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Numero do processo: 10880.006861/00-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e José Roberto Adelino da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .0 06 86 1/ 00 -8 9 Fl. 2135DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 2.136 ___________ RELATÓRIO Tratase de embargos de declaração propostos por Morgan Stanley Participações Ltda contra decisão proferida no Acórdão 1401001.370, da sessão de 04/02/2015, da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, alterando o valor deferido do IRPJ anocalendário 1998 de R$ 9.230.896,34 para R$ 9.237.350,34 e do IRPJ anocalendário 1999 de R$ 11.038.286,71 para R$ 11.188.690,43, conforme a Ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 IRRF. COMPOSIÇÃO. O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no períodobase. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda e da CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, alterando o valor deferido do IRPJ anocalendário 1998 de R$ 9.230.896,34 para R$ 9.237.350,34 e do IRPJ anocalendário 1999 de R$ 11.038.286,71 para R$ 11.188.690,43. A embargante alega omissão e contradição do acórdão embargado em relação a pontos que foram somente questionados no recurso voluntário. Assim, como o acórdão embargado faz apontamentos genéricos para efetuar sua conclusão do tipo "todas as alegações trazidas pela contribuinte em sua peça recursal já foram ampla e devidamente analisadas por ocasião da decisão de piso" , pugna a embargante pela omissão e contradição do acórdão embargado. Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 10880.006861/0089 Resolução nº 1401000.457 S1C4T1 Fl. 2.137 3 Segue abaixo breve resumo dos embargos de declaração propostos: IRPJ – Anocalendário 1999 1) Saldo Negativo do IRPJ de 1999 Indeferido o montante de R$ 544.903,43. Sendo R$ 23.083,84 de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e R$ 521.819,59 de estimativas mensais de 1999, que foram pagas com saldo negativo de 1996 e 1997. 1.1) R$ 23.083,84 de IRRF Omissão e Contradição Parte do Saldo Negativo do IRPJ de 1999 decorre de IRRF de R$ 23.083,84. A fiscalização indeferiu porque não havia comprovação da retenção. Após diligência requerida pelo CARF, a empresa juntou Informe de Rendimentos de R$ 14.067,88 (doc. 15 fls. 1772). A empresa alega que a turma do CARF não enfrentou a questão do Informe de Rendimentos de R$ 14.067,88, que é parte do IRRF indeferido pela fiscalização no montante R$ 23.083,84. Em decorrência disso, segundo a embargante, somente R$ 9.015,96 é que não foram comprovados. Nos embargos, conclui o seguinte (fl. 2.034) 9. Resta clara, portanto, a omissão do acórdão nesse ponto, ao simplesmente deixar de analisar a documentação que embasa parte da restituição pleiteada, assim como a sua contradição, ao alegar que um argumento e documentos juntados com o Recurso Voluntário teriam já sido "ampla e devidamente analisadas por ocasião da decisão de piso". 1.2) R$ 521.819,59 de estimativas mensais de 1999, pagas com saldo negativo de 1996 e 1997 Omissão e contradição Segundo a embargante, a diligência (fls. 1930 e 1932) confirmou que o saldo negativo de 1996 estava líquido e certo, levando à turma do CARF a deferir mais R$ 150.403,72 do saldo negativo de 1999. Quanto ao ano de 1997, a turma do CARF desconsiderou a compensação de 05 a 09/1997, que se utilizou (assim como 1999) de saldo negativo de 1996. É que a diligência tratou de solicitar a análise do saldo negativo de 1996, para ver seu impacto em 1999. Segundo a embargante, não foi analisado o impacto do saldo negativo de 1996 no ano de 1997. Na 1ª instância, foi considerado um IRRF de 1996 de R$ 470.245,56 (fl. 1.657/efl. 1729). Após a diligência (que foi ratificada pela turma julgadora), o valor foi para R$ 819.850,53. Logo, impactou a estimativa de 1997, pois este valor (de 1996) também foi utilizado para pagar a estimativa de 1997. Nos embargos, conclui o seguinte (fl. 2.035): Fl. 2137DF CARF MF Processo nº 10880.006861/0089 Resolução nº 1401000.457 S1C4T1 Fl. 2.138 4 14. Concluise, logo, que o acórdão recorrido incorreu em nova omissão, ao deixar de examinar todos os efeitos da diligência solicitada por essa própria C. Turma, especialmente com relação à composição do saldo negativo de IRPJ de 1997, que acaba por impactar na quantificação da restituição em questão, assim como em contradição, ao alegar que um efeito da diligência solicitada por esse E. CARF teria sido "ampla e devidamente" analisado "por ocasião da decisão de piso". 1.3) IRRF de 1997 Omissão e Contradição Alega que juntou informe de rendimentos que comprovam um montante superior ao reconhecido, levando o saldo negativo de 1997 de R$ 1.345.203,98 para R$ 1.618.024,12, o que impacta o saldo negativo de 1999 e, por conseguinte, o pedido de compensação pleiteado. Nos embargos, conclui o seguinte (fl. 2.035): 16. Tratase, portanto, de outra omissão do acórdão recorrido, ao deixar de analisar documentação comprobatória das questões sob discussão, assim como contradição, ao alegar que documentos juntados com o Recurso Voluntário teriam sido "ampla e devidamente" analisados "por ocasião da decisão de piso". 2) Saldo negativo de CSL dos anos de 1998 e 1999 Omissão 2.1) Alega que juntou controles contábeis que comprovam a composição do saldo negativo de CSL de 1998, cuja restituição foi solicitada. Além de demonstrar o saldo de 1998, este também alterou o saldo de 1999, também objeto de pedido de restituição. Nos embargos, conclui o seguinte (fl. 2.036): 19. Verificase, neste ponto, mais uma omissão dessa C. Turma, na medida em que deixou de examinar argumentos e documentos que comprovam não somente a composição do saldo negativo de CSL do ano de 1998 como também a composição do saldo negativo de CSL do ano de 1999, na medida em que esta decorre diretamente daquela. No acórdão do recurso voluntário (fl. 2.015), o relator assim se pronunciou quanto a este ponto: CSLL – Anoscalendário 1998 e 1999 Em relação ao CSLL, nada de inovador ou relevante foi apresentado pela recorrente visando comprovar as parcelas controversas dos saldos negativos. Mantenho, portanto, o que restou decidido pelo colegiado julgador a quo. Devem as razões constante da decisão de piso, para todos os fins, ser consideradas como parte integrante do presente voto. Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 10880.006861/0089 Resolução nº 1401000.457 S1C4T1 Fl. 2.139 5 Pois bem. Na admissibilidade dos embargos, assim me manifestei: Com efeito, em análise do voto condutor do acórdão embargado, conforme já reproduzido parcialmente acima, verificase que não foram enfrentadas todas as questões trazidas pela recorrente. Não obstante terem sido somente argumentadas no recurso voluntário, logo, sujeitas à preclusão temporal nos termos do 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972, a turma deveria, a meu ver, analisar os documentos trazidos no recurso voluntário e emitir parecer sobre eles, principalmente pelo fato de ter baixado o processo em diligência para que se analisassem tais documentos. Nesse sentido, posso concluir que o Acórdão 1401001.370, da sessão de 04/02/2015, da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF foi omisso e/ou contraditório quanto ao(s) argumento(s) suscitado(s) pela Embargante, elencados acima, cabendo, em posterior análise dos embargos, serem verificados quais deles (argumentos) deverão ser aceitos ou não pela turma julgadora; pelo que proponho que sejam ADMITIDOS os embargos interpostos. Com base nesse pronunciamento, o Presidente desta Turma proferiu despacho admitindo os embargos. É o Relatório. VOTO Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator Os embargos foram propostos tempestivamente e deles tomo conhecimento. Antes de adentrar em todas as questões trazidas pela embargante, entendo que alguns pontos merecem ser investigados, para que o processo se torne maduro o suficiente para ser julgado. Nesse sentido, proponho que este processo seja baixado em diligência conforme o que será tratado abaixo: 1.2) R$ 521.819,59 de estimativas mensais de 1999, pagas com saldo negativo de 1996 e 1997 Segundo a embargante, a diligência (fls. 1930 e 1932) confirmou que o saldo negativo de 1996 estava líquido e certo, levando à turma do CARF a deferir mais R$ 150.403,72 do saldo negativo de 1999. Fl. 2139DF CARF MF Processo nº 10880.006861/0089 Resolução nº 1401000.457 S1C4T1 Fl. 2.140 6 Quanto ao ano de 1997, a turma do CARF desconsiderou a compensação de 05 a 09/1997, que se utilizou (assim como 1999) de saldo negativo de 1996. É que a diligência tratou de solicitar a análise do saldo negativo de 1996, para ver seu impacto em 1999. Segundo a embargante, não foi analisado o impacto do saldo negativo de 1996 no ano de 1997. Assim, proponho que o processo seja baixado em diligência para que se informe o que segue: 1) Confirmar se o valor de saldo negativo de 1996 foi suficiente para quitar/compensar as estimativas do período de 05 a 09/1997, conforme o resultado abaixo: antes da diligência IRRF de 1996 de R$ 470.245,56 após diligência IRRF de 1996 de R$ 819.850,53 1.3) IRRF de 1997 Alega que juntou informe de rendimentos que comprovam um montante superior ao reconhecido, levando o saldo negativo de 1997 de R$ 1.345.203,98 para R$ 1.618.024,12, o que impacta o saldo negativo de 1999 e, por conseguinte, o pedido de compensação pleiteado. Assim, proponho que o processo seja baixado em diligência para que se informe o que segue: 2) O pedido de saldo negativo de 1997 de R$ 1.618.024,12 já constava no pedido inicial? Os informes de rendimentos acostados ao processo realmente comprovam o saldo negativo de 1997 de R$ 1.618.024,12? A receita de R$ 1.618.024,12 foi efetivamente tributada? 2) Saldo negativo de CSL dos anos de 1998 e 1999 2.1) Alega que juntou controles contábeis que comprovam a composição do saldo negativo de CSL de 1998, cuja restituição foi solicitada. Além de demonstrar o saldo de 1998, este também alterou o saldo de 1999, também objeto de pedido de restituição. Assim, proponho que o processo seja baixado em diligência para que se informe o que segue: 3) Os controles contábeis anexados, fazem prova da composição do saldo negativo de 1998? Estes saldos impactaram no saldo negativo de CSLL do ano de 1999? Os rendimentos que geraram o saldo negativo em referência foram tributados? Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 10880.006861/0089 Resolução nº 1401000.457 S1C4T1 Fl. 2.141 7 CONCLUSÃO Diante do exposto, proponho que este processo seja baixado em diligência para que a fiscalização verifique as solicitações contidas nos itens 01 a 03 descritos acima. Depois de diligenciada a empresa recorrente, favor elaborar parecer conclusivo e dar ciência à empresa, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do parecer fiscal, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/1999. Após, favor encaminhar este processo a esta turma do CARF, para o prosseguimento do julgamento deste processo administrativo fiscal. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 2141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728665/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
Numero da decisão: 2301-004.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe parcial provimento, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente.
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
EDITADO EM: 13/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 96 1 95 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.728665/201253 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.965 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2017 Matéria Rendimentos Recebidos Acumuladamente Recorrente ALVARO COSTA E SILVA Recorrida União ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo Presidente. Alexandre Evaristo Pinto Relator. EDITADO EM: 13/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 86 65 /2 01 2- 53 Fl. 96DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1253.370, de 05/03/2013, (fls. 65 a 68). No lançamento, relativo ao anocalendário 2010 (fl. 9), houve exigência de imposto suplementar no valor de R$ 5.735,31, em virtude da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no montante de R$ 36.962,31, decorrentes de ação trabalhista e compensação indevida de imposto de renda na fonte, no montante de R$ 1.108,86. Na impugnação (fl. 4), o recorrente argumentou que não houve omissão pois recebeu o valor que foi declarado, assim como os rendimentos foram considerados como de tributação exclusiva. No adendo à impugnação (fl. 5), o recorrente menciona que os rendimentos recebidos acumuladamente são considerados como de tributação exclusiva, conforme a IN nº 1.127 de 07.02.2011 e transcreve os rendimentos à ficha RRA na Opção Tributação Exclusiva considerando o período atrasado de diferenças salariais de 31 meses. Em decorrência, pede a restituição do Imposto Retido na Fonte de R$ 1.108,86. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. É de se manter a omissão, quando comprovado que o contribuinte auferiu rendimentos tributáveis de diferença salarial provenientes de ação na justiça federal.. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 73) reiterando as alegações anteriormente feitas na impugnação, assim como solicita que seja recebida a Declaração de Ajuste Anual retificadora (fls. 83 a 87). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 12448.728665/201253 Acórdão n.º 2301004.965 S2C3T1 Fl. 97 3 Rendimentos Recebidos Acumuladamente Aplicação do Cálculo do Artigo 12A da Lei nº 7.713/1988 Com relação à questão sobre a potencial ilegalidade da tributação integral dos valores de rendimentos recebidos de forma acumulada quando do efetivo recebimento, cumpre destacar que no anocalendário de recebimento de rendimentos pelo recorrente, vigia o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que possuía a seguinte redação: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Todavia, a Lei 12.350, de 2010 introduziu o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, que definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) (...)§ 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Não há dúvida sobre a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713/88 para os exercícios posteriores a 2010, no entanto, poderia haver dúvida sobre a aplicação do referido artigo para o caso em tela, uma vez que as verbas foram recebidas em abril de 2010 (cf. fl. 67), considerando que o contribuinte não assinalou a opção "tributação exclusiva". Vale ressaltar que o próprio contribuinte só tomou conhecimento de seu erro (de não assinalar a opção "tributação exclusiva") ao sofrer a fiscalização, de forma que tentou apresentar Declaração de Ajuste Anual Retificadora proposta pelo Recorrente ((fls. 83 a 87), assinalando a opção pela "tributação exclusiva". Há inclusive precedente da Câmara Superior do CARF no sentido que a tributação preconizada no art. 12A da Lei nº 7.713/88 seria aplicável para o anocalendário 2009, conforme pode ser observado no Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: Fl. 98DF CARF MF 4 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vale destacar que decidiu o STJ nos Recursos Especiais REsp 1.420.720 e REsp n1.118.429, ambos julgados sob rito do artigo 543C do CPC que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.420.720 1. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. RESP 1.118.429 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Também é importante destacar que o STF no RE 614.406 sob rito do artigo 543B do CPC que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos: RE 614.406 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Ademais, conforme o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STF e STJ deverão ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) Fl. 99DF CARF MF Processo nº 12448.728665/201253 Acórdão n.º 2301004.965 S2C3T1 Fl. 98 5 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, voto no sentido de que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Retificação da Declaração de Ajuste Anual Considerando que a Declaração de Ajuste Anual relativa ao anocalendário de 2010 está sendo objeto do presente processo administrativo, não há que se falar em recebimento da Declaração de Ajuste Anual Retificadora proposta pelo Recorrente ((fls. 83 a 87). Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720. Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 100DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720193/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal analise as contas relativas ao ano de 2009, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues, que consideravam desnecessária tal providência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal analise as contas relativas ao ano de 2009, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues, que consideravam desnecessária tal providência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues. RELATÓRIO Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, completandoo ao final: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco do auto de infração de CSLL (fls. 117/128), no valor de R$ 43.126.810,45, acrescido a multa de ofício de 75% e dos juros de mora, lavrado pela DEMAC/RJO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 19 3/ 20 14 -3 1 Fl. 901DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.262 S1C2T1 Fl. 902 2 As razões da autuação encontramse descritas no Termo de Verificação (fls. 112/116), cujo teor, em síntese, a seguir reproduzo: a) Foi observado que, no anocalendário de 2009, o contribuinte adicionou, na apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, a título de “tributos e contribuições com exigibilidade suspensa”, os seguintes valores: b) Todavia, tais valores não foram adicionados na apuração da CSLL; c) Dessa forma, foi o contribuinte intimado a apresentar justificativa para este procedimento, e respondeu que não haveria legislação que o obrigasse a efetuar tal adição; d) Entretanto, não assiste razão ao contribuinte, eis que as despesas tem a natureza de provisão, aplicandose, desta forma, o disposto no § 1º, letra c, item 3 do artigo 2º da Lei nº 7689/1988, com redação dada pelo artigo 2º da Lei nº 8.034/1990 e pelo artigo 13, inciso I da Lei nº 9.249/1995; e) Há de se ressaltar também que houve Decisão da SRRF 8ª Região Fiscal nº 186/2000 que expressa esse mesmo entendimento, bem como acórdãos do CARF. Devidamente cientificada (fls. 118 e166) em 12/03/2014, a interessada, em 11/04/2014, apresentou impugnação (fls. 212/227), cujo teor, em síntese, a seguir reproduzo: a) Foi autuada por não ter adicionado, na base de cálculo da CSLL de 2009, valores a título de tributos com exigibilidade suspensa, equivocadamente tidos pela fiscalização como provisões, quando em realidade eram em sua maioria pagamentos efetuados em programas de anistia/remissão e mesmo a parte remanescente se referia a parcelamentos, hipóteses não abarcadas pela legislação como de vedação à dedução; b) Foi ainda intimada a recompor sua base negativa da CSLL; c) O auto de infração foi pautado sob o equivocado argumento de se tratar de provisões e não de pagamentos efetuados no âmbito do parcelamento; Fl. 902DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.262 S1C2T1 Fl. 903 3 d) Sobre o assunto, vale dizer que determinações legais próprias, específicas do IRPJ não se aplicam à CSLL, senão em virtude de lei que expressamente determine, não se admitindo a analogia; e) Observase que, a despeito da previsão de que seguem as mesmas normas de apuração, os dois tributos mantêm distintas suas bases de cálculo e alíquotas, as quais devem observar o primado da legalidade; f) Além das diferenças entre as bases de cálculo de ambas as exações, um outro ponto há ainda de ser sopesado para a procedência da impugnação com o cancelamento da autuação: a evidente ausência de base legal para a vedação à dedução; g) É certo que o artigo 391 do RIR/1999 considera indedutível para a apuração do Lucro Real as despesas referentes a tributos com exigibilidade suspensa; h) É também incontroverso que a IN nº 390/2004 determina em seu artigo 3º que as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ sejam aplicadas à CSLL; i) Contudo, convém destacar que este próprio dispositivo infralegal contém expressa ressalva de que devem ser mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação de CSLL; j) Não há como se reconhecer que uma norma infralegal, no caso uma IN editada pela RFB seja capaz de ampliar a base de cálculo de um tributo para além dos limites por lei instituídos. Portanto, a observância da legalidade, insculpida no âmbito do processo administrativo é inafastável no que diz respeito à apuração da base de cálculo da CSLL; k) Logo, as adições não previstas em lei, mas somente na IN nº 390/2004, não podem ser observadas, eis que a legalidade no Direito Tributário é patente; l) Salientase a boafé da impugnante, demonstrandose que os valores objeto de dedução encontramse devidamente refletidos nas contas contábeis abaixo: Fl. 903DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.262 S1C2T1 Fl. 904 4 m) Da análise dos processos cujos valores foram objeto de redução, é possível inferir que todos se referem a processos cujos tributos foram pagos no âmbito de programas instituídos pelos governos federais ou estaduais; n) Da análise do artigo 41 da Lei nº 8.981/1995, inferese que não são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os tributos que estejam com exigibilidade suspensa por força de depósito judicial, impugnações e recursos, bem como liminar em mandado de segurança e tutela antecipada. Contudo, o dispositivo legal em questão exclui expressamente a moratória (inciso I) e o parcelamento (inciso VI); o) No que diz respeito à glosa da exclusão do montante de R$ 16.734.321,81, não se atentou o fisco para o fato de que se tratava de Fl. 904DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.262 S1C2T1 Fl. 905 5 verdadeira mudança nos status dos respectivos processos, originando o citado ajuste na base de cálculo; p) Isto porque os tributos foram pagos ou parcelados com base em programas governamentais que implicaram, além da dilação do prazo de pagamento, remissão ou anistia tributárias; q) Assim, alterandose o valor da adição anteriormente efetuada, resta somente ao contribuinte excluir de sua base calculada da CSLL tais montantes, em conduta amplamente respaldada pelo ordenamento jurídico pátrio; r) Desse modo, também o item em questão não pode prevalecer, impondose a exclusão do valor de R$ 16.734.321,81 da base de cálculo da CSLL, com a improcedência da glosa do valor de R$ 43.126.810,44. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, analisando a impugnação, julgoua improcedente, por meio do Acórdão 1267.341, cuja ementa trago a colação: Fl. 905DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.262 S1C2T1 Fl. 906 6 Contra a decisão de primeira instância, o contribuinte impetrou recurso voluntário, de fls. 577/592, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Na sessão de 11 de agosto de 2016, esta Turma de Julgamento emitiu a Resolução nº 1201000.216 e determinou o retorno dos autos à Delegacia de Origem para que aquela unidade junte aos autos o pedido e a consolidação dos tributos e contribuições parcelados pela contribuinte no âmbito da Lei nº 11.941/2009 e a situação atual do parcelamento. Os autos foram encaminhados para a Demac/RJO/Dicat/RJ que anexou, às fls. 836/868, as telas com o pedido, consolidação e débitos incluídos no Parcelamento da Lei 11.941/09, o qual encontrase na situação liquidada. Além disso, foram anexados, os mesmos documentos referentes ao Parcelamento da Lei 12.865/2013, artigo 40, que encontrase na situação ativo e parcelado. A recorrente, após tomar ciência da diligência, apresentou manifestação ás fls. 879/881, nos seguintes termos: Fl. 906DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.262 S1C2T1 Fl. 907 7 Fl. 907DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.262 S1C2T1 Fl. 908 8 Os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. VOTO Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator Trata o presente processo, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 112/116, de adição às bases de cálculo da CSLL do 1º ao 4º Trimestres de 2009, dos valores referentes a "Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa" que foram adicionados pela recorrente na apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ. A autoridade fiscal assim motivou a exigência fiscal: Fl. 908DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.262 S1C2T1 Fl. 909 9 Apesar da principal linha de defesa da recorrente ser pela ausência de identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, também alega, subsidiariamente, que os valores que foram adicionados na apuração da base de cálculo da CSLL, encontramse devidamente refletidos nas contas contábeis, abaixo reproduzidas, ou seja, são pagamentos, parcelamentos, etc, situações diversas daquelas previstas no artigo 41, §1º da Lei 8.981/95: Fl. 909DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.262 S1C2T1 Fl. 910 10 Código Tributário Nacional: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial;(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Lei nº 8.981/1995: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do Fl. 910DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Resolução nº 1201000.262 S1C2T1 Fl. 911 11 art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (Grifamos). Segundo a recorrente, da análise dos processos cujos valores foram objeto de dedução, conforme tabela ao norte reproduzida, é possível inferir que a maior parte se refere a processos cujos tributos foram pagos no âmbito de programas instituídos pelos governos federais ou estaduais. Ademais, prossegue a contribuinte, o artigo 41, §1º da Lei 8.981/95 não exclui a dedução de tributos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL que estejam com a exigibilidade suspensa em função de moratória bem como de parcelamento, os quais se encontram a maior parte dos processos da recorrente. Tendo em vista a necessidade de que essa questão seja examinada pela autoridade fiscal, voto por converter o julgamento em diligência e, por consequência, remeter os autos à Unidade de Origem no sentido de que : a) a autoridade fiscal analise as contas contábeis constantes da tabela ao norte reproduzida, no ano de 2009, para verificar se guardam relação com os tributos que estejam com a exigibilidade suspensa em função dos incisos I, V e VI do artigo 151 do CTN e, caso positivo, exclua esses valores do montante adicionado na apuração da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2009; b) a autoridade fiscal poderá intimar a interessada a apresentar documentos e informações complementares, aptos a subsidiar suas alegações, caso assim entenda necessário; c) as conclusões da autoridade fiscal deverão constar de parecer conclusivo; d) o parecer conclusivo deverá ser notificado à Recorrente, para que esta se manifeste, se assim desejar, no prazo de 30 dias. Adotadas as providências acima, o processo deverá retornar a este Conselho para que seja concedida vista e oportunidade para que a Fazenda Nacional se manifeste, no prazo legal se assim desejar, sobre os documentos colacionados pela defesa e as conclusões da diligência fiscal. Concluído o trâmite proposto, os autos deverão ser encaminhados a esta Turma e Relator, para apreciação e posterior julgamento. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos propostos. É como voto. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 911DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720186/2013-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-002.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 86 /2 01 3- 24 Fl. 14614DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.615 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por BAYER S.A. (efls. 14448 e segs) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402002.131 (efls. 14415/14438), pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 02/03/2016, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo das matérias A autuação fiscal (efls. 14173/14205) tratou de verificar os cálculos efetuados pelo Contribuinte, no anocalendário de 2008, de preços de transferência, conforme previsto nos arts. 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, com a alteração da Lei n° 9.959, de 27 de janeiro de 2000 e pela IN SRF n° 243, 2002. A Fiscalização efetuou ajustes na apuração relativa a operações de importação realizada pelos métodos PIC e PRL. Foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 14212/14241) que foi julgada improcedente (efls. 14306/14327) pela primeira instância (DRJ). Foi interposto pela contribuinte recurso voluntário (efls. 14334/14365). Foi negado provimento ao recurso pela turma ordinária do CARF (efls. 14415/14438). A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 14448/14463) em relação à matéria ilegalidade da IN SRF 243, de 2002, que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade (efls. 14568/14576). A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 14578/14604). A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa A contribuinte apresentou impugnação (efls. 14212/14241), que foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/São Paulo I, nos termos do Acórdão nº 1450.896 (efls. 14306/14327), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Fl. 14615DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.616 3 Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes ao PIS e à COFINS da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido, estabelecido pela Lei nº 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2008 AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Foi interposto recurso voluntário (efls. 14334 e segs) pela Contribuinte. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 02/03/2016, decidiu negar provimento ao recurso, no Acórdão nº 1402002.131 (efls. 14415/14438), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 Fl. 14616DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.617 4 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há ilegalidade na IN SRF n° 243/2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes ao PIS e à COFINS da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido, estabelecido pela Lei n° 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos. LANÇAMENTO REFLEXO. Quanto ao lançamento reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento ao lançamento de IRPJ, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 14448 e segs.), protestando sobre a ilegalidade da metodologia para apuração de ajustes de preços de transferência introduzida pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, discorrendo sobre a inexistência de fundamento de validade dos cálculos proporcionais da instrução normativa antes da Lei nº 12.715, de 2012 e da importância do valor agregado no país. Requer pela reforma do acórdão recorrido e pelo cancelamento integral da exigência fiscal. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 14568/14576 deu seguimento ao recurso. Foram apresentadas contrarrazões pela PGFN (efls. 14578/14604), no qual discorre que a sistemática do PRL 60 definida pela IN SRF nº 243/02 concretiza devidamente o objetivo do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, e requer pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Fl. 14617DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.618 5 Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 14568/14576, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer o recurso da Contribuinte. Foi devolvida para apreciação do Colegiado a matéria ilegalidade da metodologia para apuração de ajustes de preços de transferência introduzida pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Sobre o assunto, a ilegalidade de IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, tratase de matéria já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 2. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 2 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 14618DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.619 6 No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Fl. 14619DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.620 7 Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 3, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 4 : 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 5 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) 3 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 5 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 14620DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.621 8 Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 6. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. 6 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 14621DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.622 9 Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total7. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: 7 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 14622DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.623 10 I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: Fl. 14623DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.624 11 CII PPart = CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: CII PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd Fl. 14624DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.625 12 No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries 8, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. 8 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 14625DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.626 13 Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 14626DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.627 14 Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE Fl. 14627DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.628 15 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. Fl. 14628DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.629 16 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Fl. 14629DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.630 17 Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Quanto ao argumento de que a Lei nº 12.715, de 2012 (convertida pela MP nº 563, de 2012), ao reproduzir dispositivos da IN SRF nº 243, de 2002 confirmaria a ilegalidade da instrução normativa, não resiste a uma análise mais precisa da exposição de motivos da medida provisória: 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: a) substituição dos atuais métodos do Preço de Revenda menos Lucro PRL20 e PRL60, aplicáveis, respectivamente, a hipóteses nas quais os bens importados sejam exclusivamente revendidos ou sejam submetidos a processos produtivos no Brasil, a um único método de cálculo de preço parâmetro, o que fará com que os controles em questão não mais sejam relevantes na tomada de decisões quanto à forma de atuação das entidades sujeitas aos controles de preços de transferência no Brasil, bem como eliminará inúmeros litígios concernentes à conceituação do que venha a ser “submissão a processo produtivo no País”, fator este de enorme insegurança jurídica no que toca à matéria; b) aplicação, para fins de cálculo do PRL, de margens de lucro diferenciadas por setores da atividade econômica;(grifei) c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; No que concerne ao PRL 20 e PRL 60, deixa clara a exposição de motivos que o cerne da alteração em relação à lei anterior é o estabelecimento de um único método de cálculo de preço parâmetro, entendendo ser uma melhoria em relação à situação pretérita, no qual havia diferença de tratamento entre (i) os bens importados exclusivamente revendidos e (ii) aqueles submetidos a processos produtivos no Brasil. Discorre, de maneira expressa, sobre a preocupação com litígio que provocava a "conceituação" da expressão “submissão a processo produtivo no País”, o que, de acordo com o legislador, tratavase de "fator este de enorme insegurança jurídica". Ora, não se fala, em nenhum momento, em se dissipar qualquer eventual dúvida sobre a legalidade do art. 18 da IN SRF nº 243, de 2002. Tanto que, na sequência, discorre a exposição de motivos sobre a aplicação de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica, e sobre nova sistemática na apuração do preço de transferência para os valores a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação. Observase que a exposição de motivos expressamente se manifestou quando entendeu que a lei alterou a norma tributária relativa aos preços de transferência, ou seja, na Fl. 14630DF CARF MF Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 9101002.837 CSRFT1 Fl. 14.631 18 adoção de um único método de cálculo de preço parâmetro para o PRL, na definição de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica e na sistemática para a inclusão de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação no preço praticado. Por outro lado, na medida em que não discorreu sobre o método adotado pelo 18 da IN SRF nº 243, de 2002, confirmou a interpretação dada pela norma complementar, tanto que positivou o entendimento na nova redação da lei. E se o legislador aproveitou a oportunidade para positivar, em texto legal, interpretação dada pela IN SRF nº 243, de 2002, tratase de procedimento que em nada altera a norma tributária em análise (método de cálculo do preço parâmetro pelo PRL 60), sob uma perspectiva substancial (material). A alteração é apenas no campo formal, tomandose como referência a data de vigência da Lei nº 12.715, de 2012: antes, a norma tinha previsão em lei e em norma complementar (instrução normativa autorizada pelo art. 100 do CTN 9); após, a previsão apenas em lei. Portanto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura 9 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Fl. 14631DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901072/2013-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 72 /2 01 3- 78 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901072/201378 Acórdão n.º 1302002.226 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901072/201378 Acórdão n.º 1302002.226 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901072/201378 Acórdão n.º 1302002.226 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901110/2012-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.415
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente PARIZOTTO & CIA. LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 11 10 /2 01 2- 76 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10940.901110/201276 Acórdão n.º 3302004.415 S3C3T2 Fl. 3 2 pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese: "Inicialmente, contextualiza a existência de seu direito creditório nos seguintes termos: 01. DOS FATOS ... A contribuinte é tributada pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Por isso, permanece sujeita à sistemática cumulativa de tributação do PIS e da COFINS estabelecida na Lei n° 9.718/1998, mesmo com entrada em vigor, respectivamente, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que introduziram modificações na legislação das referidas contribuições (sistemática nãocumulativa). A Recorrente é uma sociedade empresária limitada, cujo objeto social se resume no comércio de gêneros alimentícios naturais e industrializados, artigos de vestuário, utilidades domésticas e eletrodomésticas, bebidas, refrigerantes, produtos de limpeza, higiene pessoal, carnes e derivados, conforme comprova a inclusa cópia do seu contrato social (Doc. 02). Dentre os produtos comercializados em seu estabelecimento, há alguns que estão sujeitos a incidência do PIS/COFINS à alíquota zero, como por exemplo: a) Farinha de trigo: Lei n° 10.925/2004, art. I o , XIV; b) Leite fluido pasteurizado ou industrializado: Lei n° 10.925/2004, art. I, XI; c) Feijão comum, arroz e farinhas, sêmolas e pós de sagu ou das raízes ou tubérculos: Lei n° 10.925/2004, art. I, V; d) Farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho: Lei n° 10.925/2004, art. 1º, IX; e) Produtos hortícolas, frutas e ovos: Lei n° 10.865/2004, art. 8° , § 12, X e art. 28, III; f) Gás natural liqüefeito: Lei n° 10.865/2004, art. 8º , § 12, IX e XVI; g) Água, refrigerante, cerveja sem álcool e cerveja de malte: Lei n° 10.833/2003, art. 50, I; h) Produtos farmacêuticos e produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal: Lei n° 10.147/2000, Art. 2°. A Contribuinte tributou indevidamente PIS e COFINS nas saídas dos produtos acima listados, majorando a base de incidência das contribuições e aumentando o valor a ser recolhido mensalmente. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10940.901110/201276 Acórdão n.º 3302004.415 S3C3T2 Fl. 4 3 Alega ter retificado as informações prestadas em Dacon e DCTF anteriormente à formalização do pedido de restituição e implementação da compensação. Cita legislação que ampara seu direito de restituição e compensação. Cita ainda jurisprudência administrativa que vêm entendendo ser necessária a reforma da decisão para desconsiderar a alocação de valores maiores do que os efetivamente utilizados. Prossegue: Ficou evidente que a Contribuinte efetuou pagamento a maior e detém o crédito solicitado. Ao que tudo indica, ocorreu apenas equívoco no momento do processamento das informações na Receita Federal. Por certo, a DCTF e a DACON retificadoras não foram processadas juntamente com a PER/DCOMP, apontando assim divergências, que motivaram o Despacho Decisório expedido eletronicamente, indeferindo a pretensão da Contribuinte. Todas as informações prestadas pelo contribuinte devem ser analisadas e processadas pelo Fisco antes de se efetuar o lançamento de eventuais débitos. No caso vertente, é imperativo que a autoridade administrativa de primeira instância analise previamente o direito creditório declarado para só depois proferir decisão, propiciando adequado contraditório. A própria Receita Federal reconhece que pode ser exigida a apresentação de elementos que comprovem o direito creditório do contribuinte, em normas expedidas pelo órgão, como é o caso da Instrução Normativa n° 900/2008, pelo seu art. 65, vejamos: ... Diante dos fatos acima expostos, percebese que a Recorrente faz juz ao crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS [...] Para demonstrar o seu direito, junta em anexo (Doc. 11) os demonstrativos dos produtos excluídos da base de cálculo de incidência da COFINS [...], em face da tributação à alíquota zero. Desta forma, requer a Contribuinte que o Despacho Decisório [...] seja cancelado, por ter suprimido a análise em primeira instância do direito creditório declarado. Requer também que, a declaração de compensação [...] seja homologada, tendo em vista que a Recorrente é detentora do crédito utilizado para amparála. Requer ainda que, o crédito declarado e compensado seja analisado com base nos documentos probatórios juntados a presente manifestação de inconformidade. Caso a Delegacia de Julgamento entenda não serem suficientes para efetuar a análise, que o processo seja baixado em diligência à origem, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa PR, para que a Contribuinte seja intimada a apresentar novos documentos que se façam necessários, de acordo com o art. 65 da IN 900/2008. Requer, por fim, que quaisquer intimações relativos a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor da presente Manifestação de Inconformidade, mandatário da Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, pessoalmente, ou pela via postal, no endereço constante do mandato, a fim de que não haja prejuízo para a Contribuinte. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10940.901110/201276 Acórdão n.º 3302004.415 S3C3T2 Fl. 5 4 A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão 14 052.228. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico; e (ii) a falta de retificação de outras declarações não são hábeis a fazer com que o crédito deixe de existir. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.411, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10940.901106/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.411): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 01.09.2014 (fls.127) e protocolou Recurso Voluntário em 16.09.2014 (fls. 131141), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todos os DARF’s haviam sido integralmente utilizados para extinguir débitos (não havia saldo “em aberto”), ao passo que a decisão recorrida motivou a glosa pelo fato de não haver apoio legal (produtos que são tributados) e nem documental (ausência de apresentação de documentos). Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10940.901110/201276 Acórdão n.º 3302004.415 S3C3T2 Fl. 6 5 Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Com efeito, a fiscalização indeferiu o pedido formulado pela Recorrente baseada nos dados informados na DCTF e DACON originariamente apresentadas, sendo que, naquela oportunidade foi constatada a ausência de saldo em aberto. Tanto é que própria Recorrente, após ser cientificada do despacho decisório e reconhecer o equivoco cometido, procedeu a retificação de suas declarações e pleiteou o reconhecimento do crédito em sede de manifestação de inconformidade. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e fundamentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de compensação, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. III Mérito Neste ponto, sustenta a Recorrente (i) que com a retificação das declarações restaram sanados os motivos da glosa fiscal, com o que só por esta razão devem ser homologadas as declarações de compensação; (ii) que o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação ou pela retificação de outras declarações; (iii) que a retificação de declarações da empresa não é condição para homologação ou não das compensações, pois o direito creditório da Recorrente existe; e (iv) que autoridade julgadora deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro para desvelar o direito da Recorrente, devendo proferir decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, isso em atenção ao princípio da verdade real. Inicialmente, é imperioso destacar que a decisão recorrida não desconsiderou as retificações realizados pela Recorrente para manter o indeferimento do pedido de compensação, sendo que o fundamento utilizado pela fiscalização foi apenas a ausência de comprovação documental da origem do crédito. Sobre isso, destaco trecho da decisão de piso: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10940.901110/201276 Acórdão n.º 3302004.415 S3C3T2 Fl. 7 6 Oportuno ainda esclarecer que a simples retificação dessas declarações não é hábil à comprovação do crédito pretendido, devendo estar acompanhada dos documentos fiscais e contábeis pertinentes. Assim, a questão envolvendo a retificação da DCTF, não foi o fundamento utilizado pela autoridade julgadora para afastar o direito ao crédito, sendo que ela própria (autoridade julgadora), admitiu que tal procedimento pode ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no PER/DCOMP nº 21879.54431.120609.1.3.042690, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão de ter considerado equivocadamente na base de cálculo das contribuições receitas sujeitas à alíquota zero. Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10940.901110/201276 Acórdão n.º 3302004.415 S3C3T2 Fl. 8 7 serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. IV Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 177DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000227/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.973
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente SONNERVIG AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 27 /2 01 1- 71 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 12585.000227/201171 Acórdão n.º 3302003.973 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.231. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 164DF CARF MF Processo nº 12585.000227/201171 Acórdão n.º 3302003.973 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 12585.000227/201171 Acórdão n.º 3302003.973 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 166DF CARF MF Processo nº 12585.000227/201171 Acórdão n.º 3302003.973 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 167DF CARF MF Processo nº 12585.000227/201171 Acórdão n.º 3302003.973 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 10325.720617/2014-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 31/05/2012, 30/06/2012, 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 30/11/2012, 31/12/2012, 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013
MULTA. SICOBE. ANORMALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a norma nova aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado falta de pagamento de tributo.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 3402-004.133
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/05/2012, 30/06/2012, 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 30/11/2012, 31/12/2012, 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 MULTA. SICOBE. ANORMALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a norma nova aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado falta de pagamento de tributo. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim - Presidente Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Fl. 1032DF CARF MF 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 14-53.869 - 12ª Turma da DRJ/RPO, de 29 de setembro de 2014, que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 31/05/2012, 30/06/2012, 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 30/11/2012, 31/12/2012, 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 MULTA. ANORMALIDADE NO FUNCIONAMENTO DO SICOBE. A ação ou omissão tendente a prejudicar a obrigatoriedade de ressarcir a Casa da Moeda do Brasil pela utilização do SICOBE, caracterizada a respectiva anormalidade de funcionamento, implica a imposição de multa correspondente a 100% do valor comercial da mercadoria produzida em cada período de apuração, no período de constatação da irregularidade, em montante global não inferior a R$ 10.000,00. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Trata o processo de auto de infração (fls. 870/871), lavrado em 25/03/2014, para exigir o valor de R$ 21.093.114,51 de multa regulamentar por ação ou omissão tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE). Conforme auto de infração e termo de verificação fiscal, foi expedido relatório técnico pela Casa da Moeda do Brasil, sendo que não houve o ressarcimento devido pela empresa em virtude da execução pela Casa da Moeda do Brasil de procedimentos de manutenção preventiva/corretiva, no período de abril a agosto de 2011, no total de R$ 221.236,53. A fiscalizada foi intimada a regularizar a situação no prazo de dez dias, sob pena de caracterização de anormalidade do funcionamento do SICOBE, nos termos da IN RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008, arts. 8º-A e 13, §4º. Transcorrido prazo para a regularização, sem nenhuma providência tomada pelo sujeito passivo, foi baixado o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 59, de 09/11/2011 (fl. 13), com a caracterização de anormalidade do funcionamento do SICOBE, estando sujeita a contribuinte à multa prevista na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, c/c a Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 58- T, com a redação dada pela Lei nº 11.827, de 20 de novembro de 2008, e disciplinada pela Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008, art. 13. O valor da multa regulamentar foi calculado conforme o disposto na Lei nº 11.488, de 2007, art. 30, caput: 100% do valor comercial da mercadoria produzida se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, com o valor global não inferior a R$ 10.000,00, conforme demonstrativo de apuração de multas regulamentares, com os totais mensais levantados pela autoridade fiscal, de maio de 2012 a dezembro de 2013. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10325.720617/2014-40 Acórdão n.º 3402-004.133 S3-C4T2 Fl. 1.033 3 Tendo sido cientificada do auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, conforme consta na decisão recorrida, que: a) a legislação que trata do ressarcimento para o SICOBE e da aplicação de sanções pelo não pagamento deste é eivada de ilegalidade e inconstitucionalidade, sendo que a aplicação de penalidades constitui abuso de poder por parte da autoridade fazendária; a base de cálculo e a alíquota do ressarcimento foram fixadas por meio de norma infralegal, em afronta aos limites constitucionais ao poder de tributar; b) a conduta descrita no auto de infração não configura ação ou omissão do contribuinte tendente a prejudicar o funcionamento dos equipamentos relativos ao SICOBE, mas omissão da própria Casa da Moeda do Brasil, única responsável pela manutenção dos equipamentos; inexiste previsão legal para a imposição de penalidade no caso de inadimplemento do ressarcimento, uma forma de tributo; c) a exação representa flagrante violação de princípios e garantias fundamentais como o direito à justiça, à livre iniciativa, à concorrência, à capacidade contributiva e, sobretudo, aos princípios da igualdade e da isonomia; d) o setor de bebidas refrigerantes está em crise e, particularmente, a impugnante tem situação financeira desfavorável; a multa, no patamar fixado, configura verdadeiro confisco, sendo que a CF/88 veda a utilização de tributo com efeito de confisco (art. 150, IV), consoante jurisprudência do STF. Tendo sido regularmente intimada, por via postal, em 27/10/2014, da decisão recorrida que julgou improcedente sua impugnação, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/11/2014, o qual se encontrava ilegível em muitas folhas nos presentes autos. Mediante despacho do Presidente da Turma foi determinado o retorno à autoridade preparadora para saneamento, o que foi feito com a anexação de nova via do recurso voluntário. Em seu recurso voluntário, a contribuinte sustenta, em síntese, a ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança de taxa de "ressarcimento" do SICOBE; desproporcionalidade da multa em relação ao valor do ressarcimento supostamente devido e efeito consfiscatório; e inexistência de previsão legal para a aplicação da multa. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Atendidos aos requisitos de admissibilidade, toma-se conhecimento do recurso voluntário. Fl. 1034DF CARF MF 4 Como se sabe, o agente administrativo e também o julgador do CARF ou da DRJ não podem se furtar a cumprir a lei, nos termos do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72. Nesse sentido também dispõe a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, não se toma conhecimento das alegações da recorrente de inconstitucionalidade da multa. Não obstante isso, verifica-se a existência de questão de questão de ordem pública que pode ser apreciada pelo julgador independentemente de alegação das partes, qual seja, a retroatividade benigna. Os artigos 58-T da Lei nº 10.833/2003 e 30 da Lei nº 11.488/2007 assim dispunham à época dos fatos: Lei nº 10.833/2003: Art. 58-T. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 58-A desta Lei 1 ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicando-se, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei n o 11.488, de 15 de junho de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) (Regulamento) (Revogado pela Lei nº 13.097, de 2015) (Vigência) (...) Lei nº 11.488/2007: Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): I - se, a partir do 10 o (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 28 desta Lei não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante; II - se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção a que se refere o § 2 o do art. 27 desta Lei. § 1 o Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, considera-se impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. § 2 o A ocorrência do disposto no inciso I do caput deste artigo caracteriza, ainda, hipótese de cancelamento do registro 1 Art. 58-A. A Contribuição para o PIS/Pasep, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, a Contribuição para o PIS/Pasep-Importação, a Cofins-Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI devidos pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nos códigos 21.06.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 22.02.90.00, e 22.03, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – Tipi, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, serão exigidos na forma dos arts. 58-B a 58-U desta Lei e nos demais dispositivos pertinentes da legislação em vigor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (Regulamento) (Revogado pela Lei nº 13.097, de 2015) (Vigência) Parágrafo único. A pessoa jurídica encomendante e a executora da industrialização por encomenda dos produtos de que trata este artigo são responsáveis solidários pelo pagamento dos tributos devidos na forma estabelecida nesta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (Regulamento) Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10325.720617/2014-40 Acórdão n.º 3402-004.133 S3-C4T2 Fl. 1.034 5 especial de que trata o art. 1 o do Decreto-Lei n o 1.593, de 21 de dezembro de 1977, do estabelecimento industrial. Posteriormente à autuação, a Lei nº 13.097/2015 revogou o art. 58-T da Lei nº 10.833/2003, o qual dispunha sobre as obrigações acessórias de instalar equipamentos contadores de produção para empresas que industrializam as bebidas especificadas, bem como determinava, em caso de irregularidade quanto a essa obrigação acessória, a aplicação da multa prevista no art. 30 da Lei n°11.488/2007, cabível originalmente no âmbito do controle de cigarros; mas manteve a mesma determinação nos arts. 14 e 35, nos seguintes termos: LEI Nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015 - DOU de 20.1.2015 Art. 14. Observado o disposto nesta Lei, serão exigidos na forma da legislação aplicável à generalidade das pessoas jurídicas a Contribuição para o PIS/PASEP, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, a Contribuição para o PIS/PASEP- Importação, a COFINS-Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI devidos pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização e comercialização dos produtos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto n o 7.660, de 23 de dezembro de 2011: (Vigência) Regulamento (Vigência) I - 2106.90.10 Ex 02; II - 22.01, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 2201.10.00; III - 22.02, exceto os Ex 01, Ex 02 e Ex 03 do código 2202.90.00; e IV - 22.02.90.00 Ex 03 e 22.03. Parágrafo único. O disposto neste artigo, em relação às posições 22.01 e 22.02 da TIPI, alcança, exclusivamente, água e refrigerantes, chás, refrescos, cerveja sem álcool, repositores hidroeletrolíticos, bebidas energéticas e compostos líquidos prontos para o consumo que contenham como ingrediente principal inositol, glucoronolactona, taurina ou cafeína. (...) Art. 35. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 14 ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicando-se, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei n o 11.488, de 15 de junho de 2007. (Vigência) Regulamento (Vigência) Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória n o 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. Art. 168. Esta Lei entra em vigor: (...) III - no 1 o (primeiro) dia do 4 o (quarto) mês subsequente ao de sua publicação, em relação aos arts. 14 a 39; (...) Art. 169. Ficam revogados: (...) III - a partir do 1 o (primeiro) dia do 4 o (quarto) mês subsequente ao da publicação desta Lei: (...) Fl. 1036DF CARF MF 6 b) os incisos VII a IX do § 1 o do art. 2 o , e os arts. 51, 53, 54 e 58-A a 58-V da Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) No entanto, mediante o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 75, de 17 de outubro de 2016, publicado no DOU de 18/10/2016 (seção 1, pág. 12), a recorrente foi dispensada da obrigação de utilização do SICOBE, nos seguintes termos: Dispõe sobre a não obrigatoriedade de utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe). O COORDENADOR-GERAL DE FISCALIZAÇÃO da atribuição que lhe confere o art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008, declara: Art. 1º Ficam os estabelecimentos industriais envasadores de bebidas, relacionados no anexo único deste ato, desobrigados – a partir de 13 de dezembro de 2016 – da utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) de que trata a Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Art. 2º Este ato entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. FLÁVIO VILELA CAMPOS ANEXO ÚNICO (...) (...) Posteriormente, a não obrigatoriedade de utilização do SICOBE foi estendida para todas pessoas jurídicas que antes eram obrigadas, conforme Ato Declaratório abaixo transcrito: Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94, de 12 de dezembro de 2016, publicado no DOU de 14/12/2016 (seção 1, pág. 15) Dispõe sobre a não obrigatoriedade de utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe). O COORDENADOR-GERAL DE FISCALIZAÇÃO no uso da atribuição que lhe confere o art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008, declara: Art. 1º Em complemento ao ADE Cofis nº 75, de 17 de outubro de 2016, ficam os estabelecimentos industriais envasadores de bebidas, relacionados no anexo único, desobrigados – a partir de 13 de dezembro de 2016 – da utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) de que trata a Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Art. 2º As pessoas jurídicas obrigadas ao Sicobe e que, porventura, não estiverem relacionadas neste ato, ou naquele supramencionado, estão igualmente desobrigadas a partir da data constante no art. 1º. [destaquei] Art. 3º Este ato entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. FLÁVIO VILELA CAMPOS Anexo único Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10325.720617/2014-40 Acórdão n.º 3402-004.133 S3-C4T2 Fl. 1.035 7 (...) Assim, diante da dispensa de obrigatoriedade de utilização do SICOBE - Sistema de Controle de Produção de Bebidas para todas as pessoas jurídicas antes obrigadas, tem-se que a anormalidade de funcionamento desse sistema deixou de ser tratada como contrária a qualquer exigência de ação e omissão. Conforme decidido TRF 3ª Região (Relatora: Eliana Marcelo) na Apelação Cível cuja ementa segue abaixo, o custeio dos serviços de instalação e manutenção dos equipamentos do SICOBE não tem natureza de tributo: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO. ARTIGO 557, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. SISTEMA DE CONTROLE DE PRODUÇÃO DE BEBIDAS - SICOBE. ATRIBUIÇÃO DA CASA DA MOEDA. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO. NATUREZA DE RESSARCIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA DO ARTIGO 13 DA IN RFB Nº 869/08. POSSIBILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, pelos serviços prestados de integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos do SICOBE, não se enquadra no conceito de tributo. Precedente desta Corte Regional. 2. O art. 58-T da Lei n.º 10.833/2003, com a redação dada pela Lei n.º 11.827/2008, fruto da conversão da Medida Provisória n.º 436/2008, criou para as empresas que industrializam alguns tipos de bebidas, a obrigação tributária acessória de permitir a instalação de contadores de produção, a cargo da Casa da Moeda do Brasil, assim como custear os serviços por esta prestados de "integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos", na forma de ressarcimento. 2. O ressarcimento não se confunde com a obrigação acessória de permitir a instalação dos equipamentos, mas lhe é decorrente, possuindo, portanto, natureza de custeio dos serviços de instalação e manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos do SICOBE, realizados pela Casa da Moeda do Brasil, como prevê o artigo 28, § 2º da Lei n.º 11.488/2007. 3. A primeira relação jurídica, obrigação acessória de permissão de instalação dos equipamentos, tem como sujeitos a União e a empresa produtora, decorrendo de exigência da arrecadação e fiscalização. Já, no tocante à relação ensejadora do ressarcimento, tem-se como sujeitos a Casa da Moeda do Brasil e a empresa fabricante, não havendo que se falar, destarte, em tributo, porque a Casa da Moeda não é ente tributante e porque se trata de relação jurídica de cunho privado. Destarte, não se trata de imposto, pois este não se confunde com o custeio, em sentido amplo, do selo e equipamentos necessários, embora estes sejam destinados a garantir sua cobrança, configurando mera obrigação acessória e não principal (tributo). 4. Não há falar, ainda, em taxa porquanto a hipótese de ressarcimento do custo do equipamento não se confunde com o exercício do poder de polícia administrativa ou com o uso de serviço público, já que não se trata de utilização de serviço público específico e divisível, tampouco de preço público, porquanto não decorre de Fl. 1038DF CARF MF 8 obrigação assumida voluntariamente. 5. Não se tratando de tributo, mas de cobrança de obrigação decorrente de relação de direito privado, não tem pertinência a Súmula 70 ("É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo") ou a Súmula 323 ("É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos"), ambas do Supremo Tribunal Federal. (...) 14. Não há no agravo elementos novos capazes de alterar o entendimento externado na decisão monocrática. 15. Agravo não provido. (TRF-3 - AMS: 00033996420134036110 SP 0003399- 64.2013.4.03.6110, Relator: JUÍZA CONVOCADA ELIANA MARCELO, Data de Julgamento: 28/01/2016, TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: e-DJF3 Judicial 1 DATA:05/02/2016) Dessa forma, tendo em vista que também não constam nos autos qualquer informação acerca de eventual ato fraudulento, entendo aplicável a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "b" do CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para exonerar integralmente a exigência tributária. Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Fl. 1039DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.720338/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente.
NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação da infração cometida pelo agente fiscal.
DECADÊNCIA. ART. 173, I, CTN. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo decadencial deve ser feita na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos de constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte.
GLOSA DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. O contribuinte não trouxe aos autos quaisquer documentos hábeis e idôneos que comprovassem os valores lançados em conta de custo/despesa operacional., razão pela qual deve proceder a glosa. Igualmente, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação ou documento capaz de afastar a indedutibilidade das despesas apontadas pela autoridade autuante.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Ante a ausência de disposição específica para CSLL, aplicam-se as conclusões relativas ao julgamento do IRPJ, em razão da relação de causa e efeito existente entre os fatos que geraram esses lançamentos.
PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. LANÇAMENTO. INCLUSÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS. VALIDADE. Uma vez apurada pela Fiscalização a existência de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento deve ser dirigido contra todos eles, os quais deverão figurar no pólo passivo, assegurando a cada um o direito de defesa.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Estando devidamente consubstanciado nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é aplicável a multa qualificada de 150%, nos termos do art. 957, II do RIR/99 (44, II da Lei nº 9.430/96).
Numero da decisão: 1301-002.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de Soft Consultoria Ltda. e responsáveis tributários Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Eduardo Dornelas Souza, que davam provimento parcial afastando a responsabilidade das pessoas físicas; (2) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de Jadair Fernandes de Almeida, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Eduardo Dornelas Souza, que davam provimento; e (3) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de Jorge Luiz Porto Motta, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa e José Eduardo Dornelas Souza, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro- Relator.
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior.- Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação da infração cometida pelo agente fiscal. DECADÊNCIA. ART. 173, I, CTN. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo decadencial deve ser feita na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos de constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. GLOSA DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. O contribuinte não trouxe aos autos quaisquer documentos hábeis e idôneos que comprovassem os valores lançados em conta de custo/despesa operacional., razão pela qual deve proceder a glosa. Igualmente, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação ou documento capaz de afastar a indedutibilidade das despesas apontadas pela autoridade autuante. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Ante a ausência de disposição específica para CSLL, aplicamse as conclusões relativas ao julgamento do IRPJ, em razão da relação de causa e efeito existente entre os fatos que geraram esses lançamentos. PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. LANÇAMENTO. INCLUSÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS. VALIDADE. Uma vez apurada pela Fiscalização a existência de pluralidade de sujeitos passivos, o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 03 38 /2 01 2- 93 Fl. 3484DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.485 2 lançamento deve ser dirigido contra todos eles, os quais deverão figurar no pólo passivo, assegurando a cada um o direito de defesa. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Estando devidamente consubstanciado nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é aplicável a multa qualificada de 150%, nos termos do art. 957, II do RIR/99 (44, II da Lei nº 9.430/96). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de Soft Consultoria Ltda. e responsáveis tributários Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Eduardo Dornelas Souza, que davam provimento parcial afastando a responsabilidade das pessoas físicas; (2) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de Jadair Fernandes de Almeida, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Eduardo Dornelas Souza, que davam provimento; e (3) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de Jorge Luiz Porto Motta, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa e José Eduardo Dornelas Souza, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior. Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Cuida o presente processo de auto de infração de IRPJ e CSLL relativo ao anocalendário de 2007, nos valores de R$2.432.755,33 e R$884.431,92 respectivamente, acrescidos de juros e multa qualificada, em razão da não comprovação de despesas operacionais. A glosa de despesas referese à operações comerciais fictícia, entre a Recorrente e a SURPARK S/A, envolvendo a suposta aquisição de milhares de cópia de um Fl. 3485DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.486 3 único suposto software denominado X_LYNX, conforme detalhamento demonstrado no Capítulo VI, do Termo de Constatação Fiscal. Adicionalmente não restou comprovado a efetividade das Cláusulas do Contrato Internacional de Autorização para Comercialização do software X_LYNX em questão, firmado entre a SURPARK S/A e a ADMASTER SERVIÇOS LTDA.e do Contrato de Revenda do referido software X_LYNX firmado entre as citadas empresas e a Recorrente. Ainda, a Recorrente, segundo a fiscalização, não comprovou a efetiva utilização do suposto software X_LYNX em sua atividade operacional. Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão prolatado pela 8ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 2918/2920): foi constatado que, para o anocalendário de 2007, a Interessada informou um custo anual de R$12.198.396,56; segundo a demonstração do resultado do exercício, no anocalendário de 2007, a Interessada abateu do Lucro Líquido, o montante de R$12.198.396,56, a título de Custos de Atividades Operacionais, incluindose neste saldo, o custo relativo à suposta aquisição de um software denominado X_LYNX, com valor total, no anocalendário de 2007, de R$10.024.957,00, que teria adquirido da pessoa jurídica Admaster Serviços Ltda, inexistente de fato (de "fachada"); a operação não foi comprovada através de documentação idônea, caracterizando, assim, infração à legislação tributária relacionada com glosa de despesas não comprovadas; a multa foi agravada em função de ter sido verificado que estas empresas juntamente com a Surpark SA, formalizada no Uruguai, também inexistente de fato (de "fachada"), simularam a realização de negócio jurídico relacionado com operações comerciais fictícias, envolvendo a suposta aquisição de milhares de cópias de um único suposto software denominado X_LYNX; após diversas oportunidades, mediante intimações fiscais, as mencionadas pessoas jurídicas não comprovaram a efetividade das Cláusulas do Contrato Internacional de Autorização para Comercialização do software X_LYNX, firmado entre a Surpark S/A e a Admaster Serviços Ltda e do Contrato de Revenda do software X_LYNX firmado entre a Admaster Serviços Ltda e a Interessada, bem como não comprovaram a efetiva existência do suposto software X_LYNX, e, em relação apenas à Interessada, não foi comprovada a efetiva utilização do suposto software X_LYNX dentro do sistema SINTEL, fato que evidenciou que o suposto fluxo de mercadorias, (software XLYNX) não ocorreu de fato; a Admaster Serviços Ltda emitiu para a Interessada, diversas notas fiscais inidôneas (frias), de fornecimento fictício de milhares de cópias do suposto software XLYNX; mediante apresentação dos extratos bancários, a Interessada comprovou a efetiva saída dos recursos, e, conseqüentemente, o efetivo pagamento das referidas notas fiscais frias à Admaster Serviços Ltda, pela suposta aquisição do suposto software X_LYNX; Fl. 3486DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.487 4 a pessoa jurídica Construções e Comércio Camargo Correa S/A pagou à Interessada pela aquisição do Sistema de Inteligência competitiva SINTEL; a Interessada alegou que inseriu o suposto software X_LYNX no SINTEL, constando tal informação apenas nas notas fiscais de sua emissão; a Interessada não comprovou a efetiva utilização do software X_LYNX dentro do sistema SINTEL, inclusive informou que não possui cópia dos referidos programas (SINTEL e X_LYNX), bem como não se lembra quem foi a pessoa física responsável pela criação do Sistema SINTEL; do exame do contrato de fornecimento de sistema de inteligência competitiva, gestão de negócios e outras avenças SINTEL, firmado entre a Interessada e a Camargo Correa, constatouse que o Sistema SINTEL é baseado no software básico EYEBOT; nas especificações técnicas do SINTEL, constantes do Anexo 1 do referido Contrato, bem como nos Termos Aditivos firmados, não há nenhuma menção ao suposto software X_LYNX; após exame em toda documentação apresentada pela Interessada e pela Camargo Correa, em especial o Contrato de Fornecimento, Instalação, Licenciamento e Treinamento do Sistema SINTEL, restou evidenciado não haver comprovação da efetiva utilização do suposto software X_LYNX dentro do SISTEMA SINTEL, tornandose assim, mais uma prova da não existência do suposto software XLYNX; assim, os custos/despesas contabilizadas com os respectivos pagamentos realizados pela Interessada à Admaster não tiveram a sua causa ou operação comprovada através de documentação idônea, caracterizando, assim, infração à legislação tributária relacionada com despesa não comprovada (operação não comprovada), estando os respectivos valores registrados na tabela de fls.05/06. Consta no Termo de Constatação Fiscal de fls.07/156, que: a Admaster e a Surpark são empresas “de fachada”, inexistentes de fato, possuindo interpostas pessoas como sócio, representante e procurador, em que o sócio de fato das duas empresas foi identificado como sendo o Sr.Jadair Fernandes de Almeida, que era o "Operador" do esquema; a Surpark possui interpostas pessoas como representante perante a Receita Federal do Brasil RFB (Sr. Roberto Fernandes), e como procurador (Sr. Jorge Luiz Porto Motta), sendo que, o representante com poderes de proprietário (Sr. Jadair Fernandes de Almeida) esclareceu por escrito que não participou da suposta operação comercial; contudo, comprovouse que as empresas foram utilizadas pelo Sr.Jadair para fraudar o Fisco (suprimir impostos e contribuições) e o Banco Central (remessa irregular de recursos ao exterior), visando, única e exclusivamente, beneficiar a Interessada; o Sr. Roberto Fernandes, responsável da Surpark perante a Receita Federal do Brasil, declarou que, durante o anocalendário de 2008, ao saber que seu nome constava no cadastro da Receita Federal do Brasil como responsável pela Surpark, entrou em contato telefônico diversas vezes com o Sr.Jadair Fernandes de Almeida, visando retirar seu nome do cadastro, sendo que, o Sr. Jadair informou que iria Fl. 3487DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.488 5 retirar o seu nome do cadastro em substituição de uma pessoa chamada Jorge, fato que não ocorreu; tal informação levou a Fiscalização a concluir que, no anocalendário de 2008, ocultado pelo Sr. Jorge Luiz Porto Motta, o Sr. Jadair ainda estava no comando da Surpark; todos os recursos que ingressaram na conta bancária da Admaster originaramse da conta bancária da Interessada, bem como todas as notas fiscais emitidas pela Admaster tiveram como tomador dos supostos serviços a Interessada; o objetivo primordial da Admaster foi criar documentos eivados de falsidade ideológica (notas fiscais frias, contratos e produto fictícios), objetivando beneficiar a Interessada, mediante supressão deliberada de tributos e contribuições federais e remessa irregular de recursos ao exterior; apesar de várias intimações e reintimações, as empresas envolvidas não comprovaram a efetiva existência do software X_LYNX, e a efetividade das operações comerciais supostamente realizadas; o Sr. Francisco Petruccelli, sócio gerente da Interessada assinou o Contrato de revenda do software XLYNX firmado com a Admaster, bem como assinou o Contrato de fornecimento, instalação, licenciamento e treinamento do sistema SINTEL, firmado com a Camargo Correa SA; O Sr. Girolamo Santoro, sócio gerente da Interessada, assinou o Contrato de revenda do software X_LYNX firmado com a Admaster, assinou o Contrato de fornecimento, instalação, licenciamento e treinamento do sistema SINTEL, firmado com a Camargo Correa SA, bem como assinou todas as respostas apresentadas pela Interessada aos Termos Fiscais lavrados; os Srs. Jadair Fernandes de Almeida, Raimundo Antonio de Oliveira, Jorge Luiz Porto Motta, Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, foram arroladas como responsáveis tributários no lançamento, o Sr.Carlos José dos Santos, não localizado em seu domicílio fiscal, foi arrolado como responsável, por edital. Tendo em vista que a existência do software X_LYNX não foi efetivamente comprovada pelas empresas pactuantes (Surpark, Admaster e Soft, a Interessada), ou seja, que restou comprovado ter ocorrido uma simulação de negócio jurídico, em que, a mercadoria objeto da suposta transação comercial (X_LYNX) nunca existiu de fato, e, após várias intimações fiscais, ficou constatada a existência das infrações tributárias relacionadas com pagamento sem causa, a não comprovação de custos e glosa de créditos de PIS e COFINS nãocumulativos, a multa foi agravada para 150%. Houve representação fiscal para fins penais, (processo 15540.720.370/201279). A Interessada tomou ciência do lançamento em 29102012, e, juntamente, com os Srs.Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, na qualidade de responsáveis, apresentou impugnação em 23112012, alegando, em síntese: com base no parágrafo 4º., do artigo 150, do CTN, ocorreu decadência para os fatos geradores ocorridos até 26102007; cerceamento do direito de defesa face à não individualização e imputação genérica da base legal de imputação da responsabilidade tributária em face das pessoas físicas, pois não foi indicado individualmente em relação a qual dos ora impugnantes estaria fundamentando em qual dispositivo legal do CTN a imposição Fl. 3488DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.489 6 de responsabilidade tributária, com o que se consubstancia flagrante cerceamento do direito de defesa, na medida em que impossibilita o pleno exercício deste direito; o seu objeto social tem intrínseca relação com as despesas questionadas, uma vez que tem por atividade precípua o desenvolvimento e comercialização de softwares e as despesas glosadas decorreram da aquisição de softwares utilizados como plataforma para o desenvolvimento dos produtos para comercialização; em nenhum momento, a Fiscalização verificou, de forma detalhada, a efetividade da aquisição do software que gerou as despesas/custos contabilizados e o respectivo pagamento dos valores, limitandose tãosomente a afirmar que os documentos apresentados seriam insuficientes para comprovar que os pagamentos efetuados foram ligados a despesas/custos necessários normais e usuais e que guardam correlação com a fonte produtora dos rendimentos; apesar de já ter apresentado toda a documentação (razões contábeis, notas fiscais, contrato de prestação de serviços e o respectivo aditivo e notas de tesouraria), junta aos autos os documentos; a Fiscalização se ateve apenas a um único fato, qual seja, a falta de apresentação de cópia do indigitado software SINTEL, em absoluta desconsideração dos documentos apresentados durante todo o período e fiscalização; os documentos foram: a aquisição do direito de exploração econômica do X_LINX, o que fez apresentando o contrato de licença e as correspondentes notas fiscais; a utilidade e necessidade do X_LINX para suas atividades, o que faz apresentando relatório de funcionalidade do software, printscreen de suas telas e relatório de funcionalidade do SINTEL e printscreen de suas telas; o pagamento dos tributos incidentes sobre a receita e o lucro oriundos da venda do Sintel, o que se fez apresentando livros contábeis; a legislação não exige documentos específicos para comprovar a efetividade da aquisição de insumos (no caso software), como supôs a Fiscalização, mas exige apenas a apresentação de documentos hábeis a tanto, os quais foram, repitase, efetivamente apresentados; o lançamento foi feito com base em presunção, posto que a Fiscalização não comprovou o suposto ilícito que afirmou ter existido; a Fiscalização não motivou adequadamente as autuações, não provou que ocorreu simulação, mesmo porque, não foi o caso, uma vez que as operações praticadas foram todas lícitas, permitidas legalmente, feitas de modo a produzir os efeitos que realmente expressavam, pelo que, não foram operações simuladas; para que se possa materializar a simulação, é necessário que o ato praticado não pudesse ser realizado, seja por vedação legal ou por outras circunstâncias fáticas, sendo que os objetivos visados com a prática do ato não interferem na qualificação do mesmo, ou seja, se o ato era lícito, as conseqüências contrárias ao Fisco devem ser qualificadas como casos de elisão fiscal: por todas as razões acima expostas, as operações com as correlatas despesas e pagamentos preencheram a norma prevista no artigo 299, do RIR/99; da mesma forma, atuou em conformidade