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Numero do processo: 10875.907902/2012-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.810
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.809, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 02 /2 01 2- 85 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10875.907902/201285 Acórdão n.º 9303004.810 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10875.907902/201285 Acórdão n.º 9303004.810 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10875.907902/201285 Acórdão n.º 9303004.810 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905954/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira.
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EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 54 /2 00 8- 54 Fl. 57DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF jurisdicionante relativo à Cofins, em virtude de exame de declaração de compensação no qual não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando sua nulidade em sede de preliminar. Entende que teria havido ausência de fundamentação do Despacho Decisório, o qual também considera que desviou de sua finalidade, pois objetivaria apenas a interrupção do prazo decadencial para a homologação das compensações declaradas. Ao final, reitera suas alegações quanto ã nulidade do despacho decisório e pede o reconhecimento de seu direito creditório com a consequente homologação das compensações realizadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela manutenção do despacho decisório, por entender que as alegações e os documentos trazidos pela Recorrente não comprovariam o pagamento a maior da Cofins. A decisão da DRJ foi assim ementada: "Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Cofins Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 Ementa: RESTITUIÇAOCOMPENSAÇAO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando o pleito pela nulidade do despacho decisório e não apresenta nenhuma alegação contra o mérito do despacho decisório. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11020.905954/200854 Acórdão n.º 3201002.763 S3C2T1 Fl. 58 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente alega a nulidade do despacho decisório por não atender as exigências de motivação e finalidade. Entendo não assistir razão ao recurso, A Recorrente foi cientificada do despacho decisório e apresentou sua manifestação de inconformidade alegando questões preliminares sem adentrar a devida comprovação do crédito pleiteado. O julgamento da primeira instância foi claro ao decidir pela manutenção do despacho diante da ausência de comprovação documental dos créditos pleiteados pela Recorrente. Cientificada da decisão da primeira instância, apresentou seu recurso voluntário trazendo em linhas gerais, as mesmas alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade e não trouxe nenhuma informações ou documentos que pudessem levantar qualquer dúvida quanto as conclusões do trabalho fiscal. Não apresentando nenhuma contestação objetiva sobre a comprovação do créditos, tampouco indicou a origem dos supostos créditos pleiteados no pedido de compensação. Novamente se resumiu a questões preliminares e quanto ao mérito, reafirma que a obrigação é da Receita Federal em buscar a verdade material e apurar os créditos alegados pela Recorrente. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de informações não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação, necessitando de prova clara e inconteste do direito creditório. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar indicação clara das provas a comprovar as suas alegações. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 59DF CARF MF 4 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 60DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.721018/2013-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
RECURSO DE OFICIO. NÃO CONHECIMENTO - Valor exonerado, na data do julgamento, inferior ao disposto no Artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008 aplivabilidade da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
ATIVIDADE RURAL - DEDICAÇÃO EXCLUSIVA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - TRIBUTAÇÃO - Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos da atividade rural, sob o regime de caixa, nos termos dos arts. 17 a 21 da Lei nº 9.250/95, c/c o art. 2º da Lei nº 7.713/88. Havendo omissão deve ser considerado lícito o lançamento realizado com base no Art. 42 da Lei nº 9.430/96.
MULTA DE OFICIO. QUALIDICADORA. EXCLUSÃO - Excluida a qulificadora da multa nos termos da Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo."
Numero da decisão: 2402-005.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso de ofício e conhecer do recurso voluntário, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial no sentido de excluir a qualificação da multa. Vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator) que dava provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Votaram pelas conclusões quanto ao mérito os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros:Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 RECURSO DE OFICIO. NÃO CONHECIMENTO - Valor exonerado, na data do julgamento, inferior ao disposto no Artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008 aplivabilidade da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. ATIVIDADE RURAL - DEDICAÇÃO EXCLUSIVA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - TRIBUTAÇÃO - Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos da atividade rural, sob o regime de caixa, nos termos dos arts. 17 a 21 da Lei nº 9.250/95, c/c o art. 2º da Lei nº 7.713/88. Havendo omissão deve ser considerado lícito o lançamento realizado com base no Art. 42 da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFICIO. QUALIDICADORA. EXCLUSÃO - Excluida a qulificadora da multa nos termos da Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo."
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NÃO CONHECIMENTO Valor exonerado, na data do julgamento, inferior ao disposto no Artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008 aplivabilidade da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. ATIVIDADE RURAL DEDICAÇÃO EXCLUSIVA DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO Devem ser oferecidos à tributação os rendimentos da atividade rural, sob o regime de caixa, nos termos dos arts. 17 a 21 da Lei nº 9.250/95, c/c o art. 2º da Lei nº 7.713/88. Havendo omissão deve ser considerado lícito o lançamento realizado com base no Art. 42 da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFICIO. QUALIDICADORA. EXCLUSÃO Excluida a qulificadora da multa nos termos da Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 10 18 /2 01 3- 50 Fl. 3013DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso de ofício e conhecer do recurso voluntário, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, darlhe provimento parcial no sentido de excluir a qualificação da multa. Vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator) que dava provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Votaram pelas conclusões quanto ao mérito os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros:Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 2402005.830 S2C4T2 Fl. 3.013 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (Fls. 2982 a 3002) interposto contra decisão proferida no 1046.149 4ª Turma da DRJ/POA (Fls. 2951 a 2970) onde, por unanimidade de votos, os membros da 4ª Turma de Julgamento, acordaram em indeferir as preliminares por entender incabíveis, indeferindo o pedido de perícia por acreditar ser prescindível e, no mérito, julgar procedente em parte a impugnação excluindo parte dos créditos lançados, caracterizados por depósitos bancários com origem não comprovada. Em suma, verificase que o Recurso foi articulado com o objetivo de obter Acordam de nulificação integral do lançamento, fundamentando sua pretensão em alegado prejuízo ao contraditório e ampla defesa em razão de erros e omissão na identificação das contas bancárias onde foram processadas as operações tomadas por base para o lançamento, bem como pelo fato de, conforme tese recursal, ser impossível fundamentar o auto com base apenas em extratos bancários. Subsidiariamente, busca nulificação do auto de infração em razão da negativa de perícia que entende essencial para evitar o "bisinidem" sobre as receitas de atividade rural. Pedindo que seja excluída a da receita omitida o valor de R$ 42.030,00 pago pela empresa Agropecuária Schio Ltda alegando ter sido regularmente oferecida à tributação. E por último, que sejam excluídas as operações devidamente comprovadas pelo contribuinte conforme documentação juntada e perícia a ser realizada, conforme já requerido. Por derradeiro, requer o afastamento da multa aplicada por ausência de fraude. Em complementação ao presente relatório adotaremos as narrativas de fatos e fundamentos do Acórdão recorrido: "O contribuinte supraidentificado foi autuado e intimado a recolher imposto no valor de R$2.018.785,41 ou impugnar o lançamento que lhe deu origem. O crédito tributário tem como origem: a) omissão de rendimentos tributáveis decorrentes da atividade rural nos anos de 2008 e 2009, conforme descrição e enquadramento legal da folha 1613. Enquadramento Legal: Arts. 1º a 8º, e 13 a 22 da Lei nº 8.023/90; arts. 9º, 17 e 18 da Lei nº 9.250/95; art. 59 da Lei nº 9.430/96; art. 57 a 64, 71 e 83 do RIR/99; art. 1º, inciso II, III e parágrafo único da Lei nº 11.482/07, antes e posterior a redação dada pela Lei nº 11.945/09. b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Enquadramento Legal: Art. 37, 38, 83 e 849 do RIR/99 e art. 58 da Lei nº 10.637/02 c/c o art. 106, inciso I da Lei nº 5.172/66 e art. 42 da Lei nº 9.430/96; art. 1º inciso II, III e parágrafo único da Lei nº 11.482/07, antes e posterior a redação dada pela Lei nº 11.945/09. O Termo de Verificação Fiscal – TVF das folhas 1626 a 1642 descreve o procedimento fiscal e a motivação para o lançamento. Fl. 3015DF CARF MF 4 O contribuinte apresentou impugnação em 02/05/2013 alegando o que segue: a) preliminarmente, requer a nulidade do lançamento argumentando que é impossível qualquer defesa sem identificar os depósitos considerados como de origem não comprovada se os mesmos não forem especificados individualmente, conforme folha 2897; b) que é nulo o lançamento por ter como base os extratos bancários e a inversão do ônus da prova contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 em flagrante contrariedade ao inciso LV do art. 5º da Constituição Federal – CF; c) que os rendimentos apontados pela fiscalização como auferidos pelo contribuinte através do exame dos depósitos bancários, somente podem ter origem na atividade rural, única do contribuinte e, portanto, sujeita a tributação de 20% da Receita Bruta; d) que a fiscalização reconheceu que os rendimentos seriam da atividade rural por não têlos tributado mensalmente como no caso de rendimentos auferidos por pessoa física, fazendo o, equivocadamente, na DAA sem considerar que os rendimentos da atividade rural estão limitados a 20% da receita bruta; e) que os rendimentos apontados pela fiscalização como omitidos tiveram origem na atividade rural e, nesta condição, já haviam sido tributados. Aduz, ainda, que os depósitos cuja origem foi aceita pela fiscalização, dizem respeito a transferências entre contas de mesma titularidade; f) que a fiscalização promoveu um verdadeiro bis in idem, a partir dos extratos bancários do contribuinte, não deduzindo os valores tributados na atividade rural e contabilizados no seu Livro Caixa, acobertados por Notas Fiscais de Produtor – NFP; g) que o lançamento requer a realização de prova pericial para qual indica o sr. Marco Aurélio Trindade da Rosa, inscrito no CRC/RS sob nº 56.806/02, com endereço profissional na Av. Ipiranga nº 607, sala 402, POA/RS, conforme previsão no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72; h) que em relação a receita da atividade rural no valor de R$42.030,00 recebido em 04/01/2008 através de depósito bancário realizado pela Agropecuária Schio Ltda., CNPJ nº 91.501.783/000819, informa que tal rendimento foi registrado com base na NFP nº 315739, emitida em 17/12/2007 e reconhecida na DAA do ano de 2007; i) que a omissão da receita de R$27.000,00 fruto do depósito realizado por Gelson Antônio Meotti – EPP, CNPJ nº 05.513.380/000181, em 24/06/2009, decorre da NFP nº 504266, emitida em 25/06/2009, cujo valor líquido da receita é de R$26.379,00 e registrado no Livro Caixa de 2009, logo, não há como considerálo omitido nos depósitos de origem não comprovada; j) que a fiscalização considerou os lançamentos efetuados a título de Funrural como integrante da receita bruta da atividade com o que não concorda o impugnante sob o argumento de que os lançamentos são exatamente equivalentes em termos de resultado tributário e que o erro foi cometido pela fiscalização quando aponta de um lado a omissão de receita e não promove o reconhecimento da respectiva despesa e, nem aplica o limitador de 20% da receita; k) que não admite a aplicação da multa qualificada de 150% em razão da conduta anterior que se mostra neutra em termos tributários; l) que a receita da atividade rural aumentada pelas glosas das despesas somadas aos depósitos de origem não comprovada não podem ultrapassar o limite de 20% da Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 2402005.830 S2C4T2 Fl. 3.014 5 receita bruta, conforme determina o parágrafo único do art. 5º da Lei nº 8.023/90. O contribuinte requer que, devido a glosa de despesas, o resultado tributável da atividade rural utilizado como base de incidência do IRPF não pode ser superior a 20% da receita bruta obtida na atividade; m) que não concorda com a glosa de despesas com telefone utilizado para concretizar negócios decorrentes da atividade rural; n) que devem ser considerados os documentos anexados a impugnação referentes a despesas glosadas por falta de documentos e que os juros dos financiamentos também devem ser considerados como despesas da atividade; o) que os valores indicados no item II.7 (fl. 2909) foram lançados indevidamente conforme descrição; p) que não é procedente a qualificação da multa visto que não está comprovado o intuito de fraude e que, juntamente com a multa de ofício assume caráter confiscatório; q) que é inadmissível a aplicação da taxa SELIC por ser remuneratória de títulos e inaplicável aos créditos tributários. Pelo exposto, requer a nulidade do lançamento por prejuízo ao contraditório, decorrente de erros e omissões, pela impossibilidade de fundamentar o auto a partir apenas de extratos. Subsidiariamente, requer que os depósitos e rendimentos sejam limitados a 20%, que seja afastado o bis in idem lançados como depósitos bancários mas informados como receita da atividade rural e reconhecida pelo contribuinte visto a emissão de NFP e escrituração no Livro Caixa. Requer, ainda a exclusão das receitas da atividade rural identificadas pelo contribuinte e já tributadas e a exclusão do Funrural como receita, visto que deduzidas nas notas fiscais de venda, exclusão das glosas de despesas comprovadas e exclusão de depósitos com origem comprovada, além de afastar as multas aplicadas e a taxa SELIC." Em seu recurso, repisa dos argumentos da impugnação. É o Relatório. Fl. 3017DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Consta dos autos Recurso de Oficio, entretanto, considerando que o valor objeto redução quando da prolação da decisão de primeira instancia é inferior ao valor de alçada para interposição do recurso em questão, voto por dele nao conhecer. O Recurso Vonluntário encontrase apto ao julgamento, eis que é tempestivo e preenche às demais condições de admissibilidade previstas na legislação referente. A peça recursal foi articulada visando a nulificação do lançamento e, alternativamente, a exclusão de créditos com base em documentos juntados, além da redução da multa por ausência de fraude. Como primeiro ponto de sua tese, o Recorrente alega ausência de identificação plena das contas bancárias que continham o registro das operações em relação as quais o contribuinte não logrou comprovar a origem, pois, as planilhas analíticas de referência (fls 15751594) continham erro no cabeçalho. É preciso registrar que o tema foi suscitado na primeira instância, recebendo análise detida por parte do relator em seu voto, tendo manifestadose nos seguintes termos: "O contribuinte alega cerceamento do direito de defesa pelas razões expostas no item II.1 (fls. 2897 e 2898) da peça impugnatória. Alega que há duas planilhas com a mesma conta do Banco do Brasil S.A., Agência 01708, c/c nº 10.173X com valores distintos. De fato, o cabeçalho da planilha analítica com os valores não comprovados do Banco Santander, c/c nº 10010166 foi impressa equivocadamente com a conta do Banco do Brasil S/A e folha 1587 referente ao Banco Bradesco S/A, c/c 00181536, Agência 1393, todavia, consolidada de forma correta no demonstrativo da folha 1595 e, facilmente identificado o equivoco visto que reproduz a planilha do Termo de Fiscal nº 06/2012 das folhas 1023 a 1041 onde consta a mesma planilha com indicação do Banco Santander. O mesmo argumento explica o fato do contribuinte alegar a falta de demonstrativo analítico dos depósitos não comprovados na planilha da folha 1595. Quanto a ocorrência de duas contascorrentes na Agência nº 440, o mesmo nº 39.024897.00 e com valores distintos, cabe observar as planilhas analíticas das folhas 1585 e 1586 que informam que uma das contas referese a variação poupança com o mesmo número. Portanto, plenamente identificados os depósitos de forma individualizada e consolidados nas planilhas que acompanham o lançamento permitindo que o contribuinte exerça plenamente seu direito de contraditório e ampla defesa." Refizemos o iter indicado pelo Recorrente e pelo Relator e, confrontando as informações apresentadas e os documentos acostados aos autos, nossa conclusão foi a mesma Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 2402005.830 S2C4T2 Fl. 3.015 7 do Relator da DRJ. Em nosso sentir, não são procedentes as alegações de nulidade, pois não verificamos qualquer prejuízo à defesa, pois, a mesma planilha pode ser verificada com as indicações corretas nas folhas 1023 a 1041. Quanto as demais questões relativas as planilhas não verificamos existência de erro algum, conforme já esclarecido no voto preferido em primeira instância. Seguindo em nossa análise da peça recursal verificamos a reprise do argumento de que não é possível realizar lançamento tributário com base apenas em extratos bancários. Quanto ao tema, recorrente neste colegiado, nosso entendimento firmase no sentido da legalidade. Tratase de expediente previsto na Lei 9.430/1996 que, em seu Art. 421, atribuí ao contribuinte o ônus de demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. A conseqüência normativa da não demonstração da origem destes recursos é a presunção júris tantum de que tais recursos representam receitas ou rendimentos omitidos. Tal comprovação deve ser realizada por meio de documentos hábeis e idôneos, de modo detalhado e individualizado, permitindo a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. A caracterização de disponibilidade de renda omitida, em casos como esses, reside não só na verificação de existência de depósitos em conta corrente ou de investimento2 não declarados, mas, na impossibilidade do contribuinte, após regularmente notificado, prestar 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) 2 O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 61. Fl. 3019DF CARF MF 8 esclarecimentos de tais operações de modo individualizado, juntando documentos hábeis e idôneos, capazes de demonstrar a origem e natureza de cada operação e ainda suportar sua desclassificação como renda tributável. Verificadas as condições definidas em lei para gerar a presunção de ocorrência renda omitida fica também o fisco dispensado de comprovar o seu consumo. Trata se de entendimento já consolidado no âmbito desta instituição, conforme Súmula CARF nº 26: "Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada." Esse entendimento é reforçado pela jurisprudência do STJ Superior Tribunal de Justiça que já se manifestou pela inaplicabilidade da Súmula 182/TRF que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242) e se posicionado no sentido da licitude do citado dispositivo: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015)" Noutras palavras, o procedimento de apuração de rendimentos omitidos em questão não toma por base apenas nos extratos, mas na ausência de comprovação da origem dos rendimentos auditados, ou seja, é procedimento que exige a participação do contribuinte no processo de apuração, o que ocorreu no presente caso, sendo os documentos acostados insatisfatórios para fins de comprovação de origem de rendimentos. Por esta razão, este argumento não deve prosperar. O recorrente sustenta que seus rendimentos têm origem em Atividade Rural e por conseqüência deveriam ser tributados sob base de cálculo presumida em 20%. A decisão recorrida não acolheu o a tese por entender que "não comprovando a origem dos rendimentos, o fisco os considera como rendimentos não decorrentes da atividade rural, visto que os Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 2402005.830 S2C4T2 Fl. 3.016 9 depósitos desta atividade foram considerados de origem comprovada, conforme apontado no Relatório Fiscal (fls. 1632)." Contudo, analisando as declarações de Imposto de Renda do Recorrente (Fls 12 a 22) verificamos que toda sua estrutura patrimonial é voltada ao exercício de Atividade Rural com diversas glebas e maquinário suficiente para gerar movimentação compatível com as operações em discussão e que o mesmo juntou diversas Notas Fiscais de Produtor Rural e ainda diversos títulos de Propriedades Rurais. No processo em questão, não há qualquer indicativo da existência de rendimentos proveniente de atividade diversa da Rural. Não há dentre os bens e direitos declarados pelo Recorrente qualquer participação em empresas, investimentos em ações, imóveis não rurais ou aplicações financeiras de grande volume, tão pouco o agente fiscal indiciou qualquer possibilidade de renda diversa da Rural, o que corrobora a declaração recursal de que sua renda é proveniente, exclusivamente, desta fonte. Com esteio nesse fato, qualquer omissão do Recorrente deveria ser tributada nos termos da Lei n.° 8.023, 1990, uma vez que a própria Lei n.° 7.713, 1988, art. 49, exclui os rendimentos da atividade rural de seu âmbito de aplicação. Cabe registrar que na atividade Rural, devido as suas características próprias, a apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual. Ou seja, não se deve esperar, por exemplo, que as NFPR sejam claramente vinculadas aos valores recebidos eis que, não raro, os pagamentos ocorrem em prazos posteriores e muitas vezes na medida e proporção em que os produtos entregues são vendidos revendidos pelo adquirente. Esta é a metodologia mais adequada para apuração dos rendimentos, não sendo razoável desconsiderar as Notas Fiscal de Produtor Rural juntadas pelo simples fato de não serem idênticas em valor e competências diversas aos respectivos depósitos, tão pouco aceitável confundir forma de apuração com regime de apuração. O regime especial de tributação dos produtores rurais pessoas físicas, com rendimentos exclusivos dessa atividade, segue o disposto na Lei n° 8.023/90, devendo a apuração de rendimentos ainda que com base em depósitos bancários na forma do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 obedecer àquele regime especial, de maneira a manter a autuação, limitando, porém, a base de calculo a 20 % (vinte por cento) da omissão apontada. O entendimento ora manifestado por este relator encontra acolhimento na Jurisprudência desta casa como se constata dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: "ATIVIDADE RURAL DEDICAÇÃO EXCLUSIVA DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO Identificada a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, via presunção legal, o contribuinte que se dedica exclusivamente à atividade rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei n. 8.023, de 1990, que limita a base de cálculo da incidência em 20% (vinte por cento) da omissão apurada. Recurso especial parcialmente provido." (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais — Recurso n°106135,060 — Acórdão ir CSRF/0400.468, Sessão de 13/12/2006) Fl. 3021DF CARF MF 10 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPFExercício: 1998, 1999, 2000 DEPOSITOS BANCÁMOS RECURSOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL OMITIDA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Demonstrado, pelos meios de provas existentes nos autos, que a movimentação financeira do sujeito passivo decorre do exercício de atividade rural cuja tributação foi omitida, ainda que parcialmente, a exigência do crédito tributário, por força do disposto no artigo 42, § 2°, da Lei n°9.430) de 1996, deve se dar em conformidade com o artigo 5° da Lei n° 8.023, de 1990. Recurso especial negado." (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais — Recurso n° 104142.038 — Acórdão n° CSRF/04 00.801, Sessão de 03/03/2008) "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPFExercício: 2000, 2001, 2002 EMBARGOS INOMINADOS LAPSO MANIFESTO Verificada no julgado a existência de incorreções devidas a lapso manifesto, é de se acolher os Embargos Inominados. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM ATIVIDADE RURAL O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, com fundamento no art. nº 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, é incompatível com o reconhecimento, por parte da fiscalização, de que ditos depósitos tiveram origem no exercício da atividade rural. Nessa hipótese, eventuais diferenças não tributadas devem ser exigidas com base na legislação especifica da atividade rural. Embargos acolhidos. Acórdão retificado. Recurso provido." (4" Câmara do 1° Conselho — Recurso nº 153.295 Acórdão n 10423.376, Sessão de 07/08/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRODUTOR RURAL. EXCLUSIVA ATIVIDADE RURAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL/ESPECIFICO. Os contribuintes que, comprovadamente, exercem exclusivamente atividades rurais, estão submetidos à regime de tributação especial/especifico, contemplado pela Lei nº 8.023/1990, impondo a compatibilização desta norma com o disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, a propósito da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada limitandose, assim, a base de cálculo a 20% (vinte por cento) da omissão apurada, nos precisos termos do artigo 50 da lei especifica retro mencionada. Recurso especial negado. Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF – 2ª Turma da 2ª Câmara/ACÓRDÃO 920200.762 em 13.04.2010." Importante ressaltar que estamos nos posicionando quanto ao regime adequado de tributação aplicável à parcela de rendimentos não declarados, pois, o fato de não utilizar corretamente o livro caixa não o retira do regime tributário em questão, mas apenas altera a forma de apuração, pois, ainda que a forma de apuração tenha sido aquela prevista no Art. 42 da Lei 9.430/96, considerando não haver qualquer indício de que tais rendimentos tiveram origem em atividades não rurais, salvo as que excepcionamos neste voto, deve ser mantido o regime tributário próprio da atividade e arbitrado o tributo com a base de cálculo prevista em lei especifica do setor. Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 2402005.830 S2C4T2 Fl. 3.017 11 Sendo assim, o lançamento merece ser revisado para que seja aplicado o disposto na Lei 8.023/90, reduzindose a base de calculo à 20% dos rendimentos apurados com base em depósitos sem origem comprovada. Ficam excepcionados os valores declarados pelo próprio Recorrente como sendo ingressos decorrentes de empréstimos tomados pelo contribuinte, porém sem documentos que suporte a operação: Data Documento Valor Folha Obs 13/05/2008 3315089 R$ 18.000,00 1576 Empréstimo tomando junto a Raul Tochedo 13/05/2008 3314956 R$ 34.000,00 1576 Empréstimo tomando junto a Pedro Tochedo 29/09/2008 440 R$ 30.000,00 1584 BNO TR VALOR Com relação a realização de perícia, o pedido visava demonstrar que as operações tinham origem em atividade rural, considerando o entendimento exarado, entendemos por totalmente dispensável, eis que o Art. 42 da Lei 9.430/96 admite a presunção da ocorrência de omissão de rendimentos, mas não a presunção de descaracterização das receitas como exclusivamente rurais, cabendo ao fisco demonstrar, nestes casos, que a origem dos ingressos é decorre de fonte diversa da rural. Por fim, quanto a penalidade agravada, Com relação à multa de ofício aplicada, o percentual é exatamente aquele previsto para a espécie no art. 44, inciso I, da Lei no 9.430/1996, na redação vigente na época dos fatos geradores. Conclusão Pelos fatos e fundamentos expostos voto no sentido de conhecer do recurso para no mérito darlhe parcial provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 3023DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Compulsando os autos, verificase que o recurso de ofício foi interposto visto que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de crédito tributário, entre principal e multas, superior a R$ 1.000.000,00, limite então estabelecido pelo art. 1º da Portaria MF nº 03/2008, com amparo no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Sem embargo, tal limite foi majorado pela Portaria MF nº 63, de 10/2/2017, que revogou a Portaria MF nº 03/2008: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Tratandose de norma de ínsito caráter processual, deve ser ela aplicada de imediato aos julgamentos em curso, nos termos da Súmula nº 103 do CARF: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Assim, totalizando a exoneração promovida pela vergastada R$ 1.121.145,54 (ver fl. 2972), montante inferior ao valor de alçada fixado pela Portaria MF nº 63/17, não deve ser conhecido o recurso de ofício. Por outro lado, dissinto, com a devida vênia, das razões constantes no voto do D. Relator, de um modo geral. Primeiramente, cabe notar que as considerações ali tecidas cingemse à infração de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos de origem não comprovada. Passando a esse ponto, e concordandose com o relator quanto à inexistência de nulidade na espécie, deve ser de início refutado o pedido de perícia, visto que, ainda que se aponte o nome do profissional a realizála, tal feito não basta para a fundamentar. Noto que o contribuinte alega a ocorrência de bis in idem por terem sido considerados depósitos sem origem comprovada lançamentos que estariam documentados por notas fiscais, mas não traz exemplo sequer de situação em que isso tivesse ocorrido, além das que já foram devidamente analisadas pela instância recorrida. No caso dos autos, não se vislumbra a necessidade de conhecimentos técnicos especializados para a formação de convicção acerca dos fatos, podendo os pares deste Colegiado realizarem perfeitamente a análise dos documentos colacionados, sem a realização da perícia cogitada. Destarte, deve ser rejeitado tal pedido. Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 11020.721018/201350 Acórdão n.º 2402005.830 S2C4T2 Fl. 3.018 13 Noutro giro, não há como acatar o argumento do relator no sentido de que não havendo "qualquer indício de que tais rendimentos tiveram origem em atividades não rurais, salvo as que excepcionamos neste voto, deve ser mantido o regime tributário próprio da atividade e arbitrado o tributo com a base de cálculo prevista em lei especifica do setor". Destaquese que no caso em comento restou sem comprovação montante considerável de depósitos bancários, sendo que a mera ausência de evidência de que o contribuinte tenha atividades outras que a rural não é suficiente para inverter o ônus de prova a ele atribuído por força do art. 42 da Lei nº 9.430/96, à míngua de qualquer permissivo normativo nesse sentido. Anotese que as receitas comprovadamente associadas à atividade rural, e que haviam sido omitidas do conhecimento do Fisco foram devidamente objeto de lançamento, sob outro embasamento legal. O relator alega que as peculiaridades da atividade rural são empecilho para a vinculação clara de notas fiscais de produtor aos depósitos bancários. Não comungo com tal percepção dos fatos. Ainda que se admita o que não me parece inconteste, tratandose mais de conjectura que tal proceder possa ser mais dificultoso para os produtores rurais do que para os demais contribuintes, poderia perfeitamente o autuado fazer correspondências bastante satisfatórias entre as operações de venda e os créditos em suas contascorrente, mesmo que não se ajustassem à perfeição desejada. O que minimamente se requer é que, ainda que não haja coincidência exata de datas e valores, sejam apresentadas justificativas plausíveis e que esclareçam a origem, de maneira individualizada, dos depósitos sujeitos à comprovação. A análise da movimentação financeira deve ser efetuada por operação, oportunizandose ao contribuinte a identificação, caso a caso, da natureza e origem dos respectivos valores, por meio de documentação hábil e idônea, procedimento esse que foi escorreitamente observado pela fiscalização no caso em tela. A realidade é que foi devidamente propiciada oportunidade ao recorrente de comprovar a origem dos depósitos, via sucessivas intimações da fiscalização tributária, e que não logrou ele desempenhar a contento esse ônus o qual, por força de lei, repitase, é seu. De sua parte, além das arguições genéricas já relatadas, temse que o contribuinte busca reconhecer como comprovados determinados depósitos, a saber, feitos no Banco do Brasil nas cifras de R$ 34.000,00 e R$ 18.000,00, ocorridos em 13/5/2008, e de R$ 30.000,00 realizado em 29/9/2008 na sua conta mantida no Banco Banrisul, porém, nesse aspecto específico, partilho das conclusões do relator quanto a não restar a origem deles comprovada. Nessa toada, entendo deva ser mantida a decisão de piso quanto a essa infração. Por outra via, temse que parte da autuação referese à infração de omissão de rendimentos de atividade rural. Fl. 3025DF CARF MF 14 Quanto a esta, o recurso voluntário primeiramente defende que determinada receita de atividade rural, no valor de R$ 42.030,00, percebida em 4/1/2008, já havia sido reconhecida no anocalendário 2007, do que conclui deveria ser ela excluída do lançamento. Entretanto, não há reparos a fazer na autuação no particular pois, devendo ser oferecidos à tributação os rendimentos da atividade rural, sob o regime de caixa, nos termos dos arts. 17 a 21 da Lei nº 9.250/95, c/c o art. 2º da Lei nº 7.713/88, em decorrência houve a omissão de rendimentos naquele montante no anocalendário de 2008, como corretamente apurado pela autoridade lançadora. Por fim, quanto à qualificação da multa de ofício, tem procedência o pleito do contribuinte. Com efeito, ainda que soe pouco verossimilhante considerar que a omissão de rendimentos de atividade rural tenha se dado de modo não intencional, o fato é que não foram reunidos elementos probatórios suficientes para que a aferição da realização de conduta dolosa por parte do contribuinte reste induvidosa. Tratase, é necessário admitir, de constatação de omissão da percepção de rendimentos de atividade rural, em um determinado anocalendário, a qual está desacompanhada de evidências adicionais a respaldar a aplicação da multa de ofício qualificada. A glosa de despesas deduzidas não se deu, a seu turno, sobre dispêndios artificialmente elevados, a autorizar conclusão mais sólida em prol da intenção dolosa. A rigor, incide na espécie a Súmula CARF nº 14, de observância obrigatória no presente julgamento por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Ante o exposto, voto no sentido de, acompanhando o relator no tocante à rejeição da nulidade suscitada, dar parcial provimento ao recurso para fins de excluir do lançamento a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 3026DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001193/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUSÊNCIA DE RELAÇÃO NOMINAL DE BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA.
A ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento não é causa de nulidade do lançamento que alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Não há prejuízo a defesa quando empresa tem conhecimento dos beneficiários através de suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
A Lei nº 10.101/2000 faculta às empresas anteciparem no mês mesmo exercício de apuração parcela da PLR, desde que ulteriormente compensadas e que não sejam pagas em periodicidade inferior a um semestre civil, ou pagas mais de duas vezes no mesmo ano civil.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-005.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, para dar-lhe parcial provimento excluindo os valores de PLR referente antecipação do ano de 2004 , nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo, que negava provimento ao Recurso Voluntário.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUSÊNCIA DE RELAÇÃO NOMINAL DE BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA. A ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento não é causa de nulidade do lançamento que alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Não há prejuízo a defesa quando empresa tem conhecimento dos beneficiários através de suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. A Lei nº 10.101/2000 faculta às empresas anteciparem no mês mesmo exercício de apuração parcela da PLR, desde que ulteriormente compensadas e que não sejam pagas em periodicidade inferior a um semestre civil, ou pagas mais de duas vezes no mesmo ano civil. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 295 1 294 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001193/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.023 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2017 Matéria SALÁRIO INDIRETO: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Recorrente M & G FIBRAS E RESINAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUSÊNCIA DE RELAÇÃO NOMINAL DE BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA. A ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento não é causa de nulidade do lançamento que alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Não há prejuízo a defesa quando empresa tem conhecimento dos beneficiários através de suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. A Lei nº 10.101/2000 faculta às empresas anteciparem no mês mesmo exercício de apuração parcela da PLR, desde que ulteriormente compensadas e que não sejam pagas em periodicidade inferior a um semestre civil, ou pagas mais de duas vezes no mesmo ano civil. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 93 /2 00 9- 91 Fl. 297DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, para darlhe parcial provimento excluindo os valores de PLR referente antecipação do ano de 2004 , nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo, que negava provimento ao Recurso Voluntário. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 296 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 08/04/2009 para constituição da contribuição previdenciária patronal sobre a participação nos lucros ou resultados da recorrente. Segue transcrição de trecho da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa:DIREITO PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. ACORDOS COLETIVOS. INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. Os Acordos Coletivos comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o Contribuinte de suas obrigações definidas por Lei. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Relatório Fiscal e os Anexos do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO. Pertence à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT jurisdicionante do Fl. 299DF CARF MF 4 contribuinte a competência para intimação de acórdão emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme descrito no relatório fiscal, o fato gerador das contribuições lançadas foi o pagamento aos empregados de "Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa PLRE" sem atender a todos os requisitos exigidos pela legislação, o que impossibilitou afastar tais pagamentos da base de incidência das contribuições previdenciárias, em virtude do disposto no §9°, "j", do artigo 28 da Lei 8.212/91. A empresa paga PLR aos empregados, da seguinte forma, fls. 62 e s.: a) Estabelecimento CNPJ 01.651.102/000130 Para os empregados da sua Matriz, a empresa não estabeleceu Acordo de PLR específico para o ano de 2003 e, sendo assim, apresentou a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria celebrada entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas, Plásticas e Similares de São Paulo e Região e o Sindicato Patronal da Indústria de Abrasivos do Estado de São Paulo para amparar os pagamentos efetuados a esse título no decorrer do ano de 2004. Tal Convenção foi assinada em 18/11/2003 e previa o pagamento de um valor fixo total de R$ 380,00 em 02 parcelas, sendo a primeira já em 01/2004 e a segunda parcela seis meses após. Ocorre que tal valor fixo que deveria ser pago não foi atrelado a qualquer meta ou objetivo a ser atingido pelo empregado ou pela empresa, contrariando assim o que estabelece a Lei 10.101/2000 para que um pagamento possa ser enquadrado como Participação nos Lucros ou Resultados — PLR e receber os benefícios devidos. A empresa ora fiscalizada ainda realizou pagamentos aos seus empregados a título de "PLR" nos meses de 01/2004 e 04/2004 em valores muito superiores ao citado valor fixo estabelecido em Convenção Coletiva, conforme planilha nominal elaborada em meio magnético por essa fiscalização e anexada a esse Auto de Infração. b) Estabelecimento CNPJ 01.651.102/000210 Para os empregados de sua filial de CNPJ 01.651.102/000210 a empresa também não estabeleceu Acordo de PLR específico para o ano de 2003 e, sendo assim, apresentou o Acordo Coletivo de Trabalho da empresa celebrado entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Poços de Caldas e a própria empresa parar os pagamentos efetuados a esse título no decorrer do ano de 2004 Tal Acordo foi assinado em 12/11/2003 e não previa em nenhuma de suas cláusulas o pagamento de qualquer quantia a título de "PLR" aos empregados da empresa. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 297 5 Mesmo assim a empresa pagou aos seus empregados valores a título de "PLR" nas competências de 01/2004 e 04/2004, principalmente, sem estar amparada por Acordo específico ou Convenção Coletiva, sendo, então, mera liberalidade da empresa. Apenas a título de comparação, os valores pagos aos empregados da filial de CNPJ final 0002 ainda são bem maiores do que o valor fixo de R$ 380,00, estabelecido na já citada Convenção Coletiva da matriz da empresa. Apuramos também nessa ação fiscal o pagamento realizado por essa filial da empresa, aos seus empregados, ocorrido em 07/2004 a título de "Antecipação de PLR". Tal pagamento se refere a uma antecipação de valor a ser pago a título de PLR em 01/2005, em relação ao ano de 2004 e também está em desacordo com a legislação, que não permite antecipação de PLR. Para amarar tal pagamento de antecipação a empresa apresentou Acordo de PLR próprio celebrado entre uma comissão de empregados da filial e os representantes da empresa, amparados pelo já citado Sindicato da categoria, cuja cópia também anexamos a esse Auto de Infração. Tal Acordo teve vigência entre 01/2004 e 12/2004 e foi assinado em 11/02/2004. Nesse Acordo apresentado foram estabelecidas metas individuais e institucionais, que seriam acompanhadas durante todo o ano de 2004. Caso fossem atingidas, a empresa pagaria aos empregados um valor também estipulado nesse Acordo em sua Cláusula 4a. Estabelece ainda sua Cláusula 5ª que o pagamento do PLR "será realizado em 15/01/2005", após, portanto, da verificação do cumprimento e atingimento das metas institucionais e individuais acordadas. Ocorre que, nessa mesma Cláusula 5ª em seu item 5.1, tal Acordo prevê que a empresa "fará pagamento equivalente a 40% dos valores relacionados no Item 4.1, no dia 15/07/2004", a título de antecipação, o que não é permitido pela Lei 10.101/2000 que rege a matéria examinada. Tal parcela paga a título de "antecipação de PLR" foi também considerada em desacordo com a Lei 10.101/2000, e, portanto, uma liberalidade da empresa, podendo ser enquadrado como prêmio, bônus ou gratificação, e, portanto, base de cálculo da contribuição previdenciária. c) Estabelecimento CNPJ 01.651.102/000300 Para os empregados de sua filial de CNPJ 01.651.102/000300 a empresa também não estabeleceu Acordo de PLR específico para o ano de 2003 e, sendo assim, apresentou a Convenção Coletiva de Trabalho da empresa celebrado entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Produtos Químicos para Fins Fl. 301DF CARF MF 6 Industriais de Preparação de Óleos Vegetais e Animais e de Sabão e Velas no estado de Pernambuco e o Sindicato Patronal das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais, Resinas Sintéticas, Tintas e Vernizes do Estado de, Pernambuco para amparar os pagamentos efetuados a esse título no decorrer do ano de 2004. Tal Convenção foi assinada em 20/01/2004 e previa em sua Cláusula 7°, para empresas com mais de 40 empregados, o pagamento de um valor fixo de R$ 672,34, a título de "Participação nos Lucros ou Resultados — PLR" a ser realizado junto com o pagamento da folha do mês de janeiro de 2004. Ocorre que tal valor fixo que deveria ser pago não foi atrelado a qualquer meta ou objetivo a ser atingido pelo empregado ou pela empresa, contrariando assim o que estabelece a Lei 10.101/2000 para que um pagamento possa ser enquadrado como Participação nos Lucros ou Resultados — PLR e receber os benefícios devidos. A empresa ora fiscalizada ainda realizou pagamentos aos seus empregados a título de "PLR" nos meses de 01/2004, 04/2004 e 05/2004 em valores muito superiores ao citado valor fixo de R$ 672,34, estabelecido em sua Convenção Coletiva, conforme pode ser verificado na planilha nominal em meio magnético elaborada por essa fiscalização e anexada a esse Auto de Infração. Apurarmos também nessa ação fiscal o pagamento realizado por essa filial da empresa, aos seus empregados, ocorrido em 07/2004 a título de "Antecipação de PLR". Tal pagamento se refere a uma antecipação do valor que foi pago a título de PLR em 01/2005, em relação ao ano de 2004 e também está em desacordo com a legislação. Para amparar tal pagamento de antecipação a empresa apresentou Acordo de PLR próprio celebrado entre uma comissão de empregados da filial e os representantes da empresa, amparados pelo já citado Sindicato da categoria. Tal Acordo teve vigência entre 01/2004 e 12/2004 a foi assinado apenas em 12/07/2004. Nesse Acordo apresentado foram estabelecidas metas individuais e institucionais, que sejam acompanhadas durante todo o ano de 2004. Caso fossem atingidas, a empresa pagaria aos empregados um valor também estipulado nesse Acordo em sua Cláusula 4ª. As metas a serem atingidas pela empresa foram estabelecidas por essa mesma cláusula 4ª . Como tal Acordo foi assinado somente em 12/07/2004 e sua vigência foi para todo o ano de 2004, não consideramos tais metas previamente pactuadas como determina a já citada legislação que ampara a matéria. Estabelece ainda sua Cláusula 5ª que o pagamento do PLR "será realizado em 15/01/2005", após, portanto, da verificação do cumprimento e atingimento das metas institucionais e individuais acordadas. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 298 7 Da mesma forma, estabelece ainda sua Cláusula 7ª que a empresa pagará em 16/07/2004 a "título de adiantamento" importância equivalente a 50% da participação nos resultados fixada no Acordo. Notese que tal Acordo foi assinado em 12/07/2004 e estabeleceu o pagamento do "adiantamento de PLR" para o dia 16/07/2004, sem nenhum tipo de verificação de cumprimento de metas. É vedado o pagamento de qualquer tipo de antecipação a título de PLR pela Lei 10.101/2000 que rege a matéria examinada. A segunda parcela do pagamento de "PLR" baseada nesse Acordo foi efetuada pela empresa em janeiro de 2005, competência não abrangida por essa ação fiscal. Tal parcela paga a título de "antecipação de PLR foi também considerada em desacordo com a Ler 10.101/2000, e, portanto, uma liberalidade da empresa, podendo ser enquadrado como prêmio, bônus ou gratificação, e, portanto, base de cálculo da previdenciária. Não conformada com a autuação a recorrente interpôs recurso voluntário alegando em síntese que: PRELIMINARES DE DIREITO Apresentamse uma preliminar de direito e um protesto: a) houve cerceamento de defesa na medida em que se constata a ausência de um Discriminativo do Débito escrito em que apresenta os beneficiados pelos pagamentos e os valores mensais de cada um deles, o que configura um constrangimento ao direito constitucional de ampla defesa (CF, art. 5 0, LV). b) protesta pela juntada de documentos, provas, perícias e pareceres favoráveis ao procedimento da defendente e também, quando for o caso, pela apresentação das GPS relativas a contribuições recolhidas como devidas pelo contribuinte. DO DIREITO Após breve relato sobre a autuação a Impugnante alega, em síntese, que: A afirmação da fiscalização não corresponde à realidade dos fatos, conforme se vê do Termo do Programa de Participação nos Resultados — PPR 2004. A negociação referida na Lei n° 10.101/00 existiu e agora se comprova o acordo coletivo juntado celebrado pela RhodiaSter Fibras e Resinas Ltda., antiga razão social da defendente. 