Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 12448.737259/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
POSTERGAÇÃO. ANO DE APROVEITAMENTO. ÁGIO. POSSIBILIDADE.
Se o ágio foi aproveitado incorretamente em 2008, mas poderia ter sido aproveitado já em 2009, e considerando que havia lucro real suficiente para deduzir o ágio no ano de 2009, é possível reconhecer a postergação, conforme requerido pela contribuinte em seu Recurso.
ÁGIO DE SI MESMO. EMPRESA DE PRATELEIRA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. GLOSA MANTIDA.
Tendo em vista que a empresa não tinha substância, que surgiu e desapareceu logo depois para viabilizar uma típica operação com geração de ágio de si mesmo, sem, por exemplo, fluxo financeiro, deve ser mantida a glosa do ágio.
ÁGIO. FALTA DE EFETIVO PAGAMENTO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. GLOSA MANTIDA.
No caso concreto, houve permuta de ações na totalidade das ações que pertenciam à própria empresa que as recebeu e que, assim, as manteve em tesouraria. Os fatos indicam ações premeditadas para gerar o ágio, mas sem propósito negocial comprovado, devendo ser mantida a glosa.
GLOSA DE DESPESAS. RECONHECIMENTO PARCIAL.
Diversos grupos de despesas foram glosados, sendo que uma pequena parte das glosas foi derrubada pela DRJ e outra mantida. Com a comprovação por meio de documentos juntados antes do Recurso Voluntário e a ele, reconhece-se as despesas classificadas como motivo 2, no motivo 6 (itens 11.33, 11.34, 11.47, 11.57 e 11.59), no motivo 7 e no motivo 8.
MULTAS ISOLADAS. MULTAS DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Seguindo o entendimento majoritário firmado pela turma, como as bases de cálculo das multas de ofício superam as bases de cálculo das multas isoladas, devem ser canceladas essas últimas para evitar a aplicação concomitante de multas.
Numero da decisão: 1401-001.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, DERAM provimento PARCIAL para considerar a postergação no Ágio relativo às empresas Aquamec e Novagerar; II) Por unanimidade de votos, NEGARAM provimento em relação ao ágio da incorporação de EL CAPITAN. As conselheiras Aurora e Lívia votaram pelas conclusões; III) Por maioria de votos, NEGARAM provimento em relação ao ágio gerado na incorporação da AZURIC. Vencidas as Conselheiras Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia De Carli Germano; IV) Por unanimidade de votos, DERAM provimento para cancelar as glosas das despesas financeiras apontadas no motivo 2, no motivo 6 (itens 11.33, 11.34, 11.47, 11.57 e 11.59), no motivo 7 e no motivo 8, nos termos do voto do relator; e V) Por maioria de votos, DERAM provimento para cancelar as multas isoladas. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Ricardo Marozzi, Marcos Villas-Bôas (relator), Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini e Lívia Germano.
Nome do relator: MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201610
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 POSTERGAÇÃO. ANO DE APROVEITAMENTO. ÁGIO. POSSIBILIDADE. Se o ágio foi aproveitado incorretamente em 2008, mas poderia ter sido aproveitado já em 2009, e considerando que havia lucro real suficiente para deduzir o ágio no ano de 2009, é possível reconhecer a postergação, conforme requerido pela contribuinte em seu Recurso. ÁGIO DE SI MESMO. EMPRESA DE PRATELEIRA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. GLOSA MANTIDA. Tendo em vista que a empresa não tinha substância, que surgiu e desapareceu logo depois para viabilizar uma típica operação com geração de ágio de si mesmo, sem, por exemplo, fluxo financeiro, deve ser mantida a glosa do ágio. ÁGIO. FALTA DE EFETIVO PAGAMENTO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. GLOSA MANTIDA. No caso concreto, houve permuta de ações na totalidade das ações que pertenciam à própria empresa que as recebeu e que, assim, as manteve em tesouraria. Os fatos indicam ações premeditadas para gerar o ágio, mas sem propósito negocial comprovado, devendo ser mantida a glosa. GLOSA DE DESPESAS. RECONHECIMENTO PARCIAL. Diversos grupos de despesas foram glosados, sendo que uma pequena parte das glosas foi derrubada pela DRJ e outra mantida. Com a comprovação por meio de documentos juntados antes do Recurso Voluntário e a ele, reconhece-se as despesas classificadas como motivo 2, no motivo 6 (itens 11.33, 11.34, 11.47, 11.57 e 11.59), no motivo 7 e no motivo 8. MULTAS ISOLADAS. MULTAS DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Seguindo o entendimento majoritário firmado pela turma, como as bases de cálculo das multas de ofício superam as bases de cálculo das multas isoladas, devem ser canceladas essas últimas para evitar a aplicação concomitante de multas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12448.737259/2012-81
anomes_publicacao_s : 201612
conteudo_id_s : 5662241
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.741
nome_arquivo_s : Decisao_12448737259201281.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS
nome_arquivo_pdf_s : 12448737259201281_5662241.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, DERAM provimento PARCIAL para considerar a postergação no Ágio relativo às empresas Aquamec e Novagerar; II) Por unanimidade de votos, NEGARAM provimento em relação ao ágio da incorporação de EL CAPITAN. As conselheiras Aurora e Lívia votaram pelas conclusões; III) Por maioria de votos, NEGARAM provimento em relação ao ágio gerado na incorporação da AZURIC. Vencidas as Conselheiras Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia De Carli Germano; IV) Por unanimidade de votos, DERAM provimento para cancelar as glosas das despesas financeiras apontadas no motivo 2, no motivo 6 (itens 11.33, 11.34, 11.47, 11.57 e 11.59), no motivo 7 e no motivo 8, nos termos do voto do relator; e V) Por maioria de votos, DERAM provimento para cancelar as multas isoladas. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Ricardo Marozzi, Marcos Villas-Bôas (relator), Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini e Lívia Germano.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
id : 6583066
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687731539968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2004; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 29 1 28 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.737259/201281 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401001.741 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de outubro de 2016 Matéria IRPJ. Ágio. Recorrentes Haztec Tecnologia Planejamento Ambiental S.A. e Fazenda Nacional Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 POSTERGAÇÃO. ANO DE APROVEITAMENTO. ÁGIO. POSSIBILIDADE. Se o ágio foi aproveitado incorretamente em 2008, mas poderia ter sido aproveitado já em 2009, e considerando que havia lucro real suficiente para deduzir o ágio no ano de 2009, é possível reconhecer a postergação, conforme requerido pela contribuinte em seu Recurso. ÁGIO DE SI MESMO. EMPRESA DE PRATELEIRA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. GLOSA MANTIDA. Tendo em vista que a empresa não tinha substância, que surgiu e desapareceu logo depois para viabilizar uma típica operação com geração de ágio de si mesmo, sem, por exemplo, fluxo financeiro, deve ser mantida a glosa do ágio. ÁGIO. FALTA DE EFETIVO PAGAMENTO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. GLOSA MANTIDA. No caso concreto, houve permuta de ações na totalidade das ações que pertenciam à própria empresa que as recebeu e que, assim, as manteve em tesouraria. Os fatos indicam ações premeditadas para gerar o ágio, mas sem propósito negocial comprovado, devendo ser mantida a glosa. GLOSA DE DESPESAS. RECONHECIMENTO PARCIAL. Diversos grupos de despesas foram glosados, sendo que uma pequena parte das glosas foi derrubada pela DRJ e outra mantida. Com a comprovação por meio de documentos juntados antes do Recurso Voluntário e a ele, reconhecese as despesas classificadas como motivo 2, no motivo 6 (itens 11.33, 11.34, 11.47, 11.57 e 11.59), no motivo 7 e no motivo 8. MULTAS ISOLADAS. MULTAS DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 72 59 /2 01 2- 81 Fl. 4588DF CARF MF 2 Seguindo o entendimento majoritário firmado pela turma, como as bases de cálculo das multas de ofício superam as bases de cálculo das multas isoladas, devem ser canceladas essas últimas para evitar a aplicação concomitante de multas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, DERAM provimento PARCIAL para considerar a postergação no Ágio relativo às empresas Aquamec e Novagerar; II) Por unanimidade de votos, NEGARAM provimento em relação ao ágio da incorporação de EL CAPITAN. As conselheiras Aurora e Lívia votaram pelas conclusões; III) Por maioria de votos, NEGARAM provimento em relação ao ágio gerado na incorporação da AZURIC. Vencidas as Conselheiras Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia De Carli Germano; IV) Por unanimidade de votos, DERAM provimento para cancelar as glosas das despesas financeiras apontadas no motivo 2, no motivo 6 (itens 11.33, 11.34, 11.47, 11.57 e 11.59), no motivo 7 e no motivo 8, nos termos do voto do relator; e V) Por maioria de votos, DERAM provimento para cancelar as multas isoladas. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Ricardo Marozzi, Marcos Villas Bôas (relator), Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini e Lívia Germano. Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício em face do Acórdão nº 12 58.141, que julgou, por unanimidade, procedente em parte a Impugnação apresentada perante o Auto de Infração. Valhome de partes do Relatório do Acórdão da DRJ para descrever os fatos iniciais: "Tratase de auto de infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil para exigência de tributos e de multa isolada, abaixo relacionados, e Fl. 4589DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 30 3 dos respectivos acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora), totalizando o crédito tributário de R$ 11.582.472,63. Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ..................................... R$ 2.942.874,47 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) ..................... R$ 1.065.914,81 Multa exigida isoladamente ........................................................... R$ 3.058.528,44 [...] 5 – o interessado apresentou quatro DIPJ para o anocalendário de 2008 conforme demonstrativo abaixo: ND Período Situação Evento Retificadora 1944719 01/01/2008 a 02/05/2008 Especial Incorporação/Incorporadora NÃO 1944982 03/05/2008 a 30/05/2008 Especial Incorporação/Incorporadora NÃO 1949361 31/05/2008 a 01/08/2008 Especial Incorporação/Incorporadora NÃO 1772945 02/08/2008 a 31/12/2008 Normal SIM 6 no batimento das DIPJ com o SPED e os balancetes utilizados para os eventos de incorporação, verificouse os períodos de apuração de impostos, conforme enumerados abaixo: PERÍODO SITUAÇÃO EVENTO 01/01/2008 a 30/04/2008 Especial Incorporação/Incorporadora 01/05/2008 a 31/05/2008 Especial Incorporação/Incorporadora 01/06/2008 a 01/08/2008 Especial Incorporação/Incorporadora 02/08/2008 a 31/12/2008 Normal 7 verificouse, também, que o interessado, no anocalendário de 2008, efetuou três incorporações, teve aumento de capital, movimentação financeira elevada, forte incremento em custos e despesas; 8 Em relação às infrações apuradas, a autoridade lançadora organizouas em itens, apresentando a correspondente fundamentação, que abaixo está reproduzida em síntese: > item 2.1 Dispêndios Operacionais Não Comprovados: 9 – a falta de apresentação da documentação por parte do interessado, depois de regularmente intimado, impossibilitou a fiscalização de identificar a efetividade do dispêndio, bem como a sua normalidade à manutenção da fonte produtora de rendimentos em desacordo com a legislação tributária; [...] > item 2.2 Despesa Operacional Sem Comprovação da Prestação do Serviço: 11 – não foram trazidos documentos que demonstrassem a efetiva prestação dos serviços, os quais lastreariam a permissão legal de dedutibilidade de despesa operacional da base de cálculo do IRPJ e da CSLL das sociedades empresárias GREEN MARKET AMBIENTAL LTDA, CNPJ 00.947.974/00187, e O2AVENTURA E MEIO AMBIENTE LTDA, CNPJ 03.319.534/000173 [...]. > item 2.3 – Glosa de Despesas Financeiras: 13 – foram comprovados 24 itens (fls. 700/733 e 734//738) dos 109 constantes do anexo I do Termo de Intimação Fiscal nº 12 (fls. 685/697). Em relação aos demais itens não foram trazidos documentos que lastreassem os lançamentos contábeis. Portanto, tais valores foram adicionados ao lucro real de ofício por estarem em desacordo com a legislação tributária; [...] > item 2.4 – Ausência de Adição ao Lucro Real de Despesa Indedutível: 15 – falta de adição ao lucro real do valor R$ 14.520,00, referente a auto de infração ISS, que o interessado reconheceu ter havido “um equívoco” e por isso não se fizera a devida adição (fls. 700); > item 2.5 – Despesa de Ágio Não Dedutível: Fl. 4590DF CARF MF 4 16 – as despesas de ágio estão relacionadas às incorporações e aquisições das seguintes sociedades empresárias: Aquamec Equipamentos SA, CNPJ 00.166.565/000143; Novagerar EcoEnergia Ltda, CNPJ 05.079.076/000178; El Capitan Participações e Investimentos SA, CNPJ 09.075.810/000181; Haztec Sul Tecnologia e Planejamento Ambiental Ltda, CNPJ 04.806.438/000112; e Azurix Brasil RDM Ltda, CNPJ 03.120.976/000196. > Aquamec Equipamentos SA e Novagerar EcoEnergia Ltda 17 – verificouse ausência de adição ao Lucro Real de despesa de ágio no valor de R$ 897.377,37, referente ao quarto período de apuração, decorrente da diferença entre o valor adicionado ao lucro líquido na DIPJ (coluna “declarado”) e o valor deduzido no período de apuração pelo interessado (coluna “apurado”) [...]. 18 – a composição dos valores deduzidos pelo interessado (coluna “apurado”), no período de 02/08/2008 a 31/12/2008, a título de despesas de ágio não dedutíveis para fins de apuração do lucro real corresponde a: 19 (i) amortização ágio invest. Aquamec, no valor de R$ 1.555.792,24; e 20 (ii) amortização ágio Novagerar, no valor de R$ 4.515.305,52. 21 não foram observadas as condições de dedução fiscal das despesas anteriormente descritas, nos termos da legislação citada pela autoridade lançadora. 22 as despesas de ágio não são dedutíveis para fins de determinação do lucro real, excetuandose o caso de alienação ou liquidação do investimento ou no caso de incorporação fusão ou cisão. 23 – observase que as referidas sociedades empresárias somente foram incorporadas no anocalendário de 2009, o qual não foi objeto desta aferição, e as despesas de ágio deduziram o lucro real no anocalendário de 2008; 24 – o interessado não se manifestou em relação a tais constatações, o que ensejou a glosa da despesa de ágio no valor de R$ 897.377,37. > El Capitan Participações e Investimentos SA 25 – tratase de incorporação às avessas, por meio da qual se verificou que a pessoa jurídica El Capitan, empresa veículo, sem outro propósito negocial, foi utilizada pelo fundo Infrabrasil Fundo de Investimento em Participação, “somente para transferir o ágio gerado na aquisição do investimento para a incorporadora com o objetivo de redução de ganho tributável, pois se tivesse adquirido diretamente as ações da fiscalizada tal ágio não existiria, e somente a participação no capital da fiscalizada, como ficou representada a situação do investimento após a incorporação reversa em flagrante abuso de direito”; 26 – as operações realizadas permitiram o interessado registrar o ágio cujo fundamento foi a expectativa de rentabilidade futura do próprio interessado (“ágio de si mesmo”); 27 – portanto, os pressupostos do ágio (aquisição de participação societária e fundamento econômico do ágio) não foram atendidos; 28 – assim, indevido o aproveitamento do ágio gerado, deve a fiscalização glosar o montante que deduziu o resultado na apuração do lucro real nos seguintes valores: [...] > Haztec Sul Tecnologia e Planejamento Ambiental Ltda 29 tratase de incorporação às avessas, por meio da qual se verificou que “a pessoa jurídica Haztec Sul, foi utilizada pelos controladores da fiscalizada somente para transferir o ágio gerado de forma interna, sem substância econômica, sem comprovação do pagamento, na aquisição do investimento para a incorporadora com o objetivo de redução de ganho tributável, pois se tivesse aumentado diretamente o capital tal ágio não existiria, e somente o aumento da participação no capital da fiscalizada, como ficou representada a situação do investimento após a incorporação reversa em flagrante abuso de direito.”. Fl. 4591DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 31 5 30 – as operações realizadas permitiram o interessado registrar o ágio cujo fundamento foi a expectativa de rentabilidade futura do próprio interessado (“ágio de si mesmo”); 31 – portanto, os pressupostos do ágio (aquisição de participação societária e fundamento econômico do ágio) não foram atendidos; 32 – assim, indevido o aproveitamento do ágio gerado, deve a fiscalização glosar o montante que deduziu o resultado na apuração do lucro real nos seguintes valores: [...] > Azurix Brasil RDM Ltda 33 – o interessado carreou para sua contabilidade em razão da incorporação da sociedade empresária controlada Geoplan Assessoria Planejamento e Perfurações SA (Geoplan), CNPJ 56.520.372/000101, os valores demonstrados a seguir: [...] 34 – as despesas de amortização de ágio diminuíram o Lucro Real com os valores contabilizados na conta de resultado “amortização ágio código 47000300”, em contrapartida a crédito na conta “amortização ágio incorp. Azurix ADM código 13329000”, em cada período de apuração nos valores demonstrado abaixo: [...] 35 – o interessado foi intimado “a apresentar a comprovação e a motivação de pagamento de ágio na aquisição de participação societária na Geoplan Assessoria Planejamento e Perfurações SA, CNPJ 56.520.372/000101, incorporada pela fiscalizada, pela Azurix Brasil Rdm Ltda, CNPJ 03.120.976/000196.” (item 21 do Termo nº 15 – fl. 1256); 36 – em sua resposta, o interessado não apresentou “a documentação hábil e idônea, correspondente à comprovação de pagamento de ágio”; 37 – o interessado citou a aquisição das cotas da AZXvi pela Azurix RDM, com ágio de R$ 94.688.827,00, decorrente da expectativa de rentabilidade futura da Geoplan (investida da AZX), sem apresentar documentação para lastrear tal assertiva (parágrafo 10 fl. 1260). 38 entretanto, a autoridade lançadora constatou “que a sociedade empresária 265 Comércio e Participação trocou a participação de capital, que detinha na AZX, por as ações preferenciais nominativas de sua emissão de titularidade da Azurix Brasil RDM Ltda no valor de R$ 10.951.153,00 equivalente ao valor patrimonial das quotas cedidas.” (item 7.1 do termo nº 15 fl. 1254). 39 – a autoridade lançadora verificou que houve sim um aumento de capital da Azurix RDM para o valor total de R$ 127.799.558,00 (item 13 do termo nº 15 fl. 1.254); 40 – a Geoplan teve a despesa de ágio glosada no valor de R$ 6.628.219,00, referente ao anocalendário 2002 (fl. 1305), com manutenção da referida autuação na DRJ, que se encontra pendente de julgamento na Segunda Turma da Quarta Câmara do CARF/MF; 41 – “As sociedades empresarias AZX e AZURIX RDM com base nas constatações e resposta apresenta não deixam dúvidas tratarse de empresas veículos”; 42 a controlada Geoplan, ao incorporar sua antiga controladora AZURIX RDM, passa a ser titular de um ágio amortizável cuja origem está na expectativa de rentabilidade futura dela mesma ("ágio de si mesmo"); 43 a Haztec (interessado) “não recebeu qualquer participação societária. As próprias ações não são participações societárias, pois nenhuma sociedade empresária participa de si mesma”; 44 os pressupostos do ágio (aquisição de participação societária e fundamento econômico do ágio) não foram atendidos; Fl. 4592DF CARF MF 6 45 – “Face ao exposto, o que evidenciamos é uma incorporação as avessas utilizando não uma mais duas empresas veículos, AZX e AZURIX RDM, sem propósito negocial, onde foram utilizadas somente para transferir o ágio gerado de forma interna, sem substância econômica, sem comprovação efetiva de pagamento, na aquisição do investimento em flagrante abuso de direito.”; 46 assim, indevido o aproveitamento do ágio gerado, deve a fiscalização glosar o montante de ágio que deduziram o resultado na apuração do lucro real, nos seguintes valores: [...] > item 2.6 – Multa isolada sobre estimativa não recolhida 47 – “em decorrência da recomposição dos resultados mensais, diante das infrações apuradas, e dos valores recompostos dos resultados mensais dos balancetes de suspensão e redução mês a mês a partir dos seus valores detalhados na parte A do Lalur, (...), é aplicável a multa isolada de 50% sobre o valor de estimativa que deveria ser recolhido e não foi”, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e em seu anexo (fls. 1370/1.372); 48 Em relação à compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSSL, a autoridade lançadora informou que: 49 – o interessado foi intimado a retificar o Lalur e a base de cálculo negativa da CSLL para compensações futuras, tendo como base os demonstrativos acostados nas fls. 1.373/1.386; 50 – foram extraídos dos sistemas de processamento da RFB o saldo inicial de prejuízos operacionais, no valor de R$ 1.185.997,57, referente a prejuízos a partir do ano calendário de 2003, e o saldo inicial da base de cálculo da CSLL, no valor de R$ 1.185.997,57, referente aos anoscalendário de 2003 a 2007; 51 – foi deduzido das bases de estimativas o limite máximo de 30% de compensação de prejuízos e da base de cálculo da CSLL no anocalendário sob ação fiscal, conforme descrito nos demonstrativos acima. 52 A autoridade lançadora informa também que foi verificada a existência de mútuos entre pessoas jurídicas sem o competente recolhimento de IOF que foi objeto de lançamento de ofício controlado no processo administrativo nº 12448.734692/201265. 53 Cientificado do auto de infração em 21/12/2012, o interessado apresentou impugnação em 22/01/2013, onde alega, em síntese, que: 54 – no lançamento dos supostos débitos não se recalculou o lucro real daquele anocalendário, limitandose a aplicar a alíquota do IRPJ e da CSLL sobre o valor integral da exclusão; 55 – caso o correto procedimento tivesse sido adotado, o fiscal teria observado a existência de prejuízo, apurado ao longo do mesmo ano, em valor suficiente para que não fosse verificado qualquer lucro tributável no exercício em questão; 56 – tomandose como premissa que as glosas de despesas estão corretas, elas deverão ser realocadas nos corretos períodos abrangidos pelo auto de infração, respeitandose o regime de reconhecimento de receitas e despesas pela competência; 57 – a autoridade lançadora se equivocou ao alocar as glosas de despesas em cada período (estes delimitados em decorrência da entrega de DIPJ em cada evento especial, nesse caso, as incorporações ocorridas no ano de 2008); 58 o ano de 2008 foi fictamente separado em quatro períodos, devido à realização de algumas incorporações, que acarretaram a entrega de DIPJ, consolidando as informações fiscais daquele ano até a data do evento, de acordo com a Instrução Normativa SFB nº 303, de 2003: 59 De 01/01/2008 a 02/05/2008 (Doc. 05) 60 De 03/05/2008 a 30/05/2008 (Doc. 06) 61 De 31/05/2008 a 01/08/2008 (Doc. 07) 62 De 02/08/2008 a 31/12/2008 (Doc. 08) Fl. 4593DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 32 7 63 cada despesa glosada deve ser alocada no período em que ela foi incorrida, de modo a fazer frente às receitas correlatas, revelando os valores supostamente tributáveis. Contudo, no auto de infração notamse algumas incorreções, como a parte das despesas operacionais não comprovadas, no valor de R$ 95.283,52 (fls. 1.448/1.449); 64 – o mesmo equívoco ocorre em relação às “despesas financeiras a comprovar" e à dedução de ágio decorrente da incorporação da empresa El Capitan; [...] 