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Numero do processo: 10980.720238/2013-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ERRO PROCEDIMENTAL.
Constatado erro na Declaração de Ajuste Anual Retificadora (reclassificação de rendimentos, de tributáveis para isentos, sem o registro do respectivo IRRF), gerando a exigência indevida de devolução de restituição já recebida, é de se cancelar o lançamento, mormente quando, conforme orientação do Plantão Fiscal e da DRJ, já foi apresentada nova retificação, desta feita com o registro do IRRF.
Numero da decisão: 9202-005.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ERRO PROCEDIMENTAL. Constatado erro na Declaração de Ajuste Anual Retificadora (reclassificação de rendimentos, de tributáveis para isentos, sem o registro do respectivo IRRF), gerando a exigência indevida de devolução de restituição já recebida, é de se cancelar o lançamento, mormente quando, conforme orientação do Plantão Fiscal e da DRJ, já foi apresentada nova retificação, desta feita com o registro do IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 02 38 /2 01 3- 45 Fl. 103DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em 02/03/2012, a Contribuinte apresentou a Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2012, anocalendário de 2011, na modalidade de desconto simplificado, registrando rendimentos tributáveis no valor de R$ 57.191,94 e IRRF de R$ 6.505,17, apurando Imposto a Restituir no valor de R$ 2.551,09 (fls. 14 a 18). Em 03/01/2013, a Contribuinte apresentou a Declaração Retificadora de fls. 19 a 23, reclassificando os rendimentos acima como isentos, por ser portadora de moléstia grave, porém sem que fosse reiterado o valor do IRRF, o que gerou a Notificação de Lançamento Eletrônica de fls. 04, por meio da qual foi cobrado o valor da restituição, que teria sido recebido indevidamente, acrescido de juros de mora, já que na retificadora nada fora apurado (nem imposto a pagar nem a restituir). Em 10/01/2013, a Contribuinte apresentou nova Declaração Retificadora, desta feita registrando o IRRF e apurando Imposto a Restituir no valor de R$ 6.505,17 (fls. 50 a 55), que foi cancelada, tendo em vista a existência de Notificação de Lançamento (fls. 59/60). Em 17/01/2013, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 2, visando o cancelamento da Notificação de Lançamento. Na oportunidade, informou a apresentação da Declaração Retificadora em 10/01/2013, por meio da qual apurara Imposto a Restituir no valor de R$ 6.505,17. Em 05/03/2013, a DRJ em Curitiba/PR proferiu acórdão assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. ABRANGÊNCIA. A declaração retificadora substitui a declaração original, de forma que todas as informações vinculadas a essa última deixam de existir, para efeitos de apuração do imposto. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. SALDO DE IMPOSTO A RESTITUIR INEXISTENTE. Cabe manter a exigência imposta quando a declaração retificadora apresentada pela contribuinte não registra qualquer saldo de imposto a restituir que pudesse ensejar o cancelamento do débito fiscal reclamado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" No voto a Julgadora assim assevera: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.720238/201345 Acórdão n.º 9202005.463 CSRFT2 Fl. 104 3 "A declaração retificadora apresentada pela contribuinte, em 03/01/2013 (fls. 19/23), não registra qualquer saldo de imposto a restituir que pudesse ensejar o cancelamento da exigência ora contestada ou reconhecimento de direito à restituição adicional. Nesse contexto, tendo a legislação pertinente expressamente previsto que o pedido de restituição de indébito de imposto será requerida pela pessoa física à RFB mediante apresentação de DIRPF e que a retificação da declaração deve, quando comprovado erro nela contido, ser feita mediante apresentação de nova declaração a ser apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte, cabe a contribuinte apresentar nova declaração retificadora para acerto da sua declaração de ajuste anual e formalização do pedido de restituição, que será apreciado pela autoridade competente." Cientificada da decisão da DRJ, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 39, em que explica o erro cometido quando da apresentação da primeira Declaração Retificadora (deixou de registrar o IRRF), informa que apresentou nova Declaração Retificadora registrando o IRRF, conforme orientação do Plantão Fiscal, porém dita retificação fora cancelada. Ao final pede que essa segunda retificadora, em que efetivamente apura a restituição pleiteada, seja considerada. Em sessão plenária de 27/01/2016, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2402004.910 (fls. 70 a 78), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 NORMAS GERAIS. DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. AUSÊNCIA. VÍCIO NO LANÇAMENTO. MATERIAL. São nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. A ausência de clareza na descrição do fato gerador e na matéria tributável impede que o contribuinte exerça, de forma plena, seus direito à defesa, o que caracteriza vício. O vício constante na descrição do fato gerador é de natureza material, pois se refere ao objeto do lançamento. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular o lançamento fiscal por vício material." O processo foi encaminhado à Fazenda Nacional em 08/03/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 79). Conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, o prazo Fl. 105DF CARF MF 4 para interposição de Recurso Especial expiraria em 22/04/2016. Em 19/04/2016, foi interposto o Recurso Especial de fls. 80 a 90 (Despacho de Encaminhamento de fls. 91). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e visa rediscutir a declaração de nulidade do lançamento natureza do vício. Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nº 2302000386 e 240100018. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 17/06/2016 (fls. 93 a 98). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: a decisão ora recorrida determinou a anulação por vício material do lançamento por ausência de descrição clara e detalhada do fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física; sabese que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, estabelece os requisitos que devem fazer parte do auto de infração e da notificação de lançamento nos arts. 10 e 11, nos seguintes termos: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do notificado; II – o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III – a disposição legal infringida, se for o caso; IV – a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico.” pela leitura dos dispositivos dantes transcritos, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse; Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.720238/201345 Acórdão n.º 9202005.463 CSRFT2 Fl. 105 5 com efeito, tal disciplina tem por objetivo uniformizar o procedimento de autuação da fiscalização, de maneira a conferir garantias ao contribuinte, em especial da ampla defesa e do contraditório (cita doutrina de Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, Marcelo Caetano e Luiz Henrique Barros de Arruda); assim, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura. na hipótese em apreço, a descrição deficiente do fato gerador no sentido de que o relatório da notificação traria motivação insuficiente para o exercício do direito de defesa, não pode ser considerado como de tal natureza e intensidade a ponto de determinar a exclusão dos valores do lançamento, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato) nunca existiu; com efeito, não há que se confundir falta de motivo com falta ou deficiência de fundamentação/motivação; a primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram; já a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato; no caso em debate, o voto condutor é veemente ao afirmar que a descrição fática não é clara o suficiente para exercício do direito de defesa do contribuinte; tratase, portanto, de motivação deficiente do ato administrativo, portanto de vício de forma; a propósito, a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns de seus requisitos, como a descrição dos fatos geradores, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma (cita jurisprudência do CARF); por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a deficiência na descrição dos fatos originários do lançamento constitui causa para exclusão pura e simples dos respectivos valores do lançamento, eis que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo devendo ensejar, portanto, a nulidade do lançamento nesses termos (por vício formal); em se tratando de vício relacionado à motivação, este que se revela como requisito atinente à forma do ato administrativo fiscal, revelase correto dizer que referido vício poder ser perfeitamente convalidável, inclusive com base no que preceitua o art. 55 da Lei nº 9.784/99; a convalidação in casu é providência que também se harmoniza com o conteúdo dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, dispositivos estes que, privilegiando a instrumentalidade das formas, só determinam a declaração de nulidade em sede do processo administrativo fiscal nos casos de: a) vício de incompetência; b) preterição do direito de defesa; patente no caso que, se vício houve no lançamento, este seria de natureza formal, acarretando, por conseqüência, apenas e tãosomente a nulidade do lançamento nesses termos (por vício formal). Fl. 107DF CARF MF 6 logo, por todo o exposto, merece reforma o acórdão recorrido, devendo ser mantido o lançamento em sua integralidade. Ao final, a Fazenda Nacional pede que o recurso seja conhecido e provido para reformar o acórdão atacado de forma a manter o lançamento em sua integralidade. Caso assim não entenda este colegiado, que o vício que anulou o Auto de Infração seja considerado de natureza formal. Cientificada em 16/09/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 101), a Contribuinte quedouse silente (Despacho de Encaminhamento de fls.102). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Não foram oferecidas Contrarrazões. No acórdão recorrido tratouse de pedido de cancelamento de Notificação de Lançamento, gerada por erro no preenchimento de Declaração Retificadora apresentada em 03/01/2013 (reclassificação de rendimentos, de tributáveis para isentos, sem o registro do respectivo IRRF), combinado com pedido de revalidação de uma segunda Declaração Retificadora, apresentada em 10/01/2013, que corrigira o erro, porém fora cancelada, tendo em vista a existência da Notificação de Lançamento relativa à primeira retificação. No acórdão recorrido, declarouse a nulidade do lançamento por vício material, enquanto que a Fazenda Nacional defende que não haveria vício e, ainda que houvesse, este seria formal. Antes de analisar o Recurso Especial propriamente dito, é necessário que se pontue as particularidades ocorridas no decorrer do processo, para que se possa compreender a decisão que aqui será adotada. Primeiramente, importa salientar que se trata de caso simples de erro material devido a lapso manifesto, cometido pela Contribuinte: ela apresentou Declaração de Ajuste Anual na modalidade de desconto simplificado, registrou os rendimentos como tributáveis e o respectivo IRRF, apurando Imposto a Restituir no valor de R$ 2.551,09 (fls. 14 a 18); posteriormente, deuse conta de que teria direito a isenção por moléstia grave e, em 03/01/2013, apresentou Declaração Retificadora, reclassificando os rendimentos como isentos, porém por lapso não registrou o IRRF correspondente, o que gerou automaticamente Notificação de Lançamento exigindo o imposto já restituído, acrescido apenas de juros de mora; antes de receber a Notificação de Lançamento, compareceu ao Plantão Fiscal, oportunidade em que tomou conhecimento da exigência e foi orientada a apresentar nova Declaração Retificadora, desta vez com o registro do IRRF, o que foi feito em 10/01/2013; ocorre que essa última Retificadora foi cancelada, exatamente pela existência da Notificação de Lançamento decorrente da primeira Retificadora. Tal situação teria sido facilmente resolvida em sede de julgamento em Primeira Instância, caso a DRJ tivesse atentado para a informação que claramente constara da Impugnação, qual seja, a de que em 10/01/2013 a Contribuinte já havia apresentado a segunda Declaração Retificadora, bastando assim que essa última fosse validada, o que automaticamente tornaria sem efeito a primeira Declaração retificadora, bem como suas Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.720238/201345 Acórdão n.º 9202005.463 CSRFT2 Fl. 106 7 consequências (Notificação de Lançamento). Ao invés disso, a DRJ concentrouse na primeira Declaração Retificadora, que já estava superada pela segunda retificação, e orientou a Contribuinte a fazer exatamente o que ela já havia feito em 10/01/2013, ou seja, a apresentar nova Declaração Retificadora. Confirase o voto da DRJ: "A declaração retificadora apresentada pela contribuinte, em 03/01/2013 (fls. 19/23), não registra qualquer saldo de imposto a restituir que pudesse ensejar o cancelamento da exigência ora contestada ou reconhecimento de direito à restituição adicional. Nesse contexto, tendo a legislação pertinente expressamente previsto que o pedido de restituição de indébito de imposto será requerida pela pessoa física à RFB mediante apresentação de DIRPF e que a retificação da declaração deve, quando comprovado erro nela contido, ser feita mediante apresentação de nova declaração a ser apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte, cabe a contribuinte apresentar nova declaração retificadora para acerto da sua declaração de ajuste anual e formalização do pedido de restituição, que será apreciado pela autoridade competente." (grifei) Tudo o que foi até agora exposto consta claramente no Recurso Voluntário, de sorte que seria plenamente justificável a declaração de nulidade da decisão de Primeira Instância, que não se deu conta de que o comando dado à Contribuinte, no sentido de pleitear a restituição por meio de uma segunda Declaração Retificadora, já havia sido cumprido, e era exatamente isso que a Contribuinte estava submetendo à sua apreciação. Entretanto, no acórdão recorrido, primeiramente declarouse a nulidade da decisão de Primeira Instância, não pela motivação acima aventada, mas por supostamente não ter dado prazo para manifestação da Contribuinte, uma vez que ela fora intimada em 21/01/2013 e apresentara Impugnação em 17/01/2013. Ora, a própria Contribuinte relatou que tomara ciência de sua situação ao comparecer ao Plantão Fiscal e, obviamente para acelerar o procedimento, apresentou logo a Impugnação e a segunda Declaração Retificadora, mesmo antes de ser intimada. Com efeito, esse não seria motivo para nulidade da decisão de Primeira Instância, já que a iniciativa de antecipar a resolução do litígio foi da própria Contribuinte. O que a DRJ fez foi receber a Impugnação, no momento em que ela foi apresentada. Na sequência de análise de supostas nulidades, o acórdão recorrido declarou a nulidade do lançamento efetuado por meio da Notificação de Lançamento, por deficiência na descrição dos fatos, já que o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata de exigência por meio de Auto de Infração, requereria esse elemento. Entretanto, a exigência em questão foi formalizada por meio de Notificação de Lançamento Eletrônica, disciplinada pelo art. 11 do mesmo Decreto, que sequer menciona esse elemento. Confirase: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 109DF CARF MF 8 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Assim, a nulidade do lançamento declarada no acórdão recorrido apenas conduz a Contribuinte ao status quo anterior à primeira Declaração Retificadora, ou seja, impede que ela tenha de devolver a restituição já recebida, acrescida de juros de mora, porém a questão da revalidação da segunda Declaração Retificadora, o que efetivamente faria com que a Contribuinte recebesse a diferença de Imposto a Restituir no valor de R$ 3.954,08 (R$ 6.505,17 menos R$ 2.551,09), restou sem resposta. Em face de tal contexto, ausente a oposição de Embargos de Declaração, o que se tem é a declaração de nulidade do lançamento por vício material, pela ausência de detalhada descrição do fato gerador, o que teria suporte no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972. Nesse passo, a Fazenda Nacional apresentou dois paradigmas que, embora tratem de Contribuições Sociais Previdenciárias, demonstram efetivamente a divergência arguida, uma vez que em ambos declarase a nulidade por vício formal, por falha na descrição dos fatos. Assim, conheço do Recurso Especial, cuja demonstração da divergência jurisprudencial autoriza a rediscussão acerca da natureza do vício do lançamento, se formal ou material. Entretanto, no que tange ao mérito do recurso propriamente dito, constatase que a Fazenda Nacional aborda matéria previdenciária, absolutamente estranha ao caso ora tratado, conforme evidenciam os seguintes trechos: "A decisão ora recorrida determinou a “exclusão dos valores relativos aos prestadores de serviços para os quais não se comprovou a cessão de mão de obra”, por ausência de detalhamento os serviços analisados a fim de comparálo ao conceito previsto no art. 31 da Lei nº 8.212/91. (...) Por sua vez, o art. 37, da Lei nº 8.212/91 prescreve, in verbis: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10980.720238/201345 Acórdão n.º 9202005.463 CSRFT2 Fl. 107 9 notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” (...) No caso em debate, o voto condutor é veemente ao afirmar que a descrição fática não é clara o suficiente para exercício do direito de defesa do contribuinte, em razão da não comprovação dos requisitos caracterizadores da cessão de mão de obra. Tratase, portanto, de motivação deficiente do ato administrativo. Portanto, vício de forma. (...) Por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a deficiência na descrição dos fatos originários do lançamento por falta de demonstração de todos os requisitos ensejadores da cessão de mão de obra constitui causa para exclusão pura e simples dos respectivos valores do lançamento, eis que se vício existe no lançamento quanto à matéria em que restou sucumbente a Fazenda Nacional, este é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo devendo ensejar, portanto, a nulidade do lançamento nesses termos (por vício formal)." Assim, não há como sequer enfrentar as razões recursais, eis que abordam matéria previdenciária, mais especificamente, a questão da falta de demonstração dos requisitos ensejadores da cessão de mãodeobra. Ademais, assim consta no pedido da Recorrente: "(a) (...) (b) seja dado total provimento ao presente recurso para reformar o acórdão recorrido de forma manter o lançamento em sua integralidade. (c) caso assim não entenda este egrégio colegiado “ad quem”, que o vício que anulou o auto de infração seja considerado de natureza formal, conforme já exaustivamente demonstrado na fundamentação supra." (grifei) Ora, todo o Recurso Especial trata da natureza do vício, se formal ou material, e essa foi a discussão que foi alçada à rediscussão na Instância Especial. Com efeito, os dois paradigmas apresentados e analisados no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial são no sentido da declaração de nulidade do lançamento por existência de vício formal. Com efeito, se a Fazenda Nacional intentasse discutir a própria existência de vício, teria de apresentar paradigma em que, em face de situação semelhante à do acórdão recorrido, a conclusão fosse pela inexistência de vício, restabelecendose a autuação, na sua integralidade. Entretanto, repitase que nos dois paradigmas apresentados foi declarada a nulidade do lançamento por vício formal. Assim, não serão consideradas as razões recursais, eis que estranhas ao contexto do acórdão recorrido, tampouco será sequer aventada a hipótese de ausência de vício. Fl. 111DF CARF MF 10 Adentrando ao mérito do recurso, entende esta Conselheira que o vício apontado no acórdão recorrido não ocorreu, uma vez que o inciso III, do art. 10, do Decreto nº 70.235, de 1972, tratase de formalidade inerente a Auto de Infração. Não obstante, no presente processo não existe Auto de Infração e sim Notificação de Lançamento Eletrônica, sujeita às formalidades previstas no art. 11, do mesmo diploma legal, que não exige descrição dos fatos. Por outro lado, há que ser mantida a declaração de nulidade desse lançamento, já que a exigência que ele contém foi gerada por um erro de fato, devido a lapso manifesto, cometido pela Contribuinte quando da elaboração da Declaração Retificadora apresentada em 03/01/2013 (fls. 19 a 23). Por oportuno, esclareçase que, uma vez cancelado o lançamento oriundo do erro cometido pela Contribuinte na primeira Declaração Retificadora, não há qualquer óbice à consideração, para análise, da segunda Declaração Retificadora, apresentada em 10/01/2013 (fls. 50 a 55) e indevidamente cancelada (fls. 59/60), já que não visava garantir espontaneidade em procedimento fiscal, e sim corrigir erro cometido na retificação anterior, até porque o lançamento restringiuse à exigência do imposto já restituído, acrescido apenas de juros, sem aplicação de multa de ofício (fls. 04). Reiterase que a segunda Declaração Retificadora foi apresentada, conforme orientação de duas instância da RFB: Plantão Fiscal e DRJ. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digialmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721880/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO
As razões para a glosa da amortização do ágio foram duas: falta de comprovação do estudo econômico que pautou o registro do ágio e duplicação do ágio. Com relação à primeira razão, a própria autoridade se contradiz, pois faz referência à laudo de rentabilidade futura. No tocante à segunda razão, não houve duplicação de ágio, mas sim transferência de registro da incorporada para a incorporadora, operação absolutamente usual mesmo quando é a investida que incorpora a investidora.
