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Numero do processo: 36390.000085/2007-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 28/01/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9202-004.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 39 0. 00 00 85 /2 00 7- 10 Fl. 530DF CARF MF Processo nº 36390.000085/200710 Acórdão n.º 9202004.787 CSRFT2 Fl. 435 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10552.000439/200724. Tratase de recurso especial interposto pelo sujeito passivo diante da divergência de entendimento entre turmas julgadoras do CARF acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso e requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.777, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10552.000439/200724, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.777): O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 36390.000085/200710 Acórdão n.º 9202004.787 CSRFT2 Fl. 436 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 36390.000085/200710 Acórdão n.º 9202004.787 CSRFT2 Fl. 437 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Fl. 533DF CARF MF Processo nº 36390.000085/200710 Acórdão n.º 9202004.787 CSRFT2 Fl. 438 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 36390.000085/200710 Acórdão n.º 9202004.787 CSRFT2 Fl. 439 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 535DF CARF MF Processo nº 36390.000085/200710 Acórdão n.º 9202004.787 CSRFT2 Fl. 440 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 36390.000085/200710 Acórdão n.º 9202004.787 CSRFT2 Fl. 441 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 537DF CARF MF Processo nº 36390.000085/200710 Acórdão n.º 9202004.787 CSRFT2 Fl. 442 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 36390.000085/200710 Acórdão n.º 9202004.787 CSRFT2 Fl. 443 10 Em face ao exposto, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, mantendose incólume o Acórdão recorrido. É como voto. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento, mantendose incólume o Acórdão recorrido (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 539DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.720375/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PARQUE ESTADUAL SERRA DO MAR. INTERESSE ECOLÓGICO MANIFESTO.
Hipótese em que laudo do perito judicial foi acatado pelo Poder Judiciário; tendo decidido o mesmo, com transito em julgado, que a Recorrente teria direito a indenização em razão da existência da área Preservação Permanente de 2.481,32 ha dentro do Parque Estadual Serra do Mar.
A decisão do Poder Judiciário é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública e é suficiente para a comprovação da existência de parte da APP declarada.
VALOR DA TERRA NUA
Não havendo comprovação do valor da terra nua declarado, a apuração de ofício do imposto deve considerar informações sobre preços de terra levantadas junto às Secretarias de Agriculturas e controladas em sistema desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim, não sendo possível utilizar laudo que atesta valores de mercado em data incompatível com a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2201-003.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente de 2.481,32 ha. Vencidos os Conselheiros, Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado) e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF 41.765.
Assinado Digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado Digitalmente
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
Assinado Digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PARQUE ESTADUAL SERRA DO MAR. INTERESSE ECOLÓGICO MANIFESTO. Hipótese em que laudo do perito judicial foi acatado pelo Poder Judiciário; tendo decidido o mesmo, com transito em julgado, que a Recorrente teria direito a indenização em razão da existência da área Preservação Permanente de 2.481,32 ha dentro do Parque Estadual Serra do Mar. A decisão do Poder Judiciário é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública e é suficiente para a comprovação da existência de parte da APP declarada. VALOR DA TERRA NUA Não havendo comprovação do valor da terra nua declarado, a apuração de ofício do imposto deve considerar informações sobre preços de terra levantadas junto às Secretarias de Agriculturas e controladas em sistema desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim, não sendo possível utilizar laudo que atesta valores de mercado em data incompatível com a ocorrência do fato gerador.
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ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PARQUE ESTADUAL SERRA DO MAR. INTERESSE ECOLÓGICO MANIFESTO. Hipótese em que laudo do perito judicial foi acatado pelo Poder Judiciário; tendo decidido o mesmo, com transito em julgado, que a Recorrente teria direito a indenização em razão da existência da área Preservação Permanente de 2.481,32 ha dentro do Parque Estadual Serra do Mar. A decisão do Poder Judiciário é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública e é suficiente para a comprovação da existência de parte da APP declarada. VALOR DA TERRA NUA Não havendo comprovação do valor da terra nua declarado, a apuração de ofício do imposto deve considerar informações sobre preços de terra levantadas junto às Secretarias de Agriculturas e controladas em sistema desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim, não sendo possível utilizar laudo que atesta valores de mercado em data incompatível com a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente de 2.481,32 ha. Vencidos os Conselheiros, Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado) e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 03 75 /2 01 0- 91 Fl. 1142DF CARF MF 2 Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF 41.765. Assinado Digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado Digitalmente Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Assinado Digitalmente Carlos César Quadros Pierre Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa Da Cruz. Relatório O presente processo trata da Notificação da Lançamento nº 08106/00011/2010 (fl. 4 a 9), pela qual a autoridade administrativa lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$ 1.782.328,21, com Multa de Ofício de R$ 1.336.746,15 e juros de mora de R$ 580.326,06 (calculados até 13/11/2010), perfazendo o total apurado de R$ 3.699.400,42. O lançamento é relativo ao exercício de 2007 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 3.052.4512. Atesta a Fiscalização que, regulamente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente, tendo a mesma sido reclassificada como área tributável para fins de apuração do imposto devido, fl 05. Ademais, por falta de comprovação do valor da terra nua declarado, mediante a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, a Fiscalização arbitrou tal montante com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT (fl. 5/7). Embora não tenha sido juntado aos autos a imagem do Aviso de Recebimento relativo à ciência do lançamento, a tela de fl. 101 aponta que tal ciência ocorreu em 22 de novembro de 2010, o que se mostra compatível com a afirmação exposta pelo próprio contribuinte em fl. 104. Inconformado com a imputação fiscal, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 103 a 115, na qual apresenta suas razões ordenadas nos seguintes termos: 1. DOS FATOS: Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10845.720375/201091 Acórdão n.º 2201003.346 S2C2T1 Fl. 1.143 3 que a sociedade era proprietária do imóvel denominado Fazenda Itutinga, que compreendia 2.974,33 hectares, resultante do somatório das glebas Itutinga (2.521,02 Hectares) e Água Fria (453,31 hectares), a qual passou a ser considerada área de preservação permanente, a partir da criação do Parque Estadual da Serra do Mar, nos termos do Decreto nº 10.251/77, fl. 104; que com tais características o imóvel foi devidamente informado no Documento de Informação e Apuração do ITR transmitido para o exercício de 2005 (DIAT 08.74309.18), informação desconsiderada pelo Agente Fiscal, por entender que não a mesma não foi regulamente comprovada pelo sujeito passivo, fl. 104/105; que também pela falta de comprovação, a fiscalização desconsiderou o valor da terra nua declarado, fl. 106; que a exigência fiscal não pode prosperar já que o Poder Judiciário já declarou, em decisão transitada em julgado, que a Fazenda Itutinga está compreendida no Parque da Serra do Mar, fl. 106. 2. DO DIREITO 2.1 Da força probatória da Decisão Judicial e a exclusão do imóvel do campo de incidência do ITR, fl. 106: que não há dúvidas com relação à exclusão das áreas de preservação permanente da incidência do imposto territorial rural, restando a controvérsia administrativa exclusivamente à comprovação de que a Fazenda Itutinga está inserida no Parque da Serra do Mar, fl. 107; que o contribuinte não estaria obrigado à comprovação que o imóvel em comento está inserido em área de preservação permanente, sendo da Administração Fazendária tal ônus, nos termos do § 7º do art. 10º da Lei 9.393/96, fl. 107/108; que mesmo que se pudesse exigir do particular a comprovação de que o imóvel está inserido em área de preservação permanente, ainda assim imporiase a anulação do lançamento, já que tal condição foi reconhecida em decisão judicial já transitada em julgado, fl 109; que ajuizou Ação de Desapropriação Indireta contra o Estado de São Paulo (157.01.1987.0000409/000000000), em cujo curso foi levada a termo perícia técnica de engenharia que concluiu que 2.183,98ha da gleba Itutinga e 453,31ha da gleba Água Fria, totalizando 2.637,29ha estão abrangidos pelo Parque da Serra do Mar, fl. 110; que o mesmo laudo pericial atestou que o valor da terra nua de ambas as glebas, em outubro de 1989, correspondia a Ncz$ 28.460.354,00; que após sentença judicial e acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo, restou transitado em julgado que o imóvel está compreendido nos limites do Parque da Serra do mar e que o valor da terra nua, em março de 1996, era de R$ 9.707.951,03; Fl. 1144DF CARF MF 4 que não poderia a Administração Fazendária se furtar a reconhecer tal circunstância, sob pena de esvaziar a força probatória de uma decisão judicial transitada em julgado; que há precedentes neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que reconheceu a suficiência probatória da decisão judicial para fins de exclusão da área protegida da base de incidência do ITR, em particular quando amparada por laudo técnico que lhe dá arrimo, ainda que presentes nos autos administrativos outros elementos de prova, como laudos e ADA, fl. 111/112. 2.2 Da Decisão Judicial e a Impugnação ao arbitramento do valor da terra nua: que o valor da terra nua corresponde ao valor de mercado em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 10 da lei 9.393/96 c/c o § 2º do art. 32 da IN RFB 256/2002, fl. 112; que apurou valor de marcado de R$ 14.718.027,67 em 01/01/2007, mas que a Fiscalização fixou o valor de R$ 20.724.862,91 sob amparo nos dados do Sistema de Preços de Terras SIPT, valor incompatível com os preços de mercado à época, fl. 113; que considerando o valor apurado no processo judicial para março de 1996, atualizado com base na Tabela Prática de Atualização Monetária editada pelo TJ/SP, em janeiro de 2007 o valor em comento estaria em torno de R$ 20.106.034,97. Contudo, o imóvel sofreu forte desvalorização por fatores preexistentes à instituição do Parque Estadual da Serra do Mar, fl.113; que tais circunstâncias revelam inadequação do valor arbitrado pela Fiscalização, cuja revisão se impõe para prestigiar o valor declarado de R$ 14.718.027,67 ou, se muito, para adotar o valor reconhecido na Decisão Judicial sustentada em lauto técnico, atualizado, de R$ 20.106.034,97, fl. 114. Conclui sua peça impugnatória com os seguintes pedidos, fl. 115: (a) que seja julgada a improcedência da ação fiscal sobre a Fazenda Itutinga em razão do reconhecimento judicial de que a mesma está inserida em área de preservação Permanente (Parque Estadual da Serra do Mar); (b) que seja reduzido o valor da terra nua para R$ 14.718.027,68 (valor declarado) ou para R$ 20.106.034,97 (nos termos da ação judicial); (c) subsidiariamente, caso necessário, que seja o feito convertido em diligência fiscal a fim de que seja novamente arbitrado o valor da terra nua, com base em laudo técnico que leve em consideração as reais condições do imóvel rural para fixação do seu preço de mercado. Analisando os argumentos acima expostos, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande MS concluiu: Da Área de Preservação Permanente, fl 1102/1103 (...) Com relação à APP existem dois tipos: a) áreas que em virtude da topografia das florestas e tipo de acidentes geográficos específicos são definidas por lei como APP e b) Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10845.720375/201091 Acórdão n.º 2201003.346 S2C2T1 Fl. 1.144 5 áreas que pela destinação são declaradas como APP por Ato do Poder Público. (...) Neste aspecto, a documentação apresentada, embasada no processo de Ação de Desapropriação Indireta contra o Estado de São Paulo, faz referência à área total, de forma genérica, porque estaria inserida no referido Parque. Não há especificação, dimensão definida e nem se localizam as áreas enquadráveis no referido dispositivo legal como APP. (...) Do Ato Declaratório Ambiental, fl. 1105 (...) Para o direito à isenção do imposto, além da comprovação de existência da APP, seja através de laudo técnico, seja através de Ato específico do Poder Público, ou da existência e averbação da ARL, entre outras, é necessário comprovar, também, a regularização dessas áreas junto ao IBAMA, com a apresentação do ADA, protocolado dentro do prazo legal para o exercício fiscalizado. Das Razões das Glosas – Do mérito do pedido, fl. 1106/1107: (...) Na impugnação o argumento principal é o fato de o imóvel estar localizado em Parque Estadual, matéria superada, e a documentação apresentada não comprovou a existência de APP, demonstrando seu enquadramento no Código Florestal e, finalmente, não foi apresentado ADA, entregue ao IBAMA no prazo regulamentar para o exercício e pauta. Em razão disso, a área em pauta não deveria estar declarada como isenta, pois, não foram cumpridos os requisitos legais para tal; não estava amparada para essa concessão e; assim, sua informação como isenta configura declaração incorreta. (...) Desta forma, não comprovada a existência de áreas de preservação de acordo com o Código Florestal ou não atendido demais requisitos legais, as pretensas áreas de Preservação Permanente ou de Utilização Limitada ficarão sujeitas à tributação, enquadradas como áreas aproveitáveis e não explorada pela atividade rural, afetando, assim, o grau de utilização e alíquota de cálculo. (...) Do Valor da Terra Nua, fl. 1107 (...) Para tal, o documento eficaz que possibilita essa comprovação é o laudo técnico, elaborado em atenção às normas constantes da ABNT, órgão orientador e controlador dos trabalhos de profissionais da área, acompanhado dos documentos que comprovam a caracterização do imóvel, as fontes idôneas de pesquisa, a similitude da propriedade em relação às amostras levantadas no município, entre outros. Como já visto, tendo em vista o não atendimento à intimação, consequentemente, não apresentação de laudo de avaliação que fora solicitado, o VTN foi modificado pelo Fisco, sendo utilizadas as informações do SIPT. (...) Fl. 1146DF CARF MF 6 Do Laudo Técnico, fl 1107/1108 (...) O sujeito passivo pretende seja considerado o VTN apurado no laudo técnico constante do processo judicial, com a devida atualização. Porém, este documento não se mostra eficaz para comprovar o VTN, pois, foi elaborado com base em normas já sem vigor para o exercício fiscalizado, não está de acordo com a norma 14.653 da ABNT, e nem poderia ser diferente, pois, a referida norma, relativa à avaliação de imóveis rurais, foi editada posteriormente ao laudo. (...) Inconteste, portanto, o fato de que o laudo trazido aos Autos não apresenta grau de fundamentação II, conforme exigido na intimação, não havendo como, em sede de julgamento, aceitarse levantamento precário, inapto a alterar o VTN. (...) Firme em seus argumentos, o julgador de primeira instância decidiu pela manutenção do crédito tributário em tela, nos seguintes termos, fl. 1108: Finalmente, considerando que não houve apresentação de documentação que comprove a existência da APP, conforme enquadramento definido no Código Florestal, e de sua regularização por meio de ADA e, considerando, ainda, não haver sido apresentado Laudo Técnico de Avaliação da Terra Nua eficaz, concluise não haver como desconstituir o crédito tributário em discussão. Ciente do Acórdão da DRJ em 04/07/2012, fl. 1113, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 1115/1128, em 02 de agosto de 2012, no qual reeditou os argumentos expostos em sede de impugnação para, ao fim, requerer unicamente o cancelamento completo do lançamento fiscal em todos os seus efeitos. É o relatório necessário. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Da força probatória da Decisão Judicial e a exclusão do imóvel do campo de incidência do ITR Inicialmente, entendo relevante destacar que não me parece procedente a afirmação da recorrente no sentido de que não há dúvidas com relação à exclusão das áreas de preservação permanente da incidência do imposto territorial rural, restando a controvérsia administrativa exclusivamente à comprovação de que a Fazenda Itutinga está inserida no Parque da Serra do Mar. Tal afirmação até poderia robustecer suas razões sobre a força probatória de uma decisão judicial transitada em julgado, já que o único argumento de que dispõe é o laudo elaborado por perito designado pelo juízo no curso do processo judicial nº 157.01.1987.0000409/000000000 e acostado ao presente processo a partir de fl. 220. Contudo, avalio o cenário posto de modo diverso, por considerar que o cerne da celeuma Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10845.720375/201091 Acórdão n.º 2201003.346 S2C2T1 Fl. 1.145 7 administrativa está na comprovação do cumprimento pelo contribuinte dos requisitos fixados pela legislação para fazer jus ao favor fiscal. A decisão de 1ª instância socorreuse dos termos do art. 2º da lei nº 4.771/65 (Código Florestal), então em vigor, para afirmar que, em razão do conteúdo genérico do laudo emitido nos autos judiciais, tal documento não se prestou a identificar as situações especificadas em tal artigo. Por outro lado, agora já lastreada no art. 3º do mesmo diploma, concluiu que seria necessária a apresentação de ato do Poder Público declarando a existência de área de preservação permanente. Por fim, fica expresso no decidido em 1ª instância a não comprovação da apresentação do Ato Declaratório Ambiental junto ao Ibama. Analisando as informações contidas nos autos, constatase que o contribuinte informou em DITR toda a propriedade como sendo Área de Preservação Permanente. Contudo, o laudo apresentado, em fl. 226, demonstra a exclusão da pretensão judicial de desapropriação indireta de uma área de 64 ha, nos quais está instalado seu complexo industrial. Mais à frente, em fl. 239, o mesmo perito afirma a existência de uma área não abrangida pelo Decreto Estadual de 337,04 ha, além de atestar, em fl 241, a exclusão do estudo de uma área de 102,46 ha, por falta de matrícula no Cartório de Registro Imobiliário. Em fl. 240, atesta o perito que o parque industrial da autora está inserido na Gleba Água Fria. A partir de fl. 757, foi juntado aos autos um excerto de laudo técnico diverso, de autoria de outro profissional habilitado, no qual, em fl. 759, consta a afirmação de que a Gleba Água Fria não teve sua situação alterada pela criação do Parque da Serra do Mar, posto que já reservada pelo Decreto 12.753/42. Só por tais considerações verificase que as conclusões periciais não justificam integralmente a regularidade das informações declaradas, ficando claro, ainda, que o fato de um imóvel rural estar inserido em uma área de preservação permanente, por si só, não garante a integridade da vegetação nela contida. Veja, por exemplo, que a Gleba Água Fria já era protegida desde 1942, o que não evitou que, em seu interior, fosse construído um parque industrial em uma área de 64 ha. Assim, seria absurdo aceitar que um proprietário de imóvel que, desrespeitando a legislação ambiental, promovesse a supressão da vegetação de uma área de preservação permanente e, ainda assim, exclusivamente por conta da localização de sua propriedade, tivesse reconhecimento o direito à isenção do ITR. Neste sentido, importante ressaltar os termos da legislação que rege a isenção relativa às áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, naturalmente em vigência na época da ocorrência do fato gerador em discussão: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 1148DF CARF MF 8 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior Grifouse. Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Grifouse. IN SRF 256, de 11 de dezembro de 2002 (texto então vigente) Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I de preservação permanente; (...) V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR; Grifouse Mister consignar que o tributo não se presta apenas a prover o Estado de recursos para financiar suas atividades, sendo rotineiramente utilizado com função diversa, seja objetivando melhor distribuição de renda, seja atuando na defesa da indústria nacional, seja Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10845.720375/201091 Acórdão n.º 2201003.346 S2C2T1 Fl. 1.146 9 fomentando o desenvolvimento de uma região ou seguimento econômico, seja desestimulando o consumo de produtos nocivos, etc. No caso do ITR, é evidente a utilização do tributo como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, ao mesmo tempo em que desonera o contribuinte, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Assim, ainda que de acordo com a natureza de cada tributo a atividade fiscal precise se valer de conceitos e princípios contidos fora do âmbito restrito do Direito Tributário, é fato que, considerando a limitação de competência da RFB, a quem não compete fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental, resta à Autoridade Fiscal, no uso de suas atribuições, verificar o cumprimento por parte dos contribuintes dos requisitos fixados pela legislação para definição do correto valor do tributo. O que interessa ao Fisco, como dito acima, é a verificação do cumprimento da legislação tributária, em particular para identificar infrações que justifiquem a necessidade de constituição do crédito tributário, de ofício, e para, indiretamente, fomentar o cumprimento espontâneo da legislação tributária, seja pela geração de um sentimento de risco de ser fiscalizado, seja pelo estímulo à consciência da importância da função social do tributo. Assim, entendo que os termos do Decreto nº. 10.251, de 30 de agosto de 1977, que criou o Parque Estadual da Serra do Mar, analisado em conjunto com o laudo pericial de fl. 220, seriam, ainda, insuficientes à comprovação de área de preservação permanente ou de interesse ecológico capaz de gerar reflexos na apuração do Imposto Rural, já que o contribuinte, mesmo intimado, não juntou aos autos declaração do órgão competente Federal ou Estadual sobre o efetivo interesse ecológico nas áreas de sua propriedade. Tampouco comprovou o protocolo do Ato Declaratório Ambiental junto ao Ibama. Ainda que aos olhos menos atentos possa parecer despropositada a exigência, tratase de uma forma de manutenção do controle das circunstâncias que levaram ao favor fiscal, além se configurar instrumento que atribui responsabilidade ao proprietário rural. Como se viu acima, a mesma lei que prevê a obrigatoriedade do ADA dispõe que, após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Desta forma, com o protocolo do ADA, o contribuinte sujeitase à vistoria técnica do IBAMA e, portanto, a mera alegação de que uma área de utilização limitada efetivamente exista, ainda que atestada por laudo técnico particular, não é suficiente, por si só, para afastar a incidência do tributo rural, já que, sem o protocolo do ADA, a desoneração tributária ocorreria sem qualquer instrumento de controle que permitisse a efetiva validação das informações declaradas. Fl. 1150DF CARF MF 10 Quanto à alegação do contribuinte de que, por conta do que previa o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, não estaria obrigado a comprovar as informações declaradas, comprovação esta que caberia ao Agente Fiscal, entendo tratase de claro equívoco na interpretação da norma, pois o que se esperava de tal comando normativo, atualmente revogado, seria deixar clara a desnecessidade de apresentação de documentos juntamente com a declaração. Há de se ressaltar que, em termos tributários, a regra é a incidência do tributo, sendo as isenções exceções que devem ser provadas por quem delas aproveita. Assim, o ônus da prova da regularidade das exclusões da área tributável é do contribuinte. Portanto, não tendo sido cumpridas as formalidades impostas pela legislação para fins de fruição do direito à isenção e considerando a limitação disposta no art. 111, inciso II da Lei 5.172/66 (CTN), pela qual se conclui que as normas reguladoras das matérias que tratam de isenção não comportam interpretação ampliativa, entendo acertada a decisão de primeira instância que manteve o lançamento em relação à tributação sobre as áreas originalmente declaradas como de preservação permanente. Sendo certo que decisões pretéritas adotadas neste Conselho não têm o condão de vincular a presente análise, em particular por se referirem a momentos, situações ou composição de Turma diversos. Assim, nego provimento ao Recurso Voluntário neste item. Da Decisão Judicial e a Impugnação ao arbitramento do valor da terra nua: Utilizandose do mesmo laudo emitido no processo judicial citado alhures, o qual, dentre outros, objetivou atestar o valor da terra nua da propriedade e valor da respectiva cobertura natural para fins de indenização pleiteada judicialmente do Governo do Estado de São Paulo, o contribuinte espera ver reflexos no lançamento ora em discussão. Na época, o perito atestou que o valor da terra nua de ambas as glebas que compõem a Fazenda Itutinga, em outubro de 1989, correspondia a Ncz$ 28.460.354,00. Valor este que foi atualizado até março de 1996, quando montou a cifra de R$ 9.707.951,03. A partir daí, a recorrente entende que se tal montante fosse atualizado com base na Tabela Prática de Atualização Monetária editada pelo TJ/SP, em janeiro de 2007 o valor em comento estaria em torno de R$ 20.106.034,97. Ainda assim, ressalta que o imóvel sofreu forte desvalorização por fatores preexistentes à instituição do Parque Estadual da Serra do Mar. Não temos como nos afastar dos comandos normativos relacionados ao tema. Nos termos do § 2º do art. 8º da lei 9.393/96, o "VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado". Tal definição está ainda mais clara no texto da IN 256/02, que previu que "o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Ora, se estamos tratando de valores de mercado correntes em 01/01/2007, considerando ainda a própria alegação do contribuinte sobre a desvalorização sofrida pelo imóvel, nada mais inadequado do que considerarmos para este fim o valor calculado para o ano de 1989, ainda que sobre o qual incida os efeitos de correção de algum índice de atualização. É de elementar conhecimento que as variações sofridas nos últimos anos pelos bens imóveis não Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10845.720375/201091 Acórdão n.º 2201003.346 S2C2T1 Fl. 1.147 11 guardaram relação com os demais seguimentos da economia, repousando, ainda, sobre o imóvel em questão, as particularidades relacionadas às limitações impostas pela legislação ambiental. Vejamos a fundamentação legal para desconsideração do valor da terra nua declarado pelo contribuinte: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. A partir de tal previsão legal expressa, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras SIPT, o qual é alimentado com os valores médias de terras recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas ou, ainda, pela média dos valores informados em DITR por outros proprietários da região. Naturalmente, tratandose de valores médios, pode ocorrer alguma divergência, para mais ou para menos, de acordo com as peculiaridades de cada propriedade. Contudo, a comprovação dos valores declarados ou a adequação dos valores lançados pelo fisco ao valor considerado adequado pelo proprietário do imóvel considerado dependerá de apresentação de laudo devidamente formalizado para este fim, o qual deve considerar os requisitos mínimos para documentos dessa natureza, não se mostrando adequada a utilização do laudo emitido nos autos judiciais, em particular por não espelhar o valor de mercado da propriedade na data da ocorrência do fato gerador. Portanto, o procedimento utilizado pela autoridade lançadora está absolutamente alinhado ao que prevê a legislação, não havendo justificativa para conversão do presente julgamento em diligência fiscal para novo arbitramento do VTN. Assim, nego provimento ao Recurso Voluntário neste item. Pelo exposto, considerando a não comprovação do cumprimento dos requisitos previstos na legislação para exclusão de APP do campo de incidência do ITR e da não apresentação de Laudo de Avaliação que pudesse contrapor o arbitramento do VTN na data da ocorrência do fato gerador, voto pela manutenção do lançamento em sua integralidade. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1152DF CARF MF 12 Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto à questão da comprovação da existência de parte da APP declarada pela Recorrente. Disse o Ilustre Relator: Assim, entendo que os termos do Decreto nº. 10.251, de 30 de agosto de 1977, que criou o Parque Estadual da Serra do Mar, analisado em conjunto com o laudo pericial de fl. 220, seriam, ainda, insuficientes à comprovação de área de preservação permanente ou de interesse ecológico capaz de gerar reflexos na apuração do Imposto Rural, já que o contribuinte, mesmo intimado, não juntou aos autos declaração do órgão competente Federal ou Estadual sobre o efetivo interesse ecológico nas áreas de sua propriedade. Tampouco comprovou o protocolo do Ato Declaratório Ambiental junto ao Ibama. Ressalto, contudo, conforme se verifica nas páginas 05 e seguintes dos autos, que a suposta falta de protocolo do ADA não integrou a motivação do lançamento. No caso dos autos, verificase que a APP não foi aceita unicamente em razão da falta de comprovação da sua existência. Por este motivo, não é o caso de se requerer, no presente momento, a análise do caso sob o aspecto da efetividade do protocolo do ADA; mas sim sob a ótica da existência ou não da APP declarada. Não se poderia inovar o lançamento, exigindo a comprovação do protocolo do ADA. Bastando, para afastar a glosa realizada pela fiscalização, a apresentação de documento que comprove a existência da APP. Assim, na presente situação, entendo que a documentação apresentada pela recorrente supre a prova requerida pela fiscalização, e é suficiente para reverter, em parte, a glosa relacionada. É que, no caso dos autos, foi realizada perícia judicial, cujas conclusões foram claras no sentido de que quase todo o imóvel está inserido nos domínios do Parque Estadual Serra do Mar. Realmente, como se observa nas páginas 239 e 241 dos autos, o perito judicial atestou que a área total de 2.481,32 ha se encontrava inserida dentro do Parque Estadual Serra do Mar. Observo que o laudo do perito judicial foi acatado pelo Poder Judiciário; tendo decidido o mesmo, com transito em julgado, que a Recorrente teria direito a indenização em razão da existência da área de 2.481,32 ha de APP dentro do Parque Estadual Serra do Mar. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10845.720375/201091 Acórdão n.º 2201003.346 S2C2T1 Fl. 1.148 13 Assim, temos que o entendimento do poder judiciário deve ser acatado pela administração pública. A decisão da ação judicial é soberana devendo ser cumprida pela administração nos seus exatos termos, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da hierarquia das normas, bem como ofensa à moralidade administrativa. É imperativo que a administração pública acate as ordens judiciais e cumpra a norma individual e concreta emanada do Poder Judiciário; pois a este poder foi outorgada a competência para interpretar a lei e dirimir as lides instauradas. Impende salientar que toda decisão judicial transitada em julgado é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública. Aliás, pela sistemática constitucional, todo ato jurídico, inclusive o administrativo, está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este, em relação à esfera administrativa, instância superior e autônoma. Superior, porque tem competência para revisar, cassar, anular ou confirmar o ato administrativo; e autônoma, porque o contribuinte não está obrigado a recorrer, antes, às instâncias administrativas, para ingressar em juízo. Assim, a decisão do Poder Judiciário é norma individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública. Deste modo, inobstante a inexistência nos autos de declaração do órgão competente, a declaração judicial de que a área total de 2.481,32 ha se encontra inserida dentro do Parque Estadual Serra do Mar é suficiente para a comprovação da existência de parte da APP declarada. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a área de preservação permanente de 2.481,32 ha. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 1154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.720374/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2007
ITR. FLORESTAS NATIVAS. ÁREAS ISENTAS.
De acordo com o art. 10, §1º, inc. II, alínea “e”, da Lei n.º 9.393, de 1996, a partir do Exercício 2007, cabe afastar da tributação a área coberta por florestas nativas existente no imóvel, devidamente comprovada, como no caso dos autos.
ÁREAS OCUPADAS POR BENFEITORIAS. ÁREA NÃO APROVEITÁVEL.
De acordo com o artigo 10, §1º, IV, “a” da Lei n.° 9.393, de 1996, excluem-se da área aproveitável para fins de tributação pelo ITR as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias.
Hipótese em que restou comprovado que os 70 ha. restantes do imóvel e, em tese, tributáveis, eram ocupados por benfeitorias, ou seja, área não aproveitável.
Recurso de ofício negado e recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.236
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer a área ocupada por benfeitorias úteis e necessárias de 70 ha.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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AGRO INDUSTRIAL ELDORADO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ITR. FLORESTAS NATIVAS. ÁREAS ISENTAS. De acordo com o art. 10, §1º, inc. II, alínea “e”, da Lei n.º 9.393, de 1996, a partir do Exercício 2007, cabe afastar da tributação a área coberta por florestas nativas existente no imóvel, devidamente comprovada, como no caso dos autos. ÁREAS OCUPADAS POR BENFEITORIAS. ÁREA NÃO APROVEITÁVEL. De acordo com o artigo 10, §1º, IV, “a” da Lei n.° 9.393, de 1996, excluem se da área aproveitável para fins de tributação pelo ITR as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias. Hipótese em que restou comprovado que os 70 ha. restantes do imóvel e, em tese, tributáveis, eram ocupados por benfeitorias, ou seja, área não aproveitável. Recurso de ofício negado e recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer a área ocupada por benfeitorias úteis e necessárias de 70 ha. (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 03 74 /2 01 0- 47 Fl. 349DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1116.14128.T5LM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10845.720374/201047 Acórdão n.º 2101002.236 S2C1T1 Fl. 344 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Celia Maria de Souza Murphy (Presidente em exercício), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Ausente, momentaneamente, o Presidente Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recurso de ofício, interposto pela Fazenda Nacional, e voluntário, interposto pela Contribuinte em 11 de maio de 2011 (fls. 296/306), ambos em face do acórdão de fls. 285/292, do qual a contribuinte teve ciência em 14 de abril de 2011 (fl. 295), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 01/08, lavrado em 16 de novembro de 2010, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. De acordo com a alínea "e" do art. 10, parágrafo 10, II, da Lei n.° 9.393, de 1996, a partir do Exercício 2007, cabe afastar da tributação a área coberta por florestas nativas existente no imóvel, devidamente comprovada. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, não impugnado pelo sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 285). Considerandose que a parte do débito exonerada pelo acórdão recorrido era superior a R$ 1.000.000,00, foi interposto recurso de ofício pela DRJ. Por outro lado, a Contribuinte recorre requerendo a exoneração total do crédito tributário, tendo em vista que foi desconsiderado o fato de que as benfeitorias são excluídas da área tributável do móvel. É o relatório. Fl. 350DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1116.14128.T5LM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10845.720374/201047 Acórdão n.º 2101002.236 S2C1T1 Fl. 345 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deles conheço. Primeiramente, em relação ao recurso de ofício, verificase que a DRJ exonerou parcialmente o crédito tributário, com base nos seguintes fundamentos: “No caso ora tratado, a contribuinte apresentou laudo técnico (fls. 41 a 49), elaborado por engenheiro agrônomo, datado de 13/04/2010, onde consta a informação de que o imóvel possui 29.930,0 ha. cobertos por vegetação nativa, classificada como Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica) art. 2o. da Lei n.° 11.428, de 2006. Corroborando essa informação, consta ainda dos autos cópia de Certidão emitida pelo Ibama, Superintendência no Estado de São Paulo, datada de 27/11/2007, reconhecendo que foi constatada a existência no imóvel em questão "de área recoberta por Floresta Ombrófila Densa típica de Mata Atlântica nos estágios médio e avançado de regeneração de florestas secundárias e floresta primárias, em seu clímax, na extensão de 29.930,00 hectares" (grifo do original). Registrese que as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração somente foram afastadas da tributação pelo ITR com o advento da Lei n.° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo 1o., inciso II, da Lei n.° 9.393, de 1996, anteriormente transcrito. Assim, independentemente da discussão sobre a localização do imóvel, impõese reconhecer que restou comprovado que, a partir do Exercício 2007, ora tratado, a maior parte do imóvel não está mais sujeita à tributação pelo ITR, nos termos do dispositivo legal acima citado.” (fl. 291). Realmente, no que concerne à área de floresta nativa, conforme bem salientou a decisão recorrida, a isenção de referida área em relação ao ITR, prevista no art. 10, §1º, inc. II, alínea “e”, da Lei n.º 9.393/96, foi estabelecida com a edição da Lei n.