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Numero do processo: 10660.000325/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. BASE DE CÁLCULO. SÚMULA CARF Nº 69.
Nos termos da Súmula CARF nº 69, a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: Relator
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BASE DE CÁLCULO. SÚMULA CARF Nº 69. Nos termos da Súmula CARF nº 69, a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 03 25 /2 00 9- 19 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 85 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10660.000325/200919, em face do acórdão nº 0927.446 julgado pela 4ª Turma da Delegacia Federal do Brasil em Juiz de Fora (DRJ/JFA), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "A ação fiscal desenvolvida junto a Maria Lúcia Moraes Ribeiro, já qualificada nos autos, resultou no Auto de Infração, As fls. 01 a 25, exigindo R$ 303.677,80 de imposto, R$ 227.758,34 de multa de oficio e R$ 123.253,94 de juros de mora (calculados até 31/08/2009) A fiscalização, cujo detalhamento encontrase no Termo de Verificação Fiscal, As fls. 17 a 25, pode ser, em síntese, assim descrita: 1. A contribuinte foi selecionada por encontrarse omissa na entrega das DIRPFs, referentes aos exercícios 2005 a 2007, enquanto movimentava valores expressivos em instituições financeiras; 2. Intimada e reintimada a apresentar diversos documentos, a interessada limitouse a entregar a Fiscalização uma autorização para que esta pudesse requerer informações da própria contribuinte junto ao Unibanco S.A. Assim, foi emitida a RMF para obter a necessária documentação à condução do procedimento fiscal; 3. Feita a análise da documentação encaminhada pela citada instituição bancária, intimouse e reintimouse a contribuinte a apresentar esclarecimentos acerca dos recursos financeiros aportados em sua conta corrente, comprovando assim a origem desses. Destaquese que da referida documentação constatouse que a conta corrente tinha como segundo titular o cônjuge da interessada, Luiz Gonzaga Ribeiro. Tal fato ensejou a abertura de ação fiscal neste último; 4. A autuada apresentou Notas Fiscais de Produtor Rural, Cartão de Produtor Rural e um Contrato de Arrendamento, alegando, juntamente com seu cônjuge, Luiz Gonzaga Ribeiro, que o movimento bancário existente na conta conjunta encontrava respaldo/justificativa na documentação que estava apresentando, além de afirmar que suas Notas Fiscais de Produtor Rural representavam vendas cujos recebimentos se deram nesta conta corrente mantida no Unibanco; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 86 3 5. Dentre os esclarecimentos prestados, argumentou a contribuinte não possuir outras Notas Fiscais de Produtor Rural, pois, de acordo com o Regulamento do ICMSMG, estaria desobrigada da emissão de notas fiscais nas vendas hortifrutigranjeiros dentro do estado; 6. Os maiores adquirentes (em R$) foram circularizados e verificouse que os valores apresentados pela contribuinte refletem, de forma consistente, a renda relativa a sua atividade rural. "Necessário comentar que as vendas realizadas com as empresas EVORA, MUFFATO, SUPERMERCADO CIDADE CANÇÃO foram recebidas em contas correntes bancárias individuais pertencentes ao cônjuge Luiz Gonzaga e, portanto, estarão computadas no procedimento fiscal..." em nome deste; 7. "Comprovado que alguns valores são recursos da atividade rural e sendo 20% do valor da Receita Bruta a opção mais favorável ao contribuinte em relação à diferença entre receita e despesa, foi levado para o Auto de Infração, como omissão de receita da atividade rural... "; 8. Restaram, ainda, créditos significativos de origem não comprovada e a autoridade autuante afirmou que "não há amparo na legislação tributária para aceitação como prova de origem de depósitos em conta bancária a declaração feita pelo contribuinte no documento de fls. 114 e 115 (os recursos são advindos da atividade rural e hipótese de dispensa do item 5 retro), uma vez desacompanhada de documentação hábil e comprobat6ria. Não pode ser aceito que, grande parte de movimentação financeira tão significativa, seja comprovada com meras alegações. "; 9. Sendo assim, além da omissão de rendimentos provenientes da atividade rural, a omissão representada pelos créditos de origem não comprovada foi objeto de lançamento no presente processo. A autoridade lançadora formalizou ainda o Processo n° 10660.001185/200904 de Representação Fiscal para Fins Penais e o Processo n° 10660.001186/200941 de Arrolamento de Bens e Direitos. Cabe destacar, ainda, que a contribuinte continuou sem apresentar as DIRPFs, relativas aos exercícios 2005, 2006 e 2007. As multas por não entrega das declarações foram objeto de lançamento em outro processo. Cientificada da autuação, a interessada, através de seu representante (fl. 170), apresentou a impugnação, as fls. 159 a 169, em que contesta o lançamento efetuado, em síntese, nos seguintes termos: 1. Ao utilizar o extrato bancário para efetuar o lançamento, o Fisco não se ateve aos mandamentos do art. 43 do CTN, devendo ser aplicada a súmula 182 do extinto TFR, sendo nulo o lançamento. Neste, ponto, traz trechos de decisões judiciais que Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 87 4 se basearam na referida súmula e afirma que esta continua vigorando; 2. Alega que não foram observados "...os mandamentos dos incisos I (exclusões de transferências /cheques devolvidos e outros) e (dedução do valor de R$ 80.000,00 por ano calendário) previstas no 3° do art. 42 da Lei 9240/96 — redação dada pela Lei 9.481/97" (grifos originais); 3. Argumenta que "tratandose de conta conjunta, não há no presente processo a intimação do cotitular, sendo nulo o lançamento. "(grifos originais) e reproduz ementas de decisões exaradas pelo Conselho de Contribuintes; 4. Transcreve trechos do Termo de Verificação Fiscal e afirma que "... pela prova dos autos corroborado pela manifestação do fiscal que lavrou o auto de infração..., a única atividade exercida pela impuznante é de exploração de atividade rural." (grifos originais); 5. Ao reconhecer a atividade rural da impugnante, apenas parte dos depósitos fora tributada com base no art. 5° da Lei 8.023/80 (arbitramento do imposto de renda — 20% da receita bruta). "No caso em lide, o fisco acionou diretamente o art. 5° da Lei 8.023/90..., sem primeiro, observar a determinação do art. 4 0 da lei 8.023/90, sem efetuar as deduções do art. 7° e sem aplicar as aliquotas corretas previstas no art. 10°. "(grifos originais). Portanto há nulidade insanável no lançamento; 6. Ademais, o fisco reconheceu expressamente que a atividade exercida pela requerente é rural e, mesmo assim, efetuou lançamento "como omissão — origem não comprovada",(grifos originais) não observando a legislação pertinente; 7. Importante observar que todas as notas fiscais relacionadas pelo agente fiscal são referentes à remessa de mercadorias para outros estados, uma vez que para as vendas efetuadas dentro do Estado de Minas Gerais não há necessidade de emissão de nota fiscal. 0 trânsito de "fruta fresca nacional" é livre conforme expresso no Regulamento do Estado. Em síntese, para as mercadorias remetidas para outros estados, emitese nota fiscal, para aquelas vendidas dentro de Minas Gerais, não há emissão de notas. Tal procedimento é amparado na legislação tributária que rege a atividade rural. Contudo a autoridade autuante afirmou que essa argumentação não merece acolhida; 8. Conclui que, como não há dúvidas de que a impugnante exerce exclusivamente a atividade rural, emitindo notas fiscais em consonância com a legislação e não havendo provas de que a origem dos recursos é outra que não a atividade rural, resta afastada a presunção do art. 42 da Lei 9.430/96. Assim, a tributação deve observar o art. 5° e seu parágrafo único da Lei 8.023/90 (tributação de 20% da receita bruta — com aliquotas de 10 e 25% previstas no art. 10). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 88 5 9. Transcreve, então, diversas ementas de decisões administrativas; 10. Por fim, para referendar as alegações, requer que seja possível se utilizar de todos os meios de prova ("juntada e requisição de novos documentos, oitivas de testemunhas e depoimento pessoal do fiscal"), bem como que seja julgado improcedente o lançamento, já que este possui irregularidades insanáveis." Com a chegada deste autos a este Conselho, foi proferido Acórdão n° 2101 01.549, declinando a competência, por assim entender: “Ante a prejudicialidade configurada, entendo que o presente processo, de auto de infração de multa por falta/atraso na entrega das declarações de IRPF correspondentes aos exercícios 2005, 2006 e 2007, deve seguir o processo de auto de infração de imposto sobre a renda de pessoa física dos mesmos exercícios, para apreciação conjunta dos dois, tal como permite o Regimento Interno deste Conselho.” (grifouse). Posteriormente, em Resolução n° 2102000.114, foi determinado o sobrestamento do recurso, nos seguintes termos: "Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por conexão com o lançamento tombado no processo administrativo n. 10660.001184/200951, já que este se encontra também sobrestado, pois alicerçado em transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco." Consta no site do CARF que o processo administrativo n. 10660.001184/200951 já foi julgado, em sessão de 11 de março de 2015, possuindo o acórdão de nº 2101002.737, o qual conta a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e conseqüente nulidade do lançamento. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 89 6 de nulidade do lançamento. No presente caso, a Fiscalização procedeu a intimação de todos os titulares. IRPF. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Cabe a desconstituição da presunção quando o contribuinte, através de documentação idônea, prova a origem dos recursos depositados em suas contas bancária. No presente caso, o Recorrente não logrou êxito em comprovar a origem dos valores que transitaram em suas contas correntes. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS CAPAZES DE COMPROVAR AS ALEGAÇÕES. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória." Portanto, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, foi constatada a falta de apresentação de declaração de rendimentos, foi o tributo calculado (sendo este lançado nos autos do processo nº 10660.001184/200951) e a multa regulamentar foi apurada, sendo lançada no presente processo administrativo fiscal. O cálculo da multa foi realizado do seguinte modo, consoante Termo de Verificação Fiscal de fls. 13/14 destes autos, vejamos: "Do Cálculo da Multa A multa de mora será de 1 (um) por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, limitada a 20% do imposto devido. O termo inicial a ser considerado 6 o mês subseqüente ao prazo de entrega da declaração e o final 6 o mês do lançamento. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 90 7 Considerando que já se passaram mais de vinte meses do prazo de entrega das referidas declarações, a multa sera limitada a 20% do imposto devido em cada exercício. Exercício 2005, anocalendário 2004. Conforme Demonstrativos de Apuração (Auto de Infração fls. 05 e 06), o imposto devido é de R$ 107.461,07 X 20% = R$ 21.492,21, que corresponde ao valor da multa desse exercício. Exercício 2006, anocalendário 2005. Conforme Demonstrativo de Apuração (Auto de Infração fls. 07 e 08), o imposto devido é de R$ 95.964,41 X 20% = R$ 19.072,88, que corresponde ao valor da multa desse exercício. Exercício 2007, anocalendário 2006. Conforme Demonstrativo de Apuração (Auto de Infração, fls. 09 el0), o imposto devido é de R$ 100.852,32 X 20% = R$ 20.170,46, que corresponde ao valor da multa desse exercício. O imposto devido apurado nas referidas declarações será lançado no Processo Administrativo Fiscal N° 10660.001184/200951, de onde foram retiradas cópias dos demonstrativos de apuração acima mencionados." A legislação tributária federal, ao tratar da multa por atraso na entrega da declaração, estabelece no artigo 88 da Lei n° 8.981/95 verbis: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei nº 9.532, de 1997) II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. Depreendese da leitura do referido dispositivo legal, que a lei instituiu a multa por atraso na entrega da declaração independentemente de haver imposto devido. No caso em que houver imposto a ser pago quando da entrega da declaração, ainda que já integralmente pago, em cota única ou parcelado, a multa por atraso na entrega da declaração é devida. O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3000, de 1999), estabelece que: Art. 964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: I multa de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 91 8 rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2º e 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 27); b) de dez por cento sobre o imposto apurado pelo espólio, nos casos do § 1º do art. 23 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 49); II multa: a) de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos a seis mil, seiscentos e vinte nove reais e sessenta centavos no caso de declaração de que não resulte imposto devido (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30); b) de cem por cento, sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, resultante da reunião de duas ou mais declarações, quando a pessoa física ou a pessoa jurídica não observar o disposto nos arts. 787, § 2º, e 822 (Lei nº 2.354, de 1954, art. 32, alínea "c"). § 1º As disposições da alínea "a" do inciso I deste artigo serão aplicadas sem prejuízo do disposto nos arts. 950, 953 a 955 e 957 (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 17, e DecretoLei nº 1.968, de 1982, art. 8º). § 2º Relativamente à alínea "a" do inciso II, o valor mínimo a ser aplicado será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30): I de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos, para as pessoas físicas; II de quatrocentos e quatorze reais e trinta e cinco centavos, para as pessoas jurídicas. § 3º A não regularização no prazo previsto na intimação ou em caso de reincidência, acarretará o agravamento da multa em cem por cento sobre o valor anteriormente aplicado (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, § 2º). § 4º Às reduções de que tratam os arts. 961 e 962 não se aplica o disposto neste artigo. § 5º A multa a que se refere a alínea "a" do inciso I deste artigo, é limitada a vinte por cento do imposto devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 2º (Lei nº 9.532, de 1997, art. 27). § 6º As multas referidas nas alíneas "a" dos incisos I e II, e no § 2º deste artigo serão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 27, parágrafo único): I deduzidas do imposto a ser restituído ao contribuinte, se este tiver direito à restituição; II exigidas por meio de lançamento notificado ao contribuinte. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 92 9 (grfiouse) Portanto, considerando que o processo nº 10660.001184/200951 já foi julgado, em sessão de 11 de março de 2015, possuindo o acórdão de nº 2101002.737, tendo acordado os Conselheiros por unanimidade, em negar provimento ao recurso, verificase que cabível a manutenção da multa aplicada. A multa aplicada foi, nos termos do art. 964, I, alínea "a" de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, limitada a 20%, nos termos do § 5º do referido diploma. Assim, temse que a multa aplicada em 20% está adequada a legislação em regência. Por fim, importa referir o disposto na Súmula CARF nº 69, aplicável ao caso em análise, que assim dispõe: Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.907518/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 75 18 /2 01 0- 11 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720915/2009-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VTN-VALOR DA TERRA NUA. SUB-AVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. LAUDO TÉCNICO.
Acolhe-se o VTN apurado em Laudo Técnico de Avaliação apresentado pelo Contribuinte, fixado em patamar bem próximo ao valor médio das DITR do Município, reivindicado no Recurso Especial.