Numero da decisão: 1401-001.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO As razões para a glosa da amortização do ágio foram duas: falta de comprovação do estudo econômico que pautou o registro do ágio e duplicação do ágio. Com relação à primeira razão, a própria autoridade se contradiz, pois faz referência à laudo de rentabilidade futura. No tocante à segunda razão, não houve duplicação de ágio, mas sim transferência de registro da incorporada para a incorporadora, operação absolutamente usual mesmo quando é a investida que incorpora a investidora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 80 /2 01 1- 41 Fl. 1658DF CARF MF 2 Relatório Em relação às peças iniciais de acusação e defesa, sirvome do relatório da autoridade a quo: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades apuradas referentes aos anoscalendário (AC) 2006 a 2009, foram lavrados Autos de Infração de IRPJ e CSLL, por meio dos quais constituiuse crédito tributário no importe de R$51.940.014,32, aí incluídos os valores do imposto, contribuição, multa de ofício (75%) e dos juros de mora (estes calculados até 30/11/2011). 2. Em 28/11/2011, a DEFIS/SP lavrou Termo de Verificação Fiscal – TVF, que assim descreve, resumidamente (fls. 658 a 665). I Descrição dos Fatos 2.1. Em fiscalização desenvolvida junto ao contribuinte acima identificado, VERIFICAMOS, em exame de sua escrita comercial e fiscal, bem como dos documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis do período de Janeiro2006 a Setembro 2009, a ocorrência dos fatos abaixo relacionados, que por irregulares, culminaram na constituição do crédito tributário lavrado através do competente Auto de Infração, conforme se segue. 2.2. A empresa fiscalizada, Cinemark Brasil S.A. (“Cinemark Brasil”) incorporou, na data de 30/09/2004, a empresa Cinemark Empreendimentos e Participações LTDA (“Cinemark Empreendimentos”), CNPJ n° 00.764.390/000176. 2.3. Com a finalidade da análise dos valores patrimoniais contabilizados e absorvidos pela fiscalizada, em virtude da incorporação realizada, foram verificados os livros: Diário, Razão e LALUR da empresa “Cinemark Empreendimentos”. 2.4. A pessoa jurídica incorporada, “Cinemark Empreendimentos”, apresentou declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o AC, até o último dia do mês subsequente ao evento, isto é, do período de 01/01/2004 a 30/09/2004 (cópia anexa). 2.5. Antes de ser incorporada, em 18/08/2004, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu as participações que as empresas “Kristal” e “Venture II” possuíam na “Cinemark Brasil”, contabilizando como ágio o valor de R$58.262.515,83. 2.6. Também em 18/08/2004, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu a totalidade das quotas da NN Participações LTDA (“NN”), como forma de adquirir a participação de 18,90% que esta empresa detinha no Capital da “Cinemark Brasil”. 2.7. Em 29/09/2004, a “Cinemark Empreendimentos” incorporou a empresa “NN”. Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.623 3 2.8. Assim se resume a reorganização do grupo Cinemark no Brasil: 2.8.1. Em Julho de 2004, as quotas da “Cinemark Brasil” eram detidas pelas empresas “Cinemark Empreendimentos” (52,75%), “Venture II” (18,76%), “Kristal” (9,59%) e “NN” (18,90%); 2.8.2. Em 18/08/2004, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu as quotas das empresas “Venture II” e “Kristal”, pagando o preço de R$52.972.317,44 e R$27.070.110,56, respectivamente, o que totalizou R$80.042.428,00; 2.8.3. Em 18/08/2004, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu a totalidade das quotas da “NN”, pagando o preço de R$53.750.664,74; 2.8.4. Em 29/09/2004, a “Cinemark Empreendimentos” incorporou a “NN”, passando assim a deter 100% das ações da “Cinemark Brasil”; 2.8.5. Em 30/09/2004, a “Cinemark Brasil” incorporou a “Cinemark Empreendimentos”. II. Lançamentos Contábeis 2.9. Verificamse os lançamentos contábeis que se seguem: 2.9.1. Débitos efetuados em 30/09/2004 Acervo da incorporação Ágio Cinemark Brasil R$58.262.515,83 Acervo da incorporação Ágio NN Participações R$38.809.418,58 2.9.2. Os Investimentos no Ativo Permanente da “Cinemark Empreendimentos” foram contabilizados conforme se demonstra: (...) III. Contratos Sociais 2.10. Foram analisados os contratos da “Cinemark Empreendimentos” e da “Cinemark Brasil”, suas alterações, protocolos das incorporações das sociedades, justificativas das incorporações, laudos de avaliações e balanços patrimoniais das empresas incorporadas, anexos ao presente processo, onde observase que o critério de avaliação do acervo líquido utilizado para fins da incorporação, corresponde ao valor do Patrimônio Líquido pelo seu valor contábil, conforme atestam os balanços patrimoniais das empresas incorporadas, bem como encontramse definidos este critério de avaliação, nos protocolos das incorporações, isto é, prevaleceu o critério contábil. Fl. 1660DF CARF MF 4 2.11. Entretanto, no mês de Agosto/2004, com base no Balanço Patrimonial do mês de Julho/2004, da “Cinemark Brasil”, a empresa “Cinemark Empreendimentos” procede a uma avaliação nos investimentos que possui na “Cinemark Brasil” e na “NN PARTICIPAÇÕES” conforme lançamentos contábeis demonstrados pela mesma: (...) 2.12. As operações relativas à aquisição das ações detidas pela “Venture II” e pela “Kristal” e à aquisição da “NN”, geraram o registro de ágio pela “Cinemark Empreendimentos”, adquirente de referidas participações societárias. 2.13. Tendo em vista que o preço pago nessas operações foi superior ao valor do Patrimônio Líquido da fiscalizada proporcional às participações societárias adquiridas, a “Cinemark Empreendimentos” desdobrou o custo de aquisição dessas participações em valor de patrimônio líquido da respectiva participação societária adquirida e ágio. Da análise dos Investimentos 2.14. Investimento da “Cinemark Empreendimentos” na “Cinemark Brasil”: 2.14.1. Da análise dos valores contabilizados a título de ágio pela empresa “Cinemark Empreendimentos”, decorrente da participação societária na “Cinemark Brasil”, concluise a ocorrência das inconsistências a seguir enumeradas: 2.14.1.1. O contribuinte apresenta uma explicação datada de 04/06/2009, em que anexa os documentos a seguir enumerados, que, foram analisados por esta fiscalização, a saber: 2.14.1.1.1. Contrato de Compra e Venda de Ações (“Cinemark Brasil” 28,35%) 2.14.1.2. Contrato de Compra e Venda de Ações (“NN” 100,00%) 2.14.1.3. Balancetes “Cinemark Empreendimentos”: junho/julho/agosto 2004 2.14.1.4. Balancetes “Cinemark Brasil”: junho/julho/agosto/2004 2.14.1.2. Referidos contratos não foram registrados no órgão competente para suas finalidades, bem como não foram comprovadas as alegações de que: “o preço total de compra pago aos vendedores, foram suportados em estudo de rentabilidade da empresa, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”. V. Das contabilizações referentes ao ágio na aquisição dos investimentos: 2.15. Conforme dito anteriormente, as operações relativas à aquisição das ações detidas pela “Venture II” e pela “Kristal” e à aquisição da “NN”, geraram o registro de ágio pela Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.624 5 “Cinemark Empreendimentos”, adquirente de referidas participações societárias. 2.16. Tendo em vista que o preço pago nessas operações foi superior ao valor do Patrimônio Líquido da fiscalizada proporcional às participações societárias adquiridas, a “Cinemark Empreendimentos” desdobrou o custo de aquisição dessas participações em valor de patrimônio líquido da respectiva participação societária adquirida e ágio. 2.17. Indicou como fundamento do ágio pago em ambas as operações a previsão de resultados em exercícios futuros, baseada em laudo de rentabilidade futura preparado pelo Deutsche Bank à época das aquisições. 2.18. Com a Incorporação da “NN” na “Cinemark Empreendimentos” e desta pela fiscalizada, “Cinemark Brasil”, a mesma iniciou a amortização do ágio para fins tributários, reconhecendo como despesa dedutível para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, os valores referentes a amortização do ágio originalmente registrado pela “Cinemark Empreendimentos”, à razão de até um sessenta avos por mês. VI. Do tratamento tributário: 2.19. Glosa da amortização do ágio Despesa desnecessária: 2.19.1. Em que pese a lei permitir a dedução de amortização de ágio absorvido em incorporação, não restou comprovado pelo contribuinte o fato econômico que justificou a anterior aquisição de suas ações pela incorporada com ágio elevado, o que autoriza considerar a despesa desnecessária e, por conseguinte, indedutível para fins de apuração do lucro real. 2.20. Incorporação às avessas Empresa controlada incorporando a empresa controladora Ágio de si próprio na incorporação Indedutibilidade Abuso de Direito: 2.20.1. O ágio se origina de uma contraposição de receita (para o vendedor) e custo (para o comprador). Os pressupostos do ágio são a aquisição da participação societária e o fundamento econômico. Na operação de incorporação às avessas, na qual o controlado incorpora a sua controladora imediatamente após esta ter adquirido suas quotas de capital, não se justifica a contabilização, por parte do incorporado de ágio de si próprio, por faltarlhe os pressupostos do ágio. A contabilização pelo incorporador deste valor chamado de ágio em conta de ativo diferido, em contrapartida de uma conta de reserva (patrimônio líquido), configura uma duplicação do ágio já contabilizado pelo investidor original. VII. Da atividade administrativa do lançamento: 2.21. Como o parágrafo único do art° 142 do C.T.N. esclarece que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, cumprindo Fl. 1662DF CARF MF 6 o disposto nos art°s. 904, 905, 911 do Decreto n° 3.000, de 26/03/99 (RIR/99), efetuamos de ofício, o presente lançamento, conforme prevê o art° 926 do mesmo diploma legal, com o fim precípuo de promover a constituição do crédito tributário do fato já relatado. VIII. Do procedimento fiscal: 2.22. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos do art° 926 do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999(RIR/99), tendo em vista que foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados no Auto de Infração lavrado nesta data: Adição não computada na apuração do lucro real, bem como da Base de Cálculo da CSLL decorrente de amortização do ágio decorrente de aquisição de participação societária, indedutível por faltarlhe os pressupostos do ágio. Valor Tributável Total: RS72.803.950,65. (...) IX. Do enquadramento legal: 2.23. Conforme descrito no Auto de Infração do IRPJ e da CSLL, anexos e partes integrantes deste Termo de Verificação Fiscal. (...) XI. Do encerramento: 2.24. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo de Verificação Fiscal, em 03 (três) vias de igual forma e teor (...) . 3. O contribuinte teve ciência dos Autos de Infração em 05/12/2011 (AR; fl. 701), e deles discordando, em 03/01/2012, impugnouos (fls. 704 a 732), nos seguintes termos, resumidamente. I. SUMÁRIO 3.1. O presente processo administrativo versa sobre a dedutibilidade de parcelas de amortização de ágio registradas pela Impugnante no curso dos anoscalendário de 2006 a 2009. 3.2. De um lado, as dd. autoridades fiscais alegam que esse ágio não seria dedutível por ser decorrente de operações de aquisição de participação societária sem fundamento econômico e envolvendo incorporação “às avessas”. 3.3. A Impugnante, por outro lado, vem demonstrar que o ágio questionado pelas dd. autoridades fiscais foi decorrente de operações comerciais de aquisição de participação societária, absolutamente legítimas, executadas entre partes não relacionadas e com pagamento de preço em dinheiro, além de claro propósito negocial no desenvolvimento das atividades do grupo Cinemark no Brasil. Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.625 7 II. DOS FATOS 3.4. O grupo Cinemark foi fundado em 1984 nos Estados Unidos da América com a inauguração de uma cadeia de cinemas em Salt Lake City. Em dois anos, o grupo conseguiu grande expansão no oeste e centrooeste dos Estados Unidos, com a aquisição de salas na Califórnia, Oregon, Utah e Texas. 3.5. No início da década de 90, o grupo Cinemark decidiu expandir seus negócios em nível mundial. Na América Latina, o grupo inaugurou a primeira sala de cinema no Chile em 1993, chegando ao Brasil em 1997. 3.6. No Brasil, o grupo Cinemark foi o pioneiro na implantação das chamadas salas multiplex, ou seja, conjuntos de 8 ou mais salas de cinema em um mesmo espaço (notadamente shoppings centers), com qualidade superior de som e imagem. 3.7. Apesar de atualmente o conceito de salas multiplex ser praticamente sinônimo de cinema no Brasil, a proposta do grupo Cinemark em 1997 que, até então, não tinha qualquer atuação no Brasil consistia em uma total revolução do mercado de salas de cinema, o que envolvia grande investimento inicial e, também, um significante risco nesse investimento. 3.8. Nesse cenário, o ingresso do grupo Cinemark no Brasil foi realizado por meio de uma joint venture com investidores não relacionados interessados nesse mercado em expansão. Assim, em 1997, o grupo Cinemark organizou uma empresa holding no Brasil, a Cinemark Empreendimentos e Participações Ltda. (“Cinemark Empreendimentos”), e essa empresa, juntamente com os investidores Venture II Equity Holdings Corporation (“Venture II”), Kristal Holdings Limited (“Kristal”) e NN Participações Ltda. (“NN”), organizaram a empresa operacional Cinemark Brasil S.A. (“Cinemark Brasil” ou Impugnante). 3.9. A organização da “Cinemark Brasil” com a participação do grupo Cinemark e dos terceiros investidores foi devidamente registrado por meio de Contrato de Joint Venture e de Acordo de Acionistas, que previam detalhadamente os direitos e obrigações das partes no âmbito da joint venture, especialmente as situações que implicariam o seu encerramento. 3.10. Em 2004 ou seja, mais de sete anos após a criação da joint venture os investidores decidiram exercer seu direito de venda de suas ações na “Cinemark Brasil”, em vista da ocorrência de um dos eventos previstos no Acordo de Acionistas. Nesse momento, o grupo Cinemark adquiriu a totalidade dessas ações, de forma que as atividades no Brasil fossem concentradas dentro do grupo. 3.11. Assim, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu as ações detidas pela “Venture II” e pela “Kristal” na “Cinemark Brasil” e adquiriu a totalidade das quotas da “NN”. Nessas operações, o preço foi baseado em laudo elaborado pelo Fl. 1664DF CARF MF 8 Deutsche Bank com base em expectativa de rentabilidade futura e pago em dinheiro aos investidores. Foi superior ao valor patrimonial das participações societárias adquiridas. Dessa forma, a “Cinemark Empreendimentos” registrou ágio, nos termos do artigo 385 do Regulamento do Imposto de Renda. 3.12. Subsequentemente e como, com a saída dos terceiros investidores e a extinção do Acordo de Acionistas, não havia mais razão para a manutenção da “Cinemark Empreendimentos”, esta empresa incorporou a “NN” e, em seguida, a “Cinemark Brasil”, por ser a empresa operacional, incorporou a “Cinemark Empreendimentos”. Assim, as participações societárias adquiridas com ágio foram liquidadas mediante incorporação e, nos termos do artigo 386 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), a “Cinemark Brasil” passou a ter o direito de amortizar esse ágio para fins fiscais. 3.13. O referido ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura foi amortizado em 5 anos, à razão de um sessenta avos por mês, nos anos de 2004 a 2009. É a amortização desse ágio para fins fiscais, especialmente nos anos de 2006 a 2009, que consiste no objeto do presente processo administrativo. 3.14. Em suma, as dd. autoridades fiscais concluíram que o ágio gerado em operações de aquisição de participação societária realizadas entre partes não relacionadas e com pagamento em dinheiro do preço determinado em estudo de terceiros baseado em expectativa de rentabilidade futura da empresa não seria dedutível para fins fiscais. 3.15. Na tentativa de suportar essa absurda conclusão, as dd. autoridades fiscais alegam, sem qualquer embasamento, que (i) a Impugnante não teria comprovado que o preço pago aos investidores pela aquisição, direta ou indiretamente, da participação societária na Cinemark Brasil teria sido suportado em estudo de rentabilidade da empresa com base em expectativa de rentabilidade futura; (ii) a Impugnante não teria comprovado “o fato econômico que justificou a anterior aquisição de suas ações pela incorporada com ágio elevado”; e (iii) a existência de “incorporação às avessas”. 3.16. Nesse cenário, as dd. autoridades fiscais determinaram a glosa integral das despesas de amortização do ágio relativas aos anoscalendário de 2006 a 2009 e, consequentemente, exigem o recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (“IRPJ”) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”) acrescidos de juros de mora e de multa de ofício de 75%. 3.17. A Impugnante, no entanto, não pode concordar com as alegações e conclusões das dd. autoridades fiscais, uma vez que elas foram baseadas em uma análise totalmente equivocada (ou enviesada) das operações em exame. É o que se passa a demonstrar. III. DAS RAZOES DE DEFESA III.1. Das operações em exame Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.626 9 3.18. Para que os Ilustres Julgadores possam fazer um juízo completo e imparcial do lançamento fiscal em análise, a Impugnante apresenta breve relato das operações envolvendo a dissolução da joint venture da Cinemark no Brasil. III.1.a. Situação até julho de 2004 3.19. Até julho de 2004, a situação da Impugnante podia ser sumarizada da seguinte forma: (i) Terceiros Investidores => Venture II = (18,76%) => Cinemark Brasil (ii) Terceiros Investidores => Kristal = (9,59%) => Cinemark Brasil (iii) Brasil Holdings LLC + Cinemark LLC => Cinemark Empreendimentos = (52,75%) => Cinemark Brasil (iv) Prona + Pessoas Físicas => NN Participações = (18,90%) => Cinemark Brasil Obs1: Exterior: “Terceiros Investidores”; “Venture II”; “Kristal”; “Brasil Holdings LLC”; “Cinemark LLC”; “Prona”. Obs2: Brasil: “Cinemark Empreendimentos”; “Pessoas Físicas”; “NN Participações”; “Cinemark Brasil”. 3.20. Então, no AC de 2004, após mais de sete anos da constituição da joint venture, decidiuse encerrála com os parceiros existentes à época, de forma que as atividades do grupo “Cinemark no Brasil” passaram a ser desenvolvidas somente em uma empresa operacional (a Impugnante) detida diretamente por empresas do grupo Cinemark no exterior. 