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Numero do processo: 10280.905453/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR.INGRESSO DE DIVISAS. COMPROVAÇÃO.
Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de dividas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR.INGRESSO DE DIVISAS. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de dividas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 54 53 /2 00 9- 25 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 0124.883 da 3 ª Turma da DRJ/BEL prolatado em 09 de Maio de 2012, o qual, por unanimidade de votos, os seus membros julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, consoante se denota pela ementa e dispositivo a seguir transcritos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando, à época de sua transmissão, inexistia crédito compensável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Por bem representar os fatos, transcrevese a seguir o relatório do Acórdão recorrido: “Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/07/2007 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 51.296,06, resultante de pagamento indevido ou a maior, originário de DARF relativo à receita de código 2172, do período de apuração de 31/07/2003, com arrecadação em 14/08/2003, no valor de R$ 92.766,15. A Delegacia de origem, em análise datada de 07/10/2009 (fl. 07), asseverou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.905453/200925 Acórdão n.º 3302002.545 S3C3T2 Fl. 158 3 Cientificada, a interessada apresentou, em 19/11/09, manifestação de inconformidade (fl. 12/17) na qual alega que: a) Dentre as atividades desenvolvidas pela Empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros. b) Até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. c) Esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes. d) Muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contando que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. e) O que se exige para a imunidade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que represente o ingresso de divisas e a prestação de serviços à pessoa situada no exterior. f) Os pagamentos realizados pelos armadores relativos àqueles serviços prestados aos seus navios de passagem por águas brasileiras são realizados em nome dos agentes, mas por conta dos armadores, dos quais são representantes. g) O Contribuinte, ora Recorrente, preencheu todos os requisitos acima descritos, e fazendo jus ao benefício descrito, ingressou com pedido administrativo de Restituição e Compensação, via Per/Dcomp dos valores não prescritos. h) O suposto débito em cobrança no valor principal (originário) de R$ 81.940,33 (...), referese à compensação efetuada em virtude de restituição do crédito acima descrita, do mês de julho de 2003. i) Todavia, o DARF pago foi no valor de R$ 92.766,15, porém, apenas R$ 51.296,06 (valor originário) correspondem à prestação de serviços para armador estrangeiro (sendo o restante do valor, referente ao PIS pago sobre prestação de serviços nacionais). j) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Por fim, solicitou a reforma da decisão. Em primeira análise, entendeuse ser necessária a realização de diligência para as seguintes providências (fls. 56/60): a) INTIMAR a contribuinte, para apresentar: a.I) Contrato(s) de direito privado em que seja signatária, firmado(s) com a(s) pessoa(s) jurídica(s) residente(s) ou domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) prestou serviço. a.2) Notas Fiscais relativas à prestação de serviço para a(s) pessoa(s) jurídica(s) residente(s) ou domiciliada(s) no exterior e o livro fiscal em que foram escrituradas. a.3) Contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior. b) APURAR o quantum do direito creditório a que fizer jus a contribuinte, caso reste provado que houve prestação de serviços para pessoa(s) jurídica(s) residente(s) ou domiciliada(s) no exterior, cujo(s) pagamento(s) tenha(m) representado ingresso de divisas, conforme legislação de regência; c) CONSOLIDAR, em relatório circunstanciado, as informações prestadas em atendimento à presente diligência; d) DAR ciência a contribuinte do resultado da diligência; e) CONCEDER a contribuinte prazo de 30 (trinta) dias para, se for o caso, manifestarse sobre o resultado da diligência; f) APRESENTAR quaisquer outras informações e anexar outros documentos que considere úteis ou necessários ao julgamento do presente feito; Em resposta, a Unidade de Origem elaborou o Relatório de fls. 74/75, no qual consta: • Em atendimento restrito ao despacho exarado pela Delegacia da Receita Federal de julgamento em Belém, de igual teor nos processos supra identificados e relativos a Manifestações de Inconformidade decorrentes da glosa de Pedido de Ressarcimento ou Restituição, cumprenos informar: • Quando ao item "a)": A recorrente foi devidamente Intimada e cientificada do presente despacho, consoante as exigências contidas no Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, datado de 12/09/2011, cópia anexada a todos os processos. • Quanto ao item "a.l)": NÃ0 nos foram apresentados contratos de direito privado firmado com as pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, em razão da inexistência de tais, tendonos sido informado que as relações negociais de contratação dos serviços se operacionaliza por intermédio dos agentes sediados no território pátrio. • Quanto ao "a.2)":Foram nos apresentadas cópias(uma das vias) das Notas Fiscais relativas a prestação de serviços, bem Fl. 160DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.905453/200925 Acórdão n.º 3302002.545 S3C3T2 Fl. 159 5 como das folhas em cujo registro no Livro Fiscal foram escrituradas de maneira individualizada, segregando prestações de serviços para armadores nacionais dos serviços prestados para armadores estrangeiros. • Quanto ao item "a.3)":NÃO nos foram apresentados os contratos de cambio pois também compete aos agentes intermediários todo o tratamento dos mesmos, incluindo a conversão e repasse em moeda nacional para o pagamento dos serviços prestados pela praticagem. • Quanto ao item "b)":0 quanto do eventual direto creditório", não nos foi possível apurálos totalmente, (embora tenha sido anexada ao presente Planilha correspondente a cada PERD/COMP), uma vez que há outros Processos da Interessada e que não estão sob nossa apreciação(tramitando em outros setores) onde há outros créditos utilizados nos presentes. • Quanto ao item"c)": Eis consolidado o relatório circunstanciado com a s informações prestadas em atendimento a presente Diligência. • Quanto ao item "d)" : Será dado ciência ao contribuinte do resultado desta Diligência através de cópia deste que será entregue juntamente com o Termo de Encerramento. • Quanto ao item "e)" : Será concedido o prazo de 30 (trinta) dias para, se for o caso, manifestarse sobre o resultado desta Diligência na forma do item anterior. • Quanto ao item "f)" : Consideramos oportuno as informações abaixo como úteis e necessárias ao julgamento do presente feito: • Em tese e redundante em principio, pela simples observância da natureza da atividade da empresa e das Notas Fiscais emitidas(às quais não nos foi possível contestar a autenticidade) e registros contábeis pertinentes, a mesma como desenvolvida levanos ao entendimento, ao que nos parece, SMJ, que a mesma propicia o "ingresso de divisas no pais" indo ao encontro das disposições legais pertinentes relativas a não incidência da COFINS e PIS, de forma que podemos afirmar, em tese, pela sistemática operacional de como se estabelecem as relações contratuais, que os armadores estrangeiros atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como seus representantes (agentes) para a contratação de serviços como: Auxilio logístico, transporte, armazenagem, embarque e desembarque de mercadorias, praticagem etc..., o que nos permite afirmar, em tese, que os serviços prestados pela UNIÃO DOS PRÁTICOS DA BACIA AMAZÔNICA ORIENTAL são geradores de divisas para o pais. • Há, no entanto, no caso vertente, a singularidade de que tais prestações de serviços são intermediadas por terceiros (agentes), o que suscitaria a dúvida quanto ao uso e gozo do benefício fiscal, (art 5°, II, da Lei n s 10.637, de 2002, art 6º , II, da Lei 10.833, de 2003, e art 14, III, § 1º , da Medida Provisória nº Fl. 161DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 2.15835, de 2001) o que nos parece dirimido pela Solução de Consulta nº 7 SRRF02/DISIT, de 30/06/2011, relativa a outra empresa, mas que se direciona aos semelhantes serviços de praticagem de embarcações em rios, barras, portos e terminais da Bacia Amazônica, como tais exercidos com intermediação de pessoa domiciliada no Pais, quando o tomador é residente ou domiciliado no exterior. • Quanto ao item "g)" : Uma vez transcorrido o prazo constante do item "e" os autos serão encaminhados a DRJ para continuidade do julgamento administrativo. A empresa foi cientificada do resultado da diligência em 27/02/2012 (fl.77), mas não se manifestou.” A Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa entendeu que o Crédito tributário foi constituído por meio da DCTF apresentada, nos termos previstos no §1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 1984 e no Art. 8º da Instrução Normativa RFB n° 1.110, de 24 de dezembro de 2010, constituindo, assim, confissão de dívida e instrumento legal hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, e que, nesse caso, a desconstituição do crédito tributário nascido com a confissão de dívida ocorrida através da DCTF não depende, por exemplo, apenas da apresentação de DCTF Retificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. Que, no caso, não tendo a contribuinte trazido aos autos documentos de suporte capazes de indicar o quantum do tributo efetivamente devido, caracterizando o erro de haver confessado e pago um débito superior ao que afirma ser o real, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. Menciona a legislação acerca da preclusão das provas. Cientificada do referido Acórdão, por meio do termo de Comunicação nº 0748/2012 (efl. 93), em 17/07/2012 (AR efl. 94), a contribuinte irresignada apresenta o seu Recurso Voluntário em 07/08/2012 (efls 95 a 106), no qual reprisa seus argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e para reforçar o seu entendimento, ainda argúi, em síntese, que: ● A recorrente tem como objeto social a prestação de serviço de praticagem do Porto de Belém/PA; ● A intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador) por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida exclusivamente em favor de empresa não domiciliada no Pais. Estando assim, afirma, atendidos as condições legais, quais sejam: 1) que o tomador, pessoa física ou jurídica, esteja domiciliada no exterior; 2) que o pagamento do respectivo preço se dê em moeda conversível; ● embora os pagamentos tenham sido efetuados pelos representantes dos armadores no país, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando previamente ao Brasil divisas suficientes para a sua quitação. ● os representantes atuam como meros repassadores do recurso do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.905453/200925 Acórdão n.º 3302002.545 S3C3T2 Fl. 160 7 ● o que se exige para a imunidade é o nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação do serviço à empresa situada no exterior. ● Seu entendimento baseouse em diversa solução de Consultas emitidas pela RFB em todo o Brasil, mencionando algumas, a título de exemplos. ● menciona os atos normativos do Banco central do Brasil que efetuam, afirma, controle rígido das divisas que entram e saem do Brasil, acompanhando as atividades dos armadores estrangeiros; ● quanto à comprovação do valor do crédito, reafirma que todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Extraise dos autos que dentre as atividades desenvolvidas pela contribuinte está a prestação de serviços de praticagem de embarcações em rios, barras, portos e terminais da Bacia Amazônica Oriental, na Zona de praticagem estabelecida pela autoridade marítIma brasileira. (Cópia da Consolidação do Contrato Social, efl. 33). A contribuinte alega possuir benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, não obstante, esses armadores estrangeiros, atuem no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes, afirmando que o pagamento do serviço, mesmo feito pelos representantes, caracterizam ingresso antecipado de divisa. A solicitação de restituição da COFINS sob análise referese ao período de Apuração de 01/07/2003 a 31/07/2003. Tendo em vista que a legislação sobre o assunto alterouse ao longo do tempo, como ressaltado pela recorrente, fazse mister analisar a legislação vigente no período acima citado. A Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, em seu art. 14, inciso I, determinava o seguinte: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisa. (...)” Tal regra, que exigia que a receita oriunda da prestação de serviço à pessoa residente no exterior representasse entrada de divisas, teve vigência até 31/01/2004, quando passou a produzir efeitos o art. 6º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o qual tinha a mesma redação do art. 5º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, qual seja: “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível (...).” Nesta regra, a exigência para que a contribuinte tivesse direito à isenção era que o serviço por ela prestado fosse pago com moeda conversível Porém, em 30/04/2004, a Lei nº 10.865/04 modificou as redações das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, voltando a exigir a entrada de divisas para que a contribuinte tivesse direito à isenção do PIS e da COFINS nos serviços prestados a pessoas domiciliadas no exterior, in verbis: ““Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) (...).” Assim, destacada a legislação vigente à época, temse que, embora, em tese, estejase tratando de isenção da COFINS sobre a receita advinda da prestação de serviços a empresa domiciliada no exterior cujo pagamento importe em ingresso de divisa, nos termos da legislação, o óbice aqui é de caráter fático probatório. Vejamos: Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte anexou como documentos probatórios de suas alegações: 1) Efl 25 Cópia do Darf pago da COFINS, no PA 31/07/2003, no valor pago de RS 92 766,15, objeto do pedido de restituição, nos presentes autos; 2) Efl 26 e 27 – Relação das Notas Fiscais emitidas pela contribuinte(C.N.P.J.: 02.493.009/000107), no período de Fl. 164DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.905453/200925 Acórdão n.º 3302002.545 S3C3T2 Fl. 161 9 01/07/2003 a 31/07/2003, na qual se identifica diversos CNPJ para os quais as notas Fiscais foram emitidas; 3) Efls 28 a 43– Cópia do Instrumento Particular da Décima Oitava Alteração Contratual e Consolidação Contratual – NIRE15.200656042; 4) Efls 44 a 53 Instrumento Particular de Constituição De Sociedade Mercantil Por Quotas de Responsabilidade Limitada denominada "UNIÃO DOS PRÁTICOS Da BACIA AMAZÔNICA ORIENTAL LTDA"; No Despacho 118 3a Turma da DRJ/BEL, no qual foi proposta a realização de diligência mencionada no relatório, extraise a seguinte a informação: “A Requerente formulou consulta à Superintendência Regional da Receita Federal – 2ª RF sobre a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior armadores estrangeiros, quando o pagamento é efetuado por meio de seus agentes ou representantes no País. A consulta foi solucionada através da Solução de Consulta n° 41, de 6 de setembro de 2006, da qual transcrevo os seguintes excertos: 13. A consulente afirma que presta serviços às embarcações de bandeira estrangeira pertencente a empresas com domicílio no exterior. No caso em análise, para atender a primeira condição prevista no dispositivo legal convém alertar que é necessário que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o beneficio da nãoincidência do PIS/Pasep e da Cofins. 14. Com relação à segunda condição, objeto de dúvida, a consulente esclarece que os pagamentos são feitos em moeda corrente (reais) pelas agências representantes do transportador estrangeiro, por força da Carta Circular do Banco Central do Brasil n° 3.249, de 30 de junho de 2004, a qual contém as normas para o tratamento cambial das operações de frete internacional. 