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Numero do processo: 13888.901410/2014-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.344
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 10 /2 01 4- 97 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901410/201497 Acórdão n.º 3402003.344 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901410/201497 Acórdão n.º 3402003.344 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901410/201497 Acórdão n.º 3402003.344 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901410/201497 Acórdão n.º 3402003.344 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720344/2009-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 16/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência. Recurso especial provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 16/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 44 /2 00 9- 55 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720344/200955 Acórdão n.º 9202004.038 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 16/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720344/200955 Acórdão n.º 9202004.038 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720344/200955 Acórdão n.º 9202004.038 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 269DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720344/200955 Acórdão n.º 9202004.038 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720344/200955 Acórdão n.º 9202004.038 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720344/200955 Acórdão n.º 9202004.038 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 272DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10680.012306/2006-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE - CUMPRIMENTO
Comprovada a tempestividade do apelo, demonstrado o dissídio jurisprudencial arguido e respeitados os demais pressupostos de admissibilidade, o Recurso Especial de Divergência deve ser conhecido.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR.
Os valores relativos a remessas de recursos para o exterior devem ser considerados como aplicações de recursos, no demonstrativo de análise da evolução patrimonial do Contribuinte (fluxo de caixa).
Elaborado o fluxo de caixa, são tributáveis os valores relativos a acréscimos patrimoniais apurados, quando não justificados pelos rendimentos já tributados (no ajuste ou exclusivamente na fonte), isentos ou não tributáveis.
Tendo o Fisco se desincumbido do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu direito, ou seja, tendo demonstrado o excesso de gastos sobre a origem de recursos, cabe ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos já tributados (no ajuste ou exclusivamente na fonte), isentos ou não tributáveis, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem de seus rendimentos.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.551
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Maria Helena Cotta Cardozo
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE - CUMPRIMENTO Comprovada a tempestividade do apelo, demonstrado o dissídio jurisprudencial arguido e respeitados os demais pressupostos de admissibilidade, o Recurso Especial de Divergência deve ser conhecido. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. Os valores relativos a remessas de recursos para o exterior devem ser considerados como aplicações de recursos, no demonstrativo de análise da evolução patrimonial do Contribuinte (fluxo de caixa). Elaborado o fluxo de caixa, são tributáveis os valores relativos a acréscimos patrimoniais apurados, quando não justificados pelos rendimentos já tributados (no ajuste ou exclusivamente na fonte), isentos ou não tributáveis. Tendo o Fisco se desincumbido do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu direito, ou seja, tendo demonstrado o excesso de gastos sobre a origem de recursos, cabe ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos já tributados (no ajuste ou exclusivamente na fonte), isentos ou não tributáveis, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem de seus rendimentos. Recurso especial provido.
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. Os valores relativos a remessas de recursos para o exterior devem ser considerados como aplicações de recursos, no demonstrativo de análise da evolução patrimonial do Contribuinte (fluxo de caixa). Elaborado o fluxo de caixa, são tributáveis os valores relativos a acréscimos patrimoniais apurados, quando não justificados pelos rendimentos já tributados (no ajuste ou exclusivamente na fonte), isentos ou não tributáveis. Tendo o Fisco se desincumbido do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu direito, ou seja, tendo demonstrado o excesso de gastos sobre a origem de recursos, cabe ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos já tributados (no ajuste ou exclusivamente na fonte), isentos ou não tributáveis, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem de seus rendimentos. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 23 06 /2 00 6- 54 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 12/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire Relatório Em sessão plenária de 17/12/2008, foi julgado Recurso Voluntário 157.619, exarandose o Acórdão 10617.196 (fls. 336 a 340), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. IRPF. DECADÊNCIA. Não caracterizada a ocorrência de dolo fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda da pessoa física em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 31 3 IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Não pode prosperar a exigência fundada na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto quando, na apuração deste, a fiscalização não comprovou a efetividade dos dispêndio considerados no quadro de apuração desta. O efetivo dispêndio há de ser comprovado pelo Fisco para que possa dar ensejo a tal tributação. Multa de Oficio desqualificada. Recurso provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, desqualificar a multa de oficio, reconhecer a decadência do lançamento relativo ao anocalendário de 2000 e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.” Cientificada do acórdão em 30/07/2010 (fls. 341), a Fazenda Nacional interpôs, em 04/08/2010, o Recurso Especial de fls. 344 a 367, com fundamento nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: suficiência das provas e ônus probatório; qualificação da multa de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho de fls. 401 a 407. Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações, em síntese: o Auto de Infração está fundamentado na presunção de omissão de rendimentos decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto — APD, constatado a partir do excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme previsão dos arts. 2º e 3º da Lei nº 7.713, de 1988, a seguir transcritos: Art. 2º. O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 92 a 14 desta Lei. § 1º. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. 4 (...). § 4° A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. a partir do exame dos dispositivos declinados, depreendese que devem ser confrontadas, mensalmente, as variações patrimoniais com os rendimentos auferidos, a fim de se apurar a evolução patrimonial do contribuinte; caso seja constatada a existência de acréscimo patrimonial a descoberto, verificase a ocorrência da omissão de rendimentos, até prova em contrário, a cargo do contribuinte; assim, cabe ao Fisco somente demonstrar o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção para que fique evidenciada a omissão de rendimentos; dessa forma, a lei mencionada dispõe que, verificada omissão de rendimentos, autorizado está o lançamento do imposto correspondente, uma vez demonstrado pela autoridade lançadora que os valores dos dispêndios/aplicações ultrapassaram os recursos disponíveis segundo apuração mensal. de tal raciocínio, concluise que o acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte e sujeitos à tributação definitiva, está sujeito ao lançamento de ofício por caracterizar omissão de rendimentos; apenas a apresentação de provas inequívocas, que justifiquem o acréscimo patrimonial em face do montante da renda líquida, é hábil a afastar a presunção legal de omissão de rendimentos, o que não ocorreu no presente caso; com efeito, na hipótese vertente, houve inequívoca identificação do contribuinte como responsável (ordenante) pela remessa de recursos ao exterior no montante de US$ 774.956,70, efetuado pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", na conta nº 310113 do BHSC/Lonton, conforme se extrai dos extratos e das cópias das ordens de pagamento transmitidas por fax para a empresa "Beacon Hill" determinando a realização das operações (fls. 118 /150); ademais, cabe ressaltar que a Equipe Especial de Fiscalização, criada pela Portaria SRF nº 463/04, efetuou pesquisas no cadastro da SRF e constatou que não existem homônimos para o nome examinado e, ainda, que o endereço constante na mídia eletrônica associado ao nome Jaime Tatagiba (Av. Contorno, 5351, Belvedere, Belo Horizonte/MG, Brazil) consiste no domicílio fiscal da empresa Star Importação e Exportação Ltda, CNPJ 71.054.241/000161, da qual o contribuinte fiscalizado é sóciogerente, com participação de 99% do capital social da mesma; logo, não subsiste qualquer dúvida acerca da correta identificação do sujeito passivo; tal circunstância está demonstrada pela mídia fornecida pelos bancos nos EUA que, inclusive, foi atestada em perícia técnica do Instituto Nacional de Criminalística, Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 32 5 vinculado ao Departamento de Polícia Federal, após a devida autorização da Corte norteamericana e da Justiça Federal Brasileira; de fato, compulsandose os autos, verificase a existência de ordem de pagamento, em que consta a identificação, como remetente ou ordenante, do contribuinte em epígrafe; o interessado foi devidamente intimado para apresentar esclarecimentos sobre as razões dessas movimentações financeiras, bem como demonstrar onde e a que título os valores monetários movimentados encontramse informados na declaração de IRPF; entretanto, o contribuinte apenas negou a conduta, apesar das inequívocas provas apresentadas; destaquese, a título de reforço, que a autoridade fiscal constatou ter o contribuinte efetuado remessas para a cidade de Nova Iorque, através da empresa Beacon Hill, também no anocalendário de 1999; intimado a comprovar a remessa e a origem dos recursos, informou que não havia efetuado as movimentações financeiras apontadas, todavia, solicitou o pedido de parcelamento do crédito tributário em questão; a referida constatação aliada às demais provas dos autos demonstram, de forma inequívoca, ser o autuado o efetivo ordenante das remessas de recursos ao exterior, que totalizam US$ 774.956,70, efetuadas à margem da tributação; nessa senda, irretocável o lançamento, ratificado, ademais, pela decisão administrativa de primeiro grau que, às fls. 307/308, dispôs que: Os documentos ás fls. 118 a 150, que embasam a aplicação de recursos objeto da autuação, foram originados a partir dos dados e arquivos eletrônicos disponibilizados à Secretaria da Receita Federal — SRF pela Justiça Federal, por Laudos Periciais elaborados pelo INC, correspondentes a operações de remessas ilícitas de recursos ao exterior, por meio dos quais a Equipe especial de Fiscalização, criada pela Portaria SRF nº 463/04, identificou remessas nas quais o contribuinte aparece como remetente de recursos, tendo os referidos documentos força probante suficiente para sustentar a ocorrência desse fato, e que dá sustentação à infração que lhe foi imputada. Salientese que foi efetuada pesquisa nos sistemas eletrônicos da Receita Federal que apontou a inexistência de homônimos e identificou positivamente o autuado como real remetente das divisas (fl. 14). Em adição, o endereço do remetente que aparece descrito nos comprovantes das operações coincidia, nos períodos objeto do lançamento, com o da firma Star Importação e Exportação, CNPJ n 2 71.054.241/000161, da qual o interessado é sócio gerente, com participação de 99% no capital social (fls. 151 a 154). A movimentação financeira detectada foi de U$S 151.870,00, no ano de 2000, U$S 100.850,00, no ano de 2001 e U$S 522.236,70, no ano de 2000. 6 Desse modo, descabem os argumentos de que a exigência foi feita com base em presunções infundadas e que o ônus da prova não pode ser transferido integralmente ao contribuinte. Nesse contexto, a mera alegação do contribuinte de que não efetuou as operações apontadas pela fiscalização, desacompanhadas de qualquer outro meio de prova, não é suficiente para elidir a tributação. ademais, como ressaltado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 12/22, a remessa de recursos ao exterior multicitada, apenas originou a fiscalização do contribuinte; isso significa que a eventual fragilidade da prova apresentada pelo Fisco, consoante aduziu a decisão recorrida, não seria motivo suficiente para elidir todo o lançamento, uma vez que este encontrase respaldado, como já se disse, em prova inequívoca do fato de que se trata (remessas de recursos ao exterior) cuja autenticidade e veracidade não foi afastada em nenhum momento nem pelo contribuinte nem pelo acórdão atacado, assim como na perfeita demonstração pelo Fisco da omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados pelo contribuinte; com efeito, o lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto já estava previsto no Código Tributário Nacional em seu artigo 43, inciso II; posteriormente, em 1988, a Lei n° 7.713, no artigo 3°, § 1°, preceituou que constituem rendimento bruto os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados: Código tributário Nacional Art. 43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Lei nº 7.713 de 1988 Art.3° O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos artigos 9') a 14 desta Lei. §1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. desta forma, a autoridade administrativa, em procedimento fiscal, utilizase de fluxos de caixa com o objetivo de verificar a ocorrência de inconformidades entre a renda declarada e os dispêndios realizados pelo contribuinte.; o resultado dos demonstrativos poderá indicar variação patrimonial a descoberto, ou seja, a aquisição de bens e/ou gastos acima dos rendimentos informados; Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 33 7 assim, podese dizer que o levantamento de acréscimo patrimonial não justificado é forma indireta de apuração de rendimentos omitidos, posto que à autoridade lançadora cabe somente comprovar a sua existência que, uma vez ocorrido, a lei permite presumir a omissão de rendimentos; tratase de uma presunção que, além de legal, é perfeitamente lógica, posto que ninguém realiza gastos desprovido de disponibilidade financeira, sendo certo que, da mesma forma que para se adquirir um veículo, por exemplo, devem existir rendimentos/recursos suficientes, também estes devem existir para seja efetuada uma remessa de dinheiro para o exterior; ressaltese que a presunção contida no dispositivo citado (CTN, art. 43, II) não é absoluta, mas relativa, na medida em que admite prova em contrário; tratase de prova que deve ser feita pelo próprio contribuinte interessado, uma vez que a legislação define o acréscimo patrimonial não justificado como fato gerador do imposto de renda, sem impor outras condições ao sujeito ativo, além da demonstração do referido desequilíbrio; ainda sobre o tema, pontifica José Luiz Bulhões Pedreira ("Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas", JUSTEC RJ, 1979, pág. 806): "O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." dessa forma, não é a autoridade lançadora quem presume a omissão de rendimentos, mas a lei, especificamente a Lei nº 7.713/1988, art. 3º, § 1°; provada, então, pelo Fisco a aquisição de bens e/ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados, ou seja, ocorre a inversão do ônus da prova; aduz a decisão atacada que não consta dos autos prova suficiente de que o autuado é responsável pelas remessas para o exterior apontadas pela fiscalização; contudo consta nos autos documento produzido por meio de elementos obtidos nos trabalhos desenvolvidos pela Equipe Especial de Fiscalização, instituída pela Portaria nº 463, de 2004, identificando as remessas para o exterior tendo como ordenante o autuado; a fim de melhor contextualizar a questão, fazse oportuno tecer um relato histórico dos fatos que levaram ao procedimento fiscal e à exigência imputada ao contribuinte, já que foi identificado como ordenante de remessas de recursos ao exterior; decorre o procedimento de uma operação mais abrangente desencadeada por autoridades públicas nacionais no combate à transferência ilícita de recursos ao e do exterior, e aos crimes correlacionados, destacandose o crime de lavagem de dinheiro; 