Convenção com o escopo de "Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento", e que, em antinomia com norma jurídica interna, deverá prevalecer em relação a esta, em observação ao princípio da especialidade consagrado no art. 98 do CTN e ressaltado no art. 997 do RIR/99; nessa Convenção, verificase de forma expressa, no seu art. 24, § 1º, que a empresa nacional de um Estado não ficará sujeita a nenhuma tributação correspondente diferente ou mais onerosa do que já está sujeita em seu país. Portanto, a incidência do imposto de renda sobre os pagamentos decorrentes das referidas aquisições, somente será tributado pelo Estado Francês, por ser este o Estado em que está localizada a controladora Doux; para comprovar que a DOUX já tributou os referidos pagamentos, a ora Recorrente junta em anexo (doc. 01), o comprovante que demonstra que os valores de €45.000.000 pela alienação da marca "Frangosul" e de €15.000.000 pela alienação do portfólio dos clientes foram devidamente inseridos na apuração do imposto de renda francês; não havendo obrigação principal a ser imposta (imposto de renda no Brasil), também não haverá haverá obrigação acessória a ser exigida de terceiro (retenção e recolhimento de IR), pois, se não há tributo a ser pago, logicamente, também não haverá antecipação do mesmo a ser realizada. A NÃOINCIDÊNCIA DO IRRF Os pagamentos percebidos pela DOUX na alienação das marcas e do portfólio de clientes são resultados não operacionais, que correspondem à parcela integrante na determinação do lucro líquido do exercício, que após o ajuste das adições e deduções do lucro real, exclusões ou compensações legais, resultará na base de cálculo do imposto de renda; no presente caso, não há que se falar em tributação dos referidos pagamentos, pois, de forma expressa, o Convênio BrasilFrança prevê que os lucros de empresa nãoresidente no país não estão sujeitos à incidência do imposto de renda no Brasil, como é o caso da DOUX. Cita julgado do STJ; como a empresa que auferiu lucro nas referidas operações foi somente a Doux, somente o Estado francês possui competência para tributar e não o Brasil, como o auto de infração sustenta. A ALÍQUOTA ZERO NA OBTENÇÃO DE DIREITOS DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL O acórdão recorrido refutou a aplicação do art. 691, inciso VII, do RIR/99, por entender que o mesmo baseavase no enunciado do art. 1º, VII, da Lei 9.481/97 e, como a mesma foi revogada pela Lei 9.959/2000, o aludido art. 691, inciso VII, do RIR/99, também teria sido revogado; Fl. 469DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13005.720884/201266 Acórdão n.º 2202003.064 S2C2T2 Fl. 466 9 o art. 691, VII, do RIR/99 é plenamente vigente ao passo que está inserido no Decreto 3.000/99 e não há motivo para que a Administração Fazendária deixasse de observálo; no caso de se entender que são tributáveis no Brasil os referidos pagamentos, ou que deveria ser objeto de imposto de renda retido na fonte, a ora Recorrente requer que seja aplicada a alíquota zero, prevista no art. 691, inciso VII, do RIR/99, haja vista a sua plena vigência e aplicabilidade. A REDUÇÃO PARCIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO LIMITAÇÃO À PENALIDADE DO ART. 722, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RIR/99 Se for admitido, por hipótese, que a Recorrente teria de reter o imposto de renda na fonte sobre os pagamentos percebidos pela Doux, é necessário que seja considerado, ao menos, o fato de que a beneficiária Doux tributou os referidos pagamentos pelo imposto de renda francês; o RIR no parágrafo único do art. 722 prevê expressamente que, quando a fonte pagadora tinha o dever de reter e recolher o imposto de renda sobre o pagamento realizado e não cumpriu a sua obrigação acessória, mas, o contribuinte incluiu rendimento em sua declaração de imposto de renda, a penalidade à fonte pagadora é a prevista no art. 957, ou seja a multa de ofício de 75%, acrescida dos juros sobre o valor do imposto. O AFASTAMENTO DA SELIC SOBRE A MULTA A previsão legal da incidência dos juros de mora é apenas sobre tributos e contribuições, não havendo competência para autorizar a incidência sobre qualquer outra espécie que não possua a mesma natureza jurídica; embora a multa de ofício seja parcela integrante do crédito tributário, não é devida a aplicação de juros sobre esta, em face da ausência de previsão legal que autorize tal incidência, debendo, portanto, ser afastada. Cita julgados do CARF. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido para cancelar o auto de infração. A Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, tendo oferecido os seguintes argumentos, em síntese (fls. 380 a 404): CONTRARRAZÕES IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DO IRRF APÓS O TÉRMINO DO ANOCALENDÁRIO: Esse argumento não consta da impugnação apresentada. Não se questionou, na ocasião devida, a legalidade do lançamento de IRRF em anocalendário posterior ao de apuração do tributo devido. Incide, portanto, a preclusão consumativa prevista no art. 17 do Decreto 70.235/72: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”; Fl. 470DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 não compete ao CARF exercer irrestrito controle da legalidade do ato do lançamento, salvo em se tratando de ordem pública; ainda que possível fosse superar a falta de impugnação da matéria, o que se vê é que a Recorrente equipara o imposto sobre rendimentos enviados a pessoa domiciliada no exterior, cuja tributação é exclusiva na fonte, com a antecipação, pelo empregador, do imposto devido por pessoas físicas, cuja tributação não é exclusiva, sujeitandose a declaração de ajuste. Portanto, são inaplicáveis ao caso os precedentes citados no recurso, todos referentes ao IRPF, que possui regramento completamente distinto, tendo como única semelhança a responsabilidade da fonte pela retenção e recolhimento; as remessas ao exterior não estão sujeitas a ajustes pelo beneficiário dos pagamentos. Assim, findo o anocalendário, não há que se deslocar a responsabilidade pelos recolhimentos, do responsável tributário para o contribuinte. NULIDADE DA DECISÃO A QUO POR INOVAÇÃO NO FUNDAMENTO JURÍDICO DO LANÇAMENTO É evidente que não houve qualquer alteração no fundamento da autuação pelo fato de a decisão recorrida, rebatendo argumento lançado na impugnação, ter indicado disposição de lei que refuta sua tese e corrobora a alíquota aplicada pelo fiscal. Ademais, o fundamento da alíquota aplicada é o artigo 709 do RIR/99, devidamente citado e reproduzido no relatório fiscal; ainda que se entendesse que a autoridade lançadora olvidouse de mencionar corretamente o enquadramento legal da alíquota, a jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que isso não prejudica a autuação, se o fundamento do lançamento pode ser perfeitamente compreendido pela interessada. Cita julgados do CARF. DO IRRF REFERENTE À REMESSA DE VALORES PELA CESSÃO DE MARCA A Recorrente alega que os direitos sobre determinada marca são bens móveis para efeitos legais, tratandose, então, da alienação e aquisição de bens móveis situados no exterior. Diante disso, argumenta que a tributação do IRRF não poderia se dar sobre o total da remessa, mas apenas sobre o ganho de capital obtido pela Doux S/A, devendose apurar o goodwill, o valor excedente, pago pela aquisição das marcas, o que corresponderia ao acréscimo patrimonial da beneficiária da remessa e, portanto, a base de cálculo do imposto. o entendimento da Recorrente incide em vários equívocos. De início, não se deve confundir goodwill com ganho de capital. O goodwill corresponde ao ágio, à diferença entre o valor patrimonial de um bem e o valor efetivamente pago por ele, representando a expectativa de rentabilidade futura. Já o ganho de capital é a diferença entre o valor de aquisição de um bem e o valor conseguido na sua alienação – este valor pode incluir um ágio ou não; quando se trata da aquisição de direitos oriundos do exterior, o artigo 72 da Lei 9.430/96 trouxe hipótese de incidência específica, fazendo com que estejam sujeitas à retenção na fonte todas as importâncias remetidas ou pagas pela aquisição de qualquer forma de direito, a qualquer título, sendo irrelevante apurar o eventual custo de aquisição incorrido pelo alienante; Fl. 471DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13005.720884/201266 Acórdão n.º 2202003.064 S2C2T2 Fl. 467 11 O fato de a legislação conferir aos direitos de propriedade industrial o caráter de “bens móveis” em nada influencia a questão e a Lei 9.279/96 não trouxe nenhuma novidade ao estabelecer essa equiparação; de acordo com o Código Civil, consideramse bens todos os direitos reais e os direitos pessoais de caráter patrimonial (art. 83, II e III), incluindose aí os direitos relativos à propriedade intelectual e os direitos relativos à propriedade industrial. O Código Civil de 1916 também já trazia previsão semelhante (art. 48). O fato de as leis 9.279/96 e 9.610/98 trazerem previsão específica para os direitos de que cuidam, em nada alterou o panorama legislativo já definido de longa data pelo Código Civil; os direitos são espécies de bens móveis – e foi a alienação dessa espécie de bens que a legislação elegeu como fato gerador no caso em apreço. Dessa forma, a aquisição/alienação desses “bens móveis por determinação legal” não deixa de ser uma aquisição/alienação de direitos, não deixando de recair na hipótese de incidência do art. 72 da Lei 9.430/96. seria absurdo imaginar que essa equiparação dos direitos de caráter patrimonial a bens móveis afastasse a incidência do art. 72 da Lei 9.430/96. Se assim fosse, o dispositivo em questão teria legislado no vazio, eis que o código civil já estabelece que todos os direitos reais e pessoais de caráter patrimonial são considerados bens. DO IRRF REFERENTE À REMESSA DE VALORES PELA SUCESSÃO NO PORTFÓLIO DE CLIENTES Rebate os argumentos da Recorrente de que a cessão de direitos deveria ter como base de cálculo apenas o ganho de capital obtido pela alienante com essa cessão, alegando que o art. 72 da Lei 9.430/96 determina a incidência do imposto sobre o valor total pago ou remetido em decorrência da aquisição de direitos de qualquer natureza, ficando afastada a possibilidade de se tributar apenas a diferença entre o custo de aquisição e o valor auferido pela alienante; afirma que não merece acolhida a pretensão da Recorrente de dar o tratamento de royalties a parte do valor negociado na convenção de sucessão, porque, em primeiro lugar, tal argumento não consta da impugnação apresentada, incidindo a preclusão consumativa do artigo 17 do Decreto 70.235/72. Em segundo, porque a “transmissão da carteira de clientes” não enseja o pagamento de royalties, no sentido técnicojurídico da expressão, mas mero pagamento pela aquisição de direitos comerciais; a Convenção BrasilFrança conceitua o termo royalties e, da literalidade dos termos contratados entre as partes, se verifica que o negócio jurídico não envolve nenhum uso ou concessão de uso, de qualquer tipo de direito, patente ou marca. Ao contrário do que alega a Recorrente, o contrato não lhe confere direito de uso sobre o nome comercial “Doux”. O contrato envolve pura e simplesmente a transferência de direitos e obrigações para com clientes da controladora, pelo que a remuneração por tal transferência não pode ser qualificada como royalties para fins de incidência das disposições do tratado. DA INCIDÊNCIA DO TRATADO BRASILFRANÇA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO Fl. 472DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 O critério utilizado pela legislação brasileira é o da residência do beneficiário da renda, e não o da nacionalidade. Os comentários da própria OCDE ao artigo 24 da ConvençãoModelo recomendam não confundir residência com nacionalidade, quando se cuida da aplicação do parágrafo 1º; eventual distinção de tratamento tributário fundada na residência do contribuinte não se confunde com a discriminação vedada pelo Tratado. A tributação na fonte das remessas referentes à aquisição de direitos se dá indistintamente, tanto aos nacionais brasileiros quanto franceses, que residam no exterior. Portanto, não há que se falar em malferimento ao artigo 24 da convenção; com relação ao artigo 7º, ele define regramento para a tributação dos lucros das empresas residentes nos Estados contratantes. O precedente do STJ citado pela Recorrente, o REsp 1.161.467, não lhe socorre, pois o entendimento manifestado é de que os lucros a que se refere o artigo 7º do Modelo OCDE, devem ser entendidos como lucro operacional da empresa; se o artigo 7º visa afastar a tributação do lucro operacional das empresas, decorrente da venda de produtos e prestação de serviços, então ele não socorre à Recorrente no caso concreto, pois a tributação em tela incidiu sobre a alienação de direitos, bens do ativo permanente intangível da empresa estrangeira. Ou seja, não se trata da tributação do lucro operacional, pois os valores percebidos não são fruto da atividadefim da empresa, do exercício do seu objeto social; o rendimento em questão advém da alienação de elementos do ativo permanente da empresa estrangeira, configurando ganho de capital; a cláusula que rege esse tipo de rendimento é o artigo 13 da Convenção BrasilFrança, e não o artigo 7º, pois não se trata de lucro propriamente dito; em não se tratando das situações mencionadas nos §§ 1º e 2º do artigo 13, aplicase o § 3º, ou seja, o ganho é tributável em ambos os Estados contratantes; a legislação interna brasileira estabeleceu base de cálculo específica para o ganho obtido na alienação de direitos, feita por pessoa residente no exterior, a qual corresponde ao total da importância paga ou remetida (art. 72 da Lei nº 9.430/96), sendo a fonte do pagamento ou remessa responsável pelo recolhimento do tributo; a “interpretação sistemática” do artigo 7º proposta pela Recorrente reflete o estatuído no parágrafo 5 do artigo 13 da ConvençãoModelo da OCDE, o qual não foi adotada no tratado firmado entre Brasil e França. Ou seja, a República Federativa do Brasil optou por não convencionar que a tributação residual dos ganhos de capitais seja exercida apenas pelo Estado no qual o alienante reside; subsidiariamente, ainda que se entenda que a hipótese dos autos não se subsume ao artigo 13 do Tratado, o que se admite apenas a título de argumentação, ainda assim a tributação seria devida, porque, mesmo considerando não se tratar de incidência tributária sobre ganho de capital, certamente a incidência não se dá sobre o lucro; diante da inexistência de definição de “lucros” no Tratado em questão, devese aplicar a lei interna de cada Estado quanto a esta temática. É o que determina o artigo 3º, parágrafo 2º da Convenção. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13005.720884/201266 Acórdão n.º 2202003.064 S2C2T2 Fl. 468 13 à luz da legislação pátria, os valores recebidos pelas empresas estrangeiras pertencem à categoria “receita” e não “lucro”. Desse modo, na hipótese de que trata o presente processo, a tributação está a incidir sobre os rendimentos remetidos, por fonte situada no Brasil, a pessoa física ou jurídica residente no exterior (arts. 685 e 709 do RIR/99), e não sobre lucro, seja ele real, operacional, bruto, ou qualquer que seja; o que importa à lei brasileira é que o rendimento está sendo pago por pessoa domiciliada no Brasil e, ainda, que a prestadora estrangeira está recebendo receita e não apurando lucro. Cita julgado do TRF2. DA NECESSIDADE DE REAPURAÇÃO DO IRPJ DO PERÍODO A Recorrente alega que no anocalendário de 2008 teve saldo negativo de IRPJ, tendo recolhido mais imposto a título de antecipação do que o efetivamente devido e como esse valor pago a maior não foi deduzido do lançamento, deve ser declarado nulo o auto de infração; esse argumento não consta da impugnação apresentada. Não se questionou, na ocasião devida, se do lançamento foi ou não deduzido o saldo negativo de IRPJ apurado em 2008, incidindo, assim , a preclusão consumativa prevista no art. 17 do Decreto 70.235/72; ainda que possível fosse superar a falta de impugnação da matéria, fato é que a apuração de saldo negativo de IRPJ decorrente do recolhimento de antecipações a maior é resolvido na forma do artigo 6º, § 1º, II, da Lei 9.430/96, podendo ser compensado pela pessoa jurídica nos anoscalendário subseqüentes com outros tributos administrados pela Receita Federal, ou, ainda, restituídos – o que certamente foi levado a efeito pela Recorrente. DA ALÍQUOTA ZERO PARA A OBTENÇÃO DE DIREITOS DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL sendo a marca um direito relativo a propriedade industrial (Lei 9.279/96), tornase inexorável a tributação do IRRF com base na dicção da Lei 9.959/00; a partir de 1º/1/2000, com o art. 1º da Lei 9.959/00, c/c art. 1º inciso VII da Lei 9.481/97, passou a vigorar a alíquota de 15% para esses rendimentos relativos a direitos de propriedade industrial no exterior; é irrelevante que não se tenha promovido a alteração devida no RIR em relação a tal alíquota, pois o decreto não pode se sobrepor à lei imperativa, principalmente no que se refere à definição da alíquota do imposto de renda, submetida que é ao império da legalidade estrita, ou seja, não pode ter suas alíquotas alteradas por decreto (arts. 150, I e 153, §1º da Constituição Federal). DA APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO ART. 722 DO RIR/99 Os rendimentos tributados não configuram lucros (muito menos lucros operacionais) e, portanto, não estão albergados pela Convenção BrasilFrança para evitar a dupla tributação, razão pela qual é irrelevante que a contribuinte tenha recolhido tributos sobre esses rendimentos no país de seu domicílio. Assim, não procede a pretensão do Recorrente de reduzir o valor do lançamento à multa de 75% sobre o imposto devido, por ter ocorrido recolhimento do imposto pelo contribuinte de direito, a Doux S/A. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 Requer, ao final, o não provimento do recurso voluntário e a manutenção do acórdão proferido pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF , pelo qual se exige o recolhimento de R$ 35.788.235,29 de imposto, R$ 26.841.176,47 a título de multa de ofício de 75%, e R$ 11.942.534,12 de juros de mora, calculados até 04/2012, totalizando R$ 75.571.945,88, decorrente da infração "Imposto de Renda na Fonte Sobre Remuneração de Direitos de Residentes ou Domiciliados no Exterior", conforme Auto de Infração às fls. 2 a 8 e Relatório do Procedimento Fiscal (fls. 9 a 15). A tributação foi efetuada em virtude de a fiscalizada não ter efetuado o recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre a remuneração paga à sua controladora Doux S/A, residente ou domiciliada na França, em razão do pagamento de 45 milhões de euros pela cessão de marcas registradas e de 15 milhões de euros pela sucessão de carteira de clientes, conforme abaixo. Remuneração Valor em euros Valor em reais Base de cálculo Imposto (15%) CESSÃO DE MARCAS 45.000.000,00 152.100.000,00 178.941.176,47 26.841.176,47 CONVENÇÃO DE SUCESSÃO 15.000.000,00 50.700.000,00 59.647.058,82 8.947.058,82 TOTAL 60.000.000,00 202.800.000,00 238.588.235,29 35.788.235,29 O contrato de cessão de marcas teve por objeto a cessão da marca "Frangosul", registrada pela Doux em países nos quais haveria possibilidade de exploração e comercialização de produtos a ela vinculados (notadamente Angola, Arábia Saudita, Barein, Emirados Árabes, França, Índia, Iraque, Jordânia, Kuait, Omã, Catar, União Europeia e Iêmen). A sucessão da carteira se deu por meio de convenção de sucessão, segundo a qual a Recorrente adquiriu de sua controladora o direito de se apresentar como sua sucessora junto a determinados clientes do portfólio em países da Europa, bem como de se subrogar em direitos e obrigações decorrentes dos contratos firmados entre a Doux e esses clientes. O Recorrente suscita várias preliminares que, na realidade, são questões de mérito e, dessa forma, serão analisadas. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13005.720884/201266 Acórdão n.º 2202003.064 S2C2T2 Fl. 469 15 IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO DE IRRF APÓS O TÉRMINO DO ANOCALENDÁRIO O Recorrente alega que após o encerramento do anocalendário, não há que se falar em antecipações do imposto de renda não recolhidas, seja pelo próprio contribuinte seja pela fonte pagadora por meio do imposto retido na fonte. Afirma que se houver suposto débito de imposto de renda, este deverá ser exigido através do lançamento de ofício do IRPJ, contra o contribuinte que auferiu renda e não contra a fonte pagadora. Defende o contribuinte que o auto de infração deve ser anulado, porquanto foi lavrado após o encerramento do anocalendário 2008, quando não mais seria o momento de se exigir antecipações do suposto fato gerador. Cita decisões do CARF. A PFN sustenta que esse argumento não consta da impugnação apresentada, tendo ocorrido a preclusão consumativa prevista no art. 17 do Decreto 70.235/72. Tem razão a Procuradoria, pois o Recorrente não impugnou expressamente essa matéria, o que resultou em sua preclusão, nos termos do artigo 17 do PAF, verbis: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. A sua análise implicaria em supressão de instância, uma vez que essa questão não foi submetida ao julgamento a quo. Seguem alguns julgados nesse sentido: CREDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. A alegação de erro no lançamento em relação à forma de cálculo do crédito presumido foi argüida de maneira inédita no recurso voluntário, razão pela qual não pode ser apreciada, por restar configurada a preclusão, visto que tal matéria não foi alegada na impugnação. Sua análise também implicaria em supressão de instância, pois a questão não foi submetida ao julgamento de Primeira Instância. Recurso negado. (Acórdão nº 3403002.905, data de publicação: 22/09/2014, relator: Ivan Allegretti). PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com a regra da preclusão, se a matéria não foi contestada na fase de impugnação ou de manifestação de inconformidade, o recorrente não poderá mais fazêlo em sede recursal, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido. (Acórdão nº 3102001.880, data de publicação: 12/08/2013, relator: José Fernandes do Nascimento) NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (Acórdão nº 2201002.455, data de publicação: 19/08/2014, relator: Nathália Mequita Ceia, redator designado: Eduardo Tadeu Farah). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. Não cabe arguir em sede de recurso matéria não impugnada, salvo se caracterizada alguma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), que se refira a fato ou a direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Acórdão nº 2201002.416, data de publicação: 01/07/2014, rel.: Francisco Marconi de Oliveira). Fl. 476DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA POR UTILIZAÇÃO DE CAPITULAÇÃO LEGAL DIVERSA DO ENQUADRAMENTO LEGAL DO AUTO DE INFRAÇÃO Afirma a Recorrente que o acórdão não se limitou à análise da peça fiscal, fundamentada com base no art 709 do RIR/99 ou, ainda, nos arts. 682, 685, 717, 722 e 725 do RIR/99, mas foi além, fundamentando a improcedência da impugnação, dentre outros dispositivos legais, na Lei 9.959/00, o que ocasiona a nulidade do lançamento. Entendo que, conforme sustentado pela PFN, não ocorreu alteração no fundamento legal do Auto de Infração, que permanece sendo o mesmo apontado pela autoridade fiscal, o artigo 709 do RIR/99. Apenas a decisão combatida utilizouse de um dispositivo legal para contradizer as razões apresentadas pelo impugnante, sem a pretensão de aditar o lançamento. Pela leitura do voto condutor, vêse que o relator valeuse daquele dispositivo como argumento a reforçar a sua conclusão. Transcrevo excerto do Termo de Constatação Fiscal (fls. 9 a 15), lavrado pela autoridade fiscal e parte integrante do Auto de Infração, que não deixa dúvida sobre o enquadramento legal efetuado. Assim, a aquisição pela fiscalizada de direitos antes detidos pela cedente e a remessa das importâncias ao exterior feita em contrapartida à aquisição desses direitos, subsumese na hipótese de incidência prevista no artigo 709 do RIR/1999, abaixo transcrito, considerandose ocorrido o fato gerador em 29/12/2008, data da liquidação da operação de câmbio e da transferência financeira para o exterior, conforme o contrato de câmbio. Art. 709. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior pela aquisição ou pela remuneração, a qualquer título, de qualquer forma de direito, inclusive a transmissão, por meio de rádio ou televisão ou por qualquer outro meio, de quaisquer filmes ou eventos, mesmo os de competições desportivas das quais faça parte representação brasileira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 72). (grifos do original). Desse modo, não se vislumbra na espécie qualquer inovação cometida pelo acórdão recorrido, quanto à fundamentação legal da autuação. DO IRRF REFERENTE À REMESSA DE VALORES PELA CESSÃO DE MARCA Alega a Recorrente que os direitos sobre determinada marca são classificados como bens de propriedade industrial e considerados como bens móveis. Assim, por estarem situados no exterior, seus efeitos são restritos ao território do país em que estão registrados. Acrescenta, a titulo de argumentação, que mesmo que houvesse hipótese de incidência do imposto de renda, a tributação não poderia ocorrer sobre o total da remessa, mas apenas sobre o ganho de capital obtido pela Doux S/A, apurado por meio do goodwill, a "mais valia". A PFN rebate afirmando que o entendimento da Recorrente incide em vários equívocos. De início, não se deve confundir goodwill com ganho de capital, pois aquele corresponde ao ágio, à diferença entre o valor patrimonial de um bem e o valor efetivamente pago por ele, representando a expectativa de rentabilidade futura. Já este último (ganho de capital) é a diferença entre o valor de aquisição de um bem e o valor conseguido na sua alienação, podendo esse valor incluir um ágio ou não. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13005.720884/201266 Acórdão n.º 2202003.064 S2C2T2 Fl. 470 17 Prossegue a Procuradoria argumentando que, quando se trata da aquisição de direitos oriundos do exterior, o artigo 72 da Lei 9.430/96 trouxe hipótese de incidência específica, fazendo com que estejam sujeitas à retenção na fonte todas as importâncias remetidas ou pagas pela aquisição de qualquer forma de direito, a qualquer título, sendo irrelevante apurar o eventual custo de aquisição incorrido pelo alienante, além do que o fato de a legislação conferir aos direitos de propriedade industrial o caráter de “bens móveis” em nada influencia a questão e a Lei 9.279/96 não trouxe nenhuma novidade ao estabelecer essa equiparação. Não merece acolhida o argumento da Recorrente de que não se poderia tributar a remessa de valores pela cessão das marcas da sua controladora DOUX. O artigo 709 do RIR/99 assim dispõe: Art. 709. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior pela aquisição ou pela remuneração, a qualquer título, de qualquer forma de direito, inclusive a transmissão, por meio de rádio ou televisão ou por qualquer outro meio, de quaisquer filmes ou eventos, mesmo os de competições desportivas das quais faça parte representação brasileira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 72). O fato de o Código Civil equiparar os direitos de caráter patrimonial a bens móveis não afasta a incidência do referido artigo, que abrange todas as importâncias remetidas ou pagas pela aquisição de qualquer forma de direito, a qualquer título. Também não procede a alegação de que a tributação não poderia ocorrer sobre o total da remessa, mas apenas sobre o ganho de capital obtido pela Doux S/A, apurado por meio do goodwill, uma vez que a incidência dáse sobre o total das remessas, não havendo que se falar em diferença entre o valor de venda e o custo de aquisição. O fato gerador é a remessa para o exterior de importâncias pela aquisição de qualquer forma de direito e a base de cálculo é o valor total remetido, sobre a qual é aplicada a alíquota de quinze por cento. No presente caso, a remessa para o exterior foi de 45 milhões de euros em 15/12/2008, em relação à aquisição das marcas. O valor em reais da base de cálculo tributável é de R$178.941.176,47, resultando em um imposto de R$26.841.176,47. DO IRRF REFERENTE À REMESSA DE VALORES PELA SUCESSÃO NO PORTFÓLIO DE CLIENTES A Recorrente aduz que a carteira de clientes é parte do estabelecimento empresarial, cujo conceito é definido no art. 1.142 do Código Civil, podendo ser objeto unitário de negócio jurídico translativo de propriedade, nos termos do art. 1.143 do referido Código. Afirma que todos os contratos objeto da Convenção de Sucessão foram firmados pela DOUX no exterior, com pessoas jurídicas estrangeiras, de modo que o bem alienado (portfólio de clientes) e os direitos dele decorrentes não podem ser considerados localizados no Brasil. Argumenta que parte deste negócio jurídico assemelhase ao pagamento de royalties, através de pagamento de valor préfixado pelo uso do nome DOUX pela ora Recorrente, ao se apresentar como sua sucessora nos referidos clientes, e outra parte pela cessão dos direitos aos contratos celebrados pela DOUX com esses clientes. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 Em relação aos royalties, defende que só pode ter o pagamento tributado como renda pelo Estado em que se localizar o beneficiário desse pagamento, ou seja, a França, conforme o artigo 12, parágrafo 1º, da Convenção BrasilFrança. Quanto à outra parte do negócio jurídico, a subrogação dos direitos e obrigações dos contratos celebrados da DOUX, alega que a tributação não poderia incidir sobre o valor integral pago, pois parcela desse valor referese a royalties e a outra não foi determinada pela autoridade fiscal, que não quantificou a base de cálculo do tributo. Conforme exposto no item anterior, a tributação prevista no art. 702 do RIR/99 engloba todas as importâncias remetidas ou pagas pela aquisição de qualquer forma de direito, a qualquer título, tendo como base de cálculo o total das remessas e não a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição. No tocante ao argumento de que deve ser dado o tratamento de royalties à parte do valor negociado, o Recorrente não impugnou expressamente essa matéria, o que resultou em sua preclusão, nos termos do artigo 17 do PAF, verbis: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. A sua análise implicaria em supressão de instância, uma vez que essa questão não foi submetida ao julgamento a quo. DO GANHO DE CAPITAL SUJEITO ATIVO E NECESSIDADE DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Contribuinte alega que o ganho de capital decorrente das vendas das marcas "Frangosul" e do portfólio de clientes ocorreu somente na França e não no Brasil, devendo ser tributado apenas naquele país, pois foi auferido pela Doux, estabelecida na França e os bens alienados são lá localizados. Assim, a Recorrente não satisfaz o requisito da legitimidade passiva, por não ser a pessoa jurídica que registrou o ganho de capital com as vendas da marca e do portfólio. Reforça seu argumento afirmando que a Convenção BrasilFrança, para evitar dupla tributação, disciplina que o ganho de capital seja tributado no país do contribuinte que auferiu o provento. Defende que, na eventual hipótese de se admitir que houve ganho de capital no Brasil, o sujeito ativo desta relação seria a Doux e não a ora Recorrente e a parcela tributável na alienação da marca e do portfólio de clientes seria o ganho de capital auferido nessas operações e não os pagamentos nas referidas aquisições, não havendo, nesse caso, um crédito tributário líquido. Nesse item, pareceme que a Recorrente confundiu as figuras de sujeito ativo e sujeito passivo. Conforme os artigos 119 e 121 do CTN, "sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da competência para exigir o seu cumprimento", enquanto "sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária". No entanto, essa pequena confusão não impede a compreensão dos argumentos apresentados. Consoante os fundamentos já expostos nos itens anteriores, não há que se falar em apuração da diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição, porquanto o fato gerador da obrigação tributária aqui exigida é a remessa para o exterior de importâncias pela aquisição de qualquer forma de direito e a base de cálculo é o valor total remetido, sobre a qual é aplicada a alíquota de quinze por cento, de acordo com o artigo 709 do RIR/99. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13005.720884/201266 Acórdão n.º 2202003.064 S2C2T2 Fl. 471 19 Quanto à Convenção BrasilFrança para evitar dupla tributação, esse assunto será tratado em tópico específico, adiante. DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO EM FACE DA AUSÊNCIA DE REAPURAÇÃO DO IRPJ DO PERÍODO O contribuinte aduz que caso realmente seja devido o valor de R$ 35.778.235,29 a título de Imposto de Renda na Fonte, é necessário que se apure novamente o IRPJ da ora Recorrente, para fins de se reproduzir esta nova situação fiscal, tendo em vista que 2008 teve saldo negativo de IRPJ, tendo recolhido mais imposto a título de antecipação do que o efetivamente devido. Defende que, ante a iliquidez presente na autuação, esta mostrase insegura e deve se anulada. Subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento, o processo deve ser baixado em diligência para que seja realizada a reconstituição do lucro à época da autuação, considerando os fatos trazidos na autuação, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Essa matéria não foi enfrentada na decisão de primeira instância, posto que não foi apresentada por ocasião da impugnação, razão pela qual entendo que está fora do litígio e a sua análise implicaria em supressão de instância. A matéria, portanto, encontrase preclusa, nos termos do artigo 17 do PAF. DA INCIDÊNCIA DO ACORDO BRASILFRANÇA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO A) APLICAÇÃO DO ARTIGO 24 DO ACORDO A Recorrente apresentou os seguintes argumentos para justificar que não há obrigação principal (imposto de renda no Brasil) e consequentemente não existe obrigação acessória (retenção e recolhimento de IR) a lhe ser imposta: 1) O Brasil e a França celebraram uma Convenção com o escopo de "Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento", e que, em antinomia com norma jurídica interna, deverá prevalecer em relação a esta, em observação ao princípio da especialidade consagrado no art. 98 do CTN e ressaltado no art. 997 do RIR/99; 2) nessa Convenção, verificase de forma expressa, no seu art. 24, § 1º, que a empresa nacional de um Estado não ficará sujeita a nenhuma tributação correspondente diferente ou mais onerosa do que já está sujeita em seu país. Portanto, a incidência do imposto de renda sobre os pagamentos decorrentes das referidas aquisições, somente será tributado pelo Estado francês, por ser este o Estado em que está localizada a controladora Doux; 3) para comprovar que a DOUX já tributou os referidos pagamentos, a ora Recorrente junta em anexo (doc. 01), o comprovante que demonstra que os valores de €45.000.000 pela alienação da marca "Frangosul" e de €15.000.000 pela alienação do portfólio dos clientes foram devidamente inseridos na apuração do imposto de renda francês. A PFN rebate os argumentos afirmando que o critério utilizado pela legislação brasileira é o da residência do beneficiário da renda, e não o da nacionalidade. Os comentários da própria OCDE ao artigo 24 da ConvençãoModelo recomendam não confundir Fl. 480DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 residência com nacionalidade, quando se cuida da aplicação do parágrafo 1º. Ademais, eventual distinção de tratamento tributário fundada na residência do contribuinte não se confunde com a discriminação vedada pelo Tratado. Assim, continua a PFN, a tributação na fonte das remessas referentes à aquisição de direitos se dá indistintamente, tanto aos nacionais brasileiros quanto franceses, que residam no exterior. Portanto, não há que se falar em malferimento ao artigo 24 da convenção. De fato, conforme exposto pela Procuradoria, a tributação na fonte das remessas ao exterior, decorrentes da aquisição de direitos, dáse indistintamente ao nacionais e aos franceses, não havendo uma discriminação de nacionalidade como pretende fazer crer o Recorrente. O que o tratado veda é uma discriminação quanto à nacionalidade do contribuinte e não em relação ao país de sua residência. Tratado BrasilFrança ARTIGO XXIV Não discriminação 1. Os nacionais de um Estado Contratante não ficarão sujeitos no outro Estado Contratante a nenhuma tributação ou obrigação correspondente diferente ou mais onerosa do que aquelas a que estiverem ou puderem estar sujeitos os nacionais desse outro Estado Contratante que se encontrem na mesma situação. 2. O termo "nacionais" designa: a) todas as pessoas físicas que possuam a nacionalidade de um Estado Contratante; b) todas as pessoas jurídicas, sociedade de pessoas e associações constituídas em conformidade com a legislação em vigor num Estado Contratante. 3. A tributação de um estabelecimento permanente que uma empresa de um Estado Contratante possuir no outro Estado Contratante não será menos favorável do que a das empresas desse outro Estado Contratante que exercerem a mesma atividade. Esta disposição não poderá ser interpretada no sentido de obrigar um Estado Contratante a conceder às pessoas residentes no outro Estado Contratante as deduções pessoais, os abatimentos e reduções de impostos em função do estado civil ou encargos familiares concedidos aos seus próprios residentes. 4. As empresas de um Estado Contratante cujo capital pertencer ou for controlado, total ou parcialmente, direta ou indiretamente, por uma ou várias pessoas residentes no outro Estado Contratante, não ficarão sujeitas, no primeiro Estado Contratante, a nenhuma tributação ou obrigação correspondente, diversas ou mais onerosas do que aquelas a que estiverem ou puderem estar sujeitas às outras empresas da mesma natureza desse primeiro Estado Contratante. 5. O termo "tributação" designa neste Artigo os impostos de qualquer natureza ou denominação. A referida vedação visa a garantir que a Convenção não se traduza numa discriminação entre os nacionais do Estado requerido e os nacionais do Estado requerente que se encontrem em situação idêntica. No entanto, os nacionais não se encontram em situação idêntica quando um nacional do Estado requerente for residente desse Estado e um nacional do Estado requerido não for. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13005.720884/201266 Acórdão n.º 2202003.064 S2C2T2 Fl. 472 21 Portanto, não ocorreu nenhuma violação ao art. 24 do Acordo BrasilFrança, pois não houve tributação ou obrigação correspondente diferente ou mais onerosa do que aquelas a que estariam ou poderiam estar sujeitas as empresas brasileiras que se encontrassem na mesma situação. Está correto o entendimento da decisão a quo, quando afirma que a tributação das remessas para o exterior é efetivada exclusivamente na fonte em virtude de o residente ou domiciliado no exterior não tributar aqui no país a totalidade de sua renda, diferentemente do que ocorre com as empresas aqui residentes, competindo, assim, à fonte pagadora reter o tributo e recolhêlo, ainda que não o tenha retido, conforme os arts. 717 e 722 do RIR/99. Art. 717. Compete à fonte reter o imposto de que trata este Título, salvo disposição em contrário (DecretoLei nº 5.844, de 1943, arts. 99 e 100, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, § 1º) [...] Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 103). Assim, não procedem as argumentações da Recorrente nesse ponto. B) APLICAÇÃO DO ARTIGO 13 Expõe o fiscalizado que os pagamentos percebidos pela DOUX na alienação das marcas e do portfólio de clientes são resultados não operacionais, que correspondem à parcela integrante na determinação do lucro líquido do exercício, que após o ajuste das adições e deduções do lucro real, exclusões ou compensações legais, resultará na base de cálculo do imposto de renda. Desse modo, defende que não se pode falar em tributação dos referidos pagamentos, pois o Convênio BrasilFrança prevê que os lucros de empresa nãoresidente no país não estão sujeitos à incidência do imposto de renda no Brasil, como é o caso da DOUX, conforme entendimento do STJ no julgamento do RESP 1.161.467/RS, na interpretação do artigo 7º do acordo. Assim dispõe o artigo 7º da Convenção BrasilFrança: ARTIGO VII Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade em outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer uma atividade na forma indicada, seus lucros são tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 2. Com ressalva das disposições do parágrafo 3º, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante através de um estabelecimento permanente aí situado, serão atribuídos em cada Estado Contratante a esse estabelecimento permanente os lucros que obteria se constituísse uma empresa distinta e separada, exercendo atividades idênticas ou similares, em Fl. 482DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 condições idênticas ou similares, e transacionando com absoluta independência com a empresa de que é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a consecução dos objetivos do estabelecimento permanente, incluindo as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar bens ou mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente nos outros artigos da presente Convenção, as disposições desses artigos não serão afetadas pelo presente artigo. (destaquei) A análise dessa norma revela que o acordo internacional para evitar a dupla tributação atribui o poder de tributar a renda ao Estado em cujo território os rendimentos foram produzidos (critério da fonte produtora) ou em cujo território foi obtida a disponibilidade econômica ou jurídica (critério da fonte pagadora). O parágrafo 5º afasta a aplicação do artigo 7º quando houver previsão de tratamento específico, em outros artigos da convenção, a determinados rendimentos que compreendem o lucro das empresas. Conforme a doutrina de Alberto Xavier: O conceito de lucro tributável é definido pelas diversas legislações internas. Como, porém, a noção geral de lucro de empresa abrange uma pluralidade de rendimentos imputáveis a uma unidade de exploração rendimentos esses sujeitos, por vezes, a regimes tributários específicos (como é o caso dos dividendos, juros) regidos por outros preceitos das convenções , as convenções esclarecem que tais regimes especiais não serão afetados pelo regime genérico dos lucros, traçado no art. 7º do Modelo. É o que podemos designar por princípio da prevalência dos regimes especiais ou do caráter residual da noção de lucro de empresa". (XAVIER, Alberto. Direito tributário internacional do Brasil. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 552, grifos do original). Desse modo, no caso de a remessa para o exterior puder ser enquadrada em qualquer outro preceito do acordo, a incidência do artigo 7º deve ser afastada, em respeito ao "princípio da prevalência dos regimes especiais". Como os rendimentos remetidos são provenientes da alienação de direitos da empresa estrangeira que ela mantinha no exterior, o enquadramento deve ser feito no artigo 13 do Tratado Brasil França. ARTIGO XIII Ganhos de capital 1. Os ganhos provenientes da alienação de bens imobiliários conforme são definidos no parágrafo 2 do Artigo VI, ou da alienação de partes ou de direitos análogos numa sociedade cujo ativo é composto principalmente de bens imobiliários, são tributáveis no Estado Contratante em que esses bens estiverem situados. 2. Os ganhos provenientes da alienação de bens mobiliários que fazem parte do ativo de um estabelecimento permanente que uma empresa de um Estado Contratante tem no outro Estado Contratante, neles compreendidos os ganhos Fl. 483DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13005.720884/201266 Acórdão n.º 2202003.064 S2C2T2 Fl. 473 23 provenientes da alienação global desse estabelecimento permanente (só ou com o conjunto da empresa), são tributáveis nesse outro Estado. Todavia, os ganhos provenientes da alienação de navios ou aeronaves explorados em tráfego internacional e de bens mobiliários pertinentes à exploração de tais navios ou aeronaves só serão tributáveis no Estado Contratante em que estiver situada a sede de direção efetiva da empresa. 3. Os ganhos provenientes da alienação de quaisquer outros bens ou direitos diferentes dos mencionados nos parágrafos 1 e 2 são tributáveis em ambos os Estados Contratantes. (destaquei) Sustenta a Recorrente que o artigo 13 deve ser interpretado sistematicamente, tendo em vista o objetivo de se evitar a dupla tributação, o que leva à conclusão de que o ganho de capital deve ser tributado apenas no país do contribuinte que auferiu o provento. No entanto, essa não é a melhor interpretação que deve ser dada a esse artigo, uma vez que o parágrafo 5º do artigo 13 da ConvençãoModelo da OCDE dispõe que os ganhos provenientes da alienação de quaisquer outros bens diferentes dos mencionados nos parágrafos 1, 2, 3 e 4, só podem ser tributados no Estado Contratante de que o alienante é residente. Ocorre que essa cláusula não foi adotada no Tratado BrasilFrança. ConvençãoModelo da OCDE ARTICLE 13 CAPITAL GAINS (...) 5. Gains from the alienation of any property, other than that referred to in paragraphs 1, 2, 3 and 4, shall be taxable only in the Contracting State of which the alienator is a resident. Em tradução livre: 5. Os ganhos provenientes da alienação de quaisquer outros bens diferentes dos mencionados nos parágrafos 1, 2, 3 e 4, só podem ser tributados no Estado Contratante no qual o alienante é residente. Assim, em função da opção dos países concordantes (Brasil e França) de não admitirem esse dispositivo, não cabe ao intérprete acolhêlo. Por conseguinte, devese entender que o referido Tratado autoriza a tributação no Brasil na hipótese do § 3º do artigo 13. Nesse caso, a base de cálculo corresponde ao total dos valores remetidos para o exterior, em conformidade com o artigo 709 do RIR/99 (artigo 72 da Lei nº 9.430/96), não havendo que se falar em diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição. Portanto, não assiste razão ao Recorrente nessa matéria. DA ALÍQUOTA ZERO PARA A OBTENÇÃO DE DIREITOS DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL Traz o fiscalizado o entendimento que, no caso de se entender que são tributáveis no Brasil os referidos pagamentos, ou que deveria ser objeto de imposto de renda Fl. 484DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 retido na fonte, seja aplicada a alíquota zero, prevista no art. 691, inciso VII, do RIR/99, haja vista a sua plena vigência e aplicabilidade. A PFN sustenta que a partir de 1º/1/2000, com o art. 1º da Lei 9.959/00, c/c art. 1º, inciso VII, da Lei 9.481/97, passou a vigorar a alíquota de 15% para esses rendimentos relativos a direitos de propriedade industrial no exterior, sendo irrelevante que não se tenha promovido a alteração devida no RIR em relação a tal alíquota, pois o decreto não pode se sobrepor à lei imperativa, principalmente no que se refere à definição da alíquota do imposto de renda, submetida ao império da legalidade estrita, ou seja, não pode ter suas alíquotas alteradas por decreto (arts. 150, I, e 153, § 1º da Constituição Federal). Entendo que não é cabível a aplicação de um dispositivo legal que já se encontrava revogado no momento do fato gerador. O fato desse dispositivo constar do Regulamento do Imposto de Renda não o faz vigente, pois o conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função dos quais foram expedidos. No ordenamento jurídico brasileiro, os regulamentos, assim como os decretos, encontramse em posição normativa inferior relativamente às leis. Os regulamentos se prestam a explicar o modo e a forma de execução da lei e, em matéria tributária, servem para consolidar as diversas leis esparsas sobre um tributo, sendo esse o caso do Regulamento do Imposto de Renda. Resta indubitável a posição de supremacia da lei sobre o regulamento, fazendo com que este não possa contrariála, firmando, desse modo, seu caráter subordinado em relação a ela. Sendo inferior à lei, o regulamento não pode ir além do que ela permite. No caso do Regulamento do Imposto de Renda, verificase que ele foi aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Sendo assim, ele não pode impor obrigações além das previstas em lei em sentido estrito. O artigo 691, VII, do RIR/99, tem como fundamentos legais a Lei nº 9.481, de 1997, art. 1º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 20. Art. 691. A alíquota do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses (Lei nº 9.481, de 1997, art. 1º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 20): [...] VII solicitação, obtenção e manutenção de direitos de propriedade industrial, no exterior; Com a vigência, a partir de 1º/1/2000, do art. 1º da Lei 9.959/00, passou a vigorar a alíquota de 15% para esses rendimentos relativos a direitos de propriedade industrial no exterior, conforme disposto em seu art. 1º. Notese que, no caso em questão, a revogação do 691, VII, do RIR/99 se deu após a edição do Decreto nº 3.000/99. Lei nº 9.959/00 Art. 1º Relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2000, a alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes e domiciliados no exterior, nas hipóteses previstas nos incisos III e V a IX do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, com a redação dada pelo art. 20 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, será de quinze por cento, observado, em relação aos incisos VI e VII, o disposto no art. 8º da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. (Vide Lei 10.560, de 13.11.2002) Fl. 485DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13005.720884/201266 Acórdão n.º 2202003.064 S2C2T2 Fl. 474 25 Não é plausível que se pretenda que, a cada alteração legislativa, se produza um novo decreto consolidando a legislação, sendo óbvio que aquelas disposições nele constantes que foram revogadas estão fora do ordenamento jurídico, sob pena de se inverter a ordem lógica de hierarquia das leis. Dessa forma, não assiste razão à Recorrente nesse ponto. DA LIMITAÇÃO À PENALIDADE DO ART. 722, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RIR/99 Pretende a Recorrente a aplicação do parágrafo único do art. 722 do RIR/99, o qual prevê expressamente que a penalidade é a prevista no art. 957, ou seja a multa de ofício de 75%, acrescida dos juros sobre o valor do imposto, quando a fonte pagadora tinha o dever de reter e recolher o imposto de renda sobre o pagamento realizado e não cumpriu a sua obrigação acessória, mas o contribuinte incluiu rendimento em sua declaração de imposto de renda, porquanto a beneficiária Doux tributou os referidos pagamentos pelo imposto de renda francês. Para a PFN, os rendimentos tributados não configuram lucros e muito menos lucros operacionais, não estando albergados pela Convenção BrasilFrança para evitar a dupla tributação, razão pela qual é irrelevante que a contribuinte tenha recolhido tributos sobre esses rendimentos no país de seu domicílio. O artigo 722 do RIR/99 prevê: Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 103). Parágrafo único. No caso deste artigo, quando se tratar de imposto devido como antecipação e a fonte pagadora comprovar que o beneficiário já incluiu o rendimento em sua declaração, aplicarseá a penalidade prevista no art. 957, além dos juros de mora pelo atraso, calculados sobre o valor do imposto que deveria ter sido retido, sem obrigatoriedade do recolhimento deste. O que se está tributando aqui é o IRRF, cuja tributação é exclusiva na fonte, não tendo que se falar em antecipações de imposto nem em ajuste posterior pelo beneficiário dos pagamentos. No regime de retenção exclusiva, a responsabilidade do contribuinte é excluída e a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora e a sua responsabilidade subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Assim, não há previsão para deslocamento da responsabilidade pelos recolhimentos do responsável tributário para o contribuinte. Portanto, não tem razão a Contribuinte nesse ponto. DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Sobre a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, entendo que o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, ao se referir aos juros incidentes sobre os débitos para com a Fl. 486DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 26 União, incluiu o tributo e a multa de ofício, pois a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Nesse sentido é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. (Acórdão nº 9202001.806, data de publicação: 29/11/2011, relator: Gustavo Lian Haddad, redator designado: Elias Sampaio Freire). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.191, data de publicação: 17/10/2011, relatora: Karem Jureidini Dias, redator designado: Claudemir Rodrigues Malaquias). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 9101000.539, data de publicação: 02/07/2014, relator: Valmir Sandri, redatora designada: Viviane Vidal Wagner). No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem firmado entendido de que são devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende das ementas abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13005.720884/201266 Acórdão n.º 2202003.064 S2C2T2 Fl. 475 27 INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012) (os grifos não são do original). TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (REsp nº 1.129.990PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 1º/09/2009). (os grifos não são do original). Portanto, é de se subsistir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 488DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 15983.000037/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/07/2004
CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE
É ônus do Contribuinte/pleiteante a comprovação dos créditos apropriados para desconto da base de cálculo da Cofins apurada pelo regime da não cumulatividade.
Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do Contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS COM SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, bem como dos materiais utilizados nestes serviços, geram créditos a serem descontados da Cofins no regime da não cumulatividade.
Numero da decisão: 3201-002.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira.
A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário declarou-se impedida.
Fez sustentação oral, pela recorrente, o(a) advogado(a) Gustavo Murici, OAB/MG nº 87168.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2004 a 31/07/2004 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do Contribuinte/pleiteante a comprovação dos créditos apropriados para desconto da base de cálculo da Cofins apurada pelo regime da não cumulatividade. Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do Contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS COM SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, bem como dos materiais utilizados nestes serviços, geram créditos a serem descontados da Cofins no regime da não cumulatividade.
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Cofins no regime da não cumulatividade caracterizase como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do Contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS COM SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, bem como dos materiais utilizados nestes serviços, geram créditos a serem descontados da Cofins no regime da não cumulatividade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 31/07/2004 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do Contribuinte/pleiteante a comprovação dos créditos apropriados para desconto da base de cálculo da Cofins apurada pelo regime da não cumulatividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 00 37 /2 00 9- 35 Fl. 975DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 976 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário declarouse impedida. Fez sustentação oral, pela recorrente, o(a) advogado(a) Gustavo Murici, OAB/MG nº 87168. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida, incluindo excertos extraídos do voto. Tratase de Auto de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social que constituiu o crédito tributário total de R$ 8.675.972,27, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/12/2008. O lançamento tem por fundamento a glosa de créditos da não cumulatividade. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, as glosas decorrem de: a) falta de comprovação de aquisições de insumos e bens; b) glosa de despesas e custos que não se enquadram na definição legal como passíveis de geração de créditos; c) divergências de comprovação. Cientificado do lançamento em 29/01/2009, o sujeito passivo apresentou impugnação em 02/03/2009, alegando, em síntese, que: pela própria composição dos mencionados anexos que as glosas foram efetuadas exclusivamente com base em históricos sumariados de lançamentos constantes nos relatórios extra contábeis da Impugnante, sem que a Fiscalização houvesse realizado qualquer levantamento ou análise mais aprofundada acerca da natureza dos bens e serviços tomados como insumo. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 977 3 O procedimento adotado pela Fiscalização mostra, por si só, a insubsistência do lançamento fiscal, uma vez que o exame pormenorizado dos bens e serviços adquiridos pela Impugnante demonstra de forma clara a correta apropriação dos créditos de PIS e COFINS. Dito isso, inicia a apresentação de suas razões para contestar as glosas impostas pela fiscalização. Ao fim, diz ter efetuado o pagamento das parcelas incontroversas e solicita a realização de diligência para comprovação das alegações expostas na presente impugnação. Sobreveio decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/07/2004 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. FRETES. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados na sistemática de apuração não cumulativa. Fretes pagos para o transporte de bens dentro ou entre as unidades da empresa não geram créditos. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. É vedada a apuração de créditos da sistemática de apuração não cumulativa nos casos de aquisição de bens cuja natureza os classifique entre os itens pertencentes ao Ativo Imobilizado. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. ALUGUÉIS. Geram créditos na apuração não cumulativa os gastos com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. Afastase a glosa imposta sem explicitação dos motivos pelos quais não foram aceitos os gastos. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 978 4 Foi afastada a parcela da exigência fiscal baseada na glosa dos gastos efetuados sob a rubrica 4502099 Outras Locações. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração referente à Cofins apurada pelo regime da não cumulatividade, com período de apuração entre 02/2004 e 07/2004. A recorrente esclarece ter recolhido os valores devidos em relação a diversos créditos glosados (Item 11.1 do Recurso Voluntário). Desta forma, a exigência fiscal em relação a estas glosas encontrase definitivamente constituída, não sendo objeto desta decisão. Antes que se passe à análise das alegações postas pela recorrente, importa que se teçam algumas considerações acerca de dois temas que, pela sua abrangência, terão influência nas decisões tomadas ao longo do presente voto, quais sejam a distribuição do ônus da prova e o conceito de insumos. A distribuição do ônus da prova Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. O artigo 333 do Código de Processo Civil disciplina a distribuição do ônus probatório da seguinte forma: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Estatuiuse por meio desta norma que o ônus da prova no processo civil incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 979 5 Comentando esse art. 333, Humberto Theodoro Júnior sustenta que: Cada parte, portanto, tem o ônus de provar os pressupostos fáticos do direito que pretenda seja aplicado pelo juiz na solução do litígio. Quando o réu contesta apenas negando o fato em que se baseia a pretensão do autor, todo o ônus probatório recai sobre este. Mesmo sem nenhuma iniciativa de prova, o réu ganhará a causa, se o autor não demonstrar a veracidade do fato constitutivo do seu pretenso direito. Quando, todavia, o réu se defende através de defesa indireta, invocando fato capaz de alterar ou eliminar as conseqüências jurídicas daquele outro fato invocado pelo autor, a regra invertese. É que, ao se basear em fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do autor, o réu implicitamente admitiu como verídico o fato básico da petição inicial, ou seja, aquele que causou o aparecimento do direito que, posteriormente, veio a sofrer as conseqüências do evento a que alude a contestação. O fato constitutivo do direito do autor tornouse, destarte, incontroverso, dispensando, por isso mesmo, a respectiva prova (art. 334, n.º III). 1 Aplicandose este conceito à lide tributária, podese afirmar que à autoridade lançadora incumbe o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário ou da infração que deseja imputar ao contribuinte, enquanto que ao contribuinte incumbe provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. À legislação processual administrativotributária inclui disposições que reproduzem este conceito. Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235/1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". A distribuição do ônus da prova possui ainda certas características quando se trata de glosa de créditos do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Esclarecese, sucintamente, que para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins a não cumulatividade consiste na possibilidade de se deduzir, do valor a ser recolhido, créditos calculados sobre encargos da pessoa jurídica, tais como matériaprima, energia elétrica e aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos. 1 THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Forense, São Paulo, 23ª ed., 1998, p. 424. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 980 6 A técnica foi assim esclarecida por Heleno Taveira Torres: A nova técnica de apuração da base de cálculo dos tributos acima indicados consiste na permissão para serem descontados da base de cálculo da pessoa jurídica, apurada sobre a receita bruta, os valores relativos a certas operações de entradas de bens, encargos, custos e despesas. Encontrada a base de cálculo nãocumulativa, aplicase então a respectiva alíquota, pertinente ao regime geral ou a algum regime especial, se houver. [...] Uma das principais inovações dessa nova legislação foi, sem dúvida, a introdução de um novo método para promover o benefício da nãocumulatividade, afastandose da técnica usada no IPI e no ICMS, de tomadas de créditos nas operações anteriores para compensações com débitos das operações futuras, pagandose exclusivamente a diferença verificada entre ambos. [...] Na nova modalidade, cada pessoa jurídica apura sua base de cálculo, sem qualquer direito a crédito; mas, sim, afastadas as exclusões legais, mediante a dedução dos ‘descontos’, permitidos por lei, de determinadas receitas da chamada ‘receita bruta’. Desse modo, há dois cálculos a fazer: i) aquele de apuração dos descontos (modalizado em permitido); e o outro, ii) de apuração da base de cálculo do débito da pessoa jurídica (modalizado em obrigatório), a título de receita bruta resultante do total de receitas, excluídas aquelas que a lei determina e operado o respectivo desconto permitido por lei. 2 Desta forma, neste regime mantémse a premissa de que compete a autoridade fiscal comprovar a ausência de recolhimentos em relação matéria tributável desta contribuições, qual seja a receita bruta do contribuinte. Quanto aos créditos, todavia, diante das particularidades deste regime tributário, estes se encontram na esfera do dever probatório dos contribuintes. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, qual seja a de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Assim, em sendo os créditos deste regime tributário um benefício que permite ao contribuinte diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre ao contribuinte que quer usufruir deste benefício o ônus de provar que possui este direito. Desta forma, o direito aos créditos da não cumulatividade, utilizados para desconto da contribuição devida, ou para ressarcimento ou compensação nas situações permitidas pela legislação, exige que o contribuinte comprove a existência dos fatos que geram este direito. 2 TORRES, Heleno Taveira. Contribuições sobre faturamento e receita (PIS e COFINS): nãocumulatividade e outros temas. Revista de Direito Tributário, São Paulo, v. 89, pp. 109 e 114, 2004. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 981 7 Exigese, portanto, a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório; documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Caso o contribuinte não comprove possuir este direito, seus créditos devem ser cancelados, sendo exigida a contribuição devida que estava acobertada por estes créditos. No tocante a realização de diligências probatórias, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, é preciso ter em conta que as diligências não podem ter por finalidade suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso em análise, ao contribuinte cumpre o ônus de trazer os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é lícito ao julgador dispensar a autoridade fiscal ou o contribuinte, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou Fl. 981DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 982 8 aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Em resumo, ao longo deste processo será adotado o critério acima posto, qual seja o de que só é passível de aferição o crédito em relação ao qual o contribuinte define, com clareza, a natureza da operação que o originou. O conceito de insumos As Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 instituíram um sistema legal de abatimento de créditos em relação a determinados gastos, apurados mediante a aplicação das alíquotas especificadas para estas contribuições (1,65% para a Contribuição para o PIS/Pasep e 7,6% para a Cofins). O legislador adotou o critério de listar expressamente os bens e serviços capazes de gerar créditos, dispostos no artigo 3º destas leis: Lei nº 10.833/03 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 982DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 983 9 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Como se percebe, as hipóteses passíveis de geração de créditos não abarcam a totalidade das despesas e custos que as pessoas jurídicas possuem, estando ausentes, por exemplo, as despesas financeiras. Ressaltese que tais despesas, originalmente, geravam direito a créditos, mas esta possibilidade foi extinta pela Lei nº 10.865 de 30 de abril de 2004. A hipótese de geração de créditos que mais gera controvérsia entre o Fisco e os contribuintes referese ao inciso II deste artigo, que permite o creditamento em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O termo insumos, de origem econômica, traduzido do termo inglês input, compreende, de um modo geral, bens ou serviços utilizados na produção de um outro bem ou serviço. Inclui, em sua acepção mais ampla, cada um dos elementos que entram no processo de produção de mercadorias ou serviços, e são necessários para a sua produção, tais como matériasprimas, bens intermediários, máquinas e equipamentos, capital e trabalho humano. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 984 10 Diferentemente dos bens adquiridos para revenda, os insumos são comprados pelos produtores ou prestadores de serviço para consumo em suas atividades. Na indústria, podem integrar o produto final, como as matérias primas, podem servir para alimentação de máquinas, como os combustíveis, ou podem ser utilizados para a manutenção do parque fabril, como os lubrificantes. Insumo, desta forma, pode ser entendido como todos os fatores de produção que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços, sejam eles diretos, como as matériasprimas, ou indiretos, como a mãodeobra, energia, e os tributos. O vocábulo, em seu sentido jurídico, foi desta forma conceituado por Maria Helena Diniz: Insumo. Economia Política. 1. Despesas e investimentos que contribuem para um resultado ou para obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. 2. É tudo aquilo que entra (input), em contraposição ao produto (output), que é o que sai. 3. Tratase de combinação de fatores de produção, diretos (matériaprima) e indiretos (mãodeobra, energia, tributo), que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços. 3 Marco Aurélio Greco4 distingue os insumos em econômicos e funcionais. Insumos econômicos seriam aqueles que incluem os fatores de produção, como o capital e o trabalho; já os funcionais englobam todos os elementos que integram o processo produtivo, como máquinas, equipamentos, matériasprimas, trabalho humano, embalagens, etc.. Observase, todavia, que nem toda aquisição de bens não duráveis será caracterizada como compra de insumo. É necessário que as despesas sejam relacionadas às atividades da pessoa jurídica. Desta forma, despesas com familiares de executivos, por exemplo, nunca são considerados insumos, mesmo que tenham sido custeadas pela pessoa jurídica. Analisandose os elementos que permitem o desconto de créditos na Contribuição para o PIS/Pasep e na Cofins, verificase que eles tomam por base bens adquiridos para revenda (inciso I), bens do ativo permanente (incisos VI e VII), insumos necessários à produção (inciso II), serviços (inciso IX), bem como outros custos e despesas incorridos com a atividade empresarial (incisos III, IV, V e X). Da análise das hipóteses acima expostas, constatase que os créditos abrangem, de forma selecionada, insumos econômicos e funcionais. Observase ainda que, dentre as hipóteses passíveis de geração de créditos, o inciso II do artigo 3º das leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permite o desconto de créditos sobre as aquisições de insumos empregados na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. 3 DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico. Vol 2, São Paulo: Saraiva, 1988, p. 870 4 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade do PIS/PASEP e da Cofins. In Nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS. PAULSEN, Leandro (coord.). São Paulo: IOB Thompson, 2004, p. 113 Fl. 984DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 985 11 O termo “insumos”, incluído dentre as hipóteses de creditamento, que por sua vez são constituídas por “insumos” em significado amplo, como não poderia deixar de ser, gerou uma infinidade de divergências em relação ao seu significado. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão competente para emissão de normas complementares referentes ao sistema tributário nacional, definiu como insumos apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem que sejam utilizados em "ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação"5. Adotouse, nestes atos, o entendimento exposto no Parecer Normativo COSIT n° 65/79 acerca do conceito de insumos – tal ato, contudo, versa sobre o IPI. Alguns julgados deste Conselho, de forma diametralmente oposta, defendem que o conceito de insumo aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins deve ser o mesmo aplicável ao Imposto de Renda, baseado em que, para se auferir lucro, é necessário antes se obter receita. Entendem, desta forma, que a materialidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é mais próxima daquela estabelecida para o IRPJ do que daquela prevista para o IPI. Assim sendo, baseado na natureza das respectivas hipóteses de incidência (receita/lucro/industrialização), o conceito de custos previsto na legislação do IRPJ (artigo 290 do RIR/99), bem como o de despesas operacionais previsto no artigo 299 do RIR/99, seria mais próprio de ser aplicado a estas contribuições do que o conceito previsto na legislação do IPI. Entendo, contudo, que a melhor forma de definição conceito de insumos passa pela análise da figura tributária ao qual este conceito foi estabelecido, qual seja da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. E, tendo em vista que o cerne de uma figura tributária é a sua materialidade econômica, no caso das contribuições em tela esta definição exige que se verifique “a receita ou o faturamento”, nos termos da CF/88, e mais especificadamente a receita bruta, ou “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, conforme previsto pelas leis nº 10.833/03 e 10.637/02. Este entendimento inviabiliza a defesa do conceito de insumos estabelecido pelas Instruções Normativas expedidas pela RFB, que reproduzem o conceito de insumos estabelecido pela legislação do IPI. Esclarecese que o IPI possui como elemento nuclear as operações de industrialização, assim entendidas aquelas que modificam a natureza ou a finalidade de produtos, ou os aperfeiçoem para o consumo, fato jurídico com profundas diferenças em relação às contribuições em tela. Em que pese a receita bruta de uma pessoa jurídica ter por base, entre outras receitas, aquelas decorrentes de operações de industrialização, a materialidade jurídica receita em nada corresponde a destas operações. 5 Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, art. 66, §5º e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, art. 8º, §4º. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 986 12 Da mesma forma, não se mostra apropriada a utilização do conceito de insumos adotado na legislação do Imposto de Renda. Este tributo incide sobre o acréscimo patrimonial da pessoa jurídica, denominado renda ou lucro. Não se confunde, de forma alguma, com receita bruta, que possui sentido bem mais amplo, compreendendo qualquer quantia percebida. Mesmo que se possa falar que a materialidade jurídica “renda” é mais próxima a “receita” do que “operações de industrialização”, ainda assim as diferenças entre estas figuras impedem que se adote, pura e simplesmente, os entendimentos já consolidados na legislação do Imposto de Renda para a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Desta forma, a busca do conceito de insumos para estas contribuições impõe que se verifique a base econômica destas, ou seja, a receita bruta. Por outro ângulo, tendo em vista a ausência de uma verdadeira cadeia econômica relacionada à receita bruta, posto dizer respeito a cada contribuinte individualmente considerado, as proposições existentes para as demais exações tributadas pelo regime da não cumulatividade, quais sejam o IPI e o ICMS, tampouco podem ser utilizadas sem que sejam feitas as devidas adaptações. Assim sendo, em consonância com o pensamento de Marco Aurélio Greco6, mostrase necessário, para definição do conceito de insumos, a visualização do processo formativo da receita daquela pessoa jurídica. E este processo formativo da receita inclui todos os elementos, sejam eles físicos ou funcionais, necessários para a obtenção desta receita. Claro que este entendimento não pode vir dissociado das hipóteses previstas na legislação como passíveis da geração de créditos. O legislador especificou, no artigo 3º das leis 10.637/02 e 10.833/03, quais situações passíveis de geração de créditos, deixando de fora desta lista determinados custos e despesas. Caso a lei tivesse por objetivo adotar a generalidade, bastaria fazer uma alusão genérica a toda e qualquer despesa ocorrida e que estivesse sujeita, anteriormente, à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins. Como esta não foi a forma adotada pela legislação, não se pode entender como insumos despesas que dizem respeito a todo e qualquer aspecto da atividade de uma empresa. Pois bem, o artigo 3º destas leis, ao falar de “insumos”, restringe aqueles utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 6 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade do PIS/PASEP e da Cofins. In Nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS. PAULSEN, Leandro (coord.). São Paulo: IOB Thompson, 2004, pp. 112122 Fl. 986DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 987 13 Desta forma, excluemse deste critério todos os gastos que digam respeito à formação de receitas diferentes daquelas referentes a prestação de serviços ou a produção de bens, tais como as despesas financeiras. Isto não quer dizer que tais despesas não possam gerar créditos caso se enquadrem em alguma outra hipótese incluída no artigo 3º, apenas que não se caracterizam como insumos no teor do inciso II deste artigo. Pelo mesmo raciocínio, as despesas administrativas, por não terem relação ao processo formativo da receita na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens, não geram direito a crédito. Outro aspecto importante para a definição de determinado bem como insumo é o momento em que este bem é utilizado, se antes, durante ou após o término do processo produtivo. Como já esclarecido, apenas os bens utilizados no processo produtivo são considerados insumos, de forma que os bens utilizados antes de iniciada a produção, ou após o término desta, não são considerados insumos para fins de geração de créditos. Do exposto, conceituamos insumo para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins como sendo toda aquisição de bens ou serviços necessários para a percepção de receitas decorrentes da prestação de serviços ou da produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade, ou por serem necessárias a outras atividades desta pessoa jurídica. Também não se enquadram como insumos os bens destinados ao ativo imobilizado, posto que os créditos referentes a estes bens estão incluídos em hipóteses distintas de creditamento, e devem ser apropriados por meio de calculo de depreciação. Ultrapassadas as exposições iniciais sobre a matéria, é possível adentrarmos na lide propriamente dita. Serviços de transporte utilizados na aquisição de bens – insumos A autoridade fiscal glosou os créditos apropriados pela recorrente referentes à aquisição de serviços de transporte por estabelecimento industrial devido a não comprovação pela empresa que seriam insumos, ou serviços base de insumos. Aduz ainda não ser possível a apropriação de créditos em relação a fretes decorrentes de entradas e nas aquisições de matérias primas. A recorrente, ao contrário, afirma que o frete contratado referese à aquisição de insumos, tais como de lenha, empregada nas caldeiras, e de soda líquida. Dessa forma, assim como os insumos adquiridos, o frete arcado na aquisição compõe o seu custo final, sendo passível de geração de créditos. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 988 14 De fato, conforme defendido pela contribuinte, o frete pago na aquisição de insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no regime da não cumulatividade. Observo, contudo, que não é qualquer pagamento de frete que dá direito ao crédito. Fretes pagos na aquisição de insumos desonerados da contribuição, por exemplo, não geram direito a crédito, posto a própria aquisição do insumos não gerar crédito. Despesas com o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da própria Contribuinte, mas que não integram uma operação de venda, correspondendo, desta forma, a despesas incorridas posteriormente ao processo produtivo, também não se incluem no conceito de insumos, de forma que também não geram direito a crédito. Mostrase necessário, portanto, para a apropriação de créditos em relação a despesas com fretes, que seja demonstrado que o frete pago corresponde, efetivamente, ao conceito de insumos do processo produtivo. A recorrente, em sede de memoriais, informa a existência de documentos anexados ao presente processo que comprovam o transporte de insumos, que os fretes foram pagos em decorrência da aquisição de insumos. Desta forma, deve ser revista a glosa dos créditos em relação a pagamentos de serviços de frete que comprovadamente referemse a aquisição de insumos, no conceito adotado neste voto. Serviço de transporte referente a transferências entre centros de custos A autoridade fiscal glosou os créditos referentes a pagamentos de serviços de movimentação em armazéns da recorrente. A contribuinte afirma trataremse de operações de movimentação de insumos, notadamente amônia, realizados entre seus estabelecimentos industriais, os quais entrariam no custo de seu processo produtivo. No tocante à questão posta, conforme o conceito de insumos definido neste voto, os serviços de movimentação de matériasprimas realizados entre seus estabelecimentos industriais da própria recorrente enquadramse como custos de sua produção, sendo necessários a percepção de suas receitas, de forma que correspondem ao conceito de insumos passíveis de geração de créditos. Mostrase necessário, contudo, conforme já explicitado, para a apropriação de créditos em relação a despesas com fretes, que os documentos que comprovam estas despesas sejam claros e específicos em relação aos bens que estão sendo transferidos – bens estes necessariamente correspondentes a insumos, e não produtos acabados. Documentos genéricos, que não informam a carga transportada, não se prestam a comprovação, não permitindo a apropriação de créditos. Desta forma, deve ser revista a glosa dos créditos em relação a pagamentos de serviços de movimentação interna quando comprovadamente referiremse a transferência de insumos (amônia) entre estabelecimentos industriais da Recorrente. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 989 15 Serviço de transporte referente a intercâmbio de produtos com outras empresas Foram glosados os créditos referentes às despesas com transporte de produtos de outras pessoas jurídicas, sem a comprovação de se tratarem de operações de compra e venda. A recorrente afirma que as glosas referemse a despesas com o transporte de Rocha Fosfática e o Enxofre, insumos do processo produtivo da Recorrente, que foram trazidos das empresas Coperbras e Cargil Fertilizantes. A contribuinte explicita que, na situação concreta analisada nos autos, houve baixa de estoques de Rocha Fosfática da Recorrente, o que ensejou o pedido de empréstimo dessas matériasprimas à outras empresas, para que a sua produção não fosse suspensa em face da ausência de matéria prima. Em sendo esta a lide, como já esclarecido, o frete pago na aquisição de insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito do PIS e da Cofins não cumulativa. Desta forma, deve ser revista a glosa promovida pela autoridade fiscal. Gastos com movimentação e armazenagem de mercadorias dentro do próprio estabelecimento Foram glosados créditos em relação a gastos com movimentação e armazenagem de mercadorias dentro dos próprios estabelecimentos da contribuinte. A recorrente contesta a glosa, afirmando que estes serviços de armazenagem e movimentação entram no custo do seu processo produtivo, e desta forma dão direito a crédito. Traz como exemplo os serviços prestados pela CESARI Empresa Multimodal de Movimentação de Materiais Ltda. Os serviços contratados corresponderiam à armazenagem e movimentação de insumos realizados dentro do estabelecimento industrial da Recorrente, localizado em Cubatão/SP. Cita ainda as despesas pagas pelo fornecedor Sul Agrico, cujas Notas Fiscais estariam acostadas à impugnação, destinamse à armazenagem externa de "Uréia Granel", produto final comercializado pela Recorrente. Em sendo estes os fatos trazidos aos autos, aplicandose o conceito de insumos exposto nos autos, os gastos com movimentação e armazenagem de insumos dentro dos próprios estabelecimentos da contribuinte correspondem a insumos de seu processo produtivo, posto necessários ao desempenho de sua atividade, gerando direito a créditos. Em relação aos gastos com armazenagem de produtos destinados a venda, em atenção ao disposto no artigo 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2004, os mesmos dão direito a crédito. Ressaltase, contudo, que os gastos com armazenagem de produtos prontos, por representarem despesas posteriores ao processo produtivo, não podem ser considerados Fl. 989DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 990 16 como insumos do processo produtivo. Podem gerar créditos apenas quando a armazenagem estiver relacionada com a operação de venda do produto acabado. Com base nestas definições, e conforme a regra da distribuição do ônus probatório, já esclarecida em outros pontos deste voto, destacase que a apropriação de créditos necessita estar devidamente comprovada por meio de documentos claros e específicos, que informe devidamente a operação que ensejaria no direito aos créditos. Documentos genéricos, que não informam o produto armazenado, não se prestam a comprovação, não permitindo a apropriação de créditos. Desta forma, deve ser revista a glosa dos créditos em relação a gastos com movimentação e armazenagem de mercadorias dentro dos próprios estabelecimentos da contribuinte quando comprovadamente referiremse a insumos, e os gastos com armazenagem de produtos prontos relacionados a operação de venda. Despesas com exportação A recorrente contesta a glosa referente a despesas incluídas na conta contábil Outras despesas com exportação—Conta 3301013 (Anexo 2), correspondentes a operações portuárias, entendidas pela fiscalização como não correspondentes nem a insumos nem a fretes na operação de venda. A contribuinte afirma que, assim como no caso do frete pago nas vendas das mercadorias, as despesas portuárias arcadas por esta quando da venda de seus produtos mediante exportação correspondem a custos necessários para a atividade econômica da empresa, de modo que irão compor o custo final dos produtos, devendo dessa forma, ser autorizada a apropriação de créditos sobre esses gastos para fins da apuração da Cofins, nos termos do artigo 3º da Lei 10.833/03. Em relação a tais despesas, observase, de pronto, que não se trata de insumos do processo produtivo, posto dizerem respeito a serviços utilizados com o produto já acabado. Verificase ainda que as operações portuárias não podem ser entendidas nem como frete nem como armazenagem de produtos. Em não correspondendo as hipóteses passíveis de gerar créditos, mostrase correta a glosa, devendo ser mantido o entendimento da autoridade fiscal. Serviços de manutenção de equipamentos industriais e materiais e sobressalentes utilizados Foram glosados os créditos referentes a lançamentos contábeis registrados nas contas “Serviços de Manutenção de Equipamentos Industriais”, “Materiais e Sobressalentes para Manutenção”, “Revestimento de Moinhos e Britadores” e “Ferramentas”, por entender a fiscalização que os mesmos não se enquadram no conceito de insumos. A recorrente, a seu turno, afirma que todos aqueles bens e serviços foram aplicados no seu processo produtivo, razão pela qual tem o creditamento autorizado pela legislação de regência. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 991 17 A contribuinte afirma que, em face da complexidade do seu processo produtivo, que tem início na extração mineral dos insumos aplicados na produção de fertilizantes e se estende até a composição final desses bens e sua colocação no mercado consumidor, os serviços de manutenção corresponderiam a insumos, tais quais manutenção de iluminação, manutenção nas linhas de transmissão e de equipamentos, já que se referem a itens diretamente vinculados ao processo produtivo. Em atenção ao alegado, conforme já exposto no início do voto, adotase o conceito de insumo para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins como sendo toda aquisição de bens ou serviços necessários para a percepção de receitas decorrentes da prestação de serviços ou da produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade, ou por serem necessárias a outras atividades desta pessoa jurídica. Tendo em vista o exposto, a definição da lide passa por verificar se os serviços contratados pela recorrente, de fato, são necessários para a percepção de suas receitas, para assim enquadraremse como insumos. A contribuinte contesta a glosa em relação aos seguintes prestadores de serviço: CMC Central Metalúrgica Catalana – correspondente a "serviços de manutenção mecânica, elétrica e de instrumentação nas paradas para manutenção das diversas áreas e equipamentos do Complexo de Mineração de Catalão CMC", Accentum Manutenção e Serviços Ltda. – relativos a "manutenção de subconjuntos, operação e manutenção de equipamentos móveis, refrigeração e lubrificação". Destacase, inicialmente, em conformidade com o conceito de insumos adotado neste voto, que os gastos com a manutenção de equipamentos industriais, dado sua característica de essencialidade ao processo formativo de receita da Recorrente, são passíveis de geração de crédito no regime não cumulativo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep. Desta forma, tendo em vista que os serviços glosados referentes as prestadoras CMC Central Metalúrgica Catalana e Accentum Manutenção e Serviços Ltda correspondem a manutenção de equipamentos industriais, as glosas devem ser revistas, sendo concedidos os créditos a Recorrente. Em relação aos bens adquiridos e incluídos nas contas de materiais sobressalentes, revestimentos de moinhos e ferramentas, a Recorrente informou que os mesmos corresponderiam ao valor das aquisições de partes e peças a serem utilizadas nas manutenções/reparos de equipamentos ligados à produção. Tais bens, portanto, não correspondem a insumos do processo produtivo, mas sim a partes e peças destinados a utilização em seus bens destacados no ativo permanente. Enquadramse, desta forma, também como bens destinados ao ativo permanente, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um Fl. 991DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 992 18 centavos, ou o prazo de vida útil não ultrapasse um ano (artigo 301 do Decreto n° 3.000/99 RIR/99). Desta forma, mostrase correta a glosa de seus créditos declarados como insumos, com os eventuais créditos da não cumulatividade deverão ser apurados a partir da depreciação sofrida, desde que tais bens não se enquadrem nas exceções expostas acima. Em se tratando, contudo, de crédito vinculado à aquisição de bem com valor unitário inferior a R$ 326,61 ou com prazo de vida útil inferior a um ano, deve ser cancelada a glosa e concedido o direito creditório. A recorrente requer que seja baixado em diligência o presente processo, para que sejam calculados os seus créditos decorrentes da depreciação. Em atenção ao pleito, entendo como desnecessária a citada diligência, posto que os créditos podem e devem ser pleiteados por meio de retificação das declarações apresentadas pela recorrente à RFB, e não por meio do presente julgamento administrativo. Serviços de Engenharia, Serviços de Assessoria e Consultoria Técnica Operacional e Outros Serviços Foram glosados créditos referentes as contas contábeis “Serviços de Engenharia”, “Serviços de Assessoria e Consultoria Técnica Operacional” e “Outros Serviços”, pois entendeu a fiscalização que os mesmo não se enquadram no conceito de insumos. A recorrente afirma que tais serviços enquadramse no conceito de insumos, citando os seguintes contratos: Engefaz tem por objeto a prestação de serviços de engenharia de manutenção e inspeção dinâmica dos equipamentos industriais da Impugnante. ABB Ltda. serviços de "planejamento da parada geral de manutenção, a serem realizados nas dependências da contratante, em seu Terminal RodoFerroviário de Catalão". A recorrente informa que realiza paradas programadas periodicamente. Essas paradas consistem numa rotina de manutenção utilizada pela indústria na qual são realizados serviços que não podem ser executados com a planta em operação. Antes da realização da parada, é feita uma inspeção detalhada para a análise critica dos problemas existentes nos equipamentos visando identificar os serviços que necessariamente serão executados. Esse planejamento é iniciado com antecipação adequada, considerando as características da parada e consiste no serviço executado pela ABB Ltda. Em sendo esta a lide, conforma os conceitos já expostos, entendo que tais serviços correspondem a insumos do processo produtivo da recorrente, permitindo o creditamento, posto apresentarem por finalidade o desenvolvimento da atividade industrial desta. Serviços aplicados na remoção do gesso Fl. 992DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15983.000037/200935 Acórdão n.º 3201002.000 S3C2T1 Fl. 993 19 Foram glosados os créditos referentes a gastos com a prestação de serviços de remoção e expedição de gesso e serviços eventuais, prestados pela empresa Porã Sistema de Remoções Ltda, e por serviços de operação e manuseio das pilhas de gesso, prestados pela empresa MGM Engenharia e operações Industriais Ltda. A recorrente afirma que o serviço de remoção de gesso é essencial para que se possa produzir o ácido fosfórico, e o próprio gesso removido, embora seja obtido na condição de subproduto, seria comercializado na condição de produto final. Constatase, de pronto, que o serviço em tela é utilizado no processo industrial da contribuinte, de modo a incluirse no conceito de insumos, permitindo o creditamento. Desta forma, concedese o crédito pleiteado pela Recorrente em relação a estas despesas. Da diligência Conforme já explicitado no início deste voto, o procedimento de diligência restringese a situações em que a autoridade julgadora tem dúvidas em relação às provas oferecidas pelas partes, de forma a impossibilitar o julgamento. Não se trata, como visto, da situação em tela, posto que as provas constantes dos autos foram suficientes para que este órgão julgador proferisse o presente acórdão. Desta forma, indeferese o pedido de diligência. Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, devendo a unidade de origem reduzir o valor exigido através da recomposição dos créditos glosados indevidamente, nos termos deste voto. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 993DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10783.724484/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
Ementa:
INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES.
Os fretes incorridos no transporte de matéria-prima entre os armazéns e a fábrica da contribuinte são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não cumulativo por se enquadrarem como custo de produção.
DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. CREDITAMENTO IMPOSSIBILIDADE.
Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não cumulativo quando vinculados a bens do ativo imobilizado diretamente empregados na produção. Tratando-se de bens do ativo imobilizado empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-002.835
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: (i) para reconhecer o crédito sobre os fretes de matéria-prima entre os estabelecimentos da recorrente, vencido o Conselheiro Jorge Freire Freire; (ii) para reconhecer o direito de crédito sobre as despesas de "condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)" incorridas pela filial Santos Armazenadora na prestação de serviços a terceiros, conforme rateio proposto pela contribuinte. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra; (iii) para negar o direito ao crédito sobre a depreciação de vagões, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto; iv) para manter a glosa do crédito presumido. Vencidos os conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram pela conversão em diligência para apuração do crédito presumido decorrente da transferência entre filiais. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 Ementa: INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES. Os fretes incorridos no transporte de matéria-prima entre os armazéns e a fábrica da contribuinte são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não cumulativo por se enquadrarem como custo de produção. DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. CREDITAMENTO IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não cumulativo quando vinculados a bens do ativo imobilizado diretamente empregados na produção. Tratando-se de bens do ativo imobilizado empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito. Recurso Voluntário provido em parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: (i) para reconhecer o crédito sobre os fretes de matéria-prima entre os estabelecimentos da recorrente, vencido o Conselheiro Jorge Freire Freire; (ii) para reconhecer o direito de crédito sobre as despesas de "condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)" incorridas pela filial Santos Armazenadora na prestação de serviços a terceiros, conforme rateio proposto pela contribuinte. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra; (iii) para negar o direito ao crédito sobre a depreciação de vagões, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto; iv) para manter a glosa do crédito presumido. Vencidos os conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram pela conversão em diligência para apuração do crédito presumido decorrente da transferência entre filiais. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 Ementa: INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES. Os fretes incorridos no transporte de matériaprima entre os armazéns e a fábrica da contribuinte são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não cumulativo por se enquadrarem como custo de produção. DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. CREDITAMENTO IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não cumulativo quando vinculados a bens do ativo imobilizado diretamente empregados na produção. Tratandose de bens do ativo imobilizado empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: (i) para reconhecer o crédito sobre os fretes de matériaprima entre os estabelecimentos da recorrente, vencido o Conselheiro Jorge Freire Freire; (ii) para reconhecer o direito de crédito sobre as despesas de "condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)" incorridas pela filial Santos Armazenadora na prestação de serviços a terceiros, conforme rateio proposto pela contribuinte. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra; (iii) para negar o direito ao crédito sobre AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 44 84 /2 01 1- 31 Fl. 867DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 a depreciação de vagões, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto; iv) para manter a glosa do crédito presumido. Vencidos os conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram pela conversão em diligência para apuração do crédito presumido decorrente da transferência entre filiais. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório. Trata o processo de Pedido de Ressarcimento – PER nº 03485.18708.311006.1.1.099173, de crédito de Cofins não cumulativa Exportação, nos termos do §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, relativo ao 2º trimestre de 2006, no montante de R$ 6.141.624,97. O saldo a ressarcir foi objeto das Declarações de Compensação nº 13149.74831.311006.1.3.090074 e nº 18460.76024.311006.1.3.097902. A DRF/Vitória reconheceu em parte o direito creditório e homologou parcialmente as compensações objeto das declarações n°s 13149.74831.311006.1.3.090074 e 18460.76024.311006.1.3.09.7902. Foi homologado o montante de R$ 1.758.521,51 (um milhão, setecentos e cinqüenta e oito mil, quinhentos e vinte e um reais e cinqüenta e um centavos); e não homologado o valor de R$ 4.383.103,46 (quatro milhões, trezentos e oitenta e três mil, cento e três reais e quarenta e seis centavos). Por retratar os fatos que sucederam no processo até a apresentação da manifestação de inconformidade, adotase aqui o relatório da decisão recorrida, que abaixo se transcreve: (...) Da análise do pleito em questão resultou o Parecer Sefis nº 178/2011, do qual se destaca o seguinte: ...Informa o contribuinte que no 2° trimestre de 2006, no que se refere à Cofins nãocumulativa, gerou créditos relativos a importações ou aquisições no mercado interno vinculados a receitas de exportação, ou vendas a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, em montante superior às deduções decorrentes de operações tributadas no Fl. 868DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724484/201131 Acórdão n.º 3402002.835 S3C4T2 Fl. 868 3 mercado interno, nos termos do art. 6°, §1°,I, da Lei n° 10.833, de 2003, como demonstrado na tabela abaixo: ...o objetivo da diligência fiscal foi verificar os procedimentos adotados pelo contribuinte na apuração dos débitos e créditos, manifestandose sobre procedência ou não dos saldos objeto de pedido de ressarcimento e respectivas declarações de compensação. Para a análise foram considerados os valores informados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, as planilhas com o detalhamento dos valores totalizados no Dacon, e os respectivos registros contábeis. ... DOS CRÉDITOS Bens utilizados Insumos... especificamente em relação aos bens utilizados como insumos, constante da linha 2, da ficha 16A do Dacon, referente a apuração dos créditos da Cofins, objeto deste tópico, foram desconsiderados os itens classificados pelo contribuinte como insumos que não tiveram ação direta sobre o produto fabricado (os insumos indiretos) e os bens contabilmente registrados no ativo imobilizado, como detalhados no anexo I. ... As despesas relativas a limpeza, laboratório, viagens, hospedagens, alimentação, escritório, informática, etc., apesar de importantes como suporte às atividades da empresa, enquadramse como insumos indiretos, não relacionados diretamente com a produção dos bens destinados à venda, o que não as credencia, no caso concreto, a integrar o rol de insumos que geram crédito na sistemática da nãocumulatividade da Cofins... As contas 133160501 e 616018501 contemplam uma ampla variedade de itens, enquadradas pelo contribuinte a título de manutenção e conservação: materiais de limpeza, conservação, segurança, escritório, e pequenos reparos, para os quais não se verificou a vinculação direta com o produto em elaboração. Desse modo, foram também excluídos da basedecálculo da apuração dos créditos. No que tange especificamente à conta 133020.502, relativa ao suprimento lenha, as exclusões referemse a aquisições de pessoas físicas e a despesas relativas ao corte da madeira. Com Fl. 869DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 4 relação às aquisições de lenha de pessoas físicas, como se sabe, um dos pressupostos para a obtenção de créditos na sistemática da nãocumulatividade da Cofins é a aquisição de pessoas jurídicas domiciliadas no País, com as exceções previstas na lei (o que não foi o caso do item sob análise), de acordo com o art. 3º, §3°, I, da Lei n° 10.833, de 2003. Quanto às despesas referentes a corte de madeira, tratase de serviços prestados na floresta, sem relação direta com o produto em elaboração na indústria... Quanto aos itens contabilizados no ativo imobilizado, grupo 180000, há expressa vedação, no que se refere a bens utilizados como insumos, à sua apropriação para fins de apuração de créditos, nos termos do art. 8º , §4°, I, "a" , da IN SRF n° 404, de 2004. Serviços utilizados como Insumos ...especificamente em relação aos serviços utilizados como insumos, constante da linha 3, da ficha 16A do Dacon, referente a apuração dos créditos da Cofins – incidência nãocumulativa, objeto deste tópico, foram desconsiderados os itens classificados pelo contribuinte como insumos que, no caso da indústria, não foram aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou no caso da unidade prestadora de serviços, não tenham sido aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Os dados,...,estão detalhados no anexo II. Quanto às despesas relacionadas a fretes, classificou o contribuinte como insumos geradores de créditos o frete fiscal/diversos e o frete sobre transferência. Como frete fiscal/diversos foram classificadas as pequenas remessas não vinculadas diretamente à produção, tais como remessas postais, malotes, etc; e como frete sobre transferências, os deslocamentos entre as unidades da própria ADM, relativos a envio da matériaprima do armazém para a fábrica. Nos dois casos observase que não se trata de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, como define o art. 8ºº, §4°, I, " b ", da IN SRF n° 404, de 2004, com suporte no art. 3º , II , da Lei n° 10.833, de 2003. E também nesse caso não há que se remeter ao conceito de frete na operação de venda, de que trata o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833, de 2003, já que o produto sequer foi elaborado (tratase de deslocamento da matériaprima para ser industrializada). ... No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, cabe o esclarecimento de que a unidade atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior e atende tanto à própria ADM quanto a terceiros (outras empresas que contratam seus serviços em razão da sua estrutura física e de sua expertise). Quando atende a terceiros, a unidade atua efetivamente como prestadora de serviços. Quando atende à própria ADM, as despesas relativas aos serviços portuários caracterizamse como despesas vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão Fl. 870DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724484/201131 Acórdão n.º 3402002.835 S3C4T2 Fl. 869 5 legal para apropriação de créditos na sistemática da não cumulatividade da Cofins. Nesse sentido, foram glosados os créditos apurados sobre despesas classificadas como “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)”, contas contábeis do grupo 54200 e 516120, para as quais não foi possível identificar sua vinculação inequívoca com serviços prestados a terceiros, nos termos do art. 8°, §4°, II ”b”, da IN SRF n° 404, de 2004, combinado com o art. 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003. Com relação a manutenção e reparos, conta 520018, os valores referemse a despesas de água e esgoto, limpeza, laboratório, vigilância, combate a insetos, etc, para os quais também não há previsão legal apuração de créditos na sistemática da não cumuiatividade da Cofins. Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado... O contribuinte, na filial Rondonópolis, apropriouse de créditos relativos a depreciação de vagões, como detalhado no anexo III. Os vagões atendem a parte da demanda de transporte do contribuinte. São, portanto, úteis e necessários às atividades da empresa, entretanto operam fora da fábrica, não sendo propriamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou à prestação de serviços, como pressupõe o art. 3°, VI, da Lei n° 10.833, de 2003. Crédito Presumido..., verificouse que, do total do crédito presumido apurado apenas parte foi relacionada às aquisições realizadas nos respectivos períodos, considerandose a data de emissão das notas fiscais pelos fornecedores e os valores nelas expressos. Parte significativa do crédito presumido foi apurada (de acordo com informação do contribuinte) com base no preço médio da soja estocada, quando de sua transferência do armazém para a indústria (calculado em relação ao estoques armazenados decorrentes de aquisições pretéritas, que remontariam ao ano de 2003). E o que estabelece o art. 8º , §2°, da Lei nº 10.925, de 2004, é que "o direito ao crédito presumido" da Cofins "só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País (...)". Ou seja, na apuração do crédito presumido caberia ao contribuinte considerar o valor efetivo das aquisições efetuadas nas respectivas datas de emissão das notas fiscais pelos fornecedores... Assim, observandose o procedimento legal estabelecido para a apuração do crédito presumido, tal como previsto no art. 8º , §2°, e §3°, III , da Lei n° 10.925, de 2004, foram efetuadas as glosas como demonstrado sinteticamente na tabela abaixo e detalhados no anexo IV. ... CONSIDERAÇÕES FINAIS Fl. 871DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 6 O somatório das glosas efetuadas, discriminadas mensalmente, estão expressas na tabela abaixo: Na homologação dos créditos, considerando os dados expressos no pedido de ressarcimento formalizado pelo contribuinte, concluiuse o seguinte: Cumpre registrar que, com relação aos meses 05/2006 e 06/2006, apesar de serem glosados valores superiores aos saldos a ressarcir informados pelo contribuinte, não foi constituído crédito tributário do saldo remanescente, uma vez que, não caracterizadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, impôs se a aplicação da decadência, tal como disposto no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172, de 1966. PROPOSIÇÃO Pelo que foi exposto, proponho o deferimento apenas parcial do direito creditório requerido pelo contribuinte no pedido de ressarcimento n° 03485.18708.311006,1.1.099173, relativo a créditos originados da sistemática da nãocumulatividade da Cofins nos meses de abril, maio e junho de 2006, apurado nos termos da Lei nº 10.833, de 2003 e, conseqüentemente, a fim de que surta os efeitos previstos no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, proponho que sejam homologadas apenas parcialmente as respectivas compensações, objeto das declarações n°s 13149.74831.311006.1.3.090074 e 18460.76024.311006.1.3.09.7902, nos seguintes termos: homologar R$ 1.758.521,51 (um milhão, setecentos e cinqüenta e oito mil, quinhentos e vinte e um reais e cinqüenta e um centavos); e não homologar R$ 4.383.103,46 (quatro milhões, trezentos e oitenta e três mil, cento e três reais e quarenta e seis centavos). Com lastro no Parecer acima, a DRF/VITÓRIA exarou o Despacho Decisório de fl. 41, assim decidindo: Aprovo o Parecer DRF/VIT/Sefis n° 178/2011 e, de acordo com o seu teor, nos termos do disposto no art. 280, VI, da Portaria do Fl. 872DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724484/201131 Acórdão n.