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Numero do processo: 11516.002203/2007-21
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO-REALIZAÇÃO MÍNIMA
A partir do ano calendário de 1996, a realização mínima obrigatória do lucro inflacionário resulta da aplicação de determinado percentual, conforme a periodicidade da apuração, sobre um mesmo valor, que é o saldo do lucro inflacionário a realizar em 31/12/95, no qual está computado do saldo credor
da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNE.
Verificadas, pelas evidências das declarações prestadas pelo contribuinte ao fisco de forma reiterada, que o lucro inflacionário não foi oferecido à tributação, quer seja de forma imediata ou diferida, nos anos calendários pertinentes, deve a autoridade fiscal realizar o referido lançamento tributário
observando os artigos 449 e 450 do RIR/99.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA
O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que nenhuma infração tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 1803-001.150
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Luiz Bezerra Presta
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO-REALIZAÇÃO MÍNIMA A partir do ano calendário de 1996, a realização mínima obrigatória do lucro inflacionário resulta da aplicação de determinado percentual, conforme a periodicidade da apuração, sobre um mesmo valor, que é o saldo do lucro inflacionário a realizar em 31/12/95, no qual está computado do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNE. Verificadas, pelas evidências das declarações prestadas pelo contribuinte ao fisco de forma reiterada, que o lucro inflacionário não foi oferecido à tributação, quer seja de forma imediata ou diferida, nos anos calendários pertinentes, deve a autoridade fiscal realizar o referido lançamento tributário observando os artigos 449 e 450 do RIR/99. DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que nenhuma infração tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo. Recurso Negado.
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Verificadas, pelas evidências das declarações prestadas pelo contribuinte ao fisco de forma reiterada, que o lucro inflacionário não foi oferecido à tributação, quer seja de forma imediata ou diferida, nos anoscalendários pertinentes, deve a autoridade fiscal realizar o referido lançamento tributário observando os artigos 449 e 450 do RIR/99. DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que nenhuma infração tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo. Recurso Negado. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 374 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0722.865 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis SC, constante das fls. 329 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Por meio do Auto de Infração, às folhas 256 a 263, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 137.726,32 a titulo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, acrescida de juros de mora e multa de oficio de 75%. A exigência referese ao anocalendário de 2003. Para os anoscalendário de 2002, 2004 e 2005, foi apurada redução do prejuízo fiscal. Em consulta ao "Termo de Verificação Fiscal" (f. 265 a 269), verificase que a autuação originouse da apuração de que a contribuinte teria deixado de levar tributação a parcela mínima de realização do lucro inflacionário, prevista na legislação. Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de f. 275 a 288, na qual aduz, em síntese, os seguintes argumentos: Em conformidade com o CTN, o crédito tributário lançado contra si é indevido, posto que, nos casos de denúncia espontânea, a exoneração da responsabilidade pela infração e da consequente sanção, tendo presente que o arrependimento oportuno e formal faz cessar o motivo de punir; Vejase que a contribuinte levou o lucro inflacionário antes do inicio da presente autuação. Destarte, não poderia ser punida. Por conseguinte, inválido se apresenta a presente obrigação sancionatória oriunda do suposto ato de se levar o lucro inflacionário tributação extemporaneamente; Salientese que a obrigação tributária que originou o presente auto de infração é oriunda da nãoadição do lucro inflacionário à apuração do lucro real. Nada obstante, verificase inexistente tal obrigação tributária, posto que o lucro inflacionário não representa renda, nos termos do art. 43 do CTN; Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 375 3 O lucro inflacionário não representa acréscimo patrimonial, mas somente uma ficção contábil à defasagem da moeda. E premissa básica do sistema constitucional, a imposição deverá sempre recair sobre o que importe riqueza, o que, indubitavelmente, não se verifica no caso do lucro inflacionário; A contribuinte encerrou suas atividades produtivas no ano de 1992, sendo dissolvida por decisão de assembleia geral dos acionistas, conforme Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada em 28 de março de 1994 (doc. j); Mesmo antes de sua dissolução, vinha e vem apresentando sucessivos prejuízos fiscais no decorrer de cada exercício. Devido a esses prejuízos nos exercícios anuais, tem o direito de realizar 100% (cem por cento) do lucro inflacionário sobre o lucro real (prejuízo fiscal) e não 10% (dez por cento) como foi lançado no auto de infração; Apresentamos demonstrativos dos cálculos elaborados pelo Senhor Auditor Fiscal, senão vejamos: Ocorre, entretanto, que a contribuinte vem apresentando sucessivos prejuízos em cada exercício anual. Em vista disso, tem direito de realizar o lucro inflacionário até o montante dos prejuízos anuais, ou seja, de 100% conforme tabela demonstrativa abaixo: Observe que nos exercícios dos anos 2002, 2004 e 2005, foi realizado 100% (cem por cento) do lucro inflacionário sobre o lucro real, é um direito que assiste à contribuinte, reiterase, por ela apresentar prejuízos, cujo procedimento deve ser reconhecido por esse órgão julgador; No exercício do ano de 2003, o valor do lucro real foi inferior ao valor da realização mínima, neste caso, aplicase o mínimo de 10% (dez por cento), conforme determina a legislação; Outro fato relevante a destacar é que já está tramitando junto a essa Delegacia da Receita Federal, o processo administrativo n° 11516.002859/200230. Dito processo encontrase em Brasília — DF, no Primeiro Conselho de Contribuintes, onde está sendo realizado o lucro inflacionário existente nos exercícios dos anos de 1998, 1999 e 2000; Como a contribuinte tem o direito de realizar 100% (cem por cento) do lucro inflacionário sobre o lucro real (prejuízo fiscal), obviamente no exercício do ano de Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 376 4 2002 não teria mais saldo de lucro inflacionário, em face da compensação integral (100%) do prejuízo fiscal dos exercícios dos anos de 1998, 1999 e 2000; Por conseguinte, tornase inválido o auto de infração ora atacado, primeiro porque não foi julgado o processo n° 11516.002859/200230 em trâmite nessa Delegacia da Receita Federal; segundo, porque, no exercício do ano de 2002, não existe saldo de lucro inflacionário, em face da compensação integral (100%) do prejuízo fiscal dos exercícios dos anos de 1998, 1999 e 2000, naqueles autos;”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis SC, na sessão de 28/01/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0722.865 entendendo “por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, nos termos do relatório e voto do relator”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO. SALDO DE 1995. REALIZAÇÃO MÍNIMA. A partir de 12 de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda ou dois e meio por cento no caso de apuração trimestral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão de primeira instância em 15/02/2011 (Certidão de entrega fls. 338), a INDÚSTRIA CARBOQUIMICA CATARINENSE SA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0722.865, recorre em 16/03/2011 (339 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 377 5 Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. DA DENÚNCIA ESPONTANEA Antes de adentrar ao mérito da questão, observo que a Recorrente traz a tona uma questão sobre a denúncia espontânea, as fls. 340 e seguintes dos autos a seguir transcrita: “II — DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA — VALIDADE DO PROCEDIMENTO REALIZADO PELA IMPUGNANTE — INAPLICABILIDADE DA MULTA DE MORA. O Senhor Auditor Fiscal da Delegacia da Receita Federal ao lavrar o auto de infração, laborou em lamentável e injustificável erro ao entender ser inaplicável o beneplácito da denúncia espontânea, uma vez que realizado a destempo. Isso porque supostamente iniciado procedimento de oficio. Contudo, para verificarse a insubsistência do presente auto de infração, uma vez que firmado sobre interpretação equivocada, necessário se faz a análise do instituto da denúncia espontânea. Ocorre que tendo a multa de mora como hipótese de incidência o pagamento tardio do tributo, conforme reconhecimento do próprio Supremo Tribunal Federal, a mesma, nestas condições, tem natureza punitiva, destinandose a sancionar o contribuinte que recolheu o tributo depois do seu vencimento. Assim, o descumprimento da obrigação de pagar o tributo no prazo legal sujeita o infrator inadimplente a esta penalidade fiscal. Entretanto, o artigo 138 do Código Tributário Nacional expresso no sentido de que a responsabilidade por infração quanto ao prazo de recolhimento do tributo é excluída pela denúncia espontânea, quando devidamente acompanhada do pagamento do tributo: (...) No presente caso, o cerne da questão não é somente o pagamento tardio, mas sim a declaração supostamente realizada a destempo por parte da contribuinte. Assim, em conformidade com o CTN, o crédito tributário lançado contra si é indevido, posto que, nos casos de denúncia espontânea, a exoneração da responsabilidade pela infração e da consequente sanção. Tendo presente que o arrependimento oportuno e formal faz cessar o motivo de punir. Importantíssimo destacar que a denúncia espontânea está muito distante de um favor fiscal à discricionalidade do ente tributante. Representa um direito subjetivo, de natureza imperativa, tal como impõe o ordenamento jurídico, sem que o mesmo Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 378 6 possa oporse a tal exercido. Por conseguinte, a resistência que e Fisco oferece ao direito do contribuinte realizar a denúncia espontânea da infração não encontra respaldo legal. A utilização deste beneplácito LEGAL desonera o contribuinte das consequências emergentes da situação de infrator, ao passo que, ao realizar a denúncia espontaneamente, a infração praticada acaba extinta. Dessa forma, a condição de infrator do contribuinte deixa de sujeitarse à sanção consistente no pagamento de penalidade, tal como no presente caso.(...)”. O assunto da denuncia espontânea e exclusão da multa moratória é por demais conhecido e várias vezes já foi decidido no âmbito desta 3ª Turma Especial que considera que o recolhimento de diferenças não declaradas é o balizador do benefício contido no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, já colocado na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC), que a seguir transcrevo: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificada (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da 1ª Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 379 7 tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): “No caso dos autos, a impetrante, em 1996, apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano base 1995, e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que, agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.” 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.149.022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Diante da posição do STJ e desta 3ª Turma Especial, fazse necessário buscar nos autos a comprovação do recolhimento das diferenças antes de qualquer ação do fisco. Porém, não encontrei nos autos qualquer comprovação do pagamento antes da declaração e do inicio do procedimento fiscal. Além do mais essa comprovação caberia a Recorrente. Desta forma, como não pode ser comprovada a cronologia dos fatos, entendo que a Recorrente não conseguiu comprovar que encontrase sob a égide do benefício contido no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Por conseguinte e diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter a multa moratória. Já em relação à questão principal dos autos, ou seja, o pagamento da parcela mínima do lucro inflacionário, dever ser ressaltada notícia trazida no relatório formulado pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis – SC: “Outro fato relevante a destacar é que já está tramitando junto a essa Delegacia da Receita Federal, o processo administrativo n° 11516.002859/200230. Dito processo encontrase em Brasília — DF, no Primeiro Conselho de Contribuintes, onde está sendo realizado o lucro inflacionário existente nos exercícios dos anos de 1998, 1999 e 2000”. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 380 8 O referido processo foi julgado pela 7ª Turma Especial do antigo 1º Conselho de Contribuintes na sessão de 16/09/2009, que contava com a presença da Ilustre Conselheira Selene Ferreira de Moraes, Presidente desta 3ª Turma Especial e que proferiu o Acórdão nº 19700023 entendendo “negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.”, em decisão assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: AS EMPRESAS EM FASE DE LIQUIDAÇÃO ESTÃO SUBMETIDAS AO IRPJ — A Lei não exclui essas empresas da obrigação de pagar IRPJ e no presente caso a recorrente submeteuse ao regime ordinário de tributação do IRPJ pelo lucro real em todos os anoscalendários objeto de tributação. TRIBUTAÇÃO DE LUCRO INFLACIONÁRIO, NÃO DECLARADA À AUTORIDADE FISCAL — LANÇAMENTO VÁLIDO — Verificadas, pelas evidências das declarações prestadas pelo contribuinte ao fisco de forma reiterada, que o lucro inflacionário não foi oferecido à tributação, quer seja de forma imediata ou diferida, nos anoscalendários pertinentes, deve a autoridade fiscal realizar o referido lançamento tributário observando os artigos 449 e 450 do RIR/99. AS MATÉRIAS NÃO ALEGADAS EM FASE DE IMPUGNAÇÃO RESTAM PRECLUSAS — O contribuinte deve alegar todas as matérias que deseja discutir no processo na fase de impugnação, sob pena de preclusão desse direito.” O assunto da decisão proferida 7ª Turma Especial do antigo 1º Conselho de Contribuintes na sessão de 16/09/2009 determinou que “nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999, restaram tributadas as parcelas de R$ 2.992.606,25 em cada ano, a titulo de lucro inflacionário, conforme extrato do Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL — Sapli (f. 326), sistema este mantido pela Receita Federal, com base nas informações prestadas pelos contribuintes por meio das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ. Neste extrato, verificase que ao final do ano calendário de 2000, ainda havia saldo de lucro inflacionário a realizar de R$ 12.109.577,52, saldo este utilizado pela fiscalização para determinar as realizações mínimas ora analisadas”. Essa hipótese é exatamente igual ao dos presentes autos e demonstra que a Recorrente manteve a mesma linha de conduta em relação a não oferecer o saldo de lucro inflacionário à tributação agora para os anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Isso porque, com o advento do art. 4° da Lei n° 9.249/95, que revogou a sistemática de correção monetária das demonstrações financeiras, deixou de existir a figura do lucro inflacionário. Porém, o art. 7° do referido diploma legal determinou expressamente a realização do saldo do lucro inflacionário acumulado, remanescente em 31 de dezembro de 1995, corrigido monetariamente até essa data, de acordo com as regras da legislação então Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002203/200721 Acórdão n.º 1803001.150 S1TE03 Fl. 381 9 vigente. Ou seja, o valor representado pelo saldo do lucro inflacionário acumulado e pelo saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF existente em 31/12/1995 deveria ser tributado, a partir de 01/01/96, em no mínimo 1/120 ao mês ou 10% ao ano, ou ainda, a partir do ano calendário de 1997, em 2,5% ao trimestre. Com isso temse que a realização mínima, a partir do anocalendário de 1996, resulta da aplicação de determinado percentual, conforme a periodicidade da apuração, sobre um mesmo valor, que é o saldo do lucro inflacionário a realizar em 31/12/95 e que não foi observada pela Recorrente nos anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, objeto da autuação. Diante do exposto, observando tudo que consta nos autos (principalmente da falta de comprovação do pagamento do saldo mínimo de lucro inflacionário), voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter a imposição tributária. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 15/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
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Numero do processo: 10680.010359/2005-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Recurso a que nega provimento.
Numero da decisão: 3201-002.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o Advogado Ravi Caie de Medeiros Nolasco, OAB nº 46025/DF.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA -Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Recurso a que nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o Advogado Ravi Caie de Medeiros Nolasco, OAB nº 46025/DF. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 03 59 /2 00 5- 50 Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 981 2 Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: A contribuinte aqui qualificada apresentou pedido de ressarcimento de crédito de Cofins nãocumulativa no montante de R$212.086,49, relativos ao 3o trimestre de 2004, e utilizado para compensar os débitos da declaração de compensação à fl. 22. Segundo informação fiscal de fls. 148/157, procedida à verificação dos créditos informados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon, em face dos livros fiscais e da contabilidade da empresa, foram apontadas as seguintes alterações efetuadas que ensejaram a glosa dos respectivos créditos: saldo de crédito declarado a maior na Dcomp em face da não dedução de parcela utilizada no Dacon: a empresa deixou de relacionar, no quadro “Detalhamento do Crédito” de sua Declaração de Compensação (fl. 23), os valores de R$32.291,45 e R$44.656,70 que foram consignados na linha 30 da Ficha 06 do Dacon, nos meses de ago/04 e set/04 (fl. 122v). Assim, o valor do crédito da referida Declaração de Compensação (fl. 23) teve a glosa de R$76.948,15 (R$32.291,45 + R$44.656,70); utilização indevida de créditos vedados até 08/08/2004 (no montante de R$6.488,32, conforme fl. 152): verificouse que a contribuinte também aufere receitas provenientes da venda de ovos in natura sujeitas à alíquota zero, excluídas, portanto, da base de cálculo da contribuição, em face do disposto no art. 28, III, da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Contudo, da análise do Dacon e dos livros de registro de entrada de mercadorias, observouse que a empresa apurou e utilizou indevidamente os créditos vinculados a essas receitas sujeitas à alíquota zero até 08/08/2004, uma vez que, conforme MP nº 206/04, art. 17, inciso III e Lei nº 11.116/05, art. 16, parágrafo único, somente a partir de 09/08/2004 estaria autorizada a manutenção dos créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero; créditos sobre aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições: após vigência dos arts. 37 e 21 da Lei nº 10.865/2004, foi vedada a utilização do crédito calculado sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, em face da seguinte redação dada ao § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 981DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 982 3 (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – (,,,) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Grifo acrescentado) Do exame da escrituração da contribuinte verificouse que as aquisições de ovos, sujeitas à alíquota zero (classificados na posição 04.07 da Tipi – Lei nº 10.865/2004, art. 28, III) são escrituradas na rubrica contábil de código 16261 – “Ovos de Terceiros”, cujos valores integram a apuração do custo de produção de ovos pasteurizados (conta de código 26028). Por sua vez, os valores assim contabilizados são provenientes das notas fiscais escrituradas nos livros de Registro de Entradas de Mercadorias e de Registro de Apuração do ICMS, da unidade denominada pela empresa fiscalizada como sendo “Indústria – 1053”, cujo CNPJ é 17.425.646/001608, sob os códigos 1.101 (COMPRA P/ INDUSTRIALIZAÇÃO/PROD. RUR), 2.101 (COMPRA P/ INDUSTRIALIZAÇÃO OU PROD. RUR) e 2.120 (COMPRA P/ INDUSTRIALIZAÇÃO, VENDA A O). Em seguida, a autoridade fiscal detalha os créditos em referência por mês e relacionaos as Notas Fiscais do Livro Registro de Entradas, e conclui pela glosa dos créditos sobre as aquisições dos ovos in natura, sujeitos à alíquota zero, nos valores de R$3.788,87 (ago/2004) e R$2.696,45 (set/2004). Ao final, demonstra o valor do crédito declarado (R$212.086,49), o valor do crédito indeferido (R$89.921,79) e o valor do crédito deferido (R$122.164,70), para o 3º trimestre/2004. Com base no parecer da autoridade fiscal de fls. 148/157, decidiu a autoridade jurisdicionante pela homologação total da Dcomp de fl. 01 e parcial da Dcomp de fl. 03, e ainda, considerar não admitida a Dcomp retificadora de fl. 22 por ferir o art. 58 da IN 460/2004 (incluiu novo débito). Cientificada da decisão, a contribuinte manifestou sua inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 178/188): a) saldo de crédito declarado a maior na Dcomp em face da não dedução de parcela utilizada no Dacon. A fiscalização glosou parte do crédito de Cofins nãocumulativa apurada pela empresa no 3º trimestre/2004, por entender que não foram deduzidos os valores devidos a título da contribuição apurados mensalmente, lançados na linha 30 da ficha 06 do Dacon, no montante de R$76.948,15. Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 983 4 Entretanto, conforme se verifica nos Dacons, nos meses de julho, agosto e setembro de 2004 a empresa apurou créditos de Cofins no total de R$308.973,52 e ainda possuía saldo de meses anteriores no montante de R$207.314,17 (conforme Dacon). Notese, portanto, que os créditos glosados pela fiscalização nos valores de R$32.291,45 e R$44.656,70 foram devidamente abatidos, no Dacon, do total de créditos disponíveis em cada mês, em vista do preconizado no art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/02 (“o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”). Caso a glosa dos créditos seja mantida pela fiscalização, a contribuinte entende que deverá ser feita a recomposição dos créditos de períodos anteriores que foram utilizados para dedução dos valores devidos a título de Cofins no período de agosto a setembro de 2004. b) utilização indevida de créditos vedados até 08/08/2004. A fiscalização glosou o valor de R$6.488,32, correspondente a crédito de Cofins sobre a aquisição de insumos vinculados à venda de produtos sujeitos à alíquota zero, no período compreendido entre 01/08/2004 e 08/08/2004, sob o entendimento de que a manutenção desses créditos só teria sido permitida pela legislação a partir de 09/08/2004. Todavia, esses insumos se enquadram na hipótese do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925 de 26.07.2004. Nesse caso, a fiscalização poderia ter glosado apenas a diferença de eventual crédito apropriado indevidamente e não a totalidade do crédito utilizado. Cita a previsão contida no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03, concluindo que, diante disso, verificase que as aquisições de insumos que integraram o custo da produção de ovos in natura para industrialização, classificados no capítulo 4 da TIPI durante o período compreendido entre 01/08/2004 e 08/08/2004, dá direito aos créditos presumidos em relação às suas aquisições. c) créditos sobre aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. A fiscalização glosou os créditos calculados sobre as aquisições de ovos in natura (subitem 04.07 da TIPI), os quais são sujeitos à alíquota zero da Cofins. Esses valores glosados correspondem a aquisições que se enquadram na hipótese do crédito presumido do art. 8º da Lei 10.925/04. O enquadramento da Requerente como pessoa jurídica que goza do direito ao crédito presumido da Cofins sobre aquisições de insumos utilizados no processo produtivo foi reconhecida no Parecer Sefis nº 24/2009 em relação às aquisições de sorgos em grãos. Com efeito, as aquisições de ovos in natura para industrialização classificados no capítulo 4 da TIPI (NCM 04.07), conforme estabelecido no Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 984 5 art. 8º da Lei 10.925/04, dá direito à Requerente aos créditos presumidos em relação às suas aquisições destes mesmos ovos. Desse modo, a fiscalização deveria ter glosado somente a diferença entre os créditos tomados em relação aos ovos in natura e o crédito presumido referente às aquisições destes mesmos ovos. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BHE no 0224.809, de 09/12/2009, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de não reconhecer o valor do crédito pleiteado. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que a decisão recorrida omitiu sobre a alegação da Recorrente no sentido de que a fiscalização apenas poderia ter glosado parte do crédito, o que consubstanciaria razão suficiente para anulação do acórdão, conforme o art. 31 , do Decreto n° 70.235/72. Em ato seguinte, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em sessão de 25 de abril de 2012, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, que foi efetuada pela unidade de origem. A recorrente, intimada do resultado da diligência, apresentou suas razões. Da mesma forma, processo foi convertido em nova diligência e consta o seguinte resultado: Portanto, as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, SOMENTE PODERÃO DEDUZIR DA COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido decorrente da aquisição de produtos Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 985 6 agropecuários, na forma do art. 8o e 15 da Lei n° 10.925/2004, com produção de efeitos a partir de 01/08/2004: Uma vez que os créditos presumidos não podiam ser utilizados antes de 01/08/2004, o valor do crédito apurado para o mês de julho de 2004 deveria contemplar somente aqueles créditos básicos, relacionados a insumos que possuíam alíquota normal da COFINS e o crédito presumido relativo ao estoque de abertura. Concluímos que não pode ser aceito o pedido do contribuinte para que o crédito apurado em julho de 2004 seja deduzido dos débitos da COFINS de agosto e setembro de 2004 porque o legislador IMPEDIU A APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS ANTERIORES A 08/08/2004 (em relação a produtos com alíquota zero), como determina o art. 16 da Lei n° 11.116/2005 e o art. 17 da Lei n° 11.033/2004, de 21 de dezembro de 2004. Também não pode ser aceito o pedido do contribuinte para que o crédito presumido apurado sobre a aquisição de produtos agropecuários em julho de 2004 seja considerado na compensação POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL, uma vez que esses créditos somente podiam ser utilizados para deduzir da COFINS a partir de 01/08/2004, como determina o art. 17 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004). A recorrente, intimada do resultado da nova diligência, apresentou suas razões. O processo digitalizado foi a mim distribuído, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa pedido de ressarcimento de crédito de COFINS nãocumulativa no montante de R$ 212.086,49, inicialmente, relativo ao 3o trimestre de 2004, e utilizado para compensar os débitos da declaração de compensação. Como relatado, a autoridade fiscal demonstra sobre o valor do crédito declarado (R$ 212.086,49), o valor do crédito indeferido (R$ 89.921,79) e o valor do crédito deferido (R$ 122.164,70), para o 3º trimestre/2004. Inicialmente, a recorrente requer a nulidade da decisão recorrida, devido a omissão em apreciar todos os argumentos expendidos por esta em sua manifestação de Fl. 985DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 986 7 inconformidade, qual seja a alegação de que a fiscalização poderia ter glosado apenas a diferença de eventual crédito apropriado indevidamente e não a totalidade do crédito utilizado. Pois bem, em análise do acórdão recorrido, verificase que o órgão a quo motivou sua decisão com base nas mesmas conclusões expostas pela fiscalização no parecer que embasa o despacho decisório. Importa ressaltar, ainda, que a decisão recorrida enfrentou as questões em lide. Esclarecese que a autoridade julgadora não é obrigada a se manifestar sobre todas as alegações da defesa, nem a responder, um a um, os argumentos expendidos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Sobre esse tema convém trazer à lume as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, STJ, nos REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e REsp 876271/SP, julgado em 13/02/2007, que apresentam as seguintes ementas: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. [...] 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. (REsp 874793/CE, relator Ministro Castro Meira). TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC NÃO OCORRÊNCIA [...] 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. (Resp 876271/SP, relator Ministro Humberto Martins). (Grifo nosso). O recorrente não pode esperar, tampouco exigir, que sejam abordados no voto condutor do acórdão recorrido, cada uma das alegações articuladas na defesa, e sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, cumprindose a determinação do art. 31 do Decreto 70.235 de 1972, com redação dada pela Lei 8.748 de 1993. Em assim sendo, inexiste no caso a alegada omissão. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 987 8 Em relação ao mérito, salientase que o presente processo tem por objeto declarações de compensação homologadas apenas parcialmente pela autoridade fiscal, referentes à Contribuição para o COFINS apuradas no regime da não cumulatividade e correspondentes ao terceiro trimestre de 2004. O crédito glosado corresponde ao crédito presumido da agroindústria, previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004, abaixo transcritos: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] Contatase, de pronto, que a Lei nº 10.925/2004, ao instituir os citados créditos presumidos relacionados à atividade agroindustrial, estabeleceu de forma explícita a forma de seu aproveitamento, qual seja, por meio da dedução da Contribuição para COFINS devida no período de apuração. Observase, ainda, que o artigo 16, parágrafo único, da Lei nº 11.116/05, utilizado pela recorrente como fundamento legal de seu pleito repetitório, não abarca o crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da pela Lei nº 10.925/2004: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 988 9 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Pelo visto, por absoluta impossibilidade jurídica do pedido, decorrente de sua falta de fundamentação legal, deve ser mantida a negativa da compensação pleiteada pela recorrente. Em sendo assim, logo, concluise como correta a glosa pela Fiscalização, ratificada pela Resoluçãosolicitada, como se observa, nos termos da conclusão da mesma: Concluímos que não pode ser aceito o pedido do contribuinte para que o crédito apurado em julho de 2004 seja deduzido dos débitos da COFINS de agosto e setembro de 2004 porque o legislador IMPEDIU A APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS ANTERIORES A 08/08/2004 (em relação a produtos com alíquota zero), como determina o art. 16 da Lei n° 11.116/2005 e o art. 17 da Lei n° 11.033/2004, de 21 de dezembro de 2004. Também não pode ser aceito o pedido do contribuinte para que o crédito presumido apurado sobre a aquisição de produtos agropecuários em julho de 2004 seja considerado na compensação POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL, uma vez que esses créditos somente podiam ser utilizados para deduzir da COFINS a partir de 01/08/2004, como determina o art. 17 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004). E, por fim, transcrevo alguns trechos da decisão a quo, para deixar bem claro, os fatos deste processo: 1) Em relação ao saldo de crédito declarado a maior na Dcomp em face da não dedução de parcela utilizada no Dacon. Em seu Dacon de fl. 122v, a interessada informou na linha 23 (crédito total apurado no mês) os valores de R$78.656,23 para o mês de agosto/2004 e de R$133.430,26 para o mês de setembro/2004, relativos à Receita Mercado Interno. Informou, ainda, na linha 30 do Dacon (créditos descontados da Cofins apurada no mês) os valores R$32.291,45 para o mês de agosto/2004 e de R$44.656,70 para setembro. No entanto, ao preencher o formulário “Crédito da Cofins Mercado Interno” (fl. 23), não informou tais valores na linha “B) Parcela do Crédito da linha ‘A’ utilizada para deduzir da Cofins”, o que motivou o acerto feito pela autoridade fiscal descontando o Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 989 10 montante de R$76.948,15 (R$32.291,45 + R$44.656,70) do valor do crédito informado. O argumento da interessada é de que possuía saldo de meses anteriores no montante de R$207.314,17, informado na linha 29 do Dacon – “total de créditos disponíveis no mês”, relativo ao mês de julho/04 (fl. 122v), que daria suporte ao crédito solicitado. Afirma que os créditos glosados pela fiscalização nos valores de R$32.291,45 e R$44.656,70 foram devidamente abatidos, no Dacon, do total de créditos disponíveis em cada mês, em vista do preconizado no art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/02 (“o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”). Tal argumento não procede. Inicialmente, o preenchimento do formulário “Crédito da Cofins Mercado Interno” (fl. 23), detalhando o crédito informado na Dcomp, não foi feito corretamente, omitindose os valores de R$32.291,45 e R$44.656,70 que foram descontados no Dacon. Além disso, o precitado formulário pede em sua linha “A) Crédito da Cofins Apurado no Trimestre (art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005)” (grifei) e não o saldo acumulado de meses anteriores. Observada a legislação específica, a pessoa jurídica está autorizada a compensar saldo credor de Cofins e contribuição para o PIS/Pasep com débitos próprios de tributos e contribuições administrados pela RFB se atender ao prescrito pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005: (legislação já apontada acima) O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, autoriza a manutenção de créditos de Cofins e contribuição para o PIS/Pasep vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, e alíquota zero: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. No caso tratado neste processo, verificase que o saldo credor alegado pela interessada não poderia ser utilizado, mesmo com o preenchimento de vários formulários a cada trimestre, dada a restrição imposta pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, em seu parágrafo único, qual seja, a existência de saldo credor acumulado somente a partir de 9 de agosto de 2004. Registrese que a alegação quanto ao saldo credor vai de encontro ao fato de não haver preenchido a coluna referente ao mês de julho/2004 do precitado formulário. Quanto a alegação final de que “caso a glosa dos créditos seja mantida pela fiscalização, ... a contribuinte entende que deverá ser feita a recomposição dos créditos de períodos anteriores que foram utilizados para dedução dos valores devidos a título de Cofins no período de agosto a setembro de 2004”, a própria autoridade fiscal assevera à fl. 150 (Parecer Sefis): Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 990 11 “O resultado desse trabalho foi a comparação e reconstituição dos Dacon apresentados pelo contribuinte à RFB, cujas divergências em relação à legislação de regência da matéria encontramse demonstradas em quadro adiante intitulado ‘Créditos de Cofins Passíveis de Compensação’, elaborados para o trimestre.” (quadro de fl. 156). 2)Quanto a utilização indevida de créditos vedados até 08/08/2004. A glosa aqui se refere à utilização indevida de créditos vinculados a receitas sujeitas à alíquota zero até 08/08/2004, uma vez que, conforme MP nº 206/04, art. 17, inciso III e Lei nº 11.116/05, art. 16, parágrafo único, somente a partir de 09/08/2004 estaria autorizada a manutenção dos créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero. A empresa argumenta que, entretanto, esses insumos se enquadram na hipótese do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925 de 26.07.2004 e, nesse caso, a fiscalização poderia ter glosado apenas a diferença de eventual crédito apropriado indevidamente e não a totalidade do crédito utilizado. Cita a previsão contida no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03, concluindo que, diante disso, verificase que as aquisições de insumos que integraram o custo da produção de ovos in natura para industrialização, classificados no capítulo 4 da TIPI durante o período compreendido entre 01/08/2004 e 08/08/2004, dá direito aos créditos presumidos em relação às suas aquisições. Inicialmente deve ser dito que a interessada não discorda de que somente a partir de 09/08/2004 estaria autorizada a manutenção dos créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero em razão da legislação precitada (MP nº 206/04, art. 17, inciso III e Lei nº 11.116/05, art. 16, parágrafo único). Alega, todavia, que a aquisição de insumos vinculados à venda de produtos sujeitos à alíquota zero, no período compreendido entre 01/08/2004 e 08/08/2004, se enquadraria na hipótese do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925 de 26.07.2004. No entanto, ao preencher seu Dacon (fl. 122v), Ficha 06 – Apuração dos Créditos da Cofins, Linha 18 – Crédito Presumido Atividades Agroindustriais, não informou qualquer valor. ....... 3) Quanto aos créditos sobre aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. A fiscalização glosou os créditos calculados sobre as aquisições de ovos in natura (subitem 04.07 da TIPI), os quais são sujeitos à alíquota zero da Cofins. O argumento da interessada é de que esses valores glosados correspondem a aquisições (ovos in natura) que se enquadram Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 991 12 na hipótese do crédito presumido do art. 8º da Lei 10.925/04. Aduz que o seu enquadramento como pessoa jurídica que goza do direito ao crédito presumido da Cofins sobre aquisições de insumos utilizados no processo produtivo foi reconhecida no Parecer Sefis nº 24/2009 em relação às aquisições de sorgos em grãos. Aqui se coloca a mesma discussão feita no item anterior. Os créditos glosados compunham indevidamente os créditos objetos do pedido de compensação, e foram glosados em face do disposto no § 2º da art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003: ...... Observado que parte dos créditos objeto dos pedidos de compensação anexados ao presente processo se refere à aquisição de produtos tributados com alíquota zero, se deve fazer referência, novamente, ao AD Interpretativo nº 15, de 2005, que dispõe que somente o crédito básico pode ser utilizado para dedução, compensação ou ressarcimento, na forma já vista, de débitos de PIS e de COFINS apurados no regime de incidência nãocumulativa, sendo que o valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Resta, portanto, concluir como correta a glosa pela Fiscalização, ratificada pela Resolução, como já comentado. Neste mesmo sentido, coleciono ementa do acórdão nº 3402001.602, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção deste Carf, de relatoria do conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho, que se refere a pleito repetitório do mesmo contribuinte, referente à Contribuição para o PIS/Pasep apurada no 4ª Trimestre de 2004: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ementa: PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido conselheiro João Carlos Cassuli Junior que reconhecia o direito ao ressarcimento e a Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 992 13 compensação com outros tributos. O conselheiro João Carlos Cassuli Junior apresentará declaração de voto. Da mesma forma, o processo de n°10680.010360/200584, de relatoria de Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, da mesma empresa, julgado por esta turma, conforme ementa reproduzida abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Recurso Voluntário Negado. Bem como, o processo de n° 10680.012087/200522, de relatoria de PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA (voto vencido) e com voto vencedor da lavra de WINDERLEY MORAIS PEREIRA, da mesma empresa, julgado por esta turma, conforme ementa reproduzida abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Recurso Voluntário Negado Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10680.010359/200550 Acórdão n.º 3201002.594 S3C2T1 Fl. 993 14 Fl. 993DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.900007/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA.