Numero da decisão: 9202-005.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o Valor da Terra Nua (VTN) constante do laudo de avaliação.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. LAUDO TÉCNICO. Acolhese o VTN apurado em Laudo Técnico de Avaliação apresentado pelo Contribuinte, fixado em patamar bem próximo ao valor médio das DITR do Município, reivindicado no Recurso Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para reconhecer o Valor da Terra Nua (VTN) constante do laudo de avaliação. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 09 15 /2 00 9- 19 Fl. 178DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005, tendo em vista o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 13/03/2012, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 220201.690 (fls. 144 a 152), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 Ementa: VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator." O processo foi encaminhado à PGFN em 26/04/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 153) e, em 27/04/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 154 a 161 (Despacho de Encaminhamento de fls. 162). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa discutir a questão da arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) com base no VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, contido no Sistema de Preços de Terras (SIPT). Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nºs 210201.405 e 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 24/05/2013 (fls. 163 a 165). Em seu apelo a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: com efeito, no acórdão paradigma resta consagrada a tese de que o VTNm constante do SIPT pode ter por base tanto o levantamento por aptidão agrícola como o valor médio das DITR entregues no município de localização do imóvel; de modo contrário, o acórdão recorrido entende que apenas o VTNm apurado com base na aptidão agrícola é legítimo para quantificar o Valor da Terra Nua, não sendo possível tal aferição pelo valor médio das DITR apresentadas ao município em que situado o imóvel rural autuado; Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10630.720915/200919 Acórdão n.º 9202005.518 CSRFT2 Fl. 179 3 e mais, o paradigma, ao referirse à necessidade de que o laudo técnico de avaliação produzido pelo contribuinte atenda às normas técnicas da ABNT, assentou que “somente laudo técnico que analisa pormenorizadamente o imóvel rural, segundo a norma da abnt vigente na data da produção do laudo, pode contraditar o valor do sipt”. a Lei 9.393/96, em seu art. 14, previu a criação de um sistema de preços de terras a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal, como se pode ver na transcrição da citada norma: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização”. a Portaria SRF nº 447, de 28/03/2002, regulamentando o Sistema de Preços de Terras, veio instituir: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997, resolve: Art. 1º Fica aprovado o Sistema de Preços de Terras (SIPT) em atendimento ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, que tem como objetivo fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR). Art. 2º O acesso ao SIPT darseá por intermédio da Rede Serpro, somente a usuário devidamente habilitado, que será feito mediante identificação, fornecimento de senha e especificação do nível de acesso autorizado, segundo as rotinas e modelos constantes na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997. Parágrafo único. A definição e a classificação dos perfis de usuários, os critérios para a sua habilitação e as transações autorizadas para cada perfil, relativos ao controle de acesso lógico do SIPT, serão estabelecidos em ato da Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis). Art. 3º A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. Art. 4º A CoordenaçãoGeral de Tecnologia e Segurança da Informação providenciará a implantação do SIPT até 15 de abril de 2002. Fl. 180DF CARF MF 4 Art. 5º Esta Portaria entra em vigor nesta data. assim, temse como procedimento para o lançamento do ITR a utilização dos valores indicados no Sistema de Preços de Preços de Terras da SRF, nos moldes estabelecidos na Portaria retro transcrita, não havendo qualquer ilegalidade na utilização dessa rotina administrativa; desse modo, plenamente legítima a conduta da autoridade fiscal ao considerar para definição do Valor de Terra Nua o valor médio das declarações do ITR; destarte, não assiste razão ao contribuinte, de modo que em nada deve ser alterado o auto de infração impugnado; as tabelas de valores indicados no SIPT servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente são utilizados pela fiscalização se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador; é certo também que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, no caso, pela norma NBR 146533; ocorre que, consoante restou devidamente constatado pela fiscalização e ratificado pela decisão de primeira instância, o contribuinte não se desincumbiu adequadamente desse mister; com efeito, referido laudo foi analisado no voto condutor da decisão de primeira instância que formou convicção de que não cabe ser ele aceito, por não atender às exigências da autoridade fiscal, nos termos das normas constantes da ABNT; o Laudo Técnico apresentado demonstra total falta de critério e apenas para referendar, sem a necessária fundamentação, o VTN originalmente declarado pelo contribuinte; logo, o laudo apresentado, por não observar as normas da ABNT vigentes na data de sua produção, revelase imprestável para contraditar o valor do SIPT; diante de todo o exposto, merece reforma o acórdão recorrido, devendo prevalecer o valor da terra nua arbitrado pela fiscalização. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do recurso, para que seja reformada a decisão recorrida. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (fls. 174 a 175). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10630.720915/200919 Acórdão n.º 9202005.518 CSRFT2 Fl. 180 5 Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR. Primeiramente, é necessário que sejam fornecidos alguns esclarecimentos, indispensáveis à compreensão acerca das peculiaridades da situação que se nos apresenta. No caso do acórdão recorrido, o Contribuinte declarou para o exercício de 2005 o VTN Valor da Terra Nua de R$ 70,00/ha, considerado subavaliado pela fiscalização, razão pela qual foi promovido o arbitramento com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, levandose em consideração a aptidão agrícola "pastagem/pecuária", fixado em R$ 2.000,00/ha (fls. 09). É inclusive o que consta do relatório do acórdão recorrido: "Em razão disso, a Autoridade Fiscal decidiu lavrar a presente Notificação de Lançamento, com a rejeição do VTN declarado de R$ 441.119,00 (R$ 70,00/ha), que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 12.603.400,00 ou R$ 2.000,00/ha (aptidão agrícola "pastagem/pecuária", com base no Sistema de Preps de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüente aumento do VTN tributado, disto resultou no imposto suplementar de R$ 51.949,97, conforme demonstrativo de fl. 04." Para contraditar o arbitramento, o Contribuinte apresentou o Laudo de Avaliação de fls. 33 a 99, firmado por Engenheiro Agrônomo, com ART Anotação de Responsabilidade Técnica, em que foi apurado o VTN de R$ 195,84/ha, não acatado pela fiscalização e DRJ. Entretanto, no voto condutor do acórdão recorrido toda a argumentação é no sentido de que o VTN teria sido arbitrado em R$ 245,76, com base no valor médio das DITR do Município. Confirase: "Em relação ao VTN, a autoridade lançadora arbitrou o valor em R$ 245,76 uma vez o laudo técnico de avaliação apresentado pelo Recorrente não preencheu os requisitos da ABNT, nos termos da norma de execução COSIT, 003, de 29 de maio de 2006. (...) Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município no ano de 2003 e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. (...) Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando Fl. 182DF CARF MF 6 legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. (...) Entretanto, diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Desta forma, entendo que devemos acolher para o VTN declarado pelo Recorrente." Por outro lado, a análise das peças do processo, mormente a decisão de Primeira Instância, permite constatar que houve efetivamente o arbitramento com base na média das DITR do Município, porém relativamente ao exercício de 2006, enquanto que o exercício ora tratado é o de 2005. Confirase: "Quanto às discrepâncias apontadas pelo requerente, em relação aos valores utilizados para arbitramento do VTN do seu imóvel, com base nos valores apontados no SIPT, para os exercícios de 2004, 2005 e 2006, cabe registrar que nos dois primeiros exercícios foram utilizados os únicos valores, por aptidão agrícola (terras de pastagens/pecuária), constantes do SIPT, fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerias, conforme previsto na legislação citada anteriormente, e para o exercício de 2006, por não constar valores, por aptidão agrícola, foi utilizado o VTN médio, por hectare, apontado nesse mesmo sistema de preços de terras (único valor disponível), apurado com base no universo das DITR/2006, correspondentes aos imóveis rurais localizados no município de Ataléia — MG (...). Portanto, isso explica a discrepância dos valores apontados para o VTN/ha para os exercícios de 2004 (R$ 1.000,00 aptidão agrícola "pastagem/pecuária") e 2005 (2.000,00 aptidão agrícola "pastagem/pecuária"), pois para o exercício de 2006, a autoridade fiscal utilizou o valor de R$ 267,78 (média das DITRs informadas) pela ausência da coleta do dado relativo à aptidão agrícola naquele exercício." Constatase, assim, a ocorrência de lapso quando do julgamento do Recurso Voluntário, que não abordou, em absoluto, a situação dos autos. Nesse caso, a oposição de Embargos de Declaração teria logrado esclarecer os fatos, mormente quanto ao arbitramento haver efetivamente levado em conta a aptidão agrícola e não o valor médio das DITR, que para o exercício de 2005 foi de R$ 245,76 (fls. 09). Assim, explicase o fato de a Fazenda Nacional apresentar toda a sua argumentação no sentido de aceitação do valor médio das DITR do Município, já que a leitura apenas do voto condutor do aresto induziu a esse lapso. Diante do exposto, considerando que: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10630.720915/200919 Acórdão n.º 9202005.518 CSRFT2 Fl. 181 7 a própria Recorrente fixouse na média das DITR do Município R$ 245,76/ha (fls. 09) como se esse tivesse sido efetivamente o VTN arbitrado; em nenhum trecho do Recurso Especial se faz alusão ao VTN por aptidão agrícola "pastagem/pecuária", fixado em R$ 2.000,00/ha (fls. 09); o Contribuinte apresentou Laudo Técnico de Avaliação, firmado por Engenheiro Agrônomo e com ART Anotação de Responsabilidade Técnica, em que foi apurado o VTN de R$ R$ 195,84/ha, bem mais próximo do valor pela média das DITR que pelo valor que levou em conta a aptidão agrícola. Conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial para acolher o VTN de R$ 195,84/ha, apurado no Laudo de Avaliação apresentado pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10437.721034/2015-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE CONEXÃO.
De acordo com o art. 6º, §2º, do RICARF, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não ocorre no caso dos autos.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALOR RECEBIDO EM NOME DA PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE REPASSE.
Comprovada a omissão de rendimentos quando a pessoa física recebe valor em nome da pessoa jurídica e deixa de repassar a ela os valores recebidos, configurando assim a disponibilidade econômica dos valores recebidos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-003.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de conexão de processos. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso para excluir a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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PEDIDO DE CONEXÃO. De acordo com o art. 6º, §2º, do RICARF, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não ocorre no caso dos autos. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALOR RECEBIDO EM NOME DA PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE REPASSE. Comprovada a omissão de rendimentos quando a pessoa física recebe valor em nome da pessoa jurídica e deixa de repassar a ela os valores recebidos, configurando assim a disponibilidade econômica dos valores recebidos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de conexão de processos. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso para excluir a infração de omissão de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 10 34 /2 01 5- 50 Fl. 1054DF CARF MF 2 rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, no que couber, o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS): Trata o presente processo de auto de infração (fls. 786/794), no qual é exigido imposto de renda pessoa física (2904) no valor de R$ 18.222.047,80, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao anocalendário 2010, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Ao ser identificada movimentação financeira incompatível com rendimentos declarados no ano calendário 2010, o contribuinte foi intimado a apresentar documentação referente às contas bancárias mantidas junto a instituições financeiras, comprovando a origem dos recursos depositados. Após analisar os documentos apresentados, a fiscalização elaborou planilha que foi enviada ao contribuinte, com solicitação para que fosse justificada a origem dos recursos. De posse dos documentos apresentados pelo contribuinte, a Fiscalização excluiu os lançamentos a crédito em conta corrente, cuja origem restou comprovada pelo contribuinte. Foram excluídos também os lançamentos a crédito inferiores a R$ 12.000,00, uma vez que o total desses lançamentos no ano calendário 2010 era inferior a R$ 80.000,00. O Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 780) assim conclui a apuração do crédito tributário decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada: (...) "Os valores que não foram retirados da planilha não tiveram suas fontes de recursos comprovadas por meio de documentação hábil, coincidente em datas valores, ou por falta de documentos Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.055 3 ou por insuficiência de elementos para real identificação da origem, como depósito de R$ 200.000.00 em dinheiro em 24/03/2010, alienação do veículo BMW, recebimento da Leader Ship Com e Representações de Produtos Náuticos, créditos de RS 300.000.00 em 23/09/2010 e R$ 50.000.00. Preparamos planilhas dos depósitos não comprovados efetuados nas contas da instituição bancária mencionada, resultando no valor tributável de RS 981.992,00, no anocalendário 2.010, conforme DEMONSTRATIVO anexo. Deve ser destacado que comprovar a origem do crédito não significa simplesmente demonstrar quem efetuou o depósito, mas principalmente, identificar a natureza da operação que deu causa ao crédito, para se determinar, com certeza absoluta, se os valores são ou não rendimentos tributáveis, uma vez que a lei dispõe que caso se comprove a origem, devese verificar se os valores tributáveis foram oferecidos ou não a tributação. Caso contrário, não sendo possível determinar a natureza dos valores depositados, estes são considerados rendimentos omitidos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. (...)” Relata ainda a Fiscalização no TVF (fls. 772/781) o seguinte: O valor de R$ 89.000.000,00 recebido em 22/11/10 na forma de TEDTELET DISP, tendo como remetente Telecomunicações São Paulo foi excluído da planilha de depósitos não comprovados por ter sido identificada a sua origem, ou seja, ação judicial por apropriação indevida de valores entre os anos de 1993 e 1995, por serviços prestados pela empresa WCR do Brasil Serviços S/C Ltda. CNPJ: 66.663.196/000102 à Telecomunicações São Paulo S.A. TELESP, CNPJ: 02.558.157/000162. De acordo com o contribuinte, o depósito foi feito em sua conta corrente 201219, Agência 2377, do Bradesco, na qualidade de procurador e advogado da empresa WCR do Brasil Serviços S/C Ltda. CNPJ: 66.663.196/000102, pois a mesma se encontrava impossibilitada de abertura de conta corrente em banco, estava INAPTA perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Conforme Comprovante de Rendimento do Bradesco Vida e Previdência S.A., os saldos de aplicações em VGBL, em nome do contribuinte, em 31/12/2009, era de RS 7.362.640,85 e em 31/12/2010, era de R$ 94.572.614,75, sendo a diferença de R$ 87.209.973,90. Este valor não foi declarado em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2010. Em 09/03/2015, lavramos Termo de Intimação Fiscal, com a finalidade de subsidiar a ação fiscal, solicitando ao Bradesco Fl. 1056DF CARF MF 4 Vida e Previdência S.A. a documentação da contratação do plano de previdência complementar. Em resposta o Bradesco enviou as cópias dos documentos do contribuinte, referente a VGBL, como a seguir: Proposta: 1 Adesão 0103391. Data: 22/11/2.010. Valor do prêmio: R$ 87.220.000.00. Renda Vitalícia. Beneficiários: Gabriela Lemos Ergas, CPF: 222.899.74803 e Rodolfo Lemos Ergas, CPF: 275.427.83890, ambos filhos do contribuinte. Resgate na proporção de 50%. Data prevista para a concessão de indenização: junho de 2.023. 