º 11.428, de 22 de dezembro de 2006. Tendo em vista se tratar do exercício de 2007, plenamente aplicável a isenção em tela. Ademais, apenas em complemento, importante salientar que a Mata Atlântica se enquadra no conceito de área de utilização limitada, mais especificamente no conceito de área de interesse ecológico. Em sendo de interesse ecológico, preenche os requisitos para fruição da isenção do ITR, tal qual prevista no artigo 10, §1º, inciso II, alínea “b”, segundo o qual seriam de interesse ecológico as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso relativas às áreas de preservação permanente e de reserva legal. De início, importante observar que a Lei n.º 11.428/2006, ao inserir outra hipótese de isenção no art. 10, §1º, da Lei n.º 9.393/96, qual seja, a existência de áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, ao lado da isenção já existente em relação às áreas de interesse ecológico, o fez em razão da necessidade de adoção de medidas mais efetivas de proteção do patrimônio ambiental. Fl. 351DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1116.14128.T5LM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10845.720374/201047 Acórdão n.º 2101002.236 S2C1T1 Fl. 346 4 É o que se extrai da Exposição de Motivos do Projeto de Lei n.º 3.285/1992, que a originou: “Medidas mais efetivas a serem estabelecidas no sentido de ampliar e aperfeiçoar a legislação ambiental, de proteção do patrimônio genético encontrado na Mata Atlântica, na maior parte desconhecido, é um aspecto fundamental a ser trabalhado, principalmente pelo fato de que a biotecnologia e a engenharia genética, consideradas como fundamentais para o desenvolvimento mundial, dependem diretamente dos bancos genéticos que hoje estão sendo destruídos.” Especificamente em relação à inclusão de outra hipótese de isenção do ITR específica para tais florestas nativas, não obstante a já existência de uma determinação genérica conferindo isenção às áreas de relevante interesse ecológico, esclarecedora a passagem do Parecer nº 128/2006, da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, sobre o projeto de lei que deu origem à aludida Lei n.º 11.428/2006 (Projeto de Lei da Câmara n.º 107/2003 – Projeto de Lei n.º 3.285/1992, na origem): “Por fim, cumprenos verificar a possibilidade de permanência do art. 50 do projeto, em cotejo com o art. 150, § 6°, da Constituição Federal, que exige lei específica para redução da base de cálculo de impostos. Para tanto, observamos que a alteração promovida por aquele dispositivo na Lei n° 9.393, de 1996, que disciplina o Imposto Territorial Rural (ITR), apenas especifica, para maior clareza, os efeitos dos instrumentos legais definidos para proteção da Mata Atlântica no cálculo da área do imóvel, ao lado dos outros institutos até então existentes na legislação ambiental. Desse modo, somos pela manutenção do dispositivo no projeto.” Deste modo, não há dúvidas que, não obstante a inexistência anteriormente à 2006 de uma isenção específica em relação às florestas nativas, a previsão de isenção em relação às áreas de interesse ecológico já abrangia as áreas de florestas nativas, entre elas a Mata Atlântica. Inicialmente prevista na Lei n.º 6.938/1981 e regulamentada pelo Decreto 89.336/1984 e Resolução CONAMA 012/1989, a área de relevante interesse ecológico é definida no art. 16 da Lei n.º 9.985/2000, que assim prevê: “Art. 16. A Área de Relevante Interesse Ecológico é uma área em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana, com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, e tem como objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas, de modo a compatibilizálo com os objetivos de conservação da natureza. § 1o A Área de Relevante Interesse Ecológico é constituída por terras públicas ou privadas. § 2o Respeitados os limites constitucionais, podem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma Área de Relevante Interesse Ecológico.” A Mata Atlântica é expressamente prevista na Constituição como patrimônio nacional, devendo ser utilizada apenas dentro das condições que assegurem a preservação do meio ambiente. É o que dispõe o art. 225, §4º, do Texto Constitucional: Fl. 352DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1116.14128.T5LM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10845.720374/201047 Acórdão n.º 2101002.236 S2C1T1 Fl. 347 5 “Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público e à coletividade o dever de defendêlo e preserválo para as presentes e futuras gerações. (...) § 4º. A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal MatoGrossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização farseá, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.” Com vistas à preservação do patrimônio nacional, o Presidente da República editou o Decreto n.º 750/93 (atualmente revogado pelo Decreto n.º 6.660/08), o qual proibiu, em seu art. 1º, o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica: “Art. 1° Ficam proibidos o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica. Parágrafo único. Excepcionalmente, a supressão da vegetação primária ou em estágio avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica poderá ser autorizada, mediante decisão motivada do órgão estadual competente, com anuência prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, informandose ao Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA, quando necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social, mediante aprovação de estudo e relatório de impacto ambiental.” A área de Mata Atlântica, de acordo com art. 3º do aludido Decreto, é aquela compreendida por “formações florestais e ecossistemas associados inseridos no domínio Mata Atlântica, com as respectivas delimitações estabelecidas pelo Mapa de Vegetação do Brasil, IBGE 1988: Floresta Ombrófila Densa Atlântica, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual, manguezais restingas campos de altitude, brejos interioranos e encraves florestais do Nordeste.” Considerando as características descritas, não há dúvidas de que as áreas de Mata Atlântica enquadramse no conceito de área de relevante interesse ecológico, ampliando o Decreto n.º 750/93, aplicável na época dos fatos, as restrições de uso nas áreas com vegetação primária ou secundária em estágio avançado e médio de recuperação, em comparação com as áreas de preservação permanente e reserva legal, proibindo o corte, a exploração e a supressão da vegetação. Nesse mesmo sentido, dentre outros, o seguinte julgado: “Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR EXERCÍCIO: 2000 ITR/2001. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL PARA EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. Os dispositivos sobre nulidade no processo administrativo fiscal, estão contidos no art. 59 do Dec. nº 70.235/72, que define como nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Afora isso, as demais situações não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, ressalvados os casos em que este lhe houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (...) Fl. 353DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1116.14128.T5LM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10845.720374/201047 Acórdão n.º 2101002.236 S2C1T1 Fl. 348 6 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. Os elementos probatórios deverão ser considerados no relatório e na decisão. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias, de acordo com os §§ 1º e 2º do art. 38 da Lei 9.784/99. As áreas de utilização limitada referemse às áreas de preservação permanente e às revestidas por vegetação nativa pertencentes ao Bioma Mata Atlântica, protegida na época da autorização pelo Decreto Federal nº 750/93 e suas regulamentações. Tais áreas assim declaradas por ato do órgão competente federal ou estadual, tem eficácia como documento probante. (...) RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (3º Conselho de Contribuintes, 1ª. Câmara, Acórdão 30134.459, Rel. Cons. Otacílio Dantas Cartaxo, j. em 20/05/2008, DOU de 12/11/2008) Assim, por qualquer ângulo que se examine a questão, no caso concreto as áreas realmente gozam de isenção legal. Ademais, a Contribuinte apresentou laudo emitido por Engenheiro Agrônomo (fls. 228/268), acompanhado de ART (fls. 269/270), comprovando a existência das florestas nativas, bem como certidão do IBAMA atestando existir a área de 29.930 hectares “de área recoberta por Floresta Ombrófila Densa típica de Mata Atlântica nos estágios médio e avançado de regeneração de florestas secundárias e floresta primárias, em seu clímax” (fl. 271) na qual reconhece expressamente a área como de interesse ecológico e de utilização limitada. Dessa forma, nego provimento ao recurso de ofício. Em relação ao recurso da Contribuinte, existe a alegação de que o acórdão recorrido, ao manter a tributação sobre os 70 hectares restantes do imóvel, desconsiderou o fato de que se trata de área coberta por benfeitorias, que, nos termos da legislação, é expressamente isenta do ITR. Ocorre que a área de benfeitorias não é excluída da área tributável (artigo 10, §1º, inc. II), mas sim da área aproveitável (artigo 10, §1º, IV, “a” da Lei n.° 9.393, de 1996), que são conceitos diferentes. Vejamos, nesse sentido, o citado artigo 10, §1º, IV, “a” da Lei n.° 9.393, de 1996: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (..) IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias;” Fl. 354DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1116.14128.T5LM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10845.720374/201047 Acórdão n.º 2101002.236 S2C1T1 Fl. 349 7 Portanto, ao contrário do que defende a Recorrente, o fato de a área tributável do imóvel (70 ha.) ser inteiramente ocupada com benfeitorias não culmina na ausência de imposto, pois existe efetivamente área tributável. E, nesse caso, devese lembrar do caráter extrafiscal do imposto. Assim, existindo área tributável, devese perquirir qual o “grau de utilização” dessa área, para efeitos de aplicação da alíquota do ITR. E, nesse sentido, verificase que o imóvel não possui área aproveitável para exercício das atividades rurais, pois sua área tributável é 100% ocupada com benfeitorias úteis e necessárias. Nessa hipótese, a solução é considerar o “grau de utilização” como sendo acima de 80% (culminando na aplicação da alíquota menor), consoante se depreende da resposta n.º181 do “Perguntas e Respostas” relativas ao ITR de 2012: “GRAU DE UTILIZAÇÃO (GU). INEXISTÊNCIA DE ÁREA APROVEITÁVEL 181 — Como será definido o GU do imóvel na hipótese de inexistência de área aproveitável, após deduzidas as áreas não tributáveis e as áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias? Na hipótese de inexistir área aproveitável após excluídas as áreas não tributáveis e as áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias, o GU não pode ser calculado e serão aplicadas as alíquotas correspondentes aos imóveis rurais com grau de utilização superior a oitenta por cento, observada a área total do imóvel. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 11, § 1º; RITR/2002, art. 35, § 1º; IN SRF nº 256, de 2002, art. 35, § 1º) Dessa forma, tendo em vista que, ao aplicar a alíquota de 20%, a decisão recorrida desconsiderou a existência das benfeitorias úteis e necessárias, de rigor o provimento em parte do recurso para considerar a existência das benfeitorias úteis e necessárias de 70 ha., reduzindose a alíquota aplicável para 0,45%, prevista no anexo ao artigo 11 da Lei 9.393/96 para imóveis acima de 5.000 ha. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento EM PARTE ao recurso voluntário, para reconhecer a área ocupada por benfeitorias úteis e necessárias de 70 ha. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 355DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1116.14128.T5LM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10845.720374/201047 Acórdão n.º 2101002.236 S2C1T1 Fl. 350 8 Fl. 356DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1116.14128.T5LM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA em 18/07/2013 14:38:32. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA em 18/07/2013. Documento assinado digitalmente por: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY em 23/07/2013 e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA em 18/07/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO em 04/11/2016. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.1116.14128.T5LM Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10845.720374/2010-47. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10711.725848/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/10/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.486
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1887; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.725848/201143 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302003.486 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 58 48 /2 01 1- 43 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.725848/201143 Acórdão n.º 3302003.486 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.725848/201143 Acórdão n.º 3302003.486 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.725848/201143 Acórdão n.º 3302003.486 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.725848/201143 Acórdão n.º 3302003.486 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.725848/201143 Acórdão n.º 3302003.486 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.725848/201143 Acórdão n.º 3302003.486 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.725848/201143 Acórdão n.º 3302003.486 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.725848/201143 Acórdão n.º 3302003.486 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 144DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13982.000492/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
Simples Federal. Exclusão. Interpostas Pessoas.
Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional.
Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
Simples Federal. Exclusão. Interpostas Pessoas.
Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
Simulação do Ato Jurídico. Evasão Fiscal. Utilização de Interpostas Pessoas.
A utilização de interpostas pessoas, laranjas, no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária.
Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal. Vinculação da Atividade do Lançamento. Interposição de Pessoas.
A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identifica-se com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. A utilização de interpostas pessoas no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária.
Sujeição Passiva Solidária. Empresas do Grupo Econômico. Legitimidade.
Correto o estabelecimento da sujeição passiva solidária uma vez constatado nos autos que as empresas que efetivamente operam (comercializam e prestam serviços) utilizaram-se de subterfúgios, com a criação de empresas-satélites fictícias, com o intuito de indevidamente aderir à sistemática do regime tributário diferenciado e de favorecimento fiscal, Simples Nacional/Federal, restando devidamente comprovado o interesse comum e a prática dos atos fraudulentos para se eximir das obrigações tributárias.
Juros de Mora sobre Multa de Ofício.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo neste conceito o tributo e a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples. Autos de Infração. Concomitância.
A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.
(Súmula CARF nº 77)
Nulidade da Decisão. Cerceamento do Direito de Defesa.
Não constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, irrelevantes à solução do conflito, nos termos do disposto nos artigos 59, II, c/c 60 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não constata-se nos autos que o acórdão de primeira instância quedou-se silente sobre qualquer contestação aduzida pela contribuinte.
Pedido de Perícia/Diligência. Indeferimento. Não Causa Nulidade.
A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF)
Nulidade dos ADE. Competência da Autoridade Fiscal.
A autoridade fiscal, no caso Inspetor/Delegado do órgão da Administração Tributária, é competente para emitir os atos administrativos necessários à exclusão dos contribuintes dos regimes de tributação diferenciados e instituídos em favor fiscal, Simples Nacional/Federal, por previsão nas normas de regência destas sistemáticas de tributação.
Nulidade da Autuação. Desconsideração da Personalidade Jurídica.
Não se constata nos autos qualquer despersonalização de pessoa jurídica, mas somente a tributação devida, nos estritos moldes legais, de operações comerciais e de prestação de serviços, que não podem se sujeitar aos regimes de tributação do Simples Nacional/ Federal.
Numero da decisão: 1302-001.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários dos sujeito passivo principal e dos responsáveis solidários, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto de Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 Simples Federal. Exclusão. Interpostas Pessoas. Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional. Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 Simples Federal. Exclusão. Interpostas Pessoas. Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Simulação do Ato Jurídico. Evasão Fiscal. Utilização de Interpostas Pessoas. A utilização de interpostas pessoas, laranjas, no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária. Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal. Vinculação da Atividade do Lançamento. Interposição de Pessoas. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identifica-se com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. A utilização de interpostas pessoas no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária. Sujeição Passiva Solidária. Empresas do Grupo Econômico. Legitimidade. Correto o estabelecimento da sujeição passiva solidária uma vez constatado nos autos que as empresas que efetivamente operam (comercializam e prestam serviços) utilizaram-se de subterfúgios, com a criação de empresas-satélites fictícias, com o intuito de indevidamente aderir à sistemática do regime tributário diferenciado e de favorecimento fiscal, Simples Nacional/Federal, restando devidamente comprovado o interesse comum e a prática dos atos fraudulentos para se eximir das obrigações tributárias. Juros de Mora sobre Multa de Ofício. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo neste conceito o tributo e a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples. Autos de Infração. Concomitância. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula CARF nº 77) Nulidade da Decisão. Cerceamento do Direito de Defesa. Não constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, irrelevantes à solução do conflito, nos termos do disposto nos artigos 59, II, c/c 60 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não constata-se nos autos que o acórdão de primeira instância quedou-se silente sobre qualquer contestação aduzida pela contribuinte. Pedido de Perícia/Diligência. Indeferimento. Não Causa Nulidade. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) Nulidade dos ADE. Competência da Autoridade Fiscal. A autoridade fiscal, no caso Inspetor/Delegado do órgão da Administração Tributária, é competente para emitir os atos administrativos necessários à exclusão dos contribuintes dos regimes de tributação diferenciados e instituídos em favor fiscal, Simples Nacional/Federal, por previsão nas normas de regência destas sistemáticas de tributação. Nulidade da Autuação. Desconsideração da Personalidade Jurídica. Não se constata nos autos qualquer despersonalização de pessoa jurídica, mas somente a tributação devida, nos estritos moldes legais, de operações comerciais e de prestação de serviços, que não podem se sujeitar aos regimes de tributação do Simples Nacional/ Federal.