com o Parecer Normativo CST n° 32, de 17 de agosto de 1981; transcreve doutrina e jurisprudência sobre conceito de despesa necessária; Fl. 3489DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.490 7 no presente caso, não se aplica o artigo 124, inciso I, do CTN, não devendo os impugnantes serem qualificados como devedores solidários; a exigência é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiro, por suas meras participações, como prepostos ou administradores, nos acontecimentos que caracterizaram o pagamento sem causa ou à beneficiário não identificado; também não se aplica o artigo 135, do CTN, uma vez que não foi comprovada a ocorrência de qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; não cabimento da multa agravada, em face da inexistência de provas e da imaterialidade dos indícios sobre a suposta existência de fraude, dolo ou simulação; para que a multa agravada possa ser exigida é necessário, diferentemente do ocorrido, que a Fiscalização demonstre, por intermédio da apresentação de provas inequívocas, que as operações foram feitas com evidente intuito de fraude; além disto, em razão do caráter personalíssimo da multa, somente a autuada, poderia ser responsabilizados pela multa agravada no percentual de 150%, mas, jamais, os ora impugnantes; o caráter personalíssimo da multa pode ser extraído facilmente do texto constitucional ao se interpretar o artigo 5°, inciso XLV. Os Srs.Jadair Fernandes de Almeida, Jorge Luiz Porto Motta e Raimundo Antônio de Oliveira, apresentaram impugnações, nas quais, alegam o que segue. Sr.Jadair Fernandes de Almeida: os dispositivos legais e da Constituição transcritos às fls.2.738/2.749, aliado ao fato de que não é sócio, acionista e/ou administrador da Soft Consultoria, Admaster Serviços Ltda e Surpark S/A, são suficientes para afastar a sua responsabilidade tributária na presente autuação; tem domicílio tributário no Rio de Janeiro, bem como a Soft Consultoria Ltda, assim, houve incompetência da autoridade, pois o auto de infração foi lavrado por Auditor Fiscal lotado na Delegacia da Receita Federal de Niterói; decadência do direito de constituição dos créditos fiscais mediante lançamento, relativos ao fatos geradores ocorridos até 26102007; como inexiste prova de fraude, dolo ou simulação, ocorreu a decadência conforme §4°, do art. 150, do CTN; foi procurador da Surpark e conhece o Sr.Jorge Luiz Porto Motta, conquanto esse senhor sempre me assistiu em serviços burocráticos e cartoriais das mais variadas formas, bem como me representou em algumas alterações de contrato social junto a firma Geomàtica, o que não configura nenhuma ilicitude ou ato censurável; foi quotista da empresa Bom Seguro, atual Admaster, tendo se desligado da mesma em 2003, conforme 12° alteração de contrato social regularmente arquivada na JUCERJA, fato esse que também não pode ser utilizado presunçosamente contra a sua pessoa; Fl. 3490DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.491 8 também foi sócio da Geomática Tecnologias da Informação Ltda, sendo que ela fez diversos trabalhos de grande valia a variadas empresas e municípios brasileiros, dentre eles o de Armação dos Búzios — RJ, tendo realizado todo o serviço de Geoprocessamento da região conforme faz prova o documento público e notório que segue em anexo Plano Diretor; também fez parte da geração que garantiu e viabilizou os primórdios dos serviços de email e internet em nosso País, porquanto fez e faz parte do quadro de acionistas e gestores da Alternex S/A; também fez parte do Grupo de notáveis que participou do Fórum Pacto Carioca que se reuniu em 2010 com o apoio da Fundação Getúlio Vargas a fim de buscar resposta e projetos para seguinte indagação: "O Rio que queremos em 2020", vide documentos em anexo e lista de presença; assim sendo, é por demais leviano e injusto me rotular de “Operador” de um malfadado e incomprovado esquema de venda fictícia de software com objetivo antijurídico, pois em verdade, é e sempre foi um empresário com atuação em diversos ramos de atividade, inclusive o ramo eletrônico; nesse contexto, não há que se falar na velada inversão dos ônus das provas encetada tacitamente pela autoridade fiscal, pois competia a ele provar tudo o que afirmou em seu relatório e não a mim fazer provas negativas e diabólicas, uma vez que a legislação tributária determina que os ônus das provas dos fatos imputados seja da autoridade fiscal; refutase integralmente toda e qualquer ilação que tenha sido feito pela Autoridade fiscal e terceiros no sentido de ser operador de esquema e representante de fato da firma Admaster e ter usado o Sr. Raimundo Antonio de Oliveira ou Jorge Luiz Porto Motta ou qualquer outra pessoa física ou jurídica citada nessa ação fiscal para me eximir de responsabilidades fiscais e patrimoniais ou ainda escamotear a realização de qualquer negócio jurídico, comercial ou empresarial; não usou indevidamente o nome do Sr. Roberto Fernandes, quando do registro da sociedade Surpark S/A junto ao Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas; o Sr. Roberto Fernandes consta como sendo o único e isolado representante da sociedade perante as autoridades fiscais brasileiras, pois é o único investido nessa qualidade por sua livre espontânea iniciativa, além de deter os poderes específicos de representação e para receber citação na forma determinada na legislação; o Sr. Roberto foi submetido a um contexto inquisitorial e suas palavras foram distorcidas pela Fiscalização; o Sr. Roberto preferiu contar uma "estória" ao agente fiscal no "tom" que esse queria escutar para se escusar das responsabilidades que encampou quando aceitou propor o registro do CNPJ da Surpark atrelado isoladamente a seu nome, o que foi ato de vontade formalizado sem vício ou coação, até porque o mesmo não fez chegar a esse signatário e os autos nenhum documento pretérito ou atual que fizesse a mínima prova do que declarou a autoridade fiscal; como o agente fiscal estava ávido pela declaração que lhe fora prestada, ele "esqueceu" de bem investigar o declarado e deu por boa a declaração independente de qualquer prova, como assim procedeu em todos os outros casos que pode fazer ilação jocosa e prejudicial contra minha pessoa; houve ilícita quebra do sigilo bancário da Admaster; Fl. 3491DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.492 9 as rendas pagas pela Admaster a terceiros em 2007 nunca me favoreceram; restou comprovada a inexistência de depósitos na sua conta corrente ou de qualquer das empresas que efetivamente seja sócio ou acionista, ou seja, aquelas em que consta no quadro de acionistas ou quotistas regularmente declaradas e informadas a Secretaria da Receita Federal do Brasil; questiona por que a Autoridade Fiscal não intimou o beneficiário final do SOFTWARE SINTEL para que esse lhe informasse se de fato o produto adquirido havia sido entregue em atenção ao que constava nas notas fiscais emitidas pela Soft Consultoria e que fazem prova da inclusão do programa executável fornecido pela Surpark de nome XLINX ter sido embarcado no SINTEL pela firma Soft Consultoria; se a Camargo Correa eventualmente não tiver condições de afirmar que no SINTEL está integrado o software XLINX, ela poderá afirmar, SMJ, que recebeu um produto que não foi feito com apoio do software EYEBOT indicado na proposta, e se nesse espaço de tempo ela nunca reclamou de tal mudança, é de se presumir que isso tenha sido feito parte de um acordo entre Cliente e Fornecedor, tendo em visto que no âmbito privado tudo o que não proibido e permitido e no âmbito estatal, caso do Agente Fiscal, ele está limitado a proceder ao que é vinculado, motivado, razoável e juridicamente obrigatório e justificável; se o interessado final nunca rejeitou as notas que lhe foram opostas pela firma Soft Consultoria e que davam conta expressa do embarque do software XLINX no SINTEL, por que a autoridade fiscal que deu fé ao SINTEL não deu fé a inclusão do XLINX importado para viabilizar a operacionabilidade do SINTEL, pois, a Fiscalização sabia que o XLINX compunha o SINTEL como suporte de mais um programa de computador; se a Soft Consultoria não localizou um via executável do programa SINTEL e do XLINX para oferta ao fiscal, por que esse não tentou obtêla junto a Camargo Correa que provavelmente deve ter uma via do executável do SINTEL?; não aplicação dos artigos 124, inciso I, e 135 do CTN; ausência de prova de evidente intuito de fraude e conseqüente impossibilidade de ser aplicada a multa agravada em face de responsável solidário; requer se a produção de prova documental superveniente; para os fins do disposto no art. 39, I do CPC e para as futuras intimações de atos e decisões contidas nesse processo, indicamos o endereço físico do Autuado, em substituição de qualquer outro; que seja observado o disposto nos arts. 37 e 38, da Lei n° 9.784/99, no que toca a instrução desse processo quanto aos documentos mencionados nessa Impugnação e que são arquivados ou oriundos da administração pública e tributária, para que dos mesmos surtam seus jurídicos e legais efeitos. Sr.Jorge Luiz Porto Motta: nunca fez parte de nenhuma empresa investigada e/ou autuada, seja como dirigente, acionista ou quotista; Fl. 3492DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.493 10 atua há anos como despachante e nunca realizou qualquer operação comercial com qualquer empresa citada no presente auto de infração, seja com a Surpark S/A, seja com a Admaster Serviços Ltda., seja com a Soft Consultoria Ltda ou com a Camargo Correa; quem sempre pediu meus préstimos profissionais de representação e despachadoria foi o Sr. Jadair Fernandes de Almeida, o qual me outorgou substabelecimento com prazo de vencimento atribuído no instrumento juntado nesse processo, para que, quando de sua ausência física, pudesse formalizar alteração de contrato social junto a pessoa jurídica Geomática, sendo essa alteração a que tivesse sido previamente ajustada pelos seus sócios, sendo que um deles, em certo momento, tinha o Sr. Jadair como procurador, conforme documentos que me foram apresentados a época e que constam anexos nesses autos; se o simples fato de realizar um ato jurídico perfeito, lícito e idôneo próximo a pessoa ou empresa arregimentada nesse processo fiscal me tornou suposto responsável solidário do imposto devido pela Soft Consultoria, é de se indagar por que o ilustre auditor fiscal não solidarizou o tabelião que juramentou o substabelecimento por mim utilizado; o tabelião que deu fé ao contrato por mim assinado e a tantos outros anexados nesses autos; além de todos que forneceram serviços ou materiais para tanto (JUCERJA, papelaria papel e caneta; indústria automobilística e aeronáutica; condomínio sede da celebração do contrato, ascensorista; etc); ocorreu a decadência conforme §4°, do art. 150, do CTN, pois, o último fato gerador foi em 07/2007, e o lançamento ocorreu em outubro de 2012; não aplicação dos artigos 124, inciso I, e 135, do CTN; inaplicabilidade de multa agravada sobre responsável solidário em face da ausência de prova inquívoca de fraude praticada pelo impugnante. Sr. Raimundo Antônio de Oliveira: a Fiscalização aduz que o impugnante é na verdade "testa de ferro" de terceiros, menosprezando a capacidade empresarial deste; o fundamento crucial para tanto, sob a ótica do agente fiscal, é a ausência de formação técnica do impugnante; ao elocubrar o nexo entre o impugnante e o apurado por terceiros Soft Consultoria Ltda., o mesmo não logrou êxito limitandose a simples suposições e presunções; não aplicação do artigo 124, inciso I, pois, a Soft Consultoria Ltda e a Admaster Serviços Ltda., cujo impugnante é sóciodiretor, não fazem parte de nenhum grupo econômico ou conluio, colocandoas em posições distintas na relação comercial tributária realizada; a Admaster Serviços Ltda. está sendo cobrada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional de pagamento dos tributos gerados a partir da celebração do negócio jurídico realizado entre as empresas supracitadas; assim sendo, a PGFN reconhece a ocorrência do negócio jurídico que motivou a emissão das notas fiscais que foram levadas a tributação e homologadas tacitamente pela inegável e indeclinável cobrança dos tributos devidos (PIS, COFINS, CSSL e IR), em total discrepância com o entendimento pessoal da Fiscalização no presente caso; Fl. 3493DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.494 11 não foi produzida nenhuma única prova que coloque o impugnante como responsável; não aplicação do artigo 135, inciso I e II do CTN; nunca houve um Mandado de Procedimento Fiscal para Fiscalização MPFF, em nome do Sr.Raimundo Antônio de Oliveira, razão pela qual todos os atos praticados pela Fiscalização no sentido de fiscalizar a vida fiscal do impugnante é ilícita e os fatos apurados são nulos; assim, ainda que as investigações tenham se iniciado com fundamento na Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, foi amplamente divulgado na mídia que no dia 10 de maio de 2011, ou seja, antes de finalizada pelo Sr. Fiscal o presente Auto de Infração, que o Supremo Tribunal Federal STF decidiu ser inconstitucional a norma legal (LC 105/01) que atribui à Receita Federal o poder de quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem uma prévia e motivada ordem judicial; de posse dos dados bancários da firma do impugnante (quebra do sigilo bancário da Admaster, a Fiscalização acostou esses dados ao processo administrativo ora impugnado que é derivado de notificação de lançamento contra a Soft Consultoria Ltda e não contra a Admaster, violando o sigilo fiscal e bancário; assim, o Auditor Fiscal tornou nulos todos os atos posteriores a juntada das provas ilícitas obtidas por meio de norma legal declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em um processo que não dizia respeito a firma Admaster, mas quanto muito e de forma indevida a seu sócio diretor, a pessoa física ora impugnante; requer o desentranhamento de todos os dados bancários e fiscais contidos no processo em comento da firma Admaster Serviços, assim como a de todos os informes fiscais juntados em nome do Sr.Raimundo Antônio de Oliveira ora impugnante, bem com o reconhecimento da ilegitimidade passiva do Impugnante no que toca a responsabilidade solidaria fiscal pelo pagamento de tributos e gravames aferidos em razão de atos praticados pela empresa Soft Consultoria Ltda, até porque nunca teve gerência ou proveito de qualquer dos atos praticados pela citada empresa; causa estranheza o fato da Fiscalização não ter localizado a Admaster Serviços Ltda. em seu endereço, bem como por ter declarado que não acataria os argumentos prestados pela firma em esclarecimento fiscal, pois, a empresa sempre recebeu suas correspondências enviadas a seu endereço fiscal; tanto isso é verdade que tanto os bancos, quanto a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT (empresa pública), cujos empregados têm fé pública, sempre conseguiram localizar a sede da Admaster sem problemas; tal fato foi provado ao auditor fiscal pela juntada de várias correspondências e telegramas para provar que as mesmas eram recepcionadas na sua sede, a qual, reiterese só não foi localizada pelo desidioso fiscal e quem capitaneou o processo unilateral e gravado pelo cerceamento do direito de inaptidão de seu CNPJ; a Admaster tem sede física no endereço que constava em seu CNPJ e somente a autoridade fiscal não conseguiu ter um mínimo de boa vontade para localizar a mesma, pois tal endereço é conhecido por todos e regularmente autorizado pela Prefeitura que lhe consagrou com a emissão de alvará de funcionamento e a AIDF autorização de impressão dos documentos fiscais notas fiscais, que emitiu em face da Soft Consultoria; Fl. 3494DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.495 12 além disto, todas as notificações da PGFN foram encaminhadas e recebidas no endereço da sede social da Admaster informado a Secretaria da Receita Federal do Brasil; ocorreu a decadência conforme §4°, do art. 150, do CTN, pois, o último fato gerador em 07/2007, e o lançamento ocorreu em outubro de 2012; o cerne meritório da questão orbita na existência ou não do programa XLINX, integrado ao programa SINTEL. Todavia, a Fiscalização nunca intimou a destinatária final do produto SINTEL para saber se esta se opunha a informação da inclusão do software XLINX no software SINTEL, tal como vinha gravado nas Notas Fiscais emitidas pela empresa Soft Consultoria Ltda; a luz dessa consideração, e inexistindo declaração em contrário do beneficiário final do produto SINTEL, não há que se falar em presunção em inexistência do software XLINX dadas as circunstancias materializadas neste processo, pois a Soft Consultoria Ltda., conforme demonstração anexa, fez ampla demonstração da existência de seu software e utilização deste (XLINK); competia a autoridade fiscal, após minuciosa análise do software SINTEL entregue a Construções e Comercio Camargo Correia, conforme atestado no Termo de Constatação Fiscal, provar que tal sistema havia sido concebido com lastro no software EYEBOT e não com o software XLINK e tantos outros; o fato da proposta de venda feita pela Soft Consultoria ter indicado a pretensão de utilização do software EYEBOT e não o XLINK no fornecimento do SINTEL não faz prova hábil e idônea de maneira isolada e inconteste de que o SINTEL tenha sido arquitetado e fornecido com exclusão do XLINK e sim com o EYEBOT, mormente quando o dito software EYEBOT não foi incorporado ao software SINTEL, vez que esse foi desenhado e produzido com suporte dinâmico de processamento particular ao XLYNK que trabalha em consorcio com o software NUCH, vide informações prestadas pela firma SOFT e anexas nesse processo; confirma essa premissa fótica a expressa citação e referência do software XLINX na nota de observações das notas fiscais fornecidas a Construções e Comercio Camargo Correa (Camargo Correa), quando do fornecimento do software SINTEL; doutro lado, a premissa da autoridade fiscal não pode prevalecer sem prova material de sua existência pois nenhum dos envolvidos nessa transação fisco comercial (Construtora Camargo Correa Soft Consultoria Admaster Surpark), mormente a Construtora e Comercio Camargo Correa, ter negado que havia feito negócio referente ao programa SINTEL e que esse utilizava em sua plataforma de funcionamento o software embarcado XLINX; se isso não fosse verdade e dado o nível de colaboração que a Camargo Correa teve com a Autoridade Fiscal, pois inclusive forneceu seus extratos bancários e todos os documentos de que dispunha sobre tal tema, teria a dita firma anotado em seus esclarecimentos o total desconhecimento e desautorização referente a inclusão do software XLINX na plataforma do adquirido e inconteste SINTEL; assim, a autoridade fiscal deveria ter diligenciado junto ao destinatário final para saber se havevia uma versão executável do Software SINTEL para que fosse feita uma perícia de constatação no sentido de fazer prova material da sua existência; Fl. 3495DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.496 13 carência de prova de evidente intuito de fraude e conseqüente impossibilidade de ser aplicada a multa agravada em face de responsável solidário; em razão do caráter personalíssimo da multa, somente a autuada, poderia ser responsabilizados pela multa agravada no percentual de 150%, mas, jamais, os impugnantes. A 8ª Turma da DRJ/RJ1 prolatou o Acórdão n°1255.392 (fls. 2915/2946), o qual julgou improcedente a impugnação apresentada, bem como a responsabilidade tributária dos diretores da Recorrente, Srs. Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, bem como dos Srs. Jadair Fernandes de Almeida e Jorge Luiz Porto Motta, cancelando a responsabilidade tributária imputada aos Srs. Raimundo Antonio de Oliveira e Carlos José dos Santos, em acórdão cuja ementa passo a transcrever: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESPESA. COMPROVAÇÃO. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face à legislação do imposto, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. Os documentos hábeis segundo sua natureza são aqueles que já contêm uma prova direta acerca do fato alegado cuja existência ali se materializa. Devem ter autenticidade, legitimidade e o seu conteúdo conduzir à convicção da efetiva ocorrência do fato, devendo, preferencialmente,serem subscritos por terceiros que tenham participado das respectivas operações. IMPUGNAÇÃO. DOCUMENTOS. A apresentação de alegações visando desconstituir as provas apresentadas pela Fiscalização devem vir acompanhadas de documentos hábeis e idôneos. Art. 16, inciso III, do Decreto 70.235 de 1972. IMPUGNAÇÃO. INEFICÁCIA. Não há como abrigar alegações que não logram desconstituir os fundamentos da autuação. SIMULAÇÃO. FRAUDE. Há simulação quando o contribuinte apresenta instrumento contratual sem comprovar a sua efetiva realização e restar claro que tal conduta objetivou, em Fl. 3496DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.497 14 verdade, disfarçar sua real intenção de suprimir ou reduzir tributo, prejudicando o Erário Público. SIMULAÇÃO. FRAUDE. MULTA AGRAVADA. A simulação é uma das hipóteses que autorizam a aplicação da multa qualificada, por ser um dos meios de praticar a fraude ou a sonegação, conforme definidos naqueles dispositivos da Lei nº.4.502, de 1964. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo o lançamento da CSLL de infração constatada na autuação do IRPJ, e negado provimento à impugnação referente ao lançamento deste, negase também em relação à impugnação daquela, em virtude da relação de causa e efeito que os une. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO À LEI OU CONTRATO SOCIAL. ARTIGO 135, DO CTN. Quando o administrador participa de negócio jurídico comprovadamente simulado, prejudica a sociedade empresarial, portanto, viola a um só tempo, o contrato social como também o direito empresarial. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRPJ. FATO GERADOR. INTERESSE COMUM. Comprovada a participação ativa em negócio jurídico simulado com o fim de fraudar/sonegar tributo, aplicase o artigo 124, inciso I, do CTN, uma vez que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Contra a decisão, a contribuinte interpôs embargos de declaração às fls. 2958/2961 para sanar omissões apontadas no v. acórdão, o qual foi indeferido, conforme acórdão prolatado de nº 1262.211 (fls. 3090/3093) Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso, juntamente com os responsáveis tributários por solidariedade, requerendo a reforma da decisão, bem como o cancelamento do lançamento fiscal. Adiante, este Colegiado, por meio da resolução nº 1301001.261, converteu o julgamento em diligência para que seja promovida a intimação de todos os agentes reponsáveis indicados nos presentes autos para que seja evitada a nulidade do feito. (fl. 3110/3125). Às fls. 3179/3216 e 3220/3239 foram interpostos os recursos administrativos dos demais agentes responsáveis, a saber: Jadair Fernandes de Almeida e Jorge Luis Porto Motta. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Vencido Fl. 3497DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.498 15 Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Primeiramente, impende registrar que o Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. PRELIMINARES CERCEAMENTO DE DEFESA Primeiramente, cumprese ressaltar que processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo Fisco. Quer dizer, em se tratando de ocorrência do fato gerador, vigora o princípio da verdade material, o qual determina que a conseqüência tributária somente incidirá se efetivamente o evento se der no plano fenomênico. Logo, é dever deste Colegiado sempre buscar aferir se realmente ocorreu ou não o fato gerador ou a infração à legislação tributária que se discute nos autos. Os fatos e documentos trazidos contribuinte em sede de recursal devem, portanto, serem objeto de análise minuciosa, a fim de que seja verificado se de fato subsistem as razões da autuação. Nesse ponto a Recorrente sustenta que solicitou à DRF em Niterói/RJ o fornecimento de cópia física dos autos, pleiteando: (i) a entrega do material solicitado, na repartição tributária mais próxima da Recorrente, na cidade do Rio de janeiro; (ii) cópia de todos os MPFs, porquanto não constam nas cópias digitais dos processos, fornecidos pelo fisco, (iii) inobservância. Adiante, alega a inobservância da competência do domicílio fiscal da contribuinte, bem como a indevida pluralidade de sujeitos passivos no mesmo auto de infração. Registrase que no tocante a pluralidade de sujeitos passivos, foi promovida a regular intimação de todos os responsáveis originariamente indicados a saber: a) Francisco Petruccelli; b) Girolamo Santoro; c) Jadair Fernandes de Almeida; d) Jorge Luiz Porto Motta; e) Raimundo Antonio de Oliveira; e f) Carlos José dos Santos; para se evitar a nulidade do feito, verificado à fl. 3125. Assim, foi dado a oportunidade nos autos para que cada um deles apresentasse sua defesa, conforme entendimento adotado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados por seus agentes fiscais, quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, como se verifica no presente caso. Ademais, vejamos as hipóteses de nulidade dos atos e termos lavrados, de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, a saber: Fl. 3498DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.499 16 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Adiante o mesmo diploma legal confirma essa restrição por meio da recomendação de que as demais irregularidades, incorreções e omissões sejam sanadas pelo servidor responsável pelo ato processual. Confirase: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Observase, pois, que este dispositivo não é aplicável ao presente caso. Logo, não há que se falar em nulidade do auto de infração por ausência das formalidades em questão, devendo ser rejeitada a preliminar suscitada pela Recorrente. Destarte, o auto de infração se serviu de todos os requisitos formais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não invalidando o exercício da ampla defesa no processo, bem como apontando a capitulação legal e a descrição da infração cometida. ILEGITIMIDADE PASSIVA DOS CORECORRENTES GIROLAMO SANTORO E FRANCISCO PETRUCCELLI A decisão da DRJ manteve a responsbilidade dos sócios Girolamo Santoro e Francisco Petruccelli, nos termos do art. 135, III do CTN. Confirase: Determina o artigo 135, inciso III, do CTN, que são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Temse assim que o sóciogerente, diretor ou administrador é responsável, não por ser sócio, mas por haver exercido a gerência. Desta forma, quando o administrador participa de negócio jurídico comprovadamente simulado, prejudica a sociedade empresarial, portanto, viola a um só tempo, o contrato social como também o direito empresarial. Assim, comprovado que a exigência de tributação pela glosa de despesa não comprovada decorreu de negócio jurídico simulado caracterizador de violação ao direito societário e empresarial, cabe a imputação de responsabilidade solidária aos administradores que participaram das operações. Inferese que o art. 135, III foi aplicado aos representantes, diretores e gerentes das empresas envolvidas, por terem sidos os responsáveis por praticar atos com infração de lei e excesso de poderes à medida que a glosa da despesa decorreu de negócio jurídico foi simulado. Fl. 3499DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.500 17 Nesse ponto, os Termos de Constatação Fiscal (fls. 154/156) descreve os comportamentos dos sócios gerentes citado da SOFT quando da execução da gerência da empresa, que ensejam o redirecionamento da responsabilidade tributária, conforme o artigo 135, III, do CTN. Ademais, para fins de responsabilidade tributária foi aplicada responsabilidade solidária, a saber: Desse modo, não prospera a alegação de nulidade absoluta, devendo ser mantida a decisão da DRJ nesse ponto. OMISSÃO DO V. ACÓRDÃO ACERCA DA LEI TIDA POR VIOLADA PELA CONDUTA IMPUTADA AOS SÓCIOS DA INTERESSADA. Sustenta a Recorrente que não restou demonstrada a norma do dispositivo violado que ensejou a aplicação do art. 135, III aos representantes, diretores e gerentes das empresas envolvidas, por terem sidos os responsáveis por praticar atos com infração de lei e excesso de poderes. Aduz que, a fiscalização apenas se limitou a apontar a conduta praticada, se referindo como simulada e com o intuito de dolo, quando da atividade empresarial. De fato, tanto a fiscalização quanto o v. acórdão não trouxeram a menção expressa da norma infringida, apenas tratou a infração à lei societária de forma ampla. A questão se deve ou não subsistir a responsabilidade dos sóciosgerentes será tratada no tópico adiante deste voto. NECESSIDADE DE IMEDIATA REMESSA DOS AUTOS À DRJ COMPETENTE PARA APRECIAÇÃO DO LANÇAMENTO DA CSLL. Sustenta a Recorrente que o v.acórdão prolatado pela DRJ não se manifestou acerca da Impugnação no tocante as razões relativas ao lançamento à titulo de CSLL, se limitando apenas ao lançamento do IRPJ Isso porque o voto proferido não se pronunciou quanto aos argumentos relativos ao lançamento da CSLL em relação a diferença entre a apuração deste tributo com IRPJ. Assim a decisão não deixou claro se a glosa da despesa em questão deve ser adicionada ao lucro líquido para fins de CSLL. Dessa maneira, a fim de ter assegurada seu direito constitucional ao duplo grau de jurisdição, requer a Recorrente a imediata remessa dos autos à Delegacia de Julgamento competente para apreciar suas alegações nesse ponto e prolatar um novo acórdão para este fim. Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.501 18 Entendo que tais argumentos não devem prosperar, uma vez que a decisão recorrida, entendeu que lançamento da CSLL é decorrente da autuação do IRPJ, conforme ementa a seguir: LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo o lançamento da CSLL de infração constatada na autuação do IRPJ, e negado provimento à impugnação referente ao lançamento deste,negase também em relação à impugnação daquela, em virtude da relação de causa e efeito que os une. Assim, entendo que não devem prosperar os argumentos trazidos pela Recorrente, uma vez que a decisão recorrida não deixou de se posicionar sobre os argumentos relativos à CSLL, sendo este um lançamento reflexo do IRPJ. DECADÊNCIA A exigência fiscal combatida é relativa à créditos de IRPJ e CSLL, tributos sujeitos à modalidade de lançamento por homologação, aplicandose, portanto, o art. 150, parágrafo 4°, do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial. Desse modo, a Recorrente entende que a contagem decadencial tem início quando da ocorrência do fato gerador, sendo que, após 5 anos, o direito do Fisco encontrase decaído. Assim, tendo os fatos geradores ocorridos em 2007, o direito do fisco se encontraria decaído em 2012 para efetuar o lançamento fiscal. Desse modo, a Recorrente faz crer que os débitos referentes a fevereiro e julho de 2007 a título de IRPJ e CSLL e os relativos a todos os fatos geradores ocorridos até outubro de 2007 estariam decaídos. No entanto, a DRJ aplicou o art. 173, I do CTN, iniciandose o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), razão pela qual o crédito tributário não se encontra decaído. Isso porque, restou comprovada a prática simulada trazida no bojo do Termo de Constatação Fiscal, ensejando representação fiscal para fins penais. Assim, tendo que a Recorrente foi cientificada da autuação fiscal em 29.10.2012 e os fatos geradores ocorreram em 2007, não há que se falar em decadência, uma vez que o lançamento foi orientado pelo artigo 173, do CTN, tendo 01.01.2008 como termo inicial da contagem do prazo decadencial. Diante o exposto, não há que se falar em decadência dos créditos fiscais em debate. MÉRITO Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.502 19 DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADAS Primeiramente cumprese registrar que a Recorrente tem como objeto social o desenvolvimento e comercialização de software. Consta nos autos que a Recorrente juntamente com a Admaster Serviços Ltda e Surpark SA supostamente simularam a realização de negócios jurídico com operações comerciais fictícias, envolvendo aquisições de milhares de cópia do software denominado X_LYNX. A Recorrente realizou o pagamento para a Admater pela aquisição dos softwares, sendo emitida NF pela Admaster em detrimento dos serviços prestados. Foi apontado ainda que a Admaster e a Surpark possuia sócio em comum (Sr Jadair Fernandes de Almeida), suposto mentor da operação comercial. No entanto, a fiscalização reportou que a Recorrente não logrou êxito em comprovar a existência do software X_LYNX adquirida, o que confere a efetividade da transação comercial. Com efeito, em sede recursal, a Recorrente afirma a existência efetiva da importação do software, oportunidade pela qual foram adquiridos software (X_LYNX) utilizados como plataforma para o desenvolvimento de seus produtos a serem comercializados, conforme a persecução de seu objeto social. Informa ter juntado nos autos um documento datado em 12/07/2013 às fls. 3.055/3.059, em que ajuda comprovar a existência do software adquirido. Neste documento, verificase um pedido da Recorrente para a empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa SA, demonstrando as tratativas ligadas ao SINTEL. Adiante, informa que as despesas glosadas foram deduzidas, levando em conta as atividades desenvolvidas pela Recorrente, de cunho operacionais e, portanto, plenamente dedutíveis para fins fiscais quando da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Desse modo, a Recorrente combate a decisão recorrida nesse ponto, uma vez que esta não entendeu que os documentos apresentados comprovou a efetividade dos pagamentos realizados, como necessários à atividade da empresa, bem como não guardavam correlação com a fonte produtora dos rendimentos. Pois bem, a Recorrente fundamenta que a despesa com a aquisição do X_LINX era necessária para a elaboração do SINTEL, sendo empregada na otimização das operações ou dos negócios exigidos pela atividade que constitui o objeto social da empresa, nos termos do art. 299 do RIR/99. Nesse ponto, a decisão entendeu que não beneficia a Recorrente o fato de seu objeto social ter ou não relação com as despesas questionadas, vez que o questionamento reside sobre a existência ou não das mesmas. Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.503 20 Ademais, em contraposição à Recorrente, a DRJ entendeu que não houve a comprovação das despesas, bem como não houve o respectivo desembolso para a aquisição do X_LINK. Adiante, a DRJ argumenta que não é prova suficiente da efetiva aquisição do software em questão a existência de documentos fiscais meramente formais (notas fiscais, contratos, livros contábeis). A suspeita sobre a inexistência do software foi reforçada após a Recorrente ter sido intimada e informar que não possuía cópia dos programas SINTEL e X_LYNX. Tal situação foi agravada, quando a Recorrente apenas juntou aos autos Relatórios de funcionalidade do XLYNX, print screen de suas telas e relatório de funcionalidade do mencionado SINTEL e print screen de suas telas, por se tratarem de itens genéricos que residem em quaisquer sistema computacional. Por fim, a decisão recorrida menciona que não foi contestado documentalmente, o fato de não haver nenhum documento emitido por entidade, órgão ou qualquer autoridade competente, no Pais ou no exterior, que ateste que a Surpark detivesse a marca ou os direitos sobre o mencionado software, registrandose que: Registrase que a Fiscalização com base no fato de a Admaster ter apresentado cópia de contrato internacional de autorização para comercialização do software X_LYNX, firmado com a Surpark, em 01062006, intimou a Surpark a comprovar/esclarecer, através de documentação hábil e idônea: a titularidade dos direitos autorais e/ou a propriedade intelectual do software X_LYNX; se o software X_LYNX foi registrado nas Instituições de proteção ao SOFTWARE, em caso positivo, comprovar o registro através de documentação hábil e idônea; a propriedade da marca registrada "X_LYNX" (Anexo D, do contrato); como se deu o contato inicial com a Admaster, devendo ser informado a identificação, os telefones e os endereços (convencionais e eletrônicos), das pessoas físicas representantes da Admaster e da Surpark, que promoveram os contatos para a negociação; apresentar a via original do contrato internacional de autorização para comercialização do software X_LYNX, firmado com a pessoa jurídica Admaster Serviços Ltda, com a autenticação ou o reconhecimento de assinaturas pela autoridade consular brasileira, bem como o registro ou reconhecimento de firma em cartório. Além disto, consta nos autos que o contrato internacional não foi registrado em Cartório, não foi autenticada ou reconhecida as assinaturas pela Autoridade Consular Brasileira, nem foi traduzido para o português por Tradutor Juramentado, em total violação ao artigo 221, do Código Civil, que determina que os efeitos de um instrumento particular (contrato), não registrado em registro público, não se operam perante terceiros. Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.504 21 Além disso aponta os atos ilícitos comprovados pela Fiscalização e registrados nos autos, a saber: uso de pessoas jurídicas inexistentes de fato; no documento referente à remessa de recursos ao exterior, (fluxo financeiro entre a Admaster e a Surpark), as assinaturas do representante da Admaster, Sr. Raimundo Antonio de Oliveira, constantes dos Contratos de Câmbio firmados com o UNIBANCO/ITAU, não conferiram com a assinatura do mesmo, contida na identidade, CPF e Cartão de Autógrafos da própria Instituição Financeira; uso de interpostas pessoas nas funções de procuradores, sócios e representantes junto à Receita Federal nas empresas Surpark e Admaster; as pessoas físicas utilizadas como interpostas pessoas não possuíam patrimônio declarado que pudesse inferir capacidade econômica, financeira e contributiva para ser administrador da Admaster, não existindo bens declarados em nome das pessoas físicas nem rendimentos compatíveis com a condição de sócio administrador de empresa que faturou no ano calendário de 2007, mais de R$11.000.000,00; como exemplo, no banco de dados da RFB, há informação de que o Sr.Raimundo Antonio de Oliveira, no anocalendário de 2007, movimentou financeiramente nas instituições financeiras do País R$18.365,02, e, no ano calendário de 2008, R$5.584,10, sendo tais recursos incompatíveis para sócio administrador que realizou todos os serviços relacionados com os Contratos firmados pela empresa, que renderam, no anocalendário de 2007, mais de R$11.000.000,00; a assinatura do Sr. Raimundo Antonio de Oliveira contida no contrato de revenda do Software XLYNX firmado, em 04/09/2006, pela Admaster com a Interessada reconhecida pelo Cartório do 4o Ofício de Notas do Rio de Janeiro, é diferente da assinatura constante da identidade, do CPF e do cartão de autógrafos do ITAU/UNIBANCO, sendo que, após intimação fiscal ao referido Cartório, tal assinatura não foi comprovada mediante apresentação de cópia autenticada de documento de identidade com foto; a menção ao software X_LYNX não constou nas especificações técnicas do SINTEL, constante do Anexo 1 do contrato firmado com a Camargo Correa, nem no aditivo realizado em 16102007, constando apenas na “nota de observações” das notas fiscais, as quais não foram assinadas; os valores das cópias do software X_LYNX, contido nos Contratos de Câmbio, não correspondem com os valores calculados de acordo com o Contrato Internacional, conforme exposto pela Fiscalização no Termo de Constatação. Assim, conclui que, ao levar em consideração as práticas mencionadas, entendeuse que a Recorrente não comprovou efetivamente o negócio jurídico, isto é, a aquisição do software X_LYNX. Para o deslinde da questão, cumpre verificar a existência da despesa oriunda da aquisição do referido software. Pela análise dos documentos acostados nos autos, bem como aqueles trazidos em sede de recurso, a saber: contrato de licença, notas fiscais correspondentes, relatório de Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.505 22 funcionalidade do software, print screen das telas, livros contábeis e Carta de Reformulação da Arquitetura Interna do Sintel, além dos recibos de aluguel, contas de energia e telefone da Admaster, entendo não serem suficientes para comprovar, de fato, a existência do software. Isso porque, com base nos documentos acostados no processo, não foi possível verificar a cópia dos softwares, além de não haver nenhum indicativo que o software tenha sido incluído no Sistema da Sintel. Portanto, entendo que, neste caso, não restou comprovada pelo contribuinte, a existência do software adquirido, sendo irretocável a decisão da DRJ nesse ponto. FALTA DE PREVISÃO PARA ADIÇÃO DE DESPESAS NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL A Recorrente alega que a Fiscalização não poderia ter adicionado à base de cálculo da CSLL as despesas consideraras indedutíveis para fins fiscais. Ressalta que, a CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido, não estando sujeita, a princípio, ao crivo do art. 299/RIR. Nesse ponto o art. 57 da Lei nº 8.981/95 diz que: Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas,inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Nesse caso, se a despesa afetou o resultado (lucro líquido), ela pode ser deduzida, a menos que haja vedação legal específica, o que não acontece no presente caso: CSLL – LANÇAMENTO DECORRENTE Na matéria em que não há disposição específica quanto à CSLL, e tratandose da mesma matéria fática, aplicase ao lançamento decorrente o decidido no principal (que tratase de IRPJ). Recurso Voluntário nº 130.570, Relatora Tânia Koetz Moreira – Oitava Câmara, Sessão do dia 06/11/2002) Nesse sentido, entendo que se aplica à CSLL, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. Portanto, aplicamse as conclusões relativas ao julgamento do IRPJ, em razão da relação de causa e efeito existente entre os fatos que geraram esses lançamentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES SR FRANCISCO PETRUCCELLI E SR. GIROLAMO SANTORO Fl. 3505DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.506 23 Os sócios da Recorrente entendem não possuir responsabilidade solidária no presente caso, por não guardar interesse comum ao fato gerador, bem como por não ter agido infringindo à lei, sob o manto artigos 124, I e 135, III do CTN. Senão vejamos: O art. 124 do CTN1 atribui a responsabilidade solidária para aqueles que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo ou aqueles expressamente designados por lei. Por sua vez, o art. 1352, do mesmo diploma legal é aplicável aos representes, diretores ou gerentes das pessoas jurídicas envolvidas. Conforme o termo de Verificação fiscal (fls. 153/154), foi aplicado a responsabilidade aos sóciosadministradores da empresa, pois tiveram participação nos atos societários e comerciais que resultaram no negócio jurídico simulado, culminando na redução indevida do imposto, por meio da despesa gerada com a aquisição do software. Por sua vez, também aplicou o art. 135, III aos representantes, diretores e gerentes das empresas envolvidas, por terem sidos os responsáveis por praticar atos com infração de lei e excesso de poderes à medida que criaram condições artificiais para justificar a redução indevida do imposto, mediante a assinatura dos atos praticados. Entendo que tais argumentos não devem prosperar. Primeiramente, com relação ao citado art. 124, I, não houve a caracterização do interesse comum ao fato gerador, pois sua acepção é jurídica, pressupondo uma relação jurídica de duas ou mais pessoas configurando como contribuintes, isto é, somente aqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Com efeito, não se reputa razoável a imputação da responsabilidade tributária por apenas terem participado, como administradores, nas práticas societárias que originou a infração fiscal. Tal entendimento é corroborado por este Colegiado, o qual já teve a oportunidade de se manifestar sobre a questão, conforme ementa a seguir: SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRI PESSOAL. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. Não me parece suficiente a imputação realizada, de disporem as pessoas físicas de poderes gerenciais, suficiente a desencadear a solidarização levada a efeito. A Fiscalização não comprovou, aliás, nem mesmo argumentou, qual seria o preciso interesse na situação que constituiu o fato gerador (regra do 124, I), nem mesmo qual a relação direta e pessoal com tal situação (regra do 121).(Ac. 1301001.400, Seção em 12/02/2014) 1 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 2 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 3506DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.507 24 Por sua vez, quanto ao art. 135, III do mesmo dispositivo legal, somente pode ocorrer a responsabilização pessoal dos sócios quando estes agem com excesso de poderes ou infração de lei ou ainda de contrato social. No Relatório não há, pois, comprovação cabal das condutas dolosas praticadas pelo responsável solidário, sendo descritas as infrações realizadas pelas pessoas jurídicas e transcritos os dispositivos legais que embasaram a responsabilização, além da desconstituição da documentação suporte do fluxo comercial da mercadoria apresentada na fase de fiscalização. Entendo que a hipótese de responsabilização tributária preceituada pelo artigo em comento pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente essa conduta. Logo, para efeito de atribuição da responsabilidade contida em tal artigo, impõese que o sóciogerente ou diretor tenha praticado verdadeira atuação dolosa contrária à legislação tributária. Corroborando este entendimento, temse decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1101728/SP sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do antigo CPC): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (grifei) Nessa esteira, entendo que os atos societários praticados pelos sócios não são capazes de atrair a incidência do art. 135 do CTN. Diante o exposto, entendo que deve ser excluída a responsabilidade dos sócios administradores, pois não restou comprovada a responsabilidade tributária, conforme os dispositivos legais que embasaram a responsabilização Fl. 3507DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.508 25 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SR. JORGE LUIZ PORTO MOTTA O Sr. Jorge Luiz Porto Motta é procurador da Surpark. Consta no autos os seguintes fatos relativos a ele, conforme fls. 2942: recebeu do Sr. Jadair em nome da Surpark S/A, substabelecimento de poderes, para assinar petições, termos, processos, declarações, contratos, alterações contratuais, discordar, acordar, desistir, etc; representou a Surpark quando o Sr. Jadair Fernandes de Almeida, na qualidade de procurador legal da Ecospar Serviços e Participações Ltda cedeu as cotas que este possuía na Geomática Tecnologias da Informação Ltda, a Surpark S/A; no mesmo ato, também recebeu em nome da Surpark, cotas da Geomática que eram do Sr. Élcio Wilson Nascimento da Silva; testemunhou a alteração contratual que: modificou o nome da pessoa jurídica para Admaster, (antes era denominada Bonseguro); venda das cotas do Sr. Jose Mauro para Henrique Alvarena; retirada do Sr. Jadair que vendeu suas cotas para Elias de Sá; e este, Sr. Elias de Sá constituiu como procurador da Admaster, o Sr. Ronaldo de Souza Silva; testemunhou a alteração social da Admaster que promoveu a mudança de endereço da sede do centro de Rio Bonito para o Boqueirão em Rio Bonito; testemunhou a alteração social da Admaster que promoveu a transferência da sede para Rua 14, lote 01, Jaconé, Saquarema. Dessa forma, o Sr. Jorge Luiz Porto Motta foi responsabilizado solidariamente na prática simulatória referente às relações com a Surpark no tocante ao “contrato internacional de autorização para comercialização do software XLINX”, vez que a prática desta conduta teve como conseqüência no fato gerador do IRRF. O Sr. Jorge Luiz Porto Motta interpôs Recurso às fls. 3220/3239, rebate a argumentação trazida pela fiscalização, alegando que não participou diretamente na operação comercial envolvendo a Admaster, a Soft ou a Camargo Corrêa. Ademais argumenta que aplicação do art. 124 do CTN não é voltado ao interesse comum com a prática tida como ilícita Entendo que a responsabilidade solidária não deve ser aplicada. Isso porque, com relação ao citado art. 124, I, não houve a caracterização do interesse comum ao fato gerador, pois sua acepção é jurídica, pressupondo uma relação jurídica de duas ou mais pessoas configurando como contribuintes, isto é, somente aqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Com efeito, não se reputa razoável a imputação da responsabilidade tributária por apenas o Sr Jorge Luiz Porto Motta ter participado, como procurador, em alguns societários que supostamente originou a infração fiscal. Fl. 3508DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.509 26 Ainda, descaracterizo a aplicação do art. 135, III do mesmo dispositivo legal, pelas mesmas razões expostas acima, pois somente poderia ocorrer a responsabilização pessoal dos sócios quando estes agem com excesso de poderes ou infração de lei ou ainda de contrato social. No Relatório não antevejo qualquer comprovação cabal das condutas dolosas praticadas pelo responsável solidário que ensejasse sua responsabilização. Assim, entendo que a hipótese de responsabilização tributária preceituada pelo artigo em comento pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente essa conduta. o que não foi verificado nesse caso. Assim, julgo no sentido de cancelar a responsabilidade tributária solidária do Sr. Jorge Luiz Porto Motta. DA RESPONSABILIDADE DO SR. JADAIR FERNANTES DE ALMEIDA Consta nos autos os seguintes fatos relativos ao Sr. Jadair Fernandes de Almeida, conforme fls. 2938 e ss: Em relação às alterações sociais da Admaster Serviços Ltda: em 05.12.2003, o Sr. Jadair, com 90,5% das quotas de capital retirouse da Admaster, alienando suas cotas, por 10% de seu valor, para o Sr .Elias de Sá e Sr. Henrique Alvarenga dos Santos, respectivamente; o Sr.Elias de Sá retirouse da Sociedade em 16062005, alienando suas quotas ao Sr. Carlos José dos Santos; conforme o contrato social da Admaster os sócios de direito passaram a ser o Sr. Raimundo Antonio de Oliveira e o Sr. Carlos José dos Santos; como testemunha na alteração dos respectivos contratos sociais da Admaster estava o Sr. Ronaldo de Souza e Silva; antes disto, em 08.12.2003, o Sr.Elias, como sócio majoritário da Admaster, outorgou poderes de mandato ao Sr. Ronaldo de Souza e Silva; o Sr. Ronaldo de Souza e Silva, declarou que nunca conheceu o Sr. Elias de Sá, e que foi procurador da Admaster, por solicitação do Sr. Jadair Fernandes de Almeida, para cumprir exigências burocráticas; o Sr. Ronaldo também declarou que prestava serviços como autônomo para o Sr. Jadair Fernandes de Almeida; o Sr.Ronaldo acrescentou que para conseguir informações, andamento, retirada e anexar documentos junto a Órgão Público Federal, Estadual e Municipal da Admaster era necessário procuração, então, lhe foi dada pelo Sr. Jadair Fernandes de Almeida a procuração da Admaster para tais finalidades, sendo que toda e qualquer movimentação relacionada a Admaster era através do Sr. Jadair Fernandes de Almeida; Fl. 3509DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.510 27 o Sr. Ronaldo informou que assinou como testemunha o Contrato Social da Admaster de 05.12.2003, bem como as alterações contratuais de 14.09.2006, a pedido do Sr. Jadair Fernandes de Almeida, para o qual prestava serviços eventuais; o Sr.Ronaldo informou também que não tem qualquer conhecimento ou informação acerca dos Srs. Elias de Sá, Henrique Alvarenga, Raimundo Antonio de Oliveira e Carlos José dos Santos; do exame das declarações de rendimentos, DIRPF apresentadas, constatou se que o Sr. Elias não possuía patrimônio declarado que pudesse inferir capacidade econômica financeira para dirigir a Admaster, pois, não existiram bens declarados nem rendimentos compatíveis com a condição de sócio da Admaster; constatouse que o número do domicílio fiscal do Sr.Elias não existia. Em relação à Surpark S/A, conforme já mencionado, o Sr.Roberto Fernandes declarou, em síntese, que: não autorizou sua inclusão como responsável da Surpark S/A, perante a RFB; não assinou nenhum documento para tal fim; em 2008, descobriu que constava como responsável pela Surpark no cadastro da RFB; neste momento por diversas vezes entrou em contato telefônico com o Sr. Jadair Fernandes de Almeida, visando retirar o nome do cadastro, pois não foi autorizado; o Sr. Jadair informou que iria retirar o meu nome em substituição ao nome de uma pessoa chamada Jorge, fato que não ocorreu; antes, em março de 2003, conheceu o Sr. Jadair, e, o mesmo, o contratou para prestar serviços de consultoria e elaboração de minutas de contratos comerciais, para diversas