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Numero do processo: 11080.929135/2009-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.512
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 91 35 /2 00 9- 79 Fl. 880DF CARF MF Processo nº 11080.929135/200979 Acórdão n.º 9303004.512 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.957, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex Fl. 881DF CARF MF Processo nº 11080.929135/200979 Acórdão n.º 9303004.512 CSRFT3 Fl. 4 3 membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Fl. 882DF CARF MF Processo nº 11080.929135/200979 Acórdão n.º 9303004.512 CSRFT3 Fl. 5 4 Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 11080.929135/200979 Acórdão n.º 9303004.512 CSRFT3 Fl. 6 5 empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 884DF CARF MF Processo nº 11080.929135/200979 Acórdão n.º 9303004.512 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 885DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.916334/2011-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.956
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.916334/201122 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.956 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2017 Matéria COFINS. 9.718/98 Recorrente FEY PARTICIPACOES E EMPREENDIMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2003 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 34 /2 01 1- 22 Fl. 70DF CARF MF 2 Relatório Por trazer clara síntese do processo até a interposição da Manifestação de Inconformidade, adoto o relatório da decisão de primeira instância, no Acórdão da DRJ em Florianópolis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC decidiu indeferilo (...), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados se referem a pagamentos a maior originados da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005. A contribuinte alega, ainda, a nulidade do Despacho Decisório, por ausência de diligência sobre o crédito pleiteado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008." (grifei) A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente naquela oportunidade, tendo sido o referido acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Intimada pessoalmente desta decisão, foi apresentado Recurso tempestivo no qual a Recorrente alega, em síntese, a validade do crédito de COFINS objeto do Pedido de Restituição, vez que calculado com base nas receitas não operacionais auferidas pela empresa, que não podem ser consideradas como base de cálculo do PIS e da COFINS como reconhecido Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.916334/201122 Acórdão n.º 3402003.956 S3C4T2 Fl. 3 3 pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840. Alega ainda a nulidade do despacho decisório, por ausência de diligência prévia para verificação da validade do crédito. Anexou ao Recurso Voluntário cópia do livro razão e planilha com a composição do crédito apurado. Em seguida, os autos foram remetidos a esse Conselho. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.923, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13971.916330/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.923): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, adentrando em suas razões. Em recente julgado desta turma relatado pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, foi reconhecimento o cabimento dos pedidos de restituição que, tal como o presente, se respaldam na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Tratase do acórdão n.º 3402003.399, ementado nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF." (Número do Processo 10980.911525/201010. Data da Sessão 29/09/2016 Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz. Acórdão n.º 3402003.399) Fl. 72DF CARF MF 4 A situação trazida sob julgamento nos presente autos é idêntica àquela julgada naquela oportunidade, razão pela qual adoto integralmente as razões delineadas por aquela Ilustre Conselheira Relatora, à luz do art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99, cujo voto foi acompanhado por unanimidade por esta Turma: "A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13971.916334/201122 Acórdão n.º 3402003.956 S3C4T2 Fl. 4 5 COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; concluise pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento2. Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 74DF CARF MF 6 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, torna se imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13971.916334/201122 Acórdão n.º 3402003.956 S3C4T2 Fl. 5 7 O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de Fl. 76DF CARF MF 8 mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13971.916334/201122 Acórdão n.º 3402003.956 S3C4T2 Fl. 6 9 Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerê la em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Fl. 78DF CARF MF 10 Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." (grifos no original) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei n.º 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS")." Importante consignar que os documentos analisados no julgamento do paradigma (razão e planilha de apuração) encontram correspondência com os documentos juntados ao presente processo, variando apenas o período de apuração e os valores envolvidos. 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13971.916334/201122 Acórdão n.º 3402003.956 S3C4T2 Fl. 7 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS"). assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.729530/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRATAÇÃO. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA.
Constatada a contratação de segurado empregado por meio de pessoa jurídica interposta, deve ser desconsiderado o vínculo formal e exigidas as contribuições devidas pela contratação do segurado empregado.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. EXISTÊNCIA.
1. Segundo o art. 3º da Lei 11.788/2008, o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, se forem observados determinados requisitos e se forem cumpridas as obrigações contidas no termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino.
2. Neste caso concreto, apenas os estagiários cuja documentação não foi apresentada foram considerados segurados empregados, o que derrui a alegação das recorrentes, de que o agente não demonstrou a existência dos elementos da relação de empregado para cada uma das pessoas contratadas.
DIVERGÊNCIAS ENTRE AS GFIP´S E AS FOLHAS DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA.
1. A existência de divergências entre as GFIPs e as folhas de pagamento se deve ao fato de que a contribuinte atribuía o código de não incidência às verbas relacionadas no relatório fiscal.
2. As bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento apresentadas pela contribuinte em meio digital, ao passo que os recorrentes não demonstraram que o agente autuante se utilizou de valores que não poderiam compor a base do lançamento.
5. O salário-de-contribuição é constituído pela totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, na dicção do inc. I do art. 28 da Lei 8.212/1991, e não por grupo de verbas.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. CABIMENTO.
1. É, sim, cabível a aplicação da sanção pecuniária em relação às exigências mantidas no presente acórdão, ex vi do art. 35-A da Lei 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores.
2. Demonstrado o dolo do contribuinte caracterizado pela sua vontade livre e consciente de praticar a conduta ilícita e de obter determinado resultado, realizando os atos descritos nos tipos legais (sonegação e conluio), impõe-se a qualificação da multa por expressa determinação legal.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONDUTAS DIVERSAS. CABIMENTO.
1. Cada auto de infração foi constituído para a aplicação de multa por descumprimento de uma obrigação acessória específica, prevista em dispositivo legal diferente, pelo que cabível a aplicação da penalidade.
2. A multa prevista no art. 35-A da Lei no 8.212/1991 pune conjuntamente a falta de recolhimento do tributo (obrigação principal) e a falta de declaração/declaração inexata (obrigação acessória de declarar)
3. Desse modo, impossível a aplicação conjunta da multa cominada no art. 35-A com outra multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar.
4. Uma vez que os autos de infração de obrigação acessória foram lavrados em decorrência de obrigações diversas da falta de declaração/declaração inexata, devem ser mantidas as autuações, não havendo duplicidade de punição pela mesma conduta.
RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI.
Demonstrado que os administradores participaram diretamente na assinatura dos contratos para contratação de segurados empregados por meio de pessoas jurídicas interpostas, cabível a sua responsabilização por ter agido com infração da lei, nos termos do art. 135 do CTN.
Numero da decisão: 2402-005.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer parcialmente do recurso, vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci, que o conheciam integralmente; por unanimidade, rejeitar as preliminares; e, no mérito, (i) pelo voto de qualidade, negar-lhe provimento nas partes relativas à caracterização de vínculo empregatício das pessoas jurídicas prestadoras de serviços ao recorrente, agravamento da multa de ofício, afastamento das multas por descumprimento de obrigações acessórias e exclusão da solidariedade, vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento ao recurso com relação a essas matérias; e, (ii) por unanimidade, negar-lhe provimento com relação às demais questões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Tulio Teotonio de Melo Pereira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRATAÇÃO. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. Constatada a contratação de segurado empregado por meio de pessoa jurídica interposta, deve ser desconsiderado o vínculo formal e exigidas as contribuições devidas pela contratação do segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. EXISTÊNCIA. 1. Segundo o art. 3º da Lei 11.788/2008, o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, se forem observados determinados requisitos e se forem cumpridas as obrigações contidas no termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino. 2. Neste caso concreto, apenas os estagiários cuja documentação não foi apresentada foram considerados segurados empregados, o que derrui a alegação das recorrentes, de que o agente não demonstrou a existência dos elementos da relação de empregado para cada uma das pessoas contratadas. DIVERGÊNCIAS ENTRE AS GFIP´S E AS FOLHAS DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA. 1. A existência de divergências entre as GFIPs e as folhas de pagamento se deve ao fato de que a contribuinte atribuía o código de não incidência às verbas relacionadas no relatório fiscal. 2. As bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento apresentadas pela contribuinte em meio digital, ao passo que os recorrentes não demonstraram que o agente autuante se utilizou de valores que não poderiam compor a base do lançamento. 5. O salário-de-contribuição é constituído pela totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, na dicção do inc. I do art. 28 da Lei 8.212/1991, e não por grupo de verbas. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. CABIMENTO. 1. É, sim, cabível a aplicação da sanção pecuniária em relação às exigências mantidas no presente acórdão, ex vi do art. 35-A da Lei 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores. 2. Demonstrado o dolo do contribuinte caracterizado pela sua vontade livre e consciente de praticar a conduta ilícita e de obter determinado resultado, realizando os atos descritos nos tipos legais (sonegação e conluio), impõe-se a qualificação da multa por expressa determinação legal. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONDUTAS DIVERSAS. CABIMENTO. 1. Cada auto de infração foi constituído para a aplicação de multa por descumprimento de uma obrigação acessória específica, prevista em dispositivo legal diferente, pelo que cabível a aplicação da penalidade. 2. A multa prevista no art. 35-A da Lei no 8.212/1991 pune conjuntamente a falta de recolhimento do tributo (obrigação principal) e a falta de declaração/declaração inexata (obrigação acessória de declarar) 3. Desse modo, impossível a aplicação conjunta da multa cominada no art. 35-A com outra multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar. 4. Uma vez que os autos de infração de obrigação acessória foram lavrados em decorrência de obrigações diversas da falta de declaração/declaração inexata, devem ser mantidas as autuações, não havendo duplicidade de punição pela mesma conduta. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. Demonstrado que os administradores participaram diretamente na assinatura dos contratos para contratação de segurados empregados por meio de pessoas jurídicas interpostas, cabível a sua responsabilização por ter agido com infração da lei, nos termos do art. 135 do CTN.
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INFRAÇÕES DIVERSAS Recorrente JPNOR ENGENHARIA LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRATAÇÃO. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. Constatada a contratação de segurado empregado por meio de pessoa jurídica interposta, deve ser desconsiderado o vínculo formal e exigidas as contribuições devidas pela contratação do segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. EXISTÊNCIA. 1. Segundo o art. 3º da Lei 11.788/2008, o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, se forem observados determinados requisitos e se forem cumpridas as obrigações contidas no termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino. 2. Neste caso concreto, apenas os estagiários cuja documentação não foi apresentada foram considerados segurados empregados, o que derrui a alegação das recorrentes, de que o agente não demonstrou a existência dos elementos da relação de empregado para cada uma das pessoas contratadas. DIVERGÊNCIAS ENTRE AS GFIP´S E AS FOLHAS DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA. 1. A existência de divergências entre as GFIPs e as folhas de pagamento se deve ao fato de que a contribuinte atribuía o código de não incidência às verbas relacionadas no relatório fiscal. 2. As bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento apresentadas pela contribuinte em meio digital, ao passo que os recorrentes não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 95 30 /2 01 4- 17 Fl. 1836DF CARF MF 2 demonstraram que o agente autuante se utilizou de valores que não poderiam compor a base do lançamento. 5. O saláriodecontribuição é constituído pela totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, na dicção do inc. I do art. 28 da Lei 8.212/1991, e não por grupo de verbas. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. CABIMENTO. 1. É, sim, cabível a aplicação da sanção pecuniária em relação às exigências mantidas no presente acórdão, ex vi do art. 35A da Lei 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores. 2. Demonstrado o dolo do contribuinte caracterizado pela sua vontade livre e consciente de praticar a conduta ilícita e de obter determinado resultado, realizando os atos descritos nos tipos legais (sonegação e conluio), impõese a qualificação da multa por expressa determinação legal. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONDUTAS DIVERSAS. CABIMENTO. 1. Cada auto de infração foi constituído para a aplicação de multa por descumprimento de uma obrigação acessória específica, prevista em dispositivo legal diferente, pelo que cabível a aplicação da penalidade. 2. A multa prevista no art. 35A da Lei no 8.212/1991 pune conjuntamente a falta de recolhimento do tributo (obrigação principal) e a falta de declaração/declaração inexata (obrigação acessória de declarar) 3. Desse modo, impossível a aplicação conjunta da multa cominada no art. 35A com outra multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar. 4. Uma vez que os autos de infração de obrigação acessória foram lavrados em decorrência de obrigações diversas da falta de declaração/declaração inexata, devem ser mantidas as autuações, não havendo duplicidade de punição pela mesma conduta. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. Demonstrado que os administradores participaram diretamente na assinatura dos contratos para contratação de segurados empregados por meio de pessoas jurídicas interpostas, cabível a sua responsabilização por ter agido com infração da lei, nos termos do art. 135 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer parcialmente do recurso, vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci, que o conheciam integralmente; por unanimidade, rejeitar as preliminares; e, no mérito, (i) pelo voto de qualidade, negarlhe provimento nas partes relativas à caracterização de vínculo empregatício das pessoas jurídicas prestadoras de serviços ao recorrente, agravamento da multa de ofício, afastamento das multas por descumprimento de obrigações acessórias e exclusão da solidariedade, vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 3 3 Aldinucci, que davam provimento ao recurso com relação a essas matérias; e, (ii) por unanimidade, negarlhe provimento com relação às demais questões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Tulio Teotonio de Melo Pereira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1838DF CARF MF 4 Relatório A autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal em Salvador lavrou, em face da contribuinte e dos solidariamente obrigados, os seguintes Autos de Infração (AI): 1. AI nº 51.068.7121 – Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação principal (desconto de segurados), relativa ao recolhimento da contribuição devida à Seguridade Social, parte integrante do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492; 2. AI nº 51.068.7113 Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação principal (patronal), relativa ao recolhimento da contribuição devida à Seguridade Social, parte integrante do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492; 3. AI nº 51.068.7130 Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação principal (outras entidades), relativa ao recolhimento da contribuição devida a outras entidades (terceiros), parte integrante deste PAF; 4. AI nº 51.068.7148 Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, por ter o contribuinte desatendido o que determina a Lei nº 8.218/1991, artigo 11, §§ 3º e 4º (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 22), parte integrante do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492; 5. AI nº 51.068.7156 Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, por ofensa ao disposto na Lei nº 8.212/1991, artigo 32, inciso II, combinado com o previsto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso II, §§ 13 e 17 (CFL nº 34), parte integrante do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492; 6. AI nº 51.068.7164 Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, por infração ao disposto na Lei nº 8.212/1991, artigo 33, §§ 2° e 3°, combinado com o previsto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6/5/1999, artigo 233, parágrafo único (CFL nº 38), parte integrante do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492; 7. AI no 51.068.7172 Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212 de 24/7/1991, artigo 30, inciso I, alínea “a” e pela Lei nº 10.666 de 8/5/2003. artigo 4º, caput, combinado com o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999, artigo 216, inciso I, alínea “a” (CFL nº 59), parte integrante do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492. Logo, constituise objeto do presente PAF o AI nº 51.068.7130, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação principal (outras entidades ou fundos), relativa Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 4 5 ao recolhimento da contribuição devida a outras entidades (terceiros), sendo os demais AIs objeto do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492. Doravante, adotase parte do relatório da decisão recorrida, que bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, e das impugnações: As contribuições lançadas por meio dos AI de que trata o presente processo são incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados. O contribuinte é uma sociedade limitada que tem, dentre outros objetivos, conforme seu contrato social: a prestação de serviços técnicos de engenharia, [...] O contribuinte foi intimado várias vezes a apresentar documentos, mas apesar de reiteradas tentativas ele deixou de apresentar alguns documentos/informações. [...] FATOS GERADORES COMPARAÇÃO GFIP X FOLHA DE PAGAMENTO Foi realizado o confronto entre as bases de cálculo contidas nas folhas de pagamento, apresentadas em meio digital (conforme Manad), e as bases de cálculo declaradas por meio de GFIP, tendo sido a diferença a maior, identificada na folha de pagamento, considerada como base de cálculo do lançamento. Como resultado de tal comparação elaborouse um demonstrativo contendo as remunerações daqueles empregados em relação às quais há diferenças entre a folha de pagamento e a GFIP (Anexo 06). Também foi elaborado um demonstrativo que relaciona as remunerações e empregados nas competências onde não foram identificadas divergências entre a folha de pagamento e a GFIP (Anexo 7). Parte das referidas divergências é relativa a valores pagos a segurados empregados com as rubricas: 0700 – Aviso Prévio Indenizado, 0903 – Média de Anuênio, 0904– Média Adic. Periculosidade, 0908 – Média DSR de Hrs Extras e 0909 – Média de Hrs Extras. Essa constatação foi obtida pela análise da folha de pagamento digital – Manad: verificouse que na sua folha de pagamento o contribuinte atribuiu a essas rubricas o código “8” no campo “base PS”, sendo que nos sistemas de folha de pagamento do autuado, o referido código indica a não incidência de contribuição previdenciária e para outras entidades e fundos. O contribuinte foi intimado, por meio do TIF 03, cuja intimação foi reiterada pelo TIF 04, a justificar a não incidência de contribuições sobre as referidas rubricas, tendo respondido que existia a incidência (Anexo 5). DIFERENÇA SEGURADO EMPREGADO REGISTRADO PELO CONTRIBUINTE COMO ESTAGIÁRIO Fl. 1840DF CARF MF 6 O contribuinte apesar ter sido intimado, por meio dos TIF 03 e 04 a apresentar a documentação que comprovasse a regularidade na contratação dos estagiários relacionados o Anexo 01 do TIF 03, atendeu, parcialmente, a essa intimação. Por esse motivo, os estagiários relacionados em quadro contido à fls. 32/36 (tabela 04 do relatório fiscal), cuja documentação não foi apresentada foram considerados segurados empregados e suas remunerações consideradas como base de cálculo de contribuições para outras entidades e fundos. