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Numero do processo: 16832.000115/2010-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, salvo se a discussão na via extrajudicial ater-se a tão somente à matéria diferenciada.
DEPÓSITO DO MONTANTE INGRAL. JUROS. MULTA. CONVERSÃO EM RENDA.
Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. A realização do depósito do montante integral descaracteriza a ocorrência de mora, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios em relação aos débitos apurados em algumas competências autuadas. Havendo a conversão em renda dos valores adimplidos, há a extinção do crédito tributário, nos termos do Art. 156, VI do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir juros e multa e reconhecer a extinção da presente autuação ante a conversão do depósito em renda, nos termos do art. 156, VI do CTN. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Freitas de Souza que negaram provimento
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, salvo se a discussão na via extrajudicial ater-se a tão somente à matéria diferenciada. DEPÓSITO DO MONTANTE INGRAL. JUROS. MULTA. CONVERSÃO EM RENDA. Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. A realização do depósito do montante integral descaracteriza a ocorrência de mora, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios em relação aos débitos apurados em algumas competências autuadas. Havendo a conversão em renda dos valores adimplidos, há a extinção do crédito tributário, nos termos do Art. 156, VI do CTN. Recurso Voluntário Provido.
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DISCUSSÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, salvo se a discussão na via extrajudicial aterse a tão somente à matéria diferenciada. DEPÓSITO DO MONTANTE INGRAL. JUROS. MULTA. CONVERSÃO EM RENDA. Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. A realização do depósito do montante integral descaracteriza a ocorrência de mora, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios em relação aos débitos apurados em algumas competências autuadas. Havendo a conversão em renda dos valores adimplidos, há a extinção do crédito tributário, nos termos do Art. 156, VI do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 15 /2 01 0- 21 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir juros e multa e reconhecer a extinção da presente autuação ante a conversão do depósito em renda, nos termos do art. 156, VI do CTN. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Freitas de Souza que negaram provimento Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16832.000115/201021 Acórdão n.º 2403002.496 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, fls. 267/273, interposto em face do Acórdão proferido pela DRJ do Rio de Janeiro/RJ, fls. 253/259, a qual julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para manter o crédito previdenciário referente ao valor principal, consubstanciado no DEBCAD nº. 37.269.4853, cujo montante equivale a R$ 36.136,74 (trinta e seis mil cento e trinta e seis reais e setenta e quatro centavos), excluindo da autuação apenas os valores lançados à título de juros e multa. O crédito em cobrança referese ao período de janeiro a dezembro de 2005, incluindose as contribuições devidas a terceiros, INCRA. A base de cálculo está contabilizada na conta de ativo número 417011, cujo montante integral o contribuinte depositou em juízo após ter ingressado com ação judicial de número 2004.51.10.0070489. No relatório fiscal, fls. 54/58, a autoridade lançadora informou todos os fatos e destacou que o lançamento restaria suspenso até decisão final proferida pelo judiciário. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento efetuado, a empresa contestou a autuação fiscal por meio do instrumento de fls. 108/123. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 12ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão n° 12 41.868, fls. 253/259, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. O direito de o Fisco efetuar o lançamento decai no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, quando o lançamento é por homologação e houve a antecipação do pagamento. LANÇAMENTO. DEPÓSITO JUDICIAL. MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INEXIGIBILIDADE. O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de depósitos judiciais destinase a prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituílo. O depósito judicial no montante integral do crédito tributário, realizado tempestivamente, nas respectivas datas de vencimento Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 das obrigações, e previamente ao lançamento de ofício, afasta a exigência dos acréscimos legais (juros e multa de mora). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 267/273 requerendo extinção do auto de infração uma vez que já teria ocorrido a conversão em renda do depósito realizado em favor da União. É o relatório. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16832.000115/201021 Acórdão n.º 2403002.496 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 345, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO PROCESSO JUDICIAL – DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL Conforme consignado no Relatório Fiscal, a empresa apesar de não ter a seu favor a concessão de medida liminar para suspensão da exigibilidade do crédito, esta realizou o depósito do montante integral, o que suspende a exigibilidade do crédito tributário. Desde já, destaquese que ao ingressar com a referida medida judicial, a Recorrente abdicou do seu direito de discutir administrativamente, nos termos da Súmula n. 1 do CARF, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (grifo nosso) Destarte, não será objeto de análise o mérito da exigibilidade ou não da contribuição sob exigência, mas apenas com relação à aplicação de multa e juros. DA APLICAÇÃO DOS JUROS DE MORA E DE MULTA É certo que, estando o crédito tributário com a sua exigibilidade suspensa por força do depósito do montante integral, art. 151, II do Código Tributário Nacional, entendese que o contribuinte não pode ser qualificado como inadimplente.. O depósito do montante integral impede a propositura de execução fiscal, a fluência dos juros e a imposição de multa. Já a conversão do depósito em renda é causa extintiva do crédito tributário, razão pela qual deve o auto de infração ser extinto. É nessa linha de entendimento, que o Superior Tribunal de Justiça, realizou o julgamento do AgRg no Ag 799.539/SP, assim ementado: Fl. 352DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. LEVANTAMENTO DO DEPÓSITO JUDICIAL. ART. 151, II, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. GARANTIA DO JUÍZO. FINALIDADE DÚPLICE. OPOSIÇÃO. FAZENDA NACIONAL. EXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. A garantia prevista no art. 151, II, do CTN tem natureza dúplice, porquanto ao tempo em que impede a propositura da execução fiscal, a fluência dos juros e a imposição de multa, também acautela os interesses do Fisco em receber o crédito tributário com maior brevidade, porquanto a conversão em renda do depósito judicial equivale ao pagamento previsto no art. 156, do CTN encerrando modalidade de extinção do crédito tributário. 2. Permitir o levantamento do depósito judicial sem a anuência do Fisco significa esvaziar o conteúdo da garantia prestada pelo contribuinte em detrimento da Fazenda Pública. 3. Precedentes no sentido de que "sem precedência anuência da parte ré, o levantamento autorizado na Segunda Instância, na verdade, significou antecipada desconstituição da composição judicial sujeita ao reexame pedido na apelação. Ajustado, pois, que os valores depositados suspendiam a exigibilidade do crédito litigioso (art.151, II, CTN), o levantamento por provocação unilateral de uma das partes, com a modificação do statu quo, via oblíqua, equivaleu à antecipada desconstituição do título sentencial." 4. In casu, verificase a total impropriedade do pedido formulado. Isso porque, não bastasse a inadequação da via eleita (pedido formulado nos autos de agravo de instrumento), a verificação acerca ocorrência do recolhimento aos cofres públicos, dos valores depositados em juízo, ensejaria inegável exame de matéria fáticoprobatória, procedimento vedado a esta Corte, nos termos da Súmula 7/STJ. 5. Não cabe ao STJ a expedição de "Carta Precatória" com cópia integral dos autos ao juízo de 1º grau a fim de que seja analisada a possibilidade de levantamento dos depósitos. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 799539/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2007, DJ 31/05/2007, p. 355) O contribuinte apesar de ter ajuizado ação judicial e ter procedido com o depósito do montante integral, desistiu da ação em curso, a qual foi devidamente homologada, conforme os documentos que foram acostados no Recurso Voluntário, tendo sido determinado a conversão do depósito em renda em favor da União, fl. 342. Portanto, resta configurada a causa extintiva do crédito tributário do art. 156, VI, do Código Tributário Nacional, ensejando a consequente extinção da presente autuação. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16832.000115/201021 Acórdão n.º 2403002.496 S2C4T3 Fl. 5 7 CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço do recurso para, no mérito, dar provimento a fim de excluir juros e multa e reconhecer a extinção da presente autuação ante a conversão do depósito em renda, nos termos do art. 156, VI do CTN. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721290/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE.
1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado.
2. Na ausência de comprovação dessas circunstância agravantes, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de 75%.
PESSOA JURÍDICA OBRIGADA A ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL. OMISSÃO DE DADOS NOS ARQUIVOS DIGITAIS. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. POSSIBILIDADE.
A pessoa jurídica obrigada a escrituração fiscal digital que omitir informações em arquivos digitais fica sujeita a multa de 5% sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% da receita bruta auferida no período.
JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) excluir a responsabilidade tributária da recorrente pelo valor do IPI calculado sobre as vendas dos produtos (perfumes e outros produtos de toucador e higiene) adquiridos da empresa industrial interdependente; b) reduzir a multa agravada de 150% para 75%. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé que também afastavam a incidência de imposto sobre vendas canceladas.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE. 1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado. 2. Na ausência de comprovação dessas circunstância agravantes, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de 75%. PESSOA JURÍDICA OBRIGADA A ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL. OMISSÃO DE DADOS NOS ARQUIVOS DIGITAIS. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica obrigada a escrituração fiscal digital que omitir informações em arquivos digitais fica sujeita a multa de 5% sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% da receita bruta auferida no período. JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) excluir a responsabilidade tributária da recorrente pelo valor do IPI calculado sobre as vendas dos produtos (perfumes e outros produtos de toucador e higiene) adquiridos da empresa industrial interdependente; b) reduzir a multa agravada de 150% para 75%. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé que também afastavam a incidência de imposto sobre vendas canceladas. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. EMPRESA COMERCIAL VAREJISTA. PRODUTOS DE PERFUMARIA E DE TOUCADOR ADQUIRIDOS DE EMPRESA INDUSTRIAL INTERDEPENDENTE. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não se equipara a estabelecimento industrial a empresa comercial varejista que adquirir de empresa industrial interdependente perfumes e outros produtos de toucador e higiene. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. EMPRESA COMERCIAL VAREJISTA. PRODUTOS IMPORTADOS POR SUA CONTA E ORDEM. CABIMENTO. Equiparase a estabelecimento industrial as empresas comerciais varejistas que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE. 1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado. 2. Na ausência de comprovação dessas circunstância agravantes, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 90 /2 01 1- 18 Fl. 5059DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 PESSOA JURÍDICA OBRIGADA A ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL. OMISSÃO DE DADOS NOS ARQUIVOS DIGITAIS. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica obrigada a escrituração fiscal digital que omitir informações em arquivos digitais fica sujeita a multa de 5% sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% da receita bruta auferida no período. JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, deuse parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) excluir a responsabilidade tributária da recorrente pelo valor do IPI calculado sobre as vendas dos produtos (perfumes e outros produtos de toucador e higiene) adquiridos da empresa industrial interdependente; b) reduzir a multa agravada de 150% para 75%. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé que também afastavam a incidência de imposto sobre vendas canceladas. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 374/387), em que formalizada a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 2.485.731,03, sendo R$ 859.105,51 de IPI, R$ 1.288.658,23 de multa de ofício agravada, R$ 269.710,38 de juros moratórios e R$ 68.256,91 de multa regulamentar, por omissão de dados em arquivos magnéticos. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fls. 327/373), a autuada foi equiparada a estabelecimento industrial por duas condições: a) era adquirente de produtos de procedência estrangeira, importados por conta ordem; e b) era revendedora exclusiva dos produtos de perfumaria e outros produtos de toucador e higiene, Fl. 5060DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 101 3 fabricados pela pessoa jurídica interdependente VITI Indústria e Comércio de Cosméticos, Perfumes e Presentes Ltda., doravante denominada de VITI. As autoridades fiscais ainda asseveraram que “a existência das duas empresas, VITI e TB Perfumes, traduzem, em tese, um esquema para que se obtenha a produção e venda de artigos de perfumaria sem o devido recolhimento dos tributos e contribuições: IPI, PIS, COFINS.” Em sede de impugnação, em apertada síntese, a autuada alegou, em preliminar: a) fixação de base tributável por presunção; b) indevido enquadramento legal; c) falta de menção de regra legal que impusesse o pagamento do IPI à autuada; d) ilegalidade da autuação; e) ausência de fato gerador do qual decorresse à equiparação a estabelecimento industrial; e f) ilegitimidade passiva. No mérito, a recorrente alegou que: a) não era contribuinte do IPI, porque desenvolvia atividade exclusivamente varejista e não era equipada a estabelecimento industrial nem a empresa encomendante; b) a pessoa jurídica VITI tinha idoneidade fiscal e capacidade operacional e fora constituída regularmente; c) o planejamento tributário realizado dentro dos limites da lei, ainda que com o único objetivo de reduzir a carga tributária, não afrontava o disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN; d) não houve simulação nas operações por ela realizadas; e) no mercado brasileiro da indústria de higiene pessoal e perfumaria o planejamento fiscal já consagrado e aceito; f) a Medida Provisória que objetiva tributar a distribuidora interdependente não foi convalidada, logo não havia legislação que regulasse tal cobrança; g) as notas fiscais canceladas não foram excluídas da base de cálculo do IPI; h) houve mera presunção de que todas as operações de revenda eram de produtos monofásicos, sujeitos à alíquota de incidência única de 22%; i) não foi comprovado do evidente intuito de fraude que justificasse o agravamento da multa; j) inaplicabilidade da taxa Selic no cálculo do juros moratórios; l) a multa aplicada era confiscatória; e m) era indevida a multa por erro na entrega de documento, pois não era empresa industrial. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a impugnação e mantido o crédito tributário exigido. As preliminares suscitada na peça impugnatória foram rejeitas, com base nos seguintes argumentos de que: a) pesava em desfavor da autuada o fato de a sua sócia majoritária, em Juízo, haver confessado a existência de fraude e prática de ilícitos tributários apurados na denominada operação “Porto Europa”; b) afiguravase correta a equiparação a estabelecimento industrial da autuada; c) intimada a apresentar a escrituração fiscal por meio eletrônico, a autuada apresentou um banco de dados incompleto, o que autorizara a autoridade fiscal, com respaldo no art. 448 do RIPI/2002, a proceder o lançamento utilizando os valores do livro Registro de Saídas da Impugnante. Enquanto que o não acatamento das razões de mérito foi baseado nos seguintes argumentos: a) a atipicidade, no presente caso, era absoluta, pois não se estava a exigir IPI em operações de revenda, como alegara a autuada, mas sim, exigindose IPI sobre as saídas de empresa equiparada a industrial, por ter efetuado importações próprias e por terceiras pessoas interpostas, cujas operações a interessada não apresentou qualquer prova que se tratava de operações de revenda; b) por força da vinculação a que estava adstrita a autoridade julgadora primeiro grau, os juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos previstos na legislação devem ser calculados com base na taxa Selic, conforme determina a legislação Fl. 5061DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 vigente; e c) não tinha competência para analisar a alegada inconstitucionalidade do efeito confiscatório da multa aplicada. Em 31/8/2012, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 4.848). Em 24/9/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 4.862/5.016, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em relação às preliminares, alegou que a decisão de primeira instância não havia adentrado nas particularidades do caso, ou mesmo das provas suscitadas, o que havia ferido de morte o princípio constitucional da motivação do ato administrativo, bem como o direito de ampla defesa. No que tange ao mérito, em síntese, a recorrente alegou que: a) a decisão administrativa não seguiu o seu mister legal de rever o trabalho fiscal e buscar a verdade material dos fatos, visto que negligenciou quanto a apreciação de todos os pontos da defesa, focandose apenas em uma ou outra situação, inclusive com conclusões complessivas e sem o mínimo de fundamentação; b) o acórdão era bastante confuso quanto a identificação da operação da recorrente, que se tratava de aquisição de produtos fabricados por terceiros e sua posterior revenda no varejo; c) a Turma de Julgamento de primeiro grau alegou que a recorrente estava incluída em esquema fiscal fraudulento, entretanto, não existia nos autos qualquer tipo de prova, documento, informação ou ao menos indício que demonstrasse que a recorrente participara de qualquer ilícito, tendo se respaldado apenas em notícias jornalísticas de que sócia majoritária fora condenada em ação criminal, na qual supostamente confessara a prática de crime, isso diante da adesão à chamada delação premiada, mas que essa alegação cairia por terra ante a decisão exarada pelo STJ, no Habeas Corpus nº 142.045, que declarou ilícitas todas as provas colhidas no curso das operações policiais "Porto Europa" e "Dilúvio", o que gerou a extinção do respectivo processo criminal, consequentemente, não poderia ser atribuído qualquer prática de crime a referida sócia; d) a recorrente não era importadora direta, como alegado no acórdão recorrido, mas simples revendedora de produtos importados ou fabricados por terceiros; e) o acórdão era totalmente omisso na indicação da base legal, ou ao menos o fato, que pudesse justificar a equiparação da recorrente a estabelecimento industrial; f) apesar da absurda e não provada alegação da Turma de Julgamento de que pairava “indício de fragilidade operacional” da operação da empresa VITI, era certo que não pesava sobre tal empresa qualquer declaração de sua inidoneidade, pelo contrário, o que se verificava dos autos era que a empresa gozava do "status" de idoneidade fiscal, por ser cumpridora de suas obrigações e com total autorização para exercer seu mister, portanto, impossível a desconsideração das atividades e negócios praticados pela citada empresa. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 5062DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 102 5 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inicialmente, é pertinente esclarecer que os fatos objeto da presente autuação não foram apurados no âmbito das denominadas operações “Dilúvio” e “Porto Europa”. Ademais, o fato de ter sido imputada a autuada e as importadoras por sua conta e ordem fraudes em operações de comércio exterior detectadas no âmbito das referidas operações, a meu ver, não tem qualquer implicação sobre o objeto da autuação em apreço. Da mesma forma, o fato de a sócia majoritária da autuada ter confessado ou sido condenada pela prática de crime contra a ordem tributária, relacionados com às citadas operações, também não em nada contribui para o deslinde da presente contenda, que cingese a matéria de natureza meramente tributária. Aliás, no item 7 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 330/331), que integra o auto de infração, foi noticiado que a Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, durante as referida operações havia descoberto operações de ocultação dos reais intervenientes nas operações de aquisição e comercialização do denominado Grupo Tânia Bulhões que, em tese, montara uma estrutura de interposição fraudulenta para obter a redução dolosa dos tributos incidentes sobre as operações de comércio exterior (II, IPI, PIS e Cofins). Entretanto, no item 8 do mesmo Termo, consta a informação de que a autuada havia realizado apenas importações por conta e ordem das tradings Socinter Sul Comércio e Vila Porto Internacional. Também não corresponde aos fatos noticiados nos autos, as afirmações do ilustre Relator do voto condutor do julgado recorrido no sentido de que (i) a equiparação da autuada a estabelecimento industrial decorrera da quebra da “cadeia do IPI”, implementar por meio de uma arquitetura tributária fraudulenta, escondendo o real importador e provocando uma redução indevida de diversos tributos, inclusive o IPI; e que (ii) a recorrente fez importações diretas no período fiscalizado, o que reforçaria ainda mais a sua equiparação a estabelecimento industrial sujeito ao pagamento do IPI na saída dos produtos importados. Com esses esclarecimentos, resta demonstrado que os fatos fraudulentos comprovados no âmbito das referidas operações ou até mesmo os imputados à autuada e sua sócia majoritária, induvidosamente, são matérias estranha aos autos. Com efeito, segundo o disposto no MPF n° 0819000.2011.024312 (fl. 3), a autuação em questão decorreu do trabalho de fiscalização realizado na autuada com objetivo de verificar o correto cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IPI, PIS e Cofins ocorridas no período de janeiro a dezembro de 2008. Além disso, compulsando o Termo de Verificação Fiscal acostado aos autos (fls. 327/340), verificase que foram atribuídas à recorrente duas irregularidades. Uma delas, que dera saída a produto do seu estabelecimento sem o lançamento na respectiva nota fiscal do valor do IPI devido na operação. A outra que omitira dados nos arquivos magnéticos de notas fiscais de saída e de registro de inventário. Em decorrência da segunda irregularidade, segundo auto de infração em tela (fls. 374/387), à autuada foi imputada a multa regulamentar do art. 504, II, combinado com o disposto no art. 318, ambos do Decreto n° 4.544, de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002) , na época dos fatos vigente. Fl. 5063DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 Pelo cometimento da primeira irregularidade, de acordo com citado auto de infração, foi cobrado da recorrente o valor IPI não lançado nas respectivas notas fiscais de saída, acrescido de multa de ofício agravada de 150% sobre o valor do IPI e juros moratórios calculados com base na variação da taxa Selic. Todas essas matérias foram contestadas pela recorrente na peça impugnatória, as quais foram reafirmadas no recurso voluntário em apreço, constituindo, portanto, as questões objeto do litígio posto nos presentes autos. Em sua defesa, a recorrente suscita questões preliminares e de mérito, a seguir analisadas. I DAS PRELIMINARES Em preliminar, a recorrente alegou a nulidade do Auto de Infração, porque fora baseada em meros indícios, presunções e conclusões arbitrárias e injustificadas, contendo diversos erros, vícios e imperfeições, dentre os quais: a) fixação de base tributável por presunção; b) indevido enquadramento legal; c) falta de menção de regra legal que impusesse o pagamento do IPI à autuada; d) ilegalidade da autuação; e) ausência do fato gerador do qual decorrera à equiparação a estabelecimento industrial; e f) ilegitimidade passiva. Da ilegitimidade passiva: ausência de equiparação a estabelecimento industrial. No que concerne a preliminar de ilegitimidade passiva, o ponto fulcral da controvérsia cingese a questão da equiparação da recorrente a estabelecimento industrial. Segundo o Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fls. 327/335), a autuada foi equiparada a estabelecimento industrial por se enquadrar em duas condições: a) era adquirente de produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta ordem; e b) era revendedora exclusiva dos produtos de perfumaria fabricados pela empresa industrial interdependente VITI. Ambas as situações foram enquadras no art. 9º, I a X, do RIPI/2002. Em relação a primeira equiparação, o procedimento fiscal não merece reparo, pois noticiam os autos que, no período da autuação, a recorrente realizou as importações por conta e ordem, por intermédio das empresas importadoras Socinter Sul e Vila Porto, conforme discriminado pela fiscalização na Tabela de fl. 331, equiparandolhe a estabelecimento industrial, nos termos do inciso IX do citado art. 9º, a seguir transcrito: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: [...] IX os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, observado o disposto no § 2º ( Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 79); e [...] (grifos não originais) No que tange à segunda condição de equiparação a estabelecimento industrial, a recorrente alegou que a legislação que disciplinava a operação de compra e venda entre empresas interdependentes impunha, exclusivamente, a observância do preço mínimo tributável, a ser seguido pelo vendedor da mercadoria, no caso a empresa industrial VITI, excluindo o comprador, no caso a recorrente, de qualquer obrigação. Assim, como não existia previsão legal que equiparasse a recorrente a estabelecimento industrial, impossível lhe atribuir a obrigação do pagamento do IPI sobre as operações de revenda dos produtos que adquire com Fl. 5064DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 103 7 exclusividade da empresa interdependente VITI, logo, era parte ilegítima para compor o polo passivo da autuação. Neste ponto, assiste razão a recorrente. De fato, compulsando o inteiro teor do art. 9º do RIPI/2002 verificase que nenhum dos incisos descreve a aquisição, com exclusividade, de produto industrializado por empresa industrial interdependente, definida no art. 520 do RIPI/2002, como uma situação de equiparação a estabelecimento a industrial. A única hipótese de previsão legal de equiparação da empresa interdependente encontrase prevista no art. 10 do RIPI/2002, que tem a seguinte redação, in verbis: Art. 10. São equiparados a estabelecimento industrial os estabelecimentos atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, de estabelecimentos industriais ou dos estabelecimentos equiparados a industriais de que tratam os incisos I a V do art. 9º (Lei nº 7.798, de 1989, arts. 7º e 8º). § 1º O disposto neste artigo aplicase nas hipóteses em que o adquirente e o remetente dos produtos sejam empresas controladoras, controladas ou coligadas (Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1.976, art. 243, §1º e §2º), interligadas (Decretolei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, art. 10, § 2º) ou interdependentes. § 2º Na relação de que trata o caput deste artigo poderão, mediante decreto, ser excluídos produtos ou grupo de produtos cuja permanência se torne irrelevante para arrecadação do imposto, ou incluídos outros cuja alíquota seja igual ou superior a quinze por cento. (grifos não originais) Da leitura do referido preceito normativo, extraise que a equiparação a estabelecimento industrial do adquirente pela prática de operações de compra e venda entre empresas interdependentes somente ocorre se atendidas, simultaneamente, duas condições: a) o estabelecimento adquirente seja atacadista; e b) os produtos adquiridos estejam relacionados no Anexo III da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989. Em nenhuma dessas condições, certamente, não se inclui a recorrente, haja vista que se trata de empresa comercial varejista, conforme informação da própria fiscalização consignada no citado Termo de Verificação Fiscal (fl. 327), e os produtos adquiridos pela recorrente da empresa industrial interdependente VITI (perfumes e outros produtos de toucador e higiene), discriminados pela fiscalização na Tabela de fls. 329/330, foram expressamente excluídos do citado Anexo III, por meio do Decreto nº 1.217, de 11 de agosto de 1994. Com base nessas considerações, resta demonstrado que, em relação aos produtos adquiridos da empresa interdependente VITI, induvidosamente, a recorrente não se equipara a estabelecimento industrial. Da fixação da base tributável e da alíquota única por presunção. Alegou a recorrente que a fiscalização presumira (i) a base tributável da autuação, dizendo que nela se incluíam todas as receitas da recorrente, e (ii) a alíquota única de Fl. 5065DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 22%, reservada a um pequeno grupo de produtos de higiene pessoal e perfumaria revendidos pela recorrente. Não procede a alegação da recorrente, seja com relação a alegada presunção da base de tributável, seja com relação a alíquota única de 22% aplicada. No primeiro caso, porque os valores das vendas utilizados como base de cálculo foram extraídos dos documentos fiscais (cupom fiscal e nota fiscal) emitidos pela própria recorrente, conforme discriminado nos Anexo A e B (fls. 341/371), que integram o auto de infração em apreço. No que tange alíquota unificada de 22%, porque ela foi utilizada apenas em relação as vendas por cupom fiscal que a recorrente, embora regularmente intimada, não informou quais os produtos e respectivas classificação fiscal na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Esse foi o real motivo apresentado pela fiscalização para a utilização da alíquota majorada e unificada de 22%. Logo, fica afastada a tentativa da recorrente de, através de jogo de palavras, querer atribuir um outro motivo para a utilização da referida alíquota, tal como, o de que a fiscalização teria se baseado na premissa de que os produtos não enquadrados na tributação monofásica eram “vendidos sempre acompanhados ao da posição 33”, em kits ou conjuntos. Também a apresentação de livros e documentos fiscais, evidentemente, não era suficiente para separação dos produtos por respectiva classificação fiscal. Portanto, ao contrário do alegou a recorrente, a utilização da alíquota mais elevada do IPI para os produtos não discriminados por NCM foi feita em consonância com o disposto no § 1º do art. 448 do RIPI/2002, a seguir transcrito: Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matérias primas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). §1º Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento.(Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) [...] (grifos não originais) No caso em tela, em face da precariedade dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e da ausência dos livros fiscais obrigatórios exigidos determinados na legislação do IPI, obviamente, era impossível a fiscalização fazer a separação da grande quantidade de produtos vendidos e aplicar a alíquota fixada na TIPI para cada um deles. Fl. 5066DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 104 9 Dessa forma, fica demonstrado que a base de cálculo, assim como a alíquota única e majorada, que foram utilizadas pela fiscalização na determinação do valor IPI lançado foi baseada em valores reais, fornecidos pela própria recorrente, e alíquota determinada em conformidade com o disposto na legislação vigente. II DO MÉRITO No mérito, a recorrente alegou que: a) não era contribuinte do IPI, porque desenvolvia atividade exclusivamente varejista e não era equipada a estabelecimento industrial nem a empresa encomendante; b) a pessoa jurídica VITI tinha idoneidade fiscal e capacidade operacional e fora constituída regularmente; c) o planejamento tributário realizado dentro dos limites da lei, ainda que com o único objetivo de reduzir a carga tributária, não afrontava o disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN; d) não houve simulação nas operações por ela realizadas; e) no mercado brasileiro da indústria de higiene pessoal e perfumaria o planejamento fiscal já consagrado e aceito; f) a Medida Provisória que objetiva tributar a distribuidora interdependente não foi convalidada, logo não havia legislação que regulasse tal cobrança; g) as notas fiscais canceladas não foram excluídas da base de cálculo do IPI; h) houve mera presunção de que todas as operações de revenda eram de produtos monofásicos, sujeitos à alíquota de incidência única de 22%; i) não foi comprova do evidente intuito de fraude que justificasse o agravamento da multa; j) inaplicabilidade da taxa Selic no cálculo do juros moratórios; l) a multa aplicada era confiscatória; e m) era indevida a multa por erro na entrega de documento, pois não era empresa industrial. Da falta de equiparação a estabelecimento industrial. A recorrente alegou que não havia incidência do IPI nas operações de venda realizadas no período da autuação, porque não era equiparada a estabelecimento industrial, uma vez que só revendia produto fabricado ou importado por terceiros. A alegação da recorrente procede em relação à revenda dos produtos nacionais fabricados por terceiros, no caso, pela empresa interdependente VITI. Essa questão já foi analisada no tópico anterior atinente às preliminares e ficou demonstrado que, neste caso, não existe previsão legal que ampare a equiparação da recorrente a estabelecimento industrial. Por outro lado, em relação à revenda dos produtos importados, há provas cabais nos autos que demonstram que a recorrente realizou importações por conta e ordem, por intermédio das importadoras Socinter Sul e Vila Porto, o que lhe equipara a estabelecimento industrial, nos termos do inciso IX do art. 9º do RIPI/2002. Das alegações sobre matérias estranhas aos autos. Deixase de apreciar as alegações da recorrente sobre a não realização de industrialização por encomenda, planejamento tributário, simulação, não convalidação da Medida Provisória que objetiva tributar a distribuidora interdependente e falta de capacidade operacional e de inidoneidade da pessoa jurídica VITI, por se tratar matérias estranhas ao objeto da autuação em questão. Das notas fiscais canceladas. Fl. 5067DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 10 Alegou a recorrente que a fiscalização deixou de excluir as notas fiscais canceladas, apesar da expressa menção na lei fiscal de que tais valores deveriam reduzir a base de cálculo do IPI. Não previsão na legislação do IPI, que autorize o contribuinte a excluir o valor das notas fiscais canceladas da base de cálculo do imposto. De fato, no caso de cancelamento da nota fiscal, o que há é previsão para o contribuinte creditarse do valor do imposto já escriturado, porém tal procedimento (i) deverá ser adotado antes da saída da mercadoria do estabelecimento e (ii) o contribuinte ainda deverá, ao registrar o crédito, anotar o motivo na coluna "Observações" do livro Registro de Apuração do IPI, conforme determina o art. 178 do RIPI/2002, a seguir transcrito: Art. 178. É ainda admitido ao contribuinte creditarse: I do valor do imposto, já escriturado, no caso de cancelamento da respectiva nota fiscal, antes da saída da mercadoria; e II do valor da diferença do imposto em virtude de redução de alíquota, nos casos em que tenha havido lançamento antecipado previsto no art. 128. Parágrafo único. Nas hipóteses previstas neste artigo, o contribuinte deverá, ao registrar o crédito, anotar o motivo do mesmo na coluna "Observações" do livro Registro de Apuração do IPI. (grifos não originais) No caso em tela, como a recorrente não comprovou que cumprira tais requisitos, consequentemente, não há qualquer reparo a ser feito no procedimento da fiscalização em apreço. Da multa agravada. Alegou a recorrente que era inaplicável o agravamento da multa pela fiscalização, haja vista que não ficou comprovado o dolo e o evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio. Por sua vez, a fiscalização asseverou “a existência das duas empresas, VITI e TB Perfumes, traduzem, em tese, um esquema para que se obtenha a produção e venda de artigos de perfumaria sem o devido recolhimento dos tributos e contribuições: IPI, PIS, COFINS”, o que justificava a aplicação da multa agravada de 150%, fixada no art. 80, caput e § 6º, II, da Lei nº 4.502, de 1964, a seguir transcrito: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 6o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) [...] Fl. 5068DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 105 11 II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) [...]. (grifos não originais) O fato relatado pela fiscalização, a meu ver, não se enquadra nas circunstâncias agravantes previstas nos referidos arts. 71, 72 e 731, que tratam, respectivamente, de sonegação, fraude e conluio. De fato, a existência de empresa interdependente, por si só, não é suficiente para configurar esquema de sonegação fiscal ou fraude alegado pela fiscalização, uma vez que a criação de empresa interdependente tem respaldo na legislação. Inclusive, para evitar redução indevida de tributo, a operação de remessa de produtos fica sujeita ao regime de valor tributável mínimo, mediante a fixação de limite mínimo do preço de venda no mercado atacadista da praça do remetente, nos termos do art. 136, I, do RIPI/2002, a seguir transcrito: Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); [...]