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Numero do processo: 13502.900795/2009-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005
DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO.
Só se pode cogitar de declaração de nulidade de despacho decisório quando for, esse despacho, proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005
SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS.
O valor recolhido a título de estimativas de IRPJ ou CSLL integra o saldo negativo do período de apuração e, como tal, é passível de restituição e compensação com outros tributos.
Numero da decisão: 1803-000.847
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para que o direito creditório pleiteado seja apreciado como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o
Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, relator, que dava provimento parcial para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de despacho decisório quando for, esse despacho, proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. O valor recolhido a título de estimativas de IRPJ ou CSLL integra o saldo negativo do período de apuração e, como tal, é passível de restituição e compensação com outros tributos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900795/200995 Acórdão n.º 180300.847 S1TE03 Fl. 86 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que o direito creditório pleiteado seja apreciado como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, relator, que dava provimento parcial para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900795/200995 Acórdão n.º 180300.847 S1TE03 Fl. 87 3 Relatório Adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 54verso e 55): Trata o presente de Manifestação de Inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF de Camaçari, que através de Despacho Decisório Eletrônico nº 824958685 emitido pelo seu titular, indeferiu o pedido de compensação declarado através do PER/DCOMP nº 02963.36632.200206.1.7.04 8038, transmitido em 20/02/2006. O citado pedido de compensação objetivava quitar os débitos relacionados nas fls. 38 do PAF, com o saldo da restituição decorrente do pagamento a maior da estimativa mensal da CSLL, do período de apuração 12/2004, código 2484, recolhida em 31/01/2005. A impugnante teria recolhido indevidamente o valor de R$ 676.193,44, para um valor devido de R$ 115.835,21 referente à estimativa da CSLL, período de apuração 12/2004, o que resultaria em pagamento a maior no montante de R$ 560.358,23. O pedido foi negado pela DRF Camaçari sob a seguinte fundamentação: Limite de crédito analisado correspondente ao valor original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (R$ 560.358,23). Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O Despacho Decisório indica, como enquadramento legal, os arts. 165 a 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa nº 600, de 2005, art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Tempestivamente, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, apresentando os seguintes argumentos: 01 Nulidade do Despacho Decisório Alega a impugnante, “que o Despacho Decisório deve ser motivado de modo articulado, para que haja convencimento em relação aos motivos de fato e de direito que levaram, nesse caso, à não homologação das compensações, sob pena de se inviabilizar a ampla defesa do Contribuinte, assegurada constitucionalmente no inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal vigente”. Com base em posicionamentos doutrinários, aduz que “conforme disposto na Lei 9.784/99, art. 2º, parágrafo único VII, prevalece a exigência de indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinaram a decisão. Além disso, o art. 50, I, do mesmo diploma legal estabelece obrigatoriedade de motivação, com indicação Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900795/200995 Acórdão n.º 180300.847 S1TE03 Fl. 88 4 dos fatos e fundamentos jurídicos quando neguem, limitem ou afetem interesses, isto é, em que os atos, de alguma forma, afetem interesses individuais”. “No caso em tela, a descrição dos fatos é genérica e deficiente, não havendo sequer menção ao saldo negativo ou estimativa mensal apurada pela impugnante, ou seja, não há informação básica em relação ao caso concreto. Portanto, o vício apresentado deve ensejar o reconhecimento da nulidade do despacho decisório recorrido, determinandose que a autoridade administrativa proceda a nova análise do PER/DCOMP transmitido pela Impugnante”. [...]. 2. Consta, ainda, da impugnação apresentada, o seguinte (fls. 4 e 5): Como visto, tratase de despacho decisório que não homologou as compensações vinculadas ao PER/DCOMP n° 02963.36632.200206.1.7.048038, sob o fundamento de que o crédito informado somente poderia ser utilizado para compor o saldo negativo de CSLL. Nesse caso, a Impugnante indicou no PER/DCOMP o crédito decorrente do pagamento a maior de CSLL (código: 2484), relativo ao período de apuração de 31/12/2004, no valor de R$ 676.193,44 (seiscentos e setenta e seis mil, cento e noventa e três reais e quarenta e quatro centavos), conforme DARF em anexo (Doc. 04). Entretanto, conforme se verifica da DIPJ 2005, anocalendário 2004, a CSLL apurada no período em questão era de apenas R$ 115.835,21 (cento e quinze mil, oitocentos e trinta e cinco reais e vinte e um centavos), ensejando o pagamento a maior de R$ 560.358,23 (quinhentos e sessenta mil, trezentos e cinquenta e oito reais e vinte e três centavos), valor efetivamente indicado no PER/DCOMP transmitido (Doc. 05). 3. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 54): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Tendo o despacho decisório preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar a matéria indeferida, descabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O recolhimento das estimativas não configura pagamento extintivo de crédito tributário, mas mera antecipação do tributo devido a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação. Em consequência, passível de restituição e compensação é o saldo negativo de CSLL apurado na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900795/200995 Acórdão n.º 180300.847 S1TE03 Fl. 89 5 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA. Incabível a restituição de crédito tributário por pagamento a maior se ausentes a liquidez e a certeza do valor pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 4. Cientificada da referida decisão em 31/08/2009 (fls. 60), a tempo, em 24/09/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 61 a 73, instruído com os documentos de fls. 74 a 83, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900795/200995 Acórdão n.º 180300.847 S1TE03 Fl. 90 6 Voto Vencido Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório Argui a Recorrente, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório por falta de motivação. Sucede que referido Despacho Decisório encontrase devidamente motivado, conforme se observa a seguir (fls. 24): Limite de crédito analisado correspondente ao valor original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 179.184,56. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Rejeito a preliminar arguida, de nulidade do Despacho Decisório por falta de motivação. Mérito 5. Conforme se observa do presente processo, para um débito de estimativa, no mês de dezembro de 2004, de R$ 115.835,21 (DIPJ de fls. 42), recolheu a Recorrente um montante de R$ 676.193,44 (Darf de fls. 28), dos quais pretendeu compensar R$ 86.641,55 (Dcomp de fls. 29 a 33). 6. A própria decisão recorrida não se opõe a essa conclusão (fls. 56verso): Portanto, não se nega que a impugnante possa ter crédito em relação ao anocalendário de 2004, decorrente do recolhimento por estimativa em valor superior ao imposto (sic) apurado como devido ao final do exercício, [...]. 7. Entendeu, porém, aquela decisão que “o crédito passível de ser restituído é aquele apurado no ajuste anual e demonstrado na declaração de rendimentos, na qual são considerados os valores devidos por estimativa, assim como o imposto (sic) devido em relação ao ano todo” (fls. 56). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900795/200995 Acórdão n.º 180300.847 S1TE03 Fl. 91 7 8. Não posso menos do que discordar desse entendimento. 9. Ora, se na DIPJ são considerados os valores devidos por estimativa, este, no mês de dezembro de 2004, corresponde a R$ 115.835,21 (DIPJ de fls. 42), e não a R$ 676.193,44. 10. Se “tributo”, na forma do art. 3º do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), corresponde a uma “prestação pecuniária compulsória”, e mais, “instituída por lei”, tudo o que é recolhido pelo sujeito passivo e que venha a extrapolar o “devido em face da legislação tributária aplicável” (art. 165, I, do CTN), tributo não é, configurandose meramente como um pagamento indevido. 11. Igual raciocínio é válido para a sistemática de recolhimento por estimativas: estas apenas podem ser consideradas a esse título se limitadas ao legalmente previsto na norma específica (art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996). 12. Dito de outro modo: não é porque o sujeito passivo optou pela sistemática de apuração anual com antecipações mensais calculadas de forma estimada que qualquer valor que este venha a recolher passará, inexoravelmente, a ser considerado como se fora estimativa. 13. É bem de se ver que, somente as estimativas devidas na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. 14. A esse mesmo entendimento, aliás, chegou a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), ao suprimir em boa hora do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, restrição que existia nesse sentido, oriunda do art. 10 das Instruções Normativas SRF nºs 460, de 18 de outubro de 2004, e 600, de 28 de dezembro de 2005. 15. Sendo esse ato meramente interpretativo (interpretação das normas materiais que definem a formação e a constituição do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL), retroage ele para atingir as situações anteriores à sua edição. 16. De se recordar, por oportuno, que a própria RFB reconhece a possibilidade de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal antes da vigência da IN SRF nº 460, de 2004, conforme se verifica pela leitura de observação presente no Ajuda do programa gerador do Per/Dcomp 4.3: OBS.: Anteriormente à IN SRF nº 460/2004, não era obrigatória a utilização de pagamento indevido ou a maior de CSLL a título de estimativa mensal na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Assim, o valor pago a maior a título de estimativa de CSLL de janeiro/2004 (R$ 400,00) poderá ser objeto de Pedido de Restituição ou de Declaração de Compensação, pois não foi lançado na DIPJ. 17. Mencionase, a respeito, o seguinte precedente administrativo: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900795/200995 Acórdão n.º 180300.847 S1TE03 Fl. 92 8 Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. (Acórdão nº 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção Sessão de 9 de julho de 2010) 18. Cumpre ressaltar, porém, que a interpretação aqui exposta tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a mera mudança de opção (com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços ou balancetes de suspensão ou redução). 19. Claro está, também, que o sujeito passivo, quando do encerramento do ano calendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 20. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação da CSLL devida no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13502.900795/200995 Acórdão n.º 180300.847 S1TE03 Fl. 93 9 Voto Vencedor Conselheiro Walter Adolfo Maresch, Redator Designado Não obstante o tradicional brilhantismo do ilustre conselheiro relator, seu voto não foi acompanhado pelos demais conselheiros desta Terceira Turma Especial. Com efeito, embora a matéria comporte interpretações variadas no âmbito deste colegiado julgador administrativo, resta evidente que afastadas as possíveis utilizações indevidas de valores recolhidos à título de estimativa, considerando a fungibilidade do direito de repetição de valores recolhidos indevidamente ao longo do ano calendário, é de se acolher o pedido da requerente desde que comprovado efetivo saldo negativo ao final do período de apuração do imposto ou contribuição social. Ou seja, havendo efetivo recolhimento a maior no período evidenciado por saldo negativo de IRPJ ou CSLL (já computado o suposto recolhimento a maior) deve ser reconhecido o direito creditório correspondente e homologadas as compensações realizadas. No caso em tela, tratase de estimativa de CSLL referente ao período de apuração 12/2004 cujo recolhimento ocorreu somente em Janeiro de 2005. Neste sentido, não há dúvidas que conforme a DIPJ do Ano Calendário 2004 (fl. 43) a recorrente apurou saldo negativo de CSLL no valor de R$ 631.113,85 e que conforme a própria contribuinte reconhece, neste saldo negativo se encontra computado o valor do DARF recolhido à título de estimativa no valor de R$ 676.193,44 (fl. 28) e decorrente da estimativa apurada no mês de dezembro de 2004 (fl. 42) cujo valor devido é inferior ao efetivamente recolhido. Destarte, impende reconhecer que a recorrente efetivamente dispõe de saldo negativo de CSLL no ano calendário 2004, em princípio bem superior aos débitos, que poderá ser utilizado para as compensações requeridas neste processo, computandose no entanto quaisquer outras compensações realizadas à este ou outro título (saldo negativo ou recolhimento indevido de CSLL). Diante do exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso para que o direito creditório seja analisado pela unidade de origem à título de saldo negativo de CSLL. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Redator Designado. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 01/04/2011 por SERGIO RODRIGUES M ENDES, 30/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002952/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES RECEBIDOS EM AÇÃO TRABALHISTA. DESPESA SUPORTADA PELO CONTRIBUINTE. COMPROVAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não são tributáveis as despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, quando comprovadamente tiverem sido pagas pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto condutor.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: Ronaldo de Lima Macedo
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto condutor. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