66 – a incorreta alocação das despesas glosadas, efetuada no lançamento, por si só, é suficiente para infirmálo e acarretar a necessidade de cancelamento do auto de infração lavrado; Compensação: prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL 67 – as despesas glosadas devem ser confrontadas com os prejuízos apurados dentro do mesmo período de apuração, para se encontrar o efetivo lucro tributável ou o prejuízo suportado pelo interessado; 68 – “a cada vez que a Impugnante entregou uma DIPJ, em decorrência das incorporações realizadas ao longo do anocalendário de 2008, o agente fiscal considerou como tendo se encerrado um período de apuração daquele ano, segregando o prejuízo incorrido nos “períodos” da apuração antecedentes e subsequentes!!”; 69 – “Em toda a legislação tributária nacional, não há uma única lei, decreto, ou mesmo instrução normativa que determine o encerramento do período da sociedade incorporadora, em virtude da simples entrega de uma DIPJ.”; 70 – o anocalendário sempre começará no dia 01 de janeiro e se encerrará no dia 31 de dezembro, para as pessoas jurídicas que apuram o IRPJ e a CSLL de forma anual, com bases mensais estimadas; 71 portanto, visto que no mero evento de envio de DIPJ's não ocorreu o encerramento de períodos de apuração no decorrer do anocalendário 2008, a autoridade lançadora deveria ter levantado todo o prejuízo incorrido no curso do mesmo ano, para deduzilo do suposto lucro tributável, obtido quando perpetradas as glosas pretendidas; 72 – “as DIPJ’s anexas, em suas fichas 9A, do anocalendário de 2008, demonstram cabalmente os prejuízos apurados pelo interessado ao longo daquele ano e que deixaram de ser considerados no lançamento rechaçado (Docs. 05, 06, 07 e 08)”; 73 – nem mesmo os prejuízos fiscais acumulados dos anoscalendário anteriores, registrados no Lalur, em 31/12/2007, no valor de R$ 1.185.997,77 (Doc. 10 – fl. 3.447), foram utilizados para abater 30% do suposto lucro real agora apurado; Despesas financeiras 74 – em função do volume de documentos, os quais muitas vezes são arquivados em diversos locais diferentes, alguns não foram apresentados, o que gerou a glosa de despesas, ora perpetrada; 75 contudo, após a lavratura do presente auto de infração, o interessado logrou êxito em localizar novos comprovantes de despesas dedutíveis que constam no auto de infração como não tendo sido apresentados (Doc. 11); 76 dessa forma, o valor dessas despesas equivalentes a R$ 12.189.856,35 que serviu de base para a lavratura deste auto de infração, deve ser expurgado, conforme períodos abaixo: [...] Despesas de amortização de ágio 77 – para que o interessado pudesse amortizar o ágio glosado na autuação rechaçada, era necessário que tivesse observado dois requisitos sucessivos: (i) ter previamente adquirido/recebido a participação societária, em valor baseado Fl. 4594DF CARF MF 8 na rentabilidade futura da sociedade investida e (ii) ter então “realizado” esse investimento através de incorporação da empresa investida/recebida; 78 verificados esses dois requisitos, deve ser pleno o direito de aproveitamento do ágio em questão, indevidamente glosado; Incorporação da Aquamec e Novagerar (postergação de pagamento) 79 – conforme narrado pela autoridade lançadora no termo de intimação n° 16, o interessado havia adquirido participações das empresas Aquamec Equipamentos S/A ("Aquamec") e Novagerar EcoEnergia Ltda. ("Novagerar"), todas com ágio, conforme se verifica dos anexos contratos de investimento e seus respectivos aditivos (Docs. 12 e 13). 80 esses investimentos ocorreram no ano de 2008, contudo, a efetiva incorporação das mencionadas empresas somente ocorreu no anocalendário de 2009. Noutras palavras, o interessado não fazia jus à dedução das despesas de ágio no ano calendário 2008, mas tão somente no ano de 2009; 81 ao revés do procedimento adotado pelo fiscal, não se poderia ter incluído todo o valor escriturado incorretamente na base de cálculo da CSLL e do IRPJ devidos no período; 82 assim, certo é que, se no anocalendário de 2008 uma despesa foi reconhecida indevidamente, reduzindose o lucro real, obviamente essa despesa deixou de ser computada no anocalendário de 2009, majorandose, indevidamente, esse mesmo lucro real 83 – o que o interessado efetuou, na realidade, foi uma mera postergação de pagamento da CSLL e do IRPJ devidos em 2008, obviamente, gerando os devidos acréscimos legais; 84 – a inobservância desse procedimento, relativo à postergação de pagamento dos tributos, violou frontalmente a legislação vigente, pois a autoridade lançadora não recompôs a apuração da base de cálculo na forma assegurada pelo § 1o. do art. 273 do RIR/99 e em consonância com o PN Cosit nº 2, de 1996; 85 assim, os lançamentos devem ser desconstituídos, visto que não foram reconhecidos os pagamentos dos tributos efetuados posteriormente pelo interessado. Incorporação da El Capitan 86 – a empresa El Capitan foi constituída em 12 de julho de 2007; 87 – “em 15 de outubro de 2007, foi registrada alteração do contrato social, no qual ficou consignada a entrada de novos acionistas investidores, pelo fundo de investimento Infrabrasil Fundo de Investimento e Participação (“infrabrasil”), bem como o aumento do seu capital social em R$ 49.999.900,00 (quarenta e nove milhões, novecentos e noventa e nove mil e novecentos reais).”; 88 – “algum tempo depois, a El Capitán subscreveu 208.432 novas ações, no valor de R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais), as quais foram integralizadas através do pagamento desse valor (feito através de TED/cheque – Doc 14). Nesse momento, foi gerado o ágio, agora contestado pelo fiscal, que passou a ser contabilizado na El Capitán.”; 89 – em 30 de maio de 2008, foi registrada a incorporação da El Capitán pelo interessado, nos estritos termos da lei, inclusive com a elaboração de laudo de avaliação do patrimônio líquido da El Capitán (Doc 15), passando o ágio, outrora contabilizado na El Capitán, a ser contabilizado no interessado; 90 esses eventos societários, que a princípio poderiam causar certa estranheza, têm uma razão de ser: com a incorporação da El Capitán, o interessado adquiriu o know how das atividades desenvolvidas pela incorporada, passando a investir em empresas com atividades voltadas para o meio ambiente; 91 o fato de ocorrer uma “incorporação às avessas”, ou mesmo de ser gerado “ágio interno”, não invalida o aproveitamento desse ágio; 92 a afirmação da autoridade lançadora de que as operações em apreço teriam dado origem ao ágio interno perdem completamente o fundamento, Fl. 4595DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 33 9 visto que, de fato, foram despendidos valores na aquisição das quotas do interessado; Incorporação da Azurix Brasil 93 – em 24 de setembro de 1999, a sociedade Azurix Brasil RDM Ltda (Azurix Brasil), subsidiária brasileira da Azurix Corporation, adquiriu quotas da AZX, que lhe proporcionaram o exercício do poder de controle da referida sociedade; 94 – a AZX controlava três sociedades: a Geoplan Assessoria Planejamento e Perfurações S/A (“Geoplan”), a Aguacerta Sistemas de Abastecimento Ltda. e a Aguacerta Saneamento Ltda; 95 – as quotas da AZX foram adquiridas com ágio de R$ 94.688.847,00, calculado com fundamento na perspectiva de rentabilidade futura dessa sociedade, conforme levantado em laudo de avaliação elaborado por empresa especializada; 96 – em 04 de setembro de 2000, a AZX foi incorporada pela Azurix Brasil, que passou a controlar a sociedade Geoplan; 97 após algum tempo, a Azurix Brasil foi incorporada pela Geoplan. Com a incorporação da Azurix Brasil pela Geoplan, esta pôde passar a amortizar o valor do ágio que estava contabilizado na Azurix Brasil, por ocasião da aquisição das quotas da AZX; 98 em outro momento, para atender o seu plano de expansão operacional, o interessado incorporou a Geoplan (Doc. 16), trazendo para si o ágio mencionado acima (inicialmente gerado na aquisição de quotas da AZX pela Azurix Brasil), mantendo as amortizações e deduções, iniciadas na Geoplan, na Impugnante; 99 – sob o argumento de que o ágio inicialmente utilizado pela Geoplan tinha origem na expectativa de rentabilidade futura da própria Geoplan, a autoridade lançadora glosou a despesa de ágio advinda da Azurix Brasil; 100 – contudo, tanto a glosa do ágio da El Capitán, quanto da Azurix Brasil (contestado, desde quando transportado para a contabilidade da Geoplan), deve ser cancelada; 101 – a gênese do direito de dedução da amortização de ágio advém do pagamento a maior por determinado direito de participação societária (representado pela diferença entre o valor entregue e o valor patrimonial da sociedade adquirida proporcional ao percentual das quotas); 102 – a dialética fiscal de que o ágio interno não gera riqueza é uma grande ilegitimidade. Isso porque, se por um lado o ágio representará uma despesa que poderá ser deduzida, de outra ocorreu um ganho de capital que já foi tributado; 103 – ao afirmar que o interessado não faz jus ao aproveitamento do ágio pelo fato de que não recebeu nenhuma ação, pois não existe participação societária de si mesma, a autoridade lançadora dissociou sua análise dos elementos tributários e gravitou em torno de discussões contábeis; 104 – as notas explicativas da Instrução CVM 349/2001 citadas pela autoridade lançadora não se aplica ao caso em exame, especialmente no trecho que afirma ser impossível a geração de ágio interno; 105 – esse “parecer” está fundamentado no § 3o. do art. 177 da Lei nº 6.404, de 1976, que somente autoriza a edição de atos que alterem a contabilidade e não o regime jurídico tributário; 106 o fundamento para que se obste a amortização de ágio interno é justamente o fato de não haver nenhuma geração de despesas dentro do mesmo grupo econômico; Fl. 4596DF CARF MF 10 107 sendo isto estabelecido, não deve ser mantida a glosa da amortização dos ágios gerados internamente nas operações que envolveram as empresas El Capitán e Azurix Brasil, de modo que o interessado tem direito de deduzir tais despesas de seu lucro real apurado no anocalendário de 2008, sendo, por todos os motivos aqui expostos, improcedente o lançamento impugnado; 108 em adendo à impugnação (fls. 4187/4188 e 4201/4202), alega o interessado que nos autos do processo administrativo nº 18471.000808/200791, referente à empresa Geoplan, foi reconhecido no Carf o direito de amortização das despesas de ágio trazidas para a Geoplan quando da incorporação da empresa Azurix RDM; 109 uma vez reconhecida a possibilidade de a Geoplan deduzir a despesa com a amortização do ágio, por corolário, deveria ser desfeita a mesma parcela da glosa perpetrada no auto de infração ora em análise, visto que, de modo reflexo, o interessado teve esse mesmo direito reconhecido. 110 O interessado cita ementas de julgados administrativos de segunda instância, bem como excertos doutrinários, acosta aos autos documentação trazida com a impugnação e encerra requerendo: 111 – que a ação fiscal seja julgada totalmente improcedente; 112 – que seja determinada a produção de prova pericial contábil, a fim de que sejam respondidos os quesitos formulados nas fls. 1.477 e 2.837, por seu Assistente Técnico indicando nas fls. 1.476 e 2.836. 113 Nesta Turma foram juntadas consultas feitas nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil". O Acórdão da DRJ ficou, então, ementado da seguinte forma: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PERÍCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS. A perícia se reserva a assuntos técnicos que requeiram conhecimentos de profissional especializado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INEXISTENTE. INDEDUTIBILIDADE. Ausentes os pressupostos do ágio, são indedutíveis as despesas dele decorrentes. DESPESAS OPERACIONAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução de custos e despesas operacionais requer a prova documental hábil e idônea das operações e de sua necessidade às atividades da empresa. DESPESAS FINANCEIRAS COMPROVADAS. As despesas financeiras comprovadas devem ser excluídas da base de cálculo da exigência. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. POSTERGAÇÃO. PROVA. ENCARGO. A postergação de pagamento do IRPJ demanda prova a cargo do interessado. GLOSA DE DESPESAS. EVENTOS ESPECIAIS. ERRO DE ALOCAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Fl. 4597DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 34 11 O erro no lançamento de ofício relativo à indicação do período de ocorrência da despesa glosada comporta retificação. REAJUSTE DO LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. No reajuste do lucro real, decorrente de infrações apuradas pela fiscalização, deve ser considerada a compensação do prejuízo fiscal acumulado em períodos anteriores. EVENTO ESPECIAL. INCORPORAÇÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE. Na incorporação, a apuração do IRPJ ocorre na data do evento, tanto para a incorporadora, quanto para a incorporada. O eventual prejuízo fiscal apurado na data do evento se submete, nos períodos subsequentes, ainda que dentro do mesmo anocalendário, ao limite de compensação imposto pela legislação tributária. CANCELAMENTO DE GLOSA DE DESPESAS. ESTIMATIVA MENSAL. BALANCETES DE REDUÇÃO. MULTA ISOLADA. CÁLCULO. Excluemse do cálculo da multa isolada, por falta de recolhimento de estimativas mensais apuradas com base em balancetes de redução, aquelas despesas cujas glosas foram canceladas em sede de julgamento. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. ESTIMATIVA MENSAL. BALANCETES DE REDUÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Na determinação da multa isolada por insuficiência de pagamento de estimativa mensal, apurada com base em balancetes de redução, os prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores devem ser considerados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Logo no início do Voto do Acórdão da DRJ, ele deixa claro que dois itens (2.2 despesa operacional sem comprovação de prestação de serviço e 2.5 despesa de ágio da Haztec Sul Tecnologia e Planejamento Ambiental Ltda.) do Auto de Infração não compuseram o resultado da tributação, de modo que estão fora da lide. Quanto ao item 2.5, há outras partes dele que permanecem na lide, tendo ficado de fora tão somente aquela relativas ao ágio da Haztec Sul Tecnologia e Planejamento Ambiental Ltda. O Acórdão deixa claro também, logo de início, que parte das despesas glosadas não foram questionadas por meio de documentos, de modo que sequer analisou tais glosas. O Recurso de Ofício diz respeito ao ajuste dos valores das multas isoladas e de ofício por conta da comprovação de algumas despesas glosadas, assim como do fato de a DRJ ter deferido a compensação de prejuízos fiscais da Recorrente com os débitos exigidos pelo Auto de Infração. Fl. 4598DF CARF MF 12 Inconformada, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário por meio do qual repetiu os argumentos da Impugnação e acrescentou o seguinte: o Acórdão da DRJ apenas não reconheceu a postergação em relação à diferença de ágio não adicionada ao lucro líquido em 2008, pois a contribuinte não tinha demonstrado a composição do ágio em 2009, o que ela fez agora em sede de Recurso; também acresceu alguns fundamentos relativos às glosas dos ágios e das demais despesas, que serão analisados no Voto nos momentos oportunos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos de Aguiar VilllasBôas Relator. O Recurso de Ofício foi interposto por meio do próprio Acórdão da DRJ, como determina a legislação, enquanto que o Recurvo Voluntário é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais, de modo que passo à análise de ambos. Ágio relativo às empresas Aquamec e Novagerar Essa infração consiste na diferença de R$ 897.377,37, gerada entre a amortização do ágio no valor de R$ 6.071.097,76 e a adição realizada ao lucro líquido, para efeitos de composição do lucro real, no valor de R$ 5.173.720,39. Segundo a Fiscalização, o aproveitamento do ágio apenas poderia ter lugar na "realização" dos investimentos e as duas empresas (Aquamec e Novagerar) apenas foram incorporadas no ano calendário de 2009, ao passo em que a diferença em tela foi constituída no ano calendário de 2008. A contribuinte alega que a Fiscalização jamais questionou o fundamento econômico do ágio, nem trouxe qualquer outro argumento para atacálo. A contribuinte concorda, portanto, com o fato de ter havido essa diferença em 2008 e pede que ela seja tratada como postergação, conforme o Parecer Normativo COSIT n. 02/1996. Ainda segundo ela, em 2009 teria havido pagamento a maior, de modo que as duas situações se compensam. Cita, então, trecho do Acórdão da DRJ para afirmar que a alegação de postergação apenas não foi reconhecida pelo fato de a contribuinte não ter explicado na Impugnação a composição do ágio amortizado em 2009. Notese que, em 2009, a contribuinte apenas apurou lucro real, segundo ela própria, no período de 02/12/2009 a 31/12/2009, terceiro período de apuração no ano calendário de 2009 devido às operações societárias ocorridas durante ele. A Recorrente apenas afirma que o valor deduzido erradamente em 2008 poderia ter sido deduzido em 2009, pois naquele último período em que houve lucro, ela Fl. 4599DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 35 13 informou lucro real e base negativa no valor de R$ 6.912.569,97, mas deduziu a título de ágio apenas o valor de R$ 3.680.127,64. A DRJ agiu com rigor e entendeu, com base no Parecer Normativo CST nº 02, que a postergação precisava ter sido registrada na própria DIPJ e espontaneamente paga. Na verdade, na imensa maioria dos casos, a postergação é alegada após a autuação, quando o contribuinte percebe que cometeu algum equívoco e terminou, por exemplo, deduzindo uma despesa antecipadamente, fora do regime de competência. É exatamente o caso aqui. Como o ágio deduzido no ano calendário de 2009 não "zerou" o lucro real e a base negativa de CSLL, havendo espaço para dedução do valor do ágio amortizado em 2008, reconheço a postergação requerida. Ágio relativo à incorporação da empresa El Capitáin Houve glosa do ágio por ter sido considerado sem propósito negocial, tendo em vista que a El Capitáin foi entendida como uma empresa veículo. Segundo a Recorrente, a empresa Infra Brasil teria adquirido a El Capitáin pelo seu knowhow em identificar boas oportunidades na área de meio ambiente. Por sinal, teria sido por isso que se identificou a oportunidade de comprar o controle da contribuinte. Conforme o Termo de Verificação Fiscal e o Acórdão da DRJ, resta pouco espaço para discussão sobre o fato de a El Capitáin ser uma típica empresa "de prateleira", aquela empresa veículo que existe apenas na forma e é adquirida para o fim de criação de ágio artificial. A El Captáin foi criada por dois sócios que saíram dela poucos meses depois para entrada da Infrabrasil. Ela foi constituída em julho de 2007 e a aquisição dela junto aos sócios fundadores aconteceu em outubro de 2007, o que, de logo, afasta o argumento de que foi comprada por conta do seu knowhow. Além disso, o seu ativo era diminuto, composto de duas contas, e ela não tinha despesas correntes relativas ao funcionamento de uma empresa, tudo conforme explicado em trecho abaixo retirado do Acórdão da DRJ: "185 Alega o interessado que a princípio os eventos societários praticados “poderiam causar certa estranheza”, no entanto, com a incorporação da El Capitan, o interessado adquiriu o know how de sua investidora, passando a investir em empresas com atividades voltadas para o meio ambiente. 186 Ora, o curto espaço de tempo em que existiu a El Capitan (julho de 2007 a maio de 2008) é suficiente para afastar o argumento do interessado sobre a aquisição de know how da sua investidora. 187 Mas não é só. A falta de propósito negocial na constituição da sociedade empresária El Capitan pode ser observada por outros pontos que foram destacados pela autoridade lançadora em seu Termo de Verificação Fiscal. 188 O primeiro deles se refere ao ativo da El Capitan composto apenas por duas contas: investimento no Interessado, no valor de R$ 47.020.825,00, e por Fl. 4600DF CARF MF 14 disponibilidade, na monta de R$ 9.942,31, conforme se observa no Laudo de Avaliação constante do anexo III da AGE de 30/05/2008 (fls. 813/830). 189 O segundo ponto destacado pela autoridade lançadora é que, na Demonstração do Resultado do Exercício, contida no mesmo Laudo de Avaliação, inexistem despesas operacionais normais de funcionamento, como aluguel, salários, despesas com diretores e conselheiros, etc. 190 Além disso, a autoridade lançadora ressalta que, entre a data de sua constituição e a aquisição de 50% das ações do interessado, a El Capitan não realizou operações, como também não as fez até o fim de sua curta existência". Tratase, portanto, do conhecido caso de "ágio de si mesmo", no qual uma empresa veículo ingressa entre duas outras apenas para gerar o ágio com reavaliação das quotas da empresa controlada, que, ao fim, incorpora às avessas a empresa controladora. Não houve fluxo econômico, como sói de acontecer normalmente nesse tipo de operação. Esta turma vem mantendo as glosas de despesas com ágio desse tipo em reiterados casos julgados nos últimos meses, como, por exemplo: Acórdão nº 1401001.570, julgado na sessão de 02 de março de 2016, da contribuinte Cia. Industrial H. Carlos Schneider. Uma vez claramente comprovada a falta de substância, ou seja, de propósito negocial, caracterizada, sobretudo, pelo abuso de forma por conta da utilização de uma empresa "de prateleira" para gerar ágio, deve ser mantido o Acórdão da DRJ em relação a este item. Ágio atinente à incorporação da empresa Azurix Esse ágio está, de certa forma, relacionado com o ágio discutido no Processo nº 18471.000808/200791, que foi julgado em favor da contribuinte Geoplan no CARF. Voltarei a esse julgamento à frente. Os fatos são os seguintes. Em 03/09/1999, a empresa AMX tinha o controle das empresas AZX e Geoplan. Com o objetivo de capitalizar a AZX, a AMX investe nela quotas da Geoplan, de modo que esta vai "para baixo" da AZX, conforme figura abaixo: Fl. 4601DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 36 15 Na mesma data de 03/09/1999, a AMX sai da participação societária da AZX e dá lugar à empresa 265 Comércio e Participações Ltda. A 265 tinha em seu quadro societário a empresa Paúba Participações Ltda., que 17 dias depois, ou seja, em 20/09/1999, é adquirida pela empresa Azurix Brasil Development (doravante denominada "Azurix Dvp") e Azurix Investments Ltda. (doravante denominada "Azurix Inv."). Na mesma data de 20/09/1999, a razão social da Paúba é alterada para Azurix Brasil RDM Ltda. (doravante "Azurix RDM"). Segundo o próprio Recurso, o ágio surge no seguinte momento: Em suma, houve uma permuta de ações, envolvendo ações da 265 dadas à própria 265 pela Azurix RDM em troca de ações da AZX, controlada pela 265, com registro de ágio por conta de expectativa de rentabilidade futura não na AZX, que teve suas quotas adquiridas, mas na Geoplan, uma controlada da AZX. Não houve, portanto, como é típico dessas operações de permuta entre empresas ligadas, qualquer fluxo financeiro. A Recorrente alega que não houve ágio interno, uma vez que a Azurix RDM detinha participação minoritária na 265. Após mais algumas operações societárias, ao final a Geoplan incorporou a Azurix RDM, a sua controladora. A Recorrente sustenta, então, que não há qualquer óbice a que a própria empresa que fundamentou a geração do ágio, pois a expectativa de rentabilidade futura estava nela pautada, seja a mesma a amortizálo. Por último, a Haztec, empresa Recorrente, incorporou a Geoplan e continuou amortizando o ágio antes gerado. Fl. 4602DF CARF MF 16 É por isso que o Processo nº 18471.000808/200791, antes referido, está vinculado ao presente. Lá se discutia a parte do ágio amortizada na Geoplan. Aqui se discute o restante da amortização, realizada pela Haztec após incorporação da Geoplan. No outro processo, a 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 1ª Seção, do CARF, em curioso Voto do Relator Antônio José Praga de Souza, decidiu da seguinte forma: "Pois bem. A matéria é recorrente neste Colegiado e meu posicionamento já conhecido: a amortização do ágio interno, ou ágio de si mesmo, não tem amparo na legislação tributária e, principalmente, fere os princípios básicos da incidência do IRPJ e CSLL haja vista que se trata de uma despesa artificial que desequilibra a apuração desses tributos, reduzindo indevidamente suas bases de cálculo. O litígio é similar em premissas e conclusões ao manifestado por este colegiado quando do julgamento que resultou no Acórdão n.º 140200.802. Nos termos do voto condutor do aludido acórdão, aprovado à unanimidade por esta colenda Turma, prevaleceu o entendimento de que a amortização do ágio, pago com fundamento em previsão de rentabilidade futura, com fulcro no artigo 7.º, inciso III, da Lei n.