. (grifos não originais) A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio do autuado. No presente caso, o que restou descrito e comprovado nos autos foi a falta de destaque do IPI nos documentos fiscais de venda, nas operações de revenda dos produtos importados por conta e ordem da recorrente, fato que se amolda a hipótese da infração descrita no caput do citado art. 80, o que impõe a redução da multa agravada aplicada ao percentual normal de 75%. Da inaplicabilidade da taxa Selic. No que tange a alegação de inaplicabilidade da taxa Selic, como índice de correção dos créditos tributários federais, a matéria já foi analisada exaustivamente no âmbito deste Conselho e do Poder Judiciário, tendo se firmado entendimento de que era legal e 1 "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Fl. 5069DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 12 constitucional a cobrança de tal gravame com base na variação da taxa Selic. Tratase de matéria superada há bastante tempo na jurisprudência deste Conselho. Entretanto, não é demais repetir que a cobrança dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, está em perfeita consonância com o disposto no § 1º do art. 161 do CTN, que estabelece o seguinte, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. [...]. (grifos não originais) Assim, em conformidade com o transcrito preceito legal, o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabeleceu o seguinte regramento, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação ao assunto, cabe esclarecer que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou a respeito, reconhecendo a constitucionalidade da cobrança do referido gravame, conforme exposto no enunciado da ementa do Acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 803.707/PR (Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 14.08.2006), a seguir reproduzida: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. BASE DE CÁLCULO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ART. 161, § 1º, DO CTN. 1. Constitui a base de cálculo da multa de mora prevista no art. 61 da Lei n. 9.430/1996 o valor principal da dívida atualizado pela taxa Selic. 2. É lícita, por força do comando contido na Lei n. 9.065/1995, a aplicação da taxa Selic nos casos em que há parcelamento do débito tributário ou em que há quitação total, mas com atraso. Precedentes. 3. Nas ações que tenham por fim a repetição de pagamentos indevidos efetuados antes de 1º.1.96 e cujo trânsito em julgado ainda não tenha ocorrido, incide, na atualização do indébito, a Fl. 5070DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 106 13 partir dessa data, exclusivamente, a taxa Selic. Desde aquela data, não tem mais aplicação o mandamento inscrito no art. 167, parágrafo único, do CTN, o qual, diante da incompatibilidade com o disposto no art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, restou derrogado. 4. Recurso especial improvido. No mesmo sentido, firmouse a jurisprudência deste Conselho, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 4, a seguir transcrito: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Logo, resta demonstrado que o cálculo dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, tem amparo legal e constitucional. Ademais, por se tratar de matéria sumulada por este Conselho, tal entendimento é de obrigatório observância por seus conselheiros, sob pena da sanção prevista no inciso VI do art. 452 Regimento Interno deste Conselho. Do efeito confiscatório da multa aplicada. A recorrente alegou que a multa de ofício agravada cobrada ultrapassava o valor do tributo devido, o que caracterizava verdadeiro confisco, com afronta a regra constitucional que veda a utilização de tributo com efeito confiscatório, bem os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, isonomia e da capacidade contributiva. A análise dessa alegação, necessariamente, implica adentrar no âmbito de questão sobre a constitucionalidade do art. 80, caput e § 6º, II, da Lei nº 4.502, de 1964, norma legal que se encontra plenamente vigente e eficaz. Porém, como de sabença, à instância administrativa de julgamento é vedada apreciar a legalidade e/ou constitucionalidade de norma legal vigente, conforme expressamente determinado no art. 26A3 do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972 (PAF), com a redação da Lei nº 11.941, de 2008. Tal atribuição é reservada, com exclusividade, ao Poder Judiciário. 2 "Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: [...] VI deixar de observar, reiteradamente, enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF expedidas, respectivamente na forma dos arts. 73 e 77 72 e 76, bem como o disposto no art. 62; [...]" 3 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 5071DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 14 No âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase determinada no art. 624 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e consolidada na sua jurisprudência, conforme disposto no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por essas razões, por falta de competência, deixase de apreciar o alegada inconstitucionalidade por efeito confiscatório da multa aplicada. Da multa por omissão de dados em arquivos magnéticos. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fls. 335/337), a autuada apresentou os (i) arquivos magnéticos 4.3.1 (arquivo mestre de mercadorias/serviços notas fiscais de saída ou de entradas emitidas pela pessoa jurídica) e 4.3.2 (arquivo de itens de mercadorias/serviços notas fiscais de saídas ou de entradas emitidas pela pessoa jurídica) sem as informações das vendas realizadas por cupom fiscal (EFC) e (ii) o arquivo magnético 4.5.2 (arquivo de registro de inventário AC de 2007 e 2008) sem dados ou em branco e apresentou a justificativa de que o seu banco de dados sofrera um problema técnico que resultou na perda parcial das informações relativas à EFC e ao registro de inventário. Em face dessa irregularidade, entendeu a fiscalização que a recorrente havia cometido a infração tipificada no art. 504, inciso II, combinado com o disposto no art. 318 do RIPI/2002, a seguir transcritos: Art. 318. As pessoas jurídicas que utilizam sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da SRF, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária (Lei nº 8.218, de 1991, art. 11, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72). § 1º A SRF poderá estabelecer prazo inferior ao previsto, no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 11, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72, § 1º). a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" 4 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993". Fl. 5072DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 107 15 § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (Lei nº 8.218, de 1991, art. 11, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72, § 2º). § 3º A SRF expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados (Lei nº 8.218, de 1991, art. 11, §2º, Lei nº 8.383, de 1991, art.62, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72, § 3º). § 4 º Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal (Lei nº 8.218, de 1991, art. 11, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72, § 4º). [...] Art. 504. A inobservância do disposto no art. 318 acarretará a imposição das seguintes penalidades (Lei nº 8.218, de 1991, art. 12, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72): [...] II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período (Lei nº 8.218, de 1991, art. 12, inciso II, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72) ; e [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que essa multa era inválida e indevida, visto que recorrente, por ser empresa varejista, não estava sujeita a entrega dos arquivos e informações eletrônicas estabelecidos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001 e no Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15, de 2001, haja vista que tais informações eletrônicas só eram devidas por empresa industrial. Em conformidade com disposto nos preceitos normativos anteriormente transcritos, fica evidenciada a improcedência dessa alegação. A uma, porque a obrigação acessória em tela foi imposta a todas as “pessoas jurídicas que utilizam sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal”, situação que enquadrava a autuada, e não apenas as empresas industriais ou equiparadas a estabelecimento industrial, como alegado pela recorrente. A duas, porque apenas as empresas optantes pelo SIMPLES estão dispensadas do cumprimento da referida obrigação, situação que não se enquadrava a recorrente, que, inclusive apresentou os demais arquivos magnéticos, a que estava obrigada, sem qualquer problema técnico. Fl. 5073DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 16 Além disso, contraditoriamente, em 26/8/2011, em resposta à intimação da fiscalização, a recorrente informou que os citados arquivos existiam, mas que não possuíam as informações requeridas, porque o sistema operacional havia apresentado um problema técnico que resultara, coincidentemente, apenas na perda parcial das informações contidas no banco de dados que armazenava os registros dos cupons fiscais (ECF) e do inventário. Por essas razões, rejeitase a alegação em tela. III DA CONCLUSÃO Com base no exposto, votase pelo PARCIAL PROVIMENTO do recurso, para: a) excluir a responsabilidade tributária da recorrente pelo valor do IPI calculado sobre as vendas dos produtos (perfumes e outros produtos de toucador e higiene) adquiridos da empresa industrial interdependente VITI Indústria e Comércio de Cosméticos, Perfumes e Presentes Ltda., em face da ausência de equiparação a estabelecimento industrial, por falta de previsão legal; b) reduzir a multa agravada de 150% para 75%, por falta de comprovação nos autos de ação ou omissão dolosa da autuada, com evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 5074DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901655/2008-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.
A teor do contido no Recurso Extraordinário STF 566.621/RS, proferido no rito do Art. 543-B do Código de Processo Civil, as disposições da Lei Complementar 118/2005, somente se aplicam aos pedidos ingressados na via administrativa ou judicial após 08 de junho de 2005.
Numero da decisão: 1803-001.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A teor do contido no Recurso Extraordinário STF 566.621/RS, proferido no rito do Art. 543-B do Código de Processo Civil, as disposições da Lei Complementar 118/2005, somente se aplicam aos pedidos ingressados na via administrativa ou judicial após 08 de junho de 2005.
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DECADÊNCIA. A teor do contido no Recurso Extraordinário STF 566.621/RS, proferido no rito do Art. 543B do Código de Processo Civil, as disposições da Lei Complementar 118/2005, somente se aplicam aos pedidos ingressados na via administrativa ou judicial após 08 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 55 /2 00 8- 17 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/02/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901655/200817 Acórdão n.º 1803001.980 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman Relatório Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP nº 07833.60528.210704.1.7.027249, (fls.11/21), a qual retificou PER/DCOMP nº 12023.42030.210704.1.3.028681, (fls.2/10) em que a empresa recorrente indica crédito de saldo negativo de IRPJ, ano calendário 1998 no valor de R$ 16.180,87 para compensar com débitos próprios. O crédito teria sido originado por estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores e o mesmo crédito também foi utilizado nos PER/DCOMP`s 13883.73189.110804.1.3.029790 (fls.22/25) e 35944.16781.231204.1.3.020040 (fls.26/30). O direito creditório não foi reconhecido, por intermédio do Despacho Decisório de 23/10/2008, nº 796756359 e anexos (fls.34/36), e as compensações não foram homologadas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que: “...na data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Data de apuração do saldo negativo: 31/12/1998. Data de transmissão do PER/DCOMP original com demonstrativo do crédito: 21/07/2004.” Devidamente cientificada do Despacho Decisório, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de manifestação de inconformidade alegando, em breve sínteses, que o saldo negativo de IRPJ foi constituído através da DIPJ/1999, ano calendário 1998 e que esse saldo negativo, no montante de R$ 16.180,87 foi compensado nos exercícios subsequentes, dentro da sua validade, ou seja, 1999, 200, 2001, 2002 e 2003. Tudo conforme disciplina o art. 156 do CTN e 73 da Lei 9.430/96. Afere ainda que o PER/DCOMP é um documento informativo, no qual se discrimina o tributo e os valores compensados, já que o crédito do contribuinte encontrase registrado nessa Secretaria e poderia ser abatido de qualquer tributo que apresentasse insuficiência, independentemente do PER/DCOMP. Atenta para o fato de que se o direito ao crédito encontrase extinto, também estará extinto o direito de cobrança dos tributos compensados e requer o cancelamento da cobrança dos débitos e arquivamento do processo. A decisão de primeira instância entendeu no caso do saldo negativo IRPJ apuração anual, o fato gerador do tributo somente se aperfeiçoa em 31/12, razão pela qual se Fl. 68DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/02/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901655/200817 Acórdão n.º 1803001.980 S1TE03 Fl. 113 3 entende que o prazo de 05 (cinco anos) para pleitear a restituição começa a fluir em 31 de dezembro do ano calendário, sendo essa a data em que resta caracterizado o saldo negativo em questão, ou seja, que as antecipações efetuadas ultrapassam o tributo devido ao término do período de apuração, isto é, no ajuste anual. Cita doutrina Explica que a prescrição ocorre quando a empresa, já tendo apurado na DIPJ corresponde o saldo negativo na data de encerramento do período de apuração, deixa de pleitear a sua restituição ou de utilizálo em compensação dentro do prazo de cinco anos estabelecido pelo art.168, I do CTN. Assim, considerando que a recorrente protocolizou a restituição/compensação do saldo negativo IRPJ ano calendário 1998 via PER/DCOMP em 21/07/2004 (fl.2) e que o saldo negativo foi apurado em 31/12/1998, o pleito está fulminado pela prescrição. Quanto à alegação de que o saldo negativo IRPJ foi utilizado nos anos calendário 1999 a 2003, o julgador de primeira instância refere que a empresa recorrente não trouxe provas dessa utilização. Afere que no período 01/01/1999 a 30/09/2002 a recorrente poderia se utilizar do crédito de saldo negativo IRPJ para compensar débitos da mesma natureza, independentemente de requerimento. Ocorre que não consta dos autos que tal procedimento tenha sido efetuado. Além disso, se essa utilização ocorreu, o crédito pleiteado via PER/DCOMP 07833.60528.210704.1.7.027249 não existia mais, o que resultaria em não homologação da compensação. Quanto à afirmação de que os débitos compensados também estariam prescritos, o que impediria a sua cobrança, observa o julgador a quo que a prescrição do direito do Fisco efetuar a cobrança dos débitos declarados e não pagos ocorre após a sua constituição, seja via DCTF ou DIPJ Simplificada. No caso em tela, tomando como exemplo a PER/DCOMP 07833.60528.210704.1.7.027249, a empresa compensou débitos compreendendo os períodos de apuração maio/1999 a abril/2000. Com relação ao débito de estimativa IRPJ, 5993, mai/1999, o mesmo foi confessado na DCTF do 2º trim/1999, apresentada em 13/08/1999 (fl.46). Considerando o prazo de cinco anos e admitindose que o contribuinte não tenha feito nenhuma vinculação ao débito declarado, o prazo prescricional teria ocorrido em 13/08/2004. Atenta para o fato de que antes dessa data foi apresentada a PER/DCOMP 07833.60528.210704.1.7.027249. No caso de débito declarado via DCOMP, entende que este, tanto pode já ter sido constituído anteriormente (por exemplo, via DCTF ou lançamento de ofício), casos em que a prescrição já teve seu curso iniciado, como pode sêlo com o ato de entrega da PER/DCOMP. Frisa que é entendimento da RFB que a entrega da declaração de compensação, além de, em alguns casos, constituir o crédito tributário, produz mais dois efeitos: interromper o prazo prescricional (nos casos em que este já estava em curso) e extinguir o crédito sob condição resolutória. Com relação à prescrição, esta, a despeito de interrompida, não volta a correr imediatamente, já que o crédito restou extinto sob condição resolutória. Portanto, durante o período de que a Administração dispõe para homologar ou não a compensação efetuada, não há que se falar em prescrição, afinal, enquanto não expressar sua discordância com o encontro de contas realizado pelo sujeito passivo, resta impossível o exercício do direito de ação, pois não há crédito a ser cobrado. Portanto, aduz que os débitos compensados via PER/DCOMP`s analisadas nesses autos estão com a prescrição interrompida (se já foram constituídos via Fl. 69DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/02/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901655/200817 Acórdão n.º 1803001.980 S1TE03 Fl. 114 4 DCTF ou outro meio) ou sequer tiveram a prescrição iniciada. Destarte, pelo acima exposto, não procede a alegação de prescrição dos débitos. Finaliza o julgador por não reconhecer o direito creditório referente ao saldo negativo IRPJ ano calendário 1998, vez que ocorreu a prescrição do direito de pleitear a restituição e declara não homologada as compensações. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário de forma tempestiva, alegando, em apertada síntese, o já disposto em impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP na qual a empresa recorrente indica crédito de saldo negativo de IRPJ, ano calendário 1998 no valor de R$ 16.180,87 para compensar com débitos próprios. O crédito teria sido originado por estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores e o mesmo crédito também foi utilizado nos PER/DCOMP`s 13883.73189.110804.1.3.029790 (fls.22/25) e 35944.16781.231204.1.3.020040 (fls.26/30). A empresa encaminhou o pedido de compensação dos referidos créditos, através do PER/DCOMP citado, na data de 24.07.2004, ou seja, há mais de cinco anos entre a data da apuração do saldo negativo das estimativas, fato este que fez com que o julgador a quo não reconhecesse o direito creditório e não homologasse as compensações requeridas. Ocorre que assiste razão à recorrente, tomando em conta o já disposto no julgado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621, proferido no rito do art. 543B do Código de Processo Civil e que vincula este colegiado julgador administrativo por força do contido no art. 62A do RICARF. Segue a decisão RE 566.621citada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE Fl. 70DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/02/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901655/200817 Acórdão n.º 1803001.980 S1TE03 Fl. 115 5 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Considerando, no entanto, a ausência de maior comprovação para se aferir a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, deve ser o mesmo apreciado pela unidade de origem, afastandose a argüição de prescrição/decadência do direito creditório Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para afastar a prescrição/decadência e no mérito determinar que retorne a DRF de origem para que seja apreciado o direito creditório ora pleiteado. É o voto. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/02/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901655/200817 Acórdão n.º 1803001.980 S1TE03 Fl. 116 6 (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/02/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10980.723138/2010-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa.