15. Na seara tributária, especificamente na área aduaneira, podese citar a Portaria MF n° BR42, de 17 de junho de 1971, que ao tratar da saída de mercadorias a título de provisão de bordo, assim dispunha: "/ Constitui, também, exportação, para os efeitos fiscais previstos na legislação vigente, a saída de mercadorias de produção nacional, destinada ao consumo e/ou uso de embarcações ou aeronaves, de bandeira estrangeira, aportadas no Pais, observadas as seguintes condições: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 b) adquirente sediado no exterior; c) pagamento em moeda estrangeira conversível, através de uma das seguintes formas: 1. Pagamento direto, mediante fechamento de câmbio em banco devidamente autorizado. 2. Pagamento indireto, a débito da conta de custeio mantida pelo agente ou representante do armador adquirente do produto. 16. Abstraídas quaisquer discussões a propósito da sua vigência, à luz dessa Portaria, poderseia intuir que o ingresso de divisas não é descaracterizado pelo "pagamento indireto", i.e., por intermédio do agente ou representante da empresa estrangeira. 17. Desse modo, o fato do pagamento ser efetuado por pessoa diferente do transportador estrangeiro não inibe a norma tributária em comento de produzir seus efeitos, visto que não é requisito dela que o pagamento seja realizado pela mesma pessoa a quem o serviço foi prestado. O que se exige, para a não incidência do PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços a pessoa situada no exterior. Esse nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. 18. Concluise que, sendo o contratante a empresa estrangeira, a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, nem o ingresso de divisas, o que é confirmado pela leitura da legislação cambial do Banco Central do Brasil (Bacen) p. ex., CartaCircular Bacen 2.297, de 8 de julho de 1992, revogada pela Circular Bacen n° 3.249, de 30 de julho de 2004,revogada pela Circular Dacen n" 3.280, de 9 de março de 2005, que divulga o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). 19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a nãoincidência. desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separada, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior. 20. Diante do exposto e no uso da competência estabelecida no art. 48, § I", inciso II, da Lei n° 9.430. de 27 de dezembro de 1996, solucionase a presente consulta, em instância única, respondendo que não há incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, (destaquei)” E, ainda, consta do mesmo despacho a seguinte ressalva: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.905453/200925 Acórdão n.º 3302002.545 S3C3T2 Fl. 162 11 “A contribuinte trouxe aos autos, juntamente com sua manifestação de inconformidade diversos documentos, mas não juntou comprovação de que é signatária de contrato de direito privado firmado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega ter prestado serviços, e nem os contratos de câmbio relativos aos pagamentos. Também não apresentou as notas fiscais relativas à prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, e o livro fiscal em que foram escrituradas.” Por tal motivo, foi efetuada a diligência nos termos em que foi acima relatado. Não obstante, no resultado da diligência restou claro que a contribuinte não possui Contrato de direito privado firmado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior e, também, que a mesma não conseguiu comprovar o ingresso de divisa e, tampouco, o nexo causal de ingresso de divisa por meio, de pagamento direto, mediante fechamento de câmbio em banco devidamente autorizado; ou, por pagamento indireto, a débito da conta de custeio mantida pelo agente ou representante do armador adquirente do produto. Acerca da comprovação de suas alegações apenas aduz, tanto em sua manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário que: “todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais.” Ressaltese que as notas fiscais não foram anexadas aos autos. Consta apenas uma relação das notas fiscais emitidas no período, na qual se identifica vários destinatários (CNPJ diferentes). Tal relação, ao contrário do alegado, indicia que a prestação de serviço foi efetuada para empresas nacionais. Assim, tendo claro que a Solução de consulta formulada pela a contribuinte a vincula, não se pode acatar as alegações efetuadas de forma genérica pela recorrente, desprovidas de comprovação. Sabese que no contencioso administrativo de iniciativa do sujeito passivo, originado de pedidos de ressarcimento ou restituição ou de declarações de compensação, o crédito reivindicado consubstancia o “fato constitutivo” do direito do requerente e, portanto, fato este cuja prova lhe cabe, em princípio (CPC, artigo 333, I). Desta forma, é da contribuinte a responsabilidade pelo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado em face da inexistência de prova de que a isenção da receita dos serviços prestados estejam, de fato, respaldados nas condições legais permissivas e de acordo com o resultado da Solução de Consulta nº 41, de 6 de setembro de 2006. Por ser oportuno, visando apenas registrar, informase que a contribuinte, ignorando a Solução de Consulta por ela formulada, de nº 41, de 6 de setembro de 2006, Fl. 167DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 ingressou posteriormente com vários PERDCOMPs, referentes à pedidos de restituição de PIS e COFINS, de diversos períodos de apuração, todos decorrentes de suposto pagamento a maior, pelo mesmos motivos constante neste processo e que, em todos os processo, a Delegacia de julgamento da DRJ/BEL proferiu Acórdãos com o mesmo teor do Acórdão destes autos julgando improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecendo o Direito Creditório. De todos os processos (cerca de 23 (vinte e três)), a contribuinte apenas recorreu da decisão constante destes autos. Em consulta ao sistema eprocesso, constatouse que a contribuinte não recorreu dos demais processos, tornando definitiva na esfera administrativa as decisões ali proferidas. CONCLUSÃO De acordo com a fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 168DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725837/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IR - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL
A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA
Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 2202-002.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Guilherme Barranco de Souza, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco De Souza, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite. Ausente justificadamente o conselheiro Fabio Fabio Brun Goldschmidt
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 37 /2 00 9- 81 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Guilherme Barranco de Souza, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez– Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco De Souza, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite. Ausente justificadamente o conselheiro Fabio Fabio Brun Goldschmidt Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725837/200981 Acórdão n.º 2202002.625 S2C2T2 Fl. 101 3 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 145.385,88, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação tempestivamente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 1523.002, de 17 de março de 2010. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. Em sessão de julgamento ocorrida em 22 de janeiro de 2013, tendo em vista a natureza dos rendimento ser percebidos de maneira acumulada, foi sobrestado o julgamento do mesmo através da resolução, 2202000.410. Tendo em vista a Portaria 545 do Ministério da Fazenda que revogou os dispositivos que permitiam ao sobrestamento, os autos retornaram para julgamento. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 É o relatório Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725837/200981 Acórdão n.º 2202002.625 S2C2T2 Fl. 102 5 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior Natureza Indenizatória Do Valor Recebido Antes de adentramos ao mérito da questão, gostaria de fazer um breve histórico de como originou a questão objeto de julgamento. Inicialmente devemos analisar as disposições do artigo 6º da Lei nº. 9.655/98, que tratou concedeu o abono variável a partir de 1 de janeiro de 1998 aos membros do Poder Judiciário: “Art. 6º: Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Referido dispositivo legal faz menção ao artigo 93, inciso V da Constituição Federal, condicionando a produção de efeitos do abono até a data de vigência de futura Emenda Constitucional alterando o comando constitucional mencionado. A Emenda Constitucional nº. 19, de 04 de Junho de 1998, alterou o dispositivo constitucional mencionado: “Art. 93: (...) V os vencimentos dos magistrados serão fixados com diferença não superior a dez por cento de uma para outra das categorias da carreira, não podendo, a título nenhum, exceder os dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. (redação anterior à EC 19/98) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 V o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e os subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional, não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem exceder a noventa e cinco por cento do subsídio mensal dos Ministros dos Tribunais Superiores, obedecido, em qualquer caso, o disposto nos arts. 37, XI, e 39, § 4º.” (redação dada pela EC 19/98) A forma de cálculo e de pagamento foi disciplinado pelo artigo 2º, da Lei nº. 10.474/2002: “Art. 2º: O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida por Magistrado, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º: Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos Magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º: Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. § 3º: O valor do abono variável da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo.” O Supremo Tribunal Federal STF ao editar o artigo 1º da resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002 definiu a natureza jurídica indenizatória do abono previsto no artigo 2º da Lei nº. 10.474/2002, nos seguintes termos: “Art. 1º: É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº. 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal.” Assim a partir da edição da Resolução n° 245/02 do STF o abono variável de que trata o artigo 2° da Lei n° 10.474/02 tem natureza indenizatória, portanto não é passível de ser tributado pelo imposto de renda. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725837/200981 Acórdão n.º 2202002.625 S2C2T2 Fl. 103 7 O “abono variável” devido aos Magistrados do Estado do Bahia, objeto de discussão no presente caso tem como fundamento legal nos artigos 4º e 5º, da Lei 8.730 de 09 de setembro de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Nos termos da referida norma legal, entendo que foi pago aos membros do Poder Judiciário do Estado da Bahia abono variável nos mesmos moldes do que dispõe o artigo 2°, da Lei n° 10.747/02. Nesse sentido entendo que o “abono variável” concedido aos Magistrados Estaduais pela Lei n° 8.073 de 2003, tem natureza idêntica àqueles concedidos à Magistratura Federal e ao MPF, portanto tem natureza indenizatória nos termos do que dispõe a Resolução do STF n° 245/02, não sendo portanto fato gerador do imposto de renda nos termos do que dispõe o artigo 43 do CTN. Além do mais não vejo inconstitucionalidade na Lei Estadual ao atribuir natureza indenizatória a tal valor, caberia a União no caso ingressar com ação judicial pertinente para questionar a constitucionalidade de tal Lei, fato esse que não ocorre no presente caso. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Inobstante o respeitável entendimento desenvolvido pelo Ilustre Conselheiro Relator, no caso em análise e com sua vênia, a minha convicção não permite acompanhálo. Exponho a seguir as razões. O lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que toca a ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção. Urge registrar que a repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Em suma, o fato de o produto da arrecadação ficar para o Estado não altera a competência tributária definida na Constituição, que é da União, conforme de definido no art. 153, III. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, pela quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, , acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725837/200981 Acórdão n.º 2202002.625 S2C2T2 Fl. 104 9 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). No relativo a Lei n° 10.477, de 2002, cabe observar, que a mesma restringe se ao abono variável aplicável aos membros do Poder Judiciário Federal. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 529, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Tal entendimento é expressamente corroborado pelo Parecer PGFN/CAT n° 2.158, de 2005, e pela Solução de Consulta n° 47, da Superintendência da 7" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, estendendose os efeitos da Resolução STF n° 245, de 2002, tão somente ao Ministério Público Federal e à Magistratura Federal. Não se pode olvidar também que é defeso ao aplicador do Direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Este Conselho já pacificou esse entendimento, conforme verificase da Súmula a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Os demonstrativos de fls. 8 e 19/21 são claros neste sentido que se referem a diferenças salariais de abril/94 a agosto/2001, pagas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto não pode se deixar de reconhecer que o recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725837/200981 Acórdão n.º 2202002.625 S2C2T2 Fl. 105 11 A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido este conselho já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Urge registrar que o STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, restando pacificado no CARF que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). No tocante a aplicação do tratamento prescrito na Instrução Normativa RFB No. 1.127/2011 relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Urge registrar que a norma citada disciplina a apuração e tributação dos rendimentos recebidos a partir de 28 de julho de 2010, não se aplicando portanto ao caso concreto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Redator Designado Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10935.904578/2012-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/05/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 78 /2 01 2- 91 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904578/201291 Acórdão n.º 3801002.374 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904578/201291 Acórdão n.º 3801002.374 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904578/201291 Acórdão n.º 3801002.374 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904578/201291 Acórdão n.º 3801002.374 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000918/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, para que seja providenciada a juntada dos processos decorrentes ao principal. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva (Relatora) que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir a Resolução.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, para que seja providenciada a juntada dos processos decorrentes ao principal. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva (Relatora) que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir a Resolução. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, para que seja providenciada a juntada dos processos decorrentes ao principal. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva (Relatora) que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir a Resolução. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 02 08, com a exigência do crédito tributário no valor de total de R$34.856,00 a título de multa de ofício isolada por falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) dos primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2005, cujo prazo final era RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 47 51 .0 00 91 8/ 20 09 -1 7 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 84 2 30.10.2005 e 20.04.2006, respectivamente. Em conformidade com o Termo de Verificação fiscal, fls. 0912, a Recorrente foi validamente intimada a apresentar as DCTF do 1º e 2º semestre de 2005 e não fez. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113, art. 115 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, bem como art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 5361, alegando que se defende tempestivamente e ainda com as alegações a seguir transcritas: DOS FATOS A autoridade fiscal instaurou procedimento fiscalizatório, cuja finalidade reside em apurar a existência de crédito tributário. Ao analisar as declarações e os elementos concernentes ao ano calendário de 2005, exercício de 2006, a RFB concluiu que o contribuinte havia desenvolvido atividade econômica em nome individual, com habitualidade e profissionalismo. Em razão deste fato, a autoridade fiscal equiparouo a condição de pessoa jurídica para fins de tributação. Assim, por força da equiparação, foi solicitado ao contribuinte o cumprimento de diversas obrigações acessórias, a exemplo da apresentação da DIPJ, DCTF e entrega dos livros diário, razão e LALUR. Esgotado o prazo sem que o contribuinte tenha apresentado a DCTF referentes ao primeiro e segundo semestres de 2005, a autoridade fiscal impôs uma multa de 20% do montante do IRPJ apurado no Auto de Infração n° 14751.000818/200991. Eis, portanto, os fatos que ensejaram a aplicação da penalidade pecuniária. DO DIREITO Equiparação de pessoa física em pessoa jurídica. Instrução Normativa. Ato administrativo Autônomo. Ausência de amparo legal. Imputação de multa De acordo com o relatório constitutivo da autuação fiscal, a RFB reconheceu que o contribuinte havia desenvolvido atividade econômica em nome individual, com habitualidade e profissionalismo no ano calendário de 2005. Por tal razão, caracterizou sua atividade como sendo prestada por pessoa jurídica, classificandoa como sendo de fomento mercantil (Factoring). Assim procedeu a RFB com fundamento no art. 19, §1°, da Instrução Normativa n° SRF 748/07, [...]Observase, pois, que a RFB equiparou a pessoa física (LUIZ CARLOS NEVES DANTAS) à pessoa jurídica, passando a exigir um conjunto de tributos (IRPJ, COFINS, PIS/PASEP e CSLL) em virtude da ausência de comprovação da origem dos recursos depositados nas contas bancárias, nos termos da Lei nº 9.430/96. Em termos precisos e rigorosos, a RFB procedeu a uma equiparação sem fundamento legal. E que não há norma jurídica que de sustentação ao lançamento tributário, gravando o requerente como se fora uma pessoa jurídica regularmente constituída. Mediante a expedição de ato administrativo autônomo, sem a devida convalidação por meio de lei, a RFB atuou de maneira arbitraria e ilegal. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 85 3 Aqui, a RFB criou um novo contribuinte para responder pelas dívidas tributárias, concebendo originariamente uma modalidade de sujeição passiva. Não há dúvidas, portanto, que somente a lei pode firmar o devedor da obrigação tributária. A inteligência do art. 145, III, a, CF c/c o art. 97, III, CTN corrobora a ideia de que a sujeição passiva tributária, caracterizada como elemento essencial da obrigação, está submetida a reserva de legalidade (art. 121, CTN). [...]A equiparação levada a efeito pela RFB viabilizou outra ilegalidade. É que a autoridade fiscal passou a exigir do requerente o cumprimento de algumas obrigações acessórias, cujo raio de incidência apenas vincula pessoas jurídicas. Duas foram as conseqüências: a) a imputação de multas, consubstanciadas nos Procedimentos administrativos fiscais nºs 14751.000.918/200917 e 14751.000.950/200901; b) o lançamento por arbitramento. Ora, a aplicação de multas acessórias carecem de embasamento legal, pois falta se o pressuposto material, a saber: o contribuinte atuava na condição de pessoa física. Neste caso, jamais poderia ser obrigado a apresentar DCTF, DIRF, LALUR, RAZÃO, e DIÁRIO. Em última instância, não deveria sujeitarse a sanções de natureza pecuniária próprias de pessoa jurídica. Quanto ao arbitramento, de igual modo padece de ilegalidade, porquanto não se vislumbra os requisitos contidos no Código não Tributário Nacional. A propósito do arbitramento, algumas considerações devem ser feitas. De acordo com o procedimento administrativofiscal, a RFB intimou o requerente para apresentar a DIRF, DCTF, DIÁRIO, RAZÃO e LALUR. Como o contribuinte não apresentou uma vez que não havia obrigatoriedade legal a RFB efetuou o lançamento por arbitramento, sob a alegação que o contribuinte não havia comprovado a origem dos depósitos bancários em sua contacorrente. Assim procedeu com o objetivo de mensurar a base de cálculo do tributo. Entretanto, merece ênfase o fato da RFB acharse vinculada às diretrizes normativas do CTN ( art. 148 ) em hipóteses desta natureza. Observase que o lançamento com base no arbitramento está sujeito a casos bem delimitados, mediante alguns pressupostos, assim como a procedimento especifico. Neste sentido, ao basear a constituição do credito tãosomente em informações inverossímeis, desprovida de base documental, olvidou elementos que a lei impõe como obrigatórios. [...]O arbitramento consiste em medida excepcional, adotada mediante a presença de alguns pressupostos jurídicos, a saber: recusa, inexatidão, omissão ou sonegação de informações ou documentos que concorram para a determinação da dívida tributária. [...]Em rigor, ocorreu uma inversão na ordem dos instrumentos probatórios. O essencial foi desprezado; o acidental foi evidenciado! Como existem outros elementos probatórios, caberia a autoridade federal deles valerse para aferir a verdade material. Assim deve ser compreendido, pois o arbitramento e método utilizado como instrumento derradeiro. Aqui, a base de cálculo não coincide com o valor do deságio. Antes, identificase com uma dimensão econômica, concernente a todos os depósitos bancários. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 86 4 Por outro lado, não se pode olvidar que todo procedimento administrativo fiscal deve ser informado pelos princípios da legalidade, igualdade, oficialidade, alem de submeterse ao postulado da verdade material. De acordo com o postulado da verdade material o intérprete/aplicado da lei tributária deve relativizar ou abrandar as formas em detrimento do conteúdo. Ou, ainda, deve buscar identificar os elementos que caracterizam a essência da tributação. Portanto, o princípio da verdade material restou completamente comprometido em razão da postura administrativa adotada pela RFB. [...]Em suma: a presente autuação deve ser anulada, porquanto ostenta vícios irremissíveis, na medida em que o credito tributário foi devidamente constituído com base em uma equiparação desprovida de fundamento legal e, conseqüentemente, não havia como o contribuinte se sujeitar as obrigações acessórias correspondentes. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Em face do exposto, requer a V.Exa o seguinte: o recebimento da presente defesa, suspendendo a exigibilidade do credito tributário, nos termos do art. 151, III, CTN; a emissão de certidão positiva com efeito de negativa, mediante requerimento do contribuinterequerente, nos moldes do art. 206, CTN; protesta provar o alegado, através de todos os meios de prova em direito admitidos; no mérito, seja julgado procedente o pedido para anular o Auto de Infração 14751.000918/200917 que imputou ao requerente o dever de pagar a importância de R$34.856,00. Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 11 36.894, de 30.04.2012, fls. 6670: Impugnação Improcedente. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF ATRASO NA ENTREGA pessoa jurídica. Equiparada, pela fiscalização, a pessoa física a condição de pessoa jurídica, pela prática habitual de atividade econômica, esta fica sujeita ao cumprimento da obrigação acessória de apresentar a DCTF. A não apresentação enseja na aplicação da multa específica. Notificada em 29.05.2012, fl. 73, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 19.06.2012, fls. 7481, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 87 5 Acrescenta que: DOS FATOS A autoridade fiscal instaurou procedimento fiscalizatório, cuja finalidade reside em apurar a existência de crédito tributário. Ao analisar as declarações e os elementos concernentes ao ano calendário de 2005, exercício de 2006, a RFB concluiu que o contribuinte havia desenvolvido atividade econômica em nome individual, com habitualidade e profissionalismo. Em razão deste fato, a autoridade fiscal equiparouo a condição de pessoa jurídica para fins de tributação. Assim, por força da equiparação, foi solicitado ao contribuinte o cumprimento de diversas obrigações acessórias, a exemplo da apresentação da DIPJ, DCTF e entrega dos livros diário, razão e LALUR. Esgotado o prazo sem que o contribuinte tenha apresentado a DCTF referentes ao primeiro e segundo semestres de 2005, a autoridade fiscal impôs uma multa de 20% do montante do IRPJ apurado no Auto de Infração n° 14751.000818/200991. Eis, portanto, os fatos que ensejaram a aplicação da penalidade pecuniária. DO DIREITO Da necessidade de reforma da decisão da DRJ. Equiparação de pessoa física em pessoa jurídica. Instrução Normativa. Ato administrativo Autônomo. Ausência de amparo legal. Imputação de multa. De acordo com o relatório constitutivo da autuação fiscal, a RFB reconheceu que o recorrente havia desenvolvido atividade econômica em nome individual, com habitualidade e profissionalismo no ano calendário de 2005. Por tal razão, caracterizou sua atividade como sendo prestada por pessoa jurídica, c1assificandoa como sendo de Fomento Mercantil (Factoring). [...]Observase, pois, que a RFB equiparou a pessoa física (LUIZ CARLOS NEVES DANTAS) à pessoa jurídica, passando a exigir um conjunto de tributos (IRPJ, COFINS, PIS/PASEP e CSLL) em virtude da ausência de comprovação da origem dos recursos depositados nas contas bancárias, nos termos da Lei nº 9.430/96. Em termos precisos e rigorosos, a RFB procedeu a uma equiparação sem fundamento legal. E que não há norma jurídica que de sustentação ao lançamento tributário, gravando o requerente como se fora uma pessoa jurídica regularmente constituída. Mediante a expedição de ato administrativo autônomo, sem a devida convalidação por meio de lei, a RFB atuou de maneira arbitraria e ilegal. Aqui, a RFB criou um novo contribuinte para responder pelas dívidas tributárias, concebendo originariamente uma modalidade de sujeição passiva. Não há dúvidas, portanto, que somente a lei pode firmar o devedor da obrigação tributária. A inteligência do art. 145, III, a, CF c/c o art. 97, III, CTN corrobora a ideia de que a sujeição passiva tributária, caracterizada como elemento essencial da obrigação, está submetida a reserva de legalidade (art. 121, CTN). [...]A equiparação levada a efeito pela RFB viabilizou outra ilegalidade. É que a autoridade fiscal passou a exigir do requerente o cumprimento de algumas obrigações acessórias, cujo raio de incidência apenas vincula pessoas jurídicas. Duas foram as conseqüências: a) a imputação de multas, consubstanciadas nos Procedimentos administrativos fiscais nºs 14751.000.918/200917 e 14751.000.950/200901; Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 88 6 b) o lançamento por arbitramento. Ora, a aplicação de multas acessórias carecem de embasamento legal, pois falta se o pressuposto material, a saber: o contribuinte atuava na condição de pessoa física. Neste caso, jamais poderia ser obrigado a apresentar DCTF, DIRF, LALUR, RAZÃO, e DIÁRIO. Em última instância, não deveria sujeitarse a sanções de natureza pecuniária próprias de pessoa jurídica. Quanto ao arbitramento, de igual modo padece de ilegalidade, porquanto não se vislumbra os requisitos contidos no Código não Tributário Nacional. A propósito do arbitramento, algumas considerações devem ser feitas. De acordo com o procedimento administrativofiscal, a RFB intimou o requerente para apresentar a DIRF, DCTF, DIÁRIO, RAZÃO e LALUR. Como o contribuinte não apresentou uma vez que não havia obrigatoriedade legal a RFB efetuou o lançamento por arbitramento, sob a alegação que o contribuinte não havia comprovado a origem dos depósitos bancários em sua contacorrente. Assim procedeu com o objetivo de mensurar a base de cálculo do tributo. Entretanto, merece ênfase o fato da RFB acharse vinculada às diretrizes normativas do CTN ( art. 148 ) em hipóteses desta natureza. Observase que o lançamento com base no arbitramento está sujeito a casos bem delimitados, mediante alguns pressupostos, assim como a procedimento especifico. Neste sentido, ao basear a constituição do credito tãosomente em informações inverossímeis, desprovida de base documental, olvidou elementos que a lei impõe como obrigatórios. [...]O arbitramento consiste em medida excepcional, adotada mediante a presença de alguns pressupostos jurídicos, a saber: recusa, inexatidão, omissão ou sonegação de informações ou documentos que concorram para a determinação da dívida tributária. [...]Em rigor, ocorreu uma inversão na ordem dos instrumentos probatórios. O essencial foi desprezado; o acidental foi evidenciado! Como existem outros elementos probatórios, caberia a autoridade federal deles valerse para aferir a verdade material. Assim deve ser compreendido, pois o arbitramento e método utilizado como instrumento derradeiro. Aqui, a base de cálculo não coincide com o valor do deságio. Antes, identificase com uma dimensão econômica, concernente a todos os depósitos bancários. Por outro lado, não se pode olvidar que todo procedimento administrativo fiscal deve ser informado pelos princípios da legalidade, igualdade, oficialidade, alem de submeterse ao postulado da verdade material. De acordo com o postulado da verdade material o intérprete/aplicado da lei tributária deve relativizar ou abrandar as formas em detrimento do conteúdo. Ou, ainda, deve buscar identificar os elementos que caracterizam a essência da tributação. Portanto, o princípio da verdade material restou completamente comprometido em razão da postura administrativa adotada pela RFB. [...]Em suma: a presente autuação deve ser anulada, porquanto ostenta vícios irremissíveis, na medida em que o credito tributário foi devidamente constituído com base em uma equiparação desprovida de fundamento legal e, conseqüentemente, não havia como o contribuinte se sujeitar as obrigações acessórias correspondentes. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 89 7 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Em face do exposto, requer a V.Exa o seguinte: o recebimento da presente defesa, suspendendo a exigibilidade do credito tributário, nos termos do art. 151, III, CTN; a emissão de certidão positiva com efeito de negativa, mediante requerimento do contribuinterequerente, nos moldes do art. 206, CTN; protesta provar o alegado, através de todos os meios de prova em direito admitidos; no mérito, seja julgado procedente o pedido para anular o Auto de Infração 14751.000918/200917 que imputou ao requerente o dever de pagar a importância de R$34.856,00. Pede deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Em relação do pedido de emissão de Certidão Positiva com Efeito de Negativa temse que essa atividade é de competência exclusiva do Delegado da Receita Federal do Brasil e do InspetorChefe da Receita Federal do Brasil aos quais incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente, decidir sobre a expedição de certidões relativas à situação fiscal e cadastral da Recorrente, em conformidade com art. 302 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Por essa razão o CARF não pode se pronunciar sobre essa matéria. No que se refere à adoção de ofício do regime de tributação com base no lucro arbitrado por equiparação da pessoa física a pessoa jurídica consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 0912, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 90 8 DO FISCALIZADO No decorrer do procedimento fiscal desenvolvido no contribuinte acima referido, com a finalidade de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda da Pessoa Física do anocalendário de 2005, exercício de 2006, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela fiscalização, concluiu, com base nas declarações e nos elementos apresentados pelo contribuinte, que o mesmo desenvolveu atividade econômica em nome individual, com habitualidade e profissionalismo, no anocalendário de 2005. Em 17/02/2009, o contribuinte compareceu a esta DRF e tomou ciência da equiparação da pessoa física à pessoa jurídica e da sua inscrição no CNPJ. Dessa forma, foi iniciado o procedimento fiscal na pessoa jurídica LUIZ CARLOS NEVES DANTAS, CNPJ. 10.557.354/0001, através do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal de fls. 17/18, no qual foram solicitados os seguintes elementos: a Declaração Integrada de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativas ao anocalendário de 2005, bem como, apresentar os livros contábeis/fiscais obrigatórios para apuração do lucro real (Diário, Razão, Lalur, etc).) dentro do prazo acima estabelecido. Informar o endereço para envio de correspondências das pessoas física e jurídica e atualização dos cadastros respectivos, tendo em vista que as correspondências enviadas para o endereço que consta dos cadastros CPF e CNPJ, estão sendo devolvidas pela EBCT com a observação "AUSENTE". Em resposta à intimação, o contribuinte declarou, com relação às declarações e aos livros solicitados, que (fls. 19): "conforme declaração verbal feita por mim ao Sr. Auditor Glauco José Eggers, a movimentação financeira (troca de cheques) era feita de forma extraoficial, por esse motivo, não tenho como apresentar os documentos exigidos por esta Auditoria" (grifo nosso). INFRAÇÃO APURADA Tendo em vista que o fiscalizado não apresentou a Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF), referentes ao primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2005, dentro do prazo estipulado no Termo de Início do Procedimento Fiscal de fls. 43/44, procedemos ao lançamento da multa regulamentar pela falta de entrega da mesma, no limite de 20% do montante do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica apurado no Auto de Infração (cópias As fls. 11/42), processo n ° 14751.000.818/200991, conforme planilha de fls. 10. Esses lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, fls. 1344, estão formalizados no processo nº 14751.000.818/200991, cujas cópias instruem os presentes autos. Consta no Voto Condutor do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 11 36.894, de 30.04.2012, fls. 6670: Com relação a estas alegações a 3ª Turma da DRJ/Recife no Acórdão nº 11 31.649 de 28/10/2010, relator Benedito Nunes Pereira Filho, referente ao processo nº 14751.000818/200991, autos de infração do IRPJ, CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS, enfrentou as questões de forma clara e precisa, assim, adotamos este entendimento que passamos a transcrever: Da equiparação. 5. Consoante a defesa, a equiparação teria sido ilegal porquanto inexistiria “norma jurídica” a darlhe sustentação, e, de conseqüente, a fiscalização, ao terse baseado na Instrução Normativa SRF nº 748, de 2007, teria agido de forma arbitrária. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 91 9 6 .Não há acordar com o argumento. A uma, porque falacioso. Como se sabe, a inscrição no CNPJ é obrigatória para todas as entidades. A equiparação é atitude a ser tomada no intuito de fazer valer a obrigatoriedade, viabilizando a cobrança de tributos, ou a aplicação de penalidade, contra entidade existente de fato, mas não de direito __ particularidade do caso em questão. 7. O art. 19 da IN SRF 748, de 20071 (revogada pela IN RFB nº 1.005, de 08 de fevereiro de 2010), que se dirige ao AuditorFiscal __ ressaltese: ao Auditor Fiscal __ , apenas estabelece procedimento a ser adotado ante a constatação de falta de inscrição, não criando obrigação tributária __ ou firmando devedor, como se alegou __, não carecendo ipso facto de previsão por meio de lei. 8. A duas, porque cumpre à autoridade administrativa observar a legislação expedida pela Receita Federal __ as instruções normativas são de observação obrigatória, porquanto inseridas no bojo das normas complementares das leis (inciso I do art. 100 do CTN) __ de maneira que não se pode qualificar a observação da referida IN de arbitrária. Do arbitramento e da receita que se adotou. 9. Consoante a defesa, o arbitramento teria sido feito com base em informações inverossímeis, desprovidas de base documental, olvidandose o art. 148 do CTN. A sua base estaria incorreta, pois que se adotou a totalidade dos depósitos como receita bruta conhecida em vez do “Deságio”, que consistiria, de fato, no faturamento das empresas de fomento mercantil. 10. Nessa esteira, questionouse que os depósitos bancários jamais poderiam ser base de cálculo do PIS e da Cofins, tampouco do IRPJ e da CSLL __ quanto a esses últimos, alegouse que os depósitos não evidenciariam disponibilidade econômica ou jurídica, nos termos do art. 43 do CTN; trouxese à colação demonstrativos efetuados com supostos valores de deságio (fl.191). 11. Não há concordar com os argumentos. O arbitramento do lucro se deu ante à falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração, o que impossibilitou a apuração do lucro real, como se ressaltou no Termo de Verificação Fiscal. Com efeito, o contribuinte não mantinha escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, malgrado desenvolver atividade econômica com habitualidade e profissionalismo. 12. Os valores que se adotaram não são inverossímeis, tampouco incorretos ou desprovidos de suporte documental: adotaramse como base os depósitos discriminados nos extratos bancários cuja a origem dos recursos não restou comprovada evidenciando receita omitida, a teor do art. 42 da Lei nº 9.430, de 20063 __ , o que se fez com suporte no inciso do art. 532 do RIR, de 19994. 13. Não havia por que terse perscrutado sobre a efetiva receita das empresas de fomento mercantil, pois que o referido dispositivo é claro ao determinar que se caracteriza como omissão de receita os valores dos depósitos cuja origem dos recursos não restar comprovada. Ali não se cogita nenhuma dedução a título de custo ou despesa. 14. Nesse ponto, impende esclarecer, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, consoante Parágrafo único do art. 42 do CTN. De sorte que a autoridade administrativa não pode deixar de observar dispositivo de lei, a não ser que, em conformidade com o que prevê o Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, houver sido declarada sua inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, o que não é o caso. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 92 10 15. Por outro lado, depósito bancário em si, com efeito, não se constitui em base de cálculo de tributo. O que se adotou no caso em questão entretanto foi a receita bruta que se omitiu, que constituiu a base de cálculo de PIS e da COFINS, e por meio da qual se apurou o lucro, esse sim base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Desta forma, mantendose a equiparação da contribuinte a condição de pessoa jurídica a mesma estava obrigada a apresentar as DCTF do primeiro e segundo semestre de 2005. A não apresentação, mesmo após a intimação, sujeita a empresa a multa de 20% sobre os impostos e contribuições devidos, conforme demonstrativos da fl. 11. Quanto aos pedidos finais cabe novamente destacar o Acórdão nº 1131.649 de 28/10/2010, relator Benedito Nunes Pereira Filho, referente ao processo nº 14751.000818/200991, que da mesma forma adotamos: Do pedido de perícia e de emissão de certidão positiva com efeito de negativa. 21. Quanto ao pedido de perícia, é de considerálo não formulado, nos termos do § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19725, porquanto desprovido de quesitos. 22. No tocante à certidão, cumpre informar a competência para a sua emissão é da DRF da jurisdição do contribuinte. Em conformidade com informações constantes no eprocesso, esses autos se encontram no Secoj/Secex/CARF na tarefa “distribuir/sortear. Nesse processo devem ser analisadas a adoção de ofício do regime de tributação com base no lucro arbitrado por equiparação da pessoa física a pessoa jurídica. Assim, não cabem nos presentes autos examinar essas matérias que são próprias do processo nº 14751.000.818/200991. Sobre relação de prejudicialidade que porventura informa os presentes autos e o processo principal nº 14751.000.818/200991, temse que o art. 9º do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, determina que a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Embora a Recorrente questione com ênfase a adoção de ofício do regime de tributação com base no lucro arbitrado por equiparação da pessoa física a pessoa jurídica, essas matérias devem ser tratadas no processo principal nº 14751.000.818/200991. Os presentes autos, por outro lado não podem ter seu julgamento sobrestado por inexistir fundamento normativo que ampare esse procedimento. Cabe esclarecer que as exigências tratadas no processo principal nº 14751.000.818/200991 foram mantidas em sede de primeira instância de julgamento, de acordo com o Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 1131.649 de 28/10/2010, de modo que é procedente lançamento de ofício formalizado nos presentes autos. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 93 11 para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, o Auto de Infração pode ser lavrado sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. O Auto de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 94 12 Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador4. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal5. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 5 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 95 13 Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 6, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF7. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso ou a falta de apresentação da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação 6 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 7 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 96 14 tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do Auto de Infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos8. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do ano calendário anterior; 8 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 97 15 (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores9. Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária10. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 11 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função da falta ou atraso na entrega de declaração. No presente caso, restou comprovado que houve falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) dos primeiro e segundo semestres do ano calendário de 2005, cujo prazo final era 30.10.2005 e 20.04.2006, respectivamente. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso12. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade13. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, 9 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 10 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 11 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. 12 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 13 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 98 16 aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva VOTO VENCEDOR Ao analisar os autos, impõese decidir sobre matéria prejudicial instada pela recorrente, de natureza processual. A premissa da defesa da recorrente é a equiparação de ofício realizada pela fiscalização da pessoa física para a pessoa jurídica, argumentando ser descabida, bem como a autuação sofrida como se fosse uma pessoa jurídica – processo administrativo fiscal nº 14751.000818/200991 (crédito tributário decorrente de autuação para exigência de IRPJ, PIS, CSLL e Cofins). As contestações contra as multas infligidas por descumprimento de obrigações acessórias em função da referida equiparação e abertura de pessoa jurídica, ex officio, são estritamente vinculadas ao processo de exigência de tributos, acima referenciado. O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), não tratou da conexão ou da continência processual, pelo que o Código de Processo Civil deve ser invocado de forma subsidiária. Assim dispõem os artigos que disciplinam a matéria: Código de Processo Civil CPC Art.102. A competência, em razão do valor e do território, poderá modificarse pela conexão ou continência, observado o disposto nos artigos seguintes. Art.103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art.104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art.105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente [...]. Art.108. A ação acessória será proposta perante o juiz competente para a ação principal. (grifos não pertencem ao original) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 99 17 Os presentes autos versam sobre a exigência de penalidade pelo atraso/falta de entrega de DCTF de período abrangido pela equiparação da pessoa física à jurídica, realizada de forma retroativa para alcançar o anocalendário sob fiscalização. Em assim sendo, concluo que exigir definitivamente multas por atraso de entrega de declarações enquanto não decidida a questão da equiparação, contestada veemente pela recorrente, seria inócuo ou prejudicial à recorrente em caso de prosseguirse a cobrança. No caso, o fato jurídico que ensejou a exigência da penalidade e as contestações da recorrente contra as autuações para exigência de tributos são exatamente as mesmas. É flagrante a dependência deste processo àquele. Se não houvesse o principal, este não existiria. As discussões secundárias devem seguir à principal (mutatis mutante – art. 108 do CPC). Destarte, há que reconhecerse, ex officio, a continência instaurada no que respeita aos processos de exigência de penalidade com o de matéria mais ampla, no qual será discutida a equiparação realizada, nos termos do artigo 104 do CPC. Oportuno deixar claro à recorrente que as autuações para exigência de penalidades, quanto aos seus efeitos, não são dependentes do resultado final do processo principal, por conta dos atributos, peculiares, do ato administrativo, no caso lançamento tributário, que permitem a sua imediata vigência e efeitos: presunção de legitimidade, auto executoriedade e imperatividade. Se assim não fosse, em muitos casos, a ação do Estado fiscalização seria alcançada pela decadência. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Portaria nº 666/08 orientando no sentido da reunião dos processos: Art. 1ºSerão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); [...] § 2º Também deverão constar do processo administrativo a que se referem os incisos I, II e III as exigências relativas à aplicação de penalidade isolada em decorrência de mesma ação fiscal. De igual forma o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09), em seu artigo 6º e 49, § 7º, do Anexo II, dispõem: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000918/200917 Resolução nº 1801000.321 S1TE01 Fl. 100 18 Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. [...] Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...] § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos não pertencem ao original) Em consulta ao sistema eprocesso, nesta data (24/03/14), verifico que o processo administrativo fiscal nº 14751.000818/200991 encontrase na atividade “para distribuição”. Com fulcro no Ricarf, portanto, solicito que este processo de exigência de multa isolada seja anexado ao processo principal retro referido e retornem a esta Turma Especial para a apreciação concomitante da matéria principal e aquelas decorrentes. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10680.015370/2003-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/2002
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733:
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.
1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).
3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001.
6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo.
7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-002.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Substituto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 20/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki. Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo, ausente, justificadamente).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Substituto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 20/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki. Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo, ausente, justificadamente).