Nos casos em que a existência do indébito, incluído em declaração de compensação, está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, deve ocorrer prova inequívoca por parte do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-003.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Na votação realizada no mês de janeiro, por unanimidade de votos, foi rejeitada a alegação de impedimento dos conselheiros fazendários e a preliminar de nulidade do crédito tributário.
Por maioria de votos, na Reunião de março de 2017, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa prado, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA. Nos casos em que a existência do indébito, incluído em declaração de compensação, está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, deve ocorrer prova inequívoca por parte do contribuinte.
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INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA. Nos casos em que a existência do indébito, incluído em declaração de compensação, está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, deve ocorrer prova inequívoca por parte do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Na votação realizada no mês de janeiro, por unanimidade de votos, foi rejeitada a alegação de impedimento dos conselheiros fazendários e a preliminar de nulidade do crédito tributário. Por maioria de votos, na Reunião de março de 2017, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa prado, que convertiam o julgamento em diligência. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 00 07 /2 00 8- 26 Fl. 425DF CARF MF 2 Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de processo, advindo de manifestação de inconformidade, cujo relatório é transcrito partir do relatório da Resolução nº 3802000.364, Relator Solon Sehn, fls. 166/167: Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita (fls.138): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITOS PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O acórdão recorrido reconheceu que houve retificação da Dctf após o despacho decisório. Todavia, entendeu que a retificação não teria o condão de fundamentar o direito de crédito, razão pela qual indeferiu o pedido. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 155 e ss., alega a existência de crédito capaz de fundamentar a compensação conforme Dcomp nº 01972.98999.141103.1.3.040400. Pleiteia o reconhecimento de um crédito original passível de compensação no valor de R$ 99.830,46 (fls. 47), relativo ao Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10983.900007/200826 Acórdão n.º 3302003.727 S3C3T2 Fl. 3 3 suposto pagamento a maior na competência março de 2002, cujo valor atualizado quando da transmissão seria de R$ 113.676,94 (fls. 05). É o Relatório Ainda no que concerne às razões recursais, a Recorrente expôs o seguinte, fls. 155/161: i) A partir do advento da Circular Bacen n° 3.068/2001, as instituições financeiras obrigaramse na atualização dos Títulos e Valores Mobiliários de que fossem proprietárias, ajustados conforme a cotação de mercado (marcação a mercado); ii) No período acima citado, a Recorrente promoveu o oferecimento das receitas decorrentes dos ajustes positivos da marcação a mercado nas bases de cálculo do PASEP e da COFINS, rubrica 7.1.5.90.109, inseridas na receita bruta da empresa; iii) Ocorre que, posteriormente, observouse que o procedimento estaria em desconformidade com o art. 35 da Lei n° 10.637/2002, o qual previa considerar os ajustes da marcação a mercado somente quando da alienação dos títulos; iv) Assim, a Recorrente readequou a base de cálculo destas contribuições, efetuandose a exclusão dos ajustes positivos a valor de mercado, conforme planilhas de apuração dos valores devidos, que foram acostadas à impugnação; v) O erro foi identificado e reprocessadas as bases de cálculo das referidas contribuições sociais, mas a empresa não retificou as declarações acessórias correspondentes (DIPJ e DCTF), evidenciandose incorretamente os débitos e créditos envolvidos. Apesar de não ter retificado a empresa transmitiu a DCOMP, objeto do processo administrativo em baila; vi) Em fevereiro/2008, a empresa foi cientificada a respeito do despacho decisório relativo à compensação declarada, no qual não foi reconhecida a suficiência do crédito a suportar o integral pagamento dos débitos declarados. Em decorrência, na manifestação de inconformidade da empresa, reconheceuse o equívoco consubstanciado na não retificação da DIPJ e DCTF respectivas, ao passo que foram comprovadas a correta apuração e contabilização dos tributos, juntandose, para tanto, planilhas de apuração e controle dos tributos, planilhas demonstrativas e atualização do crédito de pagamento a maior, razão contábil da conta 7.1.5.90.109; vii) Alega que o princípio da verdade material rege o processo administrativo e pleiteia pela nulidade da decisão de primeira instância, pois declarou a necessidade de retificação e o referido pedido foi ignorado pela DRJ/Florianópolis; viii) Colaciona uma série de precedentes, que demonstram que mesmo sem a retificação, se o contribuinte faz jus ao crédito, este deve ser deferido. O feito foi convertido em diligência nos seguintes termos, fls. 168: Devido às particularidades do caso concreto, sobretudo em razão do volume da escrituração fiscal e contábil de uma instituição bancária, entendese que o julgamento deve ser Fl. 427DF CARF MF 4 convertido em diligência, para que a unidade de origem informar, intimando o contribuinte se entender necessário: a) a diferença entre o valor recolhido aplicandose o regime de competência e o efetivamente devido quando da alienação do título (momento da ocorrência do fato gerador), na forma do art. 35 da Lei n° 10.637/2002; b) se houve pagamento de crédito tributário por ocasião da efetiva alienação dos títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros, derivativos e itens objeto de “hedge”, informando a data, valor e base de cálculo. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminar 2.1. Princípio da verdade material e do pedido de nulidade da primeira instância A Recorrente alega que deve ser observado o princípio da verdade material, onde a realidade dos fatos deve prevalecer sobre a verdade formal. Ela alega que houve supressão de instância no julgamento por parte da DRJ/Florianópolis, uma vez que os documentos não foram analisados e que ficou afastado também o princípio do livre convencimento motivado do julgador. A decisão da DRJ/Florianópolis caminhou no sentido da impossibilidade de considerar a homologação da DCOMP, pois, no caso em análise, a retificação da DCTF ocorreu após o despacho decisório. Ora, tal foi o posicionamento do julgador, justamente, pela observância do princípio do livre convencimento motivado. Vide trecho da decisão abaixo, fls. 141: De se ressaltar, por fim, que não se discorda aqui de que, em regra, erros no preenchimento de declarações não podem se sobrepor à realidade dos fatos. Ocorre, porém, que é preciso diferenciar aquelas declarações que meramente “informam” algo à Administração Tributária, daquelas – como a DCTF – que para além do caráter informativo servem à conformação de situações jurídicas. Como acima se viu, os valores devidos declarados em DCTF têm o vigor de confissão de dívida, razão pela qual só se pode admitir sua retificação por parte do próprio contribuinte nas condições e prazos legalmente postos, não sendo lícito à autoridade fiscal produzir alterações de ofício no que foi declarado. Assim, mesmo concordandose com a posição de que erros formais não devem prevalecer sobre a verdade dos Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10983.900007/200826 Acórdão n.º 3302003.727 S3C3T2 Fl. 4 5 fatos, certo é que, do ponto de vista estrito da legislação tributária, a confissão de dívida, materializada pela declaração de débitos na DCTF, não pode ser tida como uma questão meramente formal. Não há, portanto, como acatar aqui as razões postas pela contribuinte. Em face da demonstrada impossibilidade de validar a compensação efetuada antes da retificação da DCTF, deixase de apreciar aqui as razões trazidas pela contribuinte com o fim de demonstrar a existência integral de seu crédito contra a Fazenda Nacional. É que independentemente da existência ou não desse crédito, ele não foi utilizado de forma regular no procedimento que aqui se discute (o que não significa que tal eventual crédito possa ser utilizado em outro procedimento compensatório, posterior à retificação da DCTF, formalizado dentro do prazo legal de repetição). Nula seria a decisão, caso ela não tivesse enfrentando os argumentos, opostos pela contribuinte, o que não foi o caso. Portanto, improcedente o argumento de nulidade da decisão. 3. Mérito No mérito, o cerne da controvérsia cingese a duas questões. A primeira, diz respeito à impossibilidade de validar/homologar a compensação antes da retificação DCTF. A segunda, referese à falta de comprovação da parcela do crédito não reconhecido e utilizada na compensação não homologada. 3.1. Da impossibilidade da compensação Segundo o voto condutor do julgado recorrido, o motivo apresentado pela Turma de julgamento a quo, para manter a não homologação parcial da compensação em apreço, foi a “impossibilidade de validar a compensação efetuada antes da retificação da DCTF”, baseada nos seguintes argumentos, in verbis, fls. 140: No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da DCOMP, não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF/Joinville/SC foi correta. O fato de a contribuinte vir a, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, retificar formalmente a DCTF, não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois, como se viu, a existência do indébito só teria se aperfeiçoado bem depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), Fl. 429DF CARF MF 6 ela só pode ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional); ora, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez, quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF. (grifos não constam no original) Os argumentos apresentados pela Recorrente não procedem, pois, embora a compensação tenha sido efetivada antes da entrega da DCTF retificadora, ocorrida no dia 11/8/2004, ao contrário do asseverado pelo nobre Relator do voto condutor do julgado recorrido, a dita DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório, que ocorreu no dia 28/2/2008, e o titular da unidade Receita Federal de origem reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou parcialmente a compensação declarada com base nos dados da referida DCTF retificadora, o que se constata mediante a comparação dos dados apresentados no Despacho Decisório de fls. 134/135 e com os dos dados apresentados nos extratos de fls. 360/362. Ora, se própria autoridade fiscal acatou a DCTF retificadora e com base nos dados nela apresentados procedeu a homologação parcial da compensação declarada, inequivocamente, este não foi o motivo da não homologação do parcial da compensação declarada. Da simples leitura do questionado Despacho Decisório, verificase que o real motivo da não homologação parcial da compensação foi a falta de comprovação da correspondente parcela do valor do crédito utilizado. Dessa forma, por também entender que o motivo da denegação parcial da compensação foi a falta de comprovação de parcela do direito creditório, afastase a alegada impossibilidade e passase a analisar os elementos as provas carreadas aos autos. 3.2. Do resultado da diligência A partir da análise da manifestação à informação fiscal por parte da Recorrente, verificase, a partir do resultado, que não há direito ao crédito, por ela pleiteado. Ela afirma que foi incluído a mais na base de cálculo referente à apuração dos ajustes positivos ao valor de mercado a quantia de R$ 3.327.681,87 fevereiro/2003. Posteriormente, afirma que foi apurado o valor de R$ 784.646,90 referente à COFINS, sendo que quando houve a correção pela exclusão do ajuste positivo, o valor devido seria de R$ 684.816,44, o que lhe renderia um crédito de R$ 99.830,46. A Recorrente somente juntou cópia dos balancetes, mas, em momento algum, fez, efetivamente, prova cabal da base de cálculo em questão, sendo que o ônus da prova lhe compete1. Diferente, portanto, é o contido no relatório de informação fiscal nº 780/2015/DIORT/DRF/BSB, fls. 369/370: 7. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal (fls. 360/362), confirmouse, em primeiro lugar, o pagamento 1 Lei nº 13.105 Código de Processo Civil Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10983.900007/200826 Acórdão n.º 3302003.727 S3C3T2 Fl. 5 7 no valor de R$ 453.267,11, tendo sido alocados R$ 403.077,32, restando R$ 50.189,79, sendo este valor vinculado à Dcomp sob análise, tudo isso em conformidade com o despacho decisório de nº de rastreamento 745558615, emitido em 14/02/2008 (fls. 134). 8. Ademais, notase a existência de duas DCTF para o período em análise (1º trimestre/2003): a original, entregue em 12/05/2003; e a retificadora, entregue em 11/08/2004, após, portanto, a apresentação da presente Dcomp. Não obstante, o que importa observar acerca do crédito pleiteado é que o valor do débito confessado na DCTF retificadora não coincide com o valor apurado pela Interessada, conforme parágrafo 6, razão pela qual a compensação foi homologada parcialmente, dentro do limite do débito confessado. 9. Com o objetivo de subsidiar os trabalhos, de modo a confirmar ou refutar as alegações descritas no parágrafo 6 desta Informação, a Contribuinte foi intimada em 29/07/2015, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 531/2015 (fls. 170/171), a apresentar documentos e informações nos termos requeridos pelo Carf. 10. Ocorre que em sua resposta (fls. 176/353) a Interessada limitouse a apresentar documentos e informações já juntados aos autos por ocasião da manifestação de inconformidade, com exceção do balancete geral analítico (fls. 302/316) que mostra apenas a conta, com valor respectivo, em que foi registrado o ajuste positivo ao valor de mercado. Cabe notar que os supostos balancetes de fls. 318/330 nada revelam, pois, não há identificação do período a que se referem. 11. No que diz respeito ao solicitado no item “b” do parágrafo 4 desta Informação, a Interessada apresentou a planilha de fls. 178, informando que houve alienação de títulos nos meses de maio, junho, julho e agosto, todos de 2003. Entretanto, tratase de simples informação, sem que esteja acompanhada de elementos de prova. 12. Assim sendo, tendo em vista que não foram devidamente comprovados os valores referidos no parágrafo 6, em especial a base de cálculo da Cofins efetivamente devida em fevereiro/2003, por meio de apresentação de documentação contábil idônea, nada se pode firmar acerca da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (grifos não constam no original) Portanto, não há nos autos, nem posteriormente à diligência, tendo em vista que não foram devidamente comprovados os valores referidos no parágrafo 6, em especial a base de cálculo da Cofins efetivamente devida em fevereiro/2003. Diante da falta de prova, mantémse a decisão que indeferiu o pleito da Recorrente. 4. Conclusão Fl. 431DF CARF MF 8 Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, rejeitando a preliminar arguida e, no mérito, indefiro o provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 432DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.009136/2005-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INDENIZAÇÕES. BENEFICIÁRIAS DA PRÓPRIA OPERADORA. POSSIBILIDADE.
A exclusão prevista no inciso III do § 9º do art. 3o da Lei no 9.718/98 inclui os valores pagos a título de indenização dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde relacionados aos eventos ocorridos com beneficiários da própria operadora e com beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3302-004.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da Contribuição (i) o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e de beneficiários de outras operadoras, deduzida a importância recebida a título de transferência de responsabilidades; e (ii) a receita decorrente do resultado das aplicações financeiras. Parcialmente vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que também excluíam da base de cálculo o valor do custo com pessoal próprio, classificáveis dentro do grupo "eventos indenizáveis líquidos", constante do PLANO DE CONTAS DAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 05/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INDENIZAÇÕES. BENEFICIÁRIAS DA PRÓPRIA OPERADORA. POSSIBILIDADE. A exclusão prevista no inciso III do § 9º do art. 3o da Lei no 9.718/98 inclui os valores pagos a título de indenização dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde relacionados aos eventos ocorridos com beneficiários da própria operadora e com beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da Contribuição (i) o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e de beneficiários de outras operadoras, deduzida a importância recebida a título de transferência de responsabilidades; e (ii) a receita decorrente do resultado das aplicações financeiras. Parcialmente vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que também excluíam da base de cálculo o valor do custo com pessoal próprio, classificáveis dentro do grupo "eventos indenizáveis líquidos", constante do PLANO DE CONTAS DAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 05/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
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BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INDENIZAÇÕES. BENEFICIÁRIAS DA PRÓPRIA OPERADORA. POSSIBILIDADE. A exclusão prevista no inciso III do § 9º do art. 3o da Lei no 9.718/98 inclui os valores pagos a título de indenização dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde relacionados aos eventos ocorridos com beneficiários da própria operadora e com beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 91 36 /2 00 5- 40 Fl. 300DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da Contribuição (i) o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e de beneficiários de outras operadoras, deduzida a importância recebida a título de transferência de responsabilidades; e (ii) a receita decorrente do resultado das aplicações financeiras. Parcialmente vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que também excluíam da base de cálculo o valor do custo com pessoal próprio, classificáveis dentro do grupo "eventos indenizáveis líquidos", constante do PLANO DE CONTAS DAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 05/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 03/09), relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 967.688,68, incluindo multa de oficio e juros de mora, correspondente aos períodos de janeiro a dezembro de 2002 (fls. 06/07). A autuação ocorreu em virtude de falta/insuficiência de recolhimento da contribuição nos períodos acima identificados, conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 10/15, cuja apuração encontrase discriminada no demonstrativo de fl. 16. A Fiscalização apurou que a empresa deduziu indevidamente da base de cálculo da Cofins e do PIS os valores das despesas pagas aos profissionais e empresas de saúde (consultas, exames, internações, etc.) e não incluiu as receitas financeiras. Foi verificado que a fiscalizada não utilizou exclusões da base de cálculo a título de provisões técnicas e que ela não possui obrigações de co responsabilidade, efetuadas contratualmente, com outras operadoras de plano de saúde. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do referido Auto de Infração (fls. 04/05). Irresignado, tendo sido cientificado em 14/07/2005 (fl. 03), o autuado apresentou, em 10/08/2005, acompanhadas dos documentos de fls. 147/219 e 221/227, as suas razões de defesa (fls. 134/146), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente Auto de Infração, aduz que o inciso III do §9° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, autoriza a dedução dos valores pagos a terceiros (profissionais e instituições de Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10680.009136/200540 Acórdão n.º 3302004.121 S3C3T2 Fl. 13 3 saúde), como indenização aos eventos cobertos pelos planos de saúde, e por isso vem deduzindo da base de cálculo da Cofins, desde a edição da MP n° 2.158, de 2001, os valores desembolsados com a rede própria ou credenciada. Mas, de acordo com a fiscalização, tais valores somente seriam dedutiveis quando decorrentes de transferência de responsabilidade de outras operadoras de plano de saúde. Registra que a inclusão do §9° ao art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, foi uma conquista da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abrange), do Sindicato Nacional das Empresas de Medicina de Grupo (Sinamge) e do Sindicado Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo (Sinog), como se vê do Oficio encaminhado ao Ministro Pedro Parente, em anexo, cujo pedido foi atendido com o objetivo de dar tratamento isonômico entre as operadoras de plano de saúde e as entidades de seguro, no que diz respeito à possibilidade de deduzir da base de cálculo das contribuições os valores referentes aos sinistros (eventos) ocorridos, efetivamente pagos, conforme a Exposição de Motivos da MP n° 2.15834, de 2001, que transcreve. Assim, não havendo ainda regulamentação específica para as operadoras de planos de saúde, aplicase, por analogia, a regulamentação da exclusão da base de cálculo das seguradoras, por meio do Decreto n° 4.524, de 2002, que deixa bem clara a correta interpretação das deduções relativas às indenizações pagas, ou seja, essas entidades podem deduzir todas as indenizações pagas, depois de subtraídas as importâncias que tenham sido ressarcidas. Como no seu caso não há importâncias recebidas a título de transferências de responsabilidades, não há nada a ser subtraído das indenizações pagas, razão pela qual todo o valor despendido, referente às indenizações líquidas, deve ser deduzido da base de cálculo da Cofins e do PIS. Acrescenta que o "Plano de Contas Padrão", definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que uniformiza as demonstrações contábeis das Operadoras de Planos de Saúde (OPS), reforça o seu entendimento. A Conta 41 (documentos em anexo), do "Plano de Contas", denominada "Eventos Indenizáveis Líquidos" na qual são contabilizadas todas as indenizações efetivamente arcadas pelas operadoras em cobertura aos eventos ocorridos (consultas, exames, hospitalização), e não só as decorrentes de transferência de responsabilidade, subtraídos os valores acaso repassados ou ressarcidos por terceiros , retrata exatamente o descrito no inciso III do §9° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. O Pano de Contas aprovado pela ANS determina, inclusive, o lançamento na Conta "Eventos Indenizáveis" dos atendimentos realizados pela rede própria, que também são indenizados pela operadora (Pergunta 50 das "Perguntas e Respostas sobre Plano de Contas" da ANS, em anexo). Assim, também em relação à rede própria ocorre o pagamento de indenização aos médicos, pelos serviços prestados, o que não se confunde com os salários por eles recebidos para atendimento de pessoas' que não tenham o plano de saúde da impugnante, que são custos administrativos da operadora. Como a legislação adotou termos técnicos (indenizações, eventos) que vinham sendo utilizados pela ANS, tais termos devem ser interpretados no mesmo sentido utilizado pela Agência, e não no sentido apresentado pela fiscalização. Portanto, não restam dúvidas de que os valores líquidos desembolsados com a rede própria e/ou credenciada podem ser deduzidos da base de cálculo das contribuições. Em seguida, explica que excluiu as receitas financeiras da base de cálculo da Cofins não em função de uma norma permitindo sua exclusão, mas em razão da não Fl. 302DF CARF MF 4 incidência da contribuição sobre receitas não decorrentes do faturamento (venda de mercadorias e/ou serviços). Isso em função da inconstitucionalidade e da ilegalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, sobre as quais discorre. A esse respeito, transcreve jurisprudência dos Tribunais. Por fim, requer o cancelamento do feito fiscal. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 As exclusões e deduções específicas da receita bruta, legalmente previstas, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins devida por operadora de plano de assistência à saúde, não implicam que sejam excluídos ou deduzidos os custos relativos aos eventos ocorridos, sem que esses sejam vinculados a associados de outras operadoras. A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Insatisfeita com a decisão de primeira instância administrativa, a Recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Tratase tão somente de decidir sobre a possibilidade de exclusão da base de cálculo das indenizações efetivamente pagas correspondentes aos eventos ocorridos em relação aos beneficiários da própria operadora e sobre a incidência ou não da Contribuição sobre as receitas financeiras. A primeira questão, embora antes causasse grande polêmica, encontrase hoje pacificada pela Lei 12.873/13, como a seguir se lê. Art. 19. A Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3o. .........………………….................................... ...................................................................................…..... § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10680.009136/200540 Acórdão n.º 3302004.121 S3C3T2 Fl. 14 5 beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida Ou seja, não resta mais qualquer dúvida de que a legislação autoriza a exclusão da base de cálculo das contribuições, do valor correspondente às indenizações efetivamente pagas vinculadas aos beneficiários também da própria operadora. Ainda a esse respeito, imperioso destacar que apenas os eventos ocorridos e efetivamente pagos ou, nos termos da Lei, indenizados, são dedutíveis da base cálculo da Contribuição, excluindose deste total, por conseguinte, os eventos prestados diretamente pela rede própria da Operadora do Plano de Saúde. Para maior clareza a respeito do assunto, transcrevo a seguir excerto extraído de artigo1 de autoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que destaca de forma precisa e didática quais custos não podem ser deduzidos da base imponível. Da leitura do texto destacado do voto, é possível concluir que a Relatora utilizou o conceito de rede própria estrito que, de fato, também é o conceito utilizado no Plano de Contas Padrão da ANS, o que se infere do teor das subcontas que integram o desdobramento das contas de Provisão de Eventos a Liquidar, a seguir transcritas, in verbis: 21111902 Provisão de Eventos/Sinistros a Liquidar para o SUS 211119021 Provisão de Eventos/Sinistros a Liquidar para o SUS 21111903 Provisão de Eventos/Sinistros a Liquidar para Outros Prestadores de Serviços Assistenciais 211119031 Rede Contratada/Credenciada 211119032 Cooperados 211119033 Intercâmbio Eventual 211119034 Reembolso 211119035 Rede Própria As subcontas “211119032 Cooperados” e “211119035 Rede Própria”, inequivocamente, referemse aos eventos prestados por cooperados da própria OPS e por entidades ou empresas controladas ou controladoras, haja vista que não há o menor sentido no registro de um evento a pagar da própria OPS, que seria, simultaneamente, credora e devedora. Neste caso, certamente, o serviço é prestado de forma indireta, por intermédio de cooperado e empresa controlada ou controladora, e está sujeito a pagamento da indenização pelo correspondente serviço assistencial prestado aos beneficiários. Confirma o asseverado o fato de todos os custos e despesas com os eventos prestados, diretamente, pela rede hospitalar própria ou por profissional assalariado da OPS, inclusive de filial que opere com o mesmo CNPJ, serem apropriados, mensalmente, mediante critério de rateio25, e registrados a débito da 1 BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS DAS OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE À LUZ DA JURISPRUDÊNCIA DO CARF José Fernandes do Nascimento* Fl. 304DF CARF MF 6 conta transitória de Despesa “7111APURAÇÃO DE CUSTOS COM EVENTOS POR MEIO PRÓPRIO”. Assim, como tais valores não são registrados nem integram a conta Provisão de Eventos a Liquidar, consequentemente, em hipótese alguma, haverá o efetivo pagamento (“indenização”) exigido pelo comando legal em comento. Decidido isso, que se diga que, também no que se refere às receitas financeiras, assiste razão à Recorrente. Com efeito, é de amplo conhecimento que o Supremo Tribunal Federal decidiu, em Regime de Repercussão Geral, pela inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Sabese que a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, não se estende ao caput do artigo 3º, tampouco aos demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. De fato, o Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, a teor do pronunciamento encontrado, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Nos precitados Recursos Extraordinários, o Ministro esclarece os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue (todos os grifos acrescidos). Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10680.009136/200540 Acórdão n.º 3302004.121 S3C3T2 Fl. 15 7 semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. Em decorrência de tais apontamentos, aos quais somamse outras tantas manifestações encontradas na decisão tomada pela Suprema Corte acerca da inconstitucionalidade da base de cálculo definida na redação primitiva da Lei nº 9.718/98, apenas as receitas que não decorram das atividades próprias ou típicas da sociedade empresária podem ser afastadas da tributação. No caso em tela, não vejo como cogitar que receitas de aplicações financeiras estejam associadas às finalidades para as quais a entidade autuada foi criada. VOTO por dar provimento ao recurso voluntário, para que seja (i) excluída da base de base de cálculo da Contribuições o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e de beneficiários de outras operadoras, deduzida a importância recebida a título de transferência de responsabilidades e (ii) excluir da base imponível, também, a receita decorrente do resultado das aplicações financeiras. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000031/2006-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