3.21. Nesse contexto, as partes negociaram os termos do encerramento da joint venture, tendo negociado o preço das ações vendidas, mediante elaboração de laudo de avaliação a mercado das participações societárias a serem adquiridas, e outras formalidades previstas no Acordo de Acionistas. Com esse objetivo em vista, foram realizadas as operações descritas abaixo. III.1.b. Aquisição pela Cinemark Empreendimentos das ações detidas pela Venture II e pela Kristal 3.22. Em 18/08/2004, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu a totalidade das ações da Impugnante detidas pelas empresas estrangeiras “Venture II” e “Kristal”, tal como evidencia o respectivo Contrato de Compra e Venda de Ações (Doc. 04). 3.23. As ações detidas pela “Venture II” e pela “Kristal” correspondiam a 28,35% do capital da Impugnante e o preço total pago pela “Cinemark Empreendimentos” para a aquisição dessas ações foi de R$80.042.428,00. 3.24. Considerando que o patrimônio líquido da Impugnante, com base em balancete levantado em 31 de julho de 2004 (Doc. 05), correspondia a RS76.824.448,79, temse que (i) o valor da participação adquirida (ou seja, 28,35% do patrimônio liquido Fl. 1666DF CARF MF 10 da Impugnante) foi de R$21.779.912,17; e (ii) o ágio registrado (ou seja, a diferença entre o preço pago e o valor patrimonial do investimento adquirido) foi de R$58.262.515,83. III.1.c. Aquisição da NN Participações pela Cinemark Empreendimentos 3.25. A “NN” era uma empresa brasileira constituída por investidores com o propósito especifico de deter investimento na Impugnante e de participar como sócia no Acordo de Acionistas. Assim, no cenário de dissolução da joint venture e atendendo à solicitação de tais investidores, a “Cinemark Empreendimentos” adquiriu, em 18/08/2004, a totalidade das quotas da “NN” como forma de adquirir a participação de 18,90% por esta detida no capital da Impugnante. 3.26. O Contrato de Compra e Venda de Quotas celebrado pela Cinemark Empreendimentos e os quotistas da NN Participações (Doc. 06) determinou o pagamento do preço total de R$53.750.664,74 (USD 18.061.379,28; o preço por ação foi de US$0,006: R$0,178), divididos entre os sócios da “NN” proporcionalmente à participação societária de cada um detida na referida empresa (Prona Global Ltd., Edgar Gleich, Riccardo Arduini, Moises Pinsky, Eduardo Alalou e Roberto Luiz Leme Klabin). 3.27. Considerando que o patrimônio líquido da “NN” correspondia a R$14.943.503,53 (Doc. 07), temse que (i) o valor da participação adquirida foi de R$14.943.503,53 (há uma diferença imaterial de R$2.275,25 entre o valor mencionado e o valor utilizado como base de cálculo do ágio. O PL da “NN” era principalmente composto por seu investimento na Impugnante, no valor de R$14.519.326,86: participação de 18,90% sobre o PL da Impugnante em 31/07/2004, de R$76.824.448,79); e (ii) o ágio registrado (ou seja, a diferença entre o preço pago e o valor patrimonial do investimento adquirido) foi de R$38.809.418,58. III.1.d. Incorporação da NN Participações pela Cinemark Empreendimentos 3.28. Então, em 29/09/2004, a “Cinemark Empreendimentos” incorporou a “NN” (Doc. 08), passando, assim, a deter, diretamente, a totalidade das ações da Impugnante. III.1.e. Incorporação da Cinemark Empreendimentos pela Impugnante 3.29. Por fim, em 30/09/2004, a Impugnante incorporou a “Cinemark Empreendimentos” (Doc. 09), de forma que a estrutura societária do grupo passou a ser a seguinte: Brasil Holdings LLC + Cinemark LLC => Cinemark Brasil 3.30. Assim, as operações resultaram no encerramento da joint venture com os parceiros nãorelacionados e na consolidação das atividades do grupo Cinemark no Brasil em empresa operacional (a Impugnante). Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.627 11 3.31. Sob o ponto de vista fiscal, as participações societárias adquiridas pela “Cinemark Empreendimentos” na Impugnante e na “NN” foram liquidadas mediante incorporação, de forma que a empresa sobrevivente, a Impugnante, passou a ter direito a amortizar o ágio registrado nas referidas aquisições, conforme demonstrado no laudo de avaliação preparado por Deutsche Bank baseado em expectativa de rentabilidade futura. III.2. Da improcedência das acusações fiscais 3.32. O Termo de Verificação Fiscal tem oito páginas, das quais quatro contêm descrições dos fatos e três contêm planilha com o valor do ágio amortizado no período autuado e outras formalidades do lançamento fiscal. Ou seja, toda a motivação do lançamento fiscal foi apresentada em uma única página; aliás, mais especificamente, em três parágrafos. 3.33. No primeiro, as dd. autoridades fiscais alegam que os Contratos de Compra e Venda de Ações não foram registrados “no órgão competente” e que não “não foram comprovadas as alegações de que o preço total de compra pago aos vendedores foram suportados em estudo de rentabilidade da empresa, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”. 3.34. No segundo, as dd. autoridades fiscais alegam que não há “fato econômico” para justificar as operações em exame. Simplesmente fazem tal alegação sem apresentar absolutamente qualquer fundamentação e/ou indício que indicasse a ausência de propósito negocial para as operações, a despeito de claramente se tratar de operações entre terceiros não relacionados. 3.35. E, por fim, em um parágrafo, as dd. autoridades fiscais alegam que o ágio seria decorrente de uma incorporação às avessas e que, portanto, a empresa incorporadora, a Impugnante, não poderia registrar “ágio de si próprio”. Como se vê, as dd. autoridades fiscais sequer colocaram esforço em fundamentar o lançamento fiscal. 3.36. De fato, é fácil compreender a razão pela qual as dd. Autoridades fiscais não apresentaram razões mais detalhadas para suportar o lançamento fiscal: não existem razões válidas para fundamentar a glosa de despesas de amortização de ágio decorrente de operações de aquisição de participação societária, entre partes não relacionadas, com pagamento em dinheiro de preço fundamentado em expectativa de rentabilidade futura e com incorporação da empresa detentora da participação societária. 3.37. De qualquer modo, visando a afastar qualquer dúvida que possa existir com relação à absoluta regularidade das operações em exame e do respectivo tratamento fiscal, a Impugnante passa a demonstrar a improcedência das alegações fiscais. III.2.a. Registro dos contratos Fl. 1668DF CARF MF 12 3.38. As dd. autoridades fiscais alegam que os Contratos de Compra e Venda de Ações celebrados entre a “Cinemark Empreendimentos” e os parceiros investidores não teriam sido “registrados no órgão competente para as suas finalidades”. 3.39. Em primeiro lugar, vale mencionar que as dd. autoridades fiscais não mencionam, em nenhum momento, qual seria o “órgão competente” para registro dos referidos contratos de compra e venda. Assumindo a hipótese de que referidos contratos deveriam ter sido registrados em cartório de registro de títulos e documentos, cumpre ressaltar que tal registro não é obrigatório, sendo uma faculdade para as partes envolvidas. 3.40. Nesse sentido, vale relembrar o valioso princípio pacta sunt servanda, ou seja, que o contrato faz lei entre as partes. Ainda mais especificamente sobre contratos de compra e venda, o Código Civil dispõe claramente que sua validade só depende do acordo entre as partes com relação a objeto e preço, vejase: “Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerarseá obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço.” 3.41. Além disso, a transferência das ações da Impugnante pela “Venture II” e pela “Kristal” para a “Cinemark Empreendimento” e das ações da “NN” por seus sócios para a “Cinemark Empreendimentos” foram devidamente registradas nos livros societários da Impugnante e da “NN”, em especial no Livro de Registro de Ações Nominativas (Doc. 10), tal como previsto no artigo 31 da Lei n.° 6.404/76, em estrito cumprimento com a legislação comercial, não havendo qualquer irregularidade nesse procedimento. III.2.b. Da existência de pagamento de preço pela aquisição das participações societárias 3.42. A Impugnante apresenta os Recibos assinados por todos os vendedores das participações societárias, reconhecendo o recebimento do pagamento realizado pela Cinemark Empreendimentos (Doc. 12). III.2.c. Da existência de propósito negocial 3.43. As dd. autoridades fiscais alegam, ainda, que não houve “fato econômico” para justificar as operações descritas acima, ou seja, que as aquisições de participação societária não teriam claro propósito negocial. Essa alegação, no entanto, além de imotivada no lançamento fiscal, claramente foi feita sem qualquer análise das características das operações em exame. 3.44. Com efeito, tal como narrado acima, o grupo Cinemark decidiu, em 1997, por razões estratégicas, iniciar suas operações no Brasil por meio da formação de uma joint venture com empresas não relacionadas. 3.45. O Contrato de Joint Venture, em conjunto com seus Apêndices, foi assinado em 23/10/1997, estabelecendo todos os deveres e direitos das empresas participantes, inclusive as situações em que as empresas poderiam exercer “Opção de Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.628 13 Compra e Venda” das ações (o que foi confirmado na Alteração do Acordo de Acionistas datado de 13/11/2001). 3.46. Então, decorridos sete anos da criação e operação da referida joint venture, a Cinemark USA notificou as empresas “Venture II”, “Kristal” e “NN” da venda por Lee Roy Mitchel e por The Mitchell Special Trust de parcela significativa das ações na Cinemark Inc (que era a empresa holding do grupo Cinemark domiciliada nos Estados Unidos da América). Conforme previsto no Acordo de Acionistas, esse evento daria o direito das empresas (terceiros investidores) de exercerem sua “Opção de Venda” de suas ações na Impugnante. 3.47. A “Venture II”, “Kristal” e “NN” decidiram exercer sua “Opção de Venda” e, nesse cenário, iniciouse negociação para a aquisição das ações detidas por estas na “Cinemark Brasil” e para o encerramento da joint venture. Então, em 18/08/2004, foram celebrados Contratos de Compra e Venda de Quotas formalizando a compra da totalidade das ações da Impugnante pela “Cinemark Empreendimentos”. 3.48. Visando a esclarecer o claro e inquestionável propósito negocial dessa operação, vale transcrever o Preâmbulo desses Contratos (que têm a mesma redação): “Preâmbulo Cinemark USA, Inc., Lee Roy Mitchell, Venture II Equity Holdings Corporation Inc ('Venture II'), Krital Holdings Limited ('Kristal ') e NN Participações Ltda. ('NN') são partes de um certo Contrato de Opção e Voto celebrado em 13 de novembro de 2001, conforme alterado (o 'Contrato de Opção), de acordo com o qual a Venture II, a Kristal e a NN possuiriam o direito de fazer com que a Cinemark USA, Inc. e/ou Lee Roy Mitchell adquirissem as ações da Cinemark Brasil S.A. detidas pela Venture II, Kristal e pela NN (a 'Opção de Venda’) mediante a ocorrência de determinados eventos. B. A Cinemark USA notificou a Venture II, a Kristal e a NN da ocorrência de evento que acionou a Opção de Venda. C. A Venture II, a Kristal e a NN exerceram a Opção de Venda conforme os termos do Contrato de Opção. D. As Partes do presente instrumento já acordaram o preço por ação a ser pago pelas ações da Cinemark Brasil S.A. E. As Partes concordam que a Compradora será a sociedade responsável pela aquisição da totalidade das quotas emitidas pela NN. F. Os Vendedores concordam em vender tais quotas à Compradora, de acordo com os termos e condições do presente Contrato.” 3.49. As operações questionadas pelas dd. autoridade fiscais são justamente decorrentes dos Contratos de Compra e Venda de Quotas mencionados acima, celebrados em 2004 no contexto de encerramento da joint venture criada em 1997 no início das atividades do grupo Cinemark no Brasil. Fl. 1670DF CARF MF 14 3.50. Não houve ágio interno ou “ágio de si próprio”, mas ágio decorrente de operações entre partes não relacionadas no âmbito da dissolução de joint venture criada há mais de sete anos para o desenvolvimento do mercado de salas de exibição no Brasil. 3.51. Como se vê, a acusação de ausência de propósito negocial nessas operações não possui qualquer embasamento a garantirlhe validade. O propósito negocial está presente e comprovado nestes autos, sendo facilmente extraído através da simples análise dos documentos acima mencionados e anexados aos presentes autos. III.2.d. Da inexistência de relação entre as empresas 3.52. Com base na exposição acima, fica absolutamente claro que as operações que deram origem ao ágio não foram realizadas entre empresas ligadas. Sim, pois, apesar de a Impugnante e a Cinemark Empreendimentos serem empresas relacionadas à época, as operações de aquisição de participação societária que geraram o ágio em exame não foram realizadas entre elas. 3.53. Repitase que as operações objeto do presente processo foram realizadas, de um lado, pela “Cinemark Empreendimentos” (compradora) e, do outro lado, pela “Venture II”, “Kristal” e quotistas da “NN”, sendo todas as empresas independentes, sem qualquer vínculo com o grupo Cinemark. 3.54. A Impugnante, com o objetivo de afastar qualquer dúvida sobre o assunto, apresenta: (i) os Contratos Sociais da “Venture II”, “Kristal” e “Prona” (principal quotista da “NN”) registrados perante as autoridades públicas das Ilhas Virgens Britânicas (Doc. 13) e (ii) Declaração firmada por Michael Cavalier (Sênior Vice President General Counsel) atestando a inexistência de qualquer relação entre as empresas e o grupo Cinemark (Doc. 14). 3.55. A inexistência de vínculos entre essas empresas e seus sócios com o grupo Cinemark é demonstrada pela própria existência do Contrato de Joint Venture, Acordo de Acionistas, Contratos de Compra e Venda de Quotas (este inclusive publicado pelo grupo Cinemark perante a US Securities and Exchange Comission, como se verifica no “link” http://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1173463/000095013404 017056/dl9972exvl0w20xby.htm) e todos os demais atos, claramente praticados mediante negociação entre as partes. III.2.e. Da irrelevância da incorporação “às avessas” 3.56. Como mencionado acima, a última operação praticada no contexto do encerramento da joint venture entre o grupo Cinemark e terceiros nas atividades no Brasil consistiu na incorporação da “Cinemark Empreendimentos” pela Impugnante. Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.629 15 3.57. As dd. autoridades fiscais qualificam essa operação como “incorporação às avessas”. Sobre essa alegação fiscal, vale mencionar, inicialmente, que a “incorporação às avessas” que realmente é objeto de discussões nos tribunais administrativos e judiciais consiste na incorporação de empresa superavitária por empresa deficitária e/ou dormente, nos casos em que a empresa sobrevivente continua utilizando prejuízos fiscais acumulados. 3.58. A discussão nesses casos, portanto, recai sobre qual seria, sob o enfoque da substância, a empresa sobrevivente e se essa empresa teria direito a utilizar os prejuízos fiscais acumulados. 3.59. Além disso, é importante mencionar que a própria legislação pertinente à possibilidade de amortização de ágio registrado na aquisição de participações societárias autoriza expressamente a incorporação da empresa controladora pela controlada. 3.60. Por fim, cumpre mencionar que não há qualquer duplicação do valor do ágio; a empresa detentora do ágio foi incorporada e, nos exatos termos da legislação contábil e fiscal, o ágio foi transferido para a empresa incorporadora, que passou a ter direito de amortizar esse valor para fins fiscais. Dessa forma, a incorporação realizada pela Impugnante também não poderia ter sido objeto de qualquer questionamento pelas dd. autoridades fiscais. III.2.f. Conclusão 3.61. Em vista do exposto, resta claro que as operações em exame foram realizadas com claro propósito negocial, entre pessoas jurídicas não relacionadas, com pagamento de preço suportado em laudo de avaliação baseado em expectativa de rentabilidade futura e em hipótese expressamente prevista na legislação. III.3. Da impossibilidade de modificação de critérios jurídicos adotados pelas autoridades fiscais 3.62. O auto de infração ora combatido não é o primeiro lavrado contra a Impugnante com relação à dedutibilidade das despesas de amortização do ágio registrado nas operações descritas acima. 3.63. Com efeito, o Processo Administrativo (PA) n.° 19515.002126/200993, atualmente pendente de julgamento perante o CARF, versa sobre o mesmo tema, tratando especificamente do AC 2004. A existência de dois lançamentos fiscais sobre um mesmo assunto por si só não causa estranheza, especialmente por se tratar de amortização de ágio que tem efeitos fiscais em, no mínimo, cinco AC. 3.64. Não obstante, a presente situação merece uma especial atenção, uma vez que os dois lançamentos fiscais que versam sobre a dedutibilidade das parcelas de amortização de ágio Fl. 1672DF CARF MF 16 foram baseados em fundamentos fáticos e legais totalmente distintos. 3.65. Com efeito, no auto de infração relativo ao PA 19515.002126/200993 (Doc. 15), as dd. autoridades fiscais reconheceram que as operações em exame geravam o direito de registro e amortização de ágio, na medida em que o preço pago pela “Cinemark Empreendimentos” para aquisição das participações societárias na “Cinemark Brasil” e na “NN” foi superior ao valor patrimonial de referidas participações societárias, que existia laudo com base em expectativa de rentabilidade futura e que se tratava de operações entre partes não relacionadas. 3.66. No entanto, como se depreende claramente da leitura do auto de infração, as dd. autoridades fiscais acusaram a Impugnante de ter deduzido, para fins de apuração do lucro real, “valores de ágio em investimentos, em valores superiores aos apurados, em conformidade com os exames realizados na escrituração da investidora e das investidas, bem como em seus documentos de suporte” (destaque da Impugnante). 3.67. Dito de outro modo, de acordo com o TVF do PA 19515.002126/200993, as dd. autoridades fiscais concluíram que a “Cinemark Empreendimentos” teria cometido equívocos no cálculo matemático do valor do ágio registrado na aquisição de participações societárias na Impugnante e na “NN”, o que teria resultado na apropriação de ágio em valor superior que o devido. 3.68. Com relação à aquisição da participação societária detida pelas empresas “Venture II” e “Kristal”, a Impugnante registrou ágio no valor de R$58.262.515,83, mas as dd. autoridades fiscais concluíram que a Impugnante somente faria jus a ágio no valor de R$39.517.531,26, de forma que a diferença de RS18.744.984.57 deveria ser glosada. 3.69. As dd. autoridades fiscais reconheceram as operações praticadas pela Impugnante tal como foram realizadas e somente questionaram o cálculo do ágio registrado nessas operações. Ou seja, a discordância das dd. autoridades fiscais com relação ao procedimento adotado pela Impugnante era meramente matemática. 