13º SALÁRIO. SESC/SENAC. INCIDÊNCIA
As contribuições devidas aos terceiros incidem exatamente sobre a mesma base de cálculo sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias que, por sua, expressamente incidem sobre o 13º salário conforme previsão do artigo 28, §7º, da Lei nº 8.212/91.
SALÁRIO EDUCAÇÃO
Conforme decisão sumulada do Egrégio Supremo tribunal Federal, é legítima a exigência do Salário educação sob a égide da Constituição Federal de 1988.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009 FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. 13º SALÁRIO. SESC/SENAC. INCIDÊNCIA As contribuições devidas aos terceiros incidem exatamente sobre a mesma base de cálculo sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias que, por sua, expressamente incidem sobre o 13º salário conforme previsão do artigo 28, §7º, da Lei nº 8.212/91. SALÁRIO EDUCAÇÃO Conforme decisão sumulada do Egrégio Supremo tribunal Federal, é legítima a exigência do Salário educação sob a égide da Constituição Federal de 1988. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. 13º SALÁRIO. SESC/SENAC. INCIDÊNCIA As contribuições devidas aos terceiros incidem exatamente sobre a mesma base de cálculo sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias que, por sua, expressamente incidem sobre o 13º salário conforme previsão do artigo 28, §7º, da Lei nº 8.212/91. SALÁRIO EDUCAÇÃO Conforme decisão sumulada do Egrégio Supremo tribunal Federal, é legítima a exigência do Salário educação sob a égide da Constituição Federal de 1988. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 31 38 /2 01 0- 28 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.723138/201028 Acórdão n.º 2402003.966 S2C4T2 Fl. 192 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 09/09/2010 com base nos valores contabilizados e extraídos das folhas de pagamentos. Foi apurado crédito tributário sobre o décimoterceiro salário. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009 AIOP nº 37.278.3570 NULIDADE. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. RELAÇÃO DE EMPREGADOS A falta de uma relação nominativa com todos os empregados sobre cujas remunerações a Fiscalização fez incidir as contribuições lançadas não gera cerceamento de defesa e tampouco ofensa ao contraditório uma vez que toda a apuração da base de cálculo foi feita com base em informações prestadas pela empresa por meio de folhas de pagamentos. NULIDADE AUTORIDADE INCOMPETENTE O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade competente para lavratura de Auto de Infração que, no caso, é instrumento adequado para constituição do crédito tributário no lançamento decorrente de ação de fiscalização. 13º SALÁRIO. SESC / SENAC. INCIDÊNCIA As contribuições devidas aos terceiros incidem exatamente sobre a mesma base de cálculo sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias que, por sua, expressamente incidem sobre o 13º salário conforme previsão do artigo 28, §7º, da Lei nº 8.212/91. SALÁRIO EDUCAÇÃO Conforme decisão sumulada do Egrégio Supremo tribunal Federal, é legítima a exigência do Salário educação sob a égide da Constituição Federal de 1988. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO Não sendo acatadas as alegações da defesa quanto às preliminares ou ao mérito, resta sem objeto a argumentação de que o lançamento seria incerto e ilíquido. ... Conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração, o lançamento: ... tem por finalidade apurar e constituir o crédito relativo às seguintes contribuições sociais arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Contribuição devida pela empresa sobre os valores pagos aos segurados empregados que prestaramlhe serviços, relativa aos Terceiros SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA e Sal Educação, recolhidas a menor, nos pagamentos de Décimo Terceiro Salário. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: PRELIMINARMENTE, haveria ofensa aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório uma vez que o Auto de Infração “... apenas mencionou o embasamento legal a amparar sua pretensão, deixando contudo de relacionar os empregados mencionados de cujas contribuições teria a empresa deixado de recolher, ferindo os Princípio Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório.”; seria nulo o lançamento uma vez que, no caso, o auditor fiscal não teria competência para assinar o lançamento conforme previsão do artigo 11 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que estaríamos diante de Notificação de Lançamento e não de Auto de Infração; NO MÉRITO, quanto à exigência de contribuições previdenciárias sobre o décimo terceiro salário, alega que “... a exigência da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos a título de gratificação natalina, a par de ferir o Princípio da Diversidade das Fontes de Custeio, não poderia ter sido instituído por Legislação Ordinária, exigindose na espécie, Lei Complementar, consoante o disposto no Texto Constitucional.”; o 13º salário não estaria incluído no conceito de remuneração mensal do trabalhador e, por isso, não serviria como base para exigência do salárioeducação e das contribuições ao SESC e ao SENAC; conforme jurisprudência do STJ, seria indevida a contribuição ao INCRA após a edição da Lei nº 8.212/91; seria inconstitucional a exigência do Salário Educação; por todas estas considerações feitas relativamente ao lançamento, restaria claro que o mesmo não se reveste da necessária liquidez e certeza de que deve se revestir o lançamento tributário para que se possa dizêlo exigível do sujeito passivo. É o Relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.723138/201028 Acórdão n.º 2402003.966 S2C4T2 Fl. 193 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 195DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As informações alegadas como omitidas do lançamento em prejuízo à defesa estão nos anexos do relatório fiscal, como advertido pela decisão recorrida, e todas as demais podem ser verificadas nos próprios documentos que compõem a escrituração do recorrente através das indicações também no relatório fiscal e seus anexos. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.723138/201028 Acórdão n.º 2402003.966 S2C4T2 Fl. 194 7 No mérito A escrituração contábil e as folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio onde incluiu as remuneração dos segurados, dentre as quais os pagamentos de gratificações natalinas. Insiste a recorrente quanto à inconstitucionalidade da gratificação natalina e das contribuições ao FNDE e INCRA. Acontece que a regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A vedação foi reconhecida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ... Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Passamos, assim, a apresentação dos dispositivos legais vigentes: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 7º O décimoterceiro salário (gratificação natalina) integra o saláriodecontribuição, exceto para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em regulamento. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Quanto ao INCRA, a jurisprudência do STJ é no sentido da validade da cobrança para empresas rurais ou urbanas: Processo AgRg no REsp 999837 / PIAGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2007/02496956 Relator(a)Ministra ELIANA CALMON (1114) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 12/05/2009 Data da Publicação/Fonte Die 29/05/2009 Ementa PROCESSUAL CIVIL — RECURSO ESPECIAL — CONTRIBUIÇÃO PARA 0 INCRA E FUNRURAL — LEGALIDADE DA EXAÇÃO — QUESTÃO DE MÉRITO JÁ DECIDIDA COM BASE NA SISTEMÁTICA DO ART 543C DO CPC — DECISÃO PROFERIDA ANTERIORMENTE AO JULGAMENTO DO CASO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. I. A contribuição destinada ao INCRA e ao FUNRURAL pelas empresas urbanas, não foram extintas pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como decidido no REsp 977058/RS, Die 10/11/2008, pela sistemática do art. 543C do CPC. 2. Decisão proferida anteriormente ao julgamento do caso representativo de controvérsia. 3. Agravo Regimental não provido. Quanto a contribuição ao FNDE, a constitucionalidade foi sumulado pelo STF: Súmula nº 732 STF Decisão: 26/11/2003 Publicação: 09/12/2003 “É constitucional a cobrança da Contribuição do Salário Educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96” Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 198DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.723138/201028 Acórdão n.º 2402003.966 S2C4T2 Fl. 195 9 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000865/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2005
CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Aplica-se aos lançamentos tidos como reflexos, o resultado do julgamento proferido em relação à exigência que lhe deu origem, respeitada a forma e apuração de cada tributo.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
Numero da decisão: 1402-001.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que o IRPJ e a CSLL sejam apurados pela aplicação do coeficiente de arbitramento (38,40%) sobre a base tributável informada na Tabela 1 do voto condutor; e para que o Pis e a Cofins sejam apurados a partir da base tributável informada na Tabela 2 daquele voto. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou por manter o lançamento do IRPJ e da CSLL na forma da autuação.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2005 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplica-se aos lançamentos tidos como reflexos, o resultado do julgamento proferido em relação à exigência que lhe deu origem, respeitada a forma e apuração de cada tributo. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA A omissão de registro contábil de vultosa movimentação bancária revela escrituração imprestável para respaldar a apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real. Tal condição enseja a tributação pelo regime do lucro arbitrado. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicase aos lançamentos tidos como reflexos, o resultado do julgamento proferido em relação à exigência que lhe deu origem, respeitada a forma e apuração de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que o IRPJ e a CSLL sejam apurados pela aplicação do coeficiente de arbitramento (38,40%) sobre a base tributável informada na Tabela 1 do voto condutor; e para que o Pis e a Cofins sejam apurados a partir da base tributável informada na Tabela 2 daquele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 08 65 /2 00 8- 01 Fl. 2512DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 voto. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou por manter o lançamento do IRPJ e da CSLL na forma da autuação. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto Fl. 2513DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16024.000865/200801 Acórdão n.º 1402001.602 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: No âmbito do procedimento de fiscalização instituído pelo Mandado de Procedimento Fiscal n. 08.1.10.002008004224, contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração que lhe exigiram Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor e R$ 4.218.007,41, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de R$ 279.972,45, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) de R$ 1.527.122,65 e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de R$ 1.289.570,20 (fls.433/464), no regime de apuração pela sistemática de Lucro Real, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, cuja capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos. Segundo consta do Relatório Fiscal (fls. 384/385), o procedimento decorreu da incompatibilidade entre a movimentação financeira e a receita declarada da contribuinte, relativa ao anocalendário de 2005, com a intimação para apresentar cópias dos extratos de contascorrentes bancárias e dos livros e documentos que embasaram os lançamentos contábeis. Em face do atraso na entrega dos extratos bancários emitiramse Requisições de Movimentação Financeira (RMF) para os bancos nos quais figurava como correntista. Após cotejar as informações prestadas pela contribuinte e pelos bancos, com a dedução de importâncias relativas a estornos, transferências, financiamentos, elaborou a autoridade fiscal, relação dos créditos cuja origem não fora justificada, ao mesmo tempo em que, novamente, intimou a contribuinte a apresentar sua contabilidade. Em vista de que os documentos apresentados não se prestaram a justificar a origem dos recursos lançados a crédito nas contas de depósitos, a autoridade fiscal considerou o total dos valores lançados na planilha que relacionaram os depósitos e créditos como não justificados, que serviram de base de cálculo para a imposição tributária por omissão de receita. Relatório que detalha os créditos antes referidos achase acostado sob fls.386/432. Intimada da imposição tributária, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 468/491 com alegação preliminar de que: é improcedente o relato da autoridade fiscal, segundo o qual a impugnante não teria atendido as intimações; a base de cálculo do lançamento tributário baseouse em presunção que não considerou créditos justificados, ao mesmo tempo em que consignou crédito relativo a cobertura de sinistro com aeronave, no valor de R$ 733.779,00, que no relatório consta como não justificado; Fl. 2514DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 nas presunções o ônus de comprovar o fatobase compete a quem as alega; o lançamento é nulo por não ter sido endereçado à contribuinte termo de constatação antes da lavratura da peça impositiva, circunstância que impediu pleno exercício do direito de defesa; o termo de intimação que lhe fora endereçado, instandoa a apresentar imediatamente relação de bens não esclareceu a finalidade da exigência, tampouco marcou prazo para cumprimento, em conformidade com a legislação. No mérito, arguiu que: a imposição tributária, que é 24 vezes superior ao seu patrimônio liquido, extrapola sua capacidade contributiva; é improcedente o lançamento tributário com base em arbitramento, que somente pode ocorrer em situações excepcionais, legalmente previstas; descabe constituição de crédito tributário com base em depósitos bancários, em consonância com a jurisprudência dos Tribunais Superiores, que suscitou a edição do enunciado da Súmula n. 182, do Tribunal Federal de Recursos. Propugnou pela realização de perícia, em conformidade corn as regras do Decreto n° 70.235, de 1972, que instituiu o Processo Administrativo Fiscal (PAF), com justificação dos motivos, formulação de quesitos e indicação de perito. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, prolatou o Acórdão 1422.675 considerando o lançamento parcialmente procedente. Excluiu da base de cálculo tributada o valor de R$ 733.779,00; correspondente à indenização por seguro creditada no Banco Itaú e manteve a exigência sobre o restante. Devidamente cientificada, a interessada recorreu a este Colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. Posteriormente, trouxe razões aditivas à peça recursal afirmando que a apuração do tributo deveria ter sido formalizada por arbitramento ou que, ao menos, fossem computadas as despesas. Acrescenta que foram computados indevidamente como omissão valores que não representariam receitas, e apresenta o que seria um demonstrativo dessas inconsistências. Em primeira apreciação esta turma julgadora converteu o julgamento em diligência a fim de que fossem examinados os registros elaborados pelo sujeito passivo e trazidos aos autos junto com razões aditivas ao recurso voluntário. Feita a diligência, foi apresentada Informação Fiscal acompanhada de planilha demonstrativa pela qual foram indicados os depósitos que autoridade responsável pela diligência entendeu como comprovados. Retornado o processo ao Colegiado, o julgamento foi sobrestado nos termos do § 1º, do art. 62A, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno desta Corte, tendo em vista que o caráter de repercussão geral no STF para a argüição de inconstitucionalidade das normas que autorizam as instituições financeiras a fornecerem à RFB extratos bancários de seus correntistas. Agora, revogado o dispositivo regimental em comento, não mais se justifica o sobrestamento e o processo está em condições de ser apreciado. Fl. 2515DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16024.000865/200801 Acórdão n.º 1402001.602 S1C4T2 Fl. 4 5 É o Relatório. Fl. 2516DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche as condições de admissibilidade , motivo pelo qual dele conheço. Em preliminar, a interessada reitera a argüição de cerceamento do direito de defesa suscitada na impugnação e, a meu ver, enfrentada corretamente pela decisão recorrida. A discussão sobre a entrega ou não de documentos contábeis e referentes a bens da pessoa jurídica mostrase irrelevante no presente caso. O sujeito passivo não foi autuado por deixar de trazer este ou aquele documento ao Fisco, mas sim por não apresentar justificativa comprovada para diversos depósitos feitos em conta corrente de sua titularidade. Também não há existe qualquer norma que estabeleça a lavratura de Termo de Constatação como formalidade essencial. O alcance do exame a que a reclamante faz menção na peça recursal é perfeitamente delimitado de forma mais geral no MPF e em detalhes no Termo de Início de Fiscalização. O teor do procedimento fiscalizatório ficou ainda mais claro com o Termo de Intimação pelo qual foram solicitados os documentos comprobatórios da origem dos créditos e depósitos em conta corrente. Nesse termo a Fiscalização transcreveu os dispositivos legais que obrigariam ao atendimento da solicitação e, mais ainda, que descreviam as implicações tributárias do não atendimento. Salientese ainda que houve uma preocupação deste órgão julgador em garantir o pleno direito de defesa através da aceitação de aditamento ao recurso acompanhado de documentos apresentados fora do prazo legal e que foram submetidos à diligência gerando revisão parcial pela autoridade responsável. Preliminar rejeitada. No mérito, a alegação de violação ao princípio da capacidade contributiva envolve matéria de natureza constitucional cuja apreciação é privativa do Poder Judiciário. Em argumentos um tanto confusos a recorrente sustenta a impossibilidade de arbitramento do lucro para depois, no aditamento, pleitear justamente a apuração da exigência por arbitramento. Afirma que o art. 42, da Lei nº 9.430/96 não teria sido mencionado no enquadramento legal, o que implicaria em novação por parte da decisão recorrida, faz uma distinção entre crédito e depósito, e depois contraditoriamente alega que o enquadramento não deveria mesmo ser este. Pois bem. O art. 42, da Lei nº 9.430/96, está correta e claramente mencionado no enquadramento legal da autuação. A tributação envolveu valores creditados em conta de depósito sem comprovação da origem dos recursos utilizados, exatamente nos termos mencionados no dispositivo em questão. Simples assim. A jurisprudência apresentada pela defesa não lhe socorre, pois trata de situações anteriores ao advento da norma em comento. Fl. 2517DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16024.000865/200801 Acórdão n.