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Numero do processo: 10660.000325/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. BASE DE CÁLCULO. SÚMULA CARF Nº 69. Nos termos da Súmula CARF nº 69, a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: Relator

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2202­003.961  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de junho de 2017  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF            Recorrente  MARIA LUCIA MORAES RIBEIRO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO  DE  RENDIMENTOS. BASE DE CÁLCULO. SÚMULA CARF Nº 69.  Nos termos da Súmula CARF nº 69, a falta de apresentação da declaração de  rendimentos  ou  a  sua  apresentação  fora  do  prazo  fixado  sujeitará  a  pessoa  física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento,  sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o  valor mínimo.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.   (assinado digitalmente)  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Marco  Aurelio  de  Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto,  Martin  da  Silva  Gesto,  Cecilia  Dutra  Pillar  e  Marcio  Henrique  Sales  Parada.  Ausente  justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 03 25 /2 00 9- 19 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10660.000325/2009­19  Acórdão n.º 2202­003.961  S2­C2T2  Fl. 85          2   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  nos  autos  do  processo  nº  10660.000325/2009­19, em face do acórdão nº 09­27.446 julgado pela 4ª Turma da Delegacia  Federal  do  Brasil  em  Juiz  de  Fora  (DRJ/JFA),  no  qual  os  membros  daquele  colegiado  entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os  relatou:  "A ação fiscal desenvolvida junto a Maria Lúcia Moraes Ribeiro,  já qualificada nos autos, resultou no Auto de Infração, As fls. 01  a  25,  exigindo  R$  303.677,80  de  imposto,  R$  227.758,34  de  multa de oficio e R$ 123.253,94 de juros de mora (calculados até  31/08/2009)   A  fiscalização,  cujo  detalhamento  encontra­se  no  Termo  de  Verificação Fiscal, As  fls.  17 a 25, pode  ser,  em síntese,  assim  descrita:  1.  A  contribuinte  foi  selecionada  por  encontrar­se  omissa  na  entrega  das  DIRPFs,  referentes  aos  exercícios  2005  a  2007,  enquanto  movimentava  valores  expressivos  em  instituições  financeiras;  2.  Intimada  e  reintimada  a  apresentar  diversos  documentos,  a  interessada  limitou­se  a  entregar  a  Fiscalização  uma  autorização  para  que  esta  pudesse  requerer  informações  da  própria contribuinte junto ao Unibanco S.A. Assim, foi emitida a  RMF  para  obter  a  necessária  documentação  à  condução  do  procedimento fiscal;  3.  Feita  a  análise  da  documentação  encaminhada  pela  citada  instituição bancária,  intimou­se e  reintimou­se a contribuinte a  apresentar  esclarecimentos  acerca  dos  recursos  financeiros  aportados em sua conta corrente, comprovando assim a origem  desses.  Destaque­se  que  da  referida  documentação  constatou­se  que  a  conta  corrente  tinha  como  segundo  titular  o  cônjuge  da  interessada, Luiz Gonzaga Ribeiro. Tal  fato ensejou a abertura  de ação fiscal neste último;  4.  A  autuada  apresentou  Notas  Fiscais  de  Produtor  Rural,  Cartão  de  Produtor  Rural  e  um  Contrato  de  Arrendamento,  alegando,  juntamente  com  seu  cônjuge,  Luiz  Gonzaga  Ribeiro,  que  o  movimento  bancário  existente  na  conta  conjunta  encontrava  respaldo/justificativa  na  documentação  que  estava  apresentando,  além  de  afirmar  que  suas  Notas  Fiscais  de  Produtor  Rural  representavam  vendas  cujos  recebimentos  se  deram nesta conta corrente mantida no Unibanco;  Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10660.000325/2009­19  Acórdão n.º 2202­003.961  S2­C2T2  Fl. 86          3 5.  Dentre  os  esclarecimentos  prestados,  argumentou  a  contribuinte não possuir outras Notas Fiscais de Produtor Rural,  pois,  de  acordo  com  o  Regulamento  do  ICMS­MG,  estaria  desobrigada  da  emissão  de  notas  fiscais  nas  vendas  hortifrutigranjeiros dentro do estado;  6.  Os  maiores  adquirentes  (em  R$)  foram  circularizados  e  verificou­se  que  os  valores  apresentados  pela  contribuinte  refletem, de forma consistente, a renda relativa a sua atividade  rural.  "Necessário  comentar  que  as  vendas  realizadas  com  as  empresas  EVORA,  MUFFATO,  SUPERMERCADO  CIDADE  CANÇÃO  foram  recebidas  em  contas  correntes  bancárias  individuais  pertencentes  ao  cônjuge  Luiz  Gonzaga  e,  portanto,  estarão computadas no procedimento fiscal..." em nome deste;  7.  "Comprovado  que  alguns  valores  são  recursos  da  atividade  rural  e  sendo  20%  do  valor  da  Receita  Bruta  a  opção  mais  favorável ao contribuinte em relação à diferença entre receita e  despesa,  foi  levado para  o Auto  de  Infração,  como omissão  de  receita da atividade rural... ";  8.  Restaram,  ainda,  créditos  significativos  de  origem  não  comprovada  e  a  autoridade  autuante  afirmou  que  "não  há  amparo na  legislação  tributária para aceitação como prova de  origem de depósitos em conta bancária a declaração  feita pelo  contribuinte  no  documento  de  fls.  114  e  115  (os  recursos  são  advindos  da  atividade  rural  e  hipótese  de  dispensa  do  item  5  retro),  uma  vez  desacompanhada  de  documentação  hábil  e  comprobat6ria.  Não  pode  ser  aceito  que,  grande  parte  de  movimentação financeira tão significativa, seja comprovada com  meras alegações. ";  9. Sendo assim, além da omissão de rendimentos provenientes da  atividade rural, a omissão representada pelos créditos de origem  não comprovada foi objeto de lançamento no presente processo.  A  autoridade  lançadora  formalizou  ainda  o  Processo  n°  10660.001185/2009­04  de  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais  e  o Processo n°  10660.001186/2009­41  de Arrolamento  de Bens e Direitos.  Cabe  destacar,  ainda,  que  a  contribuinte  continuou  sem  apresentar  as  DIRPFs,  relativas  aos  exercícios  2005,  2006  e  2007. As multas por não entrega das declarações  foram objeto  de lançamento em outro processo.  Cientificada  da  autuação,  a  interessada,  através  de  seu  representante  (fl.  170), apresentou a  impugnação, as  fls.  159 a  169,  em  que  contesta  o  lançamento  efetuado,  em  síntese,  nos  seguintes termos:  1.  Ao  utilizar  o  extrato  bancário  para  efetuar  o  lançamento,  o  Fisco não se ateve aos mandamentos do art. 43 do CTN, devendo  ser  aplicada  a  súmula  182  do  extinto  TFR,  sendo  nulo  o  lançamento. Neste, ponto, traz trechos de decisões judiciais que  Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10660.000325/2009­19  Acórdão n.º 2202­003.961  S2­C2T2  Fl. 87          4 se  basearam  na  referida  súmula  e  afirma  que  esta  continua  vigorando;  2.  Alega  que  não  foram  observados  "...os  mandamentos  dos  incisos  I  (exclusões  de  transferências  /cheques  devolvidos  e  outros)  e  (dedução  do  valor  de  R$  80.000,00  por  ano­ calendário) previstas no 3° do art. 42 da Lei 9240/96 — redação  dada pela Lei 9.481/97­" (grifos originais);  3.  Argumenta  que  "tratando­se  de  conta  conjunta,  não  há  no  presente  processo  a  intimação  do  co­titular,  sendo  nulo  o  lançamento.  "(grifos  originais)  e  reproduz  ementas de  decisões  exaradas pelo Conselho de Contribuintes;   4. Transcreve  trechos do Termo de Verificação Fiscal  e afirma  que "... pela prova dos autos corroborado pela manifestação do  fiscal que lavrou o auto de infração..., a única atividade exercida  pela  impuznante  é  de  exploração  de  atividade  rural."  (grifos  originais);  5. Ao reconhecer a atividade rural da impugnante, apenas parte  dos depósitos fora tributada com base no art. 5° da Lei 8.023/80  (arbitramento  do  imposto  de  renda  —  20%  da  receita  bruta).  "No caso  em lide,  o  fisco acionou diretamente o art.  5° da Lei  8.023/90...,  sem  primeiro,  observar  a  determinação  do  art.  4  0  da lei 8.023/90, sem efetuar as deduções do art. 7° e sem aplicar  as  aliquotas  corretas  previstas  no  art.  10°.  "(grifos  originais).  Portanto há nulidade insanável no lançamento;  6.  Ademais,  o  fisco  reconheceu  expressamente  que  a  atividade  exercida  pela  requerente  é  rural  e,  mesmo  assim,  efetuou  lançamento  "como omissão — origem não comprovada",(grifos  originais) não observando a legislação pertinente;  7.  Importante  observar  que  todas  as  notas  fiscais  relacionadas  pelo agente fiscal são referentes à remessa de mercadorias para  outros estados, uma vez que para as vendas efetuadas dentro do  Estado de Minas Gerais não há necessidade de emissão de nota  fiscal.  0  trânsito  de  "fruta  fresca  nacional"  é  livre  conforme  expresso  no  Regulamento  do  Estado.  Em  síntese,  para  as  mercadorias remetidas para outros estados, emite­se nota fiscal,  para aquelas vendidas dentro de Minas Gerais, não há emissão  de notas. Tal procedimento é amparado na legislação tributária  que  rege  a  atividade  rural.  Contudo  a  autoridade  autuante  afirmou que essa argumentação não merece acolhida;  8.  Conclui  que,  como  não  há  dúvidas  de  que  a  impugnante  exerce  exclusivamente  a  atividade  rural,  emitindo  notas  fiscais  em consonância com a legislação e não havendo provas de que a  origem  dos  recursos  é  outra  que  não  a  atividade  rural,  resta  afastada  a  presunção  do  art.  42  da  Lei  9.430/96.  Assim,  a  tributação deve observar o art. 5° e seu parágrafo único da Lei  8.023/90  (tributação de 20% da receita bruta — com aliquotas  de 10 e 25% previstas no art. 10).  Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10660.000325/2009­19  Acórdão n.º 2202­003.961  S2­C2T2  Fl. 88          5 9.  Transcreve,  então,  diversas  ementas  de  decisões  administrativas;  10.  Por  fim,  para  referendar  as  alegações,  requer  que  seja  possível  se  utilizar  de  todos  os  meios  de  prova  ("juntada  e  requisição  de  novos  documentos,  oitivas  de  testemunhas  e  depoimento  pessoal  do  fiscal"),  bem  como  que  seja  julgado  improcedente  o  lançamento,  já  que  este  possui  irregularidades  insanáveis."  Com a chegada deste autos a este Conselho, foi proferido Acórdão n° 2101­ 01.549, declinando a competência, por assim entender:   “Ante  a  prejudicialidade  configurada,  entendo  que  o  presente  processo,  de  auto  de  infração  de  multa  por  falta/atraso  na  entrega das declarações de IRPF correspondentes aos exercícios  2005, 2006 e 2007, deve seguir o processo de auto de  infração  de  imposto  sobre  a  renda  de  pessoa  física  dos  mesmos  exercícios, para apreciação conjunta dos dois, tal como permite  o Regimento Interno deste Conselho.” (grifou­se).  Posteriormente,  em  Resolução  n°  2102­000.114,  foi  determinado  o  sobrestamento do recurso, nos seguintes termos:  "Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos,  em SOBRESTAR o  julgamento,  por  conexão com o  lançamento  tombado  no  processo  administrativo  n.  10660.001184/2009­51,  já que este  se encontra  também sobrestado, pois alicerçado em  transferência  compulsória  do  sigilo  bancário  do  contribuinte  para o fisco."  Consta  no  site  do  CARF  que  o  processo  administrativo  n.  10660.001184/2009­51 já foi julgado, em sessão de 11 de março de 2015, possuindo o acórdão  de nº 2101­002.737, o qual conta a seguinte ementa:  "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ IRPF  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006  NULIDADE DO LANÇAMENTO.  Tendo o auto de  infração sido  lavrado com estrita observância  das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes  no  instrumento  todas  as  formalidades  necessárias  para  que  o  contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa,  não  há  que  se  falar  em  cerceamento  do  direito  de  defesa  e  conseqüente nulidade do lançamento.  DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF  Nº 29.  Todos  os  co­titulares  da  conta  bancária  devem  ser  intimados  para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na  fase  que  precede  à  lavratura  do  auto  de  infração  com  base  na  presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena  Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10660.000325/2009­19  Acórdão n.º 2202­003.961  S2­C2T2  Fl. 89          6 de  nulidade  do  lançamento.  No  presente  caso,  a  Fiscalização  procedeu a intimação de todos os titulares.  IRPF.  PRESUNÇÃO  RELATIVA  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  O  artigo  42  da  Lei  nº  9.430/96  estabelece  presunção  relativa  que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte  desconstituí­la. Cabe  a  desconstituição da  presunção quando o  contribuinte,  através  de  documentação  idônea,  prova  a  origem  dos recursos depositados em suas contas bancária. No presente  caso, o Recorrente não logrou êxito em comprovar a origem dos  valores que transitaram em suas contas correntes.  RECURSO  DESTITUÍDO  DE  PROVAS  CAPAZES  DE  COMPROVAR AS ALEGAÇÕES.  O  recurso  deverá  ser  instruído  com  os  documentos  que  fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do  contribuinte a perfeita instrução probatória."  Portanto, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em  negar provimento ao Recurso Voluntário.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Martin da Silva Gesto ­ Relator  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  No  presente  caso,  foi  constatada  a  falta  de  apresentação  de  declaração  de  rendimentos,  foi  o  tributo  calculado  (sendo  este  lançado  nos  autos  do  processo  nº  10660.001184/2009­51)  e  a  multa  regulamentar  foi  apurada,  sendo  lançada  no  presente  processo administrativo fiscal.  O  cálculo  da  multa  foi  realizado  do  seguinte  modo,  consoante  Termo  de  Verificação Fiscal de fls. 13/14 destes autos, vejamos:  "Do Cálculo da Multa  A  multa  de  mora  será  de  1  (um)  por  cento  ao  mês  ou  fração  sobre  o  valor  do  imposto  devido,  nos  casos  de  falta  de  apresentação  da  declaração  de  rendimentos  ou  de  sua  apresentação fora do prazo, limitada a 20% do imposto devido.  O termo inicial a ser considerado 6 o mês subseqüente ao prazo  de entrega da declaração e o final 6 o mês do lançamento.  Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10660.000325/2009­19  Acórdão n.º 2202­003.961  S2­C2T2  Fl. 90          7 Considerando que já se passaram mais de vinte meses do prazo  de  entrega  das  referidas  declarações,  a  multa  sera  limitada  a  20% do imposto devido em cada exercício.  Exercício 2005, ano­calendário 2004.  Conforme Demonstrativos de Apuração  (Auto de  Infração  ­  fls.  05  e  06),  o  imposto  devido  é  de  R$  107.461,07  X  20%  =  R$  21.492,21, que corresponde ao valor da multa desse exercício.  Exercício 2006, ano­calendário 2005.  Conforme Demonstrativo de Apuração (Auto de Infração ­ fls. 07  e  08),  o  imposto  devido  é  de  R$  95.964,41  X  20%  =  R$  19.072,88, que corresponde ao valor da multa desse exercício.  Exercício 2007, ano­calendário 2006.  Conforme Demonstrativo de Apuração (Auto de Infração, fls. 09  el0),  o  imposto  devido  é  de  R$  100.852,32  X  20%  =  R$  20.170,46, que corresponde ao valor da multa desse exercício.  O  imposto  devido  apurado  nas  referidas  declarações  será  lançado  no  Processo  Administrativo  Fiscal  N°  10660.001184/2009­51,  de  onde  foram  retiradas  cópias  dos  demonstrativos de apuração acima mencionados."  A  legislação  tributária  federal,  ao  tratar  da multa  por  atraso  na  entrega  da  declaração, estabelece no artigo 88 da Lei n° 8.981/95 verbis:  Art.  88. A  falta de apresentação da declaração de rendimentos  ou a sua apresentação  fora do prazo  fixado, sujeitará a pessoa  física ou jurídica:  I ­ à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o  Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago;  (Vide  Lei nº 9.532, de 1997)  II  ­  à  multa  de  duzentas  Ufirs  a  oito  mil  Ufirs,  no  caso  de  declaração de que não resulte imposto devido.  Depreende­se  da  leitura  do  referido  dispositivo  legal,  que  a  lei  instituiu  a  multa  por  atraso  na  entrega  da  declaração  independentemente  de  haver  imposto  devido. No  caso  em  que  houver  imposto  a  ser  pago  quando  da  entrega  da  declaração,  ainda  que  já  integralmente pago, em cota única ou parcelado, a multa por atraso na entrega da declaração é  devida.  O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3000, de 1999), estabelece  que:  Art. 964. Serão aplicadas as seguintes penalidades:  I ­ multa de mora:  a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto  devido,  nos  casos  de  falta  de  apresentação  da  declaração  de  Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10660.000325/2009­19  Acórdão n.º 2202­003.961  S2­C2T2  Fl. 91          8 rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o  imposto  tenha  sido  pago  integralmente,  observado  o  disposto  nos §§ 2º e 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso  I, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 27);  b) de  dez  por  cento  sobre o  imposto  apurado pelo  espólio,  nos  casos do § 1º do art. 23 (Decreto­Lei nº 5.844, de 1943, art. 49);  II ­ multa:  a) de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos a  seis mil, seiscentos e vinte nove reais e sessenta centavos no caso  de declaração de que não resulte  imposto devido (Lei nº 8.981,  de 1995, art. 88, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30);  b) de cem por cento, sobre a totalidade ou diferença do imposto  devido,  resultante  da  reunião  de  duas  ou  mais  declarações,  quando  a  pessoa  física  ou  a  pessoa  jurídica  não  observar  o  disposto nos arts. 787, § 2º, e 822 (Lei nº 2.354, de 1954, art. 32,  alínea "c").  § 1º As disposições da alínea "a" do inciso I deste artigo serão  aplicadas  sem  prejuízo  do  disposto  nos  arts.  950,  953  a  955  e  957  (Decreto­Lei  nº  1.967,  de  1982,  art.  17,  e  Decreto­Lei  nº  1.968, de 1982, art. 8º).  § 2º Relativamente à alínea "a" do inciso II, o valor mínimo a ser  aplicado será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, § 1º, e Lei nº 9.249,  de 1995, art. 30):  I ­ de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos,  para as pessoas físicas;   II ­ de  quatrocentos  e  quatorze  reais  e  trinta  e  cinco  centavos,  para as pessoas jurídicas.  § 3º A não regularização no prazo previsto na intimação ou em  caso  de  reincidência,  acarretará  o  agravamento  da  multa  em  cem  por  cento  sobre  o  valor  anteriormente  aplicado  (Lei  nº  8.981, de 1995, art. 88, § 2º).  § 4º Às reduções de que tratam os arts. 961 e 962 não se aplica o  disposto neste artigo.  § 5º  A  multa  a  que  se  refere  a  alínea  "a"  do  inciso  I  deste  artigo,  é  limitada  a  vinte  por  cento  do  imposto  devido,  respeitado o valor mínimo de que trata o § 2º (Lei nº 9.532, de  1997, art. 27).  § 6º As multas referidas nas alíneas "a" dos  incisos I e  II, e no  § 2º deste artigo serão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 27, parágrafo  único):  I ­ deduzidas do imposto a ser restituído ao contribuinte, se este  tiver direito à restituição;  II ­ exigidas por meio de lançamento notificado ao contribuinte.  Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10660.000325/2009­19  Acórdão n.º 2202­003.961  S2­C2T2  Fl. 92          9 (grfiou­se)  Portanto,  considerando  que  o  processo  nº  10660.001184/2009­51  já  foi  julgado, em sessão de 11 de março de 2015, possuindo o acórdão de nº 2101­002.737,  tendo  acordado os Conselheiros por unanimidade, em negar provimento ao recurso, verifica­se que  cabível a manutenção da multa aplicada.  A multa aplicada foi, nos termos do art. 964, I, alínea "a" de um por cento ao  mês ou fração sobre o valor do imposto devido, limitada a 20%, nos termos do § 5º do referido  diploma. Assim, tem­se que a multa aplicada em 20% está adequada a legislação em regência.  Por fim, importa referir o disposto na Súmula CARF nº 69, aplicável ao caso  em análise, que assim dispõe:  Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de  rendimentos  ou  a  sua  apresentação  fora  do  prazo  fixado  sujeitará  a  pessoa  física  à  multa  de  um  por  cento  ao  mês  ou  fração,  limitada  a  vinte  por  cento,  sobre  o  Imposto  de  Renda  devido,  ainda  que  integralmente  pago,  respeitado  o  valor  mínimo.  Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator                              Fl. 92DF CARF MF

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6762542 #
Numero do processo: 16327.907518/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA

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Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 75 18 /2 01 0- 11 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.907518/2010­11  Acórdão n.º 1301­002.394  S1­C3T1  Fl. 3          2  BANCO  VOLKSWAGEN  S.A.,  já  devidamente  qualificada  nestes  autos,  recorre  a  este  Conselho  contra  a  decisão  prolatada  pela  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em São Paulo  I  /  SP,  que  indeferiu  os  pedidos  veiculados  através  de  manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP.  Trata  a  lide  de  Pedido  de  Restituição  (PER/DCOMP),  no  qual  o  alegado  direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre  o Lucro Líquido (CSLL).  Posteriormente,  o  contribuinte  usou  esse  alegado  direito  creditório  para  a  compensação  com  débito  de  sua  titularidade,  mediante  a  Declaração  Eletrônica  de  Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008.  Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele  especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instando­o à regularização. Não  consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte.  A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela  empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do  DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida.  Em  sua  manifestação  de  inconformidade  contra  o  Despacho  Decisório,  a  interessada,  inicialmente,  junta  comprovante  de  arrecadação  obtido  no  sítio  eletrônico  da  Receita Federal. Na sequência, esclarece:  Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que  ele  dispunha  de  decisão  judicial  definitiva,  proferida  nos  autos  do  Mandado  de  Segurança  n°  89.0011205­8,  que  o  exonerava  do  recolhimento  da  Contribuição  Social  sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997  (data do  trânsito em  julgado da decisão judicial).  Nem se alegue que o pagamento  foi efetuado após o  trânsito em julgado da  decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo  em  vista  que,  além  desses  fatos  não  servirem  de  fundamento  para  a  negativa  do  pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita  Federal,  mesmo  em  face  da  decisão  judicial  favorável  ao  Recorrente,  insistia  na  cobrança  de  tais  valores,  ao  argumento  de  que  os  efeitos  da  decisão  judicial  alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989.  Apenas  com  a  decisão  do  1º  Conselho  de  Contribuintes  (acórdão  n°  101­ 93.610),  proferida  em  19/09/01,  com  acórdão  formalizado  em  11/12/01,  que  reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no  Mandado de Segurança  n°  89.0011205­8,  de  não  recolher  a CSLL,  no  período  de  1990  a  1997,  ou  seja,  desde  a  propositura  da  medida  judicial  até  o  trânsito  em  julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a  comprovação  de  que  também estava  desobrigado  do  recolhimento da CSLL nesse  período  e  que,  portanto,  tinha  direito  de  reaver  os  montantes  indevidamente  recolhidos:  "Ementa:  IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial.  Trânsito em Julgado. Efeitos.  A  sentença  judicial  reconhecendo  a  inconstitucionalidade  dos  artigos  1º,  2º,  3º  e  8º,  da  Lei  n°  7689,  de  1988,  e,  de  consequência,  desobrigando  a  pessoa  jurídica  do  recolhimento  da  CSLL,  irradia  seus  efeitos  jurídicos  até  o  período  no  qual  tenha ocorrido seu trânsito em julgado.  Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.907518/2010­11  Acórdão n.º 1301­002.394  S1­C3T1  Fl. 4          3  Recurso conhecido e provido.  Trecho do Voto  do Conselheiro  Sebastião Rodrigues Cabral —  Relator:  Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso:  i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no  sentido de desobrigá­la do recolhimento da Contribuição Social  sobre  o  Lucro  Líquido  instituída  pela  Lei  n°  7689,  de  1988,  transitou  em  julgado  em  02  de  setembro  de  1997,  tal  qual  atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos  autos às fls.;  ii)  O  Mandado  de  Segurança  interposto  pela  Recorrente,  em  1989,  objetivou  a  dispensa  do  recolhimento  da  referida  Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a  instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido  pela referida sentença transitada em julgado;   iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende  exigir  da  Recorrente  a  Contribuição  Social  relativa  aos  períodos­base  de  1990 a  1994,  portanto,  anteriores ao  trânsito  em  julgado  da  sentença  judicial;  só  nos  resta  concluir  que  referidos  períodos  estão  albergados  pela  'coisa  julgada',  sendo  defeso  ao  Fisco  exigir  a  Contribuição  em  causa  relativamente  àqueles períodos­base."  Assim, deve ser prontamente revisto o despacho­decisório, ora recorrido, ante  a  comprovação  do  recolhimento  indevido,  a  ensejar  o  direito  à  restituição,  nos  termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional.  A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I /  SP  analisou  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  contribuinte  e  indeferiu  a  solicitação.  Ciente  da  decisão  de  primeira  instância  e  com  ela  inconformada,  a  interessada  apresentou  recurso  voluntário,  mediante  o  qual  oferece,  em  apertada  síntese,  os  seguintes argumentos:  Acerca  do  prazo  para pleitear  o  indébito,  a  recorrente  se  reporta  ao Pedido  Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria  plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do  CTN.  A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº  89.0011205­8,  em  que  foi  proferida  a  decisão  transitada  em  julgado  que  a  exonerava  do  recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma,  anexa  documentos  que  comprovam  ser  a  recorrente  a  sucessora  de  Autolatina  Financiadora  S/A, que foi parte no processo judicial.  A  interessada  reitera,  ainda,  os  argumentos  trazidos  na  Manifestação  de  Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001.  Conclui  com  o  pedido  de  provimento  de  seu  recurso  e  homologação  da  compensação declarada.  É o Relatório.  Voto             Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.907518/2010­11  Acórdão n.º 1301­002.394  S1­C3T1  Fl. 5          4  Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 1301­002.287, de  12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/2012­48, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301­002.287):  O  recurso  voluntário  e  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade. Dele conheço.  Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com  declaração de compensação.   No  atual  estágio  da  discussão  administrativa,  o  alegado  direito  creditório  não  foi  reconhecido  por  dois  fundamentos  autônomos,  ou  seja,  cada  um  deles  é  suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório.  O  primeiro  fundamento  adotado  pelo  julgador  de  primeira  instância,  de  caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito.  Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido  entre  a  data  do  recolhimento,  em  1999,  e  a  data  do  protocolo  do  pedido  de  restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata  o art. 168, I, do CTN.  Examinando  a  decisão  recorrida,  constata­se  que,  efetivamente,  houve  um  equívoco  do  julgador  ao  não  considerar  o  pedido  de  restituição  originalmente  formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observa­se que  somente em 2008 veio pleitear compensação do  referido crédito, ou seja,  cerca de  sete  anos  após  ‘obter  a  comprovação’,  e  nove  após  a  extinção  do  débito,  pelo  pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reporta­se  ao anterior pedido de  restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para  fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a  seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão.  Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos  inicial  e  final  para  a  contagem,  já  foram  objeto  de  acirrados  debates,  tanto  no  âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei  Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as  divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais.  Finalmente,  a  questão  foi  pacificada  pelo  Poder  Judiciário.  De  especial  interesse,  o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no  regime do art. 543­C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321,  de  04/08/2011,  proferido  pelo  STF  no  regime  do  art.  543­B  do  mesmo  diploma  legal.  A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação,  em  09/12/2013,  pelo  Pleno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  da  súmula  CARF nº 91, a seguir reproduzida.  Súmula  CARF  nº  91:  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  aplica­se  o  prazo  prescricional  de  10  (dez)  anos,  contado  do  fato  gerador.  Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.907518/2010­11  Acórdão n.º 1301­002.394  S1­C3T1  Fl. 6          5  As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão  administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela  Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes.  No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da  data limite prevista na súmula, aplicando­se, portanto, o prazo prescricional de dez  anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato  gerador.  O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição.  Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo  prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição.  Observe­se  que  a  data  do  recolhimento  não  é  considerada  para  este  fim,  muito  menos  a  circunstância  alegada  pela  interessada  acerca  do  julgamento  administrativo  de  um  auto  de  infração  no  qual  o  sujeito  passivo  seria  um  dos  litisconsortes  na  ação  judicial.  Não  se  vislumbra  qual  a  relação  entre  aquele  julgamento  administrativo  e  o  prazo  para  a  formulação  do  pedido  de  restituição  aqui discutido.  A  constatação  que  se  impõe  é  de  que  o  decurso  do  prazo  prescricional  impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer  considerações de mérito, negando­se provimento ao recurso voluntário.  O segundo  fundamento adotado pelo  julgador de primeira  instância para o  indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do  voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo:  Observe­se que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça  do processo judicial que afirma ampara­la, de forma a se poder verificar  a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado  acima, seria ônus da empresa.  E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizando­se do número de  processo  judicial  fornecido  pela  Interessada,  na  opção  “Consulta  Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte,  mas  sim  as  seguintes  empresas:  Consórcio  Nacional  Ford  Ltda.,  Autolatina  S/A,  Autolatina  Financiadora  S/A  Crédito  Financiamento  e  Investimentos e Ford Brasil S/A.  Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do  processo  judicial,  e documentos que,  segundo ela, comprovariam ser a  recorrente  sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial.  Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de  Segurança nº 89.11205­8, constato que a impetrante  foi Consórcio Nacional Ford  Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A;  (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e  Investimentos;  e  (iii)  Ford Brasil S/A.   Prosseguindo  na  análise,  encontro  Ata  da  AGE  de  31/05/1996  de  Banco  Autolatina  S.A.,  na  qual  se  registra  a  cisão  parcial  dessa  pessoa  jurídica,  com  a  versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome  da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen  S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão  do patrimônio.  No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da  ação  judicial.  No  documento  datado  de  17/02/2004,  dirigido  à  DEINF/SP,  a  interessada  se  identifica  como “BANCO VOLKSWAGEN S/A.,  atual  denominação  de  BANCO  AUTOLATINA  S.A.,  anteriormente  denominado  AUTOLATINA  Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.907518/2010­11  Acórdão n.º 1301­002.394  S1­C3T1  Fl. 7          6  FINANCIADORA S.A., ...”. Mas trata­se de mera afirmação, da qual não encontro  prova documental nos autos.  Apesar  de  saber  que  esse  ponto  foi  um  dos  fundamentos  adotado  pelo  julgador  de  primeira  instância  para  negar  seu  pedido,  a  interessada  apresentou  apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança  de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando  em  rastrear  e  comprovar  os  eventos  societários  desde  a  litisconsorte  na  ação  judicial  (Autolatina  Financiadora  S/A  –  Crédito,  Financiamento  e  Investimentos)  até a atual pessoa  jurídica, nem os direitos que  teriam sido  transmitidos em cada  um desses eventos.  Em  se  tratando  de  pedido  de  restituição,  é  ônus  de  quem  alega  o  direito  creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa  jurídica  que  efetuou  o  recolhimento  seria  a  sucessora  em  todos  os  direitos  e  obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar  nos autos essa comprovação,  também por esse motivo o recurso voluntário há que  ser negado.  Os dois  fundamentos autônomos anteriormente discutidos  já  seriam  (e  são)  suficientes  para  que  o  recurso  voluntário  seja  desprovido.  Penso,  entretanto,  que  uma consideração adicional há de ser feita.   É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei  nº 9.779/1999. Confira­se seu teor (grifos não constam do original):  Art.17.Fica  concedido  ao  contribuinte  ou  responsável  exonerado  do  pagamento  de  tributo  ou  contribuição  por  decisão  judicial  proferida,  em  qualquer  grau  de  jurisdição,  com  fundamento  em  inconstitucionalidade  de  lei,  que  houver  sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal,  em  ação  direta  de  constitucionalidade  ou  inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de  janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de  mora,  da  exação  alcançada  pela  decisão  declaratória,  cujo  fato  gerador  tenha  ocorrido  posteriormente  à  data  de  publicação  do  pertinente  acórdão  do  Supremo  Tribunal  Federal.(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Vide  Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  §1oO disposto neste artigo estende­se:(Vide Medida Provisória  nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­ 35, de 2001)  I­aos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha  sido  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  em  recurso  extraordinário;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  II­a  contribuinte  ou  responsável  favorecido  por  decisão  judicial  definitiva  em  matéria  tributária,  proferida  sob  qualquer  fundamento,  em  qualquer  grau  de  jurisdição;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  III­aos  processos  judiciais  ajuizados  até  31  de  dezembro  de  1998,  exceto  os  relativos  à  execução  da  Dívida  Ativa  da  União.(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.907518/2010­11  Acórdão n.º 1301­002.394  S1­C3T1  Fl. 8          7  §2oO  pagamento  na  forma  do  caput  deste  artigo  aplica­se  à  exação  relativa  a  fato  gerador:(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35,  de 2001)  I­ocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão  do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese  do  inciso  I  do  §  1o;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  II­ocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial,  na  hipótese  do  inciso  II  do  §  1o;(Vide Medida  Provisória  nº  1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35,  de 2001)  III­alcançado  pelo  pedido,  na  hipótese  do  inciso  III  do  §  1o.(Vide Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  §3oO  pagamento  referido  neste  artigo:(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  I­importa  em  confissão  irretratável  da  dívida;(Vide Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  II­constitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348,  353  e  354  do  Código  de  Processo  Civil;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  [...]  Insisto: os pagamentos nesses  termos são confissão  irretratável da dívida e  confissão  extrajudicial.  Ou  seja,  ainda  que  pudessem  ser  superados  os  dois  fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo  inarredável  na  disposição  expressa  da  lei  acima  transcrita.  Supondo­se,  como  hipótese  argumentativa,  que  a  interessada  fosse,  como  afirma,  sucessora  da  litisconsorte na ação  judicial, o  fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do  direito  conquistado  na  ação  judicial  (possivelmente  por  vê­lo  ameaçado  por  reiteradas  manifestações  do  STF  no  sentido  da  inconstitucionalidade  da  CSLL  apenas  para  o  primeiro  ano  de  sua  vigência)  e  parcelar  o  valor  da  contribuição  para os anos subsequentes.  A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal  insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse  era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto  pelo  sucesso  obtido  em  ações  rescisórias  diversas  propostas  perante  o  Poder  Judiciário,  quanto  por  Pareceres  da  douta  PGFN.  Se  a  interessada  tivesse  plena  convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e  discuti­lo  administrativa  e  judicialmente,  nunca  o  de  se  antecipar,  confessando  a  dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo.  A  recorrente  reclama,  ainda,  que  esse  aspecto  não  teria  sido  fundamento  para  a  negativa  do  pedido  de  restituição,  pelo  que  não  poderia,  agora,  ser  abordado.  Observe­se  que  a  DEINF/SP  originalmente  negou  o  pedido  porque  o  pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a  interessada  não  se  preocupou  em  trazer  aos  autos  os  esclarecimentos  que  Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.907518/2010­11  Acórdão n.º 1301­002.394  S1­C3T1  Fl. 9          8  permitissem  essa  correta  identificação.  Essa  questão  foi  plenamente  superada  em  primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos,  a  saber,  o  prazo  para  pleitear  o  indébito  e  a  comprovação  do  direito  alegado.  Quanto  a  este  último  aspecto,  o  julgador  a  quo  se  deteve  na  falta  das  peças  do  processo  judicial  e  na  falta  de  comprovação  de  que  a  interessada  no  processo  administrativo  fosse  também  uma  das  partes  do  processo  judicial.  Penso  que  as  considerações  aqui  tecidas  sobre  esse  ponto  nada  mais  são  do  que  um  aprofundamento  acerca  da  análise  de  mérito  do  pedido.  Seriam,  talvez,  dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a  conclusão.  Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  [assinado digitalmente]  Waldir Veiga Rocha                              Fl. 165DF CARF MF