1 Equivocase a fiscalização quando afirma que o pagamento se refere a uma antecipação de valor a ser pago a título de PLR em 01/05... . Não se trata de antecipação, mas do pagamento a cada seis meses autorizado pela Lei n° 10.101/00. Fl. 303DF CARF MF 8 Diante da respeitável extensão e não sistematização do sinteticamente, temse: "I — Falta de acordo específico; II — Falta de cláusula; III — Valor mínimo; IV—De modo geral, descumprimento da Lei nº 10. 101/00. a) O art. 2º da Lei nº 10.101/00 diz que: "A participação nos lucros ou resultados será objeto ide negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos documentos a seguir 1 escritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo (grifo nossos)." b) Nos acordos ou convenções celebrados sempre comparece a cláusula relativa ao PLR. c) Há disposição específica nas negociações celebradas sobre a possibilidade de ser pago um valor distinto dos R$ 380, 00. d) Não houve descumprimento da Lei nº 10.101/00, cujos princípios são: a) voluntariedade da empresa; b) negociação com os trabalhadores; c) vínculo da atividade com o lucro ou resultado "com mecanismos de aferição das informações pertinente ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo" (art. 2º, §1º). RAZÕES DO PROCEDIMENTO DA DEFENDENTE Do ponto de vista da filosofia do Direito Previdenciário, o art. 7% XI, da Constituição Federal de 1988 trata da distribuição de lucros e participação nos resultados e dispôs que o valor do PLR auferido não se integraria no saláriodecontribuição. Assunto tão complexo não poderia ter sido regulamentado numa norma tão singela quanto a Lei no I 10.101/00, não regulando o PLR propriamente dito, mas o seu ajuste, basicamente ela diz que o instituto técnico tem de ser negociado entre a empresa e os trabalhadores, indiretamente informando os procedimentos a serem aplicados. Não deveria ter se utilizado das expressões "regras claras e objetivas", sem explicitálas convenientemente nem delegálas para regulamentação administrativa. Não poderia ter sido genérica, aplicável a todo o espectro das atividades. Após citar Amauri Mascaro Nascimento, Sérgio Pinto Martins e João Ernesto Aragonés Viana, acrescenta que a Carta Magna, determinou que o pagamento correspondente não possuísse natureza remuneratória. Destarte, diante desse preceito dispositivo o desembolso resta sem essa natureza jurídica, para isso bastando cumprir as normas regulamentadoras. Sendo assim, resta, pois, excluída a "participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica (art. 28, § 9º j, do PCSS). Fl. 304DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 299 9 Quando a empresa observa os preceitos legais exigidos pela Carta Magna para que o montante não detenha natureza salarial, temse que o quantum pago é exatamente aquele previsto no art. 28, § 9°, j do PCSS, ou seja, uma Participação nos Lucros ou Resultados. Após discorrer fartamente sobre a Lei no 10.101/00, acrescenta que o PLR deve ser sugerido, discutido, negociado e convencionado com os trabalhadores, num ou noutro momento sem que tivesse havido prejuízo para a compreensão do nexo técnico que deve subsistir entre o sobréesforço pessoal dos "bancários" e a consumação dos lucros e do atingimento das metas antes previamente estabelecidas. A despeito de sua natureza complexa, em face da especificidade da atividade desenvolvida e sem embargo de que determinações legais exigindo clareza e objetividade são subjetivas, aprova que 'se terra de que as regras contidas nas cláusulas foram claras e objetivas é que jamais foram contestadas não só pelos seus empregados como também pelos sindicatos da categoria. "Acrescese, ad nauseam, o princípio: o escopo maior da Constituição Federal é uma aproximação real ido trabalho ao capital aconteceu e ela deve acontecer sem prejuízo do respeito os requisitos da Lei n° 10.101/00." A defendente teve a preocupação de convocar os trabalhadores indicados pelo Sindicato da Categoria para que participassem da construção de um instituto técnico destinado a unir o capital ao trabalho e, assim, ambos alcançarem o desiderato desejado, que é socializa legalmente o lucro. Menciona o RESP n° 637.905/RS, de 21/09/05, da 2' Turma do TFR da 4" Região, no AC no 2002.7100317070/RS, in DJU de23/11/05, que trata de PLR para a tributação sobre a folha de salários, citando a conclusão confirmada pela juíza Lilian Roiriz da 2' Turma do TFR da 2" Região, nos seguintes termos: ( ... ): "Cercar o instituto com excessos de exigências desvirtuala e desincentiva as empresas a fazêlo, o que fere a norma constitucional " (in DJU de 28.07.03). "O legislador pensando numa superior performance dos trabalhadores e das empresas, que poderia er alcançada com um estímulo da retribuição e ajuizando com a união desses dois polos da relação laboral, diminuindo os riscos dos conflitos trabalhistas e promovendo a atração da melhor mãodeobra para o quadro de pessoal de que instituísse o PLR, suprimiulhe a natureza remuneratória do pagamento." É o Relatório. Fl. 305DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 306DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 300 11 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento quanto a ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento, entendo que no presente caso Fl. 307DF CARF MF 12 a motivação apresentada no lançamento é suficiente para o pleno conhecimento por parte da recorrente desses beneficiários, bastando para tanto examinar suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo. Não há prejuízo à defesa quando o lançamento alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Ainda assim, está consignado no relatório fiscal que o recorrente recebeu em meio magnético uma planilha nominal. Ressaltase, também, que vícios de nulidade na decisão, em regra, não contaminam os atos processuais anteriores, como dispõe o artigo 59, §1º do Decreto nº 70.235/72, acima transcrito. No mérito Participação nos lucros e resultados A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Com todas as conquistas: saláriomínimo, limitação da jornada de trabalho, proteção contra a demissão sem justa causa, férias, descanso semanal remunerado, apenas para mencionar algumas, ainda assim capital e trabalho se opunham, um ao outro, como realidades inconciliáveis. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. No artigo 7º, Inciso XI, junto com outros direitos sociais do trabalhador está a participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração; portanto, tratase imunidade tributária: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Entretanto, apenas com a Medida Provisória nº 794, de 22/12/94, convertida na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, a matéria foi regulamentada: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. a) Finalidades: integração entre capital e trabalho; e ganho de produtividade. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 301 13 §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. b) Negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores. No instrumento de negociação devem constar, com clareza e objetividade, as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direitos substantivos). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Vêse que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificá los. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, I da lei possibilita inclusive que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas o aumento da lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que foi alcançada esta meta, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, “caput” da Constituição Federal. Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exigir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adote o aumento da lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se exigir a aferição da contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro Fl. 309DF CARF MF 14 de uma empresa de grande porte atribuída individualmente a um trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros – PLR, que é afastálo do conceito de salário. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, preocupouse o legislador com essa possibilidade de se desvirtuar a finalidade da lei e se utilizar a participação nos lucros e resultados da empresa para a sonegação de contribuições sociais: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, as características do PLR são diferentes para cada um de seus estabelecimentos, quais sejam: a) Estabelecimento CNPJ 01.651.102/000130 Instrumento: Convenção Coletiva de Trabalho Período de apuração: 2003 Assinatura: 18/11/2003 Pagamentos: um valor fixo total de R$ 380,00 em 02 parcelas, sendo a primeira em 01/2004 e a segunda parcela seis meses após. Sendo que os valores efetivamente pagos foram superiores ao citado valor fixo estabelecido em Convenção Coletiva Metas: ausência de metas ou objetivos a serem atingidos pelo empregado ou pela empresa b) Estabelecimento CNPJ 01.651.102/000210 Pagamentos: para o período de apuração 2003, embora não houvesse instrumento de PLR, mesmo assim a empresa pagou aos seus empregados valores nas competências de 01/2004 e 04/2004, e ainda maiores do que o valor fixo de R$ 380,00, estabelecido na já citada Convenção Coletiva da matriz da empresa. Pagamento antecipado em 07/2004 referente ao período de apuração 2004, com previsão através de acordo de PLR próprio celebrado entre uma comissão de empregados Fl. 310DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 302 15 da filial e os representantes da empresa, amparados pelo já citado sindicato da categoria, assinado em 11/02/2004. Nesse Acordo apresentado foram estabelecidas metas individuais e institucionais, que seriam acompanhadas durante todo o ano de 2004. Caso fossem atingidas, a empresa pagaria aos empregados um valor também estipulado nesse Acordo em sua Cláusula 4ª. a) Estabelecimento CNPJ 01.651.102/000300 Período de apuração 2003, assinatura em 20/01/2004, Convenção Coletiva de Trabalho sem previsão de metas ou objetivos a serem atingidos pelo empregado ou pela empresa Pagamentos: valor fixo de R$ 672,34, a título de "Participação nos Lucros ou Resultados — PLR" a ser realizado junto com o pagamento da folha do mês de janeiro de 2004; porém, a empresa realizou pagamentos nos meses de 01/2004, 04/2004 e 05/2004 em valores muito superiores ao citado valor fixo de R$ 672,34. Período de apuração 2004, pagamento antecipado em 07/2004 com previsão através de acordo de PLR próprio celebrado entre uma comissão de empregados da filial e os representantes da empresa, amparados pelo já citado sindicato da categoria, assinado em 12/07/2004. Nesse Acordo apresentado foram estabelecidas metas individuais e institucionais, que seriam acompanhadas durante todo o ano de 2004. Caso fossem atingidas, a empresa pagaria aos empregados um valor também estipulado nesse Acordo em sua Cláusula 4ª. Passo ao exame. Em relação ao estabelecimento CNPJ 01.651.102/000130, matriz, a ausência de metas viola frontalmente o artigo 2º, §1º da Lei nº 10.101/2000 e, portanto, os valores pagos não podem ser considerados PLR: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Em relação ao estabelecimento CNPJ 01.651.102/000210, para os valores referente ao período de apuração 2003, sequer havia instrumento instituindo PLR, o que viola frontalmente o artigo 2º da Lei nº 10.101/2000, acima transcrito, e, portanto, os valores pagos não podem ser considerados PLR. Fl. 311DF CARF MF 16 Ainda em relação ao mesmo estabelecimento, houve antecipação de pagamento para o período de apuração 2004. A primeira parcela foi paga em 07/2004. A assinatura do instrumento de negociação ocorreu no início do período de apuração, em 11/02/2004. A fiscalização entendeu que a Lei nº 10.101/2000 veda qualquer tipo de antecipação. Assim não entendo. Ao contrário, a lei prevê essa possibilidade em seu artigo 3º. O que era vedado à época seria o pagamento, seja a título de antecipação ou parcela definitiva, em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Assim, considerando que os demais requisitos foram cumpridos, já que a fiscalização não se pronunciou sobre o desconto da antecipação quando do pagamento definitivo em 01/2005, assiste razão ao recorrente quanto à antecipação paga em 07/2004, referente ao período de apuração 2004. Em relação ao estabelecimento CNPJ 01.651.102/000300, a ausência de metas para o período de apuração 2003 viola frontalmente o artigo 2º, §1º da Lei nº 10.101/2000 e, portanto, os valores pagos não podem ser considerados PLR. O fundamento é mesmo para o estabelecimento matriz. Ainda em relação ao mesmo estabelecimento, houve antecipação de pagamento para o período de apuração 2004. A primeira parcela foi paga em 07/2004. A assinatura do instrumento de negociação ocorreu no decorrer do período de apuração, em 12/07/2004. A fiscalização entendeu que a Lei nº 10.101/2000 veda qualquer tipo de antecipação. Assim não entendo. Ao contrário, a lei prevê essa possibilidade em seu artigo 3º, já transcrito. O que era vedado à época seria o pagamento, seja a título de antecipação ou parcela definitiva, em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Assim, considerando que os demais requisitos foram cumpridos, assiste razão ao recorrente quanto à antecipação paga em 07/2004, referente ao período de apuração 2004. A assinatura no decorrer do ano de apuração não afasta o requisito de conhecimento e engajamento no efetivo cumprimento de metas regularmente prevista. A formalização propriamente dita do acordo como condição sine qua non para a demonstração de conhecimento prévio das metas se afasta do princípio da verdade material. As negociação não começam e terminam no mesmo dia, tratase de um acordo com reuniões sucessivas, quando propostas são rejeitadas e outras tantas aceitas. Essa é a natureza e características dos acordos trabalhistas de modo geral, amplamente discutidos e negociados entre as partes. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 19515.001193/200991 Acórdão n.º 2301005.023 S2C3T1 Fl. 303 17 Em razão dos fundamentos que adoto, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores pagos em 07/2004 a título de antecipação de PLR para os estabelecimentos CNPJ 01.651.102/000210 e CNPJ 01.651.102/000300. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 313DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.012531/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Jorge Freire - Presidente em exercício.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Pedro Sousa Bispo, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Jorge Freire Presidente em exercício. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Pedro Sousa Bispo, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em comento, adoto como meu o relatório desenvolvido pela DRJ Florianópolis, quando da lavratura do acórdão n. 0735.840 (fls. 244/258), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata a presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 108.585,11 referente a multa por importação de mercadoria desamparada de licença de importação e multa por importação de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. A descrição dos fatos do auto de infração foi disposta nos seguintes termos: RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 12 53 1/ 20 07 -4 0 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 3 2 “001 IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE O importador, devidamente qualificado, por meio das declarações de importação abaixo relacionadas, submeteu a despacho aduaneiro na importação as mercadorias descritas como "CORANTE A CUBA ÍNDIGO BLUE SOLUÇÃO 40% DYSTAR", classificandoas no código 320415.10 da Tarifa Externa Comum(TEC) . Em ato de revisão aduaneira das referidas declarações, efetuada na forma como dispõe o artigo 570 do Decreto n.°4543/02 foi constatado que as posições tarifárias adotadas pelo importador são indevidas. A mercadoria importada tratase de um produto conhecido como "Corante Índigo Blue Reduzido", originário da Alemanha, produzido por DYSTAR TEXTILFARBEN GMBH. Pela definição extraída do sitio da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) na Internet, http: //www.sbiquim.org.br/ corantes/ cor__fabricantes.asp(fis.22), corantes orgânicos são substâncias intensamente coloridas que, quando aplicados a um material lhe conferem cor, através de processos de adsorção, solução, retenção mecânica cru por ligações químicas iônicas ou covalentes. Esses produtos são classificados na posição tarifária 3204, que engloba as matérias corantes sintéticas(fls. 27). O Corante índigo Blue ê um produto utilizado pela indústria têxtil para dar tingimento aos fios de algodão na fabricação de denim, que é o tecido utilizado na confecção de artigos em jeans (calças, jaquetas, etc). A DyStar Textilfarben GmbH(exportadora), fusão entre a Bayer e a Hoechst em corantes e pigmentos, incorporando também a Basf, é uma empresa líder de mercado no fornecimento de produtos de tingimento na indústria têxtil. Acessandose a página da internet da referida empresa (fIs. 31), verificamos que a mesma faz menção a quatro tipos de produtos Índigo para tingimento de tecidos na cor azul, a saber: DyStar Brillant índigo 43; DyStar Índigo Vat 40% sol.; DyStar Índigo Vat 60% gran; e Dystar Índigo gran. Desses quatro, o principal produto oferecido pela DyStar é sem dúvida o índigo Vat 40% Sol (Solution), por tratarse de um produto tecnologicamente mais moderno. Ele é considerado inovador, por apresentar inúmeras vantagens a seus usuários, tais como, uma eficiente logística no .manuseio do corante, qualidade uniforme no processo de tingimento do denim, menor consumo de insumos químicos durante o tingimento, produzindo um ganho econômico, e menor geração de efluentes liquides, reduzindo o impacto no meio ambiente. De acordo com informações extraídas de uma apresentação realizada pela DyStar no evento "DyStar Denim Day 2004 in Brazil"(fls. 32 a 73), realizado em 02/08/2004 em São Paulo, dedicado à Indústria Têxtil, a introdução no mercado em 2000 do produto índigo em solução Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 4 3 a 40% foi considerada um marco nos índigos sintéticos, representando uma evolução com relação aos corantes microgranulados introduzidos no mercado em 1984 pela Basf (fls.37). Os produtos oferecidos pela DyStar ao mercado consumidor são o índigo Vat 40% Solution e o índigo Gran., sendo o produto Brillant índigo 4B classificado na categoria de "produtos especiais"(fls.53). À fls. 148 a 162, a DyStar dedica especial atenção ao índigo vat 40% Solution, demonstrando as qualidades desse produto, inclusive suas vantagens em comparação ao corante na forma de grânulos(fls.60), representando mais de 65% de suas vendas estimadas de corante índigo para o ano de 2004, com um potencial de vendas em ascensão(fls.72). A própria DyStar classifica os seus clientes usuários do produto índigo Vat 40% Sol. numa categoria superior Cat.2 aos usuários do corante na forma granular Cat.3(fls.42). A Regra n° 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado{RGI/SH), em sua primeira parte, informa que, para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capitulo, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas. Mais ainda, a RGI n° 6 dispõe que a classificação de mercadorias nas subposições de uma dada posição ê determinada, para efeitos legais, pelos textos destas subposições. Já a regra Geral Complementar n° 1 de SH/TEC/NCM dispõe que as Regras Gerais de Interpretação são aplicadas para itens e subitens. Segundo dados extraídos do anteriormente mencionado site da Associação Brasileira da Indústria Química(Abiquim). a complexidade da composição dos corantes, pigmentos e branqueadores faz com que, muitas vezes, seja impossível traduzilos por uma fórmula química, pois alguns deles são misturas de vários compostos e outros não possuem constituição química definida, preferindose identificálos através dos nomes como são comercializados. Para identificação de um corante comercializado com diferentes nomes, utilizase o Colour Index(CI), uma publicação da American Association of Textiles and Colorists e da British Society of Dyers and Colorists, que contém uma lista organizada de nomes e números para designar os diversos tipos de produtos(fls.23). A leitura da Ficha de Dados de Segurança elaborada pela DyStar para o produto índigo Vat 40% Solution, anexada à fls. 80 a 86, identificao em seu subitem 2 composição e informações sobre os ingredientes, como um corante C.I. Reduced Vat Blue 1(fls.80). Examinandose a publicação Colour Index The Society of Dyers and Colorists England Third Edition Volume 4 1971, páginas 4.595 e 4.596 (fls.82 e 83), observamos que o corante C.I. Vat Blue 1 é identificado como "Colour Index 73000", enquanto que o corante C.I. Reduced Vat Blue 1 é identificado como "Colour Index 73001". Esse fato demonstra que o produto Indigo Vat 40% Solution produzido pela DyStar Textilfarben GmbH não pode ser classificado na NCM 3204.15.10, uma vez que este código tarifário é específico para os corantes Indigo Blue que possuam o Colour Index 73000. Pelo estudo das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, a classificação tarifária correta para esse produto seria no código 3204. 15.90 – “outros corantes à cuba e preparações a base desses corantes". Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 5 4 Convém salientar que o C.I. Vat Blue 1 Colour Index 73000 e o e o C.T. Reduced Vat Blue 1 Colour Index 73001 são produtos completamente distintos. Enquanto que o primeiro apresentase normalmente em grânulos da cor azul, o segundo apresentase em solução, como um líquido de cor parda, que se torna azul em contato com o ar. Os produtos tem estrutura química diferenciada, conforme demonstrado nas páginas 4.595 e 4.596 do Colour Index{fls.82 e 83). Outra característica importante extraída do subitem 7 manuseio e armazenagem, da Ficha de Dados de Segurança do índigo Vat 40% Solution, é a de que ele deve ser mantido com gás inerte, conservado e manuseado sob nitrogênio(fls.76). 0 índigo Blue de Colour Index 73000 não necessita ser mantido inertizado. Segundo consta na publicação “Iíndigo: tecnologias processos tingimento acabamento, de Fernando Lima e Paulo Ferreira, à fls.85 e 86), a DyStar é detentora da patente do índigo préreduzido, comercializado sob a marca Indigo Vat 40% Solution, que é transportado em contêineres direto da Alemanha. Essa mesma publicação afirma que o índigo préreduzido, por suas características, é fornecido em contêineres pressurizados em nitrogênio para evitar sua oxidação. Essa metodologia de transporte em contêineres tanques também é ilustrada na apresentação da Dystar no evento DyStar Day Denim à fls.61 a 63. Além disso, tal fato encontrase exemplificado à fls.87 a 94 nas Declarações de Importação nas quais foi verificado que os contêineres indicados nos "dados complementares" era um contêineres tanque, como provam as cópias dos respectivos conhecimentos marítimos e manifestos de carga. Muito embora as alíquotas vigentes para os tributos e contribuições devidos na importação de mercadorias das classificações 3204.15.10 e 3204.15.90 sejam idênticas, observase que os produtos tarifários enquadrados no código tarifário NCM 3204.15.90 importados pra fins não alimentícios estão sujeitos ao regime de licenciamento não automático, com vigência a partir de 24/05/2007. Já os produtos classificados no código tarifário 3204.15.10 importados para esse mesmo fim não estão sujeitos a esse regime. A imposição do regime de licenciamento prévio para a NCM 3204.15.90 devese ao fato de existir um processo de investigação autorizado pela Circular n° 08, de 28/02/2007, da Secretaria de Comércio Exterior, para averiguar a existência de dumping e dano à indústria nacional de Indico Blue reduzido, classificado nesse código tarifário, nas exportações desse corante da Alemanha para o Brasil (fls. 28 e 29}. O uso de um enquadramento tarifário indevido nas importações desse corante faz com que os importadores não sejam submetidos aos controles pertinentes praticados pelo Departamento de Comércio Exterior(Decex), responsável pela emissão de licenças de importação, representando uma burla ao controle administrativo. (..) 