2 Adicional 0254144. Data: 22/11/2010. Valor do prêmio: R$ 780.000.00. Valor total da aplicação: R$ 88.000.000.00. Em 05/01/2.015, lavramos Termo de Intimação Fiscal, solicitando a apresentação do seguinte: acordo entre as partes que extinguiu o processo ajuizado por WCR do Brasil Serviços S.C. Ltda, em face de Telecomunicações São Paulo S.A. 1 LLLSP; mandado de levantamento judicial referente ao processo da WTC do Brasil Serviços S. C. Ltda; honorários advocatícios recebidos pelos serviços prestados a WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda e o respectivo contrato de prestação de serviços profissionais de advocacia entre as partes; efetivo repasse do valor referente ao cumprimento da sentença, do contribuinte para a empresa WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda. A ciência se deu em 07/01/2015. Em 24/02/2015, recebemos os seguintes documentos: contrato de prestação de serviços advocatícios entre WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda. representada por Carlos Alberto Ergas e Melo & Tognolo Advogados Associados e três páginas de um Instrumento Particular de Transação entre WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda c TELESP. Em 09/03/2015, lavramos Termo de Intimação Fiscal, também, com a finalidade de subsidiar a ação fiscal, solicitando à Telefônica Brasil S.A., a documentação que demonstre a que título foi feito pagamento no valor de R$ 89.000.000.00, ao contribuinte, em 22/11/2010, na qualidade de representante da empresa WCR do Brasil Serviços SC Ltda. CNP.I: 66.663.196/000102. Como resposta a Telefônica informou que não tinha qualquer tipo de rendimento pago ao Sr Carlos Alberto Ergas, CPF: 107.957.82853, CNPJ: 66.663.196/000102, no período de 2.010. Diante de tal resposta, entramos em contato com a Telefônica, informamos haver o depósito e ficamos no aguardo de resposta. Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.056 5 Em 01/04/2015, recebemos da Telefônica, cópia da sentença, dos embargos de declaração e do instrumento celebrado entre WCR do Brasil Serviços SC Ltda. representada por Carlos Alberto Ergas e Telecomunicações de São Paulo S.A., TELESP, justificando o pagamento efetuado em 22/11/2010. Mediante o relatado, em 02/06/2015, lavramos Termo de Intimação Fiscal para que demonstrasse o seguinte: efetivo repasse do valor referente ao cumprimento do acordo judicial recebido pelo contribuinte, na qualidade dc procurador, para a empresa WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda e para os sócios. Em 22/06/2015, recebemos a resposta de que a única transferência feita à WCR foi em 22/02/2011, no valor de R$ 23.720.000.00. Que o saldo está aplicado em fundo exclusivo sob a responsabilidade do contribuinte e que não houve transferência direta aos sócios. Anexou o extrato mensal de 21/02/2011 a 22/02/2011, da conta corrente 20.1219, Agência 2377. Bradesco, na qual consta o pagamento autorizado, sem identificação do destinatário. Em 01/07/2015, lavramos Termo de Intimação Fiscal solicitando: Identificar banco, agência e conta da empresa WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda, onde se deu o repasse de R$ 23.720.000,00, em 22/02/2.011. Em resposta, em 10/07/2015, esclareceu que não podia enviar o número da conta corrente solicitada, pois não tinha o comprovante da Ted enviada e também pela negativa do banco em conceder uma cópia, por não manter em arquivo a comprovação da transação bancária. Pesquisando os sistemas da RFB, conseguimos identificar a transferência de R$ 23.720.000,00 para a conta da empresa WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda. De acordo com o exposto, concluímos que o valor de R$ 65.280.000,00 permaneceu em poder do contribuinte, porém não foi computado na base de cálculo do imposto ao qual está sujeito, devendo submeterse às normas de tributação específica, prevista na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (artigo 37. 38. 45 c 55 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000/99). (...)" O contribuinte apresentou, tempestivamente (fls.806), impugnação (fls.799/803) ao auto de infração. Alega, preliminarmente, a nulidade da autuação, afirmando que o lançamento não indicou a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. A Fiscalização teria considerado que todos os valores que compuseram a omissão de rendimentos estariam sujeitos à tributação pelo “regime de progressão de alíquota”. Fl. 1058DF CARF MF 6 De acordo com os documentos entregues, haveria valores recebidos em decorrência da venda de bens, cujo tratamento tributário seria o da tributação exclusiva sobre o ganho de capital, com alíquota de 15%. Assim, em decorrência de erro formal, a parte do auto de infração que trata da alegada omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, deve ser considerada nula. No mérito, afirma que o valor de R$ 65.280.000,00, apurado como omissão de rendimentos, não lhe pertence. Este valor faria parte do montante de R$ 89.000.000,00, creditados na sua conta através de TED remetida por Telecomunicações de São Paulo S/A para liquidação de acordo judicial firmado nos autos de uma ação judicial movida por WCR do Brasil Serviços S/C Ltda. CNPJ n° 66.663.196/000102, tendo como Advogado o contribuinte. Teria sido no exercício dos poderes de advogado da WCR do Brasil Serviços S/C Ltda. que firmou acordo em nome de seu cliente. Esse acordo foi homologado judicialmente com a TELESP, para pôr fim a ação judicial onde se buscava o recebimento de pagamento por serviços prestados no período de 1993 a 1995, recebendo os valores acordados em sua conta corrente para que pudesse dar a devida quitação do acordo. O próprio autuante teria reconhecido como verdadeiras suas alegações, as quais teriam sido ratificadas pela TELESP, quando esta confirmou que nenhum valor teria sido pago ao contribuinte, mas à WCR do Brasil Serviços S/C Ltda. O fato de ter sido aplicado em seu nome o valor recebido também não modificaria a titularidade dos valores recebidos. Por se tratar de um valor que não lhe pertence, deveria ser reconhecido como um ato de prudência a aplicação desses, deixandoos a salvo de qualquer situação que possa lhe dar causa de perdimento, afinal no exercício de sua atividade de Advogado deverá prestar contas a seu cliente dos valores recebidos. Quanto a não informação desses valores em sua Declaração de Ajuste Anual do AnoCalendário de 2010, entende que as razões acima são suficientes para as explicar, admitindo, entretanto, que deveria ter declaradoos na ficha de Ônus Reais, registrando o passivo que possui em relação à empresa WCR, fato que não mudaria absolutamente em nada a situação tributária do Impugnante em relação aos valores relacionados. Com relação aos demais valores lançados, além das preliminares de nulidade constantes da impugnação, declara que todas as informações quanto à origem foram devidamente esclarecidas e “também se trata de valores recebidos em nome, cujas devidas prestações de contas foram apresentada durante o curso da fiscalização, não deveriam, portanto, ser admitidas como se fossem renda do contribuinte, aplicandose aqui os mesmos comentários e fundamentação de direito apresentadas no caso da WCR. Admite a existência de valores recebidos pela venda de bens de sua propriedade, mas também esclarece que tais valores não podem ser tratados como omissão de rendimento por serem Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.057 7 submetidos a regime de tributação diferenciado dos demais rendimentos. Tais valores, no máximo, dariam origem a ganho de capital, representado pela diferença positiva ente o preço de compra e o preço de venda do bem, tributado pela alíquota de 15%. Assim, requer o cancelamento do débito fiscal. Em 07/10/2015, intempestivamente, o contribuinte a apresenta razões aditivas à impugnação administrativa (fls.809/816), alegando: Ilegitimidade Passiva – foi lavrado auto de infração contra WCR do Brasil Veiculação e Publicidade LTDA ME, consubstanciado no processo administrativo nº 10855.722766/201536, em setembro de 2015, cujo fundamento é a exclusão da tributação do valor de R$ 89.000.000,00 recebido da TELESP, reconhecendo nesse auto de infração que a receita seria da empresa WCR e não do impugnante. Assim, entende que a existência de dois lançamentos lavrados sobre o mesmo fato gerador geraria enriquecimento sem causa da União federal, bis in idem, com a tributação da mesma receita por duas vezes. Requer a nulidade do presente lançamento. Litispendência – na medida em que teria sido lavrado auto de infração contra o contribuinte, com base de cálculo oriunda do mesmo valor recebido pela WCR como indenização por danos a ela causados pela TELESP. A Receita Federal do Brasil, por meio de duas Delegacias localizadas em cidades diferentes estaria cobrando da mesma pessoa impostos incidentes sobre uma mesma renda, ocasionando dupla tributação. Conexão dos Lançamentos – dois lançamentos lavrados contra pessoas diferentes, mas com o mesmo fato gerador. Assim, haveria conexão entre os processos, o que exigiria o julgamento conjunto pela mesma autoridade julgadora, evitando prejuízo ao contribuinte. Como os dois lançamentos teriam o mesmo fato gerador, um deveria ser cancelado. Nulidade do Lançamento – Erro na apuração da base de cálculo – Rendimentos Recebidos Acumuladamente – A medida judicial proposta pela WCR contra Telesp visou a cobrança de valores relativos a 1993 até 1995, os quais foram recebidos em 2010, na forma de indenização, mediante acordo judicial. Ao considerar que os valores são rendimentos do contribuinte e tributálos com as alíquotas vigentes em 2010, estaria sendo contrariado o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287, de 2006, por se tratarem de rendimentos recebidos acumuladamente. Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal. Em 03/11/2015, o contribuinte apresenta, intempestivamente, novas razões aditivas à impugnação (fls.859/865), alegando agora que houve a devida comprovação da origem dos depósitos bancários. Fl. 1060DF CARF MF 8 Os depósitos ocorridos em 09/03/2010 (R$ 120.000,00), em 08/04/2010 (R$ 70.000,00), em 28/04/2010 (R$ 20.000,00), em 30/04/2010 (R$ 20.000,00), em 31/05/2010 (R$ 20.000,00) e em 07/06/2010 (R$ 20.000,00) referemse a venda de um veículo BMW X6 e deveriam ter sido tributados a alíquota de 15% por se tratar de venda de bem. Os depósitos implementados em 23/09/2010 (R$ 300.000,00) e em 28/10/2010 decorrem de acordo judicial e extrajudicial firmado entre as empresas DLB Indústria e Comércio Ltda e Euroart Comércio de Produtos de Beleza Ltda, sendo o contribuinte representante legal da DLB. O depósito no valor de R$ 200.000,00, ocorrido em 24/03/2010 teria origem em instrumento particular de confissão e renegociação de dívida firmada pelos Srs. Hagop Cherkesiam, Carlos Alberto Reys Gandra e Márcio Luchesi. O montante de R$ 161.992,00, depositado em 08/09/2010, decorreria de multa contratual recebida pela Leader Ship Com. e Representação de Produtos Náuticos, em cumprimentos de transação celebrada em 01/06/2010, homologada judicialmente. Assim, haveria erro no lançamento, pois havendo comprovação da origem, os valores deveriam observar as regras de tributação específica, nos termos do disposto no § 2º do art. 42 da lei nº 9.430/1996. Alega novamente ilegitimidade passiva, requerendo oportunidade apresentar a DIPJ da WCR do Brasil Veiculação e Publicidade LTDA ME., uma vez que o valor de R$ 89.000.000,00 foi devidamente registrado como receita dessa sociedade e fruto de lançamento consubstanciado no processo administrativo 10855.722766/201536. Por último, requer o cancelamento do débito fiscal. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº 1006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013) e conforme definição da CoordenaçãoGeral do Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o presente eprocesso foi encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS negou provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.058 9 OMISSÃO DE RECEITA. VALOR RECEBIDO EM NOME DA PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE REPASSE. Comprovada a omissão de receita quando a pessoa física recebe valor em nome da pessoa jurídica e deixa de repassar a ela os valores recebidos, configurando assim a disponibilidade econômica dos valores recebidos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LITISPENDÊNCIA. A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir. IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. Considerase intempestiva a impugnação apresentada pós o decurso do prazo de 30 dias estabelecido pelo Decreto 70.235/1972. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FATO SUPERVENIENTE. Deve ser apreciada a prova que se refira a fato superveniente não conhecido à época em que a impugnação foi apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 887/958 no qual reitera as alegações constantes das Impugnações. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINARES O Recorrente aponta as seguintes preliminares: a) ilegitimidade passiva; b) conexão do presente lançamento com o lançamento de IRPJ e CSLL realizado em face da empresa WCR do Brasil Ltda; c) nulidade do lançamento por erro na base de cálculo rendimento recebidos acumuladamente; d) erro na base de cálculo aplicada a venda de veículo; e) devida comprovação da origem dos depósitos objeto do lançamento. Fl. 1062DF CARF MF 10 Das matérias acima listadas, somente o requerimento de conexão pode ser visto como preliminar. As demais preliminares se confundem com o mérito da discussão e, por isso, serão juntamente com ele analisadas. 1.1) DO PEDIDO DE CONEXÃO COM O LANÇAMENTO EFETUADO NO PROCESSO Nº 10855722.766/201536 Alega a Recorrente a conexão do presente processo com o processo de nº 10855722.766/201536, para cobrança de IRPJ e CSLL, em que foi autuada a empresa WCR do Brasil Ltda (fls. 835/850) em razão da ausência do computo da receita de R$89.000.000,00. (fls. 822) relativa ao mesmo fato gerador. Para dar maior celeridade e racionalidade aos processos que tramitam no CARF foi instituída, no Anexo II, art. 6º a 8º do Novo Regimento (Portaria MF nº 343, de 09/06/2015) a possibilidade de vinculação dos processos quando estes forem conexos, decorrentes ou reflexos, nestes termos: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo,ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. (grifamos) Tem razão o Recorrente quando afirma que os processos tratam das mesmas questões fáticas, pois tanto a omissão de receita deu causa ao lançamento do IRPJ e da CSLL quanto a tributação do Recorrente decorrem do recebimento do valor R$ 89.000.000,00. No entanto, conforme se verifica pela norma prevista no §2º do referido artigo, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não ocorre no caso dos autos. Em face do exposto, indefiro o pedido de conexão formulado pelo Recorrente. 