(IRPJ/CSLL - 1º, 2º e 3º Trimestres de 2001)
(PIS/COFINS - janeiro a novembro de 2001)
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
Numero da decisão: 9101-002.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 (IRPJ/CSLL - 1º, 2º e 3º Trimestres de 2001) (PIS/COFINS - janeiro a novembro de 2001) DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSTRAMER ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 (IRPJ/CSLL 1º, 2º e 3º Trimestres de 2001) (PIS/COFINS janeiro a novembro de 2001) DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 00 31 /2 00 6- 15 Fl. 761DF CARF MF Processo nº 18088.000031/200615 Acórdão n.º 9101002.571 CSRFT1 Fl. 3 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 130200.054, de 27/08/2009, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de "reconhecer de oficio a decadência nos 3 primeiros trimestres de 2001(IRPJ e CSLL) e PIS e COFINS para fatos geradores ocorridos até novembro de 2001". O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ e Outros. Anocalendário: 2001 IRPJ. PIS. COFINS. CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos e contribuições submetidos à modalidade de lançamento por homologação, os fatos geradores ocorridos e declarados mediante o cumprimento das obrigações acessórias correspondentes são considerados homologados com o decurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador e a Fazenda Pública da União só pode revisar e alterar o lançamento naquele prazo face ao disposto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. A falta de comprovação da origem e da efetiva entrega de numerários a titulo de empréstimo de sócio autoriza a exclusão desses valores na recomposição do saldo da conta Caixa. Irrelevante que o sócio tivesse, na ocasião, capacidade econômica e financeira para suportar Fl. 762DF CARF MF Processo nº 18088.000031/200615 Acórdão n.º 9101002.571 CSRFT1 Fl. 4 3 os alegados suprimentos. Apurado saldo credor, presumese ter havido omissão de receitas em montante equivalente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Os valores creditados em contacorrente, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, evidenciam omissão de receita. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilha o mesmo fundamento factual quando não há razão de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer de oficio a decadência nos 3 primeiros trimestres de 2001(IRPJ e CSLL) e PIS e COFINS para fatos geradores ocorridos até novembro de 2001, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. quando o sujeito passivo da obrigação tributária antecipa o pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador, conforme o disposto no art. 150, §4° do CTN; por outro lado, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo contido no art. 173, I, do CTN; a respeito do prazo para o lançamento dos tributos sujeitos a homologação, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ora recorrida, e está representado nos acórdãos paradigmas emanados da 1ª e 2ª Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujas ementas seguem abaixo transcritas (cópia anexa): Acórdão nº 910100.460 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, Fl. 763DF CARF MF Processo nº 18088.000031/200615 Acórdão n.º 9101002.571 CSRFT1 Fl. 5 4 do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Acórdão nº CSRF/0202.288 PIS. DECADÊNCIA. Por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplicase ao PIS a regra de decadência prevista no art. 1 73, I, do CTN. Recurso especial negado. a similitude entre os casos reside na modalidade do lançamento. Ambos estão, em regra, sujeitos ao chamado lançamento por homologação. E, de forma diversa da que ocorreu no presente caso (aplicação do § 4º, art. 150, do CTN), no paradigma se entendeu que, na falta de pagamento do tributo, se está diante de lançamento de oficio, aplicandose a regra do artigo 173, I, do CTN; no presente caso, assim como no paradigma, verificase a falta de pagamento do tributo; demonstrada a identidade fática entre o caso presente e o acórdão paradigma, bem como a solução divergente adotada, é de ser conhecido o presente recurso, uma vez que presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial, consoante o disposto no artigo 67 do Regimento Interno do CARF; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO RECORRIDO. o julgado recorrido entendeu aplicável à espécie o dies a quo do prazo decadencial como sendo o constante do art. 150, § 4°, do CTN, qual seja, a data do fato gerador; o entendimento desta Procuradoria é que este dispositivo só se aplica no caso de ter havido efetivo pagamento adiantado do crédito tributário. Em não havendo recolhimento, não há o que se homologar, tratando a questão de simples lançamento ex officio a ser feito com espeque no artigo 149, V, do CTN, sendo o termo inicial do prazo decadencial aquele previsto no artigo 173, I, do CTN; tal distinção é particularmente importante no presente caso porque, considerando o termo inicial previsto no artigo 173, inc. I, a decadência do direito de lançar o crédito tributário relativa aos fatos geradores ocorridos até 11/2001, darseia em 01 de janeiro de 2007, contandose a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, de modo que teria sido indevido o reconhecimento da decadência pela Câmara a quo; e efetivamente o foi. Compulsando os autos, verificase que o tributo não foi recolhido. Não havendo pagamento antecipado, aplicase o dies a quo previsto no artigo 173, I, uma vez que não se trata mais de lançamento por homologação, mas simples lançamento ex officio. A rigor, sequer existe montante a ser homologado. Assim, é indevida a aplicação do artigo 150, § 4°, na espécie. Merece reforma, portanto, a decisão ora recorrida. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 18088.000031/200615 Acórdão n.º 9101002.571 CSRFT1 Fl. 6 5 outro não é o entendimento firmado pelo STJ, no sentido de que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN. É o que se depreende do Informativo nº 250 do STJ: "LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em divida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. A Seção, ao prosseguir o julgamento, conheceu dos embargos e deulhes provimento. Precedentes citados: EREsp 10I.407SP, D.I 8/5/2000; EREsp 278.727DF, DJ 28/10/2003; REsp 75.075RJ, DJ 14/4/2003, e REsp 106.593SP, DJ 31/8/1998. EREsp 572.603 PR, Rel. Min. Castro Meira, julgados em 8/6/2005". "quando não se efetua o pagamento 'antecipado' exigido pela lei, não há possibilidade de lançamento por homologação, pois simplesmente não há o que homologar; a homologação não pode operar no vazio" (AMARO, Luciano, in Direito Tributário Brasileiro, 4ª Edição, Saraiva, p. 386); vale ressaltar que este posicionamento já está pacificado no âmbito do STJ, de acordo com recente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (sessão de julgamentos de 12.08.2009) no Recurso Especial 973.733/SC, de Relatoria do Min. Luiz Fux, representativo de divergência, nos termos do procedimento do art. 543C do CPC (ementa transcrita); como se pode verificar, o julgamento foi proferido nos termos do regime do art. 543C, do CPC, que prevê em seu § 7º que os Tribunais Federais e Estaduais deverão seguir a jurisprudência sobre o assunto. Dessarte, a fim de evitar decisões contraditórias e salvaguardar a segurança jurídica, mister se faz a aplicação da mencionada jurisprudência também por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; acrescentese, ainda, as ponderações e conclusões jurídicas constantes do parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, aprovado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e pelo Ministro da Fazenda, que trata, inclusive, da forma de contagem dos prazos de decadência e prescrição tributários (art. 150, §4° e art. 173, 1, ambos do CTN): [...] 40. Do que, então, emerge mais uma conclusão: o pagamento antecipado da contribuição (ainda que parcial) suscita a aplicação da regra especial, isto é, do § 4° do art. 150 do CTN,; a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173 do CTN, para efeitos de fixação do dies a quo dos prazos de caducidade, projetados nas contribuições previdenciárias. Isto é, no que se refere contagem dos prazos de Fl. 765DF CARF MF Processo nº 18088.000031/200615 Acórdão n.º 9101002.571 CSRFT1 Fl. 7 6 decadência. Tal concepção, em principio, pode ser aplicada para todos os tributos federais, e não somente, para as contribuições previdenciárias. CONCLUSÃO o art. 173, I, do CTN dispõe que o prazo decadencial para o lançamento de oficio é de cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, para os fatos geradores ocorridos até novembro de 2001, verificase que somente no dia 1º de janeiro de 2002 iniciouse a contagem do prazo decadencial. Computandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 01/01/2007. Como a ciência do auto se deu em 14/12/2006 (fl.15), os lançamentos não aconteceram a destempo; em face do exposto, requer a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) seja conhecido e provido o presente recurso, para afastar a decadência do direito de constituir o crédito tributário, relativo aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2001, uma vez que o mesmo foi efetuado dentro do prazo legalmente fixado. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 075/2011, de 16/03/2011, admitiu o recurso especial após a seguinte análise sobre a divergência suscitada: A recorrente se insurge em relação à matéria abaixo ementada do acórdão: [...] O voto condutor do acórdão se manifestou sobre o tema: [...] A recorrente afirma existir divergência sobre matéria e que esta seria demonstrada pelas posições expressas nos acórdãos paradigmas cujas ementas reproduz: [...] Como se pode observar, o acórdão recorrido não leva em consideração se houve ou não pagamento antecipado, enquanto para os acórdãos paradigmas tal fato é determinante. Diante do exposto, demonstrada a divergência, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial. Em 18/04/2011, a contribuinte foi intimada do acórdão recorrido, do recurso especial da PGFN e do despacho que admitiu o referido recurso, e em 03/05/2011 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: QUANTO AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL Fl. 766DF CARF MF Processo nº 18088.000031/200615 Acórdão n.º 9101002.571 CSRFT1 Fl. 8 7 a PGFN insurgese contra a decisão, porém já foram apresentados julgamentos a respeito do prazo decadencial do § 4º do artigo 150 do CTN, e insiste a Fazenda em fazer mudar o julgamento, dizendo que não houve o pagamento do tributo; ora, isso não vem ao caso, se foi pago ou não, o que interessa realmente é o prazo decadencial para apresentação do auto de infração em relação ao fato gerador do tributo; o artigo 173, I, do CTN, não se aplica ao caso em questão, pois deve ser levado em consideração o Inciso II, ou seja, da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado; vide o que diz o §único: "o direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento"; aproveitamos para transcrever alguns julgamentos a respeito do prazo decadencial (ementas transcritas); realmente, foi acertada a decisão, devendo ser mantida, pois amparada pela legislação a respeito da matéria. Não cabe mais discussão a este respeito. É oportuno registrar que nessa mesma peça de contrarrazões, a contribuinte também apresentou argumentos contra o acórdão recorrido (em relação à parte que lhe foi desfavorável). Apesar de os argumentos terem sido trazidos numa única peça, apresentada como contrarrazões ao Resp da PGFN, considerouse que a contribuinte também havia interposto recurso especial contra o acórdão recorrido. Contudo, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 28/10/2015, em que apontou a ausência de indicação de divergência jurisprudencial e também a ausência absoluta de indicação de paradigmas, negou seguimento ao recurso especial da contribuinte em caráter definitivo. É o relatório. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 18088.000031/200615 Acórdão n.º 9101002.571 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso da PGFN, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2001 e 2002. As autuações fiscais decorreram da constatação de omissão de receita cuja apuração se deu a partir de saldo credor de caixa e de depósitos bancários com origem não comprovada. A apuração de IRPJ/CSLL foi realizada pelo lucro real trimestral, enquanto que as contribuições PIS/COFINS foram apuradas sobre bases de cálculo mensais. A ciência dos autos de infração ocorreu em 14/12/2006. O litígio que remanesceu para essa fase de recurso especial diz respeito à decadência, abrangendo especificamente os fatos geradores de IRPJ/CSLL nos três primeiros trimestres de 2001, e os fatos geradores de PIS/COFINS nos meses de janeiro a novembro/2001. Quanto à decadência, o entendimento manifestado na decisão de segunda instância administrativa (acórdão recorrido) aderiu à interpretação de que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador. O recurso especial da PGFN voltase exatamente para essa questão, e defende a idéia de que a aplicação do prazo decadencial mais curto, previsto no art. 150, § 4º, do CTN depende da presença ou ausência de pagamento (ainda que parcial), o que teria sido desconsiderado pela decisão recorrida. Já a contribuinte, em sede de contrarrazões, sustenta que não vem ao caso se houve pagamento ou não. Segundo ela, o que interessa realmente é o prazo decadencial para apresentação do auto de infração em relação ao fato gerador do tributo. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação à questão da decadência: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO Fl. 768DF CARF MF Processo nº 18088.000031/200615 Acórdão n.º 9101002.571 CSRFT1 Fl. 10 9 CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. No caso em análise, o acórdão recorrido, ao tratar da decadência das exações fiscais, considerou irrelevante verificar a presença ou ausência de pagamento, pelo que essa decisão merece ser reformada. Com efeito, está comprometido o seu fundamento, amparado num entendimento já superado, de que o que interessa é a atividade exercida pelo contribuinte, e não a presença ou ausência de pagamento. Como o lançamento ocorreu em 14/12/2006, há diferentes resultados para a decadência dos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram nos três primeiros trimestres de 2001 (no caso de IRPJ e CSLL), e nos meses de janeiro a novembro de 2001 (no Fl. 769DF CARF MF Processo nº 18088.000031/200615 Acórdão n.º 9101002.571 CSRFT1 Fl. 11 10 caso de PIS e COFINS), conforme se aplica o prazo previsto no art. 150, §4º, ou no art. 173, I, ambos do CTN. É que em relação a esses fatos geradores, o termo inicial para a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" seria o dia 01/01/2002, e nesse caso o lançamento realizado em 14/12/2006 deixa de estar fulminado pela decadência. Compulsando o conteúdo do Termo de Verificação Fiscal e os documentos que embasam as peças de autuação, observase que a contribuinte apresentou DIPJ totalmente zerada para o anocalendário de 2001 (efls. 35/74 do vol. 2 no eprocesso). O livro LALUR apresentado à fiscalização indicava apuração de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL para vários períodos, entre eles os três primeiros trimestres de 2001 (que são os períodos que interessam nesse momento para o IRPJ e a CSLL). No auto de infração, esses prejuízos fiscais e bases negativas foram integralmente deduzidos das bases de cálculo trimestrais apuradas pela fiscalização, nos respectivos períodos a que correspondiam (efls. 27/34 do vol. 2 no eprocesso). O regime do lucro real trimestral não comporta pagamento de estimativas. Além disso, a contribuinte apurou prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, de modo que não efetuou recolhimento algum para os referidos períodos. O mesmo pode ser dito para as contribuições PIS/COFINS, uma vez que a DIPJ apresenta todos os campos zerados, relativamente à base de cálculo, tributo a pagar, etc. Novamente vale registrar que o argumento da contribuinte, em sede de contrarrazões, é no sentido de que não vem ao caso se houve pagamento ou não. Segundo ela, o que interessa realmente é o prazo decadencial para apresentação do auto de infração em relação ao fato gerador do tributo, argumentação que deve ser rejeitada pelas razões já expostas. Nesse caso, não havendo pagamento e nem confissão de alguma parte dos referidos débitos, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, o que resulta no afastamento da decadência que havia sido reconhecida para eles. Finalmente, vale registrar que a jurisprudência apresentada pela contribuinte em sede de contrarrazões não lhe favorece, eis que essas decisões tratam ou de prazo para ação de execução fiscal de débito confessado pelo contribuinte, ou de prazo para a restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior, matérias que são estranhas ao presente processo. O mesmo se pode dizer dos argumentos contidos nas contrarrazões, quando buscam amparo no inciso II do art. 173 do CTN (que trata de anulação de lançamento por vício formal), ou no parágrafo único desse artigo (que estipula como termo inicial para contagem da decadência a data em que foi iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento). Já ficou bem esclarecido que o litígio sob exame envolve especificamente o confronto entre os prazos previstos no art. 150, §4º, e no art 173, I, ambos do CTN. Os outros Fl. 770DF CARF MF Processo nº 18088.000031/200615 Acórdão n.º 9101002.571 CSRFT1 Fl. 12 11 dispositivos do CTN, que foram trazidos pela contribuinte em sede de contrarrazões, não guardam nenhuma relação com o que foi debatido nos presentes autos. Assim, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência em relação aos débitos de IRPJ e CSLL cujos fatos geradores ocorreram nos três primeiros trimestres de 2001, e também em relação aos débitos de PIS e COFINS com fatos geradores apurados nos meses de janeiro a novembro de 2001. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 771DF CARF MF
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Numero do processo: 13894.001131/2003-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUDITORIA EM DCTF, DIPJ E DEMAIS DOCUMENTOS. Confirmada em diligência fiscal a improcedência do lançamento de ofício, deve o auto de infração ser cancelado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Valcir Gassen e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Valcir Gassen e Semíramis de Oliveira Duro.
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AUDITORIA EM DCTF, DIPJ E DEMAIS DOCUMENTOS. Confirmada em diligência fiscal a improcedência do lançamento de ofício, deve o auto de infração ser cancelado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Valcir Gassen e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 00 11 31 /2 00 3- 90 Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13894.001131/200390 Acórdão n.º 3301003.145 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida que passo a transcrever. Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, lavrado em 18/06/2003 (fls. 05) e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 11/07/2003 (fls. 34 e 57), formalizando crédito tributário no valor total de RS 491.852,61, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude de débitos declarados para os períodos de maio, agosto, outubro, novembro e dezembro/98 terem sido vinculados a pagamentos não localizados ou compensação com pagamentos parcialmente utilizados. Impugnando a exigência, foi protocolizada, em 08/08/2003, a peça de defesa de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/33, com alegação de que os débitos em questão foram devidamente pagos por meio dos DARFs cujas cópias seguem em anexo [fls.15/20], e também compensados com recolhimentos a maior do mesmo tributo efetuados em meses anteriores, conforme demonstrado na planilha de compensação em anexo [fls. 21], elaborada em conformidade com os dados que constam no sistema de processamento de dados da Receita Federal. Em análise prévia das alegações do impugnante, a autoridade preparadora, após proceder a dois recálculos mediante alocação manual, revisou de ofício o lançamento, por meio da decisão de fls. 56, excluindo da exigência os valores principais de 11.809,47; 122.894,87 e 7.036,98, respectivamente para agosto, outubro e dezembro/98, conforme demonstrativos de fls. 52/55, e, às fls. 60, informou: (...) Em que pese a alegação do contribuinte de que o AUTO DE INFRAÇÃO está extinto por pagamento e/ou compensação, entendemos s. m.j., que a exigência fiscal remanescente encontra óbice a compensação em face do art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10/03/1997, in verbis: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, poderão ser utilizados, mediante compensação para pagamentos de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício independentemente de requerimento. Neste contexto, e levandose em consideração que os DARF (s) de fls. 15/20 estão vinculados e/ou alocados aos respectivos débitos, não restando saldo disponível para aproveitamento. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13894.001131/200390 Acórdão n.º 3301003.145 S3C3T1 Fl. 12 3 Remanescendo o litígio relativamente à exigência de R$ 4.561,49; R$ 38.538,71 e R$ 2.649,92, para maio, agosto e novembro/98 e tendo em conta as alegações do impugnante de compensação de mesma espécie, foi o processo remetido em diligência, por meio da Resolução desta 5ª Turma, de n° 2.168, de 12/06/2008 (fls. 66/69), da qual se extrai: Como relatado a exigência referese a débitos de Cofins, resumidos na tabela a seguir em que também são indicadas as vinculações declaradas, as parcelas afastadas na revisão de ofício e as parcelas remanescentes para julgamento: Em relação aos débitos remanescentes da revisão de ofício R$ 4.561,49 de maio/98; R$ 38.538,71 de agosto/98 e R$ 2.649,92 de novembro/98 o impugnante alega que teriam sido compensados com créditos de períodos anteriores. E, para justificar sua alegação, apresenta planilha de compensação, de fls. 21, indicando que, em maio/98, teria ocorrido compensação de jan., fev e mar/98 e, em ago/98, compensação de set, out e dez/97 e jul/98. Considerando que se trata de compensação entre tributos de mesma espécie, admitida no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10/03/97, Fl. 445DF CARF MF Processo nº 13894.001131/200390 Acórdão n.º 3301003.145 S3C3T1 Fl. 13 4 necessária se torna a aferição da disponibilidade e suficiência de tais créditos. Observese que, em análise prévia, a autoridade preparadora reporta se à restrição contida no art. 14 da IN SRF 21/97 à compensação, sem pedido, com débitos decorrentes de lançamento de ofício. Ainda, informa inexistir saldos disponíveis dos DARF de fls. 15/20. Contudo, não se aplica aqui tal restrição, porque as compensações foram promovidas espontaneamente em 1998. Além disso, o interessado apresenta início de prova das compensações alegadas, indicando, na planilha de fls. 21, os créditos que teria utilizado, os quais não correspondem aos DARF de fls. 15/20 referidos na informação da DRF. Assim, para garantir o bom julgamento da lide, VOTO pelo encaminhamento do presente processo à Delegacia da Receita Federal em Guarulhos/SP para que se manifeste acerca da existência, disponibilidade e suficiência dos créditos apontados para a compensação pretendida. Ao final, caso remanesça crédito tributário devido, o contribuinte deverá ser cientificado do resultado dos trabalhos fiscais, sendolhe reaberto prazo para complementação de sua defesa, se for de seu interesse. Em resposta, de acordo com despacho de fls. 77 e 83, a autoridade preparadora promoveu nova revisão de ofício com vistas a alocar os saldos disponíveis dos pagamentos apresentados à planilha de fls. 21, remanescendo para julgamento, de acordo com demonstrativo de fls. 81, os seguintes valores: Cientificado da revisão do lançamento em 22/07/2008 (fls. 85/86), o contribuinte apresentou, em 21/08/2008, petição de fls. 93/95, acompanhada dos documentos de fls. 96/131, alegando, em síntese, que: os valores mantidos de R$ 8.103,37 e R$ 2.649,92 referentes respectivamente a agosto e novembro de 1998 foram compensados com créditos de julho e outubro de 1998; por equívoco foram declarados em DCTF débitos maiores de Cofins em julho/98 e outubro/98, pois, conforme DIPJ, os valores corretos seriam Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13894.001131/200390 Acórdão n.º 3301003.145 S3C3T1 Fl. 14 5 respectivamente de R$ 117.573,20 e R$ 120.767,06 ao invés daqueles declarados R$ 122.431,13 em julho/98 e R$ 122.894,87 em outubro/98. as declarações equivocadas em DCTF (diferentes do valor da DIPJ) devem ser retificadas de ofício e os valores recolhidos indevidamente devem ser reconhecidos na compensação dos meses de agosto e novembro de 1998. Para justificar sua alegação reportase à apresentação dos seguintes documentos: quadro demonstrativo do pagamento dos débitos ora exigidos, espelhos de DCTF das Cofins apuradas em agosto e novembro/98, quadro demonstrativo de DCTF e dos DARF (dos débitos ora exigidos), bem como DARFs, DCTF e ficha 33 da DIPJ dos meses de julho e outubro de 1998. O valor original do auto de infração, R$ 491.852,61, foi reduzido após a realização das revisões de ofício do lançamento, restando controvertidos nos autos os valores do principal de R$ 8.103,37, referente ao mês de agosto de 1998, e R$ 2.649,92, referente a novembro/98. Como visto acima, já na impugnação, a empresa requereu o cancelamento total do auto de infração, alegando que, conforme documentos acostados aos autos (DCTF, DIPJ, DARFs e planilhas), houve recolhimento a maior da contribuição nos meses de julho e outubro de 1998, indébitos esses que, por consequência, foram utilizados para compensar os valores indevidamente exigidos de agosto e novembro de 1998. A DRJ Campinas/SP julgou procedente em parte a impugnação apresentada após as revisões do lançamento, cancelando a multa de ofício com base na retroatividade benigna do caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, mas mantendo o restante do lançamento remanescente, considerando que “a cópia da DIPJ, dissociada de elementos da escrituração do contribuinte que confirmem os valores nela transcritos, não é prova suficiente para infirmar a confissão originalmente feita em outra declaração, a DCTF”. A decisão da 5ª Turma da DRJ/CPS, Acórdão nº 0523.239, foi assim ementada: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO COM PAGAMENTO NÃO LOCALIZADO. Subsiste a exigência se o contribuinte não logra provar o erro no preenchimento da DCTF que ensejaria a existência dos créditos que alega ter utilizado em compensação dos débitos remanescentes da revisão de ofício. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13894.001131/200390 Acórdão n.º 3301003.145 S3C3T1 Fl. 15 6 configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Lançamento Procedente em Parte. Em sede de recurso voluntário, a recorrente repisou seus argumentos anteriores, todavia trouxe aos autos novos elementos para comprovar seu faturamento: cópia dos balancetes dos meses de julho e de outubro de 1998 e demonstrativos da base de cálculo da COFINS. Com base na documentação trazida aos autos no recurso voluntário, a 3ª Turma Especial do CARF, por meio da Resolução nº 3803000.638, converteu o julgamento em diligência para: Nesse contexto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como nos princípios da legalidade e da verdade material, voto por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que se verifique junto à escrita fiscal do Recorrente, bem como junto à documentação que a lastreia, a efetiva existência do indébito alegado como existente nos meses de julho e outubro de 1998, atestando, por meio de planilhas e/ou demonstrativos, a sua suficiência ou não para quitar os débitos de agosto e novembro de 1998, débitos esses que remanescem controvertidos nos autos. A diligência fiscal foi cumprida, concluindo pela improcedência da exigência fiscal, conforme verificado nas efls. 367370. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, após as revisões de ofício, permaneceu controvertido apenas parte do auto de infração relativo à Cofins devida nos meses de agosto e novembro de 1998, tendo sido a exigência fiscal relativa a esses dois meses mantida em decorrência de falta de comprovação do indébito que, segundo o Recorrente, teria ocorrido nos meses de julho e outubro de 1998 e sido utilizado para quitar os débitos exigidos. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13894.001131/200390 Acórdão n.º 3301003.145 S3C3T1 Fl. 16 7 Em seguida, essa matéria de fato foi comprovada após a realização da diligência determinada pelo CARF: a unidade preparadora procedeu à verificação da documentação acostada pelo contribuinte no recurso voluntário, concluindo pela improcedência da exigência fiscal, conforme verificado na conclusão do relatório fiscal: Como a DRF de Guarulhos apontou a comprovação dos valores citados de R$ 10.836,04 (julho/1998) e R$ 2.127,81 (Outubro/1998) e remanescendo da atuação original os valores de R$ 8.103,37 (Agosto/1998) e 2.649,92 (novembro/1998), concluise que subsiste a favor da empresa o indébito de R$ 2.210,56. Enfim, os valores comprovados pelo contribuinte de julho e outubro de 1998 são suficientes para a compensação das exigências de agosto e novembro de 1998, por conseguinte, operouse a extinção do crédito nos termos do art. 156, II do CTN. Por todo o exposto, para voto por dar provimento ao recurso. Sala de Sessões, em 24 de janeiro de 2017. (assinado digitalmente) Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13894.001131/200390 Acórdão n.º 3301003.145 S3C3T1 Fl. 17 8 Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.012738/2004-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IDENTIDADE FÁTICA E JURÍDICA. INEXISTÊNCIA.