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E COM. LTDA. e TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. INTERPOSTAS PESSOAS. Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos Simples Federal/Nacional. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. INTERPOSTAS PESSOAS. Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos Simples Federal/Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 SIMULAÇÃO DO ATO JURÍDICO. EVASÃO FISCAL. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. A utilização de interpostas pessoas, laranjas, no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 04 92 /2 01 0- 59 Fl. 678DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 2 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. A utilização de interpostas pessoas no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EMPRESAS DO GRUPO ECONÔMICO. LEGITIMIDADE. Correto o estabelecimento da sujeição passiva solidária uma vez constatado nos autos que as empresas que efetivamente operam (comercializam e prestam serviços) utilizaramse de subterfúgios, com a criação de empresas satélites fictícias, com o intuito de indevidamente aderir à sistemática do regime tributário diferenciado e de favorecimento fiscal, Simples Nacional/Federal, restando devidamente comprovado o interesse comum e a prática dos atos fraudulentos para se eximir das obrigações tributárias. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo neste conceito o tributo e a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUTOS DE INFRAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula CARF nº 77) NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, irrelevantes à solução do conflito, nos termos do disposto nos artigos 59, II, c/c 60 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não constatase nos autos que o acórdão de primeira instância quedouse silente sobre qualquer contestação aduzida pela contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. NÃO CAUSA NULIDADE. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) NULIDADE DOS ADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 3 3 A autoridade fiscal, no caso Inspetor/Delegado do órgão da Administração Tributária, é competente para emitir os atos administrativos necessários à exclusão dos contribuintes dos regimes de tributação diferenciados e instituídos em favor fiscal, Simples Nacional/Federal, por previsão nas normas de regência destas sistemáticas de tributação. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. Não se constata nos autos qualquer despersonalização de pessoa jurídica, mas somente a tributação devida, nos estritos moldes legais, de operações comerciais e de prestação de serviços, que não podem se sujeitar aos regimes de tributação do Simples Nacional/ Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários dos sujeito passivo principal e dos responsáveis solidários, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto de Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratamse de Recursos Voluntários interpostos pelos recorrentes acima identificados contra o Acórdão nº 1651.348/13, efls 548 a 599, proferido pela Sétima Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP 1, o qual manteve as exclusões da empresa do Simples Federal (Lei nº 9.317/96), do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/06) ADE nºs 63 e 64, às efls. 83 e 84 , bem como os Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativas aos anoscalendários de 2005 a 2009, no valor total de R$ 916.326,77, incluídos a multa de ofício cominada na forma qualificada (150%) e juros moratórios AI às efls. 105 a 200, e Termo de Verificações Fiscal às efls. 486 a 495. Assim restou ementado o acórdão recorrido: Juntada de Prova. Oportunidade. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 4 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; ou (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Cerceamento do Direito de Defesa. Fase Procedimental. Caráter Inquisitório. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal, durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. Competência. Autoridade Administrativa. A autoridade administrativa tem competência para atuar de ofício, independentemente de prévia decisão judicial, quando se comprove que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação. Exclusão do SIMPLES. Constituição de Pessoa Jurídica por Interpostas Pessoas. Efeitos. Provada a constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, válida a exclusão de ofício do SIMPLES, formalizada pela autoridade competente no ADE em litígio, com efeitos a partir, inclusive, do mês da constituição da pessoa jurídica, mas observado o prazo decadencial. Exclusão do SIMPLES NACIONAL. Constituição de Pessoa Jurídica por Interpostas Pessoas. Provada a constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, válida a exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL, formalizada pela autoridade competente no ADE em litígio, com efeitos a partir da instituição do regime em 1º/07/2007. Lucro Arbitrado. O imposto deve ser determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. Reconstituição da Escrita. Dever Instrumental da Contribuinte. A manutenção de escrituração comercial e fiscal, nos termos da legislação, com suporte em documentação hábil, é dever instrumental, ou obrigação acessória da contribuinte, para que a fiscalização possa exercer o poder de verificação da regularidade da apuração das bases de cálculo e dos tributos e contribuições devidos. A fiscalização não tem o dever de suprir a inércia da contribuinte, na produção da prova de escrituração hábil. Lucro Presumido. Opção Não Admitida às Empresas Excluídas do Simples Federal. Como a opção pelo Lucro Presumido deve ser manifestada com o pagamento espontâneo do imposto devido, o que não se configura possível após a instauração do procedimento fiscal, e como não prevista tal possibilidade na Fl. 681DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 4 5 Lei de regência do Simples Federal, nos casos de exclusão retroativa, a empresa deve se submeter à tributação com base no Lucro Real ou Arbitrado. Simulação. Constituição de Pessoa Jurídica por Interpostas Pessoas. Considerase robusto o conjunto probatório produzido pela fiscalização acerca da simulação na constituição de pessoa jurídica, por interpostas pessoas, quando formado, em síntese, pelos seguintes elementos: (i) a simulação na designação do administrador do empreendimento no contrato social; (ii) a prova de que os designados sócios do empreendimento eram em regra exempregados e/ou empregados das outras empresas do grupo econômico; (iii) a falta de localização da empresa no endereço cadastral; (iv) a falta de escrituração de despesas necessárias ao desempenho a atividade descrita no contrato social; (v) a prova de que se utilizava de equipamentos de segurança e de funcionários das outras empresas, e consequentemente não desempenhava uma atividade independente e autônoma; (vi) a localização de sua contabilidade no endereço de outra empresa; (vii) a prova de que havia circulação de recursos, ao menos escriturais, para dar aparência de regularidade, entre as empresas do grupo; e (viii) a prova de que pessoa jurídica tinha uma folha de pagamentos incompatível com o porte/faturamento da empresa. A constituição da pessoa jurídica, por interpostas pessoas, teve como único propósito reduzir a carga tributária incidente sobre a folha de pagamentos, mediante o registro dos empregados do grupo empresarial, em uma pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Suspensão de Exigibilidade do Crédito Tributário. Efeitos da Impugnação ao ADE. “A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão” (Súmula CARF nº 77). Responsabilidade de Terceiros. Interesse Comum. É evidente o interesse comum das designadas responsáveis tributárias na constituição de pessoa jurídica, por interpostas pessoas, optante pelo SIMPLES e pelo SIMPLES NACIONAL, utilizada para registro de grande parte dos empregados daquelas empresas, e assim reduzir a carga tributária incidente sobre a folha de pagamento das responsáveis tributárias. Multa Qualificada. Sonegação. A constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas, não para desenvolvimento de uma atividade empresarial, mas para reduzir a carga tributária incidente sobre a folha de pagamento de outras empresas, configura ação dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Somente a lei pode estabelecer: (i) a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela Fl. 682DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 6 definidas; e (ii) as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades Não há qualquer dúvida acerca do dolo da conduta da contribuinte que permita a incidência dos preceitos do art. 112 do CTN. A exclusão da empresa dos regimes diferenciados de tributação, simplificados e favorecidos, iniciouse por uma representação pela qual a autoridade fiscal relatou os seguintes fatos à autoridade competente à expedição dos Atos Declaratório Executivos de exclusão (ADE) e conclui que a empresa J.J.B. Refrigeração Ltda. foi constituída por simulação, só existindo para registrar empregados no papel, sem dispor de patrimônio, ativo imobilizado, capacidade operacional necessária à realização do seu objeto social: A diligência fiscal desenvolvida na empresa acima identificada evidencia a presença de subterfúgios utilizados no intuito de afastar a incidência de contribuições previdenciárias (cota patronal e terceiras entidades) , por meio da opção indevida pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES, a partir da sua criação em 15/02/1999. Tais subterfúgios consistem em incluir em seus quadros societários, pessoas que não são seus verdadeiros sócios e, ainda, deixando de incluir no quadro societário os sócios de fato. Constatouse que a mesma integra, DE FATO, um GRUPO ECONÔMICO, liderado pelas empresas TRUKAM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA,' CNPJ 82.853.953/000167, criada em 1973 (fls.10) e TRUKAM IMPLEMENTOS 'E. VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA, CNPJ 78.814.522/000114, criada em 1985 (fls.11) que se constituem nas empresasmãe. São sócios das empresamãe FIORINDO MENEGOLLA, AVELINO MENEGOLLA e ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA (folhas 12 a 18). A empresa representada é administrada, por instrumento público de procuração, por LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, que vem a ser filha do sócio das empresasmãe AVELINO MENEGOLLA. [...] 1. Desde a sua constituição, conforme Contrato Social as folhas 19 a 22, é possível comprovar a presença de fatos, por dizer, no mínimo, estranhos. De inicio a empresa foi constituída pelos sócios DILMAR GALILEU CENTENARO e MARIA CRISTINA GUTERRES SOBE CENTENARO. Embora a empresa tem sua suposta sede na cidade de Concórdia, ambos residem na cidade de Xanxerê/SC, conforme folhas 23 a 24. Além de residirem em cidade diversa da sede da empresa representada, ambos, são sócios de outra empresa denominada DILMAR GALILEU CENTENARO & CIA.LTDA., CNPJ 07.433.638/000165, folhas 25, localizada em Xanxer8/SC na Rua Padre Vingnouts, 383 Sala 01, folhas 26. Em visita ao local constatamos que nenhuma empresa opera suas atividades naquele local. Por sua vez, o endereço declarado pela sócia MARIA CRISTINA GUTERRES SOBE CENTENARO (Rua Ita, 383 Casa Xanxeré/SC) não existe, conforme constatado no local. DILMAR GALILEU CENTENARO e GILBERTO ANTONIO CENTENARO, são irmãos, conforme folhas 27 a 28, sendo que ambos figuram ou Fl. 683DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 5 7 figuraram como sócios da empresa RODOESTE MECÂNICA E CHAPEAÇÃO LTDA, CNPJ 02.649.420/000129, criada com mesmo propósito e também aqui representada em processo distinto. Sendo que GILBERTO ANTONIO CENTENARO trabalha como empregado do grupo TRUKAM desde 01/06/1982, conforme folha 29. Outros fatos contribuem para a convicção de que se trata de mera simulação, vejamos: Na Primeira Alteração do Contrato Social, em 02/04/2001, conforme folhas 30 a 31, retirouse da sociedade o sócio DILMAR GALILEU CENTENARO e ingressou o sócio RICARDO MENEGOLLA, que além de residir na cidade de Xanxerê, diversa da cidade de Concórdia, vem a ser filho de FIORINDO MENEGOLLA, um dos sócios das empresasmãe. Na Terceira Alteração do Contrato Social, retirouse da sociedade MARIA CRISTINA GUTERRES SOBE CENTENARO e ingressou o sócio GILMAR COUSSEOU, conforme folhas 32 a 33, permanecendo, este ultimo, na empresa, até os dias atuais. O "sócio" GILMAR COUSSEAU, trabalha para o grupo TRUKAM desde 01/09/1989, conforme folhas 34. Entretanto, no caso do segurado GILMAR COUSSEOU, o mesmo jamais constou como "sócio" da empresa representada e sim como "empregado" de outras empresas do mesmo grupo econômico. No período de 01/09/1998 até 15/03/2007 constou como empregado da empresa RODOESTE MECÂNICA E CHAPEACAO LTDA, CNPJ 02.649.420/000129. A titulo de amostragem anexamos cópia da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, dos meses de competência 12/2005 e 12/2006, onde o referido segurado consta como segurado empregado (categoria 01), conforme folhas 35 a 36. Já para o período de 02/04/2007 em diante o mesmo constou como empregado da empresa TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA, CNPJ 07.054.857/000133. A titulo de amostragem anexamos cópia da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, dos meses de competência 07/2007, 07/2008, 07/2009 e 03/20, onde o referido segurado consta como segurado empregado (categoria 01), conforme folhas 37 a 40. As duas empresas RODOESTE MECÂNICA E CHAPEAÇÃO LTDA e TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA, foram criadas com o mesmo propósito, sendo objeto de representações distintas. 2. A empresa J,J,B. REFRIGERAÇÃO LTDA., aqui representada, está localizada no mesmo endereço da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA., CNPJ 78.814.522/000203 na Rodovia BR 153, KM 101, s/n Concórdia/SC, conforme folhas 41 a 42. 3. A empresa representada está, supostamente, localizada no imóvel da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA, conforme folhas 43 a 44. [...] A empresa representada é administrada, de fato, por LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, que é filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresasmãe, através de Instrumento Público de procuração outorgada em Fl. 684DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 8 05/05/2009 pelo sócio RICARDO MENEGOLLA. A referida procuração, conforme folhas 46, confere a outorgada "...,amplos, gerais e ilimitados poderes para gerenciar o seu negócio,...". 6. A constatação de que se trata de um mesmo grupo econômico pode ser verificada de diferentes formas. Por exemplo, no caso da contratação do segurado TIAGO LAZZARIN, o impresso utilizado para a entrega de equipamentos de proteção individual traz em seu cabeçalho o nome "TRUKAM", mesmo se tratando de uma (suposta) empresa distinta, folhas 47 a 48. 7. Outra constatação de que se trata do mesmo grupo empresarial a centralização da contabilidade das empresas envolvidas, nas dependências da empresa TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIARIOS LTDA, em Xanxerê/SC, uma das empresasmãe. Responde pelos serviços contábeis o mesmo profissional, Sr. OLDI VERGÍLIO CASSOL. 8. Da mesma forma os serviços de recursos humanos (admissão, dispensa, etc.) são prestados nas , dependências da empresa TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIARIOS LTDA, em Xanxerê/SC, uma das empresasmãe. Responde pelos serviços de recursos humanos a mesma profissional, Sra. RITA LUZIA PICCINI, que é empregada da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIARIOS LTDA, CNPJ 78.814.522/0001 14, conforme folhas 49. Este fato pode ser facilmente identificado no caso da segurada DANIELE BASSANI, cujo aviso de férias e recibo de férias foi assinado pela Sra. Rita em nome da empresa representada, conforme fls.50 a 52. 9. No mês de competência 03/2010 a empresa representada fez constar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, a existência de 54 (vinte) segurados, conforme folhas 45. Já a empresamãe que tem endereço no mesmo local apresentou apenas 6 (seis) segurados, folhas 54. Ao visitar o local, conforme fotografias, as folhas 55 a 57, observouse que no local não há qualquer alusão a empresa representada J.J.B. REFRIGERAÇÃO LTDA. Na fachada, tanto do escritório quanto da oficina, consta apenas o nome do grupo econômico "TRUKAM". 10. Para fins de demonstração foi analisado, por amostragem, apenas a contabilidade do exercício fiscal de 2008 e, pelas constatações, além dos fatos acima descritos, na contabilidade da empresa representada, foram encontradas situações que apontam para a mesma convicção que se trata de empresa interposta com o propósito único de manter para si (optante do SIMPLES) o registro da maioria dos empregados, enquanto a maior parte da receita é contabilizada nas empresasmãe (não optante do SIMPLES), e, com isto, deixar de contribuir com a contribuição social devida em favor da Seguridade Social, a saber: 10.1 A empresa mantém um ativo imobilizado insignificante de apenas R$ 7.185,00 composto por máquinas, móveis e utensílios, conforme folhas 58. [...] 10.3 Não consta na contabilidade de 2008 o pagamento de impostos e taxas municipais, tais como alvará de licença e funcionamento. 10.4 Não consta na contabilidade de 2008 despesas com o consumo de energia elétrica. 10.5 Não consta na contabilidade de 2008 despesas com o consumo de Agua. 10.6 Não consta na contabilidade de 2008 despesas com telefone. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 6 9 10.7 Nos dias 07 e 08/11/2008 a contabilidade da empresa autuada apresentou "estouro" da conta caixa, com os saldos credores, respectivamente, de R$23.757,41 e R$8.797,21 conforme folhas 60. 11. 0 ramo de atividade das empresasmãe, de acordo com o Contrato Social das mesmas, é exatamente igual com a seguinte redação: "...EXPLORAÇÂO DO RAMO DE COMÉRCIO DE IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIARIOS, FURGÕES, CÂMARAS FRIGORÍFICAS, PEÇAS E ACESSÓRIO, MECÂNICA PESADA, REFORMAS EM GERAL, MONTADORA DE E (TERCEIRO EIXO), BASCULANTES, TANQUES SOBRECHASSIS E PEÇAS PERTENCENTES AOS MESMOS." Por sua vez, o ramo de atividade da empresa representada, no Contrato Social, ficou assim definido: "...VENDAS DE PEÇAS RARA VEÍCULOS AUTOMOTORES, SEMI REBOQUES, CÂMARAS FRIGORÍFICAS, CONJUNTOS PARA REFRIGERAÇÃO E MAO DE OBRA EM CHAPEAÇÃO, PINTURAS EM VEÍCULOS AUTOMOTORES, SEMI REBOQUES E CÂMARAS FRIGORÍFICAS." Observase que o ramo de atividade da empresa representada se enquadra perfeitamente no conceito de "COMÉRCIO DE IMPLEMENTOS E REFORMAS EM GERAL" contido no Contrato Social das empresasmãe. 12. Mas, é no confronto da receita bruta operacional das empresasmãe e da receita bruta operacional da empresa representada, comparado com os custos brutos de mão de obra, de cada uma delas, que a simulação irá se revelar de forma inquestionável e insofismável. Cabe lembrar que os ramos de atividades da empresa representada e das empresasmãe são correlatos e congêneres. Os números se referem ao exercício fiscal de 2008, a saber: Nome da Empresa Designação Receita Bruta Operacional Salário Bruto dos Empregados Salário em Relação a Receita Produtividade da Mão de Obra Trukam Ind. e Com. Empresa mãe 3.134.190,02 119.581,31 3,82% 26,21 Trukam Impl. E Veículos Empresa mãe 7.688.002,66 254.418,29 3,31% 30,22 J.J.B. Refrigeração Empresa Satélite 1.434.084,04 849.200,40 59,22% 1,69% Do quadro acima é possível identificar as seguintes distorções: 13.1 Enquanto as empresasmãe gastam 3,82% e 3,31%, respectivamente, da sua receita com o salário de seus empregados a empresa representada gasta 59,22% e, 13.2 Enquanto as empresasmãe conseguem gerar 26,21 e 30,22 reais de receita para 1,00 real gasto com o salário bruto dos empregados a empresa representada consegue gerar tão somente 1,69 de real. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 10 Fica, definitivamente, esclarecido que o intuito da simulação foi deixar a receitas com as empresas não optantes do SIMPLES e a mãodeobra (sobre as quais incidem as contribuições previdenciárias) com a empresa optante do SIMPLES a fim de lograr beneficio tributário indevido em favor desta última. Em assim raciocinando, representouse e a empresa foi excluída do Simples Federal, para os anoscalendários de 2005, 2006 até junho de 2007, e do Simples Nacional, para os anoscalendários de 2007 (julho a dezembro), 2008 e 2009, com fulcro nos artigos 14, inciso IV, e 15, inciso V, da Lei nº 9.317/96 e artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, inciso IV e parágrafo 1º, da Lei Complementar nº 123/06, respectivamente, consoante mencionados Atos Declaratórios Executivos (ADE). E, em seguida, cuidouse de apurar os tributos federais, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, nos moldes comuns às pessoas jurídicas vedadas a aderir às sistemáticas do Simples, sendo que para os anoscalendários de 2005 e 2006 foram considerados os lucros na forma arbitrada, pelo fato de a empresa não possuir contabilidade completa, nem têla escriturado durante o procedimento fiscal, enquanto para os demais períodos, considerouse o lucro apurado na forma real, por opção manifestada pela contribuinte em resposta à intimação fiscal, consoante autorizado pela Lei Complementar nº 123/06. A fiscalização limitouse a apurar os tributos IRPJ, CSLL, PIS e Cofins com base na receita conhecida, declarada em DSIRPJ. Os recorrentes interpuseram tempestivamente1 os Recursos de efls. 610 a 629 e 666 a 671, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: I) Empresa recorrente a) os efeitos suspensivos dos ADE impedem, antes de definitivamente julgadas as suas procedências, a lavratura de Autos de Infração para a exigência de créditos tributários; b) são nulos os ADE, pois a empresa não foi ouvida antes da emissão destes, abrindose o direito ao contraditório somente após a emissão dos atos administrativos; este procedimento é rechaçado pelos tribunais, que entendem que primeiro a empresa deve sr notificada dos fatos contra si arguídos, para depois ser excluída, ou não, do regime simplificado; c) a Súmula CARF nº 17 deveria ter sido aplicada, por seu efeito vinculante, não cabendo a cominação da multa de ofício quando o lançamento tributário é efetuado para previnir a decadência; d) argumenta que a empresa não pode ser excluída sumariamente do Simples sob a acusação de prática reiterada de infração, ou por ato simulado, sem antes haver pronunciamento judicial neste sentido; cita o artigo 168, § único, do Código Civil; e) não houve prática de infração reiteradamente notificada à contribuinte, pelo que insubsistentes os ADE; f) houve presunção de culpa da recorrente pelas infrações, negandose vigência aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; g) o acórdão recorrido afirma que a imputação da solidariedade passiva tem como fulcro o artigo 124, inciso I, do CTN; todavia, no relatório fiscal a base legal utilizada foi o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, inaplicável às pessoas que se submetem ao Simples Federal e Nacional, 1 Empresa: Termo de Ciência – 11/10/13, efls. 600; Recurso – 01/11/13, efls. 610 Solidários: AR 27/11/13, efls. 663 e 664; Recurso 04/12/13, efls. 666 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 7 11 cujos diplomas legais são outros e somente estes podem ser aplicados; destarte, não há base legal, pois o crédito tributário diz respeito a valores não recolhidos no âmbito do Simples; h) a decisão recorrida adotou a dedução da fiscalização que constitui em mera presunção, sem considerar que nada obsta que empresas com maior estrutura venham auxiliar outras de menor estrutura sem prejuízo da independência de cada, e que estes auxílios em condução de negócios não refletem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária; i) sobre a acusação de ser empresa formada por interposta pessoa, sem vida própria, acrescenta: Igualmente nada de ilegal, nem que possa caracterizar confusão patrimonial, o fato da recorrente possuir o mesmo contador e o mesmo advogado, até porque, como já dito acima, nunca se negou que a recorrente se socorria da melhor estrutura das empresas Trukam Indústria e Comércio Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, sem nunca ter perdido sua independência. Eventual relacionamento empresarial, com transações e operações realizadas sem nenhum objetivo de impedir que terceiros ou a Fazenda Pública tivessem conhecimento, formam o que se pode denominar de "grupo empresarial entre empresas autônomas e individualizadas", sem qualquer semelhança com "formação de empresa por interposta pessoa". Mesmo que ultrapassada as razões trazidas acima e mesmo que se considerassem as empresas indicadas pela autoridade fiscal como um "grupo empresarial", especialmente pelas ligações negociais, de parentesco e ou de vizinhança que unem as empresas, tal característica não configura "formação de empresa por interposta pessoa", nem representa prática de infração contra a legislação. Há milhares e milhares de "grupos empresariais" ou "grupos econômicos" em atuação no País e não se tem notícia que alguém, em sã consciência, defenda que os mesmos, pelas ligações existentes entre as empresas que deles participam, formam uma só empresa. Assim, mesmo que pudesse se pressupor um "grupo empresarial" (o que se admite apenas para se argumentar), salta aos olhos que cada uma das empresas conserva sua independência e atuação, especialmente uma administração própria, com objetivos distintos e sem subordinação j) nos casos dos autos não se pode atribuir interesse comum entre as pessoas jurídicas em situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nem se caracteriza a direção, controle ou administração de uma pela outra; k) nem o sócio da sociedade limitada responde solidariamente pelos débitos da pessoa jurídica, quanto mais "a requerente" que nem sequer consta da participação societária; discorre sobre a limitação de responsabilidade de sócios que não desempenham função de gerência; l) a qualificação da multa de ofício se fundamenta em indícios e presunções da existência da constituição da empresa por interpostas pessoas; não há que se esquecer do disposto no artigo 112 do CTN; o dolo e a máfé não se presumem; todo o funcionamento e relacionamento entre as empresas foi orquestrado pelo contador que determinava a forma, constituição e a tributação que a empresa deveria seguir; ainda que não se possa atribuir responsabilidade solidária a este, se houve alguma infração, é de se reconhecer que a empresa não agiu dolosamente, afastandose a aplicação da multa qualificada; Fl. 688DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 12 m) pelo princípio da verdade real é de se impugnar o computo dos juros de mora sobre a multa aplicada; cita jurisprudência administrativa. II) Empresas responsáveis solidárias a) preliminarmente, solicitam a nulidade do acórdão recorrido pois não apreciou todas as razões de defesa oferecidas na impugnação interposta; a rejeição genérica sem enfrentamento dos tópicos arguídos pelas recorrentes ofende os princípios da motivação e ampla defesa; b) o acórdão limitouse a reproduzir o trabalho da fiscalização e ratificar o seu entendimento, sem permitir a produção de provas e se aprofundar nas provas produzidas pelas recorrentes; c) argumentam: (...) não se pode confundir procedimentos de cooperação mútua nos negócios das empresas e na produção, ou de laços de amizade entre os sócios e desenvolvimento de estratégias conjuntas de mercado, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do CTN). Cada empresa possui personalidade jurídica distinta e atuação no mercado de forma individual e independente, como defendeuse de forma veemente na defesa apresentada. Vale dizer: ao contrário do que afirma a decisão recorrida, não há grupo empresarial, nem muito menos formação de uma empresa por interposta pessoa. A denominação vulgar de "grupo empresarial", para aquelas empresas que mantém cooperação mútua, não se confunde com "grupo econômico" a que alude o inciso I, do art. 124, do CTN. Por mais que haja relação negocial entre as pessoas jurídicas, nos grupos empresariais de direito, há independência empresarial, eis que são empresas diferentes no conceito jurídicoeconômico, somente se justificando a desconsideração da pessoa jurídica (mesmo em caso de grupos econômicos) em situações excepcionais, onde se visualiza a confusão de patrimônio, fraudes, abuso de direito e máfé. Apesar da defesa originária ter citado precedentes valiosos acerca do tema, inclusive do Superior Tribunal de Justiça, tais posicionamentos foram solenemente olvidados e desprezados, em prol de se confirmar o trabalho da fiscalização. d) cita jurisprudência sobre a inexistência de solidariedade passiva e empresas do mesmo grupo, sem a presença do interesse comum preceituado no artigo 124 do CTN; e) requer o afastamento da responsabilidade solidária. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço dos Recursos Voluntários, por tempestivos, os quais passo a apreciar conjuntamente. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 8 13 Relevante ao deslinde do litígio alertar para o fato de que o denominado grupo econômico "TRUKAM" é composto por mais seis empresas, satélites, além daquelas duas, a quem a fiscalização atribuiu a qualidade de constituídas de fato e de direito e a recorrente. Assim o grupo seria constituído por duas empresas que efetivamente operam e tem estabelecimento físico, bem como ativo imobilizado, administradores e sócios de direito que, de fato, possuem as cotas das referidas empresas: Trukam Indústria e Comércio Ltda Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda Sócios: Fiorindo Menegolla, Avelino Menegolla e Alexandre André Menegolla; Objeto Social: "exploração do ramo de comércio de implementos e veículos rodoviários, furgões, câmaras frigoríficas, peças e acessórios, mecânica pesada, reforma em geral, montadora de e (terceiro eixo), basculantes, tanques sobrechassis e peças pertencentes aos mesmos." Enquanto as empresas a seguir elencadas, segundo a fiscalização, foram constituídas apenas no papel (de direito), cujo objetivo foi de receber as folhas de pagamento dos funcionários que trabalham efetivamente para as empresas acima, a fim de fraudar a administração tributária e, ilicitamente, usufruir das sistemáticas de tributação instituídas como favor fiscal em benefício às micro e pequenas empresas (Simples Federal e Simples Nacional) são: A recorrente, JJB Refrigeração Ltda Nova Era Chapeação e Mecânica Ltda proc. nº 13982.000493/201001 Trukam Equipamentos Rodoviários Ltda proc. nº 13982.000497/201081; Trukam Refrigeração Mecânica Ltda proc. nº 13982.000495/201092 Rodaoeste Mecânica e Chapeação Ltda proc. nº 13982.000494/201048 Trukam Mecânica Pesada Ltda proc. nº 13982.000498/201026 Trukam Montadora Ltda proc. nº 13982.000496/201037 Estas empresas, dadas as circunstâncias comuns, foram excluídas dos regimes de tributação diferenciado, favorecido e simplificado, bem como houve a qualificação da multa de ofício e responsabilização solidária das empresas Trukam Indústria e Comércio Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda pelos créditos tributários erguidos pela fiscalização, em cada uma, havendo fundamentadose, basicamente, em mesmos fatos de provas e evidências, com algumas nuances. Verificase, pois, preliminarmente, inequívoca questão processual de conexão entre os referidos processos. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 14 Dispõem os artigos 103 e 105 do Código de Processo Civil, aplicados de forma subsidiária ao Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF) a respeito da matéria: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. [...] Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente Neste diapasão, estabelece o artigo 6º, § 1º, Anexo II, do Regimento Interno do Carf: Art. 6° Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1° Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Destarte, estes sete processos serão julgados concomitantemente. Passo a analisar, em cada empresa, as provas colhidas pela fiscalização para acusar estas de haverem sido constituídas sob a égide de falsidade ideológica, ato simulado de constituição de empresa, concluindo pela fraude tributária, razão da qualificação da multa e, ainda, atribuição de solidariedade passiva. Esclareço, de plano, à recorrente, que: primeiro, a fiscalização não desconstitui as personalidades jurídicas, ato privativo do poder judiciário, pois as empresas continuam a existir juridicamente; em segundo, que a exclusão das empresas da sistemática de apuração de tributos federais do Simples, Federal e Nacional, não ocorreu em virtude de tratar se de grupo econômico, como, equivocadamente, entendeu a recorrente, mas sim pelo fato primordial de constar nos quadros societários de cada empresa pessoas que não são os efetivos sócios, ou seja, a utilização de interpostas pessoas, empregados que emprestaram os nomes aos efetivos proprietários das empresas Trukam Ind e Com Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. Também deve restar esclarecido que já é matéria assente neste tribunal a possibilidade de lavrarse Autos de Infração contra contribuintes excluídos do Simples, antes de definitivamente julgada a demanda que gira em torno da exclusão. Os processos de exclusão e exigências tributárias vinculados entre si são julgados em concomitância, conforme orientação da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), Portaria RFB nº 666/08, pelo que não há o perigo de exigirse o crédito tributário sem antes decidirse a exclusão, ou viceversa. Além do mais, é pacífico na RFB, por força legal, a suspensão da exigibilidade do crédito enquanto a questão de fundo não se torna, administrativamente, coisa julgada. Por reiteradas decisões, manso e pacífico o entendimento e está estabelecido na Súmula CARF nº 77: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão Fl. 691DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 9 15 do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Inaplicável, invocarse a Súmula CARF nº 172 ao presente feito, haja vista o teor da Súmula retro transcrita, pois as autuações não são realizadas com o fim precípuo de evitarse a decadência dos tributos exigidos, mas sim com o intuito de constituir, e exigir, os créditos tributários devidos ao fisco, em face da impossibilidade constatada pela fiscalização da contribuinte haver aderido ao sistema favorecido de tributação. Ainda é importante afastar as alegações da recorrente de que os ADE de exclusão dos Simples, Federal e Nacional, padecem de nulidade porque foram emitidos sem antes oferecerse à empresa o direito de se manifestar de forma prévia à exclusão. Não há nas leis materiais ou processuais que regem esta matéria (exclusão do Simples), nem no Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal, quaisquer ordenamento neste sentido, não podendo a recorrente valerse de decisões judiciais que não possuem efeitos vinculantes à administração tributária ou às turmas julgadoras administrativas para rechaçar o que não encontra respaldo na legislação tributária e tributáriaprocessual vigente. A emissão dos referidos ADE, acompanhada da regularidade da sua ciência por parte dos contribuintes objetos de exclusão do Simples dá início ao contraditório no âmbito do processo fiscal, prestigiandose, após a instauração do litígio, os princípios do devido processo legal e o exercício da ampla defesa, como está sendo realizado pela recorrente e responsáveis solidários. Não há também qualquer óbice legal para a Administração Tributária exercer o seu papel de agente fiscalizador, inclusive verificando quem realmente pode se beneficiar de regime de tributação instituído em favor fiscal às micro e pequenas empresas e aplicando a devida sanção legal, independentemente de pronunciamento judicial. A exclusão do Simples por ato administrativo executivo está prevista nas leis de regência dos Simples. Outro equívoco de entendimento da recorrente erguese sobre o fato de alegar que a exclusão dos sistemas ocorreu por prática reiterada de infrações tributárias e que estas não teriam o condão de reiteradas, visto que não houve notificações prévias destas infrações que teriam sido praticadas diversas vezes para caracterizarse a reiteração exigida nas normas que regem os Simples, Federal e Nacional. No entanto, verificase dos autos, que o fulcro das exclusões foi a utilização de interpostas pessoas nos quadros societários destas sete empresas, vale dizer, constatação da hipótese redigida no inciso IV, do artigo 14, da Lei nº 9.317/96 (Simples Federal) e inciso IV, do artigo 29, da Lei Complementar nº 123/06 (Simples Nacional). Por conseguinte, a contestação a respeito de condutas praticadas reiteradamente não encontra guarida nos presentes autos. Superados estes pontos, dada a acusação da fiscalização de prática de atos simulados, qualificação de multa, responsabilização solidária de terceiros, passase a analisar as provas pontuais amealhadas pela fiscalização, que servirão, ou não, à formação do juízo de 2 Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 16 as empresas serem fictícias, constituídas em nome de interpostas pessoas e sem verdadeiro fim em si. Constatase da análise dos documentos e termos dos processos administrativos acima identificados, ora analisados em conjunto: 1) Todas as sete empresas possuem endereços em locais onde as duas empresas chamadas pela fiscalização 'mães' estão instaladas: a) RODAOESTE (Xanxerê/SC): endereço cadastral: Rua Julio Marino Romani, nº 320 A numeração é inexistente na rua; há uma placa identificando a RODAOESTE no endereço cadastral da NOVA ERA. b) NOVA ERA CHAPEAÇÃO E MECÂNICA (Xanxerê/SC) há a outra empresa do grupo, no número 212, da Rua Julio Marino Romani, apesar da placa de identificação "RODAOESTE"; Constatouse fls. 22, 23, 24 e 46 que neste endereço situase apenas uma espécie de ferrovelho, ou seja, depósito de carcaças e cabines danificadas de caminhões. Este depósito situase aos fundos das empresasmãe Trukam Ind. e Com. Ltda, e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, cujos endereços é o mesmo, na Rodovia BR 282, km 506. c) TRUKAM MONTADORA (Xanxerê/SC) endereço cadastral: Rodovia BR 282, km 506, fundos, sl 03 mesmo endereço das empresasmães, Trukam Ind. e Com. Ltda, e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários. d) TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS (Xanxerê/SC) Rua Thomas Westerich, 55 rua lateral à rua onde se situam as empresasmãe, Trukam Implementos e Veículos Rodoviários e Trukam Ind. e Com. Ltda. consiste em apenas um barracão, cujos proprietários do imóvel são os sócios das empresasmãe; não consta pagamento de aluguéis na contabilidade. e) TRUKAM MECÂNICA PESADA (Xanxerê/SC) endereço cadastral: Rodovia BR 282, s/n mesmo endereço das empresasmães, Trukam Ind. e Com. Ltda, e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, que situamse no km 506. f) TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA (Chapecó/SC) endereço cadastral Av. Leopoldo Sander, 2.620 mesmo endereço da filial (0003) da empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. g) JJB REFRIGERAÇÃO (Concórdia/SC) Fl. 693DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 10 17 endereço cadastral Rodovia BR 153, km 101, s/n mesmo endereço da filial (0002) da empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. 