Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.002902/2006-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatar-se nova decisão suprindo a omissão, observando-se o disposto no artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 1801-000.610
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatar-se nova decisão suprindo a omissão, observando-se o disposto no artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 19515.002902/2006-11
conteudo_id_s : 5666692
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 23 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1801-000.610
nome_arquivo_s : Decisao_19515002902200611.pdf
nome_relator_s : Ana de Barros Fernandes
nome_arquivo_pdf_s : 19515002902200611_5666692.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
id : 6597020
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688794796032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 258 1 257 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002902/200611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.610 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de junho de 2011 Matéria Simples Omissão de Receita Recorrente SWITZERLAND TURISMO E CÂMBIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatarse nova decisão suprindo a omissão, observandose o disposto no artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 282DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa foi objeto de fiscalização em decorrência da Representação Fiscal nº 455/04 de fls. 71, instruída, entre outros, pelos documentos de fls. 64 a 70 (Laudo de Exame Econômico Financeiro nº 1258/04, do Inst. Nac. de Criminalística da Polícia Federal), e pela relação/transcrição de operações da contribuinte identificada como ordenante e/ou remetente de divisas através da conta/subconta “TAFECA”, nº 310085, mantida/administrada no Banco Chase de Nova Iorque pelo “Beacon Hill Service Corporation”, ordens de pagamentos respectivas, fls. 72 a 112, perfazendo o total de 200 registros de remessas ao exterior, no valor total de U$ 3.390.980,50, para diversos beneficiários finais, grifei. Assim restou explicitado na referida Representação Fiscal Complementar nº 01: “No curso dos trabalhos de que trata o MemorandoCircular Cofís/GAB n° 2004/00652, de 25 de junho de 2004, foi(ram) identifícada(s) operação(ões) nas quais vinculouse o contribuinte acima identificado, nos anos calendário de 2000 a 2002, conforme descrito no memorando em questão, em complemento a idênticas transações relativas ao ano calendário de 1999 e já representadas, anteriormente. Desta forma, formalizamos a presente representação complementar, com base no item 9 do memorando circular n° 2004/00652, de 24/06/2004 , para ser encaminhada à unidade de jurisdição do contribuinte, tendo em vista a continuidade dos trabalhos para os anoscalendário de 2000 a 2002. Para subsidiar as análises das unidades, bem assim eventual instrução processual, deverão ser utilizados os mesmos documentos já enviados anteriormente em anexo ao citado MemorandoCircular e às representações anteriores, estando sendo anexados ao presente dossiê, tão somente, as transcrições das operações em que o contribuinte foi identificado como partícipe, acompanhadas, quando disponíveis, de Ordens de Pagamento enviadas/recebidas, com informações de referências a "invoices" aduaneiros.” As operações foram relatadas uma a uma na referida relação, destacandose que discriminam, entre outros dados, os valores das remessas, datas, beneficiários finais e, em todas as operações, “ORDER COSTUMER” (Cliente) a empresa SWITZERLAND TURISMO E CÂMBIO LTDA. Destaco do Laudo Financeiro: [...] “A Beacon Hill era empresa sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do JP Morgan Chase Bank, administrando contas ou subcontas específicas. II OBJETIVO DOS EXAMES Os presentes exames visam demonstrar a consolidação da movimentação financeira das contas e subcontas administradas pela Beacon Hill, a fim trazer elementos de prova necessários a subsidiar ajusta solução e a esclarecer os fatos. III MATERIAL EXAMINADO Foram encaminhadas mídias computacionais.(CDR) contendo um arquivo de nome' "Beaconzip1" e trinta outros no formato Microsoft Excel, relativos 1 Banca de dados no ibrmafo ia Microsoft Access, compactado por meio do oro grama 7/irzip. Fl. 283DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 180100.610 S1TE01 Fl. 259 3 às.cóntas e subcontas que a Bèacon Hill administrava junto ao banco JP Morgan Chase Bank em Nova Iorque. IVEXAMES Cumpre observar que os exames ora desenvolvidos restringiramse às mídias de movimentação financeira, em meio computacional. Inicialmente, cabe esclarecer que as transferências de ordens de pagamentos (Funds Transfer/Wire Transfer) no sistema financeiro dos Estados Unidos da América envolvem dois sistemas: FedWlre2 e ClearíngHouse InterbankPayments System (C.H.I.P.S). [...] Com relação aos dados disponibilizados pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, foram analisadas as ordens de pagamento recebidas e ordenadas das contas correntes da empresa Beacon Hill e administradas por ela, operacionalizadas pelo sistema no Chase Payments System (C.PS)3, que operava as ordens ou mensagens do Fedwire, CHIPS e SWIFT. Segundo informações do próprio Chase, os dados contidos nos arquivos objetos de exame representam transações que foram efetivamente realizadas em suas respectivas contas, quer seja a crédito ou a débito. Para operacionalização das transferências de recursos de seus clientes a Beacon Hill recebia as instruções de duas formas principais; por telefone e por fax. As instruções eram transmitidas pelo cliente (ordenante), depois registradas no sistema online do Chase por funcionário da Beacon Hill, resultando na efetiva transferência dos recursos. [...] 1) Subcontas As denominadas subcontas são aquelas que tinham a movimentação dos recursos realizada por meio da contamãe "6192033 Beacon Hill Operanting Account no Banco JP Morgan Chase, em que a Beacon Hill atuava como ,"agente" controlando, administrando e se responsabilizando junto àquele banco pelas transações nelas ocorridas. Em razão da ausência de uniformização no conteúdo dos campos analisados, foram adotados, para extração das transações de cada subconta, critérios de consulta que abrangessem o nome e o número da subconta, nos campos ORDER CUSTOMER, ACC PAR'TY, ULT BENE e DETAIL PAYMENT. A titulo de exemplo de termos pesquisados teríamos: "BASILEIA" e "3*10501". Após a seleção dos dados inerentes à cada subconta pesquisada, procedeuse à verificação geral de tais dados a fim de identificar possíveis inconsistências, procurando eliminar transações pertencentes a terceiros que contivessem termos comuns à pesquisa.” (grifos não pertencem ao original) 2 Pertencente ao Federal Reserve Bank (FED), Banco Central Acxricano. Fl. 284DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Os valores dos numerários enviados à subconta , transformados em reais, não foram registrados na contabilidade da empresa, sequer apresentado o Livro Caixa . Intimada a empresa a justificar os referidos depósitos efetuados em seu nome na subconta “TAFECA” – conta administrada pela Beacon Hill Service Corporation, preposto bancário em Nova Iorque, perante a agência JP Morgan Chase Bank – negou ser a beneficiária dos depósitos e nunca ter remetido ou recebido divisas – fls. 21 a 24. Consta na Consolidação do Contrato Social da empresa como seu objetivo social – fls. 14: “CLÁUSULA QUARTA A sociedade terá por objetivo a exploração do ramo de : AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO RECEPTIVO E EMISSIVO NACIONAL E INTERNACIONAL, REPRESENTAÇÕES TURÍSTICAS ASSIM COMO A PRÁTICA E OPERAÇÕES DE CAMBIO MANUAL CONFORME LEGISLAÇÃO EM VIGOR.” A fiscalização relatou o procedimento fiscal da seguinte forma no Termo de Constatação Fiscal de fls. 119 a “[...] 01) Em decorrência dos trabalhos realizados, a "Promotoria do Distrito de Nova Iorque EUA (District Attorney of the County of New York)" disponibilizou mídias computacionais e documentos financeiros do "Beacon Hill Serviçe Corporation" ao "Departamento de Policio Federal", por solicitação do "Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba PR", após decisão judicial da "Justiça da Suprema Corte nos EUA" (Order To Disclose) de 29/08/03, com base no "Tratado de Mútua Assitência em Matéria Penal MLAT" 02) Os referidos documentos, apresentados pela "Promotoria do Distrito de Nova Iorque EUA (District Attorney of the County of New York)", trazidos para o Brasil pela referida autoridade policial, e, em 20/04/04, conforme decisão da "2* Vara Criminal Federal de Curitiba PR", houve a transferência dos dados à Receita Federal; 03) Com base nos referidos documentos, constatouse que o contribuinte em tela efetuou no período de 01/01/2001 a 31/12/2002 diversas transações financeiras, tendo como preposto bancáriofinanceiro a empresa "Beacon Hill Serviçe Corporation", sediada em Nova Iorque EUA, como segue: [relação das 200 remessas, individualizada – data / credit name / vlr em U$] 04) constam das DIPJ 2002 (anocalendário 2001) e DIPJ 2003 (anocalendário 2002), que o contribuinte ofereceu à tributação seguintes valores: 2001/mês Receita Bruta Janeiro 2.016,80 Fevereiro 241,00 Março 1.814,90 Abril 0,00 Maio 1.880,90 Junho 1.530,60 Fl. 285DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 180100.610 S1TE01 Fl. 260 5 Julho 1.480,20 Agosto 1.618,40 Setembro 1.344,80 Outubro 1.600,10 Novembro 0,00 Dezembro 0,00 2002/mês Receita Bruta Janeiro 2.016,80 Fevereiro 241,00 Março 1.814,90 Abril 0,00 Maio 1.880,90 Junho 1.530,60 Julho 1.480,20 Agosto 1.618,40 Setembro 1.344,80 Outubro 1.600,10 Novembro 0,00 Dezembro ....0,00 [...] 07) Consta do referido "Termo de inicio de Fiscalização" que o contribuinte foi intimado a apresentar e comprovar os seguintes elementos (referentes ao período de 01/01/01 a 31/12/02: 5.a "Livro Diário" e "Razão Auxiliar"; 5.b "Livro Caixa"; 5.c justificar a origem e/ou comprovar a escrituração e tributação, dos recursos financeiros movimentados no exterior, através de conta mantida no banco "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Bill Service Corporation"; 08) Conforme declaração (datada de 07/11/06) apresentada em pelo contribuinte, em resposta ao citado "Termo de Início de Fiscalização" e, conforme "Termo de Constatação Fiscal" (lavrado em 09/11/06), o contribuinte alega que não movimentou e desconhece quem tenha movimentado os recursos constantes do "Termo de Início de Fiscalização"; Fl. 286DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 09) Considerando as provas de movimentação de recursos no exterior transferida para a SRF, conforme descrito nos itens 01, 02 e 03 deste termo e nos termo da legislação vigente, a remessa de recursos ou exterior sem a devida escrituração e/ou a comprovação dos recursos, por presunção legal, caracterizase "Omissão de Receitas" 10) [...] [tabela vlr U$ conversão em R$ diferenças entre o declarado e o vlrs remetidos] 11) Faço constar que os valores escriturados no livro "Modelo 51 – Registro de notas Fiscais de Serviços Prestados" (apresentado pelo contribuinte) estão divergentes dos valores oferecidos à tributação, sendo considerado para fins de apuração de divergência acima, somente os valores consignados nas DIPJ 2002 e 2003, respectivamente anoscalendários 2001 e 2002; [...] 13) A falta de escrituração de pagamentos efetuados ou a movimentação de recursos financeiros não contabilizados caracterizase, por presunção legal, OMISSÃO DE RECEITAS, sujeitas à tributação, nos termos da legislação vigente e dos artigos 197, 204, 281, inciso II, 528, 845 e 849 do RIR/99 (Decreto n° 3000, de 26/03/99) e do artigo 40 da Lei n° 9430, de 27/12/96. [...]” O lançamento tributário reportouse somente ao anocalendário de 2002, em vista dos fatos geradores relativos a 2001 terem sido alcançados pela decadência. A ciência da autuação ocorreu somente em dezembro de 2006. As infrações tributárias apuradas foram assim explicitadas nos corpos dos Autos: 001 OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS A ESCRITURAÇÃO Conforme explicitado no Termo de Constatação Fiscal, lavrado nesta data e que passa a fazer parte integrante deste Auto de Infração, nos termos da legislação vigente e por presunção legal, apurouse Omissão de Receitas, decorrentes da movimentação de recursos financeiros no exterior, sem a devida comprovação e/ou escrituração. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Desta forma foram lavrados os Autos de Infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, pela sistemática do Simples, com fulcro no artigo 40 da Lei nº 9.430/96, que dispõe sobre a presunção de omissão de receitas evidenciada por falta de escrituração de pagamentos efetuados, no valor total de R$ 798.048,30, relativo aos valores dos tributos, multa de ofício regular e juros de mora – fls. 119 a 178. A empresa impugnou os lançamentos tributários, fls. 181 a 193, reiterando que desconhece os valores depositados a si atribuídos, fundamentando a defesa principalmente no fato de entender que a autuação carece de elementos probatórios quanto à efetiva sujeição passiva e que as provas consistem em papéis apócrifos e obtidos de forma ilícita, que contem erros grosseiros, lançamentos em duplicidade etc. Fl. 287DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 180100.610 S1TE01 Fl. 261 7 Aproveito, por oportuno, trechos do relatório do Acórdão nº 1618.843/08 exarado pela Sétima Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP I, fls. 223 e seguintes: “O contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 13/12/2006 e, inconformado com o procedimento fiscal, apresentou, através de seu representante legal, em 08/01/2007, impugnação aos lançamentos constituídos, onde são destacados os seguintes pontos (fls. 181/193): 1. O contribuinte reafirma desconhecer as movimentações realizadas; 2. A autuação se baseia em prova ilícita; 3. Que não se manifestou a respeito do assunto, quando intimado, por não ter realizado e que não tem qualquer conhecimento sobre as referidas operações; 4. Falta de previsão legal para o lançamento, tendo em vista que os dados (listagem), nos quais a autoridade fiscal se baseou para a lavratura do auto de infração, não são provenientes de extratos bancários ou documentos contábeis, alegando que faltam dados essenciais como, por exemplo, os nomes das pessoas físicas, etc; 5. Refuta como "pobre" os documentos fornecidos pelo Instituto Nacional de Criminalística à Secretaria da Receita Federal; 6. Requer que o perito do Instituto Nacional de Criminalística responda a uma série de indagações; 7. Por fim, pede a anulação do auto de infração: pela ilegalidade da prova em se fundou; pela falta de conclusividade; pela inexistência de fundamentação lógica para o mesmo; pela falta de base legal para o lançamento; pela inconsistência na determinação da base de cálculo e pelos erros grosseiros na apuração dos valores e enorme quantidade de valores repetidos; 8. Alternativamente ao pedido de anulação, requer que sejam realizadas diligências e perícias, a fim de demonstrar a inocência da impugnante e a irregularidade do Auto de Infração lavrado.” (grifos pertencem ao original) Aquela turma julgadora a quo manteve os lançamentos tributários, restando assim ementado o aresto ora combatido: “REMESSA DE NUMERÁRIO AO EXTERIOR A pessoa jurídica identificada como ordenante de remessas de numerário ao exterior, não justificando o motivo dessas remessas, presumese omissão de receitas, pela falta de escrituração de pagamentos efetuados.” Na fundamentação do votocondutor indeferiu a diligência solicitada e, sucintamente, decidiu nos seguintes termos: “No caso em exame, considerase desnecessária a diligência proposta pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. Fl. 288DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 A presunção legal de que se valeu a autoridade fiscal para caracterizar a remessa de numerário ao exterior, como "omissão de receitas", está prevista no Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 281 — Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40): I II — a falta de escrituração de pagamentos efetuados; A forma de tributação, também, está prevista no Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 288 — Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão (Lei n°9.249, de 1995, art. 24). Desta forma, o lançamento fiscal encontrase devidamente formalizado. TRIBUTAÇÕES REFLEXAS Com relação aos autos de infração reflexos (PIS/COFINS/CSLL/CSSINSS), sendo decorrentes do tributo principal e tendo por base os mesmos elementos de prova, deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito. CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto no sentido de julgar PROCEDENTE o lançamento do crédito tributário, conforme demonstrativo abaixo: [tabelas com os tributos exigidos e multa pertinente]” Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso de fls. 238 a 248 reprisando os termos da defesa inicial, precipuamente negando a titularidade das remessas ao exterior pelo famigerado esquema “Beacon Hill”, e argumenta que sofreu cerceamento de defesa pelo indeferimento do pedido de perícia/diligência, visto desconhecer as movimentações de valores no exterior em conta que nunca teve. Acusa a fiscalização de haver obtido as provas de forma ilícita, violação do sigilo bancário, exigir prova impossível, pois não pode escriturar valores dos quais não tem qualquer vínculo. Esclarece que não se trata de hipótese de inversão de ônus da prova e que os documentos em que se fundamentam a autuação são precários pela falta de elementos e dados que expliquem as remessas per si e as suas titularidades. Argumenta que falta previsão legal para os lançamentos em vista dos documentos terem sido coletados pela Secretaria da receita Federal junto à Promotoria da Cidade de Nova Iorque, conduta que não encontra amparo na legislação pátria. Acusa a autuação de tão tênue que o próprio auditor fiscal deixou de detalhar qual o critério utilizado para arbitrar os valores lançados limitandose a citar de modo genérico o dispositivo legal. Este assunto não foi sequer abordado pelo acórdão recorrido. Defende que a listagem é tão superficial que somente serviria para o início de uma fiscalização e não para servir de base direta para a autuação. Solicita, por fim: Fl. 289DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 180100.610 S1TE01 Fl. 262 9 “Assim, pedese a reforma da decisão de primeiro grau, com a conseqüente anulação dos autos de infração impugnados pela ilegalidade da prova em que se fundou, pela falta de conclusividade das mesmas, pela inexistência de fundamentação lógica para o mesmo, pela falta de base legal para o lançamento, pela inconsistência na determinação da base de cálculo, pelos erros grosseiros na apuração dos valores e enorme quantidade de valores repetidos e, alternativamente, caso estes argumentos não sejam liminarmente acatados, que sejam devolvidos os autos para a primeira instância, a fim de que sejam realizadas as diligências e perícias requeridas que comprovarão a inocência da Recorrente e a irregularidade do Auto de Infração lavrado.” É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora. Conheço do recurso, por tempestivo. Da análise dos fatos, questão preliminar surge que impede a apreciação de outras preliminares e mérito das autuações em causa, por este órgão de julgamento de segunda instância. Verificase que a decisão proferida em primeiro grau não apreciou a contento as argüições de defesa da recorrente, embora tenhaas relatado com certa eficiência. Dispõe o artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Defendo a tese de que a autoridade julgadora não está vinculada a argumentar sobre todo o feixe de contestações que o contribuinte desenvolva, mas, por outro lado, também não pode passar ao largo das razões de defesa, como no presente caso. Neste sentido é a redação do dispositivo supra transcrito ao impor que sejam relatadas as razões de defesa da impugnante, visando a vinculação às razões de decidir a serem proferidas. A decisão de primeira instância observou o preceito acima reproduzido, no que concerne ao relato (resumido) das razões de defesa da impugnante, mas para fundamentar o voto meramente transcreveu quatro artigos: dois referentes ao indeferimento da diligência/perícia solicitada pela impugnante – arts 18 e 28 do PAF; um referente à autuação imposta contra o contribuinte – art. 281, II, RIR/99 e o artigo 288 sobre omissão de receitas em Fl. 290DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 geral, sem tecer as considerações que fariam o nexo com as razões de defesa relatadas. Não verifico no voto nenhuma das argüições relatadas ser contraditada, ainda que de forma sumária. O voto, pois, limitouse a justificar os lançamentos tributários, por restarem devidamente formalizados. Destarte, considero cerceamento de defesa a fundamentação precária do voto, sem fazer o devido nexo com as razões de defesa suscitadas (e rejeitadas), pelo que mister é devolver os autos àquela turma julgadora para enfrentálas, sob pena de suprirse instância de julgamento e desprestígio ao duplo grau de jurisdição, nos termos do artigo 59, inciso II, do PAF: Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Voto em dar provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância para apreciação das razões de defesa veiculadas na impugnação. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 291DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720101/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO
DE OFÍCIO.
Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Cancela-se a parcela do crédito tributário lançada que já tenha sido extinta pelo transcurso do prazo decadencial.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Cancela-se a parcela do crédito tributário lançada que já tenha sido extinta pelo transcurso do prazo decadencial.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3402-003.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201611
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Cancela-se a parcela do crédito tributário lançada que já tenha sido extinta pelo transcurso do prazo decadencial. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Cancela-se a parcela do crédito tributário lançada que já tenha sido extinta pelo transcurso do prazo decadencial. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício. Recurso de ofício negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10932.720101/2011-02
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5669437
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.462
nome_arquivo_s : Decisao_10932720101201102.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10932720101201102_5669437.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Antônio Carlos Atulim - Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6601086
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688800038912
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-12-02T16:13:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-12-02T16:13:52Z; Last-Modified: 2016-12-02T16:13:52Z; dcterms:modified: 2016-12-02T16:13:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:e7aa68d5-b417-4072-90be-9c9e0144bcbb; Last-Save-Date: 2016-12-02T16:13:52Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-12-02T16:13:52Z; meta:save-date: 2016-12-02T16:13:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-12-02T16:13:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-12-02T16:13:52Z; created: 2016-12-02T16:13:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2016-12-02T16:13:52Z; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-12-02T16:13:52Z | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.724 1 1.723 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.720101/201102 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3402003.462 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida MAG BRASIL COMÉRCIO E ASSITÊNCIA TÉCNICA DE MÁQUINAS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Cancelase a parcela do crédito tributário lançada que já tenha sido extinta pelo transcurso do prazo decadencial. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afastase a qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Cancelase a parcela do crédito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 01 /2 01 1- 02 Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 10932.720101/201102 Acórdão n.º 3402003.462 S3C4T2 Fl. 1.725 2 tributário lançada que já tenha sido extinta pelo transcurso do prazo decadencial. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afastase a qualificação da multa de ofício. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da r. decisão, vazado nos seguintes termos: Tratase de Autos de Infração de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, lavrados em 09/08/2011, relativos aos períodos de apuração janeiro a dezembro de 2006, que constituíram crédito tributário total no montante de R$ 6.942.229,67 (PIS – R$ 1.257.315,53 e Cofins – R$ 5.684.914,14), somados o principal, multa de ofício qualificada, multa regulamentar e juros de mora (fls. 386/407). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 367/385, a autoridade autuante informa, inicialmente, que o procedimento iniciouse em decorrência de revisão interna, na qual foram constatadas incoerências entre as informações prestadas pela contribuinte em seus Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e em Declarações de Débito e Créditos de Tributos Federais (DCTF) referentes ao anocalendário 2006. Essas incoerências resultaram em falta de declaração e/ou declaração a menor de PIS e de Cofins. A autoridade, passa, então, a relatar as constatações do procedimento fiscal. Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 10932.720101/201102 Acórdão n.º 3402003.462 S3C4T2 Fl. 1.726 3 A contribuinte fora cientificada em 31/08/2009 do início do procedimento, bem como de Termo de Intimação Fiscal, em que foram requeridos os documentos necessários e imprescindíveis a comprovação de que as incoerências constatadas eram improcedentes. Seguiramse outras intimações, inclusive com retificação de algumas informações, mas no mesmo sentido daquela primeira (29/09/2009, 13/11/2009, 09/01/2009), sem que ela respondesse à intimação. Em 05/02/2010 a contribuinte foi cientificada de Termo de Constatação e Intimação Fiscal mediante seus procuradores. Em 12/02/2010, 09/03/2010 e 07/04/2010, a contribuinte apresentou requerimentos descrevendo as dificuldades pelas quais estava passando, solicitando dilação de prazo para apresentação dos documentos requeridos, os quais foram deferidos nas mesmas datas. Contudo, como não se atendeu ao último prazo conferido, foi expedido Termo de Reintimação Fiscal, cuja ciência foi pessoal pelos procuradores da interessada em 20/05/2010. Enviouse o referido Termo também por via postal, contudo a correspondência foi devolvida à RFB com a informação “Mudouse”. Diante disso, elaborouse novo Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 30/07/2010, noticiando todos os procedimentos até então adotados, e reiterando a necessidade de apresentação de esclarecimento e de documentos pela contribuinte. Tendo em vista a constatação de várias alterações na administração da interessada, e objetivando preservar o direito de defesa, foram cientificados do referido Termo: a contribuinte no endereço constante do cadastro RFB; o então administrador da sociedade, Sr. Marcelo Tavechio Ribeiro da Silva; o representante e procurador da sócia majoritária MAG Internacional Industrial Machinery, Sr. Rodolfo Francisco Stormer; e o administrador Judicial, Dr. Pedro Sales. Prossegue: Tendo em vista o silêncio e a falta de interesse do fiscalizado, procuramos, através do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal datado 31/08/2010, reintimálo porém, em 08/09/2010 a correspondência foi devolvida pelos CORREIOS com a informação de MUDOUSE conforme cópia anexa. Em 15/09/2010 foi recebido pelo MF/RFB/SRRF8a/DRFB.CAMPO, requerimento assinado por Marcos Vinícius Ravelli, RG. 43.453.5060 e CPF 373.290.87807, exprocurador da fiscalizada, informando que: a) a empresa encontrase em processo de arquivamento junto a Secretaria da Receita Federal do seu domicilio fiscal e demais dados incluídos em alterações de contrato sociais devidamente registrado na junta Comercial do Estado de São Paulo e b) que os documentos Livros Diários/2006, Notas Fiscais de mercadoria e de serviços emitidas pelo contribuinte, Notas Fiscais de entrada de mercadoria e de serviços, plano de contas e declaração firmada pelo representante legal de que não existe processo de consulta quanto à legislação tributária, bem como ações judiciais movidas pela empresa, contra a União, relativas aos tributos PIS/COFINS, estariam à disposição da fiscalização no novo endereço da contribuinte: RUA ADONIRAN BARBOSA. n° 52 SERRARIA DIADEMA/ SP. Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 10932.720101/201102 Acórdão n.º 3402003.462 S3C4T2 Fl. 1.727 4 Seguiuse ciência da contribuinte de outro Termo Constatação e Intimação Fiscal, em 22/10/2010, já no novo endereço e considerando as novas alterações promovidas em seu CNPJ. Informouse nesse documento o indeferimento do requerimento apresentado em 15/09/2010, em vista da irregularidade de representação do procurador que o subscreveu. Ainda, ressaltouse que os documentos relativos ao procedimento fiscal deveriam ser apresentados no endereço do Serviço de Fiscalização assinalado. Continua a autoridade fiscal: Oportuno ressaltar que acompanhou o termo retro mencionado ANEXO I DEMONSTRATIVO MENSAL DE VALORES INFORMADOS EM DACON E EM DCTF (PIS/COFINS) e das DIFERENÇAS APURADAS datado de 14/10/10, onde é detalhado os valores apurados, os créditos informados, o valor da contribuição devida DACON, os valores informados em DCTF e as diferenças/incoerência referentes aos tributos PIS/COFINS. Destacase ainda que, apesar de exaustivamente intimada e reintimada, a fiscalizada NÃO COMPROVOU A LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS. Esta COMPROVAÇÃO DA LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS é suma importância na presente apuração, pois ALTERA e REDUZ o valor do tributo a recolher, que através da omissão ou de falsa declaração em tese pode configurarse crime contra a ordem tributária Lei n° 8.137/1990. Entretanto, por meio de requerimento datado de 19/08/2010, em atendimento "PARCIAL" foi recebido e protocolado em 03/11/2010 pelo MF/RFB/SRRF83. DRF SB.CAMPO os seguintes documentos e esclarecimentos: 1) Requerimento em breve síntese onde informa que: a) Por força das Leis n°s: 10.833/03, 10.925/04 e 11.196/05, a contribuinte enquadrase no regime de não cumulatividade para apuração e recolhimento dos tributos PIS/COFINS sobre suas operações; b) Em análise das DACON’s relativas aos períodos de Janeiro a Dezembro/2006, foi detectado ERRO no seu preenchimento, pelo fato de ter sido informado somente os débitos dos tributos PIS/COFINS, ou seja, constou apenas os montantes incidentes sobre o faturamento, sendo omitido os créditos provenientes das entradas; c) Estes créditos foram reconhecidos na contabilidade da empresa e as apurações contábeis foram utilizadas para os pagamentos dos referidos tributos; d) Nas DCTF's constam exatamente os valores apurados na contabilidade; f) Informa que apresenta "as documentações constantes no item 2 do Termo de Constatação em tela, exceto o item 2.1 para o qual este contribuinte declara não ter disponível para entrega os arquivos eletrônico requisitados nos termos presentes, disponibilizandose a providenciar documentações suplementares ou complementares que a D. Fiscalização assim o julgar necessárias", (copia anexo). 2) Procuração datada de 30/10/2010 e assinada pelo representante da contribuinte em epígrafe Sr. MARCELO TAVECHIO RIBEIRO DA SILVA, CPF: 286.563.20831, nomeando os Srs: Fábio Luiz Ravelli, CPF: 075.924.43830; Marcos Vinícius Marcondes de Godoy Ravelli, CPF: 373:290.87807; Fernanda Ferreira Cazeiro, CPF: 318.396.02813 e Andréia Correia Lourenço, CPF: 140.291.93870, cuja firma foi reconhecida em 03/11/2010 no 3º Tabelionato de Notas de S.B.Campo/SP, (copia anexo); 3) Declaração datada de 30/10/2010, assinada pelo representante da contribuinte Sr. MARCELO TAVECHIO RIBEIRO DA SILVA, CPF: 286.563.20831, onde Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 10932.720101/201102 Acórdão n.º 3402003.462 S3C4T2 Fl. 1.728 5 informa que: "não mantém processo de consulta quanto à aplicação da legislação tributária ou classificação fiscal, realizada por este contribuinte, bem como ações judiciais movidas pelo mesmo contra União relativas aos tributos PIS/COFINS, cuja firma foi reconhecida em 03/11/2010 no 3° Tabelionato de Notas de S.B.Campo/SP, (copia anexo); 4) Demonstração de Apuração de PIS/COFINS, onde o sujeito passivo informa os totais mensais dos DÉBITOS, CRÉDITOS, SALDO CALCULADO, DCTF e DIFERENÇA = APURAÇÃO x DCTF, referente a cada tributo PIS/COFINS, (copia anexo); 5) Apresenta em cópia xerox os BALANCETES DE VERIFICAÇÃO, emitido em 06/05/2010, da empresa CROSS HUELLER INDÚSTRIA DE MÁQUINAS LTDA, relativas aos períodos: JANEIRO/2006 a SETEMBRO/2006 e OUTUBRO/2007 a DEZEMBRO/2007, (copia anexo); Após a análise dos documentos e esclarecimentos mencionados no parágrafo anterior, foi elaborado Termo de Constatação e Reintimação Fiscal datado de 02/02/2011, cuja ciência se deu através de AR/CORREIOS em 07/02/2011, onde a fiscalizada foi cientificada no item 4, que os elementos apresentados eram INSUFICIENTES para modificarem ou descaracterizarem as informações contidas na DACON/2006, por serem meras declarações informativas, desacompanhadas de provas irrefutáveis que as alegações da contribuinte eram procedentes. [...] Diante da absoluta inércia da fiscalizada em relação a legitimidade dos créditos informados em DACON, em 13/07/2011 a contribuinte foi cientificada através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal que: a) os documentos e elementos até o momento apresentados são insuficientes para modificarem ou descaracterizarem as informações contidas nas DACON’s; b) que tendo em vista o sujeito passivo não ter apresentado nenhum outro elemento ou esclarecimento que comprove de forma irrefutável que os CRÉDITOS informados em DACON são legítimos e c) que a atitude do fiscalizando não apresentado documentos e elementos (escrita contábil e arquivos magnéticos requeridos) visou em reduzir, retardar ou suprimir a cobrança dos tributos o que em tese configura crime contra a ordem tributária conforme prevê a Lei n° 8.137/90. Neste mesmo termo foi também intimada de que estavam sendo GLOSADOS todos os créditos informados em DACON/2006, conforme ANEXO I DEMONSTRATIVO MENSAL DE CRÉDITOS GLOSADOS. Em atendimento foi recebido pelo MF/RFB/SRRF8A/ DRFB.CAMPO em 18/07/2011, cópia autenticada da 13a. Alteração Contratual, Consolidação do Contrato Social e REQUERIMENTO assinado pelo representante legal da empresa, informando que: "...não logrou localizar em seus arquivos os documentos requeridos no Termo de Intimação. O contribuinte ressalta que toda documentação que possuía em seus arquivos foram entregues à fiscalização mediante atendimento de termos de intimação anteriormente lavrados." Assim, tendo em vista todo o acima exposto, em especial a falta de interesse da fiscalizada, não apresentando nenhum documento e nenhum elemento que comprovasse a legitimidade dos créditos informados em DACON/2006, restou provado que os mesmos são ILEGÍTIMOS e desta forma foram glosados, cujos valores foram lançados neste ato, através de Auto de Infração, cujo o presente Termo é parte integrante. A autuação foi assim fundamentada no Termo de Verificação Fiscal: Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 10932.720101/201102 Acórdão n.