º 3402002.835 S3C4T2 Fl. 870 7 Ministério da Fazenda n° 125, de 2009, defiro parcialmente o direito creditório do contribuinte relativo à nãocumulatividade da Cofins de que trata a Lei n° 10.833, de 2003, apurada nos meses de abril, maio e junho de 2006. Conseqüentemente, homologo parcialmente a compensarão objeto das declarações n°s 13149.74831.311006.1.3.090074 e 18460.76024.311006.1.3.09.7902, nos seguintes termos: valor homologado R$ 1.758.521,51 (um milhão, setecentos e cinqüenta e oito mil, quinhentos e vinte e um reais e cinqüenta e um centavos); e valor não homologado R$ 4.383.103,46 (quatro milhões, trezentos e oitenta e três mil, cento e três reais e quarenta e seis centavos). Cientificada do Despacho Decisório, em 18/10/2011 (fls. 497), a contribuinte apresentou, em 17/11/2011, a Manifestação de Inconformidade de fls. 499 a 527, na qual alega, em preliminar, a nulidade do Despacho Decisório recorrido por cerceamento do direito de defesa. No mérito, a manifestante apresenta, em síntese, as seguintes razões de defesa: a defendente entende que todos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e utilizados, direta ou indiretamente, na produção de bens ou na prestação de serviços devem ser considerados como insumos para fins de determinação dos créditos de PIS e Cofins. Foi esse o claro intuito do legislador ao criar o sistema de créditos e débitos dessas contribuições, sendo equivocada e ilegal, ante a falta de embasamento em lei, a utilização de conceitos próprios do IPI para tanto; a legislação do PIS e da COFINS não traz conceito de insumos e não faz referência à legislação do IPI, portanto, deve ser utilizado o conceito genérico de insumo; o PIS e a COFINS incidem sobre a receita da pessoa jurídica, de forma que a não cumulatividade dessas contribuições deve considerar os elementos físicos e funcionais que colaboram para a formação dessa receita, não se restringindo aos insumos aplicados diretamente e consumidos no curso do processo produtivo; a título de argumentação, vale ressaltar que a materialidade do PIS e da COFINS é muito mais próxima da do IRPJ do que da do IPI. Se fosse necessário buscar fundamento em legislação tributária anterior para definir os elementos geradores de créditos de PIS e COFINS (o que se admite para fins de argumentação), deverseia utilizar a legislação do IRPJ; o entendimento de que o conceito de insumos na sistemática da não cumulatividade das contribuições deve ser entendido como todo e qualquer custo ou despesa necessários para a atividade da empresa já vem sendo adotado pelo CARF; apesar de o serviço de frete não ser aplicado diretamente no processo de produção, é incontestável que ele é absolutamente necessário e intrínseco a essa atividade de produção. Aliás, se Fl. 873DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 8 não há a transferência das matériasprimas dos armazéns para a fábrica, a fase de produção não pode ser sequer iniciada; para garantir que os créditos de PIS e COFINS sejam apropriados somente com relação aos bens e serviços portuários utilizados na prestação de serviços a terceiros, a interessada utiliza dois métodos, dependendo da natureza dos custos ou despesas; para os serviços de classificação, inspeção, controle de qualidade, lancha (leitura de calado) e para os valores pagos à Companhia Docas CODESP relacionados à quantidade de mercadoria embarcada no porto e ao tempo em que o navio ficou atracado no porto, a segregação dos serviços prestados a terceiros dos serviços prestados à própria interessada é feita a cada embarque; a impugnante realiza o levantamento da quantidade embarcada, verifica a proporção entre os produtos próprios e os produtos de terceiros e aplica a proporção com relação aos custos e despesas relacionados ao embarque. Então, somente a parte dos custos e despesas correspondente aos produtos de terceiros gera créditos de PIS e COFINS; para custos e despesas não diretamente relacionados aos embarques, tal como almoxarifado, combustível, condomínio portuário, manutenção e limpeza, a segregação dos serviços prestados a terceiros dos serviços prestados à própria interessada é feita com base no volume total movimentado por mês; a impugnante verifica o volume total movimentado na filial no mês, obtém a proporção entre o volume próprio e o volume de terceiros e aplica a proporção sobre os custos e despesas mencionados acima. Novamente, somente a parte dos custos e despesas associados à movimentação de produtos de terceiros gera crédito de PIS e COFINS; ou seja, apesar de não ser possível uma vinculação exclusiva dos gastos cujos créditos de PIS e COFINS foram glosados pelas autoridades fiscais aos serviços prestados a terceiros, é incontestável que essa vinculação existe, de forma que os créditos devem ser admitidos; transporte dos produtos da fábrica para o porto é absolutamente essencial às suas atividades fabris, de forma que a depreciação dos vagões deve dar direito a crédito do PIS e da COFINS; o artigo 3o, inciso IX da Lei n.° 10.833, de 2003, prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados. Assim, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não há porque negar o crédito de depreciação de vagão que faz exatamente a mesma função que um transportador terceirizado; o artigo 8o da Lei n.° 10.925, de 2004, determina que as pessoas jurídicas produtoras de determinados produtos de origem animal e vegetal fazem jus a crédito presumido de PIS e de COFINS sobre aquisições de produtos in natura de pessoas Fl. 874DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724484/201131 Acórdão n.º 3402002.835 S3C4T2 Fl. 871 9 físicas ou de pessoas jurídicas sujeitas à suspensão dessas contribuições em suas operações; considerando que adquire soja in natura para a produção de derivados, tais como óleo de soja e farelo de soja, a interessada registrou, com base no dispositivo legal acima, créditos presumidos de PIS e COFINS sobre as operações realizadas nas condições estabelecidas na legislação; a operação de soja é realizada, essencialmente, em cinco fábricas (filiais) da interessada: Rondonópolis, Uberlândia, Campo Grande, Três Passos e Joaçaba. As fábricas de Três Passos e Joaçaba adquirem a soja in natura diretamente dos fornecedores. Já as fábricas de Rondonópolis, Uberlândia e Campo Grande, que são consideradas sedes regionais da empresa, recebem a soja in natura em transferência de outras filiais que adquirem o produto dos fornecedores; o valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Impugnante, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não pode servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e COFINS; o valor constante das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores no curso dos contratos de compra e venda de soja não consiste no preço da soja — que somente é determinado no encerramento do contrato, após a entrega total dos produtos — mas uma mera estimativa, uma vez que celebra contrato de compra e venda com preço a fixar. Ou seja, há diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustada no momento do fechamento do contrato; decidiu adotar como base para a determinação desses créditos o preço médio da soja para cada filial comercial. Os créditos presumidos de PIS e COFINS somente são apropriados pela Interessada no momento da transferência entre a filial e a fábrica, com base no preço médio acumulado nesse momento. Pela peculiaridade da operação, a metodologia não está prevista na legislação fiscal. Ao final requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório em vista do claro cerceamento de defesa decorrente da não indicação do critério utilizado na valoração dos créditos glosados e reconhecidos pelas autoridades fiscais. No mérito, requer a reforma parcial do Despacho Decisório recorrido para que seja reconhecido, integralmente, o crédito da Cofins relativo ao 2o trimestre de 2006 e, assim, homologadas as respectivas compensações. A interessada apresentou, em 19/12/2013, as razões adicionais de defesa, fls. 603 a 606, acompanhadas dos documentos de fls. 609 a 658. (...) Fl. 875DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 10 Mediante o Acórdão nº 0950.012, de 27/02/2014, a 1ª Turma da DRJ/Juiz de Fora indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. COFINS NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da não cumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. INSUMOS. TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Os gastos com transporte do produto, acabado ou em elaboração, entre estabelecimentos industriais ou distribuidores da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas de forma não cumulativa, por não se classificarem como insumos do produto. RATEIO. DESPESAS COMUNS. Não há previsão legal para rateio de despesa, encargo ou custo comuns quando apenas uma parte poderia gerar crédito e outra parte são despesas vinculadas à comercialização. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Os encargos de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado apenas geram direito a crédito se esses bens forem diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda. Diante disso, os encargos de depreciação dos vagões utilizados no transporte de insumos, não são passíveis de gerar crédito da contribuição. CREDITO PRESUMIDO. CONTRATO DE PREÇO A FIXAR. A apuração do crédito presumido com base no preço médio da soja para cada filial comercial não encontra amparo legal. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância com a abertura dos arquivos correspondentes no sistema eprocesso em 20/03/2014. Em 04/04/2014 deuse a ciência por decurso de prazo. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724484/201131 Acórdão n.º 3402002.835 S3C4T2 Fl. 872 11 Em 16/04/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando e requerendo, em síntese: PRELIMINARMENTE Da nulidade da decisão de primeira instância administrativa As autoridades julgadoras de primeira instância desconsideraram as alegações e documentos apresentados pela Recorrente em sede de defesa e proferiram sua decisão de forma desvinculada aos argumentos e provas e, portanto, de forma totalmente desmotivada. Essa reprovável conduta fica bastante clara no que concerne aos serviços portuários prestados pela filial de Santos, pois, a despeito de a Recorrente ter demonstrado, em sua manifestação de inconformidade, a metodologia utilizada para a apropriação das despesas com serviços utilizados como insumo na prestação de serviços portuários a terceiros e, ainda, ter apresentado petição juntando toda a documentação necessária para a quantificação e verificação da regularidade dos créditos de Cofins advindos de tais despesas, as autoridades julgadoras desconsideraram o que foi apresentado nos autos e preferiram, à margem dos fatos e dos documentos, concluir que não haveria como se autorizar a tomada dos referidos créditos eis que decorrentes de um "rateio de custos" sem autorização legal. Não há como se aceitar que a disputa seja resolvida em primeira instância através da mera transcrição de dispositivos legais, a qual, nem de longe, pode ser considerada como sendo suficiente para provêla da mandatória motivação. A falta de motivação de uma decisão configura cerceamento de defesa, da ampla defesa e do contraditório, em afronta ao previsto no artigo 5º, LV da Constituição Federal. Assim, resta clara a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, a qual deve ser substituída por nova decisão, que, desta vez, traga a devida motivação aos diversos pontos em disputa. NO MÉRITO: a. Do conceito de insumos para fins de registro de crédito de COFINS no regime não cumulativo: A Recorrente entende que todos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e utilizados, direta ou indiretamente, na produção de bens ou na prestação de serviços devem ser considerados como insumos para fins de determinação dos créditos de PIS e COFINS. Por outro lado, as dd. autoridades fiscais e julgadoras, entendem que somente poderiam ser considerados como insumos, para fins de geração de créditos de PIS e COFINS, os bens e serviços aplicados diretamente na produção de bens, ou seja, com a aplicação da legislação do IPI para a definição de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS. A legislação do PIS e da COFINS não traz conceito de insumos, dessa forma, atendendo ao determinado no artigo 109 do Código Tributário Nacional, devese utilizar o conceito genérico de insumo, qual seja, todos os bens corpóreos ou incorpóreos aplicados direta ou indiretamente na produção de bens ou serviços. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 12 A legislação do PIS e da COFINS afastase implicitamente da legislação do IPI pela própria natureza dos créditos admitidos, pois admite créditos com relação a diversos elementos que certamente não seriam passíveis de crédito de IPI, como é o caso de serviços, combustíveis e lubrificantes. A materialidade do PIS e da COFINS não é semelhante à materialidade do IPI. O PIS e a COFINS incidem sobre a receita da pessoa jurídica, de forma que a não cumulatividade dessas contribuições deve considerar os elementos físicos e funcionais que colaboram para a formação dessa receita, não se restringindo aos insumos aplicados diretamente e consumidos no curso do processo produtivo. A própria legislação do PIS e da COFINS determina que os créditos dessas contribuições são distintos daqueles calculados para fins de IPI. A própria regulamentação da Receita Federal do Brasil indica que custos, despesas e encargos geram créditos de PIS e COFINS passíveis de ressarcimento, sem que haja qualquer restrição aos bens aplicados e consumidos diretamente na produção de bens e serviços. Dessa forma, no presente caso, devem ser admitidos os créditos de COFINS relativos a bens e serviços pertinentes à produção de bens e à prestação de serviços, como é o caso dos vestuários, material de limpeza, material de laboratório, treinamentos, fretes, serviços portuários, etc. Despesas com fretes para transporte de matériaprima entre armazéns e fábricas da Recorrente As dd. autoridades fiscais glosaram os créditos relativos a frete sobre transferências entre estabelecimentos da Recorrente. Nos Pareceres SEFIS, as dd. autoridades fiscais reconhecem expressamente que se tratam de "deslocamentos entre as unidades da própria ADM, como o envio da matériaprima do armazém para a fábrica" e que "os produtos são transportados dos armazéns para as fábricas com notas fiscais de simples remessa emitidas pela própria ADM." Dessa forma, mesmo reconhecendo que as despesas com fretes foram incorridas para o transporte de matériaprima para dentro de suas unidades fabris e que, portanto, referidas despesas estão intrinsecamente vinculadas à produção do farelo e do óleo de soja fabricados e vendidos pela Recorrente, as dd. autoridades fiscais preferiram aterse a uma interpretação estritamente literal do artigo 3o, IX da Lei n.° 10.833/2003 para denegar o direito ao crédito de PIS e COFINS sobre tais despesas. Na mesma linha, foi a decisão recorrida. No entanto, sem o transporte da matériaprima entre os estabelecimentos da empresa, não haveria produção e, assim, não seria possível a posterior venda das mercadorias. De forma que, mesmo sendo antes da efetiva operação de venda de mercadorias, os fretes entre estabelecimentos da mesma empresa na situação específica são despesas extremamente necessárias para a manutenção das atividades de comercialização de produtos. O frete entre estabelecimentos da empresa consiste em um genuíno insumo na fabricação dos produtos da Recorrente e, portanto, deve gerar créditos de PIS e COFINS. Esse frete compõe o custo da mercadoria, nos termos do artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda, conforme já decidido nos Acórdãos 3403002.753, 3403002.750, 3403002.751 e outros. Insumos na prestação de serviços portuários a terceiros As dd. autoridades fiscais glosaram parcela dos créditos de PIS e COFINS apropriados pela filial de Santos alegando que "foram glosados os créditos apurados sobre Fl. 878DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724484/201131 Acórdão n.º 3402002.835 S3C4T2 Fl. 873 13 despesas classificadas como 'condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)' para as quais não foi possível identificar sua vinculação inequívoca com os serviços prestados a terceiros ". Diante das alegações de defesa apresentadas pela Recorrente, as dd. autoridades julgadoras analisaram a questão da glosa de créditos de serviços portuários e, inovando com relação ao próprio Despacho Decisório, concluíram que a razão pela não aceitação dos créditos em disputa residiria no presumido fato de que se teria em mãos um "rateio de despesas" na forma prevista no artigo 3o, §§ 7o, 8°e 9° da Lei n.° 10.637/2002. Contudo, bastaria a leitura dos autos para que os dd. julgadores a quo observassem que a disputa em exame não se trata de "rateio de despesas". A Recorrente presta serviços portuários através de sua filial de Santos, sendo que parte desses serviços se reverte em benefício próprio (transporte de mercadorias da própria ADM) e parte desses serviços é prestado a terceiros, não vinculados à Recorrente. Os custos e despesas relacionadas aos insumos adquiridos para a prestação desses serviços, diferentemente do que concluíram os d. julgadores, não são rateadas com outras pessoas jurídicas mas, sim, integralmente arcadas pela Recorrente, sendo que apenas e tão somente a parcela dos referidos insumos que dizem com a prestação de serviços a terceiros é que foi considerada para fins de cálculos dos créditos de PIS e COFINS ora em disputa. Para os serviços de classificação, inspeção, controle de qualidade e lancha (leitura de calado) contratados pela Recorrente e para os valores pagos à Companhia Docas do Estado de São Paulo ("CODESP") relacionados à quantidade de mercadoria embarcada no porto e ao tempo em que o navio ficou atracado no porto, a segregação entre os serviços portuários prestados a terceiros daqueles prestados à própria Recorrente é feita a cada embarque. Para custos e despesas não diretamente relacionados aos embarques, tais como, almoxarifado, combustível, condomínio portuário, manutenção e limpeza, a segregação entre os serviços portuários prestados pela filial de Santos a terceiros daqueles prestados à própria Recorrente é feita com base no volume total de produtos movimentado por mês. Essas atividades e o critério para registro dos créditos de PIS e COFINS são facilmente comprovados através dos registros mantidos pela Recorrente, que demonstram, detalhadamente, o procedimento adotado para a segregação dos custos e despesas relacionados ao embarque de produtos próprios e de terceiros em navios atracados no Porto, os quais são juntados novamente aos autos. A recorrente cita como exemplo o mês de maio de 2006 para comprovação da proporcionalidade dos créditos. A legitimidade dessa parcela dos créditos foi reconhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão 3403002.750, de 25 de fevereiro de 2014, em outro processo em que a Recorrente é parte, cujos documentos são idênticos aos juntados nestes autos. Depreciação de vagões As dd. autoridades fiscais e julgadoras alegam que, por não estarem dentro da fábrica, os vagões não participariam do processo de industrialização dos bens, de forma que esse crédito não poderia ser admitido. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 14 No entanto, na linha já exposta no recurso voluntário, a Recorrente reforça que o transporte dos produtos da fábrica para o porto é absolutamente essencial às suas atividades fabris, de forma que a depreciação dos vagões deve dar direito a crédito do PIS e da COFINS, devendose ressaltar que o artigo 3º, inciso IX da Lei n.° 10.833/2004 prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados. Assim, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não há porque negar o crédito de depreciação de vagão que faz exatamente a mesma função que um transportador terceirizado. b. Crédito presumido As dd. autoridades fiscais glosaram parte do crédito presumido de COFINS registrado pela Recorrente no 2° trimestre de 2006, com base no artigo 8o da Lei n.° 10.925/2004. De acordo com as dd. autoridades, apesar de a Recorrente ter direito de calcular referido crédito nas aquisições de soja realizadas diretamente através de seus estabelecimentos fabris, não poderia ter registrado esse mesmo tipo de crédito sobre as aquisições de soja efetuadas através de seus estabelecimentos comerciais (silos), eis que, nessa situação específica, foram os créditos calculados com base em notas fiscais de transferência dos silos para a fábricas, fora do período da aquisição da soja. O valor constante das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores no curso dos contratos de compra e venda de soja não consiste no preço da soja que somente é determinado no encerramento do contrato, normalmente após a entrega total dos produtos mas uma mera estimativa, de forma que há diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustada no momento do fechamento do contrato. Em outras palavras, o valor constante da Nota Fiscal emitida pelo produtor pode ser inferior ou superior ao preço do produto, que é fixado no fechamento do contrato, de acordo com um preço médio de compra pela Recorrente. Essa forma de contratação é padrão para o mercado de commodities e é decorrente da significativa oscilação do preço desse tipo de produto em curtos espaços de tempo. O preço da soja pode variar significativamente dentro de uma mesma safra, sendo que a celebração de contratos com preço a fixar consiste em uma forma de resguardar os direitos tanto dos produtores quanto dos adquirentes. Nesse contexto, concluise que o valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Recorrente, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não pode servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e COFINS. O artigo 8º, §3° da Lei n° 10.925/2004 determina a forma de apuração desses créditos sobre o valor das aquisições, o que, na operação da Recorrente, não corresponde ao valor individual de cada Nota Fiscal recebida pelas filiais comerciais. Dessa forma, para evitar distorções nos cálculos dos créditos presumidos de PIS e COFINS, a Recorrente decidiu adotar como base para a determinação desses créditos o preço médio da soja para cada filial comercial. Pela peculiaridade da operação, não obstante a essa metodologia não esteja expressamente prevista na legislação fiscal, ela é, sem dúvida, a mais consistente e razoável, tanto para a Recorrente como para o Fisco Federal. E nem se diga, como tentaram as dd. autoridades fiscais, que a Recorrente não teria como identificar a origem dos créditos presumidos de PIS e COFINS, pois a Fl. 880DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724484/201131 Acórdão n.º 3402002.835 S3C4T2 Fl. 874 15 Recorrente tem controle (e apresentou todos os documentos no curso do procedimento fiscal) das entradas em suas filiais, das devoluções e da apuração do preço médio acumulado. A Recorrente apresentou parecer elaborado pelo Professor Roque Carrazza especificamente com relação ao crédito presumido de PIS e COFINS previsto na Lei n.° 10.925/2004, no qual foi confirmado que a Recorrente tem direito à apropriação de tais créditos presumidos nas operações em que a soja in natura é adquirida pelos estabelecimentos comerciais da empresa (silos) e que, diante da complexidade dos contratos de compra e venda de soja, tal crédito presumido pode ser calculado sobre o custo médio das aquisições da soja. Alternativa e subsidiariamente, a Recorrente requer, com relação ao crédito presumido de COFINS, que, caso seja rejeitado o método adotado para apuração de tal crédito, seja o julgamento convertido em diligência para a apuração do crédito presumido sobre o volume total de aquisições de soja por suas filiais comerciais para o período. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. A preliminar, suscitada pela recorrente, de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa não pode prosperar. O julgador de primeira instância apresentou seu conceito de bens e serviços utilizados como insumo para fins de creditamento das contribuições não cumulativas, em consonância com as Instruções Normativas que regem a matéria, e a seguir, decidiu, motivadamente sobre todas as glosas objeto de contestação cotejandoas com os argumentos apresentados pela ora recorrente. Com relação especificamente à glosa dos serviços portuários prestados pela filial de Santos, o julgador de primeira instância justificou a manutenção da glosa em face da ausência de previsão legal para cálculos dos créditos por meio de rateio de despesas: (...) Cumpre de pronto destacar que não há controvérsia quanto ao fato de que apenas os insumos vinculados à prestação de serviços a terceiros geram créditos do PIS e da Cofins. A própria interessada admite que os serviços contratados e aplicados nas operações de exportação dos produtos da ADM não devem ser incluídos na base de cálculo dos créditos apurados no regime não cumulativo. Isso porque, nesta situação, tais despesas não se caracterizam como insumo conforme definição dada pela legislação específica, mas sim despesas vinculadas à comercialização. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 16 Caberia à interessada, portanto, a comprovação das despesas efetivamente incorridas com a prestação de serviços a terceiros. Ocorre que, de acordo com o alegado, depreendese que a empresa utilizase de um mecanismo de rateio para a apropriação dos custos vinculados aos serviços prestados a terceiros. A utilização de qualquer método de rateio é mecanismo excepcional, somente admitido quando expressamente previsto em lei. É o caso, por exemplo, da permissão estabelecida pelo art. 3º, §§ 7º e 8º da Lei 10.833, de 2003, que assim dispõe: (...) Verificase que a previsão de rateio aplicase aos casos em que apenas parte da receita da pessoa jurídica está sujeita a não cumulatividade. Destaquese que quando a lei permite o rateio, ela define em que base será efetuado valor da receita. No caso em exame, não há previsão legal para a utilização de rateio dos custos e despesas efetuado pela interessada. Para o aproveitamento dos créditos pretendidos, necessário se faz que a empresa mantenha escrituração efetuada de forma individualizada que permita a correta identificação das despesas vinculadas à exportação de produtos próprios e as despesas vinculadas aos serviços prestados a terceiros. Portanto, por não estar em conformidade com a legislação que rege a matéria, o método de rateio utilizado pela empresa não se presta à comprovação dos créditos apropriados, sendo ineficaz qualquer tentativa de demonstrálo. Consequentemente, deve ser mantida a glosa efetuada neste item. (...) Razão pela qual não há que se falar, também nessa parte, da ausência de motivação da decisão recorrida, a qual possibilitou à recorrente o pleno exercício do direito de defesa no âmbito administrativo em relação à manutenção das glosas. No mais, a insurgência da recorrente diz respeito ao próprio mérito do recurso. Assim, entendo que a preliminar de nulidade suscitada deve ser rejeitada. MÉRITO: a. Do conceito de insumos para fins de registro de crédito de COFINS no regime não cumulativo: Insurgiuse, genericamente, a recorrente em face da interpretação da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância do conceito restrito de insumos para o reconhecimento dos créditos das contribuições não cumulativas, levando em consideração a regulamentação das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. Alega a recorrente que, como a legislação do PIS e da COFINS não traz o conceito de insumo, nos termos do art. 109 do Código Tributário Nacional, deverseia utilizar o conceito genérico de insumo, qual seja, todos os bens corpóreos ou incorpóreos aplicados direta ou indiretamente na produção de bens ou serviços. Argumenta também que a legislação do IRPJ forneceria parâmetros para a definição de insumos, nessa linha, gerariam direito a Fl. 882DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724484/201131 Acórdão n.º 3402002.835 S3C4T2 Fl. 875 17 crédito de PIS e de COFINS as parcelas redutoras do lucro tributável para fins de IRPJ, mais especificamente, os custos definidos no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda e as despesas definidas no artigo 299 desse mesmo regulamento. Ocorre que este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo como o da legislação do Imposto de Renda, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 18 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Há de se ressaltar, no entanto, com relação à insurgência genérica de recorrente ao conceito de insumo aplicado nas glosas, que o fato de este Colegiado ter entendimento divergente da autoridade de primeira instância no que concerne ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não cumulativas não acarreta, de forma alguma, a revisão total das glosas mantidas pela decisão recorrida, a qual foi legitimamente emitida em conformidade com a regulamentação trazida pelas referidas Instruções Normativas. Não há que se olvidar que cada órgão julgador age, dentro da sua esfera de competência, segundo o princípio da livre persuasão racional. Por certo, não basta à contribuinte contestar genericamente a interpretação da legislação adotada pela fiscalização e pela Delegacia de Julgamento, sem apresentar todas as razões de fato e de direito com que contesta as glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pelo órgão julgador de primeira instância. Não há como acolher a pretensão da recorrente de, em sede de julgamento, ter reconhecido o direito ao crédito sobre todos os bens e serviços sob o entendimento de que todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa gerariam o referido direito creditório. O direito ao crédito da Cofins e do PIS/Pasep não é tão abrangente como quer a recorrente e deve ser interpretado com as peculiaridades e restrições que lhe são próprias. A não cumulatividade das contribuições está totalmente regulamentada por lei ordinária, na qual houve a opção de enumerar, de forma exaustiva, os custos, encargos e despesas que são capazes de gerar o direito ao crédito. Não são todos os custos ou despesas necessários à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, que geram o direito ao crédito do PIS/Cofins, havendo que se analisar o aspecto da pertinência e da essencialidade no processo produtivo para a qualificação como insumo que gera direito ao crédito do PIS/Cofins. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724484/201131 Acórdão n.º 3402002.835 S3C4T2 Fl. 876 19 Com efeito, no presente caso concreto, incumbe a análise por este Conselho Administrativo, dentro do seu livre convencimento racional, das glosas que foram especificamente contestadas pela recorrente. Despesas com fretes para transporte de matériaprima entre armazéns e fábricas da Recorrente No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento das contribuições não cumulativas i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Trata o caso presente de serviço de transporte de matériasprimas entre os estabelecimentos da recorrente dentro do seu contexto produtivo, razão pela qual se enquadra como custo de produção, nos termos do art. 290, I do Regulamento do Imposto de Renda/991, cabendo o creditamento da Cofins com fundamento no art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. Nesse sentido já foi decidido no Acórdão nº 340301.556, da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária desta Seção, j. 25 de abril de 2012, Relator Marcos Tranchesi Ortiz, conforme trecho transcrito abaixo da ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: (...) PIS. NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. 