2) as pessoas que representam as sete empresas (excluídas e autuadas) nas admissões de empregados, ações trabalhistas e outros atos de gerência são vinculadas às empresasmães: a) RODAOESTE: procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresas mães. reclamações trabalhistas nºs RT 00709200802512001 (Alberto Bonatto) e RT 00096200802512002 (Roberto Carlo Frâncio), da qual extraiuse o seguinte trecho: Mas, é na folha 374 do processo trabalhista que se pode obter a mais importante revelação (folhas 44). Os advogados da parte autora ao se reportar ao fato que o autor teve seu contrato de trabalho alterado de uma para outra empresa, no mesmo grupo econômico, assim de referem a este respeito: "...Autor teve sua CTPS alterada com nova admissão pela Ré, somente por conveniência empresarial, mas na realidade, a prestação de serviços deuse sempre no mesmo local". (grifo nosso) A mesma folha 374 dos autos do processo trabalhista, da parte dos advogados da parte autora, ao se referir aos documentos trazidos pela parte ré nos autos, traz a seguinte revelação: "...CONFESSANDO EXPRESSAMENTE, tratarse de empresas do mesmo grupo econômico." (grifo original) Os atentos advogados da parte autora, ainda na folha 374 do processo trabalhista, trazem uma importante revelação: "...a localização no mesmo endereço, apenas reforçando que uma tem frente para a BR 282 enquanto a outra fica em frente para a Rua (sic) lateral." b) NOVA ERA procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresas mães; Rita Luzia Piccini, empregada registrada na empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, assina documentos pela NOVA ERA, e pelas outras empresassatélites (destaquei), relacionados aos recursos humanos, tais como aviso prévio, acordo de compensação de horas, contrato de trabalho etc fls. 36 a 42; RT nº 01278200702512000, na qual consta papel com o timbre "Trukam" c) TRUKAM MONTADORA procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresas mães; Fl. 694DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 18 recurso ordinário ROV 00597200502512006 : representou a empresa, o sócio da empresa Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, sr. Alexandre André Menegolla; se apresentaram como mandatários das duas empresas Alexandre André Menegolla, Avelino Menegolla e Fiorindo Menegolla; RT 00632200502512007 : o autor propôs a ação contra as duas empresas Trukam Montadora e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, conjuntamente. A empregada da empresa Trukam Implementos e Ve[iculos Rodoviários, que responde por toda a parte de recursos humanos das sete empresas satélites, Rita Luzia Piaccini respondeu pelas duas empresas reclamadas; RT 00876200802512002: 7.3 Muito esclarecedora é a Reclamação Trabalhista RT 00876 200802512 002 proposta por Plinio Fantinelli e que tramitou na Vara do Trabalho da Comarca de Xanxeré, folhas 48. De acordo com as páginas 03 e 04, do processo trabalhista, o autor relata que teve: "...vários contratos de trabalho com o GRUPO TRUKAM,...". De inicio informa haver laborado na Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda., posteriormente na Trukam Mecânica Pesada Ltda., e por fim foi contratado em 02/12/2006 pela Trukam Montadora Ltda, aqui representada. Por fim requer: "Evidente, portanto, a unicidade contratual, o que desde logo requer seja reconhecida e declarada", conforme folhas 49 a 50. Já a folha 11 do processo trabalhista informa que a reclamada esteve representada por LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, conforme folhas 51. E, as folha 12 do processo apresenta a nomeação da mesma como preposto da empresa aqui representada, folhas 52. 8. Não restou qualquer dúvida que a verdadeira administradora da representada é a Sra. LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA. Este fato ficou evidenciado em conversa com empregados da mesma. Apenas a titulo de ilustração apresentamos o contrato de trabalho do empregado MICHEL BRUSCHI, de 16 de setembro de 2008, onde no local da assinatura do empregador consta a assinatura da Sra. Luciana Menegolla Giroletta que, em tese, não figura como sócia ou empregada da empresa representada, folhas 53. Outro exemplo é a ficha de registro de empregados do segurado Jardel Alves Pereira, contratado em 09/12/2008, cuja assinatura do empregador também é da Sra. Luciana Menegolla Giroletta, conforme folhas 54. d) TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS (Xanxerê/SC) procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresas mães; ordem de fornecimento de produtos farmacêuticos para o empregado da Trukam Equipamentos está em nome da Trukam Ind e Com Ltda. e) TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA Rosane Salete Verardo Menegolla, esposa do sócio das empresasmãe, Alexandre André Menegolla sócia de fato, consoante se verifica: A empresa representada é administrada, de fato, por ROSANE SALETE VERARDO MENEGOLLA, que é esposa de ALEXANDRE ANDRÉ Fl. 695DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 11 19 MENEGOLLA, sócio das empresasmãe, através de Instrumentos Públicos de procurações outorgadas em 05/03/2002 e 04/08/200340 pelos segurados RODRIGO DANIEL VERARDO e DANIEL ITACIR VERARDO, que indevidamente constavam como sócios da empresa representada. As referidas procurações, conforme folhas 67 a 69, conferiram a esposa do sócio da empresamãe poderes "...,para o fim especial de administrar a firma,...". RT nº 00178200603812001 (Maristela Teixieira): Já na peça exordial, as folhas 03 da AT, a reclamante aponta como reclamados não apenas a empresa representada como também ",...e o Sr. ALEXANDRE MENEGOLLA,...", folhas 53. Na folha 47, da AT, consta com outorgante da procuração que nomeou os advogados para formular sua defesa nenhum dos sócios da representada e sim a Sra. Rosane Salete Verardo Menegolla, esposa do sócio da empresamãe TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA LTDA., O Sr. ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA, folhas 54. Por sua vez, a folha 159 da AT, na impugnação apresentada pela parte autora traz a seguinte revelação: "...,quem foi então se não as pessoas responsáveis pela pessoa jurídica, a saber os sócios que exercem função de chefia, a exemplo do Sr. ALEXANDRE e sua esposa ROSANE SALETE VERARDO MENEGOLLA..." (grifo existente), as folhas 55. Por derradeiro, a folha 167 da AT, nos traz a seguinte revelação: "...;era a Rosane que mandava 1á,...,o marido de Rosane é Alexandre que é o outro sócio da empresa;...", folhas 56. RT nº 02143200900912004 (João Antônio Bortolon) quem constou como preposto da empresa foi Avelino Menegolla, sócio das empresasmãe; RT nº 01769200800912002 (João Antônio Bortolon) quem constou como preposto da empresa foi Alexandre André Menegolla, sócio das empresasmãe; g) JJB REFRIGERAÇÃO (Concórdia/SC) procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresas mães; 3) nenhuma das sete empresas têm patrimônio próprio, ou ativo operacional significativo; 4) a contabilidade das sete empresas não registra pagamento de água, luz, aluguel, telefone, ou seja, despesas usuais operacionais; 5) toda contabilidade e a parte de gerência de pessoal é tratada por funcionários e nas dependências das empresasmãe. 6) não de menor importância, pelo contrário, é a relação mostrada pela auditoria fiscal entre as receitas brutas operacionais das empresasmãe e aquelas auferidas pelas empresassatélites em face ao custo bruto representado pelo número de empregados e salários recolhidos, demonstrando, por fim, a fraude cometida contra a previdência social e evasão da contribuição previdenciária. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 20 À grossa verificação, todas as empresassatélites, consoante relatado em cada processo, gastam em torno de 60% da receita com mão de obra, ou seja, a concentração de empregados nas empresas satélites é incompatível com as dependências (local de trabalho), máquinas operacionais, ativo imobilizado etc, enquanto as empresasmãe operam com pouquíssimos empregados e têm uma receita bruta relevantemente superior às satélites. Basta verificar o quadro elaborado pela auditoria fiscal da relação receita bruta versus mão de obra, já reproduzido no relatório acima. A respeito de todos estes fatos, entendo que são provas contudentes e robustas. Servem perfeitamente para afastar a argumentação da recorrente que houve presunção da simulação praticada, pois são fatos concretos verificados pela fiscalização e patentes nos autos. As provas produzidas e conclusões extraídas de processos trabalhistas juntados aos autos de algumas das empresassatélites são fortíssimas e impassíveis de ignorar se. A recorrente argumenta que a cooperação entre empresas do mesmo grupo não pode ser motivo para justificar a existência de simulação jurídica, no caso, falsidade ideológica na constituição de empresas. Que nada obsta a utilização de maquinários, empregados administrativos em comum etc. Equivocase, todavia. As personalidades jurídicas não podem se confundir, tal como as pessoas físicas dos sócios não podem se confundir com a pessoa jurídica, por força do princípio contábil, basilar, da identidade da empresa. Se há este esforço e ajudas mútuas ou centralização de tarefas, mister é que se proceda a rateios de custos, fundamentados em laudos técnicos e convênios firmados. O controle das despesas havidas por rateio de custos entre empresas coligadas, exige, pois, a formalização prévia de convênio firmado entre as empresas envolvidas com a fixação de critérios claros, respeitada a proporcionalidade entre o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços. No presente caso, a confusão patrimonial, a utilização de funcionários das empresasmãe para tratar de assuntos específicos e relacionados com as tais empresas, ditas fictícias, é patente e em e nenhum momento explicouse, contabilmente, qualquer acerto de custos operacionais ou relação destes gastos com as receitas de cada uma. Mas, o corpo de provas não se limita às acima denunciadas, tornandose relevante a constituição societária de cada uma delas. Vejamos. a) RODAOESTE: sócios de direito fls. 24 a 29: Pedro Celso Locatelli exerce a função de mecânico na Trukam Ind e Com Ltda.; esteve registrado como empregado nesta empresamãe de 1987 a 1998; consta como seguradoempregado na GFIP e GRFGTS; Gilberto Antônio Centenaro exerce a função de mecânico na Trukam Ind e Com Ltda.; esteve registrado como empregado nesta empresamãe de 1992 a 2002; consta como seguradoempregado na GFIP e GRFGTS; Fl. 697DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 12 21 b) NOVA ERA sócios de direito fls. 23 a 28 Jean Paulo Ferraz consta como empregado da empresamãe Trukam Ind e Com Ltda, desde 01/07/2000 (efls. 27); Vitor Sartor consta como empregado da empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, desde 01/04/1987 (efls. 28) c) TRUKAM MONTADORA sócios de direito fls. 29 a 38 Rita Luzia Piccini consta como empregada da Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, desde 16/05/1989; é a pessoa responsável pelos recursos humanos das empresasmãe; constou na abertura da empresa Trukam Montadora em 30/09/1998 e foi substituída no contrato social por Luiz Carlos Sette; Luiz Carlos Sette exerce a função de mecânico na empresamãe e está registrado como empregado de outra empresa satélite, a Trukam Equipamentos Rodoviários na GFIP; Renato Menegolla é filho de Fiorindo Menegolla, sócio das empresasmãe, Trukam Ind e Com Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. d) TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS sócios de direito fls. 24 a 32 Marcelo Menegolla filho de Avelino Menegolla, sócio das empresasmãe; Suzana Vidal da Costa Rigo trabalhava para a empresamãe, Trukam implementos e Veículos Rodoviários Ltda., desde 02/05/1997; consta como empregada da empresa Trukam Mecânica Pesada Ltda, na GFIP de 2005 a 2008 e consta como empregada da Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, a partir de dezembro de 2009, na GFIP. e) TRUKAM MECÂNICA PESADA sócios de direito fls. 23 a 37 Plínio Fantinelli constou no quadro societário desde a abertura, em 01/09/1998, até 28/11/2006; trabalhava para a empresa Trukam Implementos e Veículos Rodoviários desde 03/06/1996 a 22/09/1998; após esta data, constou como empregado da empresa Trukam MONTADORA Ltda; Antônio Marcos de Barros substituiu Plínio Fantinelli em 28/11/2006; consta em GFIP como seguradoempregado, com data de admissão em 01/04/2002; a partir de dezembro de 2009 está na GFIP da empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, também constando como data de admissão, 01/04/2002; Fl. 698DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 22 Luciana Menegolla sócia de fato e de direito, filha de Avelino Menegolla; esta pessoa é administradorasócia (de fato) de outras empresassatélites, gerindoas por meio de procurações públicas com poderes amplos e ilimitados, consoante se percebe das provas dos autos. f) TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA (Chapecó/SC) sócios de direito fls. 24 a 41 José Adilson Conrado trabalhava na empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda de 10/06/1996 a 25/06/1999, quando a empresa foi constituída em 03/05/1999; foi substituído por Rodrigo Daniel Verardo, em 15/10/2001, também posteriormente substituído por Rosângela Verardo, em 05/04/2003; Pedro Vivian trabalhava na empresa Trukam Equipamentos para o transporte Ltda desde 02/05/90 e em 10/06/1996 foi registrado na empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários; em 01/07/1999 foi registrado nesta empresa como empregado; substituído por Daniel Itacir Verardo em 05/04/2003; em 2010 constava ainda como seguradoempregado na GFIP; Daniel Itacir Verardo consta como funcionário da Prefeitura Municipal de Xanxerê desde 05/05/2003 a 16/03/07; é sogro de Alexandre André Menegolla, sócio das empresasmãe; Rosângela Verardo cunhada de Alexandre André Menegolla; consta na GFIP como seguradoempregado, com admissão em 08/05/2003. g) JJB REFRIGERAÇÃO Extraio trecho da Representação Fiscal para elucidar a constituição desta empresa e evolução do quadro societário: De inicio a empresa foi constituída pelos sócios DILMAR GALILEU CENTENARO e MARIA CRISTINA GUTERRES SOBE CENTENARO. Embora a empresa tem sua suposta sede na cidade de Concórdia, ambos residem na cidade de Xanxer8/SC, conforme folhas 23 a 24. Além de residirem em cidade diversa da sede da empresa representada, ambos, são sócios de outra empresa denominada DILMAR GALILEU CENTENARO & CIA.LTDA., CNPJ 07.433.638/000165, folhas 25, localizada em Xanxerê/SC na Rua Padre Vingnouts, 383 Sala 01, folhas 26. Em visita ao local constatamos que nenhuma empresa opera suas atividades naquele local. Por sua vez, o endereço declarado pela sócia MARIA CRISTINA GUTERRES SOBE CENTENARO (Rua Ita, 383 Casa Xanxeré/SC) não existe, conforme constatado no local. DILMAR GALILEU CENTENARO e GILBERTO ANTONIO CENTENARO, são irmãos, conforme folhas 27 a 28, sendo que ambos figuram ou figuraram como sócios da empresa RODOESTE MECÂNICA E CHAPEAÇAO LTDA, CNPJ 02.649.420/000129, criada com mesmo propósito e também;'a4ui representada em processo distinto. Sendo que GILBERTO ANTONIO . CENTENARO trabalha como empregado do grupo TRUKAM desde 01/06/1982, conforme folha 29. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 13 23 Outros fatos contribuem para a convicção de que se trata de mera simulação, vejamos: Na Primeira Alteração do Contrato Social, em 02/04/2001, conforme folhas 30 a 31, retirouse da sociedade o sócio DILMAR GALILEU CENTENARO e ingressou o sócio RICARDO MENEGOLLA, que além de residir na cidade de Xanxerê, diversa da cidade de Concórdia, vem a ser filho de FIORINDO MENEGOLLA, um dos sócios das empresasmãe. Na Terceira Alteração do Contrato Social, retirouse da sociedade MARIA CRISTINA GUTERRES SOBE CENTENARO e ingressou o sócio GILMAR COUSSEOU, conforme folhas 32 a 33, permanecendo, este ultimo, na empresa, até os dias atuais. O "sócio" GILMAR COUSSEAU, trabalha para o grupo TRUKAM desde 01/09/1989, conforme folhas 34. Entretanto, no caso do segurado GILMAR COUSSEOU, o mesmo jamais constou como "sócio" da empresa representada e sim como "empregado" de outras empresas do mesmo grupo econômico. No período de 01/09/1998 até 15/03/2007 constou como empregado da empresa RODOESTE MECÂNICA E CHAPEACAO LTDA, CNPJ 02.649.420/000129. A titulo de amostragem anexamos cópia da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, dos meses de competência 12/2005 e 12/2006, onde o referido segurado consta como segurado empregado (categoria 01) , conforme folhas 35 a 36. Já para o período de 02/04/2007 em diante o mesmo constou como empregado da empresa TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA, CNPJ 07.054.857/000133. A titulo de amostragem anexamos cópia da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, dos meses de competência 07/2007, 07/2008, 07/2009 e 03/2010 (sic), onde o referido segurado consta como segurado empregado (categoria 01), conforme folhas 37 a 40. As duas empresas RODOESTE MECÂNICA E CHAPEAÇÃO LTDA e TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA, foram criadas com o mesmo propósito, sendo objeto de representações distintas. A respeito das diversas pessoas e os papéis que exercem, de fato, nas empresas Trukam Ind e Com Ltda, ou Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, como empregados, ou sócios de fato e de direito, a recorrente não teceu qualquer contestação. Assim, as provas apresentadas pela fiscalização não foram desconstituídas e inequívoca a utilização de interpostas pessoas nos quadros societários. Mais uma vez salientese que a interposição de pessoas no quadro societário de constituição e manutenção da pessoa jurídica é um fato que nenhuma influência exerce, ou recebe, sobre o fato de existir grupo econômico, empresas coligadas ou controladas ou não. São dois problemas totalmente distintos e nos presentes autos verificouse os dois: a) a interposição de pessoas na abertura de empresas sem operacionalidade própria, com o fito de aproveitarse dos regimes favorecidos de tributação e evadirse à tributação devida; Fl. 700DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 24 b) a existência de duas empresas que de fato operam e que se valeram do subterfúgio acima criado para evadirse da tributação; Ao contrário do que afirma de forma contestatória, a recorrente não logrou em momento algum rebater as provas produzidas pela fiscalização a respeito de cada uma das sete empresas excluídas dos Simples, Federal e Nacional, que não (destaquei) "conserva sua independência e atuação, especialmente uma administração própria, com objetivos distintos e sem subordinação." Destarte, em razão do cabedal de provas fáticas da não existência física e da interposição de pessoas nos quadros societários das empresas: recorrente, Nova Era Chapeação e Mecânica Ltda, Trukam Equipamentos Rodoviários Ltda, Trukam Refrigeração Mecânica Ltda, Trukam Mecânica Pesada Ltda, Rodaoeste Mecânica e Chapeação Ltda EPP e Trukam Montadora Ltda, correto o procedimento fiscal em excluílas dos regimes tributários de favorecimento fiscal, nos termos dos artigos já referenciados e tributar as receitas que foram em nome destas empresas contabilizadas e declaradas ao fisco, em conformidade com a legislação tributária ordinária e aplicável às demais pessoas jurídicas. Exatamente da mesma forma que se sujeitam, tributariamente, as empresasmãe, Trukam Ind e Com Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. Devida e necessária a tributação das operações comerciais e prestações de serviços, sem haver despersonalização das empresas. A recorrente afirma que a solidariedade passiva estabelecida com as empresas ditas 'mãe', Trukam Ind. e Com. Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, fundamentouse no artigo 30 da Lei nº 8.212/91. Todavia, verificase ser uma falácia esta argumentação, pois os Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados contra estas duas empresas, efls. 475 a 478, resta expresso que o dispositivo legal aplicado ao caso em concreto é o artigo 124, inciso I, do CTN, bem como restou consignado, de forma explícita, no Termo de Verificações Fiscal lavrado contra a recorrente, parte integrante dos Autos de Infração objetos dos autos. Verifiquese, efls. 486 a 495: A responsabilidade solidária imputada às empresas TRUKAM Indústria e Comércio Ltda e TRUKAM Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. encontra amparo no disposto no inciso I do artigo 124 do Código Tributário Nacional CTN, que assim assevera, in verbis: "Artigo 124. Sao solidariamente obrigadas: I — as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; — Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem" (grifo nosso). Conforme restou fartamente demonstrado às fls. 1/11, a autuada integra um "grupo econômico de fato", liderado pelas empresas devedoras solidárias acima identificadas. Entre os motivos que apontam nesta direção, podemos destacar o fato da autuada desenvolver suas atividades em imóvel de propriedade de uma das empresas trazidas para a presente autuação na condição de "sujeito passivo solidário". Ademais, o interesse comum fica mais uma vez evidenciado ao se constatar que o subterfúgio utilizado na constituição da empresa autuada procura omitir os verdadeiros sócios, que são, na realidade, os titulares das duas empresas apontadas como sujeito passivo solidário. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 14 25 Incabível, ainda, a argumentação que a solidariedade passiva tributária deveria ter tido amparo legal nas normas que disciplinam o Simples Federal e Nacional, a uma porque a empresa foi efetiva e regularmente excluída das sistemáticas de favorecimento fiscal, e outra porque é o Código Tributário Nacional a norma que rege, por excelência, esta matéria. Comprovado está nos autos o interesse comum das empresas guindadas à sujeitos passivos responsáveis pelos créditos tributários apurados na recorrente e nas demais seis empresas, condição exigida pelo dispositivo legal que fundamentou o estabelecimento da sujeição passiva de forma solidária artigo 124, inciso I, do CTN. Inócuas, ainda, a invocação de preceitos legais do Código Civil sobre s empresas limitadas, dado não consistir, juridicamente, em lei especial para a situação tributária constatada e nem ser aplicável ao caso em concreto, no qual não houve sequer dissolução, regular ou irregular, de sociedade, nem atribuição a sócios de responsabilidade civil, mas sim situação excepcional de fraude cometida contra a administração tributária. No que respeita à qualificação da multa, os fatos aqui relatados impõem a certeza das empresas excluídas dos Simples, Federal e Nacional, haverem agido com máfé, conduta gravosa, no meu entender, sobretudo por tratarse de regimes de favor fiscal. A fundamentação de fato e de direito que constou no Termo de Verificações Fiscal (TVF) é mais do que precisa e suficiente para afastar qualquer argumentação de mero erro ou, como quer fazer crer a recorrente, mera influência do contador que 'engendrou' todas as simulações jurídicas por conta própria sem o conhecimento da recorrente. Ora, para a interposição fraudulenta de pessoas na constituição de empresas que se situam nas empresas efetivamente responsáveis pelas operações comerciais e prestação de serviços não cabe esta argumentação. Reproduzo os termos do TVF: Conforme fica demonstrado na presente autuação, especialmente pela leitura da narrativa dos fatos que motivaram a exclusão da autuada do SIMPLES — relatório de fls. 01 a 11 — a autuada foi "criada" unicamente com o propósito de obter a vantagem fiscal indevida de participar do SIMPLES. O fato de ter sido utilizado na constituição da pessoa jurídica sócios fictícios, omitindose os verdadeiros, afasta, por si só, qualquer possibilidade de não ter havido máfé na conduta da autuada. Agindo de forma simulada, a autuada incorreu no disposto no artigo 71 da Lei n°, 4.502, de 30 de novembro de 1964, o qual trás no seu bojo a definição de sonegação. Art. 71. Sonegação é toda agew ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazenddria: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. (grifos nossos). Ao incorrer na prática de sonegação e fraude, o contribuinte se sujeita à multa prevista no § 1° do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, que assim assevera: Fl. 702DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 26 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença e imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifo nosso). Pelo que a multa aplicada foi a de 150 %. Nada a reparar neste tópico. Por derradeiro, cumpre apreciar a questão sobre os juros de mora incidente sobre a multa de ofício aplicada. A recorrente solicita o afastamento da incidência do acréscimo legal, por força do princípio da verdade material. Cumpre consignar que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está amparada nas disposições do art. 61 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de seguinte teor: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o. de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3o. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o. do art. 5o., a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse contexto, a multa de ofício é débito para com a União. O Código Tributário Nacional (Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966), dispõe: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Fl. 703DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 15 27 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora. E o crédito tributário é definido como aquele decorrente da obrigação principal, que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também da penalidade pecuniária. A exigibilidade dos tributos e contribuições é o fundamento para a própria exigibilidade da multa de ofício. A Lei nº. 9.430, de 1996, no parágrafo único do artigo 43, prevê: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não pertencem ao original) Portanto, sendo a multa de ofício débito para com a União, configurase regular a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Em contra posição aos julgados citados pela recorrente, registro: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão 120200.138 – 1a. Seção. 2a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n" 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155 – 1a. Seção. 4a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Fl. 704DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 28 A 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais assim também já se posicionou no Acórdão 910100.539, em sessão realizada em 11 de março de 2010, de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Do referido julgado, extraemse os seguintes trechos: "O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1 0, do CTN: [...] A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 16 29 O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. [...] A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União." No mesmo sentido, ainda, a seguintes Súmulas editadas por este CARF: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº.5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Inarredável, pois, a incidência e cobrança dos juros moratórios sobre a totalidade do crédito tributário. Da matéria específica tratada no recurso voluntário interposto pelas empresas guindadas à sujeitos passivos, solidárias. As empresas solidárias requerem a nulidade do acórdão recorrido em razão de não haver apreciado todas as razões de defesa expendidas nas impugnações interpostas. Da impugnação de efls. 507 a 514, firmada pelas empresas Trukam Ind. e Com. Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, cujos termos foram reprisados no recurso voluntário oferecido por estas duas empresas, observase que todos os tópicos foram devidamente apreciados no acórdão recorrido. A contestação das empresas solidárias gira em torno da não existência do interesse comum entre as empresas responsabilizadas solidariamente e a recorrente, matéria amplamente debatida e apreciada tanto pela Turma Julgadora a quo, como nesta oportunidade, em esfera recursal. Basta a leitura integral da decisão proferida em primeira instância para atestarse este fato. Por conseguinte, improcede a nulidade arguída. No que respeita a produção de provas, as provas foram fartamente produzidas nos autos, sendo suficiente para formar a convicção das turmas julgadoras, de primeira ou nesta instância recursal, pelo que julgado desnecessário qualquer nova produção para se delinear fatos que, porventura, teriam se quedado obscuros. A oportunização de produção de qualquer prova, sem ser aquela referida expressamente, nos termos dos artigos 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), é de exclusiva conveniência Fl. 706DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 30 das autoridades julgadoras, sem que isto importe em qualquer ofensa aos preceitos constitucionais: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) E, com relação aos julgados judiciais, ou mesmo administrativos, pinçados pelas recorrentes para corroborarem as suas teses, reprisese, não possuem o condão de vincular o caso em concreto àquelas decisões. CONCLUSÃO No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Saliento, em especial, o excerto que ora reproduzo, pela excelente síntese: No caso, a partir dos elementos levantados, comprovouse em síntese que: (i) a pessoa jurídica não era administrada pelo administrador designado no contrato social, mas por pessoa ligada ao administrador das outras duas empresas do grupo que exerciam praticamente a mesma atividade; (ii) que a pessoa jurídica não estava localizada no endereço cadastral, e nem exercia atividade autônoma e independente das outras duas maiores empresas do grupo, posto que se utilizava de equipamentos de segurança e de funcionários das outras duas empresas do grupo; (iii) que a pessoa jurídica sequer escriturava despesas necessárias ao desempenho da atividade descrita no contrato social; e (iv) a pessoa jurídica tinha uma folha de pagamentos incompatível com o porte/faturamento da empresa, o que demonstra o interesse das responsáveis na simulação perpetrada. Por conta de tais elementos, foi reputada como constituída por interpostas pessoas, única e exclusivamente, para registrar os empregados das outras empresas do grupo, e assim reduzir indevidamente a carga tributária sobre a folha de pagamentos, na medida em que optante pelo SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, pelo SIMPLES NACIONAL. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000492/201059 Acórdão n.º 1302001.969 S1C3T2 Fl. 17 31 Evidenciase assim o interesse comum entre contribuinte e responsáveis, na situação fática geradora das obrigações principais, tanto que a contribuinte somente foi constituída para atenter interesses tributários das empresas designadas como responsáveis solidárias. In casu, restou comprovado que as três empresas realizaram conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, na medida em que provado que a J.J.B REFRIGERAÇÃO apenas foi constituída para registrar os empregados das outras duas empresas, e assim reduzir a carga tributária incidente sobre a folha de pagamentos daquelas empresas. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pelas recorrentes arguídas contra os ADE (atos administrativos executivos) de exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, bem como em relação à decisão de primeira instância, e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 708DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 12448.721117/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.COMPROVAÇÃO. PROVAS.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), relativos ao próprio contribuinte e a seus dependentes. No caso de despesas com próteses dentárias, exige-se comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário (§ 2º, inciso V).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.COMPROVAÇÃO. PROVAS. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), relativos ao próprio contribuinte e a seus dependentes. No caso de despesas com próteses dentárias, exige-se comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário (§ 2º, inciso V). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Recurso Voluntário Negado.
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DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.COMPROVAÇÃO. PROVAS. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), relativos ao próprio contribuinte e a seus dependentes. No caso de despesas com próteses dentárias, exigese comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário (§ 2º, inciso V). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 11 17 /2 01 0- 31 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721117/201031 Acórdão n.º 2202003.528 S2C2T2 Fl. 61 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), fl. 35, complementandoo ao final: Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe (fls 04/08), decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006, ano calendário de 2005. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl 06, procedeuse à glosa sobre a dedução indevidamente realizada pelo contribuinte a título de despesas médicas, no valor de R$ 10.670,00, relativamente ao profissional Luiz Sérgio Nogueira, no valor de R$ 10.350,00 (recibos apresentados sem a identificação do paciente beneficiário e sem descrição detalhada dos serviços prestados), bem como à profissional Maria Lúcia C. Feldman, no valor de R$ 320,00 (glosa por falta de comprovação). Regularmente cientificado da Notificação por via postal na data de 18/11/2010, conforme documentos de fls 18/19, o interessado apresentou contestação administrativa ao lançamento fiscal na data de 01/12/2010 (fl 02), onde discorda da glosa efetuada e apresenta as cópias dos documentos de fls 09/17 visando a elidir o crédito apurado. A Turma da DRJ I no Rio de Janeiro/RJ analisou a manifestação de inconformidade concluindo, em resumo, pela procedência parcial da impugnação, uma vez que com relação à despesa médica informada com a prestadora Maria Lucia Chaves Fieldman, a declaração apresentada à fl 17 dos autos, contendo, além das formalidades exigidas pelo art. 8º da Lei Tributária nº 9.250/95 supra, a descrição da dependente do notificado Maria Carmem R. de Castro como sendo a paciente beneficiária constituise documento hábil para a comprovação do gasto declarado. No entanto, no que se refere à glosa sobre o gasto informado no valor de R$ 10.350,00, relativamente ao prestador Luiz Sérgio Nogueira, considerando que as cópias dos recibos/declaração de fls 09/16 dos autos foram apresentados sem atender à exigência fiscal da descrição detalhada dos serviços prestados ao contribuinte, não foi possível àquela instância julgadora verificar se os tratamentos odontológicos prestados durante o ano de 2005 envolveram a utilização de uma ou mais próteses dentárias (o que levaria à necessidade da apresentação de notas fiscais de suas respectivas aquisições, emitidas em nome do notificado). A ciência dessa decisão deuse em 15/10/2014, com AR na folha 45, tendo o contribuinte protocolado seu recurso voluntário em 13/11/2014 (fl. 53). Em sede de recurso, trata do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, e declara que parte do valor glosado inclui, além de Fl. 61DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721117/201031 Acórdão n.º 2202003.528 S2C2T2 Fl. 62 3 serviços dentários, exames laboratoriais, radiologia e próteses dentárias, e parte referese exclusivamente a tratamentos dentários. Não possui mais comprovantes destes serviços que não se referem a tratamento dentário, porque "o prazo limite para guarda dos comprovantes do IRPF/2006, findouse em 31/12/2010". Não são anexados novos documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. O artigo 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 estatui que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. A autoridade com competência legal entendeu, a seu juízo, dentro de regular procedimento fiscal, pela necessidade de que o tratamento realizado fosse descrito pelo profissional, no que diz respeito aos recibos emitidos por Luiz Sérgio Nogueira, no total de R$ 10.350,00. Os recibos apresentam valores muito distintos, indicando que em alguns casos, além do serviço profissional, haveria a inclusão de materiais e próteses. A DRJ transcreveu o dispositivo legal que diz que no caso de próteses dentárias, além dos recibos, a dedução só é possível quando houver o receituário e a nota fiscal em nome do beneficiário: Lei 9.250, de 1995, artigo 8º, § 2º inciso V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Em seu recurso o contribuinte expressamente assume que houve, além dos tratamentos dentários, exames, serviços radiológicos e próteses dentárias, dos quais não apresenta as devidas notas fiscais, sob o argumento de que só estava obrigado a guardar tal documentação até 31/12/2010 (cinco anos após o fato gerador). Contudo, diz o RIR/1999: Art. 797. É dispensada a juntada, à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigandose, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário (DecretoLei nº 352, de 17 junho de 1968, art. 4º). Desde a fase que antecedeu ao lançamento a Autoridade Fiscal vem exigindo do contribuinte que fosse especificado nos recibos o tratamento odontológico a que se referiam, justamente para poder diferenciar o que era serviço do que era material, como por exemplo, o Fl. 62DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721117/201031 Acórdão n.º 2202003.528 S2C2T2 Fl. 63 4 custo das próteses, já que para estas há exigências específicas, conforme o dispositivo de lei acima transcrito. Em 01/12/2010, ainda dentro do prazo em que concorda que estava obrigado a guardar os documentos, o contribuinte apresenta impugnação e não os anexa ao processo (notas fiscais, recibos dos exames laboratoriais e radiológicos, etc.). Aí, no curso do processo, antes que haja qualquer decisão, se desfaz dos mesmos e alega em sede recursal que não estaria mais obrigado a mantêlos. Não há qualquer base legal ou mesmo razoabilidade para tal alegação. Deveria mantêlos, obviamente, no curso do processo em que se discute, exatamente, a sua existência. Meras alegações desacompanhadas de provas documentais sobre quais valores seriam relativos a tratamentos dentários e quais seriam relativos a outras despesas (exames e próteses) não permitem alterar o lançamento tributário que baseouse justamente na ausência dessa discriminação nos recibos profissionais. Assim sendo, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 63DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006586/2006-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
Ementa: IRPJ E CSLL - FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS - PRESERVAÇÃO DO LUCRO REAL - Incabível a preservação da tributação pelo lucro real, quando a autoridade fiscal não teve acesso aos livros contábeis e fiscais. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, com obediência à legislação tributária.
IRPJ E CSLL - OMISSÃO DE RECEITAS - FALTA DE REGISTRO DE PAGAMENTOS - ART. 40 DA LEI N° 9.430/96 - Para ser aplicada a presunção legal contida no art. 40 da Lei n° 9.430/96 é necessário que o Fisco tenha tido acesso à escrituração da contribuinte para confirmar a inexistência do registro dos valores pagos. A não localização da empresa em seu domicílio fiscal e a conseqüente falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais autoriza o arbitramento do lucro tributável, mas não permite que seja aplicada a referida presunção legal.
PIS E COFINS - OMISSÃO DE RECEITAS - VALOR TRIBUTÁVEL -Na determinação da base tributável do PIS e da COFINS, lançados por omissão de receitas, devem ser deduzidos os valores sujeitos a essas incidências declarados regularmente pela pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1202-000.049
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: IRPJ E CSLL - FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS - PRESERVAÇÃO DO LUCRO REAL - Incabível a preservação da tributação pelo lucro real, quando a autoridade fiscal não teve acesso aos livros contábeis e fiscais. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, com obediência à legislação tributária. IRPJ E CSLL - OMISSÃO DE RECEITAS - FALTA DE REGISTRO DE PAGAMENTOS - ART. 40 DA LEI N° 9.430/96 - Para ser aplicada a presunção legal contida no art. 40 da Lei n° 9.430/96 é necessário que o Fisco tenha tido acesso à escrituração da contribuinte para confirmar a inexistência do registro dos valores pagos. A não localização da empresa em seu domicílio fiscal e a conseqüente falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais autoriza o arbitramento do lucro tributável, mas não permite que seja aplicada a referida presunção legal. PIS E COFINS - OMISSÃO DE RECEITAS - VALOR TRIBUTÁVEL -Na determinação da base tributável do PIS e da COFINS, lançados por omissão de receitas, devem ser deduzidos os valores sujeitos a essas incidências declarados regularmente pela pessoa jurídica.
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Numero do processo: 11080.916495/2012-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.303
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.842, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 64 95 /2 01 2- 14 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.916495/201214 Acórdão n.º 9303004.303 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.916495/201214 Acórdão n.º 9303004.303 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13708.000340/2004-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. SOGROS.
Sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração.