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESSOAS FÍSICAS FORMALIZADAS COMO SE FOSSEM PRESTADOS POR PESSOAS JURÍDICAS Ao apreciar os registros contábeis do contribuinte, constatouse um valor significativo de despesas com a contratação de prestadores de serviços. Foram despendidos cerca de 38 milhões de reais em um período em que a receita bruta foi de aproximadamente 70 milhões de reais e as despesas com salários de empregados foram de 5,17 milhões. Constatouse, ainda, que as despesas com plano de saúde médico e odontológico de cerca de R$ 2,74 milhões correspondem a mais de 50% do total de despesas com salário de empregados. Foi elaborado o Anexo 14 que discrimina todos os lançamentos contábeis relativos a essas prestações de serviços. Tal constatação aliada a outras que serão relacionadas levaram à conclusão de que o contribuinte tem como conduta contumaz remunerar parte de seus segurados empregados utilizandose de pessoas jurídicas. A onerosidade nessa prestação de serviços está refletida na formalização de pagamentos devidos aos segurados, como se fossem devidos à pessoa jurídica. Os serviços faturados como se fossem prestados por pessoas jurídicas foram prestados em caráter não eventual, uma vez que eles foram prestados de forma continuada, conforme evidencia a relação de pagamentos, Anexo 10, pela quantidade de meses em que a prestação se deu. Verificouse que os serviços foram prestados durante todo o ano de 2010. Constatouse, ainda, da análise dos instrumentos contratuais apresentados, que alguns prestadores estão vinculados ao contribuinte desde 2003. Pesquisandose, por meio de amostragem, as atividades econômicas das pessoas jurídicas formalizadas como prestadoras nesse caso, com base nos dados cadastrais (fornecidos por elas) nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB (Anexo 8), foi constatado que, quase a totalidade das pessoas jurídicas desenvolvem a atividade fim do contribuinte. Nesse sentido, conforme Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho – TST, tais contratações seriam ilegais e os vínculos se dariam com o tomador de serviços. Verificouse, por meio de análise das informações prestadas em GFIP pelas pessoas jurídicas formalizadas como contratadas, que nenhuma delas contratou empregados durante o ano de 2010, parte delas declarou apenas o prólabore do sócio Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 5 7 administrador e as demais se declararam como sem movimento (remuneração). Com base nas informações contidas nos sistemas informatizados da RFB constatouse que todas as pessoas jurídicas (tratadas no Anexo 9) prestaram serviços apenas ao contribuinte em 2010, sendo que tal fato pode ser constatado pela apreciação da relação de pagamentos, Anexo 10, que contém os valores pagos em relação a notas fiscais emitidas contra a JPNOR que foram emitidas com numeração sequencial. Reforça o entendimento de que a relação contratual real não se deu entre as pessoas jurídicas e o contribuinte, o fato dele custear plano de saúde aos prestadores de serviço. O contribuinte intimado a prestar esclarecimentos a respeito dessa prática, por meio dos TIF 03 e 04 manifestou como segue: “Os lançamentos referemse aos descontos dos benefícios de assistências média e odontológica cedido pela JPNOR aos prestadores de serviços, os quais são deduzidos das respectivas notas fiscais/faturas” (conforme Anexo 5). O contribuinte apresentou as faturas mensais dos planos de saúde contendo os relatórios analíticos dos beneficiários titulares e dependentes (Anexo 4), que apreciados, levaram às seguintes conclusões: (a) diversos sócios e ou responsáveis legais das pessoas jurídicas formalizadas como prestadores de serviços ao contribuinte constam como beneficiários dos planos de saúde oferecido pela empresa a seus empregados, (b) a quantidade de beneficiários representa mais que o dobro da quantidade de segurados empregados e dirigentes declarados em GFIP, conforme evidencia o demonstrativo denominado Tabela 5 contida à fl. 39 do relatório fiscal. Alguns segurados, que são registrados como empregados pelo contribuinte são, também, remunerados por meio de pessoas jurídicas conforme discriminado na Tabela 6 do item 40 do relatório fiscal (fls. 39/40). A título de exemplo, citase o caso de Altemar Barbosa Cardoso, CPF, nº 400.915.03515 que é diretor administrativo e financeiro com remuneração mensal formalizada de R$ 584,33 em 2010. Ele é diretor e sócio da Gema –Consultoria Planejamento e Apoio Administrativo Ltda, CNPJ nº 07.461.196/000160 e da Gerenproj Engenharia e Serviços Ltda, CNPJ nº 01.507.593/000140, e por meio dessas pessoas jurídicas, recebeu da Jpnor o valor de R$ 298.484,80 (conforme Anexo 10), valor esse que é compatível com sua função. Foi observado que, com relação a determinadas pessoas jurídicas, ocorreram, no mesmo mês, dois pagamentos, contudo, no cálculo da parte devida pelo segurado em relação às empresas que foi identificado mais de um sócio (conforme Anexo 9). Além disso, outro fato que caracteriza a fraude na formalização da contratação de pessoas jurídicas prestadores de serviço, é o Fl. 1842DF CARF MF 8 fato de muitas dessas pessoas funcionarem no mesmo endereço, reforçando a conclusão de que elas foram criadas para dissimular o vínculo do segurado empregado com o contribuinte, objetivando não pagar tributos. A título de exemplo, citase o endereço: Rua Brasil, nº 129, sala 01, Dias Dávila (BA), que é o endereço formal de 50 dessas pessoas jurídicas (conforme Anexo 13). Tais constatações levaram à comprovação de que o contribuinte tem por conduta contumaz , a contratação de segurados empregados por meio de pessoas jurídicas interpostas, com o intuito de impedir o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador de tributos (contribuição previdenciária e Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF). Por esse motivo todas as remunerações pagas às pessoas jurídicas arroladas no Anexo 10 são remunerações a segurados empregados. Apresentase na tabela 07, no item 39 do relatório fiscal (fls. 41/45), a relação de pessoas jurídicas por meio das quais foram formalizados os pagamentos com a remuneração total no ano. Para apuração dos valores de contribuição devidos e lançados foram identificadas nos autos as bases de cálculo com os seguintes códigos de levantamento. GF – Fatos geradores declarados em GFIP: este lançamento foi utilizado para o registro das remunerações, do desconto do segurado, das deduções de saláriofamília e salário maternidade, dos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como das compensações, conforme declarado em GFIP, tendo sido criado para demonstrar a apropriação das guias de recolhimento e demais créditos previdenciários existentes, não sendo considerado para a identificação dos valores lançados. FP – Divergências Folha de pagamento Manad X GFIP – segurados empregados. PJ – Remuneração de segurados empregados através de empresa – PJ. ES – Remuneração dos estagiários sem comprovação. Os valores utilizados para abater as contribuições apuradas (créditos em favor do contribuinte) foram registrados com os seguintes códigos: GPS – Guias da Previdência social, DNF – Valores de retenção destacados nas notas fiscais emitidas pelo contribuinte e RMP – Valores compensados informados na GFIP. Também foram considerados como créditos os valores incluídos nos Lançamentos de Débitos Confessados em GFIP – LDCG nº 36.996.3768 (competência 01/2010), nº 36.996.3784 (competência 01/2010) e 43.886.2775 (competências 04/2010 e 06/2020). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS – RFFP Tendo em vista a conduta omissiva do sujeito passivo, no que diz respeito à omissão na GFIP, foi formalizada RFFP em função, Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 6 9 em tese, do Crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, tipificado no Código Penal, artigo 337A. QUALIFICAÇÃO DA MULTA APLICADA Restou comprovada a conduta dolosa praticada pelo contribuinte, por meio de seus administradores, que remunerou segurados empregados, utilizandose de pessoas jurídicas, com vistas a impedir o fisco, o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias (devidas pelo contribuinte e pelos segurados) e do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF. Os administradores do contribuinte agiram intencionalmente, modificando as características essenciais dos fatos geradores. Tendo sido tal conduta fruto de um ajuste doloso entre o contribuinte e seus empregados. Em função disso, a multa aplicada foi duplicada, conforme Lei nº 8.212/1991, artigo 35A, combinado com o disposto na Lei nº 9.430/1996, artigo 44, inciso I, § 1º. OUTRAS INFORMAÇÕES RELEVANTES SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Conforme informações contidas nos autos do processo nº 10580.729529/201492, A prática ilícita adotada pelo contribuinte, por meio de seus diretores administrativos, não sócios, Carlos Gonzalez Garcia, Davi Barbosa Azevedo e, Pablo Saraiva Ribeiro Gonzalez, resultou na consideração dessas pessoas físicas como responsáveis solidários pelos créditos tributários tratados no presente processo em função do que determina o CTN, artigo 135, inciso III. Tais responsáveis solidários foram cientificados da autuação e de sua sujeição passiva por meio de Termos de Sujeição Passiva Solidária – TSPS. A fiscalização juntou cópias de documentos nos autos do processo nº 10580.729529/201492, com o qual este é conexo, dentre as quais: Anexo 1 – Cópias de alterações no contrato social do autuado (fls. 143/193); Anexo 04 – Faturas detalhadas relativas às despesas de plano de saúde custeadas pelo contribuinte em favor de empregados (fls. 205/1.116). Anexo 11 – Cópias de instrumentos contratuais formalizados entre o contribuinte e pessoas jurídicas que serviram para dissimular a remuneração de segurados empregados (fls. 902/1.016). Anexo 15 – Cópias de notas fiscais emitidas contra o autuado pelas pessoa jurídicas referidas no relatório fiscal (fls. 1.118/1.249). Anexo 16 – Cópias de documentação dos estagiários (fls. 1.250/1.303). Fl. 1844DF CARF MF 10 Foram elaborados dentre outros, os seguintes demonstrativos: Anexo 06 – Relação de empregados com remuneração divergente Fopag (Manad) x GFIP (fls. 639/671 dos autos do processo nº 10580.729529/201492): detalha, por estabelecimento, competência e segurado, as diferenças entre as bases de cálculo incluídas em folhas de pagamento e as declaradas por meio de GFIP. Anexo 08 – Relação dos prestadores de serviços com atividade econômica (fls. 717/721 dos autos do processo nº 10580.729529/201492): identifica para cada uma das pessoas jurídicas que serviram para dissimular a remuneração de segurados empregados, o código CNAE atribuído pela pessoa jurídica (cadastro) e sua descrição. Anexo 09 – Relação de Sócios/e ou responsáveis legais dos prestadores de serviços (fls. 722/727 dos autos do processo nº 10580.729529/201492): identifica para cada uma das pessoas jurídicas que serviram para dissimular a remuneração de segurados empregados, os nomes e CPF dos sócios e responsáveis legais. Anexo 10 – Relação de pagamentos realizados aos prestadores de serviços (fls. 728/776 dos autos do processo nº 10580.729529/201492): discrimina os pagamentos efetuados pelo contribuinte em favor das pessoas jurídicas que serviram para dissimular a remuneração de segurados empregados. Anexo 12 – Relação de vínculos declarados em GFIP (fls. 1.018/1.022 dos autos do processo nº 10580.729529/201492): relaciona os segurados que foram declarados como vinculados às pessoas jurídicas por meio das quais foi formalizada a contratação de prestação de serviços. Anexo 13 – Relação de empresas com mesmo domicílio tributário (fls. 1.024/1.028 dos autos do processo nº 10580.729529/201492). Anexo 14 – Relação dos lançamentos contábeis completos das contas prestadores de serviço extraído do Livro Razão (SPED) (fls. 1.029/1.117 dos autos do processo nº 10580.729529/2014 92). A Azevedo Participações Ltda e a Gonzalez Garcia Participações Ltda. apresentaram impugnação conjunta (fls. 1.447/1.456) em 24/12/2014 (conforme carimbo de protocolo à fl. 1.447) e juntaram cópias de documentos às fls. 1.457/1.484. Os sócios administradores arrolados como sujeitos passivos responsáveis solidários, Davi Barbosa de Azevedo, Carlos Gonzalez Garcia e Pablo Saraiva Ribeiro Gonzalez (CFP nº 786.260.56591) apresentaram impugnação conjunta (fls. 1.356/1.416), em 24/12/2014 (conforme carimbo de protocolo à fl. 1.356) e juntaram documentos às fls. 1.417/1.444. [...] Jpnor apresentou impugnação (fls. 1.487/1.546) em 24/12/2014, conforme carimbo de protocolo à fl. 1.487), [...]. Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 7 11 [...] Em sessão de julgamento realizada 29 de abril de 2015, a DRJ julgou improcedentes as impugnações, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para Outras Entidades e Fundos a seu cargo. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Permitese à autoridade tributária desconsiderar ato ou negócio jurídico praticado pelo contribuinte, em desconformidade com a lei, com o objetivo de reduzir o montante do tributo devido. IDENTIFICAÇÃO DE SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil tem, dentre suas atribuições, competência para identificar a ocorrência de remuneração a segurados obrigatórios da previdência social. CONEXÃO. Devem ser analisados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Vale observar que, de acordo com o voto condutor do acórdão, "não há sujeição passiva solidária relativamente às obrigações consideradas nos presentes autos em relação aos integrantes do grupo econômico. Isso porque as contribuições lançadas são devidas a terceiros e não foram instituídas pela Lei nº 8.212/1991". Desta forma, e no entender da DRJ, "por não serem partes legítimas, a peça impugnatória apresentada pela Azevedo Participações Ltda e a Gonzalez Garcia Participações Ltda não será conhecida". A contribuinte foi intimada da decisão em 18/06/2015 (fl. 1744) e interpôs recurso voluntário em 15/07/2015 (fls. 1746 e seguintes), no qual deduziu as seguintes teses de defesa: 1. Nulidade dos lançamentos por vício material. Falta de discriminação de forma clara e precisa dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ausência de demonstração dos elementos da relação de emprego para cada um dos prestadores considerados segurados empregados; Fl. 1846DF CARF MF 12 2. Legalidade e validade dos contratos de prestação de serviços firmados com terceiros. Inexistência de relação de emprego. Improcedência das exigências fiscais concernentes às contribuições de prestadores enquadrados como empregados segurados; 3. Legalidade da contratação de estagiários. Atendimento aos requisitos da Lei 11.788/2008; 4. Inexistência de divergências na folha de pagamento (FOPAG x GFIP); 5. Indevida aplicação da multa de ofício e a nulidade e ausência de requisitos para a sua qualificação; 6. Pede seja cancelado o arrolamento de bens, requerendo, ao final, seja provido o recurso voluntário, para que seja decretada a nulidade e/ou improcedência dos lançamentos. Não consta que os solidariamente obrigados tenham sido intimados da decisão da DRJ, mas houve a interposição de recurso voluntário, conforme fls. 1813 e seguintes. Nas razões recursais, Davi Barbosa de Azevêdo, Carlos Gonzalez Garcia e Pablo Saraiva Ribeiro Garcia ratificaram as razões apresentadas pela contribuinte e acrescentaram o seguinte: 1. Inexistência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 8 13 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Os recursos voluntários são tempestivos e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, serem conhecidos. 2 Da preliminar de nulidade do lançamento por vício material Todos os sujeitos passivos alegam que os lançamentos são nulos de pleno direito, diante da falta de discriminação de forma clara e precisa dos fatos geradores das contribuições previdenciárias e diante da ausência de demonstração dos elementos da relação de emprego para cada um dos prestadores considerados segurados empregados. Em arremate à tese da nulidade do lançamento, os recorrentes sintetizam seus argumentos nos seguintes termos: [...] considerando a ausência de demonstração clara e precisa dos fatos geradores, em especial a falta de demonstração pela Autuante dos elementos de relação de emprego, quais sejam, a onerosidade, a não eventualidade, a subordinação, e a pessoalidade, COM RELAÇÃO A CADA UMA DAS PESSOAS FÍSICAS que prestaram serviços para a Recorrente por força de Contratos de Prestação de Serviços de natureza civil, e considerando as disposições do art. 5º, incisos LIV e LV, da Carta Magna, do art. 2º da Lei 9.784/99 e dos arts. 114, 116 e 142 do CTN, requer seja PROVIDO o presente Recurso Voluntário, para o fim de declarar NULO por vício material os lançamentos relativos as exigências de contribuições previdenciárias decorrentes do enquadramento de prestadores de serviços como segurados empregados, consubstanciados nos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.068.7113; 510687121; 510687148; 510687156; 510687164; 510687172. Pois bem. Segundo o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo negocial e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado, sob qualquer denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º. Esse inc. I preleciona que empregado é que aquele que presta serviço em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração. Vejase: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: Fl. 1848DF CARF MF 14 I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; ......................................................................................................... Art. 229. [...]: § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Como se vê, para a descaracterização do vínculo pactuado, a legislação previdenciária exige a demonstração (a) de não eventualidade; (b) de subordinação e (c) de remuneração, a fim de corroborar a existência efetiva de vínculo empregatício, oculto sob a contração de contribuinte individual, de trabalhador avulso, ou de qualquer outra denominação. O art. 3º da CLT preceitua que se considera "empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário". Segundo a doutrina do Direito do Trabalho, "na definição legal brasileira estão os seguintes requisitos da figura do empregado: a) pessoa física; b) subordinação compreendida de forma mais ampla que dependência; c) ineventualidade do trabalho; d) salário; e) pessoalidade da prestação de serviços, esta resultante não da definição de empregado, mas de empregador"1. Comprovada a existência efetiva do vínculo empregatício, mormente em função da demonstração dos requisitos acima, há repercussão jurídica nas esferas trabalhista e tributária. No âmbito trabalhista, o item I da Súmula 331/TST preleciona que "a contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário". A parte final do item II do citado verbete, por outro lado, preceitua que não forma vínculo a contração de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistentes a pessoalidade e a subordinação direta. Como sabido e amplamente divulgado, o Supremo Tribunal Federal delimitará as hipóteses de terceirização de mãodeobra, diante do que se compreende por atividadefim, visto que tal delimitação é de índole eminentemente constitucional, ex vi do art. 5º, inc. II, da Constituição Federal, que preconiza, de forma reflexa, a liberdade de contratar. Nesse sentido, citase o Tema 725/STF, com repercussão geral: 725 Terceirização de serviços para a consecução da atividade fim da empresa. 1 Curso de direito do trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho: relações individuais e coletivas do trabalho. Amauri Mascaro Nascimento. 10. ed. atual. São Paulo: Saraiva, 1992, p. 311. Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 9 15 Relator: MIN. LUIZ FUX Leading Case: RE958252 No legislativo federal, aguarda apreciação pelo Senado o PL 4330/2004, que "dispõe sobre o contrato de prestação de serviço a terceiros e as relações de trabalho dele decorrentes"2 Na esfera tributária, a combinação do disposto no § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social com o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional viabiliza o lançamento das contribuições devidas à seguridade social e das contribuições devidas a outras entidades ou fundos. Verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Neste caso concreto, e segundo se depreende do relatório fiscal, foram considerados como empregados da recorrente os sócios de mais de cem empresas ditas interpostas, ainda que tenham firmado contratos de prestação de serviços e/ou faturado os serviços por meio de empresas. Diante das alegações da recorrente, passase a analisar se houve prova efetiva da ocorrência do fato gerador das contribuições. Como se vê no relatório fiscal, a autoridade autuante extraiu todas as suas conclusões exclusivamente da análise de documentos, mais precisamente: (i) foram pesquisadas, por amostragem, as atividades econômicas das empresas contratadas, com base nos dados cadastrais da RFB, e foi constatado que a quase totalidade das empresas desenvolvem a atividadefim do contribuinte; (ii) com base no cruzamento de informações contidas nos sistemas da RFB, foi constatado que as empresas relacionadas prestaram serviços apenas à contribuinte; (iii) a onerosidade resulta dos pagamentos efetuados aos prestadores, conforme anexo 10; (iv) a não eventualidade advém da prestação dos serviços de forma continuada, conforme se observa pela quantidade de meses de prestação de serviços; 2 http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=267841, acesso em 02/02/2017. Fl. 1850DF CARF MF 16 (v) os serviços foram prestados pelos sócios e/ou representantes legais das empresas contratadas, o que demonstraria a existência de pessoalidade; (vi) a subordinação estaria caracterizada pela vinculação dos prestadores de serviços, que são os próprios sócios e/ou representantes legais das pessoas jurídicas contratadas, aos gerentes e dirigentes do contribuinte; (vii) outra constatação que reforça o entendimento acerca da "pejotização" é a concessão de plano de saúde aos prestadores de serviços. Quanto à atividade fim, vejase que o levantamento foi feito por mera amostragem e que essa amostragem teria indicado que a quase totalidade das empresas exerceriam a mesma atividadefim da contribuinte. Vejase que a autoridade autuante desconsiderou o vínculo que a recorrente pactuou com mais de cem empresas e, a despeito da grande quantidade de pessoas jurídicas contratadas, o próprio agente fiscal afirmou, textualmente, ter efetuado mero levantamento por amostragem das atividades econômicas por elas desenvolvidas, o que fragiliza a constatação acerca da atividadefim. Um levantamento feito por amostragem não poderia implicar o lançamento das contribuições sobre a totalidade das empresas. Noutro giro verbal, entendese que, caso se admitisse que o exercício da atividadefim fosse requisito suficiente para ensejar o lançamento, fato é que a autoridade deveria empreender seus esforços para identificar as empresas que efetivamente a teriam exercido. A par disso, a admitirse que a quase totalidade das prestadoras exerceriam a mesma atividadefim, por decorrência lógica se admitiria que parte das prestadoras exerceriam atividademeio, corroborando a necessidade de um levantamento exaustivo (e não por amostragem) que identificasse e viabilizasse a constituição do crédito apenas em relação aos segurados empregados. Por outro lado, e no que diz respeito à subordinação, a qual se constitui em elemento fundamental para a caracterização do segurado como empregado, embora a autoridade autuante tenha afirmado que "a subordinação está caracterizada pela vinculação dos prestadores de serviço, que são os próprios sócios e/ou representantes legais das pessoas jurídicas contratadas, aos gerentes e dirigentes do Contribuinte", entendese que não se demonstrou que o citado vínculo tenha ocorrido com efetiva subordinação. Isto é, a autoridade fiscal não provou que a recorrente tinha o poder de controlar e fiscalizar as atividades dos prestadores de serviços, dandolhes ordens e reduzindo lhes a autonomia da vontade. A existência de um vínculo obrigacional entre a recorrente e as empresas contratadas é inerente ao contrato de prestação de serviços, o qual implica uma obrigação de fazer inerente ao negócio (art. 594 do Código Civil). Examinandose os instrumentos negociais, observase que a recorrente contratou pessoas jurídicas para prestar serviços diversos, tais como elaboração de projetos de tubulação, planejamento e controle de projetos, apoio em informática, modelagem e extração de documentos, etc, havendo, pois, diferentes contratos com variados objetos contratuais. Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 10 17 Os serviços, ainda, tinham prazo determinado de duração e não havia qualquer cláusula que estabelecesse a subordinação dos sócios das empresas contratadas aos mandamentos da recorrente, senão as cláusulas de praxe, prevendo as obrigações de cada parte em relação ao objeto negocial. A fiscalização deveria ter demonstrado, de forma inequívoca, aquela "situação em que se encontra o trabalhador, decorrente da limitação contratual da autonomia da sua vontade, para o fim de transferir ao empregador o poder de direção sobre a atividade que desempenhará. A subordinação significa uma limitação à autonomia do empregado, de tal modo que a execução dos serviços deve pautarse por certas normas que não serão por ele traçadas"3. A descaracterização do vínculo pactuado é uma medida extrema, que, como tal, deve estar amparada em indubitável conjunto probatório. Destarte, a autoridade não conseguiu demonstrar que a recorrente realizou, no mundo fenomênico, o fato gerador das contribuições contra si lançadas, razão pela qual deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento neste ponto. Este Colegiado vem entendendo que devem restar configurados, satisfatoriamente, os requisitos do vínculo empregatício, inclusive a subordinação jurídica, para a incidência das contribuições, como se pode ver no julgado abaixo, de relatoria do ilustre Conselheiro Ronnie Soares Anderson: [...] IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. NÃO COMPROVAÇÃO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. Não restando configurados satisfatoriamente na relação estabelecida entre imobiliária e corretores autônomos, os requisitos do vínculo empregatício, em especial a onerosidade e a subordinação jurídica, descabida a incidência de contribuições previdenciárias amparadas no entendimento do corretor como sendo segurado empregado, bem como as obrigações acessórias correlatas. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 2402005.271, PAF 10830.726365/201371, Rel. Ronnie Soares Anderson, julgado em 11/05/2016, por unanimidade) De toda forma, entendese que a presente matéria não tem natureza preliminar. Em verdade, e diferentemente do que afirmou o sujeito passivo, o auditor descreveu de forma clara e precisa os fatos geradores das contribuições. 3 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Obra citada, p. 320. Fl. 1852DF CARF MF 18 A conclusão a que se chegou neste tópico é resultante do exame das provas colhidas pela fiscalização, sendo, pois, de natureza meritória, e não preliminar. Destarte, dáse provimento ao recurso para cancelar o lançamento neste tópico, e não para declarar a sua nulidade por vício material. 3 Da contratação de estagiários As recorrentes afirmam que a contratação de estagiários atendeu a todos os requisitos da Lei 11.788/2008 e que o auditor não demonstrou a existência dos elementos de emprego em relação a cada uma das pessoas contratadas. A contribuinte assevera, ainda, que durante o curso da ação fiscal, atendeu com presteza e diligência a todas as solicitações do autuante. Nesse tocante, assim se manifestou o agente fiscal: O contribuinte foi intimado, através do TIF 3 e reiterado no TIF 4, a apresentar a documentação que comprove a regularidade na contratação de estagiários relacionados no anexo 01 do TIF 3, com base no art. 3º da Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008, abaixo transcrito, porém atendeu parcialmente a intimação. Por este motivo os estagiários relacionados na tabela 04 abaixo, cuja documentação não foi apresentada, foram considerados como segurados empregados e suas remunerações consideradas como base de cálculo de contribuições previdenciárias. Segundo o art. 3º da Lei 11.788/2008, o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, se forem observados os seguintes requisitos: Art. 3º. [...]. I – matrícula e frequência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; II – celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; III – compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso. § 1º O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios referidos no inciso IV do caput do art. 7º desta Lei e por menção de aprovação final. § 2º O descumprimento de qualquer dos incisos deste artigo ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. (destacouse) Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 11 19 De conformidade com o § 2º acima, o descumprimento de qualquer dos requisitos ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego. Neste caso concreto, e segundo se depreende do relatório fiscal, apenas os estagiários cuja documentação não foi apresentada foram considerados segurados empregados, o que derrui a alegação das recorrentes, segundo a qual o agente não demonstrou a existência dos elementos da relação de empregado para cada uma das pessoas contratadas. Expressandose de outra forma, a lei prevê, de forma clara, que a não comprovação dos requisitos para a caracterização de estágio efetivo implica a existência de relação empregatícia, ao passo que o fiscal somente caracterizou tal relação no tocante às pessoas físicas cuja documentação não foi devidamente apresentada, a despeito das sucessivas intimações dirigidas à contribuinte para fazêlo. Ademais, e muito embora as recorrentes tenham afirmado que "provavelmente o Autuante não identificou os documentos concernentes à contratação dentre aqueles disponibilizados", fato é que nem mesmo as recorrentes indicaram quais seriam esses documentos e onde eles se encontrariam neste caderno processual, que monta aproximadamente três mil folhas. Nesse contexto, negase provimento ao recurso neste particular. 4 Das divergências entre as GFIPs e as folhas de pagamento As recorrentes afirmam que as divergências entre as GFIPs e as folhas de pagamento se devem ao fato de que: (i) a GFIP, à época, não estava adaptada para receber os valores sobre a verba de aviso prévio indenizado; (ii) a legislação determina que sobre as verbas salariais deverão ser descontadas as faltas e atrasos e que o auditor deveria ter abatido tais valores das folhas de pagamento e que a base informada na GFIP foi o valor líquido; (iii) a contribuição retida dos funcionários, na folha de pagamento, era calculada por grupo de verbas individualizadamente (ex.: grupo de férias, grupo de 13º salário, etc). Os sujeitos passivos ainda afirmam que o valor do INSS recolhido foi correto e que também tomou por base a rubrica aviso prévio indenizado. Primeiramente, cabe observar que as recorrentes não questionaram a natureza da verba aviso prévio indenizado (se teria ou não natureza remuneratória), de maneira a não haver litígio a esse respeito, ex vi do art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, segundo o qual a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa. Fl. 1854DF CARF MF 20 Nessa toada, serão julgadas apenas as matérias devidamente suscitadas na impugnação e no recurso, que são aquelas relacionadas nos itens i a iii acima. Quanto à afirmação de que a GFIP, à época, não estava adaptada para receber os valores sobre a verba de aviso prévio indenizado, vejase que, segundo o relatório fiscal, a contribuinte atribuía o código de não incidência às verbas relacionadas no quadro abaixo, dentre as quais o aviso prévio indenizado. Destarte, as recorrentes estão equivocadas, pois a divergência se deu pelo fato de que a própria contribuinte declarou tais rubricas como não tributáveis. Quanto à afirmação de que a legislação determina que sobre as verbas salariais deverão ser descontadas as faltas e atrasos e que o auditor fiscal deveria ter abatido tais valores das folhas de pagamento, e que a base informada na GFIP foi o valor líquido, também não têm razão os recorrentes. De acordo com o relatório fiscal, as bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento apresentadas pela contribuinte em meio digital, ao passo que os recorrentes não demonstraram que o agente autuante se utilizou de valores que não poderiam compor a base do lançamento. Por fim, e quanto à afirmação de que a contribuição retida dos funcionários, na folha de pagamento, era calculada por grupo de verbas individualizadamente (ex.: grupo de férias, grupo de 13º salário, etc), os recorrentes estão igualmente equivocados. Vejase, a propósito, que os sujeitos passivos citam exemplos hipotéticos em seus recursos, sem sequer indicarem quais segurados estariam nas situações ali compreendidas, muito menos as competências a que se refeririam. Ademais, cumpre esclarecer que o saláriodecontribuição é constituído pela totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, na dicção do inc. I do art. 28 da Lei 8.212/1991. De tal forma, as alíquotas não são calculadas por grupo de verbas, mas sim em consonância com a sua totalidade. Tal afirmação é corroborada pelo art. 20 da Lei de Custeio, segundo o qual a contribuição do segurado (que é a contribuição controvertida neste tópico) é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota (8, 9 ou 11%) sobre o seu saláriode contribuição mensal. Em sendo assim, negase provimento ao recursos nesse tocante. Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 12 21 5 Da aplicação da multa de ofício e da sua qualificação As recorrentes afirmam que, como as exigências fiscais são indevidas, não cabe a aplicação da multa de ofício; asseveram, ainda, que não há subsídios para a sua qualificação. É, sim, cabível a aplicação da sanção pecuniária em relação às exigências mantidas no presente acórdão, ex vi do art. 35A da Lei 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores. Quanto à qualificação da multa, entendese que os recorrentes têm razão. Segundo se depreende do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/1996, a qualificação pressupõe a existência e a demonstração de qualquer uma das seguintes condutas dolosas: sonegação, fraude ou conluio. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ......................................................................................................... Lei 4.502/1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 1856DF CARF MF 22 ......................................................................................................... Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Neste caso, não houve a demonstração de que a contribuinte tenha agido com dolo. Isto é, não há provas de que o sujeito passivo tenha tido a vontade consciente de praticar a conduta ilícita e de obter determinado resultado, realizando os atos descritos nos tipos legais (sonegação, fraude ou conluio). Sobretudo em relação às verbas que estão sendo mantidas na presente decisão, não se observa que a empresa tenha tido a intenção de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência de fatos relacionados à tributação; ou que tenha tentado impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais. Os equívocos que a contribuinte cometeu são escusáveis e não atraem a aplicação da multa qualificada, multa esta bastante gravosa e que requer a existência de um plus para ser infligida. Logo, dáse provimento aos recursos nesse tocante, para reduzir a multa para 75%. 6 Do arrolamento de bens No entender das recorrentes, o arrolamento de bens deve ser cancelado, diante da impertinência dos autos de infração. Todavia, e como exposto acima, as exigências são apenas parcialmente indevidas, de forma que deve ser mantido o arrolamento de bens. 7 Da inexistência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto Davi Barbosa de Azevêdo, Carlos Gonzalez Garcia e Pablo Saraiva Ribeiro Garcia ratificaram as razões apresentadas pela contribuinte (acima sintetizadas e julgadas) e acrescentaram o seguinte: Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 13 23 (i) Inexistência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. De conformidade com o relatório fiscal, foi atribuída responsabilidade solidária às pessoas físicas, diante da prática das mesmas condutas que ensejaram a qualificação da multa de ofício (sonegação, fraude e conluio), o que atrairia a aplicação do art. 135 do Código Tributário Nacional. Como visto acima, contudo, não houve a demonstração de que a contribuinte tenha agido com dolo, muito menos os seus diretores administradores não sócios, o que já afasta a possibilidade de responsabilização pessoal com base no aludido art. 135. Mas não é só. O citado normativo legal somente enseja a responsabilidade pessoal do agente, nas hipóteses que enumera, porque a obrigação tributária seria resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Isto é, para que tais atos sejam aptos a ensejar a responsabilização pessoal, eles teriam que ser praticados pelas pessoas físicas, e não pela pessoa jurídica em seu próprio interesse, e, além disso, teriam que implicar o nascimento de determinada obrigação tributária. Tal responsabilidade, sem qualquer sombra de dúvida, somente pode ocorrer em caso de ilegalidade praticada pelo agente, o que se conclui pela própria leitura da norma. Forte doutrina, a propósito, entende que "em confronto com o artigo anterior, verificase que esse dispositivo exclui do pólo passivo da obrigação a figura do contribuinte (que, em princípio, seria a pessoa em cujo nome e por cuja conta agiria o terceiro), ao mandar que o executor do ato responda pessoalmente"4. No caso in concreto, o agente autuante não detalhou quais seriam os atos que teriam implicado excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135). A contrario sensu, simplesmente se afirmou que as pessoas físicas acima relacionadas seriam diretoras administradoras e que os atos alegadamente dolosos praticados pela pessoa jurídica importariam responsabilização pessoal. Ora, a extensão da relação jurídicotributária a uma determinada pessoa requer a ocorrência de todos os elementos fáticos previstos em lei, ou seja, a concretização de todas as circunstâncias legais atinentes à solidariedade ou à responsabilidade. Dito de outra forma, a solidariedade ou a responsabilidade pressupõem a regra matriz de incidência e a regra matriz de solidariedade ou responsabilidade, cada uma com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes, solidários, responsáveis, etc). Não tendo havido inequívoca demonstração de dolo por parte da pessoa jurídica, muito menos prova de que os créditos constituídos nestes autos decorreriam de atos praticados pelos diretores administradores não sócios, deve ser afastada a sua responsabilidade, dandose provimento ao recurso por eles interposto, para excluílos do polo passivo do lançamento. 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 327. Fl. 1858DF CARF MF 24 8 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER dos recursos voluntários, para: (i) REJEITAR A PRELIMINAR de nulidade do lançamento; (ii) dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela contribuinte, para excluir da base de cálculo do lançamento os valores pagos às pessoas jurídicas prestadoras de serviços e para afastar a qualificação da multa de ofício; (iii) dar PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto por Davi Barbosa de Azevêdo, Carlos Gonzalez Garcia e Pablo Saraiva Ribeiro Garcia, para excluílos do polo passivo do lançamento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 14 25 Voto Vencedor Conselheiro Tulio Teotônio de Melo Pereira Redator Designado Com as venias devidas ao bem fundamentado voto do relator, divergimos do seu entendimento no tocante às matérias a seguir. Das pessoas físicas contratadas por meio de interpostas pessoas jurídicas Inicialmente, os sujeitos passivos reclamam a nulidade do lançamento por vício material. Segundo eles, falta a discriminação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Além disso, apontam a ausência de demonstração dos elementos da relação de emprego para cada um dos prestadores considerados segurados empregados. Proclamam a legalidade e validade dos contratos de prestação de serviços firmados com terceiros. Dizem inexistir a relação de emprego pelo que seriam improcedentes as exigências fiscais concernentes às contribuições de prestadores enquadrados como empregados segurados. Como bem registrado no voto vencido, em verdade, e diferentemente do que afirmou o sujeito passivo, o auditor descreveu de forma clara e precisa os fatos geradores das contribuições. Ademais, entendemos que restou sobejamente comprovado no relatório fiscal e demais elementos dos autos, a contratação de segurados empregados por meio de interpostas pessoas jurídicas. Nessa matéria, entendemos adequadamente fundamentada a decisão recorrida, pelo que adotamos suas razões, que reproduzimos: FORMALIZAÇÃO DE PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS COMO SE FOSSEM A PESSOAS JURÍDICAS. Passase a seguir à análise das alegações dos impugnantes acerca da nulidade das autuações, da validade dos contratos de prestação de serviços relativos às pessoas jurídicas cujos sócios/responsáveis solidários foram identificados pela fiscalização como os reais prestadores de serviços, na condição de segurados empregados. De acordo com o relato fiscal, a conclusão de que houve a adoção de uma prática fraudulenta/simulatória consubstanciada na formalização da remuneração de segurados empregados como se fossem pagamentos a pessoas jurídicas decorreu das constatações que seguem. Os registros contábeis do autuado demonstram que as despesas com contratação de prestadores de serviços pessoas jurídicas são representativas quando se comparadas ao montante de Fl. 1860DF CARF MF 26 receitas auferido no mesmo período (cerca de 38 milhões de reais em um período em que a receita bruta foi de aproximadamente 70 milhões de reais). Tais despesas são, ainda, muito superiores aos montantes de despesas ocorridas e relativas a salários de empregados (que foram de cerca de 5,17 milhões). Pesquisas, efetuadas por amostragem, nos sistemas informatizados da RFB, conforme dados cadastrais, evidenciam que as atividades econômicas de pessoas jurídicas formalizadas como prestadoras nesse caso, estão relacionadas com a atividade fim do contribuinte. Por meio de análise das informações prestadas em GFIP por essas pessoas jurídicas, verificouse que nenhuma delas contratou empregados durante o ano de 2010, parte delas declararam apenas o pagamento prólabore do sócio administrador e as demais se declararam como sem movimento (não teriam remunerado ninguém, sequer os sócios gerentes). Com base nos