º 9.532 de 1997, deve atender, inicialmente a três premissas básicas, como forma de comprovação da realização do propósito negocial da operação, quais sejam: 1) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; 2) a realização das operações originais entre partes não ligadas; 3) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Compulsando os autos, verificase que no presente caso essas três premissas básicas foram cumpridas, razão pela qual, a meu ver restou demonstrado o propósito negocial da operação, vejamos: o ágio em questão surgiu em 1999 quando a sociedade Azurix Brasil RDM Ltda. adquiriu quotas e o controle integral da sociedade AZX Participações Ltda., que detinha investimentos dela (Azurix); na operação foi registrado um ágio de R$ 94.688.847,00 (noventa e quatro milhões, seiscentos e oitenta e oito mil, oitocentos e quarenta e sete reais), valor que foi efetivamente pago aos alienantes. no ano seguinte, especificamente em 4 de setembro de 2000, a Azurizx rasil RDM Ltda. Incorporou a sociedade AZX Participações Ltda (empresa veiculo). em seqüência, no dia 6 de setembro do mesmo ano, a Azurix Brasil RDM Ltda. foi incorporada pela contribuinte; o ágio acima mencionado foi reclassificado para o ativo diferido, tendo por fundamentação econômica a expectativa de lucros futuros, restando a amortização prevista em seu laudo de avaliação conforme descriminado em suas demonstrações financeiras e pareceres de auditoria independente da lavra de Price Waterhouse Coopers e Deloitte Touche Tohmatsu. Não há qualquer questionamento sobre essa avaliação nos termos fiscais, tampouco no auto de infração". Observase que, no trecho acima, o voto afirma ser contrário ao ágio interno e ao ágio de si mesmo, que parecer ser exatamente o caso analisado naqueles autos e no presente. Em seguida, afirma que o litígio é similar ao do Acórdão nº 140200.802, que, com todo respeito à turma julgadora, sobretudo ao seu relator, não é tão similar ao presente caso. O Acórdão em tela julgou o caso do Banco Santander, que havia comprado o Banespa via leilão realizado Fl. 4603DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 37 17 na época das privatizações da década de 90. Havia inúmeras especificidades naquele caso que não se apresentam neste processo ou naquele da Geoplan. Por fim, o trecho do voto aqui transcrito afirma que estão preenchidos os fundamentos que dão ensejo à amortização do ágio, sendo o primeiro deles o "efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio". Ora, está claro nestes autos e no próprio Voto do Relator no Acórdão do CARF daqueles outros autos que não houve efetivo pagamento. Vide trecho do Acórdão da DRJ, que fora transcrito pelo Relator Antônio Praga: "O interessado não recebeu qualquer participação societária. As próprias quotas do capital não são participações societárias, pois nenhuma empresa participa de si mesma. Pode ter ações em tesouraria, que é bem diferente de participação societária. Portanto, o primeiro pressuposto do ágio (participação societária) não foi atendido". Parece não haver dúvidas de que a operação consistiu numa permuta de ações, tendo ficado claro no Acórdão da DRJ exarado naquele caso que um dos seus fundamentos para glosa do ágio foi o fato de que não houve pagamento e, pior, a empresa 265 recebeu como pagamento pelas quotas da AZX as quotas dela própria que a Azurix RDM detinha. Este Relator não teve acesso aos autos completos daquele outro processo, mas, no presente processo, a própria Recorrente admite que não houve "efetivo pagamento" (fluxo financeiro), que houve mera permuta de ações, com pagamento via entrega de ações da própria empresa, e defende que, mesmo assim, teria direito a amortizar o ágio. Após o efetivo pagamento, apontado como primeiro fundamento naquele outro julgado, o segundo fundamento foi o de as partes não serem ligadas no caso da Geoplan, que é o mesmo ágio amortizado pela Haztec. No presente processo, a Recorrente também admite que há ligação entre as partes, alegando que não se trataria de ágio interno pelo fato de a Azurix RDM ter participação apenas minoritária na 265. Em se tratando de ágio interno, no entanto, não é preciso necessariamente haver controle. A questão é se as empresas são completamente independentes ou se há alguma vinculação entre si que indique uma possibilidade de realização de operações sem substância, apenas com o objetivo de reduzir a tributação por meio de ágio gerado artificialmente. Como se nota da descrição dos fatos, as empresas que participaram das operações societárias estavam todas ligadas de alguma forma. Enfim, se o Acórdão proferido pelo próprio CARF no outro processo já não vinculava o presente, considerando as estranhezas aqui apontadas, é de se considerar ainda menos a sua relevância para o deslinde deste feito. O Recurso Especial da Fazenda Nacional, interposto em face do Acórdão exarado no outro processo, por uma deficiência no cotejo com o julgamento que suportava a divergência, não foi conhecido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, com julgamento no qual ficaram vencidos quatro conselheiros, e, por isso, não se chegou a analisar o seu mérito. Fl. 4604DF CARF MF 18 Como já adiantado, tratase aqui de um ágio interno e de si mesmo, já julgado tantas vezes por essa turma como artificial, tendo em vista que, nesses casos, não há propósito negocial, mas apenas uma reavaliação de quotas para gerar o ágio. Ademais, como dito, não houve fluxo financeiro, mas uma mera permuta de ações entre uma empresa que tinha participação minoritária em outra, dando a ela como pagamento as suas próprias ações. A falta de fluxo financeiro não desencadeia por si só a artificialidade do ágio, pois é possível encontrar substância, propósito negocial, em operações até mesmo de permuta de ações. No entanto, muitas das operações que geram ágio artificial não apresentam fluxo financeiro, pois a transferência de dinheiro gera consequências jurídicas, de modo que as empresas buscam utilizar operações apenas formais, que não alteram muito a realidade social. O problema, no caso concreto, é o contexto total. Houve mera troca de ações com pagamento pelo ágio usando exatamente a totalidade das ações da mesma empresa, que ficaram guardadas em tesouraria. O contexto revela uma premeditação na sequência das operações, indicando que elas aconteceram com o objetivo de permitir a geração de ágio no Brasil e a consequente redução de tributação. Para não alongar demais este voto, nem há que se adentrar em outros fundamentos, apresentados pelo Acórdão da DRJ, que fortaleceriam a glosa do ágio, como o descumprimento às normas da CVM, a inexistência de fundamento econômico em relação à falta de expectativa de rentabilidade futura e outros. Mantémse, portanto, o Acórdão da DRJ em relação a este item. Demais despesas glosadas Motivo 1 Quanto às despesas financeiras não comprovadas, a Recorrente logrou comprovar algumas durante a Fiscalização, porém, quanto a várias outras, não foi apresentado extrato ou outro documento que pudesse suportar o pagamento das despesas, "motivo 1" apontado pela DRJ para glosa delas. A contribuinte inicia o seu Recurso, então, afirmando que não achou ainda os documentos, mas protestando pela juntada futura. Segundo ela, as despesas corresponderiam, de qualquer forma, a juros e variações cambiais atreladas a operações de importação a prazo. Não havendo documentação suporte, deve ser mantida a glosa. Motivo 2 Fl. 4605DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 38 19 Observese que o "motivo 1" e o "motivo 2" não são motivos para a glosa da mesma despesa, porém de despesas distintas. Essa foi a forma utilizada pelo Acórdão da DRJ para organizar as diferentes glosas. Deste modo, no tocante ao "motivo 2", tratase de despesas financeiras supostamente relativas a um contrato de empréstimo. A DRJ inicia a fundamentação da manutenção dessa glosa de despesas afirmando que o extrato bancário não foi juntado aos autos, o que não é verdade. Talvez, pela grande quantidade de documentos juntados, o Relator do Acórdão na DRJ não tenha visto o extrato, que está na página 150 de um dos pdfs. do eprocesso com os documentos juntados à Impugnação. Nesse extrato do "Bradesco Net Empresa", o valor de R$ 4.750.702,01 está lá apontado como pagamento relativo a "capital de giro" do contrato 002438168, que foi trazido aos autos juntamente com o Recurso Voluntário. As razões da Recorrente parecem plausíveis, inclusive no que toca às supostas duplicidades apontadas pela Fiscalização e mantidas pela DRJ. Conforme explica, o contrato traz uma taxa de juros pósfixada, mas com parâmetro de 0,12% ao mês. O Bradesco emprestou à Recorrente R$ 40.000.000,00 para pagamento em 30 parcelas num período de 36 meses, tendo ficado o vencimento da primeira ajustado para o dia 12/12/2008. Devido à pósfixação, às vezes a despesa com juros era provisionada e, mais tarde, eram necessárias reversões de parte dos valores provisionados, ou, de outro lado, às vezes era preciso realizar um registro extra para complementar a provisão com a diferença relativa aos juros efetivamente pagos. Isso justificaria, segundo a Recorrente, os registros realizados, o que, segundo parece, confundiram a Fiscalização e a DRJ. A Recorrente traz também em seu Recurso Voluntário a folha do Razão Contábil que demonstra não terem sido os valores apontados pela Fiscalização lançados no resultado, pois apenas os valores provisionados, registrados anteriormente, haviam causado impacto tributário. Todas as 7 despesas glosadas tiveram como contrapartida a conta de passivo nº 2120.0125, que era a conta do balanço, e não do resultado, que registrava as movimentações relativas a esse mútuo. Por sua vez, o valor de R$ 3.417.368,68 foi debitado na conta de provisão nº 4600.0109, no dia 12/12/2008, o que levou à Fiscalização a entender que teria havido dedução de despesas em duplicidade. Esse valor se refere, em verdade, a juros pagos. Esse valor corresponde à diferença entre o já referido valor de R$ 4.750.702,01, que aparece no extrato, subtraído do que seria o valor principal de R$ 1.333.333,33, totalizando o valor de juros acima mencionado. Fl. 4606DF CARF MF 20 A diferença entre a provisão constituída (R$ 3.151.609,88) e o valor de juros pago decorre da pósfixação. Como a fundamentação da Fiscalização e da DRJ era basicamente a falta de provas, que parece suprida, e considerando que são plausíveis as explicações, pautadas em documentos, relativas às supostas duplicidades, deve ser provido o Recurso Voluntário quanto a este item. Deste modo, devem ser canceladas essas glosas de despesas financeiras que correspondem ao item identificado como "motivo 2" no Acórdão da DRJ, cujos valores (base de cálculo) são: Motivo 3 As despesas glosadas relacionadas com o que o Acórdão da DRJ denominou de "motivo 3", como a própria Recorrente afirma, têm origens semelhantes às daquelas despesas apontadas no "motivo 2". A fundamentação do Acórdão da DRJ, como no caso do "motivo 2", foi sucinta e se pautou na falta de documentação hábil à feitura da prova. A Recorrente afirma em seu Recurso Voluntário que, novamente, não logrou encontrar os extratos que fariam a prova, ao contrário do item anterior, no qual foi juntado o extrato, o contrato e apresentados fundamentos plausíveis para suportar as despesas. Não havendo comprovação do pagamento, não há como cancelar as glosas das despesas, devendo ser elas mantidas. Motivo 4 A Recorrente, logo de início, admite que não foi possível juntar o contrato aos autos. Sem ele, não é possível, como aconteceu no caso do "motivo 2", confirmar as informações alegadas por ela e, assim, suportar documentalmente as despesas glosadas. Os extratos, por si só, não comprovam a natureza dos valores que estão ali apontados. O Acórdão da DRJ havia seguido a mesma linha, mencionando, inclusive, a juntada de uma parte de extrato pela Recorrente, mas que não servia a realizar a comprovação que ela queria. Fl. 4607DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 39 21 Deve ser mantida também a glosa das despesas discutidas neste item. Motivo 5 Como em outros casos, a DRJ afirma que há apenas uma peça de extrato que não permite identificar a natureza dos valores pagos. A Recorrente não consegue juntar nenhum outro documento que o suportasse e protesta pela apresentação de novas provas, que não foram juntadas. Ficam, portanto, mantidas as glosas discutidas neste item. Motivo 6 Esse item ficou dividido em subitens, pois a Recorrente discute despesa por despesa, conforme abaixo: Item 11.7 R$ 12.665,19 Fls. 3.4753.478 Em determinados momentos, como no caso deste item, as alegações da Recorrente parecem ser razoáveis, porém, ao mesmo tempo, ela não consegue apresentar os contratos que suportariam os financiamentos e os documentos juntados deixam algumas dúvidas. Aqui, por exemplo, o extrato do Banco Real (ABN Amro) juntado (fl. 3.475) traz um valor distinto daquele glosado. A Recorrente explica que a diferença se refere a juros, porém não comprova isso. Junta apenas um documento interno que apresenta os dois valores (glosado e mais os juros), que somariam o valor pago no extrato. Percebendo a fragilidade da sua própria prova, Recorrente pede, então, subsidiariamente que seja considerado ao menos o valor de R$ 578,58, que sequer está em discussão nos autos, pois ele é exatamente a diferença entre o valor de R$ 13.243,77, que consta no extrato, e o valor glosado de R$ 12.665,19. Deve ser mantida a glosa. Item 11.33 R$ 16.515,77 Fls. 3.542 e 3.543 A Recorrente explicou que houve pagamento de FINAME (financiamento do BNDES) no valor de R$ 83.182,44, e um extrato foi juntado indicando um pagamento nesse valor. Em seguida, há um histórico contábil juntado no qual consta um valor principal de R$ 66.666,67 e um valor de juros de R$ 16.515,77. Fl. 4608DF CARF MF 22 Nesse caso, parece suficientemente provada a despesa, motivo pelo qual cancelo a glosa. Item 11.34 R$ 19.612,47 Fls. 3542/3543 Item idêntico ao anterior, exceto pelos valores. Há um pagamento de 98.779,14 à fl. 3.542 e sua abertura está na folha seguinte. Pelo que demonstra a Recorrente, esse valor corresponde a R$ 79.166,67 de principal e R$ 19.612,47 de juros. Cancelo, portanto, a glosa. Item 11.35 R$ 37.836,35 Fls. 3718/3719 A Recorrente tenta suportar a despesa, que seria inicialmente financeira, com um argumento de que ela se refere a tributos pagos. Segundo ela, o somatório de dois pagamentos de tributos (R$ 34.256,72 + R$ 3.579,59) corresponderia ao valor glosado, porém o resultado real da soma é R$ 38.016,31. Deve ser mantida a glosa. 11.36 R$ 10.660,53 Fls. 3.718/3.179 A alegação aqui é a mesma do item anterior. Apesar de serem despesas financeiras glosadas, a Recorrente alega que seriam, em verdade, despesas com tributos, que seriam dedutíveis. No caso deste item, os valores ao menos casam com o da despesa glosada, porém a razão social que consta no documento de arrecadação é da Gaiapan Soluções Ambientais Ltda., e não da Haztec, a Recorrente. Segundo informações obtidas na Internet, aparentemente a Gaiapan foi comprada pela Hatec em 2013, sendo que o pagamento do tributo foi realizado em 2008. Devido à inconsistência da prova que tentou realizar a Recorrente, deve ser mantida a glosa da despesa. Item 11.47 R$ 426.175,32 Fls. 3993/3995 A Recorrente alega que esse valor se refere a IOF retido pelo Bradesco quando lhe emprestou o valor de R$ 28.000.000,00, conforme previsto no contrato nº 2621463. Fl. 4609DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 40 23 De fato, o contrato juntado ao Recurso Voluntário revela exatamente tal valor em IOF, motivo pelo qual cancelo a glosa da despesa. Item 11.49 R$ 81.263,20 Fls. 3.582/3.584 A Recorrente alega que esse valor se refere a juros pagos em decorrência de um empréstimo tomado com a GeoBayer. Alega que o valor de R$ 529.063,20, constante do extrato de fl. 3.583, se referia ao principal de R$ 447.800,00 mais juros no valor de R$ 81.263,20, porém não junta o contrato de mútuo, nem apresenta prova da abertura desses valores, para que fosse possível atestar que a despesa glosada estava dentro do valor apontado no extrato. Deve ser, portanto, mantida a glosa da despesa. Item 11.57 R$ 30.441,09 Fls. 4.001/4.003 Este item é muito semelhante a outro anterior no qual se reconheceu a despesa com IOF retido em contrato do Bradesco. Uma vez que o contrato nº 2644303 foi juntado ao Recurso Voluntário e traz exatamente esse valor a título de IOF, parece que, de fato, houve retenção desse valor no momento do empréstimo de R$ 2.000.000,00. Cancelo, portanto, a glosa da despesa. Item 11.59 R$ 70.450,51 Fls. 4.007/4.009 Segundo alega a Recorrente, esse valor corresponde a despesa de IOF retido quando do resgate de aplicação financeira no valor de R$ 24.564.274,20, que estaria comprovado pelo extrato de fl. 4.008. A aplicação se deu no Bradesco no valor de R$ 24.500.179,52 e os rendimentos teriam sido de R$ 153.153,31, valores comprovados no documento contábil de fl. 4.007. Foram retidos tanto o IOF em tela, como o valor de R$ 18.608,12, que se refere ao IRRF. Assim: R$ 24.500.179,52 + R$ 153.153,31 R$ 70.450,51 R$ 18.608,12 = R$ 24.564.274,20. Devido à comprovação do valor, com casamento de números e suporte documental, deve ser cancelada a glosa da despesa. Fl. 4610DF CARF MF 24 Item 11.63 R$ 32.809,01 Fls. 3.732/3.734 Neste item, ao contrário de outros, nos quais há detalhes da despesa, a Recorrente apenas cita a fl. 3.732, onde se encontra um documento contábil com o valor de R$ 178.642,35, que seria, segundo ela, uma parte de principal e outra de juros. No entanto, ela não aponta a qual contrato se refere o pagamento, nem dá quaisquer outros detalhes, de modo que a glosa da despesa deve ser mantida. Item 11.80 R$ 14.680,21 Fls.3.696/3.697 Neste item, também não há referência a um contrato. A Recorrente alega que o valor constante do extrato às fl. 3.696 se referiria a principal no valor de R$ 1.490.600,00 e juros no valor de R$ 14.860,21. Estranha o fato de o valor dos juros serem tão pequenos em relação ao principal. Como não há mais detalhes, nem o documento que comprove a regra de juros, não há como cancelar a glosa, devendo ser mantida. Motivo 7 Tendo em consideração que o motivo 7 está vinculado com o motivo 2, referindose a uma das duplicidades apontadas pelo Acórdão da DRJ lá naquele item, porém já mencionando que ele estaria apresentado no motivo 7, e considerando que já foi cancelada a glosa lá naquele caso, deve ser cancelada aqui também. Motivo 8 O Acórdão da DRJ apresenta fundamentação vaga em relação a este item: "se refere ao valor principal do Auto de Infração de ISS". O valor foi quitado, conforme comprovante de pagamento que consta à fl. 3.723. Deste modo, ainda que tivesse juros e multa a serem pagos, o fato é que há um comprovante de recolhimento de Imposto/Taxas para a Prefeitura do Rio de Janeiro no valor em questão (R$ 14.744,07). Como o Acórdão foi vago na sua fundamentação e uma vez que foi apresentado o referido comprovante de recolhimento, deve ser cancelada a glosa da despesa. Motivo 9 Fl. 4611DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 41 25 A Recorrente pulou o motivo 9, de modo que não recorreu desta glosa da despesa no valor de R$ 21.207,66, devendo ser ela mantida. Motivo 10 A Recorrente alega que o valor foi pago em parcelamento, mas que, exatamente por ser um parcelamento, com incidência de juros, os valores não se casam perfeitamente. Diferentemente de em outros itens, nos quais ela demonstrou que, de fato, os valores glosados estavam nos documentos. Desta feita, ela cita as fls. 4.028/4.077 e diz que os valores estão lá dentro do parcelamento. Conforme esta turma decide frequentemente, não basta juntar documentos aos autos e dizer que está provado. É necessário que a parte "amarre" os documentos aos fatos discutidos e tire dali a conclusão pela existência do direito. Isso é produzir prova. Como o Relator não conseguiu verificar os valores nos documentos, devem ser mantidas as glosas das despesas. Motivo 11 A Recorrente pula este item, que se refere a dedução de multa de ofício, então deve ser mantida a glosa. Motivo 12 O Acórdão da DRJ havia mantido a glosa, pois não foram apresentados documentos probatórios. A Recorrente afirma que não conseguiu encontrar os documentos, de modo que deve ser mantida a glosa. Motivo 13 A DRJ reconheceu os juros pagos em dois DARFS juntados pela Recorrente, mas manteve a glosa das despesas correspondentes às multas de ofício. No Recurso Voluntário, a Recorrente pulou este item, devendo ser mantida a glosa. Motivo 14 Fl. 4612DF CARF MF 26 O valor da GPS juntada pela Recorrente é próximo ao glosado, mas não idêntico. A despesa foi glosada como financeira e, então, a Recorrente junta uma GPS com valor próximo ao glosado, sem oferecer maiores detalhes. Deve ser mantida a glosa da despesa. Multa isolada por falta de recolhimento de estimativas Conforme múltiplos precedentes do CARF que resultaram na Súmula nº 105, as multas isoladas não podem ser cobradas concomitantemente. Se as estimativas deixaram de ser realizadas e a apuração do IRPJ e da CSLL se deram a menor pela mesma razão; uma vez encerrado o período de apuração fiscal, aplicase apenas a multa de ofício. Vide enunciado da Súmula nº 105 do CARF: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". Vide dois acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais que trataram do tema: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998 Ementa: CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA Não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF" (CARF, CSRF, Processo nº 10840.000220/200356, Acórdão nº 9101001.693, Rel. Cons. Susy Gomes Hoffmann). "APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA — MATÉRIA PACIFICADA — ARTIGO 67, § 10 0 DO RICARF Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo". No entendimento deste relator, no entanto, a partir da vigência da Lei nº 11.488/2007, quando a base de cálculo da multa isolada superar o valor da multa de ofício, devese cobrar o valor da multa correspondente à diferença. Em outras palavras, é preciso sempre multiplicar a multa de ofício por 2/3 para equalizálas, pois ela tem alíquota de 75%, enquanto que a multa isolada tem alíquota de 50%, e, então, devese cancelar a multa isolada, caso ela seja igual ou menor à multa de ofício, Fl. 4613DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 42 27 e cobrar a multa de ofício e mais a diferença entre ela e a multa isolada, caso este seja maior do que aquela após a multiplicação por 2/3. Esse entendimento é um desdobramento da própria Súmula nº 105 do CARF, pois ele evita o problema de se afastar a multa isolada e se manter a multa de ofício quando aquela tinha valor muito maior do que essa. Assim, o contribuinte é sancionado de maneira muito branda, mesmo apesar de ter deixado de recolher altos valores a título de estimativa mensal. Essa parece ser a interpretação mais mediadora, mais justa para a matéria em questão, pois evita a aplicação concomitante de multas ao mesmo tempo em que evita a aplicação de sanções muito brandas quando o contribuinte deixa de recolher valores altos, o que poderia levar, inclusive, a uma perda de eficácia social da norma que impõe o recolhimento da estimativa mensal. Ainda que este Relator tenha um entendimento pessoal no sentido de que a estimativa mensal é uma complexidade injustificável gerada no sistema com o objetivo de antecipar tributos à União Federal, o fato é que ela está prevista na lei e há uma sanção para o caso de descumprimento. No presente caso concreto, as multas isoladas foram lançadas conjuntamente no Auto de Infração. Elas estão somadas como se fossem a multa isolada do IRPJ, que não é algo incomum de ser visto, mas pode levar a confusões. O Termo de Verificação Fiscal, entretanto, traz uma tabela com os cálculos das multas mês a mês e para cada tributo. A multa isolada para o IRPJ, em relação a todo o ano calendário, é de R$ 2.323.490,04, enquanto que a multa isolada para a CSLL é de R$ 735.038,42. A multa de ofício aplicada para o IRPJ é de R$ 2.207.155,85 e para a CSLL é de R$ 799.436,11. Se multiplicadas por 2/3 essas multas, os resultados são, respectivamente, R$ 1.407.437,23 e R$ 532.957,41. Deste modo, as multas isoladas encontramse, conforme o entendimento aqui exposto, absorvidas pelas multas de ofício, devendo aquelas serem canceladas, restando apenas a cobrança dessas últimas. Recurso de Ofício Quanto aos efeitos produzidos pelo Acórdão da DRJ sobre as multas isoladas, a discussão fica prejudicada, uma vez que elas já foram canceladas no tópico anterior. No que toca ao uso de prejuízos fiscais para compensar com os débitos exigidos da Recorrente, esta turma tem votado repetidamente nesse sentido, motivo pelo qual deve ser negado provimento ao Recurso de Ofício. Por fim, tratase abaixo das glosas de despesas que foram canceladas pelo Acórdão da DRJ: Fl. 4614DF CARF MF 28 Motivo 13 Como já dito anteriormente, em relação a este item, a DRJ reconheceu o pagamento de juros por conta da juntada de dois DARFs nos valores de R$ 6.359,30 e R$ 16.958,16. Os documentos que fazem a prova foram juntados às fls. 3722, 3726, 4822. Nego, portanto, provimento ao Recurso Voluntário no tocante a este item. Motivo 14 A DRJ reconhece despesas relativas a "multa e juros" no valor de R$ 2.350,56 provadas por juntada de GPS às fl. 3.710. Deste modo, nego provimento ao Recurso de Ofício. Outras despesas comprovadas A DRJ apresenta um quadro no qual aponta os itens das despesas, seus valores e os respectivos documentos juntados pela contribuinte que comprovariam as despesas, de modo que cancela as glosas. Verificando os documentos apontados pela própria DRJ, constatei que, de fato, as despesas estavam comprovadas por GPS, documentos contábeis e outros. Deste modo, deve ser negado provimento ao Recurso de Ofício no tocante à glosa das seguintes despesas comprovadas por documentos: Item 11.14 R$ 93.664,65 fl. 3713 Item 11.19 R$ 15.269,32 fls. 3715/3716 Item 11.46 R$ 10.060,00 fl. 3551 Item 11.50 R$ 11.332,97 fls. 3585/3589 Item 11.64 R$ 10.975,86 3720/3721 Item 11.75 R$ 11.394,81 fls. 736 e 1346 Item 11.96 R$ 20.968,39 fls. 3728 e 4230 Item 11.97 R$ 39.514,44 fls. 3730 e 4231 Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a postergação do ágio relativo às empresas Aquamec e Novagerar, cancelar as glosas das despesas financeiras apontadas no motivo 2, no motivo 6 (itens 11.33, 11.34, 11.47, 11.57 e 11.59), no motivo 7 e no motivo 8, e para cancelar toda a multa isolada (IRPJ e CSLL) lançada no Auto de Infração com o valor de R$ 3.058.528,44. Fl. 4615DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 1401001.741 S1C4T1 Fl. 43 29 Quanto ao Recurso de Ofício, voto no sentido de lhe negar provimento. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Fl. 4616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.004961/98-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994
RESTITUIÇÃO. PRAZO DE PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
Para a contribuinte pleitear a restituição ou a compensação consoante decisão do Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.621 (transitado em julgado em 27/02/2012), submetido a sistemática da repercussão geral, ficou pacificado que o prazo qüinqüenal estabelecido na Lei Complementar n.° 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 09 de junho de 2005, e que antes dessa data se aplica a tese de que o prazo para repetição ou compensação é de dez anos contados de seu fato gerador.