002 – MERCADORIA CLASSIFICADA INCORRETAMENTE NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL” (..)” Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 6 5 Cientificada da autuação a interessada apresentou impugnação, na qual alega, em síntese que: Realizou importações do produto “Índigo Vat 40% solution”, produzido na Alemanha pela Dystar Textilfarben GMBH, classificandoo no código 3204.15.10 da Tarifa externa Comum (TEC). O produto foi reclassificado pela fiscalização para o código 3204.15.90 (outros corantes à cuba e preparações desses corantes) por entender que houve burla ao controle administrativo, pois o código 3204.15.90 está sujeito ao regime de licenciamento prévio a partir de 24/05/2007, em razão de processo de antidumping. Durante 4 (quatro) anos importou o produto sem qualquer questionamento por parte das repartições fiscais da Receita Federal, havendo a emissão de vários laudos oficiais por laboratórios oficiais e assistentes técnicos oficiais, cujas copias anexa, que corroboram o acerto da classificação tarifária adotada: TEC/NCM 3204.15.10. Por meio da Resolução Camex nº 49/2007 foi aplicado “Direito Anti Dumping Provisório”, por seis meses, às importações brasileiras de “índigo Blue Reduzido”, originário da Alemanha. Ainda que o processo de antidumping tenha sido realizado o”Índigo Blue Reduzido (Colour Index 73001) classificado no código TEC/NCM 3204.15.90, por ocasião da edição da Resolução nº 49/2007, a Camex/Midic alegou que o encargo também se aplicava ao produto “Índigo Blue Reduzido (Colour Index 73001) classificado no Còdigo TEC/NCM 3204.15.10, que é o enquadramento tarifário adotado pela ora impugnante. A Camex informou à Coana/SRF que os direitos antidumping também seriam aplicáveis às importações de “Índigo Blue Reduzido Colour Index 73001” classificadas no Còdigo TEC/NCM 3204.15.10, todavia até a presente data o destaque para recolhimento do direito antidumping consta apenas do Código TEC/NCM 3204.15.90. A Camex alegou, sem respaldo em laudo técnico, que a correta classificação tarifária seria no Código TEC/NCM 3204.15.90. A própria empresa denunciante procede ao enquadramento tarifário na TIPI 3204.15.10. Vários laudos técnicos oficiais emitidos no período de 2004 a 2007, anexados, ratificam o entendimento de que o produto classificase mais adequadamento no Código TEC/NCM 3204.15.10, como declarado. A Camex/MIDIC não detém competência para definir o correto enquadramento tarifário de produtos importados na TEC/NCM, mas sim a Secretaria da Receita Federal, conforme previsão legal de seu Regimento Interno. Julgados do Conselho de Contribuintes corroboram o entendimento de que a alteração da classificação tarifária de produtos importados sem respaldo em laudo técnico oficial é ilegal. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 7 6 Em ambos os códigos de classificação tarifária, as alíquotas de Imposto de Importação e Impostos sobre produtos Industrializados são iguais (II – 14% e IPI – 0%) Em razão das dúvidas suscitadas a ABIT Associação Brasileira da Indústria Têxtil protocolizou consulta para obter um pronunciamento oficial da Receita Federal a respeito da correta classificação fiscal do produto em tela, “Dystar Índigo Vat 40% Sol. – Índigo Blue Reduzido Colour Index 73001”. O mérito da autuação presentemente impugnada está umbilicalmente ligado à Consulta formulada em 04/12/2007 pela ABIT, logo deve aguardar sua solução. Como se vê pelas informações técnicas, corroboradas pelos laudos de análise técnica, e pela regras de classificação fiscal de produtos importados, o produto em questão é classificado no Código TEC/NCM 3204.15.10 e não no código 3204.15.90, que não possui embasamento legal. Tratase de fato inquestionável que o produto é “Corante à cuba ìndigo Blue Reduzido Colour Index 73001”. Caso entenda necessário podem ser realizadas novas análises laboratoriais com amostras de produtos disponibilizadas pela impugnante. A impugnante agiu na mais boafé, pois realizou importações por quase 4 (quatro) anos, classificando o produto no Código TEC/NCM 3204.15.10, sem ser nunca questionada a respeito. Há que se atentar para os princípios da boafé e da legalidade, invocandose o princípio da proporcionalidade para a solução do conflito. É inteiramente aplicável ao caso o disposto no art. 539 do Regulamento Aduaneiro, aplicandose a equidade. Requer seja julgada improcedente a autuação fiscal ou, em caso contrário, seja aplicada a relevação de pena prevista no art. 539 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 91030/85). (...). 2. Uma vez processada, a impugnação do contribuinte foi julgada improcedente (acórdão n. 0735.840 fls. 244/258), conforme se observa da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007 Ementa: ÍNDIGO BLUE SOLUÇÃO 40%, REDUZIDO, COLOUR INDEX 73001. NCM 3204.15.90. O produto descrito como “CORANTE À CUBA ÍNDIGO BLUE SOLUÇÃO 40% DYSTAR" ou “Índigo VAT 40% SOL. ÍNDIGO BLUE REDUZIDO COLOUR INDEX 73001”, pela aplicação das RGI 1, RGI 6 e RGC 1, do Sistema Harmonizado, se classifica no código NCM 3204.15.90 “Outros”. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 8 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. Não constitui a infração administrativa ao controle das importações, disposta como importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, a declaração de importação de mercadoria com classificação fiscal errônea, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate intuito doloso ou máfé por parte do declarante. INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal que prevê a infração determina sua caracterização com conseqüente aplicação da penalidade prevista. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Não constitui mudança de critério jurídico a alteração de ofício procedida pela autoridade fiscal, em ato de revisão aduaneira, no código NCM declarado pela importadora, com base na descrição da mercadoria constante de documentos técnicos. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Intimado da referida decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 265/328, oportunidade em que repisou as alegações tratadas em Impugnação. 4. É o relatório. Voto 5. Conforme se observa dos autos, a presente discussão gravita em torno da classificação fiscal atribuída ao produto importado pela Recorrente e objeto de revisão fiscal. 6. Segundo alega o contribuinte, o produto em questão enquadravase na posição 3204.15.10 da TECIPI, vigente à época dos fatos e assim descrita: 3204 Matérias corantes orgânicas sintéticas, mesmo de constituição química definida; preparações indicadas na Nota 3 do presente Capítulo, à base de matérias corantes orgânicas sintéticas; produtos orgânicos Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 9 8 sintéticos do tipo utilizado com agentes de avivamento fluorescentes ou como luminóforos, mesmo de constituição química definida. 3204.15 Corantes de cuba (incluindo os utilizáveis, no estado em que se apresentam, como pigmentos) e preparações à base desses corantes. 3204.15.10 Indigo blue segundo Colour Index 73.000 7. Por sua vez, a fiscalização alega que referido produto deveria ter sido enquadrado na posição 3204.15.90 da TECIPI vigência á época e que era assim descrita: 3204.15.90 Outros corantes à cuba e preparações a base desses corantes. 8. Importante registrar que essa diferença de classificação não redundou em exigência de tributos, uma vez que ambas classificações apresentavam as mesmas alíquotas para fins de IPIimportação e Imposto de Importação. Em verdade, tal distinção implicou apenas a exigência de (i) multa por importação de mercadoria desamparada de licença de importação e (ii) multa por importação de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul; 9. Não obstante, segundo consta dos autos e exposto no relatório alhures desenvolvido, a exigência fiscal não se pautou em um laudo técnico, mas sim em informações técnicas obtidas junto ao sítio eletrônico da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), bem como de uma material apresentado pela empresa exportadora (Dystar) em um evento do setor (fls. 06/08, 24/28 e 32/88). Segundo a fiscalização tais informações seriam suficientes para a reclassificação do produto importado. 10. O contribuinte, entretanto, traz com sua impugnação laudos técnicos elaborados pelo Laboratório Falcão Bauer (fls. 232/235) a pedido da Receita Federal em outros processos administrativos de outros contribuintes nos quais, aparentemente, se debate a mesma questão aqui tratada: a classificação fiscal da mercadoria importada pela recorrente. Em tais laudos, a mercadoria importada pela recorrente é qualificada como "preparação à base de Índigo Blue, segundo Colour Index 73000". 11. Diante deste quadro, é possível perceber que há uma dúvida real quanto à correta classificação do produto tratado no caso decidendo. 12. Não obstante, outra questão que aqui se discute é que, para parte do período fiscalizado, compreendido entre abril de 2004 e março de 2007, não havia a exigência de licenciamento prévio para a importação das mercadorias em tela, o que teria sido imposto por intermédio da circular SECEX n. 08/2007, publicado em 02/03/2007, decorrente de investigação para apuração de eventual prática de dumping danosa à indústria nacional e relacionada à mercadoria importada pela recorrente. 13. Assim, para a devida análise da demanda por parte deste Tribunal Administrativo tornase essencial a realização das seguintes diligências: Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10314.012531/200740 Resolução nº 3402001.023 S3C4T2 Fl. 10 9 I. Apresentação, por parte da unidade preparadora, de documentos do sistema da RFB que ateste que, à época dos fatos, já existia normativa no sentido de submeter os produtos aqui tratados ao licenciamento prévio para fins de controle; e II. Elaboração de perícia técnica para providenciar o que segue: (i) identificar a composição química do "Indigo blue segundo Colour Index 73.000" e dos corantes importados pela recorrente no presente caso, discriminando, analiticamente, eventuais diferenças entre tais produtos; (ii) responder se eventuais diferenças entre tais bens são suficientes para impedir a classificação das mercadorias importadas como "Indigo blue segundo Colour Index 73.000" 13. Antes, todavia, da realização da perícia, deverá o contribuinte ser intimado para, querendo, apresentar quesitos e indicar assistente técnico. Na hipótese de indicação de assistente técnico este deverá, com antecedência mínima de 10 (dez) dias, ser intimado da data e local da perícia para que possa acompanhála. 14. Concluída a perícia, bem como apresentada a manifestação da unidade preparadora em relação ao item "I" da diligência aqui tratada, o contribuinte deverá ser intimado para, querendo, manifestarse a respeito das duas providências em até 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 15. Ato contínuo, este processo deverá retornar para este Tribunal e, antes de movimentação para este Relator, deverá ser dada oportunidade para que a Procuradoria da Fazenda Nacional também se manifeste a respeito do laudo produzido. 16. Tomadas todas as providências acima indicadas, o processo deverá ser movimentado para este Relator ou quem lhe fizer as vezes para fins de julgamento. 17. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 344DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.720246/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 14/10/2011
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração e o acórdão recorrido preenchem os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no CTN ou Decreto 70.235, de 1972.
MULTA. NATUREZA ADMINISTRATIVA/ADUANEIRA COM FOCO NA MERCADORIA EM FACE DO IMPORTADOR/EXPORTADOR OSTENSIVO.
A pena de perdimento da mercadoria, em decorrência da interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior, é tipificada no inciso V do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455/1976.
O objeto primário da reprimenda aduaneira à interposição fraudulenta é a apreensão da mercadoria em face, primeiro, do importador ou exportador ostensivo, podendo ainda responder pela infração terceiro que concorreu para a prática delituosa (artigo 95 do Decreto-lei nº 37/66).
A sanção decorrente da interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior (inciso V do artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/76) repercute na própria mercadoria, que, em tais casos, é expropriada do sujeito passivo, sendo tal inflição substituída pela multa equivalente ao valor dos produtos apenas nos casos em que inexiste a possibilidade de sua apreensão (vide parágrafos 1º e 3º do mesmo artigo 23).
Realidade em que, comprovada a interposição fraudulenta de empresa para intermediar operações de comércio exterior, legítima a exigência da multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro da mercadoria, capitulada no artigo 23, § 3º, do Decreto-lei 1.455/76.
A presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindo ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações.
DANO AO ERÁRIO.
Perdimento convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro dos bens. Considera-se dano ao erário a interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, na hipótese em que as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
A responsabilidade solidária já estava definitiva na esfera administrativa pela falta de apresentação do recurso voluntário pela responsável solidária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Voluntário Acórdão nº 3301003.873 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria MULTA DANO AO ERÁRIO Recorrente ENTRERIOS GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/10/2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração e o acórdão recorrido preenchem os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no CTN ou Decreto 70.235, de 1972. MULTA. NATUREZA ADMINISTRATIVA/ADUANEIRA COM FOCO NA MERCADORIA EM FACE DO IMPORTADOR/EXPORTADOR OSTENSIVO. A pena de perdimento da mercadoria, em decorrência da interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior, é tipificada no inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976. O objeto primário da reprimenda aduaneira à interposição fraudulenta é a apreensão da mercadoria em face, primeiro, do importador ou exportador ostensivo, podendo ainda responder pela infração terceiro que concorreu para a prática delituosa (artigo 95 do Decretolei nº 37/66). A sanção decorrente da interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior (inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76) repercute na própria mercadoria, que, em tais casos, é expropriada do sujeito passivo, sendo tal inflição substituída pela multa equivalente ao valor dos produtos apenas nos casos em que inexiste a possibilidade de sua apreensão (vide parágrafos 1º e 3º do mesmo artigo 23). Realidade em que, comprovada a interposição fraudulenta de empresa para intermediar operações de comércio exterior, legítima a exigência da multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro da mercadoria, capitulada no artigo 23, § 3º, do Decretolei 1.455/76. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 02 46 /2 01 3- 61 Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 475 2 A presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindo ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações. DANO AO ERÁRIO. Perdimento convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro dos bens. Considerase dano ao erário a interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, na hipótese em que as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A responsabilidade solidária já estava definitiva na esfera administrativa pela falta de apresentação do recurso voluntário pela responsável solidária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 476 3 Relatório Contra a empresa ENTRERIOS GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA ME foi lavrado Auto de Infração em sede do procedimento especial de fiscalização aduaneira da Declaração de Importação n° 11/19481386, registrada em 14/10/2011, por conta e risco próprios, em face de ter restado apurado ao seu final a infração tipificada como “Dano ao Erário” decorrente da ocultação do real adquirente, MAXILIGAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA ME, mediante simulação e interposição, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, em face da impossibilidade de apreensão das mercadorias, vez que não foram localizadas ou já tenham sido consumidas. Por conseguinte, foi lavrado e registrado o AI em causa para o lançamento do crédito tributário total de R$ 167.933,68. A Fiscalização relatou um extenso rol de providências investigatórias sobre as atividades do comércio exterior praticadas pela empresa (coleta de documentos, arquivos magnéticos e informações de interesse fiscal, bem como a tomada a termo do depoimento de diversas pessoas, direta ou indiretamente relacionadas com a fiscalizada); assim como uma larga sequência de reintimações fiscais (seguidamente desatendidas, total ou parcialmente) que, ao final, possibilitaram a apuração de diversos fatos e elementos indiciários, dos quais destacaremos os principais, como segue: 1. Que a fiscalizada, cientificada do início da fiscalização em 15/08/2012, apresentou alguns documentos na sede da IRF/Florianópolis em 20/08/2012, atendendo parcialmente aquela primeira intimação fiscal. Na sequência dos trabalhos, em 11/09/2012, foi expedida nova intimação solicitando, para em dez dias, informar sobre suas contas bancárias e apresentar os extratos dessas contas no período fiscalizado (01/01/2011 a 31/12/2011), espelhando suas movimentações bancárias. 2. Que em face ao atendimento apenas parcial daquela intimação, em 17/10/2012 foi expedida nova intimação (ciência em 23/10/2012 por AR/Correios) para a fiscalizada apresentar os extratos bancários de outras contas que possui, mas que, por alguma razão, deixara de apresentar esses extratos quando anteriormente intimada. Além dos registros bancários já citados, também foi intimada a apresentar documentação que comprovasse os lançamentos contábeis correspondentes a dois depósitos efetuados em sua conta poupança como contrapartida para futura integralização de capital e outro depósito na mesma conta poupança advindo do caixa geral. Em acréscimo, também foi intimada a prestar esclarecimentos sobre o envio de Notificações Extrajudiciais ao seu “cliente” MAXILIGAS INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA ME, uma vez que este encontravase devedor da mercadoria importada através da DI em causa (DI n° 11/19481386, registrada pela ENTRERIOS em 14/10/2011), vendida para este adquirente. 3. Que esta última intimação foi respondida em 29/10/2012, diretamente na sede da IRF/Florianópolis tendo sido apresentados alguns documentos bem como foi também informado que as notificações extrajudiciais foram encaminhadas pessoalmente ao adquirente através de um contato efetuado por um escritório de advocacia localizado em São Paulo, capital. Registrou, nesse ponto que nada mais se comprovou sobre essa versão apresentada. Apontou que a fiscalizada limitouse a declarar que as Notificações Extrajudiciais para Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 477 4 cobrança de seu suposto cliente/devedor se deram de forma pessoal por uma terceira firma de advocacia, sem maiores comprovações, remanescendo assim inexplicavelmente na sua contabilidade saldo em aberto de R$ 160.347,05. 4. Que adicionalmente, apresentou três documentos particulares (sem reconhecimento de firma pelos sócios da fiscalizada) referenciando um depósito conjunto na proporção das quotas do Contrato Social de cada um dos sócios como forma de reserva para futura integralização de Capital Social, incluindo aquele valor que na contabilidade está descrito como depósito oriundo do caixa geral. Foram apenas estes os documentos apresentados, mesmo havendo sido intimado especificamente para “além de apresentar a documentação referente aos lançamentos contábeis, comprovar a disponibilidade dos valores por parte do sócio que realizou adiantamento para integralização do capital, assim como a transferência desses valores”. Aduziu que era de se esperar como resposta, no mínimo, o extrato bancário comprovando a transferência da conta de cada um de seus sócios dos valores creditados na conta da fiscalizada, como forma de provar a efetiva transferência e integralização dos valores. 5. Que em 15/01/2013 foi expedida nova intimação solicitando os documentos de conhecimento de carga que acompanharam as mercadorias vendidas através da Nota Fiscal nº 1711 de 19/10/2011 (mercadorias importadas através da DI em causa) e também, de forma bem clara e objetiva, a comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência (comprovante de depósito, extrato bancário) das operações de integralização de capital realizadas pelos sócios. Essa intimação foi enviada através da via postal e recebida no endereço do fiscalizado em 17/01/2013, conforme AR dos Correios. A resposta a esta intimação foi protocolada em 28/01/2013 na IRF/Florianópolis e em resumo limitouse a NÃO apresentar os documentos solicitados. Registrou que dessa forma a fiscalizada abstevese de comprovar a efetiva transferência de recursos utilizados em suas operações do comércio exterior. 6. Que o “cliente” da fiscalizada, MAXILIGAS, também foi intimado (17/01/2013) a apresentar esclarecimentos sobre a aquisição das mercadorias em causa, importadas ao amparo da Declaração de Importação n° 11/19481386, registrada pela ENTRERIOS em 14/10/2011. Assim sendo aquela PJ foi intimada a apresentar, dentre outros, documentos tais como cópia da última consolidação do contrato social, documentos com foto e assinatura de seu representante legal, cópia do conhecimento de carga da mercadoria, cópia de eventual contrato para importação por Conta e Ordem com a empresa fiscalizada e também os comprovantes de transferência para a conta poupança da fiscalizada em valores iguais aqueles alegados para integralização de capital, pelo fato de que, nesse ponto dos trabalhos, a fiscalização já possuía fortes indícios de que aqueles depósitos eram na verdade, pagamentos pela importação feitos pelo real adquirente (MAXILIGAS) ao importador (ENTRERIOS). Esta intimação foi recebida pela via postal em 21/01/2013 (conforme AR dos Correios) e respondida somente em 27/02/2013. Registrou que na resposta da empresa MAXILIGAS ficou comprovado que aqueles depósitos na conta poupança da fiscalizada correspondiam às antecipações para o pagamento da importação em questão, demonstrando assim a simulação e falsificação de respostas do importador nas respostas que apresentou às intimações realizadas pela Fiscalização. 7. Relatou o fato de que simultaneamente à entrada das mercadorias em causa correspondeu, na mesma data, a sua saída integral para o estabelecimento da empresa MAXILIGAS. Ou seja, para a Nota Fiscal de Entrada corresponde uma e somente uma Nota Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 478 5 Fiscal de Saída, denotando uma venda “casada”. Aduziu, nessa passagem, que essa relação de unicidade de Notas Fiscais de Saída para cada entrada é típica das importações por conta e ordem de terceiros ou para revenda a encomendante predeterminado, fato que reforçou o quadro indiciário de interposição fraudulenta. 8. Verificou que nas datas em que seus contratos de câmbio venceram a fiscalizada recebia de seu adquirente MAXILIGAS valores que cobriam de forma exata ou quase igual aquelas avenças cambiais. Consignou, nesse ponto, que esses valores seriam para cobrir os custos de importação; sendo que uma semana após a emissão da Nota Fiscal de saída, a importadora ENTRERIOS recebeu seu último pagamento, este representando seu lucro na operação. Aduziu que esta seria mais uma evidência que as vendas no mercado interno trataramse na verdade de “serviços de importação” prestados pela fiscalizada e não de vendas reais, realizadas por importadores que praticam margens muito maiores devido ao risco comercial inerente às importações efetuadas por sua própria conta e risco. 