8 foi constatada pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal a remessa de quantias milionárias para o exterior através de contas CC5 mantidas em instituições financeiras em Foz do Iguaçu, tendo sido instaurado inquérito policial; no curso das investigações houve o afastamento do sigilo bancário da empresa "Beacon Hill Service Corporation" que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas e utilizavase de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank"; a Promotoria do Distrito de Nova Iorque apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros da empresa Beacon Hill; de posse dessa documentação, o Departamento de Polícia Federal emitiu Laudos Periciais, a fim de trazer elementos de provas necessários a subsidiar os esclarecimentos dos fatos relativos às movimentações financeiras; os dados obtidos no afastamento de sigilo e na investigação criminal foram transferidos a Secretaria da Receita Federal conforme decisões judiciais; em relação à subconta Lonton, mantida no JP Morgan Chase Bank, foi elaborado Laudo de Exame EconômicoFinanceiro, do qual consta que a íntegra das informações existentes nas ordens de pagamento encontradas no material disponibilizado pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque, constaram dos anexos do Laudo, por meio de relatório analítico, no qual se descreveu cada uma dessas ordens, a fim de permitir à Autoridade solicitante conhecimento amplo e irrestrito da referida base de dados; os dados de tais anexos foram gravados em um meio digital de armazenamento denominado CDR (Compact Disc Recordable), tipo de mídia óptica que permite a gravação permanente de informações sem a possibilidade de alterações posteriores, e, para garantir a integridade das informações armazenadas no CDR, foi efetuada autenticação eletrônica dos arquivos utilizandose um programa que implementa o algoritmo de domínio público MD5, que funciona como uma função matemática que trabalha sobre o conteúdo de um arquivo e produz um resultado específico (a integridade do conteúdo é garantida em razão da ínfima probabilidade de que dois ou mais arquivos produzam o mesmo resultado); portanto, ao contrário do afirmado pela decisão atacada, resta totalmente afastada qualquer alegação de "fragilidade" ou "incerteza" da prova apresentada pelo Fisco; ao contrário do alegado na decisão recorrida, a fiscalização trouxe aos autos a prova da ocorrência do fato gerador, que lhe cabia; os documentos de fls. 118/213 comprovam que o autuado constou como ordenante de remessa para o exterior no valor total de US$ 774.956,70, e como visto, originou se a partir dos dados e arquivos eletrônicos disponibilizados pela Justiça Federal, e do Laudo Pericial elaborado pelo INC, constatado nos documentos acostados aos autos o rigor na elaboração do laudo supracitado, a lisura dos peritos criminais do Departamento de Polícia Federal envolvidos e a confiabilidade dos dados (pela total impossibilidade de eles sofrerem qualquer tipo de alteração), não havendo necessidade de qualquer outra prova adicional; a alegação de que o contribuinte não efetuou as remessas para o exterior e de que os recursos não lhe pertenciam, não se sustenta. Como já dito, os documentos juntados aos autos pela fiscalização têm força probante suficiente para sustentar a ocorrência das remessas e demonstrar que o autuado era o ordenante de tais remessas, sendo que é esse fato que dá sustentação à imputação de que houve acréscimo patrimonial a descoberto; Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 34 9 assim, caberia ao contribuinte exercitar seu direito de defesa para demonstrar que tal fato não ocorreu. Poderia, para esse fim, por exemplo, conseguir declaração do JP Morgan Chase Bank de que nunca originou remessa de recursos para qualquer conta mantida naquela instituição financeira norteamericana e/ou de que o ordenante das remessas seria outra pessoa; outrossim, não se verifica nos autos qualquer indicação de que o contribuinte tenha tomado qualquer medida, seja perante a Polícia ou perante o Poder Judiciário, para verificação da utilização indevida de seu nome nestas operações; assim, conquanto o contribuinte alegue que não existem provas de que tenha ele realizado as citadas remessas, essa não é a verdade dos autos, como se viu, pelo que as provas acostadas são suficientes para comprovar as remessas a ele atribuídas; observase que foi o contribuinte que não se desincumbiu de seu ônus probatório limitandose a meras alegações; nesse teor, a decisão recorrida, ao acolher as alegações do autuado, encontrase em sentido diametralmente oposto à jurisprudência mantida neste Conselho Administrativo, litteris: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos, que não pode ser substituída por meras alegações." (acórdão nº 102 49272). o ônus de provar o acréscimo patrimonial era da fiscalização e ela o fez; se o contribuinte alega que não realizou determinada aplicação/dispêndio, cabe a ele ou provar a falsidade/ilegitimidade do documento que amparou a conclusão do Fisco, ou provar que não incorreu no dispêndio indicado e/ou não realizou a aplicação especificada; essas provas não são impossíveis de serem obtidas, consoante já alinhavado acima — ex.: documento da JP MORGAN atestando a inexistência ou não ocorrência ou ainda a não titularidade dessas operações; ora, essa é a chamada prova do "fato impeditivo, extintivo ou modificativo" a que se refere o art. 333 do Código de Processo Civil; percebese, portanto, que o Fisco comprovou o acréscimo patrimonial a descoberto, concretizado pelas Ordens de Remessa devidamente descritas, bem como no Termo de Verificação Fiscal acostados aos autos, por tratar de aplicação de recursos não respaldada por rendimentos declarados/comprovados; por conseguinte, o Fisco estava autorizado a realizar o lançamento; 10 o ônus da prova em contrário, nos termos do artigo 3º, § 1º da Lei nº 7.713/1988, caberia ao interessado que, no entanto, limitouse a apenas negar a conduta, sem trazer prova da origem dos recursos; devidamente demonstradas as razões pelas quais merece subsistir o lançamento, fazse mister explicitar os motivos pelos quais deve ser restabelecida a qualificação da multa e, conseqüentemente, ser afastada a decadência suscitada pelo Colegiado a quo em relação ao anocalendário 2000; o acórdão recorrido, proferido pela colenda Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, desqualificou a multa de ofício, em contrariedade ao artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996 (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.9 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP nº 351/2007), cujo teor é o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 2 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." — Redação anterior à alteração legislativa, vigente à época do fato gerador. para bem demonstrar o equívoco em que laborou o acórdão exarado, é importante transcrever ensinamento de Marco Aurélio Greco (GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário, Dialética, 2004, p. 231), que assim se pronuncia ao dissertar sobre o inciso II, do art. 44 da Lei n° 9.430/96: "Na segunda hipótese, o Fisco, em razão dos fatos ocorridos, tem um interesse a ser protegido (um crédito a haver) que é impedido ou frustrado pela conduta do contribuinte. É o que se poderia chamar de fraude em sentido estrito ou de feição penal. É nítido que o inciso II do artigo 44 está se referindo a este segundo tipo de fraude e não ao primeiro. Tanto é assim que a parte final do dispositivo é explícita ao prever que a incidência da multa de 150% darseá independente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Ora, se a lei em questão estabelece que tal multa tributária incidirá independentemente de outras penalidades, inclusive criminais, isto significa que o pressuposto de fato captado pelo dispositivo tributário é um pressuposto de fato que também se enquadra em norma penal." o mencionado inciso II determina que além das hipóteses do inciso I, se faz necessário integrar com as previsões dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/66, que assim ispõem: Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 35 11 "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72." verificase que a sonegação, do artigo 71, referese à conduta (comissiva ou omissiva) para impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais da contribuinte; fraude, do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificandoo para reduzir imposto ou diferir seu pagamento; repitase, para consolidar a memória, a afirmação do autor sobre o pressuposto de fato captado pelo dispositivo tributário: é um pressuposto de fato que também se enquadra em norma penal; o acerto da afirmação pode ser confirmado pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Habeas Corpus no processo n.Q 84092, sendo Relator o Ministro Celso de Melo: "EMENTA: "HABEAS CORPUS" — DELITO CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA — SONEGAÇÃO FISCAL — PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO—TRIBUTÁRIO AINDA EM CURSO — AJUIZAMENTO PREMATURO, PELO MINISTÉRIO PÚBLICO, DA AÇÃO PENAL — IMPOSSIBILIDADE — AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA A VÁLIDA INSTAURAÇÃO DA "PERSECUTIO CRIMINIS" — INVALIDAÇÃO DO PROCESSO PENAL DE CONHECIMENTO DESDE O OFERECIMENTO DA DENÚNCIA, INCLUSIVE — PEDIDO DEFERIDO. Tratandose dos delitos contra a ordem tributária, tipificados no art. l e da Lei nº 8.137/90, a instauração da concernente persecução penal depende da existência de decisão definitiva, proferida em sede de procedimento administrativo, na qual se haja reconhecido a exigibilidade do crédito tributário ("an debeatur") além de definido o respectivo valor ("quantum 12 debeatur") sob pena de, em inocorrendo esta condição objetiva de punibilidade, não se legitimar, por ausência de tipicidade penal, a válida formulação de denúncia pelo Ministério Público. Precedentes enquanto não se constituir, definitivamente, em sede administrativa, o crédito tributário, não se terá por caracterizado, no plano da tipicidade penal, o crime contra a ordem tributária, tal como previsto no art. 1 2 da Lei n g 8.137/90; em conseqüência, e por ainda não se achar configurada a própria criminalidade da conduta do agente, sequer é licito cogitarse da fluência da prescrição penal, que somente se iniciará com a consumação do delito. (CP, art. 111,1). .”( DJ 03122004 PP 00050 EMENT VOL 0217502 PP 00253 RJ SP v. 52, N. 327, 2005, p. 143146 RT v. 94, n. 833, 2005, p. 473 476) há necessidade de se analisar a conduta do contribuinte, se de fato ocorreu dano ao erário e se possuía ou devia possuir consciência de que causava o dano; no caso concreto, fazse mister examinar se a materialidade da conduta se ajusta à norma inserida nos artigos da Lei nº 4.502/66 a que remete a Lei nº 9.430/96 em seu artigo 44, inciso II (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.2 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP nº 351/2007). como visto, restou cristalina a atividade ilícita do autuado, observada a partir da conduta reiterada, sistemática, e conscientemente orientada a omitir rendimentos por três anoscalendário sucessivos: 2000, 2001 e 2002; essa prática reiterada, aliada à circunstância de ter deixado o contribuinte de declarar parcela significativa de seus rendimentos, revela evidente intuito fraudulento, a ensejar a incidência da multa qualificada; de fato, ao não declarar parte significativa de suas receitas por vários anos calendário, o contribuinte praticou omissão dolosa tendente a impedir o fisco de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores, revelando, assim, sua intenção deliberada de se eximir do pagamento de imposto de renda. Não há como se acatar a tese de mero erro; tratase, sim, de ato consciente direcionado a retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, o que caracteriza evidente intuito de fraude; não se trata, absolutamente, de um fato esporádico ou isolado, mas de omissão de valores significativos por vários anos; tampouco se aplica ao caso a Súmula nº 14, do Primeiro Conselho de Contribuintes, pois não estamos diante de caso de "simples omissão", mas sim de omissão de rendimentos praticada reiteradamente, com o firme escopo de reduzir o montante de imposto a ser recolhido; Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 36 13 destarte, o sujeito passivo, repitase, por sua ação firme, abusiva e sistemática, em burla ao cumprimento da obrigação fiscal, demonstrou conduta consciente em busca de enriquecimento sem causa; a esse respeito, dissertando sobre o tipo de injusto de ação dolosa, Luiz Regis Prado afirma desdobrarse esse em tipo objetivo e tipo subjetivo; o tipo objetivo desdobrase em elementos descritivos (seres ou atos perceptíveis pelos sentidos) e elementos normativos, os quais exigem um juízo de valor — valoração jurídica (exs.: cheque, casamento) ou extrajurídica (ex. ato obsceno) o tipo subjetivo abrange os aspectos pertencentes ao campo anímico espiritual do agente, É formado pelo dolo (elemento subjetivo geral) e pelo elemento subjetivo do injusto (elemento subjetivo especial do tipo); assevera o autor (PRADO, Luiz Regis. Comentários ao Código Penal — 2 ed., Editora Revista dos Tribunais, 2003, p. 109): É uma parte subjetiva do tipo do injusto que implica em desvalor da ação de natureza mais grave. [...] São seus elementos: a) cognitivo ou intelectual (conhecimento da ação típica); b) volitivo (vontade de realizar a ação típica, que pressupõe a possibilidade de influir no curso causal). [...] O dolo abrange o fim visado pelo agente, os meios empregados e as conseqüências secundárias vinculadas à relação meiofim. O dolo deve ser simultâneo à realização da ação típica. A vontade de realização do tipo objetivo pressupõe a possibilidade de influir no curso causal. Da relação entre a vontade e os elementos objetivos, defluem as espécies de dolo: a) dolo direto ou imediato: a vontade se dirige à realização do fato típico, querido pelo autor (teoria da vontade — art. 18, 1, CP); b) dolo eventual: o agente não quer diretamente a realização do tipo objetivo, mas aceita como provável ou possível — assume o risco da produção do resultado (teoria do consentimento —art. 18, 1, in fine, CP). O agente conhece a probabilidade de que na ação efetive o tipo. O que o caracteriza é a representação de um possível resultado (elemento cognitivo)". para o elemento subjetivo do injusto, há exigência de outros elementos, destacandose, para o caso, o especial fim de agir, onde o agente busca um resultado compreendido no tipo, mas que não precisa necessariamente alcançar; no seu magistério, Fernando Capez (CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral, vol. 1, 7 ed., Saraiva, 2004, pp. 108 e 129) assevera que a ação ou omissão humana, consciente e voluntária, dirigida a uma finalidade, é conduta, e esta, dolosa ou culposa, corresponde a um dos quatro elementos do fato típico (fato material que se amolda perfeitamente aos elementos constantes do modelo previsto na lei penal); 14 daí deflui, de imediato, que surgem como elementos da conduta a consciência e a vontade, pois que a conduta foi realizada e, mais, dirigida a uma determinada finalidade, além de ser exteriorizada; tudo considerado, concluise que o contribuinte: a) praticou atividade ilícita comprovada, detalhadamente descrita no auto de infração e confirmada no termo de verificação fiscal, observada a partir da apuração, por mais de um anocalendário, de omissão significativa de rendimentos, motivo pelo qual foi aplicada e devidamente justificada pela fiscalização a multa de 150%; b) como resultado de sua conduta dolosa, havia diminuição do efetivo valor da obrigação tributária, com o conseqüente pagamento a menor do tributo devido, em evidente prejuízo ao erário; c) a conduta foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente, já que realizada de forma sistemática, objetivando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; d) a conduta repetida sistematicamente demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo. por todos os motivos expostos, deve ser mantida a qualificação da multa, posto que amparada nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos. uma vez indiscutivelmente patenteado o cabimento da multa qualificada em decorrência da atitude fraudulenta e dolosa, conforme evidenciado acima, tornase forçoso o afastamento da decadência em relação ao anocalendário 2000, tendo em vista a aplicação do art. 173, I, do Código Tributário Nacional; com efeito, o próprio art. 150 do CTN ressalva, em seu § 4º, que o prazo de (cinco) anos, a contar do fato gerador, não se aplica em casos de dolo, fraude ou simulação, sendo incidente, em hipóteses tais como a versada nos presentes autos, o art. 173, I, do mesmo diploma legal. Nessas circunstâncias, teria o Fisco até 31/12/2006 para efetuar o lançamento. Considerando que o contribuinte foi cientificado da autuação em 24/11/2006, não há que se falar em decadência in casu. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja dado provimento ao presente recurso para reformar o acórdão atacado, restabelecendose a integralidade do lançamento tributário. Cientificado do Recurso Especial da Fazenda Nacional em 21/10/2010 (AR de fls. 414), o contribuinte ofereceu, em 04/11/2010, as ContraRazões de fls. 415 a 436, aduzindo o seguinte: preliminarmente, o Recurso Especial da Fazenda Nacional vai de encontro a Súmula do 1° CC/MF bem como os acórdãos eleitos paradigmas não prestam para tal, posto se tratar tão somente de divergência de provas; em seu recurso, a Fazenda Nacional elegeu o acórdão n° 280100.245 como paradigma e pretende fazer crer que se está diante de casos idênticos com decisões diversas, o que inexiste; Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 37 15 necessário frisar que a Fazenda, além de não demonstrar a divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma eleito, tenta induzir a erro os Ilustres Conselheiros ao pinçar fragmentos de frases do acórdão recorrido que sozinhos podem apresentar contexto diverso daquele pretendido pela relatora a quo; em sua conclusão a Relatora parte de uma premissa obtida nos autos, qual seja, a de que não há comprovação de que o recorrente tenha efetuado as remessas de que é acusado, e ainda que comprovado fosse pela Fiscalização, esse (suposto) envio, ele por si só não é suficiente para lastrear o lançamento fundado em acréscimo patrimonial a descoberto – essa foi, em suma, a decisão; uma leitura menos atenta dos fragmentos coletados do Acórdão e elencados pela PFN em seu recurso (fls. 347) poderia levar o leitor a concluir que o acórdão combatido decidiu com fincas exclusivas na questão de exigência de provas quanto ao consumo dos recursos ditos auferidos, o que não procede; a 6ª Câmara decidiu por unanimidade acatar os argumentos concatenados no Recurso Voluntário que se agarrou em três grandes fatos, bem dissecados nos autos, quais sejam: a) ausência de provas de autoria quanto ao envio de valores ao exterior; a) ausência de provas do efetivo consumo pelo contribuinte desses valores; e, c) a base de acusação se funda em cópias de faxes apócrifos e relatórios unilaterais, cujos originais não foram juntados ao s autos e tampouco oportunizado ao acusado acesso aos mesmos para contraditar; por inexistir provas do envio de tais recursos ao exterior coadunou a 6ª Câmara com o contribuinte, visto não tecer nenhuma oposição a suas considerações construídas no recurso voluntário; logo, além da necessidade de provar o efetivo envio de remessa para o exterior, necessário também provar o acréscimo patrimonial pelo consumo dessa remessa, e não somente o consumo como quer fazer crer a União; ademais, as provas dos autos do processo que conduziram ao acórdão paradigma por certo possuem circunstâncias fáticas e provas diversas dos autos aqui em julgamento, e nesse mister, inequivocamente as decisões realmente devem ser distintas; por certo a norma a reger um mesmo fato tem caminhos distintos para situações antagônicas, logo a decisão será favorável ao contribuinte ou será desfavorável no caso de existir ou não provas do alegado. sendo o verbo provar a palavra de ordem nos presentes autos, existem três pontos sensíveis, inarredáveis e seqüenciais a serem analisados, sendo que o segundo só existe se o primeiro existir, e o terceiro só existe se os dois primeiros existirem, senão vejamos: 1°) Existência de movimentações financeiras. 2°) Autoria dessas movimentações. 3°) Prova de origem idônea dessas movimentações. primeiro afirma o Estado brasileiro ter descoberto grande movimentação no exterior; 16 o Recorrido mais uma vez declara seu total desconhecimento quanto tais fatos e desconhece quem fez uso dos seus dados; assim, ad argumentandum, partindo do pressuposto de que tais movimentações existiram, uma vez que não cabe aqui ao Recorrido qualquer tipo de juízo de valor pelo simples fato de desconhecer tais fatos e circunstancias, cabe a quem acusa provar que o Recorrido possui alguma ligação com essas movimentações, o que não existe nos autos; inarredável no direito pátrio a obrigação do acusador em provar a autoria dos supostos fatos, ou seja, cabe a fiscalização provar a autoria do envio desses valores ao exterior, como determina a Constituição da República e o Código Tributário Nacional; sabido que para "identificar o sujeito passivo" não cabem apenas indícios, uma vez que dos indícios não se extrai certeza, e a incerteza milita sempre em favor do acusado; conforme a CF188 não haverá juízo ou tribunal de exceção, ou seja, é vedado acusação baseada meramente em indícios, ou seja, à margem da Lei, tampouco condenação ou privação dos bens e direitos por meros indícios e à margem do devido processo legal; ademais, patente no CTN que em caso de dúvida de autoria, imputabilidade ou punibilidade deverseá interpretar a lei de maneira mais favorável ao acusado; nítida é a situação de irregularidade quando verificamos dos autos a ausência de provas, e ainda total negativa de acesso do contribuinte aos originais desses indícios para efetividade do contraditório e da ampla defesa; não foi dado ao Recorrido acesso aos originais dos documentos de fls. 128 a 150, tampouco às mídias eletrônicas de que fundamentam a acusação, logo há também cerceio de defesa; mutatis mutantis, acusar alguém com base em cópias de documentos e negar acesso aos originais seria o mesmo que propor uma ação de execução com uma copia de nota promissória e jamais apresentar o original da promissória; um absurdo que só seria possível em um estado de exceção, ou seja, à margem da Lei; por valoroso no Brasil impera a presunção de inocência, cabendo ao acusador provar suas acusações, e não o contrário como quer a Fazenda que o Recorrido produza prova negativa, o que é impossível; o que se quer é transferir o ônus probatório a quem a Lei não ordena, portanto a PFN está propondo um juízo de exceção; o artigo 142 do CTN diz claramente que cabe à fiscalização identificar o contribuinte e não o contribuinte provar que não fez algo; não é possível em lugar nenhum do mundo provar que um fato não ocorreu, não existe prova negativa; por essa impossibilidade é que é devido ao acusador provar que o acusado tem culpa ou trazer robusta prova de materialidade e autoria bem como oportunizar amplo Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 38 17 acesso e contraditório a todos os instrumentos de acusação, sem o qual fica patente o cerceio à defesa e a nulidade do lançamento, conforme jurisprudência do Conselho; isso porque a única presunção legal possível se dá quando se tem prova inequívoca de autoria, cabendo ao acusado desconstituir tal prova ou demonstrar a origem idônea desses acréscimos; como é o caso de alguém fazer movimentações financeiras muito além de suas possibilidades em uma conta corrente própria; nesse caso hipotético a presunção é de que tais valores são do proprietário da conta corrente, e se este não prova a origem desses valores presumese que esses valores são acréscimos patrimoniais a descoberto, mesmo que esses valores tenha apenas transitado pela referida conta, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96; fato é que em nenhuma das folhas desses autos há prova de autoria, o que há nos presentes autos são documentos apócrifos (cópias de faxes) e relatórios unilaterais (fls. 118/150) feitos ao arrepio do contraditório e da ampla defesa que não subsistem ao confronto com o artigo 5° da Constituição e seus incisos, bem como dos art. 112 e 142 do CTN; por certo o verdadeiro autor dessas remessas está livre e longe dos problemas por ele feitos, uma vez que sabiamente esse meliante não usaria seu nome nem seu cpf para realizar operações ilícitas; em que pese o acórdão combatido e o paradigma possuírem o caso "Beacon Hill Service Corporation" como pano de fundo, existem questões de fato muito distintas entre eles, ou seja, no paradigma aparentemente ficou provado que o casal enviou divisas ao exterior, e no acórdão recorrido não há qualquer prova desse fato; inexistindo similaridade nos acórdãos não há que se falar em cabimento ao recurso especial, tampouco é cabível novel analise das provas; e mesmo que houvesse absoluta identidade das provas nos dois processos o recurso não é cabível por total ausência de autorização normativa — não cabe a CSRF reanalisar provas visto que não está dentre suas competências legais e o momento processual está precluso; também nesse ponto deve a CSRF não conhecer do recurso, mantendo o acórdão recorrido por seus próprios termos, posto que ausentes os requisitos de seguimento, e total impossibilidade da Instância Especial em reavaliar provas, ficando desde já requerido. quanto ao paradigma n° 10249.445, alega a Fazenda a inexistência de dispêndio de recurso, o que é uma grande inverdade; como acima já se pormenorizou o contribuinte não alegou apenas questão de prova de dispêndio; sua tese de defesa foi arrimada — a uma: na total ausência de provas de autoria das acusações feitas pela fazenda; acusações essas feitas com fincas exclusivas em documentos e faxes apócrifos e relatórios unilaterais; a duas: na ausência de comprovação do dispêndio e variação patrimonial, a três a base de acusação se funda em cópias de faxes apócrifos e relatórios unilaterais, cujos originais não foram juntados nem oportunizado o contraditório, ou seja, cerceio de defesa; 18 mais uma vez nesse outro acórdão eleito paradigma não tem a menor similitude com o acórdão recorrido, vez que esse paradigma trata de efetiva movimentação bancária na conta pessoal da autuada, logo existe naquele processo prova cabal e até confissão, de que valores transitaram pela conta pessoal da contribuinte, ou seja, pelo CPF do contribuinte; e ainda, mais uma vez os termos trazidos ao recurso foram pinçados do acórdão principal, que, sem os demais contextos lá descritos podem provocar má interpretação, vejamos a integra do texto; no paradigma acima a autuada reconhece os valores e atribui sua origem ao tal atleta Leandro Bonfim, logo diametralmente diverso do caso aqui em julgamento; novamente a divergência é relativa aos fatos: no paradigma há prova e confissão de existência de valores e envio ao exterior; já nos presentes autos nenhuma prova há sobre o envio e acréscimo patrimonial do recorrido; se a Fazenda não fez prova da titularidade do envio dos recursos, tampouco serem esses recursos de propriedade do Recorrido e por ele gasto impossível alegar aumento patrimonial a descoberto; se no processo paradigma o contribuinte não provou sua inocência e pelo lado contrario a Fiscalização provou sua culpa, o mesmo não pode ser dito no caso em julgamento; ou seja, melhor sorte não tive a aqui fiscalização que não provou nada, mas tão somente apresentou indícios apócrifos (cópia de faxes) e relatórios unilaterais; também nesse ponto deve a E. CSRF não conhecer do recurso, mantendo o acórdão recorrido por seus próprios termos, posto que ausentes os requisitos de seguimento, e total impossibilidade da Instância Especial em reavaliar provas, ficando desde já requerido; quanto ao Acórdão 10516.542, indicado como paradigma quanto à multa qualificada, está em confronto com a Súmula 14, do CARF; e mais uma vez pretende a União que a Instância Especial analise provas dos autos em busca de dolo, fraude ou simulação, o que é vedado e deve ser rechaçado pela Colenda Câmara Superior de Recurso Ficais; primeiro porque o Acórdão recorrido, conforme ficou demonstrado no corpo dos autos, concluiu pela total inexistência de prova que conduza a conclusão que o Contribuinte possuiu ou remeteu valores ao exterior; segundo porque, se inexiste prova de envio não há que se falar em multa tão pouco qualificação da multa; por outro lado, nos acórdãos eleitos paradigmas há clara menção de existirem tais provas quanto ao dolo; mais uma vez as decisões comparadas sãos divergentes em circunstâncias dos fatos, ou seja, das provas, e os fatos são diametralmente opostos: nos paradigmas eleitos 10516.542 e 101.96.668 existem provas de dolo, simulação e/ou fraude, todavia não há nenhuma prova nesse sentido no acórdão recorrido; Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 39 19 vale destacar que na ementa do acórdão paradigma 10516.542 ficou demonstrado que aquele contribuinte de "forma reiterada omitia receitas", já no Acórdão paradigma n° 10196.668, também na ementa, ficou caracterizado o "evidente intuito de fraudar"; por sua vez no acórdão recorrido não existe prova de fraude, dolo e tão pouco simulação, quiçá de autoria. Não existe nada nesse sentido; também nesse ponto deve a E. CSRF não conhecer do recurso, mantendo o acórdão recorrido por seus próprios termos, posto que ausentes os requisitos de seguimento, e total impossibilidade da Instância Especial em reavaliar provas, ficando desde já requerido; .01 no mérito, da análise das fls. 118 a 150 não se extrai, em absoluto, a convicção de que os documentos que ali constam têm força probante suficiente para sustentar a ocorrência do fato que dá sustentação à infração, conforme afirma a Decisão; o documento juntado às fls. 118 a .127 foi elaborado pela própria Secretaria da Receita Federal e denominado "Operações Complementação n° 1 da Representação Fiscal 146/04", cujos dados foram extraídos de papeis juntados às fls. 128 a 150; assim, a análise da qualidade, idoneidade e robustez da prova das remessas deve ser efetuada unicamente em face daqueles papeis por último citados (fls. 128 a 150), uma vez que o documento de fls. 118 a 127 tratase, na verdade, da compilação dos dados constantes destes papéis; estes papéis são cópias de fax supostamente enviados à instituição financeira estabelecida no exterior, dando conta de também supostas remessas de recursos ao exterior tendo como "remetente" um certo Jayme Tatagiba ou Jayme Fernandes; nestes papéis, em sua maior parte, não consta assinatura de quem os elaborou e, quando consta, não se identifica a pessoa, muito menos assinatura do contribuinte anuindo com o que ali se contém ou efetuando as propaladas remessas; estes papéis são os únicos elementos que conduzem a Decisão recorrida ao entendimento de que têm "força probante‘, suficiente para sustentar a ocorrência desse fato e que dá sustentação à infração que lhe foi imputada". na análise da variação patrimonial para detectar acréscimo patrimonial a descoberto conforme feito pela fiscalização, os desembolsos devem estar suficientemente provados, tais como recibos de compra de veículos registrados nos órgãos de fiscalização do trânsito, compra de imóveis não declaradas ou declaradas a menor comprovada por escritura pública ou particular com assinatura do comprador, pagamento de fatura de cartão de créditos, recibo de mensalidades escolares, pagamento de despesas de condomínio, enfim, todo e qualquer desembolso em que não paire dúvida de que quem o fez foi realmente o contribuinte; de posse dessa documentação idônea e robusta a fiscalização faz a verificação da movimentação financeira do contribuinte, por intermédio dos denominados "Demonstrativos Mensais do Fluxo de Caixa" e, em se apurando variação patrimonial a descoberto, tem ela base legal para efetuar o lançamento na forma do artigo 6° e §§ da Lei n° 8.021/90. 