registros contábeis e documentos apresentados pelo contribuinte, constatouse que os serviços prestados e a remuneração, por meio de pessoas jurídicas, se deu durante todo o ano de 2010. Constatouse, ainda, pela análise dos instrumentos contratuais apresentados que alguns prestadores estão vinculados ao contribuinte desde 2003. A partir das informações contidas nos sistemas informatizados da RFB constatouse que todas as pessoas jurídicas (tratadas no Anexo 9) prestaram serviços apenas ao contribuinte em 2010, sendo que tal fato pode ser constatado pela apreciação da relação de pagamentos, Anexo 10, que contém as numerações das notas fiscais emitidas contra a Jpnor em 2010, emitidas de forma sequencial. A característica dos serviços demonstra que os prestadores estavam subordinados às diretrizes dos administradores da empresa, pois os sócios e/ou representantes legais das pessoas jurídicas referidas estavam vinculados aos gerentes e dirigentes do contribuinte. Reforça esse entendimento, o fato dele custear plano de saúde aos prestadores de serviço. A esse respeito, o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos sobre esse fato, por meio dos TIF 03 e 04, tendo apontado que os lançamentos referemse aos descontos dos benefícios de assistências médica e odontológica cedido pela Jpnor aos prestadores de serviços, os quais são deduzidos das respectivas notas fiscais/faturas (conforme Anexo 5). O contribuinte apresentou as faturas mensais dos planos de saúde contendo os relatórios analíticos dos beneficiários titulares e dependentes (Anexo 4), que apreciados levaram às seguintes conclusões: (a) diversos sócios e ou responsáveis legais das pessoas jurídicas formalizadas como prestadores de serviços ao contribuinte constam como beneficiários dos planos de saúde oferecido pela empresa a seus empregados, (b) a quantidade de titulares de beneficiários representa mais que o dobro da quantidade de segurados empregados e dirigentes Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 15 27 declarados em GFIP, conforme evidencia demonstrativo denominado tabela 5 contida à fl. 73 e 74 do relatório fiscal. Identificouse que alguns segurados que são registrados como empregados pelo contribuinte são, também, remunerados por meio de pessoas jurídicas conforme discriminado na Tabela 6 do item 40 do relatório fiscal (fls. 74/75). Constatouse que muitas das pessoas jurídicas, em favor de quem foram formalizados esses pagamentos, tinham o mesmo endereço, reforçando a conclusão de que elas foram criadas para dissimular o vinculo do segurado empregado com o contribuinte, objetivando não pagar tributos. A título de exemplo, citase o endereço: Rua Brasil, n° 129, sala 01, Dias Dávila (BA), que é o endereço formal de 50 dessas pessoas jurídicas (conforme Anexo 13). Percebese, dessa forma, que não foi um único elemento/constatação/fato que levou à fiscalização a concluir pela conduta fraudulenta aplicada à totalidade dos pagamentos formalizados como se efetuados às pessoas jurídicas, mas a combinação de todos esses fatos e circunstâncias que levou a essa conclusão. Por sua vez, constatase, pela leitura das peças impugnatórias e dos elementos de prova que foram juntados aos autos por ocasião da defesa, que esses fatos, narrados pela fiscalização, não foram infirmados pelos impugnantes. Os documentos juntados às fls. 902/1.016 evidenciam que, dentre as obrigações das pessoas jurídicas, havia a obrigatoriedade de utilização de técnica que observasse os padrões e procedimentos de engenharia aplicados pela Jpnor (item 3 dos instrumentos contratuais). A natureza dos serviços prestados, inseridos no objeto social do autuado, aliada à vinculação dos prestadores aos procedimentos aplicados (determinados) pela Jpnor, conforme instrumentos contratuais que eram firmados pelos administradores do autuado, demonstram, como concluiu a fiscalização, que os prestadores estavam subordinados às diretrizes dos administradores do contribuinte. Além disso, o fato do autuado contratar plano de saúde em favor das pessoas físicas, sócias ou responsáveis pelas pessoas jurídicas referidas, mesmo que se considere que havia ressarcimento, não é compatível com uma relação contratual, conforme foi formalizado e como alegado na defesa, em que deveria haver autonomia entre contratante e os contratados prestadores de serviço. Como é de conhecimento notório, a contratação de plano de saúde, por um empregador, em favor de um número significativo de trabalhadores, ainda que tenha o custo individual dessa contratação integralmente transferido para eles, é mais vantajosa para os beneficiários pessoas físicas (quando considerada a questão preço) do que a decorrente de uma negociação efetuada exclusivamente entre pessoas físicas e Fl. 1862DF CARF MF 28 planos de saúde, sendo que em alguns casos (planos de saúde, seguros de saúde) não há sequer a possibilidade de haver contratação diretamente por pessoas físicas. Sendo assim, no caso em análise, resta evidenciado que havia a preocupação do autuado em favorecer as pessoas físicas (sócios) vinculadas às pessoas jurídicas referidas pela fiscalização. Ora tal circunstância é mais consentânea com uma relação em que haja subordinação jurídica, o que aliado ao conteúdo dos instrumentos contratuais reforçam a conclusão fiscal. A apreciação dos mesmos instrumentos contratuais (fls. 902/1.016) evidencia que a contratação dos serviços que seriam prestados pelas pessoas jurídicas interpostas se dava com base em um contrato padrão, as obrigações e direitos dos contratados eram, basicamente, os mesmos. Tal constatação demonstra que os contratantes não podiam estabelecer obrigações contratuais específicas, o que também é mais consentâneo com uma relação em que não há autonomia na relação contratual. Dessa feita, uma vez que os impugnantes não juntaram aos autos elementos para demonstrar em relação a qualquer dos casos arrolados pela fiscalização que a contratação e a prestação se deu numa relação autônoma, temse que deve ser prestigiada a conclusão fiscal pela presença de subordinação jurídica entre o autuado e os sócios/responsáveis legais das pessoas jurídicas formalizadas como prestadores de serviços. Por sua vez, conforme se observa, nos instrumentos contratuais de prestação de serviços, notadamente nas cláusulas que tratam do preço e da forma de pagamento, os pagamentos pelos serviços prestados eram efetuados mensalmente até o 5° dia útil subsequente à realização dos serviços. Tal circunstância, além de indicar observância, nos casos tratados, a dispositivo legal aplicável ao pagamento de salários a empregados (CLT, artigo 459, § 1°), reforça a conclusão fiscal de que as remunerações não eram eventuais. Observase, ainda, que a prestação de serviços e a remuneração ocorreram durante todo o ano de 2010, tendo sido tal relação originada em anos anteriores, por exemplo, 2003, conforme informado pela fiscalização, o que corrobora a conclusão da continuidade na prestação de serviços. Por meio da apreciação do Anexo 08 (fls. 717/721), constatase que, de fato, o enquadramento na CNAE efetuado pelas pessoas jurídicas que serviram para dissimular a remuneração de segurados empregados, se refere a atividades que podem ser atribuídas a atividades necessárias à consecução objeto social do autuado quando se considera seu objeto social conforme demonstrado nos documentos de fls. 144/193. Os impugnantes admitem que os serviços prestados pelas pessoas jurídicas arroladas pela fiscalização como utilizadas para fraudar o Fisco são técnicos e especializados na área de engenharia (por exemplo, conteúdo da fl. 1.567), o que corrobora a informação fiscal de que as atividades contratadas estão inseridas no objeto social da autuada, restando demonstrada, também sob a perspectiva da integração do tipo Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 16 29 dos serviços prestados à natureza da empresa, a não eventualidade dos serviços contratados. Constatase pela apreciação do Anexo 12 (fls. 1.018/1.022) que as pessoas jurídicas por meio da qual foi formalizada a contratação e o pagamento da prestação de serviços não tinham empregados, sendo os sócios os únicos segurados. O demonstrativo Anexo 13 demonstra que pessoas jurídicas por meio das quais ocorreu a remuneração de pessoas jurídicas, conforme relato fiscal, tinham endereços/domicílios tributários integralmente coincidente. Por exemplo, o contribuinte com o CNPJ 08.427.252/000103, informou como seu domicílio tributário o mesmo endereço do contribuinte com CNPJ 10.633.831/000154, qual seja, Av. Brasil, n° 129, sala 01, CEP. 42850000, Dias D'Ávila. Esse fato também pode ser comprovado pela apreciação das cópias de notas fiscais juntadas (Anexo 15) de fls. 1.118/1.249. Tal situação corrobora a conclusão fiscal relativamente à conduta fraudulenta adotada no caso sob apreciação, uma vez que, sendo as pessoas formalizadas como sócias das pessoas jurídicas referidas nos autos, segurados empregados do autuado, não há, de fato, necessidade de espaço próprio, por parte dessas pessoas jurídicas para desenvolvimento de suas atividades negociais/administrativas: os serviços prestados eram integralmente, conforme relato fiscal, inseridos no ambiente de negócios do autuado. Da apreciação do Anexo 14 Relação dos lançamentos contábeis completos das contas prestadores de serviço extraído do Livro Razão (SPED) (fls. 1.029/1.117) verificase a ocorrência de emissão de notas fiscais pessoas jurídicas referidas nos autos contra o contribuinte de forma sequencial, como consta no relatório fiscal. Por exemplo, essa é a situação da Yokosol Serviços Administrativos ME, que emitiu no ano de 2010, apenas contra o contribuinte, a notas fiscais de 38 a 81, conforme se verifica às fls. 1.029/1027. ARGUMENTOS ACERCA DA VALIDADE DOS INSTRUMENTOS CONTRATUAIS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESSOA FÍSICA. É notório que o procedimento fraudulento descrito pela fiscalização pressupõe a formalização de uma contratação ficta contendo disposições que determinem a observância de todas as obrigações sociais e tributárias da contratada. Portanto, o fato de constarem nos instrumentos contratuais cláusulas dessa natureza em nada comprova, diante das demais constatações apresentadas pela fiscalização, a efetividade dos negócios jurídicos ali formalizados. Pelas mesmas razões, tais documentos não podem ser acolhidos para afastar a pessoalidade, sobretudo quando se percebe que os serviços sempre, em todos os casos considerados pela Fl. 1864DF CARF MF 30 fiscalização, foram prestados pelas pessoas físicas formalizadas como sócias/representantes legais das pessoas jurídicas, como evidenciou as GFIP enviadas em nomes dessas pessoas jurídicas (que demonstram a inexistência de qualquer empregado nas suas atividades). Ao contrário do que entendem os impugnantes, a ausência de exigência de exclusividade no instrumento contratual, por si só, não é capaz de afastar a vinculação da pessoa física contratada com o RGPS na condição de segurado empregado. A uma, porque no presente caso, a exclusividade foi demonstrada pela emissão de notas sequenciais em favor apenas da autuada. A duas, porque um empregado pode ter múltiplos vínculos contratuais. Os impugnantes também alegam que têm ciência de que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços contratadas pela autuada prestaram serviços para outras empresas. Contudo, limitamse a alegar sem sequer apontar quais seriam essas empresas. A constatação, com base em informações elaboradas pela autuada, de que todos os prestadores de serviços emitiam notas fiscais sequenciais, que muitos deles compartilharam endereços (inclusive com mesmo número de sala) como domicílio tributário, aliado aos demais elementos que levaram a conclusão de que houve adoção de prática recorrente e fraudulenta (conforme relatado), ao contrário do que querem os impugnantes, torna desnecessária a busca, por meio de auditorias específicas, em cada uma das pessoas jurídicas, de mais elementos para comprovar que a contratação real se deu entre a autuada e as pessoas físicas e não com pessoas jurídicas. Além disso, a contratação de despesas com plano de saúde em favor dos responsáveis legais/sócios das pessoas jurídicas formalizadas como contratadas evidencia que havia, além da subordinação, a pessoalidade. Esclareçase que a conclusão de que ocorreu fraude não se dá em função de uma única circunstância ou elemento identificado pela fiscalização, com base, por exemplo, nas contabilizações da autuada, mas decorre da apreciação conjunta de todas as circunstâncias e fatos narrados no relatório fiscal que foram corroborados por documentos e demonstrativos juntados (Anexos) aos autos que não foram infirmados pelos impugnantes. Ademais os impugnantes poderiam ter juntado aos autos, qualquer elemento para comprovar que, ao menos uma das pessoas jurídicas, no período considerado, prestou serviços para outras contratantes, de modo a suscitar dúvidas acerca das conclusões fiscais. Contudo, como isso não ocorreu, temse mais uma vez que devem ser prestigiadas as informações fiscais. Os impugnantes também afirmam que dados contábeis foram manipulados com intuito deliberado de caracterização de uma situação fática desfavorável à autuada, contudo, não indicam como e quais os valores foram manipulados e não apresentam provas para fundamentar essa alegação. Portanto, suas alegações nesse sentido não merecem prosperar. Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 17 31 Apesar dos impugnantes alegarem que os empregados listados na tabela 06 do item 40 do relatório fiscal prestaram serviços diferentes daqueles concernentes à relação mantida com a autuada (como segurados empregados), não constituindo a remuneração por consultoria fraude ou complemento salarial, não juntaram aos autos qualquer elemento para esclarecer que a natureza do serviço prestado (formalizado em favor de pessoas jurídicas constituídas por empregados que constam de suas folhas de pagamento) é distinta dos serviços que são prestados pelas pessoas físicas dos sócios dessas empresas na condição de segurados. Tal esclarecimento era imprescindível para desacreditar a conclusão fiscal, sobretudo, porque o agente fiscal, inclusive, trouxe no relatório fiscal, a título de exemplo, uma situação que corrobora sua conclusão de que houve complementação salarial fraudulenta com a participação de pessoas jurídicas. Especificamente, restou demonstrada a incompatibilidade da remuneração formalizada pela autuada em favor de um de seus gerentes (diretor financeiro), concomitantemente, com a ocorrência de remuneração a pessoa jurídica de titularidade dessa mesma pessoa física, em montantes compatíveis com a função, considerada a amplitude do objeto social que é descrito pelos impugnantes. É o caso de Altemar Barbosa Cardoso, CPF, n° 400.915.03515, diretor administrativo e financeiro, que teve como remuneração mensal formalizada a quantia de R$ 584,33, em 2010. Ele que é diretor e sócio da Gema Consultoria Planejamento e Apoio Administrativo Ltda, CNPJ n° 07.461.196/000160 e da Gerenproj Engenharia e Serviços Ltda, CNPJ n° 01.507.593/000140, e por meio dessas pessoas jurídicas, auferiu, o valor de R$ 298.484,80 (conforme Anexo 10), valor de remuneração mais verossímil que aquele formalizado nas folhas de pagamento, quando se considera o faturamento auferido pelo autuado em 2010 e o fato de que se trata do diretor administrativo financeiro da empresa. Em face de todo o exposto, a conclusão fiscal no sentido de o contribuinte tem por conduta contumaz a contratação de segurados empregados por meio de empresas interpostas, com o intuito de impedir o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador de tributos (contribuição previdenciária) deve ser prestigiada. Por todo o exposto, e do conjunto probatório constante dos autos, constatase a prática da empresa contratar segurados empregados por meio de pessoa jurídica interposta, em busca de evitar os encargos trabalhistas e previdenciários. Revelase, portanto, correta apuração das contribuições devidas sobre a remuneração dos segurados empregados. Destarte, negase provimento ao recurso na matéria. Fl. 1866DF CARF MF 32 Da qualificação da multa de ofício É, sim, cabível a aplicação da sanção pecuniária em relação às exigências mantidas no presente acórdão, ex vi do art. 35A da Lei 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores. Ademais, quanto à qualificação da multa, entendese que não assiste razão aos recorrentes. Inicialmente, de notarse que a qualificação da multa somente foi aplicada ao levantamento PJ LANÇAMENTO PEJOTIZAÇÃO. Para este levantamento, como já registrado nesse voto, a auditoria relatou que o contribuinte se utilizou da interposição de pessoas jurídicas para impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, relativa aos segurados empregados identificados (vide relação de fls. 75/80). Resta, portanto, demonstrado o dolo do contribuinte caracterizado pela sua vontade livre e consciente de praticar a conduta ilícita e de obter determinado resultado, realizando os atos descritos nos tipos legais (sonegação e conluio), atraindo a qualificação da multa, prevista no art. 44, §1o da Lei no 9.430/1996 c/c art. 71 da Lei no Lei 4.502/1964. Desse modo, deve ser mantido o lançamento e negado provimento ao recurso voluntário na matéria. Das autuações por descumprimento de obrigação acessória O principal argumento das recorrentes, para questionar os Autos de Infração nºs 51.068.7148, 51.068.7156, 51.068.7164 e 51.068.7172 é o de que para a suposta infração já foi aplicada a multa prevista no art. 35A da Lei 8.212/1991. De pronto, necessário afastarse esse entendimento. Para tanto, vejamos os dispositivos legais associados à multa prevista no art. 35A da Lei n.o. 8.212/1991: [Lei no 8.212/1991] Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). [Lei no 9.430/1996] Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifouse) Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 18 33 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Da leitura do inciso I, do art. 44, da Lei no 9.430/1996, observase que a multa cominada no art. 35A da Lei no. 8.212/1991 pune conjuntamente as condutas de (a) falta de pagamento ou recolhimento, (b) de falta de declaração e (c) declaração inexata. Logo, a partir da edição da MP no 449/2008, convertida na Lei no 11.941/2009, não é possível a aplicação da multa prevista no art. 35A conjuntamente com a multa prevista no art. 32A, que pune a apresentação de declaração com incorreções (inexata), porque resultaria em dupla punição pela mesma conduta. No entanto, esse não é o caso dos autos. Os autos de infração nos 51.068.7148, 51.068.7156, 51.068.7164 e 51.068.7172 foram aplicados pelo descumprimento de obrigações acessórias diversas da declaração inexata, como demonstrado no relatório fiscal. Em cada auto de infração, está indicada a obrigação acessória e o dispositivo legal infringido e a previsão da multa aplicável. Tratandose de obrigações acessórias específicas, capituladas em dispositivos legais independentes, aplicadas a condutas diferentes entre si, correta a aplicação da penalidade pelo descumprimento de cada uma delas, não tendo sido as mesmas punidas pela multa prevista no art. 35A da Lei no 8.212/1991. Com relação ao AI 51.068.7164, o autuado afirma, ainda, haver apresentado todos os documentos solicitados nos Termos de Intimação fiscal e que a multa é destituída de equidade e razoabilidade. No entanto, não trouxe ao feito qualquer comprovação de que teria feito a entrega dos documentos ao Fisco, o que poderia facilmente ser feito pela juntada de um recibo. Também não trouxe ao feito, cópias dos documentos reclamados como não apresentados pela auditoria. A multa, por sua vez, foi aplicada nos termos da lei. Cabendo à autoridade administrativa a aplicação da lei, sob pena de responsabilidade, impossível ao julgador administrativo afastála sob fundamento de falta de equidade ou razoabilidade. Desse modo, ausente a comprovação das suas alegações, deve ser mantido também o AI 51.068.716 4, Rejeitado, assim, o recurso na matéria. Fl. 1868DF CARF MF 34 Do arrolamento de bens Nos termos do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria CARF n.o. 343/2015, a competência do CARF foi assim estabelecida: Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (grifouse) Desse modo, falece competência a este Conselho para se pronunciar acerca de controvérsia relativa a arrolamento de bens, pelo que o recurso deve ser não conhecido nessa matéria. Da responsabilidade dos administradores Davi Barbosa de Azevêdo, Carlos Gonzalez Garcia e Pablo Saraiva Ribeiro Garcia defendem a inexistência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, que pudesse lhes chamar à responsabilidade. Como demonstrado no relatório fiscal (fls. 86/87), esta Turma de Julgamento entendeu caracterizado o dolo do sujeito passivo na contratação de trabalhadores por empresa interposta. Esta conduta caracteriza infração ao art. 71 da Lei no 4.502/64, como já demonstrado no tópico referente à qualificação da multa de ofício. De outro ângulo, examinando os contratos do contribuinte com as interpostas pessoas jurídicas, observase que foram assinados justamente pelas pessoas aqui chamadas à responsabilidade. Demonstrado que as pessoas físicas participaram diretamente dos atos que caracterizam a infração a lei, resulta correta, portanto, a atribuição de responsabilidade a estes administradores, nos termos da previsão expressa no art. 135, inciso III, do CTN. Digase, por fim, que a referida responsabilidade não exclui o contribuinte do polo passivo da obrigação, visto não haver determinação expressa na lei nesse sentido, como previsto no art. 128 do CTN. Recurso rejeitado na matéria. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer em parte dos recursos voluntários, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Fl. 1869DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720617/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 18/02/2009
EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT.