º 3402003.462 S3C4T2 Fl. 1.729 6 No período entre 31/08/2009, data de ciência do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, e 13/07/2011, ou seja, quase 22 meses após a fiscalizada muito pouco contribuiu para esclarecer e demonstrar se as incoerências apontadas pela administração tributária existiam ou eram provenientes de erros ou falhas nas informações prestadas pelo sujeito passivo. Também impediu de maneira ilegal, a fiscalização de apurar a legitimidade dos créditos informados na DACON, impossibilitando assim de concluir qual o valor exato do tributo devido em cada mês. Neste período, além de solicitar dilação de prazo para apresentar os documentos requeridos, limitouse a entregar somente parte insignificante dos documentos e esses, recheados de erros e equívocos, como se constata nos BALANCETES DE VERIFICAÇÃO, que parte são referentes a 2006 e parte a 2007. A exigência referente à CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS esta amparada na Lei n° 10.833/2003, artigos, 1º, 3º e 5º: [..] A exigência para a contribuição para o PIS/PASEP a base legal é os artigos 1°, 3o e 4o. da Lei n° 10.637/2002 [..]Os documentos e esclarecimentos exaustivamente requeridos e NÃO APRESENTADOS pelo fiscalizado, são imprescindíveis na presente apuração, pois os créditos de COFINS/PIS provenientes da aquisição de insumos só serão legitimados pela administração tributária quando preencherem às condições determinadas pela Lei n° 10.333/2003 e Lei 10.637/2002. Assim, verificase que a ESCRITA CONTÁBIL e FISCAL não foi apresentada para a fiscalização, desrespeitando tanto o Código Civil Brasileiro como a Lei n°10333/2003. Tal falta foi declarada pela fiscalizada em duas oportunidades: a)conforme documento recebido pela RFB em 03/11/2010 quando afirma que: "Por fim, o contribuinte apresenta as documentações constantes no item 2 do Termo de Constatação em tela, exceto o item 2.1 para qual este contribuinte declara NÃO TER DISPONÍVEL para entrega os arquivos eletrônicos requisitados nos termos presentes, . . . " (grifamos) e b) conforme documento recebido pelo MF/RFB/SRRF8ª DRFS.B.CAMPO em 18/07/2011, composto de REQUERIMENTO assinado pelo representante legal da empresa, informando que: "...não logrou localizar em seus arquivos os documentos requeridos no Termo de Intimação. O contribuinte ressalta que toda documentação que possuía em seus arquivos foram entregues à r.fiscalização mediante atendimento de termos de intimação anteriormente lavrados". A infração acima mencionada sujeita o infrator às penalidades de R$115.000,00 (Cento e Quinze Mil Reais), para o PIS e R$ 115.000,00 (Cento e Quinze Mil Reais) para a COFINS. ambas previstas no artigo 57 inciso da Medida Provisória n° 2.158 33/01, reedições c/c artigo 16 da Lei nº 9.779/99 que estabelece: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei n° 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I RS 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; Tendo em vista a atitude ilegal e recalcitrante da fiscalizada, apesar de exaustivamente intimada e reintimada Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 10932.720101/201102 Acórdão n.º 3402003.462 S3C4T2 Fl. 1.730 7 para tal, NÃO APRESENTAR sua escrita contábil e fiscal, impossibilitando a fiscalização de verificar a legitimidade dos créditos informados na DACON, os mesmos foram GLOSADOS e seus valores lançados neste procedimento fiscal através de Auto de Infração. A atitude da fiscalizada configurase em tese crime contra a ordem tributária Lei n° 8.137/1990, motivo pelo qual esta sendo elaborado Representação Fiscal Para Fins Penais COMPROT N° 10932.000085/201120. Da mesma forma, será exigida a multa para a COFINS de 150% conforme determina o artigo 10, § único da Lei Complementar n° 70/91 e artigo 44, inciso I, § 1o, da Lei n° 9.430/96. [...] Importante observar que a base legal para aplicação da multa agravada de 150%, conforme mencionada acima, está de acordo com os incisos I e II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com redação anterior lei nº 10488/2007. Assim, o crédito tributário referente ao PIS/COFINS lançado neste procedimento, é proveniente de valores apurados e informados em DACON – DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, deduzido o valor declarado em DCTF – DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS, cuja cópias do Resumo de Declarações e os Resumos dos Débitos do período de JANEIRO/2006 a DEZEMBRO/2006 encontramse anexo. É lançado também no presente procedimento os valores GLOSADOS, informados como CRÉDITO no DACON, cuja legitimidade não foi comprovada, apesar de exaustivas intimações e reintimações para tal, conforme discriminado abaixo: Cientificada da autuação em 09/08/2011, a contribuinte apresentou sua impugnação em 08/09/2011, alegando, em síntese que: (i) teria se operado a decadência para Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 10932.720101/201102 Acórdão n.º 3402003.462 S3C4T2 Fl. 1.731 8 as exigências dos valores referentes aos meses de janeiro a agosto de 2006, (ii) teria comprovado a legitimidade dos créditos de PIS e COFINS; (iii) a multa regulamentar seria descabida; (iv) ainda que mantida a autuação, a multa de 150% não pode ser mantida, devendo ser reduzida ao valor de 75%; (v) a impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa. A DRJ/CPS, em 19/03/2012, julgou parcialmente procedente a impugnação (fls. 1657/1685), desqualificando a multa de ofício, retornandoa ao patamar de 75%, por entender que o dolo não restou perfeitamente caracterizado, e declarou a decadência relativamente ao período de apuração 05/2006. Do mérito acerca do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. Intimada dessa decisão por via postal, o AR (fl. 1700) retornou com a observação "mudouse", em face do que houve a ciência editalícia (fl. 1701), sendo o edital afixado em 18/04/2012 e desafixado em 04/05/2012. Não foi interposto recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Como relatado, a empresa autuada não interpôs recurso voluntário, pelo que resta apenas a análise do recurso voluntário. Sem reparos à r. decisão. Certo que para que seja aplicada a multa qualificada no percentual de 150 %, dever restar sobejamente demonstrada na autuação a conduta específica a fazer incidíla. Portanto, o Fisco deve enquadrar os fatos à hipótese (s) dos artigos 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64, a qual remete o art. 44, II da Lei 9.430/96. A motivação deve ser exaustiva nesse sentido, o que não ocorreu. Vejase a motivação do lançamento nesse tópico: Tendo em vista a atitude ilegal e recalcitrante da fiscalizada, apesar de exaustivamente intimada e reintimada para tal, NÃO APRESENTAR sua escrita contábil e fiscal, impossibilitando a fiscalização de verificar a legitimidade dos créditos informados na DACON, os mesmos foram GLOSADOS e seus valores lançados neste procedimento fiscal através de Auto de Infração. A atitude da fiscalizada configurase em tese crime contra a ordem tributária Lei n° 8.137/1990, motivo pelo qual esta sendo elaborado Representação Fiscal Para Fins Penais COMPROT N° 10932.000085/201120. Da mesma forma, será exigida a multa para a COFINS de 150% conforme determina o artigo 10, § único da Lei Complementar n° 70/91 e artigo 44, inciso I, § 1o, da Lei n° 9.430/96. O não atendimento para apresentação de documentos, que a empresa alegou não têlos encontrado, mesmo no caso em que por quase um ano a empresa esquivouse de Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 10932.720101/201102 Acórdão n.º 3402003.462 S3C4T2 Fl. 1.732 9 atender o solicitado pelo Fisco, por si só, não é o bastante para a aplicação da multa no percentual de 150%. Portanto, escorreito o afastamento da qualificadora. Assim, não comprovada a fraude, não incide, para fins de contagem do prazo decadencial, o art. 173, I, do CTN. Provado pela r. decisão, consoante tela do sistema SINAL (fl. 1683), no qual se afere os pagamentos dos contribuintes pela RFB, que houve pagamento referente, apenas, ao período 05/2006, em relação a este incide o § 4º do art. 150 do CTN, pelo que correto o afastamento da exigência desse período por decadência, uma vez que a ciência do lançamento operouse em 09/08/2001. Forte em todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Jorge Olmiro Lock Freire relator. Fl. 1732DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.731185/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
INCOMPETÊNCIA. IRPJ. LANÇAMENTO REFLEXO. MÁTERIA QUE DEVE SER JULGADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Nos termos do Inciso IV, do art. 2º do Anexo II do RICARF, à Primeira Seção de Julgamento compete a análise e julgamento de recursos relativos a matéria que trate de IRPJ e/ou lançamentos reflexos.
Recurso Não conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso para declarar a competência para 1ª Seção de Julgamento do CARF.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros, GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (Suplente), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, as conselheiras NAYRA BASTOS MANATTA e SILVIA DE BRITO OLIVEIRA.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 INCOMPETÊNCIA. IRPJ. LANÇAMENTO REFLEXO. MÁTERIA QUE DEVE SER JULGADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Nos termos do Inciso IV, do art. 2º do Anexo II do RICARF, à Primeira Seção de Julgamento compete a análise e julgamento de recursos relativos a matéria que trate de IRPJ e/ou lançamentos reflexos. Recurso Não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10120.731185/2012-37
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5637776
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Sep 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.318
nome_arquivo_s : Decisao_10120731185201237.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10120731185201237_5637776.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso para declarar a competência para 1ª Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros, GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (Suplente), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, as conselheiras NAYRA BASTOS MANATTA e SILVIA DE BRITO OLIVEIRA.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
id : 6503287
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688828350464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1561; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 9.795 1 9.794 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.731185/201237 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.318 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria PIS/COFINS Recorrente NOVO MUNDO MÓVEIS E UTILIDADES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 INCOMPETÊNCIA. IRPJ. LANÇAMENTO REFLEXO. MÁTERIA QUE DEVE SER JULGADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Nos termos do Inciso IV, do art. 2º do Anexo II do RICARF, à Primeira Seção de Julgamento compete a análise e julgamento de recursos relativos a matéria que trate de IRPJ e/ou lançamentos reflexos. Recurso Não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso para declarar a competência para 1ª Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 73 11 85 /2 01 2- 37 Fl. 9795DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros, GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (Suplente), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, as conselheiras NAYRA BASTOS MANATTA e SILVIA DE BRITO OLIVEIRA. Fl. 9796DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10120.731185/201237 Acórdão n.º 3402002.318 S3C4T2 Fl. 9.796 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor da contribuinte, para exigir PIS e Cofins referentes aos anos 2008, 2009 e 2010, totalizando o montante de R$ 19.331.671,93. Por se tratar de texto esclarecedor, reproduzo o resumo, feito pela DRJ, das imputações efetuadas pela autoridade fiscal ao contribuinte: (1)Exclusão indevida do lucro líquido, de valores contabilizados a título de desconto na quitação de dívidas contraídas no âmbito do Programa PRODUZIR GOIÁS, pois tais valores não caracterizariam subvenções para investimento, mas, sim, subvenções para custeio, razão pela qual deveriam ser tratadas como outras receitas operacionais, sujeitas à incidência de Cofins e da contribuição para o PIS; (2)Aproveitamento indevido de créditos de Cofins e de contribuição para o PIS, referentes a despesas com aluguéis de imóveis transferidos para outra empresa; (3)Aproveitamento indevido de créditos de Cofins e de contribuição para o PIS, referentes a depreciação de bens do ativo imobilizado, sob o fundamento de que a empresa autuada exerceria unicamente atividade comercial; e (4)Exclusão indevida da base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS do reembolso proveniente da recuperação de despesas com verbas de propagandas. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte tomou ciência do referido Auto de Infração em 13/12/2012 (fls. 1.354/1.355 – numeração eletrônica), apresentando impugnação tempestiva em 11/01/2013, na qual levanta duas preliminares de nulidade, quais sejam: Obscuridade que paira sobre a acusação fiscal, uma vez que foi apresentado um emaranhado de dispositivos legais genéricos, indo além do que se está autuando e não atendendo plenamente à exigência legal, restando cerceado seu direito de defesa; O programa de desenvolvimento regional ao qual estaria vinculada é regulamentado pelo Decreto 5.515/2001, diferente do apontado pela autoridade fiscal (Decreto 5.265/2000), sendo acusada de usufruir de subvenções diversas e em valores superiores às que de fato recebe do Estado de Goiás, aduz, assim, não haver conexão entre os fatos e a legislação norteadora da autuação. Ato contínuo rebate cada uma das quatro infrações apontadas no Auto de Infração: Fl. 9797DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 1. Ressalta que as subvenções recebidas devem ser compreendidas como subvenção para investimento, pois: (a) houve intenção do Poder Público em transferir capital para a iniciativa privada; (b) a verba foi destinada a implantação de empreendimento econômico, gerando diversos empregos diretos e indiretos, aumentando a arrecadação do Estado; (c) a subvenção foi instituída por lei específica; e (d) o valor da subvenção não foi objeto de distribuição, sendo utilizado, tão somente, para absorção de prejuízos fiscais. Alega, ainda, que o Fisco violou o princípio da hierarquia vertical das leis, valendose do Parecer Normativo CST 112/78 para desqualificar subvenção ao investimento para subvenção para custeio, bem como que cabe ao Fisco Federal, apenas, fiscalizar o cumprimento dos termos e condições dos incentivos fiscais outorgados pela União, e não àqueles outorgados pelo Estado de Goiás. 2. Aduz que a acusação de aproveitamento indevido dos créditos referentes à despesas com alugueis de imóveis transferidos para outra empresa não merece subsistir, pois que ofenderia os princípios da nãocumulatividade, isonomia e capacidade contributiva. 3. Quanto ao aproveitamento indevido de créditos advindos da depreciação de bens do ativo imobilizado, destaca que não exerce apenas atividade de comércio, mas também atividades industriais e de prestação de serviço, sendo incontroverso seu direito de aproveitar créditos referente a depreciação de seu ativo imobilizado quanto ao faturamento dessas atividades. No que tange a atividade comercial, invoca os princípios da não cumulatividade e isonomia para destacar que não pode ter seu direito de tomar os referidos créditos. 4. Quanto aos valores recebidos a título de reembolso proveniente de recuperação de despesas com propaganda, aduz que estes não têm característica de receita, razão pela qual não estão sujeitos à incidência de PIS e Cofins. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, a Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), proferiu o Acórdão de nº. 0353.091, mantendo o crédito tributário, declarando a improcedência da impugnação, nos seguintes termos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Anocalendário: 2008, 2009, 2010 ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. CONTROLE DE LEGALIDADE. COMPETÊNCIA. A apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, qual seja o controle da legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação Fl. 9798DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10120.731185/201237 Acórdão n.º 3402002.318 S3C4T2 Fl. 9.797 5 dos procedimentos fiscais às normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. DESCARACTERIZAÇÃO. INCENTIVOS FISCAIS. PROGRAMA PRODUZIR. SUBPROGRAMA CENTROPRODUZIR. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os valores contabilizados a título de descontos na quitação de dívidas contraídas no âmbito do Programa PRODUZIR, subprograma CENTROPRODUZIR, que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do investimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência não só do imposto sobre a renda e da CSLL, como da Cofins e da contribuição para o PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE EM PARTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. DESPESAS COM ALUGUEL DE IMÓVEL QUE PERTENCEU ANTERIORMENTE AO CONTRIBUINTE. VEDAÇÃO LEGAL. À luz do art. 31, §3º da Lei nº 10.865, de 2004, é defeso ao contribuinte o aproveitamento de créditos de Cofins e de contribuição para o PIS, referentes a despesas com aluguéis de imóveis que já tenham integrado a seu patrimônio. EMPRESA EXCLUSIVAMENTE COMERCIAL. REGIME NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para as pessoas jurídicas com atividade exclusivamente comercial apurarem créditos sobre encargos de depreciação do ativo, haja vista não se utilizarem tais bens para Fl. 9799DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 locação a terceiros, nem para prestação de serviços, ou para produção de bens destinados à venda. REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE REEMBOLSO DE DESPESAS DE PROPAGANDA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. A Cofins incide não só sobre receitas relativas à venda de mercadorias e prestação de serviços, mas também sobre qualquer outra auferida pela pessoa jurídica, salvo as exceções listadas exclusivamente em lei. As exclusões da base de cálculo são exaustivas, ou seja, somente podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição as parcelas discriminadas na Lei nº 10.833, de 2003, o que não é o caso das verbas recebidas a título de reembolso de despesas de propaganda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento da Cofins constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à contribuição para o PIS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em apertada síntese a DRJ entendeu que não ocorreram as hipóteses de nulidade apontadas pela impugnante, que não lhe prejudicaram o direito de defesa, e, no mérito, entendeu que as subvenções recebidas enquadramse no conceito de receita, sendo reflexo do desfecho que terá o lançamento existente quanto ao imposto sobre a renda. Quanto aos créditos tomados sobre aluguel de bens que já compuseram seu imobilizado entendeu que há vedação legal e que não pode questionar preceito legal; quanto a glosa de créditos referentes a depreciação de seu ativo imobilizado, entendeu não ter sido comprovado que exerce também atividades de indústria e prestação de serviços, inviabilizando qualquer análise por parte do órgão julgador, não podendo apreciar argumento de legalidade quanto ao fato de haver o direito ao crédito mesmo se se tratasse de atividade unicamente comercial: finalmente, no que tange aos recebimentos a título de reembolsos de despesa, entendeu que deve ser adotado o conceito de receita no sentido amplo, não importando a que titulo foram contabilizados. Após todo o exposto, vota no sentido de julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de 1ª Instância em 15/07/2013, a contribuinte apresentou tempestivamente, em 14/08/2013, Recurso Voluntário a este Conselho. Após nova explanação acerca dos fatos, a recorrente volta a invocar, assim como o fez em sua impugnação, duas preliminares de nulidade, quais sejam a preterição do Fl. 9800DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10120.731185/201237 Acórdão n.º 3402002.318 S3C4T2 Fl. 9.798 7 direito de defesa por vícios do direito de defesa e, ainda, a autuação equivocada com base no Decreto nº 5.265/2000, e não ao qual está de fato vinculado, ou seja, Decreto nº 5.515/2001. Ao que se refere o entendimento da DRJ, no sentido de que a recorrente não demonstrou o devido vínculo entre o valor subvencionado e os investimentos da empresa, alega que os investimentos para montagem do Centro de Destruição e a logística para concentração em Goiás da distribuição de mercadorias para todo país seriam elementos suficiente para caracterização de investimento, reiterando, assim, sua não concordância com a autuação e, ainda mais, com a manutenção deste entendimento no julgamento de 1ª instância. Após, discorre sobre diversos argumentos sustentando tratarse de subvenção para investimento e não de receita tributável. Quando aos créditos tomados sobre a depreciação de bens do ativo, a Recorrente reitera seus argumentos já expendidos na impugnação, afirmando que não exerce apenas atividade de comércio, mas também atividade industrial e de prestação de serviço, o que lhe concederia o direito de aproveitar os referidos créditos. Alega, ainda, que mesmo no tocante à atividade comercial, não lhe pode se tolhido o direito de aproveitamento dos referidos créditos, por suposta ofensa aos princípios da não cumulatividade, capacidade contributiva e isonomia. Reitera a alegação de que alguns valores que a autoridade fiscal entendeu serem receita, não podem ser assim compreendidos, uma vez que tratarseiam de reembolso de despesa com propaganda e, em virtude de ser empresa comercial atacadista e varejista de móveis, utensílios e eletrodomésticos, não possuindo qualquer atividade referente a publicidade e propaganda, não há que se falar em entrada de receita que constitua fato modificativo de patrimônio. Ressalta, novamente, que os recebimentos questionados se tratam de reembolso de despesas, possuindo única função de reduzir uma despesa específica por ele efetuada, porém imputada à terceiro em razão de rateio de custos, sendo supostamente impossível a consideração desta ocorrência como ingresso de receita, pois não representa benefício econômico para a contribuinte. Destaca ter apresentado exemplos de publicidades de fornecedores que geraram obrigação de reembolso, mas que devido à demanda de conclusão do ano contábil, aliado ao fato de que a intimação se deu no período de maior demanda, não foi possível apresentar todos os comprovantes, assim, caso entendase por necessário, requer a oportunidade de juntar novos documentos. Após todo o exposto requer que seja declarada a nulidade do Auto de Infração ou, se superadas, a improcedência total dos lançamentos. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 9.793 (nove mil, setecentos e noventa e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 9801DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. De início anoto que a matéria relativa à tributação pelas contribuições do PIS e COFINS, constantes do lançamento, decorrentes das Subvenções decorrentes do Programa PRODUZIR, Subprograma CENTROPRODUZIR, concedido pelo Estado de Goiás, é decorrente do Imposto sobre a Renda, conforme já restou consignado na própria Ementa do acórdão recorrido: LANÇAMENTO DECORRENTE EM PARTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à Cofins. O RICARF, no artigo 4º do Anexo II, determina por matéria (tributo) a competência desta Terceira Seção de Julgamento: “Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV Crédito Presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; V Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF); VI Imposto Provisório sobre a Movimentação Financeira (IPMF); VII Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e sobre Operações relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF); VIII Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE); IX Imposto sobre a Importação (II); X Imposto sobre a Exportação (IE); XI contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; Fl. 9802DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10120.731185/201237 Acórdão n.º 3402002.318 S3C4T2 Fl. 9.799 9 XII classificação tarifária de mercadorias; XIII isenção, redução e suspensão de tributos incidentes na importação e na exportação; XIV vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria; XV omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado; XVI infração relativa à fatura comercial e a outros documentos exigidos na importação e na exportação; XVII trânsito aduaneiro e demais regimes aduaneiros especiais, e dos regimes aplicados em áreas especiais, salvo a hipótese prevista no inciso XVII do art. 105 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966; XVIII remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do art. 105, do DecretoLei n° 37, de 1966; XIX valor aduaneiro; XX bagagem; e XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Parágrafo único. Cabe, ainda, à Terceira Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância relativos aos lançamentos decorrentes do descumprimento de normas antidumping ou de medidas compensatórias. Como se observa, o IRPJ (e/ou seus reflexos) não são matéria de competência desta Seção, tendo o próprio RICARF trazido a solução de competência nestes casos, dispondo no inciso IV, do artigo 2º, que matéria relativa à IRPJ, bem como àquelas que configuremse em seus reflexos, devem ser atribuídas à Primeira Seção de Julgamento. Transcrevese: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam Fl. 9803DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES Nacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Embora nos autos haja matéria de autuação, que dizem respeito, em principio apenas às Contribuições ao PIS e à COFINS, e a princípio restritas à competência desta 3ª Seção, na realidade os autos estão congregados em um julgamento único, feito desde a DRJ, o que impossibilita o julgamento segregado por matéria, de modo que a 1ª Seção acaba atraindo a competência sobre todas as matérias, mesmo àquelas puramente de PIS e COFINS, segundo tem entendido esta Câmara. Assim sendo, por expressa previsão do regimento Interno deste Conselho, entendo que a competência para a análise deste processo deve ser atribuída à Primeira Seção de Julgamento, consoante dispositivos já citados. Desta forma, não conheço do recurso por incompetência da 3ª Seção de Julgamento do CARF, declinandoa e propondo a remessa do processo à 1ª Seção, nos termos do que acima ficou exposto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 9804DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10830.014272/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS.
Os recibos de pagamentos firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos em desacordo com a legislação de regência não se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto sobre Renda a Pessoa Física.
Numero da decisão: 2201-003.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamentos firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos em desacordo com a legislação de regência não se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto sobre Renda a Pessoa Física.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.014272/2009-14
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5645773
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-003.319
nome_arquivo_s : Decisao_10830014272200914.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : DANIEL MELO MENDES BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830014272200914_5645773.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
id : 6522152
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688833593344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 79 1 78 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.014272/200914 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.319 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de agosto de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ANTONIO LUIZ DE OLIVEIRA BOOCK Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamentos firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos em desacordo com a legislação de regência não se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto sobre Renda a Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Me AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 42 72 /2 00 9- 14 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.014272/200914 Acórdão n.º 2201003.319 S2C2T1 Fl. 80 2 deiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Tratase de lançamento de crédito tributário de Imposto de Renda da Pessoa Física consubstanciado na Notificação de Lançamento, lavrada em 31/08/2009, relativa ao exercício 2006 – ano calendário 2005, tendo sido apurado o crédito tributário no montante de R$ 6.696,24. De acordo com o contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 15, a autoridade fiscal procedeu à glosa do valor de R$ 11.370,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, eis que os recibos apresentados não atendem à legislação tributária (principalmente o art. 80 do Decreto 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda). Inconformado com a Notificação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, às fls. 04/05, acompanhado da documentação de fls. 07/11, na qual alega que o recibo apresentado e glosado do Instituto de Patologia de Campinas atende às exigências da legislação, não havendo motivo para que o mesmo seja glosado. Em relação aos recibos apresentados e glosados de Melissa Marques Pereira e Rafaela Sanches de Oliveira, afirma que estes preenchem os requisitos do inciso III, não constando apenas o item “endereço de quem recebeu”, motivo pelo qual entende que a glosa ocorre de forma indevida. No entanto, para atender ao questionamento da Receita Federal e para que sejam considerados estes recibos como despesas dedutíveis, apresenta novamente os recibos com o campo “endereço de quem recebeu”, única informação não constante nos recibos glosados. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte sob o argumento principal de que um dos recibos apresentados para a comprovação da dedução se refere a exame papanicolau, que por ser ginecológico não poderia ser realizado na pessoa do contribuinte. Os outros dois recibos, por sua vez, são extremamente genéricos e não identificam o paciente e tipo de procedimento efetuado. Cientificado do acórdão da DRJ em 11/06/2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11/07/2013, alegando em síntese que: Os recibos apresentados para comprovar a regularidade das deduções efetuadas atendem os requisitos exigidos pela legislação, como nome, endereço e CPF do prestador de serviço. Ressalta que não é exigido um recibo padrão, mas apenas um recibo em Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.014272/200914 Acórdão n.º 2201003.319 S2C2T1 Fl. 81 3 que possa ser identificado o tipo de serviço, prestador e tomador do serviço, bem como os respectivos valores. Requer a prorrogação de prazo por 30 (trinta) dias para a juntada de documentos. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da dedução de despesas médicas A matéria de fundo se relaciona à regularidade dos recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde para legitimar a dedução levada a cabo pelo sujeito passivo. A controvérsia reside no fato de que os recibos apresentados não preenchem os requisitos mínimos legais para amparar a dedutibilidade das despesas. O art. 8.º, II, “a”, da Lei n.º 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabelece que: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais,bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.014272/200914 Acórdão n.º 2201003.319 S2C2T1 Fl. 82 4 País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (Grifouse). (...).” Assim, é cediço que todos os pagamentos objeto de dedução devem ser justificados e comprovados a juízo da autoridade lançadora e, na falta de documentação poderá ser aceito com meio de prova a indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. No caso concreto sob análise, temse que a autoridade lançadora e o colegiado a quo negaram validade aos recibos apresentados pelo sujeito passivo, eis que os mesmos não preenchem os requisitos do art. 8º, § 2º, III, da Lei nº 9.250/1995. Em verdade, o sujeito passivo manejou os mesmos argumentos da peça impugnatória, não tendo refutado a afirmação da decisão recorrida de que o recibo emitido pelo Instituto de Patologia de Campinas não se prestava para comprovar a regularidade da dedução efetuada. O tipo de serviço prestado, exame papanicolau, não poder ter sido realizado no sujeito passivo por se tratar de um exame ginecológico. Ademais, o sujeito passivo faz afirmações genéricas da regularidade dos recibos emitidos pelas profissionais de saúde Melissa Marques Pereira e Rafaela Sanches de Oliveira, mas não refuta a assertiva da decisão de piso, no sentido de que esses documentos foram emitidos para todo o ano de 2005, mas sem a identificação do paciente, tipo de serviço realizado e data de sua execução. No que pertine aos recibos emitidos por Rafaela Sanches de Oliveira (fls.32/33 do processo eletrônico), entendo que os mesmos não atendem aos requisitos mínimos do art. 8º, § 2º, III, da Lei nº 9.250/1995, eis que ausente a informação do endereço do prestador. O recibo emitido por Melissa Marques Pereira ( fl.34 do processo eletrônico) é genérico e, além de não conter o endereço do prestador, não identifica o tipo de serviço efetuado, contrariando os argumentos apresentados pelo sujeito passivo. Destarte, entendo que devem ser mantidas as glosas de deduções de despesas médicas levada a efeito pela autoridade lançadora. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.014272/200914 Acórdão n.º 2201003.319 S2C2T1 Fl. 83 5 Com relação à apresentação de provas o Decreto nº 70.235/1972 dispõe em seu art.16: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993.) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). (Grifouse). a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ( Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente ;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.014272/200914 Acórdão n.º 2201003.319 S2C2T1 Fl. 84 6 condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Como se vê, o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 determina o momento processual para juntada de prova documental, sob pena de ocorrer a preclusão. Analisar a prova documental carreada ao presente recurso daria a opção ao contribuinte de escolher a instância julgadora que melhor lhe aprouvesse para o julgamento do seu pedido, o que consistiria em uma inegável ofensa às normas adjetivas que norteiam o processo administrativo fiscal, com a supressão da primeira instância. Com isso, não estou a dizer que a regra inserta no o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 é absoluta. O julgador, que é um intérprete da lei, esta na acepção lato sensu deve aplicar o ordenamento jurídico. Assim, a mencionada regra processual deverá ser sopesada com o princípio da verdade material, que deve basilar o julgador ao dirimir as lides tributárias, quando possível. No caso que se cuida, não houve nenhuma justificativa apresentada para a não exibição de documentos no momento da impugnação, nem havia no momento do proferimento da decisão de piso, qualquer indício probatório, por menor que fosse, para amparar as alegações do sujeito passivo. Assim sendo, não pode ser acolhido o pedido de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.723368/2014-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE.