2) MÉRITO Conforme se verifica pelo Relatório Fiscal, duas foram as causas do lançamento discutido no presente processo: Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.059 11 a) Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica b) Omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. Analisaremos, separadamente, cada uma das infrações apontadas 2.1) OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA O contribuinte alega que o valor de R$ 65.280.000,00 não poderia ser tributado, uma vez que não lhe pertence. Desde o trabalho fiscal, o contribuinte insiste que tal valor resulta da diferença entre o montante de R$ 89.000.000,00 depositado em sua conta por meio de TED efetuado pela Telesp Telecomunicações de São Paulo S/A para liquidação de acordo judicial firmado com WCR Brasil Serviços Ltda, e o valor de R$ 23.720.000,00 transferido pelo contribuinte à empresa WCR Brasil Serviços Ltda. Os valores teriam sido depositados na sua conta na qualidade de advogado e procurador da empresa. Sendo assim, o fato de ter ficado com parte do valor recebido em nome da empresa WCR serviços S/C Ltda não guarda qualquer relação com fato gerador do Imposto de Renda, pois não haveria disponibilidade econômica e jurídica da mencionada renda. A DRJ, por sua vez, negou provimento ao pedido por entender que: a) Na mesma data em que foi efetuada TED eletrônica para conta do contribuinte no montante de R$ 89.000.000,00 houve a contratação de plano de previdência complementar no valor de R$ 88.000.000,00 pelo contribuinte cujos beneficiários são seus filhos: Gabriela Lemos Ergas e Rodolfo Lemos Ergas. A data prevista para concessão do benefício foi junho de 2023. b) As alegações de que o dinheiro não lhe pertence são frágeis, uma vez que, "passados mais de cinco anos da data em que recebeu os valores pagos pela TELESP à empresa WCR Brasil Serviços S/C, na qualidade de seu procurador, ainda não os tenha repassado em sua integralidade à empresa." c) que a justificativa de que os valores pagos pela Telesp à WCR Brasil Serviços S/C tinham sido transferidos para a sua conta corrente em razão do fato de que a empresa encontravase inapta junto ao cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB (o que a impossibilitava de abrir conta junto às instituições financeiras) não mais se sustenta, uma vez que, a partir do ano de 2011, essa situação deixou de existir. d) que a aplicação do dinheiro em um plano de VGBL, em seu nome e com data de resgate prevista para 2023, comprova a intenção do contribuinte em se manter na posse dos valores recebidos pela empresa e não a intenção de repassálos à WCR Brasil serviços Ltda. e) estaria afastada argumentação no sentido de que o contribuinte não pode dispor economicamente na referida renda, uma vez que aplicação por ele efetuada tem como beneficiários os seus filhos, os quais não guardam qualquer relação obrigacional com a referida empresa. f) o contribuinte não apresentou qualquer comprovação ou justificativa para permanecer na posse de um valor bastante expressivo. Fl. 1064DF CARF MF 12 g) a aquisição de disponibilidade financeira é fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física, nos termos do artigo 43 do CTN, o qual estabelece que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento. Entendo, todavia, que não restou comprovado que o Recorrente era proprietário dos referidos recursos. Tal comprovação é fundamental para tributação da renda, pois, nos termos do artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior Pela leitura do referido artigo é possível constatar que o núcleo do conceito de renda é a obtenção de um acréscimo patrimonial. Sendo assim, é imprescindível a demonstração da propriedade dos valores depositados. O simples depósito em conta corrente do Recorrente não é suficiente para comprovação da propriedade. O que restou evidenciado no trabalho fiscal é que o contribuinte possui a posse dos valores, mas, a meu ver, não restou comprovada a propriedade destes. Isso porque, conforme reconhecido no trabalho fiscal, o titular dos valores depositados era a empresa WCR Brasil Serviços S/C Ltda. Tal fato, além de comprovado por meio da juntada homologação do Acordo Judicial realizado entre a WCR e a Telesp pelo Superior Tribunal de Justiça (fls. 76) não foi contestado pela autoridade fiscal ou pela DRJ. Além disso, conforme consta do Relatório Fiscal, em 09/03/2015, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, solicitando à Telefônica Brasil S.A., a documentação que demonstrasse a que título teria sido feito o pagamento no valor de R$ 89.000.000.00 ao contribuinte, em 22/11/2010. Como resposta, a Telefônica informou que não tinha qualquer tipo de rendimento pago ao Sr Carlos Alberto Ergas, CPF: 107.957.82853, CNPJ: 66.663.196/000102, no período de 2.010. Não bastassem esses elementos, consta do Relatório Fiscal (fls. 822/834) que deu origem ao Auto de Infração relativo ao processo nº 10855722.766/201536, em que foi autuada a empresa WCR do Brasil Ltda (fls. 835/850), que esta declarou na ficha 06A Demonstração de Resulta, item 60 (outras receitas), da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ 2011, Ano Calendário 2010 o recebimento da receita de R$89.000.000,00. (fls. 822). Finalmente, é importante ressaltar que a própria receita federal reconheceu que o valor R$ 89.000.000,00 é de propriedade da empresa, conforme se constata pelo seguinte trecho do Relatório Fiscal acima mencionado: "O contribuinte informou no item 60 da ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, DIPJ 2011, ano calendário de 2010, ND 0001558764, o valor de R$ 89.000.000,00, como recebimento de "Outras Receitas não Relacionadas nas Linhas Anteriores" Apurou Lucro Líquido no valor de R$ 89.000.000,00 e informou no item 01 da ficha 09A Demonstração do Lucro Real PJ em Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.060 13 Geral, da DIPJ/2011, anocalendário 2010 ND 0001558764. No item 78 Outras Exclusões da mesma ficha, o contribuinte excluiu o mesmo valor (R$ 89.000.000,00), apurando um Lucro Real de R$ 0,00. Conforme cópia do extrato bancário fornecido pela fiscalizada, no dia 22/11/201 foi creditado na contacorrente do procurador Sr. Carlos Alberto Ergas, o valor de R$ 89.000.000,00. Conforme Instrumento Particular de Transação, cópia apresentada pela Telecomunicações de São Paulo S/A Telesp em 08/04/2015, esse crédito bancário de R$ 89.000.000,00 referese ao pagamento efetuado por esta empresa à WCR do Brasil serviços S/C Ltda a título de indenização, juros e correção monetária (serviço 900) para quitação de todos os direitos e obrigações entre as partes, relativo ao objeto do processo judicial nº 583.00.1998.9458097. Intimado a justificar o motivo da exclusão do montante de R$ 89.000.000,00 do Lucro Líquido para determinação do Lucro Real, o contribuinte não comprovou, assim, consideramos a exclusão indevida e recompomos o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL. Apesar de reconhecer que o dinheiro foi depositado e encontrase na posse no procurador Carlos Alberto Ergas, a autoridade fiscal utilizou como base para autuação de IRPJ e CSLL o montante de R$ 89.000.000,000 e não os R$ 23.720.000,00 repassados à empresa. É importante destacar também que o Auto de Infração que deu origem ao Processo nº 10855722.766/201536 imputa responsabilidade solidária (art. 124,I do CTN) e pessoal (art. 135, III) aos seguintes sócios da empresa WCR do Brasil Ltda: a) Santa Maggione Comércio e Participações Ltda ME; b) Ariston Gomes de Oliveira; c) Alfrego Ergas; d) Ednen de Castro Antunes e) Rodolfo Lemos Ergas f) Carlos Alberto Ergas Pela leitura da relação de responsáveis tributários é possível constatar que ao Recorrente (Carlos Alberto Ergas) foram imputadas as responsabilidades pessoal e solidária acima mencionadas. Sendo assim, caso, eventualmente, se identifique a intenção de esvaziamento patrimonial da pessoa jurídica em benefício do Recorrente este já se encontra arrolado como responsável no Auto de Infração relativo a pessoa jurídica. 2.2) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS 2.2.1) Da presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 Fl. 1066DF CARF MF 14 Antes de analisarmos as alegações do Recorrente, é importante tecer algumas considerações sobre a presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.061 15 a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, o Recorrente optou por segregar sua contestação em duas partes. Na primeira parte tratou dos valores recebidos em decorrência da venda de veículo e, na segunda parte, tratou dos demais depósitos. 2.2.2 Venda do veículo O Recorrente reconhece que os valores recebidos em decorrência da venda de veículo não foram oferecidos à tributação, mas discorda da forma de tributação aplicada, entendendo que deveria ter sido apurado o ganho de capital e aplicada a alíquota correspondente de 15%. De acordo com Recorrente, a venda do veículo BMW X6, placa ERG 9933, justificaria os depósitos de R$ 120.000,00, em 09/03/2010, R$ 70.000,00, em 08/04/2010, R$ 20.000,00, em 28/04/2010, R$ 20.000,00, em R$ 30/04/2010, R$ 20.000,00, em 31/05/2010 e R$ 20.000,00, em 07/06/2010. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre, no entanto, negou provimento a essa alegação, sob os seguintes fundamentos: Com relação à venda do veículo BMW X6 (R$ 270.000,00), o único documento apresentado pelo contribuinte para comprovar a origem dos valores creditados em sua conta foi o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo em nome Fl. 1068DF CARF MF 16 do Sr. Ricardo Arruda Nunes. Não existe nos autos qualquer comprovação de que esse veículo fosse de propriedade do contribuinte, tampouco que os referidos depósitos/transferências tenham sido efetuadas pelo Sr. Ricardo Arruda Nunes, documentos indispensáveis à comprovação da origem dos créditos na conta do contribuinte. Assim, não estando comprovada a origem dos depósitos, não há como se falar em tributação do ganho de capital em alíquota de 15%, pois a operação de venda do veículo apontada pelo contribuinte não restou comprovada.(grifamos) Em fase recursal o Recorrente anexou documento que comprova que o referido veículo era de sua propriedade (fls. 962). Todavia, não junta aos autos a comprovação de que os referidos depósitos foram efetuados pelo Sr. Ricardo Arruda Nunes. Conforme visto, a presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96 atribuiu ao contribuinte o dever de comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos. Sendo assim, entendo que não houve a correta e completa comprovação da origem dos valores mencionados. 2.2.3) Depósitos bancários de origem não comprovada Em relação aos demais depósitos, o Recorrente aponta as seguintes fundamentações: a) R$ 200.000,00, depósito em dinheiro em 24/03/2010, pagamento da parcela de R$ 193.420,00, constante de instrumento particular de Confissão e Renegociação de Dívida, cujo devedor é Márcio Lucchesi e os credores Hagop Cherkesian e Carlos Alberto Reys Gandra, o contribuinte atuou como árbitro no referido acordo (fls.379/414). Em relação apontada origem do depósito a Delegacia Regional de Julgamento aponta as seguintes objeções à justificativa trazida pelo contribuinte Com relação ao depósito em dinheiro de R$ 200.000,00, ocorrido no dia 24/03/2010, o contribuinte alega que sua origem seria pagamento efetuado por Márcio Lucchesi a Hagop Cherkesian e Carlos Alberto Reys Grandra. Esse pagamento faria parte de uma dívida, cujo árbitro da negociação foi o contribuinte. Analisando os documentos apresentados, verificamos que o contribuinte atuou como árbitro na negociação de dívida existente entre as citadas partes. Todavia, não há comprovação nos autos de que o depósito efetuado na conta corrente do contribuinte decorra do pagamento da referida dívida. O comprovante de depósito juntado pelo contribuinte (fls.387) tem o seu CPF como depositante. Assim, não há provas de que se trata de depósito efetuado por Marcio Lucchesi (devedor). Além disso, não há no instrumento de negociação de dívida (fls.381/382) indicação de que haveria pagamento no montante de R$ 200.000,00 no dia 24/03/2010 a ser efetuado ao contribuinte. Existe apenas a previsão de um pagamento de R$ 193.420,00 que deveria ocorrer em 09/03/2010, mas nenhuma indicação de que este pagamento seria efetuado ao contribuinte no lugar dos credores. O contribuinte afirma que a diferença de valores decorre de pagamento em atraso, mas o próprio contrato prevê uma multa de mora por atraso superior a 3 dias de 20% sobre a prestação, que no caso seria de R$ 38.684,00. Valor bastante superior à diferença verificada (R$ 6.580,00). Assim, correta a Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.062 17 Fiscalização ao entender que não restou comprovada a origem do depósito. Como resposta o Recorrente alega que caberia a fiscalização diligenciar junto às instituições financeiras no sentido de verificar a origem dos depósitos. Tal alegação, no entanto, esvaziaria de sentido a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 b) R$ 300.000,00 – depósito em cheque no dia 23/09/2010 e R$ 50.000,00 – TED – em 28/09/2010 – Acordo celebrado entre DLB Indústria e Comércio Ltda. e Euroart Comércio de Produtos de Beleza Ltda. (fls. 617/629); Em relação apontada origem do depósito, a Delegacia Regional de Julgamento aponta as seguintes objeções à justificativa trazida pelo contribuinte Em relação ao montante de R$ 350.000,00, cuja origem seria acordo realizado entre DLB Indústria e Comércio Ltda. e Euroart Comércio de Produtos de Beleza Ltda, sendo o contribuinte procurador da DLB Indústria e Comércio Ltda., deve ser observado que aqui novamente não há comprovação de que os cheques que foram depositados na conta do contribuinte no dia 23/09/2010 perfazendo o valor de R$ 300.000,00 foram emitidos pela Euroart Comércio de Produtos de Beleza Ltda. O comprovante de depósito de fls. 622 indica apenas os números dos cheques, mas não quem é o seu emitente. Os documentos apresentados para comprovação das operações (fls. 618/621 Ata de Reunião, Recibo e Quitação Recíproca, Termo de Autorização Para Celebração de Acordo) são particulares, não sendo registrados ou reconhecidos por tabelionato. Já o valor de R$ 50.000,00, creditado na conta do contribuinte por meio de TED também não indica a origem do recurso, sendo insuficientes os documentos apresentados para sua comprovação Não trouxe o contribuinte, em fase recursal, nenhum dos elementos apontados na decisão recorrida se limitando a afirmar que a autoridade fiscal deveria ter diligenciado no sentido de identificar a sua origem. Tal situação, como já dito, conflita com a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. c) R$ 161.992,00 – TED em 08/09/2010 – valor recebido em nome da Leader Ship Com.e Representação de Produtos Náuticos, do Sr. Afonso Antonio Hennel para efeito da multa contratual e reparos em embarcação, dando cumprimento aos termos de transação celebrado em 01/06/2010 e homologado judicialmente pela 25° Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça. (fls. 554/599). Em relação apontada origem do depósito, a Delegacia Regional de Julgamento aponta as seguintes objeções à justificativa trazida pelo contribuinte: Por último, temos a TED realizada em 08/09/2010 no valor de R$ 161.992,00 para a conta do contribuinte. A alegação é de que o valor foi recebido por um associado do contribuinte em nome da Leader Ship Com. E Representação de Produtos Náuticos. Esse valor teria sido pago pelo Sr. Afonso Antônio Hennel em cumprimento a acordo celebrado judicialmente para o pagamento de reparos em sua embarcação e multa contratual. Fl. 1070DF CARF MF 18 Aqui novamente não existe comprovação de que esse pagamento tenha partido do Sr. Afonso Antônio Hennel, tampouco motivação para que o pagamento tenha ocorrido para o advogado da Leader Ship Com. E Representação de Produtos Náuticos e não diretamente para a empresa prestadora do serviço. Não há qualquer indicação ainda de que esse valor tenha sido repassado à Leader Ship Com. E Representação de Produtos Náuticos. Portanto, sem comprovação a origem do depósito efetuado, deve ser mantido o lançamento. Dessa forma, assim como nos itens anteriores, o contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a origem do depósito, motivo pelo qual, deve ser mantido o lançamento nesse ponto. 3) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento o valor relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Voto Vencedor Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado. Inobstante o bem fundamentado voto da Relatora, peço vênia para divergir em relação à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. A Fiscalização considerou o valor de R$ 65.280.000,00 como omissão de rendimentos, resultado da diferença entre o total de R$ 89.000.000,00 depositado pela empresa TELESP, para liquidação de acordo judicial firmado com a WCR Brasil Serviços S/C Ltda, e o montante de R$ 23.720.000,00 transferido pelo Contribuinte à empresa WCR. Em 22/11/2010, foi efetuada TED eletrônica para a conta do contribuinte no montante R$ 89.000.000,00. Nessa mesma data, houve a contratação de plano de previdência complementar no valor de R$ 88.000.000,00, pelo contribuinte, cujos beneficiários do plano são os seus filhos Gabriela Lemos Ergas e Rodolfo Lemos Ergas. A data prevista para a concessão do benefício foi junho de 2023. O art. 43, CTN, assim dispõe sobre o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10437.721034/201550 Acórdão n.º 2202003.818 S2C2T2 Fl. 1.063 19 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (grifei) No presente caso, o Contribuinte recebeu o referido valor em nome da empresa e não repassou a esta, mesmo decorridos mais de cinco anos do seu recebimento. Os valores foram aplicados em investimento de longo prazo em benefício de seus filhos, confirmando a sua intenção de permanecer na posse dos valores recebidos. Não houve nenhuma comprovação por parte do Contribuinte de que os valores foram repassados à empresa, tampouco esta demonstrou qualquer interesse de reavêlos. Assim, restou configurada a ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física. Conforme bem decidiu a DRJ, os argumentos do Contribuinte são frágeis e não são aptos a afastar o lançamento fiscal. A seguir transcrevo excertos do voto vencedor da decisão a quo, com os quais concordo e adoto também como razões de decidir: O contribuinte justifica o uso deste dinheiro como uma medida de prudência, deixando os valores a salvo de qualquer situação que possa dar causa ao seu perdimento. O que é possível observar pela análise dos documentos constantes dos autos e do comportamento do contribuinte é a fragilidade de seus argumentos ao justificar o fato de que passados mais de cinco anos da data em que recebeu os valores pagos pela TELESP à empresa WCR Brasil Serviços S/C Ltda, na qualidade de seu procurador, ainda não os tenha repassado em sua integralidade à empresa. A justificativa do contribuinte para que os valores pagos pela Telesp à WCR Brasil Serviços S/C Ltda tenham sido transferido para a sua conta corrente seria de que na data em que o pagamento ocorreu, 22/11/2010, a empresa encontravase inapta junto ao cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e assim impossibilitada de abrir conta em Instituição Financeira. Essa justificativa não mais se sustenta, pois a partir do ano de 2011 essa situação deixou de existir, passando a empresa à situação de ATIVA junto ao cadastro da RFB. A explicação para aplicação/utilização do dinheiro que não seria seu, mas da empresa, em um plano de previdência privada – VGBL em nome do contribuinte, mas cujos beneficiários são seus filhos e a data de regaste está prevista para junho de 2023, como uma medida de prudência é no mínimo absurda. O que tal aplicação comprova é a intenção do contribuinte em se manter na posse dos valores recebidos pela empresa e não a intenção de repassálos à WCR Brasil Serviços S/C Ltda. Assim, está afastada qualquer argumentação no sentido de que o contribuinte não possa dispor economicamente da referida renda, uma vez que a aplicação por ele efetuada inclusive tem Fl. 1072DF CARF MF 20 como beneficiários seus próprios filhos, os quais não guardam qualquer relação obrigacional com a referida empresa. Fato é que em sua impugnação o contribuinte não apresentou qualquer comprovação ou justificativa plausível para permanecer na posse de um valor bastante expressivo (R$ 65.280.000,00), o qual alega não lhe pertencer. Dessa forma, entendo como correta a decisão de primeira instância que manteve o lançamento fiscal em sua integralidade. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Fl. 1073DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.914389/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.573
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 43 89 /2 01 2- 03 Fl. 101DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10830.914389/201203 Acórdão n.º 3401003.573 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 103DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10830.914389/201203 Acórdão n.º 3401003.573 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 105DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905003/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 03 /2 01 2- 67 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10865.905003/201267 Acórdão n.º 3301003.559 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.464. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10865.905003/201267 Acórdão n.º 3301003.559 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10865.905003/201267 Acórdão n.º 3301003.559 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10865.905003/201267 Acórdão n.º 3301003.559 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10865.905003/201267 Acórdão n.º 3301003.559 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10865.905003/201267 Acórdão n.º 3301003.559 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.729738/2013-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.052
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 97 38 /2 01 3- 65 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.496. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11128.729738/201365 Acórdão n.º 3302004.052 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 13893.720601/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. TRATAMENTO FISIOTERÁPICO E ODONTOLÓGICO. PAGAMENTOS EM ESPÉCIE. GLOSA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. VALORES DE GRANDE MONTA. RAZOABILIDADE INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 80 DO RIR99 C/C ARTIGO 8º, § 2º, II DA LEI 9.259/95. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção (RIR/99, Art. 73, caput; Dec. 70.235/72, Art. 29).
Numero da decisão: 2201-003.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiro José Alfredo Duarte Filho e Carlos Alberto do Amaral Azeredo que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 23/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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DESPESAS MÉDICAS. TRATAMENTO FISIOTERÁPICO E ODONTOLÓGICO. PAGAMENTOS EM ESPÉCIE. GLOSA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. VALORES DE GRANDE MONTA. RAZOABILIDADE INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 80 DO RIR99 C/C ARTIGO 8º, § 2º, II DA LEI 9.259/95. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção (RIR/99, Art. 73, caput; Dec. 70.235/72, Art. 29). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiro José Alfredo Duarte Filho e Carlos Alberto do Amaral Azeredo que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 72 06 01 /2 01 2- 19 Fl. 144DF CARF MF 2 EDITADO EM: 23/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJSão PauloI que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado através da Notificação de Lançamento nº 2011/446009432000250 (fls. 02/06), relativa à Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2011, anocalendário 2010, do Recorrente, que em procedimento de revisão de declaração apurou imposto suplementar no valor de R$ 4.125,00, com multa de ofício no percentual de 75% (R$ 3.093,75); e juros de mora de R$ 455,40, no valor total de R$ 7.674,15. O lançamento é fundamentado na dedução indevida despesas médicas, no valor tributável total de R$ 15.000,00. Em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF), o Recorrente foi intimado (Termo de Intimação Fiscal nº 2011/349065532505176 fls. 27) para apresentar comprovantes originais e cópias de documentos relativos às despesas médicas e com planos de saúde incorridas no anocalendário de 2010, tendo cumprido a intimação fiscal em 03/02/2012, através do Termo de Atendimento nº 2011/10000014301 (fls. 21/22), com a juntada de recibos e declarações emitidas por profissionais fisioterapeutas (fls. 24/25 – 27/38), quiropraxista (fls. 26), dentista (fls. 39/42) e da fonte provedora do plano de saúde (fls. 43). Consta da Descrição dos Fatos (fls. 04) que, com relação aos recibos emitidos pelo fisioterapeuta Francisco de Melo Junior, no valor total de R$ 10.000,00 (fls. 27/38), o carimbo está ilegível, além do Recorrente não ter comprovado o efetivo pagamento; e com relação aos recibos emitidos pela dentista Lígia Pivoto Monti, no valor total de R$ 5.000,00, estes não indicam a inscrição da profissional no Conselho de Classe e a prestação de serviço. Assim, em 29/03/2012, o Recorrente foi novamente intimado para apresentar documentos complementares que comprovassem o efetivo pagamento das despesas deduzidas em sua DIRPF/2011, e a título exemplificativo a autoridade fiscal indicou documentos, tais como, cópia microfilmada de cheques, comprovantes de transferências bancárias ou extratos bancários (fls. 46/47). Em 19/04/2012, o Recorrente atendeu ao termo de reintimação, juntando petição e declarações emitidas pelos profissionais liberais, além de esclarecer que já havia feito a juntada de cada um dos recibos comprobatórios dos valores das despesas deduzidas, sobre os quais não pesa qualquer vício, inexistindo fundamento legal para exigirse comprovação por meio de cópia de cheque, ou transferência bancária ou por extrato bancário, haja vista que no direito pátrio não se encontra tal "exigibilidade" postada como que a negar possa a pessoa portar moeda corrente nacional. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13893.720601/201219 Acórdão n.º 2201003.651 S2C2T1 Fl. 145 3 Afirmou que a exigência para comprovação da "efetividade da prestação dos serviços", seja por meio de receituário, exames e/ou qualquer outro procedimento, fere princípio constitucional da inviolabilidade da pessoa humana em sua intimidade e vida privada e que os profissionais que o atenderam firmam declaração que ora se junta no original com os presentes esclarecimentos, confirmando o tratamento e ratificando os recibos, destacando que os pagamentos se deram em dinheiro, aliás, valores que, pagos em vários meses encontramse dentro das forças financeiras de seus rendimentos. Questionou a inversão de ônus da prova, a base legal expressa que obriga o contribuinte às pretendidas exigências sem respaldo legal para “tão duvidoso tratamento fiscal” e requereu a juntada dos documentos ao procedimento fiscal Notificado do lançamento em 18/05/2012 (fls. 12), inconformado, o Recorrente apresentou Impugnação tempestiva em 14/06/2012 (fls. 08), esclarecendo que as despesas são próprias suas e que apresentou a tempo os comprovantes e declarações requeridos pelos termos de notificação fiscal, os tendo cumprido tempestivamente; e discordando com a recusa da Receita Federal do Brasil (RFB) em considerar os documentos apresentados, por entender que não há suporte legal para a exigência de outros documentos para comprovar a efetividade da prestação dos serviços e pagamentos. Ao final, requereu o cancelamento do lançamento. A Impugnação foi julgada improcedente e manteve a glosa contestada, com a manutenção do crédito tributário exigido no lançamento, conforme assim ementado pela DRJ São PauloI: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 Ementa: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. Na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas glosadas, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Cientificado da decisão em 12/11/2012 (fls. 66), o Recorrente interpôs tempestivamente, em 12/12/2012, Recurso Voluntário (fls. 70/79), nos seguintes termos: i. Preliminarmente, invocou em sua defesa os seguintes dispositivos legais: Artigo 5º, LV, da Constituição Federal (CF) – direito ao contraditório e à ampla defesa em processo administrativo; Artigo 5º, LVII, da CF – presunção de inocência; Artigo 112, do CTN – interpretação favorável ao acusado, decorrente da lei tributária que define infrações e comina penalidades; Artigo 8º, § 2º, III, Da Lei nº 9.250/95 – exigência legal apenas do número do CPF do emitente do recibo; firmando a legitimidade dos documentos apresentados após a conferência por funcionário da RFB; e Artigo 80, § 1º, III, do RIR (Dec. 3.000/99) – exigência de cheque nominativo como prova de pagamento apenas na “falta” de outros documentos; Fl. 146DF CARF MF 4 ii. Houve ausência de intimação formal do contribuinte por parte da autoridade fiscal no sentido de informar que os recibos estavam ilegíveis, comportavam vício insanável ou apresentavam ilicitude, fato que fere a constituição e o desenvolvimento válido e regular do processo administrativo e priva o Recorrente do direito à ampla defesa e, por isso, deve ser reconhecida e declarada a extinção do processo, com o cancelamento do crédito tributário lançado; iii. Juntou julgados deste E. CARF que decidiram que: “Uma vez não questionada nos autos a validade formal dos recibos de despesas médicas apresentados, concorre a favor do contribuinte o fato de a autoridade fiscal não haver apontado indícios veementes de que os serviços consignados nos citados recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.”; iv. Os termos de intimação não questionaram, na fase prélançamento, qualquer irregularidade nos recibos, mas apenas requereram a comprovação efetiva dos pagamentos e que, na existência de vício, deveria o Recorrente ter sido intimado para a regularização deste ponto; v. A decisão combatida equivocouse ao firmar que os recibos apresentados não indicam o nome do paciente atendido, sendo que em todos estes consta o nome do Recorrente, que em nenhum momento foi intimado a “reapresentalos” com o fim de regularizar sua incompreensibilidade; vi. Não merece prosperar a alegação da autoridade fiscal quanto à falta de legibilidade dos recibos, pois basta uma atenta observação nos mesmos para a compreensão dos dados informados; mas que se fosse necessário, o Recorrente retornaria a apresentalos; vii. Ciente da eficácia da apresentação dos recibos, juntou complementarmente as declarações dos profissionais que lhe prestaram serviços, os quais informaram o nome do tratamento, o valor por eles recebido e ratificaram os dados apostos nos recibos; viii. Não pode a autoridade fiscal, ao seu talante, desconsiderar pura e simplesmente os recibos sem ter apontado previamente sua inidoneidade; ix. Mesmo a autoridade fiscal sendo livre para formar o seu convencimento, não pode fazê lo embasado em exigência legalmente inexistente; x. Os documentos apresentados comprovam a efetiva realização dos serviços prestados; xi. A cada peça juntada surgem novas exigências, sem fim, que obstacularizam o exercício do direito de defesa do Recorrente; xii. A autoridade tributária não pode desprezar o direito pátrio na sua avaliação sistêmica e pressupor máfé do Recorrente, que sempre acaba por ter que comprovar o seu direito, em afronta ao artigo 112 do CTN, que trata da interpretação legal tributária favorável ao contribuinte; xiii. A exigência de prontuários e receitas médicas, bem como a exigência de pagamentos de forma diversa de dinheiro, afrontam a inviolabilidade da pessoa humana e despreza o dinheiro em espécie como forma de pagamento; xiv. Os recibos foram emitidos mensalmente e em valores capazes de serem suportados pela condição financeira do Recorrente, conforme prova sua DAAIRPF; Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13893.720601/201219 Acórdão n.