20 em resumo, a prova do desembolso deve ser incontestável e o que se admite, a partir dela — prova robusta, é a presunção de omissão de rendimentos caso a variação patrimonial do contribuinte se apresentar negativa; não é, em absoluto, o que consta dos autos, neles, voltase a repetir, o único elemento que traz uma vaga identificação do sujeito passivo são cópias de fax sem sua assinatura e nem mesmo se prova que a instituição financeira do exterior os tenha recebido, uma vez que as mídias eletrônicas que teriam sido apreendidas também não constam do processo; os papéis em que se fundamenta a exigência fiscal (os fax) equivalem a um contrato de compra e venda de imóvel, com identificação completa de determinado contribuinte comprador (o que também não se verifica nos autos), mas sem a sua assinatura confirmando a operação; aqui, perguntase: seria possível considerar, em fiscalização tendente a apurar acréscimo patrimonial a descoberto, o valor da compra declarada em tal contrato? Teria ele força probante suficiente para justificar a presunção de omissão de rendimentos? a resposta só pode ser negativa, como também é negativa a força probante dos fax anexados aos autos; por outro lado, em se admitindo, apenas para argumentar, que realmente foram remetidos recursos ao exterior e que tais cópias de fax estivessem refletindo essas operações, mesmo em se constando a identificação completa de determinado contribuinte, se no documento respectivo não constar a sua assinatura, a única coisa que se provaria é que recursos foram enviados, nunca que o contribuinte ali identificado os enviou, uma vez que ausente sua assinatura; portanto, os documentos constantes dos autos (fls. 118 a150) não se constituem em prova suficiente para fundamentar a tributação; isso porque qualquer outra pessoa poderia ter remetido os recursos e, objetivando não deixar rastros de seu envolvimento, poderia mandar fazer constar no fax como remetente qualquer outra pessoa que não ela própria; seu desiderato seria alcançado, posto que o que interessa na operação é que determinado pagamento a um beneficiário no exterior fosse feito e sendo feito tal pagamento cumprido os objetivos; agora, quando da fiscalização federal, o auto de infração elegeria como sujeito passivo o cidadão que constasse como remetente que, pelo exemplo dado, é outra pessoa absolutamente diferente que utilizou do artifício e do nome de outro para escapar do risco fiscal; é o que ocorre nos presentes autos, pois nunca, jamais a Recorrente ordenou os pagamentos a ela imputados no auto de infração; além disso tudo, o benefício da dúvida age em favor do acusado, conforme dispõe o artigo 112 e seu inciso III do CTN; por esses motivos, sem sombra de dúvidas carece de certeza o crédito tributário, pela ausência da prova da autoria e da materialidade do ilícito, merecendo o recurso ser provido e integralmente cancelado todo o auto de infração, ficando deste modo requerido; Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 40 21 quanto à multa qualificada, o fato é que nunca foi provada a fraude ou a sonegação, nunca se provou que o contribuinte efetuou os desembolsos e a tributação foi efetuada por presunção da forma do art. 6° e §§ da Lei 8.021/90; portanto, o lançamento fiscal tem por pressuposto a presunção legal, portanto, a omissão de receita não se encontra provada, a a aplicação da penalidade prevista no artigo 957,Inciso II do RIR/99, o evidente intuito de fraude deve se encontrar plenamente provado, conforme faz certo centenas de decisões do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes; em razão da abundância jurisprudencial, foi publicada a Súmula 1° CC n° 14, com vigência a partir de 28 de julho de 2.006, cuja redação é a seguinte: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." nesta ordem de idéias, em razão da não comprovação do evidente intuito de fraude, em razão de tributação feita por presunção, a multa deve ser decotada, in totum, do auto de infração ou, alternativamente, reduzida para 75%, ficando também requerido. Ao final, o contribuinte ratifica todos os requerimentos feitos ao longo da peça, requer o não conhecimento e não seguimento do recurso Especial da Fazenda Nacional e, na eventualidade do julgado ultrapassar as preliminares argüidas, pede seja o julgado a quo mantido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de tema por demais conhecido no CARF, qual seja, a remessa de numerário ao exterior, à margem do sistema bancário, no bojo da operação que deu origem à “CPI do Banestado”. O apelo visa rediscutir as seguintes matérias: suficiência das provas e ônus probatório; e qualificação da multa de ofício. Quanto à primeira matéria, em sede de ContraRazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando, em síntese, que as situações tratadas no acórdão recorrido e nos paradigmas não guardariam semelhança, e que não caberia à Instância Especial analisar provas. 22 A despeito das alegações do contribuinte, constatase que o Acórdão 2801 00.245, de 21/09/2009, proferido no processo nº 10580.010888/200662, indicado como paradigma pela Fazenda Nacional, trata exatamente da mesma situação abordada no recorrido, ou seja, de autuação que ficou conhecida na mídia como “CPI do Banestado”, envolvendo remessas ao exterior à margem do sistema bancário e da legislação de regência. Esclareçase que tal temática não abrange casos isolados, mas sim envolveu ação fiscal ampla e rumorosa, já bastante conhecida no CARF. Nesse passo, verificase que esta ação fiscal levou à autuação de inúmeros Contribuintes, cujo conjunto probatório tem a mesma origem, ou seja, tratase de documentação básica única, que figura em todos os processos, cujas nuances não chegam a impactar na configuração de julgados como paradigmas nos Recursos Especiais de Divergência. Tanto é assim, que vários recursos do gênero já aportaram a esta Câmara Superior, por força de apelos interposto pelos Contribuintes e pela Fazenda Nacional. É o caso do próprio paradigma ora analisado, cujo Recurso Especial do Contribuinte foi julgado nesta Segunda Turma, prolatandose o Acórdão 9202002.455, de 08/11/2012. Assim, constatase que os processos que tratam das autuações no contexto da “CPI do Banestado”, contêm um conjunto probatório básico, vez que tiveram origem em ação fiscal conduzida pelo próprio Órgão Central de Fiscalização da Receita Federal, que criou Equipe Especial, por meio de Portaria SRF nº 463, de 2004. A partir dessa documentação básica, que conduziu à identificação dos Contribuintes envolvidos nas remessas de numerário ao exterior, os processos podem se diferenciar, sim, mas sempre em função da documentação acostada aos autos pelos próprios Contribuintes, no âmbito das respectivas defesas. Nesse particular, verificase que, tanto no caso do acórdão recorrido, como no do paradigma, a defesa limitouse a argumentar o desconhecimento das operações, sem acostar qualquer prova, portanto não há diferença substancial entre os dois processos, no que tange ao conjunto probatório. Confirase trechos que retratam as ações fiscais, confirmando a identidade entre os dois julgados, inclusive quando às argumentações de defesa, no sentido de simplesmente negar a ocorrência das operações: Trecho do Acórdão recorrido (Termo de Verificação Fiscal de fls. 12 a 22): “1.1. Em decorrência das investigações requeridas pela CPI do BANESTADO — Banco do Estado do Paraná, relativas às remessas de divisas feitas por esse banco e outras instituições financeiras ao exterior, a maioria a partir de agências de Foz do Iguaçú, no Paraná, à movimentação das divisas no exterior, em particular através da agência do Banestado em Nova York, nos Estados Unidos da América, e às transferências dessas divisas para outras instituições financeiras dos Estados Unidos e diferentes países, evidenciouse que diversos contribuintes brasileiros enviaram, movimentaram ou receberam divisas no exterior à revelia do sistema financeiro nacional, utilizandose de pessoas físicas ou jurídicas brasileiras, ou empresas estrangeiras com a participação de brasileiros, inclusive "doleiros". 1.2. Foi constatado que muitas dessas remessas de divisas feitas à revelia do sistema financeiro nacional foram movimentadas na cidade de Nova York, nos Estados Unidos da América, mediante intermediação realizada pela empresa americana "BEACON HILL SERVICE CORPORATION", doravante denominada Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 41 23 "Beacon Hill”, sediada na mencionada cidade. A empresa "Beacon Hill" atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do "JP Morgan Chase Bank'', administrando contas ou subcontas específicas, dentre as quais a conta "Lonton", n° 310113. (...) Em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização n° 5312006, o contribuinte entregou termo de resposta (fls.49 a 54), no qual declara, com relação aos fatos narrados com base nas investigações requeridas pela CPI do Banestado, que não efetuou a comentada movimentação financeira e, por conseguinte, fica impossibilitado de informar, esclarecer ou comprovar a questão, conforme requerido pela autoridade fiscal. Declarou, ainda, que não efetuou transferências de recursos para o exterior, ou do exterior para o Brasil, por meio de bancos e de instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil.” Confirase agora trecho do paradigma, Acórdão 280100.245 (fls. 368 a370): “O auto de infração em decorrência de investigações realizadas em contribuintes que movimentavam recursos no exterior em contas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa Beacon Hill Service Corporation", representando doleiros brasileiros e/ ou empresas "off shore", conforme descrito pela autoridade lançadora no termo de verificação fiscal conforme documento de fls. 170 a 178. (...) Em que pese que a Recorrente afirme não tem qualquer conhecimento sobre a empresa Beacon Hill Service Corporation, e que o lançamento ocorreu tendo por base em indícios, tal alegação não merece acolhida. Verificase nos autos, às folhas 170 e seguintes, que a Recorrente juntamente com seu cônjuge, Sr. Paulo Roberto Tannus Freitas, foram ordenantes de uma remessa ao exterior, de U$$ 50.000 (cinqüenta mil dólares), fls. 26, para serem creditados na conta de YORK NY 100223703, devidamente comprovados pelo Laudo de Exame Econômico Financeiro de Peritos Criminais Federais, fls. 27/34. Tais documentos diferentemente do que afirma a Recorrente não podem ser atribuídos como "mero indícios". Com efeito, as provas contidas nos autos demonstram a participação da Recorrente na operação de remessa de dólares ao exterior, realizando significativa movimentação financeira, quando comparada aos rendimentos declarados, à margem do sistema financeiro nacional e sem a devida menção na sua declaração de imposto de renda.” 24 Assim sendo, contatada a tempestividade, a demonstração da divergência argüida, bem como o respeito aos demais pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, no que tange à matéria “suficiência das provas e ônus probatório”. Quanto à matéria “qualificação da multa de ofício”, o Contribuinte, em sede de contrarazões, pede o não conhecimento do recurso, alegando falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, além do fato de, no recorrido, ter sido aplicada a Súmula CARF nº 14, que assim dispõe: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. " No que tange à aplicação da citada súmula, o grau de subjetividade contido na expressão “simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos” vem ensejando as mais diversas interpretações, de sorte que o seu enunciado é ou não é aplicado, a depender do que se considere como “simples omissão”. Diante de tal subjetividade, entendo que a divergência pode ser instaurada em função de que, já presente a súmula no ordenamento jurídico, diante de fatos semelhantes, ela é ou não é aplicada, daí o dissídio interpretativo. Assim, uma vez que a Súmula CARF nº 14 foi editada em 2006, e os paradigmas lhe são posteriores, vez que prolatados em 2007 e 2008, a não aplicação da súmula nesses julgados obviamente indica que os fatos neles retratados não foram considerados como “simples omissão”, enquanto que os fatos contidos no recorrido foram assim considerados. Resta apenas perquirir se os fatos retratados nos paradigmas guardariam identidade com os do recorrido, a ver se efetivamente restaria caracterizada a divergência. O primeiro paradigma indicado Acórdão 10516.542 – está assim ementado: MULTA QUALIFICADA – Mantémse a multa qualificada de 150 % quando demonstrado que o contribuinte, de forma reiterada, omite receitas, reduzindo o valor dos tributos a serem recolhidos ao fisco. Com efeito, no caso do acórdão recorrido, tal como no paradigma, constatou se o comportamento reiterado, por parte do Contribuinte, de omissão de rendimentos, o que reduziu o valor do Imposto de Renda Pessoa Física a ser recolhido. Tal semelhança, por si só, já possibilitaria a base de comparação necessária ao estabelecimento de divergência, no que tange à aplicação da Súmula CARF nº 14. Por outro lado, cabe observar que as diferenças verificadas entre os dois julgados, labutam em favor do conhecimento do recurso, já que, diferentemente do paradigma, o recorrido envolve, além da reiteração da conduta, um esquema de remessa de valores ao exterior, à margem do sistema bancário nacional. Destarte, se no caso do paradigma – em que se observou apenas a conduta reiterada, ausente o esquema de remessa de numerário ao exterior – a súmula não foi aplicada, considerandose que não se tratava de “simples omissão”, com muito mais razão seria inaplicável a súmula ao caso do acórdão recorrido, em que, além da reiteração, constatouse tal esquema de remessas ilegais ao exterior. Não obstante, no caso do acórdão recorrido, foi aplicada a Súmula CARF nº 14, o que evidencia a divergência jurisprudencial, no que tange à interpretação do que seja “simples omissão”. Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 42 25 Diante do exposto, conheço integralmente do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, e passo ao julgamento. Quanto à matéria “suficiência das provas e ônus probatório”, que diz respeito ao mérito do recurso, constatase que, após o trâmite da fase investigatória, levada a cabo inclusive com a colaboração das autoridades norteamericanas, o nome do Contribuinte constava da mídia eletrônica, contendo a lista das pessoas que participaram das operações de remessa de divisas para o exterior, à margem do sistema bancário nacional. Confirase trecho do “Termo de Verificação Fiscal”, às fls. 12 a 22: “1.7. Seguindo os critérios descritos acima, a "Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF n° 463/04" identificou positivamente um dos nomes que apareceram nas mídias eletrônicas como o contribuinte brasileiro Jaime Tatagiba Femandes, uma vez que tal nome não possui homônimos no Cadastro CPF da SRF. (...) 1.9.A referida Equipe Especial constatou então, a partir da identificação positiva do nome constante da mídia eletrônica com o contribuinte ora fiscalizado, que este estava associado a uma movimentação financeira nos valores de US$ 151.870,00 (cento e cinqüenta e um mil e oitocentos e setenta dólares americanos), no anocalendário de 2000, US$ 100.850,00 (cem mil e oitocentos e cinqüenta dólares americanos), no ano calendário de 2001, US$ 522.236,70 (quinhentos e vinte e dois mil e duzentos e trinta e seis e setenta centavos de dólares americanos), no ano calendário de 2002, (movimentação esta efetuada peia empresa ‘Beacon Hill’ mediante utilização da conta ‘LONTON’, n° 310113, administrada pela própria empresa ‘Beacon Hill’, na cidade de Nova York, nos Estados Unidos da América. 1.10. A movimentação financeira em questão concerne à operação em que o contribuinte Jaime Tatagiba Femandes é identificado como remetente de recursos financeiros no montante de US$ 774.956,70. creditados nas contas de n°s/100104589 do "FMR Marine Midland Bk Na", "HSBC Bank Usa", New York, "83 Des Voeux Road Central, Hong Kong, e n° 10048 do " Standard Chartered Bank PLC, "1 F Bank Of China Centre, Hong kONG , e debitados, por remessa do próprio contribuinte, na conta denominada "BHSC/LONTON, administrada pela empresa "Beacon Hill”. As ordens de pagamentos e os créditos nas contas ocorreram em 27/07/2000, 17/10/2002, 09/01/2002, 07/03/2002, 08/05/2000, 23/02/2001, 19/09/2001, 08/01/2002, 30110/2001, 02/04/2001, 09110/2001, 02/04/2001,15/02/2001, 24/09/2002, 24/09/2002, 02/04/2001, 16/08/2002, 20/06/2002, 18/04/2002, 06/05/2002, 28/06/2002, 22/03/2002, 18/06/2002, 01/07/2002, 23/05/2000, 02/10/2000, 28/06/2002, 06/05/2002, 13/10/2000, 11/09/2000,26/09/2000,25/04/2000, 09101/2002, 26/01/2000, 07/03/2002, 20/03/2000 e 23/07/2002, conforme documentos anexados à Representação Fiscal n° 602/05, 26 formalizada pela "Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF n° 463/04", de 06 de junho de 2005 (fis. 118 a 150 ).” Confirmando a participação do contribuinte nessas operações, outra informação surgiu no bojo das investigações, qual seja, o endereço da empresa na qual participa como sócio majoritário: “1.8. Além disso, o endereço constante da mídia eletrônica associado ao nome Jaime Tatagiba Femandes (Av. Contorno, 5351, Sala 508, Belo Horizonte MG/Brazil) endereço este transcrito no extrato da operação de remessa de divisas estrangeiras juntado à fl. 118 a 150 consiste no domicílio fiscal da empresa Star Importação e Exportação, CNPJ 71.054.241/000161 até 17.03.2005, a partir desta data, mudou se para as salas 1301 a 1307, da qual o contribuinte é sócio gerente, com participação de 99% (noventa e nove por cento) no capital social da mesma (ver telas do Sistema CNPJ às fls.151, 152, 153, 154 ). Ademais, no que tange ao lançamento relativo ao anocalendário de 1999, envolvendo o mesmo tipo de operação, o contribuinte solicitou parcelamento do débito: “1.18. Em 2004, a fiscalização constatou também, que o Sr. Jaime Tatagiba Femandes, no anocalendário de 1999, efetuou remessas para a cidade de New York, através da Beacon Hill, no valor de US$ 62.434,50. Foi intimado em 06.09,2004, a comprovar a remessa e a origem dos recursos. Em resposta, informou também, que não efetuou ou sequer autorizou a realização das movimentações financeiras descritas no Termo de Inicio de Fiscalização. Tendo em vista, a informação de que a equipe especial de fiscalização da SRF analisou os documentos e dados da mídia eletrônica e constataram estas remessas, elaboramos o Demonstrativo de Origens e Aplicações dos Recursos, onde consideramos os valores das