A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Trata-se de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido.
NEGÓCIO JURÍDICO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE POR NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE.
Negócio jurídico realizado mediante interpretação literal, sem a observância das regras tributárias é abusivo e não pode ser oponível ao Fisco, sujeitando ao infrator à multa de ofício de 75%. Descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos.
FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.CABIMENTO.
Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n.11.488/2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional o imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2011, 2012
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicase à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário.
Numero da decisão: 1201-001.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de 150% para 75%. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum. Designado pra redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
RONALDO APELBAUM - Relator.
(assinado digitalmente)
JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ronaldo Apelbaum , Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los.
Nome do relator: RONALDO APELBAUM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Trata-se de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. NEGÓCIO JURÍDICO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE POR NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE. Negócio jurídico realizado mediante interpretação literal, sem a observância das regras tributárias é abusivo e não pode ser oponível ao Fisco, sujeitando ao infrator à multa de ofício de 75%. Descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n.11.488/2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional o imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicase à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.723368/2014-34
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5644454
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.505
nome_arquivo_s : Decisao_10830723368201434.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RONALDO APELBAUM
nome_arquivo_pdf_s : 10830723368201434_5644454.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de 150% para 75%. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum. Designado pra redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) RONALDO APELBAUM - Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ronaldo Apelbaum , Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6515841
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688855613440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 6.178 1 6.177 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.723368/201434 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.505 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2016 Matéria Custos, despesas operacionais e encargos amortização Recorrente PPG INDUSTRIAL DO BRASIL TINTAS E VERNIZES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. NEGÓCIO JURÍDICO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE POR NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE. Negócio jurídico realizado mediante interpretação literal, sem a observância das regras tributárias é abusivo e não pode ser oponível ao Fisco, sujeitando ao infrator à multa de ofício de 75%. Descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n.11.488/2007, tornouse juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional o imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 33 68 /2 01 4- 34 Fl. 6178DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 2 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicase à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de 150% para 75%. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum. Designado pra redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) RONALDO APELBAUM Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ronaldo Apelbaum , Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório utilizado pela DRJ/CPS: Tratase de autos de infração, fls. 50255053, relativo ao IRPJ e Reflexos, anos 2011 e 2012 no valor total de R$ 5.958.018,05 (inclusos multa de oficio de 150%, multas isoladas e juros de mora à taxa Selic, calculados até julho). I) DA AUTUAÇÃO Consoante Relatório Fiscal, às fls. 48365021, a Fiscalização constatou que: (...) 2 A Ação Fiscal compreendida no presente Relatório foi determinada através do Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.04.002014001242, para o IRPJ – Fl. 6179DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.179 3 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e para a CSLL –Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, para os anoscalendário 2011 e 2012. 3 Tratase de continuidade dos trabalhos de auditoria fiscal levados a efeito através do Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.04.00200900995 8, emitido para o IRPJ e para a CSLL relativamente ao período precedente (anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010), objeto dos Autos de Infração lavrados em 18/11/2011, constantes do processo administrativo 10830.725.113/201163. (...) IX.I EXCLUSÃO INDEVIDA NO RTT 356 Por conta da incorporação da empresa TINTAS IDEAL S.A. pela fiscalizada, ocorrida em 01/10/2007, esta passou a amortizar em sua contabilidade o montante de R$ 217.538.689,55, integrante de sua conta ativa de ágio “1.3.2.1.16 GOODWILL”. Posteriormente, em 01/2008, mediante lançamento complementar, o ágio decorrente desta operação de incorporação passou a R$ 223.055.820,22. 357 Alegando estar fundamentada em legislação pertinente (art. 386 do RIR/99), a partir do mês de outubro de 2007, a fiscalizada passou a amortizar a referida conta contábil ativa em parcelas de 1/60 mensalmente, tendo como partida a débito a conta contábil de resultado “6.5.2.0.18 AMORTIZACAO DE GOODWILL” e como contrapartida a crédito a conta contábil retificadora do ativo “1.3.2.2.13 GOODWILL”. 358 Mensalmente a fiscalizada materializou a prática de irregularidade mediante lançamento de despesas nos valores de R$ 3.625.644,84 (10/2007 a 01/2008) e R$ 3.724.165,02, (02/2008 a 12/2008), debitando diretamente a conta de despesa 6.5.2.0.18. 359 A partir de janeiro do anocalendário 2009 a fiscalizada deixou de amortizar contabilmente o ágio e passou a efetuar ajustes no RTT –Regime Tributário de Transição a fim de reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL pela exclusão mensal de montantes numericamente equivalentes àqueles que vinha carreando à conta de despesa 6.5.2.0.18, anteriormente à implantação da nova metodologia contábil introduzida através da edição da Lei 11.638/2007 (Nova Lei das S/A). 360 Por expressa vedação contida no art. 391 do RIR/99 a amortização do ágio Fl. 6180DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 4 pago pela aquisição da empresa Tintas Ideal S/A é totalmente indedutível. 361 Outrossim, as despesas com a amortização de ágio foram consideradas desnecessárias à manutenção das atividades da empresa, não tendo o amparo legal dos ditames previstos do artigo 324 ao 327 do RIR/99. 362 Para os anoscalendário 2011 e 2012, a fiscalizada continuou adotando o mesmo procedimento anterior e efetuou reduções das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL através de exclusões no Demonstrativo do Regime Tributário de Transição, sob os históricos “Parcela Amortização Ágio Tintas Ideal” e “Parcela Leasing Financeiro Centro Distribuição”, demonstrados mensalmente no quadro abaixo: 366 Conforme artigos já citados no presente Relatório de Ação Fiscal, as exclusões a título de amortização de ágio lançadas pela fiscalizada não tem o devido respaldo legal no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 367 A EXCLUSÃO nos Demonstrativos de Apuração do RTT para fins de apuração do Lucro Real Anual não se enquadram nos preceitos de amortização contidos nos arts. 324 ao 327 do RIR/99. E novamente o mesmo fato ocorrendo com relação ao registro do ágio que fundamentou o cálculo dessa exclusão, o qual não se enquadra no artigo 386 do mesmo RIR/99. 368 Para os anoscalendário 2011 e 2012, as EXCLUSÕES pretendidas pela fiscalizada na apuração do Lucro Real Anual, através dos Demonstrativos de Apuração do RTT chocamse frontalmente contra a legislação contábil, tributária, civil e penal, reduzindo ilicitamente as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, razão pela qual procedese sua glosa total. 369 Com relação a esta infração, será aplicada a multa qualificada, tendo em vista a prática de atos por parte dos representantes da fiscalizada que se enquadram, em tese, como crimes contra a ordem tributária, previstos nos art. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. IX.II MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS DO IRPJ E DA CSLL 370 Para os anoscalendário 2011 e 2012 a fiscalizada optou pela forma de apuração do IRPJ e da CSLL através da sistemática do Lucro Real Anual, método através do qual são exigidos mensalmente adiantamentos na forma de estimativas Fl. 6181DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.180 5 que serão compensados ao final do ano com os valores calculados sobre Lucro Real efetivo apurado durante o anocalendário, na forma do Artigo 222 do RIR/99. 371 É facultado à pessoa jurídica suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido por estimativa em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, Art. 230 do RIR/99). 372 Quando identificada a falta ou a insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL apuradas em conformidade com os artigos 222 e 230 do RIR, a pessoa jurídica ficará sujeita à penalização através da aplicação de multa isolada incidente sobre os valores devidos no mês e não recolhidos, conforme previsto na letra “b” do inciso II e no inciso II do Art. 44 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, transcrito: (...) 373 Assim, temse que a MULTA ISOLADA sobre a falta de recolhimento da estimativa/suspensão tem por objetivo penalizar a fiscalizada por não recolher o tributo no momento em que era devido e está prevista para ser aplicada mesmo nos casos em que o balanço de encerramento do anocalendário compute PREJUÍZO FISCAL. 374 Como conseqüência do lançamento da infração “IRPJ / CSLL – EXCLUSÃO NO REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO EFETUADA INDEVIDAMENTE” foram reconstituídos os balanços de suspensão / redução da fiscalizada efetuandose a determinação das bases de cálculo mensais do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apuradas por estimativa para os anoscalendário 2011 e 2012 através das planilhas anexas denominadas: “Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para o IRPJ IRPJ Lucro Real Anual estimativas calculadas com base em balancetes de suspensão / redução” e; “Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para a CSLL CSLL Lucro Real Anual estimativas calculadas com base em balancetes de suspensão / Fl. 6182DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 6 redução”. 375 Foram apuradas as faltas de recolhimento dos valores dispostos nas colunas 11 e 12 do “Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para o IRPJ” e do “Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para a CSLL” valores sobre os quais foram calculadas as multas isoladas pelo percentual de 50%, indicados na coluna 13 dos citados demonstrativos para o IRPJ e para a CSLL, conforme previsto na alínea “b” do Inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007. X – DA QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE 376 Através dos tópicos “IV – DO HISTÓRICO SOCIETÁRIO”, “V – DO ÁGIO FUNDAMENTAÇÃO LEGAL”, “VI – DO RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO” e “VII – DA VERDADE MATERIAL A REAL MOTIVAÇÃO PARA O PAGAMENTO DO ÁGIO” foi elucidada a motivação determinante da criação de despesas com a amortização de ágio por parte da fiscalizada, bem como foi traçada uma linha temporal, a fim de compor todos os fatos e a avaliação do ágio realizada, caracterizada como ATO SIMULADO, portanto, INVÁLIDO. (...) 378 Fica evidente por todos os fatos expostos no presente relatório que os proprietários e a diretoria da fiscalizada sempre tiveram a intenção de transformar o ágio pela aquisição de ações em dedutível, criando na aparência as condições formais para que esse pleito pudesse ser oposto contra a Secretaria da Receita Federal do Brasil e, com isso, excedendo manifestamente os limites impostos pelo fim econômico das transações societárias, utilizandose da má fé para concretizar seus objetivos. 379 A operação pela qual a Tintas Ideal S/A foi criada para logo depois ser vendida com ágio e posteriormente dissolvida por incorporação revela nos muitos documentos que foram confeccionados durante esse imbróglio que o fim único da operação foi o de criar uma situação tributária favorável à fiscalizada que de fato inexistia. 380 Ao invés de comprar diretamente ATIVOS, MARCAS, FUNDO DE COMÉRCIO e demais intangíveis pelo seu valor real de mercado, optouse por criar uma situação societária que gerasse formalmente um direito para a fiscalizada de lançar em contas de despesa a pretendida amortização de ágio decorrente da compra de participação societária. 381 A forma escolhida para tal foi subverter os ditames do artigo 386 do RIR/99 Fl. 6183DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.181 7 que de maneira direta e exaustiva exige duas situações “sui generis” para que a amortização de ágio passasse a ser dedutível frente à legislação do IRPJ e da CSLL: Primeiramente, referido artigo exige que o ágio pago seja especificamente o ágio por rentabilidade futura, e em segundo lugar exige ainda que haja uma reorganização societária. 7 382 Como foi cuidadosamente e amplamente detalhado no curso desse Relatório de Ação Fiscal, a rentabilidade futura não foi demonstrada de maneira hábil e idônea apesar da oportunidade para isso ser oferecida por diversas vezes à fiscalizada. 383 Por outro lado, restou cabalmente demonstrado, através de fatos notórios e uma série de informações coligidas durante a Ação Fiscal, que existe um acervo adquirido registrado a valores extremamente subavaliados, o que fundamentou o pagamento de ágio por parte da fiscalizada. 384 Há dados suficientes para demonstrar que o motivo oposto à Secretaria da Receita Federal para o pagamento de ágio é falso e criado, não representando exclusivamente Rentabilidade Futura. (...) 397 Os fatos arrolados nesse Relatório evidenciam a simulação de uma complexa operação envolvendo empresas sediadas no Brasil e no exterior, com a finalidade de iludir o fisco, cujo único resultado foi a redução ilícita do lucro da fiscalizada. 398 O fluxograma a seguir, elaborado a partir de todos os fatos descritos acima, elucida esquematicamente e resumidamente os passos adotados pela fiscalizada para criar despesas em sua contabilidade e reduzir, conseqüentemente, os seus resultados. 399 Pelo exposto, haja vista os elementos narrados, fica caracterizado o intuito fraudulento, justificando a aplicação da multa qualificada e o enquadramento dos responsáveis pela empresa na prática, em tese, de crime contra a ordem tributária previsto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90: (...) XI – DA AUTUACÃO 400 Em decorrência das infrações apuradas, foram Fl. 6184DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 8 recalculadas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL declaradas pela fiscalizada em DIPJ para os anoscalendário 2011 e 2012 e foram concedidos à fiscalizada todos os direitos de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL a que tinha direito, reduzindose as bases de cálculo das infrações apuradas conforme os saldos disponíveis. 401 Essas recomposições das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL são demonstradas através das planilhas denominadas “PLANILHA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DO IRPJ” e “PLANILHA DE COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DA CSLL”, para os anos calendário 2011 e 2012, as quais fazem parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. 402 Foram aproveitados de ofício na autuação todos os saldos negativos do IRPJ pleiteados pela fiscalizada nos próprios anoscalendário em que foram gerados, conforme extraído das DIPJs entregues. (...) 404 O contribuinte está sendo autuado uma vez que: Reduziu indevidamente as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, efetuando exclusões nos Demonstrativos do Regime Tributário de Transição (RTT) a título de amortização de ágio motivado fraudulentamente em rentabilidade futura para os anoscalendário 2011 e 2012; Como decorrência das outras duas infrações, deixou de efetuar recolhimentos calculados através de estimativas mensais para o IRPJ e para a CSLL ou efetuou o recolhimento das mesmas de forma insuficiente (anoscalendário 2011 a 2012); 405 Fazem parte integrante e indissociável deste Auto de Infração os seguintes anexos: O presente Relatório de Ação Fiscal N° 00124/14/006 (185 folhas); Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para o IRPJ IRPJ Lucro Real Anual estimativas calculadas com base em balancetes de suspensão / redução (1 folha); Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada para a CSLL CSLL Lucro Real Anual estimativas calculadas com base em balancetes de suspensão / redução (1 folha); Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (1 folha); Folhas de Rosto do Auto de Infração do IRPJ (1 folha); Fl. 6185DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.182 9 Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal – Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (3 folhas); Demonstrativos de Apuração Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica 2011 e 2012 (4 folhas); Demonstrativo de Multa e Juros Isolados Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica 2011 (1 folha); Demonstrativo de Apuração Detalhado Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica – Lucro Real 2011 e 2012 (2 folhas); Demonstrativo de Multa e Juros de Mora Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica 2011 e 2012 (1 folha); Planilha de Compensação de Prejuízos Fiscais do IRPJ (2 folhas); Folhas de Rosto do Auto de Infração do CSLL (1 folha); Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (3 folhas); Demonstrativos de Apuração Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 2011 e 2012 (2 folhas); Demonstrativo de Multa e Juros Isolados Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 2011 e 2012 (2 folhas); Demonstrativo de Apuração Detalhado Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – Lucro Real 2011 e 2012 (2 folhas); Demonstrativo de Multa e Juros de Mora Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 2011 e 2012 (1 folha); Planilha de Compensação de Base Negativa da CSLL (2 folhas); Orientações ao Sujeito Passivo (1 folha); 406 Era o que tinha a informar, (...) II) DA IMPUGNAÇÃO A Contribuinte, foi cientificada em 7/7/2014(fls. 5056) e apresentou impugnação em 5/8/2014, fls. 5056 e seguintes alegando, inicialmente que: (...) Com base em um ambicioso plano de aumento dos seus negócios no Brasil, desde meados do ano de 2006 a Impugnante realizou negociações para a aquisição da empresa Tintas Ideal S.A ("TISA") e no ano de 2007 efetuou reestruturações operacionais e societárias para aproveitar as sinergias desse negócio. E em razão da significativa atuação no ramo de tintas imobiliárias que esta última empresa detinha, a Impugnante viu seus negócios crescerem nessa área, tal como planejara. Além dos evidentes objetivos negociais dessas operações os quais serão detalhadamente expostos a seguir, sob os pontos de vista fiscal e contábil a Fl. 6186DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 10 referida reorganização resultou no pagamento de um preço de aquisição das ações superior a seu valor contábil e, consequentemente, no reconhecimento de ágio de empresas detidas pelo grupo e, portanto, na possibilidade de sua amortização pela Impugnante. Para demonstrar sua boafé em todos os atos pertinentes à referida reestruturação societária, a Impugnante agiu com total transparência, tendo apresentado todas as infonnações pertinentes à reorganização societária e ao ágio resultante em suas declarações de rendimentos e atendido aos pedidos efetuados durante o curso da fiscalização na medida das informações que tinha disponíveis. Em virtude do significativo valor do ágio reconhecido nas operações acima e do fato de a sua amortização ter resultado em redução do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as dd. autoridades fiscais iniciaram procedimento de fiscalização visando verificar a regularidade dos procedimentos fiscais adotados pela Impugnante. Após alguns meses de fiscalização em novembro de 2011, a Impugnante foi surpreendida com a lavratura de autos de infração que originaram o processo administrativo n° 10830.725.113/201163, exigindo a cobrança de valores a título de IRPJ e de CSLL relativos aos anoscalendário de 2007, 2008, 2009 e 2010 decorrentes: (i) da glosa de despesa, tida como não necessária pela d. fiscalização, com a elaboração de relatório de avaliação da TISA; (ii) da glosa de amortização de ágio supostamente não amortizável; (iü) da exclusão da amortização de ágio nos aportes lançados nos Demonstrativos do Regime Tributário de Transição, para determinar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL para os anoscalendário 2009 e 2010 e, por fim (iv) de suposto erro na transcrição do lucro real do LALUR para a DIPJ. Atualmente, aguardase julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Contudo, após a lavratura dos autos de infração que embasaram o processo administrativo n° 10830.725.113/201163, as dd. autoridades fiscais deram continuidade à fiscalização, expedindo novo Mandado de Procedimento Fiscal sob o n° 08.1.04.002014001242, o qual tinha por objeto a análise de IRPJ e CSLL dos anoscalendário 2011 e 2012. Com efeito, a Impugnante foi mais uma vez surpreendida com a lavratura de dois Fl. 6187DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.183 11 autos de infração exigindo a cobrança de IRPJ e CSLL relativos aos anoscalendário de 2011 e 2012, também decorrentes da exclusão da amortização de ágio nos aportes lançados nos Demonstrativos do Regime Tributário de Transição, para determinar a base de cálculo desses dois tributos. Não obstante, as dd. autoridades fiscais ainda aplicaram multa de ofício isolada em razão da suposta falta de recolhimento da estimativa do IRPJ e da CSLL apurada conforme balancetes de suspensão/redução, além da aplicação concomitante da multa qualificada em 150% por falta de recolhimento de tributo devido apurado ao final dos períodos de apuração objeto da autuação. Em suma, as dd. autoridades fiscais concluíram que a operações de reorganização societária realizadas no ano de 2007 pela Impugnante não autorizariam o registro e posterior amortização do ágio, na medida em que (i) os registros contábeis não destacariam o fundamento do ágio, (ii) o relatório de avaliação econômica elaborado por auditoria independente não teria motivado a rentabilidade futura, e, por fim (iii) os atos societários foram realizados em curso espaço de tempo e para ocultar a efetiva razão do pagamento do ágio. Para as dd. autoridades fiscais, os procedimentos adotados pela Impugnante para amortizar o ágio pago na aquisição das ações da TISA careceriam de adequada fundamentação legal para serem considerados dedutíveis e ultrapassariam largamente os ditames pretendidos pelo legislador no artigo 386 do RIR/99. Notese que não há no Termo de Verificação Fiscal (TVF) qualquer alegação por parte das dd. autoridades fiscais no que se refere à ausência de pagamento de ágio. Pelo contrário, reconhecese que a Impugnante recebeu recursos em aumento de seu capital social e efetivamente pagou a terceira parte não relacionada pela participação na TISA, adquirindo as respectivas ações com ágio. A autoridade fiscal informa em seu TVF o curto período de existência da empresa adquirida, porém reconhece que tal empresa foi constituída por terceiro independente, recebeu deste o negócio de tintas do ramo imobiliário e só então foi adquirida pela Impugnante, sendo posteriormente incorporada. Não se discute assim a validade jurídica de nenhum desses atos ou a efetividade de seus efeitos econômicos. Na verdade, a principal acusação da autuação gira em torno do questionamento técnico do método utilizado no Laudo de Avaliação elaborado por empresa de Fl. 6188DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 12 auditoria independente tradicional e de competência reconhecida no mercado, contemporâneo aos atos societários que aqui serão tratados, bem como a avaliação das marcas, ativos e intangíveis constante do Laudo de Avaliação elaborado por 3 (três) contadores, nos termos exatos do que determina a lei. Contudo, a Impugnante não pode concordar com as conclusões das autoridades fiscais autuantes e tampouco com as vultosas exigências fiscais consubstanciadas nos autos de infração ora combatidos, na medida em que, conforme será amplamente demonstrado a seguir, todos os atos relativos a reestruturação societária e, principalmente a elaboração dos estudos de avaliação da empresa incorporada com base em sua rentabilidade futura, seja pela própria empresa compradora, seja pela avaliação posteriormente realizada por auditoria independente, foram lícitos, refletem a realidade financeira e contábil da empresa e decorrem de legítimos objetivos empresariais, pois pautados em estrita obediência à legislação vigente. Ressaltese ainda que tais operações foram abertamente realizadas e a autoridade fiscal deixou de comprovar nos autos qualquer intuito de fraude, dolo ou simulação. É o que a Impugnante passa a demonstrar. (...) Após discorrer sobre cada ponto da autuação, contestando um a um, a impugnante concluir e requer: III. DO PEDIDO Diante de todo o exposto, a Impugnante requer seja reconhecida a inexistência de qualquer infração tributária no tocante às glosas efetuadas, ou caso assim não se entenda, sejam julgados totalmente improcedentes os autos de infração que deram origem ao presente processo, cancelandose os créditos de IRPJ e CSLL lançados e reconhecendose, em qualquer hipótese, a inexistência de sünulação no caso concreto e, portanto, a impossibilidade de exigência da multa agravada, assim como a inviabilidade da cumulação das multas isolada e de ofício e da incidência de juros sobre as multas aplicadas. É o relatório. Após detalhada análise do TVF e da Impugnação de fls., assim restou decidido pela DRJ: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA DECORRÊNCIA. APLICAÇÃO. Tratandose de lançamento reflexo ou decorrente, qual seja, aquele calcado nas mesmas operações (fatos jurídicostributários) autuadas em Fl. 6189DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.184 13 outro processo, dito principal, cumpre aplicar no julgamento deste o princípio da decorrência, repercutindo a mesma decisão daquele quanto ao mérito. Uma vez que a matéria de fundo em litígio neste processo, relativa amortização, já foi apreciada na decisão de 1a. instância do processo 10830.725113/201163, cumpre aqui replicála. IRPJ. ÁGIO EM INVESTIMENTO. DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PROVA DA NATUREZA DO ÁGIO. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do resultado. A possibilidade de deduzila prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7°, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 não pode ser invocada quando ausente comprovante da escrituração de que este ágio foi pago tendo em vista a expectativa de rentabilidade futura. ÔNUS DA PROVA. É da contribuinte que utiliza o benefício fiscal da amortização do ágio por rentabilidade futura o encargo de comprovar a fundamentação a ele atribuída, mediante apresentação do correspondente comprovante de escrituração, sobretudo se a Fiscalização, além de constatar a extemporaneidade de sua elaboração, também questionou tecnicamente a avaliação apresentada e identificou os reais motivos para pagamento do ágio: aquisição de ativos, especialmente de intangíveis, os quais foram expressamente relacionados e detalhadamente discriminados, além de serem objeto de análise no tocante à relação com as atividades e produtos da empresa incorporada pela Fiscalizada. DESPESA COM ELABORAÇÃO DE LAUDO. DESNECESSIDADE. É inerente à condição de "comprovante de escrituração do ágio" que o Relatório de Avaliação apresentado como tal, além de adotar critérios, base histórica e variáveis perfeitamente identificados e justificados e de ser coerente com a realidade fática da operação, deve anteceder o pagamento do ágio, para justificar o montante desembolsado pela aquisição da participação societária e o motivo do pagamento de montante superior ao valor patrimonial do investimento. Sendo posterior ao pagamento e à escrituração do ágio, o Relatório de Avaliação apresentado perde a finalidade para a qual é exigido pela legislação fiscal e a despesa para sua elaboração deixa de ser dedutível, posto que não foi utilizado para a tomada de decisão da pessoa jurídica adquirente. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Constatada pela Fiscalização operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo (uma delas controlada pela outra e ambas sob o controle da mesma pessoa jurídica sediada no exterior) que "propiciou " a criação de uma motivação artificial para o pagamento de ágio e foi engendrada com o evidente intuito de "criar" despesas de amortização em uma delas, diminuindo ilegalmente sua base tributável pelo IRPJ e para CSLL, não há como afastar a imputação de simulação e a conseqüente aplicação da multa qualificada. Fl. 6190DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 14 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos, mormente em face de norma prevendo, para a CSLL, iguais hipóteses e condições de dedutibilidade de amortização de ágio, existentes em relação ao IRPJ. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica optante pela forma de tributação pelo lucro real anual à multa de ofício isolada. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Voto Vencido Conselheiro Relator Ronaldo Apelbaum Em primeiro lugar, cumpre destacar que o Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser acolhido. Tal análise será realizada a partir dos principais tópicos alegados no Recurso Voluntário, realizando um confronto entre seus argumentos e aqueles que justificaram a manutenção da autuação pela DRJ/CPS. Antes, contudo, há uma alegação de cerceamento de defesa que merece ser afastada. Isso porque a Recorrente trouxe aos autos, em 05 de abril de 2012, um parecer/laudo elaborado pela empresa de consultoria Ernst & Young Terco, documento esse que reputou relevante para refutar os argumentos da autuação, e que não foi analisado pelo relator do voto na DRJ. Embora a Delegacia não tenha analisado essa documentação de forma efetiva, entendo que essa ausência não trouxe hipótese de cerceamento de defesa. Isso porque o laudo da consultoria Ernst &Young Terco apenas reforça as premissas adotadas pelo laudo da PWC. E não foi descartado formalmente pela DRJ/CPS. Esses pontos demonstram que a ausência de sua análise em nada poderia alterar o entendimento dos julgadores de 1a Instância. Ademais, a reprodução dos fundamentos do Fl. 6191DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.185 15 processo administrativo 10830.725113/201163 também não representa cerceamento de defesa, já que os fundamentos e consequências, saldo meros detalhes, é absolutamente a mesma. Refuto, portanto, preliminares de cerceamento de defesa. Segue, de forma segregada, análise dos principais pontos em discussão: 1. Relação entre as empresas PPG, Renner e Ideal – propósito negocial, empresaveículo e procedimentos préaquisição De acordo com o Relatório da Ação Fiscal de fls. 4390 e seguintes, declara a d. Fiscalização que a criação da empresa Tintas Ideal S.A., com versão de parcela dos ativos da Tintas Renner, foi criada especificamente para a transferência das operações de tintas imobiliárias para o Grupo PPG. Senão vejamos: 91Conforme informações coligidas durante a Ação Fiscal, a empresa Tintas Ideal S.A. foi criada especificamente para efetuar a transferência das operações de tintas imobiliárias da empresa Renner Sayerlack S/A para a empresa PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda.. 92Tendo em vista esse fato, concluise que a aquisição da Tintas Ideal S.A. pela PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda. iniciouse em período de tempo anterior ao protocolo de criação da empresa em 25/08/2006, através da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da “Tintas Ideal S.A.” (registro na – Junta Comercial do Rio Grande do Sul n° 2771055, Protocolo 06/2371851 de 28/11/2006). Curioso notar, de plano, que não há nos autos qualquer elemento de que a empresa Tintas Ideal foi criada sob a determinação da empresa PPG. A criação da entidade TISA poderia ser uma estratégia dos vendedores e não necessariamente um planejamento tributário dos compradores, embora tenha ocorrido em período de negociação, conforme atesta o Recorrente. Equivaleria aqui, ainda de forma indireta, acusar a Recorrente de ter determinado o estabelecimento da empresa Tintas Ideal como verdadeira “empresaveículo” apenas para fins de apuração e aproveitamento de goodwill baseado em expectativa de rentabilidade futura. Daí surgirem indícios de simulação que justificariam a aplicação da multa de 150%. Vale ressaltar, aqui, que o próprio Eg. CARF, em diversas decisões, entendeu ser perfeitamente aceitável a constituição de empresa segregada apenas para esses fins. Cito aqui voto da lavra do sempre competente Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, em julgamento do qual participei recentemente: Fl. 6192DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 16 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. A utilização da chamada "empresa veículo" não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de outros elementos como a fraude ou simulação para que a glosa da dedução do ágio se justifique. Na hipótese em que presentes para o contribuinte, outras opções de movimentação societária que resultariam no mesmo efeito tributário que é a dedução do ágio, a eventual utilização de empresa veículo configura simples decisão de negócios que não prejudica o benefício fiscal. … (Processo 16327.720403/201359, sessão de 07 de junho de 2016, caso CreditSuisse) Ou ainda em outro julgamento conduzido pelo Il. Conselheiro Valdir Veiga Rocha, também bastante recente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 ÁGIO. FORMAÇÃO. NEGÓCIO ENTRE PARTES INDEPENDENTES. EFETIVO SACRIFÍCIO PA TRIMONIAL DA ADQUIRENTE. FUNDAMENTO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE RENTABILIDADE FUTURA. VALIDADE DA FORMAÇÃO. Ao se demonstrar que o ágio discutido nos autos se formou em negócio firmado entre partes independentes, em regime de livre mercado, foi respaldado por laudo baseado na expectativa de rentabilidade futura da investida e que houve um efetivo sacrifício patrimonial da adquirente em benefício dos alienantes do investimento, não se há de questionar o registro contábil do ágio, como a diferença entre o valor do sacrifício patrimonial e o valor de patrimônio líquido da investida. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. Fl. 6193DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.186 17 O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si sós, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. (Processo 10855.724999/201221, sessão de 04 de maio de 2016, caso Nakayone) No caso em apreço, portanto, a criação da empresa Tintas Ideal é (i) legítima do ponto de vista jurídico, (ii) legítima do ponto de vista negocial e (iii) nãoimputável à empresa PPG. Portanto, acato os argumentos do Recurso Voluntário para desconsiderar a criação da empresa como causa de afastabilidade da amortização da maisvalia contrabilizada e amortizada / deduzida. 2. Função do laudo de avaliação e da contratação de consultorias especializadas para esses fins, além da dedutibilidade das despesas com elaboração de documentos de suporte contábil fiscal Outra razão apontada pela d. Fiscalização para descaracterizar a dedutibilidade do ágio pago pela PPG é o papel exercido pelo laudo e pela PWC, empresa de consultoria contratada para fins de elaboração de tal documento. Fazse necessário, em primeiro lugar, realizar a leitura dos itens do Relatório Fiscal a respeito: 159 Tal negociação visava, portanto, a um objetivo exclusivo: a criação de uma situação desprendida da real motivação que levou ao pagamento do ágio. Ou seja, visava a, única e tão somente, criar um aparato formal para sustentar futuras alegações de dedutibilidade de amortizações do ágio perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. 160 Para tanto, definese, desde o princípio da contratação da consultoria PriceWaterhouseCoopers, que o objetivo do laudo seria a atribuição da motivação de RENTABILIDADE FUTURA ao ágio que fora pago pela aquisição das ações do conglomerado Tintas Ideal S/A e não a busca da verdade dos fatos, conforme seguinte passagem extraída da proposta: “Nosso trabalho incluirá o desenvolvimento de uma avaliação de 100% das quotas da Tintas Ideal, usando uma combinação do método de rentabilidade futura (essencialmente baseado em fluxos de caixa descontados) com o método do valor patrimonial contábil. É de nosso entendimento que o objetivo exclusivo de nosso trabalho é apoiálos na fundamentação do valor da Tintas Ideal perante as Fl. 6194DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 18 autoridades fiscais brasileiras. (grifouse)” 169 Concluise da análise dessa proposta e da notória atuação no mercado da empresa de consultoria que esses proponentes tinham pleno conhecimento dos fins para os quais o relatório de avaliação seria utilizado e tentaram eximirse dos possíveis prejuízos que essa utilização poderia gerar a terceiros. 170 No caso em tela, o principal prejudicado seria, forçosamente, o erário público federal, frente ao qual seria aposto o relatório que seria confeccionado. 171 Dessa feita, estava, a partir do momento de assinatura dessa proposta, esquematizado o plano que daria enormes retornos financeiros aos quotistas da fiscalizada, mediante redução do pagamento do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Aqui encontro o ponto que entendo ser crucial para compreensão do lançamento tributário. E, mais do que isso, elementochave que demonstra o baixíssimo nível de evolução da relação entre o Estado e Cidadão em nosso país. A d. Auditora Fiscal, sem qualquer prova e de forma indiscriminada, estabelece conceito prédeterminado de que a função da contratação de empresa do porte da PWC visaria prejudicar o erário público federal e esquematizar planos para dar enormes retornos financeiros aos quotistas da fiscalizada. Ora, a contratação de empresas de auditoria e consultoria, observadoras de princípios contábeis e de governança como nenhuma outra, poderia ter a finalidade de se tornar partícipe ou mesmo coautora de crime contra a ordem tributária? Essa é a acusação! Em sociedades com alto grau de evolução, poderseia afirmar que declaração como essa não passaria incólume. Em certas jurisdições da Comunidade Européia, empresas certificadas por firmas globais de auditoria sequer são auditadas por autoridades fiscais. Além disso, aponta a d. Fiscalização que o contrato para elaboração de laudo prevê a isenção de responsabilidade da empresa PWC sobre quaisquer consequências e contingências advindas da utilização do documento. Isso seria mais um motivo que confirma a máfé na utilização desse documento. Ora, nem seguradoras, nem médicos, nem advogados, e tantos outros exemplos, respondem de forma indiscriminada sobre as consequências de seu exercício profissional. Cláusulas de limitação de responsabilidade são básicas e primordiais em qualquer contratação desse gênero. O juízo de valor formado am partir desse fato não se justifica, sob nenhuma perspectiva. E o que temos aqui é a desconsideração de um laudo de avaliação de rentabilidade futura pelo pressuposto de que a contratação desse laudo teria como função precípua fraudar o fisco. Além disso, por conta da existência desse fato, aplicamse as disposições dos arts. 71 e seguintes da Lei 4.502/64 para aplicar penalidade equivalente a 150% do tributo que deixou se ser pago. Por fim, para coroar a ideia, ajustase a base de cálculo do IRPJ e CSLL da Recorrente para considerar a própria despesa com o laudo desnecessária. Fl. 6195DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.187 19 Portanto, não se pode colocar em xeque a dedutibilidade do ágio gerado pela aquisição da Tintas Ideal apenas por se desconfiar da índole da empresa que elaborou o documento suporte. Muito menos considerar a despesa como desnecessária, sendo ela garantidora do suporte contábil da dedução, sejam suas conclusões questionáveis ou não. 3. Obrigação legal de apresentar laudo para ágio à época dos fatos? A obrigação de apresentação de laudo contábil em formato determinado é posterior à ocorrência dos fatos geradores. Essa obrigação foi introduzida pela Lei 12.973/14. Antes disso, o laudo seria documento de suporte necessário ao lançamento contábil/fiscal da maisvalia e não havia obrigação de têlo quando do pagamento pela aquisição da Tintas Ideal. A inexistência do laudo de avaliação à época da efetiva aquisição, no início de 2007, não é argumento capaz de invalidar de plano a rubrica e o valor atribuído a ela. 4. Existência de propósito negocial – questão das marcas e da participação no mercado pulverizado, além de contratação de consultorias específicas para as subsidiárias Uma das premissas adotadas pela d. Fiscalização é de que o propósito negocial legítimo estaria aqui sob suspeita. O fato da empresa PPG ter adquirido a Tintas Ideal sem se preocupar com a elaboração de laudo específico seria um sinal de reconhecimento da indedutibilidade do ágio, de acordo com o TVF de fls.: 102 Assim, os dirigentes da empresa PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda. já sabiam desde o momento da compra das ações de Tintas Ideal S/A que o ágio pago por essa aquisição não seria dedutível, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL caso amortizado, uma vez que não se preocuparam em elaborar laudo que contestassem as motivações que estavam claras no momento da compra: Os bens e ativos da Tintas Ideal S/A estavam notoriamente avaliados a valor inferior ao de mercado, pois a empresa já possuía uma vida social de 80 (oitenta) anos, estando muitos desses bens plenamente depreciados; Não se pode negar, de plano, que os pontos levantados em relação aos valores de parcela dos ativos sejam razoáveis. De fato, intangíveis e outros ativos avaliados pelo valor contábil não revelam o valor presente desses ativos. Contudo, não vislumbro razão para desconsiderar de forma plena todo a amortização do ágio considerada, especialmente pelo fato de que não há previsão legal que permita à autoridade fiscal tal desconsideração e/ou obrigação legal, naqueles exercícios, de avaliar todos os bens pelo valor nãocontábil. Além disso, a d. Fiscalização também coloca em dúvida algumas premissas adotadas pelas empresas, como a negociação de intangíveis a valores muito Fl. 6196DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 20 superiores àqueles contabilizados na empresa Tintas Ideal e também a aquisição de operações em países como Uruguai e Chile sem avaliação específica e nenhuma expectativa de rentabilidade apontada ou contabilizada. Em sua Impugnação e Recurso Voluntário de fls., a Recorrente alega a necessidade de aquisição de marcas e técnicas de vendas relevantes no mercado brasileiro, eis que extremamente pulverizado. Embora em termos percentuais o aumento da participação de mercado não seria impactante, o fato do mercado brasileiro ser extremamente pulverizado nesse segmento seria uma prova cabal de que os valores pagos pelos intangíveis seria absolutamente justificável. Como argumentação, vem a Recorrente juntar contatos e contratos com escritórios de consultoria local em cada um dos países para demonstrar que, em dado momento, preocupouse em avaliar a situação de cada entidade adquirida fora do Brasil. Penso não ser suficiente tal prova para demonstrar que a ausência de qualquer rentabilidade associada às operações em outros países da América Latina esteja devidamente justificada. Nesse ponto, entendo que a atitude correta da Fiscalização seria requerer uma prova mais robusta da inexistência de goodwill a ser associado a essas localidades. Todavia, retornamos aqui ao préconceito estabelecido e explicitado no item 2. Se a função das empresas globais de auditoria e consultoria, conforme palavras do próprio TVF, não é estabelecer a verdade dos fatos, qual seria o meio correto de determinar tal montante? Para a fiscalização, o único meio razoável seria analisar a rentabilidade histórica de cada negócio, informação que foi disponibilizada mas não considerada na autuação. 5. Fluxo de caixa descontado como método válido para a elaboração de laudo Um dos argumentos de maior força utilizado pela fiscalização na lavratura do Auto de Infração foi a utilização do método DFC – fluxo de caixa descontado – para determinação da rentabilidade futura da empresa incorporada. De acordo com o Termos de Verificação Fiscal de fls., a utilização desse método deveria ser considerada imprópria. O espírito do RIR exigiria a determinação da rentabilidade futura com base em histórico de rentabilidade, sob pena de artificialidade nos números. Traz ainda ensinamentos bastante contundentes de Edmar Andrade de Oliveira Filho, demonstrando a inacuracidade do método escolhido. Esse assunto é, de fato, controverso. Caso estivéssemos dentro de uma ação judicial, não seria possível às partes e ao julgador estabelecer o melhor método de avaliação de um ativo; mas sim a um perito. Deixando de lado os preconceitos mencionados anteriormente em relação ao papel das empresas de auditoria que elaboram tais avaliações, é possível afirmar que o trabalho desenvolvido não pode ser considerado primazia, até porque avaliar rentabilidade de ativos ao longo do tempo me parece mais do que uma simples ciência, senão verdadeira arte. Ora, qual a forma correta de avaliar a rentabilidade futura de negócios e ativos? É importante levar em consideração que, sendo as partes envolvidas na transação absolutamente independentes, a melhor forma de avaliar seria aquela que traz resultados mais efetivos para quem está alienando os ativos. E, para esses fins, é bastante provável que o método utilizado seja o mais efetivo em termos de retorno. Fl. 6197DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.188 21 Essa questão não passou despercebida na academia. O grande afluxo de capitais para o Brasil trouxe atenção para esse ponto, especialmente em tempos de adoção de regras IFRS e novas interpretações sobre a acuracidade de lançamentos e demonstrativos contábeis. Em 2013, o tema do 10o Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade se concentrou no tema avaliação de empresas. A conclusão é que o método DFC é de longe o mais utilizado no Brasil, aplicado em quase 86% dos casos (http://www.congressousp.fipecafi.org/web/artigos132013/330.pdf). A conclusão desse Congresso é que não há método ideal. Todos os métodos analisados podem ser questionados, por seus dados e comportamento. E nenhum deles é considerado, via de regra, contra legem. Outro aspecto relevante é imaginar a assertividade de um avaliação de rentabilidade futura em países onde a previsibilidade econômica e jurídica é absolutamente nula, como no caso do Brasil. O trabalho realizado pela d. Fiscalização, embora extremamente detalhado, apenas busca desqualificar o método utilizado pela firma de auditoria, sem apresentar solução que entende ser aplicável para elaboração de demonstrativo de rentabilidade futura. A postura correta de quem possui autoridade para desqualificar o laudo de avaliação seria recalcular o ágio e não simplesmente afastálo. Nesse ponto, portanto, entendo caber razão à Recorrente em suas alegações. Não se pode simplesmente desconsiderar 100% do ágio contabilizado, já que não seria razoável supor que uma aquisição entre partes completamente independentes seria realizado sem qualquer expectativa de rentabilidade futura. Vale mencionar, aqui, que o laudo elaborado pela Empresa Ernst & Young Terco corroborou o método e números alcançados pelo laudo elaborado pela PWC. Em nome da verdade material e da relevância do documento, entendo que deve ser acatado para fins de convencimento dos julgadores desse Eg. CARF. 6. Conclusão Considerando que o ágio sob discussão atende os requisitos previstos nos artigos 385 e 386 do RIR/99, os ajustes no RTT são válidos, as partes envolvidas (PPG, Renner e Tintas Ideal) são independentes, que houve desembolso de preço comprovado e posterior incorporação e incremento das atividades da PPG no Brasil, que o laudo apresentado não era obrigatório à época e que as acusações de falsidade desse documento não estão devidamente comprovadas, concluo pelo cancelamento integral dos Autos de Infração sob discussão. É como voto! Ronaldo Apelbaum Relator Voto Vencedor Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, redator designado. Inicialmente cumpre ressaltar que a preliminar de cerceamento de defesa suscitada pela recorrente no sentido de que a decisão de piso não analisou o Relatório de Revisão Técnica elaborado pela Ernst & Young Terco foi rechaçada pelo relator em seu voto. Fl. 6198DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 22 No mérito, inobstantes as valiosas considerações do ilustre conselheiro relator, o colegiado, por maioria de votos, divergiu do entendimento acerca da dedutibilidade do ágio. Para o relator, a dedutibilidade do ágio em discussão atende aos requisitos previstos nos artigos 385 e 386 do RIR/99. Não foi essa, contudo, a conclusão a que chegou esta Turma Ordinária. Com efeito, predominou o entendimento de que a recorrente não se desincumbiu do mister de comprovar por meios hábeis e idôneos o fundamento econômico do ágio pago baseado na expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida, prevalecendo a glosa da amortização de ágio, como abaixo conduzo o meu voto. A fiscalização entendeu que não restou comprovado o fundamento econômico baseado na rentabilidade futura do investimento, na medida em que o relatório de avaliação apresentado no curso da ação fiscal, elaborado pela empresa de consultoria PriceWaterhouseCoopers foi elaborado em 07/08/2007, ou seja, mais de seis meses após a realização do negócio. Na sua impugnação, a contribuinte afirma que efetuou, com base na informação que tinha disponível, a avaliação dos negócios da empresa adquirida em função de sua perspectiva de rentabilidade futura e assim efetivamente pagou um preço real a uma parte independente, reconheceu e deduziu o ágio. Posteriormente, as premissas adotadas em seu estudo foram avaliadas de forma independente pela PwC. O acórdão recorrido entendeu que os documentos apresentados não se prestaram à comprovação do fundamento econômico do ágio pago, pelas razões abaixo, transcritas do voto condutor, in verbis: "Principal Motivo da Formalização da Exigência Ao contextualizar a autuação, a Impugnante atribui o início do procedimento fiscal ao significativo valor do ágio reconhecido nas operações em questão e ao fato de sua amortização ter resultado em redução do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Neste aspecto, observese que, independentemente dos parâmetros que motivaram a seleção da empresa para fiscalização, ainda que esta seja decorrente de análises de deduções e resultados declarados pela contribuinte, a autuação e a aplicação das penalidades decorreram da apuração de irregularidades com conseqüente falta ou insuficiência de recolhimento de tributos e do procedimento adotado pela contribuinte para tanto. No mesmo tópico, ao identificar os motivos da autuação, expõe a Impugnante que, na verdade, a principal acusação da autuação gira em torno do questionamento técnico do método utilizado no Laudo de Avaliação elaborado por empresa de auditoria independente tradicional e de competência reconhecida no mercado, contemporâneo aos atos societários que aqui serão tratados, bem como a avaliação das marcas, ativos e intangíveis constante do Laudo de Avaliação elaborado por 3 (três) contadores, nos termos exatos do que determina a lei. Fl. 6199DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.189 23 Todavia, em que pese ter a Fiscalização analisado e questionado os critérios técnicos adotados no Laudo de Avaliação elaborado pela consultoria PriceWaterhouseCoopers, apontando discrepâncias e incompatibilidades de parâmetros ali adotados com as circunstâncias fáticas do caso específico, não foi esta a principal motivação da autuação, mesmo porque o referido Laudo é posterior à aquisição da empresa Tintas Ideal S/A – operação que suscitou o pagamento do ágio. De fato, como ressaltou a Fiscalização nos itens 216 e 217 de seu Termo, o Relatório de Avaliação (solicitado à empresa Price em 21/03/2007 e produzido em 07/08/2007) foi elaborado em total DESCONEXÃO com o processo de aquisição do conglomerado encabeçado pela Tintas Ideal S/A, processo este que havia se encerrado mais de 6 (seis) meses antes, em 16/01/2007, com o efetivo pagamento pela aquisição. E, quanto ao Laudo de Avaliação que também precedeu a incorporação da empresa Tintas Ideal pela ora Impugnante, como destacam os itens 229 a 231 do Relatório Fiscal, é datado de 01 de outubro de 2007 (também posterior ao pagamento do ágio) e foi elaborado a partir do Balanço de 30/09/2007, estabelecendo o recebimento dos bens, da incorporada pela incorporadora, a valores contábeis (históricos) desprezando completamente a avaliação a valores de mercado, conforme previsto no art. 264 da Lei 6.404, de 15/15/1976 (Lei das S/A). Para formalização da exigência com aplicação da penalidade, a Fiscalização, além de apontar como principal motivação a inexistência de comprovante de escrituração justificando o fundamento do ágio na pretendida rentabilidade futura, não se restringiu a questionar o Relatório de Avaliação contratado pela Fiscalizada junto à empresa Price, mas descreveu todo o Histórico Societário das empresas envolvidas; a criação da empresa Tintas Ideal, com patrimônio desmembrado da Tintas Renner e que, posteriormente fora repassado para a Fiscalizada; o desmonte do conglomerado de empresas controladas por Tintas Ideal, mediante transferência de 34,83% de seu patrimônio para uma de suas sócias estrangeiras, permanecendo todo o ágio na contabilidade da Fiscalizada; a nova reorganização societária em 01/10/2007 com a incorporação da Tintas Ideal pela Fiscalizada; a demonstração de que a empresa incorporada possuía inúmeras outras motivações para ser adquirida com ágio (Fundo de Comércio e Intangíveis, Mão de Obra Especializada, Fornecedores, Distribuidores Varejistas, Bens Tangíveis), e, reprisese, principalmente, constatou não ter sido apresentado documento algum hábil e idôneo que comprove que, ao tempo da concretização da compra com o pagamento de ágio, existia realmente a expectativa de rentabilidade futura do ramo de atividade adquirida. Dentre os documentos apresentados no curso do procedimento fiscal bem como dentre os documentos que instruem a defesa (quer aqueles cuja tradução já foi apresentada quer aqueles cuja tradução a Impugnante requer sua posterior juntada), não Fl. 6200DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 24 consta Comprovante algum de escrituração justificando o fundamento do ágio na pretendida rentabilidade futura, que tenha sido emitido para subsidiar o desembolso do valor pago com ágio. Vejase que a própria Impugnante, ao alegar a regularidade de seu procedimento, reportase à elaboração dos estudos de avaliação da empresa incorporada com base em sua rentabilidade futura, seja pela própria empresa compradora, avaliação posteriormente apreciada por auditoria independente. Em outra passagem, ao retomar a constatação fiscal de inexistência de Laudo de Avaliação relativo a rentabilidade futura, afirma a Impugnante que com o subsídio fornecido por escritórios de advocacia contratados e respaldo de empresa independente de auditoria e consultoria de negócios de auditoria independente, a Impugnante definiu e negociou o preço de compra da TISA, avaliando a perspectiva de rentabilidade dos negócios no Brasil. Posteriormente à compra da empresa, a Impugnante forneceu os dados desse seu estudo próprio para a avaliação independente e opinião da PricewaterhouseCoopers — Brasil("PwCBrasil"). Mais uma vez, reconhece a Impugnante que a decisão de definir e negociar o preço de compras da TISA não teve respaldo em comprovante de escrituração (Laudo de Avaliação) contemporâneo que justificasse o valor da empresa, com ágio, em função de sua rentabilidade futura. A tentativa de comprovar a existência de contatos com escritórios de advocacia não supre a ausência de comprovante, contemporâneo ao pagamento e sua escrituração, quantificando o valor da aquisição e identificando como motivação para o ágio a existência de expectativa de rentabilidade futura. Em outras palavras, admite a Impugnante inexistência de comprovante (Laudo de Avaliação) atestando a efetividade de rentabilidade futura que justificasse o pagamento do ágio sob tal fundamento no momento em que ocorreu a definição de seu valor e a contabilização do ágio. Vêse, ainda, que, no tocante ao Laudo de Avaliação, a Impugnante centra sua defesa na alegação de que a autuação está baseada em circunstâncias que não estariam acobertadas pela legislação fiscal ou ainda que não seriam causa de desconsideração do ágio registrado e amortizado pela contribuinte. Ainda, no item 2.1.1 da peça de defesa, a Impugnante retorna à questão do aspecto temporal do Relatório de avaliação apresentado pela PwC – Brasil reiterando seu entendimento de ausência de previsão legal de apresentação de Laudo e de determinação de marco temporal para tanto. Acerca da questão lembrese que, como admite a própria defesa, prevê a legislação ( Decretolei 1.598/77, art. 20, § 3º) que o lançamento contábil com fundamentos em rentabilidade futura ou em valor de mercado de bens superior ao custo registrado (letras a e b do § 2º do mesmo art. 20) deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Fl. 6201DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.190 25 Para melhor clareza reproduzse, novamente, o dispositivo que condiciona o lançamento do ágio com fundamento em rentabilidade futura ao arquivamento de demonstração como comprovante da escrituração. Art.20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Coerentemente com a possibilidade legal de dedutibilidade do ágio lançado com fundamento em rentabilidade futura, exige a legislação que o lançamento do ágio a este título esteja amparado em demonstração que consistirá comprovante da escrituração. E para identificação da “demonstração como comprovante da escrituração”, importa lembrar que, depreendese do art. 923 do RIR/99, com base legal no art. 9º, § 1º, do Decretolei 1.598, de 1977, que a escrituração faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definido em preceitos legais. Por outro lado, a Lei n° 9.430, de 1996, ao tratar da guarda de documentos prevê, em seu art. 37, que os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Fl. 6202DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 26 Embora a legislação não especifique que o comprovante da escrituração do ágio corresponda a Laudo elaborado por empresa de consultoria especializada, exige que o registro contábil seja subsidiado por demonstração que justifique o valor pago a título de rentabilidade futura. Ou seja, o sujeito passivo tem o dever legal de dispor, quando do lançamento contábil do ágio a título de rentabilidade futura, de um documento em que esteja demonstrado o valor dos lucros futuros determinados de acordo com critérios ordinários de apuração e debaixo de premissas econômicas adequadas à situação concreta, dentre as normalmente utilizadas. A Impugnante ignorou tal previsão legal, expondo ter atendido fielmente a legislação quando, ao realizar a aquisição da TISA em 16 de janeiro de 2007 efetuou o pagamento no montante de R$ 287.532.943,77 escriturado em sua contabilidade como determina o artigo 385 transcrito acima e escriturou em conta diversa o valor do ágio verificado no momento da aquisição. E complementa: O Laudo de Avaliação foi produzido posteriormente à aquisição da TISA, porquanto visava formatar e organizar os estudos e análises anteriormente realizados pelo Grupo PPG. Adicionalmente, o estudo teve o mérito de aglutinar as análises anteriormente realizadas, facilitando o processo de entendimento da valorização da TISA, de modo a possibilitar uma análise independente sobre a razoabilidade do valor pago. Portanto, o Laudo não foi um documento de definição do valor de aquisição, e nunca teve o propósito e não foi apresentado com a finalidade de ser tal documento; mas sim foi desenvolvido como uma forma de verificação da razoabilidade do valor pago em virtude da perspectiva de rentabilidade futura da empresa, podendo ser apresentado para as autoridades tributárias. Novamente, reconhece a Impugnante inexistir, no momento do pagamento, demonstração alguma que justificasse o ágio fundado em rentabilidade futura. Os alegados estudos prévios, ainda que existentes, teriam sido realizados pela própria interessada, além de não materializados numa demonstração apurando o valor da expectativa de rentabilidade futura, hábil a subsidiar o correspondente registro contábil. Constituemse, pois, mera alegação. Ora, admitir que o documento que tenha natureza de comprovante da escrituração corresponda a estudo (cuja existência sequer foi comprovada, mas apenas alegada) elaborado unilateralmente pela adquirente do investimento e somente, posteriormente, venha ser convalidado por Laudo de Avaliação, é tornar inócua a condição imposta na lei para dedutibilidade da amortização do ágio. No presente caso, sequer foi comprovada a existência de documento, contemporâneo ao registro contábil do ágio, em que estivesse materializada a avaliação concernente à rentabilidade futura da empresa Tintas Ideal S/A. Fl. 6203DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.191 27 Ademais, se de fato entendesse a Impugnante ser dispensável a existência de Laudo elaborado por terceiros independentes apurando e quantificando o valor do ágio por expectativa de rentabilidade futura, é de se questionar o motivo pelo qual teria contratado empresa especializada para elaboração do Laudo apresentado a autoridades fiscais. O motivo está na referência identificada pela Fiscalização, qual seja: para fins fiscais e não para amparar a aquisição. A defesa qualifica de inaceitável o fato de a Impugnante estar sendo autuada e ainda correndo o risco de ter considerável parcela de seu patrimônio retirada pela administração fiscal federal pela simples acusação de não ter apresentado o referido documento no mesmo mês em que ocorreu a aquisição, sendo que ela atendeu a todos os requisitos legais exigidos, quais sejam, o pagamento e a escrituração em contas distintas. Desconsidera, contudo, a expressa exigência legal de demonstração em que baseado o lançamento com o fundamento a rentabilidade futura a ser arquivada como comprovante da escrituração. Alega também a defesa que a partir de junho de 2006 foram contratados tanto escritórios de advocacia (Doc 03 ) localizados no Brasil, Chile e Uruguai, como serviços técnicos profissionais prestados pela PricewaterhouseCoopers EUA ("PwC EUA"), a qual também tem filiais nos locais em questão, a fim de auxiliar a Impugnante na análise de contingências e avaliação do negócio como um todo. Tais documentos comprovam as evidências de que, já naquela época, a Impugnante iniciou a pesquisa para avaliação do preço dos negócios a adquirir. Neste aspecto, observese que, como já mencionado, a impugnação é instruída com cópia de correspondências de escritório de advocacia, as quais, ainda que estivessem, em sua totalidade, regularmente traduzidas, não supririam a falta de apresentação de comprovante (Laudo de Avaliação) hábil a justificar pagamento de ágio por rentabilidade futura. Neste contexto, aliás, a posterior juntada de outras traduções de propostas de serviços de escritórios em outros países, requerida pela Impugnante, ainda que ocorresse no prazo de impugnação, em nada alteraria o julgamento. Ainda, expõe ser a autuação uma tentativa desesperada de não conceder ao contribuinte um beneficio que lhe é assegurado pela legislação em contrapartida de sua atuação na economia nacional, estimulando o crescimento dos negócios no país. Na verdade, tentativa desesperada verificase por parte da Impugnante no sentido de esquivarse das infrações que lhe foram imputadas, ao alegar inexistir previsão