Para que seja conhecido Recurso Especial de divergência, faz-se necessária a demonstração da identidade fática e jurídica entre o caso sob análise e o caso julgado pela (s) Turma (s) paradigmática (s). Inexistindo a identidade fática, não há como se verificar divergência, de modo que não se pode conhecer o Recurso.
Numero da decisão: 9101-002.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB-DF 26345, escritório Veirano Advogados Associados.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IDENTIDADE FÁTICA E JURÍDICA. INEXISTÊNCIA. Para que seja conhecido Recurso Especial de divergência, faz-se necessária a demonstração da identidade fática e jurídica entre o caso sob análise e o caso julgado pela (s) Turma (s) paradigmática (s). Inexistindo a identidade fática, não há como se verificar divergência, de modo que não se pode conhecer o Recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB-DF 26345, escritório Veirano Advogados Associados. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IDENTIDADE FÁTICA E JURÍDICA. INEXISTÊNCIA. Para que seja conhecido Recurso Especial de divergência, fazse necessária a demonstração da identidade fática e jurídica entre o caso sob análise e o caso julgado pela (s) Turma (s) paradigmática (s). Inexistindo a identidade fática, não há como se verificar divergência, de modo que não se pode conhecer o Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Rafael de Paula Gomes, OABDF 26345, escritório Veirano Advogados Associados. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 27 38 /2 00 4- 15 Fl. 359DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra. Relatório Sobre o relato dos fatos, tal como feito na decisão a quo, aproveitome de parte do relatório da decisão proferida pela DRJ/SP, que tomo a liberdade de transcrever abaixo: “Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao ano calendário 2001, protocolado em 29/09/2004 pelo contribuinte acima identificado (fl. 01). 2. Conforme dados constantes na DIPJ/2002 apresentada (Ficha 29 — Aplicações em Incentivos Fiscais fls. 46 e 143), a contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda ao fundo de investimento FINAM. 3. Todavia, no processamento eletrônico da DIPJ, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, conforme cópia do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 04), o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido no Despacho Decisório de fl. 162, em razão de irregularidades da contribuinte (fls. 150, 152 e 161) perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN).” A DRJ/SP julgou improcedente o Impugnação do contribuinte, tendo em vista que no momento de exarar o despacho decisório foi realizada pesquisa na situação fiscal do contribuinte, identificandose irregularidades. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara a ele deu provimento, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002 Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Segundo entendimento sumulado pela Corte Administrativa, “para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Fl. 360DF CARF MF Processo nº 19679.012738/200415 Acórdão n.º 9101002.710 CSRFT1 Fl. 357 3 Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, com fulcro no artigo 67, da Portaria MF 256/2009. Sobre a demonstração da divergência alega a Fazenda que o e. colegiado a quo deferiu o PERC, sob o fundamento de que caberia ao Fisco provar a falta de quitação de tributos por parte do contribuinte, na data da opção pelo fundo de investimento. Por outro lado, a Primeira e Terceira Câmara não reconhece o direito ao incentivo fiscal quando o Contribuinte, como interessado que é, deixa de demonstrar sua regularidade e quitação de tributos federais, na data da opção na declaração de renda. Em suas razões, alega a Fazenda Nacional que o momento correto para procederse à análise do cumprimento do disposto no artigo 60 da Lei 9.069/95 é a data da opção pelo benefício, que coincide com a data da entrega da DIPJ. Para se obter algum incentivo fiscal é necessário que o contribuinte satisfaça as condições legais, no momento da solicitação, para que seu pleito seja atendido. A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “Demonstrada a divergência de entendimentos sobre se compete ao contribuinte demonstrar a regularidade fiscal ou à Fazenda Nacional tal irregularidade no momento da opção do benefício fiscal, consideramse atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial (artigos nos 68 e 69 do Anexo II do RICARF), devendo ser dado SEGUIMENTO do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional.” Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo, em suma: ü O não conhecimento do Recurso da Fazenda, por ausência de similitude fática, pois no caso analisado pela Turma paradigmática a União apresentou provas de que no momento da entrega da DIPJ existiam pendências em nome do contribuinte, enquanto que no presente caso a União não apontou débitos que impediriam a regularidade fiscal da Recorrida, durante o período de entrega da DIPJ, esse apontamento apenas ocorreu quando do despacho decisório exarado pela DRJ; ü O não conhecimento do Recurso da Fazenda, pela falta de pré questionamento da matéria pela União; ü O improvimento do Recurso da União, na medida em que é mansa a jurisprudência desse Tribunal no sentido de que nas situações em que as autoridades fiscais apenas apontam irregularidades fiscais Fl. 361DF CARF MF 4 posteriormente à opção pelo benefício fiscal, há o reconhecimento do direito do contribuinte ao benefício pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Com relação à admissibilidade do Recurso da Fazenda, entendo necessário o debate. A alegação do Contribuinte de que não há similitude fática entre a decisão recorrida e os Acórdãos paradigmas merece atenção. No presente caso a irregularidade fiscal do contribuinte apenas foi verificada quando do despacho decisório, conforme se pode verificar do voto condutor da referida decisão, vejamos: “9. Tendo em vista que a verificação da regularidade fiscal da contribuinte possui uma natureza essencialmente dinâmica, o despacho decisório realizou uma análise atualizada da situação da contribuinte e concluiu que, em 09/09/2008, data da elaboração do despacho decisório, a contribuinte se encontrava em situação irregular.” No caso do Acórdão paradigma de nº 10321478, a situação fática analisada foi referente ao PERC do exercício 1995, indeferida por pendências fiscais que se foram comprovadas inexistentes. Tanto que foi dado provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Em nenhum momento se discutiu o momento em que o Fisco deve realizar a análise de regularidade do contribuinte. Vale aqui a transcrição dos seguintes trechos do referido Acórdão: O recurso é tempestivo e reúne as demais condições de admissibilidade, por isto deve ser conhecido. O litígio está restrito à comprovação de quitação com os tributos e contribuições devidos à União Federal. (...) Os débitos inscritos na Divida Ativa da União estão suspensos por medida judicial, conforme comprova a requerente através de Certidão Positiva com efeitos de Negativa, expedida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em Campinas, em 1999 e 2002. Quanto à obrigatoriedade de comprovação de quitação junto à Previdência Social, a recorrente apresentou Certidão Negativa expedida pelo INSS, atendendo as disposições legais. Diante do exposto, concluise que inexistem fatores impeditivos para emissão do beneficio fiscal pleiteado pela recorrente, devendo, portanto, ser restabelecido o seu pedido. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 19679.012738/200415 Acórdão n.º 9101002.710 CSRFT1 Fl. 358 5 Assim, oriento meu voto no sentido de Dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada.” Percebam que o que se discutiu no caso desse paradigma foi a comprovação da regularidade fiscal do contribuinte, não o momento de identificação da irregularidade fiscal pelas autoridades tributárias, como se pretende no presente caso. Logo, não vejo divergência no presente caso. No caso analisado pelo colegiado que proferiu o Acórdão 10195969 também se discutiu a comprovação da regularidade fiscal do contribuinte, admitindose certidão negativa apresentada no curso do procedimento administrativo, senão vejamos: In casu, observase que o contribuinte foi instado a regularizar pendências junto à Receita Federal e a Dívida Ativa da União, através da intimação de fls. 53/54, não logrando, em tempo hábil, comprovar a sua regularidade fiscal, condição essencial à fruição do beneficio fiscal. Ocorre que agora em grau de recurso, a Recorrente apresenta as fls. 140/142, Certidões Positivas com Efeito de Negativas tanto da Secretaria da Receita Federal como da Dívida Ativa da União, emitidas, respectivamente, nas datas de 23 de junho de 2005 e 24 de agosto de 2005, impondo, por conseguinte, o gozo do benefício dos incentivos fiscais, eis que os débitos junto a Receita Federal e a ausência da Certidão da Dívida Ativa que originou o indeferimento inicial, encontramse ausente no presente momento. Do exposto, comprovada a regularidade fiscal do contribuinte, VOTO no sentido de acolher o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, para restabelecer o incentivo fiscal pleiteado. Logo, não vejo divergência no presente caso, na medida em que a situação fática analisada pela Turma paradigmática distinguese da presente, já que no presente caso a onde se discute o momento da averiguação da regularidade fiscal do contribuinte pela Fazenda Pública, enquanto que no caso paradigmático o que se discute é o momento para que o Contribuinte comprove sua regularidade fiscal. Por essas razões, voto no sentido de que não deve ser admitido o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 363DF CARF MF 6 Fl. 364DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.910978/2011-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.923
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição ao Programa de Integração Social (“PIS”) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 97 8/ 20 11 -5 7 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13896.910978/201157 Resolução nº 3402000.923 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.121, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13896.910978/201157 Resolução nº 3402000.923 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13896.910978/201157 Resolução nº 3402000.923 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721881/2011-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SIGNIFICADO E ALCANCE.
No regime de incidência não cumulativa da Cofins, insumo de produção ou fabricação compreende os bens e serviços aplicados diretamente no processo de produção (insumos diretos de produção) e os demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação (insumos indiretos de produção), ainda que agregados aos bens ou serviços aplicados diretamente no processo produtivo.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedada a apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em relação à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das referidas contribuições.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. VENDA COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA OU COOPERATIVA QUE EXERÇA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. OBRIGATORIEDADE.
É obrigatória a suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins na operação de venda de insumo destinado à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial ou por cooperativa agroindustrial, se o adquirente for pessoa jurídica tributada pelo lucro real (art. 9º, III, da Lei 10.925/2004).
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DEFINIDO SEGUNDO O TIPO DA MERCADORIA PRODUZIDA. POSSIBILIDADE.
A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial de produção de bens de origem animal destinados à alimentação humana ou animal, especificado no § 3º, I, do art. 8º da Lei 10.925/2004, independentemente da natureza do insumo agropecuário, tem o direito de apropriar-se do crédito do presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, calculado pelo percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, a ser aplicado sobre o custo de aquisição do insumo utilizado no processo de produção.
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, consequentemente, usufruir da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, faz-se necessário a comprovação que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda (com fins específicos de exportação) a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à reclassificação dos créditos vinculados às receitas desconsideradas como fim específico de exportação, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Lenisa Rodrigues Prado. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre aquisições de pallets, vencido o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis que dava provimento em relação ao paletes "one way" e os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araújo que davam provimento total. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto aos créditos sobre facas, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao créditos sobre as demais peças, equipamentos para manutenção, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de gasolina comum combustível, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de óleo diesel e álcool etílico combustível. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre produtos de desinfecção e limpeza, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário quanto à glosa de créditos de aquisições de PJ com suspensão obrigatória, reconhecendo os créditos presumidos relativos a estas aquisições. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto aos créditos de serviços, para reconhecer os créditos sobre "Serviço de Expedição e Armazéns", "Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga (transbordo) e "serviços de sangria". Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às glosas de despesas de armazenagem e fretes nas operações na venda. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para a aplicação da alíquota de 60% das alíquotas básicas das contribuições a ser aplicada sobre o valor do custo de aquisição de todos insumos utilizados na fabricação dos produtos discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito sobre as aquisições de pintos de 1 dia adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, à alíquota de 60% das alíquotas gerais das contribuições. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento foi designado para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Dr. Fabio Calcini - OAB 197.072 - SP.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lenisa Rodrigues Prado - Relatora.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SIGNIFICADO E ALCANCE. No regime de incidência não cumulativa da Cofins, insumo de produção ou fabricação compreende os bens e serviços aplicados diretamente no processo de produção (insumos diretos de produção) e os demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação (insumos indiretos de produção), ainda que agregados aos bens ou serviços aplicados diretamente no processo produtivo. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedada a apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em relação à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das referidas contribuições. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. VENDA COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA OU COOPERATIVA QUE EXERÇA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins na operação de venda de insumo destinado à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial ou por cooperativa agroindustrial, se o adquirente for pessoa jurídica tributada pelo lucro real (art. 9º, III, da Lei 10.925/2004). CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DEFINIDO SEGUNDO O TIPO DA MERCADORIA PRODUZIDA. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial de produção de bens de origem animal destinados à alimentação humana ou animal, especificado no § 3º, I, do art. 8º da Lei 10.925/2004, independentemente da natureza do insumo agropecuário, tem o direito de apropriar-se do crédito do presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, calculado pelo percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, a ser aplicado sobre o custo de aquisição do insumo utilizado no processo de produção. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, consequentemente, usufruir da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, faz-se necessário a comprovação que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda (com fins específicos de exportação) a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à reclassificação dos créditos vinculados às receitas desconsideradas como fim específico de exportação, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Lenisa Rodrigues Prado. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre aquisições de pallets, vencido o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis que dava provimento em relação ao paletes "one way" e os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araújo que davam provimento total. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto aos créditos sobre facas, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao créditos sobre as demais peças, equipamentos para manutenção, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de gasolina comum combustível, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de óleo diesel e álcool etílico combustível. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre produtos de desinfecção e limpeza, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário quanto à glosa de créditos de aquisições de PJ com suspensão obrigatória, reconhecendo os créditos presumidos relativos a estas aquisições. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto aos créditos de serviços, para reconhecer os créditos sobre "Serviço de Expedição e Armazéns", "Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga (transbordo) e "serviços de sangria". Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às glosas de despesas de armazenagem e fretes nas operações na venda. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para a aplicação da alíquota de 60% das alíquotas básicas das contribuições a ser aplicada sobre o valor do custo de aquisição de todos insumos utilizados na fabricação dos produtos discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito sobre as aquisições de pintos de 1 dia adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, à alíquota de 60% das alíquotas gerais das contribuições. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento foi designado para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Dr. Fabio Calcini - OAB 197.072 - SP. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SIGNIFICADO E ALCANCE. No regime de incidência não cumulativa da Cofins, insumo de produção ou fabricação compreende os bens e serviços aplicados diretamente no processo de produção (insumos diretos de produção) e os demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação (insumos indiretos de produção), ainda que agregados aos bens ou serviços aplicados diretamente no processo produtivo. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedada a apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em relação à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das referidas contribuições. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. VENDA COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA OU COOPERATIVA QUE EXERÇA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins na operação de venda de insumo destinado à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial ou por cooperativa agroindustrial, se o adquirente for pessoa jurídica tributada pelo lucro real (art. 9º, III, da Lei 10.925/2004). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 81 /2 01 1- 73 Fl. 1561DF CARF MF 2 CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DEFINIDO SEGUNDO O TIPO DA MERCADORIA PRODUZIDA. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial de produção de bens de origem animal destinados à alimentação humana ou animal, especificado no § 3º, I, do art. 8º da Lei 10.925/2004, independentemente da natureza do insumo agropecuário, tem o direito de apropriarse do crédito do presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, calculado pelo percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, a ser aplicado sobre o custo de aquisição do insumo utilizado no processo de produção. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, consequentemente, usufruir da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, fazse necessário a comprovação que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda (com fins específicos de exportação) a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à reclassificação dos créditos vinculados às receitas desconsideradas como fim específico de exportação, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Lenisa Rodrigues Prado. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre aquisições de pallets, vencido o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis que dava provimento em relação ao paletes "one way" e os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araújo que davam provimento total. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto aos créditos sobre facas, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao créditos sobre as demais peças, equipamentos para manutenção, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de gasolina comum combustível, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de óleo diesel e álcool etílico combustível. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.562 3 crédito sobre produtos de desinfecção e limpeza, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário quanto à glosa de créditos de aquisições de PJ com suspensão obrigatória, reconhecendo os créditos presumidos relativos a estas aquisições. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto aos créditos de serviços, para reconhecer os créditos sobre "Serviço de Expedição e Armazéns", "Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga (transbordo) e "serviços de sangria". Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às glosas de despesas de armazenagem e fretes nas operações na venda. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para a aplicação da alíquota de 60% das alíquotas básicas das contribuições a ser aplicada sobre o valor do custo de aquisição de todos insumos utilizados na fabricação dos produtos discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito sobre as aquisições de pintos de 1 dia adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, à alíquota de 60% das alíquotas gerais das contribuições. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento foi designado para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Dr. Fabio Calcini OAB 197.072 SP. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório A questão submetida a este Colegiado tem início em pedido eletrônico de ressarcimento (PER), transmitido em 25/08/2009, de créditos de contribuições para o PIS/Pasep e COFINS de incidência nãocumulativa, vinculados à receita de exportação, apurados no período entre 2006 a 2008. O pedido de ressarcimento foi indeferido pela fiscalização que, após averiguar a situação dos créditos informados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), concluiu pela inexistência de quaisquer créditos. Além das glosas efetuadas, a autoridade fiscal recalculou os valores dos créditos a descontar do PIS/Pasep e da COFINS do período, com o ajuste na base de cálculo da contribuição. A autoridade fiscal relata que, como não houve exportação direta registrada no SISCOMEX e as vendas com fim específico de exportação não cumpriram os requisitos legais, Fl. 1563DF CARF MF 4 não houve a venda para o mercado externo que pudessem ser exoneradas das Contribuições ao PIS e a COFINS. Assim, foram consideradas como receitas auferidas no mercado interno as receitas registradas pela recorrente como decorrentes das vendas de mercadorias com fim específico de exportação (Notas Fiscais com CFOP 5501/6501). A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho decisório, oportunidade na qual alega que a Receita Federal exigiu, indevidamente, os valores decorrentes das contribuições de PIS e da COFINS sobre as operações de vendas com fim específico de exportação. Isso porque o Fisco não admitiu as vendas com a finalidade específica de exportação para a Perdigão Agroindustrial S.A. (habilitada no Siscomex), pelo fato que as mercadorias destinadas a essa adquirente ficaram armazenadas em locais que não seriam entrepostos aduaneiros (foram transportadas para os armazéns Arfrio e Refribras). Ademais não foram reconhecidos créditos vinculados ao regime não cumulativo de PIS e COFINS, relacionados a bens e serviços utilizados como insumos, despesas com armazenagem e frete na operação de venda, bem como o crédito presumido da atividade agroindustrial. Os argumentos defendidos pela contribuinte foram rechaçados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em Florianópolis, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da motivação e do devido processo legal, improcedente é a alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.563 5 Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes ao reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da COFINS, a apuração dos créditos é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede de contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Ano calendário: 2008 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da contribuição para o PIS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da contribuição para o PIS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os Fl. 1565DF CARF MF 6 produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. No âmbito do regime não cumulativo da contribuição para o PIS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva a atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu crédito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei n. 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF 660/2006. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. ISENÇÃO. VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Para que a operação de venda se enquadre na definição de fim específico de exportação e faça jus à isenção da contribuição o produtorvendedor deve remeter os produtos vendidos a empresa exportadora diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem do exportador, ou para recinto alfandegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada contra a decisão acima detalhada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, oportunidade na qual repisa os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. Em 22/07/2014 a 1ª Turma da 1ª Câmara desta 3ª Seção de julgamentos converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência, por constatar que a ausência de provas inviabilizaria a devida análise do caso. Naquela oportunidade determinouse que a autoridade preparadora intimasse o contribuinte para que: a) Apresentasse laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada da fase de produção cujos insumos adquiridos, objeto do litígio, foram Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.564 7 utilizados, incluindo sua completa identificação e descrição funcional dentro do processo; b) Identifique cada insumo à respectiva exigência de órgão público, se assim for, descrevendo o tipo de controle ou exigência, e qual o órgão que exigiu , apresentando o respectivo ato (Portaria, Resolução, Decisão, etc) do órgão público ou agência reguladora. Em resposta a diligência ordenada, o contribuinte trouxe aos autos os seguintes documentos: (i) laudo técnico do INT Instituto Nacional de Tecnologia, onde está retratado o processo de produção e a utilização de diversos insumos; (ii) fluxograma do processo produtivo com a respectiva descrição deste por meio de seu engenheiro responsável; (iii) fluxograma de processo produtivo com ilustrações; (iv) plantas da estrutura dos estabelecimentos; (v) atos regulatórios pertinentes (portarias, resoluções, etc); (vi) planilha descritiva de diversos bens utilizados como insumos. Cumpridas as determinações insertas na resolução, os autos retornaram a este Conselho para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Lenisa Prado A contribuinte foi intimada sobre o teor do acórdão proferido no julgamento da manifestação de inconformidade e, tempestivamente interpôs o recurso voluntário em sob julgamento. Por esse motivo, é de rigor o seu conhecimento. Serão apreciados, a seguir, os principais argumentos apresentados no recurso voluntário sob julgamento1. 1. PRELIMINARES. 1 Insta registrar que "não há omissão quando o Tribunal de origem se manifesta fundamentadamente a respeito de todas as questões postas à sua apreciação,(...) o Magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos apresentados pela parte" (RESP 1.146.772/DF, Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, julgado em 24/02/2010, publicado em 04/03/2010. Fl. 1567DF CARF MF 8 1.1. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO CLARA E EXPLÍCITA PARA INDEFERIR OS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA E AO DEVIDO PROCESSO LEGAL ADMINISTRATIVO. A recorrente sustenta que o despacho decisório violou o Princípio da Motivação (art. 2º da Lei n. 9.784/1999), já que não apresentou as razões de fato e de direito que embasaram o indeferimento do pedido de ressarcimento dos créditos das contribuições. Em suas palavras: "O termo de verificação fiscal vinculado ao lançamento de ofício NÃO TRAZ qualquer fundamentação jurídica e fática sobre os créditos glosados, valores e as razões de direito e de fato que permitiriam esta conduta em desfavor do contribuinte (...) Não é possível remeter aos eventuais processos de ressarcimento e compensação. Isto não é motivação! O descumprimento fica ainda mais evidente a partir do fato de que o lançamento de ofício e o termo de verificação é o elemento principal no caso concreto. Equivale dizer: quando os créditos não são suficientes no regime nãocumulativo, primeiro se faz o lançamento de ofício, depois se indefere o ressarcimento/ compensação. O movimento não é inverso. (...) Vale ainda ressaltar que juntamente com a entrega do lançamento de ofício ou mesmo do indeferimento dos pedidos de ressarcimento/compensação, NÃO houve a entrega de uma planilha com os bens, os serviços e itens glosados e as justificativas fáticas e jurídicas. O que se entregou para a recorrente foi o lançamento de ofício com o termo de verificação fiscal, bem como os indeferimentos dos pedidos de ressarcimento/compensação. Não houve, pois, a entrega juntamente com a notificação de qualquer relação dos itens glosados com a respectiva fundamentação fática e jurídica. Muito menos de eventual planilha e documento que dão suporte. Isto pode ser facilmente comprovado pelo TERMO DE CIÊNCIA a própria fiscalização informa que na notificação somente entregou à recorrente o termo de verificação fiscal, demonstrativo consolidado do crédito tributário e autos de infração. Nada mais. Era dever e ônus do Fisco entregar juntamente com o auto de infração, do termo de verificação fiscal e eventual planilha e documentos que davam suporte ao lançamento e glosa, sob pena de nulidade, principalmente, quando inexiste adequada fundamentação e justificativa dos itens e a razão da glosa". Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.565 9 A recorrente alega que a ausência de fundamentação na decisão que indeferiu seu pedido, a par de ensejar violação direta ao art. 9º do Decreto n. 70.235/19722, também acarreta, por conseqüência, o cerceamento ao direito a ampla defesa. Os documentos que constam nos autos não respaldam a objeção do recorrente. Ao contrário. Como restará demonstrado ao longo deste voto, o documento intitulado Informação Fiscal, acostado às folhas eletrônicas 962 a 993 aponta, de forma suficiente, os motivos que ensejaram as glosas objeto do recurso voluntário sob análise. 1.2. ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DA PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S.A. EXPORTAÇÃO. A recorrente defende que o lançamento é nulo, já que a fiscalização desconsiderou as exportações realizadas e, por esse motivo, lavrou a exigência das contribuições de PIS e COFINS. A recorrente BRF Foods S.A., na qualidade de vendedora dos produtos exportados sustenta ser parte ilegítima para figurar no pólo passivo da ação onde deveria ser alocada a empresa compradora, Perdigão Agroindustrial S.A. de acordo com a lógica retratada nos art. 7º da Lei n.10.637/2002 e 9º da Lei n. 10.833/2003, os quais reproduzo: Lei n. 10.637/2002 Art. 7. A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão de nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. Lei n. 10.833/2003 Art. 9. A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. No entanto, percebese que não existem empresas vendedoras e consumidoras, mas sim sucessão empresarial, de acordo com o que atesta o documento intitulado Informação Fiscal, onde está esclarecido que: 2 Art. 9. A exigência do crédito tributário e a aplicação da penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 1569DF CARF MF 10 "A pesquisa no sistema CNPJ comprova a incorporação da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso pela Perdigão S.A., CNPJ 01.838.723/000127 (...) Ainda de acordo com o cadastro do CNPJ , a Perdigão S.A. mudou seu nome empresarial para Brasil Foods S.A. e estabeleceu seu domicílio tributário em Itajaí/ SC. Em virtude da incorporação, caracterizase a responsabilidade tributária por sucessão, consoante o art. 129 e 132 do Código Tributário Nacional, e, por esse motivo, a BRF Brasil Foods S.A. foi intimada de todos os atos de ofício". A ora recorrente não se insurge sobre a alegada sucessão empresarial informada e a conseqüente transmissão de responsabilidades tributárias (artigos 129 e 132 do CTN). Deste modo, devem ser considerados verídicos e incontestes os fatos sobre a sucessão empresarial. 