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/2002 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Recurso Especial do Procurador Provido
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 53 70 /2 00 3- 44 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10680.015370/200344 Acórdão n.º 9303002.858 CSRFT3 Fl. 4 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente Substituto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 20/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki. Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo, ausente, justificadamente). Relatório Insurgese a Fazenda Nacional, por sua representação, da decisão proferida pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara deste Conselho que reconheceu a decadência do direito da Fazenda à constituição de crédito tributário, por aplicar a disposição do §4º do art. 150 do CTN mesmo não tendo havido recolhimento do tributo. No caso, a Câmara afastou o lançamento da COFINS relativa aos períodos de apuração de julho de 1997 a julho de 1998 uma vez que a ciência ocorreu em 27 de outubro de 2003. Como paradigmas de divergência, a PFN junta acórdãos que afirmam aplicar se a tais casos a regra do art. 173, I do mesmo Código. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A questão posta a deslinde do Colegiado não comporta maiores delongas face à literalidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 347DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Em seu estrito cumprimento, reproduzo a decisão proferida pelo e. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Resp 973.733, relator o Ministro Luiz Fux: “A insurgência especial cingese à decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à contribuições previdenciárias cujos fatos imponíveis ocorreram no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994. Deveras, a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis : "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados : I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito” No caso concreto, a Câmara recorrida aplicou o art. 150 mesmo não tendo havido o recolhimento do tributo, de modo que considerou decaído o direito da Fazenda à constituição do crédito relativo a períodos de apuração que não estariam afetados caso a contagem se desse pela regra do art. 173. Definida a questão pelo STJ e diante da literalidade do art. 62A do nosso Regimento, cabe dar provimento ao recurso da Fazenda para restaurar o lançamento com respeito aos meses de dezembro de 1997 a dezembro de 1998, uma vez que o lançamento foi cientificado ao contribuinte antes de findarse o ano de 2003. Para eles o prazo decadencial somente se inicia em 1º de janeiro de 1999 e se encerra em 31 de dezembro de 2003. A regra alcança o período de dezembro de 1997 uma vez que o lançamento somente pode ocorrer em janeiro de 1998, sendo 1999 o exercício seguinte a que se refere o artigo 173. Destarte, a Fl. 348DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10680.015370/200344 Acórdão n.º 9303002.858 CSRFT3 Fl. 5 5 decadência somente alcança os períodos de apuração de julho de 1997 a novembro de 1997, para os quais o lançamento teria de ter ocorrido até 31 de dezembro de 2002. É como voto. Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 349DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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Numero do processo: 13839.913791/2009-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 13 79 1/ 20 09 -7 5 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913791/200975 Resolução nº 3801000.733 S3TE01 Fl. 239 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: deve ser decretada a nulidade do Despacho Decisório por faltarem ao mesmo os elementos mínimos para a apresentação de defesa; argumenta que o seu crédito advém de valores não tributados a titulo de PIS e COFINS, conforme Solução de Consulta nº 90/05: reconhece que cometeu um equívoco na apuração da contribuição e no preenchimento da DCTF correspondente ao citado período; argumenta que o DARF foi recolhido indevidamente pois nada devia a título de Cofins Importação , uma vez que as operações realizadas não são tributadas por esta contribuição; reconhecendo o erro retificou a DCTF do período, desse modo entende que o seu direito deve ser reconhecido, uma vez que não pode ser prejudicado por preencher incorretamente uma declaração de obrigação acessória; que o equívoco do contribuinte no preenchimento da DCTF não deve ser ignorado diante dos documentos comprobatórios que ora anexa ; requer finalmente a homologação da compensação , o afastamento da cobrança exigida por meio do despacho decisório e se caso assim não seja entendido a nulidade do despacho por ausência dos requisitos legais. A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 26/07/2005 a 26/07/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913791/200975 Resolução nº 3801000.733 S3TE01 Fl. 240 3 Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, justificando a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913791/200975 Resolução nº 3801000.733 S3TE01 Fl. 241 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, período de apuração de 26/07/2005, no valor histórico de R$ 61.468,71, devido ao equívoco na inclusão na base de cálculo de PISImportação de valores remetidos ao exterior a título de royalties.. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de diversos débitos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a PISImportação, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913791/200975 Resolução nº 3801000.733 S3TE01 Fl. 242 5 Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que embasaria o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 903/2008, vigente à época, abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte. Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913791/200975 Resolução nº 3801000.733 S3TE01 Fl. 243 6 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (grifei). Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF, que considero tratarse de prova indiciária, em qualquer fase do pedido de restituição ou compensação, desde que anteriormente à inscrição em dívida ativa, sendo que este somente pode ser deferido após a comprovação do direito creditório No mérito, vejamos o alegado: A recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties. As Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS incidentes sobre a importação de bens e serviços foram instituídas pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. O artigo 1º desta lei estabelece as hipóteses de incidência das contribuições. Observese que os serviços são os prestados no Brasil ou com resultados aqui verificados, por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. § 1º Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913791/200975 Resolução nº 3801000.733 S3TE01 Fl. 244 7 (...) (grifouse) Art. 3o O fato gerador será: (...) I o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado.” (...) Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador(...) IV na data do pagamento, do crédito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores na hipótese de que trata o inciso II do caput do art. 3o desta Lei. (...) Art. 5o São contribuintes: II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; e III o beneficiário do serviço, na hipótese em que o contratante também seja residente ou domiciliado no exterior. Art. 7o A base de cálculo será:(...) II o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei.(...) Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS Importação.(...) Art. 13. As contribuições de que trata o art. 1o desta Lei serão pagas(...) II na data do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei;”(...) Assim, as remessas financeiras para o exterior efetuadas a título de remuneração decorrente da importação de serviços executados no país, ou cujo resultado se verifique no país, de prestador de serviço residente ou domiciliado no exterior são fatos geradores do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços. O fato gerador do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços se dá na data da efetiva remessa dos valores para o exterior, ou seja, é um fato gerador diário. O contribuinte é o contratante do serviço de residente ou domiciliado no exterior. A base de cálculo é o valor remetido, antes da retenção de Imposto de Renda, acrescido do ISS e das próprias contribuições. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913791/200975 Resolução nº 3801000.733 S3TE01 Fl. 245 8 No âmbito da Receita Federal, e sem adentrar no mérito por hora, foi exarada a Solução de Divergência nº 11, de 2011, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que pacificou o entendimento de que não há incidência das referidas contribuições sobre o valor pago a título de royalties, se o contrato discriminar os valores dos royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá penas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1o do art. 1o e inciso II do art. 3o da Lei Nº 10.865, de 30 de abril de 2004. FERNANDO MOMBELLI CoordenadorGeral (Data da Decisão: 28.04.2011, publicado no DOU de 17.05.2011) Pois bem, em que pese se conclua que os royalties não têm natureza jurídica de serviço, o mesmo não se pode afirmar de seus serviços correlatos previstos contratualmente, caso existam. Nesse caso, haverá a necessidade de separar os valores contratuais relativos a royalties dos valores relativos aqueles serviços. Sobre estes últimos, por corresponderem a importação de serviços, incide a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINS Importação. Caso não haja a discriminação dos valores correspondentes ocorre a incidência das referidas contribuições sobre o valor global. Para embasar o seu direito a recorrente apresentou os seguintes documentos: · cópia da tradução para o idioma nacional de contrato firmado com a empresa Continental Teves AG & Co. oHG, o qual teria como objeto "uma licença não exclusiva e intransferível para fabricar Dispositivos Licenciados no Território de Fabricação Licenciado e uma licença não exclusiva e intransferível para vender Dispositivos Licenciados como (a) OEM, (b) OES e (c) AM no Território de Vendas Licenciado. A concessão precedente inclui uma licença para usar as Informações Técnicas e as Patentes Licenciadas". · Aditivo do Contrato; · Certificado de Averbação no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial); · DARF's referentes ao pagamento indevido ; Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913791/200975 Resolução nº 3801000.733 S3TE01 Fl. 246 9 · Contratos de Câmbio e Comprovante de transferências dos valores a título de royalties ao exterior ; · Demonstrativo dos valores pagos indevidamente. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se verificar a incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior e eventuais pagamentos indevidos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) Em relação aos valores remetidos ao exterior que teriam dado ensejo ao direito creditório pleiteado, intime a recorrente a apresentar cópia dos contratos firmados com a empresa beneficiária das remessas (Continental Teves AG & Co. oHG), devendo ser apresentada a tradução juramentada para o idioma nacional, caso estejam em língua estrangeira; cópia das faturas comerciais (invoices) ou documentação suplementar que embasaram as remessas e cópias digitalizadas dos registros, no livro Razão, referentes às remessas relacionadas a pagamento de royalties; b) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior conforme as operações apontadas, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais documentos que julgar necessários; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10166.720783/2011-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009
FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO.
A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe a sua regular constituição por meio de lançamento de ofício com a aplicação de penalidade própria.
DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CARÁTER. INFORMAÇÕES. EFEITOS.
O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-002.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Ausente, temporariamente, o conselheiro Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Ausente, temporariamente, o conselheiro Domingos de Sá Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1968; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 5.253 1 5.252 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.720783/201173 Recurso nº 10.166.720783201173 Voluntário Acórdão nº 3403002.902 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria PIS. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. DIFERENÇAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS OU PAGOS Recorrente ATP TECNOLOGIA E PRODUTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009 FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe a sua regular constituição por meio de lançamento de ofício com a aplicação de penalidade própria. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CARÁTER. INFORMAÇÕES. EFEITOS. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 07 83 /2 01 1- 73 Fl. 5253DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Ausente, temporariamente, o conselheiro Domingos de Sá Filho. Relatório ATP Tecnologia e Produtos S/A teve lavrados contra si os autos de infração de fls. 14 a 22 e 32 a 40, para determinação e exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, apurado em procedimento fiscal de verificações obrigatórias preliminares pelo cotejo dos valores escriturados em sua contabilidade e declarados ou pagos. Os livros Razão da sociedade relativos a 2006 foram examinados em diligência, pois estavam em poder do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios – MPDFT. No tocante ao Livro Diário e ao LALUR, de 2006, embora o contribuinte tenha alegado que também estivessem em poder do MPDFT, estes não foram localizados pelos AuditoresFiscais da RFB. Do cotejo entre a escrituração contábil e as declarações apresentadas (DIPJ, DIRF, DACON e DCTF), a Fiscalização constatou divergências. Intimada a esclarecêlas, o contribuinte apresentou quatro planilhas com as explicações quanto às divergências apontadas. Tal fato, segundo a Fiscalização, configurou convalidação dos valores extraídos da escrituração e das declarações apresentadas, porquanto não se opôs qualquer óbice aos valores extraídos da escrita contábil em meio magnético e das DIPJ, DIRF, DACON e DCTF, ressalvando que os valores contidos em DCTF são excluídos quando do procedimento do lançamento de oficio. As justificativas apresentadas (“arredondamentos”, “tributos não recolhidos”, “créditos compensados e registrados posteriormente” não informados no DACON, “parcelados” sem constarem em DCFT), no entanto, não foram aceitas, o que ensejou o lançamento de ofício. Sobreveio impugnação, fls. 184 a 233. Controverteuse preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, em razão da parca descrição dos fatos e enquadramento legal impreciso. No mérito, opôs aos débitos lançados (i) créditos decorrentes da não cumulatividade das contribuições sociais; (ii) a exceção de inclusão de débitos em programa de parcelamento, e; (iii) erros materiais do levantamento fiscal. Combate a aplicação da multa de lançamento de ofício por entender que não cometeu qualquer infração. Ainda, requer perícia, no caso de os documentos acostados aos autos não serem suficientes para demonstrar todas as alegações apresentadas. Para tanto, nomeou perito e apresentou os quesitos, em conformidade com o art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Presidentesubstituto da 2ª Turma da DRJ/BSB resolveu converter o julgamento da impugnação em diligência, a teor do Despacho s/nº de fls. 2.744 a 2.749. As providências requeridas foram as seguintes: 1. Detalhar a forma de contabilizarão da conta PIS/Cofins a recolher, explicando as situações em que ela é debitada e aquelas em que é creditada, especificando as respectivas contrapartidas, bem como informando acerca das providências tomadas em relação às declarações envolvidas (DCTF e DACON); 2. Comprovar a inclusão, no aludido parcelamento, do valor de R$ 82.634,82, relativo ao PA de julho de 2007; Fl. 5254DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.720783/201173 Acórdão n.º 3403002.902 S3C4T3 Fl. 5.254 3 3. Detalhar a composição dos valores identificados a título de inclusão em Refis, comprovandoos e esclarecendo a causa da redução de seu valor ao longo do tempo. Em resposta à solicitação de diligência, foi elaborado o Relatório de Diligência, às fls. 2.751 a 2.753. Todavia, as informações prestadas não foram suficientes para a formação de convicção quanto aos fatos ocorridos, visto que os valores considerados como sobreposição, em cada um dos meses, não foram devidamente comprovados pelo contribuinte. Assim, o Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSB requereu nova diligência (fls. 4.689 a 4.697). Em resposta à solicitação de diligência, foi elaborado novo Relatório de Diligência, às fls. 5.111 a 5.115, ocasião em que a autoridade fiscal buscou atender a todos os questionamentos. Na planilha apresentada pela autuado (fls. 5.101 e 5.102), não restam valores de PIS e de Cofins devidos, pois, sob a sua ótica, houve sobreposição de valores na apuração da Fiscalização, valores parcelados, compensados, bem como aproveitamento de créditos do PIS e da Cofins devido à reclassificação contábil de contas de custos. A Fiscalização propôs o acolhimento parcial dessas alegações, apresentando, em contraposição à planilha apresentada pela autuada, a planilha de apuração de fls. 5.103 a 5.106, com os valores revistos e apurados, seguindo o mesmo modelo previamente definido pela DRJ. A ATP Tecnologia e Produção S/A, cientificada do resultado da diligência, restou silente. A Turma Julgadora de 1ª Instância então julgou a impugnação procedente em parte, dando efetividade ao resultado da diligência empreendida e extirpando do lançamento de ofício do PIS os fatos geradores relativos a junho e julho de 2007 e, quanto à Cofins, o fato gerador relativo a junho de 2007. O Acórdão nº 0356.761, de 30 de outubro de 2013, fls. 5.139 a 5.157, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O DACON não é declaração, mas sim demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por inexistência de disposição legal. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, não permite a mera cobrança do crédito tributário com acréscimos moratórios, e impõe ao Fisco o dever de previamente constituído por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício na forma prevista na legislação. Fl. 5255DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN 4 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à Cofins lançada a partir da mesma matéria fática. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/BSB. O arrazoado de fls. 5.170 a 5.196, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a arguição de nulidade por vícios formais do Auto de Infração. O recorrente reclama novamente da generalidade do enquadramento legal, sem saber exatamente a origem e a natureza do crédito tributário, fato que lhe teria dificultado a defesa. No mérito, sob a rubrica “ IV.2.a APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS VALIDADE DAS DECLARAÇÕES PRESTADAS POR MEIO DE DACONS INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A MENOR”, alega que, ao constatar que o custo de determinados serviços, classificados anteriormente como estratégicos, faziam parte do processo de prestação de serviços, objeto de seu Estatuto Social, gerando créditos passíveis de aproveitamento, “em completa consonância com o permissivo legal insculpido no art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, reclassificou os custos dessas contas contábeis de áreas estratégicas para unidades de negócio, o que levou à apuração de créditos aproveitáveis nas apurações futuras da Cofins a recolher. Nesse contexto, afirma que, em determinados períodos de apuração se verifica que os créditos originados nos mesmos, somados aos créditos decorrentes da reclassificação que realizou, foram suficientes para a quitação dos débitos da Cofins, havendo ainda sobra de créditos, que foram aproveitados nos meses subsequentes. Insiste em que “o instrumento adequado para a declaração dos débitos e créditos referentes às Contribuições Sociais é o DACON”, que é exatamente o veículo criado pela própria Receita Federal do Brasil para controlar os recolhimentos de contribuições para o PIS e para a COFINS.” Sob o capítulo “IV.2.D DÉBITOS TOTALMENTE INCLUÍDOS NO REFIS TRANSFERÊNCIA GRADATIVA PARA A CONTA CONTÁBIL "TRIBUTOS PARCELADOS" DIFERENÇAS INEXISTENTES”, o recorrente retoma a alegação de que os débitos remanescentes foram totalmente parcelados e que as diferenças apuradas pela Fiscalização decorrem de diferentes métodos de contabilizarão. Ressalta que somente seria possível a apropriação do valor exato do débito parcelado, após a consolidação, quando se soube o valor correto do compromisso assumido com a adesão ao parcelamento. Explica que, diante do não conhecimento do valor exato a ser apropriado, inicialmente, por excessiva cautela, optou por apropriar somente os valores das parcelas que foram sendo consecutivamente quitadas nos seus respectivos vencimentos. E em agosto de 2009, diante da possibilidade concreta da consolidação dos valores parcelados pela Receita Federal, bem como, diante da inexistência de determinação legal quanto à forma de contabilizarão dos valores parcelados e ainda não consolidados, apropriou o valor dos débitos parcelados nas contas de seu passivo circulante denominadas "parcelamento de tributos curto prazo" e "parcelamento de tributos longo prazo. Como não transferiu imediatamente o valor total do débito incluído no REFIS para a conta de tributos parcelados, mas apenas deduzia mês a mês os valores amortizados, isso gerou uma suposta diferença de pagamento a menor de PIS e Cofins. No seu entender, eventual divergência quanto à forma de contabilizarão adotada não tem o condão de servir de fundamento para o lançamento realizado no Auto de Infração. Fl. 5256DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.720783/201173 Acórdão n.º 3403002.902 S3C4T3 Fl. 5.255 5 Finalmente, sob o título “IV.2.C. OCORRÊNCIA DE SOBREPOSIÇÃO DE VALORES INCLUSÃO DE VALORES DO MÊS ANTERIOR NO MÊS SUBSEQUENTE”, o recorrente retoma a arguição de dupla tributação dos mesmos fatos geradores, desconsiderandose os pagamentos já realizados, quer seja na forma das novas apurações mensais, quer seja por já terem sido incluídos no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que está sendo pago rigorosamente em dia. Pede perícia ou a realização de nova diligência. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 5.170 a 5.196 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBSB2ª Turma nº 0356.761, de 30 de outubro de 2013. Pedido de diligência ou perícia A propósito do pedido genérico de diligência ou perícia, repetido na peça recursal, considero que, após a realização de duas diligências no curso do processo, todas as questões trazidas pela ora recorrente já quedaram esclarecidas. A propósito, intimada a manifestarse a respeito da conclusão da segunda diligência, a ora recorrente silenciou, o que representa assentimento para com os resultados oferecidos pela autoridade diligenciante. Portanto, no estado em que o processo se encontra, julgo a providência totalmente dispensável para o julgamento da lide. Rejeito o pedido. Preliminar de nulidade do Auto de Infração O recorrente pede que seja decretada a nulidade dos Autos de Infração em razão de alegada ausência dos requisitos formais previstos no art. 142 do CTN e também pela ausência dos requisitos formais exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, na medida em que a fundamentação legal aposta no Auto de Infração é genérica e imprecisa, e desta sorte restou cerceado o pleno exercício do direito de defesa da Recorrente. A arguição é vazia. O procedimento fiscal cuidou de verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido e propor a aplicação de penalidade cabível. Incidentalmente, convém destacar que as informações consideradas pelo Fisco foram coligidas na própria escrituração contábil e fiscal, Fl. 5257DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN 6 válidos são os fundamentos da autuação, não havendo de se cogitar da falta de demonstração da matéria tributável e da demonstração do cálculo do tributo devido, porque são exatamente aqueles apurados e demonstrados pelo próprio contribuinte, nos livros de escrituração obrigatória. Além disso, os autos de infração se fazem acompanhados de termo de descrição dos fatos e enquadramento legal em que constam clara e pormenorizadamente os fundamentos de fato e de direito que ensejaram o lançamento. Não percebi – e o recorrente, absolutamente, não o demonstrou – qualquer prejuízo para a defesa, que foi plena, hábil e demonstrou total conhecimento das irregularidades imputadas. Mérito Repisando os fundamentos da autuação, o lançamento foi efetuado porque julgaramse improcedentes as justificativas apresentadas pelo contribuinte para o recolhimento a menor das contribuições sociais apuradas a partir de sua escrituração contábilfiscal. O impugnante, a seu turno, alegou que, ao constatar que o custo de determinados serviços, classificados anteriormente como estratégicos, faziam parte do processo de prestação de serviços, objeto de seu Estatuto Social, gerando créditos passíveis de aproveitamento, reclassificouos em unidades de negócio, o que levou à apuração de créditos aproveitáveis nas apurações futuras das contribuições sociais não cumulativas a recolher. A Fiscalização refutou categoricamente tal assertiva por ocasião da diligência realizada, tachando de improcedente a “reclassificação contábil” (fls. 5.114). O autuado, fosse na impugnação, seja agora no recurso voluntário, não apresentou maiores esclarecimentos ou elementos que pudessem justificar a “reclassificação contábil” promovida, apenas informou que custos classificados como "estratégicos" foram entendidos como parte do processo de prestação de serviços e, principalmente, insistiu na validade dos créditos consignados no Dacon. A propósito, deve ficar claro desde já que a reclassificação contábil das contas de custos da autuada, gerando supostos créditos informados em Dacon, foi realizada durante a ação fiscal em comento. Ou seja, ao vislumbrar a iminência da autuação, o contribuinte aligeirouse, e despudoradamente, manobrou contabilmente, aleatória e descriteriosamente, de forma a gerar supostos "créditos" das contribuições sociais não cumulativas, com o claro objetivo de impedir o lançamento de ofício das infrações apuradas na fiscalização (fls. 5.107 a 5.010). Nos termos do art. 35 da Lei nº 12.058, de 13 de junho de 2009, as pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração não cumulativa devem apurar e registrar, de forma segregada, os créditos da contribuições sociais não cumulativas, sejam básicos ou presumidos, discriminandoos em função de sua natureza, origem e vinculação. O contribuinte descumpriu essa obrigação. Quanto ao valor probante do Dacon, devese considerar que não se trata de declaração, mas de demonstrativo de caráter meramente informativo, desvestido do atributo de confissão de dívida por não estar contemplado na Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000, não configurando portanto instrumento de constituição de crédito tributário, o que reclama a formalização de lançamento de ofício mediante a lavratura de auto de infração. Ainda que se se tratasse de declaração contemplada com os efeitos típicos das confissões de dívidas – o que se admite apenas para argumentar – mesmo assim, a declaração Fl. 5258DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.720783/201173 Acórdão n.º 3403002.902 S3C4T3 Fl. 5.256 7 entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. É o que vaticina a Súmula CARF nº 33, aprovada em 08/12/2009: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Portanto, nada a reparar no procedimento fiscal, que cotejou a escrituração contábilfiscal do contribuinte com aquilo que ele havia confessado à Administração Tributária, plasmado em DCTF, esta, sim, a declaração provida dessa eficácia, para o fim de examinar a regularidade de suas obrigações. O recorrente também repete a exceção de parcelamento de parte dos débitos lançados. A tese não prosperará. A Fiscalização, por ocasião da diligência realizada, atestou que todos os valores parcelados no âmbito do processo nº 10166.001426/200815, que trata do parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e declarados em DCTF foram considerados na autuação, isso é, deduzidos, conforme Termo de Constatação Fiscal e anexos (fls. 108, 109, 5.080 a 5.100). A ação fiscal iniciouse em 03/02/2010, (Termo de Início de Fiscalização, fls. 2 e 3). Nada obstante, tal e qual pretendeu com a apresentação de Dacons retificadores, o contribuinte, em agosto de 2010 (fls. 311 e 312), no curso da ação fiscal, tentou anteciparse aos seus resultados e formalizou a inclusão, no parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, dos débitos que viriam posteriormente a ser exigidos no auto de infração. Resta evidente, assim, em que pese o repúdio da recorrente a esse argumento, que a confissão dos débitos não foi espontânea. A contribuinte somente se moveu no sentido de formalizar o pleito de parcelamento após o início do procedimento de ofício, donde se conclui que a constituição do crédito tributário por meio de auto de infração foi perfeitamente legítima, nos termos do art. 142 do CTN. Subscrevo integralmente as observações constantes do voto condutor da decisão recorrida (fls. 5.153): É preciso não confundir o direito do contribuinte incluir valores devidos em parcelamento com o poderdever do Fisco proceder à formalização de débitos não satisfeitos. No caso em tela, a inclusão de valores no parcelamento previsto no art. 1º da Lei nº 11.941, de 2009, formalizada pela contribuinte no formulário próprio, garante seu direito de ver aquelas parcelas pagas de acordo com as condições previstas na lei, desde que reúna as exigências requeridas pela administração. Contudo, é importante fixar a legitimidade da constituição de ofício, mediante auto de infração, do crédito que até o início do procedimento fiscal não estava confessado e nem extinto. O lançamento das parcelas porventura incluídas em parcelamento no curso do procedimento fiscal é, portanto, não só legítima como necessária para que os mencionados débitos sejam Fl. 5259DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN 8 constituídos como créditos tributários em favor da Fazenda Pública. A propósito da eficácia impeditiva do lançamento da iniciativa de inclusão em programa de parcelamento dos débitos posteriormente lançados, confirase o entendimento recente desta instância recursal: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/01/2001, 31/05/2002, 30/06/2002 PARCELAMENTO. ESPONTANEIDADE Somente os débitos confessados em pedido de parcelamento antes do inicio da ação fiscal gozam do atributo da espontaneidade e dispensam o lançamento de oficio. Inobstante isso, havendo recolhimento esses devem ser considerados no cálculo do débito. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão nº 380100.391, de 28 de abril de 2010, Cons. Renata Auxiliadora Marchetti) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 Ementa: NULIDADE. As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência, e não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. DESCABIMENTO. Na hipótese de ciência do Termo de Início de Fiscalização por via postal, basta, unicamente, a prova de seu recebimento no domicílio tributário eleito pela pessoa jurídica, não exigindo a lei que o recebedor seja representante legal, sócio ou empregado da empresa. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento da Cofins, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. PIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento da contribuição para o PIS, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. Fl. 5260DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.720783/201173 Acórdão n.º 3403002.902 S3C4T3 Fl. 5.257 9 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PARCELAMENTO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo, e assim a apresentação de declaração retificadora ou de pedido de parcelamento do débito lançado, após iniciada a fiscalização, não caracteriza denúncia espontânea nem torna improcedente a lavratura do Auto de Infração com a exigência da multa de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO (Acórdão nº 3101001.294, de 27 de novembro de 2012, Cons. Valdete Aparecida Marinheiro) Por fim, a recorrente reclama do critério da autuação que, partindo da premissa de que o contribuinte não atendeu a requisitos legais para o aproveitamento de créditos das contribuições sociais, decorrentes da reclassificação contábil que promoveu, desprezou os créditos apurados e não considerou a grande maioria das sobreposições mensais, admitindo somente as ocorridas nos meses de junho e julho de 2007 para o PIS e a referente e junho de 2007 para a Cofins. Na impugnação, o autuado já havia oferecido a arguição de bis in idem, com quadros demonstrativos por fato gerador, buscando demonstrar a composição dos valores tidos como devidos nos autos de infração, consoante as justificativas apresentadas. Conforme relatado, naquilo que pertine à matéria de fato, a Fiscalização reconheceu a sobreposição de valores para os débitos referentes aos meses de maio, junho e julho de 2007, tanto em relação ao PIS quanto à COFINS, a partir dos DARF's apresentados pela autuada. No entanto, a sobreposição de valores não foi identificada nos demais períodos autuados. Ainda com a relação às demais questões, a Fiscalização atestou que todos os débitos controlados no processo nº 10166.001426/200815 foram deduzidos do lançamento de ofício, e que os diversos registros de créditos “reclassificados” pelo contribuinte tratam de pagamentos realizados à pessoas físicas (Mauro da Silva Medeiros, CPF: 411.550.92287; Samuel Antonio Ritter Lermen, CPF: 975.877.37049; Guaraci Lemos Souza, CPF: 394.334.71687 entre outros), hipótese também vedada para aproveitamento dos créditos da não cumulatividade do PIS e da COFINS. Também foram apresentados, no mesmo documento, diversos pagamentos à associações e empresas não sujeitas às contribuições (ADEPAESA ASSOC.DESP.AC.STO.ANDR, CNPJ: 51.149.052/0001 65; ASSOCIAÇÃO DOS DESPACH. DE RIOCLARO, CNPJ: 62.470.075/0001 93; SP DECORA & REVEST LTDA ME; CNPJ: 00.292.422/000188; REPH INSTALAÇÕES LTDAME, CNPJ: 07.817.458/000187, entre outros), hipóteses que impedem a apuração e o aproveitamento dos créditos do regime da não cumulatividade, (fls. 4.738 a 4.798, 4.800 a 4.907, 4.909 a 4.939 e 4.941 a 5.077). Contra essas afirmações taxativas a recorrente tergiversou, insistindo no poder probante do DACON, sem no entanto contradizer especificamente cada uma das imputações fiscais. No que tange à alegação de que o Fiscal teria desprezado todos os acertos contábeis realizados, tributando valores estornados, pagamentos devolvidos, entre outros, não Fl. 5261DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN 10 há como acolher tal argumento, uma vez que todos os acertos contábeis, como o próprio nome diz, devem ser registrados em sua escrituração. E, como a Fiscalização efetuou o cotejo entre o valor escriturado e o declarado em DCTF, resta claro que todos esses acertos foram considerados na autuação. Conclusão Com essas considerações e com os próprios fundamentos da decisão recorrida que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto como razão de decidir e passam a fazer parte integrante desse voto, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 23 de abril de 2014 Fl. 5262DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10480.003929/2002-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996
PEDIDO DE CORREÇÃO DE INEXATIDÃO MATERIAL.