legal de elaboração de demonstração que ampare o lançamento contábil do ágio por rentabilidade futura e ao tentar validar a dedutibilidade do ágio mediante Laudo posterior ao seu pagamento e contabilização. Fl. 6204DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 28 Com efeito, a Impugnante tenta validar o Laudo elaborado em agosto de 2007 como demonstrativo que deveria estar arquivado desde a contabilização do ágio pago em janeiro de 2007, alegando que, embora a contratação específica desse Relatório tenha sido feita em março de 2007, a PwC e outros assessores técnicos já estavam envolvidos, ao longo da negociação para aquisição da empresa, para dar subsídios à administração quanto às contas da TISA, para que a administração pudesse decidir, ou não, comprar tal empresa. Entretanto, ainda que a Impugnante já procurasse realizar a compra da TISA desde a sua constituição, em 01/11/2006, e que, desde então, já viesse elaborando análises de sua rentabilidade, não tinha amparo legal para deduzir, na apuração de seu resultado para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL a partir de 2007, o ágio pago na aquisição da empresa, se não dispunha de demonstração arquivada como comprovante da escrituração do ágio por rentabilidade futura – demonstração essa que não pode ser suprida por alegados estudos que teriam sido elaborados unilateralmente pela própria interessada e que sequer foram materializados em documento específico. Ademais, impõese consignar que a Fiscalização, em observância ao Princípio da Legalidade, não teve por objetivo impedir a regular utilização de benefício fiscal, mas verificar o cumprimento das condições legais que permitem a dedutibilidade do ágio. E nessa verificação deparouse não só com a inexistência de demonstração de rentabilidade futura contemporânea ao lançamento contábil do ágio – causa que a contribuinte aponta como motivação do seu pagamento , mas também com a existência de um acervo adquirido registrado a valores extremamente subavaliados, o que fundamentou o pagamento de ágio por parte da fiscalizada, além de uma sequência de alterações contratuais, cujo conteúdo e disposição no tempo revelaram o objetivo de criação de uma motivação para o pagamento do ágio que viesse a tornálo dedutível na apuração do IRPJ e CSLL. Quanto à alegação de que, na escrita contábil da Impugnante, o ágio foi transcrito sob a denominação de "goodwill”, que é o termo técnico em inglês para designar a parcela do ágio que se refere à rentabilidade futura da empresa, ou seja, que não se refere ao valor de ativos ou intangíveis, reflete uma tentativa da Impugnante de dar à contabilidade conteúdo material sem suporte fático. O fato de contabilizar o ágio como rentabilidade nada significa se ausente a prova hábil a subsidiar o registro contábil. Isto porque a contabilidade não cria fatos, mas apenas os converte em linguagem competente. Neste sentido são as lições de Ricardo Mariz de Oliveira, em seu trabalho Incidência e Apuração do PIS e da COFINS, que integra a obra Tributação do Setor Comercial – Curso de Especialização, coordenada por Eurico Marcos Diniz de Santi et alli, Editora Quartier Latin, 2005, p. 303: Ademais, tenhase presente que receita não é um conceito contábil, mas sim, um conceito jurídico, o que não comporta Fl. 6205DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.192 29 qualquer dúvida porque a contabilidade não cria os fatos, mas tem por objetivo constatar a sua existência, interpretálos como eles são e registrálos pelo método e pela linguagem das partidas dobradas. Em outras palavras, a contabilidade não cria coisa alguma, muito menos direitos (portanto, também as receitas), devendo simplesmente refletir fielmente a realidade fenomênica, inclusive como ela está afetada pelo direito, cuja realidade é exterior aos registros contábeis, tanto quanto as imagens retratadas numa fotografia são externas ao papel fotográfico. ......................................................................................................... Aborda, no item 2.1 de sua peça impugnatória, o Relatório de Avaliação apresentado pela PwCBrasil, item em que, além de reiterar argumentos já analisados e afastados, aduz que o ágio, para fins tributários, suportase em fundamentos econômicos previstos em lei, descritos em estudos de especialistas, que operam como elemento de confirmação da motivação das partes e utilizam critérios de avaliação por elas escolhidos. Também por tal assertiva admite a Impugnante que estudos de especialistas que deveriam ser materializados em demonstrativos hábeis a justificar o lançamento do ágio a título de rentabilidade futura – constituemse elemento de confirmação da motivação das partes. Contudo, como visto, a legislação exige que o lançamento do ágio fundado em rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão de resultados nos exercícios futuros é que deveria ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante de escrituração e não que estudos venham a confirmar a motivação da parte. Ou seja, os estudos, devidamente materializados, devem anteceder o pagamento do ágio para justificar o seu lançamento na contabilidade a título de rentabilidade futura. Ao abordar os fundamentos e regras fiscais para registro e amortização de ágio, argumenta a impugnante inexistir, na legislação tributária vigente à época dos fatos geradores qualquer dispositivo exigindo que a elaboração do estudo seja feito por terceiro independente; contudo, a contratação de um terceiro independente acarreta maior credibilidade ao fundamento do ágio e, em consequência, maior segurança em seu aproveitamento fiscal. Entende que, diante da legislação acerca da matéria, a análise das operações que geraram o ágio deve ser baseada nas questões que formula e responde como segue: 1. Houve aquisição de participação societária? Sim, em 16 de janeiro de 2007, a Impugnante adquiriu a empresa TISA pelo valor de R$ 287.532.943,77. 2. O custo de aquisição foi superior ao valor de patrimônio líquido da participação adquirida? Fl. 6206DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 30 Sim, conforme se verifica dos relatórios elaborados pela Impugnante, bem como pelo laudo elaborado por empresa de consultoria e auditoria especializada, o valor do patrimônio líquido da TISA era de R$ 69.994.254,22. 3. O ágio foi fundamentado em expectativa de rentabilidade futura? Sim, conforme os registros contábeis da empresa elaborados à época da aquisição, bem como pelo Relatório de Avaliação econômico elaborado em Agosto de 2007. 4. O investimento adquirido com ágio foi liquidado mediante incorporação, fusão ou cisão? Sim, de acordo com a Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Impugnante, datada de 01 de Outubro de 2007, a empresa TISA foi por ela incorporada. Além das questões que formula, deveria a Impugnante responder: 5. Existe Relatório de Avaliação hábil a dar fundamento ao pagamento do ágio? A negativa a esta questão já basta para manutenção da autuação. Mas, ainda se poderia perguntar: 6. O relatório de Avaliação elaborado em agosto de 2007 levou em conta que ativos (essenciais à atividade fim da empresa) estavam subavaliados? Sendo negativas essas duas últimas questões não há como acatar a pretensão de que a integralidade do ágio pago seja atribuída a rentabilidade futura. Cabível consignar, neste ponto, que a inexistência de comprovante (Laudo de avaliação demonstrando a rentabilidade futura) no momento da aquisição da participação societária justifica, por si só, a glosa das despesas de amortização de ágio e a manutenção da autuação, já que todas as alegações contrapostas pela defesa neste aspecto constituem meras alegações, desacompanhadas de provas documentais que as suportem. O fundamento da pretendida rentabilidade futura (Relatório de Avaliação emitido em agosto de 2007) somente surge após a aquisição, portanto, não para justificar o ágio pago, mas sim para tentar justificar a dedutibilidade de sua amortização. E esse não é o objetivo da Lei. Neste contexto, os demais questionamentos da Fiscalização constituem motivos subsidiários para a autuação, a qual, reprisese, já prevalece diante da inobservância da condição imposta pela lei de que o ágio, fundamentado em rentabilidade futura, deve ter sua contabilização e pagamento amparados em comprovante a ser arquivado pela contribuinte." A recorrente alega no voluntário que o § 3º do art. 385 não estabeleceu forma especial para a comprovação da justificativa econômica adotada pelo contribuinte na contabilização do ágio; ao contrário, o dispositivo legal acima mencionado exigiu somente que Fl. 6207DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.193 31 o valor desse ágio seja suportado em "demonstração", que deverá ser arquivada pela sociedade investidora para comprovar o seu lançamento contábil. Sustenta ainda que o Laudo de Avaliação elaborado pela PwC nunca foi um documento de definição do valor de aquisição, apenas convalidou os valores obtidos pela recorrente através de estudos internos. A recorrente adquiriu a TISA em janeiro, com base em estudo interno prévio que fez da rentabilidade da empresa. A PwC já estava envolvida no projeto e dando suporte à avaliação da recorrente. Depois da compra, a recorrente voltou a contratar a PwC para dar opinião independente sobre os valores encontrados pela recorrente em seu estudo. O estudo apresentado pela PwC e suas conclusões independentes estão reproduzidos no relatório da PwC. Examinando o Relatório de Avaliação apresentado à fiscalização no curso da ação fiscal, elaborado pela empresa PwC, em 07/08/2007, entendo que o mesmo não pode ser o documento de suporte à fundamentação do ágio com base na rentabilidade futura projetada. Em que pese o fato de seus aspectos extrínsicos e intrínsicos não estarem em discussão, a sua elaboração mais de seis meses após o efetivo pagamento pela aquisição das Tintas Ideal S/A que ocorreu em 16/01/2007, impede, por questão lógica, que seja este o documento hábil para informar o fundamento econômico que justificou o pagamento do ágio. Com efeito, o § 3º do art. 385 do RIR/1999 estabelece, in verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. [...] II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Resta evidente que a demonstração do fundamento deve ao mínimo ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Se a legislação atual não estabelece a forma dessa demonstração, é possível deduzir do dispositivo legal que essa demonstração deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase evidentemente de ônus probatório do sujeito passivo com vistas a possibilitar a futura amortização do ágio pelo fundamento alegado. Fl. 6208DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 32 Assim, não cabe ao Fisco investigar quais os motivos que levaram o contribuinte a efetuar o pagamento de uma mais valia pela participação societária adquirida, mas sim de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo, para fruição do benefício fiscal estabelecido, o qual a contribuinte não logrou em comprovar. Ante ao exposto, entendo que a recorrente não se desincumbiu do mister de comprovar por meios hábeis e idôneos o fundamento do ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida, e voto no sentido de manutenção do lançamento no que tange à glosa da amortização de ágio. Segundo a fiscalização a recorrente, a partir de janeiro de 2009 deixou de amortizar contabilmente o ágio e passou a efetuar ajustes no RTT Regime Tributário de Transição a fim de reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL pela exclusão mensal de montantes numericamente equivalentes àqueles que vinha carreando à conta de despesa 6.5.2.0.18, anteriormente à implantação da nova metodologia contábil introduzida através da edição da Lei 11.638/2007 (Nova Lei das S/A). Porém, no caso em questão, reforço o entendimento de que não há prova do critério efetivamente adotado pela contribuinte para definição do valor total pago pela aquisição da participação societária, pois não foi apresentada a demonstração que suscitou o pagamento, mas apenas Relatório de Avaliação elaborado posteriormente e que teve por objetivo apontar um fundamento para o qual a lei concede benefício fiscal de amortização, mediante metodologia acerca da qual a Fiscalização apontou diversas inconsistências. Assim, para os anoscalendário de 2011 e 2012, parcela alguma do valor pago a título de ágio poderia reduzir as bases de cálculo do IRPJ através de exclusões no Demonstrativo do Regime Tributário de Transição, sob os históricos “Parcela Amortização Ágio Tintas Ideal” e “Parcela Leasing Financeiro Centro Distribuição". Em relação à CSLL entende a recorrente que inexiste dispositivo legal que impeça a dedutibilidade do ágio, nos seguintes termos: Restando comprovado acima que a Recorrente efetivamente pagou o valor equivalente ao ágio e que tal valor foi razoável, estando ainda diretamente relacionado à atividade da Recorrente e á produção de seu lucro, a Recorrente faz juz ao registro e á consequente amortização do ágio relacionado às operações acima para fins de apuração do lucro real e também da base da CSLL. No primeiro caso, porque atendeu plenamente aos ditamos do artigo 7º da Lei 9.532/97, e, no segundo caso porque, além disso, inexiste qualquer norma que mande adicionar o ágio amortizado â base da CSLL. Nesse aspecto, por comungar do mesmo entendimento, trago a colação o voto do conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, presidente dessa Turma, no Acórdão nº 1201 001.474, na sessão de 11/08/2016: "Já me manifestei em diversas outras oportunidades no sentido de reconhecer a evidente aproximação e quase identidade entre o IRPJ e a CSLL, notadamente quanto à apuração das respectivas bases de cálculo. Dentro dos limites do que se discute neste processo, cumpre ressaltar as regras fixadas pelos seguintes dispositivos: Art. 28 da Lei n° 9.430 de 1996 Fl. 6209DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.194 33 Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts.1° a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Art. 57 da Lei n° 8.981/95 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, manti das a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vi gor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (grifamos) A leitura dos dispositivos nos leva a concluir que a metodologia e as regras de apuração para o imposto de renda são aplicáveis ao cálculo da CSLL (o que se infere da dicção "mesmas normas de apuração") e que o preceptivo só perderia eficácia se houvesse norma específica, relativa à contribuição, em sentido di verso. Aliás, os demais parágrafos do artigo 57 corroboram a tese de semelhança entre as duas figuras: § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzid a da contribuição apurada no encerramento do período de apura ção. Igual raciocínio se aplica, ainda, para fins de compensação, conf orme dispõe o artigo 58 do mesmo diploma legal: Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, máximo, trinta por cento. Além de fixar idêntica trava para a compensação das bases negativas (em relação ao IRPJ), o comando expressamente menciona que a base de cálculo será o lucro líquido ajustado, ou seja, o legislador estabelece para a CSLL o mesmo ponto de partida previsto para o cálculo do lucro real, afinal o lucro é "ajustado" pelas adições e exclusões previstas na legislação do Imposto de Renda (artigos 2 50 e 510 do Decreto n. 3.000/99). Fl. 6210DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 34 Não se trata, portanto, de integração por analogia, vedada pelo artigo 108 do CTN no que se refere à exigência de tributos. O que se tem, de fato, é a identidade, prevista em lei, quanto às sistemáticas de a puração da base de cálculo das duas figuras. Também não se cuida de omissão, pois a lei expressamente confi gura a base de cálculo do tributo e a aproxima, por equivalência , às regras do IRPJ. Ademais, no caso em tela, a constatação da artificialidade dos pr ocedimentos destinados ao aproveitamento do ágio não nos perm ite aceitar, sob qualquer argumento, a sua dedutibilidade para fi ns de apuração da CSLL. Tratase de questão ontológica e, na esteira do raciocínio desenv olvido neste voto, tornase de rigor declarar que não assiste, nest e ponto, razão à Recorrente. E mais, apenas a título de argumentação: ao contrário do que alega a Recorrente, que pugna pela ausência de norma específica relativa à CSLL, ainda que tal circunstância fosse observada, isso não autorizaria a sua dedutibilidade; ao revés, justamente impediria tal procedimento, pois, ao se defender a autonomia normativa da contribuição o argumento automaticamente exigiria a previsão legal da deduti bilidade, posto que a regra geral, como se sabe, é em sentido con trário. Nessa linha de raciocínio, para além do artigo 386 do RIR/99, si mplesmente inexiste norma que autorize a dedutibilidade, circunstância essencial para a sua realização, visto que o silêncio normativo não confere ao contrib uinte qualquer direito quando se trata de benefício legal, que dev e ser interpretado literalmente. " Com relação à qualificação da multa e a existência de dolo, fraude ou simulação, entendo pertinente reproduzir, na íntegra, o trecho que fundamenta a qualificação da multa, conforme veiculado no item X do Relatório de Ação Fiscal: 376 Através dos tópicos “IV – DO HISTÓRICO SOCIETÁRIO”, “V – DOÁGIO FUNDAMENTAÇÃO LEGAL”, “VI – DO RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO” e “VII – DA VERDADE MATERIAL A REAL MOTIVAÇÃO PARA O PAGAMENTO DO ÁGIO” foi elucidada a motivação determinante da criação de despesas com a amortização de ágio por parte da fiscalizada, bem como foi traçada uma linha temporal, a fim de compor todos os fatos e a avaliação do ágio realizada, caracterizada como ATO SIMULADO, portanto, INVÁLIDO. 377 Esse ato simulado é configurado ilícito, pois está enquadrado nos artigos 167 e 187, do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de2002) os quais contemplam a legislação reguladora dos NEGÓCIOS JURÍDICOS e que a seguir transcrevemos: “Artigo 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: Fl. 6211DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.195 35 ............ II – contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III – os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados; § 2º. Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado.” Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. 378 Fica evidente por todos os fatos expostos no presente relatório que os proprietários e a diretoria da fiscalizada sempre tiveram a intenção de transformar o ágio pela aquisição de ações em dedutível, criando na aparência as condições formais para que esse pleito pudesse ser oposto contra a Secretaria da Receita Federal do Brasil e, com isso, excedendo manifestamente os limites impostos pelo fim econômico das transações societárias, utilizandose da má fé para concretizar seus objetivos. 379 A operação pela qual a Tintas Ideal S/A foi criada para logo depois ser vendida com ágio e posteriormente dissolvida por incorporação revela nos muitos documentos que foram confeccionados durante esse imbróglio que o fim único da operação foi o de criar uma situação tributária favorável à fiscalizada que de fato inexistia. 380 Ao invés de comprar diretamente ATIVOS, MARCAS, FUNDO DE COMÉRCIO e demais intangíveis pelo seu valor real de mercado, optouse por criar uma situação societária que gerasse formalmente um direito para a fiscalizada de lançar em contas de despesa a pretendida amortização de ágio decorrente da compra de participação societária. 381 A forma escolhida para tal foi subverter os ditames do artigo 386 do RIR/99 que de maneira direta e exaustiva exige duas situações “sui generis” para que a amortização de ágio passasse a ser dedutível frente à legislação do IRPJ e da CSLL: Primeiramente, referido artigo exige que o ágio pago seja especificamente o ágio por rentabilidade futura, e em segundo lugar exige ainda que haja uma reorganização societária. 382 Como foi cuidadosamente e amplamente detalhado no curso desse Relatório de Ação Fiscal, a rentabilidade futura não foi demonstrada de maneira hábil e idônea apesar da oportunidade para isso ser oferecida por diversas vezes à fiscalizada. 383 Por outro lado, restou cabalmente demonstrado, através de fatos notórios e uma série de informações coligidas durante a Ação Fiscal, que existe um acervo adquirido registrado a valores Fl. 6212DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 36 extremamente subavaliados, o que fundamentou o pagamento de ágio por parte da fiscalizada. 384 Há dados suficientes para demonstrar que o motivo oposto à Secretaria da Receita Federal para o pagamento de ágio é falso e criado, não representando exclusivamente Rentabilidade Futura. 385 Outrossim, não há documento que demonstre de fato se o fundamento de rentabilidade futura poderia sequer existir para o pagamento de ágio pela aquisição das Ações de Tintas Ideal S/A. 386 A empresa fiscalizada encontrase totalmente desguarnecida de documentos que comprovem que a área de tintas imobiliárias da indigitada Tintas Renner S/A, destacada através da criação da empresa de duração efêmera denominada de Tintas Ideal S/A, viesse a gerar rentabilidade futura por si só, através da estrutura que acompanhou a venda do negócio. 387 A fiscalizada utilizouse de simulação para praticar as infrações citadas nesse relatório, fato este revelado pela seqüência de alterações contratuais e documentos que elaborou, pelo seu conteúdo e pela sua disposição no tempo. 388 Da complexa teia de operações societárias resultou a criação fictícia de uma motivação para o pagamento de ágio, a despeito de não ter havido quaisquer tipos de negociações posteriores e independentes que pudessem fundamentar o seu pagamento. 389 A fiscalizada, que pretendia simplesmente ampliar sua participação no concorrido mercado de tintas imobiliárias nacional e latino, de repente, resolve tomar uma série de deliberações e alterar por diversas vezes e seqüencialmente seu Contrato Social e da recém criada Tintas Ideal S/A visando a um fim específico que fica claro mediante a leitura de todos esses documentos em conjunto. 390 Essa finalidade foi a intenção dos representantes legais das empresas envolvidas nas operações de incorporação, de ocultar por meio de simulação o verdadeiro teor do negócio jurídico da incorporação da Tintas Ideal S.A. pela PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda.,qual seja, a criação artificial de ágio derivado de rentabilidade futura. 391 A operação planejada passaria despercebida durante anos pelo fisco e pelo mercado, uma vez que a fiscalizada é constituída sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, não se sujeitando a procedimentos obrigatórios de auditoria independente e publicidade de seus atos, gerando vastos ganhos de economia tributária para seus proprietários. 392 O procedimento objetivo adotado pela fiscalizada que causou danos ao erário público foi a amortização do ágio cuja motivação foi criada artificialmente durante o período compreendido entre 10/2007 a 09/2012. Fl. 6213DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.196 37 393 Os procedimentos ora narrados revelam a prática de sonegação fiscal sob o manto de uma documentação pretensamente legal. Tal documentação guarda as seguintes características: � Deixa a realidade dos fatos oculta ao fisco federal uma vez que, se os documentos forem analisados individualmente e em período estanque no tempo, possuem características lícitas, mas se analisados em seu conjunto e durante todo o tempo em que demoraram para ter seus fins implementados demonstram cabalmente sua ilicitude; � Estão eivados de simulação, pois ocultam em seu cerne o seu real propósito; � Foram praticadas em ajuste de duas ou mais pessoas jurídicas com o fim específico de promover a redução do recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição sobre o Lucro Líquido – CSLL. 394 Em face do lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL decorrentes da infração “EXCLUSÃO NO REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO EFETUADA INDEVIDAMENTE” acima caracterizada, cumpre aplicar a multa de ofício ao caso em questão nos moldes da legislação de regência: Art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96: Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (.....) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 foi alterado pela Lei nº 11.488/2007, passando a vigorar com a seguinte redação (grifouse): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (.....) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de Fl. 6214DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 38 outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 395 Tanto a redação original quanto a atualmente vigente do dispositivo aplicável impõem a cominação da multa no percentual de 150 % nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Diante da presente situação concreta, deve se dedicar especial atenção aos referidos artigos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 396 A situação já caracterizada se subsume às hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. A operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo (uma delas controlada pela outra e ambas sob o controle da mesma pessoa jurídica sediada no exterior) que “propiciou” a criação de uma motivação artificial para o pagamento de ágio foi engendrada com o evidente intuito de “criar” despesas de amortização em uma delas, diminuindo ilegalmente sua base tributável pelo IRPJ e para CSLL. 397 Os fatos arrolados nesse Relatório evidenciam a simulação de uma complexa operação envolvendo empresas sediadas no Brasil e no exterior, com a finalidade de iludir o fisco, cujo único resultado foi a redução ilícita do lucro da fiscalizada. 398 O fluxograma a seguir, elaborado a partir de todos os fatos descritos acima, elucida esquematicamente e resumidamente os passos adotados pela fiscalizada para criar despesas em sua contabilidade e reduzir, conseqüentemente, os seus resultados. Fl. 6215DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.197 39 399 Pelo exposto, haja vista os elementos narrados, fica caracterizado o intuito fraudulento, justificando a aplicação da multa qualificada e o enquadramento dos responsáveis pela empresa na prática, em tese, de crime contra a ordem tributária previsto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90: “Art. 1.º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Art. 2.º Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo;” Fl. 6216DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 40 A DRJ entendeu que a conduta da Recorrente justificou a exasperação da infração, ante a constatação de simulação, com a seguinte conclusão: "Assim, não afastada a constatação fiscal de que a interessada tentou atribuir uma aparência de regularidade à dedutibilidade do ágio, ocultando por meio de simulação o verdadeiro teor do negócio jurídico da incorporação da Tintas Ideal S.A. pela PPG Industrial do Brasil Tintas e Vernizes Ltda., qual seja, a criação artificial de ágio derivado de rentabilidade futura, não há que se cogitar de dúvida que permita a aplicação do art. 112 do CTN e o afastamento da multa no percentual aplicado em relação às infrações por glosa de despesas com Laudo, glosa de amortização de ágio e de exclusão do RTT do valor de amortização de ágio, com fundamento no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, em sua redação original, e art. 44, § 1º, da mesma Lei na redação dada pela Lei n° 11.488/97, impondose a sua manutenção." Embora não haja dúvida sobre a ocorrência do ilícito tributário, não foi comprovada nas operações reproduzidas anteriormente o dolo específico, mediante conduta fraudulenta ou simulada, exigido para a qualificação da exação. A descrição dos fatos não nos permite afirmar que o negócio celebrado entre as partes tenha sido fraudulento, fruto de simulação ou de sonegação com o evidente objetivo de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador como exigem os artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64. As operações praticadas efetivamente ocorreram, embora o efeito tributário pretendido tenha sido afastado pela fiscalização e corroborado neste voto. Contudo, não se percebe na acusação fiscal, reproduzida neste voto, a comprovação do dolo específico ou a demonstração inequívoca de fraude. Pareceme que a Recorrente, a partir de sua interpretação das normas legais, não conseguiu preencher os requisitos para a dedutibilidade do ágio, mas isso não justifica, por si só, a qualificação do gravame. As operações são de conhecimento público, envolveram ativos existentes e foram praticadas, formalmente, à luz dos preceitos legais, com a anuência de órgãos governamentais. No mesmo sentido, constatase, dos autos, que a Recorrente atendeu, de modo adequado, todos os temos de intimação lavradas pela autoridade tributária, sem apresentar, em momento algum, informações inidôneas ou dissociadas da realidade. Pareceme evidente que toda a operação foi revelada para a autoridade fiscal, com a entrega de documentos sem qualquer adulteração ou falsidade. Assim, embora o entendimento específico da Recorrente, em relação à dedutibilidade do ágio, seja passível de sanção, não consigo identificar, pela não comprovação por meios hábeis e idôneos o fundamento do ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida, a conduta típica exigida para as hipóteses de fraude. Nesse sentido, voto por afastar a qualificação da multa, reduzindoa para 75%. Relativamente à multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas do IRPJ e da CSLL, esta Turma tem decidido, a exemplo de outros colegiados do CARF, Fl. 6217DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.198 41 no sentido de que a multa isolada, na anterior redação do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, deve ser afastada conforme a inteligência da Súmula 105 deste Conselho: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a mu lta de ofício. Contudo, o papel precípuo do julgador é o de analisar o conjunto normativo v igente e aplicável ao tempo dos fatos. Assim, na hipótese dos autos, convém destacar que houve alteração no comando original do artigo 44, oriunda da redação que lhe foi dada pela Lei n. 11.488/2007, fruto da conversão da Medida Provisória n. 351/2007. Ocorre que a partir da nova redação inexiste dúvida, vale dizer, não se vislumbra mais qualquer impedimento jurídico para a aplicação concomitante das multas previstas nos incisos I e II, "b", do artigo 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base d e cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente , no caso de pessoa jurídica. Como no caso dos autos as multas isoladas se referem à falta de pagamento de estimativas mensais posteriores à vigência da nova redação do artigo 44 entendo como jurídica e obrigatória a aplicação das multas nele previstas. Por fim, diz a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei n. 9430/96: Fl. 6218DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 42 Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão jurosde mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do pr azo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifamos) Artigo 5º, § 3º, da Lei n. 9.430/96. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês a nterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagament o. (grifamos) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinan te da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifamos) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à e spécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. ( grifamos) Confirmando o entendimento esposado, temos a Súmula n. 4 deste Conselho: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Fl. 6219DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 1201001.505 S1C2T1 Fl. 6.199 43 Sistema Especialde Liquidação e Custódia SELIC para títulos f ederais. Ante o exposto voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de 150% para 75%. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Redator designado Fl. 6220DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000213/2005-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL NO RESULTADO DO JULGAMENTO.
Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração para correção de erro material na formalização do acórdão.
O resultado do julgamento constante do acórdão deve ser retificado de forma a corresponder ao que restou decidido em votação.