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DESPESAS PARA O RECEBIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Recorrente ARMANDO EUSTÁQUIO NUNES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES RECEBIDOS EM AÇÃO TRABALHISTA. DESPESA SUPORTADA PELO CONTRIBUINTE. COMPROVAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não são tributáveis as despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, quando comprovadamente tiverem sido pagas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 29 52 /2 00 9- 93 Fl. 54DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento, nos termos do relatório e voto condutor. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11543.002952/200993 Acórdão n.º 2402005.561 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de retorno de recurso voluntário cujo julgamento foi sobrestado, conforme resolução de fls. 50/52, na qual o feito foi assim relatado: Tratase de omissão de rendimentos recebidos pelo autuado de pessoa jurídica, em processo judicial trabalhista, no importe de R$ 24.890,31. O contribuinte havia declarado o importe de R$ 92.617,14 (fl. 13), e a fiscalização considerou o montante recebido de R$ 117.507,45 (fl. 07), pois o contribuinte/reclamante não comprovou ter suportado o pagamento da contribuição previdenciária que constou nos autos judiciais. O então impugnante alegou que a omissão acima, fração dos rendimentos percebidos, referiase ao pagamento do INSS e outras despesas na citada ação judicial. A 3a Turma de Julgamento da DRJBrasília (DF), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0339.699, de 13 de outubro de 2010 (fls. 21 e seguintes). Em essência, a decisão acima negou a pretensão do impugnante ao argumento de que não restou comprovado que ele tivesse suportado o pagamento da contribuição previdenciária GPS acostada aos autos, em nome da Itabrasco, no importe de R$ 25.360,41. O contribuinte foi intimado da decisão acima em 17/07/2011. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 18/07/2011. No voluntário, o recorrente repisou suas alegações deduzidas na impugnação, juntou aos autos cópia do alvará de levantamento judicial dos valores, no importe de R$ 92.047,34 (fl. 41), cópia da GPS em nome da Itabrasco (fl. 42) e memória de cálculo da reclamatória trabalhista (fl. 43). O julgamento foi sobrestado, conforme resolução de fls. 50/52, para aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE 614.406, cujo tema 228 é a incidência de imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão por que deve ser conhecido. O regime de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, na época do recebimento dos valores, era estabelecido pelo art. 12 da Lei no 7.713/1988 nos seguintes termos: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Como se observa, a disciplina legal era de que a incidência do imposto de renda se dava no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento. A analisando os documentos apresentados pelo contribuinte relativos à reclamatória trabalhista no 00796.2005.005.17.0202, a fiscalização entendeu não comprovado que o sujeito passivo teria suportado o ônus do pagamento da contribuição previdenciária que constou nos autos judiciais (fl. 6), lançando como omissão de rendimentos recebidos pelo autuado de pessoa jurídica, em processo judicial trabalhista, a quantia de R$ 24.890,31. Com o recurso voluntário, o sujeito passivo apresentou o cálculo de atualização monetária e juros de mora do referido processo judicial (fl. 43), datado de 22/11/2006, onde o contribuinte teria a receber o valor líquido, sem FGTS, de R$ 80.248,07. Também com a peça recursal, o Interessado trouxe o alvará judicial (fl. 41) constante do referido processo trabalhista, datado de 23/02/2007, com autorização para o levantamento do valor de R$ 90.358,59 que, atualizado para a data do saque efetivo, resultou no valor recebido pelo contribuinte de R$ 92.047,34, conforme consta da autenticação bancária no mesmo documento. De notase que o contribuinte já havia declarado como rendimentos tributáveis o valor de R$ 92.617,14 (fl. 15) relativo à mesma fonte pagadora. É de se compreender, por conseguinte, que a contribuição previdenciária constante da guia da Previdência Social (fl. 42), no valor de R$ 25.360,41, recolhida em 02/03/2007, foi suportada pelo contribuinte, tendo sido efetivamente deduzida do valor por ele recebido na ação trabalhista, fato confirmado pelos cálculos de liquidação, também trazidos com o recurso voluntário. O valor da GPS recolhida não coincide exatamente com o valor da suposta omissão de rendimentos (R$ 24.890,31) em decorrência da diferença de datas entre a liquidação e o efetivo pagamento, tendo havido a correção tanto do valor recebido quanto da contribuição previdenciária devida. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11543.002952/200993 Acórdão n.º 2402005.561 S2C4T2 Fl. 4 5 Assim, concluímos que o valor de R$ 24.890,31, lançado como omissão de rendimentos, corresponde à contribuição previdenciária que foi suportada pelo contribuinte, constituindo, portanto, despesa com a ação judicial, que nunca deveria ter sido tributada. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.003290/2001-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO PROVENIENTE DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PRAZO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SÚMULA 91 DO CARF.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO
Comprovado o pagamento a maior relativo ao "saldo negativo de IRPJ ocorrido em 31/12/1996", devem ser homologadas as compensações declaradas no limite do direito creditório pleiteado no presente processo.
Numero da decisão: 1201-001.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO PROVENIENTE DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PRAZO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SÚMULA 91 DO CARF. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO Comprovado o pagamento a maior relativo ao "saldo negativo de IRPJ ocorrido em 31/12/1996", devem ser homologadas as compensações declaradas no limite do direito creditório pleiteado no presente processo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (documento assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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CRÉDITO PROVENIENTE DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PRAZO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SÚMULA 91 DO CARF. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO Comprovado o pagamento a maior relativo ao "saldo negativo de IRPJ ocorrido em 31/12/1996", devem ser homologadas as compensações declaradas no limite do direito creditório pleiteado no presente processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 32 90 /2 00 1- 27 Fl. 336DF CARF MF 2 Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados na Resolução nº 1803 00.029, da 3ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, de sorte que pedimos vênia para reproduzilos: Tratase de pedido de restituição/compensação de saldos negativos de IRPJ e CSLL, e de PIS repique e dedução, relativos aos anos de 1995, 1996 e 1997, no montante de R$ 162.203,20. A autoridade administrativa indeferiu os pedidos da contribuinte, com base nos seguintes argumentos: • Verificandose os demonstrativos de fls. 4/6, constatase que a origem dos créditos são recolhimentos de IRPJ e CSLL efetuados entre 01 a 05/95, 07/95, 08/95, 01/96, 03 a 06/96, 09/96, 11/96 e 01/97, e PIS dedução e PIS repique relativos aos meses de 01 e 02/96, somados a um "saldo" anterior de crédito de IRPJ relativo ao ano de 1994. • O interessado formalizou o processo em 28/12/2001. Nesta data, já havia decaído o direito creditório relativo aos valores pagos a maior até 27/12/1996, nos termos dos arts. 168 e 165 do CTN. • Da análise das planilhas apresentadas pelo interessado concluise que foram compensados, durante e ao final do ano de 2000, os saldos negativos apurados ao final de 1997. A Delegacia de Julgamento acolheu parcialmente a manifestação de inconformidade, com base nos seguintes fundamentos: a) Por ter transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre a formulação do pedido de restituição/compensação e os pagamentos efetuados a título de IRPJ e CSLL, não mais são passíveis de ser reconhecidos os direitos creditórios sobre os pagamentos efetuados durante o ano de 1995, conforme estabelece o Ato Declaratório SRF n° 96/1999. b) Recolhimentos de PIS repique e PIS dedução: o interessado recolheu o PIS dos meses 1, 2, 4, 5, 6, 9 e 11/96 e 1/97 na modalidade já extinta (PIS repique) e deixou de recolher o devido (PIS faturamento), conforme determinação legal. Os valores recolhidos até 27/12/1996 não são mais passíveis de restituição e os recolhidos em dezembro de 1996 e fevereiro de 1997 não suprem o devido como PIS faturamento. c) Saldo Negativo de IRPJ de 1996: reconheceu saldo de R$ 45.955,99, após dedução do valor relativo a lançamento suplementar considerado procedente por acórdão da 7ª Câmara do 1º CC (processo n° 15374.002940/9994). d) Quadro resumo dos saldos negativos reconhecidos: Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13707.003290/200127 Acórdão n.º 1201001.572 S1C2T1 Fl. 337 3 Tributo Valor do crédito (R$) Data de origem IRPJ 45.955,99 31/12/96 CSLL 6.924,64 31/12/96 IRPJ 55.193,40 31/12/97 CSLL 11.381,24 31/12/97 TOTAL 119.455,27 Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) Por tratarse de saldo negativo, o prazo de contagem da decadência somente começa a ser contado, a partir de janeiro de 1997, 1998 e 1999. b) O lançamento objeto do processo n° 15374.002940/9994 foi objeto de recurso de divergência, acatado pela Câmara Superior e encontrase nesse Conselho para julgamento, não podendo já ser objeto de dedução do crédito legítimo da recorrente. O processo foi originalmente distribuído à extinta 3ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento deste Colegiado, que, por força da Resolução nº 180300.029, de 05 de novembro de 2009, resolveu, por unanimidade de votos, sobrestar o presente processo até a decisão final do processo nº 15374.002940/9994. Reproduzo, a seguir, o voto condutor da Ilustre Conselheira Selene Ferreira de Moraes: A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 01/10/2007 (AR de fls. 266 verso). O recurso foi protocolado em 31/10/2007, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Conforme anteriormente relatado, foi deduzido do saldo negativo de IRPJ relativo ao ano de 1996, valor equivalente à lançamento suplementar objeto do processo n° 15374.002940/999. A decisão recorrida consignou que lançamento suplementar foi considerado procedente por acórdão da 7ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes. A recorrente aduz que o processo n° 15374.002940/9994 foi objeto de recurso de divergência, acatado pela Câmara Superior, e encontrase nesse Conselho para julgamento, não podendo já ser objeto de dedução do crédito legítimo da recorrente. Não há como se negar que o deslinde da matéria objeto daquele processo influencia diretamente a validade das compensações efetuadas no presente caso, bem como que aquela decisão está sujeita a alterações à vista do acolhimento do agravo interposto Fl. 338DF CARF MF 4 pela recorrente pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, prosseguir com a cobrança no caso dos autos implicaria na execução provisória da sentença nos termos do artigo 588 do Código de Processo Civil Brasileiro, cujo rito e forma encontramse na esfera de atuação das autoridades judiciárias. Como a decisão daquele processo, do qual este também depende, não é definitiva, é de se sobrestar a apreciação do feito até sua decisão final, nos termos do artigo 265, IV, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que assim dispõe: "Art. 265 Suspendese o processo: IV quando a sentença de mérito: II) a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente. " Ante todo o exposto, concluo que este julgamento deve ficar sobrestado até o final do julgamento do processo n° 15374.002940/9994. Por sua vez, a DRF de origem informou em 17/10/2011, por meio do despacho de fls. 334: Acontece que, conforme cópias extraídas do processo 15374.002940/9994, fls. 312/325, o contribuinte apresentou desistência da manifestação de inconformidade do referido processo, e também da ação judicial que havia interposto questionando o trâmite administrativo da manifestação de inconformidade, para se aproveitar dos benefícios previstos na Lei n° 11.941/2009. Assim, verificouse que houve a consolidação do processo na modalidade pagamento à vista, com os benefícios da lei supra citada, estando o processo na situação liquidado. Portanto, não há mais que se aguardar decisão final no mencionado processo, razão pela qual o presente deve ser enviado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. O processo 15374.002940/9994 foi digitalizado, para possibilitar eventual consulta por parte do Conselho. Diante do exposto, o presente processo deve ser transformado em processo digital e encaminhado ao CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13707.003290/200127 Acórdão n.º 1201001.572 S1C2T1 Fl. 338 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Em seu recurso, a contribuinte pede seja afastada a decadência. Entendo que merece ser acolhida, nessa parte, a pretensão da recorrente, uma vez que o Pleno do Supremo Tribunal Federal declarou, em regime de repercussão geral, a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Confirase a ementa do julgado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005 . Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 ano s contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156 , VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, por quanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, se m resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 340DF CARF MF 6 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não a penas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118 /05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, ELLEN GRACIE, STF.) Diante da decisão do STF acima transcrita, foi publicada a Súmula CARF nº 91, verbis: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. In casu, o pedido de restituição/compensação foi protocolizado em 28/12/2001, e os recolhimentos abarcam o período de 1995 em diante. Assim, acolho o recurso voluntário para afastar a decadência e aplicar a regra dos cinco mais cinco. Superada a questão da decadência, passo a discorrer acerca da dedução efetuada pela decisão a quo do saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1996 do valor equivalente ao lançamento suplementar objeto do processo n° 15374.002940/9994 no valor de R$ 46.639,20. Como registrado no relatório desse Acórdão, essa dedução não mais procede em virtude da liquidação do processo objeto de lançamento suplementar de IRPJ para o ano calendário de 1996. Assim sendo, dou provimento ao recurso voluntário para homologar as compensações declaradas até o limite do direito creditório pleiteado no presente processo, ou seja, no valor originário de R$ 162.203,20. Sabendose que desse valor a DRJ/RJ1 reconheceu parcialmente R$ 119.455,27. É como voto. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13707.003290/200127 Acórdão n.º 1201001.572 S1C2T1 Fl. 339 7 (documento assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Relator Fl. 342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.730581/2013-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007, 2008
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
Os efeitos tributários do ágio é gerado corretamente pela efetiva aquisição de participação societária por montante superior ao seu valor patrimonial de parte não vinculada e, após, deve haver incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controlador e controlada, como se verifica nos autos.
GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS (HEDGE). FALTA DE CONTRAPARTIDA EM RECEITAS DE MESMA NATUREZA.
Mantém-se a glosa de despesas relativas a perdas, relativamente a operações de hedge quando a empresa não comprova que adotou as necessárias providências para o recebimento das sacas de soja.
Numero da decisão: 1302-002.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para cancelar a glosa de amortização de ágio, vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado; e em NEGAR provimento ao recurso com relação à glosa de despesas com hedge, vencida a Conselheira Talita Pimenta Félix; e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente)
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Os efeitos tributários do ágio é gerado corretamente pela efetiva aquisição de participação societária por montante superior ao seu valor patrimonial de parte não vinculada e, após, deve haver incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controlador e controlada, como se verifica nos autos. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS (HEDGE). FALTA DE CONTRAPARTIDA EM RECEITAS DE MESMA NATUREZA. Mantémse a glosa de despesas relativas a perdas, relativamente a operações de hedge quando a empresa não comprova que adotou as necessárias providências para o recebimento das sacas de soja. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para cancelar a glosa de amortização de ágio, vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado; e em NEGAR provimento ao recurso com relação à glosa de despesas com hedge, vencida a Conselheira Talita Pimenta Félix; e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 05 81 /2 01 3- 67 Fl. 6459DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão 1452.722 da 5a. Turma da DRJ Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Impugnação, referente ao Auto de Infração, de 28/11/2013, fls. 3/46, relativo ao IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2006 a 2008, no valor total de R$35.280.094,94 (inclusos multa de oficio de 150% e juros de mora à taxa Selic, calculados até novembro/2013). Houve Recurso de Ofício (art. 34, inc. I, Dec. nr. 70.235/72 c.c. Port. MF nr. 3/2008). Do Auto de Infração A Recorrente foi autuada pela fiscalização da Receita Federal do Brasil em razão da suposta indedutibilidade de: (i) despesas com amortização de ágio; e (ii) despesas financeiras (hedge), conforme auto de infração decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nr. 03.01.0020110000075, o qual constituiu crédito tributário em favor da Fazenda Nacional relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Da Amortização de Ágio A fiscalização questiona a dedutibilidade da despesa relativa à amortização do ativo diferido (ágio) registrado pela Recorrente, em razão da incorporação das duas sociedades Bramans e CSRPAR, pelos dois motivos a seguir: a) a aquisição da totalidade das ações representativas do capital social da Recorrente pela Bramans e CSRPAR seria nula, em razão de as adquirentes serem "empresas veículos", o que, no entendimento da fiscalização, caracterizaria a hipótese de simulação, dolo ou fraude (item 2.2 do TVF), sendo os verdadeiros adquirentes a Nufarm Austrália Limited e a Nufarm NZ Limited; b) a justificativa econômica do ágio pago como sendo a expectativa de rentabilidade futura seria inidônea por defeitos formais dos demonstrativos exigidos pelo art. 20, § 3º, Declei nr. 1.598/77 (art. 385 do RIR/99); Da Impugnação Fl. 6460DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi cientificada da conclusão da DRF, em 29/11/2013 (fl. 5915) e apresentou Impugnação, em 26/12/2013, nos termos a seguir sintetizados: c) teria havido decadência do direito de lançar tributos no que tange aos períodosbase de 2006 e 2007, haja vista haver decorrido mais de cinco anos, seja pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional ou mesmo do art. 173, inciso I, do referido diploma legal; d) a aquisição do controle acionário da recorrente pelo grupo Australiano Nufarm ocorreu em duas fases distintas; na primeira transação, a Bramans, subsidiária integral brasileira da Nufarm, adquiriu 49,9% ao longo do ano de 2005; em 2007, outra sociedade brasileira integralmente controlada pela Nufarm (CSRPAR) adquiriu 50,1% do capital social da Recorrente, completando assim o controle de 100% do seu capital; e) em prevalecendo o argumento de nulidade do negócio jurídico realizado, deveria prevalecer a contratação de uma operação de compra e venda, sendo adquirentes a Bramans (49,9%) e a CSRPAR (50,1%); f) a objeção da fiscalização consiste no fato de que a aquisição da participação societária representativa do capital social da ora Recorrente se deu através de duas pessoas jurídicas brasileiras especificamente constituídas para essa finalidade; portanto, o vício apontado pela fiscalização seria a utilização de "empresasveículos", ou seja, sociedades controladas pelo grupo Australiano Nufarm; g) o ágio pago pelo Grupo Nufarm não poderia ser equiparado a um ágio interno, eis que nenhuma relação de parentesco ou de interesse comercial comum existia entre os vendedores e o grupo Nufarm; h) a jurisprudência do CARF tem decidido pela legitimidade de o comprador se estruturar previamente para fins de aquisição de participação societária, sem que tal faculdade constitua simulação; i) consequentemente, não afastaria a dedutibilidade da despesa de amortização a utilização de uma sociedade de propósito específico ou, como prefere chamar a fiscalização, "empresa veículo"; em nada infringe o ordenamento jurídico brasileiro, constituindo mero exercício de direito, inexistindo qualquer das figuras aludidas pela fiscalização, como dolo, conluio ou fraude; j) quanto ao ágio pago pela Bramans (aquisição de 49,9% do capital da Recorrente), a fiscalização levanta duas objeções, a saber: (i) a primeira, de natureza temporal, ou seja, que a demonstração teria que ter sido produzida antes da aquisição; e (ii) que a investidora Bramans não poderia ter contratado um terceiro para realizar a demonstração; k) quanto ao segundo ágio (50,1%), a objeção da fiscalização reside na: (i) suposta intempestividade (a demonstração foi produzida a posteriori, ou seja, alguns meses após a aquisição); e (ii) a menção no documento da Nufarm e não especificamente CSRPAR; Fl. 6461DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 5 4 l) a Recorrente sustentou, à época, que a exigência feita pela fiscalização não está contida na lei, ou seja, inexistem tais requisitos em qualquer ato normativo da Receita Federal; m) a fiscalização não levantou qualquer objeção no que tange à fundamentação econômica do ágio que seja relevante e tenha o condão de desautorizar a substância da operação realizada; n) assim, a Recorrente sustentou que as objeções de natureza formal apresentadas não são suficientes para autorizar a conclusão de que o ágio pago deveria ser considerado como indedutível; o) finalmente, a Recorrente sustentou que a adoção da multa qualificada improcede, tal como exposto no item 2.2 do TVF, haja vista que inexistiu simulação, fraude ou dolo. Da Exclusão Indevida de Perda em Operações no Mercado de Renda Variável Ocorridas no Exterior A fiscalização questiona a dedutibilidade das perdas que a Recorrente teria sofrido em operações de bolsa de valores no exterior, que não se qualificariam como operações de hedge, tendo em vista que tais operações não possuíam lastro operacional. A Recorrente contraditou a alegação da fiscalização sustentando que: a) todas as operações de hedge conduzidas possuíam sim lastro em operações verdadeiras e efetivamente contratadas com agricultores e produtores rurais; sustentou ainda que as obrigações dos referidos clientes foram legalmente contraídas, e que, portanto, as operações de hedge contratadas possuíam pleno respaldo contratual e operacional; em suma, a Recorrente não operou a descoberto na Bolsa de Chicago ou invocou falsos contratos de fornecimento com agricultores; b) tais perdas não decorreram de uma atitude especulativa da Recorrente, mas sim do fato de que houve um inadimplemento contratual pelos produtores rurais; c) o auto de infração invoca um dispositivo legal para a indedutibilidade da perda que é inaplicável à hipótese, qual seja, o § 4° do art. 76 da Lei n° 8.981/95, que é dispositivo que regula as perdas ocorridas no mercado de renda variável; as operações de hedge realizadas pela Recorrente não podem ser ditas como renda variável, eis que as mesmas ocorreram no exterior, mais especificamente na CBOT (Bolsa de Chicago), e para regular tal tipo de operação, o dispositivo específico seria o art. 396 do RIR/99; d) suas operações atendem perfeitamente ao disposto no dispositivo legal acima referido, bem como à Resolução CMN n° 3.312/2005, que regulamenta as operações de cobertura (hedge) de um ponto de vista cambial, restando assim inequívoca a inaplicabilidade do dispositivo legal invocado pela fiscalização para glosar a dedutibilidade das perdas ocorridas em função das operações de cobertura (hedge) realizadas pela Recorrente. Fl. 6462DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 6 5 Do Acórdão Recorrido Não obstante os fatos e os fundamentos apresentados pela Recorrente, a DRJ julgou parcialmente procedente a sua Impugnação, cujo acórdão registrou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada. IRPJ E CSLL. DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. Confirmada a hipótese de dolo, o termo a quo do prazo de decadência é contado do 1º dia do período de apuração seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso dos autos, ocorreu a decadência quanto ao anocalendário de 2006, haja vista que a ciência do auto de infração ocorreu em novembro/2013. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INTERNAÇÃO DE ÁGIO. Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é necessário que ele seja gerado corretamente pela efetiva aquisição de participação societária por montante superior ao seu valor patrimonial de parte não vinculada e, após, deve haver incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controlador e controlada. A inexistência da segunda operação descaracteriza a ocorrência de confusão patrimonial posterior, para fins de permitir a dedutibilidade da amortização do ágio gerado, mormente quando se trata de tentativa de internação do ágio por adquirente estrangeiro. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS (HEDGE). FALTA DE CONTRAPARTIDA EM RECEITAS DE MESMA NATUREZA. Correta a glosa de despesas relativas a perdas com hedge quanto a empresa não comprova a tributação dos ganhos que teria obtido em contrapartida a tais perdas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário A Recorrente está devidamente representada, conforme documentos de fl. 99, contrato social e alterações, fl. 6.324, procuração pública, fl. 6.325, cópia da Carteira de Fl. 6463DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 7 6 Identidade da OAB. Intimada do acórdão recorrido, em 16/10/2014 (fl. 6.296). Interpôs Recurso Voluntário, em 14/11/2014, cujas razões são a seguir sintetizadas: A Recorrente reiterou o Acórdão 1302001.150, transcrito em sua Impugnação, o qual trata de uma situação que afirma ser idêntica à que está em discussão neste processo, envolvendo a pessoa jurídica Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A., a qual teve seu recurso provido pelo CARF (anexou o acórdão na Impugnação): GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEVIDA. SIMULAÇÃO. NÃO CARACTERIZADA. Deve ser afastada a imputação de simulação, quando não demonstrado o pacto simulatório. O fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da Recorrente com ágio não se constitui em conduta simulada, pois, diante de dois caminhos lícitos, não estaria obrigado a optar pelo mais oneroso tributariamente, ou seja, aquele em que ele adquirisse diretamente as ações com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. A dedutibilidade da amortização do ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, após a incorporação da controladora pela controlada, encontra expressa previsão legal nos arts. 7° e 8º da Lei 9.532/97. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Tadeu Matosinho fez declaração de voto. Ressalta que a operação teria transcorrido da seguinte forma: a) o ágio pago decorreu de uma transação entre partes não relacionadas (de um lado a Família Studart e do outro a Bramans e a CSRPAR); b) a Bramans e a CSRPAR foram efetivamente partes adquirentes nos Contratos de Compra e Venda de Ações, que tinham por objeto a aquisição das ações da Recorrente (o Termo de Verificação Fiscal registra esses passos); c) a Bramans e a CSRPAR efetivamente liquidaram financeiramente a aquisição das ações da ora Recorrente (também registrado no TVF); d) a Bramans e a CRSPAR foram incorporadas pela Recorrente, nos termos do arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532/97. Alega que a Decisão insiste na posição de que essas duas pessoas jurídicas seriam meras "empresas veículo", e que os verdadeiros adquirentes seriam a Nufarm Austrália Limited e Nufarm NZ Limited; Reitera comentário feito na sua Impugnação no sentido de que "(...) é inelutável a conclusão de que a utilização de uma sociedade de propósito específico ou, como prefere chamar a fiscalização, "empresa veículo" em nada infringe o ordenamento jurídico brasileiro, constituindo um mero exercício de direito, inexistindo qualquer das figuras aludidas pela fiscalização, como dolo, conluio ou fraude." Fl. 6464DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 8 7 Quanto à questão formal levantada pelo Termo de Verificação Fiscal, no sentido de que os demonstrativos apresentados pela Recorrente, para fins de justificação econômica do ágio nos termos do art. 20 do Declei nr. 1.598/77, foram produzidos a destempo, a Recorrente observa que a Decisão silencia quanto à questão formal que tange à primeira aquisição ocorrida, em que era adquirente a Bramans. Quanto à segunda aquisição, a Decisão transcreve arrazoado produzido pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, que questiona o demonstrativo apresentado pela ora Recorrente, ante o argumento de que o mesmo foi datado de 10 (dez) meses após o pagamento do ágio. Inicialmente, cabe lembrar que o § 3º do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77 continha uma singela exigência, qual seja, de que o contribuinte deveria arquivar uma demonstração que evidenciasse o lançamento e os fundamentos econômicos da operação, conforme se depreende da transcrição a seguir: Art. 20. (...) § 3o O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2o deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Ou seja, inexiste qualquer exigência temporal, no que tange à elaboração da referida demonstração. Evidentemente, a produção de tal demonstrativo requer tempo, razão porque sua elaboração tomou 10 (dez) meses. Neste sentido, cabe invocar decisão do CARF, que no caso do Banco Itaucard S.A. (DOC. 02), decidiu expressamente que o demonstrativo exigido pelo art. 20, § 3°, do Decretolei n° 1.598/77 pode ser elaborado a posteriori (no caso, dois anos), conforme se depreende da transcrição abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano Calendário: 2007, 2008 ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Caso em que se demonstrou que o ágio foi pago com base na expectativa de resultados futuros, tanto por documentos contemporâneos ao investimento, janto por laudo elaborado posteriormente com base em informações da época. Ainda, se o julgador acredita que esse prazo é excessivo, deveria cotejar a nova redação do § 3º do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77, conforme alterado pela Lei n° 12.973/14, que concede ao contribuinte o prazo de 13 (treze) meses para elaborar tal demonstrativo, conforme transcrição a seguir: Art. 20. (...) Fl. 6465DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 9 8 § 3º O valor de que trata o inciso II do caput deverá ser baseado em laudo elaborado por perito independente que deverá ser protocolado na Secretaria da Receita Federal do Brasil ou cujo sumário deverá ser registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos, até o último dia útil do 13° (décimo terceiro) mês subsequente ao da aquisição da participação. Se o legislador concedeu ao contribuinte um prazo de 13 meses para a elaboração e registro do laudo, nos termos da inovação legislativa, não estaria a Decisão sendo excessivamente severa? A exemplo do princípio contido no direito penal e no direito tributário, não deveria a nova redação do § 3º do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77 ser aplicado de forma retroativa, nos termos do art. 106 do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito? Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com efeito, na situação ora em discussão, temos o contribuinte sendo penalizado por ter elaborado o demonstrativo requerido pelo § 3° do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77 a destempo, visto que o mesmo foi produzido 10 meses após a aquisição (a antiga redarão nem mesmo impunha qualquer prazo), quando a nova redação do mesmo dispositivo concede ao contribuinte até 13 meses para a sua elaboração. Quanto à questão do nome (se Nufarm Limited ou CSRPAR), é evidente que o profissional que elaborou o laudo se dirigia à adquirente como um grupo econômico, e a contextualização do referido laudo torna inequívoco que o mesmo se refere à aquisição efetuada pela CSRPAR. A seguir na mesma linha de argumentação adotada pela fiscalização, caberia indagar como seria a adquirente a empresa australiana, quando a carta é endereçada ao estabelecimento localizado em Maracanaú no Estado do Ceará. Ao que consta a Recorrente, tanto a Nufarm Austrália Limited quanto a Nufarm NZ Limited são residentes na Austrália e na Nova Zelândia respectivamente, inexistindo qualquer estabelecimento de titularidade das mesmas no Brasil. Cabe finalmente ressaltar que a Decisão (ou mesmo o Termo de Verificação Fiscal) em momento algum questiona o conteúdo do demonstrativo, mas sim se agarra a questões formais, como o aspecto temporal, o endereçamento do laudo ou o fato (em relação à primeira aquisição) de o mesmo ter sido produzido pela própria Recorrente. Em suma, não questiona o seu conteúdo, mas tão somente se agarra a pequenas formalidades não exigidas em lei. Da Exclusão de Perda em Operações no Mercado de Renda Variável Afirma a fiscalização no TVF que as operações praticadas pela ora Recorrente não possuíam natureza de hedge, devendo ser consideradas estritamente como operações Fl. 6466DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 10 9 especulativas, eis que não atenderiam ao disposto no § 1º do art. 77 da Lei n° 8.981/95, a seguir transcrito: Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos: V em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de valores, de mercadoria e de futuros ou no mercado de balcão. § 1° Para efeito do disposto no inciso V, consideramse de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Em decorrência da pretensão fiscal, no sentido de que a operação não teria a natureza de hedge, decorre uma limitação na dedutibilidade da perda, conforme § 4º do art. 76 da Lei n° 8.981/95, a seguir transcrito: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: I deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; II definitivo, no caso de pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta, e de pessoa física. § 4º (...) as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. Resumindo, nos termos do art. 77, § 1º, da Lei n° 8.981/95, as operações de hedge não devem ser consideradas como sendo operações de renda variável, visto que as mesmas deveriam ser tratadas como despesas operacionais normais, nos termos do art. 299 do RIR/99. Na medida que as operações ocorridas no mercado não possam ser qualificadas como hedge, nos termos do § 1° do art. 77, então tais operações seriam consideradas como sujeitas ao regime de renda variável, caso em que aplicar seia a limitação de dedutibilidade, ou seja, as perdas não poderiam exceder os ganhos ocorridos no mesmo mercado. Em suma, sustenta a fiscalização que as perdas incorridas na Bolsa de Chicago (CBOT) não possuíam a natureza de hedge, por não atenderem aos requisitos contidos no § 10 do art. 77, aplicandose em decorrência o § 4º do art. 76, ou sejam, limitação da dedutibilidade das perdas, até o limite dos ganhos auferidos em tais operações. Primeiro, a Recorrente demonstrou que as operações realizadas no referido mercado de futuros tinham sim por objetivo se proteger de perdas decorrentes de operações efetuadas com agricultores, que se obrigavam a efetuar um pagamento futuro, por meio de sacas soja. Tais perdas decorreram não de uma atitude especulativa da Recorrente de realizar vendas de opções futuras a descoberto, mas sim do fato de que houve um Fl. 6467DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 11 10 inadimplemento contratual pelos produtores rurais. Com efeito, a fiscalização não nega que houve os contratos de fornecimento de defensivos agrícolas com os produtores rurais, mas sim o fato de que estes não entregaram para a Recorrente as CPRs. A fiscalização repete todo o tempo que pelo fato de as CPRs não terem sido emitidas ou endossadas, "restou demonstrado que não havia direitos (contratos) que pudessem caracterizar como de cobertura as operações realizadas pela empresa na bolsa de Chicago (...)". Neste sentido, a Recorrente reitera a argumentação contida na sua Impugnação, conforme transcrição a seguir: 5.4 Ocorre que o contrato entre a Recorrente e o produtor rural se opera no momento em que este aceita o pedido de compra de defensivos (fls. 906 e seguintes). A partir deste momento, havia da parte da Recorrente a obrigação de fornecer os defensivos agrícolas e da parte dos produtores rurais a obrigação de entregar a soja. Tanto assim que os pedidos de compra contém observação de que se trata de "Pedido de Troca de Soja", enunciando inclusive a quantidade de soja a ser entregue, o endereço e data de entrega da soja. 5.5 A CPR não constitui um contrato de troca de soja, mas sim um negócio de garantia, nos termos da Lei n° 8.929/1994. Com efeito, a CPR constitui uma cártula, da mesma forma como um comerciante, ao realizar a venda de uma mercadoria, emite uma duplicata. A duplicata não é um contrato representativo da venda, mas sim um título de crédito que permite a cobrança judicial na hipótese de inadimplemento pelo comprador. 5.6 Exatamente o que ocorreu na hipótese. A Recorrente efetivamente contratou as operações de troca de soja, como comprovam os pedidos de fornecimento. Efetivamente existiu no mundo jurídico a obrigação pelo produtor rural de entregar a soja na quantidade, data e local aprazado. A CPR seria uma garantia adicional providência que a Recorrente deveria ter tomado, mas que por falha operacional, deixou de efetivar, incorrendo assim, em razão de tal falha operacional, na perda. Da mesma forma como se o produtor rural houvesse efetivamente entregue a soja, mas o galpão de armazenamento houvesse pegado fogo, sem que estivesse segurado. Portanto, claramente as operações realizadas pela Recorrente se encaixam na definição de hedge, conforme previsto no § 1º do art. 77 da Lei n° 8.981/95. Com efeito, tais operações visavam "exclusivamente, a proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas (...)", haja vista que as mesmas objetivavam proteger a Recorrente dos riscos decorrentes de seus direitos de crédito contra agricultores que prometeram pagamento futuro em moeda "saco de soja". Ainda, claramente tais contratos eram estritamente relacionados com as atividades operacionais da pessoa jurídica, eis que os créditos perante os referidos agricultores se originaram da venda de defensivos agrícolas, produto esse que é manufaturado pela Recorrente. Igualmente, não há como negar que tais operações destinavamse à proteção dos seus direitos de crédito contra os referidos agricultores. Neste sentido, decisão do Conselho de Contribuintes, a seguir: ACÓRDÃO 10194.851 Fl. 6468DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 12 11 1o Conselho de Contribuintes 1a. Câmara Decisão 1o Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 101 94.851 em 23.02.2005 IRPJ E OUTRO Ex(s): 1999 (...) IRPJ DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. Na análise da dedutibilidade das despesas decorrentes de operações no mercado financeiro, o Fisco tem em conta as características desse investimento Às perdas incorridas nas operações de cobertura, "hedge", inaplicável é a limitação de que cuida o § 4o do artigo 76 da Lei n° 8.981, de 1985, o que torna evidente concluir que a perda incorrida nas operações de cobertura, é dedutível sem observância daquele limite. Igualmente, a Recorrente sustentou que o dispositivo legal invocado pela fiscalização (fundamentação legal) é equivocado, haja vista que operações de renda variável não abrangem operações no exterior. As operações de hedge praticadas pela ora Recorrente estão amparadas não pelos arts. 76 e 77 da Lei n° 8.981/95, mas sim pelo art. 396 do RIR/99, a seguir transcrito: Art. 396. Serão computados na determinação do lucro real os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em bolsas no exterior (Lei n° 9.430, de 1996, art. 17). § 2º No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeito de apuração do lucro real, os lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão dedutíveis. Portanto, claramente há um erro de capitulação legal no Auto de Infração, eis que o mesmo invoca como fundamento legal dispositivo de lei inaplicável. A Decisão inovou, ao decidir que a autuação deve prevalecer, visto que a Recorrente deveria ter reconhecido "(...) a receita ou ganho pelo preço da soja na data da liquidação dos contratos, mesmo não tendo recebido o produto, em observância ao Regime de competência." Igualmente, a ementa da Decisão afirma como segue: Correta a glosa de despesas relativas a perdas com hedge quando a empresa não comprova a tributação dos ganhos que teria obtido em contrapartida a tais perdas. A Recorrente sustenta que o que está em discussão não é a correção do seu reconhecimento de receitas, mas sim o fato de que esta corretamente contratou operações de hedge que enquadram integralmente na definição contida no art. 396 do RIR/99, bem como no art. 77, § 1o, da Lei n° 8.981/95, razão porque deve ser considerada como legítima a perda sofrida pela Recorrente. Afinal de contas, o Auto de Infração glosou a dedutibilidade de uma perda, ante o argumento de a mesma não ser dedutível, e não apenou a Recorrente por omissão de receita, como a Ementa leva a crer. Resumindo, a Recorrente sustenta que a autuação, no que tange à glosa das perdas sofridas na Bolsa de Chicago deve ser revertida, pelos motivos a