3.70. As dd. autoridades fiscais não podem adotar um determinado critério para qualificar juridicamente um fato e, em momento posterior, qualificar o mesmo fato com base em outros critérios jurídicos. Esperase um mínimo de coerência por parte das autoridades públicas, de forma a garantir a segurança dos contribuintes e proteger a confiança destes na Administração Pública, conforme veiculado no artigo 146 do CTN. Traz doutrina em socorro de sua tese. 3.71. A vedação a este tipo de atitude do Fisco é também reconhecida pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em acórdão de 2007: Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.630 17 “EMENTA: ‘TRIBUTÁRIO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. LANÇAMENTOS ANTERIORES. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. (...). 1. O reenquadramento de contribuinte pelo Fisco de autarquia para empresa pública, em decorrência de decisão do Supremo, que examinou a natureza jurídica da entidade, não autoriza a cobrança das diferenças tributárias porventura existentes antes dessa alteração. Incidência do art. 146 do CTN. 2. A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento' (Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos) (...). VOTO O INSS pretende cobrar as diferenças decorrentes do reenquadramento do contribuinte de autarquia para empresa pública. O artigo 146 do Código Tributário Nacional CTN prescreve: 'Art. 146. A modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua efetivação'. O novo enquadramento do contribuinte como empresa pública implicou na alteração de regra técnica e, portanto, deve ser considerado como alteração do critério jurídico para fins de proteção do artigo 146 do CTN, pois o próprio Pretório Excelso foi chamado a deliberar a respeito de sua natureza jurídica. Essa norma proíbe a revisão ou a realização de outro lançamento tributário pelo Fisco para alterar aquele já realizado segundo os critérios jurídicos praticados anteriormente, em nome do princípio da segurança jurídica". (...) Assim, todas as revisões dos lançamentos tributários constantes da NFLD de 21.12.99 não podem prevalecer, pois esse ato administrativo constituiu o marco da modificação introduzida de oficio pela autoridade administrativa relativamente aos critérios jurídicos adotados no lançamento tributário." (STJ, 2a Turma, Recurso Especial n° 881.804, Processo n° 2006/01339600, Data da Sessão 15/02/2007, Relator: Ministro Castro Meira). 3.72. O extinto Tribunal Federal de Recursos havia cristalizado esse entendimento na Súmula 227, assim redigida: “A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento”. 3.73. Em vista do exposto acima, concluise que os fundamentos utilizados pelas dd. autoridades fiscais no lançamento fiscal em exame não podem ser admitidos pela Impugnante, em face da imutabilidade dos critérios jurídicos utilizados pelas autoridades fiscais no exercício do lançamento tributário. Fl. 1674DF CARF MF 18 IV. DO PEDIDO 3.74. Requer seja reconhecida a total improcedência do lançamento fiscal, tendo em vista a absoluta regularidade do registro e amortização de ágio decorrente de aquisição de participação societária realizada entre partes não relacionadas e com pagamento em dinheiro de preço determinado com base em estudo de expectativa de rentabilidade futura e posterior incorporação da detentora da participação societária. 3.75. Requer, ainda, seja reconhecida a impossibilidade de alteração dos critérios jurídicos para qualificar um fato, tal como pretendido pelas dd. autoridades fiscais. 4. O presente processo foi encaminhado a esta DRJ, que após análise e consultas efetuadas aos sistemas da RFB (Receita Federal do Brasil), decidiu encaminhálo em diligência à DEFIS/SP, nos seguinte termos, sinteticamente. 4.1. Consulta ao Sistema CNPJ indica que a “Cinemark Empreendimentos” (CNPJ n° 00.764.390/000176), se encontra na situação “Ativa” (conforme pesquisa anexa). 4.2. Pesquisa da “Ficha Cadastral Completa” da “Cinemark Empreendimentos” no site da JUCESP (Junta Comercial do Estado de São Paulo), em 19/10/2012 (conforme anexo), indica que não há informação de sua incorporação, diferentemente da empresa “NN” (CNPJ nº 02.193.625/000142), que aparece como incorporada pela “Cinemark Empreendimentos”. 4.3. Em face do exposto, encaminho o presente processo à DEFIS/SP para que se diligencie junto à Impugnante, no sentido de esclarecer: (i) se houve, efetivamente, o pagamento do ágio (verificar, p.e., extratos bancários confirmando a saída do numerário; contratos de fechamento de câmbio; contabilização; etc); (ii) se as partes nele envolvidas são independentes: e (iii) se a JUCESP averbou o registro da incorporação da “Cinemark Empreendimentos” pela “Cinemark Brasil”, ou seja, se a “Cinemark Empreendimentos” foi, oficialmente, incorporada. Após, apresentar relatório conclusivo sobre estas e outras questões que entender pertinentes. 5. A DEFIS/SP recebeu o presente processo. A Impugnante foi intimada (fls. 1.313 a 1.315) e cientificada em 07/03/2013 (AR; fl. 1.316), respondeu à intimação (fls. 1.320 a 1.322). Foi emitido “Relatório Conclusivo de Diligência Fiscal” (fls. 1.436 a 1.446) nos seguintes termos, sinteticamente. IV. DAS INTIMAÇÕES Das intimações feitas pela autoridade fiscalizadora e atendimento pela parte recorrente 5.1. A Diligenciante reproduz breve histórico sobre as intimações e respostas efetuadas. DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS 5.2. O primeiro item a ser diligenciado a pedido da instância julgadora é: Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.631 19 (i) se houve, efetivamente, o pagamento do ágio (verificar, p.e., extratos bancários confirmando a saída do numerário; contratos de fechamento de câmbio; contabilização; etc) 5.3. O contribuinte, desde o início da fiscalização, até o presente momento, NÃO apresentou quaisquer extratos bancários ou documento hábil e idôneo que pudesse comprovar, EFETIVAMENTE, que o numerário foi pago e por quem foi pago. 5.4. Pelos documentos apresentados pelo contribuinte, podese intuir que: Os extratos emitidos pelo BACEN indicam operações de câmbio realizadas em 2004 para pagamento das empresas estrangeiras Kristal, Venture II e Prona; bem como da C.Br. Porém, o mais importante para demonstrar e comprovar as operações realizadas entre as empresas faltou, ou seja, falta mostrar, só e tão somente, de onde saiu o numerário para este pagamento. Os documentos apresentados tais como extratos emitidos pelo BACEN, telas do SISBACEN NÃO são documentos hábeis, e por si só, não servem como prova. Ademais, livros contábeis e fiscais não são prova SEM a presença da documentação de suporte hábil e idônea. 5.5. Persiste por parte do contribuinte, a total falta na apresentação de documentos, uma vez que: NÃO apresentou os extratos bancários para comprovar que o dinheiro saiu da empresa para pagamento de aquisição de cotas; (prova crucial) NÃO apresentou contratos de fechamento de câmbio, apenas telas da internet do site do SISBACEN; A escrituração de lançamento contábil, por si, não é prova. Apenas o é, com a presença de documentação lastreando o que se contabiliza. A impugnante não apresenta provas capazes de comprovar as despesas computadas nos seus custos, insistindo em justificativas: "Infelizmente, a sociedade está tendo dificuldades em obter junto às instituições financeiras os extratos de conta corrente refletindo tais operações, por se tratarem de operações ocorridas há mais de cinco anos." 5.6. Uma empresa formalmente constituída não deixa de manter em seus arquivos, para dar suporte à contabilidade, documentos importantíssimos como os extratos bancários, emitidos pela instituição financeira (pois não basta ter "telas" de internet para demonstrar movimentação bancária). 5.7. Uma empresa que tem ações judiciais em andamento, deve e tem obrigação de manter os documentos que provam o que ela quer demonstrar. No caso em questão, a empresa deve Fl. 1676DF CARF MF 20 demonstrar, inequivocamente, que os pagamentos a que ela se refere vem de suas contas bancárias regularmente escrituradas na sua contabilidade. 5.8. Para que uma despesa seja dedutível deve ser lastreada com documentação de terceiros, ou seja, não basta ter prova de lavra própria, provinda de fonte meramente interna. Este tipo de documentação não confere segurança e liquidez à operação. 5.9. A empresa CINEMARK não comprova que o numerário saiu de contacorrente constante de sua contabilidade. 5.10. Ainda, a ausência de apresentação de documentos comprobatórios da escrita contábil e fiscal, contrariando as disposições das leis comerciais e fiscais, demonstramse inócuas e impossibilitam a dedutibilidade das despesas questionadas. 5.11. Assim, ante a falta de apresentação de documentos comprobatórios de que realmente o numerário foi debitado de contacorrente escriturada, pela ausência de elementos que comprovem a eficácia do quanto alegado no intuito de corroborar o procedimento fiscal, não há como esta fiscalização aceitar as argumentações apresentadas pelo contribuinte, por incomprovadas e não justificadas, sugerindo à Autoridade Julgadora, que considere procedente a autuação fiscal. 5.12. O segundo item a ser diligenciado a pedido da instância julgadora é: (ii) se as partes nele envolvidas são independentes 5.13. As partes envolvidas são dependentes, são acionistas entre si, conhecedoras de seus negócios. Veja pelos documentos abaixo: 5.13.1. A Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 06/07/2001, da “Cinemark Brasil”, versa como acionistas da “Cinemark Empreendimentos”, dentre muitos, a empresa Venture II Equíty Holdings Corporation (“Venture II”), NN Participações Ltda (“NN”) e Kristal Holdings Limited (“Kristal”). 5.13.2. O Boletim de Subscrição de Ações da “Cinemark Brasil”, conforme aumento de capital autorizado da Sociedade aprovado na Assembléia Geral Extraordinária em 06/07/2001, tem como subscritores as empresas: “NN” (30.344 ações subscritas em 06/07/2001), “Kristal” (45.515 ações subscritas em 06/07/2001). 5.13.2. No Contrato de Compra e venda de quotas, datado de 18/08/2004, celebrado entre a “Cinemark Empreendimentos” (compradora) e a “Prona” (vendedora), onde ocorre que a “Prona”, sociedade localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, aliena a totalidade das quotas que detém do capital da “NN”, constando na cláusula 4.13 do mesmo contrato, que a empresa “NN” não possui, direta ou indiretamente, ações do capital social de qualquer pessoa, exceto da “Cinemark Brasil”. Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.632 21 5.14. O último item a ser diligenciado a pedido da Instância julgadora é: (iii) se a JUCESP averbou o registro da incorporação da “C.E.P.” pela “C.Br.”, ou seja, se a “C.E.P.” foi, oficialmente, incorporada 5.15. Com relação à Incorporação da “Cinemark Empreendimentos” pela “Cinemark Brasil”, a empresa apresenta: A 17ª alteração do Contrato Social de Cinemark Empreendimentos e Participações Ltda, que reflete sua extinção por incorporação na Cinemark Brasil S/A, registrada na JUCERJA em 31/03/2005 (Doc. 02); Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Cinemark Empreendimentos e Participações Ltda, registrada na JUCESP em 25/10/2004 (Doc. 03). 5.16. E justifica que por um lapso o CNPJ da “Cinemark Empreendimentos” continua ativo, mas está tomando as medidas necessárias para a devida baixa de tal registro, uma vez que a “Cinemark Empreendimentos” foi extinta por incorporação em 30/09/2004. 5.17. Além disso, a extinção da “Cinemark Empreendimentos” não estava registrada na JUCESP, pois esta empresa estava sediada no Estado do Rio de Janeiro, estando sob a jurisdição da JUCERJA. 5.18. Assim, para comprovar definitivamente a incorporação da “Cinemark Empreendimentos”, a requerente apresenta a Certidão emitida pela JUCERJA, comprovando o arquivamento da 17ª Alteração do Contrato Social (Doc.04) e as telas do website da JUCERJA (Doc.05) indicando tratarse de empresa extinta. VI DAS DESPESAS DEDUTÍVEIS 5.19. O Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, traduz nos seus artigos 299 e 300, definições do que são despesas necessárias à atividade da empresa e aceita como dedutível do lucro tributável. Despesa dedutível é aquela normal, usual e necessária. 5.20. Despesa dedutível é aquela que tem documentação que comprove, inequivocamente, que a despesa é normal, usual e necessária. Além disso, esta documentação deve ser hábil e idônea. (Uma cópia de um documento idôneo não é hábil, posto que é só uma cópia; original de um documento inidôneo é crime; um documento pode ser hábil, mas não servir ao que se quer provar; documento hábil mostra todos os elementos necessários para se conseguir ver se a despesa é normal, usual e necessária). 5.21. Uma despesa pode ser legítima, mas indedutível. 5.22. Podemos concluir que esses pagamentos, se existentes, carecem da comprovação de sua origem e efetividade, uma vez Fl. 1678DF CARF MF 22 que falta comprovar de que contacorrente da empresa ocorreu o desembolso, que seria demonstrado e comprovado através dos extratos bancários, senão, não há que se falar em despesa dedutível. VII DO DIREITO LEGAL DE DEDUZIR O ÁGIO 5.23. Já que o contribuinte não comprovou que pagou, a despesa já é indedutível. 5.24. Mesmo assim, se o pagamento do ágio tivesse sido comprovado saindo da conta corrente da empresa com valores e datas coincidentes, com comprovação de contratos de câmbio etc, poderíamos rebater a despesa com ágio, pois, em que pese a lei permitir a dedução de amortização de ágio absorvido em incorporação, não restou comprovado pelo contribuinte o fato econômico que justificou a anterior aquisição de suas ações pela incorporada com ágio elevado, o que autoriza considerar a despesa desnecessária e, por conseguinte, indedutível para fins de apuração do lucro real. 5.25. O ágio se originou de uma contraposição de receita (para o vendedor) e custo (para o comprador). Os pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico. 5.26. Na incorporação às avessas, na qual o controlado incorpora a sua controladora imediatamente após ter adquirido suas quotas de capital, não se justifica a contabilização, por parte do incorporador, de ágio de si próprio, por faltarlhe os pressupostos do ágio. 5.27. A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de ágio. 5.28. No presente caso ocorreu reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios, uma vez que as partes são dependentes, são acionistas entre si, conhecedoras de seus negócios. 5.29. O ágio se origina e tem como pressupostos a aquisição societária em incorporação às avessas, onde o controlado incorpora a sua controladora, imediatamente após ter adquirido suas quotas de capital. 5.30. Do ponto de vista econômicocontábil o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. 5.31. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há dispêndio para se obter algo de terceiros. 5.32. No presente caso, o reconhecimento de acréscimo de riqueza, econômica e contabilmente, ocorre em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. É descabida a Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.633 23 amortização de ágio interno, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação, da falta de pagamento na aquisição das participações societárias e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. 5.33. Com efeito, o ágio tem por objeto uma participação societária de titularidade da controladora, que representa fração do capital da pessoa controlada à qual se reporta. 5.34. Na medida em que a controlada incorpora a controladora, desaparece o sujeito jurídico titular da participação societária. Assim, caso preservado, o montante do ágio passaria a estar dentro da incorporadora (antiga controlada), possuindo como origem um elemento que agora integra a própria incorporadora. Seria um “ágio de si mesmo”. 5.35. Existe de fato o ágio, pago por alguém que adquiriu de outrem determinada participação societária, o que não acontece neste caso concreto, onde o ágio foi simplesmente estipulado pelos proprietários do empreendimento. 5.36. Além disso, o contribuinte se apega aos aspectos formais da operação que não é ponto relevante para o deslinde da questão. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS 5.37. Considerando ter respondido aos quesitos formulados pela autoridade julgadora, face aos fatos acima expostos, consideradas as argumentações e provas apresentadas pela impugnante, lavro o presente “Relatório Conclusivo de Diligência Fiscal”, para cumprimento do despacho n° 10 da 4ª Turma da DRJ/SP1, PA 19.515.721.880/201141. 6. A Impugnante tomou ciência do resultado da diligência em 05/05/2014 (AR; fl. 1.448). Sobre ele assim se pronunciou, em 09/05/2014 (fls. 1.452 a 1.458), abreviadamente. 6.1. Visando ao cumprimento da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento, as dd. autoridades fiscais intimaram a Impugnante a apresentar grande volume de documentos para comprovar, mais uma vez, a regularidade das operações de aquisição de participação societária. 6.2. Mais uma vez, no entanto, e mesmo tendo recebido provas contundentes de que não há qualquer razão para questionar o ágio gerado nessa operação, as dd. Autoridades fiscais concluíram seu trabalho rogando pela manutenção integral do lançamento fiscal. 6.3. Com o devido respeito às dd. autoridades fiscais, fica claro no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (TEDF) assim como no auto de infração que deu origem ao presente processo Fl. 1680DF CARF MF 24 administrativo que as dd. autoridades fiscais simplesmente decidiram que deveriam glosar o ágio registrado pela Impugnante e estão buscando manter tal glosa, mesmo sem qualquer fundamento legal ou fático para tanto. 6.4. Nesse infeliz cenário, à Impugnante só resta apresentar seus comentários sobre as conclusões das dd. autoridades fiscais sobre cada um dos quesitos da diligência: I. Se houve, efetivamente, o pagamento do ágio (verificar, p.e., extratos bancários confirmando a saída do numerário; contratos de fechamento de câmbio; contabilização; etc.) 6.5. As dd. autoridades fiscais concluíram que não há prova do pagamento do ágio. 6.6. De acordo com o TEDF, o extrato emitido pelo Banco Central (BACEN) das operações de câmbio para pagamento das empresas “Kristal”, “Venture II” e “Prona”, o Contrato de Câmbio 04/037696 relativo ao pagamento à empresa “Kristal”, as telas do SISBACEN demonstrado a alienação dos investimentos detidos pelas empresas “Kristal” e “Prona”, o Razão Contábil Geral indicando os pagamentos a todos os vendedores (“Kristal”, “Venture II”, “Prona”, Edgar Gleich, Ricardo Arduini, Moises Pinski, Eduardo Alalou e Roberto Luiz Leme Klabin) e os recibos de pagamento emitidos por esses vendedores não seriam prova suficiente de que houve efetivo pagamento pela aquisição de participação societária. 6.7. As dd. autoridades fiscais apegaramse no fato de a Impugnante não ter conseguido localizar seus extratos bancários do período para desconsiderar toda a documentação acima que, se devidamente analisada, comprova cabalmente a efetividade dos pagamentos realizados pela “Cinemark Empreendimentos” em beneficio dos vendedores das participações societárias. 