Numero da decisão: 3201-002.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos para correção do erro material no acórdão embargado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL NO RESULTADO DO JULGAMENTO. Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração para correção de erro material na formalização do acórdão. O resultado do julgamento constante do acórdão deve ser retificado de forma a corresponder ao que restou decidido em votação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13975.000213/2005-89
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5644473
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-002.313
nome_arquivo_s : Decisao_13975000213200589.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 13975000213200589_5644473.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos para correção do erro material no acórdão embargado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6515860
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688914333696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1873; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 886 1 885 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13975.000213/200589 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201002.313 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria PIS Ressarcimento Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL NO RESULTADO DO JULGAMENTO. Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração para correção de erro material na formalização do acórdão. O resultado do julgamento constante do acórdão deve ser retificado de forma a corresponder ao que restou decidido em votação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos para correção do erro material no acórdão embargado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Consoante acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário, é o relatório do feito: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 02 13 /2 00 5- 89 Fl. 886DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social— PIS de que trata o art. 5° da Lei 10.637/2002, relativo ao terceiro trimestre de 2004. A DRF/BLUMENAU exarou o Despacho Decisório de fls. 627 a 656 deferindo parcialmente o pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$102.220,92, referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS. No relatório e na fundamentação que embasaram a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: a) A análise do direito creditório pleiteado no processo foi suscitada em sede do Mandado de Segurança n° 2006.72.05.0047318/SC; b) A análise teve como base as informações prestada nos documentos apresentados pela interessada e acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB; c) A partir de uma amostragem das notas fiscais de exportação, procedeuse à verificação da efetividade das exportações nos sistemas internos da RFB, tendo sido possível comprovar, por meio do confronto do Demonstrativo de Despachos de Exportação com suas respectivas notas fiscais, a exportação das mercadorias informadas nas notas fiscais amostradas; d) Foi selecionada para verificação uma amostragem das notas fiscais de aquisições. Da verificação foram constatadas divergências entre os valores informados no DACON e os valores informados pela interessada na documentação apresentada; e) A requerente incluiu na formação da base de cálculo dos créditos de PIS, aquisições de bens de pessoa física, contrariando o disposto no § 3° do art. 3° da Lei 10.637/02. As cópias das notas fiscais encontramse em fls. 356 e 615. Procedeuse à glosa da totalidade desses valores; f) As notas fiscais do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda, CNPJ 92.639.954/000167 foram emitidas com o CFOP 6.501 (remessa com fim específico de exportação) e escrituradas pela requerente com o CFOP 2.101 (compras para industrialização); g) A venda com fim específico de exportação só se efetiva quando a mercadoria vai diretamente do estabelecimento do produtorvendedor para embarque ao exterior ou para depósito em entreposto, o que não ocorreu no caso em tela, mas sim para seu próprio estabelecimento e a incorporação desse insumo (vidro) ao produto final; Fl. 887DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13975.000213/200589 Acórdão n.º 3201002.313 S3C2T1 Fl. 887 3 h) A aquisição desse insumo se deu sem a devida tributação quando da saída do estabelecimento fornecedor, já que foi alcançado pela imunidade afeta às exportações por causa da emissão de nota fiscal com CFOP 6.501. A concessão de créditos sobre tais aquisições implicaria na inobservância ao princípio da nãocumulatividade; i) De acordo com os arts. 5°, III e 3°, § 2° da Lei 10.637/2002, as aquisições de mercadorias com fim específico de exportação não geram direito a créditos de PIS. Foram glosadas as aquisições do referido fornecedor, conforme notas fiscais anexas ao processo às fls. 349, 370, 376, 418, 423 e 553 a 567; j) A requerente não excluiu da base de cálculo, a aquisição de bem que seria utilizado como insumo, mas que posteriormente foi devolvido, razão pela qual efetuouse a glosa da nota fiscal correspondente; k) A grande maioria dos CTRC (Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas) de CFOP 1.352 padecem dos requisitos formais exigidos pelo regulamento do ICMS a que se sujeita a requerente. Dentre as irregularidades destacamse as relativas à emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço de transporte; 1) Constatouse que o problema ocorreu exclusivamente com os transportes locais ou de cidades limítrofes à sede da requerente e que as deficiências inviabilizam a aferição da idoneidade dos documentos emitidos; m) Na memória de cálculo para os créditos referentes a serviços utilizados como insumos, a requerente incluiu, dentre outros, os CFOP 1.949 e 2.949 (outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Por se referirem a outras entradas não previstas nos demais códigos, a princípio, não correspondem a bens ou serviços utilizados como insumo, razão pela qual se efetuou a glosa dessas quantias; n) Constatouse da conferência das faturas de energia elétrica a inclusão no cômputo do crédito para o PIS, de valor referente à doação ao Hospital Annegret Neitzke e ao pagamento de multa, juros de mora e correção monetária. A previsão legal de desconto de créditos calculados em relação à energia elétrica não contempla tais valores, motivo pelo qual foram da glosados; o) Intimada a comprovar os valores informados na linha seis (Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas) da ficha quatro do DACON, a requerente apresentou cópia de contrato de locação de um caminhão e duas carrocerias reboques, de propriedade da controladora Rohden Artefatos de Fl. 888DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Madeiras Ltda. Em relação aos comprovantes do efetivo pagamento, informou que a operação estava coberta por contrato de mútuo. A inclusão desta despesa evidencia um equívoco por parte da requerente, pois a NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) utiliza capítulos distintos para classificar máquinas e veículos. Assim, foram glosados tais valores; p) Intimada a demonstrar a memória de cálculo dos valores informados na linha treze da ficha quatro do DACON, a interessada apresentou as contas contábeis "Fretes de exportação" — 4.236 e "Serviço de armazenagem" — 4.271. A soma dos valores registrados nos balancetes nessas contas é inferior ao registrado no DACON. Os valores considerados na análise foram ajustados de acordo com os balancetes; q) Constatouse que na nota fiscal n° 034819 (fl. 436), um único lançamento incluiu dois • serviços, o de "frete" e o de "despesas de embarque", impossibilitando a valoração individual de cada serviço, sendo que, no caso, apenas o frete é passível de creditamento; r) Em relação às despesas com transporte, repetiuse a deficiência na formalização dos CTRC de CFOP 1.352— nos mesmos termos dos fretes relativos à aquisição de insumos transcrito no item "Despesas com transporte rodoviário de cargas" do Despacho decisório; s) A requerente incluiu entre as despesas financeiras passíveis de creditamento, as relacionadas às despesas decorrentes de contrato de câmbio (conta 4.314 — Juros pagos ACC/ACE). Tais valores não se enquadram no conceito de despesa financeira decorrente de empréstimo ou financiamento, motivo pelo qual foram glosados; t) A conferência por amostragem das notas fiscais e dos documentos apresentados pela interessada foi o ponto de partida para a elaboração da planilha do Anexo I do despacho. Levouse em consideração o resultado da análise do trimestre anterior através do processo n° 13975.000215/200578. Assim, os créditos do período anterior solicitados no citado processo não afetam o estoque de créditos no mercado externo do período ora analisado; u) O crédito de mercado interno do trimestre foi integralmente utilizado para descontar os débitos do período, razão pela qual o saldo inicial do período subseqüente será igual a zero. Foi apurado crédito disponível para compensação ou ressarcimento no valor de R$ 102.220,92 a título de mercado externo. Cientificada da decisão em 16/10/2007 (fl. 661), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 05/11/2007 (fls. 662 a 672), alegando, em síntese que Fl. 889DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13975.000213/200589 Acórdão n.º 3201002.313 S3C2T1 Fl. 888 5 a) As notas fiscais que comprovam as aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda foram emitidas com CFOP 6.501, destinado a vendas com fim específico de exportação. Contudo, foram utilizadas pela requerente como matéria prima em seu processo de industrialização; b) O CFOP foi utilizado de forma equivocada pelo fornecedor, sem qualquer responsabilidade da recorrente; c) Notese que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, contudo, a venda com fim específico de exportação não tem destaque de ICMS. Assim, a recorrente pagou o ICMS, o PIS e a COFINS à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos no preço dos produtos; d) Caso o fornecedor não tenha recolhido o PIS e a COHNS, a empresa recorrente não pode ser prejudicada, vez que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento; e) Na época das aquisições sequer havia lei autorizando a suspensão do PIS e da COFINS, tanto que no campo "observações" das notas fiscais constou apenas a suspensão do IPI. A recorrente passou a estar autorizada a efetuar a compra com suspensão do PIS e da COFINS somente após a publicação do Ato Declaratório Executivo n° 1, de 06/01/2006. A partir dessa data, a Vidroforte passou a vender para a recorrente com suspensão das contribuições, passando a conceder desconto relativo à suspensão; f) Não existem os supostos "vícios formais" a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. O transporte utilizado para levar a madeira bruta das florestas até o estabelecimento da recorrente é efetuado por pessoas humildes que, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; g) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; h) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; i) Os valores incluídos nos CFOP 1.949 e 2.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se tratam de Fl. 890DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 30, II, da Lei 10.637/02; j) De fato, no mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem. Contudo, a autoridade administrativa deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias. Anexa aos autos as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; k) Quanto à diferença entre os valores declarados no DACON a título de armazenagem e frete nas operações de venda e aqueles registrados nos balancetes, esclarecese que as contas mencionadas no balancete são de custos, ou seja, líquidas dos impostos recuperáveis (ICMS, PIS e COFINS) enquanto no DACON consta o valor total do CTRC/NF; 1) Relativamente às despesas com transporte na venda da produção do estabelecimento não há que se falar em "vícios formais", mas, quando muito, meras irregularidades, conforme já explanado; m) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; n) As vendas ao exterior são efetuadas por meio de Contrato de Câmbio, que impõe ao exportador o pagamento de uma taxa de câmbio para receber em moeda nacional o valor que foi pago pelo importador em moeda estrangeira. Não resta dúvida de que a taxa de câmbio decorrente do contrato de câmbio configurase como despesa financeira; . o) A interpretação da redação original do inciso V, do art. 3°, da Lei 10.637/02 não pode restringir o direito ao ressarcimento às'despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos; p) Há ainda situações em que o banco onde o Contrato de Câmbio foi celebrado adianta o valor e cobra juros do exportador. Tal procedimento é uma espécie de empréstimo; q) Requer o recebimento e a apreciação da manifestação de inconformidade e a reforma da decisão proferida. O processo foi encaminhado a esta DRJ/RJ02 tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 535, de 28/03/2008. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13975.000213/200589 Acórdão n.º 3201002.313 S3C2T1 Fl. 889 7 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO A aquisição de bens utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, quando não comprovado que a aquisição tenha sido efetuada com o fim específico de exportação. PIS NÃO CUMULATIVO. GLOSA DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Não é cabível a glosa de crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo calculado em relação a serviços utilizados como insumo, quando devidamente escriturados e amparados por documentos hábeis que lhe dêem suporte. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS FINANCEIRAS. As despesas financeiras sobre contratos de câmbio não dão direito a crédito para ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep apurada segundo o regime de incidência nãocumulativa. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados. Solicitação Deferida em Parte O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. Em sessão de julgamento ocorrida em 04 de maio de 2011, esse Turma Julgadora, por maioria, negou provimento o Recurso Voluntário do contribuinte, em acórdão assim ementado: Fl. 892DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. PROVA. INSUMO. Não havendo prova da sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, não merece provimento o pedido formulado no recurso voluntário. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS. CONTRATO DE CÂMBIO. É possível descontar créditos calculados em relação a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, contudo, o Contrato de Câmbio não tem natureza jurídica de empréstimo, nem de financiamento, não sendo possível tal aproveitamento. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração de fls. 799/801, aduzindo material no resultado do julgamento consignado no acórdão embargado. Os referidos Embargos foram admitidos por despacho de fls. 880/881 e a mim distribuídos por sorteio, vez que o Relator original do feito não mais compõe este colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário A questão posta a exame deste Colegiado em sede de Embargos de Declaração é de mero erro material. Alega a Procuradoria da Fazenda Nacional que houve contradição entre a parte dispositiva do Voto condutor do Acórdão recorrido e o resultado de julgamento que restou consignado quando da formalização do acórdão. Confirase: Parte dispositiva do voto condutor (fl. 839) Assim, também não como prover o recurso neste particular, logo, VOTO por conhecer do recurso para negarlhe provimento. (destaques nossos) Fl. 893DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13975.000213/200589 Acórdão n.º 3201002.313 S3C2T1 Fl. 890 9 Acórdão formalizado (fl. 773): Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. (destaques nossos) Como se percebe pelos excertos colacionados, a omissão está presente. De acordo com a fundamentação do voto condutor do acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário, bem como da sua parte dispositiva, o resultado do julgamento deve ser consignado como negativa de provimento ao Recurso Voluntário. Assim, voto por conhecer e prover os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para simples correção de erro material apresentado na formalização do acórdão recorrido, que passa a ter a seguinte redação: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 894DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /09/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720034/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Quando em manifesto equívoco relativo à quaisquer das questões examinadas e julgadas pela turma, cabem embargos de declaração para correção do acórdão.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA DE OFÍCIO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Com o advento da MP nº 449, convertida na Lei 11.941/09, aplica-se multa de ofício para os fatos geradores ocorridos após 12/2008.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-004.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer os embargos de declaração e acolhê-los para que o acórdão seja rerratificado nos termos em que proposto e, em consequência, que seja negado provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Quando em manifesto equívoco relativo à quaisquer das questões examinadas e julgadas pela turma, cabem embargos de declaração para correção do acórdão. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA DE OFÍCIO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Com o advento da MP nº 449, convertida na Lei 11.941/09, aplica-se multa de ofício para os fatos geradores ocorridos após 12/2008. Embargos Acolhidos
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15563.720034/2012-68
anomes_publicacao_s : 201611
conteudo_id_s : 5658324
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.853
nome_arquivo_s : Decisao_15563720034201268.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 15563720034201268_5658324.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer os embargos de declaração e acolhê-los para que o acórdão seja rerratificado nos termos em que proposto e, em consequência, que seja negado provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
id : 6568470
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688952082432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1363; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 234 1 233 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.720034/201268 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301004.853 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de setembro de 2016 Matéria ERRO MATERIAL Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ROGRANE INDUSTRIA E PARTICIPACOES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Quando em manifesto equívoco relativo à quaisquer das questões examinadas e julgadas pela turma, cabem embargos de declaração para correção do acórdão. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA DE OFÍCIO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Com o advento da MP nº 449, convertida na Lei 11.941/09, aplicase multa de ofício para os fatos geradores ocorridos após 12/2008. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer os embargos de declaração e acolhêlos para que o acórdão seja rerratificado nos termos em que proposto e, em consequência, que seja negado provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 00 34 /2 01 2- 68 Fl. 234DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 15563.720034/201268 Acórdão n.º 2301004.853 S2C3T1 Fl. 235 3 Relatório Tratamse de embargos opostos com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. A decisão embargada traz ementa e parte dispositiva as seguintes informações: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Negado. (grifo nosso) ... ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de mora , com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, (art. 61 da lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro O embargante esclarece que houve contradição, pois a autuação referese ao período de 01/2009 a 12/2009 e também que o correto seria constar na ementa do acórdão: embargado deu provimento parcial: "Recurso Voluntário Provido em Parte": Com o devido respeito, cabenos informar que o supracitado Acórdão apresenta informações divergentes entre si o que impossibilita a sua correta implementação no SIEF. Os trechos divergentes do Acórdão em questão são os seguintes: “Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006” (fl. 216) e “Os Autos de Infração abrangem o período de 01/2009 a 12/2009...” (fl. 218) Fl. 236DF CARF MF 4 “Recurso Voluntário Negado” (fl. 216) e “Voto pelo provimento parcial do recurso voluntário” Em despacho fundamentado, reconheceuse a presença dos pressupostos de admissibilidade. É o Relatório. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 15563.720034/201268 Acórdão n.º 2301004.853 S2C3T1 Fl. 236 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De fato, assiste razão ao embargante. Tratase de erro material caracterizado pelo equívoco na ementa. Constato às fls. 05 e s. que os fatos geradores ocorreram entre 01/2009 a 12/2009. E mesmo o corpo do relatório no acórdão embargado confirma a informação: Os Autos de Infração abrangem o período de 01/2009 a 12/2009, incluído o 13º salário, e foi consolidado em 23/02/2012. Segundo fiscal, a empresa informou em GFIP que era optante pelo SIMPLES quando na verdade não o era, uma vez que foi excluída do SIMPLES FEDERAL e não migrou para o SIMPLES NACIONAL. Assim, o acórdão embargado necessita de correção na forma como proposto; no entanto, com a constatação que os fatos geradores ocorreram a partir de 01/2009, tenho que o acórdão, por iniciativa de ofício deste relator com aditamento aos presentes embargos, merece ser materialmente reformado. O acórdão embargado adotou o entendimento de que o recálculo da multa em razão da retroatividade benigna alcançaria somente o período até 12/2008, e para 01/2009 em diante deveria ser mantida a multa de ofício tal como aplicada pela fiscalização: Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. ... Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, tem se que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. E não poderia ser outro o entendimento. Com a vigência da MP nº 449 a partir de 04/12/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao artigo 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição Fl. 238DF CARF MF 6 e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original). Caso o acórdão não desconhecesse que somente foram lançadas contribuições para o período de 01/2009 a 12/2009, a conclusão, como o próprio acórdão reconheceu, seria por "negar provimento ao recurso voluntário" e não para seu provimento parcial: Ante todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Assim, uma vez conhecido dos embargos e submetendoo ao plenário, proponho de ofício, nos termos dos artigos 65, §1º, I e 66 do RICARF, a correção do erro material com efeitos infringentes ao acórdão no sentido de que seja reconhecida a ocorrência dos fatos geradores apenas no período de 01/2009 a 12/2009 e, conseqüentemente, negado provimento ao recurso voluntário. Em razão do exposto, voto por acolher os embargos opostos para que o acórdão seja rerratificado nos termos em que proposto e, após, que seja negado provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 239DF CARF MF Processo nº 15563.720034/201268 Acórdão n.º 2301004.853 S2C3T1 Fl. 237 7 Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000439/2007-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 28/02/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-004.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 28/02/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10552.000439/2007-24
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5673530
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-004.777
nome_arquivo_s : Decisao_10552000439200724.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10552000439200724_5673530.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6621041
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688986685440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 434 1 433 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10552.000439/200724 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.777 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente MAKENA MÁQUINAS EQUIPAMENTOS E LUBRIFICANTES LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 28/02/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 04 39 /2 00 7- 24 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10552.000439/200724 Acórdão n.º 9202004.777 CSRFT2 Fl. 435 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo sujeito passivo diante da divergência de entendimento entre turmas julgadoras do CARF acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso e requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10552.000439/200724 Acórdão n.º 9202004.777 CSRFT2 Fl. 436 3 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10552.000439/200724 Acórdão n.º 9202004.777 CSRFT2 Fl. 437 4 no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10552.000439/200724 Acórdão n.º 9202004.777 CSRFT2 Fl. 438 5 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10552.000439/200724 Acórdão n.º 9202004.777 CSRFT2 Fl. 439 6 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10552.000439/200724 Acórdão n.º 9202004.777 CSRFT2 Fl. 440 7 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10552.000439/200724 Acórdão n.º 9202004.777 CSRFT2 Fl. 441 8 cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, mantendose incólume o Acórdão recorrido. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10552.000439/200724 Acórdão n.º 9202004.777 CSRFT2 Fl. 442 9 Fl. 442DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.723713/2014-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 20/12/2013
DECADÊNCIA. MULTAS. PRAZO QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL.
DATA DA INFRAÇÃO.
A teor do art.139 do Decreto-Lei
nº 37, de 1966, extingue-se
no prazo de cinco anos, a contar da data da infração, o direito de impor penalidade por inobservância da legislação aduaneira.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 20/12/2013
BASE DE CÁLCULO. QUANTIFICAÇÃO. HIPÓTESE DE
IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA
IMPORTADA. ART. 67 DA LEI Nº 10.833/2003.
Mostrase
equivocado o levantamento da base de cálculo, com lastro no art.
67 da Lei nº 10.833/03, quando impossível a identificação da mercadoria
importada em razão de seu extravio ou consumo, que toma como semestre de
referência período que não guarda consonância com o momento em que se
verificou o ingresso da mercadoria em território aduaneiro, mormente quando
sequer observa o período semestral, o que torna o crédito tributário
insubsistente.
VOLUMES NÃO LOCALIZADOS/EXTRAVIADOS. MULTA.
DEPOSITÁRIO. CABIMENTO.
Considera-se
o depositário responsável pelos créditos relativos aos tributos e
direitos correspondentes às mercadorias extraviadas, na importação, quando
sob sua custódia, uma vez inexistente qualquer excludente de
responsabilidade, o que rende ensejo à aplicação da penalidade prevista no art. 107, VII, “a” do Decreto Lei
nº 37/1966.
Recurso de ofício negado e recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3401-003.251
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões e solicitou apresentação de declaração de voto. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, negar provimento, vencido o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o advogado Mauro Berenholc, OAB/SP nº 104.529.
Nome do relator: Robson José Bayerl
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/12/2013 DECADÊNCIA. MULTAS. PRAZO QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL. DATA DA INFRAÇÃO. A teor do art.139 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, extingue-se no prazo de cinco anos, a contar da data da infração, o direito de impor penalidade por inobservância da legislação aduaneira. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/12/2013 BASE DE CÁLCULO. QUANTIFICAÇÃO. HIPÓTESE DE IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 67 DA LEI Nº 10.833/2003. Mostrase equivocado o levantamento da base de cálculo, com lastro no art. 67 da Lei nº 10.833/03, quando impossível a identificação da mercadoria importada em razão de seu extravio ou consumo, que toma como semestre de referência período que não guarda consonância com o momento em que se verificou o ingresso da mercadoria em território aduaneiro, mormente quando sequer observa o período semestral, o que torna o crédito tributário insubsistente. VOLUMES NÃO LOCALIZADOS/EXTRAVIADOS. MULTA. DEPOSITÁRIO. CABIMENTO. Considera-se o depositário responsável pelos créditos relativos aos tributos e direitos correspondentes às mercadorias extraviadas, na importação, quando sob sua custódia, uma vez inexistente qualquer excludente de responsabilidade, o que rende ensejo à aplicação da penalidade prevista no art. 107, VII, “a” do Decreto Lei nº 37/1966. Recurso de ofício negado e recurso voluntário negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10814.723713/2014-38
conteudo_id_s : 5652777
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.251
nome_arquivo_s : Decisao_10814723713201438.pdf
nome_relator_s : Robson José Bayerl
nome_arquivo_pdf_s : 10814723713201438_5652777.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões e solicitou apresentação de declaração de voto. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, negar provimento, vencido o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o advogado Mauro Berenholc, OAB/SP nº 104.529.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6553173