seguir: I erro de capitulação legal, haja vista que as operações de hedge ocorridas no exterior são reguladas pelo art. 396 do RIR/99, e não pela Lei n° 8.981/95, que rege Fl. 6469DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 13 12 tão somente as operações domésticas de hedge, no contexto de operações de renda variável, cabendo lembrar que o sistema de tributação de operações de renda variável constitui um sistema de incidência de imposto de renda muito específico e que não se coaduna com as operações transacionadas em bolsas estrangeiras; assim não fora, e qual seria a necessidade de haver duas normas distintas regulando a mesma área de incidência? II as operações de hedge realizadas claramente tinham por objetivo atender a necessidades operacionais da Recorrente, haja vista que esta permutava defensivos agrícolas por sacos de soja para entrega futura; a contratação das operações de hedge tinha por objetivo exatamente proteger a Recorrente dos riscos que poderiam advir da flutuação do preço da soja no período subsequente; III a perda sofrida decorreu de uma falha procedimental nas operações da Recorrente, ou seja, a não exigência da pronta entrega pelos agricultores das CPRs, que são um título extrajudicial que permite a execução da dívida; III a alta da soja combinada com a falha procedimental acima apontada gerou um incentivo fortíssimo para que os agricultores inadimplissem suas obrigações juridicamente contraídas; IV portanto, inelutável a conclusão de que as operações de hedge contraídas pela Recorrente atendem ao requisito da dedutibilidade seja pelo art. 396 do RIR/99, seja pelo art. 77, § 1°, da Lei n° 8.981/95; com efeito, as operações de hedge realizadas pela Recorrente (i) eram relacionadas às suas atividades operacionais, e (ii) destinavamse à proteção de direitos; V o fato de a Recorrente não ter reconhecido as receitas decorrentes das posições contratuais com os agricultores não afeta a conclusão no sentido de que as operações de hedge contratadas atendiam plenamente aos requisitos do art. 396 do RIR/99, bem como (ainda que o mesmo não seja aplicável) do § 1 °, art. 77, da Lei n° 8.981/95. Se a fiscalização efetivamente acredita no argumento, então deveria ter autuado a Recorrente por omissão de receita, e não glosar as perdas incorridas na CBOT, ante o falso argumento de que a Recorrente deveria ter contabilizado os ganhos decorrentes da valorização da soja. Da Multa Qualificada e da Decadência do Direito de Lançar nos Anos de 2006 e 2007 Cabe de início ressaltar que a decisão ora recorrida reconheceu a decadência no que tange ao períodobase de 2006, mas manteve autuação, em relação ao período base de 2007, ante o argumento de que "(...) o artificialismo caracterizado pela utilização de empresa veículo, absolutamente desnecessária, visando exclusivamente viabilizar a internalização e a amortização do ágio, subsumese à hipótese do art. 71 da Lei n° 4.502/1964 (...)", ou seja, sonegação. A Recorrente nega que a constituição de uma pessoa jurídica no País para servir de veículo para a aquisição de um investimento no Brasil possa ser caracterizada como sonegação. Sustenta que esse dispositivo é totalmente divorciado da situação fática ora sob análise. Em momento algum a Recorrente praticou qualquer ato que tivesse por forma mais eficiente a aquisição de um investimento. Sustenta a Recorrente que não cabe a alegação de que a mesma teria agido com dolo. Inicialmente, a Recorrente estranha o silêncio da Decisão em relação ao Acórdão colacionado pela Recorrente em sua Impugnação, onde, em situação fática idêntica, a Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A. teve reconhecida a Fl. 6470DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 14 13 inexistência de simulação, conforme decisão já transcrita neste Recurso Voluntário. Dita decisão deixa absolutamente claro que considera situação legítima o fato de o investidor no exterior preferir aportar capital em uma subsidiária brasileira, para em seguida adquirir um novo investimento no Brasil. Afirma ainda que inexiste a obrigação de o contribuinte optar pelo caminho fiscalmente oneroso. Em seguida, lembra a Recorrente que a sonegação se consuma no esforço de encobrir o fato gerador, segundo o tipo penal descrito no art. 71 da Lei 4.502/1964, e não no fato de eleger uma estrutura que lhe é fiscalmente mais benéfica para operar no Brasil. Neste sentido, a Recorrente transcreve decisão do antigo Conselho de Contribuintes, que confirma o entendimento acima: Número do Processo: 13603.002966/200395 Contribuinte: GARANTIA INDÚSTRIA COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA Tipo do Recurso: RECURSO VOLUNTÁRIO Data da Sessão: 25/06/2008 Relator(a): Flávio Franco Corrêa N° Acórdão: 10196803 Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento, e ACOLHER a decadência quanto aos fatos geradores até o mês de novembro de 1998, inclusive. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de oficio a 75%. Ementa: (...) Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, inc. I, do Código. Inexistência de pagamento, ou descumprimento do dever de apresentar declarações, não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1998, 1999, 2000 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PESSOAS SEM CAPACIDADE ECONÔMICOFINANCEIRA NA CONDIÇÃO DE SÓCIAS DE PESSOA JURÍDICA. A inclusão de pessoas de reconhecida incapacidade econômicofinanceira no quadro societário de pessoa jurídica, em substituição aos verdadeiros sócios, não é suficiente, tãosomente, para caracterizar a intenção de sonegar. Tal expediente pode configurar tentativa de frustrar eventual execução fiscal, não punível com multa qualificada. A sonegação se consuma no esforço de encobrir o fato gerador, segundo o tipo penal descrito no art. 71 da Lei 4.502/1964, e não na tentativa de frustrar a cobrança do crédito tributário. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1998, 1999, 2000 MULTA QUALIFICADA. FALTA DE DECLARAÇÃO. O descumprimento do dever acessório de entrega de declarações de rendimentos não autoriza a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96. Fl. 6471DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 15 14 Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1998, 1999, 2000 DESATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. AGRAVAMENTO DE PERCENTUAL DE MULTA EX OFFICIO. O agravamento dos percentuais de multa ex officio por desatendimento à intimação para prestar informações, de que trata o § 2o do art. 44 da Lei 9.430/96, pressupõe a caracterização da recusa ou do descaso da fiscalizada em relação às intimações da autoridade fiscal. Descabido o agravamento no caso de falta de apresentação de documentos que a fiscalizada não dispunha. Recurso Voluntário Provido em Parte, (g.n.) Ficando assim demonstrado que inexistiu sonegação, dolo, simulação, fraude ou qualquer outro vício equivalente, resta a conclusão de que o cômputo do prazo decadencial deverá se dar não pelo art. 173, inciso I, mas sim pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a seguir: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Considerando a inocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial em relação ao períodobase ocorrido em 2007 se iniciaria em 2008, quer dizer, a decadência operaria de pleno direito em 31 de dezembro de 2012. Como o Auto de Infração foi notificado no ano de 2013, não cabe outra conclusão senão que o direito de lançar do Fisco se extinguiu, devendo a autuação, nesse tocante, ser declarada como ineficaz. Finalmente, pelos mesmos argumentos acima aduzidos, sustenta a ora Recorrente que ainda que esse Conselho decida que a glosa da dedutibilidade do ágio deve prevalecer, o que a Recorrente admite apenas por amor ao argumento, então deveria a multa agravada para 150%, nos termos do art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96, ser reduzida para 75%. 3. DO PEDIDO 3.1 Diante do acima exposto, requer inicialmente que o julgador reconheça a ocorrência de decadência, afastando assim toda e qualquer cobrança relativa aos períodobase de 2007. 3.2 Caso o julgador entenda que não ocorreu a decadência em relação ao período base de 2007, que julgue quanto ao mérito que inexistiu qualquer vício no que tange à utilização das sociedades de propósito específico (Bramans e CSRPAR), bem como que as demonstrações previstas no § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77 estão isentas de qualquer questionamento, sendo legítima a contabilização do ágio e a dedutibilidade da despesa operacional decorrente de sua amortização. 3.3 Finalmente, em relação às operações de cobertura (hedge), que seja reconhecido que tais operações foram legitimamente celebradas, em conformidade com a Fl. 6472DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 16 15 legislação aplicável, e que, portanto, a perda incorrida conforme explicitado no Auto de Infração era dedutível. 3. 4 Consequentemente, pede que ao final o Auto de Infração seja considerado in totum improcedente. 3.5 Na hipótese de que o julgador entenda que a despesa operacional decorrente da amortização do ágio seja indedutível, que reduza a penalidade aplicada para 75% ao invés da multa qualificada de 150%, dado que inexistiu qualquer intuito de fraude pela Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma relatada, a recorrente está devidamente representada e interpôs recurso voluntário tempestivamente. Conheço do recurso. A Recorrente foi autuada pela fiscalização em razão da indedutibilidade de: (i) despesas com amortização de ágio; e (ii) despesas financeiras (hedge), conforme auto de infração decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nr. 03.01.0020110000075, o qual constitui crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A fiscalização questiona a dedutibilidade de despesa relativa à amortização do ativo diferido (ágio) registrado pela Recorrente, em razão da incorporação das duas sociedades Bramans e CSRPAR, pelos dois motivos a seguir: a aquisição da totalidade das ações representativas do capital social da Recorrente pela Bramans e CSRPAR seria nula, em razão de as adquirentes serem "empresas veículos", o que, no entendimento da fiscalização, caracterizaria a hipótese de simulação, dolo ou fraude (item 2.2 do TVF), sendo os verdadeiros adquirentes a Nufarm Austrália Limited e a Nufarm NZ Limited; a justificativa econômica do ágio pago como sendo a expectativa de rentabilidade futura seria inidônea por defeitos formais dos demonstrativos exigidos pelo art. 20, § 3º, Declei nr. 1.598/77 (art. 385 do RIR/99); A operação foi sintetizada da seguinte forma: a) o ágio pago decorreu de uma transação entre partes não relacionadas (de um lado a Família Studart e do outro a Bramans e a CSRPAR); b) a Bramans e a CSRPAR foram efetivamente partes adquirentes nos Contratos de Compra e Venda de Ações, que tinham por objeto a aquisição das ações da ora Recorrente (o Termo de Verificação Fiscal confirma esse ponto); Fl. 6473DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 17 16 c) a Bramans e a CSRPAR efetivamente liquidaram financeiramente a aquisição das ações da ora Recorrente (de novo, o Termo de Verificação também confirma esse ponto); d) Bramans e CRSPAR foram incorporadas pela Recorrente, nos termos do arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532/97. Sobre as matérias em litígio, o acórdão recorrido examinou e ao final concluiu da seguinte forma: Em litígio a exigência de ofício do IRPJ e CSLL do anoscalendário de 2006 a 2008, imputados à empresa NUFARM INDUSTRIA QUÍMICA E FARMACÊUTICA S.A., em face de auto de infração lavrado e cientificado em nov/2013. Conforme relatado, o Auto de Infração registra que a ora Recorrente teria cometido duas infrações fiscais, a saber: a) falta de Adição de Amortização de Ágio pago na Aquisição de Participações Societárias; e b) exclusão Indevida de Perda em Operações no Mercado de Renda Variável Ocorridas no Exterior. Segundo narrado pela própria Recorrente, a glosa da amortização do ágio verificou se, em síntese pelos seguintes fatos: O controle societário da Recorrente pertencia a uma pessoa física chamada Jorge Alberto Vieira Studart Gomes e familiares, que manifestaram o desejo de alienar 49,9% de suas ações para a pessoa jurídica brasileira denominada Bramans Holding S.A. (doravante Bramans). A totalidade do capital social da Bramans era controlada por duas pessoas jurídicas não residentes, a saber: (i) Nufarm Australia Limited; e (ii) Nufarm NZ Limited. Em 31 de janeiro de 2005, a Bramans subscreveu um aumento de capital social na Recorrente, o qual foi integralizado pelo valor de R$156.144.183,61. As ações emitidas pela Recorrente em razão da referida subscrição eram equivalentes a 23,18% do seu capital total. Considerando que o valor subscrito excedia ao seu valor patrimonial proporcional, a Bramans contabilizou um ágio no valor de R$100.324.725,51 (ver fls. 353 do processo). Na mesma data (31/01/2005), a Bramans subscreveu um aumento de capital na acionista controladora da Recorrente Delphia Participações S.A., no valor de R$163.322.316,39. Considerando que o valor subscrito excedia ao seu valor patrimonial proporcional, a Bramans contabilizou um ágio no valor de R$100.324.725,51 (ver fls. 353 do processo). Em 28 de fevereiro de 2005, os acionistas da Delphia deliberaram resgatar as ações de propriedade da Bramans, transferindo para a mesma a título de pagamento do resgate