º 2201003.651 S2C2T1 Fl. 146 5 xv. Não trata, o caso, de negativa na apresentação de esclarecimentos, mas de questionamento à inversão do ônus da prova, sem base legal para seu cumprimento pelo contribuinte; xvi. Não se trata de discussão no sentido de que o Recorrente deixou de apresentar documentos, que somente seria admitida se a autoridade administrativa houvesse apontado vicio pretérito à apresentação dos recibos e posteriormente nas declarações do Recorrente; xvii. Não cabe o julgamento subjetivo pelo Fisco, sendo impreterível a indicação objetiva; xviii. Existe flagrante subjetividade ao glosar despesas médicas declaradas, porém, mesmo diante disso, não podem os recibos serem preteridos diante de entendimento do agente tributário que subverte o comando legal priorizar cópias de cheques e extratos. xix. Ao final, requereu: a) o recebimento do recurso e de suas provas anexas, para reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a manutenção do efeito suspensivo; b) o acolhimento das razões recursais para reconhecer e declarar a insubsistência e improcedência da ação fiscal e o provimento do recurso, para se decretar o restabelecimento da dedução das despesas glosadas; c) o cancelamento do lançamento e do débito fiscal; d) a nova juntada dos recibos, com o fim de afastar a alegação de sua ilegibilidade. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de tempestividade e admissibilidade e, portanto, dele conheço. Das Preliminares Alega o contribuinte a preliminar de “suporte legal” e de “falta de intimação formal”, contudo, em síntese, ambas as matérias tratam de valoração de prova e, portanto, confundese com o mérito e será com ele analisada. A preliminar de falta de intimação formal não se trata em relação à intimação processual e sobre eventual nulidade em decorrência do cerceamento do direito de defesa, mas em relação a alegação pelo contribuinte que a Administração Fazendária não teria fundamentado os vícios dos recibos juntados. Portanto, por ser matéria de valoração probatória será analisada no decorrer do mérito. Fl. 148DF CARF MF 6 Despesas com Tratamento Fisioterápico e Odontológico e Ônus da prova No caso em tela, o lançamento da glosa está fundamentado às fls. 4 dos autos tendo como justificativa, a exigência da efetiva comprovação do pagamento, embasada na alegação de que os recibos emitidos pelo fisioterapeuta Francisco de Melo Jr estão com o carimbo ilegível e aqueles emitidos pela dentista Ligia Pivoto Monti não indicam a inscrição no Conselho de Classe e a prestação de serviço. Quanto às despesas com tratamento fisioterápico entendo que deve ser mantida a glosa, senão vejamos. Entendo que a questão do carimbo do profissional pode ser afastada, pois em um dos recibos às fls. 36 consta o carimbo do CREFITO e a inscrição do profissional naquele órgão, e, portanto, seria de fácil análise por parte da Autoridade Administrativa a verificação se tal profissional está mesmo habilitado naquele órgão a fim de se comprovar dedutível a despesa médica. Contudo, se fosse apenas esse o único motivo da glosa, entendo que estaria ultrapassada essa questão pois de fácil resolução na media em que a fiscalização tributária poderia checar junto ao órgão fiscalizador da profissão a inscrição do profissional e, portanto possível a dedução. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, apesar de não constar na legislação de forma expressa a necessidade da indicação do órgão de classe do profissional no recibo, entendo necessário ao menos indicar sua inscrição no órgão a fim de propiciar à Administração Tributária em seu mister em homologar o lançamento efetuado pelo contribuinte, verificar se tal profissional faz parte da profissão na qual a legislação tributária concede a dedução e se o mesmo profissional está habilitado para a prestação de tal serviço entre diversas outras situações, é a inteligência interpretativa do artigo 80 do RIR/99 que define que apenas os pagamentos a tais profissionais ali elencados possam ser dedutíveis. Ocorre que o fundamento da glosa decorre também e principalmente na questão do efetivo pagamento pelos serviços tomados por tais profissionais. De acordo com artigo 80 do RIR/99 (Dec. nº 3.000/99): Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). (grifei) Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13893.720601/201219 Acórdão n.º 2201003.651 S2C2T1 Fl. 147 7 Para fins de dedução da despesa médica a legislação tributária condiciona que seja comprovado os pagamentos efetuados. Logo, as reintimações fiscais da Administração Tributária às fls. 46/47 encaminhadas ao contribuinte, foram no intuito de complementar as provas anteriormente apresentadas relacionado à intimação de fls. 20 a fim de auxiliar na convicção da análise prévia da Fiscalização, não fazendo nenhum juízo de valor quanto aos recibos. Em resposta a essa reintimação fiscal, além de inúmeras alegações, o contribuinte junta 2 (dois) recibos extemporâneos (abril de 2012) de ambos os profissionais (fisioterapeuta e dentista) às fls. 55 e 56 alegando que receberam em moeda corrente os valores declarados em recibos anteriormente juntados pelo contribuinte. Nesse ponto, por mais que possa se considerar a previsão legal do pagamento em dinheiro como forma de quitação obrigacional (Código Civil. “Art. 315. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal, (...)”), verificase que o contribuinte não apresentou documentos que comprovassem o lastro ou a origem de dinheiro, que porventura poderia ter sido entregue aos profissionais para saldar seus dispêndios médicos, (tais como extrato da conta com saques dos respectivos valores, de acordo com o que constou na reintimação fiscal de fls. 46/47). Contudo, nesse caso da reintimação o contribuinte entendeu não ser necessário produzir tal prova, alegando que o ônus da prova é da Fiscalização, defendendo a tese de que caberia à Administração Pública identificar nos recibos eventuais fraudes e alegando falta de previsão legal para tal exigência sendo que os meros recibos e declarações dos profissionais seriam suficientes para comprovar o comando legal. Ao contrário do quanto sustentado pelo contribuinte, entendo que no caso em tela a Administração Tributária conduziu a fiscalização dentro do princípio da legalidade, dando ao contribuinte a oportunidade em contrapor e esclarecer e justificar os pontos indicados no primeiro termo de intimação fiscal de fls. 20. Não houve, como tenta levar a crer o contribuinte, qualquer tipo de subjetividade na fiscalização e sequer determinação para priorizar como único meio de pagamento, alegado, que seriam cópias de cheques e extratos. Pela análise do texto do termo de reintimação fiscal de fls. 46/47 o mesmo é claro no sentido de solicitar ao contribuinte de forma exemplificativa outros meios de prova para existência de outros elementos para a fiscalização proceder à análise de sua declaração, verbis: Tanto é real que não houve qualquer subjetividade por parte da Administração Fazendária que analisou todos os comprovantes juntados pelo contribuinte, Fl. 150DF CARF MF 8 ressaltando que a glosa apenas foi lançada em 2 (duas) despesas dos profissionais indicados na declaração, e mesmo assim foi oportunizado ao contribuinte através da reintimação fiscal, prestar maiores esclarecimentos, no sentido de comprovar o efetivo pagamento. Cumpre registrar que a legislação do Imposto de Renda, mais especificamente o Regulamento do Imposto de Renda (Dec. nº 3.000/99, Art. 73, caput), e o Decreto –Lei nº 5.844/43 (Art. 11, § 3º) – que trata da cobrança e fiscalização do imposto –, dispõem que todas as deduções são sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, conforme abaixo: Decreto nº 3.000/99 “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º).” Decreto nº 5.844/43 “Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas neste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos.” (...) “§ 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.” Temse, assim, que a legislação transcrita confere à autoridade fiscal – que age no intuito de defender o interesse público (“arrecadação tributária”) , o poder de exigir, para análise da dedução de despesas médicas, outros documentos além de meros recibos, que busquem comprovar a efetiva prestação dos serviços médicos e, principalmente, o efetivo desembolso dos valores correspondentes às despesas declaradas por conta da aplicação do princípio da verdade material. Isso porque os recibos médicos não fazem prova única e definitiva da efetiva ocorrência dos pagamentos informados na DIRPF do contribuinte. Os dados informados neste tipo de documento não constituem verdade absoluta, ante a sua fragilidade em comprovar a realidade. Nesse aspecto ao se proferir juízos de valores, devese, precipuamente, distinguir a força do recibo como prova de quitação entre as partes contratantes, matéria disciplinada pelo Código Civil, da força probatória que tem o recibo perante o fisco, questão que se sujeita às normas de direito público que regem a relação tributária. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13893.720601/201219 Acórdão n.º 2201003.651 S2C2T1 Fl. 148 9 O contribuinte ainda alega que: Nesse ponto também não cabe razão ao contribuinte, pois, não houve por parte da Administração Tributária qualquer tipo de imputação de máfé ou prática de fraude praticada por parte do contribuinte, e, caso houvesse, entendo que deveria ocorrer a inversão do ônus da prova, contudo, houve apenas a solicitação de comprovação do efetivo pagamento na forma do caput do artigo 80 do RIR c/c artigo 8º, II, “a” da Lei 9.250/95. Os prontuários e receitas médicas são meios indiciários de prova para demonstrar de fato a ocorrência da prestação do serviço e demonstrar que há correlação entre a despesa e pagamento, não havendo nos autos por parte da Administração Tributária qualquer elemento que configure que está afastando os valores em moeda nacional como meio de pagamento. Não levo a crer totalmente o alegado pelo contribuinte, que tais valores pagos em moeda corrente, em 2010 são “valores nada elevados”, mesmo que mensalmente, na medida que no cotidiano das cidades é cada vez mais raro que as pessoas transitem com altos valores de dinheiro em espécie. Necessário levar em consideração que estamos em uma era do pagamento com dinheiro de plástico, cheques de viagem, transferências eletrônicas, cartões de crédito, cartões de débito, cartões prépago, cheque especial e várias outras formas de pagamento, que são utilizadas por serem de certa forma muito mais segura que andar com “dinheiro vivo” no bolso. A maior parte dos valores mensais pagos no final de cada mês, por exemplo, para fisioterapia são acima de R$ 800,00. Além desses, os valores pagos próximos ao dia 20 dos meses de Agosto a Outubro para a despesa odontológica são no valor de R$ 1.250,00. Portanto, não é razoável a alegação, por mais que haja, pela simples análise da declaração do contribuinte de rendimentos para fazer frente a tais valores. Outrossim, apesar de não ser o cerne da questão mas apenas a título argumentativo, percebese que as assinaturas dos recibos juntados às fls. 27 a 38 do serviço de fisioterapia, além de não possuírem certa uniformidade entre si, são totalmente diversos da assinatura da declaração acostada pelo contribuinte às fls. 55. Entendo que a autoridade competente agiu com bom senso e prudência, tomando atitudes adequadas a fim de que seja levada em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, e portanto solicitou ao contribuinte a prova do efetivo pagamento de tais valores. O lançamento tributário, como uma das espécies de ato administrativo, também contem em seu cerne o princípio do dever de colaboração, de ambas as partes (Administração Tributária e Contribuinte) tendo por principal objetivo a atuação para o bem comum, sendo, portanto, natural que seja imposto aos fiscalizados o dever de colaborar com a fiscalização, suportando os atos fiscalizatórios e colaborando com os mesmos através de entrega de informações e documentos, claro que dentro da estrita legalidade. Fl. 152DF CARF MF 10 Se o contribuinte optou em pagar o valor a esses profissionais em dinheiro, e sabendo que provavelmente iria utilizar tais despesas para dedução em sua declaração de IR, poderia ter trazido aos autos outros meios indiciários de prova, tais como prontuário médico, receituário do tratamento a que estava submetido para auxiliar no conjunto probatório, contudo, entendeu por bem não prestar as informações solicitadas alegando que havia violação de sua intimidade e vida privada por parte da Administração Tributária. Pela análise dos documentos acostados aos autos, constatase que os Recibos foram apresentados de forma isolada, sem apoio de outros documentos da época, mas apenas em meras declarações de possíveis profissionais e de forma extemporânea (2012), cabendo aqui mencionar que a assinatura de fls. 55 é diversa dos recibos emitidos, além do fato da declaração de fls. 56 sequer possuir o número do Conselho Regional de Odontologia da profissional e ambos não indicarem de forma precisa qual atendimento foi efetuado ao contribuinte. O ônus da prova do direito constitutivo, no caso, é do contribuinte, a teor do art. 373, I do NCPC, na medida em que pretende deduzir de seus rendimentos tributáveis o valor pago a título de despesa médica, portanto, não há que se falar em inversão do ônus da prova tal como alegado em preliminares pelo contribuinte. A respeito do assunto acórdão nº 1147433 da 1ª Turma da DRJ de Recife, verbis: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EMENTA: DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria. Serão mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte, e não ao Fisco, a prova das informações constantes da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física. APRECIAÇÃO DOS FATOS. LIVRE CONVICÇÃO DA AUTORIDADE JULGADORA. Os fatos são apreciados segundo as provas trazidas aos autos e a livre convicção da autoridade julgadora. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões de órgãos singulares ou colegiados de jurisdição administrativa possuem efeito inter partes. Para que se constituam em normas complementares da legislação tributária, necessitam de eficácia normativa a ser atribuída por lei. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. NULIDADE.LANÇAMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13893.720601/201219 Acórdão n.º 2201003.651 S2C2T1 Fl. 149 11 lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A nulidade por preterição do direito de defesa somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração ou da emissão da notificação de lançamento. Exercício: 01/01/2010 a 31/12/2010 Grifei Com esta conduta, a autoridade julgadora de primeiro grau entendeu que cabe ao contribuinte provar que realmente efetuou o pagamento do valor constante no recibo para que ficasse caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Neste sentido, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e este não a faz — porque não pode ou porque não quer — é lícito à autoridade tributária concluir que tais serviços não foram realmente prestados ou cujo ônus da despesa o contribuinte não suportou efetivamente, tendo sido emitidos os recibos unicamente com o fito de reduzir indevidamente da base de cálculo tributável. As mesmas razões de decidir acima aplico em relação às despesas com a dentista Ligia Pivoto Monti, mantendo a glosa pela falta de seu efetivo pagamento, ressaltando, apenas como anteriormente indicado, que há a necessidade de indicação ou a informação posterior da inscrição do órgão de classe do profissional a fim da Administração Tributária verificar se se trata de profissional devidamente habilitado para fins de dedução da despesa e evitar eventuais fraudes. Conclusão Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 154DF CARF MF 12 Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.734499/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/10/2007
DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO.