remessas convertidos em real como aplicação mensal e apuramos acréscimo patrimonial a descoberto no ano de 1999, protocolizado no dia 13.12.2004, através do Processo n° 10680.015190/200443, conforme tela anexa ás fls 164 . Embora o contribuinte informasse gue não efetuou tais remessas, solicitou o pedido de parcelamento do crédito tributário em questão.” Assim, considero restar comprovada a participação do Contribuinte como remetente de recursos financeiros no montante de US$ 774.956,70, creditados nas contas de n°s/100104589 do "FMR Marine Midland Bk Na", "HSBC Bank Usa", New York, "83 Des Voeux Road Central, Hong Kong, e n° 10048 do " Standard Chartered Bank PLC, "1 F Bank Of China Centre, Hong kONG , e debitados, por remessa do próprio contribuinte, na conta denominada "BHSC/LONTON”, administrada pela empresa "Beacon Hill”. Em sede de ContraRazões, o Contribuinte limitase a reiterar os argumentos contidos nas peças de defesa, aduzindo que os documentos não conteriam a sua assinatura. Ora, nas operações que ora são examinadas, a intenção era efetivamente que os recursos financeiros transitassem com a menor visibilidade possível em relação à identidade dos remetentes, por isso mesmo foram realizadas à margem do sistema bancário nacional, do contrário teriam sido feitas às claras, por meio dos mecanismos legais e convencionais. Destarte, nessas situações em que se verifica a opção por caminhos tortuosos, buscandose o anonimato dos recursos Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 43 27 financeiros que por eles transitam, obviamente que é impossível a obtenção de documentos assinados pelos envolvidos. Conforme ficou patente por ocasião do exame acerca do conhecimento do presente recurso, o acórdão paradigma indicado pela Fazenda Nacional para a matéria de mérito em tudo se amolda ao presente processo. Assim, considerando que dito julgado foi objeto de Recurso Especial do contribuinte (processo nº 10580.010888/200662), prolatandose o Acórdão 9202002.455, de 08/11/2012, adoto o brilhante voto condutor desse julgado, da lavra do Ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire, e passo à sua transcrição, como minhas próprias razões de decidir, no que diz respeito ao aspecto generalizado da autuação. Quanto às particularidades do caso concreto, tomo a liberdade de promover as devidas adaptações: “Em decorrência das investigações promovidas a partir da CPI do Banestado, verificouse que a empresa Beacon Hill Service Corporation BHSC foi identificada como uma das maiores beneficiárias de recursos oriundos daquele banco brasileiro, configurando um verdadeiro sistema financeiro paralelo globalizado. Ficou evidenciado que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava ‘doleiros’ brasileiros e/ou empresas offshore com participação de brasileiros. Do aprofundamento das investigações, apurouse que outros bancos foram utilizados pelo mesmo esquema como o BANESTADONY, SAFRA, MERCHANTS BANK E 0 MTB HUDSON BANK. Uma operação com a empresa Beacon Hill Service Corporation — BHSC e similares possui os seguintes intervenientes: • Remetente/ordenante • Intermediador financeiro • Beacon Hill Service Corporation – BHSC • Banco JP Morgan Chase/NY/Outros Bancos • Beneficiário Remetente: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia como responsável pela remessa das divisas ao exterior. Confundese, em várias situações, com a figura do ordenante, abaixo descrita; Ordenante: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como responsável pela ordem/determinação de movimentação de recursos no exterior. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "order Customer" e/ou "details of payment", antecedido da sigla B.0.(By order); 28 Beneficiário: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como destinatário final das divisas ordenadas/remetidas. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "ACC Party" e/ou "Ult.Benef', podendo estar antecedido da sigla FFC ("for further credit"); Intermediário: Pessoa física ou jurídica, responsável pela intermediação de compra e venda de moeda estrangeira, à margem do Sistema Financeiro, atuando nas operações de remessa/repatriação de recursos para/do exterior ou na movimentação de recursos no exterior. Em algumas transações, o beneficiário figura, simultaneamente, como ordenante/remetente dos recursos.” No presente caso, embora o Contribuinte afirme, em sede de ContraRazões, não ter ligação com a Beacon Hill Service Corporation, e que o lançamento foi efetuado com base em indícios, as provas dos autos demonstram que ele figurou como remetente de recursos financeiros no montante de US$ 774.956,70, creditados nas contas de n°s/100104589 do "FMR Marine Midland Bk Na", "HSBC Bank Usa", New York, "83 Des Voeux Road Central, Hong Kong, e n° 10048 do " Standard Chartered Bank PLC, "1 F Bank Of China Centre, Hong Kong, e debitados, por remessa do próprio contribuinte, na conta denominada "BHSC/Lonton”, administrada pela empresa "Beacon Hill” (fls. 118 a 150). Ao contrário do que alega o Contribuinte, documentos em que ele consta como remetente de numerário ao exterior, inclusive com o endereço da empresa da qual é sócio majoritário, não podem ser considerados como meros indícios, e sim devem ser considerados como provas cabais da sujeição passiva. Com efeito, as provas contidas nos autos demonstram a participação do Contribuinte nas operações de remessa de dólar ao exterior, realizando significativa movimentação financeira, quando comparada aos rendimentos declarados, à margem do sistema financeiro nacional e sem a devida menção na Declaração de Ajuste Anual. “Ademais, há de se ressaltar que o objetivo da análise patrimonial é verificar a situação do contribuinte, pela comparação, em determinado período, dos valores que ingressaram no seu patrimônio (origens de recursos) com aqueles efetivamente saídos (aplicações de recursos); a metodologia permite detectar se houve excesso de aplicações com relação as origens de recursos, situação que somente pode ser explicada pela omissão de rendimentos por parte do contribuinte; em outras palavras, a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto pressupõe a disponibilidade econômica ou jurídica de renda.” No caso sob exame, o autuado remeteu o total de US$ 151.870,00 no ano calendário de 2000, US$ 100.850,00 no anocalendário de 2001 e US$ 522.236,70 no ano calendário de 2002. “Destarte, a remessa de numerário para o exterior foi, então, considerada como aplicação de recursos do contribuinte e confrontadas com as fontes ou origens dos recursos comprovadas, para fins de apuração de variação – patrimonial, consoante os Demonstrativos de Evolução Patrimonial, tendo Processo nº 10680.012306/200654 Acórdão n.º 9202002.551 CSRFT2 Fl. 44 29 sido apurado acréscimo patrimonial a descoberto, o que evidenciou a omissão de rendimentos perante o Fisco. Salientese que, para comprovar a existência de acréscimo patrimonial por parte do contribuinte, a fiscalização elaborou demonstrativo em que comparou a cada mês o total de recursos disponíveis pelo mesmo, versus as aplicações destes recursos . A sistemática de se considerar a remessa ao exterior como aplicação de recursos está correta, eis que, por óbvio, a aplicação de recursos em uma conta bancária é, indubitavelmente, uma aplicação de recursos do contribuinte e, como tal, deve, necessariamente, estar amparada em rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. O fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu direito, ou seja, demonstrar o excesso de gastos sobre a origem de recursos. E isto está perfeitamente evidenciado nos autos. Diante desse fato, compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos. Nesse contexto, a mera alegação de que não efetuou as operações apontadas pela fiscalização, desacompanhada de qualquer outro meio de prova, não é suficiente para elidir a tributação. Portanto, devem ser considerados como aplicações de recursos no demonstrativo de análise da evolução patrimonial os valores relativos às remessas de recursos para o exterior.” Ressaltese que, a despeito das alegações apresentadas pelo Contribuinte, no sentido de que não teria participado das operações objeto da autuação, não foi apresentado qualquer documento comprovando a busca de atuação policial ou judicial, com vistas a dirimir o alegado equívoco na utilização de seu nome em esquema fraudulento de remessas de recursos ao exterior. Quanto à desqualificação da multa de ofício, promovida pela decisão recorrida, o que inclusive provocou a declaração de decadência, relativamente ao ano calendário de 2000, também entendo que assiste razão à Fazenda Nacional, uma vez que, por óbvio, o caso em apreço não trata de “simples omissão de rendimentos”, mas sim da participação reiterada do contribuinte em operações de remessa de divisas ao exterior, à margem do sistema bancário nacional. Com efeito, a simples omissão teria se caracterizado caso o Contribuinte, ainda que reiteradamente, tivesse enviado recursos ao exterior às claras, pelos meios lícitos, apenas sem o recolhimentos dos tributos devidos. 30 É certo que a jurisprudência do CARF é no sentido de que a reiteração da “simples omissão de rendimentos” não enseja a qualificação da penalidade, tanto é assim que foi editada a Súmula CARF nº 14, sem ressalvas quanto a eventual conduta reiterada. Entretanto, repitase que as provas dos autos não apontam para uma simples omissão reiterada, mas sim para a participação em esquema internacional de remessas de divisas ao exterior, à margem do sistema bancário nacional, conduta esta que, ainda que fosse ausente a reiteração, ensejaria a qualificação da penalidade. Em face de tal contexto, evidentemente que é incabível a aplicação da Súmula CARF nº 14. Com efeito, a participação no esquema que ficou conhecido como “CPI do Banestado”, caracterizado como um conjunto de operações visando a remessa irregular de moeda, à margem do sistema bancário e, principalmente, da tributação, de forma alguma autoriza a desqualificação da penalidade, eis que é evidente a existência de dolo. Consequentemente, no que tange à decadência, deve ser aplicado art. 173, I, do CTN, conforme Súmula CARF nº 72: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Destarte, restabelecese o lançamento referente ao anocalendário de 2000 Diante do exposto, conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001603/2004-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 02/09/1999
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeos (excipiente), destinado à fabricação de ração animal, classifica-se na posição NCM 2309.90.90.
CERCEAMENTO DE DEFESA
Sendo suficientes as provas apresentadas aos autos, o conselho não tem a obrigação de converter o julgamento em diligência.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Cássio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, relator, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário, José Luiz Feistauer de Oliveira e Cassio Schappo.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Cássio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, relator, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário, José Luiz Feistauer de Oliveira e Cassio Schappo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 02/09/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeos (excipiente), destinado à fabricação de ração animal, classificase na posição NCM 2309.90.90. CERCEAMENTO DE DEFESA Sendo suficientes as provas apresentadas aos autos, o conselho não tem a obrigação de converter o julgamento em diligência. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Cássio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, relator, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 16 03 /2 00 4- 19 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CA STRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 WINDERLEY MORAIS PEREIRA Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário, José Luiz Feistauer de Oliveira e Cassio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento, em virtude de auto de infração lavrado para cobrar a diferença de Imposto de Importação decorrente de classificação fiscal. Assim, transcrevo o relatório da DRJ/SC de fls. 299: "Por meio do Auto de Infração de fls. 01 a 03 exigese da contribuinte acima qualificada a quantia de R$ 7.020,63, a título de Imposto de Importação (II), acrescida de juros moratórios devidos à época do pagamento. Segundo consta dos autos, mediante a Adição 004 da Declaração de Importação (DI) n.º 99/07396834, registrada em 02/09/1999, a interessada submeteu a despacho aduaneiro a mercadoria descrita como "Vitamina AD3 500.000/100.000 UI/G", classificandoa no código NCM 2936.90.00 (fls. 28 a 30). No entanto, com base no Laudo de Análise n.º 2260.01 LAB: 0345/PARANAGUÁ, que concluiu tratarse de "Preparação constituída de Acetato de Vitamina A, Vitamina D3, Butil Hidroxianisol (BHA), ButilHidroxitolueno (BHT) e Excipientes como Matéria Protéica, Lactose e Substãncias Inorgânicas à base de Fosfato e Sílica, na forma de microesferas" (fls. 20 a 22), a fiscalização reclassificou o produto para o código NCM 2309.9090. De forma análoga, por meio da Adição 005 da mesma DI n.º 99/07396834, foi despachada a mercadoria consignada como "Vitamina B2 80%", classificandoa no código NCM 2936.23.10 (fls. 31 a 33). Fundamentandose no Laudo de Análise n.º 2128.01 LAB: 0415/PARANAGUÁ, que concluiu tratarse de "Preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeo, na forma de microesferas" (fls. 14 e 15), a autoridade autuante reenquadrou o produto no código NCM 2309.90.90. Cientificada da autuação, a interessada protocolizou a defesa de fls. 51 a 55, acompanhada dos documentos de fls. 56 a 115, argumentando em resumo que: preliminarmente, requer que seja cancelado o Auto de Infração em apreço, uma vez que o objeto e o suposto fato imponível são idênticos aos do lançamento constante no processo administrativo n.º 10907.001318/200490, impugnado em 07/07/2004, conforme documentos em anexo: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CA STRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10907.001603/200419 Acórdão n.º 3201002.164 S3C2T1 Fl. 374 3 no mérito, é de se notar que os próprios Laudos do Laboratório de Análises citam que as mercadorias importadas são utilizadas pelas indústrias formuladoras de ração;] assim, sendo insumos para fabricação de preparações (rações prontas para o consumo animal), os produtos em tela não podem em hipótese alguma serem enquadrados na posição 2309, como pretendeu a fiscalização; cabe observar que a posição 2309 engloba preparações com o sentido de ração pronta (alimentos prontos, alimentos completos, bolachas, etc.), e não produtos que servirão para rações; ninguém alimenta animais só com Vitaminas A, B2 ou D3, seja em que estado for, seja em qualquer solução, na forma como foram importados, os produtos só podem se usados como insumos para elaboração de rações; existe decisão da COANA esclarecendo que o fato da Vitamina E estar misturada ou não à sílica não muda a sua natureza, indicando como correto o código tarifário NCM 2936.28.12; Ao final, a impugnante requer que seja cancelado o lançamento, bem como solicita, caso seja necessário, realização de perícia técnica visando comprovar as classificações defendidas por ela. Inconformada com o resultado do julgamento da instância a quo, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivamente, no qual, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. O recurso voluntário foi apreciado por este Conselho, em 01/07/2010, oportunidade em que resolveram converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora providenciasse a juntada da Decisão Coana n.º 11/99, indicada pelo contribuinte como uma decisão que poder servir de referência para que a classificação da mercadoria seja considerada como correta na NCM 2936.28.12. Em fls. 299 a Decisão Coana foi juntada e em fls 321 o contribuinte apresentou sua manifestação, razão pela qual o processo foi devolvido ao CARF para a conclusão do julgamento do recurso voluntário. Relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Conforme as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresento e relato o seguinte Voto. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CA STRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário já considerado tempestivo por este conselho conforme Acórdão de fls. 291, que converteu o julgamento em diligência. Conforme relatado, após a decisão de primeira instância, a lide gira somente em torno da classificação fiscal da Vitamina B2, classificada pelo contribuinte no código 2936.23.10 e reclassificada pela fiscalização no código 2309.9090. A autoridade preparadora anexou cópia integral da Decisão Coana em fls 299 dos autos, que ao meu sentir determina e confirma o acerto do contribuinte na classificação fiscal originalmente definida, conforme extrato apresentado a seguir: Importante trazer aos autos que a diligência da Turma a quo deste Conselho decidiu baixar o processo em diligência para sanar eventual equívoco com relação à Decisão Coana n.