COMPENSAÇÃO. CÁLCULO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, entendo que é mandatório a aplicação nos pedidos de restituição/ compensação, em procedimento pela via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.º 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive de aplicação do entendimento do E STJ no REsp 1.112.524/DF julgado na sistemática do art. 543-C do CPC, com base no artigo 62-A do Regimento do CARF.
Numero da decisão: 3401-003.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral, pela recorrente, Ana Paulo Gesing Gonçalves, OAB DF n.º 39.387.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 RESTITUIÇÃO. PRAZO DE PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Para a contribuinte pleitear a restituição ou a compensação consoante decisão do Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.621 (transitado em julgado em 27/02/2012), submetido a sistemática da repercussão geral, ficou pacificado que o prazo qüinqüenal estabelecido na Lei Complementar n.° 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 09 de junho de 2005, e que antes dessa data se aplica a tese de que o prazo para repetição ou compensação é de dez anos contados de seu fato gerador. COMPENSAÇÃO. CÁLCULO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, entendo que é mandatório a aplicação nos pedidos de restituição/ compensação, em procedimento pela via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.º 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive de aplicação do entendimento do E STJ no REsp 1.112.524/DF julgado na sistemática do art. 543-C do CPC, com base no artigo 62-A do Regimento do CARF.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10880.004961/98-66
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5632991
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.225
nome_arquivo_s : Decisao_108800049619866.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 108800049619866_5632991.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral, pela recorrente, Ana Paulo Gesing Gonçalves, OAB DF n.º 39.387. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6491057
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687809134592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2315; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.004961/9866 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.225 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente ITAU UNIBANCO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 RESTITUIÇÃO. PRAZO DE PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Para a contribuinte pleitear a restituição ou a compensação consoante decisão do Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.621 (transitado em julgado em 27/02/2012), submetido a sistemática da repercussão geral, ficou pacificado que o prazo qüinqüenal estabelecido na Lei Complementar n.° 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 09 de junho de 2005, e que antes dessa data se aplica a tese de que o prazo para repetição ou compensação é de dez anos contados de seu fato gerador. COMPENSAÇÃO. CÁLCULO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, entendo que é mandatório a aplicação nos pedidos de restituição/ compensação, em procedimento pela via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.º 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive de aplicação do entendimento do E STJ no REsp 1.112.524/DF julgado na sistemática do art. 543C do CPC, com base no artigo 62A do Regimento do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Declarouse impedido o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral, pela recorrente, Ana Paulo Gesing Gonçalves, OAB DF n.º 39.387. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 49 61 /9 8- 66 Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente de pedido de RESTITUIÇÃO de PIS recolhido, para os períodos de apuração de JANEIRO DE 1989 a MAIO DE 1994, com base nos Decretoslei n. 2.445/1988 e 2.449/1988, declarados inconstitucionais pelo Senado e por decisão transitada em julgado em ação ordinária e que a contribuinte foi autora. O pedido de RESTITUIÇÃO foi apresentado à Administração Tributária em 26/02/1998. Foram apresentados pedidos de compensação aproveitando esse crédito. A autoridade de administração da jurisdição local deferiu parcialmente o pedido de restituição e homologou parcialmente as compensações, em 27/02/2002 (UFIR 73.711.764,13 em 31/12/1992 para os PAs de 1990 a 1992, e UFIR 66.074.087.70 em 31/05/1994 para os PAs 01/93 a 05/94). Considerou decaído quanto aos PAs de 1989 a março de 1990, pela aplicação do prazo de cinco anos. E, por conseqüência, declararam homologados os pedidos de compensação até o limite do direito creditório reconhecido. A contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade trazendo o contraditório ao processo. Antes de chegar na DRJ, a autoridade de administração reviu sua decisão em 31/05/1994, redefinindo os valores de direito creditório reconhecidos para UFIR 74.987.622,15 em 31/12/1992 para os PAs de 1990 a 1992, e UFIR 68.990.891,99 em 31/05/1994 para os PAs 01/93 a 05/94. Intimada a se manifestar a respeito desse recálculo, a contribuinte deixou de apresentar contestação. Os julgadores de 1º piso consideraram improcedente a manifestação da contribuinte. Eles declararam correta a decisão da autoridade local em 31/05/1994 e, inclusive, ser incontestada a definição do valor de direito creditório desse Despacho Decisório uma vez que a contribuinte não a contestou na oportunidade que lhe foram oferecida. Os Julgadores a quo decidiram ainda a homologação parcial dos pedidos de compensação até o limite do crédito reconhecido e consideraram decaídos os créditos dos PAs de 1989 até 03/1990 (pelo decurso do prazo de cinco anos). O Acórdão n. 1624.205 proferido em 04/02/2010 pela respeitável 8ª Turma da 1ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ SPO 1) ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.OCORRÊNCIA. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 3401003.225 S3C4T1 Fl. 3 3 O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 anos, contado da data da extinção do crédito tributário. INCORREÇÕES NA APURAÇÃO DO INDÉBITO PELA AUTORIDADE. DEVER DE SANEAR. Eventuais equívocos incorridos pela autoridade na apuração do indébito tributário, in casu, não inclusão na parte reconhecida do indébito, dos acréscimos legais, juros de mora e multa, recolhidos com o principal, e, a não atualização dos créditos de acordo com decisão do STJ, devem ser saneados por dever de ofício. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A contribuinte ingressa com recurso voluntário por meio do qual retoma os argumentos de que não houve a decadência e que o prazo aplicável ao caso é de dez anos. Que o disposto na LC 118/2005 não pode retroagir para prejudicar; e que o pagamento indevido do PIS é incontroverso face a declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei n. 2.445/88 e 2.449/88. Cita decisões do STJ e do STF e jurisprudência. Apensos a este processo 10880.004961/9866 estão os processos administrativos 10880.015129/9697 e 10880.15130/9676, que cuidam de autos de infração que constituíram e exigem PIS para os fatos geradores dos períodos de apuração janeiro de 1993 a maio de 1994 e julho de 1994, respectivamente. Há Despacho Decisório (fls. 259/266 para o primeiro, e fls. 324/330 para o segundo) da autoridade da DEINF SP revisando de ofício a exigência fiscal e reconhecendo a dependência com relação ao processo 10880.004961/98 66. Consta deles informação da existência de decisão proferida nas ações judiciais (MC 94.00.281498, AO 94.00.328079, IVE 95.00.076322; MC 96.03.0782750, AC 97.03.0097782) de que foi autorizada a compensação dos débitos resultantes da exigência fiscal do processo 10880.015129/9697 e do processo 10880.15130/9676 com créditos reconhecidos em favor da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminares matéria de ordem pública e matéria incontroversa Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 Sobre o prazo para pedir restituição Ainda antes de adentrarmos à alegações da contribuinte e as razões da autoridade de administração de jurisdição local e dos julgadores a quo, matéria de ordem pública, acima do contraditório, se impõe à apreciação deste processo administrativo. Tratase de matéria que creio resolvida pelo STF por decisão com eficácia erga omnes. O prazo para a contribuinte pleitear a restituição ou a compensação consoante decisão do Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.621 (transitado em julgado em 27/02/2012), submetido a sistemática da repercussão geral, ficou pacificado que o prazo estabelecido na Lei Complementar n.° 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 09 de junho de 2005, e que antes dessa data se aplica a tese de que o prazo para repetição ou compensação é de dez anos contados de seu fato gerador. O pedido de restituição deste processo foi protocolizado em 26/02/1998, antes de 09 de junho de 2005, data da inflexão definida pelo STF no RE 566.621. Assim, este pedido está albergado pelo prazo de 10 anos admitido para requerer restituição. A declaração de inconstitucionalidade dos Decretos lei n. 2.445/1988 e 2.449/1988 é datada de 09 de outubro de 1995 pela Resolução do Senado Federal n. 49. O pedido de restituição do contribuinte é de 27/02/1998, portanto, ele alcança os fatos geradores com pagamentos indevidos de tributo nos 10 anos que o antecedem, ou seja anteriores a fevereiro de 1988. Os períodos de apuração objeto do pedido de restituição abrangem de janeiro de 1989 a maio de 1994, aquém de fevereiro de 1988. Assim, a decadência não alcançou qualquer um dos períodos de apuração pleiteados. Proponho a este Colegiado a adoção deste entendimento como definidor do prazo fatal decadencial ou prescricional. Sobre a atualização dos valores pelos expurgos inflacionários: Trago à consideração dos Senhores Conselheiros mais um ponto. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, entendo que é mandatório a aplicação nos pedidos de restituição/ compensação, em procedimento pela via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.º 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive de aplicação do entendimento do E STJ no REsp 1.112.524/DF julgado na sistemática do art. 543C do CPC, com base no artigo 62A do Regimento do CARF. Portanto, carece a verificação dos valores de direito creditório da adoção desses índices, nos termos aqui postos. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 3401003.225 S3C4T1 Fl. 4 5 Sobre as alegações do recurso voluntário. Tendo em vista que as alegações da recorrente se centram na defesa do prazo decenal para determinar a decadência e a prescrição, e que expus e propus entendimento convergente em minhas preliminares neste voto, concluo pela desnecessidade de analisálas. Com relação aos processos apensos: Como relatamos, apensos a este processo 10880.004961/9866 estão os processos administrativos 10880.015129/9697 e 10880.15130/9676, que cuidam de autos de infração que constituíram e exigem PIS para os fatos geradores dos períodos de apuração janeiro de 1993 a maio de 1994 e julho de 1994, respectivamente. Há Despacho Decisório (fls. 259/266 para o primeiro, e fls. 324/330 para o segundo) da autoridade da DEINF SP revisando de ofício a exigência fiscal e reconhecendo a dependência com relação ao processo 10880.004961/9866. Consta deles informação da existência de decisão proferida nas ações judiciais (MC 94.00.281498, AO 94.00.328079, IVE 95.00.076322; MC 96.03.0782750, AC 97.03.0097782) de que foi autorizada a compensação dos débitos resultantes da exigência fiscal do processo 10880.015129/9697 e do processo 10880.15130/9676 com créditos reconhecidos em favor da contribuinte. A contribuinte expressa sua pretensão (a) de revisão das exigências fiscais, considerando a declaração de inconstitucionalidade dos decretolei n. 2.445/1998 e 2.449/1988 e o teor das decisões judiciais proferidas nas ações por ela ingressadas e que lhe são favoráveis; e (b) que o direito creditório reconhecido judicial e administrativamente (principalmente no processo 10880.004961/9866) possa quitar eventual saldo devedor dessas exigências fiscais. Questiona ainda os juros e as multas aplicadas sobre os valores originários de débito dos tributos. Entendo que o contraditório naqueles processos está aguardando a análise da intervenção da autoridade administrativa em seu Despacho Decisório, combinado com a atenção ao que ficou definido nas ações judiciais em comento e, principalmente, a decisão deste processo 10880.004961/9866 pelo reconhecimento administrativo do direito creditório. Diante desse quadro, e considerando a relação de dependência entre esses processos, face a decisão administrativa definitiva a ser assentada neste processo, proponho que aqueles processos apensos tenham o prosseguimento com aproveitamento integral do teor da decisão proferida neste acórdão, e que a unidade de jurisdição proceda à revisão das exigências fiscais daqueles processos e a compensação com aproveitamento dos créditos reconhecidos neste. Proponho que seja dado provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000632/2004-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
LEGITIMIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO
Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno.
Numero da decisão: 9101-002.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999 LEGITIMIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10680.000632/2004-57
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5642887
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Oct 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9101-002.281
nome_arquivo_s : Decisao_10680000632200457.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10680000632200457_5642887.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
id : 6509091
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687840591872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.000632/200457 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9101002.281 – 1ª Turma Sessão de 5 de abril de 2016 Matéria Legitimidade para opor Embargos Embargante 1ª TURMA ORDINÁRIA da 2ª CÂMARA da 1ª SEÇÃO Interessado LIONE COMERCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA (Sucessora da MG MASTER LTDA) e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 LEGITIMIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 06 32 /2 00 4- 57 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 2 DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório A Turma ordinária decidiu o recurso voluntário em acórdão que restou vazado na seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vicio ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA CSL DECADÊNCIA — CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO A Contribuição Social sobre o Lucro, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame pelo Fisco, está adstrita à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 40 do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação, deslocase esta regência para o art. 173, I, do CTN, que prevê como inicio de tal prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte no ano de 2003, é incabível a preliminar de decadência suscitada para a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa lançada no anocalendário de 1998. CSL — OMISSÃO DE RECEITAS — Caracteriza a ocorrência de omissão de receitas a diferença apurada pela fiscalização no confronto entre as receitas escrituradas/declaradas com aquelas constantes dos boletins de Caixa da loja, principalmente quando a empresa não contesta a infração detectada e efetua parcelamento desses débitos fiscais no PAES. CSL APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA — A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturálas nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro, calculada por estimativa com base na receita bruta, sujeita a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1° inciso IV da Lei n° 9.430/96. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO — COMPATIBILIDADE — A falta de recolhimento da CSL sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1 0 do art. 44 da Lei no 9.430/96. 0 lançamento é compatível com a exigência da contribuição apurada em procedimento fiscal, acompanhada da correspondente multa de oficio. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000632/200457 Acórdão n.º 9101002.281 CSRFT1 Fl. 3 3 INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. TAXA SELIC — JUROS DE MORA — PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. MULTA DE OFICIO — CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO — A multa de oficio constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos os tributos devidos pelo sucedido. 0 que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato,gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à lei e a evidencia de provas, onde pede que seja dado provimento ao recurso para restabelecer a multa isolada no percentual de 150% sob a responsabilidade da sucessora. Admitido o Recurso da Fazenda Nacional, o acordão de recurso especial conheceu e lhe deu provimento, “determinando o retorno dos autos a Câmara recorrida para apreciar as demais alegações da recorrente”. O acórdão da CSRF foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 Ementa: MULTA DE OFICIO INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum de sócio pessoa física e de controladora informal. Consta na parte final do voto do relator: Assim conheço em parte do RE e das ContraRazões, e no mérito dou provimento e determino o retorno dos autos à Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 4 Encaminhado o processo ao colegiado a quo e sorteado entre os seus membros, o relator contemplado foi o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. O referido conselheiro apresentou Embargos de Declaração abaixo transcrito: Conforme o termo de verificação de infração de fls. ..., todo um conjunto de auditorias levou à autuação da empresa MG Master Ltda em razão de omissões praticadas por 24 (vinte quatro) empresas sucedidas. Foram 24 (vinte quatro) autuações de IRPJ e seus reflexos e 46 (quarenta e seis) autuações relativas a multas isoladas de IRPJ e CSLL (vinte e três para cada tributo). Só uma das empresas incorporadas não sofreu autuação de multas isoladas por adotar o regime do lucro presumido. O presente feito é uma dessas quarenta e seis autuações de multa isolada e está relacionado com uma das vinte e quatro autuações de CSLL e seus reflexos. É, portanto, similar a várias dezenas de outros, dos quais vários nos foram distribuídos por retorno determinado pela Câmara Superior. Por meio do acórdão ..., a extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte havia dado provimento integral ao recurso voluntário ..., sob o fundamento de ilegalidade da aplicação de multa de ofício na sucessora. Já a Câmara de Superior de Recursos Fiscais ao analisar o recurso especial da Fazenda Nacional, deulhe provimento por meio do acórdão ... sob o fundamento de ser legal a aplicação de multa de ofício, uma vez comprovado nos autos que ambas as sociedades sucessora e sucedida sempre estiveram sob controle comum, e determinou o retorno dos autos à “Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto”. Ao compulsarmos o voto condutor do acórdão ..., entendemos que todas as questões suscitadas no recurso voluntário foram enfrentadas pelo relator, que negava provimento ao recurso voluntário. Abaixo, as relacionamos: a) decadência; neste ponto, o acórdão considerou caracterizado o evidente intuito doloso da conduta delitiva; b) nulidade em razão de sua lavratura em separado; c) multa na sucessora; d) adesão ao PAES e suspensão do crédito tributário; e) falta de base legal e constitucional para a aplicação de juros à taxa SELIC; f) concomitância da multa isolada com a multa de ofício; e g) caráter confiscatório da multa. Foi o voto de divergência, porém, que prevaleceu. Poderíamos supor, então, que alguns pontos constantes do voto vencido teriam sido prejudicados pelo voto vencedor. Neste, porém, há a seguinte afirmação: Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000632/200457 Acórdão n.º 9101002.281 CSRFT1 Fl. 4 5 Inicialmente gostaria de enaltecer a clareza do relatório e profundidade do voto proferido [...] peço vênia para dele discordar somente quanto a aplicação da multa isolada nos casos de incorporação [...] Ademais, todos os pontos suscitados pela defesa, inclusive aqueles que poderiam ter sido prejudicados, constam da ementa, como a concomitância com a multa de ofício. Dessarte, não identificamos nenhuma questão suscitada pela defesa a ser enfrentada, o que nos levou à conclusão de ter havido supostamente contrariedade ou omissão do acórdão ... . Só haveria a redução passível de iniciativa de ofício do patamar sancionador de 150% para 50% em razão das alterações supervenientes da redação do art. 44 da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, interpomos embargos de declaração com o fito de se sanear a contrariedade ou a omissão do acórdão ... para se esclarecer quais questões devem ser enfrentadas por esta turma. Encaminhado o processo à Primeira Turma da CSRF, os Embargos foram admitidos por despacho do Presidente da CSRF. É o relatório. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Preliminarmente, há uma questão a ser respondida, qual seja: se um relator de Turma Ordinária que recebeu um processo com decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) determinando o retorno a turma a quo poderia, ou não, embargar esse Acórdão, visando esclarecer os contornos e limites do retorno. O tema ganha relevância, pois estarseá a definir a autonomia da decisão da Câmara Superior, se é possível a interpretação autêntica ou se sua interpretação deverá ser avaliada pela turma ordinária que lhe dá cumprimento. O art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, apresenta, em seu parágrafo primeiro, o seguinte rol de legitimados para oposição de Embargos de Declaração (vale ressaltar que essa redação era a mesma existente no Regimento Interno anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e com redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010): Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. A partir dos regramentos transcritos, podese discutir o enquadramento nos incisos I e V. a.1) Ao se eleger como legitimado o ‘conselheiro do colegiado’, é defensável que o termo ‘colegiado’ acima envolva a turma de julgamento que tem interesse no que está sendo decidido; assim, poderseia defender que estariam aí os conselheiros do colegiado que julgará o retorno da decisão da CSRF. Não obstante, também é defensável que o colegiado abrange apenas a turma prolatora do acórdão (ainda mais com o acréscimo que se fez no atual regimento interno incluindo a expressão “inclusive pelo próprio relator”). Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000632/200457 Acórdão n.º 9101002.281 CSRFT1 Fl. 5 7 a.2) A tradição da Casa entende que a segunda alternativa é a mais apropriada, a ela me alio, sob pena de abrir um precedente que poderia evoluir no sentido de que nesse dispositivo caberiam todos os colegiados do Conselho (tendo em vista a subjetividade do que seria um colegiado que tem interesse no julgamento); o que, evidentemente, não é o que desejou o legislador do regimento interno. b.1) Em se tratando do titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, poderseia interpretar que a turma a quo poderia ocupar a posição de unidade da administração tributária e que esse “titular” poderia, por analogia, ser o relator ou o Presidente (nesse caso, faleceria competência no caso concreto, pois os Embargos não foram subscritos pelo Presidente), já que é natural pensar que a turma para o qual o processo retornou está “executando” o acórdão. b.2) Mais uma vez, reconhecendo a engenhosidade da alternativa de interpretação, sigo a prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas (art. 100, III, do Código Tributário Nacional) ou a tradição, sem adentrar no campo do direito administrativo que conceituaria “unidade da administração tributária”, para rejeitar a possibilidade e continuar entendendo que o inciso V do art. 65 está apenas voltado para a unidade preparadora. A Portaria MF nº 197, de 23 de abril de 2015, dispôs sobre consulta pública relativa a alterações a serem promovidas no Regimento Interno do CARF. Confiramse alguns de seus dispositivos: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) realizará consulta pública com o objetivo de receber contribuições por escrito para aperfeiçoamento do Regimento Interno do órgão, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. ... §2º A minuta de Regimento Interno do CARF objeto da consulta será disponibilizada no endereço eletrônico referido no § 1º, acompanhada da exposição de motivos, com indicação dos objetivos institucionais que se pretende alcançar com a nova regulamentação. §3º A apresentação das sugestões, a ser efetivada por meio de formulário próprio disponível juntamente com a consulta, deverá atender à seguinte estrutura: I redação proposta para artigo, parágrafo, inciso, alínea ou item a que se refira; e II justificativa para cada item da proposta, que demonstre a pertinência e o atendimento dos objetivos institucionais. § 4º As contribuições deverão ser enviadas por meio de correio eletrônico para o endereço ricarf_Consulta@carf.fazenda.gov.br, com anexação do formulário próprio de que trata o § 3º. Art. 2º As sugestões recebidas e que atenderem ao disposto no § 3º do art. 1º poderão ser consideradas total ou parcialmente na definição do texto do novo regimento. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 8 Parágrafo único. O CARF publicará em seu sítio na internet relatório com as justificativas das sugestões não acatadas. Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Com base nesta louvável1 iniciativa do CARF para o aperfeiçoamento de seu regimento interno, apresentei a proposta de nº 128 com quatro sugestões de mudanças, entre elas estava a seguinte inovação: Novo inciso no parágrafo 1º do art. 65: VI – por relator de turma ordinária, relativamente à decisão da CSRF com providência de retorno a turma a quo, considerandose a ciência como a indicação para o processo em pauta. Na oportunidade, motivei da seguinte forma: Há casos de acórdãos da CSRF que decidem com retorno a turma ordinária, mas não é possível identificar exatamente qual a providência que a turma ordinária deverá tomar. Assim, fazse necessário que o relator desses acórdãos nas turmas ordinárias tenha competência para embargar a decisão da CSRF. Poderia ser utilizado o inciso I, mas esse é voltado apenas ao colegiado no qual o acórdão é proferido. Também poderia ser utilizado o inciso V, entendendose o presidente de turma como titular da unidade da administração tributária para execução do acórdão, ou seja, a turma a quo estaria “executando” o acórdão, mas também essa interpretação é questionável. O CARF justificou o não acatamento afirmando que: Se, após passar por todas as autoridades que têm legitimidade para embargar, ninguém que tomou ciência desta decisão da CSRF embargou, o relator do processo nessas hipóteses irá decidir com os elementos de que dispõe nos autos. Verificase que, embora a motivação do não acatamento tenha sido bem suscinta, foi suficientemente clara em delegar ao relator o poder de interpretar a decisão da CSRF (superando omissões/contradições/obscuridades como bem entender caso não as leve a julgamento ou não sejam identificadas pelos outros Conselheiros – ou apresentando propostas de saneamento – caso decida leválas a julgamento), submetendoa a seu juízo prévio. A partir do estudo dos “anais” de elaboração do regimento interno, podese concluir que foi dada oportunidade ao legislador regimental enfrentar a disciplina da questão e, em tendo este se manifestado no sentido de não acolher a modificação proposta, me permito extrair uma interpretação histórica com a seguinte orientação: nos atuais incisos do art. 65 não há guarida para se incluir entre o rol dos legitimados o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno; estando, 1 Do que tenho notícia foi a primeira vez que um Tribunal resolveu escutar a sociedade civil ao tratar da sua lei orgânica, estão de parabéns as autoridades que assim decidiram! Fl. 434DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000632/200457 Acórdão n.º 9101002.281 CSRFT1 Fl. 6 9 portanto, afastadas as duas possíveis interpretações a que já fiz menção ao tratar dos incisos I e V. Assim, por todo o exposto, o relator deverá interpretar a decisão da Turma da CSRF que determina o retorno para determinada turma ordinária e, caso encontre omissões/contradições/obscuridades, leválaás a julgamento da turma, como foi feito no julgamento que restou no Acórdão nº 1201001.173, sessão de 04/03/2015, da qual participei, onde os contornos da decisão da Turma da CSRF foram dados pela decisão da Turma Ordinária do CARF, conforme se pode perceber da parte dispositiva do acórdão, abaixo transcrito: “... os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM a preliminar de decadência de janeiro a novembro de 1997; por maioria de votos, AFASTARAM a preliminar de decadência de dezembro de 1997, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado, que o acompanhou pelas conclusões; por unanimidade de votos, ENTENDERAM que a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101000.702, de 08/11/2010, não alcança a COFINS; por unanimidade de votos, DECLARARAM a nulidade material dos autos de infração dos anos calendário de 1997 a 2000; e, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso voluntário dos anoscalendário de 2001 a 2003.” Nesse sentido, voto por NÃO ACOLHER os Embargos de Declaração, por ausência de legitimidade ativa do Conselheiro que os opôs, e determinar o retorno dos autos a Turma a quo. Esse é o meu voto. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator Fl. 435DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
score : 1.0
Numero do processo: 11080.910867/2012-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.261
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.910867/2012-91
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647872
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-004.261
nome_arquivo_s : Decisao_11080910867201291.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11080910867201291_5647872.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6545028
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687909797888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.910867/201291 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.261 – 3ª Turma Sessão de 15 de setembro de 2016 Matéria Contribuições. Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.799, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 08 67 /2 01 2- 91 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.910867/201291 Acórdão n.º 9303004.261 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.910867/201291 Acórdão n.º 9303004.261 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 188DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.033530/94-51
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: CSRF/02-00.017
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200401
camara_s : Pleno
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10768.033530/94-51
conteudo_id_s : 5658516
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : CSRF/02-00.017
nome_arquivo_s : Decisao_107680335309451.pdf
nome_relator_s : Henrique Pinheiro Torres
nome_arquivo_pdf_s : 107680335309451_5658516.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2004
id : 6568490
ano_sessao_s : 2004
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-09-13T19:12:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; xmp:CreatorTool: CNC Capture; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; pdfa:PDFVersion: A-1b; dc:creator: CNC Solution; dcterms:created: 2013-09-13T19:12:15Z; Last-Modified: 2013-09-13T19:12:16Z; dcterms:modified: 2013-09-13T19:12:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:6d05721e-8583-4023-833d-a9b8c391c3be; Last-Save-Date: 2013-09-13T19:12:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC Capture; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-09-13T19:12:16Z; meta:save-date: 2013-09-13T19:12:16Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-09-13T19:12:16Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solution; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solution; pdfaid:conformance: B; meta:author: CNC Solution; meta:creation-date: 2013-09-13T19:12:15Z; created: 2013-09-13T19:12:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2013-09-13T19:12:15Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; pdfaid:part: 1; access_permission:can_print: true; Author: CNC Solution; producer: CNC Solution; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solution; pdf:docinfo:created: 2013-09-13T19:12:15Z | Conteúdo =>
_version_ : 1713048687950692352
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904930/2012-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.347
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10865.904930/2012-60
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5644393
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-002.347
nome_arquivo_s : Decisao_10865904930201260.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10865904930201260_5644393.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6515780
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687958032384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1917; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.904930/201260 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.347 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria Compensação. DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 30 /2 01 2- 60 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904930/201260 Acórdão n.º 3201002.347 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.258. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904930/201260 Acórdão n.º 3201002.347 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904930/201260 Acórdão n.º 3201002.347 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904930/201260 Acórdão n.º 3201002.347 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904930/201260 Acórdão n.º 3201002.347 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904930/201260 Acórdão n.º 3201002.347 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904930/201260 Acórdão n.º 3201002.347 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13936.000649/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
LANÇAMENTO. VALIDADE
É válido o lançamento que informa, clara e precisamente, todos os fatos geradores do débito, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, o valor dos juros e da multa incidentes sobre os valores não recolhidos, não restando caracterizado o cerceamento de defesa do contribuinte.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS. TAXA SELIC.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO.