No processo denominado desmutualização, realizado pela BOVESPA, consistente na cisão de associação sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedade empresária, criada sob forma de sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos.
DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE.
As ações recebidas no processo de desmutualização realizado pela BOVESPA devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção do subscritor a sua alienação, o que se revela pelas circunstâncias que envolvem os negócios jurídicos posteriormente realizados, sendo presumida quando a alienação ocorrer até a data do balanço do exercício social subseqüente, segundo inteligência do PN CST 108/78. Caso contrário, sendo o interesse pela sua permanência em carteira, diante da necessidade para o exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos. No caso vertente, as ações recebidas foram, originalmente, registradas no Ativo Circulante, o que estamparia o intuito negocial do sujeito passivo, sendo esse o entendimento majoritário dos componentes do colegiado, que acompanharam o voto proferido pelas conclusões.
COFINS. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA PRÓPRIA DA ATIVIDADE. INCIDÊNCIA.
A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras, por ser receita própria de suas atividades empresariais, qualifica-se como faturamento dessas instituições, devendo submeter-se à incidência da Cofins.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/10/2007
DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO.
No processo denominado desmutualização, realizado pela BOVESPA, consistente na cisão de associação sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedade empresária, criada sob forma de sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos.
DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE.
As ações recebidas no processo de desmutualização realizado pela BOVESPA devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção do subscritor a sua alienação, o que se revela pelas circunstâncias que envolvem os negócios jurídicos posteriormente realizados, sendo presumida quando a alienação ocorrer até a data do balanço do exercício social subseqüente, segundo inteligência do PN CST 108/78. Caso contrário, sendo o interesse pela sua permanência em carteira, diante da necessidade para o exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos. No caso vertente, as ações recebidas foram, originalmente, registradas no Ativo Circulante, o que estamparia o intuito negocial do sujeito passivo, sendo esse o entendimento majoritário dos componentes do colegiado, que acompanharam o voto proferido pelas conclusões.
PIS/PASEP. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA PRÓPRIA DA ATIVIDADE. INCIDÊNCIA.
A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras, por ser receita própria de suas atividades empresariais, qualifica-se como faturamento dessas instituições, devendo submeter-se à incidência Do PIS/PASEP.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Rosaldo Trevisan, que entenderam que não foi necessária a comprovação pelo fisco da intenção de venda, no caso concreto, somente pelo fato de a própria empresa ter revelado contabilmente tal intenção. O Conselheiro relator integrará a seu voto e à ementa do acórdão, na forma do artigo 63, § 8o do RICARF, os fundamentos externados pela maioria dos conselheiros. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, ausente justificadamente.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/10/2007 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO. No processo denominado “desmutualização”, realizado pela BOVESPA, consistente na cisão de associação sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedade empresária, criada sob forma de sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. As ações recebidas no processo de desmutualização realizado pela BOVESPA devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção do subscritor a sua alienação, o que se revela pelas circunstâncias que envolvem os negócios jurídicos posteriormente realizados, sendo presumida quando a alienação ocorrer até a data do balanço do exercício social subseqüente, segundo inteligência do PN CST 108/78. Caso contrário, sendo o interesse pela sua permanência em carteira, diante da necessidade para o exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos. No caso vertente, as ações recebidas foram, originalmente, registradas no Ativo Circulante, o que estamparia o intuito negocial do sujeito passivo, sendo esse o entendimento majoritário dos componentes do colegiado, que acompanharam o voto proferido pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 44 99 /2 01 1- 93Fl. 876DF CARF MF 2 COFINS. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA PRÓPRIA DA ATIVIDADE. INCIDÊNCIA. A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras, por ser receita própria de suas atividades empresariais, qualificase como faturamento dessas instituições, devendo submeterse à incidência da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/10/2007 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO. No processo denominado “desmutualização”, realizado pela BOVESPA, consistente na cisão de associação sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedade empresária, criada sob forma de sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. As ações recebidas no processo de desmutualização realizado pela BOVESPA devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção do subscritor a sua alienação, o que se revela pelas circunstâncias que envolvem os negócios jurídicos posteriormente realizados, sendo presumida quando a alienação ocorrer até a data do balanço do exercício social subseqüente, segundo inteligência do PN CST 108/78. Caso contrário, sendo o interesse pela sua permanência em carteira, diante da necessidade para o exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos. No caso vertente, as ações recebidas foram, originalmente, registradas no Ativo Circulante, o que estamparia o intuito negocial do sujeito passivo, sendo esse o entendimento majoritário dos componentes do colegiado, que acompanharam o voto proferido pelas conclusões. PIS/PASEP. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA PRÓPRIA DA ATIVIDADE. INCIDÊNCIA. A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras, por ser receita própria de suas atividades empresariais, qualificase como faturamento dessas instituições, devendo submeterse à incidência Do PIS/PASEP. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Rosaldo Trevisan, que entenderam que não foi necessária a comprovação pelo fisco da intenção de venda, no caso concreto, somente pelo fato de a própria empresa ter revelado Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10580.734499/201193 Acórdão n.º 3401003.790 S3C4T1 Fl. 11 3 contabilmente tal intenção. O Conselheiro relator integrará a seu voto e à ementa do acórdão, na forma do artigo 63, § 8o do RICARF, os fundamentos externados pela maioria dos conselheiros. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, ausente justificadamente. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de auto de infração de PIS/Pasep e Cofins decorrente de operações de alienação de ações envolvendo o processo de “desmutualização” da BOVESPA, ocorridas em setembro e outubro de 2007, não oferecidas à tributação. Destacou a fiscalização que o lançamento foi lavrado com a exigibilidade suspensa, objetivando a prevenção da decadência, por força de liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.33.00.0081946, 16ª Vara Federal de Salvador, TRF 1ª Região, onde se questiona a constitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e se pleiteia o direito de recolher o PIS/Pasep e Cofins nos moldes da LC 07/70, com as alterações da Lei nº 9.715/98 e LC 70/91. Em impugnação o contribuinte discorreu sobre o processo de desmutualização da BOVESPA, aduzindo que, originariamente, aludida instituição era organizada sob a forma de associação civil, sendo a propriedade de seus títulos patrimoniais condição para operação em seus mercados, razão pela qual encontravamse registrados contabilmente em seu ativo permanente; que, a partir da alteração societária promovida, houve a troca dos títulos patrimoniais por ações, o que configuraria simples substituição de ativos, com conseqüente manutenção do seu regime contábil. Na seqüência, dissertou sobre o conceito de ativo permanente à luz do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), instituído pela Circular BACEN nº 1.273/87, Parecer Normativo CST nº 108/78, para concluir que a intenção de permanência do investimento, que alude a norma contábil, deve ser manifestada na data de sua aquisição, correspondente aos títulos patrimoniais adquiridos da associação civil; que esta intenção não se condicionaria à permanência do investimento em carteira por prazo definido e tampouco seria incompatível com a sua venda; que a operação de cisão/incorporação (desmutualização) envolvendo a BOVESPA, foilhe imposta, tomada pela maioria da assembléia, de modo que não haveria que se falar em manifestação de “intenção”; que nas cisões e incorporações não há extinção/redução de capital seguido de realização de novo investimento, mas sim uma sucessão de direitos, consubstanciando assim a continuidade dos investimentos; que, manifestada a intenção de permanência quando da aquisição dos títulos Fl. 878DF CARF MF 4 patrimoniais, não haveria necessidade de nova opção quanto da percepção das ações oriundas da desmutualização; e, por fim, que haveria erro na apuração das bases de cálculo das contribuições lançadas, configurada pela incorreta definição do custo de aquisição dos títulos e conseqüente tributação indireta de sua atualização. A DRJ São Paulo/SP deu parcial provimento ao recurso apenas para ajustar o custo de aquisição dos títulos objeto de lançamento, mediante decisão assim ementada: “TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. Correta a classificação, no Ativo Circulante, das ações da BOVESPA HOLDING S/A que foram recebidas pela contribuinte em decorrência de processo de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e que foram negociadas logo após o seu recebimento, no caso, dentro de poucos meses de seu ingresso nos registros contábeis da impugnante. COFINS. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA (OPERACIONAL). OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. A base de cálculo da contribuição é a receita bruta, nos termos da legislação de regência. Tendo a interessada como objeto social a exploração de atividades que envolvem inclusive a negociação e intermediação com títulos e valores mobiliários e mercadorias negociáveis em bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros, considerase como receita bruta (operacional) o resultado da venda de ações (valor da venda menos o custo das ações), inclusive das ações da BOVESPA HOLDING S/A que foram recebidas pela contribuinte em decorrência de processo de desmutualização da BOVESPA.” O recurso voluntário, com alguma variação e à exceção dos ajustes na base de apuração, reprisou a argumentação deduzida no recurso inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Respeitante às questões recorridas, principio pelo exame da natureza jurídica da operação de “câmbio” dos títulos patrimoniais, então emitidos pela associação BOVESPA, posteriormente desmutualizada, pelas correspondentes ações da BOVESPA HOLDING. A fiscalização e a decisão recorrida, principalmente, entendem que não houve uma simples troca de títulos representativos de patrimônio/capital, como sustenta o autuado, mas algo mais complexo, dado o regime jurídico das entidades, regrado pelo Código Civil, associações sem fins lucrativos, apontando para uma devolução de patrimônio da associação para os seus integrantes mediante a entrega de novos direitos, consubstanciados nas ações da nova entidade, agora sociedade empresária, sob forma de sociedade anônima. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10580.734499/201193 Acórdão n.º 3401003.790 S3C4T1 Fl. 12 5 Este posicionamento reflete a interpretação emprestada ao assunto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, consolidada na Solução de Consulta COSIT nº 10/2007, que ostenta a seguinte ementa: “OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. O instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs. da Lei nº 6.404, de 1976, e no art. 1.122 da Lei nº 10.406, de 2002, só é aplicável às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade. Às bolsas de valores constituídas sob a forma de associações se aplica o regime jurídico estatuído nos arts. 53 a 61 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil de 2002). O art. 61 da Lei nº 10.406, de 2002, veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio das bolsas de valores, constituídas sob a forma de associações, a entes com finalidade lucrativa. As sociedades corretoras devem avaliar as cotas ou frações ideais das bolsas de valores pelo custo de aquisição. O fato de a operação de ‘desmutualização’ de associações não encontrar amparo no ordenamento jurídico não obsta a incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores.” O contribuinte, por seu turno, como dito, defende que a operação se resumiu a uma substituição de títulos, substituição esta, inclusive, alheia à sua vontade, segundo consta, não havendo qualquer alienação ou devolução de patrimônio, mas apenas a sucessão de direitos, razão porque, assevera, representaria a continuidade dos investimentos, de modo que o regime contábil dos títulos substituídos permaneceria o mesmo. Pois bem, de minha parte, à luz das especificidades dos eventos de desmutualização e da legislação de regência, com todo respeito às vozes dissonantes, filiome à primeira corrente, defendida pelas autoridades administrativas precedentes, eis que o modelo jurídico brasileiro, tal como delineado na Lei nº 10.406/2002, Código Civil, não permite tomar, como singela “troca de títulos”, a operação consistente na cisão patrimonial de uma associação sem fins lucrativos, com a versão do patrimônio cindido a uma sociedade empresária, onde os antigos associados passam à condição de acionistas, deixando de ser detentores de títulos patrimoniais, mas de ações. Basta dizer que a própria condição jurídica desses títulos, e, conseqüentemente, de seus titulares, é distinta, possuindo direitos e obrigações específicos, motivo pelo qual entendo não ser possível acatar a tese proposta pelo recorrente. Dada a similitude fática, ainda que a análise dos efeitos tributários açambarque o IRPJ e CSLL, trago à colação decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, da lavra do Desembargador Federal Márcio Moraes, nos autos do processo 2008.61.00.0087063/SP (000870605.2008.4.03.6100/SP): “TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO ‘MÉTODO DA Fl. 880DF CARF MF 6 EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL’. CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. 1. Nos termos da decisão já proferida no dia três do corrente, mantenho meu entendimento no sentido de que a matéria dos autos não se insere na competência da CVM, visto que esta não tem função de fiscalizar e exigir o pagamento de tributos, ainda que incidente sobre operações gestadas nas suas atividades típicas, pelo que deve ser indeferido o pedido de retirada do processo de pauta e o seu sobrestamento para manifestação da CVM. 2. Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada ‘desmutualização’. 3. A conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. 4. Caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do CTN. 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo ‘método da equivalência patrimonial’, posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. 10. Não socorrem a impetrante os atos regulamentares e interpretativos editados antes da apontada lei, tal como a Portaria MF 785/77, visto que se consideram abrogados pela nova legislação, que cuida especificamente do tema em discussão. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10580.734499/201193 Acórdão n.º 3401003.790 S3C4T1 Fl. 13 7 11. Rejeitada a alegação de decadência, haja vista que o fato gerador do IRPJ e da CSLL (devolução dos títulos) ocorreu somente depois que houve a deliberação, em Assembléia Geral Extraordinária, pela transformação da BOVESPA e da BM&F em sociedades anônimas, respectivamente, em 28 de agosto e 20 de setembro de 2007, menos de um ano antes do ajuizamento do presente ‘mandamus’. 12. Improvido o agravo retido, por ausência de verossimilhança das alegações da parte agravante. 