2. MÉRITO 2.1. SOBRE A EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. DOS FATOS INCONTROVERSOS QUE COMPROVAM QUE OS PRODUTOS FORAM EXPORTADOS. A recorrente inicia seus argumentos esclarecendo que às operações de exportação, a Constituição Federal lhes confere imunidade tributária objetiva, destinada à desonerar os custos de exportação (§ 2º do art. 149 da Constituição Federal de 1988), e não isenção. Nessa mesma linha, é o conteúdo dos art. 5º da Lei n. 10.637/20023 e art. 6º da Lei n. 10.833/20034, bem como os artigos 44 e 45 do Decreto n. 4.524/20025, que desoneram as exportações das Contribuições PIS e COFINS. Deste modo, conclui que não poderia a fiscalização simplesmente desconsiderar as operações de exportação pelo fato que as mercadorias vendidas à exportadora foram alocadas nos armazéns Arfrio e Refribras, e não em entrepostos aduaneiros. 3 Art. 5º. A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 4 Art. 6º. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 5 Art. 44. O PIS/Pasep nãocumulativo não incide sobre as receitas decorrentes das operações de I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível, e; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas: (...) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto lei n. 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e (...) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. §1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.566 11 Sustenta que existem nos autos "diversos fatos relevantes e incontroversos capazes de conduzir à correta conclusão no sentido de que a recorrente realizou a exportação, mesmo que indireta, por meio da venda com fim específico". São os fatos apontados pela recorrente que corroboram a comprovação da exportação: 1. Não há no relatório fiscal uma afirmação ou um dado sequer que sustente a assertiva que os produtos não foram exportados pela Perdigão Agroindustrial S.A; 2. As exportações ocorreram dentro do prazo de 180 dias previsto nas normas de regência; 3. Como a recorrente comercializou as mercadorias com o fim específico de exportação, essa receita não gera créditos no regime não cumulativo das Contribuições de PIS e COFINS; 4. As notas fiscais e a escrituração contábil da recorrente demonstram que as vendas realizadas para a Perdigão Agroindustrial S.A. tinham a finalidade específica de exportação. Diante desses fatos, a contribuinte concluiu que a questão dos autos é, ao que tudo consta, a apuração de mera irregularidade perpetrada pela empresa Perdigão Agroindustrial S.A., já que foi a responsável pelo depósito das mercadorias por ela adquiridas. Por ser essencial ao deslinde da questão submetida a julgamento, reproduzo os fundamentos adotado pela autoridade fiscal na decisão que indeferiu o pedido do ora recorrente: "Segundo os DACON, a contribuinte teria auferido em 2008 receitas de exportação ou de vendas, com fim específico de exportação, que foram incluídas das bases de cálculo de PIS e COFINS. No entanto, durante o procedimento de verificação, constatamos que não houve qualquer exportação direta para o exterior registrada no SISCOMEX no período em tela e que quase todas as vendas de mercadorias com fim específico de exportação destinaramse à filial 108 da Perdigão Agroindustrial S.A., situada na rua Jorge Tzachel, 475, Itajaí/SC. (...) Tendo em vista que a unidade 108 da Perdigão Agroindustrial S.A. não é armazém alfandegado, foram tomadas duas providências: primeiro, foi intimada a Perdigão Agroindustrial S.A., por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 004/01109 a explicar o funcionamento da filial 108; depois, foi intimada a Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda., por meio do Termo de Intimação 003/01111, a prestar esclarecimentos e juntar documentos acerca das vendas com fim específico de exportação. Novamente, é preciso lembrar que as duas intimações foram entregues à BRF Brasil Foods S.A., que é sucessora de ambas. Sinteticamente, a BRF Brasil Foods informou (..) que: (a) a Perdigão Agroindustrial depositava em oito armazéns as mercadorias recebidas de terceiros com fim específico de exportação e que, destes, três eram alfandegados (Brasfrigo, Fl. 1571DF CARF MF 12 Martini e Ponta do Felix) e cinco não eram alfandegados (Arfrio dois, Refribrás, Safrio e Itazem); (b) que a exportação era efetuada após o contêiner ser 'estufado'; e (c) que estava autorizada por atos administrativos a proceder ao embarque antecipado da mercadoria destinada à exportação. (...) Regularmente intimada, a BRF Brasil Foods informou, em relação à Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda que: (a) as vendas eram feitas para as filiais 107 e 108 da Perdigão Agroindustrial S.A. e que ambas eram 'trading companies'; (b) relacionou os mesmos recintos onde eram depositadas as mercadorias; (c) que os depósitos eram de uso público e não de uso privativo da Perdigão Agroindustrial S.A. Apresentou, também, planilha detalhando as vendas com fim específico de exportação".(grifos nosso). Percebese que a conclusão adotada pela autoridade fiscal e rechaçada pela recorrente está amparada, essencialmente, nas seguintes premissas: 1. Não existem registros no SISCOMEX sobre as supostas exportações diretas para o exterior realizada pela recorrente para o período sob fiscalização, e; 2. Todas as mercadorias destinadas à exportação foram remetidas à filial 108 da Perdigão Agroindustrial S.A. É importante considerar que o SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior) é o procedimento regulamentar disponibilizado pela administração pública para obtenção das autorizações, certificações e licenças para exportar produtos brasileiros. O fato de terem sido exportadas as mercadorias, ainda que sem o registro no SISCOMEX, não convalida a conclusão da autoridade fiscal, já que tratarseiam, em tese, de vendas promovidas pela recorrente para trading company. A fiscalização desconsiderou essa peculiaridade e considerou, apenas, o fato que as mercadorias foram entregues a recintos não alfandegados. Transcrevo a conclusão do fiscal : "Ao apreciar a planilha que detalha as vendas com fim específico de exportação (doc. 857 a 961), constatamos que a maior parte das operações não cumpriu os requisitos minuciosamente estudos acima porque as mercadorias eram entregues em recintos não alfandegados de uso público. Concluímos, a partir das informações prestadas e dos documentos apresentados pela contribuinte e obtidos junto à Perdigão Agroindustrial S.A. que , na maior parte das vendas com CFOP 5501/6501, não se configurou o 'fim específico de exportação', de acordo com as normas detalhadas acima". Sobre a remessa dos produtos à filial 108 da Perdigão Agroindustrial (suposta trading company), a recorrente afirma que estava autorizada por atos administrativos a proceder o embarque antecipado das mercadorias destinadas à exportação, remetendoos aos recintos não alfandegados (Arfrio, Refribrás, Sagrio e Itazem) e que esses entrepostos eram de uso público, o que lhes conferia a característica própria de recinto alfandegado. Importa esclarecer que a recorrente apresentou os documentos que atestam a autorização administrativa conferida e, sobre tais documentos, o fiscal autuante não teceu considerações. Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.567 13 Não se questiona, diante de uma interpretação sistêmica e ajustada do §2º do art.39 da Lei n. 9.532/1997 que as vendas às empresas comerciais exportadoras podem ser incluídas no cálculo de crédito presumido, e não apenas as vendas as empresas favorecidas pelo tratamento tributário conferido pelo DecretoLei n. 1.248/1972. Isso porque o artigo 39 da Lei n. 9.532/1997 prevê a suspensão do IPI não apenas quando da aquisição por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, como também quando o produto for remetido à recintos alfandegados ou outros locais onde se processo o despacho aduaneiro da exportação. A propósito: Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processo o despacho aduaneiro de exportação. § 1º. Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. § 3º. A empresa comercial exportadora fica obrigada ao pagamento do IPI que deixou de ser pago na saída dos produtos do estabelecimento industrial, nas seguintes hipóteses: a) transcorridos 180 dias da data da emissão da nota fiscal de venda pelo estabelecimento industrial, não houver sido efetivada a exportação; b) os produtos forem revendidos no mercado interno; c) ocorrer a destruição, o furto ou roubo dos produtos. Importa ressaltar que vendido o produto para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, passa a ser dela a responsabilidade pela exportação no prazo de 180 dias. De modo que a empresa exportadora tem, portanto, 180 dias para demonstrar a exportação dos produtos, caso contrário deverá arcar com o tributo suspenso quando da sua aquisição. Recintos alfandegados são áreas demarcadas pela autoridade aduaneira competente, na zona primária dos portos organizados ou na zona secundária a estes vinculada, a fim de que nelas possam ocorrer, sob controle aduaneiro pela Receita Federal, movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias procedentes do exterior, a para lá destinadas, inclusive sob regime aduaneiro especial. Fl. 1573DF CARF MF 14 A questão é regulamentada pelo Decreto n. 6.759/09, artigo 9º, Incisos I a III, que assim dispõe: Art. 9º. Os recintos alfandegados serão assim declarados pela autoridade aduaneira competente, na zona primária ou na zona secundária, a fim de que neles possam ocorrer, sob controle aduaneiro, movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de: I – mercadorias procedentes do exterior, ou a ele destinadas, inclusive sob regime aduaneiro especial; II – bagagem de viajantes procedentes do exterior, ou a ele destinados, e; III – remessas postais internacionais. Parágrafo único. Poderão ainda ser alfandegados, em zona primária, recintos destinados à instalação de lojas francas. Sobre o tema, importa conhecer os termos do Decreto Lei n. 1.455, de 7 de abril de 1976, que traz a seguinte exceção: Art. 10. O regime de entreposto aduaneiro na exportação compreende as modalidades de regimes comum e extraordinário e permite a armazenagem da mercadoria destinada a exportação, em local alfandegado I – de uso público, com suspensão do pagamento de impostos, no caso da modalidade de regime comum; II – de uso privativo, com direito a utilização dos benefícios fiscais previstos para incentivo à exportação, antes do seu efetivo embarque para o exterior, quando se tratar de modalidade de regime extraordinário. §1º. O regime de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade extraordinário, somente poderá ser outorgado a empresa comercial exportadora constituída na forma prevista pelo DecretoLei n. 1.248, de 29 de novembro de 1972, mediante autorização da Secretaria da Receita Federal § 2º Na hipótese de que trata o § 1º, as mercadorias que forem destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabelecimento em regulamento, poderão ficar armazenadas em local não alfandegado Aqui evidenciase o equívoco na interpretação conferida pelo fiscal, já que o parágrafo segundo do art. 10 do Decreto lei 1.455/19766 expressamente dispõe sobre a entrega 6 Sobre a exceção prevista no Decreto Lei acima transcrito, a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, ao responder a processo de consulta, reconhece que na hipótese de venda a comercial exportadora é possível a remessa dos produtos ao recinto não alfandegado: "Considerase fim específico de exportação a remessa direta dos produtos vendidos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercia exportadora. Se a venda for feita a comercial exportadora constituída nos termos do Decreto lei n. 1.248, de 1972, também se considera fim específico de exportação a remessa direta dos produtos vendidos ao recinto de uso privativo de que trata o art. 14 da Instrução Normativa SRF 241, de 20026". (Processo de Consulta n. 40/12, Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/ 6ª RF). Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.568 15 das mercadorias nesses locais, em operação por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Ou seja, o parágrafo segundo admite a possibilidade, na hipótese de venda com fim específico de exportação, que a empresa comercial exportadora que adquire o produto, mas, por sua conta e ordem, manda entregálo diretamente para exportação ou para recinto alfandegado. Mas, naturalmente, essa regra não significa que a empresa comercial exportadora não pode adquirir diretamente e contar com a entrega do produto em seu estabelecimento, pois, como o próprio artigo 39 estabelece que ela dispõe de 180 dias para efetivar a exportação da venda realizada pela industrializadora, que, no presente caso, é a Recorrente. Desta forma, resta evidente que o dispositivo estabelece obrigação não para a Recorrente, na qualidade de industrial, mas sim para a comercial exportadora, porém em hipótese específica, quando, por sua conta e ordem, determinar a entrega do produto por ela adquirido para embarque de exportação ou recinto alfandegado. No presente caso, a recorrente tomou o cuidado não apenas de comprovar a venda por ela realizada, mas também comprovou que a exportação foi efetivamente realizada dentro do prazo legalmente determinado. Dai porque assiste razão a recorrente, de tal forma que as receitas de tais operações devem ser incluídas no cálculo presumido, pois demonstrada a venda para comercial exportadora com fim específico de exportação7. Ademais, o próprio auditor não contesta a alegação que os produtos foram efetivamente exportados dentro do prazo de 180 (cento e oitenta) dias, sequer a afirmação que a filial 108 da Perdigão Agroindustrial é uma trading company. Diante da precariedade de fundamentos que ensejaram a resposta da autoridade, é de rigor reconhecer o acerto nos argumentos da recorrente e a validade para fins de apuração de crédito das vendas realizadas sob o CFOP 5501/6501, já que amparado pelas provas e normas pertinentes. 2.2. SOBRE AS GLOSAS. CRÉDITOS DE INSUMOS. PIS E COFINS. A recorrente apresenta a cronologia das normas e leis sobre o aproveitamento de créditos no regime não cumulativo, bem como robusta doutrina e recentes precedentes deste Conselho. Mais especificamente sobre cada glosa, a recorrente aponta os desacertos das autuação e motivos pelos quais não devem prevalecer: Ficha 6A Linha 02 Bens utilizados como insumos * foram glosados os valores empenhados na aquisição de bens porque que não se enquadrariam na definição restritiva de insumos adotada na legislação de regência do IPI. Esta glosa também padece da ausência de descrição dos produtos rechaçados; 7 Nesse mesmo sentido é o voto proferido pelo Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista no julgamento do recurso voluntário objeto do Processo Administrativo n. 10840.901468/200841 pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção em 10/12/2014, que resultou na publicação do Acórdão n. 3403003.440 Fl. 1575DF CARF MF 16 * a fiscalização não descreve no termo de autuação qualquer item, mesmo que exemplificativamente, que demonstrem que os bens utilizados como insumos foram adquiridos à alíquota zero de PIS/COFINS; * não estão descritas nos termos de autuação quais foram os itens glosados sob a justificativa que as notas fiscais apresentam códigos de operação que não concedem os créditos reclamados. Ficha 6A Linha 03 Serviços utilizados como insumos * foram glosados os valores empenhados na contratação de serviços porque que não se enquadrariam na definição restritiva de insumos adotada na legislação de regência do IPI. Esta glosa também padece da ausência de descrição dos serviços contratados; * não estão descritas nos termos de autuação quais foram os itens glosados sob a justificativa que as notas fiscais apresentam códigos de operação que não concedem os créditos reclamados. Ficha 6A Linha 04 Despesas com energia elétrica * Foram glosados o valor das notas fiscais em valor inferior ao lançado em DACON. A recorrente alega que os valores foram lançados em livros fiscais e se presumem verdadeiros. Requer diligência ou perícia para comprovar a diferença Ficha 6A Linha 07 Despesas com armazenagem e frete na operação de venda *A fiscalização desconsiderou os créditos devidos pelos serviços portuários de carga e descarga (transbordo) e outros não identificados nas operações de venda (art. 3º, IX, da Lei n. 10.637/2002). Ficha 16A Linhas 25 e 26 Crédito presumido da atividade agroindustrial (art. 8º da Lei n.10.925/2004) * A recorrente informa que os motivos que ensejaram as glosas sobre os créditos oriundos da atividade agroindustrial foram: (i) aplicação incorreta do percentual de 60% (art. 8º, § 3º, I da Lei n. 10.925/2004); (ii) inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumos (animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, laudo técnicos, lenha, retentores, e; (iii) inclusão de insumos sujeitos à alíquota zero (pinto de 1 dia, pois este não está sujeito à suspensão, mas sim à alíquota zero). A recorrente considera que tais glosas refletem a interpretação incongruente e desconexa da lei (Lei n. 10.925/2004, artigo 8º) com a realidade, isto porque: "dentro da cadeia produtiva deste setor, os produtos dos Capítulos 2 a 4, 16 e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, que permitem a alíquota de 60% para apuração do crédito presumido, são os produzidos por esta e não adquiridos". A Relação das Notas Fiscais Glosadas (folhas 489 a 505) apresenta, de forma detalhada, os itens que não foram admitidos para fins de contabilização do pedido de ressarcimento feito pelo ora recorrente. Naquele documento, a fiscalização apresenta os códigos que informam o motivo de cada um das glosas8. Por ser demasiadamente repetitiva a 8 NI Não é insumo,serviço, frete ou armazenagem com direito a crédito CFOP O Código fiscal de operação indica operação sem direito a crédito Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.569 17 relação, para melhor compreender o que foi indeferido pela fiscalização e quais os motivos, podemos organizar os itens em 6 grupos: a) pallets, b) peças de reposição, conserto e equipamentos, c) combustíveis em geral e energia elétrica. d) produtos químicos vinculados à desinfecção e limpeza, e) serviços, e f) crédito presumido da atividade agroindustrial (art. 8º da Lei n.10.925/2004). *SOBRE O CONCEITO DE INSUMO: A recorrente aponta que a divergência entre seu posicionamento e o das autoridades fiscais e julgadoras repousa, unicamente, no conceito de insumos para fins de apuração de créditos de PIS e COFINS. Sustenta que o seu pedido de ressarcimento foi indevidamente negado, pois adotado pelos fiscais o conceito restritivo de insumo, equivalente àquele adotado na legislação que rege o IPI. Sobre a questão, é pacífico o entendimento deste Conselho9 no sentido que não se aplica, para apuração do insumo de PIS ou COFINS não cumulativos (previsto no art. 3º da Lei n. 10.833/2003) o critério estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma, não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Por outro giro, também não se aplica o conceito específico do imposto de renda que define custo e despesas necessárias. Isso porque os sistema da não cumulatividade do IPI se diferencia do sistema do PIS/COFINS, na medida em que no IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (inciso II, do § 3º do art. 153 da CF/88), enquanto no PIS/COFINS a técnica é de base contra base (§ 12, do art. 195 da CF/88 c/c com o § 1º dos arts. 2º e 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003). É no mesmo sentido a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que confirma que a "a conceituação de insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva" (RESP n. 1.246.317/MG, relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 29/06/2015). O Parecer Normativo CST n. 65/79 consigna a interpretação adotada pela Fazenda Nacional que, para que sejam gerados créditos de IPI, o produto intermediário deve assemelharse à matériaprima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. A NT Mercadoria sujeita a alíquota zero de PIS/PASEP e COFINS. Dentro do grupo de notas glosadas pela justificativa NT, a fiscalização apresentou a subdivisão dos motivos determinantes: CAPT78 e 0407ovos Lei n. 10.865/04, art. 28, inciso III CORR25 Lei n. 10.925/04, art. 1, inciso IV Defensivo Lei n. 10.925/04, art. 1º, inciso II FARMilho Lei n. 10.925/04, art.1º, inciso IX Inc V Lei n. 10.925/04, art. 1º, inciso V LEITE Lei n. 10.925/04, art. 1º, inciso XI (Lei n. 11.196/05) NA Não é armazenagem 9 Sobre o tema adoto os fundamentos contidos no Acórdão n. 3302002.260, este proferido no julgamento do recurso voluntário interposto pela Sucocítrico Cutrale Ltda, nos autos do Processo Administrativo n. 12893.000208/200785, sob a relatoria da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas. Fl. 1577DF CARF MF 18 partir dessa premissa é certo afirmar que para se apropriar de créditos oriundos dos produtos intermediários, esse que não se incorpora ao produto final, é imprescindível que este sofra desgaste ou alteração em suas propriedades químicas ou físicas quando em contato direto com o produto em sua fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS, os eventos que dão direito à apuração do crédito estão citados no art. 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, onde se percebe que houve uma ampliação das hipóteses que conferem créditos em relação àquelas previstas na legislação do IPI. Concluise, da leitura dos dispositivos mencionados, que a diferença entre os regimes jurídicos do IPI e das contribuições PIS/COFINS não cumulativas está que no IPI o direito a crédito vinculase ao produto industrializado, já no âmbito nas contribuições está relacionados ao processo produtivo. Contudo, tal ampliação do conceito de insumo não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Ou seja, para o regime não cumulativo das contribuições PIS/COFINS, adotase o conteúdo semântico de insumos mais amplo do que aquele previsto na legislação que rege o IPI, porém mais restrito do que aquele previsto nas normas do Imposto de Renda, abrangendo os bens e serviços que não sendo expressamente vedados em lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o produto ou serviço desejado. Como visto, o conceito de insumo para o sistema não cumulativo do PIS e da COFINS é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for utilizado direta ou indiretamente pelo contribuinte na produção/fabricação de produtos/serviços; for indispensável para a formação do produto/serviço final e for relacionado ao objeto social do contribuinte. Em virtude dessas especificidades, os créditos oriundos dos insumos postulados no recurso voluntário devem ser analisados individualmente. Para análise, item a item, dos produtos e serviços que foram glosados pela fiscalização, é oportuno lembrar que a recorrente é (em sua própria definição): "tradicional e importante agroindústria, tendo por objeto social as atividades no mercado interno e externo de industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral, principalmente, derivados de proteína animal e produtos alimentícios que utilizem a cadeia de frio como suporte e distribuição, industrialização, e comercialização de ração, prestação de serviços de alimentação em geral, industrialização e refino de óleos vegetais, exploração, conservação, armazenamento, ensilagem e comercialização de grãos, entre outras atividades". A. PALLETS A fiscalização considerou que os pallets de madeira não são insumos da atividade econômica praticada pela recorrente. Por sua vez, a recorrente afirma (amparada no laudo técnico apresentado em resposta à diligência ordenada), que: Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.570 19 "os pallets são amplamente aplicados dentro do processo produtivo da requerenda, sendo essenciais. São relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matérias primas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) armazenagem de matériasprimas em condições de higiene para serem utilizados no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado, e; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização". Está esclarecido no laudo técnico apresentado em resposta à diligência que: "No sistema de movimentação de cargas de pequenas dimensões, na maioria aquelas que possam ser empilhadas manualmente, empregase uma espécie de estrado com geometria plana que facilita e aumenta a velocidade de transporte de arrumação dos produtos sobre ele empilhados. Tratase de dispositivo denominado pallet que foi normalizado nacional e internacionalmente com o objetivo de garantir segurança na carga em movimentação, mecanização para levantamento e deslocamento da massa transportada, entre outros, e principalmente, buscar a unitização de todo um quantitativo de produtos ou até mesmo de matériasprimas entre fornecedor e cliente, entre setores produtivos internos a uma mesma unidade industrial e, ainda, com a possibilidade do pallet ser retornável ou não". "Em suma, os pallets são relevantes para toda a indústria, especialmente a alimentícia, pois, participa do processo produtivo, uma vez que são utilizados na própria industrialização para movimentação das matériasprimas e dos produtos em fase de industrialização a serem utilizados, evitando que estes fiquem em contato direto com o solo (diminuindo o risco de contaminação)". E a utilização dos pallets é indispensável para atender aos requisitos das normas de vigilância sanitária, a qual a recorrente deve obediência. A propósito e a título ilustrativo, trago a conhecimento o conteúdo da Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) n. 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições HigiênicosSanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10Os insumos, matériasprimas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local” “8.8Armazenamento e transporte de matériasprimas e produtos acabados; 8.8.1 – As matériasprimas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microrganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o Fl. 1579DF CARF MF 20 armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam”. A utilização de pallets, portanto, atende a exigência de acondicionamento e transportes previstas pelo Ministério da Saúde, e tem por finalidade impedir a contaminação do produto final, o que lhe garante a característica de insumo para as atividades da recorrente. B. PEÇAS DE REPOSIÇÃO, CONSERTO E EQUIPAMENTOS Algumas peças de reposição, conserto e equipamentos foram excluídas do cálculo pela fiscalização, a fiscalização considerou que os códigos CFOP registrados nas Notas Fiscais indicavam produtos que não conferiam direito ao crédito reclamado, por que não condiziam com operações de aquisição de insumos. O laudo técnico acostado aos autos descreve da seguinte forma a finalidade de alguns produtos descartados pela fiscalização: *Rolamentos Utilizado na produção de mortadela, steaks, frango, bacon. Também é utilizado na caldeira. *Esteira Utilizada na produção de steak e presunto. *Correias São utilizadas nas linhas de corte de frango, de suínos, e na produção de bacon. *Respirador São utilizados nas granjas. *Mangueiras são peças de reposição de empilhadeiras e também existem as que são utilizadas nas produção de mortadela, bacon. *Mangote é utilizado em toda indústria. *Chapas São utilizadas na produção de lingüiças. *Parafusos e porcas São utilizados nas produções de mortadelas, bacon, steak. *Bucha É utilizada na produção de mortadela . *Suporte Bronze Mordaça São utilizados no processo de abate do frango. *Lateral Mordaça É utilizada no processo de abate do frango. *Bucha Bronze É utilizada no processo de abate do frango. *Pinto de 1 dia (macho e fêmea) São utilizados na integração das aves no primeiro dia de granja. *Faca Inox São utilizadas nos cortes dos frangos *Peneira Moinho É utilizada na fabricação da ração moinho da fábrica e moinho de milho. *Filtro de ar é utilizado no abate de frango, na sala de cortes e na fabricação de ração e farinhas. Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.571 21 *Filtro de óleo é utilizado no abate de frango, na sala de cortes e na fabricação de ração e farinhas. Considerando as informações contidas no laudo técnico e a simples descrição dos produtos feita pelo próprio fiscal, considero que os produtos efetivamente são insumos (em conformidade com a definição adotada e já esclarecida), já que evidentemente indispensáveis para a industrialização dos produtos comercializados pela recorrente. C. COMBUSTÍVEIS EM GERAL E ENERGIA ELÉTRICA Dentro dessa categoria, foram glosados os seguintes itens: GAS GLP 13 Óleo diesel combustível Gasolina Comum Álcool etílico. Por sua vez, conta no laudo técnico que tais produtos têm finalidades diversas além da típica (abastecer veículos automotores) como, por exemplo, manter em funcionamento o equipamento que serve para manter a temperatura de frigoríficos. Trago a conhecimento as utilidades: *Óleo Diesel É utilizado para geração de energia do frigorífico, da incubadora e das caldeiras. *Álcool combustível É utilizado nos túneis de congelamento. *Gasolina combustível É utilizada nos veículos da empresa. Vêse, portanto, que os combustíveis, diante do que esclarece o laudo técnico, é integrado ao próprio processo produtivo da recorrente, já que sem ele não seria possível obter o produto final comercializado. Como já esclarecido, é coerente afirmar que os insumos que propiciam ao contribuinte a obtenção de créditos estão relacionados à prestação de serviços ou industrialização. Seguindo tal raciocínio, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar recurso interposto por indústria de alimentos considerou que é possível o creditamento de PIS e COFINS dos custos incorridos pela aquisição de combustíveis. Transcrevo a ementa do julgamento: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES E PEÇAS UTILIZADAS COMO INSUMOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENTREGA DE Fl. 1581DF CARF MF 22 MERCADORIAS VENDIDAS PELA PRÓPRIA EMPRESA. ARTS. 3º, II, DAS LEIS N. 10.647/2002 E 10.833/2003. 1. O creditamento pelos insumos previsto nos arts. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 e 10;637/2002 abrange os custos com peças, combustíveis e lubrificantes utilizados por empresa que, conjugada com a venda de mercadorias, exerce também a atividade de prestação de serviços de transporte da própria mercadoria que revende. 2. Recurso especial provido. (Recurso Especial n. 1.235.979/RS, julgado em , sob a relatoria do Ministro Herman Benjamin pela Primeira Seção). Nesse mesmo sentido assim decidiu a 3ª Turma da 4ª Câmara desta 3ª Seção de julgamentos: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Terceira Seção MATÉRIA: COFINS RESSARCIMENTO ACÓRDÃO: 3403002.915 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, conseqüentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos de passeio, motocicletas, e kombis que eventualmente transportam funcionários. Considerando que além das finalidades atípicas, os combustíveis são necessários para o transporte dos insumos vivos (frangos, suínos, bovinos) das granjas para o abatedouro, entendo que devem ser considerados como insumos para fins de creditamento, diante da evidente essencialidade e indispensabilidade dos produtos para a recorrente. Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.572 23 No que concerne os gastos com energia elétrica, entendo que concluiu mal o auditor fiscal ao glosar tal insumo. Isso porque o inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.637/200210 e o inciso III do art. 3º da Lei n. 10.833/200311 expressamente permitem o desconto de créditos das contribuições do PIS e da COFINS correspondente aos valores gastos pelos custos de energia elétrica utilizadas pelas pessoas jurídicas. Assim, por estar em evidente desalinho com a previsão legal, entendo que é de rigor o cancelamento da glosa sobre os gastos com energia elétrica. D. PRODUTOS QUÍMICOS VINCULADOS À DESINFECÇÃO E LIMPEZA Sobre as glosas determinadas pela fiscalização sobre os produtos químicos utilizados para limpeza e desinfecção, a recorrente esclarece que são indispensáveis para atender as determinações dos órgãos reguladores e fiscalizadores aos quais está submetida por ser frigorífico e produtor de alimentos para consumo humano (Anvisa, Ministério da Agricultura, Ministério da Saúde, dentre outros). Cita, como exemplo, a regulamentação prevista na Resolução n.10, de 31/07/1984 emitida pelo Ministério da Agricultura, que determina a forma de conservação dos produtos industrializados perecíveis até a chegada ao consumidor final. Além dos motivos já apresentados no item a pallets, entendo que os produtos químicos glosados são essenciais para a desinfecção e limpeza dos abatedouros e locais de processamento dos produtos da recorrente. Adoto como fundamentos específicos aqueles apresentados pelo Ministro Mauro Campbell Marques ao julgar recurso que trata sobre matéria similar a que aqui está submetida a julgamento: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. (...) 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art.3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de 10 Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a: IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. 11 Art. 3º.Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a: III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Fl. 1583DF CARF MF 24 "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n.10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015 grifos nossos) Diante do exposto, considero que conferem direito a crédito os valores despendido para aquisição dos produtos químicos destinados à limpeza e desinfecção do estabelecimento industrial da recorrente. E. SERVIÇOS Os serviços não reconhecidos como insumos para fins de apuração de crédito foram aqueles elencados na linha 03, da ficha 06A dos DACONS12. A recorrente defende que os serviços são insumos, por constituírem custos essenciais no processo produtivo. Os serviços não reconhecidos pelo auditor fiscal são: Serviço de mãodeobra Serviço de expedição e armazenagem de cereais Serviço técnico mecânicos Serviços gerais Serviço de transporte de funcionários Serviço imobilizado geral Serviço apanhe de animais Serviço de carga e descarga Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.573 25 Serviço de sangria. Transbordo Armazenagem e frete Consta no parecer técnico oportunamente acostado aos autos as seguintes definições: *Serviços de Expedição e Armazéns São necessários na produção de rações. *Serviços de Transporte de Aves São utilizados nas granjas de matrizes e transferem as aves das granjas de recria para as granjas de produção. *Serviços de Carga e Descarga São necessárias para realizar o recebimento de cereais que serão utilizados na composição das rações. É de fácil conclusão que os serviços acima listados e descritos são empregados na atividade precípua da recorrente fabricação de alimentos para consumo humano. São essenciais para as etapas descritas no laudo técnico e, percebese ainda, que não são passíveis de substituição pelas máquinas, o que reforça a essencialidade e indiscutível característica de insumo. Mais especificamente sobre o serviço de sangria, o laudo técnico informa que: "A unidade industrial do interessado em Carambei/PR produz frangos que são exportados para o Oriente Médio e, por isso, contratualmente por exigência dos clientes as aves são abatidas conforme os preceitos da religião islâmica. As exigências contratuais incluem a forma em que é feita a sangria que inclui a impossibilidade de automação da linha de corte e, mais ainda, que seja feita por pessoas com formação espiritual islâmica e nunca por funcionários da própria BRF S.A. Para viabilizar este requisito do contrato de exportação existe pessoal que atende a estes princípios e que são organizados para prestarem seus serviços nesta etapa de produção industrial". Percebese que a essencialidade do serviço de sangria decorre da atuação da recorrente no mercado internacional, o que torna indiscutível o seu reconhecimento como insumo para fins do creditamento reclamado. A Secretaria da Receita Federal do Brasil adota a conceituação de transbordo13 como sendo a transferência direta de mercadoria de um para outro veículo. No caso da agroindústria, admitese o creditamento não só dos bens e serviços qualificados, com insumos na própria industrialização, mas também daqueles insumos utilizados na fase agrícola que lhe precede14. Não encontra amparo no inciso IX do art. 3º das 13 Disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/transito aduaneiro/topicos/controledoregime/transbordoebaldeacao 14 Nesse mesmo sentido está o Acórdão n. 3402003.041, lavrado no julgamento do recurso voluntário apresentado pela Usina Moema Açúcar e Álcool objeto do Processo Administrativo n. 16004.720550/201371, julgado pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de julgamentos em 27 de abril de 2016. Fl. 1585DF CARF MF 26 Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002, a pretensão de descontar os valores das contribuições das despesas que não são de armazenagem, mas que corroboram essa atividade. Há de se ter em mente o laudo técnico que esclarece que os animais vivos são transportados em caminhões, dentro de caixas com controle de temperatura. Assim que chegam ao local do abate, não são desembarcados um a um. A caixa em que chegam é transbordada para o caminhão que percorre os vários locais dentro da planta industrial (alimentação, limpeza e abate dos animais). São custos com serviços indispensáveis para o transporte dos insumos dentro da indústria da recorrente, já que existem peculiaridades técnicas que exigem a manutenção da temperatura e a diminuição dos fatores que possam estressar os animais antes do momento do abate. O transbordo é, ao meu ver, essencial para o processo produtivo, já que sem a prestação desse serviço não é possível obter o produto final. No que concerne os créditos oriundos dos serviços de frete e armazenagem considero que tais são devidos, sem sobra de dúvidas. Isso porque o inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.833/2003 permite expressamente que a contribuinte desconte créditos calculados em relação a "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, no caso dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". F. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL (ART. 8º DA LEI N. 10.925/2004). De forma sucinta, os motivos que ensejaram as glosas sobre os créditos oriundos da atividade agroindustrial foram: (i) aplicação incorreta do percentual de 60% (art. 8º, § 3º, I da Lei n. 10.925/2004); (ii) inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumos (animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, laudo técnicos, lenha, retentores, e; (iii) inclusão de insumos sujeitos à alíquota zero (pinto de 1 dia, pois este não está sujeito à suspensão, mas sim à alíquota zero). Sobre as aquisições se enquadrarem ou não no conceito de insumos, não houve qualquer esclarecimento mais específico no laudo técnico apresentado. Assim, por ausência de fundamentos aptos a ensejar a reforma da decisão recorrida, esta deve ser mantida (apenas no que concerne esses insumos: animais reprodutores, para lactação, para recria, lenha, laudos técnicos e retentores). Já no que concerne a interpretação do inciso I, do § 3º do artigo 8º da Lei n. 10.925/2004, passo a tecer as seguintes considerações. Ao julgar o Recurso Especial n. 993.164/MG, este submetido a sistemática dos recursos repetitivos e apontado como paradigma da tese, o Superior Tribunal de Justiça definiu que é ilegal ato que exclui da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos oriundos de atividade rural, de matériaprima e insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/Pasep e COFINS. E trouxe o seguinte esclarecimento: “É que (i) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produtor rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; (ii) o Decreto n. 2.367/98 – Regulamento do IPI , posterior à Lei n. 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais, e; (iii) a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.574 27 insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes”. Estabelecida a premissa inicial que é ilegal a exclusão da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos oriundos de atividade rural, de matériaprima e insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/Pasep e COFINS passo ao seguinte ponto, que é definir o percentual a que a recorrente tem direito. Da leitura sistemática da Lei n. 10.925/2004 é possível concluir que o critério de definição dos percentuais de crédito é a natureza dos produtos a que dá saída. Sendo os produtos de origem animal, configura devido os 60% defendidos pela recorrente. E tal conclusão é robustecida pelo texto da Lei n. 12. 865/2013 que em seu artigo 33 acrescentou o § 10 ao artigo 8º da Lei n. 10.925/2004, que passou a constar nos seguintes termos: §10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. Esse dispositivo é nitidamente interpretativo, de modo que deve prestar os seus efeitos benéficos ao contribuinte ora recorrente, nos moldes do que determina o inciso I do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Diante do exposto, voto por dar provimento integral nessa parte. Lenisa Prado Relatora Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Na Sessão do dia 26 de janeiro de 2017, este Conselheiro pediu vistas deste processo, para melhor análise do litígio. Após minuciosa análise dos autos, não se vislumbra qualquer dissenso quanto os fundamentos do voto da i. Relatora sobre às questões preliminares suscitadas pela recorrente. Já no que tange às questões de mérito, este Relator, com a devida vênia, discorda parcialmente do entendimento da nobre Relatora, pelas razões a seguir aduzidas. Do lote processos que este integra Inicialmente, cabe esclarecer que, o presente processo, faz parte de um lote composto de 9 (nove) processos, sendo um relativo a auto de infração (processo n° 11516.721009/201214) e os demais relativos a pedidos de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos 1º ao 4º trimestres de 2008, a seguir relacionados: TRIMESTRE PROCESSO DO PIS PROCESSO DA COFINS 1º TRI/2008 10183.905478/201141 11516.721881/201173 Fl. 1587DF CARF MF 28 2º TRI/2008 11516.721876/201161 11516.721884/201115 3º TRI/2008 11516.721875/201116 11516.721882/201118 4º TRI/2008 11516.721877/201113 11516.721883/201162 Os processos de n°s 11516.721009/201214 (autos de infração) e 10183.905478/201141 (PIS 1º trimestre de 2008), na Sessão de 9/12/2015, foram distribuídos para o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, integrante da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção. Na Sessão de 11/7/2016, com respaldo no art. 6º, do Anexo II, do RICARF/2015, por meio da Resolução nº 3402000.799, o processo de n° 11516.721009/2012 14 (autos de infração) foi convertido em diligência perante a DRF Florianópolis (SC), para fim de aguardar a conclusão do julgamento dos demais (oito) processos acima referenciados e, que após concluído o dito julgamento, retornasse ao CARF, com os respectivos julgados anexados (a este PAF), com vistas ao prosseguimento do julgamento do recurso voluntário colacionados aos presentes autos. Por sua vez, na Sessão de 20/7/2016, o processo de n°10183.905478/201141 (PIS 1º trimestre de 2008) foi submetido a julgamento, formalizado por meio do Acórdão nº 3402003.153, em que, por maioria, o Colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas quanto “aos itens ‘peças de reposição de máquinas e equipamentos’, discriminados no item 8.1.3 do voto; óleo diesel e álcool combustível, conforme item 8.1.4 do voto; e crédito presumido das atividades agroindustriais.” Em 13/9/2016, o Fazenda Nacional interpôs recurso especial perante a 3ª Turma da CSRF, o qual encontrase em fase de triagem no âmbito deste Conselho, conforme informação extraída do sítio do CARF no dia 6/2/201715 Os demais processos do lote (sete), incluindo este, foram distribuídos para a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, integrante deste Colegiado, na Sessão de 22/7/2016. Com exceção do processo nº 11516.721882/201118 (Cofins 3º trimestre de 2008), os restantes foram colocados na pauta de julgamento do dia 26 de janeiro de 2017, quando, após leitura parcial do voto pela Relatora, este Conselheiro pediu vistas, para melhor análise do litígio. Com base nesses breves esclarecimentos, fica evidenciado que os 8 (oito) processos que tratam dos pedidos de ressarcimento estão vinculados por conexão, conforme definido no art. 6º, § 1º, I, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015). Logo, por força dessa condição, antes de prolatada a decisão, todos os processos conexos poderiam ter sido distribuídos ao conselheiro prevento, ou seja, aquele que primeiro recebeu um ou parte dos processos conexos. Entretanto, no caso em tela, essa providência não revelase impossibilitada, haja vista que, os dois processos distribuídos ao Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, integrante da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, já foram julgados, o que afasta a possibilidade de remessa dos demais processos conexos, ainda pendentes de julgamento, ao citado Conselheiro, por expressa disposição do art. 6º16, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015. 15 Disponível em: <https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/ exibirProcesso.jsf> 16 "Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.575 29 Dessa forma, passase analisar as questões de mérito em relação as quais não há concordância com as razões de decidir apresentadas pela nobre Relatora. A) DAS QUESTÕES DE MÉRITO Nos presentes autos, o mérito da controvérsia cingese às razões que motivaram o indeferimento integral do Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) do saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep de incidência não cumulativa do 3º trimestrecalendário de 2008, vinculados à receita de exportação do respectivo período de apuração. Portanto, aqui não serão analisadas as questões atinentes ao auto de infração integrante do processo nº 11516.721009/201214, por ser matéria estranha. De acordo com a Informação Fiscal colacionada aos autos, o motivo do indeferimento foi (i) a glosa parcial dos valores de determinados itens integrantes da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins e (ii) reclassificação de parte do valor da receita de exportação (isenta/imune) para receita de venda no mercado interno (tributada). I DA GLOSA DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. As glosas recaíram sobre os valores, totais ou parciais, dos seguintes itens informados no Dacon e memória de cálculo pela recorrente: a) bens utilizados como insumos; b) serviços utilizados como insumos; c) despesas com energia elétrica; d) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda; e e) crédito presumido agroindustrial. 1 Da glosa dos Bens Utilizados Como Insumos (Ficha 16A Linha 02) Em relação aos bens utilizados como insumos, as glosas foram realizadas sobre os valores das (i) aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, (ii) aquisição de bens sujeitos à alíquota zero, (iii) notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito e (iv) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas, que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Na “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”, elaborada pela autoridade fiscal, estão identificadas todas as notas fiscais, valores glosados e a indicação clara e precisa dos respectivos motivo e fundamentação legal da glosa, o que é suficiente para demonstrar a improcedência da alegação de nulidade do procedimento fiscal, bem como a desnecessidade da produção da requerida prova pericial. 1.1 Da aquisição de bens que não se enquadram no conceito de insumo (Grupo NI) II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. [...]" Fl. 1589DF CARF MF 30 De acordo com a referida Informação Fiscal, a autoridade fiscal glosou os valores das aquisições dos bens que não se enquadravam no conceito insumo, veiculado pelo art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF 404/2004. De outra parte, a recorrente alegou a improcedência das referidas glosas, baseada no entendimento de que de todos os dispêndios ocorridos que contribuíram, direta ou indiretamente, para a obtenção da receita auferida e submetida à tributação da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Assim, fica evidenciado que o cerne da controvérsia gira em torno do significado e alcance do termo insumo, utilizado no art. 3º, II, das Leis 10.637/2002 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) grifos não originais O entendimento deste Relator é um pouco mais amplo do que aquele apresentado pela autoridade fiscal (extraído da legislação do IPI), porém, um pouco mais restrito do que o utilizado pela recorrente (veiculado pela legislação do Imposto sobre Renda da Pessoa Jurídica). Cabe ainda consignar que, no âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando também entendimento intermediário, que considera insumo tanto as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à venda, que, em termos financeiros, equivalem aos custos diretos de produção ou fabricação, quanto os bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação dos citados bens, que, em termos financeiros, equivalem aos custos indiretos de produção ou fabricação. Com a ressalva de que insumo e custo são termos que representam a mesma realidade de forma dista. O insumo representa a coisa, o bem material ou imaterial (ou serviço), enquanto que o custo representa o valor financeiro despendido na aquisição do respectivo bem. Em outros termos, o insumo representa o fluxo físico, enquanto o custo representa o fluxo financeiro da mesma realidade. E, no âmbito da pessoa jurídica, enquanto o fluxo financeiro é relevante para a contabilidade, o fluxo físico interessa à administração e auditoria do estoque. Com base nessa breve digressão, entende este Relator, com a devida vênia aos que entendem diferente, essa é a definição que melhor reflete o significado e alcance jurídico do termo insumo, veiculado pelos citados preceitos legais. Assim, respaldado nesse entendimento, podese asseverar que, no âmbito do regime não cumulativo da referida contribuição, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação, que compreendem os insumos diretos de produção. Também são considerados insumos os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo produtivo, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.576 31 Por outro lado, não integram a definição de insumo de produção ou fabricação os bens e serviços não aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação. Em outras palavras, todos os bens ou serviços utilizados antes do início ou após a conclusão do processo de produção ou fabricação, que incluem os bens e serviços utilizados (i) na etapa anterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, compreende às despesas préindustriais, ou (ii) na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, equivalem às despesas operacionais ou não operacionais da pessoa jurídica (as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc.). Com base nesse entendimento, aqui será analisada as glosas dos créditos apropriados sobre os valores de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de fabricação pela recorrente. Inicialmente, rejeitase a alegação da recorrente de que os itens glosados a título “de bens que não se enquadram no conceito de insumo” não foram identificados pela fiscalização. Diferentemente do alegado, na referida “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008” consta, além do número da nota fiscal, o grupo e motivo da glosa e a correspondente descrição do bem adquirido. E se da simples leitura da referida descrição foi possível a este Relator identificar o tipo de bens descritos, certamente, não se revela crível que a recorrente, que dispõe de todos os dados sobre os bens adquiridos, conforme se verifica na memória de cálculo por ela elaborada, não tenha identificado os itens glosados. Pela mesma razão, afastase o alegado cerceamento do direito de defesa, por falta de motivação. Ainda em relação a presente glosa, a recorrente afirmou que os itens glosados, a exemplo do barbante e pallets, davam direito a crédito por serem produtos utilizados direta ou indiretamente no seu processo produtivo. Esclareceu que o barbante era utilizado dentro do processo produtivo industrial para costura e também embalagem dos bens produzidos e destinados ao comércio. Acerca dos pallets acrescentou: O pallet e demais produtos glosados e não identificados em relatório são relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matériasprimas a serem utilizados); (ii) – armazenagem de matériasprimas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização. [...]Portanto, tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA e MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (SIF). As alegações genéricas dispensam qualquer análise e rejeitase de plano, por se revelarem improcedentes. No que tange ao barbante, compulsando a coluna da “Descrição do Material” da referida “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”, não foi encontrada menção à glosa do custo de aquisição desse tipo de produto, o que dispensa qualquer consideração a respeito. Fl. 1591DF CARF MF 32 Em relação aos pallets, cabe trazer a lume os esclarecimentos apresentados no Relatório Técnico nº 000.903/13, da lavra do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), anexado pela recorrente em atendimento ao pedido de diligência deste Conselho, que se encontra colacionado aos autos. Especialmente, a partir do item 13, em que apresentadas a descrição e forma de utilização, no estabelecimento da interessada, dos vários tipos pallets. De todos, merece destaque especial o item 15, que segue transcrito: No caso da BRF S. A., nas unidades visitadas, foi apurado que existem três tipos de paletes em uso sendo dois de madeira e outro em fibra de vidro (sic). Nos casos das peças fabricadas em madeira há um tipo que é retornável (denominado PBR) e outro que é enviado para o cliente e descartado pelo mesmo (denominado “one way”), ambos utilizados sempre nas movimentações externas às linhas de produção. Já no ambiente interno, onde são utilizados para armazenar e transportar matériasprimas e produtos em elaboração no interior da unidade produtora, há exigência do Serviço de Inspeção Federal – SIF para que sejam utilizados somente paletes de fibra de vidro [...] (sic). destaques não originais. Com base no texto transcrito, fica esclarecido que a recorrente utiliza três tipos pallets: um de fibra de vidro e os outros dois de madeira. E conforme explicitado, apenas os pallets de fibra de vidro são utilizados nas linhas de produção, logo, os custos de aquisição, se não ativados, são considerados insumo de produção. E assim entendeu a autoridade fiscal, uma vez que não houve glosa desse tipo de pallet, conforme se infere da leitura da citada “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”. No que concerne aos pallets de madeira há um tipo que é retornável e o outro descartável. E conforme explicitado no texto transcrito, ambos são utilizados nas “movimentações externas às linhas de produção”. Logo, inferese que tais pallets não são utilizados no processo produtivo, portanto, não são considerados insumos de produção, incluindo os descartáveis. E dada essa forma de utilização, chegase a conclusão de que, no âmbito da atividade da recorrente, os pallets de madeira são considerados meros equipamentos de transporte dos produtos acabados. Aliás, sabidamente, os pallets são considerados unidades de carga destinadas a viabilizar a otimização do transporte dos produtos acabados, por meio do uso de paleteiras e empilhadeiras. Logo, em face dessa condição e forma utilização, os referidos pallets de madeira, em hipótese alguma, podem ser considerados insumos de produção, porque utilizados exclusivamente no transporte dos produtos acabados, e tampouco despesas de armazenagem ou de frete, conforme alegado, alternativamente, pela recorrente, especialmente, aqueles retornáveis, que, dependendo do prazo de vida útil, devem ser registrados no ativo permanente e não contabilizados como despesas. E como não se trata de insumo nem despesa de armazenagem ou de frete, obviamente, não tem qualquer relevância para o deslinde da controvérsia o fato de a utilização dos referidos pallets atender ou não exigências referentes à higiene e limpeza determinada em normas da Anvisa e do Ministério da Agricultura. Por todas essas considerações e tendo em conta que os custos de aquisição dos pallets de madeira não são considerados insumos de produção nem despesa de armazenagem ou frete, conforme definido no art. 3º, II e IX, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, por falta de previsão legal, não integram a base de cálculo dos créditos da Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.577 33 Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, portanto, deve ser mantida, integralmente, a glosa realizada pela fiscalização. 1.2 Da aquisição de bens sujeitos à alíquota zero Com base nos dados da memória de cálculo apresentada pela recorrente, a autoridade fiscal procedeu a glosa das aquisições dos bens sujeitos à alíquota zero, para os quais há expressa vedação à apropriação de créditos das referidas contribuições, nos termos do art. 3º, § 2º, II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) grifos não originais Na manifestação de inconformidade e no recurso em apreço, a recorrente alegou cerceamento do direito de defesa, por falta de identificação dos itens glosados e da motivação da glosa. No entanto, contraria o alegado, a afirmação da própria recorrente de que “diversos produtos descritos como tributados por meio de alíquota zero, nos moldes da Lei nº 10.925/2004, em seu art. 1º, não se tipificam nas classificações fiscais descritas” e cita o manjericão como “provável” item glosado indevidamente. No mesmo sentido, a simples leitura da referida “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008” evidencia a improcedência da referida alegação. No referido documento, verificase que, para cada nota fiscal glosada, além da descrição e valor de aquisição do bem, há expressa indicação do motivo da glosa, acompanhado da menção ao respectivo dispositivo legal, que reduziu a zero a alíquota das citadas contribuições. E ao perceber o equívoco de tal alegação, ao se manifestar sobre o resultado da diligência, a recorrente alegou que: Temos ainda produtos químicos, desinfetantes e afins que são bens utilizados especialmente no processo produtivo da recorrente, inclusive, em razão de normas que regulam a atividade e emitidas por órgãos reguladores e fiscalizadores, tais como ANVISA, MAPA, SIF, entre outros. Neste sentido foram glosados: Calc. Calcit. Pá 38% Cálcilo, Desinfetante Hipoclorito Sódio, DL Metionina Pà 99%, Desinfetante Enilconazole, Desinfetante Glut 40%, Desinfetante TEK, Ceftiofur, Treonina 98,5%, Antibiótico Amoxicilina 50%, Sulfato de Beomicina 50%. Fl. 1593DF CARF MF 34 Na seqüência, a recorrente concluiu que: [...] não pode a Receita Federal desconsiderar um custo ou despesa vinculado à atividade empresarial que é obrigatória e necessária ao próprio desempenho desta. A noção de insumo é técnica e, muitas vezes, os órgãos que fiscalizam e orientam determinada atividade, possuem mais condições de evidenciar o que é relevante para aquela atividade. No caso, inexiste controvérsia de que o motivo da glosa foi o fato de os referidos produtos terem sido adquiridos sem a tributação das referidas contribuições (produtos sujeitos à alíquota zero). Por conseguinte, a condição deles serem insumos de produção ou não, induvidosamente, não tem qualquer relevância para infirmar o motivo da glosa, já que a natureza produto não teve qualquer influência em ralação ao motivo da glosa. Também não procede a alegação da recorrente de que era totalmente viável a manutenção do crédito em relação aos produtos “vinculados à noção de insumos”, tais como “vacinas, antibióticos, treonina, ivermectina, entre outros”, pinto de 1 dia (macho e fêmea) etc. A razão, segundo a recorrente, era evidente: se não houve cobrança das referidas contribuições na aquisição desses produtos, logo, era vedado o direito de apropriação de crédito, por expressa determinação no citado preceito legal. Enfim, por expressa proibição, determinada no art. 26A do Decreto 70.235/1972, no âmbito deste Conselho, não cabe a análise da alegação no sentido de que a glosa de créditos, na hipótese de aquisição sem tributação, se sujeita à tributação na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, bem como implica efeito confiscatório. Aliás, em conformidade com essa proibição, exisnte o entendimento manifestado no enunciado da Súmula CARF nº 02, de acatamento obrigatório por todos os integrante deste Conselho, por força do disposto no art. 62 do Anexo II do RICARF/2015. Em relação à aquisição dos produtos agropecuários (por exemplo, pinto de 1 dia, entre outros), relacionados no art. 8º da Lei 10.925/2004, em caráter alternativo, a recorrente pleiteou a manutenção, pelo menos, do crédito presumido, “pois esta lei especial se sobrepõe ao art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como também art. 1º, da Lei n. 10.925”. Assiste razão à recorrente apenas no que tange às aquisições dos pintos de 1 dia, desde que, adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, nos termos do art. 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004, uma vez que, inequivocamente, tais animais integram o processo produtivo dos produtos de origem animal da posição 02.07 “carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05”, produzidos pela recorrente e destinados à alimentação humana. Assim, ainda que tais bens tenham sido adquiridos com alíquota zero das referidas pessoas jurídicas, sobre tais aquisições a recorrente faz jus a apropriação do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004. Por todas essas razões, restabelecese apenas o direito de a recorrente apropriar, parcialmente, do crédito presumido agroindustrial, calculados mediante a aplicação do percentual de 60% das alíquotas normais das contribuições, previsto no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004, sobre o valor das aquisições dos pintos de 1 dia. 1.3 Notas fiscais com CFOP de operação sem direito a crédito Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.578 35 De acordo com a citada Informação Fiscal, foram glosados os valores das notas fiscais, listadas na “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”, cujo CFOP não representava operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito. Da leitura da referida listagem, constatase que as notas fiscais glosadas em razão de o CFOP “indicar operação sem direito de crédito” estão identificadas na coluna "Motivo glosa" com a informação “CFOP”, que significa “Código Fiscal da operação indica operação sem direito a crédito”. As referidas glosas foram integralmente mantidas pela decisão recorrida, com base nos seguintes argumentos, in verbis: [...] os CFOP de tais notas não representam operações que consistam de aquisição de bens ou outra operação que dê direito a crédito, tais como as representadas pelas notas com os seguintes: os CFOP 2.556 Compra de material para uso ou consumo e 1.653 Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final. De outro turno, tendo em conta a "Descrição do Material", verificase que os bens claramente não consistem de insumo ou não há como afirmar que o sejam, haja vista não ser possível identificar sua real natureza e aplicação dentro da atividade da empresa. Na manifestação de inconformidade e no recurso em apreço, a recorrente limitouse em alegar a legitimidade dos créditos, por serem bens “caracterizados pela utilidade, inerência e relevância no processo produtivo”. Evidentemente, tratase de alegação genérica, desprovida de qualquer respaldo probatório. Já na manifestação sobre o resultado da diligência, a recorrente apresentou novas alegações, a seguir analisadas. 1.3.1 Das Peças, equipamentos e ferramentas em geral Na referida manifestação, com base nos fluxogramas integrantes do Laudo Técnico do INT, a recorrente informou que, na relação de bens glosados, havia peças e diversos itens de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas utilizados no processo produtivo, tais como: Suporte Bronze Mordaça, Lateral Mordaça, Bucha Bronze, Anel vedante, Anel trava, Rolamento, Fuso, Gancho, Engrenagem, Mola, Bucha, Placa Sincronizadora, Retentor, Pistão Hidráulico, Arruela Lisa, Correias do carro, Espátula, Bloco alumínio, Bucha Inox, Módulo completo, Acoplamento, Mangueira, Chave bloco, chave segurança, Bloco Bronze, Anel elástico, Cilindro bomba, Reparo de Pistão, Conectores, Faca Inox, Esteira placa quente, Peneira Moinho, Filtro Ar, Filtro óleo, Frezas Sep. vísceras PM 300, Navalha CW System e Filtro de óleo. E, em seguida, alegou que tais itens: São peças, equipamentos, ferramentas em geral destinadas à manutenção e consecução do processo produtivo. A mais disso, o próprio Laudo técnico deixa evidente que tais itens estão vinculados ao processo produtivo da recorrente, Fl. 1595DF CARF MF 36 especialmente, diante de sua atividade e plantas industriais juntadas. Ora, se a própria recorrente afirmou que tais bens eram “peças, equipamentos, ferramentas em geral destinadas à manutenção e consecução do processo produtivo”, certamente, eles não eram insumos de produção. E pelas características e aplicação, informadas na “planilha complementar referente aos insumos utilizados na produção”, colacionada aos autos, apresentada após a referida manifestação, inferese que, se efetivamente utilizados na produção, o custo de aquisição de tais bens era passível de apropriação como créditos, mas sob forma de encargo de depreciação, nos termos do art. 3º, VI, e § 1º, III, das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês;(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) grifos não originais. Assim, em vez da apropriação como crédito de insumo de produção, como equivocadamente fez a recorrente, com suporte nos citados preceitos legais, se aplicados na produção, a apropriação correta e permitida do crédito sobre o valor do custo de aquisição dos referidos bens era sob forma de encargo mensal de depreciação, segundo os procedimento determinados por legislação específica, o que não foi feito pela recorrente. Por essas razões, fica demonstrado que os referidos bens eram insumo produção, portanto, não merece reparo a glosa dos créditos calculados sobre o valor do custo de aquisição dos mencionados bens. 1.3.2 Dos combustíveis em geral Sobre a glosa dos combustíveis, na referida manifestação, a recorrente alegou o seguinte: Temos ainda, os combustíveis (Óleo Diesel), Álcool Combustível, Gasolina Combustível, etc), que além de existir expressa previsão legal para o crédito, também se vinculam diretamente ao processo de produção, como se pode notar claramente dos fluxogramas e laudo juntado. Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.579 37 Na referida planilha complementar, a recorrente informou que o Óleo Diesel fora utilizado no gerador de energia do Frigorífico, no gerador do Incubatório e nas Caldeiras 1 e 2, enquanto que o Álcool Combustível fora utilizado no setor de Embalagem final e nos Túneis de congelamento (diminuição do gelo acumulado no frigorífico). Como tais itens foram utilizados na área fabril, eles são considerados insumos de produção e como tal o valor do custo de aquisição foram corretamente apropriado como créditos das referidas contribuições. Consta da referida planilha a Gasolina Comum Combustível fora utilizada nos veículos da empresa, o que desqualifica tal produto como insumo de produção, logo, deve ser mantida a glosa. Dessa forma, fica restabelecido o direito de a recorrente apropriarse apenas do valor do crédito calculado sobre o valor de aquisição do Óleo Diesel e do Álcool Etílico Combustível. Em relação aos demais combustíveis, fica mantida a glosa dos créditos apurada pela fiscalização. 