ações de emissão da Recorrente representativas de 26,72%. Considerando que a Bramans já participava no capital social da Recorrente com participação equivalente a 23,18%, após o acima referido resgate, a Bramans passou a deter participação no capital social da Recorrente equivalente a 49,9%. Considerando que o investimento da Bramans na Delphia havia sido adquirido pelo valor de Fl. 6474DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 18 17 R$163.322.316,39, a investidora computou um ágio em razão da participação adquirida no montante de R$ 94.862.353,49. Assim, somandose o ágio pago quando da subscrição de ações diretamente na Recorrente (R$100.324.725,51) com o ágio contabilizado em razão das ações havidas em razão do resgate efetivado pela Delphia (R$94.862.353,49), a Bramans passou a registrar um ágio total no valor de R$195.187.079,00 (fl. 352 e fl. 164). Em 15 de março de 2005, a Bramans foi incorporada pela Recorrente. Nos termos do art. 7º da Lei n° 9.532/97, o ágio acima referido, cuja justificativa econômica foi expectativa de rentabilidade futura (art. 20, § 2º, letra "b" do Decretolei n° 1.598/77) foi contabilizado pela Recorrente como um ativo diferido, amortizável em até 20% ao ano. Em consequência da referida incorporação, a Nufarm Australia Limited e Nufarm NZ Limited tornaramse acionistas da Recorrente, com uma participação equivalente a 49,9%. Em 13 de agosto de 2007, a sociedade CSRPAR Participações Ltda. controlada pelos mesmos acionistas da Recorrente (Nufarm Australia Limited e Nufarm NZ Limited) celebrou um contrato de compra e venda tendo por objeto 50,1% do capital social da Recorrente, pelo preço de R$350.000.000,00. Em razão da referida aquisição, a CSRPAR contabilizou um ágio no valor de R$183.084.507,89, que seria justificado economicamente como expectativa de rentabilidade futura, nos termos do art. 20, § 2º, letra "b" do Decretolei n° 1.598/77. Em 30 de setembro de 2007, a CSRPAR foi incorporada pela Recorrente, de forma tal que o ágio pago pela incorporada foi registrado pela Recorrente como ativo diferido, o qual passou a ser amortizado, nos termos do art. 7º da Lei n° 9.532/97. Em relação às operações acima descritas, a fiscalização questiona a dedutibilidade da despesa decorrente da amortização do ativo diferido registrado pela Recorrente, em razão da incorporação das duas sociedades Bramans e CSRPAR, pelos dois motivos a seguir: a) a aquisição da totalidade das ações representativas do capital social da Recorrente pela Bramans e CSRPAR seria nula, em razão de as adquirentes serem "empresas veículos", o que, no entendimento da fiscalização, caracterizaria a hipótese de simulação, dolo ou fraude (item 2.2 do TVF), sendo que os verdadeiros adquirentes teriam sido Nufarm; b) a justificativa econômica do ágio pago como sendo a expectativa de rentabilidade futura seria inidônea, por defeitos formais dos demonstrativos exigidos pelo art. 20, § 3°, Decretolei n° 1.598/77 (art. 385 do RIR/99). No que tange a "Exclusão Indevida de Perda em Operações no Mercado de Renda Variável Ocorridas no Exterior", verificouse que. A Recorrente tem por objeto social a fabricação e comercialização de defensivos agrícolas, fitossanitários, domissanitários, adubos e fertilizantes, além da exploração de atividades agrícolas em geral. Constitui prática nesse ramo a permuta com o agricultor de insumos por commodities agrícolas. Ou seja, o produtor rural recebe hoje insumos (defensivos, etc.) mediante a promessa de entregar para o fornecedor uma quantidade de sua produção futura (safra). Essa operação é conhecida no mercado como "barter" ou permuta no vernáculo. Em verdade, uma forma de financiamento do agricultor, visto Fl. 6475DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 19 18 que este recebe defensivos agrícolas de imediato, mas sua obrigação de pagamento é postergada para quando da realização da safra. A Nufarm teria permutado com diversos produtores o fornecimento de defensivos agrícolas pela entrega futura de sacos de soja. Exemplificativamente, na fl. 954 temse um Pedido de Compra, onde o Cliente Agromave Insumos Agrícola Ltda. permutou certo volume de insumos agrícolas. Na hipótese, o produtor rural obrigouse a entregar 116.011 sacas de soja, a serem entregues em Sorriso (uma localidade). O Pedido contém ainda a seguinte observação: "Preço mínimo US$ 11,74 participando da alta até US$ 13,41, com fixação até 28/02/08". Tal cláusula enunciada no Pedido de Compra significa que o insumo fornecido foi convertido em número de sacos de soja levando em consideração o preço por saco de US$ 11,74. Ainda, na hipótese de o preço da soja subir até US$ 13,41, a alta seria revertida em benefício do produtor rural. Ou seja, a soja recebida seria vendida por US$ 13,41, mas o preço excedente a US$ 11,74 seria repassado para o produtor rural (na hipótese, US$ 1,67). Ainda, na hipótese de o preço da soja subir além de US$ 13,41, a Recorrente repassaria para o produtor rural somente o benefício da alta até tal limite. O benefício econômico em excesso beneficiaria a Recorrente. Da mesma forma, caso o preço da soja caísse abaixo de US$ 11,74, a Recorrente receberia a soja por tal preço (US$ 11,74), ainda que sua realização no mercado ocorresse por um preço inferior, apurando assim uma perda. A Recorrente teria o benefício da alta de preço além de US$ 13,41 e igualmente a perda, na hipótese de o preço da soja cair abaixo de US$ 11,74. À medida que a Recorrente não é uma especuladora nesse tipo de mercado, mas sim uma produtora de defensivos agrícolas, utilizouse de um sistema de proteção financeira, mediante a compra de opções de venda e a simultânea venda de opções de compra na Bolsa de Chicago (Chicago Board of Trade ou CBOT). Inicialmente a Recorrente, em relação ao contrato de fornecimento acima comentado, compraria uma opção de venda futura de soja pelo preço de US$ 11,74. Dessa forma, se o preço da soja como commodity caísse a menos de US$ 11,74, a Recorrente reporia sua perda pelo recebimento da soja física entregue pelo produtor rural mediante a realização de um ganho no mercado de futuros (CBOT), visto que ela teria o direito de realizar soja pelo mesmo preço de US$ 11,74. Entretanto, esse mecanismo de proteção (hedge) custa à Recorrente o preço de aquisição da opção de venda de soja no mercado futuro. Para se compensar dessa perda, a Recorrente adota o procedimento de vender no mercado futuro uma opção de call (ou seja, concede a um terceiro o direito de lhe vender soja pelo preço de US$ 13,41). Isso significa que ela receberia um preço que reduziria a sua perda na compra de opções. Logo, tal operação significa que um terceiro pode obrigar a Recorrente a entregar a soja recebida do produtor rural pelo preço de US$ 13,41, ainda que no mercado a soja esteja sendo negociada por um preço superior. Em suma, em uma simplificação que permita melhor entender essa operação, ao final do dia a Recorrente permutou o seu direito de ganho na hipótese de alta do preço da soja pelo risco de perda, na hipótese de queda dos preços da soja. Visando assegurar que o produtor rural irá entregar a soja permutada, não obstante flutuações do preço, este deveria emitir para a Recorrente uma Cédula de Produto Rural (CPR), ou seja, uma cártula emitida conforme a art. 1o. da Lei n° Fl. 6476DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 20 19 8.929/94 (titulo de crédito representativo de promessa de entrega de produtos rurais, com ou sem garantia cedularmente constituída). Há um exemplar de CPR em fl. 2259. Neste caso, o emitente da CPR foi a pessoa física Valtair Carlos Fontana. Na referida CPR, o emitente se obriga a entregar à Recorrente 12.268 sacas de soja de 60 quilos cada. A soja deveria ser entregue à empresa Bunge Alimentos S/A durante o mês de março de 2008. As perdas incorridas pela Recorrente derivam de operações de permuta de defensivos agrícolas por soja ocorridas no primeiro semestre de 2007, e a entrega da soja deveria se dar ao longo do primeiro semestre de 2008. Ou seja, tais contratos possuíam uma duração de aproximadamente um ano, prazo necessário para se completar o ciclo agrícola de plantio, colheita e entrega da soja. Ocorre que por uma deficiência procedimental interna da Recorrente (palavras da própria), esta deixou de diligenciar para efetivamente receber de alguns produtores rurais as CPR que garantiriam a entrega física da soja. Estes produtores rurais, ao constatarem que ao longo de 2007 houve uma acentuada alta dos preços da soja, e se aproveitando do lapso operacional da Recorrente, deixaram de entregar a soja, preferindo pagando em dinheiro. Evidentemente, sem levar em consideração que havia assumido a obrigação de entregar a soja, que nesse momento possuía um valor substancialmente superior ao preço dos defensivos agrícolas entregues, e que tal diferença de preço deveria lastrear a venda de opções de compra emitidas pela Recorrente na CBOT. Em razão do acima descrito, a Recorrente se viu na posição do vendedor de opções de compra de soja a descoberto, ou seja, sem lastro. Viuse obrigada a honrar as opções adquiridas, incorrendo em conseqüência na perda de R$ 53.967.970,81, que Fiscalização considerou indedutível para fins de apurar o IRPJ e CSLL, com base no art. 76, § 4° da Lei n° 8.981/1995. Conclusões Assim passo às questões sobre as quais entendo que assiste razão à recorrente. Com relação à glosa da amortização do ágio entendo que o fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da Recorrente, com ágio, não se constitui em conduta simulada, pois, não poderia se imaginar a opção pelo caminho, por meio do qual se adquirisse diretamente as ações com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. A dedutibilidade da amortização do ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, após a incorporação da controladora pela controlada, encontra expressa previsão legal nos arts. 7° e 8º da Lei 9.532/97. Foi nesse sentido o entendimento anteriormente citado. Ressaltese, ainda, que à vista da real expectativa de rentabilidade futura, temse como certo o fato de que sobre tais resultados positivos incidirão tributos. Desta forma, devem ser dedutíveis as despesas com a amortização do valor (ágil) atribuído à da empresa, a título de rentabilidade futura, pois, sobre esta haverá tributação e, assim, não resultará em prejuízo ao erário público. E nesse sentido, não se trata o caso de simulação, mas de correta dedução das amortizações de ágio. Fl. 6477DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 21 20 No que diz respeito à exclusão de perdas em operações no mercado de renda variável há que se verificar que se tratam de operações praticadas pela Recorrente com o intuito de proteger suas operações com agricultores, devendo ser consideradas estritamente como operações como operações de hedge, eis que atenderam ao disposto no § 1º do art. 77 da Lei n° 8.981/95, a seguir transcrito: Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos: V em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de valores, de mercadoria e de futuros ou no mercado de balcão. § 1° Para efeito do disposto no inciso V, consideramse de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Considerandose tratar de operações de hedge, em princípio, não haveria se falar na limitação na dedutibilidade da perda, conforme § 4º do art. 76 da Lei n° 8.981/95, a seguir transcrito: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: I deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; II definitivo, no caso de pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta, e de pessoa física. § 4o (...) as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. Verificase nos autos que, a Recorrente demonstrou que as operações realizadas no referido mercado de futuros visavam proteger de perdas decorrentes de operações efetuadas com agricultores, que se obrigavam a efetuar um pagamento futuro, com sacos de soja. Na forma defendida pela recorrente, tais perdas decorreram não de uma atitude especulativa da Recorrente de realizar vendas de opções futuras a descoberto, mas sim do fato de que houve um inadimplemento contratual pelos produtores rurais. O acórdão recorrido inovou, ao decidir que a autuação deve prevalecer, visto que a Recorrente deveria ter reconhecido "(...) a receita ou ganho pelo preço da soja na data da liquidação dos contratos, mesmo não tendo recebido o produto, em observância ao Regime de competência." Igualmente, a ementa da Decisão afirma como segue: Fl. 6478DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 22 21 Correta a glosa de despesas relativas a perdas com hedge quando a empresa não comprova a tributação dos ganhos que teria obtido em contrapartida a tais perdas. Verificase, no entanto, nesse ponto específico, que não obstante as alegações da Recorrente de que o que está em discussão não é a correção do seu reconhecimento de receitas, mas sim o fato de que esta contratou operações de hedge que enquadram na definição contida no art. 396 do RIR/99, bem como no art. 77, § 1º, da Lei n° 8.981/95, o que ocorre, de fato, é que a Recorrente não adotou providência alguma para exigir de seus clientes adquirentes o cumprimento da obrigação de entregar soja, como meio de pagamento. Essa inércia da Recorrente, caracterizase em liberalidade e, portanto, está correta a conclusão de que não poderia tal perda ser considerada indedutível, pois as evidências dos autos demonstram que a Recorrente não se opôs, efetivamente, ao recebimento, em dinheiro. Não há prova de que teria exigido, formalmente, a entrega das sacas de soja. Salientese que, as "operações de hedge" visavam proteger variações do preço da soja, e não como ocorreu: recebimento em dinheiro. Daí, a liberalidade. Nesse sentido, entendo que deva ser mantida a conclusão de que constituise em indedutível a perda sofrida pela Recorrente, mantendose, por conseguinte, a respectiva multa. A análise das questões sobre a multa qualificada e a decadência do direito de lançar nos anos 2007 (a decadência relativa ao ano 2006 foi acolhida no acórdão recorrido), ficaram prejudicadas, à vista do provimento do recurso voluntário, quanto ao ágio. Com relação ao Recurso de Ofício interposto com base no art. 34, inciso, I, do Decreto n° 70.235 de 1972, observandose o disposto na Portaria MF nº 3/2008, em virtude da exoneração do contribuinte em função do acolhimento da decadência do ano de 2006, na forma relatada e com base nos fatos e fundamentos a respeito, retro expendidos, verifico que não há fundamento para se reformar a decisão da DRJ, por estar devidamente demonstrada a decadência. Além disso, o entendimento retro exposto, quanto ao cabimento da adição das despesas de ágio como despesa dedutível, tornam prejudicado o recurso de ofício, pelo que, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. Nesse sentido, com base em todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 6479DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900018/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.992