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688990879744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2201; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.723713/201438 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3401003.251 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2016 Matéria ADUANA ARMAZENAGEM PENALIDADES Recorrentes CONCESSIONÁRIA DO AEROPORTO INTERNACIONAL DE GUARULHOS S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/12/2013 DECADÊNCIA. MULTAS. PRAZO QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL. DATA DA INFRAÇÃO. A teor do art.139 do DecretoLei nº 37, de 1966, extinguese no prazo de cinco anos, a contar da data da infração, o direito de impor penalidade por inobservância da legislação aduaneira. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/12/2013 BASE DE CÁLCULO. QUANTIFICAÇÃO. HIPÓTESE DE IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 67 DA LEI Nº 10.833/2003. Mostrase equivocado o levantamento da base de cálculo, com lastro no art. 67 da Lei nº 10.833/03, quando impossível a identificação da mercadoria importada em razão de seu extravio ou consumo, que toma como semestre de referência período que não guarda consonância com o momento em que se verificou o ingresso da mercadoria em território aduaneiro, mormente quando sequer observa o período semestral, o que torna o crédito tributário insubsistente. VOLUMES NÃO LOCALIZADOS/EXTRAVIADOS. MULTA. DEPOSITÁRIO. CABIMENTO. Considerase o depositário responsável pelos créditos relativos aos tributos e direitos correspondentes às mercadorias extraviadas, na importação, quando sob sua custódia, uma vez inexistente qualquer excludente de responsabilidade, o que rende ensejo à aplicação da penalidade prevista no art. 107, VII, “a” do DecretoLei nº 37/1966. Recurso de ofício negado e recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 72 37 13 /2 01 4- 38Fl. 927DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões e solicitou apresentação de declaração de voto. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, negar provimento, vencido o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o advogado Mauro Berenholc, OAB/SP nº 104.529.. Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração para exigência de II, IPI, PIS/CofinsImportação e consectários, multa equivalente ao valor aduaneiro e multa por ausência de volume, tal como constatado em procedimento próprio, o extravio ou não localização de volumes armazenados sob custódia da Concessionária do Aeroporto Internacional de Guarulhos S/A – GRU AIRPORT. Narra a fiscalização, a par do extravio/não localização de volumes, que a responsabilidade do depositário decorreria, além da previsão legal, da assinatura de contrato de concessão para ampliação, manutenção e exploração do terminal aeroportuário, bem como, do próprio alfandegamento do recinto, submetido ao regime de funcionamento ininterrupto; e, que, ante a impossibilidade de identificação e quantificação da mercadoria não localizada, adotara o procedimento previsto no art. 67 da Lei nº 10.833/03. O lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 09/05/2014 (fls. 194). Em impugnação o contribuinte esclareceu que todas as mercadorias objeto do lançamento foram consideradas abandonadas, a partir da análise do sistema MANTRA e que as condições para decretação do abandono foram preenchidas no período 2008/2009; alegou que apenas em 13/12/2013 as autoridades aduaneiras buscaram informações sobre ditas mercadorias; que duas cargas haviam sido localizadas, que parte das mercadorias já havia sido encaminhada ao setor competente da alfândega; que teria se verificado o decurso do prazo prescricional para exercício do direito indenizatório pela Fazenda Nacional, nos termos do art. 60 do DL 37/66 c/c Decreto nº 1.102/1903; que não possuía legitimidade passiva para figurar na autuação, ante a inexistência de sucessão entre a INFRAERO, antiga concessionária, e o recorrente, que assumiu a concessão do terminal em 2012, de sorte que não lhe pode ser imputado o extravio/não localização de 27 (vinte e sete) cargas, que foram objeto de solicitação de perdimento ainda sob a administração da INFRAERO; que em função dessa situação haveria nulidade da exigência, citando jurisprudência; que seria impossível a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro, decorrente da conversão da pena de perdimento, porque Fl. 928DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10814.723713/201438 Acórdão n.º 3401003.251 S3C4T1 Fl. 11 3 destinada àquele que abandonou a mercadoria e não ao depositário; que a atribuição da responsabilidade pelo extravio/não localização à recorrente estaria amparada em mera presunção, o que tornaria nula a pretensão; que faltaria tipicidade para cobrança dos tributos incidentes sobre as operações de importação; violação ao art. 112 do CTN; que seria inaplicável a multa prevista no art. 107, VII, “a” do DL 37/66, pois os bens, quando da constatação da falta, já não mais estavam sob controle aduaneiro; que haveria enriquecimento sem causa da Fazenda Nacional, desproporcionalidade e falta de razoabilidade quanto ao montante da multa exigida, citando jurisprudência; que teria sido violado o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), na quantificação do valor que serviu de base para o lançamento; que descaberia a exigência de multas tributárias por sucessão; que as autoridades aduaneiras foram omissas na aplicação da pena de perdimento à mercadoria abandonada; que não caberia a aplicação da multa de 50% sobre o II e o IPI; e, que houve abuso no arbitramento da base de cálculos das mercadorias extraviadas, citando jurisprudência. A DRJ Florianópolis/SC acolheu em parte o recurso e exonerou a multa equivalente ao valor aduaneiro, os tributos e consectários legais, mantendo apenas parcela da multa prevista no art. 107, VII “a” do DL 37/66, em decisão assim ementada: “ABANDONO. PENA DE PERDIMENTO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. CONVERSÃO. APLICAÇÃO. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116 da Lei n° 5.172/66, o que não é o caso da infração decorrente do abandono de mercadorias. Não deve ser aplicada legislação de 2010, em autuação de 2014, para fatos geradores de infrações ocorridas entre os anos de 2007 e 2008. A conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro não pode alcançar pessoa diversa daquela que tenha concorrido para a prática da infração. VOLUME. NÃO LOCALIZADO. DEPOSITÁRIO. MULTA. Aplicase a multa, ao depositário, por volume, depositado em local ou recinto sob controle, que não seja localizado. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRE ANTERIOR. AMOSTRAGEM INADEQUADA. Havendo sido utilizados dados diversos daqueles prescritos no §1º do artigo 67 da Lei n° 10.833/03, os valores utilizados para compor a base de cálculo da multa equivalente ao valor aduaneiro, tributos e consectários estão eivados de vício insanável, restando maculadas as respectivas autuações. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. FATO GERADOR DOS TRIBUTOS. MERCADORIA EXTRAVIADA. Fl. 929DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Para efeito de ocorrência do fato gerador do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e das Contribuições para Pis/PasepImportação e CofinsImportação, consideramse entrados/desembaraçados no território aduaneiro os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio tenha sido verificado pela autoridade aduaneira.” Da parte exonerada houve interposição de recurso de ofício. Em recurso voluntário o contribuiu sustentou localização de duas das quarenta e uma cargas extraviadas; ilegitimidade passiva; decadência para exigência da multa; impossibilidade de emprego de mera presunção para lastrear a autuação; violação ao art. 112 do Código Tributário Nacional; e, atipicidade, no caso dos autos, da conduta prevista no art. 107, VII, “a” do DL 37/66. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Recurso de ofício A remessa necessária atende aos pressupostos para sua interposição, devendo ser conhecido. A exoneração de parcela do crédito se deveu, no caso da multa equivalente ao valor aduaneiro, principalmente pela parcial atipicidade da conduta e decadência do direito de constituição do crédito correspondente, como se extrai do seguinte excerto do voto vencedor: “Embora a fiscalização não tenha designado expressamente no auto de infração qual a conduta especifica tida por danosa ao Erário (qual dos incisos do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76 ou do artigo 689 do Decreto n° 6.759/09) e, portanto apta à aplicação da pena de perdimento ou alternativamente multa equivalente ao valor aduaneiro, podese inferir tanto em face do tempo decorrido como das anotações em alguns dos extratos do sistema ‘Siscomex – Mantra Importação’ de folhas 28 a 142, que as mercadorias foram consideradas ‘abandonadas’ (90 DIAS SEM VINCULAÇÃO. APLICAR IN 69/99, exemplo fl. 52) por seus consignatários (possíveis importadores), sendo passíveis de aplicação do disposto no artigo 23, inciso II do DecretoLei n° 1.455/76 (redação anterior à vigência da Lei n° 10.637/02): (...) A análise do dispositivo legal revela que o legislador pretendeu punir, por dano ao Erário, a conduta do importador que, após realizar a trazida do exterior de mercadorias, permanece inerte sem que o seu respectivo despacho aduaneiro no País seja realizado. Caracterizado o desinteresse em promover o despacho, frente ao correr do tempo (90 dias), as mercadorias são consideradas abandonadas e, então, pode a Fazenda aplicar a pena de perdimento e fazer a destinação das mercadorias conforme o previsto na legislação de regência, evitando assim que mercadorias estrangeiras fiquem Fl. 930DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10814.723713/201438 Acórdão n.º 3401003.251 S3C4T1 Fl. 12 5 indefinidamente armazenadas em depósitos alfandegados, ocupando precioso espaço e recursos financeiros e de logística. A impugnante, até onde se sabe, não importou as mercadorias estrangeiras, nem tão pouco poderia permanecer inerte em relação ao início do respectivo despacho aduaneiro. A rigor não possuía tal direito e, muito menos, o dever. O detentor do direito/dever de providenciar o despacho das mercadorias era o respectivo importador (consignatário) das mesmas. O interessada não se reveste, na condição dos autos, da atribuição de importador, mas sim de fiel depositário. Neste ponto é importante trazer o disposto no § 3º do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76, reproduzindo as modificações que foram introduzidas ao longo do tempo: (...) Até a mudança promovida pela Lei n° 10.637, de 30/12/2002(DOU de 31/12/2002) a infração em tela era punida exclusivamente com a aplicação da pena de perdimento. A partir da vigência da Lei n° 10.637, de 30/12/2002(DOU de 31/12/2002) a infração em tela, primariamente, continuou a ser punida com a pena de perdimento (§ 1º), contudo houve a inclusão da hipótese de conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro quando as mercadorias suscetíveis de apreensão não fossem localizadas § 3º. Esta redação do § 3º permaneceu inalterada até a Medida Provisória n° 497, de 27/07/2010 (DOU de 28/07/2010 e retificada no DOU de 29/07/2010) dar nova redação ao comando legal, afastando a conversão da pena de perdimento e criando verdadeira penalidade autônoma (na hipótese de não localização da mercadoria). A Lei n° 12.350/2010 (DOU de 21/12/2010) converteu a Medida Provisória sem modificações na redação do citado § 3º. Quanto à aplicação da legislação tributária, é importante trazer o disposto nos artigos 105, 115 e 116 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN): (...) Assim, para as infrações cometidas até 30/12/2002 a única penalidade aplicável é a pena de perdimento. Para as infrações cometidas entre 31/12/2002 e 27/07/2010 a penalidade aplicável é a pena de perdimento, contudo se não forem localizadas as mercadorias, referida penalidade é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro. Finalmente, se a infração foi cometida a partir de 28/07/2010 pode ser aplicada uma de duas penalidades distintas, a depender da localização ou não das mercadorias: se localizadas, aplicase a pena de perdimento; se não localizadas, aplicase multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias (não há conversão, mas sim aplicação de penalidade específica para a hipótese do caput). Fl. 931DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 A infração em trato tem momento específico para sua caracterização: 90 dias após a descarga das mercadorias. Considerando as datas consignadas nos documentos inicialmente citados, não restam dúvidas de que a conduta tida por danosa ao Erário foi cometida em diversos momentos distintos, entre os anos de 2007 e 2008 (90 dias após cada uma das descargas). Portanto, a fiscalização não poderia aplicar aos fatos geradores já ocorridos (efeitos produzidos) a inovação trazida pela Lei n° 12.350/2010, vez que o abandono (infração primariamente punida com a pena de perdimento) já era de conhecimento da fiscalização em data muito anterior à resposta formalmente dada pelo depositário e relacionada à não localização das mercadorias (a hipótese de ‘não localização das mercadorias’ não se confunde com a hipótese caracterizadora do fato gerador da infração – ‘abandono’). Para os fatos geradores das infrações acontecidos entre 31/12/2002 e 27/07/2010 poderia ser aplicada a hipótese de conversão da pena de perdimento criada pela Lei n° 10.637/02. Contudo, neste caso a ‘conversão’ somente poderia alcançar aquele que cometeu a infração (se for o caso os responsáveis solidários também), o que não é o caso da impugnante, que como dito anteriormente não ‘abandonou’ a mercadoria (nem pode ser considerada responsável solidária por esta infração), apenas atuava como depositária. Ocorre que a multa prevista no § 3° do artigo 23, do DecretoLei n° 1.455/76 (redação dada, ao tempo do fato gerador da infração, pela Lei n° 10.637/02) tem por sujeito passivo aquele que tenha sido punido ou que seria punido com a pena de perdimento, mas que em face da não localização das mercadorias ou seu consumo não apresente as mesmas à autoridade aduaneira, situação que não se vislumbra no presente caso, dado que a pena de perdimento tem, ou teria, como sujeito passivo pessoa divergente da interessada. Em outras palavras, não foi a interessada a responsável pela conduta que tipificaria a aplicação da pena de perdimento no presente caso. Sua condição era de depositária da mercadoria. Portanto, a ‘conversão’ somente poderia alcançar aquele que cometeu a infração (se for o caso os responsáveis solidários também) , o que não é o caso da impugnante, que, reiterese, não ‘abandonou’ a mercadoria, apenas atuava como depositária. A pena de perdimento, se aplicada, seria a terceiros, outros que não a interessada, de maneira que a presente ‘conversão’ em verdade está inclusive a aplicar a penalidade pecuniária para quem não teria contra si aplicada a pena de perdimento. Em verdade está convertendo não somente a pena, mas também o contribuinte, situação não compatível com a legislação que rege a matéria. Outro aspecto, não menos importante, é que, ao regulamentar a matéria, o Decreto n° 4.543/02 estabeleceu marcos temporais para o direito de impor penalidade, inclusive para a hipótese de perdimento: 5 anos a contar da data da infração, como se depreende dos artigos 604 e 669 vigentes ao tempo da prática das infrações (Decreto n° 6.759/09 artigos 675 e 753 vigentes ao tempo da lavratura da autuação): Fl. 932DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10814.723713/201438 Acórdão n.º 3401003.251 S3C4T1 Fl. 13 7 (...) Como dito até aqui, os fatos geradores da infração em tela ocorreram entre os anos de 2007 e 2008, portanto quando da lavratura da autuação (29/04/2014, fl. 171) e respectiva ciência (fl. 195, 14/05/2014) já haviam se passado mais de 5 anos do direito de a Fazenda impor penalidade. Assim, seja em razão da identificação do sujeito passivo da infração, seja em razão da legislação aplicável ao tempo da ocorrência dos fatos geradores, seja em razão do prazo para impor a penalidade, a multa equivalente ao valor aduaneiro, decorrente da não localização das mercadorias sujeitas à aplicação da pena de perdimento (por abandono), não pode prosperar.” (destacado) A leitura do texto reproduzido evidencia a concorrência de razões para exoneração da multa equivalente, seja pela atipicidade, seja aplicação intertemporal do direito ou pela decadência. Entretanto, a decadência, como questão preliminar de mérito, na técnica processual, deve preceder às demais matérias, razão porque, sendo suficiente para afastar a exigência fiscal, prejudica o exame das demais. Nesta senda, temse que, pela redação dos citados arts. 23 do DL 1.455/76 e 675 e 753 do Decreto nº 6.759/09, que aprova o Regulamento Aduaneiro, mostrase acertado o raciocínio engendrado pelo voto vencedor, senão vejase: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; Fl. 933DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)” (destacado) “Art. 675. As infrações estão sujeitas às seguintes penalidades, aplicáveis separada ou cumulativamente (Decretolei no 37, de 1966, art. 96; Decretolei nº 1.455, de 1976, arts. 23, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59, e 24; e Lei nº 9.069, de 1995, art. 65, § 3º): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003): I perdimento do veículo; II perdimento da mercadoria; III perdimento de moeda; e IV multa. (...) Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139).” No caso de mercadorias abandonadas, como se verifica nestes autos, a sua caracterização como tal se dá com o término do prazo de 90 (noventa) dias da descarga, sem Fl. 934DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10814.723713/201438 Acórdão n.º 3401003.251 S3C4T1 Fl. 14 9 que iniciado o seu despacho, sendo essa a infração sujeita ao perdimento, que, a teor do art. 753 supra, extinguese com a fluência do prazo qüinqüenal contado a partir de então. Considerando que o abandono das mercadorias, consoante planilha de fls. 17/18, ocorreu no período compreendido entre 02/11/2007 e 11/10/2008, já havia ocorrido a decadência do direito à conversão da pena de perdimento pelo equivalente ao valor aduaneiro, como pretendeu a fiscalização, o que, aliado aos demais argumentos, denota a impossibilidade de se manter o lançamento neste ponto. Em outra frente, respeitante à exoneração dos tributos e consectários legais, o voto vencedor vislumbra erro na quantificação da base de cálculo, verbis: “Quanto à incidência dos tributos, o voto da ilustre Relatora indica com exatidão os dispositivos legais que ratificam a possibilidade de sua exigência quando da constatação do extravio das mercadorias, restando fixado o momento da ocorrência do fato gerador como a data da lavratura da corresponde crédito tributário (Decreto nº 6.759/09 artigo 73, inciso II, alínea ‘c’ ou ‘d’; artigo 238, § 1º; artigo 252, inciso II). Motivo este que afasta objetivamente a hipótese de ocorrência de decadência do direito de a Fazenda constituir tais créditos tributários. Ultrapassada a questão relacionada à incidência dos tributos e multas correspondentes cumpre analisar o valor arbitrado pela fiscalização com vistas a compor a base de cálculo de tais tributos (e inclusive da multa relacionada ao perdimento, que é equivalente ao ‘valor aduaneiro das mercadorias’). A fiscalização indica que os documentos acostados aos autos trazem informações unicamente relativas ao peso e quantidade de volumes das mercadorias extraviadas, e então informa ter aplicado o disposto no artigo 67 da Lei n° 10.833/03, que assim dispunha à época da lavratura da autuação: ‘Art. 67. Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, serão aplicadas, para fins de determinação dos impostos e dos direitos incidentes, as alíquotas de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto de Importação e de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados. § 1º Na hipótese prevista neste artigo, a base de cálculo do Imposto de Importação será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico.’ ...(Grifos acrescidos) Fl. 935DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 À folhas 150 o ‘Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades’ indica que: ‘ Para a obtenção do valor aduaneiro foram extraídos dados do sistema ‘DW Aduaneiro’, relativos a todas as declarações de importação a título definitivo e para consumo registradas no período de julho/2013 a dezembro/2013, tendo a via aérea como meio de transporte. [...]’ ...(Grifos acrescidos) O procedimento adotado com base no artigo 67 da Lei n° 10.833/03 trata do arbitramento da base de cálculo do imposto de importação e não de valor aduaneiro, que, como se sabe, é determinado segundo as Regras do Acordo de Valoração Aduaneira. O arbitramento desenvolvido pela fiscalização possui pelo menos dois equívocos que não podem ser superados. O primeiro equívoco está relacionado à amostragem das declarações registradas no semestre ‘anterior’. A fiscalização disse adotar, como base única para todas as mercadorias autuadas, as declarações registradas no segundo semestre de 2013, semestre anterior ao da lavratura das autuações. Como já explicitado as mercadorias objeto de autuação chegaram ao País entre os anos de 2007 e 2008, tratandose de diversas cargas que não chegaram ao País simultaneamente, mas sim em datas diversas. O arbitramento linear, da forma como realizado, acabou por esvaziar o próprio sentido da norma, vez que o arbitramento tem por expectativa ser próximo ao valor aduaneiro das mercadorias que à época da chegada no País ocorreram (por exemplo, num semestre pode haver muita importação de eletrônicos, e em outro de tecidos, e no seguinte de máquinas, etc). Portanto ao considerar como parâmetro as cargas importadas no semestre anterior ao da data de lavratura das autuações, e sendo esta tantos anos posterior à chegada das mercadorias, temse como resultado, muito provavelmente, uma distorção do valor arbitrado (que poderá ser para mais ou para menos, a depender das mercadorias que tenham sido importadas nos diversos semestres). E ainda que se pudesse superar o problema acima levantado (o que não é o caso), no plano material, a fiscalização cometeu um segundo equívoco. Adotou como base de arbitramento as mercadorias estrangeiras que foram declaradas entre os meses de agosto/2013 e dezembro/2013 (fl. 159). O §1º do artigo 67 da Lei n° 10.833/03 é claro ao estabelecer que o valor arbitrado será determinado com base em todas as declarações de importação registradas no semestre anterior. A fiscalização embora tenha informado ter adotado as informações do semestre anterior, no plano fático acabou por utilizar apenas 5 meses do semestre anterior, portanto adotou parcialmente as declarações de importação registradas no semestre anterior. Evidente que o procedimento está em desacordo com o estabelecido na lei e, temse como resultado, muito provavelmente, mais uma vez, uma distorção do valor arbitrado (que poderá ser para mais ou para menos, a depender das Fl. 936DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10814.723713/201438 Acórdão n.º 3401003.251 S3C4T1 Fl. 15 11 mercadorias que tenham sido importadas no mês excluído da base de cálculo).” (destaques no original) Analisando o art. 67 da Lei nº 10.637/2002 inferese que a inteligência do voto vencedor é mais consentânea com a mens legis, não se compaginando, à primeira vista, o procedimento adotado pela fiscalização de efetuar o levantamento linear das importações no semestre imediatamente anterior à autuação, sem atentar para o alongado intervalo temporal entre a ocorrência do abandono e a exigência dos tributos, mormente quando possível saber a data de descarga da mercadoria no território aduaneiro. Demais disso, mesmo que possível tomar como correto o entendimento encampado no lançamento, remanesce o próprio defeito do período dos dados levantados, pois, como detectado com precisão pelo voto vencedor, ainda que faça referência ao semestre compreendido entre julho/2013 e dezembro/2013, as planilhas de fls. 155/159, não deixam dúvida que, a bem da verdade, o período abarcou agosto/2013 a dezembro/2013, o que torna o levantamento imprestável ao fim a que se destina, revelando a completa incorreção da base de cálculo apurada. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Preliminarmente, quanto à detecção do destino de duas cargas do universo de quarenta e uma, sustenta o contribuinte a localização em armazém dos volumes correspondentes aos AWBs 549 2048 7110 5788541 e 891 0802 8075, porém, diversamente do que ocorreu no PA 10814.723710/201402, julgado na mesma assentada, não foi juntada qualquer prova, ou mesmo princípio de prova, que respaldasse a alegação, valendo a remissão ao adágio jurídico consoante o qual alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. Quanto à ilegitimidade da recorrente, como destacado pela decisão recorrida, a sua responsabilidade decorre da condição de concessionária do terminal aeroviário, assumindo a custódia de todas as mercadorias ali armazenadas, ou que, pelo menos, deveriam ali se encontrar. A sua responsabilidade não é oriunda de sucessão da concessão, até então, pertencente à INFRAERO, como entende a recorrente, mas é responsabilidade própria, por implicação da assunção da concessão e da custódia das mercadorias armazenadas nos recintos alfandegados, também objeto da concessão, sem qualquer ressalva quanto à sua inexistência, extravio ou não localização. Nos termos do art. 662 do RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), o depositário responde pelo extravio de mercadoria sob sua custódia. Por pertinente, mostrase infundada a argumentação pelo descabimento da aplicação da responsabilidade por sucessão, inclusive em alusão a recurso repetitivo, porquanto não há nestes autos exigência de crédito tributário ao contribuinte na condição de responsável, mas imputação de infração administrativa por responsabilidade própria, como dito, na Fl. 937DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 qualidade de depositário no momento em que verificou o extravio de mercadoria sob sua custódia. Demais disso, não procede o argumento que, das trinta e nove cargas remanescentes, vinte e quatro delas sequer teriam sido recepcionadas, ante a comunicação do abandono formulado pela INFRAERO, haja vista que não se deve confundir a indigitada comunicação com a efetiva adoção dos procedimento necessários à decretação do perdimento, o que, não havendo prova de sua ocorrência, pressupõe a sua manutenção em armazém, cabendo a prova do fato extintivo à recorrente, que não logrou produzila. O fato da INFRAERO comunicar a ocorrência do abandono, a seu tempo verificado, não significa que a mercadoria não possa, posteriormente, ter se extraviado. No momento do abandono, a mercadoria estava devidamente armazenada, entretanto, quando da efetivação do levantamento pelas autoridades aduaneiras já não mais se encontrava, não apresentando a recorrente, na condição de depositário, qualquer justificativa para esta situação. Notese, por oportuno, que a acusação fiscal prova que mercadoria não foi localizada e/ou extraviada, como se extrai das exigências formalizadas em intimações e respostas do próprio recorrente, não havendo presunção alguma nesse fato, distintamente do que argumenta o contribuinte, mesmo porque é inegável que tais volumes não foram encontrados e esta constatação se deu sob a administração da ora recorrente, não fazendo sentido imputar o problema ao concessionário anterior, mormente quando nenhum elemento de prova neste sentido é carreada aos autos. Também não procede a alegação que as mercadorias já estavam desaparecidas há anos, quando ainda sob administração da INFRAERO, de modo a restar excepcionada a sua responsabilidade, porque, mais uma vez, fundado em ilações, sem qualquer lastro probatório a corroborar esta assertiva. Frisese, o fato das mercadorias, quando do abandono, estarem sob custódia da INFRAERO, não conduz à inegável conclusão que o extravio tenha se dado, ainda, sob sua administração, como insiste o recorrente. Então, relativamente à sujeição passiva do contribuinte perante a multa prevista no art. 107, VII, “a” do DL 37/66, incidente por volume depositado em local ou recinto alfandegado, que não seja localizado, irretorquível o seu reconhecimento, até mesmo por força dos arts. 660 e 662 do Decreto nº 6.759/2009 (RA/09): “Art. 660. Os créditos relativos aos tributos e direitos correspondentes às mercadorias extraviadas na importação, inclusive multas, serão exigidos do responsável por meio de lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, observado o disposto no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 60, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 1º Para os efeitos do disposto no caput, considerase responsável (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 60, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40): (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I o transportador, quando constatado o extravio até a conclusão da descarga da mercadoria no local ou recinto alfandegado, observado o disposto no art. 661; ou (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Fl. 938DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10814.723713/201438 Acórdão n.º 3401003.251 S3C4T1 Fl. 16 13 II o depositário, quando o extravio for constatado em mercadoria sob sua custódia, em momento posterior ao referido no inciso I. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (...) Art. 662. Para efeitos fiscais, o depositário responde por extravio de mercadoria sob sua custódia.(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto.” Relativamente à decadência, tomando o momento de ocorrência da infração, extravio da mercadoria, quando de sua constatação pela autoridade aduaneira responsável pelo procedimento de averiguação, segundo os dispositivos retro citados, temse, por força do art. 753 do RA/09, que o direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração, o que, aplicado ao caso sub examine, conduz à sua inocorrência, dado que a constatação do extravio e/ou não localização ocorreu no curso de 2014. Mais uma vez, não se deve confundir as datas em que as mercadorias passaram a se qualificar como abandonadas e, nesta condição, sujeitas ao perdimento, com a data de constatação de seu extravio, pois enquanto não decretado o perdimento e adotados os procedimentos próprios a mercadoria permanece sob responsabilidade do depositário. A infração em comento não se concretiza com o abandono da mercadoria importada, mas com o seu extravio, se ocorrente, assim considerado a data de sua verificação pelas autoridades competentes. Logo, não há que se falar em decadência. Concernente à utilização de presunção para exigência da multa, repisase que a autuação está calçada em fatos, consistentes na não localização/extravio de mercadorias armazenadas, cabendo a responsabilidade pela sua custódia ao depositário, incumbindolhe, então, para eximirse das conseqüências dela decorrentes, a prova de que as mercadorias não estavam aos seus cuidados, o que não ocorreu. Também não se vislumbra qualquer violação ao art. 112 do Código Tributário Nacional, ao passo que, à luz da legislação já referenciada, não há qualquer dúvida acerca da ocorrência da infração e da legitimidade passiva do ora recorrente, razão porque não se justifica o emprego do aludido dispositivo. Quanto à falta tipicidade para cobrança da multa do art. 107, VII, “a” do DL 37/66 e as disposições do art. 660 do RA/2009, completamente infundada a alegação que tais bens, no momento da constatação do extravio, uma vez abandonadas, já não mais estavam sob controle aduaneiro. O controle aduaneiro das mercadorias abandonadas só se transfere à RFB a partir do encerramento do procedimento de perdimento, permanecendo, até, então, sob controle e responsabilidade do armazenador, pouco importando se já reunidas as condições para o seu perdimento, mesmo porque, encontrandose as mercadorias em zona primária, enquanto não sofrer destinação específica, permanece sob controle aduaneiro. Fl. 939DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 Por derradeiro, relativamente à omissão das autoridades aduaneiras para aplicação da pena de perdimento, a pretensa falta funcional, se ocorrente, rende ensejo a processo administrativo próprio para apuração das condutas irregulares, não desobrigando, de forma alguma, o recorrente, na qualidade de depositário, do cumprimento de suas obrigações, não havendo previsão legal para exoneração de tributos ou multas, em hipóteses como as dos autos, ante a pretensa desídia do órgão responsável pela aplicação da pena de perdimento, no momento oportuno, de mercadorias importadas abandonadas. Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Declaração de Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Pedi permissão para apresentar declaração de voto, para expor entendimento suplementar ao exposto pelo Ilustre Conselheiro Robson José Bayerl, relator deste Acórdão, quanto à apreciação do recurso de ofício em seu mui bem fundamentado voto. Como vimos, os Julgadores a quo exoneraram os tributos, os acréscimos legais e a multa equivalente ao valor aduaneiro (em substituição ao perdimento dos bens não localizados), e mantiveram apenas a multa por extravio ou não localização de volume sob guarda de depositário (art. 107, VII, "a", do Decreto lei n. 37, de 1966). As razões para eles afastarem parte da exigência fiscal inicial seriam: 1. ilegitimidade passiva e atipicidade da conduta quanto à multa substituta do perdimento: o concessionário atual do aeroporto GRU (sucessora da INFRAERO) não importou as mercadorias em questão, nem tinha como ele promover a importação desses bens; não havia como ele ser sujeito da prática condenada ou da penalidade, nem teria ele como exercer a prática da infração ou a do "abandono"; 2. decadência tributária decurso do prazo máximo de cinco anos para constituir e exigir tributos e acréscimos legais (cargas [e mercadorias] chegadas e consideradas abandonadas por decurso do prazo de 90 dias entre os anos de 1998 a 2007, com autuação em 2014; 3. irretroatividade da lei (de 2002) e a impossibilidade da conversão da pena de perdimento para fatos que são anteriores à sua vigência; 4. decurso do prazo máximo de cinco anos para constituir e exigir penalidades no âmbito aduaneiro artigo 139 do Decreto lei n. 37, de 1966. Fl. 940DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10814.723713/201438 Acórdão n.º 3401003.251 S3C4T1 Fl. 17 15 Os julgadores de 1º piso listaram essas razões para a exoneração, e expuseram que elas seriam concorrente entre si, e que, ao final, separada ou conjugadamente, elas levariam à conclusão de que essa parte da exigência fiscal não poderia prosperar. O ilustre Conselheiro, em seu voto vencedor, aponta a decadência e a prescrição como razões suficientes e que devem preceder às outras razões para afastar a exigência fiscal. Vejamos in verbis: A leitura do texto reproduzido evidencia a concorrência de razões para exoneração da multa equivalente, seja pela atipicidade, seja aplicação intertemporal do direito ou pela decadência, entretanto, a decadência, como questão preliminar de mérito, na técnica processual, deve preceder às demais matérias, razão porque, sendo suficiente para afastar a exigência fiscal, prejudica o exame das demais. Nesta senda, temse que, pela redação dos citados arts. 23 do DL 1.455/76 e 675 e 753 do Decreto nº 6.759/09, que aprova o Regulamento Aduaneiro, mostrase acertado o raciocínio engendrado pelo voto vencedor, senão vejase GRIFOS ACRESCIDOS Data vênia, e respeitosamente, ouso divergir por entender que a ilegitimidade passiva e a atipicidade não devem ser precedidas pela decadência e pela prescrição, e nenhuma delas deveria ser considerada suficiente para justificar a não apreciação das outras. Ademais, s.m.j., a fundamentação do acórdão recorrido adotou a concorrência das razões, sem predominância de uma sobre as outras. Na verdade, concordo com o voto da decisão recorrida, cujas alegações foram parcialmente transcritas pelo voto vencedor, e deixo de reproduzilas aqui para evitar a repetição. De qualquer modo, a decisão de negar o recurso de ofício me pareceu acertada, como cuidadosamente defendeu o relator, sendo imperativo acompanhála pelas conclusões. Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 941DF CARF MF Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.1016.15597.BPXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ROBSON JOSE BAYERL em 07/10/2016 14:59:00. Documento autenticado digitalmente por ROBSON JOSE BAYERL em 07/10/2016. Esta cópia / impressão foi realizada por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO em 26/10/2016. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP26.1016.15597.BPXC Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10814.723713/2014-38. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000289/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PARCELAMENTO DE ESTIMATIVAS.INCLUSÃO NO AJUSTE ANUAL. POSSIBILIDADE.
Se o lançamento tributário se refere à ausência de recolhimento de estimativas, o respectivo pagamento da estimativa por meio de parcelamento, devidamente confirmado pela autoridade fiscal, passa a compor o valor de antecipações para fins de ajuste anual e afasta o fundamento da exigência fiscal.