1.4 Das aquisições de pessoas jurídicas sujeitas à suspensão obrigatória da cobrança da contribuição De acordo com a referida Informação Fiscal, o que motivou a glosa dos créditos normais apurados sobre os valores das aquisições de pessoas jurídicas de frangos vivos (Posição 0105) e demais produtos agropecuários, utilizados como insumos de produção pela recorrente, foi o fato de tais aquisições não estarem sujeitas à cobrança, mas à obrigatória suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, nos termos dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei 10.925/2004. Segundo a autoridade fiscal, as operações de venda de produtos agropecuários, para a pessoa jurídica Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda, preenchiam todos os requisitos fixados no art. 4º da Instrução Normativa SRF 660/2006, logo, por força do disposto nos referidos arts. 8º e 9º, tais aquisições não estavam sujeitas a cobrança das referidas contribuições. Porém, asseverou a autoridade fiscal, caso o vendedor tivesse apurado e recolhido as ditas contribuições sobre as vendas dos citados produtos, tal recolhido era indevido. E, sabidamente, o pagamento indevido não assegurava o direito ao crédito ao comprador, mas repetição de indébito ao contribuinte, no caso o vendedor, conforme preceituava o art. 165, I, do CTN. Por sua vez, a recorrente defendeu a manutenção integral do crédito, sob o argumento de que as aquisições ocorreram mediante tributação de 9,25% (Cofins + Contribuição para o PIS/Pasep) e que a Lei 10.925/2005 somente era aplicável, nas condições estipuladas, quando houvesse venda com suspensão das referidas contribuições; se houve aquisição de insumo sem a suspensão, aplicavase o art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Alegou ainda que se podia concluir, da redação descrita pela IN SRF 660/2006 e a posterior alteração dada pela IN RFB 977/2009, que antes desta última IN a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração). Alternativamente, a interessada pleiteou que se reconhecesse a procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido agroindustrial, previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004. A partir da vigência da Lei 10.925/2005, foi permitido às pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas nos capítulos e códigos mencionados no caput do art. 8º da referida lei, Fl. 1597DF CARF MF 38 deduzirem da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado mediante a aplicação de alíquota diferenciada sobre o montante dos insumos adquiridos de pessoa jurídica com atividade agropecuária ou de cooperativa de produção agropecuária. Em decorrência, suspendeu a cobrança das referidas contribuição nas vendas dos referidos insumos, realizadas pelas pessoa jurídicas que exerçam atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, nos termos do art. 9º da citada Lei que segue transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) grifos não originais Da simples leitura do referido preceito legal, inferese que, uma vez existentes as condições nele estabelecidas, a pessoa jurídica vendedora, obrigatoriamente, adotará o regime suspensão da cobrança das referidas contribuições. Se a assim não procedeu, a citada pessoa jurídica agiu descompasso com a lei e se cobrança houve das referidas contribuições, elas foram indevidas e assim devem ser tratadas. Em consonância com o disposto no transcrito art. 9º, § 2º, o assunto foi regulamentado, inicialmente, por meio da Instrução Normativa SRF 636/2006, depois revogada pela Instrução Normativa SRF 660/2006, com as alterações da Instrução Normativa SRF 977/2009. Como a recorrente alegou que antes das alterações da Instrução Normativa SRF 977/2009 a suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração), reveste de todo oportuno, para melhor análise, transcrever os seguintes trechos relevantes da redação originária da Instrução Normativa SRF 660/2006: Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.580 39 Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. Da Suspensão da Exigibilidade das Contribuições Dos produtos vendidos com suspensão Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: [...] III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: [...] III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. §1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: [...] II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e [...] Das condições de aplicação da suspensão Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; Fl. 1599DF CARF MF 40 II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. § 1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: I a Declaração do Anexo I, no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II, nos demais casos. § 2º Aplicase o disposto no § 1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial. [...] Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] Dos insumos que geram crédito presumido Art. 7º Somente gera direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País com o benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º; II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. (grifos não originais) Dos referidos comandos regulamentares, extraise que, se atendidas as condições estabelecidas nos incisos I a III do art. 4º, acima transcrito, obrigatoriamente, a receita de venda auferida pelas referidas pessoas jurídicas fica sujeita a suspensão da cobrança das referidas contribuições e, em decorrência dessa situação, a pessoa jurídica vendedora obrigase a exigir e a compradora obrigase a fornecer as declarações mencionadas nos incisos I e II do § 1º do citado artigo. Logo, temse que as condições estabelecidas nos incisos do art. 4º são necessárias e suficientes para a adoção obrigatório do regime de suspensão em comento, enquanto que os incisos do § 1º do art 4º apenas estabelecem obrigações acessórias a serem cumpridas pelas partes envolvidas na operação. Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.581 41 Diferentemente do alegado pela recorrente, antes da edição da Instrução Normativa SRF 977/2009, que deu nova redação ao art. 4º em comento, deixou expressa a obrigatoriedade da referida suspensão e revogou o § 1º, que previa a exigência de apresentação da referida obrigação, com vigência desde 4 de abril de 2006, conforme explicitado na nova redação, que segue transcrita: Art. 4º Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts. 2º e 3º é obrigatória nas vendas efetuadas a pessoa jurídica que, cumulativamente: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. § 1º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) §2º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) [...] Art.11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; (grifos não originais) Portanto, não foi a edição da Instrução Normativa SRF 660/2006 e tampouco a referida alteração que tornaram obrigatória a suspensão da cobrança das contribuições em apreço. Tal obrigatoriedade, certamente, já existia desde a vigência dos arts. 8º e 9º da Lei 10.925/2004. As referidas normas regulamentares apenas explicitaram tal obrigatoriedade, bem como os requisitos implícitos nos referidos preceitos legais. Assim, resta demonstrado que a venda com suspensão constitui direito do vendedor, quando presente as condições estabelecidas implicitamente no referido preceito legal e expressamente no referido preceito regulamentar. Assim, se tal operação de venda foi indevidamente tributada pelo vendedor, essa condição não permite que o adquirente se aproprie do crédito normal (integral) das contribuições, por se tratar de procedimento contrário ao prescrito nos mencionados comandos normativos. No caso, se houve pagamento de contribuição indevida, em tese, o direito de repetir o indébito pertencente à pessoa jurídica vendedora. Entretanto, por falta de amparo legal, essa circunstância não assegura à pessoa jurídica compradora o direito de apropriarse do crédito normal (integral) das contribuições. Fl. 1601DF CARF MF 42 Enfim, em caráter alternativo, a recorrente solicitou o restabelecimento parcial do crédito glosado, “mediante aplicação do percentual do crédito presumido”, instituído no art. 8º do da Lei 10.925/2004. O referido pedido alternativo merece acolhida, porque as referidas aquisições de insumos aplicados na produção de mercadoria de origem animal foram feitas de pessoa jurídica que exercem atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, portanto, em conformidade com disposto no art. 8º, § 1º, III, combinado com o disposto no art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, tais operações asseguram ao estabelecimento agroindustrial adquirente o direito de deduzir crédito presumido em destaque, calculado mediante aplicação do percentual de 60% sobre o valor das aquisições dos insumos agropecuários aplicados na produção dos produtos de origem animal destinados à alimentação humana ou animal. Com base nessas considerações, deve ser restabelecido, parcialmente, o direito de a recorrente apropriarse do valor do crédito presumido agroindustrial, calculado mediante aplicação do percentual de 60% das alíquotas normais das contribuições sobre o valor dos insumos agropecuários adquiridos de pessoas jurídicas sujeitas à suspensão, mas indevidamente tributadas. 2 Da glosa dos Serviços Utilizados Como Insumos (Ficha 06A, Linha 03) De acordo com a Informação Fiscal, a autoridade fiscal glosou as aquisições de serviços que não se enquadravam no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, § 4º, I, “b” da Instrução Normativa SRF 404/2004. A glosa compreende os valores das notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de serviços e nem outra operação com direito a crédito. A recorrente contestou essa glosa remetendo “a todos os fundamentos ventilados até o momento” acerca da “noção de insumo no sistema não cumulativo de PIS e COFINS” e aduziu que o termo de verificação fiscal não mencionava expressamente um item sequer glosado e a razão fática e jurídica. Diferentemente do alegado, embora não tenha sido mencionado na informação fiscal, há na “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008” identificação das notas fiscais glosadas, descrição e valor do serviço, bem como o motivo da glosa, procedido da informação “NI” que indica que o serviço “Não é insumo”. E da leitura da descrição das operações glosadas, não é possível saber se os serviços são ou não insumos de produção e não há elementos suficientes para essa confirmação, haja vista não ser possível identificar sua real natureza e aplicação dentro da atividade da empresa. Para ratificar o afirmado, a título de exemplo, apresentase a descrição das seguintes operações: SERVIÇOS GERAIS, SERVICO MÃODEOBRA, SERVICO IMOBILIZADO GERAL. Na manifestação sobre a diligência, a recorrente informou que “com clareza meridiana são considerados insumos, em especial: Serviços de Expedição e Armazéns, Serviço Técnico Mecânico, Serviço de transporte de aves, Serviço de carga e descarga, entre outros.” Na referida planilha complementar, nos itens 53 a 56, foi informado o local onde era prestado o serviço e a sua descrição. Com base nessas informações e tendo em conta o conceito de insumo aqui adotado, são considerados insumos apenas os seguintes serviços: “Serviço de Expedição e Armazéns”, “Serviço de Transporte de Aves” e “Serviço de Carga e Descarga”. Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.582 43 Em relação aos demais serviços glosados, a recorrente não dignou apresentar elementos suficientes, com vistas a demonstrar que eram insumos de produção, portanto, deve ser mantida a glosa. Por essas razões, deve ser restabelecido o crédito, apenas para custo de prestação dos seguinte serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga. 3 Das Despesas com Energia Elétrica (Ficha 06A Linha 04) De acordo com a “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”, verificase que foram glosados os valores informados na Ficha 06A Linha 04 do Dacon, que não representavam despesas com energia elétrica consumida. As operações glosadas, por exemplo, tinha a seguinte descrição: PALLET MAD 120X100X14CM EXPORT PL7 REFO, CALC. CALCIT. Pà 38% CALCIO BAG 1300KG, PINTO 01 DIA MATRIZ COBB FEMEA, ANTIB AMOXICILINA 50% BALDE 5KG SC 200G. Com base apenas na descrição, já fica demonstrados que tais operações não são despesas com energia elétrica. Entretanto, diante tão evidente equívoco, a recorrente teve a coragem de alegar que os valores das despesas com energia foram lançados em livros fiscais, que se presumia verdadeiros, pelo que requereu a realização diligência ou perícia com o objetivo de comprovar a diferença mediante ofício à concessionária de energia. Inacreditável! Em vez de apresentar as provas do que alegara, invertendo as regras sobre ônus da prova, sem qualquer justificativa plausível, a recorrente alegou que era autoridade fiscal que deveria provar que aquisição de pallet de madeira era despesa de energia elétrica consuma. Assim, na ausência de provas de que os valores registrados não eram despesas com energia elétrica ou térmica, mantém a glosa integral determinada pela fiscalização. 4 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 16A Linha 07) De acordo com a planilha que integra a Informação Fiscal, foram excluídos da base de cálculo (glosados) as diferenças entre os valores informados no Dacon e os informados na memória de cálculo, apresentada pela recorrente. Segundo a autoridade fiscal, a referida glosa diz respeito aos custos com “SERVICO CARGA E DESCARGA ( TRANSBORDO) e outros, que não se enquadravam no prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003”. Cabe informa ainda que não há na “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008” a indicação de notas fiscais para Linha 07 da Ficha 16A do Dacon, porque as glosas referemse às diferenças apuradas entre os valores informados no Dacon e os informados na memória de cálculo, para cada mês do trimestre. Fl. 1603DF CARF MF 44 A recorrente alegou que o frete na venda e armazenagem “inclui o procedimento a fim de realizar a exportação do transbordo” por tratarse de “serviço natural e essencial ligado ao frete para a exportação do bem”. Sem razão à recorrente. O teor do art. 3º, IX, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 não comporta sentido e alcance tão amplo, de modo a incluir os demais serviços relacionados ao transporte do bem. Além disso, a recorrente não apresentou qualquer documento que comprovasse a realização da parcela das despesas glosadas. Por todas essas razões, deve mantida a glosa realizada pela autoridade fiscal. 5 Créditos Presumidos das Atividades Agroindustriais (Ficha 06A Linhas 25 e 26) Da referida Informação Fiscal, extraise que, em relação aos insumos não pertencentes ao inciso I do § 3º do art. 8º da Lei 10.925/2004, no cálculo do crédito a alíquota aplicada foi reduzida de 60% da alíquota normal da contribuição, percentual utilizada pela interessada, para 35% da alíquota normal, nos termos do inciso III do mesmo parágrafo. No corpo do relatório fiscal, encontrase uma listagem contendo os insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa, totalizados por descrição em cada mês, e na planilha “Crédito Presumido – Detalhe”, colacionada aos autos, encontram se individualizadas as notas fiscais correspondentes. A recorrente, por seu turno, alegou que o art. 8º da Lei 10.925/2004, ao definir os percentuais (60% ou 35% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido a ser apropriados pelas pessoas jurídicas que produzissem mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que indica, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é fabricado com o bem adquirido. Com base nesse entendimento, a recorrente defendeu a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota normal da contribuição, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Do cotejo entre os dois posicionamentos, fica evidenciado que a controvérsia cingese ao parâmetro de definição do percentual de apuração do crédito presumido agroindustrial. Para a recorrente, seria a natureza do bem produzido pela pessoa jurídica que desenvolvesse a atividade agroindustrial, ao passo que, para autoridade fiscal, seria a natureza do insumo adquirido pelo referido estabelecimento agroindustrial. Para melhor compreensão da controvérsia, veja o teor do caput e do § 3º, I e III, do art. 8º da Lei 10.925/2004, na época vigentes, que seguem transcritos: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.583 45 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e [...] III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) No âmbito deste Conselho, até a vigência do art. 33 da Lei 12.865/2013, que acrescentou o § 12 ao art. 8º da Lei 10.925/2004, havia amplo dissenso sobre a questão. A partir de então, em face da natureza interpretativa do novel preceito legal, por força do disposto no art. 106, I, do CTN, passou a ser aplicada o entendimento em que o percentual de presunção seria definido em função da natureza do produto industrializado e não dos insumos nele aplicado. Senão, veja como ficou a redação do citado § 10: Art. 8º [...] [...] § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) grifos não originais Com base nessas considerações, deve ser restabelecido o direito de a recorrente apropriarse do valor do crédito presumido agroindustrial, mediante a utilização do percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, respectivamente, definidas no art. 2o das Leis 10.637/2002 e10.833/2003, a ser aplicado sobre o valor do custo de aquisição de todos insumos utilizados na fabricação dos produtos discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004, independente do tipo, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e de cooperativa agropecuária, na forma do art. 8º, § 1º, da Lei 10.925/2004. II DA GLOSA DAS RECEITAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO Fl. 1605DF CARF MF 46 De acordo com referida Informação Fiscal, a autoridade fiscal apurou que a recorrente não havia registrado operação de exportação no Siscomex o ano de 2008 e que grande parte das vendas com fim específico de exportação, realizadas com CFOP 5501/6501, não cumpriram os requisitos da legislação de regência, porque as mercadorias eram entregues em recintos não alfandegados de uso público. A autoridade fiscal ainda informou que: Em verdade, era a Perdigão Agroindustrial S/A, em seu próprio nome, que “estufava” os contêineres e realizava as exportações. Dessarte, as vendas da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda para a Perdigão agroindustrial S/A eram vendas normais no mercado interno. Em decorrência dessa constatação, a autoridade procedeu a reclassificação das referidas vendas do grupo das receitas de exportação para o das receitas de vendas tributadas no mercado interno, bem como procedeu o recálculo das proporções entre os valores das receitas de vendas no mercado interno (tributadas e não tributadas) e das receitas de exportação, para fim de determinação do novo percentual de rateio dos créditos das referidas contribuições, passíveis de ressarcimento e compensação, nos termos da legislação vigente. A relação das notas fiscais glosadas, emitidas pela recorrente em nome da exportadora Perdigão Agroindustrial S/A., encontramse discriminadas na Planilha denominada “Listagem de locais de entrega das vendas com fim específico de exportação fornecida pelo contribuinte e formatada pela fiscalização”, colacionada aos autos, em que, além de outras, consta a informação do local onde foram armazenados os produtos remetidos pela recorrente. Assim, fica demonstrado que o motivo da glosa em apreço foi a descaracterização da receita de venda com fim específico de exportação em razão do descumprimento dos requisitos estabelecido para o referido regime de isenção. No recurso em apreço, a recorrente alegou que a não incidência (desonerações) das referidas contribuições sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, estabelecida nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se tratava de hipótese de isenção, mas de imunidade tributária objetiva, prevista no art. 149, § 2, I, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), que objetivava “desonerar receitas vinculadas (direta ou indiretamente) à exportação”. Além de ser matéria estranha ao motivo da glosa em apreço, para a recorrente não existe diferença entre a imunidade tributária da operação de exportação, estabelecida no art. 149, § 2, I, da CF/1988, a isenção das operações de “vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação”, previstas no art. 5º17, III, da Lei 10.637/2002 e no art. 6º18, III, da Lei 10.833/2002, respectivamente, para a Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do regime de incidência não cumulativa. No caso, diferentemente do regime de imunidade tributária das operações de exportação, o regime de isenção em comento está condicionado a que a venda seja feita (i) a empresa comercial exportadora e (ii) para o fim específico de exportação. Logo, tratase 17 “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação.” 18 “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação.” Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.584 47 matéria regulada por lei, cuja análise de compatibilidade com a CF/1988 é expressamente vedada aos integrantes deste Conselho pelo art. 26A do Decreto 70.235/1972. Assim, uma vez demonstrada a possibilidade de afastamento, passase a analisar o significa e alcance dos preceitos legais que disciplinam o assunto. No ordenamento jurídico do País, existem duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora comum, constituída de acordo com a legislação comum (Código Civil e legislação esparsa) e registrada como exportadora no Registro de Exportadores e Importadores (REI) da Secex e (ii) a trading company (ou ECE), constituída na forma do art. 2º19 do Decretolei 1.248/1972. Enquanto que as vendas com o fim específico de exportação devem os requisitos estabelecidos no parágrafo único do art. 1º Decretolei 1.248/1972, a seguir transcrito: Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. (grifos não originais) Na exportação, o regime de entreposto aduaneiro, que compreende as modalidades de regimes comum e extraordinário, encontrase definido no art 10 do Decretolei nº 1.455/1976, a seguir reproduzido: Art. 10. O regime de entreposto aduaneiro na exportação compreende as modalidades de regimes comum e extraordinário e permite a armazenagem de mercadoria 19 "Art. 2º O disposto no artigo anterior aplicase às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: I Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; III Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. § 1º O registro a que se refere o item I deste artigo poderá ser cancelado, a qualquer tempo, nos casos: a) de inobservância das disposições deste DecretoLei ou de quaisquer outras normas que o complementem; b) de práticas fraudulentas ou inidoneidade manifesta. § 2º Do ato que determinar o cancelamento a que se refere o parágrafo anterior caberá recurso ao Conselho Monetário Nacional, sem efeito suspensivo, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de sua publicação. § 3º O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer normas relativas à estrutura do capital das empresas de que trata este artigo, tendo em vista o interesse nacional e, especialmente, prevenir práticas monopolísticas no comércio exterior." Fl. 1607DF CARF MF 48 destinada a exportação, em local alfandegado: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I de uso público, com suspensão do pagamento de impostos, no caso da modalidade de regime comum; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II de uso privativo, com direito a utilização dos benefícios fiscais previstos para incentivo à exportação, antes do seu efetivo embarque para o exterior, quando se tratar da modalidade de regime extraordinário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O regime de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade extraordinário, somente poderá ser outorgado a empresa comercial exportadora constituída na forma prevista peloDecretoLei no1.248, de 29 de novembro de 1972, mediante autorização da Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2º Na hipótese de que trata o § 1o, as mercadorias que forem destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabelecido em regulamento, poderão ficar armazenadas em local não alfandegado. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) O entreposto aduaneiro na exportação encontrase regulamentado nos arts. 410 a 415 do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), dos quais, pela pertinência, transcrevese os arts. 410 e 411 a seguir: Art. 410. O regime especial de entreposto aduaneiro na exportação é o que permite a armazenagem de mercadoria destinada a exportação (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, caput, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). Art. 411. O entreposto aduaneiro na exportação compreende as modalidades de regime comum e extraordinário (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, caput, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). § 1º Na modalidade de regime comum, permitese a armazenagem de mercadorias em recinto de uso público, com suspensão do pagamento dos impostos federais (DecretoLei nº1.455, de 1976, art. 10, caput, inciso I,com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 2º Na modalidade de regime extraordinário, permitese a armazenagem de mercadorias em recinto de uso privativo, com direito a utilização dos benefícios fiscais previstos para incentivo à exportação, antes do seu efetivo embarque para o exterior (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, inciso II,com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). § 3º O regime de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade extraordinário, somente poderá ser outorgado a empresa comercial exportadora constituída na forma prevista no art. 229, mediante autorização da Secretaria da Receita Federal Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.585 49 do Brasil (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, §1º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). § 4º Na hipótese de que trata o § 3o, as mercadorias que forem destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabelecido pela autoridade aduaneira, poderão ficar armazenadas em local não alfandegado (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, § 2º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). Com base nos referidos comandos normativos, inferese que as vendas com fim específico de exportação, para serem beneficiadas com a isenção das referidas contribuições e integrarem a receita de exportação, para fim rateio do crédito apropriado, depende do cumprimento dos seguintes requisitos: a) remessa das mercadorias para embarque de exportação ou entrega em entreposto aduaneiro de regime comum ou extraordinário, nas vendas para trading companies; e b) remessa das mercadorias para embarque de exportação ou entrega em entreposto aduaneiro de regime comum, nas vendas para demais comerciais exportadoras comum. Assim, quer os produtos sejam vendidos a trading companies, quer o sejam vendidos a empresas exportadoras comuns, para usufruir os benefícios fiscais de incentivo à exportação, o produtorvendedor de remetêlos diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem da empresa adquirente, ou para depósito alfandegado de uso público ou privativo (neste último caso, se a venda foi para trading company). A única exceção a exigência de armazenamento em local não alfandegado, encontrase prevista no art. 411, § 4º, do RA/2009. Porém, ela se aplica apenas às vendas realizadas à trading company e para “as mercadorias que forem destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabelecido pela autoridade aduaneira”, situação que não se vislumbra no caso em apreço, em que a adquirente dos produtos fora uma empresa comercial exportadora comum. Dessa forma, para que as vendas fossem consideradas com fim específico de exportação, a remessa das mercadorias deveriam ter sido realizadas sob a forma de (i) embarque direto para o exterior ou (ii) armazenagem das mercadorias em recinto alfandegado de uso público sob regime de entreposto aduaneiro comum. Nos presentes autos, inexiste controvérsia quanto ao fato de que a recorrente não cumpriu nenhum dos dois requisitos. De fato, a própria recorrente reconheceu que, o caso concreto envolvia a venda com fim específico de exportação da recorrente (Perdigão Agroindustrial Mato Grosso S/A.) para a Perdigão Agroindustrial S/A., “a qual, após estufar contêineres, realiza a exportação dentro do prazo de 180 dias do recebimento dos produtos.” Para a recorrente, a fiscalização se apegou a formalismo desnecessário (desproporcional), ao descaracterizar as vendas com fim específico exportação e reenquadrá las como vendas normais no mercado interno, “na medida em que os fatos confirmam claramente que houve uma exportação, atingindo claramente a finalidade normativa, desde a Constituição Federal até as demais legislações”. Com a devida vênia, diferentemente da recorrente, entendese que as formalidades estabelecidas na referida legislação não são desnecessárias e tampouco Fl. 1609DF CARF MF 50 desproporcional. Deveras, tais requisitos visam assegurar o controle da utilização do regime de isenção e dos benefícios fiscais de incentivo à exportação, especificamente, para evitar que haja utilização da isenção e utilização em duplicidade dos correspondentes benefícios fiscais. Também não procede a alegação da recorrente de que o suposto descumprimento da exigência do depósito da mercadoria em armazém alfandegado não se dera por mera liberalidade sua, mas em razão da falta de estrutura do próprio Estado, uma vez que, diante da quantidade de produtos exportados pela recorrente, a Receita Federal não tinha locais suficientes. A uma, porque não há provas do alegado. A duas, porque parte das mercadorias foram depositadas em depósito alfandegado, o que não justifica que as demais não o tenham. A recorrente alegou ainda que a responsabilidade e a culpa por esta “mera irregularidade” não podia serlhe imputada, mas a pessoa jurídica adquirente dos produtos. Sem razão a recorrente. Ora, se cabia a recorrente o cumprimento da exigência legal, para que a venda por ela realizada fosse caracterizada com fim específico de exportação, logo somente se a operação tivesse sido feita de acordo com os requisitos legais, certamente, ela deixaria de ser a responsável por quaisquer créditos tributários decorrentes de tais operações, mesmo que a exportação eventualmente não fosse efetivada pela adquirente/exportadora. Porém, no caso em tela, não foi o que aconteceu, conforme anteriormente demonstrado. Por todas essas razões, deve ser mantida integralmente a glosa do valor da receita das vendas com fim específico de exportação. B) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, no mérito, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para restabelecer: a) o direito ao crédito da contribuição a ser calculado sobre (i) o custo de aquisição do Óleo Diesel e do Álcool Etílico Combustível e (ii) custo de prestação dos seguintes serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga, nos trimestres em que adquiridos tais insumos; e b) o direito de apropriarse do valor do crédito presumido agroindustrial, mediante a utilização do percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, a ser aplicado sobre o valor do custo de aquisição de todos os insumos aplicados na fabricação dos produtos de origem animal utilizados na alimentação humana e animal, discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004, incluindo o valor (i) das aquisições dos pintos de 1 dia, adquiridos com alíquota zero de pessoa jurídica com atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária e (ii) das aquisições de pessoa jurídica com atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, sujeitas a obrigatória suspensão, mas indevidamente tributadas pelas contribuições. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302003.607 S3C3T2 Fl. 1.586 51 Fl. 1611DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.004450/2004-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não padece de nulidade a autuação que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito.
Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. Alegada eventual irregularidade, cabe à autoridade julgadora verificar se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar-se do princípio da informalidade do processo administrativo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
Para o ano calendário de 1999, ocorreu em 31/12/1999. Cientificado da autuação em 11/12/2004, não havia decorrido o período decadencial, portanto.
MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. PRECLUSÃO.
Os artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972 (PAF), que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, dizem que é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. A norma do PAF, art. 16, § 4º, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO. ANÁLISE INDIVIDUALIZADA. SÚMULA CARF Nº 26. SÚMULA CARF Nº 02.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
A conclusão de inaplicabilidade do dispositivo legal, artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não pode se dar por indícios e em termos genéricos, isso porque a análise de depósitos bancários (créditos), para fins de aplicação do supracitado artigo, deve se dar individualizadamente, para efeito de determinação da receita omitida, a teor de seu § 3º.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, má instrução probatória ou instrução insuficiente realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Precedentes da CSRF. Acórdão nº 9303-002.548.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, indeferir o pedido de diligências e, no mérito, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado).