6.8. Ao contrário do alegado pelas dd. autoridades fiscais, os documentos apresentados não são de “lavra própria, provinda de fonte meramente interna”. É certo que a Impugnante apresentou seu Razão Geral demonstrando os registros contábeis das operações de aquisição de participação societária (o que obviamente faz prova em seu favor), mas não foi esse o único documento apresentado. Apresentou documentos oficiais emitidos pelo BACEN demonstrando claramente as remessas realizadas ao exterior pela “Cinemark Empreendimentos” a título de aquisição de participação societária, bem como a respectiva liquidação dos investimentos anteriormente detidos pelas empresas “Kristal” e “Venture II”. 6.9. E mais, a Impugnante apresentou os recibos emitidos por cada um dos vendedores atestando, para todos os efeitos, o efetivo recebimento dos valores relativos à venda das ações na “Cinemark Brasil”. Assim, fica claro o total descabimento da afirmação fiscal de que “persiste por parte do contribuinte a total falta na apresentação de documentos”. 6.10. Com base nos documentos acima, é possível afirmar com absoluta segurança que a “Cinemark Empreendimentos” realizou pagamentos a “Kristal”, “Venture II”, “Prona”, Edgar Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.634 25 Gleich, Ricardo Arduini, Moises Pinski, Eduardo Alalou e Roberto Luiz Leme Klabin pela aquisição de participação societária na Cinemark S.A., o que considerando que o preço pago foi superior ao valor patrimonial da empresa, em virtude de expectativa de rentabilidade futura atestada em estudo próprio gera direito à amortização de ágio. II. Se as partes nele envolvidas são independentes; 6.11. As dd. autoridades fiscais concluíram que “as partes envolvidas são dependentes, são acionistas entre si, conhecedoras de seus negócios”. Para suportar essa conclusão, as dd. autoridades fiscais citam atos societários da Impugnante comprovando que as empresas vendedoras tinham participação societária na Impugnante (“Cinemark Brasil”). 6.12. Mais uma vez, a Impugnante não pode concordar com a absurda conclusão acima. Sim, a “Cinemark Empreendimentos” e os vendedores (“Kristal”, “Venture II”, “Prona”, Edgar Gleich, Ricardo Arduini, Moises Pinski, Eduardo Alalou e Roberto Luiz Leme Klabin) tinham participação societária na “Cinemark Brasil”, já que se tratava de uma joint venture no Brasil como exaustivamente demonstrado em sede de impugnação. 6.13. No entanto, certamente isso não significa que a “Cinemark Empreendimentos” e os vendedores fossem partes relacionadas. O fato de as empresas terem participação na “Cinemark Brasil” só significa que elas tinham esse empreendimento conjunto, mas não que fossem partes relacionadas e, muito menos, que fossem “acionistas entre si” como alegam incorretamente as autoridades fiscais. 6.14. A única relação entre “Cinemark Empreendimentos” e os vendedores consistia na participação societária na “Cinemark Brasil”, que, especialmente diante do fato de serem empresas e pessoas físicas não relacionadas, foi devidamente regulado por Contrato de Joint Venture. 6.15. Como já dito inúmeras vezes: não há qualquer relação entre a “Cinemark Empreendimentos” (e o grupo Cinemark como um todo) e os vendedores (que eram investidores externos na “Cinemark Brasil”). As empresas não são controladas nem coligadas nos termos da legislação societária; as empresas não têm controle direto ou indireto em comum; não há relação de parentesco entre as pessoas físicas envolvidas. Tanto isso é verdade que sequer as dd. autoridades fiscais tentam fazer prova nesse sentido. 6.16. Fica claro, portanto, que se está diante de operações entre partes não relacionadas, sendo improcedente qualquer alegação no sentido de que o ágio gerado em tais operações seria um “ágio interno”. Fl. 1682DF CARF MF 26 III. Se a JUCESP averbou o registro da incorporação da Cinemark Empreendimentos pela Cinemark Brasil, ou seja, se a Cinemark Empreendimentos foi oficialmente incorporada. 6.17. As dd. autoridades fiscais concluíram que a “Cinemark Empreendimentos” foi oficialmente incorporada pela “Cinemark Brasil”, de acordo com a 17ª Alteração do Contrato Social da “Cinemark Empreendimentos”, devidamente registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (“JUCERJA”) e extrato atualizado emitido pela JUCERJA. 6.18. Nesse ponto, a Impugnante concorda com a conclusão das dd. autoridades fiscais, que não poderia ser outra diante da clara comprovação da extinção da “Cinemark Empreendimentos” por incorporação na “Cinemark Brasil”. 6.19. A Impugnante volta a insistir que as operações em exame foram realizadas com o claro propósito negocial de encerramento da joint venture que existiu por mais de 7 anos no Brasil entre o grupo Cinemark e investidores independentes. 6.20. A geração do ágio foi mera decorrência das legítimas operações de compra e venda de participação societária, que teriam sido realizadas mesmo sem ágio ou com deságio. Isso porque o objetivo das operações em exame consistia na aquisição, pelo grupo Cinemark, da totalidade da participação societária na “Cinemark Brasil”, que era detida por investidores externos, e não a geração de ágio. 6.21. Pelas claras razões negociais descritas acima além do fato de restar comprovado o efetivo pagamento pela aquisição das participações societárias e o fundamento econômico do ágio é incontestável o direito da Impugnante ao registro e amortização do ágio para fins fiscais, nos exatos termos dos artigos 385 e 386 do RIR. 6.22. Cumpre ressaltar, ainda, a improcedência da afirmação das dd. autoridades fiscais no sentido de que “na incorporação às avessas, na qual o controlado incorpora a sua controladora imediatamente após ter adquirido suas quotas de capital, não se justifica a contabilização, por parte do incorporador, de ágio de si próprio, por faltarlhe os pressupostos do ágio”. 6.23. Essa alegação é absurda por duas razões (i) no presente caso estão presentes todos os pressupostos do ágio, quais sejam a aquisição de participação societária, o pagamento de preço e o fundamento em expectativa de rentabilidade futura; e (ii) a própria lei permite o registro de ágio em casos de incorporação da empresa controladora pela empresa controlada. 6.24. Por fim, cumpre mencionar que o PA 19515.002126/2009 93 (já citado em sede de impugnação e que se refere exatamente às mesmas operações em exame, mas ao ágio amortizado no anocalendário de 2005) foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF na sessão de março de 2014, sendo que o lançamento fiscal foi integralmente cancelado por unanimidade de votos. Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.635 27 6.25. O acórdão está pendente de formalização, mas fica claro que o CARF reconheceu a regularidade das operações de aquisição de participação societária em exame, bem como a regularidade do registro e amortização do respectivo ágio. 6.26. Diante dos esclarecimentos acima, a Impugnante espera que seja reconhecida, já em primeira instância administrativa, a total e absoluta improcedência do lançamento fiscal, sendo canceladas as respectivas exigências fiscais. Da decisão de primeiro grau A decisão recorrida (fls. 1.466 a 1.523) negou provimento à impugnação nos termos que se seguem. No início do voto, tece aprofundada exposição teórica acerca da tributação do ágio e das operações de reorganização societária. Todavia, o primeiro ponto que diz respeito concretamente aos fatos é relativo ao pagamento. Nas palavras do julgador: 12. Quanto ao mérito, há, de início, um fato crucial para a análise do presente processo: até o momento apesar da fiscalização ter se iniciado em 27/04/2011 (ciência em 12/05/2011; AR fl. 06), e da diligência efetuada – a Impugnante não apresentou os extratos bancários ou outros documentos hábeis e idôneos que comprovassem o efetivo pagamento do ágio, de onde saiu o dinheiro e seu beneficiário. E conclui dois parágrafos depois: 12.2. Assim, sem prova do efetivo pagamento do ágio ora sob exame, não há como deduzilo como despesa. A seguir trata em termos teóricos acerca da indedutibilidade do ágio interno, analisa os fatos e conclui que se trata dessa figura. Nesse ponto, vale destacar a seguinte passagem: 13.5.5.1. nesse ponto, resta claro que a partir do momento em que essas pessoas, físicas e jurídicas, se juntam para criar uma empresa e explorarem essa atividade, elas deixam de ser independentes; 13.5.5.2. além disso, o fato das empresas estrangeiras (sócias na joint venture) terem sido constituídas nas Ilhas Virgens Britânicas dificulta o acesso à informação sobre seus verdadeiros sócios (fato não esclarecido na diligência), o que não permitiria afirmar que se trata de partes independentes. Ao longo do parágrafo 15 e de seus desdobramentos discorre sobre a inexistência de propósito negocial. As passagens abaixo merecem destaque: Fl. 1684DF CARF MF 28 15.6. Nesse ponto, surgem algumas perguntas: se, para o grupo Cinemark atuar no Brasil, bastava criar uma empresa operacional (como alega ser o caso da “Cinemark Brasil”), qual a necessidade de criação da empresa “Cinemark Empreendimentos”, em 1995? Se havia necessidade de existirem as duas, por qual razão uma delas foi extinta (embora, como já informado, conste ainda como “ATIVA” no cadastro da RFB)? Se não houvesse a previsão legal do benefício fiscal de amortização do ágio baseado em rentabilidade futura, teria ocorrido a incorporação da controlada pela controladora? 15.7. A partir desses questionamentos, a lógica nos leva a concluir que, efetivamente, a reorganização societária levada a efeito pelo grupo Cinemark não possui propósito negocial (mesmo na hipótese, não provada, de independência entre as partes), restando claro que a incorporação às avessas efetuada não teria sido realizada se não houvesse o benefício fiscal sob exame, ou seja, ela não possui motivação econômica e, portanto, não está ao albergue da legislação. Quanto ao processo 19515.002126/200993, aduz que a autoridade não teria se atentado para a inexistência de comprovação dos efetivos pagamentos. Por isso, não há que se falar em manutenção do mesmo critério de lançamento com base no art. 146 do CTN. Do recurso voluntário O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 655 a 669. Nele, reiterou (na maioria das vezes, literalmente) razões apresentadas na impugnação. Teceu, porém, considerações específicas quanto à decisão de primeiro grau. Abaixo, relatamos tais especificidades. Em primeiro lugar, considera que a decisão da DRJ inovou os critérios adotados para o lançamento, competência de que não dispõe. Aduz ainda que, no processo nº 19515.002126/200993, sobre os mesmos fatos, a autoridade julgadora de primeiro grau adotou idêntico procedimento, que foi rechaçado pelo CARF. Assim, requer a nulidade da decisão recorrida. Quanto ao mérito, aduz que a autoridade julgadora comparou o início com o fim das operações, sem analisar toda a explicação do Contribuinte. Nas suas palavras: (...) as dd. autoridades julgadoras simplesmente desconsideraram toda a explicação em sede de impugnação e compararam a situação antes da formação da joint venture com a situação após a extinção dela e concluíram que a única diferença entre esses dois cenários seria a geração do ágio. Prossegue: (...) as dd. autoridades simplesmente “esqueceram” que entre 1995 e 2004, houve a formação da joint venture, com envolvimento de investidores independentes e, depois, a extinção dessa joint venture, que foi justamente o fato que gerou o reconhecimento do ágio. Repitase (apesar de parecer óbvio): a Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.636 29 Cinemark Empreendimentos adquiriu a participação societária na Cinemark Brasil detida pelos investidores não para gerar ágio, mas para extinguir a joint venture e manter as operações brasileiras integralmente dentro do grupo Cinemark. Se não houvesse previsão para amortização fiscal do ágio ou, ainda, que não houvesse a geração de ágio (se o preço de aquisição fosse inferior ao valor patrimonial), as operações teriam sido realizadas exatamente da mesma forma”. Quanto aos pagamentos, discorre sobre os documentos que apresentou para comproválos: Com efeito, de acordo com o narrado nos itens 12 e 13 da decisão recorrida, as dd. autoridades julgadoras concluíram que os seguintes documentos não seriam suficientes para comprovar o pagamento aos vendedores: extrato emitido pelo Banco Central das operações de câmbio para pagamento das empresas Kristal e Prona, o Razão Contábil Geral indicando os pagamentos a todos os vendedores (Kristal, Venture II, Prona, Edgar Gleich, Ricardo Arduini, Moises Pinski, Eduardo Alalou e Roberto Luiz Leme Klabin) e os recibos de pagamento emitidos pelo vendedores. Especificamente sobre os recibos devidamente assinados pelos vendedores atestando o recebimento do preço acordado nos contratos de compra e venda de ações, as dd. autoridades julgadoras alegaram que não poderiam considerar tais documentos, por estarem em inglês. Em que se pese a possibilidade de argumentar que recibos – por serem documentos bastante simples e comuns – poderiam ser perfeitamente compreendidos, a Recorrente apresenta tradução juramentada desses documentos (doc. 02). Portanto, tais documentos, por si só, são hábeis e idôneos para comprovar o montante recebido pelos vendedores pela alienação da participação societária na Recorrente. Os únicos documentos que não puderam ser apresentados pela Recorrente foram os extratos bancários da época, pois as operações foram realizadas pelo Bank Boston que, após a incorporação pelo Banco Itaú, não conseguiu os arquivos da época. Não obstante, ao contrário do que alegado na decisão recorrida, a falta dos extratos bancários não é suficiente para que se alegue que não há prova do pagamento do ágio, uma vez que a extensa documentação apresentada pela Recorrente no curso do presente processo administrativo certamente demonstra tais pagamentos. Fl. 1686DF CARF MF 30 Contrarazões Às fls. 1605 a 1612, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta contra razões, conforme abaixo relatamos. Não tem razão a defesa quanto ao pedido de nulidade da decisão de primeiro grau, uma vez que o fiscal também destacou como razão para a glosa do ágio, a falta de comprovação do seu pagamento. Aduz que a autoridade fiscal, a despeito da sua "brevidade", pautou a acusação em três pontos. Abaixo, reproduzo as palavras originais: Em que pese a sua brevidade, a Fiscalização justificou a sua conclusão com base em três aspectos: primeiro, falta de comprovação do estudo econômico que pautou o registro do ágio; segundo, falta de comprovação do pagamento do ágio; e terceiro, duplicação do ágio. Depois passa a tecer minuciosa análise acerca dos documentos apresentados pelo contribuinte para comprovar o pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Preliminar Conforme art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, são nulas as decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A inovação dos fundamentos da acusação pode, de certo modo, se enquadrar em ambas as hipóteses. No entanto, passaremos a analisar essas questões no mérito por força do § 3º do mesmo artigo: "Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". Mérito Como aduziu a defesa e foi reconhecido até pela Procuradoria, o termo de verificação fiscal é de uma simplicidade ímpar. A sua singeleza não é uma característica negativa em si mesma. Se um fato pode ser descrito de duas formas, é a mais simples que deve ser empregada. Nada obstante, de uma descrição simples não se pode ir além da potencialidade semântica das suas palavras. A interpretação pode resultar em várias possibilidades significativas, mas não em todas. Ao se ler um texto, não pode o intérprete lhe atribuir significado que dele não se pode erigir. Isso deixa de ser interpretar e passa a ser o que Umberto Eco chamava de "superinterpretar". Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.637 31 Pois bem, é atividade privativa da autoridade fiscal realizar o lançamento, do qual faz parte a verificação da ocorrência do fato gerador e a determinação da matéria tributável. São os fatos erigidos pela linguagem da autoridade fiscal aposta no seu termo de verificação que delimitam todo o curso do processo administrativo fiscal. As autoridades julgadoras tem a competência para rejeitar tais fatos, mas não para incorporar outros. Daí, a necessidade de verificarmos qual foi a exata acusação. Não podemos perder de vista ainda que o significado de um texto é determinado por suas palavras, mas também, sem extravasar as possibilidades semânticas desses vocábulos, pelo seu contexto. E o contexto imediato de uma peça processual é justamente o conjunto desse processo. Usaremos isso para analisar o termo de verificação. Pois bem, a decisão recorrida manteve o lançamento por três razões: (i) não pagamento das transações que ensejaram o ágio por ausência de comprovação satisfatória, (ii) falta de propósito negocial e (iii) ágio interno. Passamos a abordar cada um dos fundamentos em face da decisão de primeiro grau. Depois passaremos a analisar especificamente a acusação. Ausência de pagamento Quanto à ausência de pagamento, a Procuradoria também se esforça para demonstrar que este também teria sido um dos fundamentos da glosa. Nada obstante, a leitura do termo e das demais peças processuais afasta qualquer possibilidade nesse sentido. Em primeiro lugar, em momento algum a autoridade afirmou que não teria havido pagamento ou que este não teria sido provado. Ora, essa é uma acusação muito simples, que exige pouquíssimas palavras, as quais estariam presentes numa peça de acusação, caso essa tivesse sido a intenção do seu elaborador. Ademais, existem passagens no termo de verificação que aponta no sentido oposto. Numa delas, a autoridade fiscal aduz: "tendo em vista que o preço pago nessas operações" (meu destaque). Noutra, assevera: "Indicou como fundamento do ágio pago" (meu destaque). A autoridade, repito, jamais afirmou que as operações não foram pagas e usa expressões com a qualificação de "pago" e não de "supostamente pago", "pretensamente pago" e similares. Nada obstante, não nos apegamos apenas à lavra literal da referida peça. Investigamos também o seu contexto. O termo de verificação é o resultado de um processo constituído por diversas peças, sendo as intimações aquelas de maior relevância, pois nos possibilita verificar o que a autoridade estava a investigar. Assim, se a acusação fosse a de não comprovação de pagamentos, necessariamente, deveria haver uma intimação em que a autoridade requeresse ao contribuinte fazer tal prova. Todavia, intimação com esse conteúdo não há. As únicas duas constam das fls. 4 e 5 (no próprio termo de início de ação fiscal) e