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Numero do processo: 10630.720915/2009-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 VTN-VALOR DA TERRA NUA. SUB-AVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. LAUDO TÉCNICO. Acolhe-se o VTN apurado em Laudo Técnico de Avaliação apresentado pelo Contribuinte, fixado em patamar bem próximo ao valor médio das DITR do Município, reivindicado no Recurso Especial.
Numero da decisão: 9202-005.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o Valor da Terra Nua (VTN) constante do laudo de avaliação. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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9202­005.518  –  2ª Turma   Sessão de  25 de maio de 2017  Matéria  VTN ­ ARBITRAMENTO PELO SIPT  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  EDMILSON FIRME SIMÃO JÚNIOR    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2005  VTN­VALOR DA TERRA NUA. SUB­AVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO.  SIPT­SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. LAUDO TÉCNICO.  Acolhe­se o VTN apurado em Laudo Técnico de Avaliação apresentado pelo  Contribuinte, fixado em patamar bem próximo ao valor médio das DITR do  Município, reivindicado no Recurso Especial.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, em dar­lhe provimento parcial, para reconhecer o Valor da  Terra Nua (VTN) constante do laudo de avaliação.  (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício  (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patricia  da  Silva,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Ana  Paula  Fernandes,  Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza  Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 09 15 /2 00 9- 19 Fl. 178DF CARF MF     2 Relatório  Trata o presente processo, de exigência do ITR ­ Imposto Territorial Rural do  exercício de 2005, tendo em vista o arbitramento do VTN ­ Valor da Terra Nua.   Em  sessão  plenária  de  13/03/2012,  foi  julgado  o  Recurso  Voluntário  s/n,  prolatando­se o Acórdão 2202­01.690 (fls. 144 a 152), assim ementado:  “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR  Exercício: 2005  Ementa:  VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE  NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO  DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO  DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA.  Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado  pela  fiscalização,  com  base  no  Sistema  de  Preços  de  Terras  (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município  de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da  Lei nº 9.393, de 1996."  A decisão foi assim registrada:  "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,  em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do  relator."  O  processo  foi  encaminhado  à  PGFN  em  26/04/2012  (Despacho  de  Encaminhamento de fls. 153) e, em 27/04/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 154 a  161 (Despacho de Encaminhamento de fls. 162).  O Recurso Especial está  fundamentado no art. 67, Anexo  II, do Regimento  Interno  do CARF,  aprovado  pela Portaria MF  nº  256,  de  2009,  e  visa  discutir  a  questão  da  arbitramento  do  Valor  da  Terra  Nua  (VTN)  com  base  no  VTN  médio  das  DITR  entregues no município de localização do imóvel, contido no Sistema de Preços de Terras  (SIPT). Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nºs 2102­01.405 e 2102­00.609.  Ao  Recurso  Especial  foi  dado  seguimento,  conforme  despacho  s/n  de  24/05/2013 (fls. 163 a 165).  Em seu apelo a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos:  ­ com efeito, no acórdão paradigma resta consagrada a tese de que o VTNm  constante do SIPT pode ter por base tanto o  levantamento por aptidão agrícola como o valor  médio das DITR entregues no município de localização do imóvel;  ­  de  modo  contrário,  o  acórdão  recorrido  entende  que  apenas  o  VTNm  apurado com base na aptidão agrícola é  legítimo para quantificar o Valor da Terra Nua, não  sendo  possível  tal  aferição  pelo  valor  médio  das  DITR  apresentadas  ao  município  em  que  situado o imóvel rural autuado;  Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10630.720915/2009­19  Acórdão n.º 9202­005.518  CSRF­T2  Fl. 179          3 ­ e mais, o paradigma, ao referir­se à necessidade de que o laudo técnico de  avaliação  produzido  pelo  contribuinte  atenda  às  normas  técnicas  da  ABNT,  assentou  que  “somente laudo técnico que analisa pormenorizadamente o imóvel rural, segundo a norma da  abnt vigente na data da produção do laudo, pode contraditar o valor do sipt”.  ­ a Lei 9.393/96, em seu art. 14, previu a criação de um sistema de preços de  terras a ser  instituído pela Secretaria da Receita Federal, como se pode ver na  transcrição da  citada norma:  “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem  como  de  subavaliação  ou  prestação  de  informações  inexatas,  incorretas  ou  fraudulentas,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto,  considerando informações sobre preços de terras, constantes de  sistema a  ser por  ela  instituído, e os dados de área  total,  área  tributável  e  grau  de  utilização  do  imóvel,  apurados  em  procedimentos de fiscalização”.  ­ a Portaria SRF nº 447, de 28/03/2002, regulamentando o Sistema de Preços  de Terras, veio instituir:  “O  SECRETÁRIO  DA  RECEITA  FEDERAL  no  uso  da  atribuição  que  lhe  confere  o  art.  209  do Regimento  Interno  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art.  14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996,  e na Portaria  SRF nº 782, de 20 de junho de 1997, resolve:  Art. 1º Fica aprovado o Sistema de Preços de Terras (SIPT) em  atendimento ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, que  tem  como  objetivo  fornecer  informações  relativas  a  valores  de  terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural  (ITR).  Art.  2º  O  acesso  ao  SIPT  dar­se­á  por  intermédio  da  Rede  Serpro, somente a usuário devidamente habilitado, que será feito  mediante  identificação,  fornecimento  de  senha  e  especificação  do  nível  de  acesso  autorizado,  segundo  as  rotinas  e  modelos  constantes na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997.  Parágrafo  único.  A  definição  e  a  classificação  dos  perfis  de  usuários,  os  critérios  para  a  sua  habilitação  e  as  transações  autorizadas  para  cada  perfil,  relativos  ao  controle  de  acesso  lógico  do  SIPT,  serão  estabelecidos  em  ato  da  Coordenação­ Geral de Fiscalização (Cofis).  Art. 3º A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais  dados  recebidos  das  Secretarias  de  Agricultura  ou  entidades  correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações  do  ITR,  será  efetuada  pela  Cofis  e  pelas  Superintendências  Regionais da Receita Federal.  Art.  4º  A  Coordenação­Geral  de  Tecnologia  e  Segurança  da  Informação providenciará a implantação do SIPT até 15 de abril  de 2002.  Fl. 180DF CARF MF     4 Art. 5º Esta Portaria entra em vigor nesta data.  ­  assim,  tem­se  como procedimento  para o  lançamento  do  ITR  a utilização  dos  valores  indicados  no  Sistema  de  Preços  de  Preços  de  Terras  da  SRF,  nos  moldes  estabelecidos na Portaria retro transcrita, não havendo qualquer ilegalidade na utilização dessa  rotina administrativa;  ­  desse  modo,  plenamente  legítima  a  conduta  da  autoridade  fiscal  ao  considerar para definição do Valor de Terra Nua o valor médio das declarações do ITR;  ­ destarte, não assiste razão ao contribuinte, de modo que em nada deve ser  alterado o auto de infração impugnado;  ­  as  tabelas  de  valores  indicados  no  SIPT  servem  como  referencial  para  amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente são utilizados pela fiscalização  se o  contribuinte não  lograr  comprovar que o valor declarado de  seu  imóvel  corresponde ao  valor efetivo na data do fato gerador;  ­ é certo também que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado,  mediante  Laudo  Técnico  de  Avaliação,  revestido  de  rigor  científico  suficiente  a  firmar  a  convicção  da  autoridade,  devendo  estar  presentes  os  requisitos  mínimos  exigidos  pela  da  Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, no caso, pela norma NBR 146533;  ­  ocorre  que,  consoante  restou  devidamente  constatado  pela  fiscalização  e  ratificado  pela  decisão  de  primeira  instância,  o  contribuinte  não  se  desincumbiu  adequadamente desse mister;  ­  com  efeito,  referido  laudo  foi  analisado  no  voto  condutor  da  decisão  de  primeira  instância  que  formou  convicção  de  que  não  cabe  ser  ele  aceito,  por  não  atender  às  exigências da autoridade fiscal, nos termos das normas constantes da ABNT;  ­ o Laudo Técnico apresentado demonstra total falta de critério e apenas para  referendar, sem a necessária fundamentação, o VTN originalmente declarado pelo contribuinte;  ­  logo, o laudo apresentado, por não observar as normas da ABNT vigentes  na data de sua produção, revela­se imprestável para contraditar o valor do SIPT;  ­  diante  de  todo  o  exposto,  merece  reforma  o  acórdão  recorrido,  devendo  prevalecer o valor da terra nua arbitrado pela fiscalização.  Ao  final,  a  Fazenda  Nacional  pede  o  conhecimento  e  o  provimento  do  recurso, para que seja reformada a decisão recorrida.  Cientificado, o Contribuinte quedou­se silente (fls. 174 a 175).  Voto             Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  portanto  deve  ser  conhecido.  Não  foram  oferecidas Contrarrazões.  Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10630.720915/2009­19  Acórdão n.º 9202­005.518  CSRF­T2  Fl. 180          5 Trata­se de ITR ­ Imposto Territorial Rural do exercício de 2005 e a matéria  em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN ­ Valor da Terra Nua tendo por  base o SIPT ­ Sistema de Preços de Terras, utilizando­se o VTN médio das DITR.  Primeiramente,  é  necessário  que  sejam  fornecidos  alguns  esclarecimentos,  indispensáveis à compreensão acerca das peculiaridades da situação que se nos apresenta.  No  caso  do  acórdão  recorrido,  o Contribuinte  declarou  para  o  exercício  de  2005 o VTN ­ Valor da Terra Nua de R$ 70,00/ha, considerado subavaliado pela fiscalização,  razão pela qual foi promovido o arbitramento com base no SIPT ­ Sistema Integrado de Preços  de Terras,  levando­se em consideração a aptidão agrícola "pastagem/pecuária", fixado em R$  2.000,00/ha (fls. 09). É inclusive o que consta do relatório do acórdão recorrido:  "Em razão disso, a Autoridade Fiscal decidiu lavrar a presente  Notificação  de  Lançamento,  com a  rejeição  do  VTN  declarado  de  R$  441.119,00  (R$  70,00/ha),  que  entendeu  subavaliado,  arbitrando­o  em R$ 12.603.400,00 ou R$ 2.000,00/ha  (aptidão  agrícola "pastagem/pecuária", com base no Sistema de Preps de  Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüente  aumento  do  VTN  tributado,  disto  resultou  no  imposto  suplementar de R$ 51.949,97, conforme demonstrativo de fl. 04."  Para  contraditar  o  arbitramento,  o  Contribuinte  apresentou  o  Laudo  de  Avaliação  de  fls.  33  a  99,  firmado  por  Engenheiro  Agrônomo,  com  ART  ­  Anotação  de  Responsabilidade  Técnica,  em  que  foi  apurado  o  VTN  de  R$  195,84/ha,  não  acatado  pela  fiscalização e DRJ.  Entretanto, no voto condutor do acórdão recorrido toda a argumentação é no  sentido de que o VTN teria sido arbitrado em R$ 245,76, com base no valor médio das DITR  do Município. Confira­se:  "Em  relação ao VTN,  a  autoridade  lançadora  arbitrou  o  valor  em R$ 245,76 uma vez o laudo técnico de avaliação apresentado  pelo  Recorrente  não  preencheu  os  requisitos  da  ABNT,  nos  termos  da  norma  de  execução  COSIT,  003,  de  29  de  maio  de  2006.  (...)  Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT refere­se à  média  dos  VTNs  das  DITRs  apresentadas  para  o  mesmo  município  no  ano  de  2003  e  não  do  VTN  médio  por  aptidão  agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras  do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da  avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de  terras  levando  em  conta  de  existência  de  lavouras,  campos,  pastagens, matas.  (...)  Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento  (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que  a  autoridade  fiscal  lançadora  se  utilizou  do  VTN  médio  das  DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando  Fl. 182DF CARF MF     6 legal  e  o  VTNm  adotado  para  proceder  ao  arbitramento  pela  autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim  da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte.  (...)  Entretanto,  diante  do  entendimento  que  o VTN médio  utilizado  pela  autoridade  fiscal  lançadora  não  cumpre  as  exigências  legais  determinadas  pela  legislação  de  regência,  penso  ser  irrelevante  continuar  a  discussão  da  questão  do  Laudo  de  Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que  nesses  casos,  deve  ser  restabelecido  o  VTN  declarado  pelo  recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal.  Desta  forma,  entendo  que  devemos  acolher  para  o  VTN  declarado pelo Recorrente."  Por  outro  lado,  a  análise  das  peças  do  processo,  mormente  a  decisão  de  Primeira  Instância,  permite  constatar  que  houve  efetivamente  o  arbitramento  com  base  na  média  das  DITR  do Município,  porém  relativamente  ao  exercício  de  2006,  enquanto  que  o  exercício ora tratado é o de 2005. Confira­se:  "Quanto  às  discrepâncias  apontadas  pelo  requerente,  em  relação aos valores utilizados para arbitramento do VTN do seu  imóvel,  com  base  nos  valores  apontados  no  SIPT,  para  os  exercícios  de  2004,  2005  e  2006,  cabe  registrar  que  nos  dois  primeiros  exercícios  foram  utilizados  os  únicos  valores,  por  aptidão  agrícola  (terras  de  pastagens/pecuária),  constantes  do  SIPT,  fornecidos  pela  Secretaria  Estadual  de  Agricultura  de  Minas  Gerias,  conforme  previsto  na  legislação  citada  anteriormente,  e  para  o  exercício  de  2006,  por  não  constar  valores,  por  aptidão  agrícola,  foi  utilizado  o  VTN  médio,  por  hectare,  apontado  nesse  mesmo  sistema  de  preços  de  terras  (único  valor  disponível),  apurado  com  base  no  universo  das  DITR/2006,  correspondentes  aos  imóveis  rurais  localizados  no  município de Ataléia — MG (...).  Portanto,  isso  explica  a  discrepância  dos  valores  apontados  para  o  VTN/ha  para  os  exercícios  de  2004  (R$  1.000,00  ­  aptidão  agrícola  "pastagem/pecuária")  e  2005  (2.000,00  ­  aptidão agrícola "pastagem/pecuária"), pois para o exercício de  2006,  a autoridade  fiscal utilizou  o  valor  de R$ 267,78  (média  das DITRs informadas) pela ausência da coleta do dado relativo  à aptidão agrícola naquele exercício."  Constata­se, assim, a ocorrência de lapso quando do julgamento do Recurso  Voluntário,  que  não  abordou,  em  absoluto,  a  situação  dos  autos. Nesse  caso,  a  oposição  de  Embargos de Declaração  teria  logrado esclarecer os  fatos, mormente quanto  ao  arbitramento  haver efetivamente levado em conta a aptidão agrícola e não o valor médio das DITR, que para  o exercício de 2005 foi de R$ 245,76 (fls. 09).  Assim,  explica­se  o  fato  de  a  Fazenda  Nacional  apresentar  toda  a  sua  argumentação no sentido de aceitação do valor médio das DITR do Município, já que a leitura  apenas do voto condutor do aresto induziu a esse lapso.  Diante do exposto, considerando que:  Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10630.720915/2009­19  Acórdão n.º 9202­005.518  CSRF­T2  Fl. 181          7 ­  a  própria  Recorrente  fixou­se  na  média  das  DITR  do  Município  ­  R$  245,76/ha (fls. 09) ­ como se esse tivesse sido efetivamente o VTN arbitrado;  ­ em nenhum trecho do Recurso Especial se faz alusão ao VTN por aptidão  agrícola "pastagem/pecuária", fixado em R$ 2.000,00/ha (fls. 09);  ­  o  Contribuinte  apresentou  Laudo  Técnico  de  Avaliação,  firmado  por  Engenheiro  Agrônomo  e  com  ART  ­  Anotação  de  Responsabilidade  Técnica,  em  que  foi  apurado o VTN de R$ R$ 195,84/ha, bem mais próximo do valor pela média das DITR que  pelo valor que levou em conta a aptidão agrícola.  Conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito,  dou­lhe  provimento  parcial  para  acolher  o  VTN  de  R$  195,84/ha,  apurado  no  Laudo  de  Avaliação apresentado pelo Contribuinte.  (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo                                Fl. 184DF CARF MF

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6773359 #
Numero do processo: 10437.721034/2015-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE CONEXÃO. De acordo com o art. 6º, §2º, do RICARF, para que possa ser deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não ocorre no caso dos autos. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALOR RECEBIDO EM NOME DA PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE REPASSE. Comprovada a omissão de rendimentos quando a pessoa física recebe valor em nome da pessoa jurídica e deixa de repassar a ela os valores recebidos, configurando assim a disponibilidade econômica dos valores recebidos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-003.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de conexão de processos. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso para excluir a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO

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2202­003.818  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de maio de 2017  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  CARLOS ALBERTO ERGAS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2010  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE CONEXÃO.   De  acordo  com  o  art.  6º,  §2º,  do  RICARF,  para  que  possa  ser  deferida  a  conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não  ocorre no caso dos autos.  NULIDADE DO LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE.  Comprovado  que  o  procedimento  fiscal  foi  feito  regularmente,  não  se  apresentando,  nos  autos,  as  causas  apontadas  no  art.  59  do  Decreto  n.º  70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.   OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  VALOR  RECEBIDO  EM  NOME  DA  PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE REPASSE.   Comprovada a omissão de rendimentos quando a pessoa física  recebe valor  em nome da pessoa  jurídica e deixa de  repassar  a  ela os valores  recebidos,  configurando assim a disponibilidade econômica dos valores recebidos.   DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.   Caracterizam  omissão  de  rendimentos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  mantida  junto  à  instituição  financeira,  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprova,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar  de  conexão  de  processos. No mérito,  por maioria  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Dilson Jatahy  Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso para excluir a infração de omissão de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 10 34 /2 01 5- 50 Fl. 1054DF CARF MF     2 rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica.  Foi  designado  o  Conselheiro  Marco  Aurélio  de  Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.   (assinado digitalmente)   Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Presidente e Redator designado.   (assinado digitalmente)   Júnia Roberta Gouveia Sampaio­ Relatora.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Marco  Aurelio  de  Oliveira  Barbosa,  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  Dilson  Jatahy  Fonseca  Neto,  Martin  da  Silva Gesto, Cecilia Dutra  Pillar  e Marcio Henrique  Sales  Parada. Ausente  justificadamente  Rosemary Figueiroa Augusto.  Relatório  Por bem descrever os fatos, adoto, no que couber, o relatório da Delegacia da  Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS):  Trata o presente processo de auto de infração (fls. 786/794), no  qual é exigido imposto de renda pessoa física (2904) no valor de  R$  18.222.047,80,  acrescido  de  multa  de  ofício  e  de  juros  de  mora,  relativo  ao  ano­calendário  2010,  em  decorrência  de  omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e omissão  de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem  não comprovada.   Ao  ser  identificada movimentação  financeira  incompatível  com  rendimentos declarados no ano calendário 2010, o contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  documentação  referente  às  contas  bancárias  mantidas  junto  a  instituições  financeiras,  comprovando a origem dos recursos depositados.   Após  analisar  os  documentos  apresentados,  a  fiscalização  elaborou  planilha  que  foi  enviada  ao  contribuinte,  com  solicitação para que fosse justificada a origem dos recursos. De  posse  dos  documentos  apresentados  pelo  contribuinte,  a  Fiscalização  excluiu  os  lançamentos  a  crédito  em  conta  corrente,  cuja  origem  restou  comprovada  pelo  contribuinte.  Foram excluídos  também os  lançamentos a crédito  inferiores a  R$ 12.000,00, uma vez  que o  total  desses  lançamentos no ano­ calendário 2010 era inferior a R$ 80.000,00.   O Termo de Verificação Fiscal ­ TVF (fls. 780) assim conclui a  apuração  do  crédito  tributário  decorrente  de  depósitos  bancários de origem não comprovada:   (...)    "Os valores que não foram retirados da planilha não tiveram suas  fontes  de  recursos  comprovadas  por  meio  de  documentação  hábil, coincidente em datas valores, ou por falta de documentos  Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10437.721034/2015­50  Acórdão n.º 2202­003.818  S2­C2T2  Fl. 1.055          3 ou  por  insuficiência  de  elementos  para  real  identificação  da  origem,  como  depósito  de  R$  200.000.00  em  dinheiro  em  24/03/2010, alienação do veículo BMW, recebimento da Leader  Ship  Com  e  Representações  de  Produtos  Náuticos,  créditos  de  RS 300.000.00 em 23/09/2010 e R$ 50.000.00.   Preparamos planilhas dos depósitos não comprovados efetuados  nas  contas  da  instituição  bancária  mencionada,  resultando  no  valor  tributável  de  RS  981.992,00,  no  ano­calendário  2.010,  conforme DEMONSTRATIVO anexo.   Deve  ser  destacado  que  comprovar  a  origem  do  crédito  não  significa simplesmente demonstrar quem efetuou o depósito, mas  principalmente, identificar a natureza da operação que deu causa  ao  crédito,  para  se  determinar,  com  certeza  absoluta,  se  os  valores  são  ou  não  rendimentos  tributáveis,  uma  vez  que  a  lei  dispõe  que  caso  se  comprove  a  origem,  deve­se  verificar  se  os  valores  tributáveis  foram  oferecidos  ou  não  a  tributação.  Caso  contrário,  não sendo possível determinar  a natureza dos valores  depositados,  estes  são  considerados  rendimentos  omitidos  caracterizados  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada.   (...)”     Relata ainda a Fiscalização no TVF (fls. 772/781) o seguinte:  O valor de R$ 89.000.000,00 recebido em 22/11/10 na forma de  TED­TELET  DISP,  tendo  como  remetente  Telecomunicações  São  Paulo  foi  excluído  da  planilha  de  depósitos  não  comprovados por ter sido identificada a sua origem, ou seja, ação  judicial  por  apropriação  indevida  de  valores  entre  os  anos  de  1993 e 1995, por serviços prestados pela empresa WCR do Brasil  Serviços  S/C  Ltda.  CNPJ:  66.663.196/0001­02  à  Telecomunicações  São  Paulo  S.A.  ­  TELESP,  CNPJ:  02.558.157/0001­62.   De acordo com o contribuinte, o depósito foi feito em sua conta  corrente  20121­9, Agência  2377,  do Bradesco,  na  qualidade  de  procurador e advogado da empresa WCR do Brasil Serviços S/C  Ltda.  CNPJ:  66.663.196/0001­02,  pois  a  mesma  se  encontrava  impossibilitada  de  abertura  de  conta  corrente  em  banco,  estava  INAPTA perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil.   Conforme  Comprovante  de  Rendimento  do  Bradesco  Vida  e  Previdência S.A.,  os  saldos  de  aplicações  em VGBL,  em nome  do  contribuinte,  em  31/12/2009,  era  de  RS  7.362.640,85  e  em  31/12/2010,  era  de R$  94.572.614,75,  sendo  a  diferença  de R$  87.209.973,90. Este  valor não  foi  declarado  em  sua Declaração  de Ajuste Anual do ano­calendário 2010.   Em  09/03/2015,  lavramos  Termo  de  Intimação  Fiscal,  com  a  finalidade  de  subsidiar  a  ação  fiscal,  solicitando  ao  Bradesco  Fl. 1056DF CARF MF     4 Vida e Previdência S.A. a documentação da contratação do plano  de previdência complementar.   Em  resposta  o  Bradesco  enviou  as  cópias  dos  documentos  do  contribuinte, referente a VGBL, como a seguir:  Proposta:  1­  Adesão  0103391.  Data:  22/11/2.010.  Valor  do  prêmio:  R$  87.220.000.00.  Renda  Vitalícia.  Beneficiários:  Gabriela  Lemos  Ergas,  CPF:  222.899.748­03  e  Rodolfo  Lemos  Ergas,  CPF:  275.427.838­90,  ambos  filhos  do  contribuinte.  Resgate  na  proporção  de  50%.  Data  prevista  para  a  concessão  de  indenização: junho de 2.023.   2­  Adicional  0254144. Data:  22/11/2010. Valor  do  prêmio:  R$  780.000.00. Valor total da aplicação: R$ 88.000.000.00.   Em  05/01/2.015,  lavramos  Termo  de  Intimação  Fiscal,  solicitando a apresentação do seguinte:   ­  acordo  entre  as  partes  que  extinguiu  o  processo  ajuizado  por  WCR  do  Brasil  Serviços  S.C.  Ltda,  em  face  de  Telecomunicações São Paulo S.A. ­ 1 LLLSP;   ­ mandado de levantamento judicial referente ao processo da  WTC do Brasil Serviços S. C. Ltda;   ­ honorários advocatícios recebidos pelos serviços prestados a  WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda e o respectivo contrato de  prestação  de  serviços  profissionais  de  advocacia  entre  as  partes;   ­  efetivo  repasse  do  valor  referente  ao  cumprimento  da  sentença,  do  contribuinte  para  a  empresa  WCR  do  Brasil  Serviços S. C. Ltda.   A ciência se deu em 07/01/2015. Em 24/02/2015, recebemos os  seguintes  documentos:  contrato  de  prestação  de  serviços  advocatícios  entre  WCR  do  Brasil  Serviços  S.  C.  Ltda.  representada  por  Carlos  Alberto  Ergas  e  Melo  &  Tognolo  Advogados  Associados  e  três  páginas  de  um  Instrumento  Particular de Transação entre WCR do Brasil Serviços S. C. Ltda  c TELESP.   Em  09/03/2015,  lavramos Termo  de  Intimação  Fiscal,  também,  com  a  finalidade  de  subsidiar  a  ação  fiscal,  solicitando  à  Telefônica  Brasil  S.A.,  a  documentação  que  demonstre  a  que  título  foi  feito  pagamento  no  valor  de  R$  89.000.000.00,  ao  contribuinte,  em  22/11/2010,  na  qualidade  de  representante  da  empresa  WCR  do  Brasil  Serviços  SC  Ltda.  CNP.I:  66.663.196/0001­02.   Como  resposta  a  Telefônica  informou  que  não  tinha  qualquer  tipo  de  rendimento  pago  ao  Sr  Carlos  Alberto  Ergas,  CPF:  107.957.828­53,  CNPJ:  66.663.196/0001­02,  no  período  de  2.010.   Diante  de  tal  resposta,  entramos  em  contato  com  a  Telefônica,  informamos haver o depósito e ficamos no aguardo de resposta.   Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10437.721034/2015­50  Acórdão n.º 2202­003.818  S2­C2T2  Fl. 1.056          5 Em 01/04/2015, recebemos da Telefônica, cópia da sentença, dos  embargos de declaração e do instrumento celebrado entre WCR  do  Brasil  Serviços  SC  Ltda.  representada  por  Carlos  Alberto  Ergas  e  Telecomunicações  de  São  Paulo  S.A.,  TELESP,  justificando o pagamento efetuado em 22/11/2010.   Mediante  o  relatado,  em  02/06/2015,  lavramos  Termo  de  Intimação Fiscal para que demonstrasse o seguinte:   ­  efetivo  repasse  do  valor  referente  ao  cumprimento  do  acordo  judicial  recebido  pelo  contribuinte,  na  qualidade  dc  procurador,  para  a  empresa WCR do Brasil  Serviços  S. C.  Ltda e para os sócios.   Em  22/06/2015,  recebemos  a  resposta  de  que  a  única  transferência  feita  à WCR  foi  em  22/02/2011,  no  valor  de  R$  23.720.000.00. Que o saldo está aplicado em fundo exclusivo sob  a responsabilidade do contribuinte e que não houve transferência  direta  aos  sócios.  Anexou  o  extrato  mensal  de  21/02/2011  a  22/02/2011,  da  conta  corrente  20.121­9,  Agência  2377.  Bradesco,  na  qual  consta  o  pagamento  autorizado,  sem  identificação do destinatário.   Em  01/07/2015,  lavramos  Termo  de  Intimação  Fiscal  solicitando:   ­  Identificar banco, agência e conta da empresa WCR do Brasil  Serviços S. C. Ltda, onde se deu o repasse de R$ 23.720.000,00,  em 22/02/2.011.   Em resposta, em 10/07/2015, esclareceu que não podia enviar o  número  da  conta  corrente  solicitada,  pois  não  tinha  o  comprovante da Ted enviada  e  também pela negativa do banco  em  conceder  uma  cópia,  por  não  manter  em  arquivo  a  comprovação da transação bancária. Pesquisando os sistemas da  RFB,  conseguimos  identificar  a  transferência  de  R$  23.720.000,00 para a conta da empresa WCR do Brasil Serviços  S. C. Ltda.   De  acordo  com  o  exposto,  concluímos  que  o  valor  de  R$  65.280.000,00 permaneceu em poder do contribuinte, porém não  foi computado na base de cálculo do imposto ao qual está sujeito,  devendo submeter­se às normas de tributação específica, prevista  na  legislação  vigente  à  época  em  que  auferidos  ou  recebidos  (artigo  37.  38.  45  c  55  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  aprovado pelo Decreto 3.000/99).   (...)"  O  contribuinte  apresentou,  tempestivamente  (fls.806),  impugnação  (fls.799/803)  ao  auto  de  infração.  Alega,  preliminarmente,  a  nulidade  da  autuação,  afirmando  que  o  lançamento  não  indicou  a  disposição  legal  infringida  e  a  penalidade aplicável. A Fiscalização teria considerado que todos  os valores que compuseram a omissão de rendimentos estariam  sujeitos à  tributação pelo “regime de progressão de alíquota”.  Fl. 1058DF CARF MF     6 De  acordo  com  os  documentos  entregues,  haveria  valores  recebidos  em  decorrência  da  venda  de  bens,  cujo  tratamento  tributário  seria  o  da  tributação  exclusiva  sobre  o  ganho  de  capital,  com  alíquota  de  15%.  Assim,  em  decorrência  de  erro  formal, a parte do auto de infração que trata da alegada omissão  de  rendimentos  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, deve ser considerada nula.   No  mérito,  afirma  que  o  valor  de  R$  65.280.000,00,  apurado  como omissão de rendimentos, não lhe pertence. Este valor faria  parte do montante de R$ 89.000.000,00, creditados na sua conta  através  de  TED  remetida  por  Telecomunicações  de  São  Paulo  S/A para liquidação de acordo judicial firmado nos autos de uma  ação  judicial  movida  por WCR  do  Brasil  Serviços  S/C  Ltda.  ­  CNPJ  n°  66.663.196/0001­02,  tendo  como  Advogado  o  contribuinte.  Teria  sido  no  exercício  dos  poderes  de  advogado  da  WCR  do  Brasil  Serviços  S/C  Ltda.  que  firmou  acordo  em  nome de seu cliente. Esse acordo  foi homologado judicialmente  com a TELESP, para pôr fim a ação judicial onde se buscava o  recebimento de pagamento por serviços prestados no período de  1993  a  1995,  recebendo  os  valores  acordados  em  sua  conta  corrente para que pudesse dar a devida quitação do acordo.  O  próprio  autuante  teria  reconhecido  como  verdadeiras  suas  alegações,  as  quais  teriam  sido  ratificadas  pela  TELESP,  quando  esta  confirmou  que  nenhum  valor  teria  sido  pago  ao  contribuinte, mas à WCR do Brasil Serviços S/C Ltda.  O  fato  de  ter  sido  aplicado  em  seu  nome  o  valor  recebido  também  não  modificaria  a  titularidade  dos  valores  recebidos.  Por  se  tratar  de  um  valor  que  não  lhe  pertence,  deveria  ser  reconhecido  como  um  ato  de  prudência  a  aplicação  desses,  deixando­os  a  salvo  de  qualquer  situação  que  possa  lhe  dar  causa  de  perdimento,  afinal  no  exercício  de  sua  atividade  de  Advogado  deverá  prestar  contas  a  seu  cliente  dos  valores  recebidos.  Quanto a não informação desses valores em sua Declaração de  Ajuste Anual do Ano­Calendário de 2010, entende que as razões  acima  são  suficientes  para  as  explicar,  admitindo,  entretanto,  que deveria ter declarado­os na ficha de Ônus Reais, registrando  o passivo que possui em relação à empresa WCR, fato que não  mudaria  absolutamente  em  nada  a  situação  tributária  do  Impugnante em relação aos valores relacionados.  Com  relação  aos  demais  valores  lançados,  além  das  preliminares de nulidade constantes da impugnação, declara que  todas  as  informações  quanto  à  origem  foram  devidamente  esclarecidas e “também se trata de valores recebidos em nome,  cujas devidas prestações de contas foram apresentada durante o  curso  da  fiscalização,  não  deveriam,  portanto,  ser  admitidas  como  se  fossem  renda  do  contribuinte,  aplicando­se  aqui  os  mesmos  comentários  e  fundamentação  de  direito  apresentadas  no caso da WCR.   Admite a existência de valores recebidos pela venda de bens de  sua  propriedade,  mas  também  esclarece  que  tais  valores  não  podem  ser  tratados  como  omissão  de  rendimento  por  serem  Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10437.721034/2015­50  Acórdão n.º 2202­003.818  S2­C2T2  Fl. 1.057          7 submetidos  a  regime  de  tributação  diferenciado  dos  demais  rendimentos.  Tais  valores,  no máximo,  dariam origem a  ganho  de capital, representado pela diferença positiva ente o preço de  compra e o preço de  venda do bem,  tributado pela alíquota de  15%.   Assim, requer o cancelamento do débito fiscal.   Em  07/10/2015,  intempestivamente,  o  contribuinte  a  apresenta  razões  aditivas  à  impugnação  administrativa  (fls.809/816),  alegando:   ­  Ilegitimidade  Passiva  –  foi  lavrado  auto  de  infração  contra  WCR  do  Brasil  Veiculação  e  Publicidade  LTDA  ME,  consubstanciado  no  processo  administrativo  nº  10855.722766/2015­36, em setembro de 2015, cujo fundamento é  a exclusão da tributação do valor de R$ 89.000.000,00 recebido  da TELESP, reconhecendo nesse auto de infração que a receita  seria da empresa WCR e não do impugnante. Assim, entende que  a  existência  de  dois  lançamentos  lavrados  sobre  o mesmo  fato  gerador geraria enriquecimento sem causa da União federal, bis  in  idem,  com  a  tributação  da  mesma  receita  por  duas  vezes.  Requer a nulidade do presente lançamento.  ­ Litispendência – na medida em que teria sido lavrado auto de  infração contra o contribuinte, com base de cálculo oriunda do  mesmo valor recebido pela WCR como indenização por danos a  ela  causados  pela  TELESP.  A  Receita  Federal  do  Brasil,  por  meio  de  duas  Delegacias  localizadas  em  cidades  diferentes  estaria  cobrando  da  mesma  pessoa  impostos  incidentes  sobre  uma mesma renda, ocasionando dupla tributação.   ­ Conexão dos Lançamentos – dois lançamentos lavrados contra  pessoas  diferentes,  mas  com  o  mesmo  fato  gerador.  Assim,  haveria conexão entre os processos, o que exigiria o julgamento  conjunto pela mesma autoridade julgadora, evitando prejuízo ao  contribuinte.  Como  os  dois  lançamentos  teriam  o  mesmo  fato  gerador, um deveria ser cancelado.   ­  Nulidade  do  Lançamento  –  Erro  na  apuração  da  base  de  cálculo – Rendimentos Recebidos Acumuladamente – A medida  judicial proposta pela WCR contra Telesp  visou a cobrança de  valores relativos a 1993 até 1995, os quais foram recebidos em  2010,  na  forma  de  indenização,  mediante  acordo  judicial.  Ao  considerar  que  os  valores  são  rendimentos  do  contribuinte  e  tributá­los  com  as  alíquotas  vigentes  em  2010,  estaria  sendo  contrariado  o  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  287,  de  2006,  por  se  tratarem de rendimentos recebidos acumuladamente.   Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal.   Em  03/11/2015,  o  contribuinte  apresenta,  intempestivamente,  novas  razões  aditivas  à  impugnação  (fls.859/865),  alegando  agora que houve a devida comprovação da origem dos depósitos  bancários.   Fl. 1060DF CARF MF     8 Os  depósitos  ocorridos  em  09/03/2010  (R$  120.000,00),  em  08/04/2010  (R$  70.000,00),  em  28/04/2010  (R$  20.000,00),  em  30/04/2010 (R$ 20.000,00), em 31/05/2010 (R$ 20.000,00) e em  07/06/2010  (R$  20.000,00)  referem­se  a  venda  de  um  veículo  BMW X6 e deveriam ter sido tributados a alíquota de 15% por se  tratar de venda de bem.   Os  depósitos  implementados  em  23/09/2010  (R$  300.000,00)  e  em  28/10/2010  decorrem  de  acordo  judicial  e  extrajudicial  firmado  entre  as  empresas  DLB  Indústria  e  Comércio  Ltda  e  Euroart  Comércio  de  Produtos  de  Beleza  Ltda,  sendo  o  contribuinte representante legal da DLB.   O depósito no valor de R$ 200.000,00, ocorrido em 24/03/2010  teria  origem  em  instrumento  particular  de  confissão  e  renegociação  de  dívida  firmada  pelos  Srs. Hagop Cherkesiam,  Carlos Alberto Reys Gandra e Márcio Luchesi.   O  montante  de  R$  161.992,00,  depositado  em  08/09/2010,  decorreria de multa contratual recebida pela Leader Ship Com.  e  Representação  de  Produtos  Náuticos,  em  cumprimentos  de  transação celebrada em 01/06/2010, homologada judicialmente.   Assim, haveria erro no  lançamento, pois havendo comprovação  da origem, os valores deveriam observar as regras de tributação  específica,  nos  termos  do  disposto  no  §  2º  do  art.  42  da  lei  nº  9.430/1996.   Alega  novamente  ilegitimidade  passiva,  requerendo  oportunidade apresentar a DIPJ da WCR do Brasil Veiculação e  Publicidade  LTDA  ME.,  uma  vez  que  o  valor  de  R$  89.000.000,00  foi  devidamente  registrado  como  receita  dessa  sociedade  e  fruto  de  lançamento  consubstanciado  no  processo  administrativo 10855.722766/2015­36.   Por último, requer o cancelamento do débito fiscal.   Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de  abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB  nº  1006,  de  24  de  julho  de  2013  (DOU  25/07/2013)  e  conforme  definição  da  Coordenação­Geral  do  Contencioso  Administrativo  e  Judicial  da RFB,  o  presente  e­processo  foi  encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento.  A Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  de  Porto  Alegre/RS  negou  provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte:     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ IRPF   Ano­calendário: 2010   NULIDADE.  Comprovado  que  o  procedimento  fiscal  foi  feito  regularmente,  não  se  apresentando,  nos  autos,  as  causas  apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que  se cogitar em nulidade do lançamento.   Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10437.721034/2015­50  Acórdão n.º 2202­003.818  S2­C2T2  Fl. 1.058          9 OMISSÃO DE  RECEITA.  VALOR  RECEBIDO  EM NOME DA  PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE REPASSE.   Comprovada a omissão de receita quando a pessoa física recebe  valor em nome da pessoa  jurídica e deixa de  repassar a ela os  valores  recebidos,  configurando  assim  a  disponibilidade  econômica dos valores recebidos.   DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.   Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em  conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando  o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante  documentação hábil  e  idônea, a origem dos  recursos utilizados  nessas operações.   LITISPENDÊNCIA.   A  litispendência  entre  processos,  na  forma  preconizada  pelo  CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e  da causa de pedir.   IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.   Considera­se  intempestiva  a  impugnação  apresentada  pós  o  decurso  do  prazo  de  30  dias  estabelecido  pelo  Decreto  70.235/1972.   IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FATO SUPERVENIENTE.   Deve  ser  apreciada  a  prova  que  se  refira  a  fato  superveniente  não conhecido à época em que a impugnação foi apresentada.  Irresignado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 887/958  no qual reitera as alegações constantes das Impugnações.   É o Relatório.     Voto Vencido  Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio ­ Relatora   O  recurso  está  dotado  dos  pressupostos  legais  de  admissibilidade,  motivo  pelo qual, dele conheço.   1) PRELIMINARES  O Recorrente  aponta  as  seguintes  preliminares:  a)  ilegitimidade  passiva;  b)  conexão  do  presente  lançamento  com  o  lançamento  de  IRPJ  e  CSLL  realizado  em  face  da  empresa  WCR  do  Brasil  Ltda;  c)  nulidade  do  lançamento  por  erro  na  base  de  cálculo  ­  rendimento recebidos acumuladamente; d) erro na base de cálculo aplicada a venda de veículo;  e) devida comprovação da origem dos depósitos objeto do lançamento.   Fl. 1062DF CARF MF     10 Das matérias  acima  listadas,  somente  o  requerimento  de  conexão  pode  ser  visto como preliminar. As demais preliminares se confundem com o mérito da discussão e, por  isso, serão juntamente com ele analisadas.   1.1) DO PEDIDO DE CONEXÃO COM O LANÇAMENTO EFETUADO NO PROCESSO Nº  10855­722.766/2015­36  Alega  a  Recorrente  a  conexão  do  presente  processo  com  o  processo  de  nº  10855­722.766/2015­36, para cobrança de IRPJ e CSLL, em que foi autuada a empresa WCR  do Brasil Ltda (fls. 835/850) em razão da ausência do computo da receita de R$89.000.000,00.  (fls. 822) relativa ao mesmo fato gerador.   Para  dar  maior  celeridade  e  racionalidade  aos  processos  que  tramitam  no  CARF  foi  instituída,  no Anexo  II,  art.  6º  a  8º  do Novo Regimento  (Portaria MF  nº  343,  de  09/06/2015)  a  possibilidade  de  vinculação  dos  processos  quando  estes  forem  conexos,  decorrentes ou reflexos, nestes termos:  Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados observando­se a seguinte disciplina:   § 1º Os processos podem ser vinculados por:   I ­ conexão, constatada entre processos que tratam de exigência  de  crédito  tributário ou pedido do contribuinte  fundamentados  em  fato  idêntico,  incluindo  aqueles  formalizados  em  face  de  diferentes sujeitos passivos;   II  ­ decorrência, constatada a partir de processos  formalizados  em  razão de procedimento  fiscal anterior ou de atos do  sujeito  passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda  que veiculem outras matérias autônomas; e   III  ­  reflexo,  constatado  entre  processos  formalizados  em  um  mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de  prova, mas referentes a tributos distintos.   § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão  ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo  conexo,ou  o  principal,  salvo  se  para  esses  já  houver  sido  prolatada decisão. (grifamos)  Tem razão o Recorrente quando afirma que os processos tratam das mesmas  questões fáticas, pois tanto a omissão de receita deu causa ao lançamento do IRPJ e da CSLL  quanto  a  tributação  do Recorrente  decorrem do  recebimento  do  valor R$ 89.000.000,00. No  entanto, conforme se verifica pela norma prevista no §2º do referido artigo, para que possa ser  deferida a conexão, os processos devem ser de competência da mesma Seção o que não ocorre  no caso dos autos.  Em  face  do  exposto,  indefiro  o  pedido  de  conexão  formulado  pelo  Recorrente.  2) MÉRITO   Conforme  se  verifica  pelo  Relatório  Fiscal,  duas  foram  as  causas  do  lançamento discutido no presente processo:  Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10437.721034/2015­50  Acórdão n.º 2202­003.818  S2­C2T2  Fl. 1.059          11 a) Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica  b) Omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não  comprovada.   Analisaremos, separadamente, cada uma das infrações apontadas  2.1) OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA   O  contribuinte  alega  que  o  valor  de  R$  65.280.000,00  não  poderia  ser  tributado, uma vez que não lhe pertence. Desde o trabalho fiscal, o contribuinte insiste que tal  valor resulta da diferença entre o montante de R$ 89.000.000,00 depositado em sua conta por  meio de TED efetuado pela Telesp ­ Telecomunicações de São Paulo S/A para liquidação de  acordo  judicial  firmado  com  WCR  Brasil  Serviços  Ltda,  e  o  valor  de  R$  23.720.000,00  transferido  pelo  contribuinte  à  empresa WCR  Brasil  Serviços  Ltda.  Os  valores  teriam  sido  depositados na sua conta na qualidade de advogado e procurador da empresa. Sendo assim, o  fato de ter ficado com parte do valor recebido em nome da empresa WCR serviços S/C Ltda  não  guarda  qualquer  relação  com  fato  gerador  do  Imposto  de  Renda,  pois  não  haveria  disponibilidade econômica e jurídica da mencionada renda.   A DRJ, por sua vez, negou provimento ao pedido por entender que:  a)  Na  mesma  data  em  que  foi  efetuada  TED  eletrônica  para  conta  do  contribuinte  no montante de R$ 89.000.000,00  houve  a  contratação  de  plano  de previdência  complementar  no  valor  de  R$  88.000.000,00  pelo  contribuinte  cujos  beneficiários  são  seus  filhos:  Gabriela  Lemos  Ergas  e  Rodolfo  Lemos  Ergas.  A  data  prevista  para  concessão  do  benefício foi junho de 2023.  b) As alegações de que o dinheiro não lhe pertence são frágeis, uma vez que,  "passados  mais  de  cinco  anos  da  data  em  que  recebeu  os  valores  pagos  pela  TELESP  à  empresa  WCR  Brasil  Serviços  S/C,  na  qualidade  de  seu  procurador,  ainda  não  os  tenha  repassado em sua integralidade à empresa."   c)  que  a  justificativa  de  que  os  valores  pagos  pela  Telesp  à  WCR  Brasil  Serviços  S/C  tinham  sido  transferidos  para  a  sua  conta  corrente  em  razão  do  fato  de  que  a  empresa  encontrava­se  inapta  junto  ao  cadastro  da Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil  ­  RFB  (o  que  a  impossibilitava  de  abrir  conta  junto  às  instituições  financeiras)  não  mais  se  sustenta, uma vez que, a partir do ano de 2011, essa situação deixou de existir.  d) que a aplicação do dinheiro em um plano de VGBL, em seu nome e com  data de resgate prevista para 2023, comprova a intenção do contribuinte em se manter na posse  dos  valores  recebidos  pela  empresa  e  não  a  intenção  de  repassá­los  à WCR Brasil  serviços  Ltda.   e) estaria afastada argumentação no sentido de que o contribuinte não pode  dispor economicamente na referida renda, uma vez que aplicação por ele efetuada tem como  beneficiários os seus filhos, os quais não guardam qualquer relação obrigacional com a referida  empresa.   f) o contribuinte não apresentou qualquer comprovação ou justificativa para  permanecer na posse de um valor bastante expressivo.   Fl. 1064DF CARF MF     12 g) a aquisição de disponibilidade financeira é fato gerador do imposto sobre a  renda da pessoa física, nos termos do artigo 43 do CTN, o qual estabelece que a incidência do  imposto independe da denominação do rendimento.   Entendo,  todavia,  que  não  restou  comprovado  que  o  Recorrente  era  proprietário dos referidos recursos. Tal comprovação é fundamental para tributação da renda,  pois, nos termos do artigo 43 do CTN:  Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre a  renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:  I ­ de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho  ou da combinação de ambos;  II  ­  de  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  entendidos  os  acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior  Pela leitura do referido artigo é possível constatar que o núcleo do conceito  de  renda  é  a  obtenção  de  um  acréscimo  patrimonial.  Sendo  assim,  é  imprescindível  a  demonstração da propriedade dos valores depositados. O simples depósito em conta corrente  do Recorrente não é suficiente para comprovação da propriedade. O que restou evidenciado no  trabalho  fiscal  é  que  o  contribuinte  possui  a  posse  dos  valores, mas,  a meu  ver,  não  restou  comprovada a propriedade destes.  Isso  porque,  conforme  reconhecido  no  trabalho  fiscal,  o  titular  dos  valores  depositados era a empresa WCR Brasil Serviços S/C Ltda. Tal fato, além de comprovado por  meio  da  juntada  homologação  do  Acordo  Judicial  realizado  entre  a  WCR  e  a  Telesp  pelo  Superior Tribunal de Justiça (fls. 76) não foi contestado pela autoridade fiscal ou pela DRJ.   Além disso, conforme consta do Relatório Fiscal, em 09/03/2015, foi lavrado  Termo  de  Intimação  Fiscal,  solicitando  à  Telefônica  Brasil  S.A.,  a  documentação  que  demonstrasse  a  que  título  teria  sido  feito  o  pagamento  no  valor  de  R$  89.000.000.00  ao  contribuinte,  em  22/11/2010.  Como  resposta,  a Telefônica  informou  que  não  tinha  qualquer  tipo  de  rendimento  pago  ao  Sr  Carlos  Alberto  Ergas,  CPF:  107.957.828­53,  CNPJ:  66.663.196/0001­02, no período de 2.010.   Não bastassem esses elementos, consta do Relatório Fiscal (fls. 822/834) que  deu origem ao Auto de  Infração  relativo  ao processo nº 10855­722.766/2015­36,  em que  foi  autuada  a  empresa WCR  do  Brasil  Ltda  (fls.  835/850),  que  esta  declarou  na  ficha  06­A  ­  Demonstração de Resulta, item 60 (outras receitas), da Declaração de Informações Econômico  Fiscais ­ DIPJ 2011, Ano Calendário 2010 o recebimento da receita de R$89.000.000,00. (fls.  822).  Finalmente,  é  importante  ressaltar  que  a  própria  receita  federal  reconheceu  que o valor R$ 89.000.000,00 é de propriedade da empresa, conforme se constata pelo seguinte  trecho do Relatório Fiscal acima mencionado:  "O  contribuinte  informou  no  item  60  da  ficha  06­A  ­  Demonstração  do  Resultado  ­  PJ  em  Geral,  DIPJ  2011,  ano­ calendário  de  2010,  ND  0001558764,  o  valor  de  R$  89.000.000,00,  como  recebimento  de  "Outras  Receitas  não  Relacionadas nas Linhas Anteriores"  Apurou Lucro Líquido no valor de R$ 89.000.000,00 e informou  no item 01 da ficha 09­A ­ Demonstração do Lucro Real ­ PJ em  Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10437.721034/2015­50  Acórdão n.º 2202­003.818  S2­C2T2  Fl. 1.060          13 Geral, da DIPJ/2011, ano­calendário 2010 ND 0001558764. No  item 78 Outras Exclusões da mesma ficha, o contribuinte excluiu  o mesmo valor (R$ 89.000.000,00), apurando um Lucro Real de  R$ 0,00.  Conforme cópia do extrato bancário  fornecido pela fiscalizada,  no dia 22/11/201 foi creditado na conta­corrente do procurador  Sr. Carlos Alberto Ergas, o valor de R$ 89.000.000,00.   Conforme  Instrumento  Particular  de  Transação,  cópia  apresentada pela Telecomunicações  de  São Paulo  S/A  ­  Telesp  em  08/04/2015,  esse  crédito  bancário  de  R$  89.000.000,00  refere­se  ao  pagamento  efetuado  por  esta  empresa  à  WCR  do  Brasil serviços S/C Ltda a título de indenização, juros e correção  monetária  (serviço  900)  para  quitação  de  todos  os  direitos  e  obrigações  entre  as  partes,  relativo  ao  objeto  do  processo  judicial nº 583.00.1998.945809­7.  Intimado  a  justificar  o  motivo  da  exclusão  do montante  de  R$  89.000.000,00  do  Lucro  Líquido  para  determinação  do  Lucro  Real,  o  contribuinte  não  comprovou,  assim,  consideramos  a  exclusão  indevida  e  recompomos  o  Lucro  Real  e  a  Base  de  Cálculo da CSLL.   Apesar de reconhecer que o dinheiro foi depositado e encontra­se na posse no  procurador Carlos Alberto Ergas, a autoridade fiscal utilizou como base para autuação de IRPJ  e CSLL o montante de R$ 89.000.000,000 e não os R$ 23.720.000,00 repassados à empresa.   É  importante  destacar  também  que  o  Auto  de  Infração  que  deu  origem  ao  Processo  nº  10855­722.766/2015­36  imputa  responsabilidade  solidária  (art.  124,I  do CTN)  e  pessoal (art. 135, III) aos seguintes sócios da empresa WCR do Brasil Ltda:  a) Santa Maggione Comércio e Participações Ltda ­ ME;  b) Ariston Gomes de Oliveira;  c) Alfrego Ergas;  d) Ednen de Castro Antunes  e) Rodolfo Lemos Ergas  f) Carlos Alberto Ergas  Pela leitura da relação de responsáveis tributários é possível constatar que ao  Recorrente  (Carlos Alberto  Ergas)  foram  imputadas  as  responsabilidades  pessoal  e  solidária  acima  mencionadas.  Sendo  assim,  caso,  eventualmente,  se  identifique  a  intenção  de  esvaziamento  patrimonial  da  pessoa  jurídica  em  benefício  do Recorrente  este  já  se  encontra  arrolado como responsável no Auto de Infração relativo a pessoa jurídica.   2.2)  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA  ­  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  2.2.1) Da presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96  Fl. 1066DF CARF MF     14 Antes de analisarmos as alegações do Recorrente, é importante tecer algumas  considerações sobre a presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida junto a instituição financeira, em relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2° Os valores cuja origem houver  sido comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I  os  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  da  própria  pessoa física ou jurídica;  II  no  caso de  pessoa  física,  sem prejuízo  do  disposto  no  inciso  anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00  (doze  mil  Reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário,  não ultrapasse o  valor de R$80.000,00  (oitenta mil  Reais).  §4° Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.  Como  destaca  Ricardo  Mariz  de  Oliveira1  as  razões  que  justificam  a  aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes:    ­  a  ocorrência  do  fato  gerador  é  constatada  a  partir  de  fatos  conhecidos e comprovadamente existentes;  ­  há  correlação  lógica  entre  o  fato  conhecido  (índices  de  produção,  consumo  de  materiais,  sinais  exteriores  de  riqueza,  acréscimos  patrimoniais,  saldo  credor  de  caixa)  e  o  fato  desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador);  ­  o  método  de  interpretação  e  aplicação  da  lei  a  partir  da  presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas  de suposição do agente lançador;                                                              1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de    ­ Presunções  no Direito Tributário.  In Martins  Ives Gandra da Silva  (coord.).  Presunções  no  Direito  Tributário.  São  Paulo:  Centro  de  Estudos  de  Extensão  Universitária  e  Editora  Resenha  Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299­300  Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10437.721034/2015­50  Acórdão n.º 2202­003.818  S2­C2T2  Fl. 1.061          15 ­ a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo  contribuinte,  característica  implícita  em  toas  as  citadas  hipóteses legais, quando não expressa;  ­ trata­se de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova  da  inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos,  também  desconhecidos,  mas  hábeis  a  excluir  a  incidência  tributária. (grifamos)  A  exigência  fiscal  em  exame  decorre  de  expressa  previsão  legal,  pela  qual  existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a  omissão de  rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a  imputação, comprovando a origem  dos recursos.  Conforme  previsão  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96,  é  necessário  comprovar,  individualizadamente,  a  origem  dos  recursos,  identificando­os  como  decorrentes  de  renda  já  oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Trata­se,portanto, de ônus  exclusivo  do  contribuinte,  a  quem  cabe  comprovar,  de  maneira  inequívoca,  a  origem  dos  valores  que  transitaram  por  sua  conta  bancária,  não  sendo  bastante  alegações  e  indícios  de  prova.  Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é  matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela  Súmula nº 26 abaixo transcrita:   Súmula  CARF nº  26:  A  presunção  estabelecida  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  dispensa  o  Fisco  de  comprovar  o  consumo  da  renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.  Em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, o Recorrente  optou  por  segregar  sua  contestação  em  duas  partes.  Na  primeira  parte  tratou  dos  valores  recebidos em decorrência da venda de veículo e, na segunda parte, tratou dos demais depósitos.  2.2.2­ Venda do veículo   O Recorrente reconhece que os valores recebidos em decorrência da venda de  veículo  não  foram  oferecidos  à  tributação,  mas  discorda  da  forma  de  tributação  aplicada,  entendendo  que  deveria  ter  sido  apurado  o  ganho  de  capital  e  aplicada  a  alíquota  correspondente de 15%.  De acordo com Recorrente, a venda do veículo BMW X6, placa ERG 9933,  justificaria os depósitos de R$ 120.000,00, em 09/03/2010, R$ 70.000,00, em 08/04/2010, R$  20.000,00, em 28/04/2010, R$ 20.000,00, em R$ 30/04/2010, R$ 20.000,00, em 31/05/2010 e  R$ 20.000,00, em 07/06/2010.  A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre, no entanto,  negou provimento a essa alegação, sob os seguintes fundamentos:  Com  relação  à  venda  do  veículo  BMW  X6  (R$  270.000,00),  o  único  documento  apresentado  pelo  contribuinte  para  comprovar a origem dos valores creditados em sua conta foi o  Certificado  de Registro  e Licenciamento  de Veículo  em nome  Fl. 1068DF CARF MF     16 do  Sr.  Ricardo  Arruda  Nunes.  Não  existe  nos  autos  qualquer  comprovação  de  que  esse  veículo  fosse  de  propriedade  do  contribuinte,  tampouco  que  os  referidos  depósitos/transferências  tenham  sido  efetuadas  pelo  Sr.  Ricardo  Arruda  Nunes,  documentos  indispensáveis  à  comprovação da  origem dos  créditos na  conta  do  contribuinte.  Assim, não estando comprovada a origem dos depósitos, não há  como se falar em tributação do ganho de capital em alíquota de  15%,  pois  a  operação  de  venda  do  veículo  apontada  pelo  contribuinte não restou comprovada.(grifamos)  Em  fase  recursal  o  Recorrente  anexou  documento  que  comprova  que  o  referido veículo era de sua propriedade (fls. 962). Todavia, não junta aos autos a comprovação  de que os referidos depósitos foram efetuados pelo Sr. Ricardo Arruda Nunes. Conforme visto,  a presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96 atribuiu ao contribuinte o dever de  comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos. Sendo assim, entendo que não houve  a correta e completa comprovação da origem dos valores mencionados.   2.2.3) Depósitos bancários de origem não comprovada   Em  relação  aos  demais  depósitos,  o  Recorrente  aponta  as  seguintes  fundamentações:  a)  R$  200.000,00,  depósito  em  dinheiro  em  24/03/2010,  pagamento  da  parcela de R$ 193.420,00, constante de instrumento particular de Confissão e Renegociação de  Dívida,  cujo  devedor  é Márcio  Lucchesi  e  os  credores  Hagop  Cherkesian  e  Carlos  Alberto  Reys Gandra, o contribuinte atuou como árbitro no referido acordo (fls.379/414).  Em  relação  apontada  origem  do  depósito  a  Delegacia  Regional  de  Julgamento aponta as seguintes objeções à justificativa trazida pelo contribuinte  Com  relação  ao  depósito  em  dinheiro  de  R$  200.000,00,  ocorrido no dia 24/03/2010, o contribuinte alega que sua origem  seria  pagamento  efetuado  por  Márcio  Lucchesi  a  Hagop  Cherkesian  e  Carlos  Alberto  Reys  Grandra.  Esse  pagamento  faria  parte  de  uma  dívida,  cujo  árbitro  da  negociação  foi  o  contribuinte.  Analisando  os  documentos  apresentados,  verificamos  que  o  contribuinte  atuou  como  árbitro  na  negociação de dívida existente entre as citadas partes. Todavia,  não  há  comprovação  nos  autos  de  que  o  depósito  efetuado  na  conta  corrente  do  contribuinte  decorra  do  pagamento  da  referida  dívida.  O  comprovante  de  depósito  juntado  pelo  contribuinte  (fls.387)  tem  o  seu CPF  como  depositante.  Assim,  não há provas de que se trata de depósito efetuado por Marcio  Lucchesi  (devedor).  Além  disso,  não  há  no  instrumento  de  negociação  de  dívida  (fls.381/382)  indicação  de  que  haveria  pagamento no montante de R$ 200.000,00 no dia 24/03/2010 a  ser  efetuado  ao  contribuinte.  Existe  apenas  a  previsão  de  um  pagamento  de  R$  193.420,00  que  deveria  ocorrer  em  09/03/2010,  mas  nenhuma  indicação  de  que  este  pagamento  seria  efetuado  ao  contribuinte  no  lugar  dos  credores.  O  contribuinte  afirma  que  a  diferença  de  valores  decorre  de  pagamento em atraso, mas o próprio contrato prevê uma multa  de mora por atraso superior a 3 dias de 20% sobre a prestação,  que  no  caso  seria  de  R$  38.684,00.  Valor  bastante  superior  à  diferença  verificada  (R$  6.580,00).  Assim,  correta  a  Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10437.721034/2015­50  Acórdão n.º 2202­003.818  S2­C2T2  Fl. 1.062          17 Fiscalização ao entender que não restou comprovada a origem  do depósito.   Como resposta o Recorrente alega que caberia a fiscalização diligenciar junto  às  instituições  financeiras  no  sentido  de  verificar  a  origem  dos  depósitos.  Tal  alegação,  no  entanto, esvaziaria de sentido a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96  b) ­ R$ 300.000,00 – depósito em cheque no dia 23/09/2010 e R$ 50.000,00 –  TED – em 28/09/2010 – Acordo  celebrado entre DLB  Indústria e Comércio Ltda.  e Euroart  Comércio de Produtos de Beleza Ltda. (fls. 617/629);  Em  relação  apontada  origem  do  depósito,  a  Delegacia  Regional  de  Julgamento aponta as seguintes objeções à justificativa trazida pelo contribuinte  Em  relação  ao  montante  de  R$  350.000,00,  cuja  origem  seria  acordo  realizado  entre  DLB  Indústria  e  Comércio  Ltda.  e  Euroart  Comércio  de  Produtos  de  Beleza  Ltda,  sendo  o  contribuinte  procurador  da  DLB  Indústria  e  Comércio  Ltda.,  deve ser observado que aqui novamente não há comprovação de  que os cheques que foram depositados na conta do contribuinte  no  dia  23/09/2010 perfazendo o  valor  de R$ 300.000,00  foram  emitidos pela Euroart Comércio de Produtos de Beleza Ltda. O  comprovante de  depósito de  fls.  622  indica apenas os  números  dos  cheques,  mas  não  quem  é  o  seu  emitente.  Os  documentos  apresentados  para  comprovação  das  operações  (fls.  618/621­  Ata  de  Reunião,  Recibo  e  Quitação  Recíproca,  Termo  de  Autorização Para Celebração de Acordo)  são particulares, não  sendo registrados ou reconhecidos por tabelionato. Já o valor de  R$  50.000,00,  creditado  na  conta  do  contribuinte  por  meio  de  TED também não indica a origem do recurso, sendo insuficientes  os documentos apresentados para sua comprovação  Não  trouxe  o  contribuinte,  em  fase  recursal,  nenhum  dos  elementos  apontados  na  decisão  recorrida  se  limitando  a  afirmar  que  a  autoridade  fiscal  deveria  ter  diligenciado no sentido de identificar a sua origem. Tal situação, como já dito, conflita com a  presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96.  c) R$ 161.992,00 – TED em 08/09/2010 – valor recebido em nome da Leader  Ship Com.e Representação de Produtos Náuticos, do Sr. Afonso Antonio Hennel para efeito da  multa  contratual  e  reparos  em  embarcação,  dando  cumprimento  aos  termos  de  transação  celebrado em 01/06/2010 e homologado judicialmente pela 25° Câmara de Direito Privado do  Tribunal de Justiça. (fls. 554/599).  Em  relação  apontada  origem  do  depósito,  a  Delegacia  Regional  de  Julgamento aponta as seguintes objeções à justificativa trazida pelo contribuinte:  Por último,  temos a TED realizada em 08/09/2010 no valor de  R$ 161.992,00 para a conta do contribuinte. A alegação é de que  o valor foi recebido por um associado do contribuinte em nome  da  Leader  Ship  Com.  E  Representação  de  Produtos  Náuticos.  Esse  valor  teria  sido  pago  pelo  Sr.  Afonso Antônio Hennel  em  cumprimento  a  acordo  celebrado  judicialmente  para  o  pagamento  de  reparos  em  sua  embarcação  e multa  contratual.  Fl. 1070DF CARF MF     18 Aqui novamente não existe comprovação de que esse pagamento  tenha  partido  do  Sr.  Afonso  Antônio  Hennel,  tampouco  motivação  para  que  o  pagamento  tenha  ocorrido  para  o  advogado  da  Leader  Ship  Com.  E  Representação  de  Produtos  Náuticos  e  não  diretamente  para  a  empresa  prestadora  do  serviço.  Não  há  qualquer  indicação  ainda  de  que  esse  valor  tenha  sido  repassado  à  Leader  Ship Com. E Representação de  Produtos  Náuticos.  Portanto,  sem  comprovação  a  origem  do  depósito efetuado, deve ser mantido o lançamento.  Dessa  forma,  assim  como  nos  itens  anteriores,  o  contribuinte  não  se  desincumbiu do ônus de demonstrar a origem do depósito, motivo pelo qual, deve ser mantido  o lançamento nesse ponto.   3) CONCLUSÃO  Em face de todo o exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou parcial  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para  excluir  da  base  de  cálculo  do  lançamento  o  valor  relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica.    (assinado digitalmente)  Júnia Roberta Gouveia Sampaio ­ Relatora     Voto Vencedor  Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Redator designado.  Inobstante  o  bem  fundamentado  voto  da Relatora,  peço  vênia  para  divergir  em relação à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica.  A  Fiscalização  considerou  o  valor  de  R$  65.280.000,00  como  omissão  de  rendimentos, resultado da diferença entre o total de R$ 89.000.000,00 depositado pela empresa  TELESP, para liquidação de acordo judicial firmado com a WCR Brasil Serviços S/C Ltda, e o  montante de R$ 23.720.000,00 transferido pelo Contribuinte à empresa WCR.  Em 22/11/2010, foi efetuada TED eletrônica para a conta do contribuinte no  montante R$ 89.000.000,00. Nessa mesma data, houve a contratação de plano de previdência  complementar no valor  de R$ 88.000.000,00, pelo  contribuinte,  cujos beneficiários do plano  são  os  seus  filhos  Gabriela  Lemos  Ergas  e  Rodolfo  Lemos  Ergas.  A  data  prevista  para  a  concessão do benefício foi junho de 2023.  O art. 43, CTN, assim dispõe sobre o fato gerador do imposto sobre a renda  da pessoa física:  Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre a  renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:  I ­ de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho  ou da combinação de ambos;  Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10437.721034/2015­50  Acórdão n.º 2202­003.818  S2­C2T2  Fl. 1.063          19 II  ­  de  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  entendidos  os  acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.  §  1º A  incidência  do  imposto  independe  da  denominação  da  receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou  nacionalidade  da  fonte,  da  origem  e  da  forma  de  percepção.  (grifei)  No  presente  caso,  o  Contribuinte  recebeu  o  referido  valor  em  nome  da  empresa e não repassou a esta, mesmo decorridos mais de cinco anos do seu recebimento. Os  valores  foram  aplicados  em  investimento  de  longo  prazo  em  benefício  de  seus  filhos,  confirmando  a  sua  intenção  de  permanecer  na  posse  dos  valores  recebidos.  Não  houve  nenhuma  comprovação  por  parte  do  Contribuinte  de  que  os  valores  foram  repassados  à  empresa, tampouco esta demonstrou qualquer interesse de reavê­los. Assim, restou configurada  a ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física.  Conforme bem decidiu a DRJ, os argumentos do Contribuinte são frágeis e  não são aptos a afastar o lançamento fiscal. A seguir transcrevo excertos do voto vencedor da  decisão a quo, com os quais concordo e adoto também como razões de decidir:  O contribuinte  justifica o uso deste dinheiro  como uma medida  de prudência, deixando os valores a salvo de qualquer situação  que possa dar causa ao seu perdimento.  O  que  é  possível  observar  pela  análise  dos  documentos  constantes  dos  autos  e  do  comportamento  do  contribuinte  é  a  fragilidade  de  seus  argumentos  ao  justificar  o  fato  de  que  passados mais de cinco anos da data em que recebeu os valores  pagos pela TELESP à  empresa WCR Brasil  Serviços S/C Ltda,  na qualidade de seu procurador, ainda não os  tenha repassado  em sua integralidade à empresa.  A  justificativa  do  contribuinte  para  que  os  valores  pagos  pela  Telesp à WCR Brasil Serviços S/C Ltda tenham sido transferido  para  a  sua  conta  corrente  seria  de  que  na  data  em  que  o  pagamento ocorreu, 22/11/2010, a empresa encontrava­se inapta  junto ao cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil –  RFB  e  assim  impossibilitada  de  abrir  conta  em  Instituição  Financeira. Essa justificativa não mais se sustenta, pois a partir  do  ano  de  2011  essa  situação  deixou  de  existir,  passando  a  empresa à situação de ATIVA junto ao cadastro da RFB.  A  explicação  para  aplicação/utilização  do  dinheiro  que  não  seria seu, mas da empresa, em um plano de previdência privada  – VGBL  em nome do  contribuinte, mas  cujos  beneficiários  são  seus filhos e a data de regaste está prevista para junho de 2023,  como uma medida de prudência é no mínimo absurda. O que tal  aplicação comprova é a intenção do contribuinte em se manter  na posse dos valores recebidos pela empresa e não a intenção de  repassá­los à WCR Brasil Serviços S/C Ltda.  Assim, está afastada qualquer argumentação no sentido de que o  contribuinte  não  possa  dispor  economicamente  da  referida  renda,  uma  vez  que  a  aplicação por  ele  efetuada  inclusive  tem  Fl. 1072DF CARF MF     20 como beneficiários  seus  próprios  filhos,  os  quais  não  guardam  qualquer relação obrigacional com a referida empresa.  Fato  é  que  em  sua  impugnação  o  contribuinte  não  apresentou  qualquer  comprovação  ou  justificativa  plausível  para  permanecer  na  posse  de  um  valor  bastante  expressivo  (R$  65.280.000,00), o qual alega não lhe pertencer.  Dessa  forma,  entendo  como  correta  a  decisão  de  primeira  instância  que  manteve o lançamento fiscal em sua integralidade.  Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Redator designado                    Fl. 1073DF CARF MF