º 11/99 tratar a respeito da classificação da Vitamina B2 ou da Vitamina B12, posto que ao consultar a Ementa da decisão, ao identificar a vitamina nesta Ementa, está escrito "Vitamina B12". Conforme apresentado a seguir: Contudo, juntada de forma integral aos autos (fls. 299), verificase que a Vitamina B12 está escrita de forma equivocada na Ementa, pois em toda a decisão verificase que esta trata da Vitamina B2 e não da Vitamina B12. Logo, a mencionada decisão pode ser utilizada como referência para a classificação da mercadoria em questão, a Vitamina B2. Alias, Fl. 377DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CA STRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10907.001603/200419 Acórdão n.º 3201002.164 S3C2T1 Fl. 375 5 em todo o corpo da decisão a Vitamina B12 não é mencionada sequer uma outra vez. Apresentase trecho da decisão que menciona a Vitamina B2: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CA STRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Superada a questão do equívoco na escrita da Ementa da Decisão Coana de fls. 299, é importante mencionar que a classificação da Vitamina B2 no código NCM 2936.23.10, têm entendimentos prévios neste Conselho, como o presente no Acórdão 301 33.563. Mas ao trabalhar com detalhes na análise concreta da presente lide, foi necessário cruzar as informações da análise de fls. 30 apresentada pelo Laboratório Nacional Fl. 379DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CA STRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10907.001603/200419 Acórdão n.º 3201002.164 S3C2T1 Fl. 376 7 de Análises com as informações constantes na Decisão Coana 11/99 de fls. 299 e com as informações constantes nos demais documentos dos autos. Em que pese a douta Procuradora entender que o produto "deste processo, composto de Vitamina B2 e polissacarídeo, é diverso do tratado na aludida Decisão" (fls. 366), pelo fato da Decisão Coana mencionar que o produto de que estava tratando era Vitamina B2 em veículo antipoeira, o fato de haver o veículo sólido como agente antipoeira não altera o caráter da Riboflavina (substância principal). Há trecho específico da Decisão da Coana que trata do assunto e justamente neste trecho, desconsidera a posição adotada pela fiscalização (2309), conforme segue (fls. 305): "Ora, como as mercadorias 1 e 2 são insumos para a produção das prémisturas e o agente antipoeira adicionado (solúveos de fermentação condensada) não modifica o caráter da Riboflavina, preservando a sua aplicação geral, devese desconsiderar a posição 2309 para abrigar tais mercadorias. Além disto, há também aqui uma indicação valiosa sobre a posição mais adequada para comportar as mercadorias 1 e 2, qual seja, a posição 2936." Assim, não há como concluir o fato de haver veículo antipoeira altera a definição do produto ou sua classificação. Pela análise cruzada das informações do Laudo Oficial, da Decisão Coana e do alegado pelo contribuinte, tratase em todo momento do mesmo produto, o produto importado pelo contribuinte: Vitamina B2, peso de 500kg com capacidade para enriquecer toneladas de rações, composta por Polissacarídios, 80% de Riboflavina em formato de microesferas (fls. 30 e 299). A própria Procuradora reconhece esta utilização em fls. 367. Há uma aparente diferença entre a definição "Riboflavina em um veículo sólido antipoeira" mencionado na Decisão Coana e a definição "Vitamina B2 e Polissacarídio" apresentada pela douta procuradora, contudo, verificase que o produto analisado e o importado é o mesmo, ambos são Riboflavina (substância essencial e principal) e há polissacarídios em ambas as análises, inclusive no formato de microesferas em ambas as análises. Assim, a conclusão mais acertada, seja pela Regra Geral número um do Sistema Harmonizado, seja pela essencialidade da mercadoria e sua substância principal (Riboflavina), é a apresentada pelo contribuinte. A NCM 2309, adotada pela fiscalização, segundo o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, NESH, é adequada somente para preparações com a mistura de diversos elementos nutritivos, destinadas a fabricação de alimentos completos. Podese concluir brevemente pelo texto que, não sendo fato controverso que a mercadoria em questão é a Vitamina B2, a classificação correta é a NCM 2936.23.10, conforme apresentada a seguir em conjunto com a adotada pela fiscalização para comparação: "Classificação do contribuinte: Vitamina B2 (riboflavina) 2936.23.10 Produtos químicos orgânicos Provitaminas e vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese (incluídos os Fl. 380DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CA STRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 concentrados naturais), bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas, misturados ou não entre si, mesmo em quaisquer soluções Vitaminas e seus derivados, não misturados: Vitamina B2 e seus derivados Vitamina B2 (riboflavina) (...) Classificação da fiscalização: Outras 2309.90.90 Resíduos e desperdícios das indústrias alimentares; alimentos preparados para animais Preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais Outras Outras" Logo, havendo consonância entre a conclusão da perícia, a Decisão Coana e o alegado pelo contribuinte, considerando também que em breve análise dos textos das nomenclaturas a escolhida pelo contribuinte é a mais acertada conforme o que determina a Regra Geral número um do Sistema Harmonizado, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para julgar a total improcedência do auto de infração e exonerar todos os créditos tributário lançados. Este é o voto. Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Voto Vencedor Conselheiro Winderley Morais Pereira Em que pese o voto do i. Relator, divirjo do entendimento quanto a classificação da preparação da Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeos. O cerne da lide diz respeito a classificação da mercadoria Vitamina B2 (Riboflavina) 80%, que a Recorrente entende classificarse na posição NCM 2936.23.10. A Fiscalização Aduaneira, entende como correta a classificação na posição NCM 2309.90.90. A divergência na classificação diz respeito as informações trazidas no laudo técnico (fl. 30). "Tratase de Preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeo, na forma destinadas às fabrica de ração. De acordo com as análises realizadas o Teor de Riboflavina (Vitamina B2) encontrado é de 80,3%. ... Fl. 381DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CA STRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10907.001603/200419 Acórdão n.º 3201002.164 S3C2T1 Fl. 377 9 No Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal (cópia anexa) e em Referência Bibliográfica, consta que a Riboflavina destinada para suplmentação da ração animal é comercializada em duas concentrações: uma na forma de pó com 96% de pureza e outra na forma de grânulos finos com 80% de pureza com extrema fluidez. De acordo com Referência Bibliográficas, o Polissacarídeo é um excipiente. Produtos na forma de granulados, utilizados na composição da ração animal, se obtém pela compactação da substância ativa absorvida e na presença de um ligante (aglutinante) como Polissacarídeo. A razão da Vitamina B2 apresentarse preparada da maneira descrita acima devese ao uso específico a que se destina, ou seja, para ser adicionada a ração animal.". As notas do capítulo 29 da TEC, defendida pela Recorrente, determina que apenas estariam classificados neste capitulo, os produtos que apresentassem "compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente". No caso em tela, não se trata de produto isolado, visto que, o polissacarídeo adicionado possui a função de facilitar a mistura para uso em alimentação animal, conforme esclarecido pelo laudo técnico. A partir da constatação que o produto em litígio destinase a alimentação animal, correta a classificação adotada pela Fiscalização aduaneira na posição NCM 2309.90.90, que possui descrição especifica para preparações utilizadas na alimentação de animais. No mesmo sentido foi exarado no Acórdão 3202001.073, exarado pela extinta segunda turma desta Câmara. "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 16/06/2004, 07/02/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos de denominação comercial ROVOMIX A500 WS, ROVIMIX CEC, ROVIMIX E50 SD, ROVIMIX D3500 e ROVIMIX B2 80 SD encontram correta classificação tarifária na NCM 2309.90.90. A autoridade fiscal apresentou prova de que as substâncias acrescidas tornam o produto particularmente apto para uso especifico preferencial à sua aplicação geral. Inaplicável solução de consulta fundada em pressuposto fático refutado pela prova técnica que suporta o lançamento. MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CA STRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 A aplicação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158/35, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou má fé por parte do sujeito passivo, reclamando apenas o erro de classificação fiscal. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO.LICENCIAMENTO.EFEITOS. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação, notadamente quando a característica essencial à classificação encontrase declarada na DI. Recurso Voluntário provido em parte."(Acórdão nº 3202 001.073, Relator Charles Mayer de Castro Souza, Sessão de 25/02/2014) Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 383DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/07/ 2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CA STRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 10930.903582/2012-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/12/2005
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 15/12/2005 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 82 /2 01 2- 82 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903582/201282 Acórdão n.º 3402003.553 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.924, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903582/201282 Acórdão n.º 3402003.553 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903582/201282 Acórdão n.º 3402003.553 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903582/201282 Acórdão n.º 3402003.553 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903582/201282 Acórdão n.º 3402003.553 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18108.000942/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/1999
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) negar provimento ao recurso de ofício e (b) conhecer parcialmente o recurso voluntário para, na parte conhecida dar-lhe parcial provimento para retificar o lançamento tal como proposto no despacho às fls. 03 e s. do Volume 98.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) negar provimento ao recurso de ofício e (b) conhecer parcialmente o recurso voluntário para, na parte conhecida darlhe parcial provimento para retificar o lançamento tal como proposto no despacho às fls. 03 e s. do Volume 98. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 09 42 /2 00 7- 30 Fl. 46941DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. Fl. 46942DF CARF MF Processo nº 18108.000942/200730 Acórdão n.º 2301004.840 S2C3T1 Fl. 46.942 3 Relatório Tratamse de recursos de ofício e voluntário interpostos contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal realizado em 10/02/2004 com base nos valores declarados em GFIP, devidamente contabilizados e extraídos das folhas de pagamentos e outros documentos do contribuinte, fls. 616 do volume 04. O lançamento foi retificado conforme fls. 46.886 (numeração eletrônica) em razão da comprovação de alguns recolhimentos de valores retidos. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação, fls. 629 do Volume 05: a) não é devedora do valor cobrado e os documentos de recolhimento relativos às retenções em notas fiscais de serviços são suficientes para a demonstração desse fato; b) estaria amparada por decisão favorável em mandado de segurança para o recolhimento do SAT pela alíquota mínima; c) teria direito à redução da contribuição para o salárioeducação, em razão da Lei nº 9.601/98; d) indevida a utilização da taxa SELIC; e) os juros são limitados a 1% ao mês, conforme artigo 161, §1º do CTN e 12% ao ano, conforme artigo 192, §3º da Constituição Federal; e f) a multa somente é cabível após 15 dias da intimação da decisão. Após a decisão recorrida, por força de decisão judicial, foram examinados ainda que não autenticados os documentos juntados pelo recorrente nos seus quase 100 volumes. Da análise, o lançamento foi reduzido de acordo com os documentos comprobatórios das retenções sofridas pela recorrente, fls 03 do Volume 98. É o Relatório. Fl. 46943DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Recurso de Ofício A decisão não merece reparos. Uma vez constatados recolhimentos que reduzem o lançamento de retenções, o crédito tributário deve ser reduzido. Verifico que o volume de documentos juntados e o tempo delimitado pelo MPF para conclusão da fiscalização dificultou o trabalho da fiscalização que somente após a abertura do contencioso administrativo e a participação do recorrente é que se pode identificar recolhimentos parciais que, correta e diligentemente, foram considerados para a retificação do lançamento. Assim, entendo que se deva negar provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 46944DF CARF MF Processo nº 18108.000942/200730 Acórdão n.º 2301004.840 S2C3T1 Fl. 46.943 5 O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 46945DF CARF MF 6 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito A escrituração contábil e as folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais e pro labore no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com os valores informados pelo recorrente. Embora insista o recorrente quanto ao recolhimento integral das contribuições previdenciárias, a fiscalização examinou os valores retidos pelos contratantes de serviços e se pronunciou pela retificação do lançamento para exclusão daqueles devidamente comprovados, ainda que as notas fiscais de serviços não estivessem autenticadas. Observase no lançamento regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização e após a nova análise realizada após a decisão recorrida, verificase que todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições. Ressaltase que todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Os artigos 34, 35 e 35A da Lei n° 8.212, de 24/07/91 criaram regras claras para os acréscimos legais, que somente podem ser dispensados por expressa determinação de lei. Portanto, as alegações de limitação às taxas de 1% ao mês e 12% ao ano somente podem ser apreciadas em controle de constitucionalidade, o que é vedado a este CARF. A regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, também não pode ser conhecida por este órgão administrativo a alegação de redução da contribuição para o salárioeducação, em razão da Lei nº 9.601/98 ou inconstitucionalidade da determinação pelo Decreto nº 3.048/99 do conceito de atividade preponderante das empresas e aplicação da alíquota correspondente. Nesta parte, sequer a decisão judicial juntada pelo recorrente a socorre, já que não possui efeitos retroativos à época da ocorrência dos fatos geradores, prevalecendo o disposto no artigo 144 do CTN: Fl. 46946DF CARF MF Processo nº 18108.000942/200730 Acórdão n.º 2301004.840 S2C3T1 Fl. 46.944 7 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Dessa forma, entendo que as questões suscitadas que implicariam afastar dispositivo legal ou de decreto vigente por inconstitucionalidade não devem ser conhecidas. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso de ofício e conhecer em parte do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar provimento parcial para a retificação do lançamento tal como proposto no despacho às fls. 03 e s. do Volume 98. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 46947DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001170/2006-62
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
CSLL. LUCROS NO EXTERIOR. AUTUAÇÃO FISCAL COM BASE NO ART. 74 DA MP nº 2.158-35, DE 2001. PARÁGRAFO ÚNICO. TRIBUTAÇÃO DE PERÍODOS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA MP 1.858-6/99.
Autuação fiscal fundamentada com base no art. 74 da MP nº 2.158-35, caput e parágrafo único, que retroagiu para abranger lucros auferidos no exterior anteriores ao ano-calendário de 2002, mesmo os da CSLL incorridos antes da vigência da MP nº 1.858-6, de 1999, resta fulminada em razão da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal na ADIN nº 2.588, que declarou a inconstitucionalidade da retroatividade prevista no parágrafo único do mesmo art. 74 da MP nº 2.158-35.