Numero da decisão: 9202-004.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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DEDUÇÃO. DEPENDENTES. SOGROS. Sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 03 40 /2 00 4- 57 Fl. 120DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração para exigência de IRPF, em razão de glosa de despesas com dependentes, no caso sogra, bem como despesas com instrução de dependente. Inconformado, o contribuinte apresentou regularmente Impugnação, que foi julgada improcedente. Assim sendo, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário pelo Contribuinte. No julgamento do Voluntário a 1ª Turma Especial, da 2ª Seção de Julgamento foi dado provimento ao recurso, para restabelecer dedução da despesa médica com a sogra, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÃO. DESPESAS DEPENDENTE. INSTRUÇÃO. Restabelecese a dedução de pagamentos de despesas com dependente, e com sua instrução, quando o contribuinte provar a relação de dependência, e que realizou tais pagamentos. DEPENDENTES. SOGRO/SOGRA. Sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com três dependentes e dedução de despesas com instrução no valor de R$1.044,00, nos termos do voto do Relator. Regularmente intimada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, trazendo como paradigma os Acórdãos 104 18936, alegando que a tese encampada nesse julgamento é no sentido de que não se estabelece a referida relação de dependência, se o cônjuge do contribuinte declarante figurou em sua DIRPF como mero dependente. Em suas razões a União alega que a Lei nº 9.250, art. 35, inciso VI, autoriza a dedução com ‘os pais, os avós ou os bisavós, não incluindo, portanto, o sogro ou a sogra nesse rol. Em virtude de que a referida norma veicula benesse fiscal, cabe a sua interpretação restritiva, na forma do disposto no CTN, art. 111. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13708.000340/200457 Acórdão n.º 9202004.648 CSRFT2 Fl. 121 3 Além disso argumenta que própria jurisprudência do CARF que autoriza a dedutibilidade em questão diz que sua realização apenas pode ocorrer no caso de declaração em conjunto. Na análise de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto, tendo em vista que em contextos semelhantes, as decisões em comento divergiram a respeito da necessidade de o casal apresentar DIPF em conjunto para que os sogros possam figurar como dependentes do genro ou nora. Regularmente intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, não há reparos a se fazer na análise realizada previamente. Da análise dos presentes autos verificase que o contribuinte em questão teve glosadas com dependente, no caso sua sogra. Importante destacar que na DIRPF respectiva continha sua esposa como sua dependente e que sua sogra não auferiu rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção conforme se pode ver do seguinte trecho do voto condutor do Acórdão recorrido: Por fim, quanto à dependente Maria Batista de Lima, sogra do recorrente, entendo comprovada a relação de parentesco, através da certidão de casamento acostada às fls. 40, donde se extrai que aquela era, de fato, mãe da cônjuge do recorrente. Ao ser solicitado, em diligência, pela DRFB para que fornecesse o CPF da Sra. Maria Batista de Lima para que se pudesse averiguar se a mesma havia auferido rendimentos, o recorrente informou que a mesma jamais possuiu CPF. Razão pela qual se conclui que a Sra. Maria Batista de Lima não auferiu rendimentos tributáveis no ano em questão. (...) No presente caso, como já dito, a Sra. Edneuza Campos da Silva, esposa do recorrente, consta na declaração de rendimentos sob análise como cônjuge dependente do declarante, não havendo nos autos qualquer elemento de prova que venha a afastar o vínculo ali informado, ou ainda, que venha a demonstrar a incomunicabilidade do patrimônio relacionado na referida declaração; já tendo, inclusive, sua dependência reconhecida neste acórdão. Alega a União, todavia, que apenas na hipótese em que a DIRPF é entregue de forma conjunta há a possibilidade de se incluir sogro/sogra como dependente. Fl. 122DF CARF MF 4 Vale destacar que essa matéria já fora analisada por diversas outras ocasiões por este Tribunal. Inclusive a própria Câmara Superior já se debruçou sobre o tema, conforme se pode depreender do Acórdão 9202002.882, onde, por unanimidade de votos, ficou decidido que sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração. Importante frisar, ainda, que no caso analisado pela CSRF a esposa do sujeito passivo e sua sogra foram declaradas dependentes suas. A razão para tal concussão é que na hipótese em que um dos cônjuges é dependente do outro, há, devido ao núcleo familiar, a possibilidade de que os pais do cônjuge dependente sejam assim listados na declaração de ajuste anual do casal. São, na verdade, pais do cônjuge, que, embora não aufira rendimentos por seu labor ou capital, é titular de parte dos rendimentos do outro. Por esse motivo, interpretase extensivamente o disposto no artigo 35, VI, da Lei 9.250/95, para ali também incluir o sogro e a sogra. Penso exatamente dessa maneira. Nesse contexto, entendo que não há reparos a se fazer na decisão recorrida. Assim, voto por negar provimento ao recurso da União. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Declaração de Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Divirjo do posicionamento do Ilustre Relator, por entender que ele contraria a legislação que rege o Imposto de Renda Pessoa Física. O art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, contém o rol exaustivo dos dependentes para o Imposto de Renda: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13708.000340/200457 Acórdão n.º 9202004.648 CSRFT2 Fl. 122 5 III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. (grifei) Assim, constatase que desse rol exaustivo não consta a figura dos sogros, portanto eles não podem ser considerados como dependentes. Por outro lado, como responsável por determinar a forma e condições de apresentação da Declaração de Ajuste Anual, a Receita Federal sempre permitiu que, na constância da sociedade conjugal, quando os dois cônjuges/companheiros estão obrigados a apresentar a declaração, possam fazêlo em conjunto. É o que consta de forma claríssima no art. 8º do RIR/1999: Art. 8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. (...) §3º O cônjuge declarante poderá pleitear a dedução do valor a título de dependente relativo ao outro cônjuge.” (grifei) Nesse passo, no caso de opção dos cônjuges/companheiros por declaração em conjunto, deve ser assinalado o campo "Esta declaração é em conjunto", que consta do cabeçalho da Declaração de Ajuste Anual. Dessas duas normas decorre a conclusão de que um cônjuge/companheiro pode figurar da declaração do outro cônjuge/companheiro apenas em duas situações, mutuamente excludentes: apenas como dependente, por força do art. 35, incisos I ou II, da Lei nº 9.250, de 1995; ou como declarante e dependente, mediante a utilização da prerrogativa concedida pelo art. 8º do RIR/1999. Claro está que a opção pela declaração em conjunto não poderia retirar direitos que o declarante teria se apresentasse a declaração em separado, e por isso mesmo lhe é garantido o direito de ter como dependentes os pais, sempre nas condições estabelecidas no art. 35, inciso VI, da Lei nº 9.250, de 1995. Fl. 124DF CARF MF 6 Nesse caso, quando se trata dos pais daquele cônjuge/companheiro que figurou na declaração em conjunto como declarante/dependente, obviamente que criase uma situação de aparente ilegalidade, já que, a rigor, aqueles dependentes são sogros do declarante em nome do qual é apresentada a declaração. Porém a aparência de ilegalidade é facilmente dissipada, já que esses dependentes figuram naquela declaração em conjunto não como sogros do declarante que apresenta a declaração, mas sim como pais do declarante/dependente. Justamente para esclarecer essa situação peculiar, a edição "Perguntas e Respostas" ("Perguntão"), elaborada anualmente pela Receita Federal, assim explica: 339 A sogra ou sogro podem ser considerados dependentes na declaração do genro ou nora? De acordo com a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 35, os pais podem ser considerados dependentes na declaração dos filhos, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual (R$ 22.499,13). O sogro ou a sogra não podem ser dependentes, salvo se seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual (R$ 22.499,13), nem estejam declarando em separado. Assim, entende esta Conselheira que as decisões que admitem a dependência de sogros, sem que haja declaração em conjunto dos cônjuges/companheiros, ou seja, fora das condições legalmente estabelecidas, caracterizamse como contra legem, já que: alargam indevidamente a relação numerus clausus do art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, que nunca previu a figura do sogro; alargam indevidamente o conceito histórico do Imposto de Renda Pessoa Física, que é o conceito de declaração em conjunto, com a prerrogativa de que um dos cônjuges/declarantes figure como dependente. Importa salientar que as decisões que vêm admitindo os sogros como dependentes, sem que haja declaração em conjunto, em momento algum enfrentam os dispositivos legais ora tratados, utilizando argumentos tais como o fato de o genro/nora, ao arcar com o cônjuge/companheiro dependente, sem rendimentos, tem de arcar também com o as despesas referentes aos pais deste. Ora, o declarante pode arcar com o sustento de quem bem entender, sem que o respectivo custo seja necessariamente transferido aos cofres públicos. O que se quer dizer é que há que separar aquilo que é direito legalmente reconhecido, do que é mera liberalidade. O argumento aqui vergastado contraria frontalmente o art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995. Outro argumento constante é no sentido de que, uma vez que o cônjuge/companheiro sem rendimentos figura como dependente na declaração do genro/nora, esta declaração passa a ser automaticamente "em conjunto". Em primeiro lugar, essa conclusão vai contra a declaração do próprio genro/nora, que não assinalou o quadro de "declaração em conjunto". Ademais, tal afirmação faz tábula rasa do art. 8º do RIR/1999, que traz o conceito técnico de "declaração em conjunto", e neste não se inclui a declaração em que o cônjuge/companheiro figura apenas como dependente, e não como declarante/dependente. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13708.000340/200457 Acórdão n.º 9202004.648 CSRFT2 Fl. 123 7 Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.002077/2001-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Waldir Veiga Rocha. Relatório FERRAGENS RAMADA LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroI / RJ, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DERAT/RJ. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Tratase de pedido de restituição (fl. 102), com pedido de compensação de fls. 01, 02, 03 e 04, substituídos pelos Pedidos de Compensação de fls. 106/110, considerados Declarações de Compensação retificadora, e convertidos em DCOMP, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 07 .0 02 07 7/ 20 01 -0 6 Fl. 563DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13707.002077/200106 Resolução nº 1301000.374 S1C3T1 Fl. 564 2 conforme fl. 359. O direito creditório pleiteado decorre de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 612.969,23, fl. 108 e referente à CSLL de R$ 209.346,74, fl. 110, para o anocalendário de 1999. No Despacho Decisório EQPEJ/DIORT/DERAT/RJ Nº 123/07, de fls. 365/366, com base no Parecer Conclusivo de fls. 359/364, a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 506.735,18 relativo ao IRPJ e de R$ 142.471,88 de CSLL, homologando a compensação com os débitos listados nas DCOMP de fls. 105/109 até o limite do crédito reconhecido. A contribuinte teve ciência do despacho decisório em 27/07/2007, fl. 381, e dela recorreu a esta DRJ em 24/08/2007 (fls. 408/419), alegando, em síntese: . que contesta a parte indeferida de sua solicitação relativa à CSLL em virtude de inferir do §2º do art. 9º da IN SRF nº 06/99, que até o limite legal, a dedução de 1/3 da Cofins consubstancia direito do contribuinte; . o desrespeito ao limite legal obsta a dedução apenas do excedente ao devido, mas nunca o devido; . ainda que constatado o desrespeito ao limite legal, faz jus à dedução de R$ 40.391,56 relativo à Cofins; . não se considerou o valor antecipado mediante compensação com créditos anteriores, num total de R$ 26.483,30 no que toca a CSLL; . a teor do art. 13 da IN SRF nº06/99, consideramse efetivamente pagos a título de Cofins os valores relativos às compensações efetuadas por ocasião de seu pagamento, em conformidade com a IN SRF 21/97; . a mesma sorte assiste ao IRPJ quando não reconhecido valor antecipado de compensação com créditos anteriores, no montante de R$ 106.234,05; . consideradas as compensações, não haverá diferença, sendo insubsistente a glosa da DERAT; . protesta quanto aos encargos moratórios, por se tratar de compensação, citando voto de Conselheiro do 1º Conselho de Contribuintes quanto à matéria e se estendendo quanto à taxa Selic, por sua impropriedade e inconstitucionalidade, citando jurisprudência judicial. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroI / RJ analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1217.293, de 30/11/2007 (fls. 487/492), deferiu parcialmente a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL COFINS E CSLL. COMPENSAÇÃO. Nos moldes da Lei nº 9.718/98, art. 8º, c/c a Instrução Normativa SRF nº 06/99, art. 8º c/c o art.10, até 1/3 da COFINS efetivamente paga pode ser compensada com a CSLL devida. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVAÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da Fl. 564DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13707.002077/200106 Resolução nº 1301000.374 S1C3T1 Fl. 565 3 composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que seja aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. (art. 170 do CTN). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de 1º de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. Esclareço, por relevante, que a decisão de primeira instância reconheceu direito creditório correspondente a saldo negativo de CSLL do anocalendário 1999 no montante total de R$ 182.863,44, restando, portanto, uma diferença não reconhecida de R$ 26.483,30 em relação ao total pleiteado de R$ 209.346,74. No que toca ao direito creditório correspondente a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999, não houve qualquer modificação: permaneceram reconhecidos R$ 506.735,18, restando, portanto, uma diferença não reconhecida de R$ 106.234,05 em relação ao total pleiteado de R$ 612.969,23. Ciente da decisão de primeira instância em 24/03/2014, conforme documento de fl. 516, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 17/04/2014 (registro de recepção à fl. 550, razões de recurso às fls. 550/552). Preliminarmente, a recorrente argúi a ocorrência de decadência, com base no § 4º do art. 150 do CTN. Sustenta que o saldo negativo de IRPJ e CSLL referentes ao ano calendário 1999 não mais poderiam ser revistos em 2007, posto que homologados tacitamente. No mérito, em suas palavras: Tanto o valor de R$ 26.483,30, relativo a CSSL, quanto o valor de R$ 106.234,05, relativo ao IRPJ, foram desconsiderados porque decorrem do Processo de Compensação n. 13707.000427/200191 que, de sua vez, fora indeferido pela Administração. Pois bem, o indeferimento consignado no Processo de Compensação n. 13707.000427/200191 se deu, única e exclusivamente, em função da decisão proferida nos autos do Processo de Compensação n. 13707.002042/9938. É que o se infere do Parecer Conclusivo n. 17/2006 exarado nos autos daquele Processo, in casu, o Processo de Compensação n. 13707.000427/200191 (doc. 1). De fato, em função da decisão já proferida nos autos do processo originário do crédito, a autoridade julgadora sequer enfrentou a questão, senão vejamos: Considerandose que o crédito pretendido já foi objeto de indeferimento em decisão administrativa anterior (v. fls. 140/143), realizase a seguir a analise dos procedimentos de cobrança dos débitos indevidamente compensados neste processo. De fato, na medida em que, o crédito invocado no Processo de Compensação n. 13707.000427/200191 tem origem naquele primeiro, é natural e inevitável que o indeferimento daquele primeiro implique no indeferimento deste segundo. Mutatis mutandis, incide na espécie a máxima de que o principal segue a sorte do acessório. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13707.002077/200106 Resolução nº 1301000.374 S1C3T1 Fl. 566 4 Sucede que a decisão proferida nos autos do processo de compensação n. 13707.002042/9938 foi reformada na esfera judicial. Inconformada com a decisão administrativa então proferida, a interessada propôs a ação de rito ordinário n. 2005.51.01.0032637 que, de sua vez, reverteu o indeferimento proferido naquele procedimento administrativo, declarando hígido o crédito reclamado então (doc. 2). Nesse contexto, na medida em que, os valores aqui reclamados só foram rechaçados por conta do seu indeferimento no Processo de Compensação n. 13707.000427/200191 e, este, de sua vez, só foi indeferido porque o crédito originário foi indeferido no Processo de Compensação n. 13707.002042/9938, força convir que o reconhecimento judicial da procedência deste primeiro, implica, reflexamente, na procedência dos demais, inclusive o presente. Mais uma vez, adotase a máxima de que o acessório segue a sorte do principal. No caso, os processos de compensação decorrentes/reflexos seguem a mesma sorte do processo de compensação originário. Sem prejuízo, seguem demonstrativos da composição dos valores glosados, que atesta a higidez dos mesmos (doc. 3). [...] É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Trata o presente processo de pedidos de restituição cumulados com pedidos de compensação, posteriormente retificados e convertidos em declarações de compensação. Os alegados direitos creditórios são os saldos negativos de IRPJ e de CSLL referentes ao ano calendário 1999. Após a decisão de primeira instância, o litígio se resume às diferenças (direito creditório não reconhecido de R$ 106.234,05 para o IRPJ e R$ 26.483,30 para a CSLL. Desde o Parecer Conclusivo nº 123/07 (fls. 412 e segs.) que lastreou o Despacho Decisório EQPEJ/DIORT/DERAT/RJ nº 123/07 (fls. 418/419), havia ficado claro que esses valores correspondiam a estimativas mensais de cada um desses tributos, levados a compensação e não homologados nos autos do processo nº 13707.000427/200191. Não homologadas as compensações das estimativas mensais naquele processo, seus valores não foram computados no cálculo do resultado anual neste processo. Confirase o seguinte excerto do Parecer Conclusivo à fl. 416: Fl. 566DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13707.002077/200106 Resolução nº 1301000.374 S1C3T1 Fl. 567 5 Conforme anteriormente se havia informado, no processo de Restituição/Compensação de no. 13707.000427/200191, não foi reconhecido o direito creditório e por conseqüência não homologada a compensação pleiteada pela interessada, e assim, verificase que parte dos débitos daquele processo eram exatamente as diferenças pagas com compensação no processo presente, referentes à parte das estimativas de IRPJ de fevereiro a dezembro, [...] e parte das estimativas de CSLL, também de fevereiro a dezembro, todas referentes ao anocalendário 1999 [...]. O demonstrativo de fl. 406 especifica os valores de estimativa de IRPJ que não foram compensados no outro processo, totalizando R$ 106.233,88. O demonstrativo de fl. 409 especifica os valores de estimativa de CSLL que não foram compensados no outro processo, totalizando R$ 26.483,30. Disso não discrepou a decisão de primeira instância, no que toca a essas diferenças. Confirase o que consta às fls. 491/492: Quanto ao protesto de que não se considerou o valor antecipado mediante compensação com créditos anteriores, num total de R$ 26.483,30, este não foi aceito pois consta também no Parecer da DERAT que no Processo de compensação nº 13707.000427/200191 da interessada, não foi reconhecido o direito creditório do saldo negativo de anos anteriores e parte dos débitos relacionados no referido Processo eram exatamente as diferenças “pagas” através de compensações referentes a partes de estimativas de IRPJ, Cofins e CSLL do anocalendário de 1999, objeto do presente processo (fls. 277/306, 322/333 e 348/351). Tendo em vista, além disso, que a interessada não apresentou demonstrativo, com provas hábeis na escrituração, da composição e da existência do crédito que alega possuir, não podem ser aferidas sua liquidez e certeza, requisito para seu reconhecimento. [...] Não tendo a interessada demonstrado que o montante de R$ 106.234,05 pleiteado na impugnação como valor antecipado de IRPJ mediante a compensação com créditos anteriores está devidamente comprovado, inclusive face ao indeferimento no Processo de compensação acima referido, considero não atendidos os requisitos do artigo 170 do CTN, que é claro ao determinar, para fins de compensação, que os créditos sejam líquidos e certos, devendo portanto ser indeferida a referida parcela do direito creditório. Em sede de recurso, a interessada afirma que as compensações de estimativas mensais de IRPJ e CSLL do anocalendário 1999 por ela levadas a efeito nos autos do processo nº 13707.000427/200191 teriam sido nãohomologadas por decorrência de decisão em outro processo, nº 13707.002042/9938, que tratava do mesmo alegado direito creditório. Alega, ainda, que teria obtido o reconhecimento do direito creditório na Justiça (ação nº 2005.51.01.0032637). Com isso, o fundamento para a nãohomologação das compensações de estimativas teria desaparecido e, compensadas as estimativas, imporseia seu cômputo no resultado anual aqui examinado. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13707.002077/200106 Resolução nº 1301000.374 S1C3T1 Fl. 568 6 Ressalto que não consegui localizar, no presente processo, os documentos 11, 22 e 33 que a recorrente menciona em seu recurso voluntário. Não obstante, pesquisas realizadas em 29/06/2016 por este Conselheiro no sistema eprocesso revelam que: · Os processos nº 13707.002042/9938 e nº 13707.000427/200191 se encontram na DIDAUDIVIDAPRFN/2. · Às fls. 210 a 215 do processo nº 13707.000427/200191 se encontram declarações de compensação diversas. Os débitos ali relacionados, entre outros, são as estimativas mensais de IRPJ (código 2362) e de CSLL (código 2484) do ano calendário 1999 a seguir discriminadas: Fl. Código PA Valor Fl. Código PA Valor 210 2484 02/1999 533,48 211 2362 02/1999 1.667,13 210 2484 03/1999 595,12 211 2362 03/1999 1.859,67 211 2484 04/1999 845,98 211 2362 04/1999 2.643,68 211 2484 05/1999 841,18 211 2362 05/1999 1.911,77 213 2484 06/1999 731,43 213 2362 06/1999 1.662,36 213 2484 07/1999 522,74 214 2362 07/1999 1.188,04 213 2484 08/1999 436,07 214 2362 08/1999 991,07 213 2484 09/1999 325,76 214 2362 09/1999 740,38 213 2484 10/1999 312,33 214 2362 10/1999 709,84 213 2484 11/1999 10.547,63 214 2362 11/1999 26.669,00 215 2362 11/1999 19.211,56 215 2484 12/1999 10.791,58 215 2362 12/1999 46.979,37 Total 26.483,30 106.233,87 · À fl. 994 do processo nº 13707.000427/200191 existe um extrato que dá conta da existência da ação judicial mencionada pela recorrente, relacionada ao processo nº 13707.0002042/9938. Esse extrato menciona sentença que declara a "... legalidade da compensação realizada ratificando a liminar deferida para determinar a extinção dos créditos tributários referidos nos autos...". · Às fls. 1012/1017 do processo nº 13707.000427/200191 encontro Extrato de Encerramento de Processo, datado de 18/06/2015. Todos os débitos relacionados no quadro acima constam com a situação "Extinto Medida Judicial" e "Saldo de Principal 0,00". Com as informações disponíveis, há fortes indicações de que as estimativas mensais de IRPJ e CSLL do anocalendário 1999, relevantes para o presente processo, teriam sido extintas no processo nº 13707.000427/200191, por força de decisão judicial. Entretanto, especialmente por ser objeto de outro processo, distinto deste, penso que compete à Unidade Preparadora declarar essa extinção, se de fato for este o caso. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora se manifeste, conclusivamente, acerca da extinção, ou não, das 1 Parecer Conclusivo nº 17/2006, exarado nos autos do processo nº 13707.000427/200191. 2 Provimento judicial supostamente obtido nos autos da ação nº 2005.51.01.0032637. 3 Demonstrativo da composição dos valores glosados. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13707.002077/200106 Resolução nº 1301000.374 S1C3T1 Fl. 569 7 estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 1999, discriminadas no quadro acima. Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo adequado para se manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 569DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA
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