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6812035 #
Numero do processo: 10830.914389/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.573
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.

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3401­003.573  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2017  Matéria  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OUA  MAIOR ­ COFINS  Recorrente  GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE  EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS ­ EIRELI  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2010  ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170  DO CTN.  Em  processos  que  decorrem  da  não­homologação  de  declaração  de  compensação,  o  ônus  da  prova  recai  sobre  o  contribuinte,  que  deverá  apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e  certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).  MOMENTO  DE  PRODUÇÃO  DE  PROVA.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.  Seguindo o disposto no  artigo 16,  inciso  III  e parágrafo 4º,  e  artigo 17,  do  Decreto  nº  70.235/1972,  a  regra  geral  é  que  seja  apresentada  no  primeiro  momento  processual  em  que  o  contribuinte  tiver  a  oportunidade,  seja  na  apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na  apresentação  de manifestação  de  inconformidade  em  pedidos  de  restituição  e/ou  compensação,  podendo  a  prova  ser  produzida  em  momento  posterior  apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a  impossibilidade de  sua apresentação oportuna,  por motivo de  força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente; c) destine­se a contrapor fatos  ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.             AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 43 89 /2 01 2- 03 Fl. 101DF CARF MF     2  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  interposto.  O  Conselheiro  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira  votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e  lhe faltava  fundamento.  ROSALDO TREVISAN ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rosaldo  Trevisan  (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira,  André  Henrique  Lemos,  Fenelon Moscoso  de Almeida,  Tiago  Guerra Machado  e  Leonardo  Ogassawara de Araujo Branco.  Relatório  O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito  teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior.  Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada,  pelos  seguintes  motivos:  “A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou  seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho  decisório  não  identificou  qualquer  pagamento  a  maior  ou  indevido  a  justificar  o  direito  de  crédito alegado, indeferindo o pedido.  Após  ser  intimada,  a  ora  Recorrente  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  julgada  improcedente  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa:   “ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS.   Ano­calendário: 2010  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.   Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência  de crédito líquido e certo”.  Intimada  dessa  decisão,  a  ora  Recorrente  apresentou  tempestivamente  seu  Recurso  Voluntário,  pelo  qual  requereu  a  reforma  do  acórdão  recorrido,  com  base  nos  seguintes  argumentos:  (i)  nulidade  da  decisão  recorrida,  pois  estaria  impondo  condições  ao  direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para não­homologação que não  encontraria  amparo  na Lei;  (ii)  haveria  falta  de  amparo  legal  e  regulamentar  no  fundamento  utilizado para a não­homologação da  compensação, pois não haveria obrigação de  retificar  a  DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a  emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido  preclusão na produção de provas.  Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10830.914389/2012­03  Acórdão n.º 3401­003.573  S3­C4T1  Fl. 3          3  Em  seguida,  os  autos  foram  remetidos  à  Terceira  Seção  de  Julgamento  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).   É o relatório.  Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3401­003.542, de  25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/2013­11, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.   Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401­003.542):  "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para  a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento.  A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em  julgamento  diz  respeito  ao  direito  probatório  em  pedido  de  restituição com declaração de compensação.  Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº  13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor,  quanto  ao  fato  constitutivo  do  seu  direito,  e  ao  réu,  quanto  à  existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito  do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a  cada  uma das  partes  o  ônus  de  fornecer  os  elementos  de  prova  das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os  meios  necessários  para  convencer  o  juiz  da  veracidade  do  fato  deduzido como base da  sua pretensão/exceção, afinal é a maior  interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1  Nessa  linha,  a  Lei  nº  9.784/1999,  que  regula  os  processos  administrativos  federais,  determina:  "Art.  36.  Cabe  ao  interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para  a  instrução  e  do  disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos)  Assim,  como  esse  Colegiado  já  teve  a  oportunidade  de  decidir,  "o  ônus  da  prova  atua  de  forma  diversa  em  processos  decorrentes  de  lançamento  tributário,  no  qual  cabe  ao  Fisco  provar  a ocorrência do  fato gerador,  e em processos  relativos  a  pedidos  de  ressarcimento  e  compensação,  em  que  cabe  ao  contribuinte provar o seu direito de crédito".  (Acórdão nº 3401­ 003.204;  Data  da  Sessão:  23/08/2016:  Relator:  Augusto  Fiel  Jorge d'Oliveira)                                                              1  Curso  de Direito  Processual Civil.  Vol.  02.  Fredie Didier  Jr.,  Paula Braga, Rafael  de Oliveira.  Edição  2013.  Editora Juspodivm. p. 81­85.  Fl. 103DF CARF MF     4  Quanto  ao  momento  de  produção  de  prova,  seguindo  o  disposto no artigo 16,  inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do  Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no  primeiro  momento  processual  em  que  o  contribuinte  tiver  a  oportunidade,  seja  na  apresentação  da  impugnação  em  processos  decorrentes  de  lançamento  seja  na  apresentação  de  manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou  compensação,  podendo  a  prova  ser  produzida  em  momento  posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior;  b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.  Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração  de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que  o momento adequado para a apresentação das razões de fato e  de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se  dá  por  ocasião  do  protocolo  de  sua  Manifestação  de  Inconformidade  ao  despacho  eletrônico  que  não  homologou  a  compensação.  O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação  da  DCTF  pela  Recorrente,  o  que  implicou  uma  coincidência  entre  valores  devidos  e  pagos  a  título  de COFINS.  Assim,  não  identificou  a  Administração  Tributária  qualquer  pagamento  a  maior ou indébito a ser restituído ou compensado.   Na  linha  do  que  vem  decidindo  o  CARF,  a  retificação  de  DCTF  não  é  condição  para  a  homologação  de  compensação,  sendo,  na  realidade,  necessário  que  o  indébito  esteja  devidamente provado.   Assim,  uma  vez  não  homologada  a  compensação  da  Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação  de  Inconformidade,  demonstrar  o  indébito,  o  que  poderia  ser  feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do  que, a  seu entender deveria  ter  sido pago, a gerar a diferença.  Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão  de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida.  Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência  do  indébito,  o  que,  a  depender  do  caso,  exigiria  documentos  contábeis, notas fiscais etc.   Porém,  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  para  sustentar o  seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o  seguinte:  A  Impugnante,  ao  calcular  o quantum debeatur  da  exação,  utilizou­se  de  base  de  cálculo  com  valores  que  indevidamente  a  integravam,  ou  seja,  de  base  de  cálculo  ampliada.  Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de  seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais  receitas que não devem compô­lo.  Para  tanto,  utilizou­se  de  algumas  teses  tributárias  já  julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável  Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10830.914389/2012­03  Acórdão n.º 3401­003.573  S3­C4T1  Fl. 4          5  aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo  por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de  cálculo de determinadas despesas, etc.  Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do  valor que pagou a maior desta exação.  Como  se  verifica,  a Recorrente  não  se desincumbiu do  ônus  de provar o seu direito de crédito.   Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou  os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a  tese  jurídica  que  ampararia  o  seu  direito  de  crédito,  a  Recorrente  parece  estar  se  referindo  à  declaração  de  inconstitucionalidade  do  artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no  julgamento do Recurso  Extraordinário  nº  585.235,  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão  constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e  390.840/MG.   Sem  adentrar  na  ausência  de  exposição  pela  Recorrente  do  fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de  tal  entendimento  ao  seu  caso  concreto,  a  possibilitar  a  apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que  nem  toda  declaração  de  inconstitucionalidade  pelo  STF  permitirá  a  compensação  tributária  (artigo  43,  parágrafo  3º,  alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebe­se que a  Recorrente  não  se  preocupa  em  conferir  liquidez  e  certeza  ao  direito de crédito alegado.   Ainda que se admita que o  fundamento do direito de crédito  seja  a  inconstitucionalidade  do  artigo  3º,  §1º,  da  Lei  nº  9.718/1998  e  que  tal  fundamento  seja  aplicável  à  Recorrente,  essa  alegação,  por  si  só,  não  justifica  o  direito  de  crédito.  A  Recorrente  deveria  demonstrar  que  efetivamente  realizou  o  recolhimento  de  COFINS  a  maior,  sobre  uma  receita  que  não  poderia  se  sujeitar  à  tributação,  pela  apresentação  de  demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação  das  receitas que  foram  incluídas  indevidamente,  com o  suporte  contábil  e  documentação  fiscal  correspondente.  Contudo,  nada  disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros  elementos,  ainda  que  incompletos,  que  pudessem  servir  de  princípio de prova.   Em  seu  Recurso  Voluntário,  a  Recorrente  procura  desenvolver  aquilo  que  havia  afirmado  na  Manifestação  de  Inconformidade,  dessa  vez,  citando  o  dispositivo  declarado  inconstitucional  e  identificando  os  precedentes,  e  inova,  em  contrariedade ao que antes havia  informado sobre a origem do  crédito.  O  direito  de  crédito  não  mais  seria  em  razão  da  inconstitucionalidade  de  dispositivo  da  Lei  nº  9.718/1998,  mas  também em razão da exclusão do  ICMS da base de  cálculo da  COFINS,  argumento  que  já  nem  poderia  ser  conhecido,  em  razão  dos  efeitos  da  preclusão  (artigo  17  do  Decreto  nº  70.235/1972).  Fl. 105DF CARF MF     6  De  qualquer  maneira,  novamente,  a  Recorrente  se  limita  a  indicar  a  tese  jurídica  de  forma geral,  sem  expor,  no  seu  caso  concreto,  a  origem do  crédito,  que  operações  realizou,  em que  valor,  o  que  foi  indevidamente  incluído  na  base  de  cálculo,  e  também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar  suporte ao direito de crédito alegado.   Portanto,  a  declaração  de  compensação  apresentada  pela  Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode  prosperar,  estando  correta  a  decisão  recorrida  na manutenção  da não­homologação, em perfeita harmonia com o disposto nos  artigos  170  do  CTN,  e  74  da  Lei  nº  9.430/1996,  que  prevêem  como  requisito  para  a  compensação  tributária  a  existência  de  crédito líquido e certo.  Por  fim,  quanto  à  questão  prejudicial  levantada  pela  Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve  ser  rejeitada.  A  Recorrente  alega  que  sua  fundamentação  não  seria  adequada  e  não  permitiria  conhecer  os  motivos  da  não­ homologação.  Porém,  apesar  de  o  despacho  ser  objetivo,  o  mesmo  permite  a  compreensão  dos  motivos  para  a  não­ homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da  Recorrente.   Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o  presente  processo,  devidamente  enfrentada  a  questão  essencial  para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito,  e  não  sendo  as  demais  alegações  levantadas  pela  Recorrente  capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a  afastar  a  decisão  que  manteve  a  não­homologação  da  compensação,  proponho  ao  Colegiado  negar  provimento  ao  Recurso Voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  assinado digitalmente.   Rosaldo Trevisan ­ Relator                              Fl. 106DF CARF MF