da fl. Fl. 1688DF CARF MF 32 342. Nelas são pedidos livros e documentos sem qualquer relação com o pagamento de transações. Não podemos perder de vista ainda que a autoridade julgadora de primeiro grau baixou o feito em diligência para que fosse adotada a seguinte providência: (...) encaminho o presente processo à DEFIS/SP para que a diligencie junto à Impugnante, no sentido de esclarecer: (i) se houve, efetivamente, o pagamento do ágio (verificar, p.e., extratos bancários confirmando a saída do numerário;contratos de fechamento de câmbio; contabilização; etc); O pedido da autoridade julgadora não é para dirimir alguma dúvida acerca de uma eventual acusação de não pagamento, mas sim para investigar de forma inaugural a questão. A acusação fiscal não pode ser suplementada pela autoridade julgadora. Logo, a razão de ausência de prova do pagamento das operações relativas ao ágio não pode servir para a manutenção da autuação. Falta de propósito negocial A Cinemack Empreendimentos e Participações foi criada em 1997 e extinta, por incorporação, em 30/09/2004. A DRJ, desconsiderando as etapas de venda de participações em "Cinemark Brasil" e aquisição posterior, extrai duas fotos de todo o processo e, daí, indaga: se foi necessário extinguir a "Cinemark empreendimentos", por que razão foi criada inicialmente? E se precisava ser criada, por que foi extinta? Ora, a resposta nos parece bem simples: o tempo passou... E não foi pouco. Foram 7 (sete) anos. Em muitos processos de glosa de amortização de ágio em que votamos pela manutenção da exigência, o lapso temporal é de apenas alguns poucos dias; meses, no máximo. A duração efêmera de uma sociedade (ou o seu uso efêmero quando as denominadas empresas de gaveta, criadas há anos, são transferidas a grupos econômicos para que logo a seguir sejam extintas com o fim de cumprir um desiderato evasivo) é um indício forte para identificarmos reorganizações societárias que buscam apenas economias tributárias sem qualquer motivação de outra ordem. Por outro lado, a sua existência e o uso perene de uma sociedade dentro da lógica do empreendimento econômico, nos aponta o sentido oposto. Só esse prazo já seria suficiente para abalar as conclusões da decisão recorrida. Todavia, além disso, a defesa carreia aos autos minuciosa explanação acerca do seu Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.638 33 plano de negócios com investimentos de terceiros, o que põe no chão as conclusões da decisão recorrida. Aliás, vale aqui já deixar consignado, o que trataremos mais adiante com mais vagar, que nem a fiscalização acusou que "Kristal", "Venture II" e "NN participações" eram vinculadas, nem a DRJ conseguir colher elementos capazes de sustentar essa afirmação. De todo modo, a falta de propósito negocial, seja lá em relação a que (a criação da Cinemark Empreendimentos, a sua posterior extinção, a alienação e aquisição de participações na Cinemark Brasil ou todo esse conjunto de operações, dentre outras possibilidades), não corresponde a qualquer acusação feita pela autoridade fiscal. Aliás, a própria Procuradoria também não identificou a falta de propósito negocial como uma das razões acusatórias. Ao formular suas contrarazões aduz que as razões acusatórias foram "falta de comprovação do estudo econômico que pautou o registro do ágio; segundo, falta de comprovação do pagamento do ágio; e terceiro, duplicação do ágio" e discorre exclusivamente acerca da suposta ausência de pagamento. Desse modo, a ausência de propósito negocial também não pode prosperar como fundamento do auto de infração. Ágio interno O terceiro fundamento da decisão recorrida foi de "ágio interno". A autoridade julgadora de primeiro grau, sobre esse tema, discorre longamente entre os parágrafos 13.5.4.1. ao 13.5.5.5. E aqui devemos verificar, uma vez mais, se este também foi um dos fundamentos da autuação. Pelas contrarazões apresentadas, a Procuradoria entende que não, pois não indicou esse como um dos fundamentos da autuação. Mas como a D. Procuradoria deixou de consignar nas suas contrarazões esse fundamento acusatório se a própria autoridade fiscal usou a expressão "ágio de si próprio"? Explico. É que a autoridade denomina por "ágio de si próprio" aquele que já estava registrado na incorporada (Cinemark empreendimentos) relativamente ao investimento no incorporador (Cinemark Brasil). Assim, quando o incorporador (Cinemark Brasil) passa a registrar em sua contabilidade um ágio, esse ágio é relativo a um investimento que foi feito nele mesmo. Por isso, a autoridade fiscal chamou o valor de "ágio de si próprio", ou seja, com um sentido completamente diverso do que denominamos "ágio interno", que corresponde àquele cujo valor é formado em decorrência de negociação entre sociedades de um mesmo grupo econômico. E ao falar de "ágio de si próprio" aduziu ter havido a sua duplicação, que foi uma das razões apontadas pela D. Procuradoria, mas não sustentada em sua peça. Fl. 1690DF CARF MF 34 Pois bem, foi esse último tipo de ágio que o julgador de primeiro grau entendeu (ou quis entender) como fundamento da acusação e daí enveredou para buscar provas da relação entre Cinemark Empreendimentos e "Kristal", "Venture II" e "NN participações". Por isso, de forma semelhante à questão do pagamento, também baixou o feito com o propósito de investigar a relação entre as partes, nos seguintes termos: (...) encaminho o presente processo à DEFIS/SP para que se diligencie junto à Impugnante, no sentido de esclarecer: (...) (ii) se as partes nele envolvidas são independentes E, do resultado da diligência, sobre o qual não mereceria nem sequer ser tratado, uma vez que trata de fundamento inexistente na acusação, não surgiu uma única prova de que as partes eram relacionadas. Ora, a participação de duas sociedades numa terceira, sobretudo quando o objeto da transação é a alienação de uma dessas participações, não pode ser considerada como um vínculo capaz de macular a veracidade do preço, porque cada uma defende interesses próprios e antagônicos entre si. Por evidência, uma quer que o preço seja maior e a outra que seja menor. Ademais, não cabe ao contribuinte fazer prova de que a operação foi realizada entre partes independentes, como pretendeu a DRJ, é ônus do fisco provar a relação. Não deve prosperar a acusação de ágio interno como fundamento da acusação. Da acusação fiscal Tecidas todas essas considerações acerca da decisão recorrida e como adotou fatos não descritos na peça fiscal acusatória, passamos a verificar e enfrentar as suas razões efetivas. As acusações são duas e constam também corretamente das contrarazões da PFN: (i) falta de comprovação do estudo econômico que pautou o registro do ágio, e (ii) duplicação do ágio. Na verdade, como já discorremos anteriormente, a PFN aponta uma terceira ausência da comprovação do pagamento sobre a qual já tratamos. Pois bem, em relação às efetivas acusações constantes do termo de verificação, a DRJ não trata e a PFN não despende qualquer esforço para defendêlas, porque são totalmente equivocadas. Com relação à primeira, a própria fiscal se contradiz, pois faz referência a "laudo de rentabilidade futura preparado pelo Deutsche Bank à época das aquisições". No tocante à segunda, é obvio que não houve duplicação de ágio, mas sim a sua transferência de registro da incorporada para a incorporadora, operação absolutamente usual mesmo quando é a investida que incorpora a investidora, tanto que prevista sem ressalvas pela legislação do imposto sobre a renda , conforme o art. 386, § 6º, II do RIR: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 19515.721880/201141 Acórdão n.º 1401001.828 S1C4T1 Fl. 1.639 35 participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): (...) II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 1692DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.911275/2009-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96.
Numero da decisão: 9303-004.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 91 12 75 /2 00 9- 89 Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3202001402, de 12/11/2014, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. Recurso voluntário provido. Defende a recorrente, em apertada síntese, que não existe previsão legal para a inclusão da industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Os fatos decorrem de negativa de ressarcimento e não homologação das compensações apresentadas pelo contribuinte. Os fundamentos para tal negativa estão consubstanciados no Termo de Conclusão Fiscal, efls. 606/626, elaborado pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão PretoSP. De acordo com referido termo o contribuinte industrializa sucos de laranja para exportação. Ela adquire os insumos e 100% do suco é elaborado por encomenda da fábrica do mesmo grupo empresarial denominada CoinbraFrutesp Industrial Ltda. Ainda de acordo com referido termo: "a fiscalizada não produzia e nem produz absolutamente nada, funciona apenas como compradora de insumos e exportadora, não possuindo funcionários, nem estrutura física, Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 4 3 possuindo apenas uma sala de 20 metros quadrados funcionando apenas como centro administrativo..." O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio do Despacho de efls. 861/864. O contribuinte apresentou contrarrazões ao referido recurso especial no qual defende o não conhecimento do recurso e, caso conhecido, que seja negado provimento em razão dos argumentos de mérito que apresenta. Consta das efls. 892/896, Mandado de Intimação efetuado pelo Juiz Federal da 15ª Vara Cível de BrasíliaDF contra o Presidente do CARF, determinando o julgamento do presente recurso especial no prazo improrrogável de 30 dias. Em face desta determinação, o processo foi levado a sorteio na última reunião durante a sessão realizada no dia 15/02/2017. Tendo sido a mim sorteado, o processo foi indicado para a pauta da sessão realizada em 21/03/2017, primeira após a determinação judicial, porém o processo saiu com vistas ao Conselheiro Charles, tendo retornado à pauta da primeira sessão subsequente. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial apresentada pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos requisitos formais para o seu conhecimento. Cumpre, no entanto, enfrentar as alegações apresentadas em contrarrazões pelo contribuinte no sentido de que o recurso especial não deveria ser conhecido. Em síntese, alega que não estaria comprovada a divergência pois as situações fáticas do presente processo seriam diferentes em relação aos acórdãos paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional. Ele afirma que o crédito presumido lhe foi negado na origem, não somente em razão da alegada impossibilidade de seu aproveitamento em razão da industrialização por Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 5 4 encomenda, mas também porque a fiscalização entendeu que ele não seria estabelecimento industrial e que, portanto nada produzia, não podendo fazer jus ao benefício previsto na Lei nº 9.363/96. Embora seja verdadeira esta alegação, o fato é que o acórdão recorrido debruçouse somente sobre esta questão de direito que resumese à possibilidade legal de se apropriar do crédito presumido de IPI em relação aos serviços realizados na industrialização por encomenda na sistemática prevista pelo art. 1º da Lei nº 9.363/96. Assim não há dúvida de que está estabelecida a divergência, uma vez que o acórdão recorrido entendeu, com base na mesma legislação, que é possível este aproveitamento, os acórdãos paradigmas entenderam de maneira diametralmente oposta. Neste sentido, voto pelo conhecimento do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Mérito Como o acórdão recorrido entendeu que seria suficiente para o deslinde do direito ao crédito presumido do IPI a análise quanto a legalidade do direito da apropriação do referido crédito sobre os valores decorrentes da industrialização por encomenda, penso que está superada toda a discussão atinente à conclusão da fiscalização de que o contribuinte sequer era um estabelecimento industrial. O fato é que o acórdão recorrido foi omisso em relação à acusação da fiscalização de que o requerente do referido crédito presumido sequer era um estabelecimento industrial. Como não houve apresentação de embargos para sanar a omissão é de se concluir que o presente julgamento deve ser efetuado somente sobre a questão de direito devolvida ao colegiado, qual seja, a possibilidade de inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, os valores pagos a título de industrialização por encomenda. Esta matéria não é nova no CARF e eu me filio à corrente de que no regime da Lei nº 9.363/96 tal apropriação está desamparada de previsão legal. Inicialmente partilho do entendimento de que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Não creio que está correta a conclusão de que as formas de exclusão do crédito Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 6 5 tributário sejam somente as previstas no art. 175 do CTN. Na minha opinião o art. 175 do CTN somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não são as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, penso que a redação do art. 111 do CTN seria muito infeliz em prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Veja como é a redação do art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Portanto entendo que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe o art. 111 do CTN. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 7 6 Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Estabelecido esta premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Portanto mesmo que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, entendo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto é verdade, que posteriormente à edição do referido benefício fiscal, sobreveio por meio da Lei nº 10.276/2001, uma forma alternativa de apuração do crédito Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 8 7 presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Ora, na minha opinião, evidente que se o contribuinte quiser se apropriar dos valores gastos com industrialização por encomenda é obrigatório que ele faça a opção pelo cálculo do crédito presumido do IPI na forma alternativa proposta pela Lei nº 10.276/2001. Ou seja, ao optar pela fórmula de cálculo da Lei nº 9.363/96 não há possibilidade desse aproveitamento por absoluta falta de previsão legal. O acórdão recorrido decidiu ser possível esse creditamento, porém ao decidir utilizouse de fundamentos que não são aplicáveis ao presente processo. De fato, ele decidiu pela possibilidade do creditamento entendendo em síntese que a industrialização por encomenda seria somente uma forma de aquisição de matériaprima a ser utilizada no processo produtivo do encomendante gerando o produto acabado para exportação. Esse entendimento pode ser extraído da própria ementa do acórdão recorrido: Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 9 8 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. Ocorre que esta não é a situação dos presentes autos. Conforme consta do Termo de Conclusão Fiscal, efls. 606/626, o contribuinte em questão adquire os insumos remetendoos para produção do suco de laranja concentrado que é devolvido ao encomendante para exportação direta. Ou seja, não retorna ao encomendante matériaprima e sim o próprio produto final que é exportado. Então afastase a tese defendida no acórdão recorrido de que neste caso, a industrialização por encomenda teria dado suporte a aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem para posterior utilização no processo produtivo do beneficiário. Melhor dizendo, afastase a ideia de que a industrialização por encomenda seria uma forma de aquisição destes insumos para utilização no processo produtivo e atenderia então ao disposto no art. 1º da Lei nº 9.363/96. Importante ressaltar que no voto do acórdão recorrido citase, também como razão de decidir, uma decisão do STJ nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 10 9 Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. (...) (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2011, DJe 22/11/2011 (grifamos) Cristalino que essa decisão também não é aplicável ao presente caso, pois o STJ manifestou entendimento que não há óbice ao aproveitamento dos custos para beneficiamento do insumo que será utilizado no processo produtivo do encomendante. Ressalto que a permanecer o entendimento exarado no presente voto não há que haver o retorno do processo para a Câmara recorrida para análise não apreciada pelo acórdão recorrido quanto à inexistência do crédito, pois a inexistência do direito é prejudicial em relação à verificação da materialidade do crédito. Por todo o exposto voto por dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 11 10 Declaração de Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Como fomos o relator do acórdão recorrido, mas aqui seguiremos o voto proposto pelo relator do recurso especial – o qual, como se viu, encarta conclusão diversa da que naquele propusemos –, julgamos necessário tecer algumas considerações. A primeira é que, de fato, somos favoráveis à tese, por ausência de óbice legal, de que todos os gastos empregados na matériaprima a fim de permitir a sua utilização devem ser a ela incorporados, ainda que só empregados, por encomenda, por um terceiro, de modo que devem ser considerados, pelo estabelecimento encomedante, na determinação do crédito presumido estatuído pela Lei nº 9.363, de 1996, em consonância, ademais, com decisões administrativas e judiciais (p. ex., Acórdãos CARF/3ª Turma nº 9303001.721, de 07/11/2011, e 930301.623, de 29/09/2011, e STJ, AgRg no REsp nº 1267805/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22/11/2011). A segunda é que, a despeito de concordarmos com a tese, não percebemos que a contribuinte – no caso aqui, a encomendante – nada industrializa (assim constatouse em diligência), razão por que, se contribuinte de IPI não se tratava, a ela nada deveria ter sido conferido no Despacho Decisório (concedeuse uma pequena parte do crédito requerido), ainda que a título de ressarcimento de PIS/Cofins. O reconhecimento parcial do valor pretendido decerto nos levou a reconhecer, equivocadamente, o direito da contribuinte ao crédito presumido de IPI com origem na industrialização por encomenda, uma vez que nos fez crer na natureza industrial do seu estabelecimento. Não é a sua realidade, porém. Por tais razões, alteramos o nosso entendimento, para acompanhar, nesta assentada, o voto proferido pelo il. ConselheiroRelator. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 907DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.722930/2014-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. SENTENÇA JUDICIAL. ISENÇÃO PARCIAL DE RENDIMENTOS.