Numero da decisão: 1201-001.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário e em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 26/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 PARCELAMENTO DE ESTIMATIVAS.INCLUSÃO NO AJUSTE ANUAL. POSSIBILIDADE. Se o lançamento tributário se refere à ausência de recolhimento de estimativas, o respectivo pagamento da estimativa por meio de parcelamento, devidamente confirmado pela autoridade fiscal, passa a compor o valor de antecipações para fins de ajuste anual e afasta o fundamento da exigência fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13502.000289/2007-32
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5642869
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Oct 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.509
nome_arquivo_s : Decisao_13502000289200732.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 13502000289200732_5642869.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário e em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 26/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6509056
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688998219776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.000289/200732 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.509 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de setembro de 2016 Matéria IRPJ Recorrente BRASKEM S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PARCELAMENTO DE ESTIMATIVAS.INCLUSÃO NO AJUSTE ANUAL. POSSIBILIDADE. Se o lançamento tributário se refere à ausência de recolhimento de estimativas, o respectivo pagamento da estimativa por meio de parcelamento, devidamente confirmado pela autoridade fiscal, passa a compor o valor de antecipações para fins de ajuste anual e afasta o fundamento da exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário e em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 26/09/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 02 89 /2 00 7- 32 Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório Tratamse de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos face ao Acórdão nº 1514.677, sessão de 20/12/2007 (fls. 582/610), proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – BA (DRJ/SDR), que julgou procedente o lançamento de ofício do IRPJ, anocalendário 2002, e parcialmente procedente a multa isolada. A autuação decorreu da não homologação de Pedido de Compensação de débito desse imposto, no total pleiteado de R$ 60.555.115,00, com créditos de IPI sobre insumos adquiridos com isenção, à alíquota zero e não tributáveis, apurados pela Recorrente com base em decisão judicial, prolatada nos autos do Processo nº 2000.71.00.0186173, originário de Mandado de Segurança preventivo. As razões da não homologação da compensação constam do Despacho Decisório DRF/POA nº 1.267/2006 (fls. 08/10), exarado no Processo Administrativo nº 13007.000077/200312. Desta decisão, resultou a Representação DRF/CCI/SAORT Nº 053/2007, de 30/03/2007 (fls. 04/07), visando à constituição do crédito tributário do IRPJ, anocalendário 2002, objeto da compensação não homologada. Assim é que, em procedimento fiscal, foi revisada a respectiva DIPJ, exercício 2003, sendo apuradas pela fiscalização as infrações descrita e fundamentadas na folha de continuação do Auto de Infração (fls. 184/193), a saber: 001. DEDUÇÕES INDEVIDAS DE RETENÇÕES / ANTECIPAÇÕES DE IMPOSTO NÃO COMPROVADAS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES ANTECIPAÇÕES DO IMPOSTO Deduções não comprovadas do IRPJ informadas na DIPJ 2003 sob o título de imposto de renda incidente na fonte, retido sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa (cód. 3426) e operações swap (cód. 5273), conforme demonstrado na Representação DRF/CCI/SAORT nº 053/2007, que passa a ser parte integrante desse Auto de Infração. Deduções indevidas do IRPJ informadas na DIPJ 2003 sob o título de imposto de renda mensal pago por estimativa, conforme demonstrado na referida Representação. Após a glosa dos valores não comprovados de imposto de renda retido na fonte e de estimativas cuja compensação foi considerada não declarada, apurouse um saldo de crédito Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13502.000289/200732 Acórdão n.º 1201001.509 S1C2T1 Fl. 3 3 tributário de IRPJ a pagar de R$ 47.357.135,16, constituído através do presente lançamento. Sobre o valor do tributo apurado, foi lançada multa de ofício de 75% que, em conjunto com os juros de mora, constitui o crédito tributário de responsabilidade da pessoa jurídica sucessora da OPP Química S/A., qual seja, a Braskem S/A. ( ... ) Fato gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2002 R$ 47.357.135,16 75,00 Enquadramento Legal Art. 11 e § 3º, da Lei nº 9.249/95; arts. 207, 231, inciso III, e 943, § 2º, do RIR/99. 002. MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função dos balanços de suspensão ou redução. Conforme DIPJ do anocalendário 2002, o contribuinte apurou imposto de renda incidente sobre base de cálculo estimada em dezembro de 2002 no valor de R$60.555.115,00. Em função da não homologação da compensação pretendida de créditos de IPI com o referido débito de estimativa de IRPJ (Despacho Decisório DRF/POÁ nº 1.267/2006), tornouse devida a multa isolada no percentual de 50% sobre o valor a pagar não quitado. Data Valor da multa Isolada 31/12/2002 R$ 30.277.558,00 Enquadramento Legal Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351/07 c/c art. 106, inciso II, aliena “c” da Lei nº 5.172/66. No prazo legal, a Recorrente apresentou Impugnação aos lançamentos de ofício (fls. 197/278), aduzindo como razões de defesa: a) a necessidade de sobrestamento deste processo administrativo, por entender, à luz do art. 265, inciso IV, alínea “a”, do Código de Processo Civil (CPC), que a cobrança do Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 4 crédito tributário em questão não pode prosseguir sem antes esgotar as discussões travadas no Processo nº 13007.000077/200312 sobre a não homologação da compensação do IRPJ apurado sobre base de cálculo estimada referente ao mês de dez./2002, inclusive porque se constitui em questão prejudicial a este contencioso administrativo; b) demonstra como o saldo negativo do IRPJ de R$17.694.619,90 foi apurado, assim como, a parcela estimativa mensal de dez./2002, no valor de R$ 63.921.404,30 foi paga e como procedeu à dedução do imposto anual devido; c) é legítima a compensação do débito da parcela estimada do IRPJ, mêscalendário dez./2002, formulada no Processo nº 13007.000077/200312, mediante utilização dos créditos de IPI decorrentes das aquisições de matériasprimas isentas, tributadas à alíquota zero e não tributadas, nos últimos dez anos anteriores ao ajuizamento do Mandado de Segurança nº 2000.71.00.0186173, e posteriores à sua propositura, considerando o trânsito em julgado material da parte em que foi reconhecido judicialmente o direito ao aproveitamento dos referidos créditos, condicionado o exercício deste benefício ao prévio requerimento à autoridade administrativa, para averiguar o quantum relativo a tais créditos; d) é inaplicável ao caso, o disposto no art. 170A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, que veda a compensação de tributos objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença autorizativa, conforme estabelecido na decisão do TRF/ 4ª Região proferida em favor da Recorrente; e) não há possibilidade jurídica ao lançamento das multas de ofício em face do efeito suspensivo da Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório nº DRF/POÁ nº 1.267/2006, apresentada para instaurar o contencioso administrativo no Processo nº 13007.000077/200312, antes dos lançamentos de oficio do IRPJ e da multa isolada; f) prevê o art. 63 e seu § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, que não caberá lançamento de multa de oficio na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, relativo a tributo cuja exigibilidade estiver suspensa em face da concessão de medida liminar em mandado de segurança, ou a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial (art. 151, incisos IV e V, do CTN), ocorrida antes do início de qualquer procedimento fiscal; g) inexistência de responsabilidade da sucessora pelas multas devidas pela pessoa jurídica sucedida. A Recorrente invocou o art. 132 do CTN, dispondo que a pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas; h) no termo “tributos” ao qual se refere o citado dispositivo não estão incluídas as multas, que se constituem em sanção pelo cometimento de conduta contrária à lei, i.é, exigidas em Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13502.000289/200732 Acórdão n.º 1201001.509 S1C2T1 Fl. 4 5 decorrência do cometimento de infrações tributárias pelo sujeito passivo. Assim, a Recorrente não pode ser responsabilizada por eventuais infrações cometidas pela sociedade incorporada, especialmente porque o lançamento de ofício foi formalizado, em 01/10/2007, muito após a data da sucessão, em 31/03/2003, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária (fls. 541), sob pena de inobservância do princípio da estrita legalidade; i) impossibilidade de cumulação da multa de ofício (art. 44, inciso I, da Lei n 9.430/1996) com a multa isolada (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996), vez que as penalidades incidem sobre a mesma base de cálculo, ou seja, sobre a totalidade ou diferença do IRPJ, situação que é abominada pelo Direito pátrio, a considerar que a mesma norma faz incidir tributo sobre um mesmo fato ocorrido no mundo fenomênico, penalizandoo duplamente; j) no presente caso, a multa isolada incidente sobre a parcela estimativa do IRPJ, anocalendário 2002, não pode prosperar porque o seu recolhimento mensal é uma mera antecipação do efetivamente devido ao final do períodobase, quando só então se pode falar em ocorrência do fato gerador do imposto; k) à guisa de sua defesa, colacionou jurisprudência administrativa enfatizando que não é legítima a imposição concomitante da multa de ofício pela falta de pagamento do imposto apurado em balanço, e de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas apuradas no curso do período de apuração, pois estas caracterizam etapas preparatórias do ato de reduzir o imposto no final do período, de forma que, pelo critério da consunção, o recolhimento da estimativa é meio de execução da efetivação do pagamento do valor devido do imposto apurado ao término do anocalendário; l) a multa isolada somente poderia ser exigida se houvesse sido lançada dentro do mesmo anocalendário em que as estimativas mensais foram apuradas e consideradas não recolhidas. Antes de ocorrido o fato imponível prescrito em lei, apenas existe o dever de recolher as estimativas, e com a sua concretude é que as antecipações dão lugar à obrigação tributária principal de pagar o imposto apurado com base no lucro real ajustado. Assim, encerrado o anocalendário, a exigência de recolhimento do imposto sobre base de cálculo estimada deixa de ter eficácia, já que cede lugar ao tributo efetivamente devido, revelandose, pois, improcedente a imposição da multa isolada sobre eventuais parcelas de estimativas não recolhidas; m) ademais, não cabe a exigência da multa isolada quando o valor estimado de dez./2002 (R$60.555.115,00) exceder o IRPJ devido (R$47.357.135,16) ao término do respectivo ano calendário. Considerando tudo o que foi dito sobre a natureza das estimativas, acrescentou a Recorrente que o art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995, autoriza a suspensão ou redução do recolhimento mensal do imposto desde que demonstrado em Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 6 balanço ou balancetes mensais o valor acumulado já pago ultrapassa o valor do imposto e adicional apurado com base no lucro real do período em curso; n) à vista do que dispõe a norma, afigurase óbvio que a multa isolada não é aplicável na hipótese em que o valor das estimativa mensais superam o valor do imposto de renda calculado ao final do exercício financeiro, já que aquelas devem se subsumir, necessariamente, ao próprio tributo apurado anualmente; o) a multa isolada tem aplicação restrita às situações em que há descumprimento de obrigação acessória, como previsto nos §§ 2º e 3º, art. 11, do CTN, de que esta decorre da legislação tributária tendo por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela prevista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. À Recorrente, parece lógico que o dever de recolher estimavas nada tem de obrigação acessória, visto tratarse de uma prestação e dar, revestida de caráter pecuniário e precário, tendo em vista que o fato gerador do IRPJ só se completa ao final do anocalendário; p) o então 1º Conselho de Contribuintes se posicionou a respeito, de que a multa de ofício isolada do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, viola o CTN, notadamente, o disposto no art. 97, inciso V c/c art.113, pois somente é possível estabelecer duas hipóteses de obrigação de dar, uma ligada diretamente à prestação de pagar tributos e encargos, e a outra relativa à penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória, sendo esta a única hipótese passível da exigência da mula isolada; q) a multa isolada, ainda que, por absurdo, seja mantida, não poderia jamais exceder R$23.678.567,57, já que este valor equivale a exatamente 50% da estimativa mensal efetivamente devida. É que ao ser apurada a estimativa do mês de dez./2002, a Recorrente não conhecia a totalidade do imposto retido na fonte para fins de dedução da estimativa mensal apurada de R$63.921.404,30, tendo compensado tão somente o valor do IRRF de R$3.366.289,30; r) com a revisão da DIPJ, anocalendário 2002, a fiscalização reconheceu que o IRRF era de R$16.564.269,14, abatendo este valor do IRPJ e adicional revisado e apurando IRPJ no valor de R$ 47.357.135,14. Logo, a multa isolada deve corresponder a 50% do imposto revisado, ou seja, R$ 23.678.567,57. Com a Impugnação, foram apresentadas cópias das principais peças do Processo nº 13007.000077/200312, referentes ao contencioso administrativo instaurado para discutir o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da compensação da estimativa do IRPJ, mêscalendário dez./2002 (fls. 298/415), e cópias das decisões proferidas nos autos do Processo judicial nº 2000.71.00.0186173, em que por meio de Mandado de Segurança, a Recorrente requer o reconhecimento do direito ao aproveitamento de créditos de IPI relativos aos insumos adquiridos com isenção, tributados à alíquota zero (0%) e não tributados (fls. 416/540). Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13502.000289/200732 Acórdão n.º 1201001.509 S1C2T1 Fl. 5 7 A matéria foi julgada em primeira instância, nos termos do Acórdão nº 1514.677, em sessão de 20/12/2007, acordando os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE o lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no montante de R$ 47.357.135,16, além da multa de ofício proporcional, de 75%, e dos juros moratórios, e PROCEDENTE EM PARTE o lançamento da multa exigida isoladamente, no valor de R$ 23.678.567,57. O r. aresto está resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2002 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO OBJETO DE CONTESTAÇÃO JUDICIAL. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A incorporadora é responsável pelo pagamento da multa de ofício decorrente de infração atribuída à incorporada, mormente quando as empresas envolvidas pertencem a um mesmo grupo empresarial. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá a multa isolada sobre os valores devidos por estimativa, e não recolhidos, além de eventuais diferenças de imposto apurado com base no lucro real anual, acrescido de multa de ofício e dos juros de mora. Lançamento Procedente em Parte. Quanto ao crédito exonerado, houve RECURSO DE OFÍCIO ao Egrégio`Primeiro Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 1993, e pelo art. 2º da Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Contra a r. decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 624/810), anexando aos autos outros documentos comprobatórios de suas alegações (fls. 821/828). Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 8 Adotou as mesmas razões de defesa apresentadas ao instaurar este contencioso administrativo, trazendo novas argumentações com relação ao quanto discutido nos autos do Processo administrativo nº 13007.000077/200312 sobre a não homologação da compensação do débito correspondente à parcela estimativa do IRPJ, mêscalendário dez./2002, a saber: a) ao analisar a Manifestação de Inconformidade apresentada naquele processo, a 3ª Turma da DRJ/POA equivocouse no julgamento da matéria de mérito, no que diz respeito à conclusão de que a decisão judicial reconheceu o direito em favor da Recorrente tão somente quanto ao aproveitamento dos créditos de IPI apurados nos dez anos anteriores ao ajuizamento do Mandado de Segurança nº 2000.71.00.0186173 08/06/2000). Inadmissível tal conclusão, pois se assim fosse, a pretensão da Recorrente teria sido reconhecida para se tornar ilegítima no dia seguinte; b) a d. Procuradora Regional da Fazenda Nacional, Dra. Simone Anacleto Lopes, manifestandose a respeito, por provocação daquele órgão julgador, emitiu Parecer em que discorda do entendimento da 3ª Turma da DRJ/POÁ, pois no caso específico, a interpretação da decisão judicial não pode ser estritamente literal. Para ela, mesmo que o juiz prolator da sentença tenha dito que o aproveitamento reconhecido “fica limitado” aos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação (prazo posteriormente estendido pelo TRF 4ª Região, para 10 anos), não parece que tenha havido a exclusão de todo o período subseqüente; c) assim, se o órgão da Administração, responsável pela defesa dos interesses da União entende que a Recorrente possui direito ao creditamento do IPI para o períodos passados, presente e futuros, não pode a autoridade julgadora deixar de leválo em conta por não ser conveniente às pretensões arrecadatórias do Fisco; ao contrário, deveria o parecer servirlhe de fundamentação, em homenagem ao princípio da eficiência que rege a Administração Pública; d) com efeito, a conclusão da autoridade julgadora é equivocada fática e juridicamente, contrariando a própria natureza do Mandado de Segurança preventivo. Nessa ação, constava do pedido: a concessão da ordem, determinandose em definitivo à autoridade coatora que se abstivesse de autuar a Recorrente pelo aproveitamento dos créditos acumulados de IPI, decorrentes de todas as entradas de matériasprimas isentas, não tributadas e tributadas à alíquota zero, nos últimos dez anos (desde julho/1990), como se tivesse tributação no ingresso com alíquota idêntica à incidência do produto final fabricado, bem como dos créditos decorrentes das futuras aquisições desses insumos sujeitos a idêntico tratamento tributário, com compensação com débitos futuros do IPI, por saídas de produtos tributados, ou de outros tributos ou contribuições administrados pela SRF; e) de fato, o elemento fundamental para a determinação dos efeitos da sentença é o pedido, e a decisão judicial prolatada foi expressa, utilizando os termos: “concedendo a medida pretendida” para “utilizar esses créditos para, registrandoos em livros fiscais, abater pagamentos futuros devidos”, prova inequívoca de que o direito aos créditos de IPI foi reconhecido na forma do requerido na peça inaugural; f) não fosse isso suficiente, o TRF 4ª Região, reexaminando a matéria em sede de Apelação da União, confirmou a decisão a quo, destacando no respectivo acórdão que o princípio da nãocumulatividade, insculpido no art. 153, § 3º, inciso II, da Constituição Federal, deve ser observado em todo as etapas do processo produtivo, inclusive se houver o emprego de matériasprimas ou insumos isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero no processo de industrialização. Assim, se for eliminada a possibilidade de aproveitamento do crédito de IPI referente a insumos adquiridos sem a incidência do IPI, estarseá anulando Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13502.000289/200732 Acórdão n.º 1201001.509 S1C2T1 Fl. 6 9 tratamento privilegiado, pois a alíquota do tributo recairá sobre a totalidade do valor do produto industrializado, e não somente sobre o valor agregado; g) não seria crível que a ordem judicial fosse limitada a um mêscalendário, ou a um exercício passado, e a Recorrente tivesse que pleitear a renovação da concessão para garantir constitucionalmente o gozo do benefício a cada novo período de apuração do imposto; h) equivocouse também aquela autoridade administrativa ao desconsiderar o trânsito em julgado material da decisão judicial favorável à Recorrente ao aproveitamento dos créditos de IPI, sob a fundamentação de que o RE nº 363.777 interposto pela União contra a r. decisão estava sobrestado até a conclusão do julgamento do RE nº 370.682 pelo STF; i) ocorre que, o RE nº 370.682 já foi julgado em 15/02/2007, afastando o direito creditório em questão, mas esta decisão em nada afeta o direito da Recorrente, pois o Recurso Extraordinário da União não havia sido admitido, e o Agravo Regimental interposto posteriormente pela União no RE nº 363.777 não atacou o mérito integral da matéria, contestando somente: (1) os créditos de IPI sobre insumos não tributados; (2) a não incidência da correção monetária dos créditos; e (3) a definição da alíquota de IPI aplicável na apuração dos créditos, significando que o recurso somente poderia ser conhecido nos limites da matéria impugnada; j) desse modo, não é mais passível de reforma a decisão que reconheceu o direito da Recorrente quanto aos créditos de IPI nas aquisições de insumos isentos ou de alíquota zero, considerandose que com relação a estas matérias operouse o trânsito em julgado, nos termos do art. 467 do CPC, e do § 3º, art. 6º, da Lei de Introdução ao Código Civil – DecretoLei nº 4.657, de 1942, obrigando de forma compulsória e incontornável a Administração Tributária; k) a autoridade julgadora igualmente incorreu em equívocos ao expressar seu entendimento acerca da aplicação do art. 170A do CTN, de que a Recorrente deveria aguardar o trânsito em julgado da decisão judicial reconhecendo seu direito ao aproveitamentos dos créditos de IPI em comento; l) ainda que o art. 170A assim disponha, a regra não se aplica à Recorrente porque a ação mandamental foi ajuizada (jun./2000) e sentenciada (23/10/2000) anteriormente à edição da Lei Complementar nº 104, de 2001; m) por outro lado, a Lei que regula o Mandado de Segurança prevê que em sendo concedida a segurança, a decisão pode ser imediatamente executada, mesmo que provisoriamente, pois não há efeito suspensivo a eventual recurso interposto ou na hipótese do reexame necessário da matéria. Nesse sentido a jurisprudência pacificada emanada do STJ, de que a “sentença que concede o Mandado de Segurança tem efeito imediato e que o recurso interposto contra a decisão que concede a segurança será recebido somente no efeito devolutivo”; n) a sentença proferida no Mandado de Segurança nº 2000.71.00.0186173, em favor da ora Recorrente, previu a compensação imediata dos créditos acumulados; assim é que a União cuidou em requerer fosse atribuído efeito suspensivo aos recursos interpostos, “excepcionandose, assim, a regra contida no artigo 12, parágrafo único, da Lei nº 1.553/51” Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 10 o) a Recorrente colacionou farta doutrina e jurisprudência acerca dos temas acima. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou ContraRazões (fls. 835/881) ao Recurso Voluntário, justificando: a) a desnecessidade de sobrestamento do julgamento deste processo por ausência de previsão no Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, este, regido pelo princípio da oficialidade que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final, não podendo a autoridade administrativa sobrestar o julgamento na ausência de impeditivo legal; b) o crédito tributário constituído, objeto deste contencioso administrativo, corresponde não só ao valor da compensação não homologada, mas também à glosa de parte do imposto de renda retido na fonte declarado na DIPJ, anocalendário 2003, cujo resultado final do IRPJ passou de um saldo negativo de R$17.694.619,80 para um valor positivo de R$47.357.135,16. Considerando que não houve contestação da referida glosa, ocorreu o trânsito em julgado administrativo, restando controverso tão somente a questão da não homologação da compensação da estimativa mensal com créditos de IPI; c) a abrangência da ação judicial sobre o aproveitamento dos créditos de IPI ainda está por ser definida, a considerar que o RE nº 363.7771 interposto pela União se encontra pendente de julgamento pelo STF, com forte indicativo de provimento do recurso à vista dos atuais rumos jurisprudenciais. Diante dos fatos, existem dois caminhos excludentes favoráveis à União, que podem ser adotados pelo julgador administrativo: (i) que as aquisições futuras não foram deferidas e não houve impugnação judicial da Recorrente, ocorrendo o trânsito em julgado; (ii) que a discussão judicial desta matéria está sob o crivo do STF, e por esta razão há concomitância com o pedido administrativo formulado nos autos do Processo administrativo nº 13007.000077/200312; d) transparece dos autos que a empresa não impugnou devidamente o indeferimento do direito ao creditamento do IPI sobre as aquisições futuras de insumos. Desse modo, é forçoso concluir que a decisão proferida pelo TRF 4ª Região sobre as “aquisições futuras” já transitou em julgado em favor da Fazenda Nacional, e que a empresa nunca deteve respaldo judicial para se apropriar de créditos de IPI fundados em “aquisições futuras”; e) em análise detalhada das decisões de primeiro grau e em segunda instância proferidas no processo judicial nº 2000.71.00.0186173, restou claro que a sentença proferida no Mandado de Segurança apenas reconheceu o direito ao creditamento de IPI nas aquisições de insumos e matériasprimas isentas, não tributadas e sujeitas à alíquota zero, ocorridas nos cinco anos anteriores ao ajuizamento desta ação, e apenas neste ponto, reformada pelo acórdão do TRF 4ª RF, que alterou para dez anos; f) como a sentença reconheceu o direito para os períodos anteriores ao ingresso em juízo, e tendo em vista o entendimento esposado no mencionado acórdão de que os créditos de IPI adquiridos no período dos dez anos não se sujeitam à restrição do art. 170A do CTN, o TRF 4ª RF não precisou dar provimento à remessa necessária quanto a esse ponto. Ao contrário, se o entendimento fosse no sentido de aplicação desse dispositivo legal ao aproveitamento do crédito nos períodos futuros, o TRF 4ª RF teria dado provimento parcial à remessa necessária. Daí porque se entende que a sentença não deferiu o pedido relativo ao benefício fiscal nas aquisições futuras; Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13502.000289/200732 Acórdão n.º 1201001.509 S1C2T1 Fl. 7 11 g) a autoridade administrativo está obrigada ao cumprimento estrito da sentença, mesmo que considerada viciada, haja vista que: (i) as decisões judiciais devem ser cumpridas pelas partes litigantes da forma como foram proferidas, enquanto perdurarem seus efeitos; (ii) as decisões judiciais não podem ser revistas administrativamente, a pretexto de interpretálas, atribuirlhes sentido ou alcance nelas contidos; h) os vícios existentes na sentença somente poderiam ter sido corrigidos em sede judicial, e a empresa quedouse inerte; i) assim, não há como ser acolhidos os argumentos aventados pela empresa no sentido de que os créditos de IPI sobre as aquisições futuras de insumos estão autorizados por decisão judicial. Com efeito, a compensação do débito tributário com supostos créditos se deu sem qualquer respaldo judicial, considerandose correta a decisão administrativa que não homologou tal compensação; j) ainda que se considere que os créditos decorrentes das aquisições futuras foi assegurado em decisão judicial à empresa ora Recorrente, é certo que não há que se falar em trânsito em julgado em desfavor da Fazenda Nacional, tendo em vista o pedido deduzido pela União no Agravo Regimental no RE nº 363.7771, impugnando a totalidade das matérias objeto da ação mandamental, pendente de julgamento; l) ao contrário do que defende a Recorrente, não houve o trânsito em julgado formal ou material da sentença, e nestas condições, estava ela impedida de utilizar os créditos de IPI para compensação do débito do IRPJ face às restrições impostas pelos arts. 170 e 170A do CTN, em razão de só admitir a compensação com créditos líquidos e certos e após ao trânsito em julgado da decisão; m) a norma contida no art. 170A do CTN é meramente explicativa de uma circunstância sempre presente no ordenamento, de que somente podem ser compensados os créditos que gozam de certeza, vedação que há muito é prevista no art. 170 do CTN; n) o regime jurídico da compensação é aquele vigente na data do protocolo do pedido ou da apresentação da DCOMP, ou seja, 2003. Ainda que assim não fosse, a decisão judicial não determinou expressamente que a compensação seria imediata, mas se ateve ao reconhecimento do direito ao aproveitamento dos créditos de IPI em relação aos períodos pretéritos; o) a matéria está sumulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e em nenhuma das contestações da Recorrente encontrase eco para os pedidos formulados: SÚMULA Nº 10 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. SÚMULA Nº 13 Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 12 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. p) a conferência do histórico administrativo das empresas OPP Petroquímica S/A. e da OPP Polietilenos S/A. é fundamental. Não houve comprovação, de que as citadas pessoas jurídicas não tenham utilizado parcela dos créditos ora questionados; q) a responsabilidade da sucessora pelas multas devidas pela sucedida é uma questão controversa. Parte da doutrina leciona que de acordo com a interpretação literal do art. 132 do CTN, a responsabilidade não abrange as multas de ofício e isolada. Na outra ponta, está o jurista José Eduardo Soares de Melo, para quem os “negócios societários, implicadores de modificações básicas nas estruturas das pessoas jurídicas, também podem ocasionar a figura do responsável tributário pelos valores devidos pelos contribuintes originários, em face da impossibilidade físico/jurídica de seu cumprimento por parte deles”; r) a posição do STJ é no sentido de que a pessoa jurídica incorporadora é responsável não só pelo tributo devido pela incorporada, mas estendese às multas devidas pela sucedida, sejam elas de caráter moratório ou punitivo. O Conselho de Contribuintes, enfrentando a matéria, defende que a exegese do art. 132 do CTN não pode prevalecer quando o controle efetivo da incorporada e incorporadora pertence ao mesmo grupo econômico, como é o caso em questão, tendo em vista que à época da infração, a OPP Química S/A., empresa sucedida, pertencia à Odebrech Química S/A, uma das principais acionistas da Recorrente, pessoa jurídica sucessora; s) o art. 44, incisos I e II, § 1º, incisos I e IV, da Lei nº 9.430, de 1996, prevê penalidades aplicáveis aos contribuintes por infração à legislação tributária. Relativamente à tributação do imposto de renda pelo regime do lucro real sobre base de cálculo estimada, existem dois fatos distintos: (i) um atinente à obrigação do recolhimento mensal da estimativa; (ii) outro, relacionado com a apuração do imposto ao final do respectivo anocalendário; t) assim, por ser a estimativa uma antecipação do imposto anual devido no final do período de apuração, não há como possa ser exigida depois de encerrado o ano calendário correspondente, fato este que reforça o entendimento de imposição da multa isolada nos casos de falta de pagamento, independente do valor do imposto apurado ao final do exercício. A não aplicação da multa implica em negar vigência à norma legal, o que é defeso aos órgãos administrativos. Posto o recurso a julgamento, acordaram os membros da 1ª Câmara do então 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento do processo à repartição de origem, para aguardar a decisão definitiva no Processo nº 13007.000077/200312, nos termos da Resolução consubstanciada no Acórdão nº 10197.127 (fls. 888/894). Em 23/11/2009, a Recorrente protocolizou sua desistência total à impugnação e/ou recurso interposto no Processo nº 13007.000077/200312, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamenta o contencioso administrativo ali instaurado. O requerimento tinha por finalidade atender exigência legal para efeito de adesão ao parcelamento do débito de IRPJ, anocalendário 2002, prevista na Lei nº 11.941, de 2009, e da Medida Provisória nº 470, de 2009 (Novo REFIS). Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13502.000289/200732 Acórdão n.º 1201001.509 S1C2T1 Fl. 8 13 Com o despacho exarado às fls. 908, a Seção de Arrecadação e Cobrança da DRFB/CamaçariBA, devolveu os presentes autos ao CARF, para prosseguimento do feito por entender que a desistência da Recorrente ao feito pôs termos à discussão administrativa travada naqueles autos processuais. Em 04/08/2011, a Recorrente ingressou com Razões Complementares ao Recurso Voluntário, apresentando novos subsídios fáticos ao exame da matéria do presente processo, com fulcro no art. 16, § 4º, alínea “b”, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). A Recorrente trouxe a estes autos a comprovação de sua adesão ao parcelamento do débito confessado em DCTF, relativo à parcela estimativa do IRPJ do mês de dezembro/2002, no valor de R$ 60.555.115,00, nos termos da Lei nº 11.941, de 2009, e a correspondente quitação mediante a utilização de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL, do anocalendário 2009, de acordo com o art. 81, da Lei nº 12.249, de 2010. Da Conversão em Diligência Em 16/01/12 a 1. Turma da 1. Câmara, através da Resolução n. 110100.035, converteu o julgamento em diligência conforme ementa abaixo: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, DECLARAR INSUFICIENTE a confissão, em DCTF, do débito de estimativa, para seu cômputo na apuração anual, vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva, acompanhado pelos Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior e João Carlos de Figueiredo Neto; e, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade administrativa que jurisdiciona o sujeito passivo se manifeste quanto à homologação da extinção do débito de estimativa parcelado, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Da resposta à diligência A Seção de Controle e Arrecadação Tributária (SACAT) da Delegacia da Receita Federal de Camaçari/BA, respondeu à Resolução n. 110100.035 através do Parecer SACAT n. 37/2014, nos seguintes termos: Relatório Tratase de resposta a Diligência solicitada na Resolução nº 110100.035 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 16/01/2012, para subsidiar julgamento de Recurso Voluntário. Dos Fatos Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 14 Em 01/11/2007, o contribuinte apresentou impugnação questionando o lançamento de IRPJ. O acórdão nº 1514677 da DRJ/Salvador considerou o lançamento procedente em parte. Por meio do aviso de recebimento (AR) recebido em 17/01/2008, o interessado foi cientificado da decisão desfavorável em 1º instância, interpondo Recurso Voluntário em 18/02/2008. O CARF, por meio da Resolução nº 110100.035, converteu o julgamento em diligência para que seja esclarecido se o contribuinte seguiu as exigências contidas na lei para parcelamento do débito de estimativa de IRPJ devido em dezembro/2002, no valor de R$ 60.555.115,00, objeto de compensação no processo 13007.000077/200312 e se houve extinção do mesmo. Fundamentação Foi feito pedido de parcelamento do débito em questão no processo nº 13502.001253/200938, conforme Despacho Decisório DRF/CCI nº 524/2014, fls. 1.088 a 1.098. O débito de IRPJ objeto de compensação no processo 13007.000077/2003 12, foi extinto totalmente, conforme extrato do processo, fls. 1.164 e 1.165. A extinção do débito foi demonstrada, conforme cálculo apresentado no ANEXO III, linha 309, fls. 1.112. Conclusão Em vista de todo o exposto, concluise que de acordo com o Despacho Decisório DRF/CCI nº 524/2014 , podese afirmar que o contribuinte cumpriu as exigências e formalidades contidas para parcelamento conforme Medida Provisória 470/2009 e por isso o débito de R$ 60.555.115,00 foi efetivamente parcelado e liquidado. Da Manifestação da Recorrente acerca da resposta à diligência Em 20/11/14, a Recorrente apresentou manifestação acerca da resposta à diligência na qual, em síntese, conclui que o auditor fiscal confirmara que a Recorrente atendeu todas as exigências e formalidades previstas na lei MP 470/09 e por isso o débito de R$ 60.555.115,00 foi efetivamente parcelado e quitado. Diz assim a Recorrente em sua Manifestação: "Dúvidas não há, portanto, acerca do cumprimento, pela Recorrente, das exigências e formalidades contidas na lei para parcelamento do débito e estimativa de IRPJ devida em dezembro/2002, no valor de R$ 60.555.115,00, objeto de compensação no processo administrativo n. 13007.000077/2003 13, bem como da sua extinção." Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13502.000289/200732 Acórdão n.º 1201001.509 S1C2T1 Fl. 9 15 É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O objeto ora em discussão se restringe à exigência de multa isolada sobre a falta de recolhimento de parte da estimativa devida pela incorporada OPP Química S/A, no mês de dezembro de 2002, que fora compensado com crédito de IPI tratado no processo administrativo n. 13007.000077/200312. Esta ausência de pagamento, no valor de R$ 60.555.115,00, provocou ainda, o recálculo do ajuste anual de IRPJ, e, juntamente com a glosa de parte do IRRF deduzido naquela apuração, levou à reversão do saldo negativo no valor de R$ 17.694.619,80 para saldo a pagar de R$ 47.357.135,16. Os julgadores da DRJ entenderam que a falta de recolhimento da estimativa representaria R$ 47.357.135,14, justificando a redução da multa de ofício isolada. Contudo, foram mantida a cobrança do saldo de imposto a pagar no ajuste anual, e da multa de ofício proporcional. Acertadamente, os julgadores da 1° Turma da 1°Câmara deste Conselho, entenderam que a prova da quitação da estimativa seria indispensável para o correto julgamento deste processo. De fato, mostrouse de suma importância a petição trazida pela Recorrente, na qual traz Razões Complementares ao Recurso Voluntário, no qual informa o parcelamento da parcela de estimativa ora em debate nos moldes MP nº 470/09, convertida na Lei nº 11.941/09 e apresenta a devida desistência de Impugnação/Recurso interposto nos autos do Processo nº 13007.000077/200312. Na petição, a ora Recorrente informa que com base no art. 81 da Lei nº 12.249/10, optou por liquidar o referido parcelamento com a utilização de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL, relativos aos períodos de apuração encerrados até 31/12/2009. A confirmação veio através do Parecer SACAT n. 37/2014 que em resposta à Resolução n. 110100.035 afirmou que a ora Recorrente cumpriu todas as exigências e formalidades previstas na MP 470/2009 e por isso o débito de R$ 60.555.115,00 fora efetivamente parcelado e liquidado. Diante de tal informação, não resta dúvida que o débito de estimativa em discussão fora extinto. Neste ponto, cabe aqui destacar o que dispunha o art. 2°, § 4°, IV da Lei n. 9.430/96 em sua redação vigente até a edição da Lei 12.973/14: "Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 16 determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) (...) § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo." Diante da confirmação acima mencionada e do dispositivo legal retro, não há espaço para dúvidas de que a estimativa ora em discussão deve ser deduzida do imposto devido no anocalendário de 2002. Não enxergo qualquer embasamento legal na continuidade da cobrança objeto do presente processo, vez que baseada em glosa de dedução de estimativa comprovadamente quitada. Neste sentido, temos diversos exemplos neste Conselho, dentre os quais destaco o acórdão 1802001.557 da 2°Turma Especial desta 1°Seção: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ESTIMATIVAS MENSAIS. PARCELAMENTO E MULTA ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA. Uma vez admitida a DCTF como instrumento válido para a cobrança e execução de estimativas mensais, e promovida uma dessas medidas, ou ainda o parcelamento deste tipo de débito, não há que se cogitar de exigência de multa isolada. Ou se aplica a multa isolada pela falta da estimativa, e a cobrança de tributo fica restrita ao apurado no final do ano, ou se cobra a estimativa mensal como se esta fosse um tributo normal, que foi confessado e parcelado. Impossibilidade de concomitância destas duas situações. AJUSTE ANUAL. PARCELAMENTO DE ESTIMATIVAS. Se a exigência do imposto no ajuste decorre da falta de estimativas, a cobrança e pagamento destas, mediante parcelamento, supre o imposto no ajuste, ao mesmo tempo em que afasta o fundamento para a sua exigência. Em suma, não há razão para que o débito discutido nestes autos venha subsistir. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13502.000289/200732 Acórdão n.º 1201001.509 S1C2T1 Fl. 10 17 Recurso de Ofício Neste sentido resta prejudicado o Recurso de Ofício vez que versa sobre a multa que decorre da cobrança principal, ora cancelada. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso de Ofício para NEGARLHE Provimento e CONHEÇO do Recurso Voluntário para DARLHE Provimento. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