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Numero do processo: 10865.905003/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2          1 1  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.905003/2012­67  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­003.559  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de abril de 2017  Matéria  DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE  CREDITO.  Recorrente  O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2005  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  DCTF  RETIFICADORA.  PRAZO. NÃO COMPROVADO.  Verifica­se  no  presente  caso  que  o  contribuinte  não  logrou  comprovar  o  crédito  que  alega  fazer  jus,  pelo  que  deve  ser  indeferida  a  compensação  realizada.  Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o  prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Augusto  do  Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen,  Antonio Carlos  da Costa  Cavalcanti  Filho,  Jose Henrique Mauri,  Liziane Angelotti Meira  e  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.    Relatório  Trata  o  presente  processo  de  Manifestação  de  Inconformidade  contra  Despacho  Decisório  que  não  homologou  a  compensação  declarada  em  PER/DCOMP  pela  contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 03 /2 01 2- 67 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10865.905003/2012­67  Acórdão n.º 3301­003.559  S3­C3T1  Fl. 3          2 descrito  no  PerDcomp,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação dos débitos informados no PerDcomp.  Inconformada  com  a  não  homologação  de  sua  compensação,  interpôs  a  contribuinte  manifestação  de  inconformidade,  conforme  relatado  na  decisão  recorrida,  alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o  período  em  discussão  e  solicitou  futura  compensação,  na  qual  a  empresa  se  beneficia  de  tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não  ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na  DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se  fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório.  Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação  de inconformidade, nos termos do Acórdão 02­049.464. O fundamento adotado, em síntese, foi  a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido.  Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual  alega,  resumidamente:  (i)  que  o  crédito  pleiteado  decorre  do  pagamento  indevido  da  contribuição  sobre  receitas  decorrentes  de  produtos  tributados  pelo  regime  monofásico  (alíquota  de  0%);  (ii)  que  o  indébito  em  questão  estaria  comprovado  por  meio  da  documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se  entenda  necessário);  (iii)  que  a  verdade  material  deve  prevalecer  sobre  a  verdade  formal.  Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância,  culminando  com  o  reconhecimento  do  direito  creditório  e  a  consequente  homologação  das  compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos,  através  da  qual  requereu  a  juntada  de  notas  fiscais,  no  intuito  de  comprovar  o  seu  direito  creditório.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3301­003.443, de  27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/2012­01, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301­003.443):  "O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, portanto, dele conheço.  Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10865.905003/2012­67  Acórdão n.º 3301­003.559  S3­C3T1  Fl. 4          3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte  fora  indeferida  por  ausência  de  comprovação  do  crédito  pleiteado.  Os  fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir:   No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação,  é  o  contribuinte  quem  toma  a  iniciativa  de  viabilizar  seu  direito  ao  aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp.  No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato  constitutivo do seu direito  (Código do Processo Civil – CPC, art. 333).  No  Processo  Administrativo  Fiscal  não  há  uma  regra  própria,  por  isso  utiliza­se a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar  a existência do crédito pretendido.  A  existência  de  crédito  líquido  e  certo  é  requisito  legal  para  a  concessão  da  compensação  (CTN,  art.  170).  Pelo  princípio  da  Indisponibilidade  do  Interesse  Público  e  pela  vinculação  da  função  pública,  é  inadmissível  que  a  RFB  aceite  a  extinção  do  tributo  por  compensação  com  crédito  que  não  seja  comprovadamente  certo  nem  possa ser quantificado.  Esse entendimento aplica­se também à restituição.  Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de  um  tributo  declarado  pelo  próprio  contribuinte,  a  decisão  da  RFB  de  indeferir  o  pedido  de  restituição  ou  de  não  homologar  a  compensação  está correta.  Assim,  para  modificar  o  fundamento  desse  ato  administrativo,  cabe  ao  recorrente  demonstrar  erro  no  valor  declarado  ou  nos  cálculos  efetuados  pela  RFB.  Se  não  o  fizer,  o  motivo  do  indeferimento  permanece.  Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de  inconformidade.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  APÓS  5  ANOS  DO  FATO  GERADOR  A  DCTF  retificada  após  a  ciência  do  despacho  decisório  não  constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser  considerada  como  argumento  de  impugnação,  não  produzindo  efeitos  quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento  de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c).  A  declaração  apresentada  presume­se  verdadeira  em  relação  ao  declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente  transmitida,  faz prova do valor do débito contra o  sujeito passivo  e em  favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindo­se prova  em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade  da  declaração  entregue.  Limita­se  a  informar  que  se  beneficia  de  tributação monofásica  de  “alguns  produtos”  que  comercializa, mas  não  informa  quais  são  os  produtos.  Além  disso,  não  apresenta  nenhum  documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos.  Ademais,  o  prazo  estabelecido  pela  legislação  para  o  direito  de  constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda  Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10865.905003/2012­67  Acórdão n.º 3301­003.559  S3­C3T1  Fl. 5          4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi  adotado  pelo  Parecer  Cosit  nº  48,  de  7  de  julho  de  1999,  que  trata  da  declaração  de  rendimentos,  mas  que  se  aplica  por  analogia  à  presente  situação:  “Dos comandos legais citados, temos que extingue­se no prazo de  cinco  anos,  contado  da  data  da  apresentação  da  declaração  de  rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que  anulou, por vício formal, o  lançamento anteriormente efetuado, o  direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim,  da  mesma  forma  que  a  Fazenda  Pública  submete­se  a  um  prazo  final  para  rever  de  ofício  seu  lançamento  ou  para  constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente  dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros  cometidos  quando  da  elaboração  de  sua  declaração  de  rendimentos.” (grifou­se)  O  Conselho  de  Contribuintes  (atual  Conselho Administrativo  de  Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido:  “DECLARAÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÕES  E  TRIBUTOS  FEDERAIS  DCTF  RETIFICAÇÃO  PRELIMINAR  DE  DECADÊNCIA  Nos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação  das DCTF trimestrais extingue­se após 5 (cinco) anos contados  da  data  da  ocorrência  dos  correspondentes  fatos  geradores,  como  analogamente  ao  Fisco  seria  vedado  o  direito  de  proceder à sua revisão.  IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO   A compensação de  tributos em face de  seu alegado pagamento a  maior  condiciona­se  à  demonstração  efetiva  da  ocorrência  do  pagamento em excesso, mediante documentação hábil  (1º CC; 8ª  Câmara;  processo  13707.001451/0087;  Acórdão  nº  10808913;  data da sessão: 23/06/2006). (grifou­se)  Diante disso, verifica­se que já decaíra o direito de o contribuinte  proceder à retificação da DCTF.  APURAÇÃO DO TRIBUTO  A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  (Dacon).  O  valor  apurado  no  demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não  evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior.  As  verificações  efetuadas  nos  sistemas  da  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos  relatados e podem ser assim consolidadas:  (...).  Em  face  do  exposto,  voto  por  julgar  IMPROCEDENTE  a  manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório  postulado e não homologar as compensações em litígio.  Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10865.905003/2012­67  Acórdão n.º 3301­003.559  S3­C3T1  Fl. 6          5 Concordo  com  os  termos  da  decisão  recorrida,  a  qual  entendo  não  merecer reparos.  Como  é  cediço,  é  do  contribuinte  o  ônus  da  prova  do  seu  direito  creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de  comprovação  do  seu  direito  creditório  nas  fases  anteriores  do  presente  processo.  Pleiteia,  contudo,  que  a  documentação  apresentada  quando  do  Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para  fins  de  reconhecimento  do  crédito  pleiteado,  seja  para  fins  de,  ao  menos,  determinar  diligência  para  fins  de  confirmação  do  direito  requerido.  Alega,  para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal.  É  importante que se  esclareça,  em princípio,  que  esta  turma  julgadora  tem,  em  determinadas  situações,  admitido  a  análise  de  documentos  anexados  pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado,  em atenção ao princípio da verdade material.  Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste  caso  concreto.  Isso  porque,  consoante  bem  assinalou  a  decisão  recorrida,  o  contribuinte  apresentou  DCOMP  indicando  um  suposto  crédito  oriundo  de  DARF  já  integralmente  utilizado  para  fins  de  quitação  de  outro  débito  do  contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por  ausência de direito creditório.  Em  sua  manifestação  de  inconformidade,  o  contribuinte  limitou­se  a  alegar  que  o  seu  direito  creditório  decorreria  do  recolhimento  indevido  realizado  em  razão  de  tributação  monofásica  de  alguns  produtos  que  comercializa,  e  que  o  indeferimento  teria  se  dado  em  razão  da  ausência  de  retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida  retificação.  Neste  ponto,  entendeu  corretamente  a  decisão  recorrida  no  sentido  de  que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos  contados do fato gerador.   Verifica­se  no  caso  concreto  aqui  analisado  que  o  período  que  o  contribuinte pretende retificar reporta­se ao 2º semestre de 2005, ao passo que a  primeira manifestação de que haveria  informação  incorreta na referida DCTF  outrora  apresentada  reporta­se  a  setembro  de  2012,  quando  o  contribuinte  apresentou  a  sua  manifestação  de  inconformidade,  já  comunicando  a  impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora.  Sendo assim, não havia mais  tempo hábil para se admitir a retificação  da  DCTF  pretendida  pelo  contribuinte,  ou  mesmo  para  se  reanalisar  as  informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte.   Nesse  sentido,  inclusive,  traz­se  à  colação  decisões  deste  Conselho,  proferidas à unanimidade de votos:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Data do fato gerador: 30/09/2003  COMPENSAÇÃO.  DCTF  RETIFICADORA.  INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA.  Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10865.905003/2012­67  Acórdão n.º 3301­003.559  S3­C3T1  Fl. 7          6 É  ineficaz  a DCTF  retificadora  transmitida  após  o  decurso  do  prazo  de  5  anos  contados  do  fato  gerador  ou  da  entrega  da  declaração  para  fins  de  comprovação  de  pagamento  indevido  passível de compensação. O prazo para constituição do crédito  tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte.  Também  ineficaz  a  DCTF  retificadora  se  desacompanhada  de  documentação  comprobatória  hábil  e  idônea  que  comprove  a  existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n.  3802­001.464).          ***  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Data do fato gerador: 31/05/2003  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  ÔNUS  DA  PROVA.  CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO  Compete  àquele  quem  pleiteia  o  direito  o  ônus  de  sua  comprovação,  devendo  ser  indeferido  pedido  de  compensação  que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova  de sua liquidez e certeza.  DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL.  Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas  informações  trazidas  em DCTF  retificadora  somente  produzem  efeito  se  a  retificação  ocorrer  dentro  do  prazo  de  cinco  anos,  contados da data da ocorrência do fato gerador.  Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202­000.862).  É  importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que  dormem. Nesse  contexto,  da mesma  forma que a Fazenda possui prazos para  fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações,  no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância  de  tais  prazos  legais,  inclusive,  precisam  ser  observadas  em  benefício  da  sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica.   É  importante  que  se  esclareça  que  não  se  está  aqui  dispondo  que  a  verdade  material  não  deve  prevalecer  sobre  a  verdade  formal.  Contudo,  a  aplicação  do  princípio  da  verdade  material  possui  limites  que  precisam  ser  observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem  ser  observados  sem  distinção,  às  vezes  a  favor,  às  vezes  contra  o  contribuinte/Fisco.  E,  uma  vez  encerrado  o  prazo  legal  para  retificação  da  DCTF,  resta  forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu  Recurso  Voluntário  não  o  socorre  em  seu  pleito.  Ainda  que  tivesse  o  contribuinte  direito  ao  crédito  pleiteado  em  razão  do  pagamento  indevido  da  contribuição  sobre  receitas  decorrentes  de  produtos  tributados  pelo  regime  monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad  eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação  de  documentos  comprobatórios  quando  já  decorrido  tal  prazo  não  deve  ser  considerada.  Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10865.905003/2012­67  Acórdão n.º 3301­003.559  S3­C3T1  Fl. 8          7 É  a  mesma  situação  que  ocorre  quando  um  crédito  tributário  resta  fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal  tenha provas cabais  de  que  determinado montante  é  devido,  não  pode  exigi­lo  após  o  decurso  do  prazo quinquenal previsto na legislação.   Diante  das  razões  acima  expostas,  entendo  que  deverá  ser  negado  provimento  ao  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  contribuinte,  mantendo  a  decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos."  Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o  contribuinte  não  logrou  comprovar  o  crédito  que  alega  fazer  jus,  em  razão  do  pagamento  indevido  da  contribuição  sobre  receitas  decorrentes  de  produtos  tributados  pelo  regime  monofásico  (alíquota  de  0%),  não  se  admitindo  a  DCTF  retificadora  e  a  documentação  comprobatória apresentados a destempo.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto do Couto Chagas                                  Fl. 156DF CARF MF

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Numero do processo: 11128.729738/2013-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.052
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.

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3302­004.052  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  30 de março de 2017  Matéria  MULTA REGULAMENTAR  Recorrente  CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 29/10/2008  MULTA  REGULAMENTAR.  SISCOMEX  CARGA.  REGISTRO  EXTEMPORÂNEO  DOS  DADOS  DA  CARGA.  IMPOSIÇÃO  DA  MULTA. POSSIBILIDADE.  A  prestação  de  informação  a  destempo  sobre  a  carga  transportada  no  Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do  inciso IV do artigo 107 do Decreto­lei 37/1966, com redação dada pelo artigo  77  da  Lei  10.833/2003,  sancionada  com  a  multa  regulamentar  fixada  no  referido preceito legal.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 29/10/2008  MULTA  REGULAMENTAR.  INFRAÇÃO  ADUANEIRA.  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  EXTEMPORÂNEA.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  IMPOSSIBILIDADE.  1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento  extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação  ou  entrega de  documentos  à  administração  aduaneira,  uma vez  que  tal  fato  configura a própria infração.  2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados  de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea,  porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.  AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR  INFORMAÇÃO.  RESPONSABILIDADE  PELA  MULTA  APLICADA.  POSSIBILIDADE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 97 38 /2 01 3- 65 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 3          2 O  agente  de  carga,  na  condição  de  representante  do  transportador  e  a  este  equiparado  para  fins  de  cumprimento  da  obrigação  de  prestar  informação  sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para  responder  pela  multa  aplicada  por  infração  por  atraso  na  prestação  de  informação sobre a carga transportada por ele cometida.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 29/10/2008  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA.  ALEGAÇÃO  DE  PROBLEMA  NO  ACESSO  AO  SISTEMA  DE  REGISTRO.  AUSÊNCIA  DE  PROVAS.  AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.  A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo,  operação  ou  carga  foi  motivado  por  impossibilidade  de  acesso  sistema  (Siscomex  Carga),  desprovida  comprovação  do  fato,  segundo  as  regras  de  contingência  estabelecidas,  não  configura  condição  suficiente para  afastar a  aplicação da multa cominada.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente e Relator  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Domingos  de  Sá  Filho,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Lenisa  Rodrigues  Prado,  Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar,  Sarah Maria  Linhares  de  Araújo  Paes  de  Souza, Walker  Araújo  e  Ricardo Paulo Rosa.  Relatório  Trata­se de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da  obrigação  de  prestar  informação  sobre  veículo,  operação  realizada  ou  carga  transportada,  na  forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.  Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos  fatos  constante  no  Auto  de  Infração,  a  autuada  concluiu  a  destempo  a  desconsolidação  das  cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (Master­House Bill  of  Lading­MHBL),  em  razão  de  ter  informado  com  atraso  o  CE  agregado  (House  Bill  of  Lading­HBL) especificado. Para demonstrar a  irregularidade apurada,  a autoridade  lançadora  também  apresentou  dados  referentes  à  embarcação,  viagem,  escala,  data  da  atracação,  manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento.  Na sequência a  fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e  sua norma  regente,  a  IN  RFB  nº  800/2007,  destacando  a  abrangência  do  termo  transportador  nela  utilizado,  e  os  prazos  estabelecidos  para  prestar  as  informações  exigidas  (arts.  22  e  50  da  referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008).  Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 4          3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade  aplicável  em  caso  de  descumprimento  da  obrigação  em  foco  (arts.  37  e  107,  IV,  “e”,  do  Decreto­Lei  nº  37/1966),  enfatizando  a  natureza  objetiva  dessa  responsabilidade,  que  independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão  dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966).  A  autoridade  lançadora  prosseguiu  seu  relato  explanando  acerca  da  motivação  da  obrigação  imposta,  destacando  sua  importância  na  definição  prévia  de  procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao  controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir  de  2002,  quando  a  fiscalização  aduaneira  passou  a  ter  foco  mais  abrangente,  de  forma  a  alcançar não  apenas os  importadores  e  exportadores, mas  todos os  intervenientes  envolvidos  nas operações de comércio exterior.  Dando seguimento, a  fiscalização comentou sobre a  interpretação da norma  que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser  considerada  a  conclusão  veiculada  na  Solução  de  Consulta  Interna  Cosit  nº  8/2008,  relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas.  No  tópico  seguinte,  intitulado  “DA  APLICAÇÃO  DA  PENALIDADE  IMPOSTA”,  foi  feita  detalhada  abordagem  a  respeito  da  denúncia  espontânea  e  chegada  à  conclusão  que,  apesar  de  sua  aplicabilidade  ter  sido  estendida  às  penalidades  de  natureza  administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto.  Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e  também à jurisprudência administrativa e judicial.  Na  sequência  a  fiscalização  falou  sobre  a  materialidade  da  infração,  que  considerou  devidamente  caracterizada,  e  sobre  os  intervenientes  aduaneiros  designados  pela  legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º  da  IN RFB nº  800/2007. Concluiu  que,  com  base  na  documentação  juntada  aos  autos,  era  a  autuada,  na  condição  de  consignatária  do  citado  CE  genérico,  a  responsável  por  prestar  as  informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade  foi formalizada no Auto de Infração em debate.  Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou  impugnação alegando,  em síntese:  a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não  se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade  do  transportador,  que  é  o  sujeito  das  obrigações  instituídas  pela  referida  Norma.  A  classificação  da  impugnante  como  tal  distorce  conceito  de  direito  privado,  o  que  é  expressamente vedado pelo art. 110 do CTN.  b)  Denúncia  espontânea.  Conforme  se  depreende  dos  autos,  ainda  que  a  destempo,  as  informações  foram  prestadas  pela  própria  impugnante,  antes  do  início  de  fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia  espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do Decreto­Lei nº 37/1966, com a redação dada  pela Lei nº 12.350/2010.  Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 5          4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga.  As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o  cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava  integralmente  disponível  para  utilização  pelos  agentes  e  desconsolidadores.  Dessa  forma,  evidenciado  que  a  impugnante  não  poderia  agir  de  outra  forma,  a  aplicação  de  multa  no  presente  caso  afronta,  além  do  princípio  da  inexigibilidade  de  conduta  diversa,  o  da  razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e  moderação,  levando em conta a  relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a  finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final  a impugnante pedia o cancelamento do lançamento.  Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos,  os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva  e,  no mérito,  julgaram  a  impugnação  improcedente  e mantiveram  integralmente  a  exigência  fiscal, nos termos do Acórdão 08­33.496.  Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso  voluntário  em  que  reafirmou  as  razões  de  defesa  suscitadas  na  peça  impugnatória.  Em  aditamento,  alegou  que  o  acórdão  recorrido  não  dera  aos  fatos  em  análise  a  correta  interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos  na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas  hábeis a infirmá­los.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3302­004.022, de  29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/2013­45, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302­004.022):  O recurso é  tempestivo,  trata de matéria da competência deste Colegiado e  preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  O  litígio  cinge­se  aos  seguintes  pontos:  a)  ilegitimidade  passiva  da  recorrente;  b)  impossibilidade  de  aplicação  da  multa  durante  o  período  de  contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia  espontânea da infração.  Previamente  a  análise  controvérsia,  cabe  destacar  que  a  aplicação  da  penalidade  em  apreço  foi  motivada  pela  prática  da  infração  tipificada,  genericamente,  na alínea “e” do  inciso  IV do artigo 107 do Decreto­lei  37/1966,  com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito:  Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 6          5 Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas:  (...)  IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):  (...)  e)  por  deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  nele  transportada,  ou  sobre  as  operações  que  execute,  na  forma  e  no  prazo  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  aplicada  à  empresa  de  transporte  internacional,  inclusive  a  prestadora  de  serviços  de  transporte  internacional  expresso  porta­a­ porta, ou ao agente de carga;  (...)  E  em  relação  à  prestação  de  “informação  sobre  veículo  ou  carga  nele  transportada,  ou  sobre  as  operações  que  execute”  no  Siscomex  Carga,  para  conferir  efetividade  a  referida  norma  penal  em  branco,  foi  editada  a  Instrução  Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das  referidas informações.  De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o  presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa  em  apreço  foi  a  prestação  da  informação  a  destempo,  no  Siscomex  Carga,  dos  dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado  à  operação de  desconsolidação do Conhecimento Eletrônico  Sub­Master  (MHBL)  CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito:  O  Agente  de  Carga  CEVA  FREIGHT  MANAGEMENT  DO  BRASIL  LTDA,  CNPJ  03.229.138/0004­06,  concluiu  a  desconsolidação  relativa  ao  Conhecimento  Eletrônico  Sub­ Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min  do  dia  09/10/2008,  segundo  o  prazo  previamente  estabelecido  pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ­ RFB, para o seu  conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826.  A  carga  objeto  da  desconsolidação  em  comento  foi  trazida  ao  Porto  de  Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080,  NYKU7104578  e  NYKU7149079,  pelo  Navio  M/V  CAPE  CHARLES,  em  sua  viagem  101W,  no  dia  07/10/2008,  com  atracação  registrada  às  18h26min.  Os  documentos  eletrônicos  de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a  carga  são  Escala  08000222050,  Manifesto  Eletrônico  1508501842589,  Conhecimento  Eletrônico  Master  MBL  150805183878000, Conhecimento Eletrônico Sub­Master MHBL  150805184751721  e  Conhecimento  Eletrônico  Agregado  HBL  150805190343826.  Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão  da  operação  de  desconsolidação,  os  prazos  permanentes  e  temporários  foram  estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”,  III, e art. 50, parágrafo único, da  Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos.  Art.  22.  São  os  seguintes  os  prazos  mínimos  para  a  prestação  das informações à RFB:  Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 7          6 [...]  III  ­  as  relativas  à  conclusão  da  desconsolidação,  quarenta  e  oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino  do conhecimento genérico.  [...]  Art.  50. Os  prazos  de  antecedência  previstos  no  art.  22  desta  Instrução Normativa  somente  serão obrigatórios  a  partir  de  1º  de abril de 2009.  (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de  dezembro de 2008)  Parágrafo  único.  O  disposto  no  caput  não  exime  o  transportador da obrigação de prestar informações sobre:  I  ­  a  escala,  com  antecedência  mínima  de  cinco  horas,  ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção;  e  II  ­  as  cargas  transportadas,  antes  da  atracação  ou  da  desatracação  da  embarcação  em  porto  no  País.  (grifos  não  originais)  No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu  antes  de  1º  de  abril  de  2009,  a  recorrente  estava  obrigada  a  cumprir  o  prazo  estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art.  50 destacado.   Os  extratos  colacionados  aos  autos,  contendo  o  registro  da  conclusão  referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada  pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as  informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da  inclusão  no  Siscomex  Carga  do  conhecimento  eletrônico  agregado  HBL  150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos,  ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a  recorrente praticou a conduta infracionária em apreço.  Além  disso,  não  resta  qualquer  dúvida  que  a  conduta  praticada  pela  recorrente  subsume­se perfeitamente à hipótese da  infração descrita nos  referidos  preceitos  legal  e  normativo.  Aliás,  em  relação  à  materialidade  da  mencionada  infração inexiste controvérsia nos autos.  Apresentadas  essas  breves  considerações,  passa­se  a  analisar  as  razões  de  defesa suscitadas pela recorrente.  Da ilegitimidade passiva  A  recorrente  alegou  que,  na  condição  de  agente  de  carga,  no  período  compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até  1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art.  22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50  do citado ato,  sob o argumento de que este último preceito normativo aplicava­se  apenas ao transportador.  A  alegação  da  recorrente  não  procede,  porque,  embora  o  disposto  no  parágrafo  único  do  art.  50  da  referida  IN  tenha  se  referido  apenas  ao  Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 8          7 transportador,  não  se  pode  olvidar  que,  para  fins  de  cumprimento  de  obrigação  acessória perante o Siscomex Carga, o  termo  transportador compreende o agente  de  carga  e  demais  pessoas  jurídicas  que  presta  serviços  de  transporte  e  emite  conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução  Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito:  Art.  2º  Para  os  efeitos  desta  Instrução  Normativa  define­se  como:  [...]   V  ­  transportador,  a  pessoa  jurídica  que  presta  serviços  de  transporte e emite conhecimento de carga;  [...]  § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa:  [...]  IV ­ o transportador classifica­se em:  a)  empresa  de  navegação  operadora,  quando  se  tratar  do  armador da embarcação;  b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não  for o operador da embarcação;  c)  consolidador,  tratando­se  de  transportador  não  enquadrado  nas  alíneas  "a"  e  "b",  responsável  pela  consolidação da  carga  na  origem;  (Redação  dada  pela  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.473, de 2 de junho de 2014)  d)  desconsolidador,  no  caso  de  transportador  não  enquadrado  nas  alíneas  “a”  e  “b”,  responsável  pela  desconsolidação  da  carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa  RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)  e)  agente  de  carga,  quando  se  tratar  de  consolidador  ou  desconsolidador nacional;  [...]  Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do  Decreto­lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o  agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a  carga fora do prazo estabelecido.  No  caso  em  tela,  é  fato  incontroverso  que,  em  relação  às  operações  de  desconsolidação  que  executou,  a  recorrente  atuou  como  representante  do  transportador  estrangeiro,  no  País.  Logo,  dada  essa  condição,  era  dela  a  responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados  sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada.  Dessa  forma,  tratando­se  de  infração  à  legislação  aduaneira  e  tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada  infração,  induvidosamente,  ela  deve  responder  pela  correspondente  Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 9          8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decreto­lei  nº 37, de 1966, a seguir transcrito:  Art. 95 ­ Respondem pela infração:  I ­ conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma,  concorra para sua prática, ou dela se beneficie;  [...].  Assim,  na  condição  de  agente  e,  portanto,  mandatário  do  transportador  estrangeiro,  a  recorrente  estava  obrigada  a  prestar,  tempestivamente,  as  informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado.  Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a  autuada  foi  quem  cometeu  a  infração  capitulada  na  alínea  “e”  do  inciso  IV  do  artigo  107  do  Decreto­lei  37/1966,  com  redação  dada  pelo  artigo  77  da  Lei  n°  10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço.  Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto­ lei  37/1966,  no  âmbito  da  legislação  aduaneira,  constitui  infração  toda  ação  ou  omissão,  voluntária  ou  involuntária,  que  “importe  inobservância,  por  parte  da  pessoa  natural  ou  jurídica,  de  norma  estabelecida  neste  Decreto­lei,  no  seu  regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá­ los”.  Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser  mantida  polo  passivo  da  autuação,  porque  há  expressa  previsão  legal  que  nesse  sentido.  Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga.  Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em  aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez  que  ao  operador  não  restava  qualquer  alternativa  para  a  imputação  das  informações  no  sistema”.  Segundo  a  recorrente,  a  exigência  do  cumprimento  de  uma  obrigação  sem  que  lhe  fosse  oferecidos  os  meios  indispensáveis  para  tanto  feriria  o  princípio  da  razoabilidade  e  o  instituto  da  inexigibilidade  de  conduta  diversa.  Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração  ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou  não  poderia  cumprir  por  falhas  operacionais  ou  ausência  de  meios  necessários,  revela­se, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado.  Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a  recorrente tinha o dever de comprová­la, o que não ocorreu no caso em tela. E na  distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu  o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC  anterior,  por  ser  fato  relevante  para  isentar  a  recorrente  da  exigência,  não  era  suficiente  a  simples  alegação  de  que  não  havia  meios  para  prestar  informações  sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová­ la, o que não ocorreu.  Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase  inicial  de  implantação  do  sistema,  foram  fixados  os  procedimentos  a  serem  adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a  seguir transcritos:  Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 10          9 Art.  1º Na  impossibilidade  de  acesso  ao  Siscomex Carga,  por  mais  de  duas  horas  consecutivas,  em  virtude  de  problemas  de  ordem  técnica  do  sistema,  ou  na  ocorrência  de  fatores  operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as  operações  relativas  ao  controle  de  embarcações  e  cargas  em  portos  alfandegados,  conforme  estabelecido  na  Instrução  Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão  os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa.  Art.  2º Compete  ao  chefe  da  unidade  da  Secretaria  da Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  no  âmbito  de  sua  jurisdição,  reconhecer a  impossibilidade de acesso ao sistema, por  razões  de  ordem  técnica,  e  autorizar  a  adoção dos  procedimentos  de  contingência.  Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao  sistema deverá  ser  registrada nos  documentos  de  autorização,  para fins de auditoria e controle.  Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema:  [...]  III  ­  relativamente  à  informação  dos  manifestos,  conhecimento  eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os  manifestos,  CE  e  itens  no  sistema,  relacioná­los  e  solicitar  à  RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da  informação após o  prazo estabelecido.  [...] (grifos não originais)  Assim, como a recorrente não  trouxe aos autos nenhum elemento de prova,  em  que  demonstrado  a  impossibilidade  de  acesso  ao  Sistema,  conforme  procedimentos  disciplinados  nos  referidos  preceitos  normativos,  a  alegação  suscitada não tem qualquer relevância.  A  recorrente  alegou  ainda  que  era  descabida  a  exigência  de  prova  da  indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já  constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente.  Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida  IN  reconheceu  a  impossibilidade  de  funcionamento  do  Sistema,  mas,  na  possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria  adotar  os  procedimentos  nela  estabelecidos  com  vistas  a  resguardá­lo  da  imposição de qualquer sanção.  Da denúncia espontânea da infração.  A  recorrente  alegou  a  denúncia  espontânea  da  infração  cometida,  para  excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram  prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o  previsto  no  art.  102,  §  2º,  do  Decreto­lei  37/1966,  com  redação  dada  pela  Lei  12.350/2010, a seguir reproduzido:  Art. 102 ­ A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se  for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá  Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 11          10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  [...]   § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena  de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)  A  alegação  da  recorrente  não  procede,  porque  a  denúncia  da  infração,  no  caso  em  tela,  não  restou  configurada,  haja  vista  que,  embora  realizada  antes  do  “início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as  informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o  que  afasta  a  aplicação  da  referida  excludente  de  responsabilidade,  segundo  preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009  ­  RA/2009),  que  tem  o  mesmo  teor  do  art.  612,  §  3º,  do  Decreto  4.543/2002,  Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis:  Art. 612. A denúncia espontânea da  infração, acompanhada, se  for o caso [...]  § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do  exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração  imputável ao transportador. (grifos não originais)  Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que  se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a  infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela  razões  aduzidas no  voto  da  lavra  deste Conselheiro que  serviu de  fundamento da  decisão  consignada  no  Acórdão  nº  3102­002.187,  de  26  março  de  2014,  cujos  excertos  relevantes,  que  aqui  adota­se  como  fundamento  de  decidir,  seguem  transcritos:  Da denúncia espontânea da infração.  Alegou  a  recorrente  que,  no  caso  em  tela,  era  incabível  a  aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre  a  carga  transportada  fora  feita  a  tempo  e  antes  de  qualquer  intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida  pela  fiscalização  aduaneira,  o  que  configurava  denúncia  espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art.  102 do Decreto­lei nº 37, de 1966.  Não  procede  a  alegação  da  recorrente,  pois,  no  caso  em  comento,  não  se  aplica  o  instituto  da  denúncia  espontânea  da  infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da  infração  a  legislação  aduaneira  estabelecido  no  art.  102  do  Decreto­lei  n°  37, de  1966,  com as  novas  redações  dadas  pelo  Decreto­lei  nº  2.472,  de  01  de  setembro  de  1988  e  pela  Lei  nº  12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido:  Art.  102  ­ A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a  Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 12          11 imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  1º  ­  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada:  (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a)  no  curso  do  despacho  aduaneiro,  até  o  desembaraço  da  mercadoria; (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  b) após o  início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante  ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente  a  apurar  a  infração.  (Incluído  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988)  § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de  perdimento.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  12.350,  de  2010)  (grifos  não originais)  O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última,  incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais  (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas  (fazer  ou  tolerar)  ou  negativas  (não  fazer)  instituídas  no  interesse  fiscalização  das  operações  de  comércio  exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo,  comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  é  condição  necessária  que  a  infração  de  natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é  requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço  que a infração seja denunciável.  No  âmbito  da  legislação  aduaneira,  em  consonância  com  o  disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de  aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de  circunstância  de  ordem  lógica  (ou  racional)  ou  legal  (ou  jurídica).  No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico  que  veda  a  incidência  da  norma  em  apreço,  ao  excluir  determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado  art. 102.  A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação  espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que  Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 13          12 têm  por  objeto  as  condutas  extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação  após  o  prazo  estabelecido  na  legislação.  Para  tais  tipos  de  infração,  a  denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar  o fluxo inevitável do tempo.  Compõem  essa  última  modalidade  toda  infração  que  tem  o  atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora.  Em  outras  palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo  como elemento essencial da tipificação da infração.  São  dessa  última  modalidade  todas  as  infrações  que  têm  no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser  citado  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é  deixar  de  prestar  informação  sobre  a  carga  no  prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a  informação for prestada antes do início do procedimento fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se  e  a  respectiva  penalidade é excluída.  De  fato,  se  registro  extemporâneo  da  informação  da  carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que  o  mesmo  fato  configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração.  De  modo  geral,  se  admitida  a  denúncia  espontânea  para  infração por atraso na prestação de informação, o que se admite  apenas  para  argumentar,  o  cometimento  da  infração,  em  hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que  comprovada  a  infração,  a  multa  aplicada  seria  sempre  inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator  pela denúncia espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da  penalidade  pelo  intérprete  e  aplicador  da  norma,  pois,  na  prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo  do  ordenamento  jurídico  qualquer  possibilidade  punitiva  para  a  prática  de  infração desse jaez.  Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 14          13 [...].1 (destaques do original)  No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por  meio do Acórdão nº 9303­003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 07/06/2006  PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA  ENTREGA  DE  DECLARAÇÃO  OU  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  INAPLICABILIDADE.  A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do  artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de  natureza  administrativa  o  excludente  de  responsabilidade  da  denúncia  espontânea,  não  se  aplica  nos  casos  de  penalidade  decorrente  do  descumprimento  dos  prazos  fixados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  para  prestação  de  informações à administração aduaneira.  Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2  No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido  o mesmo.  A  título  de  exemplo,  cita­se  trechos  do  enunciado da  ementa  e  do  voto  condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no  julgamento da Apelação Cível nº  5005999­81.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos:  EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.  1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.  [...]  Voto.                                                              1  BRASIL.  CARF,  3ª  Seção,  1ª  Câmara,  2ª  Turma  Ordinária,  Ac.  3102­002.187,  de  26/03/2014,  rel.  José  Fernandes do Nascimento.  2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303­003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas.  Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 15          14 [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.  A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:  [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.  [...]3.  Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  conforme  confirma,  a  título  de  exemplo,  o  recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da  ementa segue transcrito:  O art. 107 do Decreto­lei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a  penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação  acima mencionada.  Oportuno  anotar,  ainda,  que  a  declaração  do  embarque  das  mercadorias  é  obrigação  acessória  e  sua  apresentação  intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é  passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4  Com  base  nessas  considerações,  afasta­se  a  alegada  excludente  de  responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente.  Da conclusão.  Por  todo  o  exposto,  vota­se  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso,  para  manter na íntegra o acórdão recorrido."  Ressalte­se  que,  da  mesma  forma  que  ocorreu  no  caso  do  paradigma,  no  presente processo:  a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da  informação  a  destempo,  no  Siscomex Carga,  dos  dados  relativos  a  conhecimento  eletrônico  (HBL),  vinculado  à  operação  de  desconsolidação  do  Conhecimento  Eletrônico  Sub­Master  (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto  de Infração deste;  b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º  de  abril  de  2009,  o  que  sujeita  a  recorrente  a  cumprir  o  prazo  estabelecido  na  norma  temporária,  inscrita  no  inciso  II  do  parágrafo  único  do  art.  50  da  Instrução Normativa RFB  800/2007;                                                              3  BRASIL. TRF4.  2ª  Turma. Apelação Cível  nº  5005999­81.2012.404.7208/SC.  rel. Des. Rômulo Pizzolatti,  j.  10.12.2013.  4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016.  Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11128.729738/2013­65  Acórdão n.º 3302­004.052  S3­C3T2  Fl. 16          15 c)  os  extratos  colacionados  aos  autos,  contendo  o  registro  da  conclusão  da  referida  operação  de  desconsolidação,  comprovam  que  a  informação  fora  prestada  pela  recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da  embarcação  no Porto  de Santos,  ficando  claramente  evidenciado  que  a  recorrente  praticou  a  conduta infracionária em apreço.  Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade  no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos.   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  assinado digitalmente  Ricardo Paulo Rosa                                Fl. 160DF CARF MF