A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional.
RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016.
As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-003.629
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dérouledè - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 06 17 /2 00 9- 46 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10280.720617/200946 Acórdão n.º 3302003.629 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a ora Recorrente que formaliza a exigência de multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada (multa regulamentar). Os fatos que ensejaram a cominação da pena foi a desídia da contribuinte agente de navegação, representando empresa operadora de embarcação em viagem internacional que prestou, fora do prazo estabelecido na legislação aduaneira, informação sobre veículo ou carga por ela transportada. Cientificada sobre o teor do auto de infração, a Contribuinte apresentou suas razões de defesa em impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por intermédio do Acórdão 16070.478, cuja ementa se transcreve na parte de interesse: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 18/02/2009 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informações sobre carga transportada. Por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. A retificação ocorreu após intimação da fiscalização, o que inibe a denúncia espontânea. Em momento algum a exigência ora discutida viola os princípios da legalidade e hierarquia de normas, pois não está calcada em Ato Declaratório Executivo, mas sim em artigo de Lei. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário. (...) Irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, motivo pelo qual os autos ascenderam a este Conselho É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouledè, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.624, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10280.721580/201198, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10280.720617/200946 Acórdão n.º 3302003.629 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.624): "Tendo em vista se tratar de recurso voluntário tempestivo1 e que apresenta todos os requisitos formais para seu conhecimento, submetoo a julgamento por este colegiado. A ação fiscal sob julgamento referese à prestação extemporânea de informações retificadoras referentes ao Conhecimento Eletrônico n. 021105089493067 (importação, em 13/06/2011) vinculado à escala n. 11000182350 cuja atracação ocorreu em 30/05/2011 e desatracação em 31/05/2011. A autoridade fiscal considerou que a retificação foi extemporânea porque não ocorreu dentro das 48 horas antes da chegada da embarcação, que é o limite estabelecido pela legislação pertinente2, mais especificamente os arts. 22, II, "d" e art. 45 da Instrução Normativa n. 800/2007. A recorrente define suas funções da seguinte maneira: "(...) é uma reconhecida empresa que exerce a atividade de agenciamento marítimo para diversos armadores estrangeiros que necessitam de representantes no país para auxiliálos nas operações de carga e descarga; emissão de documentos; suporte técnico aos navios; abastecimento em geral; etc". E, por esse motivo, defende que o entendimento acolhido pelo colegiado que julgou improcedente a impugnação não merece prosperar, já que: "(...) não se confunde a figura do agente marítimo, que opera na modalidade 'NVOCC', na consolidação/desconsolidação documental, responsável pela unitização/desunitização de cargas, com a figura de transportador. (...) 13. Sendo a Recorrente mera mandatária do transportador no momento do registro das informações junto ao SISCOMEX, não é possível sua responsabilização por eventuais erros cometidos pelo transportador, tampouco a ele se equipara para fins de responsabilidade tributária para os efeitos do DecretoLei n. 37/66, o que demonstra que o entendimento mantido no acórdão ora recorrido resta equivocado". A recorrente destaca, ainda, que não há no auto de infração provas que a identifique como empresa transportadora ou responsável por prestar as informações ao Siscomex. 1 A contribuinte foi considerada intimada sobre o teor do acórdão recorrido em 28/12/2015, conforme certifica o Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial na Caixa Posta DTE à folha 97 dos autos eletrônicos. Por sua vez, o recurso voluntário foi protocolizado em 22/01/2016, conforme registrado no Termo de Análise de Solicitação de Juntada à folha 149 dos autos eletrônicos. 2 Art. 37 do DL 37/1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27/12/2007, e; art. 673 do Decreto n. 6.759, de 05/02/2009. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10280.720617/200946 Acórdão n.º 3302003.629 S3C3T2 Fl. 5 4 Defende que a hipótese dos autos amoldase a denúncia espontânea prevista no art. 102 do DL 37/663, com a redação conferida pela Lei n. 12.350/2010, já que as informações mencionadas na autuação foram prestadas muito antes da lavratura do auto de infração e do início de qualquer procedimento fiscal. Afirma que o procedimento fiscal só ocorreu porque a própria recorrente retificou as informações já consignadas. Em 22/04/2016 a recorrente acosta petição aos autos, informando a superveniência de fato relevante, que foi a edição da Solução de Consulta COSIT n. 02, de 04/02/2016, que foi assim resumida: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto Lei n. 37/1966, com a redação dada pela Lei n. 10.833/2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB n.800, de 27/12/2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos legais: DecretoLei n.37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27 de dezembro de 2007. Ressalta, ainda, que as Soluções de Consulta COSIT, por força do disposto no art. 9º da Instrução Normativa n. 1.396/2013, possuem efeito vinculante perante a Administração Tributária, razão pela qual o entendimento nelas consagrado deve ser observados pelas autoridades fiscais, e respaldo o sujeito passivo que o aplicar, independentemente de ser o consulente. Razão assiste a recorrente. Se depreende do precedente abaixo que a determinação consagrada pela COSIT vincula a todos no âmbito administrativo, inclusive os julgadores: Com efeito, a Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. (Acórdão n. 3301002.880, proferido em 15/03/2016 pela 1ª Turma da 3ª Seção de Julgamentos). Tendo em vista que a autuação fiscal ocorreu não pela extemporaneidade na apresentação de informações, mas sim pelo atraso na 3 Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 2º. A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10280.720617/200946 Acórdão n.º 3302003.629 S3C3T2 Fl. 6 5 retificação das informações já prestadas, é de rigor a exoneração da multa imposta, em conformidade com o que dita a Solução de Consulta COSIT n. 2, de 4 de fevereiro de 2016. Assim, pelas razões já esclarecidas, dou provimento ao recurso voluntário apresentado por CMA CGM do Brasil Agência Marítima Ltda." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência do acórdão da DRJ em 28/12/2015, apresentação do RV em 22/01/2016). E, da mesma forma que no caso do paradigma, o motivo da exigência da penalidade nestes autos foi a retificação de informações prestadas anteriormente, retificação/alteração que o Fisco considerou como efetuada fora do prazo. Portanto, aplicável ao presente litígio, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, a Solução de Consulta COSIT nº 2, de 4 de fevereiro de 2016. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722469/2012-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA.
No processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os bens e serviços que integram o custo de produção.
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. GLOSAS.
São legítimas as glosas de créditos tomados sobre despesas que não se enquadram como custo de produção dos bens, assim como em relação a supostos serviços tomados de empresa fictícia, criada com o objetivo de simular a prestação de serviços para dar aparência de legalidade a créditos tomados em relação a serviços executados por mão-de-obra assalariada.
AUTO DE INFRAÇÃO. DILIGÊNCIA. CONSTATAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DIFERENÇAS NO PERÍODO FISCALIZADO.
A glosa de créditos utilizados para reduzir o tributo devido rende ensejo ao lançamento de ofício das diferenças apuradas. Constatado, após a realização de diligência fiscal, que os créditos existentes eram suficientes para fazer frente ao tributo devido, deve ser cancelada a exigência fiscal.
Recursos de Ofício e Voluntário negados.
Numero da decisão: 3402-003.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os bens e serviços que integram o custo de produção. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. GLOSAS. São legítimas as glosas de créditos tomados sobre despesas que não se enquadram como custo de produção dos bens, assim como em relação a supostos serviços tomados de empresa fictícia, criada com o objetivo de simular a prestação de serviços para dar aparência de legalidade a créditos tomados em relação a serviços executados por mão-de-obra assalariada. AUTO DE INFRAÇÃO. DILIGÊNCIA. CONSTATAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DIFERENÇAS NO PERÍODO FISCALIZADO. A glosa de créditos utilizados para reduzir o tributo devido rende ensejo ao lançamento de ofício das diferenças apuradas. Constatado, após a realização de diligência fiscal, que os créditos existentes eram suficientes para fazer frente ao tributo devido, deve ser cancelada a exigência fiscal. Recursos de Ofício e Voluntário negados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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No processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. GLOSAS. São legítimas as glosas de créditos tomados sobre despesas que não se enquadram como custo de produção dos bens, assim como em relação a supostos serviços tomados de empresa fictícia, criada com o objetivo de simular a prestação de serviços para dar aparência de legalidade a créditos tomados em relação a serviços executados por mãodeobra assalariada. AUTO DE INFRAÇÃO. DILIGÊNCIA. CONSTATAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DIFERENÇAS NO PERÍODO FISCALIZADO. A glosa de créditos utilizados para reduzir o tributo devido rende ensejo ao lançamento de ofício das diferenças apuradas. Constatado, após a realização de diligência fiscal, que os créditos existentes eram suficientes para fazer frente ao tributo devido, deve ser cancelada a exigência fiscal. Recursos de Ofício e Voluntário negados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 69 /2 01 2- 73 Fl. 13533DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de autos de infração com ciência pessoal do contribuinte em 22/11/2012, lavrados para exigir diferenças do PIS e da COFINS no regime não cumulativo em decorrência da glosa de créditos efetuada em relação a todos os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2008. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte, intimado várias vezes a apresentar a escrituração pertinente ao anocalendário, deixou de apresentar as notas fiscais de aquisição de bens e serviços, o que inviabilizou o trabalho de analisar a legitimidade dos créditos da não cumulatividade. Não tendo apresentado os documentos que dão suporte ao crédito, o fisco glosou todos os valores aproveitados em 2008 por falta de comprovação. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que apresentou todos os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização e requereu perícia nos livros e documentos contábeis. Impugnou a multa de ofício. Juntou com a impugnação todos os documentos que alegou terem sido entregues à fiscalização durante o procedimento fiscal. A Turma de Julgamento da DRJ baixou o processo em diligência, a fim de que os documentos apresentados fossem analisados pela fiscalização, tendo retornado com a informação fiscal de fls. 13145/13162, na qual, após as verificações efetuadas, o fisco concluiu pela inexistência de débitos do PIS e COFINS durante o anocalendário de 2008 nos seguintes termos (fl. 13162): Fl. 13534DF CARF MF Processo nº 19515.722469/201273 Acórdão n.º 3402003.825 S3C4T2 Fl. 3 3 Regularmente notificado do resultado da diligência, o contribuinte apresentou manifestação de fls. 13166/13206, contestando as glosas efetuadas que diminuíram a magnitude do saldo de créditos remanescentes no final do ano de 2008. Por meio do Acórdão nº 1667.472, de 09 de abril de 2015, a 6ª Turma da DRJ São Paulo, julgou a impugnação parcialmente procedente. Os lançamentos de ofício foram cancelados nos termos do quanto restou constatado pela fiscalização, mas as glosas promovidas pelo fisco nos valores dos créditos foram mantidas nos exatos termos da informação fiscal que embasou a diligência. Tendo em vista a magnitude do crédito tributário exonerado, o Presidente da 6ª Turma da DRJ São Paulo formulou recurso de ofício ao CARF. Regularmente notificado do Acórdão da DRJ em 29 de abril de 2015, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 13.438/13.456 em 22 de maio de 2015, no qual contestou as glosas dos créditos tomados sobre: a) despesas de comissões sobre vendas; b) serviços prestados pela Indústria de Confecções CMN Ltda; c) despesas com publicidade e propaganda; d) devoluções com base em notas fiscais de entrada de emissão própria; e) devoluções com base em notas fiscais com prazo de utilização vencido; e f) despesas com postagem de mercadorias nos Correios. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. DDOO RREECCUURRSSOO DDEE OOFFÍÍCCIIOO O recurso de ofício preenche o requisito formal para sua admissibilidade, uma vez que o valor exonerado pela decisão de primeira instância superou em cerca de três vezes o limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 63, de 10/02/2017. Conforme se verifica na informação fiscal de fls. 13.145/13.162, a fiscalização constatou durante a diligência que o contribuinte havia retificado os DACON dos anoscalendário de 2004 a 2007, a fim de informar diferenças na apropriação de créditos relativos a algumas despesas. As retificações desse período acabaram determinando também as retificações dos DACON do anocalendário sob fiscalização. A leitura da informação fiscal revela que a fiscalização acatou os valores retificados pelo contribuinte dos anos de 2004 a 2007, exceto a retificação dos valores de dezembro de 2004, os quais foram considerados prescritos. Considerando esses créditos de períodos anteriores a 2008 e glosando uma parcela dos créditos referentes ao ano 2008, os saldos credores gerados pelas retificações foram suficientes para amortizar os débitos das contribuições devidas no anocalendário de 2008, conforme demonstrado na planilha de fls. 13.143/13.144. Diante do quanto constatado pela fiscalização, foi correta a decisão de primeira instância no sentido de cancelar os autos de infração de PIS e COFINS, uma vez que a própria fiscalização constatou a existência de saldo credor no final de 2008, após a amortização dos débitos. Fl. 13535DF CARF MF 4 Com esses fundamentos, meu voto é no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, pois não existem diferenças a serem exigidas do contribuinte no período fiscalizado. DDOO RREECCUURRSSOO VVOOLLUUNNTTÁÁRRIIOO Relativamente ao recurso voluntário, embora os autos de infração tenham sido cancelados, a 6ª Turma da DRJ São Paulo proferiu decisão acerca das glosas efetuadas pela fiscalização nos créditos do anocalendário de 2008. Está implícito na decisão de primeira instância que aquele colegiado entendeu que o contribuinte tinha interesse em discutir a redução do saldo credor das contribuições, mesmo se tratando de um processo de determinação e exigência de créditos tributários. Embora a questão do conhecimento ou não do recurso voluntário no caso concreto dê margem a uma série de discussões, é inegável que a fiscalização glosou parte dos créditos do contribuinte e disse a ele que em dezembro de 2008 ele só poderia aproveitar R$ 51.795,40 de PIS e R$ 242.149,77 de COFINS para abatimento de parcelas vincendas dessas duas contribuições. Sendo assim, a fiscalização, de antemão, já avisou ao contribuinte que ele não poderá usar a parcela de crédito que foi glosada e também já informou os valores do crédito disponível nos sistemas de controle da Receita Federal. Assim, se o contribuinte utilizar a parcela do crédito que foi glosada, vai aturar as consequências da utilização tida como indevida pelo fisco, pois a apuração de ofício dos créditos já foi efetuada. Seguindo essa linha de raciocínio, concluise pela existência de interesse recursal do contribuinte em contestar as glosas promovidas pela fiscalização nos créditos de 2008. Considerando que o recurso voluntário preenche os demais requisitos formais para sua admissibilidade, dele se toma conhecimento. O deslinde do recurso voluntário passa pelo estabelecimento do que deve ser considerado "insumo" para o fim de se apurar os créditos das contribuições não cumulativas. No que concerne ao alcance do termo "insumo" utilizado nas leis que instituíram o regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS, a Administração Tributária adota o conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou que devem ser considerados todos os custos e despesas necessários à manutenção das atividades empresariais, nos termos dos artigos 290 e 299 do RIR/99. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Fl. 13536DF CARF MF Processo nº 19515.722469/201273 Acórdão n.º 3402003.825 S3C4T2 Fl. 4 5 Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade de o produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº Fl. 13537DF CARF MF 6 10.637/02 e 10.833/03, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos das contribuições não cumulativas, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Adotando como parâmetro que apenas os gastos classificáveis como custo de produção do bem ou para a prestação do serviço geram créditos das contribuições, passase à análise das glosas em espécie na ordem em que foram contestadas no recurso voluntário. DDEESSPPEESSAASS CCOOMM CCOOMMIISSSSÕÕEESS DDEE VVEENNDDAASS EE GGAASSTTOOSS CCOOMM PPUUBBLLIICCIIDDAADDEE EE PPRROOPPAAGGAANNDDAA A defesa alegou que as comissões foram pagas a pessoas jurídicas e que essa despesa é essencial para a atividade empresarial. A mesma essencialidade foi alegada em relação aos gastos com propaganda e publicidade. 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 13538DF CARF MF Processo nº 19515.722469/201273 Acórdão n.