Tendo restado comprovado que os valores em questão são isentos por força de decisão judicial transitada em julgado, não há falar em cobrança de imposto suplementar.
Numero da decisão: 2301-005.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 14/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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SENTENÇA JUDICIAL. ISENÇÃO PARCIAL DE RENDIMENTOS. Tendo restado comprovado que os valores em questão são isentos por força de decisão judicial transitada em julgado, não há falar em cobrança de imposto suplementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 29 30 /2 01 4- 25 Fl. 126DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0736679, exarado pela 6ª Turma da DRJ em Florianópolis (efls. 48 a 50 – numeração dos autos eletrônicos). A notificação de lançamento (efls. 04 a 08) é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos recebidos da PETROS, uma vez que do total recebido de R$107.052,16 teriam sido declarados R$87.662,53 e omitidos R$19.389,63. São citados como enquadramento legal os arts. 1º a 3º e §§ da Lei 7.713, de 1988; arts. 1º a 4º da Lei 8.134, de 1990; arts. 1º e 15 da Lei 10.451, de 2002; e arts. 43 e 45 do Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99). Consta do relatório do acórdão recorrido: Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2, alegando, em síntese, que do valor recebido de R$ 107.052,16 foi descontado a importância de R$ 19.389,63 por tratarse de parcela isenta, de acordo com sentença da justiça federal no processo n.º 200585000050297, que transitou em julgado em 18/03/2011. A DRJ julgou a impugnação improcedente em acórdão que não recebeu ementas. A ciência dessa decisão ocorreu em 16/04/2015 (aviso de recebimento EBCT, efl. 53). Em 24/04/2015, foi apresentado recurso voluntário, sendo reiterados os argumentos apresentados por ocasião da impugnação. Foi pedido o cancelamento do débito fiscal. Em 14/04/2016 esta Turma solicitou diligência, nos seguintes termos: Penso, assim, que para o deslinde da questão, é necessário descobrir quais verbas estariam sujeitas à isenção reconhecida na sentença. Nesse sentido, os cálculos presentes na ação judicial podem ajudar, uma vez que houve, na execução da sentença, o reconhecimento de um critério, que deu origem aos valores que foram restituídos (R$15.603,82). Assim sendo, voto por converter o julgamento em diligência para que seja oportunizado ao contribuinte a juntada aos autos dos cálculos dos valores que lhe foram restituídos, indicando quais foram os critérios utilizados naqueles cálculos. O contribuinte foi intimado, apresentou petição acompanhada de documentos (efls. 109 a 121) e foi emitido relatório de diligência (efl. 122). É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10510.722930/201425 Acórdão n.º 2301005.085 S2C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Em sede de impugnação, o contribuinte demonstrou ter sido julgada parcialmente procedente sua demanda judicial (processo 2005.85.00.0050297), reconhecendo como isenta do IRPF a complementação de aposentadoria proporcional às contribuições versadas no período de 1º/01/1989 a 31/12/1995. Foram consideradas sujeitas ao IRPF a complementação de aposentadoria proporcional às contribuições versadas no período de 1973 a 1988, anterior à entrada em vigor da Lei 7713, de 1988 e de janeiro de 1996 a 06/11/2000, data da aposentadoria do recorrente (efl. 36). A seu turno, a decisão recorrida (efl. 50) julgou improcedente a impugnação pelo seguintes fundamentos: (a) a sentença judicial não autorizou a exclusão da tributação de parte dos rendimentos recebidos a titulo de complementação de aposentadoria e (b) falta de comprovação de que os rendimentos lançados como omitidos no anocalendário 2012 corresponderiam às contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Analisemolos separadamente. DA EFICÁCIA DA SENTENÇA DO PROCESSO Nº 2005.85.00.0050297 Consta no acórdão recorrido (efl. 50): Ocorre que em execução do julgado, os valores retidos a titulo de IRRF correspondente às contribuições efetuadas, exclusivamente pelo contribuinte, no período de 1.º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, foram pagos ao exeqüente em 22/02/2011, no montante de R$ 15.603,82, como comprova o Recibo de Sacado de Depósito Judicial vinculado ao processo n.º 2005.85.00.005029, documento este extraído do processo n.º 10510.723334/201381 do mesmo contribuinte (fls. 45 a 47). Como se vê, contrariando o que alega a defesa, a sentença judicial não autorizou a exclusão da tributação de parte dos rendimentos recebidos a titulo de complementação de aposentadoria, mas determinou que fosse excluído da tributação o valor correspondente às contribuições vertidas pelo beneficiário, no período de 1989 a 1995, decretando a devolução dos valores indevidamente retidos a esse titulo. Dado que o contribuinte já recebeu judicialmente a devolução do montante considerado indevidamente retido a esse titulo, nada mais resta a ser pago via administrativa. (Grifouse.) Ou seja, o acórdão recorrido parte do pressuposto que a sentença não autorizou a exclusão da tributação de parte dos rendimentos recebidos a titulo de complementação de aposentadoria, mas, tão somente, determinou que fosse excluído da tributação o valor correspondente às contribuições vertidas pelo beneficiário, no período de Fl. 128DF CARF MF 4 1989 a 1995, decretando a devolução dos valores indevidamente retidos a esse titulo, que se concretizaria com o levantamento judicial do valor de R$15.603,82 pelo recorrente. Por primeiro, registro que a restituição dos valores retidos a título de IRPF no período considerado isento (1989 a 1995), foi paga ao contribuinte por meio de RPV, matéria que é litigiosa no processo administrativo 10510.723334/201381 (que trata da omissão de rendimentos), julgado por esta Turma em 14/04/2016, no qual se decidiu pela falta de competência do CARF para se manifestar originariamente sobre provas novas, sobre as quais não há manifestação da instância ad quem, e encaminhar os processo para novo julgamento pela instância de origem (Acórdão 2301004.641). A sentença, dado o seu caráter declaratório, também possui eficácia quanto as parcelas futuras de aposentadoria complementar, matéria objeto do presente processo. Registro, por oportuno, que a pesquisa no endereço eletrônico da Seção Judiciária do Sergipe (https://consulta.jfse.jus.br/Consulta/resconsproc.asp) demonstra que a sentença transitou em julgado ainda em 2008, tendo iniciado o cumprimento de sentença em 26/09/2008; assim, quando do percebimento dos rendimentos sob questionamento (2012) o contribuinte já estava sob o amparo da coisa julgada. Extraio do referido endereço eletrônico o seguinte despacho, que delimita a matéria objeto do trânsito em julgado: 01/02/2010 17:34 Despacho. Usuário: MKP Em análise, execução de sentença que determina a restituição à parte autora de quantia referente à Imposto de Renda indevidamente pago à União. (...) Às fl. 174/175, reside a delimitação exata do título judicial transitado em julgado. Transcrevo: Aposentandose em 6 de novembro de 2000 (f. 82), o demandante procedeu aos recolhimentos, para custear a aposentadoria privada, em parte, sob a regência da lei 7.713, de forma que faz jus ao recebimento da parcela, atinente a aposentadoria complementar, sempre e sempre, sem se submeter ao desconto do imposto de renda, no que se refere às contribuições do interregno de janeiro de 1989 a 31.12.1995, incidindo o imposto de renda, apenas, sobre os intervalos de 1973 a 1988 e sobre o que se inicia em janeiro de 1996 e vai até 6 de novembro de 2000. (...) Por este entender, extingo o feito com resolução do mérito, para acolher, em parte, a pretensão, declarando ilegal a incidência do Imposto de Renda sobre a aposentadoria complementar do demandante, relativa ao recolhimentos efetuados sob a vigência da lei 7.713, excluindose da condenação as parcelas referente ao período de vigência da lei 7.713, ou seja, de 1.1.89 a 31.12.95, condenando a ré à devolução do quantum foi recolhido indevidamente a este título, acrescentadose juros de mora com o trânsito em julgado e correção monetária mês a mês, a incidir a partir do momento em que cada desconto ocorreu, aplicandose a UFIR de janeiro de 1992 a dezembro de Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10510.722930/201425 Acórdão n.º 2301005.085 S2C3T1 Fl. 4 5 1995, seguindo em janeiro de 1996 da taxa SELIC, sem prejuízo de poder ser utilizado outro índice que venha a legislação indicar ou a jurisprudência consagrar. Condeno a ré, ainda, à restituição das custas processuais e a honorários advocatícios que arbitro em dez por cento sobre o valor a ser apurado em execução de sentença. Assim, foi afastada a incidência de IR sob os resgates e benefícios decorrentes de contribuições vertidas durante a vigência da Lei 7.713/88, pouco importando o momento em que o recebimento de tais prestações venha a ocorrer. Tem relevância apenas a época de recolhimento das contribuições para formação da complementação de aposentadoria. Quem se aposentou ainda sob a égide da Lei 7.713/88 não deve sofrer nenhuma retenção quanto à complementação de aposentadoria. Agora, quem recolheu sob os dois regimes, tem direito apenas a ver excluída da base de cálculo os valores proporcionais aos recolhimentos havidos naquele regime. Por essas considerações, expeçase ofício à PETROS para que passe a realizar a retenção de imposto de renda na fonte sobre os proventos do autor, conforme a legislação tributária pátria, excluindo da base de cálculo da retenção do IRPF parte dos valores da complementação, correspondente ao período de contribuição sob a sistemática da Lei 7.713/88. Para esse cálculo, deve ser levada em consideração a relação entre a quantidade de anos de recolhimento sob aquele regime em função do período total de contribuição. Oficiese a CEF para que transfira em definitivo os valores depositados pela PETROS, vinculados a este feito, em face do trânsito em julgado do título judicial. Intimemse. (Grifouse.) Assim, entendo que o montante de R$15.603,82, (recibo de sacado de depósito judicial vinculado ao processo n.º 2005.85.00.005029, extraído do processo n.º 10510.723334/201381 do mesmo contribuinte, efls. 45 a 47) referese à devolução do quantum recolhido indevidamente a título de imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF), matéria que não se confunde com o objeto do presente processo, no qual o contribuinte alega e demonstra possuir direito à isenção de IRPF referente à complementação de aposentadoria proporcional às contribuições versadas no período de 1º/01/1989 a 31/12/1995. Objeto de questionamento – tendo sido objeto de diligência – é o cálculo do montante isento, o qual será analisado oportunamente. DOS VALORES LANÇADOS COMO OMITIDOS Passo à segunda razão pela qual a impugnação foi julgada improcedente: Ademais disso, o impugnante apenas alega mas não comprova que os rendimentos lançados como omitidos no anocalendário Fl. 130DF CARF MF 6 2012, corresponderiam às contribuições efetuadas exclusivamente pelo participante no período de 1.º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, aliás, nenhum documento referente às contribuições foi apresentado pelo impugnante. O objeto da diligência foi o esclarecimento dessa questão. Em decorrência, foram juntado aos autos cálculos do contador, no quais podemos verificar os seus critérios (e fls. 111 a 121), as quais já estavam presentes às efls. 60 a 93. Se pode verificar que o critério adotado pelo Poder Judiciário, já transcrito, foi o de “ser levada em consideração a relação entre a quantidade de anos de recolhimento sob aquele regime em função do período total de contribuição” (efls. 69, 78 e 114). Assim, nos cálculos do contador foi considerada 07/06/1973 como data de início das contribuições à Petros e como data de início da aposentadoria 16/12/1998, perfazendo o total de 307 meses. Como o período abrangido pela isenção soma 84 meses (01/1989 a 12/1995), foi aplicada a proporção 84/307 x 100 = 27,36% (e fls. 72, 73 e 121), que traduz a proporção dos rendimentos isentos recebidos pelo recorrente da Petros. É evidente o erro material nesse cálculo: enquanto a sentença transitada em julgado afirmou ser a data de aposentadoria 06/11/2000 (efls. 78, 82 e 116), o perito considerou a data de 16/12/1998. Assim, para corrigir o erro deve ser somado ao cálculo o número de meses faltantes, ou seja, 23, totalizando 330 meses trabalhados (de 06/1973 a 11/2000). Excluindo os 84 meses amparados pela isenção temos que 84/330 x 100 = 25,45% (proporção dos rendimentos isentos recebidos pelo recorrente da Petros). Como o total recebido a título de rendimentos da Petros foi de R$107.052,16, o montante a ser considerado isento é de (25,45% x R$107.052,16 =) R$27.249,64, e o valor a ser oferecido à tributação é (R$107.052,16 R$27.249,64 =) R$79.802,52. Como o contribuinte ofereceu à tributação o valor de R$87.662,53 (efl. 06), nada resta a ser tributado como omissão de receitas. Pelos fundamento retroexpostos, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, cancelando a exigência fiscal. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904998/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.554
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 98 /2 01 2- 49 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.459. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 138DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.720023/2005-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 25/11/1998
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05.
Numero da decisão: 9303-005.203
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 25/11/1998 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05.