º 1402001.602 S1C4T2 Fl. 5 7 Recurso improcedente nesse ponto. Com relação às alegações trazidas no aditamento ao recurso, os documentos apresentados naquele momento foram apreciados em procedimento de diligência que implicou na proposta de aceitação parcial de alguns depósitos, o que será acatado neste voto. Quanto à necessidade de apuração do resultado por arbitramento, pareceme que assiste razão à recorrente. A DIPJ da autuada foi entregue sem nenhuma indicação de receitas auferidas ou despesas incorridas. Considerando a significância da movimentação bancária, é questionável a idoneidade da escrituração da pessoa jurídica para apuração do lucro real, quando desconsideradas receitas dessa magnitude. Tal entendimento mostrase de acordo com a jurisprudência deste Colegiado. Como exemplo ( Acórdão 10322502, 1º CC, 3ª Câmara, sessão de 21/06/2006): LUCRO ARBITRADO OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA A omissão de registro contábil de vultosa movimentação bancária revela escrituração imprestável para respaldar a apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real. Tal condição enseja a tributação pelo regime do lucro arbitrado Lembrando ainda que a tributação teve origem em omissão de receitas decorrente de uma presunção legal, aplicar a alíquota do imposto sobre valor dos depósitos, implicou em onerosidade excessiva que seria mitigada pelo arbitramento do lucro. Tal sistemática, em casos como o presente, constituise em instrumento de adequação da exigência fiscal à proporcionalidade dos fatos pois, na impossibilidade de verificar a contabilização do custo correspondente, a aplicação do percentual evita a tributação da receita como se lucro fosse. Por outro lado, o entendimento desta turma julgadora está consolidado no sentido de que o cancelamento total da autuação não é a melhor solução para o caso, pois implicaria em aceitar a infração cometida sem o estabelecimento de qualquer tipo de sanção. Nessa linha, e considerando o tipo de atividade exercida pela interessada, meu voto é no sentido de dar provimento parcial ao recurso para recalcular o IRPJ e a CSLL com aplicação do percentual de arbitramento de 38,4% sobre a base de cálculo apurada pela Fiscalização, ajustada pela decisão de primeira instância e pelo relatório de diligência, nos seguintes valores (TABELA 1): Período Valor trib. Fisco Valor Trib. DRJ Valor Trib. CARF 1º trimestre 3.600.316,72 2.826.537,72 2.343.837,72 2º trimestre 5.167.783,36 5.167.783,36 4.206.033,38 3º trimestre 3.612.891,20 3.612.891,20 3.002.191,20 Fl. 2518DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 4º trimestre 4.587.038,44 4.587.038,44 3.434.638,44 Em relação ao PIS e à Cofins, a aceitação do relatório de diligência implica em alterar a base tributável conforme tabela abaixo, ressaltando que nesse caso já foi levada em consideração a alteração decorrente da decisão de primeira instância (TABELA 2): PERÍODO VALOR TRIB. DRJ VALOR EXC.DILIG. VALOR TRIB. CARF JANEIRO 947.872,07 71.100,00 876.772,07 FEVEREIRO 750.183,11 99.800,00 650.383,11 MARÇO 1.128.482,54 311.800,00 816.682,54 ABRIL 2.130.765,60 518.206,32 1.612.559,28 MAIO 1.378.571,67 229.361,66 1.149.210,01 JUNHO 1.658.446,09 214.182,00 1.444.264,09 JULHO 1.299.982,22 148.500,00 1.151.482,22 AGOSTO 1.343.306,35 255.500,00 1.087.806,35 SETEMBRO 969.602,63 206.700,00 762.902,63 OUTUBRO 1.202.431,17 252.500,00 949.931,17 NOVEMBRO 1.503.142,79 406.200,00 1.096.942,79 DEZEMBRO 1.881.464,48 493.700,00 1.387.764,48 Em resumo do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para que o IRPJ e a CSLL sejam apurados pela aplicação do coeficiente de arbitramento (38,40%) sobre a base tributável informada na Tabela 1; e para que o Pis e a Cofins sejam apurados a partir da base tributável informada na Tabela 2. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 2519DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16024.000865/200801 Acórdão n.º 1402001.602 S1C4T2 Fl. 6 9 Fl. 2520DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15374.907831/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS/COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
Considera-se rendas relacionadas à finalidade essencial da Entidade Beneficente de Assistência Social, não sujeitas a cobrança da COFINS, quando estas forem destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza - desde que não mantenham estrutura empresarial
No entanto, se não comprovada a r. destinação, por conseguinte, a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada.
PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS
A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos técnicos especializados para o deslinde do litígio. Não se justifica o pedido quando o fato probando puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos e quando não há suporte pela recorrente da impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a ato ou a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos trazidas aos autos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS/COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Considera-se rendas relacionadas à finalidade essencial da Entidade Beneficente de Assistência Social, não sujeitas a cobrança da COFINS, quando estas forem destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza - desde que não mantenham estrutura empresarial No entanto, se não comprovada a r. destinação, por conseguinte, a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos técnicos especializados para o deslinde do litígio. Não se justifica o pedido quando o fato probando puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos e quando não há suporte pela recorrente da impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a ato ou a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos trazidas aos autos. Recurso Voluntário Negado
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COMPROVAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Considerase rendas relacionadas à finalidade essencial da Entidade Beneficente de Assistência Social, não sujeitas a cobrança da COFINS, quando estas forem destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza desde que não mantenham estrutura empresarial No entanto, se não comprovada a r. destinação, por conseguinte, a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos técnicos especializados para o deslinde do litígio. Não se justifica o pedido quando o fato probando puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos e quando não há suporte pela recorrente da impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a ato ou a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos trazidas aos autos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou se impedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 78 31 /2 00 8- 07 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907831/200807 Acórdão n.º 3202000.972 S3C2T2 Fl. 185 2 Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por INSTITUTO BRASILEIRO DE PETRÓLEO, GÁS E BIOCOMBUSTIVEIS contra Acórdão nº 1339.769, de 9 de fevereiro de 2012 (de fls. 127 a 131), proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJ2, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica nº 09551.06508.280504.1.3.042699 (fls. 03/07), transmitida em 28/05/2004, de débitos de COFINS (cód. 2172), relativos aos períodos de apuração de maio a junho de 2003, com crédito oriundo de pagamento a maior, a título de COFINS (cód. 2172), recolhido em 09/07/1999, atinente ao Período de Apuração 30/06/1999, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. Por meio do Despacho Decisório (fl. 10) emitido eletronicamente, a DERAT Rio de JaneiroRJ, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 30/07/2008 (fl. 09), a interessada ingressou, em 28/08/2008, com manifestação de inconformidade (fls. 12/21), na qual alega, em síntese, que: 1. As receitas relativas às atividades próprias das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, são isentas da COFINS; 2. Alega que é uma associação civil sem fim lucrativo e portanto, é isenta da COFINS; 3. Atividades próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social, cita o parecer normativo CST nº 162/74; 4. As atividades exercidas são aquelas que constam do Estatuto social; 5. Em 2006 tentou retificar sua DCTF e não conseguiu; 6. Caberia a autoridade administrativa ter diligenciado no sentido de analisar os documentos e escritas fiscais do Manifestante a fim de averiguar a proveniência de tais créditos; Encerra a manifestação, requerendo seu provimento, para reformar a decisão a quo e homologar a compensação efetuada por intermédio da declaração de Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907831/200807 Acórdão n.º 3202000.972 S3C2T2 Fl. 186 3 compensação objeto do presente processo. Acrescenta que não sendo este o entendimento, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal apure o montante das receitas próprias indevidamente incluído em junho de 1999 na base de cálculo da COFINS.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme acórdão 1339.769 com a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogita se o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado do referido acórdão no dia 24 de abril de 2012 (fl. 74), o interessado apresentou recurso voluntário em 22 de maio de 2012 (fls. 135 a 152), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Das preliminares Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância no dia 24 de abril de 2012, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907831/200807 Acórdão n.º 3202000.972 S3C2T2 Fl. 187 4 Da Manifestação de Inconformidade Consta da peça de defesa do Instituto que se cuida de caso típico de compensação, onde a ora recorrente se utiliza de credito recolhido a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 8.347,03 (competência de junho de 1999). Aduz o recorrente que houve pagamento a maior, tendo em vista que havia incluído equivocadamente na base de cálculo da COFINS as receitas pertinentes às atividades para as quais foi instituído – as receitas próprias do Instituto, as quais são isentas da COFINS. Observou que a autoridade fazendária não homologou a compensação, emitindo despacho decisório alegando a inexistência do crédito em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte – o que não haveria que se falar em crédito “disponível” para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. O que a autoridade fazendária, assim, não reconheceu o direito creditório da recorrente referente aos valores indevidamente pagos por ocasião da imunidade tributária. Traz o recorrente que, apesar de a DRJ afirmar imperiosamente a necessidade de verificação de que os créditos retificados em DCTF serem decorrentes de receitas próprias do Instituto negouse a determinação de diligência para apurar tais informações, sob o argumento de que caberia a comprovação do crédito alegado. Para melhor desenvolver os pontos suscitados, passo a discorrer a seguir sobre o entendimento aplicável a cada um. Da regra isentiva prevista na MP 2.15835/2001 Relativamente a esse tema, importante trazer as argumentações do recorrente que, por sua vez, coincide com o entendimento emitido pela autoridade fazendária: · O art. 14 da MP 2.15835/01 estabelece, entre outras, a isenção da COFINS sobre as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, conforme transcrito abaixo: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (...)” · O art. 13 da MP contempla, entre outros, as receitas referentes das atividades próprias das entidades, conforme segue: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907831/200807 Acórdão n.º 3202000.972 S3C2T2 Fl. 188 5 “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) IV. instituições de caráter filantrópico recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; (...)” · O art. 15 da Lei nº 9.532/97 contempla a isenção às instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico: “Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”. · Conclui que as associações civis são isentas da COFINS relativamente às receitas decorrentes das atividades próprias por elas realizadas, e em benefício do grupo de beneficiários a que se destinam; · Sendo o Instituto Brasileiro de Petróleo Gás e Biocombustíveis, constituída nos termos do art. 53 do CC, traz em seu estatuto socialo art. 1º: “Art. 1º. O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), situado à Av. Almirante Barroso, 52/26º andar – Centro, Rio de Janeiro, CEP 20031000, é uma pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de associação de fins não econômicos, fundado em 21 de novembro de 1957. Tem duração ilimitada, sede e foro na cidade do Rio de Janeiro – RJ e regerseá pelo presente Estatuto e pela legislação em vigor. § 1º. Seus conselheiros e Diretores não perceberão remuneração de espécie alguma, não havendo, também, distribuição de eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos, ou vantagens, participações, ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto, aos associados, Conselheiros ou Diretores; (...) § 3º. Os recursos serão sempre aplicados para a consecução dos objetivos estatutários, sendo expressamente vedada qualquer atividade de natureza políticopartidária; (...)” · Resta evidente que o Instituto é associação civil sem fins lucrativos, estando incluído no rol das entidades mencionadas no art. 15 da Lei 9.532/97; · E, por conseguinte, isento da COFINS em relação às receitas por ele auferidas em decorrência das atividades próprias por ele realizadas; · Especificamente em relação às receitas de atividade própria, adota o entendimento da autoridade fazendária, entendendo que as atividades Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907831/200807 Acórdão n.º 3202000.972 S3C2T2 Fl. 189 6 próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social. Quanto a esse tema, diferentemente da DRJ e da própria recorrente, entendo que, para fins da não cobrança da Cofins para tais associações, considerase rendas relacionadas à finalidade essencial aquelas destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza – desde que não mantenham estrutura empresarial. O que, a princípio, ainda que a recorrente tenha abatido do valor do DARF – como crédito a COFINS incidente sobre as receitas financeiras e aquelas provenientes de contrato de locação, com o intuito de demonstrar o princípio da boa fé, dependendo da preponderância das receitas poderseia considerálas como isentas da COFINS. Mas, desde que haja demonstração contábil e fiscal para tanto – o que elucidaremos posteriormente. Para tanto, trago parte de meu voto constante do acórdão 3802000.663 – da 2ª Turma Especial, 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento: “(...) Portanto, conclui a DRJ que a isenção não alcança as receitas que são próprias de atividade de natureza econômicofinanceira ou empresarial – e que, por isso, sujeitamse à incidência da contribuição, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades, inclusive bolsas de estudos custeadas pelo poder público dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus associados e em seu benefício, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc. e, receitas de aplicações financeiras, conforme as disposições dos art. 2° da Lei Complementar 70/91 e dos arts. 2° e 3°,§1°, da Lei n° 9.718/98 – e tal como exposto no lançamento. Vêse que a DRJ suportou tal decisão, entre outros, com o dispositivo constante da IN SRF n° 247, de 2002 que, por sua vez, definiu as receitas derivadas das atividades próprias somente como àquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, sem caráter contraprestacional. Sendo assim, aduz a recorrente que esses dispositivos legais seriam inconstitucionais e que não é Lei Complementar, Medida Provisória, Lei Ordinária ou Instrução Normativa que estabelecem a isenção, mas sim a Lei Maior. (...) Vêse que há interpretação acerca desta expressão na Instrução Normativa SRF nº 247, cujo artigo 47 textualmente prevê: “Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: (...) II São isentas da COFINS em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) §2º. Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907831/200807 Acórdão n.º 3202000.972 S3C2T2 Fl. 190 7 assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.” De acordo com a norma infralegal, somente se caracterizam como receitas de atividades próprias e, portanto, somente usufruem da isenção as contribuições auferidas pela entidade em caráter gratuito, isto é, receitas cujo recebimento não se dá em contraprestação por uma utilidade diretamente oferecida pela associação a quem lhe faz o pagamento. Vêse que se trata de uma interpretação bastante restritiva. O cerne da questão está delimitado no sentido de que a pretensão resistida da recorrente é quanto à interpretação da norma constitucional e sua regulamentação restringindo seu alcance, ou, em outras palavras, se as atividades que vem exercendo (tais como, venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades, inclusive bolsas de estudos custeadas pelo poder público dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus associados e em seu benefício, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc. e, receitas de aplicações financeiras) estariam abrigadas pelo instituto da imunidade estatuído no artigo 195, § 7º, da Carta Magna, uma vez constatada a pertinência e vínculo com seus objetivos institucionais previsto em seu ato constitutivo e regulamento. (...) A meu sentir, pouco importa, neste caso, considerando que não presta serviço com fins lucrativos, se poderá ser questionada por eventual manifestação ou alegação de concorrência desleal – sendo importante, em conclusão, é que ao desempenhar esta função não afronte as condições estabelecidas no art. 14 do CTN. E sobre estas sequer cogitouse nos autos, pois sua atividade não visa lucro e não há prova de que os recursos advindos de sua atividade comercial não sejam integralmente aplicados no país na manutenção de seus objetivos sociais. Quanto ao fato de a entidade estar exercendo as atividades já descritas no auto de infração, não vejo aí nenhum óbice, desde que essa atividade não destoem de seus objetivos institucionais, atendidos os demais requisitos do art. 14 do CTN. Vêse que dois requisitos precisam também ser considerados: que se refere a entidade filantrópica, sem fins lucrativos, e esta também não distribui lucro, aplicando suas rendas no incremento de suas atividades próprias ou essenciais. O que não foi contestado tais argumentos. Notase que a recorrente não é empresária, a recorrente não explora, tampouco presta serviço de caráter empresarial, isto é, com objetivo de auferir lucros para serem distribuídos a seus associados ou administradores – não interfere na concorrência de mercado. Ora, é neste sentido que deve ser interpretado também o art. 14, inciso I, do Código Tributário Nacional. Veremos que a atual Legislação concorrencial dispõe sobre a prevenção e repressão às infrações de ordem econômica, sendo orientada pelos ditames constitucionais de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, defesa aos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico, com o objetivo de preservar os mecanismos do mercado. De acordo com o Dicionário Michaelis, concorrência é a “pretensão de mais de uma pessoa à mesma coisa”, é a “competição”, é a “rivalidade entre os produtores ou entre negociantes, fabricantes ou empresários”. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907831/200807 Acórdão n.º 3202000.972 S3C2T2 Fl. 191 8 Portanto, a expressão contém a idéia de disputa entre agentes econômicos num espaço ou lugar, designado mercado, em certo tempo ou período, acerca de determinado objeto. Dita Isabel Vaz (Apud: PEREIRA, Marco Antônio Marcondes. Concorrência desleal por meio da publicidade. São Paulo: Juarez de Oliveira., 2001.p. 5), “A concorrência é um fenômeno complexo e um dos seus pressupostos essenciais é a liberdade, para que os agentes econômicos façam o melhor uso de sua capacidade intelectual e organizem da melhor maneira possível os fatores de produção de bens ou de prestação de serviços, de modo a obter produtos de boa qualidade e a oferecêlos no mercado a preços atraentes”. Sendo assim, para que haja concorrência é preciso que empreendedores disputem uma mesma clientela de um mercado. Produtos idênticos ou afins fabricados por empresas diferentes as colocam em situação de concorrência, pois buscam os mesmos consumidores potenciais para seus produtos ou serviços. Por isso, há trâmites que devem ser observados quando há pretensão de alterações societárias entre empresas que atuam na mesma atipicidade e já possuem clientelas preferenciais e segmentadas no mercado. Muitos são os fundamentos para a repressão da concorrência desleal: proteção ao fundo de comércio, aviamento, proteção da atividade empresarial, tutela da clientela, defesa do patrimônio alheio, tutela do direito de da personalidade (ex: nome e criações intelectuais), respeito à moral profissional, usos e costumes do comércio. O próprio legislador delimitou que o fundamento da repressão á concorrência desleal é o respeito ao uso honesto na atividade empresária, ou seja, a observância das regras aceitas no mercado como próprias da concorrência, sujeitas ao conceito aberto de correção profissional, isto é, de boafé que deve nortear os competidores entre si, e frente aos consumidores. Concorrência desleal, portanto, é aquele em que são usados meios ou métodos desleais, que mesmo não sendo delituosos, possibilitam aos prejudicados por seu emprego a reparação civil. Já a concorrência desleal criminosa ocorre quando esses meios ou métodos empregados são tão perigosos ou graves, que são considerados como delituosos, gerando sanções penais. (...) Ante todo o exposto, reconheço os motivos da recorrente, uma vez entender que tais atividades encontram respaldo em suas finalidades essenciais – ora, não vejo necessidade que a recorrente exaurisse, de forma clausulada, todas as formas pelas quais devesse o ente desenvolver suas atividades de forma a atender seus fins gerais, desde que não atuem diretamente no mercado com conotação específica no direito econômico, desta forma, finalisticamente, buscando o lucro. Pode até resultar em lucro determinada operação, embora na hipótese não tenha sido produzida prova nesse sentido, mas este não é seu fim, e, caso haja lucro, este não pode ser distribuído.