º 3402003.825 S3C4T2 Fl. 5 7 À luz do conceito de insumo que vem sendo adotado no CARF, essas despesas não integram o custo de produção dos bens, não se caracterizando como insumo. Tais despesas são vinculadas às vendas (despesas operacionais), incorridas após a fabricação dos produtos e, portanto, não podem gerar créditos das contribuições, uma vez que tais dispêndios não ocorrem no âmbito da produção. Portanto, devem ser mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização. SSEERRVVIIÇÇOOSS PPRREESSTTAADDOOSS PPEELLAA CCMMNN IINNDDÚÚSSTTRRIIAA DDEE CCOONNFFEECCÇÇÕÕEESS LLTTDDAA A fiscalização glosou todos os créditos tomados pelo contribuinte em relação a serviços prestados pela empresa CMN Indústria de Confecções Ltda, em razão de ter constatado que as operações foram simuladas, conforme narrativa contida no item "e" da informação fiscal (fls. 13.156/13.158). A defesa adotou a estratégia de praxe em casos semelhantes: argumentou no sentido de afastar alguns dos fatos apontados pelo fisco e procurou desqualificar a declaração prestada Sra. Cleuza Ghisleri Valero Morais, cujo conteúdo está em compasso com os demais fatos apurados pela fiscalização. Os fatos que, vistos em conjunto, conduzem à conclusão de que as operações foram simuladas são os seguintes: a) a CMN ocupa o mesmo endereço da Pura Mania, contribuinte ora autuado; b) o único cliente da CMN é a Pura Mania; c) o capital social da CMN é de apenas R$ 10.000,00, o que não lhe confere capacidade operacional ou financeira; d) empregados da Pura Mania foram demitidos nos dias 30 e 31/08/2006 e admitidos pela CMN no dia 01/09/2006, data em que essa empresa iniciou suas atividades; f) no total 184 funcionários da Pura Mania foram contratados pela CMN; g) no histórico do cadastro da CMN constam informações vinculando esta empresa a funcionários e endereços de email da Pura Mania; h) declaração prestada pela Sra. Cleuza Ghisleri Valero Morais, dá conta de que ela era funcionária da Pura Mania e que apenas emprestou seu nome para a criação da CMN. Para rebater essa situação fática o contribuinte alegou a existência de pagamentos pelos serviços prestados e desqualificou as declarações prestadas pela ex funcionária, arguindo sua nulidade por não ter tido a oportunidade de contraditálas. A DRJ, em síntese, considerou que os fatos apurados quando vistos em conjunto, conduzem à conclusão de que a CMN é uma empresa fictícia, criada apenas para gerar créditos das contribuições, os quais não existiriam caso a mãodeobra empregada fosse resultante do trabalho assalariado dos funcionários da própria Pura Mania; considerou que a existência de "pagamentos" não comprovam a prestação de serviços; e considerou válidas as declarações prestadas pela exfuncionária, pois o procedimento fiscal tem caráter inquisitivo, no qual não é garantido o direito ao contraditório. Em sede de recurso, o contribuinte reeditou as alegações de impugnação. Não existe reparo a fazer no Acórdão recorrido, pois o fato de existirem pagamentos da Pura Mania à CMN que, teriam sido ignorados pelo fisco, não desqualifica os fatos indiciários que, analisados em conjunto, convergem para a conclusão de que a CMN foi criada apenas no papel para gerar créditos da não cumulatividade a serem tomados sobre a prestação de supostos serviços. Fl. 13539DF CARF MF 8 É evidente a confusão patrimonial existente entre as duas empresas. É óbvio que todo o trabalho era efetuado pelos mesmos funcionários demitidos pela Pura Mania, no estabelecimento da própria Pura Mania, mas contratados pela CMN, apenas com o objetivo de interpor uma pessoa jurídica para gerar o crédito sobre supostos serviços, uma vez que a legislação não permite a tomada de crédito sobre mãodeobra paga a pessoas físicas. Também não tem razão a defesa quando questiona a validade do suposto depoimento prestado pela Sra. Cleuza Ghisleri Valero Morais. Isso porque a leitura do documento de fls. 12.968/12.970, revela que a Sra. Cleuza nem sequer foi intimada pela fiscalização a prestar depoimento. Ela compareceu espontaneamente à repartição fiscal para prestar esclarecimentos sobre sua participação na criação da empresa CMN. O exame do referido documento demonstra que não se trata de um termo de inquirição de testemunha, pois a fiscalização se limitou a ouvir o relato da declarante, não tendo lhe dirigido nenhuma pergunta. Assim, totalmente inaplicável ao caso concreto o art. 41 da Lei nº 9.784/99, pois a referida informante, não foi intimada a prestar depoimento e nem foi determinada nenhuma diligência por parte da repartição nesse sentido. Ademais, ainda que a referida funcionária não tivesse comparecido à repartição fiscal, os elementos coligidos pelo fisco às fls. 13.096/13.130; 12.911/12.948; 12.949/12.957; 12.958/12.961; 12.962/12.967; 12.949/12.957 comprovam à saciedade a confusão patrimonial entre a CMN e a Pura Mania, assim como a acusação fiscal de que a CMN existia apenas no papel tendo sido criada para gerar créditos da nãocumulatividade. A título de exemplo, colaciono o extrato cadastral da CMN onde são informados os nomes e endereços de email de funcionários da Pura Mania e até mesmo o endereço de email da contabilidade desta última empresa (fl. 12956): Fl. 13540DF CARF MF Processo nº 19515.722469/201273 Acórdão n.º 3402003.825 S3C4T2 Fl. 6 9 No que se refere às fotos do prédio ocupado pelas duas empresas, elas apenas corroboram a alegação da fiscalização, no sentido de que se trata de um prédio localizado em uma esquina, que é compartilhado pelas duas empresas. Não existe nenhum óbice à utilização de fotografias para corroborar e reforçar fatos constatados por outros meios de prova, como os contratos sociais; os dados cadastrais; as demissões e as contratações sucessivas de funcionários de uma empresa por outra. Assim, não é verdadeira a afirmação de que o fisco se baseou apenas em imagens do "Google Maps", tendo deixado de pesquisar a verdade real. A verdade real emerge dos fatos indiciários acima enumerados, que quando analisados em seu conjunto, convergem para a conclusão inevitável de que existia confusão patrimonial entre as duas empresas; que pessoas físicas emprestaram seus nomes para a criação da CMN e que tal empresa só tinha existência no papel, com o objetivo de gerar créditos da não cumulatividade. Portanto, meu voto é no sentido de que a glosa dos créditos tomados sobre os valores relativos aos supostos serviços prestados pela CMN seja mantida nos moldes postos pela fiscalização. DDEEVVOOLLUUÇÇÕÕEESS EEMMIISSSSÃÃOO PPRRÓÓPPRRIIAA DDEE NNOOTTAASS FFIISSCCAAIISS A fiscalização glosou os créditos tomados sobre devoluções documentadas em notas fiscais de entrada emitidas pela própria Pura Mania, basicamente porque (fl. 13.151): "(...) Em sede de recurso a defesa se limitou a alegar que: Verificando as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte em resposta às intimações da fiscalização relativas ao item "c" do termo de verificação fiscal, constatase que não existe nenhuma anotação do não recebimento da mercadoria. E ainda que tais anotações Fl. 13541DF CARF MF 10 existissem, elas não teriam o condão de afastar a glosa da fiscalização, diante das inconsistências apontadas no demonstrativo de fls. 12.884/12.887, no qual se pode constatar todas as situações inusitadas descritas pela fiscalização. Portanto, meu voto é no sentido de manter a glosa nos moldes determinados pela fiscalização. DDEEVVOOLLUUÇÇÕÕEESS NNOOTTAASS FFIISSCCAAIISS DDEE DDEEVVOOLLUUÇÇÃÃOO CCOOMM PPRRAAZZOO DDEE VVAALLIIDDAADDEE VVEENNCCIIDDOO A fiscalização glosou as notas fiscais de devolução que foram emitidas fora do prazo de validade, basicamente porque: a) algumas das empresas emitentes apresentavam prazo limite para emissão dos documentos vencidos há vários meses; b) diversas empresas, mesmo localizadas em cidades distantes, utilizaram a mesma gráfica (Gráfica Segoli Ltda, sediada em CambéPR); e c) os arts. 138, § 25, e 207, II e III do Regulamento do ICMS do Estado do Paraná (Decreto nº 1980, de 21/12/2007) estabelece a inidoneidade de notas fiscais utilizadas após o prazo de 18 meses, contados da data da autorização de impressão. Em sede de impugnação o contribuinte alegou que a comprovação do ingresso da mercadoria poderia se dar com a verificação de livros contábeis e o estoque da empresa, além disso a emissão da nota fiscal seria responsabilidade de outra pessoa jurídica. A DRJ manteve a glosa sob o fundamento de que a fiscalização provou que as notas de devolução emitidas pelos clientes eram inidôneas para amparar as devoluções, pois estavam com o prazo de utilização vencido. Sendo assim, cabia ao contribuinte comprovar que tais operações ocorreram, acostando, por exemplo, documentos dos transportadores responsáveis pelo retorno das mercadorias e outros documentos que embasassem as devoluções. Como nada disso foi feito, foi mantida a glosa dos créditos tomados com base em documentos fiscais inidôneos. Em sede de recurso, o contribuinte alegou que os grandes atacadistas adquirem coleções inteiras as quais demandam um certo tempo para serem produzidas, exemplificando com o caso do Grupo Pão de Açúcar que se recusou a receber uma coleção inteira, em face da Pura Mania não ter cumprido o prazo contratual. Nesse caso, não houve nota fiscal de devolução, pois o Pão de Açúcar nem sequer permitiu que a mercadoria fosse descarregada. E arremata a defesa: Com a devida vênia à defesa: a) o fato de ter anulado a venda mediante a emissão de uma nota fiscal de entrada, não justifica a tomada do crédito com base nas notas fiscais inidôneas, emitidas após o prazo de 180 dias da data da autorização para sua impressão; b) o exemplo do caso do Pão de Açúcar, citado no recurso, é totalmente distinto da situação narrada pela fiscalização, pois no exemplo citado o Pão de Açúcar não emitiu nenhuma nota fiscal com prazo de validade vencido, como afirmou a própria defesa; e c) a alegação veio desacompanha de elementos de prova. Fl. 13542DF CARF MF Processo nº 19515.722469/201273 Acórdão n.º 3402003.825 S3C4T2 Fl. 7 11 Portanto, meu voto é no sentido de manter essa glosa nos moldes efetuados pela fiscalização. GGLLOOSSAASS CCOOMM DDEESSPPEESSAASS DDEE PPOOSSTTAAGGEEMM No item "d" da informação fiscal, a fiscalização glosou algumas despesas incluídas indevidamente na retificação do DACON de 2008, sob o fundamento de falta de previsão legal para a tomada do crédito. Entre tais despesas encontramse as despesas de postagem nos Correios. Em sede de impugnação, a defesa argumentou com a Solução de Consulta/ SRRF 9ª/ nº 40/2009, por meio da qual a Administração Tributária teria reconhecido o direito de incluir essas despesas no cálculo do crédito. A DRJ manteve a glosa sob os seguintes fundamentos: a) a Solução de Consulta nº 40/2009 reconheceu o direito de crédito apenas nos casos em que as despesas de postagem se referiam ao envio de mercadorias vendidas e, no caso concreto, o contribuinte não comprovou que as despesas glosadas pelo fisco se referiam ao envio de mercadorias; b) a Cosit, por meio da Solução de Consulta Interna nº 7/2011, modificou aquele entendimento, passando a considerar que as despesas de postagem inerentes à operação de venda, não se constituem em valores pagos a título de "frete na operação de venda". Em sede de recurso, o contribuinte se limitou a alegar que essas despesas de postagem são insumos e devem gerar créditos das contribuições. Não tem razão o contribuinte. É evidente que a fiscalização glosou o crédito tomado sobre todas as despesas de postagem, por considerar que não existe previsão legal para o crédito. Nos casos em que a despesa de postagem se refere ao envio da própria mercadoria vendida ao cliente, é possível interpretar que essa despesa se amolda à previsão legal de "frete na operação de venda", estabelecida nos arts. 3º, IX das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, como fez a 9ª Região Fiscal, desde que o contribuinte comprove que arcou com o custo da remessa. Entretanto, como bem apontou o acórdão recorrido, a defesa não comprovou que o crédito glosado, ou parte dele, se referiu a despesas de postagem para o envio de mercadorias aos clientes, o que impede a aplicação daquela Solução de Consulta ao caso concreto. Não se olvide que no processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, a teor do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72. E no que concerne à alegação de que tais despesas constituem insumos, o entendimento deste colegiado é no sentido de que tais gastos são despesas operacionais, que não geram créditos das contribuições, por não serem incorridas na produção dos bens destinados à venda. Se a despesa não é incorrida na produção dos bens destinados a venda, então ela não pode ser considerada insumo para os fins dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002. Fl. 13543DF CARF MF 12 Com esses fundamentos, meu voto é no sentido de manter a glosa efetuada pela fiscalização. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou nenhum motivo de fato ou de direito relevante para introduzir modificações na decisão recorrida, meu voto é no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 13544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.908440/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.362
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 84 40 /2 01 1- 43 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10882.908440/201143 Acórdão n.º 3401003.362 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/01/2010 a 31/03/2010. Conforme despacho decisório exarado pelo Seort/DRF/Osasco, apesar de o crédito alegado pela Recorrente ter sido integralmente reconhecido (pelo valor original do saldo credor solicitado em ressarcimento PER), parte das compensações declaradas não foi homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14053.019, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de IPI, pois deixaram de ser escriturais, bem como aplicar a taxa SELIC, com a posterior homologação das compensações na integralidade", com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito de crédito da Recorrente, por falta de fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado o ressarcimento; (ii) aplicação da correção monetária pela utilização da taxa SELIC em créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10882.908440/201143 Acórdão n.º 3401003.362 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.340, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.340): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório da Recorrente; e (ii) aplicação da Taxa Selic para atualização de crédito básico de IPI em pedidos de ressarcimento. Nulidade O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando que a fundamentação da decisão não é adequada, pois não permite à Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer aspectos do pedido de ressarcimento por ela realizado, o que seria determinado à autoridade fiscal pelo artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008. Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes razões: "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar a nulidade do Despacho Decisório, claramente foi demonstrado no Despacho Decisório (Divergências na Compensação) que o direito creditório oferecido e reconhecido era inferior ao montante de débitos que a interessada quer compensar. (...) Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP. Ou seja, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio". Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10882.908440/201143 Acórdão n.º 3401003.362 S3C4T1 Fl. 5 4 No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento dos motivos para o indeferimento total do seu pleito, com os prejuízos daí decorrentes para o exercício regular de sua defesa, não vejo como acompanhar a Recorrente. Apesar de o despacho decisório de fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu exame, é possível a compreensão dos motivos que levaram à decisão: a Recorrente apurou determinado saldo credor de IPI em seus livros e pleiteou o ressarcimento, que foi deferido até o exato montante do crédito por ela apurado e solicitado, sendo indeferido pelo despacho decisório a compensação de débitos, assim como um pedido de ressarcimento, em montante superior ao crédito solicitado. Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar em prejuízo à defesa da Recorrente que, conhecendo os motivos do indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente, permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão. Com relação à necessidade de intimação da Recorrente antes de qualquer decisão indeferindo o seu direito creditório, oportuno citar o dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". (Instrução Normativa RFB nº 900/2008) Pela leitura do dispositivo, entendo que se trata de um direito da autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado tal dispositivo como uma obrigação da autoridade fiscal de intimar o contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento de direito de crédito. A Receita Federal poderá, nas hipóteses em que entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito de crédito pleiteado. Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não reconhecimento de crédito por ela pleiteado não implica nulidade da decisão tomada nesse sentido, motivo pelo qual proponho ao Colegiado rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento. Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, as compensações declaradas teriam sido homologadas, não havendo qualquer valor a ser cobrado pela Receita Federal. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10882.908440/201143 Acórdão n.º 3401003.362 S3C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Carta da República, artigo 49 do Código Tributário Nacional ("CTN"), artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, afirmando que, na hipótese de ressarcimento e/ou compensação, "o crédito de IPI deixa de ser crédito escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição ou compensação, do qual deverá sofrer a incidência da correção monetária, como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação". Além disso, defende a Recorrente que "será totalmente inócua a utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste inflacionário, ou seja, a devida correção monetária entre o período em que houve o acúmulo do crédito até o momento da utilização, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus créditos. A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a distinção entre os casos de ressarcimento de IPI e restituição, conforme a seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona". Ademais, a decisão recorrida fundamenta a impossibilidade de correção monetária no ressarcimento de IPI, com base em normas infra legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º, da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de 2005; artigo 72, § 5º, da IN RFB nº 900/2008 e alterações posteriores, manifestandose ainda pela impossibilidade de correção de créditos escriturais de IPI. Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, oportuno mencionar que já foi pacificado pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.908440/201143 Acórdão n.º 3401003.362 S3C4T1 Fl. 7 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10882.908440/201143 Acórdão n.º 3401003.362 S3C4T1 Fl. 8 7 Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.908440/201143 Acórdão n.º 3401003.362 S3C4T1 Fl. 9 8 A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10882.908440/201143 Acórdão n.º 3401003.362 S3C4T1 Fl. 10 9 Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por ter sido apresentada no Acórdão 3401003.340 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento do Conselheiro sobre a questão: "Data vênia do entendimento esposado pelo ilustre relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para o ressarcimento do IPI é justificada pela resistência da administração em reconhecer o direito creditório e efetivar o ressarcimento. Mas ela não acolhe a SELIC para os casos em que não se configure essa resistência da administração fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados: (...) Além disso, a contribuinte aproveitou o crédito do ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de compensação, não havendo oposição por parte da administração tributária para essa compensação, nem postergação do aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007. Não há que se falar em resistência da administração ao caso de modo a se justificar aplicar o entendimento jurisprudencial. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10882.908440/201143 Acórdão n.º 3401003.362 S3C4T1 Fl. 11 10 O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado pela contribuinte, não a socorre. Além do fato que o prazo de 360 dias não foi desrespeitado, a simples leitura desse artigo afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do prazo máximo para a autoridade administrativa decidir implicaria em reconhecimento do seu direito. Essa é uma interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver, indubitavelmente, que esse texto não autoriza a aplicação da taxa SELIC aos casos de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 133DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.910992/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.937
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 99 2/ 20 11 -5 1 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13896.910992/201151 Resolução nº 3402000.937 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.134, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13896.910992/201151 Resolução nº 3402000.937 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13896.910992/201151 Resolução nº 3402000.937 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900788/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 14/07/2006
PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 07 88 /2 01 2- 95 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13227.900788/201295 Acórdão n.º 3301003.268 S3C3T1 Fl. 43 2 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório (Rastreamento nº 31047802), emitido pela DRF JiParaná, que indeferiu o Pedido de Restituição pleiteado por meio do Per nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004, uma vez que o crédito informado de R$ 390,64, correspondente ao pagamento de PIS/PASEP (código 6912), efetuado em 14/07/2006, já estava integralmente utilizado para quitação do mesmo débito do PA 30/06/2006. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, salientando que é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13227.900788/201295 Acórdão n.º 3301003.268 S3C3T1 Fl. 44 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.043004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13227.900788/201295 Acórdão n.º 3301003.268 S3C3T1 Fl. 45 4 De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifouse). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13227.900788/201295 Acórdão n.º 3301003.268 S3C3T1 Fl. 46 5 Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifouse). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Valcir Gassen Relator Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13822.000054/2003-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 01 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso com base no art. 62-A
Julio Cesar Alves Ramos- Presidente.