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TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 00 23 /2 00 5- 98 Fl. 271DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 340300.454, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao indébito do PIS no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, observado o critério da semestralidade da base de cálculo nos termos da Súmula 15 do CARF. O acórdão recorrido expressou o entendimento consolidado com a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS Período de apuração: 01/10/1995 a 25/11/1998. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO, MEDIDA PROVISÓRIA N. 1.212/1995. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para requerer a restituição de pagamentos realizados sob a égide da Medida Provisória n. 1,212/1995, têm seu prazo decadencial iniciado Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10835.720023/200598 Acórdão n.º 9303005.203 CSRFT3 Fl. 272 3 da publicação da decisão do STF, referente à ADIn n. 1.4170/DF e da Instrução Normativa SRF de n. 006/2000. DIREITO DE RESTITUIÇÃO. É assegurado ao sujeito passivo o direito de ser restituído dos valores referentes pagamentos indevidos ou a maior, em decorrência de erro ou por imposição de norma declarada pelo STF inconstitucional, CORREÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31,12.95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n. 8, de 27,06,97, devendo incidir a Taxa Selic a partir de 01.01.96, nos termos do art. 39, parágrafo 40 da Lei n. 9250/95. Recurso provido em parte. ” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando omissão no acórdão exarado, trazendo que não houve pronunciamento em relação ao prazo decadencial para formular os pedidos de restituição de indébitos, eis que o sujeito passivo apresentou 4 DCOMPS nos dias 16.4.04, 10.11.04, 11.8.04 e 14.2.05 e o Colegiado apenas efetuou a contagem do prazo para pedir a restituição apenas em relação ao primeiro dos pedidos. Em sessão de julgamento realizado em 8.7.2011, apreciados os embargos, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, por unanimidade de votos, os acolheu para sanar a omissão alegada e reconhecer a decadência em relação às solicitações efetuadas em 10.11.04 e 14.2.05 Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial por divergência contra o r. acórdão que reconheceu parcialmente o direito ao indébito de PIS no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996. O Colegiado havia entendido que o prazo para requerer a restituição de pagamentos realizados sob a égide da MP 1.212/95 é de 5 anos contados a partir da publicação da decisão do STF na ADIN 1.4170/DF, que ocorreu em 13.8.99. O que, por conseguinte, concluiu que os pedidos de restituição protocolados até 12.8.04 não foram atingidos pela decadência. Fl. 273DF CARF MF 4 Traz, em síntese, que: · A prescrição do direito à restituição deve sempre ser contada a partir do pagamento indevido, nos termos dos arts. 168, caput, 165, inciso I e 156, inciso I, do CTN; · A causa do recolhimento indevido é irrelevante – o que fixado o dies a quo da prescrição como data da extinção do crédito tributário, no caso o pagamento, não pode o intérprete se furtar de tal orientação, nem tampouco criar outros termos iniciais não previstos no CTN – a exemplo da publicação da decisão da declaração de inconstitucionalidade pelo STF em sede de controle concentrado ou Resolução do Senado Federal que ordenou a revogação de norma declarada inconstitucional em controle difuso. Em Despacho à fl. 228, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros: · Enviou declaração de compensação com fundamento na ADIN 1.4170 transitada em julgado em 4.4.01 – o que consequentemente tem direito ao crédito do PIS referente ao período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996; · A declaração de compensação foi realizada antes da LC 118/05. É o Relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora. Depreendendose da análise dos autos do processo, especialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecer o recurso de divergência, eis que foram atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10835.720023/200598 Acórdão n.º 9303005.203 CSRFT3 Fl. 273 5 As contrarrazões apresentadas pelo sujeito passivo também devem ser consideradas, eis que tempestivas. Observadas tais considerações, passo a discorrer sobre a matéria trazida em Recursos Especial da Fazenda Nacional. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria foi objeto de decisão do STJ sem sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do Fl. 275DF CARF MF 6 disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10835.720023/200598 Acórdão n.º 9303005.203 CSRFT3 Fl. 274 7 Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA Fl. 277DF CARF MF 8 REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, a Fazenda Nacional apenas está discutindo os pedidos de restituição protocolados até 12.8.04 – eis que o Colegiado da Cãmara abaixo havia se manifestado favoravelmente ao contribuinte pelo não reconhecimento da decadência. Sendo assim, ainda que para o caso em comento entenda que o pedido de restituição apresentado em 14.2.05 também não tenha decaído é de se ignorálo, vez que não foi objeto de Recurso Especial pelo sujeito passivo. Recordo que havia sido reconhecido o não atingimento da decadência dos pedidos de restituição protocolados em 16.4.04, 10.11.04 e 11.8.04 relativos ao PIS do período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996. Considerando que os pedidos foram apresentados antes de 9.6.05, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, afastar a decadência do período correspondente aos fatos geradores ocorridos no período em questão – outubro de 1995 e fevereiro de 1996. Isto posto, conheço o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento, mantendo a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10835.720023/200598 Acórdão n.º 9303005.203 CSRFT3 Fl. 275 9 Fl. 279DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.902293/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.812
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 22 93 /2 01 1- 81 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.243. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908657/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 86 57 /2 01 1- 91 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.629 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de PIS não cumulativo(a) exportação. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900712/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora
(assinado digitalmente).
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora (assinado digitalmente). Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora (assinado digitalmente). Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva declarouse impedido de votar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 71 2/ 20 13 -6 1 Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16682.900712/201361 Resolução nº 1401000.439 S1C4T1 Fl. 375 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 12063.511 da 15a Turma da DRJ/RJ1, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade da Interessada, ao indeferir pedido de diligência formulado para fins de identificação de possível homologação tácita em relação ao conteúdo de PER/DECOMP's transmitidos em 2004, com posterior retificação em 2008; não reconhecer nenhum crédito além do reconhecido no Despacho Decisório DEMAC/RJO n. 048890990 de 04/04/2013 (fl. 70) e não homologar nenhuma compensação além das já homologadas nesse despacho. Os PER/Dcomp (fls. 02 a 67), objeto deste processo são: • 09274.98128.290508.1.7.038202 (homologada parcialmente) • 19139.53915.290508.1.3.034252 (não homologada) • 22030.82559.290508.1.7.035540 (não homologada) • 22126.23741.290508.1.7.033812 (não homologada) • 34004.17021.290508.1.7.030073 (não homologada) • 33253.33515.290508.1.7.030560 (não homologada) No Despacho Decisório (fl. 70), consta o indeferimento parcial dos PER/DCOMP, sob alegação de que o saldo negativo de CSLL montava apenas R$ 698.100,21, sendo insuficiente para compensar integralmente todos os débitos informados pela interessada, restando a questão controvertida somente em relação valor de R$ 12.401.615,63, decorre de pagamento de Estimativa Mensal de CSLL nos meses de janeiro, fevereiro, março e julho de 2000. A parcela de crédito de R$ 12.401.615,63 não foi reconhecida, porque, de acordo com o relatório da fiscalização, a Requerente "apresentou documentação absolutamente insuficiente" para comprovar os créditos utilizados para quitar as Estimativas Mensais de CSLL dos meses de janeiro, fevereiro, março e julho. Além disto, o Ilmo. Auditor Fiscal não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP 19139.53915.290508.1.3.034252, sob a alegação de que na data de sua transmissão já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em função do decurso do prazo legal. Em sede de voluntário, reitera os argumentos trazidos na Impugnação, quanto a existência e suficiência dos créditos compensados, inclusive o pedido de conversão do julgamento em diligência para aferição da existência de homologação tácita . VOTO Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16682.900712/201361 Resolução nº 1401000.439 S1C4T1 Fl. 376 3 O recurso voluntário preenche os requisitos legais para admissibilidade. A Recorrente fundamente pedido de conversão do julgamento em diligência para aferição da existência de homologação tácita sob fundamento de que art. 74, parágrafo 5o.da Lei 9.430/96, fixa o prazo de cinco anos para análise das compensações realizadas pelos contribuintes. Reclama que para a contagem dos cinco anos há que se diferenciar as Per/Decomps originais das retificadoras, apontando que o prazo em foco iníciose em 2004 e findouse em 2009 com relação aos dados informados nas Per/Decomps originais que não foram alteradas nas Per/Decomps retificadoras e faz o seguinte recordatório em suas razões: O pedido de diligência formulado pela Recorrente encontra amparo em jurisprudência do STJ, no sentido de que a retificação tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada mas, no entanto somente interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário que foi retifificado (AgRg no Agravo de Instrumento n. 1.254.666 publicado em 08/04/2011, segue trecho: A jurisprudência desta Corte firmouse no sentido de que se considera constituído o crédito tributário a partir da entrega da Declaração de Contribuições de Tributos Federais (DCTF). Esse o teor da Súmula 436/STJ, in verbis: "A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco". Desse modo, sendo entregue a Declaração, seja por meio de DCTF, GIA, ou outra declaração dessa natureza, temse constituído e Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16682.900712/201361 Resolução nº 1401000.439 S1C4T1 Fl. 377 4 reconhecido o crédito tributário, iniciandose, a partir desse momento, o cômputo da prescrição quinquenal em conformidade com o artigo 174 do Código Tributário Nacional. Por outro lado, quando a DCTF é retificada, nas hipóteses em que permitida, esta retificação tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada mas, no entanto, somente interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário que foi retificado. Para dar respaldo ao seu crédito a Recorrente anexa aos autos planilha discriminando mês a mês, o saldo negativo de CSLL carregado no ano calendário de 1996 até a realização de cada compensação de estimativa mensal de CSLL no ano calendário de 2000 (fls. 159/160) e reconhece que se equivocou ao preencher a DCTFs quando informou o saldo negativo para as compensações das estimativas mensais de CSLL referiase ao anocalendário de 1999, o que configuraria erro material, passível de esclarecimento pela realização da diligência, que teria o condão de identificar exatamente o conteúdo dos PerDecomps formalizados em 2004 em relação às retificadoras formalizadas em 2008. Sendo assim, e apenas por dever de cautela, baixo o feito em diligência para que a fiscalização aprofunde a investigação, buscando identificar precisamente o alcance de cada um dos PER/DECOMP retificadores em relação ao conteúdo retificado, buscando apontar se de fato houve somente erro de digitação em relação ao ano calendário sendo que onde constou 1999 deveria ter constado 1996, para fins de apuração da ocorrência de possível homologação tácita em relação ao conteúdo das declarações de compensação apresentadas em 2004. Ademais, intimese o contribuinte se for o caso, no sentido de esclarecer tais inconsistências, chegando a uma conclusão a respeito do verdadeiro saldo de créditos fiscais ora em questão e seu montante em relação aos débitos compensados Se for possível, trazer também aos autos a evolução de forma ampla da formação desses créditos referentes ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1996, através das informações contidas no banco de dados da Receita Federal do Brasil, que é alimentado pelas informações prestadas pelos próprios contribuintes através de suas declarações de rendimentos/faturamento, confrontandoas com a planilha apresentada pela Recorrente (fls. 159/160), na qual, ela discrimina mês a mês, o saldo negativo de CSLL carregado no ano calendário de 1996 até as realizações de cada compensação de estimativa mensal de CSLL no ano calendário 2000. Após, intimar o contribuinte para no prazo de 30 dias oferecer suas considerações sobre o resultado da diligência, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002619/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
"A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO.
Somente os depósitos bancários identificados como resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas submete-se a tributação mais benigna, devendo ser comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, todas as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, devidamente escriturados no Livro Caixa.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2202-003.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Somente os depósitos bancários identificados como resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas submete-se a tributação mais benigna, devendo ser comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, todas as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, devidamente escriturados no Livro Caixa. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1891; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 834 1 833 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.002619/200925 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.822 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente SIDNEI RECH Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Somente os depósitos bancários identificados como resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas submetese a tributação mais benigna, devendo ser comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, todas as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, devidamente escriturados no Livro Caixa. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 26 19 /2 00 9- 25 Fl. 834DF CARF MF 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC: Por meio do auto de infração de fls. 684 a 695, de 26/06/2009, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 1.656.849,43, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos calendário 2004, 2005 e 2006, exercícios 2005, 2006 e 2007. Os dispositivos legais infringidos constam do respectivo auto de infração. Em consulta à "Descrição dos Fatos e enquadramento(s) Legal (is)", às folhas 686 a 689, e ao "Relatório de Fiscalização", às folhas 624 a 683, verificase que a autuação tem por base a constatação da prática de omissão de rendimentos, evidenciada pela falta de comprovação, por parte do contribuinte, da origem dos depósitos incluídos em suas contas bancárias, hipótese presuntiva de omissão de receitas conforme previsão do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, de 27 de dezembro de 1996. O sujeito passivo apresenta impugnação ao lançamento, arguindo, em síntese, o abaixo exposto. Afirma ser produtor rural e também comercializar a produção de outros agricultores da região, sendo o pagamento da venda de tais produtos depositados em suas constas correntes. Assim, entende que deve ser tributado com base nas determinações previstas pela Lei nº 8.023/90, ou seja, com a base de cálculo, para fins de apuração, sendo 20% sobre a receita bruta. Aduz que a inexatidão entre os valores encontrados em suas contas bancárias e os valores das notas fiscais decorre do fato que muitas vezes o depósito referese a (sic) mais de uma nota fiscal, e a (sic) venda da produção de mais de um produtor. O impugnante repassava os valores devidos aos demais produtores, após a retirada de sua comissão. Entende que devem ser utilizadas as declarações do imposto de renda de todos os produtores rurais que confessaram entregar Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10909.002619/200925 Acórdão n.º 2202003.822 S2C2T2 Fl. 835 3 sua produção ao sujeito passivo, para fins de distribuição dos valores aqui debatidos. Conclui não ser possível que um simples agricultor possa ter realizado tamanha movimentação financeira apenas com recursos próprios, o que houve foi, na verdade, um erro de pessoa mal instruída, tanto que, recentemente, a fim de legalizar totalmente sua operações o impugnante passou a intermediar a venda, entretanto, a mesma tem como origem a cooperativa criada pelos produtores da região que entregam sua produção na cooperativa. Argumenta que a aplicação da taxa Selic deve ser afastada, pois fere diversos princípios do ordenamento jurídico brasileiro, além de ultrapassar o limite de juros disposto pelo CTN, em seu artigo 161, §1º. Contesta ainda a aplicação da penalidade de 75% sobre o crédito principal, posto representar típico ato confiscatório, vedado pelo artigo 150,IV, da CF/88. Requer, por fim, nulidade do auto de infração, ou o recálculo do valor devido, e a não aplicação da taxa Selic e da multa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004,2005, 2006 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SUJEITO PASSIVO. O titular da conta de depósito mantida junto à instituição financeira é o sujeito passivo da tributação da omissão de rendimentos representada por valores creditados na referida conta, quando, regularmente intimado, o contribuinte não comprova, mediante documentação a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO Fl. 836DF CARF MF 4 Somente os depósitos bancários identificados como resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas submentemse a tributação mais benigna, devendo ser comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, todas as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, devidamente escriturados no Livro Caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004,2005,2006 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplciar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência dessa instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, §1º) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1% desde que previsto em lei. Não é da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. IMCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Cientificado (AR fls. 722) o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 723/831 no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10909.002619/200925 Acórdão n.º 2202003.822 S2C2T2 Fl. 836 5 O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. É o que dispõe o artigo da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 838DF CARF MF 6 acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. O Recorrente insiste que a origem dos recurso foi comprovada pelas declarações das empresas com quem mantinha, embora não exista a exatidão entre os valores encontrados em suas contas e os valores das notas fiscais. No entanto, conforme exposto na decisão recorrida: Quanto aos demais créditos, caracterizado pela autoridade fiscal como omissão de rendimentos, o sujeito passivo limitase a argumentar genericamente que se tratavam de intermediação na venda da produção rural de outros produtores. Tal alegação, todavia, não basta para que os depósitos sejam considerados como de origem comprovada. Apenas mediante a apresentação de documentos que atestassem de forma individualizada a origem de cada ingresso na conta bancária é que estaria cumprido o ônus que a lei lhe estabeleceu. Como o sujeito passivo não laborou neste sentido, estes depósitos enquadramse como omissão de rendimentos, conforme previsto pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A alusão sobre a utilização das declarações do imposto de renda de todos os produtores rurais que confessaram entregar sua produção ao sujeito passivo tampouco merece guarida, tendo em vista que não restou comprovado que todos os depósitos bancários efetivamente referemse ao resultado da atividade rural de outros contribuintes. Como já explicitado, para aqueles depósitos que o sujeito passivo comprovou corresponderem a créditos de outros contribuintes, não foi caracterizada omissão de rendimentos, não sendo, portanto, tributados esses valores. Ademais, o sujeito passivo não trouxe aos autos nenhum documento comprovando a efetiva transferência de recursos de Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10909.002619/200925 Acórdão n.º 2202003.822 S2C2T2 Fl. 837 7 suas contas correntes para os demais produtores rurais, base de suas alegações. Além disso, é importante destacar que a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada O Recorrente alega ainda que ocorreu um erro na base de cálculo utilizada para o lançamento, uma vez que, de acordo com o previsto na Lei nº 8.023/90, o imposto de renda da atividade rural deverá ser calculado sobre 20% da receita bruta. Como bem esclarecido na decisão recorrida, o RIR/99, em seu artigo 60, estabelece uma tributação diferenciada para atividade rural, nestes termos: Art.60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade §1ºO contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. §2º A falta da escrituação prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. Verificase, assim, que, para fazer jus a tributação diferenciada, é imprescindível que o contribuinte comprovasse que os valores recebidos em sua conta corrente são decorrentes da exploração da atividade rural o que, como visto, não foi feito. A própria decisão do CARF (Acórdão 10417830) colacionada pelo Recorrente deixa claro que "A receita da atividade rural, decorrente da comercialização dos produtos, por estar sujeita à tributação mais benigna, fica sujeita, por lei a comprovação de sua origem". Por fim, alega o Recorrente que, caso mantidos os valores discutidos integral ou parcialmente, impõese a verificação dos meios utilizados pela Fazenda a fim de atualizar o suposto débito aqui debatido, mais precisamente os juros SELIC Sistema Especial de Liquidação e Custódia, instituída pelo artigo 13, da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995, que a partir de abril de 1995, alterou o artigo 84 da Lei no 8.981/95, e passou a incidir sobre os débitos de natureza tributária, na forma de juros remuneratórios, disfarçados e contrários a determinação legal (art. 161, §, 1º do CTN) que apenas determina a exclusão dos juros moratórios. Fl. 840DF CARF MF 8 A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 841DF CARF MF
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