empresas, sendo remunerado como autônomo; o Sr. Jadair tinha o poder de decisão de muitas empresas; entre elas a Alternex, Admaster, Surpark S/A, Geomatica, Ecospar e outras; a partir do ano de 2004, não sabendo precisar o mês, não prestou mais serviços para o mesmo, praticamente perdeu contato com o Sr. Jadair e suas empresas. Em relação à utilização da Admaster em operações distintas do objeto social: várias Pessoas jurídicas receberam recursos (TED) que saíram da conta bancária da Admaster informaram que nunca ouviram falar da Admaster, nem de seus sócios; foi verificado que as operações que deram origem às transferências de recursos eram estranhas à atividade operacional da Admaster; na escrituração mantida pela Admaster, tais recursos comprovadamente transferidos para terceiros, foram contabilizados como saindo do banco e ingressando no caixa da empresa, permanecendo até o final do anocalendário de 2007; o titular de uma destas pessoa jurídicas, Sr. Alberto Villela Correa, após intimado a esclarecer e comprovar todas as informações acerca das TED recebidas Fl. 3510DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.511 28 em 28/05/2007 e 30/05/2007, no valor de RS19.500,00 e RS 19.700,00, em sua conta bancária n° 7199074, mantida no BRADESCO, agência 34282, originadas da conta bancária mantida em nome da Admaster, informou que nunca ouviu falar na Admaster, mas apenas no Sr. Jadair. Em relação à Geomática Tecnologias da Informação Ltda: após exame no Contrato Social, de 02122002, constantes do banco de dados da Junta Comercial constatouse que o capital social da Geomática Tecnologias da Informação Ltda de R$1.000.000,00, totalmente integralizado, foi constituído da seguinte maneira: R$ 853.400 da Ecospar Serviços e Participações Ltda; R$ 94.500 de Paulo Eurico de Melo Tavares; R$ 47.500 de Marcelo de Castro Pereira da Silva; R$ 4.000 a Jadair Fernandes De Almeida, (Gerente da Geomática e representante da Ecospar); R$ 600 a Fernando Paiva Tavares; após exame na 2a alteração contratual da Geomática Tecnologias da Informação Ltda, de 16102004, constante do banco de dados da Junta Comercial ficou constatdo que: a Ecospar Serviços e Participações Ltda, representada por seu procurador legal, Sr. Jadair Fernandes de Almeida, cede e transfere suas cotas a Surpark S/A, representada por seu procurador, Sr. Jorge Luiz Porto Motta; o Sr.Jadair Fernandes de Almeida, cede e transfere suas cotas a Surpark S/A, representada por seu procurador, Sr. Jorge Luiz Porto Motta; Élcio Wilson Nascimento da Silva, cede e transfere suas cotas a Surpark S/A, representada por seu procurador, Sr. Jorge Luiz Porto Motta; a Surpark S/A nomeia e constitui seu representante legal junto a Geomática Tecnologias Da Informação Ltda, o Sr. Jadair Fernandes De Almeida. após exame nos demais documentos constantes do banco de dados da Junta Comercial, foi encontrada cópia do Mandado Geral de Administração e Disposição da Surpark S/A, de 28101993, autenticada em 09122004 pelo 17° Ofício de Notas, traduzido para a língua portuguesa por Tradutor Público Juramentado, onde consta, em vernáculo, legalização Consular ("....única e exclusivamente um ato de reconhecimento de firma...") , em que é conferido ao Sr. Jadair Fernandes de Almeida, amplos poderes de gerência, inclusive cessão para desfrute e disposição de todo o patrimônio da Surpark; após exame nos demais documentos, constante do banco de dados da Junta Comercial, encontrouse substabelecimento de 05072004, cuja firma do Sr. Jadair foi reconhecida por semelhança, pelo cartório do 17° Ofício de Notas, em 09122004, em que consta que o Sr. Jadair. em nome da Surpark S/A. substabeleceu poderes ao Sr. Jorge Luiz Porto Motta, para assinar petições, termos, processos, declarações, contratos, alterações contratuais, discordar, acordar, desistir, etc; o Cartório do 17° Ofício de Notas da Capital, após ser oficiado pela Fiscalização, apresentou resposta, de 09082012, confirmando a veracidade do reconhecimento de firma da assinatura do Sr. Jadair Fernandes de Almeida aposta no Substabelecimento concedido ao Sr. Jorge Luiz Porto Motta, inclusive encaminhou cópia de identidade com foto do Sr. Jadair. De igual forma, o Tabelião do Cartório do 17° Ofícios de Notas, confirmou o ato de autenticação na tradução do Mandato Geral de Administração expedido por Surpark SA. Fl. 3511DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.512 29 De todo o acima exposto, é imperioso concluir que o Sr.Jadair Fernandes de Almeida, foi a pessoa física que, de fato, deteve poder de gerência e/ou direção das pessoas jurídicas Surpark S/A e Admaster Serviços Ltda, utilizando os Srs. Elias de Sá, Sr. Henrique Alvarenga dos Santos, Carlos José dos Santos, Raimundo Antonio de Oliveira e Aloisio Antonio da Rocha Pitta, cada um a seu tempo, como interpostas pessoas. Claro está, também, que o Sr.Jadair Fernandes de Almeida participou ativamente no negócio jurídico simulado, consubstanciado no Contrato Internacional de Autorização para Comercialização do software X_LYNX, firmado entre a Surpark S/A, (leiase Sr.Jadair Fernandes de Almeida) e a Admaster Serviços Ltda, (leiase Sr.Jadair Fernandes de Almeida) e do Contrato de Revenda do software X_LYNX firmado entre a Admaster Serviços Ltda, (leiase Sr.Jadair Fernandes de Almeida) e a Soft Consultoria, a Interessada, (leiase Srs. Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro), com o fim de fraudar/sonegar tributo O Sr. Jadair Fernandes de Almeida apresentou Recurso às fls. 3179/3215, alegando não ser razoável a aplicável o art. 124, I, CTN, vez que não é voltado ao interesse comum com a prática tida como ilícita Entendo que a responsabilidade solidário não deve ser aplicada. Isso porque, com relação ao citado art. 124, I, não houve a caracterização do interesse comum ao fato gerador, pois sua acepção é jurídica, pressupondo uma relação jurídica de duas ou mais pessoas configurando como contribuintes, isto é, somente aqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Com efeito, não se reputa razoável a imputação da responsabilidade tributária tendo como base os atos societários que balizaram as relações comerciais que supostamente originou a infração fiscal. Ainda, descaracterizo a aplicação do art. 135, III do mesmo dispositivo legal, pelas mesmas razões expostas acima, pois somente poderia ocorrer a responsabilização pessoal dos sócios quando estes agem com excesso de poderes ou infração de lei ou ainda de contrato social. No Relatório não antevejo qualquer comprovação cabal das condutas dolosas praticadas pelos responsáveis solidários que ensejasse sua responsabilização. Assim, entendo que a hipótese de responsabilização tributária preceituada pelo artigo em comento pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente essa conduta, o que não foi verificado nesse caso. Assim, julgo no sentido de cancelar a responsabilidade tributária solidária do Sr. Jadair Fernandes de Almeida. DA MULTA AGRAVADA Em função das infração cometidas, a fiscalização aplicou a multa de ofício qualificada de 150%, nos termos do art. 957, II do RIR/99 (44, II da Lei nº 9.430/96)., in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 3512DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.513 30 (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação anterior à alteração legislativa, vigente à época dos fatos) Todavia, a Recorrente entende que não faz jus à multa de 150% sobre o crédito tributário, uma vez que não restou comprovado a ação dolosa e o intuito de fraude em sua conduta. Entendo, contudo, que a fiscalização logrou êxito em comprovar a fraude nas condutas adotadas pela Recorrente, conforme apontado no bojo do TVF, restando, portanto, caracterizada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação, nos termos dos arts. 70 a 73 da Lei nº 4.502/64. Em face do exposto, entendo que a qualificação da multa deve ser mantida. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço dos Recursos Voluntários para, no mérito, dar lhes PARCIAL provimento a fim de afastar a responsabilidade tributária solidária dos sócios administradores da Recorrente, Sr. Francisco Petruccelli e Sr. Girolamo Santoro, bem como do Sr. Jadair Fernandes de Almeida e do Sr. Jorge Luiz Porto Motta. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 3513DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.514 31 Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior Redator Designado Acompanho, em quase todos os pontos, o voto do ilustre Conselheiro Relator; peço licença, porém, para dele divergir quanto à responsabilidade tributária de Francisco Petruccelli, Girolamo Santoro, Jadair Fernandes de Almeida e Jorge Luiz Porto Motta. Na hipótese de lançamento que coloca no polo passivo duas ou mais pessoas, como coobrigadas pelo pagamento do crédito tributário, tendo por base legal o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, a exemplo do que ocorre no caso em exame, alegase, com certa frequência, uma incompatibilidade desse dispositivo legal com o disposto no art. 135 do mesmo CTN, utilizado para imputar responsabilidade a administradores, diretores ou representantes de pessoas jurídicas. É que o primeiro dispositivo (art. 124) cuida de responsabilidade tributária solidária, enquanto o segundo (art. 135) prevê responsabilidade pessoal. De acordo com determinada corrente de pensamento, a responsabilidade pessoal rechaçaria a solidariedade. A meu juízo, entretanto, não existe a referida incompatibilidade. A responsabilidade tributária prevista no art 135 surge quando a pessoa física exerce o encargo de administrar ou de gerir o patrimônio ou os negócios de pessoa jurídica, praticando, em nome desta, atos com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatuto. Nessa circunstância, por força do art 135, o administrador vem para o primeiro plano, passando a ocupar o polo passivo da relação tributária. Se tais atos forem perpetrados pelo administrador, diretor ou preposto em benefício próprio, contra os interesses da pessoa jurídica, esta não integrará o polo passivo da relação tributária. Todavia, se os atos forem realizados em benefício do administrador, diretor ou preposto, valendose eles da pessoa jurídica como instrumento para a prática do ilícito, todos devem integrar o polo passivo, inclusive a pessoa jurídica. Sendo duas ou mais pessoas físicas a praticar atos de gestão com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, todas elas devem figurar no polo passivo, na qualidade de devedores solidários. Notese que responsabilidade pessoal não é sinônimo de responsabilidade exclusiva. Na hipótese aqui aventada, a solidariedade vem do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Referido interesse comum, por sua vez, decorre da atuação conjunta. Vale dizer, da efetiva participação ou atuação conjunta das pessoas físicas na ocorrência do fato gerador. Para caracterizar o interesse comum, é necessário que fique evidenciado que as pessoas se associaram para a prática do fato gerador e do ilícito tributário, de forma voluntária, livre e consciente, ou seja, a pessoa ingressa no esquema por escolha própria, sem qualquer coação ou pressão, e consciente de tratarse de ilícito que irá provocar prejuízo à esfera jurídica de terceiro. Fl. 3514DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.515 32 Observese que a responsabilidade tributária não decorre da mera condição de sócio, acionista ou cotista; mas, sim, da prática de atos próprios de administrador, gerente, gestor ou preposto. Por outro lado, o interesse comum, que firma entre os agentes o vínculo de solidariedade, não é de cunho econômico, mas jurídico. Ainda que o sócio, indiretamente, aufira alguma vantagem advinda da prática do ato ilícito, o lançamento não poderá se voltar contra ele, pois o interesse comum a que se refere o inciso I, do art. 124 do CTN não é interesse econômico. É interesse jurídico e surge da participação conjunta na prática do fato gerador. Os que realizam o fato gerador do tributo e o ilícito tributário são os que voluntária e conscientemente se associam para tal fim. É dessa associação que vem o interesse comum. Nesse sentido, para ser sujeito passivo da obrigação tributária basta ingressar de forma livre, voluntária, e consciente no esquema fraudulento, sendo uma peça nesse engrenagem preordenada para fraudar o Fisco. Eis a razão pela qual devem figurar no polo passivo da obrigação todas pessoas físicas e jurídicas envolvidas no ilícito. No lançamento, essas pessoas assumem a condição de devedores solidários, não se podendo cogitar de um lançamento autônomo contra cada uma delas individualmente, e tampouco de um lançamento contra apenas uma única pessoa, exonerando os demais envolvidos. É exatamente essa a situação que se verifica no presente caso, como ficou demonstrado no Termo de Constatação Fiscal (fls. 7 a 156), e comprovado pelos documentos trazidos aos autos. A Fiscalização apurou ter havido simulação nos negócios envolvendo as empresas Soft Consultoria Ltda., Admaster Serviços Ltda. e Surpark S.A., sendo estas duas últimas inexistentes de fato. O escopo era remeter irregularmente recursos para o exterior e fraudar a arrecadação tributária. O esquema foi assim descrito no termo de constatação: (3) No decorrer do presente procedimento de ofício, ficou CONSTATADO que uma pessoa física denominada no presente Termo como "OPERADOR", utilizando duas pessoas jurídicas, inexistentes de fato (de "fachada"), sob seu controle, executou um "Esquema" de Sonegação Fiscal e de Remessa Irregular de Recursos ao Exterior, detalhadamente demonstrado no Capítulo VI do presente Termo, tendo como única beneficiária do "Esquema" a empresa SOFT CONSULTORIA LTDA; (4) A pedra fundamental, do "Esquema" sob foco fiscal, foi a utilização de duas empresas "de fachada" (SURPARK S/A e ADMASTER SERVIÇOS LTDA), para simular negócio jurídico relacionado com aquisição fictícia de milhares de cópias de um único suposto programa de computador denominado X_LYNX, supostamente importado do Uruguai, tendo como objetivos: 1 Enviar fraudulentamente recursos ao exterior sob a falsa aparência de legalidade; 2 Ocultar o real responsável pela remessa ilegal de recursos, a real causa de tais pagamentos e o real beneficiário destes recursos; Fl. 3515DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.516 33 3 Suprimir, deliberadamente, tributos e contribuições federais; (fls. 7 e 8) A execução do esquema fraudulento não se faz sem o envolvimento de pessoas físicas, em especial daquelas que exercem funções de direção e administração da empresa. Nesse papel, coube a Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, sócios administradores da Soft Consultoria, assinar os contratos simulados de fornecimento de software com a Admaster Serviços Ltda., suposta fornecedora do produto no Brasil, e com a Construções e Comércio Camargo Correa S.A., a suposta destinatária dos mesmos produtos. A construtora Camargo Correa entregava as quantias a pretexto de pagamento pelas cópias do software. Os valores eram repassados, no Brasil, à empresa fictícia Admaster, que os remetia para outra empresa fictícia, a Surpark S.A., no Uruguai. A participação de Jadair Fernandes de Almeida e de Jorge Luiz Porto Motta no esquema ilícito está vinculada às empresas Admaster e Surpark. O primeiro era sócio da Admaster, retirandose da sociedade em 2003. Entretanto, por meio de interpostas pessoas, continuou a utilizar a pessoa jurídica, tanto assim que algumas pessoas ouvidas pela Fiscalização declararam que Jadair era o dono da empresa. Por outro lado, as pessoas que figuravam como sócias da Admaster não revelavam capacidade contributiva para tanto, nem receberam qualquer renda ou lucro advindo da atividade empresarial. Jadair também tinha o controle da Surpark S.A., como comprova o documento denominado Mandado Geral de Administração e Disposição da Surpark, que lhe conferia amplos poderes de gerência e de disposição do patrimônio da empresa. Jorge Luiz Porto Motta também praticou atos em nome de Jadair, de quem foi mandatário em alguns negócios jurídicos. Tomou parte, como testemunha, em negócios jurídicos simulados e foi procurador da Surpark de julho de 2004 a setembro de 2009. Portanto, seu envolvimento no esquema está caracterizado, assim como o dos outros três recorrentes. Por fim, cabe registrar que a ausência de algumas pessoas, físicas e jurídicas, no polo passivo, por eventual erro ou omissão da autoridade fiscal, não torna inválido o lançamento, nem torna ilegítima a inclusão dos outros autuados, se a participação de cada um deles tiver sido devidamente comprovada nos autos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento aos recursos interpostos por Francisco Petruccelli, Girolamo Santoro, Jadair Fernandes de Almeida e Jorge Luiz Porto Motta, reconhecendo legitimidade passiva a todos eles para figurarem no polo passivo da relação tributária. É como voto. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 3516DF CARF MF Processo nº 15540.720338/201293 Acórdão n.º 1301002.427 S1C3T1 Fl. 3.517 34 Fl. 3517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907904/2012-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.812
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.811, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 04 /2 01 2- 74 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10875.907904/201274 Acórdão n.º 9303004.812 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10875.907904/201274 Acórdão n.º 9303004.812 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10875.907904/201274 Acórdão n.º 9303004.812 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 151DF CARF MF
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