1 Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º ): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; (...) Fl. 885DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 20 Assim, entendo que deve ser revertida a glosa relativa ao frete de matéria prima entre estabelecimentos da recorrente. Insumos na prestação de serviços portuários a terceiros No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, a fiscalização glosou somente os créditos para os quais não foi possível identificar sua vinculação inequívoca com serviços prestados a terceiros. Entendeu a fiscalização que, quando a recorrente atende a terceiros, ela atua como uma autêntica prestadora de serviços, sendo cabível o creditamento da contribuição, mas quando efetua os serviços para si própria, estes se caracterizam como despesas vinculadas à comercialização do seu produto final, para as quais inexiste previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da não cumulatividade da Cofins. Dessa forma, o motivo da glosa não foi o rateio da recorrente entre as despesas com serviços próprios e para terceiros, conforme constou na decisão recorrida, eis que foi reconhecida pela fiscalização a parcela do direito creditório que estava vinculada, comprovadamente, à prestação de serviços pela recorrente a terceiros. É, portanto, matéria incontroversa nos autos a correção do método de rateio da contribuinte para os serviços prestados a terceiros. Agora resta analisar se as despesas glosadas classificadas como “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)”, possuem, de fato, vinculação inequívoca com serviços prestados a terceiros para o direito ao creditamento. Considerando que as despesas relativas a “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)” estão vinculadas, ainda que indiretamente, à atividade da contribuinte no âmbito portuário como um todo, seja para si própria ou para terceiros, é razoável se supor que a parcela dessas despesas, obtida por rateio já aceito pela fiscalização, está vinculada aos serviços prestados a terceiros. Assim, afastando a interpretação restrita do conceito de insumo estabelecida pelas Instruções Normativas, em consonância com os precedentes deste CARF mencionados acima, entendo que as despesas obtidas por rateio relativas a “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)” são essenciais e indispensáveis à prestação dos serviços portuários a terceiros, ainda que sejam indiretamente neles empregados, devendo as correspondes glosas serem revertidas. Depreciação de vagões A recorrente alega que o transporte dos produtos da fábrica para o porto é absolutamente essencial às suas atividades fabris, de forma que a depreciação dos vagões deve dar direito a crédito do PIS e da COFINS, devendose ressaltar que o artigo 3º, inciso IX da Lei n.° 10.833/2004 prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados. Assim, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não há porque negar o crédito de depreciação de vagão que faz exatamente a mesma função que um transportador terceirizado. Os vagões utilizados para transportar produtos da fábrica para o porto, embora sejam essenciais às atividades da recorrente, não se tratam de equipamentos utilizados no seu processo produtivo conforme exige o art. 3º, VI da Lei 10.637/2002 ("VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;"). Fl. 886DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724484/201131 Acórdão n.º 3402002.835 S3C4T2 Fl. 877 21 Nesse mesmo sentido foi decidido no Acórdão nº 3403002.761, da 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária desta Seção, j. 25/02/2014, em outro processo de interesse da recorrente, em relação a vagões utilizados para o transporte de produtos entre a fábrica e o porto, conforme trecho abaixo transcrito do Voto do Relator Antonio Carlos Atulim, que ora adoto como fundamentação, nos termos do art. 50, §1° da Lei nº 9.784/99: DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO (VAGÕES) A fiscalização motivou esta glosa no fato de que os vagões não são bens utilizados diretamente na produção. A recorrente alegou, em síntese, que os vagões são utilizados no transporte de produtos entre a fábrica e o porto. Alegou que se o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/03 autoriza a tomada do crédito sobre fretes de produtos acabados, não haveria motivo para negar o crédito sobre a depreciação dos vagões, que cumprem a mesma função de um transportador terceirizado. O problema no argumento da recorrente é que o custo com frete na operação de venda está previsto expressamente na lei como hipótese autorizadora do crédito, enquanto que em relação a bens do imobilizado esse direito só existe em relação aos bens aplicados diretamente na produção, conforme dispõem os arts. 3º, VI, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Também o art. 290, III, do RIR/99 estabelece que a despesa de depreciação só será considerada como custo de produção se estiver vinculada a bem aplicado na produção. No caso concreto, não há direito de tomar o crédito sobre a depreciação dos vagões, pois é incontroverso que os vagões não são utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços. b. Crédito presumido Conforme exposto no Parecer, a fiscalização procedeu às glosas sobre as aquisições em que o contribuinte apurou o crédito presumido com base no preço médio da soja estocada, no momento da sua transferência do armazém para a indústria, o que impossibilitou a análise da fiscalização se tais aquisições se refeririam ao mesmo período de apuração. Alega a recorrente que o valor constante das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores no curso dos contratos de compra e venda de soja não consiste no preço da soja que somente é determinado no encerramento do contrato, normalmente após a entrega total dos produtos mas uma mera estimativa, de forma que há diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustada no momento do fechamento do contrato. O valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Recorrente, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não pode servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e COFINS. A recorrente assim descreve a sua metodologia: (...) Fl. 887DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 22 Dessa forma, para evitar distorções nos cálculos dos créditos presumidos de PIS e COFINS, a Recorrente decidiu adotar como base para a determinação desses créditos o preço médio da soja para cada filial comercial. Nesse cenário: (i) A filial comercial recebe as Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores, bem como, no fechamento do contrato, emite as Notas Fiscais de Devolução ou recebe as Notas Fiscais de Complemento de preço; (ii) As quantidades de soja e os valores constantes nesses três tipos de Nota Fiscal são consolidados mês a mês e passam a integrar a base acumulada da filial; (iii) Com base nesses valores acumulados, as filiais apuram o preço médio acumulado por quilograma de soja adquirido; (iv) No momento da transferência da soja da filial comercial para a fábrica, as Notas Fiscais de transferência são emitidas com base na legislação estadual, mas, para todos os efeitos contábeis e fiscais, o custo da soja para a fábrica é baseada no preço médio acumulado da filial. Nesse cenário, os créditos presumidos de PIS e COFINS somente são apropriados pela Recorrente no momento da transferência entre a filial e a fábrica, com base no preço médio acumulado nesse momento. (...) Pela peculiaridade da operação, não obstante reconheça que essa metodologia não esteja expressamente prevista na legislação fiscal, a recorrente acredita que ela é a mais consistente e razoável, inclusive para o Fisco. Nesse aspecto, conforme todos no processo reconhecem, não há previsão legal para a metodologia utilizada pela recorrente para apuração dos créditos pelo valor médio da soja, além do que essa forma de apuração impossibilita a verificação do direito ao crédito presumido quanto à necessidade de que o crédito seja do mesmo período de apuração, em conformidade com o disposto no art. 8º, §2º da Lei nº 10.925/2004, ora transcrito: Art. 8º (...) (...) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no§ 4o do art. 3odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (...) Fl. 888DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724484/201131 Acórdão n.º 3402002.835 S3C4T2 Fl. 878 23 Desta forma, entendo que deve ser mantida a glosa do crédito presumido. Também há de ser indeferido o pedido subsidiário da recorrente de, com relação ao crédito presumido de Cofins, caso seja rejeitado o método adotado para apuração de tal crédito, seja o julgamento convertido em diligência para a apuração do crédito presumido sobre o volume total de aquisições de soja por suas filiais comerciais para o período, tendo em vista que é da recorrente o ônus da prova do direito alegado por ocasião da apresentação do pedido de ressarcimento ou da manifestação de inconformidade. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas: i) aos fretes de matériaprima entre os estabelecimentos da recorrente; ii) às despesas de “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)” incorridas pela filial Santos Armazenadora na prestação de serviços a terceiros, conforme rateio proposto pela contribuinte. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 889DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003562/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
Ementa:
EMBARGOS. ACOLHIMENTO.
Restando constatado que o acórdão atacado incorreu em omissão, eis que desprovido do VOTO VENCEDOR correspondente à parte em que o pronunciamento do Relator original não foi recepcionado pela Turma Julgadora, há de se acolher os declaratórios para, sem efeitos infringentes, complementar a decisão.
DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA.
Excluem-se da presunção de omissão de receitas os valores contabilizados cujos valores estão lastreados em documentação apresentada pelo sujeito passivo, cuja inveracidade a fiscalização não demonstrou.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA.
Na circunstância em que foi identificada substancial movimentação financeira, em relação a qual, em sede de julgamento, a contribuinte fiscalizada só aporta aos autos documentação capaz de comprovar a origem de cerca de seis por cento dos recursos financeiros que transitaram pelas suas contas bancárias, o arbitramento do lucro revela-se medida inafastável, pois, nesse caso, a escrituração é inservível para identificar referida movimentação.
Numero da decisão: 1301-001.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração para suprir a omissão apontada. (inclusão do voto vencedor)
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005 Ementa: EMBARGOS. ACOLHIMENTO. Restando constatado que o acórdão atacado incorreu em omissão, eis que desprovido do VOTO VENCEDOR correspondente à parte em que o pronunciamento do Relator original não foi recepcionado pela Turma Julgadora, há de se acolher os declaratórios para, sem efeitos infringentes, complementar a decisão. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Excluem-se da presunção de omissão de receitas os valores contabilizados cujos valores estão lastreados em documentação apresentada pelo sujeito passivo, cuja inveracidade a fiscalização não demonstrou. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA. Na circunstância em que foi identificada substancial movimentação financeira, em relação a qual, em sede de julgamento, a contribuinte fiscalizada só aporta aos autos documentação capaz de comprovar a origem de cerca de seis por cento dos recursos financeiros que transitaram pelas suas contas bancárias, o arbitramento do lucro revela-se medida inafastável, pois, nesse caso, a escrituração é inservível para identificar referida movimentação.
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ACOLHIMENTO. Restando constatado que o acórdão atacado incorreu em omissão, eis que desprovido do VOTO VENCEDOR correspondente à parte em que o pronunciamento do Relator original não foi recepcionado pela Turma Julgadora, há de se acolher os declaratórios para, sem efeitos infringentes, complementar a decisão. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Excluemse da presunção de omissão de receitas os valores contabilizados cujos valores estão lastreados em documentação apresentada pelo sujeito passivo, cuja inveracidade a fiscalização não demonstrou. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA. Na circunstância em que foi identificada substancial movimentação financeira, em relação a qual, em sede de julgamento, a contribuinte fiscalizada só aporta aos autos documentação capaz de comprovar a origem de cerca de seis por cento dos recursos financeiros que transitaram pelas suas contas bancárias, o arbitramento do lucro revelase medida inafastável, pois, nesse caso, a escrituração é inservível para identificar referida movimentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração para suprir a omissão apontada. (inclusão do voto vencedor) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 35 62 /2 00 9- 80 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 532 2 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). Fl. 532DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 533 3 Relatório Trata o presente de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, interpostos pela FAZENDA NACIONAL com base na alegação de que esta Primeira Turma Julgadora, ao prolatar o acórdão nº 1301001.414, sessão de 13/02/2014, incorreu em omissão, eis que deixou de constar da referida decisão o VOTO VENCEDOR. Os referidos declaratórios foram admitidos, conforme despacho de fls. 531. Transcrevo, a seguir, o Relatório elaborado pelo Ilustre Conselheiro Valmir Sandri no acórdão nº 1301001.414 acima referenciado. Em julgamento, recurso interposto em face da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo que, por maioria de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada por Contibrasil Comércio e Exportação de Grãos Ltda., contra os autos de infração lavrados para formalizar exigências de IRPJ e decorrentes (CSLL, PIS e Cofins), alcançando fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2005. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 351 a 358), a fiscalização acusa o contribuinte de omissão de receitas apuradas a partir da presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (Depósitos Bancários de Origem não Comprovada). A fiscalização apurou o resultado segundo o lucro arbitrado. O relato fiscal informa que em diligência junto ao endereço da empresa encontrou se uma sala comercial fechada, sem a permanência no local de nenhuma pessoa ou funcionário. Na mesma data foi enviado, por via postal, Termo de Início de Ação Fiscal , que foi devolvido com o registro “ausente” (Aviso de Recebimento à fl. 9) Foi, então encaminhado Termo de Início de Ação Fiscal à sócia da contribuinte, Sra. Fernanda de Abreu Duarte (CPF 178.279.75801), para o endereço constante de seu cadastro na RFB (fl. 10). Nesse termo, foi a empresa intimada a apresentar em 20 dias, relativamente ao ano calendário 2005, Livros Comerciais obrigatórios e auxiliares (inclusive livros fiscais nos quais se encontram transcritas as operações da empresa), documentação fiscal e contábil que forneceu suporte à escrituração da empresa no período, Contrato/Estatuto Social e Alterações, Extratos de todas as contas bancárias mantidas no Banco ABN Amro Real S/A e Banco Schahin S/A, consignandose que, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 86/2001, caso a contribuinte tivesse utilizado sistemas de processamento eletrônico de dados para escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, estaria automaticamente intimada a apresentar arquivos magnéticos em formato txt, com os respectivos layouts. Às fls. 35/37 encontrase a Carta de apresentação de documentos datada de 15/05/08, acompanhada de Procuração, Contrato Social e Alterações e requerimento de prazo adicional de 20 dias para entrega da documentação restante. Após o Termo de Reintimação Fiscal nos mesmos termos do anterior (ciência por AR em 11/06/2008) acostouse Carta de apresentação de documentos (fl. 104) Fl. 533DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 534 4 acompanhada de cópia do Demonstrativo de Movimentação para Conferência do Banco Schahin, referente ao período de 14/12/05 a 30/12/05 (fl. 105), e cópia de solicitação de extrato bancário ao Banco ABN Amro Real (fl. 106), posteriormente apresentado em 08/07/08 (fls. 107 a 144)), Quanto aos livros contábeis e fiscais, a carta informou que se encontravam à disposição na Itamarati Assessoria Contábil (Rua Aurora nº 817, 3º andar – fl. 107). A pessoa jurídica foi intimada a comprovar, no prazo de vinte dias, a origem dos valores creditados/ depositados em suas contas bancárias, conforme cópias de extratos apresentados e resumidos na Planilha de fls. 146 a 165, com esclarecimento por escrito, coincidente em datas e valores (Termo de Intimação Fiscal fls. 145, recebido em 18/07/08), e reintimada no mesmo sentido (Termo de Reintimação Fiscal, fl. 167, recebido em 20/08/08, reenviado e recebido novamente em 14/10/08, fl. 170). Em 13/11/08 a fiscalização recebeu, por via postal, correspondência datada de 07/11/08 (acompanhada de cópias de Procurações e documentos diversos (fls. 179 a 227)), com o seguinte teor: (...) A ora requerente entregou documentos a essa fiscalização, no intuito de demonstrar a sua movimentação financeira no período fiscalizado. Em atenção ao questionamento sobre a origem dos recursos, disponibiliza neste ato, documentos consistentes em cessão de créditos e confissões de dívidas, bem como atas de assembléias societárias e livros fiscais (conf., CD Room anexo). Sendo assim é a presente para dirimir dúvidas no sentido de que os recursos ora questionados, têm origem no pagamento da dívida assumida pela pessoa jurídica ACT Asian Commercial Trade Ltd., com sede na Isle of Man PÓ Box 28, tower Street Ramsey Isle of Man, inscrita no CNPJ/MF sob a n° 06.146.149/000160, perante a ora requerente a título de aquisição de quotas sociais, conforme termo de confissão de dívida, cessão de créditos e ata de assembléia. Os recursos foram recebidos de terceiros, por conta e ordem da ACT Asian Commercial Trade Ltd., quitando assim a sua obrigação perante a ora requerente. Diante do exposto é a presente para requerer que V. Sa. dê por atendida a intimação, considerando a documentação apresentada como hábil para tanto. (...). Após análise da documentação, a autoridade fiscal assentou que o contribuinte apenas demonstrou ter efetuado a escrituração dos valores contidos nos extratos bancários, através dos arquivos apresentados em meio magnético, mas não apresentou nenhum documento hábil, coincidente em data e valor, solicitados nas intimações. E reintimou o contribuinte a apresentálos. Em atendimento, o contribuinte, a fim de comprovar a origem dos créditos das contas bancárias, enviou, por via postal recibos de pagamentos, instrumentos Fl. 534DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 535 5 particulares de contrato de mútuo, contratos de cessão de créditos, instrumento particular de contrato de prestação de serviços e Ata de reunião dos sócios realizada em 20 de junho de 2005. Na correspondência de encaminhamento, relacionou alguns valores com as operações descritas nos documentos apresentados. Após analisálos, a autoridade fiscal concluiu que não foi atendida a intimação para comprovar a origem dos depósitos/créditos questionados, e lavrou o auto de infração com base no lucro arbitrado. Concluiu a autoridade fiscal não haver outro caminho, senão o arbitramento dos lucros. Em impugnação tempestiva a interessada alegou, em síntese, que: Não foi observado o art. 148 do CTN, que estatui que quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, pode arbitrar aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações o os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. As razões que fundamentem a desconsideração das informações prestadas pelo sujeito passivo devem ser expostas circunstancialmente na motivação do ato administrativo de lançamento que suceder dito arbitramento. Em momento algum a fiscalização demonstrou com provas objetivas que a escrituração do contribuinte não merece fé. Não há omissão de receitas, eis que todas as informações requeridas pelo fisco foram apresentadas, comprovando a origem dos valores e depósitos. O autuante buscou fundamentar seus entendimentos no sentido de desconsiderar os negócios jurídicos realizados pela ora recorrente, sem levar em conta o art. 389, inciso I, do CPC, que reza que "Incumbe o ônus da prova quando se tratar de falsidade de documento, à parte que a argüir”, o qual deve ser aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. No caso, cabe ao autante o ônus de provar sua alegação de que “a requerente praticou outro ato diverso do registrado em sua contabilidade e por isso tem o dever de provar.” A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 536 6 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. IMPRESTABILIDADE. ARBITRAMENTO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão e 08 de agosto de 2012, foi apresentado recurso em 21 do mesmo mês. Alega a Recorrente que as várias intimações foram fielmente cumpridas, e foram apresentados volumosos documentos comprovando a origem de toda a movimentação financeira, os quais a autoridade fiscal entendeu insuficientes para a comprovação dos créditos e depósitos. Aduz que o relatório fiscal em momento algum registra vícios formais ou materiais em sua escrituração, ou se outras contas patrimoniais ou de resultado estariam desamparadas de documentação hábil e idônea que poderiam levar à imprestabilidade de toda a escrituração. Também não há indicação de que a fiscalizada tenha deixado de apresentar os livros contábeis ou fiscais requeridos pelo autuante. Portanto, se o autuante não mostrou interesse em examinar os livros contábeis e fiscais, não havia como concluir que eles estariam eivados de vícios para fins de arbitramento com supedâneo no art. 530, II. b Diz que o contribuinte foi intimado a comprovar a origem de depósitos bancários, o que não dá margem ao auditor para arbitrar o lucro na suposição de falta de apresentação de lucros da escrituração. E nesse caso, a hipótese legal seria o inciso III do art. 530 do RIR/99, e não o inciso II apontado. Alega que a autoridade fiscal está confundindo método de apuração de omissão de receitas com forma de tributação do lucro. Diz que quando o contribuinte informou que seus livros estavam à disposição do autuante e este não demonstrou interesse em examinálos, implicitamente aceitou como adequada a opção pela tributação da fiscalizada. Posteriormente, quando sucessivamente intimada, deixou de comprovar a origem dos depósitos bancários, teria ocorrido outra hipótese infracional, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Argumenta que caberia ao autuante tributar a omissão de receitas segundo a forma escolhida pelo contribuinte, que foi o lucro real. Afirma que todos os documentos apresentados à fiscalização demonstram a movimentação financeira e mais a escrituração para apurar o lucro real, conforme se constata do relatório do próprio fiscal. Pondera que o fiscal não pode lançar mão do arbitramento por razões subjetivas, e que em momento nenhum o auditor mostrou, com provas objetivas, que a escrituração do contribuinte não merece fé, não sendo plausível o arbitramento. Da mesma forma, não há omissão de receitas, eis que todas as informações requeridas foram apresentadas, comprovando a origem dos valores depositados. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 537 7 Assim, caberia ao auditor o ônus de provar que os atos praticados pela recorrente são diversos dos registrados em sua contabilidade. No mais, discorre sobre doutrina a respeito da superação da antiga ideia de que a presunção de legitimidade dos atos administrativos exonera de prova o fisco, requer a anulação do lançamento e provimento do recurso. É o Relatório. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 538 8 Voto Vencido Em seu voto, tido como VENCIDO, eis que não acolhido totalmente pela Turma Julgadora, o Ilustre Conselheiro Valmir Sandri assinalou: Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A fiscalização acusou a empresa de omissão de receitas, apurada a partir da movimentação financeira de origem não comprovada e, não obstante o contribuinte tenha transmitido sua DIPJ no formulário do lucro real, lavrou o auto de infração com base no lucro arbitrado. O procedimento fiscal foi motivado pela alta movimentação financeira, incompatível com a DIPJ apresentada, e todas as intimações tiveram que ser dirigidas ao domicílio tributário da sócia porque a empresa não existe de fato no seu endereço cadastrado (existe apenas uma sala comercial fechada, não permanecendo no local nenhuma pessoa/funcionário). A Recorrente tem seu capital divido entre dois sócios, uma pessoa jurídica estrangeira (177.999 quotas) e uma pessoa física brasileira (1 quota), e sua atividade econômica, segundo informado em sua DIPJ, é o comércio atacadista de produtos alimentícios. A partir dos extratos bancários (Banco Real e Banco Schahin), a fiscalização intimou a contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados na referidas contas, mediante apresentação de documentação hábil, coincidente em datas e valores. Os valores a serem comprovados foram relacionados em dois anexos, um para o Banco Real, contendo 19 folhas (mais de 900 depósitos), e um para o Banco Schahin, contendo uma 1 folha (30 depósitos). Em atendimento, foi apresentada uma série de documentos (termo de confissão de dívida, cessão de crédito, ata de assembléia), à guisa de justificar os depósitos como oriundos de pagamento da dívida assumida perante a recorrente pela pessoa jurídica ACT Asian Commercial Trade Ltd., a título de aquisição de quotas sociais, e que os recursos teriam sido recebidos de terceiros, por conta e ordem da ACT Asian Commercial Trade Ltd., quitando assim a sua obrigação perante a ora recorrente. Assim, houve apenas uma justificação em tese, sem a comprovação exigível, que é a apresentação de documentos hábeis, coincidentes em datas e valores com os depósitos questionados. Reintimada, a empresa juntou recibos de pagamentos, instrumentos particulares de contrato de mútuo, contratos de cessão de créditos, instrumento particular de contrato de prestação de serviços e Ata de reunião dos sócios realizada em 20 de junho de 2005. Sobre eles, a Fiscalização assim se manifestou: Dessa resposta e documentos, verificamos trataremse todos de cópias simples de docs. particulares, ou seja, recibos de venda de títulos antigos (sem comprovação de propriedade, valor ou aquisição), tais como: Apólice da Divida Pública, da República dos Estados Unidos do Brasil Decreto 4330 de 28/01/1902; Fl. 538DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 539 9 Apólice de Empréstimo do Estado da Guanabara Brasil Lei n° 14 de 24/10/1960; Obrigações do Reaparelhamento Econômico 410 cupões de resgate séries 1954 e 1955 e Titulo de Obrigação de Guerra Decreto 4.789 de 05/10/1942, ambos da República dos Estados Unidos do Brasil. Contratos de mútuo e de cessão de créditos, sem registro, origem, demonstração de vinculo, contrato de prestação de serviços sem a devida comprovação ou nota fiscal e cópia da Ata já apresentada anteriormente. Concluímos que, apesar de todo prazo decorrido, o Contribuinte não atendeu ao que foi solicitado na nossa Intimação para comprovar a origem dos depósitos/créditos questionados. Para confirmar a acusação de omissão de receitas a decisão recorrida assentou que “Tendo em vista que a defendente não atendeu o pleito da fiscalização, os valores creditados em contas bancárias da contribuinte cujas origens não foram comprovadas foram considerados não escriturados, constando relação completa dos mesmos, bem como a totalização mensal às fls. 146 a 165, destacandose que a recorrente foi receptora de créditos bancários, no ano calendário 2005, no valor de R$ 62.553.162,65, tendo declarado em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica receita bruta zerada (fls. 14 a 34)”. O fato de os documentos se constituírem em cópias simples de documentos particulares, a meu ver, por si só, não os invalida. Recibos não são inábeis, contratos de mútuo e de cessão de créditos não necessitam ser lavrados por instrumento público. Se houver coincidência de data e valor entre os documentos e os registros contábeis, cabe à fiscalização comprovar que são inverídicos. Quanto ao fato de serem cópias simples, se a fiscalização duvidasse de sua autenticidade, poderia intimar a contribuinte a apresentar os originais. Os documentos trazidos são os seguintes: DEMONSTRATIVO I Descrição Comentário Fls. 257: Recibo pela venda de apólices de Títulos da Dívida Pública a Robison Elias C. Batista Valor R$ 33.306,00 Data 19/10/2005. Entre os depósitos questionados, há um TED nesse valor, em 19/10/2005. Contudo, o valor corresponde a venda de título, sendo, portanto, receita, e não há outros elementos correlacionados que permitam descaracterizar o ingresso como tal. Fls. 259 Recibo pela venda de apólices de Títulos da Dívida Pública a Artesanato UniArt Valor R$ 63.820,00 Data 09/11/2005 Entre os depósitos questionados não há, em 09/11/2005, nenhum nesse valor. Fls. 262: Recibo pela venda de apólices de Títulos da Dívida Pública a Robison Elias C. Batista Valor R$ 31.400,00 Data 14/09/2005. Entre os depósitos questionados, há um TED nesse valor, em 14/09/2005. Contudo, o valor corresponde a venda de título, sendo, portanto, receita, e não há outros elementos correlacionados que permitam descaracterizar o ingresso como tal. Fls. 264: Recibo pela venda de apólices de Títulos da Dívida Pública a Lacerda e Firenze Advogados Valor R$ 50.000,00 Data 16/8/2005. Entre os depósitos questionados, há um depósito nesse valor, em 16/08//2005. Contudo, o valor corresponde a venda de título, sendo, portanto, receita, e não há outros elementos correlacionados que permitam descaracterizar o ingresso como tal. Fls. 267: Entre os depósitos questionados, há um TED nesse Fl. 539DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 540 10 Recibo pela venda de apólices de Obrigações de Reaparelhamento Econômico a Luiz Antônio Duarte Ferreira Valor R$ 104.400,00 Data 16/8/2005. valor, em 16/08//2005. Contudo, o valor corresponde a venda de título, sendo, portanto, receita, e não há outros elementos correlacionados que permitam descaracterizar o ingresso como tal. 268 Recibo declaratório pelo qual Maria Dolores Aranda declara que recebei de Asian Commercial Trade R$ 1.000,00 referente aas obrigações Obrigações de Reaparelhamento Econômico Valor R$ 1.000,00 – Data 05/06/2005 Tratase de comprovação da compra, pela ACT, dos títulos vendidos a Luiz Antônio Duarte Ferreira. Valor não corresponde a depósito. Fls. 274: Recibo pela venda de apólices de Obrigações de Reaparelhamento Econômico a Quanta Brasil Importação e Exportação Valor R$ 49.000,00 Data 10/8/2005 Entre os depósitos questionados há um TED nesse valor, em 10/08//2005. Contudo, o valor corresponde a venda de título, sendo, portanto, receita, e não há outros elementos correlacionados que permitam descaracterizar o ingresso como tal. Fls. 276 Contrato de mútuo (mutuante Itamarati, mutuária Contibrasil) Data 01/09/2005 Valor R$ 338.000,00 Fls. 280 Recibo referente ao contrato de mútuo acima Data 06/09/2005 Valor R$ 338.000,00 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 209) o valor está contabilizado com o histórico “recebimento, parcela única ref. contrato de mútuo firmado em 01/09/3005 Itamarati Terraplenag. Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a receita. Fl. 281 Cessão de crédito junto a Cooperativa Agrícola Cotia, cedido pela Contibrasil à Florida, tendo sido cedido R$ 170.000, pelo preço de R$ 137.400,00, a ser pago até 05/08/2005 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 206) o valor está contabilizado com o histórico “recebimento n/data ref. venda de créditos da Cooperativa Agrícola de Cotia...” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fl. 283 Contrato de Mútuo entre Contibrasil (mutuante) e Wellness firmado em 04/02/2004 principal R$ 143.000,00 Fls. 285 Recibo referente ao contrato de mútuo acima, discriminando o principal e os encargos, e dando quitação de uma parcela paga em 12/09 e o complemento em 27/09. Data 29/09/2005 Valor R$ 100.000,000 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 211) o valor está contabilizado com o histórico “recebimento quitação contrato de mútuo firmado com Wellness......” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fls. 285 Recibo referente à 1º parcela paga do contrato de mútuo acima. Data 13/09/2005 Valor R$ 122.969,000 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 210) o valor está contabilizado com o histórico “depósito efet. c/c ref pagto parcial contrato de mútuo Wellness......” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fl. 287 Contrato de Mútuo entre Contibrasil (mutuante) e Têxtil Cryb firmado em 01/07/2004 no valor principal de R$ 120.000,00 Fl. 289 a 291 Recibo de quitação do mútuo acima Data: 09/08/2005 Valor R$ 102.558,00 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 206) o valor está contabilizado com o histórico Fl. 540DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 541 11 “crédito efet. c/c ref recebto. Contrato de mútuo c/Têxtil Crib...” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fls. 292 Recibo pela venda de Título (Obrigações de Guerra) a Carlos Leduar Valor R$ 46.571,24 Data 09/08/2005 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 206) o valor está contabilizado como recebimento de Carlos Leduar pela venda de 01 título (obrigação de guerra). Como o valor corresponde a venda de título, representa, em tese, receita, e não há outros elementos correlacionados que permitam descaracterizar o ingresso como tal. Fl. 304 Contrato de Mútuo entre Metalkork (mutuante) e Cntibrasil (mutuária) firmado em 01/07/2004 no valor de R$ 689.255,47,00, firmado em 03/10/2005 Fl. 308 Recibo de Metaltork, referente ao mútuo acima, de parcela de R$ 58.589,48, depositado em 18/10/2005 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 213) o valor está contabilizado com o histórico “vr. depósito efet. c/c ref recebimento parc mútuo Metaltork......” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fl. 309 Recibo de Metaltork, referente ao mútuo retro, de parcela de R$ 98.037,82, datado de 14/10/2005 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 213) o valor está contabilizado com o histórico “crédito c/c ref recebimento parc mútuo Metaltork......” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fl. 310 Recibo de Metaltork, referente ao mútuo retro, de parcela de R$ 530.000,00, datado de 13/10/2005, e efetuado por seis depósitos nos valores de R$ 99.999,00. R$ 98.000,00. R$ 97.000,00, R$ 95.000,00, R$ 51.000,00 e R$ 90.000,00. Entre os depósitos questionados encontramse seis TEDs coincidentes em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 213) o valor de R$ 530.000,00 está contabilizado com o histórico “crédito c/c ref recebimento parc mútuo Metaltork......” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fl. 311 Contrato prestação de serviços (prestadora Contibrasil) firmado em 26/01/2005 pelo preço de US$ 130.000 Fl 312 Recibo dos serviços acima, datado de 19/08/2005, no valor de R$ 250.172,00 Este os depósitos questionados no dia 18 encontramse um no valor de R$ 167.172,00 e um no valor de R$ 83.000,00. No Razão o valor R$ 250.172,00 está contabilizado como receita (fl 207), que realmente é.. Fls. 321: Recibo pela venda de cautelas de Títulos da Dívida Pública a Quanta Brasil Imo. Exp. Valor R$ 172.350,00 Data 10/08/2005. Tratandose de valor correspondente a venda de título, não é possível, sem outros elementos, descaracterizálo como receita. Fl. 338 Cessão de crédito junto a Cooperativa Agrícola Cotia, cedido pela Contibrasil à Sammar, tendo sido cedida parcela, pelo preço de R$ 200.000,00, a ser pago até 05/10/2005 Há um depósito de R$200.000,00 no dia 5/10 questionado pela fiscalização, e que está contabilizado no Razão(fl. 212) como DEPOSITO EFETUADO EM C/C REF. CESSAO DE CREDITO NO VALOR DERS 1.136.947,88 DA COOP. AGRICOLA Contrato de Mútuo entre ACT Asian Commercial Trade (mutuante) e Contibrasil (mutuária) firmado em 31/10/2005, de crédito rotativo no valor de R$ 7.600.000,00 Os valores creditados parceladamente estão analisados no Demonstrativo I, a seguir: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 542 12 DEMONSTRATIVO II Nº seq. data Valor Análise em relação ao depósito questionado. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 31/10/2005 01/11/2005 04/11/2005 07/11/2005 08/11/2005 09/112005 09/11/2005 10/112005 10/112005 10/11/2005 11/11/2005 11/11/2005 14/11/2005 14/11/2005 16/11/2005 17/11/2005 263.412,00 483.510,00 567.872,83 138.155,20 69.031,11 455.350,83 427.230,00 155.229,72 447.538,33 110.500,00 77.134,23 300.000,00 29.163,25 635.000,00 410.441,94 12.500,00 Os depósitos questionados nesse dia somam 263.412,00 Os depósitos questionados nesse dia somam 560.510,00, havendo dois depósitos nos valores de 55.000,00 e 22.000,00. Por diferença, encontrase o valor contabilizado de 483.510,00 Os depósitos questionados nesse dia somam 567.872,83 Os depósitos questionados nesse dia somam 138.155,20 O depósito questionado nesse dia é de 69.031,11. Os dois valores contabilizados como creditados por ACT Asian em 09/11 somam R$ 882.580,83. O total dos depósitos questionados nesse dia somam R$ 919.178,02. Esse somatório pode conter os depósitos efetivados por ACT Asian, mas não foi possível identificar os valores que justificaram os dois lançamentos para aquele dia. Caberia ao contribuinte fazer a correlação entre cada depósito e o valor contabilizado. Da mesma forma que para o dia 09/11, não há coincidência entre os valores contabilizados no dia 10 e os depósitos questionados, e não foi possível estabelecer a correlação entre os depósitos questionados e o valor contabilizado como crédito de ACT Asian, o que caberia ao contribuinte fazer. No dia 11 há um depósito questionado no valor de R$ 300.000,000 e mais três depósitos que somam R$ 77.134,23. Os valores contabilizados coincidem em data e valor com os depósitos questionados no dia 14/11. O valor contabilizado coincide com a soma dos depósitos questionados no dia 16/11. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia 17/11. A soma dos valores contabilizados coincide com a soma dos depósitos questionados no dia. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia 21/11. A soma dos valores contabilizados coincide com Fl. 542DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 543 13 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 18/11/2005 18/11/2005 21/11/2005 22/11/2005 22/11/2005 23/11/2005 23/11/2005 24/11/2005 25/11/2005 25/11/2005 25/11/2005 25/11/2005 28/11/2005 28/112005 28/11/2005 29/11/2005 30/11/2005 30/11/2005 01/12/2005 01/12/2005 02/12/2005 05/12/2005 06/12/2005 06/12/2005 08/12/2005 09/12/2005 13/12/2005 14/12/2005 131.660,70 79.556,59 15.729,50 19.929,89 24.000,00 213.522,50 70.000,00 385.700,00 85.000,00 116.256,20 97.960,00 8.838,23 569,00 94.000,00 240,00 3.376,50 3.168,24 23.700,00 200.000,00 8.092,00 11.950,00 150.000,00 14.110,46 35.000,00 32.238,98 6.188,00 333.195,53 148.700,00 174.500,00 a soma dos depósitos questionados no dia. (10.000,00 + 9.929,49 + 24,000,00). A soma dos valores contabilizados coincide com a soma dos depósitos questionados no dia. Não há coincidência entre o valor contabilizado e o depósito questionado; Os valores contabilizados coincidem com os depósitos questionados no dia 25/11. Os valores contabilizados coincidem com os depósitos questionados no dia 28/11. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia 29/11. Os valores contabilizados coincidem com os depósitos questionados no dia 30/11. Os valores contabilizados coincidem com os depósitos questionados no dia 01/12. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia 02/12. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia 05/12. A soma dos valores contabilizados coincide com a soma dos depósitos questionados no dia. O valor contabilizado no dia 08 corresponde à soma de depósito de R$ 2.500,00 efetuado no dia 08 e um depósito de R$ 29.738,98 efetuado no dia 9. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia 09/12 O valor contabilizado coincide com a soma dos depósitos questionados no dia. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia O valor contabilizado no dia 19 coincide com depósito questionado no dia 20. Não há crédito nesse valor e data questionado para esse dia. Não há crédito nesse valor e data questionado Fl. 543DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 544 14 45 46 47 48 49 15/12/2005 19/12/2005 21/12/2005 22/12/2005 28/12/2005 157.300,00 12.499,20 82.000,00 70.447,72 para esse dia. Não há crédito nesse valor e data questionado para esse dia. A presunção legal não existe para que a autoridade fiscal se exima de auditar, de investigar. Se o contribuinte apresenta documentos para justificar a origem dos recursos, a autoridade fiscal deve analisálos e justificar, objetivamente, o resultado da análise. Como já dito acima, o fato de se tratar de documentos particulares não os torna inábeis, e quanto a terem sido apresentados por cópia, se a autoridade duvidava de sua autenticidade, deveria ter intimado a contribuinte a trazer os originais para autenticação das cópias. A escrituração faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza (contratos e recibos são documentos hábeis), cabendo à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados (Decretolei nº 1.598/77, art. 9º, § 2º). Se os depósitos questionados são coerentes com fatos registrados em conformidade com os documentos apresentados, a contribuinte cumpriu sua parte do ônus que a lei lhe atribui (provar a origem dos recursos), retornando à autoridade o ônus de provar a inveracidade. A partir do exposto, tenho que restou demonstrada a origem dos recursos correspondentes aos créditos a seguir relacionados: DEMONSTRATIVO III Data Valor R$ 06/09/2005 05/08/2005 12/09/2005 13/09/200 09/08/2005 18/10/2005 14/10/2005 14/10/2005 14/10/2005 14/10/2005 14/10/2005 14/10/2005 14/10/2005 338.000,00 135.400,00 100.000,00 122.969,00 102.558,00 58.589,48 98.037,82 99.999,00 98.000,00 97.000,00 95.000,00 51.000,00 90.000,00 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 545 15 31/10/2005 01/11/2005 04/11/2005 07/11/2005 08/11/2005 11/11/2005 11/11/2005 14/11/2005 14/11/2005 16/11/2005 17/11/2005 18/11/2005 18/11/2005 21/11/2005 22/11/2005 22/11/2005 23/11/2005 23/11/2005 25/11/2005 25/11/2005 25/11/2005 25/11/2005 28/11/2005 28/112005 28/11/2005 29/11/2005 30/11/2005 30/11/2005 01/12/2005 01/12/2005 02/12/2005 05/12/2005 06/12/2005 06/12/2005 08/12/2005 09/12/2005 13/12/2005 14/12/2005 15/12/2005 263.412,00 483.510,00 567.872,83 138.155,20 69.031,11 77.134,23 300.000,00 29.163,25 635.000,00 410.441,94 12.500,00 131.660,70 79.556,59 15.729,50 19.929,89 24.000,00 213.522,50 70.000,00 85.000,00 116.256,20 97.960,00 8.838,23 569,00 94.000,00 240,00 3.376,50 3.168,24 23.700,00 200.000,00 8.092,00 11. 950,00 150.000,00 14.110,46 35.000,00 32.238,98 6.188,00 333.195,53 148.700,00 174.500,00 Resolvida a questão da omissão de receita, de cujo valor apurado pelo fiscal devem ser reduzidas as parcelas acima listadas, passo à segunda questão do litígio, que é a tributação pelo lucro arbitrado. Argumenta a Recorrente que caberia ao autuante tributar a omissão de receitas segundo a forma escolhida pelo contribuinte, que foi o lucro real. De fato, o art. 24 da Lei nº 9.249/95 dispõe que, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 546 16 A primeira indagação a ser feita é se se pode dizer que o contribuinte, no período de que se trata, estava submetido à tributação pelo lucro real pelo simples fato de ele ter transmitido sua declaração utilizando o formulário para esse fim. A DIPJ para o anocalendário de 2005 foi apresentada no formulário de lucro real, informando todos os campos de receitas, custos e despesas zerados (DIPJ fls. 15 e seguintes). Os únicos campos da DIPJ preenchidos com valores diferentes de zero são os dados do balanço patrimonial, cujas contas, tanto de ativo como de passivo, apresentam saldo em 31/12/2004 idêntico ao de 31/12/2005. Vêse, claramente, que a contribuinte não optou por nenhuma forma de tributação, apenas entregou um formulário para, muito provavelmente, não chamar a atenção da fiscalização na condição de “omissa”. A segunda indagação é se seria razoável considerar que a contribuinte, por ter utilizado o formulário de lucro real, deveria ter sua “opção” respeitada, adicionando se as receitas omitidas, mesmo sem nenhum custo ou despesa computado. Obviamente, não, e a tributação pelo lucro arbitrado mostrase mais consentânea à realidade. Contudo, é preciso verificar se a autoridade fiscal cumpriu os passos que a autorizavam a arbitrar o lucro. Do que se depreende dos autos, a autoridade motivou o arbitramento por entender que a escrituração contém vícios, erros ou deficiências que a tornam imprestável para identificar a movimentação financeira, inclusive bancária (art. 530, II, “a” do RIR/99). De fato, a fiscalização concentrouse na pesquisa da movimentação financeira, e atestou que a contribuinte demonstrou ter efetuado a escrituração dos valores contidos nos extratos bancários, através dos arquivos apresentados em meio magnético. Em 26/09/2009, ao reintimálo para apresentar documentos hábeis, coincidentes em data e valor, que devam respaldo aos valores contabilizados, alertouo que a falta de apresentação na forma solicitada, torna sua escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Ao receber os documentos, considerouos inábeis por serem cópias simples de documentos particulares, e contratos sem registro, não se prestando a provar a origem dos recursos e, portanto tornando sua escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira. Conforme explicitei quando analisei a questão da omissão de receitas, não acho que a inversão do ônus da prova veiculada pela presunção legal chegue a tal ponto que a fiscalização possa recusar a prova trazida sem uma motivação consistente (que não seja apenas formal). Assim, a meu ver, não se configurou a hipótese invocada para o arbitramento. Como o lançamento não poderia ter sido feito com base no lucro real a partir do consignado na declaração (que, como dito, não apurou nada), caberia prosseguir na investigação, para verificar, nos livros fiscais e contábeis da contribuinte (nos quais estaria transcrita a apuração do lucro líquido e do lucro real), o lucro real apurado e adicionar as receitas omitidas. Poderia a autoridade fiscal intimar o sujeito passivo a apresentar na repartição os livros (que supostamente estavam à sua disposição em escritório de contabilidade), sob pena de arbitramento por recusa de apresentação. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 547 17 Subscrevo as considerações do julgador Eduardo Shimabukuro, quando consignou, em sua “Declaração de Voto, que “(...) é de se presumir que a contribuinte tinha uma escrituração suficiente para que fosse determinado o resultado tributável, motivo pelo qual caberia ao autuante, observando a forma de tributação escolhida originalmente pela fiscalizada, no caso, o lucro real anual, intimála a apresentar a demonstração do lucro líquido do exercício, com as adições e exclusões previstas na legislação tributária e, a partir dessa informação, adicionar o montante correspondente às receitas omitidas, efetuando o correspondente lançamento.” Pelas razões expostas, dou provimento parcial ao recurso para cancelar as exigências de IRPJ e CSLL, e reduzir da matéria tributável relativa ao PIS e à COFINS aos valores relacionados no Demonstrativo III no corpo deste voto. É como voto. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 548 18 Voto Vencedor Tendo sido designado para redigir o VOTO VENCEDOR no referido julgado, passo a fazêlo, suprindo, assim, a omissão apontada pela Fazenda Nacional nos declaratórios interpostos. A divergência suscitada pelo Colegiado centrouse na questão do ARBITRAMENTO do lucro promovido pela Fiscalização. Conforme transcrição abaixo, embora o Ilustre Conselheiro Relator admita que a fiscalizada não fez opção por qualquer forma de tributação e que, no caso, a tributação pelo LUCRO ARBITRADO revelouse como a mais adequada, pronunciouse pela insubsistência do arbitramento efetuado por entender que a Fiscalização não "cumpriu os passos" autorizadores da medida. [...] Argumenta a Recorrente que caberia ao autuante tributar a omissão de receitas segundo a forma escolhida pelo contribuinte, que foi o lucro real. De fato, o art. 24 da Lei nº 9.249/95 dispõe que, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. A primeira indagação a ser feita é se se pode dizer que o contribuinte, no período de que se trata, estava submetido à tributação pelo lucro real pelo simples fato de ele ter transmitido sua declaração utilizando o formulário para esse fim. A DIPJ para o anocalendário de 2005 foi apresentada no formulário de lucro real, informando todos os campos de receitas, custos e despesas zerados (DIPJ fls. 15 e seguintes). Os únicos campos da DIPJ preenchidos com valores diferentes de zero são os dados do balanço patrimonial, cujas contas, tanto de ativo como de passivo, apresentam saldo em 31/12/2004 idêntico ao de 31/12/2005. Vêse, claramente, que a contribuinte não optou por nenhuma forma de tributação, apenas entregou um formulário para, muito provavelmente, não chamar a atenção da fiscalização na condição de “omissa”. A segunda indagação é se seria razoável considerar que a contribuinte, por ter utilizado o formulário de lucro real, deveria ter sua “opção” respeitada, adicionando se as receitas omitidas, mesmo sem nenhum custo ou despesa computado. Obviamente, não, e a tributação pelo lucro arbitrado mostrase mais consentânea à realidade. Contudo, é preciso verificar se a autoridade fiscal cumpriu os passos que a autorizavam a arbitrar o lucro. Do que se depreende dos autos, a autoridade motivou o arbitramento por entender que a escrituração contém vícios, erros ou deficiências que a tornam imprestável para identificar a movimentação financeira, inclusive bancária (art. 530, II, “a” do RIR/99). Fl. 548DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 549 19 De fato, a fiscalização concentrouse na pesquisa da movimentação financeira, e atestou que a contribuinte demonstrou ter efetuado a escrituração dos valores contidos nos extratos bancários, através dos arquivos apresentados em meio magnético. Em 26/09/2009, ao reintimálo para apresentar documentos hábeis, coincidentes em data e valor, que davam respaldo aos valores contabilizados, alertouo que a falta de apresentação na forma solicitada, torna sua escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Ao receber os documentos, considerouos inábeis por serem cópias simples de documentos particulares, e contratos sem registro, não se prestando a provar a origem dos recursos e, portanto tornando sua escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira. Conforme explicitei quando analisei a questão da omissão de receitas, não acho que a inversão do ônus da prova veiculada pela presunção legal chegue a tal ponto que a fiscalização possa recusar a prova trazida sem uma motivação consistente (que não seja apenas formal). Assim, a meu ver, não se configurou a hipótese invocada para o arbitramento. Como o lançamento não poderia ter sido feito com base no lucro real a partir do consignado na declaração (que, como dito, não apurou nada), caberia prosseguir na investigação, para verificar, nos livros fiscais e contábeis da contribuinte (nos quais estaria transcrita a apuração do lucro líquido e do lucro real), o lucro real apurado e adicionar as receitas omitidas. Poderia a autoridade fiscal intimar o sujeito passivo a apresentar na repartição os livros (que supostamente estavam à sua disposição em escritório de contabilidade), sob pena de arbitramento por recusa de apresentação. Subscrevo as considerações do julgador Eduardo Shimabukuro, quando consignou, em sua “Declaração de Voto, que “(...) é de se presumir que a contribuinte tinha uma escrituração suficiente para que fosse determinado o resultado tributável, motivo pelo qual caberia ao autuante, observando a forma de tributação escolhida originalmente pela fiscalizada, no caso, o lucro real anual, intimála a apresentar a demonstração do lucro líquido do exercício, com as adições e exclusões previstas na legislação tributária e, a partir dessa informação, adicionar o montante correspondente às receitas omitidas, efetuando o correspondente lançamento.” Afastese, de imediato, a aplicação do disposto no art. 24 da Lei nº 9.249/95, eis que como admite o próprio relator a contribuinte não fez opção por qualquer das formas de tributação, tendo apresentado DIPJ com os campos relativos às receitas, custos e despesas ZERADOS. O fundamento em razão do qual o Relator pronunciouse pela improcedência do arbitramento está representado pelo fato de a Fiscalização, julgando como não hábil à comprovação das operações a documentação apresentada pela contribuinte, vez que constituída por cópia de documentos particulares e contratos sem registro, ter considerado a escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira. Para o Ilustre Relator, nesta circunstância, a Fiscalização deveria prosseguir na investigação para, com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte, verificar o lucro real apurado e, a partir daí, adicionar as receitas omitidas. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 550 20 O Colegiado, entretanto, por sua maioria, entendeu de forma diversa, considerando que no caso o arbitramento o arbitramento era a medida mais recomendável. Para tanto, serviuse dos seguintes elementos: i) a contribuinte sequer foi localizada em seu domicílio fiscal, apresentou uma DIPJ com os campos relativos às receitas ZERADOS, embora os créditos bancários, conforme quadro constante do Termo de Verificação Fiscal de fls. 340/347, tenham alcançado o montante de R$ 107.978.584,14 no ano calendário de 2005; ii) ainda que se considere a análise empreendida em sede de julgamento, a contribuinte só apresentou documentação hábil para comprovar seis por cento da sua movimentação da sua movimentação financeira (R$ 6.574.256,18 de R$ 107.978.584,14); iii) não é merecedora de confiabilidade uma escrituração em que 94% da movimentação financeira da contribuinte não encontra lastro em documentação hábil e idônea; iv) a declaração de voto na qual o Relator encontra apoio para sustentar o seu pronunciamento, parte de premissa equivocada, visto que, no caso retratado nos autos, descabe falar em "forma de tributação escolhida originalmente pela fiscalizada"; v) a tributação na forma sugerida (LUCRO REAL), diante da ausência de documentação capaz de até mesmo comprovar a maior parte da origem dos recursos movimentados em contas bancárias, implicaria maior gravosidade na tributação, sendo certo que nessa circunstância a argumentação seria exatamente ao contrário, isto é, que o lançamento deveria ter sido feito com base no lucro arbitrado, sob pena de se estar tributando a receita como se lucro fosse; vi) o fato de a movimentação bancária ter sido escriturada, por si só, não desautoriza a aplicação do inciso II do art. 530 do RIR/99, pois, na circunstância em que a contribuinte não apresenta documentação hábil para comprovar 94% dos créditos efetuados em suas contas bancárias, tal escrituração revelase deficiente, eis que, como dito, é imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira; vii) a contribuinte afirma que apresentou documentos comprovando a origem de toda a sua movimentação financeira, o que não encontra respaldo nos autos; e viii) a contribuinte alega que inúmeros documentos fiscais e contábeis demonstram como se deu a apuração do lucro real do período, porém, não aporta um único documento capaz de demonstrar essa apuração. É merecedor de registro o fato de a impugnação apresentada pela contribuinte não ter trazido argumentação no sentido de contestar o fundamento utilizado pela Fiscalização para arbitrar o lucro. Isso só ocorreu em sede de recurso voluntário, momento em que a autuada já era conhecedora da declaração de voto trazida pela decisão de primeira instância. Por outro lado, entendeu o Colegiado que a análise empreendida pelo Relator na documentação trazida ao processo para comprovar a origem dos recursos movimentados nas contas bancárias da contribuinte deve ser acolhida, motivo pelo qual pronunciouse pela exclusão, da matéria tributável, dos seguintes montantes: AGOSTO/2005: R$ 237.958,00 (PIS/COFINS) Fl. 550DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003562/200980 Acórdão n.º 1301001.877 S1C3T1 Fl. 551 21 SETEMBRO/2005: R$ 560.969,00 (PIS/COFINS) TOTAL 3º TRIMESTRE/2005: R$ 798.927,00 (IRPJ/CSLL) OUTUBRO/2005: R$ 951.038,30 (PIS/COFINS) NOVEMBRO/2005: R$ 3.930.357,91 (PIS/COFINS) DEZEMBRO/2005: R$ 893.932,97 (PIS/COFINS) TOTAL 4º TRIMESTRE/2005: R$ 5.775.329,18 (IRPJ/CSLL) Com lastro nas razões antes expendidas, decidiu o Colegiado, por maioria, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir de tributação os valores acima discriminados. "assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Redator do VOTO VENCEDOR. Conduzo, pois, o meu voto, no sentido de ACOLHER os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para suprir a omissão apontada (inclusão do VOTO VENCEDOR). "assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator dos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Fl. 551DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 11176.000174/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2005
ENTIDADE ISENTA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TOMADOR DE SERVIÇOS. RETENÇÃO 11%. OBRIGAÇÃO.