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Numero do processo: 13893.720601/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. TRATAMENTO FISIOTERÁPICO E ODONTOLÓGICO. PAGAMENTOS EM ESPÉCIE. GLOSA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. VALORES DE GRANDE MONTA. RAZOABILIDADE INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 80 DO RIR99 C/C ARTIGO 8º, § 2º, II DA LEI 9.259/95. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção (RIR/99, Art. 73, caput; Dec. 70.235/72, Art. 29).
Numero da decisão: 2201-003.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiro José Alfredo Duarte Filho e Carlos Alberto do Amaral Azeredo que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 23/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO

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2201­003.651  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de maio de 2017  Matéria  IRPF  Recorrente  MARIO SERGIO DE MORAES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2011  DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. TRATAMENTO FISIOTERÁPICO E  ODONTOLÓGICO.  PAGAMENTOS  EM  ESPÉCIE.  GLOSA.  NECESSIDADE  DE  DEMONSTRAÇÃO  DO  EFETIVO  PAGAMENTO.  VALORES DE GRANDE MONTA. RAZOABILIDADE  INTELIGÊNCIA  DO ARTIGO  80  DO RIR99  C/C  ARTIGO  8º,  §  2º,  II  DA  LEI  9.259/95.  ÔNUS DO CONTRIBUINTE.  A  legislação  do  Imposto  de  Renda  determina  que  as  despesas  com  tratamentos  de  saúde  declaradas  pelo  contribuinte  para  fins  de  dedução  do  imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos,  podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos  que  demonstrem  a  real  prestação  dos  serviços  e  o  efetivo  desembolso  dos  valores  declarados,  para  a  formação  da  sua  convicção  (RIR/99,  Art.  73,  caput; Dec. 70.235/72, Art. 29).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiro José Alfredo Duarte Filho e Carlos  Alberto do Amaral Azeredo que davam provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Marcelo Milton da Silva Risso ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 72 06 01 /2 01 2- 19 Fl. 144DF CARF MF     2   EDITADO EM: 23/05/2017  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho,  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ­São Paulo­I  que  julgou  improcedente  a  Impugnação  e  manteve  o  crédito  tributário  lançado  através  da  Notificação  de Lançamento  nº  2011/446009432000250  (fls.  02/06),  relativa  à Declaração  de  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Física  (DIRPF)  do  exercício  2011,  ano­calendário  2010,  do  Recorrente,  que  em  procedimento  de  revisão  de  declaração  apurou  imposto  suplementar  no  valor  de R$ 4.125,00,  com multa  de ofício  no  percentual  de  75%  (R$  3.093,75);  e  juros  de  mora de R$ 455,40, no valor total de R$ 7.674,15. O lançamento é fundamentado na dedução  indevida despesas médicas, no valor tributável total de R$ 15.000,00.  Em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual de  Imposto de  Renda  da  Pessoa  Física  (DIRPF),  o  Recorrente  foi  intimado  (Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  2011/349065532505176  ­  fls.  27)  para  apresentar  comprovantes  originais  e  cópias  de  documentos relativos às despesas médicas e com planos de saúde incorridas no ano­calendário  de 2010, tendo cumprido a intimação fiscal em 03/02/2012, através do Termo de Atendimento  nº  2011/10000014301  (fls.  21/22),  com  a  juntada  de  recibos  e  declarações  emitidas  por  profissionais fisioterapeutas (fls. 24/25 – 27/38), quiropraxista (fls. 26), dentista (fls. 39/42) e  da fonte provedora do plano de saúde (fls. 43).  Consta da Descrição dos Fatos (fls. 04) que, com relação aos recibos emitidos  pelo  fisioterapeuta  Francisco  de Melo  Junior,  no  valor  total  de R$  10.000,00  (fls.  27/38),  o  carimbo  está  ilegível,  além  do Recorrente  não  ter  comprovado  o  efetivo  pagamento;  e  com  relação aos recibos emitidos pela dentista Lígia Pivoto Monti, no valor  total de R$ 5.000,00,  estes não indicam a inscrição da profissional no Conselho de Classe e a prestação de serviço.  Assim, em 29/03/2012, o Recorrente foi novamente intimado para apresentar  documentos complementares que comprovassem o efetivo pagamento das despesas deduzidas  em  sua DIRPF/2011,  e  a  título  exemplificativo  a  autoridade  fiscal  indicou  documentos,  tais  como,  cópia microfilmada de  cheques,  comprovantes  de  transferências  bancárias  ou  extratos  bancários (fls. 46/47).  Em  19/04/2012,  o  Recorrente  atendeu  ao  termo  de  reintimação,  juntando  petição e declarações emitidas pelos profissionais liberais, além de esclarecer que já havia feito  a juntada de cada um dos recibos comprobatórios dos valores das despesas deduzidas, sobre os  quais não pesa qualquer vício,  inexistindo  fundamento  legal para exigir­se comprovação por  meio de cópia de cheque, ou transferência bancária ou por extrato bancário, haja vista que no  direito  pátrio  não  se  encontra  tal  "exigibilidade"  postada  como  que  a  negar  possa  a  pessoa  portar moeda corrente nacional.  Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13893.720601/2012­19  Acórdão n.º 2201­003.651  S2­C2T1  Fl. 145          3 Afirmou que a exigência para comprovação da "efetividade da prestação dos  serviços",  seja  por  meio  de  receituário,  exames  e/ou  qualquer  outro  procedimento,  fere  princípio constitucional da inviolabilidade da pessoa humana em sua intimidade e vida privada  e que os profissionais que o atenderam firmam declaração que ora se junta no original com os  presentes esclarecimentos, confirmando o tratamento e ratificando os recibos, destacando que  os pagamentos se deram em dinheiro, aliás, valores que, pagos em vários meses encontram­se  dentro das forças financeiras de seus rendimentos.  Questionou a inversão de ônus da prova, a base legal expressa que obriga o  contribuinte às pretendidas exigências sem respaldo legal para “tão duvidoso tratamento fiscal”  e requereu a juntada dos documentos ao procedimento fiscal  Notificado  do  lançamento  em  18/05/2012  (fls.  12),  inconformado,  o  Recorrente  apresentou  Impugnação  tempestiva  em  14/06/2012  (fls.  08),  esclarecendo  que  as  despesas são próprias suas e que apresentou a tempo os comprovantes e declarações requeridos  pelos  termos de notificação fiscal, os  tendo cumprido  tempestivamente; e discordando com a  recusa  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  em  considerar  os  documentos  apresentados,  por  entender  que não  há  suporte  legal  para  a  exigência  de outros  documentos  para  comprovar  a  efetividade  da  prestação  dos  serviços  e  pagamentos.  Ao  final,  requereu  o  cancelamento  do  lançamento.  A Impugnação foi julgada improcedente e manteve a glosa contestada, com a  manutenção do crédito tributário exigido no lançamento, conforme assim ementado pela DRJ­ São Paulo­I:  “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF  Ano­calendário: 2010  Ementa:  IRPF.  DESPESAS  MÉDICAS.  Na  falta  de  comprovação  do  efetivo  pagamento das despesas médicas glosadas, é de se manter o lançamento nos  exatos termos em que efetuado.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.”    Cientificado  da  decisão  em  12/11/2012  (fls.  66),  o  Recorrente  interpôs  tempestivamente, em 12/12/2012, Recurso Voluntário (fls. 70/79), nos seguintes termos:  i.  Preliminarmente, invocou em sua defesa os seguintes dispositivos legais: Artigo 5º, LV,  da Constituição Federal (CF) – direito ao contraditório e à ampla defesa em processo  administrativo; Artigo 5º, LVII, da CF – presunção de inocência; Artigo 112, do CTN  – interpretação favorável ao acusado, decorrente da lei tributária que define infrações  e comina penalidades; Artigo 8º, § 2º, III, Da Lei nº 9.250/95 – exigência legal apenas  do  número  do CPF  do  emitente  do  recibo;  firmando  a  legitimidade  dos  documentos  apresentados após a conferência por funcionário da RFB; e Artigo 80, § 1º, III, do RIR  (Dec. 3.000/99) – exigência de cheque nominativo como prova de pagamento apenas  na “falta” de outros documentos;  Fl. 146DF CARF MF     4 ii.  Houve ausência de intimação formal do contribuinte por parte da autoridade fiscal no  sentido de informar que os recibos estavam ilegíveis, comportavam vício insanável ou  apresentavam  ilicitude,  fato  que  fere  a  constituição  e  o  desenvolvimento  válido  e  regular do processo administrativo e priva o Recorrente do direito à ampla defesa e, por  isso, deve ser reconhecida e declarada a extinção do processo, com o cancelamento do  crédito tributário lançado;  iii.  Juntou  julgados  deste  E.  CARF  que  decidiram  que:  “Uma  vez  não  questionada  nos  autos  a  validade  formal  dos  recibos  de  despesas  médicas  apresentados,  concorre  a  favor  do  contribuinte  o  fato  de  a  autoridade  fiscal  não  haver  apontado  indícios  veementes  de  que  os  serviços  consignados  nos  citados  recibos  não  foram  de  fato  executados ou o pagamento não foi efetuado.”;  iv.  Os  termos  de  intimação  não  questionaram,  na  fase  pré­lançamento,  qualquer  irregularidade  nos  recibos,  mas  apenas  requereram  a  comprovação  efetiva  dos  pagamentos e que, na existência de vício, deveria o Recorrente ter sido intimado para a  regularização deste ponto;  v.  A decisão combatida equivocou­se ao firmar que os recibos apresentados não indicam o  nome do paciente atendido, sendo que em todos estes consta o nome do Recorrente, que  em  nenhum momento  foi  intimado  a  “reapresenta­los”  com  o  fim  de  regularizar  sua  incompreensibilidade;  vi.  Não merece prosperar a alegação da autoridade fiscal quanto à falta de legibilidade dos  recibos, pois basta uma atenta observação nos mesmos para a compreensão dos dados  informados; mas que se fosse necessário, o Recorrente retornaria a apresenta­los;  vii.  Ciente  da  eficácia  da  apresentação  dos  recibos,  juntou  complementarmente  as  declarações dos profissionais que lhe prestaram serviços, os quais informaram o nome  do tratamento, o valor por eles recebido e ratificaram os dados apostos nos recibos;  viii.  Não  pode  a  autoridade  fiscal,  ao  seu  talante,  desconsiderar  pura  e  simplesmente  os  recibos sem ter apontado previamente sua inidoneidade;  ix.  Mesmo a autoridade fiscal sendo livre para formar o seu convencimento, não pode fazê­ lo embasado em exigência legalmente inexistente;  x.  Os documentos apresentados comprovam a efetiva realização dos serviços prestados;  xi.  A cada peça juntada surgem novas exigências, sem fim, que obstacularizam o exercício  do direito de defesa do Recorrente;  xii.  A autoridade tributária não pode desprezar o direito pátrio na sua avaliação sistêmica e  pressupor má­fé do Recorrente, que sempre acaba por ter que comprovar o seu direito,  em afronta ao artigo 112 do CTN, que trata da interpretação legal  tributária favorável  ao contribuinte;  xiii.  A exigência de prontuários e receitas médicas, bem como a exigência de pagamentos de  forma diversa de dinheiro, afrontam a  inviolabilidade da pessoa humana e despreza o  dinheiro em espécie como forma de pagamento;  xiv.  Os recibos foram emitidos mensalmente e em valores capazes de serem suportados pela  condição financeira do Recorrente, conforme prova sua DAAIRPF;  Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13893.720601/2012­19  Acórdão n.º 2201­003.651  S2­C2T1  Fl. 146          5 xv.  Não  trata,  o  caso,  de  negativa  na  apresentação  de  esclarecimentos,  mas  de  questionamento à inversão do ônus da prova, sem base legal para seu cumprimento pelo  contribuinte;  xvi.  Não  se  trata  de  discussão  no  sentido  de  que  o  Recorrente  deixou  de  apresentar  documentos,  que  somente  seria  admitida  se  a  autoridade  administrativa  houvesse  apontado vicio pretérito à apresentação dos recibos e posteriormente nas declarações do  Recorrente;  xvii.  Não cabe o julgamento subjetivo pelo Fisco, sendo impreterível a indicação objetiva;  xviii.  Existe  flagrante  subjetividade  ao  glosar  despesas médicas  declaradas,  porém, mesmo  diante disso, não podem os recibos serem preteridos diante de entendimento do agente  tributário que subverte o comando legal priorizar cópias de cheques e extratos.  xix.  Ao  final,  requereu:  a)  o  recebimento  do  recurso  e  de  suas  provas  anexas,  para  reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a manutenção do  efeito  suspensivo; b) o  acolhimento das  razões  recursais  para  reconhecer  e declarar a  insubsistência  e  improcedência  da  ação  fiscal  e  o  provimento  do  recurso,  para  se  decretar  o  restabelecimento  da dedução  das  despesas  glosadas;  c)  o  cancelamento  do  lançamento  e do débito  fiscal;  d)  a nova  juntada dos  recibos,  com o  fim de  afastar  a  alegação de sua ilegibilidade.  É o relatório do necessário.  Voto             Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso ­ Relator  O  recurso  voluntário  preenche  os  requisitos  de  tempestividade  e  admissibilidade e, portanto, dele conheço.    Das Preliminares    Alega o contribuinte a preliminar de “suporte legal” e de “falta de intimação  formal”,  contudo,  em  síntese,  ambas  as  matérias  tratam  de  valoração  de  prova  e,  portanto,  confunde­se com o mérito e será com ele analisada.  A preliminar de falta de intimação formal não se trata em relação à intimação  processual e sobre eventual nulidade em decorrência do cerceamento do direito de defesa, mas  em  relação  a  alegação  pelo  contribuinte  que  a  Administração  Fazendária  não  teria  fundamentado os vícios dos recibos juntados. Portanto, por ser matéria de valoração probatória  será analisada no decorrer do mérito.    Fl. 148DF CARF MF     6 Despesas com Tratamento Fisioterápico e Odontológico e Ônus da prova    No caso em tela, o lançamento da glosa está fundamentado às fls. 4 dos autos  tendo  como  justificativa,  a  exigência  da  efetiva  comprovação  do  pagamento,  embasada  na  alegação  de  que  os  recibos  emitidos  pelo  fisioterapeuta  Francisco  de  Melo  Jr  estão  com  o  carimbo ilegível e aqueles emitidos pela dentista Ligia Pivoto Monti não indicam a inscrição  no Conselho de Classe e a prestação de serviço.    Quanto  às  despesas  com  tratamento  fisioterápico  entendo  que  deve  ser  mantida a glosa, senão vejamos.    Entendo que a questão do carimbo do profissional pode ser afastada, pois em  um dos recibos às fls. 36 consta o carimbo do CREFITO e a inscrição do profissional naquele  órgão, e, portanto, seria de fácil análise por parte da Autoridade Administrativa a verificação se  tal profissional está mesmo habilitado naquele órgão a fim de se comprovar dedutível a despesa  médica.    Contudo, se fosse apenas esse o único motivo da glosa, entendo que estaria  ultrapassada  essa  questão  pois  de  fácil  resolução  na  media  em  que  a  fiscalização  tributária  poderia checar junto ao órgão fiscalizador da profissão a inscrição do profissional e, portanto  possível a dedução.    Ao  contrário  do  alegado  pelo  contribuinte,  apesar  de  não  constar  na  legislação de forma expressa a necessidade da indicação do órgão de classe do profissional no  recibo,  entendo  necessário  ao  menos  indicar  sua  inscrição  no  órgão  a  fim  de  propiciar  à  Administração  Tributária  em  seu  mister  em  homologar  o  lançamento  efetuado  pelo  contribuinte, verificar  se  tal profissional  faz parte da profissão na qual a  legislação  tributária  concede  a dedução e  se  o mesmo profissional  está habilitado para a prestação de  tal  serviço  entre diversas outras situações, é a inteligência interpretativa do artigo 80 do RIR/99 que define  que apenas os pagamentos a tais profissionais ali elencados possam ser dedutíveis.    Ocorre  que  o  fundamento  da  glosa  decorre  também  e  principalmente  na  questão do efetivo pagamento pelos serviços tomados por tais profissionais.    De acordo com artigo 80 do RIR/99 (Dec. nº 3.000/99):    Art.  80.  Na  declaração  de  rendimentos  poderão  ser  deduzidos  os  pagamentos efetuados, no ano­calendário, a médicos, dentistas, psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos ortopédicos  e próteses ortopédicas  e dentárias  (Lei nº 9.250, de  1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). (grifei)    Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13893.720601/2012­19  Acórdão n.º 2201­003.651  S2­C2T1  Fl. 147          7 Para fins de dedução da despesa médica a legislação tributária condiciona que  seja  comprovado  os  pagamentos  efetuados.  Logo,  as  reintimações  fiscais  da  Administração  Tributária  às  fls.  46/47  encaminhadas  ao  contribuinte,  foram  no  intuito  de  complementar  as  provas  anteriormente  apresentadas  relacionado  à  intimação  de  fls.  20  a  fim  de  auxiliar  na  convicção  da  análise  prévia  da Fiscalização,  não  fazendo nenhum  juízo  de valor  quanto  aos  recibos.    Em  resposta  a  essa  reintimação  fiscal,  além  de  inúmeras  alegações,  o  contribuinte  junta  2  (dois)  recibos  extemporâneos  (abril  de  2012)  de  ambos  os  profissionais  (fisioterapeuta e dentista) às fls. 55 e 56 alegando que receberam em moeda corrente os valores  declarados em recibos anteriormente juntados pelo contribuinte.    Nesse ponto, por mais que possa se considerar a previsão legal do pagamento  em dinheiro  como  forma de quitação obrigacional  (Código Civil.  “Art.  315.  ­ As dívidas  em  dinheiro deverão ser pagas no vencimento,  em moeda corrente e pelo valor nominal,  (...)”),  verifica­se  que  o  contribuinte  não  apresentou  documentos  que  comprovassem  o  lastro  ou  a  origem de dinheiro, que porventura poderia ter sido entregue aos profissionais para saldar seus  dispêndios médicos, (tais como extrato da conta com saques dos respectivos valores, de acordo  com o que constou na reintimação fiscal de fls. 46/47).    Contudo,  nesse  caso  da  reintimação  o  contribuinte  entendeu  não  ser  necessário produzir  tal prova, alegando que o ônus da prova é da Fiscalização, defendendo a  tese  de  que  caberia  à  Administração  Pública  identificar  nos  recibos  eventuais  fraudes  e  alegando  falta de previsão  legal para  tal  exigência sendo que os meros  recibos e declarações  dos profissionais seriam suficientes para comprovar o comando legal.    Ao contrário do quanto sustentado pelo contribuinte, entendo que no caso em  tela  a  Administração  Tributária  conduziu  a  fiscalização  dentro  do  princípio  da  legalidade,  dando ao contribuinte a oportunidade em contrapor e esclarecer e justificar os pontos indicados  no primeiro termo de intimação fiscal de fls. 20.    Não  houve,  como  tenta  levar  a  crer  o  contribuinte,  qualquer  tipo  de  subjetividade  na  fiscalização  e  sequer  determinação  para  priorizar  como  único  meio  de  pagamento, alegado, que seriam cópias de cheques e extratos. Pela análise do texto do termo de  reintimação  fiscal  de  fls.  46/47  o  mesmo  é  claro  no  sentido  de  solicitar  ao  contribuinte  de  forma  exemplificativa  outros  meios  de  prova  para  existência  de  outros  elementos  para  a  fiscalização proceder à análise de sua declaração, verbis:      Tanto  é  real  que  não  houve  qualquer  subjetividade  por  parte  da  Administração  Fazendária  que  analisou  todos  os  comprovantes  juntados  pelo  contribuinte,  Fl. 150DF CARF MF     8 ressaltando que a glosa apenas foi lançada em 2 (duas) despesas dos profissionais indicados na  declaração,  e  mesmo  assim  foi  oportunizado  ao  contribuinte  através  da  reintimação  fiscal,  prestar maiores esclarecimentos, no sentido de comprovar o efetivo pagamento.    Cumpre  registrar  que  a  legislação  do  Imposto  de  Renda,  mais  especificamente o Regulamento do  Imposto de Renda (Dec. nº 3.000/99, Art. 73, caput), e o  Decreto –Lei nº 5.844/43 (Art. 11, § 3º) – que trata da cobrança e fiscalização do imposto –,  dispõem  que  todas  as  deduções  são  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade lançadora, conforme abaixo:  Decreto nº 3.000/99  “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  nº  5.844,  de  1943,  art.  11,  § 3º).”  Decreto nº 5.844/43  “Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas neste  capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos.”  (...)  “§ 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou  justificação, a  juízo da autoridade lançadora.”    Tem­se,  assim, que  a  legislação  transcrita  confere à  autoridade  fiscal  – que  age no  intuito de defender o  interesse público  (“arrecadação  tributária”)  ­, o poder de exigir,  para análise da dedução de despesas médicas, outros documentos além de meros recibos, que  busquem  comprovar  a  efetiva  prestação  dos  serviços  médicos  e,  principalmente,  o  efetivo  desembolso  dos  valores  correspondentes  às  despesas  declaradas  por  conta  da  aplicação  do  princípio da verdade material.    Isso porque os recibos médicos não fazem prova única e definitiva da efetiva  ocorrência dos pagamentos informados na DIRPF do contribuinte. Os dados informados neste  tipo  de  documento  não  constituem verdade  absoluta,  ante  a  sua  fragilidade  em  comprovar  a  realidade.    Nesse  aspecto  ao  se  proferir  juízos  de  valores,  deve­se,  precipuamente,  distinguir  a  força  do  recibo  como  prova  de  quitação  entre  as  partes  contratantes,  matéria  disciplinada pelo Código Civil, da força probatória que tem o recibo perante o fisco, questão  que se sujeita às normas de direito público que regem a relação tributária.    Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13893.720601/2012­19  Acórdão n.º 2201­003.651  S2­C2T1  Fl. 148          9 O contribuinte ainda alega que:    Nesse  ponto  também  não  cabe  razão  ao  contribuinte,  pois,  não  houve  por  parte da Administração Tributária qualquer  tipo de  imputação de má­fé  ou prática de  fraude  praticada por parte do contribuinte, e, caso houvesse, entendo que deveria ocorrer a inversão do  ônus da prova, contudo, houve apenas a solicitação de comprovação do efetivo pagamento na  forma do caput do artigo 80 do RIR c/c artigo 8º, II, “a” da Lei 9.250/95.  Os  prontuários  e  receitas  médicas  são  meios  indiciários  de  prova  para  demonstrar de fato a ocorrência da prestação do serviço e demonstrar que há correlação entre a  despesa e pagamento, não havendo nos autos por parte da Administração Tributária qualquer  elemento  que  configure  que  está  afastando  os  valores  em  moeda  nacional  como  meio  de  pagamento.    Não levo a crer totalmente o alegado pelo contribuinte, que tais valores pagos  em  moeda  corrente,  em  2010  são  “valores  nada  elevados”,  mesmo  que  mensalmente,  na  medida que no cotidiano das cidades é cada vez mais raro que as pessoas transitem com altos  valores de dinheiro em espécie. Necessário levar em consideração que estamos em uma era do  pagamento com dinheiro de plástico, cheques de viagem, transferências eletrônicas, cartões de  crédito,  cartões  de  débito,  cartões  pré­pago,  cheque  especial  e  várias  outras  formas  de  pagamento,  que  são  utilizadas  por  serem  de  certa  forma muito  mais  segura  que  andar  com  “dinheiro vivo” no bolso.    A maior parte dos valores mensais pagos no final de cada mês, por exemplo,  para  fisioterapia são acima de R$ 800,00. Além desses, os valores pagos próximos ao dia 20  dos meses  de Agosto  a  Outubro  para  a  despesa  odontológica  são  no  valor  de  R$  1.250,00.  Portanto, não é razoável a alegação, por mais que haja, pela simples análise da declaração do  contribuinte de rendimentos para fazer frente a tais valores.    Outrossim,  apesar  de  não  ser  o  cerne  da  questão  mas  apenas  a  título  argumentativo, percebe­se que as assinaturas dos recibos juntados às fls. 27 a 38 do serviço de  fisioterapia,  além  de  não  possuírem  certa  uniformidade  entre  si,  são  totalmente  diversos  da  assinatura da declaração acostada pelo contribuinte às fls. 55.    Entendo  que  a  autoridade  competente  agiu  com  bom  senso  e  prudência,  tomando atitudes adequadas a fim de que seja levada em conta a relação de proporcionalidade  entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, e portanto solicitou ao contribuinte a  prova do efetivo pagamento de tais valores.    O  lançamento  tributário,  como  uma  das  espécies  de  ato  administrativo,  também  contem  em  seu  cerne  o  princípio  do  dever  de  colaboração,  de  ambas  as  partes  (Administração Tributária e Contribuinte)  tendo por principal objetivo  a  atuação para o bem  comum, sendo, portanto, natural que seja imposto aos fiscalizados o dever de colaborar com a  fiscalização,  suportando  os  atos  fiscalizatórios  e  colaborando  com  os  mesmos  através  de  entrega de informações e documentos, claro que dentro da estrita legalidade.  Fl. 152DF CARF MF     10   Se o contribuinte optou em pagar o valor a esses profissionais em dinheiro, e  sabendo que provavelmente  iria utilizar  tais despesas para dedução em sua declaração de  IR,  poderia  ter  trazido aos autos outros meios indiciários de prova,  tais como prontuário médico,  receituário do tratamento a que estava submetido para auxiliar no conjunto probatório, contudo,  entendeu por bem não prestar as  informações solicitadas alegando que havia violação de sua  intimidade e vida privada por parte da Administração Tributária.    Pela análise dos documentos acostados aos autos, constata­se que os Recibos  foram apresentados de forma isolada, sem apoio de outros documentos da época, mas apenas  em meras  declarações  de  possíveis  profissionais  e  de  forma  extemporânea  (2012),  cabendo  aqui mencionar  que  a  assinatura  de  fls.  55  é  diversa  dos  recibos  emitidos,  além  do  fato  da  declaração  de  fls.  56  sequer  possuir  o  número  do  Conselho  Regional  de  Odontologia  da  profissional  e  ambos  não  indicarem  de  forma  precisa  qual  atendimento  foi  efetuado  ao  contribuinte.    O ônus da prova do direito constitutivo, no caso, é do contribuinte, a teor do  art.  373,  I  do NCPC,  na medida  em que  pretende  deduzir  de  seus  rendimentos  tributáveis  o  valor pago a título de despesa médica, portanto, não há que se falar em inversão do ônus da  prova tal como alegado em preliminares pelo contribuinte.    A respeito do assunto acórdão nº 11­47433 da 1ª Turma da DRJ de Recife,  verbis:    ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF   EMENTA:  DEDUÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  DESPESAS  MÉDICAS.  Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de  renda  da  pessoa  física,  as  despesas  médicas  realizadas  com  o  contribuinte  ou  com  os  dependentes  relacionados  na  declaração  de  ajuste  anual,  que  forem  comprovadas mediante documentação hábil  e  idônea,  nos  termos  da  legislação  que rege a matéria. Serão mantidas as glosas de despesas médicas, quando não  apresentados  comprovantes  da  efetividade  dos  pagamentos  e  prestação  de  serviços,  a  dar  validade  plena  aos  recibos.  Cabe  ao  contribuinte,  mediante  apresentação  de  meios  probatórios  consistentes,  comprovar  a  efetividade  da  despesa médica para afastar a glosa. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte, e  não  ao  Fisco,  a  prova  das  informações  constantes  da  Declaração  de  Ajuste  Anual  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Física.  APRECIAÇÃO  DOS  FATOS.  LIVRE  CONVICÇÃO  DA  AUTORIDADE  JULGADORA.  Os  fatos  são  apreciados  segundo  as  provas  trazidas  aos  autos  e  a  livre  convicção  da  autoridade julgadora. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões  de órgãos  singulares ou colegiados de  jurisdição administrativa possuem efeito  inter  partes. Para  que  se  constituam em normas  complementares  da  legislação  tributária, necessitam de eficácia normativa a ser atribuída por lei. INTIMAÇÃO  ENDEREÇADA AO  ADVOGADO.  INDEFERIMENTO.  Dada  a  existência  de  determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas  ao  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo,  indefere­se  o  pedido  de  endereçamento  das  intimações  ao  escritório  do  procurador.  NULIDADE.LANÇAMENTO.  Somente  ensejam  a  nulidade  os  atos  e  termos  Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13893.720601/2012­19  Acórdão n.º 2201­003.651  S2­C2T1  Fl. 149          11 lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A nulidade por  preterição  do  direito  de  defesa  somente  pode  ser  declarada  quando  o  cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode  ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração ou da emissão da  notificação de lançamento.   Exercício: 01/01/2010 a 31/12/2010 Grifei    Com esta conduta, a autoridade julgadora de primeiro grau entendeu que cabe  ao contribuinte provar que realmente efetuou o pagamento do valor constante no recibo para  que ficasse caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução.    Neste sentido, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam  ilidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e este não a faz — porque  não pode ou porque não quer — é lícito à autoridade tributária concluir que tais serviços não  foram realmente prestados ou cujo ônus da despesa o contribuinte não suportou efetivamente,  tendo  sido  emitidos  os  recibos  unicamente  com  o  fito  de  reduzir  indevidamente  da  base  de  cálculo tributável.    As  mesmas  razões  de  decidir  acima  aplico  em  relação  às  despesas  com  a  dentista Ligia Pivoto Monti, mantendo a glosa pela falta de seu efetivo pagamento, ressaltando,  apenas  como  anteriormente  indicado,  que  há  a  necessidade  de  indicação  ou  a  informação  posterior  da  inscrição  do  órgão  de  classe  do  profissional  a  fim  da Administração  Tributária  verificar se se trata de profissional devidamente habilitado para fins de dedução da despesa e  evitar eventuais fraudes.    Conclusão  Diante  do  exposto,  com  fundamento  na  legislação  competente  e  nas  disposições acima mencionadas, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO  VOLUNTÁRIO.    (assinado digitalmente)  Marcelo Milton da Silva Risso ­ Relator                Fl. 154DF CARF MF     12                 Fl. 155DF CARF MF