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 01 8/ 20 12 -5 3 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10480.900018/201253 Resolução nº 3401000.992 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.016. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10480.900018/201253 Resolução nº 3401000.992 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10480.900018/201253 Resolução nº 3401000.992 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.722957/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/12/2008
REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.392
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 29 57 /2 01 1- 17 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10711.722957/201117 Acórdão n.º 3401003.392 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração, para exigência de multa, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007 e arts. 37 e 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 26/12/2008, conforme quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) do Auto de Infração, no qual restou consignado, em síntese que: a realização da desconsolidação deve ser feita até o registro da atracação no porto de destino, pois é o porto de referência para este tipo de operação, sendo esse o limite temporal imposto e vigente para a data do fato gerador em referencia; no caso, não há dúvida quanto à materialidade do fato, qual seja, a não apresentação de informação na forma e no prazo definido pela legislação aduaneira; o art. 50, da IN RFB n° 800/2007, fixando que: o prazo (48 horas antes da atracação no porto de destino) de antecedência previsto no art. 22 desta IN somente será obrigatório a partir de 1° de abril de 2009 (Redação dada pela IN RFB n° 899/2008), não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais, nos termos do parágrafo único, do mesmo art. 50. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da impugnação, nos termos do Acórdão 08032.768. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário, alegando, em síntese: (a) a inobservância do art. 50, da IN RFB nº 800/2007, sobre os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal do Brasil entraram em vigor apenas em 1º de abril de 2009, estando dispensada de tal obrigação por ocasião dos fatos (26/12/2008) que deram ensejo à autuação, pois, na condição de agente de carga, não lhe são aplicáveis as disposições sobre transportador de carga do parágrafo único do referido art. 50; (b) ao definir a impugnante, agente de carga, como transportadora, distorceuse conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN; (c) tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.381, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.006616/201054, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.381): Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10711.722957/201117 Acórdão n.º 3401003.392 S3C4T1 Fl. 4 3 "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Auto de Infração, lavrado para exigência de multa no valor de R$ 5.000,00, do art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 11/09/2008, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007. A Recorrente defende que as disposições do art. 22, da IN RFB nº 800/2007, não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de setembro de 2008 e os efeitos do artigo citado ocorreram somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50, da mesma IN, com redação dada pela IN RFB nº 899/2008. Entretanto, foi correta a fiscalização ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. O art. 50, da IN RFB nº 800/2007, não eliminou a exigência de prazo para a prestação das informações até 1º de abril de 2009, apenas permitiu que os dados exigidos fossem fornecidos com menor antecedência, no caso, ao invés das 48 horas antes da atracação no porto de destino, o limite temporal é até o registro da atracação no porto de destino. Vejase que, o parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22, da IN RFB nº 800/2007, “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Assim como, os arts. 3º e 5º, da IN RFB nº 800/2007, afirma referirse a transportador, abrangendo o agente de carga: "Seção II Da Representação do Transportador Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10711.722957/201117 Acórdão n.º 3401003.392 S3C4T1 Fl. 5 4 Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. [...] Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga " (grifei) Por outro lado, tanto o transportador, quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do art. 37, do Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos por ela estabelecidos. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Tendo em vista que a embarcação atracou em 08/09/2008 e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga em 11/09/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação de regência em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, não há como afastar a multa aplicada, pois, esta decorre de lei específica, dispondo expressamente aplicarse ao agente de carga, na forma do artigo 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) [grifei] Assim, penso que a presente exigência fiscal, cujo objetivo é desestimular o descumprimento das obrigações aduaneiras, resulta de adequada subsunção dos fatos às normas que regem a matéria, de modo que não vislumbro argumentos capazes de invalidar o presente auto de infração. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10711.722957/201117 Acórdão n.º 3401003.392 S3C4T1 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006621/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/09/2008
REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.397
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 66 21 /2 01 0- 67 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11128.006621/201067 Acórdão n.º 3401003.397 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração, para exigência de multa, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007 e arts. 37 e 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 11/09/2008, conforme quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) do Auto de Infração, no qual restou consignado, em síntese que: a realização da desconsolidação deve ser feita até o registro da atracação no porto de destino, pois é o porto de referência para este tipo de operação, sendo esse o limite temporal imposto e vigente para a data do fato gerador em referencia; no caso, não há dúvida quanto à materialidade do fato, qual seja, a não apresentação de informação na forma e no prazo definido pela legislação aduaneira; o art. 50, da IN RFB n° 800/2007, fixando que: o prazo (48 horas antes da atracação no porto de destino) de antecedência previsto no art. 22 desta IN somente será obrigatório a partir de 1° de abril de 2009 (Redação dada pela IN RFB n° 899/2008), não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais, nos termos do parágrafo único, do mesmo art. 50. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da impugnação, nos termos do Acórdão 08033.459. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário, alegando, em síntese: (a) a inobservância do art. 50, da IN RFB nº 800/2007, sobre os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal do Brasil entraram em vigor apenas em 1º de abril de 2009, estando dispensada de tal obrigação por ocasião dos fatos (11/09/2008) que deram ensejo à autuação, pois, na condição de agente de carga, não lhe são aplicáveis as disposições sobre transportador de carga do parágrafo único do referido art. 50; (b) ao definir a impugnante, agente de carga, como transportadora, distorceuse conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN; (c) tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.381, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.006616/201054, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.381): Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11128.006621/201067 Acórdão n.º 3401003.397 S3C4T1 Fl. 4 3 "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Auto de Infração, lavrado para exigência de multa no valor de R$ 5.000,00, do art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 11/09/2008, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007. A Recorrente defende que as disposições do art. 22, da IN RFB nº 800/2007, não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de setembro de 2008 e os efeitos do artigo citado ocorreram somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50, da mesma IN, com redação dada pela IN RFB nº 899/2008. Entretanto, foi correta a fiscalização ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. O art. 50, da IN RFB nº 800/2007, não eliminou a exigência de prazo para a prestação das informações até 1º de abril de 2009, apenas permitiu que os dados exigidos fossem fornecidos com menor antecedência, no caso, ao invés das 48 horas antes da atracação no porto de destino, o limite temporal é até o registro da atracação no porto de destino. Vejase que, o parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22, da IN RFB nº 800/2007, “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Assim como, os arts. 3º e 5º, da IN RFB nº 800/2007, afirma referirse a transportador, abrangendo o agente de carga: "Seção II Da Representação do Transportador Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11128.006621/201067 Acórdão n.º 3401003.397 S3C4T1 Fl. 5 4 Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. [...] Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga " (grifei) Por outro lado, tanto o transportador, quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do art. 37, do Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos por ela estabelecidos. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Tendo em vista que a embarcação atracou em 08/09/2008 e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga em 11/09/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação de regência em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, não há como afastar a multa aplicada, pois, esta decorre de lei específica, dispondo expressamente aplicarse ao agente de carga, na forma do artigo 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) [grifei] Assim, penso que a presente exigência fiscal, cujo objetivo é desestimular o descumprimento das obrigações aduaneiras, resulta de adequada subsunção dos fatos às normas que regem a matéria, de modo que não vislumbro argumentos capazes de invalidar o presente auto de infração. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11128.006621/201067 Acórdão n.º 3401003.397 S3C4T1 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.723505/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/07/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.535
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/07/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/07/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 35 05 /2 01 3- 14 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10711.723505/201314 Acórdão n.º 3201002.535 S3C2T1 Fl. 3 2 A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujo principal argumento de defesa foi assim sintetizado pela DRJ: Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.110. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10711.723505/201314 Acórdão n.º 3201002.535 S3C2T1 Fl. 4 3 Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10711.723505/201314 Acórdão n.º 3201002.535 S3C2T1 Fl. 5 4 Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, tratada no caso do paradigma, não se aplica à solução do presente litígio, uma vez que não alegada no recurso voluntário apresentado neste processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.906761/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO.
Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO. Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO. Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 67 61 /2 01 2- 91Fl. 69DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuida o presente processo de compensação não homologada, cujo crédito, relativo à Cofins não cumulativa, 2º Trimestre/2008, não foi reconhecido em razão do desatendimento à intimação para apresentação dos arquivos digitais, com lastro nas disposições da IN SRF 86/01, art. 65 da IN RFB 900/2008 e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou que seu direito creditório é legítimo; que a indisponibilidade se deveu à necessidade de adequação dos sistemas às exigências da RFB; que, a teor do art. 149 do CTN e art. 65 da Lei nº 9.784/99, a apresentação extemporânea dos arquivos digitais deveria ser relevada, mormente pela superveniência do ADE Corec nº 03/2012, que estendeu o prazo de 20 (vinte) dias, previsto na IN SRF 86/2001, para 110 (cento e dez) dias. A DRJ Florianópolis/SC julgou improcedente a reclamação ao argumento de descumprimento de obrigação prevista na legislação. Em recurso voluntário o contribuinte defendeu que a inobservância de obrigação acessória não poderia redundar no indeferimento de seu direito de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Consoante IN SRF 86/2001, lastreada no art. 11 da Lei nº 8.218/91, as pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, devendo apresentálos, quando intimadas, no prazo de 20 (vinte) dias. No caso vertente, o contribuinte foi intimado a transmitir os arquivos digitais em 12/04/2012, porém, só o fez em 03/10/2012, sob alegação de necessidade de ajustes às determinações da RFB. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10920.906761/201291 Acórdão n.º 3401003.488 S3C4T1 Fl. 11 3 O Despacho Decisório de efl. 25, datado de 04/09/2012, vincula a não homologação da compensação à impossibilidade de aferir o crédito indicado na declaração de compensação. Portanto, há uma sutileza na situação sub examine, pois o ponto fulcral da discussão não reside na ausência de crédito, como parece entender o recorrente, mas sim na impossibilidade de sua verificação ante o descumprimento de obrigação acessória. Nesse passo, temse que o art. 65 da IN SRF 900/2008 impunha essa conseqüência para situações como a dos autos, verbis: “Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) Fl. 71DF CARF MF 4 § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009)” (destacado) A atribuição da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de disciplinar o procedimento de restituição, compensação e ressarcimento, por seu turno, vem prevista no art. 74, § 14, da Lei nº 9.430/96. A inobservância da obrigação acessória de apresentar os arquivos digitais, tal como estatuído no dispositivo reproduzido, além das penalidades previstas no art. 12 da Lei nº 8.218/91, também resulta no indeferimento do pedido de ressarcimento ou não homologação da compensação respectiva. Aliás, a previsão de indeferimento/não homologação constou expressa e destacadamente do termo de intimação para transmissão dos arquivos digitais (efl. 39). Como dito, não se discute aqui o direito ao crédito pleiteado, propriamente dito, mas o seu indeferimento decorrente da inadimplência da obrigação acessória, que efetivamente ocorreu, sendo causa suficiente para o desprovimento do pedido. Outrossim, não aproveita ao recorrente a extensão do prazo, de 20 (vinte) dias para 110 (cento e dez) dias, promovida pelo ADE Corec nº 03/2012, porque, mesmo que levada em consideração, a extemporaneidade persistiria, tomadas as datas de intimação (12/04/2012) e a data de entrega (03/10/2012). Mais uma vez, o debate ora travado cingese exclusivamente ao (in)deferimento dos pedidos formulados pela inobservância de obrigações acessórias impostas pela legislação de regência, como condição necessária à finalidade desejada, sendo desimportante, neste momento, a legitimidade do direito creditório. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907543/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
COMPENSAÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se reconhece o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado não foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. COMPENSAÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se reconhece o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado não foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. COMPENSAÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se reconhece o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado não foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 75 43 /2 00 9- 28 Fl. 108DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3803 000.318, depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Belchior Melo de Santos, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de o Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados desta 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo. Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 27611.33238.180907.1.7.048326, em que utilizou como crédito pagamento indevido de Cofins relativa ao período de apuração setembro de 2002, no valor de R$ 47.573,34. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 18/21, a DRF/Joaçaba não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF indicado na DComp encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2/7 a Interessada esclareceu que extinguira o débito de Cofins, conforme declarado em DCTF, através do Darf informado no PER/DCOMP, e alegou que, por conta da posterior declaração de inconstitucionalidade do art.3°, § 1°, da lei n° 9.718/98, passou a possuir o crédito contra a Fazenda decorrente das contribuições que incidiram sobre as receitas financeiras, o qual, atualizado pela Taxa Selic, foi utilizado no PER/DCOMP em questão. Afirmou que em razão de no sistema da RFB o Darf recolhido estar vinculado ao débito mencionado, neste incluída a parcela referente as receitas financeiras, o crédito não foi localizado, todavia, ele existe e o direito de compensálo é garantido pela legislação. Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis, fls. 25/28, considerou que: a) a inconstitucionalidade do artigo 3° da Lei n.° 9.718/98, apesar de ter sido prolatada pelo Plenário daquela Corte, o foi em sede de recurso extraordinário, cujos efeitos são restritos às partes integrantes da ação. Por não ter o Senado Federal expedido Resolução para retirar a vigência do dispositivo legal, não há eficácia erga omnes, não podendo os agentes públicos estender os efeitos dessa decisão para todos os contribuintes; b) a compensação do crédito alegado só poderia ser efetivada se a Recorrente tivesse identificado o crédito informado em DComp como decorrente de ação judicial transitada em julgado, indicando o número do respectivo processo judicial, para fins da oportuna análise, pela DRF, da pertinência e existência do crédito; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10925.907543/200928 Acórdão n.º 3402004.095 S3C4T2 Fl. 109 3 c) o crédito contra a Fazenda Nacional que o sujeito passivo entende possuir e do qual pretende se utilizar para quitar o débito indicado deve estar corretamente identificado a fim de viabilizar sua exata pretensão; d) não é permitido em sede de análise de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu o pleito do contribuinte, conceder crédito diverso do pedido, como também não o é à autoridade administrativa, que detém a competência para originariamente analisar pleitos desta natureza, no caso, a DRF; e) a compensação em questão, nos termos em que foi formalizada, de fato não poderia ter sido homologada pela DRF com base no argumento de que possui crédito disponível mas não o informado na DComp, e tampouco o poderia em sede de contencioso, por restar inexistente o crédito oferecido; f) em verificando que a Recorrente ter cometido algum erro de declaração, cabialhe têlo corrigido em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito fosse realizada de fato sobre o direito creditório que acreditava possuir. A Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC), proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. ANALISE DO CRÉDITO. LIMITE A análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na DCOMP, não sendo permitido a autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido. Cientificada da decisão em 28/11/2011 (fl. 32), irresignada, apresentou em 15/12/2011, o recurso voluntário de fls. 33/37, em que, reiterou os exatos termos da manifestação de inconformidade. O processo digitalizado, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Em 27/06/2013, os membros da extinta 3ª Turma Especial/3ª Sejul, reconhecem o bom direito da Recorrente (declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins), no entanto resolvem converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para fins de apuração da correta composição das bases cálculo, conforme Resolução nº 3801000.318, nos seguintes termos (fls. 48/53): "(...) Observo, à fl. 21 destes autos, que o despacho decisório não foi precedido de intimação eletrônica para que a Contribuinte tivesse ciência da integral alocação do DARF indicado como originário do crédito, procedimento ocorrente em inúmeras situações que apontavam para a inconsistência das informações prestadas na DComp e as constantes dos registros da RFB. A providência permitiria à Contribuinte esclarecer o fundamento do pagamento indevido e, com isso, suscitar o tratamento manual da DComp" (...). Fl. 110DF CARF MF 4 "(...) Por essas razões, entendo que o processo deve ainda ser instruído com a apresentação, pela Contribuinte, de demonstrativo de suas receitas que correspondam ao conceito de faturamento, com destaque das receitas financeiras, do decorrente valor da contribuição devida e do indébito, acompanhado dos respectivos registros contábeis que justifiquem as exclusões. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Joaçaba intime a Contribuinte à apresentação de planilha e os registros contábeis que confirmem a apuração do crédito feita pela Contribuinte e se é suficiente para extinguir o débito por ela compensado. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF". Os autos, então, foram encaminhados à DRF em Joaçaba (SC), para cumprimento da referida Resolução. Visando o atendimento da diligência solicitada, a fiscalização intimou a RENAR a apresentar demonstrativo de suas receitas, segregadas entre aquelas que correspondam ao conceito de faturamento e aquelas correspondentes a receitas financeiras ou outras receitas, acompanhados dos respectivos registros fiscais e contábeis comprobatórios. Após a conclusão dos trabalhos, o Fisco prolatou a Informação Fiscal de fls. 97/101 e intimou a Recorrente para ciência da Resolução do CARF, bem como, do resultado constante na Informação Fiscal dela decorrente. Decorrido o prazo constante na intimação, não consta dos autos manifestação da interessada, conforme se observa no Despacho da DRF à fl. 105: "1 Devidamente cientificada da IF, no prazo dado à empresa, 30 (trinta) dias contados da ciência, a mesma não se manifestou". Assim, após serem cumpridos todos os dispositivos da Resolução nº 3803 000.318, o processo retornou a este CARF e foi sorteado para este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Como já analisado na Resolução o recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomase conhecimento. 1. Do direito A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme muito bem asseverado pela Resolução nº 3803000.318, a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, definindoo no §1º do art. 3º como "receita Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10925.907543/200928 Acórdão n.º 3402004.095 S3C4T2 Fl. 110 5 bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei º 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Desta forma, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de COFINS nos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS). 2. Da comprovação dos créditos Em que pese o direito da Recorrente, do exame dos elementos comprobatórios, foi constatado pela decisão a quo, que no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da COFINS e eventuais pagamentos a maior. No entanto, por força da Resolução nº 3803000.318, este processo foi convertido em diligência, para que a Delegacia de origem (DRF em Joaçaba SC), "(...) intime a Contribuinte à apresentação de planilha e os registros contábeis que confirmem a apuração do crédito feita pela Contribuinte e se é suficiente para extinguir o débito por ela compensado. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF". O Fisco cumprindo as determinações deste CARF, realizou as diligências necessárias, intimando a Recorrente a apresentar informações e documentos fiscais/contábeis, bem como ao final, elaborou a Informação Fiscal de fls. 97/101 e procedeu ciência do resultado a interessada, oferecendolhe prazo para sua manifestação, o que não ocorreu. Ao final dos trabalhos, assim conclui a fiscalização, conforme demonstrado nos principais trechos abaixo reproduzidos: Fl. 112DF CARF MF 6 "(...) A segunda intimação foi atendida em 16/09/2015 (fls. 91/95), “Arquivo NãoPaginável – CD –Resposta à intimação” (fl. 96). Porém, novamente, a interessada apresentou apenas planilha de apuração da contribuição e o correspondente Darf de recolhimento, desacompanhados dos respectivos registros contábeis e demais documentos hábeis comprobatórios necessários para a validação da apuração realizada pela contribuinte". "(...) Em que pese a interessada ter apresentado planilha em que demonstra crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Cofins, com valor compatível com o utilizado em DComp, entendemos não ser possível atribuir ao crédito demonstrado os atributos de certeza e liquidez, uma vez que não foram apresentados quaisquer registros contábeis ou outros documentos hábeis comprobatórios suficientes para dar suporte à demonstração do crédito pleiteado". "(...) No caso, com base nos elementos apresentados, somente ficou comprovado o recolhimento da Cofins no valor de R$ 57.804,47, mas não foram comprovadas as receitas, em especial as financeiras, que compuseram a base de cálculo desse débito". "(...) Ressaltamos, por oportuno, que a interessada foi intimada, por duas vezes, a apresentar os documentos necessários à apuração do crédito, mas não atendeu totalmente as solicitações. Desse modo, portanto, caberia inclusive o arquivamento do processo, conforme previsto no art. 40 da Lei nº 9.784, de 1999: "Conclusão: Em razão de todo o exposto, finalizamos a presente diligência concluindo que o direito creditório postulado na DCOMP nº 27611.33236.180907.1.7.04 8326, tem valor igual a 0 (zero), haja vista que, após ser intimada (por duas vezes) a apresentar os elementos de prova necessários, a interessada não logrou êxito em comprovar a certeza e a liquidez do crédito que opôs contra a Fazenda Nacional" (grifei). Concluída a diligência, a Recorrente foi devidamente intimada do resultado e não se manifestou, conforme confirma o Despacho da DRF à fl. 105. Pois bem. Como se observa no Relatório da fiscalização, a planilha apresentada pela Recorrente estava desacompanhada de qualquer registro contábil e demais documentos comprobatórios. Diante disso, foi novamente intimada, mediante Termo de Intimação Fiscal SAORT/DRF/JOASC nº 243/2015 (fls. 86/87), para apresentar demonstrativo de suas receitas, segregadas entre aquelas que correspondam ao conceito de faturamento e aquelas correspondentes a receitas financeiras, acompanhado dos respectivos registros contábeis e documentos hábeis comprobatórios. Ao final o Fisco concluiu que o direito creditório postulado na DCOMP nº 27611.33236.180907.1.7.048326, tem valor igual a 0 (zero), haja vista que, após ser intimada (por duas vezes) a apresentar os elementos de prova necessários, a interessada não logrou êxito em comprovar a certeza e a liquidez do crédito que opôs contra a Fazenda Nacional. Como é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN), e uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo da Recorrente contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. 3. Conclusão Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10925.907543/200928 Acórdão n.º 3402004.095 S3C4T2 Fl. 111 7 Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, não reconhecendo o direito ao crédito requerido na DCOMP, nos exatos termos como restou consignado no Relatório Fiscal de Diligência prolatada pelo Fisco. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 114DF CARF MF
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