(...)” Por fim, clarifico que, para fins da não cobrança da COFINS para tais associações, entendo que consideramse rendas relacionadas à finalidade essencial aquelas destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza – desde que não mantenham estrutura empresarial. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907831/200807 Acórdão n.º 3202000.972 S3C2T2 Fl. 192 9 Da necessária observância ao Princípio da Verdade Real Especificamente a origem do crédito, temse que, de acordo com o presente recurso, o recorrente descreve que: · de acordo com o despacho decisório, não restou localizado “crédito disponível” para restituição no sistema da RFB, uma vez que ao identificar o DARF discriminado no PERDCOMP utilizouo integralmente para pagamento de suposto débito; · a desconsideração da declaração retificadora do período de apuração do crédito ou “ausência”, em função da impossibilidade de transmissão por recusa da RFB, não desnatura o pagamento a maior realizado pela recorrente, tendo em vista que não ser impeditivo para o legítimo exercício do direito de exclusão da base de cálculo da COFINS das receitas próprias das atividades previstas em seu Estatut; · portanto, caberia à autoridade fazendária ter observado o Princípio da Verdade Real, bem como diligenciado nas dependências do recorrente a vultosa documentação contratual, escritas fiscais e contábeis, com o intuito de averiguar a proveniência de tal crédito. · Dizse vultosa documentação, porque é inviável e também pouco prático e econômico anexar aos presentes autos cópias de todos os contratos e comprovantes de pagamentos efetuados a favor do Instituto, a fim de demonstrar que as receitas pertinentes sejam próprias do Instituto, bem como o reflexo nos registros contábeis. Vêse que, quanto à retificação da DCTF, entendo que ainda que não tivesse sido aceita pelos sistemas da RFB, não afasta o dever de o contribuinte comprovar a origem do crédito alegado, bem como o período em que foram constituídos para fins de melhor suportar o afastamento da prescrição. O que caberia ao recorrente, apesar de ter comentado o equívoco de se incluir na base de cálculo as receitas de sua atividade própria, comprovar que as receitas declaradas e auferidas naquele período são as destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza. Desta forma, observase que quanto à questão da verdade material, no caso vertente, o recorrente não apresentou nenhuma prova documental que dê suporte à alegação em que se funda, quando deveria instruir a manifestação de inconformidade com demonstrativo de apuração e documentário contábil e fiscal necessário e suficiente para deixar o julgador convicto de que efetivamente há o referido crédito tributário. Ainda citou a recorrente em sua defesa que acreditava ser pouco prático e econômico anexar aos presentes autos cópias de todos os contratos e comprovantes de pagamentos efetuados. Eis que, de acordo com o art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, o que podemos aplicar por analogia à manifestação de inconformidade, a prova documental quando da impugnação deveria ser apresentada, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.907831/200807 Acórdão n.º 3202000.972 S3C2T2 Fl. 193 10 apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a ato ou a fato ou a direito superveniente; (c) destinese a contrapor fatos ou posteriormente trazidas aos autos. Da Conclusão Ante todo o exposto, por conseguinte, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 11080.722693/2010-49
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2007 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE - PROVENTOS NÃO DECORRENTES DE APOSENTADORIA, PENSÃO OU REFORMA. O benefício da isenção do imposto de renda, concedido aos portadores de moléstia grave, somente se aplica aos proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. Os rendimentos de natureza diversa não estão isentos do imposto.Recurso negado. Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.878
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 69 1 68 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722693/201049 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.878 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPF Recorrente EUCLIDES BRUSCHI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE PROVENTOS NÃO DECORRENTES DE APOSENTADORIA, PENSÃO OU REFORMA. O benefício da isenção do imposto de renda, concedido aos portadores de moléstia grave, somente se aplica aos proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. Os rendimentos de natureza diversa não estão isentos do imposto.Recurso negado. Recurvo Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (31/03/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. Relatório Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.722693/201049 Acórdão n.º 2801002.878 S2TE01 Fl. 70 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O contribuinte recebeu a notificação de lançamento de fls. 06 a 10, exigindolhe imposto de renda pessoa física suplementar no valor de R$ 19.994,99, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao anocalendário 2007, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada. Consta da descrição dos fatos e enquadramento legal: A isenção do imposto sobre a renda a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão, recebida de entidade de previdência privada, Fapi ou PGBL não se aplica aos resgates de entidade de previdência privada, Fapi ou PGBL. Conforme documentos e DIRF da fonte pagadora, os rendimentos recebidos de BRADESCO VIDA E PREVIDÊNCIA PRIVADA S.A. são decorrentes de resgate de previdência privada. Discordando da notificação, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 02 e 03. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas: 1. Os rendimentos não devem ser tributados por ser uma complementação de aposentadoria recebida de entidade de previdência privada e por ser portador de moléstia grave. 2. Em meados de 2004 descobriu ser portador de neoplasia maligna e continuou trabalhando na PUCRS até o final de 2006 para completar 10 anos do plano de previdência privada. No início de 2007 se aposentou e pode usufruir do fundo gerador da previdência privada, por completar 10 anos. 3. O Bradesco lhe deu duas opções: ou teria uma pensão vitalícia ou sacava todo o fundo gerador do beneficio. Fez a segunda opção (saque total) porque a expectativa de vida (pela moléstia) não era grande e todas as informações que tinha, inclusive as obtidas junto aos auditores da Receita Federal, davam como não tributável. 4. Em 2008 apresentou a declaração como foi orientado, deixando que o Bradesco descontasse 15% e colocando o valor como não tributável e esperando ser chamado para o acerto e recebendo a devolução que teria direito. 5. Cita o processo 2007.70.00.0337684/ PR em que a Segunda Turma do TRF da quarta região nega provimento à apelação da Fazenda Federal. Consta da ementa: "Igualmente correto o reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda sobre os valores auferidos a titulo de RESGATE de contribuições." Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.722693/201049 Acórdão n.º 2801002.878 S2TE01 Fl. 71 3 6. De acordo com a previsão contida no art. 71 da Lei nº 10.471, de 01/10/2003 (Estatuto do Idoso) solicita prioridade na análise da impugnação. Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE DE JULGAMENTO. É assegurada prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais e administrativas em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. RESGATE DE VALORES PAGOS A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. As importâncias recebidas em decorrência do resgate de contribuições efetuadas a entidades de previdência privada, sujeitamse à incidência do imposto de renda, ainda que a pessoa física beneficiária dessas importâncias seja portadora de moléstia grave. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte interpôs recurso voluntário do contribuinte, reiterando os argumentos já suscitados em impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase, na origem, de Notificação de Lançamento lavrada em face do Recorrente exigindolhe IRPF suplementar do anocalendário de 2007, em razão do Recorrente não ter levado à tributação os valores resgatados a título de complementação de aposentadoria. Conforme se denota da decisão recorrida e do Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente, é indene de dúvidas o fato dele ser portador de moléstia grave, a qual ensejaria a isenção do IRPF. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.722693/201049 Acórdão n.º 2801002.878 S2TE01 Fl. 72 4 A controvérsia, pois, reside no fato de os rendimentos recebidos a título de resgate de previdência privada enquadrarse dentre as verbas isentas ou não. Transcrevese, abaixo, os dispositivos que tratam da matéria em questão: Art. 6° Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose, anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;" (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.(grifouse) Verificase claramente que, para a aplicação das isenções veiculadas em ambos os dispositivo, é necessário que os proventos percebidos decorram de aposentadoria, reforma ou pensão, e que o beneficiário seja portador de moléstia grave tipificada no texto legal. Não sendo assim enquadrado os rendimentos decorrentes de resgate de previdência privada, não se aplica a isenção supramencionado, ainda que o recorrente seja portador da moléstia grave capitulada nos dispositivos acima referidos. No que tange à isenção reclamada, ainda importa salientar que é isenta do imposto sobre a renda a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão, recebida de entidade de previdência privada, Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi) ou Programa Gerador de Benefício Livre (PGBL). Tal isenção, entretanto, não se aplica aos resgates de entidade de previdência privada, Fapi ou PGBL, que é a questão em litígio. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.722693/201049 Acórdão n.º 2801002.878 S2TE01 Fl. 73 5 Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000019/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS- EMBARGOS
A constatação de contradição entre a decisão e seus fundamentos configura vício no julgado, a ser sanado pela via de embargos de declaração.
Numero da decisão: 1301-001.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, para rerratificar o acórdão embargado nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente).
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS- EMBARGOS A constatação de contradição entre a decisão e seus fundamentos configura vício no julgado, a ser sanado pela via de embargos de declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, para rerratificar o acórdão embargado nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente). Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS EMBARGOS A constatação de contradição entre a decisão e seus fundamentos configura vício no julgado, a ser sanado pela via de embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, para rerratificar o acórdão embargado nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente). Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 00 19 /2 00 8- 26 Fl. 966DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 17883.000019/200826 Acórdão n.º 1301001.281 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Em sessão de 02 de outubro de 2012, os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, analisando recursos de ofício e voluntário integrantes do processo em epígrafe, acordaram, por unanimidade de votos, negar provimento a ambos, nos termos do Acórdão 1301001.065, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS D E PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2002 LANÇAMENTO FORMALIZADO PELA SISTEMÁTICA DO SIMPLES EMPRESA DELE EXCLUÍDA. Se a empresa foi excluída do Simples, o lançamento efetuado nessa modalidade não pode prevalecer, eis que em desacordo com os critérios material e temporal aplicáveis. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Não pode haver duplicidade de lançamentos para um mesmo fato gerador. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado nas hipóteses previstas no art. 145 do CTN. Não configurada a hipótese prevista no art. 149, VII, do CTN, alegada pela autoridade. Nulo segundo o auto de infração lavrado para o mesmo fato gerador, enquanto o primeiro, impugnado, não tiver sido julgado. DECADÊNCIA TERMO INICIAL Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. JUROS DE MORA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 5). Não compete à Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei. A Fazenda Nacional interpõe embargos de declaração ao julgado, apontando contradição no julgado. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 17883.000019/200826 Acórdão n.º 1301001.281 S1C3T1 Fl. 4 3 Observa que a decisão de primeira instância limitou‑ se a cancelar o lançamento do ano calendário de 2002, consubstanciado através dos Autos de Infração de fls. 78/127, conforme consigna, inclusive, o relatório do acórdão ora embargado. Contudo, o voto condutor do acórdão embargado, além de manter a decisão proferida em primeira instância, foi mais além, determinando também o cancelamento do Auto de Infração de fls. 347/390, lavrado para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no ano‑ calendário de 2002, em face da apuração de diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago pelo contribuinte. Ressalta que, em cancelando também o segundo auto de infração relativo ao anocalendário de 2002, o Relator acabou por dar provimento ao recurso voluntário, ainda que parcial, ao contrário do que consta da parte dispositiva do acórdão, que nega provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. A contradição apontada pela Fazenda Nacional relacionase ao cancelamento do segundo auto de infração lavrado relativo ao anocalendário de 2002. A questão envolve autos de infração alcançando fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002, lavrados em dois momentos diferentes. Em 30/12/2007 o contribuinte tomou ciência dos autos de infração de fls. 78/127, lavrados na sistemática do SIMPLES, por falta de recolhimento e omissão de receitas. Houve impugnação tempestiva, contestando a acusação de omissão de receitas. Em 23/12/2008 o contribuinte tomou ciência dos autos de infração de fls.347/390, para exigência de diferenças de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS decorrentes de divergências entre os valores escriturados e os declarados em DCTF (sistemática lucro real). O contribuinte impugnou tempestivamente o autos de infração alegando decadência e impossibilidade de reexame do por desconhecimento da exclusão do SIMPLES, pois é a autoridade fiscal que detém tais informações. Do Acórdão embargado, transcrevo alguns excertos que interessam para compreensão da contradição apontada. “ No caso, havia lançamento regularmente constituído para os fatos geradores ocorridos em 2002 (cientificado ao contribuinte em 30/12/2007 e tempestivamente impugnado), exigindo os tributos segundo os critérios do “Simples”. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 17883.000019/200826 Acórdão n.º 1301001.281 S1C3T1 Fl. 5 4 No curso do procedimento para exclusão da empresa do Simples, o auditor constatou que ela já se encontrava excluída desde 01/01/2002, tendo a ciência ocorrido em 27/08//2004. Em vista disso, em 09 de outubro de 2008 intimou o contribuinte a apresentar os livros fiscais e contábeis e comprovantes de despesas, receita, e custos. O contribuinte apresentou os documentos solicitados e, em 22/10/2008, apresentou DIPJ LUCRO REAL relativa ao anobase de 2002. A autoridade fiscal assenta ter feito o “saneamento do auto de infração, considerando o contribuinte excluso do SIMPLES” e ter constatado divergências entre valores escriturados e os declarados em DCTF, os quais foram objeto de novos autos de infração, cientificados em 23/12/2008. Os valores lançados são exatamente os informados pelo contribuinte na DIPJ/Lucro Real, apresentada em 22/10/2008 (no curso do procedimento fiscal). A Turma de Julgamento cancelou o lançamento notificado em 30/12/2007, ao fundamento de que, uma vez que “o interessado foi excluído do SIMPLES (fls. 391/395), a partir do dia 01/01/2002, não pode prevalecer o lançamento efetuado sob esta sistemática, referente ao ano calendário de 2002”, matéria que é objeto de recurso de ofício. Nesse ponto, deve a decisão ser confirmada, eis que, de fato, não foram observados o critério material e o critério temporal (esse último, em relação ao o IRPJ e CSLL) aplicáveis. Para o segundo lançamento relativo ao anocalendário de 2002, o auditor fiscal, na descrição dos fatos, informou ter se baseado no Art.149 Inciso VII da Lei 5.172, e Nota Cosit 577/2000, Item 8.2 (que esclarece a respeito da decadência). O amparo para a revisão do lançamento, dentro o prazo de decadência, no caso, foi buscado no 149, VII, do CTN, que dispõe: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Ora, não se pode imputar de não conhecido o fato de o contribuinte encontrarse excluído do Simples desde 01/01/2002, se tal já constava dos cadastros da Receita Federal, inclusive com ciência ao contribuinte formalizada há mais de três anos (27/08//2004). Fl. 969DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 17883.000019/200826 Acórdão n.º 1301001.281 S1C3T1 Fl. 6 5 Portanto, a revisão de ofício do lançamento não encontra amparo em nenhum dos incisos do art. 149 do CTN, únicas hipóteses em que é admitida. Além disso, ocorreu alteração de critério jurídico adotado no segundo lançamento, o que encontra limitação no art. 146 do CTN, que dispõe: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Assim, voto pela nulidade do segundo lançamento relativo ao anocalendário de 2002, em razão da duplicidade. Considerando esses fundamentos tecidos, a conclusão do voto deveria ter sido: Pelas razões expostas, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002. Contudo, por um lapso, constou da conclusão (e da parte dispositiva do Acórdão), “nego provimento ao recurso de ofício e voluntário”, em evidente contradição com os fundamentos. Pelas razões expostas, acolho os embargos para sanar a contradição e rerratificar o Acórdão nº 1301001.065, de 02 de outubro de 2012, alterando a redação da conclusão do voto condutor e da parte dispositiva do Acórdão, para substituir a expressão “negar provimento ao recurso voluntário” por “dar provimento parcial ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2013 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 970DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.721000/2012-00
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. GRAU DE RISCO.