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Numero do processo: 10580.734499/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/10/2007 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO. No processo denominado “desmutualização”, realizado pela BOVESPA, consistente na cisão de associação sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedade empresária, criada sob forma de sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. As ações recebidas no processo de desmutualização realizado pela BOVESPA devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção do subscritor a sua alienação, o que se revela pelas circunstâncias que envolvem os negócios jurídicos posteriormente realizados, sendo presumida quando a alienação ocorrer até a data do balanço do exercício social subseqüente, segundo inteligência do PN CST 108/78. Caso contrário, sendo o interesse pela sua permanência em carteira, diante da necessidade para o exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos. No caso vertente, as ações recebidas foram, originalmente, registradas no Ativo Circulante, o que estamparia o intuito negocial do sujeito passivo, sendo esse o entendimento majoritário dos componentes do colegiado, que acompanharam o voto proferido pelas conclusões. COFINS. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA PRÓPRIA DA ATIVIDADE. INCIDÊNCIA. A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras, por ser receita própria de suas atividades empresariais, qualifica-se como faturamento dessas instituições, devendo submeter-se à incidência da Cofins. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/10/2007 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO. No processo denominado “desmutualização”, realizado pela BOVESPA, consistente na cisão de associação sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedade empresária, criada sob forma de sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. As ações recebidas no processo de desmutualização realizado pela BOVESPA devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção do subscritor a sua alienação, o que se revela pelas circunstâncias que envolvem os negócios jurídicos posteriormente realizados, sendo presumida quando a alienação ocorrer até a data do balanço do exercício social subseqüente, segundo inteligência do PN CST 108/78. Caso contrário, sendo o interesse pela sua permanência em carteira, diante da necessidade para o exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos. No caso vertente, as ações recebidas foram, originalmente, registradas no Ativo Circulante, o que estamparia o intuito negocial do sujeito passivo, sendo esse o entendimento majoritário dos componentes do colegiado, que acompanharam o voto proferido pelas conclusões. PIS/PASEP. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA PRÓPRIA DA ATIVIDADE. INCIDÊNCIA. A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras, por ser receita própria de suas atividades empresariais, qualifica-se como faturamento dessas instituições, devendo submeter-se à incidência Do PIS/PASEP. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Rosaldo Trevisan, que entenderam que não foi necessária a comprovação pelo fisco da intenção de venda, no caso concreto, somente pelo fato de a própria empresa ter revelado contabilmente tal intenção. O Conselheiro relator integrará a seu voto e à ementa do acórdão, na forma do artigo 63, § 8o do RICARF, os fundamentos externados pela maioria dos conselheiros. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, ausente justificadamente. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2082; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 10          1 9  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.734499/2011­93  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­003.790  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de maio de 2017  Matéria  PIS/PASEP E COFINS  Recorrente  BACOR CORRETORA DE CÂMBIO E VALORES MOBILIÁRIOS S/A  (ATUAL DENOMINAÇÃO DE BBM CORRETORA DE CÂMBIO E  VALORES MOBILIÁRIOS S/A).  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/10/2007  DESMUTUALIZAÇÃO.  ASSOCIAÇÕES  SEM  FINS  LUCRATIVOS.  DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO.  No  processo  denominado  “desmutualização”,  realizado  pela  BOVESPA,  consistente  na  cisão  de  associação  sem  finalidade  lucrativa  com  versão  do  patrimônio  correspondente  a  sociedade  empresária,  criada  sob  forma  de  sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores  de  títulos  patrimoniais  daquelas  associações  caracteriza  devolução  de  patrimônio e não substituição de títulos.  DESMUTUALIZAÇÃO.  AÇÕES.  REGISTRO  CONTÁBIL.  ATIVO  CIRCULANTE.  As  ações  recebidas  no  processo  de  desmutualização  realizado  pela  BOVESPA devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção  do  subscritor  a  sua  alienação,  o  que  se  revela  pelas  circunstâncias  que  envolvem os negócios  jurídicos posteriormente realizados, sendo presumida  quando  a  alienação  ocorrer  até  a  data  do  balanço  do  exercício  social  subseqüente, segundo inteligência do PN CST 108/78. Caso contrário, sendo  o  interesse pela  sua permanência  em carteira,  diante da necessidade para o  exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente,  subgrupo  Investimentos.  No  caso  vertente,  as  ações  recebidas  foram,  originalmente,  registradas  no  Ativo  Circulante,  o  que  estamparia  o  intuito  negocial  do  sujeito  passivo,  sendo  esse  o  entendimento  majoritário  dos  componentes  do  colegiado,  que  acompanharam  o  voto  proferido  pelas  conclusões.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 44 99 /2 01 1- 93Fl. 876DF CARF MF     2 COFINS.  ALIENAÇÃO  DE  AÇÕES.  CORRETORAS  DE  TÍTULOS  E  VALORES  MOBILIÁRIOS.  RECEITA  PRÓPRIA  DA  ATIVIDADE.  INCIDÊNCIA.  A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras,  por  ser  receita  própria  de  suas  atividades  empresariais,  qualifica­se  como  faturamento dessas instituições, devendo submeter­se à incidência da Cofins.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/10/2007  DESMUTUALIZAÇÃO.  ASSOCIAÇÕES  SEM  FINS  LUCRATIVOS.  DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO.  No  processo  denominado  “desmutualização”,  realizado  pela  BOVESPA,  consistente  na  cisão  de  associação  sem  finalidade  lucrativa  com  versão  do  patrimônio  correspondente  a  sociedade  empresária,  criada  sob  forma  de  sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores  de  títulos  patrimoniais  daquelas  associações  caracteriza  devolução  de  patrimônio e não substituição de títulos.   DESMUTUALIZAÇÃO.  AÇÕES.  REGISTRO  CONTÁBIL.  ATIVO  CIRCULANTE.  As  ações  recebidas  no  processo  de  desmutualização  realizado  pela  BOVESPA devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção  do  subscritor  a  sua  alienação,  o  que  se  revela  pelas  circunstâncias  que  envolvem os negócios  jurídicos posteriormente realizados, sendo presumida  quando  a  alienação  ocorrer  até  a  data  do  balanço  do  exercício  social  subseqüente, segundo inteligência do PN CST 108/78. Caso contrário, sendo  o  interesse pela  sua permanência  em carteira,  diante da necessidade para o  exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente,  subgrupo  Investimentos.  No  caso  vertente,  as  ações  recebidas  foram,  originalmente,  registradas  no  Ativo  Circulante,  o  que  estamparia  o  intuito  negocial  do  sujeito  passivo,  sendo  esse  o  entendimento  majoritário  dos  componentes  do  colegiado,  que  acompanharam  o  voto  proferido  pelas  conclusões.  PIS/PASEP.  ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE  TÍTULOS  E  VALORES  MOBILIÁRIOS.  RECEITA  PRÓPRIA  DA  ATIVIDADE.  INCIDÊNCIA.  A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras,  por  ser  receita  própria  de  suas  atividades  empresariais,  qualifica­se  como  faturamento  dessas  instituições,  devendo  submeter­se  à  incidência  Do  PIS/PASEP.  Recurso voluntário negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  apresentado.  Votaram  pelas  conclusões  os  Conselheiros  Augusto  Fiel  Jorge  D'Oliveira,  André  Henrique  Lemos,  Tiago  Guerra  Machado,  Rodolfo  Tsuboi e Rosaldo Trevisan, que entenderam que não foi necessária a comprovação pelo fisco  da intenção de venda, no caso concreto, somente pelo fato de a própria empresa ter revelado  Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10580.734499/2011­93  Acórdão n.º 3401­003.790  S3­C4T1  Fl. 11          3 contabilmente tal intenção. O Conselheiro relator integrará a seu voto e à ementa do acórdão,  na  forma  do  artigo  63,  §  8o  do  RICARF,  os  fundamentos  externados  pela  maioria  dos  conselheiros. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo  Ogassawara de Araújo Branco, ausente justificadamente.    Rosaldo Trevisan – Presidente    Robson José Bayerl – Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Robson  José  Bayerl,  Rosaldo  Trevisan,  Augusto  Fiel  Jorge  D’Oliveira,  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira,  André  Henrique  Lemos, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração  de  PIS/Pasep  e  Cofins  decorrente de operações de alienação de ações envolvendo o processo de “desmutualização” da  BOVESPA, ocorridas em setembro e outubro de 2007, não oferecidas à tributação.  Destacou  a  fiscalização  que  o  lançamento  foi  lavrado  com  a  exigibilidade  suspensa, objetivando a prevenção da decadência, por força de liminar deferida nos autos do  Mandado de Segurança nº 2007.33.00.008194­6, 16ª Vara Federal de Salvador, TRF 1ª Região,  onde se questiona a constitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e se pleiteia o direito  de  recolher  o  PIS/Pasep  e  Cofins  nos  moldes  da  LC  07/70,  com  as  alterações  da  Lei  nº  9.715/98 e LC 70/91.  Em  impugnação  o  contribuinte  discorreu  sobre  o  processo  de  desmutualização  da  BOVESPA,  aduzindo  que,  originariamente,  aludida  instituição  era  organizada sob a  forma de associação civil,  sendo a propriedade de seus  títulos patrimoniais  condição  para  operação  em  seus  mercados,  razão  pela  qual  encontravam­se  registrados  contabilmente em seu ativo permanente; que, a partir da alteração societária promovida, houve  a  troca dos  títulos  patrimoniais  por  ações,  o que configuraria  simples  substituição de ativos,  com conseqüente manutenção do seu regime contábil. Na seqüência, dissertou sobre o conceito  de ativo permanente à luz do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional  (COSIF), instituído pela Circular BACEN nº 1.273/87, Parecer Normativo CST nº 108/78, para  concluir que a intenção de permanência do investimento, que alude a norma contábil, deve ser  manifestada  na  data  de  sua  aquisição,  correspondente  aos  títulos  patrimoniais  adquiridos  da  associação  civil;  que  esta  intenção  não  se  condicionaria  à  permanência  do  investimento  em  carteira por prazo definido e tampouco seria incompatível com a sua venda; que a operação de  cisão/incorporação (desmutualização) envolvendo a BOVESPA, foi­lhe imposta, tomada pela  maioria da assembléia, de modo que não haveria que se falar em manifestação de “intenção”;  que  nas  cisões  e  incorporações  não  há  extinção/redução  de  capital  seguido de  realização  de  novo investimento, mas sim uma sucessão de direitos, consubstanciando assim a continuidade  dos investimentos; que, manifestada a intenção de permanência quando da aquisição dos títulos  Fl. 878DF CARF MF     4 patrimoniais, não haveria necessidade de nova opção quanto da percepção das ações oriundas  da  desmutualização;  e,  por  fim,  que  haveria  erro  na  apuração  das  bases  de  cálculo  das  contribuições lançadas, configurada pela incorreta definição do custo de aquisição dos títulos e  conseqüente tributação indireta de sua atualização.  A DRJ São Paulo/SP deu parcial provimento ao recurso apenas para ajustar o  custo de aquisição dos títulos objeto de lançamento, mediante decisão assim ementada:  “TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.  Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos  realizáveis no curso do exercício social subseqüente. Correta a classificação,  no  Ativo  Circulante,  das  ações  da  BOVESPA  HOLDING  S/A  que  foram  recebidas pela contribuinte em decorrência de processo de desmutualização  da Bolsa de Valores de São Paulo ­ BOVESPA e que foram negociadas logo  após o seu recebimento, no caso, dentro de poucos meses de seu ingresso nos  registros contábeis da impugnante.  COFINS.  LANÇAMENTO  PARA  PREVENIR  A  DECADÊNCIA.  BASE  DE  CÁLCULO.  RECEITA  BRUTA  (OPERACIONAL).  OBJETO  SOCIAL.  VENDA DE AÇÕES.  A base de cálculo da contribuição é a receita bruta, nos termos da legislação  de  regência.  Tendo  a  interessada  como  objeto  social  a  exploração  de  atividades que envolvem inclusive a negociação e intermediação com títulos  e  valores  mobiliários  e  mercadorias  negociáveis  em  bolsas  de  valores  e  bolsas  de  mercadorias  e  futuros,  considera­se  como  receita  bruta  (operacional) o resultado da venda de ações (valor da venda menos o custo  das  ações),  inclusive  das  ações  da  BOVESPA  HOLDING  S/A  que  foram  recebidas pela contribuinte em decorrência de processo de desmutualização  da BOVESPA.”  O recurso voluntário, com alguma variação e à exceção dos ajustes na base  de apuração, reprisou a argumentação deduzida no recurso inaugural.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, devendo ser  conhecido.  Respeitante às questões recorridas, principio pelo exame da natureza jurídica  da operação de “câmbio” dos títulos patrimoniais, então emitidos pela associação BOVESPA,  posteriormente desmutualizada, pelas correspondentes ações da BOVESPA HOLDING.  A fiscalização e a decisão recorrida, principalmente, entendem que não houve  uma simples  troca de  títulos  representativos de patrimônio/capital,  como sustenta o autuado,  mas  algo mais  complexo,  dado  o  regime  jurídico  das  entidades,  regrado  pelo Código Civil,  associações  sem fins  lucrativos, apontando para uma devolução de patrimônio da associação  para os seus integrantes mediante a entrega de novos direitos, consubstanciados nas ações da  nova entidade, agora sociedade empresária, sob forma de sociedade anônima.  Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10580.734499/2011­93  Acórdão n.º 3401­003.790  S3­C4T1  Fl. 12          5 Este  posicionamento  reflete  a  interpretação  emprestada  ao  assunto  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  consolidada  na  Solução  de  Consulta  COSIT  nº  10/2007, que ostenta a seguinte ementa:  “OPERAÇÃO  DE  DESMUTUALIZAÇÃO  DAS  BOLSAS  DE  VALORES.  O  instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs. da Lei nº 6.404, de 1976,  e no art. 1.122 da Lei nº 10.406, de 2002, só é aplicável às pessoas jurídicas  de  direito  privado  constituídas  sob  a  forma  de  sociedade.  Às  bolsas  de  valores constituídas sob a forma de associações se aplica o regime jurídico  estatuído nos arts. 53 a 61 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil de 2002).  O art. 61 da Lei nº 10.406, de 2002, veda a destinação de qualquer parcela  do  patrimônio  das  bolsas  de  valores,  constituídas  sob  a  forma  de  associações,  a  entes  com  finalidade  lucrativa.  As  sociedades  corretoras  devem avaliar as cotas ou frações ideais das bolsas de valores pelo custo de  aquisição. O  fato  de  a  operação  de  ‘desmutualização’  de  associações  não  encontrar  amparo  no  ordenamento  jurídico  não  obsta  a  incidência  do  imposto  de  renda  sobre  a  diferença  entre  o  valor  nominal  das  ações  (da  sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de  aquisição  das  cotas  ou  frações  ideais  representativo  do  patrimônio  segregado das bolsas de valores.”  O contribuinte, por seu turno, como dito, defende que a operação se resumiu  a uma substituição de títulos, substituição esta, inclusive, alheia à sua vontade, segundo consta,  não  havendo  qualquer  alienação  ou  devolução  de  patrimônio,  mas  apenas  a  sucessão  de  direitos, razão porque, assevera, representaria a continuidade dos investimentos, de modo que o  regime contábil dos títulos substituídos permaneceria o mesmo.  Pois  bem,  de  minha  parte,  à  luz  das  especificidades  dos  eventos  de  desmutualização e da legislação de regência, com todo respeito às vozes dissonantes, filio­me à  primeira corrente, defendida pelas autoridades administrativas precedentes, eis que o modelo  jurídico brasileiro, tal como delineado na Lei nº 10.406/2002, Código Civil, não permite tomar,  como singela “troca de títulos”, a operação consistente na cisão patrimonial de uma associação  sem fins lucrativos, com a versão do patrimônio cindido a uma sociedade empresária, onde os  antigos  associados  passam  à  condição  de  acionistas,  deixando  de  ser  detentores  de  títulos  patrimoniais, mas de ações.  Basta  dizer  que  a  própria  condição  jurídica  desses  títulos,  e,  conseqüentemente,  de  seus  titulares,  é  distinta,  possuindo  direitos  e  obrigações  específicos,  motivo pelo qual entendo não ser possível acatar a tese proposta pelo recorrente.  Dada  a  similitude  fática,  ainda  que  a  análise  dos  efeitos  tributários  açambarque o IRPJ e CSLL, trago à colação decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal  da  3ª  Região,  da  lavra  do  Desembargador  Federal  Márcio  Moraes,  nos  autos  do  processo  2008.61.00.008706­3/SP (0008706­05.2008.4.03.6100/SP):  “TRIBUTÁRIO.  DEVOLUÇÃO  À  IMPETRANTE  DOS  VALORES  CORRESPONDENTES  A  TÍTULOS  DA  BOVESPA  E  DA  BM&F.  INVESTIMENTO  INTEGRAL  EM  AÇÕES  DAS  MESMAS  ENTIDADES,  TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE  O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE  GANHOS  DE  CAPITAL.  INAPLICABILIDADE  DO  ‘MÉTODO  DA  Fl. 880DF CARF MF     6 EQUIVALÊNCIA  PATRIMONIAL’.  CARACTERIZAÇÃO  DE  RENDA.  DISPONIBILIDADE  JURÍDICA.  INCIDÊNCIA  DO  ART.  17  DA  LEI  9.532/97.  1. Nos termos da decisão já proferida no dia três do corrente, mantenho meu  entendimento  no  sentido  de  que  a  matéria  dos  autos  não  se  insere  na  competência da CVM, visto que esta não tem função de fiscalizar e exigir o  pagamento  de  tributos,  ainda  que  incidente  sobre  operações  gestadas  nas  suas atividades típicas, pelo que deve ser indeferido o pedido de retirada do  processo de pauta e o seu sobrestamento para manifestação da CVM.  2. Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos,  da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de  capital,  no  tocante  aos  valores  gerados  pela  atualização  dos  títulos  patrimoniais que a  impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que  foram  convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas  entidades, operação intitulada ‘desmutualização’.  3.  A  conversão  dos  títulos  em  ações  importa  em  reversão  jurídica  dos  valores  a  que  correspondiam  os  citados  títulos,  ainda  que  tais  valores  tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou  da transformação.  4.  Caracterizada  a  disponibilidade  jurídica  dos  ganhos  de  capital  equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele  posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do  CTN.  5.  A  inocorrência  de  dissolução  ou  extinção  da  associação  que  se  transformou em  sociedade por ações  (art.  1.113 e 2.033 do Código Civil)  tem  relevância  apenas  para  a  preservação  da  titularidade  dos  direitos  e  obrigações  da própria  sociedade,  que não  terá  solução de  continuidade e  manter­se­á íntegra.  6.  Todavia,  é  inegável  que  a  transformação  implica  em  modificação  da  natureza  jurídica  das  participações  societárias  ou  dos  títulos  de natureza  similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica.  7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a  devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela  detinha,  ainda  que  estes  valores  tenham  sido  inteiramente  utilizados  na  aquisição de ações da nova sociedade.  8. Não há  lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de  capital  pelo  ‘método  da  equivalência  patrimonial’,  posto  que  este  método  tem  aplicação  quando  surge  a  necessidade  de  encontrar  a  expressão  econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica.  9. Esta  não  é a hipótese dos autos,  em que o  capital  da  impetrante  estava  investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí  porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem  ser  tratadas como ganhos de capital, sofrendo  incidência do art. 17 da Lei  9.532/97.  10.  Não  socorrem  a  impetrante  os  atos  regulamentares  e  interpretativos  editados antes da apontada lei, tal como a Portaria MF 785/77, visto que se  consideram ab­rogados pela nova legislação, que cuida especificamente do  tema em discussão.  Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10580.734499/2011­93  Acórdão n.º 3401­003.790  S3­C4T1  Fl. 13          7 11.  Rejeitada  a  alegação  de  decadência,  haja  vista  que  o  fato  gerador  do  IRPJ e da CSLL (devolução dos títulos) ocorreu somente depois que houve a  deliberação,  em  Assembléia  Geral  Extraordinária,  pela  transformação  da  BOVESPA e da BM&F em sociedades anônimas, respectivamente, em 28 de  agosto e 20 de setembro de 2007, menos de um ano antes do ajuizamento do  presente ‘mandamus’.  12.  Improvido  o  agravo  retido,  por  ausência  de  verossimilhança  das  alegações da parte agravante.  13. Apelação improvida.” (destacado)  A  importância  do  debate  ora  travado,  como  ponto  antecedente,  reside  na  manutenção do regime contábil de registro destes novos títulos, pois a desmutualização exige a  baixa dos títulos patrimoniais e o correspondente registro das ações recebidas, ainda que pelo  mesmo  valor,  ao  passo  que  possuem  natureza  diversa,  o  que,  a  meu  ver,  somente  vem  a  confirmar a impossibilidade de se tratar de uma simples substituição de títulos.  Demais disso, ainda que se tome a operação sob o ângulo de uma “troca de  títulos”,  a  realização  dos  lançamentos  contábeis  pertinentes  exigiria  necessariamente  a  observância  do  seu  propósito  negocial,  isto  é,  se  destinadas  a  alienação  ou manutenção  em  carteira, como será abordado ao longo do voto, porquanto se trata de uma “aquisição”, assim  entendida  como  a  agregação  de  um  bem  ou  direito  ao  patrimônio  e  que,  até  então,  não  o  compunha, ainda que em substituição a outro bem ou direito baixado.  Em síntese,  tenho que a operação melhor se compagina como devolução de  patrimônio da associação e imediata aquisição de ações das sociedades empresárias.  Por pertinente, acentuo que este ponto de vista, sob enfoque algum, pode ser  qualificado como desconsideração de negócio jurídico, a teor do art. 116, parágrafo único, do  Código Tributário Nacional,  representando unicamente a  leitura que faço dos fatos carreados  ao processo, sem qualquer reclassificação jurídica dos negócios firmados entre o contribuinte e  a BOVESPA e BOVESPA HOLDING.  Definido,  pois,  que  não  houve  apenas  a  substituição  dos  títulos,  por  conseqüência, não há possibilidade de comunicação do regime contábil do registro dos títulos  patrimoniais com as novéis ações, ao argumento de “continuidade dos investimentos”, devendo  o contribuinte, ao proceder os lançamentos contábeis respectivos, manifestar novamente a sua  intenção  de  manter  os  investimentos  no  Ativo  Permanente  ou,  acaso  pretenda  negociá­los,  registrá­los no Ativo Circulante.  Neste  momento  passa­se,  então,  ao  segundo  ponto  da  querela:  a  forma  adequada de registro contábil das ações recebidas no processo de “desmutualização”.  A  teor  do  art.  179  da  Lei  nº  6.404/76,  as  disponibilidades,  os  direitos  realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do  exercício  seguinte,  devem  ser  registrados  no Ativo  Circulante  (I);  enquanto  os  direitos  que  tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa,  ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial, no Ativo  Imobilizado (II).  Fl. 882DF CARF MF     8 Como bem destacado pelo recorrente, segundo o Capítulo 1, Seção II, Item 3  (Ativo Permanente – Outros Investimentos) das normas do Plano Contábil das Instituições do  Sistema  Financeiro  Nacional  (COSIF),  subitens  10­11,  “consideram­se  também  como  investimento de caráter permanente, além das participações acionárias registradas pelo  custo  histórico e dos investimentos avaliáveis pela equivalência patrimonial, os direitos de qualquer  natureza  não  classificáveis  no  Ativo  Circulante  e  Realizável  a  Longo  Prazo,  nem  no  Imobilizado, tais como bens artísticos e valiosos, coleções (moedas e selos) e títulos de clubes,  que se contabilizam na adequada conta do subgrupo Investimentos do Ativo Permanente, pelo  custo  de  aquisição.  (Circ  1273),  sendo  que  a  intenção  de  permanência  ou  não  dos  investimentos  se  manifesta  no  momento  da  aquisição,  mediante  sua  inclusão  no  Ativo  Permanente, subgrupo Investimentos, ou registro no Ativo Circulante. (Circ 1273)”  Nesta  linha  intelectiva,  assim  se  manifestou  o  Parecer  Normativo  CST  nº  108/78, sobre cujas conclusões há consenso entre a decisão recorrida e o recorrente:  “INVESTIMENTOS  7. Classificam­se como investimentos, segundo a nova Lei  das  S.  A.,  'as  participações  permanentes  em  outras  sociedades  e  os  direitos  de  qualquer  natureza,  não  classificáveis no Ativo Circulante, e que não se destinem à  manutenção  da  atividade  da  companhia  ou  empresa  (art.  179,  III).  Com  relação  ao  dispositivo  transcrito,  dois  pontos  demandam  interpretação:  (1)  o  que  se  deve  entender  por  'participações  permanentes'  e  (2)  quais  seriam os 'direitos de qualquer natureza'.  7.1 ­ Por participações permanentes em outras sociedades,  se  entendem  as  importâncias  aplicadas  na  aquisição  de  ações  e  outros  títulos  de  participação  societária,  com  a  intenção  de  mantê­las  em  caráter  permanente,  seja  para  obter  controle  societário,  seja  por  interesses  econômicos,  como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de  renda. Essa intenção será manifestada no momento em que  se  adquire  a  participação,  mediante  a  sua  inclusão  no  subgrupo  de  investimentos  ­  caso  haja  interesse  de  permanência  ­  ou  registro  no  Ativo  Circulante,  não  havendo  esse  interesse.  Será,  no  entanto,  presumida  a  intenção de permanência sempre que o valor registrado no  Ativo Circulante não for alienado até a data do balanço do  exercício  seguinte  àquele  em  que  tiver  sido  adquirido;  neste  caso,  deverá  o  valor  da  aplicação  ser  transferido  para  o  subgrupo  de  investimentos  e  procedida  a  sua  correção monetária, considerando como data de aquisição  a do balanço do exercício social anterior.”  Conclui­se,  portanto,  que  a  definição do grupo do ativo em que devem ser  contabilizadas  as  ações  recebidas  do  processo  de  desmutualização  exige  perscrutar,  casuisticamente,  a  intenção  do  contribuinte,  na  data  de  aquisição,  de  negociar  ou  não  indigitados direitos.  Tratando­se de elemento volitivo, a  sua investigação perpassa a análise das  circunstâncias que nortearam a posterior alienação das ações, que é o objeto do  lançamento,  Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10580.734499/2011­93  Acórdão n.º 3401­003.790  S3­C4T1  Fl. 14          9 para aferir se a sua contabilização no Ativo Permanente foi realmente adequada, como sustenta  o recorrente.  O argumento central da defesa consiste, basicamente, em aduzir que, estando  os títulos patrimoniais originalmente registrados no Ativo Permanente, uma vez ocorrida a sua  substituição por ações, com continuidade dos investimentos, deveria ser mantido este regime  contábil, o que justificaria a não incidência das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins com fulcro  na hipótese de não incidência insculpida no art. 3º, § 2º, IV da Lei nº 9.718/98.  A tese, por si só, não convence, eis que, como adrede exposto, não ocorreu  uma simples troca de títulos, de maneira que não há comunicação entre o regime contábil dos  títulos patrimoniais e das ações, mesmo porque, a razão da manutenção em carteira dos títulos  patrimoniais – condição para operar os mercados da BOVESPA – simplesmente desapareceu  quando  houve  a  alteração  da  personalidade  jurídica  dessa  entidade,  de  associação  para  sociedade anônima.  Dessarte, como registra o recorrente, a propriedade de títulos patrimoniais da  BOVESPA era exigência para operar em seus mercados, verbis:  “6.1  Como  já  destacado,  a  aquisição  de  títulos  patrimoniais  da  BOVESPA  era  condição  necessária  para  que  instituições  financeiras  e  corretoras pudessem operar  em seu mercado; assim, no passado, a RECORRENTE foi  obrigada  a  adquirir  títulos  BOVESPA,  para  poder  desempenhar suas atividades sociais”.  Por  certo  essa  obrigatoriedade  cessou  quando  aludida  entidade  se  transformou  em  sociedade  empresária,  de  sorte  que  o motivo  que  se  afigurava  como válido  para  registro  dos  títulos  patrimoniais  no  Ativo  Permanente,  não  pode  ser  alegado  para  manutenção das ações, recebidas no processo de “desmutualização”, no mesmo subgrupo.  Resta, então, a averiguação pura e simples da existência de intenção negocial,  à época da aquisição do direito.  O recorrente sustenta que o fato das alienações terem ocorrido pouco tempo  após o  seu  recebimento, admitida como argumentação a configuração de novo  investimento,  não  poderia,  de  per  se,  conduzir  à  conclusão  de  que  sua  intenção  fosse,  ao  tempo  do  recebimento, negocial, como fez a fiscalização.  Ocorre  que  há  um  fato,  provado  nos  autos,  que  refuta  o  argumento  de  ausência  de  intuito  negocial,  consistente  na  assunção  de  obrigação  de  vender  boa  parte  das  ações recebidas no processo de desmutualização, como se verifica do “Prospecto Definitivo de  Oferta  Pública  Inicial  de  Distribuição  Secundária  de  Ações  Ordinárias  de  Emissão  da  BOVESPA HOLDING” (efls. 92 e ss.), cuja chamada inicial é a seguinte:  “Os  Acionistas  Vendedores  identificados  nominalmente  na  seção  ‘Definições’  na  página  3  deste  Prospecto  (“Acionistas  Vendedores”)  estão  ofertando  250.492.283  ações  ordinárias  de  emissão  da  Bovespa  Holding  S.A.  (‘Companhia’),  todas nominativas, escriturais e sem valor  nominal,  de  sua  titularidade,  que  estarão  livres  e  Fl. 884DF CARF MF     10 desembaraçadas  de  quaisquer  ônus ou  gravames na Data  de Liquidação  (‘Ações’),  sob a  coordenação do Banco de  Investimentos  Credit  Suisse  (Brasil)  S.A.  (‘Coordenador  Líder’) e do Goldman Sachs do Brasil Banco Múltiplo S.A.  (‘Goldman  Sachs’  e,  em  conjunto  com  o  Coordenador  Líder, ‘Joint Bookrunners’) e com esforços de colocação no  exterior  a  serem  realizados  por  Goldman  Sachs  &  Co.  e  Credit  Suisse  Securities  (USA)  LLC  (‘Agentes  de  Colocação  Internacional’).  A  quantidade  de  Ações  ofertada por cada Acionista Vendedor está identificada na  seção  ‘Informações  sobre  a  Oferta’  deste  Prospecto”  (negritado)  À  efl.  102  consta,  dentre  os  acionistas  vendedores,  a  ora  recorrente,  então  BBM Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S/A, cujo compromisso de oferta montou o  quantitativo de 4.916.605 ações, no valor total de R$ 113.081.915,00, conforme demonstrativo  do prospecto (efl. 140).  Às  efls.  84  e  ss.  foi  juntada  a  ata  da  assembléia  geral  extraordinária  da  BOVESPA, realizada em 28/08/2007, que, dentre suas deliberações tomadas por unanimidade  de  votos  e  sem  quaisquer  ressalva,  constou  “autorizar  o  Conselho  de  Administração  da  Companhia a (i) tomar todas as providências necessárias à realização de oferta e distribuição  pública secundária de suas ações (‘Oferta Pública’); e (...)”.  Considerando que a alienação das ações ocorreu, segundo relatório fiscal, em  setembro/2007  (R$  10.248.049,00)  e  outubro/2007  (R$  130.044.208,00),  logo  em  seguida  à  aprovação da “desmutualização” e , principalmente, a decisão pela oferta pública, tomada em  28/08/2007,  tem­se  que,  ao  tempo  do  recebimento  das  ações  da  BOVESPA HOLDING,  já  havia definição ou, pelo menos, expectativa de curtíssimo prazo que a recorrente deveria dispor  de  parcela  desta  carteira  (de  ações)  para  viabilização  da  oferta  pública  secundária  (IPO),  concretizada no prospecto de efls. 92 e ss.  Outrossim, a autoridade fiscal destacou, no Termo de Verificação Fiscal (efls.  732/746),  que  as  ações  recebidas  do  processo  foram  registradas  inicialmente  na  subconta  1.3.1.20.10.40112  e,  posteriormente,  transferidas  para  a  subconta  1.3.1.20.10.40116,  ambas  pertencentes à rubrica “Títulos Disponíveis para Venda – Ações”, verbis:  Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10580.734499/2011­93  Acórdão n.º 3401­003.790  S3­C4T1  Fl. 15          11   Ou  seja,  a  intenção  de  permanência  das  ações  percebidas  da  BOVESPA  HOLDING era excepcional, indicando os elementos dos autos que o intuito ab initio era, sim,  negocial, como efetivamente ocorreu.  Aliás, esse foi o fundamento acolhido pela ilustrada maioria do colegiado, em  sessão  de  julgamento,  para  a  manutenção  do  lançamento,  na  forma  como  confeccionado,  servindo esse registro à finalidade do art. 63, § 8º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15), como  externado no dispositivo desse julgado.  De minha parte, a situação adrede detalhada não representa grande relevância  no deslinde da questão, ao passo que o meu entendimento trilha um outro raciocínio extraído  do PN CST 108/78,  item 7.1,  segunda parte,  reproduzido  linhas  atrás,  ao destacar que seria  presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no Ativo Circulante não  fosse  alienado  até  a  data  do  balanço  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  tivesse  sido  adquirido, sendo que, neste caso, deveria o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo  de investimentos.  Então, a  contrario  senso,  seria  também  presumida  a  intenção  de  alienação  sempre  que  o  valor  registrado  no  Ativo  Permanente  –  Subgrupo  Investimentos  fosse  efetivamente negociado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tivesse sido  adquirido,  de  maneira  que  o  valor  correspondente  deveria  ser  transferido  para  o  Ativo  Circulante, sujeitando a todos os efeitos tributários daí decorrentes.  Assim,  se  a  aquisição  efetivou­se  em  agosto/2007  e  a  alienação  em  setembro/outubro de 2007, independentemente da consideração temporal desse intervalo como  curto ou longo, a depender do ponto de vista, pelo critério objetivo fornecido pelo epigrafado  Fl. 886DF CARF MF     12 ato opinativo (PN CST 108/78) os valores respectivos deveriam ser transferidos do Subgrupo  Investimentos para o Ativo Circulante e, nessa condição, dado o objeto social do contribuinte,  bem assim, a natureza operacional desta receita, serem oferecidos à tributação pelo PIS/Pasep e  Cofins.  Parafraseando  o  recorrente,  a  intenção  de  permanência  não  é  incompatível  com a venda do bem, tampouco desnatura a sua opção de contabilização, entretanto, digo eu,  do  exame  do  contexto  em  que  ocorridas  as  operações  de  aquisição/alienação,  aliada  à  inteligência do PN CST 108/78, não é possível inferir esta “intenção de permanência”, o que  cede lugar à presunção de intenção oposta, isto é, de negociação dos títulos.  As  circunstâncias  dos  negócios  jurídicos  realizados  com  as  ações  da  BOVESPA estamparam claro intuito negocial, como realização do objeto social da recorrente,  sem qualquer  intenção de permanência destes  investimentos em carteira,  salvo pela álea das  condições de mercado para sua alienação, o que, no entanto, não autoriza o registro de ações  negociáveis no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos, como pretendido. Se assim o fosse,  todas  as  instituições  financeiras  envolvidas  com  a  comercialização  de  títulos  e  valores  mobiliários,  dada  à  eventualidade  típica  de  seu  negócio,  atrelado  que  é  a  eventos  futuros  e  incertos das condições de mercado, poderiam registrar tais direitos no Ativo Permanente, uma  vez  que  não  sabem  exatamente  quando  e  se  efetivamente  os  negociarão,  o  que  é  completamente descabido.  A atividade típica das corretoras de títulos e valores mobiliários, nessa seara,  é a realização de operações de participação societária de caráter temporário, de tal arte que os  títulos adquiridos com esse objetivo devem ser registrados, modo geral, no Ativo Circulante,  reservando­se  a  contabilização  no  Ativo  Permanente  –  Investimentos  apenas  àqueles  destinados à manutenção das atividades da empresa, como era o caso dos títulos patrimoniais  da associação BOVESPA, que o exigiam para operação em seus mercados, o que, todavia, não  se estendia às operações na BOVESPA S/A, não sendo a titularidade de ações exigíveis para tal  desiderato.  Em  conclusão,  ante  todos  os  elementos,  informações  e  considerações  do  processo,  entendo  que  não  restou  demonstrado  o  interesse  de  permanência  em  carteira  das  ações  percebidas  do  processo  de  desmutualização,  como  direito  inerente  e  necessário  à  realização de sua atividade, mas, pelo contrário, denotou­se a intenção em negociá­las.  A  partir  desta  premissa,  o  registro  contábil  adequado,  no  momento  da  subscrição,  seria no grupo Ativo Circulante, considerando­se o produto da venda, quando da  alienação  do  direito,  como  receita  operacional  oriunda  das  atividades  típicas  da  instituição,  submetendo­se  à  tributação  do  PIS/Pasep  e  Cofins,  nos  termos  do  art.  3º  caput  da  Lei  nº  9.718/98.  Com  efeito,  na  esteira  da  jurisprudência  dos  tribunais  superiores,  com  a  declaração de  inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, faturamento continua  correspondendo a receita bruta, a teor do art. 2º, caput da Lei Complementar nº 70/91 e art. 3º  da Lei nº 9.715/98, assim entendida como o somatório das  receitas oriundas do exercício da  atividade empresarial.  Esta  inferência  respalda­se nos Recursos Extraordinários 346.084, 357.950,  358.273  e  390.840,  precedentes  citados  para  o  reconhecimento do  vício da Lei  nº 9.718/98,  que, mesmo declarando a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, estabeleceram, na linha da  jurisprudência  do  e.  STF,  que  as  expressões  “faturamento”  e  “receita  bruta”,  a  par  de  sinônimas,  açambarcariam  o  somatório  das  receitas  oriundas  do  exercício  da  atividade  Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10580.734499/2011­93  Acórdão n.º 3401­003.790  S3­C4T1  Fl. 16          13 empresarial, como se extrai do seguinte excerto do voto condutor do RE 390.840, de lavra do  eminente Min. Marco Aurélio:  “Quanto ao caput do art. 3º, julgo­o constitucional, para lhe dar  interpretação  conforme  à  Constituição,  nos  termos  do  julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução  receita  bruta  como  sinônimo  de  faturamento,  ou  seja,  no  significado  de  “receita  bruta  de  venda  de  mercadoria  e  de  prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a  meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício  das atividades empresariais.” (sublinhado)  Esta inteligência consolidou­se na jurisprudência superveniente do STF, ao se  manifestar no sentido que a expressão “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de  serviços” corresponderia à soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais,  como  registrado  nos Recursos  Extraordinários  nºs  371.258/SP  e  400.479/RJ, mormente  este  último, que trata de pessoa jurídica do ramo financeiro, cuja seguinte passagem reproduzo:  “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos  contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não  implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições  para  o  PIS  e  COFINS,  mormente  após  a  declaração  de  inconstitucionalidade  do  art.  3º,  §  1º,  da Lei  nº  9.718/98  dada  pelo  Plenário  do  STF.  É  que,  conforme  expressamente  fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta  sujeita  à  exação  tributária  em  comento  envolve,  não  só  aquela  decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços,  mas  a  soma  das  receitas  oriundas  do  exercício  das  atividades  empresariais.”   Portanto, mostra­se procedente o lançamento.  Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso interposto.    Robson José Bayerl                              Fl. 888DF CARF MF