Somente poderá ser restituida ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido.
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2301-004.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, na questão da aplicação da multa de ofício, a fim de que se verifique, na execução do julgado, para efeitos do Art. 106, do CTN, com a aplicação do cálculo mais benéfico, as penalidades que o sujeito passivo poderia sofrer na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória - falta de declaração e nos de declaração inexata - e principal), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35-A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória - falta de declaração e nos de declaração inexata - e principal). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, e o Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que limitava a presente multa a 75% (setenta e cinco por cento); I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira.
(Assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente da 3ª Câmara e da 2ª Seção de Julgamento na data da formalização.
(Assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Relatora ad hoc na data da formalização.
(Assinado digitalmente)
JOÃO BELLINI JÚNIOR- Redator designado ad hoc na data da formalização.
EDITADO EM: 23/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 LANÇAMENTO. VALIDADE É válido o lançamento que informa, clara e precisamente, todos os fatos geradores do débito, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, o valor dos juros e da multa incidentes sobre os valores não recolhidos, não restando caracterizado o cerceamento de defesa do contribuinte. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. Somente poderá ser restituida ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13936.000649/2008-87
anomes_publicacao_s : 201612
conteudo_id_s : 5662247
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.289
nome_arquivo_s : Decisao_13936000649200887.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13936000649200887_5662247.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, na questão da aplicação da multa de ofício, a fim de que se verifique, na execução do julgado, para efeitos do Art. 106, do CTN, com a aplicação do cálculo mais benéfico, as penalidades que o sujeito passivo poderia sofrer na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória - falta de declaração e nos de declaração inexata - e principal), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35-A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória - falta de declaração e nos de declaração inexata - e principal). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, e o Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que limitava a presente multa a 75% (setenta e cinco por cento); I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente da 3ª Câmara e da 2ª Seção de Julgamento na data da formalização. (Assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO - Relatora ad hoc na data da formalização. (Assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JÚNIOR- Redator designado ad hoc na data da formalização. EDITADO EM: 23/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 6583624
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687969566720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1979; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 6.157 1 6.156 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13936.000649/200887 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.289 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente INDUSTRIAS NOVACKI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 LANÇAMENTO. VALIDADE É válido o lançamento que informa, clara e precisamente, todos os fatos geradores do débito, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, o valor dos juros e da multa incidentes sobre os valores não recolhidos, não restando caracterizado o cerceamento de defesa do contribuinte. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. Somente poderá ser restituida ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 6. 00 06 49 /2 00 8- 87 Fl. 6157DF CARF MF 2 No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, na questão da aplicação da multa de ofício, a fim de que se verifique, na execução do julgado, para efeitos do Art. 106, do CTN, com a aplicação do cálculo mais benéfico, as penalidades que o sujeito passivo poderia sofrer na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória falta de declaração e nos de declaração inexata e principal), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória falta de declaração e nos de declaração inexata e principal). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, e o Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que limitava a presente multa a 75% (setenta e cinco por cento); I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente da 3ª Câmara e da 2ª Seção de Julgamento na data da formalização. (Assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Relatora ad hoc na data da formalização. (Assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JÚNIOR Redator designado ad hoc na data da formalização. EDITADO EM: 23/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Fl. 6158DF CARF MF Processo nº 13936.000649/200887 Acórdão n.º 2301004.289 S2C3T1 Fl. 6.158 3 Relatório Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora designada ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Adoto o relatório de efls. 5.766 e ss. O relatório fiscal explicativo do lançamento oferece as seguintes informações acerca da constituição do crédito: 4.1 Através da auditoria fiscal realizada junto à empresa Industrias Novacki S/A, constatamos que a mesma deixou t de declarar em GF1P — Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação a Previdência Social e recolher as contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, destinadas aos Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI, SERRA E). 4.2 Diante dos fatos expostos, lavramos o presente Auto de Infração — AI e para melhor compreensão, a situação encontrada será tratada por levantamento. No prazo legal, o sujeito passivo impugnou o lançamento para requerer o reconhecimento das nulidades apontadas, com o cancelamento da cobrança. Caso superadas as preliminares, solicita o cancelamento integral da cobrança ou a sua redução pela exclusão de verbas indevidas, observandose as formalidades legais para tanto e garantindo à impugnante o devido processo legal. Para fundamentar os seus pedidos, apresenta as seguintes alegações: a) o lançamento seria nulo porque lhe faltariam o fundamento legal especifico da exigência, a descrição clara e precisa dos fatos geradores lhe que deram origem e a exata disposição legal que teria sido infringida pela empresa. Não estariam indicados claramente os percentuais exatos das multas aplicadas a cada competência e itens de cobrança. Aplicandose os percentuais indicados no anexo FLD não seria possível chegar ã composição do valor que está sendo cobrado. A empresa não teria sido adequadamente informada sobre quais verbas estão sendo exigidas, quanto c a que titulo. Fl. 6159DF CARF MF 4 Quanto aos juros não consta memória de cálculo devidamente discriminada, nem os percentuais exatos, não sendo possível chegar a uma memória de cálculo. Tais supostas omissões acarretariam cerceamento do direito de defesa. b) O lançamento conteria vicio de intimação. A empresa teria sido cientificada do lançamento via postal, sendo a notificação recebida por pessoa que não detinha poderes para representar o sujeito passivo. c) A autuação se basearia em presunção. A auditoria fiscal não teria produzido a prova da falta de recolhimento do tributo. d) Além de cobranças que seriam indevidas no AI impugnado, a empresa também possuiria créditos de SAT junto á previdência social e que foram compensados com as contribuições devidas. e) Não incidiria contribuição previdenciaria sobre o valor correspondente aos primeiros 15 dias do auxiliodoença pago pela empresa ao empregado e sobre verbas como auxilio doença, licençagestante, licençapaternidade, avisoprévio indenizado, licença remunerada do dirigente sindical, terço constitucional de férias, férias indenizadas, abonos e gratificações não contratuais, saláriofamília, ajudas de custo e décimo terceiro salário. f) O saláriomaternidade, na vigência da Lei 9.876, de 1999, não constituía base de cálculo da contribuição previdencidria. Por essa hipótese, a impugnante poderia ter compensado os valores que recolheu a esse titulo com contribuições vincendas, que estão sendo agora indevidamente exigidas no documento impugnado. g) No seu item 3.4, a impugnação repisa os argumentos acerca de suposta inconstitucionalidade da contribuição sobre a remuneração de autônomos e empresários instituída pela Lei Complementar 84, de 1996, para ao final, requerer que sejam canceladas todas as exigências supostamente feitas a titulo de contribuições sobre remunerações pagas a essas categorias de prestadores de serviço. h) Seria ilegal a exigência, das empresas de médio e grande porte, da contribuição para o SEBRAE. A impugnante somente estaria obrigada a pagar contribuição para as entidades cujas atribuições tiverem relação com seu objeto social, como seria o exemplo das empresas prestadoras de serviço em que o STJ teria decidido que não estão obrigadas ao recolhimento de contribuição para o SENAC/SESC. Seria a contribuição para o SEBRAE, também, inconstitucional por não ter sido instituída por Lei Complementar e por incidir sobre a mesma base de cálculo de outros tributos. Alem disso, a Ordem de Serviço INSS/DAF n ° 3 teria, na prática duplicado as alíquotas, dispondo sobre a contribuição como se tivessem sido criados vários adicionais: um para cada entidade. Fl. 6160DF CARF MF Processo nº 13936.000649/200887 Acórdão n.º 2301004.289 S2C3T1 Fl. 6.159 5 i) A cobrança da contribuição para o salário educação seria inconstitucional. j) A impugnante não seria contribuinte da contribuição ao INCRA por ser destinada a atividade estranha as dessa empresa e por ter sido extinta pela Lei 7.787, de 1989 ou porque não fora recepcionada pela Constituição de 1988. k) No Auto de Infração 37.047.5534 já estão sendo exigidos da impugnante valores a titulo de contribuições, por falta de declaração cm GFIP. A mesma razão fática não poderia ser utilizada, com fundamentos regulamentares diferentes, para cobrar mais de uma vez a mesma alegada infração. Assim, requer o cancelamento da presente autuação, por duplicidade de cobrança. k.1) Ademais, tal situação não poderia prosperar visto que, conforme protocolo de envio de arquivos conectividade social em anexo, no dia 11/01/2008 as 09h56min a impugnante apresentou GFIP e as 10h42 apresentou GFIP retificadora, procedente A DECLARAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E, INCLUSIVE, DECLARANDO QUE OS RESPECTIVOS VALORES FORAM COMPENSADOS. A autuação se dá, pois o .fisco SÓ considerou como enviada a GFIP retificadora, desconsiderando a declaração encaminhada as 091156117, do dia 11/01/2008. Ora, as 10h12min a impugnante retificou a GFIP anterior corrigindo um erro em relação ao funcionário Cicero Pedro da Silva. Ocorre que, na retificadora a empresa informou somente os dados do referido empregado, pois já havia informado os dados de todos os outros empregados na GFIP retificadora (09h56min). Entretanto os Auditores da RFB desconsideraram a primeira GFIP enviada pelo contribuinte, considerando como única declaração feita pela impugnante a GFIP retificadora. Ou seja, cercearam o direito do contribuinte de apresentar declaração retificadora antes da notificação do lançamento pela autoridade administrativa.... Assim, em razão do direito cio contribuinte de apresentar GFIP retificadora antes da notificação do lançamento, devem ser consideradas como declaradas as GFIPS apresentadas às 09h56min e às I 0h42min e não somente a GFIP retificadora como entendeu o fisco. 1) Uma vez que a impugnante possuiria créditos perante a Previdência Social, tais créditos são compensáveis com débitos posteriores, inclusive os que foram objeto da autuação ora questionada, tornandose inaplicável imposição de juros e multa sobre esses valores. No entanto, se ainda restarem dúvidas quanto aos procedimentos contábeis de compensação, poderá ser determinada diligências para o levantamento e confirmação dos elementos trazidos pela impugnante. l.1) Embora a Lei 11.457, de 2007 vede a compensação de créditos do contribuinte de origem não previdenciária (IRPJ, PIS, COFINS, etc) com contribuições destinadas a previdência Fl. 6161DF CARF MF 6 social, tal compensação seria possível. A limitação da compensação em 30% do valor do tributo devido configuraria empréstimo compulsório. m) Ocorreriam divergências quanto á fundamentação da multa, mencionandose legislações que prevêem aplicação de percentuais diversos destes. A Receita Federal do Brasil ora cita legislação que prevê multa de 8%, mas também menciona dispositivo em que a multa seria de 14%, e outros, até 100%. Diante disto, ficaria cristalino que o fisco não fundamenta adequadamente o percentual da multa a ser aplicado sobre tributos vencidos. E como poderia a impugnante defenderse se a RFB não saberia sequer fundamentar a exigência da multa de mora? m.1) Além de não ser o caso de infração à legislação tributária, ocultação de informações nem omissão de receitas, impõese o reconhecimento da ilegalidade ou inconstitucionalidade da multa imposta porque, a toda evidência, o percentual tão elevado caracteriza um verdadeiro excesso, um desvio de finalidade, violando a Constituição _ederal e principios jurídicos e legais que devem reger tais procedimentos. A multa incidente violaria os princípios da capacidade contributiva e econômica do impugnante e teria caráter confiscatório. n) Seria ilegal a cobrança de juros pela taxa SELIC, devendose excluir do cálculo desse acréscimo o excedente de 1% ao mês. Por fim, requer a juntada de planilhas e a produção de prova pericial, para que seja devidamente analisada a documentação fiscal e contábil da impugnante em relação aos débitos previdenciários. Apresenta quesitos e indica assistente técnico. Requer, ainda, o direito de apresentar oportunamente outros elementos que ensejariam a descaracterização da imputação. Em 02 de julho de 2009, os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, acordaram por unanimidade dos votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Segue ementa do acórdão: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 AIOP 37.047.5542 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não se prestam para exame em sede administrativa alegações acerca de inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas plenamente vigentes. LANÇAMENTO. VALIDADE É válido o lançamento que informa clara e precisamente todos os fatos geradores do débito, as contribuições devidas e os Fl. 6162DF CARF MF Processo nº 13936.000649/200887 Acórdão n.º 2301004.289 S2C3T1 Fl. 6.160 7 períodos a que se referem, o valor dos juros e da multa incidentes sobre os valores não recolhidos. VÍCIO DE INTIMAÇÃO. INOCORRÊNCIA Inocorre vicio na intimação do sujeito passivo, quando a notificação é assinada por pessoa que se intitula seu diretor. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO Somente poderá ser restituida ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelA Secretaria da Receita Federal do Brasil, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PROCESSOS DISTINTOS Tratandose de processos distintos, não se confundem o auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória e o auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação principal. SALÁRIOEDUCAÇÃO São devidas as contribuições arrecadadas pelo órgão encarregado da fiscalização e arrecadação da previdência social, em favor do FNDE, destinadas ao custeio do salário educação, na forma da legislação vigente à época do fato gerador. DL n 1.422, de 1975, Dec. nº 87.043, de 1982, art. 212 da CF/88 e art. 34, § 5º do ADCT e Lei 9.424, de 1996. SEBRAE Ê devida a contribuição prevista no § 3 do art. 8º da Lei 8.029, de 1990, na redação da Lei 8.154, de 1990, arrecadada pelo INSS como adicional às contribuições do SENAC/SESC e destinada ao SEBRAE. INCRA A contribuição destinada ao INCRA, pode ser exigida de empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando foi instituída pela Lei nº 2.613, de 1.955, em beneficio do então criado Serviço Social Rural, conforme jurisprudência recente do STJ. SELIC Para fatos geradores ocorridos partir de janeiro de 1995, é licita a incidência dos juros com base na taxa SELIC, nos termos da Lei 9.065/95. MULTA A multa pelo recolhimento em atraso da contribuição previdenciária arrecadada pela Secretaria da Receita Federal Fl. 6163DF CARF MF 8 do Brasil tem caráter irrelevável, incide de forma automática sobre o débito e, conforme o mês de ocorrência do fato gerador, obedece aos percentuais previstos na legislação aplicável. DILIGÊNCIA É desnecessária a baixa dos autos em diligência quando os elementos constantes dos autos são suficientes para firmar o convencimento do julgador. PERÍCIA Ê desnecessária a prova pericial quando os elementos constantes dos autos são suficientes para firmar o convencimento do julgador. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. Cientificada da decisão de primeira instância em 15/07/2009, conforme AR juntado, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em 14/08/2009, o recurso voluntário, por meio do qual reiterou as razões de inconformidade aduzidas na impugnação e pleiteou que o recurso seja conhecido e provido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Atendido o pressuposto de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço dos recursos e passo ao seu exame. 1 PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Segundo consta dos autos a fiscalização glosou os valores compensados em GFIP, haja vista considerar que os créditos apurados pela autuada careciam de liquidez e certeza, circunstâncias essas que estão evidenciadas no Relatório Fiscal. Fl. 6164DF CARF MF Processo nº 13936.000649/200887 Acórdão n.º 2301004.289 S2C3T1 Fl. 6.161 9 Em suma o presente lançamento apurou o fato tributável dentro do que determina a legislação de regência, identificando o contribuinte e dandolhe plena ciência da infração apurada. Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 6165DF CARF MF 10 III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O direito à ampla defesa e, ao contraditório, assegurado pela Constituição Federal, não foram maculados em razão do lançamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da notificada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que forçosamente, é de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Diante dessas considerações, rejeito a alegação de nulidade da autuação fiscal. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. II OBJETO Fl. 6166DF CARF MF Processo nº 13936.000649/200887 Acórdão n.º 2301004.289 S2C3T1 Fl. 6.162 11 Extraise de modo cristalino do Relatório Fiscal do lançamento que este destinase a apurar e lançar contribuições destinadas às entidades e fundos denominados "terceiros", previstas na legislação que instituiu cada uma dessas entidades e incidentes sobre remuneração paga a segurados empregados que prestaram serviços à empresa no mês de dezembro/2007. Portanto, o relatório informa, claramente, qual é o fato gerador: prestação de serviços por segurados empregados, do qual resultou o pagamento de remuneração, sobre a qual incide o encargo patronal da contribuição para terceiros, que a empresa deixou de recolher. Exsurge claro, também, desse relatório, que a empresa, na competência dezembro/2007 deixou de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP grande parcela da remuneração paga aos segurados empregados do estabelecimento identificado pelo CNPJ 85.601.201/000520 e por conseqüência, também deixou de recolher as contribuições incidentes sobre essas remunerações. Em consonância com esses esclarecimentos, destacase do relatório fiscal e dos anexos que integram o processo original que o lançamento é composto pelo LEVANTAMENTO FPG — Folha de pagamento (Contribuições não recolhidas na competência dezembro/2007 do estabelecimento CNPJ /000520). Os valores apurados são os correspondentes à folha de pagamento da impugnante. Consta bem claro dos autos que a empresa pagou remuneração aos empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Sobre essa remuneração, por sua vez, incide o encargo patronal da contribuição previdenciária. A remuneração consta das folhas de pagamento da empresa. Eis ai, portanto, descrita a ocorrência do fato gerador, que é a prestação de serviços por segurados empregados e contribuintes individuais, do qual resultaram as remunerações aqui tributadas. Não persistindo dúvida quanto ã ocorrência do fato gerador, surge para o sujeito passivo o dever de realizar o objeto da obrigação tributária principal, isto é, de efetuar pagamento do tributo no tempo devido. Assim, como lhe compete realizar tal objeto, lhe cabe também comprovar ao fisco o cumprimento de tal obrigação. Assim, ao contrário do que supõe a impugnante, não é ao fisco que compete demonstrar a falta de recolhimento da contribuição, mas o sujeito passivo é que deve demonstrar o cumprimento integral da obrigação principal. Por isto, a alegação de que a falta de recolhimento da contribuição foi presumida resulta de todo despropositada. Mas no caso em exame a falta de pagamento já foi confessada pela própria impugnação ao admitir que a empresa deixou de recolher as contribuições a titulo de compensação com um certo crédito seu decorrente de recolhimento indevido de contribuição destinada ao custeio dos benefícios de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT). Além do mais, a omissão do recolhimento foi registrada na GFIP de duas formas: mediante informação, no campo correspondente, de alíquota do RAT a menor, e mediante aposição, no campo próprio, de informações de valores a serem compensados no mês. Assim, a falta de recolhimento restou confirmada e por todas essas razões, se constata desde logo que o lançamento não se baseou em presunção, como supõe a defesa, mas em fatos reais. A respeito da compensação, assim estabelecia o art. 89, da Lei 8.212, de 1991, redação da época dos fatos geradores: Fl. 6167DF CARF MF 12 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (redação dada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) ... § 2° Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo InSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas a líneas "a", "b" e "c", do parágrafo único do art. 11 desta lei. Conforme se extrai das disposições acima reproduzidas, só poderá ser compensado ou restituído crédito decorrente de recolhimento indevido. Por recolhimento indevido entendese aquele crédito decorrente de pagamento efetuado além dos limites legais, entre outras circunstâncias, por inexistência de fato gerador, por utilização de alíquota superior àquela prevista legalmente, por erro na base de cálculo, ou mesmo por recolhimento em duplicidade da contribuição. No caso em tela, contudo, o contribuinte não manifestou, nem à auditoria fiscal e nem agora no processo, nenhuma disposição para demonstrar a existência do crédito decorrente do recolhimento indevido e, por conseqüência, do direito à restituição. Para melhor entendimento, filiome ao decidido pela DRJ que muito bem examinou a presente questão: Conforme se extrai das disposições acima reproduzidas, só poderá ser compensado ou restituído credito decorrente de recolhimento indevido. Ao par disto, só podem ser compensadas com as contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente as parcelas referidas nas alíneas "a". "b" e "e", quais sejam outras contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários. No caso em tela, já se viu tratamse de contribuições destinadas às entidades e fundos denominados "terceiros". Não são contribuições previstas na Lei 8.212, de 1991. Observe.se que Receita Federal do Brasil é mera intermediária da arrecadação dessas contribuições. Portanto, elas não podem, em absoluto, ser compensadas com supostos créditos do seguro de acidentes do trabalho ou mesmo da contribuição patronal geral. Desta forma, estando configurada a falta de recolhimento das contribuições, não há que se falar cm compensação, por expressa vedação legal. Mas neste ponto, a defesa diz que se ainda restarem dúvidas quanto aos procedimentos contábeis de compensação, poderá ser determinada diligências para o levantamento e confirmação dos elementos trazidos pela impugnante. Temse nisto, primeiro, que a defesa não traz nenhum elemento que sirva de inicio de prova do recolhimento indevido. Muito Fl. 6168DF CARF MF Processo nº 13936.000649/200887 Acórdão n.º 2301004.289 S2C3T1 Fl. 6.163 13 pelo contrario, nem ao menos se dignou indicar de onde provém o seu possível crédito. Segundo, não será a regularidade da escrita fiscal que consignará o direito da empresa, se não restar comprovada a origem desse suposto crédito. Além disto, esse crédito deveria ter sido posto, antes, ao exame da auditoria fiscal, com todos os elementos necessários a comprovar a sua materialidade. Ao par disto, a impugnação deveria ter trazido aos autos, para apreciação do julgador os elementos que julgasse suficientes e aptos para demonstrar o seu direito. Inexistindo, qualquer inicio de prova, não há razão para se encaminhar o processo em diligencia e nem para perícia. Portanto, sem razão a Recorrente. IV INCONSTITUCIONALIDADE Em relação as demais matérias tratadas no Recurso Voluntário, devem ser aplicados os enunciados das Súmulas deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. V SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. VI DA MULTA APLICADA A autuação em comento refere se ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade Fl. 6169DF CARF MF 14 correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigia se à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, acima transcrito. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único d art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos da multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos Fl. 6170DF CARF MF Processo nº 13936.000649/200887 Acórdão n.º 2301004.289 S2C3T1 Fl. 6.164 15 em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta fosse sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Fl. 6171DF CARF MF 16 Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinava se a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relaciona s com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art.32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificando as. Nesses casos, concluindo se pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominar lhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verifica se a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº8.212/1991 com a Fl. 6172DF CARF MF Processo nº 13936.000649/200887 Acórdão n.º 2301004.289 S2C3T1 Fl. 6.165 17 instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. DISPOSITIVO Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO para que seja aplicada aos fatos geradores do lançamento, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 até a competência 11/08, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício. É como voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização Voto Vencedor Conselheiro João Bellini Júnior Redator Designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Com todo respeito ao relator, divirjo de suas conclusões quanto à multa, acompanhando suas conclusões nas demais questões. Em casos como esse – em que a legislação foi alterada, com novos cálculos e forma de aplicação de penalidades – o Código Tributário Nacional (CTN), determina que a legislação deve retroagir. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... Fl. 6173DF CARF MF 18 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar, nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Para tanto, devemos comparar as penalidades aplicadas antes da alteração legislativa com a imposta atualmente. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 6174DF CARF MF Processo nº 13936.000649/200887 Acórdão n.º 2301004.289 S2C3T1 Fl. 6.166 19 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Fl. 6175DF CARF MF 20 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Ocorre que o nobre relator não comparou as penalidades, antigas e novas, quando os mesmos fatos jurídicos forem verificados pelo Fisco (falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata). O relator comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. Fl. 6176DF CARF MF Processo nº 13936.000649/200887 Acórdão n.º 2301004.289 S2C3T1 Fl. 6.167 21 O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria verificar as penalidades que o sujeito passivo sofreu na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento). Conseqüentemente, divirjo do relator e voto em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que se verifique, na execução do julgado, para efeitos do Art. 106, do CTN, com a aplicação do cálculo mais benéfico, as penalidades que o sujeito passivo poderia sofrer na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória falta de declaração e nos de declaração inexata e principal), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória falta de declaração e nos de declaração inexata e principal), acompanhando o relator nas demais questões. É como voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Redator ad hoc na data da formalização Fl. 6177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720371/2009-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência. Recurso especial provido em parte.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.720371/2009-28
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5626316
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Aug 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.041
nome_arquivo_s : Decisao_10580720371200928.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10580720371200928_5626316.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6476942
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688012558336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 22 1 21 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.720371/200928 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.041 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente JOAO AUGUSTO ALVES DE OLIVEIRA PINTO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 71 /2 00 9- 28 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720371/200928 Acórdão n.º 9202004.041 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 280DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720371/200928 Acórdão n.º 9202004.041 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 281DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720371/200928 Acórdão n.º 9202004.041 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 282DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720371/200928 Acórdão n.º 9202004.041 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720371/200928 Acórdão n.º 9202004.041 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720371/200928 Acórdão n.º 9202004.041 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 285DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720269/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO CONJUNTO.