Numero da decisão: 9101-002.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito da parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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LUCROS NO EXTERIOR. AUTUAÇÃO FISCAL COM BASE NO ART. 74 DA MP nº 2.15835, DE 2001. PARÁGRAFO ÚNICO. TRIBUTAÇÃO DE PERÍODOS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA MP 1.8586/99. Autuação fiscal fundamentada com base no art. 74 da MP nº 2.15835, caput e parágrafo único, que retroagiu para abranger lucros auferidos no exterior anteriores ao anocalendário de 2002, mesmo os da CSLL incorridos antes da vigência da MP nº 1.8586, de 1999, resta fulminada em razão da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal na ADIN nº 2.588, que declarou a inconstitucionalidade da retroatividade prevista no parágrafo único do mesmo art. 74 da MP nº 2.15835. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito da parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 70 /2 00 6- 62 Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16327.001170/200662 Acórdão n.º 9101002.523 CSRFT1 Fl. 567 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 512 e segs) em face da decisão proferida no Acórdão nº 10809.789 (efls. 492 e segs), pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 18/12/2008, no qual foi afastada preliminar de nulidade e no mérito dado provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo Processual Na autuação fiscal, relativa ao anocalendário de 2002, foram tipificadas as seguintes infrações tributárias: (1) Lucros no exterior não disponibilizados com base no art. 74 da MP nº 215835, de 2001; (2) Exclusão de ganhos com equivalência patrimonial com coligada; (3) Prejuízos Fiscais compensados indevidamente, e lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL. A Contribuinte apresentou impugnação, protestando em preliminar sobre a glosa de prejuízos fiscais, e no mérito sobre a (1) taxa de câmbio aplicada pela Fiscalização na conversão dos lucros auferidos no exterior; (2) a incidência da CSLL sobre lucros no exterior antes da MP nº 18586/99, sendo indevida a tributação sobre lucros apurados nos anos de 1997, 1998 e parte de 1999 (até setembro), que perfazem o valor de R$2.368.559,32; e (3) a exclusão da equivalência patrimonial, que decorreu da variação cambial do patrimônio da investida. Os argumentos não foram acatados pela primeira instância (DRJ), que julgou o lançamento fiscal procedente. Irresignada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário, repisando as matérias devolvidas na impugnação. A segunda instância (Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) afastou a preliminar de nulidade relativa à glosa de prejuízos fiscais e no mérito deu provimento ao recurso voluntário. Foi interposto pela PGFN recurso especial e a Contribuinte apresentou contrarrazões. O recurso foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal. Da Autuação Fiscal Discorre a autoridade autuante (efls. 251/265) que a Contribuinte detinha participação de 33,33% no capital social da Quarta Participations Ltd., sediada em Bermuda, e que a investida, em 21/12/2000, utilizandose de suas reservas de lucros, efetuou aumento de capital no valor de US6,770,325.00, que, contudo não foi computado como efetiva Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16327.001170/200662 Acórdão n.º 9101002.523 CSRFT1 Fl. 568 3 disponibilização, gerando inconsistências nos valores tributáveis para os períodos posteriores. Relata que adotou taxa de câmbio prevista na data do fato gerador (31/12/2002), conforme art. 143 do CTN e § 3º do art. 10 da IN SRF nº 38, de 1996. Sobre a equivalência patrimonial, entendeu a Fiscalização que a Contribuinte não seguiu as orientações da IN SRF nº 213, de 2002, e por isso glosou a exclusão relativa a ganhos com equivalência patrimonial auferidos com a investida Quarta Participations Ltd. Também detectou inconsistências no saldo de prejuízos fiscais decorrentes da Atividade Rural, no qual o LALUR registrava valor superior ao do sistema SAPLI, razão pela qual foi glosada a diferença. Foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL (efls. 266/276) para o anocalendário de 2002. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação (efls. 293 e segs), contestando, em preliminar de nulidade, a respeito da glosa de prejuízos fiscais, vez que não teria sido notificada sobre revisões no sistema SAPLI e requerendo realização de diligência para averiguar o fato, e, no mérito, sobre a (1) a taxa de câmbio aplicada pela Fiscalização na conversão dos lucros auferidos no exterior tomando como referência a data da disponibilização dos lucros (31/12/2002) estaria equivocada, sendo correta a data do balanço da investida adotada pela empresa; (2) a incidência da CSLL sobre lucros no exterior antes da MP nº 1858 6/99, sendo indevida a tributação sobre lucros apurados nos anos de 1997, 1998 e parte de 1999 (até setembro), que perfazem o valor de R$2.368.559,32; e (3) a exclusão da equivalência patrimonial, que decorreu da variação cambial do patrimônio da investida. O lançamento fiscal foi julgado procedente pela 3ª Turma da DRJ/Fortaleza, nos termos do Acórdão nº 0810.386 (efls. 335/346), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCROS NO EXTERIOR. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Inexistindo disposição de lei em contrário, a conversão para reais deve ser feita pela taxa de câmbio da data da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, fato gerador da obrigação tributária. LUCROS NO EXTERIOR. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. TRIBUTAÇÃO. A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. NORMAS ADMINISTRATIVAS. VALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16327.001170/200662 Acórdão n.º 9101002.523 CSRFT1 Fl. 569 4 de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE Constatada a compensação indevida de prejuízos fiscais no Ano calendário alcançado pelo auto de infração, mantémse o lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 CSLL. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal. DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando esta se revela prescindível. Foi interposto recurso voluntário (efls. 469 e segs) pela Contribuinte, repisando os mesmos argumentos apresentados na impugnação. A Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 18/12/2008, por meio do Acórdão nº 10809.789 (e fls. 492/507), decidiu afastar a preliminar de nulidade relativa à glosa de prejuízos fiscais e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIOS: 2003 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR CONVERSÃO PARA REAIS Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros. CSLL LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR Tratandose de lucros auferidos por controladas, no exterior, de pessoa jurídica domiciliada no pais, a Lei n°9.532, de 1997, não atuou modificando a data da ocorrência do fato gerador, mas, tãosomente, deslocou o momento em que esses lucros deveriam ser oferecidos à tributação, homenageando, no caso, os princípios da uniformidade e da realização. Nessa linha, a tributação da CSLL em bases universais só se aplica aos lucros auferidos a partir de 1º de outubro de 1999. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16327.001170/200662 Acórdão n.º 9101002.523 CSRFT1 Fl. 570 5 EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. VARIAÇÃO CAMBIAL Nos termos de manifestação advinda do Ministério da Fazenda no âmbito do veto parcial ao Projeto de Lei de Conversão n° 30, de 2003 (art. 46 da Medida Provisória n° 135/03), a tributação da variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial exigirá que, antes, seja editada norma legal prevendo tal incidência. Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 512 e segs.). Apresenta como paradigma o Acórdão nº 10709248 que entende que para fins de apuração da CSLL a data de disponibilização dos lucros auferidos no exterior é o fato gerador da obrigação tributária. Discorre que o acórdão recorrido deve ser reformado. Primeiro, em relação à taxa de câmbio aplicável que deve ser a aplicada pela Fiscalização, qual seja, a data da disponibilização dos lucros auferidos no exterior. Segundo, pugna pelo restabelecimento da tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial. Terceiro, com base no art.144 do CTN, argumenta que o fato gerador ocorre quando os rendimentos se tornam disponíveis, e, quando o evento se consumou no caso concreto, já estava plenamente em vigor da MP nº 1.8586, de 1999, norma que previu a incidência da CSLL sobre lucros auferidos no exterior, visto que a data do fato gerador do lucro disponibilizado não se confunde com a data de auferimento do lucro, razão pela qual foi correta a tributação imputada pela autoridade autuante. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 530/532 deu seguimento ao recurso. Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte (efls. 540/547), no qual, a princípio, contesta sobre a extensão de devolução do recurso, entendendo que teria restado demonstrado divergência apenas em relação à matéria que trata da incidência de CSLL sobre lucros no exterior auferidos anteriormente à vigência da MP nº 18586/99. No mérito, discorre que o acórdão recorrido proferiu entendimento correto ao dispor que o fato gerador estaria identificado com o auferimento do lucro,constituindo a disponibilização apenas o momento em que esses lucros deveriam ser oferecidos à tributação, justificandose, portanto, porque a MP nº 18586/99 só deveria alcançar os lucros auferidos posteriormente à sua vigência. Ao final, requer, em relação à admissibilidade, pelo não seguimento das matérias (a) conversão de lucros auferidos no exterior para moeda nacional e (b) tributação da equivalência patrimonial, e, no mérito, pelo não provimento do recurso em relação à matéria tributação da CSLL. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Matéria Incontroversa e Matéria Devolvida Cumpre, a princípio, delimitar com clareza qual seria a matéria incontroversa e a matéria devolvida ao presente Colegiado. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16327.001170/200662 Acórdão n.º 9101002.523 CSRFT1 Fl. 571 6 Isso porque a autuação fiscal tratou de três infrações tributárias, (1) Lucros no exterior não disponibilizados; (2) Exclusão de ganhos com equivalência patrimonial com coligada; (3) Prejuízos Fiscais compensados indevidamente, ensejando autuações de IRPJ e CSLL. Por sua vez, a Contribuinte, ao apresentar impugnação, devolveu as seguintes matérias: (a) preliminarmente, suscitou nulidade em relação à infração 3, de prejuízos fiscais compensados indevidamente, e (b) no mérito, protestou sobre (b.1) a taxa de câmbio aplicada pela Fiscalização na conversão dos lucros auferidos no exterior; (b.2) a incidência da CSLL sobre lucros no exterior antes da MP nº 18586/99, entendendo ser indevida a tributação sobre lucros apurados nos anos de 1997, 1998 e parte de 1999 (até setembro), que perfazem o valor de R$2.368.559,32 e (b.3) a exclusão da equivalência patrimonial, que decorreu da variação cambial do patrimônio da investida. De plano, percebese que não foi impugnada a infração 1 (lucros no exterior não disponibilizados) para o IRPJ. E, para a CSLL, a contestação referese apenas aos lucros auferidos antes da vigência da MP nº 18586/99, ou, seja, não abrangeu os lucros posteriores ao mencionado marco temporal. Já as infrações 2 (Exclusão de ganhos com equivalência patrimonial com coligada) e 3 (Prejuízos Fiscais compensados indevidamente) foram contestadas integralmente, além da taxa de câmbio aplicada pela Fiscalização na conversão dos lucros auferidos no exterior, para o IRPJ e a CSLL. A primeira instância não acatou nenhum dos argumentos apresentados pela Contribuinte. No recurso voluntário, foram devolvidas as mesmas matérias para apreciação da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que afastou a preliminar de nulidade arguida 1 (ou seja, mantevese a glosa de prejuízos fiscais), e, no mérito, deu provimento ao recurso da Contribuinte, ou seja, afastou (i) a infração 1 para apenas para a CSLL relativa aos lucros auferidos antes da vigência da MP nº 18586/99, e (ii) a exclusão de ganhos com equivalência patrimonial com coligada para o IRPJ e a CSLL. Apenas a PGFN interpôs recurso especial. Ou seja, não foi contestada pela Contribuinte a decisão que afastou a preliminar de nulidade relativa à glosa de prejuízos fiscais. Assim, o retrato das matérias tratadas nos autos, antes da interposição do recurso especial pela PGFN, é o seguinte: 1 Vide voto da decisão recorrida, efl. 498: Cabe enfrentar a preliminar suscitada pela Recorrente sobre a necessidade de diligência para as verificações das notificações da Fazenda Nacional relativamente às malhas que resultaram nos ajustes do prejuízo fiscal, nos termos exarados em suas razões recursais. Não obstante o inconformismo da Recorrente, não procede a sua argumentação eis que a notificação do ajuste do SAPLI foi regularmente efetivada, fls. 264/267, sobre o qual gerou lançamento suplementar, tendo sido liquidado pela mesma tal exigência (notificação n° 0500517, no valor de R$ 80.79, fls. 264), não tendo havido, com isso, qualquer cerceamento do direito de defesa, nos termos do quanto decidido a fls. 292 da decisão de primeira instância, em relação ao que acompanho integralmente, a fim de rejeitar a preliminar de diligência, ciente que o SAPLI, como sistema de controle do saldo inflacionária, é alimentado pelas próprias declarações dos contribuintes, cabendo aos mesmos, caso se faça necessário adequação à realidade operacional contábil em sua escrituração proceder as retificadoras, como devido, a fim de que o tal sistema de controle fiscal reflita, fielmente, o quanto efetivamente controlado pelo contribuinte. Não há se falar, portanto, em necessidade inafastável de diligência, se os dados constantes do mesmo sistema foram extraídos de informações fornecidas pela Recorrente. Ademais, como asseverou a autoridade julgadora "a quo", também não se fale sobre cerceamento do direito de defesa, pois a Recorrente teve, inclusive nesta fase recursal, a oportunidade legítima de oferecer subsídios documentais que tenha entendido justificadores de apreciação por este colegiado, quedandose, todavia, somente na posição de requerer diligência oficial, para eximirse de um ônus próprio, que é a de produzir prova do quanto alegado. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16327.001170/200662 Acórdão n.º 9101002.523 CSRFT1 Fl. 572 7 1) matérias transitadas em julgado no contencioso administrativo tributário: (a) Lucros no exterior não disponibilizados para o IRPJ; (b) Lucros no exterior relativos a períodos posteriores à vigência da MP nº 18586/99 não disponibilizados para a CSLL, e (c) Prejuízos Fiscais compensados indevidamente 2) matérias em litígio: (d) Lucros no exterior relativos a períodos anteriores à vigência da MP nº 18586/99 não disponibilizados para a CSLL; (e) Exclusão de ganhos com equivalência patrimonial com coligada; e (f) Taxa de câmbio aplicada pela Fiscalização na conversão dos lucros auferidos no exterior, sendo os itens (d), (e) e (f) aplicáveis ao IRPJ e CSLL. Por sua vez, a PGFN interpôs recurso especial (efls. 530/532), protestando sobre as matérias (d), (e) e (f), cujo seguimento foi dado por despacho de exame de admissibilidade (efls. 530/532). Em contrarrazões, no que concerne ao exame de admissibilidade, a Contribuinte contestou sobre a extensão de devolução do recurso, discorrendo que teria restado demonstrada divergência apenas em relação à matéria que trata da incidência de CSLL sobre lucros no exterior auferidos anteriormente à vigência da MP nº 18586/99. Entendo que assiste razão à Contribuinte. De fato, o único paradigma apresentado foi o Acórdão nº 10709248, cuja decisão interpreta que, para fins de apuração tanto do IRPJ quanto da CSLL, a data de disponibilização dos lucros auferidos no exterior seria o fato gerador da obrigação tributária. Assim, com o art. 21 da MP 215835, de 2001, foi estendida a tributação dos lucros no exterior para a CSLL, entendendose que o fato gerador teria ocorrido por ocasião da disponibilização disposta pela norma, em 31/12/2001, e mesmo os lucros auferidos em anos calendários anteriores estariam incluídos na base de cálculo tributável. Vale transcrever a ementa da parte que interessa: LUCROS NO EXTERIOR INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL DISPONIBILIZAÇÃO. Os lucros auferidos no exterior por intermédio de controladas devem ser adicionados ao lucro líquido para determinação do lucro real da empresa nacional. O momento é diferido até à data em que forem disponibilizados tais lucros. A integralização de capital com a participação acionária de controlada no exterior fulmina a subsunção à regra excepcional do aspecto temporal e, em conseqüência, qualifica o fato pela regra geral do momento da aquisição da renda, uma vez que o investimento utilizado para subscrever o capital, já refletia os resultados apurados na investida, decorrentes da equivalência patrimonial. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR CSLL — PRAZO NONAGESIMAL. Antes da vigência do art. 19 da MP n° 18586, de 29/06/99, publicada em 30/06/99, atual art. 21 da MP2158 35/01, os lucros auferidos no exterior por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil estavam sujeitos exclusivamente ao imposto de renda. A partir desse dispositivo legal foi estendida a tributação para a incidência da CSLL. Os lucros foram disponibilizados somente em 2001, portanto no momento da Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16327.001170/200662 Acórdão n.º 9101002.523 CSRFT1 Fl. 573 8 ocorrência do fato gerador o prazo nonagesimal já havia sido ultrapassado. Por outro lado, a decisão recorrida entendeu que a tributação da CSLL em bases universais só se aplica aos lucros auferidos a partir de 1º de outubro de 1999. Ou seja, entendeu que apenas os lucros auferidos posteriormente à vigência da MP nº 18586/99 estariam sujeitos à tributação da CSLL. Portanto, quanto à matéria "Lucros no exterior relativos a períodos anteriores à vigência da MP nº 18586/99 não disponibilizados para a CSLL" restou caracterizada a divergência. E, como se pode perceber, não foi apresentado nenhum paradigma em relação às matérias (e) Exclusão de ganhos com equivalência patrimonial com coligada; e (f) Taxa de câmbio aplicada pela Fiscalização na conversão dos lucros auferidos no exterior, razão pela qual não podem ser admitidas. Portanto, conheço parcialmente do recurso especial interposto pela PGFN, para apreciar o mérito da matéria "Lucros no exterior relativos a períodos anteriores à vigência da MP nº 18586/99 não disponibilizados para a CSLL". Mérito. Lucros no exterior relativos a períodos anteriores à vigência da MP nº 18586/99 não disponibilizados para a CSLL. A matéria devolvida para apreciação do mérito referese à tributação de CSLL relativa a lucros no exterior auferidos em períodos anteriores à vigência da MP nº 1.8586, de 1999 (Publicada no DOU de 30/06/1999), ou seja, lucros auferidos antes de 1º de outubro de 1999 (mediante aplicação do princípio da anterioridade nonagesimal). Aplicou a Fiscalização o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, caput e parágrafo único: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Ocorre que a norma foi objeto da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade (ADIN) nº 2.588, no qual o Supremo Tribunal Federal declarou, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, que a redação do caput lei é inconstitucional apenas para as coligadas localizadas em países sem tributação favorecida, o que não é o caso tratado nos autos, em que se fala de controladas diretas ou indiretas. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16327.001170/200662 Acórdão n.º 9101002.523 CSRFT1 Fl. 574 9 Por outro lado, também se reconheceu com eficácia erga omnes e efeito vinculante que o caput aplicase às controladas situadas em países considerados paraísos fiscais, e se reconheceu a constitucionalidade, sem eficácia erga omnes e efeito vinculante (vez que não se alcançou a maioria do Colegiado, pelo julgamento ter sido realizado no decorrer de anos com mudanças de composição dos Ministros 2), para as coligadas em países com tributação favorecida e controladas sem tributação favorecida. De qualquer forma, não foi afastado do ordenamento jurídico, em razão de inconstitucionalidade, a tributação prevista no caput do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001 incidente sobre as controladas, independente da localização, e sobre a coligadas situadas em países com tributação favorecida. Ao se apreciar o RE 541.090/SC, o STF em 10/04/2013 confirmou entendimento de que a tributação sobre controlada sediada em país que não tem tratamento fiscal favorecido é constitucional sob a perspectiva do caput do art. 74 da MP nº 2.15835, de 20013 . Contudo, entendimento diverso foi dado pelo STF a respeito do parágrafo único do art. 74, que foi declarado inconstitucional, ou seja, não caberia tributação retroativa dos lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001. Vale transcrever a ementa do julgado: Ementa: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS 2 A ação foi distribuída para a relatora Ministra Ellen Gracie em 4 de fevereiro de 2002, e a decisão final foi proferida em 10 de abril de 2013. 3 Ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCROS PROVENIENTES DE INVESTIMENTOS EM EMPRESAS COLIGADAS E CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.15835/2001. 1. No julgamento da ADI 2.588/DF, o STF reconheceu, de modo definitivo, (a) que é legítima a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 relativamente a lucros auferidos por empresas controladas localizadas em países com tributação favorecida (= países considerados “paraísos fiscais”); e (b) que não é legítima a sua aplicação relativamente a lucros auferidos por empresas coligadas sediadas em países sem tributação favorecida (= não considerados “paraísos fiscais”). Quanto às demais situações (lucros auferidos por empresas controladas sediadas fora de paraísos fiscais e por empresas coligadas sediadas em paraísos fiscais), não tendo sido obtida maioria absoluta dos votos, o Tribunal considerou constitucional a norma questionada, sem, todavia, conferir eficácia erga omnes e efeitos vinculantes a essa deliberação. 2. Confirmase, no presente caso, a constitucionalidade da aplicação do caput do art. 74 da referida Medida Provisória relativamente a lucros auferidos por empresa controlada sediada em país que não tem tratamento fiscal favorecido. Todavia, por ofensa aos princípios constitucionais da anterioridade e da irretroatividade, afirmase a inconstitucionalidade do seu parágrafo único, que trata dos lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2002. 3. Recurso extraordinário provido, em parte. (RE 541090, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Relator(a) p/ Acórdão: Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em 10/04/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe213 DIVULG 29102014 PUBLIC 30102014) Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16327.001170/200662 Acórdão n.º 9101002.523 CSRFT1 Fl. 575 10 LUCROS APURADA EM 2001. VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.158 35/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.158 35/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a inconstitucionalidade da clausula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. (ADI 2588, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Relator(a) p/ Acórdão: Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em 10/04/2013, DJe027 DIVULG 07022014 PUBLIC 1002 2014 EMENT VOL0271901 PP00001) (grifei) Nesse sentido, observase que o dispositivo legal que fundamentava a tributação sobre a matéria devolvida para o Colegiado, relativa à tributação de CSLL de lucros no exterior auferidos em períodos anteriores à vigência da MP nº 1.8586, de 1999, ou seja, lucros auferidos antes de 1º de outubro de 2000, foi declarado inconstitucional, em sede de ADIN, por decisão definitiva plenária do STF 4. 4 Ver art. 62, § 1º, Anexo II do RICARF: Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16327.001170/200662 Acórdão n.º 9101002.523 CSRFT1 Fl. 576 11 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso da PGFN em relação apenas à matéria tributação dos lucros no exterior da CSLL auferidos em períodos anteriores à vigência da MP nº 18586/99, e no mérito negarlhe provimento. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Fl. 576DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.722560/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/10/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.465
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 25 60 /2 01 1- 17 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722560/201117 Acórdão n.º 3302003.465 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722560/201117 Acórdão n.º 3302003.465 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722560/201117 Acórdão n.º 3302003.465 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722560/201117 Acórdão n.º 3302003.465 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722560/201117 Acórdão n.º 3302003.465 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722560/201117 Acórdão n.º 3302003.465 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722560/201117 Acórdão n.º 3302003.465 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722560/201117 Acórdão n.º 3302003.465 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 15504.002710/2009-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, deve ser aplicado o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário.
Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: 9202-004.535
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, deve ser aplicado o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 55 04 .0 02 71 0/ 20 09 -1 7 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Especial do Procurador Especial do Procurador 2ª Turma 2ª Turma ubro de 2016 ubro de 2016 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL FUNCHAL LTDA. FUNCHAL LTDA. AA Fl. 614DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Cuida-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2401-002.824, fls. 495/517 do e-processo, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para declarar a decadência até a competência 02/2004 e no mérito afastar a tributação sobre o auxílio alimentação fornecido pela contribuinte e determinar o recálculo da contribuição destinada ao SAT levando-se em consideração, para efeito de adoção das alíquotas pertinentes, a atividade preponderante em cada estabelecimento individualizadamente. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. DECADÊNCIA E NULIDADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Caracterizando-se como matéria de ordem pública, incumbe ao julgador reconhecer de ofício a decadência do crédito previdenciário lançado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. REQUISITOS ENQUADRAMENTO. O regime substitutivo inscrito no artigo 22-A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela Lei n° 10.256/2001, contempla a tributação da Agroindústria, assim considerado o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção rural própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver suas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, Fl. 615DF CARF MF Processo nº 15504.002710/2009-17 Acórdão n.º 9202-004.535 CSRF-T2 Fl. 14 3 divisões ou setores rural e industrial distintos, preceitos que só passaram a ser observados pela contribuinte a partir de 11/2004, oportunidade em que começou o beneficiamento de seus produtos rurais. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SUBSTITUTIVO. PRESSUPOSTOS. EXPLORAÇÃO DE OUTRAS ATIVIDADES. NÃO ENQUADRAMENTO. Somente poderá fazer jus ao pagamento da contribuição substitutiva incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, inscrita no artigo 25 da Lei n° 8.870/1994, o produtor rural pessoa jurídica, exceto a agroindústria, que não desenvolva outra atividade autônoma, o que não se vislumbra no caso vertente, onde a autuada, além da atividade rural, explora outras atividades de aluguel, incorporação imobiliária e exploração de estacionamentos, sujeitando-se, portanto, à tributação sobre a folha de pagamentos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. AUSÊNCIA INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STJ. PARECER E ATO DECLARATÓRIO PROCURADORIA. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal de Justiça, corroborada pelo Parecer PGFN/CRJ n° 2117/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 03/2011, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Auxílio Alimentação in natura, in casu, Cestas Básicas, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, independentemente da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Trata-se de Auto de Infração (obrigação principal), lavrado em 31/03/2009, constituindo-se um crédito no valor de R$ 361.962,46, conforme descrito no acórdão recorrido: Consoante se extrai da decisão de primeira instância, a autoridade lançadora, examinando o contrato social e as Fl. 616DF CARF MF 4 alterações, bem como a escrituração contábil da empresa, entendeu que o sujeito passivo, no período de 01/2004 a 10/2004, seria um produtor rural pessoa jurídica que desenvolve outra atividade econômica autônoma, e que, a partir de 11/2004, seria uma agroindústria, também com outra atividade econômica autônoma. Relativamente ao período de 01/2004 a 10/2004, tratando-se de produtor rural pessoa jurídica que exerce outra atividade autônoma, a fiscalização exige contribuições sobre a folha de pagamento de todos os segurados, não aplicando a contribuição substitutiva incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. Por outro lado, no que tange ao período enquadrada como agroindústria, a partir de 11/2004, exige a contribuição substitutiva sobre a receita da comercialização da produção rural e sobre a receita das demais atividades econômicas, em substituição a folha de pagamento. (Fls. 498/499 do Acórdão recorrido) O lançamento apresenta como período de apuração 01/01/2004 a 31/12/2004, consolidado em 31/03/2009. A 06ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou procedente o lançamento fiscal, conforme Acórdão nº 02-30.830 de fls. 387/401 do e-processo. O Contribuinte, inconformado com tal decisão, interpôs Recurso Voluntário de fls. 406/425 e documentos de fls. 426/486, o qual foi julgado procedente em parte pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, no dia 22 de janeiro de 2013, conforme Acórdão nº 2401-002.824 de fls. 495/517 do e-processo. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, de fls. 519/530, com fundamento no art. 67, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009 (vigente a época dos fatos), alegando que o referido acórdão merece reforma, entendendo pela aplicação do art. 173, I do CTN, citando como paradigma os Acórdãos ns. 2301-00.158 e 2402-01.634, cujas ementas transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁIUAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 15504.002710/2009-17 Acórdão n.º 9202-004.535 CSRF-T2 Fl. 15 5 VALE-TRANSPORTE - PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE 1NCONSTMJCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. O vale-transporte para não integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias tem que seguir a legislação própria. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Não é possível à Administração Pública a apreciação da inconstitucionalidade de normas jurídicas. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O art. 22, IV da Lei n ° 8.212/1991 prevê a obrigatoriedade de as empresas tomadoras de serviço efetuarem o recolhimento das contribuições devidas sobre a nota fiscal, quando a prestadora de serviço for uma cooperativa de trabalho. Assim, a cota patronal sobre os segurados cooperados filiados à cooperativa de trabalho é custeada pela tomadora de serviços e não pela própria cooperativa de trabalho. Caso a cooperativa também tivesse que arcar com as contribuições haveria mais de um ente colaborando para a previdência dos segurados cooperados filiados à cooperativa de trabalho. AGROINDUSTRIA. ENQUADRAMENTO. AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO PRÓPRIA. A recorrente não se enquadra como agroindústria. Para tal enquadramento é imprescindível que haja industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n ° 8.212 de 1991. Recurso Voluntário Provido em Parte ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/09/2006 DECADÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. ART. 173, I, DO CTN. SEM RECOLHIMENTO PARCIAL. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Fl. 618DF CARF MF 6 Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 23/10/2007, data da ciência do sujeito passivo (fl. 416), e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram no período compreendido entre 06/2000 a 09/2006. Com isso, ocorreu a decadência tributária até a competência 11/2001, inclusive. As demais competências posteriores a 11/2001 não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. PAGAMENTOS EFETUADOS A COOPERATIVAS DE TRABALHO. ART. 22, IV, DA LEI 8.212/91. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. O ajuizamento de ação para discutir o débito apurado em regular fiscalização importa em renúncia ao processo administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte Conforme despacho de admissibilidade de fls. 533/535, foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sendo o Contribuinte intimado via correspondência, conforme AR de fls. 542. O Contribuinte interpostos Recurso Especial de fls. 544/556 e apresentou Contrarrazões de fls. 586/589. Porém, conforme despacho de admissibilidade de fls. 611, foi negado seguimento em razão da ausência dos requisitos para sua interposição. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva - Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, assim, o conheço. O presente caso trata-se de exigência de contribuições previdenciárias, parte patronal, para o período de 01/2004 a 12/2004, conforme destacado pela DRJ: 1) Enquadramento equivocado da empresa no código FPAS, sem recolher, declarar em GFIP e sem contabilizar os valores relativos à parte empresa (20%) e à destinada a financiar os benefícios de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - GILRAT (3%); Fl. 619DF CARF MF Processo nº 15504.002710/2009-17 Acórdão n.º 9202-004.535 CSRF-T2 Fl. 16 7 2) Fornecimento de alimentação aos empregados lotados na Fazenda Santa Bárbara de Guaritas sem convênio com o Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT; 3) Prestação de assistência médica sem a cobertura a todos empregados e dirigentes da empresa; 4) Diferença de contribuições para o financiamento dos benefícios de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - GILRAT; 5) Contribuição da agroindústria proveniente da receita de outra atividade econômica autônoma. Isso sobre receitas de aluguéis de imóveis próprios e receitas de incorporação, compra e venda de imóveis; 6) Contribuição de 20% sobre a remuneração da transportadora rodoviária autônoma, Rita Auxiliadora Ferreira Franco, não recolhida e não declarada em GFIP; 7) Diferença de acréscimos legais nas competências 05 e 07/2004. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, para declarar a decadência até a competência 02/2004, aplicando o art. 150, §4º do CTN. Em relação ao mérito, foi dado parcial ao recurso para afastar a tributação sobre o auxílio alimentação fornecido pela contribuinte e determinar o recálculo da contribuição destinada ao SAT levando-se em consideração, para efeito de adoção das alíquotas pertinentes, a atividade preponderante em cada estabelecimento individualizadamente. A Fazenda Nacional, por sua vez, apresenta Recurso Especial apenas em relação a aplicação do art. 150, §4º do CTN para fins de contagem do prazo decadêncial, conforme transcrevo abaixo: Com a devida vênia, não obstante a argumentação do r. voto- condutor,a decisão merece reforma, visto que negou vigência ao art. 173, I, do CTN, bem como aplicou indevidamente o art. 150, 4.º, do CTN, situação que implica manifesta violação dos aludidos preceitos legais e ao entendimento exposado pelo CARF. Isso porque a aplicação dessas normas está umbilicalmente associada à verificação do pagamento parcial antecipado das contribuições objeto de cobrança, e tal exame foi realizado de maneira equivocada na espécie, promovendo distorções inaceitáveis, consoante será demonstrado doravante. A respeito do prazo para o lançamento do tributo em comento, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. Câmara a quo, pois se considera o pagamento antecipado em relação às rubricas objeto do lançamento, de forma individualizada, a considerar cada fato gerador das contribuições previdenciárias. Assim, diante da ausência de pagamento das contribuições previdenciárias lançadas, aplica-se o art. 173, inc. I do CTN, não sendo o caso de incidir a norma do art. 150, 4º do CTN. (Fls.521) Fl. 620DF CARF MF 8 Em relação a este prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça tem o entendimento pacífico no sentido de que havendo pagamento, correto é aplicação do art. 150, §4º do CTN, conforme julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime do art. 543-C do CPC/73: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 621DF CARF MF Processo nº 15504.002710/2009-17 Acórdão n.º 9202-004.535 CSRF-T2 Fl. 17 9 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex legede pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Cumpre salientar que, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do CTN. Por sua vez, o art. 103-A da Constituição Federal de 1988 dispões que as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na impressa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Esse é o entendimento deste E. CARF, conforme se verifica no acórdão transcrito abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2006 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado(artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Fl. 622DF CARF MF 10 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Recurso Especial do Procurador negado (Acórdão nº 9202- 003.668, referente ao processo administrativo nº 13005.001864/2007-25). Referente a essa matéria, utilizo o voto proferido pela Ilma. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo no processo administrativo nº 18108.002386/200736, referente ao Acórdão nº 9202002.964, que foi acompanhado à unanimidade pela E. CSRF, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL E PRAZO. É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir crédito tributário relativo a contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, ainda que se trate de recolhimento genérico, relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo, o prazo se inicia na data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. (Grifei) Em seu voto ela destaca: Fl. 623DF CARF MF Processo nº 15504.002710/2009-17 Acórdão n.º 9202-004.535 CSRF-T2 Fl. 18 11 Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado, já que se trata de substituição tributária. No presente caso, a autuação teve por base o artigo 31 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 9.711, de 1998, que assim estabelecia: (...) Destarte, com base nos fundamentos acima, que adoto, e tendo em vista que foram efetuados pagamentos, conforme o TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 59/60 (61/62 do eprocesso), deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN. Como a ciência ao sujeito passivo foi levada a cabo em 03/12/2007; e os fatos geradores encontramse entre as competências 01/2002 a 11/2002, constatase a ocorrência da decadência.(Fls. 07 e 09 do Acórdão nº 9202002.964) No presente caso , como já descrito pela Câmara a quo, podemos concluir pela existência de antecipação de pagamento, a partir dos recolhimentos efetuados pela Contribuinte, conforme verificamos abaixo: In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, a partir dos recolhimentos efetuados pela contribuinte, os quais foram devidamente apropriados por ocasião do lançamento, além do lançamento de salário indireto e diferenças de acréscimos legais, reforçando a ocorrência de pagamentos parciais dos tributos lançados, fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Assim, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Na hipótese dos autos, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 31/03/2009, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da autuação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências 01/2004 e 02/2004, os quais encontram-se fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. (Fls. 503/504 - grifos do original) Fl. 624DF CARF MF 12 Neste sentido, destaco o Acórdão nº 9202.436 utilizado com um dos paradigmas para a elaboração da Súmula CARF nº 99: DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir crédito relativo a contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, ainda que se trate de recolhimento genérico, relativo a valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo, o prazo se inicia na data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º, do CTN. (Grifei) Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional,para que seja aplicado o art. 150, §4º do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 625DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.727442/2009-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 42 /2 00 9- 13 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727442/200913 Acórdão n.º 9202004.088 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 239DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727442/200913 Acórdão n.º 9202004.088 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 240DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727442/200913 Acórdão n.º 9202004.088 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 241DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727442/200913 Acórdão n.º 9202004.088 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727442/200913 Acórdão n.º 9202004.088 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727442/200913 Acórdão n.º 9202004.088 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 244DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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