9. Registrou também que a fiscalizada tentou mascarar sua operação de interposição junto ao adquirente MAXILIGAS alterando as descrições dos lançamentos contábeis da conta poupança no Banco do Brasil nº 0100136958 para apresentálas como se fossem depósitos dos sócios para futura integralização do capital social, mediante a modificação do histórico dos lançamentos e a conta de contrapartida dos depósitos feitos naquela conta poupança (colacionou o histórico anterior e o modificado). 10. Relatou que com a resposta do adquirente (MAXILIGAS) à intimação que lhe foi destinada (17/01/2013) restou comprovado que os depósitos efetuados na conta poupança do importador foram TODOS realizados pelo adquirente em função da importação em questão, inclusive os depósitos efetuados no dia 05/10/2011 em valor total de R$ 15.000,00 e contabilizados de forma errônea como oriundos do “caixa geral”. O adquirente em sua resposta anexou email trocado entre as partes, Irene E. Hanemann (MAXILIGAS) e Gabriel Richter Pires (ENTRERIOS), onde este último CONFIRMA RECEBIMENTOS na conta poupança dos seguintes valores, R$ 91.316,38, R$ 8.000,00, R$ 2.000,00, R$ 2.500,00 e R$ 2.500,00. Aduziu que essa resposta expôs a simulação e a fraude material de documentos do importador, o qual tentou transparecer uma operação contábil que jamais ocorreu na realidade. 11. Concluiu que a fiscalizada cobrava de seu cliente, o real adquirente das mercadorias, os valores gastos com o fechamento de câmbio antes mesmo da mercadoria ser embarcada no exterior e portanto, muito antes do desembaraço das mesmas. Consignou que tal fato vem a demonstrar claramente a antecipação de recursos por parte deste cliente e comprovar que a mercadoria já havia sido negociada antes mesmo do seu embarque no exterior. 12. Verificou que à época dos fatos, a solidária MAXILIGAS não possuía habilitação para operar no comércio exterior, vez que seu pedido de habilitação foi INDEFERIDO em 02/05/2011, representando mais um indício de que preferiu utilizarse do ocultamento de suas importações através da interposição da fiscalizada ENTRERIOS. De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pelas impugnantes ENTRERIOS E MAXILIGAS podem ser sinteticamente descritas como seguem. Antes, porém, cumpre esclarecer que considerando a pluralidade de sujeitos passivos identificados no procedimento em causa (ENTRERIOS E MAXILIGAS), notadamente em face dos efeitos advindos da solidariedade passiva da imputação que lhes foi Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 479 6 destinada, suas impugnações foram reunidas e agrupadas por temas semelhantes, de forma lógica e sistematizada, com o fito de, a uma, elencar todos os pontos impugnados; a duas, para evitar duplicidades ou redundâncias temáticas e, a três, para permitir a congruência dos diversos argumentos articulados. (A) Que “é importante salientar que o Auto de Infração objeto desta peça impugnatória, provêm, única e exclusivamente do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09252002012001960, ou seja, originaramse deste Mandado. Deste modo, vale vislumbrar que o referido Mandado de Procedimento Fiscal denotase de um VÍCIO MATERIAL / FORMAL”. (B) Que “a confecção do Mandado de Procedimento Fiscal, prospera da intenção do r. Auditor Fiscal em averiguar os fatos, única e exclusivamente, da operação de importação registrada sob a Declaração de Importação n° 11/19481386; esta operação originou a Nota Fiscal sob o n° 1711 com data 19/10/2011, cuja mercadoria foi encaminhada para a Empresa Maxiligas Indústria e Comércio de Metais Ltda. ME. A Declaração de Importação supradita foi registrada na data 14/10/2011; e o Mandado de Procedimento Fiscal inicial supramencionado, condicionou ao contribuinte Impugnante a apresentar inúmeros documentos probatórios concernentes à operação de importação sob a Declaração de Importação já mencionada, no PERÍODO DE JANEIRO A MAIO DE 2011 (...) ou seja, o período do Mandado de Procedimento Fiscal não condiz com a data de registro da Declaração de Importação retromencionada (14/10/2011)”. (C) Prosseguiu aduzindo: “Ou seja, o período do Mandado de Procedimento Fiscal não condiz com a data de registro da Declaração de Importação retromencionada (14/10/2011); portanto, subentendese que, uma vez que os Autos de Infração advieram do Mandado de Procedimento Fiscal n°0925200¬201250196, e por este cominar de vício, consequentemente, os Autos de Infração também estão viciados; no caso em apreço, nos dispositivos de lei, cabe a nulidade destes Autos de infração, por trataremse de vícios formais materiais”. (D) Que “a desconstituição integral denominase invalidação e equivale a uma decretação de nulidade, mas, como não se trata de vício subjetivo nem de cerceamento do direito de defesa, a praxe administrativa consiste em dar provimento à impugnação, exonerando o interessado do crédito tributário lançado”. Referenciou: “princípios do nosso ordenamento jurídico, que se encaixam no caso em tela (causalidade, segurança jurídica, imutabilidade do lançamento, boa fé)”. (E) Requereu: “Entretanto, caso o Sr. Delegado não compartilhe com este entendimento, requerse, considerando a relação comercial existente entre as partes, que a Impugnante seja desobrigada de promover o pagamento exigido, recaindo a obrigação, de maneira exclusiva, à Empresa MAXILIGAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA. ME, inscrita no CNPJ n° 07.436.109/000115, com endereço na Rua Pedro Luiz Copini, n° 150, Bairro Capuava, Município de Mauá (SP)”. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA MAXILIGAS: (F) Que “a operação transacionada entre as empresa Entrerios e Maxiligas foi de venda e compra mercantil pura e simples, sem que houvesse a interposição de terceiro para obtenção de importação de bens”. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 480 7 (G) Que “certo é que a empresa Entrerios, efetuou a importação direta de mercadoria, cuja qual declinou ser por sua própria conta e ordem. Posteriormente, e de forma desvinculada a empresa Maxiligas efetuou operação de compra e venda mercantil com a Entrerios para aquisição da mercadoria”. (H) Que “não sabia a Requerente Maxiligas que se tratava de produto importado e que sobreviria referidas complicações perante o fisco, pois ao efetuar transação com a Entrerios o fez imbuída de boafé e dentro da legalidade mercantil”. (I) Arguiu assim ter havido “afronta ao devido processo legal e a ilicitude das fundamentações da decisão proferida pelo agente fiscal (...) o procedimento de fiscalização foi eivado de conclusões subjetivas sem observância dos documentos fiscais pertinentes o que não pode ser admitido na administração publica que prescinde de objetividade e legalidade, para fundamentação de suas conclusões”. (J) Que “a autoridade administrativa pode se valer de todas as provas que dispuser para a constituição do crédito tributário desde que amparada por lei e, que haja substancialidade nas provas, sendo defeso agregar juízo de valor em meras conjecturas (...), a infração de caráter penal, deve ser observada exigindose uma ponderação das nuances que motivaram o ato infracional, como por exemplo: tinha o agente consciência do ilícito? agiu em máfé?, objetivou um resultado danoso à ordem jurídica?; enfim, manifestou dolo ou culpa”. (K) Que “é de se concluir que somente há de se cogitar em aplicação da pena de perdimento, quando há evidente dano ao erário (artigo 23 do Decreto Lei 1.455/76). na dicção da própria norma legal penal, ou seja, presentes a má fé e o dolo do agente, nos termos da uníssona jurisprudência dos tribunais”. A DRJ/Recife considerou improcedente a impugnação com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 14/10/2011 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. DATA DO FATO GERADOR Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. CESSÃO DO NOME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/10/2011 SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 481 8 que promover, de qualquer mercadoria e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte ENTRERIOS GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA ME apresentou recurso voluntário onde repetiu os argumentos da impugnação. A responsável solidária MAXILIGAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA não apresentou recurso voluntário apesar de ter sido devidamente cientificada do acórdão de 1ª instância. É o relatório. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 482 9 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso voluntário da contribuinte ENTRERIOS GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA ME é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Portanto aqui trataremos do recurso da empresa que alega ser a real importadora e que a fiscalização considerou como uma empresa interposta. A responsável solidária MAXILIGAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA não apresentou recurso voluntário apesar de ter sido devidamente cientificada do acórdão de 1ª instância. a) Nulidade do Período do Mandado de Procedimento Fiscal: Alega a recorrente que o auto de infração é nulo porque provêm do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09252002012001960. Este, mostraria a intenção do Auditor Fiscal em averiguar os fatos da operação de importação registrada sob a Declaração de Importação n° 11/19481386. Esta operação originou a Nota Fiscal sob o n° 1711 com data 19/10/2011, cuja mercadoria foi encaminhada para a Empresa Maxiligas Indústria e Comércio de Metais Ltda. ME. A Declaração de Importação supradita foi registrada na data 14/10/2011 e o Mandado de Procedimento Fiscal inicial supramencionado, condicionou ao contribuinte a apresentar inúmeros documentos probatórios concernentes à operação de importação sob a Declaração de Importação já mencionada, no PERÍODO DE JANEIRO A MAIO DE 2011. Ou seja, o período do Mandado de Procedimento Fiscal não condiz com a data de registro da Declaração de Importação retromencionada (14/10/2011). Não concordo com a recorrente. Desde o início do procedimento fiscal, a contribuinte sabia quais operações a fiscalização estava analisando. O próprio recorrente esclarece a questão: o Mandado de Procedimento Fiscal n° 09252002012001960 buscava averiguar os fatos da operação de importação registrada sob a Declaração de Importação n° 11/19481386. Esta operação originou a Nota Fiscal sob o n° 1711 com data 19/10/2011, cuja mercadoria foi encaminhada para a Empresa Maxiligas Indústria e Comércio de Metais Ltda. ME. O período intimado está absolutamente correto e de acordo com a fiscalização ensejada pelo MPF nº 09252002012001960. Mesmo que fosse verdadeira a alegação que o período fiscalizado fosse apenas de janeiro a maio de 2011, os extratos bancários poderiam ser solicitados fora deste período desde que fossem para comprovar pagamentos ou recebimentos relativos a operações cobertas pelo período fiscalizado. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 483 10 Como exemplo podese citar uma importação no período compreendido entre janeiro a maio, e que teve sua revenda ao adquirente final em período posterior a este e, possivelmente, também os pagamentos referentes a esta venda. Esta é uma prática muito comum da atividade comercial. Também não é verdade que a data do MPF condicionou a apresentação de documentos pelo contribuinte apenas nas datas entre janeiro e maio de 2011. Em nenhum momento, os esclarecimentos do contribuinte foram prejudicados por esse fato. Portanto, não houve cerceamento do direito de defesa. Em adendo, como bem dito no Relatório Fiscal, caso a contribuinte tivesse consultado o MPF no sítio da Receita Federal, conforme orienta o Termo de Início de Ação Fiscal, esta saberia que o período sob fiscalização é, de fato, de janeiro a dezembro de 2011. Assim, não há a nulidade alegada. b) Nulidade por cerceamento do direito de defesa: Alega a recorrente que, quando não é assegurado em regular Procedimento Fiscal, o Direito ao Contraditório e a Ampla Defesa, nos termos do "Devido Processo Legal", o feito deverá ser declarado nulo, por cerceamento ao seu Direito de Defesa. Entendo que não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração e o acórdão recorrido preenchem os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no CTN ou Decreto 70.235, de 1972. Portanto, não há a nulidade alegada. c) Mérito: A fiscalização constatou que a empresa ENTRERIOS GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA ME, registrou durante o período fiscalizado, entre outras, uma Declaração de Importação, declarando ao Fisco tratarse de importação realizada por sua própria conta (recursos próprios) e ordem (pedido/demanda própria), ou seja, importação “direta”. Também a fiscalização entendeu que restou caracterizada nesta declaração de importação mencionada que o real adquirente e beneficiário destas importações foi MAXILIGAS INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA ME, responsável solidário neste Auto de Infração. Desta forma, teria restada caracterizada na importação da DI nº 1119481386 a ocultação do sujeito passivo mediante interposição fraudulenta, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias de acordo com o previsto no artigo 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455, de 07 de abril de 1976. Para entendermos os fatos, transcrevo o relatório fiscal na parte de interesse: (...) foi lavrado Termo de Intimação 2 para reintimar a fiscalizada a apresentar os extratos bancários de outras contas que possui mas, por alguma razão, deixou de apresentar os extratos quando intimada. Além dos extratos bancários já citados, Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 484 11 também foi intimada a apresentar documentação que comprovasse lançamentos contábeis que demonstravam dois depósitos em conta poupança com contrapartida para futura integralização de capital e outro depósito na mesma conta poupança vindo do caixa geral. Esta intimação foi realizada através da via postal a qual o fiscalizado teve ciência em 23/10/2012, conforme AR Intimação 2. Ademais, também foi intimado a informar como havia enviado Notificações Extrajudiciais ao seu adquirente MAXILIGAS INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA ME, uma vez que este encontravase devedor da mercadoria importada através da DI da Tabela 1 e vendida para este adquirente. Esta Intimação 2 foi respondida em 29/10/2012 diretamente nesta IRF. Foram apresentados nesta resposta os extratos bancários das contas faltantes, conforme intimado, e também informado que as notificações extrajudiciais foram encaminhadas pessoalmente ao adquirente através de um contato em escritório de advocacia localizado em São Paulo, capital. Nada mais a comprovar esta versão apresentou. Adicionalmente, apresentou três documentos particulares, sem reconhecimento de firma entre os sócios da fiscalizada para comprovar os lançamentos contábeis intimados na Intimação 2. Estes documentos apenas fazem menção a depósito conjunto na proporção das quotas do Contrato Social de cada um dos sócios como forma de reserva para futura integralização de Capital Social, inclusive aquele valor que na contabilidade está como depósito oriundo do caixa geral e nada diz respeito a integralização de capital. Foram apenas estes três documentos apresentados, mesmo havendo sido intimado especificamente para apresentar “além de apresentar a documentação referente aos lançamentos contábeis, comprovar a disponibilidade dos valores por parte do sócio que realizou o adiantamento, assim como a transferência desses valores”. Portanto, era de se esperar como resposta, no mínimo o extrato bancário comprovando a transferência da conta de cada um de seus sócios, como forma de provar a efetiva transferência dos valores. (...) Assim sendo, diante da necessidade de comprovação da efetiva transferência dos valores atribuídos a suposta integralização de capital, foi expedida em 15/01/2013 o Termo de Intimação nº 001/2013 o qual solicitou os documentos de conhecimento de carga que acompanharam as mercadorias vendidas através da Nota Fiscal nº 1711 de 19/10/2011 (mercadorias importadas através da DI da Tabela 1) e também, de forma bem clara e objetiva, a “comprovação da origem, disponibilidade (i.e. saldo em conta corrente) e efetiva transferência (i.e. comprovante de depósito, extrato bancário) das operações de integralização de capital realizadas pelos sócios” discriminadas naquele Termo. Esta intimação foi enviada através da via postal e recebida no endereço do fiscalizado em 17/01/2013 (AR/Intimação 3). A resposta a esta intimação foi protocolada em 28/01/2013 nesta IRF e em resumo limitouse a NÃO apresentar os documentos solicitados. Desta forma abstevese de comprovar a efetiva transferência de recursos utilizados em operação de comércio exterior, como será mostrado adiante e também de provar que a carga por ela importada rumou para seus estoques, o que seria a trajetória normal de uma importação por conta própria como alega ser, mas ao invés disto a mercadoria importada parece ter sido enviada diretamente do recinto alfandegado para os estoques de seu cliente, o adquirente MAXILIGAS INDUSTRIA E COMERCIO Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 485 12 DE METAIS LTDA ME, uma manobra tipicamente de importações por conta e ordem de terceiros ou por encomenda. Da mesma forma, foi o real adquirente das mercadorias importadas através da DI da Tabela 1 intimado a prestar seus esclarecimentos. Através do Termo de Intimação nº 001/2013 de 17/01/2013 o real adquirente foi intimado a apresentar, entre outros, documentos tais como cópia da última consolidação do contrato social, documentos com foto e assinatura de seu representante legal, cópia do conhecimento de carga da mercadoria, cópia de eventual contrato para importação por Conta e Ordem com a empresa fiscalizada e também comprovantes de transferência para a conta poupança do fiscalizado em valores iguais aqueles alegados para integralização de capital, uma vez que, como será demonstrado adiante, a fiscalização possuía fortes indícios de que aqueles depósitos eram na verdade, pagamentos pela importação feitos pelo adquirente ao importador. Esta intimação foi recebida pela via postal em 21/01/2013 (AR_Intimação Adquirente) e respondida somente em 27/02/2013. Nesta resposta do adquirente (Resposta_Adquirente), foram comprovados os depósitos na conta poupança do importador nas datas e valores esperados por esta fiscalização para comprovação da antecipação de recursos para a concretização da importação e portanto, contradizendo e mais, provando de forma inequívoca a simulação e falsificação de respostas do importador a intimações realizadas por esta fiscalização. Com base em todas as informações prestadas pela fiscalizada e real adquirente, tratouse de analisar a documentação e identificar o esquema de ocultação dos reais adquirentes de mercadoria estrangeira na importação mediante a interposição fraudulenta da fiscalizada, o qual explicitamos nos tópicos seguintes. (...) Através da Tabela 3 é possível ver claramente a proximidade entre as datas de desembaraço, entrada e saída da mercadoria importada. De fato, para esta entrada de mercadorias corresponde unicamente uma e somente uma Nota Fiscal de saída DE MESMA DATA que a entrada!! Lembremos novamente do item 2.1 Importação “direta” em sua Figura 1 que característica básica para este tipo de importação são as vendas pulverizadas no mercado interno. Muitíssimo diferente do que vemos acontecer com a importação da Tabela 3, onde para a Nota Fiscal de Entrada corresponde uma e somente uma Nota Fiscal de Saída. Esta relação de unicidade de Notas Fiscais de Saída para cada entrada é típica das importações por conta e ordem de terceiros ou para revenda a encomendante predeterminado, conforme visto nos itens 2.2 e 2.3. Neste caso não se vislumbra risco na importação, ou seja, a importadora NÃO assume risco de revenda das mercadorias importadas visto que já possui comprador certo. A tomada de risco de revenda das mercadorias é uma característica essencial da importação direta a qual a fiscalizada não apresenta nesta importação. (...) A Tabela 5 abaixo demonstra as operações realizadas pela fiscalizada para fechar seus contratos de câmbio em função das importações da Tabela 1. Estas informações foram justamente prestadas pela fiscalizada ao atender as Intimações expedidas e também ao verificar sua escrituração contábil digital ORIGINALMENTE enviada ao Sistema Público de Escrituração Digital – Sped. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 486 13 Acontece que o fiscalizado, ao ser surpreendido pelo início da fiscalização em 15/08/2012 e entendendo que tratavase de uma fiscalização para averiguar uma possível interposição fraudulenta com relação a DI nº 11/19481386, tratou de, em 30/08/2012, portanto após o início da fiscalização e SEM espontaneidade alguma (vide Figura 3), enviar uma nova escrituração contábil de forma a mascarar sua operação de interposição junto ao adquirente MAXILIGAS INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA ME. Para tanto, o fiscalizado modificou as descrições dos lançamentos contábeis da conta poupança no Banco do Brasil nº 0100136958 para apresentálas como se depósitos dos sócios para futura integralização de capital fossem. (...) Ressaltese aqui a clara referência nos lançamentos originais aos ADIANTAMENTOS de recursos por parte do adquirente para cobrir as despesas do importador com os fechamentos de câmbio que ocorreram nas datas de 20/06/2011 e 21/09/2011. O processo EGN001/11 diz respeito a esta importação feita por conta e ordem da Maxiligas e encontrase em todos os documentos os quais dizem respeito a esta importação, inclusive constando nas observações da Nota Fiscal Eletrônica emitida na saída das mercadorias. Assim temos fortes indícios de que realmente a contabilidade que reflete as verdadeiras operações financeiras do fiscalizado é aquela entregue originalmente em 28/06/2012. Outro ponto para desqualificar a retificação apresentada em 30/08/2012 é o fato de o fiscalizado, ao ser intimado através da Intimação II a apresentar documentação que comprovasse lançamentos contábeis que demonstravam dois depósitos em conta poupança com contrapartida para futura integralização de capital e outro depósito na mesma conta poupança vindo do caixa geral, limitouse a apresentar três documentos particulares, sem reconhecimento de firma entre os sócios da fiscalizada para comprovar os lançamentos contábeis intimados na Intimação II. Estes documentos apenas fazem menção a depósito conjunto na proporção das quotas do Contrato Social de cada um dos sócios como forma de reserva para futura integralização de Capital Social, inclusive aquele valor que na contabilidade está como depósito oriundo do caixa geral e nada diz respeito a integralização de capital. Foram apenas estes três documentos apresentados, mesmo havendo sido intimado especificamente para apresentar “além de apresentar a documentação referente aos lançamentos contábeis, comprovar a disponibilidade dos valores por parte do sócio que realizou o adiantamento, assim como a transferência desses valores”. Portanto, era de se esperar como resposta, no mínimo o extrato bancário comprovando a transferência da conta de cada um de seus sócios, como forma de provar a efetiva transferência dos valores. Intimado novamente através da Intimação nº 001/2013 de forma bem clara e objetiva, a apresentar a “comprovação da origem, disponibilidade (i.e. saldo em conta corrente) e efetiva transferência (i.e. comprovante de depósito, extrato bancário) das operações de integralização de capital realizadas pelos sócios” este limitouse em sua resposta a declarar que, in verbis: “Concernente ao "item 2", vislumbrase que todos os documentos probatórios (contábeis, extratos bancários d a pessoa jurídica, Imposto de Renda dos sócios, e t c ) , já foram devidamente entregues, transparecendo a operação mercantil.” Ora, não foram apresentados os extratos bancários que comprovassem as efetivas transferências por parte dos sócios, de modo que temse apenas a comprovação dos depósitos em conta poupança, cuja origem e propósito são, no mínimo controversos, haja vista a retificação inválida da contabilidade discutida Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 487 14 acima. Desta forma o fiscalizado abstevese de comprovar a origem, disponibilidade e efetiva transferência destes valores depositados em conta poupança. E nem poderia ser diferente, já que com a resposta do adquirente a Intimação nº 001/2013 de 17/01/2013 (Resposta_Adquirente) ficou comprovado que os depósitos efetuados na conta poupança do importador foram TODOS realizados pelo adquirente em função da importação ora fiscalizada. Inclusive aqueles depósitos no dia 05/10/2011 em valor total de R$ 15.000,00 e contabilizados de forma errônea como oriundos do “caixa geral”. O adquirente em sua resposta anexou email trocado entre as partes, Irene E. Hanemann (Maxiligas) e Gabriel Richter Pires (Entrerios), onde este último CONFIRMA RECEBIMENTOS na conta poupança dos seguintes valores, R$ 91.316,38, R$ 8.000,00, R$ 2.000,00, R$ 2.500,00 e R$ 2.500,00. Assim fica definitivamente exposta a simulação e fraude material de documentos do importador o qual tentou transparecer a esta fiscalização uma operação contábil que jamais ocorreu na realidade. E pior, fez esta fraude na tentativa de mascarar uma outra fraude, qual seja, a interposição fraudulenta em operações de comércio exterior! E como forma a corroborar a suspeita que nunca houve transferências de valores quaisquer para futura integralização de capital, o fiscalizado também limitouse a informar que suas Notificações Extrajudiciais para cobrança de seu suposto cliente se deram de forma pessoal por uma terceira firma de advocacia, sem prestar maiores comprovações. Isto porque, no momento em que retificou pagamentos devidamente contabilizados do real adquirente para depósitos dos sócios, a conta clientes 952 – MAXILIGAS LTDA que representa os valores que este cliente deve ao fiscalizado, ficou com saldo devedor em aberto de R$ 160.347,05. Seria de se supor que o fiscalizado estivesse de alguma forma buscando reaver este valor que lhe é devido. Porém, conforme comentado acima, em sua resposta o fiscalizado foi bastante insatisfatório ao tentar comprovar estas cobranças, isto porque, de fato não está cobrando absolutamente nada, haja vista que seu cliente, real adquirente das mercadorias importadas, já pagou antecipadamente por elas. Considerando o acima exposto e havendo claros indícios que a correta escrituração contábil é aquela apresentada originalmente em 28/06/2012, voltamos a compreender o modus operandi que o fiscalizado dispunha para manter oculto o real adquirente das mercadorias importadas através da DI da Tabela 1. Com base na Tabela 5 apresentada abaixo, podese compreender como o fiscalizado cobrava de seu cliente, o real adquirente das mercadorias, os valores gastos com o fechamento de câmbio antes mesmo da mercadoria ser embarcada no exterior e portanto, muito antes do desembaraço das mesmas. (...) Percebese como na conta poupança há um depósito, claramente vindo da empresa Maxiligas no valor exato do contrato e também na mesma data da sua liquidação!! Inclusive o histórico para este lançamento contábil é “Adiantamento de MAXILIGAS cfe Processo EGN001/11”. Já vimos que a referência EGN001/11 diz respeito a importação ora fiscalizada e Maxiligas é justamente o destinatário final da mercadoria importada, conforme comprova a Nota Fiscal de saída de mercadoria nº 1711 de 19/10/2011. A contrapartida deste depósito em poupança é um lançamento a crédito na conta clientes “989 – MAXILIGAS – EGN 001/11” ou seja, o cliente efetuou um pagamento e ficou com um crédito perante o seu fornecedor (fiscalizado) que no futuro o retribuirá com as mercadorias importadas. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 488 15 Enquanto isso, na conta corrente da fiscalizada o fechamento do câmbio é feito com um pagamento para seu fornecedor estrangeiro, na mesma data e exatamente mesmo valor do depósito do real adquirente, sendo que no histórico deste lançamento novamente vislumbrase a referência a EGN001/11, deixando assim de forma indubitável que as transações financeiras estão intimamente relacionadas e dizem respeito a importação das mercadorias da DI da Tabela 1. Para o segundo câmbio fechado para o pagamento desta DI (a fatura foi negociada com o exportador estrangeiro em 30% adiantado e 70% no embarque das mercadorias) temos novamente um depósito na conta poupança em 04/10/2011 no valor de R$ 91.316,38 no mesmo molde do depósito anterior, seguido em 05/10/2011 por 3 depósitos em dinheiro somando R$ 7.000,00 e uma transferência direta no valor de R$ 8.000,00 (vide extrato bancário da conta poupança no mês de outubro, apresentado pelo fiscalizado) que o fiscalizado contabilizou conjuntamente no valor de R$ 15.000,00 sendo oriundo de seu caixa geral. E que, conforme comprovado pela resposta do adquirente, foram na verdade depósitos feitos por este em favor do fiscalizado. O fato é que a conta poupança do fiscalizado, em todo este período de junho a outubro de 2011 nunca foi movimentada a não ser exclusivamente para receber os pagamentos do real adquirente e após concretizada a venda, transferir o saldo remanescente para a conta corrente da fiscalizada. A única diferença neste segundo contrato de câmbio é que os depósitos do real adquirente foram realizados ligeiramente depois de liquidado o câmbio, entretanto, ainda anteriormente ao desembaraço aduaneiro da DI, o qual ocorreu somente em 14/10/2011, caracterizando novamente a antecipação de recursos. E para finalizar a operação completa, no dia 26/10/2011, uma semana após a emissão da Nota Fiscal nº 1711 de venda das mercadorias, a fiscalizada recebeu seu último pagamento no valor de R$ 71.988,45, também comprovado através da resposta do adquirente. Percebese então que todos os fatos analisados até o momento nos remetem realmente a vendas casadas, tipicamente de importações por conta e ordem de terceiros, caracterizando a importação da Tabela 1 como alvo de interposição fraudulenta e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. 5.2.3 Entrega da mercadoria diretamente no adquirente Em uma operação normal de venda no mercado interno é de se esperar que para cada Nota Fiscal de venda de mercadoria exista um Conhecimento de Carga que acompanha estas mercadorias em seu transporte do estabelecimento do vendedor até o estabelecimento do adquirente, este documento é de emissão obrigatória pela transportadora. De forma a corroborar a conclusão que as mercadorias importadas foram enviadas diretamente ao adquirente, temos como fato a ausência dos conhecimentos de carga do transporte feito para as vendas no mercado interno, sendo que o fiscalizado assumiu em sua resposta a Intimação nº 001/2013 que: “Sobre o 'item 1' , informase que não será possível lhe entregar as cópias dos conhecimentos de carga uma vez que, a contratação do 'Frete' foi realizada pelo comprador a Maxiiigas Indústria e Comércio de Metais Ltda., portanto, como já esclarecido em outras intimações, seria a única possuidora do documento supra requisitado.” Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 489 16 Desta forma temos a confirmação, por parte da fiscalizada, de que realmente NÃO HOUVE transporte de mercadorias entre o estabelecimento do importador, ora fiscalizado, para o estabelecimento do adquirente. Fato este que vem sem dúvida a reforçar a tese de que as mercadorias importadas através da DI constante da Tabela 1 uma vez desembaraçadas rumaram diretamente para o estabelecimento de MAXILIGAS INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA ME. 5.2.4 Falta de habilitação para operar no comércio exterior das adquirentes Aqui apresentamos um motivo bastante comum para estas operações de ocultação dos reais adquirentes de mercadoria importada, a falta de habilitação para operar no comércio exterior. Disciplinado a época dos fatos pela IN SRF nº 650/2006, o procedimento de habilitação visa, dentre outras providências, verificar a existência de patrimônio e de capacidade operacional, econômica e financeira, tanto da pessoa jurídica quanto dos sócios, para realização de seu objeto societário e das transações internacionais pretendidas, tendo por base as informações constantes das declarações fiscais apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Verificados indícios de irregularidades e/ou inconsistências, deve a autoridade aduaneira representar à unidade/instituição competente para averiguação. O adquirente e o encomendante predeterminado que atuam por intermédio de pessoa jurídica importadora também devem se submeter ao procedimento de habilitação (art. 26 da IN SRF nº 650/2006; e art. 2º, §3º, da IN SRF nº 634/2006). O que se pretende com tais regulamentações é afastar a possibilidade do emprego de terceiras pessoas para práticas ilícitas diversas, tais como sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e descaminho. Somente desse modo podese estabelecer o devido acompanhamento dos importadores, adquirentes e encomendantes de mercadorias importadas, verificando a origem lícita dos recursos empregados e o devido recolhimento de tributos. Tal zelo não é vão, pois a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior são essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais — artigo 237 da Constituição Federal, de 1988. A época das importações, a solidária MAXILIGAS INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA ME não possuía habilitação para operar no comércio exterior, aliás não possui até o presente momento, sendo que seu pedido de habilitação foi INDEFERIDO em 02/05/2011 de forma que para não se submeter aos rigores do procedimento de habilitação e não se expor a fiscalização da RFB, a adquirente preferiu utilizarse do ocultamento de suas importações através da interposição da fiscalizada. Em consulta aos sistemas da RFB , verificase que o real comprador oculto das mercadorias importadas pela fiscalizada, não possui estabelecimentos atuantes em operações de comércio exterior conforme documento intitulado Ficha_Habilitacao_Adquirente acostado ao presente processo. Este teve seu pedido de habilitação no Siscomex INDEFERIDO em 02/05/2011 (na vigência da já revogada IN SRF nº 650/2006) pois, conforme consta na ficha: SOLICITAÇÃO INDEFERIDA, POIS: QUADRO DE SÓCIOS E ADMINISTRADORES (QSA) DESATUALIZADO PERANTE OS SISTEMAS DA RFB, DE ACORDO COM O INCISO IV, ART. 4º DA IN/SRF Nº 650/2006. NÃO CONSTA COMO SÓCIA A SRA. NEUSA APARECIDA RODRIGUES Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 490 17 MUÑOZ, EM DESACORDO COM A ÚLTIMA ALTERAÇÃO CONTRATUAL APRESENTADA; NÃO FOI APRESENTADA A DCTF REFERENTE AO MÊS DE JANEIRO DE 2011, DE ACORDO COM A ALÍNEA ‘B’, INCISO III, ART. 4º DA IN SRF Nº 650/2006 (APRESENTAR APENAS A CÓPIA DO RECIBO DE ENTREGA). Valiase portanto, da fiscalizada como cedente do próprio nome e documentos para realizar de forma oculta suas importações. Portanto, com base nos fatos narrados a fiscalização constatou interposição fraudulenta e dano ao Erário, sujeito pois à aplicação da pena de perdimento da mercadoria, conforme disposto pelo § 1º, do artigo 23, do Decretolei nº 1.455/76, mas convertida em multa equivalente ao seu respectivo valor aduaneiro, dada a impossibilidade de localização ou diante do consumo dos produtos, a teor do disposto pelo § 3º do mesmo artigo. Os preceitos em tela seguem abaixo transcritos. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Da análise da prescrição legal acima transcrita, concluise que a interposição fraudulenta representa uma simulação que consiste em ocultar, voluntariamente (decorrente do próprio conteúdo conceitual de fraude – “interposição fraudulenta”), o verdadeiro interessado na operação, ocorrendo todas as vezes em que uma pessoa, física ou jurídica, apresentase como responsável por uma transação que não realizou, se interpondo entre uma parte e outra. De acordo com a exposição de motivos da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (que foi convertida na mencionada Lei nº 10.637/2002), o objeto colimado pela norma foi o de “estabelecer medidas que permitem a punição da fraude no comércio exterior praticada com a interposição fraudulenta de intermediários ou com recursos de origem não comprovada”. E a presunção legal objeto do § 2º do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/76 (redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002) é a interposição fraudulenta, ou seja, aquela feita mediante fraude, onde o elemento volitivo, conceitualmente, necessita se encontrar presente. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 491 18 Com efeito, De Plácido e Silva ensina que o vocábulo “fraudar”, derivado do latim fraudare (fazer agravo, prejudicar com fraude), “além de significar usar de fraude, o que é genérico, e exprime toda a ação de falsear ou ocultar a verdade com a intenção de prejudicar ou de enganar, possui, na técnica fiscal, o sentido de falsificar ou adulterar, como o de usar de ardil para fugir ao pagamento da tributação: fraudar o fisco”1. No entanto, dada a dificuldade de se demonstrar o elemento volitivo imbuído no conceito de fraude, criou a lei uma presunção legal juris tantum, da qual se vale o Estado para impor uma sanção administrativa àqueles que não conseguirem comprovar a origem lícita dos recursos empregados no comércio exterior. Sobre a importância das presunções no combate aos ilícitos tributários, a relevante lição de Maria Rita Ferragut2: [...] não há como ignorar que, se a segurança jurídica não admitisse as presunções, acabaria dificultando a proteção do direito daqueles que os detêm, mas que são prejudicados pela fraude, dolo, simulação. Dentre esses encontrase, sem dúvida alguma, o Fisco. Assim, o motivo para a criação das presunções foi sanar a dificuldade de se provar certos fatos mediante prova direta, fatos esses que deveriam ser necessariamente conhecidos, a fim de possibilitar a preservação da estabilidade social mediante uma maior eficácia do direito. As presunções suprem deficiências probatórias, disciplinam o procedimento de construção de fatos jurídicos, “alargam o campo cognoscitivo do homem”3, e aumentam a possibilidade de maior realização da ordem jurídica, ao permitir que alguns fatos sejam conhecidos por meio da relação jurídica de implicação existente entre indícios e o fato indiciado. No Direito Tributário, assumem significativa importância, tendo em vista que os fatos juridicamente relevantes são muitas vezes ocultados por meio de fraudes à lei fiscal, ficando o processo de positivação do direito obstado de ocorrer. A presunção em questão, frisese, tem natureza essencialmente procedimental, destinada a auxiliar o aplicador do direito no enquadramento da situação fática à norma. Portanto, não cria, altera ou revoga direitos, conclusão que se extrai diante da lição de Maria Rita Ferragut, in verbis: A previsibilidade quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta – já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil – mas indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu4. [...] 1 SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1991. v.II, p.324. 2 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 146147. 3 Cf. Jimir Doniak Jr. 4 Op. cit., p. 168. Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 492 19 [...] Ora, diante de tudo o que já foi exposto até aqui, temos que as presunções constituemse em meio de prova que contribui para a eficácia jurídica da norma. E, se é assim, não se trata de alegar que a obrigação decorre de fato não previsto na regramatriz, mas de se reconhecer que o conhecimento do evento descrito no fato jurídico típico dáse de forma indireta, com base em fatos indiciários graves, precisos e concordantes no sentido da ocorrência pretérita do evento diretamente desconhecido5. (grifos nossos) Assim, autuações decorrentes da aplicação da pena de perdimento objeto do § 1° do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002, bem como sua conversão na multa equivalente ao valor das mercadorias transacionadas no comércio exterior (§ 3º do mesmo artigo), nem sempre decorrem da comprovação direta da interposição fraudulenta, podendo advir da presunção legal de que trata o § 2º do dispositivo em tela. Aí se incluem os que não observam as mínimas formalidades exigidas para a realização de importações por encomenda ou por conta e ordem de terceiros. Portanto, a lei, do ponto de vista da aplicação da sanção administrativa – perdimento da mercadoria ou aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mesma – não faz qualquer distinção entre os casos em que a interposição fraudulenta é materialmente comprovada ou entre aqueles onde não há a comprovação da origem dos recursos utilizados no comércio exterior, como ocorreu no caso presente. Para que se examine se a realidade presente nos autos se enquadra no ilícito em exame há que se verificar se existe um nexo de causalidade entre a ocultação dos recursos de terceiros e seu emprego nas operações realizadas no comércio exterior, ocultação esta que pode ser presumida se comprovado que o sujeito passivo não tinha recursos suficientes para realizar tais negociações. Tal análise, por enquadrarse em um procedimento especial que vai além da obrigação acessória de o contribuinte intervir, como colaborador, nos procedimentos de investigação presididos pelo fisco, exige do fiscalizado a apresentação de provas que afastem a presunção juris tantum que milita a favor da autoridade fiscal. Podese distinguir, portanto, duas hipóteses bem delineadas: em uma, cumpre ao fisco instruir o feito com as provas que dão estribo à sua argumentação. Já na segunda hipótese, a lei cria um meio indireto de prova em favor do Estado. Neste último caso, se o contribuinte se omite, ou não satisfaz minimamente às exigências legais destinadas a demonstrar a origem lícita dos recursos necessários para suas transações internacionais, arcará com as conseqüências impostas pela lei. No caso concreto, como foi detalhadamente explicado no Relatório Fiscal, não houve a comprovação pela recorrente da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados pela empresa. Temos no caso, a DI Nº 1119481386, registrada por ENTRERIOS GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA ME, como importadora direta, mas que, de fato, era uma operação por conta e ordem de terceiros, com interposição fraudulenta de MAXILIGAS INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA ME. Para que isso ficasse provado, a fiscalização trouxe diversos fatos ao processo que comprovam cada item relacionado abaixo: 5 Op. cit., p. 170. Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 493 20 1) Não houve comprovação da origem dos recursos empregados na operação de comércio exterior: Houve uma tentativa de maquiagem contábil para criar uma origem para os recursos empregados na operação fiscalizada. A recorrente, ao ser surpreendida pelo início da fiscalização em 15/08/2012 e entendendo que tratavase de uma fiscalização para averiguar uma possível interposição fraudulenta com relação a DI nº 11/19481386, tratou de, em 30/08/2012, portanto após o início da fiscalização e sem espontaneidade alguma, enviar uma nova escrituração contábil de forma a mascarar sua operação de interposição junto ao adquirente MAXILIGAS INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA ME. Para tanto, a recorrente modificou as descrições dos lançamentos contábeis da sua conta poupança no Banco do Brasil para apresentálas como se depósitos dos sócios para futura integralização de capital fossem. Em complemento, há um depósito da empresa Maxiligas no valor exato do contrato e também na mesma data da sua liquidação. O lançamento contábil em tela é “Adiantamento de MAXILIGAS”. A contrapartida deste depósito em poupança é um lançamento a crédito na conta clientes “989 – MAXILIGAS ” ou seja, o cliente efetuou um pagamento e ficou com um crédito perante o seu fornecedor que no futuro o retribuirá com as mercadorias importadas. Enquanto isso, na conta corrente da fiscalizada o fechamento do câmbio é feito com um pagamento para seu fornecedor estrangeiro, na mesma data e exatamente do mesmo valor do depósito do real adquirente, sendo que no histórico deste lançamento novamente vislumbrase a referência a operação fiscalizada. Para o segundo câmbio fechado para o pagamento desta DI temos que, conforme comprovado pela resposta do adquirente, foram, na verdade, depósitos feitos por este em favor do fiscalizado. A conta poupança do fiscalizado, em todo este período de junho a outubro de 2011 nunca foi movimentada a não ser exclusivamente para receber os pagamentos do real adquirente e após concretizada a venda, transferir o saldo remanescente para a conta corrente da fiscalizada. E para finalizar a operação completa, uma semana após a emissão da Nota Fiscal em tela, a fiscalizada recebeu seu último pagamento, também comprovado através da resposta do adquirente. Percebese então que todos os fatos analisados até o momento nos remetem realmente a vendas casadas, tipicamente de importações por conta e ordem de terceiros, caracterizando que a operação referente a DI em tela foi alvo de interposição fraudulenta e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. 2) Houve entrega da mercadoria diretamente ao adquirente: Em uma operação normal de venda no mercado interno é de se esperar que para cada Nota Fiscal de venda de mercadoria exista um Conhecimento de Carga que Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 494 21 acompanhe estas mercadorias em seu transporte do estabelecimento do vendedor até o estabelecimento do adquirente. Este documento é de emissão obrigatória pela transportadora. Entretanto, temse a confirmação da recorrente, de que realmente não houve transporte de mercadorias entre o estabelecimento do importador para o estabelecimento do adquirente. Fato este que vem sem dúvida a reforçar a tese de que as mercadorias importadas através da DI em questão, uma vez desembaraçadas, rumaram diretamente para o estabelecimento de MAXILIGAS INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA ME. 3) A real adquirente não tinha habilitação para operar no comércio exterior: Na época das importações, a responsável solidária MAXILIGAS INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA ME não possuía habilitação para operar no comércio exterior, de forma que, para não se submeter aos rigores do procedimento de habilitação e não se expor a fiscalização da RFB, a adquirente preferiu utilizarse do ocultamento de suas importações através da interposição da fiscalizada. Inclusive, esse real comprador oculto das mercadorias importadas pela fiscalizada, não possui estabelecimentos atuantes em operações de comércio exterior. Valiase da recorrente como cedente do próprio nome e documentos para realizar de forma oculta suas importações. Portanto, ficou demonstrado que a recorrente é responsável pela infração a ela imputada, por ter promovido o despacho da mercadoria por conta e risco próprios, bem como por ter concorrido e se beneficiado com a sua prática. No caso em tela, a operação foi declarada como se o adquirente da mercadoria fosse a recorrente ENTRERIOS quando, na realidade o real adquirente era a empresa MAXILIGAS. Ficou fartamente provado que os recursos financeiros requeridos para o pagamento das mercadorias, tributos, contribuições e demais despesas provieram da MAXILIGAS, caracterizando, por tal motivo, a ocultação do real adquirente. Também ficou fartamente provado que houve a entrega da mercadoria diretamente ao real adquirente e que, em complemento, a real adquirente não era habilitada a operar no comércio exterior. Assim, a infração é tipificada no ordenamento jurídico como “Dano ao Erário", não restando, assim, razão à recorrente. d) Responsabilidade Solidária: Não houve recurso voluntário da responsável solidária MAXILIGAS INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA ME. Entretanto, a recorrente pede que, caso o recurso voluntário seja negado, que a responsabilidade fique única e exclusivamente com a responsável solidária. Não concordo com a recorrente. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10983.720246/201361 Acórdão n.º 3301003.873 S3C3T1 Fl. 495 22 No caso de interposição em operações de importação, seja por conta e ordem ou por encomenda, importador e adquirente ou encomendante das mercadorias são solidariamente obrigados quando concorrem para a prática da infração ou da infração se beneficiem. Assim dispõe o art. 95 do DL 37/66: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Conclusão: Os fatos, descritos pela autoridade fiscal, são suficientes para caracterizar a presunção legal de interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, razão pela qual, entendo, que é legítima a constituição do crédito tributário relativo à multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria prevista no artigo 23, § 3°, do DecretoLei n° 1.455/76, assim como a responsabilidade tributária apresentada. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 495DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.002868/2004-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
AUSENCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso especial quando não é apontada divergência em relação às causas de decidir do acórdão recorrido.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 AUSENCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso especial quando não é apontada divergência em relação às causas de decidir do acórdão recorrido. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 AUSENCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso especial quando não é apontada divergência em relação às causas de decidir do acórdão recorrido. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 380301.798, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 28 68 /2 00 4- 31 Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10280.002868/200431 Acórdão n.º 9303004.580 CSRFT3 Fl. 546 2 Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA E DE COMBUSTÍVEIS. A energia elétrica utilizada para o funcionamento dos frigoríficos e o combustível das embarcações, por não exercer ação direta sobre o insumo, não geram crédito de IPI. (Súmula CARF nº 19). BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS JURÍDICAS Incluemse na base de cálculo do benefício as aquisições de matériasprimas que submetemse ao processo de beneficiamento, nessa condição o pescado adquirido de pessoas jurídicas, ainda que conste nas notas fiscais respectivas, a descrição de que se trata de mercadoria destinada a exportação. BASE DE CALCULO. INSUMOS. CONCEITO. SUJEIÇÃO À LEGISLAÇÃO DO IPI. Impossibilidade de serem computados na base de cálculo do crédito presumido os insumos que não se ajustam ao conceito de matérias primas ou produtos intermediários, conforme legislação do IPI, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto. FRETE. ADMISSÃO. PERTINÊNCIA COM NOTAS FISCAIS DE MP E PI ADMITIDAS. Admitese, no cômputo do benefício, o valor do frete pago na aquisição de insumos cujas notas fiscais tenham sido consideradas na base de cálculo do crédito presumido. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS.SELIC. RECURSOS REPETITIVOS. POSSIBILIDADE. Os julgamentos no âmbito do CARF devem reproduzir as decisões em recursos repetitivos do Superior Tribunal de Justiça, art. 62A do Regimento Interno do CARF. Nessa ordem subsumemse as aquisições de insumos de pessoas físicas/não contribuintes de IPI e a atualização monetária referenciada pela taxa SELIC sobre créditos vinculados a essas aquisições, conforme decisão paradigmática no REsp nº 933.164 MG. O presente processo referese à glosa de valores do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, incidentes sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens utilizados no processo produtivo, a partir da análise fiscal efetuada do pedido de ressarcimento do sujeito passivo, especialmente referente aos insumos utilizados na industrialização dos produtos exportados pela Recorrente. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10280.002868/200431 Acórdão n.º 9303004.580 CSRFT3 Fl. 547 3 A turma julgadora a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo para autorizar: (1) a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, do valor das aquisições de insumos a pessoas físicas; (2) a inclusão do valor do frete pago nas aquisições de insumos cuja nota fiscal tenha sido admitida no cômputo do benefício; (3) a correção pela taxa SELIC do ressarcimento; e (4) a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, do valor das aquisições de pescado a pessoas jurídicas que tenham consignado em suas notas fiscais tratarse de mercadorias destinadas à exportação. Pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso relativamente à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI: (1) do valor das aquisições de insumos que não se subsumem ao conceito de matériaprima ou produto intermediário esposado pela legislação do IPI, e (2) do custo de armação das embarcações pesqueiras. O sujeito passivo interpôs Recurso Especial (fls. 502 a 515), suscitando divergência em relação ao reconhecimento do direito ao crédito presumido do IPI, previsto na Lei n° 9.363/96, a ser calculado sobre os insumos aplicados na atividade de pesca industrial oceânica. O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, conforme despacho de admissibilidade às fls. 523 a 525. A Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais à admissibilidade ditados pelo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante demonstrase a seguir. Conforme relatado, a turma julgadora a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo para autorizar: (1) a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, do valor das aquisições de insumos a pessoas físicas; (2) a inclusão do valor do frete pago nas aquisições de insumos cuja nota fiscal tenha sido admitida no cômputo do benefício; (3) a correção pela taxa SELIC do ressarcimento; e Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10280.002868/200431 Acórdão n.º 9303004.580 CSRFT3 Fl. 548 4 (4) a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, do valor das aquisições de pescado a pessoas jurídicas que tenham consignado em suas notas fiscais tratarse de mercadorias destinadas à exportação. Pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso relativamente à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI: (1) do valor das aquisições de insumos que não se subsumem ao conceito de matériaprima ou produto intermediário esposado pela legislação do IPI, e (2) do custo de armação das embarcações pesqueiras. Constatase que o acórdão recorrido, ao negar provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, considerou na base de cálculo do crédito presumido de IPI os valores relativos às aquisições de insumos que se subsumiam ao conceito de matériaprima ou produto intermediário esposado pela legislação do IPI. Transcrevo excerto do voto vencedor: “Logo, não devem compor a base de cálculo os valores correspondentes às aquisições de insumos que não integraram o produto final ou não foram consumidos ou não se desgastaram em contato físico direto com estes mesmos produtos, nos termos consabidamente disciplinados pelo Parecer Normativo CST n° 65/1979.” O relator transcreve, ainda, trecho do Parecer Normativo CST 65/79: "10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos 'que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização', para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em 'incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários', é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários 'stricto sensu', semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. ... 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias primas e produtos intermediários, “stricto senso", material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente." Portanto, claro está a tese vencedora do acórdão recorrido: a impossibilidade de serem computados na base de cálculo do crédito presumido os insumos que não se Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10280.002868/200431 Acórdão n.º 9303004.580 CSRFT3 Fl. 549 5 ajustam ao conceito de matérias primas ou produtos intermediários, conforme legislação do IPI, ou seja, aqueles que não integram o produto final ou não foram consumidos ou não se desgastaram em contato físico direto com estes mesmos produtos. Já o Acórdão n° 20217.283, indicado como paradigma, assim se posicionou: "IPI. RESSARCIMENTO. LEI N° 9.779/99. SALDO CREDOR. INSUMOS APLICADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Considerase no conceito de MP e PI, em sentido lato, os bens que se consumirem em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou por esse diretamente sofrida." Ora, ambas as decisões convergem para o mesmo entendimento: considerase no conceito de MP e PI os bens que se consumirem em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou por esse diretamente sofrida. Nenhuma divergência jurisprudencial foi demonstrada. A questão suscitada pela recorrente referese à apreciação de provas e dos fatos, não a divergência jurisprudencial. O enquadramento das linhas de pesca, dos gases refrigerantes e das redes, se entram ou não em contato com o produto final da atividade de captura em alto mar, não é matéria a ser apreciada por essa Câmara Superior de Recursos Fiscais, que aprecia apenas divergências jurisprudenciais. Se assim não fosse, passaria a ser uma terceira instância administrativa, inexistente nas normas do Processo Administrativo Fiscal Federal. O fato é que ambas as decisões comparadas interpretaram a norma referente ao conceito de insumo para fins de crédito presumido de IPI da mesma forma, inexistindo dissídio jurisprudencial. Em obediência ao art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se deve conhecer do recurso especial quando não é demonstrada divergência jurisprudencial. Também não deve ser conhecido do recurso quando este não demonstrar analiticamente a divergência jurisprudencial apontada, e quando não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Do exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do presente recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727565/2011-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 75 65 /2 01 1- 79 Fl. 334DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2302003.227, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração, DEBCAD 37.332.9423, 37.332.9431, 37.332.9482 e 37.332.9490, referente a crédito tributário do período de janeiro a dezembro de 2008, relativo a contribuições sociais previdenciárias patronais, inclusive SAT/RAT; contribuições sociais previdenciárias dos segurados; contribuições sociais a outras entidades e fundos/terceiros; bem como multa administrativa – CFL, por infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei 8.212, de 24/07/1991, combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. Inconformado com o lançamento fiscal o sujeito passivo apresentou defesa, alegando. Às fls. 241/245, a 6ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a impugnação do Contribuinte, mantendo integralmente o lançamento. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 250/270, no qual alegou, em apertada síntese, que: foram considerados valores pagos aos segurados a título de verbas indenizatórias (horas extras, férias, um terço de férias, avisoprévio indenizado, quinze primeiros dias de afastamento por auxíliodoença ou acidente, saláriomaternidade, entre outras); o descabimento da aferição indireta como método de cálculo da contribuição do segurado, sem falar no desrespeito à alíquota e teto vigentes à época; a ilegalidade e inconstitucionalidade dos juros Selic; a revogação da multa aplicada no DEBCAD 37.332.9490; efeito confiscatório da multa isolada e das multas de ofício e impossibilidade de cumulação da multa de mora com a multa isolada; e a necessidade de perícia para apuração das contribuições previdenciárias dos segurados. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 281/291, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10580.727565/201179 Acórdão n.º 9202005.284 CSRFT2 Fl. 10 3 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Art. 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). MULTA DE MORA. PENALIDADE PECUNIÁRIA DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO SIMULTÂNEA. POSSIBILIDADE. A inflição de multa de mora ou de multa de ofício decorrentes do descumprimento tempestivo de obrigação tributária principal aviadas em lançamento de ofício não impede a lavratura, em uma mesma ação fiscal, de Autos de Infração de Obrigação Acessória, quantos que sejam, desde que estes tenham por fundamento infrações tributárias de obrigações acessórias de natureza distinta, com Códigos de Fundamentação Legal diversos. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 336DF CARF MF 4 Às fls. 294/305, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à regra aplicável para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, afirmando serem análogas as hipóteses em análise. Os acórdãos paradigmas entenderam que, para efeito da apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses como a dos presentes autos, em que houve lançamento da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Patente, portanto, a divergência no que toca ao procedimento a ser adotado para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, pois o Colegiado a quo sustentou ser desnecessária a soma da multa da obrigação principal com a multa da obrigação acessória para efeitos de comparação com o que dispõe o art. 35A da lei nº 8.212/91. Para a Turma recorrida, a comparação deve ser feita separadamente. Primeiro, entre a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, da norma revogada, com o novo art. 32A da Lei n. 8.212/91. Depois, entre a multa por descumprimento de obrigação principal prevista no art. 35, revogado, com o novo art. 35 na Lei n. 8212/91. Portanto, para v. acórdão recorrido o art. 35A deve ser sempre ignorado na comparação entre as multas. Diversamente, os paradigmas defendem que, para aferição da penalidade mais benéfica ao contribuinte, o procedimento correto consiste em somar as multas das obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada), referentes à sistemática antiga, e comparar o resultado com a multa atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela MP nº 449/2008), em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/10/2010. Às fls. 308/311, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência referente ao cálculo da multa. Às fls. 315, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, rebatendo os argumentos presentes no Recurso Especial e requerendo, ao final, a negativa do seu provimento. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração, DEBCAD 37.332.9423, 37.332.9431, 37.332.9482 e 37.332.9490, referente a crédito tributário do período de janeiro a dezembro de 2008, relativo a contribuições sociais previdenciárias patronais, inclusive SAT/RAT; contribuições sociais previdenciárias dos segurados; contribuições sociais a outras entidades e fundos/terceiros; bem como multa administrativa – CFL, por infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei 8.212, de 24/07/1991, combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10580.727565/201179 Acórdão n.º 9202005.284 CSRFT2 Fl. 11 5 O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à aferição da multa mais benéfica ao contribuinte pelo descumprimento de obrigação principal e acessória. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, Fl. 338DF CARF MF 6 tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10580.727565/201179 Acórdão n.º 9202005.284 CSRFT2 Fl. 12 7 Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 340DF CARF MF 8 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10580.727565/201179 Acórdão n.º 9202005.284 CSRFT2 Fl. 13 9 multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no Fl. 342DF CARF MF 10 momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10580.727565/201179 Acórdão n.º 9202005.284 CSRFT2 Fl. 14 11 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 344DF CARF MF
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Numero do processo: 13204.000153/2004-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha).
VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE APURAÇÃO.
À opção da pessoa jurídica, que valerá para todo o ano-calendário, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência (art. 30 da Medida Provisória - MP nº 2.158-35, de 2001).
Recurso Especial do Procurador provido em parte.
Numero da decisão: 9303-004.788
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, somente quanto à variação cambial, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento integral.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE APURAÇÃO. À opção da pessoa jurídica, que valerá para todo o ano-calendário, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência (art. 30 da Medida Provisória - MP nº 2.158-35, de 2001). Recurso Especial do Procurador provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2083; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13204.000153/200444 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.788 – 3ª Turma Sessão de 22 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE APURAÇÃO. À opção da pessoa jurídica, que valerá para todo o anocalendário, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência (art. 30 da Medida Provisória MP nº 2.15835, de 2001). Recurso Especial do Procurador provido em parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, somente quanto à variação cambial, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 53 /2 00 4- 44 Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13204.000153/200444 Acórdão n.º 9303004.788 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3403001.976, de 20/03/2013, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas as partes da ementa que interessam ao presente julgamento: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de Apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 (...) CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. As variações monetárias ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob o regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de cálculo das contribuições no regime não cumulativo, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras falíveis. Mutatis mutandis o mesmo entendimento se aplica às variações monetárias passivas, para fins de desconto de créditos como despesas financeiras, nas hipóteses admitidas em lei. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). (...) Recurso Provido em Parte. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13204.000153/200444 Acórdão n.º 9303004.788 CSRFT3 Fl. 4 3 No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra as seguintes matérias: (a) direito de crédito das contribuições não cumulativas quanto às despesas com serviço de remoção de lama vermelha; e (b) direito do contribuinte reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais somente quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Alega divergência de interpretação em relação ao decidido nos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.754, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 13204.000007/200508, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação da questão do direito de crédito sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.754): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, com relação à remoção de resíduos industriais (lama vermelha), enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. No concernente ao segundo tema, o acórdão recorrido entendeu que somente se deveria reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Já o Acórdão nº 20180.817, concluiu que, por expressa previsão legal (art. 92 da Lei n2 9.718/98), a variação cambial ativa equiparase à receita financeira e deve tributada pelo PIS da mesma forma que for tributada pelo IRPJ e pela CSLL: regime de caixa ou de competência, conforme o caso. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13204.000153/200444 Acórdão n.º 9303004.788 CSRFT3 Fl. 5 4 Conhecido na integralidade, entendemos assistir, em parte, razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Com relação ao primeiro tema, depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13204.000153/200444 Acórdão n.º 9303004.788 CSRFT3 Fl. 6 5 insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo de serviços de remoção de resíduos industriais. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos (exceto, como se verá, quanto a um dos itens). Com relação à remoção dos Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13204.000153/200444 Acórdão n.º 9303004.788 CSRFT3 Fl. 7 6 resíduos industriais, diferentemente do que se deu noutros processos do mesmo contribuinte, o crédito sobre este serviço foi expressamente reconhecido pela Câmara baixa, com base nos seguintes fundamentos, replicados de outros acórdãos da mesma turma: “Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Nos autos do processo administrativo nº 10280.722274/200954 – que envolveu a mesma contribuinte e a mesma controvérsia –, o il. Conselheiro Antônio Carlos Atulim ainda teceu as seguintes considerações a respeito: Relativamente aos serviços de transporte de rejeitos industriais, a análise da descrição do processo produtivo revela que ele gera os detritos lama vermelha, areia e crosta, que depois de serem devidamente tratados, vão para os tanques de rejeitos industriais a fim de serem descartados. Estando esses rejeitos umbilicalmente ligados à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04. Não há como se concordar com a alegação da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no sentido de que custos incorridos após a Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13204.000153/200444 Acórdão n.º 9303004.788 CSRFT3 Fl. 8 7 obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto incorrido na atividademeio. Observese que o rendimento da bauxita está na razão de 5:1. Isso significa, em um cálculo grosseiro, que para produzir uma tonelada de alumina, são necessárias cinco toneladas de minério. O minério não se encontra na natureza em estado puro. Ele se encontra disperso no solo e vem contaminado com impurezas. Após a retirada da tonelada de alumina, as quatro toneladas restantes são rejeitos industriais aos quais a empresa é obrigada a dar destino adequado, a fim de evitar problemas ambientais. Isso não é um gasto com atividademeio. Ainda que se considere que os gastos com esses rejeitos são posteriores ao processo produtivo, é fora de qualquer dúvida que eles decorrem do processo produtivo, pois os rejeitos somente deixariam de existir se a linha de produção parasse. Por isso o gasto com o serviço de retirada desses rejeitos é um custo de produção da alumina que se enquadra no art. 290, I do RIR/99. (g.n.) Considerando, pois, que a remoção dos resíduos industriais que resultam da produção da alumina revestese de particularidades que a afastam das verificadas nos processos que comumente chegam a este Colegiado, entendemos correto o acórdão recorrido, ao conferir ao contribuinte, quanto a este item, o direito ao crédito do PIS/Cofins. Com relação ao segundo tema, assim dispôs o acórdão recorrido: Segundo o texto do item 8 do relatório de diligência, o contribuinte utilizou as despesas financeiras como dedução das receitas financeiras na apuração das contribuições. A descrição da fiscalização sugere que foi aplicado o entendimento costumeiro que a Administração vem dispensando a casos semelhantes, qual seja: tendo em vista que o contribuinte optou pelo regime de competência, foram incluídas nas bases de cálculo as variações monetárias positivas aferidas em cada período de apuração durante a vigência do contrato, desconsiderandose as variações negativas ocorridas no mesmo período, aplicandose de forma literal o art. 9º da Lei nº 9.718/98 combinado com o art. 30, § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Este colegiado, com outra composição, já enfrentou essa questão no Acórdão nº 340301.503, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no qual, por maioria de votos, foi firmado entendimento semelhante àquele do STJ, no sentido de que só pode ser considerado como receita o ingresso que se incorpore definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica. A questão encontrase disciplinada no art. 30 da Medida Provisória – MP nº 2.15835, de 2001, reedição do art. 30 da Medida Provisória nº 1.85810, de 1999, cuja redação é a seguinte: “Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13204.000153/200444 Acórdão n.