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Numero do processo: 10820.902175/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.597
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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3401­003.597  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2017  Matéria  Contribuição para o PIS/Pasep  Recorrente  RAMONA ALBA DOS SANTOS YASSIN  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/08/2008  PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO.  ÔNUS  PROBATÓRIO DO POSTULANTE.  Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a  comprovação  do  direito  creditório  recai  sobre  aquele  a  quem  aproveita  o  reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos  aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a  suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.  PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.  A  carência  probatória  inviabiliza  o  reconhecimento  do  direito  creditório  pleiteado.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl,  Augusto  Fiel  Jorge D'Oliveira,  Eloy  Eros  da  Silva Nogueira  e André Henrique  Lemos,  que  votavam pela conversão em diligência.  (Assinado digitalmente)  ROSALDO TREVISAN ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Rosaldo  Trevisan  (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de  Araujo Branco (Vice­Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida,  Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 75 /2 01 2- 03 Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10820.902175/2012­03  Acórdão n.º 3401­003.597  S3­C4T1  Fl. 3          2  Relatório  1.  Trata­se  de  Pedido  de  Restituição  de  crédito  de  PIS,  referente  a  pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp.  2.  A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório  indeferindo  o  pedido  formulado,  uma  vez  que  o  pagamento  indicado  no  PER/Dcomp  em  referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte.  3.  A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual  alegou,  em  síntese,  que:  (i)  à  época  do  fato  gerador,  como  optante  pelo  regime  do  lucro  presumido, submetia­se à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e  do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas  sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já  haviam  sofrido  incidência  monofásica  em  etapa  anterior  da  cadeia,  nos  termos  da  Lei  nº  10.147/2000,  e  em  conformidade  com  a  Instrução  Normativa  SRF  nº  594/2005;  (ii)  no  momento  em  que  se  deu  conta  do  equívoco  cometido,  procedeu  à  retificação  da  DACON  respectiva.  4.  Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e  anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante  petição  simples,  a  juntada  dos  livros  de  Registro  de  Entrada  e  Saída  de  Mercadorias  e  declarou,  ainda,  não  ter  logrado  êxito  em  juntar as notas  fiscais de compra das mercadorias,  requerendo,  nesta  oportunidade,  a  realização  de  diligência  para  confirmação  do  crédito  tributário pleiteado.  5.  Foi  proferido Acórdão  DRJ  julgando  improcedente  a manifestação  de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos  termos da ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep  Data do fato gerador: 31/08/2008  RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO.  Retificada  a  DCTF  após  o  despacho  decisório  que  indeferiu  a  restituição,  o  direito  creditório  somente  pode  ser  deferido  se  devidamente  comprovado  por  meio  de  documentação  contábil  e  fiscal.  REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.  Os  valores  recolhidos  a  maior  ou  indevidamente  somente  são  passíveis  de  restituição/compensação  caso  os  indébitos  reúnam  as  características de liquidez e certeza.  PRODUTOS  FARMACÊUTICOS,  DE  PERFUMARIA,  DE  TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA.  Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene  pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com  Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10820.902175/2012­03  Acórdão n.º 3401­003.597  S3­C4T1  Fl. 4          3  alíquota  zero  são  apenas  aqueles  identificados  na  legislação  de  regência pelo seu código na TIPI.  6.  A  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário,  reiterando  as  razões  veiculadas em sua manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3401­003.583, de  25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/2012­81, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401­003.583):  "8.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento.  9.  Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após  minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo  não  conhecimento  do  documento  juntado  intempestivamente,  correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias,  com  fundamento  no  Ato Declaratório  Normativo  (ADN)  COSIT  nº  15,  de  12/07/1996.  10.  Contudo,  ainda  que  transposto  obstáculo  da  preclusão  consumativa,  verifica­se,  a  partir  da  apreciação  dos  documentos  não  conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação  dos  tipos  de  produtos,  não  sendo  possível  se  afirmar  com  a  necessária  precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000  e da  Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a  comprovar o direito creditório pleiteado.  11.  Aduz  a  decisão  a  quo  que,  na  DCTF  original,  foi  declarado  débito  em montante  igual ao  recolhido, motivo pelo qual não encontrou a  autoridade  fiscal  saldo de  pagamento  disponível. A  identidade  entre  valor  declarado  e  recolhido  se  deve  à  crença  da  contribuinte,  no  momento  da  declaração  e  do  pagamento  respectivos,  de  que  se  tratava  de  operação  tributada regularmente pelas contribuições em comento.  12.  Apenas  em  momento  posterior  ao  do  despacho  decisório  que  indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte,  ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta  sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação  não  teria  produzido  efeitos,  pois,  nos  termos  do  inciso  I  do  art.  7º  do  Decreto  nº  70.235/1972,  o  procedimento  fiscal  já  havia  se  iniciado  e,  portanto,  pretendeu  a  contribuinte  alterar  débitos  de  contribuições  de  Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10820.902175/2012­03  Acórdão n.º 3401­003.597  S3­C4T1  Fl. 5          4  maneira  indevida,  nos  termos  do  inciso  II  do  §  2º  e  do  §  3º  da  Instrução  Normativa RFB nº 1.110/2010.  13.  Entendemos  que  tais  obstáculos  procedimentais  possam  ser  plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a  retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação  de  seus  registros  contábeis  e  fiscais,  em  conformidade  com  o  art.  147  do  Código Tributário Nacional, abaixo transcrito:  Código Tributário Nacional  ­ Art.  147. O  lançamento  é  efetuado  com  base  na  declaração  do  sujeito  passivo  ou  de  terceiro,  quando  um  ou  outro,  na  forma  da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre matéria  de  fato,  indispensáveis  à  sua  efetivação.  §  1º  A  retificação  da  declaração  por  iniciativa  do  próprio  declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível mediante  comprovação  do  erro  em  que  se  funde,  e  antes  de  notificado  o  lançamento.  14.  A  aplicação  do  preceptivo  normativo  da  Lei  nº  10.147/2000  conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da  Cofins  incidentes  sobre  a  receita  bruta  decorrente  da  venda  dos  produtos  farmacêuticos  e  de  perfumaria,  de  toucador  ou  de  higiene  pessoal  classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto  sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de  28  de  dezembro  de  2001  às  pessoas  jurídicas  não  enquadradas  como  industrial  ou  importador  e  não  optantes  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de  Pequeno Porte  (Simples),  e  de  acordo  com  as  normas  necessárias  para  a  aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº  594/2005.  15.  Depreende­se,  da  análise  dos  documentos  juntados  pela  contribuinte  recorrente,  não  ser  possível  se  apontar  o  código  NCM  dos  produtos  por  ela  comercializados,  informação  que  seria  passível  de  conferência  a  partir  da  análise  das  notas  fiscais  que  comprovam  a  venda  das mercadorias  sujeitas  à  alíquota  zero,  não  havendo  como  se  validar  a  retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado.  16.  Observa­se que o  julgador de primeiro piso chegou à minúcia  de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas  para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação  de seu pleito,  tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento  do manejo da manifestação de inconformidade.  17.  Ressalta­se, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de  restituição,  como  o  presente,  o  ônus  de  comprovar  o  crédito  postulado  permanece  a  cargo  da  contribuinte,  a  quem  incumbe  a  demonstração  do  preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o  ônus  da  prova  recai  sobre  aquele  a  quem  aproveita  o  reconhecimento  do  fato".1                                                              1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria  geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380.  Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10820.902175/2012­03  Acórdão n.º 3401­003.597  S3­C4T1  Fl. 6          5  18.  Neste  sentido,  já  se  manifestou  esta  turma  julgadora  em  diferentes  oportunidades,  como  no  Acórdão  CARF  nº  3401003.096,  de  23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan:  VERDADE  MATERIAL.  INVESTIGAÇÃO.  COLABORAÇÃO.  A  verdade  material  é  composta  pelo  dever  de  investigação  da  Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular,  unidos  na  finalidade  de  propiciar  a  aproximação  da  atividade  formalizadora com a realidade dos acontecimentos.  PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO.  ÔNUS  PROBATÓRIO.  DILIGÊNCIA/PERÍCIA.  Nos  processos  derivados  de  pedidos  de  compensação/ressarcimento,  a  comprovação  do  direito  creditório  incumbe  ao  postulante,  que  deve  carrear  aos  autos  os  elementos  probatórios  correspondentes.  Não  se  presta  a  diligência,  ou  perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.  19.  Verifica­se,  portanto,  a  completa  inviabilidade  do  reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do  pedido formulado pela contribuinte recorrente.  Assim,  voto  por  conhecer  e,  no mérito,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (Assinado com certificado digital)  Rosaldo Trevisan                              Fl. 1083DF CARF MF

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