Nos casos em que o produto declarado é diverso do produto efetivamente importado, inflige-se apenas a multa por falta de licença de importação, em face da impossibilidade lógica de o contribuinte errar a classificação fiscal de um produto não declarado na DI.
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO RELATIVA NÃO ELIDIDA PELO CONTRIBUINTE.
Existindo plena identidade quanto ao fabricante, denominação, marca e especificação entre as mercadorias declaradas nas DI paradigmas e as mercadorias declaradas nas DI objeto da autuação, aplica-se a presunção relativa de que se tratam de mercadorias idênticas (art. 68 da MP nº 2.158-35/2001, combinado com o art. 30, § 3º, "a" do Decreto nº 70.235/72). Não elidida a presunção relativa por prova inequívoca em contrário, a cargo do contribuinte, mantém-se o lançamento da multa por falta de licença de importação, em face de a mercadoria efetivamente importada ser diversa daquela que foi declarada.
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA DECLARADA DIVERSA DA EFETIVAMENTE IMPORTADA. ÔNUS DA PROVA DO FISCO. IMPORTAÇÕES DE FARINHA DE TRIGO SUPOSTAMENTE DECLARADAS COMO IMPORTAÇÕES DE MISTURA PARA MASSAS.
Tratando-se de processo de determinação e exigência de crédito tributário, cabe ao Fisco o ônus da prova dos fatos constitutivos da pretensão fazendária. Não tendo a fiscalização logrado provar que o produto efetivamente importado pelo contribuinte era diferente do produto declarado nas DI, cancela-se o lançamento da multa por falta de LI em relação às DI nas quais a mercadoria declarada é mistura para massas.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir do lançamento a multa por erro de classificação fiscal (art. 84, I, §§ 1º e 2º da Medida Provisória nº 2.158-35/2001), em relação a todas as DI autuadas neste processo, por impossibilidade lógica de o contribuinte errar a classificação fiscal de uma mercadoria que não foi declarada na DI; e b) excluir do lançamento a multa por falta de LI (art. 169, I, "b", do DL nº 37/66, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78), em relação a todas as DI em que a mercadoria declarada seja mistura ou pré-mistura para massas, em razão de carência probatória da fiscalização. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, quanto à exclusão da multa por erro de classificação fiscal (item "a"). A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões quanto ao item "b". Sustentou pela recorrente o Dr. Sílvio Luiz de Toledo César, OAB/SP 114.703.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201611
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO CONJUNTO. Nos casos em que o produto declarado é diverso do produto efetivamente importado, inflige-se apenas a multa por falta de licença de importação, em face da impossibilidade lógica de o contribuinte errar a classificação fiscal de um produto não declarado na DI. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO RELATIVA NÃO ELIDIDA PELO CONTRIBUINTE. Existindo plena identidade quanto ao fabricante, denominação, marca e especificação entre as mercadorias declaradas nas DI paradigmas e as mercadorias declaradas nas DI objeto da autuação, aplica-se a presunção relativa de que se tratam de mercadorias idênticas (art. 68 da MP nº 2.158-35/2001, combinado com o art. 30, § 3º, "a" do Decreto nº 70.235/72). Não elidida a presunção relativa por prova inequívoca em contrário, a cargo do contribuinte, mantém-se o lançamento da multa por falta de licença de importação, em face de a mercadoria efetivamente importada ser diversa daquela que foi declarada. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA DECLARADA DIVERSA DA EFETIVAMENTE IMPORTADA. ÔNUS DA PROVA DO FISCO. IMPORTAÇÕES DE FARINHA DE TRIGO SUPOSTAMENTE DECLARADAS COMO IMPORTAÇÕES DE MISTURA PARA MASSAS. Tratando-se de processo de determinação e exigência de crédito tributário, cabe ao Fisco o ônus da prova dos fatos constitutivos da pretensão fazendária. Não tendo a fiscalização logrado provar que o produto efetivamente importado pelo contribuinte era diferente do produto declarado nas DI, cancela-se o lançamento da multa por falta de LI em relação às DI nas quais a mercadoria declarada é mistura para massas. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.720269/2007-71
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5669438
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.448
nome_arquivo_s : Decisao_10830720269200771.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10830720269200771_5669438.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir do lançamento a multa por erro de classificação fiscal (art. 84, I, §§ 1º e 2º da Medida Provisória nº 2.158-35/2001), em relação a todas as DI autuadas neste processo, por impossibilidade lógica de o contribuinte errar a classificação fiscal de uma mercadoria que não foi declarada na DI; e b) excluir do lançamento a multa por falta de LI (art. 169, I, "b", do DL nº 37/66, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78), em relação a todas as DI em que a mercadoria declarada seja mistura ou pré-mistura para massas, em razão de carência probatória da fiscalização. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, quanto à exclusão da multa por erro de classificação fiscal (item "a"). A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões quanto ao item "b". Sustentou pela recorrente o Dr. Sílvio Luiz de Toledo César, OAB/SP 114.703. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
id : 6601089
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688017801216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2116; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720269/200771 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.448 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de novembro de 2016 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente PASTIFÍCIO SELMI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO CONJUNTO. Nos casos em que o produto declarado é diverso do produto efetivamente importado, infligese apenas a multa por falta de licença de importação, em face da impossibilidade lógica de o contribuinte errar a classificação fiscal de um produto não declarado na DI. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO RELATIVA NÃO ELIDIDA PELO CONTRIBUINTE. Existindo plena identidade quanto ao fabricante, denominação, marca e especificação entre as mercadorias declaradas nas DI paradigmas e as mercadorias declaradas nas DI objeto da autuação, aplicase a presunção relativa de que se tratam de mercadorias idênticas (art. 68 da MP nº 2.158 35/2001, combinado com o art. 30, § 3º, "a" do Decreto nº 70.235/72). Não elidida a presunção relativa por prova inequívoca em contrário, a cargo do contribuinte, mantémse o lançamento da multa por falta de licença de importação, em face de a mercadoria efetivamente importada ser diversa daquela que foi declarada. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA DECLARADA DIVERSA DA EFETIVAMENTE IMPORTADA. ÔNUS DA PROVA DO FISCO. IMPORTAÇÕES DE FARINHA DE TRIGO SUPOSTAMENTE DECLARADAS COMO IMPORTAÇÕES DE MISTURA PARA MASSAS. Tratandose de processo de determinação e exigência de crédito tributário, cabe ao Fisco o ônus da prova dos fatos constitutivos da pretensão fazendária. Não tendo a fiscalização logrado provar que o produto efetivamente importado pelo contribuinte era diferente do produto declarado nas DI, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 02 69 /2 00 7- 71 Fl. 696DF CARF MF 2 cancelase o lançamento da multa por falta de LI em relação às DI nas quais a mercadoria declarada é mistura para massas. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir do lançamento a multa por erro de classificação fiscal (art. 84, I, §§ 1º e 2º da Medida Provisória nº 2.15835/2001), em relação a todas as DI autuadas neste processo, por impossibilidade lógica de o contribuinte errar a classificação fiscal de uma mercadoria que não foi declarada na DI; e b) excluir do lançamento a multa por falta de LI (art. 169, I, "b", do DL nº 37/66, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78), em relação a todas as DI em que a mercadoria declarada seja mistura ou prémistura para massas, em razão de carência probatória da fiscalização. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, quanto à exclusão da multa por erro de classificação fiscal (item "a"). A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões quanto ao item "b". Sustentou pela recorrente o Dr. Sílvio Luiz de Toledo César, OAB/SP 114.703. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 11/10/2007, lavrado para exigir as multas regulamentares por falta de Licença de Importação e por classificação fiscal incorreta da mercadoria, em relação às importações realizadas entre outubro de 2002 e agosto de 2006. Segundo o termo de constatação fiscal de fls. 92/131, o contribuinte declarou que efetuou importações de "Farinha de trigo durum", indicando o código NCM 1101.0010, mas, segundo a fiscalização, o produto realmente importado foi "Semolina de trigo durum fortificada com ácido fólico e ferro contendo 0,14% de cloreto de sódio", que deve ser classificado no código 1103.1100 da NCM. Para chegar a tal conclusão, a fiscalização do Aeroporto de Viracopos adotou os laudos técnicos solicitados em fiscalização específica para cinco DIs do mesmo contribuinte, realizada pela Alfândega do Porto de Santos. Tendo em vista a existência de plena identidade entre as DI desembaraçadas em Santos e em Campinas quanto ao fabricante, origem, denominação, marca e especificações da mercadoria, a fiscalização do Aeroporto de Viracopos aplicou a presunção relativa estabelecida no art. 68 da Lei nº 10.833/2003, combinado com o art. 30, § 3º, "a" do PAF às 11 DI relacionadas na planilha 1 (fl. 111). Além disso, foram constatadas importações descrevendo o produto " Mistura para massas", indicando o código 1901.2000 da NCM, mas que na verdade, segundo a Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10830.720269/200771 Acórdão n.º 3402003.448 S3C4T2 Fl. 3 3 fiscalização, se tratavam de importações de "Farinha de trigo", classificada no código 1101.0010 da NCM. Para chegar a tal conclusão, a fiscalização do Aeroporto de Viracopos partiu de uma relação de notas fiscais de venda de mercadorias importadas, emitidas pela fiscalizada em relação a importações efetuadas no período de 2002 a 2006, cujo único produto vendido era "Farinha de trigo". A fiscalização intimou a empresa a informar como era aplicada no processo produtivo da empresa o produto "Mistura para massas". A empresa também foi intimada a explicar as razões pelas quais utilizou a classificação NCM 1101.0010, nas importações de matériaprima no período de janeiro a maio de 2002; e depois passou a utilizar a classificação 1901.2000, no período de junho de 2002 a novembro de 2003; voltando a reclassificar sua matériaprima no código 1101.0010 da NCM, a partir de 09/02/2004. A partir das respostas apresentadas, a fiscalização concluiu que "Mistura para massas" era "Farinha de trigo" pelos seguintes motivos: a) no período de 2002 a 2006 o contribuinte declarou que importou "Mistura para massas" e "Farinha de trigo", mas a planilha de venda a terceiros desses produtos revela que ele nunca revendeu a "Mistura para massas"; e b) o tratamento físico para a purificação dos produtos "Mistura para massas" e "Farinha de trigo", antes de serem empregados no processo produtivo, é idêntico para os dois produtos. Diante dos fatos constatados, tendo em vista que o produto efetivamente importado era diferente do declarado, foram aplicadas as multas por importação desamparada de Licença de Importação no valor de 30% do valor aduaneiro (art. 169, I, "b", do DL nº 37/66, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, regulamentado pelo art. 526, II, do RA/85 e pelo art. 633, II, do RA/2002); bem como a multa por classificação fiscal incorreta na DI, estabelecida pelo art. 84, I, §§ 1º e 2º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, no valor de 1% do valor aduaneiro. Em sede de impugnação ao lançamento, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) o fisco aplicou três tipos de multas distintas e cumulativas sobre um único fato, que é a dúvida acerca da classificação fiscal dos produtos; b) que as prémisturas para massas eram realmente prémisturas e foram corretamente classificadas, conforme laudo técnico que teria sido obtido junto à UNICAMP durante o processo de fiscalização; c) o mesmo aconteceu com a Farinha de Trigo Durum, que também foi corretamente descrita e classificada nas DI; d) que deve ser aplicado o benefício da dúvida, pois ora a fiscalização enquadra os bens importados na NCM 1101.0010 e ora na NCM 1103.1100; e) que adotou a mesma classificação preconizada pelos fornecedores no estrangeiro; f) não cabimento da multa por falta de LI, em virtude de a mercadoria ter sido corretamente descrita; g) não cabimento da multa por erro de classificação fiscal, pois tal erro não ocorreu. Além disso, seria incabível acumular essa multa com a multa por falta de LI. Alegou a existência de erro na quantificação da multa, pois o valor mínimo de R$ 500,00 não poderia ter sido aplicado individualmente para cada uma das DI. Por meio do Acórdão nº 1747.524, de 13/01/2011, a 2ª Turma da DRJ São Paulo 2, julgou a impugnação improcedente. Relativamente às importações de "Farinha de Trigo Durum", ficou decido que as mercadorias possuem a mesma descrição das importações realizadas pelo Porto de Santos, que indicam semolina de trigo fortificada e enriquecida com granulometria menor do que 1,25 mm. Sendo assim, deve ser aplicado ao caso o art. 68 da Lei nº 10.833/2003 e o art. 30, § 3º, "a", do PAF, presumindose que são produtos idênticos. Tratandose de sêmola, o produto encontra abrigo na posição 1103. Sendo de trigo, enquadra se no item 1103.1100 da NCM. No que concerne à "Mistura para massas", o colegiado de origem entendeu que tais produtos não se enquadram na posição 1901, pois não constituem uma preparação composta de farinhas às quais são agregados outros elementos. O colegiado entendeu que as informações prestadas pela empresa à fiscalização foram contraditórias, pois Fl. 698DF CARF MF 4 uma "mistura para massas" não pode por meros processos de purificação e higienização se transformar em farinha pura e simples. Concluiu o colegiado pela razoabilidade da tese fiscal, chancelando o enquadrando o produto no código NCM 1101.0010. As conclusões do laudo apresentado pelo contribuinte quanto a este item da autuação não foram aceitas, pois o perito se baseou em uma definição de prémistura estranha à definição de prémistura contida nas NESH. Ficou decidido que não houve dúvida alguma da fiscalização quanto à classificação fiscal dos produtos, pois foram constatadas duas irregularidades distintas e inconfundíveis entre si. Concluiu a DRJ que nos dois casos as mercadorias foram incorretamente descritas e incorretamente classificadas; que nos dois casos não estavam sujeitas a licenciamento automático, o que justifica a aplicação das duas multas. No que concerne à cumulatividade, decidiu o colegiado que as duas multas possuem fatos geradores distintos e podem ser aplicadas simultaneamente. No que concerne à quantificação da multa do art. 84, § 1º, da MP 2.15835/2001, restou decidido que o valor de R$ 500,00 é um limite mínimo por mercadoria importada, não um limite máximo, e que deve ser aplicada a cada mercadoria importada, inexistindo o alegado erro de quantificação. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 28/01/2011 (fl.382), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/02/2011 (fl. 383) reafirmando as alegações de impugnação e contestando pontos específicos do acórdão recorrido. Por meio da Resolução 3202000.260 (fls. 406/415), o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem para que autoridade administrativa (fl. 415): "(...) Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10830.720269/200771 Acórdão n.º 3402003.448 S3C4T2 Fl. 4 5 (...)" Os autos retornaram com os documentos de fls. 418/695. Tendo em vista que com a reestruturação do CARF no ano de 2015 a ilustre relatora originária, Conselheira Tatiana Midori Migiyama, passou a exercer mandato na Câmara Superior de Recursos Fiscais, os autos foram incluídos em lote de sorteio, tendo sido contemplado este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O juízo de admissibilidade do recurso voluntário já foi efetuado pela antiga Turma 3202, por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Portanto, tratase de dar seguimento ao julgamento iniciado na assentada do dia 23/07/2014. Conforme relatado, são duas acusações que pesam contra o contribuinte: 1) ter efetivamente importado "Semolina de trigo durum fortificada com ácido fólico e ferro" da posição 1103, mas ter descrito que se tratava de "Farinha de trigo durum" da posição 1101; e 2) ter efetivamente importado "Farinha de trigo" da posição 1101, mas ter descrito que se tratava de "Misturas para massas", da posição 1901. Com base nessas imputações, a fiscalização infligiu a multa estabelecida no art. 169, I, "b" do DL nº 37/66, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, correspondente a 30% do valor aduaneiro da mercadoria, por importação desamparada de Licença de Importação, e também a multa do art. 84 da MP nº 2.15835/2001, por erro na classificação fiscal indicada na DI, no valor de 1% do valor aduaneiro. Pois bem. Conforme restou decidido no Acórdão nº 3403003.511, de 29 de janeiro de 2015, é impossível aplicar essas duas multas de forma conjunta, nos casos em que o produto importado é diferente do declarado. Isso porque a acusação de que o contribuinte importou uma mercadoria em lugar de outra, exclui, por uma questão de lógica a possibilidade de acusálo de ter cometido erro de classificação fiscal na DI. Fl. 700DF CARF MF 6 Com efeito, o art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835 dispõe o seguinte, in verbis: Art.84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Iclassificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas Nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §§ 1º e 2º omissis... A disposição literal da lei se refere à "classificação incorreta" da mercadoria. Ora, a classificação incorreta da mercadoria pressupõe a identificação precisa da mercadoria, ausência de controvérsia sobre a natureza da mercadoria a ser classificada. Em outras palavras, não pode existir dúvida alguma sobre o que é a mercadoria a ser classificada. A mercadoria está definida, é aquela que consta da declaração, mas o contribuinte por algum motivo, inadvertidamente ou propositalmente não importa errou a indicação do código de classificação fiscal nas DI. Não é isso que foi relatado pela fiscalização neste caso concreto. Na primeira infração a fiscalização, com todas as letras, acusou o contribuinte de ter importado "Semolina de trigo durum fortificada com ácido fólico e ferro" da posição 1103, mas ter descrito que se tratava de "Farinha de trigo durum" da posição 1101. Na segunda infração a fiscalização, com todas as letras, acusou o contribuinte de ter importado "Farinha de trigo" da posição 1101, mas ter descrito que se tratava de "Misturas para massas", da posição 1901. O art. 84, I da Medida Provisória 2.15835/2001, não autoriza a aplicação da multa em razão de erro cometido na indicação do produto, apenas por erro na classificação fiscal e erro na quantificação do produto. Por este singelo motivo, a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, infligida com base no art. 84, I da MP 2.15835/2001 deve ser cancelada de plano, não com base nas justificativas apresentadas pela defesa em sede de recurso, mas com base na inexistência do pressuposto de fato para a sua inflição no caso concreto. Observem senhores conselheiros, que o cancelamento ora efetuado não está sendo lastreado no princípio da consunção, mas sim em razão de uma impossibilidade lógica de o contribuinte errar a classificação fiscal de um produto que não está declarado na DI. O produto importado efetivamente é diferente do produto informado na DI, então o contribuinte não cometeu erro de classificação fiscal em relação ao produto efetivamente importado, pois o código fiscal indicado na DI se referia ao produto declarado. Ele importou produto diferente do descrito na DI e, sendo assim, ele apenas descreveu um produto diferente daquele que foi realmente importado. E tal conduta tipifica apenas e tão somente a infração prevista no art. 169, I, "b" do DL nº 37/66, in verbis: Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações:(Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10830.720269/200771 Acórdão n.º 3402003.448 S3C4T2 Fl. 5 7 I importar mercadorias do exterior:(Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) a) omissis... b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais:(Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Portanto, firme quanto à impossibilidade lógica de classificar incorretamente uma mercadoria que não foi declarada (pois a classificação fiscal da mercadoria declarada não foi questionada pelo fisco), meu voto é no sentido de exonerar o contribuinte da multa de 1% do valor aduaneiro em relação a todas as DI autuadas neste processo. No que concerne à primeira irregularidade, a controvérsia reside na natureza da mercadoria importada e não na sua classificação fiscal propriamente dita: o contribuinte alegou que importou farinha e o fisco alegou que se tratava de sêmola. Para sustentar que se tratava de sêmola e não de farinha, o fisco se valeu de laudos técnicos elaborados a pedido da Alfândega do Porto de Santos e da presunção relativa estabelecida no art. 68 da Lei nº 10.833/2003 combinado com o art. 30, § 3º, "a" do PAF, que dispõem o seguinte, respectivamente: Art. 68. As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Parágrafo único. Para efeito do disposto no caput, a identificação das mercadorias poderá ser realizada no curso do despacho aduaneiro ou em outro momento, com base em informações coligidas em documentos, obtidos inclusive junto a clientes ou a fornecedores, ou no processo produtivo em que tenham sido ou venham a ser utilizadas. ..... Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. §§ 1° e 2º omissis... § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) Fl. 702DF CARF MF 8 a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Os laudos técnicos elaborados pela Alfândega do Porto de Santos foram acostados durante a realização da diligência solicitada pela Turma 3202 e encontramse às fls. 644 a 663 do processo digital. Os pedidos de exames laboratoriais de fls. 647, 651, 655, 659 e 663 revelam que as amostras foram coletadas com a participação de preposto do contribuinte, o Ajudante de Despachante Aduaneiro, Sr. Marcos Eriovaldo de Assis, e de Amostrador oficial do Laboratório de Análises Falcão Bauer, o que garante que as amostras retiradas se referiam às cinco declarações de importação em nome do contribuinte que foram desembaraçadas naquela repartição aduaneira. Nos referidos laudos, ficou constatado, em síntese, que as referidas amostras não eram farinha de trigo e nem farinha de trigo durum, mas sim semolina de trigo durum fortificada com ácido fólico e ferro, contendo uma quantidade ínfima de cloreto de sódio, que variou em função da amostra. Tendo em vista que existe plena identidade quanto às descrições das mercadorias nas DI desembaraçadas em Santos e em Campinas, assim como perfeita identidade quanto ao fabricante, marca, denominação, origem e especificação da mercadoria, a presunção legal autoriza a conclusão de que as "farinhas" desembaraçadas em Viracopos não eram "farinhas" da posição 1101, mas sim "sêmolas de trigo" da posição 1103, tal como ocorreu no caso das cinco declarações desembaraçadas em Santos. Entretanto, tratase de uma presunção relativa, que pode ser afastada mediante prova em contrário produzida pelo contribuinte. E o fato probando que se provado afasta a presunção do fisco é o seguinte: as "farinhas" informadas nas DI de Viracopos eram realmente "farinhas" da posição 1101 e não "sêmolas de trigo" da posição 1103. Foi com a intenção de aferir a verdade real que a ilustre relatora originária deste processo, Conselheira Tatiana Migiyama, converteu o julgamento em diligência, a fim de possibilitar à defesa a oportunidade de demonstrar que a "farinha" era realmente "farinha" e não "sêmola". Apenas a título de esclarecimento aos senhores conselheiros, os produtos de trigo classificáveis no Capítulo 11 da Nomenclatura devem possuir um teor de amido superior a 45% e um teor de cinzas inferior a 2,5%, em peso, relativamente ao produto seco (Nota 2 do Capitulo 11). Já para ser enquadrado como "farinha" ou como "sêmola", uma vez obedecido os parâmetros quanto ao teor de amido e de cinzas, deve ser estabelecida a porcentagem em peso do produto que passa pela malha de uma determinada peneira. Se 80% em peso do produto de trigo passar por uma peneira cuja abertura da malha corresponda a 315 mícrons, ele será enquadrado como farinha da posição 1101 (Conf. Nota 2, letra "b" do Capítulo 11 da NCM). E se 95% em peso do produto de trigo passar por uma peneira cuja abertura da malha for de 1,25 mm, o produto será enquadrado na posição 1103 como "sêmola" (conf. Nota 3, letra "b", do Capítulo 11). Percebese que a "farinha" é muito mais fina do que a "sêmola". Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10830.720269/200771 Acórdão n.º 3402003.448 S3C4T2 Fl. 6 9 Embora a defesa tenha providenciado laudos técnicos confeccionados pela Faculdade de Engenharia de Alimentos da UNICAMP, com a observância dos parâmetros determinados pela NCM, e também pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos de Campinas, verificase que, ao contrário dos laudos elaborados a pedido da Alfândega de Santos, nos laudos apresentados pela recorrente não foram tomadas precauções no sentido de se comprovar que as amostras colhidas eram relativas a produtos importados pelo contribuinte e provenientes dos mesmos fornecedores especificados nas DI autuadas. Em seu recurso voluntário o contribuinte informou que 85% da matéria prima empregada na sua produção é adquirida no mercado interno, conforme consta do seguinte excerto extraído da fl. 386: "(...) (...)" Em razão disso, na Resolução que converteu o julgamento em diligência a Conselheira Tatiana Migiyama deixou bem clara a exigência de que as amostras deveriam ser semelhantes à mercadoria importada à época do mesmo exportador (fl. 415): "(...) (...)" Tendo em vista que a empresa não tomou nenhuma providência no sentido de assegurar que as amostras submetidas à análise eram de produto importado e não de produto nacional e nem que tais amostras se referiam a produtos importados dos mesmos importadores identificados nas DI autuadas, não há como acolher os aspectos técnicos dos resultados de tais laudos. Sendo assim, mantémse hígida a presunção estabelecida pelo art. 68 da Lei nº 10.833/2003 combinado com o art. 30, § 3º, "a", do Decreto nº 70.235/72, no sentido de que as mercadorias efetivamente importadas por meio das DI discriminadas na tabela de fl. 111 do termo de constatação eram "sêmolas de trigo" da posição 1103 e não "farinhas" da posição 1101. Fl. 704DF CARF MF 10 Considerando que a mercadoria importada é diferente da informada nas DI, obviamente que ocorreram importações de "sêmola de trigo" sem o necessário licenciamento, fato que rende ensejo à inflição da multa equivalente a 30% do valor aduaneiro, tal como estabelecido no art. 169, I, "b", do DL nº 37/66, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78. Em sede de recuso o contribuinte alegou que houve contradição da fiscalização ao enquadrar o mesmo produto ora na posição 1101 e ora na 1103; que adotou a mesma classificação fiscal informada pelos fornecedores estrangeiros; que agiu de boafé e que o eventual erro cometido não casou nenhum prejuízo ao fisco; e que a jurisprudência do CARF afasta a aplicação da multa por falta de LI. Todas essas alegações são improcedentes e insuficientes para modificar o lançamento da multa por falta de licenciamento das importações em relação às 11 DI citadas no demonstrativo de fl. 111. Vejamos. Não houve nenhuma contradição ou insegurança da fiscalização ao enquadrar a "sêmola de trigo" na posição 1103. O que houve foi que a fiscalização ao fazer a classificação do produto a partir do item 4.1 do termo de constatação (fl. 118) utilizou a mesma denominação atribuída pelo contribuinte ao produto (Farinha de Trigo Durum), mas se valeu dos aspectos técnicos estabelecidos nos laudos emitidos pelo Laboratório Falcão Bauer, que consideraram que a "farinha" não era "farinha", mas sim "sêmola". O único problema foi a terminologia empregada pelo fisco, pois o contexto do termo de verificação deixou bem claro que o produto efetivamente importado se tratava de "sêmola de trigo" classificado no código 1103.1100. Está bem claro que o Fisco não classificou "farinha" na posição de "sêmola". O produto efetivamente importado foi "sêmola" e a "sêmola" foi classificada na posição da Nomenclatura reservada para "sêmola". Também não elide a autuação o fato de o contribuinte ter adotado a classificação fiscal preconizada pelo exportador no estrangeiro, pois à luz dos Laudos Técnicos emitidos pelo Laboratório Falcão Bauer, a "farinha" classificada pelo exportador na posição 1101 não era farinha, mas sim "sêmola de trigo" da posição 1103. A boafé do contribuinte e a ausência de prejuízo ao fisco também não afastam a multa por falta de Licença de Importação. A pesquisa do elemento subjetivo é irrelevante para determinar ou não a inflição da multa do art. 169, I, "b" do DL nº 37/66. Já quanto à inexistência de prejuízo, a alegação do contribuinte não pode ser aceita porque a fiscalização fundamentou a multa na alínea "b" do dispositivo legal, justamente porque não houve falta de recolhimento dos tributos na importação. Se tivesse havido falta de recolhimento de tributos a multa seria muito mais gravosa, no patamar de 100% do valor da mercadoria, como determina o art. 169, I, "a" do DL nº 37/66. No que concerne à jurisprudência do CARF, nenhum dos julgados transcritos no recurso apresenta a mesma situação fática evidenciada nestes autos. Na jurisprudência transcrita pelo contribuinte na peça de defesa, as dispensas da multa ocorreram porque as omissões nas descrições da mercadoria eram tão irrelevantes, que a fiscalização conseguiu identificálas e estabelecer a sua correta classificação fiscal sem maiores dificuldades. Já no caso deste processo a situação fática é totalmente distinta, pois foi necessário que a repartição aduaneira realizasse uma perícia no produto para poder identificálo com precisão e estabelecer a classificação fiscal correta. Por seu turno, na manifestação em relação à diligência, a defesa procurou desqualificar os laudos do Laboratório Falcão Bauer, pois no seu entender constituem prova Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10830.720269/200771 Acórdão n.º 3402003.448 S3C4T2 Fl. 7 11 emprestada e não podem ser utilizados para atestar as especificações dos produtos importados por meio das DI desembaraçadas em Viracopos. Tal alegação é improcedente, pois a presunção legal acima referida autoriza o procedimento da fiscalização e legitima o uso da prova emprestada quando se trata do mesmo contribuinte e existe identidade entre os elementos das DI paradigma e das DI objeto do lançamento. Outra tentativa de a defesa desqualificar a perícia do Laboratório Falcão Bauer e enfraquecer a presunção foi a alegação de que o fornecedor P & H Milling Group, anteriormente conhecido como Ellison Milling Company, atestou que não adiciona e que no passado nunca adicionou cloreto de sódio em seus produtos de flúor ou semolina. Sendo assim, no entender da defesa, a presunção do art. 68 da Lei nº 10.833/2003 não poderia ser utilizada, pois existe prova que contraria as constatações do Laboratório Falcão Bauer, no sentido de que os produtos periciados conteriam sal. A alegação não desqualifica os Laudos do Laboratório Falcão Bauer, pois do fato de o fabricante não adicionar sal aos produtos de semolina, não significa que esses produtos deveriam estar livres de sal, uma vez que foram enriquecidos com Ácido Fólico e Ferro que poderiam conter algum vestígio de sal. O laudo do Laboratório Falcão Bauer atestou para a amostra relativa ao fornecedor Ellison Milling Company (fl. 657) a presença de uma quantidade ínfima de sal (0,09% em peso), que poderia estar contida no Ácido Fólico ou no Ferro utilizados para o enriquecimento da sêmola ou ser proveniente de alguma contaminação involuntária. Nessa linha, a informação prestada pelo citado fornecedor (fls. 642/643), no sentido da não adição de sal à sêmola, está conforme ao que foi constatado pelo laudo do Laboratório Falcão Bauer, pois a ínfima quantidade de sal encontrada na amostra (menor do que um décimo por cento) confirma que não houve adição voluntária de sal. O sal está presente em uma quantidade insignificante na amostra e o laudo não diz que ele foi adicionado intencionalmente. Portanto, permanece hígida a presunção relativa utilizada pela fiscalização, ficando mantida a multa do art. 169, I, "b" do DL nº 37/66, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562/78, lançada em relação às DI identificadas na tabela de fl. 111 do termo de constatação. Relativamente à segunda irregularidade, a acusação da fiscalização foi no sentido de que o contribuinte importou efetivamente "Farinha de trigo" da posição 1101, mas informou nas DI que estava importando "Mistura para massas", indicando o código 1901.2000 da NCM. Mais uma vez o problema não reside em determinar a correta classificação fiscal do produto, mas sim de se identificar qual foi o produto importado efetivamente. Se na primeira irregularidade a presunção relativa foi mantida porque o contribuinte não conseguiu provar que a "farinha" era "farinha" e não "sêmola", agora, na segunda irregularidade, foi o fisco que não conseguiu provar que "Mistura para massas" era "farinha". Fl. 706DF CARF MF 12 Sempre é bom ter em mente que nos processos de determinação e exigência de créditos tributários, o ônus da prova dos fatos constitutivos da pretensão fiscal, via de regra, é do Fisco, pois ele é o titular da iniciativa do processo e da acusação, a teor do que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72. As exceções à regra ficam por conta das presunções relativas, como aconteceu na primeira irregularidade. Na primeira irregularidade, o fisco aplicou com sucesso uma presunção relativa e inverteu o ônus da prova, passando o contribuinte a ter a incumbência de provar que não se tratava de "sêmola", mas sim de "farinha". Agora, na segunda irregularidade a situação do contribuinte é mais cômoda, pois cabe ao fisco provar que o contribuinte não importou "Mistura para massa" , mas sim "farinha". O fato probando que se provado legitima a inflição da multa por falta de LI é o seguinte: a "Mistura para massas" informada nas DI não era "Mistura para massas", mas sim "Farinha de trigo". Essa acusação não foi lastreada em nenhum laudo técnico específico para este processo ou emprestado de outros processos do mesmo contribuinte. A tese do fisco foi construída a partir de respostas prestadas pelo contribuinte a três intimações formuladas e com base em uma mensagem da Sra. Chefe da DIANA da 8ª RF dando conta de que os contribuintes do setor estavam fraudando as importações, declarando que importavam "Mistura para massas" quando na realidade estavam importando "Farinha de trigo". Segundo o termo de constatação, os meios de comunicação teriam noticiado à época que essa fraude seria motivada pelo fato da farinha de trigo da Argentina ser tributada em 20%, enquanto que a prémistura para massas seria tributada apenas com 5% (fls. 92 e 93 do termo de constatação). O raciocínio entabulado pela fiscalização está assentado em premissas extraídas da seguinte sequência de intimações e respectivas respostas (fls. 116/118): a) Em resposta à primeira intimação, o contribuinte apresentou planilha em meio ótico (fl. 179) em que informa todas as notas fiscais de saída para os clientes da empresa relativamente às operações de importação acobertadas pelas Declarações de Importação do período de 2002 a 2006. Em todas essas vendas a descrição da mercadoria seria "Farinha de trigo" e nunca "Mistura para massas"; b) Em resposta a um segundo termo de intimação, o contribuinte explicou o modo pelo qual a "Mistura para massas" foi utilizada no processo produtivo. Tendo em vista a resposta do contribuinte, a fiscalização entendeu que a tanto a "Mistura para massas" quanto a "Farinha de trigo" passam pelo mesmo processo de verificação física e de purificação antes de serem empregadas como matériaprima pelo contribuinte; e c) Em um terceiro termo de intimação a fiscalização pediu para o contribuinte explicar o motivo pelo qual utilizou a classificação fiscal 1101.0010 nas importações do período de 03/01/2002 a 31/05/2002, depois passou a utilizar a classificação 1901.20.00 no período de 05/06/2002 a 12/11/2003 e, posteriormente, voltou a utilizar a classificação 1101.0010, a partir de 09/02/2004. O contribuinte respondeu que a classificação mudou, porque os produtos importados eram diferentes. A partir desse quadro a fiscalização formulou o seguinte raciocínio: Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10830.720269/200771 Acórdão n.º 3402003.448 S3C4T2 Fl. 8 13 a) existe constatação oficial de que vários contribuintes do setor haviam fraudado as importações declarando que importavam "Mistura para massas", quando na realidade importavam "Farinha de trigo" e o contribuinte ora fiscalizado atua nesse setor e alterou a classificação fiscal nas DI no referido período; b) no período de 2002 a 2006 o contribuinte declarou a importação dos dois produtos, mas na planilha em meio ótico de fl. 179, só existem vendas a terceiros de farinha de trigo e nunca de mistura para massas; e c) o tratamento de purificação sofrido pela "Mistura para massas" e pela "Farinha de trigo" antes de serem empregadas no processo produtivo da empresa era o mesmo; Conclusão: a "Mistura para massas" não era "Mistura para massas", mas sim "Farinha de trigo". Com o devido respeito, o raciocínio entabulado pela fiscalização é inválido para sustentar a conclusão de que o contribuinte importou "Farinha de trigo" e declarou "Mistura para massas", em razão da falta de comprovação veracidade de algumas das proposições do antecedente. Em primeiro lugar, o termo de verificação faz referência a uma fraude generalizada nas importações porque a alíquota da farinha seria de 20% e a da mistura para massas seria de 5%. Então seria compensador informar na DI que estava sendo importada "Mistura para massas" e de fato trazer "Farinha de trigo". Acontece, que o fundamento da multa por falta de LI foi o art 169, I, "b", do DL nº 37/66, que revela a inexistência de supressão de tributos aduaneiros, pois se isso tivesse ocorrido o fundamento da referida multa teria sido o art. 169, I, "a" do DL nº 37/66, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562/78. Essa constatação já revela a falta de interesse do contribuinte fraudar as importações, pois a suposta fraude não lhe teria resultado nenhuma economia de tributos nas referidas importações, já que no enquadramento legal da própria multa por falta de LI o fisco assume que não houve redução de tributos. Outro problema: do fato de vários contribuintes do setor terem fraudado as importações, não decorre logicamente a conclusão de que o contribuinte ora autuado também tenha fraudado, pois ele pode realmente ter parado de importar farinha e iniciado a importação de prémistura porque a alíquota da mistura era menor. Não existe nenhuma prova no processo de que ele trouxe efetivamente farinha declarando que se tratava de mistura. Outra proposição do fisco para sustentar a acusação foi que o contribuinte forneceu uma planilha em meio ótico (fl. 116 do TVF) contendo as notas fiscais de saída para os clientes da empresa, relativamente às operações de importação acobertadas pelas DI do período de 2002 a 2006. Segundo a fiscalização, essa planilha em meio ótico estaria na fl. 179 do processo. Consultando a referida folha, encontrase o seguinte: Fl. 708DF CARF MF 14 Essa planilha pode estar no CD em poder do SECAT/VCP, no processo de papel. Mas houve determinação da Administração Tributária para que todos os processos em papel fossem digitalizados e passassem a tramitar pelo eprocesso. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10830.720269/200771 Acórdão n.º 3402003.448 S3C4T2 Fl. 9 15 Tendo em vista que a planilha mencionada pela fiscalização não está no processo digitalizado, devese aplicar o velho brocardo do Direito Romano: "quod non est in actis non est in mundo". A prova do fato alegado como premissa do argumento da fiscalização estava nas mãos da repartição e ela não foi carreada ao processo, como determina o art. 9º do Decreto nº 70.235/72: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Sem essa planilha, não há como o colegiado aferir a validade da seguinte afirmação contida no termo de verificação (fl. 109): Mas ainda que essa planilha estivesse no processo, e que realmente o contribuinte só tenha revendido farinha de trigo, o raciocínio da fiscalização é insustentável. Isso porque do fato de o contribuinte ter declarado que no período de 2002 a 2006 importou "Farinha" e "Mistura para massas" e de ter revendido a terceiros apenas "Farinha", não decorre logicamente a conclusão de que ele só importou "Farinha". O contribuinte pode muito bem ter revendido apenas farinha e ter importado os dois produtos. Pode ter havido interesse do contribuinte em revender a farinha e de aplicar a mistura para massas em seu processo produtivo. Essa é uma possibilidade totalmente plausível no mundo real. Portanto, a ausência de revenda de mistura para massas, não confirma a alegação da fiscalização de que o contribuinte só importou farinha, ou que a mistura para massas era farinha. Por fim, também não existe nada de estranho no fato de a "Mistura para massas" sofrer o mesmo processo de verificação física e de purificação pelo qual passa a "Farinha", pois a constituição física desses produtos são bem semelhantes. Tanto a farinha, quanto a mistura para massas possuem o aspecto físico de um pó, e sendo assim é natural que sejam submetidos a campos magnéticos e peneiras para serem purificados antes de serem aplicados como matériasprimas pelo contribuinte. Assim, do fato de ambos passarem pelo mesmo processo de purificação antes de serem empregados no processo produtivo do contribuinte, também não decorre logicamente a conclusão de que não houve importação de "Misturas para massas". Concluindo: a acusação de que o contribuinte importou "Farinha de trigo" e declarou que se tratava de "Mistura para massas" não foi provada pela fiscalização. Fl. 710DF CARF MF 16 Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso do contribuinte para: a) excluir do lançamento a multa por erro de classificação fiscal (art. 84, I, §§ 1º e 2º da Medida Provisória nº 2.15835/2001), em relação a todas as DI autuadas neste processo, por impossibilidade lógica de o contribuinte errar a classificação fiscal de uma mercadoria que não foi declarada na DI; e b) excluir do lançamento a multa por falta de LI (art. 169, I, "b", do DL nº 37/66, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78), em relação a todas as DI em que a mercadoria declarada seja mistura ou prémistura para massas, em razão de carência probatória da fiscalização. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 711DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000632/2004-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA MULTA ISOLADA.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430/96, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
Numero da decisão: 1201-001.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Ronaldo Apelbaum e Eva Maria Los.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA MULTA ISOLADA. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430/96, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10680.000632/2004-57
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5642888
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Oct 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.504
nome_arquivo_s : Decisao_10680000632200457.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10680000632200457_5642888.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (documento assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Ronaldo Apelbaum e Eva Maria Los.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6509092
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688035627008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1861; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 437 1 436 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.000632/200457 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.504 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2016 Matéria Auto de Infração Recorrente LIONE COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA MULTA ISOLADA. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430/96, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Ronaldo Apelbaum e Eva Maria Los. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 06 32 /2 00 4- 57 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 05.876, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte MG. Conforme relato sumário extraído da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, a autoridade tributária acusa a contribuinte em epígrafe haver cometido as seguintes infrações á legislação da CSLL no anocalendário de 1998: a) falta de pagamento da CSLL incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, em decorrência de omissões de receitas, no período de janeiro a outubro de 1998, caracterizadas pela falta de contabilização de receitas de vendas, constatadas pelo confronto entre as vendas reais apuradas nos boletins de caixa da loja, retidos por ocasião do cumprimento dos mandados Judiciais de Busca e Apreensão números 018/2002 e 019/2002, da 4a. Vara Federal/MG, e os valores escriturados/declarados pelo contribuinte na DIRPJ/1998; b) considerando as receitas omitidas, apurouse os valores reais devidos da CSLL com base na estimativa mensal e como o contribuinte havia apurado base de cálculo negativa da CSLL em todos seus balanços/balancetes de suspensão/redução, conforme DIRPJ/98, não recolhendo ou declarando nenhum valor a título de CSLL estimada, configurou se a infração de falta de recolhimento da CSLL estimada, nos meses de janeiro a outubro de 1998, sendolhe imputado a multa isolada de 150% sobre a falta de recolhimento apurada, tudo conforme artigos 28, 30, 43, 44, inciso II e §1º, IV da Lei 9.430/96 e artigo 24, §2º, da Lei 9.249/95; c) o lançamento é efetuado com a cominação de multa qualificada, em virtude do evidente intuito de fraude, caracterizado pela intenção do contribuinte em furtarse ao pagamento ou em reduzir o montante dos tributos e contribuições devidos em decorrência da não emissão de documento fiscal obrigatório (nota ou cupom fiscal) de todas as vendas, conforme verificado pelo exame dos documentos e do material de informática apreendidos, bem como pela falta de contabilização e declaração das respectivas receitas. As infrações apontadas acima estão minuciosamente relatadas no Termo de Verificação de Infração deste processo. Inconformada com a autuação a interessada propôs impugnação ao lançamento onde contesta a exigência da multa isolada aplicada em decorrência da falta de recolhimento da contribuição social sobre a base estimada. Examinada as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 Ementa: Decadência. Lançamento p/ Homologação. Norma Geral Não estando satisfeitas as condições para o lançamento por homologação, para fins de contagem do prazo decadencial, aplicase a regra geral, segundo a qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese cinco anos Fl. 438DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES Processo nº 10680.000632/200457 Acórdão n.º 1201001.504 S1C2T1 Fl. 438 3 contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Decadência — CSLL O prazo decadencial, no que se refere à Contribuição Social, é de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Responsabilidade Tributária por Sucessão. A empresa sucessora (incorporadora) responde por todos os tributos e demais penalidades devidas pela sucedida alcançando todos os fatos jurídicos tributários (fato gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 1998 Ementa: Multa Isolada. No caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento da CSLL, determinada sobre a base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado, no anocalendário correspondente, base de cálculo negativa, será aplicada a multa isolada de acordo com determinações legais. Multa Qualificada. Declarando a menor seus rendimentos, o contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Esta prática sistemática, adotada durante anos consecutivos, caracteriza a conduta dolosa. Tal situação fática se subsume perfeitamente aos tipos previstos nos arts. 71, inciso I, e 72 da Lei n.° 4.502, de 1964. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário onde alega, em síntese: PRELIMINARES 1. Da nulidade do auto de infração. A preterição ao direito de defesa é inequívoca e deriva da não observância ao devido processo legal previsto no Decreto 70.235/72. De fato, a lavratura do auto ao arrepio de expressa determinação contida no art. 9º, §1° da norma em comento, que rege o procedimento administrativo fiscal, configura violação ao devido processo legal e, desta forma, preterição ao direito de defesa, causando nulidade do auto com fundamento no art. 59, inciso II do Decreto 70.235/72. 2. Da Decadência. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES 4 Sustenta a r. decisão recorrida que à hipótese dos autos aplicase a regra do art. 173, inciso I do CTN, por considerar que não tendo havido recolhimento pelo contribuinte a título de antecipação não há que considerar a sistemática imposta pelo art. 150, §4° do mesmo diploma. Os argumentos invocados pela autoridade julgadora, no entanto, não são acolhidos pela jurisprudência do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica nos julgados que traz a colação. A r. decisão recorrida afirma, ainda, que no caso específico das contribuições sociais que compõem a Seguridade Social (dentre elas CSLL, PIS e COFINS) o prazo de decadência para lançar os tributos encontrase previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, que é norma especifica sobre a matéria. Entretanto, a CF/88 estabelece em seu art. 146, inciso III, alínea b, que compete à lei complementar estabelecer normas gerais sobre decadência, entre outras, sendo, como é cediço, o CTN a norma encarregada de tal função. Observese que diante da natureza tributária das contribuições sociais é aplicável ao caso em tela o disposto no artigo 150, § 4.°, do Código Tributário Nacional e não o artigo 45 da Lei n.° 8.212, de 1991, o qual não produz efeitos já que trata de matéria não afeta a Lei Ordinária. Neste sentido é a jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Adotando as mesmas razões, a 1ª Seção do Colendo Superior Tribunal de Justiça afastou a aplicação do artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Evidencia que a exceção para o cômputo do prazo decadencial dáse nos casos de fraude, sonegação, ou seja, dolo no descumprimento das obrigações tributárias. No caso é inequívoca a ausência de hipótese fraude a permitir a aplicação da multa qualificada e a regra prevista no art. 173, inciso I do CTN. MÉRITO 1 Multa isolada inaplicabilidade: A multa isolada aplicada nos presentes autos, deriva de um suposto não recolhimento estimado de CSLL que teria ocorrido em razão da omissão de receitas caracterizada nos autos de outro processo principal. Naquele foi aplicada multa de ofício com fundamento no art. 44, inciso II da Lei 9.430/96, entendendo a fiscalização ter sido verificada a hipótese de fraude. No caso, contudo, não se cogita apenas de não aplicação do agravamento da multa, mas sim de impossibilidade de aplicação da multa isolada, sob pena de restar configurada uma dupla penalidade para uma mesma infração tributária. De fato, nos autos do processo principal já foi aplicada multa de oficio de 150% sobre a omissão de receitas identificada, de forma que uma nova aplicação de multa no mesmo percentual, sem sombra de dúvidas implicará uma dupla penalização, não aceita pelo Conselho de Contribuintes. Os fatos que deram origem àquela autuação e a esta são os mesmos, o próprio Fiscal ressalta este ponto no auto de infração indicando que a multa isolada está a ser aplicada em decorrência da omissão de receitas constatada no processo principal. Pois bem, um mesmo fato não pode dar origem a dupla penalização, sob pena de infringência ao art. 44 da Lei 9.430/96. Neste sentido, traz a colação diversas ementas do antigo Conselho de Contribuintes Fl. 440DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES Processo nº 10680.000632/200457 Acórdão n.º 1201001.504 S1C2T1 Fl. 439 5 no sentido da impossibilidade de aplicação de multa isolada por falta de recolhimento da CSLL devida por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização após o encerramento do ano calendário. 2 Da qualificação da multa: Da Adesão ao PAES: Inicialmente, merece registro o fato de que não há que se falar em imposição de penalidade, eis que o trabalho fiscal foi concluído após a adesão da Recorrente ao PAES, ou seja, quando da apresentação de seus débitos relativos a período de ação fiscal ainda não concluída, pelo que não havia qualquer exigência legal a respaldar a aplicação ou mesmo a inclusão de penalidade. Ora, o raciocínio é lógico, os débitos somente agora apurados pela r. Fiscalização já encontravamse confessados e parcelados pela Recorrente, pelo que de todo desnecessário o prosseguimento do trabalho fiscal, diante do óbice constante no art. 151, VI do CTN. Dessa forma, a continuidade dos trabalhos fiscais mostrouse de todo inócua. O Código Tributário Nacional é de clareza solar ao determinar a suspensão do crédito tributário quando encontrarse parcelado, ou seja, não há que se falar em prosseguimento da fiscalização relativamente a débitos já confessados e parcelados. Se no decorrer desses 14 (quatorze) meses dos inícios dos trabalhos fiscais foi instituído pelo Governo Federal um programa de parcelamento especial de créditos, ao qual a recorrente aderiu, a aplicação de penalidade somente se justificaria se houvessem sido apuradas e lançadas anteriormente à adesão do contribuinte ao PAES. Nesse sentido, uma leitura mais acurada do disposto no art. 1°, IV, da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3 de 1°.9.2003 é suficiente para denotar a impropriedade da ação fiscal. A ausência de conclusão de trabalho fiscal relativamente a débitos já confessados e parcelados, não autoriza sua continuidade a ponto de pretender a aplicação de penalidade futura, inexistentes à época da confissão de débitos apresentada pelo contribuinte. À Recorrente coube a realização da declaração e da confissão de seus débitos amparada nas informações e dados de que dispunha à época, bem como amparada em dados fornecidos pela própria Receita Federal, conforme correspondência eletrônica informada, tendo em vista a busca e apreensão de todos os seus documentos e arquivos já noticiada. "Data venia", se a r. Fiscalização foi morosa na apresentação de suas conclusões, não pode agora penalizar o contribuinte que aderiu a programa de parcelamento instituído no decorrer do trabalho fiscal. Houvessem sido apresentadas quaisquer conclusões fiscais anteriormente à adesão informada, forçosamente a Recorrente haveria de incluir os débitos apurados e lançados no parcelamento instituído pela Lei n° 10684/2003. Multa qualificada: Não bastasse a imposição de penalidade, a autoridade fiscal ainda a agravou com fundamento no art. 44, inciso II da Lei n° 9.430/96 entendendo que os erros na escrituração fiscal seriam alterações dolosas das informações tributárias. Nada mais equivocado! Fl. 441DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES 6 Não se desconhece que a cominação da multa qualificada, diante do artigo supracitado e dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, depende de apreciação subjetiva da conduta do sujeito passivo, para a apuração da presença do dolo, da máfé. Porém, a subjetividade das conclusões consignadas pelo Auditor Fiscal autuante, afastam a exatidão exigida pela lei para que seja imputado o agravamento da multa. Não é admissível a presunção de que a existência de Mandado de Busca e Apreensão implica em fraude ou dolo, independentemente de análise aprofundada dos argumentos apresentados pelo contribuinte. Outrossim, sabese que o agravamento das penalidades tratase de faculdade legal de que dispõe o fisco para punir de forma mais gravosa o contribuinte, quando flagrado em ilícito penaltributário. Como se depreende do bojo dos autos, tal conduta não aconteceu face à antecipação do contribuinte em reconhecer e regularizar a situação na qual se encontrava. Por outro lado, de se registrar que também não passou desapercebida a maldade do i. Relator, ao desviarse dos autos, que envolve apenas pessoa jurídica, buscando dar caráter de pessoalidade à autuação, quando, por mais de uma oportunidade, menciona denúncia que fora feita contra o Sr. Sebastião Vicente Bomfim Filho imputando lhe crime contra a ordem tributária. Tal menção, não bastasse sua inespecificidade para o caso em questão, peca contra a verdade quando o i. Julgador "a quo" furtase de informar que o referido processo por ele tão alardeado não teve prosseguimento, encontrandose findado. Surge, pois, a indagação: A omissão de tal informação é fruto de esquecimento, ou objetiva fins outros tais como a indução dos D. Julgadores a equívoco? É noção basilar das relações penais (e a imputação de dolo, cumulada com o agravamento da multa, consubstancia sanção penal tributária), a premissa de que só há condenação com base na certeza do cometimento do ilícito. Ou seja, como corolário do princípio in dubio pro reo se não for alcançada a absoluta certeza da intenção de fraudar, de sonegar, não cabe o agravamento da multa. Ora, não há esta certeza nos autos. Ao revés, a inexistência de intuito do cometimento de ilícito penal, é evidente nestes autos, já que a própria Recorrente tentou sanar o erro, que detectou já em idos de 2000, ou seja, muito antes da ação fiscal. Em verdade, o procedimento de fiscalização foi marcado por arbitrariedades dos fiscais, como se verifica pelo desprezo dos mesmos aos ditames Constitucionais e legais basilares da relação fiscal ora instituída. Também, a parcialidade e voracidade resta evidente. De se notar que após 14 meses de trabalho, com cerca de 2 caminhões de documentos retirados da empresa, somente foi identificada uma única infração, qual seja, omissão de receitas, falha esta já detectada, tanto em que no ano de 2000 foram inseridas no Livro Diário receitas auferidas no ano de 1998. Exatamente por interpretar a lei sob a luz dos princípios fundamentais do Estado de Direito, os Conselhos de Contribuintes vêm consolidando jurisprudência no sentido de que apenas a certeza do evidente intuito de agir contra a lei, permite e determina o agravamento da multa de oficio. Transcreve alguns arrestos que ilustram tal orientação. Desse modo, por ser arbitrária e ilegal a presunção de ocorrência de fraude, aguardase o afastamento da imputação equivocadamente oposta à Recorrente, com a conseqüente redução da multa de ofício, compatibilizandoa com as prescrições da lei. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES Processo nº 10680.000632/200457 Acórdão n.º 1201001.504 S1C2T1 Fl. 440 7 Caráter confiscatório: A multa aplicada foi de 150% o que denota que a fiscalização não levou em conta o caráter de confisco da penalidade aplicada. A vedação ao confisco é uma garantia constitucional, extensiva às multas fiscais, pois sendo vedado o confisco via instituição de tributo o é para a aplicação das penalidades, como elemento reflexo (art. 39, §2° da Lei n° 4.320, de 17 de março de 1964). A penalização imposta excede até mesmo a capacidade contributiva, caracterizando confisco e abuso, atitude que deve ser refreada. Nesse passo, cita voto de Conselheiro do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, pronunciamento de jurista, ementas em decisão do Supremo Tribunal Federal. Em atenção ao Princípio da Eventualidade, havendo o prosseguimento do feito fiscal, e superadas as argumentações acima expendidas, o que admitese "in reductio ab absurdo", a Recorrente requer, desde já, seja reduzida a penalidade imposta para o percentual legal. E, ainda, consoante o que dispõe o §7° do art. 1° da Lei n° 10.684, de 2003, em se tratando de débito fiscal incluído no PAES, os. valores correspondentes às multas serão reduzidos em 50%. Dos juros de mora (taxa selic): Requer a inaplicabilidade da taxa selic aos créditos tributários, determinando a incidência de juros de mora no percentual previsto no artigo 161, §1º do CTN. DO PEDIDO Por todo o exposto, alegado e provado, requer a reforma proferida na decisão DRJ/BHE n.° 05.876, de 26/04/2004, com conseqüente cancelamento da exigência constante do Auto de Infração lavrado. A recorrente anexa o memorial das razões expendidas em seu recurso voluntário apresentando como inovação argumentativa o fato de que a partir da disposição expressa no artigo 132 do CTN, verificase que a sucessora é responsável apenas e tãosomente pelos tributos devidos pela sucedida, não podendo ser responsabilizada, contudo, pelas penalidades aplicadas em caso de descumprimento de obrigação tributária. A extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão nº 10808.566, de 10 de novembro de 2005, cuja ementa transcrevo a seguir: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA CSL DECADÊNCIA CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO A Contribuição Social sobre o Lucro, tributo cuja legislação prevê a antecipação de Fl. 443DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES 8 pagamento sem prévio exame pelo Fisco, está adstrita à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 4° do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação, deslocase esta regência para o art. 173, I, do CTN, que prevê como início de tal prazo o primeiro dia do exercício seguinte; àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte no ano de 2003, é incabível a preliminar de decadência suscitada para a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa lançada no anocalendário de 1998. CSL OMISSÃO DE RECEITAS r Caracteriza a ocorrência de omissão de receitas a diferença apurada pela fiscalização no confronto entre as receitas escrituradas/declaradas com aquelas constantes dos boletins de Caixa da loja, principalmente quando a empresa não contesta a infração detectada e efetua parcelamento desses débitos fiscais no PAES. CSL APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturá las nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n°4.502/1964. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro, calculada por estimativa com base na receita bruta, sujeita a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1° inciso IV da Lei n° 9.430/96. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA —CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO — COMPATIBILIDADE — A falta de recolhimento da CSL sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 10 do art. 44 da Lei n° 9.430/96. O lançamento é compatível com a exigência da contribuição apurada em procedimento fiscal, acompanhada da correspondente multa de oficio. INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. MULTA DE OFICIO — CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO — A multa de ofício constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo Fl. 444DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES Processo nº 10680.000632/200457 Acórdão n.º 1201001.504 S1C2T1 Fl. 441 9 inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. MULTA DE OFICIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. O que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. O voto vencido rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário. Por sua vez, o voto vencedor rejeitou as preliminares argüidas pela defesa e no mérito deu provimento ao recurso voluntário por entender que a incorporadora responde apenas pelos tributos devidos pelo sucedido. A Fazenda interpôs recurso especial visando o restabelecimento da multa isolada no percentual de 150% sob a responsabilidade da sucessora. O Presidente da extinta Oitava Câmara do 1º CC, tendo em vista que a decisão não foi unânime e a alegação de contrariedade da decisão à lei ou à evidência da prova, confirma o cabimento do recurso especial nos termos do artigo 32, I, do Regimento Interno do Conselho de contribuintes. A contribuinte apresentou as suas contrarazões ao recurso especial para manter a decisão que julgou procedente o Recurso voluntário. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 10 de março de 2009, proferiu o Acórdão 910100.060, dando provimento ao recurso especial e determinou o retorno dos autos à Câmara recorrida para apreciar as demais alegações da recorrente, cuja ementa trago à colação: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 Ementa: MULTA DE OFICIO INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum de sócio pessoa física e de controladora informal. De volta à Câmara recorrida, o relator interpôs embargos de declaração com o fito de se sanear a contrariedade ou a omissão do acórdão nº 910100.060 para se esclarecer quais questões devem ser enfrentadas por esta Turma. Os embargos foram admitidos, nos termos do inciso II do § 2º do artigo 5º da Portaria CARF nº 29, de 2015, conforme despacho do Presidente da CSRF. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES 10 A Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº 9101 002.281 1ª Turma, por unanimidade de votos, não conheceu dos embargos de declaração, por ausência de legitimidade ativa do Conselheiro que os opôs, proferindo a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 LEGITIMIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO Não detém legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Inicialmente, cumpre destacar que o Acórdão nº 10808.566, constante deste processo, proferido pela extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, analisaram as questões preliminares e de mérito suscitadas pela contribuinte em seu recurso. Naquele acórdão o voto vencedor deu provimento integral ao recurso voluntário sob o argumento de ilegalidade da aplicação da multa de ofício na sucessora. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, por sua vez, ao julgar o recurso especial da Fazenda Nacional e as contrarazões da contribuinte, entendeu que a responsabilidade pela multa transfere da sucedida à sucessora, uma vez que a incorporadora e a incorporada são pertencentes a um mesmo grupo sob a mesma direção humana e com sócio comum. Vejamos o que constou do voto do Conselheiro José Clóvis Alves: "O recurso apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo, porém, somente pode ser conhecido na parte que lhe fora desfavorável tratadas no acórdão recorrido, ou seja quanto a questão relativa à multa de oficio no caso de sucessão, interpretação dos artigos 129 e 132 do CTN. Da mesma forma as Contrarazões somente podem ser conhecidas dentro do limite admitido para o RE da Fazenda Nacional, pois as demais questões contrárias aos interesses do contribuinte não foram objeto de Recurso Especial, logo tratam se de matérias com decisão definitiva na esfera administrativa. ................................................................................................ A questão da responsabilidade por multas aplicadas à sucessora em relação a fatos ocorridos antes do evento sucessório e formalizadas após a sucessão já se encontra pacificada no âmbito desta Turma da CSRF. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES Processo nº 10680.000632/200457 Acórdão n.º 1201001.504 S1C2T1 Fl. 442 11 ......................................................................................................... As teses existentes no âmbito desta CSRF dão duas soluções para o caso de penalidade aplicada após a sucessão, de acordo com a tese do conhecimento. 1ª TESE — Não há conhecimento das infrações pretéritas — afastase a multa. Se a sucessora não participava da sucedida nem mesmo através de um sócio comum ou de sociedades de um mesmo grupo, a multa de oficio deve ser afastada visto que o legislador quis proteger o adquirente ou sucessor de boa fé, logo deve responder somente pelos tributos e não pelas multas, formalizadas após o evento sucessório, conforme julgados contidos nos acórdãos CSRF/0104.406 e 04.408. 2ª TESE — Há conhecimento das infrações pretéritas — mantémse a multa. Se a sucessora participava da sucedida mesmo que através de um sócio comum, pessoa física ou jurídica, mormente no caso de empresa organizada na forma limitada, ou se trata de sociedade de um mesmo grupo "holding", a multa deve ser mantida visto que o legislador quis proteger somente o adquirente ou sucessor de boa fé, aquele que desconhecia os negócios, as operações realizadas pela sucedida. Interpretação contrária levaria à situação absurda de que uma simples alteração societária, incorporação, cisão ou fusão, poderia se prestar a evitar qualquer penalidade tributária em relação aos negócios da sucedida ainda que tivesse pleno conhecimento das infrações que implicara na aplicação das sanções. ........................................................................................................ Na presente lide a fiscalização, ao tratar do exame do material de informática apreendido, deixou expresso no Termo de Verificação de Infração fato não contestado pelo contribuinte de que as empresas sucedida e sucessora pertenciam ao mesmo grupo e controladas pela mesma pessoa física, verbis: "32 — Após a montagem dos equipamentos, restauração dos "backups" e recriação do ambiente de produção do SISPAC, que é um aplicativo que roda no servidor UNIX, e que tem a função de controlar todo ambiente operacional da empresa, conforme descrito no relatório Técnico anexo ao Termo de Extração de Dados de que trata o item 16, constatamos a existência de dados referentes aos períodos sob fiscalização, tanto na MG MASTER LTDA, quanto das empresas incorporadas, inclusive de períodos anteriores às incorporações, já que, na verdade todas faziam parte de um mesmo grupo, operando sob os nomes de CENTAURO, ALMAX E BY TENIS, sob a mesma administração do Sr. SEBASTIÃO VICENTE BONFIM FILHO." (grifamos). Diante dos fatos constatados, sendo incorporadora e incorporadas pertencentes a um mesmo grupo, ainda que Fl. 447DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES 12 informal, sob a mesma direção humana e, com sócio comum, a tese a ser aplicada é a 2, ou seja — A RESPONSABILIDADE PELA SANÇÃO — MULTA — TRANSFERE DA SUCEDIDA À SUCESSORA. ............................................................................................... Assim conheço em parte do RE e das ContraRazões, e no mérito dou provimento e determino o retorno dos autos à Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto. (grifamos). Ao compulsar os autos, porém, adoto o entendimento de que todas as questões suscitadas no recurso voluntário foram enfrentadas pelo relator ao proferir o seu voto no Acórdão 10808.566. Os Embargos de Declaração interpostos pelo Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes apontavam também nessa direção. Abaixo trago a colação alguns trechos dos embargos: Ao compulsarmos o voto condutor do acórdão 10808.565, entendemos que todas as questões suscitadas no recurso voluntário foram enfrentadas pelo relator, que negava provimento ao recurso voluntário. Abaixo, as relacionamos: "a) decadência; neste ponto, o acórdão considerou caracterizado o evidente intuito doloso da conduta delitiva; b) nulidade em razão de sua lavratura em separado; c) multa na sucessora; d) adesão ao PAES e suspensão do crédito tributário; e) falta de base legal e constitucional para a aplicação de juros à taxa SELIC; f) concomitância da multa isolada com a multa de ofício; e g) caráter confiscatório da multa. Foi o voto de divergência, porém que prevaleceu. Poderíamos supor, então, que alguns pontos constantes do voto vencido teriam sido prejudicados pelo voto vencedor. Neste, porém, há a seguinte afirmação: Inicialmente gostaria de enaltecer a clareza do relatório e profundidade do voto proferido [...] peço vênia para dele discordar somente quanto a aplicação da multa isolada nos casos de incorporação [...] Ademais, todos os pontos suscitados pela defesa, inclusive aqueles que poderiam ter sido prejudicados, constam da ementa, como a concomitância com a multa de ofício. Dessarte, não identificamos nenhuma questão suscitada pela defesa a ser enfrentada, o que nos levou à conclusão de ter havido supostamente contrariedade ou omissão do acórdão 910100.056. Só haveria a redução passível de iniciativa de ofício do patamar sancionador de 150% para 50% em razão das Fl. 448DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES Processo nº 10680.000632/200457 Acórdão n.º 1201001.504 S1C2T1 Fl. 443 13 alterações supervenientes da redação do art. 44 da Lei 9.430/96.(grifamos). Ocorre que, no presente caso, tratandose de lançamento já efetuado e pendente de julgamento, cabe a aplicação da Súmula CARF nº 105, transcrita abaixo, por se enquadrar na hipótese fática lá definida. "Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.." Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por darlhe provimento. (documento assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Relator Fl. 449DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
score : 1.0