º 9303004.788 CSRFT3 Fl. 9 8 contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2º A opção prevista no § 1o aplicarseá a todo o ano calendário. § 3o No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal.” (g.n.) No presente caso, a contribuinte optou, no períodobase a que se referem os autos, pelo regime de regime de competência na apuração de suas receitas, de modo que não há dúvida de que o mesmo regime deveria ter sido observado na apuração das variações cambiais que decorreram de suas obrigações ou de seus direitos. Não fosse pelo só fato da previsão legal (ver Súmula CARF nº 2), a tese adotada no acórdão recorrido não se sustenta: a de que somente se deveria reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Sobre ela, assim escrevemos em obra de autoria coletiva (PIS e Cofins à luz da jurisprudência: Conselho Administrativa de Recursos Fiscais; volume 3 / Coordenação Marcelo Magalhães Peixoto, Gilberto de Castro Moreira Junior, 1ª ed, São Paulo, MP Editora, 2014): Ela se apoia na ideia de que haveria um conteúdo material, de estatura constitucional, para o termo “receita”, para o qual o constituinte teria valorizado a perspectiva dos negócios jurídicos que evidenciem a capacidade econômica revelada pelo ingresso financeiro apurado de forma isolada e instantânea em cada evento. Esse conteúdo material, com a tônica no ingresso financeiro, é que teria sido colocado ao alcance do legislador federal para que sobre ele se fizesse incidir a contribuição com específica destinação, voltada para o custeio do sistema de Seguridade Social. Os fautores dessa tese trabalham ainda com a ideia de que a receita deve ser definitiva de modo a assegurar a disponibilidade e a titularidade dos recursos financeiros sem qualquer obrigação correspondente, devendo ter como causa a remuneração de negócio jurídico concernente aos atos relacionados apenas com o exercício de atividade empresarial. O argumento se fundamenta no art. 195, III, da Constituição Federal, que estabelece, como uma das fontes de financiamento da Seguridade Social, a contribuição incidente “sobre a receita de concursos de prognósticos”, de sorte que a alusão ao vocábulo Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13204.000153/200444 Acórdão n.º 9303004.788 CSRFT3 Fl. 10 9 “receita” só poderia estar relacionada, no seu entendimento, com o efetivo ingresso de recursos provenientes dos diferentes jogos existentes no país, vale dizer, com a possibilidade de destaque pura e simples de uma parcela a título das contribuições a serem retiradas do volume de recursos arrecadados com os referidos “concursos de prognósticos”. Assim, em tal previsão constitucional, o termo “receita” não poderia referirse a outra perspectiva que não a do efetivo ingresso financeiro, vale dizer, ao efetivo ingresso de recursos pecuniários ao qual não corresponda uma obrigação, pena de inviabilizar o próprio custeio da Seguridade Social. De conseguinte, esse conteúdo semântico do vocábulo “receita” deveria vincular o exercício da atividade legiferante, em ordem a impossibilitar que o legislador infraconstitucional venha a emprestar ao termo significado diverso. Pois bem. O argumento, embora bem apresentado, encerra, no sentido técnico do termo, uma falácia (repitase aqui: no sentido técnico do termo, já que a sua referência no presente artigo não constitui, de forma alguma, juízo de demérito de nenhum trabalho acadêmico), um raciocínio incorreto, porquanto, a nosso juízo, não se poderia, apenas na única perspectiva da norma insculpida no art. 195, inciso III, da Constituição Federal, chegar à conclusão a que se chegou. Antes de apresentar os motivos que nos levam a entender inválido o argumento, cabe ressaltar, aqui mais uma vez, que o conceito de ingresso financeiro corresponderia, na tese exposta, ao efetivo e definitivo (ao qual não corresponda uma obrigação) ingresso de recursos pecuniários derivados do exercício de atividade empresarial, excluindose, de conseguinte, as receitas que resultem de qualquer outra atividade, tal como os valores recebidos a título de crédito presumido de ICMS. Que o dispositivo constitucional avaliza a ideia da necessidade de haver efetivo ingresso de recursos financeiros na Seguridade Social, é coisa que ninguém dissente. Aliás, foi essa necessidade que conduziu o legislador constituinte a prever tantas fontes para a manutenção de seus múltiplos deveres. O que esse fato não está a autorizar é a de que também no contribuinte deve a receita representar ingresso efetivo de recursos financeiros, assim como não autoriza a ideia de que receita só é aquela que decorra da atividade empresarial. Vejamos. As falácias – os raciocínios que, embora prima facie possam parecer corretos, mas na verdade não o são – dividemse em falácias de ambiguidade e de relevância. As primeiras, como a sua denominação já indica, estão relacionadas à linguagem utilizada para construir o argumento; as segundas, com o fato de as premissas serem absolutamente irrelevantes para estabelecer a verdade da conclusão. Como se passa a comprovar, esta última encontrase plenamente configurada na tese aqui refutada. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13204.000153/200444 Acórdão n.º 9303004.788 CSRFT3 Fl. 11 10 Não se pode analisar um caso particular e extrair dele uma regra geral como se todos os demais casos relativos à mesma matéria fossem idênticos, é dizer, não se pode estabelecer uma regra geral aplicável a todos os fatos típicos a partir de um fato inquestionavelmente atípico. É o que os estudiosos da Lógica denominam de falácia do acidente convertido ou da generalização precipitada1, sendo que a falácia do acidente, da qual deriva a aludida expressão, consiste em aplicar uma regra geral a casos particulares cujas características acidentais tornam a regra inaplicável (Exemplo: “O que você comprou ontem comerá hoje. Logo, se você comprou carne crua ontem comerá carne crua hoje”). Notese que, a partir de uma única regra constitucional – a que estabelece como uma das fontes de financiamento da Seguridade Social a contribuição incidente “sobre a receita de concursos de prognósticos” – os que defendem haver um conceito constitucional de receita, baseados no único e exclusivo fato de que a contribuição é retirada, neste caso, do volume total de apostas, constituindo, assim, como decorrência inarredável, efetivo ingresso de receita nos cofres da mencionada instituição (não há como a Caixa Econômica Federal deixar de recolher a contribuição aos cofres da Previdência), levam esta particular situação ao patamar de regra geral, em ordem a determinar que receita só pode representar o efetivo ingresso de recursos financeiros também na pessoa jurídica, quando os fatos que norteiam a sua tributação – as operações que esta realiza – nada têm a ver com concursos de prognósticos e com a forma de arrecadação da contribuição social sobre eles incidente (destaque do volume total de apostas, sem a necessidade de interposição do Fisco e sem depender da vontade exclusiva do apostador, incidindo as contribuições sobre um setor específico sem qualquer semelhança com o universo dos contribuintes e com as atividades por eles realizadas). E não é só: o fato de a receita constituir efetivo ingresso de recursos financeiros na pessoa jurídica não significa de modo algum que também assim deva configurarse a contribuição devida à Seguridade Social, porque depende, entre outros fatores, da vontade do contribuinte de adimplir a respectiva obrigação tributária. Portanto, em face de suas particularidades, as características que envolvem esta especial fonte de financiamento da Seguridade Social, porque atípica em relação às demais, a estas não podem ser estendidas, muito menos para estabelecer o conceito de receita a todas aplicado. O argumento é, com a devida vênia, inválido. (grifamos). Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para que as receitas decorrentes das variações cambiais obedeçam ao regime de competência, em conformidade com a opção realizada pela contribuinte." 1 Copi, Irving Marmer. Introdução à lógica. 2ª ed. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1978, p. 83. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13204.000153/200444 Acórdão n.º 9303004.788 CSRFT3 Fl. 12 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para que as receitas decorrentes das variações cambiais obedeçam ao regime de competência, em conformidade com a opção realizada pela contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 513DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.009584/2001-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR a competência em prol da 3a. Seção de Julgamento do CARF.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Pedido de Restituição Recorrente ENGEPACK EMBALAGENS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR a competência em prol da 3a. Seção de Julgamento do CARF. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão n. 1531.570, lavrado pela 4ª Turma da DRJ em Salvador, cuja ementa segue: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 07/11/1989 a 11/06/1992 TAXA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO COBRADA. PELA CACEX. COMPENSAÇÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .0 09 58 4/ 20 01 -4 8 Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10580.009584/200148 Resolução nº 1302000.458 S1C3T2 Fl. 3 2 A compensação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, somente é possível se o crédito for oriundo de tributos ou contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ou de receita da União arrecadada mediante DARF. A taxa de Licenciamento de Importação não se enquadra em nenhuma dessas hipóteses, sendo incabível a sua restituição pela RFB ou o seu uso em compensação, nos termos do referido art. 74. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou Pedido de Restituição (fl. 1) em 11/12/2001, referente aos valores recolhidos indevidamente a título da taxa CACEX nos períodos de 01/89 à 12/91, em conformidade com a Sentença nº 909/2001, proferida pela 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal (fls. 8/32), a qual julgou procedente o pedido para condenar a União a restituir à recorrente, mediante compensação com quaisquer tributos federais vincendos, as importâncias recolhidas a título de Taxa Cacex/Decex (licenciamento de importação), cujo quantum seria apurado em liquidação de sentença, incidindo sobre os valores devolvidos juros de 12%/ano, a partir do trânsito em julgado da sentença, e correção monetária desde a data do pagamento indevido. Em 11/10/2006, a DRF de Salvador proferiu Despacho Decisório nº 925 (fls. 174/176), que deixou de homologar a compensação dos débitos, cujas razões transcrevese: Menciona que, na oportunidade em que o contribuinte ingressou com o pedido de compensação, dispunha a Instrução Normativa nº 21 de 10 de março de 1997 que exigiase o trânsito em julgado das sentenças das quais derivassem pedidos de compensação/restituição; Informa entendimento há muito firmado na Administração Tributária Federal no sentido de ser impossível a compensação/restituição de tributos sem que haja o provimento definitivo por parte do órgão jurisdicional; Menciona que, a inclusão do art. 170A do CTN, já vigente quando protocolizado o pedido feito pela pessoa jurídica, definiu que é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial; Entretanto, na análise documental acostada aos autos, não verificou a existência de decisão limiar em ação cautelar interposta ou antecipação da tutela pretendida, hipóteses de suspensão da exigibilidade dos créditos tributários que se pretende dar quitação; Assim, julgou descabido acolher o pedido, visto que deveria o interessado manterse no aguardo da manifestação do órgão jurisdicional no sentido de manter a decisão para efetivar a Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10580.009584/200148 Resolução nº 1302000.458 S1C3T2 Fl. 4 3 restituição do crédito via precatório ou requisição de pequeno valor, conforme apuração na execução contra a Fazenda Nacional. Inconformada com o teor decisório do Despacho da DRF/Salvador nº 925/2006, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 187/197) alegando que: 1. O crédito utilizado na presente compensação decorre da inconstitucionalidade da Taxa Cacex/Decex prevista no caput do art. 10 da Lei n° 2.145/53, com a redação dada pelo art. Io da Lei n° 7.690/88. Com efeito, é incontroverso o direito à restituição da empresa, pois referido dispositivo foi declarado inconstitucional por ocasião do julgamento do RE 167992 1/PR e posteriormente teve sua execução suspensa através da Resolução n° 73/95 do Senado Federal, este último ato dotado de efeitos erga omnes; 2. Entende ser equivocado o argumento da autoridade fiscal ao interpretar de forma literal o artigo 170A do CTN, uma vez que o dispositivo legal foi introduzido no nosso ordenamento jurídico com o intuito de impedir que fossem efetuadas compensações enquanto o direito à restituição ainda não reunisse condições de liquidez e de certeza, conforme se depreende da Exposição de Motivos n° 820, de 06 de outubro de 1999, encaminhada pelo Exmo. Sr. Ministro da Fazenda ao Excelentíssimo Sr. Presidente da República; 3. Resume o caso em análise da seguinte maneira: · Em 15/12/00, a empresa ingressou com Ação Ordinária para a restituição dos valores pagos indevidamente (Doc. 02, já referido); · Em 13/02/02, foi preferida sentença julgando procedente a ação e autorizando a empresa a compensar os valores indevidamente recolhidos com quaisquer tributos (Doc. 03, já referido); · Em 15/12/95, foi baixada a Resolução Senatorial n° 73 suspendendo, com efeitos erga omnes, o disposto no caput do art. 10 da Lei n° 2.145/53 (Doc. 04, já referido). 4. Aduz que o Recurso de Apelação da Fazenda Nacional não passa de artifício para impedir o gozo do crédito tributário, vez que a discussão acerca do direito à restituição da Taxa Cacex/Decex é decorrente dos efeitos da Resolução Senatorial nº 73/95; 5. Afirma que o ato de suspensão da execução do caput do art. 10 da Lei n. 2.145/53, atingiu toda a coletividade, expulsando a legislação viciada, desde a sua constituição; 6. Sobre o direito de pedir restituição ou compensação dos pagamentos indevidos a título de IOF Ouro, ressalta que, o Conselho de Contribuintes definiu ser considerado a partir da publicação da Resolução Senatorial nº 52/99; Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10580.009584/200148 Resolução nº 1302000.458 S1C3T2 Fl. 5 4 7. Ao impedir a utilização dos créditos, já reconhecidos, o contribuinte entende que a Administração Pública acaba por manter a sua exigência e, portanto, contraria e inutiliza a eficácia da decisão do Supremo Tribunal Federal e os efeitos da Resolução expedida pelo Senado Federal; 8. Neste sentido, o direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos pela Taxa Cacex/Decex não necessitaria de trânsito em julgado de decisão judicial de controle concentrado para se tornar certo, pois existe Resolução do Senado que reconhece o referido direito, de forma certa e inequívoca para todos os contribuintes; 9. Ao final requer que seja conhecida e provida a manifestação de inconformidade para reformar a decisão recorrida e homologar as compensações de débitos da Cofins formuladas no presente processo. E, protestou provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Não obstante as alegações da recorrente, o Acórdão nº 1531.570, lavrado pela 4ª Turma da DRJ Salvador, de 31 de janeiro de 2013, entendeu que: A interessada alega ser desnecessário o trânsito em julgado da decisão judicial de controle concentrado para que seja reconhecido o direito à restituição e à compensação dos valores recolhidos a título de Taxa de Licenciamento de Importação. Ocorre que a taxa em questão foi extinta pelo art. 1°, inciso IX, da Lei n° 8.522, de 11 de dezembro de 1992, e posteriormente, em 23 de novembro de 1994, o Supremo Tribunal Federal, por decisão do Plenário, declarou sua inconstitucionalidade em razão da coincidência entre a sua base de cálculo e aquela do imposto de importação. Com base nessa declaração, o Senado Federal, por meio da Resolução n° 73, de 1995, suspendeu a execução do dispositivo legal que previa a cobrança da citada taxa. E, por último, conforme Resolução n° 11, de 2005, em decisão definitiva, o Supremo Tribunal Federal suspendeu sua cobrança em virtude da declaração de inconstitucionalidade. Porém, tendo em vista que não compete à Receita Federal a restituição dos valores recolhidos relativos à referida taxa, é imprescindível que tenha ocorrido o trânsito em julgado da decisão. Vejase, inclusive, que a própria contribuinte, ao apresentar o Pedido de Restituição (fl. 01), vinculou o recolhimento indevido à sentença proferida nos autos do processo judicial n° 2000.34.00.00476155, não fazendo qualquer menção à Resolução n° 73 do Senado Federal; Ademais, caso se tratasse de pedido administrativo lastreado na referida Resolução, em 13/12/2001, quando da protocolização do pedido de restituição pela interessada, já transcorrera o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, visto que os recolhimentos foram efetuados entre janeiro de 1989 e dezembro de 1991. Até mesmo se contados os 5 (cinco) anos a partir da edição da Resolução n° 73 do Senado Federal, ocorrida em 15/12/1995, também já transcorrera o prazo decadência; Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10580.009584/200148 Resolução nº 1302000.458 S1C3T2 Fl. 6 5 Inclusive, disposição legal alguma atribui qualquer atividade administrativa de controle à Secretaria da Receita Federal. É certo que a IN SRF n° 89, de 1988, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 16 de junho de 1988, cuidou de disciplinar o pagamento da taxa de licenciamento por meio do Darf, mas a menção isolada desse único ato normativo veiculando a utilização de simples documento no pagamento da generalidade dos créditos à conta da União prestase tãosomente a confirmar que os atos administrativos concretos e diários de administração do tributo achavamse, com efeito, a cargo dos órgãos emissores das licenças de importação; Uma vez extinta a Cacex, com a reforma administrativa introduzida pelo Decreto n° 99.244, de 1990, a emissão das licenças de importação passou às atribuições do Departamento de Comércio Exterior (Decex), órgão específico da então Secretaria Nacional da Economia do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento. (arts. 164 e 165); Constatase, assim, dos expressos termos da legislação de regência da taxa em questão, que a sua cobrança e controle sempre estiveram a cargo do órgão federal emissor das licenças de importação: a Cacex e o Decex. Quanto à SRF e ao Departamento da Receita Federal, o que se logrou apurar foi que coube à atual RFB disciplinar o pagamento do tributo mediante Darf, disciplina essa, porém, aplicável e aplicada a todos os pagamentos de receitas destinadas à União via esse documento de arrecadação; Portanto, pelas razões até aqui analisadas, resta evidente que o pedido de restituição e compensação ora em análise decorreu exclusivamente da existência de ação judicial cujo trânsito em julgado ainda não ocorrera, e não em face da existência de Resolução do Senado reconhecendo o referido direito; No que tange a compensação dos tributos mediante aproveitamento, entendeu que, o contribuinte somente pode se utilizar de crédito reconhecido por ação judicial após o trânsito em julgado, sendo necessário que o contribuinte desista da execução do título judicial ou renuncie à sua execução; Restando provado que o pedido da interessada não preencheu todos os requisitos legais e normativos atinentes à sua restituição e utilização em compensação, inexiste reparo a se fazer no Despacho Decisório ora guerreado; Em face do exposto, VOTO por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação declarada. Intimada do acórdão (fls. 441), o termo de abertura de documento dispõe que o contribuinte tomou conhecimento do teor decisório em 19/02/2013 às 8:37h. Desta forma, em 20.03.2013, a contribuinte interpôs recurso voluntário, cujas razões são: Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10580.009584/200148 Resolução nº 1302000.458 S1C3T2 Fl. 7 6 Tratase de pedido de restituição dos valores recolhidos indevidamente, nos períodos de 01/1989 a 12/1991, a título de Taxa de Licenciamento de Importação (“Taxa Cacex”), instituída pelo caput do art. 10 da Lei n° 2.145/53, com a redação dada pela Lei n° 8.307/91. O crédito foi utilizado na compensação de débitos próprios de Cofins; O presente pedido de restituição foi formalizado em 13/12/2001, portanto, dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da publicação da declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do STF. Em 21/6/2005, a declaração de inconstitucionalidade se deu em sede de controle difuso, com a publicação da Resolução n° 11/2005 do Senado Federal. Dessa forma, tratandose de controle de constitucionalidade difuso, a Resolução do Senado Federal suspendeu a eficácia da lei instituidora da Taxa Cacex, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, com efeitos erga omnes. Portanto, o direito à restituição e à compensação dos valores indevidamente recolhidos pela Taxa Cacex não necessita de trânsito em julgado de decisão judicial de controle concentrado para se tornar certo. Cumpre esclarecer, ainda, que a suspensão da execução dos dispositivos legais que exigiam a cobrança da Taxa Cacex por Resolução do Senado, com efeitos erga omnes e ex tunc, é anterior ao indeferimento da restituição/compensação objeto do presente processo, que ocorreu somente em 21/11/2006. Destaquese, portanto, que o r. despacho decisório de 21/11/2006, ao indeferir a restituição dos valores indevidamente recolhidos à título de Taxa Cacex, conflitou com os efeitos expressos da Resolução Senatorial n° 11/2005, que suspendeu a execução do art. 10 da Lei n° 2.145/53, com a redação dada pela Lei n° 8.307/91. Nesse sentido, a alegada necessidade de trânsito em julgado de decisão judicial de controle concentrado, decorre da equivocada interpretação literal do artigo 170A do CTN. Referido dispositivo legal foi introduzido no nosso ordenamento jurídico com o intuito de impedir que fossem efetuadas compensações enquanto o direito à restituição ainda não reunisse condições de liquidez e de certeza. Dessa forma, embora a decisão judicial favorável à Recorrente tenha transitado em julgado somente em 25/9/2012, o direito já era líquido e certo, em razão dos efeitos da Resolução Senatorial n° 11/2005. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10580.009584/200148 Resolução nº 1302000.458 S1C3T2 Fl. 8 7 Quanto a competência da RFB para apreciar o pedido de restituição e compensação, a recorrente aduz que, a SRF é o órgão competente para promover a restituição da Taxa Cacex recolhida com base no artigo 10 da Lei n°2.145/53, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei 7.690/88. Ao final requer, conhecimento e provimento do recurso, para reformar o r. acórdão recorrido, devendo ser (i) reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos à título da Taxa Cacex, em razão da suspensão da execução dos dispositivos legais que exigiam a cobrança da referida taxa, por Resolução do Senado n° 11/2005 com efeitos erga omnes e ex tunc e (ii) reconhecida a competência da RFB para apreciação e julgamento do referido pedido. À fl. 485 foi apresentado Requerimento de Quitação de Débitos em Discussão (RQD), em 26/10/2015, do qual também consta pedido de desistência parcial do recurso voluntário em questão, especificamente, em relação aos débitos vencidos em 13/09/2002 (R$63.469,44) e 15/10/2002 (R$74.197,10). É o relatório. Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Voto Na forma acima, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente e está regularmente representada. Assim, presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. Tratase de recurso voluntário interposto face ao acórdão que indeferiu pedidos de restituição e deixou de homologar pedidos de compensações, as quais foram apresentadas com base na declaração pelo STF da inconstitucionalidade da Taxa Cacex cobrada pela emissão de licença ou guia de importação. Analisandose os autos, verificase que os pedidos de restituição e as declarações de compensação foram fundamentadas, em realidade, em decisão judicial favorável à recorrente, proferida pelo juízo da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, no entanto, a referida Taxa inserese entre as competências da 3a. Seção do CARF, nos termos do art. 4o., inc. XI, do Anexo II do Ricarf, verbis: Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: XI contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; Nesse sentido, voto por DECLINAR a competência em prol da 3a. Seção de Julgamento do CARF. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10580.009584/200148 Resolução nº 1302000.458 S1C3T2 Fl. 9 8 Fl. 497DF CARF MF
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