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado César Piantavigna, OAB/ES nº 6740.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade a autuação que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. Alegada eventual irregularidade, cabe à autoridade julgadora verificar se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Para o ano calendário de 1999, ocorreu em 31/12/1999. Cientificado da autuação em 11/12/2004, não havia decorrido o período decadencial, portanto. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. PRECLUSÃO. Os artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972 (PAF), que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, dizem que é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 44 50 /2 00 4- 92 Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.062 2 instaura a fase litigiosa do procedimento. A norma do PAF, art. 16, § 4º, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO. ANÁLISE INDIVIDUALIZADA. SÚMULA CARF Nº 26. SÚMULA CARF Nº 02. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A conclusão de inaplicabilidade do dispositivo legal, artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não pode se dar por indícios e em termos genéricos, isso porque a análise de depósitos bancários (créditos), para fins de aplicação do supracitado artigo, deve se dar individualizadamente, para efeito de determinação da receita omitida, a teor de seu § 3º. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, má instrução probatória ou instrução insuficiente realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Precedentes da CSRF. Acórdão nº 9303002.548. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, indeferir o pedido de diligências e, no mérito, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.063 3 Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado). Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado César Piantavigna, OAB/ES nº 6740. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 857), complementandoo ao final: Trata o presente processo de lançamento de oficio de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente aos anos calendário de 1999 e 2000, consubstanciado no Auto de Infração às fls. 768 a 774. 2 O valor lançado inclui imposto suplementar de R$ 2.947.074,08, multa de oficio de 75%, no valor de R$ 2.210.305,56, e acréscimos moratórios cabíveis. 3 A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse detalhados no demonstrativo às fls 770 e 771 e Termo de Constatação e Verificação Final às fls. 724 a 767, versando sobre a seguinte infração: 001 — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. 4 Mediante Termo de Início de Fiscalização (13/02/2004 fls. 44 a 46), o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários de todas as contas por ele movimentadas, tendo sido solicitado, na ocasião, a apresentar a documentação comprobatória da origem de todos os créditos efetuados nestas contas. O contribuinte, inicialmente (26/03/2004), apresentou apenas parte dos extratos, referentes ao Banco do Brasil (fls. 78 a 116), e informou (fl. 55, item 5.4) que apresentaria a documentação referente às operações realizadas pelo requerente e que deram origem aos créditos efetuados nas contas bancárias juntamente com o restante dos extratos do HSBC tão logo estes fossem entregues pelo banco. 5 O contribuinte apresentou posteriormente os extratos do HSBC (fls. 467 a 562) e esclareceu (15/06/2004 fl. 310 e 311), com a apresentação de planilhas explicativas, que a maior parte dos recursos que transitaram em suas contas correntes eram provenientes de intermediação de negócios diversos — cereais, animais, veículos e outros bens, inclusive imóveis próprios e de terceiros — além da obtenção de empréstimos junto a pessoas físicas amigas para pagamento a prazo. Os recursos movimentados em suas contas seriam, portanto, de terceiros. Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.064 4 6 De posse dos extratos de movimentação financeira do contribuinte obtidos mediante RMF — Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (17/04/2004 fls. 574 a 712), a fiscalização selecionou uma série de depósitos bancários e intimou (15/07/2004 fls. 121 a 140) o contribuinte a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas. 7 Novamente o contribuinte esclareceu (26/08/2004 — fls. 1E47 e 148), com apresentação de planilhas explicativas, que os recursos que transitaram em suas contas correntes eram provenientes de intermediação de negócios diversos, além de venda de imóveis e produtos agrícolas, bem como obtenção de empréstimos junto a pessoas físicas amigas para pagamento a prazo e transferências entre contas bancárias do próprio contribuinte. 8 Da análise do que foi apresentado pelo contribuinte, a fiscalização concluiu que as alegações apresentadas não estavam corroboradas por nenhum documento comprobatório e intimou (14/09/2004 — fls. 567 e 568) o contribuinte a apresentar as notas fiscais da atividade rural e documentos que guardassem consonância com os créditos bancários e/ou operações comerciais realizadas, com explicação individualizada por documento. 9 Em resposta (20/09/20009 — fls. 569 571), o contribuinte informou que um funcionário seu, pensando que os blocos das notas não tinham mais serventia, destruiuos junto com papéis velhos que estavam guardados em um paiol. O fiscalizado esclareceu, ainda, que não possuía escrituração individualizada das remessas efetuadas em razão das operações de intermediação realizadas por ele. 10 Entendendo que o contribuinte não comprovou a origem dos valores questionados exceto pelo itens "c", "e" e "f" à fl. 731, transferências entre contas de mesma titularidade à fl. 733 e estornos às fls. 762 e 763 , a fiscalização, com base no art. 42, da Lei n.° 9.430/96, lavrou auto de infração considerando como receita omitida os valores listados às fls. 733 a 765, com discriminação individualizada de banco, agência, conta, data, histórico e valor. DA IMPUGNAÇÃO 11 Cientificado do Auto de Infração em 11/12/2004 (fl. 777), o contribuinte, por intermédio de seu procurador (instrumento de mandato à fl. 57; cópia da carteira de identidade à fl. 828), protocolizou impugnação em 10/01/2004 (fls. 784 a 800), em que apresenta as seguintes razões: 12 Alega, inicialmente, que, tendo recebido o Auto de Infração em 11/12/2004, um sábado, o termo inicial do prazo se deu na terçafeira, dia 14/12/2004, é tempestiva a sua impugnação protocolizada em 10/01/2005. Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.065 5 13 No que se refere à venda de veículos, afirma que é prática comercial comum deixar o carro em consignação com um intermediário de confiança, com um preço mínimo de venda, ficando a diferença positiva entre o preço final e o piso fixado pelo vendedor com o agenciador de negócios (intermediário), como seu ganho no processo de venda. 14 Na Grande Vitória atuariam mais de 1.000 empresas e mais de 3.000 pessoas físicas, num ambiente de forte concorrência, pequena margem de lucro e baixa capacidade de financiamento de capital de giro, sendo a consignação com preço mínimo a sistemática mais utilizada nesse mercado. 15 A fim de garantir que o intermediário receba a sua parte e o ressarcimento pelos anúncios, a tradição nesse setor seria no sentido de se depositar o valor da venda na conta do agenciador, para que este, descontando a sua comissão e despesas, repasse posteriormente ao vendedor. 16 Essa prática, pela qual o certificado que comprova a venda não passa pelo nome do intermediário, proporcionaria um alto volume financeiro, mas os rendimentos que ficariam efetivamente com o intermediário seriam muito pequenos. A margem bruta de lucratividade, em termos médios, seria de 1,5%. 17 O contribuinte enaltece as suas habilidades comerciais e alega que é documentalmente impossível apresentar documentos para cada depósito bancário, pois grande parte das vendas é feita com documentos de terceiros. Nesse sentido, afirma que se a integralidade da quantia que passou por suas contas bancárias lhe pertencesse, o seu nível de vida social e econômico seria muito superior. 18 Alega que, ao apresentar a descrição pormenorizada de suas operações, gerou a oportunidade de a fiscalização comprovar suas afirmações e, com a quebra do sigilo bancário, a Receita Federal teria elementos de comparação entre as informações prestadas pelo fiscalizado e a listagem dos cheques depositados em suas contas bancários. 19 Afirma que não manteve em seu poder cópia de todos os documentos das negociações realizadas com veículos, e apresenta demonstrativo de valores relacionados a certificados de registro de veículo à fl. 791. 20 Reclama que a fiscalização não considerou os rendimentos já declarados e/ou tributados, admite que houve omissão parcial dos rendimentos referentes às comissões auferidas na intermediação de negócios e bens de terceiros, e afirma que o Conselho de Contribuintes e a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionaram no sentido de que cabe a tributação apenas da margem de lucro e que são improcedentes as autuações que se baseiam somente em depósitos bancários, sem uma pesquisa da destinação dos recursos. Apresenta decisões do Conselho de Contribuintes. Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.066 6 21 Para demonstrar que desenvolvia atividade de emprestar e tomar emprestado recursos de pessoas amigas, junta cópia de duas notas promissórias. 22 A fim de provar que parte expressiva dos recursos que transitaram por suas contas pertence a terceiros, assevera que foi entregue à Fiscalização cópias de várias DOCs emitidos em favor de outras pessoas físicas e pessoas jurídicas, conforme listagem em anexo. 23 Cita decisão administrativa do Conselho de Contribuintes, levando aos autos trechos do posicionamento do relator Remis Almeida Estol. 24 Fazendo um resumo da jurisprudência administrativa, conclui que, mesmo com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é necessário que os recursos depositados na conta corrente de um cidadão sejam convertidos em renda; que os depósitos tributados pela fiscalização em um determinado mês servem de subsídio para cobrir depósitos bancários realizados nos mês posteriores e que o saldo apurado em 31/12 de um determinado ano, repassase; e que o contribuinte pessoa física não precisa ter escrituração semelhante à de uma empresa, com a obrigatoriedade de observância de sincronismo ou coincidência de datas e valores, devendo ser aceitos os argumentos que guardem correlação entre si e justifiquem a variação patrimonial correspondente ao mês calendário examinado. 25 Ao final, diante do que expõe, requer a improcedência integral do lançamento. Ao julgar a manifestação do contribuinte, a DRJ no Rio de Janeiro/RJ II , em resumo, dispôs que a Lei nº 8.021/1990, primeiramente, estabeleceu a possibilidade de arbitramento de rendimentos com base em depósitos bancários. Posteriormente, a Lei nº 9.430/1996 deu disciplina diferente, criando uma presunção legal que exige exclusivamente do contribuinte demonstrar a exata correlação entre cada valor depositado e a origem do recurso correspondente. Informações genéricas sobre intermediação de negócios, sem demonstrar a natureza da operação e sem prova documental, não podem ilidir a presunção legal. Decidiuse assim pela improcedência da impugnação. Cientificado dessa decisão em 02/09/2009, pela ciência pessoal da Procuradora, na fl. 867, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/10/2009, com protocolo na fl. 870. Em sede de recurso, em suma, assim se manifesta: 1 a fiscalização foi exigente ao determinar a comprovação individualizada dos depósitos, sem considerar o tempo decorrido desde os fatos averiguados. 2 alude especificamente à comprovação de transações envolvendo veículos, sustentando ter indicado a correlação entre comprovantes de depósitos bancários e certificados de registros de veículos, em operações de compra e venda. A fiscalização furtouse de circularizar os envolvidos nessas transações, o que seria um procedimento comum. Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.067 7 3 houve pressa em encerrar a fiscalização, sem efetuar as devidas averiguações, por causa da risco de decadência dos fatos ocorridos em 1999. 4 a exigência de que fosse comprovada a movimentação de forma individualizada submeteu uma pessoa física ao tratamento fiscal de uma pessoa jurídica. Cita termos do artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, para entender que o preceito destinase a pessoa jurídicas, apenas. 5 o contribuinte apresentou Escritura de compra de imóvel, ao invés de Escritura de venda. Se a fiscalização o tivesse intimado, teria contornado o lapso, como foi feito nas fls. 810/813, no sentido de justificar o valor de R$ 221.000,00 nos anos de 1999 e 2000 ("A negociação envolveu o total de R$ 260.000,00. Porém, deste valor o recorrente só recebeu R$221.000,00 nos anos de 1999 e 2000, por intermédio de 17 (dezessete) promissórias de R$ 13.000,00 cada, cujos vencimentos se deram a partir do mês de JULHO de 1999. A respeito, consultese a fl. 811 dos autos"). 6 anexa documentos para comprovar que a fiscalização incorreu em erro, inclusive planilhas que especificam as pessoas com que o recorrente celebrou transações e declaração prestada em cartório de pessoa com quem realizou numerosas negociações que perfizeram o montante de R$ 2.409.259,07, nos anos de 1999 e 2000. 7 defende que a anexação de provas no processo administrativo é admitida a qualquer tempo, em respeito ao princípio da verdade material. 8 com sua defesa, também demonstrou que dispunha de crédito de R$ 252.522,50 junto a Osny Alvarenga, com vencimento ajustado para 15.07.1999, conforme evidenciado em Nota Promissória na fl. 808. O crédito referente está na fl. 663. 9 diz que houve cerceamento de defesa ao não serem analisados esses pontos. PEDE a decadência tocante ao período de 01/1999 a 11/1999; cancelamento por cerceamento do direito de defesa ou redução a "montantes compatíveis com rendimentos tributáveis". Alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que se proceda a "nova estimativa de crédito tributário", com base nos documentos anexados ao presente feito. São anexadas centenas de documentos, que não foram especificados no recurso. Na fl. 1996, consta Sentença Judicial que trata de pedido do contribuinte para produção de prova testemunhal, a fim de ser considerada neste processo administrativo. Ata de audiência e depoimentos das testemunhas nas fls. 1989 a 1994. Na fl. 2042 consta a Resolução 2202000.492, de 18 de junho de 2013, que decidiu pelo sobrestamento do julgamento, em vista da decisão do STF no sentido de reconhecer a repercussão geral do tema baseado no acesso aos dados bancários do contribuinte, diretamente pelo Fisco. Superadas as razões do sobrestamento, o processo retorna à pauta de julgamentos. Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.068 8 É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é aquela existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo magnético (arquivo .pdf) NULIDADES. CERCEAMENTO DE DEFESA. O contribuinte pugna pela nulidade do procedimento fiscal porque a fiscalização não teria circularizado terceiros e acatado os documentos que lhe foram apresentados para excluir do montante dos depósitos bancários considerados na autuação. No Termo de Constatação e Verificação Fiscal, que consta das fls. 742 e seguintes, o Auditor Fiscal analisa toda a documentação que lhe fora apresentada até então, e motiva individualizadamente porque aceitou ou não cada documento. Planilhas elaboradas não foram aceitas pois desacompanhadas de documentos, por exemplo. Além disso, foram considerados alguns créditos decorrentes da venda de imóveis, com a apresentação de escrituras, e não considerados outros, pois a escritura era de compra e não de venda. Manifestouse ainda, fundamentadamente, sobre os documentos de transferência de veículos apresentados. Existem listagens pormenorizadas dos valores apurados, dos considerados comprovados e daqueles não comprovados, permitindo ao contribuinte saber exatamente, um a um, quais créditos em contas bancárias foram levados à apuração no Auto de Infração. Na folha 799, consta que obteve acesso e cópia dos autos. Nada lhe foi cerceado. Assim, foi possível ao contribuinte impugnar de forma lógica e dentro do prazo legal, apresentando suas razões. Conforme relatado, também o julgador de 1ª instância apresentou decisão motivada, relatando a autuação e a impugnação. Baseouse na ausência de comprovação específica para cada depósito, não aceitando genericamente a descrição das operações comerciais do recorrente e a não indicação do depósito a que se referiam cada uma de suas alegações. Entendeu necessária "exata correlação entre cada valor depositado e a origem do recurso correspondente". De acordo com os artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar que instaura a fase litigiosa do procedimento. Entendo no mesmo sentido em que leciona LEANDRO PAULSEN, de que o reconhecimento de vício formal depende de se observar eventual prejuízo à defesa. Vejamos: “Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.069 9 constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar se do princípio da informalidade do processo administrativo.” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) Não verifico nenhuma nulidade no Auto de Infração, do qual o contribuinte deveria defenderse. Não padece de nulidade a autuação que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. DECADÊNCIA No recurso também é aventada decadência do direito de lançar relativo a fatos geradores ocorridos entre 01/1999 e 11/1999. O lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 11/12/2004, conforme AR na fl. 795. Diz a Súmula CARF nº 38: Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário.(destaquei) Assim, para o ano calendário de 1999 não ocorrem, no caso, fatos geradores mensais, decorrentes da omissão de depósitos, sendo toda ela levada ao ajuste anual, quando ocorre o fato gerador periódico, por ficção, em 31/12. Em 11/12/2004 não haviam se passado cinco anos, portanto. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DAS PROVAS No dizer de Humberto Theodoro Júnior, “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo” (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) Pois bem, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.070 10 Conforme os artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) A norma do PAF, Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A alegação do contribuinte de que as provas podem ser apresentadas em qualquer momento, até o julgamento, desconsidera totalmente desse dispositivo. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. A análise fria da norma chocase, prima facie, com os princípios da verdade material, sempre considerado nos julgamentos administrativos, e com a ampla defesa, homenageada no texto constitucional. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entende abalizada doutrina, contudo, que, apesar disso, a lei específica, no caso o Decreto nº 70.235/1972, aplicarseia ao processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Entretanto, como concluem ressalvando correntes em contrário , Maria Teresa Martínez Lopez e Marcela Cheffer Bianchini, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, verificase a tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos “notórios ou incontroversos”, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Assim, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (A Prova no Processo Tributário, Coord. NEDER, Marcos Vinícius e outros – São Paulo : Dialética, 2010, p. 34 a 51) É preciso, portanto, analisar a situação objetivamente. No caso de depósitos bancários, especificamente, com a tributação baseada na presunção estabelecida pelo artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, entendo que essa questão deva ser vista de forma bastante restrita. Vejamos que se a autoridade fiscal intima o contribuinte a justificar, nos termos da lei, a origem dos depósitos e o mesmo se cala, durante a fase inquisitória, o lançamento será escudado no supracitado dispositivo legal. Se ainda durante a impugnação, não apresenta documentos, a DRJ mantém o lançamento com base em depósitos bancários de Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.071 11 origem não comprovada. Aí, em sede recursal, apresenta documentos para comprovar a origem dos depósitos? Inviabiliza a aplicação da presunção legal, bastando calarse na fase inquisitória, e suprime instância, no caso, não submetendo os documentos à análise da DRJ. Não é possível que se aceite todo e qualquer documento, a não ser que servissem para demonstrar que aqueles depósitos eram referentes a rendimentos isentos ou não tributáveis, ou que foram já tributados na declaração de rendimentos ou que fosse motivada a impossibilidade de apresentálos antes, valendose da previsão das alíneas do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF): § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Não verifico qualquer prova sobre a impossibilidade acima suscitada nem existem as hipóteses das alíneas 'b' ou 'c', no caso. MÉRITO O lançamento foi lastreado no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com base na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados. A partir dos extratos bancários, o Auditor Fiscal intimou o contribuinte a justificar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados. Não havendo resposta individualizada, foi feito o lançamento com base na presunção estabelecida no dispositivo legal. A pequena parte em que o contribuinte comprovou a correlação entre operação e depósito, com a apresentação de documentos, foi excluída da tributação. Antes de tudo, importante esclarecer que a artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 é dispositivo legal em pleno vigor e que diz a Súmula CARF nº 2, de observância obrigatória, que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.072 12 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Quanto a matéria relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, fundada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, não é necessário, na hipótese legal, o Fisco efetuar demonstração de que os depósitos foram consumidos ou que são receitas novas para o contribuinte. Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.073 13 Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Regina Helena Costa e Misabel Derzi ensinam que o legislador, para tornar viável a aplicação da lei, muitas vezes cria presunções, ficções, padronizações, dentro do que as autoras definem como "praticabilidade da tributação" (COSTA, Regina Helena, Praticabilidade e justiça tributária. Exequidade de Lei Tributária e Direitos do Contribuinte. São Pauto: Malheiros, 2007, p.52 e DERZI, Misabel. Princípio da Praticabilidade do Direito Tributário, in Revista de Direito Tributário nº 47. São Paulo: Malheiros, janmar/1989, p.166179) Assim, os extratos bancários constantes dos autos são suficientes para a comprovação dos depósitos bancários e sobre estes é correta a aplicação da presunção de omissão de rendimentos, quando o contribuinte, regularmente intimado, não demonstra, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. Alegações genéricas não podem ilidir a presunção legalmente estabelecida. Vejamos a recente jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Acórdão 9202003.823, de 08 de março de 2016 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. (...) O que o recorrente procurou demonstrar, com os documentos que trouxe, é que o contribuinte realizava atividade comercial com circulação de dinheiro em suas contas correntes de pessoa física. Na impugnação, foi descrito como um comerciante nato, muito requisitado na intermediação de negócios de toda espécie. Ainda que fosse superada a questão da apresentação das provas apenas na fase recursal, para que se pudesse excluir depósitos com base na alegação de se referirem a negócios típicos de pessoas jurídicas, deverseia analisar depósito a depósito, com apreciação da razoável coincidência entre datas e valores e as operações comerciais alegadas. Nas folhas 894 e ss. foram anexadas planilhas com o nome de diversas pessoas físicas e jurídicas, colunas de crédito, débito e total. Mas o que é isso? O recurso não diz. A que depósitos bancários listados nos extratos se referem? Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.074 14 Nas folhas 931 e ss. vem centenas de folhas (muitas rabiscadas) de uma escrituração tipográfica sem qualquer registro oficial em nome de Rodoviário Sudeste. Que empresa é essa? Qual a relação com os depósitos bancários constantes dos extratos? Nas fls. 1410 e ss. constam comprovantes de movimento bancário, mas a que operação se referem? Justamente porque é preciso se verificar a questão da tributação da operação. É compra e venda? Doação? Empréstimo? Já havia alertado o Julgador de 1ª instância que (fl. 862): Por outro lado, esclareço que a acepção da palavra origem utilizada no artigo 42 da Lei n2 9.430/96, não significa simplesmente demonstrar quem é o responsável pelo depósito, mas, principalmente, identificar e comprovar a natureza da operação que deu causa ao crédito. Nas folhas 1440 e ss. há contratos mercantis aos quais o recurso não faz qualquer alusão. Juntar um grande volume de documentos ao recurso não justifica que se determine diligência para nova análise de questões que já foram tratadas pela autoridade fiscal em sua conclusão do trabalho. O contribuinte junta milhares de documentos, sem fazer nenhuma alusão pontual a eles no seu recurso, especialmente tratandose de tributação muito específica, baseada no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Por exemplo, de que se trata a Certidão Simplificada de Registro na Junta Comercial do Espírito Santo da empresa Refrigerantes Iate S/A, da qual são sócios John Ellis e Eleanor Williams, que consta da folha 1457? Qual a relação com os extratos bancários? Entendo mesmo impróprio o pedido de diligência porque a impugnação deveria ser instruída com os documentos que se basear, como já aqui mencionado, e não cabe devolver à autoridade fiscal estes autos para que refaça seu trabalho, já bem concluído em Termo específico. De acordo com o artigo 18 do PAF, as diligências ou perícias servem para sanar dúvidas do julgador, dentro daquilo que entende imprescindível para formar sua convicção, não para que a autoridade administrativa faça provas das alegações do contribuinte. Neste caso, entendo que deva ser indeferido pedido nesse sentido. Vejamos a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Acórdão nº 9303002.548, de 09/10/2013. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Prosseguindo, a análise de depósitos bancários, para fins de aplicação do supracitado artigo 42, deve se dar "individualizadamente". Vejamos: Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.075 15 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados:(grifei) Assim, entendo que manter diversas relações comerciais com João Gilberti Sartório em 1999 e 2000, como aludem os documentos e declarações não pode justificar os depósitos "em bloco". Bem como também não ilidem a tributação os depoimentos de testemunhas que o contribuinte manejou judicialmente, como se observa na Sentença de fls. 1996 e nos depoimentos de fls. 1990 e seguintes. O contribuinte era um comerciante que realizava atividades e auferia rendimentos sem qualquer registro. Vejamos que apesar de descrito na Impugnação (fl. 805): Desde adolescente é um comerciante nato, que enxerga bons negócios e que se dedica 12 horas por dia para pesquisar oportunidades, convencer ao dono a concederlhe a preferência de venda via consignação (a quase totalidade das vezes), localizar o interessado, satisfazer às partes e ainda conseguir um mark up. Tem o dom para intermediar de tudo. Na área rural aprecia os mercados de leguminosas e grãos. Por ter credibilidade, com telefonemas pode aproximar pessoas que gostariam de vender e comprar. Em 1999, exercício de 2000, apresentou Declaração de Ajuste Anual Simplificada (fl. 37) com um total de rendimentos tributáveis de R$ 32.956,00, mais rendimentos isentos e não tributáveis de R$ 45.677,00. Na listagem de bens e direitos (fl. 38) consta a alienação de dois bens: a Manoel C. Pessanha, em setembro de 1999, e outro a Delano Silva em julho de 1999. Declarou ainda atividade rural, com receitas de 74.780,00 e despesas de R$ 14.147,00, mas sem apurar resultado tributável (fl. 39). Em 2001, exercício de 2000, novamente valeuse do modelo simplificado de declaração (fl. 41) para informar rendimentos tributáveis totais de R$ 13.827,40, rendimentos isentos e não tributáveis de R$ 31.091,60. O total de bens passou de R$ 193.917,21 para R$ 375.236,30. Nessa declaração, registrouse a venda de dois imóveis a Osny Alvarenga, um por R$ 50.000,00 e outro por R$ 10.000,00. Foi informado o preço de venda igual ao de compra. Aqui apurouse um resultado tributável de atividade rural de R$ 13.827,40, ou seja, todo o rendimento tributável do contribuinte, em 2000, decorreu de atividade rural e os rendimentos não tributáveis foram decorrentes do resultado correspondente também da atividade rural. Nada foi declarado como rendimento de sua intensa atividade na intermediação de diversos negócios. Nenhum rendimento dessa atividade foi oferecido à tributação. Não houve também nenhum rendimento oferecido à tributação decorrente de ganho de capital na compra e venda de imóveis. Assim, superada a fase de lavratura do Auto de Infração, apresentar documentos para comprovar que dispunha de crédito de R$ 252.522,50 junto a Osny Alvarenga, com vencimento ajustado para 15.07.1999, conforme evidenciado em Nota Promissória na fl. 808 ("o crédito referente está na fl. 663") não pode ilidir a presunção legal. De que decorre esse crédito? Foi compra e venda? Prestação de serviços? Onde foi tributado? (obs: a nota está na folha 829 e o extrato na fl. 677 da numeração digitalizada). Não constando Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.076 16 de sua declaração de rendimentos, ou demonstra que eram rendimentos não tributáveis, ou que já foram tributados ou está correta a presunção legal de omissão de rendimentos. Tivesse apresentado a Nota Promissória aludida ao Auditor Fiscal e informado a operação que deu origem a esse crédito junto a Osny Alvarenga, seria possível evitar a tributação com base em depósitos de origem não comprovada, verificandose a tributação correta. Não o fazendo, correta a aplicação da tributação na forma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Repito o que disse o Julgador de 1ª instância que (fl. 862): Por outro lado, esclareço que a acepção da palavra origem utilizada no artigo 42 da Lei n2 9.430/96, não significa simplesmente demonstrar quem é o responsável pelo depósito, mas, principalmente, identificar e comprovar a natureza da operação que deu causa ao crédito.(destaquei) O mesmo raciocínio aplico à operação de alienação de imóvel, a Delano Delfino da Silva e sua esposa (fl. 831). A Escritura diz que o imóvel foi vendido por R$ 260.000,00, para pagamento em parcelas de R$ 13.000,00, a partir de 14/07/1999. Essa alegação foi de fato feita à fiscalização, mas não foi apresentado o documento correto. Apresentar escritura de compra não pode servir para justificar depósitos bancários em suas contas. O termo de conclusão fiscal tratou disso. Esse imóvel vendido a Delano constava na DAA do contribuinte pelo valor de R$ 200.000,00, adquirido no mesmo ano de 1999. Ou seja, na compra e venda de imóvel, dentro do mesmo ano, o contribuinte obteve um ganho de capital de R$ 60.000,00. Onde foi tributado? Onde esteve apurado? E mais, onde estão depositadas as parcelas de R$ 13.000,00 mensais? Não verifiquei que o recorrente apontasse isso no recurso, para conferir com os extratos bancários. Transitaram por suas contas correntes? Lembro que o contribuinte foi apresentado como um comerciante intenso, que realizava "todo tipo de intermediação". Assim, é possível que essas parcelas tenham sido repassadas diretamente a terceiros, para subsidiar outros negócios. No mesmo ano, como está registrado em suas DAA, comprou e vendeu imóveis com intervalo de meses, apenas. Portanto, não se pode presumir que todas as parcelas de R$ 13.000,00 transitaram por suas contas correntes (existe a inversão do ônus), para excluir o valor total da venda do imóvel da apuração, cabendo a ele, pelo que está estabelecido na lei, apontar especificamente o depósito, nos extratos. Na mesma linha de raciocínio, não compete, no caso, à fiscalização circularizar contribuintes para verificar se as alegações do interessado são verdadeiras. No caso da compra e venda de veículos, deveria apresentar a documentação de transferência e correspondêla ao depósito, individualizadamente. Não entendo que o "manuscrito anexado à fl. 245"(fl. 254 dos autos eletrônicos) seja documento válido para o fim a que se propõe. A despeito disso, entretanto, na peça recursal, fl. 877, à guisa de ilustração, o contribuinte diz que a partir desse manuscrito é possível verificar a operação referente à negociação de um caminhão, no dia 04/01/1999, pelo valor de R$ 19.340,00, remetendo ao extrato bancário que está na folha 480. O valor de R$ 19.340,00 está lançado no extrato "a débito", ou seja, é uma Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.077 17 saída de recurso, não uma entrada, que é o foco da fiscalização. Na folha 254 consta "pagamento referente a um caminhão", manuscrito. O que a fiscalização pretendeu é que ele comprovasse "os créditos" em suas contas correntes, não os débitos. Esse caminhão foi comprado em 04/01/1999 e quando foi vendido? Por quanto? O contribuinte auferiu rendimentos nessa operação? Estão declarados? Não concordo com a leitura que fez o contribuinte do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, de que somente pessoas jurídicas estariam obrigadas a fazer a comprovação individualizada de depósitos bancários, quando intimados por autoridade fiscal. No caput está escrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. E no parágrafo 3º, que alude especificamente à análise individualizada, o inciso II referese taxativamente a pessoas físicas, vejamos: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (destaquei) Assim, sua interpretação não me parece correta. É claro que o dispositivo legal referese a "pessoa física ou jurídica". CONCLUSÃO Em face do exposto, VOTO por rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, indeferir o pedido de diligências e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 11543.004450/200492 Acórdão n.º 2202003.736 S2C2T2 Fl. 2.078 18 Fl. 2078DF CARF MF
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