13. Apelação improvida.” (destacado) A importância do debate ora travado, como ponto antecedente, reside na manutenção do regime contábil de registro destes novos títulos, pois a desmutualização exige a baixa dos títulos patrimoniais e o correspondente registro das ações recebidas, ainda que pelo mesmo valor, ao passo que possuem natureza diversa, o que, a meu ver, somente vem a confirmar a impossibilidade de se tratar de uma simples substituição de títulos. Demais disso, ainda que se tome a operação sob o ângulo de uma “troca de títulos”, a realização dos lançamentos contábeis pertinentes exigiria necessariamente a observância do seu propósito negocial, isto é, se destinadas a alienação ou manutenção em carteira, como será abordado ao longo do voto, porquanto se trata de uma “aquisição”, assim entendida como a agregação de um bem ou direito ao patrimônio e que, até então, não o compunha, ainda que em substituição a outro bem ou direito baixado. Em síntese, tenho que a operação melhor se compagina como devolução de patrimônio da associação e imediata aquisição de ações das sociedades empresárias. Por pertinente, acentuo que este ponto de vista, sob enfoque algum, pode ser qualificado como desconsideração de negócio jurídico, a teor do art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, representando unicamente a leitura que faço dos fatos carreados ao processo, sem qualquer reclassificação jurídica dos negócios firmados entre o contribuinte e a BOVESPA e BOVESPA HOLDING. Definido, pois, que não houve apenas a substituição dos títulos, por conseqüência, não há possibilidade de comunicação do regime contábil do registro dos títulos patrimoniais com as novéis ações, ao argumento de “continuidade dos investimentos”, devendo o contribuinte, ao proceder os lançamentos contábeis respectivos, manifestar novamente a sua intenção de manter os investimentos no Ativo Permanente ou, acaso pretenda negociálos, registrálos no Ativo Circulante. Neste momento passase, então, ao segundo ponto da querela: a forma adequada de registro contábil das ações recebidas no processo de “desmutualização”. A teor do art. 179 da Lei nº 6.404/76, as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte, devem ser registrados no Ativo Circulante (I); enquanto os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial, no Ativo Imobilizado (II). Fl. 882DF CARF MF 8 Como bem destacado pelo recorrente, segundo o Capítulo 1, Seção II, Item 3 (Ativo Permanente – Outros Investimentos) das normas do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), subitens 1011, “consideramse também como investimento de caráter permanente, além das participações acionárias registradas pelo custo histórico e dos investimentos avaliáveis pela equivalência patrimonial, os direitos de qualquer natureza não classificáveis no Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo, nem no Imobilizado, tais como bens artísticos e valiosos, coleções (moedas e selos) e títulos de clubes, que se contabilizam na adequada conta do subgrupo Investimentos do Ativo Permanente, pelo custo de aquisição. (Circ 1273), sendo que a intenção de permanência ou não dos investimentos se manifesta no momento da aquisição, mediante sua inclusão no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos, ou registro no Ativo Circulante. (Circ 1273)” Nesta linha intelectiva, assim se manifestou o Parecer Normativo CST nº 108/78, sobre cujas conclusões há consenso entre a decisão recorrida e o recorrente: “INVESTIMENTOS 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S. A., 'as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no Ativo Circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa (art. 179, III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por 'participações permanentes' e (2) quais seriam os 'direitos de qualquer natureza'. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no Ativo Circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no Ativo Circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior.” Concluise, portanto, que a definição do grupo do ativo em que devem ser contabilizadas as ações recebidas do processo de desmutualização exige perscrutar, casuisticamente, a intenção do contribuinte, na data de aquisição, de negociar ou não indigitados direitos. Tratandose de elemento volitivo, a sua investigação perpassa a análise das circunstâncias que nortearam a posterior alienação das ações, que é o objeto do lançamento, Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10580.734499/201193 Acórdão n.º 3401003.790 S3C4T1 Fl. 14 9 para aferir se a sua contabilização no Ativo Permanente foi realmente adequada, como sustenta o recorrente. O argumento central da defesa consiste, basicamente, em aduzir que, estando os títulos patrimoniais originalmente registrados no Ativo Permanente, uma vez ocorrida a sua substituição por ações, com continuidade dos investimentos, deveria ser mantido este regime contábil, o que justificaria a não incidência das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins com fulcro na hipótese de não incidência insculpida no art. 3º, § 2º, IV da Lei nº 9.718/98. A tese, por si só, não convence, eis que, como adrede exposto, não ocorreu uma simples troca de títulos, de maneira que não há comunicação entre o regime contábil dos títulos patrimoniais e das ações, mesmo porque, a razão da manutenção em carteira dos títulos patrimoniais – condição para operar os mercados da BOVESPA – simplesmente desapareceu quando houve a alteração da personalidade jurídica dessa entidade, de associação para sociedade anônima. Dessarte, como registra o recorrente, a propriedade de títulos patrimoniais da BOVESPA era exigência para operar em seus mercados, verbis: “6.1 Como já destacado, a aquisição de títulos patrimoniais da BOVESPA era condição necessária para que instituições financeiras e corretoras pudessem operar em seu mercado; assim, no passado, a RECORRENTE foi obrigada a adquirir títulos BOVESPA, para poder desempenhar suas atividades sociais”. Por certo essa obrigatoriedade cessou quando aludida entidade se transformou em sociedade empresária, de sorte que o motivo que se afigurava como válido para registro dos títulos patrimoniais no Ativo Permanente, não pode ser alegado para manutenção das ações, recebidas no processo de “desmutualização”, no mesmo subgrupo. Resta, então, a averiguação pura e simples da existência de intenção negocial, à época da aquisição do direito. O recorrente sustenta que o fato das alienações terem ocorrido pouco tempo após o seu recebimento, admitida como argumentação a configuração de novo investimento, não poderia, de per se, conduzir à conclusão de que sua intenção fosse, ao tempo do recebimento, negocial, como fez a fiscalização. Ocorre que há um fato, provado nos autos, que refuta o argumento de ausência de intuito negocial, consistente na assunção de obrigação de vender boa parte das ações recebidas no processo de desmutualização, como se verifica do “Prospecto Definitivo de Oferta Pública Inicial de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da BOVESPA HOLDING” (efls. 92 e ss.), cuja chamada inicial é a seguinte: “Os Acionistas Vendedores identificados nominalmente na seção ‘Definições’ na página 3 deste Prospecto (“Acionistas Vendedores”) estão ofertando 250.492.283 ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A. (‘Companhia’), todas nominativas, escriturais e sem valor nominal, de sua titularidade, que estarão livres e Fl. 884DF CARF MF 10 desembaraçadas de quaisquer ônus ou gravames na Data de Liquidação (‘Ações’), sob a coordenação do Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. (‘Coordenador Líder’) e do Goldman Sachs do Brasil Banco Múltiplo S.A. (‘Goldman Sachs’ e, em conjunto com o Coordenador Líder, ‘Joint Bookrunners’) e com esforços de colocação no exterior a serem realizados por Goldman Sachs & Co. e Credit Suisse Securities (USA) LLC (‘Agentes de Colocação Internacional’). A quantidade de Ações ofertada por cada Acionista Vendedor está identificada na seção ‘Informações sobre a Oferta’ deste Prospecto” (negritado) À efl. 102 consta, dentre os acionistas vendedores, a ora recorrente, então BBM Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S/A, cujo compromisso de oferta montou o quantitativo de 4.916.605 ações, no valor total de R$ 113.081.915,00, conforme demonstrativo do prospecto (efl. 140). Às efls. 84 e ss. foi juntada a ata da assembléia geral extraordinária da BOVESPA, realizada em 28/08/2007, que, dentre suas deliberações tomadas por unanimidade de votos e sem quaisquer ressalva, constou “autorizar o Conselho de Administração da Companhia a (i) tomar todas as providências necessárias à realização de oferta e distribuição pública secundária de suas ações (‘Oferta Pública’); e (...)”. Considerando que a alienação das ações ocorreu, segundo relatório fiscal, em setembro/2007 (R$ 10.248.049,00) e outubro/2007 (R$ 130.044.208,00), logo em seguida à aprovação da “desmutualização” e , principalmente, a decisão pela oferta pública, tomada em 28/08/2007, temse que, ao tempo do recebimento das ações da BOVESPA HOLDING, já havia definição ou, pelo menos, expectativa de curtíssimo prazo que a recorrente deveria dispor de parcela desta carteira (de ações) para viabilização da oferta pública secundária (IPO), concretizada no prospecto de efls. 92 e ss. Outrossim, a autoridade fiscal destacou, no Termo de Verificação Fiscal (efls. 732/746), que as ações recebidas do processo foram registradas inicialmente na subconta 1.3.1.20.10.40112 e, posteriormente, transferidas para a subconta 1.3.1.20.10.40116, ambas pertencentes à rubrica “Títulos Disponíveis para Venda – Ações”, verbis: Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10580.734499/201193 Acórdão n.º 3401003.790 S3C4T1 Fl. 15 11 Ou seja, a intenção de permanência das ações percebidas da BOVESPA HOLDING era excepcional, indicando os elementos dos autos que o intuito ab initio era, sim, negocial, como efetivamente ocorreu. Aliás, esse foi o fundamento acolhido pela ilustrada maioria do colegiado, em sessão de julgamento, para a manutenção do lançamento, na forma como confeccionado, servindo esse registro à finalidade do art. 63, § 8º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15), como externado no dispositivo desse julgado. De minha parte, a situação adrede detalhada não representa grande relevância no deslinde da questão, ao passo que o meu entendimento trilha um outro raciocínio extraído do PN CST 108/78, item 7.1, segunda parte, reproduzido linhas atrás, ao destacar que seria presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no Ativo Circulante não fosse alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tivesse sido adquirido, sendo que, neste caso, deveria o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos. Então, a contrario senso, seria também presumida a intenção de alienação sempre que o valor registrado no Ativo Permanente – Subgrupo Investimentos fosse efetivamente negociado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tivesse sido adquirido, de maneira que o valor correspondente deveria ser transferido para o Ativo Circulante, sujeitando a todos os efeitos tributários daí decorrentes. Assim, se a aquisição efetivouse em agosto/2007 e a alienação em setembro/outubro de 2007, independentemente da consideração temporal desse intervalo como curto ou longo, a depender do ponto de vista, pelo critério objetivo fornecido pelo epigrafado Fl. 886DF CARF MF 12 ato opinativo (PN CST 108/78) os valores respectivos deveriam ser transferidos do Subgrupo Investimentos para o Ativo Circulante e, nessa condição, dado o objeto social do contribuinte, bem assim, a natureza operacional desta receita, serem oferecidos à tributação pelo PIS/Pasep e Cofins. Parafraseando o recorrente, a intenção de permanência não é incompatível com a venda do bem, tampouco desnatura a sua opção de contabilização, entretanto, digo eu, do exame do contexto em que ocorridas as operações de aquisição/alienação, aliada à inteligência do PN CST 108/78, não é possível inferir esta “intenção de permanência”, o que cede lugar à presunção de intenção oposta, isto é, de negociação dos títulos. As circunstâncias dos negócios jurídicos realizados com as ações da BOVESPA estamparam claro intuito negocial, como realização do objeto social da recorrente, sem qualquer intenção de permanência destes investimentos em carteira, salvo pela álea das condições de mercado para sua alienação, o que, no entanto, não autoriza o registro de ações negociáveis no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos, como pretendido. Se assim o fosse, todas as instituições financeiras envolvidas com a comercialização de títulos e valores mobiliários, dada à eventualidade típica de seu negócio, atrelado que é a eventos futuros e incertos das condições de mercado, poderiam registrar tais direitos no Ativo Permanente, uma vez que não sabem exatamente quando e se efetivamente os negociarão, o que é completamente descabido. A atividade típica das corretoras de títulos e valores mobiliários, nessa seara, é a realização de operações de participação societária de caráter temporário, de tal arte que os títulos adquiridos com esse objetivo devem ser registrados, modo geral, no Ativo Circulante, reservandose a contabilização no Ativo Permanente – Investimentos apenas àqueles destinados à manutenção das atividades da empresa, como era o caso dos títulos patrimoniais da associação BOVESPA, que o exigiam para operação em seus mercados, o que, todavia, não se estendia às operações na BOVESPA S/A, não sendo a titularidade de ações exigíveis para tal desiderato. Em conclusão, ante todos os elementos, informações e considerações do processo, entendo que não restou demonstrado o interesse de permanência em carteira das ações percebidas do processo de desmutualização, como direito inerente e necessário à realização de sua atividade, mas, pelo contrário, denotouse a intenção em negociálas. A partir desta premissa, o registro contábil adequado, no momento da subscrição, seria no grupo Ativo Circulante, considerandose o produto da venda, quando da alienação do direito, como receita operacional oriunda das atividades típicas da instituição, submetendose à tributação do PIS/Pasep e Cofins, nos termos do art. 3º caput da Lei nº 9.718/98. Com efeito, na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, faturamento continua correspondendo a receita bruta, a teor do art. 2º, caput da Lei Complementar nº 70/91 e art. 3º da Lei nº 9.715/98, assim entendida como o somatório das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial. Esta inferência respaldase nos Recursos Extraordinários 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, precedentes citados para o reconhecimento do vício da Lei nº 9.718/98, que, mesmo declarando a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, estabeleceram, na linha da jurisprudência do e. STF, que as expressões “faturamento” e “receita bruta”, a par de sinônimas, açambarcariam o somatório das receitas oriundas do exercício da atividade Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10580.734499/201193 Acórdão n.º 3401003.790 S3C4T1 Fl. 16 13 empresarial, como se extrai do seguinte excerto do voto condutor do RE 390.840, de lavra do eminente Min. Marco Aurélio: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (sublinhado) Esta inteligência consolidouse na jurisprudência superveniente do STF, ao se manifestar no sentido que a expressão “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços” corresponderia à soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, como registrado nos Recursos Extraordinários nºs 371.258/SP e 400.479/RJ, mormente este último, que trata de pessoa jurídica do ramo financeiro, cuja seguinte passagem reproduzo: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” Portanto, mostrase procedente o lançamento. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso interposto. Robson José Bayerl Fl. 888DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.902175/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.597
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 75 /2 01 2- 03 Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10820.902175/201203 Acórdão n.º 3401003.597 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2008 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10820.902175/201203 Acórdão n.º 3401003.597 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10820.902175/201203 Acórdão n.º 3401003.597 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10820.902175/201203 Acórdão n.º 3401003.597 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1083DF CARF MF
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