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso com base no art. 62-A Julio Cesar Alves Ramos- Presidente. Fernando Marques Cleto Duarte - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso com base no art. 62A Julio Cesar Alves Ramos Presidente. Fernando Marques Cleto Duarte Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 22 .0 00 05 4/ 20 03 -0 2 Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Resolução nº 3401000.658 S3C4T1 Fl. 426 2 Relatório Em 15.4.2003, a contribuinte Clealco Açúcar e Álcool S/A (CNPJ 45.483.450/000110) protocolou Pedido de Compensação de créditos de IPI no valor de R$ 1.051.780,02, referente ao terceiro trimestre de 2002. Em Parecer da Seção de Análise e Orientação Tributária – Saort da Delegacia da Receita Federal em Araçatuba – SP foi parcialmente deferido o Pedido de Ressarcimento. Segundo o Parecer: a) se não há incidência de PIS e COFINS sobre as aquisições feitas de pessoas físicas, nada há de ser ressarcido ao adquirente. Esse é o entendimento confirmado pelo Parecer PGFN/CAT nº 3.092/2002; b) quanto à glosa dos valores relativos às despesas de telefonia e aos demais produtos (calcário, fertilizantes, herbicidas e material intermediário), a glosa está correta, uma vez que tais produtos não foram aplicados no processo de fabricação e, por não integrarem direta ou indiretamente o produto final, não podem ser considerados insumos; c) foi correto o cálculo do percentual de energia elétrica utilizado no processo produtivo feito pelo Auditorfiscal responsável pela diligência. Quanto à cal virgem e aos demais produtos químicos comprovadamente consumidos no processo de produção, também é acertado o ajuste que considerou os estoques iniciais e finais, para chegar ao valor dos insumos efetivamente empregados; d) o IPI destacado nas notas fiscais de aquisição e registrado separadamente na escrituração fiscal não pode fazer parte da base de cálculo do crédito presumido. A contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: a) não deve prosperar o entendimento do Agente fiscal, que transferiu para o presente os valores correspondentes aos insumos glosados no processo administrativo nº 13822.000149/200156, que se referiam a insumos utilizados em produtos inacabados ou acabados e não vendidos. É necessário que o fisco considere os valores reais e integrais dos custos informados, uma vez que os mesmos foram efetivamente utilizados e consumidos no processo produtivo da contribuinte; b) quanto aos insumos adquiridos de pessoa física, o Superior Tribunal de Justiça se manifestou da seguinte forma: “A IN/SRF extrapolou a regra prevista no art, 1º, da Lei nº 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas que naturalmente não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS.” Transcreve jurisprudência sobre o assunto; c) são indevidas as glosas dos valores relativos à energia elétrica, óleo diesel e telefonia sob o argumento de que não se enquadram no conceito de insumos. O Parecer Normativo CST 65/79, ao criar um requisito inexistente no texto do regulamento, ingressou em Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Resolução nº 3401000.658 S3C4T1 Fl. 427 3 uma seara, o que lhe é vedada, pois não é um veículo introdutor de normas no sistema jurídico, não podendo inoválo; d) o entendimento da Secretaria da Receita Federal é no sentido de que o IPI contido na nota fiscal/fatura deve ser considerado como custo da produção e deve compor a base de cálculo para a constituição do crédito presumido para ressarcimento do PIS/COFINS; e) quanto à glosa dos valores de calcário, fertilizantes, herbicidas e materiais intermediários (engrenagens de moenda, bombas centrifugas, tubos de aço e outros, como parafusos e ferramentas, rolamentos, materiais elétricos), estes constituem, efetivamente, produtos intermediários, haja vista que se desgastam no decorrer do processo produtivo e que possuem contato direto com a canadeaçúcar, embora não integrem o produto final; f) já efetuou a compensação dos créditos com outros débitos de sua escrituração e de competência da União, razão pela qual, com a glosa dos créditos, restariam débitos em aberto e passiveis de serem cobrados. As compensações foram feitas ao tempo oportuno e os débitos que ficaram descobertos foram declarados espontaneamente e no respectivo prazo legal, sendo, portanto, impossível a cobrança da multa de mora caso prossiga a glosa; g) a Taxa SELIC não deve ser usada para a correção monetária dos débitos em aberto que seriam passíveis de cobrança, uma vez que esta taxa tem natureza remuneratória. Em sessão de 21.5.2008, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP acordou, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. Segundo o voto: a) quanto aos valores constantes no estoque de produtos em elaboração e de produtos acabados que haviam sido excluídos na apuração do benefício para o 4º trimestre de 2001, a fiscalização procedeu a inclusão dos valores de cal virgem, produtos químicos e cana deaçúcar adquiridos de pessoas jurídicas. Como a contribuinte não demonstrou que outras exclusões foram feitas, mantémse o procedimento da auditoria; b) a Lei nº. 9.363/96, em seu art. 1º, dispõe: “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1994 incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo” Resta claro que, para gozo do benefício, é necessário que tenham incidido tais contribuições sobre as aquisições e, portanto, tenha ocorrido o fato gerador e o recolhimento das contribuições pelos fornecedores, o que não ocorre no caso das pessoas físicas; c) o IPI deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS, justamente por não compor a base de cálculo destas contribuições; d) quanto à glosa dos valores dos materiais aplicados na produção de canade açúcar, estes não devem ser incluídos no cálculo, pois a legislação referente ao crédito Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Resolução nº 3401000.658 S3C4T1 Fl. 428 4 presumido só permite a inclusão dos insumos aplicados na produção industrial, não contemplando os materiais aplicados na atividade agrícola; e) em relação ao óleo diesel, não se registrou, em qualquer momento, a sua exclusão. Quanto à energia elétrica, não houve, como manifesta a contribuinte, glosa sob o argumento de que não se enquadra no conceito de insumos. Como a contribuinte não apresentou qualquer elemento que altere o percentual anteriormente informado, justificase o procedimento adotado pela auditoria; f) os outros materiais excluídos pela fiscalização não se enquadram no conceito de insumo, pois integram o ativo permanente; g) em relação aos gastos com telefonia, estes não podem ser considerados matériaprima, produtos intermediário ou material de embalagem; h) a espontaneidade da denúncia exclui apenas as penalidades de natureza punitiva, não podendo ser aplicada às de natureza moratória, derivadas do inadimplemento de obrigação tributária; i) a adoção da taxa SELIC se fez via lei ordinária, como facultado pelo CTN. Sua cobrança, portanto, não é ilegal. Em 4.7.2008, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Conclui requerendo que sejam devidamente apreciados os pontos levantados e retificados os equívocos cometidos pela decisão recorrida. É o relatório. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Resolução nº 3401000.658 S3C4T1 Fl. 429 5 Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte Este recurso apresenta os requisitos de tempestividade e cumpre os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de créditos de IPI referente a julho e setembro de 2002. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende que os insumos, como energia elétrica, óleo diesel, materiais intermediários, entre outros, geram créditos de IPI, passiveis de compensação. Antes de qualquer outra consideração, fazse necessário salientar que a discussão relativa ao IPI pago na aquisição de insumos compor ou não a base de cálculo do crédito presumido está sob análise do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº. 593.544, com repercussão geral já definida pela corte. Assim não pode o presente processo ser analisado nesta oportunidade, impondose o sobrestamento do julgamento em conformidade com o § 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Frente a todo o exposto, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a incidência do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS. Apenas após decisão transitada em julgado sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. É como voto! Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 429DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.003134/2008-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos.
Numero da decisão: 9202-005.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento; vencida, também, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento; vencida, também, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 31 34 /2 00 8- 70 Fl. 1493DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2202002.199, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 21 de fevereiro de 2013 (efls. 1344 a 1375). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/1996. Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 9202005.243 CSRFT2 Fl. 1.494 3 Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.Recurso parcialmente provido. Decisão:Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 955.414,60 e R$ 793.603,31, correspondentes aos anos calendário de 2005 e 2006, respectivamente, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino, que negou provimento ao recurso. A Fazenda Nacional, cientificada em 26/04/2013 (efl. 1376), apresentou, em 29/04/2013 (efl. 1378), Recurso Especial (efls. 1379 a 1383 e anexos), com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. O pleito fazendário foi regularmente admitido, consoante despacho de efls. 1391 a 1393. Encaminhado o feito à unidade preparadora, para fins de ciência do contribuinte do Acórdão nº 2202002.199 e do Recurso Especial da Fazenda Nacional, aquela unidade, previamente à ciência do contribuinte, produziu informação fiscal de efls. 1401 a 1403, onde ajustava os valores constantes do decisum referido. Cientificado o contribuinte em 06/04/2015 (efl. 1412) acerca do Acórdão, do Recurso Especial e da informação supracitada, o contribuinte encartou aos autos: a) Contrarrazões ao pleito fazendário de efls. 1414 a 1418, datadas de 07/04/2015 e b) Pedido de revisão de efls. 1424/1425, datado de 13/04/2015, onde pugnava pela manutenção dos valores de exclusão e do consequente imposto remanescente constantes do Acórdão CARF nº 2202 002.199 (ou seja, sem os ajustes propostos pela informação fiscal de efls. 1401 a 1403). Reencaminhados os autos ao CARF através de despachos de efls. 1429/1430 e 1435, as alegações da autoridade preparadora (executora) foram recebidas como embargos inominados, na forma de despacho de efls. 1437 a 1440, os quais submetidos à julgamento do Colegiado a quo, resultaram na seguinte decisão integrativa: Acórdão no. 2.202003.073, de 10 de dezembro de 2015 (efls. 1447 a 1463) onde se constatou e corrigiu lapsos manifestos existentes nos valores excluídos Acórdão originário, da seguinte forma: Acórdão 2202003.073 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007 Fl. 1495DF CARF MF 4 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificado equívoco no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito aos valores a serem excluídos da tributação, deve tal lapso ser sanado, com a rerratificação do acórdão. Embargos acolhidos Decisão: por maioria de votos, acolher os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202002.199, de 21/02/2013, alterar a decisão original para dar parcial provimento ao recurso, excluindo da base tributável os valores de R$ 882.321,39 no anocalendário 2005 e de R$ 766.641,14 no anocalendário 2006, vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira, que rejeitou os embargos. Cientificada a Fazenda Nacional da decisão integrativa, na forma de efl. 1465, esta se limitou a pugnar pelo regular processamento do Recurso Especial originário. Tendo sido verificado por este Relator não ter havido ciência do contribuinte acerca do integrativo (despacho de efl. 1467), tal deficiência foi saneada em 24 de junho de 2016 (efl. 1481), sem manifestação adicional do contribuinte. Assim, resumidamente, de forma a facilitar a convicção dos membros deste Colegiado, o litígio a esta altura se resume na seguinte exoneração de lançamento de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, propugnada pelo Acórdão no. 2.202.002.199 e, posteriormente, ajustada pelo Acórdão 2202003.073: a) Valores creditados na Conta Corrente SICOOB/CREDIMOC 11.029, exonerados pelo recorrido e decisão integrativa, constantes de extratos de efls. 162 a 235 (com histórico "Cred. Liberação TD") e pleiteados como comprovados pelo contribuinte por documentos da própria SICOOB, na forma de efls. 1271 a 1273: DATA CRÈDITO VALOR DATA CRÈDITO VALOR 31/01/2005 58.171,64 25/01/2006 17.614,27 17/02/2005 64.540,72 24/02/2006 34.000,67 15/03/2005 45.095,98 23/03/2006 32.587,55 30/03/2005 32.366,41 06/04/2006 9.441,77 02/05/2005 27.819,87 11/04/2006 31.653,49 18/05/2005 36.512,48 24/04/2006 34.809,73 19/05/2005 14.969,80 25/04/2006 5.369,25 24/05/2005 26.275,90 28/04/2006 24.718,57 27/05/2005 19.586,87 09/05/2006 7.593,46 21/06/2005 9.949,49 11/05/2006 5.533,63 22/06/2005 19.977,51 12/05/2006 6.964,30 29/06/2005 19.977,51 30/05/2006 79.916,17 04/07/2005 19.927,00 23/06/2006 10.608,54 05/07/2005 15.883,11 18/07/2006 58.359,63 13/07/2005 10.298,60 19/07/2006 45.793,55 19/07/2005 16.235,47 24/08/2006 40.420,96 22/07/2005 15.194,49 01/09/2006 11.875,68 27/07/2005 10.283,02 06/09/2006 34.635,37 04/08/2005 76.192,42 13/09/2006 34.363,03 11/08/2005 14.785,90 31/10/2006 21.999,13 22/08/2005 56.819,41 20/12/2006 15.483,53 23/08/2005 50.516,68 22/12/2006 68.577,19 24/08/2005 20.662,46 27/12/2006 27.209,48 Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 9202005.243 CSRFT2 Fl. 1.495 5 05/09/2005 13.648,53 24/11/2005 13.004,79 TOTAL 2006 659.528,95 28/11/2005 8.114,40 28/11/2005 9.434,57 30/11/2005 11.264,59 14/12/2005 9.163,16 16/12/2005 8.833,34 26/12/2005 30.167,50 29/12/2005 7.706,46 29/12/2005 10.563,13 TOTAL 2005 803.943,21 b) Valores alegadamente originados de empréstimos de pessoas físicas, creditados na contacorrente 10.630 do Banco do Brasil, histórico "Transferência on line ou TEDCrédito em conta (extratos de efls. 107 a 144) e, ainda na mesma conta 11.029 da SICOOB, histórico "CRÉD. TEDSTR" (extratos de efls. 162 a 235), também pleiteados pelo contribuinte como justificados na forma de efls. 1273 a 1274 e concedidos, na forma dos Acórdãos de instância ordinária: DATA VALOR CRÈDITO CONTA 01/02/2005 8.708,00 SICOOB 15/02/2005 24.670,00 SICOOB 02/08/2005 45.000,00 SICOOB TOTAL2005 78.378,00 N/A 20/03/2006 8.000,00 SICOOB 05/07/2006 500,00 BB 06/07/2006 500,00 BB 07/07/2006 500,00 BB 17/07/2006 5.997,29 BB 18/07/2006 52,38 BB 27/07/2006 11.000,00 SICOOB 28/07/2006 10.000,00 SICOOB 01/08/2006 15.150,00 SICOOB 10/11/2006 36.000,00 SICOOB 24/11/2006 19.412,50 BB TOTAL2006 107.112,17 Notese que a soma dos valores constantes do item "a" e "b" supra remetem exatamente aos montantes excluídos constantes da decisão integrativa (em 2005 R$ 803.943,21 + 78.378,00 = R$ 882.321,21 e em 2006 R$ 659.928,95 + 107.112,17 = R$ 766.641,12), a menos de erros imateriais da ordem de centavos (R$ 0,18 em 2005 e R$ 0,02 em 2006), desprezíveis para o deslinde da questão. Delimitada, assim, a lide, ressaltando que, na forma de Recurso Voluntário à efl. 1326, o contribuinte ali já havia acatado a decisão de primeira instância relativa às infrações de omissão de rendimentos da atividade rural e ganhos de capital, tendo formulado pedido de parcelamento nos termos da Lei n° 11.941, de 2009. Fl. 1497DF CARF MF 6 Feita tal digressão, quanto à matéria de direito em litígio, alegase, no pleito fazendário, divergência em relação ao decidido pela 2a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 10246.015, prolatado em 17 de maio de 2012, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 10246.015 COMPETÊNCIA INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE O exame de argüição de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo é matéria reservada ao crivo do Poder Judiciário não afeta à competência deste Conselho. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NORMAS PROCESSUAIS CERCEAMENTO DE DEFESA DECRETO 70.235/72 — NULIDADE INEXISTÊNCIA Não se cogita de nulidade processual, tampouco do lançamento, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72.IRPF PROVA Compete ao contribuinte comprovar de forma inequívoca a natureza dos rendimentos percebidos. MULTA QUALIFICADA Comprovado o intuito de fraude e dolo épertinente à aplicação da multa qualificada, no caso. Recurso negado. Decisão: por maioria, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Geraldo Mascarenhas Lopes Cançado Diniz e Maria Goretti de Bulhões Carvalho. Em linhas gerais, argumenta a recorrente em sua demanda que o art. 42, da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, atribui ao particular o ônus da prova quanto à origem dos valores que circulam, em seu nome, em instituições bancárias. Nesse sentido, o contribuinte deve comprovar a origem dos depósitos individualmente, com coincidência de datas e valores das operações que alega para justificálos, ou seja, cabendo ao contribuinte provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam aquisição de disponibilidade financeira não tributável ou que já foi tributado. Entende a recorrente que tal presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Ressalta que, nos autos, ficou evidenciado, através de indícios e provas, que o fiscalizado recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo que neste caso está clara a existência de indícios de omissão de rendimentos, situação em que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que o contribuinte possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá ao autuado produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos babeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Como, porém, não foram comprovadas as operações apontadas para justificar os depósitos bancários, deve ser mantida a autuação em sua integralidade, por não ter sido afastada a presunção legal de omissão de rendimentos. Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 9202005.243 CSRFT2 Fl. 1.496 7 Requer, assim, que seja conhecido e provido o presente recurso especial, para que seja reformado o acórdão recorrido, na parte objeto de inconformismo, mantendose o lançamento em sua integralidade. Já em suas contrarrazões, o contribuinte sustenta, inicialmente, que o paradigma seria imprestável, uma vez que o sujeito passivo do processo paradigma limitouse a tecer meras alegações sem apresentar qualquer prova correspondente. Além do mais, constata se na transcrição da decisão de primeira instância que a fiscalização, no caso paradigma, intimou os terceiros indicados nos documentos bancários situação totalmente diversa ao que ocorreu no presente processo. No caso dos autos, a fiscalização apenas intimou o contribuinte a comprovar a origem dos créditos bancários, não tecendo qualquer juízo de valor acerca das provas apresentadas, rejeitandoas liminarmente. Tampouco efetuou qualquer intimação aos terceiros identificados pelo contribuinte demonstrando total desídia no esclarecimento dos fatos. Da mesma forma agiu a DRJ, que acresceu em seu veredicto que as provas apresentadas não comprovavam tratarse de rendimentos tributáveis ou não. Destarte, entende o contribuinte como incabível atribuir ao acórdão invocado pela Fazenda Nacional os atributos de divergência para admissibilidade do Recurso Especial devendo por este motivo ser rejeitado seu seguimento nos termos do art. 71 do RICARF. Quanto ao mérito, entende a autuada que a presunção legal em questão somente pode ser invocada pela autoridade fiscal quando o contribuinte regularmente intimado se escusa de indicar a origem dos recursos ou então fica no campo das meras alegações. Ou seja, quando a autoridade fiscal intima o contribuinte e este apresenta prova da origem (ou seja, identificação dos depositantes e prova razoável da operação), cabe à autoridade fiscal o ônus de comprovar que a operação tem natureza tributável perante a legislação do imposto de renda. No presente caso, o contribuinte entende que se desincumbiu da prova inicial que lhe impunha o dever de identificar a origem dos créditos, demonstrando tratarse de desconto de cheques em cooperativa de crédito ou empréstimos de terceiros, devendo a autoridade fiscal em caso de entender insuficientes os elementos apresentados, intimar novamente o contribuinte ou os terceiros envolvidos que foram devidamente identificados. Por derradeiro, devese registrar que o acórdão paradigma invocado pela Fazenda Nacional, já está totalmente ultrapassado pela jurisprudência atual do CARF (conforme demonstrado no recurso voluntário), além de não estar adequado à verdade material do presente processo. Requer, assim, que sejam consideradas as contrarrazões e mantida a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator O recurso da Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade. Fl. 1499DF CARF MF 8 Quanto à alegação da imprestabilidade do paradigma levantada pela recorrente em sede de contrarrazões, notório que, também no caso paradigma, se tentou alegar, tal como no presente, que os créditos objeto de tributação através da presunção seriam oriundos de empréstimos e de cheques descontados, tendo, sim, sido anexados documentos para tal, consoante fl. 08 do Acórdão paradigma, verbis: "(...) O contribuinte apresentou, às fls. 247 a 270, Contratos Particulares de Empréstimo Remunerado para o Condomínio do Criciúma Shopping Center e às fls. 271 a 351 cópias de Notas Fiscais de Produtor, datadas de 1985, 1987, 1990, 1991, 1994, 1995, 1996, 1997, todas, portanto, anteriores ao período fiscalizado. (...) Em verdade, o excerto trazido em sede de contrarrazões é bastante claro em atribuir ao contribuinte o ônus de comprovar que se tratam de recursos não tributáveis ou rendimentos declarados, o que diverge do critério jurídico adotado pelo recorrido de determinar a exclusão com base em extratos bancários e documentos comprobatórios de troca de cheques e alegações de empréstimos recebidos de pessoa física, sem que se imputasse ao contribuinte o ônus de provar que se tratavam de recursos não tributáveis ou rendimentos declarados, verbis (Acórdão paradigma, p. 10). "(...) Assim, depósitos ou créditos bancários, individualmente considerados, podem expressar a renda auferida e em poder do contribuinte, se não justificados por recursos não tributáveis ou rendimentos declarados. Tratase de presunção legal, relativa, tipo júris tantum , que possibilita ao Fisco caracterizar a ocorrência do fato gerador do tributo, pela presença de renda, extraída dos depósitos e créditos bancários individuais, de origem não comprovada, tampouco justificada pelo beneficiário. (...)" Com base no excerto acima, de se concluir que, transmudada a situação fática dos autos em questão ao Colegiado paradigmático e uma vez não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar que se tratavam os créditos lançados de recursos não tributáveis ou rendimentos declarados, o Colegiado paradigmático se posicionaria de outra forma ("teste de aderência") em relação ao recorrido, daí caracterizada a divergência interpretativa. A intimação do fisco a terceiros no caso paradigmático, por ter se mostrado improfícua, não produziu nenhum efeito no critério jurídico do paradigma (daí ter se mantido, ali, o lançamento). O referido paradigma não foi objeto de reforma ou teve sua decisão contrariada por Súmula ou Resolução do Pleno deste CARF, assim, não há que se falar de tese superada. Assim, entendo como caracterizada a divergência interpretativa e conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passo, destarte, à análise de mérito. Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 9202005.243 CSRFT2 Fl. 1.497 9 A propósito da matéria em litígio (caracterização de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada) A propósito, estabelece o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, verbis Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).(Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997)(Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 1501DF CARF MF 10 Quanto à aplicação do referido dispositivo, adoto posicionamento bastante restritivo no que diz respeito à comprovação capaz de elidir a aplicação da presunção, que, para tal fim, deve ser feita de forma individualizada, com correspondência de datas e valores e através de documentação hábil e idônea que comprove não só a procedência, mas a origem dos recursos, aqui abrangida sua natureza. Mais detalhadamente a propósito, é cediço que, a partir de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro 1996, em seu art. 42 e parágrafos, estabeleceu uma presunção legal (g.n.) de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Do dispositivo acima, defluem: a) a força probatória de extratos onde constem créditos em contas titularizadas pelo contribuinte, bem como, b) a nítida inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, ou seja, o contribuinte titular da conta de depósito bancário é quem deve demonstrar a origem do numerário creditado (dos depósitos), sob pena da autoridade fiscal poder, com base na presunção legal, caracterizá los como renda tributável deste, que é o contribuinte legalmente determinado. Caberia à autuada, na forma disposta pela Lei, refutar a presunção legal através de documentação hábil e idônea, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem de seus créditos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa passível de prova em contrário. No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas – JUSTECRJ1979 pg. 806, José Luiz Bulhões Pedreira defende com muita clareza essa posição: “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” Por comprovação de origem, aqui, há de se entender a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, mas também a natureza do recebimento, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. Com a devida vênia aos que adotam entendimento diverso, entendo como incabível que se quisesse, a partir da edição do referido art. 42, se estabelecer o ônus para a autoridade fiscal de, uma vez identificada a fonte dos recursos creditados, sem que tenha restada comprovada sua natureza (se tributável/tributado ou não), provar que se tratavam de recursos tributáveis, afastandose, assim, a presunção através da mera identificação de procedência do fluxo financeiro. Ainda quanto à citada presunção, entendo, ainda, que decorre de disposição expressa do §3o. do art. 42 em questão a necessidade de se comprovar cada depósito de forma individualizada, vedado assim que se tente justificar determinado somatório de depósitos de forma genérica. Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 9202005.243 CSRFT2 Fl. 1.498 11 Quanto à necessidade de coincidência de datas e valores, entendo que se deva, porém, fazer ressalva. Em meu entendimento, o que deve haver é uma correspondência (e não coincidência) unívoca entre cada depósito realizado e a respectiva documentação suporte, hábil e idônea comprobatória de sua origem (abrangendo sua natureza), permitido, assim, haver divergência entre datas e valores dos documentos comprobatórios e dos depósitos realizados, mas somente, notese, no caso em que tal divergência seja devidamente esclarecida pelo autuado, também com base em suporte probatório hábil e idôneo. Assim, tanto quanto ao valor principal constante da documentaçãosuporte e àquele que compõe eventual diferença, necessária a anexação, pelo autuado, de elementos que comprovem que os recursos, provenientes da transação alegada como origem de recursos, transitaram pela conta corrente em questão. Exemplificando sob uma ótica prática, entendo que possa se aceitar que o valor da nota fiscal de determinada operação mercantil sirva como comprovação para depósito de valor mais elevado realizado posteriormente à transação, uma vez que se deva esta diferença a encargos pactuados pela dilação do prazo de pagamento, desde que, notese, reste devidamente comprovada a incidência de tais encargos e o pagamento de principal e encargos pelo devedor referente à transação na conta do credor. Incabível, assim, em meu entendimento, que a autoridade fiscal ou o julgador possa assumir que a não coincidência individual se deva a este ou àquele motivo, considerandose, aqui, o ônus da prova claramente estabelecido pelo dispositivo de forma a recair, in casu, sobre o contribuinte. Para o caso em questão, a partir da análise dos autos, verifico que: a) Quanto aos valores creditados na Conta Corrente SICOOB/CREDIMOC 11.029, exonerados pelo recorrido e decisão integrativa, constantes de extratos de efls. 162 a 235 (com histórico "Cred. Liberação TD") e pleiteados como comprovados pelo contribuinte por documentos da própria SICOOB, na forma de argumentação efls. 1268 a 1273. Entendo que, mesmo considerando todas as fichas gráficas de operação constantes de efls. 683 a 1020 e resumidas na planilha de efls. 1282 a 1296, tudo que restou comprovado foi que se tratavam, ali, de descontos de cheques procedentes de terceiros identificados, o que é insuficiente para se determinar a natureza dos recursos, em especial se são ou não de natureza tributável e se foram ou não objeto de tributação pelo contribuinte. Assim, a partir da fundamentação acima disposta, não restou comprovada, através de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos em litígio (aqui abrangida sua natureza tributável ou não) e, destarte, escorreita, quanto aos referidos recursos, a aplicação da presunção pela autoridade lançadora, sendo de se dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto a tais valores, restabelecendose no lançamento o valor de R$ 803.943,21 para o anocalendário de 2005 e R$ 659.528,95 para o anocalendário de 2006. b) Valores alegadamente originados de empréstimos de pessoas físicas, creditados na contacorrente 10.630 do Banco do Brasil, histórico "Transferência on line ou TEDCrédito em conta (extratos de efls. 107 a 143) e, ainda na mesma conta 11.029 da SICOOB, histórico "CRÉD. TEDSTR" (extratos de efls. 162 a 235 ), também pleiteados pelo contribuinte como justificados na forma de efls. 1273 a 1274: Aqui, tudo que se encontra nos autos de forma a se tentar elidir a presunção são as alegações de efls. 434 a 452 e 678 a 681 e documentos de transferência efls. 1036 e Fl. 1503DF CARF MF 12 1053, não tendo sido carreada nenhuma documentação adicional, limitandose, ainda, tais alegações e documentos anexados, novamente, a a identificar a fonte (procedência) dos créditos tributados. Assim, também aqui, a partir da fundamentação acima disposta, não restou comprovada, através de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos em litígio, aqui abrangida sua natureza. Especificamente quanto aos dois créditos (de R$ 24.670,00, datado de 15/02/2006 e R$ 8.000,00, datado de 20/03/2006), supostamente oriundos de contascorrentes do contribuinte e aquele de R$ 10.000,00, datado de 28/07/2006, supostamente oriundo de venda de veículo, perfeitas as observações constantes do Relatório Fiscal de efl. 1174, as quais se acede aqui, adotandoa como razões de decidir, verbis: "(...) Há também, na Tabela 5, dois créditos cuja origem não foi comprovada referentes a TEDs que, segundo o contribuinte, teriam sido efetuados por ele mesmo (um em 15/02/2006 e o outro em 20/03/2006). Com relação ao TED de 15/02/2006, embora o contribuinte tenha apresentado o documento exibido à fl. 1.017, este documento informa uma ordem de pagamento, em dinheiro(grifei), na conta 11.029 da agência 3.075 da SICOOB/CREDIMOC. Não há transferência de recursos, nem o saque do respectivo valor em nenhuma das contas correntes do contribuinte nos dias imediatamente anteriores nem na data em questão. Tratase, portanto, de "recurso novo" cuja origem não foi comprovada. De forma semelhante, ao crédito representado pelo TED de 20/03/2006 (no valor de R$ 8.000,00, na conta 11.029 da agência 3.075 da SICOOB/CREDIMOC) não corresponde um débito na conta corrente informada pelo sujeito passivo (conta 24.491 da agência 0385 do Bradesco SA). De forma que, também neste caso, não é possível atender o pleito do contribuinte. Por fim, há um crédito cuja origem pleiteada é a venda de um veículo em 2006. Para este crédito não foi apresentado nenhum comprovante, além de não constar na Declaração de Bens das DIRPF 2006 e 2007 o registro de tal bem entre os de seu patrimônio. Por isso, é impossível reconhecer a origem deste crédito também. (...)" Destarte, também não comprovadas as alegações de origem para tais créditos. Assim, escorreita quanto à totalidade dos referidos recursos abordados também neste item, a aplicação da presunção, sendo de se dar provimento quanto a tais valores. ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendose no lançamento o valor de R$ 78.378,00 para o anocalendário de 2005 e R$ 107.112,17 para o anocalendário de 2006. Finalmente, quanto às diferenças mínimas anteriormente mencionadas (R$ 0,21 em 2005 e R$ 0,02 em 2006), ainda que imateriais, concluo não estarem abrangidas pelo Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 9202005.243 CSRFT2 Fl. 1.499 13 Recurso Especial da Fazenda Nacional, considerandoas, assim, transitadas em favor do autuado, não mais estando sob litígio. Assim, a partir do acima disposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que, reformandose o recorrido, sejam restabelecidos no lançamento os valores de R$ 882.321,21 para o anocalendário de 2005 e R$ 766.641,12 para o anocalendário de 2006. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1505DF CARF MF
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