Mesmo a entidade em gozo regular da isenção das contribuições sociais está obrigada a reter o valor da contribuição da empresa que lhe prestar serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada, correspondente a 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher o valor retido em nome da empresa contratada.
LEI TRIBUTÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
(Súmula Carf nº 2)
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4
É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).
(Súmula Carf nº 4)
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2401-004.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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RETENÇÃO DE 11% Recorrente SOCIEDADE ESPÍRITA PAZ AMOR E LUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2005 ENTIDADE ISENTA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TOMADOR DE SERVIÇOS. RETENÇÃO 11%. OBRIGAÇÃO. Mesmo a entidade em gozo regular da isenção das contribuições sociais está obrigada a reter o valor da contribuição da empresa que lhe prestar serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada, correspondente a 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher o valor retido em nome da empresa contratada. LEI TRIBUTÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4 É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). (Súmula Carf nº 4) Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 01 74 /2 00 7- 61 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000174/200761 Acórdão n.º 2401004.166 S2C4T1 Fl. 265 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. André Luís Mársico Lombardi Presidente Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000174/200761 Acórdão n.º 2401004.166 S2C4T1 Fl. 266 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação e manteve parcialmente o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0618.638 (fls. 180/187): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2003, 2005 ENTIDADE ISENTA. SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO DE 11%. OBRIGATORIEDADE. A entidade isenta também é obrigada a efetuar a retenção e o recolhimento, em favor da Previdência Social, de onze por cento do valor da nota fiscal ou da fatura de serviços que lhe são prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada. MULTA DE MORA. PREVISÃO LEGAL. As contribuições previdenciárias em atraso estão sujeitas ao acréscimo de multa de mora, nos percentuais previstos no artigo 35 da Lei 8.212/91. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. As contribuições previdenciárias em atraso estão sujeitas à incidência de juros moratórios equivalentes à taxa SELIC, conforme previsto no artigo 34 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97. Lançamento Procedente em Parte 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 5/7, que o processo administrativo é composto pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.519.4929, relativa às contribuições devidas à seguridade social, no período de 03/2003 a 12/2005, decorrentes da obrigação de retenção por parte da empresa contratante de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada (art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991). 3. Cientificado pessoalmente da autuação em 2/5/2006, às fls. 2, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 52/99). 4. Antes de apreciar a impugnação, o relator "a quo" determinou, por meio do Despacho nº 0022, de 5/7/2007, a complementação do relatório fiscal, a fim de a autoridade fiscal identificar explicitamente a natureza e forma dos serviços prestados, bem como demonstrar o respectivo enquadramento legal da retenção (fls. 127). Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000174/200761 Acórdão n.º 2401004.166 S2C4T1 Fl. 267 4 4.1 Emitido o relatório fiscal complementar, conforme fls. 140/154, foi dada ciência pessoal à notificada em 13/3/2008, reabrindose o prazo para apresentação de defesa (fls. 172). Não consta que a impugnante tenha aditado a sua impugnação (fls. 179). 5. Intimada em 23/10/2008, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 188/190, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 24/11/2008, em que aduz os seguintes argumentos de defesa (fls. 197/248): i) nulidade da notificação fiscal, por contrariar a imunidade tributária que detém e por pautarse o lançamento em meras presunções; ii) ofensa à ampla defesa e ao contraditório; iii) descabimento do auto de infração lavrado pela não apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP); iv) improcedência da retenção de 11% (onze por cento) sobre as faturas de prestação de serviços, dado o alcance da imunidade determinada pela Constituição da República de 1988 e pelo Código Tributário Nacional; v) inconstitucionalidade da Ordem de Serviço (OS) INSS/DAF nº 209, de 20 de maio de 1999, a qual extrapolou as definições de cessão de mão de obra e de empreitada contida em lei; vi) caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento fiscal; e vii) impossibilidade de utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) sobre os débitos fiscais. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000174/200761 Acórdão n.º 2401004.166 S2C4T1 Fl. 268 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento Preliminares a) Nulidade da notificação fiscal 7. Pugna a recorrente pela extinção da notificação fiscal fundamentada em nulidade insanável, tendo em vista a impossibilidade de sofrer tributação por meio de impostos e contribuições sociais dado o preenchimento de todos os requisitos legais para a fruição da imunidade. 8. A rigor, tal linha argumentativa confundese com o próprio mérito. Nada obstante, início a análise de suas ponderações nessa parte do voto. 9. A isenção a que se refere o § 7º do art. 195 da Carta da República de 1988, a qual cuida, na verdade, de uma imunidade, atinge todas as contribuições para a seguridade social devidas pela entidade beneficente de assistência social na condição de contribuinte, porém não abrange as contribuições devidas por segurados que lhe prestam serviço, nem as contribuições devidas por terceiros contratados, cuja lei impõe a obrigação de retenção e recolhimento do tributo. Eis a redação do texto constitucional: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (...) 10. Neste processo administrativo, ora sob análise, a exigência fiscal diz respeito à retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços emitida por empresa contratada, cujo recolhimento deve ser feito pelo tomador dos serviços em nome do prestador, de acordo com o art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000174/200761 Acórdão n.º 2401004.166 S2C4T1 Fl. 269 6 10.1 Na sequência, transcrevo o aludido preceptivo com a redação vigente à época dos fatos geradores: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dez do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (...) 11. Em visto disso, a imunidade/isenção das contribuições para a seguridade social que goze o contratante dos serviços, na forma disciplinada em lei, é aspecto irrelevante no que tange à obrigação de retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991. 11.1 A empresa contratante de mão de obra, ainda que imune ou isenta, deverá reter o valor da contribuição da pessoa jurídica que lhe prestar serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada, correspondente a 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo emitido, e recolher o valor retido em nome da empresa contratada. 1 12. Nessa linha de raciocínio, tornase também descabida a alegação da recorrente de lançamento fiscal baseado em presunções, devido à falta de definitividade do ato administrativo que cancelou o seu direito à isenção, emitido após a constatação do indeferimento da renovação do seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas). 12.1 Contrariamente ao que sustenta a fiscalizada, a autoridade lançadora não fundamentou a constituição do crédito tributário no cancelamento da isenção, de sorte tal que a isenção das contribuições para a seguridade social, como já explicado, não afeta ou prejudica a exigência fiscal sob exame. 13. De mais a mais, a leitura do relatório fiscal, complementado às fls. 140/154, revela que o Fisco motivou o lançamento e descreveu os elementos comprobatórios da ocorrência do fato jurídico, assim como das circunstâncias em que foi verificado, respaldando o nascimento da relação jurídica por meio de suporte na linguagem das provas. 13.1 Estão indicados os nomes das empresas e os serviços contratados, as razões de estarem sujeitos à retenção, a indicação das notas fiscais emitidas e, por fim, as bases de cálculo utilizadas para a exigência fiscal. 14. Portanto, não lhe assiste razão quanto à alegação de nulidade do ato administrativo. b) Ofensa à ampla defesa e ao contraditório 15 Nesse ponto, a recorrente afirma a falta de observância das garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório, ante a impossibilidade de manifestarse em 1 Para fins previdenciários, o conceito do termo "empresa" é bastante amplo e engloba inclusive a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, conforme disposto no art. 15 da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000174/200761 Acórdão n.º 2401004.166 S2C4T1 Fl. 270 7 sede administrativa a respeito do seu desenquadramento, a contar de 24/4/2002, como entidade beneficiada pela isenção. 16. Reafirmando os motivos alhures expostos, a circunstância da perda do benefício voltado à isenção das contribuições para a seguridade social é questão sem importância para o deslinde deste processo administrativo, dada a natureza jurídica das contribuições que estão sendo exigidas. Mérito 17. A Lei nº 9.711, de 20 de novembro de 1998, ao alterar a redação do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, não criou uma nova contribuição, tampouco modificou a base de cálculo e as alíquotas das contribuições previdenciárias devidas pelas empresas prestadoras de serviço, nada acrescentando a sua carga tributária. 2 17.1 Implantouse tão somente uma novel sistemática de arrecadação, mediante antecipação compensável, em que o tomador de serviços está obrigado a reter determinado percentual sobre a nota fiscal ou fatura e recolhêlo em nome da empresa prestadora de serviço. 17.2 Vale dizer que a lei não impôs ao tomador de serviços, que está vinculado indiretamente ao fato gerador, qualquer redução patrimonial. O valor que deve recolher a título de contribuição previdenciária, em nome do prestador de serviços, equivale exatamente a parcela que desconta, arrecada e deixa de pagar ao contratado pelos serviços prestados. 17.3 Por seu turno, ao efetuar o recolhimento mensal das contribuições devidas sobre a folha de salários, o prestador de serviços deduz os valores retidos pelo tomador, pagando somente a diferença. 18. De verse que a obrigação de retenção exigida do tomador não lhe onera, nem tem o condão de encarecer o serviço prestado. 19. Segundo a lei, é de responsabilidade exclusiva da empresa contratante realizar a retenção de 11% (onze por cento). Por isso, caso não efetue a retenção, estará sujeita à cobrança do valor não retido, nos termos do § 5º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 33 (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. 20. Dessa feita, ao agir em desacordo com a lei, deixando de efetuar a retenção, não é lícito à recorrente socorrerse da imunidade/isenção para evitar a sua responsabilidade tributária. 2 Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme Recurso Especial nº 1.036.375/SP, da relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil). Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000174/200761 Acórdão n.º 2401004.166 S2C4T1 Fl. 271 8 20.1 Caso contrário, o particular teria uma autorização para a seu belprazer alterar os mecanismos de arrecadação previstos pelo legislador ordinário, tornando apenas uma faculdade a sujeição passiva do tomador de serviços, o que não se mostra concebível frente ao ordenamento vigente. 20.2 A toda a evidência, o alcance da imunidade/isenção, estampada no § 7º do art. 195 da Carta da República de 1988, não comporta tamanha interpretação deslocada da finalidade a que se propõe esse instituto que limita a competência tributária. 21. Questiona ainda a recorrente a constitucionalidade da OS INSS/DAF nº 209, de 1999, bem como da OS INSS/DAF nº 203, de 29 de janeiro de 2009, visto que os atos administrativos teriam estendido conceitos e igualado institutos, de uma forma absolutamente diversa do disposto na Lei nº 9.711, de 1998, a qual previu unicamente a retenção para a hipótese de cessão de mão de obra. 22. Tais atos normativos supracitados são inaplicáveis às contribuições lançadas, porque a obrigação de retenção nas competências apuradas pela fiscalização estava regulada pela Instrução Normativa (IN) DC/INSS nº 71, de 10 de maio de 2002, e, sucessivamente, pelas IN DC/INSS nº 100, de 18 de dezembro de 2003, e IN MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. 23. Além disso, o lançamento fiscal, segundo o relatório complementar, está fundamentado no §§ 3º e 4º do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, e no art. 219 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, abaixo reproduzidos: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 31 (...) § 3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. RPS, de 1999 Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000174/200761 Acórdão n.º 2401004.166 S2C4T1 Fl. 272 9 da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216 (...) § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mão de obra: I limpeza, conservação e zeladoria; (...) XII treinamento e ensino; (...) § 3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mão de obra. (grifouse) (...) 24. Conquanto a fiscalizada discorra veementemente sobre ilegalidade e inconstitucionalidade dos atos normativos, visto que teriam ampliado o alcance da retenção estabelecida no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, não sinaliza efetivamente quais pontos específicos do lançamento fiscal estariam manchados por tais vícios, ou mesmo em desacordo com os atos normativos, sendo inadmissível a mera alegação ou a negação geral no âmbito do processo administrativo tributário. 25. Por outro lado, acaso tivesse optado em confrontar as características dos serviços por ela contratados e os requisitos necessários para a configuração da cessão de mão de obra, utilizandose do detalhamento normativo contido nos atos infralegais supracitados, melhor sorte poderia ter a recorrente no tocante à demonstração da improcedência do lançamento. 26. Quanto à eventual carga confiscatória da multa exigida na notificação, outra matéria de defesa levantada pela recorrente, cabe lembrar que argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. 26.1 A avaliação de eventual excesso do legislador ordinário ao fixar o percentual da multa punitiva, de uma forma exorbitante e desproporcional, é tarefa exclusiva do Poder Judiciário, porquanto implica verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. 26.2 Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 27. Em sentido análogo, é a resposta às ponderações da recorrente quanto à incidência de juros de mora sobre o crédito tributário. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000174/200761 Acórdão n.º 2401004.166 S2C4T1 Fl. 273 10 27.1 A utilização da taxa Selic, para fins tributários, é reconhecida válida nos termos refletido no verbete da Súmula CARF nº 4, assim vazada: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. 28. Não custa lembrar que o entendimento sumulado é de observância obrigatória pelos conselheiros, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) 29. Para finalizar, cabe dizer que a contestação feita pela notificada quanto à aplicação de multa por falta de apresentação da GFIP é matéria estranha a este processo administrativo. 29.1 Em que pese haver sido lavrado o Auto de Infração nº 35.514.7017, por descumprimento de obrigação acessória, conforme indica o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, juntado às fls. 47, tal crédito tributário não faz parte do presente processo. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 13864.000529/2010-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE. RECONHECIMENTO. Considerando que o art. 33 do Decreto 70.235/2, determina que o prazo legal para interposição do recurso é de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão, a sua inobservância enseja o não conhecimento do voluntário.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade
Ronaldo de Lima Macedo Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE. RECONHECIMENTO. Considerando que o art. 33 do Decreto 70.235/2, determina que o prazo legal para interposição do recurso é de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão, a sua inobservância enseja o não conhecimento do voluntário. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade Ronaldo de Lima Macedo – Presidente. Lourenço Ferreira do Prado – Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 29 /2 01 0- 95 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por COMERCIAL E INDUSTRIAL NUNEZ LTDA, em face de acórdão que manteve o Auto de Infração n. 37.304.8319 lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte da empresa e as destinadas ao financiamento do GILRAT, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados a seu serviço. De acordo com o relatório fiscal os levantamentos de fatos geradores foram os seguintes: a) LEVANTAMENTO FP: diferença de remuneração de segurados empregados constantes em folha de pagamentos e a informada em GFIP, em período anterior à Lei 11.941/09; b) LEVANTAMENTO FP1: diferença de remuneração de segurados empregados constantes em folha de pagamentos e a informada em GFIP, em período anterior à Lei 11.941/09, incluindo, tão somente as competências 02 e 13/2007; c) LEVANTAMENTO FP2: diferença de remuneração de segurados empregados constantes em folha de pagamentos e a informada em GFIP, em período igual e posterior à vigência da Lei 11.941/09 A diferença entre os levantamentos FP e FP1 deuse apenas em razão da diferença da multa aplicada ao caso em observância a aplicação da norma mais benéfica com base no art. 106 do CTN. O lançamento compreende as competências de 01/2007 a 12/2009, tendo sido o contribuinte cientificado em 21/01/2011. O contribuinte interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a ausência do caráter salarial do pagamento de alimentação in natura, mesmo sem a sua inscrição no PAT; 2. que em 2009 efetuou o parcelamento do débito objeto d presente Auto de Infração; 3. que encontrase em recuperação judicial, o que impossibilita a formalização do presente lançamento; 4. o caráter confiscatório da multa lançada; 5. imprestabilidade da SELIC; Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13864.000529/201095 Acórdão n.º 2402004.710 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Da análise dos autos, verifico que o contribuinte fora intimado do v. acórdão de primeira instância em 11/07/2011 (fls. 204), sendo que o presente recurso voluntário fora protocolado na data de 12/08/2011 (fls. 208), quando, então, já extrapolado o prazo legal de 30 (trinta) dias para sua interposição. Assim, não conheço do recurso. Por oportuno, encaminhese cópia do presente acórdão ao Juízo da 2a Vara do Foro Distrital de Ferraz de Vasconcelos, em atendimento ao requerido no ofício juntado às fls. 250. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 13656.000220/2002-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA
Não se conhece do recurso do qual a Recorrente renunciou ao direito sobre o qual se funda nos termos do Artigo 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-002.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA Não se conhece do recurso do qual a Recorrente renunciou ao direito sobre o qual se funda nos termos do Artigo 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.042 1 2.041 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13656.000220/200241 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.649 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2015 Matéria Ressarcimento Recorrente BRASPET INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA Não se conhece do recurso do qual a Recorrente renunciou ao direito sobre o qual se funda nos termos do Artigo 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 02 20 /2 00 2- 41 Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13656.000220/200241 Acórdão n.º 3301002.649 S3C3T1 Fl. 2.043 2 Relatório Adoto o relatório da resolução de fls. 19711, assim expresso: Tratase de recurso em face do acórdão da DRJ de Santa Maria (RS), que indeferiu a solicitação de ressarcimento de saldo de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, decorrente da aquisição de insumos tributados, aplicados na industrialização de produtos, no 1º trimestre de 2002, com fundamento no art. 11, da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, requerido pela empresa AMCOR PET PACKAGING DO BRASIL LTDA (atual razão social de INJEPET EMBALAGENS LTDA), sucessora por incorporação de BRASPET IND. E COM. DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA. Às fls. 1879/1889, consta cópia do acórdão recorrido, sintetizado na ementa a seguir reproduzida: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS FISCAIS. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de inidoneidade de notas fiscais pode ser feita, indiretamente, por um conjunto de elementos e indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza dessa matéria de fato. IPI. RESSARCIMENTO. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. GLOSA DE CRÉDITOS. A omissão na entrega da declaração anual de rendimentos da pessoa jurídica ou dos sócios, assim como a comprovada não localização do estabelecimento, no que se refere aos estabelecimentos fornecedores dos bens adquiridos pelo interessado, indícios estes considerados conjuntamente com o histórico de internações fraudulentas de mercadorias na SUFRAMA, induzem a conclusão de que houve aproveitamento capcioso de créditos de IPI, alusivos a notas fiscais de compra inexistentes, motivando sua glosa. Solicitação Indeferida." A DRJ considerou não comprovadas as aquisições de produtos industrializados junto ao fornecedor Comércio de Embalagens Plásticas Minasul Ltda (CNPJ n° 03.940.311/000129), uma vez que a SRFB declaroua inapta, por inexistência de fato, no curso do processo administrativo n° 19515.001820/200489, em 06/08/2004, publicado em 10/05/2005, conforme quadro resumo constante das fls. 1883/1884. 1 Os números apontados por esse Conselheiro se referem ao processo digital. Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13656.000220/200241 Acórdão n.º 3301002.649 S3C3T1 Fl. 2.044 3 Por conseguinte, nos termos dos arts. 80 a 82 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a DRJ considerou devidamente comprovada a efetivação do pagamento do preço e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, a fim de que pudesse ser afastada a inidoneidade dos documentos emitidos pela empresa Comercio de Embalagens Plásticas Minasul Ltda, fornecedora da contribuinte, ora recorrente. Cientificada da decisão em 20/08/2007 (AR fl. 1890), a recorrente apresentou o recurso voluntário de fls. 1892/1927, em 17/09/2007, alegando, em síntese o seguinte: Alega, preliminarmente, nulidade do processo em razão da falta de análise da manifestação de inconformidade, tendo em vista que os créditos de IPI discutidos no presente processo decorreram de operações realizadas com a empresa VISATEC, cuja glosa de parte dos ressarcimento pleiteado foi motivado por suposta inidoneidade da empresa MINASUL, não constando qualquer menção da fiscalização aos motivos que a levaram a concluir que as operações realizadas com a VISATEC (Notas Fiscais n° 961, 962 e 982) não teriam ocorrido; Argumenta que houve afronta ao princípio da verdade material, ensejando a nulidade da decisão recorrida. Em favor de sua tese cita decisão do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, considerando a verdade material princípio basilar do PAF, por isso a falta de exame de documento sem justificativa por parte da autoridade monocrática, caracteriza cerceamento do direito de defesa. Essa Turma por intermédio do Acórdão n.º 330100.038 baixou o presente processo em diligência para os fins de que a DRF de origem examinasse os documentos juntados pela Recorrente e aclarasse quais os reais motivos que ensejaram a glosa de parte dos valores pleiteados pela recorrente, a título de ressarcimento de IPI, entendo ser necessário converter o presente julgamento em diligência, para que os documentos apresentados pela recorrente sejam apreciados pela unidade de origem, inclusive os documentos juntados por ocasião do recurso. Encaminhado o processo para diligência a Recorrente às fls. 2033 informou que o Pedido de Ressarcimento objeto do presente processo teve as suas respectivas compensações incluídas no programa de parcelamento instituído pela Lei n.° 11.941/2009 pelo que perdeu o seu objeto. A DRF relatou o ocorrido e encaminhou o presente processo para julgamento. É o que importa relatar. Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13656.000220/200241 Acórdão n.º 3301002.649 S3C3T1 Fl. 2.045 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado no relatório a Recorrente renunciou ao seu direito. Assim se expressa o artigo 78 do regimento interno desse Conselho: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Assim, o presente processo perdeu o objeto, nada mais havendo a ser discutido. Nesse sentido voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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