Demonstrado não ter ocorrido pronunciamento administrativo sobre coisa julgada administrativa, não se acolhe o pedido de declaração de nulidade da decisão.
Numero da decisão: 9101-001.862
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade dos votos, embargos conhecidos e não acolhidos para manter a decisão embargada. 2) Por maioria dos votos, tornar sem efeito a decisão da 3ª. Câmara. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos que entenderam não ser possível tornar sem efeito a decisão da 3ª. Câmara neste processo. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Valmar Fonseca de Menezes. 0 Conselheiro João Carlos de Lima Junior irá apresentar declaração de voto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pelo Conselheiro Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado). Esteve presente e procedeu a sustentação oral o patrono da interessada, Dr. Paulo Cesar França OAB/PE n° 22772.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Júnior e Suzy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996 PEDIDO DE CORREÇÃO DE INEXATIDÃO MATERIAL. Demonstrado não ter ocorrido pronunciamento administrativo sobre coisa julgada administrativa, não se acolhe o pedido de declaração de nulidade da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade dos votos, embargos conhecidos e não acolhidos para manter a decisão embargada. 2) Por maioria dos votos, tornar sem efeito a decisão da 3ª. Câmara. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos que entenderam não ser possível tornar sem efeito a decisão da 3ª. Câmara neste processo. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Valmar Fonseca de Menezes. 0 Conselheiro João Carlos de Lima Junior irá apresentar declaração de voto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pelo Conselheiro Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado). Esteve presente e procedeu a sustentação oral o patrono da interessada, Dr. Paulo Cesar França OAB/PE n° 22772. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 39 29 /2 00 2- 69 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10480.003929/200269 Acórdão n.º 9101001.862 CSRFT1 Fl. 3 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Júnior e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório O Delegado da Receita Federal em João Pessoa alega ter ocorrido Inexatidão Material no Acórdão 9101001.054, e requer sua correção com base no art. 66 do Regimento Interno deste CARF. A decisão colegiada foi prolatada em julgamento de Recursos Especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte, inconformados com a decisão da extinta Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que acolheu a decadência do lançamento de PIS e rejeitoua para o lançamento de Cofins/CSLL1, com fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1996. A Fazenda Nacional alegou que, ao não reconhecer o prazo de dez anos para a decadência do PIS, a Câmara contrariou o art. 45 da Lei nº 8.212/91. O contribuinte alegou que ao não acolher a decadência para a Cofins e CSLL, a Câmara deu à lei interpretação divergente da atribuída por outros colegiados, e requereu a aplicação da Súmula Vinculante nº. 8, do STF. Pelo Acórdão ora vergastado, a 1ª Turma da CSRF não conheceu do recurso da Fazenda Nacional e deu provimento ao recurso da contribuinte, para acolher a decadência da CSLL e COFINS em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1996. Esclarece a autoridade encarregada da execução do acórdão que o processo trata tão somente de Auto de Infração referente a IRPJ, pois, após o julgamento proferido pela DRJ, em 24 de abril de 2006, houve apartação dos autos, tendo sido transferidos os demais tributos para o Processo Administrativo 14747.000416/200611. Aduz que o presente processo administrativo seguiu para o Conselho de Contribuintes apenas para julgamento do Recurso de Ofício interposto pela DRJ referente à exoneração do IRPJ, e que no julgamento de 10/08/2007 o Conselho de Contribuintes nega provimento ao recurso de ofício, mantendo a exoneração do IRPJ pronunciada pela DRJ. Esclarece que, por inequívoco ERRO MATERIAL, a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julga créditos tributários inexistentes no processo, proferindo julgamento favorável à Fazenda com relação à CSLL e julgamento desfavorável à Fazenda com relação ao PIS. Informa, ainda, que tais créditos tributários, referentes a CSLL e PIS, que se encontravam nos autos do Processo Administrativo n.10747.000416/200611, também 1 Observo que, de fato, não há lançamento de COFINS, e a referência a esse tributo decorre de menção a ele constante do acórdão de recurso voluntário objeto do especial. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10480.003929/200269 Acórdão n.º 9101001.862 CSRFT1 Fl. 4 3 receberam julgamento na sessão de 08/08/2007 por parte da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Acórdão n. 10323.136. Esse julgamento foi favorável à Fazenda Nacional no que respeita à CSLL, e desfavorável à Fazenda no que respeita à contribuição para o PIS. O contribuinte tomou ciência desta decisão em 30/04/2009, e dela não interpôs recurso. Na data de 03/07/2009 o processo foi enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional para Inscrição em Dívida Ativa e consequente cobrança executiva judicial. Finaliza resumindo a situação que restou configurada com o julgamento objeto do Acórdão ora questionado: “ (...) no presente processo administrativo foi proferido julgamento sobre crédito tributário não constante do processo, na data de 27/06/2011. O CSLL e o PIS encontravamse cadastrados no processo administrativo 14747.000416/200611, que já se encontra administrativamente definitivamente julgado pelo CARF desde 15/05/2009. Em anexo, tabela resumo dos processos e julgamentos proferidos, relacionados aos créditos tributários em questão. Nesse passo, fica sobejamente demonstrado que houve pronunciamento administrativo sobre coisa julgada administrativa, configurando erro material, e para tanto pede que seja anulada a presente decisão corrigindo de ofício a presente inexatidão, por duplicidade com coisa julgada administrativa. IRPJ PA 12/96 Venc. 31/03/1997 CSLL PA 12/96 Venc. 31/03/1997 PIS PA 12/96 Venc. 31/03/1997 PA 10480.003929/200269 ExoneradoRecurso Of Mantido Mantido PA 14747.000416/200611 Recebeu esse CT por transferência após o julgamento da DRJ Recebeu esse CT por transferência após o julgamento da DRJ Resultado do julgamento no CC PA 10480.003929/200269 Negou provimento ROf. Manteve exoneração da DRJ. O crédito tributário não consta mais desse processo, porém o CC profere julgamento favorável à Fazenda e mantém a cobrança O crédito tributário não consta mais desse processo, porém o CC profere julgamento favorável ao contribuinte e exonera a cobrança PA 14747.000416/200611 O CC profere julgamento favorável à Fazenda (mantém a cobrança) em 12/06/2008 O CC profere julgamento favorável ao contribuinte (exoneração) em 12/06/2008 Recurso do Procurador PA 10480.003929/200269 Procurador impetra Recurso para reverter a exoneração do PIS Recurso esp.do contribuinte PA 10480.003929/200269 Contribuinte impetra recurso para obter a Fl. 394DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10480.003929/200269 Acórdão n.º 9101001.862 CSRFT1 Fl. 5 4 exoneração do crédito, embora o crédito tributário não mais constasse desse processo Resultado Julgamento CSRF PA 10480.003929/200269 CSRF julga favorável ao contribuinte, embora o crédito tributário não mais constasse desse processo. Data do julgamento: 27/06/2011 CSRF nega provimento recurso do procurador, exonerando o contribuinte do crédito tributário, embora ele não mais constasse desse processo. Data do julgamento: 27/06/2011 Fase atual do PA 14747.000416/200611 Crédito tributário inscrito na dívida ativa desde 03/07/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Como visto do relatório, a autoridade administrativa responsável pela execução do acórdão entende que o acórdão nº 9101001.054 deve ser declarado nulo, por ter proferido decisão (exonerativa) sobre crédito de CSLL, que tramitava em outro processo, e para o qual já havia decisão definitiva desfavorável ao contribuinte, estando o débito inscrito na Dívida Ativa da União. Alega a autoridade que o julgamento, pela 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, do recurso voluntário relativo às contribuições, constituiu inequívoco erro material, uma vez que os créditos relativos ao PIS e à CSLL haviam sido transferidos para outro processo, julgado pela 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Analisandose os autos verificase que a DRJ proferiu decisão sobre a impugnação aos lançamentos de IRPJ e das contribuições em 24/04/2006, exonerando o crédito relativo ao IRPJ e recorrendo de ofício, e mantendo os créditos das contribuições. O contribuinte tomou ciência da decisão em 01/08/2006 e, através do processo nº 10480.005160/200213, apresentou recurso voluntário em 25 do mesmo mês, instruindoo com arrolamento de bens (fls. 200 do processo digitalizado). O processo nº 10480.005160/200213 foi anexado ao presente, passando a integrálo. Em 28/09/2006 foi emitido “Termo de Transferência de Crédito Tributário” (fls. 221), transferindo para o processo de nº 14747000.416/200611 os créditos de PIS e CSLL. Não consta que o contribuinte tenha sido cientificado dessa transferência. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10480.003929/200269 Acórdão n.º 9101001.862 CSRFT1 Fl. 6 5 Às fls. 223 consta o encaminhamento do presente ao Conselho de Contribuintes, com despacho datado de 31/10/2006, nos seguintes termos. Em razão da decisão de primeira instância com recurso de oficio (fls. 133 a 145 do volume 1), encaminhese ao 1º CCPrimeiro Conselho de ContribuintesBrasíliaDF para julgamento. O arrolamento de bens consta do processo de n° 10480.005160/200213. Embora o contribuinte não tenha sido cientificado da transferência de créditos para outro processo (nº 14747000.416/200611), depreendese que o órgão preparador instruiuo com cópia do processo que formalizou o recurso voluntário (processo nº 10480.005160/200213, anexado ao presente). Assim, foram encaminhados ao Conselho os dois processos (nº 10480.003929/200269 e nº 14747.000416/200611), ambos instruídos com a mesma peça de recurso voluntário e com arrolamento de bens, que foram elaborados pelo contribuinte em uma mesma petição. Esses processos foram recebidos no Conselho em 16/11/2006 (conforme site do CARF). Em 25 de maio de 2007 a 7ª Câmara do 1º CC, mediante Acórdão 107 09018, julgou os recursos de ofício e voluntário, em decisão assim ementada: RECURSO DE OFÍCIO — IRPJ — DECADÊNCIA — ART. 150, § 4° DO CTN — IMPROCEDÊNCIA — Negase provimento a recurso de oficio que, aplicando a regra do art. 150, § 4° do CTN, reconhece a decadência do crédito tributário. DECADÊNCIA — INOCORRÊNCIA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — COFINS — LEI 8.212/91. O direito de a Fazenda Nacional constituir a CSLL e a COFINS extinguese no prazo de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os créditos poderiam ter sido constituídos nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/91, pelo que não procede a preliminar de decadência suscitada. PIS — DECADÊNCIA — ART. 150, § 4° DO CTN — APLICAÇÃO Mesmo tendo o PIS a natureza de contribuição da seguridade social, não estando ele referido na Lei 8.212/91, em matéria de decadência aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO — APURAÇÃO PELO LUCRO REAL — ARGÜIÇÃO DE NECESSÁRIA APLICAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO — IMPROCEDÊNCIA — O lançamento de ofício, ato privativo da autoridade administrativa, goza de presunção de legalidade e de veracidade. Assim, tendo a contribuinte entregue regularmente a sua DIPJ pelo regime de apuração do lucro real, cujas informações prestadas pelo contribuinte, até prova em contrário, são tidas como veraz, não cabe às autoridades judicantes o juízo de sua imprestabilidade, mesmo tendo havido, anos após, a perda da escrita e dos documentos que lhes davam suporte. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10480.003929/200269 Acórdão n.º 9101001.862 CSRFT1 Fl. 7 6 CSLL/COFINS — OMISSÃO DE RECEITAS — APURAÇÃO A PARTIR DOS "SISTEMAS DE MALHAS FAZENDA" CARACTERIZAÇÃO — Provado nos autos do processo a efetiva omissão de receitas, apurada a partir dos denominados "Sistemas de Malhas", cabível a manutenção dos lançamentos, mormente tendo a contribuinte, expressamente, concordado com as omissões verificadas. TAXA SELIC — LEGALIDADE DE SUA APLICAÇÃO — SÚMULA N° 4 DO 1° C.C. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O Procurador tomou ciência em 04/10/2007 e apresentou recurso especial para tentar reverter a decisão sobre a decadência do PIS. O recurso foi admitido em 03/06/2008 (fl. 258), e o contribuinte tomou ciência em 26/09/2008 (fl. 262), e em 08/10/2008 apresentou recurso especial para tentar reverter a decisão sobre a decadência da CSLL (fls. 264) e contrarrazões ao recurso especial da PFN (fls. 280). Por seu turno, em 08 de agosto de 2007 a 3ª Câmara do 1º CC, mediante Acórdão 10323.136, julgou os mesmos recursos de ofício e voluntário, em decisão assim ementada: RECURSO EX OFFICIO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IRPJ PRELIMINAR DE DECADÊNCIA – Consoante jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o advento da Lei n° 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas é lançado na modalidade de lançamento por homologação e a decadência do direito de constituir crédito tributário regese pelo artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. PIS/DECADÊNCIA — Por sua natureza tributária e entendimento de que sequer faz parte integrante da seguridade social, o prazo de lançamento fica subordinado ao dos lançamentos por homologação, de acordo com o estabelecido no CIN, art. 150, § 4°. CSLL — DECADÊNCIA Em se tratando de lançamento ex officio a contagem do lustro decadencial do direito de constituir o crédito tributário relativo às contribuições sociais regese pelas disposições do artigo 173 do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RECEITAS CUSTOS Na tributação da omissão de receita não se cogita da dedução de custos ou despesas. Em principio, estes devem ser considerados como já tendo sido computados pelo interessado, no cálculo do lucro líquido, assegurado àquele o direito de infirmar tal pressuposição por meio da apresentação de provas em contrário. TRIBUTAÇAO REFLEXA CSLL O entendimento adotado para o lançamento de IRPJ estende aos lançamentos reflexos, dada a intima relação de causa e efeitos entre eles. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10480.003929/200269 Acórdão n.º 9101001.862 CSRFT1 Fl. 8 7 JUROS DE MORA TAXA SELIC O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa Selic. Negado provimento aos recursos ex officio e voluntário. Conforme consta do site do CARF, esse processo foi expedido para a origem em 13/02/2009 e segundo registra o COMPROT, foi remetido à PFN em 03 de julho de 2009. Assim, temse que quando a 3ª Câmara proferiu o Acórdão nº 10323.136 (08/08/2007) já havia decisão da 7ª Câmara sobre os mesmos recursos (Acórdão 10709018, de 25 de maio de 2007). O contribuinte, que não foi cientificado de que os créditos relativos ao PIS e à CSLL haviam sido transferidos para outros autos, ao tomar ciência do Acórdão da 7ª Câmara apresentou tempestivamente recurso especial (em 08/10/2008), permanecendo suspensa a exigibilidade dos créditos. O Acórdão da 3ª Câmara, proferido após o acórdão da 7ª Câmara, só foi cientificado ao contribuinte em 30 de abril de 2009, quando já estava em curso o recurso especial, que foi julgado em 27/06/2011 (Acórdão nº 9101001.054). Portanto, ao contrário do que entendeu a autoridade embargante, não houve pronunciamento administrativo sobre coisa julgada administrativa, não podendo ser declarada a nulidade nem do julgamento proferido pela 7ª Câmara, nem do julgamento do recurso especial proferido pela 1ª Turma da CSRF. Pelo exposto, voto no sentido de não acolher o pedido de retificação de inexatidão material, bem como, tornar sem efeito a decisão proferida pela 3ª. Câmara. É como voto. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 398DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13839.913794/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 13 79 4/ 20 09 -1 7 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913794/200917 Resolução nº 3801000.736 S3TE01 Fl. 230 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: deve ser decretada a nulidade do Despacho Decisório por faltarem ao mesmo os elementos mínimos para a apresentação de defesa; argumenta que o seu crédito advém de valores não tributados a titulo de PIS e COFINS, conforme Solução de Consulta nº 90/05: reconhece que cometeu um equívoco na apuração da contribuição e no preenchimento da DCTF correspondente ao citado período; argumenta que o DARF foi recolhido indevidamente pois nada devia a título de Cofins Importação , uma vez que as operações realizadas não são tributadas por esta contribuição; reconhecendo o erro retificou a DCTF do período, desse modo entende que o seu direito deve ser reconhecido, uma vez que não pode ser prejudicado por preencher incorretamente uma declaração de obrigação acessória; que o equívoco do contribuinte no preenchimento da DCTF não deve ser ignorado diante dos documentos comprobatórios que ora anexa ; requer finalmente a homologação da compensação , o afastamento da cobrança exigida por meio do despacho decisório e se caso assim não seja entendido a nulidade do despacho por ausência dos requisitos legais. A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 20/09/2006 a 20/09/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Fl. 230DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913794/200917 Resolução nº 3801000.736 S3TE01 Fl. 231 3 Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, justificando a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913794/200917 Resolução nº 3801000.736 S3TE01 Fl. 232 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, período de apuração de 20/09/2006, no valor histórico de R$ 368.855,08, devido ao equívoco na inclusão na base de cálculo da COFINSImportação de valores remetidos ao exterior a título de royalties.. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de diversos débitos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINSImportação, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913794/200917 Resolução nº 3801000.736 S3TE01 Fl. 233 5 Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que embasaria o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 903/2008, vigente à época, abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte. Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913794/200917 Resolução nº 3801000.736 S3TE01 Fl. 234 6 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (grifei). Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF, que considero tratarse de prova indiciária, em qualquer fase do pedido de restituição ou compensação, desde que anteriormente à inscrição em dívida ativa, sendo que este somente pode ser deferido após a comprovação do direito creditório No mérito, vejamos o alegado: A recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties. As Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS incidentes sobre a importação de bens e serviços foram instituídas pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. O artigo 1º desta lei estabelece as hipóteses de incidência das contribuições. Observese que os serviços são os prestados no Brasil ou com resultados aqui verificados, por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. § 1º Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913794/200917 Resolução nº 3801000.736 S3TE01 Fl. 235 7 (...) (grifouse) Art. 3o O fato gerador será: (...) I o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado.” (...) Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador(...) IV na data do pagamento, do crédito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores na hipótese de que trata o inciso II do caput do art. 3o desta Lei. (...) Art. 5o São contribuintes: II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; e III o beneficiário do serviço, na hipótese em que o contratante também seja residente ou domiciliado no exterior. Art. 7o A base de cálculo será:(...) II o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei.(...) Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS Importação.(...) Art. 13. As contribuições de que trata o art. 1o desta Lei serão pagas(...) II na data do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei;”(...) Assim, as remessas financeiras para o exterior efetuadas a título de remuneração decorrente da importação de serviços executados no país, ou cujo resultado se verifique no país, de prestador de serviço residente ou domiciliado no exterior são fatos geradores do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços. O fato gerador do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços se dá na data da efetiva remessa dos valores para o exterior, ou seja, é um fato gerador diário. O contribuinte é o contratante do serviço de residente ou domiciliado no exterior. A base de cálculo é o valor remetido, antes da retenção de Imposto de Renda, acrescido do ISS e das próprias contribuições. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913794/200917 Resolução nº 3801000.736 S3TE01 Fl. 236 8 No âmbito da Receita Federal, e sem adentrar no mérito por hora, foi exarada a Solução de Divergência nº 11, de 2011, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que pacificou o entendimento de que não há incidência das referidas contribuições sobre o valor pago a título de royalties, se o contrato discriminar os valores dos royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá penas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1o do art. 1o e inciso II do art. 3o da Lei Nº 10.865, de 30 de abril de 2004. FERNANDO MOMBELLI CoordenadorGeral (Data da Decisão: 28.04.2011, publicado no DOU de 17.05.2011) Pois bem, em que pese se conclua que os royalties não têm natureza jurídica de serviço, o mesmo não se pode afirmar de seus serviços correlatos previstos contratualmente, caso existam. Nesse caso, haverá a necessidade de separar os valores contratuais relativos a royalties dos valores relativos aqueles serviços. Sobre estes últimos, por corresponderem a importação de serviços, incide a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINS Importação. Caso não haja a discriminação dos valores correspondentes ocorre a incidência das referidas contribuições sobre o valor global. Para embasar o seu direito a recorrente apresentou os seguintes documentos: · cópia da tradução para o idioma nacional de contrato firmado com a empresa Continental Teves AG & Co. oHG, o qual teria como objeto "uma licença não exclusiva e intransferível para fabricar Dispositivos Licenciados no Território de Fabricação Licenciado e uma licença não exclusiva e intransferível para vender Dispositivos Licenciados como (a) OEM, (b) OES e (c) AM no Território de Vendas Licenciado. A concessão precedente inclui uma licença para usar as Informações Técnicas e as Patentes Licenciadas". · Aditivo do Contrato; · Certificado de Averbação no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial); · DARF's referentes ao pagamento indevido ; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913794/200917 Resolução nº 3801000.736 S3TE01 Fl. 237 9 · Contratos de Câmbio e Comprovante de transferências dos valores a título de royalties ao exterior ; · Demonstrativo dos valores pagos indevidamente. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se verificar a incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior e eventuais pagamentos indevidos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) Em relação aos valores remetidos ao exterior que teriam dado ensejo ao direito creditório pleiteado, intime a recorrente a apresentar cópia dos contratos firmados com a empresa beneficiária das remessas (Continental Teves AG & Co. oHG), devendo ser apresentada a tradução juramentada para o idioma nacional, caso estejam em língua estrangeira; cópia das faturas comerciais (invoices) ou documentação suplementar que embasaram as remessas e cópias digitalizadas dos registros, no livro Razão, referentes às remessas relacionadas a pagamento de royalties; b) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior conforme as operações apontadas, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais documentos que julgar necessários; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10850.903785/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1102-000.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à autoridade preparadora para apreciar o mérito do litígio, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Jose Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Marcelo Assis Guerra e João Otavio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à autoridade preparadora para apreciar o mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 37 85 /2 01 0- 05 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10850.903785/201005 Acórdão n.º 1102000.883 S1C1T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Jose Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Marcelo Assis Guerra e João Otavio Oppermann Thomé. Relatório A empresa recorre do Acórdão no. 1434.374 proferido pela 5a Turma da DRJ de Ribeirão Preto, em sessão de 28 de junho de 2011, Processo 10850903.785/201005, relativo ao Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 18840.59615.300908.1.3.048290, sob a intenção de compensar débitos de IRPJ (código de receita 5993) e de CSLL (código de receita 2484) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 5993), sendo exigido da empresa imposto, no valor principal de R$ 8.923,07, e aplicação de multa no percentual de 20% do tributo e juros, cujo valor teria sido compensado com créditos de valores recolhidos a maior a título de estimativa. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico de folhas, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido, conforme a seguir: De início, cabe ressaltar que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para que seja efetivada a compensação, deve ser líquido e certo, segundo dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: (...) Deriva daí que o pressuposto nuclear para a compensação tributária é que o crédito pretendido pelo contribuinte contra a Fazenda Pública se revista de certeza e liquidez. A certeza diz respeito ao reconhecimento por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da possibilidade jurídica de o contribuinte compensarse do suposto indébito. Já a liquidez do direito há de ser comprovada pela prova documental do montante compensável a ser reconhecido pela Fazenda Pública. Quanto à certeza, verificase que a IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, dispôs, em seu artigo 10, que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ, a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Este dispositivo foi repetido na TN/SRF n° 600/2005, vigente à época da transmissão do PER/Dcomp sob exame, também em seu artigo 10, in verbis: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10850.903785/201005 Acórdão n.º 1102000.883 S1C1T2 Fl. 4 3 (...) Dessa forma, por intermédio do despacho decisório de fl. 09, não abi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. (...) Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do período de apuração anual, proceder ao confronto entre os valores recolhidos por estimativa e o valor devido do IRPJ apurado. (...) Nesse sentido, cumpre relembrar a Súmula n° 584 do Supremo Tribunal Federal: Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do ano base aplicase a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração. Nesse passo, não se pode negar que o pedido de restituição de pagamento indevido de estimativa, em hipóteses muito específicas, pode ser juridicamente possível. Por exemplo, uma contribuinte, que seja optante pelo lucro presumido, pode incorrer no erro de efetuar um recolhimento de IRPJ no código de receita específico ao IRPJ devido por estimativa na apuração pelo lucro real anual. Ora, nada impede que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, pleiteie a restituição do pagamento indevido da estimativa recolhida, pois aqui temos recolhimento indevido de um contribuinte que não optou pela apuração do lucro real anual. Nesse caso, fica claro que o recolhimento efetuado não constitui antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário, mas sim pagamento indevido de IRPJ. Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Posicionase a Recorrente neste sentido: (...) Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10850.903785/201005 Acórdão n.º 1102000.883 S1C1T2 Fl. 5 4 A Superintendência Regional da Receita Federal também já chancelou a possibilidade de compensar estimativa com pagamento indevido ou a maior, por meio da resposta ao Processo de Consulta 285/09: "Processo de Consulta n° 285/09 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/ 9a Região Fiscal Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica JRPJ. Ementa: SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendario subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. (...). Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Ementa: SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2o e 6o; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2o a 4° e 34 MARCO ANTÔNIO FERREIRA POSSETTI Chefe da Divisão (Data da Decisão: 17.07.2009 03.08.2009)" Há muito o Conselho de Contribuintes já entendia desta forma, nesse sentido: "ACÓRDÃO 10516.205 1° Conselho de Contribuintes 5a. Câmara Decisão 1° Conselho de Contribuintes / 5a. Câmara / ACÓRDÃO 10516.205 em 06.12.2006 IRPJ EX.: 2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO O valor do recolhimento a título de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetido o lucro real anual, é passível de compensação/ restituição, a partir do mês seguinte. O valor que está vinculado à apuração no final do ano é a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência do referido sistema. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Publicado no DOU em: 09.04.2008 Relator: JOSÉ CLÓVIS ALVES PRESIDENTE. Recorrente: CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S/A Recorrida: 4a TURMA/DRJ EM BRASÍLIA/DF Data de decisão: 06/12/2006 Data de publicação: 09/04/2008". (...) Face ao exposto, requer seja recebido e processado o presente recurso, acarando os argumentos consignados para que lhe seja DADO PROVIMENTO, a fim de se reformar o v. acórdão, reconhecendo integralmente o crédito referente ao período de novembro de 2007, homologando totalmente a compensação Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10850.903785/201005 Acórdão n.º 1102000.883 S1C1T2 Fl. 6 5 declarada por meio da PER/DCOMP n° 11954.92439.310708.1.3.04437. Notificada em 23.08.2011, fls. 40, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 22.09.2011, fls. 4150, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o suficiente como relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente reclama o direito de ter as compensações formalizadas no Per/DComp homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova em seu favor quanto aos fatos registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em lei. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10850.903785/201005 Acórdão n.º 1102000.883 S1C1T2 Fl. 7 6 reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. E isso porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período. O fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10850.903785/201005 Acórdão n.º 1102000.883 S1C1T2 Fl. 8 7 permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à autoridade preparadora para apreciar o mérito do litígio e ainda para reconhecer a possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso A autoridade preparadora deve verificar se houve pedido de reconhecimento do direito creditório em outros autos referente ao mesmo suposto pagamento a maior e se ali foi admitido como correto esse valor, para evitar a utilização em duplicidade do crédito tributário pleiteado nesses autos. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO
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