A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.
Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Léo Meirelles do Amaral e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. GRAU DE RISCO. A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Recurso Voluntário Provido.
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GRAU DE RISCO. A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Léo Meirelles do Amaral e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 10 00 /2 01 2- 00 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10935.721000/201200 Acórdão n.º 2803003.157 S2TE03 Fl. 164 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE AMPERE – PREFEITURA MUNICIPAL em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente e manteve o crédito tributário referente à contribuição para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados no período de janeiro/2009 a dezembro/2009. 2. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 11 a 14), o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007, em seu anexo V, prevê que a alíquota para as prefeituras é de 2% (CNAE 8411 6/00 – Administração Pública em Geral) a partir de 06/2007. O Decreto nº 6.957/2009 manteve este mesmo percentual. 3. Ocorre que a recorrente declarou e recolheu a alíquota de 1% no período de 06/2007 a 12/2009, inclusive 13º salário, passando a calcular a referida contribuição com a alíquota de 2% apenas a partir de 01/2010. 4. Foram lavrados em desfavor da recorrente os autos de infração nº 10935.720999/201261 e nº 10935.721000/201200, para o período de 06/2007 a 13/2008 e 01/2009 a 13/2009, respectivamente. 5. Após ser devidamente intimada, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva, tendo o colegiado de primeira instância julgado improcedente a impugnação. O acórdão recorrido restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. GRAU DE RISCO. Para os órgãos da Administração Pública em geral a alíquota SAT/RAT foi alterada de 1% (risco leve) para 2% (risco médio) a partir de 06/2007, em decorrência da edição do Decreto nº 6.042, de 12/02/2007, que modificou o anexo V do Regulamento da Previdência Social. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 6. Após ter sido cientificada do referido acórdão (fls. 109/110), o município interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls.111/119), requerendo, em suma: a) que a sua atividade preponderante é na área administrativa/educacional, correspondendo a 78,15% dos servidores do município, e que, embora alguns cargos da saúde não possam ser enquadrados na alíquota de 1%, a maioria dos cargos encontrase neste percentual, conforme documentos anexos ao recurso; Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10935.721000/201200 Acórdão n.º 2803003.157 S2TE03 Fl. 165 3 b) alega que não há como aceitar a aferição generalizada de 2%, principalmente porque a média jamais chegaria a este percentual, sendo que apenas 15% das funções estão sujeitas ao grau 2; c) sustenta que não há preclusão para a juntada de documentos, principalmente porque estes são fundamentais à elucidação dos fatos narrados no auto de infração. 7. Os autos foram levados a este Conselho, que decidiu converter o julgamento em diligência para que o fisco demonstrasse qual a atividade preponderante do contribuinte e qual a alíquota correspondente de incidência para o seguro acidente do trabalho, conforme acórdão acostado às fls. 135/141. 8. Em atenção à diligência, a DRJ informou (fls. 145 a 148) que as alegações da recorrente não merecem prosperar, eis que se enquadra no FPAS 582, sendo que a própria recorrente utilizase deste código para declarar em GFIP. Desta forma, todos os servidores foram enquadrados no código CNAE 84116/00 – Administração Pública em Geral, que corresponde à alíquota de 2%. 9. Em sede de contrarrazões à informação fiscal (fls. 158 a 160), a recorrente alega que a proporção de servidores em grau 1 é extremamente maior do que em alguns casos isolados em que o grau é 2, não devendo esta informação ser ignorada em razão de procedimento realizado sem averiguação (diligência). 10. Após, os autos foram novamente enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10935.721000/201200 Acórdão n.º 2803003.157 S2TE03 Fl. 166 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SAT 2. Quanto aos fatos em discussão nos autos, aduz a fiscalização que a alíquota prevista para as prefeituras no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007, em seu anexo V, é de 2% (CNAE 84116/00 – Administração Pública em Geral) a partir de 06/2007 e que o Decreto nº 6.957/2009 manteve este mesmo percentual, razão pela qual procedeu à constituição do crédito tributário. 3. A recorrente, por sua vez, alega que a sua atividade preponderante é na área administrativa/educacional, o que corresponde a 78,15% dos servidores do município, e que, embora alguns cargos da saúde não possam ser enquadrados na alíquota de 1%, a maioria dos cargos encontrase neste percentual. 4. Neste sentido, dispõe o art. 202, § 3º, do Decreto nº 3.048/99, in verbis: Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...). Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10935.721000/201200 Acórdão n.º 2803003.157 S2TE03 Fl. 167 5 § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. 5. Considerando que o Município demonstrou ser sua atividade preponderante as áreas administrativa e educacional, bem como demonstra contar com o maior número de servidores segurados empregados (78,15%) e tendo em conta que esta atividade se mostra preponderantemente burocrática, revelando grau de risco leve, entendo que esta deve ser enquadrada na alíquota de 1% para fins de SAT, conforme preceitua o dispositivo transcrito acima. 6. Vale ressaltar que este entendimento foi recentemente adotado por esta Turma quando do julgamento dos autos nº 10935.720999/201261, de relatoria do Conselheiro Eduardo de Oliveira, onde se discutiu auto de infração lavrado contra o mesmo contribuinte e no tocante à mesma matéria, divergindo deste apenas no que se refere ao período de apuração. Transcrevo parte do voto: “Embora, no anexo V, do Decreto 3.048/99, na redação dos Decretos 6.042/2007 e 6.957/2009, a alíquota SAT/RAT/GILRAT seja de 2% para a Administração Pública em Geral, a Lei nº 8.212/91 no seu artigo 22, incisos II, alíneas “a”, “b” e “c” define que as alíquotas devem ser estabelecidas em razão da atividade preponderante. (...). Logo, se a recorrente demonstra e comprova como nestes autos que a sua atividade preponderante é a atividade administrativa e a de educação, ocupando estas 78,15% de sua mão de obra e que a alíquota para esta atividade é de 1%, não se justifica a exigência da diferença, pois esta inexistiria. A fiscalização no momento do levantamento não comprovou que a recorrente tem a maior parte de seus trabalhadores em atividade de alíquota de 2%, limitandose a promover o reenquadramento, que e lei lhe faculta, única e exclusivamente via CNAE, o que não é possível, o fisco deve demonstrar de forma clara, precisa e objetiva a realidade da utilização da mão de obra do contribuinte para desconstituir o autoenquadramento feito por este. Isto posto, entendo que o lançamento não demonstra a ocorrência do fato gerador e nem atende ao artigo 142, da Lei 8.212/91.” 7. Assim, entendo que os argumentos apresentados pela recorrente são hábeis para culminar na exoneração do débito tributário, eis que a fiscalização não considerou a atividade preponderante da recorrente, tampouco o seu baixo grau de risco de acidente do trabalho, limitandose a enquadrála tão somente com base na análise da tabela CNAE. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10935.721000/201200 Acórdão n.º 2803003.157 S2TE03 Fl. 168 6 CONCLUSÃO 8. Neste contexto e na busca de uniformização das decisões desta Turma, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte e declarar a improcedência do lançamento fiscal. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 35948.000475/2006-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1998 a 30/04/1998
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTIMAÇÃO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. VALIDADE. TERMO FINAL PRAZO DECADENCIAL. ÚLTIMO CO-OBRIGADO CIENTIFICADO.
Com fulcro na legislação de regência, especialmente no artigo 34 da Portaria MPS nº 520/2004, a qual contemplava as regras no processo administrativo no âmbito do INSS, vigente à época, nos casos de atribuição de responsabilidade solidária do crédito previdenciário, considerar-se-á concretizada a intimação dos atos processuais na data do recebimento pelo último co-obrigado, tanto para efeito dos prazos recursais, bem como para contagem do prazo decadencial, sendo aquele o seu termo final.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
Recurso Especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Marcos Aurelio Pereira Valadão que davam provimento parcial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) e Manoel Coelho Arruda Junior.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 31/03/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1998 a 30/04/1998 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTIMAÇÃO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. VALIDADE. TERMO FINAL PRAZO DECADENCIAL. ÚLTIMO CO-OBRIGADO CIENTIFICADO. Com fulcro na legislação de regência, especialmente no artigo 34 da Portaria MPS nº 520/2004, a qual contemplava as regras no processo administrativo no âmbito do INSS, vigente à época, nos casos de atribuição de responsabilidade solidária do crédito previdenciário, considerar-se-á concretizada a intimação dos atos processuais na data do recebimento pelo último co-obrigado, tanto para efeito dos prazos recursais, bem como para contagem do prazo decadencial, sendo aquele o seu termo final. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). Recurso Especial provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2406; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 464 1 463 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35948.000475/200694 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202003.106 – 2ª Turma Sessão de 25 de março de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA Recorrente PHILIP MORRIS BRASIL S/A E OUTRO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 30/04/1998 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTIMAÇÃO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. VALIDADE. TERMO FINAL PRAZO DECADENCIAL. ÚLTIMO CO OBRIGADO CIENTIFICADO. Com fulcro na legislação de regência, especialmente no artigo 34 da Portaria MPS nº 520/2004, a qual contemplava as regras no processo administrativo no âmbito do INSS, vigente à época, nos casos de atribuição de responsabilidade solidária do crédito previdenciário, considerarseá concretizada a intimação dos atos processuais na data do recebimento pelo último coobrigado, tanto para efeito dos prazos recursais, bem como para contagem do prazo decadencial, sendo aquele o seu termo final. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatouse a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 94 8. 00 04 75 /2 00 6- 94 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Marcos Aurelio Pereira Valadão que davam provimento parcial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) e Manoel Coelho Arruda Junior. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 31/03/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann. Relatório PHILIP MORRIS BRASIL S/A E OUTRO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.583.0078, referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 30, inciso VI, da Lei nº 8.212/91, correspondentes à parte da empresa, dos segurados e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração de mãodeobra empregada em obra de construção civil executada pela empresa TRANSNIBRA CONSTRUÇÕES, COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., em relação ao período de 03/1998 a 04/1998, conforme Relatório Fiscal, às fls. 26/28. De acordo com Relatório Fiscal, o crédito tributário foi constituído por responsabilidade solidária, em razão da recorrente não ter apresentado à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento quitadas e respectivas Folhas de Pagamento vinculadas aos serviços de construção civil prestados pela empresa TRANSNIBRA CONSTRUÇÕES, COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., que seriam capazes de comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos empregados da prestadora colocados a seu serviço. Cumpre observar que a empresa prestadora de serviços fora devidamente intimada da lavratura da presente notificação fiscal, conforme se depreende do Edital (Afixado em 21/03/2005 e Desafixado em 04/04/2005), às fls. 112, e Edital (Afixado em 09/11/2005 e Desafixado em 24/11/2005), às fls. 190, referente ao Relatório Fiscal Complementar, oportunizando a interposição de impugnação, assim o tendo feito, às fls. 203/215, e, posteriormente, recurso voluntário. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 35948.000475/200694 Acórdão n.º 9202003.106 CSRFT2 Fl. 465 3 Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF contra decisão da então Delegacia da Receita Previdenciária em Curitiba/PR, DN n° 14.401.4/0439/2005, às fls. 262/281, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 2ª Turma Ordinária da 3a Câmara, em 27/07/2011, pelo voto de qualidade, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e NEGARLHE PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2302001.178, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 30/04/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. TERMO AD QUEM. NOTIFICAÇÃO DO PRIMEIRO CORESPONSÁVEL. Como é de conhecimento geral, a solidariedade implica necessariamente a unidade de objeto com a simultânea pluralidade subjetiva. Assim, a relação jurídica tributária surgida com o fato gerador faz nascer um único débito tributário, tendo mais de um responsável pelo mesmo. Quando houve a notificação do primeiro solidário a decadência automaticamente está superada para esse devedor, e consequentemente para os demais; pois a dívida é a mesma. Não é razoável interpretar que a notificação estaria a depender de qualquer outra condição para ocasionar a superação do lapso decadencial. Conforme previsto expressamente no art. 125 do CTN, um dos efeitos da solidariedade é que a interrupção da prescrição em favor ou contra um dos demais coobrigados, favorece ou prejudica aos demais. Assim, se apenas um dos devedores tiver ordenada a citação, com a consequente interrupção do prazo prescricional, de pleno direito o prazo estará interrompido para os demais solidários. Como regra geral do direito casos similares merecem soluções semelhantes, dessarte utilizandose da analogia, prevista no art. 108 do CTN, a decadência superada para um dos solidários, prejudica aos demais consortes. A decadência é instituto que visa estabilizar relações jurídicas em virtude da inércia do titular no exercício de seu direito. No presente caso, não se pode reconhecer que a Fazenda Pública foi inerte. Dentro do quinquênio a fiscalização federal realizou ação fiscal, efetuou o lançamento, e conseguiu notificar, dentro do prazo, o sujeito passivo. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou Fl. 512DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 4 violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de coresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo fiscais. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. Recurso Voluntário Negado.” Irresignada, a contribuinte (TRANSNIBRA CONSTRUÇÕES, COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. – prestadora de serviços) interpôs Recurso Especial, às fls. 400/411, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras/Turmas dos Conselhos/CARF a respeito das mesmas matérias, conforme se extrai dos Acórdãos paradigmas n°s 240200.270 (Validade intimação último co obrigado) e 10311.590, 10314.032 e 10188.381 (Nulidade do Lançamento), trazidos à colação, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovadas as divergências arguidas. Relativamente ao termo final do prazo decadencial, suscita que o Acórdão recorrido diverge do entendimento encampado no paradigma, uma vez reconhecer que com a notificação do primeiro solidário a decadência está automaticamente superada para este devedor e, consequentemente, para os demais, visto que a dívida é a mesma. Por outro lado, o decisum paradigma leva a efeito o posicionamento no sentido de que, na hipótese de responsabilidade solidária, reputase ocorrida a constituição do crédito tributário, quando da regular notificação do último sujeito passivo da obrigação tributária. Esclarece que, ao contrário da tese aventada no Acórdão recorrido, os preceitos contidos no artigo 125 do CTN não se aplicam à hipótese vertente, tendo em vista contemplar a prescrição, o que não se vislumbra no presente caso, onde se discute o prazo para Fl. 513DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 35948.000475/200694 Acórdão n.º 9202003.106 CSRFT2 Fl. 466 5 se constituir o crédito (Decadência) e não para cobrar (Prescrição), institutos distintos e com pressupostos diversos. Defende que a exigência fiscal resta totalmente extinta pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram em março e abril de 1998, enquanto a ciência do último responsável solidário somente se deu em 31/03/2005, fora, portanto, do prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN. A fazer prevalecer seu entendimento, alega que a Portaria MPS n° 520/2004, vigente à época, é por demais enfática ao estabelecer que no caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado. No que tange à pretensa nulidade do lançamento, argumenta que autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, baseando a notificação em meras presunções. Neste sentido, pretende seja decretada a nulidade do procedimento, na esteira da jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos paradigmas colacionados aos autos junto à peça recursal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem admitir em parte o Recurso Especial da Contribuinte, somente em relação ao termo final do prazo decadencial, mais precisamente sendo a data da intimação do último coobrigado, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras/Turmas do Conselho a propósito da mesma matéria, conforme Despacho nº 2300 137/2013, às fls. 444/448, ratificado pelo Despacho de fl. 449, da lavra do Presidente do CSRF, em face de reexame necessário dos pressupostos de conhecimento da peça recursal. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial da Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 453/463, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a divergência suscitada pela contribuinte, somente em relação ao termo final do prazo decadencial, mais precisamente sendo a data da intimação do último coobrigado, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Notificação, no presente lançamento exigese contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 30, inciso VI, da Lei nº 8.212/91, correspondentes à parte da empresa, dos segurados e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração de mãodeobra empregada em obra de construção civil executada pela empresa TRANSNIBRA CONSTRUÇÕES, COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., em relação ao período de 03/1998 a 04/1998. Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida, pelo voto de qualidade, entendeu por bem manter a integralidade da exigência fiscal, rejeitando a preliminar de decadência com base no artigo 173, inciso I, do CTN, adotando como termo final do prazo decadencial a intimação/ciência do primeiro coobrigado (Contratante Responsável Solidário), em 04/11/2003 (folha de rosto da notificação), razão do insurgimento da contribuinte. Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram entendimento levado a efeito por outras Câmaras/Turmas dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão paradigma n° 240200.270, trazido à colação, impondo seja conhecida a peça recursal, porquanto comprovada a divergência arguida. Em defesa de sua pretensão, suscita que o Acórdão recorrido diverge do entendimento encampado no paradigma, uma vez reconhecer que com a notificação do primeiro solidário a decadência está automaticamente superada para este devedor e, consequentemente, para os demais, visto que a dívida é a mesma. Em outra via, o decisum paradigma leva a efeito o posicionamento no sentido de que, na hipótese de responsabilidade solidária, reputase ocorrida a constituição do crédito tributário, quando da regular notificação do último sujeito passivo da obrigação tributária. Esclarece que, ao contrário da tese aventada no Acórdão recorrido, os preceitos contidos no artigo 125 do CTN não se aplicam à hipótese vertente, tendo em vista contemplar a prescrição, o que não se vislumbra no presente caso, onde se discute o prazo para se constituir o crédito (Decadência) e não para cobrar (Prescrição), institutos distintos e com pressupostos diversos. Defende que a exigência fiscal resta totalmente extinta pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram em março e abril de 1998, enquanto a ciência do último Fl. 515DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 35948.000475/200694 Acórdão n.º 9202003.106 CSRFT2 Fl. 467 7 responsável solidário somente se deu em 31/03/2005, fora, portanto, do prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN. A fazer prevalecer seu entendimento, alega que a Portaria MPS n° 520/2004, vigente à época, é por demais enfática ao estabelecer que no caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado. Consoante se infere dos elementos que instruem o processo, concluise que o insurgimento da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a propósito do tema, encontrando guarida na farta jurisprudência administrativa e judicial, como passaremos a demonstrar. Da análise do processo, constatase que a questão posta nos autos se fixa em determinar a data da efetiva intimação da (s) contribuinte (s), com o fito de se estabelecer o termo final do prazo decadencial. Nesse sentido, aliás, é de bom alvitre salientar que a lavratura da notificação fiscal/auto de infração, ou seja, a constituição do crédito tributário, darseá somente com a ciência do contribuinte nas formas constantes na legislação tributária, oportunidade em que a NFLD/AI passará a produzir seus efeitos legais. A propósito da matéria, cabe invocar os ensinamentos do renomado tributarista LEANDRO PAULSEN, em sua obra “DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, pág. 863/864, in verbis: “Motivação lançamento. Requisitos de regularidade formal. [...] Importa ressaltar, ainda, que o lançamento só terá eficácia após notificado ao sujeito passivo [...] Notificação. Condição de eficácia. A notificação ao sujeito passivo é condição para que o lançamento tenha eficácia. Tratase de providência que aperfeiçoa o lançamento, demarcando, pois, a constituição do crédito que, assim, passa a ser exigível do contribuinte [...] A notificação está para o lançamento como a publicação está para a lei [...]” (grifamos) Na hipótese dos autos, primeiramente, a empresa contratante dos serviços PHILIP MORRIS BRASIL S/A foi intimada em 04/11/2003, como se verifica da assinatura aposta na folha de rosto da NFLD. Por outro lado, a empresa prestadora de serviços TRANSNIBRA CONSTRUÇÕES, COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., igualmente caracterizada como responsável solidária, tomou ciência da notificação fiscal em 05/04/2005, ou seja, 15 (quinze) dias após a afixação do Edital (Afixado em 21/03/2005 e Desafixado em 04/04/2005), às fls. 112, em observância aos ditames do artigo 23, §§ 1º e 2º, inciso III, do Decreto nº 70.235/72 e alterações. Nessa toada, uma vez esclarecidas as datas em que os responsáveis solidários foram devidamente cientificados da NFLD, impõese determinar o termo final para efeito de aplicação do prazo decadencial. Para tanto, impende transcrever o artigo 34 da Portaria MPS nº 520/2004, vigente à época, que regulamentava o processo administrativo no âmbito do INSS, nos seguintes termos: Fl. 516DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 8 “Art. 34 A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência. § 1º Quando frustrados os meios indicados no caput deste artigo, a intimação será efetuada por meio de edital e também no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. § 2º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. § 3º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da postagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro for o meio; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado.” Na esteira desse entendimento, consoante preceitua o dispositivo legal supra, para efeito da contagem do prazo decadencial, o termo final será a data da ciência do último coobrigado, in casu, 05/04/2005. Isto porque, a intimação somente considerarseá concretizada perfeitamente e, portanto, o lançamento devidamente consumado a partir de tal data. A jurisprudência administrativa que se ocupou do tema não discrepa desse entendimento, consoante se positiva dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas, senão vejamos: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/01/1999 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 35948.000475/200694 Acórdão n.º 9202003.106 CSRFT2 Fl. 468 9 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DATA DA CONSTITUIÇÃO DO LANÇAMENT0. O crédito tributário constituise com o lançamento, e este, na hipótese de responsabilização solidária, reputase ocorrido quando da regular notificação ao último sujeito passivo da obrigação tributária coobrigado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (Processo n° 13603.001888/200735 – Acórdão n° 240200.270 – Sessão de 28/10/2009 – Conselheiro Relator Marcelo Oliveira) Com a finalidade de melhor aclarar a matéria, impende transcrever excerto do voto condutor do Acórdão n° 240200.270, com sua ementa acima transcrita, onde o Conselheiro Relator Marcelo Oliveira se pronunciou com muita propriedade a respeito da matéria, in verbis: “ [...] Questão a ser analisada referese a data a ser contada como ciência do lançamento, na questão da solidariedade, pois, como no presente caso, o contribuinte foi cientificado em data diversa do solidário. No presente lançamento, a ciência dos sujeitos passivos solidários ocorreram em 12/2004 para o solidário, e em 01/2005 para o contribuinte. Buscando referências sobre a questão, encontramos determinação na Portaria do Ministro de Estado da Previdência Social nº 520, de 19 de maio de 2004, que disciplinava, à época, os processos administrativos decorrentes de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, Auto de Infração e, no que couber, ao pedido de isenção da cota patronal, de restituição ou de reembolso de pagamentos e à Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção, quando instaurado o contencioso. Portaria 520/2004: Art. 34. A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência. § 1º Quando frustrados os meios indicados no caput deste artigo, a intimação será efetuada por meio de edital e também no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. § 2º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. § 3º Considerase feita a intimação: Fl. 518DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 10 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da postagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro for o meio; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado. Como se nota, para a portaria ministerial o prazo para o contencioso, nos casos de solidariedade, só se inicia com a ciência de intimação do último coobrigado. A data do contencioso é importante, por ser a mesma, idêntica, em que se configura o lançamento. Decreto 3.048/1999: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. ... §2º Recebida a notificação, a empresa, o empregador doméstico ou o segurado terão o prazo de quinze dias para efetuar o pagamento ou apresentar defesa. § 2o Recebida a notificação, o empregador doméstico, a empresa ou o segurado terão o prazo de trinta dias para efetuar o pagamento ou apresentar impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) Decreto 70.235/1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. O lançamento somente se consuma com a devida intimação do sujeito passivo. “Ementa: .... Inexistindo notícia de que o Fisco tenha realizado o lançamento, efetivando a notificação do sujeito Fl. 519DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 35948.000475/200694 Acórdão n.º 9202003.106 CSRFT2 Fl. 469 11 passivo, tanto em relação aos tributos cujo recolhimento não foi comprovado, como ao descumprimento da obrigação acessória, nos termos do art. 142 do CTN, não há falar em débito do contribuinte. ....” (TRF4ª Região. AG 2001.04.01.0425061/RS. Rel.: Des. Federal Wellington M. de Almeida. 1ª Turma. Decisão: 09/08/01. DJ de 29/08/01.) “Ementa: .... I. O crédito tributário constituise com o lançamento, e este, na hipótese, reputase ocorrido quando da regular notificação ao sujeito passivo da obrigação tributária, consoante a dicção dos arts. 142 e 145 do CTN ....” (TRF2ª Região. AC 2001.02.01.0169076/RJ. Rel.: Des. Federal Valmir Peçanha. 4ª Turma. Decisão: 04/06/02. DJ de 16/09/02, p. 181.) Portanto, como podemos verificar, o lançamento só se constitui com a devida ciência do sujeito passivo e o contencioso só se inicia com a regular ciência do sujeito passivo. Assim sendo, chegase a conclusão que as datas, no Procedimento Administrativo Fiscal, são idênticas. Nesse sentido, quando a Portaria Ministerial 520/2004 determina, no contencioso administrativo, que no caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado, chegase, também, a conclusão que a data de constituição do lançamento, no caso de solidariedade, somente ocorre com a ciência da intimação do último coobrigado. Destarte, concluise que a data de lançamento só ocorreu com a ciência do último coobrigado, 01/2005, e como o período do lançamento referese a fatos geradores ocorridos nas competências 01/1994 a 06/1998 e 01/1999, todas as competências, pela aplicação do Art. 173 do CTN, devem ser excluídas do presente lançamento. Outro ponto a salientar, e que não devemos olvidar, é que a solidariedade é uma situação que ocorre na responsabilidade tributária: ela ocorre quando há mais de um sujeito passivo (devedor) de uma mesma obrigação tributária, cada qual obrigado à parte da dívida, ou à dívida toda. No CTN, a responsabilidade tributária está regulada no Capítulo V (Responsabilidade Tributária), do Título II (Obrigação Tributária), abrangendo do Art.128 ao 138. O contribuinte é o sujeito passivo direto da obrigação tributária. Ele tem obrigação direta pelo pagamento do tributo. Sua capacidade tributária é objetiva, pois decorre da lei, não de sua vontade. Esta capacidade independe de sua capacidade civil e comercial. Não pode haver convenções particulares modificando a definição legal de sujeito passivo. Assim, o contribuinte é a pessoa física ou jurídica que tem relação direta com o fato gerador. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 12 O responsável é o sujeito passivo indireto da obrigação tributária. Ele não é vinculado diretamente com o fato gerador, mas, por imposição legal, é obrigado a responder pelo tributo. Há responsabilidade solidária quando existe mais de um sujeito passivo responsável pela obrigação tributária. A solidariedade decorre da lei. Característica da solidariedade é que ela não comporta benefício de ordem. Efeitos da solidariedade são: a) o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita os demais; b) a isenção ou remissão de crédito exonera todos os coobrigados, salvo quando o benefício for concedido em caráter pessoal, substituindo, nesse caso, a solidariedade dos demais pelo saldo remanescente; c) a interrupção da prescrição em relação a um dos obrigados favorece ou prejudica os demais. Assim, poderíamos chegar a conclusão ilógica que a extinção do crédito, pela decadência, não seria aproveitada por todos os coobrigados, inclusive penalizando àquele coobrigado que com mais celeridade recebeu a intimação sobre o lançamento efetuado. Portanto, no nosso entender, no caso de solidariedade deve se conceituar, pelos motivos expostos, como efetivado o lançamento na intimação do último coobrigado. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame do mérito, já que o lançamento foi atingido pelo prazo decadencial. [...]” Outro não foi o entendimento encampado pelo ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, nos autos do processo n° 15504.018492/200851 – Acórdão n° 2401 002.719, de onde peço vênia para transcrever excerto do voto condutor e adotar como razões de decidir, como segue: “[...] Na situação sob enfoque, verifico que, a cientificação do lançamento pela última das coobrigadas deuse em 03/02/2009, conforme despacho de fl. 662. Embora não haja relatórios discriminando as guias de recolhimento apresentadas ou o abatimento de créditos do contribuinte no Discriminativo Analítico do Débito, os autos levamme a concluir que havia guias de recolhimento para o período, uma vez que o Relatório Fiscal traz a informação de que foram analisadas guias de recolhimento durante a auditoria (ver fl. 286). Ressaltese que não foram apurados na ação fiscal débitos sobre folha normal de salários, mas apenas sobre verbas que a empresa entendia não sofrerem incidência de contribuições, fato que nos leva a concluir, mais uma vez, que realmente havia guias de recolhimento. Assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência, mesmo Fl. 521DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 35948.000475/200694 Acórdão n.º 9202003.106 CSRFT2 Fl. 470 13 verificando que o sujeito passivo não reconheceu a incidência de contribuições sobre as bases de cálculo apuradas. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências até 01/2004, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu 03/02/2009 (última das devedoras solidárias a tomar ciência). [...]” Extraise da doutrina e jurisprudência acima relembradas que o aperfeiçoamento do lançamento somente ocorre com a ciência do último co obrigado/responsável solidário pela exigência fiscal, razão pela qual há que se admitir como termo final para a contagem do prazo decadencial aludida data, especialmente diante da impossibilidade de dividir a exigência fiscal em dois créditos tributários, um para cada solidário, ou mesmo aplicar o artigo 125 do Códex Tributário, vinculado literalmente ao instituto da prescrição, que não se confunde, em hipótese alguma, com a decadência. Partindo dessas premissas, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de admitir como termo final do prazo decadencial a data da intimação/ciência da notificação fiscal por parte do último coobrigado/responsável solidário, in casu, 05/04/2005. Ultrapassada a questão preliminar de delimitação do termo final do prazo decadencial, cumpre nesta oportunidade levar a efeito à subsunção do fato à norma, passando, ainda, por definir qual seria o dispositivo legal a ser aplicado para contagem de aludido lapso temporal, se o artigo 150, § 4°, ou 173, inciso I, do CTN. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, e inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Fl. 522DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 14 Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo Fl. 523DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 35948.000475/200694 Acórdão n.º 9202003.106 CSRFT2 Fl. 471 15 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 16 Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 525DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO Processo nº 35948.000475/200694 Acórdão n.º 9202003.106 CSRFT2 Fl. 472 17 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela ocorrência da decadência, sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, do CTN). Fl. 526DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO 18 Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 05/04/2005, com a devida ciência da contribuinte a partir do Edital de fl. 112, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram durante o período de 03/1998 a 04/1998, fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do CTN, seja com base no artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, impondo a decretação da improcedência do feito. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar de decadência total do crédito previdenciário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 527DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AUREL IO PEREIRA VALADAO
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